Page 1


Richard Fernandez, Artista Plรกstico / Artist


FICHA TÉCNICA / TECHNICAL SPECIFICATIONS EDITORES / EDITORS Bernardo de Vasconcelos Luís de Vasconcelos Marco Câmara DESIGN / DESIGN Marco Câmara CAPA / COVER Marco Câmara COLABORADORES / COLLABORATORS Dina de Vasconcelos Nelson Ferreira TRADUÇÃO E REVISÃO / TRANSLATION AND REVISION Bernardo de Vasconcelos HEART MAGAZINE é uma publicação trimestral da Heart Magazine / is a Heart Magazine quarterly publication Funchal - Madeira - Portugal www.issuu.com/heart.magazine Todos os artigos são da responsabilidade dos seus autores e, assim sendo, não refletem totalmente a opinião da revista. É expressamente proibida a reprodução parcial ou total de textos e imagens por qualquer meio, sem prévia autorização dos autores e do editor da revista. All articles are of the responsibility of the authors and, therefore, do not fully reflect the opinion of the magazine. It is forbidden to totally or partially reproduce text and images by any means without prior permission of the authors and the editor of the magazine. PARA COLABORAR / TO CONTRIBUTE: Consulte condições em / see how to at www.heartmagazine.pt https://www.facebook.com/pages/Heart-Magazine/417432924997242 e/ou / and/or Envie e-mail para / send an email to geral@heartmagazine.pt Os textos em PT da estrita responsabilidade da Heart Magazine apresentam-se segundo o novo acordo ortográfico. A escolha ortográfica de cada participante é da sua responsabilidade pessoal. Heart Magazine © Registo Nº / Registration No. 5790/2012 junto da Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) – Portugal / with the Inspectorate-General for Cultural Activities (IGAC) – Portugal ISSN 2182-9667


ÍNDICE INDEX

EDITORIAL LOCUS ENTREVISTA ALEXANDRINA CANHA ANA LÍDIA ARAÚJO ANA MARGARIDA FERRAZ ANA MARGARIDA SILVA ANA MARGARIDA VAN ECK ANDRÉ FRADIQUE ANDREIA NÓBREGA ANTÓNIO MADALENO CLARA VASCONCELOS CRISTINA TROUFA DESIDÉRIO SARGO DIANA DE SOUSA | JULIA DE LA FUENTE DIEGO FERNANDO VELEZ EDUARDO TÁVORA EKER SOMMER FILIPA VENÂNCIO GONÇALO GOMES INMANUEL GONÇALVES JOANA COSTA

8 12 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 46 48 50 52

JOANA RITA GOMES JUAN GONÇALVES LEONOR BRILHA LÍGIA GONTARDO LUIS PESSOA E COSTA LUÍS FILIPE VIEIRA LUÍSA SPINOLA MARIA CRISTINA PERNETA MARIANA DE VASCONCELOS MARINA VARGAS MARTIM PEDROSO MATT KAY NATALIE TURNER NUNO GANDRA NUNO RAMINHOS PAUL ANDERSON PAULO ALEXANDRE BAPTISTA PEDRO AIRES RUI TAVARES SUSANA ORNELAS TERESA BARROS

54 56 58 60 62 64 66 68 70 72 74 76 78 82 84 86 88 92 94 98 100

TERESA JARDIM TIAGO COLAÇO VANDA NATAL

102 104 106


Editorial Amor, Ars Amor Já tanto foi realizado artisticamente em torno do amor e com amor. Mesmo que a temática subjacente possa não ser o amor, para o artista, a obra é feita com uma devoção amorosa sofrida e com uma entrega sem reservas no processo criador. Emprega o amor pela arte, essa verdade como força anímica que dá sentido à sua existência e que dá a refletir este mundo para que o homem possa entender, numa leitura íntima, a sua condição humana mais genuína: a faculdade de amar. O ser humano sempre procurou incessantemente o amor, aquilo que lhe pode conferir a plenitude de uma vivência não desperdiçada. Não me parece que haja algo maior que o amor à face da terra. O amor é transcendental em relação à condição biológica, sociológica e psicológica. É uma linguagem tão universal como a simplicidade de um sorriso. Eleva-se acima do campo do conhecimento científico, racional e, consequentemente, profissional, estendendo-se no reino do emocional, do metafísico, do religioso e do espiritual. Abarca todo o campo epistemológico e ultrapassa-o, porque o emocional tem a capacidade de sobrevoar o conhecimento racional. Por isso é que o equilíbrio dicotómico entre a razão e a emoção neste plano dual é tão difícil de atingir. Mas, na verdade, o amor sentido, e ouvido, pelo coração é o que sempre fez mover e evoluir a humanidade. Por isso, a arte é longa e a vida é breve, tanto como as verdades absolutas que se revelam, entretanto, obsoletas. A razão tem uma vida efémera comparativamente com a emoção. Por esse motivo, a humanidade sempre cantou e louvou o amor. E também por isso olhamos para a história da própria arte e tudo é intemporal, mesmo que sob o peso dos séculos. Essa materialização, esse património que atesta a nossa capacidade de amar o que é belo através do próprio ato de amar, fez-se sempre através da criatividade e da genialidade, da transversalidade da cultura artística em todas as suas aceções. Os artistas, efetivamente, amam a arte porque a identificam como uma terapia (= ter a pia) que é um canal genuíno, uma fonte não conspurcada, que em verdade lhes permite traduzir a natureza humana na sua forma mais pura. A própria arte evoluiu pelo sentir e deu saltos quânticos quando se desprendeu de um academismo rígido, ou de uma fórmula estilística, e se acrescentou numa nova forma de consciência real. E há sempre

8

uma consciência possível em devir por acontecer, porque a arte ama o amor, porque dele nasce, e esta relação é tão intrínseca quanto comutativa. Só a arte é efetivamente real e verdadeira quanto o amor, porque o espelha. A arte sempre andou de mãos dadas com o amor, e com a beleza que este encerra, ainda que de forma subjetiva, porque gostos são indiscutíveis, mas todos eles são fidedignos ao próprio amor. Mas, na verdade, o que dizer daquelas obras artísticas que ascendem à categoria de obra de arte e que ultrapassam determinados gostos? Terá sido por terem sobrevivido às intempéries? Porque um amante do belo as preservou? Porque um esteta as classificou? Retirei o seguinte do livro O Dom Supremo1 (Summum Bonum), tradução e adaptação livre de Paulo Coelho de The Greatest Thing in the World And Other Addresses de Henry Drummond, do sermão “The Greatest Thing in the World”, baseado numa carta de Paulo aos Coríntios: O que faz do homem um grande artista, um grande escritor, um grande músico? Prática. O que faz do homem um grande homem? Prática. Nada mais. O crescimento espiritual aplica as mesmas leis usadas pelo corpo e pela alma. Se um homem não exercita seu braço, jamais terá músculos. Se não exercita sua alma, jamais terá fortaleza de caráter, nem ideais, nem a beleza do crescimento espiritual. O Amor não é um momento de entusiasmo. O Amor é uma rica, forte e generosa expressão de nossas vidas - a personalidade do homem em seu mais completo desenvolvimento. E, para construir isso, precisamos de uma prática constante.

Aqui entendemos que por detrás de uma grande obra está a inteligência emocional do ser humano. E uma vontade férrea e febril, tão incandescente, em criar num ato constante mesmo sabendo que a perfeição não existe, pois, ao artista, basta-lhe a verdade do sentir, e essa verdade é amor. O artista é um homem que entende que a arte é amor e esta é uma regra que aglutina outras regras. Entende e incorpora que o amor é o segredo da vida e compreende o mundo de uma forma tão aberta porque tem facilidade em ser eloquente na sua expressão, porque possui um dom de carácter nobre, perfeitamente capaz de sensibilizar os corações e as mentes dos seus irmãos humanos e, desta forma, estimulá-los a percecionar a realidade mágica de por aqui andarmos vivos. Este número dois da revista é uma ode ao amor, aos artistas e às suas obras porque reconhece que os artistas são convidados a realizar importantes tarefas do coração sagradas, ou aventuras loucas que vão além dos limites, sabendo sempre que a arte é a maior manifestação genuína da humanidade. E, porque a arte, este património emocional, será sempre fruto do amor, e sendo o amor contínuo, não deixaremos, jamais, a arte morrer! Luís de Vasconcelos ___________________________________________________________ 1Edição especial da pagina www.paulocoelho.com.br, pp. 45-6.


