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Ano 2 - 2008 - Edição nº 6 - www.healthcarebrazil.com.br

Crise financeira e saúde É certo que a crise mundial afetará em cheio o setor saúde. Mas, qual o tamanho deste impacto para as autogestões e hospitais privados? Marília Ehl Barbosa, da Unidas, e Henrique Salvador, novo presidente da Anahp, falam sobre o assunto e apresentam números com os indicadores do setor.

Se Disney administrasse seu hospital?

9 ½ coisas que você mudaria!

Fred Lee questiona o modelo atual de prestação de serviços em saúde e a filosofia do atendimento ao cliente tomando como exemplo de excelência o atendimento e serviços da Disney.

Health IT Guilherme Hummel escreve sobre o Direct Access Testing – Exames Laboratoriais sem prescrição, sem médico, sem plano de saúde.

E MAIS: Hospitais da Anahp movimentam R$ 6,3 bilhões em 2007


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CARTA AO LEITOR

A crise financeira e o mercado de saúde

O

ano de 2008 chegou ao fim num ambiente alastrado de incertezas. A crise financeira mundial tem mexido com os nervos dos

PRESIDENTE EXECUTIVO

empresários de diversos segmentos da economia. E não é para

Edmilson Jr. Caparelli Novaes edmilsoncaparelli@grupomidia.com

menos, os prejuízos são estimados em trilhões de dólares. No

DIRETOR EXECUTIVO

Brasil, os impactos são visíveis por meio de fusões e vendas, es-

Julio Guerrero julioguerrero@grupomidia.com

pecialmente no setor bancário, concordatas e falências de com-

panhias de diversos segmentos e o grande bicho-papão de qualquer economia aquecida: as demissões. Esse fantasma assusta também o mercado de saúde com motivo: mais de 70% do financiamento da saúde suplementar vem dos planos coletivos, ou seja, aqueles contratados por empresas. Embora as lideranças não acreditem em um encolhimento de carteira a curto e médio prazos, fica evidente na entrevista desta edição que companhias com crédito restrito devem apertar as negociações com as operadoras e esse efeito deve vir em cascata. Henrique Salvador, que assumiu no último dia 1 de dezembro a presidência da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp), confirma. A tendência é que as negociações entre as empresas da economia como um todo e as operadoras de planos de saúde sejam mais difíceis, com margens mais reduzidas. As operadoras irão buscar nos prestadores acordos também mais enxutos, com previsão de gastar menos. Henrique Salvador fala de outros impactos, como a alta do dólar, e aponta a profissionalização como ação decisiva para garantir a sobrevivência e competitividade das instituições hospitalares. Já Marília Ehl Barbosa, presidente da Unidas, fala dos efeitos da crise para o se-

CONSELHO ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO Lucia Caparelli lucia@grupomidia.com Secretária Executiva Cristiana Prado cristianaprado@grupomidia.com REDAÇÃO Editora Kelly de Souza kelly@grupomidia.com redacaosaude@grupomidia.com INTERNACIONAL international@grupomidia.com DEPARTAMENTO DE ARTE Projeto Gráfico - Talentos Comunicação e Mkt. Designer Responsável - Lucas Borges lborgesf@hotmail.com Imagens Banco de imagens – Photos.com

tor de autogestão, que hoje responde por quase 15% do mercado. Se as dificuldades são esperadas para o setor hospitalar e para as operadoras, não ficam de fora as

DEPARTAMENTO COMERCIAL

empresas que assumiram a gestão do benefício saúde. Controlar os custos é uma

Gerente Comercial Alessandro Alves alessandro@grupomidia.com

das estratégias apontadas pela executiva para minimizar os efeitos da crise, além do investimento em saúde preventiva. Uma boa pedida é acompanhar a resenha desta edição. O renomado especialista e consultor em relações com pacientes e excelência em serviço, Fred Lee, aplicou os conceitos de atendimento da Disney ao setor hospitalar. O resultado pode ser conferido no livro “Se Disney administrasse seu hospital – 9/12 coisas que você mudaria”, que a HealthCare publica com exclusividade um dos capítulos.

REPRESENTANTES

Boa Leitura! Equipe HealthCare Brazil

BRASILIA - DF - Maxxidireto Comunicação, João Augusto Cabral - joao.cabral@ maxxidireto.com.br - fone 061 3248.3344 • TOCANTINS / PARA - Marcio Garcia de Camargo - mgcreporter@hotmail.com - Fone 063 - 3224.7570 - 99910505 • BELO HORIZONTE-MG - Rogerio Vanucci - rogerio.vanucci@gmail.com - fone/fax031 2552.2709 - 031 9788.2709 • RIO GRANDE DO SUL-RS - Activa Publicidade e Marketing, Neri Ferreira - ferreira.neri@gmail.com - Fone 053 3277.6266 • GOIAS-GO - Sa Publicidade e Representação Ltda, Patricia Valle - patricia.valle@ sapublicidade.com.br - Fone - 062 3275.7678 - 062 8121.8894

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Executivo de Contas José Guerrero Neto - joseguerrero@grupomidia.com Kátia Portela - katiaportela@grupomidia.com Michelle Ferreira - michelleferreira@grupomidia.com

OPERAÇÕES Departamento Jurídico juridico@grupomidia.com Pesquisa Global Pesquisa Atendimento on-line atendimento@grupomidia.com ATENDIMENTO AO LEITOR B2bmidia Rua Alvares Cabral, 464 cj. 101/105 Centro - Ribeirão Preto – SP 55 + (16) 3236 0747 | 3021 5770 Cep: 14010-080


NESTA

edição

Edição nº 6 - 2008

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Reportagem de Capa A Autogestão da Saúde no Brasil A saúde suplementar registrou 40,8 milhões de beneficiários em planos de assistência médica. Existente no País há mais de 60 anos, as autogestões representam 14,8% de todo o setor, com pouco mais de 6 milhões de vidas. Único segmento da saúde suplementar que não visa o lucro, em tempos de crise global, como as empresas a exemplo da Aracruz Celulose, Cassi (Banco do Brasil), Embraer, Geap (servidores públicos federais), Petrobras, Vale, Volkswagen, entre outras, que optaram pela modalidade por desejarem ter maior controle sobre os custos dos planos de saúde oferecidos conseguirão tal tarefa?

Seções

10 - Editorial 14 - On-line 16 - Entre Aspas 72 - Business Place 78 - Na Estante 81 - Guia de Empresas 82 - Inside 6


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Primeira Leitura

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PANORAMA

Que relação pode haver entre a Disney, o maior ícone do entretenimento no mundo, e um hospital, que é um lugar aonde, decididamente, ninguém vai para se divertir? A HealthCare Brazil publica com exclusividade a introdução do livro “Se Disney administrasse seu hospital – 9/12 coisas que você mudaria, do consultor Fred Lee, obra publicada no Brasil pela Editora Artmed, que contou com consultoria, supervisão e revisão técnica da edição nacional do Hospital Paulistano.

Anahp divulga indicadores hospitalares dos 37 associados. De acordo com o estudo, o faturamento estimado dos hospitais alcançou R$ 6,3 bilhões em 2007.

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Health-IT

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Turismo Médico

Pesquisa avalia impacto da TISS nos laboratórios clínicos.

Rodrigo Alberto Correia da Silva, presidente dos Comitês de Saúde da Câmara Britânica de Comércio (BRITCHAM) e da Câmara Americana de Comércio (AMCHAM), explica por que o turismo médico, ou mais adequadamente as viagens de saúde, são hoje um dos grandes filões de negócios decorrentes da globalização.

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Entrevista

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TENDÊNCIA

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HEALTH-COMPANY

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O tsunami financeiro que já provocou perdas de trilhões de dólares no mercado global assusta não só os pequenos que navegavam pela economia, mas, também as grandes corporações. O diretor do Hospital Mater Dei, de Belo Horizonte (MG), Henrique Salvador, que assumiu em dezembro passado a presidência da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), para o triênio 20082011, fala à HealthCare Brasil sobre os impactos da crise para o mercado hospitalar e os caminhos que podem minimizar seus efeitos.

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Artigo do Consultor Internacional, Guilherme S. Hummel, mostra o crescimento do Direct Access Testing (DAT), que é o acesso direto a testes diagnósticos sem prescrição, médico ou plano saúde.

Artigo de Aurimar José Pinto, presidente da Abimed, fala da pirataria de produtos médicos.

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Informação certa, para o público certo A HealthCare Brazil tem exclusivo conteúdo mundial em gestão da saúde, tornando-se a mais importante leitura nacional em management para os executivos brasileiros do setor. A revista traz para o Brasil os temas mais importantes em administração e novas tecnologias discutidos em diversos países traçando um importante paralelo entre as iniciativas internacionais e brasileiras. É direcionada aos principais tomadores de decisão do setor como CEOS, administradores hospitalares, executivos da indústria de produtos e serviços médicohospitalares, e de tecnologia da informação para saúde e indústria farmacêutica, principais lideranças e Governo.

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EDITORIAL

Legalização do Aborto no Brasil Questão de saúde pública, direito ou religião? Kelly de Souza

O

aborto é um tema que sempre se manteve na pauta das pesquisas brasileiras. Inúmeros estudos defendem e comprovam a tese de que a ilegalidade traz conseqüências negativas para a saúde das mulheres, pouco coíbe a prática e perpetua a desigualdade social. No início de dezembro, o tema veio à tona novamente. O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), decidiu criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o comércio de substâncias abortivas e a prática de aborto. A bancada feminina protestou e fechou contra a criação da CPI. Outro caso recente que chamou a atenção foi o de Mato Grosso do Sul, onde cerca de 10 mil mulheres estão sendo chamadas para depor na polícia porque praticaram aborto entre 1999 e 2001. Essas mulheres correm o risco de serem qualificadas e levadas a julgamento depois que a clínica na qual praticaram aborto ilegal foi fechada e seus prontuários médicos foram apre-

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endidos pela polícia. Algumas já foram indiciadas. Como a prática é crime no Brasil não há muito o que ser feito. Para a ministra-chefe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Nilcéia Freire, o caso de Mato Grosso do Sul é emblemático e uma oportunidade de colocar a discussão sem a interferência religiosa e das convicções pessoais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, concordam e enxergam a questão como “de saúde pública” e não de crenças pessoais, direito ou religião. A compreensão do aborto como uma questão de saúde pública em um Estado laico, que toma decisão independente das religiões, e plural inaugura um novo caminho argumentativo, no qual o campo da saúde pública no Brasil traz sérias e importantes evidências para o debate. Um dos mais importantes estudos sobre tema foi publicado em 2008 pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com o estudo “Aborto e saúde pública: 20 anos de pesquisas no Brasil”, o grupo de mulheres que abortam é formado, em sua maioria, por jovens entre 20 e 29 anos, católicas, com filho, e que tomaram a decisão como forma de planejamento reprodutivo. As informações baseiam-se em um levantamento feito com mais de dois mil estudos, artigos e publicações sobre o tema nos últimos 20 anos, e foram organizadas pelas professoras Debora Diniz, da UnB, e Marilena Cordeiro Dias Villela Corrêa, da Uerj. O Ministério da Saúde (MS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) financiaram o trabalho. Estudos referentes só em 2005 estimam em 1,5 milhão a ocorrência, na rede pública, de curetagens, o procedimento cirúrgico adotado para diagnosticar ou tratar sangramentos uterinos anormais. “Pode-se ques-


tionar que nem todas essas mulheres fizeram aborto, mas existe uma subnotificação nesses dados, que não incluem população rural e mulheres usuárias da medicina privada”, afirma Debora, que é antropóloga. A Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF, na siga em inglês), entidade que atua em 150 países, divulgou um relatório sobre o aborto inseguro no mundo. Segundo a pesquisa, intitulada “Morte e Negação: Abortamento Inseguro e Pobreza”, estima-se que a cada ano são realizados cerca de 46 milhões de abortos para interrupção de gravidez indesejada em todo o mundo, dos quais 19 milhões são feitos de forma insegura e 70 mil resultam em morte materna. O estudo mostra que 96% dos procedimentos inseguros ocorrem em países em desenvolvimento. A América Latina registra 17% dos abortos clandestinos, atrás apenas da África (58%). “O abortamento inseguro é uma das maiores causas de mortalidade materna em todo o mundo: uma tragédia humana que poderia ser evitada e que revela o fracasso dos governos nacionais e da comunidade internacional em solucionar um tema de saúde pública e que perpetua uma das maiores injustiças sociais, separando as nações ricas das pobres”, disse, no relatório, Steven Sinding, diretor-geral da Federação Internacional de Planejamento Familiar. Segundo o relatório da entidade, 25% da população mundial vive em países onde o aborto é considerado ilegal ou severamente restrito. O estudo aponta 31 países em que a interrupção voluntária da gravidez é legalizada, como Canadá, França, Irã, Camboja, Etiópia, México, Paquistão, Portugal, Espanha e África do Sul. A Federação Internacional de Planejamento Familiar destaca o exemplo da Romênia, onde o taxa de mortalidade materna caiu depois que uma lei que proibia o aborto foi revogada. A lei havia sido aprovada em 1966. Entre 1964 e 1988, a mortalidade materna no país subiu de 80 mortes por grupo de 100 mil nascidos vivos para 180 mortes. Após a revogação da lei, a taxa de mortalidade caiu para 40 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. “Esse é um exemplo muito claro, quase um experimento social que mostra que a proibição não diminui a prática do aborto, ele só aumenta a mortalidade materna”, afirmou a diretora da IPPF, Carmem Barroso. Segundo ela, outra experiência internacional que obteve

sucesso na redução de mortes maternas ocorreu no Uruguai, no maior hospital público do país. Entre 2000 e 2002, 48% das mortes maternas registradas no hospital foram em conseqüência de abortos inseguros. Para diminuir o índice, os médicos implementaram o projeto Iniciativas Sanitárias para Redução do Aborto Inseguro, por meio do qual as mulheres que pretendiam fazer um aborto passavam por consultas pré-aborto. O projeto foi reconhecido pelo governo uruguaio. Os países da América Latina e Caribe estão entre os que possuem as legislações mais restritivas à interrupção da gravidez e, ao mesmo tempo, apresentam um grande número de abortos feitos em condições de clandestinidade. Segundo a OMS, 21% das mortes relacionadas com a gravidez, o parto e o pós-parto nos países dessa região têm como causa as complicações do aborto realizado de forma insegura. Só o SUS gastou cerca de R$ 33 milhões em 2006 com mulheres que abortaram de maneira insegura. Em cinco anos foram 1.2 milhão de internações. O aborto inseguro é um grave problema de saúde pública, reconhecido pela comunidade internacional. Quando realizado sob condições precárias por pessoas sem a necessária capacitação e em ambientes que não apresentem os mínimos padrões sanitários, geralmente causa seqüelas à saúde da mulher e, muitas vezes, sua própria morte. Retomar a discussão, com a criação de uma CPI, com o foco da criminalidade é virar às costas para décadas de estudos. Além de demonstrar, mais uma vez, que os interesses pessoais – sejam eles religiosos, éticos ou jurídicos - de nossos governantes sobrepõem às questões da saúde pública do País. Assim como a aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias, o aborto no Brasil deve ser discriminalizado e tratado como parte integrante dos programas da saúde da mulher.

