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Como levar o espiritismo da mente para o coração

hhTema 1 – A intuição

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nstrução é conhecer com o intelecto e, portanto, não é a mesma coisa que “saber com todo o nosso ser”; isto é, só integraremos o “saber” de alguma coisa quando ela se encontrar completamente “contida” em nós próprios. Aí, de fato poderemos dizer que aprendemos e assimilamos totalmente. (...) Assim analisando, apenas o que sentimos em profundidade, ou experimentamos vivenciando, é que é considerado o nosso “melhor”. Não o que lemos, não o que escutamos, não o que os outros ensinam, ou mesmo o que tentam nos mostrar. Estar na “cabeça” não é o mesmo que “estar na alma inteira”. Este trecho, extraído do livro Renovando Atitudes (Francisco do Espírito Santo Neto, ditado pelo espírito Hammed), que recentemente terminamos de ler com vocês na recepção da Casa, é perfeito para introduzirmos o tema de hoje. Falamos aqui constantemente sobre levarmos o espiritismo que está em nossa mente para os nossos corações. Ou, dizendo o mesmo de outro modo, que é mais importante praticar o espiritismo do que professá-lo. Começa assim o editorial do nosso presidente para o número 63 da revista Novo Horizonte, recém-saída do forno:


hh Helena de Castro | Palestra na Casa do Coração | 28/6/2013

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“Entramos na terceira fase do espiritismo. A fé raciocinada fincou suas estacas e é chegado o momento de levarmos o espiritismo que está em nossa mente também para os nossos corações.”

Essa edição da revista trata toda ela de três temas, que são no fundo um só: a maturidade do espiritismo, a grande transição e a Terra no terceiro milênio. O espiritismo está entrando em sua terceira fase, que irá durar, como as anteriores, cerca de 70 anos. Na primeira, que teve início no começo dos anos 1860 e durou até meados da década de 1930, foram erguidas as bases da doutrina. A segunda fase começou em seguida e durou até o início dos anos 2000, foi a etapa da difusão da doutrina e dos estudos filosóficos. A partir daí, com o início do que conhecemos como a Nova Era, entramos na fase do estudo contextualizado. Saímos da etapa do que fazer, e agora é chegado o momento de aprendermos a “como fazer”. Para falar sobre “como fazer”, sobre como tirar o espiritismo dos livros e começar a viver de forma prática como espíritas, vou dividir esta palestra em capítulos. Hoje vou abordar um tema, os demais serão apresentados ao longo do próximo semestre. Todos os assuntos foram escolhidos ou por sugestão de um frequentador da Casa, o primeiro deles, ou desenvolvidos a partir de palestras que ouvi dos meus companheiros de mediunidade, ou ainda a partir de questões que me foram apresentadas pelos frequentadores que tive oportunidade de ter contato no atendimento fraterno. Antes de começar quero deixar claro que ao citar palestras e palestrantes não tenho o objetivo de complementar o que eles disseram, muito menos de corrigi-los ou criticá-los. Todas as palestras que irei citar foram excelentes, corretas, completas, baseadas em estudos e pesquisas. Apenas me serviram de inspiração para desenvolver outros temas a partir do que ouvi. O primeiro tema escolhido é a intuição, sugestão do amigo Roberto Salomão, frequentador da Casa.


