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PRESS BOOK 2013/18

Portugal | UK | France Germany | Others

SÃO TOMÊ E PRÍNCIPE


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What does the press say

ABOUT US

“Welcome to one of the last paradise on the planet“ Patrícia Brito UP TAP MAGAZINE

Media:

Vogue, Expresso, Volta ao Mundo, Fugas, Visão, Cristina, Marketeer, Lux, Exame, Publituris, Style &Travel...


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Food & Travel April 2018

PORTUGAL

VIAJANTE GOURMET SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

SÃO TOMÉ E PRINCIPE

GOURMET TRAVELLER

Sustentabilidade é a palavra de ordem no turismo de São Tomé e Príncipe, um pequeno país atravessado pelo equador no imenso azul do Atlântico. A beleza das ilhas e a simpatia dos habitantes somam-se à impressionante variedade de produtos da terra e do mar que inspiram a criatividade de qualquer chef de cozinha, como nos conta José Fragoso. FOTOGRAFIAS: CARLOS FERREIRA Página ao lado, em cima: crianças no mercado; ossames vermelhos e goiabas; almoço na escola; peixes voadores à venda no mercado de rua; vendedora tirando as espinhas a uma sardinha pequena. Foto principal: praia (quase) deserta na ilha do Príncipe. Nesta página: uma garoupa nas mãos do chef João Carlos Silva. 26

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VIAJANTE GOURMET

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

Informação de Viagem As ilhas de São Tomé e Príncipe localizam-se no Golfo da Guiné e têm 160 mil habitantes. Na costa africana, os países mais próximos são o Gabão, os Camarões, a Guiné Equatorial e a Nigéria. A hora é a mesma que em Portugal. DICAS ÚTEIS A moeda local é a dobra. Um euro vale 25 dobras. O câmbio pode ser feito em vários pontos da cidade, mas a generalidade dos hotéis, restaurantes e lojas aceitam euros. Os turistas portugueses não necessitam de visto, se a permanência no país não exceder as duas semanas. Convém ir munido de um bom repelente de mosquitos. A temperatura média, em maio, oscila entre os 23 e os 29 graus. COMO CHEGAR A TAP tem voos regulares para São Tomé e Príncipe com uma curta escala em Acra (Gabão). A viagem desde Lisboa dura cerca de 9 horas. flytap.com De São Tomé para a ilha do Príncipe há duas companhias que garantem voos diários: a Africa’s Connection e a STPAirways. africasconnection.net e stpairways.st FONTES DE INFORMAÇÃO Os Serviços Turísticos de São Tomé e Príncipe têm uma plataforma que fornece todas as informações sobre o país, hotéis, sugestões de visita e outros elementos importantes no planeamento da sua viagem.servicosturisticosstp.net

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‘Às vezes os pescadores perdem as gaiolas por causa da agitação do mar.’

Página do lado: exposição na casa CACAU; prato na Roça São João; Fábrica de Chocolate Cláudio Corallo; chips de matabala e bananapão frita no Papafigo; tratando da roupa; peixe grelhado no Filomar; croquetes de santola das Neves, no Omali; produtos da 'Delícia das Ilhas'; Bastien Laloum, da 'Delícias das Ilhas', a secar folhas de chalela (chá do Príncipe).

Em cima: roupa a secar na estrada; vendedoras de vegetais no mercado; búzios e peixes.

V

isto do espaço, São Tomé e Príncipe é um pequeno pontinho verde no meio do oceano imenso. Visto de baixo, este país africano é um dos mais espantosos lugares da Terra, daqueles onde o tempo pouco conta, tão impressionantes são as dezenas de baías e pequenas praias quase desertas, o verde esmagador da floresta equatorial ou a infinidade de frutas tropicais, ervas aromáticas e folhas com fama medicinal e gastronómica. E, claro, as pessoas! Daí que a vida corra leve-leve, como gostam de dizer os seus habitantes. Numa terra que tudo dá, a cozinha faz-se de produtos locais, venham do mar ou da mata. Neves é o nome de uma pequena localidade piscatória na costa norte de São Tomé. Das águas profundas da sua costa, a mais de 1.200 metros, saem uns caranguejos grandes, aqui chamados de santolas. Na praia, as pirogas escavadas na madeira estão alinhadas para a pesca. Uns passos mais acima, está o restaurante Santola onde a D. Domingas prepara, como faz há mais de 25 anos, os saborosos caranguejos, pescados em grandes gaiolas. Os mariscos são cozidos e servidos com pão torrado e banana frita. O miolo das carapaças é misturado com cerveja, limão e maionese. Há santolas de 1,5kg, 1kg e 1/2kg, com preços que variam entre os 5 e os 8€. “Às vezes os pescadores perdem as gaiolas por causa da agitação do mar”, conta-nos Joel Ramos, empregado do Santola, “Nesses dias recebemos menos quantidade. Mas temos sempre marisco apanhado poucas horas antes de ser servido. Vendemos aqui umas 30 santolas por dia”. Numa passagem pelos mercados locais é evidente a diversidade de peixes de todos os tamanhos: peixes-voadores, atuns, garoupas, corvinas, peixes-azeite, sardinhas,

‘Nesses dias recebemos menos quantidade. Vendemos aqui umas 30 santolas por dia.’ ’


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‘Uso 80% de produtos locais, mas gosto de trabalhar com uma percentagem Nesta página, em cima: resort Bom Bom; chef Vítor Hugo,do Omali; chocolate; prato do Bom Bom; villas do Mucumbli; piscina do Pestana Equador. Página ao lado: forte de São Sebastião; máscaras expostas na Casa Almada Negreiros; restaurante do Sundy Praia; quarto do Sundy Praia; chef Pedro Quintas, do Bom Bom.

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de coisas vindas de fora. Nós roçamos o mundo aqui mesmo. Esse é o nosso lema.’ búzios, espadartes. Acompanhámos o chef Vítor Hugo, do Hotel Omali, numa manhã de compras – frutas, vegetais, ervas aromáticas, peixes. O ambiente do mercado de rua impressiona pelo ruído, a cor e a quantidade e diversidade de produtos. Vítor Hugo decidiu-se por umas sardinhas pequenas e por um peixe-rei (também conhecido aqui por olho grosso) de vários quilos. Já na cozinha da piscina do Omali, o chef mergulha as sardinhas numa marinada (sumo de limão, sal e pimenta), passa-as por fuba (farinha de milho) e serve-as fritas com uma salada de tomate verde, cebola e carambola. O peixe-rei vai ter um destino diferente: cortado em filetes, é cozinhado em azeite com molho de manteiga de coentros e servido com vatapá. “O nosso objetivo é fazer

pratos utilizando produtos locais próximo dos 100%, numa linha de comida de conforto”, explica. Este é um dos princípios base da gastronomia são-tomense que vamos encontrar por toda a ilha. Como acontece no pequeno restaurante ao ar livre da Ti Vivência, no centro de São Tomé, muito popular entre os locais, dada a frescura dos ingredientes e o talento da cozinheira: “Hoje há muqueca, amanhã vou fazer molho fogo (uma receita com peixe fumado, azeite de palma, malaguetas e outros temperos)”, conta Ti Vivência que começou por vender a sua comida na rua mas, há dois anos, com o aumento da freguesia, optou por abrir este espaço: “Cada dia só faço um prato e só vendo o que tenho. Quando acaba, acaba!”

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Página ao lado: sala de jantar do Roça Sundy; restaurante Santola, em Neves; prato do Roça Sundy; José Carvalho, da fábrica de cerveja Rosema; Cláudio Corallo e a filha, Ricciarda, na Roça do Terreiro Velho; lavar as mãos antes do almoço na escola; cacaueiro; chocolate; cortando fruta desidratada na Fluta Non. Nesta página: produtos da Roça Paciência; cortando fruta desidratada na mesma roça; cerveja Rosema direta da cuba; menus no Mucumbli.

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‘Para ter sucesso, ou somos uma multinacional, com muitos meios, ou temos

Onde comer

de ser os campeões da qualidade. E nós temos a melhor qualidade do mercado!’

Os preços, quando indicados, são sempre por pessoa, excluindo vinho.

de peixe fresco do dia. E, claro, a sobremesa: bolo de chocolate com gelado de papaia. 00239 225 1114, Ilha do Príncipe, bombomprincipe.com

Omali Lodge Dirigido pelo jovem chef português Vítor Hugo, com

Sundy Praia Lodge É um restaurante de topo, numa localização soberba,

consultoria de André Magalhães, apresenta um menu variado, onde cerca de 90% dos produtos são de origem local. O peixe é um dos mais utilizados, mas sempre com o cuidado de não recorrer a espécies ameaçadas de extinção. O calulu, a santola das Neves ou a caçarola de borrego com quiabos e pasta de amendoim e beringela são alguns dos pratos imprescindíveis. Preço médio: 20€. 00239 222 2350, Praia do Lagarto, São Tomé, omalilodge.com Filomar Com uma vista esplêndida para o mar, gerido pela D. Filó, natural de Santiago, Cabo Verde, o restaurante foi um dos primeiros do país, aberto há 34 anos. Aqui, o peixe grelhado é rei, servido com banana pão a murro, mas há espaço ainda para o calulu são-tomense, o caril de polvo ou frango e a cachupa. Preço médio: 15€. 00239 222 1908, Praia Lagarto, São Tomé Papafigo Localizado no centro da cidade, num espaço ao ar livre, dispõe de um enorme grelhador, capaz de receber os peixes mais frescos do dia. A travessa mista inclui peixe azeite, bonito ou peixe andala. Vale a pena provar também as ovas fritas com chips de matabala (um tubérculo) e a salada de búzios. Preço médio: 15€. 00 239 222 7261, Av. Nações Unidas, São Tomé Roça Sundy O restaurante situa-se na casa principal da roça, tem uma sala interior e uma varanda com vista para a mata tropical. Os produtos frescos chegam da horta biológica da Roça Paciência e os peixes são adquiridos a pescadores do Príncipe. Os pratos são de inspiração local, sobretudo com peixe, fruta e vegetais da época. Entrada, prato principal e sobremesa: 30€. 00239 999 7000, Ilha do Príncipe Bom Bom O restaurante ocupa uma sala espaçosa e uma esplanada sobre o mar. Ao leme da cozinha está o chef português Pedro Quintas. A não perder: carpaccio de polvo; peixinhos da horta e do mar; e os pratos

entre a mata equatorial e a praia, com uma decoração em bambu e dirigido pelo criativo chef italiano Angelo Rosso. Tártaro de peixe uaru com consomé de papaia e gengibre; gnochi com molho de tomate fresco, frango confitado e frito e queijo castelão fumado são apenas dois exemplos de pratos imperdíveis. 00239 999 5000, Praia Grande, Ilha do Príncipe, sundyprincipe.com Roça São João dos Angolares É o restaurante do mais famoso chef são-tomense, João Carlos Silva, pioneiro no desenvolvimento gastronómico do país. Com uma vista deslumbrante sobre a ilha e o mar, uma refeição aqui é também um momento de contacto direto com o chef e a sua jovem equipa. A refeição (25€) é uma viagem de degustação pelos sabores da ilha através de várias entradas, pratos, tira gostos e sobremesas. 00239 990 6900, Angolares, São Tomé Almada Negreiros Situado no local onde nasceu o artista e onde se localiza a Casa Museu com o seu nome, o restaurante ocupa um agradável terraço. O menu, preparado pelo chef Jay, natural da ilha, pode incluir feijão à moda da roça com peixe fumo assado e arroz de mosquito (erva aromática), lussúa (outra erva) e banana-pão frita; ou posta de espadarte frita com beringela, quiabo e matabala cozida e frita; e doce de papaia verde. 00239 991 6172, Roça Saudade, São Tomé Pestana Equador Está situado no resort do ilhéu das Rolas e funciona como buffet. O chef chileno Andrés Molina comanda a cozinha e prepara pratos de inspiração local e outros de cozinha internacional. Aos sábados, surpreende os clientes com a fusão de cozinha molecular com produtos locais. Ceviche de barracuda e búzios; calulu de 17 folhas e espadarte, atum e peixe andala; e carpaccio de polvo com molho de soja, malagueta e lima de São Tomé são algumas das criações do chef. 00239 226 1195, Ilhéu das Rolas, Caué Sul, São Tomé e Príncipe, pestana.com FOOD & TRAVEL

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‘Cada dia só faço um prato e só vendo o que tenho. Quando acaba, acaba!’

Onde ficar Roça Sundy A roça foi construída em 1921 e agora restaurada para receber hóspedes.

Tem apenas 12 quartos, 6 na casa principal e 6 na casa da plantação. No interior, manteve a escadaria original, o chão em mosaico e muitos objectos usados na antiga roça, como a enorme mesa de jantar ou as botijas para a água ou o vinho. Quartos espaçosos e confortáveis. Duplo a partir de 160€. 00239 999 7000, Ilha do Príncipe, hotelrocasundy.com Mucumbli O nome deriva de uma árvore, a praia fica apenas a 4 minutos a pé e o visual a partir do restaurante sobre o mar e a mata tropical é soberbo. Os quartos, enquadrados no meio das árvores, garantem descanso absoluto. Os 6 bungalows têm nomes de frutos como Carambola, Pitanga ou Piripiri. O restaurante, orientado pela chef são-tomense Maria Rocha, serve pratos locais e outros que cruzam produtos da ilha com massas italianas, como o ‘farfalle com santola das Neves’. Preços desde 78€. 00239 222 3346, Ponta Figo, Neves, São Tomé Praia Inhame Ecolodge Em contacto direto com uma das praias onde as tartarugas vêm desovar, com o ilhéu das Rolas à vista e uma frente de mar onde as baleias se divertem com os filhotes, o ecolodge é auto-suficiente em termos de energia: a água quente é alimentada por uma caldeira que usa cascas de coco e a eletricidade resulta do vento e dos 67 painéis solares. Os 15 bungalows em madeira estão espalhados pela praia e o restaurante serve um buffet de pratos locais. Preços desde 120€ com jantar e pequeno-almoço. 00239 991 6552, Porto Alegre, São Tomé, hotelpraiainhame.com Bom Bom Primeiro hotel no Príncipe, aberto ao público em 1992, recebeu o nome do ilhéu onde está situado. Os 19 bungalows estão distribuídos por diferentes ambientes: praia, jardim, piscina e mar. Dispõe de um spa e, para os mais ativos, de um centro de mergulho, passeios de barco, pesca desportiva, trilhos e visitas a plantações. Quem quiser um almoço romântico numa praia deserta também só tem de pedir. A equipa do hotel trata do resto, de forma a garantir uma experiência única. Duplo desde 420€. 00239 225 1114, Ilha do Príncipe, bombomprincipe.com Omali Lodge Omali significa ‘mar’ no crioulo são-tomense e este hotel está situado mesmo em frente à praia, na capital do país. Dispõe de 30 quartos e suites, piscina, dois bares, campo de ténis, ginásio e restaurante. Ideal para famílias, luas-de-mel ou viagens de negócios, para quem pretende conhecer a cidade e beneficiar do ambiente tropical, da praia e dos sabores locais. Preços desde 200€. 00239 222 2350, Praia do Lagarto, São Tomé, omalilodge.com Jalé Ecolodge Para quem pretende um contacto direto com a natureza, este pequeno projeto conta apenas com 3 bungalows, construídos em adobe e localizados mesmo junto à praia Jalé, uma das preferidas pelas tartarugas para a desova. O pequeno restaurante serve pratos locais, sempre com peixe fresco, e é gerido por uma associação de mulheres de Porto Alegre, a localidade ao lado. Como as tartarugas não gostam de luz, a eletricidade só é ligada entre as 18h e as 22h. No restante tempo, luz, só a das estrelas ou de alguma vela. Preços desde 28€. 00239 9853738, Praia Jalé, Porto Alegre, São Tomé, ecolodgejale.com Sundy Praia Lodge Perfeitamente integradas na floresta tropical e a um minuto a pé da praia paradisíaca, as 15 villas cumprem o seu objectivo de interligação total com o espaço natural. A piscina de beiral infinito, o bar e o deslumbrante restaurante completam o quadro. A construção fez-se em madeira e os telhados imitam tendas. Os interiores são muito espaçosos e oferecem todas as comodidades com um design cuidado que combina motivos africanos desenhados no teto das camas com originais banheiras de granito. As villas maiores têm piscina privativa. Duplos desde 800€. 00239 999 5000, Praia Grande, Ilha do Príncipe, sundyprincipe.com 34

Rodando para sul da ilha, chegamos a São João de Angolares e à roça com o mesmo nome, local onde o mais conhecido chef são-tomense montou o seu restaurante. A criatividade de João Carlos Silva leva-nos a uma viagem pelos sabores de São Tomé, interligados com outros que a memória do chef vai guardando das suas múltiplas viagens: “Uso 80% de produtos locais, mas gosto de trabalhar com uma percentagem de coisas vindas de fora. Nós roçamos o mundo aqui mesmo. Esse é o nosso lema”, explica-nos, “Planto na nossa horta, mas também procuro fora, compro e pago. O nosso restaurante é uma fonte de desenvolvimento local, contribui para a economia da região, é um rendimento para pescadores e agricultores a quem compramos produtos”. E é também um dinamizador de emprego. Aqui trabalham 30 jovens, todos da localidade de São João de Angolares. A comida é preparada à vista dos clientes, em tachos e frigideiras, sobre o lume de fogueiras. À mesa, os clientes são surpreendidos pela presença, o humor e a variedade de sabores desenhados por João Carlos Silva. A degustação passa por entradas como o ‘bolinho de amendoim mergulhado em farinha de mandioca, lágrima de gindungo, banana pão assada no forno recheada com bacon e atada com erva príncipe’ ou pratos como o ‘frango com legumes, pau pimenta, ossame, pimenta, leite de coco, coentros selvagens, batata-doce e arroz de curcuma’. Apesar da variedade de produtos disponíveis, poucos são transformados e conservados, dada a quase inexistência de unidades que se dediquem a esse trabalho. Em São Tomé, vamos encontrar uma excepção: a Delícias das Ilhas, gerida pelo francês Bastien Loloum, a funcionar desde 2010. Formado em ecoturismo, Bastien veio para São Tomé como voluntário e ficou. Oriundo de uma família da região de Cognac, trazia no sangue fórmulas e receitas que aplicou aqui nas ilhas africanas. “Fazemos 60 referências de produtos: licores, doces, secagem de folhas – como a chalela ou erva do príncipe, óptima para chás e culinária, a de caneleira, de sape sapeiro, de micocó, considerada afrodisíaca –, de ervas

‘Hoje há muqueca, amanhã vou fazer molho fogo!’

Página do lado: chef Angelo Rosso, do Sundy Praia; piscina privativa de uma villa do Sundy Praia; Carlitos, ao leme do barco para o ilhéu das Rolas. Nesta página: showcooking do chef João Carlos Silva; caranguejos; chef Andrés Molina e Francesco José, do Pestana Equador; pratos do Pestana; marco do equador; zona de desova de tartarugas; piscina do Sundy Praia; atenção à queda de cocos. Em baixo: Ti Vivência prepara o peixe fresco; água de coco; mercado de domingo em São Tomé; pirogas à pesca nas Neves.

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aromáticas, frutos secos, sabão de óleo de coco com aromas locais e banana prata seca”, conta Bastien. A empresa tem 11 funcionários e uma roça própria, onde cultiva 70% dos produtos utilizados – os restantes 30% são adquiridos a agricultores de São Tomé e do Príncipe. Depois de transformados, os produtos são embalados “em caixas feitas à mão na própria empresa” e distribuídos por lojas e supermercados locais e exportados para países como Portugal, França ou o Gabão. Também no centro da capital está o projeto Pipaga, onde o milanês Rogério Totso gere iniciativas de apoio a agricultores que seguem práticas biodinâmicas e de ligação aos programas de alimentação e saúde escolar. Integrado também neste projeto, abriu há poucas semanas uma pequena fábrica de transformação de produtos, a Fluta Non (Produto da Terra, em crioulo), onde mais de 80 agricultores vão deixar as suas colheitas para transformação em farinhas ou frutas desidratadas em pedaços, como a banana, a jaca ou o mamão. ‘Assim, conseguimos evitar o desperdício de produtos que antes se perdiam”, conta Giovanna, uma italiana que dirige a unidade, onde trabalham já 14 pessoas. Vamos agora até ao Príncipe. O voo dura cerca de 40 minutos e a chegada à pequena ilha é como entrar num documentário sobre a vida na terra: praias desertas de areia branca e florestas tropicais cheias de pássaros exuberantes. Subindo à Roça do Terreiro Velho, vamos encontrar Cláudio Corallo, 67 anos, um especialista na produção de café e cacau e, agora, na produção do seu próprio chocolate. Natural

‘A minha especialidade era o café, mas aqui comecei a dedicar-me também ao cacau.’ de Florença, com o curso de Agronomia Tropical, descobriu o Príncipe quando veio fazer mergulho no final dos anos 90. “A minha especialidade era o café, mas aqui comecei a dedicar-me também ao cacau. Quis produzir cacau com a mesma qualidade excelente com que já produzia café”, explica Cláudio enquanto nos prepara meticulosamente um café numa enorme cafeteira, “Para ter sucesso, ou somos uma multinacional, com muitos meios, ou temos de ser os campeões da qualidade. E nós temos a melhor qualidade do mercado”. Da plantação de cacau à produção de chocolate foi um passo. “Hoje faço chocolate como um toscano faz bom vinho: usando os melhores frutos, trabalhados o menos possível”, conclui Cláudio. O seu chocolate é vendido on line e um pouco por todo o mundo: “Prefiro as lojas onde é o patrão que está por detrás do balcão e que sabe explicar a qualidade dos produtos”. Cláudio é apoiado pela filha Ricciarda, que vive com ele na roça e já domina o negócio: “No futuro, só quero dedicar-me às plantações, ao laboratório e ao mergulho. Ela vai tomar conta do resto!”

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Locais de interesse Fábrica do chocolate Localizada em São Tomé, a fábrica pertence ao italiano Cláudio Corallo. O cacau usado no chocolate é plantado na Roça do Terreiro Velho, no Príncipe. Na fábrica, os visitantes podem acompanhar o ciclo do cacau até ao chocolate, provar as favas de cacau e fazer uma degustação de vários chocolates, entre os quais os de cacau a 100%, 80% ou a 75% e também do fantástico chocolate com pimenta de São Tomé e sal de Castro Marim. No final, há uma loja para quem quiser levar para casa. A entrada, com degustação, custa 4€. 00239 222 2236, Av. 12 de Julho nº 978, visitas às 2as, 4as e 6as, sempre às 16h30. Forte de São Sebastião e Museu Nacional, À entrada estão colocadas as estátuas dos dois navegadores portugueses que chegaram a São Tomé e Príncipe no séc. XV, Pêro Escobar e João de Santarém e do primeiro capitão donatário da ilha, João de Paiva, a quem D. João II entregou o arquipélago. O forte foi construído em 1575 para defender a cidade. Já em meados do séc. XIX foi ali instalado um farol que servia de aviso à navegação. Hoje, o forte alberga o Museu Nacional de São Tomé, que inclui uma exposição de arte sacra, salas que reproduzem o ambiente nas roças de São Tomé no tempo da escravatura (como uma sala de jantar completa, com mesa, cadeiras, armários, talheres em prata, pratos e até peças de Bordalo Pinheiro nas paredes) e salas dedicadas à história, à fauna e à flora do país. A entrada custa 2€. Museu do Café Instalado na Roça do Monte Café o museu ocupa as antigas instalações utilizadas na produção. Hoje a roça ainda produz café, em menor quantidade, plantado por agricultores de uma cooperativa de famílias que ali vivem. Em exposição, estão as antigas máquinas de secagem, descasca, separação e embalamento dos grãos de café, além de fotos e outros utensílios ligados à produção de arábica e robusta (as duas espécies de café plantadas na roça). O museu é um projeto social do Estado, onde trabalham 10 jovens que se ocupam das visitas guiadas em várias línguas. O bilhete custa 3€ com direito a uma degustação de café no final da visita. Fábrica de cerveja Rosema É a única fábrica de cerveja da ilha e produz a Rosema, a cerveja local de São Tomé, vendida por todo o arquipélago em garrafas de vidro de meio litro, reutilizáveis e sem qualquer rótulo (a máqui-

na que os colocava na garrafa avariou-se e ainda não foi substituída). É muito apreciada pelos locais e também pelos turistas. A fábrica foi fundada no início dos anos 70 e opera ainda hoje com equipamentos dessa época, o que lhe dá um charme próprio dos lugares com história. A água para fazer a cerveja vem do pequeno rio Provache, que nasce nas montanhas e desagua no Atlântico mesmo junto à fábrica. Os restantes ingredientes são importados. A fábrica emprega 120 pessoas e produz cerca de um milhão de garrafas de Rosema por ano. Jardim Botânico Localizado no Bom Sucesso, criado em 1997, ocupa cerca de um hectare, às portas do Parque Nacional de Obô (que significa ‘bosque selvagem impenetrável’, em crioulo), a 1.120 metros de altitude. Fazia parte da Roça Monte Café e hoje alberga centenas de plantas florestais, ornamentais e medicinais, muitas de origem endémica e outras introduzidas. O orgulho do jardim são as 135 espécies de orquídeas, das quais 35 são nativas. Mas encontramos também a surpreendente flor da rosa de porcelana, a bananeira leque (de Madagáscar) e o bico de papagaio. O jardim acolhe ainda o Herbário Nacional que serve de referência na actividade científica ligada à botânica. A entrada é livre mas os visitantes são convidados a deixar um donativo. Casa CACAU (Casa das Artes, Cultura, Criação, Ambiente, Utopias)

O espaço ocupa umas antigas oficinas dos caminhos-de-ferro, entretanto desativadas. Hoje, o espaçoso recinto é utilizado para exposições de pintura e escultura de artistas são-tomenses, dispõe de um café e restaurante e de um espaço para música e danças ao vivo. Às quintas-feiras há um jantar em regime de buffet, onde é possível provar alguns dos pratos mais tradicionais de São Tomé. Avenida Marginal 12 Julho, São Tomé Casa Almada Negreiros A casa fazia parte da Roça Saudade, propriedade do pai de Almada e local onde nasceu o artista em 1893 e viveu até aos dois anos, idade com a qual foi viver para Cascais. Parte das instalações ruíram, mas as divisões inferiores da casa foram reabilitadas e na área agrícola foram replantados 2 mil pés de café. Inclui um Centro de Cultura e Divulgação da Arte de São Tomé, onde artistas locais expõem os seus trabalhos; diversa documentação e livros relacionados com a vida de Almada Negreiros; e um restaurante com pratos locais. 00239 991 6172, Roça Saudade, São Tomé.

Nesta página: Baía Azul, em São Tomé; zona de secagem no Museu do Café; Jardim Botânico; Francisco Álamo, guia do Jardim Botânico; peixe voador no mercado de rua; à pesca. Página ao lado, em cima: resort Bom Bom. Em baixo: praia; salão de entrada da Roça Sundy; igreja de Santo António, capital da ilha do Príncipe.

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TAP_STome.pdf 1 12-04-2018 12:15:59

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SÃO TOMÉ 4 voos semanais

Partidas de Lisboa O Príncipe é uma preciosidade natural no Atlântico, reserva da Biosfera da Unesco e uma ilha onde vivem pouco mais de 7.500 pessoas. Num cenário assim, o turismo tem de respeitar regras de sustentabilidade e de integração com o espaço e os seus habitantes. Daí que os chefs dos resorts da ilha – Bom Bom, Sundy Roça e Sundy Praia, todos do grupo sul-africano HDB – tenham extremo rigor nos seus menus, procurando sempre a ligação ao que a terra e o mar dão. O italiano Ângelo Rosso, chef do mais exclusivo resort do Príncipe, o Sundy Praia, diz-nos: “Aqui, é preciso muita criatividade”. E a sua carta é um exemplo. A prova está em pratos como o ‘Peixe com molho de maracujá e coco, óleo de coco e banana pão’ ou a sobremesa ‘Despertar do Príncipe’, com coco, mamão, papaia, cacau, mel e sal, chocolate de aveia, gelado de arroz, iogurte e muesli da Roça Paciência. Outro chef, o português Pedro Quintas, à frente da cozinha do resort Bom Bom, também joga na criatividade: “A maior surpresa que tive quando aqui cheguei foi o número de ervas frescas disponíveis. E já aprendi alguns segredos da cozinha local com pessoas de cá, como a fazer chips de matabala, por exemplo”. A sua mousse de jaca e o gelado de jaca, duas sobremesas, são feitas 100% com produtos do Príncipe. Na Roça Paciência, com o seu velho sino pendurado do alto de um depósito de água, cultivam-se muitos dos produtos usados por estes chefs. E fazem-se também sabonetes, usados nos hotéis, café, frutas desidratadas, farinhas, pimenta. Dico,

um são-tomense de 32 anos, trocou a pesca pelo trabalho na roça e é hoje o responsável pelo forno e pelo enorme secador, onde secam fruta-pão, malaguetas ou cacau: “A pesca não é uma arte, é conhecimento. A agricultura é uma arte, foi por isso que troquei”, conta-nos. Noutro ponto, a fazer cestaria, vamos encontrar Leandro, 76 anos. “Sou de Cabo Verde mas vim para aqui quando era muito jovem para trabalhar na roça. Há uns anos fiz um curso de formação e dediquei-me a este trabalho de artesanato”. Uma viagem a São Tomé e Príncipe não fica completa sem passarmos do hemisfério norte para o sul, um exercício só possível no Ilhéu das Rolas, atravessado pela linha do equador. Carlitos, 29 anos, será o nosso guia nesta última etapa. Ele é também pescador e condutor do barco que nos leva da praia de Inhame, na ponta sul de São Tomé, até ao ilhéu, cruzando um canal onde é fácil ver golfinhos e enormes baleias entre junho e outubro. É preciso subir pela mata verde, antes de chegarmos ao miradouro com um planisfério desenhado no chão e o marco que assinala os estudos que Gago Coutinho desenvolveu em São Tomé no início do séc XX. Com um pé em cada hemisfério, o azul do mar em frente, a brisa doce e quente e o verde por todo o lado, é difícil imaginar melhor lugar no mundo!

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A equipa de reportagem da Food and Travel viajou para São Tomé e Príncipe por cortesia da TAP Air Portugal.

Em cima: favas de cacau Cláudio Corallo e cacau seco da Roça Bom Bom. Em baixo: a barbearia Mirador; frutas tropicais; ambiente de mercado; peixe fresco.

flytap.com 38

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Volta ao Mundo 2017

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São&Tomé Príncipe DUAS ILHAS, UM PAÍS

Sustentabilidade, progresso, ecoturismo, gastronomia e personagens inesquecíveis. São Tomé e Príncipe é um projeto para o futuro. E está a acontecer hoje. TEXTO DE RICARDO SANTOS FOTOGRAFIAS DE NUNO MOTA GOMES E FERNANDO MARQUES

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Ilha do Príncipe

É Reserva da Biosfera e um exemplo para o mundo quanto a sustentabilidade ambiental e desenvolvimento das populações locais. Além disso, é um pequeno paraíso.

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De quatro a doze horas é o tempo que leva a viagem de barco entre São Tomé e o Príncipe. Tudo depende do estado da embarcação, se é de carga ou de passageiros, se o mar está bravo ou calmo como um espelho. Optamos pelo avião e por 35 minutos de voo para cumprir cerca de 140 quilómetros de distân‑ cia entre as duas ilhas. Nem dá tempo para uma soneca depois do pequeno‑almoço. A tripulação é da Europa de Leste, nota‑se pelo sotaque das comunicações. Os pas‑ sageiros são cerca de trinta, metade são‑ ‑tomenses. Há um casal de alemães que não sabem bem o que esperar do destino para onde voam. Uma espanhola e um asiático leem com gula um guia sobre a ilha do Prín‑ cipe. O avião vai perdendo altitude de forma rápida, furando o capacete de nuvens que já é uma imagem de marca deste arquipélago africano, um dos mais pequenos países do mundo. E é a bater as dez da manhã que os

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tons de verde e azul do mar começam a ser elogiados desde a janela do avião. Estamos a chegar ao Príncipe. E depressa vamos perce‑ ber por que razão a ilha foi declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO em 2012. Marina Pereira está à espera para nos levar à Roça Sundy. É uma das muitas fun‑ cionárias do grupo HBD, criado pelo sul‑ ‑africano Mark Shuttleworth. Diz a lenda local que o empresário (e milionário) terá sobrevoado a ilha no seu avião particular e que a beleza e a imponência da natureza lhe terão chamado a atenção. Informou‑ ‑se, visitou o território e resolveu investir no turismo, mas não só. Hoje a empresa é a principal entidade privada na ilha a apoiar o desenvolvimento sustentável, sem nunca esquecer o crescimento económico e social. Não é disso que falamos na curta viagem até à Roça Sundy. Estamos mais entretidos a tentar orientar‑nos nesta jangada verde de dezasseis quilómetros de comprimento por oito de largura. Marina é açoriana, já viveu em Angola e o Príncipe está a ser «uma experiência única e positiva». É ela quem o diz enquanto conduz a pick-up pelas estradas que passam depressa a picadas. Chegamos ao paralelepípedo que indica a proximidade à antiga roça colonial, a primeira do arquipélago a receber um pé de cacau. Foi em 1822 e história não falta por aqui. Caminhamos pelo meio da relva alta. Há jovens e adultos a jogar à bola no relvado natural. Da creche – a funcionar num rés‑de‑chão de um dos edifícios – saem as gargalhadas e cantilenas normais das crianças. Somos convidados a entrar e a participar na cantoria. Impossível resistir. VOLTA AO MUNDO

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Na página ao lado, uma das praias do Bom Bom Resort. Os bungalows junto ao areal são os mais procurados.

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Em cima, uma casa típica à beira do caminho e duas das habitantes da Roça Paciência.

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Foi na Sundy que, em maio de 1919, o astrónomo inglês Sir Arthur Eddington comprovou a Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein. Aconteceu durante um eclipse solar, que permitiu analisar a deflexão da luz. Trocando por miúdos – e está tudo explicado numa placa alusiva ao aconteci‑ mento histórico –, provou‑se que o espaço e o tempo não eram absolutos. Foi uma das descobertas científicas mais importantes da ciência e pouca gente sabe que ocorreu aqui, na Sundy, a forma simplificada com que foi batizado o primeiro proprietário da roça. De senhor Dias a Sundy foi um passo de língua e de tempo. A roça está dividida em dois espaços: a casa principal e os antigos secadores e as sanzalas e as cavalariças. Cerca de quinhentas pessoas vivem nas proximidades e o pon‑ to de encontro é o terreiro central, aquele

dos jogos de futebol improvisados. O antigo hospital, junto ao principal acesso, é só uma sombra do que já foi, mas tem o encanto e o potencial de uma construção que a selva está a encarregar‑se de cobrir. Marina leva‑nos agora para a casa principal, onde serão dis‑ tribuídos os quartos e feitas as apresentações. Manuel Barbosa é o diretor da Roça Sundy. Já correu mundo em trabalho e em prazer e encontrou na ilha um refúgio perfeito. «É um lugar especial, cheio de história e onde se sente a tranquilidade em cada canto.» Sim, Manuel. Ainda agora chegámos e já estamos a senti‑la. É tempo para uma bruschetta com tomate assado, presunto do Príncipe e micocó – uma das mais utilizadas ervas da ilha, presente nos principais pratos. Dizem que o seu chá é afrodisíaco. Os próximos dias o dirão. Ou não. Segue‑se polvo, coco e pudim de pão.

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A zona do ilhéu Bom Bom ficou famosa pela pesca ao marlim. Hoje é conhecida pela exclusividade.

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Em cima, o interior de um dos bungalows do Bom Bom Resort, com vistas de mar e de selva.

As baterias estão carregadas e agora é Ofreu Aurora, nascido e criado por aqui, que serve de cicerone. É um experiente guia no que diz respeito à flora e à fauna. Ainda não tem carta de condução, por isso oferecemo‑ ‑nos para conduzir pela estrada sinuosa e lamacenta. Ofreu tem o cabelo com rastas e estas encontram‑se no cocuruto, presas por um elástico. Podia ser Eder ou Salvador Sobral, mas nenhum desses saberá tão bem identificar espécies comestíveis à beira de um caminho tão encharcado como este. Não para de chover há bem mais de duas horas. «Chuva mulher», ri‑se Ofreu. É o nome dado por cá – pelos homens – à água que cai do céu de forma persistente e aborrecida. «Chuva homem é outra coisa», diz‑nos. «É mais bruta e rápida.» E nisto chegamos à praia, daquelas com vegetação quase até ao mar. Escondido na VOLTA AO MUNDO

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Ao lado, as malaguetas, um dos produtos que saem das terras da Roça Paciência.

floresta já está o esqueleto daquilo que vai ser, nos próximos meses, o Sundy Praia, a nova unidade do grupo HBD – um resort de luxo com os pés na areia. Voltamos à roça para uma prova de ca‑ cau. Afinal, foi aqui que tudo começou. Há fresco, em vinagre, como muesli, sob a forma de creme ou torrado. A noite caiu depressa como sempre acontece nas imediações da linha do equador. Hoje vamos sair para jantar na capital da ilha, Santo António. É uma cidade que provoca sentimentos contra‑ ditórios. Por um lado, pobre, mal cuidada, quase a roçar o abandono. Por outro, cheia de crianças e jovens, movimentada para os seus cinco mil habitantes, com uma loja de cada ramo para os servir – padaria, mercea‑ ria, de recordações ou de venda de tecidos. Paramos no Mira Rio, o café com vista de rio, ponto principal para os estrangeiros que cá

vivem – a internet é um fator convidativo. Tem máquina de café de cápsula e cerveja nacional Jurema, sempre sem rótulo, bem como portuguesa. Próxima paragem: a as‑ sociação cultural e restaurante Rosa Pão. A mesa está posta no alpendre. Já lá está sentada uma família de quatro pessoas e mais três documentaristas que andam a filmar pelo Príncipe. Todos franceses. Portugueses, além de nós, há mais. Uns trabalham para o HBD, outros para a Reserva da Biosfera. A comida começa a chegar, as conversas cruzam‑se e três são‑tomenses aproximam‑ ‑se. «Boa noite, sejam bem‑vindos à ilha do Príncipe.» Um está de galochas sujas pela lama, outro de havaianas e o terceiro de ténis. Trazem três violas e uma harmónica. «Somos a Banda Unida.» Os sons de África acompanham agora a barracuda, um dos muitos peixes desta costa. «Ter uma vida boa 61

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A música faz parte destas ilhas. Está por todo o lado. Saiba mais sobre o tema nas próximas páginas.

Em cima, o interior do edifício principal da Roça Sundy, alojamento no coração do Príncipe.

Em cima, a entrada na Sundy.

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nesta terra não é fácil não», canta a Banda Unida. «São Tomé e Príncipe, terra linda», diz o refrão. E é assim que vamos embalados de regresso à Sundy. No dia seguinte há muito para fazer. Começamos com uma visita ao Preci‑ pício, tem de ser. É deste miradouro que se tem a melhor vista sobre a praia Banana, um dos cartões‑postais da ilha. Seguimos selva dentro para a Roça Paciência, outra das estruturas deixadas pelos portugueses. Tem o mesmo aspeto deteriorado pelo tempo, mas coisas novas estão a surgir por aqui. Geraldo Cravid tem o sorriso de quem gosta de receber gente. É o responsável pela área agrícola, a nova vida da Paciência. Daqui saem legumes, frutos, ervas aromáticas,

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café e cacau, além das compotas servidas aos pequenos‑almoços nos principais hotéis do Príncipe. Ainda antes do almoço temos encontro marcado com Yodi, um dos mais experientes guias do país. Cortamos por estradas de ter‑ ra, avistamos o Boné do Jóquei, um ilhéu ao largo que tem o formato do nome, e paramos no início do T7, um dos oito que constituem os Trilhos da Biosfera marcados na ilha. São 45 minutos de caminhada sobre pedras, terra e lama. É acessível para toda a gente com mobilidade, não sendo aconselhável a crian‑ ças pequenas nem adultos de idade avan‑ çada. Pelo caminho, Yodi vai falando das espécies, da história da cascata para onde caminhamos – a Oquêpipi. «Antigamente, os donos da roça vinham passar o fim de semana para aqui, até construíram um cami‑ nho. Com o tempo, ficou coberto e só muito recentemente voltámos a descobri‑lo.» A humidade é elevada e o som da cascata está cada vez mais perto. A queda de água tem mais de setenta metros de altura, segun‑ do Yodi, de 36 anos, com quatro filhos. Com a catana corta um ramo e dá‑nos a provar. A água que de lá sai está filtrada pela na‑ tureza. A lagoa que se forma pela cascata pede um mergulho, apesar da água fria. Ficam dois conselhos: não mergulhar sem ver o fundo e não beber a água que ali chega. É tempo de fazer o caminho inverso até ao jipe. E deste até Santo António onde nos espera Dona Zinha. É a típica matriarca africana e tudo se desenvolve em seu redor. Aquilo que já foi uma barraca sem condições é hoje um modesto restaurante com tábuas corridas VOLTA AO MUNDO

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a servir de mesas e bancos. Banana assada, peixe e caranguejo são os reis da festa, apesar do atraso de quase duas horas com que che‑ gámos. «Já está tudo frio...», lamenta Dona Zinha, naquela espécie de raspanete de que nos lembramos quando éramos crianças e ficávamos na rua a brincar até mais tarde. Há um passadiço de madeira que já é mí‑ tico no Príncipe. Liga a ilha ao mais famoso dos ilhéus da região – o Bom Bom. Faz parte de um resort que não precisa de publici‑ dade nem de pruridos quanto a elogios. É um pequeno paraíso e basta ali chegar para se perceber. Sérgio Duarte, diretor‑geral, fala‑nos da pesca ao marlim que tornou conhecida a enseada, refere o ecoturismo como motor da ilha, apresenta as novidades do Bom Bom e salienta a experiência vivida por cada pessoa que chega: «Há quem venha passar dois ou três dias e marque logo para o ano seguinte. E entende‑se porquê.» Além do insuperável trinómio bungalow‑praia‑

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O Boné do Jóquei é um dos ilhéus mais reconhecidos do país. Aqui, com uma pequena nuvem a enfeitá‑lo. ‑palmeira, há mergulho, pesca, caminhadas e passeios de barco para fazer. Afinal, esta é a ilha onde mais de cinquen‑ ta por cento do território é área protegida. É aqui que se trocam garrafas de plástico por outras amigas do ambiente, que se incentiva a reciclagem desde a escola primária, que se combate o turismo de massas com o turismo de consciência. Estrela Matilde fala de tudo isto com paixão. Portuguesa de Sines, já é são‑ tomense por mérito. Trabalha para a Reserva

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da Biosfera e é uma das pessoas que dão a cara em defesa do Príncipe. Elogia o trabalho feito pelo governo da ilha e pelas empresas estrangeiras que têm apostado no território, mas acima de tudo gosta de realçar a maior riqueza que encontrou: «É óbvio que esta é uma reserva única da biosfera, com uma diversidade que chega a ser maior do que a das ilhas Galápagos. Isso é impressionante, mas não tenho dúvidas de que são as pessoas quem mais faz a diferença aqui.» Uma dessas pessoas é o senhor Pimpa. Cabo‑verdiano de nascença, são‑tomense por antiguidade, recebe‑nos na sua quin‑ ta com a camisola do SL Benfica vestida. O português que fala parece saído de um compêndio de boas maneiras, dicção cuidada e nobreza palaciana. É produtor de ananases, os melhores da ilha, dizem‑nos. Vai buscar um e corta‑o às rodelas com a faca afiada. Dá‑ ‑nos a provar. O adocicado com o ácido estão na medida certa. Tal como a ilha do Príncipe.

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São Tomé

A principal ilha do país perdeu a inocência de outros anos, mas continua a ser um refúgio para quem a visita.

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Chegamos a São Tomé já com saudades do Príncipe e da paz que por lá se vive. Paz que veio a ser afetada pela notícia da noite ante‑ rior – um dos navios de carga de pequeno porte que faz a ligação entre as duas ilhas está desaparecido. Dias mais tarde, chegará a confirmação de oito mortos e da perda da grande maioria da carga. «Já aconteceu mais vezes», diz‑nos o motorista que nos leva ao Omali Lodge, hotel entre o aeroporto e a capital São Tomé. «É um problema, um dos problemas, que tem de ser resolvido.» Nem tudo é luz no paraíso. Passamos o Morro da Trindade, residên‑ cia oficial do presidente do país, e o monu‑ 64

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mento às vítimas do massacre de Batepá (3 de fevereiro de 1953), quando um grupo de proprietários e militares portugueses atacou habitantes locais com a acusação de uma tentativa de conspiração. Parecem resolvi‑ das as divergências coloniais e as vias estão abertas entre os dois países. Prova disso é a Casa‑Museu Almada Negreiros. Joaquim Vítor era um dos meninos que vendiam flores aos turistas na estrada para a cascata São Ni‑ colau. Nunca tinha ouvido falar do pioneiro do modernismo português quando brincava nas ruínas da casa onde morou a sua família – e onde terá nascido, em abril de 1893, o pequeno José Sobral de Almada Negreiros. Joaquim comprou as ruínas da casa e é lá que funciona hoje o pequeno museu e um restaurante que está a dar que falar na ilha. Produtos locais como os búzios, o atum, a banana‑pão, erva‑mosquito e o micocó não faltam. Mas Joaquim quer mais. Gostaria que os governos português e são‑tomense aju‑ dassem na preservação da casa e da memória deste «produto» comum às duas nações. E está a fazer por isso. Sentado num dos cantos VOLTA AO MUNDO

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No Sul de São Tomé fica o pico do Cão Grande, elevação vulcânica bastante singular.

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Em baixo, um dos ananases do senhor Pimpa, produto bastante procurado na ilha do Príncipe.

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do jardim, no avental ainda posto pode ler‑se uma das frases do mestre Almada: «A alegria é a coisa mais séria da vida.» A caminho de São João dos Angolares, passamos por Caridade. A placa está à beira da estrada, rodeada de vegetação. O nome dá que pensar, há demasiadas crianças nas roças e nas pequenas localidades a pedir doces ou material escolar. Os anos de turismo criaram o hábito de distribuir guloseimas e canetas pelos mais pequenos. A tarefa ago‑ ra é a de mudar a mentalidade e fazer que os visitantes entreguem material didático e médico nos locais apropriados: escolas, hospitais, associações. Deixámos já para trás Santana, a capital do surf em São Tomé. É lá que vive Jejé Vidal, 18 anos e estrela da terra. Já participou numa etapa do mundial da modalidade nos Açores, e debate‑se com o problema dos patrocínios para seguir uma carreira profissional. Come‑ çou com uma tábua de madeira e hoje faz parte da primeira geração de promissores surfistas são‑tomenses. Traz um chapéu da Federação Portuguesa e olha para o mar com vontade. «Todos os dias entro na água. Às vezes, até de noite vou.» Nesse dia, já com o escuro a chegar, no regresso do Sul, do Par‑ que Natural Ôbo e do pico do Cão Grande (a

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elevação de origem vulcânica com trezentos metros de altura), Jejé estará a sair da água, com um sorriso de criança. Foi mais um dia de treinos. Esta é uma terra de histórias bem reais, mas também das imaginadas. Como a do barão de Água Izé, João Maria de Sousa e Almeida. Viveu entre 1816 e 1869, foi poeta e agricultor, responsável pela introdução da árvore da fruta‑pão e da cultura de cacau em São Tomé. Esta é a parte real. A parte de lenda é que o barão teria por hábito entrar na água a cavalo, num local chamado Boca do Inferno, junto à roça de Água Izé – onde as rochas rebentam com violência num canal natural – e sairia minutos mais tarde em Cascais, no local com o mesmo nome dan‑ tesco. Nunca ninguém repetiu o feito, mas

Em baixo, a Casa‑Museu Almada Negreiros. O restaurante é uma boa experiência gastronómica.

Além do restaurante, a casa homenageia o artista do modernismo português nascido em São Tomé.

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A Boca do Inferno de Água Izé. Diz a lenda que tem ligação direta à de Cascais, em Portugal.

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TEXTO DE FILIPE GARCIA

AO RITMO DO GENERAL JOÃO SERIA A lenda diz que foi em 1974 que começaram a tocar em espetáculos mais ou menos improvisados, que foi a emigração que os levou à Europa e a Portugal onde editaram o primeiro disco em 1981, sempre em tom de festa, o mesmo que usaram nas sessões de gravação nos jardins da Rádio de Nacional de São Tomé, já nessa altura rodeados de amigos e fãs. Duraram pouco, mas até hoje são os África Negra quem aparece no topo da hierarquia da música são‑tomense. Entre o lançamento do disco e o desmembramento da formação original passaram apenas seis anos. Depois, dos onze músicos originais ficaram seis e hoje apenas dois dos fundadores continuam esporadicamente a subir a palcos, o guitarrista Leonildo Barros e o vocalista João Seria. Mas mesmo que longe do estrelato da segunda metade da década de 1980, dúvidas restassem quanto ao estatuto especial que têm na música são‑tomense, foi Seria, conhecido como General, quem no ano passado a norte‑ ‑americana Joss Stone chamou para em dueto cantar um dos seus sucessos. Mas se Aninha, Maia Muê, Alice e Não Senhor já fazem parte da cultura nacional, a música de São Tomé não se esgota nos sucessos dos África Negra. No ano passado, nas comemorações do vigésimo aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, foi Tonecas Prazeres quem trocou abraços com Marcelo Rebelo de Sousa, a quem entregou o seu último disco, Tonecas Prazeres & AfroVungo Project. Bem mais novos, os Calemba, que misturam os ritmos africanos com as batidas pop, contam por milhões as visualizações dos vídeos no YouTube. E com um sonoridade mais próxima de reggae e hip hop, Quixote One lançou‑ ‑se no ano passado com o primeiro EP. Seja ao ritmo do General João Seria, dos Calemba ou de Quixote One, não será por falta de oferta que não ouve a música certa na visita a São Tomé.

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Uma viagem em mototáxi faz parte da visita ao arquipélago. Não se esqueça de regatear o preço.

algumas pessoas já perderam a vida nesta armadilha natural. No Norte da ilha, as lendas dão lugar à dureza de cada dia. Vamos agora a caminho da cidade de Neves, conhecida pela sua artesanal frota pesqueira e pelas praias dos Tamarindos e da Lagoa Azul (boa opção para snorkelling e mergulho). Vamos fisgados no Santola, um restaurante aberto há cerca de quarenta anos, cuja especialidade não deixa dúvidas. Subimos ao primeiro andar da casa de madeira, como todas as outras – muitas – em seu redor. Os caminhos são de terra batida, há gente por todo o lado.

A curta distância, à beira do mar, as mulheres amanham o peixe que chegou de manhã. Vai ser aberto e posto a secar, para ser vendido no mercado principal de São Tomé, também ele uma experiência. Vitorino Pinto, tem cerca de 40 anos e está sentado na sombra, em cima dos barcos virados ao contrário. «Tenho cinco filhos, quatro mor‑ reram de doença», diz‑nos a meio de uma conversa reveladora. No olhar triste estão outras dores, como a da falta de condições do povo são‑tomense em geral, a debilidade dos cuidados de saúde, a corrupção, a falta de oportunidades e de emprego. Já nos falou da fiabilidade da madeira de ocá para construir as canoas, antes da lição de política nacional: «O povo tem de dar a resposta nas urnas, são muitos anos de sacrifício.» É de reflexão – e digestão – o regresso à capital. Volta o barulho das motorizadas e dos automóveis, o clarão amarelo dos táxis, as centenas de vendedores nas imediações do mercado e da Praça da Independência. É sexta‑feira, é noite de Pirata. Terminamos a viagem na grande atração que é a principal discoteca/bar da ilha. Não são apenas todos os caminhos que vão lá dar, é toda a gente. À saída da cidade, à beira do mar, com espaço coberto e ao ar livre, com a água das ondas a respingar nos corpos suados pela dança, as vários tribos de São Tomé encontram‑se. Estão lá o agricultor e o pescador, a funcionária pública e a profes‑ sora portuguesa, o turista italiano e o casal em lua‑de‑mel, o motorista e o político, o diretor de hotel e o empregado de mesa. Não há horas para acabar. VOLTA AO MUNDO

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São Tomé e Príncipe

À mesa com um arquipélago

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TAP/MIGUEL MADEIRA ESTE SUPLEMENTO FAZ PARTE INTEGRANTE DA EDIÇÃO Nº 9872 DO PÚBLICO, E NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE

Os direitos de propriedade intelectual de todos os conteúdos do Público – Comunicação Social S.A. são pertença do Público. Os conteúdos disponibilizados ao Utilizador assinante não poderão ser copiados, alterados ou distribuídos salvo com autorização expressa do Público – Comunicação Social, S.A.


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Capa São Tomé e Príncipe

A gastronomia é um livro de história Dizem que os são-tomenses gostam de comida com molho, e aqui um bom molho leva dezenas de ingredientes. A história que cada um conta ajuda a contar a história do país. Francisca Gorjão Henriques Entrada: lábios de matabala Há curvas e contracurvas para chegar a São João dos Angolares. Passa-se por pontes sobre rios onde as crianças tomam banho e as mulheres lavam a roupa, que depois estendem para secar à beira da estrada, no chão. Nesta zona do Sul de São Tomé parece não haver um metro quadrado de terra sem vegetação. Não há verde, há muito verde. E depois chega-se à roça de João Carlos Silva (vimo-lo no programa Na Roça com os Tachos). Sentemo-nos na varanda, com vista sobre uma baía e muitas árvores em baixo. Os galos vão cantando, apesar de ser hora do almoço. Ouvir o “cozinhador” João Carlos Silva (é ele quem se define assim porque não gosta da palavra chef) é ouvir toda a roça, é ouvir todo o país, porque fala como quem cozinha um calulu, o prato tradicional de São Tomé e Príncipe (STP) que leva dezenas de folhas diferentes: junta-se um ingrediente a outro e depois outro, num guisado cheio de ligações para vários lados. A história de STP pode ser contada pelo que nos colocam em cima da mesa durante uma refeição. Começamos com um pedaço de chocolate Corallo (também iremos visitá-lo) com gengibre picado e pimenta rosa para “um spa de língua”, diz João Carlos Silva. “As mães davam cacau fresco aos filhos que tinham às costas [enquanto estavam a

colhê-lo], mas eles nunca chegavam a comer o chocolate. Vocês são uns privilegiados.” Seguem-se uns lábios crocantes de matabala frita (um tubérculo parecido com batata) com puré de mikókó e tomate recheado; banana-prata com flor do mosquito e coentros selvagens; limão filipino com peixe e cebola, maracujá e manga — e no meio do prato um pingo de fura-cueca (picante); choco com papaia verde, abacate e flor da moringa que se vê da varanda; ovas de espadarte cobertas com agrião, ananás, curcuma da roça, farofa de laranja portuguesa com farinha de mandioca de São Tomé, molho de azeitona com baunilha... “São Tomé e Príncipe o que é? É um entreposto de sabores”, afirma o “cozinhador”. A gastronomia é a própria síntese do processo de colonização (a ilha foi achada no século XV). Tem, assim, “duas raízes matriciais: a europeia/portuguesa e a africana, particularmente da África Central, Gabão, Benim. Mais tarde [entram] os cabo-verdianos, moçambicanos, angolanos que vieram para as roças” como contratados. “A gastronomia são-tomense é a mistura dessas gastronomias todas.”

Prato principal: feijoada da terra Alguns dias antes tínhamos entrado nos dois mercados de São Tomé, um a poucos passos do outro, separados por um terreiro de lama e rapazes montados em motos. “Se quiserem

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fotografar, primeiro, tem de criar afecto”, recomendam-nos — ou seja, temos de comprar qualquer coisa. Encontramos frutas: safu (da cor da beringela, oval e do tamanho de um ovo; coze-se e come-se com pão, explica Fernanda, a vendedora); maracujás do tamanho de papaias; cajamanga; fruta-pão (do tamanho de melões, substitui o pão, o arroz ou a batata); ananás; cola (castanho, do tamanho de uma ameixa e que dá energia para o dia todo), bananas.

Muitas bananas — banana-pão, de casca verde, come-se frita, cozida ou assada, tal como a banana-sãotomé; banana-prata, rosada, que se come frita ou seca; banana-ouro, mais perfumada e usada em doces e compotas; banana-maçã, usada para fazer farinha… Encontramos ervas e temperos: erva mosquito (parecida com orégãos selvagens e usada no calulu), mikokó (outra que tal), mastruço, coentro à portuguesa (comprida,

com sabor a coentro), ossame (um fruto que substitui a malagueta) e pau pimenta lado a lado, mússua, makéké, malaguetas de várias cores e tamanhos… Encontramos peixe: peixe voador salgado (dois dias para secar e meia hora para a dessalga), espadarte, ica, vermelho, búzios do mar e da terra... Não há divisão clara entre legumes e peixe, e às vezes vendem-se todos na mesma banca ou no mesmo pedaço de chão.


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FOTOS TAP/MIGUEL MADEIRA

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Encontramos Inês Antónia, 60 e tal anos, há mais de 40 a vender no mercado. Já teve 13 filhos, “três estão com Deus”. Criou-os tal como foi criada: com panelas de banana, cozida com casca e tudo, e frutapão, “com malagueta pisada na pedra com limão e óleo de palma”, inhame, funge ou izaquente cozido com açúcar, ou sem ele. Muitas das doenças que há em São Tomé devem-se à falta de vitaminas que as cascas das frutas garantem, diz.

“Os jovens já não comem a fruta cozida. Só comem arroz e esparguete. Antes não havia disto [aponta com desprezo para os caldos Knorr que tem na banca].” João Carlos Silva queixa-se do mesmo. “Devíamos estar a comer menos arroz. Estamos completamente dependentes da ajuda alimentar do Japão... É muito mais fácil e muito mais cómodo estender a mão e esperar que as coisas venham. Semear e plantar leva tempo e dá muito tra-

balho.” Defende que deveria haver um plano “de grande fôlego, multidisciplinar, para ensinar as crianças em relação aos alimentos, aos ingredientes que devem ser utilizados, a produção de hortas, o aproveitamento das plantas selvagens. Algum conhecimento que existe é de pessoas com alguma idade que não estão a passar esse testemunho para os mais novos. Em cada lugarzinho, em cada rocinha, temos que nos mobilizar, olhar para o país e perguntar

‘o que podemos oferecer?’”. Não sabemos se Joaquim Vítor fez essa pergunta a si próprio, mas desconfiamos que sim. Vivia na antiga sanzala da roça Saudade, onde as famílias cresciam e o espaço encolhia. Quis passar para a casa principal, abandonada, para ter mais privacidade. E então descobriu Almada Negreiros. Ficou a saber que o artista português filho de uma são-tomense tinha nascido precisamente ali. “Fui inteirar-me de quem era o Almada.

Mercado Municipal de São Tomé. Há no país uma enorme variedade de bananas: banana-pão, banana-são-tomé; banana-prata; banana-ouro... Agora o objectivo da associação é divulgar a sua obra e sensibilizar as crianças para a leitura. Vamos ter uma minibiblioteca”. Há uma pequena sala com alguns livros e quadros na parede de artistas locais. “Estamos indo fazendo.” O resto do projecto desenrola-se no campo. Planta-se tudo o que se pode para servir no restaurante. A mãe, Luísa, é quem prepara a feijoada à moda da terra que virá acompanhada de uma Rosema, a cerveja local que não tem rótulo nem carica própria para se identificar. Luísa aprendeu com a avó a fazer a feijoada e o filho recrutou-a para aqui, onde o tacho pousa em cima de brasas, durante algumas horas. Vai até ao jardim para apanhar erva mosquito e malagueta. “Não há como não gostar da sua comida”, diz Joaquim, um dos seus nove filhos. Dos 190 mil habitantes de STP, 64% tem menos de 24 anos. Mas, segundo o Banco Mundial (BM), os jovens são os mais afectados pela pobreza em que vive 62% da população (o país ocupa o 166.º lugar entre as 189 economias que fazem parte do índice do BM). Sobretudo nas zonas urbanas, as dificuldades em encontrar emprego deixam muitos jovens sem rendimentos ao fim do mês. Não admira, por isso, que eles estejam também no centro do trabalho de João Carlos Silva. “Vivemos a gastronomia à mesa, não é? Mas podemos pegar na gastronomia para trabalhar socialmente um lugar.” A oficina de gastronomia da Roça de São João “dá formação para a vida, porque a gastronomia é transversal: damos aqui lições de história, geografia, botânica, biologia, segurança alimentar, educação ambiental. Só depois pegamos na faca da cebola, do peixe, do tomate.” Em todo o processo, há uma tentativa de aproximação ao que significa ser são-tomense. “A gastronomia implica plantar, semear, cuidar, cultivar. Implica conhecer as tradições.” Mas reconhece: “O pessoal mais jovem não quer muito roçar mato, não quer muito a agricultura, prefere o comércio”.

Sobremesa: izaquente de açúcar A varanda em madeira da roça São João dos Angolares está tranqui-

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Capa São Tomé e Príncipe

la, agora que os almoços já foram todos servidos, e os sete ou oito minutos de conversa que João Carlos Silva nos tinha prometido ao início multiplicaram-se várias vezes. Uma coisa leva à outra e agora falamos de izaquente. “O izaquente tem histórias engraçadas. É um fruto enorme da floresta, não me lembro de ver alguém plantar, está aí, à mão de semear”, diz o “cozinhador”. “As senhoras deixam quase apodrecer, ficar muito maduro, a desfazer-se, para depois [extrair as sementes] secar e esmagar numa gamela com uma pedra redonda”, criando uma espécie de farinha com um alto teor calórico. Faz-se salgado ou doce. “O izaquente salgado é feito com peixe fumado, erva mosquito, ossami, pau pimenta e óleo de palma — a nossa gastronomia está grávida do óleo de palma, por influência de Angola. É acompanhado de farinha de mandioca.” Mas se estivermos a pensar numa sobremesa, cozem-se os grãos e trituram-se, “junta-se açúcar, e há quem misture milho cozido fresco”, ou apenas canela por cima, como se fosse arroz doce. “Diz-se que muitos dos mulatos de STP foram criados à volta de izaquente.” Como? Vários portugueses que chegavam ao arquipélago vinham sem a companhia das suas mulheres. “Algumas senhoras [são-tomenses] começavam como lavadeiras e depois lavavam tudo! Os filhos não eram registados e quando os homens partiam, de regresso a Portugal, as mamãs ficavam com os mulatinhos ao colo.” E lá iam para o rio, com as crianças e com o izaquente, levado em cestos. “Num lado estão a lavar roupas, no outro a lavar o izaquente que depois dão aos filhos.” São Tomé e Príncipe é um país de fundação colonial e foi adquirindo uma função específica: produzir açúcar (século XV), produzir cacau, produzir café (século XIX). Tudo com mão-de-obra vinda de vários pontos de África, em regime de escravidão formal ou efectiva. Quando a italiana Francesca Orlandi chegou ao Príncipe, em 2012, encontrou ainda marcas desses tempos. A estrutura agrícola parecia inalterada e mantinha-se “o papel do capataz, que não tem necessariamente mais conhecimentos do que a força de trabalho e de quem as pessoas

“São Tomé e Príncipe o que é? É um entreposto de sabores... uma síntese das influências todas”, afirma João Carlos Silva

têm medo”, afirma a agrónoma florestal. “Houve um abandono e uma rejeição da agricultura, porque as pessoas associam-na a um passado de escravidão, um passado que é preciso apagar da memória histórico-social. Tudo o que se vê agora que parece floresta na verdade são antigas plantações abandonadas... O perfil do pequeno agricultor orgulhoso da sua profissão, não existe. Faz porque lhe mandam fazer.” Por isso, a sua prioridade foi “devolver a dignidade que se tinha perdido”. O projecto que Francesca Orlandi veio desenvolver para o grupo hoteleiro HBD, e que tem em alguns pontos a colaboração do chef português Leonardo Pereira, associa a preservação da floresta a uma

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produção integrada do cacau e de outras culturas agro-florestais. Passa por garantir formação, ensinando algumas técnicas que, apesar de ancestrais, estavam esquecidas. “As pessoas só colhiam e as produções não aumentavam porque nada era plantado.” Ou seja, e ao contrário do que se pode pensar, este “não é um povo de agricultores; a agricultura aqui é de subsistência”. A formação em agro-ecologia foi feita na roça Sundy, “que foi uma das expressões máximas do seu contrário”. “Foi uma das maiores roças do Príncipe [tem actualmente 1080 hectares].” A conversa com Francesca Orlandi decorre na roça Paciência, no Norte da ilha, onde se desenvolve o projec-

to piloto para a Sundy. À direita, as sanzalas já sem telhado, mas onde ainda se pode ver pelas marcas no chão o espaço exíguo que cabia a cada família; à esquerda os secadores; em frente, a casa principal; atrás os antigos escritórios e casa dos empregados. Entre tudo isto, um terreiro com árvores amplas, relva e terra batida. Mais adiante, e fora deste quadrado, há o actual laboratório, criado para “agregar valor à produção de frescos e reduzir o desperdício”. Desenvolvem-se produtos característicos do Príncipe — como a secagem de frutas e compotas. “O caroço (que vem do carroceiro) não tinha valor comercial. Nós secamos e usamos no muesli.” Faz-se destilação de laranja

amarga, ou de lang-lang para tónicos e sabonetes. Faz-se extracção de óleo de coco a frio e ensina-se alguns produtores a fazê-lo também. “Já foram à horta?” Contornamos o edifício e encontramos o espaço onde crescem hortícolas e ervas aromáticas, seguindo os princípios da permacultura. “Este é um equivalente de um espinafre: chama-se folha de tartaruga e cresce naturalmente em qualquer tipo de contexto. Este é um amaranto, ou jimboa.” A produção hortícola nasceu para tornar os resorts da HBD sustentáveis, reduzindo a dependência da importação. O projecto de Francesca Orlandi é amplo. “Aplicamos o conceito de bio-agro-diversidade: em vez de explorar apenas uma cultura, alterna-se áreas com outras culturas como caju, baunilha, langlang, pimenta. Deixa-se o sistema florestal agir. A sombra das árvores protege as plantas, que se tornam um bocadinho menos produtivas, mas necessitam de absorver menos nutrientes. E o ciclo contínuo das ramas que caem no chão, que geram substância orgânica, cria uma cadeia sustentável.”

Café com chocolate Gegé Lima tem 27 anos e sabe o que tem para dar a São Tomé e Príncipe. A varanda onde agora conversamos


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FRANCISCA GORJÃO HENRIQUES

Banana e safu a grelhar na rua. Na página ao lado, João Carlos Silva, o “cozinhador” que fez uma escola de gastronomia na Roça São João, e a horta da roça Paciência, no Príncipe, onde Francesca Orlandi desenvolve um projecto de sustentabilidade

era há décadas a do centro de tratamento do café da Roça Monte Café, no interior da ilha, e que chegou a ser o maior produtor do país, com os seus mais de oito mil hectares. Agora, a antiga fábrica de torrefacção é uma carcaça, a casa do governador foi demolida e restam ainda no chão os pedregulhos. Como fica a 670 metros de altitude, é favorável para a plantação de arábica (mas também há robusta), que gosta de zonas húmidas e altas. Apesar do abandono, cerca de 250 pequenos produtores trabalham para juntar a sua colheita numa cooperativa. “Aqui, todos trabalham no café”, diz Gegé. Vive onde antes viviam os trabalhadores, na sanzala. Estudou a fauna e a flora de São Tomé e tirou um curso de turismo. Aprendeu como se cultiva e trata o café. Sabe o que é preciso para fazer visitas guiadas aos turistas que agora visitam o que resta da roça (como o museu onde se podem ver os utensílios utilizados e algumas amostas em garrafas de vidro, com rótulos onde se pode ler: “Arábica superior corrente Tipo 6, embarcado no vapor Pátria em 12/7/70 conforme nota de embarque n.º1396...”). É Gegé quem explica que, para plantar um cafeeiro, primeiro é preciso fazer um viveiro — leva 45 dias a germinar, depois, seis meses até atingir 40 centímetros; só então pode ir para a terra. Depois, a planta pode durar 50 anos. Aparece Eduardo Buku, de catana na mão, agricultor de café desde os 12 anos (tem 43). “A boa limpeza” do cafeeiro é a regra de ouro. Tem

três mil pés, o que em alguns anos lhe garante 500 quilos, outros apenas 300. “Antes dava duas vezes por ano, agora só uma, não sei porquê.” A maior parte da produção é vendida à Malongo, e essa não vai para a torrefacção, vai directamente para França. A variedade arábica de São Tomé e Príncipe é considerada das melhores do mundo. Mas a principal produção do país é o cacau, que constitui 62% das exportações, (o café não chega a 7%) e garante uma grande fatia dos postos de trabalho. Ainda assim, está longe de recuperar o título de principal produtor mundial que detinha em 1905. Vamos então visitar a roça de Claudio Corallo (ver entrevista nestas pági) na ilha do Príncipe, onde as primeiras árvores de cacau, trazidas do Brasil, foram plantadas por volta de 1819. Era praticamente uma selva quando Corallo lá chegou para fazer “o melhor chocolate do mundo”, porque os tempos de produção intensa já eram coisa do passado. Foi preciso desbravar e limpar. Foi preciso replantar as árvores de sombra, para que as plantas recebessem ar e a quantidade certa de luz. Se toda a ilha do Príncipe é um deslumbramento (o Sul foi classificado como reserva da Biosfera pela UNESCO), manda a prudência evitar descrever a vista desta roça para não cair em clichés. Vamos apenas dizer que estamos num plano elevado, à nossa esquerda, ao fundo, vemos morros, o mar azul e palmeiras; à direita, uma floresta mais densa. Há garças pretas a passearem-se pelo chão e muquês castanhos a sobreFUGAS | Público | Sábado 29 Abril 2017 | 7


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Guia prático

COMO IR A TAP tem três voos semanais com escala em Acra, no Gana. Para o mês de Julho, custam a partir de 717 euros, ida e volta. Em períodos de menor procura, o preço pode descer para os 464€. Voar de São Tomé para o Príncipe custa cerca de 170 euros.

ONDE DORMIR São Tomé Omali Lodge Boutique Hotel 100€ por pessoa e por noite em quarto duplo com pequeno almoço e transfer incluídos. Tel.: +239 222 2479 Email:reservations@omalilodge. com www.omalilodge.com voar a casa e as copas das árvores. Acácio Tiny, de 32 aos, nasceu e cresceu no Terreiro Velho, a localidade em baixo onde vivem menos de 100 habitantes. Trabalha na roça desde 1999, quando Claudio Corallo começou a sua produção de cacau — a maior da ilha inteira, mas mesmo assim insuficiente para dar resposta às necessidades, pelo que é preciso comprar a outros produtores. “A planta tem que estar sempre a ser limpa por causa dos ‘ladrões’”, os rebentos que é preciso tirar. Para além disso, há “os ratos, os macacos e os morcegos, que gostam de cacau”. O terreno é íngreme e, com a chuva que tem caído, bastante escorregadio. Não é fácil recolher os frutos das árvores — há uns quantos milhares de pés — mas Acácio vai agilmente apanhar um cacau fresco, que abre para dar a provar. Uma delícia. Não há agora muita gente a trabalhar porque a colheita, que pode ser feita no ano todo, é mais intensa entre Junho e Outubro, “se a chuva não estragar o fruto”, diz Acácio Tiny. “Agora [início de Abril] está bom porque há um pouco de chuva e um pouco de sol. Em Maio vai haver um pouco de colheita.” É ele quem explica o processo: apanha-se o fruto, parte-se ao meio

com um pau e coloca-se a polpa (também chamada de goma) e a semente em caixas de madeira para fermentar. Fica assim cerca de três semanas. Passa para os secadores, seis ou sete dias, sempre a mexer para ter a certeza de que seca uniformemente. Agora há apenas uma pequeníssima amostra de cacau (e de café) no secador. “O processo do café é igual”, diz Tony. A queda dos preços no final da década de 1990 trouxe uma crise económica profunda. No início dos anos 2000 apareceram cooperativas como a CECAB, que, ao eliminar os intermediários, permitiram aos agricultores ficar com uma fatia maior das receitas, já que não se limitavam a vender a goma, mas começaram a poder fermentar e secar o cacau em equipamentos fornecidos pelas cooperativas. E isto com selo de biológico e comércio justo. O cacau passou a render-lhes cinco vezes mais. Ainda assim... O Banco Mundial refere que não há nenhuma actividade económica no país “que possa servir como um motor do crescimento”. “Historicamente, a agricultura tem sido um sector com elevado desempenho, com um aumento das exportações de cacau, café e óleo de palma nos últimos anos. No entanto, isso não

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compensou o crescimento das importações” — há uma balança comercial negativa de mais de 118 milhões de euros. O país continua a ser altamente dependente do exterior, e o turismo, que tem vindo a crescer, ainda não responde às necessidades. Chegou a falar-se em prospecção petrolífera, mas esta não avançou. O que trava São Tomé e Príncipe? João Carlos Silva tem uma explicação que certamente será considerada polémica por alguns: “As pessoas estão retraídas, muito acomodadas. Um amigo brasileiro dizia-me: a fazer alguma coisa aqui será por inércia dos são-tomenses, será [feito por] gente de fora. Sempre foi. Há quem diga que é o destino.” Por outro lado, ultimamente tem dado por si a desenvolver outra reflexão: “Até que ponto não estamos a ser um bocado contra-natura? Este clima é muito quente, a terra é extremamente generosa, quase que não precisamos de semear nada, apetece-nos muito fazer amor todos os dias. Se a gente se ocupa muito com as outras coisas todas, que tempo é que sobra para as coisas mais deliciosas que o ser humano tem para fazer?” A Fugas viajou a convite da TAP e do grupo HBD

Príncipe Bom Bom 175€ por pessoa e por noite em quarto duplo com pequenoalmoço e jantar. Tel.: + 239 225 11 14 Email: reservations@ bombomprincipe.com www.bombomprincipe.com

COMER E BEBER São Tomé Roça São João No restaurante de João Carlos Silva, por baixo da pousada com o mesmo nome, os menus de degustação custam 15 euros sem bebidas. Dona Teté Peixe do dia grelhado, saladas de búzio ou de polvo. Com bebidas e sobremesa, o jantar fica pelos 10 euros. O restaurante fica perto da grande avenida Marginal 12 de Julho.

Omali Lodge O restaurante do hotel tem uma carta renovada com o apoio do chef André Magalhães (da Taberna da Rua das Flores, em Lisboa) e executada pelo chef são-tomense Paulo Rocha Ramos. Príncipe Zinha Rua Feliz, 95, Santo António. Comida caseira da Zinha que inclui molho de peixe, feijoada ou polvo. Associação Cultural Rosa Pão Gerida pela Dona Rosita (rosapaoprincipe@gmail.com). Também de comida caseira, que vai de rissóis a peixe grelhado com banana Roça Sundy O hotel só estará aberto a partir de 1 de Junho mas já é possível almoçar ou jantar mediante reserva. reservations@ hotelrocasundy.com

O QUE LEVAR Um passaporte com seis meses de validade é obrigatório, assim como repelente e dinheiro. Não há multibanco (há uma caixa, mas só para contas locais) e levantar dinheiro ao balcão pode ser impossível. A profilaxia da malária é aconselhada, apesar de esta estar quase erradicada; na consulta do viajante também se aconselham as vacinas da febre amarela e tifóide e da hepatite A. CAMARÕES

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

Ilha do Príncipe

GUINÉ EQUAT.

São Tomé Ilha de S. Tomé 125 km

GABÃO


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Os príncipes da terra

A pimenta que José Henriques cultiva no Príncipe segue depois para São Tomé e dali para França. “Se não fosse a cooperativa, não havia pimenta no Príncipe”

José Henriques Preta, branca e rosa Encontramos José Henriques no meio do que parece ser um quintal, mas que é na verdade uma plantação de pimenta. Vive na Nova Estrela, a sul da cidade de Santo António, no Príncipe. Desde 2006 que produz pimenta e o negócio não tem parado de crescer. “Prevejo entregar este ano duas toneladas, e no próximo três ou quatro”, afirma, sorridente. No seu hectare de terra crescem dois mil pés, tudo biológico. “Um pé pode durar 60 anos.” Trouxe de outra zona da ilha alguns pés “do tempo dos colonos”. Reproduziu “com estacas e agora toda a produção vem daí”. Tal como ele, outras seis dezenas de produtores entregam a sua pi-

menta à cooperativa CEPIBA, que depois a envia para São Tomé e dali segue para França. Ele recebe “oito euros por quilo; a cooperativa vende aos franceses a 14, mas a CEPIBA dá material e apoio aos produtores. Se não fosse a cooperativa, não havia pimenta no Príncipe.” Pimenta branca, rosa ou preta, tem só a ver com a fase em que o bago é apanhado. A rosa é quando está mesmo mesmo, madura. Já a preta é apanhada bem verde, explica José Henriques. “Ferve primeiro durante 15 minutos e depois leva ao secador”.

Pimpa O ananás que fica no chão Tal como muitos cabo-verdianos, Pimpa veio ainda adolescente para

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Pimpa decidiu plantar ananás para ajudar no sustento. “Dá qualquer coisinha.” Mas a maior parte da produção fica no chão

trabalhar nas roças como contratado. A primeira vaga chegou em 1903 e a segunda nos anos 1950. Para além dos cabo-verdianos, também angolanos e moçambicanos partiram para São Tomé e Príncipe a pensar que teriam um contrato de trabalho à chegada, mas esperava-os um pesado trabalho braçal em condições desumanas. Muitos, sobretudo os cabo-verdianos, nunca conseguiram regressar ao seu país. E hoje ainda é comum encontrá-los a trabalhar na agricultura. Pimpa sabe de cor os dias de viagem que o Infante D. Henrique percorreu, mesmo antes de o apanhar em Santiago, até ao Príncipe, onde atracou. Diremos só que levou 11 dias a chegar. Depois da independência começou a fazer “capinação com a enxada”, para limpar terrenos e

caminhos. Decidiu plantar ananás. “Dá qualquer coisinha. Vendo aos portugueses, aos membros do governo [de STP], mas aqui não tem saída, fica a apodrecer.” A maior parte da tonelada e meia de ananás que produz é desperdiçada, diz, pontuando qualquer frase nossa com um delicado “exactamente”. Enquanto percorremos o terreno, vemos as plantas repletas de fruto a poucos centímetros do chão. Entramos na casa em madeira que está a construir, “porque a outra já está cansada”. Abre um ananás que corta cuidadosamente às fatias. Pousa-o em cima de uma cadeira, onde colocou um paninho. E confessa que, aos 65 anos, está como a casa, cansado e doente. “A próxima vez que vierem, já não estou. Estou a ficar transparente.”

Nhô Jô A cultura não espera Foi difícil fazê-lo dizer que tem 80 anos, mas muito fácil pô-lo a falar do seu grande orgulho: o café. Nhô Jô partiu de Santo Antão, em CaboVerde, em Maio de 1960. “Foi uma crise que me trouxe para cá, uma seca muito grande.” Sempre foi agricultor. “Desde que comecei a entender o meu nome que peguei na enxada. Vinha a chuva, enxada para mim.” No Príncipe, começou a trabalhar na roça Sundy, nas produções de cacau e café; depois na Bela Vista. Era capataz. “Eu coordenava tudo. O feitor viu que eu era bom, compreendia as coisas.” Depois da independência, em


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O cacau é como o azeite, como a salsa, como o vinho O italiano Claudio Corallo diz que faz em São Tomé e Príncipe o melhor chocolate do mundo. Como? Ele até conta, mas “as pessoas gostam de segredos menos cansativos”. Francisca Gorjão Henriques

Nhô Jô foi buscar as sementes de café a São Tomé: robusta e um pouco de libérica, que “não tem tanta vantagem.” A mulher, Marcelina, é quem torra os grãos

1975, o governo de partido único do MLSTP nacionalizou as plantações. “Não se vivia bem. Só com a democracia [1990]. A vida melhorou quando tive a minha terra.” Atribuíram-lhe seis hectares e começou a trabalhar por sua conta. Começou por ter banana, milho, mandioca. “Mas a cultura não espera e eu comecei a ficar cansado. Plantei outras coisas para o futuro. Agora está tudo cultivado com café e palmar” — a palmeira do óleo de palma. “Fui buscar as sementes de café a São Tomé: robusta, que aqui produz muito. Também há libérica – mas não tem tanta vantagem.” A mulher, Marcelina, que agora varre pacientemente o chão, afastando as galinhas, é quem faz a torrefacção. “Ela tem um ponto certo.”

