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BRASIL

CIÊNCIAS DA VIDA BRASIL É FOCO DE INVESTIMENTOS Newsletter Life Sciences #27 | Julho 2013

hays.com.br


a equipe Mariana Roriz Diretora de Operações em São Paulo

Adriana Vianna Gerente da expertise Hays Life Sciences no Rio de Janeiro

2013 O ano da consolidação do setor de ciências da vida O ano de 2012 foi decisivo para o segmento brasileiro de ciências da vida. A nova camada social, os avanços tecnológicos e as grandes fusões e aquisições agitaram o setor, confirmando a obrigação de se repensar o gerenciamento e as práticas utilizadas por companhias, hospitais, clínicas e pelos próprios profissionais. Esse cenário continua em 2013 com mais empresas internacionais investindo no Brasil e com uma maior formação de startups. Apesar desse panorama positivo, as empresas em geral sofrem dificuldades no momento de implementar novas estratégias, principalmente devido à carência de profissionais em alguns setores das companhias. “Os negócios estão muito positivos, mas a alta demanda por especialistas, se não for sanada, tem suas implicações. A capacidade das companhias para levantar capital e na hora de fechar novos negócios e relacionamentos, pode ser prejudicada, pois as corporações não possuem a rede de negócios adequada”, explica Mariana Roriz, diretora da HAYS em São Paulo. Esse é um dos pontos abordados na Newsletter Hays Life Sciences 2013, que traz uma perspectiva sobre o futuro do setor, com uma análise para o segundo semestre de 2013 e para os próximos anos do segmento, além de explorar o potencial do mercado de patentes. Outro ponto comentado na publicação é a possibilidade de expansão dos trabalhos em áreas afastadas dos grandes centros como o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste, locais com fartura de vagas para profissionais da própria região e outras posições voltadas aos especialistas no mercado de saúde. “Nesses locais, existem muitas posições na área comercial e MSL. Geralmente os profissionais de vendas são procurados na própria região e os medicals science liaison em todo o Brasil”, explica Adriana Vianna gerente da HAYS no Rio de Janeiro.

A HAYS Recruiting experts worldwide lançou mais uma edição semestral do Hays Journal. A publicação oferece aos seus leitores matérias voltadas à atualidade, tendências e percepções sobre temas que exercem impacto no mundo do trabalho. Confira!

02 | Julho 2013 | #27 | Newsletter Life Sciences

A edição também traz um olhar sobre a capacidade de integração entre medicina e tecnologia: os novos aparelhos utilizados na indústria de equipamentos médicos, os tratamentos que podem ser aplicados e como os técnicos podem se aprimorar ainda mais para continuar na vanguarda do setor. “Para os profissionais interessados em entrar neste segmento, geralmente as empresas dão treinamento, muitas vezes fora do país, para que conheçam mais sobre os produtos e também as novas tendências”, explica Adriana. A Newsletter apresenta, ainda, um mapa de oportunidades com as principais demandas por posições no setor de ciências da vida, um breve guia para o profissional de RH que deseja entrar e se especializar e uma entrevista sobre mercado de trabalho e sobre a carreira de Robson Lima, diretor médico da GlaxoSmithKline.


CIÊNCIAS DA VIDA

BRASIL É FOCO DE INVESTIMENTOS 02 2013

08 regiões em alta

04 mapa de oportunidades

09 ciências da vida

06 estratégicos

10 entrevista

O ano da consolidação do setor de Ciências da Vida

Muito além do consultório Executivos de acesso são cada vez mais demandados

07 rh em ciências da vida Saiba o que está acontecendo

Norte, Nordeste, CentroOeste à procura de profissionais O futuro do segmento

Conheça Robson Lima, cirurgião oncológico e Diretor Médico da área de imunoterapia e Oncologia do laboratório GSK

