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coleção

JULIE FISON Tradução Marcela de Oliveira Ramos


Título original: How to get to Rio Copyright © 2014 Julie Fison Illustration and Design Copyright © Hardie Grant Egmont 2014 First published in Australia by Hardie Grant Egmont 2014 Direitos de edição da obra em língua portuguesa no Brasil adquiridos pela Harper Collins Brasil, um selo da Casa dos Livros Editora LTDA. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser apropriada e estocada em sistema de banco de dados ou processo similar, em qualquer forma ou meio, seja eletrônico, de fotocópia, gravação etc., sem a permissão do detentor do copirraite.

Rua Nova Jerusalém, 345 – Bonsucesso – 21042-235 Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 3882-8200 – Fax: (21) 3882-8212/831

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ F568c Fison, Julie Como ficar com Rick : escolha o seu felizes para sempre / Julie Fison ; tradução Marcela de Oliveira Ramos. - 1. ed. - Rio de Janeiro: Agir Now, 2016. 256 p.; 23 cm. Tradução de: How to get to rio ISBN 978-85-6980-932-6 1. Ficção infantojuvenil australiana. I. Ramos, Marcela de Oliveira. II. Título. 15-29299  

CDD: 028.5 CDU: 087.5


Capítulo Um — A-cam-par — pronunciei como se estivesse aprendendo uma palavra nova. — Tipo, numa barraca de verdade? Izzy revirou os olhos. — Claro! E aí, o que você acha? — Vai ser muito divertido! — disparou Mia. Eu não tinha tanta certeza. — Mas a última vez que você acampou não foi a pior semana da sua vida? — perguntei. — Você não disse que choveu o tempo todo? E que um dos seus irmãos vomitou no seu saco de dormir? — Para com isso, Kitty! — disse Izzy, pegando o livro de matemática no armário. — O que mais você tem pra fazer? Nada. Esse era o problema. Aquela era a última semana de aula, e na seguinte mamãe e papai estariam trabalhando, e eu ficaria as férias inteiras trancada em casa. Não seria um proble-

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ma se eu tivesse alguém para ficar comigo, mas todos os meus amigos iam viajar, e só me restaria minha irmã mais nova e sua gangue de amigas nerds. Dei de ombros. — Está bem. Eu vou. — Eu sabia que meus pais deixariam. Izzy e Mia abriram um sorriso enorme e me deram um abraço coletivo. — Isso se eu sobreviver ao primeiro tempo. Não fiz o dever de geografia da professora Blackmore. — Eu prometo que vamos nos divertir muito! — falou Mia, com um gritinho. — Boa sorte com o dever — acrescentou Izzy. Observei as duas saírem correndo para a aula, os rabos de cavalo pingando por causa do treino de polo aquático que haviam tido mais cedo. De costas, Izzy e Mia pareciam gêmeas. Na verdade, de frente também eram muito semelhantes. O professor as chamava de Mizzy, porque não conseguia diferenciar uma da outra. Virei para meu armário, emburrada. Eu amava Izzy e Mia pra caramba. Nós nos conhecíamos fazia uns quatro anos, e sem dúvida eram minhas melhores amigas. Então era óbvio que eu queria passar as férias com elas. Mas acampar? Eu só tinha dormido em uma barraca na vida, a da Fada Princesa, que minha mãe me deu quando eu tinha três anos. E tinha sido montada no meu quarto, não no meio do mato. As famílias das minhas amigas eram viciadas em natureza e -1

acampavam juntas havia um tempão. Mas dormir no chão não

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era bem minha ideia de diversão. Sem contar as aranhas, cobras

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e qualquer outra coisa que esteja lá, pronta para entrar no saco de dormir. E também tem o banheiro comunitário, as trilhas longas... Não. “Diversão” não era bem a palavra que me vinha à mente. Mas que escolha eu teria se quisesse passar o fim de ano com minhas melhores amigas? Peguei o livro de geografia no armário e me virei, quase trombando com Persephone. Dei uma boa fungada em seu perfume e fiquei cara a cara com seus brincos de pérola. Eu tinha certeza de que seus planos para as férias não incluíam montar uma barraca e brigar por comida enlatada. Ela teria férias cinco estrelas, sem dúvida. — Oi — falei, sorrindo. — E aí, Kitty? — Ela sacudiu o cadeado e abriu a porta com uma batidinha. — Espera.Vou com você. Esperei, um pouco confusa. Persephone e eu não éramos amigas.Tínhamos algumas aulas em comum e sentávamos juntas nas de geografia e artes, mas não andávamos juntas. Então lembrei que ela vinha guardando lugar pra mim de vez em quando. Mas, mesmo assim, isso não era coisa de amiga. Eu nunca tinha ido para a aula com ela. Persephone sempre andava acompanhada dos seus amigos — o grupinho dos populares. Olhei ao redor, procurando o restante do pessoal. — Você está esperando por... — Não... — respondeu ela, depressa. No caminho, fiquei meio atordoada por estar andando com a garota mais maneira da nossa série.

