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i n f o r m a ç ã o

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i m p r e s c i n d í v e l

Nº10

PARCEIRO

www.gymfactory.pt

instrutores

verão 2016

6€

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A VOZ DO ASSOCIADO

CROSSFIT A informação

Começar pelo princípio é sempre uma opção mais inteligente... ESPECIALISTA

LIBERTAÇÃO MIOFASCIAL

Será que há lógica que suporte o uso da LMF? MEDICINA

profissional

DOUTOR ROBÔ OU EU – QUEM ESCOLHERIA?

Sente-se preparado(a) para o primeiro médico do mundo artificialmente inteligente?

TENDÊNCIAS

AS 10 TENDÊNCIAS DO FITNESS EM 2016 Existem novas e surpreendentes entradas no ranking da ACSM que indicam a crescente maturidade do sector.

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imprescindível

FERIA OUTLET e ocasião SPORT & Fitness

16 a 18 de dezembro

2016

Gym

Pabellón de Cristal Casa de Campo

Factory

Madrid


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i nf o r ma ç ã o

verão 2016 número 10

p ro fi s s i o n a l

i m p re s c i n dível

editorial instrutores

Editora: Inés Ledo editora@gymfactory.net Diretor: Armando Moreira armando.moreira@apap.pt Equipa AGAP João Pimentel José Luis Costa Fabio Lopes Fernando Gonçalves Sara Faria portugal@gymfactory.net Administração Susana López administración@gymfactory.net Redação Teresa Carmona redacción@gymfactory.net Imprensa e comunicação Carlos Cordeiro prensa@gymfactory.net Design e layout Javier Ojeda redaccion@gymfactory.net Contribuições: Rui Alexandre Jesus Matteo Cerruti Mouna Esmaeilzadeh Leonor Madeira António Pedro Mendes João Moscão Nuno Silva Vasco Teixeira Edita: Inés Ledo Ramos Domicilio social: Avda. del Monte, 25-1 Telf.: 911 274 774 info@gymfactory.net 28250 Torrelodones - (Madrid) Espanha Publicidade Tel: +(34) 911 274 774 Impressão: GRAFISTAFF, S.L. ISSN: 2174-6168 Depósito legal: M-675-2005 Proibida a reprodução total ou parcial de textos, desenhos, gráficos e fotos sem autorização prévia do editor. GYM FACTORY não se responsabiliza pelas opiniões expressas pelos autores, nem se identifica necessariamente com as mesmas.

A segunda edição

GYM FACTORY, a

Feira do FITNESS e das Instalações Desportivas® 2016 terminou com crescimento de 30% de ocupação e visitantes face a 2015. Os meus sinceros agradecimentos, em meu nome e da minha equipa, a todas as empresas e visitantes que tornaram possível que o motor da nossa indústria continue a funcionar. São estes os profissionais que fazem com que a roda continue a girar, graças à sua iniciativa, visão de futuro, entusiasmo e esforço. Há muitas pessoas que querem manter este ponto de encontro essencial para juntar os profissionais do fitness. Além do mais, pretende-se avançar com este projeto, ampliando-o a outros setores relacionados com o setor. Para a nossa empresa, o objetivo principal é ser o catalisador da nossa indústria e, para isso, contamos com os empresários e as associações que nos representam. Nesta edição encontrará muitas novidades apresentadas esta primavera por um grande número de empresas, algumas das quais presentes na Feira GYM FACTORY. Estamos numa faz das melhores épocas do ano para os clubes e seus fornecedores, por isso, aproveitemos os conselhos dos nossos especialistas para superar todas as expectativas. Muito sucesso! Inés Ledo Editora

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Nutriçao

MAGNÉSIO Descontrai e..

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instrutores

resumo

ve r ã o 2016

Direção Técnica

O EXERCÍCIO FÍSICO E O TREINO DESPORTIVO Que fronteira legal?

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Coaching

66 Europa 65 Feira outlet 63 A voz do associado 59 Medicina 55 Especialistas 51 Tendências 49  Coaching 47 Direção técnica 45 Nutrição 43 Especialistas g y m facto r y 1 0

O QUE QUERES? SER CAMPEÃO EUROPEU! Essa pergunta é tão importante porque, acima de tudo, denota um elevado respeito por cada um de nós.

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Feira outlet

UMA FEIRA PARA TODOS OS GOSTOS A Feira OUTLET e Ocasião SPORT & Fitness® realiza-se de 16 a 18 de dezembro no pavilhão de vidro da Casa de Campo de Madrid.


E u r o p a

Promover a Atividade Física e Saúde no Envelhecimento A EUROPA ESTÁ A ENVELHECER RAPIDAMENTE A Europa enfrenta um grave desafio demográfico. Todos os anos, a esperança média de vida no Velho Continente aumenta em três meses e o número de pessoas com mais de 65 anos vai duplicar nos próximos 50 anos, colocando uma enorme pressão sobre os nossos sistemas de saúde e segurança social. Ao mesmo tempo, sabe-se agora que a inatividade é a quarta maior causa de morte em todo o mundo. Os malefícios causados pela falta de atividade física estão bem documentados, assim como os custos económicos significativos associados a estilos de vida sedentários. A prevenção de doenças e a promoção da saúde através da atividade física pode ajudar as gerações europeias mais velhas a permanecerem independentes e a manter uma boa qualidade de vida o maior tempo possível. Por outras palavras, a atividade física é uma medida eficaz de custos reduzidos na redução do risco das doenças não transmissíveis (NCDs), tais como hipertensão e diabetes, além de que promove a interação social, a participação na comunidade e melhora os níveis de coesão social. Apesar das fortes evidências mostrarem que esse investimento pode resultar numa maior qualidade de vida e melhor saúde, os Estados-Membros da UE gastam, em média, menos de 3% dos seus orçamentos anuais de saúde na prevenção e promoção

da saúde. Porque podem ser modificados, os fatores de estilo de vida devem estar no centro das estratégias e das intervenções públicas destinadas a combater as doenças não transmissíveis. Simplesmente precisamos mais pessoas, mais ativas, mais frequentemente. O PROJETO PAHA O projeto da Promoção da Atividade Física e Saúde no Envelhecimento (PAHA) é uma intervenção adaptada para idosos com diferentes capacidades funcionais. Através de um programa de exercício supervisionado e estruturado para idosos (55-65 anos de idade), o projeto PAHA pretende converter pessoas inativas em praticantes regulares a um nível que seja benéfico para a sua saúde, apoiando assim as Orientações da UE sobre Actividade Física e da Semana Europeia do Desporto. Em cada um dos oito países parceiros do projeto - Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Portugal e Reino Unido - 3 ginásios executam 3 ensaios de exercício supervisionados, com a duração de 6 semanas e 15 participantes por programa. Para o efeito, os instrutores, professores e outros trabalhadores envolvidos no projeto recebem formação específica tanto em matéria de competências motivacionais como de promoção do envelhecimento ativo. A participação nos ensaios será gratuita e, aos seniores que participem no projeto, ser-lhes-á ofere-

cido um regime preferencial para continuarem a praticar exercício por um novo período mínimo de seis meses, bem como outros incentivos não monetários. Por último, mas não menos importante, a adequada medição e avaliação será crucial. Através de um sistema de avaliação abrangente, o projeto PAHA irá desenvolver standards transversais que serão disponibilizados para as estruturas de formação de organizações desportivas em toda a Europa. O objetivo é criar uma metodologia que facilmente possa ser adaptada e replicada em diferentes configurações, permitindo que mais cidadãos se iniciem na prática regular de exercício e de atividades físicas que potenciem a saúde. Parceiros do projeto PAHA: • EuropeActive – EU/BE • Coventry University, UK • Johann Wolfgang Goethe -Universität, DE • SkillsActive UK, UK • Portuguese Health and Fitness Association (AGAP), PT • The Hungarian Health and Fitness Association, HU • Sport-Ionad Reiguinach Chorcai Teo (Leisureworld), IE • Finnish Health and Fitness Center’s Association (SKY), FI • Hellenic Association of Gyms (AUGA), EL O projeto tem a duração de 18 meses e começou no dia 1 de janeiro de 2015. Esta acção é co-financiada pela Comissão Europeia

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feira outlet

FERIA OUTLET y ocasión SPORT & Fitness

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Pabellón de Cristal Casa de Campo

Madrid

A Feira OUTLET e Ocasião SPORT & Fitness® realizase de 16 a 18 de dezembro no pavilhão de vidro da Casa de Campo de Madrid. Esta será a primeira feira Outlet espanhola orientada para o mundo do desporto. A iniciativa pioneira tem como principal objetivo oferecer aos expositores a possibilidade de liquidar os seus excedentes no final do ano e dar a possibilidade aos consumidores para encontrar num só lugar uma variedade de produtos relacionados com o desporto a preços de Outlet com descontos a partir dos 30%.

