Issuu on Google+

CENTRO UNIVERSITÁRIO FIEO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE

RACHEL KLEIN

ASPECTOS MORFOMÉTRICOS E BIOLÓGICOS DOS TUBARÕES DO GÊNERO Rhizoprionodon CAPTURADOS PELA PESCA NA COSTA BRASILEIRA

Osasco 2010


RACHEL KLEIN

ASPECTOS MORFOMÉTRICOS E BIOLÓGICOS DOS TUBARÕES DO GÊNERO Rhizoprionodon CAPTURADOS PELA PESCA NA COSTA BRASILEIRA

Projeto de pesquisa apresentado ao departamento de Ciências Biológicas e da Saúde do UNIFIEO para obtenção do título de bacharel em Ciências Biológicas.

Osasco 2010


AGRADECIMENTOS

Agradeço especialmente àqueles que contribuíram para a realização deste trabalho, seja com ensinamentos, sugestões e críticas, seja por espaço físico, seja com estímulo, com apoio e amizade. Ao meu orientador Professor Dr. Alberto Ferreira de Amorim, pelo incentivo e pela honra de ter recebido seus valiosos ensinamentos. Ao Professor Dr. Acacio Ribeiro Thomas, pela abertura das portas, pelas informações, sugestões, pela generosidade, pela crença no meu desenvolvimento acadêmico, por todas as conversas que tivemos e pela literatura fornecida a respeito da pesca e conservação dos tubarões. Ao Professor Dr. Otto Bismarck Fazzano Gadig, pelos e-mails trocados e a gentileza das dicas e informações. Ao Professor Dr. Ricardo Lopes Crispino, por todas as conversas que tivemos, os ensinamentos sobre tubarões, as dicas e o entusiasmo com meu trabalho. Ao Alexandre do NUPEC, pela paciência em me receber e me auxiliar na coleta dos dados. Aos funcionários do Instituto de Pesca, que me receberam com muito carinho. A minha mãe, Rebeca, por estar sempre me apoiando e sentindo orgulho da cria. Ao meu marido, Bernardo, por toda paciência, compreensão, força e carinho. Sem você eu não estaria onde estou.

A todos, muito obrigada!


Dedico Ă  minha mĂŁe, aos meus peludos e ao meu marido.


“Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar para os peixes pequenos, com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que nãomorressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres têm gosto melhor que os tristonhos. Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guelra dos tubarões. Ele saprenderiam, por exemplo, a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. A aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se inculcaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações. Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros. As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos, da outra língua silenciosos, seria condecorado comum a pequena ordem das algas e receberia o título de herói. Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelras seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelras dos tubarões. A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelras dos tubarões, sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali. Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Em resumo, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens” Bertold Brecht


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Principais medidas e estruturas dos tubarões....................................... 10 Figura 2 - Rhizoprionodon porosus........................................................................ 15 Figura 3 - R. porosus. Macho: 32 cm..................................................................... 16 Figura 4 - Distribuição mundial do R. porosus....................................................... 16 Figura 5 - R. lalandei. Fêmea: 35 cm..................................................................... 17 Figura 6 - Distribuição do R. lalandei na América do Sul...................................... 18 Figura 7 - Cações R. lalandei capturados em Itanhaém - SP................................ 19 Figura 8 - Regiões utilizadas na exploração econômica dos elasmobrânquios.... 20 Figura 9 - a) Pesca com espinel de superfície; b) Pesca com espinhel de fundo. 25 Figura 10 - Esquematização de um espinhel de fundo......................................... 26 Figura 11 - Detalhes da composição de uma rede de arrasto de fundo................ 27 Figura 12 - Rede de Arrasto de Fundo.................................................................. 28 Figura 13 - Arrastão de Praia................................................................................. 29 Figura 14 - Esquema de um segmento de rede de emalhe................................... 30 Figura 15 - Esquema das diferentes formas de flutuadores de poliestireno.......... 31 Figura 16 - Diferentes regiões do corpo em que o peixe pode ficar emalhado..... 32 Figura 17 - Caracterização do cerco...................................................................... 33 Figura 18 - Rede de cerco..................................................................................... 33 Figura 19 - Pesca artesanal na Praia de Itaguá em Ubatuba - SP........................ 34


Figura 20 - Exemplares de neonatos de R. lalandei capturados em UbatubaSP....................................................................................................... 35 Figura 21 - Alguns modelos que ser達o utilizados no projeto................................. 40


LISTA DE TABELAS

Tabela I - Chave para a família Carcharhinidae.................................................... 12 Tabela II - Chave para o Gênero Rhizoprionodon................................................. 13 Tabela III - Chave para as espécies do gênero Rhizoprionodon........................... 14 Tabela IV - Relação das áreas do litoral brasileiro inventariadas, das espécies do

gênero

Rhizoprionodon

coletadas,

petrechos

utilizados,

profundidades de captura e bibliografia correspondente.................... 23 Tabela V - Atividades desenvolvidas no projeto de pesquisa “Aspectos morfométricos e biológicos dos tubarões do gênero Rhizoprionodon capturados pela pesca na costa brasilleira” de janeiro de 2011 à abril de 2012....................................................................................... 44 Tabela VI - Orçamento de materiais permanentes para o desenvolvimento do projeto de pesquisa “Aspectos morfométricos e biológicos dos tubarões do gênero Rhizoprionodon capturados pela pesca na costa brasilleira”.................................................................................. 45 Tabela VII - Orçamento de material de consumo para o desenvolvimento do projeto de pesquisa “Aspectos morfométricos e biológicos dos tubarões do gênero Rhizoprionodon capturados pela pesca na costa brasilleira”.................................................................................. 46


LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

CEGPEG Coordenação Geral de Petróleo e Gás CEPENE

Centro de Pesquisa e Gestão de Recursos Pesqueiros do Litoral Nordeste

CEPSUL

Centro de Pesquisa e Gestão de Recursos Pesqueiros do Litoral Sudeste e Sul

DILIC

Diretoria de Licenciamento Ambiental do Ibama

FAO

Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação

IB

Instituto de Biociências

IBAMA

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

IO

Instituto Oceanográfico

MZ

Museu de Zoologia

NUPEC

Núcleo de Pesquisa e Estudo em Chondrichthyes

SBELL

Sociedade Brasileira para o Estudo dos Elasmobrânquios

SUDEPE

Superintendência para o Desenvolvimento da Pesca

USP

Universidade de São Paulo


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.................................................................................................... 08 1.1 CLASSE CHONDRICHTHYES - SUBCLASSE ELASMOBRANCHII............. 08 1.2 IMPORTÂNCIA DOS TUBARÕES.................................................................. 09 1.3 TUBARÕES: ANATOMIA EXTERNA - NOMENCLATURA............................. 10 1.4 ORDEM CARCHARHINIFORMES - FAMÍLIA CARCHARHINIDAE................ 11 1.5 TUBARÕES DO GÊNERO Rhizoprionodon (Whitley, 1929)........................... 12 1.5.1 Rhizoprionodon porosus (Poey,1861).......................................................... 15 1.5.2 Rhizoprionodon lalandei (Valenciennes, 1841)........................................... 17 1.6 EXPLORAÇÃO ECONÔMICA DE ELASMOBRÂNQUIOS............................. 19 1.6.1 Pesca de Elasmobrânquios no Brasil........................................................... 21 1.6.1.1 Espinhel..................................................................................................... 24 1.6.1.2 Redes......................................................................................................... 26 1.6.1.2.1 Redes de arrasto.................................................................................... 27 1.6.1.2.1.1 Arrasto de Fundo.......................................................................27 1.6.1.2.1.2 Arrastão de Praia...................................................................... 28 1.6.1.2.2 Redes de espera ou emalhe................................................................... 29 1.6.1.2.3 Cercos..................................................................................................... 32 1.6.1.3 Pesca Artesanal......................................................................................... 34 2 JUSTIFICATIVA................................................................................................. 36 3 OBJETIVO.......................................................................................................... 38


4 MATERIAIS E MÉTODOS.................................................................................. 39 4.1 ÁREA DE ESTUDO......................................................................................... 39 4.2 LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO............................................................... 39 4.3 COLETA DOS DADOS.................................................................................... 40 4.3.1 Confecção do Ictiômetro............................................................................... 41 4.3.1

Termos

Morfológicos

e

Medidas

Utilizadas

para

o

Gênero

Rhizoprionodon......................................................................................... 42 5 CRONOGRAMA................................................................................................. 44 6 ORÇAMENTO.................................................................................................... 45 6.1 MATERIAIS PERMANENTES......................................................................... 45 6.1 MATERIAIS DE CONSUMO............................................................................ 46 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................... 47 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA........................................................................... 53 ANEXO A- Termos morfológicos e medidas utilizadas para identificação do gênero Rhizoprionodon............................................................ 55 APÊNDICE A- Ficha de Coleta............................................................................ 56


8

INTRODUÇÃO

1.1 CLASSE CHONDRICHTHYES - SUBCLASSE ELASMOBRANCHII

Tubarões são peixes cartilaginosos com o corpo fusiforme pertencentes à Classe Chondrichthyes (chondros = cartilagem; ichthys = peixe), onde também se incluem as raias e as quimeras (FIGUEIREDO, 1977). Com uma longa e complexa história evolutiva que se estende por mais de 450 milhões de anos, a classe é atualmente dividida em duas subclasses: Holocephalii (representada pelas quimeras) e Elasmobranchii (tubarões e raias) (COMPAGNO, 1990a). Em elasmobrânquios, cinco ou sete pares de fendas branquiais situadas lateralmente na cabeça comunicam a câmara branquial com o meio externo. “Já nas quimeras, há uma membrana opercular com uma fenda posterior, superficialmente semelhante ao opérculo dos peixes ósseos” (FIGUEIREDO, 1977, p. 03). Os tubarões compreendem cerca de 500 espécies conhecidas ao redor do mundo, sendo classificadas em 8 ordens, 34 famílias e 107 gêneros (COMPAGNO; DANDO & FOWLER, 2005). Estes animais podem atingir tamanhos variando de 30 centímetros a 18 metros (ELLIS, 1989). “A fêmeas usualmente atingem a maturidade sexual com tamanho maior que os machos” (FIGUEIREDO, 1977, p. 03). A fecundação dos tubarões é interna, e o desenvolvimento embrionário ocorre tanto por oviparidade, que é considerado o tipo de reprodução mais primitivo, como por viviparidade, a qual pode ser lecitotrófica (desenvolvimento onde o embrião se nutre de vitelo armazenado durante todo o período embrionário), ovofágica (o embrião se nutre inicialmente de vitelo e depois de ovos fertilizados que são liberados pelo ovário) ou placentária (o embrião se nutre inicialmente de vitelo e depois por meio de uma placenta que liga o embrião ao útero materno). Há ainda espécies que apresentam canibalismo intra-uterino, no qual os embriões mais desenvolvidos se alimentam dos menores (GADIG, 1998).