Editorial Amor, Ars Amor So much has already been artistically done around love and with love. Even if the underlying theme is not love, for the artist, an artwork is performed with a loving and suffered devotion and they give themselves to it without reserve during the creative process. They employ love for art, that truth as soul force which gives meaning to their existence, and affords a perspective of this world so that man can understand, in an intimate reading of it, his most genuine human condition: the ability to love. Man has always incessantly sought love, that which can give him the fullness of an experience not put to waste. I do not think there is anything greater than love in the face of the earth. Love is transcendent in relation to the biological, sociological and psychological condition. It is a language as universal as the simplicity of a smile. It rises above the scientific, rational and, consequently, professional fields, extending itself in the realm of the emotional, the metaphysical, the religious and the spiritual. It encompasses the whole epistemological field and goes beyond it, because the emotional has the ability to overfly rational knowledge. This is why the dichotomous balance between reason and emotion is so difficult to achieve in this dual plane. But, truly, love felt, and listened to, by the heart is what always did make humanity move and evolve. Therefore, art is long lived and life is short, as are absolute truths which, eventually, reveal themselves to be obsolete. Reason has an ephemeral life span compared to emotion. Therefore, mankind has always sung and praised love. And so we look at the history of art itself and everything is timeless, even under the weight of centuries. This realization, this heritage, which attests our ability to love what is beautiful through the very act of love, has always been achieved through creativity and ingenuity, through the transversal nature of artistic culture in all its meanings. Artists effectively love art because they see it as a therapy (= ter a pia), a channel that is genuine, a source undefiled, which indeed allows them to translate human nature in its purest form. Art itself has evolved through feeling and has yielded quantum leaps when it broke loose from rigid scholarship, or from a stylistic formula, and grew in a new form of true awareness. And there is always a potential awareness to become, because art

loves love, because it is born of it, and this relationship is as intrinsic as it is commutative. Only art is indeed as real and as true as love, because it mirrors it. Art has always gone hand in hand with love, and with the beauty it contains, albeit in a subjective manner, because tastes are indisputable, but they are all true to love itself. But, in truth, what can one say about those artistic works that have acquired the category of art work and overcome certain tastes? Was it because they survived adverse conditions? Because a lover of the beautiful preserved them? Because an aesthete rated them? I quote from the book O Dom Supremo1 (Summum Bonum), Paulo Coelho’s free translation and adaptation of Henry Drummond’s The Greatest Thing in the World and Other Addresses, from the address “The Greatest Thing in the World,” based on a letter from Paul to the Corinthians: What makes a man a great artist, a great writer, a great musician? Practice. What makes a man a great man? Practice. Nothing more. Spiritual growth applies the same laws used by the body and the soul. If a man does not exercise his arm, he will never have muscles. If you do not exercise your soul, you will never have strength of character, nor ideals, nor the beauty of spiritual growth. Love is not a moment of enthusiasm. Love is a rich, strong and generous expression of our lives the personality of the man in his fullest development. And, to achieve this, we need constant practice.

We thus understand that behind a great work is the emotional intelligence of a human being. And an incandescent iron and feverish will to constantly create, even knowing that perfection does not exist. For the artist, the truth of feeling is enough, and that truth is love. The artist is a man who understands that art is love and this is a rule that unifies other rules. He perceives and embodies the fact that love is the secret of life and understands the world so openly because he has the capacity to eloquently express himself, because he has the gift of noble character, perfectly able to touch the hearts and minds of his fellow human beings and to thus encourage them to perceive the magic reality of being alive here. Number two of the magazine is an ode to love, to artists and their works because it recognizes that artists are invited to perform important tasks sacred to the heart, or crazy adventures that go beyond boundaries, always aware that art is humanity’s greatest genuine manifestation. And, because art, this emotional heritage, will always be the fruit of love, and love being continuous, we will never, ever, let art die! Luís de Vasconcelos ___________________________________________________ 1Special site edition at www.paulocoelho.com.br, pp. 45-6.


SĂ­lvia Marieta, Pintora / Painter


Locus Entre_ Vista Gustavo Santos HM – Neste seu último livro, o grande desafio que lança é agarrar o agora. Como é que arranjamos coragem para fazer isso quando por vezes nos faltam as forças? GS – As forças faltam-nos precisamente porque insistimos em abdicar de sentir. O ser humano é o resultado daquilo que sente e, se deixa de sentir, deixa de ser. A maioria das pessoas, e infelizmente, não é. Deixaram de ser. Desistiram e deixaram de acreditar que é possível viverem apaixonadas. O “Agora” é a cascata de sensações, é o momento em que a mente deixa de interferir e o corpo pode começar a sentir. E não, não é preciso coragem; é preciso que as pessoas queiram querer ser felizes! HM – De que forma é que, na vivência dos dias de hoje, tão acelerados, podemos evitar que nos esqueçamos de ser e nos percamos no caminho? GS – Os dias não são acelerados, as pessoas é que inventam tudo e mais alguma coisa para deixarem de sentir. Mergulham num oceano de obrigações, deveres e responsabilidades, atolam-se de dores e queixas e morrem sem dar por isso. Os dias, de hoje e de sempre, têm vinte e quatro horas e os minutos continuam a ter os mesmos sessenta segundos. É tudo igual, as pessoas é que se perderam. Fazem de tudo para não se encontrarem com elas próprias e é, precisamente, esse o maior perigo em que incorrem. Só há um caminho e ele é para dentro de ti. Se o fizeres aprenderás a respeitar-te, a aceitar-te e a amar-te, assim como aos outros; se não o fizeres, nunca passarás de um ingrato e triste episódio de vida. HM – Sabendo que sugere como principal ferramenta para atingir a felicidade desligarmos o cérebro e ligarmos o coração, como fazê-lo eficazmente? GS – Sermos felizes é a nossa única missão. É igual para todos. Agora, é fundamental elaborar uma lista de tudo o

12

que nos apaixona, daquilo que nos dá borboletas na barriga e nos faz respirar fundo. O meu mais recente livro, Agarra o Agora, tem o exercício certo para desvendar esse segredo. HM – Para si pessoalmente, o agora, enquanto passaporte para ser feliz, de que forma se manifesta em si? GS – Sou um homem feliz há muitos anos e o truque é simples: saber quem sou e respeitar os meus valores. Eu sei exatamente aquilo que mexe comigo, as pessoas e os lugares que me apaixonam, os hobbies que me fazem vibrar e as ocupações que enchem de sentido a minha vida, logo é muito simples para mim entrar no “Agora” e desvincular-me das mentiras da minha mente. HM – Enquanto Life Coach, tendo como premissa amarse a si mesmo, numa relação intrapessoal de auto estima, como transmite essa energia de modo interpessoal no seu quotidiano? GS – Não conseguimos mudar a vida de ninguém, mas podemos inspirar através da nossa verdade. É isso que faço nos meus livros, nos meus vídeos “Cerca de 180 segundos com Gustavo Santos” que se podem encontrar no Youtube e no Sapo Vídeos, nos meus workshops de desenvolvimento pessoal e na minha vida quotidiana. Sendo um homem feliz sinto a obrigação/dever de inspirar os outros a sê-lo também. Um abraço e felicidades, Gustavo Santos, Life Coach


Inter_ View Locus Gustavo Santos HM - In this latest book of yours, the greatest challenge you present to the reader with is that s/he grab the “now”. How do we get the courage to do that when we sometimes lack the strength to? GS – We lack the strength precisely because we insist on relinquishing to feel. The human being is the result of what s/he feels and, if s/he ceases to feel, s/he ceases to be. Most people, unfortunately, are not. They have ceased to be. They have given up and stopped believing that it is possible to live in love. The ‘Now’ is the cascade of sensations, is the moment when the mind ceases to interfere and the body can begin to feel. And no, it doesn’t take courage; what it takes is for people to want to want to be happy!

everything and anything to stop feeling. They dive into an ocean of obligations, duties and responsibilities, bog themselves down with complaints and pain and die without realizing it. The day, nowadays and always, has twenty four hours and minutes continue to have the same sixty seconds. It’s all the same; it is the people who are lost. They do everything they can to avoid meeting with themselves and that is, precisely, the greatest danger they incur. There is only one way and it is into you. If you do it, you will learn to respect yourself, to accept yourself and to love yourself as well as others; if you do not, you will never be anything other than an ungrateful and sad episode of life. HM - Knowing that the main instrument you suggest, in order to achieve happiness, is that we disconnect the brain and connect the heart, how do we go about doing that effectively? GS – To be happy is our sole mission. It’s the same for everyone. Now, it is crucial to develop a list of everything that we love, that which gives us butterflies in the belly and makes us take a deep breath. My latest book, Agarra o Agora (Grasp the Now), has the right exercise to uncover this secret. HM - In what way does the now, as a passport for one to be happy, personally manifest itself in you? GS – I’m a happy man for many years now and the trick is simple: I know who I am and respect my values. I know exactly what moves me, the people and places that make me fall in love with them, the hobbies that make me tingle and the occupations that fill my life with meaning; so it is very simple for me to enter the ‘Now’ and free myself from the lies of my mind. HM – As a Life Coach, having taken as a premise to love yourself, in an intrapersonal relationship of self-esteem, how do you transmit that energy at the interpersonal level in your daily life?

