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Reabilitação da escola de Nossa Senhora da Guia - Santa Cruz do Bispo

Mestrado de Reabilitação do Património Edificado FEUP Título Reabilitação da escola de Nossa Senhora da Guia Santa Cruz do Bispo - Matosinhos Autores Ana Balseiro, Eng. André Camelo, Arq. Hélder Cardoso, Arq. Disciplina Projecto Data Julho 2006


Índice 1

Introdução

2

2

Enquadramento Histórico

3

3

Caracterização construtiva

5

3.1

Fundações

5

3.2

Paredes resistentes

5

3.3

Pavimento elevado

6

3.4

Coberturas

8

3.5

Paredes de compartimentação

8

3.6

Revestimentos e acabamentos

9

3.7

Caixilharias

11

3.8

Cantarias

11

4

Patologias

14

4.1

Fundações

14

4.2

Paredes

16

4.3

Paredes estruturais

16

4.4

Paredes de compartimentação

16

4.5

Pavimentos

17

4.6

Pavimentos térreos

17

4.7

Pavimentos elevados

18

4.8

Cobertura

19

5

Levantamento dimensional

22

5.1

Planta de localização

22

5.2

Planta de implantação (1/200)

24

5.3

Plantas (escala 1/100)

26

5.4

Cortes

28

5.4.1

Cortes longitudinais (escala 1/100)

28

5.4.2

Cortes transversais (escala 1/100)

32

5.5

Alçado

34

6

Memória descritiva e justificativa

36

7

Proposta

44

7.1

Planta de implantação (1/200)

44

7.2

Plantas (escala 1/100)

46

7.3

Cortes

48

7.3.1

Cortes longitudinais (escala 1/100)

48

7.3.2

Cortes transversais (escala 1/100)

52

7.4

Corte construtivo

54


1

Introdução

No âmbito da cadeira de projecto da 2ª Edição do Mestrado de Reabilitação do Património Edificado 2005/2007, realizado na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, elaborou-se o presente trabalho, integrado numa cooperação entre a FEUP e Câmara Municipal da Matosinhos. Deverá fornecer às entidades competentes um parecer acerca do estado actual do edifício, alertando para a gravidade das patologias encontradas. Este trabalho foi elaborado com o objectivo de analisar as anomalias, diagnosticar as causas da sua origem e propor soluções para a sua eliminação. A proposta de intervenção visa uma nova concepção arquitectónica, com o intuito de tornar o espaço habitável, para uma nova sede dos escuteiros daquela localidade. Tentou-se que a intervenção fosse a menos intrusiva possível, mantendo o exterior e a estrutura, e alterando o interior da maneira que se achou mais adequada ao seu fim. O trabalho que se apresenta foi elaborado com base nas peças desenhadas (planta de EDIFÍCIO A RECUPERAR

implantação e perfis do futuro Largo da Viscondessa), fornecidas pela Câmara Municipal da Matosinhos, e em sete visitas efectuadas ao local, em que se fizeram inspecções vi-

ENTRADA DA QUINTA DO BISPO

suais, levantamento fotográfico, dimensional e material, e recolha de informação verbal obtida do pároco, morador da casa geminada anexa.