9

1.2 IMPORTÂNCIA DOS TUBARÕES

Os elasmobrânquios podem ser considerados como o grupo dominante dentro da Classe Chondrichthyes. São encontrados em rios, enseadas e estuários, em águas frias de costas rochosas, em recifes de coral tropical, em meio a oceanos e profundas fossas abissais. Cada espécie de elasmobrânquio está bem adaptada às condições físicas e às relações biológicas que caracterizam seu ambiente (GONZALEZ, 1998). Este grupo representa uma importante fonte de renda para vários setores, pois constituem recursos pesqueiros versáteis. Como as pescarias de tubarões e raias não são, em geral, regulamentadas, sua importância social e econômica tem aumentado, tornando-se, assim, recursos utilizados quando estoques de outras espécies são esgotados, restringidos ou sazonalmente indisponíveis (ROSE, 1996). Segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo dos Elasmobrânquios (SBELL), na costa brasileira são conhecidas 85 espécies de tubarões já descritas ou em revisão taxonômica, enquanto outras 55 espécies são contabilizadas entre as raias, incluindo aquelas em processo de descrição ou revisão (MENDONÇA, 2007). “Apesar da falta de conhecimento sobre a situação populacional dos tubarões em geral, algumas espécies já sofrem efeitos negativos da sobrepesca e exploração irracional do ambiente” (ROSA & MENEZES, 1996, p. 654). Mas a falta de conhecimento biológico não é o único fator que impede o manejo e a conservação dos tubarões. Estes animais sempre possuíram um baixo valor econômico, contribuindo apenas modestamente no volume total capturado pela pesca mundial. Assim, existe uma baixa prioridade nos recursos financeiros destinados a pesquisa e manejo de tubarões, quando comparados com os peixes ósseos, economicamente mais valiosos. Tal fato também é influenciado pela tradicional imagem negativa dos tubarões, como criaturas responsáveis por ataques a seres humanos e competidores pelos recursos pesqueiros (CAMHI et al., 1998, p. 11).

Dados sobre o desembarque pesqueiro são escassos e muitas espécies encontram-se ameaçadas devido as suas características de K-estrategistas: crescimento lento, maturação sexual tardia, vida longa e baixa fecundidade (STEVENS et al., 2000).


10

1.3 TUBARÕES: ANATOMIA EXTERNA - NOMENCLATURA

Em geral, o corpo dos cações é fusiforme, mais volumoso na parte anterior, afilando para trás e a cabeça terminando em ponta arredondada; apresenta duas nadadeiras dorsais separadas, algumas vezes precedidas por um espinho; uma nadadeira caudal em forma de meia-lua ou com o lobo superior mais desenvolvido; um par de nadadeiras peitorais; um par de nadadeiras pélvicas, e, na maioria das espécies, existe a presença de nadadeira anal. O par de clásperes, órgãos copuladores dos machos, assim como a cloaca, estão situados na margem interna das nadadeiras pélvicas (SUDEPE, 1986) , como demonstra a Figura 1.

Figura 1 - Principais medidas e estruturas dos tubarões Fonte: SZPILMAN, 2004


11

Na cabeça existem duas narinas; boca; dois olhos sem pálpebras, com ou sem membranas nictitantes; cinco a sete pares de fendas branquiais, situadas lateralmente; e um espiráculo localizado atrás de cada olho, presente na maioria das espécies. Nos flancos, desde a cabeça até a nadadeira caudal, estão os poros que formam as linhas laterais (SUDEPE, 1986). A pele é protegida por pequenas escamas placóides (dentículos dérmicos), constituídas internamente de dentina e externamente de esmalte; cada escama possui uma ou mais pontas voltadas para trás, fora da epiderme, e uma placa basal sob a epiderme (SUDEPE, 1986).

1.4 ORDEM CARCHARHINIFORMES - FAMÍLIA CARCHARHINIDAE

Os tubarões da Ordem Carcharhiniformes são os que apresentam o maior número de gêneros, espécies, abundância e biomassa. São encontrados primariamente nas plataformas continentais tropicais até 200 m de profundidade, existindo também espécies oceânicas e outras que ocorrem em águas temperadas (COMPAGNO, 1984). “Entre todos os tubarões, os membros desta ordem são os que mais influenciam às atividades humanas, pois atingem grande porte e são abundantes em águas tropicais e subtropicais” (COMPAGNO, 1990b, p. 399), representando grande parte da produção pesqueira de várias artes de pesca. A família Carcharhinidae é a mais numerosa no Brasil (COMPAGNO, 1990a), e sua importância econômica é grandiosa, sendo utilizados como recursos pesqueiros (carne, óleo, couro e nadadeiras), recreativos (pesca esportiva) e turísticos (mergulhos e fotografia) (NELSON, 1990). “A pesca comercial de cação no Brasil, por meio de espinhéis e redes de espera, baseia-se amplamente em espécies de Carcharhinidae“ (FIGUEIREDO, 1977, p. 16). As características para identificação dos elasmobrânquios desta família podem ser vistas na Tabela I, a seguir.


12

Tabela I Chave para a família Carcharhinidae

1. 05 a 07 pares de fendas branquiais....................................................................... 2 2. Fendas branquiais de posição lateral ao corpo, atrás dos olhos........................... 3 3. Com nadadeira anal .............................................................................................. 5 5. Duas nadadeiras dorsais; 05 fendas branquiais.................................................... 6 6. Primeira nadadeira dorsal à frente das nadadeiras pélvicas................................. 8 8. Cabeça normal, não expandida lateralmente........................................................ 9 9. Nadadeira caudal com o lobo superior muito mais desenvolvido que o inferior.. 11 11. Comprimento da nadadeira caudal muito menor que metade do comprimento total do corpo............................................................................................................ 12 12. Quinta fenda branquial sobre a origem da nadadeira peitoral; dentes de vários tipos, mas nunca longos com dentículos de cada lado da base.............................. 13 13. Sulcos pré-caudais presentes................................................ CARCHARHINIDAE Fonte: FIGUEIREDO (1977)

Todos os membros da família Carcharhinidae são carnívoros oportunistas posicionados no topo da cadeia alimentar do ambiente marinho, e, ocupando o último elo da cadeia alimentar, possuem poucos predadores naturais. São, então, elementos tróficos muito importantes

dos ecossistemas marinhos tropicais e

subtropicais onde são abundantes (GRUBER, 1981). Segundo Figueiredo (1977), a primeira nadadeira dorsal se situa à frente das nadadeiras pélvicas, a segunda nadadeira dorsal sobre a nadadeira anal e o lobo inferior da nadadeira caudal é normalmente desenvolvido.

1.5 TUBARÕES DO GÊNERO Rhizoprionodon (Whitley, 1929)

O gênero Rhizoprionodon é representado por sete espécies de pequeno porte (até cerca de 140 cm), com ampla distribuição nos mares tropicais e subtropicais do Pacífico, Índico e Atlântico (COMPAGNO, 1984). Habitam normalmente águas costeiras, em baías, enseadas, passagens de ilhas e águas salobras (GADIG, 1994). O gênero é caracterizado pela presença de sulco labial superior desenvolvido, origem da segunda nadadeira dorsal sobre a metade da base da nadadeira anal e cristas pré-anais, mais visíveis em exemplares adultos (GADIG, 2001).


13

Esses cações são considerados espécies costeiras de pequeno porte e abundantes na pesca artesanal. Somente duas espécies do gênero ocorrem no Brasil: R. lalandei (Valenciennes, 1841) e R. porosus (Poey,1861) (GONZALEZ, 2005). A Tabela II evidencia os caracteres morfológicos para o reconhecimento do gênero Rhizoprionodon. Tabela II Chave para o Gênero Rhizoprionodon

1. Sulco labial superior ausente ou comparativamente curto, bem menor que a distância da ponta do focinho ao ponto mais anterior da margem da boca; sem espiráculo................................................................................................................... 2 2. Primeira nadadeira dorsal situada mais anteriormente; vertical que passa pela metade de sua base equidistante da axila da nadadeira peitoral e da origem das nadadeiras pélvicas ou mais próxima à axila da nadadeira peitoral.......................... 3 3. Margens dos dentes inferiores e superiores lisas (às vezes levemente serrilhadas em Rhizoprionodon, mas neste caso os dentes são largos e obliquamente dirigidos para trás).................................................................................................................... 4 4. Segunda nadadeira dorsal pequena, sua base menor que metade da base da primeira nadadeira dorsal........................................................................................... 5 5. Bases dos dentes superiores sem dentículos........................................................ 6 6. Comprimento da fenda branquial mais longa, cerca de ¼ da base da primeira dorsal; dentes laterais das maxilas oblíquos e alargados................... Rhizoprionodon Fonte: FIGUEIREDO (1977)

Uma terceira espécie do Atlântico Norte Ocidental, o R. terraenovae, é muito semelhante ao R. porosus, sendo normalmente diferenciada desta pelo número de vértebras, uma vez que as chaves para identificação de Rhizoprionodon não apresentam caracteres morfológicos externos consistentes para separação de ambas (COMPAGNO, DANDO & FOWLER, 2005). Ambas as espécies, R. lalandei e R. porosus, habitam a plataforma continental até 70 m de profundidade (GADIG, 2001) e ocorrem do Panamá até o sul do Brasil (FIGUEIREDO, 1977). “R. lalandei, o qual alcança até 80 cm de comprimento total” (COMPAGNO, DANDO & FOWLER, 2005), “compreende cerca de 60% do total de tubarões capturados por pescarias artesanais do sudeste e sul do Brasil” (FERREIRA, 1988, p. 96). A idade e o crescimento de R. lalandei e R. porosus são estimados à partir da contagem de anéis etários presentes nas vértebras. Valores de incremento marginal estimados demonstram uma tendência de formação anual do anel, para ambas as espécies (LESSA et al., 2009). A idade


14

máxima atribuída à R. lalandei e R. porosus é de pelo menos 8 anos (COMPAGNO, 1984). Os parâmetros estimados no crescimento entre os sexos não demonstram diferença significativa, sendo L∞ = 78,10 cm para R. lalandei e L∞ = 112,99 cm para R. porosus, onde L∞ é a média de comprimento total assintótico ou máximo teórico que a espécie pode atingir (LESSA et al., 2009). As

características

de

identificação

das

duas

espécies

do

gênero

Rhizoprionodon existentes na costa brasileira podem ser vistas na Tabela III. Tabela III Chave para as espécies do gênero Rhizoprionodon

. 66-75 vértebras pré-caudais; comprimento da primeira nadadeira dorsal quase sempre menor que o comprimento da margem anterior da nadadeira peitoral .................................................................................................................... R. porosus . 79-90 vértebras pré-caudais; comprimento da primeira nadadeira dorsal quase sempre maior que o comprimento da margem anterior da nadadeira peitoral .................................................................................................................... R. lalandei Fonte: FIGUEIREDO (1977)

Devido a sua ampla distribuição e hábitos associados à região litorânea, as espécies de Rhizoprionodon desempenham papel central como predadores do sistema trófico costeiro (MENDONÇA, 2007) e são alvo de pescarias realizadas em várias partes do mundo. Conhecidos ao longo da costa brasileira como caçõesfrango ou rabo-seco, esses animais constituem um importante recurso econômico para a pesca, onde representam, freqüentemente, cerca de 50 a 60% dos cações capturados (MOTTA, 2001). Em Itanhaém, litoral sul do Estado de São Paulo, o tubarão R. lalandei é a espécie de tubarão mais capturada pela pesca artesanal, chegando a representar quase 60% da captura total de cações, seguido pela espécie R. porosus, que representa aproximadamente 16% (NAMORRA, 2003). Há dados que indicam que R. porosus era mais comum no passado no Sudeste e Sul. Em Cananéia, litoral sul de São Paulo, esta espécie foi a mais abundante em capturas com redes de emalhar durante quatro anos (1962-1965), representando 37,1% de 6.141 tubarões examinados e 75,4% de 3.024 Rhizoprionodon (cerca de três R. porosus para cada R. lalandei). Em Itanhaém, também litoral sul de São Paulo, entre 1997 e 2000 foram capturados 9.258 tubarões, dos quais 16,25% foram R. porosus, representando 21,33% dos 7.054 tubarões do gênero Rhizoprionodon capturados (3,7 R. lalandei para cada R. porosus). No Maranhão, R. porosus representou 20% de 1.732 tubarões e 80,1% de 432 Rhizoprionodon (cerca de quatro R.porosus para cada R. lalandei) (GADIG, 2001 apud PINHAL, 2007, p. 12).