DIVUGAÇÃO

Kelly de Souza EDITORA DA REVISTA HEALTHCARE BRAZIL E ESPECIALIZADA EM ECONOMIA DA SAÚDE PELA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) 11


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www.

brazil.com.br O CONTEÚDO EXTRA DA REVISTA NO SITE

O portal HealthCare Brazil disponibiliza dez diferentes canais de informações para que você possa acompanhar as notícias mais importantes do setor saúde de uma forma muito mais ágil. No site, você poderá clicar diretamente no seu tema de interesse dividido por meio dos seguintes mercados: • Prestadores de Serviços • Operadoras de Planos de Saúde • Medicina Diagnóstica • Indústria Médica • Indústria Farmacêutica • Pesquisa • Política • TI e Telecom • Entrevistas • Artigos

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aspas

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SAÚDE COLETIVA NO MUNDO GLOBALIZADO Rompendo barreiras sociais, econômicas e políticas

“S

aúde Coletiva no mundo globalizado” foi o tema do 7º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, simultâneo ao 18º Congresso Mundial de Epidemiologia (Epi2008) — e não podia ser mais apropriado. Num cenário de crise financeira profunda e indícios de mudanças inéditas no mapa internacional, 4.837 pessoas de todos os estados brasileiros e de 71 países, reuniram-se em Porto Alegre para mais uma jornada de debates solidários e troca de idéias inovadoras. 16 |

HealthCare


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‘‘ ‘‘ ‘‘ ‘‘ ‘‘ ‘‘ ‘‘ ‘‘ ‘‘ ‘‘ A tarefa da epidemiologia não é simplesmente identificar, isolar, medir fatores de risco e associá-los a medidas de ocorrência, mas também explicar os problemas de um mundo em transformação. José Gomes Temporão, Ministro da Saúde, lembrou os 20 anos do Sistema Único de Saúde e destacou o papel da epidemiologia na construção da saúde para todos. Em sua visão, a principal inquietação do homem “pós-moderno” são as vulnerabilidades que se impõem “entre o individual e o coletivo, entre o local e o nacional, entre a nação e os apelos globais”.

Intervenções efetivas e de baixo custo poderiam prevenir seis milhões de mortes se houvesse cobertura universal. O progresso tem sido mais rápido onde é menos necessário.

Cesar Victora, presidente da Associação Internacional de Epidemiologia (AIE), explicou durante o evento que o ritmo de queda da mortalidade mundial vem desacelerando desde o início da década de 90 — passou de 2,5% ao ano entre 1960 e 1989 para 1,1% ao ano de 1990 a 2001. O que aumentou foi a distância dos índices de países ricos e pobres e entre faixas de renda nos países. O desafio, indicou, é aumentar a cobertura dos sistemas de saúde e torná-la equitativa. Dos 68 países prioritários para redução da mortalidade infantil, 16 tiveram melhoras importantes, 26 tiveram progresso insuficiente, 14 não progrediram e 12 pioraram seus índices na comparação entre 1990 e 2006. Todos os 10 que menos avançaram estão na África Subsaariana — em Botsuana, que tem a situação mais crítica, as mortes de crianças cresceram 114% no período.

Usada originalmente para aliviar condições adversas maternas ou fetais, a cesariana virou bem de consumo no mundo, especialmente em nosso país.

A médica Maria do Carmo Leal, da Fiocruz, analisou as cesáreas eletivas e suas conseqüências na mesa-redonda “Iniquidades em saúde reprodutiva”. Dos 3.035.000 nascimentos nos últimos cinco anos, 1.311.689 foram partos cesáreos. Isso eleva a taxa nacional da cesárea a 43% — a OMS recomenda de 7% a 10%, não ultrapassando 15%. No SUS, a taxa é de 29% e, no setor privado, 80%.

É uma falácia afirmar que as mudanças virão de qualquer forma pelo desenvolvimento de tecnologia, sem que haja necessidade de se mudar o contexto. Muitos países sequer têm recursos para importar tecnologia.

Hoje não temos sequer idéia se o tabagismo sobe ou desce nas camadas mais pobres da população, por exemplo. Devemos combater as doenças crônicas de forma multifacetada, aliando pesquisa e ação. Epidemiologista britânico Shah Ebrahim, professor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e coeditor do International Journal of Epidemiology, que vê clara tendência de que as mortes por causas externas e doenças crônicas superem as mortes por doenças infecciosas nos países de baixa renda. A OMS fez novo chamado à ação em 2007, mas, para ele, as pessoas começam a não ter mais ouvidos para chamados como esse.

Mauricio Lima Barreto, do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA e conselheiro para América Latina da AIE, que creditou o aumento das desigualdades às teorias do desenvolvimento criadas nos anos 60 e 70, como a do economista americano Walt Rostow, que estabeleceu cinco estágios de crescimento e afirmou que o mundo todo se desenvolveria. Acreditou-se na diminuição das doenças crônicas, mas elas reemergem no Sul, o que prova o erro do conceito. Sua apresentação incluía cartum em que se lia numa bula de antirretroviral: “Não use em caso de pobreza”.

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Vigilância é para resolver problema e apontar solução. E ainda estar preparado para o previsível e o imprevisível porque 80% das doenças são conhecidas e de outras tantas, como a aids, não se conhece a cura. O imprevisível se atenua com a ampliação da vigilância do sistema de saúde. Estamos engatinhando. O epidemiologista Jarbas Barbosa, atual gerente da Área de Vigilância em Saúde e Gestão de Doenças da Opas/OMS, em Washington (EUA), que abordou o presente e o futuro da epidemiologia na palestra “Vigilância em Saúde — O que estamos fazendo e o que precisamos fazer”. O mais recente e amplo conceito de vigilância de saúde pública, de que vigilância é parte do sistema de saúde, e não apenas vigilância de doenças transmissíveis — usado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a agência de saúde pública dos Estados Unidos, e pela OMS —, ainda não foi bem trabalhado no Brasil.

É fundamental conviver bem com as doenças crônicas.

Margareth Guimarães Lima, da Unicamp (SP), observou que, já que uma vez instaladas, as doenças crônicas tendem a permanecer. Em inquérito com 1.958 idosos de São Paulo, identificou alta prevalência de hipertensão, diabetes, doenças na coluna, artrite, reumatismo.

É preciso repensar os critérios de avaliação a partir da ótica do usuário. Paulo Henrique Martins, da Universidade Federal de Pernambuco, chamou atenção para a posição secundária do usuário nos sistemas de saúde. Ele criticou o fato de que somente especialistas falem sobre os determinantes sociais da saúde.

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Pragas da universidade velha: o conteudismo, o curriculismo, o primarismo (ensino simplificado), a aditividade (pré-requisitos), a linearização, a fragmentação e a profissionalização.

Naomar de Almeida Filho, reitor da UFBA, que apontou como problemas do modelo brasileiro a precocidade da escolha da carreira, a seleção limitada e traumática, a submissão ao mercado de trabalho e o fosso entre graduação e pós. Também criticou a monodisciplinaridade — “com currículos estreitos e bitolados” — e o foco na técnica — “que leva à formação de sujeitos culturalmente empobrecidos”. Para ele, são “pragas da universidade velha”. A essas distorções se opõe o projeto “Universidade Nova”, baseado na transdisciplinaridade e no pensamento complexo.

* Agradecimento à Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca


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PRIMEIRA LEITURA | Resenha

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Se Disney administrasse seu hospital 9/12 coisas que você mudaria A HealthCare Brazil publica com exclusividade a introdução do livro “Se Disney administrasse seu hospital – 9/12 coisas que você mudaria, do consultor Fred Lee, obra publicada no Brasil pela Editora Artmed, que contou com consultoria, supervisão e revisão técnica da edição nacional do Hospital Paulistano. Nossos agradecimentos ao autor, à Artmed e ao Hospital Paulistano.

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PRIMEIRA LEITURA | Resenha

T

rabalhar na Disney é como “passear no parque”, quando comparado com o trabalho em um hospital. Era isso que eu pensava quando passei a integrar o elenco da Disney, por pouco tempo, para ajudar a desenvolver um programa chamado The Disney Approach to Quality Service for the Healthcare Industry. A maioria das pessoas na Disney começou a trabalhar ali muito cedo. Eu tive o privilégio único de fazer parte dessa organização em 1996 e 1997, depois de atuar na alta administração de um hospital e como consultor em excelência de serviços hospitalares. Deve ser dez vezes mais fácil ser um gerente na Disney do que um gerente clínico em um hospital. Os funcionários do atendimento recebem praticamente o mesmo salário, mas uma auxiliar de enfermagem tem diante de si um cliente muito mais complexo, encontra-se em um ambiente com riscos muito mais altos e enfrenta situações que não podem ser padronizadas. Na Disney, os clientes começam suas atividades felizes e entusiasmados, em vez de temerosos e tristes. Eles entram nas filas, mas não ficam em pânico. Passam por momentos repetidos milhões de vezes, enquanto cada experiência em um hospital é altamente pessoal e única. O setor de saúde enfrenta obstáculos de proporções gigantescas. Os hospitais perdem dinheiro com a maioria de seus pacientes. A falta de pessoal qualificado e capacidade insuficiente existem em praticamente todas as comunidades. Em geral, o americano se sente vulnerável ao desastre financeiro, por causa da cobertura do seguro inadequada ou muito cara. Os jovens não escolhem a enfermagem como profissão, nem os hospitais como locais de trabalho preferenciais. Os hospitais vivem à beira da falência porque o valor dos reembolsos é constantemente depreciado. Enquanto isso, os custos dos remédios e das tecnologias são astronômicos. A constante ameaça de processos por erro médico está afastando os médicos e gerando uma enorme quantidade de regulamentos e burocracia. E isso é apenas uma lista parcial! Diante de toda essa problemática, é fantástico ver alguém escrever um livro sobre cultura e liderança. Também pode ser desmoralizante indicar a Disney como exemplo. Do ponto de vista da maioria dos gerentes hospitalares, a Disney é um piquenique diante do pesadelo fiscal, legal e normativo que eles enfrentam todos os dias, em um ambiente de alto risco sobre o qual têm muito pouco do controle em relação ao que teriam na Disney. Espero que o leitor deste livro não pense que desconheço o que realmente significa administrar um hospital hoje em dia. Na verdade, considero essa atividade administrativa a mais difícil do mundo. Quisera oferecer soluções para todas as diversas dificuldades que os profissionais da saúde enfrentam cotidianamente, mas o âmbito deste livro é necessariamente restrito às abordagens que suscitem os melhores comportamentos nos trabalhadores e propiciem as melhores emoções aos pacientes. Para mim, nesse aspecto específico da função de um administrador, que se torna ainda mais complexo no ambiente atual, a Disney pode contribuir com alguns insights. De acordo com o relatório de 2002 sobre a concorrência por serviços (Competing for Service), do Healthcare Advisory Board, esse tema encabeça a lista como o mais solicitado para inclusão nos próximos relatórios. O Relatório sobre Excelência no Atendimento (Report on Service Excellence) de 1998 foi o mais vendido de todos os tempos. Nos anos entre esses dois relatórios, ocorreu pouco ou nenhum progresso. Na realidade, os índices de satisfação nacional com as internações chegaram a cair. Uma pesquisa classificou a Receita Federal dos EUA na 27ª posição e os hospitais na 28ª, em uma lista de 30 setores avaliados. 22

