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Doe seu tempo pra CIP Começo este editorial com um pedido de voluntaria-

ano que vem poder rever o local novamente.  Queremos

do.  Nosso tema é ‘dar e receber’, e a melhor maneira

ouvir nossos sócios sobre a experiência neste novo lu-

de retribuirmos o que recebemos de nossa comunidade

gar. Para mais informações, consulte nosso site, que tem

é dando nosso tempo a ela. O voluntariado de todos é

o cronograma completo de venda de ingressos.

o que cria uma comunidade forte, vibrante e preparada para o futuro.

Nossa juventude lembrou dignamente Iom Haatsmaut e Iom Hazicaron.  Em Iom Haatsmaut tivemos um Shabat

Temos varias áreas onde cada um pode se engajar.  conduzido inteiramente pelos jovens de nossos três moviDesde as tradicionais, como juventude e culto, até gru-

mentos juvenis.  Foram mais de 1100 pessoas na sinagoga

pos de costura, o Clube das Vovós Lotte Pinkuss e o Lar

numa cerimônia muito emocionante e que terminou com

das Crianças.  A CIP precisa do voluntariado de seus

um jantar na CIP.  Tivemos também uma cerimônia de

membros para crescer e se fortalecer.  Também depen-

lembrança de Iom Hazicaron com a presença de todos os

demos destes para nosso futuro.

movimentos juvenis paulistas, sem distinção ideológica. 

Temos no site da CIP uma área de voluntariado, com

O cônsul Ilan Sztulman e vice-cônsul Amit Merkel esti-

uma breve descrição de cada área e um espaço para você

veram presentes e pudemos ouvir em primeira mão as

se voluntariar. A melhor forma de mudar é fazer parte

reais emoções deste dia por alguém que vive a realidade

de uma mudança, ajude-nos com seu expertise e partici-

de defender Israel diariamente.  Para a CIP é uma honra

pe mais ativamente.

receber todos os movimentos juvenis em nossa casa, re-

Estes últimos meses foram repletos de atividades na Congregação, envolvendo todos os nossos departamen-

petindo que o ideal sionista que nos une está acima de nossas eventuais diferenças ideológicas.

tos.  Comemoramos Purim e Pessach com o envolvi-

Em maio teremos uma nova edição do Ticun de Sha-

mento de toda a comunidade; o seder de Pessach, que

vuot. Não percam, teremos atividades muito interessantes

anualmente fazemos na primeira noite, foi um sucesso e

de conteúdo profundo para toda a sua família.  E falando

tudo indica que devemos continuar com esta tradição;  e

em conteúdo, a CIP está querendo expandir o projeto de

o Lar das Crianças organizou um lindo concerto da Or-

Shiurim ba Bait.  Neste projeto nossos rabinos e demais

questra de Violões com a cantora Negra Li - que chegou

educadores vão à casa de nossos sócios promover encon-

a entoar algumas frases em hebraico e foi absolutamente

tros sobre temas judaicos.  Junte seus amigos e entre em

emocionante. Foi o reflexo de um ano de árduo trabalho

contato conosco para organizarmos seu grupo.

do maestro Claudio Weizmann com 80 crianças, que também através da música estão se desenvolvendo.

Antes de finalizar, quero parabenizar o rabino Michel e sua esposa Juliana pela vinda da Naomi.

Já começamos a receber solicitações de lugares para

Venha fazer parte deste projeto que é a CIP. Associe-

as Grandes Festas.  O serviço no Memorial da América

-se, e convide seus amigos frequentadores a se tornarem

Latina será maravilhoso, teremos a conveniência de um

sócios.  Doe seu tempo, a CIP precisa de você.

estacionamento interno e de poltronas muito cômodas.  Será um serviço digno como todos os anos.  O espaço do Colégio São Luiz já está em reformas e esperamos no

SÉRGIO KULIKOVSKY PRESIDENTE 3


Presidente

Sérgio Kulikovsky

Rabinato

Ruben Sternschein Michel Schlesinger

Vice-presidente de Relacionamento com o Sócio

Ta t i a n a H e i l b u t K u l i k o v s k y

Diretora de Comunicação e Marketing Laura Feldman

Colaboradores desta edição:

Andréa Kulikovsky Andréia Hotz Anísia Cravo Villas Bôas Sukadolnik Débora Sór Fernando Lottenberg Guita Feldman Mariana Pires Michel Schlesinger Rebeka Anbinder Ruben Sternschein Sérgio Kulikovsky Sergio Margulies Ta m a r a S i e b n e r F r a n k e n Theo Hotz

Editora e jornalista responsável

Conserto comunitário Novo governo em Israel, novo Papa no Vaticano, a festa de Shavuot, além de artigos sobre voluntariado e sobre o grupo Yad de Ação Social. Qual a ligação entre esses temas? A conexão se encontra em duas palavras-chave do judaísmo, em particular do judaísmo liberal: ticun olam. Consertar o mundo. Essa é a missão principal do ser humano. O relato da criação diz que o homem foi colocado na Terra para trabalhá-la e cuidá-la. Ou seja, não é suficiente proteger a Terra e a vida encontrada nela. Precisamos também aprimorá-la. A vida envolve em si um desafio. Deus não deixou tudo perfeitamente orquestrado e pronto. Existem pendências que dão sentido a nossas existências únicas. O novo governo de Israel se propôs principalmente a fazer o necessário para que todos contribuam com a construção da sociedade, da cultura e da

Andréia Hotz (MTB 61.981)

segurança, com igualdade de direitos e deveres para todos: ortodoxos, liberais

Marketing

ou seculares. Vivenda para todos e igualdade no fardo são as palavras-chave.

Projeto Gráfico

pobres. Entendemos nos standards judaicos que o objetivo é combater o

Simone Rosenthal JAM Design

Fotos

Arquivo CIP e Shutterstock

Esta é uma publicação da Congregação Israelita Paulista. É proibida a reprodução total ou parcial de seu conteúdo. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião da CIP. Fale com a CIP PA B X : ( 1 1 ) 2 8 0 8 . 6 2 9 9 cip@cip.org.br w w w. c i p . o rg . b r

Administrativo/Financeiro: (11) 2808.6244 Comunicação: (11) 2808.6256 Diretoria: (11) 2808.6257 Escola Lafer: (11) 2808.6219 Juventude: (11) 2808.6214 Lar das Crianças: (11) 2808.6225 Marketing: (11) 2808.6247 Rabinato: (11) 2808.6230 Relacionamento com o Sócio: (11) 2808-6258 Serviço Social: (11) 2808.6211

O recém-escolhido Papa declarou que promoverá uma Igreja focada nos sofrimento dos desfavorecidos. O voluntário é quem doa seu tempo para uma causa, para melhorar algo. O projeto Yad é o braço de ação social da Juventude da CIP, cuja sensibilidade está permeando aos poucos outras áreas, como o projeto Manhigut, também da Juventude, e o Ensino. Por fim, a festa de Shavuot é a festa do dar e do receber. Na época bíblica, o agricultor recebia os frutos da terra e os compartilhava com outras pessoas. Em Shavuot comemoramos a entrega da Torá, compartilhando o que sabemos e o que ignoramos, partilhando perguntas e respostas, dúvidas e buscas na virada de estudos judaicos, que oferece atividades de culinária e também muita música, através do ticun. Pois na tradição judaica acredita-se que essa prática inspira as ações de aprimoramento pessoal, comunitário e social. Esta será a sexta edição do Ticun da Virada da CIP, e será realizada no dia 11 de maio, a partir das 20h, na sede da Congregação. Esperamos por você para consertarmos juntos o que precisa ser melhorado, e para aprendermos juntos, em comunidade.

R abino Ruben Sternschein 4


Índice

30 SEÇÕES

9 CAPA 26

A surpreendente e maravilhosa mistura do "dar" no "receber, e vice-versa. texto do rabino Ruben Sternschein PARALELOS 34

O Direito Internacional e o legado judaico artigo de Fernando Lottenberg VALORES JUDAICOS 33

Torá: o perene diálogo com a vida

RELACIONAMENTO COM O SÓCIO 6 RADAR 8 CULTO 10 ACONTECE 12 LAR DAS CRIANÇAS 16 AÇÃO SOCIAL 18 RABINATO 20 ESPECIAL 24 JUVENTUDE 31 ESCOLA LAFER 32 PARALELOS 34 COM A PALAVRA 36 360 GRAUS 38

artigo do rabino Sérgio Margulies, da ARI-RJ

5


RELACIONAMENTO COM O SÓCIO por Tamara Siebner Franken, coordenadora de Relacionamento com o Sócio

Oneg Shabat Dia-a-dia vivemos conectados, dedicados 24 horas por dia, sete dias por semana aos nossos afazeres. Mas como ficam nossa família e nossos amigos neste contexto? E o jantar de Shabat como fica? Quem tem tempo para isso? Jantar de Shabat? Sim, aquele momento de estar próximo de nós mesmos, de nossa família e amigos, reunidos ao redor de uma alegre mesa de jantar. A alegria, o prazer do Shabat é um conceito bíblico, não é nenhuma invenção tecnológica: oneg Shabat. Parece que já se previa como seriam os dias atuais. A Sinagoga não é apenas um local para rezas. A palavra ‘sinagoga’ vem do grego que significa estudar junto, trocar conhecimentos. A CIP tem realizado alguns jantares de Shabat com um único objetivo: receber seu associado em um ambiente descontraído, alegre, com possibilidade de trocar conhecimento, experiências e alegrias, sem ter que se preocupar com a parte prática do jantar. “Quando estamos em volta de uma mesa de Shabat, as possibilidades de se conhecer profundamente as pessoas se potencializam. As velas, o iain, criam uma atmosfera propícia para um encontro descontraído e cheio de emoção. Em minhas experiências em jantares de Shabat com os sócios da CIP, descobri histórias de vida fascinantes”, comentou o rabino Michel Schlesinger.

