H-alt nº8

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08 >>> 2019




editorial 07

entrevista exclusiva com marcos mateu-mestre 08

terror 12

the midas touch 24

quinto imperioa balada de marta e manuel (2)

Marcello Bondi, Lorenzo Zazzeri Zulema Lavina, Marco Fraga Silva Paulo Costa

João Vasconcelos

44

a origem do afectocapitulo 1 58

o jogo de nil- 1 episodio 70

espelho 96

inteligencia artificicaos 106

black hole 112

Nietzche Pop

Pedro Cruz Inocência Dias, Inês Fetchónaz Felipi de Souza, Alberto Pessoa Marcello Bondi, Marco Fraga Silva, Alessio Marini


a festa do terror 118

love 124

controlo 132

ate que a morte nos separe 136

no meio da estrada 142

um transeunte na noite 146

nirvana 150

encurralado 154

descobrir- imaginauta 158

Phermad Filipe Duarte Edgar AscensĂŁo, Rapha Morais Matthieu Pereira

Sandro Leonardo, TJ Gregorio Sandro Leonardo, Gazy Andraus Ana Rita Santos, Nietzche Pop Edgar AscensĂŁo, Ana Ribeiro



Editor Sérgio Santos

Design

Sérgio Santos

Ilustração de capa Marcos Mateu-Mestre

Revisão de texto Marco Fraga Silva João Tavares ISSN 2183-6477

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zine.h.alt@gmail.com

facebook.com/h.alt.bd

h-alt.weebly.com

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Neste número o artista em destaque é o espanhol Marcos Mateu-Mestre, um concept-artist e autor de BD reconhecido pelos seus livros educativos sobre a arte do desenho. Um artista muito admirado pela sua apurada técnica e larga experiência. Nesta edição temos várias continuações de histórias que saíram nos números anteriores, Como já é habitual temos um conjunto muito diversificado de trabalhos de diferentes autores. Recomenda-se aos leitores da revista que espreitem o site da H-alt, na secção Zoom existem sempre bons artigos relacionados com a BD, boas sugestões de webcomics, assim como a possibilidade de conhecer melhor a biografia de alguns dos colaboradores da publicação. Brevemente, e já na sua terceira edição, irão regressar os Prémios Quadradinho Fantástico. Não percam a oportunidade de conhecer os vencedores das diversas categorias.

07


ZOOM

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM marcos mateu-mestre

Marcos Mateu-Mestre nasceu em Palma de Maiorca, Espanha. É um artista de concept art, layout de animação tradicional e um autor de banda desenhada com 25 anos de experiência no mundo da animação. Trabalhou em vários filmes de animação como, por exemplo, “Balto”, “O Príncipe do Egito”, “Asterix e os Vikings”, “Dia do Surf” e “Como Treinar O Seu Dragão 2”. As principais produtoras onde esteve foram a DreamWorks Animation e Sony Pictures Animation. Além do seu trabalho no cinema de animação, também ensinou múltiplas técnicas de desenho, ilustração e narrativa visual durante quase doze anos e foi membro de vários festivais internacionais de cinema. Vive atualmente em Los Angeles.

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Tem também várias publicações impressas pela editora Design Studio Prima, desde BD a livros técnicos educativos. É possível adquirir na Amazon os seus mais recentes livros: Framed Perspective Vol. 1 e 2. Visitem a sua página de Facebook em: https://www.facebook.com/Marcos-Mateu-Mestre-893679814001650/

O senhor trabalha já há quase duas décadas no mundo da concept art e storyboard para filmes de animação. Como é que entrou no mundo da animação e quais as dificuldades que encontrou? Em 1991, quando comecei a trabalhar em animação (Amblin/Londres), já vinha do mundo das graphic novels, publicidade e ilustração... A minha entrada nesta nova área foi muito excitante e não tive grandes dificuldades dada a minha experiência como ilustrador. Consolidei muito os meus conhecimentos a nível da cor em 2D na criação de cenários. Tratava-se de um trabalho de equipa, onde os desenhos e os layouts eram fornecidos préviamente, o que tornava o processo mais expedito. Depois disso, no filme “Balto”, comecei a trabalhar mais na criação de layouts, onde estava mais familiarizado com a criação de painéis, imagens compostas continuas, narrativa, uso extensivo da perspectiva (aprendi muito com o meu pai, um professor fantástico). Tive também oportunidade de desenvolver estudos a nível sombra/luminosidade no desenho. Felizmente, o meu passado na BD e na criação de storyboards deram-me um grande treino quando foi necessário criar imagens compostas. A animação, apesar de ser um universo ”vizinho”, continuava a ser algo familiar para mim. O storytelling não se limita apenas à animação, é a base e o fundamento de qualquer história audiovisual. Um bom storyboarder é necessariamente um bom contador de histórias visuais? Eu penso que precisa de ser. Apesar de eu ter feito um trabalho de storyboarder muito limitado para vários filmes, o que eu posso dizer é que é necessário um trabalho sólido a nível do desenho e técnica, deve-se procurar unir a narrativa, com ritmo e continuidade. A beleza deste tipo de trabalho é que o desenho, sendo uma arte muito complexa e sofisticada, por si só, deve ser incorporado num esquema muito maior que é o contexto de uma história completa, com as suas luzes e sombras, altos e baixos, mudanças de ritmo, clímax, etc...