Por Fred Lee


Ninguém mexeu no queijo Atualmente, 90% dos hospitais dispõem de alguma modalidade de pesquisa de satisfação dos pacientes. A maior parte dessas pesquisas se encontra em um banco de dados nacional ou regional para fins comparativos. O que importa para os pacientes é bem conhecido e está bem documentado. Além do mais, esses elementos fundamentais não são novos, nem foram submetidos a quaisquer mudanças. O que os pacientes consideram um “cuidado excelente”, hoje em dia, é praticamente idêntico ao resultado de um século atrás. Com todo o “blábláblá” sobre mudanças, determinados valores e necessidades dos pacientes nunca mudam. Quando ajudei a desenvolver nosso primeiro instrumento de pesquisa de satisfação dos clientes no Florida Hospital, nos anos oitenta, não existia um banco de dados nacional, e estávamos entre os primeiros a encaminhar uma pesquisa mensalmente para os pacientes. Formamos uma equipe que englobava Kent Seltman, nosso diretor de marketing, Jo Welch, nosso representante dos pacientes reconhecido nacionalmente, várias enfermeiras, um médico, um capelão e alguns outros especialistas internos para formular as perguntas certas a serem feitas. A equipe preparou uma lista dos assuntos considerados importantes para a maioria dos pacientes. Tentamos, então, filtrar alguns pontos que fossem mais significativos. Esses assuntos se tornariam nossos temas para transmitir ensinamentos sobre um atendimento voltado para o paciente. Combinados a uma missão baseada nos valores cristãos de servir e amar, decidimos sobre os cinco comportamentos mais importantes. Se nossos funcionários dessem atenção especial às mensagens a seguir, teríamos certeza de conquistar a fidelidade de nossos pacientes. Sense people’s needs before they ask (initiative). [Detectar as necessidades das pessoas antes que elas peçam (iniciativa).] Help each other out (teamwork). [Ajudar uns aos outros (trabalho em equipe).] Acknowledge people’s feelings (empathy). [Reconhecer os sentimentos das pessoas (empatia).] Respect the dignity and privacy of everyone (courtesy). [Respeitar a dignidade e privacidade de todos (cortesia).] Explain what’s happening (communication). [Explicar o que está acontecendo (comunicação).] 23


PRIMEIRA LEITURA | Resenha Nos últimos anos, dezenas de milhares de pesquisas de satisfação de pacientes de diversas empresas de pesquisa validaram esses cinco comportamentos por apresentarem a mais alta correlação com a satisfação e fidelidade. São valores que todos nós podemos abonar de modo intuitivo. Eles saem de moda. Em 1846, Florence Nightingale escreveu em Notes on Nursing, que é uma leitura ainda indicada em algumas escolas de enfermagem: “A apreensão, incerteza, espera e o medo do desconhecido prejudicam um paciente muito mais do que qualquer esforço... Sempre informe a um paciente com antecedência quando você irá sair e quando estará de volta, quer sua ausência dure um dia inteiro, uma hora ou dez minutos.” Nos anos setenta, o maior guru em liderança de todos os tempos, Peter Drucker, fez uma pesquisa que demonstrava que a necessidade mais relevante de um paciente era a da “segurança”. Ele sugeria que, ao dar atenção à necessidade do paciente no sentido de sentir-se seguro, os caregivers gerariam a satisfação e fidelidade desse paciente. O que mais importa para os pacientes continua sendo o que sempre foi. Fazendo uma analogia com o grande best-seller, ninguém mexeu no queijo no que diz respeito ao que é mais importante para o paciente. Ninguém mexeu no queijo em relação ao que motiva e mantém os bons funcionários. Assim como a satisfação dos pacientes, a satisfação dos funcionários não é mistério algum. De acordo com uma pesquisa do Gallup, divulgada na obra First, Break All the Rules, de Buckingham e Coffman, os funcionários abandonam os gerentes, não as organizações. Isso não é novidade, sempre aconteceu e pelos mesmos motivos. No que pese que os autores tentem reduzir ao máximo alguns mitos preservados por gerentes incompetentes e medíocres, o levantamento confirma que os excelentes gerentes discordam de muitas das crenças e práticas comumente aceitas para alcançar alta produtividade e fidelidade. Entretanto, não há qualquer novidade no que fazem de diferente os melhores administradores do mundo (subtítulo deste livro). Os grandes administradores sempre agiram assim, seja por talento inato ou assimilado, seja pelo que é geralmente ensinado nas escolas de administração de empresas. 24


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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA MÉDICO-ODONTOLÓGICA


PRIMEIRA LEITURA | Resenha

É uma questão cultural, não de serviços prestados Dizem por aí que “quem conhece só uma cultura, nada conhece”. Comparar culturas soa tão natural para mim quanto apertar as mãos ou curvar-se gentilmente diante de um convidado. Sou um produto de duas culturas muito diferentes. Meus pais americanos nasceram na China, filhos de missionários profissionais. Eles passaram a vida inteira, exceto no período de faculdade e na aposentadoria, na China, onde também nasci e me criei. A mistura de visões orientais e ocidentais sobre a vida, o trabalho e a família foi tão natural quanto aprender a falar e pensar em dois idiomas, na infância. Comecei minha carreira profissional como professor, cheguei a vicepresidente sênior do Florida Hospital, (o hospital da Disney) em Orlando, peguei um desvio interessante no Magic Kingdom e retomei uma vida de pensar e ensinar. Minha mulher, Aura, que trabalhou como diretora de enfermagem no Florida Hospital East Orlando por 10 anos, teve uma grande influência no que penso sobre o atendimento aos pacientes e como inspirar os caregivers. Minha experiência como membro do elenco da Disney foi rápida. Steve Heise, então gerente da Business Programs Division, ouviu minha palestra, em uma sala repleta de administradores do hospital, sobre como melhorar a experiência dos pacientes e gerar um ambiente onde os caregivers adorem trabalhar. No final do seminário, ele me chamou para almoçar na semana seguinte e me convidou para integrar uma equipe de facilitadores e de desenvolvedores de programas na Disney University. Nosso trabalho era reformular um programa consagrado: The Disney Approach to Quality Service for the Healthcare Industry. Além disso, criamos um novo programa de fidelidade dos clientes. Minhas atividades acadêmicas prosseguiam em paralelo com a minha carreira profissional. Com mestrado em ciências sociais, eu lecionava história e ciência política. Ao ensinar, meus interesses e esforços de graduação adicionais se deslocaram para a psicologia social, o que abriu a porta para o marketing e a comunicação em hospitais. Como vice-presidente no Shawnee Mission Medical Center, próximo a Kansas City, mergulhei na crescente tendência de introduzir a disciplina e os princípios de marketing no planejamento estratégico e na comunicação em hospitais. Durante um dos muitos seminários e cursos que ministrei nos anos oitenta, eu abracei e comecei a ensinar um conceito que ouvi pela primeira vez de Terrence Rynn, um dos mais importantes consultores de marketing aplicado à saúde. “Existe uma grande diferença entre vendas e marketing” – disse ele. “Vender é tentar fazer com que as pessoas queiram o que você tem. Já marketing é procurar ter o que as pessoas desejam. Quando você tem o que as pessoas querem, a venda se torna desnecessária”. Para mim, o principal cliente de um hospital é o médico. Em termos técnicos, os hospitais não têm pacientes; os médicos sim. Os hospitais existem para tratar dos pacientes dos médicos. Marketing é tentar ter o que os médicos 26


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PRIMEIRA LEITURA | Resenha querem. Seria necessário um livro inteiro para fazer justiça aos modelos de prática médica, parceria e propriedade. Assim como seria um assunto para outro livro tratar de suas necessidades e desejos, e como atendê-las. Os funcionários também compartilham muitas características com os clientes. Assim como os médicos e pacientes, eles podem sair do hospital e levar seus conhecimentos para outro local. Podem ficar satisfeitos ou insatisfeitos. Em última análise, sua fidelidade também é crítica para o êxito do hospital. Marketing é procurar ter o que os funcionários desejam. Outro livro inteiro poderia ser dedicado às aptidões administrativas e de liderança que geram uma experiência profissional produtiva e positiva. A percepção de Terry Rynn tornou-se meu mantra e a força motriz por trás de minha participação no planejamento estratégico no Florida Hospital e em nossos esforços para comercializar os seus serviços de saúde. Sempre que alguém se dirigia a mim ou a alguém de nosso departamento, em busca de “idéias de marketing”, geralmente procuravam idéias para anunciar e promover o que tinham. Por outro lado, eu queria entender como o serviço era elaborado e prestado, o que havia em comum com o que a concorrência fazia, e o que o médico ou o paciente esperava. Eu tinha a impressão de que, se um serviço fosse abaixo do padrão ou desatualizado ou frustrante, deveríamos pensar em recriá-lo antes de promovê-lo. Para mim, a pior coisa que você poderia fazer em relação a um serviço prestado de modo deficiente é permitir que mais médicos ou pacientes o experimentem e constatem sua baixa qualidade. Ocasionalmente, isso não era bem visto pelos diretores de departamentos que consideravam meu conhecimento de marketing limitado a vender e julgavam minhas perguntas sobre facilidades de uso, práticas dos concorrentes, conveniência ou recursos de agregação de valor uma invasão desnecessária. Ainda me dedico a ajudar os hospitais a terem o que as pessoas desejam, em vez de defender uma abordagem ao estilo “do meu jeito ou nada feito”. Preferi escrever muito mais sobre as necessidades, desejos e expectativas dos pacientes. Quando os pacientes se sentem bem com o tratamento que recebem em sua hospitalização, o mesmo acontece com os médicos e, principalmente, com os caregivers. Em minha experiência, ninguém projeta e treina baseado na necessidade e desejo individuais melhor do que a organização Disney. Este livro representa minhas reflexões e comparações em relação a essas duas culturas. 28


Um livro diferente sobre Disney Embora eu estivesse muito envolvido com o conteúdo do The Disney Approachto Quality Service e fosse um facilitador do programa, este livro não é uma releitura daquele material. Os leitores que participaram do seminário realizado na Disney University considerarão os temas deste livro muito diferentes e (espero) muito mais polêmicos e poderosos. Além disso, não tenho o mínimo interesse em repetir o que muitos livros e artigos sobre o “Modelo Disney” já disseram sobre clichês, como a atenção da Disney aos detalhes, contratar certo, comportamentos em cena/fora de cena, agir enquanto ensina, fazer tudo baseado no tema do serviço, chamar os clientes de hóspedes e os empregados de “membros do elenco”, etc. A maioria dessas coisas tem pouco ou nada a ver com mudança radical. Elas são relativamente superficiais e de fácil implementação. Entretanto, descobri em minha ampla experiência que esses aspectos contribuíram com muito pouco para a melhoria da percepção dos pacientes dos hospitais. Escrevi dez capítulos sobre as coisas que a Disney faz de modo diferente, mas o primeiro capítulo é mais básico e menos inovador para a maioria dos leitores do que os demais capítulos; de modo que decidi incluir neste livro o subtítulo 9 1/2 Coisas que Você Faria de Outro Modo. Além disso, o número 10 atribui uma aura de finalização ou perfeição com a qual não pretendo fazer associação. É evidente que a Disney faz muitas outras coisas, inclusive coisas importantíssimas, de modo diferente dos hospitais. Estou citando apenas aquelas que mais influenciaram meu raciocínio porque têm mais a ver com cultura do que com estratégia ou implementação. Qualquer equipe de saúde pode descobrir seu caminho para a excelência, se tiver paixão e competência para fazê-lo. Além disso, é importante discernir o que é importante, em que abordagem trabalhar ou não ao formar uma cultura compromissada. Minha função é ajudar os gerentes de hospitais a iniciarem os diálogos certos sobre as coisas certas com as pessoas certas, usando temas que considerava particularmente reveladores na Disney, em 1996. Embora este livro tenha sido escrito para gerentes de hospitais, ele também pode ser atraente para equipes de todos os níveis. Está repleto de exemplos e histórias pessoais que espero possam estimular con29


PRIMEIRA LEITURA | Resenha versas sobre como criar a experiência ideal para os pacientes. Ele é relativamente abrangente e engloba o que acredito que são os princípios que muito provavelmente irão melhorar a percepção dos pacientes. Ele reflete o que penso ser uma abordagem profunda das práticas clínicas, destacando maneiras de pensar em vez de prescrever ações a serem implementadas. A ação vem depois do pensamento, e se nosso pensamento mudar, descobriremos como criar uma cultura que inspire os caregivers e reformule a experiência dos

pacientes, no sentido de gerar um ambiente mais confiável e de empatia para favorecer a cura. Finalmente, escrevo sobre a Disney porque essa foi a cultura que aguçou minha curiosidade, onde tive uma experiência inovadora. Tivesse eu trabalhado na Marriott ou Southwest Airlines, ou em quaisquer outras organizações de nível internacional, teria escolhido uma delas como modelo. Usar a Disney não significa que a considero insuperável em excelência cultural.

SOBRE O AUTOR DIVUGAÇÃO

Fred lee é um renomado especialista e consultor em relações com pacientes e excelência em serviço. Foi vice-presidente de um grande centro médico e membro da equipe da Disney University. A Disney buscou a sua experiência em trabalhar com hospitais na conquista da fidelidade de pacientes e colaboradores para desenvolver e implementar uma versão para a área de saúde do seu seminário sobre qualidade do serviço e em um seminário sobre fidelidade de clientes. Sua empresa de consultoria em marketing e serviços para a área de saúde já atendeu mais de 100 hospitais.

