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uma publicação do Colégio Vértice

Dezembro 2008

Vértice-Goethe parceria para o futuro

Araquém Alcântara fotógrafo da natureza

Nelson Motta escreve Tim Maia

Cesar Cielo estudioso e disciplinado

Reforma ortográfica saiba o que muda


Cá entre nós

Expediente

Sabemos que trabalhar com educação no Brasil não é tarefa fácil. Mas, sabe-se também que educar é algo enriquecedor, desafiador e, que, sobretudo, nos enche de orgulho. Afinal, formar cidadãos que futuramente estarão à frente de novos desafios e, que, buscamos da melhor maneira, prepará-los para este futuro tão próximo, é o que nos move a continuar nesta luta. Desde 2005 estamos em primeiro lugar no ENEM, o Exame Nacional do Ensino Médio, uma iniciativa do Ministério da Educação que tem como objetivo verificar o desempenho dos estudantes brasileiros. A prova obedece a uma nova concepção de avaliação, que busca verificar competências e habilidades que o estudante deve ter adquirido ao final da educação básica, sendo possível avaliar o seu nível de aprendizado e o seu desempenho em cada área do conhecimento. Esta colocação junto ao ENEM reitera o nosso compromisso de educar e formar nossos alunos com as ferramentas básicas e, mais, trazer para a sala de aula assuntos e disciplinas pertinentes ao cotidiano de suas vidas. Ao longo deste ano, fomos convidados para apresentar na Comissão de Educação do Senado Federal a proposta pedagógica do Colégio Vértice. Mais uma vez nos sentimos honrados, pois apenas os colégios que se destacam no país têm esta oportunidade. Também em 2008, demos início ao “Projeto Okeidade – a Ecologia além do verde”, um dos eventos pedagógicos que realizamos e que conta com a participação de toda a comunidade Vértice: pais, professores, alunos e colegas. O projeto foi um sucesso e mostrou o grande envolvimento dos alunos da préescola até o ensino médio, que culminou com uma exposição de trabalho mostrando que o conceito de Ecologia é muito mais amplo do que a exclusiva preocupação com o MeioAmbiente. As Campanhas de Solidariedade também tiveram destaque e já são uma tradição no Colégio Vértice. A arrecadação de ovos de páscoa, agasalhos, brinquedos, leite em pó, entre outros, foram doados para diferentes tipos de instituições e que oferecem variados

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PARCERIA

Alunos do Vértice vão aprender o idioma alemão

tipos de assistência. Mais uma vez contamos com o apoio de toda a escola e beneficiamos centenas de pessoas. São situações como estas que nos enchem de ânimo e energia para as novidades do próximo ano. Em 2009, continuaremos com o evento Herança Cultural, que, nas realizações anteriores, mostrou a cultura e a diversidade do povo japonês e do Oriente Médio, destacando que é possível a convivência pacífica entre os povos. Além de mostrar as particularidades de cada nação, mostramos de que forma a cultura está inserida em nosso país. Outro destaque para o próximo ano é mergulharmos na cultura de outros países que nem sempre são mencionados no currículo escolar. Mais um passo para o aprimoramento das nossas ferramentas de ensino e dos resultados dos nossos alunos foi dado e, a partir de 2009, o Colégio Vértice em parceria com o Instituto Goethe consolida o ensino do idioma alemão como língua estrangeira no currículo escolar, a partir do 9º ano. E as novidades não param por aí. O site do colégio está reformulado e, com isso, queremos criar mais interatividade com os pais e alunos para melhorarmos cada vez mais. Estaremos atentos às suas dúvidas, críticas e sugestões e queremos convocá-los para fazer parte desta história! Walkíria Gattermayr Ribeiro

Conselho Editorial: Marco Botteon Logar | Adilson Garcia | Ana Maria Bertoni Diretoria: Walkíria Gattermayr Ribeiro | Victor Koloszuk Assistente Editorial: Andréia Genesi Projeto Gráfico: design&content Cinzoo Editora: Cilene Soares Editor de Arte: Hebert Valois Colaboradores: Adilson Garcia | Lilian Sodré | Telma Siegl Revisão: Ana Maria Bertoni Contato: revista@colegiovertice.com.br

Com o intuito de difundir o idioma alemão e a cultura germânica, o Colégio Vértice assinou, em outubro de 2008, contrato com o Instituto Goethe e agora faz parte do projeto “Escolas: Uma parceria para o futuro”, criado e mantido pelo Ministério de Relações Exteriores da Alemanha. A iniciativa tem como objetivo implantar uma rede de escolas parceiras em todo o mundo, despertando desde cedo nos jovens o interesse e o entusiasmo pela Alemanha de hoje e sua sociedade. A parceria fortalece e amplia a rede de escolas alemãs no exterior e de escolas que oferecem o certificado de proficiência de alemão. A cooperação entre estas escolas também será intensificada para consolidar o ensino do idioma como língua estrangeira no currículo escolar do colégio. “Este é mais um passo para o aprimoramento das nossas ferramentas de ensino e dos resultados dos nossos alunos”, explica Walkíria Gattermayr Ribeiro, diretora e fundadora do Colégio Vértice. “Por meio de repasse de recursos, envio de material específico e um programa contínuo de aperfeiçoamento de professores, nossa escola poderá garantir máxima qualidade no ensino do alemão”, comentou durante a assinatura do contrato. Alunos com desempenho excelente ainda terão a chance de participar da Olimpíada Internacional do idioma Alemão e em cursos de férias na própria Alemanha. As aulas serão ministradas por professores qualificados, formados por universidades e com experiência no ensino de crianças e jovens, que estarão à disposição, fora do horário de aula, para aconselhar e auxiliar os alunos individualmente. As turmas serão formadas por no máximo 15 alunos e o programa de aulas é composto por 24 aulas de 45 minutos por semana, que serão ministradas de segunda a sexta pela manhã e em duas tardes ou em um dia do fim de semana. A participação no programa de aulas é obrigatório e, ao término do curso, os alunos receberão um certificado de participação.

A Prof. Walkíria durante assinatura do contrato

Jornalista Responsável: Cilene Soares | MTB 23.174 A foto que ilustra a capa foi gentilmente cedida pelo fotógrafo Araquém Alcântara.

Fotos: Divulgação


FIQUE SABENDO

Analfabetismo caiu 7,2% em 15 anos no Brasil A taxa de analfabetismo caiu gradativamente no Brasil nos últimos 15 anos e a maior queda se deu na população com 15 anos de idade ou mais. Essa constatação faz parte da análise realizada pelo IPEA-Instituto de Pesquisas Aplicadas a respeito dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/ 2007), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o estudo, o número de analfabetos em 1992 era de 17,2% e reduziu para 10% em 2007, o que representa 7,2 pontos percentuais a menos em 15 anos. Em termos absolutos, coube à região Nordeste a maior redução (0,8%), no entanto essa região ainda apresenta um índice que é o dobro da média brasileira, situando-se em 20%, e bastante acima das taxas no Sul-

NOSSA LÍNGUA

Reforma Ortográfica A partir de 2009, vem novidades por aí. O governo anunciou, ao longo de 2008, que o país passará por uma reforma ortográfica. Assim, haverá algumas mudanças na escrita de palavras da nossa língua que passarão a vigorar a partir do começo do próximo ano. Porém, até dezembro de 2012, concursos públicos e vestibulares aceitarão as duas formas ortográficas, a atual e a que entrará em vigor. Essas mudanças fazem parte de um acordo assinado na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, feito entre oito países que falam a língua portuguesa, na tentativa de aproximar essas culturas. A estimativa é que as mudanças atinjam uma população de 230 milhões de pessoas, levando-se em conta as que vivem em países, como: Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Portugal, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste. A língua portuguesa é a terceira língua mais falada no ocidente e, com a reforma ortográfica, muitas palavras deixarão de ser acentuadas, não usarão mais o hífen e também o trema.