Ficha técnica Denominação

Feira OUTLET e Ocasião SPORT & Fitness®

Carácter

Feira Professional e consumidor final da indústria do desporto

Frequência

Anual

Edição

Data

16 - 18 de dezembro de 2016

Horário

das 10:00 às 20:00 horas

Local

Pavilhão de vidro da Casa de Campo de Madrid

Perfil do expositor

A zona de exposição inclui empresas de equipamento de ginásio, música, massagem, calçado desportivo, lojas on-line, equipamento outdoor, ténis, mergulho, bicicletas, esqui, basquetebol, acampamento, golf, padel, natação, artes marciais, patinagem, acessórios & complementos desportivos, entretenimento, nutrição, pilates e roupa desportiva entre outros.

Perfil do visitante:

gestores e técnicos de exercício físico de instalações desportivas interessados em material outlet e público em geral interessado em material desportivo outlet

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UMA FEIRA PARA TODOS OS GOSTOS Nos últimos anos temos visto crescer a uma velocidade vertiginosa o fenómeno OUTLET. Quase todos os tipos de produtos estão disponíveis a um preço mais razoável e em perfeitas condições. No sector do desporto e, mais especificamente no mundo do fitness, fornecedores de equipamentos lançam anualmente os seus novos produtos, fazendo com que parte do seu material descontinuado e com 100% de garantia se torne disponível a um preço imbatível.


6ª FEIRA | 16 Profissionais O momento certo para contactar com os ginásios e centros desportivos interessados em equipamento outlet. SÁBADO 17 | DOMINGO 18 Apenas uma semana antes do Natal, é a altura ideal para estimular os consumidores a comprarem presentes de artigos desportivos para todas as idades. No final do ano as empresas apuram os seus resultados e é de grande interesse desfazerem-se do excesso de stock e produtos descontinuados. Por outro lado, a proximidade do Natal vai fazer com que muitas das compras dos consumidores finais sejam feitas por ocasião da Feira OUTLET e Ocasião SPORT & Fitness®. www.gymfactoryfairs.com

Quais os objetivos que esta Feira persegue? Os 2 principais objetivos são: • Ajudar as empresas a liquidar stocks no final do ano; • Dar aos consumidores a possibilidade de encontrar num só lugar uma grande variedade de produtos relacionados com o desporto a preços de outlet. O que diferencia este certame? Não há nenhuma feira Outlet especializada em artigos e equipamentos desportivos pelo que esta iniciativa preenche essa lacuna. A sua proximidade ao Natal é ainda importante para estimular vendas neste período festivo.

A quem se dirige? A feira é mista e foca-se em 2 vertentes: 1. Sexta-feira: direcionada a profissionais de ginásios e academias que procuram equipamento outlet e de ocasião. 2. Sábado e domingo: para o público-final interessado em todo o tipo de artigos desportivos a preço de outlet. Quais serão as empresas expositoras? Qualquer empresa relacionada com o mundo do Desporto interessada em liquidar stocks e em dar a conhecer produtos em promoção. E Lojas? Também podem participar como expositoras? Sim, as lojas também podem expor.

Qual o objetivo em termos de participação de número de empresas expositoras para esta 1ª edição? Esperamos 40 marcas expositoras nesta primeira edição. E quantos visitantes são esperados? Ao tratar-se de uma feira na qual o consumidor final será massivo, esperam-se 6.000 visitantes. Quais as vantagens para os expositores que reservem antecipadamente? As marcas que se comprometam a estar presentes antes de 10 de setembro recebem um desconto direto de 15%. Para mais informação: www.gymfactoryfairs.com

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a voz do associado

CrossFit: começar pelo princípio é sempre uma opção mais inteligente...

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magine-se entrar numa sala completamente às escuras. Apesar de não ver nada, durante os próximos 60 minutos vai sentir uma atordoante azáfama. Um caos onde apenas todos os outros parecem orientar-se. Estremece e encolhe-se com a vibração de muitos quilos em queda livre des-

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coordenada. Assusta-se com respirações ofegantes de quem parece estar prestes a morrer. E às tantas já nem percebe se deve subir, descer, rodar, puxar ou empurrar... Apesar do enorme desconforto físico e psicológico, deixa-se contagiar pela intensidade do momento e faz...


Assustador, não é? Mas é exatamente assim que muitos se iniciam no CrossFit. Por incrível que pareça, das experiências mais maçadoras para um instrutor de uma Box é precisamente esta coisa de ter que explicar o óbvio: TODOS devem começar pelo princípio! Independentemente da relação e/ou experiência que tenham - ou não tenham - com a atividade física e/ou o Desporto. Cada Box deve desenhar o seu programa de introdução ao CrossFit – o Foundation ou On Ramp. Apesar de poderem assumir diferentes formatos, devem respeitar os mesmos conteúdos: a) A nossa saúde começa nos nossos comportamentos alimentares; b) O enquadramento num modelo de saúde tridimensional (DoençaSaúde-Fitness) onde os indicadores clínicos se cruzam com outros facilmente mensuráveis: força, resistência cardiorespiratória, velocidade, potência, mobilidade, equilíbrio, coordenação, agilidade, flexibilidade e precisão; c) O espírito de Comunidade e Identidade que resulta de um ambiente altamente inclusivo e acolhedor, onde os egos se deixam sempre de fora. O nosso Foundation é um programa de 3 horas onde a prática é intercalada com algu-

ma teoria. Começamos por explicar o que nos distingue de outros programas de fitness, de onde vem a nossa abordagem à saúde e como promovemos a qualidade de vida. Explicamos que o CrossFit (1) não inventou o corpo humano nem a ginástica, mas é a esta modalidade que recorre para avaliar, analisar, explorar e potenciar as capacidades de movimento de cada pessoa; (2) também não inventou o halterofilismo, mas é através desta modalidade que ajuda o corpo a aprender e/ou

reaprender a manipular cargas externas; (3) nem tão pouco descobriu os processos metabólicos do nosso organismo, mas procura estimular e recrutar todos aqueles que se conhecem. Ou seja, o que torna o CrossFit inovador não é o que faz mas o como faz, através da combinação destas três dimensões em soluções quase inesgotáveis. De volta à prática, vamos explorar o trabalho calisténico (peso do corpo). Reconhecemos as particularidades e capa-

cidades de cada participante e fazemos o primeiro WOD (Workout Of The Day). Sentida “na pele” a alta intensidade dos nossos treinos, reconhecem a sua dimensão relativa: cada um dá o que consegue dar. Voltamos a sentar-nos e falamos da base do CrossFit: a nutrição. Porque somos aquilo que comemos e o que comemos determina o que treinamos e como recuperamos. Garantimos a todos que este é um tema sempre presente no dia a dia da nossa Box e que, quase sem darem por isso, entrarão naturalmente num processo de mudança de hábitos alimentares. É altura de nos pendurarmos nas barras e de “treparmos paredes”. Em menos de duas horas já muitos se superaram: “Eu nunca tinha feito isto na vida...”. Nesta altura é frequente notarmos uma confiança crescente nos nossos participantes: “olha... e não é que eu até sou capaz de fazer estas coisas?” Mais cinco minutos de intensidade e, surpreendentemente, mais competências reveladas. Voltamos a sentar-nos para conversar e ingerir o snack do meio da tarde que sugeríramos trazerem. Passamos ao trabalho com cargas externas onde o transportar o máximo de carga ao longo da máxima distância no mínimo tempo possível pode ser uma boa forma de revelar a condição física de cada um. Recorremos às Kettelbell (KTB) para ensinar movimentos básicos mas nada simples: Dea1 0 g y m facto r y


