Page 1

R E V I S TA D A

Adoção e identidade familiar

ago set 2013 av • elul 5773

Família O Talmud e a educação de nossos filhos

As Grandes Festas na CIP

tishrê 5774


CARTÕES GRANDES FESTAS

LAR DAS CRIANÇAS DA CIP Comece 5774 com uma mitsvá Presenteie sua família e amigos com os cartões do Lar das Crianças criados para Rosh Hashaná. Personalize seus cartões. Envie sua lista de nomes.

Papel perolado com detalhe em alto relevo

Escolha os modelos através do site www.cartoes.lardascriancas.org.br e entre em contato: (11) 2808.6281 ou cartaolar@cip.org.br À venda também na CIP (5º andar, com Cidinha)

um passaporte para a vida


CIP + Família

Estamos chegando ao final do calendário judaico. Rosh Hashaná traz o início de um novo ano, de um ciclo completo de festas. Este é um momento de intensa preparação para os nossos serviços religiosos, e uma de nossas principais preocupações é fazer no Memorial da América Latina um serviço de tanta qualidade quanto o realizado na sinagoga Etz Chaim e o que era, até então, oferecido no Centro de Eventos São Luís. Nossas famílias se juntam neste momento para comemorar as Grandes Festas. E depois? Em seguida, a CIP precisa se manter viva e atuante durante os próximos 12 meses, entre este Iom Kipur e o Rosh Hashaná do ano que vem. Convidamos nossos sócios a participar das festividades de Sucot logo na semana seguinte a Iom Kipur. Muitos verão parte de sua montagem, que ocorrerá entre os chaguim. A ideia é oferecer atividades intensas na sucá. Teremos atividades para todos os públicos: famílias, juventude, chanichim e voluntários. Outra de nossas principais preocupações é com nossos jovens e em como estamos tornando todos os chaguim ponto de referência em suas atividades. Estamos fazendo assim, pois queremos estender nossa juventude para as atividades do ciclo judaico, melhor nos integrando como comunidade. E assim desejamos que, com eles, venham suas queridas famílias. Que se sintam bem-vindas como seus filhos são para nós. Chag Sameach. SÉRGIO KULIKOVSKY PRESIDENTE

3


Presidente

Sérgio Kulikovsky

Rabinato

Michel Schlesinger Ruben Sternschein

Vice-presidente de Relacionamento com o Sócio

Ta t i a n a H e i l b u t K u l i k o v s k y

Diretora de Comunicação e Marketing Laura Feldman

Colaboradores desta edição:

Manifestações Enquanto escrevia essas linhas, o Brasil ainda se esforçava para compreender as manifestações populares que tomaram as ruas de diversas cidades

Andréa Kulikovsky Andréia Hotz Anelise Coutinho Ribeiro Veiga Débora Sór Gershon Szklo Guita Feldman Kvutzá Shnat 2013 Michel Schlesinger Pablo Berman Rebeka Anbinder Ruben Sternschein Sérgio Kulikovsky Ta m a r a S i e b n e r F r a n k e n Theo Hotz

do País. Intelectuais debatiam exaustivamente o assunto, políticos busca-

Editora e jornalista responsável

ocorreram ao longo de sua milenar história.

Andréia Hotz (MTB 61.981)

Marketing

vam caminhos para atender demandas que extrapolam os simbólicos 20 centavos de Real que se tornaram o estopim das demonstrações. A história judaica é repleta de exemplos de conquistas oriundas de solicitações do povo. O início da monarquia na Judéia, para citar apenas um exemplo, veio como resposta ao pedido dos israelitas que queriam um rei que os guiasse, os inspirasse e os defendesse em caso de guerra. Se, por um lado, a tradição judaica condena de forma veemente a violência contra o patrimônio público ou privado e, principalmente, contra a pessoa humana, por outro, o judaísmo exalta as reivindicações pacíficas que Existem diversas maneiras de “sair às ruas”. O professor que educa seus

Simone Rosenthal

alunos a serem pessoas justas “sai às ruas”. Os pais que conversam com seus

Projeto Gráfico

filhos sobre ética também “saem às ruas”. Jovens que educam outros jovens

JAM Design

Fotos

Arquivo CIP e Shutterstock

Errata

Na edição de mai-jun de 2013 foi informado que as solicitações de cuidadores de idosos são feitas através da Central de Orientação ao Trabalho. Na verdade o encaminhamento é feito pelo Departamento de Ação Social.

Esta é uma publicação da Congregação Israelita Paulista. É proibida a reprodução total ou parcial de seu conteúdo. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião da CIP. Fale com a CIP PA B X : ( 1 1 ) 2 8 0 8 . 6 2 9 9 cip@cip.org.br w w w. c i p . o rg . b r

Administrativo/Financeiro: (11) 2808.6244 Comunicação: (11) 2808.6256 Diretoria: (11) 2808.6257 Escola Lafer: (11) 2808.6219 Juventude: (11) 2808.6214 Lar das Crianças: (11) 2808.6225 Marketing: (11) 2808.6247 Rabinato: (11) 2808.6230 Relacionamento com o Sócio: (11) 2808-6258 Serviço Social: (11) 2808.6211 4

o valor do questionamento, sem dúvida, “saem às ruas”. No mês de julho, uma vez mais, centenas de jovens participaram da machané da Chazit, do acampamento da Avanhandava e das Colônias de Férias da CIP, realizadas no Campo de Estudos Fritz Pinkuss. Por meio das ferramentas da educação informal, eles revisitaram sua relação com o judaísmo, o sionismo, a responsabilidade ambiental, e a busca de uma sociedade mais justa. Em agosto recomeçam as aulas da Escola Lafer e mais jovens encontrarão, na preparação para seu Bar e Bat-mitsvá, uma oportunidade de entrar em contato com sua própria identidade. Talvez leve tempo para entender as recentes manifestações populares do Brasil. Enquanto isso não acontece, continuaremos em nossa missão de instrumentar a juventude judaica da CIP para uma vida de questionamento pacífico e busca constante de uma sociedade mais afinada com os valores da nossa Torá. Boa leitura.

R abino Michel Schlesinger


Índice 22

S EÇÕE S RELACIONAMENTO COM O SÓCIO 6 RADAR 8

9

GASTRONOMIA 9 CULTO 10

CAPA 26

ACONTECE 12

Ensinar nossos filhos a nadar

LAR DAS CRIANÇAS 16

texto do rabino Michel Schlesinger

AÇÃO SOCIAL 18 RABINATO 20

VALORES JUDAICOS 29

ESPECIAL 22

Simchat Torá, a Festa da Repetição

JUVENTUDE 30

artigo do rabino Pablo Berman,

ESCOLA LAFER 33

da Comunidade Israelita do Paraná

COM A PALAVRA 36 360 GRAUS 38

PARALELOS 35

Grandes Festas em Israel artigo da Kvutzá Shnat 2013

5


RELACIONAMENTO COM O SÓCIO por Tamara Siebner Franken, coordenadora de Relacionamento com o Sócio

Judaísmo na prática Ser sócio da Congregação nos dias atuais significa iden-

O papel dos jovens é também essencial no que diz res-

tificar-se e apoiar as ações desenvolvidas pela instituição

peito à prática da reparação do mundo, como também é

a partir de uma visão moderna e atuante do judaísmo. A

conhecido o princípio de ticun olam. Os grupos e movi-

CIP estimula a prática judaica que confronta os desafios da

mentos juvenis da Congregação têm como base valores

vida moderna e que, ao mesmo tempo, aceita os avanços

judaicos e universais e trabalham a favor de uma socieda-

do conhecimento humano e faz uma leitura construtiva das

de mais justa, onde diálogo e respeito são palavras-chave.

inovações cada vez mais comuns à nossa realidade.

A participação em projetos sociais, como a Campanha do

O conceito de ticun olam é um dos princípios fundamen-

Agasalho, e a promoção de ações como o Blood Day, para

tais da Congregação, e suas áreas de atuação têm nele o

doação de sangue, espelham tais valores, assim como o

ponto de partida e chegada para suas atividades e projetos.

mais recente projeto desenvolvido pela Juventude, o Ga-

A Ação Social, cujos esforços deram início à fundação

rinim. Nele, madrichim dos movimentos juvenis da CIP

da própria CIP, tem excelentes exemplos nesse sentido. A

tornam-se os ‘amigos mais velhos’ de crianças atendidas

Central de Orientação ao Trabalho é uma importante fer-

pelo Lar das Crianças e, a partir dessa aproximação e do

ramenta de apoio para quem procura uma oportunidade

diálogo e troca de experiências que os encontros possi-

profissional ou uma recolocação no mercado, enquanto as

bilitam, os jovens têm a chance de conhecer e conviver

atividades voltadas para a terceira idade facilitam a intera-

com realidades diferentes das suas. E como conhecer é

ção social ao mesmo tempo em que promovem o engaja-

a melhor ferramenta para transformar, o projeto funciona

mento em causas assistenciais.

como valioso instrumento para auxiliar na modificação da realidade das crianças e de suas famílias. Assim, tendo o judaísmo como alicerce de importantes mudanças pessoais e sociais, a Congregação possui um completo programa de preparação para o Bar e Bat-mitsvá de nossas crianças, que inclui a preocupação social. O recém-criado projeto Mitsvá tem como objetivo fazer com que reflitam sobre as necessidades de outras crianças e percebam que podem fazer a diferença na vida delas. Os alunos escolhem instituições de apoio a famílias carentes e trabalham na arrecadação de produtos por elas solicitados. O desenvolvimento do projeto é da Escola Lafer em conjunto com os jovens do curso Manhigut, que forma madrichim e líderes comunitários. O conceito de ticun olam engloba também o respeito e a convivência com outras religiões. O trabalho em prol do diálogo inter-religioso, que sempre fez parte da história da Congregação, é um dos objetivos da CIP. O rabinato da


Em seu esforço por continuar fazendo a diferença na comunidade judaica e na sociedade maior, a Congregação é grata a seus associados, sempre comprometidos com uma prática judaica consistente, dinâmica e estimulante. Associar-se é dizer ‘sim’ à mobilização, esforço e realizações dos jovens que acordaram cedo no domingo para pedir agasalhos para os que não têm como se aquecer no inverno; às senhoras que preparam deliciosos lanches e apresentam peças infantis para crianças carentes; a professores que mostram às nossas crianças uma realidade diferente da qual estão acostumadas e fazem florescer nelas o desejo de ajudar, de mudar o mundo. Entre em contato conosco e saiba como ajudar a CIP a continuar oferecendo um judaísmo moderno e atuante, baseado na justiça social, na compaixão e na busca pela paz.