Sudeste, que não ultrapassam os 6%. Isso se deve ao fato de aquela região concentrar 53% do total de analfabetos brasileiros nessa faixa etária. Tanto no Nordeste, como no restante do País, cerca de 90% dos analfabetos estão na faixa etária de 25 anos ou mais, sendo que a maior concentração, em números absolutos e relativos, recai sobre os idosos. “A região Nordeste ainda apresenta um índice que é o dobro da média brasileira, situandose em 20%, e bastante acima das taxas no Sul-Sudeste, que não ultrapassam os 6%”, destacou o diretor de estudos sociais do Ipea, Jorge Abrahão. Além dos diferenciais regionais, observamse números bastante expressivos também quando esse indicador leva em consideração

a:

O que mud

os quesitos localização e raça. Para a localização, observa-se que quase um quarto da população rural é analfabeto. Já para a população urbana/metropolitana este índice é de 4,4%. Escolaridade – Outra revelação da Pnad 2007 é a ampliação do número médio de anos de estudo da população de 15 anos ou mais. Tanto para o Brasil, como para todas as regiões, houve aumento de 0,1 ano em relação a 2006. Com isso, a taxa média brasileira atingiu 7,3 anos. Outro indicador educacional que revela avanços em relação a 2006 é a taxa de escolarização, por faixas etárias. As crianças de 0 a 3 anos foram as que tiveram maior incremento absoluto, de modo que a taxa de escolarização nessa faixa etária ampliou-se para 17,1%. Para as crianças de 4 a 6 anos, segundo o relatório, continua a ampliação da escolarização em relação a 2006. Neste caso, o Instituto supõe que esse aumento esteja relacionado com a mudança no quadro legal, que ampliou o ensino fundamental para nove anos, com início aos seis anos de idade.

e o “k”, “w” letras, pois 26 r te a rá beto passa Nosso alfa te dele. ar p r ze rão a fa bre a letra “y” passa locados so ntinhos co o p ras is o d queles e em palav O trema (a e permanec a es u g u rt língua po u) some da s. ngos estrangeira ue são dito palavras q as d ir m o udo vai su critas sem O acento ag i). Serão es i/o (e ia ó , jib x: cefaléia abertos. E ia. o jib , leia ue repetem acento cefa palavras q i sumir das va o ex fl . Serão n rcu vôo, vêem O acento ci vezes. Ex: as u d r o p ” e “o” . as letras “e voo, veem sa forma: es o que d escritas circunflex e agudo ou el ja se , sição) o al iferenci ara” (prep O acento d ras. Ex: “p av al p ente as al itas igu m diferenciar serão escr as serve para u d s A ). verbo parar e pára (do “r to “para”. eçar com sem o acen uando com q s, ra ue av q al p ntra-regra i sumir das avra. Ex: co O hífen va al p a d o to en ra. Tira-se gundo elem contrarreg ou “s” o se a sa forma: es d a it cr fixo termin re ser es uando o p q , m passará a ré o P “r”. e. ete a letra permanec hífen e rep ado o hífen in ef -r er ip oh húmido. em “r” com a com “h”: ido é escrit m ú ra tra h). av le al a al a p ós (sem Em Portug ão como n er ev cr ue não q es s rma eles as palavra Com a refo “c” e “p” d as tr mudas le s te as Portugal as consoan ad am ch Ainda em núncia, o extintas. em sua pro vogal) serã a m u h aparecem en n as de ator, ótimo. tão seguid sa forma: (que não es critas des es o rã se óptimo Ex: actor,


GENTE QUE FAZ HISTÓRIA

Cesar Cielo

Guarde bem este nome: Cesar Augusto Cielo Filho. Agora vamos conhecer um pouco mais deste rapaz que nasceu no dia 10

de janeiro de 1987, em Santa Bárbara D´Oeste, cidade a 130 km da capital paulista. Com 1,95m de altura, pesando 87,3kg, foram dele as braçadas que fizeram os brasileiros se emocionar durante os jogos olímpicos de Pequim. Começou na natação aos oito anos no Esporte Clube Barbarense, depois de tentar o judô e o vôlei. Ele explica que a carreira de judoca não deu certo porque era bem mais alto que os meninos de sua idade. Já o vôlei, que era uma escolha de seu pai, também não foi adiante. Porém, quem definiu a carreira de nadador foi a sua mãe, que o levou para o Esporte Clube Pinheiros em 2003, clube que defendeu até pouco tempo atrás. No momento, é dele o mérito de conquistar a primeira medalha de ouro olímpica na história da natação brasileira. Conquistou o ouro nos 50m livre nas Olimpíadas de Pequim e o bronze nos 100m livre. Com 21s30, a apenas dois centésimos do recorde mundial, o nadador quebrou novamente a marca olímpica da prova e conquistou a primeira medalha dourada do Brasil nos Jogos Olímpicos de 2008. Para chegar ao bronze, outra medalha que abraçou, o brasileiro obteve o tempo de 47s67, recorde sul-americano da prova, e chegou empatado com o norte-americano Jason Lezak, que também levou bronze em terceiro. Em 2007, durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, Cielo também fez bonito e confirmou o favoritismo ao vencer suas duas provas rápidas. Com os tempos de 48s79 e 21s84, respectivamente, ele superou dois recordes pan-americanos. Além disso, contribuiu decisivamente para o ouro do revezamento 4 x 100 m livre. Por fim, levou a prata no 4 x 100 m medley.

Há três anos o nadador resolveu deixar o Brasil e foi estudar na Universidade de Auburn, que fica no estado do Alabama, nos Estados Unidos. A rotina no centro aquático James E. Martin, onde ele treina, segue uma cartilha rígida: de segunda a quinta-feira, os atletas acordam às 7h, começam os treinos às 8h20m e trabalham em dois períodos. Depois participam de palestras com os técnicos e as atividades terminam às 21h, horário de retorno aos quartos. Haja fôlego!

Curiosidades sobre o campeão: Alimentação:

Sobre a universidade e manias:

Cesar Cielo come cerca de 6 mil calorias por dia. Apesar da quantidade, tudo é saudável. Antes do treino da manhã, ele come apenas uma barrinha de cereal e uma fruta, para não ficar com o estômago cheio antes dos treinos que começam entre 6h e 7h00 da manhã. Depois deste treino, por volta das 9h30, ele toma café, que inclui frutas, três ovos, um iogurte de laranja ou morango, uma fruta que varia entre banana, kiwi ou maçã e biscoitos waffles. Em torno de 12h30, almoça e, normalmente, come 400g de frango ou peixe e 200g de legumes, como brócolis, cenoura, tomate e couve-flor. Além de três batatas ou algum carboidrato equivalente. Antes do treino da tarde, que acontece por volta das 16h00, come algo leve, como fruta ou barra de cereal e, depois do treino, faz um lanche à tarde, que inclui uma fruta ou sanduíche desses prontos, com presunto ou peito de peru, queijo, alface e tomate. Na hora do jantar, a refeição é um pouco mais pesada, quando come 400g de carne vermelha e meio pacote de macarrão. Antes de dormir toma um shake.

1. Entre os bolsistas da universidade de Auburn, há dois anos é o atleta estrangeiro que tem o melhor rendimento acadêmico.

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Foto: Satiro Sodré

2. Ele se estapeia antes das competições, coloca um pouco da água da piscina na boca e cospe. É para acordar. 3. O contrato que ele assinou com a universidade diz que ele não pode beber, não pode sair e deve evitar namorar durante as competições. 4. Cielo costuma marcar os tempos que quer alcançar na parede da casa dele em Auburn. Costumava colocar frases também, mas desde o começo do ano só tem uma: “Não desperdice as chances que você mesmo criou”. 5. O livro de que mais gosta é o “Transformando suor em ouro”, do técnico Bernardinho.

o ivulgaçã Foto: D

medalha de ouro nos jogos olímpicos de Pequim é disciplinado e estudioso


ENTREVISTA Veja a entrevista exclusiva que o atleta concedeu à Revista Vértices Revista Vértices: Como foi a sensação de pela primeira vez participar de uma grande competição e ganhar a medalha de ouro? Cesar Cielo: Foi sensacional. Eu sempre sonhei com a medalha, desde moleque. RV: De que forma a família e os amigos são importantes nesta etapa?

Títulos Medalha de ouro nos 50m livre e medalha de bronze nos 100 m livre nas Olimpíadas de Pequim, medalha de ouro nos 50m, 100m e 4x100m livre e de prata no 4x100m medley nos Jogos PanAmericanos Rio 2007. Recordista brasileiro, sulamericano e dos Jogos PanAmericanos nos 50m livre, 100m livre e 4x100m livre em piscina olímpica. Recordista brasileiro e sul-americano dos revezamentos 4x50m livre e 4x100m medley em piscina curta e longa.

CC: Eles foram essenciais. Sempre me apoiaram, sempre estiveram ali por mim, em todos os momentos. Foram muitas derrotas até conquistar essa vitória e eles ali, do meu lado. Não sei se teria chegado aonde cheguei sem o apoio deles. RV: Gustavo Borges, que já foi um dos grandes atletas da natação brasileira disse que você é o melhor nadador brasileiro da atualidade. Conte um pouco sobre sua rotina e disciplina? CC: São seis horas de treino, com intervalos para descanso e estudo. Cuido bastante da alimentação também. No último semestre tranquei a faculdade para poder me dedicar ao treinamento para as Olimpíadas, então a rotina de treinamento foi mais intensa. Além de dormir, também gosto de jogar vídeo game nas horas de descanso. RV: Como são os treinos lá fora em comparação com os daqui, principalmente no Clube Pinheiros, onde começou a competir?

Recordista brasileiro e sulamericano dos 100m livre e 4x200m livre em piscina curta. Finalista no 12º Mundial de Esportes Aquáticos de Melbourne/2007 nos 100m livre (4º lugar), 50m livre (6º lugar) e no 4x100m livre (8º lugar).

CC: Os treinos são parecidos, as competições que são diferentes, até mesmo pela cultura dos Estados Unidos, que é mais competitiva mesmo. Lá você tem competição de alto nível a toda hora e isso faz a diferença no final.