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a voz do associado

dlifts, Cleans, Squats e Presses. Os nossos participantes entusiasmam-se com o desafio do trabalho técnico e atiram-se ao terceiro WOD. Resta-nos explicar como é que tudo aquilo de que já falámos e experimentámos se conjuga. Estamos finalmente prontos para compreender a dinâmica de uma Box de CrossFit: (a) onde ninguém é melhor nem pior do que ninguém; (b) onde o processo é sempre mais importante do que o resultado; (c) onde não há rotinas e todos nos preparamos seja lá para o que for e quando for; (d) onde os treinos respeitam as particularidades de cada pessoa e por isso são sempre personalizados através de progressões e/ou alternativas; (e) onde se formam pessoas para que sejam mais autónomas na tomada de decisão sobre a sua saúde e qualidade de vida; (f) onde o papel na nutrição e do descanso/ recuperação são constantemente realçados; (g) onde os resultados são diariamente apontados numa das paredes da Box para que possamos ter

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consciência da nossa prestação e evolução; (h) onde se desenvolve um espírito competitivo muito saudável e divertido entre todos; e (i) onde sabemos não existirem atalhos. Porque sem esforço não há resultados! Pegamos em tubinhos de PVC e começamos a explorar progressões dos mesmos movimentos que iniciámos nas KTB. Dependendo do grupo de participantes ou de cada participante em si, os PVCs podem ou não ser substituídos pelas barras olímpicas. Em pouco mais de duas horas e meia, torna-se evidente que começando pelo princípio é possível pegar corretamente numa barra e garantir a segurança no treino. Último WOD. O cansaço já se faz sentir. Muita atividade física e muita informação a digerir. Assumimos que, tal como a vida, o CrossFit não é fácil mas é uma aventura onde o esforço, a dedicação e a persistência têm resultados altamente compensadores. É muito frequente atletas nossos quererem repetir o Fou-

ndation vários meses depois da sua iniciação. Porque lhes apetece, porque sentem a necessidade de voltar a ouvir algumas coisas que uns meses depois farão ainda mais sentido e/ou porque vão acompanhar amigos, colegas ou familiares que assim se juntam à nossa Comunidade! Gostamos que sejam eles próprios a encerrar o programa com os seus testemunhos sobre o seu primeiro Foundation e os últimos meses de treinos na Box. Afinal, quem melhor do que os nossos atletas para descreverem o que é a nossa Comunidade e o que significa o CrossFit nas suas vidas?

Leonor Madeira

Gerente da IronBox CrossFit Alfragide Mestrado em Psicologia do Desporto (FMH - Universidade de Lisboa)


SE TEM INTERESSE EM NUTRIÇÃO DESPORTIVA, INTERESSA-LHE CONHECER

LÍDERES EUROPEUS EM LINHAS DE PRODUÇÃO COM MAIOR VARIEDADE


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DOUTOR ROBÔ ou EU – Quem escolheria?

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EDIÇÃO GENÉTICA, nanobots na corrente sanguínea, médicos artificialmente inteligentes … a tecnologia está a mudar o Mundo a uma velocidade exponencial. E o que significa isto para o futuro dos cuidados de saúde, para a nossa vida e das nossas crianças? Deveremos simplesmente aceitar este desenvolvimento ou há razão para questionar ou, até mesmo, tentar orientar esta (r)evolução? g y m facto r y 1 0

os últimos sete anos tenho trabalhado ativamente na prevenção de doenças potencialmente fatais, como o cancro, usando os mais recentes avanços na ciência médica e tecnologia. Durante este mesmo período, tenho testemunhado fantásticas melhorias naquilo que, enquanto médicos, podemos fazer pelos pacientes. Apesar destes avanços significativos, quando participo como especialista em conferências, mesas redondas ou programas de TV, ainda é um assunto meio tabu falar sobre tópicos “a-ser -realidade-brevemente”, tais como robôs a substituir médicos e tecnologias que permitem prevenir doenças e radicalmente prolongar a vida útil. Compreensivelmente, a maioria das pessoas sente que são tópicos difíceis de entender, mas há um pequeno grupo que acredita genuinamente que este futuro teórico se vai tornar realidade. O senso comum diz-nos que não pode ser verdade, tal como nos dizia que a Terra era plana. O nosso órgão mais fascinante, o cérebro, está novamente a enganar-nos. Como neurocientista, sei que a velocidade estonteante dos avanços tecnológicos é algo difícil para o cérebro humano acompanhar, uma vez que o cérebro tende a antecipar o futuro de forma linear, em vez de forma exponencial. Entenda-se o significado de Exponencial, neste contexto: o próximo século será o equivalente


não a 100 anos de progresso ao ritmo de hoje, mas a 20.000. Agora, considerando como o mundo mudou nos últimos 20 anos em relação ao uso dos computadores e smartphones, já tentou usar a imaginação para prever os próximos 20? Certo é que as tecnologias de ponta estarão disponíveis mais cedo que pensamos e, desta vez, não só no domínio das tecnologias sobre os nossos telefones e computadores, mas também no campo da medicina e da biologia humana: edição genética, robótica e nanotecnologia. EDIÇÃO GENÉTICA - O FIM DAS DOENÇAS? Possivelmente está a pensar “a edição genética não é algo que me vai afetar durante a minha vida”. Bem, pense novamente, porque a ciência de “fazer de Deus” já chegou e, por certo, vão afetá-lo(a). A revolução genética permitirá a reprogramação da nossa própria biologia e, por muitas razões, isso é excelente. Algumas pessoas dirão que deverá ser banida porque não se deve interferir com o curso da evolução natural nem devemos agir como deuses. Mas, novamente, quem dirá não ao combate e à prevenção de doenças como o cancro ou doenças cardiovasculares e ao prolongamento de uma vida saudável? Aliás, não será isso também estar contra a evolução? Afinal, não vimos programados por defeito para sobreviver? Basta pensar nisto: não ter que temer doenças como o cancro ou que o seu filho venha a ter uma doença rara com grande impacto sobre a sua saúde e vida. Isso significará que as pessoas, antes cegas, passarão a ver, os surdos passarão a ouvir e assim por diante.

OS ROBÔS VÃO SUBSTITUIR OS MÉDICOS? Quando pensa num robô, provavelmente tem uma imagem parecida com o R2D2 (que me desculpem os amantes do Star Wars), mas os robôs de hoje estão muito mais inteligentes e “humanos”. No campo da medicina, já os vemos a auxiliar cirurgiões há alguns anos, mas sempre com os médicos como responsáveis. No entanto, num estudo recente, um robô superou os cirurgiões e, inclusive, provou ser superior, mesmo quando a operar de forma autónoma. Há alguns anos atrás, o supercomputador Watson superou os médicos no diagnóstico de cancro do pulmão: Watson estava certo 90% das vezes comparativamente com 50% dos médicos especializados nesse campo. Há dois anos atrás, um computador AI passou no teste de Turing - o teste investiga se as pessoas conseguem detetar se estão a falar com máquinas ou seres humanos. Agora, este é apenas o começo e nada está suficientemente maturado. Todavia, uma vez que a tecnologia se move muito rápido, isso poderá ser uma prática comum num futuro não tão distante. Na verdade, no preciso momento, estamos a testemunhar como a edição genética cria vacas sem chifres, Dálmatas cobertos de corações em vez de pontos e o primeiro advogado artificialmente inteligente do mundo ser contratado por um escritório de advocacia. Assim, a pergunta é: O que vem aí? Da mesma forma, apesar de ainda estarmos longe de nanobots, a nanotecnologia irá, provavelmente, avançar um dia para o outro estágio em que nos permitirá reparar e redesenhar partes do nosso corpo e cérebro, átomo

por átomo. Por tudo isto, devemos aceitar ou temer estas tecnologias? CONVERGÊNCIA DE GENÉTICA, ROBÓTICA E NANOTECNOLOGIA A história ensinou-nos que qualquer grande tecnologia tem o poder de fazer um grande bem ou um grande dano. É o mesmo com a genética, nanotecnologia e robótica. Da mesma forma, a convergência destas tecnologias será ainda mais poderosa e os seus benefícios e danos proporcionais às suas potencialidades. As ferramentas de edição de Genes estão disponíveis há algum tempo, mas só os recentes desenvolvimentos nos permitem editar o genoma com muito maior precisão, velocida1 0 g y m facto r y


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de e acessibilidade que anteriormente. Embora vá levar algum tempo até que a ferramenta de edição de genes possa ser usada com segurança em seres humanos, é inevitável que isso venha a acontecer porque será de grande vantagem para nós, pois ajudará a combater doenças e a viver mais saudável e por mais tempo. QUANDO A BIO-PIRATARIA FOR POSSÍVEL, QUAIS SÃO AS IMPLICAÇÕES ÉTICAS? Poderá pensar que estas novas tecnologias chegarão passo-a -passo pela mão dos cientistas que trabalham no terreno e que tudo estará sob controlo de comitês éticos e de outras Autoridades. Mas, embora a ciência por detrás da edição genética seja complicada, a sua aplicação não o é. Dessa forma, o movimento “bio-pirataria” está a crescer muito rapidamente, o que significa que qualquer criança pode manipular a biologia, mesmo sem conhecimento prévio sobre engenharia genética.

