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Latitude 01º23’05”S

ano 1 • número 1 setembro de 2007

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índice

expediente

Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia Av. Dr. Freitas, S/N. Belém, Pará, Brasil. CEP: 66613-902. Telefone: (91) 3344-0100, 3344-0101 e 3344-0102. imprensa@hangarcentrodeconvencoes.com.br www.hangarcentrodeconvencoes.com.br

foto: Gil Yonezawa modelo: Camila D´Macêdo

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editorial

editorial

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entrevista

interview

Ruy Ohtake fala sobre arquitetura, arte e o ambiente das cidades

Ruy Ohtake speaks about architecture, art and the environment of the cities

roteiro

routes

Conheça a história e a cultura de Belém a partir de seu circuito de museus

Get to know the history and culture of Belém from its itinerary of museums

artigo

article

Maurílio Monteiro analisa novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia

Maurílio Monteiro analyzes a development model for the Amazon Region

ensaio

essay

Todas as faces da maior festa religiosa do Brasil, o Círio de Nazaré

All the faces of Brazil’s greatest religious festivity, Círio de Nazaré

design

design

Apostando nos valores locais, jóias amazônicas conquistam mercado

Relying on local values, Amazon jewels have won the market

turismo

tourism

Do nordeste ao sul do Pará, praias de rio e de mar que encantam visitantes

From the northeast to the south of Pará State, river and ocean beaches enchant the visitors

patrimônio

heritage

Em Mosqueiro, casarões de influência européia compõem paisagem bucólica

In Mosqueiro, large old houses and cottages of European influence make up the bucolic scenery

Agência responsável/ Agency Double M

cultura

culture

Edição / Editing Publicarte Editora

Saiba quais são as políticas culturais para o Estado do Pará

Get to know Pará State’s cultural policies

moda

fashion

O charme de Paris está na nova coleção de Lele Grello, fotografada no Hangar

The charm of Paris is shown in Lele Grello’s new collection, photographed at the Hangar

crônica

chronicle

Bob Menezes e os tempos do poetinha Vinícius de Moraes

Bob Menezes and the times of poet Vinícius de Moraes

culinária

culinary

O tucunaré ganha versão especial aliado ao suflê de palmito

Tucunaré has a special version in a combination with the heart-of-palm soufflé

artigo

article

Zildinha Sequeira declara seu amor às peculiaridades de Belém

Zildinha Sequeira declares her love with the peculiarities of Belém

ponto de vista

viewpoint

Presidente da Abraccef fala sobre crescimento do setor de eventos no Brasil

Abraccef President talks on the growth of the events segment in Brazil

economia

economy

Dieese-PA apresenta o balanço dos primeiros meses do Hangar

Dieese-PA presents the balance for the first months of the Hangar

institucional

institutional

Espaços e serviços oferecidos pelo Hangar Centro de Convenções

Spaces and services offered by the Hangar Conventions and Fair Center

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Diretora-presidente President Joana Pessoa Diretor administrativo-financeiro Finance-administration Director Cornélio Rath Diretor operacional Operations manager Luiz Carlos Moraes Assessora de comunicação Communications Advisor Esperança Bessa Conselho administrativo do Hangar Management Board Roberto Ferreira (presidente); Edilson Moura (Secretaria de Estado de Cultura - Secult); Ann Pontes (Empresa Paraense de Turismo - Paratur); Hildegardo Nunes (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Sebrae); Orlando Rodrigues (Belém Convention & Visitors Bureau); Anazilda Sequeira, Jarbas Vasconcelos, Altair Vieira, Thaís Montenegro e Ruy Martini (conselheiros)

Editor-chefe / Chief Editor Fabrício de Paula Editora / Publisher Aline Monteiro Editores assistentes / Assistant Editors Elvis Rocha e Esperança Bessa Produção editorial / Production Juliana Oliveira Editor de arte / Art Editor André Loreto Design Gil Yonezawa e Leandro Bender Fotos / Photos Armando Queiroz, Bob Menezes, Elza Lima, Diana Figueroa, Fabrício de Paula, Flávio Acatauassú, Jaime Souzza, João Ramid, Marcelo Vieira, Nelson Kon, Octávio Cardoso, Ray Nonato e Estúdio Walda Marques. Textos / Texts Alexandra Cavancanti, Aline Monteiro, Esperança Bessa, Irna Cavancalte, Juliana Oliveira e Renata Ferreira. Revisão / Revision José Rangel e Suelem Lobão Versão em Inglês/ English Version Márcio Valle Comercial / Commercial Department Renata Condurú Rua João Balbi, 167 – 3º andar comercial@editorapublicarte.com.br F: (91) 4005.6868 Impressão / Printing Gráfica Delta Tiragem: 5.000 exemplares (5,000 copies)

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editorial Latitude 01º23’05’’. Estas são as coordenadas que ajudam a localizar Belém, capital paraense que abriga o Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, cartão-postal que em quatro meses de funcionamento já abrigou 72 eventos dos mais variados, indo da 59ª reunião nacional da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência ao show do “rei” Roberto Carlos, atraindo mais de 300 mil pessoas nesse período. Latitude também significa liberdade de ação, e com esta revista queremos apresentar o Hangar, Belém, o Pará e os paraenses, mostrando por que promover um evento aqui traz a marca da Amazônia como diferencial, com suas cores, seus cheiros, festas, arte, suas belezas naturais, sua gente... Isso sem contar com toda a infra-estrutura física e técnica que o Hangar disponibiliza, dentro de conceitos modernos que atendem a padrões de exigência internacional, que vão da versatilidade dos espaços à cobertura de rede sem fio de acesso à internet em toda a sua extensão. Leia “Latitude”. Venha a Belém do Pará e conheça o Hangar, um centro de grandes encontros que colocou nosso Estado no roteiro internacional do turismo de eventos. Joana Pessoa presidente do Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia

Editorial Latitude 01º23’05’’. These are the coordinates that define the location of Belém, the capital city of Pará State, where the Hangar – Conventions and Fair Center of the Amazon is located. It is a postcard that has been open for just four months and has already held 72 events of various types attracting over 300 thousand people, ranging from the 59th National SBPC (the Brazilian Society for the Progress of Science) Meeting to the musical show of “king” Roberto Carlos. Latitude also means freedom of action, and by this magazine we are pleased to introduce the Hangar, Belém, Pará and its people, and show why holding an event here carries the Amazon ‘trademark’ as a differential with its colors, scents, festivities, art, natural beauties, its people… without including the complete physical and technical modern infrastructure that the Hangar makes available and which meet the international standards required, ranging from versatile spaces to wireless coverage for Internet access all over the place. Read “Latitude”. Come to Belém do Pará and get to know the Hangar, a center for great meetings that has introduced our State to the international itinerary for events tourism. Joana Pessoa president of Hangar Conventions and Fair Center of the Amazon

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texto: Esperança Bessa • fotos: Diana Figueroa

entrevista

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Ohtake A arquitetura brasileira pode se orgulhar de ter dois representantes internacionalmente reconhecidos: Oscar Niemeyer e Ruy Ohtake. O segundo, defensor da união indissociável entre arquitetura e arte, esteve em Belém encerrando o “6º Congresso Brasileiro de Materiais de Construção”, realizado no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. Ele falou para uma platéia notadamente de estudantes, mas também para arquitetos de longa data que ainda têm muito a aprender com o mestre, que ensina que “entre o feio e o bonito não há diferença de custo, há diferença de projeto”.

Ohtake prega uma arquitetura que seja um misto de surpresa, inovação e estética. Ohtake’s architecture is one that mixes surprise, innovation and aesthetics.

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O senhor já tinha vindo a Belém? Vim algumas vezes, mas já faz cerca de 7, 8 anos. Agora fiquei encantado com as obras de Belém. Estive caminhando pelo Mangal das Garças e fiquei surpreso sobre como o paisagismo está integrado à obra. Com o complexo Feliz Lusitânia (que reúne Igreja de Santo Alexandre e Casa das 11 Janelas), Belém já está no roteiro turístico do Brasil. Essa abertura que se deu aos rios também permitiu a chegada de uma brisa que Belém não conhecia. A cidade tinha sido construída de costas para o rio... A colonização portuguesa sempre foi voltada para dentro, a cidade não se abria para o rio, para o mar. Só mais recentemente se dá essa abertura e a cidade ganha um novo horizonte. Um grande exemplo disso também é Barcelona. Havia uma linha férrea que passava na praia, e agora segue submersa pela cidade, tiraram os muros. Foi a primeira vez que a cidade chegou ao mar, tudo isso para as Olimpíadas. Mas essa redescoberta da natureza, negada pela arquitetura por muitos anos, é uma tendência contemporânea, certo? Vemos cada vez mais a valorização do que é

natural em relação ao artificial... É necessária a integração da arquitetura à paisagem da cidade. Em Belém, o rio faz parte dessa paisagem e nós é que estávamos isolados. Com certeza agora a cidade é uma referência. As pessoas vão logo associá-la ao Forte do Castelo, ao Mangal, assim como associam as praias de Copacabana, Flamengo e Ipanema ao Rio de Janeiro. Da mesma forma vão associar Belém ao Hangar, que tem um conforto que poucos centros de convenções do Brasil oferecem. Espero que ele fique logo pequeno para a quantidade de eventos (risos). Para o senhor, qual a relação entre arquitetura e obra de arte? Arquitetura é obra de arte, onde a construção é um meio para se chegar ao fim. Sempre representa uma parte da história da cidade. E que parte da história o senhor acha que suas construções deixam para as cidades onde são erguidas? Procuro deixar uma intervenção contemporânea, algum museu, residência, pode ser obra grande, pequena, não importa. Procuro fazer arquitetura brasileira e contemporânea. E como toda arte, a ar-

quitetura tem várias linhas, não importa se certas ou erradas. Prego uma arquitetura que seja um pouco de surpresa, inovação e estética, sempre guiado pela ousadia. A linha que emprego traz uma pincelada da arte de Aleijadinho: as linhas curvas, o claro e escuro, o cheio e vazio. Por isso mesmo a arquitetura brasileira é singular no mundo. Lá fora se preocupam muito com uma linha minimalista, que acho importante, mas que é muito européia, americana, japonesa. O barroco é tipicamente brasileiro. O senhor também emprega muita cor... Eu ouso nas cores. Parati, Alcântara, Salvador são cidades históricas que sempre tiveram cor. Com os anos, o Brasil foi perdendo isso, e as obras ficaram naquele branquinho, creminho, cinza claro... A arquitetura ajuda a contar a história da cidade, por isso tem que ter presença boa, forte, que mostre a época em que nós vivemos. Costuma acompanhar de perto a execução de suas obras? Arquitetura é obra construída. Quando está no papel é uma fase importante, mas ainda não é arquitetura. Não acho importante receber os honorários ao final do projeto se ele não for sair do papel.

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O que Oscar Niemeyer representa para o senhor? Quando eu comecei, Oscar Niemeyer já era um mito no Rio de Janeiro. Ele já tinha feito a Pampulha e algumas obras importantes. Eu, metido, queria conversar com ele. Conversar não, ouvir. Fui de manhã para o escritório dele e fiquei lá o dia inteiro, esperando. No final da tarde ele meteu a cara na porta, viu que eu passei o dia inteiro ali e disse “entre, fique no escritório e depois a gente conversa”. Deu oito horas da noite e ele me convi-

interview

RUI

dou para jantar. Para mim foi a glória! Desde então estabelecemos uma relação de amizade muito importante para mim. Tenho aprendido muito com ele até hoje. Em que projetos o senhor está envolvido atualmente? Estou fazendo o Memorial da Cidade, em Teresina, o pequeno estádio do Gama, em Brasília, e a adaptação do estádio do Morumbi para a Copa do Mundo de 2014. Também estou fazendo a igreja do padre Marcelo Rossi, com capacidade para 18 mil pessoas dentro e 50 mil no pátio externo. Estou fazendo de forma voluntária também a nova cara da Favela de Heliópolis, onde moram mais de 40 mil

pessoas. A obra está sendo construída junto com a comunidade, que nos ajuda na pintura das casas e na construção da biblioteca e do centro cultural. O importante é que a comunidade seja co-responsável pela obra, que opine junto na construção e participe da gestão. O centro cultural, por exemplo, eles vão gerir desde a manutenção até os recursos, e lá haverá um pequeno cinema e uma galeria de arte para exposições em geral e para mostrar os trabalhos feitos por gente da própria favela. O senhor tem uma obra em Belém... Fiz o edifício Diamond Tower, na Praça da República. Gostaria de ter mais uma obra em Belém. L

Hotel Unique (São Paulo) - segundo Ohtake, a expressão do prédio é dada por dois vazios, o que faz com que sempre impressione visitantes por suas formas e detalhes.

foto: Nelson Kon

Acredito que por isso eu seja um dos arquitetos com mais obras construídas. É importante não perder esta garra.

Ohtake Brazilian architecture can be proud of its two internationally renowned representatives: Oscar Niemeyer and Ruy Ohtake. The latter, a defendant of the unseverable union between architecture and art, was in Belém to close the 6th Brazilian Building Materials Conference, held at the Hangar – Conventions and Fair Center of the Amazon. He gave a speech to an audience chiefly made up of students, but also for experienced who still have a lot to learn from the master, who teaches that “between the ugly and the beautiful there is no difference in cost, but a difference in project.”

Hotel Unique (São Paulo) – according to Ohtake, the expression of the building is given by two gaps, which always impresses visitors due to its shapes and details.

Have you ever been to Belém?

But this rediscovery of nature, which had been

Yes. I came here a few times, but it was about 7 or 8 years

denied by architecture for years, is a contemporary

ago. This time, I was appalled at the places of Belém. I’ve been

trend, right? We are to see valorization of the natural

to Mangal das Garças and got surprised at how the landscaping

more and more in relation to the artificial...

is integrated with the site. The Feliz Lusitânia complex (which

The integration of architecture to the city’s landscape is

comprises the Saint Alexander Church and the Casa das 11

necessary. In Belém, the river is part of this landscape and we

Janelas), now puts Belém into Brazil’s tourist routes. This open-

were the isolated ones. Definitely, Belém is now a reference.

ing to the rivers also allowed the city to receive such an unknown

People are to associate the city to the Castle Fort, to the Mangal,

breeze.

just like people associate Copacabana, Flamengo and Ipanema beaches to Rio de Janeiro. Likewise, they are to associate Belém

The city had been built with its back turned to the river...

to Hangar, which offers a type of comfort that few convention centers in Brazil can offer. I do hope it soon gets small for the

Portuguese colonization has always been turned inland; the

amount of events (laughs).

city was not open to the river or the sea. Only now such opening is being possible. A good example of this is Barcelona. The city had a railway along its shore, but now it goes underground and the walls were removed. That was the first time the city reached the sea, all because of the Olympic Games.

In your opinion, what is the relationship between architecture and work of art? Architecture is a work of art in which construction is a means to meet the end. It always represents a part of the city’s history.

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O Diamond Tower é a única obra do arquiteto em Belém. Ohtake já adiantou que tem vontade de trabalhar em outros projetos na capital paraense.

And what part of the history do you think your works leave for the cities where they are erected? I try to leave a contemporary intervention, some museum, residence; it may be a large or small work, it doesn’t matter. I try to do Bra-

The Diamond Tower building is his only work here in Belém. Ohtake has already expressed his will to make other projects in the capital of Pará.

zilian and Contemporary architecture. And like every art, architecture has several lines, no matter whether they are right or wrong. I practice an architecture that is a little of surprise, innovation and aesthetics, always guided by boldness. My line of work is one that has a trace of the art of Aleijadinho: the curved lines, the clear and the dark, the full and the empty. That’s exactly why the Brazilian architecture is unique in the world. Out there, they are too concerned with a minimalist line, which I regard as important but it is very European, American, Japanese. The Baroque is typically Brazilian. Your work also have a lot of color... I’m bold with colors. Parati, Alcântara, Salvador are historical cities that have always had color. Over the years, Brazil has been losing this and the works became chiefly white, cream, light gray… Architecture helps tell the city’s history and for this reason it needs to have a good, strong presence,, one that depicts the time we live in. Do you use to follow closely on the execution of your works? Architecture is built-up work. When it’s in the paper, it’s an important phase, but is not yet architecture. I don’t find it important to receive the payment upon conclusion of the project if it does not get out of the paper. I believe that this is the reason why I am one of the architects with the majority of his works built. It is important not lose this drive. What does Oscar Niemeyer represent to you? When I started, in Rio de Janeiro, Oscar Niemeyer was already a myth. He had already made Pampulha and some important works. I, being nosey, wanted to talk to him. Not talking, but rather listen to him. One morning I set off for his office and waited there all day long. spent the entire day there and said: “come in. Stay here at the office and we’ll talk later.” It was 8 p.m. and he invited me to dinner. That, for me, was a glory! We established a friendly relationship at that time that has been very important to me ever since. I’ve learned a lot from him.

Instituto Tomie Ohtake: A ousadia nas formas é uma das marcas registradas do trabalho do arquiteto, amigo e pupilo do mestre Niemeyer

foto: Diana Figueroa

Late in the afternoon he showed up at the door, noticed that I had

Tomie Ohtake Institute: Boldness in shapes is one of the trademarks of this architect’s work, who was a friend and pupil of renowned architect Oscar Niemeyer.

What projects are involved with nowadays? I’m making the Memorial da Cidade (City Memorial), in Teresina; the small Gama stadium, in Brasília; and the adaptation of the Morumbi stadium for the world soccer cup. Also, I’m working on the Padre Marcelo Rossi Church for 18 thousand people inside and 50 thousand in the external yard. I’m voluntarily making the new façade for the Heliópolis favela, which has over 40 thousand inhabitants. The work is being constructed in a partnership with the community, who help us paint the houses and in erecting the library and the cultural center. The important thing is that the community is co-responsible for the

foto: Nelson Kon

work, expresses its opinion on the construction and takes part in the management. The cultural center, for instance, is to be managed by the community from the maintenance to the management of funds. The place shall have a small movie theater and an art gallery for exhibits and to display the work by the community members themselves. You have a work in Belém... I designed the Diamond Tower building, at Praça da República. I’d like to have another in Belém.

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texto: da Redação

roteiro

BELÉM

dos museus Natureza exuberante, clima tropical, população acolhedora e uma cultura miscigenada fascinante. Escolher o que conhecer primeiro em Belém do Pará não é tarefa fácil. Um roteiro imperdível entre tantas possibilidades é o circuito de museus, passeio que permite ao visitante desvendar desde os primórdios da fundação de um dos primeiro núcleo urbano da Amazônia, passando pelo período áureo da borracha, até as produções culturais do passado recente e da contemporaneidade, numa verdadeira viagem no tempo. Mais de dez museus contam, sob óticas diferentes, a história do Pará e da Amazônia. A revista Latitude selecionou para você as paradas obrigatórias dentre os museus da cidade. Boa viagem!

routes

THE MUSEUMS of Belém Lush nature, tropical climate, warm people and fascinating culture. Choosing what to visit first in Belém is not an easy task. One such itinerary amongst many others is the circuit of museums, which is a promenade that allows the visitors to get to know everything about the city: from the early days of the foundation of the capital of Pará State, going through the golden rubber period on to the cultural productions of the recent past and of present times in a real time travel. More than ten museums tell the history of Pará State and of the Amazon region through different views. For that reason, Latitude magazine has made a selection of the city’s must-see museums. Enjoy the ride! 10

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foto: Elza Lima foto: João Ramid

À esquerda, vista geral do Forte do Presépio. Acima e abaixo, urnas funerárias marajoaras encontradas no sítio. Left, view of the Castle Fort (Forte do Presépio). Above and below, typical Marajó indian funerary urns found in the site.

Como nossa viagem é antes de tudo histórica, por que não começar pela fundação de Belém? Para isso, basta aportarmos pela Baía do Guajará na primeira edificação da cidade, o Museu do Forte do Presépio (MFP). Ele, que outrora serviu de base para defesa do território, hoje guarda os vestígios arqueológicos do começo da ocupação urbana na região. No Museu do Forte, você poderá conhecer dois roteiros. O primeiro compreende o chamado Sítio Histórico da Fundação da Cidade, onde estão os vestígios arquitetônicos, como a igreja e a casa de pólvora. Já o circuito interno corresponde ao Museu do Encontro, tendo na sala Guaimiaba uma homenagem ao índio tupinambá Cabelo-de-Velha. Lá existe uma exposição permanente de objetos em cerâmicas tapajônica e marajoara, além de vários elementos de cultura material recolhidos no próprio sítio histórico: fragmentos de cerâmica e porcelana, balas, moedas, e outros.

foto: Diana Figueroa

Museu do Forte do Presépio

Forte do Presépio Museum Since our journey is mainly historical, why not starting from the foundation of Belém? By entering port through the Guajará Bay we get to the city’s first building, the Forte do Presépio Museum (or MFP). It was a defense fort at that time and now keeps the archeological traces from the early urban occupation in this region.

E mais...

At the Castle Fort Museum, you will learn of two routes. The

O acervo que compõe o MFP foi formado a partir de escavações no próprio local do museu e por intermédio de doações da comunidade. No entorno dele, a história da colonização da Amazônia é contada por meio de informações afixadas em portais.

first one is called Historical Site for the City’s Foundation, where the architectonic traces such as the church and the powder house are located. The inner route corresponds to the ‘Museu do Encontro’ with its Guaimiaba room in honor of the Tupinambá Indian called Cabelo-de-Velha. You can see a permanent exhibit of ceramic artifacts representing the region’s pottery, in addition to several cultural elements collected at this very historical site: ceramic and porcelain fragments, bullets, coins, and many other objects.

Museu do Forte do Presépio Praça Dom Frei Caetano Brandão, s/n. Cidade Velha – Belém/PA Telefones: 55 91 4009-8828 / 4009-8822 / 4009-8826 Horário de visitas: Terça-feira a domingo, das 10h às 18h. E-mail: fortedopresepio@velox.com.br

Forte do Presépio Museum Praça Dom Frei Caetano Brandão, s/n. Cidade Velha – Belém/PA Telephones: 55 91 4009-8828 / 4009-8822 / 4009-8826 Visitation hours: Tuesday through Sunday, 10 a.m. – 6 p.m. E-mail: fortedopresepio@velox.com.br

And more... The MFP’s collection was built from excavations in the area where the museum is located and through donations from the community. Around the MFP, the history of colonization in the Amazon is told by the information posted on signs.

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foto: Diana Figueroa

foto: Elza Lima

Acima, Igreja de Santo Alexandre, que hoje abriga concertos de música clássica. No alto, à direita, imagem barroca de Nossa Senhora do Rosário. Above, the Saint Alexander Church, where classical music concerts are held. Top right, a baroque image of Our Lady of the Rosary.

