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DITORIAL Sempre que começamos um novo projeto em nossas vidas, não sabemos o que realmente vai acontecer dali pra frente, só temos esperanças de que tudo dê certo conforme planejado. A revista Hell Divine começou após uma conversa descompromissada entre amigos e hoje estamos aí, colhendo os frutos depois de duas edições bemsucedidas. Tudo isso graças ao esforço de todos da equipe e, é claro, dos leitores de todo o Brasil que nos têm dado um enorme apoio. Planos mirabolantes surgem em nossas mentes e já estamos traçando metas ousadas para um futuro próximo. Em breve, estarão disponíveis para compra e sorteio, as camisetas personalizadas da Hell Divine Magazine! Juntamente com esta terceira edição, estamos fazendo a estréia da primeira compilação da revista, visando dar espaço às bandas talentosas do underground brasileiro e mundial. Bandas interessadas em fazer parte da próxima compilação, entrem em contato. Sairá do papel, também, o Hell Divine Fest, um festival de Heavy Metal que deverá acontecer simultaneamente em algumas capitais do nosso país, em breve. Não se assuste se encontrar uma edição da Hell Divine no jornaleiro mais próximo em sua cidade! Um projeto despretensioso que vem tomando altas doses de anabolizantes radioativos e crescendo de forma assustadora feito um pequeno monstro que aterroriza por onde passa! Nossa intenção não é assustá-lo caro leitor, mas apenas entretê-lo como um bom filme de terror! Aproveite!

Pedro Humangous.

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QUIPE

Editor Chefe: Pedro Humangous Redatores: Pedro Humangous e Augusto Hunter Designer: Ricardo Thomaz Publicidade: Maicon Leite Revisão: Fernanda Cunha Salim Colaboradores: Igor Scherer, Yuri Azaghal, Marcelo Val, Luiz Ribeiro, Emily Bodom e Rachel Möss. Envio de Material: Rua Alecrim, Lote 4, Ap. 1301 - Ed. Mirante das Águas Águas Claras - Brasília/DF - CEP: 71909-360

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Novembers Doom “Aphotic”

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Pedro Humangous Devildriver “Beast” Xerath “I” Emmure “Speaker Of The Dead” Sylosis “Edge Of The World” Stratovarius “Elysium”

Augusto Hunter Neaera “Armamentarium” Protest The Hero “Gallops Meet The Earth” Painside “Dark World Burden” Banane Metalik “Sex, Blood and Gore ‘N’ Roll” Masterplan “Time To Be King”

Ricardo Thomaz Vicious Rumors “Razorback Killers” Throwdown “Deathless” As Blood Runs Black “Instinct” Cavalera Conspiracy “Blunt Force Trauma” Hatebreed “Supremacy”

Emily Bodom Marduk “Wormwood” Diabolical Masquerade “Nightwork” Cock and Ball Torture “Sadochismo” Salem “Playing God and Other Short Stories” Children of Bodom “Relentless Reckless Forever”

Maicon Leite Demolition Hammer “Epidemic of Violence” Sepultura “Bestial Devastation” Carniça “Temple’s Fall... Time to Reborn” Father’s Face “Soundtrack For a Closing Light” Nevermore “Dead Heart in a Dead World”

Marcelo Val Judas Priest “A Touch Of Evil” Ozzy Osbourne “The Ultimate Sin” Bruce Dickinson “The Chemical Wedding” Overkill “Immortalis” Scorpions “Virgin Killer”

Rachel Möss Circus Maximus “Isolate” Anubis Gate “The Detached” Emperor “A Decade of Emperial Wrath” Diabulus in Musica “Secrets” Evergrey “The Inner Circle”

Yuri Azaghal Burzum “Fallen” Matanza “Odiosa Natureza Humana” Mortuary Drape “Secret Sudaria” Cerimonial Casting “Salem 1692” Darkthrone “Under A Funeral Moon”

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Luiz Ribeiro Amaranthe “Amaranthe” Vintersorg “Jordpuls” Children Of Bodom “Relentless, Reckless, Forever” Bal Sagoth “Atlantis Ascendant” Suidakra “Book Of Dowth”


Sábado, 28 de maio AS I LAY DYING e HEAVEN SHALL BURN São Paulo/SP Somingo, 29 de maio AS I LAY DYING e HEAVEN SHALL BURN Curitiba/PR Terça-feira, 31 de maio ALICE COOPER - Porto Alegre/RS Quinta-feira, 2 de junho ALICE COOPER - São Paulo/SP Sexta-feira, 3 de junho ALICE COOPER - Rio de Janeiro/RJ Sábado, 4 de junho ANATHEMA - São Paulo/SP PAIN OF SALVATION - Rio de Janeiro/RJ SYMPHONY X - São Paulo/SP Domingo, 5 de junho PAIN OF SALVATION - São Paulo/SP SYMPHONY X - Rio de Janeiro/RJ Terça-feira, 7 de junho PAIN OF SALVATION e SYMPHONY X Porto Alegre/RS

Segunda-feira, 13 de junho THE AGONIST - Catanduva/SP Quarta-feira, 15 de junho THE AGONIST - Curitiba/PR Sexta-feira, 17 de junho HIRAX e BEEHLER - São Paulo/SP Sábado, 18 de junho RAGE, BEEHLER e HIRAX - Brasília/DF Domingo, 19 de junho RAGE - São Paulo/SP Sexta-feira, 24 de junho CATHEDRAL - São Paulo/SP Sábado, 25 de junho CATHEDRAL - Varginha/MG Domingo, 3 de julho THE GATHERING - São Paulo/SP Sábado, 9 de julho MR. BIG - São Paulo/SP Domingo, 10 de julho MR. BIG - Porto Alegre/RS

Quarta-feira, 8 de junho SLAYER - Curitiba/PR

Sábado, 16 de julho DANZIG - São Paulo/SP

Quinta-feira, 9 de junho SLAYER - São Paulo/SP

Domingo, 17 de julho DANZIG - Curitiba/PR

Domingo, 12 de junho THE AGONIST - São Paulo/SP

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Desde sua fundação até o presente momento, o Evergrey sempre foi fiel ao Metal Progressivo, com grandes lançamentos e temas diferenciados, como abuso infantil, religião, tristeza, entre outros. Depois de três anos sem lançar qualquer material, a banda retorna com o lançamento do disco “Glorious Collision”. Batemos um papo com Johan Niemann, baixista da banda. Confiram!

HELL DIVINE: A troca de membros influenciou na sonoridade do Evergrey nesse longo hiato? O que podemos esperar do novo disco? Johan Niemann: Óbvio que membros diferentes significam sonoridade diferente, mas isso aqui continua sendo o Evergrey, concorda? Sempre soará como Evergrey, não importa quem esteja tocando. Dito isso, o novo disco está um pouco diferente. Para mim, está mais cru e não tão polido como os lançamentos anteriores e ainda está um tanto obscuro e sério, mas ainda mantém muito da energia positiva.

HELL DIVINE: O Evergrey leva cerca de dois anos para lançar um material novo, por que demorou três anos para o lançamento de “Glorious Collision”? Johan Niemann: Bem, nesses três anos o Evergrey perdeu três membros, praticamente dividindo a banda. Ainda bem que o Tom e o Rikard resolveram continuar com o Evergrey e começaram a compor material para o nosso lançamento, e compor pode levar um bom tempo, assim como achar novos membros. Ainda bem que eles assim fizeram.

HELL DIVINE: Vocês falaram sobre muitos temas durante a carreira, como abuso infantil, religião, etc. Existe algum conceito em torno desse disco? Você poderia nos contar? Johan Niemann: Os temas deste álbum lidam muito com relacionamentos, medo, amor, ressentimentos, perda, raiva, confusão... Coisas universais, coisas que acho que podem acontecer com qualquer um. Provavelmente, você poderá ler em algumas passagens nas letras algo sobre a quase separação da banda.


HELL DIVINE: Vamos falar sobre as ondas que a música do mundo tem tomado. O que pensa sobre a invasão do Metalcore/Deathcore que aconteceu na cena do metal? Johan Niemann: Achei isso muito bom. Ainda que não seja meu tipo de música favorita, acho que a música precisa mudar. Alguma coisa tinha de acontecer e essas bandas têm uma quantidade gigante de fãs, algo bom para o cenário metal em geral! Eles também parecem trazer uma renovação no estímulo de tocar. O mundo precisa de pessoas que saibam tocar! HELL DIVINE: Você acha que o Prog Metal tem a atenção necessária? Johan Niemann: Ih, nessa você me pegou, nem tenho ideia! Estou por fora do lance de Prog Metal. Ainda ouço meus velhos discos do Yes, Genesis, Kansas, Magma, King Crimson e Jethro Tull, mas parece existir um grande interesse em bandas como Dream Theater e Symphony X. Não sei se podemos rotular essas bandas como Prog Metal, mas é bom ver bandas como Tool, Mastodon e The Mars Volta tendo o reconhecimento merecido.

“Depois de um tempo neste negócio, é fácil tornar-se cansado e cínico.” HELL DIVINE: A capa do novo disco está simplesmente linda! Qual o nome do artista escolhido para fazer a arte e por que vocês o escolheram? Johan Niemann: A capa foi feita por Michael Gullbrandson. Ele detona! Nenhuma “ajuda” digital, simples e puro talento! Acho que o resultado final fala por si mesmo. HELL DIVINE: Desde 1996, quando a banda foi formada, você teria condições de nos dizer quais foram as principais mudanças no Evergrey, ou até mesmo em você, depois de ter passado por tantas experiências? Johan Niemann: Depois de um tempo neste negócio, é fácil tornar-se cansado e cínico. Isso é perigoso, porque suas decisões podem fazer você perder as coisas, pois “ninguém liga mesmo”. Estou falando de mim, aqui. Esperemos que, ao se conectar com as pessoas certas que podem te ajudar a ver através desse nevoeiro, você possa ter um bom tempo! Só pode demorar um pouco para encontrar essas pessoas. HELL DIVINE: Depois do lançamento desse disco, a banda tem planos pra um novo DVD também? Johan Niemann: Ainda não conversamos isso, estamos focados em mostrar nosso novo trabalho para todos aqueles que vão nos assistir! HELL DIVINE: Foi um grande prazer conversar com você. Deixe uma mensagem para todos seus fãs brasileiros! Esperamos nos encontrar em uma próxima turnê pelo Brasil! Felicidades! Johan Niemann: Obrigado! Você tirou as palavras da minha boca! Esperamos que todos apareçam para nos ver e nos ajudar e vamos dar-lhes tudo o que temos para que tenham uma experiência que nunca mais esquecerão! Abraços! Por Augusto Hunter. 07


Após lançarem um web single chamado “Karma”, a banda carioca Ágona solta mais um disco para o grande público através de um EP intitulado “Essencial Putrefação”. Conversamos com a banda que nos conta um pouco sobre essa trajetória até aqui e as perspectivas do cenário nacional em relação ao metal extremo. HELL DIVINE: Com o surgimento da internet e a troca gratuita de arquivos, tornou-se cada vez mais difícil vender discos. Vocês resolveram lançar um single por meio da rede e de forma gratuita. Como foi a repercussão desse trabalho? Alan Muniz: Ótima! A ideia de lançar esse web single foi justamente pra facilitar na divulgação e no conhecimento do nosso trabalho. Diria que a ótima repercussão vem, principalmente, da resposta do público nos shows, que sempre pede as músicas do “Karma” e sempre canta junto. HELL DIVINE: Sempre curtimos a arte das capas bem feitas. Quem foi o responsável pela arte? Qual o conceito por trás de “Essencial Putrefação” e as letras nele contidas? Alan Muniz: O responsável foi o Raphael Gabrio, baixista do Forceps, banda de irmãos nossos de longa data. Essencial Putrefação é o apodrecimento da essência das vidas ou do ser humano. Acreditamos que por natureza o ser humano deveria seguir instintos “bons”, porém, só o que vemos é a 08

decadência e degradação de tudo que está relacionado ao homem, seja por guerras, política, crenças, etc. Não só as letras do disco, mas todas que escrevemos, retratam esse conflito de destruir a própria essência, existindo em agonia. Ainda assim, tentamos passar alguns pensamentos positivos com base em filosofia, ocultismo e misticismo. HELL DIVINE: Sabemos que a cena do Heavy Metal no Rio de Janeiro tem decaído bastante. Como vocês têm encarado esse fato? Como anda a divulgação e shows pelo estado? Alan Muniz: Discordando um pouco da pergunta, não diria que tem decaído bastante. Talvez o problema seja a falta de espaços com melhor estrutura para os shows. Com esse tempo de banda já tocamos em muitos lugares que fizeram parte da cena por algum tempo e não existem mais; hoje não há tantos espaços, mas não podemos generalizar a coisa e dizer que a cena está decaída. Toda semana tem evento para todos os gostos, a cena nunca esteve tão movimentada; tanto as bandas novas quanto as antigas estão


retornando aos palcos. E me atrevo a dizer até um pouco mais: o Rio de Janeiro está na sua melhor forma em questão de time, temos ótimas bandas e mais uma coisa, acho que está mais do que na hora de acontecer algo grandioso aqui. HELL DIVINE: O EP mais recente foi lançado de forma independente. Já existem negociações para lançarem o próximo registro através de uma gravadora? Leonardo Milli: Estamos vendo algumas coisas, mas não tenho como adiantar muito. Posso dizer que já estamos pré-produzindo nosso full-length, temos ensaiado novas composições, estamos discutindo as músicas que entrarão no álbum, acertando vozes, letras, estamos bem adiantados. Uma destruição em massa!

português mesmo. Temos nossas raízes em um país que é um dos maiores expoentes culturais do mundo, o Brasil! Sem contar que fica como um diferencial já que a maioria das bandas canta em inglês. Alan Muniz: Queremos que todos possam entender. Por enquanto, para todo o Brasil, por isso o português, mas se precisarmos usar o inglês para disseminarmos melhor nossas ideias, creio que não haverá problema. É claro, sem nunca deixar o português. HELL DIVINE: A cena metálica no Brasil ainda é muito tímida e carente. O fato é que o metal extremo vem ganhando cada vez mais adeptos por aqui. Como anda a agenda de shows da banda para 2011? Leonardo Milli: Vejo que a cena é tímida e carente pelo fato da falta de espaço na mídia de uma forma geral. Por outro lado, temos a mídia mais completa – a internet, então entendo que isso está mudando e que, simplesmente, os adeptos que nunca deixaram de existir estão aparecendo e apoiando as bandas. A agenda está com boas datas marcadas e uma série de datas sendo acertadas. Será como nós já esperávamos, ou seja, uma correria total. Fiquem ligados na agenda da banda!

“Tentamos faz

er

com que as pessoas entend am as letras e o conceito do que escrevemos”

HELL DIVINE: A base do som de vocês é o Death/Thrash, porém, com fortes influências de outros estilos na sonoridade. De onde vem a influência da banda? Leonardo Milli: As bandas que mais nos influenciam são Pantera, Lamb of God e Mastodon. Gostamos de Prog, Experimental e o bom e velho Thrash e Death Metal. Há muitas influências, sejam de ideias, de construção, de progressão e literatura que aplicamos no nosso conceito de som, traduzindo-as para o extremo a nosso modo.

HELL DIVINE: O que vocês andam ouvindo ultimamente? Algum lançamento que chamou a atenção até agora? Leonardo Milli: Ultimamente, muitas coisas. Dentre elas: Exodus, Slayer, Testament, Metallica, DevilDriver, Machine Head, Gojira, Between Buried And Me, Opeth e The Dillinger Escape Plan. De maneira rápida, os lançamentos que nos chamaram a atenção foram: Exodus - Exhibit B: The Human Condition (2010), DevilDriver - Beast (2011), Whitechapel - A New Era Of Corruption (2010), Protest The Hero - Scurrilous (2011). HELL DIVINE: A maioria das bandas canta em inglês visando ao mercado internacional. Qual a razão da escolha de se cantar em português? Leonardo Milli: Nós estamos preocupados em passar o conteúdo para quem nos ouve, o metal extremo tem suas limitações de compreensão e entendemos que cantar em inglês seria uma forma de afastar das pessoas o que pensamos. Tentamos fazer com que as pessoas entendam as letras e o conceito do que escrevemos. Entendemos perfeitamente as bandas que escrevem em inglês, é uma opção válida, que muitas vezes já foi conversada pela banda, mas até o momento estamos interessados em cantar em

HELL DIVINE: A revista agradece pela entrevista e deseja sorte a todos vocês. Esperamos vê-los em breve ao vivo, além de um álbum completo, logo! O espaço é de vocês! Leonardo Milli: Muito obrigado, Hell Divine, pelo espaço. Gostaria de dizer apenas que o metal nacional é sensacional! O material feito aqui não fica devendo para canto nenhum do mundo, vamos olhar mais para a nossa cena. Um abraço a todos! Alan Muniz: Foi um grande prazer, nós que agradecemos o espaço! Que a gente se encontre logo pra vocês curtirem ao vivo o Ágona, e depois pra bebermos umas e outras. Quanto ao álbum, o que posso adiantar é que vocês vão gostar do que está por vir! Que toda nossa nação volte os olhos pra si, porque já somos, sim, uma grande potência no Metal! Abraços! Ágona é Metal Extremo do Brasil! Por Pedro Humangous.

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“Nós nos importamos com os fãs e sabemos que eles se importam com a gente.”

A lendária banda americana Hirax – ainda que seja injustiçada, não recebendo o devido reconhecimento –, desde sua volta, em 2000, vem colhendo os frutos do grande empenho do vocalista com status de lenda Katon W. de Penna. Surgida no “boom” do Thrash Metal nos anos 80, o Hirax finalmente vem para o Brasil divulgar seu mais recente álbum, “El Rostro de La Muerte”, considerado por muitos fãs como um de seus melhores discos. Katon nos concedeu esta entrevista faltando pouco menos de um mês para os shows em São Paulo (17/06) e Brasília (18/06). Sempre empolgado e demonstrando ser um autêntico metalhead, Katon nos falou sobre diversos assuntos, demonstrou grande vontade em tocar no nosso país e já convocou a galera para “agir” com entusiasmo na frente (ou até mesmo em cima) do palco. Fiquem agora com a lenda do Thrash Metal! HELL DIVINE: Katon, acho que esta já é a nossa terceira ou quarta entrevista. Em todas, sempre comentamos quando a banda viria ao Brasil. Finalmente esta hora chegou e agora a banda fará dois shows. Como está a expectativa da banda em relação a estes shows? E vocês, como fãs de Metal, o que acham de dividir o palco com Beehler (ex-Exciter)? Katon W. de Penna: O Hirax está com grandes expectativas quanto às turnês brasileiras que estamos preparando! Os fãs e o Hirax esperaram por muitos, muitos anos por nós para que finalmente viéssemos aqui tocar! Nós temos uma base de fãs muito forte no Brasil. Temos muito amor e respeito pela cena daí! Serão shows históricos para todos os metalheads que testemunharem! Queremos oferecer a todos os nossos fãs no Brasil shows que eles nunca, jamais esquecerão! O Hirax já tocou com o Beehler antes, então será legal vê-los novamente. Prepare to Thrash! Mosh! Headbang and Slamdance! HELL DIVINE: Sei que você gosta bastante de Ratos de Porão e sei, também, que eles adoram o Hirax. Como é a sua relação com os brasileiros? Você concorda que o Violator é uma das maiores bandas de Thrash Metal brasileiras da atualidade? 10

Katon W. de Penna: Sim, somos amigos de várias bandas de Metal no Brasil. Temos enorme respeito por sua música. Ratos de Porão, Violator, Vulcano, Attomica, Korzus, Sepultura, MX, Sarcófago, Sextrash, Slaver... Existem muitas, muitas outras grandes bandas brasileiras de Punk e Metal. HELL DIVINE: O Hirax esteve presente na cena desde o “boom” do Thrash Metal e Crossover, e faz parte de uma das bandas desbravadoras do gênero. Como é, para você, ter vivido toda aquela época e ainda hoje manter o mesmo espírito daquele período? Katon W. de Penna: Compreendemos nossa responsabilidade dentro do movimento Thrash Metal. Por muitos anos, fomos considerados uma banda Thrash lendária. Nós nos sentimos muito honrados por ainda carregar a bandeira do verdadeiro Thrash Metal. Sim, sempre seremos 100% dedicados a sermos uma banda para as pessoas. Nós nos importamos com os fãs e sabemos que eles se importam com a gente. THRASH ‘TIL DEATH!


HELL DIVINE: Muitos fãs têm curiosidades sobre o Phantasm, banda que você criou com o ex-baixista do Metallica, Ron McGovney. Conte-nos como surgiu esta união e por que ela não seguiu adiante? Vocês só gravaram o material contido em “Wreckage”? Katon W. de Penna: Hirax e Metallica eram bons amigos nos primórdios do movimento Thrash Californiano. Nós nos conhecemos desde o início, desde quando eles tinham a formação original com Dave Mustaine nas guitarras e Ron McGovney no baixo. O Phantasm gravou uma demo com seis músicas (produzida por Bill Metoyer); essas gravações podem ser encontradas no lançamento em CD/Vinil “Wreckage” junto de uma gravação ao vivo no Arizona, de 1987, (quando estávamos em turnê com o Nuclear Assault). HELL DIVINE: O Hirax, após dois álbuns clássicos lançados na década de 80 - “Raging Violence” e “Hate, Fear and Power” – encerrou suas atividades, voltando somente, em 2000, com o EP “El Diablo Negro”. Você abandonou a música durante esta fase? Katon W. de Penna: Sempre permaneci na cena musical. Deixei a banda por 13 anos e voltei, em 2000, com “El Diablo Negro”. Durante esse hiato, ainda estive envolvido com música. Apenas não lancei álbuns com o Hirax. HELL DIVINE: Para muitos, a volta definitiva ocorreu, em 2004, com o clássico “The New Age of Terror”, apreciado, inclusive, por Max Cavalera. Que tipo de importância você vê com este lançamento? Passa pela sua cabeça que a banda voltaria a ser novamente reverenciada pelos fãs? Katon W. de Penna: “The New Age Of Terror” foi um momento decisivo para nós no sentido de que ela nos estabeleceu como uma das bandas de Thrash Metal originais. Este álbum foi lançado ao redor de todo o mundo e é um de nossos discos mais vendidos em todos os tempos. Ele contribuiu decisivamente para que alcançássemos um novo público. O Hirax é maior agora do que jamais foi. Então, sim, é um álbum muito importante para nós ainda nos dias de hoje. HELL DIVINE: Desde então, mesmo com várias mudanças de formação, foram lançados inúmeros EPs, singles, DVDs, discos ao vivo e coletâneas, até culminar no mais recente álbum “El Rostro de La Muerte”, que tem obtido um excelente respaldo entre os adoradores de Thrash. Esta seria a melhor fase da banda? Katon W. de Penna: Para ser honesto, se você olhar para os últimos álbuns, tivemos a mesma formação por algum tempo com algumas leves mudanças. Faremos o que for necessário para manter a banda movendo-se adiante e na ativa. Neste exato instante, “El Rostro de la Muerte” é nosso lançamento mais épico até agora. As pessoas podem esperar muitos grandes lançamentos nossos para o futuro. HELL DIVINE: “El Rostro de La Muerte” foi lançado, em 2009, ou seja, já se passaram dois anos de seu lançamento. Há planos para gravar um novo CD? Katon W. de Penna: Sim! Provavelmente, no começo de 2012. Será fantástico! É garantido! Nós ainda estamos famintos e animados por criar Thrash Metal pesado e brutal em seu ápice! HELL DIVINE: Há uma nova mudança de formação. Glenn Rogers saiu da banda, para dar lugar a Tim Thomas, que já havia feito alguns shows com vocês, certo? Trata-se de uma saída definitiva ou Glenn voltará? Katon W. de Penna: Sim, você está certo. Tim Thomas está de volta. Ele tocou com a gente, em 2007 e 2008, em shows pela Europa. Ele participa no DVD/Vinil duplo de 12” - “Thrash and Destroy - Hirax Live in Germany”.

HELL DIVINE: Katon, os fãs brasileiros estão curiosos em relação ao set list que a banda fará por aqui. Quais músicas, em sua opinião, são obrigatórias? Eu gostaria de citar “Bombs of Death”, que inclusive foi coverizada por várias bandas, e “Hostile Territory”, que é mais recente. Quais as suas preferidas? Katon W. de Penna: Os fãs podem esperar para ouvir as clássicas músicas do Hirax, mas não posso dar muitas informações sobre nossos shows, pois eles serão apresentações muito especiais, mas posso dizer: Esperem ouvir faixas seletas de cada álbum do Hirax. Prometemos que todos os fãs do Hirax serão agradavelmente surpreendidos pela seleção de canções que fizemos para estes eventos! HELL DIVINE: Nos últimos anos o Hirax tocou em diversos países, inclusive aqui na América do Sul. Qual a diferença entre o fã aqui da América Latina para os fãs do Japão, por exemplo? Katon W. de Penna: Deixe-me dizer isso primeiro: todos os shows do Hirax são completamente insanos! Em nossas apresentações, você sempre verá pessoas voando pelo ar, batendo cabeça e punhos, fazendo stage diving, slam pits e mosh pits por todo lugar. Nossos fãs são conhecidos por isso. A principal diferença é que, na América do Sul, há muita paixão pelo nosso tipo de música. A América do Sul é, definitivamente, a mais selvagem e barulhenta! Nós amamos isso aí! Toda vez que voltamos aí para tocar, o público só aumenta! HELL DIVINE: Os fãs do Hirax são conhecidos pela sua fidelidade a amor à banda. Todos sabem que você interage com todos e está conectado em todas as redes sociais. Creio que esta atitude seja louvável, afinal, o fã é a base de tudo. É muito legal quando você grava aqueles vídeos com as bandeiras dos países em que irão tocar. Você não acha que muitas bandas deveriam ter esta atitude? Katon W. de Penna: Nós realmente não pensamos em outras bandas quando o assunto é o que o Hirax faz. Nossa motivação são nossos fãs. Eles são o que nos mantém indo em frente. Todos os membros do Hirax amam o que fazem e nós adoramos encontrar os fãs e tocar para eles. Com relação às bandeiras, isso é algo que significa muito para nós e é um “obrigado” muito especial a todos os países onde tocamos. Nós demonstramos respeito agitando as suas bandeiras. Nós temos um relacionamento muito especial com as pessoas que vêm aos nossos shows e apoiam nossa música. Eles são tudo para nós! HELL DIVINE: Katon, obrigado mais uma vez pela sua atenção. Finalmente nos veremos em São Paulo! Serão noites históricas, não é mesmo? Deixe aqui sua mensagem para os fãs de São Paulo e Brasília! Katon W. de Penna: O Hirax encontrará vocês no Brasil para dois shows fantásticos! Gostaria de enviar uma mensagem muito especial do Hirax a todos os nossos fãs no Brasil: Muito obrigado pelos muitos e muitos anos de apoio. Nós aguardamos ansiosamente para chegar aí e tocar a música do Hirax muito alto pra vocês! Prometemos uma noite histórica de Thrash Metal. Todos os que forem testemunhas jamais esquecerão! Por Maicon Leite. Tradução: Daniel Seimetz.