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Pesquisando o tema, assisti ao vídeo de uma entrevista com o psiquiatra e terapeuta Brian Weiss, autor dentre outros de um livro que li e gostei muito, Muitas Vidas, Muitos Mestres, e que trabalha com regressão há 25 anos. No vídeo ele diz que para viver bem uma encarnação necessitamos somente “seguir o coração e a intuição”. Simples assim! Mas a grande questão para nós espíritas é como ouvir o coração sem que ele nos faça sair do caminho, algo que aconteceu comigo em passado recente e que abordei em minha primeira palestra aqui. (que está disponível para quem quiser ler, é só me pedir por e-mail) Durante nosso tempo como espíritos, entre uma encarnação e outra, em geral perambulamos um tempo entre a crosta terrestre e o umbral, depois de um tempo variável, somos resgatados e vamos viver em uma das muitas colonias existentes no astral, até sermos preparados para nova encarnação. Nesse momento um grupo de espíritos, todos em estágio evolutivo mais avançado do que o nosso, é designado para nos ajudar a traçar os pontos que deveremos desenvolver na Terra. Nem tudo é préviamente decidido, nossa vida não está toda escritinha, prevista. Estamos aqui com várias folhas em branco para preencher, mas temos alguns acontecimentos e situações com os quais teremos que nos confrontar durante nossa estada terrena. Esses acontecimentos foram solicitados por nós ou sugeridos pelo grupo encarregado de nos ajudar a formatar a nossa encarnação. Ou, ainda, imposto por eles. Ao chegar aqui, nossa encarnação é acompanhada por um grupo de espíritos que denominamos guias, mentores, protetores, espíritos familiares... Só que, ao chegarmos aqui, nem sempre seguimos o que combinamos, temos uma faixa, não muito larga, de livre arbítrio. O Dr. Brian Weiss cita um exemplo de algo que podemos mudar com nosso livre arbítrio: Viemos para cá com lições a aprender sobre compaixão, amor, paciência. E para fazer isto encontramos certas pessoas, mas como


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você vai agir após esses encontros vai depender do seu livre-arbítrio. Você pode acertar antes de nascer que vai encontrar determinada pessoa, vai casar com ela e vão passar juntas pelo aprendizado. Mas e se você encontra tal pessoa e acha que ela não é rica o bastante, que vive longe, que seus pais não gostam dela ... Aí você decide com o livre arbítrio ... Você não estará cumprindo aquilo que foi sua própria escolha, e a sua vida caminhará de maneira diferente do que havia sido programado.

Como esquecemos os compromissos assumidos e também não temos acesso às nossas antigas encarnações, como saber o que devemos fazer para viver tirando o máximo de aprendizado possível de uma encarnação? Bom, temos para nos auxiliar a intuição, fruto tanto das nossas memórias – apagadas no nosso consciente, mas parcialmente mantidas no nosso inconsciente –, a bússola do espiritismo e os amigos espirituais que nos aconselham e iluminam. Quando a Márcia Garcia falou recentemente sobre a vida do médium Chico Xavier, ela narrou um encontro entre ele e um conhecido bêbado de Uberaba, o Zé Cachaça. No relato ela contou que ao ser interpelado pelo bêbado, inicialmente Chico recusa-se a dar dinheiro. Em seguida ele encontra com Emannuel, que o repreende, e aí, diante do esclarecimento do amigo espiritual, o Chico volta lá e dá a esmola ao Zé Cachaça. No momento em que ouvi a história, pensei, poxa assim é fácil, Chico entrou em campo com um “jogador a mais”, que bom seria contar também com um “jogador” a mais como o Chico! Só que se tratou apenas de um mental comentário chistoso, porque conhecendo o espiritismo sei que não há privilégios, e que o Chico era um espírito missionário. Quando ele reencarnou como Chico Xavier já havia se desenvolvido durante séculos, tanto na capacidade de amar quanto como sensitivo. A obra Missionários da Luz, informa que há centenas de anos as reencarnações de Chico são de completistas, que é como são designados aqueles espíritos que aproveitaram todas as oportunidades de crescimento oferecidas pelas reencarnações. Todos nós aproveitamos a etapa reencarnatória para crescer, mas segundo André Luiz, desperdiçamos de 50 a 80% das nossas possibili-


