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Editorial A época em que vivemos tem visto a inversão de todos os valores e a perca da credibilidade e do mau uso das palavras. No Dicionário da Língua Portuguesa do autor Aurélio Buarque de Holanda Ferreira encontramos as seguintes definições; Mentir. Ivt.1. Afirmar coisas que sabe ser outra verdade. 2. Errar no que diz. 3. Induzir em erro. 4. Dizer mentiras. Enganar Mentiroso. Adj.: Loroteiro. Oposto a verdade. Falso. Ilusório. No recente acontecimento esportivo, dentro do critério usado atualmente defendendo interesses, diria: O time Argentino é formado por ‘cavaleiros’ assim mesmo - , e como tal ser, são muito ‘educados’. Seguindo outro exemplo; O senado e o Congresso acatarão ‘sugestão’ do Supremo Tribunal Federal, e num gesto altruístico cassarão os inocentes réus. Também para não dizer que cometemos o erro em não incluir um dos maiores mentirosos, - ainda a tempo - , lembro a figura desses que contraria o apóstolo Tomé quando diz ‘Não sabe de nada, nada viu, nada soube, é mentira, é mentira, é mentira todos sabem e conhecem a postura social do meu caráter, da minha integridade... Portanto mais uma vez afirmo. ‘Eu não sei de nada, eu não vi nada’. Como aquele outro seguidor do Rabi negou três vezes o seu nome e jurou não o conhecer. E a VERDADE? O que é a verdade? E as palavras? Para que servem as Palavras? Quantos homens de bem ainda usam a palavra verdadeira? Será que o Mundo vai acabar? E o Sarney?

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Fundador e Diretor Responsável: José Heitor da Costa Fundado em 12/09/2012 Presidente: Jaldete Vieira Garcia Vice-presidente: José Heitor da Costa Diretor Executivo: Valberto Garcia Diretor Comercial: João Pedro Gutierrez Teixeira Diretora de Publicidade: Carmem Lúcia Diretora de Projetos Gráficos e Web Designers: Iza Souza Diretor e Editor de Esportes: João Costa Diretor de Assuntos Internacionais: Gilmar Freitas Repórteres: Afonso Aquino. Pinheiro Junior. Rodrigues Taú. Wanda Lacerda. Álvaro Cintra. João Mendes. contato@jhcmidiadigital.com Cel: +55 (11) 98178-5433 Conselho Administrativo Presidente: Jaldete Vieira Garcia Vice-Presidente: José Heitor da Costa

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SAUDE Os perigosos laços da medicina com a indústria farmacêutica

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os últimos meses, um tema polêmico tem aparecido mais frequentemente na mídia: o potencial prejuízo que o “inevitável” laço entre medicina e indústria farmacêutica pode causar nos pacientes. Muitos artigos e estudos têm argumentado que a indústria farmacêutica se utiliza de táticas e estratégias imorais e nada éticas para vender remédios que absolutamente não ajudam os doentes. Pior: um novo estudo publicado no respeitado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences revelou que a fraude é um verdadeiro problema em publicações científicas, problema que tem aumentado no decorrer das décadas. O estudo analisou 2.047 artigos sobre pesquisas biomédicas desacreditadas e retraídas de publicações científicas, e constatou que a maior razão para a sua retração não foram erros honestos (não propositais), mas sim pura fraude. Enquanto isso, um médico inglês, Benjamin Goldcare, denunciou um comportamento condenável da indústria farmacêutica: em busca de proteger os próprios interesses econômicos, os laboratórios farmacêuticos nem sempre liberam os remédios ao mercado com a garantia de que farão bem aos

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pacientes. Para vender esses remédios ineficazes, as empresas forjam ou só publicam estudos acadêmicos e resultados de testes favoráveis sobre eles, escondendo totalmente o fato de que alguns apresentam efeitos colaterais perigosos. Se você acha que já ouviu o suficiente, prepare-se para conhecer a pior parte de tudo isso: tal comportamento não é ilegal. No Brasil, a entidade que libera remédios para uso comercial é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um órgão ligado ao Ministério da Saúde. Existem 23 laboratórios oficiais ligados à Anvisa que fornecem medicamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS). As centenas de laboratórios privados, no entanto, estão sob observação menor (para não dizer sem observação): o único controle rigoroso acontece no momento de permitir que a empresa abra. Uma vez operantes, os produtores detém o controle sobre os testes, ou seja, os próprios laboratórios atestam a qualidade do medicamento que eles mesmos fabricam. O sistema de teste e aprovação dos remédios coloca controle excessivo nas mãos dos fabricantes, de forma que eles quase sempre podem definir qual o veredicto sobre qualquer medicamento em fase de experimentos.

“Suicídio profissional”

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psiquiatra britânico David Healy, odiado por colegas que até tentaram revogar sua licença médica, argumenta que seus semelhantes estão cometendo “suicídio profissional” ao não abordar sua relação perigosamente íntima com a indústria farmacêutica. Os conflitos entre medicina e indústria são conhecidos há muito tempo. Um deles são os “presentes” que médicos ganham de fabricantes de remédio, que alguns consideram ser uma tentativa clara de “comprar” o profissional para que ele passe a receitar a medicação. Nos EUA, por exemplo, só em 2004 as empresas farmacêuticas gastaram cerca de US$ 58 bilhões (cerca de R$ 116 bi) em marketing, 87% dos quais foram destinados diretamente a cerca de 800 mil norte-americanos com o poder de prescrever medicamentos. O dinheiro foi gasto principalmente em amostras de medicamentos gratuitos e visitas a consultórios médicos, que estudos confirmam que aumentam a prescrição de medicamentos de marca e os custos médicos sem melhorar o atendimento. Nos EUA, a legislação diz que as empresas farmacêuticas devem revelar quais médicos aceitaram qualquer pagamento ou presente com valor maior de US$

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10, e descrever as quantidades exatas aceitas e seu propósito em um site público. Porém, esse site só vai estar em funcionamento em 2014, talvez. Healy nem acha que aceitar dinheiro dos fabricantes seja o pior problema (embora já tenha ficado demonstrado que pode ser prejudicial). Para ele, o fato das empresas repetidamente esconderem informações importantes sobre os riscos de seus medicamentos é que é o verdadeiro problema. Nesse ponto, Healy acha que as publicações científicas têm um pouco de culpa também. Ele disse, por exemplo, que já teve dificuldade em publicar dados anteriormente ocultos: a publicação foi rejeitada. Embora as revistas médicas obriguem empresas farmacêuticas a registrarem todos os seus ensaios clínicos com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA se quiserem publicá-los, essa não é uma exigência legal. Eles ainda podem esconder dados relevantes da Administração de Drogas e Alimentos americana ao não divulgar testes clínicos que eles nunca tentaram submeter a publicação. “A questão-chave a curto prazo é o acesso aos dados. Temos que insistir nisso”, afirma Healy. “Médicos recebem a indústria e ouvem sobre seus remédios. Eu não acho que seja um problema enorme que sejam pagos para isso. O grande problema é que se você perguntar pelos dados, eles não podem mostrar a você. Isso é não é ciência, isso é marketing”. No Brasil, o Código de Ética Médica e a Resolução nº 1.595/00 do Conselho Federal de Medicina proíbem aos médicos a comercialização da medicina e a submissão a outros interesses que não o benefício do paciente. Também é proibida a vinculação da prescrição médica ao recebimento de vantagens materiais. A RDC 102/00 da Anvisa ainda proíbe a indústria farmacêutica de oferecer prêmios ou vantagens aos profissionais de saúde envolvidos com a prescrição ou dispensação de medicamentos.

A questão é: em até que ponto essas resoluções são fiscalizadas?

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ecentemente, em fevereiro desse ano, um acordo inédito foi firmado entre o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), estabelecendo parâmetros para a relação entre médicos e indústrias. Entre outras resoluções, ficou decidido que a presença de médicos em eventos a convite da indústria deve ter como objetivo a disseminação do conhecimento técnico-científico, e não pode ser condicionada a qualquer forma de compensação. Também, somente despesas relacionadas ao evento podem ser cobridas pela indústria. Quanto a brindes e presentes, eles devem estar de acordo com os padrões

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definidos pela legislação sanitária em vigor, devem estar relacionados à prática médica, e devem expressar valor simbólico (que não ultrapasse um terço do salário mínimo nacional vigente). Além disso, foram estabelecidas regras para visitação comercial a médicos, que dizem que o objetivo das visitas deve ser contribuir para que pacientes tenham acesso a terapias eficientes e seguras, e que os empresários devem informar os médicos sobre as vantagens e riscos dos remédios. Esse acordo inédito parece mostrar bastante boa vontade de ambas as partes de agir no melhor interesse do paciente. Mas, como diria o ditado, “de boas intenções o inferno está cheio”. A dúvida que permanece é: o quão a sério profissionais de saúde e empresários estão levando esses parâmetros? Nós, os pacientes, estamos seguros, ou somos duplamente vítimas: das doenças e dos remédios?[CNN, CFM, CREMESP]

Alerta aos atletas de final de semana: prática irregular de exercícios físicos pode causar lesões Por Thaís Schneider

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tais hábitos podem tornar o corpo mais propenso a lesões.

uitas pessoas que não têm tempo para se exercitar todos os dias acabam deixando a atividade física para o fim de semana – e, para compensar, fazem exercícios em grandes quantidades ou intensidade. Mas esses “atletas de final de semana” podem estar fazendo um desserviço ao organismo: segundo médicos,