Salomon Aboutboul, associado que participou do en-

O mais recente desses eventos foi realizado na resi-

contro na casa do rabino, gostou da oportunidade de

dência do rabino Ruben Sternschein, que fez questão de

conversar sobre judaísmo. “Minha futura esposa e eu fica-

receber um pequeno grupo de novos sócios. "É sempre um

mos honrados em ser recebidos num jantar tão agradável

grande prazer enriquecedor receber pessoas em casa, es-

onde, além da boa comida, tivemos a oportunidade de

pecialmente os sócios da CIP para o Shabat. É uma ótima

falar sobre judaísmo durante e após o jantar”.

chance para nos conhecer melhor, mais de perto, e trocar

“Foi um alimento para a alma”, escreveu a associada Greice

reflexões de um modo mais atencioso e descontraído do

Naomi também sobre o jantar. “Um evento assim prova que a

que permitem o dia-a-dia e os grandes eventos”, comentou.

CIP é pessoal, mesmo sendo uma grande comunidade”.


A CONGREGAÇÃO ISRAELITA PAULISTA DÁ AS BOAS-VINDAS AOS NOVOS ASSOCIADOS DE MARÇO E ABRIL. MARÇO

• Silvana Forsait

• Alessandra Cristina de Lima Zymberg e

• Vania Dreicer Liberman e Samy Liberman

Celso Tau Zymberg • Beni Adler

ABRIL

• Carla Klajner Velloso e André Augustus Velloso

• Adrian Flechtman e Renata Koraicho Gonzaga

• Claudia Hirschheimer e Eduardo Hirschheimer

• Carolina Preja Lerner e José Jacques Memran

• Daniela Steinberg Berger e Marcelo Berger

• Claude Catach

• Fernando Sales de Souza Marcondes

• Franz Karl Georg Jaschkowitz Brelaur

• Glaucia Oliveira Zuquim e Silvio Luiz Zuquim

• Julio Cesar Lima da Silva

• Karina Stryjer e Renato Orensztejn

• Leandro Lopes Farre

• Luis Henrique Rubinsztain

• Luciana Goldhar e Alexandre Fucs

• Neusa Fernandes dos Santos e Pedro S. dos Santos • Melany Heinflink Olszener e Efrain Olszener • Sandra Biskier e Sergio Besen

• Tania Frenkiel Travassos e Alexandre F. Travassos

BRUCHIM HABAIM

ATIVIDADES REGULARES DA CIP

Visite o site da CIP para acompanhar toda a programação de eventos: www.cip.org.br

Ação Social

Juventude

Outros

Informática para Sênior Segundas e quartas, das 9h às 13h

Manhigut Sextas-feiras, às 16h

Costura da Boa Vontade Terças-feiras, às 13h

Chazit Hanoar Sábados, às 14h

Danças Segundas-feiras (lehacat Eretz), às 20h Terças-feiras – harcadá iniciante às19h30/ harcadá intermediário às 20h15 Quintas-feiras (lehacat Nefesh), às 19h

Coral Sameach Quartas-feiras, às 15h

Avanhandava Sábados, às 14h

Culto Grupo de Estudos da Parashá Segundas-feiras, às 20h Princípios Básicos do Judaísmo Terças e quintas, das 19h30 às 21h30

Shaat Sipur Sábados, às 14h30

Coral ABANIBI Quartas-feiras, às 20h30

Ensino Escola Lafer segundas e terças-feiras, às 16h30 quartas-feiras, às 8h30 e às 16h30 sextas-feiras, às 14h30


RADAR po r Marcos Led erman, vice-p res i de nte de A çã o S oci a l da C IP

Ativismo social é condição precedente para sermos uma efetiva congregação judaica Temos todos, em nosso imaginário, uma visão da CIP ligada a seus sócios, colaboradores, atividades, ideias e ideais. Minha intenção nesta coluna é assegurar que, doravante, caro leitor, sua definição de CIP não seja possível sem a presença de nosso papel de ativismo social. A simples possibilidade de colocar meu tempo, experi-

Marcos Lederman, vice-presidente de Ação Social da CIP

ência e empenho a serviço de construirmos para a Congregação uma forte e inseparável identidade com sólidos

• através de nossa Central de Orientação ao Trabalho

projetos de Ticun Olam é o que tem me mobilizado. Estou

(COT), cuidamos da boa orientação de mais de 400 pes-

seguro que o impacto social que a CIP tem a oferecer é

soas que nos procuram, a cada ano, em busca de uma

enorme e deve ser potencializado.

oportunidade digna de trabalho. Esta é uma área cujo

Desde sua fundação, em 1936, a CIP fez constar em

potencial é enorme e estamos seguros que temos muito

seu estatuto seu propósito de ativismo social e, sobre

mais a capitalizar através do maior engajamento de nos-

seus alicerces, construímos nossas demais praticas re-

sos sócios e suas empresas;

ligiosas, educacionais e sociais. O ativismo social vem

• nossos vários programas junto a população de ter-

antes, pois só ele nos qualifica como uma sociedade que

ceira idade se pautam por um forte protagonismo destes

age em prol da equidade entre menos e mais afortunados

senhores e senhoras em atividades ligadas a assistência

e nos legitima como uma congregação verdadeiramente

da comunidade em geral. É muito gratificante ver sua de-

judaica. Quem não vê na gênese da CIP seu ativismo so-

terminação e efetivo impacto na melhora da condição de

cial, não merece tal reconhecimento.

seus próximos;

Isto posto, quero tranquilizar a todos: esta “chave” para

• o Serviço Social, propriamente dito, tem sido uma

tantas portas está muito presente, atuante e bem repre-

ferramenta fundamental para assegurarmos a plena inclu-

sentada na CIP. Sintam-se orgulhosos de ser parte de uma

são de todos os membros de nossa congregação, dando

congregação que tem um grande e permanente impacto

igual oportunidade de participação nas várias atividades

na vida daqueles que temos tido a oportunidade de ajudar.

oferecidas pela CIP àqueles que, por ventura, se encon-

Alguns dados que dão respaldo a esta afirmação:

tram em situação financeira mais fragilizada. Como não

• atendimento multidisciplinar à aproximadamente 400

poderia deixar de ser, este é um processo que prima por

crianças e jovens no Lar das Crianças, anualmente e, em

seu profissionalismo e isenção.

media, ao longo de 12 anos das vidas destes beneficia-

Daqui para frente, sempre que pensarem na CIP, lem-

dos e seus familiares. Em nossa historia, pelo menos,

brem-se de nosso primeiro alicerce, e aqui, eu insisto,

1500 cidadãos deixaram de estar predestinados à margi-

condição necessária para nossa existência como uma

nalidade e hoje integram nossa sociedade de forma plena.

legítima e bem sucedida congregação judaica.

8


gastronomia

Käsetorte (Torta de Queijo)

A

festa de Shavuot, além de comemorar o recebimento das Tábuas da Lei por Moisés, tem origem agrícola. Ela é conhecida como a festa dos pri-

meiros frutos (Hag Habicurim), quando os fazendeiros levavam ao templo sua primeira colheita, como forma de agradecimento a Deus pelos frutos da terra. É a festa das comidas de origem láctea. A explicação para este costume é que, após receber as Tábuas, o

Ingredientes:

povo deveria fazer sua primeira refeição casher, mas não

3 ovos 150 a 200 gramas de açúcar 100 gramas de manteiga

havia tempo para obter carne e utensílios para preparar carne casher. Então a decisão foi de se fazer uma refeição de leite. Tradicionalmente, blintzes, kugels lácteos e

500 gramas de ricota

cheescakes são comidas típicas desta festa.

2 colheres de sopa de farinha de trigo

Esta receita é de Karla Steuer, uma Oma, uma avó yeke

1 colher de chá de fermento

como várias outras desta comunidade. Este bolo era o

casca de limão ralada

meu bolo de aniversário todo ano quando eu era pequena,

suco de 1 limão pequeno

e o que ela pediu que eu fizesse para os 91 anos dela. Andréa Kulikovsky,

50 gramas de passas

chefe e consultora gastronômica

Modo de fazer: Bata as três gemas com açúcar e manteiga e junte a ricota, o suco de limão e a casca, batendo o tempo todo. Desligue a batedeira. Misture a farinha com o fermento e passe na peneira. Bata as claras em neve com uma pitada de sal até ficarem bem duras, e misture tudo com uma colher de pau ou espátula. Coloque as passas e, em seguida, disponha a massa em uma assadeira com fundo móvel. Coloque em fogo pré-aquecido e baixo por uma hora. 9


culto

Vela elétrica para Izcor

Produtos judaicos Visite a CIP e adquira belíssimos produtos judaicos. Para informações sobre os horários de atendimento, entre em contato através do email: produtosjudaicos@cip.org.br.