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Além disso, as implicações dessas aplicações podem ser bastante complicadas do ponto de vista ético e difíceis de controlar, mesmo para a comunidade científica, uma vez que os cientistas também são pessoas e, tal como foi dito antes, o cérebro humano tem dificuldades em compreender relações exponenciais e em analisar complexidades de forma racional. No entanto, devido ao rápido desenvolvimento nestes domínios tecnológicos, devemos realmente começar a discutir sobre como podemos beneficiar, o mais amplamente possível, destas tecnologias que mudam paradigmas sobre a Vida, limitando, ao mesmo tempo, o seu uso indevido. Não podemos perder tempo nesta matéria. SENTE-SE PREPARADO(A) PARA O PRIMEIRO MÉDICO DO MUNDO ARTIFICIALMENTE INTELIGENTE? À luz do exposto, considere o seguinte: DOUTOR ROBÔ OU

EU – QUEM ESCOLHERIA? Quando colocar essa questão para si, tente ser racional e não juiz. Recorde que hoje vive cercado de tecnologia, mesmo sem se aperceber. Tem Siri no seu iPhone, táxis autónomos serão uma realidade em breve. Esperançosamente, eu e os meus colegas médicos vamos encontrar o nosso novo papel no futuro, possivelmente como parceiros do Doutor Robô, proporcionando-lhe a melhor saúde possível, em equipa. Ou, talvez, o doutor Robô tornarse-á tão humano e verdadeiramente empático que, simplesmente, preferirá ter não só a sua capacidade intelectual para a segurança de diagnóstico, mas também o seu excecional entendimento dos seus sentimentos e sua incrível capacidade de ouvir e de o(a) aconselhar sobre questões complexas na área da saúde e da vida, no geral. Como médica, eu aceito tudo o que possa melhorar a saúde dos meus pacientes. Portanto, eu contrataria o primeiro médico do mundo artificialmente inteligente para a minha clínica. Então, caro doutor Robô, seja bem-vindo à minha prática! Fico na expetativa de muitos anos de grande cooperação!

Mouna Esmaeilzadeh

Fundadora e Chief Medical Officer da SciLife Clinic Médica desde 2005 Doutoramento em Neurociência em 2011 Estudante e professora de Filosofia


SEMPRE NÀ FRENTE


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Libertação Miofascial –

FAZ SENTIDO?

No meu caminho de formador em Exercício ganhei um gosto pela pesquisa e pela busca de lógica que me leva sempre a questionar tudo o faço. Esta paixão pela dúvida tem como sentimento propulsor o gosto por ajudar da melhor maneira os meus clientes. Proporcionar a estimulação biomecânica adequada ao sujeito e suas necessidades é o meu propósito, enquanto Treinador Particular. Assim, acabei por desenvolver um elevado criticismo em relação ao mercado do Fitness. Sem intuito de denegrir, sem espírito de maledicência, com intuito de construir, com espírito de missão.

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om a emergente popularidade de várias técnicas que visam o aumento ou melhoria da mobilidade, a prevenção de lesões e potenciação do desempenho motor, sou tentado a acompanhar cada tema com concomitante pesquisa e raciocínio. É importante que acompanhemos a ciência, que estudemos, e que isso traga lógica às intervenções a que sujeitamos as pessoas que colocam a sua saúde em nossas mãos. Uma das mais populares técnicas é a libertação miofascial (LMF). Esta técnica visa a libertação de supostas tensões ou restrições no tecido fascial. Há empresas a formar profissionais nesta técnica e os ginásios foram invadidos por foam rollers, que são usados para “massajar” o tecido – apesar de se tratar literalmente de um esmagamento. A técnica surge na sequência da importância que a fáscia adquiriu no âmbito científico: “está em todo o lado”, “é extremamente enervada” e “possui propriedades contrácteis”, são as principais premissas justificativas para a invenção de uma técnica que tenta libertar este tecido Humano – curioso não existir um método não invasivo (sem ser percutâneo) que diagnostique tal “restrição” ou “tensão” fascial. Ou seja, a LMF poderá estar a ser aplicada sem que seja necessário. g y m facto r y 1 0


Começarei explicando que estas premissas não são exclusivas da fáscia, logo não lhe conferem, só por si, a importância reclamada. Vejamos: Está em todo o lado? Também o epitélio (aliás a pele é mesmo o maior órgão do corpo Humano). É extremamente enervada? Sim, mas também o músculo o é (talvez até muito mais). Possui propriedades contrácteis? Sim, contém tecido muscular do tipo liso, mas não são músculos! São simplesmente miofibroblastos. É deveras importante contextualizar os Treinadores e Terapeutas que usem a LMF. Apesar de se acreditar que friccionar ou alongar este tecido traz as melhorias que vêm nos seus clientes/pacientes, não existem provas concretas disso, nem tão pouco instrumentos que testem esta hipótese. Mas não sou apologista da dependência total da ciência, terá contudo de haver lógica. Será que há lógica que suporte o uso da LMF?

Quando falamos de fáscia, hoje em dia no mundo do Fitness, falamos de algo quase “mágico”. Falamos de um tecido, cuja descoberta de suas funções foi tão importante como a “pólvora”. O problema é que a fáscia é um tecido do tipo conjuntivo e enquanto não se abordar e analisar este tecido á luz da sua estrutura e função, dificilmente perceberemos sequer se está “tenso” ou “restrito”, quanto mais se o devemos libertar, ou melhor, se é sequer libertável. Falar da fáscia é, pelo menos em grande parte, falar de tecido conjuntivo. Assim, irei dedicar o resto deste artigo ao tecido em si, de forma compreensiva o suficiente para o retirar do simplismo a que foi remetido pelo nosso sector. Na sua organização anatómica, a maior parte da fáscia liga o tecido muscular ao ósseo. Portanto, ainda que morfologicamente

distinto de um tendão, desempenha funções tendinosas – transmissão da força muscular ao sistema articular. Na sua maioria é tecido conjuntivo do tipo denso irregular. Denso por ser abundante em colagénio e irregular por suas fibras não se disporem numa orientação paralela – nem perto sequer – mas sim semelhante a uma teia. Característica esta que nos faz concluir que a eficácia da LMF dependerá da multiplicidade de direções de deformação e não de uma só direção, ao contrário do que se faz na fáscia lata, por exemplo, onde o rolo é usado para massajar a face lateral da coxa somente no sentido superior-inferior. Continuando, é um tecido com um sistema de vascularização muito pobre, o que lhe confere uma taxa de adaptação muito lenta – a taxa de adaptação dos componentes celulares da fáscia pode ir de 2 dias aos 500 dias, já que o metabolismo é muito baixo (Robert Schleip, Journal of Bodywork and Movement Therapies, January 2003). Ora, seja qual for o efeito que se julgue que a LMF desencadeie, se for um efeito verificável de imediato, é pouco provável que tenha sido uma adaptação fascial. O colagénio do tipo I é o mais abundante tipo de fibra contida neste tecido. Robert Schleip, um dos cientistas mais proeminentes no estudo da fáscia e das técnicas de LMF, afirma que “A ciência diz que terias de aplicar uma tonelada de pressão para provocar estas alterações.” (Science, vol. 318, No. 23 Nov 2007). O que quer dizer que “...a fáscia plantar e a fáscia lata requerem grande força – muito além do fisiologicamente possível – para sequer sofrerem uma defor-