ROBERTO FRANKENBERG

G

uarda cafés “que dão arrepios”, de tão aromáticos que são. Na sala de sua casa, em São Tomé, há um discreto quadro na parede com papelinhos correspondentes aos lotes de café que produziu desde 2000. Mas concentramo-nos no que está em cima da mesa em frente aos dois sofás: o chocolate Corallo. Claudio Corallo garante que faz o melhor chocolate do mundo e aqui estão estas discretas caixas de cartão a desafiar quem disser o contrário. Nasceu na zona de Florença, numa família totalmente dedicada ao azeite. Em 1974, mudou-se para o Zaire, actual República Democrática do Congo, para plantar café, tinha então 23 anos (tem agora uns enérgicos 66). Quando a situação política se complicou, na segunda metade da década de 1990, foi obrigado a abandonar o país. Já tinha passado pela Bolívia, acabou em São Tomé e Príncipe. Estivemos no Terreiro Velho, a roça do Príncipe onde produz cacau, café e pimenta. Mas a conversa foi em sua casa, na capital, onde está também o laboratório. Talvez seja inesperado ouvir que há semelhanças entre um cacaueiro e uma oliveira. Porque é que o seu cacau é bom? Qual é a principal característica? Eu! Sim, não há dúvida. Na Bolívia, fizemos o melhor café do país; no Zaire, era considerado o melhor robusta do mundo, e no mercado valia muito mais do que os outros. Fazia um café extraordinário, que não tinha nada a ver com o café comercial. No Príncipe, faço também café libérica, que é super-apreciado porque é superperfumado. Fazemos cacau, e é a mesma coisa.

É como ter duas vinhas no mesmo terroir: uma dá um superbom vinho, a outra não. Qual é a diferença? É o homem que produz. É normal, não? Dá-se o mesmo ingrediente a dois cozinheiros e eu faço uma porcaria, o outro uma coisa super. Tem a ver com a forma como é tratado durante o crescimento da planta? Se você tiver uma cadeira, bem feita, leve, forte, linda, e perguntar

ao marceneiro: “Qual é o segredo?”, ele olha para si e diz: “Faço marcenaria há 60 anos”. É o meu trabalho, faço com prazer e com cuidado. Toda a gente gosta de saber o segredo, a planta, a variedade, a terra, o clima... Aqui muda muito o terroir, porque [os terrenos] são pequenos, há muitas colinas, mas nós trabalhamos em diferentes terroirs e a qualidade é sempre elevada. A pimenta que fazemos é fantástica. A baunilha

está [plantada] há 19 anos e só este ano é que estamos a trabalhar com ela. É espontânea: deixámos brotar e 17 anos depois, três plantas, num raio de 50 metros, deram vagem entre 8 e 12 metros de altura. Deixei a vagem rebentar na planta, plantei outra baunilha da mesma estaca, e no ano passado mais plantas produziram, na mesma zona, sempre entre 8 e 12 metros de altura. Tirei só seis vagens, deixei o resto, e este ano está novamente a florescer. [Levanta-se, desaparece da sala e regressa com um frasco de vidro grande, com meia dúzia de vagens de baunilha. Abre o frasco e passa-o a alguma distância do nosso nariz]. Isto é só uma passagem rápida para dar uma ideia. É incrível. Olha o tamanho desta vagem! Já a utilizou? Já utilizei para uma prova. Quero apanhá-la madura na planta, espontânea, porque diverte-me ver até onde se pode chegar com a qualidade de um produto, cuidando tudo do início até ao fim. É essa a sua marca, não é? É uma característica comum a todos os meus produtos. Sou conhecido no mundo por isso. No Zaire, exportava contentores com sacos de 60 quilos, cada contentor tinha 18 toneladas. Aqui para fazer 18 toneladas preciso de três anos. As plantas reproduzem-se pouco, com rendimentos muito baixos. É uma dor de cabeça. Mas estamos com um produto que é um indicador [de qualidade]. Esta [pega numa caixa de grãos de café cobertos de chocolate] são três variedades da mesma espécie, cultivadas no mesmo campo, trabalhadas da mesma maneira e tem três sabores totalmente diferentes. É como experimentar três copos de vinho tinto, derivados de três castas diferentes, cultivadas na mesma vinha, vinificadas da mesma forma, na mesma adega, pela mesma pessoa. A diferença de paladar deve-se à casta. Com a pimenta a mesma coisa: a

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mesma pimenta trabalhada de duas maneiras diferentes dá dois perfumes diferentes. Porque escolheu São Tomé? Porque é perto. Vinha do Zaire, actual RDC. Tinha lá as minhas plantações. De Kinshasa até aqui são 1350 quilómetros. Para deixar a família em lugar seguro preferi deixá-la aqui, perto do mar. Claro que sabia que havia café super-interessante, que havia cacau. Mas o cacau de São Tomé no mercado vale tanto como os outros cacaus. O que produzia no Zaire? Só café? Só café. Era no meio do mato, uma coisa fantástica, mas tivemos que fugir. Quando cheguei aqui não era para trabalhar. Mas comecei a ver as plantas de café e fazia as minhas provas, por curiosidade. Fiquei cá três anos para perceber se dava para organizar uma base. Já tinha experimentado fazer chocolate? Cheguei ao chocolate absolutamente por acaso. Nunca gostei de chocolate e não sei fazer nada na cozinha. Venho da escola do azeite. Toda a família, amigos, primos, eram ligados directa ou indirectamente à produção de azeite. Estava habituado a avaliar o azeite, e era uma guerra a cada ano para saber se o amargo era da oliveira ou se era amargo porque havia folha ou por causa da mosca da azeitona — pode ser amargo natural ou amargo por defeito. Por isso estava treinado nisso. Quando cheguei aqui, gostava da planta de cacau, que pode ser bastante semelhante à oliveira. Não tem nada a ver com o café: café é um arbusto e poda-se de uma maneira, o cacau é uma outra história. Que semelhanças são essas entre o cacaueiro e uma oliveira? Um camponês que sabe podar uma oliveira, se estiver à frente de uma planta de cacau, adivinha. É igual. Comecei a experimentar o cacau que encontrava. E em todo havia uma amargura que não dava dúvidas: era amargura derivada de defeito. Por exemplo, a rúcula: tem um amargo natural; se a esquecer durante uma semana no frigorífico, a folha começa a escurecer e traz uma outra amargura que não tem nada a ver com a amargura natural da rúcula, é derivada de um defeito de armazenamento.

FOTOS: INÊS GONÇALVES

Capa São Tomé e Príncipe

Encontrou isso no cacau? Fiquei verdadeiramente admirado. Queria ter uma ideia mais ampla, experimentar mais cacau, e fiz uma coisa muito simples: pedi a um amigo na Itália que contactasse os maiores grossistas para que enviassem amostras dos melhores lotes de cacau que tivessem. “Não me interessa o preço, pago as amostras, o transporte, mas quero o top da qualidade.” Contactaram dois grossistas em Itália e França, um deles o grossista de cacau mais conhecido do mundo. Recebi as amostras dos melhores lotes que havia no mercado, do cacau comercial, que é cotado em bolsa. Em todas as favas que experimentámos havia esta amargura que eu não tinha dúvidas de que era um defeito. Era bastante incrível. O defeito sente-se. Mesmo não sendo um conhecedor? Eu nunca tinha comido cacau

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Comecei a experimentar o cacau que encontrava. E em todo havia uma amargura derivada de defeito nem gostava de chocolate. Sentese o defeito. É naturalíssimo! O que é incrível é que ninguém tenha dito isto antes. Logo, não deve ser tão evidente quanto isso. As pessoas têm um enorme cromossoma da ovelha! Impressionante! Eu dizer, há 20 anos, “desculpa, mas este amargo é um defeito”, não foi fácil. Mas disse. E provei-o.

Criei este laboratório para descobrir a origem do defeito do cacau, para evitar o seu aparecimento: analisar todas as amostras que preparavam na plantação. No final, consegui o percurso certo, não para eliminar os defeitos mas para os evitar, o que é bem diferente. Porque eliminar o defeito, como fazem na indústria, não é um procedimento selectivo: elimina tudo, perfume, defeito, vida, fica uma pasta que tem um sabor que, se não se juntar baunilha ou qualquer coisa, não sabe rigorosamente a nada. Porque é que eu tenho tanto sucesso em todo o mundo? Faço conferências na Califórnia, Suiça, Alemanha, Bélgica, porquê? Está a passar esse conhecimento a outras pessoas aqui? A formação é a base do meu trabalho. Formamos toda a gente porque para chegar a esta qualidade é preciso um trabalho de equipa. Estão envolvidas 250 pessoas — duas

plantações, um escritório, um laboratório. A formação é sempre a base. Cada pessoa tem que conhecer muito bem o seu trabalho e sentir que está participando no resultado, ter orgulho do trabalho que faz. Voltanto atrás: quando diz que não gostava de chocolate... E tinha razão. Tinha razão. Sempre gostei de confeitaria, mas a confeitaria está para o chocolate como a sangria está para o vinho. Não se pode julgar um vinho bebendo uma sangria. Não posso julgar um chocolate comendo um bombom. E como foi dedicar-se a uma coisa de que não gostava à partida? Um dos ensaios que fazíamos no laboratório era torrar, descascar e moer. Enquanto melhorávamos a técnica, este cacau descascado e moído saía sempre com mais perfume. E eu experimentava o cacau: chupava a mucilagem fresca, na


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As pessoas não gostam do meu segredo: cuidado, rigor, trabalho e exemplo. As pessoas gostam de segredos menos cansativos

cápsula. Outra coisa curiosa: sou o único no mundo a ter feito aguardente de polpa de cacau. Não existia? Não, e porquê? Porque é um subproduto. Quer experimentar? São 73 graus! É robusta! [Sai para ir buscar uma garrafa de plástico de litro e meio com um líquido transparente e alguns copos]. Ponho pouco porque é uma bomba! Mostro como se faz: ponho uma gota na boca, e depois mastiga-se de maneira a diluir-se com a saliva. Porque se vai directo para a garganta fica sem respiração. Sente como é redondo? Como é profundo? Há grapa de 50 graus que arranha; este é veludo. A polpa, a goma do cacau, que as pessoas comiam fresca no momento da colheita: eu fiquei tão apaixonado por este perfume que quis capturá-lo. Comercializa? Não. O nosso distribuidor em Itá-

lia já deixou de insistir. Faço macerar passas de uva aqui dentro e depois de quatro meses ponho no chocolate. É muito bom e além disso é o único chocolate do mundo com o seu próprio álcool. Fazemos 30, 40 litros por ano. Quando a colheita é muito distribuída no tempo não dá para destilar porque é tão pouco que fermenta mal. A baunilha também só será usada no chocolate? Sim, porque apanho a baunilha madura e faço um concentrado com chocolate. Basta. Falaram-me tanto de chocolate cru. Pedi a alguém para me mandar todo o chocolate cru que encontrasse no mercado, para experimentar. [Levanta-se novamente e traz uma caixa de cartão com várias tabletes] Tenho aqui porcarias indignas. Coisas vergonhosas. A coisa mais comestível não sabe a nada. Experimente primeiro o meu: não gosto de moer o cacau

fino, porque matam-se os perfumes. É como a salsa. Começa a moer, o perfume aumenta, continua a moer, o perfume começa a morrer. Tem uma curva. Este é cacau cru. [Depois de se provar um dos chocolates que mandou vir:] Fica um amargo pegado na garganta, que para limpar é preciso um desentupidor. Agora a boca está disfarçada com o açúcar, mel de não sei o quê... A ausência de açúcar não é sinónimo de amargura. Chamou alguém que entendesse de chocolate para trabalhar consigo? Escuta uma coisa, se alguém entendesse de chocolate diria: “Isto não bate certo, porque este amargo não é natural”. Eu faço chocolate como na Toscana se faz o azeite. Se até hoje não havia ninguém a dizer que o amargo é um defeito do chocolate... Aliás, todos diziam que um bom chocolate tem de ser

amargo. Ia chamar quem? Quando quis destilar a polpa do cacau contactei um grande enotécnico e disse-lhe: “Gostaria de destilar a polpa do cacau, mas nunca destilei na vida. Tens tempo de me dar duas ideias? Eu descrevo-te o fruto.” A resposta: “Não precisas de me descrever o fruto, porque fiz uma pesquisa bastante longa para utilizar a goma do cacau e não deu resultado”. Allora! Enquanto estiver convencido que sou imortal, vou à frente. Não fico sentado a ver a baunilha crescer, fazse a pimenta, faz-se outra coisa. Qual era afinal a origem dos defeitos do cacau? Era uma cadeia de erros, de falta de cuidados, do início ao fim. Começa pela colheita, num momento que ou é tarde ou cedo. Armazenamento: temos um armazém elevado e desumidificado. Como podemos pensar em armazenar um produto

com esta humidade que há aqui? Este é um treino constante. Esse rigor... Rigor! Rigor é a base de tudo. Quando me dizem: “Mesmo assim, presta”. É o início do fim. Incutir esse rigor nas outras pessoas deve ter exigido muito trabalho também, não? Muito exemplo. O exemplo é a base. Dizer as coisas e não dar exemplo, mais vale calar, poupar energia, porque o resultado vai ser o mesmo. Os outros continuam a trabalhar como sempre trabalharam ou já mudaram por sua causa? As pessoas não gostam do meu segredo: cuidado, rigor, trabalho e exemplo. As pessoas gostam de segredos menos cansativos. No Zaire era a mesma coisa. O nosso café valia quatro vezes mais que os outros e ninguém o fazia porque era preciso ficar no campo, com as pessoas: tem que se atribuir a tarefa certa, [equilibrar] a qualidade e a quantidade da tarefa. Se não sabemos trabalhar no campo não temos a capacidade de avaliar a tarefa e as coisas não funcionam. É grotesco. Devia produzir-se mais cacau em São Tomé e Príncipe, ou melhor cacau? Tentamos que o trabalho no campo progrida na qualidade, mas se o preço do café ou do cacau é uma lotaria, se no fim do ano não compensa, as pessoas abandonam o campo, e quando voltarem já não há uma produção. O problema do cacau é que tem de ser fermentado e é preciso uma massa [em quantidade suficiente] que dê uma inércia térmica para manter a fermentação. Mas a colheita do cacau não se faz numa semana, é diluída em nove meses. Estamos perto do Equador, não há um pico de produção. Se a colheita der poucos quilos de cacau não dá para fermentar e vai para o lixo. Por isso, temos que nos juntar e eu compro cacau [a outros produtores]. Compro o fruto e faço o resto. Está tudo controlado do início ao fim. Quanto tempo levou até dizer ‘está perfeito’? Perfeito, nunca. Melhoramos sempre. O chocolate é feito com um produto vivo. Como o vinho, que cada colheita dá as suas características peculiares.

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pesardetersidoassistentedebordodurante dois anos,é aprimeira vez que visitaSãoTomé e Príncipe. O que está a achar?

Estou a adorar, esta experiência está a ser incrível. São Tomé e Príncipe semprefoiumsítioquequisconhecer. Tenho que admitir que o meu coração pende muito mais para Príncipe do que para São Tomé. Tem uma beleza ainda quase intocável. As pessoas são todas muito boas, simpáticas. As expectativas estavam mesmo elevadas, mas mesmo assim foram superadas. Será um destino a repetir?

Sem dúvida, até porque estou curiosa em saber como ficará Príncipe dentro de dois a três anos. Se haverá alguma evolução, até porque é raro hoje em dia encontrares sítios tão virgens, com uma beleza tão natural e tão espontânea. Príncipe é um sítio único, com uma beleza única.

Viajar é algo que faz parte da sua vida?

Sim, eu tenho o privilégio de conhecer muitos sítios do Mundo, também devido à minha antiga profissão de assistente de bordo. Dá-me muito prazer conhecer locais e viajar. Faço sempre uma viagem grande por ano que seja diferente.

Qual foi a viagem que mais a marcou?

Há dois locais que gostei muito de conhecer até hoje. O primeiro foi Nova Iorque, identifico-me muito. Se tivesse de escolher uma cidade para viver, sem ser Lisboa, seria Nova Iorque. E depois Buenos Aires, na Argentina, foi um destino que eu não estava à espera que fosse tão intenso. É uma cidade vibrante e,sem dúvida, uma viagem que me marcou muito.

Está agora a conduzir o programa ‘Curva Belíssima’ na Sporting TV. Como está a correr?

Está a correr muito bem, é um programa onde nós falamos, além do futebol, de várias modalidades existentes no universo do Sporting. Gravamos em direto, o que para mim é um desafio muito grande, porque enquanto atriz não estava habituada a fazer coisas nesses moldes. Mas está a ser excelente.

A apresentação é uma área que gostava de continuar a explorar?

Sim,é uma área de que eu gosto muito, e gosto de sair da minha zona de conforto. A apresentação é algo que gosto muito, mas ao mesmo tempo

é sempre um grande desafio tendo em conta a capacidade de improviso e raciocínio que tenho que ter.

Entreaapresentaçãoearepresentação,em que papel se sente melhor?

É difícil escolher, porque são áreas muitodistintas.Gostomuitodarepresentação porque me permite criar váriaspersonagens.Aapresentaçãocriame uma adrenalina muito grande.

Já passaram vários anos desde que começou a representar.Como é que vê a sua evolução?

aquela é a Núria, não é a mãe.

É importante a representação ajudar a desmistificar alguns assuntos que ainda são tabu?

Claro que sim, apesar de em Portugal não existirem tantos preconceitos como há alguns anos... As coisas são muito mais banais e naturais, e cada vez mais se vê nas novelas todas essas realidades e eu acho que é uma coisa normalíssima.

Há muitos medos associados à profissão de atriz. Também os

Acho que evolui bastante sente? Infelizmente, atualenquanto atriz e pessoa. mente acho que na Quando comecei, não “Adorei a maioria das profispercebia determinaviagem a São sões existe essa insdas coisas,acho que tabilidade finanagora estou uma Tomé e Prínciceira, e nada é seatriz mais madura, pe. Sempre foi guro. Eu acho que mais calma, que um sítio que antigamente conconsegue analisar quis muito seguia-se garantir melhor algumas uma estabilidade coisas. conhecer” Começou a lidar memuito mais firme, e lhor com as críticas? isso foi acabando ao lonJá não ligo sequer às crítigo dos anos, mas eu não cas, sei como desemvivo tanto com receio penho o meu trabaou com medo da ins“Dá-me muito lho, sei como me tabilidade porque eu prazer conhecer preparo para cada tenho a possibililocais e viajar. personagem e para dade de fazer váFaço sempre cada programa e rias coisas ao mespassa-me um bomo tempo. uma viagem Porque além da recado ao lado. Sou por ano que seja presentação e da uma pessoa que tediferente” apresentação, ainda nho confiança em continua a fazer trabamim, e no que faço. Fez recentemente um papel lésbico na série ‘Ministério do Tem“Já não ligo po’ (RTP). Como é que encarou esse às críticas. desafio? Sei como me

lhos como modelo...

Sim, faço vários trabalhos como modelo fotográfico. É um trabalho que me dá muito gozo e que me sinto muito bem em fazê-lo.

Aceitei bem. Em preparo para primeiro lugar, cocada personaTem uma filha, a nheçoaAndreiaDigem e para cada Beatriz, com seis nis, com quem faço anos. Como é a sua par romântico, há programa” relação com ela? muitos anos e tínhaElaéigualamimemponmos uma cena mais íntito pequeno. A personalidade ma que correu muito bem. Já é a minha, apesar de fisicamente ela tínhamosumbomrelacionamento,o termuitasparecençascomopai[oexque ajuda muito e somos as duas proárbitro Duarte Gomes]. Temos uma fissionais.Hoje em dia as coisas já esrelação muito cúmplice. tão muito banalizadas nesse sentido. Não teve receio do feedback das pessoas?

Não. Aliás, a minha filha viu uma cena de beijos e perguntou: ‘porque é que estás a dar beijinhos a uma menina?’, e eu expliquei que é o meu trabalho, que faz parte de um ator representar várias realidades. E que

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Como é enquanto mãe?

Sou muito galinha, achei que ia ficar mais descontraída com o passar dos anos. Sou muito protetora, e sou muito exigente comigo própria enquanto mãe. Quando me falha alguma coisa, fico a autocastigar-me.

INÊS SIMÕES tem 33 anos e é atriz. Começou a sua carreira como modelo, depois de vencer o concurso da Miss Portugal. Em televisão, fez parte do elenco de ‘Morangos com Açúcar’. Recentemente fez de ‘Núria’ na série da RTP ‘Ministério do Tempo’ e é apresentadora de ‘Curva belíssima’ (Sporting TV)


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http://www.vidas.pt/videos/detalhe/ines_simoes_em_sao_tome_e_principe.html


Nova Gente 2017

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Blog Frederica November 2016

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http://frederica.sapo.pt/2015/11/principe/


Blog Isabel Saldanha April 2016

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http://isabelsaldanha.com/um-bombom-so-para-mim/


Atitude May 2016

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Sabor Flavour

PORTUGAL CONT. 6,00€ · BE/FR/GR 10,90€ ES/IT 10,00€ · AU/DE/NL 12,00€ · UK £7,50€ · Suisse 14,00CHF · Morocco 96MAD


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Viajamos a um arrebatador refúgio de biodiversidade, suspenso no azul intenso do Atlântico sobre a linha imaginária do Equador. Um património ímpar que celebra a natureza de uma beleza e pureza desconcertantes, em perfeita harmonia com gentes carinhosas e apaixonantes. Dotada de contornos graciosos e sensuais, a ilha do Príncipe tem tanto de irresistível como de exemplar. O seu pulsar promete despertar consciências, protegendo a riqueza ecológica e incitando-nos, acima de tudo, a sonhar com um mundo melhor.

We travel to a stunning refuge for biodiversity, floating over the intense blue of the Atlantic on the imaginary line of the equator. An incomparable heritage that celebrates a natural environent of an unsettling degree of beauty and purity, in perfect harmony with its warm and captivating people. Blessed with gracious and sensual contours, the island of Príncipe is both irresistible and exemplary in equal measure. Its throbbing nature can only but raise our awareness, urging us to protect this ecological treasure and encouraging us, above all, to dream of a better world.


Atitude May 2016

t rav e l

São 17h35 quando aterramos em São Tomé, ao largo do Golfo da Guiné, bafejados pelo sopro do ar quente e húmido do clima equatorial. Seguimos para o Omali Lodge e, rumo aos quartos, atravessamos jardins com coqueiros que acolhem uma exótica piscina. Ao jantar, na varanda do restaurante com vistas de mar, intensifica-se o nosso entusiasmo, impaciente pelas experiências dos próximos dias. A primeira é, desde logo, gastronómica, com o chef Tiago Velez a brindar-nos com um menu de degustação, aliando a cozinha tradicional santomense a influências portuguesas. Uma conjugação de sabores tão inesperada quanto memorável, começando num suculento atum com molho de hortelã e jaqueira para terminar num sublime fondant de 100% cacau.

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It’s 5:35 pm when we land in São Tomé, on the Gulf of Guinea, fanned by the hot and humid breeze of this equatorial climate. We head for the Omali Lodge and, on the way to the rooms, we cross the gardens with their coconut trees equipped with an exotic swimming pool. Over dinner, on the restaurant veranda offering a view of the sea, our enthusiasm intensifies, impatient as we are to launch into the experiences promised over the coming days. The first experience, right away, is of a gastronomic nature, courtesy of the Chef Tiago Velez’s degustation menu, blending traditional São Tomé fare with Portuguese influences. This conjugation of flavours is simultaneously unexpected and memorable, beginning with a succulent tuna with mint and jackfruit sauce and ending with a sublime 100% cocoa fondant.


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Atitude May 2016

Na manhã seguinte visitamos o mercado na sua azáfama habitual: um festim vibrante de múltiplas cores, cheiros, texturas e com muitos sorrisos à mistura, comprovando a genuína simpatia deste povo. O calor pede a frescura de uma cerveja Rosema no Café Jasmim, a que se segue uma ida ao Palácio dos Congressos, jóia arquitectónica dos anos 70 de visita obrigatória. Almoçamos com José Miguel Ferreira-Mendes, Director do Omali e reforçamos os elogios à sua cozinha de excelência. Dentro de instantes embarcamos para o Príncipe, reserva da Biosfera pela UNESCO desde 2012, invadidos pela inevitável sensação de descoberta de ilha perdida. The following morning we visit the market, bustling and in full swing: a vibrant festival of myriad colours, smells, textures and countless smiles, testifying to the genuinely affectionate nature of the people. The heat makes a refreshing Rosema beer an imperative, enjoyed at Café Jasmin, which is then followed by a visit to the Palace of Congress, an architectural gem built in the 1970s and a mandatory visit in its own right. We then have lunch with José Miguel Ferreira-Mendes, Director of the Omali and we reiterate our compliments on the outstanding food. Within moments we embark for the island of Príncipe, which has been a UNESCO Biosphere reserve since 2012, and we are overwhelmed by the inevitable sensation of being about to discover a desert island.

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É num Dornier 228 que atravessamos os 140 kms que separam ambas as ilhas. A silhueta do Príncipe vai-se desenhando aos nossos olhos, revestida por camadas impenetráveis de verde, picos que se erguem abruptamente para o céu e bordejada por praias desertas de águas cristalinas. Um pedaço intocado de paraíso pairando numa imensidão oceânica. Palpita-nos o coração (não será seguramente o único a bordo do avião) enquanto apreciamos cada segundo desta visão colossal de uma ilha com 31 milhões de anos. À nossa espera está o senhor João, guia experiente que nos leva ao Bom Bom, resort idílico na costa norte. À chegada, o Director Sérgio Duarte e a sua atenciosa equipa tratam de nos fazer sentir em casa. Já na varanda do bungalow é Chaplin, a famosa papagaia cinzenta, curiosa e sociável, que vem pousar ao nosso lado, dando-nos as boas vindas a esta que é, afinal, a sua casa. Esbatem-se os últimos raios de sol e o mar, a escassos metros, chama-nos para um mergulho nas suas águas cálidas. De regresso ao quarto, somos novamente atraídos para a ampla varanda, procurando o contacto com a natureza exuberante. E deixamo-nos ficar, extasiados, perante tamanha panorâmica de beleza natural que nos deleita os sentidos. O percurso até ao restaurante/bar, situado no ilhéu em frente que empresta o seu nome ao resort, faz-se através de uma ponte de madeira, enquanto sentimos a ondulação do mar aos nossos pés e apreciamos um imenso céu estrelado. Sérgio faz-nos companhia num agradável jantar à luz das velas (e das estrelas) e aproveitamos para provar o “Molho no Fogo”, prato típico do Príncipe à base de peixe fumado com apurados temperos, uma deliciosa descoberta que vamos querer repetir.

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It’s in a Dornier 228 that we cross the 87 miles separating both islands. The silhouette of Príncipe starts to define itself before our eyes, covered by impenetrable layers of greenery, peaks that soar abruptly into the sky and flanked by deserted beaches and crystalclear water. An untouched piece of paradise hovering over the immensity of the ocean. Our heart drums faster (mine surely not being the only one on board doing this) while we appreciate each second of this colossal vision of an island that is 31 million years old. Waiting for us is Senhor João, our experienced guide who takes us to Bom Bom, an idyllic resort on the island’s northern coast. Upon arriving, the Manager Sérgio Duarte and his attentive team take care of us, ensuring we feel at home. On the veranda of our bungalow we meet Chaplin, the famous grey parrot, curious and sociable, who perches close to us, also welcoming us to what is, after all, her own house. The last rays of the sun fall over the sea, and just a few metres away, it beckon us to swim in its warm water. Back in the bedroom, we are once again attracted to the spacious veranda, eager for contact with the lush natural surroundings. And we indulge in this ecstasy, faced by this panorama of natural beauty that delights our senses. The path to the restaurant/bar, standing on the islet in front, lends its name to the resort and is reached by a wooden bridge. There we can feel the lapping waves at our feet and appreciate the vast starspangled night sky. Sérgio keeps us company over this agreeable candle-lit (and star-lit) dinner. We take the opportunity to taste the “Molho no Fogo”, a typical dish from Príncipe, made with smoked fish and sophisticated seasoning, a delicious discovery that we are determined to try again.


O dia começa na Roça Paciência, projecto de turismo integrado na agricultura, sujeita a um admirável trabalho de restauro. Um ‘laboratório vivo’ de investigação e transformação de matérias-primas onde conhecemos de perto o universo de sabores e aromas da terra. Manu, que fundou a escola de pedreiros, mostra-nos o jardim hortícola em socalcos feitos com pedra e areia provenientes das paredes das sanzalas (antigas casas dos trabalhadores das roças). Uma obra que serviu, diz-nos, “como teste de ensaio para outras que se seguiram”, obedecendo aos princípios da reciclagem e da sustentabilidade. Na cozinha, Kini e Jenoveva mostram-nos, orgulhosas, a variedade de produtos disponível de fabrico artesanal. Não resistimos a trazer as compotas, a mistura de muesli preparada com visível carinho, e a essência hidratante de ylang ylang com óleo de coco. A viagem continua até à Roça Sundy, enorme propriedade e notável testemunho da herança colonial portuguesa. A sua recuperação é orientada por Rita, responsável pela preservação do património material e imaterial, com quem nos cruzamos num antigo armazém que será em breve um museu dedicado à arqueologia industrial. Com efeito, “cada pedra que aqui se levanta é uma história” reconhece Diana que nos acompanha. Na casa principal surpreendemo-nos com o mobiliário, os azulejos originais do pavimento, entre outras preciosidades de um passado cuidadosamente resgatado. Com o simpático Jediel ao volante e disfrutando dos ritmos quentes da quizomba angolana, descemos até à praia Sundy, admirando pelo caminho a paisagem de um verde esmagador que nos deslumbra a cada instante. Distinguimos ocás com raízes robustas, eritrinas com as suas flores laranja e várias árvores lemba lemba. Sobre as águas tranquilas espera-nos o ‘Corvina’ para nos levar ao Bom Bom, e a tarde é preenchida por momentos de snorkeling na praia Santa Rita. Sentados à sombra dos seus carroceiros que se assemelham a guardasóis, somos embalados pelo chilrear de pássaros que ecoa do interior da floresta. Reparamos no guarda-rios (ou ‘chocho’) recordando o que lemos sobre a existência na ilha de mais aves endémicas por km2 do que em qualquer outro lugar no planeta. Espécies que, como esta, povoam as florestas do Príncipe convertendo a “ilha verde” num tesouro de biodiversidade único no mundo. O dia termina na pacata capital de Santo António, na Associação Cultural Rosa Pão, com Rosita a mimar-nos com um magnífico manjar, à volta do qual não faltaram doses contagiantes de boa disposição.

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The day begins at Roça Paciência, a tourist project integrated with agriculture; the farmhouse having undergone impressive restoration work. It is a ‘living laboratory’ for research and transformation of raw materials and where we can get a close-up look at the world of flavours and aromas straight from the earth. Manu, who founded the school of masons here, showed us the horticultural garden and their terraces made of stone and sand, brought from the old ‘sanzalas’ (the old homes of the former plantation workers). He explains that the construction of the terraces offered “a test run for the other restoration work that followed”, adopting principles of recycling and sustainability. In the kitchen, Kini and Jenoveva proudly show us the variety of artisanal products produced. We can’t resist acquiring some of the compotes, the muesli mixture clearly prepared with loving care and the hydrating essence of ylang ylang and coconut oil. Our trip continues to Roça Sundy, an enormous property and an important record of Portuguese colonial heritage. Its restoration has been overseen by Rita, who is responsible for the preservation of its material and immaterial heritage. We meet her into the old warehouse, which is soon to become a museum dedicated to industrial archaeology. Actually, “every stone that we lift here is a part of history”, says Diana who is taking us around. In the main house, we are delighted by the furniture, the original painted tiles of the paving, among other precious features of a lovingly restored past. With the friendly Jediel at the wheel, to the sultry sounds of Angolan quizomba, we descend to Sundy beach, admiring the views of the lush green landscape at every bend in the road. We can make out the powerful roots of oca trees, eritrinas with their orange flowers and the lemba lembas. On the placid water, ‘Corvina’ waits for us, to take us back to Bom Bom and the afternoon is filled by moments of snorkelling on Santa Rita beach. Sitting in the shade of the carroceiro trees that remind one of parasols, we are mesmerised by the birdsong echoing from inside the forest. We notice the presence of the king-fishers (locally known as chocho), and recall reading how there are more endemic birds per square mile here than in any other place on the planet. Species that, like this one, throng the forests of Príncipe, making the “green island” a unique treasure of biodiversity on a global level. The day comes to an end in the peaceful capital of Santo António, at the Rosa Pão Cultural Association, where Rosita pampers us with a magnificent meal, supplied with contagious helpings of cheerfulness.

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Ao pequeno-almoço é impossível não retribuir, com um brilho nos olhos, ao sorriso enorme e cintilante de Denilsa, à alegria de Aty e à dedicação de Hugo que nos ajusta os talheres. Gestos simples, graciosos, que traduzem uma simpatia e forma de estar tão genuínas que nos chegam, directamente, à alma. Como, aliás, todas as experiências vividas neste harmonioso recanto do Atlântico. O estado intocado e generoso da sua natureza selvagem estende-se às suas pessoas, manifestando-se a cada gesto e em sorrisos sempre prontos, numa espontaneidade desarmante. De novo a bordo do Corvina avistamos as praias Seabra, Campanha, das Burras, Banana, Macaco e Boi. É nesta última que nos lançamos, de óculos e tubo, ao azul intenso, ora mais turquesa, ora mais esmeralda, para desvendar um ecossistema marinho também ele incrivelmente exótico e abundante como tudo na ilha. Voltamos ao Bom Bom e espera-nos outro cenário fascinante, desta vez sob a forma de tempestade equatorial (estamos na estação das chuvas). Os coqueiros dançam ao vento, ouvem-se trovões ao fundo e a chuva cai pesada, penetrando nos poros desta terra fértil, alimentando-a. Um espectáculo de som e movimento, poderoso e que nos faz sentir o pulsar da natureza, absorvendo a sua energia telúrica.

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At breakfast, it is impossible not to reciprocate with a sparkle in one’s eyes, the enormous and bright smile of Denilsa, to the cheerfulness of Aty and the dedication of Hugo, who fusses over our cutlery. Simple and gracious gestures that express a friendliness and way of being that are so genuine they touche our soul. Just like, in fact, everything we experience in this harmonious corner of the Atlantic. The unblemished and generous state of the wilderness around us can also be seen in the people, revealed in every gesture and in their natural smiles, that are almost unsettling in their spontaneity. Once again, aboard Corvina, we spot the beaches Seabra, Campanha, das Burras, Banana, Macaco and Boi. It is at this last beach where equipped with snorkelling tube and mask, we once again dive into the water that alternates between emerald and turquoise green, to explore a marine ecosystem which is as exotic and abundant as everything else on the island. We return to the Bom Bom resort, where another fascinating sight awaits us, this time in the shape of an equatorial storm (this being the rainy season). The palm trees dance in the wind, thunder rages and heavy rain pours down, penetrating every pore of this fertile land, and nourishing it. This powerful spectacle of nature with its sound and movement, makes us feel the pulse of nature up close, soaking up all its earthly energy.


A acalmia regressa uma hora depois e a caminho do restaurante observamos a paisagem que se veste agora de cores mais intensas. Saboreamos um ‘Príncipe wrap’ nos cómodos sofás, entregues à tranquilidade da bossa nova que tão bem se adequa à atmosfera descontraída desta sala de estar, aberta a uma varanda com vistas para ambas as praias do resort. À tarde encontramo-nos com David, conhecedor profundo das histórias e segredos da sua ilha, para uma caminhada no interior da floresta. Recordamos a beleza ímpar da capela da Ribeira Izé, apoderada pela vegetação, naquela que foi uma divertida aula de história e botânica. Ao jantar conhecemos Philippe Moreau, Director da Área de Turismo da empresa HBD e o arquitecto Didier Lefort. Nomes de peso que, em conjunto com uma empenhada equipa, partilham a responsabilidade – na verdade “a missão”, como ressalva Philippe – de concretizar a visão de Mark Shuttleworth: fazer do Príncipe um exemplo único de preservação da natureza e desenvolvimento sustentável. A conversa prolonga-se em torno dos vários projectos inovadores já realizados e em curso (a instalação de 13 fontes de água potável, que não existia na ilha, ou os esforços de remoção de plástico são apenas alguns exemplos); o envolvimento e a sensilibilização da população local; entre outros entusiasmantes desafios que farão do Príncipe uma referência a nível mundial.

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Calm is restored an hour later and on the way to the restaurant we notice how the landscape is now alive with even more intense colours. We try a ‘Príncipe wrap’ on the comfortable sofas, succumbing to the tranquillity of bossa nova music, which suits to perfection the laidback atmosphere of this living room, opening onto a veranda with views over both of the resort’s beaches. In the afternoon, we meet up with David, knowledgeable about the islands stories and secrets, going for a walk with him deep in the forest. We shan’t forget the unique beauty of Ribeira Izé, surrounded by the vegetation, and the entertaining history and botany lesson given to us by David. Over dinner we meet Philippe Moreau, Director of The Area of Tourism at the HBD company and the architect Didier Lefort. Both are significant names who, in collaboration with a dedicated team, share the responsibility – in fact, the “mission”, as Philippe emphasises – of helping materialise the vision of Mark Shuttleworth: to turn Príncipe into a unique example of the preservation of nature and sustainable development. As the conversation goes on, we turn to the subject of various innovative projects that are being or have already been carried out (the installation of 13 sources of potable water – previously inexistent on the island – or the efforts to remove plastic are just some of the examples); engaging the local population and raising its awareness; among other exciting challenges set to make Príncipe a world reference.

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Após a visita à plantação do Terreiro Velho (ver em detalhe na página 134), chegamos à vila piscatória da praia Abade, sentido no ar o cheiro a peixe salgado. Juntamo-nos às crianças que jogam futebol na areia refrescando-se com rápidos mergulhos no mar. É Milita a primeira a aproximar-se timidamente e, segundos depois, estamos rodeados por tantas outras raparigas cuja curiosidade se desfaz, prontamente, em sorrisos. Os mesmos que nos têm recebido desde que aqui chegamos. Rasgados. Autênticos. Únicos. No dia seguinte, encontramo-nos com Diana às 7h15 na praia Santa Rita. Será uma das últimas imagens deste paraíso intocado que iremos deixar em poucas horas, e queremos gravá-la na memória. A luz é ainda difusa, e à nossa volta reinam uma paz e silêncio absolutos. São nossas as primeiras pegadas neste extenso areal dourado, sobre o qual se debruçam coqueiros e carroceiros. E, assim, nos entregamos a um banho de mar revigorante, absortos por uma imensa felicidade. Na estrada formam-se bonitos tapetes laranja (das eritrinas) e, nostálgicos, despedimo-nos desta ilha mágica onde a vida flui em harmonia, sem pressas, “leve leve”. Um lugar capaz de nos transportar aos primórdios do universo, à inocência do início dos tempos, que nos faz desligar do ruído do mundo para nos reconectar com a nossa própria essência. Uma experiência profunda, visceral até, que nos leva a reprogramar todo o nosso 'sistema operativo’ interno. E abre caminho ao sonho e à vontade de fazer a diferença. A verdade é que não podemos estar mais agradecidos com o que levamos para casa. Já no aeroporto há ainda tempo para provar a “espalhada” de Paula − saborosos pedaços de banana fritos em óleo de coco. Mais uma recordação, entre tantas outras inesquecíveis, que queremos levar connosco daquele que é, indubitavelmente, um dos segredos mais bem guardados do planeta.

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After the visit to the Terreiro Velho plantation (see further on page 134), we reach the fishing village of Praia Abade, sensing the smell of salty fish in the air. We go down to the beach to join the children playing football on the sand, refreshing themselves with quick dips in the sea. The first person to approach us shyly is Milita, and seconds later, we are surrounded by other girls whose curiosity soon dissolves into smiles. The same smiles that have welcomed us on the island from the moment we arrived. Beaming. Authentic. Unique. On the following day, we meet Diana at 7:15 am on the Santa Rita beach. It is to be one of the last images of this unspoilt paradise that we will be leaving in a few hours and which we are determined remains engraved on our memories. The light is still dim and all around us peace and absolute silence reign. Ours are the first footsteps on this long stretch of golden sand, fringed by coconut and carroceiro trees. And so we indulge in another reinvigorating swim in the sea, absorbed by intense happiness. On the road, beautiful orange carpets are created by the eritrina trees and, we nostalgically bid farewell to this magical island where life flows harmoniously, unhurriedly, “leve leve” as they say here. This place is capable of transporting us to the primordial era of the universe, to the innocence of the beginning of time, which obliges us to disconnect from the noise of the world so as to reconnect with our very own essence. A profound, even visceral experience that leads us to re-programme our entire internal ‘operative system’. And then it opens our horizons to dreaming and the desire to make a difference. In all honesty, we couldn’t be more grateful for what we take back home with us. Even in the airport, there is still enough time to try the “espalhada” by Paula – tasty pieces of banana fried in coconut oil. Yet another unforgettable memory, among so many others that we want to take home with us from what is, without a doubt, one of the world’s best kept secrets.


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ÁFRICA

São Tomé e Príncipe Sem pressa nem hora marcada

A estabilidade política e a malária praticamente erradicada são dois fatores a jogar a favor para visitar o segundo país mais pequeno de África, quase perdido no Golfo da Guiné. Aparece cada vez mais nas listas de possíveis destinos dos viajantes ainda que, em 2014, apenas 18 mil visitantes o tenham escolhido. É um número recorde, mas continua muito longe do real potencial. Isto depois de a cadeia norte-americana de televisão CNN o ter classificado como um destino de sonho a nível mundial. Ainda está quase tudo por fazer e também conhecer. Por isso, para visitar é agora. Há dez anos que se fala no crescimento do turismo em São Tomé e Príncipe: é esta a opinião partilhada pela maior parte dos agentes de negócios virados para os turistas, alguns descontentes com o retorno que ainda não justificou o investimento. Este é um país que parece ter parado no tempo – depois da independência e da descolonização. O território chegou a ser o maior exportador de cacau do mundo e hoje apenas se visita o que resta das roças abandonadas. O pouco desenvolvimento que tem havido acontece de forma bastante lenta – quase à imagem do ritmo de vida da maioria dos santomenses –, voltando a aparecer a exportação de cacau e o incentivo ao cultivo de óleo de coco, de mandioca e do saboroso café. A ajuda externa é, essencialmente, do que vive o país e o investimento dos privados também dá um empurrão. Mas não chega para colmatar a pobreza e a precariedade dos serviços públicos, como estradas, hospitais e aeroportos. No entanto, a conversa de que o turismo vai (mesmo) crescer começa a ser levada a sério de forma mais concreta pela população. Está sobre a mesa o aparecimento de uma ligação aérea low cost (provavelmente ainda este ano) para São Tomé, o que abrirá as portas a mais turistas e o país, por sua vez, ganhará maior reconhecimento internacional. De resto, as condições estão lá todas: o povo é hospitaleiro, a cultura é rica, as praias são de sonho – e com coqueiros. Para se conhecer 40

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CURIOSIDADE A ilha do Príncipe é Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO desde 2011 e a população esforça-se por preservar o seu futuro, mantendo a ilha limpa e abandonando alguns hábitos que podem pôr em risco a sua classificação. Exemplos: deixar de pescar tartarugas para comer; campanha de recolha de garrafas de plástico em troca de uma reutilizável de aço, de 50 por uma, que já atingiu as 220 mil unidades. A NÃO PERDER Em São Tomé, a Roça Monte Café, em funcionamento desde 1850, é uma das mais antigas do país, e onde se conhece todo o processo de produção do café até à sua embalagem. O mergulho na cascata de São Nicolau não é obrigatório, mas há sempre o corajoso do grupo. Visitar a roça Água de Izé é viajar no tempo e voltar à época colonial. Passar uma tarde no Club Santana. As praias da Lagoa Azul, Ribeira Afonso, Inhame, merecem a deslocação, embora nunca se consiga escolher a melhor.

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EVENTO A 12 de julho comemora-se a Festa da Independência, a maior do país, principalmente na ilha de São Tomé. A 15 de agosto é a altura da Festa de São Lourenço, na ilha do Príncipe, conhecida como o Auto de Floripes: é um teatro de rua que retrata o conflito entre cristãos e mouros. As cenas desenrolam-se nas ruas da cidade durante três dias e são o maior evento cultural da região autónoma. 42

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Duas ilhas, 160 mil habitantes e uma estabilidade política difícil de encontrar em África. São Tomé e Príncipe tem tudo para um futuro risonho. um país praticamente intocável, esta é altura ideal para o fazer. O mesmo acontece na ilha do Príncipe. Não é um segredo porque há 500 anos os portugueses a assinalaram no mapa, mas todos os esforços estão a ser feitos para atrair mais curiosos para aquele pequeno paraíso. A grande responsável tem sido a HBD, parte de um grupo de investimento privado sul-africano focado na sustentabilidade do turismo. Para além de lhes pertencer o resort Bom Bom, empregam 700 pessoas numa ilha onde habitam sete mil. A cidade de Santo António é tida como a mais pequena do mundo e a HBD já lá tem vários projetos aprovados e em fase de desenvolvimento, desde transformar roças degradadas em hotéis ecológicos, recuperar a produção do cacau, pimenta, café ou ananás e também construir aquele que vai ser o maior projeto de sempre da ilha: um resort sustentável, sem afetar a natureza, para custar cerca de 1000 euros por noite. Para conseguir dar resposta à procura, talvez a principal obra já tenha sido feita: a nova pista do aeroporto da ilha, que foi inaugurada há três meses e não só já está preparada para receber aviões de médio porte com ligação direta, ao invés da pequena avioneta vinda de São Tomé, como também para os jatos privados... para quem sabe que “o sonho existe” e está ali. NMG

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No Príncipe, visitar a roça Sundy que, para além ter sido a casa da família real portuguesa na ilha e responsável pela maior produção do cacau e café, terá sido o local onde ficou provada a teoria da relatividade de Albert Einstein em 1919. As praias mais impressionantes são Banana, Burras, Macaco, Boi, Margarida e a Bom Bom (no resort). A roça de São Joaquim é uma das mais afastadas da cidade de Santo António e a estrada até lá vale parte da deslocação. Na Praia Abade vive uma das comunidades mais simpáticas da ilha, com as pirogasapontadas para o areal onde as crianças passam o dia a brincar: uma simples bola de futebol ali faz a diferença.

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MOEDA: DOBRAS (0,00004 EUROS) FUSO HORÁRIO: GMT IDIOMA: PORTUGUÊS

PRÍNCIPE

SÃO TOMÉ

É aconselhável ir à consulta do viajante para serem receitadas as vacinas e todos os cuidados de saúde a ter antes, durante e após a viagem. Consultar a embaixada de São Tomé e Príncipe em Lisboa sobre a eventual necessidade de pedir visto, dependendo do tempo de permanência. A taxa turística à saída de São Tomé no aeroporto tem um custo de 20 euros. Turismo: stptourism.st (oficial em manutenção) / stptourism.st/ infor_uteis.htm (este já entra num separador do site) Guia profissional recomendado em São Tomé: toda a gente conhece o “Cau”: GUIATURISTICOSTP.WORDPRESS.COM

QUANDO IR

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O clima é tropical e húmido, estando sempre quente. A “gravana” ocorre entre junho e agosto, quando o tempo é mais seco, havendo menor precipitação e as temperaturas são mais baixas. A estação da chuva vai de outubro a maio, o calor, independentemente da hora do dia e da noite, é sempre elevado.

FICAR SÃO TOMÉ Pestana São Tomé É a maior referência hoteleira da ilha e está a dez minutos a pé do centro da cidade. Instalado em frente do mar, tem 115 quartos, incluindo 30 suites, piscina, ginásio aberto 24 horas, spa, discoteca e casino, clube náutico com passeios de barco, saídas

de mergulho e snorkeling, e um restaurante que serve tanto comida tradicional como buffet para outros gostos. AV. MARGINAL 12 DE JULHO, 851 TEL.: (+239) 2244 503 QUARTOS DUPLOS A PARTIR DE 142 EUROS POR NOITE (INCLUI PEQUENO-ALMOÇO) PESTANA.COM

PRÍNCIPE Bom Bom Island Resort É tão exclusivo quanto se pode querer, numa oferta de 21 bungalows a dar para duas praias paradisíacas e com uma piscina pelo meio. Para ir tomar o pequeno-almoço faz-se o esforço de atravessar uma passadeira de madeira de 140 metros por cima da água até ao restaurante no ilhéu que emprestou o nome ao resort. São disponibilizados passeios de jipe à volta da ilha, de barco até outras praias como a Banana, observação de baleias e a caminho faz-se um mergulho de snorkeling. BOM BOM, ILHA DO PRÍNCIPE TEL.: (+239) 225 1114 BUNGALOW DUPLO A PARTIR DE 350 EUROS POR NOITE BOMBOMPRINCIPE.COM

Ao lado, a ilha do Príncipe, o ilhéu Bom Bom e a praia com o mesmo nome. Um pequeno paraíso à espera de ser descoberto em 2016. VOLTA AO MUNDO

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Leve-leve, agora no Príncipe

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isitar São Tomé também é voltar a ser criança. Basta querer. “Leve-leve” é a expressão que os são-tomenses usam a propósito de tudo e de nada. “Devagar-devagar”, é o espírito certo para esta viagem. Para a ilha principal, mas mais ainda para a obrigatória visita ao Príncipe, um paraíso ainda mais verde e selvagem, a 140 quilómetros de distância e onde se chega a bordo de um avião de 18 lugares, que em princípio voa diariamente mas que os ventos podem obrigar a ficar em terra. Dos 136 quilómetros quadrados do Príncipe, 85 pertencem à rede mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO. Até há bem pouco tempo, saía-se do Príncipe para ir à procura de trabalho em São Tomé. Agora, com os mais de 400 empregos já criados pela empresa HBD, do milionário sul-africano Mark Shuttleworth, já se

começa a fazer o caminho inverso. A HBD explora o hotel resort Bom Bom, na ponta norte da ilha. O hotel fica dentro da floresta tropical e é por isso que de noite, no telhado de um dos seus 19 bungalows, se podem ouvir macacos a passear. Tem duas praias desertas que se juntam no ilhéu onde fica o restaurante — é o ilhéu Bom Bom, que deu o nome ao resort, ligado à praia por uma ponte de madeira de 140 metros A HBD tem muitos planos para o Príncipe, pelo menos mais dois hotéis de luxo, as obras para aumentar a pista do aeroporto e permitir que ali aterrem aviões de 60 lugares. Sempre “com um impacto mínimo no ecossistema”, garante o novo presidente do conselho de administração da empresa, o ex-oficial britânico Buster Howes. A empresa emprega biólogos, antropólogos e botânicos e promove projectos de reciclagem, e o Bom Bom foi o primeiro hotel em África certificado como Biosphere Responsible Tourism. Quando se chega ao Bom Bom é difícil ter vontade de sair. Chove, mas

mergulha-se em água morna. Para um lado é mar a perder de vista, para o outro a floresta mágica. Mas para conhecer o Príncipe é preciso resistir à preguiça e percorrer estradas duras que conduzem a comunidades quase isoladas na montanha, aldeias de pescadores e a capital, Santo António, onde vivem uns 1500 dos quase 8000 habitantes da ilha.

A comunidade da Praia Abade foinos sugerida como a mais simpática de toda a ilha e é fácil acreditar que assim seja. Lina, 34 anos e cinco filhos, e a amiga e vizinha Aldina, 26 anos, começam por meter conversa e acabam a pedir que lhes tiremos uma fotografia: “Assim, quando voltares consegues reconhecer-nos”. Dezenas de crianças brincam entre o mar e a

areia, encostando-se às pirogas para comer uma fruta ou correndo de um lado para o outro. Chega um barco e traz um peixe-voador, presença frequente mas que não deixa de motivar um entusiasmo extra. Lina já foi a São Tomé. “Se eu tivesse condições preferia viver lá. Tem mais coisas”, diz. Aldina nasceu no Gabão, filha de mãe nascida aqui mesmo, na Praia Abade, Ricardina, que morreu aos 47 anos, e de pai gabonês. Foi para São Tomé quando os pais se separaram e de lá veio para o Príncipe há pouco mais de um ano. “Em São Tomé, quem não tem terra, não tem de onde tirar. Aqui, já consigo ter de onde tirar. Já fiz casa, com uma sala e um quarto”, conta. Em São Tomé, o marido era pedreiro. “Aqui não há obras, mas ele habituou-se. Pesca, faz um bocado de carvão, faz candeeiros. Até grelha peixe, tem jeito. Faz de tudo um bocado.” “Aqui, graças a Deus, todos são bem simpáticos. Todos os que vêm são bem recebidos. Criámos amizades e conseguimos encontrar

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Capa São Tomé e Príncipe

Guia prático

um sítio para construir a nossa casa”, diz Aldina, sempre a sorrir. A “vida é boa”, mas ainda não deu para trazer os dois filhos que deixou em São Tomé com uma irmã. Para já, com ela só está Guerson, de ano e meio. “As crianças são felizes aqui. Andam pelo mato inteiro, são livres. E isto aqui é muito bonito.” É mesmo.

Anoitecer perfeito Chegamos a Santo António já é noite. Na Tenda do Betinho, a dois quarteirões da praça da igreja a que os jovens chamam Ponto de Encontro, monta-se uma festa em menos de nada. Enquanto se espera pelas colunas que alguém vai buscar, joga-se matraquilhos e bebe-se Rosema, a cerveja nacional (20 mil dobras), que se vende em garrafas de vidro castanho sem rótulo, ou uma Super Bock (25 mil). Depois, o café transforma-se numa discoteca improvisada onde só não entra quem não quer. Os sons são os mesmos que põem os jovens de todo o país a dançar (63% da população tem menos de 24 anos), kizombas românticas de artistas angolanos ou moçambicanos. Jamila, de 14 anos, aparece com uma grande caixa de plástico à cabeça e a amiga, Sofia, de oito anos, agarrada pelo braço. Na caixa vêm os pastéis de peixe picantes que a mãe faz e Jamila vende desde os seis anos. “Leva peixe e malagueta. É simples. Quando a minha mãe está doente eu também sei fazer”, diz Jamila, antes de Sofia pedir para lhe comprarmos um. Os pastéis são mesmo bons e o stock do dia acaba por ficar quase todo ali. A festa não pode durar muito — só há electricidade na ilha graças a um gerador, que se desliga das 24h às 6h, e já houve festas que deixaram a ilha às escuras até chegar o barco que traz o combustível. De regresso à praça, há um grupo de homens mais velhos sentados num banco. Um toca viola, outra canta uma morna, é um concerto que era só deles e agora também é nosso. A viagem não pode acabar agora, é preciso voltar para São Tomé e apanhar o avião de regresso a casa, mas se pudéssemos ficávamos aqui mesmo. De olhos fechados a ouvir estas canções, com uma Rosema numa mão e um pastel da mãe da Jamila na outra.

COMO IR

ONDE DORMIR

ONDE COMER E BEBER

O QUE FAZER

A TAP tem três voos semanais com escala em Acra, no Gana, e preços a partir dos 780 euros. Voar de São Tomé para o Príncipe custa cerca de 170 euros. A agência Abreu tem pacotes para Janeiro e Março para São Tomé a partir de 777 euros com alojamento no Miramar Pestana, de 4 estrelas; e a partir de 872 no Pestana São Tomé, de 5 estrelas, sempre de oito dias/sete noites. A Soltrópico oferece ao longo deste ano pacotes de três dias no Príncipe e quatro em São Tomé a partir de 1548 euros, com alojamento no Miramar Pestana e no Bom Bom Resort. Outra opção é passar a primeira e a última noite em São Tomé e cinco noites no Príncipe, a partir de 2086 euros e com três excursões incluídas (Descubra a Ilha do Príncipe, Roça Sundy e Praia Abade + Miradouro Nova Estrela). Para partidas entre 8 de Abril e 21 de Outubro, há um programa só para São Tomé a partir de 797 euros.

No Pestana São Tomé, o único hotel de 5 estrelas da ilha, com praia e piscina privativas, os preços de Inverno começam nos 150 euros (reservas.stome@ pestana.com; tel.: +239 222 4979), o mesmo valor a partir do qual é possível �icar no Omali Lodge Boutique Hotel, explorado, como o Bom Bom do Príncipe, pela HBD (reservations@ omalilodge.com; tel.: +239 222 2479). Ainda em São Tomé, o complexo turístico Clube Santana (reservas@clubsantana.com; tel.: + 239 224 2400), em Cantogalo, merece uma visita mesmo sem lá �icar. Ao domingo há um buffet onde se juntam turistas e famílias são-tomenses no paredão em cima da praia e diante do ilhéu Santana — a visita de barco conduzido pelo experiente senhor Adriano leva-nos até à gruta por baixo do próprio ilhéu. No Bom Bom, as tarifas começam nos 260 euros (reservations@bombomprincipe. com; tel.: + 239 225 11 14). Em São Tomé há turismo de habitação como a Casa Amarela e a Casa Vermelha, onde se paga 80 euros por noite por casa (quatro pessoas) e 40 euros por quarto (ciacnat@cstome.net; tel.: + 239 222 2573/239 9904492), ambas na cidade de São Tomé. Saindo do centro, uma opção são os oito quartos da Pousada Roça São João, com vista para a Baía de Santa Cruz, a partir de 40 euros (tel.: + 239 226 1140). No Príncipe há pensõesresidenciais como a Palhota a partir de 50 euros (tel.: +239 225 1060/239 225 1079) e na Santa Casa da Misericórdia pode �icarse em dormitórios sem água quente por menos de 20 euros.

Roça São João No restaurante de João Carlos Silva, por baixo da pousada com o mesmo nome, os menus de degustação custam 15 euros sem bebidas.

Na capital de São Tomé vale a pena visitar os animados mercados do peixe, dos legumes e dos tecidos, o Forte de São Sebastião e o Centro CACAU (Casa das Artes, Criação, Ambiente e Utopias), onde há exposições em permanência, sessões de cinema ao sábado à tarde e as portas se abrem duas vezes à noite — à terça agarra o microfone quem quiser cantar; à quinta há espectáculos de música e dança populares. O enorme espaço também tem uma loja de artesanato e está associado a uma escola de música. Saindo da cidade, é só escolher: quem gostar de caminhadas tem muitos percursos à escolha no Parque Natural Obô — o pico mais alto é o de São Tomé, com 2024 metros de altitude. Para sul há praias deslumbrantes como a Jalé ou a Inhame; para norte, a lagoa Azul, uma praia sem areia mas com azul turquesa a compensar.

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OCEANO ATLÂNTICO

Ilha do Príncipe SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE São Tomé

GUINÉ EQUATORIAL

GABÃO 100 km

Mionga Literalmente na baía de Angolares, é propriedade de Nelito Pereira, antigo aluno de João Carlos Silva. Preços a partir dos 12 euros (tel.: + 239 226 1141/ 239 992 2316). Dona Teté Peixe do dia grelhado, saladas de búzio ou de polvo. Com bebidas e sobremesa, o jantar �ica pelos 10 euros. Omali Lodge O restaurante deste hotel, onde o chef Tiago Velez reinventa com saber os ingredientes locais, merece uma visita. Outros No Bairro do Hospital, na capital, há tascas populares onde se serve peixe grelhado, vinho de palma ou cacharamba (aguardente de cana). Passeando pela marginal também se descobrem tascas onde beber cacharamba à luz de vela. No bar Pico Mocambo, perto do Parlamento e do Estádio Nacional, a especialidade é o rum de todos os sabores (da maracujá ao café) num casa belíssima que já abrigou a PIDE. No Príncipe, na Praia do Abade pode-se comer peixe frito com banana frita ali mesmo, na praia, e pagar o que se quiser. Vale a pena reservar uma refeição na Associação Cultural Rosa Pão, gerida pela Dona Rosita (rosapaoprincipe@gmail.com), onde não se paga mais de 8 euros. Na residencial Palhota ou no Complexo Mira Rio, junto ao rio que atravessa a capital, Santo António, servem-se refeições simples por 3 ou 4 euros.

O QUE LEVAR Um passaporte com seis meses de validade é obrigatório, assim como repelente e dinheiro. Não há multibanco (há uma caixa, mas só para contas locais) e levantar dinheiro ao balcão pode ser impossível. A pro�ilaxia da malária é aconselhada, apesar de esta estar quase erradicada; na consulta do viajante também se aconselham as vacinas da febre amarela e tifóide e da hepatite A.


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1001 km de magia

O arquipélago de São Tomé e Príncipe é um dos últimos paraísos na Terra e merece ser redescoberto FILIPE FIALHO

JOSÉ CARIA

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é um mundo à parte que a dupla insularidade criou para o melhor e para o pior. Para o conhecer, não chega ficar uns quantos dias nos poucos resorts turísticos que existem. É preciso falar com as pessoas que lá vivem e procurar – a pé, de barco ou num todo o terreno – o muito que há para descobrir. Verá que não se arrepende e ainda vai aprender imenso. Como diz o provérbio são-tomense “aquilo que Deus não nos deu não podemos tomar à força"...

O Pico Cão Grande e as montanhas do arquipélago são mais visitados por curandeiros do que por adeptos de desportos radicais Esperança São Tomé e Príncipe continua demasiado dependente da ajuda externa e 62% da população ainda vive na pobreza. Com estabilidade política e a malária quase erradicada, o turismo sustentável é agora uma prioridade

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ona Carlota recusa dizer a idade e tem toda a razão. Porque raio haveria um “branco” – que ela não conhece de lado nenhum – de querer saber tal coisa? “Puxe o barco e depois faz perguntas!” Assim seja. Durante uns longos e penosos cinco minutos, homens, mulheres e crianças puxam a pequena embarcação areia acima, carregada de peixe. A tarefa estava terminada, mas dona Carlota gosta mais de interrogar do que ser interrogada: “Nunca viu pescadores na vida? Somos pobres, a nossa sorte é o mar farto”, explica esta habitante de Neves, uma das principais cidades de São Tomé e Príncipe. “Tem quantos filhos?” Um dedo indicador serve de resposta. "Só um? Tristeza. Tenho cinco”, explica ela, enquanto as suas mãos calejadas agarram um volumoso atum. Atarefada e sem grande vontade de fazer conversa mole, despede-se de forma súbita mas amistosa: “Não esqueça, isto é terra de Deus!” Olhando à volta, é difícil discordar. Apesar do lixo espalhado pela praia, apesar das humildes casas de madeira, apesar das águas pouco recomendáveis do rio Provaz, este é um território mágico. Basta sair desta aglomeração urbana onde residem perto de sete mil almas e regressar à estrada reabilitada recentemente pela empresa Soares da Costa, com dinheiros da União Europeia. A paisagem virgem acaba por impor-se e deixar desconcertado quem nunca aqui pôs os pés. É bem provável que tenha sido essa a sensação que teve o fidalgo João de Paiva e respetivos acompanhantes quando fundearam por estas bandas, em 1485. No lugar de Anambó sobrevive um velho padrão que assinala esse desembarque e a chegada dos primeiros colonos portugueses – na sua maioria, judeus e prisioneiros condenados ao degredo por D. João II, que percebeu a importância estratégica do arquipélago, supostamente desabitado até então. Em certos sítios, parece estarmos no princípio dos tempos e, mesmo quando a mão do Homem marca presença, logo a natureza se encarrega de fazer das suas. É o que acontece quando alguém atravessa o túnel de Santa Catarina, rumo a norte, e começa a ver o que o espera do outro lado: coqueiros, muitos coqueiros, de cor alaranjada. Claro que tudo não passa de um mero efeito de ótica graças ao sol e à localização

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das árvores. Já agora, convém fazer um esclarecimento: estamos a falar da costa ocidental de São Tomé, que a generalidade dos especialistas e dos são-tomenses considera até nem ser a mais bonita do país. Gostos não se devem discutir mas, na qualidade de escriba independente, aproveitamos para dar um manifesto e singelo exemplo de injustiça: a Lagoa Azul. Sim, o famoso filme homónimo, protagonizado por Brooke Shields, foi feito na Jamaica mas também

Turismo solidário Gostaria de passar 10 dias em São Tomé por apenas 850 euros? Inscreva-se no Inatel e candidate-se a um programa de voluntariado no arquipélago, em que já participaram 30 pessoas nos últimos três meses. O preço inclui todas as despesas e o alojamento é num resort de quatro estrelas

poderia ter sido aqui rodado. Contemplar a baía e as águas turquesa do Atlântico desde o morro do Carregado e depois serpentear até à praia da Lagoa Azul é uma experiência que dispensa quaisquer comentários. E que só fica completa após prestarmos o devido respeito ao centenário embondeiro que serve de referência a quem vai a banhos ou mergulha com o propósito de ver os corais que ficam entre os 10 metros e os 30 metros de profundidade. Isto para já não falar de outras praias até ao extremo sul da ilha e dos ilhéus que pontuam toda a orla oeste. Seja como for, sublinhe-se a injustiça de ser uma região demasiadas vezes ignorada pelos folhetos turísticos e que praticamente nunca aparece entre os ex-líbris do território. O mesmo se poderia dizer do Parque natural Obô, que cobre quase um terço do país – 235 quilómetros quadrados em São Tomé e outros 85 no Príncipe (que também fazem parte da reserva de biosfera da


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Ex-líbris A costa oriental da ilha de São Tomé, onde fica a capital, concentra quase um terço da população do arquipélago. A roça do chef João Carlos Silva fica em São João dos Angolares

UNESCO desde 2012). É aí, no centro das duas ilhas, que se concentra toda a floresta primitiva e as nascentes dos cinquenta rios que depois correm até ao oceano. Uma enorme e luxuriante mancha verde que às vezes parece confundir-nos com os cenários de Parque Jurássico, de Steven Spielberg, e que em muito contribui para o caráter encantatório deste que é o segundo mais pequeno estado de África (logo a seguir às Seychelles). Inês Gonçalves, fotógrafa e cineasta que trocou Lisboa por São Tomé há cinco anos, costuma dizer que estas são "ilhas mágicas”. E isso nota-se quando nos embrenhamos na vegetação densa ou nos detemos a ver os pontos mais altos, muitas vezes envoltos num misterioso manto de nevoeiro. Os adeptos dos desportos radicais e de aventura nem fazem ideia do que têm aqui ao seu dispor. Basta dizer que o Pico Cão Grande, uma elevação de origem vulcânica com 300 metros de altura e uma

das imagens de marca do país, serve mais de retiro espiritual aos feiticeiros locais do que aos poucos alpinistas que cometeram a proeza de chegar ao topo. O mesmo se aplica aos outros picos e montanhas ainda mais altos, onde os "stlijons mato” e os “bolodô de minja” (os curandeiros e os massagistas) encontram tudo o que precisam para tratar todos os males da humanidade. Parece exagero? Talvez pense de forma diferente após ouvir os guias do Jardim Botânico explicarem as aplicações terapêuticas e milagrosas de plantas como o muambli, o pau-purga, o cubango e a mimosa pudica – flor que encolhe quando tocada e é também conhecida por mulher portuguesa. Mitos e lendas que fazem parte de uma cultura crioula que tem em João Carlos Silva um dos seus expoentes mais populares. O carismático chef, que protagonizou programas televisivos como Na Roça com os Tachos e Sal na Língua, não perde nun-

ca oportunidade para sublinhar a importância dos saberes tradicionais: “E não é só na cozinha, é em todas as artes.” Se bem o diz, melhor o faz na Roça de São João dos Angolares, onde fica o seu incontornável restaurante e a casa grande convertida em boutique-hotel com uma vista de postal ilustrado. A sua ementa – variável mas sempre criativa – continua a seduzir os comensais mais exigentes e faz jus aos pratos e produtos indígenas, incluindo a feijoada de búzios (com os ditos a serem da terra e não do mar), a pedir um aromático molho picante ironicamente chamado fura-cueca. Para os menos avisados, é imperioso alertar que nenhuma visita a este país de 1001 quilómetros quadrados, bem no centro da Terra – onde a linha do Equador se cruza com o meridiano de Greenwich –, estará completa sem uma deslocação à ilha do Príncipe. Com apenas sete mil habitantes, ainda mais verde e selvagem que São Tomé,

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A primeira obra a ficar concluída, em Setembro, é o alargamento da pista do aeroporto. Uma obra de 20 milhões de euros, supervisionada pela sul-africana Aurecon e executada pela portuguesa Mota-Engil

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HBD, vocacionada para a inovação e startups tecnológicas. Cria ainda uma fundação para a educação, acesso às tecnologias de informação e ajuda à transformação social. Já em 2004 cria a Canonical, empresa a partir da qual tem vindo a lançar novos projectos de software, como é o caso do Ubuntu, que se afirma como concorrente directo do Windows e do iOS, mas livre e grátis, e que já é utilizado por mais de 20 milhões de pessoas. Pelo meio, e com a ajuda do dinheiro entretanto ganho com a venda da empresa, aventura-se no espaço a bordo da nave russa Soyuz TM-34, depois de quase um ano de treino e preparação. Terá sido, também, esta sua experiência na Estação Espacial Internacional que lhe incutiu outra sensibilidade sobre o planeta Terra e a sua sustentabilidade. E o que explica, em parte, por que é que o projecto da HBD na ilha do Príncipe é alargado e integrado, cruzando um conjunto de variáveis, entre turismo-imobiliário, biosfera-agricultura e educação, empregando já mais de 400 pessoas (é o maior empregador da ilha, deixando para segundo plano o Governo que ocupava esse lugar). Sim, que outra parte há que é resultado de todo um trabalho de influência do próprio presidente do Governo regional, António José Cassandra, que continua a impor uma série de normas a qualquer

investidor que chega, para que o Príncipe se mantenha Reserva Mundial da Biosfera: «Em todos estes projectos dissemos sempre que não podíamos incutir muita pressão na natureza. O que acordámos com o investidor é que toda a madeira, areia, inerte para a construção dos resorts, têm que vir de fora, porque somos Reserva da Biosfera e estas regras são fundamentais. Isto não é um capricho!», declara o presidente à Marketeer. Ao todo, são mais de 100 milhões de euros que a HBD – empresa criada por Mark e que opera no Príncipe a partir de Portugal – tem previsto injectar na ilha (os valores estão sempre a ser revistos), sendo que apenas para a melhoria da pista do aeroporto foram canalizados 20 milhões de euros. Ou não fosse, esta, a pedra de toque de todo o projecto. Sem nova pista não há turistas que cheguem à ilha para ocupar os resorts de luxo entretanto a erguer e, sem turistas, não há rentabilidade ou retorno. A ser construída pela Mota-Engil mas com supervisão da sul-africana Aurecon, a pista do aeroporto do Príncipe passa ainda este ano dos seus 1250 metros para 1750. Em quanto é que isso se traduz em termos de turistas? Hoje, e tendo em conta o actual avião que garante a ponte aérea entre as duas ilhas, podem entrar no Príncipe cerca de 100 pessoas por semana. Passando a haver capacidade de aviões de


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maior porte, as estimativas apontam para que este número se multiplique por três. A configuração geométrica da placa poderá permitir «a acomodação simultânea de um avião Global Express, de um avião tipo ATR 42», confirma o responsável da Aurecon na ilha. Poderão ainda passar a operar nesta pista modelos como o B737-700 (tem capacidade de transporte de 146 passageiros), o Cessna Citation X ou o Falcon 900. Números que não serão de mais, tendo em conta todos os projectos turísticos que a equipa da HBD tem em mãos. Além de que a estes haverá sempre que somar a concorrência. Como a Roça Belo Monte, restaurada pelo empresário holandês Rowmbont Swarbont, anterior dono do resort Bom Bom. No total, aquilo a que a HBD se propõe é recuperar duas roças (em tempos portuguesas), a da Paciência e a Sundy, duas praias, a Macaco e a Sundy, e renovar o já instalado resort Bom Bom. Um sonho que se acredita ser possível concretizar – apesar de muitos pesadelos pelo meio, já que são difíceis todas as acessibilidades ao Príncipe e acabam por fazer resvalar prazos – a 15 anos, conforme a concessão comprada ao Governo local. Sim, porque em São Tomé e Príncipe apenas se vendem concessões por determinados períodos de tempo

previamente definidos (ler entrevista nas páginas finais deste artigo).

Cruzamento de ideias Todo o processo remonta então a 2011, ano em que Mark Shuttleworth adquire o Bom Bom Island Resort. Há quem diga que o milionário sul-africano decidiu desde logo investir em toda a ilha. Mas o presidente Cassandra chama a si os louros de ter convencido Mark a olhar para a sua “jóia” em pleno golfo da Guiné. Entre palavras e conversas, a verdade é que o resultado foi uma mão-cheia de compromissos e propostas, concessões e obras, mas sempre com base em pressupostos sustentáveis – apenas em jeito de exemplo, António José Cassandra lembra que é ponto assente que qualquer inerte terá sempre que vir de fora, o que implica que nenhuma árvore poderá ser abatida para utilização da respectiva madeira para construção dos resorts, o mesmo se aplicando às areias. Os primeiros trabalhos seriam então de recuperação do Bom Bom, a que se seguiria, um ano mais tarde, o resort Omali, entretanto adquirido em São Tomé e que passou a funcionar como “hub” de ligação/estadia. «Houve todo um projecto de renovação e refit das duas unidades, sempre com estas aber-

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tas ao público, e que teve como um dos seus princípios que estas fossem feitas com grande parte de trabalho local», nomeadamente em termos mobiliários (como mesas, cadeiras ou candeeiros, que foram assegurados por artesãos), conta Philippe Moreau, lead de Turismo do grupo HBD, sublinhando que a ideia é não só dar uma imagem mais local como, também, começar a mostrar à população o potencial e valor do seu trabalho. No Bom Bom, contudo, Philippe garante que ainda não está tudo feito, já que não é esta a visão que a HBD tem para o turismo na ilha do Príncipe. Só a título de exemplo, qualquer futuro bungalow a construir terá que respeitar uma distância mínima de 25 metros da maré alta e, isso, ainda não acontece aqui. «Temos uma visão de respeito e protecção da natureza sem invalidar a experiência do cliente», reforça o responsável, que garante ainda que na altura certa este resort, que um dia foi construído por um sul-africano, depois comprado por um holandês e agora recuperado por um outro sul-africano, irá ser transformado para responder aos objectivos da HBD. Assim como se prevê que a prazo – cinco/seis anos - venha a ser auto-sustentável (se bem que o Equador é das zonas mais difíceis do planeta para se conseguir auto-sustentabilidade em termos de energia). O projecto que se segue dá pelo nome de Sundy, uma roça que já esteve em mãos portuguesas e a partir da qual se produzia e exportava

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quilos e quilos de cacau. Hoje, a roça desdobra-se em diferentes áreas e estende-se até à praia com o mesmo nome. E é aqui, na praia, que, seguindo os traços do arquitecto Didier Lefort, uma equipa supervisionada pelo também português grupo Focus irá meter mãos à obra para instalar 15 tendas pré-fabricadas com base em madeira importada de florestas sustentáveis. «A ideia é não alterar a imagem que hoje se tem quando se está num barco e se olha para a praia. Não pode haver vandalização da paisagem e o impacto tem que ser mínimo», declara Philippe Moreau (que já passou por hotéis como o Royal Garden Resort Hua Hin na Tailândia, ou o Choupana Hills na Madeira). Tanto mais que sendo este o primeiro projecto de raiz da HBD na ilha acabará por funcionar como verdadeira montra de intenções futuras. As 15 tendas a erguer - em cor bege e com desenhos na lateral como que a fazer lembrar as ripas de madeira das casas dos pescadores - terão configurações diferentes, dividindo-se entre oito com um quarto, cinco com dois quartos e duas com um quarto. Pelo meio haverá espaço para um restaurante todo feito em bambu, que se quer top. Aqui, a ideia é convidar chefs que queiram participar numa academia de formação de produtos e sabores locais e que ajudem na elaboração da carta. Cada prato da carta pode ser proposto e assinado por um chef diferente. Os trabalhos de pré-fabricação arrancam já este mês e a construção em si deverá dar os


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primeiros passos em Julho, para que tudo fique concluído em meados do próximo ano. Em paralelo irá decorrer a formação dos colaboradores, já que pretende o grupo elevar a fasquia ao nível do turismo. «O serviço tem que responder ao posicionamento definido», declara Philippe Moreau, que aponta como potenciais mercados a Nigéria, Angola e o Gana, seguidos da Europa. Isto porque considera que a prazo poderá vir a ser viabilizado um voo directo a partir do Gana e que colocará turistas no Príncipe em 1h15 minutos. No total, estão previstos 12 milhões de euros para a Sundy e que o seu retorno chegue a 10 anos. «A nossa visão de longo prazo também passa por fazer do Príncipe um dos melhores sítios do mundo para mergulho, tendo em conta a variedade e densidade de peixe que aí

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existe», acrescenta ainda. Quanto à roça em si, uma propriedade com 1040 hectares e onde vivem hoje cerca de 400 pessoas, não sofrerá para já grandes alterações.

Restantes projectos Também já traçado no papel está o destino da Roça Paciência (apesar de ainda estar por definir a data de início dos trabalhos). Mais um conjunto de terrenos e edifícios que em tempos estiveram em mãos portuguesas. Neste caso, toda a traça exterior dos edifícios será mantida – quando a HBD a assumiu estava com algum estado de degradação -, estando as grandes mudanças guardadas para o interior. E mudanças essas que visam transformar a Paciência numa Mana House (em jeito de quinta biológica). Um espaço onde se po-

derão cruzar experiências gastronómicas com outras de bem-estar e wellness. Não, aqui não haverá espaço para um spa mas, sim, tempo para pequenos tratamentos à base de produtos da própria roça, como o cacau. Quando concluídos os trabalhos, a Paciência passará a albergar 20 quartos, um restaurante biológico, uma piscina, um ioga deck e dois quartos de tratamento. Espaço ainda para um laboratório de experiências culinárias, de resto já em fase de conclusão. Os chefs serão convidados para ir dar formação às pessoas, mas terão que ir com tempo suficiente para ajudar a própria população a melhorar hábitos alimentares com os produtos locais», ressalva o responsável pela área de Turismo da HBD. Neste momento – melhor, na altura em que a Marketeer visitou a Paciência -, decor-


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riam obras de recuperação do exterior e aulas de formação a pedreiros sob orientação de Manuel Gomes (Manou para quem o conhece): «Quatro anos não é assim tanto tempo como isso, para pegar em tudo, fazer o respectivo levantamento e iniciar a recuperação em paralelo com as aulas na escola de pedreiros, que abrimos aqui», diz. Pelo meio, Francesca Orlandi, licenciada em Ciências e Tecnologias Agro-Alimentares, tem vindo a desenvolver diferentes trabalhos e investigação sobre transformação e aproveitamento de produtos locais. No fundo, saber como potenciar plantas, frutas, grãos e sementes. Dar outros destinos aos produtos locais, conseguindo maior valor. E, esta, é também uma lição que tem vindo a ensinar a algumas mulheres que aprenderam, entre outras, a fazer granola – já servida ao pequeno-almoço no Bom Bom – ou doce de cacau e pimenta preta. «O objectivo é estudar diferentes potencialidades tecnológicas da produção agrícola de São Tomé e Príncipe. Não só dos produtos que já eram explorados mas, também, das commodities locais», explica Francesca, sublinhando que importará conseguir uma produção de produtos constante para garantir a

sua futura compra por parte dos visitantes. Para todos e serviços a desenvolver ou criar será entretanto avançado um selo de certificação, que se apoiará em parâmetros bem definidos e a controlar pelo próprio Governo e pela HBD. Quanto aos projectos que se seguem, falta ainda luz verde para o seu arranque. É o caso da Praia Macaco – sendo que aqui apenas o que está em cima da mesa é que o conceito a instalar terá que ser ligado à arte e que todos os edifícios que hoje assombram a praia, após um investimento português nunca finalizado, serão para demolir – e da Praia Boi. «Este será o último projecto. Ainda está tudo por definir, mas certo é que será a jóia da coroa», confidencia Philippe Moreau à Marketeer. Apesar de reconhecer que a cumprir todos os pressupostos a ilha ganhará nova dinâmica, o responsável garante que a visão inicial «não pode ser quebrada». Seja em densidade imobiliária ou em regras de respeito para com o ambiente e a população. Daí que alguns requisitos estejam a ser reavaliados, nomeadamente em termos de contratação de colaboradores que, sustenta, têm que «se identificar completamente com a cultura local e ter um compromisso sustentável». Há


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ainda um projecto de formação de chefias para que os tiros passem a ser mais certeiros!