Você sabia?... por Theo Hotz, coordenador do Depto de Culto, baal corê e moré da Escola Lafer A contagem do ômer não é simplesmente uma contagem de 49 dias entre Pêssach e Shavuót. O texto da Torá nos diz (em Vaicrá, 23) para contarmos tanto os dias, quanto as semanas: “Contareis para vós desde o dia seguinte do iom tov sete semanas completas. Até o dia seguinte da sétima

Mezuzá de madeira

Serviços Religiosos da CIP Manhã de segunda a sexta-feira, às 8h aos sábados às 9h30 aos domingos e feriados, às 8h30 Noite de domingo a sexta-feira, às 18h45 aos sábados de maio e junho às 17h

semana, contareis 50 dias”. É por isso que a partir do oitavo dia do ômer nossa contagem contempla tanto as semanas quanto os dias do ômer, por exemplo: “Haiôm shivá veesrím iôm, shehêm shloshá shavuót veshishá iamím laômer” (“Hoje se conta vinte e sete dias, que são três semanas e seis dias da contagem do ômer”). Deste modo, se a segunda noite de Pêssach cai em uma terça-feira, a primeira noite de Shavuót também cairá em uma terça-feira, pois trata-se de “sete semanas completas” (“shéva shabatót temimót”), e o quinquagésimo dia é Shavuót. Curiosidade: No calendário católico, a festa de Shavuót é chamada Pentecostes (palavra grega que significa “cinquenta dias”) e tem um significado religioso totalmente diferente para os cristãos. De qualquer forma, já que a Páscoa cristã é um feriado dominical, o Pentecostes também sempre cairá em um domingo, seguindo o mesmo padrão judaico de sete semanas completas. 10

Shabat Às sextas: Cabalat Shabat e Arvit com prédica, às 18h45, na Sinagoga Etz Chaim Shabat Ieladim, às 18h45, para crianças Cabalat Shabat e Arvit com prédica, às 18h45, na sede do Lar das Crianças da CIP (nos dias 3 de maio e 7 de junho) Aos sábados: Shacharit, às 9h30, com leitura da Torá e prédica na sinagoga Etz Chaim Shacharit Neshamá, às 9h30, participativo e igualitário, com leitura e estudo da Torá na Sinagoga Pequena


Bloco de anotações

Chaveiro com chamsa

Mezuzá pintada à mão

Mazal Tov Leitura da Torá Maio DIA 4 Behar-Bechucotai (Shabat Mevarchim) DIA 11 Bamidbar DIA 18 Nassô DIA 25 Behaalotechá Junho DIA 1 Shemini (Shabat Mevarchim) DIA 8 Côrach (Rosh Chodesh I) DIA 15 Chucat DIA 22 Balac DIA 29 Pinchás

Chevra Kadisha

A CIP está pronta para ajudar as famílias neste momento tão doloroso da perda de um ente querido, cuidando de todas as providências e detalhes burocráticos e religiosos. Plantão permanente: entre em contato com Sérgio Cernea, pelo tel/ fax 3083-0005, cel. 9204-2668, ou e-mail: chevra@cip.org.br

Falecimentos Moyses Sznajder, em 16/fev aos 78 anos. Alfredo Carlos Glaser, em 18/fev aos 68 anos. Agnes Barabas, em 22/fev aos 91 anos. Anita Zylberberg (Schwartizman), em 10/mar aos 87 anos Franz Water Salomon, em 13/mar aos 86 anos Fábio Steinberg, em 25/mar aos 29 anos Ervino Soicher, em 11/abr aos 82 anos. Sura (Sarita) Bina Radzanowicz Taubkin, em 13/abr aos 89 anos Jacques Crespin, em 16/abr aos 84 anos

BRIT MILÁ Benjamin Garrido Correia Chaim Simchat Bat Gabriela Katz Regensteiner Letícia Edelstein Karina Stryjer Lisa Rubin Flávia Laterman Lisa Paula Mayer Carolina Zylberstajn Bar-mitsvá André Calabrese Goldberg Michel José Hanoch V. Moraes Ariel Dayan Bruno Elias Martinez Felipe Ramon Schivartche Gabriel Teles Ghertman Noivado Suzana Abramovicz e Maurício Mandel Casamentos Daniela Tarasoutchi e David Zaborovski Isabella do Valle e Leonardo Szpigel Arenzon Michele Zylberstajn e Alex Hebeda Noemia Fischer de Moraes e Jorge Flávio de Moraes Melka Madjar e Nathan Salomão Romano Denise Kerszkowski e Ariel Tomaspolski 11


acontece

2. 1.

3.

4. 5. 1. Animação na comemoração de Purim do Clube das Vovós Lotte Pinkuss. 2, 3, 4, 5 e 6. Cerca de 700 pessoas participaram da festa de Purim da Congregação.

6.

12


8.

7.

10.

9.

11.

7, 8, 9 e 10. Comunidade reunida para assistir o show ‘Brasil’, que reuniu a Orquestra Jovem de Violões do Lar das Crianças da CIP e a cantora Negra Li, que conquistou todos com sua simpatia. 11. Líderes dos movimentos Zumbi dos Palmares, Educafro e Associação dos Negros do Brasil encontraram-se com o sheliach da CIP, André Wajnberg, o diretor de Juventude da entidade, Renato Sacerdote, e com o rabino Michel Schlesinger. 12. Na festa de Purim da Creche da Unibes, o rabino Michel Schlesinger posou acompanhado pelas crianças atendidas, pela diretora do Centro de Educação Infantil, Ahuva Bruria Flit, e por Mariana Lafer, filha da fundadora da creche.

12.

13


12.

acontece

12, 13, 14, 15 e 16. Escola Lafer reuniu cerca de 200 pessoas, entre alunos, pais e av贸s, em seu tradicional pr茅 Seder de Pessach.

13.

14.

14

15.

16.


17.

18.

17. Rabino Ruben Sternschein em mais um encontro do projeto CIP Babait na casa de associados da Congregação. 18. O rabino Michel participou de uma reunião do Conselho Nacional de Religiões, que é a versão brasileira do “Religions for Peace”. 19. O Rev. Dick Pruiksma, que é secretário geral do Conselho Internacional Cristão Judaico (no centro) e o Padre Anderson Pedroso, da Igreja do Colégio São Luis, visitaram a CIP e foram recebidos pelo rabino Michel. 20 e 21. As aulas abertas para os pais de alunos da Escola Lafer foram conduzidas pelos rabinos da CIP.

19. 21.

20.

15


LAR DAS CRIANÇAS  por Mariana Pires, especial para a Revista da CIP

Yad

ação social de jovem para jovem

O

grupo Yad de Ação Social nasceu da motivação de al-

juntos. “Tínhamos experiência com educação e gostaríamos

guns jovens ativistas em movimentos juvenis da CIP,

de compartilhar esta experiência com os jovens do Lar, com

que já desenvolviam atividades com os jovens do Lar das

a intenção de formar novos educadores e multiplicadores.

Crianças nas Colônias de Férias da Congregação, a realizar

Queríamos formar líderes que pudessem atuar junto às

projetos de cunho social ao longo do semestre e, não só no

crianças e jovens do próprio Lar, da mesma forma que fazía-

período de férias, de forma que pudessem se envolver positi-

mos em nossos movimentos juvenis”, diz Tatiana.  

vamente na vida e experiências destes jovens.

O Programa Passaporte para a Vida (PPV) foi criado em

Tatiana Lerner, integrante e uma das fundadoras do Yad,

2002, ampliando o atendimento realizado pelo Lar das

explica que este grupo passou a se encontrar para discutir te-

Crianças da CIP aos jovens que, em breve, sairiam da insti-

mas relacionados à responsabilidade social, educação e ‘tikun

tuição, oferecendo uma formação de qualidade ao jovem até

olam’ - conceito judaico de “melhoria do mundo” -, e, a partir

o seu encaminhamento profissional.  As ações do projeto

daí, ideias de novos projetos começaram a surgir.  “Integran-

têm contribuído para uma transição menos traumática da

tes da Chazit e da Avanhandava - movimentos juvenis da CIP

adolescência para a idade adulta ao ampliar a perspectiva

-, foram convidados a se juntar ao grupo, que teve início em

de vida e a capacidade de visão de futuro e planejamen-

2008, repleto de ideias e com muita vontade de trabalhar. Em

to.  Todo o trabalho é desenvolvido com foco na importância

agosto de 2008, já com os projetos em andamento, é oficial-

da educação como caminho para melhoria da qualidade de

mente criado o grupo Yad de Ação Social”, esclarece Tatiana.

vida. Atualmente o Programa atende 50 jovens entre 15 e 24 anos, que são estudantes do ensino médio, cursos técni-

A ideia de trabalhar com PPV

cos, profissionalizantes, universitários e de pós-graduação.

Quando o Yad começou a pensar sobre o grupo de jovens com os quais trabalhariam, imediatamente cogitaram

Os jovens do Yad

o Lar das Crianças. No final de 2007, o grupo conheceu a

Fernando Forsait e Priscila Goberstein Lerner entraram no

instituição e fez reuniões para discutir formas de trabalhar

grupo alguns anos após a sua criação e afirmam que traba-

16


lhar com os jovens do Programa Passaporte para a Vida é estimulante, além de proporcionar uma troca de experiências. “Não queremos ter uma relação vertical com os jovens do PPV, nós não queremos estar acima deles, nós queremos ser amigos deles, sermos iguais”, diz Priscila. Fernando res-

Festa de confraternização dos jovens atendidos por projetos do Lar das Crianças

salta a oportunidade de conviver com pessoas de realidades

atrás são agora universitários dedicados e inseridos no mer-

tão distantes. “Temos a oportunidade de conhecer muitas

cado de trabalho. E eu, outrora universitária, me formei e

coisas que não faziam parte da nossa realidade”, afirma.

também entrei no mercado do trabalho. E tenho certeza que

“Através da educação não-formal, nós trabalhamos com

a experiência com o Yad, o Lar e o PPV nos deu ferramentas

questões como, violência, família e responsabilidade, que

importantes para o exercício não apenas de nossa profis-

são fatos que envolvem todos nós que somos jovens. E é im-

são, mas também de nosso papel como jovens transforma-

portante que eles pensem sobre isso, principalmente agora

dores de nossa realidade”, diz Tatiana sobre a trajetória do

que estão deixando o Lar das Crianças”, explica Fernando.  

grupo com os jovens do Projeto Passaporte para a Vida.

“Hoje, após cinco anos juntos, colhemos os frutos desse

O grupo Yad, que já contou com a participação de Alex

trabalho. Jovens que antes eram educandos e participavam

Fisberg, Dan Josua, Lari Rahmilevitz, Ariel Martin, Bianca

das atividades propostas pelo Yad amadureceram e passa-

Stembaum e Fabio Zucker, é formado atualmente por cinco

ram a assumir o papel de educadores, contribuindo com a

jovens: Fernando Forsait, Priscila Goberstein Lerner, Tatiana

formação de outros jovens. Os adolescentes de cinco anos

Goberstein Lerner, Marina Bendit e Ana Fisch.

