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Especial Especial Idade - A Dona do Tempo

Quando me foi pedido para escrever sobre meu trabalho para os idosos pude sentir o peso da responsabilidade. No entanto me senti mais a vontade para falar sobre o envelhecimento e como enfrentamos um vilão ou aliado que é o tempo.

Gabriela Falconi Presidente do conselho do Idoso

Desde que nascemos estamos envelhecendo. Todos os dias milhões de nossas células morrem para dar lugar a outras. Trocamos nossa pele, nossos cabelos e nossos ossos durante toda nossa vida. Mas não nos damos conta disso, pois esse processo no decorrer de nossa infância e juventude passa despercebido. Quando nos tornamos adultos começamos ver a marca do tempo em nosso corpo e ao ficarmos “velhos” essas marcas se tornam mais definidas. Nada parará o tempo, ele é implacável. Mas acredito que ele está sempre a nosso favor, apesar de acharmos o contrário. Se olharmos para traz, no tempo em que éramos jovens e pensarmos “Ah, se eu tivesse o conhecimento que tenho hoje eu não agiria assim”. É exatamente este o ponto. O velho, se me permitem usar esta palavra, pois para mim falar idoso é querer esconder uma realidade que está diante de nós, é a maneira mais digna de me referir a pessoas mais velhas, mas respeito quem não compartilha de minha opinião. O velho carrega consigo a história de uma vida e isso é o tesouro mais precioso que alguém pode ter. Ninguém além do velho pode presenciar a mudança do tempo, dos valores, o crescimento de seus filhos desde seu nascimento até a maturidade. Em toda a fragilidade que a idade lhe confere existe a sabedoria que ele adquiriu ao longo da vida. O que me deixa extremamente feliz é poder ver um velho e um jovem ou uma criança conversando, trocando informações, contando suas histórias. A riqueza desta troca é uma experiência maravilhosa que nossa cultura ocidental não valoriza. Nos espaços que reservamos a nossos velhos as únicas companhias que lhes restam talvez sejam a solidão, a tristeza, as lembranças de sua juventude e por ai vai. Para eles, os filhos preparam quartinhos pouco iluminados, com uma cama inadequada ou então os abandonam dentro de suas próprias casas. No meu sonho, os velhos são respeitados, ouvidos, podem ter uma vida digna, podem freqüentar todos os lugares, pois são acessíveis, possam interagir com as crianças e os jovens sem o preconceito da idade, tenham o direito a um atendimento na rede pública de saúde digno. Podem participar da vida cotidiana da família, da comunidade.

Por que só no meu sonho? E eu respondo: porque com todos os avanços da legislação, e olha que o Brasil é um dos países que tem a legislação mais avançada quando se trata de idosos, os velhos de nosso país, de nosso estado e de nossa cidade são desrespeitados a todo instante. A legislação existe, mas não é cumprida. Porém, quando tive a oportunidade de participar da Semana do Idoso deste ano de 2009 fiquei feliz ao ver os velhos fazendo ginástica, mostrando sua disposição na piscina com alegria. Durante a festa do dia nacional do idoso, que é comemorada no dia 01 de Outubro, tive a oportunidade de participar das homenagens a pessoas com muitas histórias para contar, pessoas que eu teria o maior orgulho de dizer “quando eu ficar velha quero ser assim”. Tive a satisfação de ver todos participando das atividades, dança, apresentação de corais, oficinas da memória. São atividades e eventos como estes que fazem a diferença em nossas vidas e nas vidas dos velhos que estão morando com suas famílias e os que moram em instituições. Falando nisso, não posso deixar de falar sobre alguns idosos do Lar São João de Deus. Quando perguntei se tinham gostado, uma idosa que é muito séria custou a responder e eu perguntei de novo. Ela ainda meio fechada de repente abre um sorriso e diz “aquela dancinha podia ter começado antes”. Outra muito feliz me perguntava “quando você vai fazer outra festa destas? Chama agente heim”. E outro idoso contando que trabalhou no Lar há muitos anos e agora mora ali. Eu podia ver seus olhos brilhando ao me contar sua história. Isso faz a diferença, nos faz sentir vivos e nos mostra que mesmo velhos sentimos alegria, emoção, tristeza. E é por isso que acredito que é DEVER de todos nós mudarmos a maneira com que nossos velhos são vistos. Eles merecem respeito, amparo e proteção. Acredito que isso é possível mudando a cultura e a educação nas escolas mostrando que o idoso merece respeito. Agradeço ao Lar São João de Deus pela oportunidade e aproveito para parabenizá-los pela sua dedicação e atenção aos idosos.

Fraternidade Hospitaleira  

Informativo do Lar São João de Deus de Itaipava. Informações da Casa, da Ordem Hospitaleira e sobre Terceira Idade

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Informativo do Lar São João de Deus de Itaipava. Informações da Casa, da Ordem Hospitaleira e sobre Terceira Idade

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