Se Disney Administrasse Seu Hospital – 9½ coisas que você mudaria é editado pela Artmed e tem 212 páginas. Ele estará à venda por, em média, R$ 44,00. Mais informações: www.artmed.com.br

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LIVRO


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ENTREVISTA

NAVEGAR EM DIREÇÃO À LUZ Por Kelly de Souza

O

tsunami financeiro que já provocou perdas de trilhões de dólares no mercado global assusta não só os pequenos que navegavam pela economia, mas, também as grandes embarcações. Diante da crise, todos viraram barquinhos em busca de um farol que os oriente. Assim também é com empresariado brasileiro. No momento, vive-se o lado escuro da incerteza. Estamos no início, no meio ou no final da crise? Ninguém sabe. O que é sabido é que a crise é democrática. Atingirá a todos – geográfica e setorialmente. O mercado de saúde está bem no alvo destas negras ondas. Motivos não faltam mas destacam-se a dependência do setor suplementar dos planos coletivos, que passa dos 70%, e a alta taxa de insumos e tecnologia negociados em dólar. Depois da folha de pagamento, o beneficio saúde já é o mais alto para as empresas em termos de custos. O diretor do Hospital Mater Dei, de Belo Hori-

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zonte (MG), Henrique Salvador, que assumiu em dezembro/2008 a presidência da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), para o triênio 20082011, fala à HealthCare Brasil sobre os impactos da crise para o mercado hospitalar e os caminhos que podem minimizar seus efeitos. Segundo ele, a tendência é que as negociações entre as empresas da economia como um todo e as operadoras de planos de saúde sejam mais difíceis, com margens mais reduzidas. As operadoras irão buscar nos prestadores acordos também mais enxutos, com previsão de gastar menos. A solução? Investir em profissionalização para poder gerar condições de gerenciar melhor as instituições. Mas, isso demanda investimento pesado. Se para Henrique Salvador a gestão é a luz que minimizará os efeitos da crise, o hospital competitivo e que resistirá a travessia é aquele chamado de “farol”, ou seja, centros de inteligência que incentivam o conhecimento e iluminam o que vem à frente.


HealthCare Brazil: O senhor passa a responder por uma entidade que representa a elite das instituições de saúde no País. Como, no seu ponto de vista, este setor está organizado atualmente? Henrique Salvador: Os hospitais da Anahp optaram por um modelo diferenciado de atendimento. Isso requer um investimento não só financeiro como, também, uma energia voltada para a excelência de processos, de capacitação de pessoas e ingresso de tecnologia permanente. O setor hospitalar brasileiro passa por uma fase muito difícil em relação à limitação de recursos. A crise de financiamento existe no mundo inteiro. E quando o dinheiro falta na área de saúde, se a receita é comprimida - por vários motivos -, a tendência é que o ajuste seja feito cortando custos. Para as operadoras dos planos de saúde tanto o hospital quanto os médicos significam custos, o que desencadeia uma corrente que nos obriga a trabalhar com eficiência, racionalizando o uso de insumos, melhorando os processos, etc. HCB: É certo que com a crise mundial o setor saúde seja atingido. Qual será o impacto direto para os hospitais privados? Henrique Salvador: Depois da folha de pagamento, o beneficio saúde já é o mais alto para as empresas em termos de custos. E quem alimenta o setor suplementar são os planos coletivos. A tendência é que as negociações entre as empresas da economia como um todo e as operadoras de planos de saúde sejam mais difíceis, com margens mais reduzidas. As operadoras irão buscar nos prestadores acordos também mais enxutos, com previsão de gastar menos. Vejo que continuarão contratando hospitais que são referência, mas, reduzirão a margem para atendimento e procedimento. A expectativa do mercado é que se a crise durar mais tempo, o impacto será nas receitas que se tornarão menores para os hospitais. Por outro lado, há também o impacto em relação aos insumos hospitalares, principalmente órteses e próteses, já que muita coisa ainda é importada. Com a subida do dólar, certamente alguns fornecedores vão querer renegociar preços com os prestadores. Isso já está ocorrendo, inclusive, em ambas as situações. Para minimizar esses impactos, a solução é investir em profissionalização para poder gerar condições de gerenciar melhor as instituições. Mas, isso demanda investimento pesado. Se essa crise se estender por mais tempo, além do primeiro trimestre de 2009, alguns hospitais devem

adiar projetos que já estavam sendo executados, como a expansão de área física. Ainda assim, o que se pode observar é que vários hospitais têm operado com taxa de ocupação acima de 90%, numa média de 70%. Na verdade, todo mundo está esperando para ver o que vai acontecer. HCB: Como fazer esse investimento sem crédito no mercado? A situação fica dessa forma ainda mais crítica... Henrique Salvador: Com certeza. Mas ele terá que ser feito, tanto na gestão da assistência como na empresarial. Os hospitais vão ter que fazer esse investimento pesado porque com o quadro atual a profissionalização passa a ser uma necessidade ainda maior. Até para encontrar soluções criativas que resolvam os impasses que poderão surgir. Não é a primeira vez que esse tipo de situação ocorre no Brasil. A nossa geração já passou por muitas crises. O tempo mostrou que as instituições hospitalares que investiram em qualidade e foram criativas, até cresceram. Na linguagem chinesa, crise significa também oportunidade. Acredito que, mesmo diante da crise, surgirão oportunidades para algumas instituições crescerem e até sedimentarem mais a imagem que têm no mercado. HCB: Cerca de 40% da receita dos hospitais da Anahp vem de materiais e medicamentos. Como fica essa equação com a alta do dólar? Henrique Salvador: Não podemos trabalhar com prejuízo. Nenhuma empresa sobrevive a médio e longo prazos se não cuidar do caixa. Se houver uma redistribuição dos ganhos hospitalares de materiais e medicamentos para serviços, como as diárias e taxas, que inclusive é uma demanda antiga que os hospitais têm, tudo bem. O que não pode haver é simplesmente um corte de receitas retirando os ganhos com mat/med e isso não ser redistribuído para serviços, por exemplo. Do contrário, as instituições hospitalares não conseguem sobreviver e serem gerenciadas. HCB: A exemplo de outros setores da economia, como a agricultura, o setor suplementar de saúde deve encolher? Henrique Salvador: No médio prazo não deve ocorrer retração de carteira e faturamento. O sistema brasileiro de saúde é muito dependente do setor suplementar. Sabemos que o sistema público não tem condições de atender toda a demanda da população 33


ENTREVISTA se não fosse o setor suplementar. A tendência é que haja estabilidade e até um ajuste em termos de preços praticados. Mas, não acredito que haja diminuição, principalmente para os grupos A e B. No entanto, havia um movimento grande das operadoras em expandir mercado para as classes C, D e E, em que se acreditava haver possibilidade maior de crescimento com as carteiras. Pode ser que essa expansão que estava planejada, graças ao aquecimento da economia, seja paralisada.

A idéia é que possamos trabalhar com grupos de doenças relacionadas onde se avalia o perfil da população atendida, a idade, o risco de contrair doenças, etc. Com esse perfil, podemos inclusive estabelecer práticas comerciais com as operadoras – já que se torna possível acompanhar a chance dessa população ter mais ou menos riscos de adoecer. E, assim, renegociar com as operadoras valores diferenciados

HCB: Com o cenário econômico atual, o que o setor espera do Governo? Henrique Salvador: Muita coisa tem que ser feita nos próximos anos, especialmente iniciativas relativas à reforma tributária. Para os hospitais, tanto a operação quanto a aquisição de equipamentos, existe uma carga tributária muito pesada. É preciso trabalhar neste sentido. Também esperamos projetos quanto à terceirização de mão-de-obra na área de saúde, que para os hospitais é um dos principais pesos em termos de custos. Fundamental também é que haja modernização de algumas instituições brasileiras de modo a incentivar a livre iniciativa. O principal é que realmente tem que se repensar esse modelo, hoje o empresariado da saúde – do hospital privado, com fins lucrativos – é muito onerado. HCB: Em relação às pesquisas realizadas pela Anahp (Sinhá e Melhores Práticas), como o senhor avaliou os resultados? Henrique Salvador: São dois programas importantes. O Sinha avalia os indicadores de meio da atividade hospitalar, como lucratividade, produtividade, etc. Já os Melhores Práticas dá, pela primeira vez no Brasil, os indicadores de atividade fim. Durante três anos trabalhamos em busca da padronização do protocolo de atendimento, a formação de um consenso de indicadores, e agora apresentamos os primeiros resultados demonstrando que é possível padronizar a atenção a doenças, gerando uma possibilidade de melhoria de 34

resultados. Especialmente porque se faz possível comparar resultados de um único hospital com os do grupo e da literatura existente, inclusive internacional. O importante é agregar valor ao sistema, produzindo inteligência.

HCB: A pesquisa deste ano mostrou um decréscimo no EBTIDA dos hospitais pesquisados. Já há reflexos do atual cenário econômico ou outros fatores influenciaram? Henrique Salvador: Apesar de ter havido um decréscimo, o EBTIDA atual é bastante bom para a atividade. E o faturamento aumentou. Isso já está alinhado com a tendência – do qual falamos – de ajuste por parte das operadoras, no sentido de reduzir os custos e com isso diminuir receita dos hospitais. Não vejo essa diminuição muito significativa, especialmente se compararmos nossos índices com outros setores da economia. HCB: Na pesquisa atual, houve um destaque para o aprimoramento dos registros clínicos, prontuários e sistemas de informação. Na prática, quais os efeitos estão sendo produzidos por conta dessa reorganização? Henrique Salvador: A idéia é que possamos trabalhar com grupos de doenças relacionadas onde se avalia o perfil da população atendida, a idade, o risco de contrair doenças, etc. Com esse perfil, podemos inclusive estabelecer práticas comerciais com as operadoras – já que se torna possível acompanhar a chance dessa população ter mais ou menos riscos de adoecer. E, assim, renegociar com as operadoras valores diferenciados. A qualidade da informação se transforma em programas muito interessantes para negociação, uma verdadeira ferramenta de gestão. HCB: A incorporação de TI e a implantação de prontuário eletrônico, mesmo em hospitais da Anahp, ainda são baixas. Por quê? Henrique Salvador: A Anahp no ano passado realizou um seminário muito interessante no qual trouxemos os principais fornecedores de TI do mercado hospitalar,


e sugerimos que eles acrescessem em seus programas informações assistenciais importantes, exatamente para termos melhores ferramentas para gerir programas assistenciais nos hospitais. Existem hospitais da Anahp trabalhando com prescrição eletrônica e alguns com prontuário eletrônico. E a conclusão é que o prontuário permite que se controle e integre a assistência à gestão geral do hospital. A questão ainda é que a implantação do prontuário eletrônico não é fácil por vários motivos, mas principalmente porque é necessária uma adequação de legislação. O Conselho Federal de Medicina ainda tem que adequar algumas de suas portarias para assinatura eletrônica e prontuário eletrônico. É preciso também mudar a cultura do médico que por incrível que pareça não aceita lidar com computador. E outro problema é que para implantar o prontuário eletrônico é fundamental ter uma liderança presente, da direção técnica, do diretor clínico, para poder mobilizar toda a instituição para a adesão do prontuário eletrônico. E isso envolve treinamento de pessoas, o que gera um dispêndio de energia muito grande.

DIVUGAÇÃO

HCB: Em relação ao TISS, como tem sido a adesão? Henrique Salvador: Houve uma confusão grande porque vários prazos não foram cumpridos e a quantidade de informações é muito grande, sendo necessário adequar todo o sistema de gestão de TI interno à exigência. Ainda estamos vivendo um período de ajustes e a coisa não está totalmente estabilizada. Nem todos os hospitais estão adequados, mas, estão procurando se ajustar participando inclusive das comissões da ANS. HCB: Falando um pouco de futuro, como o senhor vê a atuação e o papel dos hospitais da Anahp junto ao grande conglomerado da saúde no País? Henrique Salvador: Hospitais, como os associados da Anahp, não são apenas prestadores de serviços. Vários têm centros de estudos e uma atuação muito voltada à pesquisa, o que os torna centros de inteligência e incentivadores do conhecimento. Hoje, em várias áreas da medicina, o conhecimento começa dentro das instituições privadas e a partir daí é difundido para outras instituições. O hospital do futuro certamente vai estar voltado para o que chamamos de instituições farol, iluminando o que vem à frente. A atuação transcende apenas a prestação de serviço. HCB: Como se manter competitivo? Henrique Salvador: No cenário que estamos im-

postos, de crise, de competição, de redução de demanda e até de redução de receitas, o hospital só será competitivo se investir pesado em gestão, além de incluir o médico e a assistência na macro estratégia da instituição. Todas as ações que surgem a partir daí, como a racionalização de custos, identificação de oportunidades de novos negócios para poder repor os 35


ENTREVISTA tante é organizar a assisnegócios que muitas veÉ importante que o gestor do hospitência de tal maneira que, zes caducaram dentro do sistema, tudo isso vai tal esteja sempre com o foco fora do qualquer que seja o modelo comercial, os hospitais requerer investimento negócio para poder ver de que manei- possam competir de uma em gestão e também em atualização. É importante ra o mercado está se comportando e maneira diferenciada. São que o gestor do hospital ter sempre seu negócio atualizado. É coisas separadas, mas, que andam juntas. Uma é esteja sempre com o foco fora do negócio para po- importante também investir em pro- o modelo de assistência e der ver de que maneira moção da saúde, em programas de a outra é o modelo comercial, que pode ter diárias o mercado está se comprevenção, gestão de assistência, etc. globais, pacotes, proceportando e ter sempre gerenciados, seu negócio atualizado. Os disease-related group, os chama- dimentos É importante também in- dos DRGs, serão a grande estratégia pagamento por performance, e até modelos em vestir em promoção da já que relaciona por grupo as doen- que o risco que o hospital saúde, em programas de prevenção, gestão ças existentes na carteira. Tudo isso assume é maior, como de assistência, etc. Os deságua num grande guarda-chuva o capitation. Para que o hospital possa participar disease-related group, os de qualquer um desses chamados DRGs, serão a que é a gestão modelos comerciais de regrande estratégia já que lacionamento, a gestão do corpo clínico e de assistênrelaciona por grupo as doenças existentes na carcia tem que estar organizada. Os principais gestores teira. Tudo isso deságua num grande guarda-chuva da instituição têm que ter o hospital na mão. E ter o que é a gestão. hospital na mão é estabelecer acordos com o corpo clínico que não impeçam que a prática médica seja HCB: Como envolver o médico nessa estratégia? autônoma, mas, mantenha ao mesmo tempo critérios Henrique Salvador: Grande parte dos hospitais de relacionamento. Isso a gente só consegue trazendo trabalha com corpo clínico aberto. O que observei, no o corpo clínico para o centro da questão. Toda vez caso específico do hospital onde sou diretor, é que que você chama o médico para um programa assim, 80% da produção do hospital está localizada na mão ele se sente valorizado porque são poucos os hospitais de 400 profissionais, de um universo de mais de 2 que fazem isso. Quando ele percebe que é ouvido, que mil médicos. O trabalho feito é justamente para esses as sugestões dele são levadas em consideração, que 400. E como se faz isso? Todo início de ano discutiele está sendo responsável pelo desempenho da instimos junto com os principais gestores administrativos tuição, ele entende o que está ocorrendo, apesar de as diretrizes da instituição. Essas diretrizes são transnão ter cultura da gestão porque as universidades não formadas em planejamento setorial para cada corpo têm uma cadeira para ensino administrativo. Quando a clínico, que têm metas de serem alcançadas. Essas direção consegue mobilizar o médico em torno de um metas são baseadas nas negociações internas e no projeto desse o resultado é surpreendente. Existem rebenchmarking da literatura. A partir daí é necessário sistências? Sim, mas aí está o papel da liderança para acompanhar trimestralmente as análises críticas desidentificar quem são os profissionais. se planejamento. As direções técnica e clínica do hospital se reúnem e discutem os resultados assistenciais HCB: Para minimizar os efeitos da crise, o que o gesdaqueles setores. tor deve levar em consideração em 2009? Henrique Salvador: Alguns setores da economia já HCB: Esse plano de metas prevê estabelecer o moapontaram para uma desaceleração e colocaram o pé delo de pagamento por performance? no freio. O gestor vai ter que ter um olho na receita e o Henrique Salvador: Estamos justamente nos preoutro olho no custo. E vai ter também que ir ajustando parando para num cenário futuro incluir o P4P. Mas, o negócio dele ao tamanho do problema que virá. outros modelos podem surgir também. O mais impor36