17


AÇÃO SOCIAL

Caminhando em direção ao ticun

A

palavra hebraica ‘ticun’ significa reparar ou con-

que desejavam ingressar nessa área de trabalho, ofere-

sertar. O ‘ticun olam’ é formado por valores e

cendo formação e aperfeiçoamento.

práticas: justiça (tsedacá), compaixão (ches-

O Departamento de Ação Social visa habilitar cuidado-

sed) e paz (shalom). Assim o Departamento de Ação

res de idosos para desenvolverem suas atividades com

Social da CIP caminha em direção ao seu ticun, através

competência, habilidade, responsabilidade e ética, além

da renovação de seus programas, novas parcerias, vo-

de ter uma renovação do seu cadastro para encaminha-

luntários novos e ativos, buscando na prática o desafio

mento a famílias que precisam do serviço.

constante da justiça social.

Um dos diferenciais do curso oferecido pela CIP e pela

A Ação Social da Congregação é referência na comu-

OLHE foi uma aula especial sobre cultura judaica, na qual

nidade judaica na prestação de serviços de indicação de

as alunas puderam aprender sobre costumes, símbolos

cuidadores de idosos. A CIP, em parceria com a entidade

e, principalmente, sobre o respeito pela cultura dos ido-

Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento

sos da comunidade.

(OLHE), formou a primeira turma do Curso de Cuidadores

As famílias que procuram um profissional via Central de

de Idosos. O curso teve como objetivo capacitar pessoas

Orientação ao Trabalho da CIP percebem que, além de

18


contratar um profissional capacitado, têm a segurança de

A CIP, em parceria com a entidade

que a Congregação está se atualizando frente às novas

Observatório da Longevidade

demandas deste segmento e com o cuidado integral voltado para o envelhecimento. O idoso se beneficia com um

Humana e Envelhecimento (OLHE),

profissional preparado, o que proporciona um bem estar

formou a primeira turma do

no processo do cuidado. Há ainda a proposta de renovação do trabalho realiza-

Curso de Cuidadores de Idosos.

do por voluntários do Departamento de Ação Social, que mantém contato telefônico com associados com mais de

A festa de Shavuot comemora a entrega da Torá, a reno-

70 anos. Os sócios são parabenizados por datas impor-

vação do solo que produz uma nova colheita, separando as

tantes, como a data de seu aniversário, ou, no caso de

primícias a serem ofertadas, e promove a dedicação aos

solicitarem, passam a ser contatados periodicamente, via

estudos da Torá como forma de aprimoramento pessoal

telefone ou visitas sociais.

das nossas ações e tudo que está a nossa volta contribuin-

O trabalho do grupo Refuá da Congregação, que tem

do para um mundo melhor. Esta é a essência do trabalho

por objetivo fazer uma visita de apoio, suavizando e con-

do Departamento de Ação Social e do voluntariado da CIP.

fortando as famílias ou pessoas que estão passando por

Para mais informações sobre os trabalhos desenvolvi-

um momento delicado em suas vidas, se junta aos esfor-

dos, acesse o site da CIP ou entre em contato através do

ços da Ação Social.

email ssocial@cip.org.br.

19


SEANPAVONEPHOTO/SHUTTERSTOCK.COM

R A B I N AT O po r rabino Michel Schlesinge r

Nossa sagrada

A

flexibilidade

maior crise que o judaísmo religioso viveu foi,

O judaísmo reformista, conservador e ortodoxo. Cada um

sem dúvida, a destruição do Segundo Templo

à sua maneira, propuseram soluções para os cidadãos

de Jerusalém. Esta foi a maior prova de resiliên-

europeus continuarem sendo judeus na nova realidade

cia que passou o Povo Judeu. Tudo o que existia naquele

que se apresentava.

momento precisou ser repensado com criatividade e co-

Inspirado no positivismo científico de Kant, Herman

ragem para que o judaísmo pudesse continuar existindo.

Cohen (1842-1918) foi o primeiro a defender a religião

A partir daquele momento, uma mudança profunda começou

como uma produção humana inspirada em um encontro

a ser realizada. Sinagogas no lugar do Templo, tefilá ao invés

com Deus. O pensamento de Cohen influenciou todos os

de sacrifícios, e liderança rabínica no lugar dos sacerdotes.

pensadores judeus que vieram depois das mais variadas

Dezenove séculos depois, o judaísmo ashkenazi enfren-

correntes religiosas.

taria uma nova crise religiosa com o advento da hascalá.

Gostaria de propor que as mudanças iniciadas na épo-

O iluminismo judaico e a integração do judeu na socie-

ca da queda do segundo templo e desafiadas no período

dade europeia geraram uma assimilação de enormes

da hascalá forjaram o judaísmo que temos hoje em três

proporções. Como resposta, diferentes soluções foram

diferentes aspectos que vou chamar de beit tefilá, beit

propostas dando origem às correntes judaicas modernas.

haknesset e beit midrash.

20


Beit Tefilá No lugar das oferendas que eram realizadas nos Templo de Jerusalém, o judaísmo rabínico criou um modelo de três orações diárias nos mesmos horários em que os sacrifícios eram realizados. Junto com as orações, um complexo sistema de leis rituais passaria a ser desenvolvido pelos sábios do Talmud e codificado pelos legisladores medievais. Com o advento do Iluminismo Judaico, o ritual foi repensado. Os reformistas passaram a defender que os rituais eram facultativos, os conservadores acreditavam que eles eram obrigatórios, porém dinâmicos, e os ortodoxos acreditavam no caráter de imutabilidade desses mesmos rituais.

Ieshaiahú Leibovitz

Existem duas formas essenciais de encarar a tefilá e, com ela, todas as leis rituais do judaísmo como a circunci-

dos mandamentos. “Devemos cumprir mais do que com-

são, a cashrut, entre tantas outras. A primeira possibilida-

preendemos para compreender mais do que cumprimos”,

de seria defender que os fazemos porque Deus mandou.

teria dito ele.

Assim, qualquer tentativa de compreender o sentido dos

Penso que os rituais judaicos vão atingir as gerações

rituais que nós praticamos é desnecessária e, por vezes,

mais jovens na medida em que pudermos extrair deles

negativa porque nos afasta da possibilidade de presentear

sentido. O discurso de medo, em minha opinião, de que

a Deus de forma pura e desinteressada. Segundo esta vi-

algo deve ser cumprido porque assim Deus mandou, terá

são, defendida por Ieshaiahú Leibovitz (1903-1994), entre

cada vez menos acolhimento por parte de judeus e ju-

outros, os rituais de hoje foram estabelecidos no lugar dos

dias esclarecidos. Devemos realizar um trabalho profundo

sacrifícios de animais que aconteciam no Templo de Jeru-

para associar nossa rica tradição a valores que hoje mobi-

salém para permanecerem como ofertas que realizamos

lizam a juventude de forma geral: sustentabilidade, justiça

para Deus sem qualquer sentido lógico. Quando buscamos

social e ética profissional são alguns bons exemplos.

o motivo para este ou aquele mandamento, corremos o risco de cumpri-los para a nossa satisfação pessoal e, assim,

Beit HaKnesset

eles deixariam de ser presentes para Deus.

A descentralização do ritual fez surgir o modelo das si-

Existe outra possibilidade bem distinta. É possível de-

nagogas. No lugar de levar suas oferendas ao Templo de

fender que os rituais existem para nos transformar em

Jerusalém, os judeus poderiam cumprir seus rituais, se

pessoas melhores e, desta maneira, termos mais ferra-

encontrar e participar de julgamentos em suas próprias

mentas para aprimorar o universo. Uma visão como esta,

cidades. No século 19, a reforma criou o novo templo.

defendida por Emmanuel Levinas (1906-1995), entre ou-

Um ambiente em que a indumentária, arquitetura, música e

tros, traz o risco de que cumpramos menos mandamen-

liturgia seguiam rígidos padrões estéticos para concorrer

tos quando não pudermos encontrar, de forma alguma,

com o chamado da sociedade europeia para as suas ma-

sentido para eles. Abraham Ioshua Heschel (1907-1972)

jestosas casas de ópera ou templos de outras religiões.

defendeu uma busca de significado que parte da prática

O encontro social de judeus seguirá sendo uma for-

21


ma importante de aglutinação da comunidade. Este era

cia, desenvolveu uma rede social de proteção extraordi-

o sentido original das sinagogas que, em hebraico, se

nária. No Brasil, algumas das instituições sociais mais

chamam batei haknesset, ou casas de reunião. Devemos

premiadas pertencem à nossa comunidade. Nem sempre

reconhecer que o vínculo religioso, mesmo que repleto

este trabalho recebe a atenção que mereceria. Devemos,

de significado, não atenderá todos os judeus. Muito de

penso eu, redobrar nosso esforço para fortalecer um tra-

nossos irmãos e irmãs verão na dança, na literatura, no

balho social que ajude a trazer dignidade à parcela da

idioma hebraico, nas artes plásticas, no vínculo com o

população brasileira que ainda vive de forma miserável. O

Estado de Israel, na música, entre outras possibilidades,

conceito de tsedacá como contribuição dos judeus para

seu vínculo profundo com o judaísmo. O movimento do

o justiça social da humanidade é a oportunidade de fazer

judaísmo humanista é importante e, em minha opinião,

uma diferença real no mundo e, ao mesmo tempo, mos-

será cada vez mais. Eu, pessoalmente, encontrei no juda-

trar para a sociedade maior nossa melhor face.

