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FO LEITOR Instagram: @edgardscan Edgard Scandurra São Paulo, SP O guitarrista mostra que também é apaixonado por cervejas

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EDITORIAL

‘God save the Beer’! É no estilo britânico que vamos brindar novembro com você, aliás, temos que comemorar as tantas novidades dos últimos tempos- entre elas o nosso aniversário de um ano da loja HNB. Para celebrar, colocamos toda nossa webstore com 10% de desconto e frete grátis*. O momento pode começar pela seleção do mês de nosso Beerhunter - Diego Cartier -, que trouxe do sul da Inglaterra duas pérolas da cervejaria Buxton, apontada como uma das melhores do Reino Unido. É também da terra da rainha que nossa colunista Bia Pennino desmistifica o preconceito das latinhas, quase sempre associadas à bebida barata e de má qualidade, pois quem vê cara não ‘vê’ sabor! Falando em paladar, a ‘farra gourmet’ está solta na seção Tendência, que traz curiosidades sobre a harmonização preferida dos cervejeiros: bacon. Tem rótulo e até brigadeiro feito do suculento toucinho! Já que estamos derrubando por terra curiosidades do mundo cervejeiro, fomos até a Flórida, nos Estados Unidos, com o colunista Léo Leitão: lá, a descoberta de que nem só em parque se faz diversão por aquelas bandas. Ele visitou a região e trouxe altas dicas de como as geladas fazem parte da cultura e das atrações locais. E, acreditem, há até evento que prestigia a cerveja dentro da Disney. Surpreso? Calma, ainda temos mais notícias! A partir deste mês, vamos enviar bolachas ilustradas com os rótulos do clube para você colecionar. Todas as informações sobre essa mania estão esmiuçadas na seção Por Dentro da HNBox. Aos que pensam em transformar o hobby por cervejas em trabalho, saiba que não basta só gostar da bebida. Nesta edição você vai entender os nichos para atuar, a capacitação e a diferença destes profissionais e os melhores lugares, pelo mundo, para estudar e especializar-se na área. Tem muita coisa que gostaríamos de te falar desde já, mas preferimos te surpreender. Então aproveite as próximas páginas e faça uma boa leitura. Cheers! Grande abraço, Equipe HNB

HAVE A NICE BEER Editora-chefe Leticia Rocha Editor de arte/ Projeto gráfico Marcos Lobo Fotografia Rafaella Reis e divulgação CONSELHO EDITORIAL Ingrid Gonçalves Madu Melo Natália Goldring Ricardo Flores Riccardo P. Rossi

COLABORADORES: Alessandro Garcia, Ana Rüsche, Bia Pennino, Danilo Rolim, Diego Cartier, Giulia Moretti, Juliana Gelbaum, Léo Leitão, Rita Michalsky e Sanmy Moura. Have a Nice Beer - Santiago e Lemos Comércio de Bebidas S/A - Rua Comendador Alcides Simão Helou, 1478 - Serra/ES - CEP 29168-090

Fernando Ribas

IMPRESSÃO Grafitusa

ERRATA Diferente do que foi publicado na seção De Panela (página 42, edição de setembro/2014), a coluna é assinada por João Becker. * Frete grátis nas compras acima de R$ 150,00


ÍNDICE

02

03

FOTO DO LEITOR

08

EDITORIAL

INDICAÇÕES DO BEER HUNTER

06

POR DENTRO DA HNBOX

16

COISAS DE LONDRES: HORA E VEZ DA LATA

12

ENTREVISTA: O FOTÓGRAFO JÚLIO BITTENCOURT

17

CERVEJA DO MÊS: INGLESAS DO SUL

22

NA COZINHA: RECEITAS DE CHEF


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26

VIAGEM: TOUR EM NOVA YORK

EXPERT: TRABALHAR COM CERVEJA

34

SINAPSE: SÃO FRANCISCO DE WOODY ALLEN

36

37

COSMOPORITA: LEMBRANÇAS PORTENHAS

TENDÊNCIA: BACON MANIA

40

VOCÊ SABIA: CERVEJA NA FLÓRIDA

43

42

PALAVRAS MALTADAS: REAPROVEITAR

EM NOVEMBRO: PÉROLAS DO CANADÁ


POR DENTRO DA HNBOX Por Sanmy Moura

Qual cervejeiro não gosta de colecionar rótulos e boas histórias? Mais do que hobby, juntar tampas de cerveja ou comprar diferentes copos significa construir a trajetória do paladar e dos momentos memoráveis de degustação. Foi pensando nisso que a HNB desenvolveu uma coleção personalizada de bolachas ilustradas. O acessório passa a compor o kit da HNBox e será enviado, mensalmente, aos assinantes do clube. A arte fica sob responsabilidade de um convidado, que fará a sua interpretação a partir do produto destacado pelo clube naquela edição. Para a estreia, o desafio foi lançado ao designer Fernando Ribas, o artista que ilustrou a capa da nossa desta edição - que remete à uma das cervejas do mês, a Axe (machado, em inglês) Edge. “Para um rótulo forte, complexo e alcoólico, escolhi um desenho que passasse a imagem de força, poder e um clima de guerra e calor”, explica ele.

HOBBY Milhares de pessoas, pelo mundo, se dedicam ao prazer de colecionar tal item. É possível agrupar o acessório por rótulo, cervejaria, região, período específico, ou apenas juntar todas que puder. Exemplo disso é nossa beer sommelier, Flávia Chaves, que já contabiliza um acervo de mais de 200 porta-copos. E, naturalmente, muita história para contar.

“Eu sempre guardei minhas bolachas porque representam um momento vivido, uma experiência gastronômica”, explica Flávia. “Dá para ter uma memória legal quando você encontra uma e pensa: nossa, bebi essa em um dia frio e chuvoso, acompanhada de uma boa massa que esquentou minha noite”, conta a especialista. Ela, que foi pedida em casamento no seu bar favorito, claro, guarda o mimo que amparava o seu copo daquela noite a sete chaves. “Foi em abril, com uma Colorado Indica. Aliás, sempre fomos apaixonados por amargor e um pelo outro”,

06

comenta a beer sommelier.


A HISTÓRIA

Tradição alemã, as bolachas de cerveja surgiram em 1880 em Weisenbach, cidade na qual era cena comum ver, pelas mesas dos bares, canecas transbordando espuma. Daí veio a necessidade de criar os primeiros cartões grossos, uma solução para impedir do líquido versar sob os móveis de madeira. Em 25 de outubro de 1892, o acessório foi oficialmente patenteado por Robert Sputh, na cidade de Dresden, o qual a produziu – e padronizou - a base de fibra prensada. Desde então, começou a ser fabricado em grande escala e ganhou o mundo, formas e modelos. Exemplo disso é a indústria alemã Katz Group, fundada em 1716 e hoje está presente em 45 países, pelos cinco continentes, com produção anual de cerca de 1,4 bilhões de unidades do produto ao ano.