PANORAMA

Hospitais da Anahp

movimentaram R$ 6,3 bilhões

A

Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) divulgou os indicadores hospitalares dos 37 associados que participaram do Sistema Integrado de Indicadores Hospitalares (Sinha). De acordo com o estudo, que analisou dados referentes a 2007, o faturamento estimado alcançou R$ 6,3 bilhões e o número de trabalhadores (empregos diretos) totalizou 45,2 mil pessoas. A EBITDA dos associados no ano passado foi de 15,7%. Do faturamento dos associados, cerca de 90% provém do atendimento a convênios distribuídos em: 46,7% referente a seguradoras; 23,1%, autogestão; 20,7%, medicina de grupo e 9,5%, cooperativas. Juntos, os hospitais dispõem de 8.455 leitos, sendo que em torno de 25% destes são leitos críticos - UTIs e Semi-intensivas. 38

As horas anuais de treinamento dos empregados dos hospitais cresceram 7,7% em 2007, passando de 26 horas por funcionário em 2006 para 28 horas no ano passado. Estes investimentos tiveram reflexo positivo nos indicadores de qualidade dos associados, como a redução das taxas de mortalidade e de infecção hospitalar. A ANAHP lançou também a primeira publicação do Programa Melhores Práticas Assistenciais, com os indicadores clínicos, de desempenho e de qualidade e segurança de seus associados. Concebido pelo Comitê de Ensino e Pesquisa da entidade, o Melhores Práticas visa o monitoramento dos indicadores dos hospitais associados com o objetivo de gerar subsídios para aprimoramento contínuo da qualidade assistencial e excelência na atenção aos pacientes.


TAXA DE OCUPAÇÃO HOSPITALAR

CONSULTAS / SALA / ANO

TOTAL DE EXAMES

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PANORAMA TAXA DE INFECÇÃO HOSPITALAR

TAXA DE mortalidade

distribuição de faturamento

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PANORAMA EBITIDA

DISTRIBUIÇÃO DE RECEITA BRUTA REGIÃO CENTRO-OESTE

DISTRIBUIÇÃO DE RECEITA BRUTA REGIÃO SUL

DISTRIBUIÇÃO DE RECEITA BRUTA REGIÃO NORDESTE

DISTRIBUIÇÃO DE RECEITA BRUTA REGIÃO SUDESTE

TERCEIRIZAÇÃO

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REPORTAGEM DE CAPA

A Autogestão da Saúde no Brasil

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m setembro de 2008, a saúde suplementar registrou 40,8 milhões de beneficiários em planos de assistência médica. A contratação coletiva dos planos de saúde, que hoje atinge 73,5% dos acordos, apresenta predominância e crescimento consistentes nos últimos anos. As empresas brasileiras são as grandes financiadoras da assistência médica no Brasil. Essa realidade tira o sono não só do usuário, que fica cada vez mais dependente do emprego para contar com a assistência médica, mas, igualmente, do empresário que não sabe mais como controlar os custos com o benefício. Antes, com peso apenas na área de recursos humanos, a saúde passou para o topo da agenda. Atualmente, o impacto é significativo no negócio e representa o segundo item mais oneroso para as companhias, só perdendo para a folha de pagamento. Para tentar manter as rédeas desse “cavalo desgovernado” muitas optam pela autogestão. Existente no País há mais de 60 anos, o segmento representa 14,8% de todo o setor, com pouco mais de 6 milhões de vidas. Como único segmento da saúde suplementar que não visa o lucro, sua evolução pode ser explicada, principalmente, porque a assistência à saúde passou a ser uma responsabilidade social das organizações, além de estar diretamente relacionada à qualidade de vida dos colaboradores e, consequentemente, à competitividade da organização. Mas, em tempos de crise, como empresas tais como a Aracruz Celulose, Cassi (Banco do Brasil), Embraer, Geap (servidores públicos federais), Petrobras, Vale, Volkswagen, entre outras, que optaram pela modalidade por deseja44


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REPORTAGEM DE CAPA rem ter maior controle sobre os custos dos planos de saúde oferecidos conseguirão tal tarefa? Para Marilia Ehl Barbosa, presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), entidade que representa mais de 5 milhões de beneficiários e cerca de 140 instituições filiadas, as autogestões tanto quanto as operadoras de outras modalidades serão atingidas por conta do atual panorama econômico, reforçando a necessidade de ter informações para saber tomar a melhor decisão no momento mais acertado. “Com a crise, os dirigentes são obrigados a atuar em um cenário de grandes incertezas. O impacto vem necessariamente com a menor capacidade de compra do trabalhador e também com o aumento do dólar”. Recentemente, a Unidas lançou a nona edição de sua pesquisa nacional que abrangeu 75 instituições de autogestão que ofertam, em conjunto, 333 planos. As empresas respondentes totalizam 4.339.732

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beneficiários, dos quais 56,3% são ativos, 20,7% aposentados e 23% agregados. A amostra representa 79,12% da população do Segmento de Autogestão no Brasil, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, de dezembro/2007. 98,7% das instituições pesquisadas oferecem planos para ativos, 82,7% para aposentados e 77,3% para agregados. Quem mais utilizou foram os aposentados 90,2%, seguidos pelos agregados, 78,1% e pelos ativos 74,3%. O estudo mostrou que, mantendo as tendências de anos anteriores, os principais indicadores de custo continuam apresentando aumento. O maior deles, de 51%, foi o da diária da internação domiciliar, que veio de uma queda de 15% em 2006 em relação a 2005, mas, em 2007 atingiu o valor de R$ 550,67. O custo per capita de R$ 139,80 é 5,34% mais alto que o do ano anterior. O valor da consulta, R$ 35,16, também subiu e está 10% mais alto que o de 2006, percentual acompanhado pelo valor dos exames, de R$ 20,70.


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REPORTAGEM DE CAPA

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REPORTAGEM DE CAPA Com a alta do dólar, todos os setores da economia serão atingidos especialmente no que diz respeito à ênfase dada à tecnologia na área da saúde, já que os preços são quase sempre fixados em moeda estrangeira. “As internações, responsáveis pela maior parcela das despesas assistenciais, tem como principal fator de aumento de custo, a utilização de materiais e medicamentos que, nos últimos 5 anos, representaram um DIVUGAÇÃO

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acréscimo de mais de 80% nos valores gastos com esses itens”, explica. A onda de demissões por conta de crise financeira também preocupa. A presidente da Unidas acredita que haverá em todas as áreas da economia uma tendência maior de dispensas. “Por outro lado, as operadoras de planos de saúde aproveitarão para repensar e mudar a sua forma de gestão e até mesmo rever a sua rede de prestadores de serviços a fim de minimizar custos. Também haverá uma maior aproximação entre os “players” do sistema, com o objetivo de melhorar a relação entre as partes e conseqüente revisão das estratégias de gestão”, conta. De acordo com a executiva, assim como qualquer outro setor da economia, a Saúde Suplementar vai ser abalada pela crise. Porém, isso não significa necessariamente que haverá encolhimento no mercado. “Até porque, em meu entendimento, não houve crescimento do setor nos últimos 10 anos, a não ser em relação aos planos odontológicos que vivenciaram um aumento da população com esse tipo de cobertura. Certamente, com a crise mundial e a diminuição do consumo, a população com acesso aos planos privados de assistência à saúde não crescerá”, afirma. Em razão do cenário apresentado é previsível que as contribuições dos beneficiários tenham que sofrer um aumento maior do que o anualmente definido pela ANS. “Dessa forma, também as mensalidades dos aposentados terão reajuste. Se considerarmos que haverá aumento nas contribuições e maior possibilidade de regulação, isto é, de controle pelas empresas, sim, para todos os beneficiários de planos de saúde haverá impactos”. Para as entidades de autogestão este é um desafio ainda maior, devido ao percentual de idosos entre os seus beneficiários. A Autogestão, conforme demonstrado pela pesquisa da Unidas, possui uma maior proporção dessa população - 8,7% da população pesquisada (377.854 beneficiários) têm mais de 70 anos. Na população geral coberta pela saúde suplementar este índice é menor: 5,3%. “Diferentemente das outras modalidades assistenciais, uma das maiores preocupações do segmento é manter esta população assistida”, ressalta Marília. O envelhecimento da população, é um grande problema das entidades de autogestão, que tem sido comprovado nas 3 últimas pesquisas da Unidas. “Sem dúvida, nada se compara ao fato de podermos viver mais, porém, o grande desafio é como oferecer uma


vida mais saudável e com mais qualidade à população com mais de 70 anos. É primordial o desenvolvimento de programas preventivos e educativos. A idade é o maior fator de risco e não podemos esperar que as enfermidades se instalem para que só então cuidemos delas e de suas conseqüências”. A postura do Governo, em apresentar um cenário “positivo” aos empresários brasileiros, preocupa a presidente da Unidas. “É necessário que todos tenham noção da crise e do que ela pode representar para o País. É preciso, isto sim, alertar a população e os empresários sobre a necessidade de manter o consumo e os investimentos em alta, para que o Brasil não entre em recessão”. Os principais questionamentos dos gestores das empresas que mantém autogestão referem-se a como lidar com os problemas graves de financiamento que já envolviam o setor, e que agora devem ser agravados com a crise e representarão um aumento significativo de custos como a incorporação de novas tecnologias, estratégias de regulação e auditoria, gerenciamento de pacientes crônicos e cuidados com a população idosa. “Todas estas dificuldades se acirram em períodos de crise e se tornam mais difíceis de serem superadas”, alerta Marília, reforçando que o setor espera do Governo maior prudência nas estratégias adotadas para beneficiar a população com acesso a planos de saúde, pois, algumas medidas são tomadas em benefício do usuário, mas que acabam prejudicados pelo excesso de regulação.

De acordo com a executiva, outro ponto que deveria ser levado em consideração pelo Governo é a reforma tributária. “Que sejam beneficiadas as empresas que administram programas de assistência à saúde aos seus trabalhadores. Lógico que quanto maior os impostos, maior a despesa administrativa das empresas e menor a possibilidade de investimentos em novos programas assistenciais”. O cenário interno também preocupa Marilia Ehl Barbosa. Para ela, falta gestão mais perspicaz dos custos dentro das empresas. “Há muito a ser feito. As operadoras de planos de saúde ainda carecem de melhores políticas e estratégias para gerir os seus custos. A tecnologia da informação e a automação dos processos têm muito a contribuir. Por meio da utilização correta desses recursos, poderíamos economizar muito em papel e espaço físico, evitando o desperdício. Agir de forma mais efetiva na regulação, não permitindo que o beneficiário escolha sozinho qual especialista deva tratá-lo, e com o devido monitoramento da assistência que é prestada, é fundamental para obter melhores resultados. Para que isso ocorra é necessária uma estrutura técnica que comporte a oferta dessa ajuda aos associados”. Ela cita, como exemplo da utilização de TI, a criação de um portal na internet pela Unidas que possibilita a aquisição direta de materiais especiais de implante, através de um processo, rápido e transparente, que visa à redução de preços de um dos principais itens do custo assistencial. 51