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mação de 1%...” (Chaudhry, e col., 2008. Journal of the American Ostheopathic Association. vol. 108 No. 8). Estas afirmações têm como base a força tensil do colagénio, que se aproxima à do aço (Lavangie e Norkin, Joint Structure & Function, 2012). Fazendo já um parêntesis breve, a LMF é uma técnica que visa a melhoria da função motora, através da libertação do “aço”? não me parece que seja plausível, sequer imaginável. É verdade que é muito enervada, mas este argumento, desprovido de mais conteúdo, não nos diz nada. A fáscia não possui o único mecanoreceptor capaz de modular a tensão tecidular, o fuso neuromuscular, sendo pouco provável que a sua tensão se autorregule. Mais importante ainda, só possui sistema neural aferente (do tecido para o sistema nervoso central), sendo desprovida de eferência (do sistema nervoso central para o tecido) o que a impossibilita de receber quaisquer ordens contracteis. Portanto é mais provável que quaisquer “tensão” ou “restrição” fascial – se realmente

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acontecer – tenha origem nos músculos que a conectam. Por exemplo, a fáscia lata não é mais que um tendão membranoso, comum ao grande glúteo e ao, logicamente nomeado, tensor da fáscia lata. Todos os tecidos Humanos são um contínuo biológico e, por isto mesmo, será de esperar que os tecidos possuam uma certa percentagem de células dos tecidos adjacentes. Uma vez que a fáscia cumpre funções também tendinosas, será de esperar que possua miofibroblastos, até porque a sua concentração é mais elevada na fáscias lata e toracolombar (Schleip, Fascia Research, 2007), os “tendões” do tensor e do grande dorsal, respectivamente. Os miofibroblastos são células musculares do tipo liso e são migratórias. Por não estarem determinantemente fixas podem mudar de localização. O curioso é que, uma vez que não existe eferência neural na fáscia, estas células contrácteis não são excitáveis – não respondem ao estímulo eléctrico. Os miofibroblastos são

reativos à secreção inflamatória localizada, podendo regular ou mesmo produzir secreção inflamatória, pelo que a sua contração continuada sinaliza o depósito de colagénio – ou seja, mais aço! Nesta lógica, é mais provável que a sua função NÃO seja motora mas sim de recuperação do próprio tecido. Saliente-se que a ciência desconhece o que a LMF faz aos miofibroblastos, ao serem esborrachados por baixo de um rolo com nome pomposo. Será importante que tenhamos a certeza que a função destas células não seja diminuída, o que pode comprometer recuperação do próprio tecido. Finalizando, lembremo-nos que a LMF atinge todos os tecidos, desde a pele ao osso, e que muitos deles não estão preparados para sofrer deformações transversais. Com os dados que apresentei aqui neste breve artigo, poderemos afirmar que, seja qual for o benefício ou malefício decorrente da LMF, estará provavelmente a surgir noutros tecidos com taxas adaptativas mais rápidas, tais como o músculo ou mesmo a pele. Mesmo assim, é urgente que o Fitness assuma uma postura mais humilde perante o corpo Humano e que não tente correr mais rápido que a ciência ou, se o fizer, que ao menos seja com lógica. Por enquanto não há lógica, nem ciência, que suporte o uso da LMF.

João Moscão

Formador em Biomecânica, Anatomia e Fisiologia Articular e Muscular desde 2008. Criador e Formador dos cursos Engage, Performance e Pro da EXS – Exercise School.


“Confiança e segurança para o seu ginásio”


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t e n d ê n c i a s

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AS TENDÊNCIAS do FITNESS em 2016 TAMBÉM ESTE ANO, e pelo décimo ano consecutivo, o American College of Sports Medicine (ACSM) previu as 20 tendências de fitness para 2016, inquirindo Estudantes, Personal Trainers, Terapeutas e Diretores de unidades de fitness ou médicas. Entre os “habituais”, que persistem nesta tabela, existem novas e surpreendentes entradas que indicam a crescente maturidade do sector, equilibrando atividades e metodologias de performance, com outras dedicadas a populações ou contextos mais específicos, procurando o treino de outras qualidades, igualmente importantes. A grande controvérsia: os Wearables e as Smartphone Apps. A grande ausência: Children Obesity.

D

esde 2006 que o ACSM procura prever as grandes tendências no sector do Fitness mundial. Este ano, e comparativamente ao primeiro questionário proposto há uma década, nota-se o crescimento nas respostas obtidas: em 2006 responderam cerca de 500 profissionais enquanto em 2016 responderam cerca de 3000. Outro bom apontamento é que as tendências, na sua generalidade, mantêm-se estáveis provando que não são modas e que devem ser seguidas e estimuladas para que se possa influenciar positivamente o sistema e os seus processos, a favor dos praticantes que são os que mais devem beneficiar com estes ajustes. ESTE ANO O 1º LUGAR é ocupado por uma entrada direta

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e logo para o topo da tabela. Wearable Technology foi identificada como principal tendência para 2016. Existe porém controvérsia face a este destaque, já que alguns profissionais não negam a sua utilidade para efeitos de motivação e acompanhamento mas receia-se que estes dispositivos possam induzir os utilizadores em erros, comprometendo a segurança e eficácia do treino, e subvalorizando a importância do acompanhamento técnico e certificado. Alguns apostam na necessidade destes dispositivos para manter uma presença dos benefícios do exercício e atividade física diária regular e continuada, enquanto outros questionam a validade dos valores obtidos e das métricas utilizadas.

EM 2º LUGAR está Body Weight Training, o que demonstra que as pessoas estão sempre mais conscientes de que para treinar não é essencial procurar uma carga externa. Acredita-se também que esta tendência deve-se ao iminente envelhecimento da população mundial e à necessidade de educar as pessoas a suportar o peso do seu próprio corpo, sendo esse a carga mais pesada que deverão carregar até ao final dos seus dias. O 3º LUGAR é ocupado pelo High Intensity Interval Training que entrou diretamente para primeiro em 2014 e que veio a descer gradualmente nos 2 anos seguintes. Embora existam ainda dúvidas relacionadas com a segurança na


execução deste tipo de treino, a sua eficácia e curta duração fazem com que muitos profissionais e unidades de Fitness prescrevam esta metodologia, que muito tem sido apreciada pelos praticantes. NO 4º LUGAR mantém-se o sempre popular Strenght Training. É muito utilizado por vários segmentos de praticantes, desde idosos para efeitos de manutenção da massa muscular e prevenção de sarcopénia ou osteopénia, a mais jovens para crescimento e reforço da estrutura muscular. O treino de força acaba por completar sempre todas as atividades desenvolvidas nos centros de Fitness ou unidades médicas. EM 5º LUGAR figuram os Educated, Certified and Experienced Fitness Professionals. Num sector em franca expansão e crescimento, a procura de profissionais de qualidade tem sido prioridade para muitos operadores que, naturalmente, compreendem a necessidade de recrutar, selecionar e manter equipas competentes e habilitadas. O 6º LUGAR tem sido ocupado por Personal Training, com muitas poucas oscilações nos últimos 4 anos. O treino “um-para-um” continua a ser inquestionavelmente a melhor forma de obter resultados – de que natureza sejam – e de conseguir uma experiência de treino recompensadora. O profissional assume total destaque e posiciona-se como intérprete no treino, prescre-

vendo, medindo e controlando todas as variáveis. EM 7º LUGAR, o Functional Fitness teve a sua entrada no questionário de 2007 e desde então tem sido uma presença constante. Desde 2010 tem-se sempre mantido nos primeiros dez lugares, afirmando a importância de incluir nas rotinas de treino metodologias que estimulem várias qualidades que melhorem a capacidade de cumprir tarefas diárias e que aumentem a qualidade de vida e longevidade. Acompanhando a tendência anterior, EM 8º LUGAR está Fitness Programs for Older Adults. O fenómeno “Baby Boom” indica que, tipicamente, estas pessoas têm mais tempo e maior capacidade financeira. Este mercado tem vindo a crescer e tanto profissionais como operadores têm estado alerta face à necessidade de criar programação mais adequada a este segmento. EM 9º LUGAR está Exercise and Weight Loss, que acaba por dar resposta à grave situação da mortalidade originada pelas doenças não transmissíveis, muitas delas originadas por hábitos de vida inadequados e obesidade. Destaca-se aqui a necessidade de encontrar um melhor equilíbrio entre nutrição e exercício físico. NO 10º POSTO, finalmente, enquadra-se a atividade de Yoga. As atividades de grupo têm sido inconsistentes nos questionários porque, geralmente são consideradas