COISA DE PROFISSIONAL Se você acha que ‘bolacheiro’ é o nome de quem coleciona bolachas de cerveja se enganou! Estes são chamados de tegestólogos- do grego ‘tegestos’, que faz alusão à uma esteira de junco, pensada antigamente, para apoiar objetos. Se ainda resta dúvidas se a temática é coisa séria, basta ver que existem até associações ligadas ao produto. Uma das pioneiras, a alemã IBV – Associação Internacional de Cultura Cervejeira, existe desde a década de 60. Outra boa referência é a inglesa BBCS - Sociedade Britânica de Colecionadores de Bolachas de Cerveja, a qual ostenta acervo dos mais privilegiados.

07


INDICAÇÕES BEERHUNTER Por Diego Cartier*

* Diego Cartier é conhecido no meio cervejeiro como um Beerhunter. O motivo? Está sempre caçando cervejas pelo mundo. Volta sempre para casa cheio de bons rótulos e muita história.

Struise Black Albert, 330 ml Chamada pelos produtores de “Belgian Royal Stout”, essa Imperial Stout é feita somente com ingredientes belgas. Notas de chocolate amargo, frescor de café, lúpulo floral, caramelo e toques de frutas secas.

aniversário hnb loja com 10% de desconto* Frete grátis para compras acima de R$150 *sócio do clube tem mais 10% de desconto, além de desconto habitual durante o mês de novembro

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Corre, corre, corre!

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nicebeer.me/struiseblack


Gypsy Pale Trail Pale Ale, 330 ml

Birra Del Borgo Duchessa, 330 ml

Produzida pela dupla cigana dinamarquesa da To Øl, trata-se de uma APA leve e fácil de beber. Uma agradável e equilibrada session beer, perfeita para ser consumida em maior quantidade sem enjoar. Notas cítricas e herbais, com toques de caramelo e especiarias.

Complexa e fácil de beber. Essa italiana é produzida com espelta (uma linhagem primitiva do trigo). Notas frutadas, florais e picantes. Uma cerveja elegante e bastante versátil na gastronomia.

R$ 19.40

R$ 19.00

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nicebeer.me/birraduchessa

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Nòmada Tundra, 330 ml

Fântome Brewery De Tous Les Diapes 8%, 750 ml

Produzida por cervejeiros nômadas espanhóis, é daquelas cervejas irresistíveis. Ganha pelas nuances de frutas cítricas como limão e laranja, passa pela sensação de grama fresca e é floral. Leve, refrescante e saborosa, com uma agradável acidez.

Dany Prignon produziu esta cerveja exclusivamente para a Have a Nice Beer, afim de celebrar a bela campanha da seleção belga durante a Copa do Mundo no Brasil. A Diapes é seca, refrescante e com uma agradável acidez. Há uma riqueza de aromas e sabores, destacando-se toques de especiarias e eucalipto; notas frutadas de limão, pêssego, maça, morango, laranja.

R$ 19.80

R$ 57.00

Associados Clube HNB têm 10% de desconto

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nicebeer.me/cervezatundra

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nicebeer.me/fantomediapes


Kriek Boon 4,0%, 375 ml

Rogue Dead Guy Ale, 650 ml

Com adição de cerejas frescas, têm notas marcantes de frutas vermelhas, agradável acidez, dulçor e toques de madeira.

Versão americana de um estilo tradicional da Alemanha, com notas maltadas de cereais e caramelo. Destaca ainda toques florais, cítricos e leve torrado. Seca e levemente amarga.

R$ 36.50

R$ 45.00

Associados Clube HNB têm 10% de desconto

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ENTREVISTA Por Leticia Rocha

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O quão importante pode ser uma janela na vida de uma pessoa? Pergunta estranha poderiam pensar alguns. Não para o fotógrafo brasileiro Júlio Bittencourt, o qual carrega histórias particulares e memórias de infância com as arestas e vidraças. Fatores que assim desenham, em sua arquitetura de vida, papel determinante. E, por quê não dizer, até perturbador. Foi justamente o vetor intrigante que o levou a criar o projeto ‘Numa janela do Edifício Prestes Maia 911’(Editora DBA, 2008), o qual retratou cotidiano e pessoas que habitavam o prédio, considerado a maior invasão vertical da América Latina. Trabalho que alçou projeções gigantescas no panorama global da fotografia, a começar pelos tantos prêmios: Marc Ferrez de Fotografia (2013), IPA- International Photography Awards (2012), Porto Seguro de Fotografia (2010), Fundação Conrado Wessel (2009) e um dos mais festejados da fotografia mundial, o Leica Oskar Barnack Award (2007). Consequentemente, seu nome ganhou a imprensa internacional pelos quatro cantos do globo: de New York Times e Revista Time, nos Estados Unidos à Le Monde, na França; Marie Claire, na Itália; The Guardian, no Reino Unido; e China’s Civilization Magazine, na China. A coleção de lugares em que já expôs, claro, é extensa e traz países como França, Espanha, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Colômbia, Holanda, Camboja, Uruguai, República Checa, Áustria, Argentina, Japão, Turquia. Passou a ter agentes de representação em Paris e Nova York, além do Rio de Janeiro.

O Prestes Maia, com seus dois blocos e quase 500 janelas, de alguma maneira ímpar, reencontrou passagens da infância de Júlio. “Sempre tive fascinação por janelas. Cresci em um prédio em São Paulo, naquele movimento da rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros. Eram dois blocos, 22 andares, 400 janelas”. “Muita coisa girava em torno da janela. Aquela coisa ‘filho, vem almoçar, para de jogar bola’”, relembra ele.

13


Encontrar beleza – e motivos – fora do

Muito longe das areias de Copacabana e

óbvio parece mesmo ser traço forte da

das garotas de Ipanema, com um Brasil fora

personalidade

Nessa

do clichê, Júlio é um dos grandes nomes do

bossa, ‘Ramos’ é mais um de seus projetos

inquieta

do

moço.

país no cenário internacional. Como bem

celebrados no contexto mundial: fincado no

comprova recentes reportagens da mídia

Rio de Janeiro, registrou o peculiar cotidiano

americana - na rede BBC e no jornal The

do piscinão que leva o nome do projeto, no

Huffington Post - que apontam o profissional

subúrbio carioca. Para tanto, alugou uma

como um dos personagens que formam o

casa no bairro por três verões, para entender

novo atlas da fotografia mundial e um dos

cotidiano e personagens do ensaio.

dez fotógrafos que mudaram o jeito de ver o mundo.