ísmo religioso massorti respostas para muitas de minhas inquietudes como ser humano em geral e como judeu em

Beit Hamidrásh

particular. No entanto, reconheço que o modelo de sina-

Talmud Babilônico, Eruvin 13b

gogas e rabinos não responde a toda a heterogeneidade

R. Abba declarou em nome de Samuel: Durante três

de nossa comunidade. Muito judeus já passam toda a sua

anos houve uma disputa entre Beit Shamai e Beit Hilel,

vida sem recorrer a esta instituição vez alguma. Cabe

o primeiro afirmou que “a lei está de acordo com nosso

a nós o desafio de desenvolver alternativas igualmente

ponto de vista”. E Hilel retrucou: “a lei está de acordo

complexas e agregadoras. Aquilo que Mordechai Kaplan

com nosso ponto de vista”. Então uma voz celestial soou,

(1881-1983) chamava de “a shul with a pool”.

anunciando: “ambas as opiniões são palavras de Deus,

A comunidade judaica, por uma questão de sobrevivên-

22

mas a lei está de acordo com Beit Hilel”. Portanto, desde


então “ambas são palavras de Deus”. O que foi que concedeu a Hilel ter a lei fixada de acordo com suas regras? Porque eles eram calmos e modestos, e eles estudavam tanto suas próprias regras quanto as do Beit Shamai. E não apenas isso, mas eles até mencionavam as regras de Beit Shamai antes de mencionar suas próprias regras. A liderança sacerdotal foi substituída pela rabínica. A transmissão do poder deixou de ser hereditária e se desenvolveu um sistema meritocrático. Para ser rabino não era preciso pertencer a uma casta judaica específica, mas estudar judaísmo e se tornar um mestre. A partir do século 19, rabinos reformistas e conservadores passaram a ter uma formação acadêmica geral e outra específica em assuntos judaicos “Wissenschaft des Judentums”.

de debater que dialoga com a leitura contemporânea de

O estudo crítico do judaísmo é a melhor ferramenta

nossas vidas. O pilpul, debate eternizado pelo Talmud, é a

para gerar soluções profundamente enraizadas nas nos-

forma de discutir um assunto sem, necessariamente, pas-

sas fontes históricas para desafios contemporâneos. É

sar pela busca de um uníssono. Quando os sábios da gue-

verdade que a Torá não fala nada sobre as pesquisas

mará debatem, o fazem por um exercício intelectual sem

com células tronco embrionárias ou sobre o Facebook.

a busca de consensos. Assim, cada uma das questões

Ao mesmo tempo, os valores que eram debatidos anti-

abordadas é ampliada e, por meio de um método associa-

gamente continuam sendo motivo de disputa. Além do

tivo, conectada a outro e mais outro debate. O caminho é

conteúdo do debate, existe algo único na forma judaica

muito mais importante do que o ponto de chegada.

Citação dos rabinos da época do Talmud sobre a busca por equilíbrio:

Tossefta Chaguigá 2 Ao que isto se parece? A uma estrada que passa entre dois caminhos, um de fogo e outro de neve. Se você pender para este lado, será queimado pelo fogo, se pender para o outro, será queimado pela neve. Como deve caminhar o homem? No meio. E desde que não tenda nem para cá e nem para lá.

Eu acredito naquilo que Maimônides (1135-1204) chamou

passado sem, no entanto, viver preso a ele. A religião pre-

de Shvil Hazahav. Penso que devemos buscar os caminhos

cisa libertar e não aprisionar. Os batei Tfilá, Haknesset e

intermediários para viver de forma equilibrada e feliz. No

Midrásh nos devem servir de inspiração para participar de

judaísmo isso significa uma reverência profunda ao nosso

forma plena de todos os desafios da vida contemporânea.

23


ESPECIAL Sh o w “ Brasil”

Sucesso da apresentação da Orquestra Jovem de Violões do Lar das Crianças da CIP

“U

ma das ênfases da tradição judaica é o víncu-

quinho, Roberto Menescal, Yamandú Costa, Ivan Villela,

lo entre dar e receber. Quando damos esforço,

Oswaldinho do Acordeon e Turíbio Santos.

tempo e sonhos, temos, em troca, jovens mais

Com regência do maestro Cláudio Weizmann, o show

fortes, educados e integrados em uma sociedade mais justa

reuniu obras de compositores consagrados, como Chico

e feliz, como podemos ver aqui hoje”. Com estas palavras,

Buarque, Lamartine Babo, Pixinguinha, Villa Lobos, Ado-

o rabino Ruben Sternschein fez a abertura do espetáculo

niran Barbosa, Ataulfo Alves, Luiz Gonzaga, Tom Jobim,

“Brasil”, no qual a Orquestra Jovem de Violões do Lar das

Vinicius de Moraes, Charlie Brown Jr, Tim Maia, entre

Crianças da CIP dividiu o palco com a cantora Negra Li

outros, e contou com a empolgação e a participação do

em um show vibrante e envolvente. O espetáculo aconte-

público em diversas músicas, ora catando junto, ora acom-

ceu em abril e teve renda revertida para o Lar.

panhando com palmas.

Esta foi a primeira vez que uma solista vocal dividiu o

“Um exemplo vale mais do que mil palavras, e hoje você

palco com a Orquestra Jovem de Violões do Lar, que pos-

estão vendo o resultado de um ano de trabalho. A escolha

sui um repertório amplo e internacional e já se apresentou

temática musical para este espetáculo contou com um am-

com grandes nomes da música brasileira tais como: To-

plo projeto de pesquisa cultural, com oficinas, exposições e

24


Com regência do maestro Cláudio Weizmann, o show reuniu obras de compositores consagrados atividades pedagógicas. Negra Li foi convidada a participar por sua versatilidade de repertórios e por ser muito aberta a novas parcerias”, destacou o maestro. Considerada umas das mais expressivas cantoras da atualidade, Negra Li, que até entoou uma frase em hebraico na música País Tropical, falou sobre sua participação no Show: “Me senti muito honrada ao receber este convite, por ter a oportunidade de fazer parte de um espetáculo que valoriza a música brasileira e por apresentar parte do trabalho que está sendo desenvolvido por estas crianças e jovens da Orquestra de Violões. Trata-se de um lindo projeto que, com certeza, faz a diferença na vida de muita gente”, destacou. “Participar de uma orquestra como a do Lar das Crianças dá muita direção e concentração para os jovens, aumentando sua confiança e autoestima”, complementou Marcos Lederman, vice-presidente social da Congregação Israelita Paulista. O Lar das Crianças atende 400 crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social e/ou econômica e que participam das atividades no contra-turno da escola. Eles recebem alimentação, assistência médica, odontológica, psicológica, fonoaudiológica e pedagógica, além de todo SHLOMIT OR E MIGUEL JERONIMO (JOVEM DO LAR DAS CRIANÇAS)

o apoio necessário para sua formação e para que possam profissionalizar-se adequadamente. Com intensa pesquisa cultural, formação educativa e principalmente boa música, a Orquestra  completa seis anos ininterruptos de realizações. Regida pelo maestro Cláudio Weizmann, representa o curso de formação musical voltado para 80 crianças e adolescentes que frequentam o Lar ou que vêm das escolas públicas do entorno em busca do aprendizado musical de qualidade e gratuito. A Orquestra Jovem de Violões do Lar das Crianças tem o apoio do Fumcad e da Fundação Crespi Prado. Fonte: Assessoria de Imprensa 25


C A PA por rabino Ruben Sternschein

A surpreendente e maravilhosa mistura do ‘dar’ no ‘receber’, e vice-versa

O paradoxo Normalmente pensamos que ‘dar’ e ‘receber’ são dois

Filosofia: Maimônides e Almosnino e o efeito das ações em quem as executa

opostos. De fato, no mundo material e comercial fica claro

Maimônides (Rambam), o grande rabino, filósofo e

que, quando recebemos temos mais, e quando damos re-

médico da Idade Média, assinalou em diversos artigos a

nunciamos a ter aquilo que acabamos da dar. Receber nos

importância do efeito que produz o que fazemos em nós

enriquece e aumenta o volumem de nossos bens. Dar é

mesmos, além de em quem é o destinatário de nossa

praticamente o contrário.

ação. Quando gritamos com alguém, algo negativo acon-

Entretanto, ouvimos e dizemos frequentemente que existe uma relação dinâmica entre ambas as ações. Muitos

tece dentro de nós. Quando brigamos, quando pedimos perdão, quando perdoamos e quando ajudamos também.

repetem que dar é receber, e que receber é dar. Temos

Moises Almosnino, rabino e cientista do século XVI, che-

assinalado isso aqui mesmo, no passado, com alguns pe-

gou ainda mais longe e estabeleceu que o efeito de doar

quenos exemplos e reflexões.

é maior em quem dá do que em quem recebe. Sendo o

Este paradoxo pode se desenvolver através de considerações psicológicas, filosóficas e judaicas.

26

judaísmo uma tradição que não prega a pobreza e incentiva a ajuda a quem precisa, a pessoa que consegue achar


alguém a quem ajudar, de fato, sente certa gratidão por

do o reencontro com seu irmão Esaú, nada é dito sobre

poder cumprir com seu dever. Além de outras sensações

como o anjo de Deus se sentiu com a derrota, mas sim é

positivas pela consciência de ter ajudado. Desse modo,

detalhada a transformação interna de Jacob por ter venci-

quem ajuda, disse Almosnino, deve mais a seu destina-

do. A partir desse momento, ele até muda de nome, pois

tário que aquele que é ajudado. Deve a oportunidade de

sua essência alterou-se pelo efeito de sua vitória sobre o

poder ajudar e o benefício que traz diante de Deus, do

anjo, dentro de sua personalidade.

judaísmo e de si.

David, o rei, é proibido de construir o Templo de Jerusalém por carregar em seu coração e mãos o peso das

Exemplos bíblicos:

inúmeras lutas que participou.

Caim, Isaac, Rebeca, Jacob, David A Torá, em particular, e o Tanach, em geral, se mostram reiteradas vezes focados no efeito que as ações têm em quem as executa, além do que possam gerar em quem é o destinatário delas.

Psicologia - A dinâmica das personalidades de quem dá e de quem recebe, e dos atos de dar e receber Sem necessidade de conhecimentos sistemáticos de psicologia, podemos observar que normalmente imagi-

Assim, por exemplo, Caim matou Abel, e a ação é apre-

namos a pessoa que dá como poderosa. É quem possui.

sentada em menos de um versículo, mas a marca de Caim

A que recebe é vista como mais fraca: é quem precisa.