Sustentabilidade e ecologia Esta sustentabilidade de que Philippe Moreau fala traduz-se hoje em diferentes movimentos. Como a protecção das tartarugas marinhas ou a substituição de garrafas de plástico por garrafas da Biosfera. Sob a alçada da recém-constituída Príncipe Trust (organismo que depende directamente da Shuttleworth Foundation), Alexandra Marques é hoje o rosto visível de um projecto que vai para além da recuperação das tartarugas marinhas. Implica fauna e flora. Espécies endémicas e em perigo. Alexandra estava em Londres em Novembro de 2013, cidade para onde tinha ido trabalhar como dealer (é formada em Gestão de Empresas), quando se encontrou com um anúncio que lhe haveria de mudar a vida. O desafio era trabalhar no Príncipe, num projecto de recuperação de tartarugas, na altura ainda estava sob alçada de uma ONG portuguesa que recebia financiamento da HBD para o trabalho. Tempos antes tinha decidido que não era a área financeira que queria seguir e agarrara o curso de Biologia da Conservação. «A minha paixão sempre foram tartarugas», conta. Por isso não vacilou em concorrer e seguir durante seis meses para a ilha. Até o projecto lhe ter caído no colo depois da HBD o ter assumido directamente a partir da Príncipe Trust, e que implica trabalhar directamente com o Governo e mais um conjunto de instituições. O objectivo? Tentar proteger ao máximo a biodiversidade da ilha! Em Setembro do ano passado, Alexandra agarrou o projecto de coordenação das tartarugas, ajudando ainda a montar as equipas de monitorização com guardas marinhos e guardas de praia, iniciou a monitorização dos ninhos desde a postura até ao nascimento, passou a analisar ninho a ninho e todas as praias. «Há um plano de monitorização para todas as praias, apesar de neste momento o projecto se restringir a um terço da ilha. Na próxima temporada, devemos conseguir o alargamento», vai dizendo. Pelo meio houve ainda que proceder a limpezas em várias praias de desova das tartarugas para que estas possam ter muito mais espaço. E tudo isto já transparece no aumento de número de ninhos entretanto conquistado. Na temporada passada foram cinco; nesta

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Alexandra Marques é o rosto de quem se fala quando se trata de recuperação de tartarugas marinhas na ilha. Na temporada passada houve cinco ninhos; na mais recente o número subiu para 18

“Plástico Não: Um Pequeno Gesto Está na Nossa Mão” é a campanha a partir da qual se está a trocar garrafas de plástico por outras de aço inoxidável


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chegaram aos 18 - o que não significa directamente que haja um aumento das populações mas, sim, que elas voltaram a escolher aquela praia em particular. «Os locais lembram-se de ver tartarugas em todas as praias, quando eram crianças», informa. Entretanto, tem havido ainda espaço para acções de formação das populações, sensibilização nas escolas e actividades com professores e alunos. Ao todo, e só na temporada passada, foram canalizados para este projecto quase 60 mil euros, não incluindo aqui os salários dos funcionários. Depois das tartarugas é igual ambição desenvolver projectos de protecção de outras espécies endémicas, como alguns pássaros, ou avançar com trabalhos marinhos que permitirão, no final, a protecção de espécies como golfinhos e baleias. Já Estrela Matilde é o rosto da campanha de consciencialização e mobilização “Plástico Não: Um Pequeno Gesto Está na Nossa Mão”. Um movimento que faz parte da estratégia do Governo para tornar a ilha do Príncipe “livre de plástico” até 2020 e que resulta de uma parceria, via Reserva da Biosfera da Ilha do Príncipe, com a Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Ministério da Agricultura, da Alimentação e do Meio Ambiente espanhol, e o grupo HBD. Através da campanha, quem recolher 50 garrafas de plástico pode trocá-las por uma de aço inoxidável, que pode ser reutilizada sem limites nas 13 fontes de água potável entretanto instaladas na ilha. Num ano, e num conjunto de sete acções, «foram recolhidas 170 mil garrafas», informa Estrela Matilde. Na acção em que a Marketeer participou, foram entregues 250 garrafas em troca de 12 500 de plástico velhas e usadas. O grande problema, de momento, é definir o que fazer a todo o plástico entretanto, recolhido, muito dele proveniente de lixeiras, e que não pode seguir para reciclagem. No escritório da HBD em Lisboa, entre o Príncipe Real e a Avenida da Liberdade, Philippe Moreau recosta-se na cadeira e diz, com calma: «Para o Mark a ilha é uma jóia e, isso, não pode ser posto em causa.» Mas Philippe Moreau também sabe que há ainda muitos peões a mover e muitas casas a conquistar neste tabuleiro que se joga entre Portugal, ilha de Mann e Príncipe… Na ilha do Golfo da Guiné, há uma expressão muito utilizada pela população e que espelha bem a cultura e espírito locais: “Leve, leve”. Pois terá que ser “leve, leve” o espírito a manter no grupo HBD, até conseguir o cheque-mate final!

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Quem é Mark Shuttleworth Mark Richard Shuttleworth, empreendedor, sul-africano, tornou-se o primeiro cidadão de um país independente africano a ir ao espaço. Nascido na África do Sul, é licenciado em Finanças e em Sistemas de Informação pela Universidade da Cidade do Cabo. Ainda estudante, esteve envolvido na instalação das primeiras ligações à internet na universidade. Em 1995 fundou a Thawte, que se distinguiu pela especialização em segurança na internet e assinaturas digitais. Acabaria por vendê-la à Verisign em Dezembro de 1999 por 500 milhões de euros. Em Setembro de 2000 funda a HBD Venture Capital (Here Be Dragons), uma incubadora de negócios e financiadora de venture capital, com vista à promoção e comercialização de projectos de software livre, em particular o Ubuntu. Pelo meio, funda a Shuttleworth Foundation, uma organização não lucrativa dedicada à inovação social e que promove também projectos de software livre e grátis na África do Sul, como é o caso do Freedom Toaster. Em 2004 inicia o desenvolvimento do Ubuntu, através da sua empresa Canonical. Um ano mais tarde funda a Ubuntu Foundation, com um investimento inicial de 10 milhões de dólares e, já em 2005, compra 65% do Impi Linux. Já em Dezembro de 2009, anunciou a sua retirada enquanto CEO da Canonical para se focar em design de produtos, parcerias e clientes.

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O Príncipe é Reserva da Biosfera e tem regras António José Cassandra, presidente do Governo Regional do Príncipe, é parte responsável e interessada nos investimentos da HBD. Acredita no projecto, não vacila nas regras de construção e diz que, a prazo, este ajudará à sustentabilidade da própria ilha 46 \ Marketeer n.º 225, Abril de 2015 \


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Conheceu Mark Shuttleworth em 2011. O que pensa hoje do projecto da HBD? O projecto surge na sequência do desejo de Mark investir no Príncipe. Depois de termos conversado e ter percebido a nossa visão de desenvolvimento decidiu apostar na ilha. O investimento está a evoluir bastante bem e a cumprir todos os contratos que foram assinados há quatro anos, nomeadamente contratos de concessão para a construção de resorts na Praia Macaco, Praia Boi, na Sundy e na Paciência. Quanto foi pago pelas concessões? É uma renda anual que está fixada numa tabela, pelo Governo, e não é fixa para as quatro concessões. Na Sundy, que é agricultura e turismo, deve ser de 40 ou 50 mil euros anuais. Na Praia Macaco ou Boi será de 20 mil euros. O Bom Bom, que é um trespasse, será também de 40 mil. Por quanto tempo são essas concessões? Por 30 anos. E o que faz o Governo com o dinheiro? Temos a educação como uma primeira prioridade e as infra-estruturas são outra. Numa primeira etapa investimos muito no ensino básico e pré-escolar. Ainda se pode ver pouco do projecto... Já se começa a ver o desenvolvimento da pista do aeroporto, que irá permitir trazer mais pessoas e turistas para o Príncipe. Entretanto, estamos a fazer todo um trabalho de sensibilização da população. O Príncipe é Reserva Natural da Biosfera e há regras para construir na ilha. Por isso temos que acompanhar de perto todo o investimento para não haver desequilíbrios e há equipas a seguir estes projectos em todas as suas fases, para garantir que não vêm ferir a nossa natureza. Isto demora tempo, até porque as próprias estruturas do Governo no Príncipe ainda não estão bem preparadas para isso. Tivemos que recorrer a alguns técnicos em São Tomé para nos ajudarem a garantir que não haja, por exemplo, alteração das espécies endémicas. O processo não está lento? Estamos a quatro anos de assinatura dos contratos mas as limitações no Príncipe são muitas. Não temos um porto, por exemplo, e isso impede um avanço tão rápido como gostaríamos. Estou convencido que mais um ano e teremos coisas visíveis para apresentar.

Mas há uma coisa muito importante: em todos estes projectos dissemos sempre que não podíamos incutir muita pressão na natureza. O que acordámos com o investidor é que toda a madeira, areia, inerte para construção dos resorts, têm que vir de fora, porque somos Reserva da Biosfera e estas regras são fundamentais. Isto não é um capricho! Foi por isso que se demorou dois anos a construir uma carpintaria para a importação da madeira. E isto não está só confinado à HBD mas a todos os investimentos aqui no Príncipe, desde os portugueses aos holandeses. Todos têm que cumprir estas regras. É preciso cuidado com a pressão que se coloca nesta pequena ilha.

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perguntar o que prefiro entre este centro e a construção de um resort, eu respondo o resort. Até para garantir o próprio funcionamento desse centro, que será de extrema importância para os turistas (com informação sobre as espécies endémicas da ilha). Quando falo de turismo responsável, o que digo é que também precisamos de pessoas que venham para aqui dar a sua contribuição para esta ilha. Olhando para trás, voltaria a fazer os mesmos acordos que fiz há quatro anos. No Príncipe não há venda de terrenos, há concessões. Porquê? Vou começar por responder como presidente do Governo Regional. A ilha é muito pequena e a venda de terreno podia suscitar mais investimentos, mas também podia comprometer o seu futuro.

Até há quatro anos, o maior responsável pela empregabilidade no Príncipe era o Governo Regional. Hoje é o grupo HBD, com mais de 400 trabalhadores. Hoje temos a maior taxa de empregabilidade do país. Mas há outra componente importante neste projecto, que é a educacional. Este projecto é responsável pela inclusão no Príncipe da escola de ensino de inglês, de física, matemática, português... Os professores são pagos pela HBD. E há, ainda, a componente de educação ambiental. A HBD tem um projecto e um acordo com a Reserva da Biosfera e tem estado a trabalhar na preservação das tartarugas marinhas. Com um trabalho de equipa e a inclusão de todos, tenho a certeza que vai resultar. Confia plenamente no que está a ser feito, apesar das alterações que já houve? Confio. Talvez as pessoas gostassem de ver mais coisas executadas, mais coisas feitas. Isto tem tido um grande impacto na vida das pessoas na ilha. A verdade é que chegámos a um ponto sem retorno. A um ponto de grande comprometimento, que obriga à finalização do projecto. Dou-lhe um exemplo, há um projecto de um centro de investigação aqui na ilha. Este centro é de extrema importância, mas se me

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Podia haver controlo... Esta é a explicação política. Como empresário acho que esta medida é um disparate, todos sabem a minha opinião. Podia-se fazer regras. Podia-se pegar no território e atribuir 1/3 para venda a investidores estrangeiros, outro 1/3 para investimentos locais e o restante para concessões. O Estado pode estabelecer regras e balizas para isso. Valorizaria os terrenos e garantiria mais postos de emprego. E por que é que isso não se faz? Porque em São Tomé e Príncipe tivemos um cunho de política estatizada durante muitos anos e, hoje, ainda temos muitas pessoas a pensar como no passado. Tão cedo não será alterada! Tão cedo não.

A Marketeer viajou para São Tomé e Príncipe a convite do grupo HBD e o apoio da TAP.


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SALVAR O PARAÍSO ...E MUDAR O MUNDO Ao observar, do espaço, como a Terra é frágil, o milionário sul-africano Mark Shuttleworth teve um sonho: fazer do Príncipe um exemplo de proteção da natureza e desenvolvimento sustentável. A ideia está agora a ser concretizada por portugueses, na ilha perdida do Equador. Viagem ao interior de uma missão que pode mudar o mundo POR RUI TAVARES GUEDES TEXTO E JOSÉ CARLOS CARVALHO FOTOS • PRÍNCIPE 72 v 1 DE MAIO DE 2014


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Ao sobrevoarmos o Príncipe, do lado Sul que é totalmente parque natural, temos a mesma sensação dos navegadores portugueses de há cinco séculos: a descoberta de uma ilha selvagem e intocada 1 DE MAIO DE 2014 v 73


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á coisas que não se explicam pela razão. Só mesmo pela emoção. A ilha do Príncipe é uma delas. Quando sobrevoamos o Atlântico, a 400 quilómetros de distância da costa mais esquecida de África e a quase 200 quilómetros de São Tomé, é impossível evitar um arrepio, ao vê-la emergir do oceano: uma silhueta de «mundo perdido», de picos íngremes, enseadas selvagens e um imenso verde que quase se mistura com o azul do mar. A emoção prolonga-se depois, já em terra, quando confirmamos, entre a floresta cerrada e a simpatia natural das suas gentes, que estamos num «pequeno mundo» único no nosso planeta. E essa é uma sensação capaz de despertar uma torrente de pensamentos, alimentar grandes sonhos e até transformar pessoas. Só tudo isto pode explicar, de facto, que um milionário sul-africano, depois de lá ter aterrado no seu jato particular, tenha decidido gastar ali uma parte considerável da sua fortuna, sem a preocupação de multiplicar rapidamente o dinheiro investido ou sequer de o recuperar na totalidade. Mas, no fundo, com um objetivo secreto: o de poder provar que a sua emoção está carregada de… razão.

Arriscar no impossível Mark Shuttleworth tem 40 anos e, diz quem o conhece, é um homem de personalida74 v 1 DE MAIO DE 2014

de forte, com uma capacidade de trabalho inesgotável e uma história de vida marcada pelo desafio de lutar por objetivos que outros consideravam impossíveis. Aos 22 anos, ainda estudante de Economia na Universidade da Cidade do Cabo, mas já um maníaco da informática e dos computadores, tentou a sorte no emergente negócio da internet. Montou uma empresa na garagem da casa dos pais, na ponta sul do continente africano – aparentemente o lugar mais improvável para se ter êxito num setor então confinado a Silicon Valley, na Califórnia. E investiu toda a energia num nicho de mercado, inexplorado: a segurança do comércio eletrónico, os certificados de identidade e a assinatura digital. Em 1999, apenas quatro anos depois, provou que a aposta fora vencida: vendeu a Thawte, a sua empresa (e as suas patentes), ao gigante VeriSign (de Silicon Valley, claro…) e passou a ser considerado, oficialmente, milionário. Contas feitas, após distribuir 150 mil euros de prémio

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Milionário e visionário Mark Shuttleworth (ao centro, de verde) durante uma das suas viagens ao Príncipe, a ilha onde está disposto a gastar mais de 100 milhões de euros só para provar que se pode criar um modelo de desenvolvimento sustentado

por cada um dos seus 50 funcionários, Mark Shuttleworth passou a deter uma fortuna pessoal superior a 500 milhões de euros. Em dinheiro vivo, resistente aos humores bolsistas. Com esse dinheiro, aquele a quem chegaram a chamar o «Bill Gates sul-africano» fundou uma empresa de investimento, HBD, vocacionada para a inovação e as startups tecnológicas. Depois, criou uma fundação, com o seu nome, destinada a promover a educação, o acesso às tecnologias de informação e o financiamento de projetos de transformação social. E finalmente, lançouse, com espírito militante e quase guerreiro,

MILITANTE DO SOFTWARE LIVRE, SHUTTLEWORTH QUER DEMONSTRAR NO PRÍNCIPE QUE SE PODE CRIAR RIQUEZA SEM DESTRUIR A NATUREZA


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Ao comando da ilha Nuno Rodrigues, o jurista português escolhido para liderar a concretização do projecto, tem duas instruções básicas transmitidas por Mark Shuttleworth: «Não se pagam ‘luvas’ e não se toleram discriminações»

no desenvolvimento de um sistema operativo, o Ubuntu, que pretende ser um concorrente direto do Windows, da Microsoft, e do iOS, da Apple (mais um objetivo aparentemente impossível…), mas com uma particularidade relevante: é software livre e grátis («É preciso mudar o mundo e todas as pessoas têm de ter acesso à tecnologia para o mudar», acredita). Atualmente, o Ubuntu já é usado por mais de 20 milhões de pessoas, quase todas programadoras e gestoras de data centers. Mas esse número pode crescer rapidamente, ainda este ano, quando forem postos à venda os primeiros tablets e smartphones equipados com o sistema. Uma pequena parte da fortuna de Shuttleworth foi, no entanto, gasta para satisfazer um capricho pessoal, à medida de um fanático admirador da série Star Wars (Guerra das Estrelas). Mark pegou em 20 milhões de euros (vendo bem, não é extravagância alguma: é-se tão rico com 500 milhões como com 480 milhões…) e «comprou» um lugar na nave Soyuz TM-34 que, em 2002 – tinha ele 29 anos – o levou para fora da atmos-

fera terrestre e a passar nove dias a bordo da Estação Espacial Internacional, onde, a seu pedido, e após quase um ano de treino na Cidade das Estrelas russa, desenvolveu atividades científicas, como os outros astronautas, relacionadas com o vírus HIV e o genoma humano. Foi a emoção dessa experiência como segundo turista espacial da história – e o primeiro «afronauta», como lhe chamou, numa emocionada chamada telefónica para o espaço, o seu amigo Nelson Mandela – que acabou por lhe dar uma nova razão para a vida… e mais outro objetivo aparentemente impossível. «No espaço, ele tomou verdadeira consciência de como a Terra é pequena e frágil. Viu o impacto da intervenção humana no planeta, com uma dimensão que não pensava ser possível. A partir desse momento, sentiu que tinha de agir, demonstrar que se pode criar riqueza sem destruir a natureza», explica Nuno Rodrigues, 36 anos, o jurista de formação que Mark Shuttleworth escolheu para dirigir a HBD-STP, o grupo empresarial a quem confiou a tarefa de concretizar essa sua visão (ver mapa Transformar o Príncipe).

Selvagem e intocado O cenário que Nuno elege para me contar esse episódio não pode ser mais emblemático do projeto que tem entre mãos. Estamos numa pequena lancha a motor, a baloiçar suavemente junto à costa da ilha do Prínci-

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pe. E o que vemos à nossa frente, embora de ângulo diferente, é exatamente aquilo que nos despertou a emoção quando o observámos do ar, do avião: a sensação de descoberta de uma ilha perdida, no meio do Atlântico, ainda intocada e selvagem. Bordejamos pequenos cabos e enseadas e aproximamo-nos, uma e outra vez, de praias virgens, com areia branca luminosa e águas azul turquesa. Olhamos para o mar e distinguimos, nitidamente, o fundo. Erguemos os olhos para terra e apenas vemos floresta tropical, impenetrável, a cobrir vales e montanhas por igual – um imenso e denso verde a forrar a geologia vulcânica da ilha, com picos íngremes e desfiladeiros abruptos. O que vemos hoje, com exceção de algumas casas de pescadores, é exatamente o mesmo que viram os navegadores portugueses, quando a «descobriram» há mais de 500 anos (17 de janeiro de 1471): a natureza em estado puro. Uma raridade. Mark Shuttleworth também viu o mesmo, em 2009, ao aterrar com o seu jato particular no Príncipe, na época em que procurava uma ilha selvagem para concretizar o seu sonho. Foi aí que a emoção se aliou à razão: para além da beleza natural, ele apaixonouse por uma população com características únicas, que embora viva no interior de um paraíso intocado, não tira outro benefício dele que não seja o de garantir facilmente a sua subsistência, graças a uma terra onde 1 DE MAIO DE 2014 v 75


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tudo cresce e a um mar repleto de vida. Apesar da forte natalidade, a população (quase toda ela descendente de antigos escravos de Angola e Cabo Verde) diminuía todos os anos, com as pessoas a procurarem um futuro melhor em São Tomé ou noutros países. Uma população oprimida por uma dupla insularidade (só há um voo diário entre as duas ilhas da segunda mais pequena nação de África, e num avião com apenas 18 lugares!), com a taxa de desemprego mais alta do país, onde o único hospital não tem uma máquina de raios-X, a gravidez na adolescência é encarada como normal, e o ordenado médio não ultrapassa os 40 euros mensais. «Esta era uma terra sem esperança», sintetiza, de forma crua e emocionada, Tozé Cassandra, quando o encontro no seu gabinete de presidente do Governo Regional do Príncipe, que ocupa, desde 2007, há dois mandatos consecutivos, sempre com maiorias absolutas. E foi nesse mesmo gabinete – sempre às escuras, durante parte da tarde, como toda a ilha, por causa do racionamento de eletricidade, que está dependente do diesel que chega (ou não…) de barco para alimentar a sua única central de energia… – que Cassandra conheceu Mark Shuttleworth, quando o sul-africano lhe veio manifestar, em 2009, o interesse em investir no Príncipe, embora com uma condição prévia: queria, primeiro, conhecer os planos do Governo para o território. «Contei-lhe que estávamos a candidatar o Príncipe a reserva da Biosfera, da Unesco, e expliqueilhe a nossa visão de um desenvolvimento baseado na conservação da natureza, e a sua resposta foi elucidativa: 'Presidente Cassandra, é este o projeto de que ando à procura'», recorda, com uma entoação dramática, como quem quer dar um toque de solenidade ao momento em que, na sua opinião, o destino da sua terra começou a mudar (ver entrevista). «A ideia do Mark não era apenas comprar uma ilha. Isso podia ele fazer em qualquer parte do mundo», obserav Nuno Rodrigues, procurando sublinhar a originalidade do projeto em curso. Até porque Mark Shuttleworth, já o sabemos, é um homem determinado, tão determinado que até tomou a decisão – irreversível! – de nunca ter filhos. E esse é um facto relevante para esta história: «Como não deixará descendência nem herdeiros, o que ele quer mesmo é deixar aqui um legado. Está disponível para investir milhões só para provar que é possível 76 v 1 DE MAIO DE 2014

Plano Transformar o Príncipe Nigéria Golfo da Guiné

São Tomé

Camarões Guiné Equatorial

Gabão

Construção de infraestruturas, empreendimentos turísticos, apoio social, ações de desenvolvimento humano, proteção da natureza e preservação da cultura – as áreas em que a HBD, de Mark Shuttleworth, pretende gastar 100 milhões, nos próximos anos, para fazer desta ilha um exemplo para o mundo

SANTO ANTÓNIO A capital da ilha e mais pequena cidade do mundo está a transformar-se: 34 casas foram recuperadas para albergar os trabalhadores da HBD e da Mota & Engil, o que motivou alguns moradores a fazerem o mesmo nas suas residências. O comércio local ganhou novo fôlego. E até já há música ao vivo, à noite, no restaurante da Dona Rosita! SANTA RITA A nova pista do aeroporto implica o realojamento de 18 famílias. A comunidade será transferida para um terreno próximo, mas em casas com água canalizada, cozinha e casa de banho – em alvenaria, embora revestidas de madeira para manterem o estilo local. Cada uma custará cerca de 30 mil euros. PRAIA SUNDY Oito milhões de euros para construir um resort , composto por 15 tendas, que pretende ser o primeiro classificado como «carbono zero» em África e integrar o projecto Dark Sky, da Unesco. SUNDY A antiga roça onde, em 1919, foi comprovada a Teoria da Relatividade, de Einstein, deverá ser aproveitada para um projecto de turismo cultural. Em 2015, deve abrir ali o primeiro museu da ilha, dedicado à arqueologia industrial. Os moradores da roça vão abandonar as sanzalas dentro de alguns anos, mas, entretanto, foram melhoradas as suas condições de vida: a HBD construiu uma creche, um novo campo de futebol, fez a ligação de eletricidade à escola, instalou uma rede de canalização de água e ergueu balneários.

AEROPORTO Construção de uma nova pista, com 1850 metros (mais 550 do que a actual), para aviões com um máximo de 70 passageiros. Obra a cargo dos portugueses da Mota & Engil, e paga pela HBD. É determinante para o desenvolvimento da ilha e para a unidade do país. Custo: 17,6 milhões de euros CARPINTARIA Recém-concluída, é indispensável para a construção dos novos hotéis. Custou um milhão de euros, e vai começar a funcionar com madeira certificada, importada de Bali e do norte da Europa, mas no futuro pretende-se aproveitar a floresta local (depois de concluídos os estudos sobre a que melhor pode ser aproveitada para esse fim, sem criar desflorestação). Em seu redor deverá ser criado um pequeno parque industrial

PACIÊNCIA Nesta antiga roça, foi instalada uma escola de pedreiros, onde se formam os mestres de obras locais que irão construir os futuros hotéis e empreendimentos turísticos do grupo. Mais tarde, há planos para transformar a roça num hotel e spa (24 quartos), com uma oferta focada no ioga, meditação e tratamentos naturais. Custo: 6 a 7 milhões de euros.


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BOM BOM A recente remodelação do hotel custou 1 milhão de euros, e permtiu-lhe ser o primeiro hotel em África a obter a certificação de turismo responsável. No entanto, quando os outros resorts estiverem a funcionar, os seu atuais 20 bungalows serão destruídos e substituídos por cinco villas, de grande dimensão, mas que têm que ficar completamente integradas na natureza. Custo: 6 milhões de euros.

PRAIA GRANDE Um milhão de euros pela concessão da praia, apenas para a manter como santuário de proteção das tartarugas marinhas que ali nidificam

PRAIA BOI Considerada a mais paradisíaca. Ainda não existem planos para esta concessão que custa 15 mil euros por ano.

Praia Banana

Parque Natural

Plantação rallo de cacau de Co

Depois de construído, nenhum hotel ou resort, pode ser visto do céu ou do mar. Tudo tem que estar escondido na natureza!!! Mark Shuttleworth

ÁREA 136 km2 (equivalente a 1,5 vezes a cidade de Lisboa) POPULAÇÃO 7 500

REQUALIFICAÇÃO FLORESTAL Nas zonas concessionadas são retiradas as espécies invasoras, como palmeiras e coqueiros, e substituídas por árvores locais. GASTRONOMIA Laboratório de Produtos Naturais, na roça Sundy, para criar produtos alimentares de elevada qualidade que possam

PRAIA UBA 15 mil euros são pagos, por ano, pela sua concessão só para impedir que as suas areias sejam retiradas para a construção civil.

PRAIA MACACO Projeto de 28 milhões de euros para a construção, em 2016, de um hotel com 54 quartos (um por cada país africano) e vocacionado para a arte. Pretende ser, no seu todo, uma galeria com exposições temporárias e ter vários artistas residentes, de forma rotativa. O projeto inclui ainda um restaurante, bar, piscina e um spa com 700 metros quadrados.

A HBD financiou, com 400 mil euros, a compra de um cargueiro, com 35 metros, destinado ao transporte de mercadorias entre a ilha do Príncipe e São Tomé e outros portos africanos.

Toda a ilha é Reserva da Biosfera, desde 2012

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ser vendidos sob a marca «made in Príncipe». CIÊNCIA Centro de investigação dedicado ao ambiente e à agricultura, na Fortaleza, com dois laboratórios, para receber, gratuitamente, equipas internacionais, com a condição que partilhem as suas descobertas com a população local. Custo: 1 milhão de euros.

HOSPITAL Decorrem negociações para melhorar os seus serviços (com financiamento da HBD) de modo a poder ser usado, numa emergência, tanto pelos turistas como pelas populações. DESPORTO A HBD patrocina o campeonato regional de futebol e ofereceu os equipamentos a três das

ÁGUA SEM PLÁSTICO Para eliminar o plástico na ilha, foi lançado o programa Water&Recycle: 50 garrafas vazias são trocadas por uma Garrafa da Biosfera, em alumínio, que pode ser enchida em máquinas de água purificada, instaladas em diversos pontos.

seis equipas da ilha, além de um novo campo ao clube da Sundy. ENSINO Mais de 300 mil euros são gastos por ano com as despesas e ordenados de seis professores (cinco portugueses e um sul-africano) deslocados na ilha para ensinar inglês, português e matemática.

Infraestruturas

Turismo

Desenvolvimento INFOGRAFIA VISÃO


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TOZÉ CASSANDRA Presidente do Governo Regional do Príncipe, 50 anos

‘Queremos ser um exemplo para o mundo’ > O que mudou no Príncipe com a entrada de Mark Shuttleworth e da HBD?

No Príncipe, antes da chegada do Mark e da HBD, não acontecia nada. Não havia esperança! Os jovens ou se metiam no alcoolismo ou emigravam. A população da ilha esteve décadas a diminuir. Mas agora é diferente. Nos últimos quatro anos, não só o Estado deixou de ser o maior empregador, como a população passou de 6400 para 7500 pessoas. E a taxa de desemprego é agora só de 7 por cento. Quando os resorts estiverem todos a funcionar, teremos desemprego zero. > As pessoas já não precisam de emigrar em busca de emprego?

Não. Agora a população fixa-se na ilha, porque tem perspectiva, voltou a ter esperança. Mais: se não fosse o financiamento da HBD, o Príncipe não teria o aeroporto que vai ter nos próximos meses, avaliado em 16 a 17 milhões de euros, e que terá um efeito estrondoso no processo de desenvolvimento. > Qual é a sua relação com Mark Shuttleworth?

Sempre que cá vem, ele tem a cortesia de me vir visitar e discutir o que está a ser feito. E temos um bom relacionamento com a equipa dele. Mais do que um investidor, o Mark é um parceiro de desenvolvimento desta região. O grupo HBD não está interessado em vir aqui só sacar dinheiro. É um grupo que olha com paixão para o desenvolvimento do Príncipe. Em todas as conversas, o Mark sempre me disse: ‘Presidente Cassandra, eu só fico aqui se vocês quiserem que nós trabalhemos juntos. Se fosse só para ganhar dinheiro iria para outra parte de África, onde teria muito mais depressa o retorno do meu investimento. Mas o que me apaixona aqui é o projecto’». > Como define esse projecto?

Transformar o Príncipe num destino ‘Mais do que um investidor, singular, num exemplo para o mundo. Demonstrar que se pode criar desenvolo Mark é um parceiro’ vimento, conservando a natureza. E criar uma interacção única entre o turista, o nativo e a nossa biodiversidade. > E qual tem sido a reacção da população?

Desde o início, todas as ideias do Mark Shuttleworth foram debatidas com a população. As coisas foram discutidas, fizeram-se alterações, tudo foi feito em conjunto, num processo muito participado e democrático. E nós, em simultâneo, fomos construindo um Plano e Agenda de Desenvolvimento que foi apresentado e debatido com toda a gente. Esse plano será transformado em lei dentro de muito pouco tempo. Dessa forma, o projecto poderá ser continuado por qualquer pessoa que esteja no poder. > Fez-lhe algum pedido ou apenas aceitou as suas propostas?

Há uma questão que, na minha opinião, dá a ideia dá a ideia da dimensão do Mark Shuttlewort. Logo nas primeiras conversas, eu disse-lhe: ‘Mark, se vais construir aqui hotéis, eu quero que as pessoas da ilha aprendam a falar inglês». A resposta dele foi imediata: ‘Presidente, eu trago para cá os professores, não precisa de se preocupar mais com isso’. E já cá os temos no ensino secundário e também no curso nocturno, para as pessoas mais velhas, todos pagos pela HBD. Isto só é possível numa pessoa que, de facto, não pensa só no seu projecto e nas suas vantagens. > Tem orgulho por estar à frente dos destinos do Príncipe nesta época de viragem?

Eu não estou orgulhoso por ser Presidente neste momento. Eu estou orgulhoso pelo rumo que o Príncipe está a seguir, como filho desta terra. Finalmente há esperança! 78 v 1 DE MAIO DE 2014

Portugueses em acção Teresa Pires (em cima) coordena na ilha uma equipa multidisciplinar que está a trabalhar com a população as diferentes soluções de desenvolvimento, que passam pela escola de pedreiros de «Manu», o museu idealizado pela antropóloga Rita Alves e o estudo das várias comunidades, pela socióloga Ester Costa Alegre

montar um modelo de desenvolvimento sustentável que, daqui a alguns anos, poderá continuar a funcionar, mesmo que ele desapareça.»

Riscos e desafios O projeto de Shuttleworth assenta numa ideia essencial e aparentemente simples: transformar o Príncipe num destino turístico de eleição, graças à sua natureza única, capaz de atrair visitantes com dinheiro e, com isso, gerar uma riqueza e desenvolvimento que beneficie toda a população. No seu plano, isso é feito com meia dúzia de empreendimentos turísticos, perfeitamente integrados na biosfera local, e com não mais de 100 quartos no total. E, em simultâneo, trabalhar o ordenamento do território, as possibilidades agrícolas e a requalificação das pessoas, de forma a criar uma «marca Príncipe», que possa ser reconhecida internacionalmente. Se a ideia é simples, já a sua concretização é de uma complexidade extraordinária, com questões de difícil


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solução: Como desenvolver sem estragar? Como evitar a ganância e a sede do lucro imediato? Como conseguir concretizar uma ideia, aparentemente utópica, numa ilha sem infraestruturas básicas, onde é preciso importar quase tudo? Todas essas perguntas passaram pela cabeça de Nuno Rodrigues quando foi convidado, em 2011, para liderar a equipa que iria operar essa transformação da ilha. À partida, tendo em conta o perfil de Mark Shuttleworth, nada induzia que fosse ele a pessoa indicada para essa tarefa: a sua única preocupação ambiental tinha sido, na juventude, a vivência surfista («Não estraguem as ondas!...»), e pouco mais. De resto, limitou-se ao percurso de um estudante normal, com o ensino básico e secundário cumpridos nos Salesianos, em Lisboa, e uma licenciatura em Direito, na Universidade Católica, em que descobriu, no entanto, como podia ser determinado a cumprir objetivos, mesmo aqueles que pareciam impossíveis: «Quando, após dois anos de 'balda' completa, percebi que precisava de me concentrar para

acabar o curso com uma média de 14 valores, mudei de atitude e consegui aquilo que queria», recorda.

Desafio irresistível Depois de várias experiências profissionais, que incluem a passagem como consultor na Deloitte e a publicação de um livro sobre Direito Comercial («que já vi ser citado em acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça», sublinha), Nuno acaba por ser contratado para a sociedade de advogados Cuatrecasas. É aí que, um dia, em 2010, lhe aparece um cliente a pedir ajuda jurídica para comprar propriedades na ilha mais pequena de uma ex-colónia portuguesa: São Tomé e Príncipe. Inicia-se então a sua relação com a equipa de Mark Shuttleworth, ainda sem saber quem era o sul-africano ou a dimensão da sua fortuna. «Mais tarde, numa noite de janeiro de 2011, estou em casa ligado ao Facebook, e a Julie Fourie, uma das colaboradoras mais próximas do Mark, entra na rede, começa a falar comigo e sonda-me para liderar o

NESTE PROJETO, OS PLANOS DE NEGÓCIO TÊM UM HORIZONTE DE 30 ANOS. NÃO HÁ LUCROS RÁPIDOS

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projeto no Príncipe, dando-me conta da sua preocupação pelo facto de as coisas não estarem a avançar com a velocidade que eles desejavam», conta. «O desafio era irresistível», recorda. «Tinha a oportunidade de gerir uma grande empresa, trabalhar com alguém tão genial como o Mark e num projeto inovador a nível mundial. Só um estúpido diria que não.» A sua determinação em cumprir objetivos revela-se rapidamente: a 4 de fevereiro de 2011, assume o cargo de CEO do grupo HBD-STP e, em apenas cinco dias, consegue desbloquear todos os problemas que impediam a assinatura dos contratos no Príncipe, referentes às concessões dos locais desejados por Shuttleworth. «Nessa altura, o Mark deu-me os parabéns e disseme que tinha posto a fasquia muito alta para os portugueses. Só que agora vinha a parte mais difícil: transformar aquilo que era uma start-up numa empresa que, rapidamente, passaria a ter 400 empregados. Era preciso construir uma estrutura de liderança em tempo recorde.» Objetivo ultrapassado. Para concretizar o sonho de Shuttleworth, Nuno tem duas instruções básicas: «A primeira é que não pagamos 'luvas' e todo o dinheiro que gastamos está documentado ao cêntimo. A segunda é que não admitimos qualquer tipo de descriminação, de raça, sexo ou outra - e já despedimos pessoas por causa disso!» 1 DE MAIO DE 2014 v 79


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«O Mark quer provar que se pode trabalhar em África seguindo as melhores regras internacionais, sem ser preciso ameaçar ou corromper», diz Nuno. E enumera alguns exemplos dessas boas práticas: todos os projetos de construção foram precedidos de estudos de impacto ambiental («com os critérios mais altos que existem, os do Banco Mundial»); só em imposto de sisa, por terrenos e concessões, já pagaram cerca de um milhão de euros (quatro vezes mais do que o montante transferido pelo Governo central de São Tomé, em 2013, para investimento público no Príncipe!). Os 400 funcionários da HBD (mais de um terço da força de trabalho da ilha) passaram a receber os ordenados por transferência bancária, com subsídios de férias e de Natal, contribuição para a Segurança Social, desconto para impostos, seguros de saúde, bónus anual e ainda dois dias obrigatórios de descanso semanal - o que está já a provocar uma reação por parte dos outros empregadores da ilha. É o mercado a chegar… E apesar do clima de parceria e cooperação, Nuno Rodrigues reconhece que têm existido choques com o Governo, que até já chegaram, numa disputa fiscal, à barra dos tribunais. «Mas isso é a expressão máxima da inexistência de corrupção e, em simultâneo, uma centelha forte de democracia. É assim que as coisas devem funcionar.» 80 v 1 DE MAIO DE 2014

Mudar mentalidades Chegados a esta altura, a pergunta surge natural: será tudo isto bom de mais para ser verdade? Pode existir mesmo um plano assim, nos dias que correm? Gonçalo Parreira Neves, 47 anos, diretor financeiro do grupo HBD-STP, dá-me a resposta enquanto aguardamos o jantar, com música ao vivo, no restaurante da dona Rosita – uma novidade na noite da pacata cidade de Santo António, só possível agora com a chegada de duas dezenas de expatriados, numa população de 7 500 pessoas. Ele percebe a minha surpresa e desconfiança, até porque há vários anos que está habituado a analisar planos de negócios, a fazer contas a investimentos e a «esticar» margens de lucro. Por isso, a sua resposta é ainda mais desconcertante: «Nunca vi um projeto como este. Só para dar uma ideia, aqui todos os planos de negócios são feitos com um horizonte de 30 anos. Ou seja, ao contrário do que é habitual, aqui não se procuram dividendos rápidos

e imediatos, nem taxas de rentabilidade de 20 ou 30 por cento… Aqui, estamos a falar de rentabilidade de 10%, daqui a 10 anos, e só nos hotéis. O investimento no aeroporto, por exemplo, nunca será recuperado. O importante mesmo é que, daqui a três décadas, tudo o que cá estiver seja sustentável e as pessoas que cá ficarem têm que ter capacidade para o gerir.» Mas para que isso suceda é preciso que muita coisa aconteça, entretanto, no terreno. «É preciso, por exemplo, mudar a mentalidade dos habitantes da ilha», diz, decidida, Ester Costa Alegre, 32 anos, mestre em Sociologia, uma das pessoas que melhor conhecem a realidade social das gentes do Príncipe, das poucas que entram em todas as casas, tratam as crianças pelo nome e sabem identificar as intricadas relações familiares da população masculina. «Esta é uma sociedade que foi habituada apenas a pedir, onde não existem valores de trabalho nem de ascensão social. São pessoas resignadas

‘ESTA TERRA NÃO É NOSSA. POR ISSO, TODOS OS PLANOS E PROJETOS TÊM QUE SER DEBATIDOS COM A POPULAÇÃO’


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Isolados numa ilha Durante décadas, a população do Príncipe esteve afastada do resto do mundo, criando um estilo de vida baseado em receber aquilo que a natureza lhes oferece. Um dos maiores desafios do projeto de Mark Shuttleworth é o de tentar conciliar esse estado de felicidade natural com o desenvolvimento e a possibilidade de ganhar outros horizontes

ao que têm e ao que lhes dão – como sucede, por exemplo, nas campanhas eleitorais, em que os candidatos distribuem dinheiro, às claras.» Para contrariar esse estado de coisas, uma das ideias que Ester desenvolve, no seio deste projeto global, é uma escola de artesanato, como forma de levar as pessoas a ganhar orgulho nas suas tradições e ganharem dinheiro quando os turistas chegarem. «A população tem que saber agarrar o futuro.» A tarefa de Manuel Gomes «Manu», 35 anos, formado em Engenharia Ambiental e Recursos Naturais, na Universidade de Trás-os-Montes, vai no mesmo sentido: «Transmitir uma ética do trabalho. Em especial do trabalho bem feito, que é uma coisa que não existia na ilha.» Desde há dois anos, ele tem sido responsável por um dos projetos mais bem sucedidos nesta nova era do Príncipe: uma escola de pedreiros, na Roça Paciência, onde ensina duas dezenas de homens a erguer muros, com técnicas tradicionais, e com os necessários cálculos matemáticos para que tudo fique perfeito. Utilizando apenas material existente na ilha: o cimento não existe e a areia é retirada de desperdícios de construções antigas, para proteger as praias. Manu é um dos portugueses mais populares no Príncipe. Integrou-se de tal maneira na comunidade local que até fala com o so-

taque da ilha. Mas a sua missão está a terminar, uma vez que até alguns dos pedreiros que formou já foram contratados pela Mota & Engil para as obras da pista do aeroporto. «Eu estou de passagem, agora eles é que têm de agarrar o futuro», diz, com visível orgulho, mas também com a emoção de quem reconhece que «deixar esta ilha é como deixar um filho». Sair da ilha é, por seu lado, o pior pesadelo da antropóloga Rita Alves, 32 anos. Chegou ao Príncipe há três anos e hoje, apesar do contraste do cabelo louro, da pele clara e dos olhos azuis, ninguém sente que ela seja «de fora». Dedica os dias ao levantamento das tradições das várias comunidades e à recolha de todo o «ferro velho» das antigas roças, para um futuro museu – o primeiro da ilha. «Apesar da escravatura e do peso negativo da sanzala, é preciso que as pessoas tenham orgulho no passado, nas suas raízes e nas suas tradições. É isso que também pode ajudar a quebrar o círculo vicioso em que vive», diz-me, à boleia numa camioneta de caixa aberta, ao anoitecer, com a nossa conversa sempre a ser interrompida: todas as pessoas com que nos cruzamos gritam «Olá Rita» e ela a todos saúda com um aceno de mão. «Se isto não acontecesse ao fim de três anos seria por estar a fazer mal o meu trabalho», sorri.

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TURISMO RESPONSÁVEL

‘NÃO SE COMPRAM SORRISOS COM DOCES’ O Príncipe pode ser ainda um pedaço intocado do paraíso, mas só assim poderá permanecer se os turistas que o visitarem tiverem uma atitude responsável perante a natureza e as suas gentes. Até porque, muitas vezes, na ânsia de quererem o bem, os visitantes acabam por trazer e fazer o mal. «É o que sucede quando as pessoas oferecem doces às crianças, só na ânsia de as verem sorrir, e pensando que lhes estão a proporcionar momentos de felicidade», diz Diana Relego, 31 anos, coordenadora de marketing da HBD. «A verdade é que, om esse comportamento, apenas as estão a habituá-las a pedir e mendigar, como se isso fosse a resolução dos seus problemas. Ainda por cima, com a agravante, no caso dos doces, de o fazerem num país sem oferta de saúde dentária.» Por causa desses e outros comportamentos cada vez mais comuns, nomeadamente em São Tomé, a HBD prepara-se para lançar, no Príncipe, uma campanha de sensibilização para o turismo responsável., alertando os visitantes para a necessidade de ajudarem a proteger a natureza, a recolher o lixo, a ajudar a libertar a ilha do plástico e, em simultâneo, manterem regras de convivência com a população local que não criem situações de dependência. «É normal que as pessoas tenham o impulso de ajudar. Mas se tiverem algo para dar, é melhor que o entreguem às instituições que trabalham no território.» Até porque, no Príncipe, como Diana sabe, os sorrisos ainda não foram corrompidos, a troco de uma fotografia: «As crianças, sorriem por simpatia natural, não à espera de recompensa. É bom que assim permaneçam.» É também isso que faz a ilha especial. 1 DE MAIO DE 2014 v 81


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Victor Ângelo

Putine, o conservad amigo da onça

Adivinhar o futuro

Animação em Santo António Com a chegada dos portugueses, a noite animou-se e o restaurante de Dona Rosita já tem música ao vivo

Às vezes, quando olha para o plano geral e a forma de o executar, Nuno Rodrigues diz que se sente um pouco como se estivesse no computador, a jogar ao Sim City. «Mas com uma grande diferença: é que aqui todo o plano foi debatido com as pessoas e em função das características específicas do território», ressalva. Como é que tudo isto acabará, obviamente ninguém sabe. Nuno acredita que dentro de dez anos já se verá um Príncipe economicamente sustentável e com pleno emprego. E sente que a ideia que está ali a concretizarse «pode ser transferida para outros sítios de África», conforme o desejo já manifestado por especialistas do Banco Mundial. Mas é Mark Perkins, um engenheiro sulafricano, de 33 anos, que trabalha nas obras do aeroporto, que consegue resumir de forma lapidar as esperanças e as dificuldades deste projeto que quer ser um exemplo para o mundo: «Aqui no Príncipe, o impossível torna-se possível, mas o possível, às vezes, é impossível.» A Mark Shuttleworth, como se sabe, não o assustam os projetos impossíveis. Em especial aqueles em que emoção se confunde com razão. Assim isso seja possível. 82 v 1 DE MAIO DE 2014

E

screvi na VISÃO de 2 de janeiro que, em 2014, o Presidente da Rússia haveria de estar no centro da cena internacional. Convido o leitor a voltar a ler o que então publiquei, sob o título Putine: o homem que quer ditar o futuro. Entretanto, permito-me citar um parágrafo desse texto, por me parecer fundamental, na altura como agora, para a compreensão das linhas de força que animam o líder russo: «...Putine gosta de estar no foco das atenções. [...] Acredita que a sua missão é a de fazer renascer o país dos escombros que resultaram da desintegração da União Soviética. Consequente com a tradição ultranacionalista, pensa que o país precisa de um líder forte, determinado, escorado nos valores da Igreja Ortodoxa e na superioridade da cultura russa, capaz de resistir às conspirações do Ocidente. A ambição é fazer regressar a Rússia ao estatuto de grande potência, em paridade com os EUA. Para o conseguir, Putine julga que o caminho passaa pela imposição de respeito a todo o custo, pela intimidação dos

vizinhos e por uma política de confrontação com a Europa.» (Edição 1087 da VISÃO). Putine é, de facto, um polít co inspirado por valores co servadores. Tem uma visão tradicional da autoridade, que deve ser forte, formal centralizada; da sociedade que deve ser guiada por princípios morais rígidos e estar subordinada aos interesses do Estado; e da relações internacionais, qu são vistas como um jogo d forças e uma competição entre potências. Em Portu gal, seria um líder da direit pura e dura. Acrescente-se isso a convicção de que te uma missão histórica para cumprir, como os heróis d passado. Tem-se, ao mesm tempo, como um grande estratega, da estirpe que a URSS produzia com eficác E, no que nos diz diretame te respeito, a sua estratégia visa dois objetivos: o enfraquecimento da UE e contenção da NATO. O aprofundamento da UE aumentaria a capacidade negocial externa do bloco dos Estados membros, da política à economia. Daqui resultaria, segundo Putine uma situação desfavoráve à Rússia, que deixaria de

REUTRS

É esta forma de interagir com as populações que Teresa Pires, 58 anos, diretora operacional da HBD-STP na ilha, mais aprecia e incentiva. Por uma razão simples, como explica: «Nós não podemos impor nada, esta terra não é nossa. Todas as modificações que quisermos introduzir, mesmo para lhes melhorar o nível de vida, têm que ser sempre muito bem explicadas à população, mostrando-lhes soluções alternativas e fazendo-os sentir parte do processo.»

Quanto mais inimigos do projeto comum entrarem em Estrasburgo mais reconfortado se sentirá o Kremlin


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Nua e crua

É uma mulher que nunca precisou de mais do que aquilo que naturalmente tem. De uma beleza sem intervenções estéticas. aquilo que é está à vista. Sem subterfúgios. Há lugares com perfil de gente. ilha do Príncipe, feminino singular. Por Mónica Franco Fotografia Constantino Leite

a paleta de cores da ilha é infinita.

Praia banana, porque tem a forma de uma. Não há bananeiras, mas há coqueiros e amendoeiras.

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viagem COMO IR

ONDE FICAR

a taP viaja de Lisboa para São tomé partir de €700, ida e volta. De São tomé para o Príncipe existe ligação de avião, com a StP airways, que custa cerca de €120. a viagem do aeroporto do Príncipe para o bom bom ou para Santo antónio demora cerca de 15 minutos.

Bom Bom Island ResoRt 20 bungalows espalham-se entre as duas praias – bom bom e Santa rita – e a floresta tropical que acaba junto ao mar. Pode optar-se pelos bungalows na areia, aqueles com vista mar, e os que estão virados para o jardim ou para a piscina. todos estão a 30 segundos do mar. o restaurante fica a 230 metros de ponte de distância. um passeio sobre o mar que pode ser uma oportunidade para observar com atenção as mudanças ocorridas entre as marés. o pequeno-almoço é generoso, saboroso e local, os almoços e jantares têm duas opções de menu, a maior parte das vezes com ingredientes locais. a noite de churrasco e o tandoori são duas ocasiões especiais que acontecem à hora de jantar, normalmente uma vez por semana. Quarto duplo a partir de €255/noite com meia-pensão e €300 com pensão completa. llhéu bom bom, ilha do Príncipe tel. +239 225 1114 www.bombomprincipe.com

COMO SE DESLOCAR

benvinda veiga.

Não há praticamente carros nem motos na ilha, mas tente na residencial Palhota, em Santo antónio, o lugar onde é mais provável encontrar. Fale com o Sr. alex. uma pick-up pode custar cerca de €25/dia. Caso fique alojado no bom bom island resort, há um serviço de transporte com guia-motorista, com preços a acordar localmente.

bungalows do bom bom island resort. os 200 metros da ponte que liga o ilhéu bom bom ao norte do Príncipe, pairando sobre a água.

envinda não esconde a idade. Esconde o cansaço. O desgaste. Mas orgulha-se dos mais de 60 anos que leva desta vida que é dura, mas que ela não sente assim. É de sorriso que recebe. É com risos que aprovisiona quem aparece para comprar um saco de plástico de bobó frito, a banana-prata que cozinha em óleo de coco. É com resistência de aço e mão de ferro que alimenta mais de 20 bocas. Todos os dias desde há muitos dias. Benvinda parece não ter idade. Não tem idade para se queixar. Não tem vida para o fazer. Só faz. Faz compotas, licores, aguardente. Planta, trata, cuida. Da banana, da cajamanga, do mamão, da goiaba e do ananás da roça de 11 hectares que lhe calhou na “sorte”. Mas também dos filhos, nove, e dos netos, oito. De alguns nem sabe o nome de cor. O riso de Benvinda só esmorece quando fala do marido. Morreu há mais de uma década com “problemas de fígado” e ela sente saudades. Foi assim que se tornou agricultora, cozinheira, doceira, mãe, tia e avó. Tudo ao mesmo tempo num lugar 144

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que parece ter mais tempo do que as 24 horas do dia – mas não tem. Benvinda nasceu em Cabo Verde, como a maioria dos habitantes da Ilha do Príncipe, a mais pequena das duas que compõem o arquipélago de São Tomé e Príncipe. Chegou ainda bebé, ao colo da mãe que veio para trabalhar numa roça. Hoje, passados tantos anos, não consegue – nem quer – definir-se, não sabe se é mais cabo-verdiana ou do Príncipe. Tem saudades do lugar que a viu nascer, mas as poucas vezes que visitou a terra natal sentiu que tinha de voltar… Voltar ao lugar que a adotou, voltar aos braços do seu Príncipe encantado. Mesmo que à sua vida falte muito encantamento.

ilha-pessoa

A Ilha do Príncipe foi descoberta pelos portugueses no dia 17 de janeiro de 1471, quase um mês depois de São Tomé, a ilha-mãe deste arquipélago no Golfo da Guiné. Mede apenas 142 km2, tem somente 6000 habitantes. Mas não é através de dados históricos ou estatísticos que alguma vez este pequeno pedaço de Éden se dará a conhecer.

O Príncipe é gente. E como gente que é, sente. Sente-se. Não se lê nas primeiras páginas, tem de se buscar nas entrelinhas. Não se avalia nem pelos bonitos cartões postais das suas praias nem pelas imagens de pobreza das suas ruas. Sim, de acordo com padrões economicistas, a ilha do Príncipe é pobre. Mas é milionária em beleza humana. O Príncipe conhece-se pelas pessoas. Pela Benvinda, que vive entre o Bairro do Aeroporto e o Ilhéu Bom Bom. Pela Betty e pelo Eni, cuja casa de estacas fica no caminho entre o Aeroporto e a capital mais pequena do mundo, Santo António. Eni e Betty são marido e mulher de segundo casamento. Vivem com os dois filhos em comum e uma filha do primeiro casamento de Betty. Mas têm mais. “Ficaram com o pai”, responde-nos ela, a atalhar um assunto pouco confortável. Eni extrai “vinho” da palma. Duas vezes por dia, de manhã e ao final da tarde, segue a pé para o meio do mato, sobe às palmeiras certas e retira delas o suco. Um litro de vinho da palma custa 15.000 dobras, o equivalente a menos de 1 euro. E normalmente é trabalho de um dia. Esse euro diário (às vezes, nem isso) é a única fonte

de rendimento desta família, que tem pouco para comer… mas sempre muito para oferecer.

ilha substantiva

Riqueza, grandeza. Mais do que pobreza, são estes os substantivos que se guardam do Príncipe. Há meninos descalços nas ruas, roupa demasiado usada sobre a sua pele, bebés com barrigas salientes devido à subnutrição, crianças que pedem boleia aos poucos carros que passam para tentar fazer menos de duas horas de percurso a pé até à escola… Não há que enganar: os habitantes do Príncipe são pobres. Só não passam fome porque têm alimento à mão, ele cresce em todo o lado, de qualquer maneira. O mar dá muito peixe, embora menos do que antes, segundo os pescadores da Praia Abade, uma comunidade com cerca de quatro centenas de pessoas na costa leste da ilha. Peixe-fumo, andala, balão, dourado, agulha, atum, bonito, cavala, corvina e barracuda são as espécies mais comuns. “As águas levaram o peixe para longe”, diz um pescador sentado numa canoa, de costas viradas para o mar. “Quando o mar não dá, a terra dá. Comida sempre tem”, continua.

Roça Ponta do sol Jean-Claude é o belga proprietário da roça Ponta do Sol, inaugurada em 2006, numa antiga dependência da roça Sundy. tem quatro quartos e uma vista panorâmica de cortar a respiração para a costa oeste, a partir da varanda. ideal para quem gosta de caminhadas e de estar mais próximo da Natureza, para quem dispensa quaisquer tipos de luxo e não se importa de partilhar uma casa de banho. Quarto duplo a partir de €50/dia com meia-pensão Caixa Postal n.º 4, ilha do Príncipe tel. +239 992 5105


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ONDE COMER

telé Cozinha local feita como em casa por uma mulher cheia de sorrisos. Cozinha-se com a brasa no chão e há casa de banho dentro do restaurante, que fica mesmo por trás do mercado de Santo antónio. Há apenas um prato à escolha, normalmente circula entre o receituário local, como molho no Fogo, Calulu e Feijão da terra, entre outros. muito peixe seco ou fumado, muito óleo de palma, banana-pão, fruta-pão, mandioca, algum frango e macaco só para ocasiões especiais. Preço médio por refeição: €5. tété É fácil confundir a telé com a tété. Nomes semelhantes, mulheres igualmente imponentes, cozinha local, caseira, cozinha com fogo no chão. a tété mudou-se para a casa de alvenaria em frente ao restaurante original, junto à ‘marginal’ de Santo antónio, construída para fazer a função, com todas as condições. banana-pão frita em óleo de palma para comer sem parar. e uma moqueca para não esquecer. Preço médio por refeição: €5.

ONDE COMPRAR

não há lojas, no sentido ocidental do termo. Consumir no Príncipe é uma forma de ajudar. Recomendamos: • as esteiras feitas à mão pelo Sr. trindade na Praia abade. tem 66 anos e é artesão desde 1975, mas trabalha na roça para alimentar os 14 filhos… em casa faz toalhas de palha mas também individuais, tapetes, cestos de pão, molduras… • os cestos de verga concebidos manualmente pelo Sr. Leandro, com mais de 70 anos, que vive numa casa espartana com a mulher, Cesaltina, junto à roça Paciência, no norte. • a fruta, os legumes e as especiarias do mercado de Santo antónio, sabendo à partida que vai encontrar escassez nas bancas e riqueza nas almas... 146

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restaurante do bom bom island resort.

Praia bom bom, uma das duas do resort com o mesmo nome.

Quase todos os pescadores da Praia Abade são também agricultores. E alguns são mestres na arte de fazer canoas. Enquanto dezenas de crianças brincam na água, felizes com o tanto que a ilha lhes dá, as mulheres (e mães) reparam redes de pesca e os homens (alguns) constroem as canoas tipicamente santomenses, as pirogas.

sublime do que assistir a uma ópera numa capital europeia. Mark Shuttleworth é uma dessas pessoas. O sul-africano de 40 anos, milionário depois de ter inventado a assinatura digital e o sistema operativo Ubuntu, o primeiro africano a fazer uma viagem ao espaço, apaixonou-se pelo Príncipe e começou a comprar. Comprou para mudar mas ilha boa também para manter. Para aumentar o No Ilhéu Bom Bom não andámos de canoa, aeroporto, apetrechar o hospital, formar embora elas passem ao largo em busca professores, mas para impedir que se de peixe. Neste pequeno pedaço de terra faça alguma coisa que possa ser vista do a nordeste, selecionado para ser uma das ar ou do mar. Quer que o skyline desta Sete Maravilhas de São Tomé e Príncipe, “ilha verde” permaneça assim, imaculado. circulámos de lancha a motor para fazer Mark é o proprietário das concessões das snorkelling, observação de pássaros, Roças Paciência e Sundy, do resort abandover os golfinhos, os recifes de coral, para nado da Praia Macaco, e do Bom Bom apreciar o Príncipe com olhos de mar. Island Resort, o único hotel de “luxo” Avistámos a Baía Maria Correia, o Pico da ilha. Luxo vem entre aspas porque aqui Agulha e o Pico Mesa, na costa oeste, o significado da palavra muda muito. Luxo é emoldurar o que já existe, proteger os areais da praias Banana–, onde foi e valorizar. filmado um anúncio da Bacardi–, Boi e Macaco, a Situado no canto nordeste leste, e outros inacessíveis da ilha, este foi o primeiro a partir de terra. O Príncipe resort africano a ser premiaé Reserva Mundial da do pelas suas práticas ambientais. Biosfera da UNESCO desde 2011 devido à biodiTem 20 bungalows encaixaversidade e ao ecossistema dos nas árvores e encostados únicos. Nesta pequena ilha aos areais da Praia de Santa junto à linha do equador há Rita e da Praia Bom Bom, e espécies de aves, plantas um restaurante-bar no ilhéu e peixes únicos no mundo. Bom Bom. Para chegar lá, É um destino para quem tem de se passar uma longa ama e respeita a Natureza. ponte de madeira sobre Para quem prefere pessoas o mar. A ponte liga o norte a coisas. Para quem assistir do Príncipe ao ilhéu que à desova das tartarugas dá nome ao hotel. A ponte nas praias (entre outubro é uma passagem… para e fevereiro, e sobretudo uma outra margem. à noite) é tão ou mais ‘São tomé and Príncipe’, Uma miragem. l

GUIA DE VIAGEM bradt.


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V IAGENS EM LÍNGUA PORTUGUE SA DE SDE 1994

N.º231 | JANEIRO 2014 | MENSAL | ANO 20

ILHA DO PRÍNCIPE | CRUZEIRO NA ÁSIA | 10 CIDADES EM ESPANHA N.º 231 JANEIRO 2014

Que viva ESPAÑA

10 cidades com muito salero

CRUZEIRO NA ÁSIA

NO MAR DA CHINA

A BORDO DO ‘LEGEND OF THE SEAS’ MENSAL, ANO 18, N.º 231, JANEIRO 2014 €4,90

w w w.voltaaomundo.pt

Príncipe A ILHA CONSORTE DE SÃO TOMÉ


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PRÍNCIPE

enc−tado —

Um beijo que transforma uma rã em princesa. Uma carícia de verde e azul, uma explosão de fertilidade, uma lição de simplicidade, de felicidade. O Príncipe é gente. É o centro do mundo. No meio do Atlântico, sobre a linha do equador, paira esta ilha do chocolate, a comida dos deuses. A ilha dos deuses. Encantamento.

TEXTO DE MÓNICA FRANCO/WWW.PAPAKMS.COM | FOTOGRAFIAS DE CONSTANTINO LEITE


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A deusa da fertilidade. Ananás, banana, cacau (transformado em aguardente por Claudio Corallo, na sua última aventura). Alguns dos muitos frutos de uma natureza fértil. Þ

COMO IR A TAP (flytap.com) viaja de Lisboa para São Tomé a partir de 598 euros. De São Tomé para o Príncipe existe ligação de avião, com a STP Airways, que custa cerca de 120 euros. Do aeroporto do Príncipe para o Bombom ou para Santo António demora-se cerca de 15 minutos.

COMO SE DESLOCAR Não há praticamente carros e motos na ilha, mas tente na Residencial Palhota, em Santo António. Fale com o senhor Alex. É o lugar mais provável de encontrar. Uma pick-up pode custar cerca de €25/dia. Caso fique alojado no Bombom Island Resort, existe um serviço de transporte com guia-motorista, com preços a acordar localmente.

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evemos ter demorado uma hora a chegar à praia. A descobri-la. Nos dez ou quinze quilómetros que separavam o nosso ponto de partida, o Bombom Resort, e a praia mais famosa da ilha, a Banana, pensámos voltar para trás umas dez vezes. Considerámos seriamente desistir quando a pick-up se inclinou para o lado direito a ponto de quase se deitar… Somos aventureiros (ou loucos?…). Recusámos o transporte «oficial» do hotel, que trazia guia incluído. Procurámos um lugar para alugar carro, por nossa conta e risco, sabendo à partida não existir nada vagamente parecido a um rent-a-car em toda a ilha. Seguimos sem guia nem mapa, à procura de uma praia que não vem indicada em lado nenhum. Passámos o Bairro do Aeroporto, a aldeia do Picão, a entrada para a Roça Paciência e não avistámos a placa a anunciar Belo Monte, um dos pontos de referência. Atravessámos a floresta tropical. E quanto mais avançávamos para dentro dela, mais densa e intensa ela se tornava. No início ainda parámos umas quantas vezes para apreciar as plantas do café e do cacau, a baunilha, a pimenta. Tirávamos fotografias, procurávamos avistar macacos, deslumbrávamo-nos com a biodiversidade, os cheiros, os piares diferenciados. Mas isso foi no início. À medida que íamos avançando, descendo mais próximo do nível do mar, mais impossível parecia ser chegar a algum lado. As chuvas recentes pareciam ter esburacado o caminho para sempre. A floresta parecia querer engolir-nos.

A natureza parecia estar a proibir-nos de continuar, a colocar-nos pedras no caminho, a proteger-se de visitas indesejadas. Há uma energia especial na ilha do Príncipe. E se a imagem de uma natureza antropomórfica pode, habitualmente, soar ficcional, bastam alguns dias na mais pequena ilha do segundo mais pequeno país africano para reavaliar algumas ideias feitas. Ajuda saber a história de Fernando, o menino de 8 anos que se perdeu na floresta durante oito meses e sobreviveu. Fernando nunca tinha visto um boi. E quando avistou um, seguiu-o. Entrou no meio da floresta cerrada do Sudeste do Príncipe e já não conseguiu voltar para trás. Não conseguia ver o caminho. Procuraram-no durante semanas, desistiram, perderam as esperanças. Na floresta, Fernando encontrou um amigo: um macaco. Era ele que trepava ao coqueiro, sacava o coco, quebrava-o e dava-lho para beber o suco e comer a polpa. Comia também um caramujo que nasce nas árvores. Dormia encaixado nas pedras. E todos os dias tentava achar o caminho de casa. Até que uma vez, oito meses depois, foi dar a uma praia selvagem e encontrou um pescador. Nós também conseguimos chegar à praia. Ainda não sabíamos a que praia. Mas também não queríamos saber. A imagem de um pequeno pedaço de paraíso estava ali, à nossa frente, com tudo o que um cartão-postal é obrigado a ter: as palmeiras que se vergam sobre a areia branca, as copas das amendoeiras a garantir um lugar à sombra, a água em tons definidos pelas nuvens no céu. Nadámos. E voámos para um lugar mágico. Chegámos ao Príncipe.

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UM MUNDO DE MAGIA A NÃO PERDER Observação de tartarugas Janeiro é o último mês da «temporada» da desova. Há que aproveitar para espreitar. A praia Grande é o local mais provável para poder observar o processo, mas quase todas as praias do Príncipe são desertas e, por isso, podem ser escolhidas pelas tartarugas para pôr os ovos. Aconteceu-me ver na praia do Bombom. É uma experiência «grande». Enquanto elas depositam os ovos, podem ser observadas de perto. Só é preciso ter atenção e não utilizar flashes nem luzes artificiais, para não as confundir. Quando elas regressam ao mar, são orientadas pela luz. Para as proteger, existem algumas associações que levam os ovos da praia para incubadoras.

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ilha do Príncipe foi descoberta pelos portugueses a 17 de janeiro de 1471, quase um mês depois de São Tomé, a ilha-mãe deste arquipélago no golfo da Guiné. Eu conheci o Príncipe em janeiro de 2013, cinco anos após a primeira visita a São Tomé. Viajei pela primeira vez para a «ilha verde» há precisamente um ano. As primeiras férias após ter sido mãe foram escolhidas a dedo. E, de repente, deixaram de ser apenas férias e viraram casamento-surpresa e lua-de-mel. O Príncipe é especial. E não o será só para mim, por estas razões. É especial por medir apenas 142 quilómetros quadrados e ter somente seis mil habitantes. Especial pela sua pequenez, sim. Porque a dimensão do seu território é diametralmente oposta à sua dimensão emocional. É fácil fazer amigos por aqui. Conhecemos o Eni e a mulher, Betty, logo no primeiro dia. Procurávamos o melhor vinhateiro da ilha. Encontrámo-lo no Bairro do Aeroporto, orgulhoso da casa de banho que tinha acabado de construir no quintal da sua casa de madeira e do seu sistema estéreo a soar alto a partir da varanda do primeiro andar. Eni extrai «vinho» da palma. Duas vezes por dia, de manhã e ao final da tarde, segue a pé para o meio do mato para subir às palmeiras certas e retirar o suco delas. Trepa à árvore como quem caminha no chão. Com uma destreza que faz a tarefa parecer fácil. Um litro de vinho da palma custa 15 mil dobras, menos de um euro. E pode ser trabalho de um dia. O vinho é a única fonte de rendimento da família de

Quase todos os pescadores da praia do Abade são também agricultores. E alguns são mestres na arte de fazer canoas. A vida de Abade passa-se na praia. É um quadro com azul e verde de fundo.


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Eni, que acabou de ser pai pela segunda vez e vive com mais uma filha do primeiro casamento da sua mulher. Ainda assim, no dia em que o conhecemos, insistiu para ficarmos para jantar. Recusámos, com a promessa de voltar na manhã seguinte com os ingredientes para produzir um almoço local. Naquela noite, Betty tinha preparado um frango com molho e arroz que, observámos, mal chegou para todos os elementos da família. No dia seguinte, regozijou com os peixes frescos, secos e salgados que trouxemos do mercado de Santo António e preparounos molho no fogo. Cozinhou o peixe salgado com banana, maquequê (uma espécie de couve), quiabo, beringela, malagueta, óleo de palma, folha do coentro local e outros ingredientes mais comuns, como toma-

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te e limão. Fê-lo por baixo da casa de madeira, entre as «palafitas» erguidas para que as chuvas intensas da ilha não inundem a habitação. Eni preparou a fruta-pão, o acompanhamento por excelência de quase todos os pratos são-tomenses, numa panela sobre a brasa feita no chão do quintal. A filha mais velha tentou ensinar-nos a dançar. Queria prepararnos para a festa dessa noite, no Picão. A eletricidade, que normalmente é cortada entre as três e as cinco da tarde, a meia-noite e as sete da manhã, às sextas e sábados dura até às quatro da madrugada. A festa acontece. E as discotecas vão alternando: Picão, Porto Real, Aeroporto, Santo António. Basta perguntar para saber onde. Toda a gente sabe. De tudo e de todos.

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IMENSA «Há uma energia especial na ilha do Príncipe. E se a imagem de uma natureza antropomórfica pode, habitualmente, soar ficcional, bastam alguns dias na mais pequena ilha do segundo mais pequeno país africano para reavaliar algumas ideias feitas.

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Telé Cozinha local feita como em casa por uma mulher cheia de sorrisos. Cozinha-se com a brasa no chão e existe casa de banho dentro do restaurante, mesmo por trás do mercado de Santo António. Há apenas um prato à escolha, normalmente circula entre o receituário local, como molho no fogo, calulu, feijão da terra, entre outros. Muito peixe seco ou fumado, muito óleo de palma, banana-pão, fruta-pão, mandioca, algum frango e macaco só para ocasiões especiais. Preço médio por refeição: € 5

Teté É fácil confundir a Telé com a Teté. Nomes semelhantes, mulheres igualmente imponentes, cozinha local, caseira, cozinha com fogo no chão. Neste caso, com uma casa de banho fora do restaurante. A Teté estava prestes a mudar-se para a casa de alvenaria em frente ao restaurante atual, junto à «marginal» de Santo António, construída para fazer a função, com todas as condições. Banana-pão frita em óleo de palma para comer sem parar. Uma moqueca muito bem feita. Preço médio por refeição: € 5

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O Príncipe é especial… Por medir apenas 142 km2 e ter somente seis mil habitantes. Especial pela sua pequenez, sim. Porque a dimensão do seu território é diametralmente oposta à sua dimensão emocional.

OS MENINOS DA ILHA

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s habitantes do Príncipe são pobres. Só não passam fome porque têm alimento à mão: cresce nas árvores do quintal, no mato, em frente a casa, em todo o lado. Mas passam necessidades. Sofrem com a dupla insularidade. Dependem do barco de mercadorias vindo de São Tomé para bens essenciais, como vegetais e gasóleo. Toda a economia da ilha depende do gasóleo. A eletricidade funciona através de geradores – e os geradores só funcionam com combustível… A pobreza da ilha é visível um pouco por todo o lado. Nos pés descalços das crianças que jogam à «bola» com fruta-pão ou garrafas de plástico. Nas casas espartanas, quase todas sem casa de banho. Na roupa carcomida pelo tempo e uso sistemático. Na magreza dos velhos. Nas barrigas inchadas de alguns bebés. Nas crianças que pedem boleia para tentar encurtar as duas horas de caminho que as separa da escola. Nas mulheres que sobem dos rios em direcção a casa com alguidares de roupa ou cantis de água na cabeça. A pobreza sente-se claramente no mercado da capital. Foi aí que

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conhecemos Deolinda. Na sua banca com meia dúzia de tomates, pimentos e malaguetas. Na banca quase invariavelmente sem clientes. Foi Deolinda quem nos levou a Telé e Telé quem levou à azagoa. Telé é nome de mulher imponente. Nome de cozinheira, de restaurante com o seu nome. Telé fica por trás do Mercado de Santo António, a cidade mais pequena do mundo, segundo o Guinness. Naquele dia, o almoço era calulu – feito com peixe seco e óleo de palma, nomeadamente. Três dias depois, seria uma azagoa, feita de encomenda. A especialidade máxima do Príncipe leva três dias a preparar. Sabíamos que levava «mais de cem folhas diferentes», apanhadas no mato. Não sabíamos que o outro ingrediente principal seria macaco… Por aqui, há também quem coma tartaruga. Mas também – e cada vez mais – há quem as proteja. Entre outubro e fevereiro, muitas espécies de tartaruga desovam nas praias da ilha, sobretudo à noite. É comum ver o seu rasto na areia de algumas praias. E não é incomum avistá-las a depositar os ovos. Grandes, pesadas, dengosas.

POVO QUE PESCA A pesca é a principal fonte de subsistência da população da ilha. Mas há quem diga que o peixe está a fugir para longe – uns ainda conseguem colocar motor na piroga, mas a maior parte pesca apenas onde consegue chegar com remos.

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PRAIAS DE FILME A praia Banana é uma das mais famosas da ilha do Príncipe, muito por causa de um anúncio da Bacardi, filmado aqui. A sua forma deu-lhe o nome. Boi, Macaco, Santa Rita, Maria Correia são nomes de outros areais que davam filmes.

PAPAGAIO QUE NÃO É LOURO O papagaio cinzento é o "tesouro" do Príncipe. Há, inclusive, um negócio obscuro em volta dessas aves.

A ilha é Reserva Mundial da Biosfera da Unesco desde 2011. Existem aves, plantas e peixes que apenas podem ser encontrados aqui.

RIQUEZA DE ABADE

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Príncipe é Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO desde 2011. Biodiversidade e ecossistema únicos estão na origem da justa nomeação. Existem espécies de aves, plantas e peixes que apenas podem ser encontrados aqui. O Parque Nacional Obô tem trezentos quilómetros quadrados de área protegida em ambas as ilhas, contam-se mais de sessenta espécies de orquídeas, sabe-se de uma planta que só existe nesta ilha e em Madagáscar… Das 120 espécies de aves do arquipélago, 11 são endémicas do Príncipe. Uma expedição da National Geographic em 2006 descobriu sessenta novos peixes, dez deles nunca antes descritos. Peixe-fumo, andala, balão, dourado, agulha, atum, bonito, cavala, corvina, barracuda, são os mais comuns. Quem nos conta é Nenéu, um dos muitos pescadores da praia do Abade, uma comunidade com cerca de quatro centenas de pessoas

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na costa leste da ilha. «As águas levaram o peixe para longe», diz o pescador sentado numa canoa, de costas viradas para o mar. «Quando o mar não dá, a terra dá. Comida sempre tem», continua. Quase todos os pescadores da praia do Abade são também agricultores. E alguns são mestres na arte de fazer canoas. A vida de Abade passa-se na praia. É um quadro com azul e verde de fundo. Animado pelos gritinhos das crianças que brincam na água. Agraciado pelos movimentos suaves das mulheres que reparam as redes de pesca. Pontuado pela cadência das marteladas dos construtores de pirogas. Hélder, de 36 anos, além de pescador, constrói canoas. O tronco da árvore – a piroga que dá nome às canoas tipicamente santomenses – é cortado e escavado no mato. «Leva tempo», diz-nos, orgulhoso por mostrar o seu engenho. Duas pessoas levam um mês para fazer uma canoa. Depois

é «leve-leve, até ficar liso». Com muita calma, “leve-leve” – ou “móli-móli” no dialeto local. Trindade também mora no Abade, mas faz esteiras. Leva «duas horas de relógio» a fazer uma toalha, mas com a palha faz também individuais, tapetes, cestos de pão, molduras. Tem 66 anos e é artesão desde 1975, mas trabalha na roça para alimentar os 14 filhos… Leandro tem mais de 70 anos e faz cestos há quinze. Mora junto à Roça Paciência, no norte, já foi lá pedreiro, agora faz cestos para os cabazes de legumes e frutas desta propriedade, comprados sobretudo por expatriados residentes no Príncipe. A vista da sua casa é milionária, a sua vida muito longe disso. Ele e a mulher, Cesaltina, vieram ainda crianças de Cabo Verde para trabalhar nas roças, como a maioria dos habitantes do Príncipe. Hoje criam uma caterva de netos, que brincam

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por ali, com o que apanham à mão. Como Benvinda, a cabo-verdiana sexagenária que produz licores, aguardente de cana, bobó frito (banana), compotas de frutas locais, como cajamanga, mamão, goiaba, ananás. «Inventou» tudo isso desde que o marido morreu há dez anos, com «problemas de fígado». Vida difícil, nove filhos, oito netos, uma roça de 11 hectares para cuidar, muitas bocas para alimentar. Não tantas quantas as de Costa, um dos produtores de ananás do Príncipe, vizinho de Benvinda. Costa é pai de vinte filhos e nem a produzir trezentas cabeças do fruto, a vinte mil dobras o quilo, consegue garantir a subsistência. Nos seus 14 hectares com vista para a costa norte, cultiva também goiaba, milho, cana, mandioca, banana, mas falta quem lhe compre o produto.

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Na Roça Paciência já se veem as sanzalas com as paredes rebocadas, hortas plantadas, ł viveiros de café e cacau. O objetivo é explorar também a baunilha e a pimenta e, dentro de uns 15 anos, apresentar ao mundo um casestudy.

A “ROÇAR” A PERFEIÇÃO A NÃO PERDER Padaria do Artur O Artur é bombeiro no aeroporto mas apaixonou-se pelo pão. Em Gaspar, construiu um anexo de madeira em frente à sua casa e, lá dentro, um forno a lenha. Usa farinha de trigo para fazer carcaça e pão de forma. Vende novecentos pães por dia a duas mil dobras cada. Viagem de barco Bobby é um lobo do mar. Pesca para fornecer o restaurante, pesca por desporto e hobby, pesca para levar turistas a pescar, organiza os passeios de barco a partir do Bombom Resort consoante as vontades da «tripulação»: snorkeling, observação de pássaros, golfinhos… É um privilégio poder observar a ilha do mar, chegar a praias que não estão acessíveis de outra maneira, ver os picos por trás dos morros, os recifes de coral... bombomprincipe.com

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ark Shuttleworth foi o primeiro africano a fazer uma viagem ao espaço. E, pelos vistos, encontrou o «céu» na ilha do Príncipe. O sul-africano, de 40 anos, milionário depois de ter inventado a assinatura digital e o sistema operativo Ubuntu, é agora proprietário de praticamente metade desta pequena ilha. Comprou as concessões das Roças Paciência e Sundy, um resort abandonado na praia Macaco, o Bombom Island Resort, quer aumentar o aeroporto, aprovisionar o hospital. Não quer fazer nada que possa ser visto do ar e do mar. Nada que transforme a silhueta perfeita da «ilha verde». Na Paciência, no Nordeste, pretende criar um projeto de turismo integrado na agricultura, com unidades de processamento de cacau e café e um laboratório de investigação e desenvolvimento. Nesta pequena propriedade existem quatro sanzalas (os antigos quartos dos escravos), cavalariças, casa dos capatazes, hospital, casa principal, armazém e secador. Todos os edifícios fecham o pátio, o epicentro destas pequenas comunidades autossuficientes. Nesta roça já se veem as sanzalas com as paredes rebocadas, hortas plantadas, viveiros de café e cacau. O objetivo é explorar também a baunilha e a pimenta, os frutos, as ervas aromáticas e medicinais locais e, dentro de uns 15 anos, apresentar ao mundo um case-study. Um projeto global e único. Made in Príncipe. Na Roça Sundy, a noroeste, o cenário é outro. A maior propriedade da ilha tem 1600 hectares e uma comunidade residente de cerca de quatro centenas de pessoas, ainda guarda a locomotiva que circulava dentro da propriedade e levava o café e o

cacau para a capital, para serem embarcados para Lisboa. Sobre a locomotiva ferrugenta, está hoje uma antena parabólica... Foi João quem nos levou até à Sundy. O guia-motorista do Bombom Resort morou e trabalhou na Sundy quando ainda era garoto. Praticamente todas as semanas leva turistas a visitar a propriedade e não consegue deixar de se emocionar quando recorda os tempos em que a carpintaria onde trabalhou, a fábrica de cana-de-açúcar e o comboio funcionavam… Muito antes de todos os destroços… O plano de Mark Shuttleworth para a Sundy é glamping na praia. Tendas de luxo à beira-mar e cento de produção agrícola na propriedade. A casa principal, onde foi provada a teoria da relatividade de Einstein pelo astrónomo britânico, Arthur Eddington, em 1919, provavelmente servirá de museu. As antigas fábricas também. Claudio Corallo também tem planos para a casa principal da Roça Terreiro Velho. Além de sua habitação, será transformada em laboratório e centro de formação. Corallo é o italiano que mudou a cara do cacau e do café de São Tomé e Príncipe. Deu-lhe carimbo de qualidade. No Príncipe, tem a concessão desta roça de oitenta hectares no Sul. Provavelmente a propriedade com a panorâmica mais bonita do arquipélago. Situada no topo de uma colina, olha de cima para o Boné de Jóckei que deu nome ao ilhéu em frente e para a floresta primária onde o pequeno Fernando andou perdido oito meses. “Há 15 anos, quando cheguei, ninguém imaginava que podia ter esta vista aqui. O mato tinha tomado conta de tudo”, conta-nos num português cheio de Florença o italiano mais africano de sempre.