Quais são suas principais influências? Originalmente as minhas primeiras influências vêm de artistas de graphic novels, especialmente dos anos 70 e 80, quando comecei a sentir essa incrível paixão pela BD. Vou citar alguns grandes artistas clássicos: Victor de la Fuente, Antonio Hernandez Palacios, Jesus Monterde Blasco, Carlos Gimenez (Espanha), Alberto Breccia, Jose Luis Salinas, Arturo del Castillo, Jose Munoz (Argentina, Uruguai), Hugo Pratt, Ferdinando Tacconi (Itália), Jean Giraud, Hergé (França, Bélgica), Milton Caniff, Frank Robbins, Andrew Loomis e Robert Fawcett (EUA, Reino Unido). Existem muito mais artistas, peço desculpa por não mencionar todos, se o fizesse seria realmente uma lista gigantesca. Também escreve muitos livros técnicos relacionados com o desenho e a ilustração. É algo que sente prazer em fazer? Absolutamente. Além de trabalhar no mundo da animação e criar graphic novels, sou uma pessoa apaixonada que gosta de discutir teoria da arte e narrativa. Além disso, eu não me esqueço do quanto devo a todos os grandes talentos que muito me ensinaram (neste momento também gostaria de mencionar os meus pais e minha própria irmã, que incluo também na lista). Portanto, tudo o que possa fazer para comunicar a paixão e conhecimento de vida que me trouxe para este caminho é para mim um verdadeiro prazer. Como descreveria a sua experiência no mundo da BD? A sua experiência na animação provou ser útil? Como eu disse anteriormente, foi antes o contrário (comecei primeiro a trabalhar na BD e só depois passei para a animação). Mas, independentemente disso, todas essas formas de arte são de facto parte da mesma família. Quais são os temas que mais aprecia desenvolver nas histórias de BD? Porquê? Eu aprecio muito eventos históricos ou eventos do dia-a-dia onde seja possível explorar o interior da alma humana. Eu adoro temas fantasiosos, embora também aprecie trabalhar com temas suaves e mais realistas. Acho os eventos humanos mais realistas (épicos ou mundanos) realmente fascinantes. Poderia descrever em detalhe como é o seu método de trabalho quando cria uma história de BD? Eu procuro sempre desligar-me de uma história se estiver a trabalhar nela durante muito tempo. De um modo geral, desenvolvo as personagens e as suas personalidades e procuro sempre destacar eventos que despertem um efeito dominó que proporcione o desenvolvimento da narrativa. Quando começo a imaginar os personagens, procuro definir como eles se parecem, que elementos adicionais podem tornar a estrutura narrativa ainda mais rica.


Outra coisa importante também é obter referências visuais para o período e local onde a história acontece. Depois vou precisar de trabalhar no storyboard, projectar os layouts das páginas, criar os painéis individuais, a composição, a continuidade, a iluminação... (as técnicas que uso estão no meu livro “Framed Ink “). Na arte-final, procuro manter um estilo solto e fresco utilizando os pincéis. Pode-nos falar sobre os seus projetos futuros? Além do meu trabalho em animação na Dreamworks como artista de desenvolvimento visual e depois dos meus livros da série “Framed Ink” (2010) e da graphic novel “Trail of Steel” (2012), estou a trabalhar em dois novos livros sobre a perspectiva técnica vocacionados principalmente para storytellers visuais chamados “Framed Perspective 1 e 2”. Não poderia estar mais entusiasmado com o lançamento. São livros projetados para serem um guia prático e útil para os artistas visuais ( de BD, storyboarders, ilustradores, concept designers...). Gastei muito tempo e trabalho para criá-los e saber que eles estão finalmente a ir para a impressão é realmente fantástico.

A entrevista com Marcos Mateu-Mestre foi originalmente publicada no site da H-alt em 2016-06-22.


terror Argumento: Marcello Bondi Legendagem: Marco Fraga Silva/ Lorenzo Zazzeri Tradução: Marco Fraga Silva Arte: Zulema Lavina

Para conhecerem melhor a biografia e contactarem os autores podem ir ao site da H-alt (H-alt.weebly.com), basta clicarem na secção de colaboradores para poderem aceder a essa informação.