Museu de Arte Sacra

The Sacred Arts Museum

Seguindo nosso trajeto, poderemos acompanhar o desenvolvimento da ocupação da Amazônia a partir das missões jesuítas. Construída no século XVII, a Igreja de Santo Alexandre, a mais barroca das edificações paraenses, está situada no centro histórico de Belém e, juntamente com o antigo palácio episcopal (originalmente Colégio de Santo Alexandre), abriga o Museu de Arte Sacra. O começo das obras da igreja data de 1698, mas a inauguração só teria acontecido no dia 21 de março de 1719. Santo Alexandre possuía um rico acervo, mas em virtude de várias reformas acabou cedendo parte de seu patrimônio para outras igrejas da capital e do interior. No entanto, nela ainda existem obras de grandes nomes, como o pintor e escultor alemão Xavier Traero, criador do altar-mor, dos altares laterais e dos púlpitos. Outros trabalhos de grandes pintores, como o português Luís Corrêa, o francês João de Almeida

e o flamengo Baltasar de Campos, também podem ser conferidos. São quase 400 peças distribuídas entre as categorias de imaginárias, indumentárias, insígnias, artes visuais e interiores. O acervo foi adquirido através de compras e doações. Em sua área térrea, encontra-se a Galeria Fidanza, um café e a boutique Empório das Artes. No primeiro pavimento estão localizadas as salas e corredores onde estão expostas as obras sacras bidimensionais e tridimensionais, enquanto o segundo pavimento se destina ao auditório, à biblioteca, ao laboratório de restauro e à reserva técnica onde são guardadas as obras fora de exposição. Mas se engana quem pensa que a condição de museu dada à igreja, por sua importância histórica e cultural, interrompeu suas atividades. Cerimônias religiosas especiais e apresentações de música clássica e erudita marcam presença na agenda de Santo Alexandre durante o ano.

Next in our journey, we can follow the process of occupation of the Amazon with the Jesuit missions. Built in the 17th century, the most baroque of constructions in Pará is the Saint Alexander Church, located in Belém’s historical center and along with the old Episcopal palace (originally called Saint Alexander School) makes up the Sacred Art Museum. Erection of the church dates back to 1698, but it was opened only on March 21st of 1719. Saint Alexander had a great collection but ended up by conveying a part of it to other churches in the capital and in the country side. Nevertheless, it still keeps master pieces by great names such as German sculptor and painter Xavier Traero, who made the high and side altars, and the pulpits. Other pieces by great painters such as Luís Corrêa (Portugal), João de Almeida (France) and Baltasar de Campos (Flanders) can also be seen. Overall, almost 400 pieces are displayed comprising garments, visual arts imaginary, banners and interiors. The collection was formed from purchase and donations of the items. On the ground floor, there is the Fidanza Gallery, a café and a boutique (Empório das Artes). On the first floor are the rooms and corridors where the two-dimensional and tree-dimensional sacred pieces are displayed, and the second floor has the auditorium, the library,the restoration laboratory and the technical reserve room, where the pieces off the exhibit are kept.

Museu de Arte Sacra Praça Frei Caetano Brandão, s/nº Cidade Velha - Belém/PA Telefones: 55 91 4009-8800 / 4009-8845 (Setor Educativo) Horário de visitas: Terça-feira a domingo, das 10h às 18h. E-mail: maspa@veloxmail.com.br

The Sacred Art Museum Praça Frei Caetano Brandão, s/nº Cidade Velha - Belém/PA Telephones: 55 91 4009-8800 / 4009-8845 (Educational Department) Visitation hours: Tuesday through Sunday, 10 a.m. – 6 p.m. E-mail: maspa@veloxmail.com.br

But do not fool yourself into thinking that the status of museum given to the church for its historical and cultural importance has interrupted its activities. Special religious ceremonies and classical and erudite music shows are present in Saint Alexander Church’s agenda throughout the year.

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foto: Octávio Cardoso

Uma das obras mais famosas do acervo do MEP é o óleo sobre tela “A Conquista do Amazonas”, pintado por Antônio Parreiras em 1907. One of the most famous works of the MEP collection is the oil on canvas painting “A Conquista do Amazonas” (The Conquest of the Amazon River), painted by Antônio Parreiras in 1907.

Museu do Estado do Pará

Pará State Museum The Portuguese imaginary seen through the eyes of an Italian in order to provide a familiar atmosphere the Portuguese governors and their families upon their inspection visits to the Santa Maria do GrãoPará Province, the name given to Belém at that time. This purpose

sidência”. Em 1759 estava muito danificado e ameaçando desabar e por isso acabou sendo demolido. No mesmo lugar foi construído um novo palácio, com planta traçada por Landi no estilo clássico italiano. No apogeu do ciclo da borracha, o governador Augusto Montenegro imprimiu ao prédio a decoração da época, trazendo parte do mobiliário da Europa. Lustres de cristal foram colocados nos salões nobres e o pintor francês J. Casse fez a decoração. As peças e algumas telas de renomados pintores, como Antônio Parreiras, Décio Vilares e Benedicto

Calixto, passaram a integrar o acervo do prédio, que foi constituído como museu em 1994 e possui salas para exposições temporárias. Agora o Palácio Lauro Sodré passa por uma nova grande reforma e o MEP está temporariamente fechado para visitação.

E mais... A capela interna projetada por Landi, localizada no térreo aproveitando o vazio entre os dois pisos, tem retábulo barroco. Foi de lá que saiu o primeiro Círio de Nazaré, em 8 de setembro de 1797.

foto: Armando Queiroz

O imaginário português retratado pela visão de um italiano, para abrigar com ares de familiaridade os governadores portugueses e suas famílias em suas inspeções à então Província de Santa Maria do Grão-Pará. Foi com este propósito que o arquiteto italiano Antônio Landi construiu o Palácio Lauro Sodré. O resultado foi uma versão portuguesa dos temas neopaladianos da Itália, lembrando as casas lusitanas de dois andares e sótão central. O palácio foi erguido primeiramente entre os anos de 1676 e 1680. Era chamado de “casa de re-

prompted Italian architect Antônio Landi to build the Lauro Sodré Palace, which was a Portuguese version of Italy’s neo-Palladian themes, allusive to the Portuguese two-story houses. The palace was initially built between 1676 and 1680. In 1759, it was damaged and in danger of collapsing and was eventually demolished. A new palace was erected in the site according to the blueprint by Landi following the Italian classical style. At the peak of the rubber period, Pará Governor, Augusto Montenegro, ordered that the building was decorated to the fashion of that time and brought part of the palace’s furniture from Europe. Crystal chandeliers were installed in the assembly rooms and French painter J. Casse was accountable for the decoration. The building’s collection of fine arts included pieces and some paintings by renowned artists such as Antônio Parreiras, Décio Vilares

No centro de Belém, o Palácio Lauro Sodré já foi a sede do Governo e hoje abriga o MEP. In downtown Belém, the Lauro Sodré Palace was the seat of the Government and now is the MEP.

and Benedicto Calixto. The palace became a museum in 1994 and today has rooms for temporary exhibits. Nowadays, the Lauro Sodré Palace is being renovated and is temporarily closed for visitation.

And more... The internal chapel designed by Landi, on the ground floor, has a baroque retable. It was from this chapel that the first Círio de Nazaré left in procession on September 8th of 1797.

Museu do Estado do Pará Praça Dom Pedro II, s/n. Cidade Velha – Belém/PA Telefones: 55 91 4009-8838 (Recepção) 4009-8840 (Administração) / 4009-8841 (Direção) Horário de visitas: Terça a sexta-feira, de 13h às 18h, e sábado e domingo, de 9h às 13h. E-mail: sim.sec@veloxmail.com.br

Pará State Museum Praça Dom Pedro II, s/n. Cidade Velha – Belém/PA Telephones: 55 91 4009-8838 (Reception) 4009-8840 (Administration) / 4009-8841 (Director) Visitation hours: Tuesday through Friday, 1p.m. – 6 p.m. Saturday and Sunday, 9 a.m. – 1 p.m. E-mail: sim.sec@veloxmail.com.br

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Eis que na primeira metade do século XIX chegamos à independência do Brasil, com a adesão da Província do GrãoPará em 1823. Três décadas depois, o Palácio Antônio Lemos foi construído para ser a sede da Intendência Municipal. De autoria do arquiteto Antônio Landi, o prédio foi feito em estilo neoclássico, arquitetura característica da segunda metade do século XIX. Atualmente ele abriga o Museu de Arte de Belém (Mabe) e a sede da Prefeitura. O Mabe possui um conjunto significativo de obras européias e brasileiras referentes ao período áureo da borracha. São cerca de mil peças, sendo que as mais antigas datam do século XVIII. A estrutura do museu conta com um mini-auditório, duas salas de exposições e uma biblioteca especializada em artes, com um acervo de cerca de mil volumes. Há ainda um quiosque multimídia onde o visitante tem acesso a informações sobre a história do prédio e ficha técnica completa de cada peça do acervo do museu. No andar superior estão três salões com belas esculturas e objetos de decoração, além de um grande auditório, cedido para a realização de eventos. Outro destaque é o acervo contemporâneo, composto por um conjunto de obras denominado Iconografia Paraense. Essa coleção retrata, através de pinturas e fotografias, cenas de Belém e seus habitantes e ainda do ambiente amazônico.

E mais... O Mabe conta atualmente com duas exposições de longa duração “Musas: no Tempo da Memória” e a “Fundação de Belém”. É um espaço aberto para toda a população de Belém, do Brasil e do mundo.

foto: Diana Figueroa

Museu de Arte de Belém

Acima, cena de “A Fundação da Cidade de Belém”, mostra de longa duração composta a partir do acervo do Mabe. Abaixo, imagem da exposição “Musas do Tempo da Memória” . Above, a scene from “The Foundation of Belém”, long-term exhibit of work from the Mabe collection. Below, a picture of the exhibit “Musas do Tempo da Memória”.

Belém Art Museum In the first half of the 19th century Brazil declared its independence. The Grão-Pará Province Adhered to the independence in 1823. Three decades later, Palácio Antônio Lemos was built to be the seat of the Municipal Administration. A project architect Antônio Landi, the building was built in neoclassical style, a type of architecture so characteristic of the second half of the 19th century. Today, it is Belém’s Museum of Sacred Art (Mabe) and the seat to the City Board. The Mabe has a collection of European and Brazilian works of art from the peak of the rubber period. This collection amounts to approximately one thousand pieces, the oldest ones dating back to the 18th century. The museum infrastructure is made up of a mini-auditorium, two exhibit rooms and one library specialized in arts containing about one thousand books. Also, there is a multimedia station for the visitors to get information on the history of

foto: Diana Figueroa

the building and the complete technical data of each piece in the museum’s collection. On the upper floor there are three big assembly rooms fitted with beautiful sculptures and decorative objects, and one big auditorium for events. Another highlight is the contemporary collection, which is made up of a collection of pieces called “Iconografia Paraense” (Pará State Ichnography). This collection portrays scenes of Belém and its inhabitants as well as the Amazon environment through paintings and photographs.

Museu de Arte de Belém Praça D. Pedro II, s/n, Palácio Antônio Lemos Cidade Velha – Belém/PA Horário de visitas: Segunda a sexta, no horário comercial, e sábado, domingo e feriados, das 9h às 13h Telefones: 55 91 3283-4712 / 3283-4713

Belém Art Museum Praça D. Pedro II, s/n, Palácio Antônio Lemos Cidade Velha – Belém/PA Visitation hours: Monday through Friday, business hours; and Saturdays, Sundays and holidays, from 9 a.m. to 1 p.m. Telephones: 55 91 3283-4712 / 3283-4713

And more... The Mabe now has two long exhibits ongoing: “Muses: at the Time of Memoir” and “The Foundation of Belém”. This is a place open to publics from Belém, from Brasil and from the world over.

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foto: Elza Lima

Espaço Cultural Casa das Onze Janelas Dentre tantos museus erguidos e pensados como grandes obras arquitetônicas, eis um que começou tendo como grande pretensão ser uma casa, mais precisamente a de Domingos da Costa Bacelar, proprietário de um engenho de açúcar. Construída no século XVIII, ela passou para administração do governo do Grão-Pará no ano de 1768 e, graças à adaptação feita por Antônio José Landi, passou a abrigar o Hospital Real Militar. Mesmo com o hospital desativado em 1870, a casa permaneceu tendo funções militares, com o uso pelo Corpo da Guarda e a Subsistência do Exército. Em 2002, foi inaugurado no prédio o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. O prédio possui salas expositivas com obras que se integram ao ambiente arquitetônico e paisagístico. O objetivo é proporcionar ao visitante o convívio, de forma harmoniosa, com visualidades diferentes: a natureza, o prédio do século XVIII e obras do século XX e XXI. O espaço conta com um acervo proveniente de várias coleções e é considerado uma referência em arte moderna e contemporânea para as regiões Norte e Nordeste.

Inaugurado em 2002, o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas reúne acervo de arte contemporânea referencial para a região. Abaixo, detalhe de exposição de longa duração. Opened in 2002 at an old military facility, the Espaço Cultural Casa das Onze Janelas displays a collection of contemporary art that is a reference for the region, besides making part of a pleasant leisure complex by the Guajará Bay.

Casa das Onze Janelas Cultural Center Amongst the many museums erected and thought of as great architectonic constructions, one of them started by intending to a mere house, more precisely the home of Domingos da Costa Bacelar, the owner of a sugar mill. Built in the 18th century, it became a property of the Grão-Pará government in 1768 and thanks to the adaptation made by Antônio José Landi, it became the Royal Military Hospital. Even after the hospital was closed down in 1870, the house remained a military property. In 2002, the place was opened as the Casa das Onze Janelas Cultural Center. The place has exhibit rooms displaying pieces that integrate to the architectonic and scenic environment. The objective here is providing the visitors with harmonic space with different views: the nature, the 18th century building, and 20th and 21st century constructions. This center is made up of several collections and considered a reference in modern and contemporary art for the north and northeast regions of Brazil.

And more... Casa das Onze Janelas Cultural Center has a very pleasant surrounding area by the river. A small square shaded by mango trees right in front of the Guajará Bay is an invitation to leisure. Next to it, there is an amphitheater for music shows and performances. Also, a fountain and a pier make up the scenery for couples.

E mais... O Espaço Cultural Casa das Onze Janelas mantém uma área de entorno bastante agradável à beira-rio. Uma praça sombreada por mangueiras em frente à Baía do Guajará convida os visitantes ao deleite. Ao lado, um anfiteatro serve de palco para apresentações musicais e performances. Ainda há uma fonte e um píer, ambientes muito procurados por casais de namorados.

Espaço Cultural Casa das Onze Janelas Praça Dom Frei Caetano Brandão, s/n. Cidade Velha – Belém/PA Telefones: 55 91 4009-8821 (Recepção) 4009-8823 (Administração) / 4009-8825 (Direção) Horário de visitas: Terça-feira a domingo, de 10h às 18h. E-mail: onzejanelas@veloxmail.com.br

Casa das Onze Janelas Cultural Center Praça Dom Frei Caetano Brandão, s/n. Cidade Velha – Belém/PA Telephones: 55 91 4009-8821 (Reception) 4009-8823 (Administration) / 4009-8825 (Director) Visitation hours: Tuesday through Sunday, 10 a.m. – 6 p.m. E-mail: onzejanelas@veloxmail.com.br

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foto: Diana Figueroa

O Goeldi apresenta mais de 1,5 mil espécies amazônicas. Outra atração é o Pavilhão da Rocinha. Nas exposições, pode-se conhecer mais sobre artefatos marajoaras e tapajônicos.

Museu Goeldi features more than 1.500 Amazon species. Another attraction of this park is the Pavilhão da Rocinha. The exhibits display artifacts made by the region’s various cultures such as ‘marajoara’ and ‘tapajônico’.

Emílio Goeldi Museum

Museu Paraense Emílio Goeldi Compondo esse percurso de museus, o visitante não pode deixar de incluir uma passagem pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), que abriga importantes coleções naturais e etnográficas, essenciais para se conhecer mais a respeito da Amazônia. A mais antiga instituição de pesquisa da região surgiu nos idos de 1860 e tem documentado durante séculos nossas espécies locais, sem falar no trabalho de pesquisa arqueológica sobre as populações que precederam o período da colonização européia. Criado em 6 de outubro de 1866 pelo naturalista Domingos Soares Ferreira Penna, o Goeldi nasceu com a finalidade de ser uma instituição de pesquisa na região amazônica, com a responsabilidade de formar acervos científicos, documentar e difundir conhecimentos. Possui fabulosas coleções de botânica, zoologia, arqueologia, antropologia, e desenvolve estudos na área da ecologia, lingüística e ciências da terra.

In this route of museums, visitors cannot but include in their

A instituição é composta por três centros: o Parque Zoobotânico, o Campus de Pesquisa e a Estação Científica Ferreira Penna. Com cerca de 30 mil hectares, a estação foi inaugurada em 1992 e está localizada no município de Melgaço, aproximadamente 200 quilômetros a oeste de Belém, na Floresta Nacional de Caxiuanã. O parque botânico-zoológico é o mais procurado pelos turistas. Contém mais de 1,5 mil espécies amazônicas, 1,5 mil amostras de plantas, 1,6 mil exemplares de frutos, 700 espécies de madeiras, um aquário com espécies raras dos rios amazônicos e uma exposição permanente com objetos etnográficos de vários povos indígenas da Amazônia.

itinerary the Emílio Goeldi Museum (MPEG). It has important natural and ethnographic collections that are essential for one to get to know more about the Amazon. The MPEG is the oldest research institution in the region, opened in 1860, and it has documented our local species for centuries now, in addition to archeological work on the populations that inhabited the region pre-European colonization times. Founded on October 6th of 1866 by naturalist Domingos Soares Ferreira Penna, the Goeldi Museum was opened with the objective of being a research institution in the Amazon region, making up scientific collections, documenting and spreading knowledge. It has fabulous collections on botanics, zoology, archeology, anthropology, and develops studies on the fields of ecology, linguistics and earth sciences. The institution is made up of three centers: the Zoobotanic Park, the Research Campus and the Ferreira Pena Scientific Station. The scientific Station has approximately 30 thousand hectares and was opened in 1992 and is located in the city of Melgaço, Pará State, about 200 kilometers west of Belém, at the

E mais... O MPEG é reconhecido mundialmente como um dos mais importantes institutos de investigação científica da Amazônia, desenvolvendo pesquisas sobre doenças endêmicas da região desde 1902.

Caxiuanã National Forest. The botanic-zoological park is the most visited by tourists. It has over 1,500 Amazon species, 1,500 plant samples, 1,600 fruit specimens, 700 species of wood, an aquarium of rare species from the rivers of the Amazon and a permanent exhibit of ethnographic objects from various indigenous peoples of the Amazon region.

Museu Paraense Emílio Goeldi Avenida Magalhães Barata, 376, entre Nove de Janeiro e Alcindo Cacela. Telefone: 55 91 3219-3370 Horário de visitas: Terça a domingo, de 9h às 17h. www.museu-goeldi.br

Emílio Goeldi Museum Avenue Magalhães Barata, 376 (between Nove de Janeiro St. and Alcindo Cacela Ave.) Telephone: 55 91 3219-3370 www.museu-goeldi.br

And more... The MPEG acknowledged worldwide as one of the most important institutes of scientific investigation in the Amazon. Also, it has been conducting research on the region’s endemic diseases since 1902.

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Museu da UFPA Outra instituição de pesquisa que tem concentrado rico material histórico é a Universidade Federal do Pará (UFPA). Ela disponibiliza seu acervo para visitação no Museu da UFPA, localizado em um prédio histórico do início do século XX que serviu de residência a Augusto Montenegro, governador do Estado entre 1904 e 1908. O Museu conta com obras da portuguesa Carmen Gama de Souza, artista plástica do início do século XX que explorou como ninguém o universo feminino. Entre as suas peças, há uma grande parte de atraentes bustos e estudos de nus femininos. Seus desenhos, pinturas e esculturas apresentam como ponto central a figura humana, com um tratamento profano e religioso. Na pintura de paisagens, destaca-se um sopro impressionista. Além de Carmen, o Museu também tem trabalhos de artistas como Mário Barata, Ruy Meira e Augusto Morbach. Reserve tempo para prestar atenção na beleza do prédio em estilo eclético. Materiais nobres e detalhes alusivos à posição política de seu primeiro proprietário são fatores de distinção. O maior valor do prédio está nos aspectos decorativos, como as excepcionais pinturas parietais e os desenhos de pisos, feitos em dois tipos de madeira e padrão diferente em cada uma das salas principais, além das pinturas decorativas dos forros, tanto os de madeira como os de ferro prensado. Um jardim de esculturas cerca o prédio. Ferro e madeira foram matérias-primas das obras dos artistas contemporâneos Geraldo Teixeira, Klinger Carvalho, Emanuel Franco e Armando Queiroz.

E mais... Todas as terças-feiras acontecem mostras gratuitas de curtas-metragens locais e nacionais no jardim do Museu.

Antiga residência do governador Augusto Montenegro, o prédio do Museu da UFPA é uma atração à parte. Abaixo, à direita, escultura de Carmen Sousa e as pinturas decorativas recuperadas. À esquerda, instalação de Emanuel Franco

Old-time residence of Pará State Governor, Augusto Montenegro, the building of the UFPA Museum is another attraction in itself. Below, right, a sculpture by Carmem Sousa and the restored decorative paintings. To the left, the inauguration of Emanuel Franco

UFPA (Federal University) Museum Another research institution that has collected a rich historical material is the Pará State Federal University (UFPA). Its collections are on display for the public at the UFPA Museum, which is located in a historical building erected early in the 20th century as the home of Augusto Montenegro, State Governor between 1904 and 1908. This museum has the art by Portuguese artist Carmen Gama de Souza, a 20th century plastic artist who explored women’s universe like no one else. Among her works, she keeps a large part of attractive busts as well as studies on naked women. Her drawings, paintings and sculptures have a focus on the human figure with a profane and religious treatment. As for her landscape paintings, a slight impressionist effect if highlighted. In addition to Carmen, the Museum also has works by such artists as Mário Barata, Ruy Meira and Augusto Morbach. Spare some time to observe the beauty of this eclectic building. Emphasis is given on the noble materials and details allusive to the political position of its first owner are distinctive factors. The building’s greatest value lies in the decorative aspects such as the peculiar mural paintings and the floor drawings, made out of two kinds of wood and a different standard in each of the main rooms, in addition to the decorative paintings on the ceiling, which was made of wood and of iron. A sculpture-decorated garden surrounds the building. Iron and wood were the base materials for the works of contemporary artists Geraldo Teixeira, Klinger Carvalho, Emanuel Franco and Armando Queiroz.

And more… Every Tuesday, free-of-charge, local and national short-run film exhibits are held at the Museum’s garden.

Museu da UFPA Avenida Gov. José Malcher, Nazaré – Belém/PA Telefones: (91) 3224-0871 / 3242-8340 Horário de visitas: Terça a sexta, de 9h às 17h. Sábado, domingo e feriados, de 9h às 14h.