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Apesar de tantos álbuns serem gra ndes evidências de que a cena brasileira de metal se mostra mai s inovadora, independente e genial com o passar do tempo, aind a existem pessoas sem a menor percepção para apreciar uma boa e verdadeira música. Não há uma cura para o mau gosto, mas, felizmente, a banda Facínora com seu novo trabalho “Hell Is Here” mostra novamente que esses moucos estão enganados e que a cen a nacional, principalmente a underground, anda crescendo em um ritmo incrível sem deixar nada a desejar. Abaixo uma entrevista com o vocalista e guitarrista Igor Rodrigues.

Hell Divine: Antes de tudo, agradeç o novamente pela atenção. Para uma ban da que foi formada apenas por diversão, o que você acha do rumo que as coisas estão tomand o agora para vocês? Igor Rodrigues: Eu que agradeço pela oportunidade, pois eu vi trabalho de vocês na primeira edição e achei muito incrível; é muito bom que ainda existam pessoas como vocês interess adas em fazer um trabalho de qualidade em prol do underground. Respondendo à sua pergunta, acredito que as coisas têm acontecido de forma natu ral. É lógico que corremos atrás de fazermos um trabalho de qualidade, pois a partir dele temos a opo rtunidade de nos divertirmos e fazermos o que é mais importante em uma banda: estar no palco. Hell Divine: Quais os conceitos que servem de inspiração para as composições da ban da? Fatos sociais? Ideológicos? O que, de fato , representa o propósito da banda? Igor Rodrigues: Na parte instrumental estamos trabalhando para deixá-lo cada vez mais rápido, bruto e insano, pois na minha visão assim é que o Thrash Metal deve ser feito. Também gosto de fazer letras que passem algumas mensagens críticas sobre nossas opniões a respeito de fatos que rola m no mundo hoje em dia ou na História. Hell Divine: No início da carreira , vocês não tinham um estilo específico que preferis sem tocar. Como chegaram ao Thrash em defi nitivo? Suas influências musicais foram de suma importância nessa decisão? Igor Rodrigues: As influências foram muito importantes, pois sempre fui muito ligado ao cenário Heavy Metal de uma forma bem abrangente. No entanto, em meados de 2004 e 2005, comecei a cair de cabeça no Thrash Metal e a conhecer mais a fundo o estilo. Desde então sou “doente” por esse esti lo, mas continuo escutando muitas coisas variada s, desde um Blues viajante a um brutal Death Metal. Hell Divine: Nota-se uma progressão de peso de “Born In Fear” para “Hell Is Here”. O que pode dizer sobre as diferenças em termos de composição de um trabalho para outro? Igor Rodrigues: Cara, muitas pessoas me perguntam isso e às vezes acho estranho, pois à épo ca do “Born In Fear”, 90% das músicas do “Hell Is Her e” já estavam prontas. Além disso, em “Born In Fear ” as gravações

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mim; em seguida foram feitas pelo Allem (Baterista) e por et (baixista) e creio entraram o Eder (guitarrista) e o Ferr s que o esqueleto que essa foi a principal diferença. Por mai ença de dois novos das músicas tenha ficado intacto, a pres com esse pouco membros na banda e o amadurecimento conseguíssemos tempo de estrada influenciaram para que este resultado. e” é sensacional. Hell Divine: A capa de “Hell Is Her ndo com o designer Vocês pretendem continuar trabalha m? Jobert Mello a partir desse novo álbu eira mesmo. MuiIgor Rodrigues: A capa ficou muito man eram que prefeririam tas pessoas não gostaram e já me diss entanto, parece que algo mais Old School à la Ed Repka. No votação de melhores outras tantas curtiram, pois saiu até na Crew sem fazermos capas de álbuns, de 2010, da Roadie das fazem por aí. campanhas de votação como muitas ban

“...bruto e insano, pois na minha visão assim é que o Thrash Metal deve ser feito.”

Igor Rodrigues: Chances sempre existem, pois não sabemos o que se passa na cabeça das pessoas. Eu mesmo tenho dias em que estou chateado com muitas coisas, mas a paixão pelo Heavy Metal fala mais alto. Como sou o cabeça do grupo, aqui estou sempre cobrando dentro da banda para que ninguém perca o pique e o foco de manter a banda na ativa, fazendo um bom trabalho e sempre fazendo shows. Hell Divine: Por fim, quais as idéias da banda em relação a uma turnê? Pretendem começar uma em breve para a divulgação do novo álbum? Igor Rodrigues: No primeiro trimestre, de 2011, tive um problema no braço que tem me impossibilitado de tocar guitarra. Creio que, em abril ou maio, voltemos à rotina de shows pelo Brasil e, paralelamente, a ensaiar e trabalhar no novo CD para que ele seja gravado até o fim do ano e lançado no ano que vem. O que posso adiantar, também, é que estamos trabalhando e correndo atrás de contatos para que aconteça uma turnê européia, no início de 2012. Por Yuri Azaghal.

a nacional ainda sofre Hell Divine: Como foi dito, a cen a julgam insuficiente. algum preconceito por pessoas que o? Vocês acham que Qual a opinião da banda a respeito diss ional de metal, em si, o underground brasileiro e a cena nac luindo e ganhando cada ainda são discriminados, ou anda evo vez mais fãs? isso ou não conhece o Igor Rodrigues: Creio que quem fala te não quer gostar, pois underground brasileiro ou simplesmen cas. Creio que devido à existem bandas pra isso e não são pou al ficou de lado por ser estrutura e cultura do país o Heavy Met convencionais de nossa um estilo musical que foge aos padrões que mesmo com todas as sociedade. E o que acho mais incrível é um dos países que mais dificuldades e falta de apoio, o Brasil é revela bandas. banda encontra-se inalHell Divine: Até agora a formação da Você acha que em termos terada e fazendo um ótimo trabalho. harmonia e dispostos a musicais e ideológicos todos estão em alhos, ou há algum risco dar continuidade aos próximos trab o Facínora? que leve qualquer membro a abandonar 13


Unidos desde 2003, o Facada vem despontando como uma grande promessa no cenário Grindcore/ Death Metal Nacional. Músicas rápidas, pesadas e letras ácidas são as principais características dessa banda oriunda do Nordeste de nosso país. Lançamentos como “Indigesto” (2006) e o mais atual “O Joio” (2010) fizeram o Facada ainda melhor. Vamos levar uma ideia com James (baixo/vocal) da banda. HELL DIVINE: James, qual seria sua principal comparação desde o início do Facada até hoje? James: Acho que estamos mais velhos, escutando coisas mais velhas, fazendo coisas mais rapidamente. Falando menos, sem muita esperança, tendo mais certeza que a humanidade é o câncer do mundo. HELL DIVINE: Uma pergunta que não deixa de vir a minha cabeça é como o Facada responde a algumas dificuldades? Pois sendo do Nordeste, imagino que tenham passado por alguma situação nada agradável. Tem como nos contar? James: Cara, realmente não me lembro de qualquer incidente desagradável ocorrido aqui que também não possa ocorrer em qualquer lugar do mundo. Talvez o deslocamento e a logística da coisa pela distância e/ou o calor quando a gente viaja, mas nada muito estrambólico.

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HELL DIVINE: Por que a banda demorou tanto para lançar o disco sucessor ao “Indigesto”, já que esse teve uma boa repercussão no underground nacional? James: Assim que saiu o “Indigesto”, fizemos uma turnê. Logo que voltamos, o Ari foi morar na Alemanha com a esposa dele. Então, tivemos que escolher um guitarrista legal que pudesse fazer a função da nossa forma. Isso foi sem muita pressa. Acabou que, à época, o Miguel – que já era nosso brother/roadie/técnico de som – entrou. Ele gravou o disco, mas antes do lançamento, saiu. Foi quando o Danyel entrou. Acho que isso afetou bastante. HELL DIVINE: Algo a que damos bastante importância, aqui na Hell Divine, é a arte gráfica do disco. Como a capa e todo o conteúdo no disco de vocês está maravilhosamente bem explorada, pode nos contar de quem foi a ideia de toda a arte e do uso do papel mais grosso para o encarte? James: Foi minha (risos). Já trabalho com isso, então fica bem fácil captar o clima do disco. Falei com um amigo, o Nelson, que é um ilustrador incrível, sobre do conceito do disco; ele quem fez a ilustração da capa. Depois, peguei umas imagens de um museu de coisas estranhas mortas e só as coloquei no lugar. Procurei fugir de capas trabalhadas com Photoshop, tendência hoje em dia. A ideia do papel também foi pensada nisso. O papel mais escuro e grosso causa uma estranheza e até dificuldade em ver e ler o encarte, propositalmente.

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DFC e e d ã f i u f e r p “Sem úsica m a s s e a v a t n sempre ca tirando onda”


HELL DIVINE: “O Joio”, assim como “Indigesto”, é um disco intenso e sem frescuras, andando extremamente na contramão do extremo atual. Por que essa manutenção da sonoridade clássica e como vocês olham essa nova onda de Metalcore, Deathcore e afins? James: Acho que a resposta é só uma: Grindcore. É exatamente isso. Tudo o que a gente faz não tem muita volta, é bem rápido. Já fazemos as coisas tendo a certeza daquilo. Queremos colocar só as partes legais que encontramos. Muitas bandas perderam a capacidade de fazer música boa. Colocam muitas bases para “encher linguiça”, parecem bases aleatórias juntas. Considero esse lixo – com esses breakdowns e tatuagens da noite para o dia – como uma modinha que já vai passar e, daqui a pouco, a maioria dessas bandas nem existirá mais sendo apenas mais um motivo de chacota. Para mim, Deathcore e Metalcore são duas coisas bem diferentes do que é visto hoje em dia. HELL DIVINE: Nesse novo disco, vocês fizeram uma belíssima versão para “O Lucro é o Fim”, do DFC. Por que a escolha dessa música? James: Sempre fui fã de DFC e sempre cantava essa música tirando onda. Então, o Fellipe CDC (Independência Rec.) disse que haveria um tributo a eles e escolhemos essa música.

O tributo nunca aconteceu, mas decidimos gravá-la mesmo assim. HELL DIVINE: Você teria alguma experiência interessante para compartilhar conosco, de alguma turnê, ou algo do tipo? James: De interessante, tenho o fato de que agradeço a todas as cidades em que tocamos por termos conhecido muitas pessoas legais. Verdadeiros amigos em todas elas. Pessoas que nos fazem sentir em casa verdadeiramente. Isso a gente guarda para sempre. HELL DIVINE: James, muito obrigado pela entrevista. Espero, sinceramente, que o Facada continue por muito tempo a nos dar boa música! Até mais e deixe uma mensagem pra HELL DIVINE METAL MAGAZINE. James: Eu que agradeço pela entrevista, valeu a todos que a leem e que curtem a Hell Divine. Escutem Facada e tenham certeza: O fim está próximo. Keep grinding! Por Augusto Hunter.

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Mais de dez anos após o lançamento de “Rotten Flesh” sem dar qualquer notícia ou sinal de vida, a banda de Death Metal brasileira Carniça resolve sair das sombras com a notícia de um novo trabalho em breve. Para nos manter informados sobre as novidades, o vocalista e baixista da banda Mauriano nos concedeu uma entrevista exclusiva. Hell Divine: Primeiramente, obrigado pela oportunidade. É sempre um prazer entrevistar uma banda representante do underground nacional. Qual foi a ideia central que levou a banda a existir? Vocês já tinham algo em mente préestabelecido ou foi tudo um movimento espontâneo que deu certo? Mauriano: Toco em bandas de Metal, desde 1986, e, no começo de 1990, com o “boom” do Sepultura me encorajei a criar algo sério, que beirasse o profissional. Chamei um parceiro meu (Márcio Veeck – 1o. Baixista e co-fundador da banda) e começamos a fazer alguns sons... Paralelo a isso meu irmão (Marlo Lustosa-batera) e meu primo Parahim Neto (guitarra) também estavam no mesmo caminho, porém tocando em outros projetos. Márcio e eu estávamos cansados das constantes trocas na formação e falta de interesse dos músicos. E, em 21 de aril de 1991, na garagem da casa de minha mãe que Márcio, Marlo, Parahim e eu fizemos uma jam e nasceu o Carniça. Hell Divine: Você acha que houve alguma mudança radical na composição das letras e das melodias? As inspirações musicais e a temática das letras foram de alteradas de alguma forma desde as primeiras demos até o trabalho mais recente? 16

Mauriano: Na parte musical, houve o amadurecimento natural da qualidade técnica dos membros e melhoria inclusive dos equipamentos, mas na temática das letras, não. Nossas letras, desde o início, abordam a putrefação da sociedade, a hipocrisia das religiões e o desconforto que o ser humano tem com ele mesmo. Desde 1991, a coisa só piorou! Logo, nossa temática continua muito atual e, com certeza, continuará assim por muito tempo. Gostamos de transmitir mensagens em nossas músicas e não somente críticas. Nos consideramos uma banda inteligente e quando você só critica, está sendo radical. Quando você transmite alguma coisa, está compartilhando ideais e, quem sabe, soluções. Desse modo está sendo inteligente. Não posso criticar Buda ou Cristo, por exemplo, pois não os conheci pessoalmente e não vivi na mesma época deles. No entanto, posso criticar aqueles que se dizem seus “representantes”, pois vejo e vivencio a barbárie que fazem em nome deles. É muito fácil se apoderar de uma história, deturpá-la e


depois pregar uma história falsa a uma sociedade carente e à beira do extermínio. Hell Divine: O que pode nos dizer a respeito do novo álbum? Em que pontos ele terá notáveis diferenças em relação ao seu antecessor? Mauriano: “Rotten Flesh” foi gravado em uma época em que fazer um disco de Metal era uma epopéia para uma banda underground. Sempre fomos e sempre seremos underground. Então foram tempos muito difíceis em termos de tecnologia. Também, em 12 anos, há uma evolução das pessoas, musicalmente e de consciência. Em termos de estilo, continua igual. Acho que Carniça é uma das poucas bandas nacionais que possui seu estilo próprio. Escutem o disco e me digam se estiver errado. Claro que evoluiu, mas trilhamos o mesmo caminho e bebemos da mesma fonte desde o início. Hell Divine: Em relação ao novo trabalho, o anterior possui uma capa bem old school, ou como chamamos: crua. Essa preferência por não adotar uma estética mais rebuscada como a maioria das bandas faz hoje em dia possui algum motivo especial? Tradição? Gosto Pessoal? Tática para destaque e divulgação? O que, exatamente? Mauriano: Somos uma banda old school (afinal, são 20 anos de estrada!) e curtimos fazer um trabalho com uma temática que sempre curtimos, mesmo que ele seja atual. Dentro de nossas raízes pretendemos fazer um trabalho atual, porém que remeta à nossa essência.

Unido para distribuir na Europa. Com isso devemos avançar nos trabalhos. A turnê começará, em 19 de março, na nossa cidade (Novo Hamburgo-RS) e já temos diversas datas agendadas. Hell Divine: Felizmente, muitos fãs hoje em dia ainda gostam de comprar álbuns originais em vez de simplesmente fazer download deles. O problema é que até mesmo nas lojas especializadas em underground, boa parte do material procurado pelos fãs anda muito em falta. Alguns sequer podem ser encontrados novamente a menos que se fale com a banda via e-mail – e muitas vezes a banda nem responde. Como me encaixo nessa lista de fãs azarados, gostaria de saber se isso pode ocorrer com seus trabalhos. A faixa de produção do novo álbum pretende ser abrangente o suficiente para ser encontrada facilmente ainda por muito tempo ou terá alguma espécie de limite ou outros fatores que possam dificultar a obtenção do material original em CD ou outro tipo de mídia? Mauriano: Inicialmente, prensamos 3.000 cópias e hoje temos o CD em lojas virtuais e reais do Brasil. Estamos tentando fazer o maior número de contatos possível para disponibilizar o trabalho via consignação. Nossa maior dificuldade está sendo com o Centro-Oeste e o Nordeste, portanto, você que é dessas regiões (ou de qualquer outra) entre em contato conosco para agilizarmos esta parceria! Agora, para a moçada que quiser o CD direto é só mandar email que enviamos no mesmo dia. Possuímos uma estrutura que beira o profissionalismo em termos de divulgação e logística, então quem quiser o trabalho não terá dificuldades.

“Sempre pre fomos e sem seremos ” underground

Hell Divine: Houve uma leve alteração na formação da banda no decorrer dos anos. Você acredita que estão agora estáveis ou poderá haver uma nova troca de membros? Mauriano: Troca de membros, acho difícil! Estamos em um trio e, ainda por cima, todos são amigos e parentes. Acredito que esta é a formação final da Carniça. Não só pela comodidade de sermos parentes, mas pela união e profissionalismo da moçada. Somos um trio, mas quando subimos ao palco, nos multiplicamos! Hell Divine: A turnê de divulgação do novo álbum pretende ser abrangente no Brasil ou vocês pretendem divulgá-lo também no exterior? Como programaram – ou vão programar – o ritmo dessa nova turnê? Mauriano: Estamos com diversos contatos no Brasil (promotores de shows, entrem em contato!) para divulgação do CD. Na América Latina já estamos em fase avançada de negociação com Argentina, Chile e Colômbia. Fechamos também um contrato de distribuição com uma gravadora do Reino

Hell Divine: Quais serão os próximos passos? A banda pretende aumentar a frequência de composição de novos álbuns de estúdio ou esse ritmo permanece inalterado ou incerto? Mauriano: Desde o ano passado investimos muito e montamos nosso próprio estúdio de gravação, o “Chronos Studio Sound”. Além de realizarmos a co-produção, temos um parceiro – Márcio “Bivs”Gomez – que é um fantástico engenheiro de som! O planejamento da Carniça é de lançar material novo a cada ano e meio. Além disso, estamos começando o projeto do primeiro clipe em formato profissional que deverá estar pronto até o meio deste ano. Por Yuri Azaghal.

Promoção CARNIÇA Qual é a música de uma das bandas do BIG FOUR do Thrash que o Carniça gravou em seu novo álbum?”Então mande agora seu e-mail para promocao@atomicnight.com e concorra a 5 CDs do CARNIÇA!

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Todos sabem que o Heavy Metal tem muito mais força na Europa e nos Estados Unidos. Porém, nossa cena na América do Sul vem crescendo bastante nos últimos anos. A prova disso é a banda Nuclear, que vem do Chile, e nos explica um pouco desse sucesso mundo afora. Conheçam um pouco mais dos nossos irmãos latinos.

HELL DIVINE: A America do Sul é quase esquecida pelo resto do mundo quando se trata de Heavy Metal em geral. Cada vez mais, novas bandas aparecem para mostrar o quão forte somos. O Nuclear é uma prova disso. Como é a cena metálica no Chile? Nuclear: A cena tem crescido bastante através dos anos. Como na maioria dos países, tivemos uma cena interessante no final dos anos 80 e começo dos anos 90, quando as bandas alternativas apareceram e o metal foi, aos poucos, enfraquecendo. Entretanto, com o ressurgimento do Thrash e a reaparição de alguns ícones do metal, a cena voltou a se fortalecer, surgindo novas bandas desde então. Podemos dizer que temos uma boa cena metálica por aqui, mas parece que ainda falta algo. HELL DIVINE: “Jehovirus” é o mais recente álbum da banda. Ele soa incrível tanto em termos de produção quanto de composição. Conte-nos um pouco como foi o processo de gravação. NUCLEAR: Cada álbum que lançamos é diferente um do outro, mas você sempre encontra similaridades entre eles. “Jehovirus” começou como um projeto para transgredir as barreiras e podermos tocar pelo mundo afora. Musicalmente falando, ele foi construído pelo Francisco e Sebastian (guitarras) e, posteriormente, a banda toda deu os toques finais em cada faixa. A principal diferença entre “Jehovirus” e os dois álbuns anteriores foi o trabalho em equipe, ao invés do trabalho individual. Com exceção das letras, Francisco e Matias fizeram a maior parte do trabalho e focaram mais no que estava acontecendo nos últimos anos, como os problemas envolvendo as igrejas, abusos psicológicos e físicos contra crianças dentro da “casa de Deus”. Todo mundo já sabia disso, mas ninguém havia comentado antes de surgir na mídia. “Jehovirus” é a nossa visão sobre esse tema. As gravações ocorreram no Audio Custom Studios em Santiago, Chile. Sebastian Puente (guitarrista da banda) ficou responsável pelas gravações. Desde o primeiro dia, ele sabia o que precisava ser feito. O trabalho ocorreu de forma tranquila e, em poucas semanas, já tínhamos tudo pronto para a mixagem. Nesse processo, Sebastian passou um bom tempo tentando dar ao álbum um som único e obscuro, o qual define o disco em si. A masterização feita pelo mestre Russ Russel, na Inglaterra, e o resultado nos deixaram de queixo caído. HELL DIVINE: A banda sempre teve capas incríveis como nos álbuns “Heaven Denied” e “Ten Broken Codes”. Quem foi o artista responsável por “Jehovirus” e qual o motivo da escolha? NUCLEAR: Muito obrigado pelo elogio. Na verdade, utilizamos dois artistas diferentes para a capa de “Jehovirus”. O desenho foi feito por German Latorres, um grande tatuador que morou muitos anos perto de Santiago. Pedimos a ele para desenhar a coisa mais insana que ele pudesse imaginar para o nome “Jehovirus” e o resultado foi 18

“Podemos diz uma boa cena aqui, mas pare falta a


além do esperado; nós adoramos logo de cara! Após o desenho em preto e branco, Claudio Botarro coloriu tudo digitalmente e deu à imagem a atmosfera que procurávamos. Além de um grande artista, Claudio é nosso amigo, então você pode imaginar as idéias loucas que tínhamos juntos para a capa (risos)! HELL DIVINE: Dando uma olhada no Myspace da banda, pude notar que vocês terão muitos shows até julho desse ano. Quais são as expectativas para esses shows na Europa? NUCLEAR: Bem, essa é a nossa primeira vez tocando na Europa, portanto, será incrível. Não sabemos como o público Europeu receberá nossa música, se vão lotar as casas de shows, mas, com certeza, daremos nosso melhor em cada show. Além de tudo, tocar é a nossa vida, não há sensação melhor que subir no palco e ver a molecada enlouquecer! Esperamos que as pessoas se divirtam tanto quanto nós! HELL DIVINE: Podemos esperar ver a banda tocando aqui no Brasil em breve? NUCLEAR: Com certeza! Tínhamos planos para uma turnê no Brasil, em 2007, mas “do nada” a coisa morreu. Estamos trabalhando nisso no momento e com certeza daremos notícias sobre essa possível turnê em breve. HELL DIVINE: Podem nos explicar do que se trata o projeto “Chilean Metal”? NUCLEAR: “Chilean Metal Project” é um grupo que apoia o Heavy Metal do Chile em todos os sentidos. É capitaneado por Ignacio Orellana (antigo baterista da banda Pirosaint), que mora, atualmente, em Nova Iorque. Precisaríamos de centenas de páginas para descrever tudo o que ele faz, mas resumindo, ele ajuda na divulgação, distribuição, edição de vídeos, suporte online, etc, para as bandas chilenas de metal. Ele é responsável, também, pelo Digimetalworld, Army Of One TV, entre outras coisas. Chilean Metal é um projeto sensacional, posso dizer que temos sorte em tê-lo. HELL DIVINE: Ouvindo atentamente às músicas, notei algumas influências de Testament e Slayer no som de vocês, concordam? Quais são suas principais influêcias na hora de compor? NUCLEAR: Com certeza! É possível, sim, reconhecer as influências desses dois monstros do Thrash. Dentro da banda, cada membro possui diversas influências, até mesmo de outros estilos. A lista seria enorme, mas podemos mencionar bandas como Kreator, Benediction, Sepultura, Napalm Death, Metallica, Discharge, Dead Kennedys, Motorhead, The Exploited, Dismember, Malevolent Creation, entre outras.

zer que temos a metálica por ece que ainda algo.”

HELL DIVINE: O que vocês têm ouvido ultimamente? Conhecem alguma banda brasileira? NUCLEAR: Temos ouvido Exodus “Exhibit B”, Warbringer “Walking Into Nightmares”, Destruction “Day Of Recknoning”, Evile “Infected Nations”, Broken Bones “Fuck You And All You Stand For”, Iron Maiden “The Final Frontier”, Cannibal Corpse “Evisceration Plague”, apenas para citar alguns. Somos fãs de música e a cada mês estamos ouvindo coisas novas, procurando por demos, compartilhando músicas. Sobre a cena brasileira, com certeza conhecemos! Somos grandes fãs do todopoderoso Krisiun e do Torture Squad. Vimos as duas bandas tocando aqui em Santiago há alguns anos e ficamos loucos! Outras bandas como Scars, Violator, Confronto, Ratos de Porão, Overdose, Red Front, Dorsal Atlantica, Sarcofago e Vulcano. O Brasil possui uma das cenas mais ativas da America Latina.

HELL DIVINE: Nossa revista tem orgulho em tê-los em nossas páginas. Deixem uma mensagem aos brasileiros fãs da música extrema! NUCLEAR: Muito obrigado amigos da Hell Divine Magazine pelo apoio e por essa entrevista! Aos headbangers brasileiros, esperamos vê-los em uma turnê em breve! Tentaremos de tudo para marcarmos shows no Brasil assim que possível! Confiram nossas músicas em nosso myspace.com/nuclearthrash ou nuclear.cl e continuem apoiando o metal Sul-Americano! Uma boa cerveja gelada para todos e muito Thrash a todos! Por Pedro Humangous.

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Monumental Torment é uma banda da Rússia de Brutal Technical Death Metal. Mesmo sendo nova, já desbanca muitas outras bandas do gênero que estão por aí há muito mais tempo. Desde o EP do ano passado, o “Opression Submission”, esses caras vêm satisfazendo muitos fãs de extremismo técnico. Falamos com o baixista Ioann Komkov sobre a ascensão da banda com o novo trabalho chamado “Element Of Chaos” e projetos para o futuro. Confiram!

Hell Divine: Qual o lineup atual da banda e como chegaram a essa formação? Conte-nos uma breve história da banda. Ioann Komkov: Nosso guitarrista Artyom e eu nos conhecemos desde crianças. Sempre tivemos o mesmo gosto pela música e resolvemos começar nosso próprio projeto. Levamos bastante tempo procurando por bons músicos e continuamos com problemas para encontrá-los até hoje. Tive que passar para o baixo quando finalmente encontramos nosso vocalista para as gravações do nosso EP “Opression Submission”.

“Somos um projeto virtual e

Hell Divine: A música de vocês se assemelha bastante àquela das bandas Brain Drill, Decapitated e Burning The Masses. Qual o diferencial do Monumental Torment e quais são seus pontos fortes? Ioann Komkov: Gostamos bastante do Brain Drill, mas não achamos que o som esteja no mesmo patamar. Tocamos o mesmo estilo musical, mas usamos melodias diferentes e outros ritmos. Nosso ponto forte é o entrosamento e o uso de nossas técnicas. Tocamos há muitos anos juntos e isso nos ajuda bastante, mas creio que ainda não atingimos o máximo que podemos, talvez em um próximo lançamento possamos nos superar. Hell Divine: A banda usa um programa para o som de bateria e ficou realmente muito bom. Qual o programa usado por vocês? Estão à procura de um baterista de verdade? Ioann Komkov: Eu não saberia te dizer quais programas exatamente são usados, pois quem fica responsável por essa parte é o Artem. Ele usou diversos programas e fez com que tudo soasse o mais natural possível. Na Rússia é bastante complicado encontrar bons bateristas, talvez no futuro encontremos um.