De onde vem esse olhar tão particular? Coisa

‘culpa’ dos pais, jornalistas, correspondentes

e alma de artista não se explica. Mas, se

internacionais

preciso forem fatos, a trajetória cosmopolita

imprensa brasileira. Da vida itinerante, os

pode ser caminho para uma resposta: nasceu

embarques e desembarques passaram a ser

em Brasília, em 1980 e morou em São Paulo;

item básico de sua rotina, como bem aponta

vieram mudanças para Nova York, nos Estados

um aplicativo no celular: 71 países, pelos

Unidos, e para Maputo, em Moçambique, tudo

quatro cantos do globo.

e

importantes

figuras

da


Júlio Bittencourt e seus dois celebrados ensaios: “Numa Janela do Edifício Prestes Maia 911”(pág. ao lado) e “Ramos” (nesta página)

Copos e histórias Sim, Júlio é cervejeiro! Desses que sempre foi boa companhia para papo, boteco e cerveja- no copo americano. E guarda uma predileção pelas IPAs. “Das minhas andanças por aí, comecei a me interessar pelos rótulos artesanais em 2006, depois de uma maratona que percorreu vários destinos na Europa. Desde então, é uma viagem passear por elas”, conta ele. Com o ir e vir, o fotógrafo também carrega histórias bem marcantes da cerveja entremeada em seus desafiantes percalços profissionais. A mais emblemática delas, vem também de uma zona ímpar: Amazônia. Júlio embarcou em uma expedição com biólogos brasileiros e estrangeiros para uma área intocada da região e, no meio do caminho, machucou a coluna. Com dor e febre, na tentativa de encontrar algum remédio, teve de voltar à Santarém de rabeta - um pequeno barco local, que funciona naqueles moldes de pinga-pinga,

buscando ajuda pelas comunidades no meio do caminho. Nada feito, a saga continuou para mais uma cidadezinha, depois pegou uma van (que capotou, mas não foi nada ‘grave’), uma lancha (que, no meio do rio, o motor parou!). Veio outra embarcação e ele lá, deitado no corredor do barco, que estava repleto de gente. Uma dessas se comoveu e, à sua maneira e com o que tinha em mãos, tentou aplacar a sua dor. “Solidário com a minha situação, ele que era mineiro, sacou uma Cerpa para mim”, conta Júlio. “Foi um alívio imediato e desde então, Amazônia remete, diretamente, à cerveja”, relembra o fotógrafo. Taí, mais uma associação não óbvia de emblemáticos ícones brasileiros.


COISAS DE LONDRES Por Bia Pennino*

Recentemente, o jornal The Guardian UK publicou

dem ser um pouco mais gasosas que as cervejas de

uma reportagem sobre a ascensão da cerveja em

garrafa (que muitas vezes podem até parecer sem

lata entre produtores britânicos independentes. Tal

gás aqui pela Inglaterra), mas para o nosso paladar

matéria, em um dos veículos mais respeitados da

brasileiro, é melhor ainda.

imprensa britânica, tratava o fato como algo quase absurdo. Parei para pensar e reparei que, até então,

A primeira que provei foi a americana SKA Modus Op-

que quase todas as boas cervejas que tomei eram

erandi IPA, da Ska Brewing. Já adorei a ilustração do

de garrafa. Percebi que era de propósito: a latinha

rótulo. O sabor era o esperado, uma típica IPA amar-

ainda tem o estigma de ser barata, de má qualidade.

guinha, rica no sabor, honrando as muitas folhas de lúpulo estampadas no rótulo.

Isso não passa de um mito completamente errado. As embalagens de alumínio são melhores que as gar-

Experimentei também duas Largers inglesas muito

rafas de vidro na preservação do sabor da cerveja,

boas: uma da Byron, uma hamburgueria com uma

pois protegem o líquido do contato com luz e oxigê-

linha de cervejas de fabricação própria; e outra da

nio. E ainda ganham com a minha desculpa favorita:

Camden Brewery, nascida em Camden Town, um

gelam mais rápido.

dos bairros mais famosos e boêmios de Londres.

Claro, custo e responsabilidade ambiental são outros

Minha última e mais recente experiência com uma

pontos importantíssimos - senão essenciais - para esta

latinha foi a Pale Ale, da também inglesa Fourpure

mudança. Além de serem mais leves e mais fáceis de

Brewring Co., que produz somente em lata e barril.

armazenar, o que torna o transporte mais barato, o

Inspirada no American Style, esta Pale Ale é completa.

material usado neste tipo de embalagem é 100% re-

E minha favorita até o momento.

ciclável. Para arrematar o discurso, independentemente de ser A ideia de adotar a lata para embalar cervejas mais

de garrafa ou de lata, o verdadeiro segredo é beber

artesanais veio da americana Oskar Blues, no Colo-

a cerveja no copo. Ao tomar direto da embalagem,

rado, em 2002. Tal decisão influencia o mercado até

líquido pode ter sedimentado e fica mais difícil de

hoje e as vendas da bebida, nestes moldes, crescem

provar as nuances nos diferentes aromas e sabores

a passos largos - sobretudo, em mercados impor-

que uma boa Ale sempre traz.

tantes como nos Estados Unidos e no Reino Unido. * Bia Pennino é curiosa nata, gosta de arte, Depois de ler tudo isso, fiquei curiosa e fui atrás de algumas enlatadas para provar. E não é que são boas? Para não falar que são exatamente iguais, elas po-

música, cultura. Trabalha e estuda com um pouco disso tudo. Vive em Londres há dois anos e ainda não quer voltar. O motivo? Sempre descobre uma cerveja nova para provar, mesmo que não seja tão gelada assim como as dos bares de São Paulo.

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CERVEJA DO MÊS

Por Diego Cartier

A Buxton está no sul da Inglaterra, na cidade homônima, e faz parte do novo e eferscente momento cervejeiro da Inglaterra. Consequentemente, está ganhando projeção mundial. Foram o grande destaque do Copenhagen Beer Celebration, na Dinamarca, em maio. E já é apontada como uma das melhores cervejarias do Reino Unido. A fórmula do sucesso começa pelas características naturais da região, que abriga um parque termal. Na antiguidade, já foi considerada, pelos romanos, de terra das ‘águas da Deusa da primavera’. Geografia que também é valorizada no batismo dos nomes das cervejas ou no design do rótulo. Do ofício produtivo, conseguem mesclar a potente tradiçao britânica com ousadia. O resultado é uma bebida acima da média dos concorrentes e que ganha pelo trio complexidade, equilíbrio, drinkability. Tudo isso feito por uma trupe legitimamente britânica composta por ingleses, escoceses e irlandeses. Vai passar pela Inglaterra e está curioso para provar? A cervejaria ainda não abre para visitas, mas tem um tap house de proposta interessante: sempre com 5 cask ales e 8 cervejas em kegs, entre produções regulares, sazonais e experimentações exclusivas que vão mudando continuamente. Ainda oferece outras bebidas de produtores locais como gim e uísque. Funciona de sexta a domingo, em horários especiais, disponíveis no site buxtonbrewery.co.uk/tap.