UFPA (Federal University) Museum Avenida Gov. José Malcher (on the corner of Generalíssimo) Nazaré – Belém/PA

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Museu do Círio Fé, símbolos de devoção e todas as manifestações culturais que acompanham a maior celebração religiosa do Brasil podem ser conferidos em fotos, esculturas e instalações artísticas no Museu do Círio. Parada obrigatória para quem deseja conhecer um pouco mais sobre a alma paraense. Lá, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré (conheça mais a respeito na reportagem da página 22) pode ser visto também como uma grande catarse para os paraenses, que no mês de outubro são capazes das mais diversas manifestações de fé, como sacrifícios físicos, para agradecer à padroeira do Estado pelas bênçãos. O Museu do Círio existe desde 1986 como um lugar para abrigar as lembranças da procissão. Ao

todo, 1.612 peças fazem parte das onze coleções que compõem o acervo. Para facilitar a vida dos visitantes, a administração do museu dividiu as coleções em três campos: museológico, bibliográfico e arquivístico. Do acervo museológico fazem parte os mantos usados para adornar as imagens da Virgem, tanto em Círios de Belém, quanto nas procissões dos vários municípios do interior do Estado. Uma parte interessante do acervo é dedicada aos famosos objetos de cera que simbolizam partes do corpo humano, os ex-votos. Ao final da procissão, orelhas, pernas, braços, cabeças e várias outras peças feitas em cera são reunidas para serem posteriormente cremadas em cerimônia es-

pecial realizada pelo próprio bispo. Os famosos brinquedos de miriti têm espaço garantido na coleção do museu, bem como um exemplar da corda do Círio com 420 metros de extensão. O Museu do Círio também dispõe a seus visitantes um acervo bibliográfico temático composto de livros, revistas, recortes de jornais, cartazes, além de imagens fotográficas (datadas de 1926 a 1998) e de vídeo.

E mais... O Círio de Nossa Senhora de Nazaré é considerado por muitos o Natal paraense, por toda movimentação que acontece na cidade, quando turistas e moradores do interior do Estado vêm participar do evento que já dura 214 anos.

The Círio Museum Faith, symbols of devotion and all cultural manifestations that follow the largest religious celebration in Brazil can be seen in pictures, sculptures and art at the Museu do Círio (Círio Museum). A must stop for those who wish to get to know a little more about the Paraense soul. Here, the Círio de Nossa Senhora de Nazaré (refer to the report on page 22 to get to know some more about the procession) can also be seen as a great catharsis for the people of Pará, who are capable of the most varied manifestations of faith such as physical sacrifices in order to thank the Patroness Saint of the state. The procession takes place every October. The Círio Museum has been open since 1986 as a place to shelter the gifts from the procession. In all, 1,612 pieces make up the museum’s eleven collections. In order to make the visitor’s life easier, the administration decided to split the collections in three types: museum pieces, bibliographical items and archive items. The museum pieces include the cloaks used to embellish the images of the Virgin of Nazareth in processions in Belém and in the several cities throughout Pará. An interesting piece in this collection is that of the famous wax objects depicting parts of the human body. At the end of the procession, wax ears, legs, arms, heads and various other pieces are piled to be burned in a special ceremony hosted by the Bishop himself. The famous toys made of ‘miriti’ (fiber palm wood) are also highlighted in the museum’s collections and so is a sample of Várias versões do manto de Nossa Senhora de Nazaré, um dos maiores símbolos da festividade, podem ser apreciadas no Museu. The several versions of the mantle of Our Lady of Nazareth, one of the greatest symbols of the festivity, on display at the Museum.

the Círio rope (420 meters long). The Círio Museum also offers the visitors a bibliographic collection of books, magazines, newsclipping, banners, and photographs (from 1926 to 1998) as well as video.

And more... The ‘Círio de Nossa Senhora de Nazaré’ is regarded by many

Museu do Círio Rua Padre Champagnat, s/n. Cidade Velha – Belém/PA Telefones: 55 91 4009-8846 / 4009-8817 (Direção) Horário de visitas: Terça-feira a domingo, de 10h às 18h.

The Círio Museum Rua Padre Champagnat, s/n. Cidade Velha – Belém/PA Telephones: 55 91 4009-8846 / 4009-8817 (Director) Visitation hours: Tuesday through Sunday, 10 a.m. – 6 p.m.

as the Christmas of Pará for the great movement that takes place in the city, which is crowded by tourists and countryside dwellers who come to take part in the event which has celebrated its 214th anniversary.

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Museu de Gemas As riquezas minerais do solo amazônico expostas em matéria-prima ou em delicadas jóias no Museu de Gemas Pará - eis nossa última parada para conhecer um dos mais contemporâneos espaços culturais do Estado. Inaugurado em 2002, o Museu tem peças de até 500 milhões de anos, além de diamantes, ametistas e turmalinas que contam a história da exploração de minérios na região. Durante o passeio, o visitante poderá conhecer, além de vários exemplares de minérios em estado bruto, algumas coleções feitas por artesãos que imprimem em jóias elementos da estética regional. Isso porque o Museu está ligado ao Pólo Joalheiro do Estado, que reúne designers e artesãos locais. No hall de entrada, o visitante encontra uma drusa de quartzo hialino, pesando 2,5 toneladas, encontrada no Vale do Rio Araguaia. Mais adentro é possível encontrar peças feitas nas mais variadas pedras e tamanhos, que chamam a atenção pelo simbolismo de um passado dos antigos povos indígenas. O prédio do Museu foi construído em 1749 por missionários franciscanos da Província de Nossa Senhora da Piedade. Em 1758, o convento de São José se transformou em depósito de pólvora, quartel, olaria e hospital, quando os jesuítas foram expulsos por ordem do Marquês de Pombal. Alguns anos depois, em 1843, foi transformado em cadeia pública. A cadeia possuía capela, enfermaria e “oratório” – local onde os presos passavam seus últimos momentos de vida, antes da pena. Homens e mulheres infratores eram enviados à cadeia, além de escravos, mandados por seus senhores para receber açoites.

E mais...

The Gems Museum The mineral wealth of the Amazon soil on display as raw material or delicate jewels at the Museu de Gemas Pará (Pará Gems Museum) – this is our last stop to get to know one of the State’s most contemporary cultural sites. Opened in 2002, the Gems Museum has pieces aged up to 500 million years. During visitation, visitors can see several samples of raw minerals as well as some collections by craftsmen who carve jewels with elements of the region’s aesthetics. This is so because the Museum is connected to the State’s Jewelry Complex, which gathers local craftsmen. At the entrance hall, visitors find a 2.5-ton hyaline quartz druse that was found in the Araguaia River valley. Further inside Na visita ao Museu de Gemas, é possível visualizar as pedras em estado bruto, e logo em seguida, conferir o resultado do trabalho realizado pelos artesãos paraenses At the Gems Museum, tourists can see the gems raw and check out the results from the work of the craftsmen of Pará.

Além de gemas e jóias, o Museu de Gemas possui objetos arqueológicos das culturas tapajônica e marajoara, como estatuetas, urnas funerárias, machadinhas, cunhas e pontas de flechas em quartzo e a mais completa coleção de muiraquitãs, considerados, na cultura tapajônica, como amuletos de proteção para os caçadores e pescadores.

the Museum, several pieces and on display which are made out of the most varied gems and sizes and call the attention for the symbolism of the past of ancient indigenous peoples. The building where the Museum is located was built in 1749 by Franciscan missionaries from the Province of Nossa Senhora da Piedade. in 1758, the Saint Joseph Monastery became a powder deposit, headquarter, pottery factory and hospital when the Jesuits were expelled by the Marquis of Pombal. Some years later, in 1843, the building became a public jail. It had a chapel, infirmary and an “oratory”, where the prisoners spent their last moments. Convicted men and women were sent to prison and so were slaves who were sent there by their Masters to be whipped.

And more... Besides the gems and jewels, the Gems Museum displays archeological objects of the ‘tapajônica’ (Tapajós region) and ‘marajoara’ (Marajó Island region) cultures such as statues, coffins, hatchets, wedges and arrow tips made of quartz and a complete collection of ‘muiraquitãs’, which according to the ‘tapajônica’ culture are regarded as amulets for protection for hunters and fishermen.

Museu de Gemas Praça Amazonas s/n – Associação São José Liberto. Cidade Velha – Belém/PA Telefones: 55 91 3230-4454 Horário de visitas: Terça a sábado, de 10h às 20h, e domingo, de 15h às 20h E-mail: gemaspa@veloxmail.com.br Site: www.saojoseliberto.com.br

The Gems Museum Praça Amazonas s/n – Associação São José Liberto. Cidade Velha – Belém/PA Telephones: 55 91 3230-4454 Visitation hours: Tuesday through Saturday, 10 a.m. – 8 p.m. / Sunday, 3 p.m. – 8 p.m E-mail: gemaspa@veloxmail.com.br Website: www.saojoseliberto.com.br Site: www.saojoseliberto.com.br

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artigo Maurílio de Abreu Monteiro*

Amazônia: um novo modelo de desenvolvimento é possível The Amazon: a new development model is possible segunda metade do século passado foi marcada por tentativas estratégicas de desenvolvimento na Amazônia que reforçavam a constituição de espaços homogêneos e procedimentos industriais padronizados, voltados para a produção em altíssima escala. A plantação de milhões de árvores de eucalipto para produzir celulose, a pecuária de corte, grandes fazendas nas quais se pratica a monocultura (em áreas muitas vezes superiores a 30 mil hectares), e as gigantescas empresas mineradoras, metalúrgicas e químicas foram historicamente mecanismos utilizados para enfrentar a diversidade local - associada comumente ao atraso - e essa lógica se justificava, entre outros fatores, pela avaliação de que os agentes locais não tinham condições de atuar como propulsores do desenvolvimento regional e pela rejeição dos sistemas produtivos baseados na diversidade. Foram introduzidas na região matrizes tecnológicas ambientalmente danosas, desenvolvidas para outros ecossistemas, negando o capital natural da diversidade biológica amazônica. Assim, a exploração dos estoques minerais, madeireiros, de terra, pesqueiros, entre outros recursos naturais, esteve na base dos projetos, mas de forma desvinculada das necessidades da população e de um projeto duradouro. As estratégias aqui praticadas não tinham como sustentar um desenvolvimento continua-

A

do, nem impulsionar dinâmicas de modernização amplas e socialmente enraizadas. As atividades (seguindo processos produtivos implementados em outros contextos sociais, culturais e ecológicos) passaram a ter dificuldade de interagir com a diversidade regional e seus agentes, não raro gerando conflitos. Um projeto de sustentabilidade deve romper com a mera reaplicação regional de tecnologias e técnicas. A experiência mundial demonstra que os mais bem-sucedidos arranjos institucionais têm base local, o que requer necessariamente o fortalecimento dos capitais humano e social locais e a ampliação do capital físico (infra-estrutura, fábricas etc.). É necessário a este capital humano, por conseguinte, elevar os níveis de educação, de assistência à saúde, de habilidade em manusear novas tecnologias. Uma nova estratégia requer, em termos práticos, uma nova lógica territorial, um sistema de proteção social, um sistema estadual de inovações, a reestruturação da política de aporte financeiro, tributário, creditício e tecnológico aos programas e iniciativas de desenvolvimento regional. Neste contexto, os agentes locais, tradicionalmente desprezados pelo poder público em suas ações, passam a ser pensados como parte dinâmica capaz de induzir um desenvolvimento integrado, local e duradouro.

he second half of the past century was marked by strategic

T

development attempts in the Amazon region aimed at creat-

ing homogeneous areas and standardized industrial procedures oriented to high-scale production. Planting of millions of eucalyptus trees for cellulose production, beef cattle ranching, large monoculture farms (in areas often larger than 30 thousand hectares), and the huge mining, metallurgical and chemical companies have historically been the resources used to face the local diversity, commonly associated to regional setback. Amongst other factors, this reasoning was justified by the local agents not having the capability to act as regional development drive and by a rejection of diversity-based productive systems. Environmentally harmful technological matrixes that had been developed for other ecosystems were introduced to the region so that the natural asset of the Amazon’s biological diversity was denied. Thus, the exploitation of mineral, timber, land, fishery and other natural resources was the baseline of projects, but separated from the necessities of the population and from a long-lasting project. The strategies employed here were able neither to support continued development, nor to foster wide and socially rooted modernization dynamics. Following production processes implemented in other social, cultural and ecological contexts, the activities started showing difficulty in interacting with the regional diversity and its agents, which often brought about conflicts. A sustainability project should break away from the mere reapplication, on the regional level, of technologies and techniques. Worldwide experience shows that the most successful institutional arrangements have a local basis, thus requiring strengthening of local human and social resources as well as the expansion of the physical resources, such as infrastructure, factories etc. Such human resource, therefore, is required to improve its educational levels, health care, and the ability to handle new technologies. In practical terms, a new strategy requires a new territorial logic, a social protection system, an innovations system at state level, restructuring of the financial, tax, credit and technological support policy to regional development programs and initiatives. In this context, the local agents, traditionally neglected by the public power in its actions, start being considered as a dynamic part able to prompt local, integrated and lasting development. *Maurílio Monteiro is a Professor at the Núcleo de Altos

* Maurílio Monteiro é professor do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Uni-

Estudos Amazônicos (Center for High Amazon Studies) of

versidade Federal do Pará (Naea/UFPA) e Secretário de Desenvolvimento, Ciência e

Universidade Federal do Pará (Naea/UFPA) and Pará State

Tecnologia do Estado do Pará.

Secretary of Development, Science and Technology.

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texto: Esperança Bessa*

Foto: Jaime Souzza

ensaio

FÉ, TRADIÇÃO e beleza O Círio de Nazaré é a maior celebração de fé do povo paraense. No mês de outubro, cerca de dois milhões de pessoas se reúnem pelas ruas de Belém para orar, pedir, agradecer e render homenagens à imagem de Nossa Senhora de Nazaré. A cada ano a procissão aumenta e, junto com ela, cresce a parte profana, que aproveita o grande fluxo de turistas para transformar a capital do Pará em uma grande festa. Para entender um pouco de cada detalhe deste evento, elevado à categoria de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, preparamos um guia básico sobre o Círio, conhecido também como o “Natal dos Paraenses”. essay

FAITH, TRADITION AND BEAUTY

The Círio de Nazaré is the greatest celebration of faith of the people of Pará. During the month of October, about two million persons gather in the streets of Belém to pray, give thanks and pay homage to Our Lady of Nazareth. Each year, the procession grows and, together with it, the secular activities, which take advantage of a large influx of tourists to transform the capital of Pará into one great festival. In order for you to understand a little of each detail of this event, raised to the category of Immaterial Cultural Heritage of Brazil, we have prepared a basic guide for the Círio, also known as “Pará’s Christmas.” 22

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Foto: Bob Menezes

A imagem Plácido, um homem humilde e devoto, ao retornar um dia para casa encontrou a imagem de uma santa sobre as pedras às margens de um igarapé e levou-a para casa. No dia seguinte, quando foi procurá-la, encontrou vazio o altar onde a havia abrigado e se surpreendeu ao encontrá-la no mesmo igarapé. Plácido levou-a novamente para casa, e mais uma vez ela retornou ao local de origem. Depois de perder as contas de quantas vezes a santinha voltava ao igarapé, ele decidiu construir no local um oratório chamado de “O Coração Humilde”, por volta do ano de 1700. Ali começava a devoção à Virgem de Nazaré.

The statuette Plácido, a poor, devout man, found a statuette lying on the banks of a stream on his way home one evening and took it with him. The next day, he went to the altar where he had placed it and found it had disappeared. He set out to search for it and was surprised to discover it again on the banks of the same stream. Plácido took it home and once more it returned to the original spot. After losing count of how many times the statuette had returned to the stream, along about the year 1700, he decided to build a shrine on that spot called “Humble Heart”. That is where devotion to the Virgin of Nazareth began. 23

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Foto: Fabrício de Paula

Os símbolos Muitas são as imagens que remetem ao Círio. Além dos votos em vela, outros símbolos tomam conta da paisagem e enchem Belém de um colorido especial nessa época do ano. Um deles é o brinquedo de miriti, haste de uma palmeira que lembra a leveza e a maleabilidade de um isopor. Em formato de barcos, enfeites ou tradicionais brinquedos infantis que remetem à realidade ribeirinha, os brinquedos de miriti conquistam adultos e crianças. As fitinhas coloridas também são obrigatórias. Daquelas para fazer um pedido a cada nó, as fitinhas saíram dos pulsos e viraram moda fashion, sendo acessório para customizar roupas, bolsas, chaveiros, etc. Outro símbolo do Círio que não está nas ruas, mas nas mesas do almoço, é o pato no tucupi. A combinação da ave com essa espécie de vinho de mandioca acrescido das folhas de jambu, que amortecem a língua, é típica desse momento de confraternização entre familiares e amigos após a procissão.

The symbols Many are the images that allude to the Círio. In addition to the votive candles, other symbols take over the landscape and make Belém especially colorful this season of the year. Miriti toys are an example, made from a palm tree trunk whose weightlessness and malleability call Styrofoam to mind. In the shape of boats, decorations or traditional children’s toys which suggest the reality of life on the river bank, miriti toys charm adults and children alike. Colorful ribbons are also a must. The kind you make a promise on with each knot you tie, the ribbons have come off people’s wrists and become fashionable as accessories to customized clothing, purses, key chains and so on. Another symbol of the Círio, which is not found on the street but on the dinner table, is pato no tucupi, roast duck in a golden broth of manioc juice seasoned by jambu leaves, which numb one’s tongue, a typical dish served following the procession during this moment of fraternizing with family and friends. 24

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Foto: Bob Menezes

A procissão Em 1793, o presidente da Província do Pará, Francisco de Souza Coutinho, estava muito doente e prometeu que, se fosse curado, levaria a imagem até o Palácio do Governo, de onde sairia em procissão até a capelinha construída por Plácido. A partir daí, a procissão começou a sair do bairro da Cidade Velha e, para chegar ao local onde foi achada, era preciso atravessar a cidade através da mata. Quando anoitecia, os fiéis acendiam seus círios, como são chamadas as grandes velas de cera que acabaram dando nome à procissão.

The procession In 1793, the president of the Province of Pará, Francisco de Souza Coutinho, became very ill and promised that, if he were cured, he would take the statuette to the Governmental Palace, from where it would be carried in a procession to the chapel constructed by Plácido. From then on, the procession commenced in the Old Town District and, in order to arrive at the place where the statuette was found, had to cross the town on through the forest. At nightfall, the faithful would light their “círios”, as the large wax candles are called, lending their name to the procession. 25

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Foto: Jaime Souzza

O agradecimento Casinhas de isopor e de madeira, tijolos carregados na cabeça, réplicas de barcos em miriti, votos em cera no formato de cabeças, corações, braços, pernas... São várias as formas de externar o pedido ou agradecer as graças creditadas a Nossa Senhora. Há, por exemplo, quem prefira fazer o percurso de 4,5 quilômetros de joelhos, ou descalço, segurando na corda, utilizada pela primeira vez para desatolar a berlinda e que depois chegou a ser excluída da procissão, mas que conquistou seu espaço como um dos maiores símbolos de devoção no Círio. Thanksgiving Miniature Styrofoam and wooden houses, bricks carried atop one’s head, replicas of boats in miriti, votive wax objects in the form of heads, hearts, arms and legs…these are the various ways of externalizing one’s request or giving thanks to Our Lady for her benevolence. Some prefer to go the whole 4.5 kilometers of the procession on their knees, others barefoot carry the rope, used for the first time to pull the carriage and excluded from the procession later on. It subsequently conquered its own space as one of the strongest devotional symbols of the Círio. 26

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Foto: Bob Menezes

O Santuário No local onde Plácido construiu o oratório em homenagem à Santa, há 97 anos está erguida a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, obra dos primeiros padres barnabitas que chegaram ao Pará. Elevada à categoria de Santuário em 2006, a igreja passou pela mais completa reforma desde a fundação, em 1909, e recebeu os devotos, no ano passado, com pintura revitalizada, novos bancos e totalmente refrigerada. A Basílica-Santuário abre suas portas de 5h45 às 19 horas e oferece, ao meio-dia, missas e confessionários abertos durante todo o período do Círio, sempre de forma ininterrupta. Desde 1992, é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico do Estado do Pará, devido ao seu grande valor histórico, religioso, artístico e cultural, representando, para o Brasil e para o mundo, uma das mais importantes e suntuosas construções dedicadas a Nossa Senhora de Nazaré.

The sanctuary In the locale where Plácido constructed the shrine in the Virgin’s honor stands the Basilica of Our Lady of Nazareth, the work of the first Barnabite priests to arrive in Pará. Raised to the category of sanctuary in 2006, the church underwent the most complete renovation since its cornerstone was laid in 1909 and received the faithful that year with a revitalized paint job, new pews and a climatized environment. The Basilica-Sanctuary opens it doors from 5:45AM to 9PM and offers a noontime Mass and uninterrupted confessions during the entire Círio season. The Basilica has been preserved since 1992 by the State of Pará Historical Heritage Institute, due to its great historical, religious, artistic and cultural value, representing to Brazil and the world one of the most important and sumptuous constructions dedicated to Our Lady of Nazareth. 27

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As homenagens Igreja Matriz de Ananindeua, de onde sai na manhã de sábado rumo a Icoaraci em romaria fluvial, chegando à chamada Escadinha do Cais do Porto, onde é recebida pela romaria de motos e bicicletas que conduzem a imagem até o Colégio Gentil Bittencourt. De lá a Santa só sai à noite para a trasladação rumo à Catedral de Belém, que é o ponto de partida do Círio. Durante a quadra nazarena, várias procissões ocorrem em homenagem à Santa. Uma delas

acontece logo no domingo seguinte, é o Círio das Crianças. Se formos contar ainda as procissões extra-oficiais, há uma infinidade de miniprocissões pelas ruas, bairros, prédios, empresas, órgãos públicos e comunidades. Tudo encerra no Recírio, que ocorre 16 dias após o Círio, quando a imagem de Nossa Senhora utilizada na procissão retorna da Basílica de Nazaré para o Colégio Gentil, de onde sairá apenas no ano seguinte para nova procissão.

Foto: arquivo Paratur

Além do Círio, realizado no segundo domingo de outubro, a lista de procissões em torno deste dia é cada vez maior. Em 1997, por exemplo, foi criado o traslado até a cidade de Ananindeua, para que a imagem peregrina da Santa passasse pelos municípios da Região Metropolitana de Belém. Essa procissão sai da Basílica às 13 horas da sexta-feira que antecede o Círio e segue com a Romaria Rodoviária até Marituba, na Paróquia de São Vicente de Paula. A imagem passa a noite na

The processions

preceding the Círio, in a Highway Procession to Marituba and,

there is an infinity of mini-processions through the streets,

In addition to the Círio, which always occurs on the second

in 2006, inaugurated a new itinerary, visiting the Cidade Nova,

neighborhoods, residential and office buildings, companies,

Sunday of October, the sequence of processions that are carried

Curuçambá and Paar districts, to the Saint Vincent de Paul

public entities and communities.

out in the vicinity of this day have become more and more exten-

Parish. The statuette overnights in Ananindeua’s mother church

sive. In 1997, the translocation of the pilgrim statuette of Our

from which it proceeds Saturday morning to Icoaraci.

Lady to Ananindeua was created so that it might pass through the municipalities of the Metropolitan Region of Belém. This procession leaves the Basilica at 1PM, on the Friday

Everything ends with the Recírio, which occurs 16 days after the Círio itself, when the statuette of Our Lady used in the

Throughout the Nazarene Season, various processions oc-

procession returns from the Basilica of Nazareth to the Gentil

cur in honor of Our Lady. One of them, the Sunday following, is

Bittencourt School, from which it will only be removed the com-

the Children’s Círio. If one were to count the extra-official ones,

ing year.