15

Atualmente, no Brasil, o R. porosus é mais abundante no Nordeste enquanto R. lalandei predomina nas regiões Sudeste e Sul, utilizando a plataforma continental do litoral do Sudeste como berçário nos meses invernais (MOTTA, 2001).

1.5.1 Rhizoprionodon porosus (Poey,1861)

O Rhizoprionodon porosus (Figura 2) é um cação de pequeno porte comumente pescado nas praias e baías de nosso litoral, sendo capturado com linhas de fundo, espinhéis ou redes (FIGUEIREDO, 1977).

Figura 2 - Rhizoprionodon porosus Fonte: MENDONÇA, 2007

Distingue-se das outras espécies por apresentar características como: corpo delgado e fusiforme; focinho longo e reduzido com a borda estreitamente arredondada; sulcos labiais bem desenvolvidos, o inferior exposto mesmo quando a boca está fechada; dentes fortemente oblíquos, com bordas lisas e levemente serrados nos adultos; segunda nadadeira dorsal pequena situada sobre a metade posterior da base da nadadeira anal; sulcos pré-caudais presentes; espiráculos ausentes; presença de um entalhe caudal côncavo; 66-75 vértebras pré-caudais; base da nadadeira anal expandida anteriormente através de um longo par de


16

protuberâncias (COMPAGNO, 1984). O aspecto geral de R. porosus pode ser observado na Figura 3.

Figura 3 - R. porosus. Macho: 32 cm Fonte: FIGUEIREDO, 1977

Esses cações possuem uma coloração no dorso freqüentemente marrom ou marrom acinzentada com pintas; abdome esbranquiçado; margens posteriores das nadadeiras peitorais brancas; margens posteriores das nadadeiras dorsais e caudal escuras; apresenta uma grande pinta escura na segunda nadadeira dorsal que avança e desce até pouco acima da metade da altura dessa nadadeira (GADIG, 2001). Atinge no máximo 110 cm de comprimento, média de 75 cm e mínimo de 35 cm (COMPAGNO, 1984). O tamanho no qual ocorre a maturação sexual na espécie R. porosus varia entre 651 e 700 mm (MENESES, 2008). Sua área de distribuição está compreendida entre as latitudes 24°N e 35°S. Na costa leste da América, habita as águas rasas do litoral e ao redor das ilhas, alimentando-se principalmente de camarões e lulas. É uma espécie vivípara com saco placentário; fêmeas produzem de 2 a 6 embriões, que nascem com cerca de 31 a 39 cm de comprimento (FIGUEIREDO, 1977). A distribuição da espécie R. porosus pode ser vista na Figura 4.

Figura 4 - Distribuição mundial do R. porosus Fonte: BESTER, 2010


17

No litoral do Brasil, o R. porosus é apanhado na pesca artesanal, sendo geralmente capturado com anzol ou com espinhel, mas por vezes também em redes de arrasto do camarão. Sua carne é comercializada salgada ou congelada para o consumo humano, bem como transformado em farinha de peixe. Este cação é considerado inofensivo aos seres humanos, devido ao seu pequeno tamanho e sua preferência por presas pequenas; evita o contato com os seres humanos, sendo difícil abordá-los durante o mergulho (QUEIROZ & REBOUÇAS, 1995).

1.5.2 Rhizoprionodon lalandei (Valenciennes, 1841)

Devido a semelhança com o R. porosus, a identificação do Rhizoprionodon lalandei a partir do aspecto externo não é fácil. Mas o número de vértebras précaudais é considerado caráter seguro para sua identificação - possui 79 a 90 vértebras (FIGUEIREDO, 1977). O aspecto geral da espécie R. lalandei pode ser visto na Figura 5.

Figura 5 - R. lalandei. Fêmea: 35 cm Fonte: FIGUEIREDO, 1977

Espécies de R. lalandei apresentam corpo mais esbelto que R. porosus; um focinho mais afilado; comprimento da primeira nadadeira dorsal maior que a margem anterior das nadadeiras peitorais (quando adultos); quando comprimidas junto ao corpo, as nadadeiras peitorais têm o seu ápice alcançando o primeiro terço anterior da base da primeira nadadeira dorsal; a coloração do dorso é mais escura, com tons metálicos esverdeados, bronzeados ou cobre, nunca exibindo pintas; margem das nadadeiras dorsais e da nadadeira caudal um pouco mais escura; não apresenta uma grande pinta escura na segunda nadadeira dorsal; a margem posterior e o ápice das nadadeiras peitorais são claros (GADIG, 2001), sulco labial superior e


18

inferior bem desenvolvido, os inferiores expostos, mesmo quando a boca está fechada; dentes laterais das maxilas oblíquos e alargados; base dos dentes superiores sem dentículos (QUEIROZ & REBOUÇAS, 1995). No Brasil, tal espécie é conhecida vulgarmente como cação-frango (SP), cação-cor-de-enxofre (BA), cação-lustroso (BA) e cação-macaxeira (SE). Habitam as águas rasas da costa, distribuindo-se na área costeira do Atlântico Ocidental, desde a superfície até cerca de 70 m de profundidade, preferindo fundo arenoso e lamoso (GONZALEZ, 2005). A distribuição de R. lalandei pode ser vista na Figura 6.

Figura 6 - Distribuição do R. lalandei na América do Sul Fonte: CARPENTER, 2010

Os cações R. lalandei alimentam-se de camarões e pequenos peixes, como sardinhas e manjubas. Vivíparos com saco placentário, o número de embriões por fêmea varia de 1 a 4 (em média 2); nascem com pouco mais de 30 cm (QUEIROZ & REBOUÇAS, 1995) e crescem até 80 cm de comprimento (GADIG, 2001). O tamanho no qual ocorre a maturação sexual na espécie varia entre 50 e 60 cm (COMPAGNO, 1984). Seu índice de resiliência é muito baixo, sendo o tempo mínimo de duplicação da população maior que 14 anos (CARPENTER, 2010). Em trabalho publicado por LESSA et al. (1997) sobre a idade e crescimento do R. lalandei, foi observado que os comprimentos da primeira maturação sexual para ambos os sexos, correspondeu a 2 anos, indicando que esta espécie apresenta


19

um crescimento rápido. Sua carne é utilizada seca e salgada para consumo humano (QUEIROZ & REBOUÇAS, 1995). Para se conhecer mais sobre a biologia pesqueira dos tubarões R. lalandei (Figura 7), por ser uma espécie muito capturada, foi iniciado em julho 1996 o Projeto Cação, uma atitude que poderá gerar subsídios para manejo de suas pescarias (MOTTA, 1997).

Figura 7 - Cações R. lalandei capturados em Itanhaém - SP Fonte: MENDONÇA, 2007

1.6 EXPLORAÇÃO ECONÔMICA DE ELASMOBRÂNQUIOS

A grande ameaça aos elasmobrânquios em seu ambiente natural é a atividade antrópica. Em todo o mundo, populações de elasmobrânquios estão reduzindo drasticamente graças à pesca, sendo que algumas espécies já se encontram ameaçadas de extinção. Tal depleção ocorre devido a degradação dos ambientes costeiros em que se desenvolvem, às capturas incidentais (by-catch¹) e dirigidas, ao aumento do esforço de pesca, e ainda pela estratégia de vida das espécies (CAMHI et al., 1998).

________________ ¹ captura de espécies que não são o principal alvo da pescaria; captura acessória.


20

Apesar da preocupação de que os tubarões estão sendo explorados excessivamente pela pesca, existem evidências de que estes podem ser explorados de forma sustentável, pois assim como em qualquer grupo de animais, a produtividade varia amplamente entre as espécies (WALKER, 1998). A exploração pesqueira constitui-se na maior ameaça à biodiversidade desse grupo, com o agravante de que em nível mundial o manejo é complicado pela falta de informação básica. A pesca, dirigida ou incidental, envolve o paradoxo de que tubarões e raias têm baixo valor econômico, o que lhes confere baixa prioridade quando se considera pesquisa e conservação, ao passo que a demanda por subprodutos como nadadeiras é muito alta, estimulando o aumento da exploração. Além disso, modelos utilizados para a administração de pescarias tradicionais não se aplicam a elasmobrânquios, tornando o gerenciamento desses recursos extremamente difícil (BONFIL, 1994 apud GARCIA, 2008, p. 18).

A

demanda

das

nadadeiras

nos

mercados

asiáticos

impulsiona

substancialmente a atual expansão da exploração pesqueira comercial dos tubarões. As barbatanas são consideradas afrodisíacas em partes da Ásia e a sopa feita com as mesmas é tida como iguaria gastronômica pelos chineses a mais de 2.000 anos (WALKER, 1998). O alto valor agragado a este ítem incentivou a prática onde os pescadores cortam apenas as nadadeiras e descartam a carcaça, muitas vezes com os tubarões ainda vivos (finning). Além de ser um desperdício de recursos alimentares, tal prática é antiética e altamente condenável (CAMHI et al., 1998). Na Figura 8 pode-se visualizar partes do corpo dos tubarões que podem ser exploradas.