A CONGREGAÇÃO ISRAELITA PAULISTA DÁ AS BOAS-VINDAS AOS NOVOS Sócios

entidade se reúne com frequência com líderes de outras religiões para debater e promover causas como a ética, a consciência ambiental, a segurança e a justiça social, por exemplo. Vínculos pessoais entre líderes comunitários foram estabelecidos e são constantemente fortalecidos através de visitas regulares à sinagoga Etz Chaim. O último exemplo dessa bem-sucedida relação pôde ser visto no encontro promovido no mês de julho pela Conib e pela Comissão Nacional do Diálogo Religioso Católico Judaico da CNBB. O bate-papo entre o rabino Michel Schlesinger e o cardeal Dom Odilo Scherer, mediado pelo ator Dan Stulbach, teve como tema a visita do Papa Francisco I, os 50 anos do Concílio Vaticano II e os 50 anos da morte do Papa João XXIII. Assuntos relevantes e de extrema importância para as duas comunidades.

• André Mermelstein e Juliana Abram Mermelstein • Ari Freund e Daniela Nudel Freund • Breno Abrahão Maués Soares e Clarissa C. Coutinho Soares • Claudio Silberberg e Juliana Godinho do Amaral Silberberg • Claudio Weinschenker e Marina Franco Weinschenker • Déborah Cohen Gorresio e Sandro Gorresio • Eduardo Mandel • Eduardo Michaan Sancovsky e Daphne M. Sancovsky • Eduardo Teiman e Carolina Senna Teiman • Eldad Landsman e Lea Palloma Landsman • Flavio Theodor Kunreuther e Maria Isabel A. de Barros • Gabriel Mandel • Jacques Lesser Levy e Rosane Magri Levy • Jaime Leoncio Singer e Rosely Wainstein Singer • Luciana Scwartz Machado e Jose Luiz Oliveira Machado • Manuel Grywacz e Rosecler Gerhardt • Marcelo Jacques Thalenberg • Michel Gonoretske e Patricia Abrahão de M. Gonorestke • Paulo Elman Sister • Roberto Borger e Eliane Lupovici Borger • Samuel Kilsztajn • Sandra Kurnheuther BRUCHIM HABAIM


RADAR po r Ger shon Szklo, vice-p resid e nte de J uda í s m o

As Grandes Festas na CIP Os serviços religiosos da CIP para as Grandes Festas seguem o padrão tradicional há muito praticado pela Congregação, com serviços de arvit e shacharit para os dois dias de Rosh Hashaná; e Kol Nidrei, shacharit, minchá e neilá para o dia de Iom Kipur. Esse ano, por conta de uma reforma em curso nas dependências do Centro de Eventos São Luís, nosso segundo local de rezas foi deslocado para o auditório Simón Bolívar do Memorial da América Latina. Lá serão realizados o

Gershon Szklo, vice-presidente de Judaísmo

arvit e o shacharit do primeiro dia de Rosh Hashaná, e Kol Nidrei, shacharit, minchá e neilá para Iom Kipur. Diferente-

As famílias que rezam na CIP contam também com o

mente dos anos anteriores, quando o serviço de shacharit

projeto Grandes Festas dos Pequenos (veja mais na pá-

era realizado nos dois locais, em 2013 os serviços religio-

gina 32), que atende crianças entre dois e doze anos de

sos do segundo dia de Rosh Hashaná, arvit e shacharit,

idade. As atividades, preparadas especialmente para a

serão realizados apenas na sinagoga Etz Chaim.

faixa etária, conduzidas pelos madrichim de nossos mo-

A disposição dos assentos permanece a mesma utilizada

vimentos juvenis e orientadas por nossos rabinos, busca

nos últimos anos: na sinagoga Etz Chaim, homens e mulhe-

atrair a atenção das crianças para as questões religiosas

res sentam separados, e no Memorial da América Latina o

desta época do ano de maneira lúdica e adequada.

assento é familiar. O horário de início dos serviços religio-

Sensível às transformações que nossa comunidade vem

sos de arvit é às 18h45 e o de shacharit acontece às 9h,

sofrendo ao longo dos anos, o Departamento de Culto da

sendo que este ano o final de Iom Kipur será às 18h44.

CIP tem procurado se adaptar, ao mesmo tempo em que,

O tradicional rodízio dos rabinos e chazanim entre os

com modernidade, mantém sua raízes. A consolidação dos

dois locais de rezas permanece, mas sofrerá uma pe-

assentos familiares em um de nossos locais de rezas, o

quena mudança: devido à distância entre a sinagoga Etz

aumento da participação da juventude em nossos serviços

Chaim e o Memorial, não será possível a troca de profis-

religiosos e o incremento de jovens na própria Comissão

sionais entre a minchá e a neilá de Iom Kipur. Assim, os

de Culto são reflexos diretos dessa busca por uma maior

rabinos e chazanim permanecerão durante todo o Kipur

aproximação entre a Congregação e as novas gerações -

no mesmo local de rezas.

nossos futuros líderes e dirigentes comunitários.

Seguindo as diretrizes desta diretoria com relação à im-

Dentro de uma visão liberal e alinhada à World Union

portância da Juventude em nossa comunidade, a participa-

for Progressive Judaism (WUPJ) e ao Masorti Olami (World

ção dos jovens em nossas cerimônias será ampliada. Além

Council of Conservative/Masorti Synagogues), aos quais a

do tradicional serviço religioso da segunda noite de Rosh

CIP é afiliada, é fundamental para o futuro da comunidade

Hashaná, totalmente preparado e conduzido pela por eles,

esse diálogo entre a tradição e a modernidade, buscando

e da leitura de Torá em minchá de Iom Kipur, realizada pelos

nos princípios da halachá os alicerces de uma comunidade

ex-alunos da Escola Lafer, os jovens esse ano também parti-

cada vez mais vibrante, moderna e comprometida com os

ciparão da leitura de Torá do segundo dia de Rosh Hashaná.

ideais estabelecidos desde a sua fundação.

8


gastronomia

Rote Grüzze Ingredientes: 1 kg de jabuticabas 2 colheres de sopa de açúcar 2 colheres de sopa de amido de milho frutas vermelhas à vontade (morangos, amoras, framboesas, mirtilos)

E

stamos entrando no momento mais festivo e mais temido do ano. As grandes festas judaicas, Rosh Hashaná, Iom Kipur, Sucot e

Simchat Torá nos trazem várias oportunidades para nos reunir com nossas famílias, lembrar dos que não estão mais entre nós e celebrar os novos que chegaram, e comer muita comida gostosa. Faz parte deste período festivo comer pratos doces, especiais, feitos com frutas. A doçura é para

Modo de fazer:

pedir um ano novo doce, e as frutas para celebrar

Lave bem as jabuticabas, coloque-as em uma panela e cubra com água. Deixe ferver até ficarem bem cozidas. Passe o conteúdo pela peneira, mas sem apertar as jabuticabas para não amargar o caldo. Junte a ele as frutas vermelhas e adicione o açúcar e o amido de milho para engrossar. Cozinhe lentamente sem deixar que as frutas se desmanchem e, depois, coloque em uma vasilha funda de vidro. Deixe esfriar e coloque para refrigerar. Importante: a quantidade de amido de milho pode variar caso as frutas utilizadas soltem muita água no caldo da jabuticaba.

Na casa da Oma Rosel z’l, avó de meu marido, festa

a colheita em Sucot. tinha gosto de Rote Grüzze. Ela fazia o melhor que já comi na vida. Não doce demais, rico em frutas vermelhas (ela sempre colocava framboesa), e com um toque brasileiro, pois ela usava jabuticabas para fazer o caldo base do tradicional doce alemão. Este ano ela não está mais conosco, então, em nome de nossa família, vamos dividir o gosto de festa da Oma. Chag Sameach. Andréa Kulikovsky, chefe e consultora gastronômica

9


culto

Produtos judaicos Adquira belíssimos produtos judaicos para as Grandes Festas. Para informações sobre os horários de atendimento, entre em contato através do email:

Enfeite de parede

produtosjudaicos@cip.org.br.

Você sabia?... por Theo Hotz, coordenador do Depto de Culto, baal corê e moré da Escola Lafer Você sabia que a caligrafia utilizada pelo sofêr (escriba) é chamada STaM? Esta palavra é composta por três letras hebraicas, o Sámach, o Táv e o Mêm, iniciais de Sêfer Torá, Tefilín, Mezuzót e também Meguilót. Muitos pensam que, se o sofêr cometer um erro ao escrever a Torá, ele não pode apagar este erro, devendo recomeçar seu trabalho. Isso não é verdade. O sofêr só está proibido de apagar caso o erro ocorra em um dos nomes sagrados de Deus (Yud, Hê, Vav, Hê o Nome, propriamente dito, também chamado de Tetragrama Sagrado, Elohím, El, Shadai). Para apagar algo que tenha sido escrito errado, o sofêr utiliza uma lâmina para raspar a tinta, reescrevendo o texto em seguida. Tradicionalmente, o sofêr aprende seu ofício escrevendo a Meguilát Ester.

Serviços Religiosos da CIP Manhã de segunda a sexta-feira, às 8h aos sábados às 9h30 aos domingos e feriados, às 8h30 Noite de domingo a sexta-feira, às 18h45 aos sábados de agosto às 17h15 e setembro às 17h30 (com exceção do dia 14, que será Iom Kipur e seguirá o horário da Neilá) Shabat Às sextas: Cabalat Shabat e Arvit com prédica, às 18h45, na Sinagoga Etz Chaim

Este é o único livro do Tanach em que não aparece o nome de Deus, logo,

Shabat Ieladim, às 18h45, para crianças

é o texto perfeito para um sofêr em treinamento, que ainda comete erros.

Cabalat Shabat e Arvit com prédica, às 18h45, na sede do Lar das Crianças da CIP (nos dias 2 e 16 de agosto)

Além disso, o sofêr não deve deliberadamente apagar uma palavra que tenha sido escrita corretamente. Mas, na Meguilát Ester, existe um nome que pode (e deve) ser apagado: Hamán. Deste modo, durante sua formação, o sofêr consegue treinar inúmeras vezes como apagar um texto, utilizando sua lâmina.