Newsletter Life Sciences | #27 | Julho 2013 | 03


Muito além do consultório Recentemente o governo brasileiro anunciou projeto de cooperação com Cuba, que prevê a vinda de seis mil médicos para atuarem nas regiões brasileiras mais carentes de profissionais de saúde. Esta ação expõe uma questão impor­ tante: médicos brasileiros preferem exercer a profissão nas capitais e nas grandes cidades do país, evitando áreas mais distantes, mesmo quando oferecem pacotes de contratação bastante atrativos, como altos salários e outros benefícios. Sem dúvida, um dos motivos que levam a essa atratividade pelos grandes centros é o acesso a tecnologias avançadas, o que ainda é uma característica de São Paulo e Rio de Janeiro, detentoras da maior parte dos equipamentos de última geração como aparelhos de ressonância magnética, mamógrafos, ultrassom e tomografia computadorizada. “As tecnologias médicas estão cada vez mais sofisticadas, exigindo mais conhecimento técnico dos profissionais brasilei­ ros. O constante aprimoramento tecnológico e o acesso às ferramentas já incorporadas ao cotidiano ajudam médicos e hospitais a melhorarem o atendimento. Hoje, já é muito comum o uso de softwares que auxiliam no atendimento diário.” afirma Adriana Vianna, gerente da área de expertise Hays Life Sciences. Porém, a entrada de equipamentos médicos importados no Brasil ainda esbarra na velha burocracia, que trava diversos setores da economia nacional. De acordo com estimativas do mercado, até metade do ano passado, por exemplo, haviam 1.600 pedidos aguardando para serem aprovados pela Anvisa. É um número alto, considerando que em 2011 foram emitidas apenas 220 aprovações. 04 | Julho 2013 | #27 | Newsletter Life Sciences

Diante disso, diversas empresas costumam realizar treinamentos para aprimorar o conheci­ mento de seus profissionais. Algumas vezes, inclusive, eles são enviados para fora do país para conhecerem melhor as novas tecnologias. Isto é importante dentro de um mercado de equipamentos e inovações bem restrito, com poucos players e onde há uma troca de profissionais entre as empresas. A importação de tecnologia é um assunto que ainda enfrenta discussões relevantes, como o papel das iniciativas públicas e privadas na importação de equipamentos médicos, mas que ajuda a aquecer o mercado de trabalho nesta área. É a prova de que o setor de medicina pode ser muito mais do que um consultório médico. Também é importante que os profissionais inte­ ressados em entrar nesta área compreen­dam as mudanças estruturais que os avanços tecnológicos proporcionam: com maior tec­nologia agregada, por exemplo, os custos aumentam, o que interfere diretamente no dia-a-dia do setor. “Esses equipamentos importados são mais caros, mas permitem que se atenda cada vez mais pacientes de uma maneira mais ágil. Consequentemente, um maior número de atendimentos aumenta a receita do médico, hospital ou clínica e isso compensa a compra de máquinas mais caras”, completa Adriana Vianna. De acordo com a especialista da HAYS, além de médicos, os engenheiros são muito procurados para ocupar vagas neste setor, já que os profissionais devem possuir conhecimento sobre as tecnologias importadas. Claro, o inglês é imprescindível em todas as posições.


Mapa de oportunidades Em cada região do Brasil existem diferentes tipos de oportunidades, como podemos conferir no mapa:

Norte, Nordeste e Centro-Oeste • Gerente de OTC- Over-the-Counter • Gerente de Demanda • Gerente de Distribuição • Demanda por MSL – Medical Science Liaison

RIO DE JANEIRO • Gerente de Contas • MSL – Medical Science Liaison • Gerente de Pesquisa Clínica

SÃO PAULO • Gerente de Novos Negócios • Gerente de Produtos - prescrição/ hospitalar • Gerente de Farmacoeconomia

Região Sul • Gerente de Vigilância • Gerente de Pesquisa (gerente sênior para Desenvolvimento de Vacina).

Fonte: HAYS Recruiting experts worldwide

Newsletter Life Sciences | #27 | Julho 2013 | 05


Estratégicos, os executivos de acesso são cada vez mais demandados Promover diálogos com o governo, hospitais, laboratórios, faculdades e ONGs são algumas das atribuições dos profissionais de acesso. Além disso, são responsáveis por fechar acordos que garantam o acesso da população a medicamentos e tratamentos que, devido à comple­ xidade ou baixa procura têm um custo alto, tanto para os hospitais e clínicas quanto para os pacientes. Uma das atribuições do profissional de acesso é representar as empresas junto ao Ministério da Saúde. “Ele precisa ter noção sobre verbas propostas para o segmento, se existem pacientes suficientes para uma doença entrar na lista de auxílio, se há apoio de alguma ONG, entre outros aspectos”, explica Mariana Roriz, diretora da HAYS em São Paulo. Por ser uma carreira mais técnica, há uma demanda grande para trabalhar na área. Os profissionais precisam ter habilidades de relacionamento, facilidade para fechar acordos e contratos para a fabricação e distribuição, além de objetividade em negociações e bastante di­