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dades. Possibilidades essas que temos tão somente enquanto estamos no corpo físico. Em grande parte deixamos de aproveitá-las porque ainda não aprendemos a “ouvir o coração sem que ele nos faça sair do caminho”. O presidente fala sempre que no plano espiritual, enquanto estamos desencarnados também aprendemos, mas que o crescimento lá é horizontal, isto é, aumenta a nossa bagagem de conhecimentos mas não nos melhora moralmente, o que só acontece quando encarnados. É aí que se dá o nosso crescimento vertical, que é o que nos faz ascender. O Sylvio disse aqui que estamos na nossa melhor encarnação. E é verdade, nunca estivemos tão bem, com tantos recursos do mundo físico e com tanta bagagem espiritual. Às vezes eu me pego pensando a respeito de tudo o que tenho hoje, sobre como consigo viver ... nem se compara com minha última estada aqui, ocasião em que eu era muito pobre, meus pais morreram quando eu ainda era criança, cedo tive que deixar a casa da família e muito, muito cedo, desencarnei depois de um período doloroso de doença no corpo físico. Posso achar que não estou melhor agora? Mas só pude receber esta oportunidade de agora, porque na última encarnação até que me saí bem e pude construir esta vida que agora posso ter. Que não é sem dores, pelo contrário, mas que sem dúvida é em tudo melhor. E como eu sei sobre a minha última encarnação? Vocês acham que é porque sou médium? Pensam que algum outro médium vidente me contou? Nada disto! Quando comecei a estudar o espiritismo, li que à medida em que nos aprofundamos no estudo e no conhecimento da doutrina, nós sabemos tudo sobre as nossas vidas anteriores. Ficava intrigada, achava que iria materializar um espírito na minha frente e me contar tudo ... mas não precisa de nada disto. Sabemos o que interessa. Tudo o que já fomos ou fizemos está aqui mesmo, na nossa vida. O que o estudo e a prática do espiritismo nos dão é essa visão mais clara, menos turva, sobre nós mesmos e sobre o que estamos fazendo aqui. Então, voltando ao “jogador a mais”, para a maioria de nós, o


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“jogador” a mais não surge na nossa frente e nos repreende, nos dando a oportunidade de corrigir, na hora, alguma decisão equivocada, mas isto não quer dizer que ele não esteja ao nosso lado, nos aconselhando, instruindo. Mas a questão é: como ouvi-los? A primeira maneira é orando. A segunda, e não menos importante, é aquela que acabei de referir: a leitura E a prática do espiritismo. Uma sempre com a outra. É ler, entender, meditar sobre o que foi lido ... E colocar os ensinamentos em prática na nossa vida. A gente tende muito a, quando lê ou ouve uma palestra espírita, pensar assim: ah, fulano deveria estar aqui ouvindo isto, fulano é que precisa disto ... Não nos colocamos como alvo do que lemos ou ouvimos, tudo é sempre necessário para o outro, nunca para nós mesmos. Bom, se para ouvirmos nosso “jogador a mais”, precisamos orar, ler, entender e contextualizar o que lemos, e que todos nós temos um grupo de espíritos – guias, mentores, protetores, espíritos familiares – interessados na nossa encarnação ... Faço um parêntese antes de continuar para lembrar que eles não são “exclusivos” nossos e não estão o tempo todo ao nosso lado, mas ligados mentalmente a nós. Estão ao nosso lado sempre que necessitamos, desde que tenhamos aprendido a não solicitar-lhes a presença por motivo fútil ... Eles cuidam também de outras pessoas, encarnadas ou não, e tem outras atividades ... Muitas atividades ... Bem, na medida em que tomamos um rumo na vida, e decidimos que vamos investir no nosso crescimento espiritual, os nossos “jogadores a mais” se colocam cada vez mais próximos de nós, sempre pelos laços fluídicos, fortalecidos pelo pensamento, pela harmonia e pela vibração que emanamos. Mas agora se coloca uma outra questão: já que não vemos, ou pelo menos a maioria de nós não vê nossos conselheiros e amigos espirituais, como saber se aquela voz interior que nos diz “faça” ou “não faça”, é de fato dos amigos espirituais que querem o nosso bem e o nosso crescimento.