Aos sábados: Shacharit, às 9h30, com leitura da Torá e prédica na sinagoga Etz Chaim Shacharit Neshamá, às 9h30, participativo e igualitário na Sinagoga Pequena com leitura e estudo da Torá

10


Tefilin

Mezuzot

Bolsa para tefilin

Leitura da Torá Agosto DIA 3 Reê (Shabat Mevarchim) DIA 10 Shoftim DIA 17 Ki Tetsê DIA 24 Ki Tavô DIA 31 Nitsavim/ Vaiêlech (Selichot)

Setembro DIA 7 Haazínu (Shabat Shuvá) DIA 14 Iom Kipur DIA 21 Sucot (Chol Hamoed I) DIA 28 Bereshit (Shabat Mevarchim)

Chevra Kadisha

A CIP está pronta para ajudar as famílias neste momento tão doloroso da perda de um ente querido. Plantão permanente: entre em contato com Sérgio Cernea pelo tel/fax 3083-0005, cel. 9204-2668 ou através do e-mail chevra@cip.org.br. Falecimentos Armando Janiuk, em 29/abr aos 75 anos. Ilse Hirschbruch, em 04/mai aos 95 anos. Paul Meyer, em 13/mai aos 91 anos. José Hamermesz, em 19/mai aos 93 anos. Keila Litvak, em 21/mai aos 91 anos. Gerda Berger, em 3/jun aos 95 anos. Heinz Rector, em 10/jun aos 89 anos. Janus Justus, em 10/jun aos 93 anos. Vera Manasse de Baruch, em 11/jun aos 91 anos. Ruth Taterka, em 23/jun aos 86 anos. Rosel Rothschild, em 25/jun aos 90 anos. Therezinha A. Heilborn, em 27/jun aos 87 anos. Bronislawa Morgenstern, em 1/jul aos 97 anos. Sergio Klabin, em 3/jul aos 43 anos. Betty Feldberg, em 05/jul aos 87 anos. Jaime Saruê Cababie, em 12/jul aos 91 anos. Samuel Steiman, em 13/jul aos 83 anos. Michal Gartenkraut, em 18/jul aos 66 anos. Miriam Chazan, em 23/jul aos 73 anos.

Mazal Tov Simchat Bat Carolina Ferreira Brudniewski Julia Rosenthal Laura Cymrot Sztutman Michelle Eizemberg Ilana e Sharon Faingezicht Elis Feldman Harari Kouyate Shai Vasconcelos Williams Rafaella Zatyrko Daniela Edelstein Moraes Naomi Schlesinger Alice Eskinazi Bar-mitsvá Alex Grosman Radu Halpern Michel Mizne Pedro Elias Picherzky Tine Beni Murahovschi Stern Daniel Bogadanski Alice Eskinazi Auf Rif Alan Feldon e Camila Roriz Casamentos Camile Zajdenwerg e Ricardo Martin Alessandra Rawet Heilberg e Gabriel Esperanza Talita Mendes e Victor Rosenbaum Elisangela Matos dos Santos e David S. Aboutboul Danielle Burd e Josef Bukstein Vainboin Claudio Silberberg e Juliana G. do Amaral 11


acontece

2. 1.

3. 4.

1. Rabino Michel Schlesinger conversa com o então cônsul-geral de Israel em São Paulo, Ilan Sztulman, em evento de Iom Haatsmaut promovido por entidades judaicas de São Paulo. 2. Formatura do 1º Curso de Cuidadores de Idosos na CIP. 3. Participantes do 5 ​ º seminário do​​projeto Shidrug e do Chofesh Dança, que foram realizados na sede da CIP em Campos do Jordão. 4. Formandos da 20ª turma do Curso de Informática para Terceira Idade. 5 e 6. Presidência e diretoria da Congregação prestigiam o VI Ticun da Virada da CIP; e os rabinos Michel Schlesinger e Ruben Sternschein entregam o livro ‘Arte e Sabedoria Milenar Semana a Semana’ à jornalista Mona Dorf, que também participou do evento.

5.

6.

12


7. 8.

9.

10. 11.

7. O sheliach André Wajnberg e o rabino Michel acompanharam o Blood Day, campanha da Avanhandava que promove a doação de sangue. 8. A Juventude da CIP participou da arrecadação da Campanha do Agasalho no bairro de Higienópolis. 9. Voluntárias do Clube das Vovós Lotte PInkus acompanhas pelos integrantes da Camerata e Coral da Banda da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que participou da comemoração do 61º aniversário do grupo. 10. No Campo de Estudos Fritz Pinkuss, o grupo que participou da Saída de Mães e Filhas da Escola Lafer. 11. Rabino Ruben Sternschein participa da entrega das doações obtidas para a Campanha do Agasalho. 12. Uma das apresentações do show ‘Zo darkeinu lehaguid’, em comemoração aos cinco anos dos grupos de dança israelense da CIP.

12.

13


acontece

13.

14. 15. 16.

13. Chanichim da Chazit Hanoar na machané choref do grupo. 14 e 15. Acampamento dos 75 anos da Avanhandava. 16. Muita diversão nas Colônias de Férias da CIP em Campos do Jordão. 17. Rabino Michel encontra-se com o papa Francisco em missa realizada na cidade de Aparecida. 18. O rabino Michel Schlesinger e o cardeal Dom Odilo Scherer no bate-papo sobre a relação do Vaticano com os judeus realizado no Cine Livraria Cultura.

17.

18.

14


Desejamos que 5774 seja um ano bom e doce, recheado de vida e saúde, paz e harmonia, sucesso e prosperidade.

Shaná Tová!

Lembra daquele Acampô que...

Day Camp

Ava 75

Para você que é ou já foi da Avanhandava, venha participar desse dia inesquecível!

29 de setembro • Sítio Vips • Sorocaba

Inscrições: (11) 2808-6214 ou contato@avanhandava.org

@

Avanhandava A melhor Tnuá avanhandava.org

15


LAR DAS CRIANÇAS

Acolhimento, orientação e capacitação

C

omo no início de suas atividades, há 76 anos, o

tica e cozinha experimental, além do encaminhamento a

Lar das Crianças da CIP continua firme em sua in-

cursos disponíveis na comunidade do entorno. As famílias

tenção de auxiliar as famílias de seus assistidos.

ainda são convidadas para orientações com o serviço so-

Se no início, seu trabalho era o de abrigar e educar as

cial da entidade ou recebem visitas domiciliares com o

crianças para que os pais pudessem, vindos da europa

mesmo propósito.

pós-guerra, de forma tranquila, trabalhar; hoje, além da

O projeto Tesourinha, importante parceiro do Lar, ofe-

preocupação com os mais jovens, o Lar se orgulha de

rece, na sede do Lar, curso de assistente de cabeleireiro

oferecer ferramentas para auxiliar social e profissional-

e de manicure e pedicure. Direcionados às mães, às jo-

mente as famílias atendidas.

vens atendidas pela instituição e à comunidade do entor-

O programa do Lar que tem como objetivo a integração

no, os cursos incluem, além das aulas, oportunidade de

famílias das crianças atendidas, chamado Integrar, oferece

estágios e participações em eventos, como a Hair Brasil

espaços de orientação e capacitação familiar para que seu

2013, maior feira internacional de beleza da América

público consiga enfrentar e encaminhar com sucesso suas

Latina. Encaminhamentos para módulos avançados tam-

demandas mais básicas, com todas as possibilidades de

bém fazem parte do projeto. Os dois cursos atendem

exercer suas competências, seu trabalho e sua autonomia.

hoje 106 pessoas.

Nesse contexto, foram desenvolvidas algumas estraté-

A cozinha experimental oferece especialização em do-

gias. A primeira delas busca restabelecer a função pro-

ces, pães, salgadinho bolos e tortas. A informática ofe-

tetora da família, contribuindo na melhoria da qualidade

rece noções básicas para o uso do computador, como a

de vida e promovendo o acesso a benefícios e serviços

edição de textos e navegação na internet.

sócio-assistenciais. E uma vez que problemas de relacio-

A sede do Lar das Crianças da CIP pertence à subpre-

namento familiar afetam diretamente o comportamento

feitura de Santo Amaro há mais de 60 anos e é parte

das crianças, a equipe técnica multidisciplinar do Lar deci-

atuante da comunidade local. Seus programas, como o

diu investir nesse tipo de acolhimento familiar, que orienta

Integrar, atendem, além dos moradores do próprio bairro,

e prepara para o mercado de trabalho.

residentes do Capão Redondo, Cidade Ipava, Jardim Sou-

Assim, o Lar das Crianças oferece cursos para a formação de auxiliares de cabeleireiros e manicures, informá-

16

za, Paraisópolis, Jardim Horizonte Azul, Chácara Santo Antonio, Jardim Imperial, entre outros.


EMPRESAS PARCEIRAS Além de seus projetos de orientação e capacitação profissional, o Lar oferece também, a partir de valiosas parcerias com empresas, programas de orientação para as crianças e suas famílias. O programa de voluntariado da Seguros Unimed, por exemplo, oferece encontros sobre higiene e saúde, economia doméstica, formação de cidadania e sustentabilidade. O escritório Pinheiro Neto Advogados, por sua vez, promove workshops com temas vinculados a direito de família, além de oferecer orientação jurídica. Para saber como você ou sua empresa podem ajudar os projetos do Lar, entre em contato através do email: lardascriancas@cip.org.br.

CABALAT SHABAT NO LAR DAS CRIANÇAS DA CIP A CIP convida a comunidade judaica para o serviço religioso de shabat realizado, na sede do Lar, em Santo Amaro.

Programe-se para o 2º semestre

2 e 16/08 • 20/09 • 4 e 18/10 1 e 22/11 • 6 e 20/12 Sextas-feiras,

às 19h30

Participe e leve sua família e amigos! Local:

um passaporte para a vida

Informações: tamara@cip.org.br 11 2808.6258

Nas mesmas datas também serão realizados, 17 na sede da CIP, o Cabalat Shabat e o Shabat Ieladim, um serviço religioso preparado especialmente para as crianças.


AÇÃO SOCIAL por Débora Sor, coordenadora dos projetos de terceira idade da Congregação

Voluntárias do Clube das Vovós Lotte Pinkuss em ação junto a crianças carentes da cidade de Campos do Jordão

A importância da socialização e da família na terceira idade

P

or muito tempo em nossa sociedade grande

autoestima. Dessa forma, eliminam-se os obstáculos

parte das pessoas que envelheciam vivia um

para a realização das suas atividades sociais. O am-

processo de isolamento social. Atualmente,

biente familiar é essencial para potencializar a integra-

um número crescente de idosos ativos é capaz de dar

ção do idoso.

respostas originais aos desafios que encontram em

No convívio familiar há o respeito, o carinho, a troca

seu cotidiano, contrapondo os estereótipos ligados à

com outras gerações e as melhores condições de vida

velhice. Não é porque os anos passaram que as saí-

que cada indivíduo idoso necessita. Na medida em que

das, conversas e risadas com os amigos e familiares

a família proporciona estes bens aos parentes idosos,

devem acabar. Pelo contrário, é na terceira idade que

está contribuindo para a dignidade desses entes que-

usufruímos momentos especiais com pessoas impor-

ridos. O idoso ativo consegue preservar sua indepen-

tantes, por isso, a socialização para o idoso é de ex-

dência, ter uma vida produtiva e manter com sua família

trema importância.

uma relação equilibrada.