Ajudou os revezamentos 4x100m livre e 4x100m medley brasileiros a se classificarem para as Olimpíadas de 2008. Medalha de prata no revezamento 4x100m livre do 7º Mundial em Piscina Curta de Indianápolis/2004. Medalha de ouro nos 50m e 100m livre do Grand Prix de Missouri/ EUA 2008.

CC: Foi bem complicado, não posso dizer que foi fácil. Tenho amigos lá agora, mas no começo foi um pouco mais difícil. Com certeza do que eu mais sinto falta é da família e dos amigos.

CC: Encaro os estudos a sério. Quando comecei a universidade estudava criminologia, mas não levei adiante porque o curso não era compatível com nenhum outro aqui no Brasil. Hoje estudo administração e gosto bastante das minhas aulas de Business. A escolha foi por gostar do curso mesmo. RV: Qual a importância dos estudos na vida de uma pessoa? CC: Muito importante. O estudo, o esporte e a educação em casa compõem o caráter da pessoa. Eu vou concluir a minha universidade, pois sei que o diploma faz a diferença. RV: Você é um campeão dos esportes. Até que ponto a vida escolar ajuda nisso? CC: Um ajuda o outro, principalmente na busca por metas, objetivos e também na disciplina. RV: Como deve ser a sua dedicação ao Esporte de agora em diante? CC: Os meus treinos já voltaram oficialmente, tive uma competição em outubro no Brasil e depois vou focar no Mundial do ano que vem, mas com a cabeça já nas Olimpíadas de 2012. RV: Mande um recado aos alunos e funcionários do Colégio Vértice? CC: Corram atrás dos seus sonhos, lutem por eles, trabalhem por eles, porque eles acontecem.

RV: Você mora nos Estados Unidos. Como está sendo sua vida fora do país natal e o que mais você sente falta daqui?

RV: Você tem 21 anos e está na faculdade. Como você encara os estudos? Fale um pouco da época do ensino fundamental até hoje. O que você está estudando e como foi esta escolha? 5


DISCIPLINA: ARTES

O ensino de Artes ajuda na sensibilidade e criatividade Desenvolver e exercitar a capacidade artística dos alunos é um dos objetivos do curso de Artes do Colégio Vértice. Sem dúvida, são inúmeras as contribuições para o aluno, onde as atividades realizadas conseguem dar vazão ao poder criativo e aprimorar o senso estético, relacionando o aprendizado às interferências artísticas que resultam em seu crescimento intelectual. Não é apenas criar obras de arte, mas sim, compreender o real significado, conhecer e saber identificar uma determinada história que está ali, descrita por um de seus artistas. São gravuras, quadros, colagens, instalações, livros, pinturas, exposições, palestras, entre outras manifestações que ajudam na compreensão e aprendizado da arte. De acordo com Telma Siegl, há 14 anos professora de Artes do Colégio Vértice, a

disciplina abrange várias modalidades e técnicas que ajudam na formação do aluno e que permite, qualquer que seja o seu estilo, exprimir suas percepções e aguçar sua sensibilidade estética. “As aulas de Artes visam, principalmente, desenvolver a criatividade. O aprender a ver através da arte pode ajudar as crianças a tornarem-se adultos com maior capacidade de produzir trabalhos sem bloqueios e com sucesso”. De acordo com Telma, a aula de artes interage com outras disciplinas reforçando o aprendizado. As aulas sempre são exemplificadas passo a passo, ou seja, a professora explica como fazer para que depois os alunos desenvolvam seu trabalho, seguindo as técnicas, porém, com seu próprio estilo e criação. No quadro ao lado, conheça alguns projetos interdisciplinares de artes sobre o meio ambiente.

1ºano Casa de brinquedos com sucatas.    2ºano Álbum de família. Confecção dos álbuns em lata de CD, com pinturas sobre o meio ambiente. Projeto saúde. Confecção de um jogo da memória com frutas e de recorte e colagem de frutas em tecido sobre cortiça.   3ºano Projeto animais. Confecção de animais com bexigas e ataduras de gesso.   4ºano Projeto água. Potes de vidro com animais e lixo confeccionados com massa de biscuit, representando o rio vivo e o rio morto. Projeto vegetação brasileira. Pintura sobre cortiça. Projeto artesanato brasileiro com cabaças.   5ºano Projeto rio Tietê e rio Pinheiros. Pintura e colagem sobre tela.   6ºano Projeto animais marinhos. Confecção dos animais com rolos de jornal sobre tela. Falso mosaico sobre tela. Projeto “Olhar a África e ver o Brasil”. Trabalho com fotos preto e branco e ilustrações com lápis de cor, contando um pouco das influências africanas no Brasil.             7ºano Projeto animais em extinção. Confecção de mosaico com embalagens plásticas sobre o disco de vinil.

COMO ANTIGAMENTE Brincadeiras de antigamente, sem placares eletrônicos ou afins podem ser uma grande fonte de diversão. Que tal brincar com os seus filhos de jogos que fizeram a sua alegria na infância? Alfândega

Um jogador sai da sala. Escolhe-se um jogador que irá inventar uma regra para os colegas, por exemplo: só passa na alfândega se for algo que voa. Chama-se o colega que está fora da sala e pergunta: o que passa? Se este responde gato, por exemplo, os outros jogadores dizem que não passa e assim prossegue o jogo até ele dizer o nome de algum animal que voa. A finalidade da brincadeira é descobrir qual foi a regra dada inicialmente. 6

Amarelinha

1ª etapa - O primeiro jogador joga a pedra na primeira casa (1) e com um pé só pula esta pisando no 2, depois no 3 e 4 ao mesmo tempo, depois no 5 com um pé só, e depois no céu (6 e 7) com os dois pés ao mesmo tempo. Vira e volta. Quando chegar à casa 2 pega a pedra no 1 e pula fora. Depois joga no 2. Pula no nº 1 com um pé só, salta o 2 e assim por diante. Não é permitido pisar na linha que divide as casas. 2ª etapa | Chutinho - Joga-se a pedra perto, antes da amarelinha. Começa-se a chutar a pedra sem tocar nos riscos. Se errar, perde a vez para outro jogador. 3ª etapa - Joga-se sem pedra com os olhos vendados, e os outros jogadores informam se quem joga pisou ou não na linha. 4ª etapa - De costas, joga-se a pedra para trás de si, sem ver onde parou. Exclui-se a casa onde a pedra cair marcando um x com giz. Repete-se a primeira etapa, porém na casa excluída pode-se pisar com os dois pés.

Cabra-cega

Escolha um lugar nem tão grande nem tão pequeno. Tire a sorte no par ou ímpar, no 0 ou 1 para ver quem será a cabra-cega. A cabra-cega deverá ter os olhos vendados com um lenço. Depois as crianças deverão rodar a cabra-cega e iniciar a brincadeira com as perguntas e respostas: Todos: Cabra-Cega, de onde você veio? Cabra-Cega: Vim lá do moinho. Todos: O que você trouxe? Cabra-Cega: Um saco de farinha. Todos: Me dá um pouquinho? Cabra-Cega: Não. Todos correm e a cabra-cega deverá tentar pegar alguém. Quando conseguir ela deverá adivinhar quem é. Se acertar a presa deverá ser a próxima cabra-cega. Se errar, repete a vez como cabra-cega. Fonte: www.psicopedagogiabrasil.com.br


NO MEU TEMPO DE ESCOLA

PERFIL

Rosana Jatobá e Carlos Tramontina

Maurren Maggi

Foto: Arqu

Garota de Ouro

e com muita la, lembro-m va Língua o sc e a d s Ensina iros ano “Dos prime fessora Carmelinda. phia Costa Pinto, ro So P l a a n d o ci za duca clare minha no Centro E r, na Bahia, Portuguesa a Vitória, em Salvado , que usava um rd culta no Corredo nhora fina, va baixo e tinha uma la Era uma se terra natal. l e saias plissadas. Fa de iniciar a aula, a s e n te a n A ch s. lo o e n va o Hino cab m os alu co Jó s, comanda os o e d m a va á m a ch em paciênci a ss que cantá linda, como Pró Carme átio da escola e exigia cívico era evidente p ito Nacional no is à letra. O forte espír s grandes escritores lo fié e p e s ia o tr d u a n ntou afin ação que ir m d e me aprese ector, a u a q n a d lin e p rm também a is L C Clarisse Foi a Pró brasileiros. ssis, José de Alencar, e aula e fazer algum d eA Machado d s que debater em sala ns. Na escrita, ela era o e g m a a n h o ín rs .T e .. p tc a letra não e os sentação d tamente; se tipo de repre astava escrever corre va parte do recreio usa ob severa. Nã e quase bordada, ela mais me marcou foi l e e u q ív g ça le achava a fosse mbran o texto. A le fia. A Pró Carmelinda nter a tir e p re ra a ra p lig : ma de fazer ca um desafio a dispensa rfeita. Encarei como escrever como se a pe e minha letra mpre. Até hoje gosto d se !” ra a ta p o fama dar a n linda fosse Pró Carme TV