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plomacia. Como o especialista pode atuar também em uma multinacional e/ou, receber resultados de análises, pesquisas e estudos de outros países, ter um segundo idioma é vital. “O inglês é fundamental, pois grande parte das novidades no setor é produzida fora do país. Cabe a esse profissional analisar as diferenças entre as legislações e adaptar o que for necessário à realidade brasileira”, esclarece Mariana. A área de acesso também é responsável por avaliar a eficácia da tecnologia ou medicamento, comparando com outros já existentes. Avalia-se também a relação de custo-efetividade, o impacto econômico e a relação da tecnologia com as políticas de saúde vigentes. O órgão governamental que comanda isso é a CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias), que tem por finalidade assessorar o Ministério da Saúde na incorporação, alteração ou exclusão de novas tecnologias e medicamentos, produtos e procedimentos na área.

Newsletter Oil & Gas | #26 | Julho 2013 | 6


Por dentro do RH em ciências da vida Passando quase intacto pelas crises e registrando crescimento – tanto no Brasil quanto no resto do mundo, o segmento de ciências da vida presencia o nascimento e a consolidação de várias carreiras. O profissional de Recursos Humanos, especializado no setor, está em alta e pode ter uma trajetória promissora. Para ter um bom desempenho é preciso estar próximo ao negócio e atento às variáveis que permeiam o segmento: produção, distribuição, pesquisa, legislação e marketing. Apesar de existirem setores comuns em comparação com outras empresas, como as de bens de consumo, há regulamentações próprias para a atuação em ciências da vida. Dessa forma, é necessário que o profissional de RH tenha um senso de urgência e precisão, o que dificulta ainda mais os processos de recrutamento. “Como existem poucos profissionais de RH especializados no mercado de Life Sciences, a busca por talentos é feroz”, explica Natasha Patel, gerente da expertise Hays Human Resources em São Paulo. De acordo com Natasha, trata-se de um setor em que a troca de ideias é constante e que o networking é fundamental, devido à grande movimentação de especialistas entre empresas. “Essa é uma área em que dá para perceber claramente a tão falada guerra de

talentos”, completa. Há também outro alicerce fundamental no qual o RH desse segmento deve focar: a competência em outras línguas. “Grande parte dos materiais dessas empresas vem de fora, por isso há uma grande demanda por idiomas (inglês e espanhol) e o profissional de Recursos Humanos não pode ficar de fora do core business da empresa”, pondera. O mercado brasileiro para profissionais recémformados é bom, já que existem vários players internacionais importantes atuando no Brasil. “O ideal é que o profissional faça estágio ou entre num programa de trainee na área para, quando chegar ao nível pleno, tenha uma boa experiência”, aconselha Natasha. Ela analisa ainda a contratação de profissionais estrangeiros para o segmento: “os expatriados praticamente não existem no setor, devido principalmente à falta do networking e às diferenças culturais”. Na questão de remuneração, o RH voltado à saúde precisa ter um background maior. “Os salários para os especialistas na área são mais competitivos, pois as empresas procuram profissionais vindos de boas escolas e bons segmentos, elevando a média salarial”, completa Natasha. Newsletter Life Sciences | #27 | Julho 2013 | 07