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the Midas touch Argumento: Paulo Costa Legendagem: Paulo Costa Arte: Paulo Costa Cores: Paulo Costa

O objectivo da H-alt é criar histórias colaborativas. Excepcionalmente, e devido ao mérito do trabalho do Paulo Costa, considerou-se que valia a pena quebrar as regras. Para conhecerem melhor a biografia e contactarem os autores podem ir ao site da H-alt (H-alt.weebly.com), basta clicarem na secção de colaboradores para poderem aceder a essa informação

24





















quinto imperio- a balada de marta e manuel (2) Argumento: João Vasconcelos Legendagem: João Vasconcelos Arte: João Vasconcelos Cores: João Vasconcelos

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A origem do afectocapitulo 1 Argumento: Nietzsche Pop Legendagem: Nietzsche Pop Arte: Nietzsche Pop

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Nietzsche Pop , considerou-se que valia a pena quebrar as regras. Para conhecerem melhor a biografia e contactarem os autores podem ir ao site da H-alt (H-alt.weebly.com), basta clicarem na secção de colaboradores para poderem aceder a essa informação.

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o jogo de nil- 2 episodio Argumento: Pedro Cruz Legendagem: Pedro Cruz Arte: Pedro Cruz

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70



























espelho Argumento: Inocência Dias Legendagem: Inês Fetchónaz Arte: Inês Fetchónaz Cores: Inês Fetchónaz

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96











inteligencia artificicaos Argumento: Felipi de Souza Legendagem: Alberto Pessoa Arte: Alberto Pessoa

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Black hOle Argumento: Marcello Bondi Legendagem: Alessio Marini/ Marco Fraga Silva Tradução: Marco Fraga Silva Arte: Alessio Marini

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FESTA DO TERROR Argumento: Phermad Legendagem: Phermad Arte: Phermad Cores: Phermad

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love Argumento: Filipe Duarte Legendagem: Filipe Duarte Arte: Filipe Duarte

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controlo Argumento: Edgar Ascensão Legendagem: Rapha Morais Arte: Rapha Morais Cores: Rapha Morais

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ate que a morte nos separe Argumento: Matthieu Pereira Legendagem: Matthieu Pereira Arte: Matthieu Pereira

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no meio da estrada Argumento: Sandro Leonardo Legendagem: TJ Gregorio Arte: TJ Gregorio Cores: TJ Gregorio

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Um traseunte na noite Argumento: Sandro Leonardo Legendagem: Gazy Andraus Arte: Gazy Andraus

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nirvana Argumento: Ana Rita Santos Legendagem: Nietzsche Pop Arte: Nietzsche Pop Cores: Nietzsche Pop

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encurralado Argumento: Edgar Ascensão Legendagem: Ana Ribeiro Arte: Ana Ribeiro Cores: Ana Ribeiro

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DESCOBRIR

Imaginauta A Imaginauta (www.imaginauta.net) nasceu da vontade de Carlos Silva e Vítor Frazão de desenvolver vários projectos ligados às histórias de ficção especulativa nas suas diversas vertentes. Queremos editar boas histórias, apoiar a literatura especulativa portuguesa, fazer bons eventos, iniciativas inovadoras e originais, movimentar o fandom, chamar a atenção para o género. O nosso primeiro projecto, o Serralves, é um bom símbolo disso mesmo. É uma antologia, mas de ficção científica de cunho espacial, um género pouco explorado por cá. No entanto, o Serralves é mais do que uma antologia, é um conjunto de obras de arte dispersa por vários suportes desde a literatura, passando pela ilustração e acabando nos RPG. (http://imaginauta.net/serralves/) No entanto, não temos só uma face editorial, também gostamos de celebrar o entusiasmo pelos universos alternativos, como fizemos na organização do piquenique steampunk em conjunto com a Liga Steampunk de Lisboa e Províncias Ultramarinas. Ou pela distribuição gratuita de ebooks através dos cartazes da Biblioteca Fantasma, em que apoiamos e divulgamos o projecto Adamastor. (http://imaginauta.net/biblioteca-fantasma-2/) Mais recentemente, lançámos uma colecção de pequenos contos que queremos que se espalhem mais do que o vírus da gripe, a que demos o nome de Colecção Barbante. Cada conto está em formato de folhetim, com menos de 1000 palavras, ideal para ler quando se está à espera de um transporte público, ou na fila do talho. Um universo de bolso, pronto a saltar para a cabeça dos leitores. Estamos sempre à procura de novas ideias, de sugestões de pessoas vindas de fora, que nos apresentem livros, ou projectos que gostassem de fazer.

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