LARGO DA VISCONDESSA

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IGREJA

Fig. 1 - Fotografia aérea do Largo de Sta Cruz do Bispo e sua envolvente


2

Enquadramento Histórico Largo da Viscondessa

Santa Cruz do Bispo, Freguesia do concelho de Matosinhos, está situada na margem direita do rio Leça, entre Matosinhos e a Maia. A instituição paroquial desta freguesia é anterior ao séc. XIII, talvez mesmo ao séc. XII, sendo designada por Santa cruz da Maia, por ser uma das paróquias deste distrito, ou ainda, Santa Cruz de Leça, por se encontrar perto deste rio. Posteriormente, no séc. XIII, surge a denominação “do Bispo”, associada à sua posse por parte do Bispado do Porto. As evidências de povoamento deste território recuam aos períodos proto-romanos e romanos, havendo posteriormente registos de um eremitério dedicado a Santo Agostinho, anterior à nacionalidade. Em 1239, D. Mafalda doou a igreja matriz e respectivas propriedades ao Bispado do Porto. Posteriormente, entre 1552 e 1572, o bispo Rodrigo Pinheiro manda erigir uma casa de recreio que o servisse e aos Bispos seus sucessores. Por ela passaram numerosas personalidades das letras, tendo sido ampliada entre 1741 e 1752, segundo o traço do arquitecto Nicolau Nasoni. Assim, no arborizado largo da Igreja encontra-se o portão principal da quinta, que marca o início da alameda que conduz à Casa de Santa Cruz. Este património foi sendo progressivamente amputado e adulterado, sendo que em 1913 funcionava como posto agrário, e é actualmente colónia penal. A igreja paroquial é uma das igrejas mais emblemáticas da região, sobressaindo a imponência dos elementos compositivos da fachada barroca. Outros edifícios dignos de registo sobressaem: a “Escola de Nª. Sª. da Guia para meninas edificada a expensas da Viscondessa de Sª. Cruz do Bispo, anno de 1890”, e em casa geminada, a “Residência Parochial edificada a expensas da Viscondessa de Sª. Cruz do Bispo, natural desta freguesia, anno de 1890”. Sobressai ainda a Capela de Nª. Sª. da Guia, mandada erigir pela Viscondessa em 1888, onde se encontra a estátua da padroeira, da presumida autoria de Diogo Pires, esculpida em pedra de ançã. Anexa à capela, no cimo de uma escadaria, encontramos a “Escola de Nª. Sª. da Guia para meninos, edificada em 1888 pela Viscondessa”. A Viscondessa de Sª. Cruz do Bispo, título atribuído em 1892 a Maria Dias de Sousa, foi destacada benemérita da freguesia, tendo empregue a vasta fortuna que terá herdado de um parente emigrante no Brasil, na construção de numerosos imóveis e em obras de benfeitorias, nomeadamente no Largo de Sª. Cruz. Digna de referência é ainda a estranha peça em pedra, semelhante a um barco, que se encontra junto à capela previamente referenciada, sendo que não é claro o propósito e origem de tão singular objecto – promessa, elemento evocativo, figuração do imaginário popular?... Com registo semelhante, importa referir ainda o célebre “homem da maça”, estátua em granito de grandes proporções localizada actualmente no topo do monte de S. Brás. Está ligado a cultos litolátrico e da fertilidade, hoje mais esbatidos mas ainda presentes no imaginário popular. São igualmente elementos dignos de registo, as imponentes árvores que pontuam o Largo, os bancos de pedra, as mesas graníticas e as 5 cruzes remanescentes da antiga Via-Sacra.

Fig.2 - Fotografia do portão principal da quinta do Bispo, do arquitecto Nicolau Nasoni


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3

Caracterização construtiva

3.1 Fundações As fundações constituem um elemento construtivo importante para a estabilidade do edifício. Apesar de não se terem efectuado sondagens para aferir a sua caracterização construtiva e estado de conservação, tendo em consideração a época construtiva do edifício – último quartel do século XIX - pode-se, por analogia a estas construções, concluir que as fundações deverão ser constituídas por sapatas contínuas, de alvenaria de pedra, com uma constituição próxima observada nas paredes resistentes. Ao desempenhar a função de transição da carga das paredes ao terreno, e sendo este o elemento de menor resistência, a alvenaria deverá ser mais pobre, que as observadas nas paredes resistentes. Ensaios, medidas e sondagens

Para aferir o estado de conservação das fundações, deverá efectuar-se sondagens pelo método de prospecção visual, abrindo poços de inspecção com dimensões que permita o acesso e movimento de um homem, junto das fundações e até à profundidade que permita a observação da fundação e terreno de fundação. 3.2 Paredes resistentes As paredes resistentes são construídas em alvenaria ordinária de granito, com espessura de aproximadamente 55 cm, ligadas por argamassa ordinária de cal. Constituída por dois paramentos com ligação, de aparelho com juntas irregulares alinhadas, e assentamento em calços com cunhas.