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GENTE QUE «FAZ» Os pescadores que consertam as redes na praia do Abade, Benvinda que faz licores, aguardente e bobó frito, Artur que é bombeiro, construiu uma padaria e aprendeu a fazer pão, Corallo que produz a partir do Príncipe um dos melhores cacaus do mundo. Há gente que utiliza o verbo «fazer» por aqui.

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O CANTO DA PRINCESA O Bombom Island Resort é o hotel mais luxuoso do Príncipe. A ponte-passadiço que liga a ilha ao ilhéu Bombom é uma das suas imagens de marca: 230 metros de uma caminhada sobre o mar e vista sobre as duas praias do resort. É mítico (e místico).

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O REINO DE ARTUR Artur é bombeiro no aeroporto mas tem uma paixão por pão. Construiu a sua padaria com forno a lenha em frente à casa da família, em Gaspar. Ele e o sobrinho produzem 900 carcaças por dia, a duas mil dobras cada (cerca de oito cêntimos).

A pobreza da ilha é visível um pouco por todo o lado. Nos pés descalços das crianças que jogam à bola com fruta-pão ou garrafas de plástico. Na roupa carcomida pelo tempo e uso sistemático.

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O «DONO» DA ILHA O mais recente proprietário do Bombom Island Resort, Mark Shuttleworth, comprou quase metade do Príncipe e tem planos de construir, pelo menos, mais três hotéis de luxo.

ONDE FICAR Bombom Island Resort Vinte bungalows espalham-se entre as duas praias – Bombom e Santa Rita – e a floresta tropical que acaba junto ao mar. Todos estão a trinta segundos do mar. O pequeno--almoço é generoso, saboroso e local, os almoços e jantares com duas opções de menu, a maior parte das vezes com ingredientes locais. A noite de churrasco e o tandoori são duas ocasiões especiais. Quarto duplo a partir de € 255 com meia-pensão e € 300 com pensão completa. bombomprincipe.com Roça Ponta do Sol Jean-Claude é o belga proprietário da Roça Ponta do Sol, inaugurada em 2006, numa antiga dependência da Roça Sundy. Tem quatro quartos e uma panorâmica de cortar a respiração para a costa oeste, a partir da varanda. Ideal para quem gosta de de estar próximo da natureza e dispensa luxos. Quarto duplo a partir de € 50 com meia-pensão Caixa Postal nr. 4 Tel.: +239 9925105

NA INTERNET stptourism.st pousadas.st

AGRADECIMENTOS Tap Air Portugal www.flytap.com

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BOM, MESMO BOM... Casei-me no Bombom Island Resort. Dia 13 de janeiro de 2013, noite estrelada, mesa no areal da praia, velas que me indicavam o caminho até ao sonho…

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também passei a lua-de-mel aqui. Entre corridas na praia da esquerda, caminhadas pela mata até à praia de Ribeira Izé para ver a igreja que os portugueses plantaram no areal e os banhos demorados na praia Santa Rita, a da direita, fiquei uns dias sem sair do bem-bom. Deixei de contar as vezes que percorri a ponte que liga o Norte da ilha, onde estão os bungalows, ao ilhéu Bombom, onde fica o restaurante. E as vezes que parei para olhar uma vez mais, e nunca demais, para aquele cenário que parece tudo menos real. O Bombom absorve para si o espírito da ilha toda. No Bombom estão o Gilson, o Davide, o Atti, o Pelé, o João, o Bobby, a Tracey. É um hotel cheio de histórias. A de Gilson, um são-tomense de 20 anos, que teve de desistir da escola para trabalhar e poder sustentar a casa onde vive sozinho com o irmão mais novo. A de Davide, um dos melhores empregados de sala, que sonha tornar-se guia da

natureza (e nem sapatilhas tem para isso). A dos sul-africanos Tracey e Bobby, que se conheceram em Moçambique e criam a filha de 2 anos neste recanto do mundo, onde nos tempos coloniais eram mandados os malfeitores para o exílio. Estive no Príncipe duas vezes no mesmo ano. E ainda assim não o conheço. Não subi ao pico Papagaio nem ao pico do Príncipe. Só vi a baía Maria Correia, o pico Agulha e o pico Mesa a partir de fora, durante o passeio de barco que fizemos pela costa oeste. Não sei sequer quais são as melhores praias da ilha: a Banana, onde foi filmado um anúncio da Bacardi?... a Boi, onde estivemos no primeiro dia?… Macaco, Caixão, Maria Correia, Seca, Grande, Burra, Santa Rita, Ribeira Izé, Bombom?… Eu escolho a de Santa Rita. Mas só para dizer que tenho algum ascendente sobre esta ilha. Na realidade, é a ilha que tem ascendente sobre mim. n

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DANIEL ROCHA ESTE SUPLEMENTO FAZ PARTE INTEGRANTE DA EDIÇÃO Nº 8828 DO PÚBLICO, E NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE

Braga Tunísia Monte do Zambujeiro L’ Air du Temps Qasqhai

Ilha do Príncipe O progresso está a chegar ao paraíso — e vem da lua FUGAS | Público | Sábado 14 Junho 2014

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Capa São Tomé e Príncipe

O Príncipe é na terra e no mar, mas o progresso vem da lua Um bombom denso e quente que irrompe do Atlântico, mil sorrisos, sol, praias e roças. O paraíso é aqui, quase em cima do equador, e fala português. Agora, a mudança está a chegar à ilha mais pura de São Tomé: um milionário espacial quer que ela seja ainda mais verde e sustentável. Vem aí mais gente. Joana Amaral Cardoso (texto) e Daniel Rocha ( fotos)

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stamos à beira do precipício, ribomba a trovoada pelo Golfo da Guiné e por ali abaixo até ao mar há rocha, coqueiros, areias virgens e memórias de escravos. O mar vai do verde-água ao azul cobalto, sempre cristalino, e recambia qualquer adulto empedernido à infância despreocupada. É vê-los, viajantes solitários, a correr até à água de sorriso rasgado, ou a deixar que o mar faça o seu vaivém enquanto os enrola na areia clara da praia Banana. Na ilha do Príncipe, a irmã mais pura de São Tomé, há duas partes, sempre verdes: “A floresta junto à praia é coqueiro, mais para dentro é eritrineira — dava sombra ao cacau.” O turismo e a colónia. A

trovoada quente avança sobre nós depois de dias de sol reluzente. O tempo está a mudar. O Príncipe também. David Carmo cresceu numa roça, as antigas explorações coloniais portuguesas que polvilham São Tomé e Príncipe, trabalha na hotelaria e é animador na capital do Príncipe, Santo António — sempre descrita como “a mais pequena cidade do mundo” pelos seus habitantes. No promontório, é ele, David em versão guia, que defende que parte da história do segundo mais pequeno país de África é contada pela sua paisagem. Há as praias de postal ilustrado — limpas e seguras, água tépida, coqueiros e caroceiros a bordejar a costa — e há o interior, um verde luxuriante total, menos exaurido do que o da ilha de São Tomé pelas plantações de cacau, café e outros produtos transportados pelos portugueses para o resto do mundo. Pequeno país, pequena cidade… No Príncipe, o aeroporto é de facto pequeno. Por enquanto. A ofer-

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Capa São Tomé e Príncipe Nas páginas anteriores, vista da praia Banana a partir do miradouro junto à antiga roça Belo Monte; nestas páginas, as águas da Praia Burra, a roça São Joaquim e, em baixo, máquinas da roça Sundy

ta hoteleira é mesmo um nicho. Por enquanto. A amplitude do clima também é estreita — ou está calor ou está calor, ou está muito húmido ou moderadamente húmido. Aqui e agora, tão perto do equador, está quase, quase a chover. A ilha que rebenta como um bombom verde do azul do Atlântico agradece. Nós corremos para o carro. Embrenhamo-nos novamente nas estradas terracota ladeadas por floresta, deixando para trás a costa mordida por praias de areia cor de mel. Muitas dessas dentadas em forma de paraíso permanecem intocadas ou são habitadas por pequenas comunidades piscatórias, cheias de crianças a brincar na praia ou a mordiscar uma pata de caranguejo cozido, de porcos deitados à sombra do oblívio do seu futuro (o tacho), pescadores e suas mulheres a organizar as linhas nas pirogas que escavaram a partir da auto-explicativa árvore baptizada como Oca. Um punhado delas tem ou vai ter exploração turística estrangeira, e alguns dos moradores de sempre vão mudar de poiso para abrir caminho para os visitantes. No interior, o mesmo acontece com algumas roças, estruturas arquitectónicas tão importantes do património são tomense quanto as casas tradicionais, elevadas e de madeira, que pontuam a ilha — há roças habitadas por comunidades que cultivam a terra e que vivem ainda nas senzalas, há roças para turismo puro de pequeno-almoço incluído e há roças que complementam projectos de desenvolvimento turístico mais ambiciosos, assentes em ideais de sustentabilidade e responsabilidade social, como os da HBD.

O homem da lua

O céu continua tonitruante, uma pausa climática ideal para contar uma história enquanto não volta o sol. Chegámos ao Príncipe do céu, forma mais segura de, depois de apenas seis horas de viagem directa de Lisboa, pisar este pedaço de terra e sorrisos (o barco não nos foi recomendado por ser pouco seguro e muito, muito demorado). Há cerca de dez anos, os destinos da ilha também foram decididos no céu. Era uma vez o “homem da lua”, como lhe chamam os principianos, o sulafricano Mark Shuttleworth, que aos

26 anos ficou milionário ao vender à VeriSign a sua empresa de certificação digital e segurança web. Menos de um ano depois de ter feito o negócio da sua vida, fundou a HBD, sigla para a mui romântica frase “here be dragons”, evocativa da exploração de territórios desconhecidos, e, como qualquer pessoa faria, marcou uma viagem. A dele foi ir ali num instantinho ao espaço. Em 2002, tornou-se o primeiro africano na estação espacial internacional, conversou de lá com Nelson Mandela e pagou cerca de 20 milhões de euros pela aventura. Terá sido lá — reza a lenda, que Shuttleworth dá muito poucas entrevistas — que constatou que o planeta está demasiado marcado pelos erros dos seres humanos e que a HBD, uma incubadora de empresas e capital de risco, podia intervir numa pequena ilha chamada Príncipe. Que fica a meio caminho entre a sua África do Sul e a ilha de Man, no Reino Unido, onde reside, e cuja população pouco numerosa e modo de vida a salvaguardou de estragos ambientais de monta. Hoje é identificado sobretudo com o

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Ubuntu, o sistema operativo Linux baseado em código livre, mas em São Tomé e Príncipe o seu nome anda na boca de todos, do avião que nos devolve a Lisboa à pequena casa de Joaquim Pina, onde o artesão trabalha no varandim junto à estrada. Também ele, que desenha rostos e animais na madeira aqui em Pincatê, a caminho da Roça de São Joaquim, nos fala do “homem da lua”. “Sou de família pobre, classe proletária”, sorri enquanto a faca golpeia a madeira. Lembra-se então de Shuttleworth, que até o foi visitar e que acabou por levar algumas peças para o seu resort na ponta norte da ilha, o Bom Bom. “É muito, muito simples, até estava assim”, diz, apontando para o fotógrafo da Fugas, “de calção”. Talvez Joaquim Pina esperasse um Sr. Monopólio, monóculo grisalho, roupas e bigode empertigado, e não um homem de 40 anos que, uma vez por ano, vai ao Príncipe ver como estão os inúmeros projectos em curso e exasperar-se em busca de uma boa ligação à Internet. Um dos sítios onde ela existe mais frequentemente e onde algumas das peculiaridades da

De noite só se vêem estrelas e velas a tremeluzir — caminho suficiente para pensarmos, na era pós-reality shows, que seria uma desgraça que votassem para nos expulsar da ilha ilha são ultrapassadas é exactamente o seu Bom Bom Island Resort. Que é um pequeno pedaço de paraíso, não há volta a dar. A condizer com a ilha e suas gentes. Duas praias idílicas vazias de gente e sons que não os que ali pertencem e um ilhéu na ponta onde as duas se encontram. É o Bom Bom que dá nome ao empreendimento e onde agora mora o bar e restaurante do

resort, que só é acessível por uma ponte de madeira. De noite só se vêem estrelas e velas a tremeluzir — caminho suficiente para pensarmos, na era pós-reality shows, que seria uma desgraça que votassem para nos expulsar da ilha. Há duas dezenas de bungalows devidamente espaçados e com chuveiros exteriores, água purificada em garrafas de vidro ou de alumínio (eliminar o plástico numa ilha que importa todos os seus refrigerantes e que tem um problema de distribuição de água potável e afins é toda uma causa para a HBD), luz eléctrica 24 horas, em contraste com o resto da ilha que, funcionando a gerador, não tem electricidade das 24h às 6h. O kit de sobrevivência no primeiro e único hotel em África certificado como Biosphere Responsible Tourism, além de roupa de banho e leitura abundante, é dado à chegada: chave, lanterna recarregável sem pilhas e um apito caso seja preciso algo quando o sol se põe e o silêncio se instala. Não há pulseiras para stocks inesgotáveis de piña colada de pacote, não há animação forçada na piscina e a única música ambiente é


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comido pela vegetação galopante. Fornece uma das várias sensações à moda da série Perdidos que temos nesta ilha, e uma das mais desnorteantes. É tão bom, não foi?, este projecto de um português que acabou por morrer na praia e que, depois de ter sido comprado pela HBD, será demolido e tornado, em 2016, num hotel de 54 quartos (um por cada país africano). Só nestes projectos, entre concessões pagas anualmente e investimentos para remodelar o Bom Bom, construir novos hotéis ou manter a praia Grande um exclusivo para tartarugas, falamos de gastos que ultrapassam os 40 milhões de euros. Para já.

A marca Príncipe

dada pela espectacular fauna, dos guarda-rios azuis aos papagaios como a mascote Chaplin, passando pelos pequenos macacos que saltam, à saída do resort, para pontos mais discretos da floresta. Noutra encarnação, o Bom Bom pertencia a outro estrangeiro e tinha uma aura de estância de pesca para os ricos e secretos. Foi comprado, juntamente com as suas praias, por Shuttleworth, que também adquiriu a Praia Grande única e exclusivamente para que sirva de santuário às tartarugas marinhas que desovam a poucos quilómetros de Santo António. Nos seus planos estão outras praias do Príncipe, pagando dezenas de milhares de euros por ano pela concessão ao governo regional para poder impedir a extracção de areias para construção que quase acaba com a costa (praia Uba) ou para lá instalar novos projectos turísticos de índole sustentável (praia Sundy, praia Boi). Há ainda o curioso caso da fantasmagórica praia Macaco, onde há já bungalows uns em cima dos outros, camas ainda no interior, uma piscina de água estagnada e um restaurante

No total, a ideia é que o Príncipe obtenha do seu principal empreendedor e investidor privado cerca de cem milhões de euros para criar qualquer coisa como uma “marca Príncipe” de sustentabilidade e respeito pela natureza. A mesma natureza que faz com que os cerca de 3000 habitantes da população activa não tenham emprego, mas não tenham propriamente fome. A terra e o mar são sinónimo de subsistência e, ao contrário dos principianos, são ricos. Agora que a chuva já parou, a idosa dona Brázia sorri-nos no centro de Santo António. Por que é que quer que a Fugas a fotografe? Desarmanos: “Porque quando for ver a foto, vai-se lembrar de mim.” Aqui, ao contrário do que acontece em São Tomé, as crianças não pedem aos estrangeiros “doce-doce-doce”, uma cantilena que o turismo irresponsável criou num país em que a saúde básica não inclui consultas regulares de dentista. Quando pedem algo, o que é raro, é que lhes tiremos o retrato. Na roça de São Joaquim, sob um sol abrasador e com vista para o Pico do Papagaio e outras montanhas da ilha (sempre verdes, claro), uma mãe lembra, e bem, que o que faz falta, se queremos oferecer algo num país com uma taxa de natalidade tão elevada e tão pouco emprego, são cadernos e canetas para a escola — algumas das quais têm já professores pagos pela HBD para ensinar disciplinas-base para o futuro, como o inglês ou a matemática. A empresa emprega 350 pessoas no Príncipe e, segundo Luís Cruz,

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responsável pelos recursos humanos da HBD, nos próximos três ou quatro anos e com os novos projectos, empregará ainda mais 120 a 140 trabalhadores. Um dos desafios, admite, é “criar uma ética profissional” numa população entregue ao sabor dos dias e, completa Fernando Barros, responsável da HBD para as operações no país africano, “despertar o empreendedorismo sem intervir de forma que prejudique a ilha”. Enquanto parte da população vê o futuro como coisa para pensar amanhã e os viajantes chegam a

conta-gotas ao Príncipe, em pequenos aviões a pequenos hotéis, há as outras obras que estão a mudar o Príncipe aos poucos, sempre com o dedo de Shuttleworth e sua equipa maioritariamente portuguesa no terreno. Do cargueiro que vai facilitar os transportes de mercadorias à extensão (pela Mota-Engil) da pista do aeroporto em 550 metros para poder passar a receber voos com máximo de 60 passageiros (ao invés das 18 pessoas que podem chegar ou voltar no único voo diário), que somam mais uns 20 milhões à conta

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do “homem da lua” no país. Um número limitado de passageiros futuros, ainda assim, porque “esta ilha não tem estrutura para estarem aqui mil ou 1200 pessoas” de fora de uma só vez, frisa Fernando Barros, português que nasceu e viveu até aos 14 anos em São Tomé e que voltou há cerca de dois anos para trabalhar com a HBD. Contabiliza: com os novos projectos que deverão estar prontos nos próximos dois anos, vai “quadriplicar a capacidade da oferta” só da HBD na ilha, fora os restantes operadores (poucos,

mas existentes e também activos na criação de uma oferta confortável). O objectivo é que “este projecto seja um case study, provar que é possível num ambiente como este intervir de uma forma equilibrada a 20, 25, 30 anos e que a ilha pode ser um projecto sustentável — e que as pessoas vivam desta intervenção”, diz.

Ilha do paraíso

É possível estar nas areias do Bom Bom ou nas águas imperdíveis da praia Banana e simplesmente desligar do mundo? É. Mas também é

possível que, daqui a um par de anos, nesta ilha que é reserva mundial da biosfera da UNESCO desde 2012, as coisas estejam diferentes e seja possível desligar noutras condições. Que haja mais viajantes nas povoações, que haja mais restaurantes e não apenas exemplares tímidos como o Beira-Mar ou a Rosita em Santo António, que se possa até alugar um carro. E que a imensa juventude do Príncipe cresça numa ilha um pouco diferente. Menos paraíso perdido, mas mais ligada. Ganhos e perdas. A esperança


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À esquerda, a vida corre devagar na praia Abade; na página da direita, a capital do Príncipe, Santo António, e Carlos Marx, guia turístico e o objectivo, diz quem lá trabalha agora, é mudar sem estragar. Depois de uma refeição de feijão da terra com peixe, arroz e banana-pão frita, o arquitecto português Francisco Plácido, experiente na construção sustentável em países em vias de desenvolvimento e a trabalhar com a HBD, resume o espírito da coisa numa frase: “Para não se tornar um local como aqueles em que muitas outras ilhas foram transformadas.” Que se mantenha o Salão de Beleza Lagartixa ou a barbearia e estúdio de gravação do DJ Fantasma, a roupa a secar sobre os arbustos floridos, a pesca de barracuda e peixe voador. Que se continuem a ver caranguejos a correr na floresta e cães a dormir placidamente sob os bancos na missa de domingo — e que se cantem ainda os Parabéns ao paroquiano aniversariante no fim. Que, no fundo, a mudança seja tão bem enquadrada quanto aquela que já está em curso via wifi: a recente Internet gratuita na praça principal da cidade “tem um impacto um pouco maior para as pessoas” do que os turistas ou os estrangeiros que têm chegado, diz-nos o colombiano padre Sérgio. Ao cair da noite, é ver pequenas colmeias de jovens com telemóveis e portáteis a saltar entre o Facebook e o mundo, sentados nos bancos do jardim com o brilho branco dos ecrãs a iluminar-lhes as caras concentradas. Não havendo produção de vestuário na ilha, há modas que chegam pelo “fardo”, as doações que depois vestem a ilha com camisolas do Benfica ou com calções de banho devidamente descaídos para deixar ver a marca dos boxers escrita nos elásticos. Um desses figurinos caminha pela praia Burra quando o sol se começava a inclinar sobre o mar depois de provarmos os ananases mais doces do planeta e de roermos polpa de coco, tudo directamente da árvore. Chegávamos à Burra, onde se lava a roupa no telheiro comunitário e onde os patos e as galinhas correm enquanto se cozinha o jantar. Há latrinas, não saneamento básico, e à sombra, junto ao mar, Chico está alheado dos planos que irão mudar a sua vizinhança. Ali vivem cerca de 200 pessoas, entre as quais muitas crianças, engenhosas, que fazem de duas laranjas, um graveto, linha de

Há uma janela de tempo estreita, entre meses e poucos anos, para ver alguns destes pedaços de litoral mudar — saem pescadores, entram viajantes

pesca e uma garrafa de óleo velha um carrinho disputado por todos. Chico está de roda do seu motor novo, aplicado na velha piroga. Amigos e família arranjam as redes, preparando-se para mais uma saída para a pesca. Todos nos perguntam se gostamos da sua ilha, orgulhosos. “Vem muito mais gente agora, mais turista.” E virão mais, segundo o empresário holandês que inaugurou um hotel na antiga roça Belo Monte, junto ao promontório que dá acesso à perfeitinha praia Banana, e que prevê

investir dez milhões de dólares para instalar chalés na praia Burra — e, depois, construir ainda villas para timesharing noutra zona do Príncipe. Tal como para os habitantes da praia Burra, na praia Sundy as coisas estão prestes a mudar. Ali vai nascer um espaço de glamping, campismo glamour em que 15 tendas especiais vão erguer-se num futuro resort que se quer que seja o primeiro carbono zero (sem pegada ambiental, quase sem poluentes) de África e onde as estrelas se vejam de tal forma desim-

pedidas de iluminação artificial que estejam ao nível de integrar a reserva Dark Sky da UNESCO. Para tudo isso, 14 famílias serão realojadas — tal como as que, por causa da extensão da pista do aeroporto, vão conhecer casas novas, de alvenaria e não de madeira como as que estão habituadas, e mais juntas entre si ao invés dos jardins de flores e bananeiras com que talham os seus quinhões de terra no paraíso. As mudanças na Sundy e no Aeroporto foram dialogadas ao longo de

largos meses e os papéis assinados para que a propriedade fique garantida para estas famílias, dizem-nos os responsáveis da HBD. As gentes da Sundy vão continuar a poder pescar nas suas águas de sempre, mas com estrangeiros, e obtiveram em troca do seu pedacinho de paraíso barcos, redes, equipamento de pesca, motores e casas que ficam mais próximas das escolas e hospitais. A bióloga Estrela Matilde, questionada sobre os prós e contras ambientais do progresso que traz barcos a motor e realojamentos, refere que todos os projectos da HBD “têm de garantir a sustentabilidade e a responsabilidade social”, frisando que o isolamento sanitário destas comunidades é pasto para “contaminações”, vendo vantagens nas mudanças em curso. Há uma janela de tempo estreita, entre meses e poucos anos, para ver alguns destes pedaços de litoral mudar — saem pescadores, entram viajantes. O Governo regional acredita no turismo como potencial de desenvolvimento económico numa ilha de desemprego, poucas aspirações e muita calmaria. “Leve leve”, como se diz por aqui, na praia Abade ou na praia Campanha, por exemplo, não há planos de mexer com a vida de pescadores, rapazes e raparigas, crianças, gatos e quiosques de venda de bebidas. Toda a zona sul, de mata ainda mais densa e classificada como zona ecológica, é ainda vista como remota e por isso mesmo também não está nos planos conhecidos para o turismo. Aqui, como em tantos países em vias de desenvolvimento brindados pela natureza por jóias turísticas do calibre das do Príncipe, o entusiasmo de quem planeia com um olho na sustentabilidade e outro na responsabilidade social quase abafa o cepticismo, que existe pontualmente, de quem teme alguma segregação entre os principianos e essa espécie genérica que são os “turistas” na sequência deste desenvolvimento da ilha.

Viajantes, não turistas E o facto é que, se pudermos ser filosófos de bolso por uns segundos, neste momento o Príncipe é mais para viajantes e menos para turistas. Eles não se queixarão da ausência de souvenirs e de ementas plastifica-

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Capa São Tomé e Príncipe

das com bandeiras de várias nacionalidades, esses niveladores internacionais que parecem portos seguros mas que muitas vezes bloqueiam o sentido de aventura. E nada como a aventura de comer o que vem para a mesa sem se ter feito um pedido no restaurante de Rosita (tel.: +239 9916621) , junto ao antigo quartel da GNR durante o período colonial e que agora, no centro de Santo António, é ocupado pela rádio regional. Reaberto em 2013 depois de uma experiência falhada anos antes, o seu restaurante sobrevive porque há mais gente no Príncipe, confirma a cozinheira. Na sala com flores sempre frescas e panos africanos a decorar, toda a família ajuda a trazer banana-pão, banana-prata, matabala, peixe vermelho, arroz ou um caldo tão misterioso quanto saboroso de galinha e ervas que nunca conseguiríamos resumir em palavras. Também o senhor Leandro, lá no cimo da sua colina escorregadia em dia de chuva tropical, faz mais negócio graças à presença dos “dragões do Príncipe”, como os descreve Luís Cruz, brincando com o nome da empresa de Shuttleworth. Cesteiro, Leandro faz também candeeiros e outras maravilhas com ramas que ele próprio, na casa dos 80 anos, vai buscar ao cimo das palmeiras. É vizinho da Roça Paciência, onde Manu e Francesca trabalham uma pequena escola de pedreiros e um laboratório de produtos naturais locais. Estamos mais uma vez nesse espaço desconfortável e confortavelmente reconhecível que é um terreiro, centro de uma roça em que sentimos familiaridade por ser uma edificação “à portuguesa”, mas que mete senzalas e secadores, história e carga de escravatura. Mas, agora, também é uma história de caras e aromas novos no Príncipe. Manu, enérgico e entusiasmado, veio de Miranda do Douro para o Príncipe e trabalha nesta roça que no futuro será também ela hotel. Da mesma forma que rejeita com ironia brincalhona o romantismo dos visitantes que cantam a beleza do mato cerrado, da chuva quente e da humidade elástica, teme o lado negro do progresso e esse bicho imprevisível que é o homem. Na ilha dos 30 graus e 70% ou mais de humidade, os ciclos das estações do ano são substituídos

pelas suspensões diárias de electricidade. O seu sotaque, já principiano, é o dos erres rolados, todo um amor pelo Príncipe. “É quase sussurrado, é um beijo no ouvido.” Dentro da casa principal, a cozinha da italiana Francesca Orlandi tem saquinhos, cestas, caixas e frascos. Dedica-se à saborosa tarefa de incentivar os principianos a ultrapassar a fronteira da riqueza do que simplesmente brota da terra para explorar territórios de novas combinações, novos produtos num espaço que, “mais do que uma antiga estrutura colonial, é uma roça viva”. Compotas de cajá-manga, maracujá e pimenta, óleo de coco extra virgem por extracção a frio, mel de cacau, geleia de cacau, farinha de banana, mel e pimenta preta ou esse sufixo que tudo faz parecer mais intenso: muesli tropical, pesto tropical, amêndoa tropical. Tudo para, num futuro próximo, servir nos restaurantes dos hotéis da HBD e depois talvez vender aos visitantes. “É mais uma forma de tornar o projecto turístico sustentável”, diz a italiana. Na roça com Francesca, a engenheira agro-industrial que sabe que se “a nível de produtividade nunca se vai poder competir em grandes volumes, então ficamonos na qualidade”. Retira dos frascos e saquinhos aquilo que juramos que seria um sucesso de vendas para estrangeiros e uma possibilidade de receitas para principianos. A ideia é que os que estão a trabalhar agora com Francesca se tornem formadores e assim por diante, “para que depois consigam investir no que a terra pode garantir”.

A missa de domingo em Santo António e a vista para o Bom Bom Resort a partir do ilhéu que lhe dá o seu nome, com as cabanas quase escondidas na vegetação luxuriante do Príncipe

Descobrir Rita Nunes, antropóloga, veio pela primeira vez em Agosto de 2011 fazer levantamento para a tese de mestrado sobre o Auto de Floripes. Agora trabalha para a HBD na recolha das histórias das gentes do Príncipe, primeiro na Roça Paciência, agora e sempre que pode, muitos dias da semana, para a Sundy. Regista-lhes as histórias de vida, as receitas, as mezinhas, as práticas, e sonha fazer um museu com a maquinaria e histórias desta Roça que pareceria uma pequena aldeia portuguesa, com as cavalariças kitsch acasteladas e a capelinha tipo ermida alentejana

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ao fundo do terreiro, não fossem as lúgubres senzalas, onde ainda hoje vivem cerca de 300 pessoas. “Vem aí branco!”, diz, gozona, uma mulher à criança que segura à entrada da senzala, alegrada pela simpatia de quem lá vive. Depois de provarmos as açucrinhas e as aranhas no Cantinho da Amizade, delícias coloridas de coco e açúcar, Rita explica que aqui mora “uma

versão da história” da ilha, das roças, do país e da era colonial. Quase só se fala crioulo, graças à imigração forçada de cabo-verdianos para o Príncipe, mas há sempre o português nas bocas daqueles a quem “continua a faltar acessos, educação, alimentação”, mas que não vivem com fome não só porque a terra é fértil, mas também porque a Sundy “é uma grande família”.

Parte de uma viagem a São Tomé e Príncipe é ouvir falar das roças, do seu estado de abandono ou da sua ocupação com projectos ligados ao turismo ou, por exemplo, ao chocolate, como fez o italiano Claudio Corallo no Terreiro Velho. Na Sundy, que tem um dos maiores terrenos de roças e que se debruça para a praia lá em baixo, ambos concessionados à HBD, há algo de diferente em


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Veja a fotogaleria de Daniel Rocha em fugas.publico.pt/

Guia prático

comparação com outras roças, diz a antropóloga. A casa grande, onde foi provada a Teoria da Relatividade de Einstein com o eclipse de 29 de Maio de 1919, “é uma das poucas inteiras”. “Teve sempre senhoras a limpar, tem um guarda, o Presidente ficava lá.” Tudo porque “há uma carga em termos simbólicos na Sundy”, “para lá do valor atribuído materialmente”. A HBD reabilitou os balneários e as lavandarias da senzala, criou uma creche e Rita espera agora que a empresa dê luz verde à musealização e preservação da maquinaria da Sundy. Este é um lugar especial, pelas pessoas e jogos da bola que ocupam o terreiro, e que ganhará novo ar com as obras que a HBD também está a financiar de recuperação da casa, coordenadas pelo arquitecto português Duarte Pape, um dos autores de As Roças de São Tomé e Príncipe, lançado em 2013 com um alerta sobre a necessidade de conservar este edificado. É um fantasma do passado com vista para o Golfo da Guiné e molhos de revistas sobre o cacau ou café “português” da era de um império colapsado. O Príncipe não é uma ilha qualquer, um desses paraísos há muito nada perdidos e prontos para tudo o que o turista quiser. É uma ilha

para descobrir como se fôssemos quase os primeiros, mas que tem a sua própria história – que faz parte da viagem. E se há quem saiba as histórias contadas por cada planta, sugeridas por cada trilho na terra vermelha ou música no ar, é o filho de um ex-capataz da Sundy, Cau, aliás Carlos Marx, guia turístico que agora trabalha em São Tomé mas que veio apresentar-nos a sua ilha natal. “São Tomé não é só cacau e café. É natureza, é as roças, mas é sobretudo as pessoas”, postula. Seja numa praia idílica, a bordo de um barco chamado Corvina ou nas estradas da ilha, são elas os melhores embaixadores do Príncipe. Uma ilha sem criminalidade e com muito futebol, com uma única máquina de levantamento de dinheiro que só serve os bancos locais, onde a malária está quase erradicada e as flores e árvores não cessam de espantar. Uma ilha onde umas férias podem ser uma semana de puro deleite numa água de temperatura tão ideal quanto a visibilidade para os peixes, polvos, crustáceos e coral que por ali vivem, uma sequência de caminhadas e escaladas ou um mergulho nas marcas do passado colonial. Ou um misto disso com uma experiência de aprendizagem sobre, mais do que uma cultura, um modo de vida. “Leve leve”, dizem eles em São Tomé. Quando a cada pessoa que passa se diz olá e se acena com naturalidade, quando se pede que quem venha seja mais viajante que turista, responsabilizando-se pelo seu lixo ou pela sua pegada e respeitando os príncipes que são os verdadeiros donos da ilha, a expressão parece bem mais desta pequena grande ilha de 7400 pessoas (no país, são 780 mil). É que aqui vêem-se mesmo estrelas. E planetas. Dizem-nos, naquela poética passadeira que liga o ilhéu Bom Bom ao resort acoplado, que às vezes a lua é tão brilhante e grande que parece o sol. Passados alguns dias, directamente das águas que banham o equador, confirma-se. Para a despedida, a lua preparou um espectáculo que distribuiu luz sobre o oceano cálido e pôs tudo em perspectiva. Afinal, no meio do Atlântico, a noite é tão bela quanto o dia. A Fugas viajou a convite da HBD

COMO IR Até agora, apenas um voo semanal ligava São Tomé a Lisboa, um voo nocturno directo da TAP/Euroatlantic. A partir de 1 de Julho, a TAP passa a voar em aparelho próprio três vezes por semana, mas com escala em Acra, no Gana. Serão 400 lugares por semana contra os 197 lugares actuais com saídas às segundas, quartas e sábados às 11h45 e regresso nos mesmos dias durante a noite. A TAP ainda não forneceu preçário para este incremento na rota, sendo que os preços do voo único semanal rondam os 700 euros. Para chegar ao Príncipe, espera-o um novo voo num pequeno avião de 18 lugares que parte do mesmo aeroporto de São Tomé todos os dias às 9h. Atenção que há limite de peso da bagagem neste voo interno — 15 kgs é o máximo autorizado, mas depende depois da lotação do aparelho. O custo destes voos é de cerca de 170 euros, ida e volta.

QUANDO IR São Tomé e Príncipe tem um clima tropical húmido e as temperaturas oscilam normalmente entre as mínimas de 21/23º e máximas de 27/28º, mas com a elevada humidade a

Ilha de Bioko OCEANO ATLÂNTICO

Santo

GUINÉ Ilha do António EQUATORIAL Príncipe SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE São Tomé

GABÃO

Bom Bom Island Resort Tel.: + 239 225 11 14 reservations@bombomprincipe. com info@bombomprincipe.com www.bombomprincipe.com Omali Lodge Boutique Hotel Tel.:+239 222 2479 / 2350 reservations@omalilodge.com www.omalilodge.com

sensação de calor é um pouco maior. A chuva é frequente mas não demasiado condicionante e o ilhéu Bom Bom é um dos pontos no Príncipe onde é menos sentida.

Vários operadores portugueses trabalham com a HBD e seus hotéis, como é o caso da Soltrópico, que tem pacotes desde 1350 euros por oito noites, com estadias em São Tomé e no Príncipe e voos incluídos. Já a Solférias comercializa sete noites por 1419 euros.

ONDE DORMIR

O QUE LEVAR

A HBD gere para já dois hotéis no país: o Omali Lodge Boutique Hotel, em São Tomé e bem perto do aeroporto e do centro da capital, que normalmente serve de poiso por uma noite antes ou depois da viagem para o Príncipe. Tarifas a partir de 190 euros/noite com pequenoalmoço para o Verão. Na ilha do Príncipe, a jóia da coroa é o Bom Bom Island Resort com as suas 20 cabanas frente ao mar, piscina ou ilhéu e que têm preços distintos conforme a tipologia. Tarifas a partir de 285 euros/noite meia-pensão para o Verão.

É aconselhável recorrer à consulta do viajante antes da ida para São Tomé para verificar se tem a vacinação necessária antes da partida. A embaixada de São Tomé informou recentemente que a vacina da febre amarela já não é obrigatória para residentes na Europa, excepto se tiverem visitado outro país africano nos três meses antes da ida. É também aconselhado fazer a profilaxia preventiva da malária, embora esta esteja prestes a ser declarada como erradicada na ilha do Príncipe. Em www. portaldasaude.pt pode encontrar os centros de vacinação e consultas do viajante mais próximos da sua área de residência. O clima pede roupas leves, protecção solar e ao final da tarde o uso de repelente para evitar picadelas de mosquitos. Se quiser levar ofertas, é mais adequado material escolar.

100 km

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Visão July 2013

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PRESS BOOK


What does the press say

ABOUT US

“But Shuttleworth is right, it is the people - colourful, eccentric who make the Islands so seductive“ Michele Jana Chan CONDÉ NAST

Media:

Elle, Grazia, The Guardian, Travel Africa, Sunday Times, Lonely Planet Traveller, Ecapism, The Week, Tatler, Financial Times, Condé Nast Traveller, Independent...


CondĂŠ Nast Traveller July/2018

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Selling Travel Magazine (Main) 12 January 2018 26 Selling Travel Magazine 14925 January 2018 485cm2 3458.05

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 The Times (Luxx Report)

River Cruise Line January 2018 The Times (Luxx Report) 27 January 2018 17 450064 675cm2 20574

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The Times (Luxx Report) January 2018

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Metro January 2018

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River Cruise Line Metro (London) (Main) 22 January 2018 36 892451 966cm2 40021.38

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Financial Times - Top 50 Pink Sand March 2018

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Financial Times - How To Spend It March 2018

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The Times March 2018

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River Cruise Line House & & Garden Garden (Main) House April 2018 01 April 2018 184 113182 1044cm2 40319.28

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Tidlrs - Live Luxury 2017

https://www.tidlrs.com/the-edit/top-tropical-hotel-openings-for-2018

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Suitcase - The culture of travel December 2017

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Suitcase - The culture of travel December 2017

https://suitcasemag.com/travel/explore/roca-sundy-hotel-principe/

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River Cruise Line The Times (Weekend) 04 November 2017 The Times (Weekend) November 2017 35 450064 299cm2 9113.52

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The Daily Telegraph October 2017

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ISSUE 107

S U B S CR I BE R C O V E R Banana Beach is one of the strangely hidden charms of São Tomé and Príncipe – an island nation off West Africa

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GREAT ESCAPE TO EASTERN ICELAND l QUEENSLAND’S WILD COAST l FRENCH FOOD TOUR l SÃO TOMÉ AND PRÍNCIPE l COSY CABINS

Go further! Adventures off the radar in the African island nation of São Tomé and Príncipe, the scenic east of Iceland and wild Australian coast in Queensland


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BEYOND COMPARE? From castaway beaches to exquisite chocolate, the remote African island nation of São Tomé and Príncipe has attractions to rival the world’s best

WORDS JO KEELING

@SlowJoKeeling PHOTOGRAPHS JUSTIN FOULKES

@justinfoulkes

The needle-shaped volcanic plug of Pico Cão Grande rises high above the rainforest in the south of the island of São Tomé

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IT HAS BEACHES AS IDYLLIC AS THE SEYCHELLES’ Rainforest cloaks 90 per cent of the island of Príncipe, tumbling down from its volcanic peaks to trespass on the coves that crease its northern coast. Where forest meets sea, palms protrude at opportunistic angles, as if to announce the empty beaches with an unbridled ‘ta-dah!’. The island’s many beaches range from the blissfully remote to lively fishing hubs. On Praia de Santa Rita, snorkellers drift over a small reef, seeking out parrotfish, barracuda and Golden African snapper. To the west, on Praia de Coco, the prints in the sand left by lone wanderers are likely joined only by those of languid dogs. And aside from a pair of jostling tropicbirds, Praia Banana, which once starred in a Bacardi ad, is deserted. Turquoise water laps at basalt boulders and a coconut is tossed about by the waves. It’s all a bit much for one palm, which has crashed out from the sheer bliss of it all. Further east, at Praia dos Burros, teenagers play cards on upturned boats while young boys perform back flips into the shallow water, shrieking with laughter and emerging plastered in sand. In front of the ramshackle

The beach at Bom Bom on Príncipe, with its stilted walkway crossing the water to an island resort of the same name (p87)

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stilt homes, flying fish are splayed out on rope beds, drying in the sun. ‘Bondja ô!’ calls a fisherman, whose wide smile reveals two premolars at the corners of his mouth. He wanders over to share a few words of the local Forro language. Portuguese is the official language on the islands, but 85 per cent of people speak one of three creoles. ‘Bon-jow-ooh’ he sings, drawing out the vowels of his good morning greeting, and laughs, proving that a warm Santomean welcome is just as appealing as a day in the sun on the beach. l All beaches are public except those of Bom Bom

Island Resort (£17; bombomprincipe.com) and Praia Banana, accessed via Roça Belo Monte (belomontehotel.com).

Writer Jo Keeling at a ruined 15th-century church at the end of one of six new walking trails on Príncipe

IT HAS HIKING TRAILS AS MYSTERIOUS AS PERU’S It’s late afternoon and the saturated hues of Príncipe’s northwest coast are being painted with even more vivid brushstrokes: in this light, the bandy palm trunks appear almost amber and the wavy leaves of tropical almond trees turn an iridescent green. The slow way to soak up these shifting colours is to pick up one of six new hiking trails on the island. I set off on the two-mile path from Praia Bom Bom to Ribeira Izé and find it bouncy with decaying palm leaves and almond husks. It is littered with fallen breadfruit – soft, fibrous and swarming with ants. The trail finally emerges at a ruined church, the remains of the first settlement built by Portuguese seafarers in 1471. Exploring an increasingly mapped ocean, they had stumbled upon the pioneer’s Holy Grail – an uninhabited archipelago. They populated this benign lost world with slaves from Angola, Cape Verde and Mozambique, planting with cocoa and sugarcane. Five centuries on, the rainforest is slowly metabolising this first human footprint. Three enormous trees twist out of the church’s nave; epiphytes wrap around the branches; white roots splay over the crumbling, coral-coloured walls.

Further along the coast, low clouds shroud the twin peaks of João Dias Pai and João Dias Filho (the ‘father and son’), leaving a sense that something much larger looms behind. Príncipe’s thickly forested interior is skewered with phonolithic rock towers, ranging from phallic pinnacles to flat table-tops. I join Estrela Matilde, project manager for the island’s Unesco Biosphere Reserve, in a hike to the summit of one of the largest – Pico Papagaio (680m). As the path nears the top after a four-hour scramble, it steepens rapidly; my hands grapple for red ropes knotted between trees and I haul myself up sheer rocks. Finally, we emerge with muddy knees and triumphant smiles. In the time it takes to soak up the surroundings at the summit, views of the ‘father and son’ opposite dissolve into mist. ‘Without upkeep, a trail like this can completely change within weeks,’ Estrela says. As if to demonstrate her point, the heavens open and flood the path with a Biblical downpour. l Local walking guides can be arranged

via the Biosphere Reserve – ask at your hotel for a contact.

‘Father and son’ João Dias Pai and João Dias Filho appear through the mist. Below A waymarker on the path


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SÃO TOMÉ & PRÍNCIPE

IT CHAMPIONS SLOW FOOD AS WELL AS ITALY DOES

The country’s motto, ‘léve, léve’ (literally, ‘easy, easy’), is revealed in everything Santomeans do – and after a couple of days of disarming conversations and unhurried meals, it’s hard not to follow suit. Then again, in a world of abundance where fish literally leap from the sea and one can almost see the plants grow in the wet, warm climate, why rush? Chef João Carlos Silva believes that this culture of slow, simple pleasures filters into the nation’s cuisine. Unsurprisingly, perhaps, local food is characterised by time-consuming specialities. The national dish, calulu – dried smoked fish cooked in a soup with breadfruit, palm oil, mosquito herb and okra – takes six hours to cook. ‘On São Tomé, happiness transforms everything we do, even the flavour of our food,’ he says, taking inordinate care in preparing banana recheada – fruit stuffed with bacon and knotted in a neat lemongrass parcel. ‘You know how in Bhutan they measure Gross National Happiness? The same is true here. Happiness is our richest income.’ It’s lunchtime at his restaurant, Roça São João, on the east coast of São Tomé, and the lure of João Carlos’s tasting menu has filled every seat. As the chink of cutlery echoes around the vast balcony overlooking Santa Cruz bay, a dozen cooks tend to wood-fired ovens and slice tiny local limes to make red grouper ceviche. At the far end of the balcony, sated guests indulge in a spot of ‘leve, leve’, reclining in hammocks and idling thumbing through a volume from one of the many bookcases.

The tiny island capital of Santo António, founded in the 16th century and now home to 1,200 people

A tractor-based troupe of trumpeters in Santo António. Left and right Portuguese architecture along the streets

l A seven-course local tasting menu

costs £13 (facebook.com/rocasaojoao).

ITS OLD CAPITAL IS AS CHARISMATIC AS CUBA’S It’s Sunday morning in Príncipe’s main town, Santo António, and time has slowed almost to a halt. If ‘léve, léve’ is easygoing, the Príncipian equivalent, ‘móli-móli’, is virtually dormant. A boy rolls a tyre beside the dawdling Papagaio River. Stray dogs pant in the shade and passers-by greet one another with disarming smiles. Placid babies are slung low on backs in colourful wraps. For a while, the only sound is a tinny medley of Angolan kizomba music from

Slow-food chef João Carlos Silva at his restaurant Roça São João. Right Fried fish with aubergine, sweet potato, olives and orange covered in manioc flour

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battery-powered speakers, before a tractor rolls by carrying a troupe of trumpet players. This triangle of unpaved, potholed streets is tiny – but what it lacks in scale, Santo António makes up for in pocket-sized grandeur. Dilapidated buildings, put up when the city was both islands’ capital, line the bay in elegant pastels: a powder-blue school, pink government house and yellow post office. Neat Portuguese tiles surround a central square of weathered murals and

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SÃO TOMÉ & PRÍNCIPE

IT PRODUCES CHOCOLATE AS FINE AS SWITZERLAND’S

The spiky green fruit of the sape-sape tree

ITS FRUITS ARE AS EXOTIC AS ANY IN THE CARIBBEAN

Matabala, jaca, cajá-manga, sape-sape, izaquente, fruta-pão, maquêqueê, micócó: Santomean fruit bears little resemblance to anything you might purchase in the exotic fruit section of your local supermarket. Breakfast buffets require an ID guide. Jaca is actually jackfruit, a bulging, dimpled fruit with deliciously sticky flesh. Sape-sape, with its prickly case and white pulpy insides, is elsewhere called soursop or mullatha, literally ‘thorny custard apple’. On the outskirts of São Tomé, women tend to roadside stalls, teasing out the fleshy innards of jackfruit and wrapping wild raspberries in porcelain-rose leaf cones. More familiar fruits pile up beside the exotic: papaya, pineapple, mango and seven varieties of banana, which local restaurants prepare in seemingly endless ways – ripe, raw, fried, boiled, dried and roasted. The history of the ‘cocoa islands’ is written in these quick-growing plants. They were first imported to provide sustenance for slaves, brought in the 16th century to tend to sugarcane, then cash crops of cocoa and coffee. None was more important than spongy fruta-pão, or breadfruit. It originated in the South Pacific and can be fried, boiled, roasted or milled into flour. It’s high in carbs, protein and vitamins, and one ball has enough nutrients to feed a family of five for a day. Today, this sweet or savoury staple is fried as fritters, used to mop up fish sauces and transformed into sticky puddings. 82

empty benches. A traveller’s palm, its paddle-shaped leaves spanning four metres, dwarfs the government’s assembly. On the fringes of the town, mirrors hang above doorways of colourful stilt homes. They’re placed there to reflect bad energy – a sign of a Santomean culture that blends Christianity with a rich seam of local ritual and superstition; where carved votives and herbal concoctions are embraced alongside gospel choirs and beach baptisms.

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In 1908, São Tomé was the largest producer of cocoa in the world, with 800 plantations. But when the Portuguese left in 1975, the estates fell into decay. Today the remaining 150 ‘roças’ are shadows of their former selves. Some have been reclaimed by the rainforest. Others have been taken over as homes, where children slide down Escherlike bannisters with unruly glee, bats roost above doorways, moss stains the walls and tiny goats frisk on crumbling steps. Claudio Corallo’s immaculate laboratory, on the edge of the capital, is poles apart. Neat rows of cardboard-packaged bars line the shelves, alongside metal scales and jars of candied ginger, orange peel and boozesoaked raisins. Beneath a glass dome, a vat of bubbling chocolate emits a faint fizzing sound. Claudio meticulously weighs out slabs of 75% cocoa, then stirs them into steaming water, pouring out a cup that’s rich and fragrant without a hint of bitterness.

An avuncular Italian, who was clearly born with a moustache, he has a warmhearted laugh and sprightly inventor’s eyes. He has been called the best chocolate-maker on the planet – and yet he doesn’t actually like chocolate. ‘I’m a farmer, not a chocolatier,’ he says. ‘My work is in plantations, not in kitchens.’ A reluctant celebrity, he is now the nation’s only grower, maker and exporter of fine chocolate, sending his prized bars to high-end department stores and discerning chefs across the world. He likens it to the work of a carpenter. ‘The secret isn’t in the type of wood or the tools. It is in the work, experience and attention of the carpenter.’ l Claudio Corallo’s lab is open for tours and

tastings (£3.50; claudiocorallo.com). Omali Lodge’s eight-hour ‘East Coast Experience’ guided tour includes visits to cocoa plantations (£85pp incl lunch; omalilodge.com).

The old sanzalas (living quarters) at Roça Água-Izé plantation

ITS WILDLIFE IS AS UNIQUE AS THE GALÁPAGOS’ After a few days, island wildlife encounters become casual, almost nonchalant. African grey parrots squabble in tree tops, snakes curl from branches, fruit bats fly overhead, languidly returning to roost, weaver birds knit their nests beside the road and tiny kingfishers with improbably long beaks teeter on roots. The archipelago was never attached to mainland Africa, so it’s no wonder it has more than its fair share of endemic species – given its size, it’s comparable with the Galápagos and Hawaii. Some are an enduring mystery – science has no idea how the eight species of frog, with their intolerance of seawater and fast metabolisms, came to be here. The Gulf of Guinea, in which the islands sit, also has a rich marine biodiversity. Humpback whales cavort off the coast and flying fish skim the waves. The deep waters harbour giants: blue marlin, weighing in at over 750kg, and 3m metallic blue Atlantic sailfish, with magnificent navy ‘sails’ running down their

spines. Four species of marine turtle nest on the islands – leatherback, green, hawksbill and olive ridley. Loggerheads have been seen hanging around, but are yet to come in to land. It’s nesting season on São Tomé and I take a night-time walk along Praia Grande to get closer. It proves to be an astounding yet nightmarish experience. Thousands of land crabs scuttle in and out of the red light of head torches. Some, the size of frisbees, lean back and brandish their enormous right-claws on our approach. At the end of a tractor-tread-like trail, a green turtle lies exhausted. In the past hour, she has hauled herself to the high tide line, dug a scrape and laid 120 eggs. ‘They start hard like ping pong balls, then become soft,’ conservationist Vanessa Schmett whispers, measuring the turtle’s shell, then attaching a tag below her flipper. The turtle ignores her, exhales deeply, and begins to fling sand on her clutch. ‘They have a hard start to life, but the hatchlings are resilient,’ she says, leaning in to disentangle a flipper caught up in a palm leaf. Eventually, the turtle heaves herself back into the sea, quite oblivious to the smudgy line of the Milky Way emerging above. l Whales are active from July to October; turtles

nest from November and hatch in December. There is good birdwatching all year round.

Cocoa beans ready for export. Left Processing the beans

Claudio Corallo’s high-quality chocolate

Cups of Claudio’s cocoa. Left A traveller’s palm outside Roça Água-Izé

Known locally as ‘cobra jita’, this forest-dwelling snake is a subspecies of house snake found only on São Tomé. Inset The Príncipe kingfisher is also endemic to that island

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Lonely Planet November 2017

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SÃO TOMÉ & PRÍNCIPE

Scenes from the road that runs along the east coast of São Tomé

IT HAS A SKYSCRAPER AS BOLD AS DUBAI’S Driving down São Tomé’s remote east coast leads you past a string of fishing villages and black sand beaches. Women spread sheets out to dry on sun-bleached driftwood. Teenagers show off their surfing skills on battered foam boards, while school kids wave and shout ‘ola!’ and ‘amiga’ at passing pick-ups. Two young women walk down the centre of the road, carrying machetes and balancing cloth bags of fruit on their heads; one grins and asks in English: ‘You are appreciating the nature of São Tomé? Welcome.’ With such warm greetings and easy conversations, it’s impossible not to stop along the way, but light is fading and the goal is in sight – I’m keen to get a little

Pico Cão Grande is an impressive and everpresent reminder of the island’s volcanic origins

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When I reach the perfect vantage point on a steep corner of the road, the haze unexpectedly clears and a golden light drenches the Pico, turning the surrounding sea of foliage a dazzling green. A hush descends; other than the odd chirrup of a weaver bird, the only sound is the soft tread of flip-flops, as a man ambles home along the road. ‘Tudo bem?’ he asks – am I well? ‘Léve, léve,’ I reply and he grins.

Jo Keeling is editor and founder of Ernest Journal and co-author of The Odditorium. She is also a freelance writer, editor and festival curator with a penchant for slow travel, long rambles and sea swimming.

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SÃO TOMÉ

MAKE IT HAPPEN

SÃO TOMÉ AND PRÍNCIPE TAP Portugal flies from London to São Tomé via Lisbon. The flight stops briefly at Accra, Ghana (from £780; flytap.com).

GETTING AROUND

Car hire (4WD) on São Tomé costs around £35–£40 per day. When you consider potholes, power cuts and potential language barriers, hiring a car with a driver is often a better option and costs around £18 per day. You can arrange car hire, drivers and guides through your hotel. For car hire with or without a driver, try Hanna & Silva Lda Rent a Car (facebook.com/hannaesilvarentacar; 00 239 222 6282). Most locals get around in shared yellow taxis. A twin-propeller plane makes the 40-minute hop between São Tomé and Principe five times a week (from £160; stpairways.st). If heading to Príncipe, try to get a seat on the left-hand side to see this tiny forested island emerge out of the mist like the Lost World. Delays are not uncommon, so plan an extra day between your departure from Príncipe and your return flight home.

FURTHER READING

Lonely Planet’s Africa guide (£22.99) features a chapter on São Tomé and Príncipe; or download the section as a PDF (£2.99) at shop.lonelyplanet. com. As Roças de São Tomé e Príncipe is a beautiful coffee table book exploring the islands’ crumbling plantation buildings; (£28; asrocasdesao tome.com).

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Behind the scenes

At Roça Água-Izé, two ramshackle hospitals have been taken over as homes. As we pulled up, children ran out, led us up the ornate staircase, braided my hair and slid down the banisters. Their joy was infectious and soon we were all giggling. Jo Keeling

spirits and bras de grouper – a traditional Portuguese dish usually made with cod and potato, here with grouper and grated manioc. Rooms are simple and refined, with exposed brickwork, spacious bathrooms and a balcony or courtyard overlooking the pool (rooms from £135, mains from £8; omalilodge.com).

PRÍNCIPE

MAP KEY Claudio Corallo’s laboratory Pico Cão Grande Pico Papagaio Praia Banana Praia Grande (São Tomé) Roça São João Santo António

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Named after a magical tree, Mucumbli has six wooden chalets overlooking the ocean. The dark-sand beach is a 10-minute walk away, or you can join an organised bike tour of the island. The Italian owners serve hearty pasta dishes (rooms from £60; mucumbli. wordpress.com).

PLACES TO EAT

An 11-day trip to São Tomé and Príncipe costs from £2,745pp, on a half-board basis, with Rainbow Tours (rainbowtours.co.uk; 020 3733 6778). The tour includes a three-night stay at Omali Lodge on São Tomé, to explore the island in a 4WD and drop in on old coffee and cocoa plantations. You can also go in search of rare birds, such as the dwarf olive ibis and São Tomé grosbeak. The rest of your time is spent on Príncipe, where you can kayak through mangrove forests, watch whales off the coast and hike through rainforest to swim in hidden coves. The price includes return flights to São Tomé with TAP Portugal via Lisbon.

WHERE TO STAY Bom Bom Island Resort Mucumbli Omali Lodge Pensão Residencial Palhota XXXXXXXXXXXX

GETTING THERE & AWAY

PLACE TO STAY Omali Lodge is a sight for sore eyes after a long flight, with its natural pool and waterfall surrounded by impossibly tall palms and beaming bartenders. In the hotel restaurant expect a Santomean spin on Portuguese dishes with 95 per cent local ingredients: dorado fish burger with a squid ink bun, local sugar cane

TOUR OPERATORS

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ESSENTIALS

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closer to the volcanic skyscraper that towers over the island. It is almost always shrouded in mist. Pico Cão Grande (Portuguese for ‘great dog peak’) is a 668m phonolithic rock tower, pushing rudely out of the rainforest in São Tomé’s southern hinterland.This is the island’s ultimate high-rise: the most splendid of the many volcanic plugs that skewer the archipelago, formed when magma solidified inside the vent of a volcano. It appears unexpectedly from many points of Sao Tome: rising monumentally at the end of a straight road, framed within the verdant monotony of a palm oil plantation, or emerging from the dense canopy like something out of Middle Earth.

PLACE TO STAY At Bom Bom Island Resort you can have your pick of 19 red stilt bungalows, perched on the beach or poised above tree roots. The rooms are bright and comfortable, rather than luxurious, complete with four-poster beds hung with muslin, soft leather sofas and woven palm leaf lamp shades. There are two long beaches – Praia Santa Rita on the east side is better for snorkelling. The most memorable part of your stay will be your twice-daily walk to the restaurant across a Swiss Family Robinson-style stilt walkway (left). At night, the journey is even more magical as you’re drawn towards the restaurant’s candlelit tables while the tide washes beneath you (rooms from £315; bombomprincipe.com). Pensao Residencial Palhota is a modest, family-run guesthouse in the centre of Santo António with 10

Sit on the veranda overlooking the rainforest at Casa Museu Almada Negreiros. For £10, you can try a tasting menu of local dishes such as fried swordfish with okra and aubergine, and rice with ‘mosquito herb’ (facebook.com/ casamuseualmada negreiros). Papa Figo is a popular terrace snack bar in the capital dishing up an incredible choice of fish (mains from £3; Avenida Kwame Nkrumah).

simple rooms, a communal lounge and the bamboo Falkiri restaurant (rooms from £65; pensaopalhota@ cstome.net; 00 239 225 1060).

PLACES TO EAT

The owners of Bom Bom have also renovated Roça Sundy, an old plantation house in the north of the island. Dine in a bamboo restaurant on Praia Sundy, tucking into locally sourced produce, or have a barefoot BBQ by the pool. A room at the Roça is £85 (hotelrocasundy.com).

Rosa Pão in Santo António is midway between a restaurant and host Rosita’s front room. Try traditional dishes such as molho no fogo (fish and vegetable stew), peixe limão (lemon fish), pintado de coco (fish cooked in coconut milk) and obobo – a bean and onion dish (mains from £3).

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The Times online July 2017

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https://www.thetimes.co.uk/article/escape-to-the-island-of-principe-g70qm0ll0

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The Mail online January 2017

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http://www.dailymail.co.uk/travel/article-4119962/Desert-island-castaway-Discovering-two-beguiling-isolated-African-gems.html


National Geographic Traveller December 2016

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http://www.natgeotraveller.co.uk/destinations/africa/sao-tome-and-principe/sao-tome-principe-chocolate-islands/

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The Guardian January 2014

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Travel Africa Spring 2015

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Príncipe

ISLAND SURPRISES Even the most inquisitive traveller will know little about the tiny island of Príncipe, tucked in the Gulf of Guinea off the coast of Gabon. Which is why wildlife enthusiast Mike Unwin was so determined to visit.

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ALL PICTURES UNLESS STATED BY MIKE UNWIN

RUI CAMILO / BOM BOM RESORT

MAIN IMAGE: Príncipe greets visitors arriving by air with an unforgettable Lost World panorama of jungle-covered volcanoes. RIGHT: Príncipe green snake (left); a villager carries firewood back to her home in Praia Abade (right) White-tailed tropicbird (bottom)

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stumble through the darkness, doing my best to keep up as torch beams dance and ricochet off the tree trunks ahead. But the going is tricky: the steep, crumbling slope is an obstacle course of roots and crab burrows. And nightfall has now brought out those crabs in force: an army of outsized crustaceans scuttling across our path. From all around comes the click and rattle of legs and pincers, like a horde of unseen typists. Then suddenly we are stepping down from the forest onto the soft sand and staring out at the dark Atlantic. Each breaker glints under the huge equatorial moon. This is Praia Grande, one of Príncipe’s precious turtle beaches, and we’re here to see the great reptiles come ashore. Unfortunately our timing is out. Although broad caterpillar tracks in the sand remain from last night’s landings, the conservation volunteer who awaits us explains that tonight’s combination of full moon and low tide leaves the turtles feeling too exposed to come ashore yet. They’re waiting somewhere beyond the surf for conditions to change, which may come too late for us. We tramp along the beach to the far end where I flop down in the sand, stare up at the stars and, ever hopeful, wait. This is the last night of my week’s stay on Príncipe, the smaller of the two equatorial islands tucked into the Gulf of Guinea that make up the nation of São Tomé and Príncipe. The islands were uninhabited until the Portuguese arrived in 1470, founding a colony based on sugar, cacao then coffee, and on the labour of slaves shipped over from Cape Verde and Angola. It was the slaves’ descendants who in 1975 inherited the islands from the Portuguese and – on Príncipe, at least – little seems to have changed since. Although only 250km from the mainland, this island could be on another planet. It was this untouched appeal that led South African entrepreneur Mark Shuttleworth – known by locals as ‘the man on the moon’ for his space tourism exploits – to establish Bom Bom resort on the Travel Africa | Spring 2015

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PRÍNCIPE TRUST

Príncipe

island’s northern tip. This idyllic retreat was my base for a week. My beachfront chalet peeped out onto white sand and turquoise reef, with fabulous snorkelling just a dozen paces from my verandah. Wooden paths wound through lush grounds and along a raised boardwalk to an offshore islet where, in a stroke of design genius, the restaurant had been built. I thus enjoyed my meals – fish and fruit fresh from the island – looking back across the resort’s pristine beaches and wild forest backdrop to the looming volcanoes beyond. So far, so Caribbean, you might think. But, unlike any Caribbean resort, there was simply nothing else here. No neighbouring resorts around the next headland; no jet skis roaring around the bay; no golf course or wellness spa: just beaches, jungle and a sprinkling of tiny fishing villages squeezed between the two. The best way to appreciate this glorious isolation is on foot, and so I stepped out from the resort with local guide Cao Marx. We headed east around the coast, from one bay to the next. Each forested headland had us scrambling sweatily up the steep slopes, negotiating vines and roots, until we descended to the next crescent of soft sand and lapping surf. The greenery on these headlands seemed improbably fertile, as though new tendrils would snake around my legs if I lingered for a moment. Cao pointed out indigenous trees – such as the towering oka, whose monumental buttress roots reared across the forest floor. He also revealed the various cultivated plants that have spilled out of the plantations into the forest: breadfruit, cacao, pepper and even the odd wild coffee bush. Plucking a bunch of leaves from one shrub, Cao demonstrated – with a splash from his water bottle – how to crush the foliage into a rich, creamy soap. He explained how such natural products sustained locals during the hard times that befell the islands in the early years of independence. Meanwhile a trickle of birdsong kept us scanning the branches. Príncipe may not be a Big Five destination but

The forest spilled over the fallen monuments of colonialism, as though impatient to reclaim the land 122

Spring 2015 | Travel Africa

TOP LEFT: A green turtle hatchling heads for the surf TOP CENTRE: Fresh tracks on Praia Grande reveal where a green turtle came ashore during the night to lay her eggs TOP RIGHT: Praia Banana is one of many pristine beaches on Príncipe OPPOSITE: Blue tailed kingfisher; children clamber over ancient plantation machinery in Roca Sundy

for the naturalist it is a treasure trove of island endemism – described by some as the ‘Galapagos of Africa’. We spied Príncipe golden weavers building their hanging nests, Príncipe glossy starlings calling from the upper branches and Príncipe sunbirds fluttering through the under-storey – just a few of the 26 bird species found nowhere else on earth. A Príncipe green snake that slipped away in a fluid gleam of emerald, forked tongue flickering, was another precious endemic. Our hike ended on Praia Banana, the most pictureperfect crescent of beach any brochure could envisage. As we washed off the exertion of the walk with a swim in the bay, Cao surfaced with an octopus wrapped decorously around one wrist. The indignant vermillion cephalopod shot out a cloud of black ink, bunched its tentacles and jetted off backwards into the depths. To explore further afield we took to the island’s modest network of bumpy red dirt roads. At the picture-perfect village of Praia Abade I met fishermen mending nets, while salted flying fish dried on their racks. And at the Mirador Nova Estrella, I peered across to the volcanic outcrop of Jockey’s Cap, while dazzling white tropicbirds circled the turquoise waters below. But it was among the roças (pronounced ‘hossas’, with a guttural ‘h’) that I found the island’s bizarre cultural heart. These plantation settlements once formed ordered, self-contained little communities. Since the Portuguese left, however, most have fallen into disrepair, crumbling away as the jungle has crept back. Their dilapidated walls now house descendants of the worker communities that once lived outside them. In Roça Sundy I wandered the central terreiro (courtyard), while ragged youngsters scattered chickens and pigs as they hurtled after a football. Portuguese anthropologist Rita Alves led me around, pointing out the old drying kilns for the cacao pods, the stables, the hospital

and the overgrown railway track that once transported produce down to the coast for export. From the tiled verandah of the grand house I gazed out across the Gulf of Guinea and reflected that this ramshackle place perfectly encapsulated the island’s history: the ruined grandeur of the Portuguese past buttressed with the makedo of its African present. The forest spilled over the fallen monuments of colonialism, as though impatient to reclaim the land. Barefoot children clambered over an ancient steam engine, now a makeshift jungle gym. African grey parrots winged shrieking into the forest. HBD, Shuttleworth’s company, is working to help preserve Príncipe’s unique natural and cultural heritage, and Rita is one of a skilled team employed to this end. At nearby Roça Patienza I also met stonemason Manu Gomes, who is reviving traditional construction techniques to restore the historic buildings, and passing his skills to local builders. And in the Capital San Antonio I met environmental scientist Estrela Matilde, who is introducing local recycling projects, teaching schoolchildren about the island’s natural resources and ensuring that Bom Bom itself is sustainable. It is thanks partly to such initiatives that Príncipe received UNESCO biosphere status, the first of its kind in Africa. While Estrela and I chatted by candlelight at Rosita’s Place, a popular hangout in the tiny capital of Santo Antonio (reputedly the world’s smallest), friends appeared with guitars and whipped up an impromptu singsong, of which the only word I understood was ‘Biosphera’. It was a reminder that we had a date with some turtles. And thus, a few hours later, I was tramping back along Praia Grande, with ‘Biosphera’ still jangling through my head, as we turned for home. It seemed we’d missed the turtles. But no matter: I was lost in the magic of the moment. So lost, in fact, that I didn’t immediately register my companions pointing excitedly at the sand. A clutch of green eggs had hatched while we’d been staring at the waves. Had we missed them again? Not quite. Cao emerged grinning into the torchlight, holding up a single flipper-flailing straggler between thumb and forefinger. We admired this exquisite little creature for a minute then returned it to the sand. It scrambled down the runway of our torch beams and was swallowed by the surf.

SAFARI PLANNER n Getting there Mike Unwin travelled

with Rainbow Tours (rainbowtours. co.uk), who offer a nine-night holiday to São Tomé and Príncipe from £2150 per person including return flights from London to São Tomé with TAP Air Portugal. The holiday includes six nights at Bom Bom in a pool-facing Santo Antonio room with all meals and three nights at Omali Lodge in São Tomé. Internal road PRÍNCIPE transfers and light aircraft flights are also included. n Geography An island of just 136 sq km, lying in the Gulf of Guinea north of its bigger sister São Tomé. It is home to approximately 5000 people. The highest point is Pico de Príncipe (948m). n Climate The dry season is from June to September and the wet season from October to May. The tropical climate ensures an average yearly temperature of about 27 degrees C. n Language The official language is Portuguese. n Visa A visa is required for most visitors and should be obtained before travelling. n Health Visitors are required to have been vaccinated against yellow fever, and should take protection against malaria. n More info www.saotome.st ; http://saotomeprincipe.st ; www. bombomprincipe.com

THINGS TO DO n Birdwatching São Tomé and Príncipe are home to exceptional birdlife. Some 135 species have been identified, including 26 endemics. Birding is good year-round, although access to the forests is more difficult in the rainy season. June-August and December-January are drier and therefore easier. n Turtle watching Leatherback, Hawksbill, Loggerhead and Green turtles nest on the beaches between November and March. n Whale watching Between July and September humpback whales visit the waters around both islands as they move from their summer feeding grounds to more tropical mating and calving areas.

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Elle 2014

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Grazia 2014

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The Sunday Times November 2014

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Africa’s secret garden of Eden On a little jungle-covered island you’ve never heard of lies a new resort like no other Jeremy Lazell Published: 23 November 2014

Hands up if you know anything about Sao Tomé and Principe? Gold star if you said “second-smallest country in Africa”; two gold stars if you said “former Portuguese colony, 130 miles off the coast of Equatorial Guinea”. But don’t put down that hand if you actually plan to visit: you are going to need to build up those muscles for all the waving. Because, blimey, the locals are friendly: 10 minutes after landing, I give up lowering my wrist, and just wave from the car like a ginger, jet-lagged Queen. I am here to check out Bom Bom Island Resort, the only beach resort on Principe, and a decent contender for the most remote luxury hotel on the planet. If you’re wondering how far Principe is from Sierra Leone, the answer is about 1,500 miles of open sea. In common with 49 other countries in Africa, the island is healthy, safe and open for business.

With its lush bays Bom Bom Island Resort is worth the epic four-flight journey (Artur Cabral)

Bom Bom was recently acquired by the South African gazillionaire Mark Shuttleworth, who has poured nearly £1m into the hotel, and has plans to turn it into the sort of high-end, low-impact eco-lodge where Sting might do yoga on the beach after a macrobiotic breakfast.

I arrive at the end of a storm, the red-earth track down to Bom Bom slick and steamy with the rich, warm scent of rain. Giant leaves drip, monkeys huddle beneath twisted trunks and everywhere the forest bubbles and trills with the promise of weird, unknowable birds. “Pouca sorte,” says the driver, Senhor Joao, blinking mournfully towards the dripping sky. You are unlucky. He couldn’t be more wrong. My room at Bom Bom is a Crusoe-style, stilted beach villa with requisite tropical-paradise mosquito nets above the bed and a half-mile crescent of unblemished sand beyond the veranda. It’s no Aman Resort — there is no monsoon shower, no in-room spa treatments and, whisper it in boutique-hotel circles, not even a Nespresso machine — but it is simple, elegant and, with a setting like this, you’d have to be a greedy fool to want more. I loll about in the surf, I watch clouds darken against the crimson sky, I sit on the veranda and find my inner bliss — or post selfies on Facebook, as it is also sometimes known.

Palm-shaded beaches (Artur Cabral)

In fact, it’s quite hard to stop yourself going a bit snapsilly at Bom Bom. While the villas, beaches and pool are all on Principe itself, the restaurant and bar are just across a boardwalk on tiny Bom Bom Island: simply getting to breakfast involves a two-minute walk over a mosaic of turquoise shallows just begging to host a Vogue swimwear shoot. Pipefish dart beneath the boards, all pouting to be papped; staff cross to and fro, bundles perched atop their heads. The hotel’s strapline is “Disconnect to Reconnect”, but good luck putting your iPhone away.

So far, so get me there at once, but is it worth the four flights via Lisbon and Sao Tomé it’ll take you to do so? Well, if we’re just talking about the


The Sunday Times November 2014

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resort, it’s a tough one. It’s a spectacular setting, with only a smattering of guests. But then you can get to Barbados in literally half the time, with twice the resort facilities once you’re there. But Bom Bom isn’t just a resort: it’s a gateway to the most extraordinary, affecting island I’ve ever visited. For starters, there’s the look of the place: people have lived here since the Portuguese shipped them in from Africa’s mainland to work the 16th-centurysugar plantations, yet their impact on the island’s ecology is staggeringly minimal. Forest covers nearly everything, tumbling from mountain to sea in waves of parrot-filled green. The island is only 10 milesby four, and still “the South” is talked about as some sort of mythical Back of Beyond. Then there are the people. On my second day at Bom Bom, I am driven to Praia Abade, a fishing village at the end of a bone-jarring track on the island’s east coast. The driver stops, the guide gets out, and before you can say “Are we just here to stare at the locals?”, we are surrounded by kids, a pair of pudgy toddler arms clamped round my leg squeezing the cynicism from my marrow. We sit on the beach with women mending nets; we watch the kids turn cartwheels. Men drag in boats, as muscled as any gym-junkie back home. And then we leave. No “give me sweets”, no “one school pen”, just grins. I don’t care how easy it is to get to Barbados, you won’t find this near Sandy Lane. In truth, the day-trip menu at Bom Bom is not overwhelming. You can visit Paciencia cocoa plantation — part of Shuttleworth’s mission to develop a sustainable economy — and trek through a tangle of lianas and banana trees to a remote, one-mile beach visited only by the odd nesting leatherback. You can picnic by boat, look out for whales, paddleboard and snorkel, and you can dine at Rosita’s, a one-room shack serving spicy home-cooked treats on days when Rosita feels so inclined. Or you can pray for rain: roads flood, day trips die, you finally get to soak up your surroundings. On my last day, that’s exactly what happens. One minute I am readying myself for Sunday church, the next I am sprinting inside, the sky collapsing around my head like slates in a gale. I watch, exhilarated, from my veranda, lightning ripping across the bay, coconuts thudding from the trees, crabs scuttling for cover across the sand. Eventually, it eases and, with church cancelled, I head off on my own through the forest to the top of Bom Bom Island. It is a staggeringly lonely place, the cries Wide-smiling locals make you feel at home from castaways past still whispering in the trees. Suddenly, I am spooked. A fruit bat swoops too close, something scuttles in the undergrowth, I scamper for home. I don’t know what Bom Bom will look like once Shuttleworth’s finished splashing his cash, but I’m guessing we’ll still be in for a thrill.

Jeremy Lazell was a guest of Bom Bom Island Resort (bombomprincipe.com) and TAP Airlines (flytap.com). Scott Dunn has five nights at Bom Bom and one night at Omali Lodge on Sao Tomé, both half-board, from £1,885pp. The price includes flights from Heathrow with TAP Airlines via Lisbon, Accra and Sao Tomé (020 3627 5741, scottdunn.com).


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The Independent May 2014

Sao tome and Principe: Prepare for turtle immersion

This West African island nation might be tiny, but it has acres of natural and cultural appeal, as Mike Unwin discovers during his visit to a unique retreat Mike Unwin, Saturday 10 May 2014

Goooooooaal! It’s another stunning strike from Ronaldo, arrowed into the top corner past the keeper’s despairing dive. Or “Ronaldo” is, at least, what it says on the back of the shirt. But I have my suspicions: I can’t see those signature golden boots – or, in fact, any footwear at all. Besides, this sandy strip of rubble and weeds is hardly the Bernabéu Stadium. I’m standing in the terreiro – the central courtyard – of Roça Sundy, an abandoned 19th-century colonial plantation on the West African island of Príncipe. The teenage goalscorer is one of some 30 or so youngsters scattering chickens and dodging mango trees as they hurtle barefoot after the ball. A woman walks across the pitch, baby on back and firewood on head, while a single pig, in a clearly offside position, roots around near the opposition goalmouth. These roças (pronounced “hossas”, with a guttural “h”) once formed selfcontained little communities that were at the very heart of the former colony of São Tomé and Príncipe. Since 1975, however, when the Portuguese pulled out, many have fallen into disrepair, crumbling away as the jungle has crept back. Their dilapidated walls now house descendants of the worker communities that once lived outside them. Portuguese anthropologist Rita Alves leads me from room to room, accompanied by what is clearly her usual retinue of local children. She points out the old drying kilns for the cacao pods, the stables, the hospital and the overgrown railway track – a feature of every roça – built to transport produce down to the coast for export. Santo Antonio The grand house is still carefully preserved, its tables polished and walls

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hung with framed maps, part of a Unesco heritage project that embraces the whole island. As we look out from its verandas across the Gulf of Guinea, Rita explains how the first Portuguese settlers in the 1500s found the islands uninhabited. They proceeded to people them – at first, with slaves from the African mainland, destined for brutal transit across the Atlantic, and then, as the colony grew rich on sugar, coffee and cacao, with labour imported from Angola and Cape Verde. It was the descendants of these immigrant labourers who, in 1975, inherited the islands and proclaimed them an independent state – the second smallest in Africa, after the Seychelles. Today, Roça Sundy seems to encapsulate this extraordinary history, the ruined grandeur of the islands’ Portuguese past, buttressed with the tin-roofed lean-tos of their African present. Greenery from the surrounding forest spills over the fallen monuments of colonialism, as though impatient to reclaim the land. Straying from one cobbled pathway, I find children clambering over an ancient steam engine – now a museum-piece jungle gym. African grey parrots wing rapidly overhead and disappear into the forest, shrieking as they go. The state of São Tomé and Príncipe lies in the Gulf of Guinea, some 300km off the coast of Gabon. Príncipe is the smaller and much the less populous of its two main islands, with around just 5 per cent of the total 188,000 population. It lies 200km north of São Tomé, where I’d flown in from Lisbon. Arrival proved suitably dramatic: a 30-minute flight on a 15-seater, culminating in a Jurassic Park-style first glimpse of jungle-clad volcanoes below, then a final descent that took us directly over Bom Bom Island Resort, my home for the week. From the air, the resort’s beaches, breakers, thatched chalets and wooden boardwalk snaking out to a tiny islet looked more than inviting. Bom Bom belongs to venture capital firm HBD, the brainchild of billionaire South African entrepreneur, Mark Shuttleworth. Known to locals as the “man on the moon” for his space


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The Independent May 2014

tourism exploits (he was the first African in space), Shuttleworth’s aim has been more than simply to create an upmarket tropical retreat. HBD has a philanthropic mission to preserve Príncipe’s unique heritage, both natural and cultural, and has sponsored numerous projects to these ends. Rita is an HBD employee. Over the next week I meet several others. They include stonemason Manu Gomes, who is reviving traditional construction techniques to restore the roças and is passing his skills to local builders; and ecologist Estrela Matilde, who is educating schoolchildren about the island’s natural resources and ensuring that HBD’s own projects are sustainable. While Estrela and I chat by candlelight at Rosita’s Place, a popular hangout in the tiny capital of Santo Antonio (which claims to be the world’s smallest), friends appear with guitars and whip up an impromptu singsong. I’m told it’s a traditional Príncipe ballad but the only word I can understand is “biosphera”. Bom Bom, meanwhile, turns out to be every bit as gorgeous at ground level as my tantalising aerial preview suggested – with the added satisfaction of knowing that it is the only such resort on the entire island. Think Caribbean idyll, but without the health spa, golf course or jet skis; just beach, jungle and the odd tiny fishing village. The Príncipe green snake Some come to Bom Bom for its celebrated big game fishing – now all catch-and-release. I opt for rather gentler activities, donning flippers and snorkel to explore the teeming reef, or strolling the grounds with binoculars to tick off some of the island’s endemic birds – Príncipe golden weavers fashioning their hanging nests; the cobalt flash of a Príncipe kingfisher. At meal times, I tramp the boardwalk across to the island restaurant, where I dine on the likes of grilled silverfish and cajamanga mousse, helping myself to salads from an enormous giant clam shell while looking across to the resort’s looming volcanic backdrop. Short, bumpy vehicle excursions take me along red dirt roads to visit other attractions. At the impossibly

picturesque fishing village of Praia do Abade I meet fishermen perched on their dugout piroques mending nets, while salted flying fish dry on their racks. At the Mirador Nova Estrela, I peer from steep cliffs to the volcanic outcrop of Jockey’s Cap, encircled by dazzling white tropicbirds. And at Praia Grande, a two-kilo-metre sweep of sand, I marvel at the amphibious landing craft tracks of the huge sea turtles that hauled out from the waves the night before to lay their eggs by moonlight. These turtles are big news. Bastien Loloum, an ecotourism consultant for marine conservation charity Marapa, tells me that these beaches are among West Africa’s most important for breeding sea turtles. Whale watching is also excellent here, he explains, with humpbacks visiting inshore waters from May to October. And the island’s proliferation of endemics – not only the birds, of which there are some 26 unique species, but everything from tree frogs to begonias – makes these islands “the Galapagos of Africa”. The best way to appreciate all this natural abundance is, of course, to ditch the vehicle and head out on foot – which is exactly what I do with my guide Carlos (“Cau”) Marx. On my final morning, we leave Bom Bom after breakfast and head east around the coast, scrambling over the headlands from beach to beach. The loose soil of the forest slopes is undermined by the diggings of the enormous land crabs that venture out after dark, the vegetation a curious blend of the genuinely wild and the once cultivated gone wild. Thus, among the buttress roots and lianas of what feels like virgin rainforest, Cau points out the swollen pods of cacao trees, the tendrils of pepper plants and the over-ripe stench of fallen jackfruit, over which ants and butterflies swarm. Carlos was born on Príncipe and knows these forests intimately. He demonstrates – with a splash from his water bottle – how to crush the leaves of one shrub into a frothy soap, and quenches our hunger pangs with various wild fruits. His eagle eyes also spy the powder-blue eggs of a maroon pigeon in their untidy cradle of twigs and the slender emerald coils of a São Tomé green snake slipping away into the vines. Both endemics, of course.