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Foto: Jaime Souzza

A festa O Arraial de Nazaré é tão antigo quanto o Círio, mas muita coisa mudou desde que a primeira procissão culminou com uma festa agrícola. Com o passar do tempo, surgiram barraquinhas para venda de comidas típicas e jogos, e as famílias passaram a se vestir elegantemente para ir às novenas. Hoje não são somente os eventos culturais na concha acústica e o parque de diversões armado na Praça Santuário que fazem a festa dos devotos. Na manhã de sábado que antecede o Círio, a chegada da imagem à Escadinha do Cais é a deixa para a saída do Arrastão do Pavulagem, ao ritmo do boi-bumbá, que segue até a Praça do Carmo, onde acontece a feira de miriti. À noite, na Praça da República, após a trasladação, acontece a Festa da Chiquita, maior evento gay do Pará. Além disso, shows, exposições e espetáculos de teatro e dança são promovidos ao longo da quadra nazarena. É a festa em homenagem à padroeira dos paraenses. The festivities The festivity known as the Arraial de Nazaré is as old as the Círio, but much has changed since the first procession culminated with an agricultural fair. With the passage of time, small stands appeared offering typical food and games of chance, and families would go to the novenas dressed in their Sunday finery. Today, not only cultural events in the acoustical shell and the amusement park set up at the Sanctuary Square of Nazareth make up the festivities of the devotees. On Saturday morning, the arrival of the statuette at the Steps of the Docks is the signal for the beginning of the Arrastão da Pavulagem [Boaster’s Parade] to the rhythm of the boi-bumbá, which ends at the Carmo Plaza, locale of the miriti fair. At night, after the Translocation, the Chiquita Festival begins, the largest gay event in Pará. In addition, shows and exhibits, as well as theatrical and dance spectacles are promoted throughout the Nazarene Season. It is a festivity in honor of Our Lady of Nazareth, the patron saint of Pará.

*Texto baseado na pesquisa “Etapas do Círio”, de autoria de João Carlos Pereira. 29

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texto: Alexandra Cavalcanti • fotos: Estúdio Walda Marques

design

TESOUROS

da Amazônia Durante séculos, metais e pedras preciosas brasileiros foram cobiçados por estrangeiros. Navios deixavam o país cheios de riquezas. Os tempos mudaram, mas ainda hoje essas riquezas enchem os olhos de compradores, agora na forma de colares, anéis, brincos e pulseiras.

s jóias tipicamente brasileiras, especialmente as confeccionadas na Amazônia, tornaram-se um produto de charme e exotismo aos rigorosos padrões de joalheiros do mercado internacional. A mistura de metais, pedras preciosas e materiais vindos diretamente da floresta, como sementes, palha, cascas e até flores secas, forma o contraste que já ganhou espaço no Olimpo da ourivesaria mundial. O resultado dessa mescla, que utiliza materiais inusitados como urucum, açaí, penas e folhas, normalmente usados por artesãos da região na confecção de outros objetos, está levando os produtores lo-

A

cais a se organizarem para aproveitar melhor o filão do mercado externo. A produção também se torna única pelo predomínio do acabamento manual, resultando em peças artesanais, que esbanjam criatividade, e bem distante das tradicionais escolas européias, porque o designer amazônico é mais livre para criar e desenvolver suas próprias técnicas. Essa é a diferença verificada no trabalho de diversos designers que, vivendo ou não na Amazônia, apostam nessa fatia de mercado. A “descoberta” da “marca Amazônia” se deve, principalmente, ao fato do mundo estar 30

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As peças produzidas no Estado ganham cada vez mais espaço no exigente mercado internacional de jóias. Ao lado, anel Ajubá, do designer D’Sales. The pieces produced in the State have been gaining ground in the demanding international jewelry market. Left, ring Ajubá, of designer D’Sales.

mais aberto ao novo, ao exótico, ao diferente, e de ter passado a buscar algo que fugisse da homogeneização provocada pela globalização. Grandes joalherias do Brasil e de fora estão expressando a nova tendência do universo do consumo do luxo, buscando em culturas distantes inspiração para suas coleções. Exemplos do sucesso de peças com essas influências não faltam. Um deles é a designer paraense Brenda Vidal. “Me identifico muito com o tema e essas referências vão se encaixando naturalmente no meu trabalho”, destaca. Há cinco anos no mercado, ela acumula em seu currículo participação em inúmeras exposições em Londres, Milão, Vicenza e, recentemente, Paris.

A designer paraense Lídia Abraim, instrutora do Sebrae Pará, acredita que um dos trunfos da produção na região é justamente a diversidade local. “Temos uma cultura rica em temáticas, iconografias e muita história para contar. Além disso, possuímos materiais vindos da floresta e nossos artesãos são pesquisadores de profundo conhecimento”, avalia. Em uma de suas coleções, “Cores do Círio”, ela se inspirou em um traço tipicamente amazônico, a religiosidade da Festa de Nossa Senhora de Nazaré, que acontece no mês de outubro na capital paraense. A coleção faz referência aos brinquedos feitos de miriti e às fitas usadas nos braços por promesseiros. As peças misturam ouro e prata ao colorido de fitilhos.

Mercado O Brasil já se destaca no segmento internacional de jóias. As peças nacionais são vendidas em mais de 50 países, entre eles, mercados de difícil acesso como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, que estão entre os principais importadores. Ano passado, o setor joalheiro nacional faturou mais de US$ 115 milhões em exportações de peças prontas. Aos poucos, o país vem ganhando um lugar de destaque no mercado internacional do segmento, que soma US$ 15 bilhões por ano. Em 2005, a cadeia produtiva do setor de gemas e jóias movimentou US$ 766 milhões no país. O faturamento estimado em 2006 foi de US$ 2,6 bilhões,

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Em 2006 o faturamento do varejo E brasileiro, com 20 mil empresas, foi de US$ 540 milhões, com geração de 500 mil empregos diretos. s.

No Brasil, o faturamento da cadeia produtiva de jóias já ultrapassa R$ 1 bilhão. É nesse nicho que os paraenses estão inseridos com sucesso. In Brazil, the earnings from jewelry manufacturing already exceeds R$ 1 billion. Pará producers are successfully inserted in this niche.

segundo o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM). O faturamento do varejo, com 20 mil empresas, foi de US$ 540 milhões, com geração de 500 mil empregos diretos. Parte do crescimento desse setor se deve à contribuição do recém-descoberto mercado de jóias amazônicas. É na região, por exemplo, que está localizada uma das maiores fabricantes de jóias do país, a Seculus. De olho no futuro promissor do mercado, a empresa investiu R$ 2 milhões para modernizar seu parque industrial na Zona Franca de Manaus. Com produtos feitos de sementes da Amazônia e ouro, está conquistando os consumidores europeus. A empresa exporta 15% de sua produção e planeja aumentar essa fatia para 30% em dois anos.

Pontos de sucesso O consultor do Instituto Brasileiro de Gemas e

Metais Preciosos (IBGM), Fernando Souto, acredita que vários são os fatores que contribuíram para que a produção da Amazônia rompesse as barreiras e ganhasse os mercados brasileiro e mundial. Entre eles, destaca as recentes políticas de proteção ao meio ambiente e o aumento do preço do ouro. “Questões como poluição, desmatamento e movimentos indígenas colocaram no mundo, e claro, no mercado consumidor, o que até hoje é chamado de ‘marca Amazônia’. Soma-se a isso, o aumento do preço do ouro e platina no mercado internacional e no nacional, que fez o preço das peças subir, principalmente das chamadas jóias pesadas”, ressalta. Esses fatores contribuíram para que a jóia amazônica, ecologicamente correta, com alto valor agregado e um menor custo em relação aos produtos

maciços, passasse a ser visualizada no mercado global. Além disso, a onda mundial de valorização da beleza, da saúde e de temas ligados à natureza auxiliou o setor. A criação de espaços para a comercialização de jóias, sem dúvida, também deu um novo embalo ao setor na própria região. Um deles é o Pólo Joalheiro São José Liberto, em Belém, onde 51 produtores do setor, entre empresários e autônomos, dividem o prédio histórico, gerando cerca de 600 empregos.

Impostos O consultor do IBGM, Fernando Souto, enfatiza que o setor tem um grande desafio: a questão tributária. “É lamentável que a exportação da matériaprima bruta não tenha tributo e, em comparação às jóias, chegue a 56% na hora da venda ao consumi-

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A cultura regional é inspiração para as jóias. Acima, pingente “Proteção”, de Nilma Arraes; Abaixo, à esquerda, “Cambada”, de Gleice Garcia, e à direira, “Chuva de Carajás”, de Yê Mara. Ipsum do consequ isciliqui blan ver irillutat. Ut iusciduissi. Raesent dolore tet ing estrud enit landre tis et prat dit nulput accum adions ero commod essi eum quat.

dor. É o chamado efeito cascata”, critica. A produção na região, segundo ele, ainda é resultado do trabalho de microempresas, quase sempre registradas como produtoras de artesanato. “Isso é reflexo do problema tributário, que está fazendo surgir uma nova gestão empresarial voltada às cooperativas, às Ocips (Organização de Sociedade Civil de Interesse Público) e a outros tipos de organização que diminuam os encargos e facilitem a produção”. Ele avalia que a coordenação de roteiros turísticos locais, com a inclusão do setor de gemas e jóias, pode ser uma solução viável para fortalecer o mercado. “A idéia não é nova e já existe em outros setores, como o de vinho, no Rio Grande do Sul, o setor marítimo, no Rio de Janeiro, e na Estrada Real, em Minas Gerais, e pode dar certo também na Amazônia no setor de jóias”, defende. L

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design

TREASURES

Foto: Divulgação

of the Amazon F o r m any centuries, the Br az ilian meta l s and gem s w ere coveted by for eigner s . S h i p s used to leave the co untr y loaded with r i c h e s. Tim es have change d, but s till today t h e s e riches enchant the buy er s as neckl a c e s, rings, earrings and br acelets .

he typically Brazilian jewels, especially those manufactured

T

these influences. One is the Pará-born designer Brenda Vidal.

an outstanding position in the international market, which adds

in the Amazon, have become a charming and exotic product

Her pieces carry a lot of the regional culture. “I identify myself

up to US$15 billion annually. In 2005, the production chain of the

following the strict standards of international jewelers. The mix

a lot with this theme and these references fit in naturally to my

gems and jewelry sector had a turnover of US$766 million in the

of metals, gems and other materials straight from the forest, like

work.” In the market for five years now, she has accumulated

domestic market. The estimated revenue for 2006 was US$2.6

seeds, straw, barks and even dried flowers, makes the contrast

participation in countless expos in London, Milan, Vicenza and,

billion, according to the Brazilian Gems and Precious Metals In-

that has earned itself a place in the Olympus of the world’s jew-

more recently, Paris.

stitute.

Pará-born designer Lídia Abraim, instructor at Sebrae/Pará

Retail earnings (20 thousand companies) were US$540 mil-

The result of this mixture stands out for the variety of gems

(the Brazilian Micro and Small Business Support Service), be-

lion, generating 500 thousand direct jobs. A part of the growth of

and materials such as ‘urucum’, ‘açaí’, feathers and leaves,

lieves that one of the advantages for the pieces produced in this

this sector is due to the contribution from the newly-discovered

normally used by the region’s craftsmen in the making of other

region is local diversity. “Our culture is rich in themes, ichnog-

Amazon jewelry market. One of the largest jewel manufacturers

objects, and it is driving the local producers to get organized

raphy and a lot of history. Besides, we have materials straight

in Brazil, Seculus, is located in the Amazon region. With an eye on

in order to take better advantage from the international jewelry

from the forest and our craftsmen are researchers with profound

this promising market, this company invested R$2 million to up-

market niche.

knowledge “, she says.

grade its plant, located at the Manaus Free Zone. With products

elry-making industry.

The production is unique due to the predominance of the

In one of her collections, called “Cores do Círio”, she got in-

made from Amazon seeds and gold, it is winning over European

manual finish, resulting in handicraft, very creative pieces that

spiration from a typically Amazonian feature, the religious char-

consumers. The company exports 15% of its production and is

by far differ from the traditional European schools because the

acter of the Festivity of Our Lady of Nazareth, which is held in

planning on increasing that share up to 30% in two year’s time.

Amazon designers are more independent to create and develop

Belém in October. Her collection is a reference to the toys made

their own techniques.

from the soft ‘miriti’ fiber wood and the wrist bands that the

This is difference in the work of several designers who, whether living in the Amazon or not, bet in this market share.

“promesseiros” (vowers) wear. The pieces add gold and silver to

Key to success The Consultant to the Brazilian Gems and Precious Metals Institute, Fernando Souto, believes that several factors have

the colorful ribbons.

contributed for the jewelry produced in the Amazon region to

The “discovery” of the jewelry produced under the “Amazon trademark” is mainly due to the fact that the world is more open to the

Market

have broken the barriers and gained both Brazilian and world

new, the exotic, the different, and has been in search of some-

Brazil stands out in the international jewelry market. The na-

markets.

thing out of the ordinary that has been brought about by the glo-

tional pieces are sold in more than 50 countries, including those

Amongst them, he highlights the recent environmental pro-

balization. Major Brazilian jewelry stores as well as from abroad

markets that are hard to enter such as the Arab Emirates and

tection policies and the rise in gold price. “Issues such as pollu-

have expressed the new trend in the luxury market by seeking the

Saudi Arabia, which are the main importers to Brazilian jewels.

tion, deforestation and indigenous movements have introduced

inspiration for their collections in distant cultures. There are plenty of examples of successful jewelry under

Last year, the national jewelry sector exported over US$ 115

to the world, and of course to the consumer market, the so-called

million in finished pieces. Little by little, Brazil has been reaching

‘Amazon trade mark’. In addition, the increase in gold and plati-

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num price in the domestic and international markets prompted an increase in the price of the pieces as well, especially concerning those pieces called heavy jewels”, he says. These factors have added for the Amazon jewelry, which is ecologically correct, has a high added value and lower cost in comparison to solid jewels, to be seen in the global market. Moreover, the world wave of beauty and health exaltation as well as nature-related topics has helped the sector. Undoubtedly, opening of jewelry stores also helped boost the sector in the region itself. One of them is the São José Liberto Jewelry Center in Belém. Currently, 51 producers, amongst businessmen and self-employed professionals, share that historical building and generate roughly 600 jobs.

Taxes Consultant Fernando Souto also emphasizes that the Amazon jewelry production sector has a major challenge: the tax issue. “It is deplorable that the export of unfinished raw material has no tax incidence, whereas jewelry is levied by 56% on its end-user price. This is the so-called domino effect”, he says. According to him, the region’s production stems from the micro businesses, which almost always are registered as handicraft producers. “This is a reflex of the fiscal system, which has prompted the appearance of a new business management oriented for the cooperative corporations, the Ocips (Public Interest Non-Governmental Organizations) as well as other types of organization that can lower the tax burden and allow for ease of production. He evaluates that the coordination of local tourist routes, including the gems and jewels sector, can be a feasible solution to strengthen this market. “The idea is not new and already exists in other sectors such as the wine production industry in Rio Grande do Sul State, the shipping sector in Rio de Janeiro State, and the Royal Road in the State of Minas Gerais, and it can work out fine in the jewelry sector of the Amazon as well.”

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texto: da Redação

turismo

PRAIAS

da floresta Quem acha que a natureza amazônica se restringe a densas florestas repletas de animais exóticos precisa rever seus conceitos. O Pará tem um extenso litoral atlântico e uma malha fluvial tão grande que não faltam praias à disposição para quem busca descanso, diversão e lazer.

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Foto: João Ramid

Beaches for all tastes, both of fresh and salty water, are waiting for you. Left, the Cocal Beach at Salinópolis, on the Atlantic coast of Pará, some 300 km away from Belém.

Nos quatro cantos do Pará, as N opções são muitas para quem curte sossego ou aventura raa

a Amazônia Atlântica, as praias oceânicas de Salinópolis são extensas e contam com infra-estrutura turística completa. Carinhosamente chamada de Salinas, a cidade é um destino certo para quem gosta da combinação de praias e conforto urbano. O município fica na zona do Salgado, que possui uma mistura equilibrada de praias oceânicas, manguezais e ilhas selvagens para encantar os turistas. Salinópolis é uma estância hidromineral e, ao visitá-la, não esqueça de beber um pouco da água da Fonte do Caranã, no centro da cidade. Atalaia, Corvina, Maçarico (a mais antiga), Farol Velho, Cocal, Marieta e Pilão são as principais praias do local, somando mais de 20 km de água salgada e dunas de areia fina nas proximidades do rio Pará. No Atalaia, existe um lago de água doce conhecido como Lago da Coca-Cola, parada certa para quem quer se refrescar da água salgada. Mais distante e selvagem, a praia da Marieta é a preferida dos surfistas, mas o acesso é feito exclusivamente em barcos. Na praia de Campo do Meio, centenas de pessoas buscam diversão durante as férias. Para curtir a natureza de uma forma mais sossegada, as praias do Farol Velho e do Pilão são as mais indicadas. Na vila dos pescadores é sempre bom ouvir as muitas histórias dos moradores. Uma das mais curiosas é sobre a carcaça de um navio que existe na vila. Conta-se que há mais ou menos 300 anos o navio - que vinha da África cheio de escravos - afundou naquela região. Muitos morreram e os que sobreviveram voltaram nadando até o continente africano. Dizem que durante a noite o navio fica todo iluminado. Se for ou não história de pescador, o que vale mesmo é desfrutar do cenário deslumbrante dessa praia.

N

Sal e sol Quem gosta de unir sol e sal a uma paisagem diferente deve seguir para Bragança. A “Pérola do Caeté”, chamada assim por ter sido erguida às margens do rio de mesmo nome, possui uma paisagem exuberante e praias de águas claras e areia fina, além de um vento constante. O silêncio é quebrado pelo ritmo da Marujada, festa em devoção a São Benedito, padroeiro do município. A maior festa

Praias para todos os gostos, de água doce ou salgada, estão esperando por você. À esquerda, a praia do Cocal em Salinópolis, região do litoral atlântico paraense a cerca de 300 km de Belém.

religiosa acontece na igreja de São Benedito, construída pelos jesuítas, em 1798. Um dos locais obrigatórios para visita é o palacete Augusto Corrêa, sede da prefeitura do município. O prédio é uma cópia fiel do palácio de Bragança, em Portugal. Há também a antiga praça da Estação de Ferro Belém-Bragança, hoje praça Augusto Montenegro. Além disso, distante 36 quilômetros de Bragança, a Vila de Ajuruteua oferece um espetáculo à parte. Pode-se observar a vegetação de mangue e ninhais de garças e guarás que encontram na ilha de Canelas um local seguro para a preservação da espécie. Outra cena rotineira é protagonizada pelos caranguejos na estrada, principalmente as fêmeas que, na época da procriação, atravessam a pista atrás de um lugar seguro para suas crias. Por isso é bom obedecer às placas de sinalização que indicam “Atenção. Reduza a velocidade. Caranguejo na pista”. Se o intuito do turista é uma experiência mais rústica, a alternativa perfeita está nas praias da ilha de Algodoal, distante 165 km de Belém pelas rodovias BR-316 e PA-127. Esse recanto de tranqüilidade fica no município de Maracanã - na região do Salgado. Os 19 km² de Algodoal são marcados por tranqüilidade e cenários maravilhosos que atraem turistas de todo o mundo. A comunidade da ilha é formada por pessoas simples e receptivas que vivem, basicamente, da pesca, da agricultura de subsistência e, recentemente, do turismo. A praia da Princesa é a mais conhecida. Tem quase 14 quilômetros de extensão e foi classificada pela revista americana “Time” como uma das dez mais bonitas do Brasil. Quem a conhece sabe que a classificação é justa. Na Princesa há bares que funcionam nos períodos de alta temporada. Neles, é possível encontrar refeições simples, como peixe frito e caldeirada, lanches e as bebidas mais consumidas no Brasil: cerveja e caipirinha. Já as praias de Belém localizam-se nas ilhas de Mosqueiro e Cotijuba. O caminho rodoviário para se chegar ao distrito de Mosqueiro é de cerca de 60 quilômetros. O balneário possui al-

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Foto: Diana Figueroa

Praias de água doce, como as do Farol, em Mosqueiro (acima), são alguns dos tesouros reservados aos visitantes Fresh water beaches such as Farol, in Mosqueiro (above), are some of the treasures reserved for visitors

gumas das poucas praias de rio com ondas existentes no mundo. São 21 no total, propícias para prática de surfe. As principais praias são Chapéu Virado, Murubira, Farol, Baía do Sol, Marahu, Paraíso, Porto Artur, Ariramba, São Francisco e Carananduba. O período de alta temporada acontece nos meses de junho e julho no verão amazônico. Fora desse período, o balneário reserva suas belezas para quem aprecia tranqüilidade. Outro lugar bem pertinho da capital é a ilha de Cotijuba. Um lugar rústico, com uma área de cerca de 60 km2 e uma costa com 15 km de praias. São lindas praias de água doce e uma natureza pratcamente intocada. Bem próximas à capital também estão as praias de Barcarena, acessíveis por via rodoviária ou fluvial. A região é banhada pelo rio Tocantins onde, no verão,

formam-se belas praias como Vila do Conde, Caripi, Itupanema e Carnapijó. A praia localizada na Vila do Conde é banhada pela Baía do Marajó. Possui grande extensão e é formada de areia branca e alva. Arborizada, a praia dispõe também de barracas especializadas na venda de comidas e de bebidas. Também na Baía do Marajó fica a praia do Caripi. No local, uma atração especial chama a atenção dos visitantes: a Casa da Árvore, parte das instalações do Hotel Samaúma, que combina o conforto moderno ao espírito de aventura. A praia de Itupanema possui grande extensão e situa-se à margem da Baía do Marajó. É em grande parte constituída por areia amarelada e rochedos. Apresenta arborização variada, com predominância de árvores frutíferas. Já a Vila do Carnapijó é local de propriedade

particular, mas está aberta à visitação pública. A praia que circunda o local, em quase toda a sua extensão, é constituída de pedra e argila. O visitante vai encontrar árvores frutíferas como mangueiras, coqueiros, taperebazeiros e açaizeiros. A praia é banhada pela baía do Marajó, tendo à frente a Ilha das Onças. No local há um monumento com a imagem de Nossa Senhora do Tempo. Outra grande opção são as praias de Soure e Salvaterra, que ficam na Ilha de Marajó. Salvaterra, a “Princesinha do Marajó”, é banhada pelo rio Paracauari e pela Baía do Marajó. A cidade tem um encantador cenário ecológico formado por furos, fazendas, rebanhos de búfalos, belas praias, florestas pouco densas, campos inundáveis, cerrados e um folclore bastante expressivo, tanto na dança quanto na música. A reli-

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Águas barrentas dos rios espalhaÁ dos pela região produzem um espetáculo à parte. A natureza foi generosa na distribuição de beleza por todo o Estado.

gião também deixou sua marca. A primeira igreja de Salvaterra, na vila de Joanes, foi construída no século XVII pela Ordem dos Jesuítas. O município tem muito a oferecer quando o assunto é ecoturismo. As fazendas de búfalos, com os passeios pelos campos marajoaras e a pesca esportiva, são atividades que representam grande potencial. Para quem gosta de aventura, Soure é o lugar perfeito. Mas para quem prefere a tranqüilidade, também é local ideal. Conhecida como a “Pérola do Marajó”, nela se encontram praias de águas doces e salgadas, campos naturais e uma variedade imensa de fauna. A maior cidade da Ilha de Marajó possui uma arquitetura que encanta pela simplicidade das casas e jardins e por suas ruas largas e arborizadas por mangueiras. Entre as atrações naturais, o destaque são as

praias. A do Pesqueiro possui dunas que se espalham em quase toda sua extensão, e tem ainda inúmeros coqueiros, marca registrada do lugar. Já a praia de Araruna revela o lado selvagem de Soure. Ela fica próxima a uma área de mangue e atrai muitos turistas por causa dessa peculiaridade. O visitante que prefere conhecer mais o dia-a-dia do local deve ir à Vila do Pesqueiro. Lá a população encontra na fitoterapia uma fonte de renda. A Associação das Mulheres do Pesqueiro comercializa medicamentos naturais, como óleo de andiroba, e vende artesanato. Já no Bairro Novo, um local interessante é o curtume, onde são fabricados objetos com couro do búfalo, de sapatos a porta-moedas. Como opções de hospedagem, a cidade de Soure oferece hotéis e pousadas. Mas para quem deseja vi-

venciar o cotidiano dos moradores, a dica é hospedarse nas fazendas locais. Dentre as praias fluviais temporárias, as mais importantes são as de Alter do Chão, em Santarém, no Baixo Amazonas; Tucunaré, em Marabá, e Gaivota, em Conceição do Araguaia, ambas no sudeste do Estado. Alter do Chão é uma das praias fluviais de rara beleza do oeste paraense. Fica na vila de mesmo nome, conhecida como “Caribe Amazônico”, no município de Santarém. É a principal atração da região e também um dos roteiros mais procurados por turistas estrangeiros, que vêm atrás das belezas selvagens e quase inexploradas da Amazônia. A praia de Alter do Chão surge quando as águas do rio Tapajós baixam, no período de agosto a dezembro. Uma das primeiras visões de quem chega à região

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Foto: Ray Nonato

Às margens do rio Araguaia, Conceição do Araguaia, no sudeste do Pará, também tem belas localidades para o turismo.