REPORTAGEM DE CAPA O padrão TISS, norma que impõe a Troca de Informações padronizadas em Saúde Suplementar, embora ainda apresente para as operadoras e prestadores de serviços muitos problemas para a efetiva adesão, trará grandes benefícios quando definitivamente implantado, além de outras novidades. “Para o início de 2009, entrará em vigor a Terminologia Unificada em Saúde Suplementar (TUSS), que compatibiliza o Rol de Procedimentos da Agência e a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Com a implantação da TUSS, serão padronizados os códigos e a nomenclatura dos procedimentos médicos. Dessa forma, as operadoras de planos de saúde e os prestadores de serviços vão trabalhar com uma mesma linguagem, sem perspectiva de diferença pelo uso de tabelas diferenciadas, muito comum atualmente”, analisa Marília. Em termos de gestão, Marília reforça que a mudança da lógica assistencial é imprescindível. “Enquanto focarmos somente o tratamento das enfermidades, continuaremos correndo atrás do prejuízo e sem uma efetiva gestão de qualidade e de custos”. O gerenciamento de pacientes crônicos é outro grande desafio. “A obesidade, por exemplo, é responsável por uma série de co-morbidades que, além de comprometerem não apenas a qualidade, mas também o tempo de vida dos beneficiários, têm altos custos para o plano. Se um paciente obeso não for tratado levando-se em conta os aspectos físicos e psicológicos, o tratamento corre o risco de não ter sucesso. Várias empresas têm adotado programas específicos com o objetivo de melhorar o desempenho, e que têm apresentado ótimos resultados”, explica. De acordo com ela, os gestores da área da saúde, pública ou privada, precisam investir efetivamente em programas de promoção da saúde, em especial para a população idosa. “Antes disso, a preocupação deve ser em agregar valor ao atendimento do beneficiário, ou seja, é necessário cuidar, oferecer a atenção básica, para melhorar a qualidade de vida da população assistida, direcionar melhor a demanda, hierarquizar o acesso aos serviços de saúde. Tudo isso, resultará em maior satisfação do beneficiário e melhor gestão dos recursos financeiros”. Para 2009, as perspectivas para as operadoras de planos de saúde não são das mais otimistas, de acordo com a presidente da Unidas. “A resistência às mudanças é grande e serão necessárias modificações significativas nas relações atualmente existentes, em especial entre as empresas e os prestadores de serviços médico-hospitalares. Certamente, o setor de saúde suplementar sofrerá uma pressão muito grande por aumento de preços em virtude da alta do dólar e da crise mundial”, conclui. 52


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Health-IT | Tendências

Direct Access Testing (DAT) Exames Laboratoriais sem prescrição, sem médico, sem plano de saúde... Por Guilherme S. Hummel

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V

ocê acorda pela manhã, degusta um saboroso café, olha o calendário e confere animado que um novo ano está começando. Entre os planos de trocar de carro e da merecida viagem de férias com a família, inclui fazer alguns exames de rotina para entrar com a Saúde zerada em 2009. Ao longo do dia, chega ao escritório, lê os jornais, confere a Bolsa de Valores, conversa com os colegas, checa sua conta bancária, dá uma conferida nas pendências financeiras e observa na Internet as últimas notícias sobre a crise econômica que abala o planeta. Relaxado em sua cadeira vê o Sr. Guido Mantega explicar porque suas férias não passaram de ficção e porque o carro vai ter de agüentar mais um período. Olha em volta, pensa, raciocina e percebe que roubaram o seu ano de 2008. Repousa a cabeça sobre as mãos, se concentra no semblante preocupado de seu gerente e desconfia que também estejam roubando 2009. Mas resiste a todos os pessimismos e resolve pelo menos fazer seus exames. Liga para seu médico e recebe da secretária a informação de que ele saiu de férias, mas se for urgente procure o Dr... Acessa seu plano de saúde e tenta agendar consulta com outros três médicos, afinal, “só preciso de uma simples receita de Hemograma, não estou doente!”. Rapidamente verifica que a data mais próxima para uma consulta é duas semanas. Desconfia então que também podem estar roubando a sua Saúde, ou pelo menos o direito de cuidar dela. Não perca as esperanças. A crise econômica não roubou o ano só de você, e não será a primeira e nem a última crise a gostar do seu carro velho. Sobre os Exames, você não é o único a passar por esse calvário, mas existem também “marolinhas” boas no horizonte. Há cerca de uma década, cresce nos EUA e em outros países uma saída para essa novela. Nada mais é do que um Serviço que possibilita ao consumidor solicitar diretamente seus exames laboratoriais, sendo conhecido como Direct Access Testing (DAT), acesso direto a testes diagnósticos. Trata-se de mais um passo do incontrolável “patient empowerment” e mais uma vitória da força que a sociedade vem imprimindo ao longo dos últimos anos na direção de melhorar o acesso aos seus bens de Saúde. Explicar o DAT é simples: portais de Exames Laboratoriais oferecem testes médicos diretamente ao consumidor, sem prescrição médica, sem interveniência da seguradora e sem qualquer burocracia. Você solici55


Health-IT | Tendências curar um médico diante ta o exame, um sistema de coleta é acionado e Serviços DAT, totalmente baseados na de um resultado dúbio. Todavia, isso não reduz recolhe a amostra em sua residência, e em Web, têm emergido nos últimos anos a contestação da comu24/48 horas você tem como opção para que os próprios nidade médica, de alguo laudo (pdf.), que pode consumidores gerenciem seus exames mas áreas do Estado e de alguns setores da ser obtido no mesmo portal através de uma laboratoriais, solicitando eles mes- mídia, sempre atentos senha de acesso. Fim. mos os testes. O consumidor escolhe em captar controvérsia para algum “fantástico Nada mais do que isso. o exame que está disponível para DAT show da vida”. SomeO DAT possui outras denominações, (não são todos), paga diretamente por se as críticas o impacdependendo do markeele e é o único responsável pela inter- to comercial dentro da Cadeia de Atendimento, ting que o cerca. Pode ser conhecido também pretação do resultado, tendo auxílio visto que os exames por direct laboratory dos padrões de referência fornecidos realizados através de DAT podem sair de 40 tests (DLT), consumer pelo laboratório. a 70% mais baratos do ordered tests, patientque os solicitados de fordirected testing, direct ma convencional, com médico, prescrição, carimbo, access to lab services, consumer driven testing, selfautorização, etc... ordering, direct-to-consumer, ou mesmo como consuNo Brasil já existem ensaios nessa direção, mas mer self-orders. ainda não há escala. Questão de tempo. O assombroServiços DAT, totalmente baseados na Web, têm so número de quase 50 milhões de internautas não emergido nos últimos anos como opção para que os deixa margem à dúvida sobre a decolagem do serviço próprios consumidores gerenciem seus exames laboDAT no País. Se regulação houver (e deve haver), ela ratoriais, solicitando eles mesmos os testes. O consunão impedirá a explosão de oferta. Cabe sempre indamidor escolhe o exame que está disponível para DAT gar quem serão os players a oferecê-la. Quem sairá na (não são todos), paga diretamente por ele e é o único frente. A tendência é de que as empresas de Medicina responsável pela interpretação do resultado, tendo auLaboratorial sejam os provedores desse tipo de servixílio dos padrões de referência fornecidos pelo laboraço, mas nada impede que Hospitais, Seguradoras e outório. Entre 10 a 15% dos hospitais e empresas de tros entrantes abocanhem um quinhão do mercado. diagnóstico clínico nos EUA já oferecem o DAT. Em Nos EUA e em alguns países da Europa já é comum 2007, 25 Estados norte-americanos e o Distrito de encontrar players que não produzem uma única anáColumbia já utilizavam o DAT com autorização oficial. lise e não coletam uma única amostra. São brokers, Em 10 Estados a autorização tem limitações, mas o trabalhando numa ponta com as redes de Laboratóserviço é oferecido normalmente dentro das regras esrios, em outra com as empresas de logística (coleta tabelecias, e em 13 Estados ainda não é autorizado. de amostras) e em outra diretamente com o usuário Há de se deixar claro que ainda existe grande confinal. Processam a venda através de cartão de crédito, trovérsia sobre esse tipo de oferta. A questão central ou outras formas de pagamento, disponibilizam senha gravita em torno de como os clientes gerenciam os e protocolos de acesso ao usuário e o orientam quanto laudos que apresentam anormalidades (ou inconformiàs faixas de referência clínica dos resultados. O broker dades com os valores de referência). Não faltam tamidentifica o local da coleta e direciona a “oportunidabém questionamentos sobre o alcance das responsade” para o Laboratório mais próximo do usuário, sendo bilidades dos provedores em danos que um eventual que alguns deles já têm alcance nacional. auto-tratamento possa causar. O mundo do “faça você mesmo seu teste” não é Um portal de Lab/DAT, em geral, provê informanovo, e mesmo no Brasil já existem exemplos que caíção interpretativa sobre os resultados fora de padrão, ram no gosto popular. Sem muita tecnologia, o mercasobre as patologias, sobre as faixas de referência de do já disponibiliza kits, alguns vendidos em farmácias, cada exame e sobre a necessidade do usuário pro56


para identificar determinado status clínico, como o “HCG”, na confirmação da gravidez ou o “Intelligender”, na identificação do sexo do bebe. O “OraQuick”, para detecção do HIV, é comercializado nos EUA desde 2004 e detecta o vírus da AIDS em até 20 minutos. Basta esfregar uma palheta na gengiva (parecida com um cotonete), colocá-la na solução especial do kit e aguardar. No Brasil, o produto foi deferido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, embora a venda do mesmo não seja autorizada para farmácias, somente para Clínicas Médicas.

Ainda dentro do mundo “faça você mesmo”, em 2008 surgiu outro surpreendente exemplo. O laboratório americano Identigene, colocou à venda por cerca de 30 dólares, em mais de quatro mil farmácias dos EUA, o “Rite Aid” - um exame de paternidade. O mesmo é realizado através da saliva, que posteriormente pode ser enviada pelo correio para ser analisada a um custo adicional de 119 dólares. Os resultados são entregues em cinco dias por carta, correio eletrônico ou através de um portal na Web. Certamente que a contestação e a controvérsia não diminuem com a boa aplicabilidade do produto. Mesmo nos EUA, testes desse tipo, vendidos sem receita médica, não são necessariamente admitidos em tribunais no caso de ações judiciais, exigindo a justiça americana provas mais precisas. Mas o fato de esses produtos estarem agora sendo vendidos como serviço digital só mostra que essa é uma prática que veio para ficar e que o volume de reações contrárias tende a diminuir ao longo do tempo e com a utilização em escala. O desejo de autonomia do consumidor, as demandas crônicas do paciente e os problemas dentro da cadeia de atendimento, que pelo menos no Brasil estão longe de serem minimizados, motivam a indústria de tecnologia e os provedores de Serviços Clínicos a desenvolverem cada vez mais soluções como o DAT. Isso fica claro quando percebemos a quantidade de equipamentos, devices, sensores e outras engenhocas capazes de apoiar o paciente em seu ambiente domiciliar ou em qualquer outro que lhe seja conveniente (TeleHealth). Medidores digitais de glicose (alguns vendidos em farmácias), de pressão, de oxigênio no sangue, etc. são tão comuns que já fazem parte do dia-a-dia de uma grande quantidade de usuários portadores de patologias crônicas, por exemplo. Mas talvez o grande salto na divulgação do DAT tenha ocorrido com o advento dos exames genéticos. Essa área da biologia, que estuda a forma como se transmitem as características biológicas de geração para geração, deslanchou sobremaneira na última década. Em 14 de abril de 2003 um consórcio internacional anunciou o mapeamento genético do organismo humano. Três anos depois, 17 de abril de 2006, o mundo ficou ainda mais surpreso quando foi anunciada a descoberta da seqüência completa do genoma humano. A vulcânica dimensão da notícia só excitou o mercado laboratorial. O estudo do corpo humano, com seus mais de 100 trilhões de células, entrava numa nova Era e o conhecimento sobre como os genes con57


Health-IT | Tendências Em 18% dos casos o usuário opta pelo DAT porque quer os resultados mais precocemente e outros 18% o solicitam como preparação para uma consulta médica. Em 13% dos casos os usuários responderam que o fazem por mera conveniência e em 10% a motivação foi ter uma segunda opinião. Perto de 6% responderam que os motivos têm a ver com a privacidade, e somente 10% responderam que a motivação foi o custo tribuem para a formação das doenças escancarou as possibilidades para o mercado de patologia. Novas tecnologias clínicas baseadas no DNA estão aparecendo todos os dias, em todos os cantos do mundo. Doenças como Mal de Alzheimer, Hipertensão, Obesidade, Artrite Reumática, Osteoporose, Câncer do Cólon, Doenças Cardiovasculares, Mal de Parkinson dentre outras já possuem patentes dos seus respectivos genes e o desenvolvimento comercial de seus produtos derivados vem a galope. A Genética e a Biotecnologia introduziram uma nova dimensão no cenário e o usuário, muito mais informado e articulado, se movimenta para assumir seu lugar nesse novo shangri-La. Em 2007, as empresas deCODE Genetics (Islândia) e 23andme (EUA) começaram a oferecer ao consumidor a oportunidade de explorar seus genomas comparando-os com membros de sua família. O custo de cada exame beira os 1000 dólares e não há nenhuma necessidade de prescrição médica. Outros exemplos não faltam como a identificação de alguns tipos de câncer, feitos pela empresa Genomic Engenharia Molecular através do estudo das mutações genéticas conhecidas como BRCA1 e BRCA2. O DAT carrega em sua bagagem a noção clara de que não existe mais espaço para uma Medicina que não tenha o paciente como seu eixo motor e a tecnologia de informação como sua estrada. Pesquisa realizada por uma das mais importantes empresas de diagnóstico laboratorial do mundo, a Quest Diagnos58