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Axe Edge Clássico absoluto da Buxton! Rica em aromas e sabores, essa IPA é cremosa e seca, com agradável amargor. Destaque para o frescor dado pelas notas de frutas tropicais, pinho, abacaxi e grapefruit. Perfeita!


Ficha técnica Cervejaria: Buxton Região: Inglaterra Teor alcoólico:  6,8 % Temperatura:  5 – 7 °C Potencial de guarda:  beber fresca Ingredientes:  água, malte, lúpulo e levedura Aromas: frutado, floral, pinho Corpo: médio Malte: médio Amargor: médio Doce: baixo Espuma:  boa formação e duração Coloração:  dourado Copo de serviço: pint, tulip


CERVEJA DO MÊS

Jacob’s Ladder É uma saborosa session hoppy ale com apenas 2,8 % de álcool, perfeita para beber em volume e sem enjoar. Seja em um belíssimo dia de sol na beira da piscina ou em uma agradável noitada até o amanhecer.


Ficha técnica Cervejaria: Buxton Região: Inglaterra Teor alcoólico:  2,8 % Temperatura:  5 – 7 °C Potencial de guarda:  beber fresca Ingredientes:  água, malte, lúpulo e levedura Aromas: cítrico, pinho, malte Corpo: baixo Malte: médio Amargor: médio Espuma: boa formação e duração Coloração:  dourado Copo de serviço: pint, tulipa


Por Danilo Rolim*

Para harmonizar com a cerveja Axe Edge, do clube deste mês, sugiro um clássico roast beef inglês. O amargor dessa IPA chega para ressaltar, propositalmente, a fina crosta de mostarda; e o acentuado teor alcoólico doma o sabor da gordura que permeia a carne. O molho gravy - feito a partir dos caldos do cozimento do contrafilé e dos vegetais, a cerveja e suco de laranja - enaltece as notas aromáticas deste rótulo de excelência. A receita também serve como sugestão para as festas de fim de ano, ainda que o tempo de forno seja longo, o preparo é bem simples e rende porções generosas.

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Ingredientes - 1/2 peça de contrafilé (cerca de 4 kg) - 100 ml de Buxton Axe Edge - 100 ml de suco de laranja - 50 ml de azeite de oliva ou manteiga clarificada - 2 cebolas cortadas em cubos grandes - 2 cenouras em cubos grandes - 2 talos de salsão em cubos grandes - 2 fatias de abacaxi em cubos grandes - 2 colheres (sopa) de mostarda em pó - 2 colheres (sopa) de farinha de trigo - 1 colher (sopa) de pimenta-do-reino moída na hora - 1 colher (sopa) de amido de milho - 1 colher (sopa) de sal

Modo de preparo 1- Pré-aqueça o forno a 250 ºC. 2 - Unte a carne com azeite ou manteiga. 3 - Misture mostarda, farinha, sal e pimenta e tempere a carne com a mistura. 4 - Em uma assadeira grande, coloque os vegetais cortados e sobre estes, a carne com a capa de gordura para cima, de modo que o contrafilé não entre em contato com a assadeira. 5 - Adicione um pouco de água, mas sem que encoste na carne. 6 - Asse a 250 ºC por 20 minutos. 7 - Baixe a temperatura para 180 ºC e asse por mais três horas e meia para que a carne fique ao ponto (rosada no meio); se preferir bem passada, asse por mais 45 minutos. 8 - Retire a carne da assadeira e deixe descansar coberta com papel alumínio por, no mínimo, 30 minutos. 9 - Enquanto isso, prepare o gravy: com a assadeira em fogo médio na boca do fogão, adicione a cerveja e raspe o fundo da assadeira para dissolver o fundo. 10 - Dissolva no suco de laranja o amido de milho, adicione à assadeira e vá mexendo, continuamente. 11 - Assim que ferver, apague o fogo e prove o sal do molho. Se necessário, acrescente mais água. 12 - Coe todo o conteúdo da assadeira. 13 - Corte a carne em fatias de até 1 cm de espessura e regue com o gravy.

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Modo de preparo 1 - Triture bem as bolachas num processador e misture com 120 g da manteiga derretida. 2 - Coloque a mistura em uma fôrma para torta de cerca de 25 cm de diâmetro e 5 cm de profundidade; pressione a mistura até formar uma crosta que cubra todo o interior da forma. 3 - Escorra a batata doce cozida e passe em um espremedor de batatas. 4 - Adicione ao purê os ovos batidos, 120 g de açúcar, 200 ml de creme de leite, suco de limão, baunilha, canela e a noz moscada; misture muito bem. 5 - Coloque o recheio de batata doce na Este prato é tipicamente servido no dia de Ação

forma de torta e leve ao forno pré-aquecido

de Graças nos Estados Unidos (também conhecido

a 180 ºC por cerca de 40 minutos.

como véspera da Black Friday). Receita que pode,

6 - Verifique se está pronta inserindo uma faca

compor, tranquilamente a temporada festiva que se aproxima. Harmoniza com cervejas bem maltadas com sensível doçura, como as Strong Golden Ales Belgas. A Duvel, uma das minhas preferidas, é perfeita para acompanhá-la.

Ingredientes - 1 kg de batata doce (branca ou rosada) descascada e cozida em água até que esteja bem macia - 250 g de bolacha (ou biscoito) de leite maltado - 170 g de manteiga derretida

no centro da torta, ela deve sair limpa. 7 - Deixe esfriar e leve à geladeira por pelo menos duas horas. 8 - Antes de servir, misture 300 ml de creme de leite pasteurizado gelado e 50 g de açúcar. 9 - Bata com um fouet ou na batedeira até que esteja firme (mas não bata demais!). 10 - Sirva a torta gelada com uma colherada generosa de creme batido em cima e a cerveja para acompanhar.

- 170 g de açúcar - 500 ml de creme de leite pasteurizado - 20 ml de suco de limão - 5 ml extrato de baunilha

* Danilo Rolim é chef, formado pelo

- 4 ovos

instituto Paul Bocuse, na França. Em São

- 1 pitada de noz moscada ralada na hora - 1 pitada de canela em pó

Paulo, comanda o bar espanhol La Tapa. Cervejeiro

assumido,

aqui

carrega

o

desafio de aproximar a cerveja ao universo da cozinha. Esteja ela no copo ou na panela!