On the banks of the Araguaia River, Conceição do Araguaia, in southeast Pará, also features beautiful tourist locations.

As paisagens bucólicas são A uma constante no interior paraense. Sossego na medida para os que buscam tranqüilidade. dee. e

é o encontro do rio Amazonas, com suas águas escuras, com o rio Tapajós, em seus tons de azul-esverdeado. Os dois rios nunca se misturam. Mesmo na época da maré baixa, a dica é ficar nas barraquinhas instaladas ao longo da praia, na restinga que se forma com a seca do Tapajós. Na pequena Conceição do Araguaia, localizada no sudeste paraense, está a praia da Gaivota. O lugar fica às margens do Araguaia. Por fim, em Marabá, a praia do Tucunaré, com aproximadamente cinco quilômetros, está situada às margens do rio Tocantins. Foi o primeiro local onde se registrou ocorrência de diamantes, um dos mais importantes ciclos econômicos da região. A praia emerge na vazante do Tocantins, logo após o período de chuvas, geralmente a partir do mês de abril. É muito procurada na alta estação - julho a novembro - tornando-se a principal atração turística da cidade. A praia ainda proporciona ao veranista a prática de esportes náuticos e de areia, além de camping e pesca esportiva. L

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Foto: Flávio Acatauassú

tourism

Forest BEACHES

He who thinks that the Amazon nature is restricted to dense forests teeming with exotic animals should rethink his concepts. Pará State has a vast Atlantic coast and such a huge network of rivers with plenty of beaches available for those seeking rest, leisure and lots of fun.

Praia da Ponta do Malato, em Ponta de Pedras, no Marajó. Ponta do Malato beach, Ponta de Pedras, Marajó.

if you want to refresh yourself and take the salt off your body.

which is safe place for the preservation of the species. Another

Further and wilder is the Marieta beach, preferred by surfers and

common scene is the crabs crossing the road, especially the fe-

reached exclusively by boat.

males looking for a safe place for their youngs during the breeding season. So, read and obey the signs that read: “Warning. Slow

Salt and sun

down. Crabs on the road”.

For those who enjoy the combination sun, salt and ecology,

On the Campo do Meio beach, hundreds of people crowd the

the must-see place is Bragança with its white sand beaches and

place in search for holiday fun. The place offers a complete tour-

one of the largest mangroves in the world. The so-called “Pérola

ist infrastructure, highlighting the Farol Velho and Pilão beaches

do Caeté” (Caeté River Pearl) exhibits a lush landscape and clear

if you want to enjoy nature in a more relaxing way. It’s always a

water beaches and is constantly windy.

good idea to drop by the Vila dos Pescadores (the Fishermen’s

Silence is broken by the sound of the ‘Marujada’, a feast in hether salty water beach bathed by the sea bathed by the

W

homage to Saint Benedict, the city’s patron saint. It is the great-

river (yes, in Pará the rivers have waves!), the options are

est religious event in the city and has been held since 1978 at the

abundant everywhere in this State.

Saint Benedict Church, which was built by the Jesuits.

Village) and hear the many stories that locals tell.

Islands If a tourist is looking for more rustic experience, then the op-

In the Atlantic Amazon, the first stop is Salinópolis, a city that

One of the sights that may not be left unvisited if the Augusto

tion is the Algodoal island – 165km from Belém by road (BR-316

offers tourists a complete infrastructure. Kindly called Salinas,

Corrêa Palace, the seat to the City Board. This building is a per-

and PA-127 highways). This quiet place is located at the city of

this city is surely the right destination for those who enjoy a com-

fect replica of Portugal’s Bragança Palace. Another sight to be

Maracanã, in the so-called salty region of the state.

bination of beaches and urban comfort.

seen is the old Belém–Bragança Railway Station, currently called

Atalaia, Corvina, Maçarico, Farol Velho, Cocal, Marieta and Pilão are the main places to go in addition to more than 20 km of salty water and dunes of fine sand near the Pará River. At Atalaia, the Coca-Cola pond (with fresh water) is perfect

Tourists from all over the world come to this attractive 19km² island. The locals are simple and warm and live basically on

Augusto Montenegro square. The Ajuruteua village is 36 kilometers away from Belém and

fishing, subsistence agriculture and more recently on tourism. No

is a distinct attraction. You can see the mangrove vegetation and

motorized vehicles are allowed in the island, so you can only walk

the nests of herons and ‘guarás’ (ibis) at the Canelas island,

or ride a gig. Not until a short time ago, electricity was something

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Foto: João Ramid

Alter do Chão, localizada em Santarém e conhecida como o “Caribe Amazônico”, é uma das maravilhas que atraem turistas de todo o mundo para o oeste paraense

Alter do Chão, located in Santarém and known as the “Amazon Caribbean”, is one of the wonders that attract tourists from all over the world to the west of Pará.

out of the local reality, but today the island is supplied by electric

shaped by bayous fields, farms, herds of buffalos, beautiful beach-

Tapajós River are low, from August to December. It is the main at-

power.

es, forests, flood fields, brushland, and has very expressive folkloric

traction of that region and also one of the most visited destinations

dancing and music.

to foreign visitors looking for the wild and barely untouched beau-

The Princesa (Princess) beach is almost 14km long and is the best known in the island. It ranked among the ten most beautiful

Religion also left its mark there. The first church of Salvaterra,

beaches in Brazil in a survey conducted by Time Magazine. Those

at the Joanes village, was erected in the 17th century by the Jesuits.

ties of the Amazon. One of the first sights as you get to the region is the encounter

who have been there know it lives up to its position in the ranking.

The buffalo farms, which provide buffalo riding in the fields, and

of the dark waters of the Amazon River and the blue-greenish waters of the Tapajós River. These rivers never mix to one another.

Belém is also surrounded by islands and two of them are a

sport fishing are some of the activities that attract many tourists.

sure route for tourists: Mosqueiro and Cotijuba. Mosqueiro is 69km

In Soure, the so-called “Pérola do Marajó” (the Pearl of Mara-

At the small city of Conceição do Araguaia, southeast of Pará,

far from Belém by road. It has some of the few river beaches in the

jó), you can find salty and fresh water beaches as well as natural

you can find the beautiful and well-visited Gaivota beach; and

world that have waves.

plains. The architecture of the biggest city in the Marajó island in

in Marabá, the Tucunaré breach comes up at the lowering of the

They are 21 overall and very good for surfing, especially the

enchanting for the simplicity of the houses and gardens, its wide

Tocantins River waters, right after the rainy season, usually af-

beaches of Chapéu Virado, Murubira, Farol, Baía do Sol, Marahu,

streets outlines by large, leafy mango trees. The Pesqueiro beach

ter April. It is mostly visited in the high season, ranging from July

Paraíso, Porto Artur, Ariramba, São Francisco and Carananduba.

is filled with coconut trees, the trademark of the place, whereas

to November, and offers the visitors the option of water and sand

The high season is in June and July, summer time in the Amazon

the Aruana beach is located close to a tourist-attracting mangrove

sports as well as camping and fishing.

region. Because of its many small rivers and bayous, the Mosqueiro

area.

island is simply irresistible for those ecotourism lovers.

With so many different attractions, it is hard to point out the

For those visitors willing to get to know a little more about the

Another attraction near Belém is the Cotijuba island. It is a

routine of the locals should go to the Pesqueiro Village, where the

rustic place in an area of about 60km² with 15km of beaches. It

residents make a living out of phytotherapy. The Women’s Associa-

can be reached by boat only. Also, not so far away, there are the

tion sells natural medicine, such as the ‘andiroba’ oil, and handi-

beaches of Barcarena, which can be reached by road or river.

craft. An interesting place to visit is the leather tanning plant,

The region is washed by the Tocantins River. In the summer, you can see beautiful beaches such as the Vila do Conde, Caripi,

best beach destination in Pará. There is no other way than try each at a time and enjoy everything each destination has to offer. L

where various items are manufactured from buffalo leather, from shoes to coin holders.

Itupanema and Carnapijó (a private property that is open for public visitation), also washed by the Marajó Bay.

Seasonal beaches are Alter do Chão, in Santarém, Tucunaré, in Marabá, and Gaivota,

The archipelago of Marajó has unforgettable beaches. Salva-

in Conceição do Araguaia.

terra, the “Princess of Marajó”, is washed by the Paracauari river

Alter do Chão is one of the most beautiful river beaches in

and the Marajó Bay. The city has an enchanting ecologic landscape

western Pará. The sand strip appears when the waters of the

Foto: João Ramid

Among the seasonal river beaches, the most important ones

Marajó

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ROTEIRO Pará Beaches

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8

1

ALTER DO CHÃO O “Caribe Amazônico” surge com a baixa das águas do Tapajós e atrai turistas estrangeiros pela beleza selvagem.

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MARAJÓ

3

BARCARENA

4

MOSQUEIRO E COTIJUBA

1

2

3

4

Além de praias de águas doces e salgadas, ainda há campos naturais e fazendas de búfalos.

Às margens da Baía do Marajó, a Praia do Caripi é a mais conhecida do município e com maior infra-estrutura para o turista.

A 60 km de Belém, Mosqueiro tem 21 praias de rio que estão entre as únicas com ondas no mundo. Em Cotijuba, são 15 km de praias.

ALTER DO CHÃO

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ALGODOAL

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SALINÓPOLIS

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BRAGANÇA

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GAIVOTA

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ALGODOAL

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SALINÓPOLIS

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BRAGANÇA

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GAIVOTA

The “Amazon Caribbean” appears as the Tapajós River waters go down, attracting foreign tourists for its wild beauty.

MARAJÓ In addition to its fresh and salty waters, the island also has natural fields and buffalo farms.

BARCARENA On the banks of the Marajó Bay, the Caripi Beach is widely known and offers the best infrastructure for tourists.

MOSQUEIRO AND COTIJUBA Mosqueiro, 60 km from Belém, features 21 river beaches that are some of the few wave beaches in the world. On Cotijuba, the beaches stretch over 15 km.

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Está a 165km de Belém, pela BR316 e PA-127. A praia da Princesa é tida pela revista Time como uma das 10 mais belas do Brasil.

Atalaia e Maçarico são as mais freqüentadas, dentre os 20 km de praias do município. A praia da Marieta é a preferida pelos surfistas. A 36 km da cidade, a Vila de Ajuruteua inclui belas praias e vegetação de mangue.

Às margens do rio Araguaia, a praia tem infra-estrutura para o turista e é a mais badalada durante o verão.

Located some 165km from Belém through BR-316 and PA-127 roads. The Princesa Beach was considered as one of the ten most beautiful beaches of Brazil according to Time Magazine. Atalaia and Maçarico are the best attended beaches throughout the city’s 20km-long shoreline. The Marieta Beach is preferred by surfers. Located 36 km from the city, the Ajuruteua Village features beautiful beaches and mangrove vegetation. On the banks of the Araguaia River, this beach has infrastructure for the tourist and is the best attended during the summer.

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texto: Juliana Oliveira • fotos: Diana Figueroa

patrimônio

UM PEDAÇO DA EUROPA

Na Amazônia Além das praias de água doce, a paisagem da Ilha de Mosqueiro ganha charme na arquitetura dos casarões de influência européia construídos no século XIX

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Os prédios foram construídos mesclando estilos europeus com a realidade climática local, como os porões, habitáveis ou não, feitos em função da salubridade e ventilação

É

impossível passear pela orla da Ilha de Mosqueiro sem ter uma visão privilegiada das dezenas de casarões que são marca do local. As estruturas de alvenaria e pedra elevam as construções a mais de dois metros do chão, uma imponência que obriga quem passa por perto a levantar a cabeça para ver a totalidade da edificação. Os desenhos delicados dos lambrequins pendentes dos grandes telhados em estilo “duas águas” destacam as tonalidades primaveris das casas, ostentando plaquetas com formatos singelos e com nomes bucólicos gravados, identificando os casarões, verdadeiros chalés em plena Amazônia. O cenário exótico e o clima ameno da ilha se tornaram um grande atrativo para os imigrantes que chegavam a Belém e descobriam em Mosqueiro um lugar de sossego e a possibilidade de reconstruir uma parte de sua terra natal a partir dos casarões. Datados do século XIX, são herança dos tempos áureos da borracha - época em que a ilha não passava de um ponto de abastecimento da capital, cada vez mais rica à custa do “ouro branco”. A influência estrangeira pode ser percebida no formato das edificações, o chalé, típico das regiões frias da Europa. Para o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e arquiteto, Milton Monte, estudioso da arquitetura da região e um apaixonado

confesso pela ilha, os casarões da orla mosqueirense representam raros exemplares arquitetônicos. “Os prédios foram construídos mesclando estilos europeus com a realidade climática local, como os porões, habitáveis ou não, feitos em função da salubridade e ventilação”, explica. Ele lembra que construções desse tipo foram feitas por europeus em vários pontos da Amazônia. Em Icoaraci, também Distrito de Belém, há prédios similares, mas Mosqueiro é o local com maior número de casarões e, o que torna a paisagem arquitetônica da ilha singular, que reúne exemplares variados, como o chalé Canto do Sabiá, de clara influência da arquitetura eclética alemã. Em outros casos, como o chalé Porto Arthur, ele explica que é mais difícil fazer a identificação. Para o professor Milton, “o crédito dessas construções é dos grupos de marceneiros e carpinteiros trazidos da Europa para trabalhar na urbanização de Belém”, explica. Esses construtores associaram os estilos com os quais tinham contato na Europa. Outra peculiaridade dos chalés tropicais está no antigo hábito de nomeá-los, costume ainda hoje mantido pelos veranistas que constroem casas em Mosqueiro. As justificativas para a prática divergem, mas o certo é que os nomes deram um clima de familiaridade à ilha que remonta à época em

que as construções eram poucas e os endereços limitavam-se aos nomes dos moradores.

Porto-Chalés Se quem já conhece Mosqueiro não consegue ver tédio na beleza local, imaginem nossos bons e velhos patrícios, numa época em que o ritmo do tempo era ditado pelos apitos do navio Almirante Alexandrino (que fazia a travessia Belém-Mosqueiro), da Usina Elétrica da ilha e pelas badaladas do sino da igreja matriz de Nossa Senhora do Ó. Tanto que chegaram até mesmo a fazer pequenas extravagâncias, como a construção de trapiches particulares para atracar embarcações. Dessas benfeitorias surgiu a denominação “porto-chalé”, como o Porto Arthur e Porto Franco, por onde as encomendas chegavam com mais conforto às residências. Os chalés de Mosqueiro podem ser facilmente localizados na ilha. Resistem ao tempo, imponentes e únicos, contando suas histórias para quem souber desvendá-las. E para quem não faz questão de versões oficiais, resta se deliciar com as mais diferentes narrativas dos moradores locais, justificando os nomes dos chalés, contando as histórias das famílias e as lendas de quem os habitaram. L

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O casarão do século XIX Os casarões eram construídos sobre uma estrutura de alvenaria de pedra, elevando os cômodos cerca de dois metros do solo. Dessa forma, os construtores evitavam a umidade, bastante intensa na região. As paredes eram de madeira, com exceção do banheiro e da cozinha, que eram de taipa de pilão. O assoalho, sustentado por vigas de madeira de lei, alternava tipos de tábuas, formando desenhos variados. O acesso à casa era feito por uma escadaria. Varandas contornavam as laterais e a frente da edificação para evitar a insolação nos cômodos. Na fachada, havia um lambrequim - trançado confeccionado com pequenas peças de madeira similar a um bordado feito à mão.

Ordem, beleza e equilíbrio A arquitetura básica dos casarões era estruturada no Classicismo. Por cultivar os valores humanistas, o estilo procurava reproduzir no espaço físico o ideal de ordem, beleza e equilíbrio. Para algumas famílias, era a oportunidade de construir suas casas nos moldes dos países de origem. Em função disso, conseguimos identificar hoje a predominância de certos gêneros, como é o caso da arquitetura eclética alemã, presente no chalé Canto do Sabiá. Já em outras situações, a mistura de elementos foi tão grande que não é possível fazer a identificação precisa de um estilo predominante.

Em Mosqueiro, os prédios foram construídos usando estilos arquitetônicos tradicionais da Europa, mas adaptados ao clima da região amazônica. In Mosqueiro, the houses were built after Europe’s traditional architectural styles, but adapted to the climate of the Amazon region.

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Os lambrequins, trançados confeccionados com pequenas peças de madeira e que lembram bordados à mão são característicos dos chalés de Mosqueiro The lambrequins, a wooden ornament hanging from the roof that appears to have been made by hand, are a feature of Mosqueiro cottages.

heritage

A piece of Europe

IN AMAZON

B esides the fresh w ater beaches , Mos queir o’s lands cape g ets charm from the ar chitectur e of the big old hous es b uilt in the 19 th centur y under Eur opean influence

T

he brick and stone constructions raise the houses

architectonic landscape of the island unique, gathering

over two meters above the ground in such a splen-

different examples, such as the ‘Canto do Sabiá’ Cottage,

dor that causes passers-by to lift their heads to see the

which bears a clear influence of the German architecture.

entire building. It is also such a prize for those who catch

In other cases, like the Porto Arthur Cottage, he ex-

The big houses were build on top of a brick and stone struc-

a glimpse of Mosqueiro from afar and its many big old

plains that it is harder for identification. For Milton, “the

ture, which raised their rooms about two meters above the ground.

houses that outline the town’s seashore. The delicate de-

credit for such constructions goes to the teams of cabi-

This way, the humidity in the region was avoided.

signs of the labels pending from the large stylish roofs

netmakers and carpenters brought from Europe to work

The walls were made of wood, except for the bathroom and

remark the spring shades of the houses, which flaunt

on the urbanization of Belém, who built the houses”, he

kitchen, which had adobe walls. The floor was supported by hard-

small, almost childish signs due to their simple shapes

explains. These workers associated the styles they were in

wood beams and featured different types of wooden boards, which

and bucolic names printed on them to identify the big

contact with back in Europe.

formed various designs.

houses, actual cottages in the Amazon.

The 19th century house

Another peculiarity of these tropical cottages lies in

The entrance to the house featured a big staircase. In order

Only 70km away from Belém, the warm and beautiful

the old habit of naming them, a habit the lives on until

to avoid the rooms to be exposed to sunlight, the houses were

fresh-water beaches of the Mosqueiro District are not the

today by the holiday goers who build houses in Mosqueiro.

surrounded by porches. The facade had a lambrequin – a wooden

only enchantment of the island. It has in its historic, 19th

The justifications for this differ. One thing is sure, the

ornament hanging from the roof that appears to have been made

century, big old houses a heritage from the golden rubber

atmosphere of familiarity that existed in the island at a

by hand.

period. At that time, this island was nothing but a supply

time when the constructions were few and addresses were

station from the capital and even wealthier because of the

limited to names.

Order, beauty and balance The basic architecture of these houses was based on the Clas-

“white gold”. But, its exotic landscape and mild climate became a great attraction for the immigrants coming to

Port-Cottages

sicism. Since it praised humanist values, this art style attempted

If those who already know Mosqueiro cannot get bored

to reproduce in the physical space the ideal of order, beauty and

of it, let alone our good, old fellows from Portugal. At that

balance. For some families, it was the chance to build their hous-

Foreign influence can be seen in the type of construc-

time they lived to the fog horn of the Almirante Alexan-

es on the shapes of those in their mother-nations. Due to that,

tion, the cottage, which is typical of Europe’s cold regions.

drino ship, the island’s electric power plant and the sound

today we manage to identify the predominance of certain genres,

For Pará State Federal University (UFPA) Professor and ar-

of the church bells. They even built private piers for their

as in the case of the eclectic German architecture seen at ‘Canto

chitect, Milton Monte, who studies the region’s architec-

boats – this gave the name to the port-cottages such as

do Sabiá’. As for other instances, the mixture was so intense that

ture and loves the island, the old houses of the Mosqueiro

“Porto Arthur” and “Porto Franco”. This allowed for faster

it is not possible to identify a predominant style.

seashore are rare architectonic examples.

and more convenient delivery of goods to these houses.

Belém, who found in Mosqueiro a quiet place to stay and the possibility to rebuild a part of their hometown.

“The houses were built in a mixture of European styles and the local climatic reality, such as the basements,

The island’s fishermen themselves used to go and sell fish

Information:

at the houses before proceeding to the market.