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Our hike ends on Praia Banana, the most picture-perfect crescent of beach any brochure could envisage, where we wash off the sweat of the walk with a swim in the bay. Cau surfaces with an octopus wrapped decorously around one wrist. The indignant vermillion cephalopod shoots out a cloud of black ink, bunches its tentacles and jets off backwards into the depths. My final night sees me back on Praia Grande in search of those turtles. But our timing is out. The full moon and low tide are both disincentives to any egg-bound females planning to come ashore. We take a walk anyway, tramping the length of the beach and slumping down to watch an enormous moon rising through the coconut palms. I am still lost in the magic of the moment as we turn for home. So lost, in fact, that I don’t immediately register my companions pointing excitedly at the sand. A fine stippling reveals where a clutch of green turtle eggs has hatched moments earlier. Infuriatingly, it seems we’ve just missed the exodus of hatchlings. But then Cau emerges into the torchlight, holding up a single flipper-flailing straggler between thumb and forefinger. We admire this exquisite little creature for a minute then return it to the sand. It scrambles down the runway of our torch beams and is swallowed by the surf. Getting there Mike Unwin travelled to Bom Bom in Príncipe and Omali Lodge in São Tomé with Rainbow Tours (020 7666 1250; rainbowtours.co.uk), which offers a nine-day holiday to São Tomé and Príncipe from £1,970pp. The price includes return flights from London via Lisbon to São Tomé with TAP Portugal, five nights’ full board at Bom Bom in a pool-facing room and two nights’ half board at Omali Lodge in São Tomé in a classic room, as well as transfers and internal flights.


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Lonely Planet Traveller December 2014

     

     

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Ecapism 2014

Experiences

Photographs by Hemis / Alamy, Quentin Bacon, Sioen Gerard/Alamy, Matthew Hasteley

WILDERNESS IS FAMOUS FOR ITS WHITE SANDY BEACHES, CRASHY WAVES AND WHALES

Remote

s y a w a e d i H

WESTERN CAPE, S AFRICA On the Garden Route between Cape Town and Port Elizabeth in South Africa, the seaside town of Wilderness lies almost exactly halfway between those two cities. It’s famous for its long white sandy beaches and crashy waves, making it an ideal place to grab a board and catch a crest. Whales (the big blue ones, not the killer variety) also think it’s a pretty good place to hang out, so keep your eyes peeled for them throughout the autumn months. wildernesstourism.co.za

CHILLOUT

Bom Bom Island, Principe You might not know where Principe is (it’s off the coast of West Africa, FYI), but you’re unlikely to care when you see its secluded beaches and lush rainforest. You could make the most of the natural environment with hiking, bird-watching, and canoeing, or just relax for a few days on Bom Bom Island’s verandas before falling asleep to the sound of the waves. RATES: Double rooms start from £108pppn.

bombomprincipe.com HOW TO GET THERE: Return flights to São Tomé start from around £400 with TAP. tap.com

Poovar Island Resort, Kerala

WILDERNESS

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Water is the ultimate relaxer, and you’ll find plenty of it at Kerala’s Poovar Island Resort. Whether you choose to take a backwater cruise, sleep in a floating cottage or spend the day on a beach with views of the Arabian Sea, there’s plenty of it to go around, making you realise why the rest of India calls Kerala ‘God’s Own Country’.

TONGSAI BAY KOH SAMUI, THAILAND Tucked away on Koh Samui’s east coast is the achingly beautiful Tongsai Bay. It might lack the flawless sand on the other side of the island (this is pebble territory here), but makes up for it with the eponymous resort cut into a palm tree-bedecked hillside that curves around the bay. No motorised boats are allowed here, which means you’ll enjoy almost total silence as you stare out over the bay from the infinity pool. It’s a nice life. tongsaibay.co.th

RATES: Doubles start from £44pn.

poovarislandresorts.com HOW TO GET THERE: Return flights from London to Trivandrum start from £476pp with Air India.

airindia.com

Basecamp Spitsbergen, Norway

Photograph by ###

Four locations Kerala, on the southbuilt from recycled west coast, stacks materials and up well in India’s driftwood, some statistics: it has of which are only the highest literary rate, the highest accessible by dog life expectancy and sled and snowmobile is the least corrupt in the winter, provide state in the country. the chance to live like a proper old-school trapper (or just somebody who hunts all their own food). And at the Nordenskiöld Lodge, there’s neither running water nor electricity… RATES: Magnetic North Travel offers a four-night break to Nordenskiöld Lodge, plus one night either side at the Trapper’s Hotel in Longyearbyen, from £2,383pp including return flights. magneticnorthtravel.com

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The Week July 2013

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Príncipe: a haven on earth

Mark Shuttleworth, the tech entrepreneur and space tourist, has ambitious plans to develop resorts on his small African island retreat By Richard Whistler

In the heat of the tropical night, after a dinner of excellent fish and too much wine, I decided to commune with the local heavens. A few feet from my beach hut, the surf was sighing softly while the rainforest brooded. Not a soul was in sight. Selecting a spot on the arc of pristine sand between sea and jungle, I lay down, arms outstretched, and contemplated the star-spangled sky.

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covers virtually everything, running right down to the shore, a jumble of palms, oka, and many other species. But then you look south and see sheer volcanic peaks, their summits wreathed in cloud: this is more Lost World, like a scene from South America. Then, beyond the airstrip, the asphalt gives way to dirt tracks of deep red soil where simple wooden houses built on stilts dot the way. This is rural Africa, where women carry water on their heads and children stare out of curiosity before breaking into smiles.

Odd, you might think. Dumb, perhaps, given the nocturnal wildlife scuttling around. But I was on Príncipe, an isolated speck in the equatorial Atlantic where normality vanishes and space-time curves in curious ways.

Príncipe is 20km long and 12km wide. About 6,000 people live there, and last year 500 visitors stayed at its idyllic main hotel, Bom Bom Island Resort, with a few hundred more staying elsewhere. Its capital, Santa António, consists of a handful of streets with a market, a government building where flip-flops are banned, and a bank with the island’s sole cash machine, which works only with a local card, and then sporadically.

North, south, east and west lay restless ocean. Deep beneath me were ancient volcanic plumes. And somewhere about 80 miles above me the South African entrepreneur Mark Shuttleworth had re-entered Earth’s atmosphere in 2002 after becoming the second tourist in space.

There are no tourist shops and nothing much to buy. The main attractions in the market when I visited were brightly-coloured vegetables and half a shark. Though the island’s wildlife is unique, it is of modest scale: the big beasts are out at sea where whales and marlin roam.

That trip cost Shuttleworth $20m and opened his eyes to how far human development blazes across the nighttime world. With a software fortune estimated at $500m, he went in search of a haven, eventually alighting upon Príncipe. His love affair with the island – for which he has bold plans admirable to some, controversial to others – is going to cost a lot more than a ride on a Soyuz rocket.

Instead, what Príncipe has to offer is far harder to buy than any souvenir or safari-park snap. It’s the ability to make you think about life differently.

“Tens of millions,” he tells me. About $95m over 15 years, says one of his aides. More than $135m, says another knowledgeable source.

It is easy, of course, for the visitor to romanticise such places. Príncipe has its problems: girls have children as young as 12, a sociologist tells me, and men may have two, three or four wives. In a small community, that can be a recipe for confusion. Fondness for a local brew called cacharamba is also problematic, as I discovered when a lady with a gap-toothed smile and infant strapped to her back embraced me with more passion than was strictly necessary two minutes after we

It is easy to see why Shuttleworth is enchanted: Príncipe is a planet in miniature. As you approach in an old twin-prop 18-seat Dornier, it emerges from the clouds like a Caribbean Treasure Island, a patch of green in the endless blue with white waves breaking in numerous bays. Forest

There aren’t many machines on the island: some 4x4 vehicles, motorcycles and outboard motors, and some generators. It’s quiet. People walk. They cook on open fires. Canoes are often still driven by paddle power.


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had first met at 11 one morning. Nevertheless, this is not the desperate poverty of shanty towns and sewer slums. It’s clean; the simple wooden houses have space. The sea provides fish, the forest supplies food and much else. Local lore has it that a few years ago a six-year-old girl got lost in dense forest in the south and was found alive nine months later. People mostly look fit, well and happy. At the northern tip of Príncipe, a dirt road winds through empty forest to Bom Bom Island Resort, a cluster of beach huts set in gardens carved out among palms. Two long sandy beaches curve either side of a rocky promontory from which a wooden bridge leads to an islet where the resort has its small bar and restaurant. The rooms are comfortable rather than luxurious, and the electricity goes off at midnight. But the food is delicious and the setting sublime. To dine by candlelight on fresh fish and local fruit, then stroll back across the bridge, waves splashing below and stars overhead, was dangerously intoxicating. Enough to make you want to pack in everything and stay for ever. Shuttleworth, whom locals call the Man in the Moon, liked Bom Bom so much he bought it. He has also either bought or acquired rights to three other beaches that are such perfect vistas you begin to wonder who’s been Photoshopping reality. They were all deserted on the days I visited. On these sites, Shuttleworth envisages a series of resorts, one with beach huts, one with luxury tents, one as yet undetermined. He is well aware such development – or “areas of intervention” as his company likes to say – poses risks to a small island. But like it or not, change is coming to Príncipe, he says. You could see it in the village of Abade, where I found fishermen making two new boats: dugout canoes, hacked from the trunks of trees as they have been for centuries. Yet just beyond the canoes was a shack with a satellite TV dish on the roof: last year electricity arrived in the village, bringing an endless stream of the outside world with it.

If change is coming, better that someone sensitive handles it. “You can’t will people [to stay in] poverty: that is a dangerous thing westerners try to do,” Shuttleworth says. “You have to try and figure out a way to improve people’s quality of life and their ability to participate in the world, while still protecting what they may not realise is very special about their environment.” In fact, Príncipe knows all about social upheaval. Behind the beaches and under the forest lies a lost civilisation. I glimpsed it first as we drove through Porto Real, a modest collection of homes with a small school. On a hill above the village lies a massive stone staircase, overgrown with vegetation, leading up to the ruined shell of a large building. It is straight out of Indiana Jones. There are more ruins round the corner and, rusting in the undergrowth, a steam engine. These are the remains of a plantation that once exported coffee and cacao on a grand scale. For much of the 19th and 20th centuries, plantations created by Portuguese colonialists deploying slave or cheap labour dominated the north of the island, transforming the landscape. The Europeans even built miniature railways to run the coffee and cacao from the hilltops to the beaches. But rival producers in other countries, coupled with the island winning independence in 1975, destroyed the industry. Plantation houses fell derelict; the forest reclaimed the land. And the inhabitants of Príncipe? They reverted to a different way of living. That transformation is encapsulated at Roca Sundy, once the jewel of the plantations. Behind the cavernous house stands a plaque recording the 1919 visit of British astronomer Sir Arthur Eddington, who came to “the palace” to witness a solar eclipse. His photographs of stars helped to prove Einstein’s theory of relativity. It’s hard to picture that now. Eddington’s plaque stands forlorn on a scrubby patch behind the empty house, and many of Sundy’s ancillary buildings are roofless and weedgrown.

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Shuttleworth also has plans for Sundy and a second plantation. There’s talk of restoration, visitor centres, botanical gardens and museums. On the other side of the island, another developer is already converting a ruined plantation, Belo Monte, into a boutique hotel. Shuttleworth’s company HBD (Here Be Dragons) has drafted on to the island experts in design, forestry and agriculture to pursue his visions. It is setting up office right next to the no-flip-flop parliament. HBD is expecting, it says, to hire 700 people. How much will the Man in the Moon bend the space-time of planet Príncipe? It’s hard to tell as yet but bend it he will. A key factor will be access. At the moment it is not easy getting to Príncipe. From Europe, you have to go to Lisbon, catch the one flight a week to the island of São Tomé, stay the night (the Omali Lodge Hotel there is an oasis of soft towels and air conditioning) and then take the 18-seat Dornier to Príncipe, weather permitting. But Príncipe’s little aerodrome, with its windsock full of holes, also faces change: a broad scar of red earth now marks where forest has been cleared to build a new runway. One day, possibly next year, bigger aircraft will come. Shuttleworth appreciates the implications, and HBD says the new runway is being limited so that only aircraft carrying a maximum of 50 passengers will be able to land. “If you are going to get involved somewhere like Príncipe,” Shuttleworth tells me, “one goal is to ensure that if you fly into Príncipe in 20 years’ time, it is as beautiful as it is today ... that it will seem extraordinarily protected.” Let’s hope so. Because, as he puts it: “When you fly in today you feel like you have gone somewhere ethereal.” _____________ Richard Whistler was a guest of Original Travel, which offers an eight-day trip to São Tomé and Príncipe from £2,350, including two nights at Omali Lodge on São Tomé and five nights at Bom Bom Island Resort on a full-board basis, plus international and domestic flights from London


CondĂŠ Nast Traveller August 2013

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You and your Wedding 2013

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FRANCE Portugal | UK| France | Germany | Others

PRESS BOOK


What does the press say

ABOUT US

“Príncipe has found its principle to preserve the biodiversity“ Jacques Brunel L’EXPRESS

Media:

L’ Expres, Le Figaro, Vogue Paris, AD, Akkro, Yonder, Edelweiss, Focus, Luxe-Magazine, Men Magazine, Voyager Magazine...


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NOS VOYAGES DÉCOUVERTES

STANISLAS FAUTRE

LA TENTATION DU MONDE

DOSSIER COORDONNÉ PAR BÉNÉDICTE MENU AVEC ANNIE BARBACCIA, GUILLAUME DE DIEULEVEULT, ADRIEN JAULMES, MARIE-ANGÉLIQUE OZANNE ET VALÉRIE SASPORTAS


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L’ÎLE MYSTÉRIEUSE ET L’HOMME DE LA LUNE Petite terre perdue au large des côtes africaines, Príncipe a longtemps vécu à l’écart du monde. Dans ce décor spectaculaire de forêts exubérantes et de plages désertes, un riche SudAfricain visionnaire invente un tourisme du XXI e siècle, respectueux des habitants et de son environnement. PAR ADRIEN JAULMES (TEXTE) ET ÉRIC MARTIN POUR LE FIGARO MAGAZINE (PHOTOS)

Emeraude posée sur la mer, l’île de Príncipe conserve des pans entiers de forêt primaire où s’épanouissent des centaines d’espèces endémiques. 74 LE FIGARO MAGAZINE - 9 MARS 2018

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UN PETIT PARADIS PRÉSERVÉ, ISOLÉ AU CŒUR DU GOLFE DE GUINÉE

Le fort São Sebastião est construit en 1575 sur la pointe de l’île de São Tomé, alors escale sur la route des Indes. Il abrite aujourd’hui le Musée national. A droite, l’izaquente, un fruit géant de l’île qui peut peser jusqu’à 15 kilos. 76 LE FIGARO MAGAZINE - 9 MARS 2018

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ue du large, l’île de Príncipe semble aussi déserte qu’au jour de la Création. Un épais manteau végétal la recouvre presque entièrement, comme une forêt posée à la surface de la mer, percée d’immenses pitons de phonolite aux formes étranges. Les arbres géants aux troncs gris et aux vastes frondaisons dévalent vers le rivage, éboulis de basalte noir ou lignes de plages blanches. Ce n’est qu’en s’approchant qu’apparaissent quelques signes de vie : cabanes de pêcheurs en planches cachées dans la végétation, avec de longues pirogues tirées sur le sable, ou bien, perchées sur les hauteurs, de vastes maisons coloniales à vérandas qui contemplent le large. Commes les îles Baladar de Jacques Prévert, qui ne cessent d’apparaître et de disparaître, Príncipe est une terre jalousement protégée par la géographie. Sœur cadette de São Tomé, plus grande et plus peuplée, cette ancienne colonie portugaise fait partie d’un minuscule archipel volcanique posé sur l’équateur, dans le golfe de Guinée, au large des côtes africaines. Son accès n’est pas des plus aisés. Un vol quotidien la relie à São Tomé, environ 150 kilomètres plus au sud, et quelques bateaux la ravitaillent chaque semaine. Pour le reste, loin des routes commerciales et touristiques, cette île peuplée d’à peine 9 000 habitants vit à l’écart du monde. Cet isolement a préservé un petit morceau de paradis terrestre où subsistent des pans entiers de forêt primaire et des centaines d’espèces animales endémiques. L’intégralité de Príncipe est depuis 2012 classée par l’Unesco comme une réserve de biosphère, soumise à des règles de préservation drastique de l’environnement. Les paysages rappellent parfois ceux de l’Afrique, avec des pistes rouges de latérite qui s’enfoncent dans les verts épais de la forêt, et des oiseaux multicolores qui jacassent dans les arbres. Mais c’est une Afrique sans paludisme ni animaux venimeux, sans coups d’Etat ni bidonvilles, où la vie s’écoule paisiblement, presque hors du temps.

Les voitures sont rares sur les routes de l’île. Quelques

motocyclettes pétaradent le long des chemins, revenant des champs avec des sacs de légumes. Sur les plages, les pêcheurs lancent à la force des bras leurs longues pirogues, un petit moteur hors-bord attaché à la poupe, relayé autant que possible par une petite voile latine pour économiser le carburant. Santo António, la petite capitale régionale, est aussi la seule ville de Príncipe. C’est une bourgade aux couleurs pastel, construite entre la mer et la forêt. Un pont traverse les eaux rapides du rio Papagaio. Le palais du gouverneur est aussi grand qu’une sous-préfecture. En face de la petite cathédrale jaune et du lycée aux murs blancs, où des adolescents en uniforme se rassemblent en groupes joyeux, le café Fofokis (ou bien « café des ragots ») possède l’une des rares machines à expresso de la ville.

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Ci-contre, luxe et exotisme au Praia Sundy, nouvel hôtel de Mark Shuttleworth. A droite, acteurs de théâtre tchiloli. Cette « tragédie du marquis de Mantoue et de l’empereur Charlemagne » se joue sur l’île depuis le XVIe siècle.

UNE TRADITION LOCALE INSPIRÉE D’UNE ÉPOPÉE CAROLINGIENNE Le moment le plus animé de l’année est la fête du 15 août, lorsque l’île entière vient assister à l’Auto de Floripes. Ce spectacle reconstitue une épopée carolingienne étrangement adoptée comme tradition locale par cette petite communauté équatoriale. Vêtus de costumes flamboyants, avec panaches de majorette, capes satinées, boucliers de bois et épées de fer, plu-


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5 août, lorsCe spectacle ent adoptée uté équatoches de made fer, plu-

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sieurs dizaines d’acteurs s’affrontent dans de longues chorégraphies, chevaliers chrétiens contre guerriers maures. La majorité des habitants vivent dans des petites communautés rurales disséminées dans l’île. Elles sont souvent situées sur les terres des anciennes plantations qui, pendant des siècles, ont fait de Príncipe une lucrative entreprise agricole. Déserte à sa découverte par des navigateurs portugais en 1471, l’île a été peuplée par vagues successives. D’abord escale pour les navires en route vers les Indes et l’ExtrêmeOrient, Príncipe devient au XVIIe siècle une étape dans le fructueux commerce des esclaves. Les navires négriers venus du continent africain y relâchent pour préparer leur cargaison humaine avant la traversée de l’Atlantique. Comme souvent dans les colonies portugaises, le métissage se fait très vite entre les colons et des esclaves affranchies. Encore de nos jours, cette société créole rappelle plus celle du Brésil que l’Afrique, pourtant voisine. ­ 9 MARS 2018 - LE FIGARO MAGAZINE 79


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Point de vue onirique depuis la montagne Oque Daniel sur la côte nordouest de l’île. Ci-dessous, séchage du poisson dans le village de Praia Abade.

UNE ÎLE ENTIÈREMENT CLASSÉE RÉSERVE DE LA BIOSPHÈRE ­ Comme aux Antilles, l’île se couvre de plantations à

haute valeur ajoutée. Ce sont d’abord la canne à sucre et le café, puis le cacao. Le climat équatorial, l’épaisse forêt ombragée et le fertile sol volcanique conviennent parfaitement à cette plante délicate. Au début du XXe siècle, Príncipe devient l’un des premiers producteurs mondiaux de cacao. Rien d’artisanal dans cette économie. L’île est divisée en une dizaine de grandes exploitations, les roças. Chacune est une communauté autonome, avec ses plantations et ses séchoirs à cacao, son dispensaire, sa chapelle et son embarcadère pour exporter la précieuse fève. Dès le début du XXe siècle, les roças se dotent même de leur propre chemin de fer à voie étroite pour le transport des marchandises. Belo Monte, Paciência, Santa Rita, Sundy, Bela Vista, Terreiro Velho, Esperança, Porto Real : les roças de Príncipe sont des entreprises prospères. D’abord servile, la main-d’œuvre est remplacée, après l’abolition de l’esclavage par le Portugal en 1869, par des travailleurs venus des autres colonies portugaises, d’Angola ou du Cap-Vert. Parmi les figures célèbres de cette époque domine celle de la belle planteuse métisse Maria Correia. Née à Príncipe à la fin du XVIIIe siècle d’un officier brésilien et d’une mulâtresse de l’île, elle épouse un riche planteur, qui décède opportunément quelques années plus tard. Remariée, puis de nouveau veuve, elle devient l’une des plus riches propriétaires de l’île. La légende lui prête de nombreux amants, et la tradition rappelle comment elle trompait la vigilance des navires britanniques chargés de traquer les navires négriers en invitant les officiers anglais à dîner pendant que ses propres bateaux déchargeaient leur cargaison humaine à un autre endroit de l’île. Cet univers s’effondre lors de l’indépendance en 1975. Les propriétaires portugais plient bagage, ou ne reviennent 80 LE FIGARO MAGAZINE - 9 MARS 2018

pas. Nationalisées par le nouveau régime marxisteléniniste qui parvient au pouvoir dans le nouvel Etat indépendant de São Tomé-et-Príncipe, les roças périclitent peu à peu. Les maisons patriciennes des planteurs sont peu à peu avalées par la végétation exubérante. On découvre encore, au détour d’un sentier, les silhouettes altières de ces maisons de maître qui disparaissent dans la forêt, arbres immenses perçant les toits et racines noueuses accrochées aux moulures des escaliers. Les descendants des travailleurs vivent en revanche toujours autour des roças où travaillaient leurs grands-parents. Leurs maisons de planches sur pilotis, répliques miniatures de celles des planteurs, avec vérandas et escaliers, forment des taches colorées dans le vert intense de la végétation.

Vivant presque en autarcie, pratiquement sans routes ni voi-

tures, Príncipe est une belle endormie lorsque José Cassandra est élu en 2006 président du gouvernement régional. « La situation était préoccupante, se souvient-il. Tous les indicateurs étaient catastrophiques, le taux de chômage avoisinait les 70 % de la population active. Il n’y avait de l’électricité que quelques heures par jour à peine et deux vols par semaine avec São Tomé. J’étais à la recherche d’investisseurs pour développer l’île, mais je ne voulais pas non plus dilapider nos ressources naturelles en laissant s’installer des multinationales. » L’homme providentiel apparaît un jour de 2011, en la personne d’un jeune Sud-Africain qui visite l’île pour la première fois. « Il m’a expliqué qu’il était en vacances à Prín- ­


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A gauche, luxuriance dans les rues de Santo António. Ci-contre, l’extraordinaire restaurant du Praia Sundy, construit sans clou ni vis en bambous géants.

ENTRE MER ET FORÊT, UNE BOURGADE AUX COULEURS PASTEL ­ cipe, mais qu’il aimerait y investir », se souvient le prési-

dent Cassandra. L’homme lui laisse sa carte : il s’agit d’un certain Mark Shuttleworth. « J’ai appelé un ami, le ministre portugais du Commerce extérieur, pour lui demander s’il avait déjà entendu parler de lui. Il m’a aussitôt répondu qu’il était l’homme qu’il fallait à Príncipe ! » Le personnage du millionnaire philanthrope se rencontre plus fréquemment en littérature que dans le monde réel. Mark Shuttleworth, génie précoce de l’informatique, a fait fortune très jeune dans la nouvelle économie de l’internet. Inventeur de l’un des premiers systèmes de sécurisation des connexions en ligne, puis fondateur du système d’exploitation informati-

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que Ubuntu, le jeune multimillionnaire n’entend pas jouer au golf jusqu’à la fin de ses jours. Il est à la recherche d’une cause à laquelle se consacrer. En 2002, il devient l’un des premiers touristes de l’espace et passe huit jours à bord de la Station spatiale internationale en orbite autour de la Terre. Au cours de ce voyage cosmique, il prend conscience des ravages de la pollution, parfaitement visibles depuis l’espace, et de la vulnérabilité de notre planète. Cette vision le décide à agir pour trouver un modèle de développement humain qui ne soit pas au prix de la destruction de la nature et des bêtes. Entre le millionnaire visionnaire et le président déterminé à développer son île, l’entente est immédiate. Mark Shuttleworth investit massivement dans les infrastructures. La piste d’aviation est rallongée. Une centrale électrique est construite, qui alimente les habitants en électricité 24 heures sur 24, et une connexion internet est établie. Les principales routes sont goudronnées. A la demande du président Cassandra, le Sud-Africain finance aussi des écoles primaires qui ouvrent un peu partout. La société de Mark Shuttleworth devient l’un des principaux employeurs de Príncipe. Elle est baptisée HBD, Here Be Dragons (Ici il y a des dragons). Cette inscription, portée ­


Télé Matin: Voyage à São Tomé et Príncipe avec Tania Young March 2016

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https://www.youtube.com/watch?v=-zzrVwG00F8


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L’Express

Pays : France November Périodicité : Hebdomadaire Paris OJD : 451713

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Date : 28 OCT/03 NOV 15 1/5 Page de l'article FRANCE : p.27,66,68,...,71 Journaliste : Jacques Brunel

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Un C H O CO LAÎ sans pareil, une nature extra-vierge peuplée de perroquets et de tortues de mer, un hôtel de grand charme comme un observatoire privilégié... Sâo Tomé-et-Principe sont des confettis d'Afrique E N S O R C E L A N T S . Par Jacques BruneL Photos : Roberto Frankenbergpour L'Express Styles

Deux îles A CROQUER

A g le RESORT de I hotel Bom Bom sur l î l e de Principe A dr depart matina vers I ecole sur IBS hauts de Sâo Tome -

Tous droits réservés à l'éditeur

'n ne connaît rien au chocolat si l'on n'a pas goûté celui de Claudio , produit à Sâo Tomé. Difficile le le déclarer « meilleur du monde » : [ii est hors catégorie. Nullement amer [malgré ses 100 % (une pâte de cacao lure !), il crée une autre gamme d'émois istatifs qui donne à voir d'où il vient : "ëst un fruit de la jungle, onctueux et 'Uissant, aux saveurs d'humus et ecorces épicées... Interminable, l'ar•r^jnere-ljouche déploie des forêts tachetées 'lefe lumière et des brumes amniotiques le matin du monde, travaillées par la îtalïïe. « Là où le vert est plus vert », antait Cesâria Evora : vous venez de [survoler Sâo Tomé, l'île chocolat perchée Isur l'équateur, à 300 kilomètres au large du Gabon. Jaillissant d'un écrin de plages, sa forêt émeraude cogne au hublot de l'avion. La moiteur surgit comme un baiser mouillé. Le paradis nichant dans AMRP 4159175400507


EXPRESS STYLES

L’Express

Pays : France November Périodicité : Hebdomadaire Paris OJD : 451713

Date : 28 OCT/03 NOV 15 2/5 Page de l'article FRANCE : p.27,66,68,...,71

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Journaliste : Jacques Brunel

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les nuages, on ne s'étonne pas de la chaleur idéalement douée. Sous la pluie fine et tiède qui « brumise » la voiture, Cao le chauffeur confie qu'après s'être exilé, il est revenu à Sào Tomé « pour le climat, qui nous fait une peau belle et saine ! » Paludisme presque éteint et sans bestioles à redouter, Sào Tomé va diluer nos peurs liées à l'Afrique. Sa météo triste et gaie a l'humeur portugaise, tout comme le patois local, sucré de créole et de mots africains. Sur le front de mer de la petite capitale, les crépis délavés par le climat de ['équateur ont la noblesse des tableaux d'Alechinsky... Cathédrale et bâtiments coloniaux disent le rêve évanoui du Portugal, celui d'un empire planétaire métissé... mais tissé de souffrances. Découverte avant l'Amérique un jour de la Saint-Thomas, l'île du milieu du monde fut une halte pour les esclaves envoyés au Brésil. Royaume de la canne à sucre, elle fut la première africaine à accueillir les cacaoyers du Nouveau Monde. Sâo Tomé et Principe, les deux îles de ce confetti grand comme la Martinique, produisaient en 1910 l'essentiel du cacao mondial. A l'indépendance, en 1973, l'île chocolat chuta de son trône : les descendants d'esclaves plantèrent là les plantations, laissant les splendides rocas (maisons de maître) pourrir dans la forêt. Elle est sous perfusion d'aide internationale, mais la petite nation connaît son passé et croit en son futur.

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Le bar de I hôtel Bom Bom A g petite baignade en fin de journee ici l'Afrique se découvre CÔTE MER

Sur les routes, de longues files de gamins en uniformes blanc et bleu vont vers l'école, s'abritant la tête d'une feuille de bananier. Ici, un habitant sur deux a moins de 12 ans. Espoir de la nation, il affirme la fertilité de cette île-volcan, où un balai planté en terre prend racine en trois jours. Les cases en jaune et vert ont la simplicité de grands cageots montés sur pilotis, mais elles cachent un jardin ruisselant de papayes, de corossols suaves, de fruits à pain au parfum de chou-fleur... Pourquoi braver le large lorsque, à dix minutes de pirogue, on attrape des poissons volants? Autre terre, autres mœurs : ici, le dénuement paraît une leçon de vie. Quant au fameux « enfer vert », c'est une matrice amicale, léchée comme un AMRP 4159175400507


EXPRESS STYLES L’Express

Pays : France November Périodicité : Hebdomadaire Paris OJD : 451713

Date : 28 OCT/03 NOV 15 FRANCE 3/5 Page de l'article : p.27,66,68,...,71

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Ici, non seulement la J U N G L E n'a mangé personne, mais elle se donne à savourer aux meilleurs pros de la dégustation tableau du Douanier Rousseau. Cao stoppe la voituie, plonge dans les taillis et revient chargé de jeunes branches. Malaxées sous la pluie, elles produisent une mousse compacte qui nettoiera le pare-brise « On vend peu de savon a Sâo Tomé, sourit-il. Vin de palme, fruits sauvages, dentifrice, médicaments... : la forêt offre presque tout. » Que la fête commence ! Au sud de Sào Tome, une houle de collines aux 50 nuances de vert se troue de pains de sucre. Le plus haut ressemble au repaire de King Kong. Phallus geant de 600 mètres, caressé par des nuages en anneaux qui montent et descendent, le Pico de Sào Tomé tient fermement I île sous la loi de la fécondité. « Cuisine!, c'est faire l'amour », déclare l'homme qui a dressé ses tables face à ce passage irréel, sur la terrasse vermoulue d'une ancienne roça. Sourire solaire et mots pesés, Joào Cal los Silva a longtemps régalé les téléphages portugais d'émissions culinaires, puis a regagne son île pour en être l'ambassadeur gourmand. Les produits du lardin ont quèlques metres

La place de I e g l se de Santo A n t o n i o (Principe) le charme des crépis d e l a / e s par la meteo de L EQUATEUR

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Er bas Claidio C o r a l l o un A f r i c a i n - ne en Toscane a rendu a Sao Tome son ancien surnom I ILE CHOCOLAT Principe accueille ses caféiers sa passion

a Santini poui gai mr les assiettes. ce\iche de mai lin (espadon) à la co iiandre magnifie mangue et fruits de la passion avec une huile d'oli\ e intense, le thon marine fraie avec la carambole, la papaye verte et une feuille de coriandre frais cueillie. Non seulement la jungle n'a mangé personne mais elle se donne toute à mangei. Pour preuve, le chocolat de daudio Corallo, ici croqué avec une pulpe de cacao (le mucilage, au goût finement abricot*) relev ec de gingembre et de poivre sauvage Pour l'ausculter de pres, attendons d'être sur l'autre île, Principe. La plantation de Sào Tome où Claudio Corallo nous attend est dédiée à sa « vraie passion » le café. Impassible sous la pluie chaude, ce bourlingueur né en Toscane (!) reçoit dans son jardin seciet. un bout de foi et claire d'où l'on voit la mer, 600 mèties plus bas. Ses yeux bleu laser et sa moustache coloniale irradient la joie les anilles - lianes enroulées autour des ,rands arbres - se sont fécondées seules.. ;e qui n'arme en principe jamais! « La "attire, triomphe-t-il, a trouve son chem ! » Sans doute est-elle en sympathie iv ec ce terroir, où les caféiers bourbon, 'rando novo et caturra - arbustes denses couverts de micro censés - s'intègrent .a forêt Connu des seuls Portugais, le afe de Sâo Tome est un nectar aussi froid que chaud : le grand poète tssoa y trempait sa plume. Corallo pro:este : « Mon café n'est pas celui de Sào >me ' C'est le mien ' » Vrai, car ce soleil noir est la quintessence de quarante annees d'Afrique, vécues par cet aventurier Jack London. « le voulais être Tarzan », "uni celui qui planta son robusta au n fond de l'immense Zaïre, a 1650 kilomètres de pirogue de la capitale. « Mon :œur est i esté au Kivu », dans cette AMRP 4159175400507


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Pays : France November Périodicité : Hebdomadaire Paris OJD : 451713

Date : 28 OCT/03 NOV 15 4/5 Page de l'article FRANCE : p.27,66,68,...,71 Journaliste : Jacques Brunel

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jungle où il courait pieds nus avec les guerriers locaux. Une demi-heure d'avion à hélices nous fait atterrir à Principe (prononcez « Prispe »), sur une piste trouant la forêt. On aurait pu tourner Jumssic Park sur ce château de verdure à peine grand comme Paris et maigrement peuplé. Mais l'hôtel Bom Bom rend important ce bout du monde. Rouge et vert intenses d'une piste en latérite entre deux buffets d'orgues végétales. Sous les arbres aux pieds musculeux, voici des orchidées sauvages et des frondaisons d'érythrines : leurs pétales orange vif forment à terre un tapis de braises. Passé le porche de l'hôtel, la jungle essaie de bien se tenir, éventant les sentiers dallés avec force parfums de fleuriste. Et soudain, c'est le rêve. Une longue plage cuivrée, au sable onctueux comme du cacao et quasiment déserte, se laisse mollement lécher par les vagues. A quèlques mètres, de confortables cases rondes à l'africaine tutoient l'océan et son vaste horizon, ouvrant un jour sur

Poissons géants et fruits et legumes addictifs font du MARCHE le centre de la vie locale

Ci-contre la cachoeira de pescjueira (« cascade de pêche») sur I ile de Sao Tome Ci-dessous a messe dominicale a Santo Antonio (Principe) A g exubérance d une nature a la Douanier Rousseau

Macao, un autre sur Bahia. On aperçoit des oiseaux bleus inconnus ailleurs, des tortues venues enfouir leurs oeufs et de gros crabes de terre patrouillant la nuit, la pince au garde-à-vous... Le plus fascinant restant ce long ponton qui enjambe les vagues et mène au restaurant de style africain ornant l'île voisine. Ses murs gris nuage, abondamment vitres, donnent le sentiment d'un déjeuner en haute mer... C'est là que les pêcheurs, dès 6 heures, viennent présenter leurs prises au chef Jeandré, Sud-Africain de 24 ans qui s'éclate avec le ragoût de lambis (gros coquillage des mers tropicales) et le malka nofogo, un barracuda flanqué de makéké, l'aubergine locale. Comment ce lieu extra-galactique, oublié, loin de tout, maintient-il chaque jour un service impeccable? C'est le secret de Sergio, lejeune directeur que ses employés comparent à Jésus-Christ : « II est partout en même temps. » En caressant Chaplin, son perroquet apprivoisé, il raconte comment le Bom Bom (en français : « Bon Bon ») est devenu le premier employeur de l'île, rénovant les routes, salariant des professeurs, expérimentant des cultures et embauchant des agronomes pour rendre à la jungle les vastes terrains autrefois plantes qu'il a reçus en concession, et qui comptent 1,6 kilomètre de ages admirables... Ainsi l'a voulu Mark -Uttleworth, jeune businessman sudricain qui, après s'être envolé dans espace (les îliens l'appellent « l'homme lela lune »), a racheté l'hôtel pour s'y 'jouer un remake d'Au cœur des ténèbres, de Conrad. Lui doit-on la reconnais[sance de l'île en réserve de biosphère nesco? Principe (l'île du Prince) a 'trouvé son principe : préserver la biodiversité. Il valide le rare panel fëxcursions proposées par l'hôtel :

Autour de nous, la mer, les pains de sucre et le manteau de jungle où sifflent les cascades composent une baie de Rio miniature, mais VIERGE

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promenades en jungle, approche des baleines plongées coralliennes au milieu des gorgones des hippocampes et des poissons trompettes Dans l'église blanchâtre de San An tonio la petite capitale les dames cho nstes louent le Seigneui en ondulant du popotm - a la grande joie des gamins assis demeie Repienons nos parapluies Dieu nous attend Ombragées de grands aibres les cacaoveres de Claudio Corallo devaient une colline en boid de mer lourdes de petits ballons de rugb} oran ges (les cabosses) quon cueille avec grand soin Elles piodunont lextiaoi dinaii e chocolat que Claudio moule en carres a Sào Tome, avec des variantes au gingembre, au raisin infuse d'alcool de mucilage (le chocolat au piment et a la fleui de sel est un nirvana total) vendues sur l'île a des tarifs de philan thiope Quel est son seciet? Occupe a sécher les feves dans un hangar aère maîs couvert, il émet un « Eh ' » matois de paysan toscan « Ce n'est pas qu il n'y ait qu'un seul secret Ou alors le secret, c'est d'être la » « La », c'est la roça décrépite ou il réside dormant sut un sommier dans une chambie sans fenêtre, maîs donnant sur un immense fiomager ou crient les perroquets II \ a du Visconti dans ce decor splendide maîs ruine du François d'Assise dans ce vœu de pauvrete, au bord d'un des plus beaux paysages du monde Autour de nous la mel, les pains de sucie et le manteau de ]ungle ou sifflent les cascades composent une baie de Rio miniature maîs vierge Lai rivée d'un nuage met fin au spectacle A cet instant le paysage a dispaiu Claudio Corallo vient de le mettre dans son chocolat • JACQUES BRUNEL To sant Sao Tome le Pico do Cao Grande ( p e du Grand Chien ) a tout d un totem de FERTILITE

Une demi heure d axion a helrces suffi pou; passer de Sao Tome a Principe deux HEC PERDUES dans le golfe de Gu nee

DEPART

Le sejour de 9 jours à Sao Tome et Principe coûte 2 650 € avec Club Faune (www club faune com) II comprend les vols Pans Sao Tome 3 nuits a I Omali Lodge et 4 a I hotel Bom Bom en demi pension plus unjoui dexcursion Renseignements sur I Etat de Sao Tome et Principe www^ao tome tf/Tounsme OU DORMIR? A Sao Tome Omali Lodge piesdelaeiopoit De bon standing et bien tenu 230 €la chambie double www omaltlodge com A Principe Hotel Bom Bom a pai tir de 380 €la chambre double en demi pension www bombomprmape com

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MMEDIAT

Sào Tomé-et-Principe OU DEJEUNER DINER' \ Sao Tome Roça de Sao Joao dos Angolai es ( P 14 Chez Joao Carlos Silva Comptez 15 € Reseï valions Falque Fopular pres du mai che Poisson gl ille chips de f i uit a pam Des snacks tres simples le long d un square anime a fiequenterpoui I ambi mce st Les cafes et chocolats de Claudio Corallo sont vendus a I Arbre a cafe (10 rue du Nil Paris IIe) www larbreacafe com) Et dans sa boutique en ligne www daudiocorallo com Lhomme dispose d un compte Twitter tres actif

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Un must : se réveiller au bruit du ressac sur la plage du Bom Bom Island Resort.

LE PROJET FOU DE L’HOMME DE LA LUNE

DR

ouge, la piste de terre. Africaine. Chaotique. Pleine de surprises. Vert tendre, la feuille de bananier que le soleil voudrait transpercer pour vaincre l’ombre de la forêt tropicale. Violet, jaune, rose : les maisons de bois aux allures créoles. Turquoise, émeraude, bleu profond… la mer, à l’infini. Príncipe, l’île aux mille couleurs, est une affaire de cœur : au premier coup d’œil, lorsque l’avion la survole et que ses contours se dévoilent enfin, surgissant au milieu de l’immensité marine, elle séduit. Une île oubliée, terre pure et préservée, caressée par la lumière équatoriale et les vagues de l’océan Atlantique, à 35 minutes en avion de sa grande sœur, São Tomé. Deux destinations méconnues, au beau milieu du monde, loin des circuits touristiques traditionnels. C’est ce qui fait leur saveur, et la joie de la découverte. Il n’y a que les Portugais pour pouvoir localiser ces confettis d’origine volcanique sur une carte : São Tomé (859 km2) et Príncipe (142 km2), situées sur la côte ouest de l’Afrique, à environ 220 kilomètres des côtes gabonaises, font partie de leurs anciennes colonies, émancipées en 1974 à la suite de la révolution des œillets. Pendant des années, ces îles ont été communément appelées les « îles chocolat », tant la culture du cacao s’y était 80 LE FIGARO MAGAZINE - 16 OCTOBRE 2015

FRANCE

développée. Un commerce lucratif pour les colons portugais. Après l’abolition de l’esclavage en 1875, un régime d’indigénat fut mis en place. La main-d’œuvre, venue d’autres colonies portugaises comme le Mozambique, les îles du Cap-Vert ou l’Angola, travaillait dans des conditions éprouvantes. Elle s’est révoltée. Mais le colonisateur chassé, São Tomé et Príncipe se sont enfoncées dans le déclin et la pauvreté, la minuscule et fière République démocratique de São Tomé-et-Príncipe se laissant même séduire, au crépuscule de la guerre froide, par le chant illusoire du communisme que susurraient encore, à l’époque, les Soviétiques.

Des plantations coloniales, les immenses roças qui avaient per-

mis à São Tomé-et-Príncipe de décrocher le titre de premier producteur mondial de cacao en 1913, il ne reste rien, sinon des habitations délabrées, à l’abandon, ouvertes à tous les vents : aujourd’hui, les enfants déambulent librement dans les salons des anciens maîtres, des chiens paressent dans la torpeur des maisons léguées par l’Etat aux travailleurs, désœuvrés mais pas malheureux car ici, la nature est généreuse avec l’homme. Il n’est qu’à se promener parmi les modestes étals du petit marché de San António, l’unique bourg digne de ce nom sur l’île, pour comprendre qu’à Príncipe la terre produit les plus beaux légumes du monde, des fruits savoureux, des épices sauvages et envoûtantes, ­ Mark Shuttleworth, entrepreneur sud-africain et deuxième touriste à avoir voyagé dans l’espace, a décidé de changer le destin de Príncipe.


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Le pico Cão Grande (en français, « pic du Grand Chien ») est l’un des plus étonnants sommets de São Tomé. Son « nez » culmine à 663 m d’altitude.

UNE TERRE SAUVAGE ET PRÉSERVÉE ­ et que la pêche est abondante. Certes, on ne trouve aucun

magasin sur l’île. Pas d’objets touristiques à rapporter, aucun vendeur de glaces ni de maillots de bain à l’horizon. Mais ce que Príncipe a à apporter à ses visiteurs est bien plus précieux : des sourires d’enfant à chaque coin de rue, une nature intacte, des plages uniques où l’on a parfois la chance de croiser d’immenses tortues marines au cou élancé surgissant, comme par magie, au milieu des flots… Parfois aussi, des baleines passent au loin, gracieuses et chantantes, comme des ombres chinoises sur la ligne d’horizon.

L’île aurait pu survivre ainsi des siècles, loin de la civilisation,

avec pour seul lien avec le monde un vol quotidien en provenance de São Tomé, cinq fois par semaine, à bord d’un vieux Dornier 228 affrété par Africa Connections-STP (la liaison par bateau est à éviter, sauf si l’on aime les flots agités du golfe de Guinée et les traversées de plus de dix heures de long !). Mais l’homme de la Lune est passé par là. Et le destin de Príncipe en a été changé, sans doute à tout jamais. L’homme de la Lune ? C’est ainsi que l’on a baptisé, ici, Mark Shuttleworth. Ou encore « Mr. Mark ». Ce milliardaire sud-africain de 42 ans, à la tête de Canonical Ltd. (l’entreprise informatique qui développe le système d’exploitation Ubuntu) a fait fortune en créant, à sa sortie de l’université du Cap, une société de certification digitale et de sécurité internet (Thawte) qu’il a reven82 LE FIGARO MAGAZINE - 16 OCTOBRE 2015

due par la suite au géant américain VeriSign. Mais Mark Shuttleworth est surtout connu du grand public sud-africain, qui en a fait une sorte d’icône à la Steve Jobs, pour avoir été le deuxième touriste à voyager dans l’espace. Moyennant un chèque de 20 millions de dollars et un entraînement d’un an, dont sept mois à la Cité des étoiles de Moscou, il s’est embarqué en avril 2002 à bord du vaisseau spatial Soyouz et a passé huit jours dans l’espace (d’où il a appelé Nelson Mandela !), participant à des expériences relatives à la recherche sur le sida et le génome. Et c’est là-haut, dans les airs, en apercevant notre planète, qu’il a pris conscience de la fragilité de celle-ci. De retour sur terre, il a craqué pour Príncipe (à mi-chemin entre Le Cap et l’île de Man, où il réside), sa nature préservée, ses plages vierges, la gentillesse de ses 5 000 habitants… Pour eux, Shuttleworth a choisi d’ouvrir son portefeuille en grand, très grand même. Dernièrement, il a fait refaire entièrement la piste d’atterrissage de Príncipe qui, jusqu’alors, ne pouvait accueillir que des petits coucous de 15 ou 18 places. Désormais, des moyens porteurs pourront s’y poser, sans avoir nécessairement fait escale à São Tomé. Montant du chèque signé par « Mr. Mark » : 8 millions d’euros. Autre innovation que ce geek s’est empressé d’apporter aux habitants de Príncipe : l’amélioration de l’accès au Wi-Fi en ville, passé de 30 à 200 mégaoctets. « C’est un détail qui a beaucoup d’importance aux yeux de la population locale, notamment pour les jeunes qui découvrent internet et Facebook… » , explique Paulo Andrade, responsable de la promotion commerciale et marketing du projet depuis Lisbonne. « Nous ne sommes là que pour leur transmettre notre expérience, ajoutet-il. Un jour, ils devront vendre leur île aux touristes du monde entier par leurs propres moyens. Alors, autant qu’ils apprennent dès maintenant à le faire via les nouvelles technologies. » Au total, Mark Shuttleworth a prévu d’investir, dans ­


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PRÍNCIPE, L’ÎLE OU BLIÉE Voisine de São Tomé, Príncipe a gardé sa beauté sauvage. Un entrepreneur sud-africain a décidé d’investir une partie de sa fortune dans cette île du golfe de Guinée, pour y développer un tourisme responsable. PAR GHISLAIN DE MONTALEMBERT (TEXTE) ET ÉRIC MARTIN POUR LE FIGARO MAGAZINE (PHOTOS) .

Situé sur l’île Bom Bom, le Bom Bom Island Resort propose des bungalows en bois blottis dans un jardin tropical. Luxe, calme et farniente au cœur d’une magnifique forêt équatoriale, à 220 km des côtes du Gabon.

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IL EST CINQ HEURES, SÃO TOMÉ ET PRÍNCIPE S’ÉVEILLENT A Pantufo, un village situé sur l’île de São Tomé, la pêche est une activité quotidienne pour des dizaines d’hommes qui partent en mer dès l’aube. Pendant leur absence, les femmes vont laver le linge familial dans la rivière.

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La plantation de Sundy était l’une des plus importantes de Príncipe. C’est là qu’un astrophysicien britannique a prouvé, en 1919, la théorie de la relativité d’Einstein en observant une éclipse.

Praia Bananas, sur l’île de Príncipe, a servi de cadre au tournage d’une publicité de la marque Bacardí.

La cathédrale de Santo António s’anime au chant des fidèles, très nombreux à Príncipe.

­ les quinze ans à venir, une centaine de millions

d’euros à Príncipe. Il ne s’agit pas de livrer l’île au tourisme de masse mais d’y faire venir un public choisi, respectueux de la nature et aussi des traditions et de la culture locale. « Le projet est tout à la fois touristique, écologique et humanitaire, résume Philippe Moreau, directeur du pôle hôtellerie et tourisme au sein de HBD (Here be Dragons), le fonds d’investissement de Mark Shuttleworth. D’ici à quinze ans, notre ambition est de créer un nombre limité de chambres, une centaine au total, réparties sur plusieurs sites. Mais nous voulons surtout montrer, à travers cette expérience, qu’une solution de développement durable, respectueux de la biosphère, est possible en Afrique. » Récemment, une vaste opération de ramassage des bouteilles en plastique a été menée sur l’île à l’initiative de HBD. En échange de 50 bouteilles rapportées, chaque habitant se voyait remettre une gourde métallique, baptisée bouteille

de la biosphère, à remplir dans l’une des nombreuses fontaines d’eau potable installées récemment à Príncipe. En quelques semaines, 300 000 bouteilles en plastique ont été collectées ! L’Unesco a financé 50 % du projet, Shuttleworth, l’autre moitié. Au cœur de l’offre touristique actuelle de Príncipe : Bom Bom Island, un resort paradisiaque composé de 19 luxueux bungalows dispersés sur deux plages désertes, entre forêt vierge et mer d’azur. L’endroit est idéal pour se ressourcer, nager, plonger ou pêcher les marlins bleus qui pullulent dans les eaux de Príncipe. Mais attention : il s’agit d’une pêche sportive. Les proies sont toutes relâchées. Pour les gastronomes, un restaurant propose une cuisine raffinée sur l’îlot de Bom Bom. On y accède en empruntant une passerelle de bois longue d’environ 200 mètres, au-dessus de l’eau. La balade ne manque pas de charme ! Tout comme les dîners « romantiques » que le personnel organise à la demande sur la plage, dans une féerie de torches plantées à même le sable. Créé il y a trente ans par un Allemand qui a bâti sa fortune à la faveur de la guerre civile en Angola, l’hôtel a été revendu une première fois à un Néerlandais, avant d’être acquis par Mark Shuttleworth.

l’île. HBD a recruté récemment le personnel de ce futur petit paradis, au total une centaine de locaux partis suivre une formation de neuf mois dans une école hôtelière spécialisée, aux Açores. « Il faut tout leur apprendre, mais ils sont enthousiastes et coopérants ; ils savent que la chance que nous leur donnons est unique, reprend Philippe Moreau. Un accent particulier sera mis sur la gastronomie, ajoute-il. La carte sera signée par cinq chefs différents à qui nous demanderons d’élaborer des plats à base de produits locaux. » Le tout sous la houlette du très médiatique chef Ljubomir Stanisic, dont les restaurants de ­

© Studio Pastre / Rémy Régat

accueillera les vacanciers dès l’été 2016. Autrefois, 600 personnes travaillaient ici. Sundy, ancienne propriété de la famille royale portugaise, était l’une des plus importantes plantations de l’île. « Mark a racheté Sundy pour stopper un projet d’exploitation d’huile de palme qui aurait eu des effets dévastateurs pour l’environnement », explique Philippe Moreau. C’est le Français Didier Lefort, architecte de l’hôtel Méridien de Tahiti et de l’hôtel Dataï de Langkawi (Malaisie), qui a conçu le projet dans un esprit lodge, autour de luxueuses tentes d’environ 70 m2 disposées sur l’une des plus belles plages de

D’IMMENSES “ROÇAS” SOUS L’ÉQUATEUR

FRANCE

Mais Bom Bom Island ne représente qu’une partie du projet du milliardaire. A Sundy, une immense roça où l’on cultivait

EX PO SI TIO N

jadis le cacao et le café sur 700 hectares, un nouveau resort

35 allées Jules-Guesde 31000 Toulouse www.museum.toulouse.fr

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Exposition reconnue d’intérêt national par le ministère de la Culture et de la Communication Direction générale des patrimoines Service des musées de France. Elle bénéficie à ce titre d’un soutien financier exceptionnel de l’État.

ANNÉE DES 150 ANS DU MUSÉUM

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> jui n 20 16 oc to br e 20 15

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LA SAVEUR EXQUISE DES “ÎLES CHOCOLAT”

S Ã O

Comme Francesca, ils sont 35 expatriés à avoir rejoint HDB pour œuvrer au développement de Príncipe. Une

professeur d’anglais a par exemple été recrutée pour enseigner la langue de Shakespeare aux collégiens ; une ancienne chercheuse en économie, passionnée par la vie sauvage, a quitté Londres pour venir étudier les tortues et protéger leurs précieux œufs du vol (ils sont très appréciés pour leurs supposées vertus). Rita Alves, quant à elle, est anthropologue. A force de parcourir les sentiers de Príncipe, elle finit par être connue de tout le monde. « Je suis venue une première fois à Príncipe en 2011. HDB m’a payé une chambre en ville alors que je terminais ma thèse. J’ai été séduite et je suis revenue trois ans plus tard pour vivre ici. Ma mission ? Comprendre la culture et les traditions locales », explique cette jeune Portugaise de 34 ans qui s’est passionnée pour le tchiloli, ce curieux théâtre local qui ne comporte qu’une seule pièce racontant… la tragédie du marquis de Mantoue et de l’empereur Charlemagne (sic). « Je me suis attachée à Príncipe et à ses habitants, reprend Rita. Ils offrent une curieuse synthèse. Ici, on est culturellement à la croisée de l’Afrique, du Cap-Vert, mais aussi du Brésil et des Caraïbes par certains aspects… » Quelque part au milieu du monde, en somme, entre le ciel et la mer. ■ GHISLAIN DE MONTALEMBERT

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T O M É

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Formalités : pas de visa pour des séjours de moins de 15 jours. Santé : le vaccin antiamarile n’est plus obligatoire mais reste recommandé, ainsi qu’un traitement antipaludéen. Quand partir ? Lavé par des épisodes orageux, intenses mais passagers, c’est durant la saison des pluies que le ciel est le plus radieux. De mai à décembre (saison sèche), il est souvent voilé tandis que la brise rafraîchit l’atmosphère. A emporter : le Petit Futé « Gabon, São Tomé et Príncipe » (18,95 €). La TAP (0.820.319.320 ; www.flytap.com) propose 3 vols hebdomadaires vers São Tomé via Lisbonne au départ de Paris, Lyon, Nice et Toulouse. A partir de 1 329 € (aller-retour, hors frais d’émission) en classe économique.

ORGANISER SON VOYAGE

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V O Y A G E

UTILE

Club Faune (01.42.88.31.32 ; www.club-faune.com), spécialiste du voyage sur mesure au cœur de la nature, a été l’une des premières agences à repérer Bom Bom Island. Elle propose un combiné São Tomé et Príncipe de 9 jours/7 nuits à partir de 2 650 € par personne au départ de Paris sur la compagnie TAP. Le prix inclut tous les transferts, 3 nuits avec petits déjeuners à São Tomé, à l’Omali Lodge, 4 nuits en demi-pension au Bom Bom Island, sur l’île de Príncipe où Club Faune offre à ses voyageurs une journée d’excursion avec déjeuner pique-nique. A noter : pour l’instant, le vol São Tomé-Príncipe est opéré par la STP, compagnie figurant sur la liste noire de la Commission

Bom Bom Island

OCÉAN ATLANTIQUE

Santo António

PRÍNCIPE

SÃO TOMÉ

PRÍNCIPE

São João dos Angolares

SÃO TOMÉ

Pico Cão Grande 5 km

européenne. Aucun incident à déplorer : nos reporters sont rentrés en pleine forme ! Un vol opéré par une autre compagnie – non blacklistée – sera mis en place très prochainement. Se renseigner auprès de Club Faune.

AVEC UN GUIDE… Nous avons apprécié les services de Carlos Max Horta § (991.65.17 ; carlosmax15@live.com.pt).

NOTRE SÉLECTION D’HÔTELS

Passage obligé lorsqu’on se rend à Príncipe, l’île de São Tomé, plus grande et plus habitée, vaut le détour avec ses villages de pêcheurs authentiques, ses plages et sa nature sauvage. Prévoir d’y passer au moins 2 nuits à l’aller et 1 nuit ou 2 au retour. L’Omali Lodge (00.239.222.23.50 ; www.omalilodge.com) y est l’une des meilleures adresses. Comme

attentif. Le chef, qui a fait ses classes aux Seychelles, fait des merveilles. 19 luxueux bungalows sur la plage ou en hauteur, surplombant la mer. Piscine.

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OLIVIER CAILLEAU

Bistro 100 Maneiras ne désemplissent pas. Ce bon vivant d’origine serbe, généreux et talentueux, n’a qu’un mot à la bouche : la créativité ! A Paciencia, une autre plantation située plus à l’intérieur des terres, une guest-house de luxe verra le jour prochainement. Le concept ? La nature, le bien-être (avec un spa), la découverte des produits locaux, bios à 100 %… Pour l’heure, les maçons locaux, à qui des artisans chevronnés ont appris leur métier, s’activent. Francesca Orlandi, elle non plus, ne chôme pas. Cette Italienne de 31 ans, spécialisée dans l’agriculture tropicale, est venue tout spécialement de Rome il y a deux ans pour développer à Príncipe un curieux laboratoire où elle teste la réalisation de produits locaux destinés aux futurs touristes de l’île : confitures, müesli, huile de cacao, épices… Grâce à elle, les odeurs de chocolat, de café, de vanille, de poivre ont retrouvé leurs droits à Paciencia. « La plantation reprend vie ! » se réjouissent les familles restées sur place depuis l’indépendance. « Ma mission consiste à expérimenter différentes cultures et assemblages de produits locaux, explique Francesca. L’idée, c’est de montrer ce que l’on peut faire ici, d’initier des choses, de poser les bases du futur développement de cette île. Nous venons, par exemple, de tester une unité de fabrication de papier, à base de feuilles. Nous en sommes encore au stade expérimental, mais les papiers que nous créerons ici pourraient un jour servir au packaging des produits dérivés », explique la jeune femme.

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­ Lisbonne, le 100 Maneiras, le Nacional 100 Maneiras et le

14/09/15 10:49

Bom Bom Island, elle appartient au groupe HDB. Restaurant face à la mer (carte signée par le chef portugais d’origine serbe Ljubomir Stanisic) et piscine. Plus confidentielle, mais plus éloignée de l’aéroport de São Tomé : la Roça S. João (990.69.00), l’esprit guest-house dans une superbe propriété agricole. Six belles chambres avec lits à baldaquin et moustiquaires. Sur la terrasse, de grands canapés en bambou où rêvasser en regardant l’écume des vagues scintiller au soleil sur la plage d’Angolares. 40 € la nuit avec petit déjeuner. A Príncipe, Bom Bom Island $ & /(00.239.225.11.14 ; www.bombomisland.com) est une adresse incontournable. Noyé dans un océan de verdure, ce lodge est situé au nord de l’île, sur l’îlot de Bom Bom où se trouve le restaurant auquel on accède par une passerelle en bois pleine de charme suspendue au-dessus de la mer. Personnel très

A São Tomé, Chez João % (990.69.00). A 60 ans, João Carlos Silva est une star de la télévision portugaise. Mais le présentateur gastronomique met aussi la main à la pâte dans sa demeure. Saveurs locales, associées avec audace et talent : poisson iodé, mangue, vanille, gingembre sauvage… Possibilité de cours de cuisine. Menu déjeuner (11 plats), 15 €. A Príncipe, Rosa ) reçoit ses hôtes comme des amis, dans les locaux de son association culturelle et récréative, au cœur de Santo Antonio, la petite capitale de Príncipe. On prend l’apéritif en discutant avec Rosa et son fils, Nini, au son du cours de guitare donné dans la pièce à côté. Excellent gingembre caramélisé. Cuisine traditionnelle. Très couleur locale. Réservation obligatoire : se renseigner à la réception du Bom Bom Island.

BOIRE UN VERRE

A Principe, Roça Belo Monte ( (225.11.52 ; www.belomontehotel.com). Belle terrasse surplombant la praia Bananas, l’une des plus belles plages de l’île. Ancienne plantation coloniale transformée en hôtel.

PASSION CHOCOLAT

Claudio Corallo ! (222.22.36 ;

www.claudiocorallo.com) est florentin. Il a vécu longtemps au Zaïre (République démocratique du Congo) avant de s’installer à São

Tomé-et-Príncipe où il cultive des cacaoyers à Terreiro Velho (Príncipe), une plantation qui a plus d’un siècle d’existence. Ce puriste, dont on dit qu’il fabrique le meilleur chocolat du monde, n’utilise que le cacao qu’il produit sur place, ne procédant à aucun ajout. Avec lui, le chocolat se révèle au contact du gingembre, du raisin macéré dans l’alcool de pulpe de cacao fait maison, du poivre et de la fleur de sel (délicieux avec la viande rouge, à la façon de L’Ami Jean – 27, rue Malar, 75007 Paris – qui se fournit chez notre ami). Visite de son atelier-laboratoire de São Tomé sur rendez-vous.

PÊCHE AU GROS

Príncipe est le paradis des amateurs de pêche au gros. Depuis le ponton de Bom Bom Island, l’équipe de Bertrand Bouchard vous emmène pêcher au large ou observer les baleines à bosse, cachalots et dauphins qui migrent vers le nord. Installé sur une magnifique plage, au cœur d’une forêt quasi-vierge, le Makaira Lodge @(00.241.564.344 ; deceiver-sportfishing.com) propose également des sorties en mer. On peut y déjeuner et, dès l’an prochain, il sera même possible d’y séjourner dans des tentes sud-africaines. Excursions « baleines » : 300 à 400 €/jour. Pêche au gros : 900 €/jour.

À LIRE

Equador, de Miguel Sousa Tavares (Editions du Seuil « Points », 8 €). L’auteur, qui est l’un des journalistes les plus connus de la presse portugaise, nous plonge au cœur des rivalités coloniales, à São Tomé-et-Príncipe. G. M.

16 OCTOBRE 2015 - LE FIGARO MAGAZINE 87


Vogue September 2015

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Date : SEPT 15 FRANCE Page de l'article : p.226

Pays : France Périodicité : Mensuel OJD : 119505

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RENDEZVOUS LL PARADIS : Bom Bom

«Au fond de r inconnu trouver du nouveau!» écrivait Baudelaire, et e est très exactement ce dont il est question : direction Sao Tomé-etPrincipe, petit archipel du golfe de Guinée, au large de Afrique, nature encore vierge s il en est où relief volcanique, forët tropicale, plages dorées, paradis marin et population touchée par le syndrome de la gentillesse méritent tous les détours (le - long - voyage nécessite d'ailleurs quèlques escales...). La bonne adresse : l'éco-lodge Bom Bom, bungalows d'un goût naturel parait (avec climatisation et wi-fi, tout de même) d'où observer baleines, tortues, oiseaux... Et retrouver, le temps d'un séjour, le sentiment d'être parfaitement bien sûr terre. (SR) Eco Lodge Bom Bom bombompnncipe com

Tous droits réservés à l'éditeur

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Lonely Planet 2015

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L’Actualité 2015

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AD March 2015

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AD MAGAZINE http://www.admagazine.fr/lifestyle/hotel-design/diaporama/lebom-bom/19692#5 20 mars 2015  

                                           

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Akkro Magazine March 2015

       

AKKRO MAGAZINE http://www.piste-noire.com/ebook/3K24/ Printemps/été 2015

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Figaro 2014

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PRESS BOOK


What does the press say

ABOUT US

“Príncipe the island of a thousand colours is a matter of the heart“ Ghislain de Montalembert LE FIGARO

Media:

Reise, Zeit Online, Suedwest Presse, Holiday and Lifestyle, Schwarzaufweiss, Neues Deutschland, Reisen...


Modern Wohnen 2017

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Modern Wohnen 2017

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Natur Jan 2016

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Natur São Tomé & Príncipe

São Tomé & Príncipe Natur

Wo die Drachen wohnen

Príncipe von oben

Zu Besuch im Naturparadies São Tomé & Príncipe

Zauberwort: Ökologie

Vor der Küste Westafrikas, im Golf von Guinea, liegt der Inselstaat São Tomé & Príncipe. Paradiesische Natur, Abgeschiedenheit und Ruhe locken vor allem Naturliebhaber auf die Inseln. Ein Milliardär will hier in den kommenden Jahren den ökologischen Tourismus weiter ausbauen.

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enhor João lächelt sanft. Das tut er fast immer. „Morabeza“, willkommen, grüßt er mit Ruhe und Würde und  blickt in die Runde der noch etwas hektischen Gäste.  Die  sind  ein  bisschen  durch  den  Wind.  Nach  Flügen,  Zwischenaufenthalten, mitteleuropäischer Hetze und plötzlicher  Hitze am Äquator ist da auf einmal nur noch das Pfeifen in  den eigenen Ohren zu hören. Und das Pfeifen der tropischen  Vogelwelt, das Quietschen der Reifen des Jeeps auf feuchtem, rötlichem Lehm. Senhor João, Fahrer und Guide, holt  die  Gäste  ab  und  bringt  sie  im  Jeep  zum  Bom  Bom  Island  Resort auf Príncipe. Auf und ab schaukelt das Gefährt. Oing.  Rrrrums. Oing. Rrrums. 

Die einst portugiesische Inselrepublik Sao Tomé & Príncipe  ist nach den Seychellen der zweitkleinste Staat Afrikas. 250  Kilometer vor der Küste Gabuns liegt sie im Golf von Guinea,  nah am Äquator, und protzt mit unberührter Natur. Príncipe  ist die kleinere der beiden Inseln: 16 Kilometer lang, sechs  Kilometer breit. Das  Bom  Bom  Island  Resort  scheint  wie  aus  einem  karibischen  Traum.  Zum  feinen  Restaurant  auf  einer  kleinen  Insel führt ein Holzsteg übers Meer. „Das ist fast unanständig schön!“, sagt einer der neu eintreffenden Hotelgäste. Türkis schimmert der Atlantik, gelblich der feine Sand der beiden  Strände im Resort, rote Hibiskusblüten hängen herab. Den  Palmen bewachsenen Strand entlang zieht sich nur eine Fußspur: die eigene. 

Wäscherin am Fluss auf São Tomé

Zwischen Felsen lässt es sich herrlich schnorcheln und bunte  Papageienfi sche beobachten. Rundherum wirkt alles unberührt. Dabei wohnt man in komfortabel ausgestatteten Rundhütten, die nach ökologischen Gesichtspunkten eingerichtet  sind. Denn Ökologie heißt das Zauberwort: „Die Natur auf  Príncipe soll erhalten bleiben!“, betont Senhor João. 

Die Fahrt führt über holprige Pisten durch den Ôbo, den tropischen  Regenwald.  Links  und  rechts  stehen  Holzhäuser  auf  Pfählen,  Graupapageien  krächzen,  Kinder  spielen  fangen und lachen, Frauen waschen Wäsche im Fluss, ein Baby  auf den Rücken gebunden. Menschen gehen gemächlich die  Straße entlang und heben die Hand zum Gruß. Gegrüßt wird  man hier von fast jedem. Grüßen werden wir noch öfter, den  ganzen  Weg  bis  Bom  Bom  entlang  und  dann  jeden  Tag  in  einem fort, immerzu. Anfangs wehrt man sich noch dagegen.  „Bin  ich  gemeint?  Ich  bin  doch  kein  Grüßaugust.  Senhor  João  kennt  hier  schließlich  jeden.  Sicher  meinen  sie  ihn.“  Als  stünde  ich  neben  mir  in  diesem  undurchdringlichen  Dschungel  bemerke  ich  von  Ferne,  wie  ich  ganz  langsam  den Arm hebe und wieder fallen lasse. Bedächtig. „Bom diiiiia!“, sagt einer dann auf Portugiesisch, „Guten Taaaaag!“,  was gefühlte drei Minuten dauert. Leve, leve, langsam und  gemächlich – so lautet das Motto der Insulaner auch beim  Grüßen, erklärt Senhor João und grinst breit.

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rtugiesischen Kolonialz

Strand auf Príncipe

Dazu gründete der Südafrikaner Mark Shuttleworth die Firma  HBD, Here Be Dragons. Der Name ist Programm: „Hier sind  Drachen“,  schrieben  britische  Seefahrer  einst  auf  die  noch  unentdeckten Flecken ihrer Landkarten. Denn zwar sind weitere fünf Resorts an Príncipes traumhaften Stränden geplant,  doch auch sie nach umweltverträglichen Gesichtspunkten. So  paradiesisch wie sie ist, soll die Insel bleiben. Der Milliardär  Shuttleworth  will  verantwortungsvollen  Umgang  mit  Natur  und Menschen fördern. Kakao, Kaffee, Vanille und Zimt sollen auf den ehemaligen Plantagen wieder angebaut werden.  Damit das gelingt, ist ein Forstwissenschaftler hier. Er kümmert sich um das Ausdünnen der Kokos- und Ölpalmen, die  hier die eigentliche, endemische Vegetation zurückdrängen.  Die Jobs, die entstehen, gehen an die Einheimischen. So soll  es auch auf der Roça Sundy werden.

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Überbleibsel aus der po

Mit Senhor João fahren wir zur Roça Sundy, wo er einst geboren wurde.

Zu Besuch auf einer Plantage Mit  Senhor  João  fahren  wir  zur  Roça  Sundy,  wo  er  einst  geboren  wurde  und  bis  zu  seinem  16.  Lebensjahr  wohnte.  Roças gibt es viele auf Príncipe, Plantagen, errichtet von den  ehemaligen  portugiesischen  Kolonialherren,  die  mit  ihren  zig verfallenden Gebäuden in portugiesischer Kolonialarchitektur  einer  Stadt  gleichen:  Ein  ehemaliges  Krankenhaus,  eine Kirche, Wohn- und Werkstätten sind zu sehen. Ein räudiger Hund fl itzt übers Kopfsteinpfl aster und kümmert sich  nicht  um  Portugals  einstige  Größe.  „Doce?“  ruft  ein  Kind  und möchte Süßigkeiten. Der Rest der Einwohner grüßt und  hat  Zeit.  Sodade  hängt  in  der  Luft,  dieses  leicht  traurige  Grundgefühl, obwohl man heute eine Festa feiert, ein Fest.  360° Autorin: Judith Weibrecht Judith  Weibrecht  ist  freie  Reisejournalistin,  schreibt  seit  sie  schreiben  konnte,  und  reist,  seit  sie  reisen  durfte  –  am  liebsten  per  Fahrrad  um  die  Welt.  Sie  schreibt und fotografi ert für verschiedene Magazine,  Tageszeitungen und Webseiten.

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Natur São Tomé & Príncipe

São Tomé & Príncipe Natur

Ein Paradies für Naturliebhaber Auf  einer  Wanderung  durch  den  Regenwald  sehen  wir  viele  Kakaopfl anzen. Baumriesen staken in den Himmel, eine Brotfrucht fällt krachend zu Boden. Der Gipfel des 680 Meter hohen  Pico Papagayo, höchster Punkt Príncipes, auf den man hinaufwandern kann, ist von Nebel verhüllt und wirkt verwunschen.  Der höchste Berg des gesamten Archipels ist mit 2.024 Metern  der  Pico  de  São  Tomé.  Mitten  im  Nationalpark  Ôbo  liegt  er,  der  drei  Viertel  der  beiden  Inseln  einnimmt.  700  Pfl anzenarten, davon um die 120 endemische wie die Riesenbegonie  oder Orchideenarten, endemische Vogelarten wie der Schwarzstirnwürger oder der Stahl-Paradiesschnäpper, Tiefl and- und  Bergwälder, Mangroven und Savanne machen die ca. 29.000  Hektar Fläche zu einem Paradies für Naturliebhaber, Vogelbeobachter und Wanderer. Trekkingtouren im Nationalpark  müssen mit einem Guide der Parkorganisation durchgeführt  werden  und  führen  beispielsweise  zum  Kratersee  Lagoa  Amélia oder zur Roça Bombain.

Der Pico Cão Grande auf der Insel São Tomé

360° Info

São Tomé & Príncipe

Kakaopfl anze. Von hier kommt angeblich der beste Kakao der Welt! Regenwald im Ôbo-Nationalpark

Hier auf Sundy arbeitet die portugiesische Ethnologin Rita  im  Auftrag  von  HBD.  Die  teilnehmende  Beobachterin  versucht, das Vertrauen der Einwohner zu gewinnen, lässt sich  Geschichten  aus  alten  Zeiten  und  über  ehemalige  Sklaverei erzählen, sammelt Dinge, Kenntnisse und Maschinen aus  der  Zeit,  als  hier  noch  eine  fl orierende  Plantage  war,  und  möchte damit ein Museum aufbauen. Einige der Maschinen  und Gerätschaften von einst sind heute noch zu sehen: Eine  rostige  Lok,  deren  Schienen  von  Schlingpfl anzen  überwuchert  sind.  „Die  brauche  ich  aber  noch,  denn  darauf  steht  mein Wäscheständer und meine Fernsehantenne!“, erzählt  uns eine Bewohnerin. Ein paar Nachbarn, die auf der Bank  unter  einem  Brotfruchtbaum  sitzen,  lachen  und  ratschen.  Das ist die so genannte Böse-Zungen-Bank, lautet die Erklärung, wo man den ganzen Tag hockt und lästert. Im nächsten  Haus fi nden wir eine alte Waage. „Da habe ich gearbeitet“, sagt  Senhor João stolz und deutet auf eine Säge, die zur Schreinerei gehörte, in der auch Boote gebaut wurden. Und dass HBD  plane, hier wieder eine Kakaoplantage zu errichten. Schließlich  komme von hier der beste Kakao der Welt. 

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kaosorten, t eine der edelsten Ka t. Auf den Inseln wächs kes Aroma auszeichne die sich durch ihr star

Die Kakaobohn butter umgewa en werden in Kakaomass e, Kakaopulver ndelt, woraus und letztendlich S chokolade gew Kakaoonne n wird. 02 | 2016   © 360° Afrika

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Touristik Aktuell Sep 2016

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touristik aktuell | 19.09.16

Hotels

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Lässig am Äquator Der afrikanische Inselstaat Sao Tome will in aller Ruhe mehr Touristen für sich gewinnen Von Arne Hübner

Historische Plantagen Nicht verpassen dürfen Urlauber die größte Roca, Agostinho Neto, auf Sao Tome. Das 9.000-Hektar-Areal besticht durch portugiesische Kolonialarchitektur und wird von 2.000 Insulanern kleinteilig bewirtschaftet. Weiter nördlich auf der Roca Monte Forte können Urlauber auf der Kakao-Route durch die Anbaugegend trekken. Die größte Herausforderung ist aber die zweitägige Besteigung des 2.024 Meter hohen Pico de Sao Tome. In der Inselhauptstadt lernen Gäste im Nationalmuseum die bewegte Geschichte des jungen Landes kennen und besuchen das Schokoladenlabor des Florentiner Claudio Corallo, der Süßes von Weltruf herstellt.

Picknick auf dem Breitenkreis „Null“ Auf dem Markt zwischen grünen Zitronen, blutroter Chilis und einem Tisch, der unter dem Gewicht Dutzender Schwertfische fast zusammenbricht, decken sich Urlauber für ein Picknick ein. Malerisch: Der Regenwald grenzt an den Strand vom Bom Bom Resort auf Principe

Fotos: ah

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en Tag so gemütlich wie möglich verbringen: „Leve leve“, so das Motto auf Sao Tome und Principe, heißt so viel wie ruhig oder lässig. Deutschen Urlaubern dürften die afrikanischen Inseln indes noch kein Begriff sein. Hier die Eckdaten: Der Inselstaat liegt im Golf von Guinea, 200 Kilometer westlich von Gabun. Entdeckt wurde die Hauptinsel am 21. Dezember 1470 von zwei Portugiesen, die ihr den Namen des Heiligen St. Thomas verpassten. Dann kamen Lohnarbeiter aus Angola und von den Kapverden, die über Jahrhunderte auf den Kakao-, Zuckerrohr- und Bananenplantagen schufteten. Die Plantagengeschichte ist noch heute lebendig: Zerfallene Plantagen, so genannte Rocas, sind auf den Inseln verstreute Sehenswürdigkeiten. Die Natur hat sich die ehemals prächtigen Herrenhäuser und Arbeiterunterkünfte teils zurückerobert. Auf manchen Rocas organisieren Kooperativen den Anbau von Kaffee. Andere werden von Investoren aufwändig restauriert und in Luxus-Resorts umgebaut.

Das ist Sao Tome: neugieriges Kerlchen, ungewohnter Brennholztransport und Freiluft-Frisieren

Ziel ist das winzige Eiland Ilheu das Rolas, das an der Südspitze von Sao Tome klebt. Die Mini-Insel liegt mitten auf dem Äquator. Von der 40.000 Kilometer lange Linie, die die Welt in Norden und Süden teilt, sind auf Ilheu das Rolas zehn Meter in den Boden eingezeichnet. Herrlich für Touristen: Sie tänzeln auf der schmalen Linie, machen Selfies und picknicken mit Leckereien vom Markt. Die Insel ist auch ein Naturparadies: Es blühen Strelitzien, auf Augenhöhe protzen pralle Bananenstauden und im Dickicht versteckt sich eine Porzellanrose. Auf dem Eiland kann in einem Pestana-Hotel genächtigt werden – Robinson-Crusoe-Stimmung auf VierSterne-Niveau. Touristen besuchen den Inselstaat im Schnitt für sieben Tage. Vier Tage verweilen sie auf Sao Tome, für drei Tage geht es ins 150 Kilometer entfernte Principe. Die Anreise ist ein kleines Abenteuer: Mit einer alten Dornier 228 geht es über das Meer. Nach 30 Minuten blicken die Passagiere aus dem Fliegerfenster auf das unendliche Grün der Insel. Nebel steigt aus den dichten Regenwäldern auf, die bis an die weißen Stränden reichen. 90 Prozent der Insel sind mit Regenwald bedeckt. Trails führen durch das Unterholz. In der Dämmerung flattern Graupapageien über die Köpfe der Wanderer. Vogelbeobachtung

spielt sowieso eine große Rolle: Auf der Hauptinsel gibt es 17 endemische Arten, auf Principe sind es acht.