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“Os me u em jorn s quinze anos alismo, d diferente foram c e estudo, até u s : A damanti mpridos em a formação São Pa na, qu u todos o lo. Cidades pa Ibitinga, Sert atro cidades ãozinho s lugare ulistas, mas o p s vivi m e assim c o e Sertãoz ríodo mais ric mentos muito omo eu. Em in o profess ho, perto de , sem dúvida, interessantes, R o o atividad res que estim ibeirão Preto. correu em ulavam es. Mais Tive ex celente promov os alun ainda: s o ia apresen m debates ac eles fomentav s em suas a a ta m lo ç ra ã d o is d o c de idéia sua vez s, estim ussões s , , u Church Instituto de E e argumentos lavam a ducaçã ill”, apo . A e s c o o ia fugiam la, por va as a Estadu d de nen o currículo, ne titudes dos m al Sir “Winston huma e e m s tr tentava e spécie Moviam m enfi s. Eles não na , e discu isto sim, uma cabeça dos e ar ideologia ti m s braços r. Davam espa áquina que n tudantes. abertos ço para os fazia devo, e todas a isso e re pensar m s escola grande parte posições. O cebiam de do pass que sou , a eles . A minh Até o n ado, ag hoje o o a Grau alg me mudou. É ra, é igual a to querida C d uma co o isa. Fic légio de Prim as as outras. ou mais eiro e S Carlo egundo feio.” sT

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Uma brasileira também fez bonito nos jogos olímpicos de Pequim e merece a nossa atenção. Maurren Maggi, que participou pela segunda vez de uma edição dos Jogos Olímpicos, é a primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha de ouro olímpica individual. Ela conquistou o primeiro lugar no pódio com a marca de 7,04 cm, um centímetro a mais que a segunda colocada. Nossa atleta praticou ginástica olímpica antes de ingressar na modalidade, além de ter se aventurado no vôlei, natação, xadrez e basquete. Desde os 16 anos é treinada pelo técnico Nélio Moura. Fora das pistas, cuida de Sofia, filha de três anos, e gosta de ouvir música e cozinhar para os amigos. Por falar em Sofia, será que a menina já se acostumou com a medalha de ouro? Afinal, ela disse para mãe que preferia a medalha de prata, achando que esta medalha fosse a mais valiosa. Maurren Higa Maggi nasceu no dia 25 de junho de 1976, em São Carlos, interior do Estado de São Paulo.

Foto: Fernanda Paradizo

Principais Títulos

o

Foto: Divulgaçã

Ouro (salto em distância) Jogos Olímpicos de Pequim 2008 Ouro (salto em distância) Jogos Pan-americanos do Rio 2007 2ª colocada (salto em distância) Mundial Indoor de Valencia 2007 5ª colocada (salto em distância) Mundial de Osaka 2007 3ª colocada (salto em distância) Mundial Indoor de Birmingham 2003 2ª colocada (salto em distância) Copa do Mundo de Madri 2002 Ouro (salto em distância) Jogos Pan-americanos de Winnipeg 1999 7


vértice cultura ESTANTE

O livro sobre a vida do cantor Tim Maia é um dos mais vendidos do país O ano de 2008 foi marcado pela lembrança do aniversário de 10 anos da morte de Sebastião Rodrigues Maia, ou simplesmente Tim Maia, como o grande público o conhecia. Carioca, nascido no bairro da Tijuca, no Rio Janeiro, era considerado um dos maiores intérpretes do Brasil e ficou imortalizado como o “síndico” em uma das letras de música de Jorge Ben Jor. Sem sombra de dúvida, foi um artista que marcou seu nome com destaque na história da música popular brasileira e não é à toa que suas letras continuam embalando gente grande e pequena em festas variadas pelos quatro cantos do país. De temperamento difícil e sem papas na língua, o talento musical do cantor aconteceu muito cedo, pois aos oito anos de idade já compunha e cantava. Aos 12, foi estudar violão e, com 14 anos, formava o seu

primeiro grupo musical. Reconhecido como o pai da soul music brasileira e com um vozeirão inconfundível, os 55 anos de vida de Tim Maia foram minuciosamente retratados no livro Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia, lançado no ano passado pela Editora Objetiva, mas que continua batendo recordes de vendas e figura entre os mais vendidos do Brasil. Por trás dessa obra de grandioso valor aos fãs e leitores, está o escritor, jornalista, compositor e produtor musical Nelson Motta, que desde 1969 tornou-se amigo do cantor. A amizade foi cultivada até o dia 15 de março de 1998, quando Tim Maia morreu, depois de passar mal no palco onde fazia um show. Nelson Motta parte da memória da intensa convivência com o cantor, de quem era fã, para contar uma história interessante cheia de som, fúria e gargalhadas. E não

Foto: Arquivo pes

soal

são apenas os amantes da música que tem saboreado esta história, mas também aqueles que têm gosto por um bom texto, o que o autor Nelson Motta já provou que sabe fazer. No livro, que desde o seu lançamento é um sucesso, o escritor narra com paixão e irreverência a vida eletrizante deTim Maia. Com tudo isso, fica fácil perceber que Nelson Motta é um dos mais gabaritados para falar sobre a vida e a obra do cantor no Brasil. No ano em que comemorou-se os 10 anos da morte de Tim Maia e o sucesso de seu livro sobre a vida do artista, Nelson Motta conversou com a Revista Vértices. O papo faz um convite às pessoas que não leram o livro ainda, que o façam o mais rápido possível. Fica claro também que a intensa amizade entre eles, foi pontuada por muita emoção, admiração e respeito. Ah, e muito humor, sem dúvida nenhuma. Foto: Egberto Nogueira

“Fiquei um mês parado, sem saber como terminava o livro. Resolvi terminar quando o coração do Tim parou de bater.”

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Entrevista

VITROLA

Nelson Motta Revista Vértices: Se fosse possível definir o Tim Maia, baseado no título ou na letra de uma de suas canções, qual delas o definiria melhor? Por quê? Nelson Motta: Não é uma música, mas sim uma palavra: intensidade. Tem uma frase dele que o resume melhor do que qualquer outra: “Mais grave! Mais agudo! Mais eco! Mais retorno! Mais tudo!” Tim era mais tudo. RV: Você era amigo pessoal do Tim, esse fato ajudou ou atrapalhou na hora de contar essa história? NM: Acho que ajudou bastante. Primeiro porque sempre fui fã dele, musicalmente e como pessoa. Isso se traduziu na forma como escrevi a biografia. Escrevi com grande afeto e admiração, mas não fui complacente em nenhum momento com ele. Fui amoroso e rigoroso. Gostaria que o livro fosse lido com o prazer de quem lê um romance estrelado por um personagem fabuloso e hilariante. Mas além das histórias maravilhosas, também mergulhei a fundo na discografia, que é analisada em profundidade, no seu processo de criação e produção e na importância de sua obra e seu estilo. RV: Como foi o seu trabalho de pesquisa e como foi mergulhar no universo do artista e do ser humano? NM: Pesquisei a vida dele a fundo. Eu e o pesquisador Denílson Monteiro levantamos tudo o que saiu dele na imprensa desde o início da carreira. Conversamos com muitos músicos, parentes, empresários, namoradas, amigas, produtores (todo mundo tem uma “história de Tim Maia”, né?). O Carmelo Maia, filho e herdeiro, também colaborou muito, com histórias e um sensacional álbum de família com fotos. Para quem vinha de três livros de ficção bastante densos, foi fácil e um grande prazer redigir essa história já meio pronta, que se sabe o final. Sem precisar inventar nada. Para compensar a cultura do excesso do Tim, tentei até pegar leve na escrita, sem muita firula. RV: Apesar da amizade e do fato de conhecer várias situações da vida dele, teve algo que surgiu como uma grande descoberta? Como foi? NM: O Tim sempre levou sua vida privada a público. Ele nunca escondeu nada de ninguém, pelo contrário, se orgulhava de ser como era. O que mais me surpreendeu foi quando recebi um álbum de família e vi fotos do Tim bebezinho. Um fofo de terninho branco e terço na mão, fazendo a primeira comunhão. Fiquei chocado: eu sempre achei que o Tim tinha nascido com uns 13 ou 14 anos! RV: Como você analisa a obra dele inserida na cultura brasileira? Gostaria que comentasse a sua importância no mundo da