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De acordo com o Dr. Jeffrey Spang, professor assistente de ortopedia na Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, esse tipo de problema é comum entre pessoas com mais de 30 anos que costumavam praticar atividades com frequência, mas agora tem suas agendas tomadas por compromissos como trabalho e família. “Muito de sua atividade está concentrada no final de semana”, diz Spang. Ele alerta que, da mesma forma, começar um programa físico intenso de uma hora para outra após um longo período inativo – treinar para uma meiamaratona, por exemplo – também pode causar lesões. O melhor seria treinar com mais frequência, por períodos menores, e evitar se exercitar em excesso. “Aumente a quantidade de exercícios – e sua intensidade – a cada semana”, recomenda o médico. Segundo dados do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (www.cdc.gov), mais de dez mil americanos vão parar no pronto socorro a cada dia por conta de lesões relacionadas à prática de esportes e exercícios físicos. De acordo com Sprang, a lesão mais comum é a distensão muscular, mas tenditinite crônica e ruptura do tendão de aquiles também são frequentes entre os atletas de final de semana. De qualquer forma, se não há tempo para a atividade física nos dias úteis, o jeito é deixar para o final de semana – ainda é melhor do que ser sedentário. Contudo, o ideal mesmo é distribuir a atividade em vários dias ao longo da semana. Aqui vão quatro dicas para evitar as lesões de final de semana: 1. Faça um aquecimento: pode ser uma caminhada, pedalar em ritmo moderado ou fazer movimentos circulares com braços e pernas. Não alongue antes de aquecer os músculos. Depois de malhar, vá relaxando aos poucos, e aí faça o alongamento. 2. Um pouco de dor ou sensibilidade muscular é comum durante uma atividade intensa, mas se você sentir dor aguda, como pontadas, pare imediatamente. Aplique gelo e, se a dor não passar em alguns dias, vá ao médico. 3. Encontre alguém para acompanhá-lo na atividade. Exercitar-se com amigos é mais agradável, e ajuda a manter uma frequência regular – você não vai querer deixar o amigo na mão! 4. Use técnicas apropriadas para cada exercício. Para aprender sobre as formas mais seguras de se exercitar, converse com um treinador ou pesquise em revistas especializadas ou sites de universidades. [LiveScience]

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Risco de ataque cardíaco triplica após sexo ou exercícios físicos Por Bruno Calzavara

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m aviso aos cardíacos que não costumam se exercitar com frequência. Praticar exercícios físicos ou fazer sexo triplica o risco de uma pessoa ter ataque cardíaco nas horas seguintes ao esforço. O alerta vale principalmente para quem não faz essas atividades de costume. Essa foi a conclusão à qual chegou a análise da Revista da Associação Médica Americana. No entanto, pacientes com problemas no coração não devem se abster de sexo ou de exercícios físicos após os resultados da pesquisa. Embora o aumento de três vezes no risco de ataque do coração soe assustador, a probabilidade geral de efetivamente sofrer um enfarte após malhar ou ter relações sexuais ainda é muito baixa: na ordem de três em um milhão, em vez de um em um milhão. “Definitivamente, não se deve interpretar os nossos resultados no sentido de que a atividade física ou sexual é perigosa ou nociva”, salientou Issa Dahabreh, um dos autores do estudo e investigador do Instituto Médico do Centro de Investigação Clínica, em Boston, Estados Unidos. “O efeito a nível individual é pequeno”. Além disso, os participantes do estudo que eram mais fisicamente ativos parecem ser menos suscetíveis a um ataque cardíaco após uma relação sexual ou um treino. “Pessoas que se exercitam regularmente sofrem um aumento muito menor no risco, isso se realmente sofrerem”, conta Dahabreh.

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Numerosos estudos têm sugerido que a atividade física, incluindo sexo, pode desencadear um ataque cardíaco ou parada cardíaca, mas a magnitude do risco tem sido pouco clara. Para chegar a uma estimativa, Dahabreh e seu colega de pesquisa reanalisaram dados de 14 estudos, que remonta à década de 1980. Todos os estudos utilizaram o chamado cruzamento de caso, em que as atividades físicas dos participantes com duração de um a duas horas que antecederam enfartes foram comparados com suas rotinas habituais. Se a atividade física ou sexual foi mais comum durante o período anterior ao infarto do que em outros momentos, isso pode ter ocasionado o ataque. Nas primeiras horas após o exercício, os pesquisadores descobriram que o risco de uma pessoa ter um ataque cardíaco é aumentado em cerca de 3,5 vezes. Nas duas horas seguintes ao sexo, o risco é de 2,7 vezes a mais. A atividade física também quintuplicou o risco de morte súbita por parada cardíaca. Embora o risco de ataque cardíaco após o sexo ou exercício – seja em números brutos ou estatisticamente – é “muito, muito pequeno”, segundo Dahabreh, os resultados sugerem que pessoas sedentárias que querem ficar em forma devem aumentar seu nível de atividade física gradualmente para evitar sobrecarregar o coração desacostumado com o trabalho árduo. A Associação Americana do Coração faz a mesma recomendação. [CNN]

Trate o ronco para evitar uma parada cardíaca Por Guilherme de Souza

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ais do que apenas um incômodo para quem estiver por perto, o ronco pode ser um indício de apneia do sono, doença que eleva o risco de uma série de problemas cardiovasculares: hipertensão, arritmia, infarto do miocárdio, derrame, insuficiência cardíaca e morte súbita. • Ronco e problemas para dormir podem aumentar risco de doenças cardíacas “Não há estudos suficientes na literatura médica sobre disfunções cardíacas precoces em pacientes com apneia do sono, quando é possível tomar medidas para evitar a progressão até insuficiência cardíaca”, alerta a pesquisadora Raluca Mincu. Junto com outros estudiosos, ela comparou os efeitos da apneia do sono com os de diabetes tipo 2 em funções cardíacas.

Metade das mulheres pode ter apneia noturna

A equipe examinou 60 pacientes: 20 tinham apneia do sono moderada ou severa; 20 estavam tratando diabetes tipo 2; e 20 não tinham nenhuma das duas doenças. Para aumentar a precisão do estudo, foram comparados dados de voluntários de sexo e idade similares. Aqueles que sofriam de apneia do sono (fosse moderada ou severa) apresentaram mal funcionamento das artérias, resultado similar ao daqueles com diabetes tipo 2. O grupo de controle, por sua vez, não apresentou problemas. “Pacientes deveriam perceber que por trás do ronco pode haver sérias patologias cardíacas e que eles devem consultar um especialista do sono”, aponta Mincu. O tratamento para apneia do sono não é dos mais agradáveis (inclui dormir com uma máscara, ligada a um aparelho que ajuda a manter a respiração constante), mas, segundo a pesquisadora, pode reverter os problemas revelados no estudo.

Ronco gera crianças “problemáticas”

Quanto mais cedo cardiologistas, pneumologistas e outros profissionais da saúde diagnosticarem e tratarem casos de apneia do sono, melhor. “Isso irá evitar que a disfunção cardiovascular precoce evolua para insuficiência cardíaca”.[Medical Xpress]

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Erros Médicos 'Qualquer um se confunde', diz estagiária que aplicou café com leite na veia Estagiária Rejane Telles, de 23 anos, disse que nunca havia injetado qualquer medicação antes. Conselho de Enfermagem estuda possibilidade de interditar profissionais do PAM Luiz Ackermann / Agência O Dia Idosa morreu após ter café com leite injeado nas veias

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estagiária de enfermagem Rejane Moreira Telles, de 23 anos, que no último dia 14 injetou duas seringas de café com leite na veia de Palmerina Pires Ribeiro, 80, que morreu em seguida, no PAM de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, disse que nunca havia injetado qualquer tipo de medicação antes. Ela afirmou que se confundiu com os catetéres da veia e oral. "Como estava junto, qualquer um se confunde".

A entrevista foi dada ao programa Fantástico, da TV Globo. "Injetei o leite e botei pelo lugar errado. Me passou pela cabeça chamar a supervisora. Sendo que a outra menina que estava do meu lado, ela falou que sabia e que ia me ensinar. Ela pegou, falou pra mim e pra outra estagiária que estava do meu lado para ir fazendo os procedimentos. Mas não deu explicação nem de que e nem como. Continuou sentada no posto de enfermagem, brincando no celular", disse. O Conselho Regional de Enfermagem estuda a possibilidade de interditar os profissionais do PAM de São João de Meriti. JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 15


Entenda No fim de setembro, a polícia abriu inquérito para investigar a morte da aposentada Ilda Vitor Maciel, de 88 anos, que teve sopa aplicada na veia do braço direito em vez de medicação, na Santa Casa de Barra Mansa. A paciente deu entrada na Santa Casa no dia 27 de setembro, após sofrer derrame cerebral. O Coren-RJ esteve no hospital ontem, mas não conseguiu a identificação da técnica de enfermagem que fez a troca. Segundo familiares, ela se chama Ana. O órgão deu 48 horas para que a Santa Casa informe o nome da profissional que fez o procedimento errado.

Atriz morre após ter fígado perfurado durante lipoaspiração em São Paulo

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olícia investiga se houve erro médico na morte de Pamela Baris Nascimento, de 27 anos. Procedimento foi realizado em uma clínica particular na zona sul da capital Corpo de Pamela será exumado para investigar suposto erro médico

A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte da atriz Pamela Baris Nascimento, de 27 anos, que teve o fígado perfurado durante uma cirurgia de lipoaspiração na clínica particular Green Hill, na Zona Sul da capital. Ela morreu no dia 19,mas o caso só foi registrado no 17º Distrito Policial (Ipiranga), segunda-feira, dez dias depois. De acordo com a investigação, depois da perfuração, ela teve uma hemorragia, sofreu uma parada respiratória e não resistiu. Pamela já havia feito duas lipoaspirações em outras ocasiões. O corpo já havia sido removido para Santa Catarina, onde foi enterrado, quando a polícia soube do ocorrido através da tia da vítima,Enedida Nascimento, 61 anos. Agora, o caso é investigado como homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. O delegado-titular do 17º Distrito Policial, Evandro Luís de Melo Lemos, pediu a exumação do corpo de Pamela. O objetivo é identificar se houve algum problema durante a cirurgia ou se tratou de uma intercorrência (algo JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 16


não previsto), comum nesse tipo de procedimento. O delegado também vai pedir uma ordem judicial para ouvir o médico responsável pela cirurgia, Júlio César Yoshimura. A polícia investiga se houve crime de fraude processual, já que o médico não avisou o fato às autoridades policiais. Segundo a polícia, Pamela morava há um ano em São Paulo e fazia participações em programas de televisão. A tia que registrou o boletim de ocorrência mora em Santa Catarina e assumiu a educação da sobrinha desde que ela perdeu a mãe, aos 6 anos.