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Hell Divine: Com a ausência de um baterista de verdade e um vocalista americano, como funcionam os shows? Ioann Komkov: Somos um projeto virtual e não sabemos até onde ele vai. Poderíamos fazer alguns shows pela Rússia usando um programa para a bateria. Para estender uma turnê por outros países seria mais complicado pela falta de tempo e dinheiro, mas seria bastante interessante.


Hell Divine: Várias bandas de metal extremo têm surgido do seu país ultimamente. Como é a cena underground na Rússia? Ioann Komkov: Para ser bem honesto, não escutamos músicas das bandas Russas e raramente vamos aos shows por aqui. Porém, sabemos que a cena é forte aqui e temos bastante público para os estilos mais extremos. Todo show aqui é sempre lotado!

não sabemos até onde ele vai.”

Hell Divine: Quais são suas bandas favoritas? O que têm ouvido ultimamente? Ioann Komkov: Quando éramos mais jovens, ouvíamos Slipknot. Com o passar do tempo, saímos em busca de coisas mais pesadas, foi então que descobrimos o Death Metal. Curtimos ouvir bandas como: Beneath The Massacre, Fleshgod Apocalypse, Anomalous, Viraemia, The Faceless, PsyOpus, Necrophagist, Sleep Terror, Hunab Ku, etc. Hell Divine: Conte-nos dos planos da banda para um futuro próximo. Ioann Komkov: Esperamos encontrar um baterista em breve. Ainda não estamos pensando em um novo disco por enquanto, mas ele vai rolar. Vamos experimentar bastante no próximo lançamento e apesentar nosso novo vocalista, o Josh Smith. Por Igor Scherer. Tradução: Pedro Humangous.

Hell Divine: Quais os principais temas abordados pela banda? De onde vêm a inspirações para as letras? Ioann Komkov: Para nosso EP, nosso vocalista LIoyd e eu ficamos encarregados pelas letras. Os temas giram em torno da escravidão do homem, constantemente oprimido e abusado. Gostamos também de abordar temas relacionados a filmes de terror. Por exemplo, a música “Slaughter House” é dedicada ao maníaco americano Ed Gein.

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Lembro-me muito bem de me deparar com o primeiro álbum do Hibria e achar que se tratava de uma banda gringa. Talvez pela arte inovadora da capa, talvez pela qualidade de gravação e composição. O que importa é que ao saber que se tratava de brasileiros, fiquei muito mais feliz e desde então venho acompanhando o trabalho desses caras. Recentemente lançaram o álbum “Blind Ride”, que deve chegar ao mercado brasileiro em breve. HELL DIVINE: “Defying The Rules” foi o primeiro álbum oficial da banda, certo? Ele chegou a ser comercializado aqui no Brasil? Sempre procurei para comprar e nunca encontrei... Ainda existem cópias disponíveis? Hibria: Sim, o DTR é o primeiro álbum do HIBRIA e foi distribuído no Brasil pela Encore Records. Estamos estudando a possibilidade de o recolocarmos à disposição dos fãs no Brasil. HELL DIVINE: “The Skull Collectors” tinha uma pegada de Power Metal germânico e foi um excelente álbum que teve uma repercussão bacana aqui no Brasil. Como foi a aceitação do público na época? Hibria: Foi muito boa mesmo! Ficamos bastante satisfeitos, pois no TSC começamos a inserir novos elementos nas composições como riffs mais pesados e batidas mais marcantes. Se você comparar o TSC com o DTR, com certeza perceberá essas diferenças e agora com o “Blind Ride” tivemos ainda mais liberdade para colocar estas novas influências que vêm do Thrash ao Progressivo nas composições. HELL DIVINE: Iuri Sanson teve uma ótima participação no projeto brasileiro chamado “Soulspell”. Qual foi a importância desse projeto para a divulgação do nome do Hibria? Hibria: A repercussão foi irada, pois no primeiro CD tive uma pequena participação e, mesmo assim, foi destaque entre os outros excelentes vocalistas que participaram do projeto criado pelo Heleno Vale. Com isso, acabei participando do segundo álbum e também fiz vários shows com o projeto. Graças a isso tive a oportunidade de encontrar vários fãs do Hibria que pediam shows e mostravam grande suporte ao trabalho da banda.

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HELL DIVINE: Os fãs japoneses são sempre muito apaixonados pelo metal brasileiro, principalmente pelo estilo praticado por vocês. Na opinião da banda, a que se deve essa atração e quais as expectativas para os shows marcados para maio? Hibria: Acho que tudo isso ocorre devido ao Hibria ter formado uma base muito forte e fiel de fãs por lá. Além disso, a banda também foi muito bem acolhida pela imprensa especializada lá, o que tem um peso muito forte. Creio que a soma dessas duas coisas expliquem bastante a ótima repercussão e prestígio que temos no Japão e em outros países da Ásia. A expectativa para os shows é ótima, pois mesmo depois de todos os fatos que aconteceram no último mês de maio, os fãs estão querendo muito ver o nosso show. Temos a informação que as vendas dos ingressos estão excelentes e isso está nos motivando a ensaiar cada vez mais forte para mostrar um grande show a esse público que tanto nos apoia. HELL DIVINE: Vocês foram convidados a abrirem para o Ozzy no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Conte-nos um pouco dessa experiência. Hibria: Foi espetacular! Nós ensaiamos muito forte para esses dois shows, e tivemos uma receptividade excelente tanto no RJ, que foi nossa primeira apresentação, quanto em BH, onde já tínhamos feito um show, em 2007. Aproveitamos para mais uma vez agradecer ao público do RJ e BH pelo grande apoio durante e depois do show. Esperamos voltar em breve para mostrar um show só do Hibria.


HELL DIVINE: A arte da capa de “Blind Ride” é belíssima. Quem foi o artista escolhido dessa vez e o que ela representa? Hibria: A capa foi feita em conjunto. Nosso guitarrista Diego Kasper foi responsável pela arte em 3D e o Gustavo Sazes pela finalização. A ideia mostra uma montanha-russa em chamas e fechou bem para o que a gente estava buscando. A vida é uma “jornada cega” (BLIND RIDE), e em muitos momentos, a gente se vê como em uma montanha-russa, ou seja, sabemos que existe um caminho, mas por mais que se

lance bem direto, mesmo, tentando mostrar um pouco – para quem ainda não nos viu ao vivo –, como é o show da banda. Um clipe bem direto assim como é o som. Créditos do vídeoclipe: Luis Mário Fontoura (direção); Pablo Escajedo (direção de fotografia); Daniel Laimer (montagem e finalização). HELL DIVINE: Falando em vídeo, existe algum plano de lançarem um DVD oficial? Hibria: No próximo dia 15 de maio vamos fazer um show em Tóquio e vamos gravar o primeiro DVD oficial do Hibria lá. HELL DIVINE: Quais os planos de divulgação para “Blind Ride” aqui no Brasil após o lançamento? Hibria: Queremos tocar onde ainda não tivemos oportunidade de mostrar o nosso show. Estamos loucos para fincar nossa bandeira nestas cidades e mostrar ao público que o que mais queremos fazer é tocar ao vivo e interagir com o público. Portanto, se você escutou o nosso som e gostou, mostre para o seu amigo, deixe uma mensagem em nosso guestbook no hibria.com, Facebook, siga-nos no Twitter e fale com o produtor local para nos procurar. Agradecemos o apoio e a oportunidade pela entrevista na Hell Divine. Por Pedro Humangous.

“Esperamos voltar em breve para mostrar um show só do Hibria.”

tente enxergar, muitas vezes passamos por altos e baixos, inevitavelmente. Acreditamos que essa analogia de uma montanha-russa em chamas tenha servido bem para o nosso conceito de “Blind Ride”. HELL DIVINE: Vocês acabaram de lançar o clipe para a música “Shoot Me Down”. Onde foram feitas as gravações e quem foi o responsável pelo vídeo? Hibria: O clipe foi gravado no final de fevereiro no centro cenotécnico de Porto Alegre. Escolhemos este local porque lá existem várias salas para locação e uma delas tinha pouca luz natural, exatamente o que queríamos para alcançar os efeitos necessários com a luz que levamos ao local. Quanto à concepção, a ideia principal era que queríamos mostrar “a cara” do Hibria com foco na gente tocando. Um 23


cipais HELL DIVINE - O Suidakra é uma das prin vy Hea ao Folk ica bandas que misturam a mús o com os grup de Metal no mundo, ao lado Sky er, land Way In Extremo, Morgenstern, pre sem s você clad, Otyg, Cruachan, etc. Mas Metal, deixaram em evidência o lado mais ódico. mel al Met principalmente o Death aura ela aqu toda “Book Of Dowth” traz intacta . lon” Ava to e pris mágica de discos como “Em gache o com e o Como foi compor este disc ram a este excelente resultado? tantos Arkadius Antonik: Após lançarmos s um amo form álbuns tenho que admitir que imús das ição pos grande time. Isto torna a com . cípio prin no era cas muito mais fácil do que que vez nda segu Em “Book Of Dowth” foi a o protrabalhamos com Kris Verwimp durante ria estó a toda u crio cesso de composição. Ele do enre ao ido Dev . e esteve envolvido em tudo alho trab s mai to mais complexo, tínhamos mui imos ao escrever as canções, porém consegu de. ulda dific a lidar com isso sem nenhum Brasil HELL DIVINE - Você sabia que aqui no Dande atha “Tu a temos uma banda chamad com cido pare som nan”, que faz um tipo de com al Met vy Hea o de vocês, misturando de ião opin sua l elementos Folk/Celta? Qua ng Viki ou al Met bandas que fazem Celtic com ção liga a hum Metal em países sem nen estas culturas? s atrás. A.A.: Sim, eu ouvi falar dessa banda ano e usar pod um r Em minha opinião, qualque erir. pref que a logi quaisquer elementos ou mito e ress inte tem você O que quero dizer é que, se te exis Não ? não por mitologia Celta, por que de paísuma regra que diga que apenas bandas Céltica a logi Mito re es Célticos possam falar sob (risos).

uma cena tão vasta e O Heavy Metal, em geral, possui s nos deparando com algumas atraente que muitas vezes acabamo é uma destas bandas, que bandas realmente geniais. O Suidakra lvente, como por sua sonoridade encanta não somente pela temática envo seu Death Metal Melódico, única, unindo elementos Folk ao Formada, em 1994, a banda alemã atingindo níveis extremos de qualidade. th” o seu último e já aclamapossui dez discos, sendo “Book Of Dow on”, de 2002, fez bastante Aval do lançamento. No Brasil, “Emprise of que, desde então, esperam a sucesso, conquistando muitos fãs lmente em turnê européia com o vinda da banda ao nosso país. Atua (guitarra/vocal), Jussi (guitarra), Onslaught e Final Depravity, Arkadius os excelentes frutos deste grande Marcus (baixo) e Lars (bateria) colhem para patamares ainda mais altos. disco, que elevará o nome da banda sobre a carreira da banda, bem Arkadius nos contou alguns detalhes th”, e espera que algum promotor como informações sobre “Book Of Dow de shows traga-os para o Brasil. Confira!

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disco é HELL DIVINE - O conceito lírico do vocês o disc eiro muito rico. Desde o prim e da usiv incl e as, falam bastante sobre os celt . lon” Ava to e pris lenda do Rei Arthur, no “Em ão? De onde vem tanta inspiraç s por A.A.: Todos nós somos muito interessado de nós para a form História e foi uma grande pesàs r dize não e ica contar estórias com a mús sagem. soas o que fazer ou qualquer outra men nto e ime eten entr o Vemos nossa música com . Há rias estó de res nós mesmos como contado péia Euro ória hist na várias fontes de inspiração pesta mui ifica sign disponíveis. Isso também ante quisa, porém essa é a parte mais emocion . As akra Suid do m de se trabalhar em um álbu letras dão vida à música. alguns HELL DIVINE - Tenho conversado com prise “Em o nte ame amigos e eles citam just o do erid pref o disc of Avalon” como o seu s você de eça cab Suidakra. Já passou pela


m peculiar, pois - O estilo da banda é be INE DIV LL HE i Re melódico ou Folk le? Creio que a lenda do ndo considerada Death se o sm me cê fazer uma continuação de ioria das bandas. Como vo ntos a serem expostos. Metal, vocês diferem da ma Quais as principais influênArthur possua muitos assu a banda que sempre olha a? um classificaria o som da band A.A.: Não, porque somos vas no e s lso pu im s ontar? vo ap s no contrar a cias que você poderia no . adiante e sempre tenta en etir rep s no os vam a pensamos muito em um o nc nã nu os que ser honesto, ra Pa .: A.A sem s nó a estórias para assegurarm ra um pa i A principal coisa por si próprio e possu ra categoria para o Suidakra. pa ícil dif Cada álbum do Suidakra fala . Não há razão para a banda te en stamos. É realm fim pre foi fazer a música que go ias estória definida do início ao . do ssa pa no m, pois há várias influênc os so al tratam nós descrevermos nosso sem m, continuar uma estória da qu nta rgu me pe a ele. Quando as pessoas as sec rín e int qu ia Dir o o. sm iss e s é muito mais qu bandas já trataram do me pre digo “Celtic Metal”, ma xHELL DIVINE - Algumas “E co dis no r ge Melodic Death e Folk Metal. Dig e são , o Grav is influências ipa nc pri as tema como, por exemplo lho ba r se você conhece este tra calibur”. Gostaria de sabe desde o primeiro a opinião sobre o mesmo? - Acompanho o Suidakra INE DIV LL HE e, caso positivo, qual a su ito mu ays From Afar” tem s esse álbum, mas ele é re tive uma curiosidade: “L rias, chamadas mp se e CD e A.A.: Sim, nós conhecemo ess vi linhas imaginá só musicalmente. Eu ou alguma referência com as diferente dos nossos. Não as. sic mú as um alg de as i apen de “Linhas Ley”? disco algumas vezes e goste as linhas. A palavra porque as letras são nte ere dif tão é não tem nada a ver com ess ou “cantos”. Nós ele o, Nã ão .: A.A Na minha vis sem s como “toadas” nte da que fazemos. Nó “Lays” pode ser traduzida escritas de uma forma difere o às nossas letras. Então, naquele álbum baseada de sófic s uma história fantasia mo nta co entra pre damos um toque filo os ad ult o personagem principal ad sma estória com dois res em mitologia céltica onde ele da na jor em minha opinião, é a me a su ras. Ao final de o além e tem muitas aventu e vivenciou. É por isso que diferentes (risos). qu retorna e conta as estórias ito mu tá es co dis o , os s técnic escolhemos esse título. HELL DIVINE - Em termo produtor em condo lho ba tra mo óti um , s anos bem gravado HELL DIVINE - Ao longo do mutambém as um junto com a banda. A capa nsialg m a banda sofreu co r co talvez a é maravilhosa e pode se danças de formação e da nitas a m a saíic co derada uma das mais bo o ús sid maior delas tenha “Vemos nossa m itarra/ (gu discografia da banda. en en da de Marcel Scho são as e to en im en meiro pri et o A.A.: Concordo e estas tr e sd en como vocal), presente de mos de sua de o razões pelas quais gosta tiv mo álbum. Qual foi o Kris mos como es m s nó trabalhar com caras como saída? a, ou o Marcel Verwimp, que fez a cap .” as ri tó es de s A.A.: Houve muitas razões. es . Ele contador rada e est produtor Martin Buchwalter lhor na ar não gostava de est me fazer ia fer sempre tentam fazer algo pre Ele tocar em turnês. portante ”. sse tre “es na próxima gravação. É im le ue música sem todo aq e desenar toc sem para nós, como banda, qu sta uma banda exi entos e Porém, é impossível que góvolvamos nossos lançam cifas a e ção tiva mo ele iniciou seu próprio ne a e r qu nte é ra ma outra razão A s. ow o sh nã ele e também a nós mesmos pa co qu dis ca o nifi ear, e isso sig o, “Book Of Dowth” é te cio com monitoramento inen lm rea nação viva. Em minha opiniã ade e uma arte de capa que ele da sica. Até sua saí norid tinha mais tempo para mú so. do Suidakra com melhor so agora ele não está mais nis s ma adorava fazer música, é uma obra-prima. . cio e sua família Ele toma conta de seu negó so s ma , fãs s rio vá tem a band is HELL DIVINE - No Brasil a lançados aqui. O que ma am for s co dis s smente algun clá um alon”, que se tornou apareceu foi “Emprise to Av Metal brasileiro? Vocês já o sico. O que você sabe sobre ar aqui? toc ra pa s sta po pro receberam s no aos nossos fãs Brasileiro A.A.: Sempre dei atenção vem sil ssa base de fãs no Bra passado. Reparei que no ias vár de bém fiquei sabendo crescendo a cada álbum. Tam sil que possui uma grande Bra ra bandas que já tocaram no lmente gostam de Metal. Pa rea fãs os e qu e cena metálica no ar toc do poder ter a chance de nós seria um sonho realiza ar aí, s algumas ofertas para toc a Brasil. No passado, tivemo á ver ha algo sério... Sei que mas elas nunca se tornaram wth”, então nós esperamos Of Do versão brasileira de “Book ssar tivéssemos a chance de pa ez talv um álb e que com est ria muito divertido! aí e fazer alguns shows... Se

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ou dez álbuns. HELL DIVINE - Ao todo, o Suidakra lanç rge” se distanMuitos fãs dizem que “Command To Cha usive contanincl da, ban da ciou um pouco da proposta corda que con ê Voc os. lism do com alguns experimenta ais? dem dos e rent o álbum soa um pouco dife essa era nossa A.A.: Sim, é claro que eu concordo, pois s moderno, mas intenção. Para mim, ele soa um pouco mai and To Charge” mm “Co com ve ainda Suidakra. O que hou aquele disco, ever escr a os foi que quando começam enciados por Folk tínhamos lançado seis álbuns muito influ ter perdido nossa de ação sens a antes dele. Então tivemos a à mente soacriatividade Folk. Cada melodia que me vinh do aquilo antoca a havi já eu va monótona e parecia que mos o típico som tes. Para assegurarmos que não perdería nova direção uma em r reda do Suidakra tivemos de enve s “Command To para aquele álbum. E funcionou, pois apó ica e reencontrei Charge” eu sentia falta da atmosfera Célt o e fresco. Esta é o rumo para criar um som Céltico nov foi tão importante a razão porque “Command To Charge” ria “Caledonia”, para nós, pois sem aquele álbum não have “Crógacht” ou “Book Of Dowth”.

Até agora, quais Suns” sejam os grandes destaques. ria banda? tem sido as favoritas dos fãs e da próp mais recente de o disc o que ido A.A.: Para mim faz sent O que quero dizer uma banda seja sempre o seu melhor. ido para a banda é que se não fosse assim, não faria sent é o seu melhor, e lançar um álbum se você sente que não , “Book Of Dowth” melhor que o anterior (risos). Para mim a razão dele ser possui toda a força do Suidakra e é essa favoritas como o meu favorito. Eu tenho algumas canções ne Of The Seven “Fury Fomorigh”, “Biróg’s Oath” e “Sto favoritas dos fãs. Suns”. Esta última se tornou uma das e em nossa turnê Percebi isso no Facebook, nas resenhas essa música, Européia. Em todos os dias que tocamos conheciam antes todos a curtiam muito e muitos fãs já a mesmo da apresentação.

ática era sobre o HELL DIVINE - Em “Caledonia” a tem Roma. Este tipo povo picto e sua luta contra o exército de de Metal. Que de assunto parece fascinar muito os fãs por os álbuns? tipo de fontes vocês utilizam para com am influências Quais filmes e livros exercem ou exercer os fãs? sobre vocês ou que vocês indicariam para as se tortem s este que i note A.A.: Ah sim, eu também últimos anos. Até naram mais populares com o passar dos ve alguns filmes Hollywood mostrou interesse, pois hou itir que filmes sobre a Nona Legião. Mas tenho que adm para nós. Sempre nunca foram uma fonte de inspiração s autêntico que tentamos manter nosso trabalho o mai livros históricopudemos. Nossa pesquisa é baseada em tribuições tiverantigos ou até romances. Quanto mais con io que é muita mos, melhor poderemos trabalhar. É óbv alho torna o concoisa para fazer, mas esta forma de trab ceito mais realista.

lista em “Biróg’s HELL DIVINE - Aliás, quem é a voca ês pretendem Oath”? O trabalho ficou excelente. Voc convidá-la para novas participações? é uma boa amiga A.A.: O nome dela é Tina Stabel e ela e “Command To minha. Nós já trabalhamos com ela desd boração. Eu amo Charge”, sendo que essa foi a quarta cola aguda de ópera a voz dela porque não é aquela típica voz adapta muito bem que muitas bandas usam. A voz dela se to fã de Metal, à nossa música. Na real, a Tina não é mui tocar com a gente mas ela gosta de nossa música e após semanas, ela pela primeira vez num palco há algumas vamos fazer mais começou a admirar a cena (risos). Nós osco este ano no shows com ela no futuro e ela estará con Wacken.

eiro lançamenHELL DIVINE - “Book Of Dowth” é o prim o trabalho deles to pela AFM Records. Como tem sido me dizer se há em relação à divulgação? Você saberia chances do CD sair no Brasil? haverá um lançaA.A.: Como mencionei anteriormente, vel para nossos mento Brasileiro desta vez. Era impossí antigos no Brasil. selos anteriores lançarem os discos América do Sul e Entretanto, a AFM possui parceiros na il na história da isso levou ao segundo lançamento no Bras a do lançamento, banda. Ainda não sabemos a data exat s meses. mas tenho certeza que será nos próximo banda é entreHELL DIVINE - Geralmente quando uma melhor trabalho vistada e questionada sobre qual o seu o CD é o melhor. até então, é respondido que seu últim o plenamente; Caso você queira dizer isso, concord ! Dentre as dez “Book Of Dowth” já nasceu clássico 9”, que abre o faixas, poderia dizer que “Downth 205 ne of the Seven disco, ao lado de “Biróg’s Oath” e “Sto 26

pouco do “lado HELL DIVINE - “Book Of Dowth” traz um raça de seres negro” da cultura celta, e fala sobre uma or. Você poderia demoníacos conhecidos como Form O que consta nos falar um pouco mais deste assunto? e é consiusiv no livro encontrado em Dowth, que incl da? Irlan da dial Mun derado Patrimônio a fantasia de que A.A.: A principal coisa nesse conceito é tém a essência esse livro é encontrado no futuro. Ele con gas encontradas maligna dos Fomorians, as criaturas anti a história inteira na ilha chamada Erin. Durante o álbum suas batalhas vai a respeito da ilha, de suas criaturas e mitologia Celta. sendo contada, e esta parte é baseada em nós criamos toda Então, como você pode ver, desta vez lógico. uma fantasia com um pano de fundo mito entrevista, e HELL DIVINE – Arkadius, obrigado pela ontrar em enc espero que algum dia possamos nos Considerapa! Euro na ou il Bras no algum show, seja ções finais? grande entreA.A.: Ah, isso seria incrível! Obrigado pela nossos fãs r aos vista e eu também gostaria de agradece ! Nós realmente ado pass no m iara apo brasileiros que nos o Brasil o mais esperamos levar nossos traseiros para de vocês! (risos). rápido possível e chutar os traseiros METAL! Por Maicon Leite. Tradução: Daniel Seimetz.