Conheça alguns lançamentos do mês música e das artes. NM: Ele fez algo até então impensável: misturou o funk, o soul e o R&B americanos com o samba, o baião e o xaxado. Tim é o fundador da moderna música negra urbana brasileira, e não é só isso: ele renovou com a criação do funk-samba-soul, um formato musical que tem suas origens e ponto máximo nas músicas “Não quero dinheiro”, “Gostava tanto de você” e “Réu confesso”. Tim era um ídolo dos artistas populares e também dos músicos mais sofisticados, que se tornou sinônimo de alegria e romance para diversas gerações. Até hoje, não há festa de Belém a Porto Alegre, pobre ou rica, que não toque Tim Maia e a pista não encha! RV: O título de seu livro é Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia. Ele era mais Som ou Fúria? NM: Ele era som e fúria, tudo junto e ao mesmo tempo. Tudo dele era em excesso, tudo com ele era muito. Muito tudo! Pra ele valia tudo, literalmente. RV: A sua amizade com Tim começou em 1969, quando você trabalhava na produção de um disco de Elis Regina que incluiu um dueto com ele. Como foi essa questão, uma vez que Elis já era uma cantora consagrada e o Tim, um desconhecido? Foi arriscado? NM: Tá no livro... RV: Durante quanto tempo vocês foram amigos e quais trabalhos realizaram juntos? NM: Fui amigo e fã do Tim desde que o conheci! RV: De toda a obra de Tim Maia, gostaria que você comentasse quais são os melhores álbuns? NM: O primeiro (1970), onde ele aparece com a mistura de funk e soul com samba e baião. Ele tinha 28 anos e uma voz fenomenal. Mas recomendaria também os Racionais I e II, o Nuvens (1982) e o Tim Maia Disco Club (1978). No Racional ele está em sua melhor fase vocal, sem fumar, beber e usar drogas. Emagreceu 20 quilos e nunca cantou tanto. E, musicalmente, também estava num ótimo momento, o problema do Racional são as letras enlouquecidas do Universo em Desencanto. RV: Qual o trecho do livro de que você mais gosta? Se é que é possível dizer. NM: Só coloquei o “filé mignon” no livro, apenas as melhores histórias, me diverti muito escrevendo todas as partes! Apenas o final é que foi difícil e doloroso, fiquei um mês parado, sem saber como terminaria o livro. Aí resolvi terminar quando o coração do Tim parou de bater.

A banda mineira Skank, após 17 anos de carreira, chega a Estandarte, o seu décimo disco de carreira (incluindo a coletânea Radiola). Embalados pelo sucesso de seus CDs e DVDs, que chegam à marca de 5,5 milhões de cópias vendidas, os músicos mostram que não precisam provar mais nada a ninguém. Formada por Samuel Rosa, Henrique Portugal, Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti, a banda traz um feliz reencontro com o produtor Dudu Marote, velho companheiro que ajudou a transformar em discos de diamante (mais de um milhão de exemplares vendidos) os álbuns Calango (1994) e O Samba Poconé (1996). As 12 faixas do disco mostram que as influências sessentistas e beatles não foram abandonadas e um dos destaques fica por conta de “Ainda gosto dela”, que já toca nas rádios e nos tocadores de MP3 dos fãs e tem a participação especial da cantora Negra Li. Também vale apreciar a capa, que traz uma bela pintura a óleo honrando a tradição da arte pop surrealista na embalagem dos discos do Skank. Labiata é um tipo de orquídea que o cantor pernambucano Lenine adora. Por isso, foi o nome que escolheu para o seu oitavo disco de carreira. Com parcerias importantes de nomes fortes da música popular brasileira, como: Arnaldo Antunes, Bráulio Tavares, Carlos Rennó, Dudu Falcão, Ivan Santos, Lula Queiroga e Paulo Cesar Pinheiro, o álbum traz também uma parceria inédita e inusitada com Chico Science, líder da Banda Nação Zumbi, que morreu vítima de um acidente de carro em 1997. O novo disco de Lenine, primeiro desde Falange Canibal (2002), é considerado pelos críticos um disco que vem bastante perfumado com 11 faixas inéditas e um gostinho especial, ou melhor, internacional: foi gravado na Inglaterra, nos estúdios de Peter Gabriel, ex-vocalista da banda Gênesis. O aniversário de comemoração dos 50 anos da Bossa Nova foi marcado por vários eventos sobre o tema ao longo de 2008. Um deles foi o lançamento do box Brasileiro, uma caixa com oito CDs remasterizados, que homenageia um dos grandes talentos da MPB e um dos percursores do movimento: o maestro Tom Jobim. Nessa coleção você pode conferir 5 álbuns clássicos: “Caymmi Visita Tom (1964)”, “Matita Perê (1973)”, “Elis & Tom (1974)”, “Edu & Tom (1981)”, “Garota de Ipanema (1967 - Trilha Sonora Original)”, além das 3 coletâneas homenageando Tom: “Tom Feminino”, “Tom Masculino” e “Tom pra Dois”. Todo mundo sabe que a cantora Ivete Sangalo e Saulo Fernandes, o seu substituto na Banda Eva, são grandes estrelas do carnaval de Salvador. Mas, o que pouca gente sabe é que os dois resolveram unir forças e lançar um projeto musical voltado ao público infanto-juvenil. O CD A Casa Amarela tem 11 faixas e foram inspiradas em obras infantis, como: Os Saltimbancos, A Arca de Noé e Plunct Plact Zum com pitadas, é claro, da memória infantil de seus idealizadores. Um dos destaques do álbum é a faixa “Sono”, que conta com a participação da rainha dos baixinhos, Xuxa.

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DISCIPLINA: MÚSICA

Música que faz bem à criança e forma o adulto Você sabia que a música é uma das mais antigas formas de expressão? Basta prestar atenção nos livros de história que é fácil encontrar nos períodos que retratam, na Antigüidade, ilustrações de festas ou confraternizações que trazem instrumentos e danças, uma prova de que a música já existia há milhares de anos. No Colégio Vértice, a Música é parte determinante do pleno desenvolvimento humano. A sensibilização musical promove acréscimos de qualidade de caráter, ajuda no plano da interação social e tem efeitos na formação profissional futura quanto à acuidade e discernimento em geral. A educação musical também ajuda a afinar a sensibilidade e a percepção dos alunos, aumenta a capacidade de concentração, desenvolve o raciocínio lógicomatemático e a memória, além de ser um desencadeador de emoções para um melhor autoconhecimento, o que colabora para o amadurecimento do aluno. Conheça as metodologias que são aplicadas no ensino musical dos alunos:

Carl Orff (1895-1982) – Compositor alemão. Criou um sistema de educação musical baseado na prática do canto e da percussão. Orff frisa que a participação criativa dos educandos na música e na dança é fundamental. Coloca, em primeiro plano, a vivência e o trabalho prático, com o objetivo de envolver o aluno física e emocionalmente na música. Jos Wuytack – Educador e compositor belga. Desenvolveu uma metodologia ativa e criativa, baseada nas idéias de Orff, de quem foi amigo e discípulo. Sua metodologia tem como base o estímulo à criatividade, dando oportunidade para as crianças se expressarem com liberdade, não apenas reproduzindo o que lhes foi ensinado, mas também criando. Wuytack esteve em maio deste ano, no Brasil, a convite do Colégio Vértice, onde promoveu a capacitação de 80 professores de música. Nas aulas e atividades práticas, o propósito do Colégio é de “musicalizar” as crianças, iniciando esse processo pelo desenvolvimento da “escuta atenta”, que é o

primeiro passo para o aluno compreender o sistema de produção sonora. De maneira lúdica, os alunos da Educação Infantil exercitam habilidades e atitudes que serão desenvolvidas nos anos seguintes do Ensino Fundamental, como a produção sonora mediante o uso de variados instrumentos, uso da métrica nas letras, noções de rima e ritmos nas canções e os elementos da escrita musical. Nos 6º e 7º anos, são adotados livros apoiados por CDs. É dada uma visão histórica e cultural da música, com um intenso trabalho de ampliação de vocabulário. Buscamos fazer com que o aluno seja capaz de conhecer e ouvir música, eliminando preconceitos, estimulando o gosto por música de qualidade, seja ela regional, folclórica, world music ou erudita. As nossas aulas são práticas e muito interativas, com o uso intensivo de instrumentos de todas as culturas e os mais variados recursos áudiosvisuais brasileiros e estrangeiros. O trabalho em equipe é incorporado nas atitudes e personalidade das crianças, estabelecendose um diferencial importante para nossos alunos nas atividades que enfrentarão no futuro, seja na escola ou na vida profissional. Lilian Sodré Profª Departamento de Música

QUEM CANTA SEUS MALES ESPANTA A exemplo das brincadeiras que fizeram parte da infância dos pais, uma outra situação que pode despertar prazer e momentos terapêuticos é cantar com seus filhos. Além de ajudar na expressão corporal da criança, no ritmo e no entendimento das frases, cantar oferece relaxamento, diversão, alegria e pode acalmar aquela costumeira agitação, bastante comum na idade infantil. Experimente! 10

A Canoa Virou

A canoa virou, Fui deixar ela virar, Foi por causa de (nome da criança) Que não soube remar. Siriri pra cá, siriri pra lá (nome da criança) é velha E quer se casar Siriri pra cá, siriri pra lá (nome da criança) é velha E quer se casar Se eu fosse um peixinho E soubesse nadar, Eu tirava (nome da criança) Do fundo do mar. Siriri pra cá, siriri pra lá

Borboletinha

Borboletinha, Tá na cozinha, Fazendo chocolate, Para a madrinha. Poti, poti, Perna de pau, Olho de vidro, Nariz de pica-pau, pau, pau.   Borboletinha, Tá no jardim, Fazendo cambalhotas, Só para mim.   Poti, poti, Perna de pau, Olho de vidro, Nariz de pica-pau, pau, pau.