HM - How is it that, in living our daily lives, at this accelerated pace, we can avoid forgetting to be and losing ourselves along the way?

GS - We cannot change anyone’s life, but we can inspire through our truth. That’s what I do in my books, in my videos “Cerca de 180 segundos com Gustavo Santos” (“About 180 seconds with Gustavo Santos”), which can be found on Youtube and Sapo Vídeos, in my personal development workshops and in my daily life. As a happy man, I feel an obligation/duty to inspire others to be so too. A hug and best wishes, Gustavo Santos, Life Coach

GS - The days are not accelerated, it is people who invent

13


Alexandrina Canha

16


Alexandrina Canha, Pintora / Painter

17


Ana Araújo (Aidil)

Meu mundo pleno Meu mundo pleno De vida, sonho e paixão Os passos de chumbo Tornaram-se leves O sol brilhou e inundou o meu ser A Primavera destronou o Inverno E um novo ciclo se abriu. Corpos suados Sem qualquer toque Só o pensamento basta… O Vício doce apela à vida Palavras fortes despertam-me E deixei de ser mortal. A água morna transformou-se em sangue A rotineira vida, em paixão O doce respirar em suspiros A simples ausência em saudade… Pleno é o meu mundo Aidil, Escritora Imagem: © stock.xchng

18


My complete world My complete world Of life, dream and passion The steps of lead Became light The sun shone and flooded my being Spring dethroned winter And a new cycle began. Sweaty bodies Without being touched Just the thought is enough... Sweet addiction calls for life Strong words awaken me And I am no longer mortal. Warm water became blood Routine life, passion Sweet breathing in sighs The mere absence in longing... My world is complete Aidil, Writer Image: Š stock.xchng

19


Ana Ferraz


Ana Ferraz, Pintora / Painter

21


Ana Silva Speechless. The Silence of Pain. As esculturas de madeira do artista italiano Gehard Demetz, tais como “You have stolen my silence”, “For my fathers” e “Your monsters are just like mine” foram o ponto de partida para a elaboração de uma colecção que reflecte a dor do ser humano quando carece de amor e da falta de liberdade para o explorar. As obras anteriormente referidas transparecem uma grande riqueza artística, que se faz denotar através do material utilizado com grande perfeccionismo: a madeira. Mas, para qualquer observador de tais esculturas, o foco psicológico que nelas se manifesta remete para algo profundo e único, levando a esquecer tudo o que assimilámos na nossa mente e no nosso âmago. O material utilizado pelo artista pretende alcançar um mundo de sonhos e de imaginação, de modo a sugerir ao observador que este elabore perguntas sobre as esculturas que visiona: Que passado escondem os olhares tristes daquelas crianças? Para onde olham? O que pensam e o que sentem? Será que foram torturadas e nunca conheceram o amor? O contraste das diferentes expressões das crianças na madeira adquire visualmente a aparência da porcelana. A colecção “Speechless. The Silence of Pain”, Outono - Inverno 2013, pretende transmitir a dor que se faz denotar nas esculturas de Demetz através do vazio e do silêncio do amor. O silêncio originado pela dor do Homem e da Mulher está patente nos detalhes, como nos pequenos cortes da madeira, que simbolizam o vazio provocado pela falta de amor, e nos cintos que, à volta do corpo, proporcionam a inexistência da liberdade para explorar os caminhos do amor. A madeira balsa é o maior detalhe na colecção, uma vez que é modelada e costurada manualmente, mas também

22

porque é através dela que os vazios causados pelo amor se fazem denotar. O processo de modelagem deste material, que recai sobretudo na colocação da madeira balsa num recipiente com água a ferver e posterior modelagem no manequim, poderia ser comparado com o amor, pois é um material frágil e que deve ser cuidado para que não se parta, ou a fragilidade do ser humano quando carece de amor. A conjugação da madeira com a lã, a sarja e a cambraia proporcionam contrastes e texturas na colecção. Designada para mulheres e homens de classe média-alta, com faixa etária compreendida entre os 25 e os 35 anos, a colecção Outono-Inverno 2013 apresenta dois coordenados, um vestido para mulher e um macacão para homem. O lado mais sombrio do amor para o ser humano é algo que originou a colecção “Speechless. The Silence of Pain”, uma vez que, desde criança, quer o homem quer a mulher são expostos a uma possível negação amorosa ou à falta de amor de um parente próximo, mas é também o que os torna mais fortes e o que os leva a procurar preencher esse vazio através do amor. Ana Silva, Designer de Moda Ficha Técnica (Fotografias) Designer de Moda e Têxtil – Ana Margarida Silva Fotógrafo – Marco Nascimento Modelos - Christina Madruga e Nuno Rosa Makeup Artist & Hairstylist – Raquel Mendonça Assistentes – Hildeberta Serpa e Sérgio Alvernaz


Speechless. The Silence of Pain. The wooden sculptures by the Italian artist Gerhard Demetz, such as “You have stolen my silence”, “For my fathers” and “Your monsters are just like mine” were the starting point for the making of a collection that reflects the pain of human beings when in need of love and lacking the freedom to explore it. The above mentioned works evidence a great artistic wealth, which is denoted through the material used with great perfectionism: wood. But, for any observer of such sculptures, the psychological focus that is manifested in them refers one to something profound and unique, leading to the forgetting of everything one has assimilated in one’s mind and in one’s heart. The material used by the artist aims to reach a world of dreams and imagination, to suggest to the viewer that s/ he ask questions about the sculptures being observed: That past do the sad looks of those children hide? Where are they looking to? What do they think and feel? Would it be that they were tortured and have never known love? The contrast of the different expressions of the children on wood visually acquires the appearance of porcelain. The “Speechless. The Silence of Pain “, Autumn - Winter 2013 collection, intends to convey the pain that is denoted in the sculptures by Demetz through emptiness and the silence of love. The silence caused by the pain of Man and Woman is reflected in the details, such as in the small cuts in the wood, symbolizing the void caused by the lack of love, and in the belts which, wound around the body, provide no freedom to explore the ways of love. Balsa wood is the greatest detail in the collection, since it is shaped and sewn by hand, but also because it is through it that the voids caused by love are denoted. The modelling of this material, which falls mainly in the place-

ment of balsa wood in a container with boiling water and later modelling it on the mannequin, could be compared with love, as it is a delicate material and care should be taken so as not to break it, or the frailty of the human being when in lack of love. The combination of wood with wool, denim and chambray provide contrasts and textures in the collection. Assigned to women and men of the upper-middle class, aged between 25 and 35 years, the Autumn-Winter 2013 collection features two coordinates, a dress for women and an overall for men. The darker side of love in humans is what gave origin to the “Speechless. The Silence of Pain “collection, since, while children, both man and woman are exposed to a possible denial of love or lack of love of a close relative, but it is also what makes them stronger and urges them to endeavour to fill in this emptiness through love. Ana Silva, Fashion Designer Technical Data Sheet (Photos) Fashion and Textile Designer - Ana Margarida Silva Photographer - Marco Nascimento Models - Christina Madruga and Nuno Rosa Makeup Artist & Hairstylist - Raquel Mendonça Assistants - Hildeberta Serpa and Sérgio Alvernaz

23


Ana van Eck O que sei eu de Amor? O que sei eu de Amor? Aquilo que pressinto saber num dia e o que a propósito invento noutro não passam de tentativas de serenar a interrogação, essa amiga antiga em forma de anzol que teimosamente se ajeita a meu lado, a curva a amarrotar o descanso que eu tencionava gozar nesta tarde de Outono. Olho o vaso de barro onde, na minha varanda em África, cresce o manjericão. Esse verde debruado de flores brancas que acrescento às saladas, a exalar perfume sempre que toco nele, é porventura amor - ou uma espécie, pois aceito que nem todos os amores sejam perfumados, nem tão pouco servirão para toda a mesa. Fosse o momento mais escuro, menos dourada a luz deste dia, e ter-me-ia perdido no tumulto, por vezes doce, por vezes amargo, causado pela recordação de outros amores, em forma de gente, que se viveram e se foram perdendo. Como custa entender o que se sentiu em certos instantes e como foi possível que o sonho, a ideia, a palavra se tivessem transformado num estar de embaraços e desgastes que nem os mais teimosos, os mais pacientes, alguns cegos e outros sábios, conseguem restituir à forma original? Mas que forma é essa? Talvez as mesmas letras que se sentem na carícia de uma brisa, no olhar profundo e suspirado de um cão, na lágrima que se enrola na voz porque se estilhaçou o invólucro de pedra e se pôde voltar a ser criança. Pergunto-me por que razão o amor se deixa preencher de chavões, de lugares-comuns, apregoando-se em tons de rosa, vermelho e variantes, como se nunca tivesse reparado no castanho das extensões de capim, endurecido pela secura fria dos ventos, abertas ao azul intenso e distante do céu do Karoo; como se não soubesse que os elefantes

