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Estórias da História Resultado de um desafio…

História e Ensino Criativo | 2011


1 Era uma vez uma menina que estudava num liceu de Lisboa. Era muito tímida e receosa de quase tudo. Irreverência era uma palavra que não existia. Contudo, vivia feliz e contente, pois tinha o amor, a atenção e a admiração dos que a rodeavam. Apesar de estar na década de 60, nunca foi da MOCIDADE PORTUGUESA. E porquê? Os pais sempre responderam com uma negativa. Ainda hoje não sabe... Mas nunca nada aconteceu... Não era uma situação normal... Liberdade não havia. As ideias ficavam dentro das pessoas; não saíam cá para fora. Era tudo muito fechado, muito circunscrito. Um círculo apertado envolvia a vida de cada um. Imaginar isto hoje? Não é possível... E porquê? Suscitar a continuação da história, mantendo a continuidade de pensamento, solicitando como seria a envolvência da vida daquela menina.


2 No imaginário que habita o nosso mundo interior, permanece latente a íntima curiosidade de saber como tudo aconteceu. Se de repente desembarcássemos na encruzilhada dos primórdios da Humanidade, o que encontraríamos? Como reconheceríamos o animal-homem que fomos? Distingui-lo-íamos pela sua “habilidade” inteligente Ou pela sua capacidade de usar tudo em seu redor servindo uma única causa: a do HOMO SAPIENS? Iniciámos viagem até ao remoto mundo da natureza e do animal-homem e percebemos que: Aprendemos desde logo: A caçar, os outros animais; A penetrar no subaquático mundo dos peixes; A desventrar a terra e pôr a nu os seus tubérculos e raízes. Vestimo-nos, com as peles dos outros animais. Alimentámos o nosso corpo, com o corpo dos outros animais. Fizemos utensílios, com os esqueletos dos outros seres Banqueteámo-nos, com os deliciosos frutos, da terra-mãe Adoçámos a boca, com o trabalho das abelhas Ateámos o fogo à entrada das cavernas E ficámos com abrigo. Projectámos estratégias nas pinturas rupestres. Prolongámos o dia… E … depois, assustados… Criámos estatuetas de pedra, Para recebermos bênçãos e protecção! Por fim, construímos Antas para negarmos… a Morte, E prolongarmos a vida!


3 Na principal praça da cidade de Silves, junto a um grande lago artificial de água, existe uma placa, tipo mural/obelisco, onde está transcrito um excerto de uma carta do último governador muçulmano da cidade. este foi expulso aquando da conquista de Silves pelos cristãos Portugueses. Al Mouhatamid Ibn Abbad, foi rei e poeta; nasceu em Beja em 1051, governou Silves, reinou em Sevilha e faleceu em Marraquexe em 1091. De lá escreveu ao seu amigo Abu Bacre, que tinha ficado no Algarve: "Saúda em Silves, Abu Bacre amigo os lugares tão queridos para mim da minha inesquecível juventude. Pergunta-lhes se ainda se recordam... saúda sobretudo o xaragjibe, esse lindo palácio das varandas..." Será que a saudade, característica tão portuguesa, não começou aqui!?, com a nostalgia e a saudade revelada por este homem , que não esquece os lugares e as pessoas suas amigas que pensa nos outros e se preocupa em saber se alguém ainda se lembra dele?!

É um ponto de partida para a procura do significado desta palavra e para outras heranças muçulmanas no nosso país.


4 Nos primeiros tempos da Reconquista, cerca de treze mil cruzados vieram de toda a Europa para auxiliar D. Afonso Henriques na Reconquista aos Mouros. Entre os muitos que pereceram e que foram considerados mártires, houve um cavaleiro chamado Henrique, originário de Bona, que morreu na conquista de Lisboa e que foi sepultado na Igreja de S. Vicente de Fora. À memória do Cavaleiro Henrique estão associados muitos milagres, um dos quais deixou vestígios no nome de uma rua de Lisboa. A lenda diz que logo que Henrique foi sepultado, dois dos seus companheiros, ambos cavaleiros surdos e mudos de nascença, vieram deitar-se sobre o seu túmulo de forma a que Henrique intercedesse junto de Deus pela sua cura. Em sonhos, Henrique disse-lhes que Deus os tinha curado e quando acordaram verificaram o milagre. Pouco tempo depois, morreu um escudeiro de Henrique dos ferimentos que tinha sofrido na conquista de Lisboa e foi sepultado na Igreja de S. Vicente, mas longe do túmulo do seu amo. O cavaleiro Henrique apareceu em sonhos ao sacristão da igreja e disse-lhe que queria o corpo do escudeiro junto de si. O sacristão não ligou importância ao sonho, nem quando este se repetiu no dia seguinte. Na terceira noite, Henrique, novamente em sonhos, falou-lhe tão irritado com a sua indiferença que o sacristão acordou imediatamente e passou todo o resto da noite a cumprir as suas indicações. Pela manhã e apesar de ter passado toda a noite naquele trabalho, encontrava-se descansado como se tivesse dormido toda a noite. A novidade espalhou-se e os feitos do Cavaleiro Henrique continuaram: segundo a lenda, cresceu uma palma no seu túmulo cujas folhas curavam os males de todos os peregrinos que ali acorriam. Um dia a palma foi roubada mas ficou para sempre na memória do povo através do nome de uma rua, a da Palma, na baixa de Lisboa.


5 Por entre as grades de um terceiro andar de um prédio igual a tantos outros espreito a algazarra poeirenta que sobe até ao cume da minha indignação. Deitado no chão Contorcendo-se com dores estava O António! O António de vida negra Como a pele que o cobre Afogueado pelo desespero da mutilação Que o persegue Despido do sabor da vida Que se lhe nega O António vitima de guerra E dos colegas famintos Desgraça imposta Pela guerra que grassa no seu país O António, ainda, sobrevive Aos pontapés das outras crianças Mas já não chora, O antónio!