Ensaios, medidas e sondagens Para precisar detalhadamente o comportamento das paredes resistentes deverá proceder-

se a um conjunto de ensaios seguidamente enumerados: Carotagem Possibilitando a observação directa do interior do furo; videoscopia; extracção de amostras

para ensaios em laboratório para determinar a sua resistência à compressão; tracção; corte e de deformabilidade. Fig. 3 - Parede estrutural enterrada


Macacos planos(flat-jack) Permitindo in situ avaliar o estado de tensão existente e as características de

de formabilidade e resistência da alvenaria. Ensaios dinâmicos Para determinar as características dinâmicas da estrutura (modos e frequências de

vibração e amortecimento); calibração de parâmetros (rigidez) e de modelo de Comportamento. 3.3 Pavimento elevado O pavimento elevado é composto por vigas de madeira da espécie castanea sativa mill – castanho bravo. A estrutura de madeira é formada por vigamentos paralelos de secção rectangular (largura 10 cm, altura 23 cm) com espaçamento médio (ao eixo da viga) de 70 cm, vencendo um vão de aproximadamente 6,75 m. Com o decorre do tempo, e aumento da sobrecarga, a secção das vigas manifestou-se insuficiente, sendo necessário corrigir a sua deformação, tendo-se procedido à redução do vão para metade, com a inclusão de um perfil metálico HEB 120 no sentido contrário das vigas de madeira. Ensaios, medidas e sondagens Para avaliar o estado de conservação da madeira realizaram-se um conjunto de medições

e sondagens visuais com o auxílio de algumas ferramentas seguidamente descritas: Medidor de humidade Para avaliar o teor de humidade da madeira, de forma a poder aferir se esta está em

contacto com a água. Medidor de HR e ºC Para quantificar as condições higrotérmicas do espaço onde a madeira está localizada,

permitindo avaliar a ventilação. Martelo de cabeça larga Para reconhecer através do som a presença de ocos indicadores da presença de

agentes de degradação biológica, nomeadamente fungos xilófagos, insectos de ciclo larvar e insectos sociais. Formão Possibilitando raspar a madeira, permitindo observar os danos provocados pelos agentes

de degradação biológica acima referidos. Os resultados obtidos na inspecção serão descritos num capítulo posterior.

Fig. 4 e 5- Vista inferior do pavimento elevado

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3.4 Coberturas A cobertura é inclinada, de quatro águas, com uma estrutura em madeira, constituída por três asnas de castanho bravo com um espaçamento (ao eixo) de quatro metros, apoiadas directamente nas paredes resistentes. Esta é formada por peças de secção quadrangular, com as seguintes dimensões: largura 8 cm, altura 23 cm. O sua forma é simples, sendo composta por: linha, pernas, pendural, madres e fileira. As uniões são realizadas por ligações pregadas, excepto na ligação pendural linha, na qual foi efectuada recorrendo a peças auxiliares de ferro, permitindo a movimentação das asnas. Sobre as madres, fileira e frechal, assentam as varas de secção quadrangular, com 8 cm de lado, em madeira da espécie pinus pinaster – pinho bravo, com um espaçamento (ao eixo) de 45 cm. As varas recebem as ripas, igualmente em pinho bravo, com uma secção rectangular (largura 4 cm, altura 2 cm), espaçadas (ao eixo) 37 cm entre. Ensaios, medidas e sondagens Para avaliar o estado de conservação da madeira realizaram-se um conjunto de medições

e sondagens visuais similares às referenciadas nos pavimentos elevados. 3.5 Paredes de compartimentação As paredes de compartimentação existentes, são notoriamente posteriores à data da construção do edifício. Estas são executadas em tijolo de perfuração horizontal, com 11 cm de largura. Ensaios, medidas e sondagens Não foram realizados quaisquer ensaios a este elemento construtivo, consequente da sua

prevista demolição na fase de projecto.