é um assunto tratado em vários outros, assim como na

Porém, quem recebe também tem, muitas vezes, o mé-

literatura talmúdica posterior.

rito de merecer. Existem pessoas que se dão tão pouco

Isaac e Abraham finalmente não consumaram o ato do sacrifício de Isaac, mas a marca que deixou a possibilidade de que fosse feito, neles, como indivíduos, no vínculo

crédito que não se atrevem a receber. Que acreditam que não merecem.

entre eles como pai e filho, é objeto de inúmeros comen-

Existem pessoas que se dão tão pouco

tários ao longo de nossa história literária. O fato de que

crédito que não se atrevem a receber.

Isaac tenha saído sorridente dessa experiência e ficado para sempre com o nome de quem ri é evocado uma e outra vez como exemplo.

Normalmente poderíamos imaginar que as características de personalidade de quem dá incluem generosidade

Quando Esaú promete que matará seu irmão Jacob por-

de espírito ou humildade, uma vez que essas pessoas per-

que roubou seu direito de ser o primogênito, Rebeca pede

cebem alguém além de si próprio, alguém que precisa de

para Jacob fugir sob a explicação de que se Esaú matá-lo,

algo que elas possuem; e amor próprio em determinada

ela ficaria órfã dos dois filhos. Os sábios explicam que o

medida para valorizar o que se possui e acreditar que pode

ato de matar mata também, de algum modo, o assassino.

acontecer que alguém o precise.

Quem mata não será mais o mesmo. Nem diante dos olhos

Paradoxalmente, as características da personalidade

de quem estiver à volta, especialmente os entes queridos

de quem sabe receber são parecidas, mas não opostas.

da vítima, nem em frente a si próprio.

Quem recebe precisa certa dose de humildade para reco-

Também é conhecida a frase de Golda Meir, que acusou

nhecer que não possui tudo, que precisa daquilo que não

os terroristas não apenas de nos ter matado, mas também

tem e que está nas mãos do outro. Entretanto, quem re-

de nos ter obrigado a educar os nossos filhos para matar

cebe também precisa de certa dose de amor próprio para

para se defender.

aceitar que merece aquilo que está sendo dado a ele, que

Quando Jacob vence o anjo que o ataca à noite, preven-

ele tem o valor para poder recebê-lo.

27


O mero ato de receber não é apenas uma postura passiva. Quem recebe faz um movimento: dá a si aquilo que lhe é outorgado. Ninguém recebe realmente nada, a menos que o introduza dentro de si. Pode ser um conselho, um conhecimento, um presente, um amor, um perdão. Nada realmente penetra em nossas vidas a menos que o deixemos entrar. Desse modo, recebemos aquilo que nós nos doamos do que nos é dado, e assim o receber inclui o dar. Por outro lado, ao darmos, recebemos inevitavelmente várias coisas, principalmente a reação do destinatário, que consuma o ato de dar, e a sensação interna de ter dado. A nova situação é de não possuir mais aquilo que demos, ou de possuí-lo de forma diferente, compartilhada, ampliada. Assim, o ato de dar também inclui um aspecto de recepção. O momento de agradecer exemplifica perfeitamente esta duplicidade do dar e do receber: a pessoa que expressa gratidão por ter recebido algo, experimenta, ao mesmo tempo, a condição de certa fraqueza ou de dependência da força de quem deu e da força do mérito de ter recebido. Ela experimenta simultaneamente o receber e o dar, pois é apenas ela que pode dar a quem o deu o reconhecimento e a valoração expressados na palavra de gratidão. Agora é ela quem dá, e quem outrora deu é quem recebe. É ela que possui o poder sobre quem deu antes de dar ou não e como dar, as graças. E o anterior doador é quem deverá receber e dar sua reação. E o círculo recomeça. Judaísmo: Shavuot, a festa do dar e receber A festa de Shavuot expressa todos os paradoxos aqui descritos em seus dois aspectos: o agrícola e o religioso. O aspecto agrícola relembra a antiga celebração da primeira colheita. O agricultor sabia que devia gratidão à terra que tinha dado para ele seus frutos. No entanto, sabia igualmente que esses frutos cresciam apenas em virtude do trabalho neles investido: a preparação e fertilização do solo, a plantação e irrigação das sementes, e todo o cuidado contra possíveis ataques de pragas. Ele deu à terra, e recebeu da terra. Naquele tempo, os frutos deviam ser levados ao Templo e, lá, doados para o bem comum. Desse modo, todo mun-


do dava seus frutos e desfrutava dos frutos das outras pessoas. Todos davam e recebiam ao mesmo tempo de seus companheiros e da própria terra. Na festa de Shavuot também se comemora a entrega da Torá no Monte Sinai. Para esse momento ter acontecido foi necessária a abertura do povo, a disposição para receber a Torá. Inúmeras interpretações descrevem essa postura especial capaz de receber semelhante legado: a Revelação Divina. O que possibilitou que acontecesse isso nesse momento e com essas pessoas? Alguns enfatizam a união do povo, outros, que o deserto possibilitou foco, ao evitar toda preocupação ou atrativos alheios à situação. Alguns assinalam a vontade, e outros a abertura da mente e do espírito. De todo modo, todos os interpretadores concordam que sem a disposição de receber nada poderia ter acontecido. Saber ouvir, incorporar e introduzir é uma postura ativa, pró-ativa, que precisa de uma vontade clara e plena. A Torá foi dada por Moisés ou por Deus, e também por cada um dos que a recebeu. Como dissemos acima, nada é recebido a menos que o receptor se o outorgue a si próprio. Assim, também nos nossos dias a Torá é recebida uma e outra vez por cada um de nós apenas se formos capazes de abrir nossas mentes e espíritos às suas mensagens, se conseguirmos lê-la com olhos renovados, fazendo com que dialogue conosco, com nossa era, com nossa vida. Se soubermos dar a Torá a nós mesmos. Se conseguirmos dar a Torá a outros, para que também a recebam através de seus próprios diálogos pessoais com ela. Se soubermos despertar empatia e diálogo em nós mesmos e naqueles que estão em volta. O Talmud de Jerusalém diz: “tudo que um aprendiz de sábio renovará do judaísmo diante de seu mestre já foi dito a Moisés no Monte Sinai (na Torá)”. Ou seja: a Torá tem mensagens ainda não reveladas que esperam serem descobertas através das perguntas e respostas dos últimos leitores da última geração. A Torá foi dada e recebida, mas não completamente. Continua a ser dada e recebida cada vez que alguém levanta uma nova pergunta e revela uma nova resposta. E assim revela também algo a mais de quem pergunta e de quem responde, de quem dá e de quem recebe, e vice-versa.

29


juventude • chazit

Chazit Hanoar traz palestra sobre o Marsorti Olami aos participantes do Shnat Todos os anos, uma kvutzá de peilim da Chazit Hanoar realiza o programa Shnat Harchara LeMadrichei Chul. Sendo um ano de capacitação, os quatro primeiros meses do Shnat acontecem no Machon, onde madrichim de diversas tnuot estudam juntos. Um momento da semana, sempre nas tardes de terça-feira, é reservado para peulot separadas por tnuót. No primeiro desses encontros em 2013, a tzevet de madrichim da Chazit do Shnat trouxe o diretor do Masorti Olami, o rabino Tzvi Graetz, para falar com os chanichim. O diretor explicou como é composto o Movimento Masorti, suas bases e como se forma um movimento aos chanichim da Chazit e do NOAM. Os seis pilares do Masorti Olami são Halachá, liderança, reza, igualdade entre homens e mulheres, estudo do Talmud e da Torá e Ticun Olam. “Outros movimentos religiosos têm pilares iguais, mas a junção de todos eles forma o Masorti Olami”, contou o rabino. Ao ser questionado sobre a importância da Torá e do Talmud serem estudados hoje, Graetz declarou que os judeus deveriam desafiar-se a usar mais essas duas importantes ferramentas no dia-

Peilim da Chazit Hanoar no Shnat 2013

-a-dia, pois elas relacionam-se diretamente ao mundo atual. Ademais, opinou sobre a relevância

Shnat

do Movimento Masorti para seguir a Halachá. “O

Questionado sobre a importância de participar

modo como interpretamos os costumes permite,

do Shnat, o rabino Graetz declarou que considera o

de certo modo, que você viva a sua vida, mas os

programa crucial. “Ele conecta os jovens a Israel e

fazendo”, declarou.

ao judaísmo e garante continuidade ao povo judeu.

A palestra também teve foco na relevância da

Além disso, mostra à sociedade israelense que há

educação ao seguir a religião, no lugar de praticá-

jovens ao redor do mundo que estão interessados

-la por inércia. O rabino ressaltou que é essen-

em Israel e na religião”.

cial saber o motivo de se rezar o Shemá, contar o minián, entre outros costumes, e transmitir esses conhecimentos. 30

Anita Efraim, peilá da Chazit no Shnat Hachshará


A CIP tem como parte valiosa de sua missão formar as próximas gerações da nossa comunidade e prover-lhes conhecimento e cultura de forma a assegurar sua continuidade. O Departamento de Juventude da Congregação, que desenvolve projetos para crianças e adolescentes dos quatro aos dezesseis anos, utiliza importantes ferramentas para a formação de cidadãos judeus conscientes de seu papel na sociedade. Para as crianças menores, dos quatro aos dez anos, a CIP oferece duas opções de atividades: o Shabat Ieladim e o Shaat Sipur. O Shabat Ieladim é realizado todas as sextas-feiras na Sinagoga Pequena, ao mesmo tempo do serviço de Cabalat Shabat que é realizado na sinagoga Etz Chaim. As atividades, voltadas para crianças de seis a dez anos,

duzido do blog uruguaio Atzagat Hashavua, seu conte-

possuem três momentos. No primeiro, as crianças re-

údo, que pode ser reproduzido em qualquer ambiente

laxam e brincam com atividades diferentes, como blo-

por pais, familiares e educadores, traz a oportunidade

cos de madeira e jogos de tabuleiro. É quando elas se

de conversar com as crianças sobre a moral contida no

desconectam da agitação do dia-a-dia da semana e se

texto da Torá e aproximá-las desses princípios.

preparam internamente para o clima de Shabat. Em

O Shaat Sipur, que é voltado para crianças de quatro

seguida, para receber oficialmente o Shabat, rezas são

a seis anos e acontece todo sábado das 14h30 às 17h,

recitadas e, por fim, uma atividade lúdica que relacio-

usa valores e temas contemporâneos e que fazem parte

ne a parashat hashavua com um tema da atualidade e

do universo infantil para falar sobre judaísmo. O pro-

que faça parte da rotina das crianças – o que facilita a

jeto também promove passeios e atividades especiais

identificação dela com o trecho da Torá.

entre pais e filhos.