The big houses of Mosqueiro are spread throughout the is-

whether inhabitable or not, that were built for health or

Mosqueiro’s cottages can be easily spotted. They im-

land’s main beaches. You can start your tour from the Murubira

ventilation purposes”, he explains. He says that erection

pressively and uniquely endure time and tell their history

beach and, further ahead, at the Porto Arthur beach, you will find

of big houses by Europeans happened in several sites in

to anyone who knows how to unveil it. If you do not care

the cottage of the same name as well as other less famous build-

the Amazon. In Icoaraci, a district of Belém as well, there

about official versions, just listen to the different ac-

ings. Following along the shoreline through the beaches of Chapéu

similar constructions, but Mosqueiro is the place with the

counts by the locals to explain the names of the cottages,

Virado, Farol and Bispo, you will find many of these houses such as

most big old houses and for this reason it has greater

the history of the famous families of the place as well as

Canto do Sabiá, which features varied architectonic styles.

diversity with various European styles. And this makes the

the legends related to those who lived in them. L 47

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texto: Aline Monteiro

cultura

Diverso e

A rica cultura do Pará é um dos trunfos para o desenvolvimento do turismo receptivo e ganha força com a nova política cultural do Estado, onde a descentralização dos recursos é palavra de ordem.

Foto: Lucivaldo Sena/AgPará

DEMOCRÁTICO

Mulheres conduzem o Arco da Santíssima Trindade na abertura do Sairé, festa realizada em Alter do Chão Women carrying the Holy Trinity Arc at the opening of the ‘Sairé’, a festivity held in the city of Alter do Chão.

festa centenária da marujada de Bragança, os brinquedos de miriti de Abaetetuba, o boi de máscaras de São Caetano de Odivelas, o carimbó de Marapanim, o sairé de Santarém, os cordões de pássaros e de bichos de Belém. Essas são algumas das dezenas de manifestações folclóricas e artísticas que fazem do Pará um Estado multifacetado e culturalmente rico. Um cenário que está sendo descoberto e valorizado por visitantes do Brasil e do mundo e que começa a transformar a produção cultural paraense em um dos potenciais para o desenvolvimento do Estado. É esta diversidade que norteia as políticas culturais do governo do Estado, que tem como desafio a descentralização das ações, deslocando o foco da Capital e ampliando os projetos nos municípios do interior. Com isso, o governo coloca a cultura como elemento estratégico para a inclusão social, o incremento da economia e para a realização plena da cidadania. “Com esse pensamento, pretendemos materializar nosso compromisso com a sociedade paraense,

A

que há muito tempo esperava ter a sua vontade inserida no processo democrático. Só assim a cultura será feita pelo e para o povo que vive neste Estado”, afirma a governadora Ana Júlia Carepa. A governadora lembra que, no Pará, não havia uma política estadual de cultura, mas ações concentradas na Região Metropolitana de Belém. “Estamos construindo juntos uma política cultural sem privilégios e preconceitos, representativa dos interesses populares.” Com esse propósito, os investimentos serão redistribuídos. “Procuraremos atender às diversas regiões do Estado com políticas públicas de cultura e investimentos em todas as expressões, valorizando a cultura popular e as diversidades existentes no Pará”, afirma Ana Júlia Carepa. O primeiro passo para garantir a alocação mais democrática dos recursos públicos foi a 1ª Conferência Estadual de Cultura, que incluiu encontros com artistas, produtores e outros atores culturais em todo o Estado. Foram realizadas conferências intermunicipais

em 107 municípios. As discussões ganharam força com o Planejamento Territorial Participativo (PTP), que ouviu as populações dos 143 municípios. “Foram eventos históricos para o Pará, pois os representantes dos municípios puderam expor e discutir suas necessidades. Essas demandas vão nortear os investimentos nos próximos anos. E assim construiremos um plano estadual de cultura legitimado por toda a sociedade, com a certeza de que cultura de verdade se faz levando-se em conta a diversidade de vozes da cada um dos atores”, destaca o Secretário de Cultura, Edilson Moura. Depois da Conferência Estadual de Cultura e do PTP, o governo do Estado agora trabalha na construção de diagnósticos sobre a cultura paraense, reunindo demandas, concepções e propostas oriundas da sociedade. “Essas demandas vão subsidiar a elaboração do Plano Estadual, que norteará o modelo de gestão e planejamento participativo de políticas e ações culturais”, explica a governadora. As demandas apresentadas durante as confe-

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As demandas vindas das conferências de cultura vão subsidiar o Plano Estadual que norteará o modelo de gestão e planejamento participativo de políticas e ações culturais.

Foto: Flavia Mutran

Acima, a Marujada de Bragança. Abaixo, a governadora Ana Júlia Carepa, que defende a democratização da política cultural

rências estão contempladas no Plano Plurianual (PPA) que prevê os investimentos públicos do governo do Estado para o período de 2008 a 2011. O PPA 2008-2011, encaminhado à Assembléia Legislativa no último dia 30 de agosto, deve ser votado pelos deputados estaduais até o dia 30 de setembro. Dentro da previsão de investimentos, novos projetos devem ser lançados a partir do ano que vem. Entre eles, editais para montagem de espetáculos teatrais, além do desenvolvimento de projetos de valorização do folclore que beneficiarão o setor audiovisual e a criação de pontos de cultura - espaços organizados pela sociedade civil - que tem tradição em desenvolver atividades de cultura com comunidades do entorno. Estas iniciativas são apoiadas pelo governo federal. “Estamos desenvolvendo um grande programa que integra o Plano Estadual de Cultura. Manteremos bons projetos, como a Feira do Livro e o Festival Internacional de Ópera da Amazônia, e continuaremos apoiando os festivais de cultura dos municípios, assim como os círios realizados

em muitas cidades”, afirma a governadora. Ana Júlia Carepa adianta que, no setor patrimonial, será lançado o Projeto Inventário Cultural, que mapeará o patrimônio material e imaterial do Pará. “Tudo dentro das nossas possibilidades orçamentárias e trabalhando em parceria com o governo federal”, ressalta a governadora. Esses projetos também levarão em conta o potencial turístico do Estado e a importância da produção cultural para a economia das microrregiões paraenses. O objetivo é criar uma política transversal em que as áreas de investimentos trabalhem em prol de todo o povo paraense. “O turismo cultural é uma das forças motrizes dessa afirmação da cultura como identidade e como oportunidade de inclusão social e econômica. Devemos criar programas de investimentos para aproveitar o potencial turístico do patrimônio cultural, artístico e ambiental do Estado, reconhecendo o papel da atividade turística como fator de geração de emprego e renda”, explica a governadora Ana Júlia Carepa. L

Foto: Guilherme Bessa/AgPará

Above, Bragança City’s ‘Marujada’ in honor of Saint Benedict. Below, Governor Ana Júlia Carepa, who backs the democratization of the State’s cultural policy.

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Foto: Jaime Souzza

Foto: Elcimar Neves/AgPará

O ritmo sensual do carimbó encanta os visitantes que chegam ao Pará. Abaixo, à direita, o secretário estadual de Cutura Edilson Moura. The sensual ‘Carimbó’ rhythm delights the visitors to Pará. Below to the right, State Culture Secretary Edilson Moura.

culture

Foto: Elcimar Neves/AgPará

Diverse and Democratic

T h e rich culture of Pará is one of the tr ump car ds v afor ing t h e developm ent of incoming tour is m and it gains s tr ength w i th the S tate’s new cultur al guidelines , in which r es our ce s decentralization is th e wor d of or der.

T

he centennial ‘marujada’ feast of Bragança, Abaetetuba’s

The first step to ensure a more democratic allocation of

which shall benefit the artistic sector and help create culture

wooden toys, the ‘masked ox’ of São Caetano de Odivelas,

public funds was the 1st State Conference on Culture, which

spots (places that are organized by the society with a cultural

the ‘carimbó’ dance of Marapanim, the ‘sairé’ of Santarém, and

included meetings with artists, producers and other cultural

tradition capable of developing such cultural activities with

Belém’s ‘cordões de pássaros e bichos’. These are only some of

players throughout the State.

neighboring communities). Such initiatives are backed by the

the tens of folkloric and artistic manifestations that make of

Inter-municipal conferences were held in 107 municipali-

Pará a State of many facets and culturally rich. This culture is

ties. The discussions were strengthened by the Participating

“We are developing a great program on Pará State culture

being discovered and valued by visitors from other parts of Bra-

Territorial Planning (PTP), which heard the populations of the

that integrates the State Plan on Culture. We shall maintain

zil and abroad and this is starting to change the local cultural

State’s 143 municipalities in the State.

good projects such as the Book Fair and the International Opera

production into one of the potentials for developing the State.

Federal Government.

“These were historical events for the State of Pará, since

Festival of the Amazon, and we shall continue to provide sup-

And this diversity guides the State Government’s cultural

the representatives from the municipalities managed to pres-

port to the cultural festivals in the municipalities as well as to

policies, which have as a challenge the decentralization of ac-

ent and discuss their necessities. Such claims are to guide the

the ‘círios’ (religious processions) that are held in many cities”,

tions by shifting the focus away from the State’s capital city and

investments over the coming years. And, thus, we shall build

says the Governor.

broadening the projects in rural cities. By this, the State Govern-

up a State culture plan approved by the society as a whole”,

ment places culture as a strategic element for social inclusion,

emphasizes Ana Júlia Carepa.

economy increment and full citizenship accomplishment.

Ana Júlia Carepa states that regarding the heritage sector, the Cultural Inventory Project will be launched in order to

After the State Conference on Culture and the PTP, the State

map Pará State’s material and immaterial cultural heritage.

“With this thought in mind, we intend to materialize our

Government is now working on preparing a diagnosis on Pará

“All of this is to be carried out in accordance to our budgetary

commitment to the society of Pará, which has longed to be in-

culture by gathering demands, conceptions and proposals from

possibilities and by establishing a partnership with the federal

cluded in the democratic process. Only this way culture shall be

the society. “Such demands are to subsidize the preparation of

government “, she emphasizes.

made by and for the people of this State”, states Pará Governor

the State Plan, which shall guide the participating planning

These projects shall also consider the State’s tourist po-

Ana Júlia Carepa.

and management model for cultural policies and actions”, the

tential and the importance of the cultural production for the

Governor explains.

economy of the State’s micro-regions. The objective is to create

The State Governor reminds that Pará did not have a State policy towards culture, but actions focused on the metropoli-

The demands presented over these conferences are includ-

tan area of Belém. “We are building a cultural policy with no

ed in Multi-Year Plan (MYP), which addresses the public invest-

privileges or prejudice, which is representative of popular in-

ments by the State Government for the 2008–2011 period. This

“Cultural tourism is one of the drives for such affirmation

terests.”

2008–2011 MYP, which was forwarded to the Legislative As-

of culture as an identity and as an opportunity for both social

sembly for passing on August 30th, shall be voted by the State

and economic inclusion. We shall create investment program

Representatives by September 30th of 2007.

aimed at taking advantage of the State’s cultural, artistic and

According to this purpose, the investment shall be reallocated. “We will address the State’s several regions with culture-

such a policy that allows for the areas of investment to work in behalf of the people of Pará.

oriented public policies and investments in all forms of cultural

According to the forecast for investments, new projects

environmental heritage by acknowledging the role played by the

expressions, thus valuing popular culture and the diversities of

might be commenced as of the coming year, including: bid rules

tourism activity as a factor of employment and income genera-

Pará”, says Ana Júlia Carepa.

for plays and developing projects aimed at promoting folklore,

tion “, explains Ana Júlia Carepa. L

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Em breve, também no Hangar

Restaurante no posto Azulino da Duque

Quiosque no aeroporto Internacional de Belém

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Restaurante do aeroporto Internacional de Belém

Quiosque no Terminal Rodoviário

Quiosque no Supermercado Nazaré da Duque

Restaurante no posto Azulino da Antônio Baena com 25 de setembro

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moda

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Belle ÉPOQUE a passagem do século XIX para o século XX, Belém estava mais próxima da Europa do que do resto do Brasil. Reza a lenda que até as roupas eram enviadas para serem lavadas no Velho Continente. Os historiadores dizem que isso é pouco provável, mas essa imagem se tornou um símbolo do momento de luxo e riqueza proporcionado pela extração da borracha e que fez da capital paraense, àquela época, um lugar privilegiado de circulação de novidades, muito mais próximo de Paris, o centro cultural do mundo de então. Foi esse passado de glamour da Belle Époque amazônica que inspirou a nova coleção da estilista paraense Lele Grello, batizada de “Para Paris”. Tecidos nobres e fluidos, como a musselina e o chifon de seda pura, ganham arrojo nos cortes e tramas que exaltam a feminilidade e fazem uma homenagem a grandes mestres da moda, como Coco Chanel, Valentino, Christian Dior e Yves Saint Laurent. Sensualidade e contemporaneidade captadas neste ensaio tendo como cenário o Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia.

N

n the transition from the 19th century to the 20th century, Belém was

I

closer to Europe than the rest of Brazil. The story goes that even the

clothes were shipped to the Old Continent to be washed. Even though historians say this is unlikely, this ‘image’ became a symbol of the luxury and wealth provided for by the rubber trade that made of the capital of the State at the time a privileged center for the circulation of novelties, since it was much closer to Paris, the cultural center of that time. It was this past of glamour of the Amazon Belle Époque that has inspired Pará’s fashion stylist Lele Grello’s new collection, “Para Paris”. Noble, soft fabrics such as mousselin and chifon made of pure silk acquired boldness from the colors and weave that exalt femininity and honor great fashion masters such as Coco Chanel, Valentino, Christian Dior and Yves Saint Laurent. Sensuality and contemporaneousness were captured in this portfolio that took place at the Hangar Amazon Conven-

Acima, saia e blusa em mousseline de seda com babados sobrepostos. À esquerda, vestido de cetim de seda com decote bordado em paetês. Above, silk mousselin skirt and blouse with overlapped flounces. Left, silk satin dress with a sequined neckline.

tions and Fair Center of the Amazon.

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Acima, vestido em seda com flores e barra plissada e arremates em cetim. À direita, vestido longo em seda Pucci, bijoux em cristal e prata velha. Above, silk, flowered dress with pleated satin hem. Right, long Pucci silk dress, accessories made of crystal and old silver.

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Ă€ esquerda, vestido rodado em seda Pucci estampada com seda preta. Abaixo, vestido longo em seda preta com blusa de paetĂŞs prata e preto. Left, round, printed Pucci silk and black silk dress. Below, long, black silk dress with a black and silver sequined blouse.

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Acima, vestido cai-cai em seda estampada de oncinha com saia de tule preto. Ă€ esquerda, vestido em seda Pucci estampada em tonalidades de rosa, arrematado por cinto abaixo do busto bordado em tons de rosa. Above, jaguar-printed silk tank top dress with a black tulle skirt. Left, pink-shaded printed Pucci silk dressďŹ nished up by a pink-shaded embroidered belt below breast line.

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Abaixo, minissaia plissada com sobreposições de saias em dégradé de beges e carteira ouro e prata. À direita, blusa de cetim preto com golas plissadas em mousseline sobreposta, saia em chamalote bege com anágua de tule. Below, pleated miniskirt with overlapped beige gradated skirts and golden and silver wallet. Right, black satin blouse with overlapped mousselin pleated collar, beige chamalote skirt with a tulle underskirt.

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Direção fotográfica / coordenação: Gil Yonezawa • Fotos: Diana Figueroa • Produção: Gil Yonezawa • Assistência de produção: Izabella Brito Stylist: Diogo Carneiro • Make up: Plínio Palha • Hair: Laury (Ricardo Mariano) • Estagiários (moda): Bruno Furtado e Karina Farias Special thanks: AREZZO (sapatos) • Modelos: Camila D’Macedo / Carla Ribeiro / Fernanda Mendes / Stephany Priscila Photographic Director / Coordination: Gil Yonezawa • Photos: Diana Figueroa • Production: Gil Yonezawa • Production assistant: Izabella Brito Stylist: Diogo Carneiro • Make-up: Plínio Palha • Hair: Laury (Ricardo Mariano) • Trainees (fashion): Bruno Furtado e Karina Farias Special thanks to: AREZZO (shoes) •Models: Camila D’Macedo / Carla Ribeiro / Fernanda Mendes / Stephany Priscila

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crônica Bob Menezes*

QUE MUNDO

é esse? entou-se à minha frente, outro dia desses, um companheiro de trabalho. Companheiro de mais ou menos uns 25 anos de idade. Estava com um livro na mão, uma biografia de Vinícius de Moraes. Sentou e não disse nada. Eu também não perguntei. Depois de uns dois minutos olhando o livro ele fechou, levantou os olhos e sentenciou: - O mundo desse bicho não existe mais. Ouvi. Ri concordando e então pensei: Eu entendo isso. Porque aos 47 anos, eu vivi um pouco o mundo de Vinícius, mas quem tem 25 não. O que é mais engraçado é que percebi na voz dele uma pitada de saudade, ou de melancolia, pelo não vivido. Em seguida eu me lembrei da única vez em que vi Vinícius. Era uma quarta-feira à noite, depois da chuva, no Teatro São Cristóvão, em 1976. Eu, então com 15 anos, fui meio contrariado. Na verdade, fui quase forçado por um amigo que me dizia, sempre, que o Vinícius já teria organizado tudo que nós ainda tentávamos entender sobre o amor e mulheres. Pois bem, o show atrasou duas horas. Pouco antes de começar, colocaram um balde de gelo e uma garrafa de whisky sobre a mesa que já estava no palco. Vinícius entrou todo de branco, cumprimentou a platéia, pediu desculpas sinceras e explicou o motivo do atraso: fora a visita do médico que tentava livrá-lo de uma forte gripe. Sentou-se com Toquinho e o Quarteto em Cy e fizeram uma hora e meia do mais lindo show que já vi na vida. Entre canções, poemas e toda a garrafa de whisky, era difícil acreditar que existisse um homem mortal com um mundo tão diferente do meu e do restante da platéia. Claro que me apaixonei por ele. Mas tinha um problema, ele era homem. E aí descobri que em verdade Vinícius de Moraes era um anjo e que anjos não têm sexo. Então pude ir em paz e continuar cultivando esse amor pelo mundo de Vinícius, que como ele mesmo dizia era cheio de canções, aventura e magia. É, companheiro... o mundo de Vinícius não existe mais.

S

cronicle

What world

is this?

co-worker sat before me just the other day. He’s about 25. He was hold-

A

ing a book, a biography Vinícius de Moraes (a famous Brazilian poet and

composer). He just sat and said nothing. I myself didn’t ask a thing either. After browsing the book a couple of minutes, he closed it, lifted his head and stated: - This guy’s world no longer exists. I heard it and laughed in agreement. Then, a thought came to my mind: I understand this. For, at the age of 47, I lived Vinícius’ world a little, but those who are 25 didn’t. The funniest thing is that I noticed something of nostalgia, or melancholy, for what he hadn’t lived. Then, I recalled the last time I saw Vinícius. It as Wednesday night, after the rain, at the São Cristóvão Theater in 1976. I was 15 at the time and had gone there sort of against my will. Actually, a friend of mine forced me to go and he used to say that Vinícius had already organized everything we still struggled to understand about love and women. Well, the show was two hours late. Shortly before it began, a bucketful of ice and a bottle of whisky were put on a table that was on the stage. Vinícius came in wearing white and greeted the audience. He apologized and explained the reason for that delay: it was his doctor appointment – he was trying to get rid of a terrible flu. He sat with his partner Toquinho and the group Quarteto em Si. Together, they made a one-hour show that was the most beautiful I have ever seen. Among songs, poems and the entire bottle of whisky, it was hard for me to believe that there was a mortal living in a world so different from mine and that of the entire audience. Of course I fell in love with him. But there was a problem, he was a man. But then I found out that Vinícius de Moraes was an angel and angels have no sex. So, I could move ahead in peace and carry on cherishing that love I

* Bob Menezes é fotógrafo

felt for Vinícius’ world, which, like he himself used to say, was full of songs, adventure and magic. Yes, buddy… Vinícius’ world no longer exists. * Bob Menezes is a photographer 62

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foto: Jaime Souzza revista_hangarboneca4.indd 63

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culinária

SABOR de rio

Com imensa variedade de ingredientes e alquimias, a culinária paraense sempre deu destaque aos pescados. No Tucunaré Recheado com Suflê de Palmito criado pela chef Karina Contente, um dos pescados mais consumidos na região ganha novo sabor em uma receita leve, simples e ao mesmo tempo sofisticada.

A chef Karina Contente, do Spazzio Verdi, ganhou fama com suas releituras da culinária típica paraense Chef Karina Contente, of Spazzio Verdi Restaurant, became famous with her revisions of the typical Pará cuisine.

percurso que as águas da bacia amazônica fazem até o mar, e que entrecorta praticamente todo o Estado do Pará, não é apenas um dos mais belos cenários naturais do planeta. É também o ponto de partida para um fantástico roteiro gastronômico. Por ele, passam séculos de história e cultura de um povo que aprendeu que a mistura de cores, cheiros e sabores da fauna e da flora da região pode resultar em pratos singulares, refinados, sempre contemporâneos e que, principalmente, inebriam o paladar. E é das águas do maior rio do mundo, o Amazonas, que vem a matéria-prima da culinária essencialmente marcada por referências indígenas. Peixes, como o filhote e o tucunaré, e crustáceos como o camarão rosado, estão sempre presentes na mesa do paraense. Das margens do rio, podem vir as frutas típicas, como o cupuaçu, o taperebá e o bacuri, e também o palmito de açaí e a castanha-do-pará, conhecida em muitos lugares como castanha-dobrasil. Além de uma infinidade de ervas, raízes e temperos que fazem da culinária local uma das mais diversificadas e autênticas do mundo inteiro. Tanta variedade permite combinações nada óbvias. O tradicional tucunaré assado, por exemplo, ganhou um toque contemporâneo graças às habilidosas mãos da chef Karina Contente. Responsável pelo cardápio de um dos mais tradicionais restau-

O

rantes de Belém, o Spazzio Verdi, ela uniu à textura tenra e macia desta espécie de peixe o indefectível sabor do palmito. E foi assim, experimentando as riquezas que a Amazônia tem para oferecer, que o Tucunaré Recheado com Suflê de Palmito se tornou um dos maiores sucessos servidos no restaurante. Karina descobriu as maravilhas da cozinha observando o trabalho da avó, e hoje, aos 36 anos, se destaca como um dos grandes nomes da culinária regional quando o assunto é inovação. Com cursos de aperfeiçoamento pelo Brasil e também na Flórida e em Chicago, a chef ganhou fama ao trazer toques de sofisticação à gastronomia típica paraense, sempre partindo da variedade de ingredientes que a região oferece. “A culinária paraense é a mais completa e a mais brasileira de todas. Neste caso, o céu é o limite, porque temos uma variedade muito grande de texturas e sabores. Até pratos típicos podem ganhar nova roupagem dentro da cozinha contemporânea, sempre agregando qualidade ao paladar”, afirma a chef. A receita do Tucunaré Recheado encanta não só pelo aroma e sabor, mas também pelo visual. E é sobre o cuidado de desossar o peixe que está um dos grandes segredos deste prato. ”O tucunaré é servido 100% desossado. A idéia,

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Além de delicioso, o tucurnaré com recheio de palmito é um prato que se presta aos mais diversos tipos de acompanhamentos. Do tradicional arroz de jambú até cremes, e massas. Besides being delicious, heart-of-palm-filled ‘tucunaré’ is a dish that goes very well with several types of side orders, from the traditional ‘jambu’ rice to pasta and cream.

então, é abrir o peixe por cima, limpar, temperar e fazer dele um recipiente para o suflê. Para isso, tem que ter todo o cuidado na hora de retirar as espinhas para não desmontar esta estrutura”, orientou. Quem está de olho na balança também pode se render sem culpas a este delicioso prato. Além de saboroso, o Tucunaré Recheado com Suflê de Palmito é leve e de fácil digestão. “É um prato maravilhoso, que além de ser gostoso, é leve e nutritivo. É um prato diferente que pode ser ao mesmo tempo simples e sofisticado”, explica. A chef revela ainda que o prato é muito fácil e rápido de preparar. São cerca de 40 minutos de preparo. “Não tem muito mistério, qualquer pessoa pode fazer. Primeiro a gente prepara o peixe como se fosse um recipiente, faz o suflê de palmito e coloca no centro. Depois é só decorar o prato com saladas”, ensina. Como se faz com qualquer peixe, na hora de escolher o tucunaré Karina aconselha aos iniciantes no universo gastronômico a ficarem atentos para algumas características de conservação do produto, como olhos límpidos, guelras vermelhas e as escamas do peixe, que não podem estar soltas. O palmito também deve ser de boa procedência, orienta a chef. Para quem não gosta de palmito, o tucunaré pode ser acompanhado de outros tipos de suflês, como os de espinafre, milho, queijo, cogumelos, couve-flor ou o de brócolis. “A variedade é muito grande, basta experimentar, e aqui na região ingredientes é que não faltam”, afirma Karina Contente. L 61

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COMO SERVIR

How to serve

Como é um prato leve, o Tucunaré Recheado com Suflê de Palmito vai bem tanto no almoço como no jantar, segundo as dicas da chef do restaurante Spazzio Verdi, Karina Contente. De entrada, pode ser servido um belo prato de saladas verdes e como acompanhamento uma porção de arroz branco ou temperado com jambu. Um pirão escaldado de caldo de peixe, açafrão ou purê de batatas também faz uma apetitosa parceria. Para brindar, um bom vinho branco, de sua preferência. E para completar esta mesa que reúne ingredientes da rica e autêntica culinária paraense, um sorvete de frutas regionais, como o cupuaçu, açaí ou tapioca, de sobremesa. Delicie-se sem culpa!