AGONA “Essencial Putrefação” Independente Muitos consideram esse lançamento uma demo, outros um EP e alguns, um registro oficial. Seja qual for a nomenclatura, o que importa é que os cariocas do Agona nos brindam com esse belo registro chamado “Essencial Putrefação”, contendo seis faixas que perfazem pouco menos de trinta minutos de duração. O som é bem diversificado, passeando entre o Death Metal e o Thrash Metal, sem que fique preso a somente esses dois estilos. As letras cantadas em português certamente dão um toque extra de identidade ao som dos caras, além de facilitar a compreensão dos temas propostos pela banda. A gravação, feita no Pyro Z Home Studio, ficou muito boa, deixando todos os instrumentos bem equalizados e audíveis. “Caminhos Fechados” abre o trabalho de forma incrível, com bastante velocidade e riffs empolgantes. Pitadas de Hardcore podem ser conferidas aqui também. Apesar da base Death Metal, algumas passagens me lembraram bastante do Lamb Of God. “Floresta de Cadáveres” começa mais cadenciada, mas logo parte para a pancadaria desenfreada. Já na terceira faixa, “Destino de Sangue”, a veia Thrash se faz presente, lembrando algo de Annihilator na base dos riffs. Os solos mais melódicos 28

casaram muito bem com a sonoridade proposta pela banda, deixou a coisa ainda mais interessante. “Frio” é a faixa mais longa do play; com seus pouco mais de sete minutos, a música passeia por diversos momentos: mais leves e progressivos, melódicos, ora cadenciados e ora velozes. A melhor faixa, em minha opinião. “Karma” funciona como uma breve intro para a última faixa do disco chamada “Ianuarius”, que fecha com chave de ouro. Um excelente lançamento de mais uma banda que promete ser um expoente do metal brasileiro. Fiquem de olho! Nota: 9.5 Pedro Humangous

AMON AMARTH “Surtur Rising” Metal Blade Todos conhecem aquela máxima: “em time que está ganhando não se mexe”... Foi exatamente o que os vikings do Amon Amarth fizeram: mantiveram todos os elementos que os transformaram em um dos maiores nomes do som pesado na atualidade. Não mudou sua sonoridade, conservando a qualidade extrema por meio de composições nada tediosas. Atualmente surgem dezenas de novas bandas de Viking/Folk Metal espelhadas em nomes como o próprio Amon Amarth, mas sem o mesmo bri-

lhantismo. Johan Hegg (vocal), Johan Söderberg e Olavi Mikkonen (guitarras), Ted Lundström (baixo) e Fredrik Andersson (bateria) estão unidos desde “The Avenger”, lançado em 1999, envoltos em um entrosamento difícil de superar, ainda mais com as constantes mudanças de formação, quase rotineiras de algumas bandas. “Surtur Rising” não economiza no peso e nas melodias, tampouco diminui o clima épico de batalhas que permeia as canções. Para situar o leitor dentro do contexto lírico do disco, “Surtur” é o líder dos gigantes de fogo de “Muspelheim”, que significa “terra de chamas”, e, segundo a mitologia, no dia do juízo final do povo nórdico (“Ragnarok”), Surtur lançará fogo nos nove mundos descritos pela mitologia nórdica (Asgard, Midgard, Jotunheim, Vanaheim, Alfheim, Musphelhein, Svartalfheim, Nidavellir e Niflheim). Curiosidades desvendadas, vamos a sua trilha sonora. Coube a “War of the Gods” a honra de abrir o trabalho, dividida entre momentos mais rápidos, colocando o peso em primeiro plano, com muitos bumbos duplos e riffs cortantes. “Töck’s Taunt - Loke’s Treachery Part II”, mais cadenciada e melódica, ganha ares épicos com grande interpretação de Johan. Indo numa direção contrária, a rapidez toma conta de “Destroyer of the Universe”, título sintomático que fala sobre “Surtur” marchando contra os outros deuses, iniciando a grande batalha. Impossivel detalhar as outras sete faixas, muito menos as bônus, presentes em versões LP, Picture Disc e DVD. Aliás, as diversas versões disponíveis de “Surtur Rising” poderiam sair na seção “Wish List” aqui da revista, tamanha a variedade. Além de covers de bandas clássicas como “Balls to the Walls” (Accept) e “War Machine” (Kiss), o Amon Amarth decidiu inovar e gravou “Aerials”, do System of a Down, em versão inspirada, causando polêmica entre os


fãs mais radicais. No geral, mais uma grande obra que deverá elevar o nome da banda a patamares ainda mais altos. Nota: 9 Maicon Leite

variedade vocal e instrumental de cair o queixo. A capa também se destaca, possuindo conexão direta com a arte de “B.A.C.K.”. Nem é preciso comentar faixa por faixa, mas desde já asseguro que a qualidade está garantida em cada segundo deste excitante petardo. Nota: 8.5 Maicon Leite

Before The Dawn “Deathstar Rising“ Nuclear Blast

ARTILLERY “My Blood” Metal Mind É muito bom ver como algumas bandas antigas continuam a criar material de relevância dentro da cena Thrash, que já passou por seus altos e baixos. E foi justamente o Artillery, no final dos anos 90, um dos responsáveis, ainda que indiretamente, pelo tímido retorno das bandas oitentistas. Foi com “B.A.C.K.”, lançado em 1999, que os dinamarqueses fizeram sua primeira volta – ainda em formato trio – com os músicos Flemming Rönsdorf (vocal), Morten Stützer (baixo, guitarra) e Michael Stützer (guitarra), com a bateria sendo executada por Per M. Jensen, do The Haunted. Depois de uma pequena parada, a banda acabou voltando com outra formação, desta vez trazendo um novo vocalista, Søren Nico Adamsen, mais conhecido por ter integrado o Crystal Eyes, fazendo sua estréia no CD/ DVD ao vivo “One Foot in the Grave, The Other One in the Trash”, de 2008. Søren se integrou tão bem com os irmãos Michael e Morten Stützer (guitarras), Peter Thorslund (baixo) e Carsten Nielsen (bateria), que os fãs mais antigos nem sentiram falta das antigas formações. “My Blood” é a continuação perfeita de “When Death Comes”, de 2009, trazendo aqueles riffs matadores em profusão, além de uma cozinha que não deixa buracos. No geral, o disco está bem variado, apostando em faixas rápidas, totalmente Thrash Metal, a exemplo de “Thrasher” – já candidata a clássica, em contraste com “Ain’t Giving In”, mostrando toda a potência da voz de Søren e grandes melodias criadas pelos irmãos Stützer, numa

AS THEY SLEED “Dynasty” Luxor Records VA banda norte-americana nos mostra um Death Metal atualizado, com várias passagens cavaladas e guitarras pesadas e largadas, comuns nas mais novas bandas de Metal que têm surgido desde a última década. Velocidade e técnica são itens normalmente encontrados no último disco da banda, “Dynasty”, os quais já foram vistos no antecessor “Blacken The Sun”. Falemos um pouco do álbum que, em minha opinião, é um belo disco dessa nova tendência musical pesada. Com muito bumbo e guitarras sincronizadas; quase sempre com passagens de blast-beat e com vocal ora urrado e grave, mas com maior freqüência das passagens mais berradas, como vemos em muitas outras. Meu conselho: escute-o e veja se vai concordar comigo, mas o mais tocante e perceptível aqui é a clara influência do The Black Dahlia Murder no som do As They Sleep. Bom disco e belas composições, mas nada fora do comum. Nota: 7 Augusto Hunter

Classificar Before the Dawn corretamente em algum gênero é, definitivamente, uma tarefa um tanto quanto difícil. Eles são, essencialmente, uma banda de Melodic Death Metal com uma quantidade generosa de Gothic Metal e, às vezes, Doom Metal. Com apenas 12 anos de estrada, essa combinação tem sido muito bem-sucedida e agradável. “Deathstar Rising” é outro grande sucesso que esses caras acabaram de lançar, contendo alguns dos seus melhores materiais até agora. Com certeza, é um dos melhores lançamentos do ano. Ao contrário de muitos álbuns de Melodeath lançados recentemente – considerando que Before The Dawn não é exatamente uma banda de Melodeath –, “Deathstar Rising” não é um álbum cansativo e impressiona com o uso de dois vocalistas que são extremamente hábeis em seu oficio. Tuomas Saukkonen tem um gutural extremamente poderoso, enquanto Lars Eikind, que também é baixista, possui um vocal limpo de extrema beleza. O álbum conta com belos riffs que enfatizam a voz de Lars com melodias simples e típicas, porém elegantes e animadas. Assim, o disco deve agradar aos fãs de metal melódico, obrigatoriamente. O grande destaque fica por conta do Internet-Single “Deathstar” que é único, envolvente e composto por belos riffs, que o tornam, de fato, fantástico. Nenhuma canção soa igual, rica diversidade é absolutamente necessária em qualquer álbum, como “Remembrance” e “Judgement”, nas quais o peso está mais retraído perante o vocal limpo e são relativamente mais lentas do que se delimitou em “Death29


star” ou “Butterfly Effect”. Em geral, este é o melhor trabalho da banda até o momento e um dos melhores de 2011. Nota: 10 Emily Bodom

gravadoras lançam uma avalanche de porcarias descartáveis, outras bandas sensacionais como a Before The Fall ficam escondidas no underground, tendo que batalhar de forma independente por um lugar ao sol. Em nossas páginas, merece lugar de destaque e certamente figurará na minha lista de melhores do ano! Não deixe de conferir, no volume máximo, sem exceção! Nota: 9 Pedro Humangous

Before The Fall “Antibody” Independente Formada, em 2005, essa banda austríaca chamada Before The Fall vem fazendo barulho na cena local e mundial, literalmente. Agora, em 2011, acabam de lançar de forma independente o álbum “Antibody”. Mixado e masterizado pelo renomado Tue Madsen – que já trabalhou com as bandas Heaven Shall Burn, The Haunted, Mnemic, etc – o disco ganhou força e explosão em cada faixa aqui apresentada. O estilo praticado é o Death Metal, sendo fortificado com doses cavalares de Melodic Death Metal, Thrash e umas pitadas de Industrial para apimentar. Ao colocar a bolacha pra rodar, pensei estar ouvindo um lançamento do Divine Heresy, tamanha semelhança. Só faltaram os vocais limpos intercalando com os brutais. As bases são de tirar o fôlego, os vocais nervosos e a bateria uma verdadeira britadeira! A incrível arte da capa foi feita por Michael Kronstorfer e Rudolf Obermann – ambos membros da banda – com o auxílio do mestre Seth Siro Anton. O disco inteiro é muito coeso e linear, cada faixa possui seu brilho próprio. As músicas são tão boas que passam rapidamente sem que percebamos, tornando-se obrigatório apertar o “play” mais de uma vez! Fico imaginando como deve ser brutal um show desses caras! Enquanto as grandes

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da maioria, as sete faixas fazem valer cada minuto. E é por isso que não sinto o menor remorso em dar nota dez para esse álbum. “Fallen” é mais um dos álbuns que vale a pena ser ouvido repetidamente. Afinal, Burzum sempre será Burzum, e a genialidade de Varg Vikernes novamente é exposta com esse trabalho. Se “Belus” já mostrou isso, “Fallen” com certeza dará a prova definitiva. Mais que recomendado para os fãs de Black Metal com percepção para apreciar um trabalho digno de um velho mestre. “Fallen” é, de modo algum, inferior a seu antecessor. Eu o julgo até mesmo muito melhor e mais bem produzido, mas isso, caros amigos, vocês poderão ver – ou melhor, ouvir – por conta própria. Nota: 10 Yuri Azaghal

Burzum “Fallen” Byelobog Productions Lançado oficialmente, em março de 2011, esse álbum levantou algumas críticas negativas, sendo que alguns fãs afirmaram que sua produção é inferior ao seu antecessor, “Belus”. Bom, felizmente, tenho bons motivos para discordar. Minha opinião curta e direta é: Varg Vikernes conseguiu de novo. Seu peso está muito bem equilibrado e a narrativa épica das letras continua excelente. A atmosfera que ressalta mais o lado dark ambient das músicas está ainda mais forte que em “Belus”, mas sem que isso afete de qualquer forma o peso da distorção e os vocais guturais – que também merecem destaque, pois estão mais agressivos e roucos, o que incrementa o peso das faixas de maneira bem apropriada. Os riffs estão bem trabalhados, agressivos, rápidos e, ao mesmo tempo, melancólicos. Faixas como “Enhver til Sitt” me lembram de faixas do álbum “Filosofem”, de 1996 – que é considerado um dos melhores álbuns do Burzum até hoje –, porém, com uma sonoridade menos crua que este. Apesar da longa duração

Carniça “Temple´s Fall... Time To Reborn” Independente “’Carniça’ (do latim carnitia) é a carcaça de um animal morto, seja por causas naturais, acidentais ou por ação predatória de outros animais e, posteriormente, abandonado.” Com nome totalmente apropriado para uma banda de metal, a banda Carniça vem de Novo Hamburgo/RS – região do país de onde cada vez mais têm surgido bandas interessantes – e é formada por Mauriano Lustosa (vocais e baixo), Parahim Neto (guitarras e backing vocals) e Marlo Lustosa (bateria). Após o lançamento de seu mais recente trabalho, “Temple´s Fall... Time To Reborn”, a banda vem crescendo vertiginosamente na mídia especializada e perante o público. Nada


mais justo, pois seu Thrash vigoroso e atual cativa logo nos primeiros segundos de audição. O pacote já chama a atenção pela capa – simples, mas efetiva – fazendo uma alusão à Santa Ceia, que de santa não tem nada. O disco conta com sete faixas, sendo que uma delas é um cover para “Hell Awaits” do Slayer, e a última, uma instrumental, fechando com chave de ouro a bolacha. A primeira faixa “Oil War” começa com temas árabes, envolvendo a guerra daquela região. Bem interessante o clima criado nessa introdução. A quebradeira Thrash, então, começa com tudo e mostra que o trio sulista não está para brincadeira. A gravação está muito boa, bem como a produção do álbum. Minha única ressalva fica para os vocais de Mauriano que, às vezes, soam um pouco forçados, perdendo a naturalidade dos rasgados proferidos. Palhetadas certeiras iniciam “Till The End” que segue a linha matadora da primeira música. “Route To Hell”, “Surrender” e “Immortal” seguem detonando na mescla afinada entre Thrash, Death e toques de metal tradicional. Uma mistura interessante entre a sonoridade Old School e o metal mais moderno. Espero que mantenham o bom nível de composições e o destaque na cena metálica, pois a banda ainda tem muito a nos oferecer! Nota: 7.5 Pedro Humangous

CAVALERA CONSPIRACY “Blunt Force Trauma” Roadrunner Records Depois que se uniram, Max e Iggor Cavalera têm se tornado uma força indestrutível, e agora, com o novo álbum “Blunt Force Trauma”, a máquina de destruição parece não ter limite de cessar

fogo. Esqueçam todo o falatório em torno do Sepultura. Por mais que Max queira fazer uma reunião, o Soulfly e o Cavalera Conspiracy são mais Sepultura do que eles próprios. Gravado em poucos dias, “Blunt Force Trauma” soa absurdamente agressivo, confirmando aquilo que Max falou antes do lançamento, que o novo disco seria tão matador quanto o début, “Inflikted”. Com pouco mais de meia hora de duração, o álbum transita entre o Thrash Metal e o Hardcore, atingindo o ouvinte em cheio. E é com “Warlord” que a carnificina tem início, mostrando um peso avassalador que aliado à rapidez e solos endiabrados de Marco Rizzo fazem deste um ótimo começo. “Torture” usa e abusa da velocidade, lembrando o Sepultura “das antigas”. Perfeita! Como o Hardcore sempre foi uma das influências dos irmãos mineiros, nada mais justo que a participação especial de Roger Miret, do Agnostic Front em “Lynch Mob”, atingindo resultados fantásticos, transformando-a num dos grandes destaques do álbum. Já “Killing Inside” tem uma pegada um pouco diferente, cadenciada em toda sua extensão, mas não deixando de ser descomunal. “Thrasher” é como se fosse uma homenagem aos fãs do estilo, recheada de passagens empolgantes e um excelente trabalho de guitarras. Aliás, Marco Rizzo se torna peça fundamental ao vivo e em estúdio, já que Max não faz solos e tampouco toca guitarra como deveria ao vivo. Iggor continua o mesmo monstro das peles, criando batidas, levadas e dando uma força poderosa a sonoridade do Cavalera Conspiracy. Max, com toda sua experiência e agressividade natural, mantém intacta aquela voz tão familiar que todos nós conhecemos tão bem. Johnny Chow (Fireball Ministry) executa seu papel de forma eficiente no baixo, dando o suporte necessário para manter o peso em primeiro plano. Das músicas restantes, “Target” surge como um furacão, rápida e rasteira, assim como “Burn Waco”, extrema em todos os sentidos! “Blunt Force Trauma” é item obrigatório aos fãs da dupla Cavalera e merece ser apreciado com o volume no talo, ratificando de vez a premissa de que o Sepultura não precisa voltar com a formação clássica.

DEICIDE “To Hell With God” Shinigami Records Chegando ao seu décimo disco de estúdio, o Deicide prova mais uma vez que ainda possui muita lenha para queimar. Após a conturbada saída dos irmãos Hoffman, Glen Benton (baixo/vocal) e Steve Asheim (bateria) não desistiram e chamaram os guitarristas Jack Owen e Ralph Santolla, que possuem um currículo nada menos que invejável. “To Hell With God” é o terceiro álbum com esta formação, não devendo em nada para a antiga fase. O grande trunfo de Glen foi ter colocado Ralph na banda, músico que possui grande técnica e um tino muito grande para criar riffs e solos tão matadores quanto aqueles que já foram apresentados pelos irmãos marombeiros. Entretanto, as características do Deicide permanecem intactas, incluindo aí aquela velocidade estonteante, os clássicos vocais guturais e a temática satânica. A capa do álbum é uma obra de arte, ainda que não seja tão repulsiva como “Serpents of the Light”. A produção de Mark Lewis, no Audiohammer Studios, na Flórida, deixou todos os instrumentos tinindo com todo peso e agressividade necessários. Desde a abertura com “Save Your” até chegar à melódica “How Can You Call Yourself a God”, o que se ouve é um ataque Death Metal sem precedentes, candidato a figurar entre os melhores do ano. Glen já passou dos 33 anos e continua vivo, então acho que tão cedo a banda não para, para deleite de nossos combalidos tímpanos. Confira! Nota: 8 Maicon Leite

Nota: 9 Maicon Leite 31


deixá-los de boca aberta, ainda mais na versão completa, em que a capa aparece inteira, uma obra de arte! Agora é esperar que mantenham todo este pique, e que ao vivo seja ainda mais poderoso! Nota: 9 Maicon leite

Dimenssion “Mundo Diablo” Independente

DESTRUCTION “Day of Reckoning” Nuclear Blast Records O Thrash Metal alemão seria muito diferente caso não existissem bandas como Sodom, Kreator e Destruction. O trio – considerado por muitos como a Santa Trindade do Thrash germânico – passou por altos e baixos nos anos 90, principalmente o Destruction, que no começo da referida década perdeu totalmente sua identidade, principalmente por não contar mais com o lendário Schmier no baixo e vocal. Sua volta ao grupo no final da mesma década fez com que a cena Thrash ganhasse novo fôlego, e o resto é história. Alguns discos depois – e certo descontentamento entre os fãs “die hard” – o trio praticamente se supera com este novo petardo! A entrada do novo baterista, Vaaver, deu um gás para Schmier e Mike (guitarra), transformando “Day of Reckoning” num álbum que impõe respeito e reconquista rapidamente a parcela de fãs que possam ter se decepcionado com os últimos lançamentos. “The Price” abre o disco de maneira espetacular, rápida e insana, com Mike usando e abusando dos riffs cortantes, além de solos alucinados. Um clássico instantâneo! A empolgação não cessa, já que a próxima faixa “Hate is My Fuel” é outro quebra-pescoço, chegando a lembrar Slayer em alguns momentos, transitando entre a velocidade e a quebradeira e empregando o refrão constantemente, grudando na cabeça. “Armageddonizer” celebra a porradaria de forma intensa, enquanto “Devi’s Advocate” explode com tudo, literalmente. Resumindo o disco de forma bem sucinta, trata-se de um dos melhores lançamentos de Thrash Metal do ano, desde já. Aos amantes de uma boa capa, “Day of Reckoning” deverá 32

Devildriver “Beast” Roadrunner Records A banda DevilDriver, de Santa Barbara (EUA), está de volta com seu novo álbum “Best” que é mais pesado, porém não tão memorável quanto seu antecessor ‘’Pray For Villains’’. Em seu quinto álbum, a banda conta com um arsenal de canções como “Shitlist”, “You Make Me Sick” e “Dead to Rights”, em que podemos perceber que os caras do DevilDriver não estão para brincadeira. Este é um álbum devastador composto por 12 faixas nas quais eles ainda apresentam o mesmo som de metal pelo qual são conhecidos. Eles experimentaram algumas ideias novas em suas músicas, mas nunca há falta de harmonia entre as letras e os fortes riffs de guitarra. Pela fama, é quase como se o vocalista Dez Fafara estivesse tentando compensar por algo que ele fez no passado. Suposições à parte, “Beast” é um disco sólido de metal pesado que não decepciona e continua detonando. O ponto negativo seria que as músicas são um tanto parecidas umas com as outras. Mesmo sendo boas músicas, acabam seguindo o mesmo padrão ao longo de todo o disco. Destaque para ‘’ Shitlist’’. Nota: 7 Matheus “Myu” Lacerda

Cada vez mais, bandas dos mais diversos países investem no metal cantado em sua língua natal, visando a uma diferenciação no mercado internacional, sem que haja barreiras de idioma, e sim com foco na musicalidade. A banda Dimenssion vem da Espanha e canta suas composições em espanhol. “Mundo Diablo” é o nome do mais novo álbum de estúdio e conta com uma excelente produção, além de uma bela capa – assinada no CD por G.S, que, se não me engano, trata-se do nosso brasileiro Gustavo Sazes. A primeira faixa, que leva o mesmo nome do álbum, começa com riffs bem encorpados e pesados. Os vocais são bem leves e casam muito bem com o instrumental, apesar da certa estranheza nos primeiros minutos de audição. Não sei se foi devido ao idioma, mas me fez pensar na banda Maná tocando Heavy Metal. Definir o estilo musical praticado pela banda é um tanto complicado, por não se encaixarem em nenhum padrão fixo e passearem por diversas vertentes, mas sempre mantendo os vocais limpos e a distorção pesada. O bom gosto impera nas onze faixas, sem que seja obrigatório o uso do virtuosismo e técnica apurada. Metal moderno e calcado no tradicional. Destaque para as faixas “A Ninguna Parte”, “Regressión” e “Esencia”, exatamente por serem as mais agressivas de todo o disco. Lançado de forma independente, a banda mostra que tem muito potencial e deve chegar longe, ainda. Não é nada de outra dimensão, mas agrada em cheio por trazer uma sonoridade diferenciada aos nossos ouvidos calejados. Nota: 7.5 Pedro Humangous


MONUMENTAL TORMENT “Element Of Chaos” SFC Records Formada na cidade russa de Tvar, em 2008, por Artem Gultaev e Ioann Komkov, Monumental Torment é uma banda extrema de Technical Brutal Death Metal. Se você gosta de Brain Drill, Viraemia, Beneath The Massacre, Origin ou The Faceless, vai achar essa banda simplesmente surpreendente. Depois do EP de lançamento próprio “Opression Submission”, em 2009, conseguiram um contrato com a SFC Records, em janeiro desse ano, para o full-length “Element Of Chaos”. O álbum não tem uma faixa introdutória, já começa com “Nameless One” com rapidez descomunal e os berros de Lloyd, integrante americano do grupo. Como a banda ainda não tem baterista, os caras usaram um programa para fazer a bateria que, por sinal, ficou muito boa e – na maioria das vezes – realística, pois há mudança de tempo suficiente nas músicas, além de muitas viradas impressionantes. Os vocais são brutais, baixos e guturais. É bem fácil perceber as notas do baixo, porque são altas e têm uma importância grande nas músicas. O som desses russos lembra muito Brain Drill, com a exceção de induzir menos o ouvinte a ter dor de cabeça. Como toda banda técnica, Monumental Torment apresenta, em alguns trechos, tomadas de jazz e eruditas – visto que é utilizado piano em algumas faixas. A música “Mental Slavery” é uma faixa completa de Technical Brutal Death Metal e pode ser a representante de “Element Of Chaos”, pois começa com um piano muito rápido e com grande evolução de no-

tas que só seriam alcançados por um músico muito experiente. A faixa segue com palhetadas incrivelmente rápidas na guitarra; no meio da música há um breakdown característico do gênero da banda e, no final, há uns solos. “Element Of Chaos”, música que leva o nome do álbum, inicia com umas batidas na caixa da bateria a uns 300bpm que deixam o ouvinte impressionado e é finalizada com uma inusitada e bela presença de um arpeggio de piano. Outra música muito boa desse álbum é a “Paradox”, contém muitos solos e viradas brutais da bateria. A última faixa do álbum, “Last Voice Of Future”, é totalmente criada no computador, não possui qualquer instrumento, mas acrescenta ao álbum uma atmosfera sombria; ouvem-se tambores tocando em um tempo não demarcado bem lento e ouvem-se vozes do além, garantindo sensação lúgubre e hostil ao ouvinte. Posso descrever esse álbum como impecável, brutal e caótico. Nota: 9 Igor Scherer

O álbum conta com uma produção excelente, ótima timbragem dos instrumentos – típica do estilo –, além de uma belíssima arte da capa, que conta com zumbis por toda parte. A podridão vomitada por vocais cavernosos é seguida de perto pelo instrumental rápido e angustiante, deixando o ouvinte atordoado e quase sufocado, tamanha violência purulenta que sai das pobres caixas de som. Normalmente, as bandas brasileiras que investem nesse tipo de som costumam cantar em português, mas o Expurgo decidiu cantar a maioria de suas músicas em inglês, talvez visando ao mercado internacional. Qualidade e competência para isso certamente eles tem. A avalanche sonora não perdoa um segundo sequer e é pancada atrás de pancada, sem dó! Como apontar destaque dentre 29 faixas? Impossível! Vale mencionar as vinhetas entre as músicas, que deixam tudo ainda mais interessante. Algumas faixas, como “Plasma Arc”, começam mais cadenciadas, mas logo descambam na velocidade máxima. Não posso finalizar essa resenha sem falar da penúltima faixa do disco, “Não (Part. 2)” com seus longos quatro (!?) segundos de duração! Perfeita! O Expurgo tem tudo pra traçar um caminho brilhante dentro do metal extremo nacional e, certamente, chamará a atenção por terras estrangeiras. Belo trabalho! Nota: 9 Pedro Humangous

Expurgo “Burial Ground” Black Hole Productions O que temos com 29 faixas e pouco mais de trinta minutos de duração no total? Acertou quem disse Grindcore! Uma dose extra de Death Metal também está presente nesse primeiro registro oficial dos meus conterrâneos de Belo Horizonte, o Expurgo. O álbum chama-se “Burial Ground” e acaba de ser lançado pela banda por meio do selo Black Hole Productions. Formada por Egon (vocais), Philipe (vocais e guitarra), Leandro (baixo) e Anderson (bateria), a banda conseguiu apresentar um belo trabalho de estréia.