Norte, Nordeste e Centro-Oeste à procura de profissionais A necessidade de profissionais de ciências da vida no Brasil ainda é grande. Regiões como Norte, Nordeste e Centro-Oeste são as que mais sofrem com a escassez de especialistas. A quantidade de técnicos de Life Sciences no país ainda não é suficiente para suprir a demanda, principalmente em áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos. O problema é ainda maior quando se quer recrutar para área comercial no Norte e Nordeste. Há um grande número de vagas, mas, é difícil preenchê-las, pois as empresas têm preferência por profissionais que já vivem e conhecem a região onde vão atuar. “Nesse caso específico as empresas não estão muito abertas a contratar profissionais de outras regiões. É necessário ter um conhecimento local, para obter uma atuação desejável”, explica Roberta Ferreira, consultora de Life Sciences da HAYS no Rio de Janeiro. Quando se fala em áreas técnicas, existe uma maior flexibilidade em contratar pessoas de outras regiões. Há muita demanda voltada para pesqui­ sas científicas e para médicos. Nesses casos, a remuneração é um fator bastante atrativo. “O que dificulta a migração de profissionais do Sul e Sudeste para o Norte e Nordeste, além da distância, é a diferença de cultura e a falta de conhecimento da região, mas os que aceitam a oportunidade, são contratados a peso de ouro”, conta a consultora. Estrangeiros Mesmo com a instalação de grandes indústrias, como a VALE do Rio Doce em Parauapebas, no Pará, e a Alcoa em Pernambuco, a dificuldade de recrutar especialistas da área da saúde ainda é um desafio. Para suprir essa necessidade, empresas e recrutadoras estão mudando a estratégia e em

Novos cargos que podem chegar ao Brasil

vez de buscar profissionais do Sul e Sudeste, estão atraindo profissionais de fora do país. A economia estável do Brasil é um fator muito atrativo para o recrutamento de profissionais estrangeiros. Contudo, a língua e a burocracia ainda são barreiras que impedem a vinda dos expatriados. “Consideramos especialistas dos Estados Unidos e da Europa (Itália e Bélgica). Eles são recrutados principalmente para setores mais técnicos, como Pesquisa Clínica de Vacinas”, explica Roberta. O Centro-Oeste também sofre com a carência de especialistas em ciências da vida. A demanda vem principalmente da área comercial, pois a região atende as necessidades do governo, em Brasília (DF). Setores de diagnósticos, materiais e dispositivos hospitalares, além de equipamentos de grande porte, também sofrem com a escassez de profissionais. Assim como no Norte e no Nordeste, as empresas têm preferência por recrutar profissionais que moram e conhecem a região e os clientes. O problema é que faltam técnicos com a formação necessária para atuar no setor. O salário sofre uma variação, de acordo com a posição ocupada na indústria (base salarial + variável), mas não é atrativo suficiente para levar especialistas para a região. “A HAYS atua não só nos centros como Brasília e Goiânia, mas em toda a região. Estamos trabalhando na venda de equipamentos no Mato Grosso do Sul, por exemplo”, conclui Roberta. O CentroOeste ainda é uma área em expansão. Apesar de Brasília ser um grande centro urbano, o resto da região ainda sofre com a falta de desenvolvimento neste setor.

Descrição

Chief Business Officer (CBO) de Saúde

O Chief Business Officer cria estratégias para aprimorar a atuação da força de vendas. Também precisa ter noção dos tratados regulatórios e da estrutura do mercado.

VP de Acesso ao Mercado

O departamento está por trás dos esforços para conseguir mudanças no setor de saúde. O profissional tem que saber o melhor caminho para sugerir produtos aos médicos.

VP/SVP de Desenvolvimento Clínico

Lidera as equipes de desenvolvimento dentro das indústrias de Healthcare.

VP de Marketing - Saúde

Com as intensas mudanças na área de saúde, devido à natureza dinâmica do mercado, o vice-presidente de marketing precisa estar atento, pois fará toda a estratégia de vendas.

08 | Julho 2013 | #27 | Newsletter Life Sciences


ciências da vida o Futuro do segmento Pesquisa & Desenvolvimento e Fusões & Aquisi­ ções são os dois movimentos que vão ditar as regras mundiais no segmento de ciências da vida. O futuro da indústria médica depende amplamente de produtos e serviços que ainda não estão no mercado, mas já estão em projetos e testes iniciais. Além disso, as aquisições e fusões se tornam cada vez mais relevantes para a viabilização dessas estratégias, passando a fazer parte integrante da agenda dos líderes empresariais. No que diz respeito à pesquisa e desenvolvimento, o foco é a tecnologia. Biossensores nanotecnólogos, robôs que combatem o câncer, a decodificação completa dos nucleotídeos das moléculas de DNA se juntam a novas máquinas e equipamentos para tratar melhor, mais rápido e com uma maior precisão. Isso cria uma nova gama de carreiras para engenheiros, químicos, médicos e farmacêuticos, que podem trocar informações em equipes especializadas em medicina de alta tecnologia. Em Fusões e Aquisições (F&A), o mercado vive um bom momento. Segundo pesquisa da PwC, houve um crescimento global de 4% nas transações de F&A na primeira metade de 2012. Somente no Brasil, o estudo da consultoria identificou 433 operações de vários setores no primeiro semestre do último ano - um aumento de 55% em relação a 2011. Esses números, somados à grande atividade chinesa no período, fizeram os países emergentes aumentarem sua participação para 31% do mercado mundial de F&A em ciências da vida, proporcio-