Fig. 6 - Fotografia da asna da cobertura Fig. 7 - Detalhe da ligação da linha-pendural Fig. 8 - Detalhe da entrega da asna à parede resistente, e da vara apoiada no frechal Fig. 9 - Detalhe da ligação da cumeeira à asna

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3.6 Revestimentos e acabamentos Paredes As paredes são revestidas com um reboco de argamassa pobre constituída por areia, cal aérea e saibro, com uma espessura na ordem dos 4/5 cm. O acabamento é visivelmente diferente do que inicialmente deveria ter sido executado. Actualmente as paredes estão pintadas com uma tinta plástica, com consequências negativas evidentes nas características higrotérmicas das paredes. Ensaios, medidas e sondagens Foram realizadas um conjunto de ensaios, medições e sondagens, de forma a caracterizar

as argamassas, seguidamente descritas: Medidor de humidade Para avaliar o teor de humidade da argamassa, de forma a poder aferir se a parede está

em contacto com a água, e qual o nível freático. Medidor de HR ºC Para quantificar as condições higrotérmicas das ambiências, permitindo avaliar, as

solicitações a que os elementos construtivos estão sujeitos, estimando o risco de ocorrência de patologias, como por exemplo condensações. Arrancamento de amostras Para determinar a espessura média do reboco, assim como a composição das

argamassas. Pavimentos O revestimento do piso elevado é em madeira da espécie pinus pinaster – pinho bravo, constituído por tábua de soalho, com espessura de 30 mm, com encaixe do tipo machofêmea, pregadas ao vigamento do pavimento. Ensaios, medidas e sondagens Para avaliar o estado de conservação da madeira realizaram-se um conjunto de medições

e sondagens visuais similares às referenciadas nos pavimentos elevados.

Fig. 10 - Vista superior pavimento elevado Fig. 11 - Reboco da parede enterrada Fig. 12 - Forro em pinho, do tecto do rés-do-chão Fig. 13 - Cobertura da escola e da casa geminada anexa


Tecto No revestimento dos tectos observam-se duas situações distintas: O revestimento do tecto do piso térreo é constituído por um forro de madeira da espécie pinus pinaster – pinho bravo, com peças de 15 cm de largura e 15 mm de espessura, pregadas directamente ao vigamento do pavimento. No piso elevado, o revestimento do tecto é realizado por um tecto falso Ensaios, medidas e sondagens Não foram realizados quaisquer ensaios a este elemento construtivo, consequente da sua

prevista remoção na fase de projecto. Coberturas As coberturas de quatro águas são revestidas a telhas cerâmicas do tipo Marselha, assentes sobre as ripas de madeira da estrutura da cobertura. Os beirados são constituídos por telha marselha, excepto o nascente – o mais nobre do edifício, voltado para a rua – que é formado por telha canudo assente sobre a cantaria da fachada. Ensaios, medidas e sondagens Foram realizadas inspecções visuais ao telhado de modo a poder avaliar o seu estado de

conservação, e verificar o estado do sistema de águas pluviais.

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3.7 Caixilharias As caixilharias são em madeira e vidro simples. No alçado nascente os vão do piso térreo é constituído por duas janelas de duas folhas de abrir e uma porta igualmente de duas folhar de abrir. No piso elevado deste este alçado é formado por três janelas de guilhotina. Os restantes vãos deste piso é preenchido com cinco janelas, e duas portas de duas folhas de abrir. Ensaios, medidas e sondagens Para avaliar o estado de conservação da madeira realizaram-se um conjunto de medições

e sondagens visuais similares às referenciadas nos pavimentos elevados. 3.8 Cantarias As cantarias são em granito, localizadas essencialmente no alçado nascente – mais nobre – nas zonas mais importante do edifício: pilastras, contorno dos vãos, cimalhas, e cornijas. Ensaios, medidas e sondagens Para avaliar o seu estado de conservação, procedeu-se unicamente à inspecção visual.