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VIAGEM Por Ana R端sche


Uma coisa é certa, uma vez em Nova York é

A cidade reflete esse crescimento. É grande a

necessário se esforçar muito para não tomar

gama de experimentações, além de APAs e

boas cervejas artesanais. Ao lado das marcas

IPAs, há Witbiers com ervas, muitas Farmhouse

consolidadas, pipocam em velocidade máxi-

Ales, Porters com Chipotle ou as Pumpkin Ales

ma novas empreitadas no mercado das gela-

do Halloween. A falta de estilo predominante

das. Rótulos inéditos surgem a cada semana. A

é o estilo da produção cervejeira em solo no-

fervilhante cidade que não dorme parece só

vaiorquino.

pensar na próxima brassagem. A seguir, a revista HNB traça um pequeno guia Steve Hindy, da Brooklyn Brewery, denomina o

que ajuda a compreender o panorama e fa-

fenômeno como ‘o sonho do de volta para o

cilitar a experiência por aquelas bandas. Para

futuro’. Aqui, um parênteses se faz necessário:

apreciar a cidade como (e com) um bom

no Estado de Nova York, no final do século XIX,

copo de boa cerveja: sem ansiedade. O acaso

havia cerca de 220 cervejarias. Será que, ago-

é o melhor dos guias turísticos.

ra, o número será superado? Segundo a New York State Brewers Association, o mapa atual conta 149 cervejarias. E a coisa não parece parar por aí.

Há uma infinidade de locais cervejeiros. Experimente. Descubra. Caso queira listas, o Beer Advocate traz uma boa relação. Um aplicativo útil é o Craft Beer New York,

APLICATIVOS

que localiza bares, cervejarias e lojas com avaliações confiáveis – vale cada centavo dos US$ 1,99. Dá ainda para usar o Untappd, gratuito e já conhecido no Brasil.

28


VISITE UMA CERVEJARIA! Quem vai à Santiago do Chile, não deixa de ir a uma vinícola. Na mesma lógica, seria um absurdo ir a Nova York e não visitar uma cervejaria!

Estas,

geralmente,

mantêm

seu

próprio bar com rótulos fresquinhos. Um passeio clássico é conhecer a

Brooklyn Brewery, uma disneylândia do turismo cervejeiro. Faça a reserva pelo site para tours durante a semana. Se não conseguir, sem dramas: a cervejaria abre seu bar de sexta a domingo, atende uma quantidade impressionante de turistas e vende muitos souvenirs – de abridores a meias de algodão.

Muito menos burocrática com visitas é a jovem

Singlecut no Queens: abre tours aos sábados e domingos, basta estar no bar da cervejaria com cinco minutos de antecedência e com uma cerveja na mão.

Curioso é o bar da talentosa Other

Half.

Porta

pequena,

paredes

descascadas e mesas simples no Brooklyn. A vizinhança passa por lá para encher seu growler como quem compra pão na padaria – são casais com crianças, pessoas de chinelo, amigos. Muito New York.

29


TURISMO E BARES CERVEJEIROS

Em uma cobertura da Quinta Avenida, a Birreria do

Durante um passeio de bicicleta, o Cannibal

Eataly, o mega empório gourmet italiano, é o lugar

é uma boa parada – seu nome faz referência

perfeito para o final de tarde. Um brewpub com re-

ao ciclista belga Eddie Merckx. No balcão,

ceitas criativas, com ênfase em rótulos e receitas do

um das brigadas mais gabaritadas na cidade.

País da Bota. O passeio ainda é prato cheio para

Trabalham com cerca de 550 rótulos e com

aquela tua companhia que adora tomar vinho.

charcuteria das boas.

Depois de ir à Times Square (ou evitá-la), o destino

Quando for passear por Greenwich Village, não

correto é o The Pony Bar em Hell’s Kitchen. Apre-

deixe de conhecer o Blind Tiger. As 28 torneiras de

senta uma seleção incrível de rótulos – nem tão

chope das mais diversas cervejarias americanas

numerosos, mas muito bem escolhidos. Excelente,

atraem muita gente que se acotovela sorrindo no

vibrante. Possuem uma filial em Upper East Side.

balcão. Local de lançamento de cervejas regionais.

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UM ROTEIRO A PÉ East Village é arborizado, alegre, povoado por senhoras com cães, punks de meia idade, jovens com perucas azuis e turistas. Este roteiro traz, em poucas ruas, dois dos melhores bares da cidade, uma relíquia e ainda uma loja charmosa.

Comece pelo McSorley’s. É um dos bares mais antigos da cidade. Abraham Lincoln e Teddy Roosevelt estiveram lá. Foi cenário de muitos filmes. Apenas possuem cerveja clara e escura. Acho que vale as duas canecas. Duas? Eu pedi somente uma! “Todos merecem duas”, vai responder o garçom te servindo laconicamente.

Na mesma rua, encontra-se uma joia do bairro, o Jimmy’s No. 43. Engajado no movimento slow food, o carismático bar sedia até peças de teatro. Pergunte pelo próprio Jimmy Carbone, quem poderá narrar muitas histórias. É local de encontro de pessoas ligadas ao mercado cervejeiro e bom para se inteirar de novidades.

O terceiro ponto é o Proletariat. Um bar estreito que promete cervejas raras. Recebe elogios rasgados da crítica. Se houver dúvidas do que beber, aproveite a trilha sonora e peça para experimentar algumas – o pessoal do outro lado do balcão é quase especialista nisso.

Para finalizar, a indicação é o Alphabet City Beer Co., uma simpática mistura de bar e loja, excelente para aquela comprinha na volta do passeio. Servem queijos e tem muitas opções de chope nova-iorquino.

Mais em

- Cannibal: thecannibalnyc.com

- Beer Guide: beeradvocate.com

- The Pony Bar: theponybar.com

- Brooklyn Brewery: brooklynbrewery.com

- Blind Tiger: blindtigeralehouse.com

- Singlecut: singlecutbeer.com

- McSorley’s: mcsorleysnewyork.com

- Other Half: otherhalfbrewing.com

- Jimmy’s No. 43: Jimmys jimmysno43.com

- Birreria: eataly.com/nyc-birreria

- Proletariat: proletariatny.com

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EXPERT Por Giulia Moretti

Muito se fala do mundo cervejeiro, da bebida na cena gourmet e do movimento artesanal. A cultura se propaga, o setor cresce a passos largos e, naturalmente, aponta como mercado de trabalho em potencial. Para tanto, basta só gostar de cerveja? É o princípio, porém a trajetória, como qualquer profissão, pede formação específica, muita pesquisa e empenhos que vão muito além de litros e litros de cerveja. A seguir, dicas práticas para quem deseja estudar e atuar na área, com dicas de Cilene Saorin, uma das principais especialistas do país: com vinte anos de experiência, é mestre cervejeira graduada pela Universidad Politécnica de MadridEscuela Superior de Cerveza y Malta, na Espanha; e presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Cerveja.

