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Pelo Mundo Esporte Clube Por Raphael Gomes | Fotos Vinícius Maestri & Raphael Gomes Punhobol, beisebol, remo e rugby. Quatro práticas não muito conhecidas do público brasileiro. Uma delas já é uma modalidade olímpica há muitos anos, outras duas serão integrados ao programa do Comitê Olímpico em 2016, aqui no Brasil, e uma aspira a ter este espaço na mídia e na comunidade. O que esses esportes podem ter em comum? Os quatro, com uma extensa e vitoriosa fama fora do País, lutam para conquistar adeptos nos próximos anos no Rio Grande do Sul.

Punhobol é praticado há 100 anos na Sogipa, em Porto Alegre

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uitos são os esportes de origem estrangeira. Nem mesmo o futebol, o mais brasileiro deles, tem raiz verde e amarela. A modalidade, trazida para o Brasil por Charles Miller, em 1894, nasceu na Inglaterra. Foi rapidamente absorvido pela população local e, com o passar dos anos, o País tornou-se referência mundial. Mas o que faz um esporte importado conquistar o público e deixar de ser visto como um hobby de poucos? A trajetória de modalidades como o punhobol, beisebol, remo e rugby no Rio Grande do Sul aponta um caminho para desvendar o segredo da popularidade. No Brasil, e também no Rio Grande do Sul, o futebol é coisa séria. Não é à toa que gremistas e colorados tratam o tema como se fosse religião. É inevitável imaginar que o tempo em que é praticado e o acúmulo de conquistas ajudaram a alimentar a paixão despertada pelo momento do gol. Ser antigo e eficiente, no entanto, não garante a fama. É o que acontece com o punhobol. Praticado na Sogipa há exatos 100 anos, o punhobol rendeu ao clube o título de melhor do mundo para a prática da modalidade, conforme a Federação Internacional de Punhobol. Ou seja, a tradição dentro de uma agremiação vitoriosa e tradicional não bastou para popularizar o esporte. Os próprios praticantes sabem que são desconhecidos pelo público em geral. É, para os leigos, em tom pejorativo, “uma mistura de newcomb com vôlei.” Eduardo Pereira, de apenas 11 anos, discorda. O garoto acredita que o esporte de origem alemã seja conhecido pela maioria das pessoas. No entanto, Pereira salienta uma falta de interesse do público, consequente da pouca visibilidade da modalidade na mídia. “Todos os meus amigos e familiares conhecem o punhobol. Porém, se ele passasse frequentemente na televisão, eu acredito que mais pessoas se interessariam”, explica.

Carlos Süffert, diretor do Departamento de Punhobol da Sogipa, percebe um desconhecimento do espectador menos assíduo. A falta de compreensão seria consequência, entre outras, de o desporto não ser olímpico. Mariana Oselame, repórter esportiva do Correio do Povo, compara a trajetória centenária com outro tradicionalíssimo esporte no exterior, o beisebol: “Tal qual o beisebol, o punhobol tem uma veia muito cultural [o primeiro é americano e o segundo, alemão). É difícil ver pessoas de outras nacionalidades praticando. As regras de ambos também são complicadores para o espectador leigo”. O beisebol também busca o seu espaço. Criado em meados de 2006, o Farrapos Beisebol Clube é um dos mais tradicionais no Estado. Apesar do pouco tempo de existência, a equipe é a atual vice-campeã gaúcha e conta com cerca de 20 integrantes, que sustentam o clube com uma participação de R$ 10 ao mês. Porém, na maioria das vezes, acaba não sendo o suficiente para bancar a prática semanal.

