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abi encontrou na Turquia uma forma de acrescentar experiência à carreira de engenheira. Bárbara Bazílio Liedtke, de preferência Babi. Ainda que morando distante das suas origens, opta pelas coisas mais próximas, e encurtar o próprio nome traz a ideia de vizinhança, de “estar em casa”. A origem portuguesa e alemã trazida nos sobrenomes Bazílio e Liedtke não a instigaram a conhecer os países de seus antepassados. Ela foi escolhida pela Turquia. “Nunca pensei em vir parar na Turquia”, afirma, com um olhar de graça. O pensamento nunca transpôs a barreira da Inglaterra. Ela realmente acreditava que o destino seria a Terra da Rainha. Foram dois anos de entrega e preparo para então começar a escolher algumas vagas das milhares do sistema e se candidatar: “Fiz entrevistas para Gana, Estados Unidos, Inglaterra, até que recebi um email da AIESEC de Bursa sobre uma vaga em uma empresa do ramo automotivo.” Ela nunca ouvira falar de Bursa e a curiosidade nunca havia levado Babi a fuçar a história nem as características da Turquia, muito menos da cidade de 1.854.285 habitantes em uma área de 1.036 quilômetros quadrados, do tamanho do Taiti.

Na cidade de Bursa, Bárbara trabalha em uma empresa multinacional

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INDO

A história de quem partiu Por Yasmine Santos | Foto Arquivo pessoal Um brasileira na Turquia e um alemão no Brasil. Um decidiu partir, e o outro, chegar. Adotaram uma nova cidade, adaptaram-se a uma nova cultura e ao desconhecido, conhecem-se a cada dia. No início desta revista, contamos a história de Uli Kaup, bibliotecário que resolveu deixar a Alemanha para se aventurar em terras brasileiras. Agora, a história de Bárbara Liedtke, que adotou Bursa como sua cidade.

Há dois meses, acorda às 7h e trabalha das 9h às 18h em uma empresa multinacional que fabrica peças automotivas. Ao chegar na Balap Otomotiv, os sapatos permanecem em seus pés. Lá, não é obrigatório abandoná-los na porta enquanto aplica os conhecimentos matemáticos, técnicos e científicos na fabricação de peças para a Renault, Fiat e Toyota. O dia chega ao final na casa dos Şengül. O pai, a mãe, os dois filhos e a Babi. A jornada acaba no apartamento 14 do Bloco K15. Um vilarejo familiar, exatamente na alameda Kayapa Tokı. No distrito de Nılüfer, em Bursa, na região de Mármara, noroeste da Turquia. Mesmo considerando a residência um lar, minutos antes de dormir o pensamento é remetido ao Brasil, no interior do Rio Grande do Sul, precisamente em Glorinha, no sítio onde a família mora. No bem-estar dos pais e na vontade que a invade de estar na companhia deles. Na cama que ela deixou antes de fazer o mundo virar a sua casa. Quando pergunto de fracassos, vejo ela retomar o passado em segundos, como se folheasse um livro rapidamente. Abandona a ideia com um balanço de leve na cabeça e impõe uma barreira nela mesma, sintetizando a decepção de não conseguir voltar ao Brasil sem falar a língua turca fluente. Mesmo assim, não vê perdas, enxerga somente ganhos. E complementa: “É aquela coisa: ver o copo meio cheio, ou meio vazio. O meu está sempre cheio.” É uma alegria espiritual, como definiu a animação e o sorriso que insistem em permanecer. Foram noites do mês de setembro de muita conversa no computador, pelo Messenger e Skype, para captar exatamente a energia que a envolvia nessa nova fase, e ela sempre me pareceu leve. Feliz. “Consegui realizar o sonho da minha vida!”. Foi com essa frase cheia de sentimento e um sorriso que ocupou o rosto inteiro que Bárbara expressou a experiência de ter escolhido viver em outro país.

“Me sinto vitoriosa!”. A adaptação tem sido fácil, e a ajuda da família que a acolheu, fundamental. Sentada na cama com o computador sobre as pernas, Bárbara define como “a minha casa turca” quando pergunto onde ela está. A dificuldade está em somente os pais turcos falarem inglês. Eles são os mediadores da comunicação de Bárbara com os outros membros da família. A cultura diferente e a religião são o que mais causa estranheza. Acordar às 5h porque o sino toca para que a cidade reze em direção à Meca não a fascina. As mulheres rezam o dia inteiro. Os homens, quando o sino toca. Ela reza pra si, alguns minutos toda noite, deitada com as mãos perto do peito e as pernas junto aos braços e, como em posição fetal, pede proteção e agradece ao dia. “Na primeira semana de estada eles compraram um roupeirinho pra eu colocar minhas roupas, sem contar a preocupação deles para que eu me adapte e me acostume com a comida local. Sempre fazem pratos típicos, sem carregar no tempero”, exalta com o sorriso vibrante ocupando o rosto redondo. A intensidade está em tudo. Desde as amizades instantâneas até os relacionamentos fugazes. A explicação da aventureira é que tudo lá se torna maior do que realmente é. “É como se fosse um capítulo à parte da minha vida”, complementa. O imprevisível é o que motiva a mulher de 22 anos, pele branca, cabelo quase castanho querendo ultrapassar os ombros e olhos vibrantes. Depois do capítulo turco, a pretensão está na África – trabalhar voluntariamente e se descobrir ao se perder na Europa com uma mochila carregada de água e chocolate. Quando pergunto o cheiro que mais gosta, ela hesita. Olha para o lado direito. Vejo um sorriso vindo na minha direção e, saudosa, deixa sair: “cheiro de terra molhada”. Que chova!

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