Carneirinho – Carneirão

Carneirinho, carneirão, neirão, neirão, Olhai pro céu, olhai pro chão, pro chão, pro chão. Manda el-rei, nosso senhor, senhor, senhor, Para todos se ajoelharem. Carneirinho, carneirão, neirão, neirão, Olhai pro céu, olhai pro chão, pro chão, pro chão. Manda el-rei, nosso senhor, senhor, senhor, Para todos se levantarem.  


ARTIGO

Adilson Garcia | Profº de Biologia (há 15 anos no Colégio Vértice)

USO INDEVIDO DE DROGAS: conversa com alunos e pais A palavra “droga” costuma ser utilizada com vários significados diferentes. Os alunos do Vértice a utilizam com certa freqüência, quando fazem referência ao digital de uma nota de avaliação, quando esta não correspondeu à expectativa. Os médicos, farmacêuticos e outros profissionais das áreas de saúde também fazem utilização como sendo medicamento (remédio). Utilizarei como substância química psicoativa que consegue modificar em nossa mente uma ou mais de suas funções (memória, pensamento, concentração, raciocínio, motricidade e outras mais). É muito oportuno lembrar que drogas diferentes apresentam princípios ativos diferentes, que geralmente atuam nas sinapses nervosas junto aos neurotransmissores no sentido de provocar estimulação, inibição ou distorção no processo de comunicação entre os neurônios, alterando os sentidos e emoções. Assim sendo, vale a pena arriscar uma pequena classificação para essas substâncias químicas: estimuladoras, como a cocaína, crack e anfetaminas (ecstasy, bolinhas), que deixam as pessoas usuárias mais elétricas, agitadas; depressoras, como a heroína, morfina e álcool etílico, que puxam o breque de mão nas comunicações entre os neurônios, deixando os usuários mais down, diminuindo, com eficiência, processos de dor; perturbadoras (alucinógenas), como o THC da maconha e o LSD, que distorcem as sinapses nervosas podendo causar delírios, ilusões e até mesmo alucinações. Após a leitura dessas últimas linhas, pessoas entediadas com a realidade da vida, o quê não deveria ser comum entre a garotada, costumam ter um posicionamento, que naturalmente expressam com a seguinte interrogação: essas substâncias parecem ser interessantes, pode ser um barato, será que não vale a pena a experimentação? Garotada, penso que, em vários momentos da vida, a impulsividade e o imediatismo devem ser freados pela reflexão, com o crivo da balança do custo/benefício, que deve anteceder à ação, ou seja, inegavelmente as drogas geram a recompensa do prazer para os usuários por um tempo, até considerável, mas não dá para esquecer que o organismo reage com a tolerância, dependência e/ou abstinência. No mecanismo de tolerância, principalmente o nosso fígado, aprende cada vez mais rapidamente a metabolizar o princípio da droga. Dessa forma, com o passar do tempo, aquela dose de prazer obtido, quando das primeiras utilizações, passa a não ser o mesmo, só que o nosso cérebro registrou o prazer anterior e o solicita novamente; então, o usuário tenta satisfazêlo, aumentando a concentração da droga, o

que pode levar o organismo ao nível tóxico, conhecido como overdose e, infelizmente, não raro à morte. A dependência pode ser entendida como o organismo só sendo capaz de trabalhar agora, com o princípio da droga presente, pois passou a ser reconhecido como componente do próprio organismo, estando ausente, o corpo não promove, a contento, o metabolismo. Uma pessoa que já tenha assistido a uma crise séria de abstinência, privação do princípio ativo da droga no organismo de um dependente e, também, já tenha presenciado o sofrimento das pessoas em torno, com certeza, vai

“Quanto mais nos envolvemos em um programa de prevenção ao abuso de drogas, mais nos convencemos de que essa atitude não deve ser uma preocupação apenas da escola, e sim de todos os segmentos da sociedade” pensar muito seriamente se o consumo é válido. Aliás, vale a pena recordar o acontecido com um amigo da adolescência T (inicial do nome) que depois do envolvimento com cocaína, e, conseqüentemente, também se envolvendo em inúmeras encrencas, quando já era um pequeno traficante e, querendo de fato parar, não conseguia. Em uma crise em que ficou trancado no quarto por uma semana, com dores horríveis no corpo, vomitando, batendo a cabeça nas paredes, desejando até morrer, teve que ser assistido pelos amigos e familiares. Eu hein... tô fora, como dizem os alunos. Não convenceu? Sei um dos porquês. É aquela forma de pensar que muito atrapalha a reflexão e, até mesmo, impossibilita a menor discussão, quando ouço colocações como: “ah... não é bem assim” ou “imagina que isso vai acontecer com alguém esperto e inteligente como eu” ou ainda “no momento que o uso começar a atrapalhar, eu paro” e “eu paro na hora que eu quiser”. Um alerta, ficar dependente, ou não de uma droga, é uma condição da química do organismo entre outras variáveis, mas não é, simplesmente, uma questão de esperteza ou grau de inteligência da pessoa, e o pior é que não se pode prever, talvez um dia seja possível, quem vai e quem não vai ficar. É uma roleta russa. Pais, estou nessa estrada há pelo menos vinte anos, tenho a certeza de que hoje possuo mais conhecimento sobre prevenção

ao uso indevido de drogas do que quando comecei, mas tenho também a certeza de que há muito a aprender. Permitam que eu diga para aqueles usuários potenciais, com o centro cerebral de recompensa em pleno vapor de reorganização, por isso mesmo buscando novas e estimulantes experiências de vida, que sei muito bem o quanto é difícil orientá-los e, por vezes, controlá-los, mas também, enormes janelas são abertas e, por elas, as drogas podem penetrar. Mas, o que faz com que alguns desses jovens estejam mais predispostos do que outros ao envolvimento com drogas? Uma forma didática de entendimento é o que se denomina de coincidência de fatores de risco, e posso enumerar alguns: curiosidade, ansiedade, impulsividade, dificuldade maior para lidar com frustrações, falta de autenticidade, dificuldade de estabelecerem relacionamentos com outras pessoas, e outros mais. Agora, não é simplesmente juntando informações sobre a química das drogas, ameaçando ou fingindo que o problema não existe, que se faz melhor a proteção preventiva. O melhor, penso eu, é iniciar comunicando de modo claro e firme um posicionamento pela não utilização de drogas, e, se necessário, empregar argumentos de convencimento que passam pelo afetivo das emoções, desde que ainda sejam saudáveis as vias de comunicação com essa garotada que todos nós muito amamos. E quando depararem com a garotada já usuária no ambiente familiar, nada de brincadeiras de gato e rato, direto ao ponto, àquela conversa sem rodeios, recordando o posicionamento inicial, responsabilidades pela quebra de compromissos assumidos, tentando entender os porquês e, novamente, alertando para as conseqüências em todos os níveis da utilização. O Colégio Vértice, nesses anos todos de existência, sempre contando com o apoio de seus dirigentes, tem se empenhado muito em oferecer um excelente programa de prevenção ao uso indevido de drogas, com profissionais altamente qualificados, com grande maturidade e capacidade de acolhimento afetivo/emocional, trabalhando com informações científicas atualizadas, levadas às salas de aula, visando fomentar aquisição de conhecimentos, discussões, reflexões. Além de ter como meta uma postura de não utilização de drogas por nossos alunos, nosso trabalho tem alcançado também os pais e nossos funcionários em encontros menos freqüentes, mas não menos importantes. A tarefa não é fácil, mas esperamos continuar. 11


QUANDO CRESCER, QUERO SER: FOTÓGRAFO

Araquém Alcântara Araquém Alcântara tem 57 anos, é apontado pelos críticos como um dos precursores da fotografia de natureza no Brasil e um dos mais importantes fotógrafos em atuação no país. Desde 1970, dedica-se integralmente à documentação e proteção da natureza brasileira. Seu trabalho, de notoriedade internacional, tornou-se hoje uma referência nacional e fonte de inspiração para os novos fotógrafos. Em sua vasta produção, constam 33 livros sobre temas ambientais, 22 livros em coautoria, 3 prêmios internacionais, 32 prêmios nacionais, 75 exposições individuais, inúmeros ensaios e reportagens para jornais e revistas nacionais e estrangeiros. É o primeiro fotógrafo a documentar todos os parques nacionais do Brasil e a produzir uma edição especial de colaborador para a National Geographic Society, (“Bichos do Brasil”). É também o primeiro fotógrafo a realizar um trabalho sistemático sobre os ecossistemas e as unidades de conservação do país, trabalho que só finalizou após vinte e dois anos de incessantes expedições pelo sertão do Brasil. Araquém Alcântara é autor de “TerraBrasil” (Editora Melhoramentos), o livro de fotografias mais vendido no país, atualmente na décima primeira edição, com vendas que já atingiram a casa dos 80 mil volumes. Priorizando a fotografia como expressão plástica e instrumento de transformação social, Araquém Alcântara é hoje, um dos mais combativos artistas em defesa do patrimônio natural do país, sobretudo a Amazônia e a Mata Atlântica. Em agosto de 2008 lançou o livro Fauna e Flora e no final deste ano se prepara para lançar os seguintes livros: Bichos do Brasil, Cabeça do Cachorro e Mata Atlântica. É só apreciar!