Fig. 14 - Vãos envidraçados e cantarias das casas geminadas.


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4

Patologias

4.1 Fundações Apesar de não se terem efectuado sondagens às fundações, para se avaliar de forma consistente o seu estado de conservação, por observação das paredes estruturais, poderemos concluir, que as fundações não apresentam problemas de assentamento, resultante da não visualização de fissuras que indiciem esse problema. Deverá no entanto efectuar-se sondagens pelo método de prospecção visual, abrindo poços de inspecção com dimensões que possibilite o acesso e movimento de um homem, junto das fundações, e até à profundidade que permita a observação da fundação e terreno de fundação. Desta forma poder-se-á confirmar a ocorrência de possíveis problemas, como existência de água, e qual a sua influência, presença de águas agressivas, consequente de roturas de redes de esgotos ou movimentos das fundações devidos aos trabalhos de requalificação do espaço público na periferia do edifício.

Fig. 15 - Destacamento do reboco da parede enterrada Fig. 16 - Fotografias do Largo da Viscondessa com obras dos arranjos exteriores

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Fig. 17 - Medição da temperatura ambiente do rés-do-chão Fig. 18 - Medição da temperatura exterior Fig. 19 - Medição da humidade relativa exterior Fig. 20 - Medição da humidade relativa ambiente do rés-do-chão Fig. 21 - Medição da humidade do reboco da parede enterrada Fig. 22 - Medição da humidade do reboco da parede do primeiro andar, a 0,50 m do pavimento Fig. 23 - Medição da humidade do reboco da parede do primeiro andar, a 1,50 m do pavimento. Fig. 24 - Empolamento do reboco da parede enterrada Fig. 25 - Desenvolvimento de bolores na parede enterrada Fig. 26 - Alçado norte Fig. 27 - Fachada principal


4.2 Paredes 4.2.1 Paredes estruturais As paredes estruturais constituídas por alvenaria de granito, e revestidas com um reboco de argamassa pobre de cal e areia, manifestam diferentes patologias, essencialmente causadas pela humidade. Nas paredes em contacto com o terreno (piso térreo e piso elevado), registou-se, com o auxílio de medições dos níveis de humidade dos rebocos, valores próximos dos 100% na proximidade com o terreno, diminuindo progressivamente à medida que se afastava deste, indiciando humidade ascencional. No piso térreo a humidade relativa (HR) registada no interior foi de 65%, contrapondo com a observada no exterior 54%, manifestando uma fraca ventilação, com consequências evidentes para a diminuição da humidade das paredes. Na parede enterrada do piso térreo, os níveis de humidade do reboco está sempre próxima dos 100%, indicando de forma evidente que esta parede se encontra permanentemente em contacto com a água, sendo necessário drenar, e ventila-la convenientemente. O reboco desta parede apresenta destacamentos consideráveis, resultante da constante humidificação, tornando-se essencial a sua total remoção. Os acabamentos das paredes estruturais encontram-se degradados, consequentes não só das diferentes humidades detectadas nas paredes (humidades ascencionais, escorrências), como do inadequado material de acabamento – tinta plástica – não permitindo a transferência do vapor e humidade, e do desgaste do material. 4.2.2 Paredes de compartimentação As

paredes

de

compartimentação,

manifestam

diferentes

fissuras

resultantes

essencialmente da deformação do pavimento, apresentando fissuras longitudinais com curvatura ao eixo da parede. Estas paredes serão removidas no projecto, pelo que, não se monitorizaram as patologias a fim de se avaliar a sua evolução.