24

cinza que Lawrence Anthony salvara percorreriam distâncias, em resoluta marcha, para lhe prestar homenagem após a sua morte e que teriam permanecido no local de residência da família durante dois dias negros. Mas quem anda por aí atento, de olhos ao alto e olhos no chão, não terá deixado de sentir essa força que impulsiona, essa luz que se enrosca em nós, essa soltura que dá sentido às pequenas grandes coisas e nos leva a cumprir afectos, a crescer solidários, a alimentar cumplicidades pois que o Amor é mais bem apetecido se nele houver retorno – é o caso das planícies secas que percorro e onde descubro o mais branco dos sossegos. E quem souber dos guerreiros que há entre os seus amigos e tiver sido tocado pela adolescência do seu riso, pela maturidade dos seus cuidados, pela velhice do seu saber; quem reconhecer a coragem e a beleza no gesto de um estranho, ou o calor de um filho, de um pai, do Sol e se deixar ornar pela prata da Lua, pouco se ralará com a partida de alguém que não nos terá merecido inteiramente, mesmo tendo havido instantes, ou quase uma vida, em que teremos sido seus. E existe sempre um pouco de seu que nos sobra para fazer lembrar que há amores maiores que se extinguem, há amores menores que se transformam e há desamores Reticente e menos anzolada, a interrogação reclina-se no sofá. Ia jurar que sentira a doçura dos momentos calados. Quanto aos amores cor-de-rosa, já ela sabia que só terei certezas quando finalmente tiver vivido 100 anos. Ana van Eck, Escritora Imagem: © stock.xchng


What do I know about Love? What do I know about love? That which I feel I might know on one day and that which, to that end, I make up on the next are nothing more than attempts to pacify the questioning, that old friend with the shape of a hook that stubbornly nestles at my side, its curve crumpling the respite I had intended to enjoy this autumn afternoon . I eye the clay flower pot in which, on my verandah in Africa, basil grows. That green herb fringed with white flowers that I add to salads, exhaling fragrance whenever I touch it, is perchance love - or its kind, for I accept that not all forms of love are fragrant, nor are they meant for any which table. Were this a more sombre moment, less golden the light of this day, and I would have lost myself in the tumult, sometimes sweet, sometimes bitter, caused by the memory of other loves, in human form, which were lived and were gradually lost. How difficult it is to understand what one felt at certain moments and how was it possible that the dream, the idea, the word were shaped into states of embarrassment and distress which not even the most stubborn, the most patient, some blind and others wise, are able to restore to its original form? But what form is this? Perhaps the same letters one feels in the caress of a breeze, in the deep and sighed gaze of a dog, in the tear that wraps itself in one’s voice because one has shattered the stone casing and is once again able to be a child. I wonder why love allows itself to be filled with clichés, with commonplaces, proclaiming itself in shades of pink, red and variant hues, as if it had never noticed the brown of the vast expanses of grass, hardened by cold dry winds, open to the intense and distant blue sky of the Karoo; as if it did not know that the grey elephants Lawrence Anthony had saved would travel distances, in resolute march, to

pay tribute to him after his death and would have stayed at the place of residence of the family for two dark days. But whoever is out there paying attention, looking high and low, will not have gone without feeling that driving force, that light that wraps around us, that liberation that gives meaning to small big things and prompts us to fulfill affections, to grow up in solidarity, to nurture complicity, since Love is all the more desired if there is return to be found in it – it is the case of the dry plains that I roam and where I discover the whitest peace. And those of us who know of the warriors to be found among our friends and have been touched by the adolescence of their laughter, by the maturity of their care, by the elderliness of their knowledge; those who recognize the courage and beauty in the gesture of a stranger, or the warmth of a son, a father, the sun and let themselves be adorned by the silver of the moon, will hardly care about the departure of someone who did not fully deserve us, even if there were moments, o�r nearly a lifetime, during which we were theirs. And there is always a little of them that remains to remind us that there are greater loves that cease to exist, that there are lesser loves that metamorphose and that there is lovelesness. Reluctant and less hooked, the questioning reclines itself on the sofa. It could have sworn that it had felt the sweetness of the quiet moments. As for romantic love, it already knew that I will only have certainties when I have finally lived 100 years. Ana van Eck, Writer Image: © stock.xchng

25


AndrĂŠ Fradique


AndrĂŠ Fradique, Escultor / Sculptor


Andreia N贸brega


Andreia N贸brega, Desenhadora / Draughtswoman


António Madaleno

hp://alexanderoak.blogspot.com

AMOR & DOR (em prosa poética) A unidade essencial é apenas um pontinho demasiado oscilante e frágil do ser. Por isso, a enigmática existência humana projeta-se na negatividade construtora e afirmação positiva do nosso ser no mundo. Ironicamente, das grandes derrotas e pequenas vitórias nasce esta antropológica e essencial harmonia feita de amores & dores. E enquanto os Wotjobaluk sabem que “A vida de morcego é uma vida de homem”, nós não compreendemos e sistematicamente fugimos, cobardes, à nossa humana condição. Muitas vezes, até nos atrevemos, bestialmente, na pueril e ridícula tentativa de capturar e aprisionar o Demiurgo Criador Deus. E ao desacreditarmos no que não se vê, neste não sei quê divino e humano, ficamos ainda muitíssimo incapazes de entender a necessidade ontológica de fechar os nossos olhos quando finalmente dormimos e nos beijamos. Afinal, não compreendemos a verdade trágica do mito de Sísifo e a nossa mais autêntica sub condição humana. E ainda assim, se ninguém aprendeu a conjugar o verbo amar, demasiado arriscado e difícil, todos teremos de pagar um determinado preço demasiado alto. E a viagem corresponde à própria passagem rápida do nosso ser no mundo. Sofrer & morrer. O objectivo não é sermos perfeitos, ou resistir e superar a volatilidade do tempo, ou batalhar e vencer a dureza do espaço… Na verdade, o objectivo autêntico é apenas a empresa de ser, amar & ser inteiro. E a pior infelicidade que alguém pode ter é, por assim dizer, ter atravessado a toda vida sem sentir dores e significa que se ficou demasiado à superfície das coisas mais essenciais, amor & dor. António Manuel Cerdeira Madaleno, Professor de Filosofia Imagem: Alexandre Carvalho , Pintor | http://alexanderoak.blogspot.com

30


LOVE & PAIN (in poetic prose) Essential unity is just a too fragile and oscillating blip of being. Therefore, the enigmatic human existence is projected in the constructive negativity and positive affirmation of our being in the world. Ironically, out of great losses and small victories arises this anthropological and essential harmony made ​​of love & pain. And while the Wotjobaluk know that “The life of the bat is the life of a man,” we do not understand and systematically flee, like cowards, from our human condition. Often, we even dare, bestially, in a puerile and ridiculous attempt to capture and imprison the Demiurge Creator God. And, in disbelieving what we do not see, in this mixture of human and divine, we are still very much unable to understand the ontological need to close our eyes when we finally sleep and kiss. After all, we do not understand the tragic truth of the myth of Sisyphus and our most authentic sub human condition. And yet, if no one has learned to conjugate the verb to love, too risky and difficult, we will all have to pay too high a price. And the journey corresponds to the rapid passage itself of our being in the world. To suffer & to die. The aim is not for us to be perfect, or to resist and overcome the volatility of time, or to fight and conquer the harshness of space... Actually, the authentic goal is just that of being, loving & being whole. And the worst misfortune that anyone can have is, so to speak, that of having gone through the whole of life without feeling pain and it means one just stayed too much at the surface of the most essential things, love & pain. António Manuel Cerdeira Madaleno, Philosophy Teacher Image: Alexandre Carvalho , Painter | http://alexanderoak.blogspot.com

31


Clara Vasconcelos

Amor pela casa!

Love for the home!

Amor pelo nosso espaço, pela nossa casa, pelo que é nosso! Sim! É nosso! Somos nós que lá vivemos, é na nossa querida casa, onde acolhemos a nossa família em qualquer momento, ouvimos os risos dos nossos amigos, onde construímos e partilhamos a nossa história e refletimos a nossa personalidade. É na nossa casa que vivemos e sentimos as verdadeiras emoções, é nela que nos encontramos e é ela que nos acolhe. Sinta a sua casa! Sinta o cheiro, o som, a luz que lá habita, que caracteriza sensações exclusivas do seu espaço. É, de facto, especial. Todos nós temos algo de peculiar em nossa casa. Retrate na decoração a sua personalidade e, moldada ao seu estilo de vida, construirá um espaço cada vez mais único. Sinta o equilíbrio e ame incondicionalmente este lugar, que será o palco da sua vida. Decorar um espaço é entrar numa história de alguém, onde tenho o privilégio de lá deixar uma nova estrutura de vida e espaço, para mostrar novos caminhos, novas sensações, conforto e bem-estar, enriquecendo a qualidade de vida, para que a historia continue a ser contada por quem lá habita. Ame a sua casa!