Revista Vértices: Você é um dos principais fotógrafos do pais. Conte um pouco como foi a sua formação e como escolheu a Fotografia como profissão? Araquém Alcântara: Em 1970 entrei para a Faculdade de Comunicação de Santos. Como jornalista, informando e analisando fatos, eu já acreditava que minha missão era de combate, mas alguma coisa especial me aconteceu quando fui ver o filme ‘A Ilha Nua’, de Kaneto Shindo. Um filme sem muitas palavras. Com uma fotografia pura, o diretor mostrava uma família tentando sobreviver numa ilha. Fiquei tão impressionado com o poder da imagem que fui para casa chocado, como se houvesse recebido um chamado. No dia seguinte, uma amiga me emprestou uma Yashica e iniciei com a fotografia. Fui ao cabaré do Porto, em São Paulo, e fiquei a noite inteira com a câmera no bolso, sem coragem de fotografar. Quando voltava para casa, vi uma cena que me chamou a atenção: uma prostituta com a silhueta em contra-luz, ao nascer do sol. Criei coragem e perguntei se podia tirar uma foto. Ela respondeu que sim. Essa foi minha primeira imagem fotográfica. Desde então, 12

não parei. Saí pelo Brasil como um viajante, inquieto por revelar o que estava escondido, desvendar o país. Por isso, costumo dizer que não fui eu que escolhi a fotografia, ela me escolheu. RV: O que uma pessoa precisa fazer para tornar-se um profissional de sucesso como você? Quais as maiores dificuldades e desafios? AA: O mais difícil para o iniciante é descobrir realmente o que fazer do seu ofício, o que desenvolver. Mas, o exercício contínuo, com determinação, acaba revelando o caminho. O importante é fotografar absolutamente íntegro, absolutamente amoroso, sem medo, sem regras, sem fórmulas, Além do dinheiro. É necessário um certo desapego e uma certa anarquia também é bem-vinda. É preciso logo encontrar um jeito todo pessoal de dizer as coisas, (o que podemos chamar de estilo), expor-se à crítica, mostrar o trabalho em qualquer lugar, obstinadamente. É necessário se ter algo profundo e verdadeiro a dizer, a acrescentar. Este é o caminho.

Foto: Rubens

Matsushita

RV: Gostar de belas imagens não garante uma boa foto. Quais as dicas que você pode dar para se conseguir um resultado satisfatório depois que a câmera dispara? AA: Para se chegar a uma boa foto é preciso unir talento, sorte, tecnologia, técnica, entre outras possibilidades. Outro dia no Pantanal pintou uma foto especial. É incrível como todo o teu ser avisa e depois do clique, ou no momento do clique acontece um prazer extraordinário. É algo grandioso, como um “insight”. Vem uma série de situações, pois você expira, solta, relaxa, sorri, grita, pula, emociona-se, aquieta-se, fica em paz. Eu estava fotografando o amanhecer numa lagoa, bem perto da sede da Fazenda Santa Sofia, onde ministrava um workshop para dez alunos. Um aluno me chamou a atenção para a lua cheia que estava se pondo, mas ainda estava branca. Meu olhar se fixou numa arvore seca com um bando de araras azuis quietas. Achei que valia a pena tentar algo naquela direção. Escolhi a tele 800mm e pedi para o assistente trazer o resto do equipamento.


RV: Então fotografar exige mais do que talento? AA: A coisa mais mágica na fotografia, poderia dizer até esotérica, é o encontro com a beleza. É quando o observador e a coisa observada se fundem, o momento em que o vazio se instaura. Um instante de uma riqueza e brilho. Comigo se reflete fisicamente de várias maneiras, às vezes na forma de um arrepio que vai da ponta do cabelo até os dedos dos pés, numa explosão de prazer. Isso é a celebração da beleza, é quando você percebe que captou um momento único, irrecuperável, belo e transformador para si próprio. É um prazer invisível perceber que está dentro disso tudo. No fundo, acho que neste momento você esquece de todos os problemas do mundo, não há mais nada ali, só o sentir. E um belo sentir. E esse é o momento da grande celebração, quando você sabe que fez uma grande foto. RV: Como foi a escolha por fotografar a natureza? Quais os principais trabalhos que já realizou e quais os que mais marcaram sua carreira? AA: Sobre a fotografia de natureza recai um enorme preconceito daquela ala da fotografia que eu costumo ignorar, pois não acrescentam nada ao meu trabalho. Durante um tempo, não foi fácil. Me diziam coisa do tipo “por que você não fotografa mulheres nuas, ao invés de mostrar os pankararés do Raso

da Catarina”? Mas, perseverei e escolhi o meu caminho com o coração e botei o pé na estrada. Hoje a minha fotografia é referência. Em 1973, em Santos, urubus atraídos pelos detritos de Cubatão apontavam a miséria na cidade. Por acaso, eu passava em frente a uma peixaria e vi uma menina, de uns três anos, maravilhada com a presença de um urubu na calçada. Não pude deixar de fotografar. Senti que aquele era um momento único. Em seguida, dois homens saíram da peixaria, puxaram a criança e espantaram o urubu. A seqüência de imagens do urubu na calçada foi meu primeiro trabalho fotográfico publicado numa revista. Já realizei vários trabalhos e todos têm um destaque especial, mas a minha fotografia realmente começou quando entrei pela primeira vez na magnífica Mata Atlântica. RV: Explique como é este processo de estar junto à natureza e captar o que ela oferece? AA: O fotógrafo de natureza tem que ter a astúcia do caçador, a paciência do pescador, a contemplação de um monge zen. Ele precisa ser e estar inteiro, tem que virar bicho também. Você tem que aprender a reduzir a distância entre observador e a coisa observada, você tem que comungar com aquilo que vê. Precisa saber olhar com olhos. Você tem que abraçar as árvores, pisar no chão com os pés descalços, sentir o orvalho, entrar na cachoeira e gritar de frio. Essa é a grande perda da sociedade urbana.

A reconciliação com os valores naturais é urgentíssima para que a humanidade sobreviva e prospere. Fotógrafo de natureza sabe que vai enfrentar toda sorte de adversidade em suas andanças (mosquito, doenças tropicais, muito peso nas costas, lama, variação súbita de clima etc) Significa ficar dias sem dormir em cama de verdade, sem tomar banho, sem comer comida quente, obrigado a andar 20 a 30 km por dia para chegar no lugar na hora certa. Mas tudo é compensado quando se faz uma grande foto. Em quase quarenta anos de profissão já vi a morte de perto várias vezes. Pane em avião monomotor em Rondônia, canoa desgovernada indo direto para uma cachoeira em Roraima; tombo perto de precipício no Pico da Neblina e vai por ai afora. Fotógrafo de natureza tem que tomar muito cuidado e planejar bem as suas expedições. RV: Você tem a Fotografia como uma expressão plástica e de instrumento de transformação social, o que faz com que seja um dos mais combativos artistas em defesa do patrimônio natural do país, sobretudo a Amazônia e a Mata Atlântica. De que forma o seu trabalho influencia essa questão e como você busca esta conscientização nas pessoas? AA: Há alguns anos, fui convidado a fazer uma matéria jornalística na região da Juréia, em São Paulo. No complexo da Mata Atlântica, a natureza estava sofrendo 13


ameaças de caçadores e madeireiros. Nesta ocasião, iniciei contato com a mata virgem, com trilhas, córregos, grandes árvores e as nuances diversas do verde. Entendi perfeitamente porque imagens falam mais que palavras. Quando comecei no jornalismo, sempre pronto para uma reportagem, levava comigo papel e caneta. Com o tempo, a câmera fotográfica já era imprescindível para o meu trabalho e já não resistia mais ao fascínio das imagens. Assumi por completo a missão de registrar a beleza da fauna e flora do país, e, ao mesmo tempo, de combate e denúncia. Para desvendar o povo, as terras indígenas, as florestas, parques e reservas nacionais, Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Cerrado, serras, chapadas, desertos e recursos hídricos do Brasil, me dedico de corpo e alma. É como se estivesse na cauda de um cometa. Sinto-me a serviço e sou feliz com o que faço, o que é fundamental. Minha obra hoje ganhou espaço e reconhecimento. Ela contribui para a identidade e para a memória deste país. RV: Qual o recado que você gostaria de dar para as pessoas olharem mais para a Natureza e para os assuntos voltados ao Meio Ambiente? De que forma a fotografia ajuda nisso? AA: O fotógrafo de natureza tem um papel importante a cumprir na divulgação da biodiversidade brasileira, nossa principal