6 "O Chá das cinco..." . D. Catarina, duquesa de Bragança, filha de D.João IV, aos 24 anos deixa Portugal para se casar com Carlos II, rei de Inglaterra. D. Catarina teve dificuldade em adaptar-se ao temperamento do rei e à corte inglesa, que não era católica. Viveu em Inglaterra durante muitos anos e deu a conhecer à corte inglesa o chá, bebida que muito agradou e que deu origem ao tradicional "chá das cinco" inglês. Poder-se-á utilizar esta estória para o tema do 5º ano de escolaridade "da União Ibérica à Restauração".


7 Viriato chefiou os Lusitanos. Utilizaram a táctica da guerrilha fazendo emboscadas aos exércitos romanos e retirando em seguida. Perante um inimigo tão forte, do qual não conseguiam ver-se livres, os Romanos convenceram três companheiros do chefe lusitano a matá-lo à traição. Quando estes se apresentaram ao governador romano para receberem a recompensa depois da missão cumprida tiveram como resposta: “Roma não paga a traidores.” O nome de Viriato vem do latim “vir”, palavra que significa “homem”. Na verdade, Viriato era um homem bravo, um chefe lutador e corajoso.


8 Ingredientes: Cerveja – Pão de Bolota – Pastor/Soldado – Coragem e astúcia – Brincar às escondidas – Antes de Cristo – Escudo redondo – Traição. Era uma vez … No tempo antes de Cristo ter nascido, andava pelas montanhas da Lusitânia um jovem pastor, guardando o seu rebanho de cabras, acompanhado pela sua cervejita e o seu pãozito feito de bolota. Um dia soube que a Hispânia estava a ser conquistada por um exército numeroso e muito bem organizado vindo dos lados de Roma. Como era forte, inteligente, corajoso e tinha muita astúcia, pensou que podia ajudar a sua tribo a combater os invasores. Desde cedo revelou as suas qualidades de bom estratega militar e por isso tornou-se chefe dos lusitanos. Este herói lendário dos lusitanos, resistiu durante oito anos ao poderoso exército romano, apenas com um escudo redondo e uma pequeno punhal, “brincando às escondidas”e utilizando a técnica da guerrilha, surpreendeu os romanos tendo conseguido muitas vitórias, até que o Senado o reconheceu como “Rei dos Lusitanos”. Foi assassinado à traição, enquanto dormia, pelos seus próprios companheiros, pondo fim a um verdadeiro politico defensor da liberdade do seu povo e não a um simples pastor e caçador das montanhas. Quem era…..


9 "O nome de Martim Moniz está ligado à conquista de Lisboa aos Mouros e figura na memória da cidade através de uma praça com o seu nome. A lenda conta que D. Afonso Henriques tinha posto cerco à cidade, ajudado pelos muitos cruzados que por aqui passaram a caminho da Terra Santa. O cerco durou ainda algum tempo, durante o qual se travavam pequenas investidas por parte dos cristãos. Numa dessas tentativas de assalto a uma das portas da cidade, Martim Moniz enfrentou os mouros que saíam para repelir os cristãos e conseguiu manter a porta aberta mesmo a custo da sua própria vida. O seu corpo ficou atravessado entre os dois batentes e permitiu que os cristãos liderados por D. Afonso Henriques entrassem na cidade. Ferido gravemente, Martim Moniz entrou com os seus companheiros e fez ainda algumas vítimas entre os seus inimigos, antes de cair morto. D. Afonso Henriques quis honrar a sua valentia e o sacrifício da sua vida ordenando que aquela entrada passasse a ter o nome de Martim Moniz. O povo diz que foi D. Afonso Henriques que mandou colocar o busto do herói num nicho de pedra, onde ainda hoje se encontra, junto à Praça de Martim Moniz."


10 Celestre trabalhava no "self-service" do Franjinhas, que tinha sido inaugurado em 25 de Abril de 1973. Como era o aniversário, o gerente comprou cravos vermelhos e brancos para oferecer a cada senhora que entrasse no restaurante, mas com o movimento das tropas nas ruas resolveu fechar a porta: "Levem as flores para casa, é escusado ficarem aqui a murchar." As colegas foram direitinhas para casa, Celeste meteu-se no metro para ir para o Chiado, onde então vivia num quarto que o incêndio de 1988 destruiu. Saiu no Rossio e deu de caras com os tanques. "O que estão aqui a fazer?", perguntou ao primeiro soldado que encontrou. E ele respondeu que era uma revolução. "E desde que horas andam nisto?" E ele que desde as duas da manhã e sem cigarros nem café. E ela que não fumava, mas que tinha uns cravos, deu-lhe um: "Toma lá." E ele pô-lo no cano da espingarda, e ela então subiu a rua a oferecer flores e subiu para os tanques e só descansou muito depois, todo o dia e toda a noite ali no Carmo. Quando viu que as flores se multiplicavam nas espingardas e nas mãos das pessoas, descobriu que tinha desencadeado uma coisa importante. "Quase heróica", afinal.


11 Era uma vez uma infanta espanhola… Que aos dez anos veio para Portugal e casou com o infante D. João, filho de D. Maria I, 8 anos mais velho. A infanta, que viria a ser rainha de Portugal, teve nove filhos, um deles foi o 1º imperador do Brasil, e esteve quase sempre em conflito com o marido, D. João VI. Ficou conhecida como a Megera de Queluz!


Estórias partilhadas pelos formandos do Curso História e Ensino Criativo, Acção 5, Lisboa promovida pela Lisboa Editora e Centro de Formação João Soares em 2011.


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