modas e não tendências. No passado, houve entradas como Zumba, Pilates, BootCamp e Indoor Cycle, mas são sempre passagens muito temporárias. Yoga, porém, tem sido uma presença bastante assídua, acredita-se devido à própria consistência do método em si. A grande ausência é relativa a Children and Exercise for the Treatement and Prevention of Obesity. Em 2013, esta tendência estava em 4º lugar, demonstrando a importância na prevenção e tratamento da obesidade infantil. Em 2014 e 2015 decaiu para 11º e 17º posto e, finalmente, este ano não chega sequer aos primeiros vinte lugares da tabela, ficando-se pelo nº 24. Este questionário é de extrema importância tanto para profissionais como para operadores. Permitem uma análise alargada do espectro de atividades e metodologias que poderão moldar o futuro da indústria permitindo também direcionar e capitalizar investimentos para as áreas emergentes.

Matteo Cerruti

Licenciado em Educação Física e Desporto pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

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c o a c h i n g

? s e r e u q e u O q o ã e p m a C Ser ! u e p Euro para a z a r t a das G N m I u H s C a ssos di O COA o n s o tas do ed n d u a g d r i l e a re antes p oal. Essa t r o p m mais i o pess t n rque, e o m p i v e l t o portan desenv m i o ã t levado e é a m t u n u a perg , denot o d u t ós. n e e d d a m m aci cada u r o p o respeit

U

m dos motes interessantes das áreas do desenvolvimento pessoal e comportamento humano é a modelagem….que simplificando é fazeres, veres, pensares e sentires da mesma forma que fazem aqueles a quem queres modelar… para atingires iguais resultados aos de esses modelos! Lembrei-me desta referência por causa de um exemplo de comportamento e comunicação na área desportiva que quero reconhecer pela excelente utilização de alguns dos princípios do Coaching e da PNL. Refiro-me ao atual selecionador nacional de futebol sénior: Fernando Santos! A grande maioria dos treinadores de futebol sofre de alguns hábitos menos positivos que reconheço nessa classe do futebol e na grande generalidade do contexto desportivo (e não só!!!). E um dos hábitos que denoto é a proteção e, por

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vezes, a falta de coragem para se expor. E quando digo expor é dizer para o que vão fazer… que é o mesmo que dizer que apenas venho para fazer o meu melhor ou algo mais como, por exemplo, venho para ganhar o campeonato da europa! Qual a diferença entre um e outro? Enquanto na primeira preposição “venho para fazer o meu melhor” estou a definir um objetivo suficientemente intangível e pouco mensurável para que me possa “proteger” na eventualidade das coisas correrem mal, na 2ª preposição (“venho para ganhar o campeonato da europa”) o nível de compromisso é muito mais elevado, o que vai exigir de todos os que estão envolvidos uma maior predisposição para a ação possibilitadora. Note-se como os treinadores (e muitos de nós nas nossas vidas tentamos evitar este tipo de compromissos mais claros e tangíveis porque, muitas das


vezes, temos medo e receio daquilo que terceiros vão achar ou pensar sobre o facto de não atingirmos o resultado), a verdade é que muitas vezes beneficiamos da nossa pouca clareza comunicacional, uma vez que, deste modo, não nos temos que colocar à prova. Numa perspetiva de Coaching e da capacidade de gerar resultados de excelência o treinador Fernando Santos pareceme, neste caso específico, como alguém a quem modelar: não só quebrou algumas crenças do meio futebolístico (o objetivo é “ir jogando jogo a jogo”), como colocou a fasquia no ponto mais alto possível e, a partir daí, começou a construir um caminho para lá chegar, alimentando cada vez mais a crença de que é possível chegar lá. Note-se que esta abordagem, mais alinhada com o conceito de Coaching, tem um desafio que é “e se não chegar lá”. E o que digo é o seguinte… se de facto não chegar lá, nada diz sobre a pessoa Fernando Santos ou sobre os seus jogadores. Não diz que são incapazes, incompetentes, fracos… Diz apenas que não foram campeões da Europa. Sendo que pode na mesma dizer que tiveram uma postura e atitude de

campeões por tudo aquilo que fizeram para chegar lá!!!! Como alguém já disse “puseram toda a carne no assador”! O que posso aprender no contexto do Ginásio com este modelo de comportamento específico? Umas das aprendizagens está relacionada com a resposta a algumas perguntas. Um cliente terá mais capacidade de gerar resultados se o seu compromisso for mais ou menos elevado? O meu compromisso será menos elevado ou mais elevado se definir um objetivo? O meu objetivo é mais facilmente mensurável se ele for mais ou menos específico? O Coaching traz para a realidade dos nossos dias uma das mais importantes perguntas do desenvolvimento pessoal. Essa pergunta é tão importante porque, acima de tudo, denota um elevado respeito por cada um de nós… e essa pergunta é “O que é que eu realmente quero? Sim, o que é que eu quero?” Infelizmente muitas das nossas crenças impedemnos sequer de por a hipótese de podermos fazer e ter aquilo que queremos e como tal acabamos por colocar fora do nosso horizonte a pergunta que nos pode ajudar a encontrar respostas verdadeiramente possibilitadoras. A

verdade é que Fernando Santos foi capaz de se colocar essa pergunta. E encontrou uma resposta que é “Ser Campeão da Europa”! Na minha opinião já vale o reconhecimento e elogio! Até porque também dá para perceber que está a fazer algo para concretizar essa resposta (é curioso como jogadores, jornalista e adeptos já começam a ser influenciados por esta resposta à pergunta: o que é que eu quero especificamente? Quero ser campeão da europa.) E a verdade é que isto tem muito pouco a ver com futebol… tem acima de tudo a ver com a forma como cada um de nós vive a sua vida e o respeito que tem para consigo próprio! Uma nota final. Este artigo foi escrito ainda antes do primeiro jogo da equipa Portuguesa no europeu em França. E Isso é irrelevante para o que aqui está em causa e para a estrutura de Coaching aqui exposta! Aquilo que aqui estou a falar é do caminho para o objetivo e não propriamente do objetivo em si! Porque o caminho pode ser a vida de cada um de nós e o objetivo pode nunca ser atingido. O que não quer dizer que não vivamos uma vida de respeito por nós próprios … uma vida plena! Como promotores de saúde e bem-estar, acredito que devemos ser embaixadores dessa plenitude!

Nuno Pinto da Silva

Diretor Geral da LIFE Training. Ex atleta internacional, Certificado em Coaching e Master em Programação Neurolinguística.

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d i r e ç ã o

t é c n i c a

O Exercício Físico e o Treino Desportivo:

que fronteira legal? A Olhando para as regras impostas aos Diretores Técnicos (DT) e aos Técnicos de Exercício Físico (TEF) desde Agosto de 2012, um aspeto em especial dessa moldura legal levou-nos a ponderar um detalhe: como abordar a atividade física que decorre nas instalações desportivas como parte integrante do treino de um atleta desportivo de uma modalidade federada, ou seja, de um praticante que se prepara fisicamente para uma competição (nacional ou internacional). E desta ponderação, outra dúvida resulta: como acautelar a verificação dos Títulos Profissionais de Treinadores de Desporto, nos casos em que decorrem treinos de modalidades federadas em instalações desportivas? Esta é uma reflexão que pretende contribuir para uma conclusão que será a de que os Diretores Técnicos dos Ginásios de Portugal devem (ou não) preocupar-se também em verificar se quem ministra, nas respetivas instalações, treinos integrados em modalidades desportivas de competição federadas, é detentor(a) do devido título profissional que os(as) habilita a ministrar tais sessões de treino.