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O custo para se jogar beisebol e a complexidade das normas que envolvem uma partida são os fatores que fazem com que os gaúchos não absorvam o desporto segundo Douglas Limbach, presidente do Farrapos. “É impossível assistir beisebol sem estudar antes. As pessoas não entendem nem quando se marca ponto”. Mariana, por sua vez, aposta nas longas horas de duração de uma partida. “Um jogo normal dura entre quatro e cinco horas. Nos Estados Unidos, assistir ao beisebol é um programa familiar, em que se vai para o estádio e se passa o dia lá. Nós, em Porto Alegre, não temos sequer um campo para a prática. Como vamos ter um estádio para receber este esporte?”, questiona. Remo, o “ex-pop” A compra do material para o início da prática do esporte americano também é notada no remo. Laerte Fraga, remador do Grêmio Náutico União, compara a sua especialidade com a mais popular do planeta: o futebol. “Não existe a possibilidade de a pessoa acordar com vontade de remar e sair por aí. Tem que ter um barco, remos, um local adequado para treinamento. Não tem como competir com o futebol. As regras dele são conhecidas por todos e uma bola é o suficiente para sair jogando”, avalia. Segundo o atleta, o “famoso” muro da Mauá é um vilão. A orla, que, no início do século, ficava lotada de espectadores que frequentavam às regatas, hoje nem é mais vista da avenida. Era comum o público tomar conta de arquibancadas para testemunhar provas históricas entre os principais clubes do País. A barreira de concreto impede o contato entre o eventual curioso e a disputa aquática. O motorista que circula por ali nem imagina o que pode se passar por trás daquela muralha. Caso completamente diferente do Rio de Janeiro. Os melhores remadores do Brasil treinam na Cidade Maravilhosa. E qual é o local utilizado pelos atletas para as remadas diárias? A Lagoa Rodrigo de Freitas. É lá que os atletas de Vasco e Flamengo (conhecidos atualmente pelo futebol, mas que nasceram do esporte aquático), clubes de ponta na modalidade, criam os seus campeões. Na orla da lagoa também fica a sede da Confederação Brasileira de Remo.

“É impossível

assistir beisebol sem estudar. Douglas Limbach

O clube Farrapos treina no anfiteatro Pôr do Sol

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O esporte do futuro O Charrua Rugby Clube parece ter superado todos os obstáculos que foram colocados ao coirmão do futebol americano. Com dez anos de criação, o time é o primeiro do Estado e já conta com cerca de 300 sócios. Tal qual ocorre com o Farrapos Beisebol Clube, os atletas amadores arcam com uma quantia em dinheiro para sustentar a equipe. O crescimento mundial acaba favorecen-

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do o aumento da procura em nível regional. A Copa do Mundo de Rugby já é a terceira competição mais vista no mundo, atrás apenas da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos. Enquanto isso, no Rio Grande do Sul, o rugby atrai olhares econômicos. O Charrua já possui patrocínios do restaurante Outback e da marca esportiva Asics. “Os patrocínios nos ajudam bastante, mas ainda não cobrem 100% dos nossos gastos. Longe disso. Assim

como na maioria dos esportes não-popularizados no Estado, os praticantes têm que arcar com dinheiro próprio”, afirma Karina de Fraga, diretora administrativa do time. Este investimento pode ser visto na formação do clube. O time porto-alegrense conta com um organograma bem definido, categorias diversas de ambos os naipes (masculino e feminino), aulas formativas para atletas iniciantes, uniformes titulares e reservas.

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A repórter do Correio do Povo Mariana Oselane acredita que o rugby pode virar “febre”. “Uma série de fatores sopra a favor da modalidade: ele já é praticado nas escolas, está incluído nas Olimpíadas de 2016 [o beisebol e o golfe também], é um esporte atrativo, com lances curiosos, tem uma mescla de ideias de futebol e futebol americano e é fácil para um leigo poder acompanhar”. Os fatos parecem estar entrando em convergência para que ele vire o novo esporte estrangeiro febre no Brasil e no Rio Grande do Sul. É cedo para dizer. Mas o aficionado por futebol precisa conhecer uma curiosidade a respeito do adversário: Charles Miller também foi responsável por trazer o rugby para o País em 1891.

“Não tem como competir com o futebol.

Laerte Fraga

O time Charrua já conta com treinos diários e patrocinadores

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