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Oi, sou eu, a Kitty, tive vontade de dizer. Na verdade, não sou do seu grupinho. Suas amigas são do tipo que fazem viagens incríveis de férias, moram em casas enormes e namoram caras legais. Minha casa é um ovo, eu não vou pra lugar nenhum e provavelmente nunca arrumarei um namorado. Não falei nada disso, óbvio. Só olhei para trás a fim de ver se Izzy ou Mia estavam me vendo. Elas não dão muita bola para o grupinho dos descolados. Caminhei ao lado de Persephone, esperando ser um pouco contaminada por sua maneirice. Ela estava falando sobre o dever de geografia, que era para aquele dia e que eu ainda não tinha terminado. Eu devia estar prestando atenção, mas minha mente estava viajando. Se eu fosse um pouquinho descolada como ela, talvez tivesse chances com Rick. Rick: o maravilhoso e adorável Rick Sanchez. Muito gato e completamente fora do meu alcance. Fazia meses que eu sonhava com ele, desde a primeira vez que o vi, no ônibus. Foi em uma tarde de calor, e eu estava parada a não mais do que um metro de distância, no fundo do ônibus. Na mesma hora identifiquei a escola dele por causa do uniforme. O colégio tinha uma parceria com o nosso. Olhei para o lado e vi seu nome na lateral da mochila. Quando meus olhos se depararam com seu rosto lindo e bronzeado e o cabelo preto e bagunçado, fiquei em transe. Por sorte, ele estava muito ocupado rindo -1

com os amigos para reparar em mim ali, babando. Antes que

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eu me desse conta, tive uma visão do futuro: nós caminhando

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de mãos dadas, fazendo piadinhas e dando risadas... Nosso primeiro beijo. Então, a realidade me puxou de volta. O ônibus fez uma curva brusca, e eu, que olhava para Rick em vez de estar me segurando, voei pelo corredor. Entrei em pânico e me segurei na primeira coisa que vi: a camisa dele. Rick se virou para mim com terror no olhar. Deveria estar achando que eu era uma doida. Foi tão constrangedor. Murmurei um pedido de desculpas e desci correndo no ponto seguinte, que por acaso ficava a quilômetros da minha casa. Desde então, mantive uma distância bem segura de Rick, mas minha missão se tornou conhecê-lo — sem de fato falar com ele. Todo dia, quando o ônibus parava no ponto de Rick, eu prendia a respiração, esperando que ele aparecesse na porta. Quando isso acontecia, eu ficava olhando. Ele andava com os atletas. Não eram malucos como os outros caras do ônibus, que se comportavam como um bando de orangotangos. Rick e seus amigos estavam sempre dando risadas. Os olhos castanhos ficavam enrugadinhos quando ele sorria, era tão inacreditavelmente lindo. Às vezes, eu chegava tão perto que podia ouvir a conversa. O assunto quase sempre era algum time de futebol do qual eu nunca tinha ouvido falar e algum jogador que eu não fazia ideia de quem era. Mas não me importava. Para mim era suficiente ouvir a voz de Rick. Ele tinha um pouquinho de sotaque. Era difícil identificar de onde, mas era muito fofo!