As profissões Mestre-cervejeiro e sommelier de cerveja é a mesma coisa? Não, absolutamente. Ambos atuam no mesmo setor, com funções bem diferentes e complementares entre si. Os mestres lidam na produção, e para tanto, devem ter formação nas áreas de química, biologia, agronomia ou engenharia (alimentos, química, produção). operam na indústria com desenvolvimento de produtos e processos de qualidade.

Já o sommelier de cerveja trabalha em prol da comunicação, na venda e no serviço. idealmente, pede preparação média como estudos completos de segundo grau. É preciso ser articulado e expansivo para poder discorrer bem sobre produto, consumo e cultura da cerveja. Transitam em empresas produtoras, importadoras, distribuidoras e em negócios do setor de alimentos e bebidas como bares, restaurantes, hotéis.

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onde estudar MESTRE CERVEJEIRO - África do Sul: University of Johannesburg - Alemanha: Doemens Academy, Institute of Technology, VLB e Weihenstephan - Austrália: Edith Cowan University e University of Ballarat - Áustria: Osterreichisches Getranke Institut - Bélgica: Universite Catholique de Louvain e KaHo Sint-Lieven - Brasil: Centro de Tecnologia Senai-RJ - Canadá: Dalhousie University e Niagara College Teaching Brewery - Dinamarca: Scandinavian School of Brewing - Espanha: Escuela Superior de Cerveza y Malta - Estados Unidos: American Brewers Guild, Central Washington University, Cornell University, Master Brewers’ Association of the Americas, Oregon State University, Siebel Institute of Technology, University of California – Davis e World Brewing Academy - França: Institut Français de la Brasserie et de la Malterie - Hungria: Budapesti Corvinus Egyetem - Irlanda: University College Cork - Itália: Università di Perugia e Università di Udine - Reino Unido: Brewing Research International, Brewlab, Institute of Brewing & Distilling, International Centre for Brewing & Distilling e University of Nottingham - República Tcheca: Institute of Chemical Technology

sommerlier de cerveja - Alemanha: Doemens Academy - Brasil: ABS-SP, Doemens Academy & Senac-SP - Estados Unidos: Doemens Academy & Siebel Institute of Technology - Itália: Doemens Academy & Arte-Bier

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SINAPSE Por Alessandro Garcia

Uma São Francisco que não é a de Instinto Selvagem ou Uma Babá Quase Perfeita. Aqui, nada de monumentos, lugares da moda, pontos turísticos. Não há takes da Fisherman’s Wharf ou da Coit Tower. Longe destes, na 305 South Van Ness Avenue, os dias são monótonos e nublados, bem como quase todos os locais por onde Jasmine — a protagonista de Blue Jasmine, penúltimo filme de Woody Allen — perambula. O fato de a San Francisco deste filme não retratar os encantos que normalmente o diretor dedica às suas cidades-locações, vai ao encontro do mergulho desorientado de sua personagem. Outrora uma moradora de Nova York, com sua casa à beira-mar em Long Island, flanando entre joalherias no East Side de Manhattan e lojas de grife na 5th Avenue, Jasmine (Cate Blanchett) vê sua vida dourada desabar, após a prisão do marido, o empresário duvidoso Hal (Alec Baldwin). Fora de sua zona de conforto, deixa o voo alto de socialite para abrigar-se

(Bobby Cannavale). Seu hábito de beber

na bondade da irmã Ginger (Sally Hawkins),

martínis de vodca com gengibre soa como

caixa de uma pequena mercearia, que lhe

corpo estranho no restaurante que vai com

cede espaço na sua rotina simples da Costa

a irmã, o cunhado e seu amigo Eddie. E ao

Leste americana.

nos apresentar a este restaurante (mesmo em contraponto aos glamurosos locais por

A esnobe Jasmine não tarda a mostrar-se

onde passeamos em filmes como Para Roma,

uma agregada incoveniente, não medindo

Com Amor; Match Point ou Vicky Cristina

palavras para criticar a modesta vida da

Barcelona), que começamos a conhecer um

irmã, aí incluindo seu novo namorado, Chilli

pouco da genuína São Francisco.

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harmoniza,

divinamente,

com

cervejas como a Blue Moon, uma Witbier refrescante e cremosa e que, ali, é devidamente servida com uma rodela de laranja. Localizado no número 855 da Terry Francois Street, em Mission Bay, o The

Ainda que em Blue Jasmine a cidade

Ramp é uma instituição na cidade,

não seja protagonista, basta uma

localizado exatamente na área da

cena mostrando uma caminhada

cidade que alimentou a chama do

pela Ocean Beach - e o vislumbre

movimento

artesanal

da ilha rochosa Seal Rocks ao fundo -

da América, pelo menos desde a

para vir a vontade de desbravar os

década de 70. Existente desde 1950,

locais para degustar uma cerveja ao

com vista para a baía, o The Ramp é

ar livre em São Francisco. Uma escolha

referência em pratos com frutos do

muito mais solar e que faz mais justiça

mar, sobretudo destaca variedades

à cidade do que os porres de vodca

de caranguejos e mexilhões. Uma

que se repetem nos dias de Jasmine.

porção

Public House 24, Willie Mays Plaza

Hi Dive

de

de

cerveja

camarão

grelhado

Waterbar

Pier 28, Embarcadero 399, Embarcadero at Bryant South

Pier 23

Pier 23, on the Embarcadero

Zeitgeist

199, Valencia St (at Duboce Ave)

* Alessandro Garcia é escritor. Seu primeiro livro, “A Sordidez das Pequenas Coisas”, foi finalista do Prêmio Jabuti. É pai de João, de 3 anos, e finaliza seu romance em meio aos brados do Buzz Lightyear e à aceleração barulhenta do Relâmpago McQueen. De vez em quando, vira o Homem-Aranha.

