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CJ‫נ‬EW‫ס‬ Ano XIV 6 de Julho de 2012

nº 610 17 de Tamuz de 5772

Shabat Balak Conteúdo da Parashá Balak

Bamidbar 22:2 a 25:9

Balak, rei de Moab, pede a Bilam, um feiticeiro midianita, para amaldiçoar os israelitas. Depois de várias negociações, ele aceita a proposta com a condição de falar somente aquilo que Deus autorizasse. Bilam parte montado em sua jumenta. Logo depois da partida, Deus envia anjos para que ele desistisse da sua tarefa, mas apenas a jumenta os vê, ela tenta desviar, mas Bilam segue seu caminho. Bilam chega a Moab, mas o feiticeiro abençoa o povo de Israel invés de amaldiçoá-lo. Parte do povo se entrega a orgias e à idolatria. Moisés lança uma praga que só cessou quando Pinhas, o filho de Arão executou um judeu que pecava com uma moabita.

Haftará Balak Miquéias, o profeta da haftará desta semana, defendeu os pobres contra os ricos, campo conta a cidade e denunciou o vício, o materialismo e a decadência da vida familiar. O trecho de seu livro que é lido esta semana, lembra o projeto de destruição que Balak havia projetado contra Israel, lembrando todos os outros que buscaram nossa destruição. A haftará conclui com a formula de proteção contra todos os Balaks e Bilams: “Ele te disse, ó homem, o que é bom, e o que o Senhor requer de ti: Somente ação justa e amor à benevolência e humildemente andar com teu D-us”.

Shabat na sinagoga da Hebraica Prédica: Isaac Castro Chazan: David Kullock Musicista: Tânia Travassos Baalei Koré: Rony e Daniel Grabarz Ilustrações: Alicia Guzovsky Stiubiener

Texto: Mauricio Mindrisz e David Rosenberg Krausz


PODEMOS JUSTIFICAR TUDO O QUE ACONTECE, INCLUSIVE NOSSOS PRÓPRIOS ERROS, COMO VONTADE DIVINA? Lemos na parashá desta semana sobre o feiticeiro Bilam, contratado por Balak, o rei do povo de Moab para amaldiçoar os israelitas. Bilam era um profeta; ele podia se comunicar com D’us através dos sonhos; e suas palavras poderosas de bênçãos ou maldições só vinham à sua boca por ordem Dele. Quando foi contratado para amaldiçoar Israel, consultou D’us e, por mandado dele, recusou. Da segunda vez em que os moabitas foram procurá-lo, novamente consultou D’us e, com a sua autorização, os acompanhou. Na hora de amaldiçoar, falou, ao invés de maldições, bênçãos que D’us colocou em sua boca, incluindo as famosas palavras do Ma Tovu (“Quão boas são tuas tendas, ó Jacó, tuas moradas, ó Israel!” – Num. 24:5). Anda assim, Bilam é considerado um rashá (uma pessoa perversa), como está escrito: “Os discípulos de Bilam, o perverso, tem um mau olhar, um espírito orgulhoso e uma alma ambiciosa” (Pirkei Avot 5:22)”. A pergunta é: por quê? Afinal de contas, Bilam aparentemente fez o que D’us lhe falou! Ele não fez como o profeta Ioná [Jonas], por exemplo, que desafiou a ordem de D’us, mas o consultou para obter Seu consentimento. Por que então ele é considerado perverso, ao passo que Ioná não o é? A chave para entender isso está no fato de que, como escrevem os comentaristas, Bilam tinha a intenção e o desejo de amaldiçoar o povo, apesar de saber que só tinha a capacidade de fazê-lo com as palavras que D’us colocasse em sua boca. O que ele fez, então, foi consultar D’us para saber se seu desejo, o de amaldiçoar o povo para Balak, poderia se realizar. De acordo com muitos, D’us apenas consentiu que Bilam fosse com os moabitas da segunda vez em que ele o consultou porque percebeu sua intenção e não quis interferir no seu livre-arbítrio, deixandoo fazer algo que certamente o contrariava. Isso nos leva a refletir sobre um assunto muito profundo e relevante, que é quanto do que fazemos podemos justificar afirmando que “D’us me permitiu fazer tal coisa” e quanto é nossa responsabilidade. O filósofo Immanuel Kant criticava a fé em D’us pois esta, segundo ele, tirava a obrigação moral dos seres humanos, que poderiam justificar seus erros como vontade divina, já que Ele os teria deixado cometê-los. Obviamente, essa visão não é partilhada pelo judaísmo, que condena alguém como Bilam mesmo sem ele ter contrariado Sua palavra, só pelo fato de ele ter se guiado de maneira a seguir sua própria vontade, que contrariava aquilo que D’us lhe dissera em sua primeira consulta, isto é, que não deveria amaldiçoar o povo. O que Kant diz sobre D’us é exatamente o contrário do que o judaísmo prega; ao contrário do que ele diz sobre a religião, a nossa Torá é um conjunto de leis que justamente define nossas obrigações morais para com D’us e para com os nossos semelhantes. A condição básica para o seu cumprimento é a liberdade e o livre-arbítrio, que nos permitem escolher fazer nossas obrigações e assumir a responsabilidade sobre aquilo que escolhemos. Dessa forma, com a Torá, temos muito claro aquilo que devemos cumprir, não tendo como justificar nossos erros simplesmente por terem acontecido e, por isso, serem a vontade divina. O desafio que a Torá nos trás é o de não ser como Bilam, de não ter a intenção de contornar aquilo que é certo, justificando o que fazemos. A Torá não nos tira, mas sim nos dá a possibilidade de verdadeiramente escolher e escolher com consciência. Shabat shalom!

David Rosenberg Krausz

CJ News - 06/07/12  

CJ News Kabalat Shabat – 06 de Julho de 2012

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