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4.3

Pavimentos

4.3.1 Pavimentos térreos O revestimento do piso térreo é em madeira da espécie pinus pinaster – pinho bravo, constituído por tábua de soalho, com espessura de 30 mm, de encaixe do tipo machofêmea, pregadas sobre um ripado de madeira da mesma espécie de secção rectangular, com dimensões 40 mm de largura, 20 mm de espessura, com espaçamento (ao eixo) de 50 cm, assente sobre uma camada de betão ciclópico, que contacta directamente sobre o terreno. As peças de madeira que constituem o piso térreo, manifestam diferentes patologias, resultantes da humidade excessiva, consequente da sua incorrecta configuração. Assim, nas medições realizadas, observou-se que o ripado de assentamento estava com 100% de humidade derivado do seu contacto directo com o terreno. No revestimento do pavimento registaram-se valores na ordem dos 36%, valores elevados para a madeira, sendo necessário remove-la para baixar o seu teor de humidade, raspala, e posteriormente após tratamento aplicá-la. A configuração do pavimento térreo terá de ser alterado para impedir a transmissão da água e vapor ao revestimento do pavimento.

Fig. 28 - Sondagem no pavimento térreo Fig. 29 - Tábua do soalho do pavimento térreo com humidade na zona do apoio Fig. 30 - Medição da humidade no apoio da tábua


4.3.2 Pavimentos elevados O pavimento elevado constituído por vigamento, soalho e forro de madeira, apresentam diversas patologias resultante essencialmente das condições higrotérmicas. No espaço compreendido entre o soalho e o forro de madeira registaram-se os seguintes resultados: humidade relativa (HR) 81% e temperatura do ar 22ºC. Desta forma, pode-se concluir que as condições higrotérmicas são responsáveis pelo elevado teor de humidade das madeiras: 23% soalho de madeira em pinho bravo, e 20% vigamento em castanho. A causa destas condições higrotérmicas, è a inexistente ventilação, resultante do forro de madeira. No projecto, este forro será removido, com ganhos evidentes para durabilidade da estrutura de madeira. A estrutura do pavimento apresenta uma excessiva deformação, consequente das sobrecargas a que está submetido, sendo necessário reforça-lo, propondo-se no projecto a diminuição do vão, com a inclusão de dois perfis metálicos no sentido oposto do vigamento existente.

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Fig. 31 - Vista inferior do pavimento elevado, sem o forro, com humidade Fig. 32 - Medição da humidade relativa entre o pavimento e o forro Fig. 33 - Medição da temperatura ambiente entre o pavimento e o forr Fig. 34 - Medição da humidade no pavimento


4.4 Cobertura A estrutura da cobertura, constituída por madeiras de diferentes espécies, manifesta problemas resultantes de ataques bióticos nas de qualidade inferior. Desta forma as asnas de castanho apresentam-se em condições excepcionais, não demonstrando qualquer tipo de ataque biótico nos ensaios realizados. O teor de humidade registado, encontra-se na casa dos 10/11%, podendo-se concluir que a madeira está seca. Na ligação com a parede resistente, estes valores sobem até aos 15%, encontra-se a linha ligeiramente degradada, indiciando um contacto variável com a água. Este remate será corrigido no projecto, ventilando correctamente o topo da linha, e não possibilitando o seu contacto com a água. Os restantes elementos de madeira da espécie pinus pinaster – pinho bravo (vigamento de suporte do tecto falso, frechal, varas e ripas), enunciam diversos ataques bióticos. No vigamento de suporte ao tecto falso, a madeira evidencia ataques de fungos xilófagos, expondo podridão parda de forma cúbica, desfazendo-se em pequenos pedaços. Estas peças serão removidas no projecto, não sendo restituídas, procedendo-se à remoção das zonas infectadas e aproveitamento das em bom estado, para substituição de partes da estrutura em danificada, como por exemplo o frechal. O frechal, varas e ripas demonstram ataques de insectos de ciclo larvar, nomeadamente carunchos apresentando fendas, ranhuras e orifícios na superfície e interior da madeira. Estas peças serão avaliadas, e posteriormente proceder-se-á à substituição das afectadas, e manutenção das que reúnam as condições necessárias para a função que desempenham. O revestimento da cobertura de quatro águas em telha marselha, expõe diversos problemas, nomeadamente colonização vegetal, revelando uma manutenção inadequada do sistema de drenagem de águas pluviais, permitindo a permanência de água por prolongados períodos de tempo, que em contacto com as poeiras que se vão depositando, propiciam o aparecimento e desenvolvimento de vegetação.