Bacardi? Das ist möglich ... Eine Berühmtheit Principes ist der Praia Banana, wo das Leve-leve-Motto einmal mehr in den Fokus rückt. An dem makellosen Strand, der ein berühmter Schnorchel-Spot ist, soll in den 80er Jahren ein Bacardi-Werbespot gedreht worden sein. Touristiker werben damit. Doch ob dies stimmt, kann niemand bestätigen. „Kann sein“, meint ein Hotel-Manager. „Habe ich auch schon mal gehört“, so ein Kaffeebauer. Lässig eben.

i Wann und wie? Die Inseln sind ganzjährige Urlaubsziele. Kaum Niederschläge gibt es zwischen Mai und September. Hotels und Rundreisen sind etwa über die Veranstalter One World, Wikinger Reisen, Ivory Tours, Hauser Exkursionen und Olimar buchbar. Die Anreise erfolgt mit TAP Portugal über Lissabon mit Zwischenstopp in Accra.

Zerfallener Charme: die Plantage Roca Agostinho Neto auf Sao Tome

Mystisch: der mehr als 2.000 Meter hohe Pico de Sao Tome


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Mannschaft Magazine 2015

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Horizont / reisefieber

Afrikas vergessenes Inselparadies São Tomé & Príncipe, das zweitkleinste Land Afrikas, ist der wahrgewordene Traum jedes Naturliebhabers. Die beiden Inseln dieses Archipels bieten nebst dichtem Regenwald mit einer artenreichen Tier- und Pflanzenwelt, einsamen Stränden und smaragdgrünem Meer auch beschauliche Dörfchen mit kolonialem Charme. Obwohl der Tourismus in dieser Ecke Westafrikas noch in den Kinderschuhen steckt und sich nur eine Handvoll ausländischer Besucher hierher verirrt, findet man in São Tomé & Príncipe eine ansprechende touristische Infrastruktur mit komfortablen Hotels und tollen Restaurants. Unvergessliche Ferientage sind somit garantiert.

Text: & Fotos Andreas Gurtner andreas@mannschaft.com

Wie aus dem Hochglanzprospekt: Traumstrand auf der Insel Príncipe.

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ie beiden Inseln São Tomé und Príncipe waren bis zu ihrer Entdeckung durch den portugiesische Seefahrer João de Santarém im Jahr 1471 unbewohnt. Nachdem die Portugiesen 1485 die erste Siedlung gründeten, entwickelten sich die Inseln rasch zu einem wichtigen Umschlagplatz für den Sklavenhandel zwischen Afrika und Brasilien. Gleichzeitig begannen die Kolonialherren mit dem An-

bau von Zuckerrohr. Bis ins 18. Jahrhundert entstanden immer mehr Plantagen, die für die arbeitsintensive Zuckerproduktion eine immer grössere Anzahl Sklaven benötigten. Die Bevölkerung der beiden Inseln wuchs deshalb kontinuierlich an. Im 19. Jahrhundert gingen die Erträge durch Zuckerrohr langsam zurück, weshalb die Plantagenbesitzer zuerst auf Kaffee, ab 1850 dann auch vermehrt auf die Produktion von Kakao setzten. Zu Beginn des 20.

Jahrhunderts sind die Inseln zum grössten Kakaoproduzent der Welt avanciert. Nach der Nelkenrevolution in Portugal wurde São Tomé & Príncipe 1975 in die Unabhängigkeit entlassen. Die darauffolgenden Jahre waren durch politische Instabilität und mehrere Militärputsche geprägt. Erst seit 2004 erweisen sich die Regierungen als re-

lativ stabil. Wirtschaftlich gesehen ist Kakao mit einem Exportanteil von 95% bis heute das mit Abstand wichtigste Produkt des Landes. Der Tourismus nimmt seit einigen Jahren ebenfalls stetig zu und bringt wichtige Devisen ins abgelegene Inselparadies. Bisher handelte es sich bei den Besuchern mehrheitlich um Portugiesen, die exotische Ferientage

auf der von Europa aus gesehen nahegelegensten Tropeninsel verbringen möchten. In den letzten Jahren hat auch die Anzahl Reisender aus anderen Ländern immer weiter zugenommen. Wer den Charme der beiden Inseln São Tomé und Príncipe noch unverfälscht und ursprünglich erleben möchte, sollte sich daher beeilen.

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Horizont / reisefieber São Tomé und Príncipe auf einen Blick

Insidertipps

Anreise Tap Portugal fliegt ab Zürich via Lissabon dreimal pro Woche nach São Tomé (ab CHF 1499.-).  flytap.ch Beste Reisezeit Die Inseln São Tomé und Príncipe sind ganzjährige Reiseziele. In der feuchteren Jahreszeit zwischen Oktober und Mai wechseln sich tropische Regenschauer und wolkenloser Himmel ab. In der Trockenzeit zwischen Juni und September ist der Himmel oft bewölkt.

Sprache Die offizielle Landessprache ist Portugiesisch. In den meisten Hotels wird auch Englisch gesprochen.

Der mächtige Felsen von Cao Grande ragt wie eine Nadel mehr als 600 Meter senkrecht aus der Landschaft empor.

Einreise Um in São Tomé &Príncipe einreisen zu können, benötigen Schweizer Bürger einen Reisepass, der noch mindestens sechs Monate gültig ist. Sicherheit São Tomé & Príncipe gilt als sicheres Reiseziel mit einer sehr tiefen Kriminalitätsrate.

Bom Bom Island Resort, Príncipe

Omali Lodge, São Tomé

Theobroma Restaurant, Príncipe

Dieses Hotel liegt idyllisch zwischen zwei unberührten Sandstränden. Die 21 Bungalows fügen sich dank ihres afrikanisch inspirierten Erscheinungsbildes perfekt in die Landschaft ein. Im Innern sind die hellen Villen stylisch ausgestattet und verfügen über Klimaanlage, Safe, Minibar, Flachbild-TV sowie ein grosses Badezimmer. Im eleganten Restaurant wartet jeden Morgen ein Frühstücksbuffet auf die Gäste. Mittags und abends kreiert das Küchenteam phantasievolle Menus, wobei Wert auf lokale Produkte gelegt wird. Ein Pool, diverse Wassersportmöglichkeiten, WiFi und eine breite Ausflugspalette runden das Angebot ab.

Dieses Hotel liegt auf halber Strecke zwischen dem Internationalen Flughafen und der Hauptstadt des Landes direkt an einem langen palmengesäumten Strand. Die gemütlichen Zimmer sind in zweistöckigen Gebäuden untergebracht, die sich rund um einen tropischen Garten mit einladendem Swimming-Pool anordnen. Im hoteleigenen Restaurant mit weitläufigem Aussenbereich werden lokale und portugiesisch inspirierte Gerichte angeboten. Das Stadtzentrum von São Tomé ist mit dem Taxi in wenigen Minuten zu erreichen. Die Omali Lodge ist auch eine ideale Basis, um die gesamte Insel zu erkunden.

Dieses Restaurant befindet sich auf der Plantage Roça Belo Monte, die im Nordosten von Príncipe hoch über dem Meer thront. Ein Ausflug hierher lohnt sich schon nur der alten Gemäuer wegen, die im Stile eines Schlosses erbaut wurden. Im eleganten Restaurant wird die traditionelle Küche der Insel auf modern Art und Weise interpretiert. Gäste können sich nicht nur auf exklusive Fisch- und Meeresfrüchtegerichte, sondern auch auf fruchtige Desserts und exotische Drinks freuen. Wer tagsüber hierher kommt, darf die Badehosen keinesfalls vergessen. Die Praia Banana, einer der schönsten Strände der Insel, liegt nur einen Katzensprung entfernt.

 bombomprincipe.com

 omalilodge.com

Weitere Informationen  saotome.st

Gay Life Im Zentrum von Santo Antonio dominieren farbige Gebäude mit viel kolonialem Charme das Strassenbild.

Spuren der Kolonialzeit Im Vergleich zu anderen afrikanischen Hauptstädten wirkt die Inselkapitale São Tomé sehr gemütlich und es scheint, als würde man während eines Stadtrundgangs auf den überbreiten Strassen mehr Hühnern als Autos begegnen. Nichts desto trotz ist die Stadt Mittelpunkt des wirtschaftlichen und gesellschaftlichen Insellebens. Vor allem das Stadtzentrum strahlt mit seinen zahlreichen alten und langsam verfallenden portugiesischen Kolonialgebäuden ein ganz besonderes Flair aus. Zu den wichtigsten Sehenswürdigkeiten der Stadt gehören die Kathedrale aus dem 16. Jahrhundert, der rosafarbene Präsidentenpalast sowie das alte portugiesische Fort São Sebastiao. Letzteres stammt aus dem Jahr 1575 und beherbergt heute das interessante Nationalmuseum São Tomés. Besonders hektisch geht es auf dem Marktplatz der Stadt zu und her, wo so ziemlich alle Produkte der Insel angeboten werden: tropische Früchte und Gemüse, Fische und Fleisch, exotische Gewürze aber auch viele weitere Dinge des täglichen Gebrauchs wie Zahnpasta, Second-Hand-Kleidung oder Kernseife. Letztere wird hier noch extensiv verwendet, wie man

vor allem sonntags feststellen kann, wenn sich die Menschen überall im Lande zum gemeinsamen Wäschewaschen am Fluss treffen.

Magische Orte und mystische Landschaften Von der Inselkapitale aus führt eine kurvige Strasse der Küste entlang in Richtung Süden. Vorbei an schönen Landschaften, wilden Stränden und ursprünglichen Dörfern entdeckt man auf dieser Fahrt im grünen Dickicht auch immer wieder Überbleibsel alter Herrenhäuser, Plantagen und Fabrikgebäude – Roças genannt. Bei diesen handelte es sich damals um die riesigen Landbesitze der Portugiesen, auf denen die für die Plantagearbeit benötigten Sklaven unter unmenschlichen Bedingungen lebten und arbeiteten. Zu einer herrschaftlichen Roça gehörten neben den armseligen Behausungen für die Arbeiter oftmals auch eine kleine Kirche, Schule, Krankenstation, Lagerhallen und natürlich das prunkvolle Wohnhaus des Plantagenbesitzers. Mit der Unabhängigkeit des Landes wurden diese Betriebe in staatliche Unternehmen umgewandelt, was zu einem erheblichen Produktionsrückgang führte. Viele der alten Ro-

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 belomontehotel.com

Die Praia Banana auf der Insel Príncipe gehört zu den schönsten Stränden dieses Inselparadieses.

Obwohl das Inselreich nach seiner Unabhängigkeit 1975 zunächst die konservativen und homophoben Gesetze der früheren Kolonialmacht Portugal übernommen hat, stimmte 2011 eine Mehrheit der Regierung für eine Entkriminalisierung homosexueller Handlungen. Gleichgeschlechtliche Beziehungen sind seither zwar offiziell erlaubt, doch bestehen keine Möglichkeiten, schwule und lesbische Partnerschaften offiziell anerkennen zu lassen. Darüber hinaus existiert auch kein griffiges Antidiskriminierungsgesetz. São Tomé & Príncipe gehört zu den 67 von total 193 UN-Mitgliedsstaaten, die die Erklärung der Vereinten Nationen über die sexuelle Orientierung und geschlechtliche Identität unterzeichnet haben. Diese verurteilt die staatliche Diskriminierung und strafrechtliche Verfolgung von Menschen aufgrund ihrer sexuellen Orientierung oder Geschlechtsidentität. In São Tomé &Príncipe verfolgen die Menschen im Alltag den Grundsatz: «Leben und leben lassen». Die Inselnation steht deshalb Schwulen und Lesben grundsätzlich tolerant gegenüber – dies ganz im Gegensatz zum afrikanischen Festland, wo sich die Situation für Homosexuelle in den vergangen Jahren fast überall massiv verschlechtert hat. Im kleinen Inselreich São Tomé & Príncipe mit weniger als 200‘000 Einwohnern kann natürlich keine vielfältige Gayszene erwartet werden. Das schwullesbische Leben spielt sich deshalb ausschliesslich hinter verschlossenen Türen ab. 49


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Mannschaft Magazine 2015

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Horizont / reisefieber ças sind heute verfallen, und vom Regenwald überwuchert oder sie dienen armen Familien als Zuhause. Einige wurden jedoch auch restauriert und werden heute als Ausflugsziel oder Unterkunft für Touristen genutzt. Auf dem weiteren Weg nach Süden kommt man an der Boca do Inferno, der wohl ältesten Touristenattraktion der Insel vorbei. Schon zu Kolonialzeiten kamen die Leute an diesen magischen Ort, dem eine positive Wirkung nachgesagt wurde. Bei der Boca do Inferno handelt es sich um einen wilden Küstenabschnitt, dessen Wahrzeichen eine natürliche Fontäne ist, die bei starker Brandung aus einem Loch im Lavagestein in die Höhe schiesst. Weiter südlich macht die Küstenstrasse einen grossen Bogen ins Inland, wo man auf eines der bizarrsten und eindrucksvollsten Naturphänomene der ganzen Insel stösst – den Cao Grande. Dieser mächtige Fels ragt wie eine Nadel über 600 Meter senkrecht aus der Landschaft empor. Vor vielen Millionen Jahren befand sich hier ein ganz normal geformter Vulkankegel, dessen Flanken aufgrund der Erosion immer weiter abgetragen wurden, bis am Schluss nur noch der innere Schlot stehen blieb. Der Cao Grande hüllt sich die meiste Zeit in Dunst und Wolken, was der ganzen Szenerie eine mystische Atmosphäre verleiht.

Auf der Suche nach dem Traumstrand Die Strände der Hauptinsel São Tomé laden nach einer spannenden Entdeckungstour zu einem erfrischenden Bad ein, eignen sich jedoch nicht für längere Badeferien. Wer einsame Sandstrände sucht, die von Kokospalmen gesäumt und frei von jeglichen Liegestühlen sind, wird auf der kleineren Nachbarinsel Príncipe fündig. Diese kommt dem Klischee eines tropischen Paradieses sehr nahe. Bereits beim Anflug auf die Insel hat man das Gefühl, als würde man direkt im Filmset von Jurassic Park landen. Der dichte Regenwald des Eilandes reicht von den nebelverhangenen Bergspitzen bis an die einsamen Sandstränden an der Küste und man glaubt zunächst gar nicht, dass sich zwischen den majestätischen Urwaldriesen eine Landepiste für Flugzeuge befindet. Nach der Ankunft gelangt man über eine holprige Schotterstrasse in wenigen Minuten bis zum traumhaft gelegenen Bom Bom Island Resort. Dieses liegt idyllisch auf einer Klippe am nördlichsten Punkt der Insel zwischen zwei unberührten Traumstränden. Zur grosszügigen Anlage gehört auch die kleine Mini-Insel Ilheu Bom Bom, die über einen 230 Meter langen Steg zu Fuss erreichbar ist. Hier befinden sich das exklusive Restaurant des Resorts sowie eine

stylische Bar, von wo aus sich ein herrlicher Blick auf die nahen Strände geniessen lässt. Nebst süssem Nichtstun am Pool oder Strand sind auf Príncipe natürlich auch diverse Aktivitäten möglich. Auf Wanderungen lässt sich beispielsweise der dichte Dschungel entdecken, in dem es von bunten Vögeln nur so wimmelt. Unterwegs kommt man dabei an Wasserfällen und alten überwucherten Plantagen vorbei. Von Oktober bis Dezember lohnt es sich zudem, bereits frühmorgens aufzustehen: Dann kann man nämlich riesige Meeresschildkröten bei der Eiablage am Strand beobachten. Zwischen Juli und Oktober können Touristen ein weiteres Naturspektakel erleben. In dieser Zeit ziehen Buckelwale durch die Gewässer rund um Príncipe, um sich dort zu paaren und ihre Kälber zu gebären. Auch die kleine Inselhauptstadt Santo Antonio, in der nur wenige hundert Menschen leben, ist durchaus einen Besuch wert. Die farbenfrohen, aber im Laufe der Zeit verblassten kolonialen Gebäude, die den zentralen Hauptplatz säumen, vermitteln bis heute den Charme der Vergangenheit und runden eine Reise ins afrikanische Inselparadies von São Tomé und Príncipe perfekt ab. ANZEIGE

Trockenen Fusses auf die Insel: Ein Steg verbindet die beiden Eilande Príncipe und Ilheu Bom Bom miteinander.

Kakao ist bis heute das wichtigste Exportprodukt von São Tomé & Príncipe.

Sonntag ist Waschtag: Gemeinsames Wäschewaschen steht in São Tomé hoch im Kurs.

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RNZ May 2015

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REISE

Samstag/Sonntag, 16./17. Mai 2015

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Rhein-Neckar-Zeitung / RNZ Magazin / Nr. 111

Auf Príncipe sind die Menschen und ihre ständige Bereitschaft zum Lächeln die Attraktion. Fotos: Beate Schümann

E

s gibt Plätze auf unserer Erde, von denen die Welt wenig weiß. Weil sie einfach zu winzig sind. Oder weil sie aus der Zeit gefallen sind. Fährt man mit dem Finger auf der Landkarte am Äquator entlang, muss man kurz vor der Küste Westafrikas Halt machen. Dann findet man in der Bucht von Guinea so einen besonderen Platz – die Inselrepublik São Tomé und Príncipe. Príncipe ist noch siebenmal kleiner als die Hauptinsel São Tomé. Wenn sich die Propellermaschine ihr nähert, sieht man den schwarzgrünen Landflecken mitten im Atlantik, 128 Quadratkilometer groß, mit einem Kleingebirge aus erloschenen Vulkanen und tropischem Regenwald bis an die Küste. Je dichter, desto weniger Menschen: nur 5000 Einwohner zählt das Eiland. Graziös geschwungene Buchten rahmen das Grün, dazu goldgelbe Strände, an der Flussmündung des Rio Papagaio die wohl fünfhundert Häuser der Inselkapitale Santo António. „Leve-leve“ heißt hier das Motto, immer mit der Ruhe. Im Schritttempo wankt auch der Geländewagen über die ausgewaschene Lehmpiste, vorbei an geräumigen Stelzenhütten in Muschelweiß, Bonbonrosa oder Patinagrün. Sie sind einfach, doch Elend sieht anders aus. Tropische Fruchtbarkeit explodiert vor und hinter den Gartenzäunen. Mango-, Papaya-, Maracuja-, Guaven- und Jackfruchtbäume schießen aus dem Boden, Bananenstauden wuchern, Schlingpflanzen wickeln sich um alles. An den Türen kleben Plaketten der Anti-Malaria-Kampagne, mit der man die Tropenkrankheit zurückgedrängt hat. Autos sind nicht zu sehen; es gibt auf der Insel bloß 30 davon. Die Insulaner gehen zu Fuß, immer schön langsam, leve-leve. Auf dem Kopf balancieren sie Wasserkanister, Geschirr, Fische, die im Fluss gewaschene Wäsche und bei Regen Bananenblätter. Ein Feldarbeiter bleibt stehen, versteckt vor den Fremden die scharfe Machete hinterm Rücken und grüßt – eine Frage des Stils. Nur eine Handvoll Straßen, ansehnliche Häuser aus der Kolonialzeit, ein roséfarbener Gouverneurspalast, Kirchen, eine Radiostation, eine Post, zwei Banken, ein Markt und drei nette Restaurants, wie das Rosa Pão – das ist Santo António, der Hauptort von Príncipe. Als wäre die Zeit stehen geblieben. Die schläfrige Hauptstadt São Tomé auf der Schwesterinsel erscheint dagegen wie eine quirlige Metropole. Bis 1975 war die heutige Republik eine portugiesische Kolonie. Die Plantagenwirtschaft florierte. São Tomé und Príncipe zählten zu den drei größten Kakaoproduzenten der Welt. Weltbester Kakao und Kaffee kamen von hier, eine

Bitte lächeln

Auf den Inseln São Tomé und Príncipe soll Tourismus im Einklang mit den Menschen und der Natur entstehen / Von Beate Schümann Musterkolonie. Die Sklaverei war lange abgeschafft. Doch Formen der Zwangsarbeit blieben bis ins 20. Jahrhundert hinein bestehen. Als die weißen Herren nach der Unabhängigkeit das Land verließen, verfielen die Plantagen. Auf Príncipe sind die Natur, die Menschen und ihre ständige Bereitschaft zum Lächeln die Attraktion. Der Regenwald, der die Südhälfte überwuchert, ist wegen der ungewöhnlich großen Zahl an endemischen Pflanzen und Vogelarten gerade unter Unesco-Schutz gestellt worden. Ein Himmelreich für Wanderer, Bo-

taniker, Vogelbeobachter. Vereinzelte touristische Anläufe gab es deshalb bereits. Wie das Bom Bom Island Resort. Es liegt auf einer schmalen Landzunge an der Nordspitze, Strand auf beiden Seiten. Außer Papageiengekrächze und Palmenrascheln ist hier nur das fünfmal pro Woche verkehrende Propellerflugzeug zu hören. An der Rezeption kann man von Regenwald-Wanderungen über Vogelund Walbeobachtungen bis zum Hochseeangeln fast alles buchen. Um Affenbrotbäume, blühende Hibisken und ei-

Die letzte existierende Kooperative lebt vom Fischfang und der Landarbeit.

Auf dem langen Holzsteg erreicht man das kleine Vulkanriff mit Restaurant und Bar.

nen Pool in der Mitte gruppieren sich die neunzehn Komfort-Bungalows. Das türkise Meer und der Schnorchelfelsen, bei dem man Muscheln, Schildkröten, Zebra- und Papageienfische findet, liegen vor der eigenen Terrasse. Die Spuren im Sand sind von den eigenen Füßen. Auf dem langen Holzsteg übers Wasser erreicht man das kleine Vulkanriff mit Restaurant und Bar. Abends beim Candlelight-Dinner blickt man in die Sterne. Lauscht den Wellen und fühlt, dass das Paradies doch von dieser Welt sein muss. Dies ist der Platz, der auch Mark Shuttleworth romantisch machte. Die Bevölkerung nennt den Südafrikaner „Mann vom Mond“, weil er 2002 als zweiter Weltraumtourist mit einem 15-Millionen-Euro-Ticket ins All flog. Zurück auf dem Blauen Planeten fand der ITMillionär den Himmel auf Erden: Príncipe. Und er beschloss, das Paradies zu retten. Das lässt er sich nun weit mehr kosten als die Spritztour zu den Sternen. Er hat dafür das Unternehmen HBD gegründet – Here be Dragons. „Hier wohnen Drachen“ schrieben englische Seeleute früher auf unentdecktes Land in ihre Seekarten. Príncipe ist so ein Drachenland, wo man garantiert bei null anfangen kann. Alle Versuche vorher waren kurz, lokal begrenzt und ohne gestalterisches Konzept. Shuttleworth dagegen hat eine Vision: Tourismus als Entwicklungsmodell im Einklang mit der Natur, der Artenvielfalt und der Bevölkerung. HBD hat bereits die Hälfte der Nordinsel gekauft oder gepachtet, darunter das Bom Bom Island Resort, verlassene Beach-Hotels, ausgewählte Traumstrände wie Macaco, Boi und Uba, an denen Vier- und Fünf-Sterne-Luxusherbergen entstehen sollen – umweltverträglich und rückbaubar. Auch zwei brachliegende Plantagen gehören dazu, Roça Paciência und Roça Sundy. „Wir werden bis 2020 mehr als 70 Millionen Euro investieren“, sagt Nuno Rodrigues, Direktor von HBD aus Lissabon. Bis 2030 soll die Umwandlung Príncipes in ein „Juwel des ökologischen Tourismus“ abgeschlossen sein. Seine Zielgruppe sind sind Menschen, die ihr Glück in der Natur, der Stille und der Zurückgezogenheit suchen. „Pauschaltourismus wollen wir nicht“, sagt Rodrigues. Auch der Boss der Drachenfirma ist für leve-leve, für sanftes Vorgehen. Nur so könne man verändern, ohne zu zerstören. Auf den Plantagen sollen wie zu

kolonialen Zeiten wieder Kakao, Kaffee, Vanille, Ingwer und Pfeffer wachsen. Mit selbst geschulten Mitarbeitern und eigenen Pflanzungen will er autark werden. Der autonomen Regierung von Príncipe hat HBD eine Job-Garantie gegeben: 90 Prozent der Mitarbeiter sollen Einheimische sein. Die Roça Sundy ist die einzige Plantage, die einigermaßen erhalten ist. Bis 2019 werden hier neben einem bereits fertiggestellten Boutiquehotel ein Botanischer Garten, ein Museum und eine Sternwarte entstehen. Noch immer wirkt die Anlage wie eine Kleinstadt mit Herrenhaus, Wohntrakten für mehr als 1000 Arbeiter, Krankenhaus, Kirche und einer Lorenbahn zum Hafen in Santo António. Eine Kooperative ist von damals übrig geblieben, knapp hundert Familien. Alle leben von der Landarbeit, vom Fischfang – und von der Hoffnung auf einen neuen Anfang. Unterhalb der Plantage liegt der hübsche Sundy-Strand, an dem ein Luxushotel gebaut werden soll. Das Fischerdorf wird in diesem Jahr umgesiedelt, die Bewohner werden entschädigt. Auch eine Drachenfirma denkt ans Geschäft. Der Anfang ist gemacht. Die Landepiste des kleinen Flugplatzes wird verlängert, damit bald größere 737-Maschinen landen können. Das Bom Bom Island Resort ist schick renoviert, auch wenn es wie ausgestorben wirkt. Rund 500 Gäste kamen in 2012. Doch es sollen mehr werden, leve, leve.

INFORMATIONEN ■ Allgemeine Auskünfte erteilt das Honorarkonsulat São Tomé, Marcusallee 9, 28359 Bremen, Telefon 0421 173 61 90. ■ Anreise: Die TAP fliegt 3-mal wöchentlich ab Frankfurt nach São Tomé, ab 816 Euro retour, Info-Telefon 0180 6000 341, www.flytap.com. Weiter nach Príncipe 5-mal pro Woche mit www.stpairways.st, retour ab 100 Euro. Ein Visum muss bei der Botschaft der Republik São Tomé e Príncipe, Av. De Tervuren, 175, B, B-1150 Brussels, www.smf.st. beantragt werden. Der Preis liegt bei 20 Euro. Eine Gelbfieberimpfung ist Pflicht, eine geringe Malariagefahr besteht. Die beste Reisezeit ist von Juni bis September, wenn Trockenzeit herrscht. ■ Übernachten: Im Bom Bom Island Resort, Príncipe, www.bombomprincipe.com. Ein Doppelzimmer mit Frühstück kostet ab 255 Euro pro Nacht. Auf der Roca Sundy Plantage ist das Boutiquehotel „Belo Monte“ im Herrenhaus fertig: www.belomonte.com, Doppelzimmer mit All-Inklusive ab 380 Euro ■ Essen und Trinken: Im Rosa Pão, Avenida Amilcar Cabral, Santo António; Dona Rosa ist Köchin und Seele des kleinen Restaurants mit Gartenterrasse. Täglich ein regionales Menü ab 8 Euro. Oder im Passô, Rua OUA, Santo António; frischer Fisch ist immer da und wird im Bar-Restaurant an der Uferpromenade schmackhaft zubereitet. Hauptgericht ab 7 Euro.


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Passer Neue Presse March 2014

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REISE Das süße Leben auf São Tomé und Príncipe

Samstag, 22. März 2014

Bei Schokolade fällt den meisten wohl als Erstes die Schweiz ein. Dabei kommt die beste Schokolade aus einem kleinen Land an der Westküste Afrikas: São Tomé und Príncipe. Zwei grüne Inseln am Äquator, die weit mehr zu bieten haben als Kaffee, Kakao und einsame Strände.

derer war“, erzählt Claudio Corallo. Dies habe ihn auf die Idee gebracht, sich auch die Kakaopflanzen näher anzusehen. Weil er sich jedoch kaum mit Kakao auskannte, besorgte er sich weltweit Proben prämierter Kakaosorten, um vergleichen zu können. „Ich war überrascht, denn alle Sorten hatten einen bitteren Beigeschmack.“ Er vermutete Fehler bei der Herstellung und startete eine eigene Versuchsreihe in seinem kleinen Labor. „Ich wollte herausfinden, wie Kakao wirklich schmeckt.“

Reiner Kakao ist weder bitter noch schwarz

Von Claudius Lüder

C

iao, come stai?“ – Hallo, wie geht’s? Claudio Corallo öffnet das schwere Eisentor zu seinem Haus an der Uferstraße von São Tomé. Nur wenige Schritte entfernt plätschert der Atlantik, auf dem Hof steht ein alter Fiat Panda, und Wachhund Stella passt auf, dass niemand ungefragt die kleine Schokoladenmanufaktur betritt. Claudio Corallo kam vor fast 20 Jahren hierher und ist so etwas wie die kulinarische Visitenkarte der kleinen Inselrepublik an der Westküste Afrikas. Seine Schokolade zählt zu den besten der Welt, was nicht zuletzt an den idealen Bedingungen für Kakaopflanzen auf São Tomé und Príncipe liegt. Direkt auf Höhe des Äquators gelegen, scheint das ganze Jahr über die Sonne, die Regenzeit sorgt für ein schnelles, natürliches Wachstum. „Eigentlich aber hatte ich mit Schokolade nie etwas am Hut, ich mochte sie noch nicht einmal“, sagt Claudio Corallo. Lange Jahre war der Italiener aus Florenz auf Kaffeeplantagen in Zaire und später in Bolivien unterwegs und kam 1995 nach São Tomé und Príncipe. „Als ich damals hier die ersten Kaffeebohnen röstete, stellte ich fest, dass der Geschmack ein ganz an-

Das Ergebnis überrascht: Bitterer Kakao, sagt Claudio Corallo, sei ein großer Irrtum. Was gemeinhin als Qualitätsmerkmal verkauft werde, sei eigentlich ein Mangel: „Reiner Kakao ist weder bitter noch schwarz.“ Als er dies nach vielen Experimenten mit unterschiedlichen Trocknungs- und Röstverfahren herausfand, wollte er diesen reinen Kakaogeschmack auch konservieren und stellte eine Schokolade aus 100 Prozent Kakao her. Heute gibt es zudem eine 75-prozentige mit Ingwer, eine 80prozentige und kleine Schokoladenkugeln mit Kaffee-Stückchen. Nur selten verlässt Claudio Corallo die beiden Inseln. Warum auch? Zwar ist das Land finanziell gesehen arm, echte Reichtümer aber bietet die Natur. São Tomé und Príncipe sind zwei unglaublich grüne Inseln vulkanischen Ursprungs mit über hundert Pflanzenarten, die nur hier wachsen. Wer Exkursionen ins Landesinnere unternimmt, findet rechts und links der Wege Mango-, Jackfrucht-, Goldpflaumen- und Brotbäume, viele verschiedene Bananensorten, Ananas, Hibiskus und immer wieder Kaffee und Kakao. Die Mehrzahl der knapp 200 000 Einwohner lebt auf der 48

Kilometer langen und 32 Kilometer breiten Hauptinsel São Tomé. Es ist ein Leben ohne Stress und Hektik, ganz getreu dem InselMotto „leve leve“ − was so viel bedeutet wie „immer mit der Ruhe und alles wird gut“. Die Männer sind meist Fischer, Farmer oder Taxifahrer, die Frauen kümmern sich um Haus und Hof und treffen sich zum Wäschewaschen am Fluss. Auf dem Markt der Hauptstadt wird von früh bis spät gehandelt, in kleinen Bistros wird für umgerechnet zwei Euro frischer Fisch mit frittierten Bananenscheiben und einer Art Pesto serviert. Dazu gibt es für 50 Cent ein Glas Saft von einer Frucht namens Sape Sape (Sabsab). Die schmeckt wie eine Mischung aus Ananas und Zitrone und ist sehr gesund, wie Carlos Horta versichert. Der 39-Jährige arbeitet bei der örtlichen Telefongesellschaft, macht gerade Mittagspause und freut sich über den Besuch aus dem fernen Deutschland in seinem Land. „Bayern München und Borussia Dortmund“, sagt er lachend. Diese beiden Namen kenne hier jedes Kind. Und noch ein deutscher Name fällt ihm ein: „Angela Merkel“ – die sei eine „sehr gute, starke Frau“. Carlos Horta muss wieder ins Büro, das Wochenende aber wird er, wie die meisten hier, an einem Strand mit Freunden bei Musik, Fußballspielen und vielleicht etwas Zuckerrohrschnaps verbringen. Claudio Corallo hingegen zieht es mehr zu den einsamen Plätzen auf Príncipe. Dort verzaubert die Natur mit traumhaften Stränden wie dem Banana Beach, der seinen Namen seiner bananentypischen Form verdankt und an dem auch ein TV-Spot für Bacardi entstanden ist. Keiner muss befürchten, hier im Schatten eines anderen zu sitzen, denn von den wenigen Touristen, die das Land bislang überhaupt als Reiseland entdeckt haben, machen längst nicht alle einen Abstecher auf die kleine Insel. Ihnen entgeht ein kleines Paradies. Knapp 18 Kilometer lang ist

Das Inselmotto auf São Tomé und Príncipe lautet: „Immer mit der Ruhe und alles wird gut.“ Beim Anblick des Bom Bom Beach glauben das die Urlauber sicherlich sofort. − Fotos: Claudius Lüder Príncipe und 10 Kilometer breit. Die Hälfte der Fläche ist als Nationalpark ausgewiesen, tropischer Regenwald und goldgelbe Strände prägen das Inselbild. Es gibt nur ein Hotel, ein Gästehaus und mit Santo Antonio die mit 1300 Einwohnern kleinste Stadt der Welt. Die wenigen Gäste, die sich im feinen Bom Bom Resort ganz im Norden der Insel einquartieren, genie-

INFO  Reiseziel: São Tomé und Príncipe ist als Reiseziel sowohl für Badeurlaub als auch für Wandern geeignet. Eine besondere Herausforderung ist hierbei der über 2000 Meter hohe Pico São Tomé, der mit seiner spitzen Form weithin sichtbar ist. Die Inselrepublik bietet Naturliebhabern einen schier unerschöpflichen Fundus an unbekannten Pflanzen und Tieren. Wassersportler finden rund um die Insel n Möglichkeiten für Tauchgänge. Spekuliert wird immer wieder über mögliche Ölvorkommen rund um die Inseln, die dem Staat viel Geld einbringen könnten. Auch der Bau eines Tiefwasserhafens wird diskutiert. Offiziellen Angaben zufolge jedoch wird es noch mindestens zwei Jahre dauern, bis sich diese Pläne konkretisieren.  Anreisen: Mit TAP von München über Lissabon nach São Tomé ab 850 Euro, www.flytap.com. Inlandsflug São Tomé−Príncipe mit STP Airways ab 130 Euro, www.stpairways.st.  Einreisen: Für die Einreise ist ein Visum erforderlich, Kosten ab 35 Euro. Zu beantragen über die Botschaft von São Tomé und Príncipe in Brüssel,  0032/2/7348966. E-Mail: ambassade@São tomeePríncipe.be.  Reisezeit: São Tomé und Príncipe bieten ganzjährig Temperaturen zwischen 22 und 30 Grad. Das Klima ist tropisch mit einer hohen Luftfeuchtigkeit zwischen 70 und 80 Prozent. Zwischen Juni und Oktober ist die trockene Jahreszeit. Ab November kann es immer wieder zu starken Regenfällen kommen. Insgesamt ist das Klima durch den frischen Wind vom Atlantik sehr angenehmen.  Übernachten: São Tomé: Omali Lodge, stadtnahes Boutique-Hotel direkt am

Früher mochte Claudio Corallo Schokolade überhaupt nicht. Heute pflegt er seine Kakaopflanzen sorgfältig, denn sie liefern den Grundstoff für seine kleine Schokoladenmanufaktur.

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Stadtstrand von São Tomé, großzügige Zimmer, gute Küche, Einzelzimmer ab 135 Euro inklusive Frühstück, www.omalilodge.com. Príncipe: Bom Bom Island Resort, Luxus-Resort mit 20 Bungalows, Einzelzimmer inklusive Halbpension ab 180 Euro, www.bombom principe.com.  Essen und Trinken: Einfache, lokale Küche: Snackbar „Mundjá Ue“, Rua Viriato da Cruz, São Tomé, BananaFisch mit Salat für 2 Euro, frischer Sape-Sape-Saft für 50 Cent. Gehobene, lokale Küche: Roca São Joao in São Joao Dos Angolares, Restaurant von Küchenchef Joao Carlos Silva, der als Sternekoch eine eigene Kochshow-TV im portugiesischen Fernsehen hat; ein Menü mit mehreren Gängen kostet 15 Euro, die Flasche Wein ab 10 Euro, http://rocasjoao.com  Ausflugstipps: Schokoladenmanufaktur Claudio Corallo, Avenia Marginal 12 de Julho Nr. 978, São Tomé, jeden Donnerstagnachmittag Führung, www.claudio corallo.com; Roca Monte Cafe, Kaffeeplantage und Kaffeemuseum im Landesinnern, westlich von São Tomé, das Museum informiert über die Herstellung und die Historie der Plantage während der Besatzerzeit, Touren können über die Hotels organisiert werden; Roca Sundi, Plantagenhaus aus der Kolonialzeit, in dem früher auch die portugiesische Königsfamilie wohnte; Praia Banana – Banana Beach, wunderschöner, einsam gelegener Strand im Norden der Insel, erreichbar auf dem Wasserweg vom Bom Bom Island Resort in rund zehn Minuten, auf dem Landweg nach Belo Monte und dann zu Fuß zum Strand hinunter.  Auskunft: offizielle Homepage unter www.saotome.st.

ßen absolute Ruhe und eine überwältigende Natur. „Ich möchte an keinem anderen Fleck der Welt leben“ sagt Joao, der auf Príncipe geboren ist und Hotelgästen auf einer Rundtour auch abgelegene Fischerdörfer oder die beeindruckende Roca Sundi zeigt, die einst von der portugiesischen Königsfamilie bewohnt wurde. Aus dem herrschaftlichen Haus

soll möglicherweise ein weiteres Hotel entstehen, aber das ist Zukunftsmusik. Große Hotelburgen, versichert Joao, werde es hier aber nie geben. Príncipe bleibt eine kleine Insel für Prinz und Prinzessin – mit Schokolade am Banana Beach. Claudius Lüder ist freier Reisejournalist aus Stade. Er hat auf eigene Faust recherchiert.


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Muenchner Merkur March 2014

Münchner Merkur/tz Nr. 74, Wochenende 29./30. März 2014

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Reise

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Inseln auf der Schokoladenseite Geheimtipps vor der Küste Afrikas: Sao Tomé und Principe Wer an Schokolade denkt, landet geografisch gesehen umgehend in der Schweiz. Dabei kommt nach Meinung echter Feinschmecker der beste Kakao aus einem kleinen Land an der Westküste von Afrika: Sao Tomé und Principe. Auch touristisch liegen die zwei grünen Inseln am Äquator im wahrsten Sinne des Wortes auf der Schokoladenseite. Unser Autor Claudius Lüder war zur Kostprobe da.

DIE REISE-INFOS REISEZIEL Die Inseln Sao Tomé und Principe liegen im Golf von Guinea 200 Kilometer vor der Küste Westafrikas. Mit einer Fläche von rund 1000 Quadratkilometern sind sie nach den Seychellen der zweitkleinste Staat Afrikas. 90 Prozent der 167 000 Einwohner leben auf der größeren Insel Sao Tomé.

Vormittags an der Uferstraße „Ciao, come stai“ – Hallo, wie geht’s? Claudio Corallo öffnet das schwere Eisentor zu seinem Haus an der Uferstraße von Sao Tomé. Nur wenige Schritte entfernt rauscht der Atlantik, auf dem Hof steht ein alter Fiat Panda. Wachhund Stella passt auf, dass niemand ungefragt die kleine Schokoladenmanufaktur betritt. Corallo kam vor fast 20 Jahren hierher und ist so etwas wie die kulinarische Visitenkarte der kleinen Inselrepublik an der Westküste Afrikas. Seine Schokolade zählt zu den besten der Welt, was nicht zuletzt an den idealen Bedingungen für Kakaopflanzen auf Sao Tomé und Principe liegt. Sao Tomé ist der zweitkleinste Staat Afrikas und hat seinen Namen der Entdeckung am Tag des Heiligen Thomas 1471 zu verdanken. Als Reiseziel ist es sowohl für Badeurlauber als auch für Wanderfreunde geeignet. Eine besondere sportliche Herausforderung ist der über 2000 Meter hohe Pico Sao Tomé in der Mitte der Hauptinsel, der mit seiner spitzen Form weithin sichtbar ist. Vor allem aber ist die Inselrepublik für Naturliebhaber ein schier unerschöpflicher Fundus. Die zwei Inseln vulkanischen Ursprungs beheimaten über 100 Pflanzenarten, die nur hier wachsen. Hinzu kommen viele seltene Vogelarten. Überall sichtbar auf beiden Inseln ist die Vergangenheit als ehemalige Sklavenkolonie. Prunkvolle, verlassene Häuser erinnern an die Kolonialzeit des Landes, das erst seit 1975 unabhängig ist und lange unter der Herrschaft der portugiesischen Krone stand. Die Mehrzahl der knapp 200 000 Einwohner lebt auf der 48 Kilometer langen und 32 Kilometer breiten Hauptinsel Sao Tomé. Es ist ein Leben ohne Stress und Hektik, getreu dem Insel-Motto „Leve leve“ – was so viel bedeutet wie „immer mit der Ruhe und alles wird gut“. Die Männer sind Fischer, Farmer oder Taxifahrer, die Frauen kümmern sich um Haus und Hof und treffen sich zum Wäsche waschen am Fluss. Auf dem Markt der Hauptstadt wird von früh bis spät gehandelt, in kleinen Bistros wird für umgerechnet zwei Euro frischer Fisch mit frittierten Bananenscheiben und einer Art Pesto serviert. Dazu gibt es für 50 Cent ein Glas Saft von einer Frucht namens Sape Sape (Sabsab). Sie schmeckt wie eine Mischung aus Ananas und Zitrone und sei sehr gesund, versichert Carlos Horta. Der 39-Jährige arbeitet bei der örtlichen Telefongesellschaft, macht gerade Mittagspause und freut sich über den Besuch aus dem fernen Deutschland. „Bayern Munchen und Borussia Dortmund“, sagt er lachend. Die Fußballclubs kenne hier jedes Kind. Carlos muss wieder ins Büro, das Wochenende aber wird er, wie die meisten hier, an einem Strand mit Freunden bei Musik, Fußballspielen und vielleicht etwas Zuckerrohrschnaps verbringen. „Eigentlich hatte ich nie etwas mit Schokolade am Hut, ich mochte sie noch nicht einmal“, gesteht Claudio, der italienische Einwanderer. Lange Jahre war der gebürtige Florentiner auf Kaffeeplantagen in Zaire und später in Bolivien unterwegs, bevor er 1995 nach Sao Tomé kam. „Als ich damals hier die ersten Kaffeebohnen röstete, stellte ich fest, dass der Geschmack ein ganz anderer war“, erzählt Corallo. Dies habe ihn auf die Idee gebracht, sich auch die Kakaopflanzen näher anzusehen. Er besorgter sich weltweit Proben prämierter Kakaosorten, um ver-

ANREISE Mit TAP von München über Lissabon nach Sao Tomé; ab 850 Euro (www. flytap.com). Inlandsflug Sao Tomé-Principe mit STP Airways ab ca. 130 Euro (www.stp airways.st). Für die Einreise ist ein Visum erforderlich. Zu beantragen über die Botschaft von Sao Tomé und Principe in Brüssel. Kosten: ab 35 Euro. Tel. 0032/2/734 89 66. E-Mail: ambassade@saotomeeprincipe.be. REISEZEIT/KLIMA Sao Tomé und

Principe haben ganzjährig Temperaturen zwischen 22 und 30 Grad. Das Klima ist tropisch mit hoher Luftfeuchtigkeit. Zwischen Juni und Oktober ist die trockene Jahreszeit. Ab November kann es immer wieder zu starken Regenfällen kommen. Insgesamt ist das Klima durch den frischen Wind vom Atlantik sehr angenehmen.

HOTEL-TIPPS Sao Tomé: Omali

Lodge (www.omalilodge.com). Stadtnahes Boutique-Hotel direkt am Stadtstrand von Sao Tomé. Großzügige Zimmer, gute Küche. EZ ab 135 Euro inkl. Frühstück. Principe: Bom Bom Island Resort (www. bombomprincipe.com). Luxus-Resort mit 20 Bungalows. Inkl. HP ab 180 Euro.

KULINARISCH Einfache, lokale Küche gibt es in der Snackbar Mundjá Ue in der Rua Viriato da Cruz in Sao Tomé. BananaFisch mit Salat für 2 Euro. Frischer Sape-Sape-Saft für 50 Cent. Geöffnet ca. 11 bis 18 Uhr. Gehobene, lokale Küche genießt man im Roca Sao Joao in Sao Joao Dos Angolares. Küchenchef Joao Carlos Silva hat als Sternekoch eine eigene Kochshow im portugiesischen Fernsehen. Ein Menü mit mehreren Gängen kostet 15 Euro, Wasser 1 Euro, die Flasche Wein ab 10 Euro. http://rocasjoao.com. AUSFLUGSTIPPS Schokoladen-

manufaktur Claudio Corallo: Avenia Marginal 12 de Julho Nr. 978, Sao Tomé. Jeden Donnerstagnachmittag bietet Corallo eine Führung an, www.claudiocorallo.com. Roca Monte Cafe: Kaffeeplantage und Kaffeemuseum westlich von Sao Tomé. Touren können über Hotels organisiert werden, eine Fahrt mit dem Sammeltaxi kostet drei Euro. Roca Sundi: Plantagenhaus auf Principe aus der Kolonialzeit, in dem früher auch die portugiesische Königsfamilie wohnte. Die Einrichtung ist noch original erhalten.

Das Paradies, in dem die Schokolade wächst: Claudio Corallo (re.), der gebürtige Florentiner, hat es nach langwierigen Experimenten geschafft, das Beste aus den RohstoffenderInseln herauszuholen. Dank seiner Initiative zählt der Kakao von Sao Tomé und Principe heute zu den besten der Welt.

STRANDTIPP Banana Beach. Wunderschöner, einsam gelegener Strand im Norden von Principe. Erreichbar auf dem Wasserweg vom Bom Bom Island Resort (10 Minuten). Auf dem Landweg nach Belo Monte und dann zu Fuß zum Strand hinunter.

FOTOS: CLAUDIUS LÜDER (2), BILDAGENTUR HUBER (2), DPA/OBS

gleichen zu können. Nach vielen Experimenten mit unterschiedlichen Trocknungs- und Röstverfahren stellte er schließlich seine erste Schokolade aus 100 Prozent Kakao her. Heute gibt es außerdem eine 75-prozentige mit Ingwer, eine 80-prozentige und auch kleine Schokoladenkugeln mit Kaffee-Stückchen, die Corallo weltweit an Feinkostläden liefert und auch online anbietet (claudiocorallo. com). Der edle Genuss hat allerdings seinen Preis: Eine Box mit 130 Gramm kostet rund 12 Euro. Wer bei Claudio vor Ort einkauft, bezahlt nur acht Euro. Viel Zeit lässt ihm die Schokoladenproduktion nicht. Aber wenn er sich dann doch einmal loseisen kann von seiner Manufaktur, dann zieht Claudio Corallo los auf die Schokoladenseite des Inselparadieses, zu den einsamen, ruhigen Plätzen der kleineren Nachbarinsel Principe, wo der Kakao eigentlich geerntet wird. Dort hat der Italie-

ner auf seiner Plantage Teneiro Velho jene seltenen Kakaopflanzen rekultiviert, die goldgelbe bis bis orangefarbene Früchte tragen und über ein unvergleichliches Aroma verfügen. Principe verzaubert mit traumhaften Stränden wie dem Banana Beach, der den Namen seiner bananentypischen Form verdankt und an dem auch ein TV-Spot für Bacardi entstanden ist. Einen Massenandrang muss dennoch keiner befrüchten, denn von den wenigen Touristen, die den Inselstaat vor der Westküste Afrikas bislang überhaupt als Reiseland entdeckt haben, machen längst nicht alle einen Abstecher nach Principe. Ihnen entgeht einiges. Die „Insel der Prinzen“, wie der Name Principe ins Deutsche übersetzt heißt, gerade mal 18 Kilometer lang und zehn Kilometer breit, ist ein echtes Naturparadies. Die Hälfte der Fläche ist als Nationalpark ausgewiesen, tropischer Regenwald und goldgelbe Strän-

de prägen das d as Bild. Wild und urwüchsig ist die die Landschaft. Die wenigen Autos sind Geländewagen, denn nur eine Straße auf Principe ist asphaltiert. Es gibt nur ein Hotel, ein Gästehaus und die kleine Stadt Santo Antonio mit 1300 Einwohnern. Dort treffen sich die Familien auf dem Markt und am Hafen, tauschen Neuigkeit und Waren aus. Die Menschen pflegen ihr kleines Haus mit Vorgarten und geschnittener Hecke und sind stolz auf ihre Insel, die eine eigene Verwaltung, unabhängig von Sao Tomé hat. Viermal pro Woche fliegt eine Propellermaschine von Africa’s Connection mit nur 18 Sitzplätzen die Insel an und bringt alles Notwendige. Ein Schiff von Sao Tomé verkehrt in unregelmäßigen Abständen. Die wenigen Gäste, die sich im feinen Bom Bom Island Resort ganz im Norden der Insel einquartieren, genießen absolute Ruhe und eine überwältigende

Natur. Meist sind morgens die einzigen Spuren am Strand die einer Meeresschildkröte, die nachts ihre Eier abgelegt hat. „Ich möchte an keinem anderen Fleck der Welt leben“ sagt Joao, der auf Principe geboren ist – und man kann ihn verstehen. Die kleine Insel ist wie eine Welt für sich. Die zeigt Joao Hotelgästen auf einer Rundtour in abgelegene Fischerdörfer oder zur beeindruckenden Roca Sundi, die einst von der portugiesischen Königsfamilie bewohnt wurde. Aus dem herrschaftlichen Haus soll möglicherweise ein weiteres Hotel entstehen. Aber das ist momentan noch Zukunftsmusik. Große Hotelburgen, versichert Joao, werde es hier nie geben. Principe bleibt eine kleine Insel für Prinz und Prinzessin – mit Schokolade am Banana Beach.

VERANSTALTER Pauschalreisen nach Sao Tomé und Principe können u.a. gebucht werden bei: Olimar Reisen (14-tägige Flugreise ab 2942 Euro, www.olimar. de), dem Münchner Reisebüro Klingsöhr (16-tägige Wander- und Erlebnisreise ab 3690 Euro, Tel. 089/9570001). WEITERE INFOS über die Home-

page www.saotome.st.

AFRIKA

SAO TOMÉ/ PRINCIPE


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Suedwest Presse May 2014

REISE UND FREIZEIT

GERMANY

Samstag, 10. Mai 2014

Gestrandet im Drachenland

Jersey: Historische Ferien-Domizile

Leve, leve – auf der Inselrepublik São Tomé und Príncipe geht alles einen Tick langsamer „Leve-leve“ lautet das Motto auf dem Archipel São Tomé und Príncipe, immer mit der Ruhe. Langsam soll sich auch der Tourismus entwickeln. Weltraumtourist Shuttleworth investiert in neue Hotelanlagen. BEATE SCHÜMANN

Millionär investiert in Öko-Tourismus nister, Geschirr, Fische, die im Fluss gewaschene Wäsche und bei Regen Bananenblätter. Ein Feldarbeiter bleibt stehen, versteckt vor den Fremden die scharfe Machete hinterm Rücken und grüßt. Eine Frage des Stils. Als wäre die Zeit stehengeblieben. Auch in Santo António ist das so. Eine Handvoll Straßen, ansehnliche Häuser aus der Kolonialzeit, ein roséfarbener Gouverneurspalast, Kirchen, eine Radiostation, eine Post, zwei Banken, ein Markt und drei nette Restaurants, wie das Rosa Pão. Man hat es im Handumdrehen gesehen. Die schläfrige Hauptstadt São Tomé auf der Schwesterinsel ist dagegen eine quirlige Metropole. Bis vor vierzig Jahren war die heu-

NAHZIEL Naturpark-Markt in Nagold Die Märkte im Naturpark Schwarzwald Mitte/Nord starten in die neue Saison. Von Mai bis Oktober sind insgesamt 18 Naturpark-Märkte von Straubenhardt ganz im Norden des Naturparks bis Hornberg im Süden geplant. Den Auftakt zur diesjährigen Marktsaison macht die Stadt Nagold an diesem Sonntag, 11. Mai. Der Naturpark-Markt findet dort zusammen mit der alljährlichen Gartenmesse in der Nagolder Innenstadt sowie der Sondermesse Keramika, einer Töpfermesse statt. Eröffnet wird der Naturpark-Markt um 11 Uhr. Mit dabei sind in diesem Jahr weiterhin eine ganze Reihe traditioneller Märkte, wie beispielsweise am 8. Juni (Pfingstsonntag) in Freudenstadt oder am 6. Juli in Bad Teinach-Zavelstein. Ganz neu aufgenommen ins Veranstaltungsprogramm ist im Herbst der Markt auf dem Rathausplatz in Ethk tenheim (19. September). Info www.naturparkschwarzwald.de

Fisch gehört auf São Tomé und Príncipe zu den Lieblingsspeisen. Der bunte Papageienfisch ist fast zu schade dafür. Das Foto Fotos: Beate Schümann zeigt einen Verkäufer an einem ambulanten Stand auf einer Straße in Santo António.

Im Bom Bom Island Resort liegen der weiße Strand und das türkise Meer vor der eigenen Terrasse.

Auf den Inseln vor Westafrika wird fast alles auf dem Kopf getragen.

man Muscheln, Schildkröten, Zebra- und Papageienfische findet, liegen vor der eigenen Terrasse. Die Spuren im Sand sind von den eigenen Füßen. Auf dem langen Holzsteg übers Wasser erreicht man das kleine Vulkanriff mit Restaurant und Bar. Abends beim CandlelightDinner blickt man in die Sterne, lauscht den Wellen und fühlt, dass das Paradies doch von dieser Welt sein muss. Dies ist der Platz, der auch Mark Shuttleworth romantisch machte. Die Bevölkerung nennt ihn „Mann vom Mond“, weil der Südafrikaner 2002 als zweiter Weltraumtourist mit einem 20-Millionen-Dollar-Ti-

cket zu den Sternen flog. Zurück auf dem Blauen Planeten fand der ITMillionär den Himmel auf Erden: Príncipe. Er beschloss, das Paradies zu retten. Das lässt er sich nun weit mehr kosten als die Spritztour ins All. Für sein ambitioniertes Projekt hat er das Unternehmen HBD gegründet – Here be Dragons. „Hier wohnen Drachen“ schrieben englische Seeleute früher auf unentdecktes Land in ihre Seekarten. Príncipe ist so ein Drachenland, wo man garantiert bei Null anfangen kann. Alle Versuche vorher waren kurz, lokal begrenzt und ohne gestalterisches Konzept. Shuttleworth dagegen hat eine Vision: Tourismus als

tige Republik eine portugiesische Kolonie. Die Plantagenwirtschaft florierte. São Tomé und Príncipe zählten zu den drei größten Kakaoproduzenten der Welt. Weltbester Kakao und Kaffee kamen von hier, eine Musterkolonie. Die Sklaverei war lange abgeschafft. Doch Formen der Zwangsarbeit blieben bis ins 20. Jahrhundert hinein bestehen. Als die weißen Herren nach der Unabhängigkeit 1975 das Land verließen, verfielen die riesigen Plantagen. Auf Príncipe sind die Natur, die Menschen und ihre ständige Bereitschaft zum Lächeln die Attraktion. Der Regenwald, der die Südhälfte überwuchert, ist wegen der ungewöhnlich großen Zahl an endemischen Pflanzen und Vogelarten gerade unter Unesco-Schutz gestellt worden. Ein Himmelreich für Wanderer, Botaniker, Vogelbeobachter. Vereinzelte touristische Anläufe gab es deshalb bereits. Wie das Bom Bom Island Resort. Es liegt auf einer schmalen Landzunge an der Nordspitze, Strand auf beiden Seiten. Außer Papageiengekrächze und Palmenrascheln ist hier nur die fünfmal pro Woche verkehrende Dornier 228 zu hören. Um Affenbrotbäume, blühende Hibisken und den Pool in der Mitte gruppieren sich die neunzehn KomfortBungalows. Das türkisfarbene Meer und der Schnorchelfelsen, bei dem

Entwicklungsmodell im Einklang mit der Natur, der Artenvielfalt und der Bevölkerung. HBD hat bereits die Hälfte der Nordinsel gekauft oder gepachtet, darunter das Bom Bom Island Resort, verlassene Beach-Hotels, ausgewählte Traumstrände wie Macaco, Boi und Uba, an denen Vierund Fünf-Sterne-Luxusherbergen entstehen sollen – umweltverträglich, nachhaltig und rückbaubar. Auch zwei brachliegende Plantagen gehören dazu, Roça Paciência und Roça Sundy. „Wir werden bis 2020 mehr als 70 Millionen Euro investieren“, sagt Nuno Rodrigues, Direktor von HBD aus Lissabon. Bis 2030 soll die Umwandlung Príncipes in ein „Juwel des ökologischen Tourismus“ abgeschlossen sein. Seine Zielgruppe sind Menschen, die ihr Glück in der Natur, der Stille und der Zurückgezogenheit suchen. Auch der Boss der Drachenfirma ist für leve-leve, für sanftes Vorgehen. Nur so könne man verändern, ohne zu zerstören. Auf den Plantagen sollen wie zu kolonialen Zeiten wieder Kakao, Kaffee, Vanille, Ingwer und Pfeffer wachsen. Mit selbst geschulten Mitarbeitern und eigenen Pflanzungen will er autark werden. Der autonomen Regierung von Príncipe hat HBD eine Job-Garantie gegeben: 90 Prozent der Mitarbeiter sollen Einheimische sein. Die Roça Sundy ist die einzige Plantage, die einigermaßen erhalten ist. Bis 2019 werden ein Boutiquehotel, ein botanischer Garten, ein Museum und ein Himmel-Observatorium entstehen. Noch immer wirkt die Anlage wie eine Kleinstadt mit Herrenhaus, langen Wohntrakten für mehr als 1000 Arbeiter, Krankenhaus, Kirche und einer Lorenbahn zum Hafen in Santo António. Eine Kooperative ist von damals übriggeblieben, knapp hundert Familien. Alle leben von der Landarbeit, vom Fischfang – und von der Hoffnung auf einen neuen Anfang. Unterhalb der Plantage liegt der hübsche Sundy-Strand, an dem ein Luxushotel gebaut werden soll. Das Fischerdorf wird in diesem Jahr umgesiedelt, die Bewohner werden entschädigt. Auch eine Drachenfirma denkt ans Geschäft. Der Anfang ist gemacht. Das Bom Bom Island Resort ist schick renoviert, auch wenn es wie ausgestorben wirkt. An der Rezeption kann man von Regenwald-Wanderungen über Bird- und Whale-Watching bis zum Hochseeangeln fast alles buchen. Rund 500 Gäste kamen in 2012. Doch es sollen mehr werden – leve-leve . . .

Flüge von München über Lissabon Anreise Die TAP fliegt ab München über Lissabon dreimal pro Woche nach São Tomé. Preis ab 900 Euro.  01806/000341 www.flytap.com Flug von São Tomé nach Príncipe: 6x pro Woche, ab ca. 100 Euro. www. africas-connection.com www.stpairways.st Visum Zu beantragen bei der Botschaft der Republik São Tomé e Príncipe, Av. De

Tervuren, 175, B, B-1150 Brussels, Preis 20 Euro.  0032/27348966 ambassade@saotomeeprincipe.be; www.smf.st Gesundheit geringe Malariagefahr, Geldfieberimpfung ist Pflicht. Beste Reisezeit Juni bis September. Übernachtung Omali Lodge, São Tomé, Preis ab

15 km

San Antonio

185 Euro DZ/Nacht. www.omalilodge.com Bom Bom Island Resort, Príncipe, Preis ab 250 Euro DZ/Nacht. www.bombomprincipe.com Diese Reise wurde von der TAP und HBD unterstützt. Info Honorarkonsulat São Tomé, Marcusallee 9, 28359 Bremen,  0421/1736190

PRÍNCIPE

Neves

São Tomé

SÃO TOMÉ

Obo Nationalpark

SWP GRAFIK/ND Quelle: www.stepmap.de, Kartenmaterial: OpenStreetMap

Es gibt Kleinode auf unserer Erde, von denen die Welt kaum etwas weiß. Weil sie einfach zu winzig sind. Oder weil sie aus der Zeit gefallen sind. Fährt man mit dem Finger auf der Landkarte am Äquator entlang, muss man kurz vor der Küste Westafrikas Halt machen. Dann findet man in der Bucht von Guinea so einen Naturschatz – die Inselrepublik São Tomé und Príncipe. Príncipe ist noch siebenmal kleiner als die Hauptinsel São Tomé. Wenn sich die Propellermaschine ihr nähert, sieht man den schwarzgrünen Landflecken mitten im Atlantik, 128 Quadratkilometer groß, mit einem Kleingebirge aus erloschenen Vulkanen und tropischem Regenwald bis an die Küste. Je dichter, desto weniger Mensch: nur 5000 Einwohner zählt das Eiland. Graziös geschwungene Buchten rahmen das Grün, dazu goldgelbe Strände, an der Flussmündung des Rio Papagaio die wohl fünfhundert Häuser der Inselkapitale Santo António. Leve-leve heißt hier das Motto, immer mit der Ruhe. Im Schritttempo wankt auch der Geländewagen über die ausgewaschene Lehmpiste, vorbei an geräumigen Stelzenhütten in Muschelweiß, Bonbonrosa oder Patinagrün. Sie sind einfach, doch Elend sieht anders aus. Tropische Fruchtbarkeit explodiert. Mango-, Papaya-, Maracuja-, Guaven- und Jackfruchtbäume schießen aus dem Boden, Bananenstauden wuchern, Schlingpflanzen wickeln sich um alles. Hinter den Gartenzäunen gedeihen üppig Blumen und Gemüse. An den Türen kleben Plaketten der Anti-Malaria-Kampagne, mit der man die Tropenkrankheit zurückgedrängt hat. Autos sind nicht zu sehen; es gibt auf der Insel bloß 30 Pkw. Die Insulaner gehen zu Fuß, immer hübsch langsam, leve-leve. Auf dem Kopf balancieren sie Wasserka-

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AFRIKA

Die Kanalinsel Jersey musste sich in ihrer langen Geschichte immer wieder gegen Angriffe seiner Nachbarn zur Wehr setzen. So entstanden über die Jahrhunderte bis in die jüngste Vergangenheit militärische Bauwerke, die von der Wehrhaftigkeit der Insel zeugen. Jersey Heritage, eine Einrichtung der Denkmalpflege, hat nun viele dieser historischen Gebäude renoviert, neu und zweckmäßig eingerichtet, um sie als Ferienwohnsitze auf Zeit oder für festliche Anlässe anzubieten. Zu den baulichen Relikten gehören beispielsweise ein Fort (16. Jh.), das als Ferienrefugium für eine Familie genutzt werden kann. Die trutzige Anlage diente zuletzt dem Lieutenant Gouvernor (dem Repräsentanten der Queen) als Sommersitz. Ein zweites, Fort Leicester, ist über eine eigene Mole erreichbar. Spektakulär ist der sechsstöckige „Radio Tower“, von der deutschen Wehrmacht erbaut und nun im Bauhausstil neu eingerichtet. Gäste haben eine 360 Grad Rundumsicht mit grandiosem Blick aus der Höhe auf die Corbiére-Bucht mit dem berühmten Leuchtturm. Diese historisch-militärischen Gebäude wie noch mehrere andere, eine alte Fischerkate oder ein ehemaliges Bauerngehöft werden als Ferienwohnungen vermietet.

Info Broschüren über Jersey sind kostenlos erhältlich beim Jersey Prospektversand,  06106/71718 jersey@expertPR.de www.jerseyheritage.org www.jersey.com

NOTIZEN Ein U-Boot taucht auf Das Marinemuseum im südschwedischen Karlskrona eröffnet am 6. Juni an Bord des 800 Tonnen schweren und 49,5 Meter langen U-Bootes HMS Neptun eine Ausstellung. Im Inneren des U-Boots aus der Zeit des Kalten Krieges erleben Museumsgäste auf „dramatisierten Führungen“ den Alltag der Besatzung mit allen Sinnen – von den Grundbedürfnissen wie Essen, Schlafen oder Duschen bis zum Ernstfall im Spionageeinsatz. Die HMS Neptun ist nach der Vasa in Stockholm Schwedens zweitgrößtes Museumsexponat. Hier lässt sich ein Stück Geschichte nicht nur sehen, sondern auch riechen, hören und ertasten. Der Eintritt in das Marinemuseum ist für Kinder bis 18 Jahre frei, sonst kostet eine Führung umgerechnet 4,50 Euro. ■ www.marinmuseum.se/de

Fahrräder für Behinderte Im niederländischen Texel werden spezielle Tandems, Rollstuhl-Fahrräder und Dreiräder an Senioren und Behinderte verliehen. Die meisten Räder sind für zwei Menschen konzipiert. Die Vermietung erfolgt am Stadtrand von Den Burg. Das Programm heißt Easy Riding Texel. ■ www.easyridingtexel.nl

Hotel für Paare auf Korfu Oberhalb der Küste der griechischen Stadt Ermones auf der Insel Korfu öffnete Anfang des Monats ein neues Hotel für Paare. Das Fünf-Sterne-Haus Sensimar Grand Mediterraneo Resort & Spa ist das erste Haus dieser TUI-Hotelmarke auf der Insel. ■ www.tui.com/sensimar

Die grüne Seite des Konziljubiläums Auf der Richental-Route durch den Thurgau – Pilgerweg, Mittelaltergarten und Kulinarisches Ohne den Thurgau hätte es das Konstanzer Konzil vor 600 Jahren nicht gegeben. Weshalb, das erfahren Gäste auf einer Reise durch die Ostschweiz. Das Jubiläum 600 Jahre Konstanzer Konzil wird nicht nur in Konstanz gefeiert. Auch der benachbarte schweizerische Thurgau beteiligt sich – mit neuen Konzilswegen, dem Arenenberger Patriziergarten und einem Konzilmenü der Thurgauer Köche. Ohne den Thurgau hätte es den „größten Kongress des Mittelalters“ nicht gegeben. Erst nachdem die vom Papst entsandten Kundschafter bei einem Ritt entlang der Thur feststellten, dass das Konstanzer Umland genügend Herbergen und Nahrungsmittel für die erwarteten Gäste bot, fiel die Wahl auf die rei-

che Tuchhändlerstadt am Bodensee. Begleitet wurden die päpstlichen „Exploratores“ von keinem Geringeren als dem Konstanzer Bürger und Konzilschronisten Ulrich Richental, der alle Informationen, derer er zum Konzil habhaft werden konnte, in seine Chronik einfließen ließ. Ihm ist der erste der neuen Thurgauer Konzilswege gewidmet: die Richental-Route. Sie geht am Untersee entlang, über den Seerücken zur Thur und dann mitten durch den Schweizer Bodensee-Kanton. Insgesamt 61 Stationen führen dabei direkt ins Mittelalter – zu Kirchen, die mit Fresken ausgemalt sind, zu Wasserschlössern, Burgen und alten Klosteranlagen. Der dazugehörige Faltplan zeigt alle Stationen auf einer Karte und fasst die Sehenswürdigkeiten auf der Rückseite mit Bildern, Informationen zu Öff-

Die Klingenzeller Wallfahrtskapelle am westlichen Bodensee liegt an der RiFoto: Theo Keller chentalroute.

nungszeiten und Kurzbeschreibung zusammen. So kann sich jeder seine eigene Konzilroute zusammenstellen, sie in Teilabschnitten erwandern oder sich per Rad oder per pedes die ganze Runde von 200 Kilometern vornehmen. Das hoch über dem westlichen Bodensee thronende Schloss Arenenberg machten im 19. Jahrhundert die Bonapartes zu ihrem Exilsitz, heute beherbergt es das Thurgauer Napoleonmuseum. Die Anlage gehörte im 15. Jahrhundert einer Konstanzer Patrizierfamilie. Mit hinreißender Aussicht über den See und die Alpen pflegten sich die Konzilsteilnehmer hier zu erholen. Ab Juni lädt ein nach mittelalterlichen Vorlagen rekonstruierter Patriziergarten dazu ein, es den Konzilsbesuchern gleichzutun. Nach den Vorgaben des Albertus Magnus enthält er Zier-, Nutz- und Duftpflanzen. Ra-

senbänke, Wasserspiele, duftende Pflanzen und Rosenspaliere. Wer seinen Urlaub im Thurgau auf Mittelalterspuren begehen will, kann sich durch die vielen verschiedenen Konzilmenüs probieren, die die Restaurants im Angebot haben. Wo mit mittelalterlichen Zutaten gekocht wird, das erfahren Gäste im Internet. Auch in der Karte mit den Konzilwegen sind die teilnehmenden Restaurants vermerkt. Ein Konzilmenü besteht aus Vorspeise und Hauptgang und wird von den Köchen fast ausschließlich mit Zutaten zubereitet, die es schon im Mittelalter gab. kn

Info Prospekte, Broschüren sowie weitere Informationen erhältlich bei: Thurgau Tourismus,  0041 (0)71 414 11 44 www.thurgau-tourismus.ch www.konzil-thurgau.ch


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GERMANY

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Auf der SchokoSeite Der westafrikanische Inselstaat São Tomé und Príncipe war einst weltgrößter Exporteur von Kakao. Heute setzen beide Inseln auf sanften Tourismus in tropischer Landschaft. Ein Genuss Gabriela Greess (Bilder und Text)

NIGERIA

KAMERUN BIOKO ATLANTISCHER OZEAN

PRÍNCIPE

ÄQUATORIALGUINEA

KONGO

Im »Bom Bom Island Resort« auf Príncipe erreicht man auf einer 230 m langen Holz­ brücke das klimati­ sierte Restaurant, das romantisch auf einem kleinen Inselchen liegt.

SÃO TOMÉ GABUN

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1 Starkoch João Carlos Silva erfindet neue Rezepte mit tropischen Früchten und pflückt selbst Kräuter im Regenwald.

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Die »Open-Air-Küche« seines Restaurants liegt wie ein Adlernest hoch über der türkisblauen Baía de São João dos Angolares: Allein das Panorama raubt einem hier den Atem. Da startet der Chef die kulinarische Show. Mit geradezu animalischer Lust beißt João Carlos Silva frech in eine der Kakaofrüchte, die in leuchtenden Rot- und Auberginentönen auf seinem Küchentisch thronen: »In mir schlummert das wilde Tier des Dschungels«, kommentiert der Starkoch mit diabolischem Lachen und zeigt auf das tropische Eldorado des Obo-Nationalparks, der sich unten an der Küste über 300 Quadratkilometer erstreckt.

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»Verpasst nicht eine Trekking-Tour in einem unserer Regenwälder – den 2024 Meter hohen Gipfel des Pico São Tomé könnt ihr in zwei Tagen erklimmen.«

erStklASSige küche iSt ProgrAmm João Carlos Silva macht in Portugal immer noch als TV-Serienkoch Furore: Kein Wunder, sein Tintenfisch mit Safran und Kokosnussmilch, den er speziell für uns kreierte, war göttlich! Er

2 Pfefferzweig aus dem Dschungel mit Edel­Schokolade von Claudio Corallo

ist ständig im Dschungel unterwegs auf der Suche nach Zutaten der Natur für seine Kreativ-Küche: »Hat Euch denn mein Ziegenragout mit Micoco-Kraut geschmeckt?« Oh ja! Auf dem Tisch liegt eine Überraschung von Claudio Corallo, dem weltbesten Chocolatier, der hier mit seinen Plantagen ansässig ist. »Das Glück kommt ganz alleine, wenn ihr dazu einen AlentejoWein aus Portugal trinkt«, schwärmt João Carlos. »Und, bitte, vergesst nicht den Pfefferzweig mit den roten Beeren. Ein Freund hat ihn auf Príncipe gepflückt, unserer kleinen Schwesterinsel.« Das Eiland sei ein wildes, unent-


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sÃo tomÉ und prÍncipe

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decktes Paradies mit nur einer geteerten Hauptstraße. Auf Príncipe sollen wir unbedingt das Städtchen Santo António besuchen – welches im »Guiness-Buch der Rekorde« als kleinste Kapitale der Welt gelistet ist. João Carlos Silva präsentiert sich als ein Tausendsassa. Er etablierte auf seiner Heimatinsel auch eine Biennale nebst hochkarätigen Kultur-Events wie Theateraufführungen im altehrwürdigen Hospital einer Roça, eines von vielen kolonialen Plantagenhäusern, die sowohl auf São Tomé als auch auf Príncipe stilvoll überlebt haben.

1 Ein Freilicht­ museum für uralte Agrarmaschinen ist die noch heute bewohnte Plantage Roça Sundy auf Príncipe. 2

Die Bewohner von Príncipe fischen traditionell mit Einbaum­Kanus.

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spektakuläre Riffs zum Schnorcheln und Tauchen. Zur kleinen wilden Inselschönheit Príncipe, die gerne mit ihren knappen Maßen kokettiert – sie ist 16 Kilometer lang und sechs Kilometer breit –, bringt uns ein halbstündiger Flug mit einer »Dornier 228«. Die transportiert uns so ruhig über den Golf von Guinea, dass der Pariser Architekt Didier Lefort mir sogar auf seinem Labtop in aller Seelenruhe Bilder zeigt: vom Masterplan des Investors Mark Shuttleworth, in dessen Auftrag er für Príncipe ganz neue architektonische Konzepte erdachte.

Wo der kAkAo herkommt Auf der Insel gab es einst rund 800 Roças. Diese Form der Plantagenwirtschaft kam aus dem Norden Brasiliens. Bahia schickte auf Geheiß der portugiesischen Krone die ersten Kakaopflanzen. Bis heute überlebten nur wenige Plantagen. Wir besuchen die Roça Água Izé, einen nostalgisch verzauberten Ort an der Westküste von São Tomé – nahe der Teufelsbucht Boca de Inferno, wo mächtige Atlantikwellen über Vulkangestein donnern. Fasziniert stehen wir vor meterlangen Gittern, auf denen Kakaobohnen trocknen, die in uralten Öfen deutscher Provenienz geröstet wurden. Die Kinder der dortigen Arbeitskräfte haben nicht viel zu lachen. Die Verdienste sind gering. Dutzende von Säcken, prall gefüllt mit Kakaobohnen, warten auf den Abtransport ins Ausland, wo sie zu Schokolade veredelt werden. Nach dem Roça-Besuch erfrischen wir uns an der Praia Micondo, wo uns majestätische Palmen Schatten spenden. Auf Príncipe finden wir schließlich auch die Robinsonaden unserer Träume an einsamen Buchten wie der Praia Grande, mit kilometerweit feinstem Sand, sowie

ein mAnn mit nAchhAltigen ViSionen »Here be Dragons« – dieser flotte Spruch, der einst unentdecktes Niemandsland auf den Weltkarten bezeichnete, erfunden von britischen Seefahrern, sind auch die Initialen des Mammut-Unternehmens »HBD«. »Auf dieser Insel soll weiter die Natur mit all ihrer ursprünglichen Artenvielfalt regieren – wenn es sein muss, mit Durchsetzung drakonischer Maßnahmen«, sagt Lefort. Mark Shuttleworth – der 41-jährige Mann aus Kapstadt, der als erster Afrikaner ins Weltall flog und den Raubbau auf der Erde aus der Perspekte des Weltraumtouristen sah – will nachhaltig in den Hotelbereich im gehobenen Luxussegment investieren. Zum bestehenden »Bom Bom Island Resort« sind fünf neue Beach Resorts geplant. Deren Umsetzung unterliegt strikten architektonischen Vorgaben, um die Biodiversität der Insel zu respektieren. Eine wichtige Rolle spielt die Wiederaufforstung. Dafür hat Shuttleworth einen Forstwirtschaftler engagiert, der auch Palmen durch originäre Pflanzen erset-

Markttreiben auf São Tomé: Brotfrucht, Bananen und Maniok sind Grund­ nahrungsmittel. Für die beliebte Sauce Kaloulou braucht man 12 verschie­ dene Gemüsearten.

zen soll. Weiter will er die brachliegende Kultur der traditionellen Roças neu beleben. Mit seinen Investitionen will er marode Maschinenparks und heruntergekommene koloniale Bauwerke neu in Wert setzen – wie etwa in der Roça Sundy, die sich in eine Musterfabrik für hochwertigen Kakao verwandeln soll. Gleichzeitig ist ein touristisches Zentrum geplant, in dem man das kulinarische Kulturgut Schokolade mit allen Sinnen erfahren kann. Wer die Roça Pa-

Kehrseite São Tomé und Príncipe zählt zu den ärmsten Ländern der Welt. Mit einem Bruttoinlandsprodukt von 233 Mio. US-Dollar liegt es laut Angaben des IWF auf Platz 137 in der Weltrangliste, dahinter kommen nur noch Kiribati und Tuvalu. Das Einkommen pro Kopf beträgt 1382 US-Dollar (Stand 2012). Laut Schätzungen liegen im Golf von Guinea allerdings Ölreserven von rund 24 Mrd. Fässern, wovon etwa 4 Mrd. auf den Inselstaat entfallen. Die derzeitige Strategie zur Wirtschaftsentwicklung basiert daher auf dem zeitnahen Beginn der Ölförderung. Der wurde jedoch mehrfach verschoben – momentan auf 2015.

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sÃo tomÉ und prÍncipe

sÃo tomÉ und prÍncipe

info AnreiSe Mit TAP Portugal (www.flytap.com) über Lissabon nach São Tomé (6 Std.) und mit STP Airways weiter nach Príncipe (0,5 Std.) einreise: Gültiger Reisepass und ein Visum – erhältlich über die Botschaft der Demokrati­ schen Republik von São Tomé und Príncipe/ Brüssel, Tel. 0032/2/7348966 Zeit: MEZ ­2 Std.

1 Wanderung durch den Regenwald von Príncipe 2 Die Menschen des afrikanischen Inselstaats leben von der Landwirtschaft.

geSundheit Geringe Malariagefahr, wegen Gelbfieberimp­ fung aktuelle Infos über die Botschaft STP einholen. Weitere Infos: www.frm­web.de klimA Es herrscht tropisch feucht­heißes Klima. Zwischen Juni und August ist es weniger heiß (25°C), die höchsten Temperaturen (29°C) werden im Dezember und April erreicht.

Kakaofrüchte

geld Landeswährung ist der Dobra (STD); 1 EUR ≈ 24.500 STD. Größere Hotels akzeptieren Euro und US­Dollar sowie Mastercard und Visa.