Love for our space, for our home, for what is ours! Yes! It is ours! It is us who live there, it is our sweet home, where we welcome our family at any time, where we hear the laughter of our friends, where we build and share our story and reflect our personality. It is in our home that we live out and feel true emotions; it is there that we find ourselves and are welcomed. Feel your home! Feel the smell, the sound, the light that dwells there, which features the unique sensations of your space. It is truly special. We all have something peculiar in our home. Depict your personality in your decoration and, moulded to your lifestyle, you will achieve an ever more unique space. Feel the balance and unconditionally love this place; it will be the stage of your life. Decorating a space is entering someone’s story, where I have the privilege of leaving a new life structure and space to show new possibilities, new sensations, comfort and well-being, enriching the quality of life, so that the story may continue to be told by those who live there. Love your home!

Clara Vasconcelos, Decoradora de Interiores Imagem: Clara Vasconcelos

32

Clara Vasconcelos, Interior Designer Image: Clara Vasconcelos


33


Cristina Troufa


Cristina Troufa Pintora / Painter | http://cristina-troufa.blogspot.com


DesidĂŠrio Sargo

36


DesidĂŠrio Sargo, Escultor / Sculptor

37


Diana Julia Sousa de la Fuente

Coração de Sombras Submersa na angústia, sentindo a eminência da morte, numa última tentativa de salvar-se, ela agarrou-se à mão do estranho cavalheiro que emergira das trevas. Sentiu os seus dedos frios fechando-se sobre ela, aprisionando-a. Arrependeu-se. Quis soltar-se, mas ele apertou-a ainda com mais força. - De acordo – disse com um sorriso de satisfação. Através da cortina das suas próprias lágrimas, viu como ele se inclinava sobre o seu rosto. Ficou horrorizada perante a ideia de que ele pudesse beijá-la, mas o seu objetivo não era esse. Uns dentes caninos afiados brilharam na noite antes de se afundarem no seu pescoço. Na manhã seguinte, encontraram o seu leito vazio. Um livro no qual o amor e a morte andam de mãos dadas Julia de la Fuente, Escritora http://juliadelafuente.blogspot.com.es

38

Heart of Shadows Sunk into her anguish, feeling the imminence of death, in a last attempt to escape, she clutched a strange gentleman’s hand who appeared out of the shadows. She felt his cold fingers clenching over her, trapping her. She regretted it. She wanted to release herself but he squeezed her even more. - Done deal – he said with a pleased smile. Through the curtain of her own tears, she saw how he bent down over her face. She was horrified at the idea that he was about to kiss her, but his aim was not that. Sharp fangs shone in the darkness before biting her neck. The following morning, they found her bed empty. A book in which love and death walk hand in hand. Julia de la Fuente, Writer http://juliadelafuente.blogspot.com.es


Diana Sousa, Pintora / Painter | http://dianadesousa.blogspot.com


Diego Velez

40


Diego Velez, Pintor / Painter | http://www. saatchionline.com/capricho


Eduardo Tavora (Marinho Tavora)


Eduardo Tavora (Marinho Tavora), Pintor / Painter


Eker Sommer As esferas Um dia Aristófanes contou, no célebre Banquete de Platão, que cada homem era originalmente uma esfera. Tinha quatro mãos, quatro pernas, dois rostos numa única cabeça e dois órgãos genitais. Assim, completos, os homens possuíam uma força imensa que os fazia extremamente orgulhosos ao ponto de um dia se atreverem a escalar os céus para combater os deuses. Estes, embaraçados com a ousadia humana, não podiam matar os prevaricadores – se o fizessem não teriam quem os honrasse – pelo que Zeus decidiu cortá-los ao meio. Apolo retocou-lhes as metades perdidas da cara e do pescoço enquanto o deus curandeiro lhes amarrou fortemente, no ventre, todas as carnes sobressalentes, deixando-lhes apenas uma abertura, o umbigo, testemunho vivo do castigo recebido pela falta de humildade. Mutilados de metade de si mesmos, os homens tentaram, em vão desespero, recuperar a parte ausente. Sofriam terrivelmente. Morriam até de fome. Zeus, tomado de piedade, criou então Eros, o pai do erotismo, para suprir a carência que punha em causa a própria sobrevivência da espécie humana. Fazendo com que os órgãos sexuais de cada metade passassem da parte de trás para a da frente, Zeus inventou o prazer sexual não apenas como uma incitação à procriação mas também, e sobretudo, como uma forma de consolo para a terrível dor da perda. O orgasmo foi então concebido como o momento efémero do esquecimento da incompletude que nos define como seres humanos. E assim surgiu o motivo de inúmeras variações poéticas e literárias que, desde a Antiguidade, fazem crer que o homem é essencialmente um ser incompleto que tem de se lançar em busca da “sua meia laranja”, de modo a recuperar a integridade perdida. Pouco me importa se a narrativa de Aristófanes tem fundamento ou não, sei apenas que ela traduz a essência do amor, esse sentimento inefável que tanto nos pode embrutecer como tornar heróis de um altruísmo ímpar. É o sentimento que nos impele à procura da outra parte de nós, cuja ausência nos torna, como diria Pessoa a

44

propósito da loucura, “cadáveres adiados” talhados apenas para procriar. Mas como tudo o que nos leva aos píncaros do céu também nos arrasta às profundezas dos infernos, não consigo deixar de me lembrar das palavras de Ricardo Reis ao propor a Lídia que, em vez de trocarem carícias e beijos, contemplassem a passagem do rio. Só assim, sem consumarem fisicamente o amor, nada teriam a recear quando um deles partisse. Nada sofreriam porque não haveria a recordar senão tranquilos momentos passados à beira rio, com flores no regaço. Confesso que a proposta de Reis é tentadora na medida em que previne o sofrimento, a dilaceração provocada pelo fim do amor. Mas a pergunta que me faço mantémse: valerá a pena ser “cadáver adiado” em vez de amante apaixonado e mártir anunciado? Perco-me na resposta porque já amei desenfreada, perdidamente, já fiz figuras parvas, já me humilhei, já implorei, tudo por um amor cego e incondicional. Voltaria a fazê-lo, não por ele, mas por mim. Porque a experiência de amar ensinou-me que, sem a nossa verdadeira outra metade, não somos nada. E, por isso, em vez de me sentar a ver o rio passar, andarei sempre à espera de que a minha outra metade me encontre para que, juntos, possamos voltar a desafiar os deuses e, se preciso for, fazer-lhes um umbigo que lhes recorde que o amor é, sem sombra de dúvidas, o único verdadeiro trunfo da imanência sobre a transcendência. Eker Sommer, Jornalista Imagem: © HeartMagazine


The spheres One day Aristophanes stated, in Plato’s renowned The Banquet, that every man was originally a sphere. He had four hands, four legs, two faces on one head and two genitals. Thus, complete, men possessed an immense strength that made them extremely proud to the point that, one day, they dared to climb the sky to fight the gods. These, embarrassed by the human audacity, could not kill the offenders - if they did so, they would not have anyone to honour them - so Zeus decided to cut them in half. Apollo retouched the lost halves of their face and neck while the healer god tied all the spare flesh strongly at the waist, leaving it with only one opening, the navel, the living testimony of the punishment received due to the lack of humility. Having been mutilated of half of themselves, the men tried, in vain despair, to recover the missing part. They suffered terribly. They even died of starvation. Zeus took pity and then created Eros, the father of eroticism, to supple-

ment the deficiency that endangered the very survival of the human species. Causing the sexual organs of each half to pass from the back to the front, Zeus invented sexual pleasure, not only as an incitement to procreation, but also and above all as a form of consolation for the terrible pain of loss. The orgasm was then conceived as the ephemeral moment of forgetfulness of the incompleteness that defines us as human beings. And thus came into being the subject of numerous literary and poetic oeuvres which, since antiquity, lead one to believe that man is essentially an incomplete being that needs to go out in search of his “half an orange” in order to regain the lost integrity. It little matters to me whether the narrative of Aristophanes is justified or not. All I know is that it construes the essence of love, that ineffable feeling that may both render us brutish or turn us into heroes of unique unselfishness. It is the feeling that impels us to search for our other part, the absence of which, as Pessoa would state in relation to madness, makes us “postponed corpses”, tailored only to procreate. But, as everything that leads to the heights of heaven also drags us into the depths of hell, I cannot help but remember the words of Ricardo Reis when he proposes to Lydia that, instead of exchanging caresses and kisses, they contemplate the river flowing by. Only thus, without physically consummating love, would they have nothing to fear when one of them departed. They would not suffer at all because there would be nothing to remember but quiet moments spent on the banks of the river, with flowers in their laps. I confess that Reis’s proposal is tempting in that it prevents suffering, the disruption caused by the end of love. But the question I ask myself remains: is it worthwhile being a “postponed corpse” rather than a passionate lover and martyr to be? I lose myself in the answer because I have already experienced rampant, desperate love, I have already been a fool, humbled myself, begged, all for a blind and unconditional love. I would do it again, not for him, but for myself. Because the experience of loving has taught me that without our true other half we are nothing. And so, instead of sitting and watching the river flow by, I will always be waiting for my other half to find me so that, together, we may again challenge the gods and, if need be, make them a navel that may remind them that love is, without a doubt, the only true advantage of immanence over transcendence. Eker Sommer, Journalist Image: © HeartMagazine