Além das atividades às sextas-feiras, em 2013 o pro-

O tema geral que está sendo trabalhado em 2013

jeto está desenvolvendo novas atividades. A primeira

é ‘A Torá através da natureza’, e animais em extinção,

é a criação de um sidurzinho para crianças. Com um

desmatamento e enchentes foram alguns dos tópicos

menor número de rezas, mas ainda dentro dos padrões

já abordados em atividades lúdicas que já preparam a

para se cumprir a mitsvá do Shabat, o material é dia-

criança para a rotina de uma tnuá e que fazem do Sha-

gramado e ilustrado para chamar a atenção das crian-

bat um dia especial com diversão e conteúdo.

ças e fazê-las dialogar com o livro. A segunda é a tradução e desenvolvimento de um blog com comentários

Rebeka Anbinder,

sobre as parashiot semanais voltados para crianças e

Coordenadora dos projetos infantis da

com linguagem especialmente voltada para elas. Tra-

Juventude da Congregação 31

juventude • shaat sipur

Judaísmo para crianças na CIP


escola lafer Integração familiar Já é tradicional o jantar de Pessach da Escola Lafer, mas este ano foi diferente de todos os outros. Alunos, pais, irmãos, avós e professores se reuniram no Salão Nobre da CIP para um animado Pré Seder, que contou com deliciosos pratos de doces e salgados trazidos pelas famílias. Mas o que tornou o evento ainda mais especial foi a participação dos nossos alunos, que conduziram o Seder do início ao fim sob a coordenação do moré Uri Sternschein. Através de pequenas peças de teatro ou cantando as músicas e rezas do Seder, os alunos trouxeram vida, dinamismo e alegria à noite. Os professores também participaram, com uma divertida brincadeira sobre as pragas. Para engrandecer ainda mais o jantar, os rabinos Michel Schlesinger e Ruben Sternschein estiveram presentes e falaram algumas palavras sobre os conceitos ligados à Pessach, contando com o envolvimento dos presentes em perguntas e respostas. O chazan Alê Edelstein também participou, acompanhado pelo maestro Pipo Grytz. Outra novidade para este Seder foi a utilização de uma nova hagadá. Produzida pelo Depto de Ensino e cuidadosamente revista pelo moré Theo Hotz, a publicação é colorida e do tamanho certo para o Seder. O ano de 2013 está somente começando, mas já dá para notar a nova cara do Ensino: moderno, dinâmico e ainda mais participativo. O objetivo é que as crianças aprendam de uma maneira tão gostosa que seja quase sem perceber que estão estudando, e que as famílias, cada vez mais envolvidas, percebam como são parte importante de nossa comunidade. Andrea Kulikovsky, diretora da Escola Lafer da CIP


VALORES JUDAICOS por S é rgi o Ma rgul i e s , r a b i no d a Assoc i a çã o R e l i gi os a Is r a e l i ta do R i o de J a ne i ro (AR I )

Torá: o perene diálogo com a vida Éramos escravos obrigados a construir pirâmides que abrigavam os sarcófagos dos faraós. As pirâmides representavam o louvor ao ser humano pretensamente transformado em divindade. A liberdade alcançada permitiu que, ao invés de seres desumanizados pela escravidão, nos tornássemos um povo capaz de assumir compromissos. A Torá recebida é o símbolo de um pacto que dá contornos a uma existência coletiva respeitadora da singularidade de seus componentes. A Torá é a antítese das pirâmides: pertence a todos, é voltada para valorizar a vida e é dinâmica. Por isso, enquanto atualmente as pirâmides são objetos de interesse turístico e estudos arqueológicos para se apreciar e aprender um passado não mais existente, a Torá é viva, inspira

Imagem: Aharon Yakobson

a vida, conecta o ontem ao hoje e vislumbra a construção do amanhã.

cada lugar e época. Por isso, a Torá firma um pacto trans-

A Torá foi entregue no deserto. De acordo com o rabino

cendente, conforme suas próprias palavras: “... Faço está

Joseph Hertz (Grã Bretanha, 1872-1946), isto assegura

aliança... com aquele que está presente... e com aquele

que a Torá não pertença a ninguém de modo exclusivo.

que não está conosco hoje. ’’ (Devarim/Deuteronômio 29:

Moshé recebeu a Torá e a entregou para ser compartilhada

13-14). Com quem não estava naquele hoje – o momento

pelo povo. Ao contrário do faraó que, em nome do poder,

da entrega da Torá no Sinai -, mas está a cada hoje e a

submetia as pessoas, a liderança de Moshé era voltada

cada amanhã que torna um novo hoje em seu recebimento.

para o povo.

Shavuot é denominada de festa de entrega da Torá em

Deserto em hebraico é midbar, que etimologicamente

alusão ao evento no Sinai. Porém, a tradição judaica enfa-

significa ‘lugar das palavras’. Tal como o deserto é amplo e

tiza que assim fica caracterizado que o recebimento acon-

sem contornos rígidos, a Torá é o conhecimento não con-

tece a cada dia. E por cada um, como coloca o rabino

finável. Neste sentido, sua leitura e estudo convidam co-

Menachem de Kotzk (Polônia, século 19): a entrega da Torá

mentários e interpretações. A pergunta ‘o que a Torá diz?’

foi a mesma para todos, mas é recebida de modo diferente

abre possibilidades para inúmeras respostas. Judaísmo

por cada pessoa.

pressupõe pluralidade.

A cada dia e por cada pessoa ocorre o recebimento da

Pontuando a amplitude de expressão das palavras a lite-

Torá. Algo somente possível porque a mensagem da Torá

ratura rabínica afirma que a Torá foi entregue em setenta

fomenta um permanente diálogo com a vida. Este perene

línguas. Estas múltiplas línguas intencionam a criação de

diálogo permite que possamos continuamente receber o

um diálogo da mensagem da Torá com cada geração de

que nos foi entregue.


PA R A L E L O S Fer n an do K. Lottenberg, ad vogado e m e m b ro da Am er i c a n Foreign Law Associati on

O Direito Internacional e o legado judaico A busca de pontos comuns entre o Direito Internacional e suas eventuais fontes religiosas coloca ao analista, desde logo, uma questão básica; a saber, em que a medida é razoável supor uma associação entre ambos, vez que o Direito Internacional contemporâneo está impregnado de laicismo, como herdeiro da tradição do século XVIII e da Revolução Francesa, de acordo com a análise de Prosper Weil, em “O Direito Internacional no Pensamento Judaico”. Apesar dessa colocação de princípio, não há como descartar o papel de fontes culturais que as religiões exercem na formação e na recriação do Direito Internacional. Especificamente no que respeita ao judaísmo, há que destacar,

tes, e os teus conselheiros, como no princípio – então,

em primeiro lugar, o que distingue o legado judaico das

serás chamada cidade de justiça...”

demais fontes religiosas. Isto porque é habitual encontrar-

Para responder à indagação sobre que lugar ocupam

-se na literatura duas identificações tidas como integrais:

no pensamento judaico os problemas internacionais, há

entre a tradição judaica e a tradição cristã e uma segunda,

que se levar em conta, primordialmente, a inserção geo-

entre ambas e o pensamento ocidental de maneira geral.

gráfica do povo judeu e as consequências do relaciona-

Conceitualmente, há uma distinção básica entre as éti-

mento com tais vizinhos, em termos comerciais, diplomá-

cas judaica e cristã, uma vez que enquanto a segunda

ticos, estratégicos e militares. Em segundo lugar, o fator

baseia-se no amor, a primeira é fundamentalmente uma

temporal é importante, na medida em que o judaísmo

ética de justiça. Nesta última, exige-se que um homem seja

nasceu e desenvolveu-se em uma época na qual o concei-

justo com os demais tanto quanto consigo próprio, não

to moderno de Estado era desconhecido.

se admitindo, por exemplo, o autossacrifício em função

Ainda de acordo com Weil, a influência primordial do ju-

de terceiros - o que, na primeira, seria um ato meritório.

daísmo reside na elaboração das ideias-força do moderno

A preocupação com o primado da justiça evidencia-se ao

internacionalismo, a saber: (i) a Sociedade de Nações; (ii)

longo de todo o Velho Testamento, fonte primária básica

o Direito das Gentes e (iii) o Direito entre as Nações.

do pensamento judaico, cabendo destacar, entre outros:

No que se refere à primeira delas, o pensamento judai-

no Gênesis, a ordem aos juízes para agirem com justiça;

co colabora decisivamente por meio da noção da unidade

no Êxodo, a aplicabilidade das leis de justiça aos escravos,

fundamental do gênero humano, dentro da pluralidade das

aos estrangeiros, às viúvas, aos órfãos e aos pobres; no

nações. A origem comum em Adão, o homem feito à seme-

Deuteronômio, aos animais e mesmo ao inimigo.