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nossa experiência de mais de duas décadas de estudo do Direito Desportivo recomenda, desde já, que se esclareça neste texto que, ao falar de Direito, estaremos essencialmente a falar de Regras, no caso, das que se aplicam aos Ginásios em Portugal. Como em qualquer outro sector de atividade na nossa sociedade, qualquer um de nós enquanto cidadão está obrigado a respeitar diversas regras, as quais se materializam em documentos legais (Leis, Decretos-Leis, Portarias, etc…). No caso do Desporto, temos ainda os Regulamentos que as Federações Desportivas produzem, bem como os Estatutos que orientam de base as respetivas modalidades. Mas vem esta introdução a propósito de uma reflexão, que nem sempre acontece mas que deveria ser normal quando falamos de legislação: olhar para a aplicação de uma lei e para a forma como a mesma tem vindo a ser aplicada ou respeitada. Só assim se pode melhorar: corrigir falhas de planeamento legal, aperfeiçoar formas de execução das regras que se estabeleceram. Ou, no aspeto que nos interessa para a reflexão que agora transcrevemos, saber se a evolução da realidade recomenda uma adaptação de alguns dos “artigos” que em determinada altura foram criados. Se lermos a legislação em vigor, os principais artigos (na nossa opinião) que temos de interpretar, para chegar a essa decisão de gestão (e responsabilização) são: o Artigo 2.º, o Artigo 4.º, os Artigos 6.º e 7.º, bem como o Artigo 8.º e ainda o 21.º (todos da Lei n.º 39/2012 de 28 de Agosto); passemos então às considerações que julgamos importantes para a definição em causa.


Comecemos pela aplicação da lei, que é clara quando diz que não se aplica às atividades desportivas que (…) por vontade expressa dos praticantes desportivos federados, sejam realizadas sem enquadramento técnico. Esta alínea g), do n.º1 do Artigo 2.º deixa evidente que, como é óbvio, qualquer prática desportiva, mesmo federada, tem de ser realizada com enquadramento técnico; só se o praticante desportivo federado manifestar de forma expressa a sua vontade em prescindir desse enquadramento técnico, é que não necessita de o ter. Ora, a pergunta seguinte creio que é óbvia: como é que se expressa essa vontade? Por documento escrito assinado pelo Praticante? Por uma declaração verbal, declarada pelo TEF ou pelo DT? Ou seja, caso não seja feita prova da expressão dessa vontade, o efeito é que, qualquer praticante desportivo federado que esteja em exercícios físicos em uma Instalação Desportiva, tem de ter garantido um enquadramento técnico durante a respetiva prática... E passa tal atividade física a estar incluída dentro das responsabilidades técnicas e de direção constantes do Art. 4º, pois passa a ser uma modalidade desportiva, ainda que federada, a decorrer sob alçada da orientação e condução de exercícios que é função do TEF. Mas, imaginemos que a tal vontade é expressa, e deixa de estar em causa a função do TEF prevista na alínea b) do Artigo 7.º; porém, continua sempre a ser obrigatório o correto cumprimento, pelo DT, das funções constantes das diferentes alíneas do Art. 6.º, uma vez que terá uma presença nas suas instalações desportivas, a treinar? E se o praticante desportivo se fizer acompanhar de alguém que designe como seu/sua Treinador/a? Tem o responsável pela instalação desportiva que verificar se existe um Título Profissional

válido para o efeito (que será a “Cédula” de Treinador de Desporto)? Com alguma curiosidade, lemos no Artigo 8.º da Lei em análise que os DTs e os TEFs devem atuar diligentemente, assegurando o desenvolvimento da atividade desportiva num ambiente de (…) respeito pelos valores da Ética no Desporto; sendo que, a maioria desses valores, importa salvaguardar em ambiente competitivo, ou seja, num contexto de modalidades desportivas de competição (não de mera atividade de manutenção de condição física…). O mesmo poderemos dizer quanto à luta contra a dopagem no desporto; se um dos pilares basilares do combate à Dopagem é a salvaguarda da saúde dos praticantes desportivos, o outro é a garantia da igualdade e verdade desportivas, em competições… Por fim, uma última nota, sobre o alcance do Artigo 21.º: então o Praticante Desportivo Federado, que se encontre na instalação desportiva, não tem de obedecer aos procedimentos e protocolos que constem do «Manual de Operações» na parte que respeite à utilização dos equipamentos? Se Sim, então tem sempre de estar sob alçada do DT enquanto permanecer no local… Entre as perto de 60 Federações Desportivas em Portugal registadas no Instituto Português de Desporto e Juventude como detentoras do Estatuto de Utilidade Pública Desportiva, somos capazes de contar quase metade que julgamos saber que representam modalidades cuja manutenção da condição física dos respetivos praticantes ocorre muitas vezes em ginásios, academias ou clubes de saúde. Para além disso, existem mais algumas, até emergentes/ recentes, fora da esfera olímpica e formal pública, que também cruzam a manutenção física dos respetivos praticantes com a prática

de exercício físico em instalações desportivas privadas. Já para não falar ainda, também, de modalidades não federadas, mas registadas como Associações Promotoras de Desporto (algumas financiadas por Contratos-Programa de Desenvolvimento Desportivo), donde decorrem treinos, onde se preparam as condições físicas dos atletas e jogadores para as correspondentes competições. Fica aqui feita, assim, esta primeira abordagem. Uma reflexão inicial para acautelar o que a curto prazo deve, cremos, ser um aspeto que os associados da AGAP têm de ter presente, no exercício das suas funções profissionais.

Rui Alexandre Jesus

Licenciado em Direito Presidente da Associação Portuguesa de Direito Desportivo

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nutrição

O MAGNÉSIO Descontrai e... O magnésio é um mineral abundante no corpo humano, estando maioritariamente presente nos ossos e tecidos moles. Este mineral é cofator de mais de 300 enzimas que regulam reações como a síntese proteica, o controlo da glicemia e da pressão arterial, ou mesmo a contração muscular. É também necessário para a produção de energia e para um adequado metabolismo ósseo1.

A

s recomendações de ingestão deste mineral variam com a faixa etária e o sexo, sendo recomendada uma ingestão de 400 mg por dia para adultos do sexo masculino e de 310 mg para adultos do sexo feminino.2 O magnésio encontra-se disponível numa multitude de alimentos que incluem hortícolas de folha escura, frutos oleaginosos, leguminosas, sementes e cereais integrais. Também pode ser encontrado em alimentos fortificados, como alguns cereais de pequeno-almoço.3 TABELA 1. Algumas fontes alimentares de magnésio e respetiva quantidade por 100 gramas de alimento. Fonte: Tabela de Composição dos Alimentos, INSA). Alimento

Quantidade de magnésio /100g de alimento

Cacau

410 mg

Farelo de trigo

370 mg

Caju

250 mg

Amêndoas

206 mg

Amendoins

180 mg

Noz

160 mg

Pão de trigo integral

93 mg

Espinafres

54 mg

Feijão manteiga

51 mg

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Este mineral também pode ser ingerido através de suplementos, estando disponível sob diferentes formas. A biodisponibilidade do magnésio é maior quando se apresenta na forma de aspartato, citrato, lactato ou cloreto, relativamente aos óxidos ou sulfatos. Quanto à sua absorção, esta depende da forma na qual se apresenta o suplemento, sendo que este é melhor absorvido em suplementos líquidos do que nas versões sólidas.4 A deficiência de magnésio pode dever-se à falta de ingestão do mineral e/ou ao aumento da sua excreção, sendo o défice deste mineral pouco comum uma vez que os rins limitam a sua excreção pela urina. A sintomatologia associada a esta deficiência caracteriza-se por perda de apetite, náuseas, vómitos, fadiga e fraqueza. Outros sintomas mais graves incluem formigueiro, hipocalcémia, hipocalémia, contrações musculares, taquicardias e enfarte do miocáridio.1,2 Papel do magnésio na saúde A baixa ingestão de magnésio parece estar associada a um aumento do risco de hipertensão e doença cardiovascular, diabetes tipo II, osteoporose e enxaquecas. Uma ingestão adequada parece ter um efeito importante na prevenção destas patologias, sendo a reposição de níveis adequa-


dos mais eficaz com a ingestão de alimentos do que com suplementos.5-9 É de salientar que uma dieta mais rica em magnésio implica aumento de ingestão de frutos, hortícolas e lacticínios magros, e consequentemente aumento de outros minerais como potássio e cálcio, sendo difícil associar ao aumento de ingestão de um mineral concreto no contexto de uma alimentação a um efeito específico. Magnésio no exercício Durante a prática de exercício intenso verifica-se frequentemente estados de hipohidratação, assim como a redução das concentrações séricas de alguns minerais como o magnésio ou o sódio 10. Assim, criou-se a ideia de que a deficiência de magnésio poderia ser responsável por uma maior incidência de cãibras, e a suplementação seria um tratamento eficaz. No entanto, há falta de evidência científica que relacione a incidência de cãibras associadas ao exercício físico, às alterações no estado de hidratação ou níveis séricos de minerais. Para prevenir as cãibras associadas ao exercício físico parece ser mais eficaz recorrer a exercícios que visem corrigir desequilíbrios musculares, realizar o aquecimento, iniciar o exercício com uma menor intensidade, respeitar os momentos de repouso entre exercícios e, em caso de cãibra instalada, realizar alongamentos estáticos 11. A ingestão de sódio, assim como uma hidratação adequada, parecem ter um papel importante nas cãibras apenas em contexto de exercício realizado a temperaturas elevadas, com consequente transpiração, à qual se associa perda de sódio11.