Figura 8 - Regiões utilizadas na exploração econômica dos elasmobrânquios Fonte: GONZALEZ, 1998


21

Tubarões são capturados em todo mundo em pescarias industriais, artesanais e esportivas (WALKER, 1998), embora se mostrem particularmente vulneráveis a sobrepesca devido à sua condição de K-estrategistas. Nas últimas décadas, a pesca de tubarões, seja ela direcionada ou não, vem crescendo acentuadamente no mundo todo, resultando na depleção de muitas das suas populações (BONFIL, 1994 apud MOTTA, 2001). Mundialmente, a baixa contribuição dos tubarões na produção total das pescarias resulta em dados insuficientes coletados durante os desembarques (CASTRO et al., 1999 apud MOTTA, 2001). Segundo as estatísticas da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), em 1998, menos de 15% dos desembarques foram identificados em nível de espécie e 45% do total foi somente identificado como “Chondrichthyes” (FAO, 2002 apud MOTTA, 2001). No Brasil, a situação não é diferente, uma vez que a dificuldade na identificação das carcaças em nível específico e, principalmente, a falta de acompanhamento seqüencial das atividades pesqueiras têm contribuído para que aspectos variados da ecologia básica dos tubarões, sobretudo a estrutura de comunidades, permaneçam pouco conhecidos (MOTTA, 2001).

1.6.1 Pesca de Elasmobrânquios no Brasil

Os elasmobrânquios desembarcados no Brasil correspondem a 4% da captura mundial, o que coloca o país como a oitava maior pesca deste recurso (BONFIL, 1994 apud MOTTA, 2001). Como na maior parte do mundo, essas estimativas não incluem dados provenientes da pesca artesanal, que embora seja praticada ao longo de toda a costa, permanece negligenciada por estudos mais exaustivos e políticas de ordenamento. Adicionalmente, ao longo da costa brasileira, a degradação de ambientes costeiros e estuarinos utilizados por um grande número de espécies como áreas de berçário agrava a manutenção da biodiversidade dos tubarões (LESSA et al., 1999). De acordo com o objetivo da pescaria, elasmobrânquios são capturados em três tipos de pescarias: a pescaria direcionada a elasmobrânquios, a pescaria com captura incidental de elasmobrânquios, e a pescaria mista. Na pescaria direcionada


22

a elasmobrânquios, o alvo da pescaria é uma determinada espécie de tubarão ou raia (VOOREN & KLIPPEL, 2005). Na pescaria direcionada a uma determinada espécie ocorre geralmente a captura incidental de outras espécies de animais que também são vulneráveis à arte da pesca utilizada (DULVY et al., 2003). A captura incidental é a captura de um indivíduo que não se enquadra nas categorias de organismos que são o alvo da operação de pesca. As capturas de albatrozes, de tartarugas marinhas e de tubarões na pescaria oceânica de atuns e espadartes com o espinhel pelágico são exemplos bem conhecidos da captura incidental. Nesse tipo de captura, os indivíduos podem ser descartados no mar ou aproveitados, dependendo do valor econômico dessa captura em relação com a disponibilidade de espaço de armazenamento a bordo do barco de pesca (VOOREN & KLIPPEL, 2005). Em muitas áreas do mar, especialmente no ambiente bentônico, ocorre um grande número de espécies de peixes com valor comercial, e todas elas podem ser capturadas com uma mesma arte de pesca não seletiva. Essa situação determina a estratégia da pescaria mista que, mediante o uso de tal arte de pesca, tem todo esse conjunto de espécies como alvo da pescaria. Decisões operacionais da pescaria mista podem ser determinadas de maneira oportunista pela disponibilidade sazonal de algumas espécies em certos locais, mas sempre com o uso da mesma arte de pesca não seletiva. A principal arte de pesca usada na pescaria mista é a rede de arrasto de fundo, que causa um imenso impacto no ecossistema marinho (VOOREN & KLIPPEL, 2005). Tanto R. lalandei quanto R. porosus são considerados cações costeiros e sua ocorrência nas capturas é classificada como freqüente abundante (espécies que ocorrem em mais de 20% das capturas); e seu “status” populacional é considerado desconhecido (LESSA et al., 1999). A ocorrência de captura das espécies R. lalandei e R. porosus no litoral brasileiro nos últimos 40 anos pode ser vista na Tabela IV, a seguir.


23

Tabela IV Relação das áreas do litoral brasileiro inventariadas, das espécies do gênero Rhizoprionodon coletadas, petrechos utilizados, profundidades de captura e bibliografia correspondente

ÁREA NORTE (Cabo Orange, AP a Foz do Rio Parnaíba, PI) Rhizoprionodon lalandei LOCAL: MA; AP PROF: 8-40 m e 60 m PETRECHO: igarapé; emalhe deriva AUTOR: Lessa, 1985; Lessa, 1986; Martins-Juras et al., 1987; Lessa, 1988; Gadig, 1994; Lessa, 1997; Menni e Lessa, 1998 Rhizoprionodon porosus LOCAL: MA; PA; AP, Manoel Luís - MA PROF: 8-25 m e 8-40 m PETRECHO: igarapé; emalhe deriva; visual / linha de mão AUTOR: SUDENE, 1976; SUDAM, 1969; Lessa, 1985; Lessa, 1986; Martins-Juras et al., 1987; Lessa, 1988; Almeida, 1991; Lessa, 1997; Gomes et al., 1997; Menni e Lessa, 1998; Almeida, 1998; Almeida, 1999; Motta et al., 1999 NORDESTE (Foz do Rio Parnaíba à Salvador, Atol das Rocas e Fernando de Noronha) Rhizoprionodon lalandei LOCAL: PE; Salvador-BA; SE (Reserva Biológica); PB; CE PROF: talude; 2-10 m PETRECHO: Espinhel; Emalhe de espera de fundo e deriva, arrasto AUTOR: Rosa, 1987; Hazin et al., 1990; Bezerra et al., 1991; Guedes e Lopes, 1995; Queiroz e Gama, 1995; ETEPE, 1995; Oliveira, 1998; Felix, 1998; Silva e Fraga, 1998; Rincón, 1998 Rhizoprionodon porosus LOCAL: PE; Salvador-BA; Cabedelo-PB; CE; Fortaleza-CE; Recifes Risca do Zumbi- RN PROF: > 200; plataforma; 2-10 m PETRECHO: Espinhel; Emalhe de espera de fundo; arrasto de fundo AUTOR: Rosa, 1987; Bezerra et al., 1991; ETEPE, 1995; Guedes e Lopes, 1995; Queiroz e Gama, 1995; Rosa e Gadig, 1995; Hazin et al., 1997; Gomes et al., 1997; Mattos, 1998; Nunus, 1998; Felix, 1998; Feitoza et al., 1998; Mattos, 1999 Continua


24

Tabela IV Continuação

ÁREA SUL (Cabo de São Tomé, RJ ao Chuí, RS) Rhizoprionodon lalandei LOCAL: RS; Cananéia-SP; RJ; PR; Barra de Guaratiba-RJ; Ubatuba-SP; SantosSP; Itajaí-SC PROF: 10-100 m; 4-10 m; 10-500 m; 337 m PETRECHO: arrasto; emalhe; arrasto fundo AUTOR: Sadowsky, 1971; Vooren e Lessa, 1981; Ferreira, 1988; Cunningham, 1989; Cunha e Gomes, 1991, 1994; Charvet, 1995; Gonzales,1995; Vooren, 1997; Namora et al., 1997; Amorim et al., 1997; Gomes et al.,1997; Gadig, 1998 Rhizoprionodon porosus LOCAL: RS; Cananéia-SP; RJ; SC; PR; Barra de Guaratiba- RJ; Ubatuba-SP; Santos-SP; I. Superagui-PR PROF: 10-100 m; 4- 10 m; ± 100 m PETRECHO: arrasto; emalhe; espinhel de fundo; emalhe fundo AUTOR: Sadowsky, 1971; Vooren e Lessa, 1981; Ferreira, 1988; Cunha e Gomes, 1991; Cunha e Gomes, 1994; Charvet, 1995; Gonzales, 1995; Namora et al., 1997; Kotas et al., 1997; Gomes et al., 1997; Santos et al., 1998; Gadig, 1998; Louro, 1998 Fonte: LESSA et al. (1999)

Hoje, para cada espécie, existe um método de captura mais adequado, considerando o material de pesca empregado. No Brasil pode-se destacar três tipos de captura de elasmobrânquios: 1. espinhel, 2. redes (de arrasto, de espera e cerco) e 3. pesca artesanal (GONZALEZ, 1998).

1.6.1.1 Espinhel

O espinhel é um dos instrumentos mais utilizados para a captura de tubarões. Com esta técnica podem ser capturadas várias espécies, desde as de superfície até espécies de maiores profundidades (GONZALEZ, 1998). Essa modalidade de pesca é geralmente desenvolvida por embarcações brasileiras de médio e pequeno portes ou por embarcações arrendadas de médio e grande portes com diferentes autonomias e poder de pesca (LESSA et al., 1999). De acordo com Prado (2008), o espinhel pode ser superficial - quando alcança entre 20 a 40 m de profundidade, com os anzóis próximos as bóias; e


25

tradicional - quando alcança entre 50 a 150 m de profundidade, com os anzóis no fundo mar, conforme Figura 9.

Figura 9 - a) Pesca com espinel de superfície; b) Pesca com espinhel de fundo Fonte: SOUZA & RIBEIRO, 2007

Utilizado tanto nas pescarias artesanais como industriais, a captura no espinhel é baseada na atração do peixe por uma isca, incitando-o a ingerir o anzol iscado, sendo por isso, considerado um petrecho de pesca passivo (MENESES, 2008). Conhecido também como groseira, o espinhel de fundo consiste de um cabo de principal de fio de algodão denominado linha madre onde são atadas linhas secundárias com anzóis. A linha mestra varia entre 3 e 5 mm de diâmetro, com 1000 a 1500 anzóis, dispõe de bóias e chumbadas nas extremidades e pode ser disposta horizontalmente ou verticalmente. O espinhel é usualmente lançado ao entardecer e recolhido no dia seguinte (LESSA et al., 1999).


26

O espinhel de fundo (Figura 10) captura elasmobrânquios de pequeno e grande porte, dependendo da área de pesca e tamanho dos anzóis (GONZALEZ, 1998). Os cações do gênero Rhizoprionodon constituem recursos de elevada importância para embarcações artesanais que utilizam o espinhel de fundo como pretecho, incidindo principalmente nos espécimes de tamanho entre 651 e 700 mm, tamanho no qual ocorre a maturação sexual na espécie R. porosus, com um agravante da captura de fêmeas grávidas (MENESES, 2008).

Figura 10 – Esquematização de um espinhel de fundo Fonte: MENESES (2008)

Em tal modalidade de pesca, é comum a prática do finning dos tubarões, ou seja, a retirada das nadadeiras, sendo o corpo descartado no mar (LESSA et al., 1999). “Desse modo, os desembarques não refletem a participação das espécies nas capturas, registrando-se apenas o desembarque de carcaças” (BONFIL, 1994 apud LESSA et al., 1999, p. 87). Essa prática, comum nas frotas sediadas no Brasil, é prejudicial para o conhecimento da biodiversidade do grupo, impedindo a tomada de medidas de conservação e manejo (LESSA et al., 1999).