GHOST “Opus Eponymous” Rise Above De vez em quando surgem bandas pelas quais acabamos nos apaixonando e ouvimos sem parar, mesmo sabendo 33


que o que eles fazem não é algo totalmente original ou revolucionário, mas nos deixam embasbacado e nos hipnotizam de tal forma tornando-se algo obrigatório – praticamente um ritual – cada audição do álbum. A sinistra banda sueca Ghost e seu já aclamado “Opus Eponymous” estão fazendo um rebuliço ao redor do mundo, já que, teoricamente, seus membros são desconhecidos. Tanto que não consta nem o nome deles em qualquer material de divulgação, além, é claro, do visual produzido, que fica impossível saber a identidade. O vocalista, por exemplo, se veste como uma espécie de papa satânico. Más línguas afirmam que o pessoal do Candlemass e Repugnant está por trás de tudo, o que ainda não está confirmado. Independente disso, ouvir “Opus Eponymous” te transporta para um mundo paralelo, envolto em Hard Rock, Heavy Metal, Doom Metal e muita psicodelia, com altas influências dos anos 70, além de doses bem fortes de satanismo em suas letras. “Deus Culpa” abre o trabalho ao som de um órgão, já deixando o clima bem pesado para “Con Clavi Con Dio”, que inicia com o baixo na cara e velocidade e peso absurdos. A seguir, dois grandes clássicos do álbum: “Ritual” e “Elisabeth”. Impossivel não sentir algo escutando estas duas faixas, mostrando que o Metal ainda tem salvação... O refrão de “Ritual” gruda na sua cabeça de tal forma que se torna impossivel esquecê-la, ao passo que “Elisabeth”, influenciada diretamente por Mercyful Fate, fala sobre a Condessa Elisabeth Bathory. O andamento da música é hipnótico, com riffs “circulares” e muito peso. Há, ainda, outras faixas que não podem deixar de ser citadas, como “Satan Prayer”, “Prime Mover” e “Genesis”, que carregam todos os elementos para fazer de “Opus Eponymous” um clássico da nossa geração. Comprove agora mesmo! Nota: 10 Maicon Leite

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Korpiklaani “Ukon Wacka“ Nuclear Blast Após dois anos do lançamento do álbum “Karkelo” – que seria um dos melhores da carreira do Korpiklaani –, o qual lançou um dos maiores hits da banda, “Vodka”, o grupo retorna com mais um verdadeiro “galão de cerveja” para embebedar todos os apreciadores do verdadeiro Folk Metal e usar como trilha sonora quando estiver na floresta dançando, bebendo e cantando as letras em meio a gnomos e anões. “Ukon Wacka”, nome dado a uma antiga celebração pagã na qual havia muita cerveja, é o que já era de se esperar vindo do Korpiklaani, uma festa do começo ao fim aonde a fórmula da banda permanece a mesma desde o início. Ouvir Korpiklaani é uma verdadeira experiência de culturas e desta vez não foi diferente. Uma música em especial chama muito a atenção: “Tequila”. A letra cita bebidas de vários países como Argentina, Colômbia, Chile e o Brasil, apontando a nossa famosa caipirinha e a faixa é muito animada. A instrumentação de “Ukon Wacka” é soberba, usando uma mistura eclética de instrumentos tradicionais e modernos e a banda consegue criar uma sonoridade própria, mantendo uma vibração Folk familiar e ambiente e, ainda assim, pesada. A mais bela música orquestrada, “Surma”, realmente mostra o quão talentoso Korpiklaani realmente é, e mostra que mesmo a mais pesada das bandas pode ser comovente, mantendo a sua credibilidade no cenário do metal. A faixa “Louhen Yhdeksäs Poika” possui uma grande quantidade de bumbos duplos que acompanham um verdadeiro trava-línguas. Para Jonne Järvelä, “Korvesta Liha” é uma música mais pesada na qual as guitarras explodem

acompanhadas ao fundo pelo violino implacável de Hittavainen. A faixa-título possui a participação especial do guitarrista e vocalista Tuomari Nurmio que faz muito bem o seu papel em momentos mais lentos, enquanto Jonne faz o seu papel implacável de sempre; quase cinco minutos de puro prazer. Definitivamente, uma das melhores músicas da história da banda. No geral, é mais um excelente trabalho do Korpiklaani e tão memorável quanto “Karkelo”. Nota: 8.0 Emily Bodom

KORZUS “Discipline of Hate” Laser Company Records Com quase três décadas de estrada, os paulistas do Korzus lançam “Discipline of Hate” – desde já um clássico do Thrash Metal brasileiro –, matador do início ao fim, sem descanso e nem um pouco de piedade de nossos combalidos tímpanos. Não era pra menos. Se “Ties of Blood”, lançado em 2004, já mostrava um grande salto de qualidade, “Discipline of Hate” serve para coroar esta nova fase, carimbando também o passaporte do Korzus para o exterior. Não vou entrar no mérito de comentar sua carreira, suas mudanças ou discos, até porque muito já foi dito, e o resultado de todos esses anos de dedicação estão muito bem expostos em cada segundo das 13 faixas de “Discipline of Hate”. Um fator importante do sucesso do CD é a qualidade absurda da gravação, levada a cabo por Marcello Pompeu (vocal) e Heros Trench (guitarra), donos do estúdio Mr. Som e responsáveis por toda a parte técnica. Entretanto, para chegar a este grande resultado, foi necessário lapidar


com cuidado cada canção, a começar pela faixa que batiza o álbum, que após uma pequena intro despeja riffs cortantes e uma pegada matadora, em total velocidade e agressividade. “Truth”, que ganhou videoclipe, mantém uma linha mais cadenciada, com alguns momentos mais rápidos. Aproveitando um tema bem recorrente nos dias de hoje, “2012” aborda o fim do mundo sob um Thrash rápido, insano e com um trabalho de bateria perfeito. Heros e o novo integrante, Antônio Araújo, esbanjam técnica e dinamismo, distribuindo riffs e solos mortais; Marcello está usando vocais mais variados, ainda rasgados e agressivos; e lá atrás, pulsando, a cozinha maciça de Dick Siebert (baixo) e Rodrigo Oliveira (bateria). “Raise Your Soul” possui um excelente refrão, que ficará grudado em sua cabeça por dias, assim como diversas músicas que usam e abusam de refrões marcantes. A simbiose entre o Thrash “Bay Area” e o estilo alemão, arraigado à sonoridade já clássica do Korzus acabou criando um monstro difícil de segurar... Como é impossível resenhar todas as músicas aqui nesse curto espaço, fica a dica ao leitor de comprar o CD imediatamente, sem se esquecer de deixá-lo em destaque em sua prateleira. Obrigatório! Nota: 10 Maicon Leite

desperta um grande interesse. Os riffs possuem grande agilidade e as letras estão muito bem trabalhadas. Apesar de ser um excelente álbum, não me causou o mesmo impacto e euforia que seu antecessor. Ao começar pela capa, “Cult of the Dead” possui uma capa mais interessante e sua produção ficou ligeiramente mais pesada que o novo álbum. Em suma, ao analisar cautelosamente as melodias de “Descent Into Chaos”, percebi que são, de fato, excelentes; mas possuem, de certa forma, a mesma base apresentada em “Cult Of The Dead”, só um pouco mais leves. Apesar da aparente “mesmice” na sonoridade em termos de base e ritmo nos trechos mais pesados, o álbum de forma alguma decepciona. Algumas faixas possuem elementos que fogem do padrão, como a ótima introdução de “Lord Of The Flies”. A bateria merece destaque por estar em ótima sincronia com os demais instrumentos, porém o vocal está mais agressivo em algumas faixas que em outras. A minha conclusão é que “Descent Into Chaos” é um ótimo álbum e merece ser ouvido, ainda mais por quem é fã da banda. No entanto, lamento dizer – ou não – que, em determinados aspectos, “Cult Of The Dead” continua meu favorito. Nota: 8 Yuti Azaghal

(Mike Park Nielsen), um vocalista (Mikkel Sandager) e um tecladista (Morten Sandager), no final de 2009, fez com que a programação Mercenary fosse cortada ao meio, mas o Mercenary batalhou, reduzindo sua programação para um grupo de quatro integrantes e expandindo seus papéis para cobrir todos os instrumentos. Até mesmo a falta de Mikkel no vocal aumentou a expectativa entre os fãs de longa data, já que seu estilo vocal ajudou a moldar melhor o material da banda. Surpreendentemente, o primeiro trabalho do Mercenary após sua saída, apropriadamente intitulado “Metamorphosis”, é um bom álbum, com uma série de aspectos positivos para compensar os integrantes que faltam. Martin Buus, agora guitarrista e tecladista, faz um excelente trabalho com a guitarra; no entanto, às vezes o uso do teclado parece forçado em meio à composição das músicas. O ex-tecladista, embora fizesse parte dos álbuns, sempre teve uma presença muito ambiente, só tocando quando era absurdamente necessário, e esse nem sempre é o caso em “Metamorphosis”. O baterista Morten Lowe deixa uma excelente primeira impressão com o seu trabalho. Em geral, o álbum surpreende, pois já era esperado o pior pelos fãs há um bom tempo. O que era para ser um disco confuso ou até uma porcaria – pois nem todos os músicos são necessariamente bons em vários instrumentos –, passa aos fãs antigos um álbum que soa muito como o velho Mercenary pelo qual eles se apaixonaram. Embora “Metamorphosis” não tenha o mesmo nível de “The Hours That Remain” e “Architect of Lies”, mesmo assim é surpreendente e uma única palavra poderia definir o álbum “superação”. Nota: 7 Emily Bodom

Legion Of Damned “Descent Into Chaos” Massacre Records “Descent Into Chaos” é o novo álbum de estúdio da banda Legion Of The Damned lançado, em janeiro de 2011. O novo álbum apresenta uma produção muito boa, sendo que a faixa de introdução já

Mercenary “Metamorphosis “ Prosthetic Records A mistura de Melodic Death Metal, Power Metal e um pouco de metal progressivo forma um som muito original. Apesar da maioria das bandas apenas se separar após o êxodo de tantos membros, a perda de um baterista 35


MOTORHEAD “The Wörld is Yours” Future PLC/Motörhead Music

Obscura “Omnivium” Relapse Records

Offal “Macabre Rampage and Spatter Savages” Black Hole Productions

Acompanhar a carreira do Motorhead é uma das coisas mais prazerosas que podem ser feitas, e é praticamente certo que eles não te decepcionarão, pelo menos em estúdio. Tendo isso em mente, escutar um novo álbum de Lemmy & Cia. é mais que simplesmente colocar um CD pra rodar, e sim participar de um momento único, no qual o Rock’n’Roll é despejado sem dó nem piedade pelos alto-falantes. Cerca de dois anos após o lançamento do excelente “Motörizer”, a nova chicotada atende pelo nome de “The Wörld is Yours”, trazendo aquela velha sonoridade que tanto conhecemos e gostamos de ouvir. Chega a ser sacrilégio escolher uma ou outra preferida, mas é fato que “Born to Lose”, abertura do disco, já mostra um pouco do que encontraremos nas próximas nove faixas: aquela mescla de Metal, Punk e Rock and Roll que só o trio Lemmy/Phil/Mikkey sabe fazer tão bem! “Rock and Roll Music”, “Outlaw”, “I Know What You Need” e “Bye Bye Bitch Bye Bye” são tão boas que quando você menos espera, já está agitando pela casa, em especial a última, totalmente rocker, de pegada matadora. Phil Campbell está mais inspirado que nunca, enquanto a máquina que atende pelo nome de Mikkey Dee comanda o massacre percussivo com muita fúria, aplicando sua técnica nos momentos certos. E o que falar de Lemmy, um sessentão com mais pique e disposição que alguns moleques por aí? Confira agora mesmo esse grande trabalho e espero que possamos ter a sorte de poder, daqui a dois anos, resenhar mais um CD desta verdadeira lenda do Rock.

Aí está um ótimo álbum com uma técnica variada que não deixa a desejar em momento algum. “Omnivium”, o novo álbum da banda alemã Obscura, possui nove novas faixas repletas de melodias, pesos e vocais em tons variados. Desde partes calmas até solos impressionantes, a banda mostra toda sua habilidade. E o melhor é que essa “mistureba” ocorre de forma harmoniosa, sem fazer com que a música, como um todo, fique uma porcaria. Ora com escalas melódicas e acústicas, ora com vocais rasgados e altas distorções, “Omnivium” é uma prova de grande maestria musical com excelente produção. Os toques obscuros e depressivos contrastam agradavelmente com o peso dos solos, bases distorcidas e blast beats da bateria. O baixo pode ser notado facilmente em escalas rápidas e impressionantes, o que faz desse álbum único. Sinceramente, estou impressionado e não imaginava que seria um álbum tão bom. As letras são ótimas e a arte da capa ficou muito profissional, combinando muito bem com a temática do disco. Apesar de se tratar de uma banda praticamente nova que possui ao todo apenas uma demo e três álbuns de estúdio em seu repertório, “Omnivium” com certeza vai além de todos os seus antecessores. Os fãs vão adorar e aqueles que não conhecem estão diante de uma ótima oportunidade de conhecer. Simplesmente maravilhoso.

Esta é a verdadeira trilha sonora para filmes de terror macabros! Onde existisse sangue e morte, deveria estar acompanhado do álbum “Macabre Rampage and Spatter Savages” da banda Offal. A começar pela arte da capa – tosca, mas bastante divertida –, parece um daqueles cartazes de filmes trash de terror dos anos 80. A banda vem de Curitiba e nos brinda com esse Death Metal purulento e extremamente sujo, pesado e com batidas mid-tempo de bateria, deixando tudo mais sombrio ainda. Formada, atualmente, por Eduardo Tobe (bateria), João Ongaro (baixo), André Luiz (vocais) e Tersis Zonato (guitarras e vocais) a banda segue o Death Metal Old Shool com pitadas de Gore, bem na linha do Cannibal Corpse, Autopsy, Six Feet Under, etc. Diversas faixas do disco possuem as clássicas introduções retiradas de filmes antigos de suspense, terror e zumbis. O álbum é recheado de bons momentos, tornado-se quase que obrigatório ouvi-lo acompanhado dos amigos e de uma boa caneca de cerveja. Destaque para as faixas “Feast For The Dead”, “The Cold Grips Of Death” e “Mortuary Waste”. Vale mencionar o estilo totalmente diferenciado utilizado nas faixas “Deep Red – The Blood Is Running Cold” e “Terrore In Giallo”, que fogem completamente do Death Metal, com uma levada mais calma e mais Heavy Metal, com direito a dedilhados e solos melódicos. Bem interessante. A banda Offal não vai revolucionar o metal com esse lançamento, mas certamente garantirá ótimos momentos de diversão! Recomendado!

Nota: 9 Maicon Leite 36

Nota: 9.5 Yuri Azaghal

Nota: 8 Pedro Humangous


Pentacrostic “The Pain Years 1989-2010” Goretomb Records Quando o Pentacrostic surgiu, eu tinha apenas cinco anos de idade, portanto, não posso dizer que esse lançamento me traz um sentimento de nostalgia, pois não vivi a época de ouro do metal no Brasil. No entanto, isso não impede de curtir hoje em dia o que era feito naquela época. E é exatamente isso que a banda nos traz nesse lançamento. Uma coleção de todo o material da banda desde a primeira demo, em 1989, até o último disco de estúdio lançado, em 2009, o “The Meaning Of Life”, passando pelo tributo ao Vulcano lançado, em 2010. A arte da capa é simplória e sombria, mas o interessante mesmo fica dentro do encarte, onde toda a história da banda é contada com diversas fotos de todas as épocas e formações. Conta, inclusive, com uma entrevista feita com a banda para a Echoes Of Death. Não podemos exigir muito das primeiras faixas do disco, pois se tratam de gravações antigas e de pouca qualidade em termos técnicos, mas sobram em garra e criatividade. As faixas 1 a 4 fazem parte da demo “Welcome To The Suffering”, 5 a 6 da demo “The Pain Tears”, a 7 da demo “Agony Of Gods”, 8 a 10 do primeiro álbum “De Profundis”, a faixa 11 da demo “Immortality”, a 12 do segundo disco, “Moments Of Affictions”, 13 a 14 do “The Meaning Of Life” e fecha o disco com a faixa “Faller Angel” da lendária banda Vulcano. Para quem viveu nessa época, é um prato cheio. Para quem não teve a oportunidade, é uma ótima chance para conhecer! Nota: 7.5 Pedro Humangous

Prosanctus Inferi “Pandemonic Ululations of Vesperic Palpitation” Hell’s Headbangers Record Para o pessoal que anda com saudade de um som brutal e cru, não existe dica melhor no momento do que conferir o primeiro álbum de estúdio oficial da banda americana Prosanctus Inferi. As treze faixas totalizam quase meia hora. Apesar de ser um álbum curto, nesse pouco tempo é possível conferir um som brutal e muito bem composto. As guitarras estão incrivelmente rápidas e, combinadas ao vocal gutural rasgado de J. Kohn, chegam a lembrar, em certos momentos, bandas como Bloodbath e Unanimated – que estão entre as minhas favoritas do gênero. As letras estão carregadas de blasfêmias, violência e orgias – tudo o que atrai fãs como nós. Após o suicídio do baterista Antichristus, a formação no momento anda instável, sendo que Kohn está cuidando do vocal e da maioria dos instrumentos. Mesmo com todos esses contratempos, o novo álbum não desaponta e garante uma ótima novidade para os fãs do gênero. É uma ótima opção para os que desejam conhecer uma nova banda – principalmente para aqueles que não têm paciência para ouvir faixas que passam dos sete minutos. Já vou avisando que os que possuem o maldito hábito de julgar álbum pela capa ou pelo tamanho do nome, ou qualquer outra besteira que possa ser um mau hábito na hora de ouvir metal – principalmente uma nova banda –, só vai perder uma ótima oportunidade e uma “sonzera” excelente e extrema. Recomendado para os “não-frescos” da música extrema e underground. Nota: 9 Yuri Azaghal

BRAIN DRILL “Quantum Catastrophe” Metal Blade Records Depois da quase dissolução da banda, o quarteto de Brutal Technical Death Metal – para continuar o mesmo trabalho do Apocalyptic Feasting, de 2008 – voltou quebrando tudo com a última criação intitulada “Quantum Catastrophe” lançada, em maio do ano passado, pela Metal Blade Records. Brain Drill não é, para todos, uma banda fácil de ouvir. A enorme quantidade de instrumentos tocando numa sincronização desigual e forma constante e técnica pode causar enxaqueca em alguns novos ouvintes. Esses caras são muito técnicos e abusam de suas experiências alcançando o absurdo, e enquanto isso pode ser bom para alguns, pode ser horrível para outros. Com grande destreza técnica você pode facilmente animar o público com alguns riffs deslizantes e blast beats devastadores. E Brain Drill quase consegue carregar isso durante todo o álbum. Embora a produção e riffs sejam bastante sólidos e estruturados, parece faltar alguma coisa ao álbum. Em meio à agitação do trabalho duro em cima da técnica, eles se esqueceram de fazer um álbum em que as músicas tivessem uma ligação entre si – as faixas sangram umas em cima das outras com mínimas variações; esses químicos musicais precisariam adicionar mais variantes às suas sinfonias exorbitantes. Destacam-se: “Mercy To None”, “Beyond Bludgeoned” e “Nemesis Of Neglect”. Essas faixas são memoráveis à medida que apresentam maior organização, grooving e uma estrutura mais diferenciada do álbum. Enquanto o álbum é quase inteiramente complicado, a característica técnica é bem representada por uma banda que tem grande fundamento e experiência. Brain Drill poderia ter saído da zona de conforto e tomado alguns riscos 37


e alguns diferenciais, mas mesmo assim fez um belo álbum. Esperemos que eles arrisquem mais no próximo álbum. Se você gosta de Brain Drill ou é um drogado como eu por Brutal Technical Death Metal, confira essa catástrofe. Nota: 7.5 Igor Scherer

veemência, sem que seja o único estilo praticado durante toda a faixa. Como dito anteriormente, eles conseguem viajar pelos extremos, indo da calmaria ao caos com facilidade e naturalidade. A gravação, apesar de um pouco baixa e abafada, ficou muito boa e coesa – graças ao bom trabalho de Caio Duarte do Broadband Studios. O Raiken mostra que tem muitas ideias inovadoras, boas influências e muita vontade. Se mantiverem o foco e determinação, certamente nos brindarão em breve com um grande lançamento. Nota: 7.5 Pedro Humangous

contrados; os solos são interessantes, mas longos demais e o restante da música acaba ficando bem repetitivo. O começo de “Inverted Crosses” ficou muito legal, bem marcante, mas a falta de uma variação no decorrer da música acaba saturando os ouvidos. “To Cry Out For Victory” é interessante com passagens pesadas e rápidas. Achei “The A Step Of Destruction” a melhor do CD com bases bem pesadas e letra bem adaptada. Resumindo, Serenity In Fire promete ser uma boa banda, mas tem que lapidar seu som, o inglês e rever suas músicas para não saturar o ouvinte com músicas longas demais e repetitivas. É melhor qualidade que quantidade. Nota: 4.0 Ricardo Thomaz

Raiken “Raiken” Independente A banda Brasiliense Raiken mostra as caras nesse primeiro registro oficial em forma de EP, que leva o mesmo nome da banda. Formada por Ricardo (baixo e vocais), Rodrigo (bateria), Leonardo (guitarras) e Malcom (vocais e guitarras), a banda mostra que não está pra brincadeiras e mostra de cara suas garras. Influências tão adversas se completam e constroem uma sonoridade bem diferente e única. Uma mistura de Behemoth com Opeth faz com que as quatro composições sejam bastante interessantes. A primeira faixa, “Becoming”, já começa com toda energia, riffs fortes e muito bumbo duplo. “Of Love And Vengeance” demonstra essa alternância de estilos perfeitamente e torna-se uma das mais interessantes do disco. Os vocais guturais funcionam muito bem, porém, quando se aventuram na parte mais cantada deixam um pouco a desejar, sendo um ponto a melhorar num próximo lançamento. “Casting a Shadow” vem na sequência e não deixa o fôlego cair, mantendo o bom andamento da audição. A quarta e última faixa conta com um trabalho de guitarras muito interessante, e a veia Black Metal aparece com mais 38

SERENITY IN FIRE “Begin Of Destruction” Independente Banda formada, em 2006, com o propósito de se fazer Thrash Metal, conta com André Leão (baixo e vocal), Sal Bomba (bateria) e Jiusepe Gáspari (guitarra e vocal). Vinda de Sete Lagoas - MG, o Serenity In Fire é uma banda que definitivamente está lutando por um lugar ao sol no cenário metalístico nacional, mas ainda falta brigar muito contra o grande monstro da falta de investimento mínimo que uma banda precisa. Em seu CD “Begin Of Destruction” percebemos nitidamente a baixa qualidade, falta de uma boa produção nas gravações e certos cuidados técnicos com o envelope que o embala. O CD parece ser nada mais que um ensaio bem gravado no quintal de casa, mas vamos às músicas: “Master Of Darkness” é bem rápida com uma passagem legal no refrão, mas deixa a desejar com backing vocals desen-

Spiritual Beggars “Return To Zero” InsideOut Music Spiritual Beggars é uma daquelas bandas em que nos primeiros riffs você já identifica a influência do Black Sabbath em seu som, mas com uma pegada renovada. Essa última, dada por ninguém menos que o Sr. Michael Amott, já conhecido por suas maravilhosas guitarras no Carcass e no Arch Enemy. Mas aqui nada de Death Metal, e sim aquele Hard Rock/Stoner maravilhoso como muitas bandas poderiam fazer. Tenho que confessar que a troca do vocalista pelo grego Apollo Papathanassios me deixou meio “cabreiro”, mas ao começar a ouvir o disco tive certeza de mais um maravilhoso lançamento. A Intro muito bem-feita seguida pela maravilhosa “Lost In Yesterday”, mos-


trando a pegada Sabática logo de cara e a voz melodiosa e maravilhosa de Papathanassios, dizendo que ele não está aqui para brincadeira. O disco vem com a ótima pegada Stoner já conhecida da banda, mas com o tom mais melodioso da voz de Papathanassios – não que isso seja ruim, mas para o meu gosto, o antigo vocalista combinava mais –, tirando a lindíssima balada que fecha o disco, “The Road Less Travelled”. Essa fica na cabeça por dias e é sempre gostosa de ouvir em qualquer momento. O álbum conta, ainda, com a maravilhosa versão de “Time To Live” da banda Uriah Heep, com a execução primorosa do Beggars. Ouçam o disco e confiram, pois vale a pena. Nota: 8.5 Augusto Hunter

tamente vem coisa boa pela frente em um lançamento completo. As cinco faixas demonstram uma maturidade incrível em termos de composição e criatividade. A gravação ficou matadora e só abrilhantou mais cada música. A “Intro: One Among The Ineptitude” começa muito bem os trabalhos com força total, sem frescuras. Perfeita para abrir os shows – que devem ser insanos! “He Spreads Hypocrisy” vem na sequência, ainda mais veloz que a primeira, e não há tempo para respirar! Que pancada! Destaque para os vocais de Andrea Scaglia, muito bem encaixados e sempre variando os estilos. “A Sadistic Painter” tem uma levada bem interessante de bateria feita por Federico Buzzetti, seguida à risca pelo restante do time – Giulio Castruccio e Davide Mazzoni nas guitarras e Nicolo Rossi no baixo – responsável pelo instrumental invocado. “Addctionhated” e “Aborted Insignificance” fecham o disco de forma magistral, com direito a coros no melhor estilo Hardcore. Para os amantes do estilo, não percam tempo e corram atrás desse EP o mais rápido possível! Após recuperarem o fôlego, me digam o que acharam, ok?

quão bom o disco é, completamente diferente da primeira audição. Mais uma vez o prodigioso novo guitarrista da banda mostrou um trabalho diferenciado, com guitarras pesadas, técnicas e com muito sentimento, uma pegada mais que linda. O vocalista Timo Kotipelto e sua turma simplesmente cumpriram com o que já sabemos; um grupo genial, com muitas passagens bem compostas e maravilhosamente bem concebidas. A música que destaco do disco é a faixa-título que, ao longo de seus 18 minutos, mostra toda a versatilidade e maestria em composição de músicas dentro do estilo, muito boa. Ouçam, comprem, baixem, que seja! Você que curte o estilo não pode perder esse álbum. Nota: 9.0 Augusto Hunter

Nota: 9.0 Pedro Humangous Straight On Target Mediocritas 29Cento Factory Você pode até não gostar e torcer o nariz, mas é fato que o Deathcore vem dominando a cena do metal nos últimos anos, surgindo uma banda nova a cada dia. Países como Rússia, Ucrânia e Bielorrússia têm aparecido com força nesse quesito, trazendo bandas talentosas e inovadoras. Para minha surpresa, a banda Straight On Target vem da Itália, país conhecido no metal por revelar bandas de Metal Sinfônico como Rhapsody Of Fire e afins. Que grata surpresa ao colocar o disco dos caras para rodar! Deathcore bruto, recheado de breakdowns, afinações baixíssimas e variações vocais de deixar qualquer um atormentado. O EP tem pouco mais de quinze minutos, mas já mostra o poderio desses garotos italianos. Cer-

SUIDAKRA “Book of Dowth” AFM Records

Stratovarius “Elysium” Nuclear Blast Confesso a vocês, leitores, que a primeira audição de “Elysium” não foi das melhores. Achei o disco chato, mal gravado, sem feeling nenhum; estava tentado a meter malha nesse grande álbum. O que seria uma injustiça, pois ao ouvi-lo com mais calma, percebi o

Com quase duas décadas de estrada, os alemães do Suidakra surpreendem com um disco ainda melhor que “Crógacht”, lançado em 2009. O referido álbum já vinha de uma ótima sequência com seu antecessor, “Caledonia”, trazendo de volta algo que haviam perdido no experimental “Command to Charge”. Ainda que este último possuísse muitas qualidades, não representava o Suidakra como deveria, em especial o lado mais épico. “Book of Dowth” pode ser considerado o sucessor direto do clássico “Emprise of Avalon” – talvez o álbum mais aclamado dos caras até então. E é por meio de seu potente Death Melódico, acrescido de elementos Folk, 39


que o Suidakra versa suas histórias fantásticas e sempre envolventes; dessa vez falando sobre o lado obscuro da cultura celta, representado por seres demoníacos conhecidos como “Formor”. A intro “Over Nine Waves”, com lindas gaitas de foles, já deixam o ouvinte ansioso e quando “Dowth 2059” explode no ar, o que se ouve é o mais puro estilo Suidakra, que moldou uma sonoridade própria ao longo de seus dez discos e continua evoluindo a olhos vistos. “Battle-Caims”, totalmente calcada no Metal, contrasta com “Mag Mell”, inteiramente voltada ao Folk. “Biróg’s Oath” é cantada por uma vocalista convidada e mistura, de forma sublime, o Folk e o lado mais pesado, destacando a excelente interpretação da moça. “Stone of the Seven Suns” é outro ponto alto, possuindo um refrão marcante e belíssimos arranjos em seu início. Não podemos nos esquecer de falar do grande Kris Verwimp, que mais uma vez desenhou uma excelente capa, além de ter colaborado com as letras e todo o conceito lírico, tornando-se, assim, parte fundamental da banda. Fora o track list normal, há duas faixas bônus – “Rise of Taliesin” e “When Eternity Echoes” – e o videoclipe de “Dowth 2059”. Nota: 9 Maicon Leite