HealthCare

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Health-IT | Tendências tics, identificou os motivos que levam o consumidor a requerer seus exames médicos através de DAT. Em 18% dos casos o usuário opta pelo DAT porque quer os resultados mais precocemente e outros 18% o solicitam como preparação para uma consulta médica. Em 13% dos casos os usuários responderam que o fazem por mera conveniência e em 10% a motivação foi ter uma segunda opinião. Perto de 6% responderam que os motivos têm a ver com a privacidade, e somente 10% responderam que a motivação foi o custo. A evolução desse tipo de serviço só tende a ganhar novas dimensões. Um exemplo de adição de valor é o Personal Diagnostic Center (PDC), um provedor de DAT, localizado no Kansas (EUA). Além dos serviços normais eles possuem uma Central de Atendimento situada num Shopping Center, deslocada de qualquer área contigua a consultórios médicos ou outras unidades de atendimento. A Central possui um ambiente de aconselhamento, onde consultores (médicos, patologistas) se dedicam a explicar os resultados aos consumidores, fornecendo informações sobre patologias crônicas, sobre os valores de referência e sobre os laudos de seus exames. O serviço está disponível 24 horas por dia também via telefone (Medical Call Center). Vale salientar que no PDC, caso os testes acusem resultados anormais, é feita uma imediata ligação telefônica de um patologista ao usuário oferecendo mais explicações. A evolução das Tecnologias de Informação e Comunicação na área de Saúde (eHealth) sempre continuará a surpreender e trazer novas formas para diminuir as distâncias entre a Cadeia de Assistência e o consumidor. A última década mostrou que não existe limite para o eHealth, e as nações se acotovelam cientes de que grande parte das inovações podem apoiar seus Sistemas de Saúde. O Brasil, principalmente o seu Poder Público, não dá sinais de entender o alcance das transformações em curso. Se esquiva do óbvio, não entende o relevante e abraça o tolerável. A crise mundial veio para se instalar em nosso quintal. Nesse ambiente, em que incertezas e inovação caminham lado a lado, fica claro que nossa dependência cotidiana dos problemas gerados pela crise econômica está longe de ser resolvida, mas nossa independência para resolver sozinhos nossos problemas de Saúde está cada vez mais próxima. DIVUGAÇÃO

Guilherme S. Hummel Consultor Internacional, Pesquisador e autor dos livros “eHealth – O Iluminismo Digital chega a Saúde” e “ePatient – A Odisséia do Paciente em Busca da Saúde” web site: www.ehealth-summit.com guilherme.sydow@ehealth-summit.com 60


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Health-IT | PESQUISA TISS

Pesquisa avalia impacto do TISS nos laboratórios clínicos

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ara avaliar o impacto sobre os laboratórios clínicos provocado pelo padrão TISS (Troca de Informação em Saúde Suplementar), da Agência Nacional de Saúde Suplementar, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) lança pesquisa com o objetivo de descobrir quais os pontos críticos de adequação à norma e os problemas comuns do setor, que mantém atualmente cerca de 10 mil estabelecimentos no País. A nova pesquisa, que está acessível no site da Socie62

dade (www.sbpc.org.br/pesquisas/2008), deve avaliar os resultados de todos os laboratórios brasileiros e terá resultados apresentados até o final de janeiro. No final de 2008, a SBPC já havia realizado uma pesquisa piloto apenas com os laboratórios acreditados pelo Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC), restrita a alguns laboratórios do Brasil. Os que responderam são de diferentes portes e localizam-se nas regiões Centro-Oeste (10%), Nordeste (15%), Sudeste (55%) e Sul (20%). Os resultados foram apresentados à ANS. Confira:


Percepção geral após a implantação do TISS: A maioria dos laboratórios (56%) avaliou como positiva a implantação do TISS. Destes, 24% consideraram que melhorou muito e 32%

32%

responderam que melhorou pouco. Para 17%, melhorou pouco, enquanto 27% avaliaram que piorou após o TISS.

27%

24% 17%

Melhorou pouco

Melhorou muito

Piorou

Não melhorou

Número de Colaboradores após TISS O TISS criou uma expectativa de desburocratização e redução de custos. Por isso, de certa forma surpreende que, devido à sua implantação, o número de colaboradores aumentou em 41% dos

laboratórios, enquanto a maioria tenha respondido que não houve modificação. Nenhum laboratório informou que reduziu o número de pessoas no atendimento.

59% 41%

Não se modificou

aumentou

0%

Reduziu

O processo de faturamento após TISS Havia a expectativa que muitos dos benefícios obtidos com o TISS se refletissem no processo de faturamento porque algumas informações – como os códigos de exames – não precisam ser preenchidas em guias e são transmitidas em arquivos eletrônicos. Por isso, causou surpresa que menos da metade dos laboratórios (41%) informou que o processo ficou

52%

mais fácil e simples, enquanto para 51% tornou-se mais difícil. Apenas uma pequena parcela (7%) respondeu que não houve modificações. De acordo com a SBPC, é importante levar em conta que, antes da implantação do TISS, muitos laboratórios já enviavam arquivos eletrônicos para as operadoras, embora não houvesse padronização.

41%

Se tornou mais difícil

Se tornou mais fácil e simples

7%

Não se modificou

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Health-IT | PESQUISA TISS Glosas após três meses de implantação do TISS A maioria das respostas (44%) reflete a expectativa de que o TISS reduziria o número de glosas, devido à padronização e segurança dos dados enviados em arquivos eletrônicos. Como 39% informaram que não houve alterações, isso pode significar que laboratórios e operadoras têm oportunidades de melhorar esse processo. Para os 17% que responderam que aumentou o número de glosas, o prazo de implantação do TISS talvez não tenha sido suficiente para o processo estabilizar-se.

44%

39% 17% Não se alterou

Reduziu

Aumentou

Envio de faturas eletrônicas para operadoras Devido ao alto nível de informatização existente no setor, esperava-se que a maioria dos laboratórios respondesse ser possível enviar as faturas eletrônicas padronizadas para a maioria das operadoras. Por isso, surpreende saber que 32% responderam que conseguem fazer isso para até 30% das operadoras conveniadas, apesar de já ter se passado cerca de um ano e meio da implantação do TISS. Não foram questionadas as dificuldades existentes no envio das faturas. Alguns laboratórios podem ter

32%

29% 0 a 30% das empresas contratantes

dificuldades para enviar arquivos eletrônicos ou preferem fazer isso em papel. Além disso, muitas operadoras são regionais e podem não ter se estruturado para receber os arquivos. A maioria dos laboratórios informou que mais da metade das operadoras conveniadas recebem faturas eletrônicas. No entanto, apenas 29% dos entrevistados responderam que enviam faturas eletrônicas para mais de 70% das operadoras.

27% 12% Mais de 70%

31 a 50 %

51 a 70%

Dispensa de preenchimentos de códigos de exames nas guias A grande maioria dos que responderam (66%) informou que apenas de 0 a 30% das operadoras dispensam o preenchimento dos códigos de exames nas guias. Este procedimento representa um custo elevado e muito trabalho para os laboratórios, e está sujeito a erros, quando é feito manualmente. Somente 24% responderam que mais de 70% das operadoras dispensam o preenchimento dos códigos de exames nas guias. 64

66%

0 a 30% das empresas contratantes

24% Mais de 70%

10%

51 a 70%

0% 31 a 50 %


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Health-IT | PESQUISA TISS

Recebimento de extratos de pagamento e discriminação de glosas O processo de implantação do TISS previa que os extratos de pagamentos deveriam ser enviados pelas operadoras aos prestadores de serviços. A pesquisa mostra que persistem as dificuldades

que existiam antes do TISS para identificar glosas. A maioria dos laboratórios (51%) respondeu que somente de 0 a 30% das operadoras conveniadas emitem esses extratos.

51% 24% 0 a 30% das empresas contratantes

20% 51 a 70%

Mais de 70%

5%

31 a 50 %

Faça a sua mensagem chegar! Solução de comunicação e relacionamento da sua empresa com o mercado de saúde A HealthhCare Brazil é hoje a mais influente revista de negócios do setor saúde no País. Especializada em economia, se concentra nas principais tendências nacionais e mundiais em gestão empresarial do setor médico-hospitalar. Com alta qualidade gráfica, circula bimestralmente e é distribuída para todo o Brasil para cerca de 13 mil assinantes, que recebem gratuitamente a publicação.

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Health-Company

Pirataria de produtos mĂŠdicos e vidas humanas Por Aurimar JosĂŠ Pinto

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HealthCare


A

globalização e as novas tecnologias foram fundamentais para a melhoria dos serviços de saúde em todo o mundo, mas também foram instrumentos para o avanço da pirataria no mercado de produtos e dispositivos médicos. A falsificação de produtos na área médica assusta porque, além de crescente, está cada dia mais sofisticada. E o risco se reflete diretamente na vida do paciente. A meta e o desafio para os representantes das grandes empresas, fornecedores e associações do setor de saúde é trabalhar em conjunto com o Governo Federal para uma conscientização pública de combate à pirataria. Cada produto pirata no setor de saúde pode resultar em uma vida perdida. O cenário, que já é grave na área de medicamentos, também é muito preocupante no setor de produtos e insumos médicos. Atualmente, são registrados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de quatro casos diários de pirataria no setor de saúde. Em 2007, foram conhecidos 1,5 mil novos casos de falsificação. Hoje em dia, a pressão econômica por menores preços em produtos para a saúde é uma das causas da pirataria. Trata-se de um mercado secundário, realizado principalmente em sites de leilões virtuais, onde as procedências do produto e do fabricante são de difícil fiscalização e controle. O mercado crescente na internet permite que os produtos falsificados se proliferem no mundo inteiro, p ela facilidade de importação sem o devido controle deste comércio. O usuário pode comprar, por exemplo, uma válvula cardíaca tão facilmente como compra uma mala, ou uma camiseta de um time de futebol. Vale ressaltar que os produtos falsificados não seguem as regras e padrões internacionais de qualidade. Não são esterilizados, não são testados. São apenas cópias, às vezes bem feitas, de produtos já existentes no mercado. Assim como qualquer cidadão compra um CD ou um DVD pirata, existem centros médicos adquirindo produtos falsificados. Ou seja, se os CDs piratas não funcionam por sua péssima qualidade, dá para imaginar o que pode ocorrer com um produto médico sem qualidade ga-

rantida que será utilizado em um procedimento cirúrgico O resultado pode ser trágico. Nos últimos anos, os falsificadores estão se especializando em “enganar” os especialistas do setor de saúde. No evento “Combate à Pirataria no Setor de Saúde”, na Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo, Anvisa e representantes da indústria e distribuição, discutiram quadro preocupante da falsificação. Muitas linhas de produtos, de alta ou baixa complexidade, esterilizadas ou não, estão sendo falsificadas. As características comuns dos falsificados são: má qualidade do material e a falta de esterilização. Porém, o mais preocupante é que dificilmente usuários e autoridades conseguem identificar essas diferenças a olho nu. Por isto a necessidade de uma força tarefa que estabeleça políticas e procedimentos que revertam em ações punitivas e severas aos praticantes. Outro fator que fortalece a pirataria são os recursos financeiros e tecnológicos que os falsificadores possuem. Agem, em geral, sob o comando de organizações criminosas que conseguem facilmente cópias originais de produtos e embalagens, que associados à disponibilidade das tecnologias de embalagem, fazem com que as mesmas sejam de boa qualidade, protegendo um produto sem nenhuma qualidade, segurança e eficácia. A relação entre altos lucros e sanções pequenas também é outro fator relevante do crescimento da pirata na área médica. A baixa eficiência na aplicação das leis acaba por estimular o falsificador. Precisamos estudar um novo sistema de legislação de combate à pirataria e estabelecer um novo marco jurídico que possibilite uma pena rigorosa para os piratas. A meta dos principais representantes do setor de saúde e do Governo é a de realizar uma forçatarefa de combate ao produto pirata. Devem ser protagonistas para reverter esse quadro, fabricantes, fornecedores, hospitais e clínicas, médicos, agentes sanitários, agentes alfandegários, Polícia Federal, entre outros participantes da cadeia. E com um único intuito: salvar vidas humanas.

* Aurimar José Pinto é presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed) - abimed@abimed.org.br.

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Health-Company | Tendências

Turismo Médico no Brasil Por Rodrigo Alberto Correia da Silva*

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turismo médico, ou mais adequadamente as viagens de saúde, são hoje um dos grandes filões de negócios decorrentes da globalização. O tema foi discutido recentemente em seminário da Câmara Britânica de Comércio (Britcham) e levantou números impressionantes. Só em 2007, cerca de1 milhão de pacientes gastaram US$ 3 bilhões na Tailândia, Cingapura e Índia em busca de tratamento médico. A perspectiva é de acentuado crescimento, pois nos países desenvolvidos os altos custos de tratamentos têm levado as pessoas a buscarem outras regiões com mesma qualidade e menor custo. A busca de tratamento off-shore é impulsionada por fatores mais ou menos preponderantes dependendo do país. Nos países em que o sistema se saúde é predominantemente público, como Canadá e Reino Unido, a busca ocorre devido longas filas para receber tratamento eletivo ou de menor urgência. Nos países em que o sistema é eminentemente privado, como os EUA, temos um grande contingente de pessoas sem seguro ou plano de saúde e as próprias seguradoras ou operadoras têm visto o tratamento off-shore como alternativa para a redução de custos com sinistros e cirurgias. Considerando que estes fatores só tendem a se acentuar, o mercado vai crescer mundialmente sendo uma grande oportunidade para os países que estiverem aptos a aproveitá-la. São requisitos necessários para ser um destino de viagens médicas: • Fluência das pessoas envolvidas em línguas estrangeiras; • Atualização tecnológica de equipamentos, materiais, medicamentos e instalações no nível que os viajantes têm em seus países de origem; • Qualificação internacional do corpo clínico; • Certificação internacional do serviço de saúde; • Facilidade de pagamento, comunicação, chegada ao destino dos procedimentos, conforto para o paciente e sua família durante a estadia e recuperação;

Alguns diferenciais são inatos no Brasil como receptividade, calor humano e pontos turísticos. Temos também como diferencial os médicos altamente capacitados e internacionalmente reconhecidos, além de uma excelente infraestrutura hospitalar e de turismo. Porém, alguns desafios devem ser superados: o caos urbano, a falta de segurança e uma imagem internacional ainda pálida e ligada ao amadorismo e falta de seriedade, mesmo que de forma injusta. Programas públicos e iniciativas privadas para o desenvolvimento deste mercado no Brasil até o momento foram isolados, desarticulados e inconsistentes, gerando poucos frutos. Porém, os atores públicos e privados estão buscando maior articulação e cooperação mútua. O setor público deve se envolver nestes esforços viabilizando um arcabouço regulatório e de serviços públicos eficientes para suportar a iniciativa privada e também induzir investimentos. O interesse público nestas iniciativas é inegável, pois ganhar este mercado significa mais recolhimento de impostos, geração de trabalho, investimentos sustentáveis em infra-estrutura hospitalar e formação profissional. Isso resultará na redução dos custos e pulverização de custos fixos na saúde. Do ponto de vista jurídico estas iniciativas pioneiras geram demandas de estruturação tributária de prestações de serviços internacionais, aos diversos mecanismos de contratação internacional e de formalização de parcerias, além da avaliação dos riscos de responsabilização dos atores nacionais em casos de danos. E necessário um sistema jurídico que proteja os envolvidos, garanta o cumprimento das obrigações das partes e gere eficiências adicionais à operação deste negócio, que contribui enormemente para o desenvolvimento e perenidade dos resultados que certamente virão.