1.6.1.2 Redes

As redes normalmente não são utilizadas na pesca direcionada aos elasmobrânquios, porém, estes e outros grandes animais marinhos são capturados acidentalmente por elas. As redes são utilizadas juntamente com embarcações e


27

armadas ou lançadas próximas à praia, capturando elasmobrânquios de pequeno a grande porte, dependendo do tamanho da malha e extensão das redes (GONZALEZ, 2005).

1.6.1.2.1 Redes de arrasto

Modalidade de pesca considerada predatória, pois normalmente a malha da rede utilizada é bem pequena, capturando e matando pequenos filhotes pesca (SPINA & SZPILMAN, 2005).

1.6.1.2.1.1 Arrasto de Fundo

O arrasto de fundo (Figura 11 e Figura 12) é uma rede coniforme, com uma larga boca cuja forma é mantida por uma série de pesos no cabo do fundo e de bóias no cabo mestre. Quando o barco está em movimento, a rede é mantida aberta por duas portas, estruturas de madeira ou de ferro, que são puxadas por cabos fixos para diante da sua parte central, de modo a tenderem a divergir. As duas portas são ligadas à rede por cabos que podem ter até 200 m de comprimento, e varrem o fundo do mar por uma extensa área. As portas dirigem os peixes em direcção à rede que avança, aumentando, assim, a sua eficiência (SPARRE & VENEMA, 1988).

Figura 11 - Detalhes da composição de uma rede de arrasto de fundo Fonte: SPARRE & VENEMA (1988)


28

Figura 12 - Rede de Arrasto de Fundo Fonte: ALMEIDA (2008)

A forma da rede varia, dependendo do tipo de peixes a ser capturado e do tipo de fundo. O cabo de fundo pode ser equipado com bobinas, de modo que o arrasto possa ser usado em fundos de pedra, sem sofrer danos. A cauda da rede, de onde o peixe capturado é removido, é chamada de “saco”, aonde a maior parte da seleção por tamanhos ocorre (SPARRE & VENEMA, 1988).

1.6.1.2.1.2 Arrastão de Praia

A rede utilizada no arrastão da praia tem o formato retangular e possui isopor ou cortiça na parte superior e chumbo na inferior (SPINA & SZPILMAN, 2005). Utiliza-se uma rede com aproximadamente 150 a 200 metros de comprimento por 2 metros de altura, confeccionada com nylon monofilamento ou multifilamento. A operação consiste em colocar a rede em uma embarcação, sendo que uma das


29

extremidades do cabo fica na praia, a outra é levada pela embarcação que se desloca, lançando-a até formar um semicírculo. Quando retorna à praia, inicia-se o recolhimento, que é feito manualmente por 6 a 8 homens, em cada extremidade das cordas. Este aparelho de pesca (Figura 13) é também conhecido como rede de lanço, tresmalho ou calão. O camarão é a principal espécie visada, entretanto, várias outras compõem esta pescaria, inclusive elasmobrânquios costeiros (ALMEIDA, 2008).

Figura 13 - Arrastão de Praia Fonte: ALMEIDA (2008)

1.6.1.2.2 Redes de espera ou emalhe

A pesca de emalhe em escala comercial se desenvolveu no Brasil a partir de 1989, sendo dirigida aos tubarões. Em 1992, depois de um rápido crescimento, a frota já contava com centenas de embarcações (AMORIM & ARFELLI, 1994 apud MOTTA, 2006).


30

Uma rede de emalhe consiste de uma panagem fixada entre dois cabos: a tralha superior (cabo das bóias) e a tralha inferior (cabo dos chumbos). A rede é mantida aberta verticalmente (Figura 14) pela diferença de flutuabilidade entre as duas tralhas (ALVES, 2007).

Figura 14 - Esquema de um segmento de rede de emalhe Fonte: ALVES (2007)

Nesta categoria estão incluídos os tipos de redes que ficam na coluna d’água, onde o peixe é emalhado (ALMEIDA, 2008). A utilização das redes de emalhe pode variar bastante, pois podem ser utilizadas em diversas áreas marinhas. Podem ser utilizadas na espera de deriva, quando opera ao sabor das correntes, ou fixas por meio de âncoras, dependendo do direcionamento do esforço de pesca (SPARRE & VENEMA, 1997 apud ALVES, 2007). Quando utilizadas em águas rasas podem atuar em toda a coluna d’água, capturando tanto peixes de fundo como de superfície (ALVES, 2007). O nylon utilizado na confecção das redes é do tipo monofilamento, variando de 0,2 a 1,0 mm de espessura, ou multifilamento trançado, variando de 1,5 a 2,5 mm de diâmetro, com malhas esticadas medindo de 40 a 280 mm, dependendo da espécie a ser capturada. Na maioria das vezes, são pescarias de “ir e vir”, com uma tripulação composta de 2 a 3 pescadores. Todos os tipos de embarcações


31

empregam esta modalidade de pesca numa profundidade que não ultrapassa os 30 metros (ALMEIDA, 2008). Diversos tipos de flutuadores (Figura 15) são utilizados para dar flutuabilidade positiva à tralha superior. Quando a pesca é realizada em águas rasas, normalmente utilizam-se flutuadores de cortiça ou de poliestireno fixados à corda superior, os deste último tipo, porém, podem ser utilizados também embutidos na corda. Para a pesca em águas mais profundas, os flutuadores utilizados são peças ocas de metal (de forma circular a oval, com abertura na parte inferior) ou anéis de plástico de alta densidade. No Brasil são utilizados flutuadores de poliestireno, PVC e polietileno. Dependendo da flutuabilidade final aplicada à rede, a mesma pode ser utilizada na superfície (para captura de espécies pelágicas) ou no fundo (para captura de espécies demersais) (ALVES, 2009).

Figura 15 - Esquema das diferentes formas de flutuadores de poliestireno Fonte: ALVES (2007)

Os cações geralmente estão presentes na capturas, quer seja no emalhe de fundo ou no de superfície. O emalhe é mais seletivo do que o arrasto e o cerco, tendo a seletividade aproximada do anzol. Porém, a amplitude de captura pode variar bastante entre estes aparelhos (ALVES, 2009).


32

Esta arte de pesca é passiva, isto é, o pescado vai de encontro ao aparelho. Os peixes podem ser emalhados por três regiões do corpo, conforme Figura 16, a seguir. A primeira região é a ocular (imediatamente após a cavidade do globo ocular); quando esta região não é grande o suficiente para ficar presa pela malha, o peixe pode ficar emalhado pela região imediatamente após o opérculo e na região da origem da primeira nadadeira dorsal (ALVES, 2009).

Figura 16 - Diferentes regiões do corpo em que o peixe pode ficar emalhado Fonte: ALVES, 2009

.

1.6.1.2.3 Cercos

A pesca de cerco é uma das mais importantes do litoral sudeste, sendo uma técnica muito difundida entre os pescadores artesanais (IBAMA/CEPENE/CEPSUL, 1998). Consiste de uma armadilha formada por tiras de madeiras, localizadas próximo às praias que podem capturar tubarões e raias de pequeno e médio porte (GONZALEZ, 2005).


33

Baseia-se em uma grande rede utilizada por dois barcos para cercar cardumes de peixes, que podem ser capturadas à superfície, à meia água ou próximo do fundo, conforme o desenho da Figura 17.

Figura 17 - Caracterização do cerco Fonte: SOUZA & RIBEIRO, 2007

Esta arte de pesca tem como característica a semelhança de uma cerca (Figura 18), em que uma rede é armada em cima das estacas. As redes não possuem flutuadores e sua tralha inferior é enterrada na areia. Este aparelho só opera em maré de vazante e é bastante utilizada na captura de cardumes (ALMEIDA, 2008).

Figura 18 - Rede de cerco Fonte: TREBALL MONOGRAFIC, 2009


34

A altura das estacas depende da amplitude da maré, podendo chegar até 3,0 metros. Esta rede é confeccionada com fios de poliamida ou polietileno e malhas de 20 a 50 mm, sendo colocadas ao longo das margens das baías, estuários e lavados. Nessa pescaria utilizam-se duas embarcações, que ao lançar a rede na água, vão se deslocando afastadas uma da outra e ao se encontrarem terão formando um círculo (cerco), capturando as espécies que ali ficaram presas (ALMEIDA, 2008).

1.6.1.3 Pesca Artesanal

A pesca artesanal (Figura 19) consiste em uma das atividades econômicas mais tradicionais no Brasil. Sua importância decorre tanto da geração de trabalho e renda, como do fornecimento de proteína de qualidade e da manutenção de um patrimônio cultural inestimável. A atividade, em muitos locais, é considerada um tamponador social, diminuindo a situação de exclusão social onde há corpos d´água adequados para seu exercício. Entretanto, a pesca depende da integridade ambiental dos ecossistemas onde é praticada e, na zona costeira e marinha, compete com outras atividades econômicas que também se utilizam do espaço marítimo (CGPEG/DILIC/IBAMA).

Figura 19 - Pesca artesanal na Praia de Itaguá em Ubatuba - SP Fonte: MENDONÇA, 2007


35

A pesca artesanal praticada ao longo da costa brasileira assume diferentes características regionais em razão dos métodos de captura empregados e da variedade de ambientes e recursos explorados. Essas pescarias são geralmente de pequena duração tendo em vista a baixa autonomia das embarcações (MOTTA, 2001). Tal atividade é responsável pela captura de um grande número de tubarões e raias de pequeno porte (com elevada freqüência de neonatos² - Figura 20) por bycatch, geralmente pela pesca de camarão e pesca por rede de espera. Elasmobrânquios de grande porte são capturados eventualmente por estas técnicas; espécies dos gêneros Rhizoprionodon e Carcharhinus são muito comuns nestas pescarias (LESSA et al., 1999).