45


Filipa Ven창ncio

46


Filipa Ven창ncio, Pintora / Painter

47


Gonรงalo Gomes

http://www.youtube.com/watch?v=BWsXYZm9GZI

48


Gonรงalo Gomes, Artista Audiovisual, Audiovisual Artist

49


Inmanuel Gonรงalves (OUTphotography)


Inmanuel Gon莽alves (OUTphotography), Fot贸grafo / Photographer


Joana Costa

52


Joana Costa, Designer de Comunicação / Communication Designer

53


Joana Gomes (Reffelia)


Joana Gomes (Reffelia), Pintora Digital / Digital Painter


Juan Gonรงalves (Vieira Gonรงalves)

56


Juan Gonรงalves (Vieira Gonรงalves), Ilustrador / Illustrator

57


Leonor Brilha

58


Sardinoscope

Sardinoscope

Luz, câmara, acção! As Festas de Lisboa vão começar :) A sardinoscope é como uma câmara, grava nas nossas memórias o que há de melhor nas festas populares. Quando ouvimos a palavra mágica “sardinha”, ela começa a gravar e nós seguimos o guião. Juntamos os amigos, perdemos horas na conversa fiada. Há música e dança, e quando a noite chega ao fim ficamos à espera do remake, porque para o ano queremos tudo igual: amigos, música e sardinha no pão, como manda a tradição. Esta é a minha Sardinha. Uma sardinha que nos traz à memória os melhores momentos das festas populares. Projeta a tradição portuguesa, é uma sardinha vermelho paixão, paixão pelo que é nosso, pelo que é português.

Light, camera, action! The Lisbon Festivities are about to begin :) The sardinoscope is like a camera, it records in our memories the very best of popular festivities. When we hear the magic word “sardines”, it starts recording and we follow the script. We get friends together, let hours go by in conversation. There is music and dancing, and when the night comes to an end we await for the remake, because next year we want everything to be the same: friends, music and sardines on bread, as tradition dictates. This is my Sardinha. A sardine that brings to mind the best moments of the popular festivities. It projects the Portuguese tradition, it is a passion red sardine, passion for what is ours, for what is Portuguese.

Leonor Brilha, Artista Plástica / Designer Gráfico http://www.leonorbrilha-graphicdesign.com http://www.leonorbrilha-art.com

Leonor Brilha, Artist / Graphic Designer http://www.leonorbrilha-graphicdesign.com http://www.leonorbrilha-art.com

59


LĂ­gia Gontardo


LĂ­gia Gontardo, Pintora / Painter


Luis Costa

(Pessoa e Costa)


Luis Costa (Pessoa e Costa), Pintor / Painter


LuĂ­s Vieira

(Filipe Vieira)


LuĂ­s Vieira (Filipe Vieira), Pintor / Painter


Luísa Spinola

A Menina Celeste “A mãe tem sempre o papel principal e com ele reveste a casa toda.” Eugénio Roda

O PAPEL, sobreposto, colado, desenhado, evidência uma amálgama de vivências, evocam um tempo passado, as minhas memórias de infância. Molda-se, dobra-se, desdobra-se, rasga-se, desfaz-se, ganha forma, a mãe cobre, afaga e tece uma malha com uma linha ininterrupta, numa pausa entre um trabalho revela alguma inquietação, uma ansiedade um som apressado continua a se ouvir na maquina de costura .... Luísa Spinola, Pintora

66


Miss Celeste “A mother always has the main role and with it clothes the whole house.” Eugénio Roda

THE PAPER, overlapped, glued, drawn, evidences an amalgam of experiences, evokes a time past, my childhood memories. It gets molded, folded, unfolded, torn, undone, takes shape, mother covers, fondles and weaves a mesh with an endless thread, during a pause between work she reveals restlessness, anxiety a rushed sound continues to be heard at the sewing machine .... Luísa Spinola, Painter

67


Maria Perneta

(Cristina Perneta)


Maria Perneta (Cristinna Perneta), Pintora / Painter


Mariana de Vasconcelos Amor, esse fogo. Amor? Amor é uma palavra curiosa! O que é? O que provoca? Como se sabe que se o sente? Quais são os gestos que o demonstram? Entre que seres da nossa pequena aldeia global pode ser sentido? Afinal, o que é esta pequena palavra que tanta incerteza provoca? Questões muito pertinentes, principalmente tendo em conta que todos nós, apelidados cientificamente de Homo Sapiens Sapiens (entenda-se que o segundo ‘Sapiens’ surgiu de modo a reforçar a sabedoria conseguida relativamente aos antecessores), somos uma suposta evolução dos muito primitivos Homo (estes ainda não extintos, para quem for dado à curiosidade) e deveríamos ser uma sociedade mais desenvolvida. Mas quem somos nós para ser dotados da dupla adjetivação de “sábios”?! Afinal, vivemos num mundo que quanto mais evolui cognitivamente, mais decresce emocionalmente. Um mundo que se revela mais e mais ligado ao físico, ao palpável, ao concreto e que se “esquece”, muitas vezes, que a humanidade vai para além do que é externamente visível. Como podemos falar em amor se amor é provavelmente o termo mais abstrato que existe? E se, com base nas demonstrações diárias, nós somos o melhor exemplo de vulgaridade, futilidade e ceticismo existente? Amor, para mim, mera componente humana de um simples planeta do Universo, é algo que deve ser entendido como um sentimento intenso e que deve derivar da maior das sinceridades. É uma palavra simples, conhecida por todas as gerações; é algo intrínseco na humanidade. A questão que se coloca é se sabem, efetivamente, o que significa esta palavra. Assim, ao amor são atribuídas as mais variadas explicações, diariamente e de Oceano a Oceano, que navegam ao sabor de um imenso leque de sensações. É o único sentimento que está presente em todos os momentos da nossa vida, desde aqueles que tanto nos marcam por serem agradáveis, como aqueles que tão amargurados nos deixam por se revelarem desagradáveis. (Entendo eu que a frivolidade, superficialidade e ceticismo bloqueiam regularmente a correta compreensão do mencionado

70

sentimento, pois momentos de raiva e/ou de felicidade podem proporcionar um egocentrismo extremo que leva à falta de atenção ao amor sentido.) Eu acredito que o amor, contrariamente ao que a comum e mortal ilusão advoga, demonstra-se nos mais (in)significantes momentos. Está no Homem que trata da Natureza para a garantir a preservação da flora e fauna; está também naquele que, pelo seu labor, faz chegar os bens de consumo essenciais a toda a humanidade para que esta possa ter uma vida minimamente digna, ajudando assim a manter o equilíbrio do globo terrestre. São estes os simples gestos com que o Homem assegura o amor que tem à vida, vida esta essencial ao pleno funcionamento de um todo entendido como superior, o Universo. Mas o amor, o amor é ainda muito mais do que dar vida! Amor é ter a própria vida e fazer dela um misto de vivências e sensações, é correr pelas estradas do mundo, naturais ou artificiais, e saber quem somos e o que fazemos, é olhar à volta e ver um puzzle de magnas dimensões no qual unimos as peças à escala universal e, para as unir, temos que relembrar a Natureza e a diversidade étnica. Amor é o transformar de uma simples folha de papel em arte e dá-la, de si, para o mundo, é pegar numa pauta e construir a melodia incansável dos sentimentos e dançar, incessantemente, ao sabor desta, é fazer um retrato e nele guardar o melhor do momento, é transformar a escuridão da noite na luz das estrelas. O amor é um ato inigualável acessível ao mundo inteiro. Para amar, não existem classes sociais, diferenciações étnicas ou orientações sexuais. O amor é refletido no brilho do olhar daqueles que nos deram vida, aparece no sorriso daquele familiar especial sem o qual não nos imaginamos, sente-se no beijo do ser que nos completa, está presente no abraço de uma amizade verdadeira. E, ainda, refletido no nosso espelho, espelho esse que faz com que todo o Homem tenha a certeza de que existe e faz-nos relembrar a significância que esses tão simples momentos de amor têm na nossa vida, tanto para os outros como para nós próprios. São esses os momentos que nos marcam e fazem de nós a pessoa que somos, com virtudes e defeitos mas, certamente, acompanhadas de amor nosso e daqueles que nos rodeiam. Camões uma vez disse, “Amor é fogo que arde sem se ver.” Num século tão distante como o século XVI, este grande poeta português conseguiu numa curta frase explicar o inexplicável. Camões reconheceu que o amor aquece como a alegria, arde como a mágoa, ilumina como a esperança e só se apaga quando “sopramos” uma última vez. No entanto, contrariamente ao que disse Camões, tudo isto se vê, desde que se ame. Mariana Vasconcelos, Estudante Imagem: © stock.xchng