Mulher morre durante lipoaspiração e implante de silicone em clínica de SP Médico disse que Maria Irlene Silva, de 43 anos, morreu após parada cardíaca durante cirurgia. Polícia Civil irá investigar clínica da Vila Nova Conceição, na zona sul iG São Paulo | 14/12/2012 11:44 Maria Irlene Soares da Silva, de 43 anos

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motorista Maria Irlene Soares da Silva, de 43 anos, morreu durante uma cirurgia de lipoaspiração e implante de silicone em uma clínica especializada, na zona sul de São Paulo. O estabelecimento que fica na rua Diogo Jacome, na Vila Nova Conceição, será investigado pela Polícia Civil.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), em depoimento à polícia, o dono da clínica afimou que a morte de Maria Irlene ocorreu após uma parada cardíaca durante o procedimento cirúrgico. A vítima, segundo ele, realizou previamente todos os exames para poder passar pela cirurgia e não foi encontrado nenhuma irregularidade. O caso foi registrado como morte suspeita no 15º DP, do Itaim Bibi, também na zona sul. O delegado Paul Henry Verduraz abriu um inquérito policial para investigar a clínica e seus trabalhos. Há a informação que nos últimos quatro meses o local registrou outra morte por complicações durante procedimentos. JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 17


BRASIL Bens de traficantes são usados no combate às drogas Governo brasileiro tem parceria com 12 estados para leiloar bens do narcotráfico e valor arrecadado é usado na repressão ao crime e no tratamento de dependentes. Por Leilane Marinho para Infosurhoy.com

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m São Paulo, a Comissão Estadual para Assuntos Referentes a Bens Apreendidos do Tráfico de Drogas (Combat) define o que será leiloado e como o dinheiro arrecadado pelo estado será empregado. No leilão de dezembro de 2011 (acima), foram arrematados três caminhões, 14 automóveis e nove motos, entre outros bens. (Cortesia da Secretaria da Justiça de São Paulo). No Brasil, bens e valores apreendidos do tráfico de drogas são leiloados e destinados ao Fundo Nacional Antidrogas (Funad) do Ministério da Justiça. Nesta lista, se destacam aviões, veleiros, carros, jóias e imóveis de pessoas condenadas por tráfico ou envolvidas em atividades ilícitas de produção e venda de drogas. Estes bens transformam-se em recursos para programas de repressão ao tráfico, prevenção do uso de drogas e tratamento, recuperação e reinserção social de dependentes químicos. “A verba que fica no Funad é usada em diversas ações pelo país. Para combater o tráfico na fronteira, por exemplo, compramos veículos que serão usados na fiscalização da região”, diz o diretor do Funad, Marco Aurélio Martins. Criado em 1986 pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), o Funad tem sido uma ferramenta eficaz no combate às drogas no país. Para facilitar a arrecadação, a legislação brasileira permite que os bens sejam JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 18


leiloados antes da condenação do dono. A Lei nº11.343 de 2006 determina que, durante o processo, os juízes devem acompanhar o estado de conservação de bens apreendidos do narcotráfico. Caso eles possam sofrer depreciação, como carros e barcos, o juiz deve liberá-los para venda antecipada. Em 2010, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomendou que essa norma fosse usada também em crimes de outras naturezas. “Antes, os processos demoravam 15 anos para serem finalizados e os bens ficavam muito depreciados. Hoje a legislação admite que, logo após a apreensão, o bem seja leiloado”, diz o coordenador geral do contencioso do Funad, Amilcar Cintra. “Se a pessoa for absolvida, o valor do bem é devolvido para a conta dela.” A Senad promove, em média, cinco leilões por ano. O valor arrecadado é dividido entre o governo estadual e federal. “O estado fica com 80% do montante e o restante vai para o Funad”, conta Cintra, lembrando que 100% do dinheiro arrecadado é empregado no combate às drogas. Arrecadação recorde é do Paraná De 2011 até outubro de 2012, o Funad arrecadou R$ 2,6 milhões nos leilões de seis aeronaves, sete imóveis e 646 veículos, entre outros bens. Para evitar a deterioração dos bens, a legislação permite que, logo após a apreensão, eles sejam leiloados. “Se a pessoa for absolvida, o valor do bem é devolvido para a conta dela”, diz o coordenador geral do contencioso do Funad, Amilcar Cintra. (Cortesia da Secretaria da Justiça de São Paulo). O maior leilão da história do fundo foi realizado em dezembro de 2011, para cerca de 400 pessoas, em Colombo (PR). Os 233 lotes postos à venda renderam o valor recorde de R$ 1,675 milhão. Aquela foi a primeira vez que o Funad leiloou imóveis. Mas a disputa mais JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 19


acirrada foi por um avião Cessna. Avaliado em R$ 18.000, ele foi arrematado por R$ 39.000. O leilão mais recente do Funad foi realizado em 17 de outubro, em Belo Horizonte (MG). Cerca de 100 veículos foram vendidos, entre outros bens. “Tínhamos a previsão de um montante de R$ 150.000 e finalizamos o leilão com R$ 219.000”, comemora Cintra. “A maioria dos bens leiloados foi arrematada por valor 100% superior à avaliação inicial.” Aquele foi o quarto leilão de Minas Gerais desde que o estado se tornou parceiro do Funad em 2005, diz o subsecretário de Políticas Sobre Drogas (Supod) de Minas Gerais, Cloves Benevides. “Os leilões do Funad são importantes para que a sociedade se sinta comtemplada, já que o dinheiro arrecadado vai ajudar no combate ao crime”, diz Benevides. O leiloeiro Dilson Marcos Moreira, que há 37 anos leiloa objetos de artes, imóveis e gado, bateu o martelo no evento em Belo Horizonte e ficou impressionado com o público. “Foi um sucesso”, diz Moreira. “Tivemos 200 pessoas no local e 178 internautas participando com lances e arremates.” Embora o público seja diversificado, grande parte dos participantes do leilão é formado por pessoas técnicas, de acordo com Cintra. No caso do leilão de automóveis, mecânicos e comerciantes de sucatas eram maioria no salão. “Eles são os que mais procuram porque conhecem bem o valor dos itens”, diz Cintra. Em Minas Gerais, os R$ 175 mil que ficaram no estado serão investidos no Centro de Referência Estadual em Álcool e outras Drogas (CREAD), SOS Drogas e no Centro Operacional de Combate ao Crime Organizado. “Em leilões anteriores conseguimos o dinheiro para construir auditórios e equipar os centros. Desta vez queremos aumentar a nossa capacidade de atendimentos”, diz Benevides. Através de parcerias com a Senad, 12 estados promovem leilões convencionais e virtuais: Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Tocantins. Os leilões da Senad são abertos ao público e organizados por casas de leilão locais. O próximo está marcado para Campo Grande (MS).

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Favelas cariocas em foco

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cotidiano de 80 comunidades cariocas é retratado no livro de arte ‘Inside the favelas - Rio de Janeiro’, do fotógrafo Douglas Mayhew.

Por Danielle Melo para Infosurhoy.com O fotógrafo norte-americano Douglas Mayhew tirou 15.000 fotos em 80 favelas do Rio de Janeiro durante quatro anos. O resultado deste trabalho pode ser conferido no primeiro livro de Mayhew, “Inside the favelas - Rio de Janeiro”. (Cortesia de Renata Zambianchi)

RIO DE JANEIRO, Brasil – Certa vez, numa tarde ensolarada de 2008, o norte-americano Douglas Mayhew e o brasileiro Marcelo Castro decidiram subir o Morro dos Prazeres, violenta favela de Santa Teresa, no centro do Rio de Janeiro. Na época, o Morro dos Prazeres ainda estava sob o domínio de traficantes, já que só receberia umaUnidade de Polícia Pacificadora (UPP) em 2011. Logo na entrada da favela, homens armados intimidavam quem tentava cruzar a fronteira entre o morro e o “asfalto”, mas não impediram a passagem da dupla. Os dois aceleraram o passo, Mayhew sacou a câmera fotográfica da bolsa e saiu clicando. Pouco tempo depois, um garoto os abordou e disse que o chefe do tráfico queria vê-los. Ao chegarem à boca de fumo, foram rodeados por homens armados. O chefão dizia aos berros que eles não tinham permissão para estar ali e os ameaçou de morte. Tomou a câmera das mãos de Mayhew, mas, após ver que as fotos não identificavam ninguém, devolveu a câmera e mandou a dupla embora. “Foi uma experiência assustadora. A situação poderia ter fugido ao controle e nós poderíamos ter sido espancados ou baleados. Felizmente isso não ocorreu”, disse Mayhew, fotógrafo e consultor de arte.

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A intimidação de traficantes não fez a dupla desistir de suas incursões em favelas. Também nunca mais se repetiu. Durante quatro anos, foram cerca de 80 comunidades e 15.000 fotos. O resultado dessas visitas aos morros do Rio está no primeiro livro de Mayhew, “Inside the favelas - Rio de Janeiro”, que acaba de ser lançado (em inglês) no Brasil e nos Estados Unidos. O autor também tem planos de publicar uma versão em português em 2013. Com 278 imagens, o livro custa R$ 140 e tem prefácio assinado pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. As lentes de Mayhew focaram principalmente em dois símbolos dos morros cariocas: escadas e “gatos”, as ligações clandestinas, em geral de fiações de luz ou TV a cabo. A escolha desses dois temas foi menos filosófica do que pragmática. Por ordem de traficantes, que dominavam muitas das favelas retratadas, o fotógrafo não pôde fotografar rostos, armas e operações do tráfico. “Só me restou a arquitetura”, diz Mayhew. “E, depois de visitar várias favelas, eu percebi como as escadas eram um elemento estrutural delas.” Para Mayhew, as escadas passaram a ser uma forma de discutir as semelhanças da vida de quem mora nas favelas e no “asfalto”. “Estamos sempre subindo escadas e carregando alguma coisa: mandioca, crianças, dever de casa, nosso pesado coração, alegrias. Definindo escadas dessa forma, as fotos podem ajudar a diminuir o preconceito que existe entre pessoas com tantas diferenças socioculturais e econômicas”, explica Mayhew. Os “gatos”, por sua vez, são uma metáfora da confusa e complicada vida dos moradores de favelas. Para o fotógrafo, eles representam também “o discurso do poder – quem tem, quem quer, quem precisa e quem não tem”. Além das fotos, o livro traz uma longa reportagem sobre como as favelas nasceram e como é a estrutura do tráfico de drogas, ainda presente em muitas favelas cariocas que não têm Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Para apurar os dados, Mayhew contou sempre com a ajuda de Marcelo Castro, dono de uma agência de viagens de turismo de aventura. Antes de conhecer o fotógrafo, Castro chegou a morar por seis anos na Favela do Vidigal, em São Conrado, e já estava acostumado a circular por outras favelas cariocas. “Visitamos dezenas de favelas antes e depois das UPPs. Foi uma experiência JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 22