Novos cargos que podem chegar ao Brasil

nando novas perspectivas e desafios para gerentes e diretores. Patentes O mercado brasileiro também tem outro foco em potencial para explorar: a quebra de patentes. Atualmente, 94% do mercado brasileiro de varejo não é mais protegido e os medicamentos genéricos atingem 22% em volume de vendas no atacado e 12% das vendas no varejo, de acordo dados da consultoria IMS Health. Nos próximos quatro anos, um grande volume de produtos também perderá as patentes, o que representa uma movimentação da ordem de um bilhão de reais. “O Brasil ainda conta com programas sociais para a população de baixa renda como o ’Aqui tem Farmácia Popular’. Isso impulsiona ainda mais o volume de vendas”, afirma Mariana Roriz, diretora da HAYS em São Paulo. O Brasil também pode ver o surgimento de novos cargos na cadeia das grandes companhias do setor. Segundo pesquisa da CTPartners, alguns cargos que são tendência nos Estados Unidos podem ser criados nas empresas brasileiras (conforme gráfico). “O futuro do setor está cada vez mais ligado à tecnologia inserida em tratamentos e formatos de distribuição, marketing e venda”, analisa Mariana. “É um setor dinâmico, que não sofre muito com as crises e está em crescimento, com os profissionais tendo muito a ganhar. O futuro é muito promissor”, finaliza.

Descrição

VP de efetividade da força de vendas

Área nova no Brasil, que ainda não conta com o cargo de vice-presidente. O papel desse profissional é estruturar as vendas por canais e definir qual a tática mais competente para negociar cada produto, de acordo com a região.

VP de TI – Saúde

Nos EUA, uma nova legislação determina a integração dos registros médicos de pacientes. Assim, o executivo de TI fica ainda mais estratégico para o setor. Mesmo sem contar com uma regulamentação similar no Brasil, a tendência é que especialistas com um olhar estratégico e perícias técnicas na infraestrutura tecnologia de informação sejam mais demandados. Newsletter Life Sciences | #27 | Julho 2013 | 09


Entrevista robson lima Mesmo com inúmeros desafios, a área de Life Sciences oferece muitas oportunidades para profissionais qualificados. Essa é a avaliação de Robson Lima, cirurgião oncológico e diretor médico da área de Imunoterapia e Oncologia do laboratório britânico GlaxoSmithKline (GSK). Lima, que também é responsável pelo departamento de eventos médicos, atua no GSK há cinco anos e é nosso convidado para a entrevista pingue-pongue nesta edição da Newsletter Hays Life Sciences. Entre os assuntos abordados estão carreira, mercado de profissionais na área farmacêutica e desafios do setor. Formado pela Universidade Gama Filho em 1994 e com MBA em Gerenciamento de Saúde pela Fundação Getulio Vargas, o médico atua no segmento farmacêutico desde 2004.

HAYS: Quais os maiores desafios na indústria farmacêutica? Robson Lima: O grande desafio da indústria é a descoberta e o desenvolvimento de novos produtos. Ano após ano, os principais players do segmento aumentam os investimentos em pesquisa clínica para descobrirem novos tratamentos que possam beneficiar o paciente. Esse é o grande desafio da indústria e chegar primeiro é importante. Mas o processo de P&D é muito complicado, custa caro e pode levar de 10 a 15 anos. Mesmo assim, é necessário o constante aumento nos investimentos em pesquisa, para que novos medicamentos e tratamentos cheguem ao mercado. HAYS: Quais as principais características comportamentais que um profissional de ciências da vida deve ter? Robson Lima: Considero o foco no paciente como uma das habilidades centrais para o sucesso de um profissional desta área. Aqui na GSK, esta característica é considerada uma missão para todos que atuam no setor. Buscamos sempre oferecer o medicamento certo para o paciente. Outros atributos importantes são: alta qualificação técnica, atualização constante, capacidade de trabalhar em equipe e ter conhecimentos sobre legislação. HAYS: Quais são os principais problemas que podem ser enfrentados no setor? 10 | Julho 2013 | #27 | Newsletter Life Sciences