Fig. 35 - Beirado da água virada a poente, com colonização biológica Fig. 36- Ligação entre as coberturas do edifício da escola e o pavilhão, ambas com sintomas de colonização biológica


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O envelhecimento das telhas, contribuem igualmente para o desempenho deficiente do telhado, apresentando uma elevada permeabilidade à água, consequente de uma maior porosidade do material. O revestimento da cobertura será totalmente removido, avaliando-se o seu estado de conservação, seleccionando-se as telhas que se encontram em boas condições para desempenhar a sua função, limpando-se as superfícies que apresentam líquenes, e poeiras com o auxílio de água com pressão, aplicando-se posteriormente (após completamente secas) em águas completas.

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Fig. 37 - Ataque de carunchos na entrega do vigamento de suporte ao tecto falso Fig. 38 - Ataque de carunchos na vara apoiada no frecha Fig. 39 - Medição da humidade na entrega do vigamento de suporte ao tecto falso Fig. 40 - Medição da humidade no frechal Fig. 41 - Medição da humidade na ripa Fig. 42 - Ataque de carunchos nas ripas Fig. 43 - Medição da humidade relativa na cobertura Fig. 44 - Medição da temperatura ambiente na cobertura Fig. 45 - Medição da humidade no vigamento de suporte ao tecto falso Fig. 46 - Podridão parda de forma cúbica, no vigamento de suporte ao tecto falso


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Levantamaneto

5.2 Planta de implantação (1/200)

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Levantamento dimensional

5.3 Plantas (escala 1/100)

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Levantamento dimensional

5.4 Cortes 5.4.1Cortes longitudinais (escala 1/100)

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Levantamento dimensional

5.4 Cortes 5.4.1Cortes longitudinais (escala 1/100)

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5

Levantamento dimensional

5.4 Cortes 5.4.2Cortes transversais (escala 1/100)

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5

Levantamento

5.5 Alรงado principal (1/100)

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Memória descritiva e justificativa Objecto

Refere-se a presente memória ao projecto de reabilitação e alteração de um conjunto edificado, anexo à praça de Santa Cruz do Bispo, freguesia de Santa Cruz do Bispo, concelho de Matosinhos, distrito do Porto. Insere-se este trabalho na cadeira de projecto, da segunda edição do mestrado de Reabilitação do Património Edificado, realizado na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Características actuais O conjunto edificado divide-se sumariamente em dois corpos e terreno adjacente, formando uma unidade sem ocupação presente, tendo sido escola pré-primária até recentemente. O volume do topo nascente, orientado à praça de Santa Cruz do Bispo, de planta rectangular, dispõe de dois pisos não comunicantes internamente sendo o piso de entrada à cota da praça, semi-enterrado. O primeiro piso bem mais amplo, tem uma entrada lateral que dá acesso a um hall comunicante com uma arrecadação e duas salas nos topos opostos. A cobertura do volume mais antigo é de quatro águas, revestidas a telha assente em estrutura de madeira. Os espaços interiores são separados por paredes de alvenaria de tijolo rebocado, e a estrutura e revestimento dos pavimentos é em madeira. O pavilhão edificado recentemente tem cobertura de uma água em fibrocimento, assente em perfis metálicos que assentam em porticado de betão armado. O construído apresenta-se numa cota mais elevada do que o terreno que o circunda, operando-se com este desnível através de muros de suporte e de escadas. O terreno é delimitado por uma cerca metálica e dois portões. Apesar de ter sofrido alterações ao longo da sua existência, a coerência expressiva do volume edificado pela Viscondessa tem sido mantida, entendendo-se, que a dinâmica dos tempos não venha aqui a ter o seu epílogo, mas seja a presente intervenção uma mera etapa daquilo que esperamos ser uma, ainda, longa existência.