muito rica. Eu e Mayhew acabamos nos tornando amigos”, diz Castro. Esse fascínio que as favelas exercem sobre Mayhew foi despertado por uma triste experiência pessoal. Em 2007, ele tinha acabado de se mudar para o Rio e fazia trabalho voluntário na ala infantil do hospital público Miguel Couto quando uma criança, com um grave ferimento a bala no braço, foi atendida. A ferida estava aberta há dias. Mayhew perguntou à enfermeira por que os pais da criança demoraram para levá-lo ao hospital. Ela explicou que, possivelmente, eles não teriam tido autorização do tráfico para deixar o morro. Para entender melhor esse lado do Rio de Janeiro, o fotógrafo resolveu então subir as escadas e ruelas das comunidades. Mesmo depois de publicar o livro, as incursões pelas favelas continuam fazendo parte da rotina de Mayhew, que mora no “asfalto”, de frente para o mar. Ele até já tem planos de publicar outra obra sobre o mesmo universo: o livro “50 vozes/50 favelas” reunirá memórias dos moradores mais antigos de comunidades cariocas.

Coopa-Roca: Cooperativa agora no shopping

do

morro

Costureiras da Rocinha inauguram loja em shopping de luxo ao lado da favela no Rio de Janeiro. Por Flávia Ribeiro

M

aria Cosmo (centro) é uma das 80 integrantes da Coopa-Roca, uma cooperativa de costureiras e artesãs da favela da Rocinha. “Consegui tudo o que tenho com agulha e linha”, diz. (Flávia Ribeiro para Infosurhoy.com)

RIO DE JANEIRO, Brasil – A favela desceu o morro e entrou num shopping de luxo. A Coopa-Roca, uma cooperativa de costureiras e artesãs moradoras da favela JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 23


da Rocinha, inaugurou em maio sua primeira loja, no Fashion Mall, um dos shoppings mais sofisticados do Rio. A favela e o shopping são vizinhos na Zona Sul carioca. Apesar da pouca distância entre eles, o contraste é grande. No alto do morro, a Rocinha foi apontada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como a favela mais populosa do Brasil, com cerca de 70.000 habitantes. No asfalto, perto do mar, o Fashion Mall tem o sexto aluguel mais caro de m2 (R$ 215) entre os centros comerciais do país, segundo a consultoria imobiliária Cushman & Wakefield.

Segurança reforçada

E

m novembro de 2011, a Rocinha foi ocupada por forças de segurança numa operação que envolveu 3.000 homens, 25 blindados e sete helicópteros. A instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) está prevista para o fim deste ano. Agora, depois de 30 anos dependendo de encomendas inconstantes, a CoopaRoca está conseguindo independência financeira. “Era tudo o que a gente precisava: poder depender só de nós mesmas. Antes, vendíamos apenas através de parcerias. Agora, lidamos diretamente com o consumidor”, diz a socióloga Maria Teresa Leal, 54 anos, fundadora e coordenadora do grupo. Na política de boa vizinhança, o shopping não cobra aluguel, condomínio ou qualquer outra taxa da Coopa-Roca. Em troca, a cooperativa não pretende abrir loja em outro shopping. Vestidos, blusas, bolsas e saias dividem espaço na vitrine com almofadas, jogos americanos, colares e peças de decoração. Os preços seguem o padrão do shopping. Almofadas custam em torno de R$ 180. Os Cristais de Luz – as luminárias redondas com acabamento em crochê – saem a R$ 400 ou R$ 540, dependendo do tamanho e do ponto do crochê.

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A costureira Liliane Moreira da Silva, 29, mostra uma luminária e a vista da janela da cooperativa Coopa-Roca: a favela da Rocinha, o bairro de São Conrado e o mar da Zona Sul do Rio de Janeiro. “Esta não é uma loja para as massas. O trabalho da Coopa-Roca é artesanal, único”, justifica Maria Teresa, que contratou três vendedoras da Rocinha. Lata d’água nunca mais. Uma das 80 integrantes da Coopa-Roca, a cearense Maria Cosmo, 52, até dez anos atrás parecia ter saído da marchinha de carnaval “Lata D’água” (1952): “Lata d’água na cabeça, lá vai Maria/Sobe o morro e não se cansa/Pela mão leva a criança/Lá vai Maria/Maria, lava roupa lá no alto/Lutando pelo pão de cada dia/Sonhando com a vida do asfalto/Que acaba onde o morro principia.” Moradora da favela da Rocinha, Zona Sul do Rio de Janeiro, Maria buscava água num poço para cozinhar para o marido e os cinco filhos, tomar banho e ganhar algum trocado, lavando roupa para fora.. Tudo mudou quando, em 2001, ela descobriu a cooperativa. “Aprendi crochê observando minha mãe em Juazeiro do Norte, minha cidade natal”, lembra ela. “Desde que eu tinha uns 12 anos, ela repetia: ‘Aprende costura, bordado e crochê, que um dia você vai ganhar dinheiro com isso’.” Graças ao trabalho na Coopa-Roca, Maria logo comprou uma caixa d’água e uma máquina de lavar roupa. “Também reformei minha casa: piso, porta, janela, telhado na laje... Consegui tudo com agulha e linha”, diz ela.

Da Rocinha para o mundo

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ão é de hoje que as peças da Coopa-Roca fazem sucesso. A partir de 1994, vestidos feitos com retalhos pelas artesãs começaram a ocupar as passarelas nas semanas de moda do Rio de Janeiro e São Paulo. A originalidade das peças chamou a atenção de estilistas como Alexandre Herchcovitch e Carlos Miele, que fizeram parcerias com a cooperativa. As marcas Lacoste e Osklen, além de artistas plásticos como Ernesto Neto e o holandês Tord Boontje, também se tornaram parceiros. Um dos maiores sucessos da cooperativa são os Cristais de Luz. Maria Teresa conta que, neste ano, mais de 30 dessas luminárias foram exportadas para os Estados Unidos. Seis delas foram para o museu de design Smithsonian CooperHewitt, e oito para o prédio das Organizações das Nações Unidas (ONU), ambos

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em Nova York.

Trabalho de casa

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esde que foi criada em 1982, com apenas cinco mulheres, a cooperativa tem o mesmo objetivo: gerar renda sem que as costureiras precisem sair de casa. “A ideia é que elas produzam de casa, para poderem criar os filhos e realizar seus afazeres domésticos”, explica Maria Teresa. Liliane Moreira da Silva, 29, foi contratada pela CoopaRoca dez anos atrás. Ela aprendeu a bordar com uma das mestras do grupo, Maria Medeiros.

A fundadora da CoopaRoca, Maria Teresa Leal (direita), avalia uma peça de Maria Medeiros, uma das seis artesãs-mestras da cooperativa. “Crio meus três filhos sem creche ou babá e divido as despesas da casa com meu marido, que é padeiro”, diz Liliane. Mas, sempre que podem ou precisam, as costureiras se reúnem na sede da cooperativa. “Aqui a gente desabafa, aprende, ajuda uma à outra...”, diz a costureira Isabel Conceição, 49. Dia desses, elas se reuniram para se despedir de Maria Medeiros, 52, uma das seis artesãs-mestras que ensinam o trabalho para as novatas e desenham as novas peças da Coopa-Roca com Maria Teresa. Maria Medeiros perdeu o pai e a mãe recentemente. A tristeza a fez decidir se afastar do trabalho por um tempo. “Aprendi muito com a Maria Medeiros. Espero que ela volte logo”, diz Isabel, emocionada. “Somos todas muito unidas. Se vejo que não vou conseguir terminar um trabalho a tempo, chamo as outras, a gente faz um mutirão e resolve.” JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 26


STJ livra de processo advogado que bateu palmas em sessão

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o bater palmas na sessão de julgamento para ironizar pedido da outra parte, o advogado não comete crime de desacato. Assim decidiu, de

forma unânime, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em habeas corpus do advogado. Ele bateu palmas, de forma irônica, quando o promotor, no tribunal do júri, acusou um depoente de falso testemunho. Provocado pelo promotor, o juiz determinou a prisão em flagrante do advogado, por desacato. Este, por sua vez, deu voz de prisão ao promotor, afirmando que ele exorbitou de suas funções ao impedi-lo de exercer a defesa do réu. Foi instaurada ação penal contra o advogado no Juizado Especial Criminal de Guarulhos (SP), pelo crime de desacato. Como o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou habeas corpus ao profissional, a defesa renovou o pedido no STJ. Neste novo habeas corpus, a defesa afirmou que não haveria justa causa para a ação penal, pois a conduta era atípica e não poderia ser caracterizada como desacato. No processo, pediu o trancamento definitivo da ação penal. O ministro relator Og Fernandes lembrou que a atual jurisprudência do STJ e também a do Supremo Tribunal Federal (STF) consideram que o habeas corpus não pode ser usado como substitutivo de recursos. Porém, a ordem poderia ser concedida de ofício no caso de flagrante ilegalidade ou constrangimento ilegal. Para o ministro relator, era essa a situação dos autos. O relator apontou que a maneira de agir do advogado foi "evidentemente deselegante", ao bater palmas "de maneira a emitir um juízo de reprovação pela providência do membro do Ministério Público". Entretanto, isso não foi feito para injuriar nem o MP, nem o juiz, segundo o ministro, que foi seguido pelos demais da turma. O habeas corpus trancou a ação penal.