Para que os idosos aumentem seu potencial de socia-

A pessoa idosa, no âmbito familiar, mantém-se como

lização, é necessária uma nova percepção sobre sua

um importante recurso. O idoso não é apenas uma re-

autonomia, reconhecimento de seus limites e desen-

ferência em nível de conhecimentos e aconselhamento

volvimento de novas habilidades, além da elevação da

e alguém que já viveu mais e tem uma experiência de

18


vida que deve ser valorizada, é também uma mais-valia na participação nos cuidados e no contato com as gerações mais novas. Ser um avô/avó participante no ambiente familiar representa uma fonte de gratificação para o idoso e um importante laço estruturante na educação dos mais novos. O trabalho voluntário proporciona ao idoso um meio de socialização e um envelhecimento produtivo. Ser voluntariamente ativo, além de propiciar motivação pela ação a ser realizada, promove a cidadania, prepara

Formandos da 20ª turma do Curso de Informática para Terceira Idade

para o idoso para lidar com as diferenças, contribui para o desenvolvimento do trabalho em equipe, possibilita continuar com o processo de realização pessoal e auxilia na superação do isolamento. O idoso pode, inclusive, mobilizar os familiares nas ações voluntárias em que está comprometido, fazendo com que todos se sensibilizem pela ação. A CIP, através do Departamento de Ação Social, promove a inclusão social da terceira idade através de trabalhos voluntários que fazem do idoso o protagonista dos projetos e beneficiam outros através das atividades. Tais projetos são de total relevância, tendo como objetivo o resgate da cidadania, a qualidade de vida e a socialização. As famílias vinculadas à Congregação procuram o departamento com o objetivo de integrar seus idosos e vê-los, além de pertencer a um grupo de convívio social,

Voluntária da Costura da Boa Vontade entrega peças confeccionadas pelo grupo às mães atendidas pelo Hospital Amparo Maternal

cultural e religioso, desenvolver novas atividades onde possam contribuir com o melhor de si. Grande parte dos ensinamentos judaicos e tradições são recebidas no lar e nas atividades familiares. O judaísmo é constituído pela memória de gerações, em que os mais velhos transmitem os conhecimentos adquiridos e acumulados por toda a vida para as gerações mais novas. Em Rosh Hashaná celebramos o Ano Novo Judaico, a renovação da vida, a reunião da família com todos os entes queridos. Que os idosos possam ser ativos e transmitir seus conhecimentos de geração em geração, e que todos tenham um ano bom e doce, de continuidade e eternidade.

Frequentadores dos encontros do Clube das Vovós Lotte Pinkuss

19


R A B I N AT O po r rabino Ruben Sternsche i n

A família nos significados da E

sucá

mbora a sucá lembre, antes de tudo, a vida no deser-

A festa de Sucot é talvez, principalmente, a festa da

to, do caminho para a liberdade e o estabelecimento

solidariedade e do acolhimento, pois, além de morar

na Terra de Israel, ela levanta vários outros temas para

nas sucot durante a festa, devemos saber abri-las real-

nossa reflexão.

mente a nossos convidados e, através delas, abrirmos

Por encontrar-se na natureza, ser feita com parte dela e nos colocar a morar nela, a sucá lembra também nossas responsabilidades ecológicas para com a sustentabilidade do planeta e da vida nele. Como convivemos com e nele, como dividimos, como cuidamos, como e o quê consumimos, são dos assuntos principais que vêem à tona.

nossos corações e mentes a tudo que eles trouxerem ao nosso interior. É por todos esses motivos que poderíamos colocar a família no meio da festa de Sucot. Recebemos a família o tempo todo, como o mais íntimo e o primeiro passo em prol do outro e do alheio. A psicologia

A precariedade da sucá lembra nossa transitoriedade

e a sociologia ensinam que o indivíduo constrói seu contato

pelo tempo e pelo espaço, a efemeridade de nossa exis-

com o outro, com o próximo, com a sociedade e, inclusive

tência e o grande desafio de fazer diferenças significati-

com Deus, através de seus vínculos familiares e em respos-

vas no pouco tempo de que dispomos.

ta a eles. Não só no começo da vida, mas também no resto

Também a fragilidade de nossa liberdade fica expres-

do tempo. Aprendemos a dar e a receber espaço, ideias,

sada neste aspecto das sucot, pois nelas moramos ao

amor, apoio, raiva, competição, e o universo inteiro de nos-

sair da escravidão no Egito, tornando-se nossas primeiras

sas habilidades para os relacionamentos em função do que

moradias em liberdade.

vivenciamos com os membros de nossa família.

20


No que se refere ao planeta, é também das gerações

bém através da continuação ou não, da transformação do

de nossos ancestrais que recebemos o mundo, e aos nos-

legado dos pais e o que é deixado para nossos entes que-

sos filhos, biológicos ou não, é que o deixaremos. Com

ridos como legado ou pendência. É assim como a família,

mais ou menos poluição, com mais ou menos árvores,

reflete a finitude e efemeridade da vida, mas mostra que

com maior ou menor beleza. A família representa melhor

podemos transcender e nos ultrapassar.

do que ninguém o fato de sermos parte de uma corrente que passa pelo tempo e pelo espaço.

Assim como a sucá, que evoca todos esses valores e os traz à tona com a família e nos convoca a praticá-

Nossa liberdade como indivíduos e nossa autonomia de

-los com todos os que estão à volta, poderíamos dizer

pensamento, de ação, de valores, guarda também um vín-

que ela torna todos os habitantes do mundo, de algum

culo, ampla e profundamente demonstrado pelas diversas

modo, uma grande família. A festa de Sucot pede para

escolas psicanalíticas, com nossas ligações familiares.

recebermos de todos e a todos e nos hospedarmos em

Nossos ideais, nossa coragem, nossas inibições e nossa

muitas sucot. Pede para aceitarmos nossa própria liber-

autoimagem começam nos vínculos familiares e dependem

dade e a dos outros, para cuidarmos do planeta e da

da dinâmica que desenvolvamos entre o que abandonamos,

natureza como se fosse o grande lar da família humana,

afirmamos e transformamos daquilo que é experimentado

e pede para ver em cada pessoa e em cada momento

no lar. Tanto no passado quanto no presente e no futuro.

uma oportunidade de compartilhar o tempo e o espaço

A família expressa também nossa capacidade maior ou menor de transcender. Através dos filhos, claro, mas tam-

efêmero do qual somos parte e transcendê-los para tornar a vida mais significativa.

CIP BaAretz

sua a a m m vel! í u o c e c e u e a d e inesq p i i l í c i t fam rtida Par ive d m e g via 19/jan a 01/fev

Informações e inscrições: escolalafer@cip.org.br ou 2808-6219

vagas limitadas

A CIP e a Escola Lafer levam você e sua família para uma viagem a Israel cheia de aventura e emoção, na companhia do rabinato e da equipe pedagógica.

Fique por dentro de nossa programação: cipsp ou www.cip.org.br

21


ESPECIAL po r And réia Hotz, ed itora d a R e v i s ta da C IP

Memórias, encontros e descobertas

Conheça a história da família que, apesar da violência nazista, conseguiu manter-se unida através da esperança e do amor, e teve partes importantes de seu passado recentemente reveladas a partir de uma feliz ideia para um presente de aniversário.

E

m meados da década de 1930, na antiga Tchecoslováquia, George Stransky, formado em matemática e proprietário de uma empresa de seguros, apaixonou-

-se por aquela que seria sua segunda esposa. Valeria, então primeira bailarina do Teatro de Viena, casou-se com George e tornou-se madrasta de Erika, filha da primeira esposa do matemático que, como era comum na época, deixou a filha aos cuidados do pai enquanto buscava melhores condições de vida na Inglaterra. O casal estabeleceu-se em Praga e, em 1937, tiveram uma filha, Monika.

Erika, Monika e Valeria acompanhadas de Zigmund Stransky, avô das crianças e pai de George.

Em 1942, os nomes de George e Erika apareceram na lista

Valeria e Monika permaneceram na capital tcheca. Apesar

de chamada dos alemães, que mantinham ocupado o territó-

de não ser judia, a Sra. Stransky foi chamada a prestar es-

rio tcheco já havia três anos. Sem ter ainda ideia do que esta-

clarecimentos, uma vez que se casou e teve uma filha com

va realmente acontecendo, os dois se apresentaram e foram

um judeu, apesar da proibição imposta pelo governo nazista

levados para campos de concentração mantidos pelo regime

sobre casamentos tidos como ‘mistos’. Valeria escolheu usar

nazista. Ele foi para um campo de trabalhos forçados e Erika

a conhecida estrela amarela a se divorciar e, junto com sua

foi encaminhada para Theresienstadt, que ficava perto de Pra-

filha, passou a ser vigiada e a correr os mesmo riscos que a

ga e que os nazistas diziam ser, ao contrário da realidade, um

comunidade judaica corria. O amor dela por sua família selou

‘assentamento de judeus’, uma ‘cidade-modelo’.

sua entrada no Povo Judeu.

22


Um dos guardas da rua em que as Stransky moravam, percebendo uma movimentação na casa de um político tcheco

sa, facilitando empréstimos financeiros e cuidando de suas crianças. Era a Congregação Israelita Paulista.

morador do mesmo local, alertou as duas, dizendo que era

Na Tchecoslováquia, e da maneira que podiam, a família

melhor que se mudassem antes que algo pudesse acontecer.

Stransky retomou sua vida, mas nunca esqueceu a filha que

Mais que isso: ofereceu a casa de seu irmão para que elas

foi morta pelo governo nazista. Anos mais tarde, fugindo do

pudessem se esconder. O lugar ficava no interior, em uma

comunismo, chegou ao Brasil.

região agrícola. Foi lá que Valeria e Monika viveram durante toda a Segunda Guerra. A comunidade tinha pouco mais de 300 habitantes e o vilarejo chamava-se Boskov. Enquanto isso, George Stransky tinha conseguido fugir do

Apesar de não haver judeus em Boskov, o vilarejo abrigou a família e os escondeu do regime nazista.

campo de trabalho com a ajuda de um dos médicos do campo, que o reconheceu da faculdade que frequentaram e deu

O filho do casal Zolko, Gregório, e a filha mais jovem dos

a ele cinco minutos para a fuga. Era o máximo que podia

Stransky, Monika, se conheceram e casaram em julho de

fazer sem ser ele próprio morto por conspiração pelos ofi-

1959 em São Paulo.

cias nazistas. Relatos dão conta que, após voltar para Praga,

E por causa de uma ideia para o presente de aniversário

Stransky descobriu que a esposa e a filha tinham se refugiado

da mãe no ano passado, Karen Zolko descobriu a história dos

em Boskov e foi ao encontro delas.