Kulturgut Schokolade Die Kolonialgeschichte von São Tomé und Príncipe begann am 21. Dezember 1471. Der portugiesische Seefahrer João de Santarém entdeckte die Inseln, die lange als Umschlagplatz für den Sklavenhandel zwischen Afrika, Portugal, Brasilien und den Karibischen Inseln dienten. Zudem siedelte Portugal dort von der Inquisition ausgewiesene Juden und Strafgefangene an. Ab Ende des 16. Jhs. entstanden Zuckerrohrplantagen. Erst ab 1800 kam der Kaffee ins Land und 1850 schließlich der Kakao. Anfang des 20. Jhs. schrieb der seine Erfolgsgeschichte, als São Tomé und Príncipe zum weltgrößten Produzenten aufstieg. São Tomé und Príncipe erlangte am 12. Juli 1975 die Unabhängigkeit von Portugal. 14|

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unterkunft Bom Bom island resort. Príncipe, www.bombomprincipe.com omali lodge. São Tomé, www.omalilodge.com

1 2 Auf der Plantage Roça Água Izé auf São Tomé werden noch heute Kakaobohnen geröstet.

ciência besucht, sieht erste Früchte von Shuttleworths Masterplan. Kaffee, Pfeffer und Vanille werden bereits geerntet. Von elementarer Bedeutung ist die Schaffung von Arbeitsplätzen für die lokale Bevölkerung. Die Lissabonner Soziologin Isabel Rodrigues de Santiago begleitet den sehr behutsam beschrittenen Prozess der Umwandlung. Denn ein Großteil der etwa 5000 Einwohner von Príncipe lebte bislang vom Fischfang und von der Landwirtschaft. So sieht sich Shuttleworth auch in der Pflicht, in ein verantwortungsvolles Aus- und Fortbildungswesen der Insel zu investieren.

PerfekteS licht für Schild­ kröten und Sternengucker Auf der fast unberührten Natur-Oase Príncipe grüßen die Menschen freundlich, Handys und Fast Food hat hier kaum einer in der Hand – angesagt sind tropische Früchte frisch vom Baum. Entlang dichten Regenwalds fahren wir auf einer Piste zum »Bom Bom Island Resort«. 20 Bungalows, nach ökologischen Maßstäben als komfortable Rundhütten

gebaut, liegen weit verstreut auf einer Landzunge, die von Sandstränden gesäumt wird, wo einen beim Schnorcheln bunte Zebrafische erfreuen. Nur ein paar Meter von den Bungalows entfernt entdecken wir am nächsten Tag uralte Schienen. Die führen direkt in die Badebucht: »Dort wurde einst Kakao und Kaffee von den Plantagen herangekarrt und nach Europa verschifft«, klärt uns Guide João auf. Er wurde vor 60 Jahren auf der Roça Sundy geboren und erinnert sich gut an die Zeiten, als dort noch

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eine Dampfsäge über all den aromatisch duftenden Kakaobohnen ratterte. Zum exquisiten Restaurant auf dem winzigen Eiland Bom Bom gelangt man über einen stimmungsvollen Holzsteg, der übers flache Wasser führt. Um die geschützten Meeresschildkröten nicht beim Brüten zu stören, wird nachts im Resort auf dezente Minimalbeleuchtung umgestellt. Dann kann man perfekt den tropischen Sternenhimmel genießen, der sich hier über dem Äquator besonders prachtvoll in Szene setzt.

VerAnStAlter Wohnen auf einer Roça (Plantage mit Kakao­ Produktion) und abenteuerliches Dschungel­ Trecking bietet »One World – Reisen mit Sinnen« an: 16 Tage ab ca. 3590 EUR/Pers. (www.reisenmitsinnen.de). AuSkünfte www.saotome.st

Im Restaurant des »Bom Bom Island Resort«

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Holiday and Lifestyle July 2014

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ie „Open-Air-Küche“ seines Restaurants liegt wie ein Adlernest hoch über der türkisblauen Bahía de São João dos Angolares. Allein das Panorama raubt uns hier schon den Atem: Da startet der Chef seine kulinarische Show. Mit geradezu animalischer Lust beißt João Carlos Silva frech in eine der Kakaofrüchte, die in leuchtenden Rot- und Auberginetönen auf seinem Küchentisch thronen: „In mir schlummert das wilde Tier des Dschungels“, kommentiert der Star-Koch mit diabolischem Lachen und zeigt auf das tropische Paradies des OboNationalparks, der sich unten an der Küste über sagenhafte 300 Quadratkilometer erstreckt. „Verpasst nicht eine Trekking-Tour in einem unserer Regenwälder. Den Pico São Tomé mit seinem 2.024 Meter hohen Gipfel könnt ihr in zwei Tagen erklimmen.“ João Carlos Silva macht in Portugal seit vielen Jahren als TV-Serienkoch Furore: Kein Wunder bei dem leckeren Tintenfisch mit Safran und Kokosnussmilch, den er speziell für uns kreierte. „Ich bin ständig im Dschungel unterwegs, auf der Suche nach Zutaten der Natur für meine Kreativ-Küche: Hat Euch denn mein Ziegenragout mit Micoco-Kraut geschmeckt? Da auf dem Tisch liegt eine Überraschung von Claudio Corallo, dem weltbesten Chocolatier, der hier mit seinen Plantagen ansässig ist“, sagt der Star-Koch und ist sich sicher: „Das macht euch sicher glücklich, wenn ihr dazu noch einen Alentejo-Wein aus Portugal trinkt. Und bitte vergesst nicht den Pfefferzweig mit den roten Beeren. Ein Freund hat ihn auf Príncipe ge72

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pflückt, das ist unsere neun mal kleinere Schwesterninsel. Sie ist ein unentdecktes Paradies mit nur einer geteerten Hauptstraße“, informiert uns João Carlos Silva: „Da müsst ihr unbedingt hin; und besucht dort Santo António, das steht im Guiness-Buch der Rekorde als kleinste Kapitale der Welt.“ João Carlos Silva präsentiert sich als Tausendsassa. Er etablierte auf seiner Heimatinsel auch eine Biennale nebst hochkarätiger Kultur-Events: Wie Theateraufführungen im altehrwürdigen Hospital einer Roça – einem von vielen kolonialen Plantagenhäusern mit angrenzenden Ländereien zum Kakao- und Kaffeeanbau, die auf São Tomé und Príncipe stilvoll überlebt haben.

Auf der Inselrepublik gab es früher rund 800 Roças. Diese Form der Plantagenwirtschaft stammt ursprünglich aus Bahia, dem Norden Brasiliens. Von dort kamen die ersten Kakaopflanzen nach São Tomé und Príncipe auf Geheiß der portugiesischen Krone mit ihrem einst riesigen Weltreich. Die Kolonialgeschichte des nach den Seychellen zweitkleinsten afrikanischen Landes begann am 21. Dezember 1471. Der portugiesische Seefahrer João de Santarém entdeckte die Inseln. Über lange Jahre dienten diese als Umschlagplatz für den Sklavenhandel zwischen Afrika, Portugal, Brasilien und den karibischen Inseln. Zudem siedelte Portugal dort von der Inquisition ausgewiesene Juden und Strafgefangene an. Ab Ende des 16. Jahrhunderts entstanden Zuckerrohrplantagen. Erst ab 1800 kam der Kaffee ins Land und 1850 schließlich der Kakao. An-


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1 Kakaobäume geheihen bestens im Schatten des Dschungels. Nur aus einem Bruchteil ihrer Blüten entwickeln sich Früchte. 2 Auf der Plantage Roça Água Izé auf São Tomé werden Kakaobohnen geröstet. 3 Begegnung mit einem einheimischen Fischer bei einer WhaleWatching-Tour der Umweltorganisation ONG Marapa. 4 Mimikry mit der Natur: Öko-Bungalows im Bom Bom Island Resort auf Príncipe.

fang des 20. Jahrhunderts schrieb dieser hier in Afrika seine Erfolgsgeschichte, als São Tomé und Príncipe zum weltgrößten Produzenten aufstieg. Als die Inselrepublik am 12. Juli 1975 die Unabhängigkeit von Portugal erlangte, beschritt sie ihre ganz eigenen Wege und die Roças verfielen in einen Dornröschenschlaf. Heute werden nur noch wenige der einstigen KakaoPlantagen bewirtschaftet. Wir besuchen die Roça Água Izé, ein nostalgisch verzauberter Ort an der Westküste von São Tomé nahe der Teufelsbucht Boca de Inferno, wo mächtige Atlantikwellen über Vulkangestein donnern. Fasziniert stehen wir vor meterlangen Gittern, auf denen Kakaobohnen trocknen, die in uralten Öfen deutscher Provenienz geröstet wurden. Dutzende von Säcken, prall gefüllt mit Kakaobohnen, warten nach einer schweißtreibenden Arbeit auf den Abtransport ins Ausland, wo sie zu Schokolade veredelt werden. Nach dem Roça-Besuch erfrischen wir uns am Strand Praia Micondo, wo majestätische Palmen Schatten spenden. Doch in Príncipe finden wir dann die Robinsonaden unserer Träume an verlassenen Buchten wie die Praia Grande – mit Kilometern feinstem Sand; genauso wie an spektakulären Riffs zum Schnorcheln und Tauchen.

Zur wilden Inselschönheit Príncipe, die gerne mit

ihren knappen Maßen kokettiert – sie ist nur 16 Kilometer lang und sechs Kilometer breit – bringt uns ein halbstündiger Flug mit einer Dornier 228. Die transportiert uns so ruhig über den Golf von Guinea, dass der Pariser Architekt Didier Lefort mir

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URALTE KAKAO-SORTEN Der aus Florenz stammende Chocolatier Claudio Corallo kultiviert hier seit 1998 Kakao auf Plantagen. Bis in 1.000 Meter Höhe erntet er seine exklusive Sorte Arabica. Eine Tafel mit 160 Gramm kostet rund zwölf Euro. Der italienische Schokoladenhersteller nutzt die Urfrucht der Kakaobohne, um die beste und teuerste Schokolade der Welt zu produzieren. Diese aromatische Sorte war zwischenzeitlich in Vergessenheit geraten. Die ersten Kakaopflanzen kamen um 1818 auf Príncipe an. Brasilien stand zu dieser Zeit kurz vor seiner Unabhängigkeit. Aus diesem Grund befahl der König von Portugal, João VI., die Pflanzen nach Príncipe zu bringen. Damit hatte er den Anbau weiterhin unter seinem Regime.

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Idyllischer Holzsteg übers Meer: Im Bom Bom Island Resort auf Príncipe erreicht man über eine 230 Meter lange Brücke das Insel-Restaurant.

sogar an seinem Laptop in aller Seelenruhe Bilder zeigt: Vom Masterplan des südafrikanischen Investors Mark Shuttleworth, in dessen Auftrag er für Príncipe ganz neue architektonische Konzepte erdachte. „Here be Dragons“ – dieser flotte Spruch, der einst unentdecktes Niemandsland auf den Weltkarten bezeichnete, erfunden von britischen Seefahrern – das sind auch die Initialen unseres „Mammut-Unternehmens“ HBD. „Das mag vielleicht wie ein Widerspruch klingen, aber eigentlich ist die Aussage klar: „Auf dieser Insel soll weiter die Natur mit all ihrer ursprünglichen Artenvielfalt regieren. Und wenn es sein muss mit Durchsetzung dragonischer Maßnahmen.“ Eine wichtige Rolle spielt die Wiederaufforstung. Dafür hat Shuttleworth einen Forstwirtschaftler engagiert, der auch Palmen durch originäre Pflanzen ersetzen soll. Weiter will der Südafrikaner die brachliegende Kultur der traditionellen Roças neu beleben. Dafür plant er Investitionen in deren marode Maschinenparks und eine Erneuerung der kolonialen baulichen Substanz: wie in der spektakulären Roça Sundy, die sich in eine Musterfabrik für hochwertigen Kakao verwandeln soll. Gleichzeitig ist ein touristisches Zentrum geplant, in dem man das kulinarische Kulturgut Schokolade mit allen Sinnen erfahren kann. Wer die Roça Paciência besucht, sieht erste Früchte von Shuttleworths umfassendem Masterplan: Kaffee, Pfeffer und Vanille werden bereits geerntet. Von elementarer Bedeutung ist die Schaffung von 76

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Arbeitsplätzen für die lokale Bevölkerung. Eine Soziologin begleitet den sehr behutsam beschrittenen Prozess der Umwandlung. Denn ein Großteil der etwa 5.000 Einwohner von Príncipe lebte bislang vom Fischfang und von der Landwirtschaft. So sieht sich Shuttleworth auch in der Pflicht, in ein verantwortungsvolles Aus- und Fortbildungswesen der Insel zu investieren. Die Initialzündung für sein Mammut-Projekt kam dem 41-jährigen, als er den Raubbau auf der Erde aus der Perspektive des Weltraums sah: Shuttleworth war der zweite Mensch, der als Tourist ins All flog. Er ging als „Afronaut“ in die Geschichte ein. Bei einem Urlaubsaufenthalt kurz danach in Príncipe verliebte er sich in das paradiesische Eiland vor der Küste Afrikas und beschloss, sich dort für eine konsequent umweltverträgliche Entwicklung zu engagieren.

In dem fast unberührten Natur-Eldorado Príncipe

sind freundlich grüßende Menschen mein erster Eindruck. Handys und Fast Food hat hier kaum jemand in der Hand – angesagt sind tropische Früchte frisch vom Baum. Entlang von dichtem Regenwald fahren wir auf einer Piste zum Bom Bom Island Resort. Dessen 20 Bungalows sind nach ökologischen Maßstäben im Stil komfortabler Rundhütten gebaut. Sie liegen weit verstreut auf einer Landzunge und werden von weitläufigen Sandstränden mit majestätisch hohen Palmen gesäumt. Spä-


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Da kommt der Spaß zum Spiel: Die Kinder von der Kakao-Plantage Roça Sundy auf der Insel Príncipe erfinden ihr Spielzeug selbst.

ter beim Schnorcheln überraschen mich bunte Zebrafische. Zum exquisiten Restaurant auf dem winzigen Eiland Bom Bom gelangt man über einen langen Holzsteg, der über das flache Wasser führt. Um die geschützten Meeresschildkröten nicht beim Brüten zu stören, wird nachts im Resort auf dezente Minimalbeleuchtung umgestellt. Dann kann man perfekt den tropischen Sternenhimmel genießen, der sich hier über dem Äquator besonders prachtvoll in Szene setzt. Nur ein paar Meter von meinem Bungalow entfernt, gestaltet im MimikryLook der umgebenden Naturfarben, entdecke ich am nächsten Tag uralte Schienen. Die führen direkt in die Badebucht: „Dort wurden einst Kakao und Kaffee von den Plantagen herangekarrt und nach Europa verschifft“, klärt mich unser Guide João auf. Er wurde vor 60 Jahren auf der Roça Sundy geboren und erinnert sich gut an die Zeiten, als dort noch eine Dampfsäge über all den aromatisch duftenden Kakaobohnen ratterte. Vielleicht kann er sich ja bald wieder an diesem Duft erfreuen? TEXT UND FOTOS: GABRIELA GREESS

SÃO TOMÉ UND PRÍNCIPE – TIPPS UND INFORMATIONEN ANREISE Mit TAP Portugal (www.flytap.com) über Lissabon nach São Tomé (6 Std.) und mit der lokalen STP Airways weiter zur Schwesterninsel Príncipe (1/2 Std.). GEHEIMTIPP Die Kakaoplantage Roça Sundy auf der Insel Príncipe besitzt noch ein Plantagenhaus aus der Kolonialzeit, in dem einst die portugiesische Königsfamilie wohnte. Während einer totalen Sonnenfinsternis im Jahr 1919 gelang hier zudem Sir Arthur Eddington die Bestätigung der Relativitätstheorie von Einstein. GESUNDHEIT Geringe Malariagefahr, wegen Gelbfieberimpfung aktuelle Infos über die Botschaft des Landes oder das Auswärtige Amt (www.auswaertiges-amt.de) erfragen. Standardmäßig werden Reise-Impfungen gegen Hepatitis A und Typhus empfohlen. INFORMATIONEN Travel and Tourism Information, www.saotome islands.com; außerdem www.saotome.st und www.sao-tome.com/ deutsch sowie Pura communications München, Tel. 0 89-15 79 13 13, www.puracomm.eu KLIMA Es herrscht ganzjährig tropisch-feuchtheißes Klima. Zwischen Juni und August ist es weniger heiß (25 Grad); die höchsten Temperaturen (29 Grad) werden in den Monaten Dezember und April erreicht.

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KULINARISCHES Afrikanisch-europäische FusionKüche vom Feinsten gibt es im eleganten Terrassen-Restaurant des Omali Lodge Boutique Hotel (www.omali lodge.com) in São Tomé mit Ljubomir Stanisic, dem „Enfant terrible“ unter Portugals Spitzenköchen. Unvergessen bleibt ein Besuch der stimmungsvollen Roça São João dos Angolares (www.rocasaojoa.com), einem ökologischen Projekt von TV-Starkoch João Carlos Silva an der Ostküste von São Tomé. UNTERKUNFT Omali Lodge Boutique Hotel in São Tomé, www.omalilodge.com, Doppelzimmer ab 190 Euro; Bom Bom Island Resort auf Príncipe, www.bombomprin cipe.com, Doppelzimmer mit Halbpension ab 255 Euro VERANSTALTER Der West- und Zentralafrika-Experte Ivory Tours aus Nürnberg bietet individuelle Luxusreisen für Taucher, Wanderer, Kulturinteressierte oder Strandurlauber, Tel. 09 11-3 93 85 20, www.ivory-tours.de VISUM Das Visum bekommt man über die Botschaft der Demokratischen Republik von São Tomé und Príncipe in Brüssel, Tel. 00 32-2-7 34 89 66. Wer es elektronisch beantragen will, über das Internet: www.smf.st/virtualvisa WÄHRUNG 24.500 Dobra entsprechen einem Euro. In größeren Hotels werden Euro, US-Dollar, Master- und Visacard akzeptiert.


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Foto: imago

REISE MALLORCA Ruhig und beschaulich:

LEIPZIG Die Sachsenmetropole

Artà an der Nordostküste – Seite R 3

vom Wasser aus erlebt – Seite R 4

SONNTAG, 3. AUGUST 2014 / NR. 22 123

WWW.TAGESSPIEGEL.DE/REISE

SEITE R 1

Inseln der Illusionen São Tomé und Príncipe vor Afrikas Westküste trumpfen auf mit Natur – und warten darauf, neu entdeckt zu werden Von Beate Schümann

ATLANTIK Golf von Guinea

PRÍNCIPE Santo Antonio

Ilha Caroco

20 km

Tinhosa Pequena Tinhosa Grande

AFRIKA KAMERUN

SÃO TOMÉ Neves

GABUN

São Tomé

ATLANTIK Pico São Tomé 2024 m

Porto Alegre

Ilha das Rolas

ANGOLA

Äquator Tsp / Pieper-Meyer

Beach Boys and Girls, die sich offenbar freuen, dass sie die Strände von São Tomé und Príncipe heute und wohl auch künftig nicht mit den Ballermännern dieser Welt teilen müssen.

diesen Eindruck. Es herrscht eine merkwürdige, oder vielleicht besser gesagt: bemerkenswerte Ruhe. Nur wenige Straßen sind angelegt, recht ansehnliche Häuser aus der Kolonialzeit, ein roséfarbener Gouverneurspalast, einige Kirchen (80 Prozent der ganz überwiegend afrikanischen Bevölkerung sind Katholiken), eine Radiostation, eine Post, zwei Banken, ein Markt und drei nette Restaurants, wie das „Rosa Pão“. In Nullkommanichts hat der Gast den Überblick. Die ausgesprochen schläfrige Hauptstadt São Tomé auf der Schwesterinsel ist im Vergleich dazu regelrecht eine quirlige Metropole. Nun, sie hat ja auch etwa 50 000 Einwohner. Mit Beginn der portugiesischen Kolonisation gegen Ende des 15. Jahrhunderts dienten die bis dahin unbewohnten Inseln als wichtiger Umschlagplatz für den Sklavenhandel zwischen Afrika und Brasilien. Und schon bevor die Inseln 1572 der portugiesischen Krone unterstellt wurden, siedelte Lissabon von der Inquisition ausgewiesene portugiesische Juden und Strafgefangene hierher um. Die Plantagenwirtschaft florierte. Wiedamals üblich in Kolonialreichenvor allem dank Sklaven und anderer Zwangsarbeiter. Zunächst setzten die „Herren“ auf Zuckerrohr, Anfang des 19. Jahrhunderts wurde auf Kaffee umgestellt und 100 Jahre später zählten São Tomé und Príncipe sogar zu den drei größten Kakaoproduzenten der Welt. Der damals angeblich weltbeste Kakao kam von hier. Eine Musterkolonie also. Die Sklaverei wurde 1869 abgeschafft, doch andere Formen der Zwangsarbeit blieben bis ins 20. Jahrhundert hinein bestehen. Das Land wurde 1975 in die Unabhängigkeit entlassen, die Plantagenwirtschaft kam zum Erliegen. Auf Príncipe ist vor allem die Natur das größte Kapital bei dem Versuch, endlich auch im Tourismus Fuß zu fassen. Der Regenwald, der die Südhälfte überwuchert, ist wegen der ungewöhnlich großen Zahl an endemischen Pflanzen und Vogelarten soeben erst unter Unesco-Schutz gestellt worden. Ein Himmelreich für Wanderer, Botaniker, Vogelbeobachter. Vereinzelte touristische Anläufe gab es deshalb bereits, so richtig auf der touristischen Landkarte etablieren konnten sich die Inseln jedoch bisher nicht. Das Bom Bom Island-Resort ist nur ein Beispiel. Es liegt auf einer schmalen Landzunge an der Nordspitze von Príncipe. Strand auf beiden Seiten. Außer Papageiengekrächze und Palmenrascheln ist hier nur fünf Mal pro Woche ein Propellerflugzeug zu hören. Um Affenbrotbäume, blühende Hibisken und den Pool in der Mitte gruppieren sich

TIPPS FÜR SÃO TOMÉ UND PRÍNCIPE

Foto: George Osodi, picture alliance

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Leben auf dem Vulkan ALLGEMEIN Das Land ist 1001 Quadratkilometer groß. Rund 90 Prozent sind bewaldet, 10 Prozent werden zum Anbau von Kakao, Ölpalmen, Bananen, Kaffee und Kokosnüssen genutzt. Die Inseln sind Teil einer Vulkankette, daher sehr gebirgig. Gesprochen werden Portugiesisch (Amtssprache) und Crioulo (Kreol).

An der Tagesordnung. Gelassenheit unter kolonialen Bögen Foto: George Osodi, pa[/FOTO_HINW]

die 19 Bungalows, die durchaus ansprechenden Komfort bieten. Das türkisfarbene Meer und der „Schnorchelfelsen“, bei dem man unweigerlich auf Muscheln, Schildkröten, Zebra- und Papageienfische stößt, liegen quasi vor der eigenen Terrasse. Spuren im Sand können nur von den eigenen Füßen stammen. Oder vom allgegenwärtigen Personal. Ein kleines Vulkanriff, lediglich über einen langen Holzsteg zu erreichen, wo Gäste essen odereinen Drinknehmen können, hat auch bei Mark Shuttleworth romantische Gefühle geweckt. Die Bevölkerung nennt ihn den „Mann vom Mond“, weil der Südafrikaner 2002 als zweiter Weltraumtourist mit einem 20-Millionen-Dollar-Ticket zu den Sternen flog. Zurück auf dem Blauen Planeten fand der IT-Millionär den Himmel auf Erden: Príncipe. Er beschloss, dieses irdische „Paradies“ zu retten, wobei philanthropische Wallungen nicht die alleinigen Triebfedern sein dürften. Immerhin lässt sich Shuttleworth die Investition nun weit mehr kosten, als seine Spritztour ins All. Für sein durchaus ambitioniertes Projekt hat er das Unternehmen HBD (Here be Dragons) gegründet. „Hier wohnen Drachen“, schrieben britische Seeleute früher angesichts unentdeckten Landes in ihre Seekarten. Príncipe ist so ein Drachenland, auf dem man

ANREISE Die TAP fliegt ab BerlinSchönefeld über Lissabon dreimal pro Woche nach São Tomé. Preis ab 900 Euro. Telefon: 018 06 / 00 03 41 (20 Cent pro Anruf), Internet: flytap.com. Flug von São Tomé nach Príncipe: sechsmal pro Woche, Inter-

10 bis 12 Uhr) beim Honorarkonsulat Bremen, Telefon: 04 21 / 173 61 90

Foto: Beate Schümann

Im Schneckentempo wankt der Geländewagen über die ausgewaschene Lehmpiste. Vorbei an anscheinend geräumigen Stelzenhütten, abwechselnd muschelweiß, bonbonrosa oder patinagrün gestrichen. Sie sind einfach, ganz offensichtlich. Doch Elend sieht anders aus. Und die tropische Vegetation entlang des Wegs explodiert geradezu. Mango-, Papaya-, Maracuja-, Guaven- und Jackfruchtbäume allüberall, dazu grandios wuchernde Bananenstauden, und Schlingpflanzen, die irgendwie alles umwickeln. Hinter den Gartenzäunen gedeihen üppig Blumen und Gemüse. An den Türen kleben Plaketten der AntiMalaria-Kampagne, danke derer die Tropenkrankheit zurückgedrängt werden konnte. Nur Autos sind nicht bis selten zu sehen; kein Wunder, auf der Insel gibt es nur 30 Kraftwagen, wie unser Fahrer sagt. Die Insulaner gehen in der Regel zu Fuß. Und das stets hübsch langsam. Leve-leve, immer mit der Ruhe. Auf Príncipe, draußen im Atlantik vor der Küste Afrikas, balancieren Frauen nahezu alles, was es zu tragen gilt, auf dem Kopf: Wasserkanister, Geschirr, Fische, die im Fluss gewaschene Wäsche – und bei Regen schützende Bananenblätter. Ein Feldarbeiter bleibt stehen, versteckt vor den Fremden die scharfe Machete hinterm Rücken, und grüßt. Eine Frage des guten Stils eben. Es gibt tatsächlich Fleckchen auf unserer Erde, von denen die Welt noch kaum etwas weiß. Sie sind einfach zu winzig. Oder sind irgendwie aus der Zeit gefallen. Wer mit dem Finger auf der Landkarte am Äquator entlang fährt, muss vor der Küste Westafrikas Halt machen. Dann findet er in der Bucht von Guinea so ein Minifleckchen – die InselreBuchten, publik São Tomé gerahmt vom und Príncipe. Übrigens das zweitGrün des kleinste Land AfriRegenwaldes kas nach den Seychellen. und Príncipe ist noch goldgelben siebenmal kleiner als São Tomé, die anStränden dere Hauptinsel des Archipels. Wer sich ihr etwa schön langsam in einer Propellermaschine nähert, sieht den schwarzgrünen Landflecken im Atlantik sehr genau: 128 Quadratkilometer groß, mit einem Kleingebirge aus erloschenen Vulkanen und tropischem Regenwald bis an die Küste. Je dichter, desto weniger Mensch. Lediglich 5000 Einwohner zählt das Eiland. Graziös geschwungene Buchten geben dem undurchdringlich scheinenden Grün einen hübschenRahmen aus goldgelben Stränden. An der Flussmündung des Rio Papagaio sind die Häuser der etwa 1500 Einwohner zählenden Inselkapitale Santo António zu sehen. Es ist, als wäre die Zeit stehengeblieben. Auf ganz Príncipe ist das so, selbst in Santo António gewinnt der Besucher

Bom Bom Island-Resort net: africas-connection. com, Preis: etwa 100 Euro EINREISE Visumsantrag anzufordern bei der santomeischen Botschaft in Brüssel. Telefon: 00 32 / 27 / 34 89 66, E-Mail: ambassade@saoto meeprincipe.be; 30 Euro; Auskunft (mittwochs von

garantiert bei Null anfangen kann. Unternehmungen anderer Investoren zuvor waren von jeweils kurzer Dauer, lokal begrenzt und ohne gestalterisches Konzept. Shuttleworth dagegen hat eine Vision: Tourismus als Entwicklungsmodell im Einklang mit der Natur, der Artenvielfalt und der Bevölkerung. HBD hat bereits die Hälfte der Nordinsel gekauft oder gepachtet, darunter das Bom Bom Island-Resort, verlassene Strandhotels, ausgewählte „Traumstrände“ wie MaIn Einklang caco, Boi und Uba, mit der an denen Vier- und Fünf-Sterne-LuxusUmwelt soll herbergen entsteder neue hen sollen – umweltverträglich, Tourismus nachhaltig, rückbaugelingen – bar. So heißt es zumindest. Man darf heißt es gespannt sein, ob es gelingt. Auch zwei brachliegende Plantagen gehören zum Projekt, Roça Paciência und Roça Sundy. „Wir werden bis 2020 mehr als 70 Millionen Euro investieren“, sagt Nuno Rodrigues aus Lissabon, Direktor von HBD. Bis 2030 soll die Umwandlung Príncipes in ein „Juwel des ökologischen Tourismus“ abgeschlossen sein. „Cocoo-

GESUNDHEIT Eher geringes Malariarisiko; Gelbfieberimpfung: für EU-Bürger laut Auswärtigem Amt nicht mehr Pflicht ÜBERNACHTEN São Tomé: Omali Lodge (omalilodge.com); Doppelzimmer ab 185 Euro Príncipe: Bom Bom IslandResort (bombomprincipe. com); Doppelzimmer ab 250 Euro VERANSTALTER One World Reisen (reisen mitsinnen.de), 16 Tage ab 3690 Euro; Ivory Tours (ivory-tours.de); 16-tägige Reise São Tomé: 2870 Euro

ning“ (das Zurückziehen in den eigenen Lebensraum) ist sein Schlüsselwort: Zielgruppe sind Menschen, die ihr Glück in der Natur, der Stille und der Zurückgezogenheit suchen. „Pauschaltourismus im üblichen Sinne wollen wir nicht“, sagt Rodrigues. Auch für den Boss der Drachenfirma heißt das Motto Leve-leve, in seiner Interpretation: sanftes Vorgehen. Nur so könne man verändern, ohne zu zerstören. Auf den Plantagen sollen wie zu kolonialen Zeiten wieder Kakao, Kaffee, Vanille, Ingwer und Pfeffer wachsen. Mit selbst geschulten Mitarbeitern und eigenen Pflanzungen will er weitgehend autark werden. Der autonomen Regierung von Príncipe gegenüber hat HBD ein Jobversprechen abgegeben: 90 Prozent der Mitarbeiter sollen Einheimische sein. Die Roça Sundy ist die einzige Plantage, die einigermaßen erhalten ist. Bis 2019 soll hier ein Boutiquehotel, ein botanischer Garten, ein Museum und eine Sterne-Observatorium entstehen. Noch immer wirkt die Anlage wie eine Kleinstadt mit Herrenhaus, langen Wohntrakten für mehr als 1000 Arbeiter, Krankenhaus, Kirche und einer Lorenbahn zum Hafen in Santo António. Senhor João, der Fahrer vom Bom Bom Island-Resort, ist auf Sundy aufgewachsen. Die Kolonialzeit hat der 60-Jährige

Alles Kopfsache. Traditionell wird der Fisch Foto: pa in São Tomé zu Markte getragen.

als Kind erlebt, auch noch viel Unfreiheit, worüber er allerdings nicht gern spricht. Die herrschaftliche Residenz durfte er seinerzeit nur betreten, um die Messingknöpfe an den Esszimmerstühlen zu polieren. Eine Kooperative ist von damals übriggeblieben, knapp 100 Familien. Alle leben von der Landarbeit, vom Fischfang – und von der Hoffnung auf einen neuen Anfang. Unterhalb der Roça Sundy liegt der hübsche Strand, an dem ein Luxushotel gebaut werden soll. Das Fischerdorf wird in diesem Jahr umgesiedelt, die Bewohner werden entschädigt. Offenbar muss auch eine Drachenfirma ans Geschäft denken… Ein Anfang ist gemacht. Die Landepiste des kleinen Flugplatzes wird verlängert, so dass bald größere Maschinen landen können. Das Bom Bom Island-Resort ist bereits schick auf VierSterne-Niveau poliert. Noch sind die Liegestühle leer, die Poolbar ist nicht geöffnet. Eine Riege von Gärtnern trimmt den Rasen, fegt unentwegt die Blätter. An der Rezeption werden Touren in den Regenwald, zu Vogel- und Walbeobachtungen oder den HBD-eigenen Schildkrötenprojekten angepriesen. Rund 500 Gäste kamen in 2012. Es werden mehr, davon ist Rodrigues überzeugt. Leve, leve ...


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Neues Deutschland June 2014

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u neues deutschland Sonnabend/Sonntag, 28./29. Juni 2014

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Gut versteckt – die Bungalows vom Bom Bom Island Resort Foto: Beate Schümann

Leve-leve – immer mit der Ruhe Der »Mann vom Mond« fand sein irdisches Paradies in Príncipe. Von Beate Schümann

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s gibt Landstriche, von denen die Welt wenig weiß. Weil sie einfach zu winzig sind. Oder weil sie aus der Zeit gefallen sind. Fährt man mit dem Finger auf der Landkarte am Äquator entlang, muss man kurz vor der Küste Westafrikas Halt machen. Dann findet man in der Bucht von Guinea so einen – die Inselrepublik São Tomé und Príncipe. Príncipe ist noch siebenmal kleiner als die Hauptinsel São Tomé. Wenn die Propellermaschine sich ihr nähert, sieht man den schwarzgrünen Landflecken mitten im Atlantik, 128 Quadratkilometer groß, mit einem Kleingebirge aus erloschenen Vulkanen und tropischem Regenwald bis an die Küste. Je dichter, desto weniger Menschen: nur 5000 Einwohner zählt das Eiland. Graziös geschwungene Buchten rahmen das Grün, dazu goldgelbe Strände, an der Flussmündung des Rio Papagaio die wohl fünfhundert Häuser der Inselkapitale Santo António. Leve-leve heißt hier das Motto, immer mit der Ruhe. Im Schritttempo wankt auch der Geländewagen über die ausgewaschene Lehmpiste, vorbei an geräumigen Stelzenhütten in Muschelweiß, Bonbonrosa oder Patinagrün. Sie sind einfach, doch Elend sieht anders aus. Tropische Fruchtbarkeit explodiert vor und hinter den Gartenzäunen. Mango-, Papaya-, Maracuja-, Guaven- und Jackfruchtbäume schießen aus dem Boden, Bananenstauden wuchern, Schlingpflanzen wickeln sich um alles. An den Türen kleben Plaketten der Anti-Malaria-Kampagne, mit der man die Tropenkrankheit zurückgedrängt

hat. Autos sind nicht zu sehen; es gibt auf der Insel bloß 30 davon. Die Insulaner gehen zu Fuß, immer schön langsam, leve-leve. Auf dem Kopf balancieren sie Wasserkanister, Geschirr, Fische, die im Fluss gewaschene Wäsche und bei Regen Bananenblätter. Ein Feldarbeiter bleibt stehen, versteckt vor den Fremden die scharfe Machete hinterm Rücken und grüßt – eine Frage des Stils. Nur eine Handvoll Straßen, ansehnliche Häuser aus der Kolonialzeit, ein roséfarbener Gouverneurspalast, Kirchen, eine Radiostation, eine Post, zwei Banken, ein Markt und drei nette Restaurants, wie das Rosa Pão – das ist Santo António, der Hauptort von Príncipe. Als wäre die Zeit stehengeblieben. Die schläfrige Hauptstadt São Tomé auf der Schwesterinsel erscheint dagegen wie eine quirlige Metropole. Bis 1975 war die heutige Republik eine portugiesische Kolonie. Die Plantagenwirtschaft florierte. São Tomé und Príncipe zählten zu den drei größten Kakaoproduzenten der Welt. Weltbester Kakao und Kaffee kamen von hier, eine Musterkolonie. Die Sklaverei war lange abgeschafft. Doch Formen der Zwangsarbeit blieben bis ins 20. Jahrhundert hinein bestehen. Als die weißen Herren nach der Unabhängigkeit das Land verließen, verfielen die Plantagen. Auf Príncipe sind die Natur, die Menschen und ihre ständige Bereitschaft zu Lächeln die Attraktion. Der Regenwald, der die Südhälfte überwuchert, ist wegen der ungewöhnlich großen Zahl an endemischen

Pflanzen und Vogelarten gerade unter UNESCO-Schutz gestellt worden. Ein Himmelreich für Wanderer, Botaniker, Vogelbeobachter. Vereinzelte touristische Anläufe gab es deshalb bereits. Wie das Bom Bom Island Resort. Es liegt auf einer schmalen Landzunge an der Nordspitze, Strand auf beiden Seiten. Außer Papageiengekrächze und Palmenrascheln ist hier nur das fünfmal pro Woche verkehrende Propellerflugzeug zu hören. An der Rezeption kann man von Regenwald-Wanderungen über Birdund Whale-Watching bis zum Hochseeangeln fast alles buchen. Um Affenbrotbäume, blühende Hibisken und einen Pool in der Mitte gruppieren sich die neunzehn Bungalows. Das türkise Meer und der Schnorchelfelsen, bei dem man Muscheln, Schildkröten, Zebra- und Papageienfische findet, liegen vor der eigenen Terrasse. Die Spuren im Sand sind von den eigenen Füßen. Auf dem langen Holzsteg übers Wasser erreicht man das kleine Vulkanriff mit Restaurant und Bar. Abends beim Candlelight-Dinner blickt man in die Sterne. Lauscht den Wellen und fühlt, dass das Paradies doch von dieser Welt sein muss. Dies ist der Platz, der auch Mark Shuttleworth romantisch machte. Die Bevölkerung nennt den Südafrikaner »Mann vom Mond«, weil er 2002 als zweiter Weltraumtourist mit einem 15-Millionen-Euro-Ticket ins All flog. Zurück auf dem Blauen Planeten fand der IT-Millionär den Himmel auf Erden: Príncipe. Und er

beschloss, das Paradies zu retten. Das lässt er sich nun weit mehr kosten, als die Spritztour zu den Sternen. Er hat dafür das Unternehmen HBD gegründet – Here be Dragons. »Hier wohnen Drachen« schrieben englische Seeleute früher auf unentdecktes Land in ihre Seekarten. Príncipe ist so ein Drachenland, wo man garantiert bei Null anfangen kann. Alle Versuche vorher waren kurz, lokal begrenzt und ohne gestalterisches Konzept. Shuttleworth dagegen hat eine Vision: Tourismus als Entwicklungsmodell im Einklang mit der Natur, der Artenvielfalt und der Bevölkerung. HBD hat bereits die Hälfte der Nordinsel gekauft oder gepachtet, darunter das Bom Bom Island Resort, verlassene Beach-Hotels, ausgewählte Traumstrände wie Macaco, Boi und Uba, an denen Vier- und Fünf-Sterne-Luxusherbergen entstehen sollen – umweltverträglich und rückbaubar. Auch zwei brachliegende Plantagen gehören dazu, Roça Paciência und Roça Sundy. »Wir werden bis 2020 mehr als 70 Millionen Euro investieren«, sagt Nuno Rodrigues, Direktor von HBD aus Lissabon. Bis 2030 soll die Umwandlung Príncipes in ein »Juwel des ökologischen Tourismus« abgeschlossen sein. Seine Zielgruppe sind Menschen, die ihr Glück in der Natur, der Stille und der Zurückgezogenheit suchen. »Pauschaltourismus wollen wir nicht«, sagt Rodrigues. Auch der Boss der Drachenfirma ist für leve-leve, für sanftes Vorgehen. Nur so könne man verändern,

ohne zu zerstören. Auf den Plantagen sollen wie in vergangenen Zeiten wieder Kakao, Kaffee, Vanille, Ingwer und Pfeffer wachsen. Mit selbst geschulten Mitarbeitern und eigenen Pflanzungen will er autark werden. Der autonomen Regierung von Príncipe hat das Unternehmen HBD eine Job-Garantie gegeben: 90 Prozent der Mitarbeiter sollen Einheimische sein. Die Roça Sundy ist die einzige Plantage, die einigermaßen erhalten ist. Bis 2019 werden hier ein Boutiquehotel, ein Botanischer Garten, ein Museum und eine Sternwarte entstehen. Noch immer wirkt die Anlage wie eine Kleinstadt mit Herrenhaus, Wohntrakten für mehr als 1000 Arbeiter, Krankenhaus, Kirche und einer Lorenbahn zum Hafen in Santo António. Eine Kooperative ist von damals übriggeblieben, knapp hundert Familien. Alle leben von der Landarbeit, vom Fischfang – und von der Hoffnung auf einen neuen Anfang. Unterhalb der Plantage liegt der hübsche Sundy-Strand, an dem ein Luxushotel gebaut werden soll. Das Fischerdorf wird in diesem Jahr umgesiedelt, die Bewohner werden entschädigt. Auch eine Drachenfirma denkt ans Geschäft. Der Anfang ist gemacht. Die Piste des kleinen Flugplatzes wird verlängert, damit bald größere Maschinen landen können. Das Bom Bom Island Resort ist schick renoviert, auch wenn es wie ausgestorben wirkt. Nur rund 500 Gäste kamen 2012. Doch es sollen mehr werden, leve-leve.

Infos Honorarkonsulat São Tomé, Marcusallee 9, 28359 Bremen, Tel. (0421) 173 61 90. Anreise: Die TAP fliegt ab Berlin über Lissabon dreimal pro Woche nach São Tomé. Preis ab 900 Euro. Info-Tel.: (01806) 00 03 41, www.flytap.com Flug von São Tomé nach Príncipe: 5x pro Woche, www.africas-connection.com, www.stpairways.st. Preis ab ca. 100 Euro. Visum: Zu beantragen bei der Botschaft der Republik São Tomé e Príncipe, Av. De Tervuren, 175, B, B-1150 Brussels, Tel.: (+3227) 34 89 66, E-Mail: ambassade@saotomeeprincipe.be, www.smf.st., Preis 20 Euro. Gesundheit: geringe Malariagefahr, Geldfieberimpfung ist Pflicht. Beste Reisezeit: in der Trockenzeit von Juni bis September

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Welt August 2014

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03.08.14 3. AUGUST 2014 WSBE-VP2 BELICHTERFREIGABE: -- ZEIT::: BELICHTER: FARBE:

70 REISEN

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3 . AU G U S T 2 014

Nur keine Hektik: Die beiden Einheimischen belegen die These, dass die Langsamkeit auf Príncipe nicht erst entdeckt werden muss

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Das Mückennetz lässt sich mit einem Handgriff beiseiteschieben. Badehose und Taucherbrille liegen in Reichweite. Sobald sich die Tür öffnet, strömt feuchtwarme Luft herein. Licht schießt durch Palmblätter, die Sonne, was sonst. Die vier Stufen hinunter nimmt man wie in Trance, dann zehn Meter bis zum Ozean. Die schwere Hand des Schlafs noch auf der Schulter, taucht man ein in das salzige Wasser wie in eine andere Welt. Oder ist das alles doch nur ein Traum? VON RAINER MARX

Spätestens wenn man eine Stunde später zwischen den Hütten des „Bom Bom“-Resorts entlanggeht, auf der hundert Meter langen Holzbrücke das Wasser überquert, um auf dem kleinen, der Insel vorgelagerten Flecken Erde sein Frühstück einzunehmen, hat man begriffen: Dieser Ort ist ein Traum, ganz sicher. Einsam liegt Príncipe im Golf von Guinea, ein Sandkorn etwa 200 Kilometer vor der Küste Westafrikas. Zusammen mit dem größeren São Tomé bildet dieses Eiland den zweitkleinsten Inselstaat der Welt, und zwar genau am Schnittpunkt von Äquator und Nullmeridian. Hier erfüllt sich das europäische Klischee vom afrikanischen Kontinent als Refugium des Ursprünglichen, wo Menschen sich geschmeidig durch den Alltag bewegen, immer ein Auge und ein Ohr füreinander haben, getragen von der Gewissheit, Teil eines Ganzen zu sein. Wer hier nicht zur Ruhe kommt, lasse alle Hoffnung fahren.

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F1 ONLINE

Immer locker bleiben

Auf der Insel Príncipe erfüllt sich das europäische Klischee vom afrikanischen Kontinent als Refugium des Ursprünglichen, wo Menschen sich geschmeidig durch den Alltag bewegen. Das reizt nun auch einen afrikanischen Milliardär, der hier auf sanften Tourismus setzt

Ein Spaziergang durch die Hauptstadt Santo António ist wie ein Gang durch die Kolonialzeit. Wenig scheint hier geschehen, seit die Portugiesen das Land vor 40 Jahren verlassen haben. In den Bürgersteigen klaffen Löcher, Farbe blättert ab, Gebäude verfallen. Der Weg entlang des breiten Flusses ist vom Regen unterspült und an mehreren Stellen eingebrochen. Regelrechte Erdlöcher tun sich hier auf. Um viele der Straßen ist es nicht besser bestellt, sie weisen nur noch die Reste einer Asphaltdecke auf. Überall ist sie angedeutet, die Pracht von damals. Und immer noch ist Príncipe eine Schönheit. Die Stadt besitzt den morbiden Charme des Vergänglichen. Alles scheint hier auf irgendetwas zu warten, nur dass niemand weiß, worauf. Oft fällt es schwer zu unterscheiden, ob eine Mauer gerade aufgebaut oder eingerissen wird. Aber dann plötzlich ist da eine Hecke, die so akkurat geschnitten ist, dass es jedem deutschen Kleingärtner den Atem verschlagen würde. 1200 Menschen leben heute in Príncipes Hauptstadt, wo sich das Leben auf der Straße abspielt. Häuser und Hütten stehen dicht am Straßenstrand, Menschen sitzen davor, oft haben sie es sich am Rand der Fahrbahn bequem gemacht, ihre Wäsche zum Trocknen auf dem Boden ausgebreitet. Es wird Palmwein verkauft, Früchte werden angeboten. Und: Kinder, überall Kinder. Etwa die Hälfte der Bevölkerung ist jünger als 15 Jahre. International bekannt wurde die Insel durch zwei Ereignisse, wie sie unterschiedlicher nicht sein könnten: Zum einen konnte Sir Arthur Eddington dort 1919 anlässlich einer totalen Sonnenfinsternis Albert Einsteins Relativitätstheorie belegen. Zum anderen wurde in den 90erJahren am Banana Beach, dem schönsten Strand von Príncipe, ein Werbespot für weißen Rum gedreht. Was für Europäer heute so paradiesisch klingt, war einmal die Vorhölle. Nachdem die Portugiesen das Land 1470 in Besitz genommen hatten, angeblich waren beide Inseln unbewohnt, betrieben sie dort riesige Kaffee-, später vor allem Kakaoplantagen. Selbst für die Kolonialherren galten die Inseln als Orte der Ver-

bannung und standen in dem Ruf, aufgrund der Malaria ein „Friedhof für Europäer“ zu sein. Die zur Bewirtschaftung nötigen Arbeiter wurden vornehmlich aus Angola eingeschifft. Im 15. und 16. Jahrhundert war São Tomé ein großer Außenposten im transatlantischen Sklavenhandel. Selbst nach der offiziellen Abschaffung 1875 wurde die Sklaverei auf den Inseln noch bis ins 20. Jahrhundert hinein betrieben. Zu dieser Zeit galt São Tomé und Príncipe als einer der größten Kakaoproduzenten der Welt, auf dessen Plantagen die Sklaven unter unvorstellbaren Bedingungen zur Arbeit angehalten wurden. Kakao ist heute noch die Haupteinnahmequelle und bringt dem Staat einige Millionen im Jahr. Vor allem auf Príncipe findet man große Kakao-Anpflanzungen. Ob man anders in ein Stück Schokolade beißt, wenn man die Geschichte des Kakaos kennt? Nach der Unabhängigkeit 1975 kam der Wandel. Hatte sich das Leben bis dahin nahezu komplett auf den Plantagen im Landesinneren, den sogenannten Roças, abgespielt, strebten die Menschen jetzt an die Küsten und fuhren mit Booten aufs Meer hinaus, um zu fischen. Aber wie beutet man den Ozean aus, wenn das Interesse jahrzehntelang nur dem Land gegolten hat und es keinerlei Tradition des Fischfangs gibt? Das ist nur eines der Probleme, mit denen das Inselreich zu kämpfen hat. Das Land wieder aufzubauen, wird Jahre dauern, aber Zeit gibt es auf Príncipe im Überfluss. Leve-leve nennen die Einheimischen ihren Lebensstil, was so viel heißt wie „immer locker bleiben“. Klingt sympathisch, bedeutet für das Land aber oft nur Stillstand. Doch wer hier einen Wandel herbeiführen will, muss schnell arbeiten, bevor sich die Natur ihr Territorium zurückerobert hat. Ein Stock, heute in den Boden gesteckt, hat morgen Wurzeln geschlagen. In zwei Jahren ist er ein Baum. Mark Shuttleworth will diesen Wandel anstoßen. Der 41-jährige Milliardär aus Südafrika ist ein Unternehmer der Internet-Ära, der sein Geld mit digitalen Zertifikaten verdient hat. Im Jahr 2000 gründete er den Konzern HBD Venture Capital, die Abkürzung steht für „Here

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Chef vom Dienst

Be Dragons“ und verweist auf eine Be- beitszeiten. „Das ist wichtig“, sagt Manuzeichnung auf alten Landkarten, die un- el, „weil die Regierung in den 35 Jahren bekanntes Terrain auswies. Neuland ist jeden Monat Geld für die Bewirtschafes, was Shuttleworth interessiert. 2002 tung der Roças gegeben hat, obschon erfüllte er sich einen lang gehegten nichts passiert ist – und die Menschen haben sich daran gewöhnt, Geld zu verTraum und flog als Passagier ins All. Und jetzt diese Insel, Príncipe. Eben- dienen, ohne dafür zu arbeiten.“ Demfalls ein Traum und bislang sein wohl am- entsprechend lax sei die Arbeitsmoral. bitioniertester. 100 Millionen Dollar will Nun gehe es darum, das Prinzip Verantsein Konzern in die Hand nehmen, um in wortung zu vermitteln, Verantwortung eine Insel mit 5000 Einwohnern zu in- vor allem sich selbst gegenüber. Dass alvestieren. Beruhigend zu wissen, dass der les nur sehr langsam voranschreite, liege Mann Ideale hat. Shuttleworths Projekt auch daran, dass man noch am Anfang eiist auf lange Sicht angelegt und einem nes Dialogs stehe, dass es dauere, bis eisanften Tourismus verpflichtet. Nicht ne Atmosphäre gegenseitigen Vertrauens mehr als hundert Unterkunftsmöglichkei- geschaffen ist. „Es wird ja nicht gesagt: ten soll es insgesamt auf der Insel geben, Bau eine Wand. Es wird erklärt, warum mit Gewinn wird nicht vor 2045 gerech- diese Wand dort und warum sie so und net. Die schönste und exklusivste Anlage ist bislang das Resort „Bom Bom“. Es regnet in Strömen, wie es nur in TIPPS UND den Tropen regnen kann. Das Tor zur Roça Paciência steht offen, die Anlage INFORMATIONEN wirkt verlassen und ist in einem bedauANREISE Zum Beispiel mit TAP ernswerten Zustand. Doch genau hier ist Air Portugal (www.flytap.com) via der Ort, von dem aus der Wiederaufbau Lissabon nach São Tomé. Von der Insel seinen Anfang nimmt. Lissabon fliegt auch STP Airways Manuel Gomez arbeitet seit 2012 in nach São Tomé (www. diesem Projekt, das HBD stpairways.st). Zwiauf zehn Jahre angelegt Santo António hat. Ziel ist es, eine Reischen São Tomé und AFRIKA he von Arbeitern auszuPríncipe verkehren PRÍNCIPE bilden, die RestauriePropellermaschirungsarbeiten bewerknen. Atlantik KAMERUN stelligen und ihr WisGolf von PRÍNCIPE UNTERKUNFT sen weitergeben könÄQUATORIALGuinea GUINEA Die „Omali nen. Hier soll ihnen eiSÃO GABUN Lodge“ auf São ne Architektursprache SÃO TOMÉ TOMÉ 100 km Tomé liegt am vermittelt werden, die Strand und nur im Einklang steht mit São Tomé fünf Minuten vom den traditionellen Bau40 km Flughafen entfernt techniken und -materialien. und eignet sich als „Statt Zement“, sagt Manuel, Ausgangspunkt einer Rund„verwenden wir ein Gemisch aus reise, DZ/F ab 190 Euro, www.omaliLehm und Sand als Baustoff. Zement ist lodge.com. Das „Bom Bom Resort“ ein totes Material. Es atmet nicht.“ Auch ist die luxuriöseste Unterkunft auf um die Wände zu verputzen, wird auf ein Príncipe, Bungalow ab 330 Euro, altes Rezept zurückgegriffen, mit großen www.bombomprincipe.com Mengen zerstoßener Kokosnussschalen. Das Alte fördern, statt das Neue zu AUSKUNFT Informationen unter forcieren, nennt Manuel seine Strategie. www.saotomeislands.com Zehn Mitarbeiter hat er mittlerweile, alle Fischer oder Landarbeiter, alle mit einem Vertrag ausgestattet und festen Ar-

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Artdirector

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Textchef

nicht anders gebaut werden sollte.“ Wenn die Anlage einmal fertiggestellt sein wird, soll sie die umliegenden Roças mit Obst und Gemüse versorgen. Auch hier geht es darum, etwas zu verbessern, ohne die bestehende Kultur grundlegend zu verändern. Roça Sundy ist die größte Anlage der Insel. Sie gehörte einst der portugiesischen Königsfamilie und war eine regelrechte Stadt mit eigenem Krankenhaus und einem Schienennetz, das bis zur Küste herunterreichte und heute längst stillgelegt ist. Halb verfallene und teils von Pflanzen überwucherte Lokomotiven zeugen noch von der Zeit, als hier in großem Stil Waren umgeschlagen wurden. Alle umgebenden Niederlassungen waren an das Netz angeschlossen, die Waren wurden zentral in der Roça Sundy verwaltet, hier war der Sammelpunkt. Die Geschichte der Roça wird von Rita Alves erforscht, die Anthropologin ist von HBD extra zu diesem Zweck angeworben worden. Sie steht in ständigem Austausch mit den etwa 400 Menschen, die heute auf diesem Gelände leben, und versucht, ihnen das Handwerkszeug und die Fähigkeiten zu vermitteln, die nötig sind, um das fortzusetzen, was hier begonnen worden ist. Was jedoch aus den Menschen hier einmal werden wird, wenn die Roça ihren touristischen Betrieb aufnimmt, ist unklar. Die kleine Dorfgemeinschaft von etwa 14 Familien am Praia Sundy, dem dazugehörigen Strand, weiß dagegen wo die Reise hingeht. Die Menschen werden umgesiedelt. „Wenn wir umziehen, wird es besser für uns“, sagt einer der Fischer. „Wir bekommen Wasser, Strom und einen Motor für unser Boot, damit wir zum Fischen hierherfahren können.“ Auch ein Handy ist versprochen, alles geregelt und vertraglich festgehalten. Die vielleicht beste Zukunft, die der Inselstaat je hatte. Die Teilnahme an der Reise wurde unterstützt von „Bom Bom Resort“, „Omali Lodge“ und TAP. Unsere Standards der Transparenz und journalistischen Unabhängigkeit finden Sie unter www.axelspringer.de/unabhaengigkeit

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Chefredaktion

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REISEN

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TEXT • BEATE SCHÜMANN

dafrikanischer Milliardär realisiert auf dem nördlichen Eiland Inselstaats São Tomé und Príncipe gerade eine luxuriöse pielwiese für wenige Touristen. Im Prinzip eh eine gute Idee. TEXT • BEATE SCHÜMANN

FOTO • Corbis / Anthony Asael

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TIPPS IKEA

s gibt Universen auf unserer Erde, von denen die Welt wenig weiß. Weil sie einfach zu winzig sind. Oder weil sie aus der Zeit gefallen sind. Fährt man mit dem Finger auf der Landkarte am Äquator entlang, muss man kurz vor der Küste Westafrikas Halt machen. Dann findet man in der Bucht von Guinea so ein Universum – die Inselrepublik São Tomé und Príncipe. Príncipe ist noch siebenmal kleiner als die Hauptinsel São Tomé: 128 Quadratkilometer groß, mit einem Kleingebirge aus erloschenen Vulkanen und tropischem Regenwald bis an die Küste – je dichter, desto weniger Menschen: Nur 5000 Einwohner zählt das Eiland. Graziös geschwungene Buchten rahmen das Grün, dazu goldgelbe Strände, an der Flussmündung des Rio Papagaio die wohl fünfhundert Häuser der Inselkapitale Santo António. „Leve-leve“ heißt hier das Motto, immer mit der Ruhe. Im Schritttempo wankt der Geländewagen über die ausgewaschene Lehmpiste, vorbei an geräumigen Stelzenhütten in Muschelweiß, Bonbonrosa oder Patinagrün. Sie sind einfach, doch Elend sieht anders aus. Tropische Fruchtbarkeit explodiert vor und hinter den Gartenzäunen. Mango-, Pa-

Golf von Guinea

chern, Schlingpflanzen wickeln sich um al- felsen, bei dem man Muscheln, Schildkrö- anfangen kann. Alle Versuche vorher waren les. An den Türen der Hütten hängen Plaket- ten, Zebra- und Papageienfische findet, lie- kurz, lokal begrenzt und ohne gestalteriten der Anti-Malaria-Kampagne, mit der gen vor der eigenen Terrasse. Die Spuren im sches Konzept. Shuttleworth dagegen hat man die Tropenkrankheit zurückgedrängt Sand sind von den eigenen Füßen. Auf dem eine Vision: Tourismus als Entwicklungshat. Autos sind nicht zu sehen, es gibt auf der langen Holzsteg über das kleine Vulkanriff modell im Einklang mit der Natur, der ArInsel bloß 30 davon. Die Menschen gehen zu erreicht man Restaurant und Bar. Dies ist tenvielfalt und der Bevölkerung. Fuß, immer schön langsam, leve-leve. Auf der Platz, der auch Mark Shuttleworth rodem Kopf balancieren sie Wasserkanister, mantisch machte. 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Ein südafrikanischer Milliardär realisiert auf dem nördlichen Eiland des Inselstaats São Tomé und Príncipe gerade eine luxuriöse Öko-Spielwiese für wenige Touristen. Im Prinzip eh eine gute Idee.

die Natur, die Menschen und ihre ständige Bereitschaft zum Lächeln die Attraktion. Der Regenwald, der die Südhälfte überwuchert, ist wegen der ungewöhnlich großen Zahl an endemischen Pflanzen und Vogelarten gerade unter Unesco-Schutz gestellt worden. Ein Himmelreich für Wanderer, Botaniker, Vogelbeobachter. Vereinzelte touristische Anläufe gab es deshalb bereits. Wie das Bom Bom Island Resort. Es liegt auf einer schmalen Landzunge an der Nordspitze, Strand auf beiden Seiten. Außer Papageiengekrächze und Palmenrascheln ist hier nur das fünfmal pro Woche verkehrende Propellerflugzeug zu hören. An der Rezeption kann man von Regenwald-Wanderungen über Whale- oder Bird-Watching bis zum Hochseeangeln fast alles buchen. Um Affenbrotbäume und einen Pool in der Mitte gruppieren sich neunzehn Bungalows. Das türkise Meer und der Schnorchel-

felsen, bei dem man Muscheln, Schildkröten, Zebra- und Papageienfische findet, liegen vor der eigenen Terrasse. Die Spuren im Sand sind von den eigenen Füßen. Auf dem langen Holzsteg über das kleine Vulkanriff erreicht man Restaurant und Bar. Dies ist der Platz, der auch Mark Shuttleworth romantisch machte. Die Bevölkerung nennt den Südafrikaner nur den „Mann vom Mond“, weil er 2002 als zweiter Weltraumtourist mit einem 15-Millionen-Euro-Ticket ins All flog. Zurück auf dem Blauen Planeten fand der IT-Millionär den Himmel auf Erden: Príncipe. Und er beschloss, das Paradies zu retten. Das lässt er sich nun weit mehr kosten, als die Spritztour zu den Sternen. Er hat dafür das Unternehmen Here be Dragons (HBD) gegründet. „Hier wohnen Drachen“ schrieben englische Seeleute früher auf die unbekannten Regionen in ihren Seekarten. Príncipe ist so ein Drachenland, wo man garantiert bei null

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„Es ist Zeit zu lächeln“, steht auf einer Schule im Osten von São Tomé. Wer auf einen Sprung auf der Nachbarinsel Príncipe vorbeischaut, kann dort ein touristisches Öko-Projekt beim Wachsen beobachten.

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chern, Schlingpflanzen wickeln sich um alles. An den Türen der Hütten hängen Plaketten der Anti-Malaria-Kampagne, mit der man die Tropenkrankheit zurückgedrängt hat. Autos sind nicht zu sehen, es gibt auf der Insel bloß 30 davon. Die Menschen gehen zu Fuß, immer schön langsam, leve-leve. Auf dem Kopf balancieren sie Wasserkanister, Fische, die im Fluss gewaschene Wäsche und bei Regen Bananenblätter. Ein Feldarbeiter bleibt stehen, versteckt vor den Fremden die scharfe Machete hinterm Rücken und grüßt – eine Frage des Stils. Nur eine Handvoll Straßen, ansehnliche Häuser aus der Kolonialzeit, ein roséfarbener Gouverneurspalast, Kirchen, eine Radiostation, eine Post, zwei Banken, ein Markt und drei nette Restaurants wie das Rosa Pão – das ist Santo António, der Hauptort von Príncipe. Als wäre die Zeit stehengeblieben. Die schläfrige Hauptstadt São Tomé auf der Schwesterinsel erscheint dagegen wie eine quirlige Metropole. Bis 1975 war die heutige Republik eine portugiesische Kolonie. Die Plantagenwirtschaft florierte. São Tomé und Príncipe zählten zu den drei größten Kakaoproduzenten der Welt. Die Sklaverei war lange abgeschafft, doch Formen der Zwangsarbeit blieben bis ins 20. Jahrhundert bestehen. Als die weißen Herren das Land verließen, verfielen die Plantagen.

Für Schmuck gibt es viele Adressen. Eine davon sollten Sie kennen.

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“Community affected by the kindness syndrome“ Violaine Binet VOGUE PARIS

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| Quinta-feira 24 2 dedeMaio Maiol2013 2018

A segunda fase do projecto ‘Água para Todos’, orçada em 74 milhões e 230 mil dólares, prevê garantir o fornecimento de água potável a 62 localidades de Malanje e do Kuando-Kubango, informou o coordenador da iniciativa, Pedro Bezerra.

As inscrições para participar na 7.ª edição da Feira da Banana (FEIBA), que se realiza de 14 a 16 de Junho em Caxito, no Bengo, estão abertas até ao final de Maio, anunciou a organização do evento.

NOTÍCIAS DO VALOR ECONÓMICO TODAS AS SEGUNDAS-FEIRAS

DIPLOMA RECEBE APLAUSOS COM RESERVAS...

Lei da Concorrência lança dúvidas

O quarto de uma rede de hotéis são-tomenses

‘Sundy Praia’ apresentado em Luanda O grupo HBD, empresa sediada em São Tomé e Príncipe, apresentou, na semana passada, em Luanda, a ‘Sundy Praia’, um hotel cinco estrelas situado na Ilha de Príncipe. Inaugurada em finais do ano passado, a unidade está subdividida em 15 vilas, cada uma com categoria e metodologia diferentes, entre individuais, duplas e familiares, inspiradas nas cabanas dos pescadores que ocupavam o espaço onde foi erguido o hotel. Quarto projecto turístico e de alojamento da HBD, depois do resort ‘Bom Bom’ e dos hotéis ‘Omali’ e ‘Roça Sundy’, a ‘Sundy Praia’ é a mais luxuosa e inovadora iniciativa da empresa, oferecendo aos hóspedes vistas para o mar e para a floresta tropi-

cal. Baseando-se naquilo que denomina “ethos [carácter moral] de desenvolvimento sustentável”, o hotel disponibiliza, entre outros, óleos e cremes feitos em roças administradas pela comunidade onde está erguida a unidade, cujas vilas possuem, cada uma, um ‘closet’ individual e maxi bar, reabastecidos diariamente com frutas e sumos locais. A ‘Sundy Praia’ é o destino “recomendável” para quem gosta da natureza, pois o exotismo da paisagem, a possibilidade de se caminhar na floresta, fazer mergulhos e subir vulcões permitem “viajar no tempo”, de acordo com Paulo Andrade, responsável pelo marketing da HBD, que não tem dúvidas de que se trata de “uma realidade desligada do resto do mundo”.

“Acreditamos que Angola é um mercado com relação histórica com São Tomé e Príncipe. O cliente angolano é um cliente com um peso relevante na nossa ocupação, pelo que nos cabe dar a conhecer o destino, os hotéis e passar a mensagem de garantia nesse mercado.” Em Angola, para reservas num dos quatro hotéis são-tomenses, os interessados deverão fazê-lo através de agências de viagens que operam no país, enquanto a informação complementar sobre cada uma das unidades está disponível nos respectivos sites: omalilodge. com, bombomprincipe.com, sundyprincipe.com e hotelrocasundy.com.

O presidente da Associação Angolana dos Direitos do Consumidor (ADDIC) critica a lei “por não ter impacto nenhum”, enquanto prevalecer o actual quadro de dependência das importações. “Tudo isso não passa de muito relativo, porque quem vai sofrer com as práticas do comércio somos todos nós, os consumidores de um país que não produz quase nada para o consumo”, defende. Diógenes de Oliveira compara a nova lei da concorrência aos instrumentos que determinam as margens de lucro, mas que, “ao longo dos anos, se revelaram incapazes de impedir que os produtos chegassem ao consumidor final a preços elevadíssimos”. A Associação Industrial Angolana (AIA) contribuiu para a elaboração da lei e o seu presidente, José Severino, defende que ela fará com que “quem queira concorrer não se sinta marginalizado e tornará os concursos públicos mais eficientes quanto ao trinómio custo/transparência/benefícios”. Severino defende ainda que “vai acabar com as arbitrariedades nas contratações” na medida em que não se poderá “chamar empresas estrangeiras sem ouvir as capacidades nacionais”.

JÁ COM 200 INSCRITOS

FILDA antecipa crescimento de 96% A organização da Feira Internacional de Luanda (FILDA) garante que já tem cerca de 200 expositores inscritos para a 34.ª edição do evento, dos 500 que perspectiva e que representariam um crescimento de 96% face aos 245 da edição passada. A feira, que volta a ser organizada pelo Grupo Eventos Arena e pelo Ministério da Economia e Planeamento, vai decorrer sob o lema ‘Diversificar a Economia, desenvolver o Sector Privado’. O Grupo Arena prevê um orçamento de 477,6 milhões de kwanzas para a organização do evento. Sem avançar as perspectivas de retorno, o Ministério garante, no entanto, que o evento “acontece num momento em que o Executivo está a realizar reformas tendentes à melhoria do ambiente de negócios, em particular do quadro regulatório e institucional do investimento privado”. A feira está marcada para 10 a 14 de Julho na Zona Económica Especial de Luanda (ZEE), depois de, no ano passado, se ter realizado na Baía de Luanda e após o interregno de 2016. Na 32.ª edição, que antecedeu ao interregno, participaram 870 expositores de 24 países

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Il tempo si è fermato Spiagge tropicali, foreste immense, pochissimi resort. E le piante da cui nasce il cioccolato migliore del mondo. Le isole di São Tomé e Príncipe sono un dono della natura. Dove perdersi testo e foto di A l d o P A v A n

Una spiaggia dell’isola di Bom Bom, di fronte alla costa nord di Príncipe, ricoperta dalla foresta tropicale.

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La chiesetta di Santana, una piccola città sulla costa orientale di São Tomé. Di fronte sorge un’isola disabitata con lo stesso nome. A destra, Boca do Inferno, a São Tomé.

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ves Ramos ha imboccato con il fuoristrada un viottolo nascosto nella foresta tropicale. È una mulattiera acciottolata costruita dai portoghesi, ora in pessime condizioni. Si rincorrono nuvole basse. A tratti spunta il sole, a tratti cala una nebbia incerta. I grandi alberi del pane sembrano chinarsi al passaggio dell’auto. Una cortina verde, creata dalla vegetazione, nasconde il blu dell’oceano sottostante. Si avanza a scossoni, all’ombra degli alberi di cacao carichi dei loro frutti maturi. La vettura ruggisce, la salita è ripidissima. “Questo è il Forastero Amellonado, il cacao più puro del pianeta”, spiega Ramos. La varietà fu trapiantata qui dall’Amazzonia negli anni venti dell’ottocento. Il Brasile si era reso indipendente dal Portogallo nel 1822, benché fosse rimasto nell’orbita dei sovrani lusitani. In vista però di una totale autonomia, il re portoghese aveva dato ordine di portare sull’isola africana di São Tomé e sulla vicina Príncipe le prime piantine. Fu una scelta lungimirante, perché il cacao divenne presto prezioso come l’oro e nel 1889 il Brasile proclamò la repubblica. Nel giro di pochi anni São Tomé e Príncipe divennero i principali esportatori

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ribeira Funda, villaggio a ovest di São Tomé, che prende il nome da un fiume nel distretto di Lembá. Nella pagina di destra, la spiaggia paradisiaca sull'isoletta di Bom Bom, di fronte a Príncipe, a cui è collegata da un ponte di legno lungo 140 metri.

di cacao del pianeta, il che implicava lo sfruttamento degli schiavi rapiti dai villaggi delle vicine coste africane. ora Yves Ramos fa attraversare un tratto di foresta carico di umidità, prima di sbucare su uno spettacolare altopiano: sopra un mare di verde si erge il Cao Grande, un pinnacolo di roccia alto ben 360 metri, che compare e scompare sotto le nuvole. Ci si trova al centro dell’isola di São Tomé, nel parco naturale di Obo. Qui piove venti volte di più rispetto alla costa settentrionale dell’isola, molto più secca. Sembra una scena da Jurassic Park. Il Cao Grande è ciò che rimane di un primitivo cratere eruttivo. Le due isole di São Tomé e Príncipe facevano parte di una primordiale catena vulcanica che ha disegnato il paesaggio con picchi solitari che scrutano come guardiani il mare. Tra merIdIano e Parallelo zero Quando Ramos punta verso la costa ed esce dalla foresta pluviale, il sole splende con un abbraccio di benvenuto. I piedi affondano nella sabbia fine di Praia Piscina. Qui tutto è come all’inizio del mondo, a cominciare dalle spiagge: bianche, ambrate, nere vulcaniche o gialle. e solitudine: palme da cocco, mare azzurro-turchese, nessun ombrellone o sedia a sdraio.

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La sensazione è di essere i primi visitatori. Al tramonto ci si imbatte nelle piccole tartarughe che escono dal nido e si gettano frettolose, assediate dai falchi che pattugliano la loro comica e tragica corsa. São Tomé e Príncipe sembrano proiettate dal cielo nel golfo di Guinea per occupare un posto preciso ed evocativo: l’incrocio del meridiano zero con il parallelo zero. Una coincidenza geografica che le rende uniche, ma le tiene fuori dalle grandi rotte. São Tomé, grande come l’Umbria, e Príncipe, poco più estesa dell’isola d’elba, distano meno di 250 chilometri dall’Africa, all’altezza del Gabon, e contano assieme 180 mila abitanti. Costituiscono una repubblica indipendente dal 1975 (sia pure con vicende politiche piuttosto turbolente in passato): hanno un parlamento e un presidente eletti dal popolo e una moneta propria. dire che tutti gli abitanti si conoscono è troppo, ma ci si va vicino. Qui l’arte di vivere si riassume in due parole: leve, leve, che significa fare tutto con dolcezza e lentamente. È un’Africa tranquilla, a dimensione d’uomo, segnata da piccoli villaggi, come quelli che si incontrano lungo la costa occidentale di São Tomé, lungo cui si snoda la Rota cacau. “La strada del cacao permette di scoprire la quintessenza di questo Paese”, spiega Tiziano Piso-

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ni, inventore anche della Volta do cacau, da percorrere in bicicletta. Pisoni è un tecnico che lavora per diversi progetti ambientali dell’Unione europea. vive da anni a São Tomé con la moglie Mariangela Reina, responsabile della ong italiana Alisei, che si occupa dello sviluppo del settore agroalimentare. Insieme gestiscono il resort Mucumbli. La rota parte da Ponta Figo e si imoltra nelle coltivazioni di cacao. “Qui non c’è una monocoltura dannosa”, afferma Pisoni. “Le piante di cacao si mescolano con le altre della foresta. Non possono vivere sotto il sole cocente: per questo il cacao è rispettoso dell’ambiente e della biodiversità”. a Cena nella roça Lungo il percorso si incontrano alcuni insediamenti coloniali che hanno segnato la storia delle due isole. Al tempo dei portoghesi la coltivazione del cacao avveniva nelle cosiddette roças, borghi rurali che comprendevano l’abitazione principale dei proprietari (spesso una splendida villa), la direzione della piantagione, i reparti con i macchinari, l’officina, la scuola, l’ospe126

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dale e le misere casette dei lavoratori. ogni roça era autosufficiente. da qui il cacao e gli altri prodotti agricoli venivano spediti verso la costa a bordo di trenini e poi imbarcati verso l’europa. Gran parte delle roça sono ora in pessimo stato. dopo la proclamazione dell’indipendenza dal Portogallo, i colonizzatori hanno abbandonato le due isole. e per un certo periodo il governo, che aveva scelto un’impostazione comunista, ha cercato di sostenere l’attività agricola. Nel giro di pochi anni, però, la produzione di cacao è crollata: anche gli edifici, bellissimi, sono caduti in disuso. Ci sono alcune pregevoli eccezioni, come São João, dove un cuoco intraprendente, João Silva, ha restaurato la vecchia roça in cui abitava la sua famiglia per trasformarla nel miglior ristorante di São Tomé. La cucina è a vista, come vuole la tradizione isolana. I piatti sono una fusione di sapori africani, ripensati con la sapienza di un grande cuoco. Silva ha lavorato in Portogallo e in Francia. In tavola compare anche il cacao e le fave crude insaporiscono alcuni piatti importanti. Per dessert vengono servite le tavolette di cioccolato dell’amidove

1. Santa Catarina, un villaggio sulla costa ovest di São Tomé. 2. Un coltivatore della comunità di molundo, a roça diogo Vaz. 3. La raccolta del cacao nella stessa roça. 4. Una tartaruga a praia dos Tamarindos, a São Tomé.

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1. Il mucumbli resort, a Neves, sull’isola di São Tomé: è gestito secondo principi rigorosamente ecologici. 2. Terreiro Velho, a Príncipe: è la tenuta in cui, nel 1822, fu introdotta la coltura del cacao. 3. escursione nella foresta pluviale dell’isola di Príncipe.

co Claudio Corallo. “È il più buono del mondo”, dice Silva. Corallo è un altro italiano sull’isola: un maestro del cacao. vive da 42 anni in Africa e ha una storia rocambolesca. A 23 anni ha lasciato Firenze dopo la laurea in agricoltura tropicale. Ha lavorato, tra mille traversie, nell’ex Zaire (oggi Repubblica democratica del Congo) coltivando caffè. ora risiede a São Tomé ed è l’unico che, oltre a coltivare il cacao, produce il proprio cioccolato direttamente sull’isola. Il SIGnore del CIoCColaTo Tutti gli altri produttori esportano le loro fave di cacao perché vengano lavorate all’estero. Lui no. L’intera filiera è nelle sue mani: dalla piantagione alla tavoletta. “Bisogna lavorare con perizia e meticolosità”, afferma Corallo, mentre si muove come uno chef nel suo laboratorio: “Il cacao è come tutti gli altri prodotti naturali, l’olio, per esempio. Se la materia prima è buona si ottengono sapori eccezionali”. Le sue tavolette al 100 per cento di cacao realizzate a mano sono apprezzate in tutto il mondo. “Tengo sotto controllo ogni passag-

Commedia all’italiana A São Tomé la più importante commedia teatrale è legata all'Italia. La rappresentazione si chiama tchilolì, si tiene ogni anno, in genere d'estate, dura cinque ore e porta in scena (all'aperto) la tragedia del marquez de mantua, il duca di Mantova. Secondo gli studiosi si tratta di una reliquia della seicentesca commedia dell'arte che si è conservata a São Tomé, arrivata forse con compagnie di attori girovaghi. La vicenda è narrata in lingua portoghese antica con prestiti dai dialetti locali. Descrive il processo seguito all’assassinio di Valdevinos, nipote del duca di Mantova, da parte di Carloto, figlio di Carlo Magno: ci sono le testimonianze davanti alla corte, le arringhe degli avvocati, la sentenza. I partecipanti indossano costumi fantasiosi e lo spettacolo si apre con il funeralecorteo dei figuranti, tutti uomini, mascherati. I passaggi cruciali sono sottolineati da una banda che riproduce, con strumenti africani, la fanfara portoghese.

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1. L’omali lodge, a São Tomé city. 2. Una ricetta del ristorante di João Carlos Silva, nella roça São João. 3-5. Lo chef e una camera da letto del Bom Bom resort, a Príncipe. 4. Il mucumbli resort, a Neves, sull’isola di São Tomé.