Since it is a light dish, the Heart-of-Palm Souffléstuffed Tucunaré is a good order for lunch as well as for dinner, according to the tips from Spazzio Verdi’s Chef, Karina Contente. As a starter, a nice dish of green salad can be served and a dish of rice, either white or seasoned with ‘jambu’ (a regional vegetable), is good side dish. A portion of manioc mush with fish broth, saffron or mashed potatoes are also delicious side orders. A good white wine is the best option. And the ideal dessert for this complete authentic and rich table of the cuisine of Pará is a bowl of regional fruit ice cream (‘cupuaçu’, ‘açaí’ or ‘tapioca’). Help yourself and enjoy it!

flavors

RIVER flavor

Featuring a large variety of ingredients and combinations, the cuisine of Pará has always highlighted the fish. The Heart-of-Palm Soufflé-Stuffed Tucunaré, created by Chef Karina Contente, added to one of the most consumed fish in this region a new flavor through a light, simple, at the same time sophisticated, recipe.

T

he course of the Amazon basin waters to the sea crossing

And by trying the wealth that the Amazon has to offer, the

Those who are keeping an eye on the tip of the scale can

the entire State of Pará is not only one of the world’s most

Heart-of-Palm Soufflé-stuffed Tucunaré became one of the

also surrender to this delicious dish without being sorry for it.

enchanting natural sceneries, it is also the starting point to a

greatest hits served at that restaurant.

Besides being delicious, the Heart-of-Palm Soufflé-stuffed Tu-

fantastic gastronomic route. These rivers tell centuries of the

Today the young chef, who unveiled the wonders of regional

cunaré is light and of easy digestion. “It is such a wonderful

history and culture of a people that learned that the mixture of

cuisine by observing her grandmother, stands out as one of the

dish that, besides being delicious, is light and nutritious. It is a

colors, scents and flavors of the region’s fauna and flora can

great names of the regional cuisine when it comes to innova-

different dish that can be simple and sophisticated at the same

make unique, refined, contemporary dishes.

tion. Having taken advanced courses throughout Brazil as well

time”, Karina explains.

The largest river in the world, the Amazon River, supplies

as in Florida and Chicago, Karina got the fame of adding touch-

She also reveals that this dish is very easy and quick to be

the raw material for a cuisine that is essentially marked by

es of sophistication to the typical Paraense gastronomy always

made – about 40 minutes. “It has no mystery. Anyone can make

indigenous references. Such fish as the ‘tucunaré’ and the

using the variety of ingredients available in the region.

it. First, the fish is prepared as if it were a type of plate; then,

‘filhote’ (a catfish), and crustaceans such as the pink shrimp

“The Paraense cuisine is the most complete and the most

you make the heart-of-palm soufflé and put it in the middle

are always present on the table of the people of Pará. The river

‘Brazilian’ of all. In this case, the sky is the limit, for we have

of the fish. After that, all you have to do is decorate the dish

banks supply the typical fruit such as ‘cupuaçu’, ‘taperebá’ and

a great variety of textures and flavors. Even the typical dishes

with salad.”

‘bacuri’ as well as the heart-of-palm from the ‘açai’ palm tree

can get into something new in the contemporary cuisine, always

and the Pará-nut (also known as Brazil-nut), in addition to the

adding quality to the flavor”, she says.

many herbs, roots and condiments that make of the local cuisine one of the most diversified and authentic the world over. So much variety allows for not-so-obvious combinations. The traditional roast tucunaré, for instance, received a con-

Just like with any other fish, Karina says to the beginners to the universe of gastronomy that selecting the right tucunaré

The recipe for Stuffed Tucunaré is enchanting not only for

requires attention, especially regarding some characteristics

the scent and flavor, but also for the looks it brings to the table.

such as conservation of the fish, clear eyes, reddish gills and

And one of the greatest secrets of this dish is how to remove the

the scales of the fish, which cannot be loose. The heart-of-pal

bones of the fish.

must also be of good precedence, she states.

temporary touch thanks to skilled hands of 36-year-old Chef

”The Tucunaré is served 100% bone-free. The idea, then, is

If you do not like heart-of-palm, the Tucunaré can be served

Karina Contente, who is in charge of the menu of one of the

to cut the fish open from the top, clean it, season it and make

with other types of soufflé such as spinach, corn, cheese, mush-

most traditional restaurants in Belém, the Spazzio Verdi. Karina

a sort of plate out of it in order to put the soufflé. That’s why we

room, cauliflower or broccolis. “It’s a great variety. Just try it.

put together the tender texture of this species of fish and the

have to be careful when removing the bones not to disassemble

And here in the Amazon region the ingredients are abundant”,

indefectible flavor of heart-of-palm.

this structure”, she adds.

Karina Contente states.

L

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anĂşncio sol

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artigo Zildinha Sequeira*

AMORO CIDADE uando Manoel Bandeira, em 1928, escreveu os versos “Bembelelém, viva Belém! Nortista gostosa eu te quero bem”, parecia estar vaticinando que o bem-querer pela cidade e pelas pessoas estaria presente de forma marcante na cultura paraense, em todas as suas formas. Tanto isso é verdade que temos por hábito nos tratar por “mano” - e a relação entre irmãos costuma ser mais duradoura na vida de qualquer pessoa... Com um jeito bem paraense de ser, cultivamos uma relação de parentesco com os conhecidos e amigos, criando uma fraterna e amorosa rede de relações. Belém é a porta de entrada da Amazônia brasileira. Aqui se misturam aromas, cores, sons, sabores e amores num alegre porto de afetividade. A fala é cheia de nomes indígenas. A gastronomia é inigualável, com ingredientes mágicos que fazem acordar o corpo (tacacá, maniçoba, pato no tucupi). As mangueiras emolduram as ruas e formam um túnel romântico. A chuva boa e criadeira, que cai o ano inteiro, traz o frescor da noite, lava a alma e prepara a terra para o crescimento de frutas exóticas e flores tropicais. Nossa Senhora de Nazaré, padroeira da cidade, nos protege com seu manto e arrasta, no segundo domingo de outubro,

Q

hen the famous Brazilian poet Manoel Bandeira

W

wrote the verses “Bembelelém, viva Belém! Nor-

tista gostosa eu te quero bem”, in 1928, he seemed to be foretelling that the appreciation for the city and its people would be remarkably present in the culture of the State, in all of its forms. It is so true that we have the habit of calling each other “mano” (‘bro’) – and the relationship between brothers and sisters uses to be more enduring in the life of anyone... And with our own ‘Paraense’ way, we nourish a close relationship with acquaintances and

mais de 2 milhões de pessoas, vindas do mundo inteiro para participar da mais tradicional festa religiosa da cidade – o Círio de Nazaré. Bandeiras vermelhas enfeitam a cidade demarcando os pontos de venda de açaí. O sol aquece o nosso coração e o calor atrai as pessoas para o amor. A música marcante e cadenciada transpira sensualidade e emoção. A Baía do Guajará nos banha e a beleza está em toda parte. Ainda conservamos o hábito de dormir a sesta, de tomar banho de cheiro cheiroso, de mergulhar nos igarapés, de nos encantar com botos e iaras, de sermos “mundiados” pela lua e nada é mais paraense que falar “égua”, às vezes como interjeição, outras como vírgula... Somos um povo festeiro, que gosta de jogar conversa fora, que compartilha risos e afetos; que vive uma solidariedade terna e sempre acolhe as pessoas na sua casa, não economizando alma, carinho e aconchego. Como disse Mário de Andrade “... quero Belém como se quer um amor. É incrível o amor que Belém despertou em mim...” Belém tem jeito, sabor e cheiro de amor. Vem nos visitar... assim poderemos te chamar de mano!

friends, thus creating a brotherly and affectionate relationship network. Belém is the gateway to the Brazilian Amazon. Here, scents, colors, sounds, flavors and love mix in a merry port of affection. Our talk is full of indigenous words. The gastronomy is unique, with magic ingredients that awaken the body (‘tacacá’, ‘maniçoba’, ‘pato no tucupi’– our most famous typical dishes). The mango trees frame the streets and make up a romantic tunnel. The good rain that falls all year long refreshes the nights, washes the soul and prepares the land for growing exotic fruit and tropical flowers. Our Lady of Nazareth, the patroness Saint of the city, protects us with its cloak and gathers over two million people from virtually everywhere in the world on the second Sunday in October to celebrate the city’s most traditional religious event – the Círio de Nazaré procession. Red flags adorn the city to spot the places where ‘açai’ is sold. The sun warms our hearts and the heat calls people for love. The remarkable and rhythmic music exhales sensuality and emotion. The Guajará Bay bathes us and beauty is everywhere. We still preserve the habit of taking a nap after lunch, bathing with exotic fragrant baths, swimming in the bayous and get enchanted by the dolphins (locally known as ‘botos’) and ‘iaras’ (a folkloric figure), being moonstruck, and nothing is more typical of Pará than saying “égua”, usually as an exclamation. We are a party-going people who love to yak, share the laughter and affection; we live an eternal tender solidarity and are warm enough to welcome people to our homes. Like Mário de Andrade said, “... I want Belém as one wants a loved one. The loving Belém provoked in me is incredible...” Belém has the way, scent and taste of love.

* Zildinha Sequeira é psicóloga

Come and visit us... so we can call you ‘mano’! * Zildinha Sequeira is a psychologist

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ponto de vista

HANGAR AMAZÔNIA

Foto: João Ramid

é entrada para turismo de negócios na

texto: Renata Ferreira

Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia é um exemplo para o País e um dos melhores da América Latina”. A declaração é de Margareth Pizzatto, presidente da Associação Brasileira de Centros de Convenções e Feiras (Abraccef), que reúne os 53 principais centros de convenções e exposições do País. Segundo Margareth, o Hangar, com área construída de 23 mil metros quadrados, reúne facilidade de acesso, infra-estrutura adequada (12 salas multiuso, auditórios, bilheterias, guarda-volumes, sala de imprensa, praça de alimentação, áreas administrativas e estacionamento com 800 vagas), beleza e ousadia nos projetos arquitetônico e paisagístico, incluindo uma área externa recoberta de exemplares de espécies da flora amazônica. “O Hangar detém uma das melhores tecnologias disponíveis no mundo, é o mais moderno e funcional espaço de eventos do País”, afirma. O centro de convenções paraense faz parte do grupo de equipamentos de pequeno, médio e grande porte destinado a eventos que, nos últimos 15 anos, significaram um investimento de cerca de R$ 3 bilhões. Algo que se justifica pela importância que esses centros têm assumido no incremento da economia das cidades. Um índice interessante para verificar isso são

O

os números do segmento de turismo de negócios no Brasil e no mundo. De acordo com a Abraccef, essa vertente do turismo deve movimentar atualmente, no Brasil, cerca de R$ 4 bilhões. A média de participantes de eventos de negócios por ano no País é de nove milhões e o gasto médio deles é de R$ 325 por dia. Por essa razão, para a presidente da Abraccef o turismo de negócios é um dos grandes impulsionadores da economia mundial. Muito mais até do que o turismo de lazer. “O turista de eventos se hospeda em hotéis, gasta mais e pede nota fiscal. Ao contrário de quem viaja para passear que, em geral, se hospeda na casa de amigos e parentes e prefere economizar em restaurantes e bares”, diz. Dessa forma, o turismo de negócios contribui de forma relevante para a geração de emprego e renda, ao desencadear uma série de serviços, como hotéis, restaurantes, bares, salões de beleza, assessorias de imprensa e fotógrafos. De acordo com a Abraccef, para cada turista do segmento de negócios são gerados quatro empregos diretos e indiretos. Vale acrescentar a esse número a estimativa de 82 mil eventos realizados por ano no Brasil, sendo que só nos centros associados à Abraccef são feitos uma média de 17,5 mil ao ano. Em 2006, a média de público desses eventos chegou a 28 milhões de

pessoas. “Mas muitos eventos internacionais deixam de vir para o Brasil porque a malha aérea ainda é muito acanhada”, revela Margareth Pizzatto. O que mais movimenta os centros de convenções são os congressos técnico-científicos e ações culturais (feiras de artesanato, shows, etc). Porém, segundo Margareth, nada impede que na baixa temporada de eventos, como nas férias escolares, os eventos sociais façam parte da pauta. Assim como Belém, outras cidades do País fora do eixo Rio-São Paulo têm sido consideradas potenciais pólos do turismo de negócios, a exemplo de Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Uberlândia (MG), Maringá (PR) e São José do Rio Preto (SP). Belém, no entanto, impressionou Margareth pela diversidade dos segmentos de turismo que a cidade pode explorar, como o ecológico, histórico-cultural, de lazer, religioso e de negócios. “Belém tem apelo turístico internacional e está se preparando cada vez mais para receber o visitante. O que a cidade precisa é contar com maior número de vôos e de uma política para captação de eventos mais agressiva, assim como um marketing turístico mais profissional e efetivo. Mas percebo que ações desse tipo começam a ser executadas. A inauguração e a administração eficiente do Hangar são exemplos disso”, afirma. L

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O turista de eventos gasta muito mais e pede nota fiscal. Ao contrário de quem viaja para passear, que se hospeda na casa de amigos e prefere economizar em bares e restaurantes ess

Foto: divulgação

point of view

HANGAR IN THE AMAZON the gateway for tourism and business

H

angar – Conventions and Fair Center of the Amazon is a model for the country and one of the best of its kind in Latin

Thus, business tourism adds up in a more significant way

America. This was a statement by Margareth Pizzatto, presi-

to employment and revenue generation by setting off a series of

dent of the Brazilian Conventions and Fair Centers Association

services such as hotels, restaurants, bars, beauty parlors, stand

(Abraccef), which comprises the country’s 53 main convention

installation, press advisory and photographers.

and exhibit centers.

According to Abraccef, for each tourist in the business seg-

According to Margareth, Hangar, with a 23-thousand-

ment, four direct and indirect job vacancies are opened.

square-meter built-up area, features easy access, suitable in-

It is worth adding to this figure the estimate for 82 thousand

frastructure (12 multi-purpose rooms, auditoriums, box offices,

events held in Brazil every year. Only at Abraccef’s member cen-

personal items check, press office, food court, administration

ters an average of 17,500 events are held annually. In 2006, the

rooms and an 800-vacancy parking lot), beautiful and bold ar-

average public attending such events reached 28 million people.

chitectonic designs and landscaping, including an external area

“However, many international events do not come to Brazil be-

covered with many species of the Amazon flora. “Hangar holds

cause of our rather restricted air transport system”, Margareth

one of the best technologies available in the world, besides be-

Pizzatto states.

ing the most modern and functional in the country”, she says.

Th The T tourist attending events spends more and requests invoices. Differently from those traveling for leisure, who usually stays at a friend’s home and is more likely to save money rather than spending in restaurants and barss

restaurants and bars”, she says.

The types of events the mostly get the convention centers

The conventions center of Pará is part of the group of small-,

busy are the cultural (handicraft fairs, shows etc.), and techni-

medium- and large-sized centers intended for holding events

cal and scientific ones. Nevertheless, according to Margareth,

which in the past 15 years accounted for an investment of

nothing stops the convention centers from holding social events

roughly R$ 3 billion. This is justified by the importance of these

in the off-peak season, like during school vacations.

centers in fostering the economy in the cities where they are located.

Just like Belém, other cities in the country, except Rio de Janeiro and São Paulo, have been considered as potential cen-

An interesting index to prove that is the figures of the business tourism in Brazil and the world. According to Abraccef, this

ters for business tourism such as Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Uberlândia (MG), Maringá (PR) and São José do Rio Preto (SP).

branch of tourism in Brazil shall have a turnover of around R$ 4

Belém, however, has impressed Margareth for the diversity

billion. The average of participants in business events per year

of tourist segments the city is prone to exploit, which include

in the country is nine million and the average spending for this

the ecological, historical and cultural, leisure, religious and

type of tourist is R$ 325,00 per day.

business. “Belém has an international tourist appeal and it has

For that reason, for Abraccef’s president, business tourism

been preparing itself more and more to welcome the visitors.

is one the largest drivers of worldwide economy, much more

What this city need is more flights and a more aggressive policy

than leisure tourism. “The tourist attending events stays at ho-

oriented to attracting events, like a more professional and effec-

tels, spends more and requests invoices. Differently from those

tive tourist marketing. But, I see that actions towards this are

traveling for leisure, who usually stays at a friend’s or relative’s

starting. The opening and efficient administration of Hangar are

home and is more likely to save money rather than spending in

an example of that”, she asserts.

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economia

HANGAR amplia NEGÓCIOS texto: Renata Ferreira

Em sua oitava edição, a Feira da Indústria levou cerca de 35 mil pessoas ao Hangar

inte e cinco eventos. Este foi o saldo do Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia nos meses de maio, junho e julho, logo após sua inauguração e atraindo um público de aproximadamente 130 mil pessoas. A estimativa de custo dos contratantes do espaço na realização desses eventos é de R$ 6,585 milhões, mas a média de retorno foi até cinco vezes maior. As informações são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – Pará (Dieese-PA), que faz um estudo acerca das potencialidades econômicas do espaço. Segundo o supervisor técnico do Dieese-PA, o economista Roberto Sena, o convênio de cooperação técnica prevê o acompanhamento mensal das atividades do Centro de Convenções, o que resultará em uma pesquisa baseada em três enfoques: perfil dos contratantes dos serviços do Centro de Convenções pelo ramo de atividade exercida (Indústria, Comércio, Serviços); retorno financeiro do evento para o contratante e para o Governo do Estado, gestor da Organização Social que administra o espaço; e o grau de satisfação do contratante quanto à funcionalidade, infra-estrutura e serviços oferecidos pelo Hangar. De acordo com Sena, o estudo ainda está na fase inicial. Por esse motivo, os números já divulgados referem-se a um pequeno balanço das atividades do Centro de Convenções nos seus primeiros meses de funcionamento. O estudo preliminar

V

mostra, por exemplo, que em maio, mês em que o Hangar foi inaugurado, seis eventos foram realizados no espaço, com uma estimativa total de 45.350 participantes. Para fazer esses eventos, os contratantes do espaço investiram aproximadamente R$ 2,066 milhões. “Constatamos com o estudo que o retorno financeiro para quem promoveu os eventos nesses três meses foi até cinco vezes mais do que o valor investido, dependendo do tipo de evento”, afirma o supervisor técnico do Dieese-Pa. Em maio, o evento de maior destaque foi a Feira das Indústrias do Pará - FIPA, vitrine da indústria paraense, na qual os expositores dos mais variados setores têm a oportunidade de apresentar ao público, e às outras empresas, os seus produtos e serviços como pescado beneficiado, móveis em madeira e jóias em ouro e prata.. Promovida pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), a oitava edição da feira, com duração de quatro dias, atraiu um público de aproximadamente 35 mil pessoas. No mês de junho, o Hangar foi o local escolhido para abrigar 14 eventos, que atraíram cerca de 63.718 pessoas. A estimativa total de custo dos contratantes para promover os eventos foi de R$ 1,342 milhão. A II Frutal da Amazônia/VII Flor Pará foi o maior evento promovido nesse mês, com público de 32 mil pessoas e volume de negócios de aproximadamente R$ 40 milhões, segundo o Insti-

tuto Frutal, um dos coordenadores do evento. Em relação ao ano passado, a Frutal deste ano teve um aumento no número de negócios de cerca de 100%. Nos quatro dias do evento, 240 palestrantes e 800 agricultores familiares vindos de mais de 100 municípios do Estado passaram pelo Hangar, além dos visitantes. Em julho, o Hangar foi palco de cinco eventos que tiveram custo estimado em R$ 3,177 milhões e reuniram aproximadamente 20,4 mil pessoas. O destaque foi a 59ª Reunião Anual da SBPC, com público estimado de 15 mil visitantes. Segundo o estudo, do ponto de vista do volume de negócios gerados nos eventos, a maioria dos entrevistados avaliou o Hangar de ótimo a excelente. Quanto à funcionalidade e beleza do espaço, a avaliação ficou entre bom e excelente. A estrutura logística do espaço foi classificada de boa à ótima. Em um segundo momento do trabalho, Roberto Sena informa que a pesquisa será ampliada. Vai avançar no sentido de demonstrar como os eventos realizados no Centro de Convenções estão movimentando a cadeia econômica do turismo de negócios na cidade, a exemplo da ocupação de hotéis, freqüência de bares e restaurantes e aumento das corridas de táxi. “Esse trabalho de avaliação será contínuo, à medida que novos eventos e serviços forem surgindo, como a provável instalação de uma cozinha industrial no Centro de Convenções”, adianta. L

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Os números do Hangar nos primeiros 4 meses de funcionamento Mês

Qtdade

Maio

6

Junho Julho

público

Investimento

Destaque

45.350 pessoas

R$2

Feira da indústria

14

63.718 pessoas

R$1,3

5

20.400 pessoas

R$3,1

milhões

milhões

milhões

2ª Frutal da Amazônia 59ª Reunião anual da SBPC

Hangar figures in its first 4 months of operations Mounth Qty. of events Attendance

Investment

Highlights Industries Fair

May

6

45.350 people

R$2

June

14

63.718 people

R$1,3

July

5

20.400 people

R$3,1

million

million

million

2nd Frutal da Amazônia 59th Annual SBPC Meeting

A STUDY SHOWS

that the Hangar Conventions Center increases the amount of business at

THE EVENTS In May, June and July, 25 events were held at the Hangar – Conventions and Fair Center of the Amazon, attract-

opened, six events were held there at as estimated attendance of 45,350 visitors.

of the coordinators of the event. In comparison to last year’s event, this year’s Frutal had

ing approximately 129,468 people. The cost estimate by the

In order for these events to be held, the parties contract-

an increase in the amount of business by about 100%. Dur-

participating parties of these events is R$ 6.585 million. The

ing the Center invested roughly R$2.066 million. “We could

ing the four days of the event, 240 lecturers and 800 family

information is provided by the Statistics and Socio-Economic

verify through the study that the financial return for those who

agriculturalists from more than 100 municipalities in Pará

Studies Institute of Pará (Dieese-PA), which was hired by the

promoted the events was up to 5 times higher than the amount

participated in the event, in addition to the visitors.

administration of the Conventions Center to perform a study of

invested, depending on the type of event”, Dieese-PA’s Techni-

the economic potentials of the place.

cal Supervisor says.