Figura 20 - Exemplares de neonatos de R. lalandei capturados em Ubatuba - SP Fonte: MENDONÇA, 2007

____________ ² quando o orifício do cordão umbilical localizado entre as nadadeiras peitorais do indivíduo capturado não está cicatrizado


36

2 JUSTIFICATIVA

Os Chondrichthyes formam um grupo muito antigo e com grande sucesso evolutivo. Do ponto de vista científico, tal classe possui grande importância filética, uma linhagem antiga com diversidade biológica recente relativamente baixa, mas com longa história evolutiva. Desse modo, a perda da sua diversidade compromete o estudo dos vertebrados superiores (ROSA, 1987). Além disso, como predadores situados no topo da cadeia trófica, os tubarões exercem um papel importante na manutenção do ecossistema marinho e, portanto, do equilíbrio da vida marinha, já que realizam o controle populacional de suas presas habituais e proporcionam a seleção natural quando predam os animais mais lentos e fracos (SZPILMAN, 2004). A exploração pesqueira, tanto artesanal quanto industrial se constitui na maior ameaça à biodiversidade dos elasmobrânquios. Essa situação é resultado do baixo comprometimento com conservação dos órgãos públicos responsáveis pelo setor, priorizando a produção, assim como o baixo nível de esclarecimento dos pescadores sobre as conseqüências da utilização de métodos de pesca predatórios. Secundariamente, a degradação de ambientes costeiros e estuarinos utilizados por um grande número de espécies como zonas de parto e berçários agravam, ao longo da costa brasileira, a manutenção da biodiversidade do grupo (LESSA et al., 1999). Relatando as etapas de maneira simples referentes às técnicas de identificação morfológica, este projeto visa a coleta de dados referentes às medições de espécimes do gênero Rhizoprionodon armazenados no Núcleo de Pesquisa e Estudo em Chondrichthyes (NUPEC) para poder, posteriormente, discorrer mais profundamente sobre aspectos da biologia pesqueira dessas espécies e utilizar as informações produzidas para fundamentar estratégias para a conservação desses cações em nosso litoral, o que, conseqüentemente, auxiliará as populações locais que dependem economicamente da atividade pesqueira. Apesar da importância do gênero Rhizoprionodon, estudos que contemplem seus aspectos genéticos e evolutivos ainda são escassos e a identificação morfológica de espécies neste gênero é muito difícil, especialmente quando os tubarões têm suas cabeças e nadadeiras removidas, o que comumente é feito após sua captura pelas embarcações de pesca comercial, tornando as informações sobre a pesca, comercialização e avaliação dos efeitos da pesca sobre as espécies muito


37

difícil. Esse conhecimento é incompatível com a importância econômica e ecológica dessas espécies de elasmobrânquios, seja para as comunidades litorâneas dependentes de sua pesca, seja também para a própria estrutura trófica dos ambientes onde se inserem (NAMORRA et al., 2003). Devido

à

crescente

importância

do

gênero

Rhizoprionodon

nos

desembarques pesqueiros por todo nosso litoral, este projeto visa utilizar a coleção desses tubarões disponível no NUPEC, indivíduos que foram capturados pela pesca em toda

costa brasileira desde 1995 até a presente data, e que se encontram

armazenados sem inventário atualizado. Tal coleção de cações do gênero Rhizoprionodon é de importância fundamental para estudos relacionados aos Chondrichthyes, sendo de grande urgência ser iniciado algum projeto sobre os mesmos, pois dados quantitativos podem evidenciar um nível elevado de ameaça devido à pesca intensiva destas espécies praticada ao longo de toda a costa.


38

3 OBJETIVO

O presente projeto possui como objetivo definir o tamanho médio que tubarões do gênero Rhizoprionodon são capturados através da pesca na costa brasileira, dividir os espécimes por sexo e região da costa onde foram capturados e associar tal informação ao comprimento de primeira maturação das espécies R. lalandei e R. porosus. Visando preencher a lacuna existente no conhecimento e divulgação sobre a importância ambiental geral desses cações, tal estudo permitirá estabelecer o tamanho médio dos indivíduos capturados por região do Brasil e comparar os dados obtidos com o máximo teórico que a espécie pode atingir e com o comprimento de primeira maturação do gênero Rhizoprionodon para que futuramente se investigue formas de manejo e conservação para essas espécies.


39

4 MATERIAIS E MÉTODOS

4.1 ÁREA DE ESTUDO

Situado na Ponta da Praia do município de Santos/SP, o NUPEC está caracterizado como uma associação sem fins lucrativos que visa o desenvolvimento de pesquisas nas áreas da Biologia e recentemente da Arqueologia. Sua sede própria possui estrutura de laboratório e anfiteatro, além de possuir uma das mais importantes bibliotecas e coleções científicas do país no que tange os Chondrichthyes. O Núcleo possui como objetivo específico o estudo em todas as áreas relacionadas com os aspectos da biologia dos Chondrichthyes, estando disponível para receber estudantes e pesquisadores das áreas relacionadas para desenvolver seus estudos e projetos de áreas específicas. Para desenvolver este projeto, será realizado um treinamento com a equipe do NUPEC para se adquirir conhecimento sobre as técnicas de biometria. Toda coleta de dados e medições serão realizadas no laboratório do Núcleo. O treinamento consistirá em medições semanais durante um mês. O aprimoramento na técnica de biometria ocorrerá durante as anotações subseqüentes a partir da observação e medição dos caracteres morfológicos externos.

4.2 LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO

Para a realização deste projeto, deverão ser consultadas as referências bibliográficas sobre o tema, as quais estão disponíveis em Santos no Instituto de Pesca (IP), e no NUPEC; e, em São Paulo, nas bibliotecas da Universidade de São Paulo (USP): Instituto Oceanográfico (IO), Instituto de Biociências (IB) e Museu de Zoologia (MZ).


40

4.3 COLETA DOS DADOS

Os espécimes que serão utilizados neste projeto se encontram na coleção científica do NUPEC: são cerca de 50 indivíduos conservados em cada um dos aproximados 30 tambores para o gênero Rhizoprionodon, totalizando em torno de 1.500 animais de diferentes sexos, idades e tamanhos, submersos em solução de álcool etílico a 70%; cada espécime possui etiqueta de registro próprio preso na origem da nadadeira caudal por um barbante, conforme Figura 21.

Figura 21 - Alguns modelos que serão utilizados no projeto Autoria: Rachel, em 09 ago. 2010.


41

A distância percorrida, ida e volta, entre São Paulo e Santos é de aproximadamente 170 km. O trajeto será realizado em carro próprio, o qual será abastecido com gasolina, sendo que o combustível total necessário para ida e volta será de 14 litros por dia. Para concluir todas as medições, será necessário coletar dados uma vez por semana durante 12 meses (aproximadamente 30 indivíduos serão medidos por dia) e estar presente no laboratório do NUPEC por volta das 9:00 hs da manhã, para que seja exequível a medição dos dados da quantidade total planejada. Deverá ser vestido um jaleco, botas de borracha e luvas descartáveis. Os animais contidos nos tambores deverão ser retirados aos poucos para seu transporte até a bancada de análise. O manuseio dos animais deverá ser feito com luvas descartáveis simples, as quais serão dispensadas no término de cada dia de coleta. Depois de recolhê-los do tambor e dispô-los em um balde plástico, estes espécimes serão transferidos para uma bandeja sobre a bancada para que sejam realizadas as medições sobre um ictiômetro. Os termos morfológicos e as medidas utilizadas serão obtidos segundo Gadig (1994) (ANEXO A), as quais serão anotadas em fichas de coleta (APÊNDICE A). O comprimento total dos indivíduos será realizado com um ictiômetro e todas as demais serão realizadas com auxílio de um paquímetro; a distinção do sexo será feita a olho nú, pois o clásper é caráter indicativo de dimorfismo sexual presente somente em machos de elasmobrânquios.

4.3.1 Confecção do Ictiômetro

Conforme Rotta (2003), o ictiômetro consistirá em um tubo de PVC cortado longitudinalmente de forma a acomodar o cação. Para a confecção do aparelho será necessário um tubo de PVC com 200 mm de diâmetro e 1300 mm de comprimento, respectivamente. Medidas superiores ao tamanho dos cações foram estabelecidas para dar uma margem de folga ao aparelho, evitando-se assim a possibilidade de se colocar um indivíduo que ultrapasse os valores do mesmo. As partes cortadas do tubo serão lixadas para que não possibilitem danos ao operador e ao peixe no momento da biometria. A fita métrica será impermeável (resistente à água) e colada de forma a proporcionar uma boa visão no momento da biometria.


42

4.3.2 Termos Morfológicos e Medidas Utilizadas para o Gênero Rhizoprionodon

Os exemplares serão primeiramente identificados pelo número do tambor em que estão submersos e pelo número de registro individual preso por um barbante na origem da nadadeira caudal; o sexo será distinguido observando-se a margem interna das nadadeiras pélvicas. Será então mensurado o comprimento total, onde o animal é medido desde a ponta do focinho até a origem da nadadeira caudal. As medidas de comprimento serão realizadas no cação deitado sobre o lado direito, o nariz para a esquerda, sob o ictiômetro. Como os espécimes se encontram no estado de rigidez cadavérica (enrijecimento após a morte) serão cuidadosamente esticados antes de medidos. Conforme Gadig (1994), o comprimento da nadadeira caudal será medido a partir da mesma até o término do lobo terminal; será então medido o comprimento da ponta do focinho até a quinta fenda branquial; o diâmetro horizontal da órbita; o diâmetro horizontal do olho; a altura da fenda branquial; o comprimento da nadadeira peitoral será medido desde a base de sua origem até o término da mesma; o comprimento da primeira nadadeira dorsal será realizado a partir do prolongamento posterior até o término da mesma; a altura da primeira nadadeira dorsal será será medida desde a base de sua origem até o término da mesma; o comprimento do prolongamento posterior da primeira nadadeira dorsal será medido desde a origem do mesmo até sua extremidade em ponta direcionada para trás; o comprimento da base da primeira nadadeira dorsal; o comprimento da base da segunda nadadeira dorsal; o comprimento da base da nadadeira anal; o comprimento do lobo terminal; o comprimento pré-oral será medido a partir do focinho até a boca; o comprimento pré-nasal será medido a partir do focinho até o início de uma das narinas; a distância internasal será medida entre as narinas; o comprimento do sulco labial superior; a largura da boca será medida entre suas extremidades. Após a análise, as carcaças serão colocados novamente em seus respectivos tambores. As informações obtidas sobre cada espécime serão divididas por região de coleta para que se possa verificar se há diferença no tamanho médio dos indivíduos capturados em diferentes regiões da costa brasileira, permitindo que se confronte os dados obtidos com o comprimento da primeira maturação da espécie.


43

Esses resultados poderão demonstrar se está ocorrendo sobrepesca, possibilitando o posterior desenvolvimento de estratégias para a manutenção do estoque em níveis que não ofereçam risco às espécies do Gênero Rhizoprionodon.


44

5 CRONOGRAMA

Tabela V Atividades desenvolvidas no projeto de pesquisa “Aspectos morfométricos e biológicos dos tubarões do gênero Rhizoprionodon capturados pela pesca na costa brasilleira” de janeiro de 2011 à abril de 2012

Meses 2011 ATIVIDADES

Meses 2012

Ja Fv Mr Ab Ma Jn Jl Ag St Ot Nv Dz Ja Fv Mr Ab

1. Levantamento bibliográfico

x x x x

2. Leitura dos textos

x x x x x x

3. Treinamento no NUPEC

x

4. Coleta dos dados

x x x x x x x x x x x x

5. Análise dos dados 6. Redação do trabalho 7. Publicação do trabalho

x x

x x x x x x x x x x x x x x x x

Ja - Janeiro; Fv - Fevereiro; Mr - Março; Ma - Maio; Jn - Junho; Jl - Julho; Ag - Agosto; St - Setembro; Ot - Outubro; Nv - Novembro; Dz - Dezembro.