Love, that fire. Love? Love is a curious word! What is it? What does it cause? How do you know what it is that you feel? What gestures show it? Among which beings of our global village can it be felt? After all, what is it with this little word that causes so much uncertainty? These are very relevant issues, especially given that all of us, scientifically dubbed Homo sapiens sapiens (meaning that the second ‘sapiens’ was awarded to reinforce achieved wisdom in relation to predecessors), are a supposed evolution in relation to the very primitive Homo (these not yet extinct, for whoever is curious enough) and should be a more developed society. But who are we to receive a double adjective of “wise”?! After all, we live in a world that, the more it evolves cognitively, the more it decreases emotionally. A world which is more and more connected to the physical, the tangible, the concrete and often “forgets” that humanity goes beyond what is externally visible. How can we talk about love, if love is probably the most abstract existing term? And if, on the basis of daily demonstrations, we are the best example of vulgarity, frivolity and scepticism that exists? Love, for me, who am but a mere human component of a single planet in the universe, is something that should be understood as an intense feeling and must derive from the greatest sincerity. It is a simple word, known to all generations; it is something intrinsic to humanity. The question that arises is whether it actually knows what this word means. Thus, a variety of explanations are assigned to love, daily and from Ocean to Ocean, swirling around in a turmoil of different sensations. It is the only feeling that is present in every moment of our lives, from those that mark us for being so good, to those that make us bitter because they have proved unpleasant. (I understand that frivolity, superficiality and scepticism regularly block the correct understanding of the aforementioned feeling, as moments of anger and/or happiness can bring about extreme egocentricity which leads to lack of attention to the love felt.) I believe that love, contrary to what the common and pernicious illusion advocates, reveals itself in the most (in)significant moments. It is the Man who takes care of Nature to ensure the preservation of flora and fauna; it is also in the one who, by his/her labour, makes it possible for the essential consumer goods to reach all of mankind so it

can have a minimally decent life, thus helping to maintain the globe’s balance. It is in these simple gestures that man ensures the love he has for life, life which is essential for the perfect functioning of a whole perceived as superior, the Universe. But love, love is yet much more than giving life! Love is having life itself and turning it into a mix of experiences and sensations, is running the roads of the world, whether natural or artificial, it is knowing who we are and what we are doing, it is looking around and seeing a puzzle of outstanding dimensions to which we add pieces on a global scale, and to place them, we have to recall nature and ethnic diversity. Love is to turn a single sheet of paper into art and to give it, from one’s self, to the world; it is to take a music sheet and to develop the untiring melody of feelings and dancing, incessantly, to its tune; it is to take a picture and save the best of a moment in it; it is to transform the darkness of night into the sparkle of the stars. Love is an unparalleled act, accessible worldwide. In order to be able to love, social class, ethnic difference or sexual orientation do not matter. Love is reflected in the brightness of the gaze of those who gave us life, it appears in the smile of a special family member without whom we cannot imagine ourselves, it is in the kiss of the one who completes us, it is present in the embrace of true friendship. And it is also reflected in our mirror, the one that makes every Man certain that he is and reminds us of the significance that these simple moments of love have in our life, both for others and for ourselves. These are the moments that mark us and make us the person we are, with virtues and flaws but certainly in the company of our love and that of those around us. Camões once said, “Love is a fire that burns unseen.” In a century as far away as the sixteenth century, this great Portuguese poet succeeded, in a short sentence, to explain the unexplainable. Camões recognized that love warms like joy, burns like grievance, illuminates like hope and is only extinguished when we “blow” one last time. However, contrary to what Camões said, all of this can be seen as long as one loves. Mariana Vasconcelos, Student Image: © stock.xchng

71


Marina Vargas


La piedad Invertida o la madre muerta. 2012-2013. “cortesia Costantini Art gallery. Milán.” Marina Vargas, Artista Plástica / Artist


Martim Pedroso

74


AGORA NO TIVOLI

O GRANDE SALÃO

uma comédia musical a partir da rede social mais famosa do mundo, o FACEBOOK. Convidamos, pela 3ª vez, o público lisboeta a fazer parte deste   acontecimento teatral, especialmente burguês, que se serve  da rede social mais famosa do mundo, o Facebook. Este é um espectáculo de comments, shares, diálogos e emoticons feitos carne e nervos, um salão confortável e surpreendente, onde todos entram sem bater à porta. Quem não entra é porque teima em ficar de fora...O Grande Salão é um lugar-manifesto, um «muro das lamentações» dos tempos modernos ou uma montra de egos exacerbados. Spot de voyeurs, de activistas e românticos, mas também de apocalípticos e de cínicos. Um objecto poético e político que se serve da banalidade para construir um discurso sobre este espectáculo que é o mundo. We’ll keep on posting in a free world...

Um espectáculo Martim Pedroso & Nova Companhia 3 a 27 de Julho no Teatro Tivoli BBVA Martim Pedroso, Ator

NOW PLAYING AT THE TIVOLI

THE GRAND PARLOUR

a musical comedy inspired in the world’s most famous social network, FACEBOOK. For the 3rd time, we invite the Lisbon public to be part of this theatrical event, especially bourgeois, which uses the world’s most famous social network, Facebook. This is a show of comments, shares, dialogues and emoticons made ​​flesh and nerves, a comfortable and amazing parlour where all may enter without knocking. Whoever does not go in is because s/he stubbornly chooses to stay out... The Grand Parlour is a place-manifesto, a “wailing wall” of modern times and a showcase of exacerbated egos. A spot for voyeurs, activists and the romantic, but also for the apocalyptic and cynical. A poetic and political object which uses banality to construct a discourse about this show that is the world. We’ll keep on posting in the free world... A show by Martim Pedroso & Nova Companhia Playing at the Tivoli Theatre BBVA, 3- 27 July Martim Pedroso, Actor

75


Matt Kay


Matt Kay, Ilustrador Digital / Digital Illustrator | http://issuu.com/pictionmedia/docs/ba-brochure-working-artwork_v5


Natalie Turner

“Anónima” A peça fotográfica “anónima” foi criada a partir de várias encenações improvisadas. Baseada em memórias pessoais e na obra “Carne e o Espelho” (1974), um conto de Angela Carter sobre desempenho social e identidade. Natalie Turner, Fotógrafa

“Anonymous” “Anonymous” was created from several improvised performances. Triggered from personal memories and inspired by ‘Flesh and the Mirror’ (1974), a short story by Angela Carter about performance and identity. Natalie Turner, Photographer


Natalie Turner, Fot贸grafa / Photographer


Nuno Gandra


Nuno Gandra, Pintor / Painter


Nuno Raminhos


Nuno Raminhos, Pintor / Painter


Paul Anderson O Amor pelo Rei Nunca Morrerá. O amor pode ser definido de muitas maneiras: pureza, inocência, adoração, adulação e sacrifício, entre outras. No meu caso, e relacionada com arte, esta palavra mágica simboliza a tentativa de copiar um artista que me cativou e inspirou desde criança. Não um dos clichés do panteão artístico do séc. XX, mas sim um humilde artista de banda desenhada chamado Jack Kirby, que eu acho que foi o melhor desenhador, visionário e ícone deste género. Jacob ‘Jack Kirby’ Kurtzberg (1917-1994) foi um desenhista americano, escritor e editor que, em parceria com Stan Lee (editor-chefe da Marvel Comics) criou um novo dinamismo estético no narrar da história, algo nunca visto até então. O que me impressionou mais no estilo do Jack, foi o poder imediato dos seus esboços a lápis, mesmo sem levarem tinta, que infundia vida aos seus super-heróis. Apesar de talvez um pouco “pesados” e de aspecto “monobloco”, a sua técnica extraordinária dava-lhes uma leveza graciosa que descrevia, na perfeição, a forca e a fraqueza que tornavam os seus super-heróis mais profundos e humanos. Enquanto criança sensível, eu ficava extasiado ao vê-los mover de página em página. O que poderia ser mais espetacular, nessa altura, do que ler Marvel Comics durante o período do seu apogeu? Quando descobri que o Sr. Kirby e eu tínhamos passados semelhantes, fiquei a idolatrá-lo ainda mais. Ambos tínhamos esta necessidade extrema de escapar de uma infância de pobreza asfixiante. Eu cresci num bairro famoso, uma experiência de habitação social na zona leste de Londres. O Jack cresceu na pobre zona leste de Nova Iorque, cinquenta anos antes. Desenhar sem parar (e onde podia) era a melhor forma que tinha de evitar problemas. Ao contrário de Jack, eu não era tão ágil com os punhos quando era confrontado por ataques inevitáveis... Nessa