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GASTRONOMIA

Caldeirada de Lulas com Delicias do Mar e Ervilhas Ingredientes: • 1 kg de lulas • 1/2 kg de ervilhas • 240 g de delícias do mar • 2 tomates médios maduros, ou 2 colheres de sopa de polpa de tomate • alho q.b. • 1 cebola grande • Azeite q.b. • Orégão q.b. • Louro q.b. • Pimenta q.b. Preparo: Picar muito bem a cebola e o alho e deitar num tacho. Limpar as lulas e parti-las aos bocadinhos, colocando de seguida no tacho onde já está a cebola e o alho. Juntar os tomates picado, ou a polpa, bem como o azeite, oregãos, louro e pimenta. Levar ao lume brando e deixar cozer lentamente. Quando já estiverem quase cozidas juntar as ervilhas e deixar ferver mais ou menos dez minutos. Por fim, juntar as delícias do mar cortadas em bocadinhos e deixar ferver mais 5 minutos. JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 28


Retirar do lume e está pronto a servir. Sugestão: Para acompanhar - batata cozida com legumes verdes, ou um arroz branco.

Arroz de Lulas Ingredientes: Para 4 pessoas • 500 grs. de lulas • 3 dentes de alho • 2 cebolas médias • 2 tomates maduros • 2 dl de vinho branco • 1 colher de sobremesa de concentrado de tomate • sal q.b. • pimenta q.b. • piripiri q.b. • salsa picada q.b. • azeite q.b. • 170 grs. de arroz • uma pitada de açúcar Preparo: Descasque e pique os alhos e as cebolas. Pele o tomate retire as sementes e esmague-o. Arranje as lulas e corte-as em anéis grossos, parta os anéis ao meio. Leve um tacho ao lume com azeite a aquecer, junte a cebola, aloure levemente e junte o alho e a salsa. Deixe alourar em fogo baixo cerca de 1 minuto. Junte as lulas e os tomates uma pitada de açúcar deixando refogar mais um pouco. Ponha o vinho branco e uma concha de água deixando cozer durante 30 minutos. Adicione mais 2 conchas de água, deixe retomar a fervura e junte o arroz. Retifique os temperos e deixe cozer em fogo moderado cerca de 15 minutos. JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 29


Ciência e Tecnologia iPod ajuda a descobrir por que as aranhas têm tantos olhos

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ão se sabe o que assusta mais na aranha: se são as oito pernas cabeludas, ou se são aqueles montes de olhos fixos e escuros. Mas por que as aranhas têm tantos olhos? Estudando as aranhas saltadoras, um tipo de aranha que não faz armadilhas para suas presas, e sim as caça ativamente, os cientistas estão descobrindo alguns dos segredos por trás daqueles olhos negros. Para o estudo, os pesquisadores capturaram várias aranhas da espécie Phidippus audax, e usaram uma tinta laranja e verde para cegar seus olhos aos pares (a tinta foi removida depois do experimento). Em 16 das aranhas, os olhos principais foram cobertos. Em 14 aranhas, o par lateral anterior. Outras 16 aranhas foram deixadas com os olhos livres de tintas.

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O teste era simples: a aranha era colocada em uma caixa sobre um iPod touch. Sobre a tela havia um ponto escuro. Quando a aranha olhava em direção à tela, os pesquisadores rodavam um programa que fazia o ponto expandir rapidamente (como se estivesse vindo em direção da aranha) ou então se contraia (como se algo estivesse fugindo da aranha). Quando a aranha detectava o “movimento”, reagia rapidamente, ou saltando para longe, ou então levantando duas patas em uma posição defensiva. Analisando as respostas das aranhas, os cientistas chegaram à conclusão que o par de olhos principais serve para ver cores e detalhes, e o par anterior de olhos laterais tem a função de perceber movimentos em direção à aranha. Os insetos têm olhos compostos, com múltiplas lentes e diferentes áreas dos olhos com diferentes funções. A divisão de tarefas pelos pares de olhos foi a resposta evolutiva encontrada pela aranha para ter as mesmas funções. As pesquisas para entender como os olhos das aranhas funcionam e como elas veem o mundo prosseguem. O próximo passo será utilizar um sistema de vídeo para analisar como os olhos principais das aranhas reagem às cores e para onde elas olham. Talvez algum dia tenhamos uma imagem bastante próxima de como a aranha vê o mundo.

Marca-passos podem ser transformados em armas de assassinato em massa Por Natasha Romanzoti

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urante a conferência de segurança Breakpoint em Melbourne (Austrália), o pesquisador da empresa IOActive Barnaby Jack revelou que transmissores marca-passo (dispositivos de aplicação médica que têm o objetivo de regular os batimentos cardíacos) podem ser programados para dar choques mortais.

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Segundo o especialista, a falha está relacionada com a programação dos transmissores sem fio usados para dar instruções aos marca-passos e aos cardioversores-desfibriladores implantáveis (ICD), que detectam contrações irregulares do coração e provocam um pequeno choque elétrico para evitar um ataque cardíaco. No passado, os marca-passos eram reprogramados por médicos, mas a tendência agora é usar transmissões sem fios. Vários fabricantes de produtos médicos vendem transmissores com um razoável alcance (radiofrequências na faixa dos 400 MHz), que, segundo Jack, torna os ataques remotos contra o software mais viáveis por causa da vasta amplitude de transmissão. Jack usou um laptop para enviar remotamente uma série de choques de 830 volts (mortais) a um marca-passo, usando algum tipo de função “secreta” dos dispositivos, que ele não revelou para não dar ideias a algum psicopata. O vídeo de demonstração também não foi divulgado para proteger a marca dos aparelhos usados. De acordo com Jack, essa função poderia ser usada para ativar todos os marcapassos e desfibriladores implantáveis dentro de um raio de 10 a 15 metros. Usando algo tão simples quanto um comando especial, o cometimento de um “assassinato anônimo” seria possível, e, no pior dos cenários, assassinatos em massa também. Em sua demonstração, ele foi capaz de descobrir o modelo e número de série de cada dispositivo. Usando engenharia reversa nos terminais – que se comunicam com os marca-passos – ele conseguiu facilmente obter nomes de usuário e senhas até dos servidores do fabricante do produto. Esses dados poderiam ser utilizados para reprogramar o “firmware” do transmissor, que poderia se espalhar entre todos os marca-passos do mundo com “potencial para cometer assassinato em massa”. “O pior cenário que eu posso pensar, 100% possível com esses dispositivos, seria carregar uma atualização de firmware comprometida em um programador e o programador comprometido, então, infectar o próximo marca-passo ou ICD, e então cada um posteriormente infectaria todos os outros da série”, explica Jack. No fim, todos os usuários de marca-passo poderiam sofrer choques mortais. Jack afirma que seu objetivo não é causar danos ou ensinar alguém a fazê-lo, mas sim ajudar os fabricantes a melhorar a segurança de seus dispositivos. Com uma tensão máxima de 830 volts, este é um recurso bastante mortal que não só poderia induzir parada cardíaca, mas prejudicar muito mais pessoas e empresas. [Gizmodo, POPSCI, SCMagazine]

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Como criar sua marca pessoal na internet Por Shenara Pantaleão

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conceito de marca pessoal corre o mundo a mais de uma década, mas a internet e as redes sociais facilitaram a venda de um produto: você. O livro Eu 2.0, da autoria de Dan Schawbel é um livro sobre a construção das marcas pessoais. A ideia básica de se ter uma marca pessoal é promover determinados valores, habilidades ou conhecimentos, de modo que se alguém precise de alguma destas características, lhe procurem de primeira. Enquanto muitas pessoas ainda se incomodam com a ideia de se tornarem um produto, outros vêem esta possibilidade como parte do universo de mudança dos meios de trabalho. “Nós estamos em uma época em que os negócios corporativos não se importam com você como um indivíduo — você é apenas um número enquanto empregado”, afirma o professor David James, diretor da escola do crescimento, inovação e empreendimento da Henley School of Business, na Inglaterra. “Eles irão lhe terceirizar, contratar e transferir da maneira que eles pensam que é apropriado. Por isso, você tem que ocupar o número um e a marca pessoal é

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realmente importante.”, afirma James. Mas como fazer para criar sua marca pessoal? O professor explica que a primeira etapa é deixar claro seus pontos mais fortes e seus principais valores. Sua identidade precisa transmitir uma mensagem clara de quem você é e o que você tem para oferecer. Depois, faça um planejamento de curto e longo prazo de onde quer estar, de qual o trabalho você quer ter e como você quer que as pessoas lhe percebam. Blogs e redes sociais são maneiras poderosas e acessíveis de se promover. É importante que ao construir sua marca, a pessoa seja apaixonada pelo assunto e tenha um conhecimento na área, ou ninguém vai querer ler o que a pessoa tem a dizer. O próximo passo é conseguir uma classificação elevada na área que você pretende tratar com a ajuda do buscador (Google, Yahoo, Bing, etc.), de modo que seu nome viesse entre os primeiros resultados da pesquisa quando alguém buscar sobre o assunto na internet. É importante que coloque no blog seu próprio nome e sua área de especialidade. É valido se juntar em conversas sobre o assunto em outros blogs sempre usando seu nome completo, que será a sua marca. Escrever artigos para outros sites e juntar-se a redes sociais como o Orkut, Facebook, Linkdln e [Twitter, ajuda a construir contatos úteis e facilita a realização de reflexões na sua área. CNN]

América Latina: Ataques cibernéticos em alta

U

m diálogo mais aberto entre pais e filhos é necessário para evitar abusos na internet, segundo relatório da ESET América Latina.