últimos anos de vida de sua tia, Erika Stranska.

A cidade, mesmo sem possuir uma comunidade judaica, abrigou a família, ajudando-os a se passar por camponeses.

O grande presente

Após o final da Guerra, Stransky passou a procurar a filha

Em 1974, a família Stransky Zolko foi à Tchecoslová-

mais velha, chegando, inclusive, a ir até a Suíça atrás de

quia visitar alguns familiares. Durante um passeio ao Mu-

uma pista de seu paradeiro. Por fim, acabou descobrindo

seu de Praga, pais e filhas pararam para olhar uma expo-

que Erika tinha sido levada para Theresienstadt e, de lá, para

sição de desenhos de crianças feitos durante a Segunda

Auschwitz, onde morreu.

Guerra no campo de concentração de Theresienstadt. Foi uma grande surpresa quando Monika reconheceu na

Encontro de famílias

assinatura de um deles o nome da irmã, Erika.

Enquanto tudo isso acontecia na Europa, outra família, os Zolko, que tinha vindo para o Brasil em 1930 fugindo da crise econômica na Alemanha, já tinha se estabelecido na cidade de São Paulo. Max e Fenia Zolko participaram da fundação de uma congregação judaica que, além de conforto religioso, oferecia aos que chegavam fugidos dos horrores da Segunda Guerra ajuda para se inserirem na comunidade brasileira, indicando oportunidades de emprego, ministrando aulas de língua portugue-

Monika e Valeria em Boskov, por volta de 1943.

23


que ocuparam o quarto 28 da ala infantil de Theresienstadt e que fizeram os desenhos expostos no Museu de Praga. Enquanto escrevia uma matéria sobre a arte naquele campo de concentração, a jornalista descobriu a história das meninas, entrou em contato com as que ainda viviam e, após colher dados, desenhos e um diário, decidiu escrever o livro. A comunicação entre Karen e Hannelore tornou-se constante através de emails, mensagens em suas páginas no Facebook

Desenho feito por Erika enquanto ela estava em Theresienstadt.

e bate-papos via Skype. Elas trocavam informações sobre a história da Erika: a jornalista enviava dados e documentos dela

A família sabia que o campo de Terezín recebeu muitos

em Theresienstadt, enquanto a sobrinha enviava informações e

artistas e, por isso, não se surpreendeu com o fato de Erika

fotos feitas por seu avô, George, enquanto morou em Boskov.

ter tido oportunidade de desenhar. A coincidência de achar,

Na época, ele possuía uma máquina fotográfica e uma filmado-

por acaso, um desenho dela, sim, marcou os Stransky Zolko,

ra, que mais tarde teve que trocar por comida. Os registros, ao

uma vez que a lembrança da Erika sempre esteve presente.

contrário, permaneceram e foram passados de geração em

Em 2012, imaginando que poderia aproveitar o fato de a

geração até chegar em Karen e suas filhas.

Tchecoslováquia, agora República Tcheca, não ser mais comunista, e a possibilidade de seus museus terem páginas na

Homenagem

Internet, Karen e sua filha Adriana entraram em contato com

Em julho de 2012 o governo alemão e a Comissão Eu-

o Museu de Praga para pedir uma cópia do desenho que

ropeia já se preparavam para as atividades do Dia de Lem-

Karen e sua família descobriram na década de 1970. A ideia

brança do Holocausto de 2013, que seriam realizadas em

era presentear Monika, por ocasião de seu 75º aniversário.

Berlim e em Bruxelas, país sede da Comissão. O projeto de

Ela contou ao diretor do museu a pequena parte da história

Hannelore, de exposição dos desenhos das garotas de The-

da Erika que lhe era conhecida e pediu para receber, se pos-

resienstadt, com painéis explicativos e também com partes

sível, uma cópia do desenho por email ou mesmo o link para

de seu livro, foi o único escolhido pela União Europeia para

a página do site deles que contivesse a reprodução dele.

fazer parte dos eventos.

Passadas duas semanas, o diretor enviou sua resposta. A

Em dezembro, a autora recebeu um email do Ministério das

mensagem, além da menção sobre o quão emocionado ele

Relações Exteriores da Alemanha que, sabendo da história do

ficou com o email de Karen, dizia também que não havia apenas um desenho da Erika, mas sim trinta deles. Links para as páginas onde eles estavam também foram enviados, assim como o contato de algumas pessoas que, talvez, poderiam ajudar com mais informações sobre Erika. Uma delas era a jornalista Hannelore Brenner, autora do livro The Girls of Room 28, sobre a vida das crianças

24

Em São Paulo, Monika e Gregório posam para foto com suas filhas Karen e Sandra na década de 1960.


Em sua busca por mais informações, ela entrou em contato com autoridades da Tchecoslováquia e com o prefeito de Praga. Estes, por sua vez, contataram o atual prefeito de Boskov, que hoje tem mil habitantes, e contaram que uma sobrevivente da Segunda Guerra que ficou escondida na cidade estava em Bruxelas. A historiadora queria saber se alguém na cidade se lembrava da história e, para ajudar na busca, a família de Monika enviou algumas fotos e vídeos feitos por George Stransky com cenas dos moradores e da cidade. A resposta de Boskov foi imediata e positiva: muita gente se lembrava da história da única família que a cidade acolheu e Karen e seus pais em visita a Berlim no início de 2013.

ajudou a esconder dos nazistas. Agora, Karen Zolko e sua mãe, em retribuição e agrade-

novo capítulo de seu livro, sobre a história da família da Erika

cimento pelo que foi feito por sua família, estão ajudando

e seus desmembramentos no Brasil, pediu para que ela con-

a reconstruir a história de Boskov. Junto com Hannelore

vidasse a família Stransky Zolko para participar das aberturas

Brenner, elas estão enviando para as autoridades da cida-

das exposições nas capitais alemã e belga.

de todos os registros feitos por George.

No início de 2013, Karen, junto com seus pais, Gregório e

Ainda por conta de seu trabalho, a historiadora entrou

Monika, embarcaram para Berlim. Eles participaram das aber-

em contato também com o Yad Vashem, que mostrou

turas como convidados de honra do Ministério das Relações

interesse pela história e incluirá em seus registros as in-

Exteriores da Alemanha e do Goethe Institut, que programou

formações de como os moradores de Boskov salvaram a

atividades e passeios para o pequeno grupo brasileiro.

família Stransky durante a Segunda Guerra.

Dada a importância de Berlim para as duas famílias, Stransky e Zolko, foi incluída entre as atividades programadas

Continuidade

uma visita ao bairro judaico e aos locais onde elas costuma-

Em uma de suas conversas com Hannelore, Karen comen-

vam morar no início do século anterior. E novamente boas

tou sobre a dificuldade de conseguir um exemplar de seu livro

coincidências: o jovem rabino contratado como guia do grupo

e disse que seria ótimo se existisse uma edição em português.

teve aulas com o rabino Michael Leipziger, que fez parte do

A autora gostou da ideia e as duas começaram a procurar edi-

rabinato da CIP na década de 1980.

toras que se interessassem por publicar a história. A editora

Em Bruxelas, Monika foi homenageada durante o evento conduzido pelo vice-presidente da Comissão Europeia e que contou com a presença de autoridades políticas e comunitárias.

Leya adquiriu os direitos e o livro As garotas do quarto 28 será lançado no início de 2014. Para a edição brasileira, Hannelore incluiu um capítulo sobre a história da Erika, Late echos

Reencontro e gratidão

from Brazil, ou Ecos tardios do Brasil. As próxi-

Ainda na Bélgica, o grupo foi apresentado a uma historiado-

mas edições do livro nas outras línguas também

ra cujo trabalho era sobre famílias, especialmente da Tchecos-

conterão o novo trecho.

lováquia, que perderam seus laços e nunca mais se encontra-

A exposição de Hannelore sobre as meninas de

ram. A história da família Stransky em Boskov tornou-se um

Theresienstadt também virá para o Brasil. A pre-

de seus temas de estudo.

visão é que a abertura aconteça ainda em 2014.

25


C A PA por rabino Michel Schlesinger

Ensinar nossos

filhos a nadar

s responsabilidades dos pais em relação aos seus

A

E em nossos dias? O que significa assumir a responsa-

filhos são discutidas no Talmud, no Tratado de Ki-

bilidade sobre a educação judaica dos filhos? Alguns vão

dushin. Entre as principais obrigações, destacam-

defender que significa colocar os filhos em uma escola

-se, segundo diferentes tradições judaicas, quatro: os pais

judaica. Outros, que matricularam as crianças em escolas

devem ensinar Torá para seus filhos, se dedicar para que

laicas, irão procurar um ensino complementar de judaísmo,

eles aprendam também uma profissão, garantir que se ca-

como o oferecido pela Escola Lafer da CIP.

sem e, finalmente, ensinar-lhes a nadar.

Gostaria de propor, no entanto, outra interpretação. Pen-

É possível imaginar o motivo de nossos sábios estabele-

so que, no século 21, ensinar judaísmo para os filhos signi-

ceram justamente essas quatro obrigações. Afinal de con-

fica construir um lar em que ele seja um valor presente em

tas, elas estão conectadas com as principais preocupa-

cada uma das decisões.