In July, Hangar was the stage to five events that had an estimated cost of R$ 3.177 million and were attended by ap-

According to the Technical Supervisor of Dieese-PA, Ro-

In May, the largest event was the Pará State Industries

proximately 20,400 people. The highlight was the 59th An-

berto Sena, this study is a result of a technical cooperation

Fair (FIPA). This fair is a show widow for the State’s industries,

nual SBPC Meeting, which had an estimated attendance of

agreement between Hangar and Dieese-PA to follow on the

where exhibitors from all sectors have the chance to intro-

15 thousand visitors.

monthly activities of the Conventions Center, resulting in a

duce themselves and their products and services ( such as

According to the study, from the viewpoint of business vol-

survey based upon three focuses: the profile of the parties

processed fish, wooden furniture and gold and silva jewelry)

ume generated in the events, the majority of the people inter-

contracting the Conventions Center by sector (industry, com-

to the public and to other companies. Promoted by Pará State

viewed rated Hangar as excellent and very. As for the function-

merce, services); the financial return on the investment for the

Industries Federation (FIEPA), the eighth edition of the fair,

ality and beauty of the place, it was rated good to excellent. Its

contracting party and for the State Government, which is the

which lasted four days, attracted a public of approximately

logistics structure was rated good to very good.

manager of the Social Organization managing the place; and

35 thousand.

the level of satisfaction of the contracting party as to the functionality, infrastructure and services provided for by Hangar.

At a second moment in the study, Roberto Sena says that

In June, Hangar was the place selected to hold 14 events,

the survey shall be expanded. It shall evolve towards demon-

which attracted approximately 63,718 visitors. The over-

strating how the events held at the Conventions Center are

According to Sena, this study is still in the early phase.

all cost estimate for the contracting parties to promote the

influencing the city’s business tourism economic chain on the

For this reason, the figures included in this report refer to

events was R$ 1.342 million. The II Frutal da Amazônia/VII

basis of hotel occupation, bars and restaurants attendance,

a minor balance of the activities carried out at the Conven-

Flor Pará was the largest event held this month with an at-

and increase in taxi rides. “This assessment will be continu-

tions Center in its first months of work. The preliminary study

tendance of 32 thousand visitors and a volume in business of

ous as the new events and services come up such as the likely

shows, for instance, that in May, the month Hangar was

approximately R$ 40 million, according to Instituto Frutal, one

opening of a restaurant at the Conventions Center”, he adds. L

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conheça o Hangar

m dos maiores centros de convenções do País. É neste seleto grupo que o Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia está situado. Com uma área total de 63 mil metros quadrados e 24 mil metros quadrados de área construída dividida em dois pavilhões, o Hangar possui uma estrutura totalmente adaptada para receber feiras, congressos, convenções, encontros, seminários, simpósios e exposições nacionais e internacionais. Seu projeto arquitetônico é totalmente in-

U

tegrado à natureza e dispõe de avançada tecnologia, com total cobertura de internet sem fio (wireless). No Hangar 1, são 12 mil metros quadrados divididos entre a área de exposições, que pode abrigar até dois eventos simultâneos, com suporte logístico independente, e entre as 12 salas multiuso do piso superior (com 78, 48 ou 38 lugares), usadas para oficinas, cursos, etc. No Hangar 2, o auditório central tem capa-

cidade para receber 2.160 pessoas e pode ser transformado em até oito auditórios menores por meio de divisórias móveis. Além disso, o Hangar tem uma completa estrutura de apoio, com guarda-volumes, sala de imprensa, praça de alimentação com capacidade para 850 lugares e para servir até 2 mil refeições por hora, e estacionamento com 800 vagas. Em quatro meses de funcionamento, o Hangar recebeu 72 eventos e recebeu uma média de 300 mil pessoas.

4

3

1

2

get to know ne of the country’s greatest conventions centers. The

Its architectural design is fully nature-integrated and

At Hangar 2, the main auditorium seats 2,160 people

Hangar – Conventions and Fair Center of the Amazon

features advanced technology and wireless internet cover-

and can be divided into 8 smaller auditoriums by means

– is part of this select group. With an overall area of 63

age. At Hangar 1,12 thousand square meters are divided

of movable partition walls. Besides this, the Hangar offers

thousand square meters and 24 thousand square meters

among exhibit area, which can hold up to two events si-

a complete supporting structure with a cloakroom, press

of built area divided into two pavilions, the Hangar fea-

multaneously with independent logistic support, and 12

room, a food court with 850 seats that has a capacity to

tures a perfectly adapted infrastructure for fairs, con-

multi-purpose halls ( with 78, 48 or 38 seats) on the up-

serve up to 2 thousand meals per hour, and a parking lot

gresses, conventions, meetings, seminars, symposiums

per floor, which can be used for workshops, lectures and

for 800 cars. In four months of work, the Hangar has held

and national and international exhibits.

courses.

72 events, with an attendance of 300 thousand people.

O

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1 Área de feiras e exposições

2 Sala multiuso

3 Praça de alimentação

4 Auditório

75

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por dentro

térreo ground floor

Entrada pela Avenida Dr. Freitas

1

Dr. Freitas Ave entrance 2

1) O Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia possui 24 mil metros quadrados de área construída divididas em dois pavilhões – Hangar 1 e Hangar 2 - com 12 mil metros quadrados cada. No térreo do Hangar 1, a área de feiras e exposições não possui pilares, o que garante um espaço mais versátil e a possibilidade da realização de até dois eventos ao mesmo tempo, com suporte de água, luz e telefone independentes. O projeto paisagístico valoriza a natureza local e a opção pelo uso de vidros importados na estrutura externa permite a transparência total em todos os horários e a diminuição do consumo de energia elétrica e bloqueio de raios UV. 2) O Hangar 1 tem 9 mil metros quadrados de espaço e comporta até 192 estandes para exposições e feiras. Além disso, possui mais 12 salas multiusos, o que garante a possibilidade da realização de até dois eventos simultâneos no espaço. 3) Além de toda tecnologia, o Hangar também garante todas as condições de conforto. No Hangar 2, está localizada a praça de alimentação com capacidade para 850 lugares e atendimento de 2 mil refeições por hora. 4) No Hangar 2, está localizado o maior auditório do Centro. Com 1.880 metros quadrados e capacidade para até 2.160 lugares, é modulável e pode ser dividido em até oito auditórios, todos com sala vip para os palestrantes e isolamento acústico. O segundo pavilhão conta ainda com salas de apoio técnico e suporte para tradução simultânea, som e iluminação.

térreo ground floor 3

4 1º andar 1 th f l o o r

inside the Hangar 1) Internally, the Hangar Conventions and Fair

ported glass making up the external structure of

exhibitors remain at the Center. The food court is

Center of the Amazon has 24 thousand square me-

the Center allows for full transparency at any time

located at Hangar 2. It has a capacity for 850 seats

ters of built area divided into two pavilions– Han-

and power consumption reduction and provides for

and 2,000 meals per hour.

gar 1 and Hangar 2 – each measuring 12 thousand

UV-ray ban.

4) Hangar 2 features the Center’s largest au-

square meters. On the ground floor of Hangar 1, the

2) Hangar 1 has 9 thousand square meters and

ditorium, which has 1,880 square meters and can

Events Hall has no pillars, thus ensuring a more

accommodates up to 192 stands for exhibits and

seat up to 2,160 people. It can be divided into up to

versatile space and the possibility for two fairs to

fairs, in addition to more than 12 thousand multi-

8 smaller auditoriums with VIP rooms for lecturers

be held simultaneously and offering independent

purpose rooms.

and sound insulation. The second pavilion also has

water, lighting and telephone support. The land-

3) Besides all this technology, the Hangar also

scaping project values local nature and the im-

provides for excellent comfort while visitors and

technical support room and the infrastructure for simultaneous interpreting, sound and lighting.

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localize-se O Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia (1) é a porta de entrada para a realização de negócios na Amazônia. Com estrutura ampla, e equipado com os mais modernos recursos para a realização de eventos, está situado em posição estratégica em Belém, na Avenida Doutor Freitas, no bairro do Marco, com acesso aos principais corredores de trânsito da cidade e próximo dos principais pontos turísticos. O espaço está a dez minutos do Aeroporto Internacional de Val-de-Cães (2) e do Terminal Ro-

doviário de Belém (3). Em menos tempo, chega-se aos 150 mil metros quadrados de mata nativa do Bosque Rodrigues Alves (4). A menos de vinte minutos do Hangar chega-se à orla da cidade, às margens da Baía do Guajará, onde estão outros dos principais pontos turísticos: a Estação das Docas (5), complexo de bares, restaurantes e teatro; aos prédios históricos que remontam à fundação de Belém (6) e ao conjunto de obras do arquiteto italiano Antônio Landi, transformados num circuito de museus, e

ao Mangal das Garças (7), parque ambiental com aves e flora nativa. Afastando-se um pouco do rio, há os corredores de mangueiras que levam até a Praça da República e a um dos símbolos da Belle Époque no Pará, o Theatro da Paz (8). Outros pontos referenciais são a Basílica de Nossa de Nazaré (9) e seu entorno; a Praça Batista Campos (10), com grandes jardins, fontes e coretos de ferro; e o Museu Paraense Emílio Goeldi (11), responsável pelos maiores acervos de flora, fauna e arqueologia amazônicas.

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7

5

8 2 10

9 11

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1 4

Map of Tourist Attrantions

restaurants and theater; the historical buildings dating back

Hangar Conventions and Fair Center of the Amazon (1) is

to the foundation of Belém (6) and feature the works of Italian

the gateway to business in the Amazon. With its large structure

architect Antônio Landi, which were changed into a circuit of

equipped with the most modern resources for holding events,

museums; and the Mangal das Garças (7), an environmental

Hangar is strategically located in Belém. It provides access to

park featuring native flora and fowls.

the city’s main traffic ways and tourist attractions.

A little further from the waterfront, you can see the cor-

It is 15 minutes by car from Belém’s Val-de-Cães Inter-

ridors of mango trees leading to República Square and to one

national Airport (2) and Bus Station (3). Even closer, is the

of Pará’s Belle Époque symbols, the ‘da Paz’ Theater (8). Other

150-thousand-square-meter area of native forest of Bosque

reference sites to see are: the Basilica of Nazareth (9), the Ba-

Rodrigues Alves (4), a must-see tourist site.

tista Campos Square (10) with its beautiful gardens, fountains

Less than half an hour by car from Hangar is the water-

and bandstands made of iron; the Emílio Goeldi Museum (11),

front of Belém, at the Guajará Bay, where other major tourist

featuring the largest collections of Amazon flora, fauna and

attractions are located: the Dock Station (5), a complex of bars,

archeology.

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porta-retrato

Roberto Carlos

Elza Soares

Belém Fashion Days Iguatemi

Roberto Carlos cantou seus maiores sucessos no Hangar, junto com a Orquestra RC9, no último dia 31 de agosto. Baseado do CD “Duetos”, o show empolgou a platéia paraense com clássicos como “Emoções”, “É Preciso Saber Viver” e “Detalhes”, que ele tocou ao violão. Houve espaço até para o famoso calhambeque de Roberto, numa versão inflável que ajudou a compor a cena do show. Mas o momento de maior emoção foi mesmo quando ele fez, ao piano, uma homenagem ao eterno amor, Maria Rita, cantando “Acróstico”.

Elza Soares mostrou toda sua vitalidade no show que realizou no dia 5 de setembro no Hangar, dentro da turnê do CD “Vivo Feliz” e do DVD “Beba-me”. No repertório, releituras de sambas que ficaram marcados na interpretação da cantora, considerada uma das divas desse gênero musical no Brasil. O show foi a primeira produção do próprio Hangar. Em duas horas sem deixar o palco, Elza abusou da sensualidade e do bom humor característicos, cantando músicas como “Malandro” e “A Carne”. O público respondeu gritando “maravilhosa”.

Entre os dias 10 e 12 de setembro, o Hangar virou palco da moda na quinta edição do Belém Iguatemi Fashion Days, que marcou o lançamento da coleção Primavera-Verão 2008 de mais de 25 lojas do shopping Iguatemi. Relacionando moda e consciência ambiental, foram realizados dois desfiles por dia. O evento reuniu cerca de dez mil pessoas para ver os looks apresentados por modelos como Carlos Casagrande, Rodrigo Hilbert, Paulo Zulu e Michelle Machri. O ator Gustavo Leão também foi um dos convidados especiais.

Roberto Carlos sang his greatest hits at the Hangar along with the RC9 Orchestra on the 31st of August. Based on his CD, “Duets”, the show thrilled the audience with classic hits such as “Emoções”, “É Preciso Saber Viver” and “Detalhes”, which he played acoustic. The climax of the show was his song “Acróstico”, played on the piano, in honor of his eternal love, Maria Rita.

Singer Elza Soares showed all her vitality on the September 5th show at the Hangar, in her CD “Vivo Feliz” and DVD “Bebame” tour. Her repertoire includes new versions of sambas that highlighted her history as a singer and made her a diva of this musical style in Brazil. This show was the first production by the Hangar itself. During this two-hour show, Elza abused of her characteristic sensuality and good mood while singing such songs as “Malandro” and “A Carne”. The audience responded to it by yelling “wonderful”.

Between September 10th and 12th, the Hangar was under the spotlight of fashion as the fifth edition of the Belém Iguatemi Fashion Days was held, which launched the 2008 Spring-Summer collection by more than 25 shops of Iguatemi Shopping Center. Two shows a day combined fashion and environmental awareness. This event was attended by approximately ten thousand people who came to watch the new looks presented by such models as Carlos Casagrande, Rodrigo Hilbert, Paulo Zulu and Michelle Machri. Actor Gustavo Leão was also one of the special guests.

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Direitos Humanos Temas como pobreza, tratamento aos portadores de deficiência mental, intolerância religiosa, terra e trabalho escravo, foram discutidos durante a I Conferência Estadual de Direitos Humanos e Eqüidade Social. O evento aconteceu de 24 a 25 de maio. Na ocasião, a Governadora do Estado, Ana Júlia Carepa, aproveitou para destacar os esforços do Governo como a criação do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública e o do Centro de Combate à Homofobia. Such issues as poverty, treatment to individuals with special needs and mental diseases, religious intolerance, land and slavery were discussed during the I State Conference on Human Rights and Social Equality that was held on May 24th and 25. The State Governor, Ana Júlia Carepa, highlighted the efforts by the State Government such as establishing the Human Rights Center of the Public Defense and the Center for Fighting Homophobia.

Conferência das Cidades

Entrega da Bolsa Trabalho

Cerca de 650 representantes dos 143 municípios paraenses participaram de 19 a 21 de setembro da 3ª Conferência Estadual das Cidades. O evento, promovido pela Secretaria de Estado de Urbanismo (Sedurb), contou com a participação do Ministério das Cidades nos debates.

Cerca de 7,5 mil de Belém jovens participaram do evento de entrega do cartão provisório do Bolsa Trabalho, programa do Governo do Estado do Pará voltado à qualificação profissional e geração de renda. A cerimônia oficial foi transmitida por videoconferência para os municípios de Marabá e Santarém.

‘O Boticário’ completed 25 years of franchising in Belém. To celebrate this 25th anniversary, collaborators, partners and consumers gathered with the local management of O Boticário in a great party. The gala night was hosted by journalist Priscila Brandão and featured a show by singer Fafá de Belém.

Lobore magna acidunt augiam, sed eum aut vel ip et num zzrit auguerc ipsustis eugiam ea facipis ciliquat la feummy num aut praesse mod te el ipis num eugue volumsandrer am, velendigna faccum ipsusto odolumm odolobortio odolor si.

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1 Conferência de Cultura a

Desenvolver uma política cultural comprometida com interesses da população paraense, esse foi o objetivo da 1ª Conferência de Cultura do Estado do Pará, que aconteceu de 5 a 8 de julho. As discussões levantadas na Conferência nortearão a posição do Estado da Conferência Nacional de Cultura que acontecerá em Dezembro.

The 1st Pará State Conference on Culture was held on July 5th – 8th with the objective of developing a cultural policy committed to the interests of the State’s population. The discussions raised at this Conference shall guide the State’s position at the National Conference on Culture to be held next December.

Congresso de Feira da Odontologia Indústria

De 28 de junho a 1 de julho aconteceu o 8º Congresso Internacional de Odontologia da Amazônia. Com o tema saúde bucal, o evento atraiu centenas de profissionais e estudantes. Durante o Congresso aconteceram, respectivamente, o XI Congresso Paraense de Odontologia, o VIII Encontro de Odontologia Militar da Amazônia e o VIII Seminário de Fonoaudiologia da Amazônia.

A oitava edição da Feira da Indústria do Pará (Fipa) foi uma grande vitrine de negócios para a indústria paraense. Cerca de 100 expositores apresentaram seus produtos para um público de 35 mil pessoas, que ainda conferiu extensa programação artística. O evento, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), contou com a presença de autoridades do Estado e apresentou grandes projetos.

The 8th International Odontology Congress of the Amazon was held on June 28th through July 1st. This event was attended by hundreds of professionals and students and the theme was oral health. Other events took place during the Congress: the 11th Pará State Odontology Congress, the 8th Military Odontology Meeting of the Amazon, and the 8th Seminar on Speech-Language Pathology of the Amazon.

The 8th edition of Pará State Industries Fair (Fipa) was a great business showcase of the State’s industries. Roughly 100 exhibitors displayed their products for an attendance of 35 thousand people and also featured a great artistic programming. Several State authorities attended the event, where major projects were presented.

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Reunião anual Frutal Amazônia Outros da SBPC e Flor Pará eventos O Hangar abrigou a 59ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entre 8 e 13 de julho. Foram 45 conferências, 15 simpósios, 40 minicursos, 57 mesas-redondas e 22 encontros abertos que ajudaram a elaborar documentos que nortearão as ações da SBPC durante o ano.

A segunda edição da Frutal Amazônia e a 7ª Flor Pará levaram mais de 32 mil visitantes ao Hangar entre 19 e 23 de junho, além de 240 palestrantes e 800 agricultores familiares vindos de 100 municípios paraenses.

17/05 - Inauguração do Hangar 19/05 - Plenária Metropolitana do Planejamento Territorial Participativo 22 e 23/05 - Congresso Estadual de Informática 23 a 26/05 - VII Feira da Industria do Pará 2007 29/05 - Conferência das Cidades

The 59th Annual SBPC (Brazilian Society for the Progress of Science) Meeting was held at the Hangar on July 8th through 13th. The event featured 45 conferences, 15 simposiums, 40 mini-courses, 57 round tables and 22 open meetings, which helped prepare documents that shall guide SBPC’s actions throughout the year.

The second edition of Frutal Amazônia amd the 7th Flor Pará gathered more than 32 thousand visitors at the Hangar between the 19th and 23rd of June, in addition to the 240 lecturers and 800 small farmers from 100 municipalities of Pará State.

03 a 06/06 - XXVII Seminário sobre Grandes Barragens 10/06 - Encerramento do Festival Internacional de Música 11 a 13/06 - V Fórum Paraense de Software Livre 12 a 14/06 - Caravana Educacional 13 a 15/06 - XXIII Encontro de Dirigentes Sindicais Patronais do Comércio de Bens, Serviços e Turismo 15 a 17/06 -18° Convenção das Empresas Martins 15/06 - Posse da Federação das Associações de Municípios do Pará 15 e 16/06 - Grand Prix das Marcas 19/06 - Evento do Instituto de Desenvolvimento e Varejo 19/06 - 1° Encontro de Logística do Governo do Estado 29/06 - Festa Junina do Servidor 30/06 - Aniversário de 25 anos de O Boticário 3 e 4/07 - Assinatura do Plano Nacional de Educação 15-20/07 - III Congresso Brasileiro de Herpetologia 27 e 28/07 - 1º Workshop da Revista do Varejista 02 a 04/08 - VIII Conferência Municipal de Saúde 07/08 - Seminário “Propriedade Intelectual como Instrumento Estratégico para o Desenvolvimento Industrial e Tecnológico 08/08 - Evento corporativo Rodobens – palestra com Luiz Marins 10/08 - Encontro Regional sobre o Sistema de Acompanhamento da Freqüência Escolar do Programa Bolsa Família 16 a 19/08 – Feira Norte de Materiais de Construção (Fenormac) 17 e 18/08 – Encontro do Planejamento Territorial Participativo da Região Metropolitana de Belém 27/08 - Feira Vocacional “De Olho na Universidade” 30 a 01/09 - 4° Congresso Internacional sobre Formação de Professores e Prática Pedagógica 31/08 - Lançamento do Portal Transparência Pará 01/09 - Planejamento estratégico do Sindicato dos Publicitários do Pará 02/09 - Aula do projeto “Universidade para Todos” 05/09 - III Congresso Brasileiro do Movimento Dekassegui 06 a 09/08 - Amazônia Matsuri - Semana do Japão 06 a 09/09 - Congresso Brasileiro Rotariano 10 a 12/09 - Iguatemi Fashion Days 12/09 - Festa da Triton 13/09 - Palestra “Questões sobre Factoring” 15/09 - Congresso Geral do Partido Social do Estado 15 e 16/09 - Festa de San Genaro 16/09 - 1º Encontro de Geopolítica da Amazônia 23/09 - Palestra sobre Conflitos Agrários na Amazônia 26/09 - Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré e show de Danilo Caymmi 28/09 a 07/10 - Feira Pan-Amazônica do Livro

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Latitude

Latitude Hangar

ano 1 • nº 2 • fevereiro de 2008

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ano 1 • número 2 fevereiro de 2008

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Revista Latitude - 1  

Revista Latitude - - ano I - número 1 - setembro de 2007

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