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Programa O projecto de reabilitação e restauro procura adaptar o conjunto ao programa de sede dos escuteiros de Santa Cruz do Bispo. O piso térreo, no topo nascente da casa, passa a integrar recepção, instalações sanitárias e arranque das escadas interiores introduzidas pelo projecto. As cotas de pavimento existentes são mantidas, prevendo-se a colocação de auto-nivelante no pavimento. A parede de contenção apresenta um elevado índice de humidade, pelo que se propõe realizar drenagem na base, deixando-se uma caixa-de-ar entre esta e o plano de gesso cartonado a introduzir, para ventilação. O primeiro piso, na sequência da entrada lateral, é destinado às reuniões dos vários agrupamentos de diferentes níveis etários, e apresenta-se como um grande espaço subdividido por três planos – um fixo, anexo às escadas interiores e outros dois, basculantes, que permitem gerar espaços diferenciados, conforme são alinhados ou colocados paralelamente entre si. Isto confere ao espaço um dinamismo que se relaciona com o carácter particular das várias actividades dos escuteiros, sendo esta fluidez enfatizada com a remoção dos tectos falsos existentes e colocação da estrutura de madeira à vista, unificando e desafogando o espaço.

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39 | 40 Do pavilhão propõe-se manter três dos módulos da estrutura em betão armado, e as vigas metálicas, substituindo a cobertura de fibrocimento por camarinha, incluindo isolamento térmico. Um armário remata longitudinalmente o volume, sendo o alçado porticado encerrado por caixilharia de madeira lamelada, com duas folhas de abrir por vão, orientando-se a um pátio exterior de nível, ao qual se une e forma espaço contínuo. Um lanço de escadas (anfiteatro) liga esta cota ao terreno dominado pela vetusta árvore que aí se encontra. Os dois volumes ligam-se por meio de uma passagem envidraçada, sendo o hiato restante marcado por um pátio. Modelação No que diz respeito à forma, exceptuando a eliminação de um módulo do pavilhão, mantém-se o aspecto original do conjunto, pois não se alteram os telhados inclinados e respectivos beirais, as cérceas e alçados do volume antigo.


Materiais de construção Mantém-se as paredes portantes dos edifícios existentes. As novas divisórias serão preferencialmente em tabique de gesso cartonado, conforme as peças desenhadas e de acordo com as circunstâncias (zonas de água, arrecadações, etc.) serão utilizados os tipos de revestimento adequados. No volume mais antigo, a cobertura manterá a estrutura de madeira revestida com telha, devidamente isolada, e as caixilharias esquadrias serão em madeira pintada, de acordo com o desenho existente. Os perfis metálicos introduzidos no alinhamento das vigas em madeira existentes, atirantam as paredes portantes, e sustentam os planos que dividem o espaço. Os pavimentos do primeiro piso serão substituídos por soalho de pinho de riga. A cobertura do pavilhão será em camarinha, no interior prevêem-se planos de gesso cartonado com isolamento adossados ás paredes em alvenaria de tijolo, e o pavimento será em auto-nivelante. Arranjos exteriores A intervenção procura valorizar e enfatizar a valência do terreno, limpando-o, ensaibrandoo, e aproximando-o da vivência do edificado, mantendo o seu carácter permeável do solo.


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7

Proposta

7.1 Planta de implantação (1/200)

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Proposta

7.2 Plantas (escala 1/100)

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Proposta

7.3 Cortes 7.3.2Cortes longitudinais (escala 1/100)

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Proposta

7.3 Cortes 7.3.2Cortes longitudinais (escala 1/100)

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Proposta

7.3 Cortes 7.3.2Cortes transversais (escala 1/100)

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Proposta

7.4 Cortes construtivo (escala 1/20)

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Reabiitação da Escola de Nossa Senhora da Guia  

Santa Cruz do Bispo

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