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Só que um dia tive a oportunidade de ver um outro lado dele. Rick entrou sozinho e se sentou bem na minha frente. Estava de fones e com a cabeça encostada na janela. De repente, uma bola veio zumbindo pelo ônibus na minha direção. Mal tive a chance de levantar as mãos para me proteger, e Rick a pegou no ar. Jogou a bola de volta para o dono e se virou para mim. — Você está bem? Não consegui responder nada, então só assenti com afinco. Rick sorriu e voltou para a música que estava ouvindo, como se nada tivesse acontecido. Mas, ao sair do ônibus, três pontos depois, eu estava em êxtase. Rick Sanchez tinha sorrido para mim! Corri para casa. Sentei com meu caderno de desenho e tracei o rosto de Rick. Tentei capturar a expressão dele. Normalmente era forte, embora carinhosa. E o sorriso... tão quente que poderia derreter uma geleira. Incrivelmente lindo! Eu estava muito feliz com meu desenho. Se falar com Rick fosse tão fácil quanto desenhá-lo... Acordando do sonho, lembrei onde estava: no corredor, indo para a aula ao lado de Persephone. Olhei-a, me perguntando se ela estava maquiada ou se usava algum tipo de creme especial que fazia sua pele brilhar. Foi quando percebi que ela estava me fazendo uma pergunta. — Kitty? — chamou, erguendo uma das sobrancelhas. — Você fez? Eu nem imaginava do que ela estava falando, mas não queria -1

demonstrar que não estava prestando atenção. — Ãhn...

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— Você fez o trabalho de geografia? — Não. Vou pedir mais uns dias de prazo — respondi, com um gemido. Eu claramente havia passado tempo demais sonhando acordada com Rick e tempo de menos pensando no dever de casa. Persephone sorriu. — Encontrei vários sites úteis. Posso mandar os links, se você quiser. — Seria ótimo! — Eu me senti realmente grata. — Mal vejo a hora de começarem as férias. Já estou cansada da escola. — Eu também.Vai ser tão divertido.Vamos para o Portal do Paraíso. Sua família costuma ir lá? Balancei a cabeça. — Não muito. Só fomos uma vez, na verdade. O Portal do Paraíso era legal demais para minha família. Era o point das celebridades. Quem era alguém na vida tinha lugar reservado ali. Praia perfeita, lojas perfeitas, pessoas perfeitas. Nem um pouco o estilo da minha família. — Temos um apartamento bem em frente à praia — contou Persephone. Claro que vocês têm, pensei. — Você deveria ir para lá ficar com a gente algum dia. Parei e olhei ao redor. Ela estava falando comigo? Talvez alguém do grupinho tivesse aparecido. Não. Persephone estava olhando diretamente para mim.

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— Ficar com vocês? No Portal do Paraíso? Ela estava quase se desculpando por ter perguntado. — Ah, mas se você não quiser, tudo bem. — Não, não. Quer dizer, sim! Eu adoraria. — Bem, não sei quando, mas temos que combinar mesmo! — exclamou ela, animada. — Lá é tão legal. Passamos dias intermináveis torrando na praia, tomando sorvete, ficamos acordadas até tarde e tem muitos caras gatos. Precisamos marcar mesmo qualquer dia desses. — Com certeza! Isso, sim, era diversão para mim. — Mas temos uma condição. Eu deveria ter adivinhado. Viajar para a casa de praia da garota mais maneira do colégio era bom demais para ser verdade. Persephone ficou séria. — Você nunca, jamais, pode usar meu apelido. — Ah, tranquilo — falei, aliviada por não ser nenhum teste para avaliar se sou descolada o suficiente. — Eu nem sei qual é seu apelido. Por um segundo, ela pareceu envergonhada. — Minha família me chama de Perse Fone. Meu irmão inventou quando tinha três anos, e o apelido pegou. Eu sorri. — Que fofo. — Se me chamar disso, eu mato você — retrucou ela, dando

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uma risadinha.

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Ergui a mão direita e jurei: — Prometo nunca usar seu apelido. — Hesitei. — Sabe do que minha família me chama? Persephone se aproximou, sorrindo. — Kitty-cat. Ela riu. — Isso, sim, é fofo. Fiz uma careta. — Talvez aos seis anos. Mas hoje é constrangedor, principalmente quando minha mãe me chama assim na frente de algum amigo, lá em casa. Tive um calafrio só de pensar. Então, outra coisa me veio à cabeça. Talvez eu não devesse ter contado isso para a garota mais descolada do colégio. Mas Persephone só balançou a cabeça. — Pais são tão irritantes. Espero que os meus cresçam um dia! Nós duas gargalhamos. Persephone me deu o braço, e fomos para a aula juntas. Eu estava fervilhando de empolgação. Será que tinha acabado de fazer uma amiga descolada assim, do nada?

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Como ficar com Rick - capítulo 1  
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