riqueza, na educação ambiental, na busca de uma identidade visual e de uma memória geográfica para o país. Trocando tudo isso em miúdos, o fotógrafo de natureza tem que ter ideologia definida, tem que ser um humanista, tem que acreditar na força transformadora de sua linguagem. Ele vai para lugares ermos, distantes, inóspitos e traz a história para um público que provavelmente nunca verá esses santuários. Mas através das fotos, esse público pode conhecer mais o país, aprender mais sobre costumes, mitos, geografia, modos de viver e amplia a sua visão de pátria, amplia seu sentimento de cidadão brasileiro. A fotografia é uma poderosa arma de conhecimento quando se aproxima dos valores essenciais do povo, quando reflete o caráter desse povo. Precisamos nacionalizar o Brasil, torná-lo conhecido, celebrar suas belezas, mostrar detidamente a cara de nosso povo. A fotografia é o oxigênio indispensável nesses novos tempos e a minha intuição me levou a sistematizar uma nova forma de fazer fotografia no Brasil. RV: Deixe uma mensagem aos alunos e funcionários do Colégio Vértice. AA: “Estamos nos construindo na luta para florescer amanhã como uma nova civilização, mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma. Mais alegre porque mais sofrida. Melhor porque incorpora em si mais humanidades. Mais generosa, porque aberta à conivência

com todas as raças e todas as culturas e porque assentada na mais bela e luminosa província da Terra.” (Darcy Ribeiro) Essa frase do Darcy traduz bem o meu otimismo. Eu sou um eterno otimista em relação à natureza e essa é a minha maneira de traduzir a fotografia. Eu quero fotografar o que me comove, pode ser um gafanhoto ou uma festa. Quero ir de encontro às coisas, mas o meu tema é o Brasil. Eu tenho uma grande vontade de fazer uma homenagem à Mata Atlântica que está desaparecendo, quero fazer um belo livro sobre a Amazônia, com gente e natureza misturados, p&b e cor. Acho que essa mistura é como a nossa mistura de raças, é boa, ser mestiço é bom. Quando você ama muito uma coisa, se envolve inteiramente com aquilo. Eu estou extremamente envolvido e apaixonado pela cultura brasileira. Uma outra frase boa para deixar como mensagem é de Jobim que disse que para cada árvore cortada nasce outra num lugar que não sabemos. Lá elas vivem em paz, meditando e habitando passarinhos.

ém Alcântara

Fotos: Araqu

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AGENDA CULTURAL

Para apreciar e aprender Pinacoteca

Praça da Luz, 2 – São Paulo – SP Fone: (11) 3324.1000

A Pinacoteca do Estado é o museu de arte mais antigo da cidade e certamente um dos mais importantes do país. Nasceu no prédio inicialmente construído para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. No momento de sua inauguração, que se deu em 24 de dezembro de 1905, o acervo da Pinacoteca consistia em 26 pinturas de importantes artistas que atuaram na cidade, como Almeida Júnior, Pedro Alexandrino, Berthe Worms, Antonio Parreiras e Oscar Pereira da Silva, oriundos do Museu Paulista (então Museu do Estado). Uma das responsabilidades fundamentais do museu de arte na atualidade é educar o olhar e sensibilizar o espírito, criando as condições indispensáveis para o exercício completo da cidadania.

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, São Paulo - SP Fone: (11) 2168.1777 | Fax: (11) 2168.1775

O Itaú Cultural desenvolve e organiza processos e gera conhecimento sobre as artes brasileiras; compreende as práticas culturais e, com base nelas, amplia o acesso à cultura; e promove a participação social. Além disso, distribui gratuitamente (para instituições culturais e formadores de opinião) produtos com conteúdo artístico, cultural e educativo. Esses materiais têm caráter de formação e reflexão sobre a arte e a cultura brasileiras e, como desdobramento, colaboram para a difusão e a democratização do acesso à cultura. São livros, DVDs, CDs, CD-ROMs, vídeos, caixas de cultura e catálogos de exposições que ajudam a orientar educadores sobre a forma de atuar como multiplicadores de conhecimento, ao trabalhar com alunos em sala de aula temas e conteúdos embasados em programas e atividades culturais. Obras sobre artes visuais, cinema, música, literatura e artes cênicas compõem o acervo da biblioteca. Os visitantes devem fazer as consultas no local, pois não é permitido o empréstimo das publicações.

Oca

Parque do Ibirapuera Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3 – São Paulo - SP Fone: (11) 6846.6000

O Pavilhão Lucas Nogueira Garcez, popularmente conhecido como Oca, é um pavilhão de exposições localizado no Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo. Foi projetado por Oscar Niemeyer em 1951, para compor o conjunto arquitetônico original do Parque do Ibirapuera, construído para comemorar o IV Centenário Fotos: Hebert Valois

da Cidade de São Paulo, que se deu em 1954. A Oca abrigou no passado o Museu da Aeronáutica de São Paulo e o Museu do Folclore. Mais recentemente, o edifício tem sido utilizado para abrigar grandes exposições. Além de entreter e divertir, as exposições costumam ter um grande impacto educativo, contando com monitores que descrevem com riqueza de detalhes cada obra apresentada.

SESC

Informações: 0800 11 82 20 (válido para DDD 11)

O Sesc é uma das principais entidades que desenvolvem ações voltadas à Cultura, Educação, Cidadania, Saúde e Lazer no estado de São Paulo. Também está presente em todas as capitais do Brasil e em cidades de pequeno e médio porte. São várias unidades espalhadas em diversos locais e, em muitas delas, é a única alternativa da população para serviços de educação, saúde, cultura, lazer e assistência. Creche, Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos, Pré-vestibular, Medicina Preventiva e de Apoio, Odontologia, Nutrição, Cinema, Teatro, Música, Artes Plásticas, Dança, Artesanato, Biblioteca, Esporte, Ação Comunitária e Assistência Especializada compõem o amplo leque de serviços que o SESC oferece ao trabalhadores do comércio de bens e serviços e à comunidade em geral. Oferece uma programação rica e variada, como: teatro, música, férias, fim-de-semana, eventos, festas, seminários, encontros, simpósios. Para conhecer as atividades do SESC em sua cidade, acesso

MASP

Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand Av. Paulista, 1578 - São Paulo - SP Fone: (11) 3251.5644 | Fax: (11) 3284.0574

O MASP é um dos principais museus da cidade e fica numa das avenidas mais importantes da capital paulista. Inaugurado em 2 de outubro de 1947 por Assis Chateaubriand e pelo professor Pietro Maria Bardi, a arquitetura do local foi concebida por Lina Bo, arquiteta modernista italiana e esposa de Bardi. O museu oferece atividades relacionadas com arte, tais como: Pintura, Escultura, Gravura, Arquitetura, Design, Mobiliário, Moda, Música, Dança, Biblioteca, Escola, Teatro, Cinema, Work-shops, Lançamento de livros e Conferências. Os visitantes podem apreciar obras de Rafael, Andrea Mantegna, Botticceli, Bellini, Rembrandt, Frans Hals, Cranach, Velazquéz, Goya, Renoir, Monet, Cézanne, Degas, Van Gogh, Tarsila do Amaral, entre outros gênios da arte. o site da entidade: www.sesc.com.br. Com certeza, sempre vai ter uma atração que interessa.

MAM

Museu de Arte Moderna de São Paulo Parque do Ibirapuera, s/nº - portão 3 - São Paulo - SP Fone: (11) 5085.1300 | Fax: (11) 5085.2342

O Museu de Arte Moderna de São Paulo completou 60 anos em 2008 e está sediado em uma área privilegiada do Parque do Ibirapuera, integrando a estrutura paisagística e arquitetônica projetada por Oscar Niemeyer, entre 1953 e 1954, na região central da cidade. O prédio, desenhado por Lina Bo Bardi, foi construído sob a marquise do parque por ocasião da 5ª Bienal de São Paulo, em 1959. O edifício possui duas galerias de exposição, reserva técnica (onde fica acondicionado o acervo do museu), auditório, ateliê, loja e restaurante.O MAM inscreve-se na história cultural da América Latina como um dos primeiros museus de arte moderna do continente, fundado em 1948, pelo empresário ítalo-brasileiro Francisco Matarazzo. A inauguração coincide com um período importante para a institucionalização do meio artístico brasileiro, também pontuado pelos surgimentos do Museu de Arte de São Paulo (MASP), do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), da companhia cinematográfica Vera Cruz, do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e pela fundação da Cinemateca Brasileira. 15


MURAL

Participe e fique bem na foto!

Atividade da 3º série do E.M. | Encontro com ex-alunos

Atividade do 2º ano | Casa de Livros

Atividade do Alfa I | O Mundinho

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Revista Vértices  

Projeto gráfico para a primeira edição da Revista Vértices, São Paulo, 2008.