ções de antigamente. Mas como seria hoje? De que forma

Assim, pais que antes de marcar as férias da família levam

poderíamos atualizar cada uma dessas quatro obrigações?

em conta o calendário judaico para verificar se coincidirá ou

O primeiro dever é de ensinar judaísmo aos filhos. A Torá

não com alguma festa, estão dizendo, com ações concre-

estabelece a obrigação dos pais educarem seus filhos

tas, que o judaísmo é relevante para eles. Uma casa em que

por meios das palavras contidas na oração Shemá Israel.

o jantar de sexta-feira é mais caprichado e inclui elementos

VeShinantám LeVanecha VeDibarta Bam. - E ensinarás (as

rituais como as velas, as chalót e o vinho, está demonstran-

palavras do Shemá) a seus filhos e falará sobre elas.

do a relevância daquele dia para a família. Pais que con-

26


tribuem com a comunidade com seus recursos, seja com conhecimento, tempo, dinheiro, ou todos ao mesmo tempo, estão transmitindo valores por meio de suas atitudes, e marcando para sempre esses filhos com seu exemplo. A segunda obrigação é a de ensinar uma profissão. No passado, ensinar uma atividade profissional significava permitir que o filho, a partir de certa idade, acompanhasse os pais e aprendesse seus ofícios. Normalmente, o filho de um sapateiro ajudaria em pequenas tarefas na sapataria da família até que pudesse, um dia, assumir sua própria bancada de trabalho. E assim era com o alfaiate, com o ourives, com o schochet. Em nossos dias, pais ensinam ofícios aos seus filhos por meio do exercício ético de suas profissões. Profissionais que colocam a ética em primeiro lugar estão transmitindo um valor incomensurável aos filhos. Assim está escrito: “Ensine a uma criança o caminho que deve seguir e, mesmo na velhice, ela não se desviará dele” (Provérbios 22:6). Filhos que têm a sorte de crescer em uma casa em que mãe e pai desempenham suas profissões com uma intensa preocupação ética, estão sendo educados para, um dia, serem também profissionais éticos. Este desafio não é pequeno. Ser um profissional ético significa, muitas vezes, abdicar de tentações, trilhar caminhos mais complexos, e, por vezes, ganhar menos. No entanto, para aqueles que acreditam no valor da ética, não existem alternativas. E assim, por meio de seu exemplo pessoal, pais estão ensinando um ofício para seus filhos. A terceira obrigação é a de casar os filhos. No passado,

O que significa, em nossos dias, casar os próprios filhos?

os casamentos eram, na sua maioria, arranjados. Mesmo

Eu gostaria de propor que a chave para esta pergunta está

antes dos filhos nascerem, estavam, muitas vezes, prome-

no modelo de relacionamento que os pais estabelecem en-

tidos para os filhos de outro casal que ainda nem havia

tre eles. Pais que se amam, se respeitam, criam espaços de

engravidado. Os arranjos eram motivados por duas razões

diálogo, possuem flexibilidade dentro do relacionamento, se

principais: dinheiro e linhagem (iírrus). Assim, uma família

honram, se apoiam e admiram-se mutuamente, transmitem

abastada possuía uma margem maior de escolha do que

uma mensagem encorajadora, a de que vale a pena cons-

uma família mais humilde. O mesmo acontecia com uma

truir uma vida junto com alguém que se ama. Acredito que

família que possuía rabinos respeitados há diversas gera-

casar um filho ou uma filha, hoje, significa construir com

ções. Este também era considerado um valor determinante

o cônjuge um relacionamento inspirador para que os filhos

na negociação de um shiduch.

vejam e tenham vontade de fazer o mesmo.

27


Vivemos em uma época que muitos pais são separados.

guidores de seu perfil no Twitter ou pelo número de amigos

Se na geração de meus avós o divórcio era um grande

no Facebook. Mais do que nunca, pais precisam preparar os

tabu e as pessoas permaneciam casadas mesmo quando o

filhos para pagarem o preço da autenticidade, da coerência e

respeito e o amor já haviam terminado há muito tempo, na

da oposição, mesmo quando isso for extremamente impopular.

geração dos meus pais “descobriu-se” a possibilidade da se-

Tão importante quanto nadar com a maré e angariar a

paração, o que abriu espaço para uma verdadeira avalanche

simpatia da maioria é ter a coragem necessária de dizer

de desquites. Muitas vezes de forma pensada e cuidadosa,

“não”. Ser fiel à próprias convicções pode significar dizer

outras tantas de maneira intempestiva e precipitada. O resul-

o que outros não gostariam de ouvir. Quando o popular é

tado foi um número muito grande de casamentos desfeitos.

errado aos olhos de nossos filhos, seus músculos terão de

Penso, no entanto, que, mesmo nesses casos, os pais separados devem se esforçar para transmitir uma mensa-

Aquele que entra nas águas da vida

gem encorajadora para seus filhos. Cada caso é um novo

precisa saber nadar junto com a

universo e, de qualquer maneira, observo que é possível desfazer um matrimônio com dignidade. Assim, as novas

maré e, por vezes, contra ela.

gerações vão entender que, mesmo quando um casamento termina, é possível fazê-lo com diálogo e respeito. A mais inusitada das obrigações é a de ensinar o filho

estar bem treinados para que tenham a coragem necessária para serem impopulares.

ou a filha a nadar. É possível entender como este dever

“Pais professores de natação” são aqueles que treinam

era essencial no passado. Em uma época que os meios de

seus filhos para ouvir os outros e, ao mesmo tempo, serem

transporte aquáticos eram muito usados e representavam

fiéis a eles mesmos.

um grande perigo, saber nadar poderia significar a diferen-

Rosh Hashaná é uma festa que reúne a família na sina-

ça entre a sobrevivência e o afogamento. Mães e pais que

goga e nas refeições que acontecem em casa. Que seja

colocavam seus filhos na água desde cedo, cumpriam sua

esta uma boa oportunidade para revermos nossos papéis

obrigação com a segurança física das crianças que pode-

como mães e pais e verificarmos se estamos transmitin-

riam se defender em caso de naufrágio.

do a Torá através de um lar onde o judaísmo é levado

Quero sugerir, no entanto, que o dever de ensinar os

em conta, ensinado uma profissão por meio do exercício

filhos a nadar seja lido de forma metafórica: aquele que

ético dos nossos ofícios, promovendo o casamento por

entra nas águas da vida precisa saber nadar junto com a

meio de um relacionamento respeitoso com atuais ou ex-

maré e, por vezes, contra ela.

-companheiros de vida e, finalmente, criando nadadores

Vivemos em uma época que todos querem ser populares. A notoriedade de uma pessoa se mede pelo número de se-

capazes de pagar o preço da impopularidade quando isso for o mais correto a se fazer.


VALORES JUDAICOS p or P ablo Ber m a n, r a b i no da C om uni da de Is r a e l i ta do Pa r a n á

Simchat Torá, a Festa da Repetição O Tratado Talmúdico de Kedushín discorre sobre os aspectos legais para que um homem e uma mulher componham uma família e sejam reconhecidos pela lei judaica como marido e mulher. Ao abrirmos este tratado na página trinta, encontramos uma interessante discussão: O que significa a palavra ‘veshinantám’? – perguntam os rabinos. Nós a conhecemos do Shemá Israel, pois, diariamente, dizemos ‘veshinantám levanêcha vedibartá bam’ (ensinarás essas palavras aos teus filhos, e sempre falarás a respeito delas). Porém, para os rabinos, a palavra ‘shinantám’ indica mais do que apenas ‘ensinar’. De acordo com a interpretação deles, o verbo ‘leshanên’ está relacionado a ensinar duas vezes (porque ‘shnáim’, em hebraico, quer dizer ‘dois’), ou seja, ensinar

mente do que faziam os judeus da Babilônia, onde o ciclo

e repetir sobre o objeto estudado. Na verdade, dizem os

de leitura era anual.

rabinos, devemos ler ‘shilashtám’ no lugar de ‘shinantám’

Foi apenas a partir do século XI, na Espanha, que a co-

(pois ‘shalósh’, em hebraico, é ‘três’). Isso quer dizer que,

memoração de Simchát Torá adquiriu as características

quando estudamos, há três passos que devemos seguir

que conhecemos hoje: um dia especial e único, quando

para compreender a essência das coisas. Primeiro deve-

finalizamos a leitura da Torá com danças e alegria. Com

mos estudar o conceito; depois, devemos voltar a estudá-

um amor e uma particularidade que só o judaísmo tem,

-lo, agora já conhecendo o tema; e, na terceira leitura, o

como escreve o rabino David Golinkin: “…somos o único

tema finalmente pode ser assimilado por quem o estuda.

povo do mundo que dança com seus livros sagrados”.

Os rabinos, então, concluíram que temos que dividir em

Assim, a festa de Simchát Torá se tornou o auge da

três o tempo de nossas vidas. Um terço para estudar o

semana de Sucót e Sheminí Atséret, tendo sua origem

Tanach, outro para estudar a Mishná, e um último para

na época medieval, baseada no costume dos judeus da

estudar o Talmud. A pergunta que surge, então, é: como

Babilônia, que liam o texto da Torá em um ciclo anual.

podemos dividir nossa vida em três partes, se não sabe-

Os judeus de Israel também comemoravam com alegria

mos o quanto viveremos? Os rabinos respondem que basta

a finalização da leitura do texto sagrado, mas somente a

dividir cada dia de nossas vidas, dedicando algum tempo

cada três anos.

ao estudo de nossa tradição.

Nos dois casos está presente a ideia da repetição, de

Talvez, essa ideia do ‘três’, como conceito de aprendiza-

sempre voltar a nossos textos outra vez, o que é central

do, tenha sido o que levou os judeus que viviam em Israel

na tradição judaica. Não basta apenas dançarmos com os

nos primeiros séculos desta era a dividir a Torá em três

rolos, é necessário abrirmos os rolos, lermos os textos e

partes, completando sua leitura do decorrer de três anos

nos alegrarmos ao estudá-lo, uma e outra vez, em cada

(que nós chamamos hoje em dia de ciclo trienal), diferente-

momento de nossas vidas. 29


juventude • dança

A dança como conexão com Deus e com a comunidade “De que maneira posso falar, se o que eu tenho em mim é tão abstrato? Como digo tudo que sinto e tudo o que sou, se sentir e ser são mais que palavras? Como é minha maneira de ser? Valho-me de um sorriso, um grito, um olhar, um aperto de mão, do silêncio, de um beijo. Gestos, movimentos, música, ações... Dança. Falar é apenas uma maneira de dizer. Mas qual a nossa maneira de dizer? Essa é nossa maneira de dizer.” Com estas palavras iniciou-se o espetáculo de

tegração comunitária e a educação judaica liberal e

dança israelense Zo darkeinu lehaguid (Essa é nossa

sionista, não deixei de revisitar, em nenhum instante,

maneira de dizer), realizado pelos grupos jovens de

o questionamento da minha própria motivação e o

dança da CIP. Participaram os dançarinos dos grupos

que se tornaria a motivação compartilhada do proje-

Nefesh e Eretz, que já existem desde 2008, e também

to. Em outras palavras: por que era relevante coroar a

os grupos de dança dos movimentos juvenis Chazit

existência desses grupos de dança com o espetáculo?

Hanoar e Avanhandava. O palco contou com 110 jo-

Sempre em busca de um princípio e uma mensa-

vens dançarinos.

gem maior a ser transmitida pelos dançarinos através

O espetáculo, que comemorou os cinco anos do

da arte, é que elegi no ano passado, em conjunto com

movimento de danças da Congregação, foi realizado

os coreógrafos/educadores/madrichim dos grupos, o

no teatro Gazeta e reuniu o repertório de coreogra-

tema e título: Essa é nossa maneira de dizer. Quan-

fias acumulado ao longo dos anos de existência do

do os escolhemos, pensamos em como é importante

movimento. Os estilos e temas abarcaram a cultura

poder manifestar-se, pronunciar-se e se colocar no

israelense e judaica e o prazer de dançar, tocando em

mundo, e como isso é uma das metas educativas pelo

questões como a paz entre Israel e o mundo árabe, a

qual mais lutamos dentro da Juventude da CIP, onde

imigração Etíope e a liderança da profetiza Débora.

o movimento de danças se insere. Poder e saber ex-

No processo de produção, elaboração e direção des-

pressar-se não é tarefa simples de conseguir, tampou-

se espetáculo, eu, como coordenadora do movimento

co de ensinar. Entretanto, significa afirmar sua exis-

desde a sua criação, constantemente me perguntei so-

tência no mundo e, por isso, almejamos que nossos

bre seu sentido no contexto comunitário e individual.

jovens o saibam fazer.