THE FACELESS “Planetary Duality” Sumerian Records Após sua estreia aclamada, a tentativa de The Faceless em expandir a tecnicidade do álbum “Akeldama” simultaneamente, incorporando um grupo diversificado de influências em seu som evoluiu. O resultado é uma mis40

tura única de trituração de Technical Death Metal intenso, passagens de ritmo interessantes, solos de Blues, arpeggios, e fast-pickin retalhados que se expandem em quase todos os aspectos do “Akeldama”, mas consegue soar completamente novo. A primeira faixa, “Prison Born”, começa com um ambiente meio hostil e, antes que consiga respirar, as guitarras já começam a distorcer com 200bpm aliados a um brilhantismo técnico que é de se esperar quando se ouve esses caras. A bateria deste álbum é nada menos que surpreendente. Todos os instrumentos se complementam perfeitamente. Hoje em dia, todo mundo pode tocar rápido, mas poucos tocam com uma técnica estruturada e ao mesmo tempo encantadora como esses caras. “Sons Of Belial” já começa com um breakdown bem brutal. A voz de Derek combina assustadoramente com o ritmo. Depois, vem um solo calmante e bonito da guitarra com a voz limpa de Michael - segundo guitarrista que faz algumas vozes limpas durante o álbum. O acréscimo de vozes limpas no Technical Death Metal é algo novo. E The Faceless soube fazer isso com um cuidado todo especial a ponto de não estragar a brutalidade do álbum, isso acrescentou um investimento autoral à banda. “Shape Shifters” – uma faixa atípica do álbum – é bem calma com uns arpeggios de guitarra sem distorção com um sintonizador no fundo. “Planetary Duality” é um álbum realmente divino. “XenoChrist” é a minha preferida. Ela já começa com tudo, depois é intercalada por um piano e double bass rapidíssimos; em seguida, percebem-se as guitarras - lembram algo do Black Metal - descendo de casas rapidamente num ritmo sincronizado. A épica faixa “Legions Of The Serpant” é bem melódica e técnica. Arpeggios, inversões de tempo perfeitas, solos calmos, trechos com jazz e até uma guitarra espanhola no meio da música intercalada por um piano, seguido por um solo meio Old-School Death Metal. “Planetary Duality” é um álbum fácil de se gostar e diverso de Tech-Death que agrada a fãs antigos da banda e oferece ideias novas para ouvintes recentes. The Faceless foi bem criativo e está se destacando na cena

Brutal Technical Death Metal, entregou brutalidade técnica com um ambiente experimental. Só nos resta escutar esta iguaria e esperar pelas coisas novas que esses caras estão prometendo pra esse ano. Nota: 9.5 Igor Scherer

THE OCEAN “Heliocentric” Metal Blade Records Dificilmente encontrará uma banda como The Ocean. Unindo diversos elementos do som pesado e de música clássica, além de outras sonoridades, a banda alemã ousa e desafia os limites musicais sem soar chato ou oportunista. Desde a primeira vez que ouvi a banda com o álbum “Aeolian”, de 2005, acompanhei de perto sua evolução, ainda que as mudanças de formação tenham sido uma constante em sua carreira, iniciada há cerca de dez anos. Excêntrico ao seu próprio modo, The Ocean é comandado pelo guitarrista Robin Staps, que criou uma concepção em torno de letras que criticam o cristianismo, presentes em “Heliocentric”, e também sobre o criacionismo, tema apresentado em “Anthropocentric”. As dez faixas transitam sem medo por vias muitas vezes ignoradas por grande parte das bandas, apostando em algo que envolverá o ouvinte de forma inigualável. É óbvio que os fãs de Metal mais ortodoxos abominarão “Heliocentric”, mas aqueles que derem uma chance ao disco verão a quantidade de elementos e detalhes que aos poucos são revelados, até mesmo em faixas bem voltadas ao Pop. “Heliocen-


tric” concentra-se principalmente em elementos mais calmos, destacando “The Origin of Species” e “The Origin of God”, representando musical e liricamente tudo que envolve esta fantástica banda. Seria impossível citar aqui os nomes de todos os envolvidos em sua gravação já que há trompetistas e saxofonistas, além de vocalistas convidados. Indicado, é claro, aos ouvintes de mente aberta, dispostos a conhecer novas bandas, novas sonoridades e, quem sabe, descobrir um novo gosto musical. Nota: 9 Maicon Leite

dar sono, Theatres Des Vampires consegue passar aquela boa e enérgica euforia, apesar da sonoridade gótica. A arte da capa também não decepciona, sendo muito bem detalhada e com uma arte totalmente apropriada ao álbum – e também à altura da qualidade musical. Em geral, o álbum é muito cativante e inspirador e, com certeza, suas doze novas faixas marcam um novo progresso, acima de tudo o que a banda já fez. Isso, sim, é um álbum incrível de metal gótico. Existem fãs que ouvem faixas de doze minutos com arpejos contanstes tocados lentamente em um violão erudito, acompanhados de um violino que repete o mesmo compasso pelo menos cinquenta vezes e com um vocal lírico em tom deprimente e vão às lágrimas, emocionados, e afirmam que é a coisa mais linda que já ouviram. Se com essa chatice que dá mais sono que qualquer outra coisa eles já ficam desse jeito, não perdem por esperar “Moonlight Waltz”. Nota: 10 Yuri Azaghal

Theatres Des Vampires “Moonlight Waltz” Aural Music/Audioglobe “Moonlight Waltz” é o trabalho mais recente e também o nono álbum de estúdio da banda italiana Theatres Des Vampires. Nesse álbum destaca-se a temática musical voltada para a mitologia, com letras muito bem escritas e elaboradas. As melodias combinam vários instrumentos que alternam entre guitarras pesadas e elementos sinfônicos, dando às faixas um clima pesado. Ao mesmo tempo em que transmite uma sensação obscura de medo, passa uma excitação eufórica que cativa e prende do primeiro minuto até o último de quase uma hora de material novo e surpreendente. A voz de Sonya Scarlet varia entre tons líricos e lamuriosos e entre murmúrios com um toque obscuro e sensual, combinando de forma elegante com as belas melodias. A produção do álbum está maravilhosa e, diferente de outras bandas do gênero que produzem músicas tão enfadonhas que chegam a

posta do grupo. O restante da banda também é bastante experiente, tendo participado de grandes bandas do metal europeu, como o guitarrista e tecladista Olof Morck (Nightrage, Dragonland), o baixista Johan Andreassen (ex-Engel) e o baterista Morten Lowe Sorensen (The Arcane Order, Submission). Algumas músicas já são conhecidas pelo EP “Leave Everything Behind” lançado, em 2009, pela banda; no entanto, nesse début essas músicas receberam uma repaginada na produção melhorando ainda mais a já citada “Leave Everything Behind”, “Hunger” – música escolhida para o primeiro videoclipe –, “Director’s Cut”, a pesada “It’s All About Me (Rain)” e “Act of Desperation”. Outras músicas que completam o tracklist do álbum de forma magnífica são “1.000.000 Lightyears” com um refrão marcante, “Automatic”, “My Transition”, a balada “Amaranthine”, “Call Out My Name”, “Enter The Maze” e o fechamento desse grande lançamento fica por conta de “Serendipity” música que, de todo o álbum, é minha favorita. Uma grande revelação que só mostra os vários caminhos que o metal ainda pode percorrer. Altamente recomendado. Nota: 9 Luiz Ribeiro

AMARANTHE “Amaranthe” Spinefarm/Universal Essa banda sueca/dinamarquesa faz o que podemos chamar de Modern Metal, numa mistura de Melodic Death com Power Metal. Nesse primeiro álbum do Amaranthe todas as músicas, sem exceção, merecem grande destaque. Isso se deve ao fato de a banda contar com três vocalistas (não se assuste, é isso mesmo) Elyze – que além de ter uma bela voz também chama atenção pela sua beleza –, Andy (scream vocals) e Jake (clear vocals), que se encaixam perfeitamente na pro-

Before The Torn “The Serpent Smile” Oh Damn! Productions Infelizmente não sou um exímio conhecedor da cena Heavy Metal de Portugal. Do pouco que pesquisei na internet, descobri que a banda Before The Torn é bem conceituada e bastante 41


conhecida por lá. Nossos amigos portugueses sabem fazer metal extremo de qualidade, e essa é mais uma prova disso. “The Serpent Smile” é o mais novo trabalho dessa jovem banda de Lisboa. A sonoridade aqui é bastante variada, mas tem sua raiz no Death Metal Melódico e o Metalcore, com pinceladas de Deathcore aqui e ali. Um contraponto interessante é o peso nos vocais e o instrumental melódico. Falando no instrumental, a dupla de guitarristas João Cruz e Vitor Teixeira desfila uma quantidade assustadora de riffs de qualidade e de fácil assimilação, daqueles que grudam no cérebro na primeira ouvida. Os vocais de Guilherme Henriques também são dignos de elogios, levemente rasgado e agoniante, trazendo uma roupagem interessante ao som da banda, que tem seu time completo pelos competentes Nuno Cordeiro e Bruno Matos, baterista e baixista respectivamente. Todo o encarte é muito bonito e conta com a arte de Felipe Oliveira, que desempenhou um belo trabalho, deixando tudo mais harmonioso. Podemos notar influências latentes de Arch Enemy, In Flames e até de As I Lay Dying em seu som, sem que perca sua característica própria. Destaque para as faixas “Last Night’s Nightmare”, “Remember September” e “Heartriders”. A cena metálica portuguesa vem crescendo bastante nos últimos anos. Sem mencionar o grandioso Moonspell, temos também o More Than A Thousand e agora o Before The Fall. Quem sabe não possamos unir nossas forças e fortalecer o metal europeu com o sulamericano. A banda Before The Torn certamente faria Cabral ter orgulho se soubesse do talento de seus conterrâneos atravessando os oceanos. Sejam bem vindos à nossa terra. Outra vez. Pedro Humangous Nota: 8

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chances de crescerem bastante ainda. Que venham mais trabalhos como esse, serão sempre bem vindos! Pedro Humangous Nota: 8

Cruscifire “Chaos Season” Independente Como o próprio nome do disco já diz, é a estação do caos! Death Metal oriundo da cidade de Atibaia, São Paulo. Não entendo como tem gente que ainda tem coragem de dizer que não temos boas bandas nacionais. Pra quem curte um Death Metal tradicional, técnico e sujo, acaba de encontrar mais um representante nacional para se juntar ao time dos brutos. Sem a menor cerimônia, o disco já começa com uma pedrada na orelha, a assustadora faixa “A Letter For My Enemy”, incrivelmente pesada e veloz. Os vocais cavernosos ficam por conta de Victor Angelotti, que também assume as quatro cordas. As guitarras têm a assinatura de seu irmão, Caio Angelotti. No encarte só temos os dois como membros oficiais da banda, porém, as linhas de bateria foram gravadas por Ricardo Cari – muito boas por sinal. A capa foi feita por Marcelo HVC – já entrevistado aqui na Hell Divine na seção Covering Sickness da edição passada. A precisão na execução de cada faixa é impressionante! Técnica apurada e criatividade em alta nas dez composições. Todas muito coesas, sendo difícil apontar seus destaques. Além da primeira faixa, chamaria a atenção para “A New Bloody Day”, com claras influências de Cannibal Corpse, e “Smash Your Head”, uma aula de Death Metal com direito a Pig Squeal! Atualmente a banda conta com a adição do novo guitarrista Murillo Romagnoli e do baterista Victor Nabuco. Agora como um quarteto, prometem aterrorizar por onde passarem. Certamente o Cruscifire merece uma maior atenção dos bangers e tem grandes

DIE APOKALYPTISCHEN REITER “Moral & Wahnsinn” Nuclear Blast Os malucos alemães do Die Apokalyptischen Reiter estão de volta com seu mais novo registro intitulado “Moral & Wahnsinn”. Eles continuam com a mesma fórmula de fazer boa música, misturando o Folk e o Death Metal a toques de música clássica. “Die Boten” inicia o álbum de forma magnífica e resume bem o que será ouvido no restante do disco. Em seguida, temos “Gib Dich Hin”, cujo começo nos lembra bastante os conterrâneos do Rammstein. Outro destaque é “Dr.Pest”, a música escolhida para ser o primeiro single, com uma grande interpretação vocal de Fuchs. “Moral & Wahnsinn” foi a escolha correta para ser a faixa-titulo do álbum e, com certeza, é uma das que elevam o nível desse ótimo lançamento. “Heimkehr” é uma das músicas instrumentais mais bonitas que já ouvi em toda minha vida, lembrando trilhas sonoras de filmes. “Hört auf” tem um riff batante pesado e ao lado da faixatítulo são as mais rápidas do álbum, o qual termina em grande estilo com “Ein liebes Lied”. Apesar de ser uma banda não muito conhecida em território nacional, com certeza, esse novo registro do Die Apokalyptischen Reiter merece ser conferido. Para todos os amantes de boa música essa é uma grande pedida. O único ponto negativo


do álbum é a duração, pouco mais de 35 minutos. luiz Ribeiro Nota: 8.5

Dynahead “Youniverse” MS Metal records A banda Brasiliense Dynahead já havia surpreendido a todos quando lançou em 2008 seu álbum de estréia, o Antigen. Receberam ótimas criticas tanto aqui no Brasil, quanto mundo afora, devido a sua mistura inesperada de estilos e de certa forma inovando um pouco o jeito de se fazer Metal. Prepare seus ouvidos para algo ainda mais desafiador! Agora em 2011, acabam de lançar mais um álbum de inéditas. Um álbum mais maduro, com a mistura de estilos e influências cada vez mais fortes e ainda mais densas, muito bem amarradas entre si, sem deixar brechas para falhas ou notas deslocadas. A ótima produção ficou mais uma vez a cargo da própria banda, sob comando do talentoso vocalista Caio Duarte. Não existem outras bandas em que eu possa associar o som do Dynahead, talvez apenas mencionar o nome Nevermore, para que o leitor tenha uma pequena idéia da sonoridade. Porém, eles vão muito mais além. Temos um pouco de tudo aqui. Bata no liquidificador: Thrash, Prog, Death e Jazz! A sensação que temos ao ouvir Youniverse, é que já ouvimos isso antes, mas ao mesmo tempo nunca ouvimos nada igual. Um pouco confuso, mas basta colocar o disco pra tocar e entenderá. O disco vem em formato digipack, envolto por uma belíssima arte

criada pelo mestre Gustavo Sazes. O disco é conceitual e, segundo a própria banda, fala sobre a condição humana e a evolução do universo, desde seu nascimento, vida e morte. O álbum deve ser digerido em partes e merece algumas audições cautelosas para assimilar todo o material. Destaque para as faixas “Ylem”, “Unripe One”, “My Replicator” e “Confinement In Black” – que também está presente na coletânea da revista Hell Divine. Se alguém ainda tinha dúvidas que esses caras iam chegar longe, eis a prova real. Youniverse é uma obra prima do metal nacional, desde já na minha lista dos melhores do ano! Pedro Humangous Nota: 9.5

“Glorious Collision” segue com “To Fit The Mold”, uma das melhores músicas do CD com um belo solo de guitarra e algumas orquestrações, além da grande interpretação de Tom Englund. Já “The Phantom Letters” começa como uma balada, mas na sequência e com uma grande variação torna-se, sem dúvidas, a melhor música do álbum, além de ter um refrão maravilhoso. Outras que merecem destaque são “The Disease”, que é séria candidata a ser o próximo single, “It Comes From Within” e “I’m Drowning Alone” são músicas que contêm os elementos necessários para fazer felizes os fãs da banda. “Free” é a única “balada” do álbum, música que mostra mais uma vez a versatilidade vocal de Tom Englund. O álbum fecha com “... And The Distance”, música que tem a participação de Carina Englund dividindo o vocal com seu marido. Esse novo disco dos suecos só tem a fortalecer ainda mais a banda e mostrar aos seus fãs que o Evergrey está mais vivo do que nunca. Um grande lançamento que, com certeza, estará presente na lista de melhores do ano de muitos. Luiz Ribeiro Nota: 9

EVERGREY “Glorious Collision” SPV Steamhammer Depois de alguns problemas com a antiga formação da banda e com a entrada de novos músicos, muitas expectativas foram criadas para o novo álbum do Evergrey. Os dois únicos músicos remanescentes – o tecladista Rikard Zander e o líder, guitarrista e vocalista Tom S. Englund – mostram que o Evergrey ainda tem muita lenha para queimar e percebemos isso nitidamente nos primeiros segundos de “Glorious Collision”. Do início ao fim, o novo álbum dos suecos é bastante técnico e muito bem trabalhado. A primeira música “Leave It Behind Us” é um bom exemplo disso. “Wrong” foi a música ideal para ser o primeiro single, mas é a partir de “Restoring The Loss” que o disco se torna ainda mais irresistível.

GRAVE DIGGER “The Clans Are Still Marching” Napalm Records Ao longo dos anos, o Wacken Open Air é considerado por muitos o principal festival de Heavy Metal do mundo. Por esse motivo, muitas bandas aproveitam da infraestrutura e do grande público do evento para lançar seus CD’s e DVD’s ao vivo. No ano passado, uma 43


das grandes bandas alemãs, o Grave Digger, gravou sua apresentação para seu mais novo lançamento intitulado “The Clans Are Still Marching”. Nesse maravilhoso show eles tocam o seu mais aclamado álbum “Tunes Of War” de cabo a rabo, fazendo todo fã da banda ir ao delírio. Toda a apresentação é muito bem feita e na Intro temos a participação da Bauluy Muluy Pipes & Drums Band fazendo a temática do álbum ficar ainda mais real. Em seguida, o vocalista Chris Boltendahl trajado como William Wallace (personagem interpretado por Mel Gibson no filme “Coração Valente”, 1995), entra no palco acompanhado da banda Van Canto para fazer os backings vocals com “Scotland United”. Continuando o set e com um público interagindo e cantando todas as músicas com a banda, vem o hit “The Dark Of The Sun”, “William Wallace (Braveheart)”, “The Bruce” e “The Battle Of Flodden”. Mais uma participação especial e entra ao lado de Chris a rainha do metal Doro Pesch para dividir os vocais em “The Ballad Of Mary”, música que, em minha opinião, ficou a melhor do DVD; que me desculpem fãs da maravilhosa “Rebellion”. Já na clássica “Rebellion (The Clans Are Marching)” temos a ilustre participação de Hansi Kürsh, vocalista do Blind Guardian, e mais uma vez da banda Van Canto pelo fato de terem gravado essa música em seu último álbum de estúdio. Após o término do set feito em cima de “Tunes Of War”, o Grave Digger toca alguns de seus clássicos, como “Heavy Metal Breakdown”, “Excalibur”, e de “Ballad Of Hangman” do álbum homônimo. De bônus temos o videoclipe de “Highland Farewell”, uma galeria de fotos e entrevistas. Esse é mais um registro ao vivo no Wacken que vale muito a pena ter em sua coleção, pois não se trata apenas de música, mas de história, cultura que se resume em duas palavras: Grave Digger. Luiz Ribeiro Nota: 9

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Jr. Jaques (vocais), Guilherme Mendes (guitarras), Vitor Machado (guitarras), Andherson Andrade (baixo) e Diego Antunes (bateria), merecem destaque nesse belo disco! O EP está disponível para download gratuito no myspace da banda, mas quem curte ter o original, vale a pena correr atrás do seu! Totalmente aprovado e recomendado!

Hammathaz “Crawling” Independente A banda Hammathaz iniciou suas atividades em 2003 na cidade Sorocaba/ SP. Após algumas demos e shows importantes na bagagem, era hora de soltar no mercado algo oficial. Agora em 2011 a banda nos brinda com seu primeiro EP, intitulado “Crawling”. A embalagem é bem simples, mas muito bem feita e bem apresentável. O disco conta com cinco faixas, sendo que a primeira delas é uma bela introdução, bem no estilo “clean” da banda Opeth. As influências param por aí mesmo, caindo em um Metalcore bastante melódico logo na segunda faixa chamada “Downfall”. Logo de cara me veio à mente a banda americana Shadows Fall! As partes mais melódicas lembram um pouco de Killswitch Engage, ou seja, estamos muito bem servidos. A gravação está bem acima da média para uma banda relativamente nova e estreante na cena. Todos os instrumentos estão bem audíveis e em prefeita sincronia. Parabéns à produção da própria banda com auxílio de Rafael G. Zeferino, também responsável pela mixagem e masterização. Certamente a gravação no estúdio Creative Studios ajudou muito no resultado final. Na seqüência, temos a excelente “Crawling... Again”, com uma incrível mistura entre o peso aliado à agressividade e a sensibilidade melódica inerente ao estilo proposto. “Steel Age” começa com um riff bem interessante e uma levada de bateria e guitarras bem empolgantes, uma das melhores faixas na minha opinião. Pra fechar o EP, temos a faixa “Cursing”, com sua introdução abafada que logo cresce com a pancadaria total!

Pedro Humangous Nota: 9

Jag Panzer “The Scourge Of The Light” SPV/Steamhammer Records Esse novo álbum do Jag Panzer só vem mostrar que a banda está mais viva do que nunca, depois de alguns rumores que estaria encerrando suas atividades. Em “The Scourge Of The Light”, a banda consegue manter bem suas características fazendo um Power Metal de qualidade, mas um pouco abaixo de seus lançamentos anteriores. A faixa de abertura “Condemned To Fight” é um dos grandes momentos do disco, com grande destaque para a dupla de guitarristas Christian Lasegue, que voltou à banda após sua passagem de 1985 a 1988, e Mark Briody. “The Setting Of The Sun” é uma música mais tradicional da banda com um começo bastante cadenciado; já “Bringing The End” mostra todo o poder da voz marcante de Harry Conklin, além de ter um belo solo de guitarra. O álbum segue com “Call To Arms”, “Cycles”, “Overload”; músicas que nos remetem à fase mais antiga da banda, não tão pesada quanto os últimos discos. “Burn” inicia com uma linda introdução e, com certeza, é o principal momento de “The Scourge Of Light”, que termina com “The Book


Of Kells”. Um ótimo registro para os fãs que estavam a espera de um novo álbum do Jag Panzer desde o ótimo “Casting The Stones”, de 2004. Luiz Ribeiro Nota: 7.5

da arte criada para a capa, feita pelo renomado artista gráfico Seth Siro Anton. Simplesmente perfeita e condizente com o som da banda. Sonoridade essa que está cristalina, diga-se de passagem. Temos que reconhecer o esforço dessa banda por fugir do padrão em termos de composição e nos trazer um produto final de qualidade em todos os sentidos: gráfico, produção e gravação. Infelizmente esse disco ainda não foi lançado em terras brasileiras. Gravadoras, abram o olho!

1996, “Warpath”, de 1997, e “Maximus Violence”, de 1999. Com certeza, todo fã, não só de Six Feet Under, mas de Death Metal em geral apreciará com bons olhos, clássicos como “Silent Violence”, “Feasting On The Blood Of The Insane”, “Suffering In Ecstasy”, “The Enemy Inside”, “Human Target”, “Seed Of Filth” e o fechamento triunfal com “Beneath A Black Sky”. Luiz Ribeiro Nota: 8

Pedro Humangous Nota: 8.5

Of The Archaengel “The Extraphysicallia” Sleaszy Rider Records O Doom Metal, o Gothic ou simplesmente o Dark Metal, são gêneros poucos explorados por nossas bandas brasileiras. O motivo? Não saberia dizer. O fato é que temos um representante de peso nesse estilo, e atende pelo nome de Of The Archaengel. Após várias mudanças na formação e até de nome – conhecida anteriormente por Lethal Curse – a banda se estabiliza com Lucas Barone (baixo), Paulo Moura (guitarras e sintetizadores), Pedro Alzaga (bateria), Alex Rodrigues (vocais) e Timo Kaarkoski (guitarras), e coloca no mercado sua mais nova arte em forma de música, o álbum “The Extraphysicallia”. O disco é repleto de nuances, detalhes que são captadas aos poucos, a cada nova audição. Músicas densas, encorpadas e cheias de surpresas. Impossível não associar ao som de bandas como Moonspell, Paradise Lost, Katatonia, Opeth e até mesmo Rammstein. Ao todo são nove longas faixas, diversas passagens e mudanças de andamento, tudo abrilhantado e ambientado por um instrumental coeso aliado a uma performance vocal surpreendente. Falando em vocais, temos a participação especial de Sakis Tolis – Rotting Christ – na faixa “Water Flows Through The Slimy Walls”. Outro destaque desse álbum fica por conta

Six Feet Under “Wake The Night! Live In Germany” Metal Blade Gravado no festival alemão Party San, em 2010, esse mais novo DVD do Six Feet Under, intitulado “Wake The Night!” nos mostra como são os novos companheiros do vocalista Chris Barnes e do guitarrista Steve Swanson quebrando tudo ao vivo. Vindo da banda Chimaira, o baixista Terry Butler e o baterista Greg Gall tocam muito bem as músicas contidas no tracklist desse lançamento, passando por toda discografia da banda. As imagens desse vídeo são de extrema qualidade e muito bem feitas pela experiente empresa Roax Films. O que deixa um pouco a desejar é a qualidade sonora, pois mesmo utilizando 5.1 Dolby Digital, conseguimos ouvir alguns overdubs ao longo do DVD, mas que não comprometem o resultado do disco. Como o que nos interessa é a música, os grandes destaques ficam por conta das músicas dos três primeiros álbuns da banda, com ênfase no maravilhoso “Haunted”, de 45


! L A T E M O D O Ç I V R E S A O T TALEN

o, se por muito temp aixar e a it n o b ja se uito fácil b que a capa m disco, gosta a qualidade. Hoje em dia é m ato LP, torna a u ra p m o c ê c em form garanti Quando vo apa, o que não a excelente arte, ainda maisrtistas que vem criando c la e p m u lb á ndes a ciar um je julgava o experiência ho ith é um dos gra o prazer de apre um disco, mas da mais agradável. Travis Sm lhores de sua área. Sua vasta já passaram pelo experiência ain s e, hoje em dia, é um dos mepieces. Dentre as bandas que nfold, etc, todos capas marcanteuma empresa própria, a Seemrmore, Overkill, Avenged Sevede sua carreira e lhe permite ter há o Iced Earth, Opeth, Neve vis, que nos falou um pouco lápis de Travis, antes. Conversamos com Trautros assuntos. com artes brilh que já trabalhou, além de o das bandas com

H T I M S TRAVIS

HELL DIVINE: Travis, você possui características bem diferentes de outros artistas como, por exemplo, Ed Repka, Andreas Marschall e Michael Wellan. Como você classificaria seu trabalho e o que você acha que o diferencia destes artistas? Travis Smith: Bem, penso que essas pessoas que você citou têm um estilo diferente e mais tradicional. Acho que o que os distingue uns dos outros e de outros artistas é que cada um tem seu próprio estilo. Se você estiver familiarizado com os trabalhos deles, normalmente você consegue reconhecer imediatamente alguma coisa desses artistas assim que você os vê.