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Primeiro de tudo, a voz que diz “faça” ou “não faça” não é dos espíritos amigos. Eles não nos dizem o que fazer. Não decidem por nós e também não nos recriminam e condenam de maneira severa. Então que voz é essa que todos escutamos constantemente de condenação e repúdio às nossas ações pouco elevadas? Todos nós temos uma voz interior, que a maioria costuma chamar de voz da consciência, e quando a ouvimos e não a seguimos, dizemos que estamos com “peso na consciência”. Para responder, inicialmente recorro a Freud e Lacan. Temos inscrito em nós o que eles chamaram de “Ideal do Outro”. Esse Ideal do Outro forja o nosso “eu ideal”. O que é isso? O ideal do Outro é a imagem desenhada e esculpida pelos significantes do Outro em nós. São as frases ditas pelos familiares sobre nós quando éramos fetos, depois bebês, crianças, adolescentes ... Em especial esse Ideal do Outro é formado pelos ditos do papai e da mamãe. Fulaninho é muito inteligente; fulaninho é muito bom, ajuda todo mundo; nossa, esse menino é lindo, as mulheres não irão resistir a ele ... E nós vamos introjetando isto como ideais de nós mesmos. Eles estão dizendo que somos assim ... E nós queremos ser como eles dizem ... A partir dessas informações formamos o nosso eu ideal e passamos a vida toda tentando alcançar essa imagem idealizada de nós mesmos. E aí entra outra figurinha, que é o supereu, como denominou Lacan, ou o superego, como designou Freud. O supereu é a instância que compara o que somos, ou aquilo que conseguimos ver de nós mesmos, ao eu ideal. Como raramente nos sentimos à altura do que esse eu ideal nos manda ser, surgem os sentimentos de menos-valia, ou baixa autoestima. O aplauso ou a vaia do supereu nos indicam quanto estamos próximos ou afastados desse eu idealizado. E essa voz, que vem de nós mesmos, é a que ouvimos constantemente, com mais frequência. Podemos então dizer que é o supereu que age em nós com o


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que chamamos de a “voz da consciência”, e que nada tem de consciente, pois é puro inconsciente. Essa voz se manifesta em forma de censura: “você já fez de novo uma burrice”, “porque eu não consigo ser tão bom quanto fulano ...”, “eu não acredito que não dei esmola ao cego ...”, porque lá no fundo aquela voz que dizia, “fulano é muito bom, ajuda a todo mundo”, é a que está gritando em nós. O supereu age como censura, reprime, humilha, esmaga, até castiga! Ou nos aplaude erroneamente, pelo que não somos. O espírito Maria Modesto Cravo, no livro Quem Perdoa Liberta nos ensina que “A idealização patrocina a cobrança que surge das expectativas exageradas”. E é isto que aprendemos a fazer: idealizamos e depois cobramos. Então, já sabemos que temos dentro de nós mesmos uma voz apta a nos fazer errar. Não podemos confundi-la com as vozes dos amigos espirituais. Já eliminamos com isto algumas “vozes” que operam em nós. E sobre as vozes dos espíritos? Como então, discernir, para saber se devemos ou não segui-las? Vamos começar a responder ouvindo o que diz O Evangelho Segundo o Espiritismo (capítulo XXI | Item 7 | Não creiais em todos os Espíritos), o qual inicia citando João: Meus bem-amados, não acrediteis em todo Espírito; mas, experimentai se os Espíritos são de Deus (...).

E segue: O Espiritismo nos faculta os meios de experimentá-los, apontando os caracteres pelos quais se reconhecem os bons Espíritos, caracteres sempre morais, nunca materiais. É à maneira de se distinguirem dos maus os bons Espíritos que, principalmente, podem aplicar-se estas palavras de Jesus: “Pelo fruto é que se reconhece a qualidade da árvore; uma árvore boa não pode produzir maus frutos, e uma árvore má não os pode produzir bons.” Julgam-se os Espíritos pela quali-


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dade de suas obras, como uma árvore pela qualidade dos seus frutos.