Por Antonio Larronda

André

Goujon,

especialista

em

segurança de informática da ESET América

Latina:

“Nos

casos

de

aliciamento, sexting e cyberbullying, entre outras ameaças, o perigo é maior ou menor dependendo do tempo que transcorre até que o adulto responsável descubra o problema.” (Cortesia da ESET América Latina)

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MONTEVIDÉU, Uruguai – Surfar na internet era uma das atividades favoritas de Macarena, 14 anos, moradora da cidade de Madero, na província de Buenos Aires, Argentina, que prefere manter seu sobrenome sob sigilo por razões de segurança. Ela recorrria à web para estudar, assistir a vídeos no YouTube e usar sua conta no Twitter e Facebook para manter contato com as amigas. Mas, em dezembro de 2011, uma colega de sala a atacou no Twitter, publicando a foto de Macarena com o comentário: “Você é patética; eu odeio você; você me dá nojo.” Esse ataque, também conhecido como assédio virtual ou cyberbullying, foi descoberto em 2 de janeiro por sua mãe, Evangelina Zudaire, que monitorava as atividades online da filha. “Quando se trata de proteger nossos filhos de constrangimentos pela internet, todo esforço ainda é pouco”, diz Evangelina. “Eu sabia desses tipos de ataque virtual, mas jamais pensei que sentiríamos isso na própria pele.” Evangelina confrontou os pais da garota que lançou o ataque. Eles se desculparam e encerraram a conta da filha no Twitter. Cerca de 36% dos adolescentes latino-americanos foram vítimas de algum tipo de ataque pela internet. Ainda assim, apenas 11,5% deles buscam a ajuda dos pais, segundo um relatório publicado pela empresa de segurança da informação ESET América Latina. O documento foi baseado em uma pesquisa com 400 usuários de internet com idades entre 14 e 29 anos em 15 países. O estudo revelou que 20,2% dos adolescentes haviam recebido material ofensivo; 15,2% tiveram suas fotos ou outras informações pessoais roubadas e 14% tiveram suas identidades comprometidas pelo phishing, crime em que hackers enviam e-mails ou sites de instituições bancárias falsos para que os clientes revelem seus códigos de segurança. Além disso, 3,4% foram alvo do tipo de cyberbullying que atingiu Macarena. André Goujon, especialista em segurança da informação da ESET América Latina e um dos autores do relatório, diz que a maioria desses ataques são cometidos por e-mail (61,4%), seguido de redes sociais como Facebook e Twitter (57,7%). O estudo mostrou que 81,9% dos entrevistados estão cientes dos tipos de ataque que podem ser lançados pela internet.

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Desse total, 98,7% sabiam sobre malware; 87,7% sobre o roubo de identidade; 78,2% sobre phishing; 65,1% sobre roubo de dinheiro e 58,5% sobre cyberbullying. De acordo com a pesquisa, 81,9% não permitem pessoas que não conhecem em suas redes sociais e 75,6% não publicam informações pessoais como números de telefone e endereços. “Como ponto de partida, é bom saber que os jovens estão cientes dessas ameaças pela internet”, destaca Goujon. “Mas isso não significa que eles conhecem em detalhes as diversas ameaças existentes ou a forma correta de [lidar com] elas.” Das novas ameaças, 24,7% dos entrevistados sabiam sobre o aliciamento, que envolve métodos de persuasão usados por pedófilos para se conectar emocionalmente com menores e abusar sexualmente deles. Além disso, 29,7% conheciam o sexting, a troca de mensagens de texto com fotos e vídeos explícitos. “Nos casos de aliciamento, sexting e cyberbullying, entre outras ameaças, o perigo é maior ou menor dependendo do tempo que transcorre até que o adulto detecte o problema e descubra as intenções da pessoa que tenta manipular o jovem”, acrescenta Goujon.

Segurança começa em casa Martín

Pecoy,

advogado

uruguaio

especializado em crimes cibernéticos: “Na web se podem cometer os mesmos delitos que na vida real.” (Antonio Larronda para Infosurhoy.com)

A

comunicação entre jovens e seus pais é essencial para prevenir ataques pela internet, alerta Goujon.

Mas apenas 11,5% dos entrevistados no estudo disseram que pediriam ajuda aos pais se fossem vítimas de um ataque cibernético. Para Goujon, o baixo número pode sugerir que muitas crianças sentem que seus pais não teriam como ajudá-las ou poderiam puni-las.

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“É preferível cultivar um diálogo aberto e medidas de proteção não coercivas para poder detectar esses tipos de cenários cedo”, aconselha. “Os adultos precisam se educar sobre essas ferramentas e os riscos associados a elas. No caso de aliciamento, por exemplo, os resultados podem ser até piores se os pais não estiverem cientes da situação e não puderem agir a tempo.” Martín Pecoy, advogado uruguaio especializado em crimes cibernéticos, afirma que falta conscientização à sociedade sobre os perigos associados à internet. “Na web se podem cometer os mesmos delitos que na vida real”, alerta. Pecoy diz que os usuários de internet deveriam dar o primeiro passo para se protegerem contra ataques cibernéticos. “Uma mudança cultural é necessária para que os cidadãos entendam o que acontece na internet e possam evitar [esses ataques]”, afirma. As escolas precisam exercer um papel de liderança na educação de crianças sobre os perigos da internet, já que 58,8% dos entrevistados afirmaram não terem sido educados sobre os riscos relacionados à web ou sobre como se proteger, segundo o relatório da ESET América Latina. “As escolas são fundamentais para o desenvolvimento das crianças”, ressalta Goujon. “Quanto mais jovens forem ao se conscientizar sobre os perigos que rondam a internet, melhor preparados estarão para reagir caso enfrentem tal situação. Ainda temos muito a melhorar nesse sentido.” A mãe de Macarena pediu à administração da escola que inclua a conscientização sobre o cyberbullying nas aulas de computação dos estudantes, mas a direção ainda não aprovou o pedido.

Pautas de segurança do ESET, de acordo com idade das crianças • Crianças menores de 10 anos devem usar a internet sob a supervisão dos pais; • Os pais devem usar as ferramentas de controle para limitar o que pode ser acessado por usuários entre as idades de 11 e 14 anos, que devem ser proibidos de publicar informações pessoais; • Os adultos devem deixar claro para usuários com 15 anos de idade ou mais a importância de manterem todas as senhas secretas e de relatarem qualquer assédio imediatamente, além de impedir que seus filhos façam transações financeiras online. JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 37


MUNDO “Up” na vida real: homem faz casa voar usando balões de hélio Por Guilherme de Souza

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le pode não ser um idoso viúvo como Carl Fredricksen, protagonista da animação “Up – Altas Aventuras”, mas fez algo parecido: juntou um monte de balões de hélio e fez uma casa voar. Como você pode ver na foto, não se trata, naturalmente, de uma casa convencional, mas ainda assim é uma estrutura pesada.

Jonathan Trappe se tornou conhecido por ter sido o primeiro homem a cruzar o Canal da Mancha (que separa a ilha da Grã Bretanha e o norte da França) usando balões de hélio, em 2010. Recentemente, ele participou do Festival Internacional de Balões Leon, no México, no qual colocou em teste sua “casa voadora”. Trappe pretende cruzar o Oceano Atlântico (cerca de 4 mil quilômetros da Europa aos Estados Unidos) em um bote (relativamente pequeno, de 2,1 metros de comprimento) carregado por 365 balões de hélio. Levando em conta que pelo menos cinco pessoas já morreram ao tentar fazer isso, chamar essa aventura de “insanidade” não seria exagero, correto?

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Jonathan Trappe aventureiro lançou uma casa no céu com um aglomerado de balões, como em 'Up' o filme da Pixar / Disney. Imagem: Laurentiu Garofeanu / Barcroft EUA

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Ele decolou na casa caricatura-temático no International Balloon Festival de Leon, no México.Imagem: Laurentiu Garofeanu / Barcroft EUA

Trappe - que se tornou a primeira pessoa a atravessar o Canal Inglês usando balões de fragmentação - usou o evento como um warm-up para seu vôo transatlântico planejada agendada para o próximo verão. Imagem: Laurentiu Garofeanu / Barcroft EUA

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Ele decolou na casa caricatura-temático no International Balloon Festival de Leon, no México.Imagem: Laurentiu Garofeanu / Barcroft EUA

Jonathan Trappe posa com co-piloto Nidia Ramirez em frente de sua casa conjunto balão Imagem: Laurentiu Garofeanu / Barcroft EUA

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Uma casa balão cluster é visto no chão antes de um vôo de teste no International Balloon Leon festival Imagem: Laurentiu Garofeanu / Barcroft EUA

Ruínas gregas

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Grécia é o estudante da UE rebelde, mas a crise não é apenas explicado por gráficos com estatísticas precipício perfil ou infarto. A crise atual é também social, cultural e política participações ancorar o seu modelo na Europa, mas também o desafio de preservar o seu caráter em um mundo global.

Um inverno sem aquecimento Por: Maria Antonia Sanchez-Vallejo | 13 de dezembro de 2012

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orte da Grécia é um território belo e desconhecido onde os Balcãs colocar as barbas de molho e dar ao país sem litoral geograficamente um fundo escuro. Do outono à primavera parece leve peneirada através de uma peneira de farinha como cola névoa embaça a perspectiva do horizonte e os campos de gelo

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e neve e os campos de cerdas. paisagem é quase líquido, como os filmes de Theodoros Anguelópulos : a natureza sinuosa fundamentada em preto e branco. Mês e meio antes do inverno chegou, no início de novembro, a temperatura na maior parte da região de repente caiu 10 graus, também a primeira neve caiu. No quinto ano de recessão que vem será o sexto, as dificuldades da crise conspira com o clima severo para pintar um quadro de miséria física, pura aterimiento. Nos ajustamentos posteriores impostas pela troika em troca de cortes, o imposto sobre o gasóleo de aquecimento tem aumentado para 40%, enquanto a população foi reduzida a metade de sua renda . bolso Como cidadãos, o orçamento para manutenção da escola sofreu um recorte de 50%, assim que muitas instituições de ensino não pode transformar os radiadores neste inverno , como tem alertado a União dos Municípios da Grécia (KEDE, na sigla em grego). Hospitais também estão em risco de se tornar salas frias. Em Preveza, na periferia da região do Épiro, apenas os pacientes internados têm aquecimento em seus quartos , e limitações: radiadores eléctricos são iluminadas apenas 7-9 pm. Os outros pacientes e profissionais de saúde, deve recorrer a cobertores, cachecóis e luvas. O preço do diesel e ajustes de orçamento yugulado têm aquecimento central, de modo que a empresa utiliza aquecedores elétricos, e as famílias dos internados fornecer calor e de ar quente, fogões portáteis trazidos de casa. Os interruptores são ligados para evitar que funcionários de sucumbir à tentação ou precisa e ligar os radiadores externos aquele espaço de tempo. Os cortes levaram a tragédia na região da Trácia, na fronteira com a Turquia. Em Mesoropi, uma cidade localizada entre Salónica e Kavala, três irmãos de 5, 7 e JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 43


15 morreram no sábado, para pegar um fogão a lenha quando eles passaram o fim de semana com os avós. A casa tinha aquecimento central, mas a família, dominado pela crise, foi aquecida pelo fogo, a estrutura do telhado, madeira, tornou-se um chá e uma enorme bola de fogo envolveu a estrutura do edifício, como visto na imagem. A pequena dois queimado até a morte, com o maior, sufocado ao tentar salvá-los. Mesoropi prefeito confirmou que muitos moradores tenham recuperado as lareiras e salamandras obsoletos com a crise. A venda de lenha é uma das poucas empresas de sucesso no país, como mostra a foto acima, tirada esta semana em uma serraria no centro da cidade de Atenas. Há poucos dias, o ministro da Economia, Yanis Sturnaras, provocou uma polêmica ao declarar ninguém surdo pode viver com 500 euros: um monte deles soou cínico, outras caíram no lugar, como um comentário de mau gosto. Hoje cedo, o Eurogrupo tenha desbloqueado o esperada nova tranche de ajuda à Grécia , 49,000 milhões de euros (34 mil, entrega imediata) para injetar liquidez no país apenas para manter in extremis falência e, principalmente, será utilizado para recapitalizar os bancos. Muito pouco do que o dinheiro virá para os radiadores de escolas, hospitais e casas onde literalmente morrem de frio.