HELL DIVINE: Você já trabalhou com diversas bandas, dos mais variados estilos. Com quais gêneros você mais se identifica e, dessas bandas, qual o trabalho que você mais gosta? Travis Smith: Gosto de muitos estilos, então não consigo pensar num estilo específico que supere os outros para te dar um exemplo absoluto. Eu gostarei de qualquer coisa que me faça sentir algo, e tanto faz se é algo agressivo, calmo ou um meio-termo. Qualquer coisa que eu possa absorver e com o qual eu possa sentir algum tipo de conexão. HELL DIVINE: Alguns desses trabalhos acabaram se sobressaindo, como a capa de “Something Wicked This Way Comes”, do Iced Earth, e, mais recentemente, “Nightmare”, do Avenged Sevenfold. São bandas bem diferentes entre si, mas ambas as capas se destacam. Nesses casos as bandas já lhe entregaram as ideias para a arte, ou você que as concebeu? Travis Smith: Nesses casos as ideias para as artes vieram das bandas. Para o Iced Earth, a ilustração à tinta já estava completa e tinha sido enviada para mim pelo Greg e eu tinha falado com ele e com o John a respeito das direções relativas à colorização e finalização. Mesma coisa para o Avenged Sevenfold. A ideia geral veio da banda e eu iniciei com uma interpretação, para daí trabalharmos juntos no resto do processo em todos os detalhes até que estivesse completa. HELL DIVINE: Um detalhe interessante é o fato deste trabalho para o Iced Earth ter sido uma das suas primeiras ilustrações e também uma das mais conhecidas, e que a capa do Avenged é um dos seus últimos trabalhos. Que diferenças você aponta no seu trabalho entre este período? Travis Smith: Não consigo pensar em diferenças quando visualizando a arte, mas durante meu caminho como artista descobri e aprendi novos e melhores métodos para aplicar ao processo de trazer a arte à vida.

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HELL DIVINE: Vamos voltar um pouco ao seu passado... Como era sua relação com desenhos quando era criança? Foi algo natural ou alguém o estimulou a desenhar e mexer com arte? Travis Smith: É algo que tenho feito por tanto tempo quanto posso lembrar e foi algo que sempre ocorreu naturalmente. Apesar de que, bem nos primórdios, lembro-me de fazer desenhos de carros de corrida, Star Wars e do Kiss mais do que qualquer outra coisa. HELL DIVINE: E quando você começou a se dedicar a este trabalho? O que o influenciou a criar as capas das bandas, principalmente as capas relacionadas ao Heavy Metal? Travis Smith: De certa maneira, sempre gostei de desenhar ou criar além de ser recorrentemente inspirado pelas minhas bandas, filmes, livros e capas favoritos. Mais tarde, passei a me dedicar e comecei a levar isso a sério à medida que algumas possibilidades relacionadas à música começaram a se apresentar para mim num âmbito profissional, então vi que isso poderia se tornar realidade. Assim, me comprometi a fazer o melhor, a fazer justiça às visões do compositor e levar o trabalho o mais longe que eu pudesse.

HELL DIVINE: Muitas vezes as gravadoras encomendam obras. Nesses casos, qual tipo de material é encaminhado para você e, se no momento da criação você pode manter contato com a banda ou isso é restrito? Travis Smith: Sou mais comumente contatado pelas próprias bandas, mas nos casos em que fui inicialmente abordado por alguém representando elas, sempre foi possível trabalhar diretamente com elas durante o processo. Pelo que eu me lembre, houve pouquíssimas oportunidades em que houve contato restrito ou nenhum com os próprios membros da banda. HELL DIVINE: Com quais bandas que você gostaria de trabalhar e que ainda não trabalhou? Existe alguma em especial? Travis Smith: Há várias delas mesmo e novas bandas surgem todo o tempo, porém seria difícil nomear uma ou duas delas. Eu sou realmente muito feliz por ter trabalhado com algumas de minhas bandas favoritas em todo o mundo. Ainda há várias bandas que inspiram ideias em mim e com as quais eu adoraria trabalhar se a oportunidade surgisse. Mesmo que elas já estejam perfeitamente complementadas visualmente e que as chances sejam mínimas, ainda as acho inspiradoras. HELL DIVINE: Quais suas bandas preferidas? Não precisa ser exatamente daquelas que você já trabalhou, mas sim aquelas que lhe acompanham desde cedo... Existe alguma em especial que tenha feito você se apaixonar pelo estilo? Travis Smith: Algumas de minhas bandas favoritas incluem Katatonia, Opeth, Anathema, Devin Townsend e Psychotic Waltz. Felizmente, algumas das bandas que prefiro também se tornam minhas bandas favoritas para se trabalhar, em alguns casos. HELL DIVINE: Atualmente têm surgido muitos artistas novos, mas que muitas vezes têm seguido um mesmo padrão, não criando uma marca registrada. Isso é culpa das bandas, que querem seguir este padrão, ou é do próprio artista? Travis Smith: Eu não sei. Podem ser muitas coisas. Percebi muitas modas que ocorreram ao longo do caminho, e foram tanto com elementos conceituais ou cenas quanto com cores ou tons. É difícil dizer. Partindo de uma simples suposição baseada em minhas próprias experiências, qualquer capa que você vê pode ser proveniente do artista e suas influências, ou então um direcionamento da banda, ou por fim uma combinação de ambos.

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HELL DIVINE: Atualmente você tem sua empresa, a Seempieces. Em todo este tempo que trabalha com ilustrações, chegou a trabalhar em alguma outra empresa ou se dedicou apenas às ilustrações para bandas? Travis Smith: Já fiz algumas coisas aqui e ali não relacionadas à música, mas até agora tem sido principalmente focado na música. HELL DIVINE: Travis, obrigado pela sua atenção. Certamente, não dá para dizer “te vejo na próxima turnê”, como falamos para as bandas, mas se vier ao Brasil, avise-nos; será uma honra conhecêlo! Por favor, deixe sua mensagem aos fãs brasileiros e para as bandas, caso queiram trabalhar com você! Travis Smith: Não há planos ainda, mas eu adoraria! Meu muito obrigado a você e aos seus leitores pelo interesse em meu trabalho. Por Maicon Leite. Tradução: Daniel Seimetz.

HELL DIVINE: Na década de 80, era comum vermos capas que continham temas bélicos, nucleares, etc. Ainda hoje, há vários trabalhos seguindo este gênero, que é basicamente utilizado pelas bandas de Thrash Metal. Hoje em dia, o Metalcore tem apresentado um material mais abstrato... Esta seria a nova tendência ou você acha que há espaço para todos os gêneros? Travis Smith: Eu lembro daquilo. Comprei um monte de álbuns de Thrash Metal, então ouvi muitas canções cujos temas eram sobre guerra, meio ambiente, anarquia ou evangélicos de TV. Acho que é bom se bandas querem tentar dizer coisas diferentes, pois há tantas formas de se dizer a mesma coisa, mas também acho que há sempre espaço para uma banda dizer seja lá o que for a qualquer momento. Também notei certo ciclo de tendências na própria arte-final ao longo dos anos. Você pode ter certas bandas fazendo anjos de topless numa semana, e ver outras criando um tema com uma cidade pós-apocalíptica em ruínas, apenas para pegar dois exemplos rápidos. Não tenho certeza se é intencional ou não, mas no passado tive uma série de bandas que vinham até mim com poucas semanas de tempo entre uma e outra e com temas semelhantes. Ou então você pode concretizar a ideia de uma banda e alguém vai dizer que é um pouco parecida com outra capa que ela viu, sendo que você nem ouviu falar dela ainda. Coisas assim. Tenho visto uma boa quantidade de capas semelhantes ao longo desse percurso.

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A cena Crossover – Speak English or Die! É com grande satisfação que inauguro esta nova seção da revista, dedicada, exclusivamente, ao som pesado feito nos anos 80, seja ele Thrash, Speed, Death ou Crossover. A ideia da seção é falar sobre assuntos específicos, que buscam levar conhecimento aos leitores da forma mais simples e dinâmica possível. Nesta primeira edição, abordaremos o Crossover que, dentro do nosso contexto, é nada mais que a união entre o Thrash Metal e o Hardcore, estilos que primam pela velocidade e agressividade e que estão diretamente interligados. Muitos consideram o EP “State Violence, State Control” do Discharge, lançado em 1982, como o pontapé inicial do gênero, mas um pouco antes já existiam bandas que misturavam Punk com Metal, e que aos poucos foram se aperfeiçoando. Se considerarmos os fatores citados acima, poderíamos eleger até mesmo o Motorhead como precursor, devido à velocidade e agressividade de sua música em plenos anos 70, mas o grande boom do estilo surgiu, sem dúvida, na metade dos anos 80, como veremos a seguir. O começo dos anos 80 revelou ao mundo o surgimento do Thrash Metal, por meio dos primeiros discos do Metallica e Exodus, ambos influenciados pela simplicidade e energia do Punk/Hardcore, inserindo doses cavalares de rapidez e agressividade, ao mesmo tempo em que buscavam inspiração em bandas como Iron Maiden e Judas Priest para construir suas músicas, unindo velocidade e melodia. Entretanto, as músicas começaram a ficar mais rápidas e novos nomes surgiam, criando assim uma nova cena, o Crossover. Suicidal Tendencies, Hirax, D.R.I., Beowulf, C.O.C, Agnostic Front, Excel, Final Conflict, Cerebral Fix, Nuclear Assault, S.O.D., S.O.B., M.O.D. são alguns nomes que fizeram a cabeça dos bangers daquela época e, claro, o Ratos de Porão aqui no Brasil, tornandose responsáveis por tentar unir punks e bangers em uma época repleta de brigas e 52

intolerância entre as parte s. Para exemplificar bem como foi o surgimento deste novo nada melhor do que falar gênero musical, clássicos da época, qu de alguns discos uma geração inteira e que movimentaram mam toda a galera Punk e ainda entusias, Metal, HC e doidos em geral. Discos essenciais: S.O.D. Speak English or Die 1985 Lançado pouco primeiro petardo do Hirax,tempo antes do or Die” é definitivamente “Speak English define o Crossover, em a obra que melhor perfeição milimétrica. Na verdade, o S.O.D. era um projeto do pessoal do Anthrax e Nu clear Assault com Billy Milano, que an os de pois formaria o M.O.D. Scott Ian (gu (baixo), Charlie Benante itarra), Dan Lilker talvez nem tivessem ideia (bateria) e Billy vam criando, mas a histórdaquilo que estahecendo-os como os gra ia acabou recondo estilo. Tanto que anosndes precursores década de 90, devido a inú mais tarde, na a banda voltou durante ummeros pedidos, sive lançando um novo dis período, inclu“Paranoid” está para o co. Assim como “United Forces” está para Black Sabbath, formando-se num hino, o S.O.D., transtendo em sua letra a vontade de unir o Me distinção do jeito de se ves tal e Punk, sem de cabelo, cor, etc. “Nos tir, nem do corte foram sérias, só as fizem sas letras nunca pessoas”, disse Dan Lil os para irritar as que “Speak English or ker na época em explicando do que as 21 Die” foi lançado, tratam: diversão pura e obmúsicas do disco rigatória!

Hirax Raging Violence 1985 O Hirax sempre foi uma banda pouco reconhecida, mesmo sendo uma das pioneiras na arte de misturar Metal e Hardcore, como vemos aqui em “Raging Violence”, no qual Katon W. De Pena (vocal), Scott Owen (guitarra), Gary Monardo (baixo) e John Tabares (bateria) exorcizam seus demônios com 14 faixas que unem velocidade e agressão da forma mais perfeita possível. Não é à toa que hoje temos muitos nomes do som pesado fazendo cover da banda do folclórico Katon, um dos caras mais legais nesse meio. Talvez o maior clássico dos americanos esteja presente em “Raging Violence”, atendendo pelo nome de “Bombs of Death”, que em menos de dois minutos põe tudo abaixo com muita velocidade e interpretação marcante de Katon. “Hate, Fear and Power”, meteórica, também é destaque absoluto de “Raging Violence”, que é, sem dúvidas, uma boa lição de casa! D.R.I. Crossover 1987 Poucos dias atrás o Brasil teve a chance de ver novamente esta lenda viva do Crossover em shows alucinantes, recheados de clássicos e mais clássicos, fazendo


do público uma grande massa humana sem controle. A semente disso tudo nasceu lá no começo dos anos 80, mas foi em 1987, em seu terceiro disco, que o DRI conquistou de vez a galera maluca que curtia toda essa barulheira. Naquela época, o DRI era formado por Kurt Brecht (vocal), Spike Cassidy (guitarra), Josh Pappé (baixo) e Felix Griffin (bateria), formação que gravou “Crossover” e o também indispensável “Four of a Kind”, de 1988. A qualidade das composições e contando com uma ótima produção, fizeram deste álbum uma pequena obraprima do som pesado. E por “culpa” desse título que as revistas começaram a intitular as bandas que faziam este tipo de som como “Crossover”, pois até então eram definidas somente como Thrash Metal, Hardcore, etc. O DRI pode não ter sido a primeira banda a fazer este tipo de som, mas graças a ela o estilo ganhou um nome e se tornou ainda mais conhecido, fazendo com que a banda fizesse várias turnês. Ouça sem medo de estourar os tímpanos! Suicidal Tendencies Join the Army 1987 Este play marca uma transição na carreira da banda com uma séria mudança de formação que se concretizaria pouco depois de seu lançamento. Porém, o que Mike Muir (vocal), Rocky George (guitarra), Louiche Mayorga (baixo) e R.J. Herrera (bateria) deixaram de herança para as futuras gerações foi um apanhado de clássicos atemporais, como a própria faixa-título do trabalho, recheada de velocidade e belos solos de guitarra. Já “War Inside My Head” e “Possessed to Skate” certamente lhe dizem algo, correto? Ambas se tornaram clássicos do gênero, sendo até hoje reverenciadas. “Join the Army’ foi o segundo disco da banda, e o primeiro contando com Rocky e Herrera. Trata-se

ainda mais, e para que o estilo se propagasse o sempre foram de ra pa nte rta po im ro ist ao viv de um reg e que suas apresentaçõesépoca. Não é empolgante ou quem conhece a banda, sab ção ma for ependente da uma energia incrível, indcorrendo feito um louco pelo palco? e do lan pu ver Mike Muir Ratos de Porão Brasil que estava aconte1989 deria ser tão diferente do nome do Crossover po o nã isa co a l asi Br No grande rtir o. O Ratos de Porão foi o cendo no resto do mund seu primeiro disco seja totalmente Punk/HC. A pasoa e su qu r da meçou a molda aqui no Brasil, ain çado em 1986, o RDP coa Dia Mais Sujo e Agresad de “Descanse em Paz”, lan “C em mentos metálicos. Em noridade adicionando ele ainda mais evidente, culminando com força total r” rre ou Mo fic ia Até nc er dê eb ten “B a e ess o” ssã sivo” cos a Mais”, “Aids, Pop, Repre “Brasil”. “Amazônia Nunc , e não ficam devendo em nada aos grandes clássi ow sh ita r rfe ue pe alq ca qu transformar formam um trin m. João Gordo, além de vindos da terra do Tio Sapossuiu uma voz com características próprias, sen , ia) ter em um inferno, sempre por Jão (guitarra), Jabá (baixo) e Spaghetti (ba nte ele da exc oia o mais um disco, do amplamente ap ssica e que viria a lançar formação considerada clá. “Anarkophobia”, de 1990 Por Maicon Leite.

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bastante aplaudida. Aposto que esse fã nunca mais lavará a tal camiseta! O set percorreu toda a carreira da cantora, no qual eu destacaria a maravilhosa “Hellbound”, “Burning The Witches”, a belíssima “Fur Immer”, “Fight For Rock” e o hino “All We Are” de sua ex-banda Warlock, e hits como “Above The Ashes”, de sua carreira solo. Ainda houve uma versão intimista do clássico “Breaking The Law”, do Judas Priest, que lá pelo meio pegou fogo e contou com grande empolgação do público.

Doro Ilha dos Pescadores, RJ 21/04/11 Por Marcelo Val Foto: Heloísa Melo Pela terceira quinta-feira consecutiva, o Rio abriga um grande nome do metal oitentista. Depois de Ozzy e DRI, foi a vez de Doro Pesch pisar em solo carioca e nos brindar com um grande show, que mostra o motivo de ela ser considerada a verdadeira rainha do metal. Com cerca de meia hora de atraso e sem banda de abertura, a simpaticíssima cantora entrou no palco da longínqua Ilha dos Pescadores. Apesar do feriadão, da dificuldade de acesso à casa (usada normalmente para bailes funk e afins) e da quantidade de shows internacionais seguidos, o público carioca compareceu em número razoável e foi à loucura com os primeiros acordes de “Earthshaker Rock”, primeiro dos vários clássicos do Warlock tocados na noite, sempre com um sorriso de felicidade no rosto da bela cantora e de sua competente banda. O show primou pela intimidade com o público, que cantou junto todas as músicas e teve o ponto alto com o cover Egypt (“The Chains Are On”), gravado no tributo Holy Dio (nem preciso dizer para quem é o tributo, né?), que foi anunciado quando a vocalista alemã pegou das mãos de um fã a camiseta do falecido cantor e a beijou com reverência, sendo 54

A casa se mostrou bem legal para eventos daquele tipo e o show contou com uma excelente iluminação. O som, no entanto, estava um pouco alto demais e a guitarra de Luca Princiotta ficou escondida na mixagem, soterrada por aquela do colega Bas Maas (ex-integrante do After Forever) e boa parte de seus solos acabou não aparecendo. No geral, estava muito bom e só falhou no final, quando Doro resolveu sair do script e anunciou mais uma música, “Metal Tango”. Primeiro foram problemas no equipamento do baixista Nick Douglas, solucionados enquanto o baterista Johnny Dee improvisava um solo, incluindo até uma citação da batida de “I Love It Loud”, do Kiss, cantada em coro. Problemas aparentemente solucionados, a banda finalmente ataca com o tango metálico e os problemas voltam, com microfones e todos os instrumentos falhando até mais ou menos a metade da música, que foi levada na raça até o final, fechando o show. Em resumo, uma ótima pedida para quem ficou no Rio na quinta-feira desse feriadão, e parabéns para a produção pela iniciativa de cobrar ingresso promocional no valor de meia-entrada para todos, sem a famigerada pista VIP. São a eventos desse tipo que dá gosto de ir.

D.R.I. Rio de Janeiro, RJ 14/04/11 Por Augusto Hunter Foto: Augusto Hunter DxRxI – 14 anos depois e eles continuam com tudo!! O dia 14 de abril desse ano, com certeza, entrou com uma memória muito boa no coração de muitos cariocas, pois após 14 anos os criadores do Crossover voltaram ao Brasil e passaram pelo


Rio de Janeiro, cidade que, em 1997, os recebeu de braços abertos para uma destruição no antigo e clássico local de shows carioca, Garage. Dessa vez, o local foi o Teatro Odisséia, que ficou pequeno com a massa de Thrashers invadindo para assistir ao Kurt Brecht, ao Spike Cassidy e a sua trupe fazerem um show incrível e nós, da Hell Divine, fomos conferir essa grande noite. Chegando ao local, as clássicas filas, nas quais você encontra todo mundo, amigos que há tempos você não via. Somente uma ocasião como essa para tirar várias pessoas do aconchego de seus lares, e lá ficamos. Infelizmente, o atraso clássico em eventos aconteceu e os portões foram abertos às 21h, uma hora depois do previsto. Entretanto, mal entramos e já fomos recebidos pelo pessoal do Halé, banda carioca com letras altamente engraçadas, mas misturado a um Sr. Hardcore. Isso já dava a todos no local uma ideia de como seriam as próximas horas

show com o clássico “Patrulha 666”, com o público respondendo de forma fenomenal. Houve aquele tempo para o pessoal arrumar as coisas, passar som, etc., e a banda subiu ao palco do Teatro Odisséia. O lendário DxRxI estava lá. Tenho que confessar, a emoção foi grande e assim eles começaram uma apresentação de quase duas horas com o clássico do Thrash Zone, “Beneath The Wheel”. Dali em diante foi um “Circle-Pit” insano, às vezes três pessoas no palco dando seus clássicos Stage Divings, e toda a maquinaria de um show de Metal/Hardcore. Os caras tocaram muito e o público respondeu com maestria, cantando todas as músicas e agitando. Enquanto isso, a banda respondia com simpatia e com um contato com o seu enlouquecido público de forma única! “Who Am I”, “Abducted”, “Acid Rain”, várias músicas; mas no bis que o público foi à loucura, quando enlouquecidos pedimos “Violent Pacification”. A banda tratou de responder fazendo uma apresentação desse hino de forma cavalar, fechando o set com “The Five Year Plan”; nada mais belo que o pessoal e Kurt Brecht trocando as frases: “I Win, You Loose”. Foi demais! Tive a chance de conversar com Spike Cassidy, que falou que para ele, tocar no Rio foi muito especial. Mesmo com o calor e todos os problemas, ele estava realizado em poder ter voltado a tocar aqui depois de ter vencido um câncer. Para ele foi uma vitória fazer essa turnê!

de evento. O show foi maneiríssimo e o público começou a aquecer o corpo nos clássicos “CirclePits”, fator mais que importante em um show de Hardcore/Metal. Depois do Halé tivemos mais uma banda local, o clássico Uzomi subiu mostrando, também, um Hardcore nervoso com seus dois vocalistas empolgadíssimos quebrando tudo no palco, variações de vozes mais rasgadas e guturais mais graves vieram avassalando os tímpanos dos fãs ali presentes. Tenho que confessar: assisti a essas duas primeiras bandas pelo telão do 3º andar da casa, que oferece uma estrutura maravilhosa, digase de passagem. Nesse andar, onde ficou a publicidade e etc, tive a chance de conversar com várias pessoas, mas quem mais me chamou atenção foi o Alexandre, que saiu de Curitiba (se bem me lembro) para ver o show do DxRxI aqui no Rio. Esse tipo de coisa só se vê no Metal, mesmo! Acabando o show do Uzomi, desci para o andar do palco e dos shows para assistir ao DFC, banda brasiliense de Hardcore, que, como sempre, faz um show matador. Naquela noite, então, estava mais ainda – acho que pelo fato de eles abrirem pra banda que mais os influencia, o pessoal da banda deu tudo e muito mais. O vocalista pulou o tempo todo e tocou as músicas com mais raiva que o normal, fazendo a apresentação deles ficar ainda mais animal. A banda fechou o

O que mais existe para falar? Só posso parafrasear um colega da produção do evento, que passou enquanto conversava com Spike, pediu licença e disse: “Muito obrigado pela aula de Thrash/Crossover dessa noite”. Spike abriu um sorriso, deu-lhe um abraço e respondeu: “Vocês que nos deram aula de fidelidade”. Só posso fechar assim mesmo, valeu DxRxI pela aula, ficará pra sempre!

IRON MAIDEN HSBC Arena, RJ 28/03/11 Por Marcelo Val Foto: Heloísa Melo Sabe o que acontece quando se junta um evento destinado a um público apaixonado com desorganização e desrespeito a esse mesmo público? É, vocês devem ter pensado nessa mesma palavra, que eu prefiro não escrever nesse espaço. Do alto dos meus 26 anos frequentando shows, posso dizer que nunca vi o que aconteceu naquele domingo. A Arena, que se situa mais ou menos na fronteira entre o fim do mundo e o inferno, já tinha uma fila quilométrica na hora que cheguei, por volta das 19h. Conforme a hora passava, a fila, além de não andar, tornava-se ainda mais absurdamente longa, gerando impaciência e certa revolta. Cheguei a ver 47 55


uma cena absurda de um cambista vendendo – nas palavras dele – “uma chave”, ou seja, uma senha, que – teoricamente – dita aos seguranças permitia a entrada sem passar pela fila. Muito bonito. Ao mesmo tempo, um colega que estacionou o carro no caríssimo estacionamento da Arena disse que não enfrentou nenhum problema para entrar. Legal, né? É esse o respeito que o público que paga os preços ridículos dos ingressos recebe dos organizadores. O resultado é que às 20h30, hora impressa no ingresso para o início do show, a maioria absoluta do público encontrava-se ainda do lado de fora do local. Apesar dos amplos portões, por algum motivo o público tinha que passar por um corredor estreito de grades – um curral, mesmo – e nessa hora começou um tumulto e com o empurra-empurra, as grades, feitas de ferro, foram sendo derrubadas, gerando um risco enorme de acidentes. Vi uma criança, levada ao show pelo pai, quase ser pisoteada no pânico que se formou. Os seguranças finalmente se mexeram nessa hora, correndo para salvar... as grades caídas que estavam sendo amassadas. Isso mesmo, ninguém da segurança moveu uma palha para ajudar a organizar a bagunça, só para recolher as malditas grades, que nem deveriam ter sido colocadas ali. Já assisti ao Queen, Scorpions e Ozzy nessa casa de shows, e nunca houve esse procedimento desnecessário e infeliz. O público passou a ser literalmente tratado como animais.

uma proporção extremamente diminuta para o tamanho da casa. Mal comparando, é como colocar uma TV de “14 em uma sala ampla. A banda entrou tocando “The Final Frontier”, e a comoção, como sempre, foi enorme. No fim do primeiro refrão, a grade de segurança que demarcava a área de imprensa foi abaixo, gerando uma debandada dos profissionais da imprensa, que escaparam fugindo pelo palco. Bruce Dickinson, visivelmente preocupado, parou de cantar e pedia ao público para que todos dessem um passo para trás. Até o fim da música ele tentou refrear os ânimos e quando a banda deu os últimos acordes ele pediu dez minutos para que a produção consertasse as grades. Após mais de meia hora, ele retornou ao palco com uma tradutora para explicar que as grades estavam muito quebradas e que ele temia pela segurança do evento. Prometeu o show para o dia seguinte, no mesmo horário, e os tickets de domingo seriam válidos. Uma vaia enorme se seguiu, encobrindo a tradutora, que nem terminou seu serviço, afugentada. Conforme o público ia saindo, uma coisa me chamou a atenção: a grade que separava a Pista Comum da Pista Premium estava inteira, e parecia ser feita de um material mais apropriado do que a que separava o palco da Pista Premium. Aparentemente, a produção se preocupou mais na divisão de classes e no lucro fácil proporcionado pela prática antiética da Pista Premium, do que na segurança, que foi falha ou inexistente desde a entrada. No dia seguinte, programas de TV e jornais sensacionalistas mostravam “estragos” feitos pelos “vândalos fãs de metal”, sem se preocupar com a premissa básica do jornalismo: escutar todas as partes envolvidas.