Apesar de ter clara a missão do movimento de danças

A dança israelense é mais uma maneira de dizer. É

da CIP como mais uma oportunidade de atingir a in-

uma maneira de afirmar de forma poderosa e tocante.

30


LEILA TOMÁS E LAÍS ARANHA

lavras. Apenas a experiência viva de dançar ou de assistir à dança pode nos revelar estes estados. Há citações bíblicas que sugerem claramente que, em outras épocas de nossa história judaica, a dança era uma forma importante de rezar e louvar a deus. Essa forma foi, gradativamente, sendo abandonada e substituída pela forma verbal. Isso significa que dançar é espiritual e intrinsecamente judaico. Dialogando internamente com esses argumentos e sentimentos, movi meu trabalho em direção à realização deste espetáculo. Não se pode trabalhar sem a profunda convicção do que se está fazendo. Creio que temos inúmeros motivos para estarmos convictos desse projeto. Esse show revelou-se, acima de tudo, um momento de alegria e comunhão. Mais do que perfeição artística, buscamos afirmar valores e perpetuar ensinamentos

Significa afirmar uma identidade judaica e a existên-

através da dança israelense. A qualidade é relevante,

cia de nosso povo. Comunitariamente, significa fazer

pois, como em tudo que se faz, denota engajamento,

sua parte, transmitindo, através da dança, cultura e

investimento e empenho na tarefa, mas ela está a servi-

mensagens relevantes, como as que inspiraram os

ço de missões maiores que se tem na CIP.

temas das coreografias do espetáculo. Significa tra-

E para auxiliar a dança na transmissão desta grande

zer beleza e autoestima para cada indivíduo, e alegria

mensagem, valemo-nos de um vídeo e de palavras no

tanto para quem assiste, quanto para quem pratica.

fechamento do espetáculo. Estas eu deixo aqui para

Vale a pena investir nessa maneira de dizer.

que desfrutem, pensem e para que, principalmente,

Nossa CIP oferece espaço para a participação de to-

não queiram perder o nosso próximo show.

dos. Há os que se identificam com o culto, há os que

“Dança é a arte que, com o corpo, expressa a alma.

participam dos movimentos juvenis, os que engajam-

É a forma de integrar movimento, pensamento e sen-

-se em trabalho social, os que cantam e, da mesma

sação. Com o corpo em movimento, podemos revelar

forma, há os que gostam de dançar. Estes também

nossos sentimentos mais íntimos. Dançar na CIP

encontram na Congregação uma casa, um templo. E

significa poder dizer muitas coisas. Significa que

assim unem-se à nossa família.

podemos pertencer, acolher, falar, festejar, brincar,

Há situações em que, por mais escolhidas que se-

dar risada, ser judeus e ser humanos melhores e com

jam, as palavras falham em expressar seu valor. Não

valores sólidos. É desta maneira que contamos nossa

por equivocarem-se, mas por não tangerem a certos

história e, juntos, exteriorizamos o que vem de nós.”

aspectos da vida que as transcendem. É irônico que, usando o corpo, ou seja, nossa instância mais mate-

Lia Levin,

rial, como ferramenta, consigamos atingir estados

coordenadora do movimento

transcendentais da alma que não chegamos com pa-

de dança israelense da CIP 31


juventude • grandes festas

As crianças e as Grandes Festas

Rosh Hashaná e Iom Kipur possuem muitos significados, e além de serem datas introspectivas, são também uma época de sentimentos e experiências agradáveis. O que me faz pensar em como seria uma experiência agradável para as crianças na sinagoga. E como, além de agradável, pode ser significativo, enriquecedor e agregar algo a ela e a sua família. Com base nessas perguntas, e na importância de estar com a família e com os amigos, é que preparamos as Grandes Festas dos Pequenos da CIP. Esses são, então, nossos pontos de partida para a preparação desse evento mágico. É por isso que sempre optamos por trabalhar com madrichim, uma vez que eles são, entre muitas coisas, amigos de nossas crianças, que brincam, divertem, e principalmente, que para entreter as crianças durante os serviços religioensinam, conversam e estão abertos a descobrir, junto sos de Rosh Hashaná e Iom Kipur. O projeto é um com o chanich, o universo que o cerca. O madrich é o evento significativo que tem como meta transmitir o passo fundamental de toda a construção desse chag.

que de mais bonito podemos oferecer: a educação e a

Com a generosidade dos madrichim, trabalhamos tradição de nossa cultura. juntos ao longo do semestre para pensar sobre o que

Ensinando nossas crianças, alimentamos o nosso

as nossas crianças precisam. Pesquisamos, refletimos, presente, garantimos o nosso futuro e reforçamos o conversamos com rabinos. Muita coisa é feita até che- nosso passado, não nos permitindo esquecê-lo. Tamgarmos ao formato final que queremos e que propicie bém oferecemos às famílias um momento de reflemomentos significativos para nossas crianças leva- xão, uma vez que o conteúdo é levado para casa. A rem para o novo ano.

partir desse momento, novas opiniões são formadas e

Crianças possuem, de acordo com sua idade, ne- expressadas e perguntas são feitas, fazendo com que cessidades, vontades e descobertas diferentes. Assim, os pais reflitam sobre sua própria forma de expressar o primeiro passo que damos ao pensar no conteúdo o judaísmo e mantendo viva a nossa cultura. das Grandes Festas dos Pequenos é definir os símbo-

As atividades do projeto Grandes Festas dos Pequenos

los, os significados, as dinâmicas e os aprendizados esperam agregar, além da reflexão individual, conhecidiferentes que serão propostos para cada faixa etária. mento e experiência judaica aos momentos em família. Um mundo de opções se abre e, então, começamos a E traz ainda um contato diferente com a tradição e relidesenhar o esboço das atividades, que têm tudo para gião através de vivências únicas e significativas. ser parte de um encontro único. Conto tudo isso para mostrar que o projeto Gran-

Rebeka Anbinder,

des Festas dos Pequenos é mais do que uma atividade

coordenadora do projeto Grandes Festas dos Pequenos


Bar e Bat-Mitsvá são rituais de passagem, quando crianças se tornam jovens adultos perante a lei judaica. Mas para que o ritual tenha realmente significado na vida deles, é extremamente necessário que todo o processo de preparação envolva não apenas aquele que se tornará adulto, mas também toda a sua família. Durante os dois anos do curso de preparação oferecido pela Escola Lafer, os pais são convidados a participar de aulas abertas ministradas pelos rabinos da CIP e, nestes encontros, pais e filhos são convidados a ouvir sobre assuntos importantes para o judaísmo, e refletir e participar de discussões. Eles opinam e começam a entender melhor o que se passa na cabeça uns dos outros. No primeiro semestre é realizado um final de semana na sede da CIP em Campos do Jordão, onde mães e filhas são convidadas a aprender sobre assuntos relativos ao feminino no judaísmo, participando de diversas atividades divertidas e lúdicas. Sob a orientação da equipe pedagógica da Escola Lafer e de representantes do Departamento de Culto da nossa Congregação, mães e filhas se aproximam. Em agosto é a vez dos meninos. A Saída de Pais e Filhos tem uma tônica toda especial, com colocação de talit e tefilim para o serviço religioso, entre outras experiências marcantes. Corpo docente e profissionais de culto dedicam-se para fazer desta uma experiência muito divertida e significativa. No entanto, o mais importante de todo este processo é incentivar a participação das famílias nos serviços religiosos e comemorações de chaguim em nossa comunidade, levando, assim, o judaísmo para dentro de suas casas. A participação das famílias é importantíssima para o ritual de passagem, e a Lafer não pode e não assume essa responsabilidade sozinha. Educar e acolher jovens e famílias, e contribuir com o crescimento de nossa comunidade. Esta é a grande missão da Escola Lafer da CIP. Andréa Kulikovsky, diretora da Escola Lafer da CIP

juventude • escola lafer

A mitsvá da família


I Concurso de

Maquetes de Sucót A mudança que você quer fazer

Participe das oficinas de maquete no CCJ

Liberte a sua criatividade para criar a sua SUCÁ. Veja o regulamento e concorra a um iPad e outros prêmios. Inscrições com Rebeka no ato da entrega da maquete, na sede da CIP

10/ago a 17/set segunda a sexta-feira das 10h às 17h Informações: 11 2808.6261/6274 ou maquetesucot@cip.org.br www.cip.org.br/sucot/concursodemaquete apoio:

Veja o regulamento no site 34 Fique de olho: dicas no site e no facebook cipsp ou www.cip.org.br

realização:


PA R A L E L O S Pe l a Kvutz á S hna t 201 3

Grandes Festas em Israel “Galera, o que faremos em Rosh Hashaná?” Pela primeira vez em nossas vidas, essa pergunta não é direcionada a nossos pais, e sim a nós mesmos. E agora, quem vai preparar o jantar? A qual sinagoga vamos? Tínhamos certeza que estar no Estado Judeu só faria com que os chaguim fossem mais fáceis de cumprir. Mas o verdadeiro significado de estar em Israel para as Grandes Festas é trocar a certeza do judaísmo de família e comunidade pelas milhões de opções que só existem quando a maioria da população do país é judia. Em Israel, onde os chaguim são parte da sociedade, especialmente em Jerusalém, temos uma oportunidade completamente nova de buscar qual é o real significado que damos para essas datas. Uma das principais mensagens do Shofar é chamar o povo, reuni-lo – aqui, onde já estamos juntos, precisamos nos lembrar e buscar com mais força quais seriam, afinal de contas, os outros valores de Rosh Hashaná. Temos a opção de inovar nossas práticas, nos afastar da religião, conhecer novas correntes ou seguir a halachá como nossos professores de Torá do colégio nem sonhariam. Em Israel deixamos de ser judeus por simples tradição e somos obrigados a fazê-lo (se o queremos!) ativamente. Faz mais de seis meses que saímos de casa em busca de diferentes perspectivas para nossas vidas, tanto em âmbito pessoal como judaico. E estamos conseguindo encontrar várias! Apesar de sentirmos falta de nossas famílias, de tefilot com melodias conhecidas, de sair rolando de tanto comer na casa de nossos avós, acreditamos que todas as novas experiências trarão a essas tradições um significado ainda maior. Chag Sameach, Chazak veAlê! Kvutzá Shnat 2013

35


com a palavra

A doçã o e identidade

Anelise Coutinho Ribeiro Veiga,

familiar

psicóloga e pesquisadora do tema

P

ara a psicologia, todo filho é adotivo, mesmo

aproximam e nos unem. A percepção de quem somos

quando criado pelos genitores. Em algum

se inicia através do outro, só nos constituímos como

momento, os pais adotam aquela criança, sentindo-se responsáveis pelo seu bem estar e proteção.

pessoas através dos cuidados e do olhar de alguém. A família é parte fundamental da construção da

Por questões sociais diversas, nem sempre isso é

identidade de cada um, é onde buscamos nossas refe-

possível, e muitas crianças e adolescentes estão sob

rências. Alguém faz parte de uma família por ter sido

tutela do Estado, destituídos do vínculo com a família

criado em um determinado sistema de valores, pela

biológica. A adoção passa a ser, então, uma possibi-

confiança que sente nos pais, pela certeza de poder

lidade de resgatar o direito destas crianças de cres-

contar com estas pessoas em diferentes momentos de

cer em um ambiente familiar. É um encontro, de um

sua vida. Optar pela adoção é construir uma parenta-

casal ou de uma pessoa que deseja se tornar pai ou

lidade universal, e para adotar é preciso entender que

mãe, com uma criança que não pode crescer com sua

o modelo biológico talvez não se repita.

família de origem.