Chacina em Escola

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ezoito crianças entre os 27 mortos em um tiroteio em uma faculdade nos EUA

• Autoridades acreditam que o ataque à escola em Newtown levou duas pessoas, uma das quais morreu •

A polícia suspeita que um dos atiradores poderia ser o pai de um aluno

Dois estudantes, na porta do viveiro / M. MCLOUGHLIN (REUTERS)

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CRISTINA F. PEREDA / YOLANDA MONGE Washington 125 Pelo menos 27 pessoas morreram, incluindo 18 crianças, em um tiroteio em uma escola em Connecticut (EUA). De acordo com uma testemunha citada pela CNN, o diretor da escola e psicólogo também morreram no tiroteio, que começou nos corredores do centro. O ataque envolveu dois atiradores e um deles morreu, afirmou a polícia

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Recuperación de Presidente venezolano de estable a favorable CARACAS, 13 de diciembre — La recuperación del Presidente de Venezuela, Hugo Chávez, "ha evolucionado de estable a favorable", afirmó hoy el Vicepresidente Ejecutivo, Nicolás Maduro.

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l intervenir en el estado Aragua, a propósito del cierre de campaña del candidato socialista, Tareck El Aissami, Maduro recordó que tal y como se informó, durante la operación quirúrgica, se presentó "una complicación por causa de un sangramiento no previsto, controlado oportunamente". En las últimas horas, dijo, el proceso de recuperación "ha evolucionado de estable a favorable, lo cual da pie para mantener el diagnóstico de una recuperación creciente en la situación del comandante Hugo Chávez". Maduro aseguró que todos nos sentimos hijos "del comandante de la libertad, del comandante de la Revolución", gracias a Chávez "somos un mejor pueblo, pero todavía no es suficiente, por eso les pido ser mejores chavistas". (PL)

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CAPA

O Périplo de Dilma Presidente Dilma realiza viagem oficial à Rússia

Cerimônia oficial de chegada marca o início da visita de Dilma Rousseff à França

Dilma Rousseff durante recepção na Assembleia Nacional

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Presidente francês, François Hollande, cumprimenta a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Eliseu, em Paris

Foto: Ricardo Stuckert /Instituto Lula

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Em Paris, Dilma e Hollande defendem emprego e crescimento como saídas para a crise mundial

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efendendo uma agenda progressista no combate à crise internacional, os presidentes Dilma Rousseff e François Hollande abriram nesta terça, dia 11, o “Fórum pelo progresso social. O crescimento como saída para a crise”, em Paris. Os dois presidentes concordaram que a saída para a crise passa pelo compromisso com a criação de empregos, com a justiça social e com o meio-ambiente. E que as medidas de austeridade, além de aprofundar a crise, acabam castigando a população, em especial os trabalhadores. Hollande disse que é necessário reformar os bancos e rever as atividades especulativas, pediu “nos moldes do Conselho de Segurança da ONU, um Conselho de Segurança Econômico e Social”. A presidenta Dilma Rousseff disse que a opção por medidas ortodoxas não tem resolvido os problemas desta crise e que os países emergentes não hesitaram em lançar mão de estímulos fiscais para enfrentá-la. “Concordo com Hollande na certeza de que é necessário muita cooperação e muito diálogo, mas sobretudo um compromisso com o crescimento e com o emprego”. A presidenta ressaltou que, apesar da diminuição no crescimento, nos últimos dois anos o Brasil criou 3,7 milhões de empregos. Dilma Rousseff defendeu ainda que a Europa necessita de uma efetiva união bancária. “Um verdadeiro Banco Central Europeu, com poderes para defender o euro, emitir títulos e que seja um emprestador de última instância”. A presidenta disse que tanto a manutenção do euro como a saída da Europa desta crise são cruciais para o Brasil. Após a abertura, aconteceu uma mesa-redonda com intelectuais sobre “Crescimento sustentável: um desafio mundial”. As colocações desta sessão giraram em torno da necessidade de retomar o crescimento através de políticas que busquem diminuir as desigualdades e construir um desenvolvimento sustentável do ponto de vista social, econômico e ecológico. A mesa começou com uma exposição de Nicholas Stern, professor da London School of Economics. Em sua fala, Stern ressaltou a necessidade de criação de novos indicadores sociais que possam ir além do PIB e medir o efetivo bem-estar da população e ressaltou que momentos de crise são também de inovação e criação de novas alternativas. Anthony Atkinson, professor da Nuffield College, de Oxford, afirmou que a economia não deve pensar apenas na eficiência, mas se preocupar também com a distribuição de renda, e questionou quem deve pagar pelos investimentos

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que devem ser feitos. O economista brasileiro Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Unicamp, disse não conseguir entender como a Europa está abandonando o modelo do estado de bem-estar social e adotando políticas de austeridade “que, além de ineficazes por natureza, são cruéis”. Smaïl Goumeziane, ex-ministro argelino do comércio exterior, pediu por uma regulação do mercado. Roger Guernerie, professor, do Collège de France, afirmou que ele não é algo bom ou ruim, mas sim algo que funciona ou não funciona. Fechando a mesa, Damos Silvers, diretor de estratégia e conselheiro especial da Federação Americana do Trabalho e do Congresso de Organizações Industriais, falou da importância de ouvir e incluir os trabalhadores. Daniel Cohen, vice-presidente da École d’Économie de Paris e presidente do Conselho de Orientação Científica da Fundação Jean-Jaurès, mediou os debates.

Visita de Dilma Rousseff à França reacende a polêmica sobre os caças franceses Rafale

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usto dos aviões Rafale seria quase o dobro da oferta americana para o caça F-18 R e u t e r s / E C PA D / Marine nationale/Cyril Davesne/Handout Danilo Rocha Lima

Acompanhada de cinco ministros, a presidente Dilma Rousseff chegou à França para uma visita oficial de três dias. Dentre os assuntos a tratar, sem dúvidas, o centro das atenções entre os dois países é a venda de 36 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). O caça francês Rafale ainda está na briga, que se arrasta desde o governo Fernando Henrique Cardoso, contra os concorrentes F-18 Super Hornet da americana Boeing e o sueco Gripen. As vésperas da viagem da comitiva brasileira à França, a revista Isto é revelou JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 52


a preferência da FAB pelos caças americanos e diz que a presidente anunciará em breve a decisão, baseada em relatórios técnicos da própria Aeronáutica. De acordo com a publicação, a Boeing já se comprometeu até mesmo em abrir um centro tecnológico no Brasil. O pesquisador francês e especialista em relações latino-americanas, JeanJacques Kourliandski diz que a venda dos caças Rafale representaria um grande incentivo para a estagnada economia francesa. Ele lembra que o fato de França e Brasil serem parceiros de longa data no setor de armamentos, ainda pode ser um ponto favorável para o franceses no momento da decisão brasileira. O professor de relações internacionais da Universidade de Brasília, Antônio Jorge Ramalho diz que a preferência pelos americanos F-18 representaria também para o Brasil, a diversificação do seu comércio de armamentos.

Dilma chega à Rússia para 'reforçar a família dos Brics'

O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, cumprimenta a presidente Dilma Rousseff durante encontro em Moscou

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A presidente Dilma Rousseff participa de cerimônia na Tumba do Soldado Desconhecido em frente ao Kremlin, em Moscou. Na capital russa, Dilma, que faz aniversário nesta sexta-feira (14), discutiu a ampliação de parcerias entre os dois países nas áreas de energia e gás, além do setor espacial Misha Japaridze/AFP

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebe a presidente Dilma Rousseff durante encontro no Kremlin, em Moscou. Na capital russa, Dilma, que faz aniversário nesta sexta-feira (14), discutiu a ampliação de parcerias entre os dois países nas áreas de energia e gás, além do setor espacial Alexander Nemenov/AFP

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ara analistas, encontro ocorre em momento em que bloco enfrenta problemas e vem sofrendo ataques.

A estadia da presidente Dilma Rousseff na Rússia, até o próximo sábado (15), deverá ser uma oportunidade para que brasileiros e russos possam não apenas estreitar laços econômicos, como também reforçar a estrutura dos Brics - o bloco de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. É essa a opinião de analistas ouvidos pela BBC Brasil em relação à estadia da presidente à Rússia. Ela chegou ao país na madrugada desta quinta-feira (13). É a primeira visita de Dilma à Rússia, que era a única nação a integrar os Brics que ela ainda não havia visitado. Para o americano Riordan Roett, cientista político da Universidade Johns Hopkins e brasilianista, que lançou no ano passado o livro "The new Brazil" (O Novo Brasil), a visita visa ''reforçar a família dos Brics'', no que diz ser um momento de dificuldade para todos os países do bloco. ''O conceito dos Brics vem sofrendo ataques'', comenta Roett, já que, em contraste com a imagem dinamismo de anos atrás, ''o Brasil enfrenta crescimento lento, a Índia padece de paralisia política, a África do Sul já mostrou que não deveria pertencer ao bloco e Rússia e China enfrentam transições políticas lentas e previsíveis''.