De qualquer forma, entrando por volta das 21h, o Shadowside terminava seu show de abertura e a casa ainda estava bem vazia. Chamava a atenção de todos que a tal Pista Premium, vendida ao dobro do preço da comum – teoricamente para proporcionar maior conforto e proximidade do palco –, ocupava bem mais da metade da pista. O público agora entrava em maior velocidade, e em cerca de meia hora o lugar estava abarrotado. O show foi atrasado em mais de meia hora, e na hora que começava a intro “Satellite 15”, o público ainda entrava na, já superlotada, Arena. Imagino que para quem pagou R$200 (meia-entrada) ou R$400 pela Pista Premium, deve ter sido bem desagradável dar de cara com um mar de gente e ter que ficar bem longe do palco, que contava com duas “telinhas”, pois os telões tinham 56

Vocês devem estar se perguntando: e o show na segunda? Bom, falar sobre um show do Iron Maiden é sempre chover no molhado. A banda arrasa, não importa quão fraca seja a escolha do repertório. Sempre. E não foi diferente; tocou para uma Arena ainda mais superlotada (nas arquibancadas, parte do público teve que sentar na área de circulação, inclusive eu - uma chateação e um perigo, no caso de um pânico qualquer), teve o público na palma da mão o tempo todo. Com o repertório mais focado na fase pós-reunião, o show teve seus pontos altos nos velhos clássicos como “The Evil That Men Do” e “The Number of the Beast” (com a presença “ilustre” do cramunhão em pessoa), assim como em alguns novos clássicos, como “Wicker Man”. Mesmo nas mais paradas como a bela “Coming Home” ou “Blood Brothers” o público cantou o tempo todo e alucinou com a presença de Eddie, em “The Evil That Men Do”, ou do Eddie gigante no hino “Iron Maiden”, com um efeito avassalador. Não entendo por que a banda ignora ótimas músicas como “Montsegur”, “Fallen Angel”, “The Reincarnation Of Benjamin Bregg” ou “Nomad”, dentre as mais novas, mas vou fugir do lugar comum de reclamar do set list. A banda arrasou e o público fez


as pazes com Bruce, que cantou maravilhosamente e se encontra, como sempre, em excelente forma, física e vocal. O cenário, imitando uma área de containers, ficou muito legal e os backdrops (panos de fundo) eram trocados a cada música, mostrando a preocupação da banda em dar um show irrepreensível em todos os aspectos. No final das contas, a única coisa que me deixou insatisfeito com o show em si foi o som baixo e sem pressão, apesar de bem equalizado. Maiden tem que ter o som no talo! Up The Irons!

MAYHEM & TAAKE Curitiba, PR 13/03/11 Por Emily Bodom Foto: Emily Bodom Dois anos após a vinda do Mayhem ao Brasil, a banda desembarcou, em 13 de março deste ano, para um dos shows de Black metal mais importantes da história de Curitiba. E dessa vez vieram muito bem acompanhados pela banda Taake que não é tão conhecida por brasileiros, mas de extrema qualidade e reconhecidos fora do Brasil pelo Black metal puro, envolvente e brutal. Fui a primeira a chegar ao local, às 15h, e encarar a fila por mais de cinco horas, por um atraso do show devido à mudança de horários de vôos. Os portões do Music Hall (antigo John Bull Music Hall) foram abertos e finalmente a ansiedade chegava ao fim. Enquanto entrávamos no local os integrantes do Taake estavam terminando de arrumar os equipamentos, depois saíram e foram fazer o famoso corpse paint. O grupo se posicionou e o vocalista Hoest, que é o “cabeça” e único membro real da banda, entrou com o clássico “Voldtekt” – um soco na cara de quem pensa que Taake é pouca coisa. Depois, “Umenneske” levantou a galera fazendo tremer o John Bull com riffs extremamente incríveis, seguida por “Hordalands Doedskvad I”, “Hordalands Doedskvad II”, “Hordalands Doedskvad III”, “Doedsjarl”, “Motpol”, “Tykjes Fele”, “Over Bjorgvin Graater Himmerik IV” e fechou com “Nattestid ser porten vid I” enquanto o Hoest pegou a bandeira da Noruega e a ergueu perante o público – que foi à loucura. Foram 20 minutos de apresentação, incríveis 20 minutos que deixaram uma excelente imagem da banda que, com certeza, após passar por Curitiba já garantiu inúmeros fãs. A apresentação do Mayhem começou poucos minutos após a saída do Taake. Diferente do Taake, apenas o Attila Csihar – como sempre – foi o único a fazer aquela produção que já é tradicional: uma cruz completamente banhada em sangue, assim como o rosto do Attila, uma forca e uma estola roxa sobre uma batina preta. O Mayhem já chegou detonando com a clássica “Pagan Fears”. A presença do baixista Necrobutcher foi essencial para fazer a galera levantar e cantar junto mesmo com alguns problemas na bateria no começo, o que é lamentável, já que os fãs como eu estavam extremamente empolgados com a presença do nosso lendário Hellhammer. Foi um problema que durou pouco tempo

e não afetou o show por completo. Ao término de “Pagan Fears”, a banda seguiu tocando “Ancient Skin”, “Cursed In Eternity”, “A Time To Die”, “Iluminate Eleminate”, “My Death” e com o som da bateria em ótimas condições mostrando todo o talento do HellHammer, os caras finalmente começaram a tocar uma das músicas mais aclamadas pelo público, a lendária “Freezing Moon”. Os headbangers foram ao delírio, cantando e venerando a banda que, sem sombra de dúvidas, deu o melhor de si. Ao final da música, o baixista Necrobutcher resolveu arriscar um pouco de português e arrancou muitos risos. A banda fez uma breve pausa e retornou com todas as energias recompostas, devastando qualquer alma cristã que estivesse presente no local com uma nuvem negra de clássicos, começando por “Silvester Anafang”, “Deathcrush”, “Buried By Time and Dust”, “Chainsaw Gutfuck”. Então eles fizeram o que podemos chamar de sua “homenagem” ao Brasil tocando uma das principais músicas do Sepultura, “Troops of Doom”. Sem mais delongas, já praticamente no fim, tocaram “De Mysteriis Dom Sathanas” que, com certeza, marcou a memória dos fãs, e fecharam o show com a incrível “Pure Fucking Armageddon”, que fez o publico gritar incessantemente o nome da banda. O show foi incrível! É claro que faltou uma das melhores músicas da banda, “Funeral Fog”, mas nada que fizesse o show deixar de ser inesquecível.

METAL BATTLE RJ Clube Mackenzie, RJ 10/04/11 Por Marcelo Val e Rachel Moss Fotos: Heloísa Melo, Cíntia Ventania e Dimayma Holopainen O clube Mackenzie, no Méier-RJ, pode não ser o lugar mais bonito para se fazer uma final do Metal Battle – evento que acontece em todo o mundo e 57


tem sua final no aclamado Wacken Open Air, na Alemanha –, mas sua infraestrutura se mostrou adequada, e tem a tradição dos eventos promovidos pela Rio Metal Works, produtora capitaneada pelo incansável agitador cultural Adam Alfred. Além da RMW, participaram da produção a Fullmetal e Rato no Rio, numa conjunção de forças para fazer o evento brilhar. E fizeram. Apesar do calor, o som estava bom, a cerveja a um preço bem aceitável e todas as bandas mostraram merecer estar na seleção desse ano. A bela iluminação favoreceu as bandas e o backdrop imitava um céu estrelado, remetendo um pouco ao que o Iron Maiden tem usado nas músicas de seu mais recente disco na turnê atual. Uma pena que o público não tenha comparecido com força total, mas teve uma boa presença ainda assim. Esse Metal Battle foi marcado pelo som mais extremo, aparentemente preferência do público carioca. As bandas selecionadas foram: Impacto Profano, Statik Majik, Hateful Murder, Priest Of Death e Diva, com o encerramento feito pela vencedora da edição passada, Warfx. A Statik Majik abriu a noite do Metal Battle com o Stoner Metal muito bem representado. A casa ainda estava vazia, mas a banda deu um show de carisma e presença de palco, agitando o público que já estava lá para conferir. Na estrada há nove anos, a banda já passou por algumas mudanças e atualmente está com a formação muito concisa divulgando seu álbum “Stoned on Musik”. A Impacto Profano, sem dúvidas, foi um dos grandes destaques da noite. Trazendo seu Black metal forte e potente, sacudiu o Mackenzie com os riffs pesados e refrões contagiantes. Destaque para a presença de palco do vocalista e da banda como um todo, chamando o público pra cantar junto e bater cabeça. Todo o set list levantou a galera e não teve um que ficou parado. A banda deixou o palco muito aplaudida pelo público, que clamava o nome da banda, extasiado com o show. A Hateful Murder, vencedora da seletiva, aqueceu a noite. A banda, que já tem três anos de estrada com muitos shows, mostrou a que veio. Divulgando sua demo “When the Slaughtering Begins”, levantou um mar de gente que cantava junto e abria rodas durante o show. Destaque para o guitarrista Renan Ribeiro que entrou no palco e ganhou o público com muita energia. Sem dúvidas, uma excelente apresentação

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que, apesar do calor, não deixou a desejar. O Priest Of Death talvez tenha tido o melhor som da noite, tocando um Thrash influenciado pela era de ouro do estilo, com riffs cortantes que remetiam a Slayer, Overkill e outros nomes do segmento. Faltou apenas um pouco mais de presença de palco e interação com o público, fator importantíssimo numa apresentação como essa, valendo um lugar na final nacional do evento. Mas a banda se mostrou uma grata surpresa e merece ir longe. Diva é um nome que já vem agitando o underground carioca há algum tempo e as comparações com o Arch Enemy são uma constante, provavelmente pela presença da vocalista Angelica Burns, que mostra realmente uma grande influência de Angela Gossow. A banda teve uma ótima presença de palco e uma interação excelente com o público que, se em alguns momentos da noite se dispersou pela área externa do evento, na apresentação da banda se concentrou na pista para prestigiála, dando mostras que o Diva tem potencial para voos altos. O encerramento do show ficou a cargo da vencedora do Metal Battle 2010, a banda de Trash Metal Warfx que mostrou riffs pesados, bateria destruidora e os vocais de Hugo Navia que se encaixaram perfeitamente na proposta da banda. E que venha a final nacional!

PAINSIDE Rio de Janeiro, RJ 30/04/11 Por Augusto Hunter Foto: Márton Divényi Dia 30 de abril de 2011. Foi essa a data escolhida para o Rio de Janeiro conhecer de perto o internacionalmente aclamado “Dark World Burden”, disco da banda Painside, que é um prato lotado para quem curte. Era por volta de 22h30 quando cheguei ao local e me deparei com uma gigante garrafa inflável de Jaggërmeister. Sim, era um evento patrocinado pela bebida alemã, mais um ingrediente para deixar a noite ainda melhor. Mesmo antes de entrar já percebi o clima do local, bastante gente, todas empolgadas para assistirem a uma grande apresentação e curtirem uma grande noite ao lado de amigos e de tudo aquilo que compõe uma boa noite de muito Metal.


O Calabouço Bar tem uma proposta muito boa, vários pôsteres de grandes bandas do cenário mundial, citações de fãs e músicos nas paredes, entre outros, fazem do bar um local diferenciado e muito bom para qualquer tipo de evento. O bom humor usual do pessoal da cozinha, dos garçons e de todos que trabalham naquela casa, sempre no intuito de te deixar cada vez mais em casa é algo que coloco como um ponto positivo do local que, mesmo pequeno para as 260 pessoas presentes na noite, não perdeu o brilho, a organização nem a qualidade do som. Parabéns a eles por isso. A noite estava apenas começando; antes do primeiro nome subir ao palco, ainda assistimos no telão o brasileiro Lyoto Machida derrubando o veterano Randy Couture no Octágono. Você pode se perguntar: o que tem a ver a UFC com o Painside e todo o evento? Você verá! Into The Sun, a primeira banda da noite, conta com Luiz Syren nos vocais – ele fez jus ao nome criado no cenário underground, pois estava cantando muito – e veio mostrando seus trabalhos autorais, grandes músicas com uma levada Stoner muito boa. Quando eles tocaram “Temptations Wings” do Down, não pude negar que sou fã e não me contive, cantando a música com o Luiz; a execução deles foi perfeita! A banda como um todo é muito boa, ensaiada e coesa, mas o vocal do Syren é destaque. Krystal Tears entrou no palco mostrando um Hard Rock bem tocado, com qualidade e personalidade, mas sem nada de demais. Uma boa banda, com um baterista exímio – o cara tocava com uma presença de palco incrível e uma pressão até mesmo bem grande para uma banda de Hard, ver isso valeu muito a pena. Sem pontos altos no show, uma apresentação simples e comum, porém muito boa. Chegado o momento da atração principal, subiu ao palco Guilherme Sevens e sua turma de músicos – todos muito bons, não há como destacar um ou outro, seria covardia com toda a banda –, que deram um show, literalmente falando! Eles abriram o

concerto com “Ignite The Fire”, música que abre o disco; maravilhosa, com tudo que uma boa música pesada tem que ter: um vocal alto e claro, guitarras pesadas, baixo marcante e bateria presente e bem tocada. Seguimos com “When Darkness Rules”, “Collapse The Lies”, então eles vieram com “God Make Me Unbreakable”. Vocês estão lembrados do Octágono da UFC no início dessa cobertura? Então, eis a explicação: o lutador Rony Torres usa essa música para entrar no Octágono toda vez que ele vai lutar! Depois dessa música, a banda apresentou um cover – que para mim foi uma surpresa – de “The End Of The Heartache” da banda Killswitch Engage, com execução mais que perfeita. Nessa música, destaco a pressão das guitarras de Leandro Carvalho e Carlos Saione, que deram show na versão, e o Sevens, que deu um show de mestre ao cantála! Seguimos o set com mais canções do disco, “Redeemers In Blood”, “The Deviant”, sempre boas músicas, e a faixa mais Hard n´Heavy do disco, “The Edge”, maravilhosa como sempre. Para fechar o show, uma música que, com certeza, seria uma influência para a banda, “Into The Pit” da banda Fight, que contou com Rob Halford no vocal. Não é uma missão fácil para qualquer banda tocar essa música, mas o Painside a fez com maestria, ficou simplesmente perfeita! Depois do show, tive a chance de trocar uma ideia com o vocalista Guilherme Sevens, que foi extremamente simpático ao conversar e nos recebeu muito bem – conversa que estará disponível em nosso canal no YouTube. Noite perfeita, disco lançado com maestria. O que posso colocar dessa noite é que, se alguém do estado do Rio de Janeiro – ou mesmo do país – acha que o cenário carioca está morto, de onde não tem como sair grandes bandas ou coisas do tipo, ouçam Painside. Uma das maiores promessas do som pesado em nosso território está surgindo e, se continuarem nesse caminho, nosso grande território ficará pequeno para eles.

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O videoclipe e o advento da internet Lembro-me muito bem de acompanha r a estréia dos clipes das minhas bandas favoritas na televisão. Era de se emocionar a ponto de ligar para os amigos dizendo que estava passan do tal vídeo naquele momento. Fazíamos ainda pior : colocávamos a fita VHS para gravar nos sa própria coletânea no extinto videocassete. Eram raros os programas destinados somente à música pesada, como o Fúria MTV, por exemplo. Mas essa era a única forma de vermos quem eram os músicos que tanto admirávamos nos discos. A produção dos vídeos, em sua maioria , era algo impressionável. Alto investimento, pro dução e efeitos incríveis. Afinal, para a maioria das bandas, essa era a maior forma de divulgaç ão. Não existia internet, muito menos Youtube . Com o surgimento dessas duas ferramentas supracitadas, o cenário mudou completame nte. Cada vez menos as pessoas esperavam para assistir a um clipe na televisão, já que poderiam ter acesso a todo esse material por meio da internet a qualquer momento e qua ntas vezes tivessem vontade. Eis então que a MTV anuncia que iria parar de veicular videoclipes em sua programação. Uma medida desesperad a, mas compreensível. Todos sabem que o can al já não é o mesmo há anos. Por um longo perí odo, as bandas quase desistiram, então, de fazerem seus vídeos, pois não havia mais um retorno interessante. Porém, com a chegada maciça do Youtube e afins, o interesse pelos víde os voltou à tona e as gravadoras e bandas voltaram a apostar nesse segmento. Agora, os vídeos são produzidos para visitantes

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do Youtube e blogs pelo mundo afora. Esse é o cartão de visitas das bandas que querem mostrar seu trabalho ou até mesmo das veteranas que querem se reafirmar no mercado perante seus fãs. Além dos vídeos superproduzidos, temos agora excelentes opções diferenciadas para assistir. Uma enxurrada de vídeos caseiros assola a internet, bandas cover, instrumentistas mostrando suas técnicas apuradas, remixes dos mais diversos estilos, mash-ups, gravações amadoras de shows, além dos vídeos “ripados” dos DVDs oficiais, raridades, entrevistas, etc. É tanta informação que fica muito difícil acompanharmos toda essa movimentação. Nós, da mídia especializada, tentamos nos manter sempre antenados e ligados em tudo que acontece, nas novidades, etc. Tarefa árdua que mantemos com muito prazer, sempre tentando aprimorar o conhecimento e trazer coisas novas para os amigos e leitores. A novidade agora são os vídeos em HD – High Definition – que nos proporciona uma qualidade sensacional de imagem e de som. Não quero nem ver quando o 3D estiver disponível para a grande massa. Só vai faltar o cheiro de suor e cerveja dos shows. Mas esse eu dispenso. Por Pedro Humangous.


Quando não esperamos por isso... Na edição anterior, mostrei que muitas vezes uma idéia inovadora que não dá certo acaba deixando essa falha evidente em muitas capas. No entanto, veremos aqui que tais tentativas não estão limitadas a desenhos artísticos pornográficos, sangrentos, surreais ou mesmo ridículos. Há outro recurso explorado pelas bandas que, quando usados de modo tosco, nos fazem gritar em alto e bom som What The Fuck?! Obviamente, estou falando dos clipes musicais. Muitas vezes, clipes musicais são feitos com elementos fora do comum. Seja para chocar, seja como forma de marketing, brincadeira da própria banda ou, simplesmente, uma idéia que não deu certo e se tornou algo que não deveria existir. Ou seja, todas as razões que podem levar uma péssima capa de álbum a existir podem ser aplicadas aos clipes musicais. Comentarei algumas bizarrices dignas de destaque em alguns dos clipes mais nojentos, mal-feitos, medonhos ou duvidosos que certas bandas tiveram a coragem de gravar. Darkness – I Believe In A Thing Called Love Esse é bem conhecido e bastante bizarro também. Antes de tudo, o vocalista Justin Hawkins é apalpado nu por um monstro de pelúcia gigante. Outras cenas bizarras incluem um caranguejo gigante que é morto por um raio – ou melhor, ele explode estilo vilão do antigo seriado Power Rangers – que sai de uma das guitarras. Isso sem falar no coro em que as cabeças fantasmagóricas dos outros integrantes da banda aparecem lideradas pela cabeça do baixista Frankie Poullain e seu bizarro “bigodón”. Além de tudo isso, o vocalista canta de um modo extremamente afeminado o tempo todo. Tudo bem, foi uma brincadeira da banda, mas que é bizarro, é! Black Label Society – Overlord Não, não é brincadeira. É o Zakk Wylde transformado no Jiraya. A música é ótima, já o clipe... Claro que foi proposital, mas nunca imaginaria que ele fosse gravar um clipe assim um dia. Tosco, engraçado e bizarro. Atenção para a cena do cachorro vomitando, porque é mal-feita demais. As cenas de luta são muito estranhas e a parte da decapitação é algo digno de Hermes e Renato. Não dá para explicar o sentimento que esse clipe causa, só assistindo para entender o que digo. Ah é já vou avisando que o final é pior ainda... Trollkotze - Im Märchenwald Imagine um filme ridículo como “A Reconquista”. Imaginou? Bom, isso consegue ser pior. Esse clipe está entre as piores coisas que já vi na vida e espero que os caras que gravaram isso o fizeram com a intenção de tirar um sarro mesmo. Para começar, a bateria é um toco de árvore, os vocais são como um casal de javalis procriando, sem falar nas cenas ridículas da floresta e os caras saltitando como gazelas entre as árvores. A imagem é tão ruim que parece que foi gravada por uma criança de sete anos com uma câmera de celular de 2 megapixels. Exagero meu? Veja por si mesmo. Mas não se esqueça de levar um saco de vômito para o computador, ok? Pois é, meus amigos, fazer uma banda não é fácil. Não é necessário ter só criatividade, habilidade com os instrumentos, conhecimento de teoria musical e grana para pagar equipamentos e estúdio, é necessário bom senso nas ideias ou tudo vai por água abaixo. E esse bom senso, como podemos ver, não se aplica só na hora de inventar nomes e capas para álbuns, escrever letras e compor riffs ou gravar clipes, mas em tudo na vida. Senão você só será famoso e lembrado como motivo de piada pelas porcarias que fez. Brincadeiras e zoeiras são uma coisa, mas alguém aí quer ser o próximo Trollkotze? Acho que não, certo? Por Yuri Azaghal.

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Impacto Profano

vam que esses caras são capazes de muita coisa boa pela frente. Se “Nightfall” te agradar, comece a acompanhar o progresso desse pessoal e dificilmente se decepcionará. Mais informações e amostras de faixas em: http://www.myspace.com/spreadinghate Nox

Formada, em 2001, a banda Impacto Profano vem ganhando certo destaque no underground com sua demo mais recente, denominada “Lucifer”. Apesar de ainda não possuírem um selo, a banda mostra um Black Metal cru, agressivo e tradicional. As letras são, de fato, um impacto profano. Combinadas às melodias rápidas e agressivas, mostram que no Rio de Janeiro ainda existe música boa. Se você é fã do gênero, não custa dar uma passadinha no Myspace dos caras e tirar suas próprias conclusões. O underground nacional anda evoluindo e crescendo cada vez mais, e Impacto Profano está entre as bandas que demonstram isso com clareza. Mais informações e amostras de faixas em: http://www.myspace.com/impactoprofano Spreading Hate

Shadowbane

Renascida das cinzas da antiga banda Centurian, Nox continua o legado do bom e brutal Death Metal vindo da Holanda. Seu novo trabalho, o EP “Blood, Bones and Ritual Death” está tão brutal, blasfemo e bem produzido quanto seus projetos anteriores. Vocais bem variados em tons guturais, bases de guitarras com boa distorção e excessivo uso de acordes abertos e, para complementar, obviamente, o indispensável blast beat da bateria em uma sincronia brutal e poderosa. Faixas como “The Jesus Sect” e “Signed In Blood” fazem do som desses caras algo digno de reconhecimento. Mais informações e amostras de faixas em: http://www.myspace.com/nox333 Godhate

Mais uma excelente banda brasileira. Se a sua praia é o Death Metal melódico, eis uma ótima oportunidade de conhecer uma nova banda que vale a pena. Por enquanto, o EP “Nightfall” é o único trabalho que forma o repertório dos paulistanos, porém as cinco faixas valem por todo um álbum. A técnica, o vocal, os riffs e a arte da capa são simplesmente incríveis. Faixas como “Scythe of Night” e “Murder” compro62

letras chega a impressionar, e as guitarras variam entre bases extremamente pesadas e solos incríveis. A velocidade é outro ponto que varia bastante em determinadas músicas. Seja ela mais lenta ou mais rápida, a habilidade desse pessoal é inquestionável. Além disso, os ocasionais toques sinfônicos de teclado em alguns trechos dão um toque macabro e muito bem produzido, inovando em momentos inesperados. Comprei, por curiosidade, o trabalho mais recente da banda, o álbum “Equal in the Eyes of Death”, e até agora não consegui dar paz ao meu aparelho de som. Aprovo e recomendo. Mais informações e amostras de faixas em: http://www.myspace.com/godhate

A Suécia sempre foi um país respeitado por seu Death Metal, e Godhate é uma banda que mostra que o país ainda faz jus a esse respeito. A criatividade das

Uma nova banda alemã que faz um Power Metal um tanto apocalíptico anda ganhando destaque no underground geral. O motivo desse destaque é graças ao seu novo – e no momento, o único – trabalho, o Ep “Dystopia” contendo cinco faixas. Apesar da inseparável dupla do Power Metal, frita-dedos e vocal de abismo, as faixas possuem um peso agradável, riffs bem trabalhados e letras, no mínimo, interessantes. Das poucas faixas disponíveis no Myspace, minha favorita é “Source of Grief”. Fazia tempo que uma música do gênero não me causava empolgação e euforia, e, para mim, isso basta para recomendar Shadowbane, a qual se mostra uma ótima banda com grande capacidade de crescer na cena. Mais informações e amostras de faixas em: http://www.myspace.com/shadowbanemetal Por Yuri Azaghal.


Emperor – Live Inferno

Um item bem tentador para os fãs da banda Emperor. Essa beleza vem com o DVD e o CD do “Live At Wacken Open Air”, de 2006, e o CD “Live Inferno”, além de um livreto de 24 páginas. Apesar do material, o preço não é tão absurdo quanto acham. É uma ótima oportunidade de analisar a apresentação ao vivo dessa banda pioneira do Black Metal Norueguês. Item obrigatório para todo bom fã da banda. Apesar de ser um item lançado, em 2009, ainda é facilmente encontrado em lojas como a Mutilation. Quando foi lançado, estava na faixa dos R$75,00, mas creio que deve ter reduzido o preço. Enfim, nada que uma boa pesquisa não resolva. Se você está no dilema entre comprar isso ou comprar aquele álbum super conhecido que vai vender como água por muito tempo, deixe-me dizer que a performance do Emperor não decepciona em momento algum.

Dio - Tournado

Nada mais justo que uma homenagem a um dos melhores vocalistas de Heavy Metal de todos os tempos. Claro que estou falando de Ronnie James Dio, que, infelizmente, nos abandonou no ano passado. Esse box mostra que o legado do pequeno grande homem do metal é eterno e jamais será esquecido pelos seus fãs. “Tournado” foi lançado, em fevereiro de 2010, limitado a 1.500 cópias. Mas calma lá! Ainda pode ser encontrado. Ele contém o CD e o DVD de “Evil Or Divine”, o CD “Killing The Dragon” e single “Electra”. Pode ser encontrado facilmente em sites estrangeiros, porém, o preço sairá um pouco salgado já que provavelmente será cobrado em Euros. Pode, ainda, ser encontrado aqui com uma boa pesquisada. Em geral, o preço não vai ser muito barato, já que se trata de um famoso e recente falecido vocalista e não de uma banda underground. No entanto, quem é fã mesmo, tiver grana sobrando e der a sorte de encontra-lo, com certeza vai comprar sem pensar duas vezes. E aí vem a velha pergunta: vale a pena? Bom, é o Dio, caramba! Vai depender só de você. Se você é fã do Dio e não sabe no que vai gastar a mesada, bem, não faz muito sentido perguntar se vale a pena, não é?

Samael – A Decade In Hell

Esse, sim, é “o” box, principalmente para os fãs da banda Samael. Não sou fã da sonoridade atual da banda, mas só pelos antigos trabalhos torraria minha grana com muito prazer nesse maravilhoso item. Esse box set é composto por nada mais, nada menos que nove álbuns e dois DVD’s, em sua maioria álbuns antigos – ou seja, os melhores. Os álbuns são “Worship Him”, “Blood Ritual”, “Cerimony of Opposites”, “Rebellion”, “Passage”, “Exodus”, “Eternal”, “Era One”, “Lesson In Magic #1”, e os DVD’s “Black Trip Pt. 1” e “Black Trip Pt. 2”. Além disso, há um livreto de 60 páginas. Esse é o tipo de item que deixaria muitos fãs babando caso estivesse exposto em uma vitrine da Galeria do Rock. Sendo que, para os que acompanham a discografia da banda, os antigos trabalhos juntos assim representam um tesouro. Claro que tudo isso não vai sair barato, mas como disse anteriormente, fã que tem dinheiro sobrando não vai pensar duas vezes. Trata-se de quase seis horas de puro metal extremo. Se isso te interessou, trate de correr atrás, porque apesar de ser um material novo – lançado, em novembro de 2010 –, está limitado a 2.000 cópias e não se sabe até quando essa jóia vai durar em circulação por aí. Yuri Azaghal.

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Por Fabiano dos Santos (Nubius Pendragon)


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