Para mim um ponto fundamental é que nenhum bom espírito, ou “espíritos de Deus”, nos diz o que fazer. Se isto torna as coisas mais difíceis por um lado – a gente vive querendo que alguém decida por nós! –, por outro lado é a única posição aceitável dentro da lógica e da razão. Afinal nem Deus tirou totalmente o nosso livre arbítrio. Outro ponto a considerar é a “qualidade dos frutos”, já que nenhum mau proceder pode ser sugerido por nossos guias, mentores e protetores. Em O Livro dos Médiuns, no capítulo XXIV, temos uma série de perguntas e respostas sobre como reconhecer a qualidade dos espíritos. Segue um resumo do que nos interessa para este entendimento que procuro transmitir a respeito dos bons espíritos e dos seus conselhos, e que confirmam as afirmações que acabei de citar: • Os bons Espíritos nunca ordenam; não se impõem, aconselham e, se não são escutados, retiram-se. • Os bons Espíritos são muito escrupulosos no tocante às atitudes que aconselham. Qualquer que seja o caso, elas nunca deixam de objetivar um fim sério e eminentemente útil. Devem, pois, ter-se por suspeitas todas as que não apresentam este caráter, ou sejam condenáveis perante a razão. • Jamais os bons Espíritos aconselham senão o que seja perfeitamente racional. Qualquer recomendação que se afaste da linha reta do bom-senso, ou das leis imutáveis da Natureza, denuncia um Espírito atrasado e, portanto, pouco merecedor de confiança. • Lamentam as nossas fraquezas, criticam os nossos erros, mas sempre com moderação, sem fel e sem animosidade: aquele que nos julga é o supereu, não o nosso amigo espiritual! • Não lisonjeiam; aprovam o bem feito, mas sempre com reserva: assim também aquele que aplaude, como se fôssemos o bonzinho da mamãe, também é o supereu, não o espírito-guia.


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• Não querem senão o bem e dizem somente coisas boas: tudo o que denote falta de bondade e de benignidade, ou ainda o que tenda para o mal, não pode provir de um bom Espírito. • Os bons Espíritos só prescrevem o bem: nenhum conselho que não esteja em conformidade com a pura caridade evangélica, pode ser obra de bons Espíritos. • Apreciam-se os Espíritos pela linguagem que usam e pelas suas ações. Estas se traduzem pelos sentimentos que eles inspiram e pelos conselhos que dão. • Quando convenha, os bons Espíritos fazem com que as coisas futuras sejam pressentidas, nunca, porém, determinam datas. A previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é indício de mistificação. Na orelha do livro As dores da alma, que estamos lendo com vocês na recepção, o autor, Francisco do Espírito Santo Neto, descreve assim Hammed, seu guia e orientador espiritual: Lúcido e atencioso, ele me conduz através de minha escuridão para um maior entendimento, tornando-me capaz de relacionar os fatos de minha própria vida – tanto os positivos como os negativos – com as forças interiores que os motivaram. (...) Mostra-me como reconhecer de uma maneira honesta o que sou e o que sinto, sem fugas ou ilusões, para que eu possa transformar minhas condutas equivocadas em atitudes harmonizadas e ponderadas. (...) Hammed não me prescreve mandamentos moralistas, que ele acredita virem sempre acompanhados de culpa ou medo.

Culpa e medo podem ser inspirados por espíritos maus ou pelos pouco esclarecidos, mas as mais das vezes são meramente produto do nosso supereu! A nossa educação básica, assim como a educação religiosa tradicional nos condicionou através dos séculos ao medo e à culpa. Agora conhecemos e entendemos como nossos amigos espirituais nos aconselham e inspiram. Mas, e se acontecer de uma