86

altura, eu era tão frágil quanto o Steve Rogers antes de ser nomeado pelo governo americano para se tornar no Capitão América! (criado pelo Jack Kirby e pelo Joe Simon para a Timely Comics, que deu origem à Marvel). Sim, por uma questão de sobrevivência e desejando ter os poderes da Pantera Negra, refugiei-me no mundo do desenho. Dessa maneira, eu podia derrotar os meus inimigos no papel. Aprendi sozinho a desenhar bandas desenhadas, o que me fez muito bem durante a minha adolescência e ainda evoca fortes memórias em mim. Apesar de criar fanaticamente personagens e histórias, nunca cheguei a trabalhar para nenhuma das grandes editoras americanas. Canalizei o meu talento para me tornar num artista plástico e para a produção de pinturas para exposição e venda, no meu estúdio de Londres. Com a variedade de meios de comunicação de massas online, senti a necessidade (outra vez) de regressar ao meu primeiro amor. Nada me dá mais prazer do que criar as minhas histórias numa folha de papel, com um simples lápis, um pincel e tinta-da-china. Simplesmente, não há nada nem ninguém a esconder. Apenas tu, a tua capacidade de desenhar e criatividade. Só uma pessoa me influenciou tão continuamente, não apenas da banda desenhada mas de todas as artes visuais... Muitas vezes, penso para comigo: “Sê como o Jack! Sê arrojado, prolífico, maior do que a vida, imaginativo, mas acima de tudo, criativo!”. Que todos aclamem o “rei” Jack Kirby! Paul Anderson, Artista Plástico / Ilustrador http://www.kickart.co.uk


Love For The King Will Never Die Love can be many things: purity, innocence, worship, adulation, and sacrifice, just to mention a long list of befitting definitions. In my case and from the context of art, this magical word ‘love’ meant a sense of wanting to emulate one particular artist whose work completely captivated and inspired me from an early age. Not one of the usual suspects that spring to mind from that pantheon of twentieth century art, but a humble comic book artist by the name of Jack Kirby, who I consider the greatest draftsman, visionary, and icon the genre has ever known. Jacob ‘Jack Kirby’ Kurtzberg (1917-1994) was an American comic book artist, writer, and editor who, along with a collaborative partnership with Stan Lee (editor-in-chief at Marvel Comics), went on to herald a new dynamic aesthetic to sequential storytelling, not seen before in comic book art at that time. What impacted me most about Jack’s identifiable yet distinctive style was the immediacy and power of his pre-inked pencil sketches which brought to life so many of his legendary superhero creations. Although appearing ‘heavy’ and perhaps ‘block-like’ in their construction, Jack’s extraordinary drawing skills always maintained a graceful beauty which helped to portray his character’s strengths and weaknesses, therefore bringing together a natural depth and ‘realism’ to their super-human personas. As an impressionable child, I was absolutely enthralled to see my favourite heroes cascading from page to page. What could be more exciting at the time than to be reading Marvel Comics at its peak, and what many consider to have been its finest era? To later discover I shared a similar upbringing to Mr Kirby endeared him to me even further. We both had this overriding need to ‘escape’ our strangleholds of poverty. From my experience, it was growing up on a notorious housing project in 1970’s east London and Jack, in New York City’s Lower East Side fifty years earlier. Drawing relentlessly (and on anything I could lay my hands on) was probably the safest way to stay out of trouble. Unlike Jack however, I was less handy with my fists when it came to those inevitable ‘confrontations’ that would test you from time to time. Back then, I was as frail as Steve Rogers before he was enhanced by the U.S. government to become the great Captain America. (This character, co-indecently, was originally created by Jack Kirby and Joe Simon for Timely

Comics; a predecessor to Marvel). Yes, for self-preservation’s sake, but wishing so hard to have the powers of the Black Panther, it was best to retreat into my inner world of drawing. That way, I could at least beat my enemies on paper. This was my self-taught ‘comic art apprenticeship’ that served me well during my adolescence and still resonates with me today. Despite my early fanaticism for creating my own wacky characters and stories, a career as a cartoonist working for one of the big (U.S.) publishing houses didn’t quite materialise. I later, however, channelled my talent in the directions of becoming a fine artist and have since gone on to run my own studio where I paint canvases to exhibit and sell. With a variety of new social media online to get my work ‘out there’ and seen by many people, I feel the urge (yet again) to make a ‘comeback’ of sorts and return to my first true love. Amongst all the things I can do, nothing gives me more pleasure and satisfaction as to sit down and create my own stories with little other than a piece of paper, a graphite pencil, a brush and some black ink. Stripped down and raw! There’s nothing (or no one) to hide behind. It’s only you, your ability and your own creative imagination. When I think of this, there’s only person whose influence has continually shadowed me, not just for drawing cartoon art but also in the way I approach other disciplines within the visual art field. I often think to myself, ‘Be like Jack! Be bold, be prolific, be daring, be imaginative but above all - be creative!’ All hail Jack ‘King’ Kirby! Paul Anderson, Artist / Illustrator http://www.kickart.co.uk

87


Paulo Baptista

(Alexandre Baptista)

88


Paulo Baptista (Alexandre Baptista), Pintor / Painter

89


Paulo Baptista (Alexandre Baptista), Pintor / Painter


Pedro Aires


Pedro Aires, Pintor / Painter


Rui Tavares


Rui Tavares, Pintor / Painter


96


Rui Tavares, Pintor / Painter

97


Susana Ornelas (suSOrn)

Amor;

Love;

Pedagogia estética; é uma metáfora integrando as realidades físico-químicas e Platão; Faz parte do equilíbrio, com mais luz ou mais escuridão, mesmo que doa; sem ele ninguém vive plenamente.

Aesthetic pedagogy; it is a metaphor which integrates physicochemical realities and Plato; It is part of the balance, with more light or more darkness, even if it hurts, without it no one lives fully.

Susana Ornelas 2013

Susana Ornelas 2013

Imagem: Susana Ornelas

Image: Susana Ornelas

98


Susana Ornelas (suSOrn), Escultora / Sculptor

99


Teresa Barros

RaRa design by hand RaRa design by hand A RaRa design by hand existe há cerca de 6 meses e tem por objetivo desenvolver acessórios feitos à mão na área do design de moda. Atualmente desenvolvida por um único elemento, com formação em design, tem tido um impacto surpreendente na nossa sociedade, não só pela aceitação do público, mas, sobretudo, pelo interesse que os meios de comunicação social local têm dispensado ao projeto. A característica principal da produção é o uso de materiais excedentes, do meio ambiente, e na reutilização de materiais manipulados, tais como metais, PVC, borracha etc., quer também a partir de fibras naturais provenientes da flora e da fauna. Todas as peças são feitas à mão; os materiais são transformados e manipulados pelo projeto RaRa design by hand. Foram criados e produzidos artigos de moda destinados essencialmente ao público feminino, crianças e animais de companhia. É uma gama muito abrangente. O conceito é o de desmistificar o design sustentável, com atenção especial à preservação do meio ambiente. Teresa Barros, Designer

100

‘RaRa design by hand’ is in the market for about 6 months now and aims at developing handmade accessories in the area of fashion design. Currently developed by a single person, with a background in design, it has had an amazing impact in our society, not only due to public acceptance, but mainly by the interest that the media have shown in the project. The main feature of the production is the use of waste materials, from the environment, and the reuse of handled materials, such as metal, PVC, rubber etc., and also from natural fibers from the flora and fauna. All pieces are handmade; materials are transformed and manipulated by the ‘RaRa design by hand’ project. Fashion items intended primarily for women, children and pets were created and produced. It includes a very comprehensive range. The concept is to demystify sustainable design, with special attention to the preservation of the environment. Teresa Barros, Designer


101


Teresa Jardim

102


Se me amas

If you love me

Diz-me que hoje é domingo enquanto durmo passa um paninho macio pelas minhas vértebras, osso a osso, dor a flor, o dia anterior e o dia seguinte

Tell me that today is Sunday while I sleep wipe a cloth soft along my vertebrae, bone by bone, pain to flower, the day before and the day after

da minha cabeça à parede da frente.

from my head to the wall ahead.

Teresa Jardim, Artista Plástica

Teresa Jardim, Artist

103


Tiago Colaรงo (Tiagoc)

104


Tiago Colaรงo, Ilustrador / Illustrator | http://www.tiagoc.com

105


Vanda Natal

106


Vanda Natal, Pintora / Painter

107


CONDIÇÕES | CONDITIONS: Clica aqui /Clik here

Heart Magazine No.2  

The place that promotes the exchange of ideas, views and experiences among artists, renown and emerging, from the various areas of artistic...

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you