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Chucat Bamidbar 19:1- 22:1 Deus instrui Moisés e Arão sobre a mitzvá da vaca vermelha. No quadragésimo ano depois da saída do Egito, Miriam, irmã de Moisés e Arão, morre. Com a morte de Miriam, a fonte de água que acompanhou o povo no deserto seca e Moisés bate numa rocha para trazer a água ao invés de falar com ela, conforme a orientação de Deus. No final da parashá, Aaron morre também.

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Palavras de André Chouraqui Na lei da vaca vermelha, a água lustral serve, antes de tudo, para purificar um ser vivo manchado pelo contato de um morto, Para compreender isso, cumpre lembrar o que siginificava a morte para os antigos hebreus. O suporte da vida era o ser (nefesh) animado pela respiração, ligada ao sangue: o sangue é a nefesh. A vaca vermelha simbolizava o sangue. A quintessencia dessa vaca, as cinzas obtidas após sua redução ao fogo eram misturadas a água viva. Sublinhemos esse adjetivo. Essse produto tinha o poder de neutralizar a influência dos maus espíritos que haviam automaticamente suplantado o sopro de vida após o falecimento do individuo. Esses maus espíritos eram por sua vez concebidos como uma especie de fluido que ameacava contaminar os vivos. Notemos ainda que o antítodo do sopro da morte era concretizado por uma vaca, uma fêmea, pois a vida vem das mães. Eva significa “a Viva” a mãe de todo vivo. A vaca vermelha, carregada de tantos símbolos de vida, morre para permitir a realização do rito.

Shabat na sinagoga de A Hebraica Prédica: Meninas do Bat. Chazan: David Kullock Musicista: Marcello Frenkiel Baalei Koré: Rony e Daniel Grabarz

Horários Kabalat Shabat: 6ª f. 19h30 Schacharit: Sab 10 hs Mincha, Maariv e Havdalá: sab 17h30 Todos os serviços são acompanhados de um kidush

Ano XV nº 658 15 de Junho de 2013 Shabat Chucat

7 de Tamuz de 5773

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Mas, afinal, temos a responsabilidade sobre esse e outros assuntos públicos? Precisamos nos mexer para mudar o que não está certo? É da nossa conta? Existe uma história, que curiosamente aparece na parashá desta semana, Chukat, que parece dizer que sim. Trata-se do famoso episódio que desqualificou nossos líderes Moshe e Aharon para entrarem em Eretz Israel com o povo. Nesse episódio, mais uma vez, os israelitas se revoltam, dessa vez por não terem água. D’us, então, instrui Moshe a falar com uma certa rocha, que então deveria emanar água. Como sabemos, Moshe foi com seu irmão Aharon até a pedra, mas, ao invés de falar com ela, bateu nela com seu cajado, não apenas uma, mas duas vezes. Funcionou: após a segunda batida, a rocha fez jorrar muita água. Moshe e Aharon, entretanto, foram duramente repreendidos por D’us pela desobediência e, naquele momento, ambos foram sentenciados a não entrar na Terra de Israel. A partir dessa história surge uma questão bastante intrigante: por que, se o pecado foi cometido “no singular”, isto é, apenas por Moshe, que bateu na pedra, o castigo foi conferido “no plural”, a Moshe e Aharon? Que culpa teve Aharon nessa história toda para também ele ser privado de entrar na nossa terra?

Os manifestantes contra o aumento da tarifa saíram da passividade e nós? Devemos sair também? Vivenciamos, nesta semana, aqui em S. Paulo, uma movimentação que não se via há muito tempo. Milhares de pessoas se juntaram em protesto por uma causa aparentemente muito simples: opor-se ao aumento da tarifa do ônibus. Apesar de simples, os protestos refletem uma insatisfação com o transporte público e com o cuidado do governo com a população menos favorecida de maneira geral, revelando uma preocupação com as injustiças e com a nossa situação social precária.

Pelo que indica o texto, ele simplesmente estava ao lado de seu irmão quando ele bateu na rocha e não fez absolutamente nada. Inocente então, não? Aí é que está: não! O erro de Aharon foi justamente o de não fazer nada, mantendo-se passivo enquanto seu irmão errava. Assim, os dois foram punidos pelo mesmo pecado – Moshe por cometê-lo, Aharon simplesmente por não fazer nada a respeito. A Torá, aqui, nos lembra mais uma vez do perigo da passividade, passividade da qual, aliás, querendo ou não, os manifestantes desta semana saíram. Mantermo-nos passivos diante do erro dos outros, de certa maneira, é até pior do que cometer o próprio erro. Isso porque, errando, podemos nos dar conta disso, nos arrependermos e mudarmos nosso comportamento. Por outro lado, quando simplesmente não fazemos nada e simplesmente assistimos aos erros dos outros, não nos sentimos responsáveis e temos a sensação de não ter feito nada, de sermos inocentes e de não ermos nada para mudar.


Quando nos perguntamos sobre como é possível que aconteçam tantas barbaridades no mundo humano, das quais o nazismo, talvez, é o maior exemplo, devemos lembrar de que esse tipo de coisa não acontece porque a maioria das pessoas quer, mas porque algumas poucas querem e a porque grande maioria simplesmente fica quieta e não faz nada. Na parashá de Shoftim, a Torá apresenta uma das mitzvót mais duras de serem cumpridas, mas, ao mesmo tempo, a mais efetiva no sentido de prevenir que o mundo tome rumos indesejados: “repreenderás ao teu companheiro e não carregará sobre si o pecado”. Apenas com um senso de responsabilidade menos individualista e com a coragem de criticar e de buscar consertar os erros dos outros, até mesmo daqueles que mais amamos (sempre com respeito, é claro), é que poderemos transformar alguma coisa à nossa volta! Shabat shalom umevorach!

David Rosenberg Krausz

Cultura Judaica News Texto: Mauricio Mindrisz e David Rosenberg Krausz Ilustrações: Rubem Castro Cultura Judaica News (CJ ‫נ‬EW (‫ם‬é de responsabilidade do Depto. de Cultura Judaica de A Hebraica

CJ News 34 - Chucat  
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