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decisão importante teimar em nos deixar numa grande encruzilhada sem sabermos para que lado seguir? Bom, nem sempre as respostas necessariamente têm que vir. Precisamos também agir e pensar com a dádiva divina da nossa inteligência e capacidade de discernir. Muitas vezes as questões devem ser resolvidas por nós mesmos, e se estivermos constantemente mergulhados no estudo e no aprendizado da doutrina, é bem provável que estejamos aptos a decidir por nós mesmos. Aí lembro também outra palestrante recente da Casa, a Cristiane, que conseguiu um feito e tanto ao foi falar sobre o suicídio de maneira leve, delicada, e livre dos muitos pré-conceitos que formamos sobre esse tema. Em sua fala a Cristiane lembrou que em todos os momentos podemos recorrer à luz, ao consolo e aos ensinamentos do Evangelho Segundo o Espiritismo. Ela disse “está com medo? Evangelho. Está triste? Evangelho ...” E eu acrescento: está em dúvida? Evangelho! Como eu disse no início, estamos vivendo a terceira etapa do espiritismo. Estamos em plena transição. Lembro que em novembro de 2011 falei longamente sobre a transição que então começava e sobre a fatídica data de 21 de dezembro de 2012. Nem sentimos muito, mas a transição entrou e já está aí. Ou sentimos, os mais sensíveis sentem fortemente que tudo está mudando muito no mundo. Não pensem que os acontecimentos das últimas semanas no Brasil estão fora dessa etapa. Eles também fazem parte desse saber inconsciente que todos temos a respeito das mudanças que estão ocorrendo. Nada vai mudar tão repentinamente como o valor das passagens, que subiram e desceram em velocidade nunca vista. Mas estão sendo jogados os gérmens da mudança. E ela não ocorrerá somente na política, nos governos, mas em nós mesmos. Para estarmos preparados para a nova era que virá a seguir e também para podermos aproveitar bem mais do que parcos 50 ou 20% de possibilidades desta encarnação, temos a grande bússola do espiritismo. Enquanto me preparava para a palestra e escrevia este texto, coloquei ao meu lado, ao lado do computador, uma


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pequena pilha de livros, todos rabiscados, sublinhados ou com inúmeros trechos destacados em salientadores coloridos e percebi algo que venho fazendo há alguns anos sem ter muita consciência: o estudo sistematizado. Por ter percebido a importância de fazer isto é que trago a sugestão para quem ainda não o faz. Quem ainda não tem, compre todos os livros do pentateuco. Não são muitos caros e podemos comprar um por mês até completar a coleção. Mantenham a pilha de livros juntas, na cabeceira, eu tenho a primeira gaveta da mesa de cabeceira tomada pelas obras do pentateuco e mais alguns livros espíritas que para mim são sagrados, básicos, aos quais volto constantemente para consultar. Comecem lendo diariamente o Evangelho Segundo o Espiritismo. A cada observação contida nele fazendo referência a uma das outras obras, vão até a outra obra, marquem, sublinhem, assinalem ... Aí desliguem a luz e meditem sobre de que forma o ensinamento pode “entrar” na vida de vocês. Orem e durmam em paz, lembrando que Deus está sempre conosco por meio dos nossos guias, mentores e protetores. No livro Quem sabe pode muito, quem ame pode mais, que considero a minha bíblia para o terceiro milênio, Maria Modesto Cravo responde a uma interlocutora que questiona sobre espíritos que serão brevemente reencarnados e que estão em péssimo estado, recém saídos do umbral, dizendo que eles terão o mínimo necessário para caminhar na Terra: “Conhecimento espiritual e muito trabalho na renovação íntima face o intenso desejo de melhora que nutrem”, disse dona Modesta. Ao ouvir isto, a interlocutora pergunta: “Mas isto lhes bastará para o êxito?” - Que riqueza maior pode existir, minha filha, que ter o mapa para navegar no oceano de incertezas? – respondeu Modesta. É assim que estamos, com o mapa para navegar no oceano de incertezas. Nosso coração, iluminado pela luz do Evangelho, é nossa bússola! Boa navegação para todos!


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Agradeço a inspiração recebida para a realização desse trabalho. Agradeço a oportunidade de estar aqui mais uma vez com vocês. E agradeço a vocês, por terem estado aqui comigo. Uma boa sessão a todos. Helena de Castro Casa do Coração | Rio de Janeiro, 28 de junho de 2013.


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