45

6 ORÇAMENTO

6.1 MATERIAIS PERMANENTES

Tabela VI Orçamento de materiais permanentes para o desenvolvimento do projeto de pesquisa “Aspectos morfométricos e biológicos dos tubarões do gênero Rhizoprionodon capturados pela pesca na costa brasilleira”

Quantidade Material

Marca

Loja

Tel. contato

Data da

ou Site

Pesquisa

Valor Unitário (R$)

Total (R$)

01

Jaleco

Oxford

Vectorial

(11) 2292-0088

12/08/2010 32,90

32,90

01

Par de botas de borracha

Italbotas

Proteshop

(11) 3858-4563

12/08/2010 27,85

27,85

04

Tubo PVC Plastubos Parafusolâdia www.parafusolandia.com.br 26/10/2010 18,80

75,20

01

Lixa d’água Carbodum Parafusolâdia www.parafusolandia.com.br 26/10/2010

0,62

0,62

3,45

17,25

05

01

01

01

Fita métrica

Costureira Armarinhos Fernando

Paquímetro Store Mix

Balde

Plasútil

Mercado Livre

(11) 3643-4116

17/08/2010

www.mercadolivre.com.br 21/08/2010 25,99

25,99

Carrefour

(11) 3789-9800

14/08/2010 13,00

13,00

Bandeja Supercron Supercron

(11) 4051-1976

14/08/2010

3,00

TOTAL

3,00

195,81


46

6.1 MATERIAIS DE CONSUMO

Tabela VII Orçamento de material de consumo para o desenvolvimento do projeto de pesquisa “Aspectos morfométricos e biológicos dos tubarões do gênero Rhizoprionodon capturados pela pesca na costa brasilleira”

Quantidade

52

52

52

Material

Marca

Combustível Gasolina

Pedágio

Loja

BR

Piratininga Ecovias

Par de luvas Lemgruber descartáveis

Onofre TOTAL

Valor

Tel. contato

Data da

ou Site

Pesquisa

(11) 37332112

16/9/2010

35,00

1.820,00

0800-197878

16/9/2010

37,00

1.924,00

(11) 4051-1976

14/9/2010

0,34

17,68

Unitário (R$)

Total (R$)

3.761,68


47

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, E.M. Projeto ESTATPESCA: Monitoramento da Atividade Pesqueira no Litoral Nordestino. Tamandaré: FUNDAÇÃO PROZEE (Fundação de Amparo à Pesquisa de Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva); SEAP/PR (Secretaria Especial de Pesca e Aquicultura da Presidência da República); IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis), 2008. 384 p. Disponível em: < www.icmbio.gov.br/cepene/download.php?id_download=531>. Acesso em: 09 out. 2010.

ALVES, P.M.F.; ARFELLI, C.A.; TOMÁS, A.R.G. Caracterização da pesca de emalhe do litoral do Estado de São Paulo, Brasil. Boletim Instituto de Pesca, São Paulo, 35(1): 17 - 27, 2009. Disponível em: <ftp://ftp.sp.gov.br/ftppesca/35_1_17-27.pdf>. Acesso em: 09 out. 2010.

ALVES, P.M.F. Dinâmica da pesca de emalhe do Estado de São Paulo e alguns aspectos biológico pesqueiros das principais espécies desembarcadas em Santos. 2007. 205 f. Dissertação (Mestrado em Aqüicultura e Pesca) - Instituto de Pesca APTA - SAA, Santos, SP, 2007. Disponível em: <ftp://ftp.sp.gov.br/ftppesca/dissertacao11.pdf >. Acesso em: 09 out. 2010.

BESTER, C. Florida Museum of Natural History. Ichthyology: Education Biological Profiles, 2010. Disponível em: <http://www.flmnh.ufl.edu/fish/Gallery/Descript/CSharpnose/CSharpnose.html>. Acesso em: 17 jul. 2010.

CAMHI, M.; FOWLER, S.L.; MUSICK, J.A.; BRÄUTIGAM, A.; FORDHAM, S.V. Sharks and their relatives: Ecology and Conservation. IUCN/SSC Shark Specialist Group, Switzerland and Cambridge, vol. IV, 1998. Disponível em: <http://www.iucn.org/dbtw-wpd/edocs/SSC-OP-020.pdf>. Acesso em: 17 jul. 2010.

CARPENTER, K.E. Rhizoprionodon lalandii (Müller & Henle, 1839): Brazilian sharpnose shark. Paris, 2010. Disponível em: <http://www.fishbase.org>. Acesso em: 17 jul. 2010.

CGPEG/DILIC/IBAMA. A Interferência das Atividades Marítimas de Exploração de Petróleo e Gás na Pesca Artesanal: Exigências do Licenciamento Ambiental. Coordenação Geral de Petróleo e Gás – CGPEG/DILIC/IBAMA. 12 p. Disponível em: <http://www.anp.gov.br/brnd/round9/round9/guias_R9/sismica_R9/Bibliografia/A%20I nterfer%C3%AAncia%20das%20Atividades%20Mar%C3%ADtimas%20de%20Explo ra%C3%A7%C3%A3o%20de%20%E2%80%A6.pdf >. Acesso em: 16 out. 2010.


48

COMPAGNO, L.J.V. Alternative life-history styles of cartilaginous fishes in time and space. Earth and Environmental Science, South Africa, v. 28, p. 33-75, 1990a.

COMPAGNO, L.J.V. Shark exploitation and conservation: Elasmobranchs as living resourses. In: PRATT, H.L. ADVANCES IN THE BIOLOGY, ECOLOGY, SYSTEMATICS AND THE STATUS OF THE FISHERIES, NOAA Tech. Rept., v. 90, p. 397- 420, 1990b.

COMPAGNO, L.J.V.; DANDO, M. & FOWLER, S. Sharks of the world. New Jersey: Princeton University Press, 2005, 480 p.

COMPAGNO, L.J.V. Sharks of the world: An annotated and illustrated catalogue of sharks species known to date. Part 2 - Carcharhiniformes. FAO Fisheries Synopsis 125, Vol. 4, 1984, p. 251-655. Disponível em: <ftp://ftp.fao.org/docrep/fao/009/ad122e/ad122e00.pdf>. Acesso em: 17 jul. 2010.

DULVY, N.K.; SADOVY, Y.; REYNOLDS, J.D. Extinction vulnerability in marine populations. Fish and Fisheries, Norwich, v. 4, p. 25-64, 2003.

ELLIS, R. The book of sharks. New York: Alfred A. Knopf, 1989.

FERREIRA, B. P. Ciclo reprodutivo de Rhizoprionodon lalandei (Valenciennes) e Rhizoprionodon porosus (Poey) (Selachii, Carcharinidae) na região de Barra de Guaratiba, RJ. Academia Brasileira de Ciências, n° 60, v.1, p. 91-101, 1988.

FIGUEIREDO, J.L. Manual de peixes marinhos do sudeste do Brasil: Introdução cações, raias e quimeras. São Paulo: Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, 1977, 104 p.

GADIG, O.B.F. Fauna de tubarões da costa norte/nordeste do Brasil (Chondrichthyes, Elasmobranchii). 1994. 230 f. Dissertação (Mestrado em Zoologia) - Departamento de Sistemática e Ecologia da Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB, 1994.

GADIG, O.B.F. Tubarões da Costa Brasileira. 2001. 343 f. Tese (Doutorado) Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências, Rio Claro, SP, 2001.

GADIG, O.B.F. Tubarões. São Paulo: Ática, 1998, 56 p.


49

GARCIA, A.C.M. Morfometria de Rhizoprionodon porosus e R. terraenovae (Chondrichthyes, Carcharhinidae) utilizando técnicas de análise multivariada para determinação de status específico. 2008. 95 f. Dissertação (Mestrado em Recursos Pesqueiros e Aqüicultura) - Universidade Federal Rural, Pernambuco, PE, 2008. Disponível em: <http://www.pgpa.ufrpe.br/Trabalhos/2008/T2008acmg.pdf>. Acesso em: 07 ago. 2010.

GONZALEZ, M.M.B. Tubarões: conhecer para respeitar. Recife: Nupec, 1998.

GONZALEZ, M.M.B. Tubarões e raias na pré-história do litoral de São Paulo. 2005. 323 f. Tese (Doutorado em Arqueologia e Etnologia) - Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, 2005.

GRUBER, S.H. Lemon sharks: supply-side economists of the sea. Oceanus, United States, v. 24, p. 56-64, 1981.

IBAMA/CEPENE/CEPSUL. Relatório da VIII Reunião do Grupo Permanente de Estudos sobre Atuns e Afins. Tamandaré, PE, 33 p., 1998. Disponível em: <http://www4.icmbio.gov.br/cepsul/index.php?id_menu=310>. Acesso em: 16 out. 2010.

LESSA, R.; CUNHA, P.M.; SANTANA, F.M.; LIMA, C.E.L. Idade e Crescimento do Tubarão Rhizoprionodon lalandii (Valenciennes, 1839) na Costa do Maranhão. In: 7º CONGRESSO NORDESTINO DE ECOLOGIA. Ilhéus, I Reunião da Sociedade Brasileira para Estudo de Elasmobrânquios, 1997, p. 86.

LESSA, R.; SANTANA, F.M.; ALMEIDA, Z.S. Age and growth of the Brazilian sharpnose shark, Rhizoprionodon lalandii and Caribbean sharpnose shark, R. porosus (Elasmobranchii, Carcharhinidae) on the northern coast of Brazil (Maranhão). Pan-American Journal of Aquatic Sciences, 4(4): 532-544, 2009. Disponível em: <http://www.panamjas.org/pdf_artigos/PANAMJAS_4(4)_532544.pdf>. Acesso em: 16 out. 2010.

LESSA, R.; SANTANA, F.M.; RINCÓN, G.; GADIG, O.B.F.; EL-DEIR, A.C.A. Biodiversidade de Elasmobrânquios do Brasil. Ministério do Meio Ambiente: PROBIO, Pernambuco, 154 p., 1999. Disponível em: <http://www.anp.gov.br/brnd/round6/guias/PERFURACAO/PERFURACAO_R6/refere /Elasmobranquios.pdf>. Acesso em: 07 ago. 2010.

MENDONÇA, F.F. Estudo da estrutura populacional do gênero Rhizoprionodon (Chondrichthyes, Carcharhinidae) na Costa Brasileira, utilizando marcadores moleculares do DNA Mitocondrial. 2007. 140 f. Dissertação (Mestrado) – Instituto de


50

Biociências de Botucatu, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, SP, 2007. Disponível em: <http://www.ibb.unesp.br/posgrad/teses/zoologia_me_2007_fernando_mendon%C3 %A7a.pdf>. Acesso em: 07 ago. 2010.

MENESES, T.S. Fauna, Pesca e Contaminação por Metais Pesados em Pescado de Tubarões no Litoral de Sergipe. 2008. 118 f. Dissertação (Mestrado em Saúde e Ambiente) - Universidade Tiradentes, Aracaju, SE, 2008. Disponível em: <http://www.unit.br/mestrado/saudeambiente/D_defendidas/thiagoSilveira.pdf>. Acesso em: 09 out. 2010.