Rodrigo Alberto Correia da Silva é sócio do escritório Correia da Silva Advogados, presidente dos Comitês de Saúde da Câmara Britânica de Comércio (BRITCHAM) e da Câmara Americana de Comércio (AMCHAM). Email: rodrigo@correiadasilva.com.br 70


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estante

NA

Loucura - A busca de um pai no insano sistema de saúde

Manual de Psicofarmacologia Clínica

Um exame completo e perturbador da teia burocrática, do mau juízo e da apatia que resultam em condições brutais e pouca esperança de recuperação para doentes mentais: em vez de assistência, confinamento; em vez de tratamento e hospital, cadeia. O livro, um dos finalistas do prêmio Pulitzer em 2007, é do renomado jornalista Pete Earley, que descreve como andam os direitos dos portadores de doenças mentais graves nos Estados Unidos. O jornalista enfatiza os maus tratos a que eles são submetidos e a louca legislação, que faz com que um psiquiatra, contrarie o Juramento Hipocrático.

O Manual de Psicofarmacologia Clínica chega à sua sexta edição refletindo o que há de mais atual no campo da psicofarmacologia. Este guia de fácil leitura apresenta os últimos desenvolvimentos da psicofarmacologia com base tanto em evidências como na experiência clínica dos autores. Contém tabelas resumidas, contendo informações-chave para consulta rápida; Figuras que representam as estruturas químicas dos fármacos abordados; Seções sobre indicações, mecanismos de ação, efeitos colaterais e interações medicamentosas, dosagem e administração.

Autor: Pete Earley Páginas: 375

Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática

Autores: Alan F. Schatzberg, Jonathan O. Cole e Charles DeBattista Páginas: 720

Depressão

A quarta edição de “Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática”, do especialista Sizínio Hebert e colaboradores, aborda de forma ampla e acessível aspectos da ortopedia e traumatologia de forma sistematizada, prática e didática. Trata-se de um livro voltado para as novas gerações de ortopedistas e traumatologistas brasileiros que reúne mais de 170 autores que apresentam o que há de mais atual em termos de técnicas de diagnóstico e tratamento. A edição atual reúne mais de 2500 ilustrações e CD-ROM incluindo vídeos de procedimentos artroscópios.

O lançamento “Depressão – do neurônio ao funcionamento social” destaca a depressão como um problema de saúde pública em todo o mundo. A obra mostra que estudo realizado pela OMS – Organização Mundial de Saúde reconhece a depressão como uma das doenças que ocasionam maior comprometimento e sofrimento. Por isso, é um dos transtornos cujo diagnóstico e tratamento merecem prioridade. A obra reúne informações sobre o diagnóstico, tratamento e ainda um capítulo de encerramento com alguns artigos científicos que avaliam a qualidade de vida em pacientes com transtorno depressivo.

Autor: Sizínio Hebert & Cols

Autor: Luiz Tavares de Lacerda e Cols.

Páginas: 1696

Páginas: 360

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estante

NA Transtorno Bipolar

Manual de Terapia Familiar

Considerado a sexta causa mais comum de incapacidade entre adultos e jovens, a bipolaridade tem diagnóstico e tratamento bastante complicados. O livro aborda modelos de perturbação, tratamento, comportamento suicida e os transtornos na infância, adolescência, nos idosos e durante a gestação. O surgimento de novos tratamentos na última década trouxe certo otimismo para a área, visto que especialistas começam a entender mais sobre suas causas genéticas e ambientais. Apresenta os obstáculos no tratamento, como o longo intervalo entre os sintomas e o início da terapia apropriada.

O primeiro manual brasileiro de terapoia familiar, oferece ao leitor uma amostragem ímpar do pensamento dos principais terapeutas familiares brasileiros, bem como as técnicas mais eficazes em terapia familiar. Quer no âmbito da prática clínica como no da pesquisa acadêmica, a evolução da terapia familiar brasileira está situada na linha de vanguarda dos desenvolvimentos da especialidade no mundo todo e esse manual reúne o estado da arte dessa técnica psicoterápica tão promissora. Apresenta temas tratados tanto na prática clínica quanto na pesquisa acadêmica.

Autor: Flávio Kapczinski e João Quevedo

Autor: Luiz Carlos Osorio, Maria Elizabeth Pascual do Valle e cols

Páginas: 400

Páginas: 488

Diagnósticos de enfermagem aplicação à prática clínica

Atuação no Trauma: uma abordagem para a Enfermagem

Esta nova edição do prático e respeitado Diagnósticos de enfermagem: aplicação à prática clínica apresenta os fundamentos do diagnóstico preciso, as aplicações, a avaliação e as intervenções, bem como os objetivos dos diagnósticos de enfermagem, de acordo com as orientações mais atuais da NANDA. Além disso, mostra como relacionar dados de avaliação a diagnósticos de enfermagem, adaptar diagnósticos a casos especiais, diferenciar diagnósticos de enfermagem de diagnósticos médicos, iniciar intervenções de enfermagem adequadas e desenvolver planos de tratamento efetivos.

O trauma, seja ele acidental ou intencional, causado por fatores como agressões, quedas, atropelamentos e homicídios, já é a quarta causa de morte no Brasil. Para auxiliar o profissional da saúde a compreender melhor o universo do paciente traumatizado, a editora Atheneu acaba de lançar a obra “Atuação no Trauma: uma abordagem para a Enfermagem”. O livro nasceu do convívio das autoras com alunos de pós-graduação lato sensu e de Enfermagem no pronto-socorro, tendo por objetivo atender as necessidades dos profissionais da área em melhor desenvolver ações junto ao paciente traumatizado.

Autor: Lynda Juall Carpenito-Moyet Páginas: 1040

Autores: Wana Yeda Paranhos, Regina Maria Cardoso de Souza, Ana Maria Calil e Marisa Amaro Páginas: 552 79


estante

NA

A Promoção da Saúde na Infância

Farmácia Homeopática: teoria e prática

O sexto livro da coleção Pediatria do Instituto da Criança do HC-FMUSP, A Promoção da Saúde na Infância, tem o papel de colaborar com o pediatra na prevenção e identificação precoce de doenças e agravos que afetam a saúde da criança e do adolescente, pensando no futuro adulto que se tornarão. Além disso, identifica e orienta para os fatores de risco, mesmo antenatais, os estilos de vida, a nutrição, os exercícios físicos, a prevenção de acidentes, entre outros. Detalha ainda os cuidados clássicos de puericultura e controle de saúde da criança.

A 3ª edição revisada e atualizada do livro conta com a colaboração de importantes nomes do cenário homeopático nacional. A obra combina teoria e prática e trata dos conceitos mais relevantes da farmácia homeopática, desde os princípios e fundamentos da homeopatia, passando pela farmacologia, farmaco-técnica, legislação homeopáticas, até os procedimentos de qualidade em farmácia homeopática e resumo das monografias dos principais medicamentos. Contém índice remissivo, além da inclusão das novas leis na área da farmácia homeopática.

Autor: Ana Maria de Ulhôa Escobar, Maria Helena Valente, Sandra

Autor: Olney Leite Fontes

J. F. Ellero Grisi

Páginas: 366

Páginas: 496

Anestesia e Reanimação

Autoterapia Para a Gagueira

Nos últimos 30 anos, a anestesiologia exibiu grande avanço, passando a ser considerada uma especialidade da medicina perioperatória. Interagindo com a reanimação, criaram-se condições para um campo mais vasto de sua prática. Esse desenvolvimento, associado ao suporte tecnológico, suscitou diversas modificações no sistema de ensino relacionado à área, ampliando também as atividades dos profissionais que atuam em medicina, odontologia e enfermagem. Anestesia e Reanimação aborda estes aspectos e a experiência nacional em anestesiologia e reanimação, em suas diversas áreas de aplicabilidade.

No Brasil, 1% da população apresenta alguma forma de gagueira e com o intuito de ajudar as pessoas que sofrem com este distúrbio na fala, a Associação Brasileira de Gagueira (ABRA Gagueira) juntamente Laboratório de Investigação Fonoaudiológica da Fluência, Motricidade e Funções Orofaciais da FMUSP se reuniram para fazer a tradução e adaptação do livro Autoterapia para a Pessoa que Gagueja, escrito por Malcolm Fraser da Stuttering Foundation of America, podendo assim ajudar e informar pessoas gagas.

Autor: Fernando Bueno Pereira Leitão

Autor: Malcolm Fraser

Páginas: 464

Páginas: 164

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GUIA DE EMPRESAS

Air Liquide............................................... Pág. 71 Site: www.br.airliquide.com

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INSIDE Ano 1 - 2007 - Edição nº 3 - www.healthcarebrazil.com.br

Maio 2007 - N° 2 - www.healthcarebrazil.com.br

Ano 1 - 2008 - Edição nº 4 - www.healthcarebrazil.com.br

DOUTORES!

Chega de tanto contorcionismo Pay for Performance promete acabar com a cansativa e pouco produtiva maratona do pagamento por serviços e avança nos Estados Unidos e Reino Unido. Para especialistas, modelo se tornará rapidamente obrigatório e médicos que ainda resistem são os que temem responsabilidade por seus resultados

UTIs em estado crítico Baixa remuneração, ausência de leitos no setor público, ociosidade no setor privado e má gestão. Como tirar as UTI’s desse estado crítico?

Entrevista O brasileiro Hércules Pereira Neves, principal cientista do IMEC, maior centro europeu de pesquisas em micro e nanoeletrônica, conta como a nanotecnologia vai impactar a assistência em curto prazo

Hora de flexibilizar André Médici e Bernardo Weaver Barros, do BID, explicam por que a ANS deveria flexibililizar os reajustes dos planos de saúde

E MAIS: Para a ANS, TISS deve aperfeiçoar mecanismos de concorrência no setor MAIO 2007

Abril 2007

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Ano 2 - 2008 - Edição nº 5 - www.healthcarebrazil.com.br

Saúde Integral

OPS! ERREI!

Previdência e Saúde

Um em cada dez médicos no Brasil responde ou respondeu a processos judiciais por erro médico. As principais causas são imperícia, imprudência e até mesmo negligência. Para a Organização Mundial da Saúde, se estima que um em cada dez pacientes hospitalizados sofra danos originados da atenção recebida

Bradesco e Itaú colocam no mercado os primeiros planos de previdência com cobertura para a saúde. Produto deve se tornar a principal forma de custeio para a terceira idade e grande promessa de vendas, a exemplo do Health Saving Account (HSA) dos EUA

Michael Porter

Brasil ainda conta com iniciativas rudimentares em medicina preventiva e manutenção da saúde. Doenças consideradas erradicadas voltam a assustar enquanto cresce o número de pacientes crônico-degenerativos, situação que escancara as falhas do modelo assistencial baseado na doença. Saiba como os programas promoção à saúde podem mudar esta realidade.

Uma das maiores autoridades em estratégia competitiva no mundo, Michael Porter, professor da Harvard Business School, lança no Brasil o livro Repensando a Saúde, que tem co-autoria de Elizabeth Olmsted Teisberg. Leia nesta edição a primeira parte da obra

Indústria Patient Empowerment

Empresas Importadoras devem movimentar US$ 2.13 bi em 2007

A área de Saúde possui uma das maiores concentrações de entidades, públicas e privadas, que negam o Poder ao cliente. Veja no artigo de Guilherme Hummel porque e como o “Patient Empowerment” deve mudar essa realidade.

Médico há quarenta e dois anos, Luiz Roberto Londres, diretor da Clínica São Vicente, explica porque a medicina foi reduzida a um mero comércio

Entrevista

E MAIS: Distrito Federal integra rede pública e lança cartão saúde do cidadão 003_healthcare_0607.indd 1

Tecnologia O Consultor Guilherme S. Hummel mostra como o “Medical Call Center” se tornará o núcleo das empresas prestadoras de serviços clínicos

Entrevista Brasil no centro das atenções da saúde mundial. O médico José Carlos de Souza Abrahão, atual presidente da CNS, presidirá a International Hospital Federation (IHF)

E MAIS: Marcelo Pio de Almeida Fleck fala do conceito de qualidade de vida e o Projeto WHOQOL

E MAIS: SUS 20 anos • Eleição dos EUA e saúde • Parcerias Público-Privadas • Tendências do Setor

2/10/2007 06:08:45

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Healthcare Brazil 6ªEdição  

Revista bimestral sobre gestão hospitalar direcionada aos gestores hospitalares das principais instituições de saúde do Brasil.

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