Banco dos Brics

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s Brics deverão ser um tema central da agenda bilateral de Brasil e Rússia em Moscou, avalia Adriana Abdenur, coordenadora geral do instituto BRICS Policy Center e professora do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio. Um dos motivos, diz ela, é que a próxima reunião do bloco está prevista para ocorrer em breve, mais especificamente em março do ano que vem, em Durban, na África do Sul. E o próximo encontro poderá referendar uma proposta feita recentemente, a de criar um banco comum de investimentos, uma proposta feita pelos indianos e que os anfitriões sul-africanos desejam ver se materializar ainda durante a cúpula. ''Os russos têm uma posição meio ambígua, a de que talvez não haja interesse em que a coisa saia do papel em questão de meses. Eu percebo no Brasil também uma certa hesitação quanto ao prazo. O Brasil já tem o BNDES, qual seria a clientela desse banco, quais as linhas de crédito?'', avalia Abdenur.

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'Agenda emergente'

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Rússia assumirá a presidência rotativa do G20 em 2013, e países emergentes, como o Brasil, a Rússia e a China, têm feito do grupo uma tribuna para defender seus interesses em contraponto aos das grandes potências tradicionais. Essa ''agenda emergente'' é compartilhada, em diversos temas, por Brasil e Rússia. Os países do grupo, afirmam Abdenur e Roett, estão de acordo em tópicos como a necessidade de reformar as estruturas de instituições multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o bloco do G20. A reforma na governança dessas instituições constará dos temas das conversas entre Dilma e o primeiro-ministro Dmitri Medvedev, nesta quinta-feira, e com o presidente Vladimir Putin, na sexta, conforme revelou o Itamaraty. Os analistas compartilham, no entanto, do ceticismo de que Dilma conseguirá junto aos colegas russos grandes avanços em relação à pretensão brasileira de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, posição da qual a Rússia desfruta.

Simbólico e prático

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agenda moscovita de Dilma vai conciliar tanto o simbólico como o prático. No mesmo dia em que ela colocará flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, Dilma fará o discurso de encerramento do 2º Fórum Empresarial Brasil - Rússia. Além da presidente e de seus ministros, cerca de 80 empresários brasileiros de setores que vão da biotecnologia ao turismo estão na Rússia para participar do fórum e buscar parcerias. Mas a avidez por negócios e parcerias seria, na visão dos analistas ouvidos pela BBC Brasil, mais um sinal de apreensão do que indicações de que ambos atravessam uma boa fase. Para Roett, Brasil e Rússia estão tendo desempenhos decepcionantes e, portanto, estariam se voltando para firmar laços econômicos como uma forma de compensar o fato de estarem ''levemente desesperados''. A dupla de acadêmicos não crê que a estimativa de crescimento russo para este ano, de cerca de 3% - superior, portanto à brasileira, projetada para ficar

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na faixa de 1% - seja motivo para celebração em Moscou ou suficiente para despertar inveja em Brasília. Para Adriana Abdenur, não houve uma inversão de papéis, como apontaram alguns, entre o promissor Brasil e a, até outrora, letárgica Rússia. ''Não diria que houve uma inversão de papéis. Os dois países se encontram em momentos parecidos. A desaceleração brasileira pode ser momentânea. E o crescimento russo é inferior ao do país no mesmo período do ano passado.'' Atualmente, o comércio entre os dois países é de US$ 7,16 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões), tendo crescido 357% entre 2001 e 2011. Dilma chega à Rússia acompanhada dos ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, do Ministro da Defesa, Celso Amorim, do titular da pasta da Educação, Aloísio Mercadante e do Ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel. Os dois países discutirão ainda a participação de instituições de ensino russas no programa Ciências sem Fronteiras e procurarão compartilhar experiências na realização de megaeventos esportivos. O Brasil sediará a próxima Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada de 2016, ao passo que a Rússia será o paíssede da Copa de 2018 e realizará a Olimpíada de Inverno de 2014.

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Esportes

Despedida do goleiro Marcos

Marcos entrou em campo com a filha colo . Foto: Futura Press

Tigre sai escoltado deixando destruição e marcas de sangue no vestiário

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irigentes e jogadores argentinos dizem que foram agredidos por seguranças do São Paulo. Gerente de futebol do Tigre cogitou pedir ajuda do Consulado Argentino Gazeta | 12/2012 04:31:45 A delegação do Tigre ficou mais de duas horas ‘presa’ no Morumbi e só saiu de lá protegida por um cordão de policiais. O time argentino, que não voltou a campo para o segundo tempo da final contra o São Paulo por alegar falta de segurança, foi embora por volta de 1h30, deixando para trás madeiras quebradas e marcas de sangue nas paredes do vestiário visitante.

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Lucas aparece no meio da confusão entre são-paulinos e argentinos - Gazeta Press

Segundo dirigentes e jogadores, eles foram agredidos por seguranças do clube brasileiro. Há quem diga ainda que, no momento em que a Polícia Militar interveio, revólveres foram sacados e apontados para os argentinos. As informações, porém, são desencontradas. A versão são-paulina é de que os argentinos tentaram invadir o vestiário mandante e foram contidos pelos seguranças. Até que não seja apurado detalhadamente, o ocorrido será tratado apenas com as declarações conflitantes de cada lado. Até porque no corredor entre os dois vestiários, não há câmeras. De acordo com o Major Gongaza, o policiamento só chegou ao local para apartar a briga entre argentinos e brasileiros, não sabendo portanto de que maneira ela se iniciou. Assim que a delegação do Tigre deixou o Morumbi, no mesmo ônibus que foi apedrejado por torcedores na chegada, foi possível entrar no vestiário visitante. Além da habitual bagunça, com frutas e bebidas espalhadas pelo chão, lá havia sangue nas paredes e algumas prateleiras e portas quebradas. Entregue pelo goleiro e capitão Rogério Ceni, a flâmula do São Paulo também foi deixada para trás. Gerente de futebol do Tigre, Sergio Mazza estava revoltado e cogitou pedir ajuda do Consulado Argentino até deixar o Brasil. O dirigente prometia registrar boletim de ocorrência, assim como o São Paulo, porém, a princípio, somente representantes do clube brasileiro se dirigiram à Delegacia Geral de Polícia (DPG), na capital paulista. JHC Mídia Digital - Edição 010 Ano 2012 59


Por ter abandonado a decisão da Copa Sul-americana após o primeiro tempo, em que perdia por 2 a 0, o time argentino pode ser punido pela Conmebol. Antes garantido na próxima edição da Libertadores, ele corre risco agora de ser impedido de disputá-la. Alheio a isso, o Tricolor volta a comemorar um título depois de quatro anos.

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DESTAQUES DA SEMANA Veja as imagens que marcaram a semana

Forte chuva na zona Sul de São Paulo (13/12). Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press

Foto divulgada por Starpix mostra Bruce Springsteen e E Street Band durante apresentação por concerto pelo Sandy no Madison Square Garden (12/12). Foto: AP

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Venezuelano segura uma imagem de Hugo Chávez durante missa em praça de Caracas (12/12). Foto: AP

Sul-coreanos assistem na televisão ao lançamento do foguete norte-coreano (12/12). Foto: AP

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Papa Bento 16 aperta tela de tablet no Twitter para enviar seu primeiro tweet (12/12). Foto: AP

Mural com retrato de ex-presidente sul-africano Nelson Mandela é visto em Soweto (12/12). Foto: AP

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Sessão do Congresso para votação de requerimento de pedido de urgência para discussão do veto da presidenta Dilma Rousseff foi tensa (12/12). Foto: Alan Sampaio

Menino sírio é visto entre dois homens enquanto aguardam em padaria de Maaret Misreen, perto de Idlib (12/12). Foto: AP

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Ativista com cores do orgulho gay é visto do lado de fora de Parlamento do Uruguai (11/12). Foto: AP

Ator Sean Penn conversa com presidente boliviano, Evo Morales, no palácio do governo em La Paz (11/12). Foto: AP

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Foto divulgada por Palácio de Miraflores mostra presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mandando beijo antes de embarcar em direção a Havana (10/12). Foto: AP

Manifestação em comemoração ao Dia Internacional dos Direitos Humanos, na avenida Paulista, em SP (10/12). Foto: Terra Britto/Futura Press

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Família Obama participa de concerto de Natal com crianças no prédio do Museu Nacional, em Washington (09/12 . Foto: AP

Soldados fazem guarda em um tanque em frente ao palácio presidencial no Cairo (09/12). Foto: AP

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Madonna beija o namorado em Porto Alegre (09/12). Foto: AgNews

Inauguração da árvore de Natal do Ibirapuera teve show com fogos de artifício (09/12). Foto: PETER LEONE/FUTURA PRESS

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Polícia usa troncos de bambu, balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar manifestas em Bangladesh (09/12). Foto: AP

Palestino usa uma funda para devolver granada de gás lacrimogêneo atirada pelo Exército de Israel, na Cisjordânia Mohamad Torokman/Reuters

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Israelenses ultranacionalistas de direita com cartaz que representa o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu (à esq.), e o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman (à dir.), durante uma manifestação contra os esforços da Autoridade Palestina para alterar seu estatuto nas Nações Unidas, em frente ao escritório da ONU na Cisjordânia Ronen Zvulun/Reuters

Soldados seguram rifles durante parada militar, em Sanaa, no Iêmen Mohammed Huwais/AFP

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Peregrinos muçulmanos rezam do lado de fora da Grande Mesquita, na cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita, durante o Hajj, peregrinação que, segundo o Islã, deve ser feita pelo menos uma vez na vida Hassan Ammar/AP

Manifestantes seguram cartaz durante protesto contra o ditador Bashar Assad em Kafranbel, no nordeste da Síria Raed Al-Fares/Shaam News Network/Reuters

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Surfistas israelenses fazem círculo nas águas do mar Mediterrâneo para pedir paz na região, em Ashkelon Amir Cohen/Reuters

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Profile for Heitor Da Costa

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A época em que vivemos tem visto a inversão de todos os valores e a perca da credibilidade e do mau uso das palavras. No Dicionário da Língu...

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