O magnésio também pode ser encontrado em suplementos, aliado ao zinco e à vitamina B6 (vulgo ZMA), com alegações de que o défice de magnésio e zinco têm como repercussões a diminuição da produção de testosterona e IGF-1. Assim, a suplementação com ZMA iria aumentar os níveis de testosterona e IGF-1, levando a uma melhor recuperação, aumento do anabolismo e da força e ainda modificação da composição corporal. Contudo, os estudos existentes em populações não deficitárias nestes minerais não revelaram qualquer alteração significativo na testosterona, no efeito anabólico, na composição corporal ou na capacidade anaeróbia de indivíduos treinados.10,11 Concluindo, há pouca evidência que indique que a suplementação de magnésio tenha um efeito significativo na performance desportiva, composição corporal ou redução de cãibras, em indivíduos que não tenham défice deste mineral. Assim, será mais sensato privilegiar uma dieta diversificada, que inclua todos os grupos alimentares, de forma a prevenir défices nutricionais e praticar exercício físico de forma adequada. Se está a pensar em iniciar qualquer tipo de suplementação, consulte primeiro um nutricionista. Bibliografia:

1. Rude RK. Magnesium. In: Coates PM, Betz JM, Blackman MR, Cragg GM, Levine M, Moss J, White JD, eds. Encyclopedia of Dietary Supplements. 2nd ed. New York, NY: Informa Healthcare; 2010:527-37. 2. Institute of Medicine (IOM). Food and Nutrition Board. Dietary Reference Intakes: Calcium, Phosphorus, Magnesium, Vitamin D and Fluorideexternal link disclaimer. Washington, DC: National Academy Press, 1997. 3. http://www.insa.pt/sites/INSA/Portugues/AreasCientificas/AlimentNutricao/ AplicacoesOnline/TabelaAlimentos/PesquisaOnline/Paginas/PorPalavraChave. aspx (visitado a 25-05-16)

4. Spencer H, Norris C, Williams D. Inhibitory effects of zinc on magnesium balance and magnesium absorption in man. J Am Coll Nutr 1994; 13:479-84. 5. Champagne CM. Dietary interventions on blood pressure: the Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH) trials. Nutr Rev 2006;64:S53-6. 6. Del Gobbo LC, Imamura F, Wu JHY, Otto MCdO, Chiuve SE, Mozaffarian D. Circulating and dietary magnesium and risk of cardiovascular disease: a systematic review and meta-analysis of prospective studies. Am J Clin Nutr 2013; 98:160-73. 7. Song Y, Liu S. Magnesium for cardiovascular health: time for intervention. Am J Clin Nutr 2012; 95:269-70. 8. Tucker KL. Osteoporosis prevention and nutrition. Curr Osteoporos Rep 2009; 7:111-7. 9. Mutlu M, Argun M, Kilic E, Saraymen R, Yazar S. Magnesium, zinc and copper status in osteoporotic, osteopenic and normal post-menopausal women. J Int Med Res 2007; 35:692-5. 10. P. Edouard, Exercise associated muscle cramps: Discussion on causes, prevention and treatment, Science & Sports, Volume 29, Issue 6, December 2014, Pages 299-305, ISSN 0765-1597, http:// dx.doi.org/10.1016/j.scispo.2014.06.004. 11. Nelson, N. L. and J. R. Churilla (2016). “A Narrative Review of Exercise-Associated Muscle Cramps: Factors that Contribute to Neuromuscular Fatigue and Management Implications.” Muscle Nerve. 2016 May 9. doi: 10.1002/mus.25176 12. Kreider, R. B., et al. (2010). “ISSN exercise & sport nutrition review: research & recommendations.” Journal of the International Society of Sports Nutrition 7 (1): 1-43.

Vasco Teixeira

Licenciando em Ciências da Nutrição Estagiário.

António Pedro Mendes

Nutricionista. Doutorando em Nutrição Clínica.

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especialistas

especialistas A GYM FACTORY conta com colaboração dos melhores especialistas no panorama do Fitness em Portugal e Espanha, conhecedores profundos das diferentes áreas imprescindíveis para o bom funcionamento da instalação desportiva. Se deseja saber mais sobre estes especialistas, entra no nosso site: www.gymfactory.net

Rui Alexandre Jesus

n Licenciado em Direito. n Presidente da Associação Portuguesa de Direito Desportivo. n Pós graduado em Direito Desportivo. n Autor, Cronista, dirigente desportivo, consultor e formador.

Mouna Esmaeilzadeh

nF  undadora e Chief Medical Officer da SciLife Clinic  édica desde 2005 nM  outoramento em nD Neurociência em 2011  studante e professora de nE Filosofia.

Leonor Madeira

Matteo Cerruti

n Licenciado em Educação Física e Desporto pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. n Contribui para o desenvolvimento do sector de Fitness em Portugal desde 1996, liderando equipas, formando instrutores e diretores, influenciando praticantes e criando novos produtos com maior ênfase em treinos e aulas em grupo. n Group Exercise Director – Holmes Place Group.

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n Gerente da IronBox CrossFit Alfragide n Instrutora de CrossFit (Level 1, Level 2) n Equipa Técnica de Kickboxing na qualidade de Preparadora Física n Instrutora de Treino Personalizado e Aulas de Grupo n Mestrado em Psicologia do Desporto (FMH - Universidade de Lisboa) n Licenciada em Antropologia (ISCSP - Universidade de Lisboa) n Dança contemporânea e ballet moderno n Ex-atleta federada de Vela, Natação, Natação Sincronizada e Kickboxing n Atleta federada de Halterofilismo.

António Pedro Mendes

n Licenciado em Ciências da Nutrição e doutorando em Nutrição Clínica pela Universidade do Porto. n Nutricionista da equipa profissional e departamento de formação do FC Paços de Ferreira. n Coordenador da Unidade de Nutrição e Alimentação do Hospital Agostinho Ribeiro.

Nuno Pinto da Silva

nD  iretorGeral da LIFE Training n Ex atleta internacional, Certificado em Coaching e Master em Programação Neurolinguística n Licenciado pela Faculdade de Economia do Porto e PósGraduação em Gestão de Marca n Practitioner e Master em Programação NeuroLinguística n Certificação Internacional em Coaching n Sócio e DiretorGeral da LIFE Training n Diretor Executivo da Global Fitness n Consultor estratégico

João Moscão

nF  ormador em Biomecânica, Anatomia e Fisiologia Articular e Muscular desde 2008. n Criador e Formador dos cursos Engage, Performance e Pro da EXS – Exercise School. n Representante exclusivo do RTS em Portugal. n Treinador Particular no Virgin Active Lisboa. n Certified Muscle Activation Specialist (MAT) – Denver. 
 n Mastery Level Resistance Training Specialist (RTSM) – Oklahoma. 
 n Certificado Entrenamiento Resistencias Avanzado (ERA) – Barcelona. 
 n Resistance Training Specialist (RTS) – Oklahoma. 


Vasco Teixeira

n L icenciando em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP). n Estagiário no Hospital CUF do Porto e no Clube Desportivo Escola do Movimento - Triatlo.


GYM FACTORY PORTUGAL | Instrutores Nº10  
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