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COSMOPORITA Por Rita Michalsky *

Tenho um carinho muito especial pelo Uruguai. Das minhas paixões em terras portenhas, quero falar de Montevidéu, a minha cidade ‘vintage’. Adotei esse título para ela porque, quando piso ali, sinto como o país trata – e muito bem – a atmosfera do antigo. Basta observar as vitrines ou se render às portinhas de seus tantos antiquários e brechós, boa parte deles dispostos na região de Ciudad Vieja - como o nome adianta, a parte ‘velha’ da cidade. Lá, na atividade de caçar preciosidades, entre garimpos de objetos e roupas, é possível passar horas sem perceber o tempo. Do meu passado como produtora de arte e figurinista, trago boas recordações desse universo ímpar que permeia o retrô. E que, entre charmosas livrarias e feirinhas, ainda te presenteia com uma pausa entre Nortenhas e Patrícias- sem análises técnicas, as geladas locais figuram como um respiro no meio de um passeio que ainda pode revelar muito. E o roteiro segue, agora para a Rambla, a orla marítima que, sem exageros, é possível enxergar no vai e vem do trânsito, uma cena cinematográfica. A luz da manhã, os transeuntes locais de jovens que caminham para o trabalho sem pressa e idosos debruçados em muros de pedra na companhia de livros. A cidade tem mesmo um ritmo descomplicado, será reflexo de quem tem como vizinho o mar? Para registrar o momento, com memória musical, peço auxílio à música. É, sempre preciso de amparo aos meus ouvidos durante minhas viagens porque gosto do recordar sonoro. Nessa artimanha para me transportar para lugares, cheiros e sensações, tenho nos meus headphones Jorge Drexler, Al Otro Lado Del Rio- canção trilha do filme Diários de Motocicleta, do cineasta brasileiro Walter Salles, de 2004.

A fominha bate lentamente, são pouco mais de onze horas, e eis aí um sinal que chegou a hora de rumar para uma área, digamos, mais local. Sigo para Pocitos, um bairro no qual vivem uns amigos e exala bem o cotidiano de quem vive na cidade: elegantes sobrados residenciais, bares e restaurantes. Decido que chegou a hora dela, uma das estrelas da cultura culinária portenha, as empanadas! Escolho Mafalda, um lugar famoso no preparo da iguaria. Pego a minha, obviamente começo pela tradicional de carne, com pedacinhos de cebola e pimenta picante. Me acompanha uma Zillertal, estupidamente gelada no melhor estilo garrafinha verde enevoada, algo que me faz brotar aquele sorriso no canto da boca. Para finalizar o dia, uma jantinha no La Pulperia, um lugar que gosto de chamar de BBB- bom, bacana e barato. Debruçado numa esquina charmosa, ainda em Pocitos, é um cantinho especial, frequentado por moradores, que se dividem entre os três balcões para bater papo sobre rotina, política, vida. Me faço de habituée, pego o cardápio e a pedida cai para outra especialidade uruguaia, carne. Vou de entrecot - vulgo filé de costela - saladinha de tomate, alface e linguicinhas. Acompanha chimichurri, outro símbolo do país e é uma espécie de vinagrete picante. Feliz da vida com um pote deste molhinho perto de mim, observo o churrasco na grelha, o ar boêmio entre sorrisos tímidos e largas gargalhadas. Para embalar o momento, acionei o meu dispositivo sonoro e me deixei levar pelo tango, que rolava baixinho, no meu pensamento.

*Rita Michalsky estudou arte, trabalhou com moda, foi produtora de cinema e TV. Cansou da high society e mudou-se para a Europa. Entre França e Itália, já são quatro anos. No Velho Continente, berço gastronômico que é, ela agora usa dólmã e trabalha, feliz da vida, na cozinha.


TENDĂŠNCIA Por Giulia Moretti

Bacon artesanal, do chef Benny Novak: leva vinagrete de salsa e mapple syrup


Já foi-se o tempo em que café da manhã com ovos mexidos com tenras fatias de bacon soava subversão gulosa. Coisa de hotel, desculpa de viagem ou apenas mimo. Tudo porque hoje os glutões vivem dias de euforia com tamanha oferta dedicada ao defumado, fabricado a partir de barriga de porco. Não faltam produtos curiosos, receitas que passam longe do tradicional e invencionices. “Garçom, eu quero este drinque, com bacon bem douradinho”, solta o cliente. A cena é comum no restaurante Casa Ramona, em São Paulo, que faz sucesso com esta interpretação, ousada, do tradicional bloody Mary, coquetel a base de suco de tomate e vodca. Já os cervejeiros, mais do que acompanhar o cheese bacon com uma gelada, podem devorar o sanduíche com um rótulo feito a partir do mesmo: um bom exemplo é a Rogue Voodoo Maple Ale, que leva ainda xarope de bordo, árvore típica do Canadá. No mundo da gastronomia, mais alguns fatos curiosos: em Belo Horizonte, MG, uma casa totalmente dedicada à ele, o Bacon

Paradise, o que por si só

dispensa demais explicações. O hambúrguer, claro, é farto na iguaria que, também, ganha o lugar da porção de batata frita no acompanhamento do prato. Na onion ring, o anel de cebola empanado e frito é envolto por fatias do toucinho e da coqueteleira,

Bacon Paradise: de porções gigantes e drinques, todo o cardápio exalta o defumado

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sai uma versão de frozen margherita com tequila, limão, sal e a estrela que dá nome à casa.


Na capital paulista, o 210 Diner, o restaurante do

chef

Benny

Novak

dedicado

à

típica

culinária americana, o defumado deixa o status coadjuvante que dá sabor e finaliza pratos: ali, ele está no cardápio como protagonista e entre as opções de pratos principais. Batizado de ‘nosso bacon’, é servido com vinagrete de salsa e mapple syrup, e custa 27,50 reais. Pagase por essa sugestão, composta por duas fatias, quase a mesma média dos burguers e omeletes da casa, tudo porque o lento processo de cura e defumação é feito de maneira artesanal, pelo restaurante. O mundo dos doces ele também já invadiu. Brigadeiros, caramelos, brownie e cupcakes são frisson na internet, entre blogueiros e gourmets. E também entre os cervejeiros, pois boa parte dessas experiências levam a bebida também na receita.

Feita a orgia gastronômica, os maníacos por bacon podem prolongar na boca (e no ar) tal paixão: basta usar palito e pasta de dente, fio dental e perfumador de ambiente. Sim, tais produtos curiosos existem e estão disponíveis na americana Archie Mcphee (mcphee.com).

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VOCE SABIA

Por Léo Leitão *

Grande parte da economia, no estado da Flórida, nos Estados Unidos, gira com o turismo. Em 2012, Orlando tornou-se

a

cidade

mais

visitada dos Estados Unidos e a segunda mais visitada no mundo. Não é novidade alguma

que

os

atrativos

para esses mais de 60 milhões de turistas são suas tantas (e divertidas) atrações: parques de diversão, praias, outlets. E, acredite, cervejas! O país está acima do Brasil no consumo anual per capitaamericanos são o 13 º da lista, enquanto brasileiros ocupam o 29º lugar no ranking. Enquanto eles bebem 81,6 litros, nós consumimos 55,7 litros. A gente ainda vence. Com esse contexto, me animei e embarquei para lá. Sabia que ia chegar e ver muita cerveja que ainda não tinha ouvido falar. E isso já era empolgante. Mas não pensava que seria tanto! Nenhum bar que passei tinha menos de 10 taps com artesanais e mainstreans diferentes. Leia-se, quando a casa não era dedicada só à cerveja. Quis, então, ver qual era ‘o profissional’ de lá. Fiquei muito indeciso entre os tantos estabelecimentos especializados e devo dizer que não teve um bar ruim. Mas, o meu preferido foi mesmo o World of Beer - o nome já diz tudo, o mundo da cerveja mora ali.