MOTTA, F.S. A pesca artesanal e a reprodução de Rhizoprionodon lalandii (Elasmobranchii – Carcharhinidae) no litoral sul do Estado de São Paulo. 2001. 88 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências, Rio Claro, SP, 2001.

MOTTA, F.S. Ecologia e Pesca Artesanal de Tubarões no Litoral Centro-Sul de São Paulo. 2006. 179 f. Tese (Doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências, Rio Claro, SP, 2006. Disponível em: <http://www.athena.biblioteca.unesp.br/exlibris/bd/brc/33004137003P3/2006/motta_f s_dr_rcla.pdf>. Acesso em: 09 out. 2010.

MOTTA, F.S; NAMORA, R.C; FILHO, J.M.S; GADIG, O.B.F. Projeto Cação: Biologia e Captura de Tubarões Costeiros no Litoral Sul de São Paulo. In: 7º CONGRESSO NORDESTINO DE ECOLOGIA. Ilhéus, I Reunião da Sociedade Brasileira para Estudo de Elasmobrânquios, 1997, p. 46.

NAMORRA, R.C; MOTTA, F.S.; GADIG, O.B.F. Hábitos alimentares do cação frango, Rhizoprionodon lalandii (Elasmobranchii, Carcharhinidae) na costa sul de São Paulo. 2003. 170 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências, Rio Claro, SP, 2003.

NELSON, D.R. Telemetry studies of sharks: a review, with applications in resource management. NOAA Fisheries Service, Narragansett, v. 90, p. 239-256, 1990.

PINHAL, D. DNA Ribossomal 58: Seqüência nucleotídica, organização genômica e potencial como biomarcador para análises moleculares em espécies de tubarões. 2007. 84 f. Dissertação (Mestrado em Biologia Geral e Aplicada) - Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências, Botucatu, SP, 2007. Disponível em: <http://www.ibb.unesp.br/posgrad/teses/bga_me_2007_danillo_pinhal.pdf>. Acesso em: 07 ago. 2010.


51

PRADO, C.C.R. Aspectos Biológicos da Raia-Preta, Pteroplatytrygon violacea, capturada pelos atuneiros de São Paulo no Sudeste-Sul do Brasil (2006-08). 2008. 77 f. Dissertação (Mestrado em Aqüicultura e Pesca) - Instituto de Pesca - APTA SAA, Santos, SP, 2008. Disponível em: <ftp://ftp.sp.gov.br/ftppesca/dissertacao28.pdf>. Acesso em: 09 out. 2010.

QUEIROZ, E.L. & REBOUÇAS, S.C. Tubarão: Quem tu és? Salvador: Universidade Federal da Bahia, 1995.

ROSA, R.S. Levantamento preliminar de espécies de elasmobrânquios na costa da Paraíba (Brasil). In: REUNIÃO DO GRUPO DE TRABALHO SOBRE PESCA E PESQUISA DE TUBARÕES E RAIAS NO BRASIL III, Fortaleza, 1987.

ROSA, R.S. & MENEZES, N.A. Relação preliminar das espécies de peixes (Pisces, Elasmobranchii, Actinopterygii) ameaçadas no Brasil. Revista brasileira de Zoologia, São Paulo, v. 13, n. 3, p. 647-667, 1996.

ROSE, D.A. Social and economic importance of elasmobranchs, Shark News, Washington, v.6, 1996.

ROTTA, M.A. Ictiômetro parabiometria de surubins(pintado e cachara). Comunicado Técnico 28, Corumbá, MS, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimentos, ISSN 1517-4875, 2003. Disponível em: <http://www.cpap.embrapa.br/publicacoes/online/COT28.pdf>. Acesso em: 26 out. 2010.

SOUZA, F.C. & RIBEIRO, R.D. 1º Relatório de Projeto III: Pesqueiro LongLine de Superfície. Universidade Federal do Rio de Janeiro - Escola Politécnica. 2007. Disponível em: <http://www.oceanica.ufrj.br/deno/prod_academic/relatorios/atuais/RorigoD+FellipeC asanova/relat1/>. Acesso em: 31 ago. 2010.

SPARRE, P. & VENEMA S.C. Introdução à avaliação de mananciais de peixes tropicales. FAO Fisheries Technical Paper - T306/2Rev.2, 1988. Disponível em: <ftp://ftp.fao.org/docrep/fao/006/w5448p/w5448p00.pdf>. Acesso em: 09 out. 2010.

SPINA, P. & SZPILMAN, M. A Pesca de tubarões no Rio. Projeto Piloto: levantamento de dados sobre a pesca de tubarões no Estado do Rio de Janeiro. Revista PROTUBA, Rio de Janeiro, p. 4-10, 2005. Disponível em: <http://www.institutoaqualung.com.br/pdf/Projeto%20piloto%20pesca%20tubar%F5es%20no%20Rio.pdf>. Acesso em: 09 out. 2010.


52

STEVENS, J.D.; BONFIL, R.; DULVY, N.K.; WALKER, P.A. The effects of fishing on sharks, rays and chimaeras (chondrichthyans), and the implications for marine ecossystems. ICES Journal of Marine Science, Oxford, v. 57, p. 476-494, 2000. Disponível em: <http://icesjms.oxfordjournals.org/content/57/3/476.full.pdf>. Acesso em: 24 jul. 2010.

SUDEPE. Projeto Tubarão: Aspectos gerais sobre a biologia dos tubarões. Brasília: SUDEPE, 1986. 106 p.

SZPILMAN, M. Tubarões no Brasil: guia prático de identificação. Rio de Janeiro: Aqualittera, 2004.

TREBALL MONOGRAFIC. Pesca El Cerco. 2009. Disponível em: <http://monografic.wordpress.com/2009/02/05/pesca-el-cerco/>. Acesso em: 16 out. 2010.

VOOREN, C.M. & KLIPPEL, S. Ações para a conservação de tubarões e raias no sul do Brasil. Porto Alegre: Igaré, 2005. 262 p.

WALKER, T.I. Can shark resources be harvested sustainably?: a question revisited with a review of shark fisheries. Marine & Freshwater Research, Austrália, v. 49, p. 553-572, 1998. Disponível em: <http://www.flmnh.ufl.edu/fish/organizations/ssg/EFMT/1.pdf>. Acesso em: 24 jul. 2010.


53

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ASFA: Aquatic Sciences and Fisheries Abstracts. FAO. Bethesda: CSA, 2006. Disponível em: <http://www.csa.com/factsheets/aquclust-set-c.php>. Acesso em: 07 ago. 2010.

BERTOZZI, C.P.; NAMORA, R.C.; GADIG, O.B.F. Elasmobrânquios capturados pela pesca artesanal de Praia Grande (SP). In: REUNIÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O ESTUDO DE ELASMOBRÂNQUIOS II, 2000, Santos. Resumos: 39.

CARRIER, J.C.; MUSICK, J.A.; HEITHAUS, M.R. Biology of sharks and their relatives - 1. Chondrichthyes. Boca Raton, London, New York, Washington: CRC Press, 2004.

COSTA, P.S.; OLAVO, G.; MARTINS, A.S. Biodiversidade da fauna marinha profunda na costa central brasileira. Série Livros - 24. Rio de Janeiro: Museu Nacional, 2007. 184 p.

FIGUEIREDO, J.L. et al. Peixes da Zona Econômica Exclusiva da Região SudesteSul do Brasil: Levantamento com Rede de meia Água. São Paulo: Edusp, 2002.

FIGUEIREDO, S.T.V.; ROSA, R.S. Estudo comparativo da morfologia esquelética de Rhizoprionodon porosus e R. terraenovae (Elasmobranchii, Carcharhinidae). In: VI REUNIÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O ESTUDO DE ELASMOBRÂNQUIOS (SBELL). Fortaleza, 2008, p. 22.

FILHO, A.C. Peixes: costa brasileira. São Paulo: Melro, 1999. 320 p.

MENEZES, A.C.; HOPP, M.S. Padrão de distribuição dos poros das ampolas de lorenzini em cação-frango, Rhizoprionodon lalandii (Müller & Henle, 1839). Revista Ceciliana, São Paulo, v. 1, n. 2, p. 152-154, 2009.

MOTTA, F.S.; NAMORRA, R.C.; FILHO, J.M.S.; GADIG, O.B.F. Dados sobre a captura do cação-frango, Rhizoprionodon lalandei (Chondrichthyes, Carcharhinidae) no litoral sul de São Paulo. In: III SIMPÓSIO DE OCEANOGRAFIA. Instituto Oceanográfico - USP, 1996. Resumos: 109. NUPEC. Núcleo de Pesquisa e Estudo em Chondrichthyes. Disponível em: <http://nupec.org.br> . Acesso em : 17 jul. 2010.


54

ROSSI-WONGTSCHOWSI, C.L.D.B.; BERNARDES, R.A.; CERGOLE, M.C. Dinâmica das Frotas Pesqueiras Comerciais da Região Sudeste-Sul do Brasil. São Paulo: Instituto Oceanográfico – USP, 2007. 341 p.

SADOWSKY, V. Estudio economico sobre los Elasmobrânquios de la Zona litoral Paulista. CARPAS, Mar del Plata, v.5, d. téc. 1, p. 1-11, 1971.

VOOREN, C.M. & R. LESSA. Distribuição e abundância de elasmobrânquios na plataforma continental do Rio Grande do Sul. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA. Salvador , Livro de Resumos 33 a, p. 573, 1981.


55

ANEXO A - Termos morfológicos e medidas utilizadas para identificação do Gênero Rhizoprionodon

Fonte: GADIG, 1994


56

APÊNDICE A - Ficha de Coleta

LOCAL: CIDADE: COLETORES: Tambor __ Registro __ MEDIDAS* Sexo __ 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

ESTADO: Tambor __ Registro __ Sexo __

Tambor __ Registro __ Sexo __

Tambor __ Registro __ Sexo __

Tambor __ Registro __ Sexo __

Tambor __ Registro __ Sexo __

* 1) comprimento da ponta do focinho até a origem da nadadeira caudal; 2) comprimento da nadadeira caudal; 3) comprimento da ponta do focinho até a quinta fenda branquial; 4) diâmetro horizontal da órbita; 5) diâmetro horizontal do olho; 6) altura da fenda branquial; 7) comprimento da nadadeira peitoral; 8) comprimento da primeira nadadeira dorsal; 9) altura da primeira nadadeira dorsal; 10) comprimento do prolongamento posterior da primeira nadadeira dorsal; 11) comprimento da base da primeira nadadeira dorsal; 12) comprimento da base da primeira segunda dorsal; 13) comprimento da base da nadadeira anal; 14) comprimento do lobo terminal; 15) comprimento préoral; 16) comprimento pré-nasal; 17) distância internasal; 18) comprimento da narina; 19) comprimento do sulco labial posterior; 20) largura da boca.


ASPECTOS MORFOMÉTRICOS E BIOLÓGICOS DOS TUBARÕES DO GÊNERO Rhizoprionodon