lhança de Deus, coloca a santidade da vida com princípio

O profeta Isaías igualmente ressalta a importância da

básico da convivência humana, já que "aquele que atentar

justiça: “aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai

contra a vida de um só homem comete ato tão grave como

com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa

se houvesse destruído todo o gênero humano" (Sanhedrim,

da viúva;... e te restituirei os teus juízes, como eram dan-

IV, 5) expressando igualmente condenação veemente ao ra-

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cismo, pois "... nenhum homem poderá dizer a outro: meu antepassado era maior do que o teu" (idem, XXXVIII, b). A pluralidade de nações, por sua vez, expressa a ideia fundamental da irredutibilidade do fenômeno nacional, ligado à própria natureza humana. O estrangeiro - contrariamente a visões reducionistas e minoritárias, como aquela encontrada no livro de Tanya - não pode assim ser visto genericamente como idólatra, mas como integrante de povos que vivem de acordo com as tradições de seus antepassados. O Levítico estabelece regras claras sobre a convivência com vizinhos e estrangeiros, enquanto o Deuteronômio relembra a condição de “estrangeiros na terra do Egito”. A própria “escolha” do povo judeu não significa privilégios, mas a atribuições de responsabilidades especiais, conferindo-lhe o dever de transmitir e expressar uma ética exemplar - Or Ha Goyim, uma luz para as nações. A ideia de um Direito das Gentes encontra-se nas leis dos filhos de Noé, contendo o conceito de normas de âmbito universal. Não existe hierarquia moral ou requisito de pertinência ao povo judeu para tomar parte no mundo

Desse modo, o internacionalismo do pensamento judai-

vindouro, já que a observância dessas leis são suficientes

co manifesta-se fundamentalmente na aspiração a uma

para a inclusão nos justos das nações do mundo e, con-

comunidade de nações iguais, no diálogo Homem-Deus

sequentemente, na vivência da era messiânica.

como uma aliança inter pares, de parceiros no processo

Por fim, a visão de um Direito entre as Nações contém tanto o Direito da Guerra e da Paz como os Direitos Hu-

de salvação, ligado a uma ética - mais que a uma crença - e, por fim, na visão da era messiânica.

manos. Nos primeiros, trata-se extensivamente das regras

O mundo a vir não será assim um mundo sobrenatural - nas

para entrar em guerra e como nela se portar, sendo a guer-

palavras de Maimônides, "o mundo continuará como sempre",

ra vista como mal absoluto. Igualmente no campo do Direi-

distinto do atual apenas pelo fim das dominações imperiais.

to dos Tratados, cuidando de temas como elementos terri-

O Messias, por sua vez, não virá como um guerreiro con-

toriais, imunidades diplomáticas e direito de passagem. Já

quistador, mas como o príncipe que trará a justiça e a paz a

no que se refere aos direitos humanos, nota-se grande pre-

qual, por sua vez não será um presente dos céus, devendo

ocupação com as normas processuais - o devido processo

ser alcançada por meio de decisões, acordos e tratados.

legal é cuidadosamente desenvolvido no Direito Talmúdico,

Nesse mundo, a visão de Isaías, a evocar o fim das

como ensina Zeev Falk – contendo prescrições estritas so-

tensões e da violência, como que prenunciando o ideal

bre os meios de produção de provas - em especial a prova

kantiano de uma paz perpétua, servem como incentivo no

testemunhal - a aplicação da lei, a reparação de danos e a

caminho da busca da paz, tais como inscritas na entrada

competência jurisdicional, bem como a igualdade de trata-

das Nações Unidas:

mento perante a lei para nacionais e estrangeiros. Pode-se

"E acontecerá nos últimos dias...os povos converterão

encontrar até mesmo elementos de antecipação do que

as suas espadas em arados e as suas lanças em foices;

veio a se conhecer como “direitos humanos de segunda

uma nação não levantará espada contra outra nação, nem

geração”, tais como o direito à educação e ao trabalho.

aprenderão mais a guerra." 35


com a palavra

Ser

v o l un t á ri o

fa z Anísia Cravo Villas Bôas Sukadolnik, Diretora de Relações

bem

Institucionais do Centro de Voluntariado de São Paulo

M

uita gente pensa que voluntariado é

tempo, trabalho e talento, que se sente útil, valo-

uma simples doação, um caminho de

rizado, reconhecido. Ganha toda a sociedade, que

mão única, em que o doador abre mão daquilo que

aproveita o que cada um tem de melhor.

está dando para o benefício de alguém que está

Cabe, aqui, mencionar o conceito do “tecido so-

recebendo. A consequência direta, e triste, dessa

cial”. A sociedade é composta por pessoas que se

realidade é a imediata recusa de participar de qual-

relacionam entre si, formando uma trama de múl-

quer atividade voluntária ou solidária.

tiplos pontos de contato que é tanto mais resistente

Quem enxerga o mundo assim, como subtração, se engana. De fato, trata-se de uma soma cujo

e íntegra quanto mais fortes e solidários forem os laços entre as pessoas.

resultado é muito maior do que a conjugação das

Ao ensinar algo a um desconhecido, comparti-

partes. Todos – a começar do próprio voluntário –

lhar com ele algumas palavras, ao promover uma

ganham quando alguém se dispõe a fazer diferença

causa, lutar contra uma injustiça, ao preservar o

na vida de alguém. Ganha quem é atendido, como

ambiente, proteger os animais, enfim, ao agir res-

não poderia deixar de ser. Ganha quem doa seu

ponsavelmente na sociedade, em qualquer área

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que seja, transbordam benefícios. Ninguém nega que uma criança na escola, e não

bém pode dar aulas de violão e, assim, praticar uma habilidade pouco desenvolvida.

na rua, é positivo para todos – não é só ela que vai

Voluntariado não é dever, não é tempo perdido,

ganhar com sua educação. Do mesmo modo, ganha

não deve ser carregado como um fardo. Por tudo

todo o ecossistema e, consequentemente, melhora

isso, ser voluntário é – e deve sempre ser – prazeroso,

a qualidade de vida de todos, a cada quilo de lixo

estimulante e transformador para todos, principal-

que é reciclado e deixa de ser esquecido em uma

mente para quem o realiza. Ser voluntário faz bem.

decomposição que pode durar séculos.

Ganha quem é atendido, como

Os voluntários da CIP De acordo com o livro Desafio e Resposta,

não poderia deixar de ser. Ganha

de Alice Irene Hirschberg, a CIP foi funda-

quem doa seu tempo, trabalho e

da com o objetivo expresso do ajustamento

talento, que se sente útil, valorizado,

individual e da sobrevivência coletiva. E,

reconhecido. Ganha toda a

bramentos estiveram sempre presentes na

sociedade, que aproveita o que cada um tem de melhor.

por isso, a assistência social e seus desdohistória e no dia-a-dia da Congregação. O voluntariado é uma experiência espontânea, alegre, prazerosa e gratificante. O voluntário doa energia, tempo e talento, mas ganha muitas coisas em troca: contato

E o voluntário ganha o quê? Primeiro, ele faz parte desse sistema positivo, dessa trama social fortalecida, de um grupo do qual todos se orgulham. Segundo, ao ser um cidadão participativo, ele é reconhecido por outras pessoas como alguém que tem uma força transformadora. Imediatamente ele é valorizado pelos novos e velhos amigos, pelos familiares e pelos conhecidos, que se sentem inspirados para também fazer a diferença – e isso, num círculo virtuoso, fortalece ainda mais o tecido social. O voluntariado é também atividade “egoísta” na medida em que é oportunidade para desenvolver habilidades e competências. Para ser voluntário, não é necessário ser especialista em um assunto, ou fazer aquilo que se faz no dia-a-dia, no trabalho. Suponha um dentista. Se ele quiser, pode prestar

humano, convivência com pessoas diferentes, oportunidade de viver outras situações, aprender coisas novas e a satisfação de se sentir útil e de fazer parte de algo maior. Ainda hoje, 77 anos depois, os voluntários da CIP continuam importantes co-autores das realizações da entidade. As áreas de Ensino, Juventude, Ação Social e Culto contam atualmente com cerca de 285 parceiros, que acreditam no trabalho da CIP e se comprometem a dar o seu melhor para a comunidade. Para conhecer as oportunidades de trabalho voluntário e saber como fazer parte da história da CIP, visite a página do Banco de Voluntários no site da Congregação: www.cip.org.br/voluntariado.

assistência odontológica a uma criança, mas tam37


360º po r Guita Feld man Playboy em língua hebraica A revista Playboy, apesar de disponível em Israel há anos, acaba de lançar sua primeira edição em hebraico com modelos, matérias e artigos de editores israelenses. Daniel Pomenantz, editor da Playboy Israel, lançou a primeira edição ao lado de uma coelhinha usando as mesmas orelhas e rabinhos que são a marca registradas da revista internacional. “Eu acredito que a fórmula especial que trouxe sucesso para a Playboy em todo o mundo se estenderá em minha nova casa de Israel.” Não está claro como a revista será recebida na terra santa onde há muita sensibilidade religiosa entre judeus observantes e muçulmanos que vivem por regras restritas. Pomerantz está confiante. “Israel é um país implicado com tradição e modernidade. A Playboy Israel vai mostrar um país normal, elegante e moderno”, disse. A primeira edição conta com uma entrevista com o ex-chefe do serviço interno de segurança, Avi Dichter.

-Aviv, do projeto para apoiar a busca pela paz na região, que tem a partida como eixo central. “Sabemos que o Barcelona é a equipe mais popular de Israel e da Palestina e isso nos enche de orgulho. Temos a responsabilidade de aproveitá-lo em benefício da paz”, declarou o presidente do Barça.

Doce curiosidade Haifa, a terceira maior cidade de Israel, tem o maior número de padarias e confeitarias por pessoa no país. São 70 padarias para uma população de 270.000 pessoas. Só para comparar, Tel Aviv tem pouco mais de 50 lojas para o dobro de pessoas. Bolos, biscoitos e pães com ampla gama de tradições das confeitarias parisienses, húngaras, alemãs e suíças, são oferecidos nas lojas de Haifa desde 1930, quando imigrantes europeus ali se instalaram.

Abbas e Peres, tribuna de honra O presidente do clube espanhol Barcelona, Sandro Rosell, convidou o chefe de Estado israelense, Shimon Peres, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para serem anfitriões do jogo da equipe catalã contra um combinado palestino-israelense, no dia 31 de julho. Rosell anunciou a notícia durante a apresentação em Ramat Gan, perto de Tel38

“Liberdade é o espaço que a felicidade precisa”. Fernando Sabino.


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Revista Cip 12