Robson Lima: Na GSK temos uma missão inspiradora e desafiadora que é “permitir que as pessoas vivam mais, façam mais e sintam-se melhor”. Reconhecemos que o acesso à saúde é um dos maiores desafios sociais do planeta. Todos os anos milhares de pessoas morrem de doenças infecciosas curáveis, que podem ser prevenidas ou contraem doenças porque não têm acesso a serviços básicos de saúde, incluindo medicamentos essenciais. O objetivo da nossa empresa é contribuir para mudar esta realidade. Nossa função é ampliar o acesso da população, em especial nos países mais pobres, aos medicamentos e vacinas da companhia. Acreditamos que, ao nos esforçarmos para satisfazer às necessidades de saúde da sociedade, construímos a confiança em nosso negócio. HAYS: Como está o mercado de contratações para esse setor? Robson Lima: O mercado está aquecido. O Brasil está em evidência e tem atraído o interesse de empresas que aqui desejam se estabelecer. Nosso país é um dos maiores mercados farmacêuticos do mundo e possui uma importância estratégica para os grandes fabricantes, como a GlaxoSmithKline. Além disso, há uma forte demanda da indústria pela contratação de médicos. No entanto, apesar das inúmeras oportunidades, muitos profissionais graduados em medicina desconhecem essa possibilidade de carreira.


HAYS: Quais os diferenciais necessários para um profissional se destacar no setor farmacêutico? Robson Lima: Os profissionais que mais são valo­ rizados são os que buscam constantemente atualização e qualificação técnica, que exercitam a visão estratégica, que observam o mercado. Por exemplo, quais moléculas estão em desenvolvimento, quais medicamentos são prioritários, que caminhos a indústria está buscando para manter a inovação constante. Além disso, o perfil dos executivos deve estar alinhado com os valores, comportamentos, missão e visão da companhia. HAYS: O que pode dificultar a migração de um profissional para esse setor? Robson Lima: Quando um médico decide atuar na indústria farmacêutica precisa se adaptar a uma nova forma de lidar com medicina. É necessário compreender que o profissional deixará de ter uma relação direta com os pacientes e que o impacto de sua atuação será ainda maior, uma vez que não estará mais restrita ao atendimento clínico. Outro ponto importante é a necessidade de ter uma boa visão multidisciplinar e capacidade de relacionamento em equipe. HAYS: A grande concorrência e a segmentação de mercado fazem com que o profissional seja mais disputado?

Robson Lima: Sim, isso é uma realidade. A crescente demanda e o alto nível de qualificação, além das constantes oportunidades de atualização oferecidas pelos laboratórios, acabam valorizando, cada vez mais, os profissionais. HAYS: Quais foram as maiores mudanças no mercado desde que você começou? Robson Lima: Foram muitas mudanças, entre elas o foco ainda maior no paciente. Isso demanda uma compreensão aprofundada de suas necessidades e permite construirmos uma relação valorosa entre o cliente e a GlaxoSmithKline, oferecendo os melhores medicamentos e serviços. A chegada de produtos inovadores também trouxe mudanças na forma de tratar as pessoas, como o uso de terapias alvo-dirigidas, no caso da oncologia, por exemplo. Outro ponto a ser destacado é a atuação da área médica em posições de liderança dentro das empresas. O médico passou a assumir um papel central e a concentrar decisões técnicas importantes. HAYS: Quais as expectativas para o mercado de Life Sciences nos próximos anos? Robson Lima: As perspectivas são as melhores possíveis. Com as atenções voltadas ao país, a indústria está focada em investir na pesquisa de medicamentos inovadores e na investigação clínica, o que pode beneficiar ainda mais a população.

Newsletter Life Sciences | #27 | Julho 2013 | 11


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Newsletter Life Sciences #27