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Descobri também que até dentro dos parques da Disney dá para se divertir bebendo bem. Anualmente, em setembro, acontece o Epcot International Food and Wine Festival (não entendo porque não incluíram a palavra Beer ao nome do evento!), já que você encontra muitas geladas por lá. Funciona assim: dentro do parque, o Epcot, são dispostos

É, Orlando é a terra de todas as di-

25 quiosques, nos quais cada um repre-

versões. E, felizmente, cerveja também

senta um país.

faz parte da brincadeira por lá.

Cada instalação serve um cardápio com três opções de receitas, criadas por um chef e servidas em pequenas porções- chamados pelos americanos de bites e que dá para devorar em duas mordidas. Bom porque assim você tem a oportunidade de provar muita coisa e o passeio figura como uma volta ao mundo

gastronômico.

No

capítulo

bebidas, cada barraquinha oferece uma sugestão de vinho e de cerveja da nação que representa.

Ainda parte imperdível do festival é o Salão da Craft Beer, que estrela só americanas sensacionais, vendidas em pints ou shots para degustação. Já nos parques da Universal, visitei dois bares

* Léo Leitão é um virginiano atípico,

desorganizado

que

tudo

faz

ao

e

mesmo

antológicos: ‘Moes’, dos Simpsons; e

tempo. Acredita que o punk

‘Hog’s Head’, dos livros do Harry Potter.

não

Parei e você deve parar também para

alienígenas

tomar umas por ali.

cerveja é melhor que lasanha.

morreu,

que

existem

criaturas e

que

41


PALAVRAS MALTADAS

Por Juliana Gelbaum*

“P***a, mas toda vez que for

E a graça desse causo – sincronici-

ta da cozinha e uma profusão de

jogar alguma coisa no lixo precisa

dades à parte – é que ele se deu

porta copos foram estrategica-

ver se a Juliana quer antes?!”.

no mesmo momento em que eu

mente posicionados embaixo do

Essa indagação – que, aliás, me

pensava o tema desta coluna,

vidro que cobre uma das mesas

descreve bastante bem – foi

na qual havia pensado, a princí-

da sala. As garrafas muito bonitas,

pio, em discorrer apenas sobre

daquelas ilustradas em tinta no

coleções. E como esse hábito

próprio vidro, viram vaso de flor!

aumentou tanto depois que co-

Já as com tampa, como as da

mecei a consumir essas lindas e

Coruja, servem para acondicionar

que

estilosas cervejas artesanais. Mas

água. Nem o pack da Brooklyn es-

estão espalhadas pela casa, entre

foi aí então, ou melhor, lá, naquele

capou e atualmente faz as vezes

milésimo de segundo, que enten-

de revisteiro lá em casa.

cuspida por um grande amigo enquanto bebíamos umas cervejas (é claro!) com os proprietários de um bar do coração, em São Paulo, frequentado por nós com considerável assiduidade. A

‘coisa’

em

questão

eram

duas grandes caixas vazias de cerveja: uma da Sea Dog e outra da Founders All Day IPA, que instantaneamente visualizei substituindo

outras

tantas

os resquícios insistentes de uma mudança recente. Mas me diz um negócio, por que cargas d’água eu não desejaria trocar parte daquele papelão bege e sem graça por essas que estampam

di: mais do que coleção, o que rola na minha vida hoje é verda-

Sendo assim, estão aí mais alguns

deiro upcycling - o processo de

bons motivos para apreciar, con-

transformar resíduos em produtos

sumir, degustar e amar cerveja.

de maior valor - cervejeiro!

Com elas a gente recicla não só o paladar, as amizades, o repertório

um cachorro fofo, de língua de

Quase nada passa despercebido

de bares e a geladeira, como dá

fora e chapéu de pescador ou

ao meu olhar: a geladeira está

uma bela e saborosa renovada

por aquela de carro retrô, cheio

cheia de tampinhas transforma-

na decoração, além de estimular

de charme, em clima de fuga do

das em ímãs, rótulos decoram a

a criatividade e dar aquela força

mundo?

parte externa do batente da por-

esperta para o meio ambiente!

*Juliana Gelbaum é um misto de jornalista gulosa e garçonete curiosa que come sem fome. Carioca em solo paulistano, devora boas histórias, saliva por novos sabores e se farta de brindes sem razão. E não dispensa uma cerveja.

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PRÓXIMO CLUBE Por Diego Cartier

Canadá em foco Os três mosqueteiros canadenses, que na verdade – hoje – são quatro, carregam a fama de produzirem algumas das melhores e mais premiadas cervejas daquele país. A história começou quando perderam seus empregos na loja na qual trabalhavam juntos e, pelos baques e mudanças da vida, resolveram produzir cervejas. Mal sabiam eles que teriam tanto sucesso, a cervejaria ganhou o mundo e está em países como Estados Unidos, Austrália, França, Espanha, Alemanha. E ostenta feitos como medalhas no World Beer Awards, uma espécie de Oscar das cervejas, o que a consagra no cenário mundial, como uma das grandes referências das cervejas artesanais do Canadá. Grande parte do sucesso está em saber explorar o terroir e, de tal ponto de partida, interpretar estilos clássicos – especialmente, os da escola alemã. Bons exemplos disso são as duas pérolas da série Signature selecionadas para fechar o ano: cervejas elegantes, que unem perfeitamente criatividade e tradição. São extremamente saborosas e equilibradas. A S.S. Kellerbier é uma ‘cerveja de porão’ não filtrada, com aromas e sabores provenientes do encontro entre a riqueza dos maltes de Quebec e a suavidade dos lúpulos da Alemanha. Leve e refrescante, com notas florais, maltadas, com toques de pinho e frutas. O final é agradavelmente seco e pede sempre mais um gole desse verdadeiro néctar. A S.S. Maibock é um pouco mais encorpada.

Ganha

pelo

frescor

irresistível do lúpulo herbal e pelos cereais. Do mais, carrega um toque de doçura e um final levemente amargo. Santé!

R$

71,90

2 S.S. Kellerbier 2 S.S. Maibock


Revista Have a Nice Beer - Novembro  
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