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Un paradiso del pesce e della frutta: a São Tomé e Príncipe tutto appare regalato, e in abbondanza, dalla natura

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supera picchi e montagne verdissime. In basso, è un susseguirsi di baie deserte. Príncipe è stata dichiarata riserva della biosfera dall’Unesco. Una volta atterrati, in cinque minuti di auto ci si affaccia sulla baia di Santo Antonio, un sonnolento paesino coloniale, eccezione urbana nella rigogliosa foresta pluviale. Tutto, qui, è natura. I turisti si godono l’eccezionale bellezza di Bom Bom, un resort di bungalow confortevoli adagiati sotto un tetto di palme. Un ponte lungo 140 metri porta su una piccola isola sulla quale sorge il ristorante. Le adiacenti baie sabbiose sono un susseguirsi di cartoline tropicali. Relax, massaggi e ottima cucina. Lo chef si rifornisce dai pescatori che arrivano al Bom Bom con le loro canoe, scavate in un unico tronco. Ma

gio per evitare l’amaro. Contrariamente a quanto si pensa, nel cioccolato come nel caffè, l’amarezza è un difetto che proviene dalla piantagione, spesso da fave raccolte ancora acerbe”. La produzione di Corallo è interamente biologica, senza trattamenti chimici: “Si tratta di entrare con garbo nella foresta, senza ferirla. Solo così si ottengono le fave migliori e di conseguenza il cioccolato migliore”. La dolcezza del cacao è quasi lo specchio di quella delle spiagge: come praia dos Tamarindos, forse la più bella per il contrasto tra il turchese dell’oceano e il verde della foresta. Un piccolo aereo collega tutti i giorni São Tomé con Príncipe. Le due isole sono divise da un braccio di mare di soli 140 chilometri. Il volo, straordinario,

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qui non ci si ricarica di energia soltanto riposandosi in spiaggia. A piedi si raggiungono angoli incontaminati di foresta e di costa, accompagnati dalle guide. ovunque si incrociano i voli degli uccelli tropicali. È una fiera della biodiversità. oppure si va in canoa, in barca e a fare sub. “Siamo al centro del mondo, immersi in un’Africa primigenia che ormai non ha eguali neppure nel continente”, sostiene Paulo Andrade, rappresentante del Bom Bom. Il resort, con altre due strutture di São Tomé e Príncipe, è un’impresa turistica speciale: ha anche un obiettivo filantropico. I fondi investiti sono dell’imprenditore (digitale) sudafricano Mark Shuttleworth, diventato famoso anche per aver partecipato nel 2002 come turista spaziale alla missione russa Soyuz Tm-34. La sua società, Hbd, finanzia il turismo ecosostenibile. Per questo Shuttleworth ha sviluppato iniziative per dare lavoro alla popolazione, per sostenere l’economia delle due isole e valorizzare la difesa dell’ambiente. In questo ambito rientra anche il restauro recente della vasta Roça Sundy, a Príncipe. La splendida villa centrale accoglie ora un b&b di lusso. A pochi chilometri di distanza, in un’altra -

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piantagione, a Roça Paciência, si producono ortaggi e frutta per rifornire gli hotel del gruppo. Tutti prodotti biologici a chilometro zero. Roça Paciência è il regno di un’altra italiana, Francesca orlandi. Una laurea in agraria, con la passione per le piante tropicali, si è trasferita qui per sfruttare la biodiversità naturale. “Partiamo da piante a cui non si dà importanza”, chiarisce entusiasta. “Le lavoriamo e le trasformiamo nel nostro laboratorio perché acquisiscano un interesse commerciale. Facciamo creme di bellezza, creme di cacao, estratti e molti prodotti alimentari, come il muesli a base di frutti tropicali. Qui abbiamo a disposizione un mondo di possibilità. Si tratta solo di riuscire a valorizzarle.” Intanto il passaparola è sulle spiagge di Príncipe: da Praia de Coco, magnifica all’alba, a Praia Rita, ideale per lo snorkeling, ma anche per il birdwatching. Praia Banana è una mezzaluna di sabbia bianca circondata dalla vegetazione equatoriale. Un’Africa primordiale, da creazione del mondo. Quando l’aereo decolla verso l’europa, c’è un solo pensiero dominante: tornare in questo paradiso il più presto possibile. dove

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São Tomé-et-Principe émergent de l’océan comme des petites émeraudes vertes. Deux paradis africains dans le golfe de Guinée, aussi droits qu’un funambule sur le fil de l’Equateur

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ur l’île de PrinciPe, il faut se laisser chahuter une bonne heure à bord d’un 4x4 sur un chemin terreux et gorgé d’eau avant d’arriver à la «roça» de Claudio Corallo. Jadis, les maîtres portugais logeaient dans ces anciennes demeures construites au milieu des plantations. Aujourd’hui, les ruines noircies par l’histoire d’une indépendance récente se laissent submerger par une nature luxuriante sans qu’aucun voisin n’ose s’approprier ces vestiges de la colonisation portugaise. Sur São Tomé-et-Principe, le cacao représente 80% des exportations. D’où leur surnom «d’îles chocolat». Dans le monde, nombreux sont les chocolatiers et pâtissiers à ne jurer que par celui de Claudio Corallo qui vous accueille, bienheureux, la malice aux lèvres. L’ADN de cet Italien est un mélange entre le «Fitzcarraldo» de Werner Herzog et Willy Wonka, le confiseur excentrique de Roald Dahl. Sa roça, entourée de cacaoyers, est très vaguement retapée. L’absence totale de vitres laisse le vent passer en courant. La décoration est spartiate: un hamac, un matelas et trois chemises suspendues à une tringle en bois. Sur la table de sa cuisine, un ordinateur relié au wifi copine avec une cafetière italienne encore fumante. «Si je regrette l’Europe? Absolument pas.» Diplômé de l’institut agronomique de Florence, le planteur, installé depuis trente ans en Afrique, transforme le café à Nova Moca sur l’île de São Tomé et le cacao à Principe où il a acheté la plantation de Terreiro Velho. En bon scientifique, cet expert multiprimé gère toutes les étapes de la transformation et teste ses produits avant de les commercialiser. «L’amertume des graines de cacao n’est qu’un vil défaut», explique celui qui élabore un cacao à 73,5% vendu dans sa fabrique aux fanatiques de sensation forte. Un coucou à hélices relie en trente minutes Principe – ses plages désertes, ses excursions en bateau, ses tortues et

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VOYAGES ses dauphins – à sa grande sœur São Tomé. Encore partiellement sauvages, ces îles situées à quelques encablures des côtes du Gabon regorgent de forêts exotiques que l’on survole avec curiosité. A la sortie de la capitale de São Tomé, un convoi de jeeps roule à tombeau ouvert. «C’est le président Evaristo Carvalho», explique placidement un vendeur de rosema, la bière locale et de vin de palme obtenue après 24 heures de fermentation de sève de palmier. Sur sa mobylette qui toussote à 10 km/h, un soldat en treillis disparaît dans la brume. Des églises en pierre cèdent le pas à des bicoques en bois qui parsèment la route menant vers le centre de l’île. Pas d’eau courante, ni électricité. Des gamins souriant saluent le touriste en lui demandant des bonbons. Première halte dans la région de Mé-Zóchi. Les randonneurs agrémenteront leur promenade par une halte dans la vieille plantation «Monte Café» qui regroupe 250 producteurs locaux depuis l’indépendance du pays en 1975. Les rouages grinçant de leurs machines vétustes datent de l’ère coloniale. On y apprend les ficelles d’une récolte réussie d’arabica et de robusta, ce café biologique certifié Malongo. Le village possède une école primaire et un hôpital ouvert deux jours par semaine. «Ces établissements ont été subventionnés par Cuba et par la Lybie de Khadafi. Ils fonctionnent aujourd’hui grâce à l’aide de Taiwan qui y envoie ses médecins», explique une guide encore adolescente qui vous emmène déguster un café à la nouvelle plantation de Nova Moca, proche des cascades de Saint-Nicolas.

Le fou de la cuisine Direction ensuite le jardin botanique de Bom Sucesso perché à 1450 mètres d’altitude. La pépinière regroupe plus de 1000 plantes médicinales, endémiques ou ornementales. «Tes problèmes de prostate ou de fertilité se soignent ici. Le mamãod’Obô fait fuir les sorcières qui louchent sur les bébés. Quant au Bunga, il te fera dormir 24 heures», commente le botaniste du parc protégé du soleil par un chapeau de paille grossière. Au départ de Bom Sucesso, il faut deux heures de marche pour rejoindre le Lagoa Amelia, du nom d’une jeune portugaise ayant disparu sur le site de cet ancien cratère aujourd’hui recouvert. Sur la route menant au sud de São Tomé, se dresse le pico Cao Grande, ce pain de sucre qui fait aussi office de boussole pour les habitants. On fait halte à São João dos Angolares, dans le district de Caué, bourgade de 6500 habitants devenue le fief du meilleur ambassadeur de la culture santoméenne. Cuisinier ultra-médiatique, animateur d’émission culinaire sur la télévision nationale portugaise et artiste, João Carlos Silva, se définit lui-même «comme un peu fou». Après 17 années passées à l’étranger, en Angola et au Portugal, le sexagénaire a transformé une ancienne plantation esclavagiste en laboratoire culinaire. Une baignoire coupée en deux sert de fauteuils qu’encadrent des étagères remplies de livres. Chaque midi, sur sa terrasse, João Carlos Silva fait découvrir les saveurs de son savoir-faire. Une douzaine de plats défileront, ce jour, devant un groupe venu de Lisbonne. Le chef entame son menu avec un carré de chocolat qu’il faut laisser fondre dans la bouche avec un grain de poivre vert et une pincée de gingembre concassé. Son poisson volant sur lit de papaye verte marinée à la citronnelle succède au ceviche de marlin à la coriandre sauvage. Derrière les fourneaux, sa brigade formée de jeunes du village rappelle que sa roça a aussi une vocation sociale avec un centre de formation qui permet d’aider une population pauvre dans ce pays de 200 000 habitants qui dépend à 90% de l’aide internationale.

CACAO La culture des cabosses qui seront transformées en chocolat représente 80% des exportations de São Tomé-et-Principe.

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PLAGES Les îles sont situées à 350 km des côtes du Gabon et de la Guinée équatoriale.

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SÃO TOMÉET-PRINCIPE Y aller Swiss proprose plusieurs vols quotidiens vers São Tomé au départ de Genève. A partir de 700 francs. Y dormir A São Tomé Omali Lodge. Face à la mer, les 30 chambres de ce boutique hôtel entourent la piscine dans un petit Eden verdoyant. Possibilité de faire une partie de tennis ou du fitness avant d’entamer sa journée de visite. Le restaurant décline les spécialités locales ainsi qu’une carte italienne. www.omalilodge.com Bom Bom. Ce resort possède 19 bungalows avec terrasse situés à proximité des deux plages de sable doré. L’établissement propose quotidiennement des excursions en bateau, des balades avec guide en montagne. De quoi découvrir l’île avant de se faire dorloter au spa ou de s’endormir sur son hamac. www. bombomprincipe. com On ramène

COLONISATION Construit en 1575, le fort de São Sebastião témoigne de l’occupation portugaise.

VOLCANIQUE Les pitons en forme de pains de sucre dessinent le relief typique de Principe.

La traditionnelle «boca do inferno» qui porte bien son nom. La «bouche de l’enfer», c’est un piment extrafort enrobé avec le chocolat de Claudio Corallo. En vente dans sa fabrique, Avenida Marginal 12 de Julho, 978, São Tomé. T MAGAZINE | 63

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PHOTOS: CHRISTOPHE LEPETIT/CAMILLA WATSON/CHRISTIAN GOUPI/ PLANET OBSERVER/MICHAEL RUNKEL/ANTOINE BOUREAU/PHOTONONSTOP

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CNN – Inside Africa | USA August 2016

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http://edition.cnn.com/videos/world/2016/11/07/inside-africa-sao-tome-and-principe-biosphere-b.cnn


Archive July/ September 2016

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RTP AFRICA – Reporter Africa August 2016

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http://www.rtp.pt/play/p2247/e245609/reporter-africa-2-edicao


Volta ao Mundo | Portugal September 2016

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DN | Portugal July 2016

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Time Out | Portugal July 2016

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VisĂŁo | Portugal July 2016

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El País | Spain 2015

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Lonely Planet Traveller | Spain February 2014

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TROTAMUNDOS

Local Nuevo knowledge paraíso La visión de Príncipe, a una media hora escasa de vuelo desde Santo Tomé, es muy parecida a la que experimentan los pasajeros del helicóptero que llega a la isla en el filme ‘Jurassic Park’. Composiciones rocosas y selva que mueren en un mar cristalino y tornasolado

Santo Tomé y Príncipe Café y cacao, arquitectura colonial y retro, macacos y papagayos, playas y montañas… El país más pequeño de África es el destino por descubrir en el 2015

con un estil que nos hab Además de deportes co del río Abad ropa y la po que crean u que el curso en la playa d locales y alg olas –otras p y Santana–. habitantes, cercanos Ca su vibrante su centro de te pierdas la contemporá Para busc media hora playas y la n más exuber de Santo To Resort (bom hotel de la i encontramo del espacio. tener un bu playa solo p lo conforma intenso ent playas crista tortugas. El en lancha y arenales y e playa Banan Grande. En macaco) dir en el que lo papagayos e de la isla, in Sorprenden plagados de El atardecer

TEXTO ÁLVARO CASTRO

Mencionar el nombre de un país y que poca gente sepa situarlo en el mapa es síntoma de que la elección puede ser buena. En un mundo globalizado y “turistificado”, este desconocimiento es sinónimo de aventura, de viaje o de, cuanto menos, exotismo. Santo Tomé y Príncipe no solo cuenta con este plus. Este archipiélago formado por solo dos islas (la principal, con nombre de santo, y su hermana pequeña, con título de realeza) está situado en el golfo de Guinea. Esto supone que tiene solo dos horas de diferencia con España y una con Portugal (¡adiós, jet lag!). A ellas se llega en un cómodo vuelo de TAP (tapportugal.com) 30

Lonely Planet Traveller Febrero 2015

que parte de Lisboa y que te transporta al paraíso más cercano a Europa en aproximadamente 6 horas. ¿Más ventajas? Nada de enfermedades, estabilidad política, sin conflictos religiosos y facilidad para entenderse, ya que por haber sido colonia portuguesa, el catolicismo y el portugués son dos señas de identidad. Esta excolonia lusa mantiene presencia arquitectónica de aquellos tiempos, sobre todo las roças, explotaciones agrícolas de mediana extensión en las que se cultivan, principalmente, sus excelsos café y cacao. Algunas abandonadas y otras en uso, conservan el encanto del pasado a través de

las mansiones de los señores, las escuelas y los hospitales del personal o la maquinaria todavía en los raíles. En los hoteles organizan rutas para descubrirlas. Cerca del aeropuerto de Santo Tomé y frente a la playa está el Omali Lodge (omalilodge.com), que utiliza estos y otros productos locales en su restaurante. Algunos ejemplos de sus platos son las croquetas de pulpo, el pescado a brás (con huevo y patatas paja) y, por supuesto, la mousse de chocolate. Cuenta, además, con cuidados jardines, amplias habitaciones y una piscina central en la que refrescarse del calor tropical. Ha sido recientemente redecorado

Los helecho o


Lonely Planet Traveller | Spain February 2014

con un estilo entre colonial y de look safari que nos habla de un destino inexplorado. Además de roças, la isla principal ofrece deportes como el buceo o el surf. A lo largo del río Abade las mujeres lavan a mano la ropa y la ponen a secar en la orilla, con lo que crean un patchwork inacabable, y dejan que el curso del río termine por desembocar en la playa del Rey (praia Rei), donde locales y algún visitante planean sobre las olas –otras playas surferas son Sete Ondas y Santana–. En la capital, sus hospitalarios habitantes, en general descendientes de los cercanos Cabo Verde y Angola, hacen de su vibrante mercado y atestados aledaños su centro de operaciones. En la zona no te pierdas la fortaleza y el centro de arte contemporáneo Cacao. Para buscar la calma total, volamos media hora para llegar a Príncipe. Las playas y la naturaleza son aquí, si cabe, más exuberantes y más vírgenes que las de Santo Tomé. En el Bom Bom Island Resort (bombomprincipe.com), el mejor hotel de la isla y casi el único que hay, nos encontramos con el lujo de la sencillez y del espacio. ¿En qué otro sitio podemos tener un bungaló XL a pie de una extensa playa solo para el huésped? El paisaje isleño lo conforman rocas volcánicas de negro intenso entre charcas verdosas y azules y playas cristalinas en las que desovan las tortugas. El hotel te organizará un paseo en lancha y un picnic para disfrutar de los arenales y el esnórquel en Sundy, Macaco, playa Banana, Margarita, Boi Beach o playa Grande. En 4x4 (quizá atisbes algún tímido macaco) dirígete al mirador Nova Estrela, en el que los ornitólogos estudian a los papagayos endémicos y que da a la cara sur de la isla, inexplorada incluso por los locales. Sorprenden los picos y paredes de piedra plagados de vegetación y cascadas. El atardecer aquí emociona.

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La mayoría de los bungalós del Bom Bom Island Resort tienen acceso directo a la playa

Santo Antonio, la capital y única urbe de Príncipe. Para una experiencia ‘insider’ no te pierdas la cocina local del restaurante-caseta Rosita

Los helechos locales permiten ‘tatuarse’ la piel con el polvillo blanco del envés de sus hojas. Las flores exóticas, como esta (bastón de emperador o ‘Etlingera elatior’) pueblan las islas. La ‘mousse’ de chocolate con el cacao local de Santo Tomé es un ‘must’ del Omali Lodge

Febrero 2015 Lonely Planet Traveller

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Internazionale | Italy December 2015

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Internazionale | Italy December 2015

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Internazionale | Italy December 2015

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Junglespecial | Netherlands 2015

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junglespecial

15 Vrijwillig op een jungle-eiland groEnE HArT vAn AfrIKA: São Tomé & PríncIPE

KAMEROEN

Atlantische Oceaan

E Q U ATO R I A A LGUINEA

GABON CONGOB R A Z Z AV I L L E PRÍNCIPE SÃO TOMÉ

o

p de landkaart zijn São Tomé & Príncipe slechts twee groene toefjes op het blauwe canvas van de Atlantische oceaan. maar de eilanden voor de kust van West-Afrika, die samen het kleinste land van centraal-Afrika vormen, doen hun reputatie als een van de laatste tropische frontiers eer aan. Als hoofdeiland São Tomé al aanvoelt als het eind van de wereld, dan doet het veel kleinere Príncipe er een schepje bovenop met zijn dichte jungle, idyllische stranden en de bijna duizend meter hoge kalkstenen Pico de Príncipe. cacaoplantages en statige, vaak vervallen herenhuizen verwijzen naar het Portugese koloniale verleden van het eiland. ‘De eerste opmerking die bezoekers maken is vaak dat het net Jurassic Park is!’ aldus Philippe moreau, die twee ecoresorts in São Tomé & Príncipe runt. om de natuur op de eilanden in balans te houden werd een Zuid-Afrikaanse bosbeheerder ingevlogen, Johannes van der Wath. onder zijn toeziend oog worden nu alleen snel groeiende palmbomen gekapt. ‘op een plek als deze vormen alle componenten — er komen op Príncipe alleen al 37 inheemse plantensoorten en zeven inheemse vogelsoorten voor — één geheel,’ zegt hij. ‘ontwricht één keten en het heeft gevolgen voor het

hele ecosysteem.’ Locals worden dan ook actief betrokken bij het behoud van de natuur. Zij houden bijvoorbeeld de stranden, waar veel zeeschildpadden hun eieren leggen, vrij van plastic en ander afval. ‘Een nauwe samenwerking met de gemeenschap en begrip van de lokale cultuur is van levensbelang,’ zegt Philippe. ‘Betrokkenheid creëren.’ Zo maakt het personeel van zijn resorts lokale vissers attent op de lijst van beschermde vissoorten. ‘Kom jij op een ochtend langs met je bootje vol vis, en staat je vangst niet op de lijst van beschermde vissoorten, dan kopen we alles wat je hebt.’ Hoewel het kleine voorbeelden betreft, is de impact van het nieuwe beleid op de biodiversiteit op de eilanden aanzienlijk. Het is de combinatie van unieke natuur en de lokale wil en inzet om die te behouden die São Tomé & Príncipe tot een bijzondere bestemming maakt. ‘Ik zie het op de gezichten van de mensen wanneer ze het land verlaten,’ vervolgt Philippe zijn relaas. ‘São Tomé & Príncipe heeft iets met ze gedaan. Iets blijvends.’ Als toerist een steentje bijdragen? Help bijvoorbeeld mee met het afvalvrij houden van de stranden. Kijk voor meer info over de resorts op omalilodge.com en bombomprincipe.com.

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TAP Inflight Magazine April 2015

On Príncipe you feel the magnitude of raw nature. Giant trees taking care of the earth, green on green, interrupted only by the orange flower of the erythrinas and white clouds that suddenly cover the mountainous peaks. It smells of chlorophyll, purity, the innocence of the beginning of time. And there’s silence to hear the sounds of the jungle, the whisper of the waves beating against the rocks or rolling upon the sand. Now that you’re here, do yourself a favour, disconnect from the world and reconnect the umbilical cord with nature to feel the miracle of life. Responsibility rules Be sensitive to conservation, nature and lifestyles, and contribute to responsible tourism. It’s just a question of attitude! Here or in any part of the world. Not littering and avoiding the use of plastic (banned on Príncipe) are basic rules. Also, avoid buying unecological souvenirs, such as objects made with turtle shell. And, for the sake of their health, particularly their dental health, don’t give children sweets! They are equally happy with pens, notebooks and coloured pencils, which are also more useful. From the lush green of the jungle to the historical elegance of the plantations, from the tropical beaches to city ambiance; in bamboo, wood or stone, environmentally friendly, the HOTELS of São Tomé and Príncipe are a mirror of the variety of landscapes, cultures and experiences of these chocolate-producing islands.

Bom Bom Island Resort, Ilha do Príncipe Ilhéu Bom Bom, Ilha do Príncipe /// +239 225 1114 /// www.bombomprincipe.com /// €290 – €535

Zoom out of the world, disconnect from the day-to-day and be at one with nature, which, here, can elevate the spirit of the most hardened rationalist. Hidden in the jungle but close to the sea, this resort is much more than an idyllic place to spend a holiday. Amongst the white sands, palm trees, erythrinas and flowers, birds and crystalline waters of abundant fish and paddling turtles, the dream of Mark Shuttleworth, South African millionaire and visionary who believes in dragons, takes shape. HBD (Here be Dragons) brought a responsible tourism and eco-sustainable project to the island of Príncipe involving local populations and, apart from the Bom Bom resort, the jungle jewel, is recovering the plantations, re-converting them into different tourist experiences. From the kitchen garden and kitchen-lab of the Paciência plantation to the time travel that is the Sundy plantation, where you can feel the African way of life in its lively slave quarters. Anyway, back to your holidays, immerse yourself in nature and enjoy the bearable lightness that overtakes your being to discover jungle life, some of the most beautiful beaches on the planet, the Claudio Corallo plantation, where the best cocoa in the world grows, and Santo António, the smallest capital in the world, with its shy and sweet people. Back at the resort, you won’t have time to get bored. The artisan fishing, the greenhouse full of exotic species,

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the turtle nursery, yoga sessions, snorkelling, diving and paddle are just some of the activities available. However, if you just want to contemplate the Earth’s magnificence, sit on the balcony of your bungalow, which offers comfort, good taste and simplicity, and let your eyes wander on the horizon of lush green and blue sea. If you are focused on more earthly pleasures, cross the romantic wooden bridge to the islet of Bom Bom, order a refreshing cocktail at the bar or enjoy delicious freshly-caught fish in the excellent restaurant and give thanks to all the gods for the privilege of being here. Omali Lodge, São Tomé Praia do Lagarto, São Tomé /// +239 222 2479 /// +239 222 2350 /// www.omalilodge.com /// €140 – €430

Here, there are more than 30 tastefully decorated rooms and suites with an attention to small details, an endless list of activities, a luxurious location and service with a genuine smile. It is for these and other reasons that the Omali is a boutique hotel. The sea-side lodge is the ideal refuge for a relaxing holiday ad for those enjoy discovering something new: the hotel has a network of partners that offers a long list of activities, ranging from cultural guided tours to hiking in the national park, bird, cetacean and turtle watching, diving or fishing. In addition to this, there is an inviting pool and a restaurant where contemporary cuisine and the fish are the order of the day. Your perfect home in the capital.


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Madame Figaro | China July 2015

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好奇心 [CURIOSITÉ]

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普林西比,荒岛重生

紫色、黄色、粉色 :那是克里奥尔风格的小木屋。 青绿、翠绿、深蓝 :那是一望无际的大海。 普林西比岛集万千色彩于一身,让人心驰神往。

一个充满野性且保存完好的地方 红色的土地,浓郁的非洲情调,混乱无序却充满着惊喜,普林西比岛就像 一个遗世孤岛,保留着野性之美。当飞机到达岛屿上空的时候,这座渐渐出现 在浩瀚无边的大海之中的岛屿便让我们一见倾心。 热带的阳光照耀着它,大西洋的海浪呵护着它。普林西比岛与邻岛圣多美 岛的飞行距离只有 35 分钟。这两座地处世界中心的岛屿却鲜为人知,不被传统 旅游路线问津。但也正因如此,它们才更有味道,更有探索的乐趣。 圣多美岛(859 km2)与普林西比岛(142 km2)最先由葡萄牙人发现。两岛 位于非洲西海岸,由火山喷发形成,距离加蓬海岸大约 220 公里。它们原是葡 萄牙的殖民地,1974 年在康乃馨革命后宣布独立。随着可可种植业的发展,两 座小岛曾长期被称为“巧克力之岛” 。种植可可为葡萄牙殖民者带来了丰厚的 利润。1875 年废除奴隶制后,土著居民建立了制度。来自莫桑比克、佛得角 (Cap-Vert)以及安哥拉等其他葡萄牙殖民地的劳工不满恶劣的工作环境而奋起 反抗。但是在驱逐殖民者后,圣多美和普林西比的经济开始衰退甚至陷入贫困 之中。 1913 年,圣多美和普林西比因其大量的可可种植园而荣登世界上最大可可 生产国的宝座。但这些由殖民者留下的种植园如今已所剩无几,大多都被废置 或改成破烂不堪的民居。于是,孩子们自由自在地在昔日园主的客厅里玩耍,狗 狗们懒洋洋地在这些由国家分配给劳动者的住宅里度日。他们游手好闲,但所 波姆波姆岛(Bom Bom)上的“Bom Bom Island Resort”度假酒店 :酒店距离加蓬海岸 220 公里,在美丽的热带雨林之中,酒店显得既奢华又宁静悠闲。

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好奇心 [CURIOSITÉ] 幸的是,大自然慷慨好施。只需前往普林西比岛上唯一的城 镇圣安东尼奥(Santo António) ,去那里的小市场逛逛,便 会在简陋的摊铺上发现世界上最好看的蔬菜、美味的水果以 及野生的香料,并感受岛上丰富的渔业资源。然而,岛上却 连一家商店都没有。 环顾四周, 既没有可带回去的旅游纪念品, 也找不到卖冰激凌或泳衣的商贩。但是,普林西比岛给游客 的礼物更显珍贵 :每个街角出现的孩子们的欢笑,不染尘嚣 的自然美景和独一无二的沙滩。如果运气好的话,有时会在 沙滩上遇到像变魔术一般出现在海浪里的大海龟。甚至,有 时还会远远地望见像中国皮影一样出现在地平线上的鲸鱼, 它们体态优雅,歌声美妙。

“月球人”的疯狂计划 普林西比岛原本可以继续如此下去,远离人类文明,只 通过一架老式多尼尔 DO-228 与外界保持联系。这架飞机属 于 Africa Connections-STP 航空公司,每日往返圣多美岛和 普林西比岛一次,每周五次(不建议乘船前往,除非喜欢几 内亚湾汹涌的波浪以及长达十多个小时的船程) 。但是,后 不可错过之事 :在“Bom Bom Island Resort”度假酒店的海滩上,听着海浪拍打的声音醒来。

桑迪(Sundy)种植园是普林西比岛上最大的种植园。1919 年,一位英国天文物理学家在这里观测日食,并证实了爱因斯坦的相对论。

在位于圣多美岛的庞杜弗村(Pantufo) ,有几十个人以捕鱼为生。天一亮,他们便出海打渔。他们的妻子则在河边洗衣服。

“有时还会远远地望见像中国皮影一样出现在地平 线上的鲸鱼,它们体态优雅,歌声美妙。 ”

来岛上来了一个“月球人” ,普林西比岛的命运从此改变了。这个“月球人”是谁呢?他便是被称作“马克先生”的马克·沙特尔沃思。这位年仅 42 岁的南非亿万富翁是 Canonical 公司(研发 Ubuntu 系统的信息技术公司)的创始人。从开普顿大学毕业后,马克·沙特尔沃思成立了一家数字认 证与网络安全公司(Thawte) ,后来又将公司卖给美国公司 VeriSign,从而发家致富。马克·沙特尔沃思因成为第二位太空游客而更被南非广大公 众所知,甚至被视为另一个史蒂夫·乔布斯。 马克·沙特尔沃思为去太空花费了两千万美元,并接受了为期一年的训练,其中在莫斯科的星城待了 7 个月。最终,在 2002 年 4 月,他乘坐 联盟号宇宙飞船抵达太空。当从太空中远望地球时,马克·沙特尔沃思感受到了它的脆弱。回到地球后,他深深地爱上了普林西比岛 :保存完好 的大自然,未被开发的沙滩,热情好客的 5000 位居民……对于当地居民来说,沙特尔沃思可谓是慷慨解囊啊!不久以前,他重新整修了普林西比 岛的飞机跑道。在这以前,只能容纳 15 或 18 座的老式飞机。现在,中型飞机可以直接降落在普林西比岛,而无需前往圣多美岛转机。 “马克先生” 为此项目投资的金额高达 800 万欧元。

毗邻赤道的大型种植园 目前,普林西比岛重点推出的旅游产品是“Bom Bom Island”度假酒店。这个天堂般的度假胜地由 19 个奢华的度假小屋组成。这些小屋分散 在两个位于原始森林与蔚蓝大海之间的沙滩上。这里是度假、游泳、潜水或捕捞金枪鱼的理想之地。但请注意 :捕鱼是为了健身,所有捕捞的鱼 都是要放生的。波姆波姆岛(Bom Bom)上的餐厅为美食爱好者准备了精致的佳肴。走过一座大约 200 米长的木桥便可到达这家餐厅,沿途的风 景美不胜收。客人们还可要求餐厅在沙滩上安排浪漫的烛光晚餐。

编辑 / 计炜琼 撰文 /GHISLAIN DE MONTALEMBERT 图片 /ÉRIC MARTIN-Figaro Photo-DragonImage 来源 /Le Figaro Magazine 设计 / 王 峥

这是一座被遗忘的小岛,一处不染风尘的纯洁之地。


Porter | USA 2014

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‫‪ | Saudi Arabia‬ةحايس‬ ‫‪2013‬‬

‫سياحة‬

‫يف أفخم فنادق العامل‬ ‫ِ‬ ‫أنت أمرية ألف ليلة وليلة‬ ‫هل حتلمني بقضاء ليلة من العمر يف أحد أفخم املنتجعات حول العامل؟ هل‬ ‫جتذبك حي��اة ال ّنجمات واملش��اهري؟ مناظر ّخالبة‪ ،‬هندس��ة عظيمة‪ ،‬أجواء ال‬ ‫الس��حر‪ ...‬فن��ادق «خمس جنوم وما فوق» س��وف يحمل��ك ّ‬ ‫كل واحد‬ ‫تخل��و من ّ‬ ‫منه��ا ‪ ،‬ح ّتى األكرث بس��اطة‪ ،‬إىل عامل من اخليال واألحالم! ه��ذا هو نوع ال ّتجربة‬ ‫الفريدة التي يريدها ّ‬ ‫كل مسافر يبحث عن منتهى ال ّترف‪.‬‬ ‫�سمر معتوق‬

‫‪ ،Bulgari Resort‬بايل‬

‫مزيج من الأ�صلوب التقليدي والت�صميم الإيطايل‬ ‫افتتحت دار ‪ Bulgari‬منتجع ًا مك ّون ًا من ‪ 59‬فيال يف بايل‪،‬‬ ‫اإحدى اأكرث الوجهات ح�صر ّية وده�صة يف العامل‪ ،‬يف‬ ‫�صبتمرب ‪ .2006‬ل ي�صاهي اجلمال الطبيعي الباهر لهذا‬ ‫املوقع املعزول �صوى الت�صميم املرهف لهذا املنتجع الذي‬ ‫هو الأحدث �صمن �صل�صلة فنادق ومنتجعات ‪Bulgari‬‬ ‫‪ Hotels & Resorts‬الفاخرة التي اأطلقت يف العام ‪2004‬‬ ‫مع افتتاح فندق ‪ Bulgari‬يف ميالنو‪.‬‬ ‫يقع منتجع ‪ Bulgari‬قرب قرية ‪ Pecatu‬ويعك�س هذا‬ ‫املكان الذي �ص ّممه املهند�س املعماري ‪Antonio Citterio‬‬ ‫و�صركاوؤه جت�صيد ًا معا�صر ًا للت�صميم البايل التقليدي مع‬ ‫اإبراز الأ�صلوب الإيطايل املم ّيز لدار ‪ .Bulgari‬كذلك‪،‬‬ ‫يدمج خمطّ ط البناء والت�صميم العام الطابع احل�صاري‬ ‫للموقع مع عنا�صره الطبيع ّية‪.‬‬ ‫بالإ�صافة اإىل موقعه الطبيعي الذي ل مثيل له‪ ،‬يفتخر‬ ‫املنتجع مبن�صاآت متط ّورة مثل املطاعم الإيطال ّية‬

‫ال�صحي وم�صبح‬ ‫والإندوني�ص ّية‪ ،‬البار الراقي واملنتجع‬ ‫ّ‬ ‫حافّة اجلرف‪ ،‬وكلّها �ص ّممت لت�صبح القلب الناب�س‬ ‫اخلا�صة للمنتجع‪ ،‬ث ّمة متجر‬ ‫للمنتجع‪ .‬ولإمتام امليزات‬ ‫ّ‬ ‫‪ Bulgari‬ومتجر احلرفيات والفنون البالية ومن�صاآت‬ ‫الأعمال والجتماعات والأعرا�س‪ .‬اأ ّما املنتجع ال�صحي‬ ‫يتو�صط املنتجع‪ ،‬فبني على حافّة اجلرف الذي‬ ‫الذي ّ‬ ‫ي�صم جناح ًا لريا�صة‬ ‫يقع عند اأقدام وادٍ �ص ّيق واأخ�صر‪ّ ،‬‬ ‫اليوغا واأجنحة اإ�صاف ّية �صغرية مفتوحة على البحر‬ ‫وج�صر ًا خ�صبي ًا ع ّوام ًا ميت ّد على م�صتنقع مع اإطاللت على‬ ‫املحيط لال�صتجمام‪.‬‬ ‫اأين تاأكلني؟‬ ‫يف مطعم ‪ Sangkar‬الذي يقع على اجلرف ويتم ّيز ب�صقف‬ ‫عال يبلغ ارتفاعه ‪ 10‬اأمتار تقريب ًا مع اأقفا�س من ق�صب‬ ‫ال�صكّر تلعب دور امل�صابيح‪ ،‬اأو مطعم ‪ Il Ristorante‬الذي‬ ‫ّ‬ ‫يقدّم جت�صيد ًا معا�صر ًا للمطبخ الإيطايل‪ .‬ويقع املطعم‬ ‫خلف �صطحني يحيطان بامل�صتنقع ال�صطناعي‪.‬‬ ‫‪www.bulgarihotels.com‬‬ ‫‪Haya‬هيا ‪145‬‬

‫‪ 144‬هيا ‪Haya‬‬

‫سياحة‬

‫‪Bom Bom Island Resort‬‬

‫جوهرة بيئ ّية يف خليج غينيا‬

‫غابة مطرية يغمرها �صفاء غريب‪ ،‬ب�صاتني حتمل بني‬ ‫اأ�صجارها مل�صات من تاريخ عريق‪� ،‬صواطئ نائية وجميلة‬ ‫متت ّد على ّ‬ ‫خط �صاحلي بركاين وطبيعي يف قلب املحيط‬ ‫الأطل�صي وحتديد ًا يف جزيرة ‪ Príncipe‬التي تتم ّيز بنظام‬ ‫بيئي ا�صتوائي يرافقه خليط من ّوع من الثقافات الأفريق ّية‬ ‫والتقاليد الربتغال ّية‪ ...‬وقد اجتمعت هذه العوامل كلّها‬ ‫لتجعل من هذا املكان وجهة �صياح ّية فريدة وجديدة‪.‬‬ ‫‪ 146‬هيا ‪Haya‬‬

‫وعلى ال�صاحل ال�صمايل للجزيرة‪ ،‬يقع منتجع ‪Bom Bom‬‬ ‫‪ Island Resort‬وميت ّد على طول �صاطئني لي�صتلقي يف اأ�صفل‬ ‫غابة مطرية تغمرها اله�صبات‪ ،‬فيقدّم لك جتربة الراحة‬ ‫املرتفة باأجواء من ال�صحر الطبيعي‪ .‬مالذ يغمره ال�صكون‬ ‫ترفرف فوقه اأنواع عدّة من الطيور النادرة ومت ّيزه املناظر‬ ‫الطبيع ّية ال�صاحرة‪ .‬ا�صتمتعي بتذ ّوق ال�صوكول حمل ّية‬ ‫ال�صنع وتنزّهي يف بيئة من ّوعة‪ ،‬كما متتّعي باملهرجانات‬ ‫والحتفالت اأو اختربي ال�صالم اخلا�س واجلمال الطبيعي‬ ‫يف تلك البقعة النائية من العامل‪.‬‬ ‫بالإ�صافة اإىل ذلك‪ ،‬ميكنك اأن تقومي بجولة يف اجلزيرة‬

‫وزيارة بلدة ‪ San Antonio‬الربتغال ّية القدمية والتي تعترب‬ ‫املدينة الأ�صغر يف العامل‪ .‬واأي�ص ًا ل تن�صي اأن ت�صكت�صفي‬ ‫زراعة الكاكاو والقهوة والفانيليا‪.‬‬ ‫اأين تاأكلني؟‬ ‫يف مطعم الفندق‪ ،‬اختربي مزيج ًا مم ّيز ًا من الأطباق‬ ‫ال�صتوائ ّية واملحل ّية يف اأجواء رائعة ومناظر طبيع ّية‬ ‫للجزيرة واملحيط‪ .‬مطبخ مليء بالأحا�صي�س يقدّم‬ ‫النّكهات التقليد ّية املختلفة باأ�صلوب معا�صر وب�صيط مع‬ ‫احلفاظ على جودة املنتجات املحل ّية واملك ّونات الطازجة‪.‬‬ ‫‪www.bombomprincipe.com‬‬

‫‪Haya‬هيا ‪147‬‬


Marlin Mag | USA May 2013

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Luxos | Angola 2013

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Luxos | Angola 2013

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Rotas e Sabores | Angola ...

São Tomé e Príncipe “Leve leve” e sozinho “Take it easy” and all alone

texto text: Pedro Miguel Neves, em São Tomé e Príncipe Pedro Miguel Neves in São Tomé e Príncipe fotografia photography: iStockphoto e Cedidas pelo Bom Bom Resort iStockphoto and Courtesy of Bom Bom Resort

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Rotas e Sabores | Angola ...

Ilha do Príncipe, Praia Banana. São duas da tarde e desço a pé a sinuosa estrada que leva ao areal. Não sei que dia da semana é, mas nesta pequena ilha isso pouco importa. Já estou perto do mar e agora só tenho uma dúvida: olhar o seu azul turquesa ou virar-me para o lado e observar a densa vegetação que quase toca a água. Estou em África mas por momentos sinto-me transportado para as Caraíbas. Enquanto me preparo para mergulhar na água, que deve estar a uns 27 graus, divirto-me a contar quantas pessoas estão neste pequeno pedaço de paraíso. Assim à primeira vista, zero. Duas horas depois, quando faço a caminhada de regresso ao carro, a contagem mantém-se. Zero. Poucos dias antes passeava pela cidade de São Tomé e amaldiçoava a poluição sonora e atmosférica causada pelo seu antiquíssimo parque automóvel. Depois de duas semanas no arquipélago percebo que a sua

capital é mesmo a excepção. É aqui que se concentra a maior parte da população, mas nem assim a palavra caótica entra no vocabulário. De qualquer forma, prefiro alugar um carro e percorrer de Norte a Sul o segundo mais pequeno país africano. É fora da cidade que se escondem as suas belezas, onde sentimos que muito pouco deve ter mudado nos últimos séculos, desde que a ilha foi descoberta. Vou até ao extremo austral e só paro quando encontro a isolada Praia Jalé. O extenso areal e o mar, sempre o mar, exercem um magnetismo que nos faz querer ficar. Alugo uma das três cabanas do Ecolodge, literalmente na praia. Aqui estamos isolados do mundo e por isso é preciso encomendar as refeições no Salutar, o restaurante gerido pelo Manuel, que mora na pequena comunidade piscatória de Porto Alegre. No bungalow só há electricidade quatro horas por dia (das 17h às 21h), a água do ba-

Island of Principe. Banana Beach. It’s 2pm when I take the winding road leading to the beach. I forgot which day of the week it is, but that hardly matters in this tiny island. I’m near the sea now and a doubt pops up into my mind: should I contemplate the sea’s turquoise blue or should I turn around and gaze at the dense vegetation that almost touches the water? I’m in Africa but I feel transported to the Caribbean. Before getting my feet wet and feel the temperature, which must be about 27ºC, I amuse myself counting the people who share this little piece of paradise with me. At first glance, no one, zero. Two hours later, when I walk back to the car, there’s still no one around. Zero. A few days before, when I went for a stroll around the city of Sao Tome, I cursed the noise and the air pollution caused by the old cars that roam the streets. After two weeks in the archipelago, I realize that the capital is an

Praias desertas, de mar quente e areia branca é o que caracteriza São Tomé e Príncipe. Deserted sandy white beaches and mild water temperature wait for you in Sao Tome and Principe.

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exception around here. This is where most of the population concentrates, but not even here the word ‘chaos’ applies. In the end, I decide to rent a car to explore the second smallest African country. But it’s out of town that the island’s beauties hide, where we feel very little has changed over the centuries, in fact, since the island was discovered. I head to the southernmost point and only stop at the isolated Jale Beach. The long sandy beach and the sea, always the sea, have a strong magnetism, which makes us want to stay. I rent one of the Eco lodge’s three huts, literally on the beach. We’re isolated from the world, so you need to order your meals at Salutar, the restaurant run by Manuel, who lives in the small fishing community of Porto Alegre. Electricity is only available four hours a day (from 5pm to 9pm); the shower is cold, there’s no Internet and the mobile phone signal


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Rotas e Sabores | Angola ...

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rotas & sabores

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Os bungalows do Bom Bom Island Resort, no Príncipe, confundem-se com a natureza. Bom Bom Island Resort bungalows are fully integrated into their natural surroundings.

nho é fria, não há Internet e a rede do telemóvel vai e vem, imitando o movimento da ondulação. Mas não tenho prédios a tapar-me o sol, adormeço e acordo com o som do oceano, percorro as praias circundantes sem avistar vivalma, e isso não tem preço. Dois dias depois, a sensação é a de que não queremos voltar ao mundo. Para quê o trânsito, a televisão de última geração, o tablet ou muitas das inúteis comodidades da vida urbana? O essencial está aqui. Não é por acaso que o lema do país é “leve leve”. Descontraído, devagarinho, sereno. Não precisa de lá passar muito tempo para compreender na totalidade o significado da expressão. Os são-tomenses desconhecem a correria das metrópoles. Aqui sobra tempo para viver. Para o “leve leve” que se incorporou no sangue deste povo e lhe povoa os genes. Agora esqueça o relógio. Deixe-se levar até um almoço na Roça São João Angolares, no centro da ilha, para desfrutar dos sabores locais na cozinha a cargo de João Carlos Silva (conhecido pelo programa de televisão “Na Roça com os Tachos”). O anfitrião guia-o por um menu de degustação que o vai colar à mesa durante várias horas – o chef é um excelente conversador e explica tudo detalhadamente. A Roça foi recuperada e está integrada num cenário fantástico. Até a paisagem é de comer e chorar por mais. Antes de me aventurar no Norte, volto a parar em São Tomé. A ilha está ainda tão virgem em termos turísticos que existem poucas infraestruturas e

comes and goes like the waves on the beach. The good news is that no buildings hide the sun, I fall asleep and wake up to the sound of the sea, I walk through the surrounding beaches without seeing a living soul… and that’s priceless. After two days, we don’t feel like going back to the messy world. Why on earth do we need traffic, the latest generation TV or tablet, or loads of other useless amenities of urban life? The essential stuff is here. It is no coincidence that the country’s motto spells like leve leve: “take it easy”. Relaxed, slow and calm. You don’t need to spend a lot of time here to fully understand the meaning of this expression. Sao Tomeans ignore the rush of the big metropolis. Here there’s time left to live. The “take it easy” mood has penetrated deep into people’s blood and lives in their genes. Now just forget your wrist watch and head for lunch at the Roça Sao Joao Angolares in the center of the island to enjoy local flavors made with heart by Joao Carlos Silva (known by his cooking show “Na Roça com os Tachos”). The host guides you through a tasting menu that will stick you to the table for hours. The Chef is a great chatter and loves to explain everything in detail. The Roça was rehabilitated and is part of a fantastic setting. I must say that even the landscape looks particularly moreish. Before venturing into the north I make a short stop in Sao Tome. The island is so pristine in terms of tourism that there’s little infrastructure

não é fácil abastecermo-nos de comida ou combustível fora da cidade. Assim, a capital acaba por ser um ponto de referência, uma escala na viagem dentro da viagem. Tinham-me dito que o pôr-do-sol no Mucumbli era o mais bonito da ilha. Desconfio sempre destas certezas. Mas não me podia vir embora sem o espreitar. Na estrada para Neves, a localidade mais próxima, é obrigatório parar na Lagoa Azul. Esta linda baía é excelente para o snorkeling, uma oportunidade para conhecer a vida debaixo de água. Fora dela, a selva tropical, as inúmeras espécies endémicas de aves e plantas ou as abundantes cascatas não deixam dúvidas sobre se vale a pena visitar estas ilhas quase esque-

and it’s quite hard to get food supplies or fuel outside the city. Thus, the capital becomes a point of reference, a sort of stopover within a multi-stop trip. I was told that Mucumbli has the most beautiful sunset. I’m always suspicious of these certainties. But I couldn’t go away without checking it out. On the road to Neves, the nearest town, it’s mandatory to stop at the Lagoa Azul. This beautiful bay is great for snorkeling and for getting in touch with the marine life underwater. The rain forest, the endemic species of birds and plants and the abundant waterfalls are more than enough reason to visit these islands almost forgotten in the Atlantic Ocean. Mucumbli, located in


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“Ir a São Tomé e não vir ao Príncipe é morrer na praia”. Não podia ficar com esse amargo de boca. “Taking a trip to Sao Tome and not going to Principe is like dying on the beach”. Well, I didn’t want it to happen.

Cenários paradisíacos proporcionam momentos únicos, como um jantar romântico junto ao mar. Heavenly settings offer unique moments as a romantic dinner by the sea.

cidas no Atlântico. Mucumbli, em Ponta Figo, é um pequeno e encantador resort eco-friendly, nascido da imaginação de um casal italiano. Os bungalows integrados na paisagem oferecem alguns luxos e as varandas viradas para o mar deixam-no observar o famoso pôr-do-sol no conforto de casa. Não sei se é o melhor e pouco me interessa atribuir notas; se é belo? A resposta é evidente. Tudo no Mucumbli cumpre ou supera as expectativas. Estou no “leve leve”. Mas o tempo, esse que nos impõe o ritmo e o calendário, não pára. O dia de regresso aproxima-se. Na pesquisa antes da viagem, leio a frase de uma portuguesa que vive no Príncipe: “Ir a São Tomé e não vir ao Príncipe é morrer na praia”. Não podia ficar com esse amargo de boca, o de saber que tinha atravessado meio mundo e não dera

mais uns passos para conhecer a outra ilha, mais deserta e selvagem. Uma curta viagem de 30 minutos num pequeno avião leva-nos até perto de Santo António, talvez a capital mais pequena do mundo. Só de avistar o Príncipe do ar ficamos sem fôlego, tal a sua beleza. Aventuro-me na tarefa de alugar um carro para visitar a ilha. Aqui não há rent-a-cars, tudo é feito à moda antiga. É preciso procurar um habitante local que esteja disposto a alugar a sua viatura (convém ser um 4x4, caso contrário não irá longe). Depois é preciso negociar bem: no Príncipe a oferta é muito pouca e os preços são inflacionados. O isolamento paga-se caro. Mas quando percorremos os seus caminhos, tudo isso é esquecido. Há uma expressão que diz “guardar o melhor para o fim”. Tal como uma banda deixa o seu maior êxito para o

Ponta Figo, is a small and charming eco-friendly resort, born from the imagination of an Italian couple. The bungalows are fully integrated in the landscape and offer some luxurious details and balconies facing the sea to enjoy the island’s famous sunset in a homey atmosphere. I don’t know if this is the best sunset, but I’m not interested in any classification of the sort. Is it beautiful? The answer is obvious. In Mucumbli everything meets or exceeds expectations. I’ve got into the spirit leve leve. But time keeps on imposing its rhythm and never stops. My return home is approaching fast. Before the trip, while I was doing some research, I found these words written by a Portuguese who lives in Principe: “Taking a trip to Sao Tome and not going to Principe is like dying on the beach”. Well, I didn’t want it to happen: to cross half

the world and not taking a few more steps to visit the other island that’s even more deserted and wild than Sao Tome. A short 30mn ride in a small plane takes us near Santo Antonio, perhaps the smallest capital in the world. When we spotted Principe from the sky we got carried away by its magnificent beauty. I tried to rent a car to explore the island. There are no rent-a-car agencies; everything is done the old fashioned way. We have to find a local resident who’s willing to rent his car (preferably a 4x4 or you won’t get far away). Then get ready to bargain: fuel is scarce in Principe and prices are highly inflated. Isolation comes with a high price, but you’ll forget all about it as soon as you hit the road. There’s an expression that goes like this: “save the best for last”. Most music bands hold their hit song for


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encore, é tempo de rematar a viagem com algum luxo, uma compensação que o corpo pede pelos dias mais aventureiros. O encore seria reservado para o Bom Bom, o primeiro hotel em África a receber a certificação de Biosphere Responsible Tourism. Seria repetitivo chamar paraíso ao local onde me encontro. Tudo no Príncipe parece levar para essa descrição. Se já me tinha deslumbrado com a Praia Banana, o ilhéu Bom Bom permite-me reviver esse sentimento 24 horas. Sou levado ao bungalow onde vou ficar, a alguns passos da água. Para tentar igualar o cenário exterior, o interior também é luxuoso. Será que é possível ficar a viver aqui? Acabo por não me atrever a fazer a pergunta em voz alta a um responsável do hotel. Aproveito o tempo para a espreguiçadeira, o snorkeling ou o stand-up paddle (SUP). Quando a fome aperta, atravesso a ponte de madeira de 140 metros, sobre a água, até ao restaurante em pleno ilhéu. Além do elevado nível de serviço, é de notar o esforço para se utilizar maioritariamente produtos locais, num sítio tão isolado e com tão pouca produção. Sentimos que a comunidade foi envolvida neste projecto do milionário sul-africano Mark Shuttleworth. O areal das praias do resort está quase sempre vazio. Essa quase constante sensação de estarmos sozinhos num local assim é o que distingue este arquipélago de outros inúmeros destinos de praia ou natureza. Esqueça o ruído das diversões aquáticas ou das actividades de animação dos resorts sem personalidade que crescem como cogumelos noutros locais. Se é isso que procura, não venha aqui. Já estou outra vez dentro de água. Bem, quase. Aproveito o convite para uma viagem de barco pelas redondezas do Bom Bom. Já tinha visto o Príncipe do ar e em terra, faltava-me vê-lo do mar. Aqui voltamos a ter uma percepção do todo, da harmonia perfeita entre os elementos. É uma sensação única ver praias e praias desertas, quilómetros de floresta sem intervenção humana. Paramos junto à Praia Margarida para um último mergulho. Até parece que estou no paraíso. Outra vez.

the encore. I’ll do the same and finish off my trip with a little pampering. My body asks to be rewarded for those tough and adventurous days. I choose Bom Bom for the “encore”: the first hotel in Africa to receive the Biosphere Responsible Tourism certification. Saying this looks like paradise is kind of repetitive, though everything in Principe fits into the description. I was dazzled with Banana Beach, but Bom Bom offers me the chance to relive that feeling 24 hours a day. The bungalow is just a few steps from the sea. The exterior setting is awesome and the luxurious interior design rhymes with it. Could I live here? I dare not ask the question to one of the hotel managers. I let time slip way on the pool loungers and enjoy some snorkeling and stand-up paddle (SUP). When hunger strikes I simply cross the 140m wooden bridge to get to the restaurant right in the middle of the islet. Besides the top quality service, it is worth noting the effort they put on using mostly local products, since this is a very isolated place with little production. We really feel that the community was involved in this project of the South African millionaire Mark Shuttleworth. The resort’s sandy beaches are almost always empty. This constant feeling of being all alone in a place like this is what distinguishes this archipelago of numerous other beach or nature destinations. Forget the noise of aquatic amusements and the usual entertainment activities of resorts with no personality, which grow like mushrooms elsewhere. If that’s what you want, forget this place exists. I’m back in the water. Well, almost. First I take the invitation for a boat ride on Bom Bom’s surroundings. I had seen Principe from the sky and on the ground; the only thing missing was a perspective from the sea. Here we get the whole picture. We sense the perfect harmony between the elements. Seeing secluded and deserted beaches one after the other and miles of forest untouched by humans is really unique. We stopped by at Margarida Beach for a last swim. I’m in paradise. Again.

Chef João Carlos Silva. Chef Joao Carlos Silva.

Tome Nota Como ir A TAAG tem três voos semanais entre Luanda e São Tomé, com preços a partir de 380 USD. Onde ficar Em São Tomé, opte pelo Mucumbli no Norte ou o Jalé Ecolodge no Sul. No Príncipe a oferta é escassa; se procura luxo escolha o Bom Bom. Onde Comer Na cidade de São Tomé procure o restaurante B24. Típico e simples, com comida deliciosa e bem confeccionada. Imperdível Experimente o menu do chef na Roça São João de Angolares. Cuidados a ter Os são-tomenses são muito afáveis e a criminalidade é baixa. Mesmo assim, não deixe objectos à vista no carro.

Take Note How to go TAAG operates three weekly flights to Sao Tome; prices start at 380 USD. Where to stay In Sao Tome check-in with Mucumbli in the north or Jale Eco-lodge in the south. Lodges in Principe are scarce; head to Bom Bom if you fancy a luxury stay. Where to eat In the city of Sao Tome ask for picturesque restaurant B24. The food is delicious and full of soul. Must-do Try the signature menu by Chef at the Roça Sao Joao de Angolares. Safety tips & precautions San Tomeans are very kind and the crime rate is low, but don’t leave anything of value in the car.


Sunday Times | South Africa November 2013

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                SOUTH African billionaire Mark Shuttleworth is known for dreaming big, and his latest adventure is no exception — he is ploughing R960-million into creating one of the most exclusive resorts in the world in a tiny island country in the Gulf of Guinea. The island chain of SĂŁo TomĂŠ and PrĂ­ncipe is one of Africa’s smallest nations and is known for its pristine rainforests, unspoilt beaches, game fishing, cocoa crops and a famous guest known by locals as the “man in the moonâ€?. The entrepreneur earned the nickname because of his trip to the International Space Station, which cost about R200-million. Now he is smitten with the simple life on PrĂ­ncipe, which, the story goes, he happened on while looking to buy a private island. The former Portuguese colony has a population of about 180 000. The island of PrĂ­ncipe has a soccer team, schools and an art centre — but no ATMs and nowhere to get a professional haircut. San Antonio, the historic capital of PrĂ­ncipe, is the smallest city in the world, with just 700 inhabitants. Two years ago, Shuttleworth bought the Bom Bom resort on a small islet just off PrĂ­ncipe, which was initially developed in the ’70s by wealthy South African Chris Hellinger. Shuttleworth has since bought several other resorts and tracts of land in a project set to cost his venture capital

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WHEREAS mere mortals might be able to live in a nice, comfortable house if they are lucky, the world’s superrich are living it up on their own private islands. ý Hotelier Sol Kerzner may not personally own an island, but in September he announced that his One&Only group had taken over management of the Hayman Island resort off Australia’s northeastern coast. ý Tokyo Sexwale bought

company, Here Be Dragons, about Ă 70-million (about R967million). He wants to develop the island without disturbing its beauty. This week he was not reachable, travelling in Asia. But the Financial Times last week reported him calling the island “somewhere etherealâ€?. “Ă?f you’re going to get involved somewhere like PrĂ­ncipe, one goal is to ensure that if you fly into PrĂ­ncipe in 20 years’ time it is as beautiful as it is today,â€? he told the newspaper. “You have to try to figure out a way to improve people’s quality of life and their ability to participate in the world while still protecting what they may

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�������� ��������� Mozambique’s Quilålea Island in 2008, shelling out about $70-million for it. It is now part of a bitter divorce dispute between Sexwale and his estranged wife, Judy. ý Actor Mel Gibson bought the Fijian island of Mago in 2005, reportedly paying about $15-million for the 22km2 slice of paradise.

not realise is very special about their environment.â€? Company spokesman Tania Garcia told the Sunday Times from Portugal that the island would be developed along five “strategic pillarsâ€?: to protect its biodiversity, celebrate its culture and history, support cultural and sporting activities, create space for access to knowledge and create jobs. Garcia said the company had already done minor renovations at Bom Bom and planned to turn it into “one of the most exclusive resorts in the worldâ€?. On another part of the island, Roça a Paciencia, a four-star “eco-resortâ€? is planned, set in a rainforest and overlooking the

Ă˝ Hollywood star Johnny Depp is able to play at ‘Pirates of the Caribbean’ on Little Halls Pond Cay in the Bahamas, which he bought in 2004 for $3.4million. Actor Eddie Murphy also has an island in the neighbourhood — Rooster Cay. Ă˝ When he was 28, businessman Richard Branson visited the British Virgin Islands

sea. A five-star resort, with an African art theme, will be developed on three of the island’s beaches. Roça Sundy, a historic cocoa farm, will be developed to create a cocoa experience for visitors and chocolate will be made. Shuttleworth has also bought properties in San Antonio to be developed into businesses and a boutique hotel on SĂŁo TomĂŠ. The master plan is to “support this country to become a unique tourist destination and truly sustainable both environmentally and socially, as well as economicallyâ€?. The company said it had earned the trust of the population and the authorities and

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in 1978 and offered to buy Necker Island for ÂŁ100 000. The land was valued at about ÂŁ3-million at the time, so the offer was initially laughed off. Eventually, however, the cashstrapped owner accepted ÂŁ180 000. Branson developed the island into a luxurious resort that has hosted guests such as Princess Diana and actress Kate Winslet, who was on the island when a fire destroyed the main house in 2011.

was “actively engaged in Mark’s commitment and his vision for the country, whose implementation has a planned investment of Ă 70-million over 12 to 15 yearsâ€?. Research teams from South Africa have arrived to catalogue flora species and study the best ways to grow coffee, vanilla and cocoa. Plans for forest recovery are under way and some homes have been identified for rehabilitation. Some 700 jobs will be generated, 90% of which are designated for locals. Work on extending the island’s airstrip to a 1 800m runway, equipped to deal with aircraft slightly bigger than 16seaters, has already started.

NKOSANA Maka poster boy for th son’s struggle ag of big business. But whereas V Goliath in this Nhlapho is no Da The 41-year-o has waged a against the cellp in the “Please Ca After years of to win recognitio sation, he star against Vodacom ing he was the br lucrative returnWhen he walke Court in Johann 14 for the start had a legal arm two senior intell advocates — beh And the case him a cent, tha perty, a legal pro for the purchas civil claim in retu of the proceeds. It has only b South Africa sin ing a landmark Supreme Court o When Makatewas bought by Litigation Fund exhausted his sav to his bond and c holidays for sever Sterling is fun lawsuit in exchan of the claim in th cess. It has so far million on Maka gal fees and a R500 000 to settle legal debts, amon On the day Vod the Please Call registered 140 0 and today roug Please Call Me sent daily. Sterling calcu dacom may have as R45-billion fr since it launc Nhlapho believe to at least 15%. Closing argum action is due to Tuesday. His l cludes senior co Puckrin and Re who have more experience in in erty law between Makate-Nhlap view this week, Vodacom after m was selected for a


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VIAGGIO IN 8 GIORNI A 1290 EURO* africa: são tomé, l’isola sconosciuta

* Per 8 giorni (7 notti) negli hotel Pestana São Tomé e Pestana Equador in camera doppia b&b con volo a-r dall’Italia.

Spettacolare, in mezzo all’Oceano, adesso con un volo diretto. Finora sperduta e senza hotel. Resa famosa da un libro. Con case coloniali lussuose e una natura da inizio del mondo, ma a prezzi prova

L’Eden nero

Praia Banana a Príncipe: una falce di sabbia che si raggiunge con una passeggiata dalla fattoria di Belo Monte. 26

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Il libro È un grande affresco del periodo coloniale il best seller Equatore, di Miguel Sousa Tavares (edizioni Cavallo di Ferro, 14 €), che ha vinto anche il Grinzane Cavour nel 2006. Storia di amori, tradimenti, passioni e intrighi, fra le piantagioni di São Tomé. I brani pubblicati nell’articolo sono estratti da questo romanzo.

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1. Bom Bom Island Resort: il ponticello sull’oceano che collega i bungalow al pontile da cui partono uscite in barca ed escursioni. 2. L’italiano Claudio Corallo insegna i segreti del cacao nel suo atelier a São Tomé City. 3. Il punto in cui la linea dell’equatore attraversa Ilhéu das Rolas.

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Note di viaggio Da ricordare. Senza visto non si parte: la compagnia aerea non imbarca. Bisogna farlo con anticipo, mandando anche il pdf del biglietto aereo e della prenotazione alberghiera al sito www.smf.st/virtualvisa.

Patrizia Calegari / DOVE

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na delle biosfere più complesse del globo. Il miglior cacao al mondo. Il secondo Paese più piccolo dell’Africa dopo le Seychelles, ma il più grande dei microstati. Lunghe spiagge, acqua cristallina, picchi alti 2000 metri. São Tomé e Príncipe, due isolotti, quasi invisibili sulle mappe geografiche, persi nel Golfo di Guinea, di fronte al Gabon, a 250 chilometri dalla costa africana. La varietà di ambienti li rende interessanti e mai monotoni, punteggiati di edifici coloniali délabré e variopinti villaggi di pescatori. Puntano sull’ecoturismo a piccoli prezzi, in alternativa alle lunghe spiagge di sabbia e ai lussuosi resort delle Maldive o di Mauritius, dopo aver debellato la malaria. La tranquillità politica della minuscola repubblica si rispecchia nella gentilezza della popolazione, un crogiolo di etnie, discendenti dagli schiavi importati dai portoghesi da Congo, Gabon, Angola e Mozambico nel XV e XVI secolo; anche per questo andare in giro per le isole è piacevole e sicuro. Il miglior momento per vivere quest’atmosfera primordiale è la stagione secca tra giugno e settembre, localmente chiamata gravana. Anche nella gravanita, ad aprile e maggio, le precipitazioni sono minime. Durante gli altri mesi brevi piogge si alternano a cieli sereni quasi tutti i giorni. Le due isolette (rispettivamente di 854 e 142 kmq), indipendenti dal 1975 e quasi completamente sconosciute, sono balzate improvvisamente alla ribalta con la pubblicazione del romanzo Equatore, di Miguel Sousa Tavares, storia d’amore e tradimenti ai tempi delle colonie, fenomeno editoriale del Portogallo, best seller internazionale. Oggi hanno attratto l’attenzione del milionario Mark Richard Shuttleworth, inventore della firma digitale, primo africano nello spazio e secondo turista in orbita. Invaghitosi di questi due puntini in mezzo all’Atlantico, ha deciso di investire nell’ecoturismo e nel sociale: 70 milioni di dollari in 15 anni. “L’obiettivo – spiega Luis Burnay, responsabile della HBD, società del giovane imprenditore sudafricano che sta realizzando costruzioni ecosostenibili a Príncipe – è attrarre turisti sensibili all’ambiente in cerca di destinazioni non troppo esplorate”. Il magnate comincia dalla piccola Príncipe, a 225 chilometri dalla costa della Guinea Equatoriale, dove la foresta di okà ed eritreine copre

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Da fare. Fermarsi a pranzo alla Roça São João, per gustare i migliori piatti di cucina creola rivisitata (circa 15 €). Si prenota chiamando João (cell. 00239.99.06.900). Da non fare. Attenzione alle tartarughe: nei mercati è possibile trovare ancora bijoux e oggetti in tartaruga. Meglio non comprarle, perché all’arrivo in Europa si rischiano ammende salate.

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“Bastava allontanarsi qualche decina di metri dalla costa e qualunque pescatore, anche il più incapace, poteva pescare come un professionista.” 1

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tutto fino all’oceano e i picchi delle montagne raggiungono i mille metri. Il progetto completo prevede di elevare Príncipe a modello di sviluppo ecosostenibile a livello internazionale. Il primo passo è stato acquistare e rinnovare il Bom Bom Island Resort: una manciata di bungalow tra la ricca vegetazione equatoriale che sfiora gli arenili sabbiosi. Alcuni chalet sono sulla spiaggia, altri arroccati sul promontorio a qualche decina di metri dal mare. Il resort s’incunea tra praia de Coco, ideale con le luci dell’alba per una passeggiata di primo mattino, e la più raccolta praia Rita, perfetta per fare snorkeling o nuotare. Paradiso dei birdwatcher, soprattutto al mattino presto, quando è più facile individuare le tante specie di uccelli. Un lungo ponticello sull’oceano collega i bungalow al pontile da cui partono le escursioni in barca, le uscite per immersioni (la visibilità è eccezionale: 20-30 metri) e le battute di pesca d’altura. L’abbondanza di grande fauna ittica, come il marlin blu (soprattutto tra luglio e settembre), il pesce vela (tra settembre e novembre) e il wahoo (tra settembre e dicembre) sorprende anche i pescatori più esigenti, che vengono qui da mezzo mondo. Al ristorante con terrazza accanto al deck, lo chef propone piatti di pesce freschissimo, crostacei e qualche pietanza internazionale, con un tocco creolo. Dal resort partono varie escursioni: 30

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da non perdere praia Banana, mezzaluna di sabbia bianca lambita dall’acqua turchese e circondata da fitta vegetazione equatoriale, a 20 minuti di barca. È uno spettacolo, vista dall’alto del belvedere della roça (fattoria) Belo Monte, che si raggiunge a bordo di un comodo 4x4. È uno dei tanti complessi costruiti dai portoghesi nell’Ottocento intorno alle piantagioni di caffè e cacao. Il top è scendere lungo il sentiero in 15 minuti fino alla falce di sabbia e buttarsi in mare. La grandeur di queste immense fattorie un tempo totalmente autosufficienti, che punteggiano anche São Tomé, si coglie a Roça Sundy, recentemente acquistata con l’obiettivo di riportarla agli antichi splendori. Nella casa principale, si rincorrono saloni con i pavimenti originali e mobili d’epoca, al primo piano le camere e una terrazza vista oceano. Nel giardino, la targa del 2009 commemora l’eclissi del 1919, durante la quale l’astronomo inglese sir Arthur Eddington provò per la prima volta l’esattezza della teoria della relatività di Alfred Einstein. Rimangono tracce delle rotaie, su cui un tempo si trasportava al porto il caffè da imbarcare verso Lisbona; la cappella dedicata alla Madonna di Lourdes con un bel crocifisso e le ex case dei dipendenti oggi abitate da circa 400 persone. È una delle roça meglio conservate e la più grande: 1657 ettari. Qui

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1. Nel sud dell’isola madre, sulla strada verso Porto Alegre, si avvista il maestoso pinnacolo di Pico Cão Grande. 2. Il ristorante del Bom Bom Island Resort. 3. Snorkeling nei ricchi fondali dell’arcipelago di São Tomé. 4. Lo spruzzo di acqua polverizzata che sale da un foro nella roccia di praia Joana, attrazione naturalistica di Ilhéu das Rolas.

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1. Il resort Pestana Equador sull'Ilhéu das Rolas. 2. La città dalla piscina del Pestana São Tomé. 3. Roca Sundy, a Príncipe. La dimora coloniale dovrebbe essere restaurata e riportata ai fasti di un tempo.

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un tempo passava le vacanze il presidente, con famiglia e guardie del corpo. Tante belle spiagge sulla costa nord: praia Macaco, praia Boi e praia Grande. Graziosa la città di Santo António, sviluppatasi lungo il corso del fiume Papagayo. I tratti coloniali restano nelle architetture degli edifici corrosi dal salino e dal tempo e nella facciata della chiesa Nossa Senhora da Conceiçao, nella piazza principale. È difficile fare acquisti: in città ci sono solo piccoli banchi di alimentari. Il curio shop del Bom Bom raccoglie e vende il meglio dell’artigianato locale, tovagliette di erbe intrecciate e rifinite con tessuti africani, soprammobili etnici. Meno di un’ora di volo separa il piccolo aeroporto di Príncipe, in via di rinnovamento (2014) grazie alla partnership tra i fondi del tycoon sudafricano e il governo locale, da São Tomé. La regola del leve leve (lento lento in creolo) vale anche per le partenze, non sempre puntuali. Qui si vive con altri tempi, la frenesia non esiste. Arrivando da Príncipe, dove si percepisce un senso di isolamento dal resto del mondo, São Tomé città appare vitale. Nel centro spiccano la più antica cattedrale dell’Africa DOVE

subsahariana, Nossa Senhora da Graça, con pregiati azulejos sopra l’altare principale, il mercato, con coloratissime piramidi di peperoncini, lime, pomodori e cipolle, e lo storico forte di São Sebastião, con il museo nazionale. Gli ospiti del Pestana São Tomé, unico 5 stelle dell’arcipelago, possono fare vita di mare o passeggiare verso il centro storico (transfer su richiesta a orari stabiliti). L’hotel ha un esterno anonimo, ma il servizio è curato e il ristorante accontenta i palati più esigenti (a pranzo buffet da 25 € e la sera à la carte). Per il pesce alla griglia, O Paraíso dos Grelhados è in un container sulla spiaggia; mentre il calulu di pesce (stufato piccante con verdure) si gusta sulla terrazza di O Pirata o al Restaurante Filomar, sulla spiaggia. Ogni giovedì alle 19 si degustano i piatti tipici, tra expat e turisti, con accompagnamento musicale, a Cacau - Casa das Artes, Criação, Ambiente e Utopias (www.cacaucultural.com). L’immenso capannone, ex Pavilhão das Obras Públicas, è il primo spazio di arte contemporanea del Paese, dove espongono artisti e artigiani locali. Quest’anno a novembre ospiterà la VII Biennale

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“Osservava con meraviglia l’architettura coloniale delle case padronali. E immaginava quanti viaggi in nave fossero stati necessari per portare dall’Europa le maniglie di porcellana bianca, i servizi di piatti, gli specchi di cristallo, e persino il grammofono.”

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di Arte Contemporanea di São Tomé (www.bienal-stp.org). In città, leggermente decentrato, l’Omali Lodge, ancora del gruppo HBD, dove si respira più aria di business che di vacanza. Ma il tocco è africano: nell’architettura dei bungalow con tetti di paglia e negli arredi. Grande piscina in giardino, miniboutique e ristorante. Abbondanti le prime colazioni. Menu à la carte a pranzo e a cena (16 €). In una giornata di auto si passano in rassegna il Nord dell’isola e le sue spiagge. Prima tappa a Roça Bela Vista, piantagione attiva con la casa padronale occupata da uffici. Se avvicinandosi sorprende il rumore dei tasti della macchina per scrivere, lascia allibiti assaggiare il sapore autentico di una fava di cacao arrostita lentamente al sole (la più pregiata sui mercati internazionali) o su ampie spianate riscaldate dal di sotto con il fuoco a legna. Un approccio al mondo del cacao con degustazione (gratuita, solo su prenotazione da lunedì a giovedì, tel. 00239.22.22.236, www.claudiocorallo.com) si può provare nell’atelier di Claudio Corallo, fiorentino da sempre impegnato nell’agricoltura tra Africa e Sudamerica, che si è insediato a São Tomé per l’alta qualità delle fave e dei 34

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1-2. Una camera e una proposta dello chef del Bom Bom Island Resort. 3. Praia Banana come appare dall’alto del belvedere della Roça Belo Monte. 4. A São Tomé c’è anche un centro di riproduzione delle tartarughe marine sulla costa nord, sulla spiaggia protetta di Morro Peixe.

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“I nomi delle piantagioni più straordinari erano quelli che evocavano degli stati d’animo: Perseverança, Saudade, Ilusão, Fraternidade.”

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1. La spiaggia del Bom Bom Island Resort. 2. Il centro culturale Cacau, a São Tomé, ospiterà la Biennale d’Arte Contemporanea. 3. A settembre e ottobre, nello stretto tra Ilhéu das Rolas e São Tomé passano le megattere. 4. La scalinata coloniale dell’ospedale di Roça Água Izé. 5. La hall dell’Omali Lodge. 6. L’essiccazione del cacao a Roça Bela Vista. 7. Tartarughino sulla spiaggia di Morro Peixe.

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semi. “Il cacao e il caffè – spiega Corallo, console onorario del Paese – come il buon vino, hanno bisogno di cura, terreni adeguati ed esperienza”. Negli anni ha ridato vita a due grandi piantagioni: Nova Moca, sull’isola madre, e Terreiro Velho, a Príncipe. Il suo cioccolato, a detta di numerosi critici gastronomici internazionali (dalla Bbc alla rivista statunitense Saveur), è il migliore al mondo. La degustazione si svolge nel laboratorio: si parte della fava fino ad assaggiare i vari tipi di cioccolato con percentuali diverse di cacao. Per raggiungere le spiagge del Nord da São Tomé City si parte in direzione Guadalupe su una strada in buone condizioni delimitata da baobab e tamarindi. In circa 30 minuti si può scegliere se visitare il centro di riproduzione delle tartarughe sulla spiaggia di Morro Peixe, raccogliere conchiglie a praia das Conchas o fare snorkeling a Lagoa Azul, piccola baia di acqua turchese punteggiata dalle tipiche fronde dei bao36

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bab che sembrano radici, da cui il soprannome: alberi sottosopra. O, ancora, nuotare a praia dos Tamarindos, forse la più bella per il contrasto tra il blu dell’oceano e il verde della fitta vegetazione fino alla battigia. A mezz’ora di auto dalla capitale, verso sud, merita una sosta la Roça Água Izé, una delle più visitate e delle più grandi (80 kmq). Solo guidando all’interno della piantagione, tuttora abitata, si capiscono le enormi dimensioni di queste aziende agricole. L’ospedale è una vera opera d’arte coloniale con una doppia scalinata, fatiscente, ma bellissima, realizzata nel 1928. Una manciata di chilometri ed ecco Boca do Inferno, uno degli spot più fotografati, dove le onde oceaniche si frangono vigorosamente contro il canale di rocce di basalto e si polverizzano nell’aria. Poco oltre la bella praia das Sete Ondas, di sabbia finissima, quasi sempre deserta. Verso il villaggio di pescatori di São João dos Angolares, all’ombra del Pico Maria Fernandes, è tornata in attività la Roça São João,

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tappa cultural-gastronomica. João Carlos Silva, ex giornalista in Portogallo e fondatore della Biennale di Arte Contemporanea, è rientrato nella sua isola e si è distinto per l’alto livello dei piatti, a base di ingredienti e spezie dell’orto proposti nel menu degustazione (15 €), servito con grande cura nell’arieggiata terrazza vista mare. Tra i piatti: cevice di marlin e coriandolo selvatico, gamberetti alla curcuma o filetti di cocco caldo e banana flambé. Altro merito dell’ex giornalista è di aver ridato vita alla casa amministrativa della roça, oggi locanda con poche camere spartane, ma autenticamente arredata (per un po’ d’intimità meglio prenotare l’appartamento con due camere attigue e il bagno in comune). Sempre più a sud. Superato il maestoso pinnacolo di Cão Grande e appena prima di Porto Alegre, da Ponte Baleia (circa 2 ore e mezzo dalla capitale) parte il ferry per un altro eden: Pestana Equador, island resort sull’Ilhéu das Rolas, uno dei migliori spot per osservare l’eclissi DOVE

solare totale del prossimo 3 novembre. Appena riaperto dopo la ristrutturazione, è un luogo davvero fuori del tempo in una giungla densa e rigogliosa. Ha 70 bungalow in legno, disegnati dall’architetto Hélio Martins su modello delle case saotomensi, e, accanto, il piccolo villaggio che ospita l’80 per cento degli impiegati del resort. La terrazza del ristorante (pesce freschissimo) si affaccia su una spiaggetta coronata di palme, dove s’incontrano gli oceani, formando a ogni onda una X. Per piatti tipici o spuntini veloci c’è il bar, vicino al centro diving. Bombole, pinne e maschere si trovano in uno degli ambienti più belli dell’antica casa padronale della piantagione, con un doppio scalone in legno che porta all’ammezzato. Relax garantito sulle spiaggette davanti alla piscina, che con i suoi 2300 metri quadri è la più grande di questa costa africana. In 20 minuti si sale al punto in cui la linea dell’equatore attraversa l’isola. E dove tutti si fanno la foto con un piede nell’emisfero boreale e uno in

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Dove | Italy August 2013

con volo a-r Lisbona - São Tomé, da 700 € in doppia b&b. Da aggiungere il volo dall’Italia. Dall’Italia: con Ekoafrica (tel. 0564.28.603, www.ekoafrica.com) 8 giorni - 7 notti (4 al Pestana Equador e 3 al Pestana São Tomé), in doppia b&b con volo a-r, trasferimenti, assicurazione, tasse, da 1290 € tutto l’anno eccetto agosto (1890 €; base 2 persone). Con Harmattan (www.harmattan.it, tel. 041.81.22.956) in 15 giorni si può fare un tour in auto dalla capitale al Sud di São Tomé e risalire la costa occidentale a bordo di un veliero, da 3650 € con volo a-r (minimo 6 partecipanti); agosto 3900 €. Con Il Viaggio (www.ilviaggio.biz, tel. 02.66.98.29.15) 8 giorni - 7 notti in doppia con ½ pensione all’Omali Lodge, con voli a-r TAP e transfer da 1870 €, in agosto da 2350 €; 14 giorni di cui 7 all’Omali Lodge e 7 al Bom Bom Island Resort da 2850 €, agosto da 3400 €, sempre ½ pensione, volo TAP, voli interni e transfer.

Dove dormire

Snorkeling e cacao Come arrivarci In aereo: dall’Italia a São Tomé, via Lisbona, con TAP (www.flytap.com) a-r da 634 €; da São Tomé a Príncipe a-r da 128 € con STP Airways (www.stpairways.st). Noleggio auto: in loco, con Prestigio Car (cell. 00239.99.16.940) da 1 a 3 giorni 55 € al giorno, da 4 a 8 giorni 45 € al giorno. Avis (tel. 00239.22.26.767) 42 € al giorno, 248 € alla settimana. Pacchetti: la soluzione più conveniente è quella con partenza da Lisbona, con il tour operator portoghese Abreu (www.abreu.pt, tel. 00351.214.15.60.72): 8 giorni - 7 notti (4 al Pestana Equador e 3 al Pestana São Tomé)

Bom Bom Island Resort Indirizzo: Ilhéu Bom Bom, Príncipe, tel. 00239.22.51.114, www.bombomprincipe. com. Prezzi: doppia b&b da 330 €, dall’1/3 al 31/5 da 255 €. C/credito: Mc, Visa.

j Pestana São Tomé Indirizzo: avenida Marginal 12 de Julho, São Tomé, tel. 00239.22.44.500, www. pestana.com. Prezzi: doppia b&b 164 €. C/credito: Mc, Visa.

hj Omali Lodge Indirizzo: praia do Lagarto, São Tomé, tel. 00239.22.22.350, www.omalilodge.com. Prezzi: doppia b&b da 190 €. C/credito: Mc, Visa.

j Pestana Equador Indirizzo: Ilhéu das Rolas, São Tomé, tel. 00239.22.61.196, www.pestana.com.

quello australe. La sensazione di essere un nuovo Robinson Crusoe è immediata passeggiando per l’isola. Il profumo di cocco e i colori decisi della foresta verdissima e folta accompagnano ogni camminata. In 40 minuti dal resort si attraversa l’isolotto fino alla spiaggia rocciosa di praia Joana, sulla costa meridionale, famosa per l’alto spruzzo di acqua polverizzata che sale da un grande foro nel basalto, mentre il periplo dell’isolotto a piedi richiede un’ora e mezzo a passo lesto. Nello stretto tra Ilhéu das Rolas e São Tomé tra settembre e ottobre si avvistano i giganti del mare: le megattere, balene dalle pinne pettorali lunghissime e dalla grande abilità nel canto, passano di qui. Tornati 38

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OTHERS

Prezzi: doppia b&b 112 €. C/credito: Mc, Visa.

j Roça São João Indirizzo: collina di São João dos Angolares, São Tomé, tel. 00239.22.61.140, cell. 00239.99.06.900, www.rocasjoao.com. Prezzi: doppia b&b 38 €, in ½ pensione 53 €.; ristorante 15 € C/credito: no. Eco Lodge Praia Inhame Indirizzo: Porto Alegre, São Tomé, cell. 00239.99.04.312, www.hotelpraiainhame. com. Prezzi: doppia in ½ pensione da 80 € agosto e settembre, b&b da 60 € ottobre e novembre, da 88 € dicembre. Pranzo o cena da 15 €. C/credito: no.

Dove mangiare O Paraíso dos Grelhados Indirizzo: avenida Marginal, praia Brasil, tel. 00239.22.24.469. Orari: 18-20 (mai chiuso). Prezzi: 10 €. C/credito: no. O Pirata Indirizzo: estrada do Pantufo, praia de São Gabriel, cell. 00239.99.07.440/99.94.517. Orari: 11-15, 18-20 (mai chiuso). Prezzi: 18 €. C/credito: no. Restaurante Filomar Indirizzo: bairro do Hospital, praia do Lagarto, tel. 00239.22.21.908. Orari: 11-15, 18-20 (mai chiuso). Prezzi: 10 €. C/credito: no.

Notizie utili Non ci sono rappresentanze turistiche in Italia. Per imbarcarsi è obbligatorio il visto, che si richiede via Internet all’indirizzo www. smf.st/virtualvisa. All’arrivo si pagano 20 €, alla partenza 18 €. La carta di credito è accettata solo nei principali alberghi, ma si può pagare dovunque in euro. La moneta locale è la dobra: ce ne vogliono quasi 25.000 per fare 1 €.

sull’isola madre, scendendo verso Porto Alegre, imboccato un lungo viale di ibischi rossi si arriva all’Eco Lodge Praia Inhame, da poco inaugurato: 16 bungalow in legno (altri cinque in costruzione) a pochi metri dall’acqua. Anche qui cucina tipica (pranzo e cena da 15 €) e vita tranquilla fatta di passeggiate, pesca, corsi di cucina locale e avvistamenti di tartarughe. Da qui in pochi chilometri si raggiungono alcune delle più belle spiagge di São Tomé dove tra novembre e marzo vengono le tartarughe a deporre le uova: praia Piscina, sabbia bianca e rocce nere di basalto che formano piscine naturali, e praia Jalé. Inviati da Dove, Ornella D’Alessio e il fotografo Gabriele Crozzoli

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