Seguindo o que já acontece em outros países, a cul-

Adoção não é caridade nem filantropia, mas sim ou-

tura da adoção está se modificando no Brasil. Há al-

tra forma de se constituir uma família. Mais do que la-

guns anos se repetia o formato biológico, procurando

ços de sangue e herança genética, uma família é deter-

uma criança para se adaptar e encaixar ao casal ado-

minada pelos vínculos afetivos. Pais adotivos também

tante. Atualmente busca-se uma família para a crian-

se vêem em seus filhos, não na semelhança física, mas

ça que está vivendo sob tutela do Estado. A mudança

pela construção de identidade da criança, pelo conhe-

de conceito faz toda a diferença, pois a necessidade

cimento transmitido e pelos vínculos de amor, que nos

e vulnerabilidade maior são da criança, que precisa

36


ser integrada e assistida para se constituir como ser humano e cidadão. Estima-se que oitenta mil crianças estejam vivendo em abrigos no nosso país, mas nem todas podem ser adotadas. Muitas se encontram em uma espécie de limbo jurídico, aguardando uma definição sobre suas vidas pelo Poder Judiciário; outras passam da idade desejada pelos adotantes e acabam crescendo nos abrigos até atingirem a maioridade. Nossos abrigos estão cheios de grupos de irmãos, de diversas idades, com problemas de desenvolvimento, falta de estímulo nos primeiros anos de vida, e dificuldade em confiar e em se vincular novamente. As crianças disponíveis nem sempre possuem as mesmas características físicas dos pretendentes a adoção, talvez não se encaixem no modelo pensado inicialmente pelos pais adotivos, mas isso não é um impedimento, e sim mais um fator para a reflexão sobre a adoção e sobre as motivações internas antes de optar por este caminho. É necessário trabalhar os próprios preconceitos e desfazer medos e angústias para formar uma família em que as palavras de união sejam aceitação e apoio. Os pais funcionam como ancoragem, são a sustentação da criança em formação. Quanto mais seguros estiverem sobre os laços que unem a família, mais tratarão a adoção com transparência, possibilitando o fortalecimento da confiança e a constituição dos vínculos afetivos. É importante falar com naturalidade sobre a adoção e sobre as origens da criança, deixar um canal aberto de comunicação para que perguntas sejam feitas, em diferentes momentos e idades. Quando os pais não falam sobre a adoção e não respondem às perguntas da criança, passam a impressão de que se envergonham das origens de seu filho, fazendo com que a criança também se sinta envergonhada por ter sido adotada. É preciso sempre esclarecer e fortalecer o conceito de que filho é filho, a adoção foi apenas a

Adoção no judaísmo Assumir responsabilidade sobre uma criança é um gesto de generosidade. O judaísmo vê com muito bons olhos a atitude de adotar um filho e, desta forma, garantir que aquele ser humano cresça e se desenvolva em um ambiente acolhedor. Adotar uma criança é uma grande mitsvá. Quando pais judeus adotam uma criança nascida de um ventre não judaico, a criança precisa passar por um processo de conversão ao judaísmo. É um procedimento simples, mas necessário para que a criança cresça com sua condição judaica reconhecida pela comunidade. Um rabino deve ser procurado para orientar o casal, e um tribunal rabínico (beit din) será estabelecido. O menino vai realizar seu brit milá e tanto a menina como o menino entrarão na mikve. Depois, uma refeição festiva, seudát mitsvá, poderá ser oferecida. Michel Schlesinger, rabino da CIP

forma como ele chegou até os pais. 37


360º po r Guita Feld man investimento real na economia local e da convivência árabe-judaica", disse ele. O empresário acredita fortemente no potencial da indústria para gerar a paz. "Vinte anos atrás, eu decidi que o processo de pacificação tinha de incluir a ajudar os nossos vizinhos para ser bem sucedido", lembrou, explicando que ele está convencido de que o trabalho próspero e satisfatório tem o poder de minar o extremismo político. O presidente de Israel, Shimon Peres comentou que a importância do parque industrial está na qualidade do emprego e

Rosas da paz Com apenas um martelo, uma bigorna e um forno, o artista israelense Yaron Bob, derrete, modela e esculpe lindas rosas com metal proveniente de foguetes Qassam. "Rockets in roses” são peças únicas, esculpidas à mão, no atelier do artista na fronteira de Gaza, ao sul de Israel. Um certificado de autenticidade acompanha cada peça e atesta o fato de que a arte foi criada a partir dos foguetes. Parte da renda com a venda dessas esculturas vai para a construção de abrigos antibombas em Ashkelon, que tem poucos deles pelo tamanho da cidade.

Indústria da paz Um bilionário judeu empregou catorze mil libras em um projeto único para impulsionar o emprego na cidade árabe-israelense de Nazaré. Stef Wertheimer, um dos mais conhecidos industriais de Israel, criou o primeiro parque industrial em um dos municípios árabes de Israel. "Este parque em Nazaré é um modelo e um 38

na igualdade de oportunidades para todos.

Em família Rosalyn Kind, irmã mais nova de Barbra Streisand, do segundo casamento de sua mãe, é bastante conhecida como cantora e artista na Broadway. Apesar disso, Kind ficou muito ansiosa, ao apresentar-se ao lado da sua famosa irmã e também do sobrinho Jason, filho de Barbra em Tel Aviv, sendo a primeira aparição de Barbra em Israel e a segunda de Kind. A apresentação foi parte do show de aniversário de 90 anos do Presidente de Israel, Shimon Peres, e que contou com três mil convidados, entre dezenas de diplomatas e celebridades de outros países e artistas como Robert De Niro e Sharon Stone. Entre os políticos, marcaram presença os ex-presidentes Bill Clinton, dos Estados Unidos, e Mikhail Gorbachev, da Rússia, além do ex-premiê britânico Tony Blair, entre outros.

“As pessoas podem duvidar do que você diz, mas acreditam no que você faz”. Lewis Cass


BAR E BAT-MITSVÁ 2015 NA ESCOLA LAFER DA CIP Prepare seus filhos para esse momento tão especial

MATRÍCULAS ABERTAS •

Meninas que farão Bat-mitsvá no 1º semestre de 2015

Meninos que farão Bar-mitsvá no 2º semestre de2015

Participação do rabinato da CIP

Cultura e tradição judaica, além da vivência comunitária, fazem parte do compromisso da Escola Lafer com a sua família. Informações: escolalafer@cip.org.br ou 2808-6219

Fique por dentro de nossa programação: cipsp ou www.cip.org.br

ATIVIDADES REGULARES DA CIP

Visite o site da CIP para acompanhar toda a programação de eventos: www.cip.org.br

Ação Social

Juventude

Outros

Informática para Sênior Segundas e quartas, das 9h às 13h

Manhigut Sextas-feiras, às 16h

Costura da Boa Vontade Terças-feiras, às 13h

Chazit Hanoar Sábados, às 14h

Danças Segundas-feiras (lehacat Eretz), às 20h Terças-feiras – harcadá iniciante e intermediário às 20h Quintas-feiras (lehacat Nefesh), às 19h

Coral Sameach Quartas-feiras, às 15h

Avanhandava Sábados, às 14h

Culto Grupo de Estudos da Parashá Segundas-feiras, às 20h Princípios Básicos do Judaísmo Terças e quintas, das 19h30 às 21h30

Shaat Sipur Sábados, às 14h30

Coral ABANIBI Quartas-feiras, às 20h30

Ensino Escola Lafer segundas, terças e quartas-feiras às 16h30 sextas-feiras, às 8h30 e às 16h30 39


5774

ANDANÇAS E MUDANÇAS 17 de setembro (terça-feira) 19h

Construindo juntos: a CIP convida a comunidade para a mitsvá de construir e decorar a sucá

18 de setembro (quarta-feira)

18h45 Arvit da primeira noite de Sucót seguido de kidush 20h Shirá Betsibur: cantando juntos

19 de setembro (quinta-feira) 20h

Caminhos de mudanças sociais nas fontes judaicas com os rabinos Ruben Sternschein, Michel Schlesinger e rabinos convidados

20 de setembro (sexta-feira)

18h45 Cabalat Shabat 18h45 Shabat Ieladim na sucá 20h30 Kidush comunitário na sucá

do Participe de I Concurso de Sucót Maquetes t rg.br/suco .o ip .c w w w

21 de setembro (sábado) 14h 20h

Atividades do Shaat Sipur, Avanhandava e Chazit Hanoar Jantar da juventude (madrichim), com participação do rabinato

22 de setembro (domingo) 11h

Brunch Escola Lafer: Ledor vador, encontro das gerações - filhos, pais e avós

23 de setembro (segunda-feira) 19h45 Dançando juntos: encontro dos grupos de dança da CIP

24 de setembro (terça-feira) 20h

Jantar especial Culanu BaSucá com o jornalista Marc Tawil e com participação do rabinato VAGAS LIMITADAS

Informações e reservas com Rebeka: sucot@cip.org.br 2808.6261/6274 • www.cip.org.br/sucot As rezas diárias serão realizadas na sucá. Fique por dentro de nossa programação: cipsp ou www.cip.org.br

Revista Cip 13  

Diagramação. Jam Design

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you