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i n f o r m a ç ã o

p r o f i s s i o n a l

i m p r e s c i n d í v e l

Nº14

PARCEIRO

www.gymfactory.pt

instrutores

verão 2017

6€

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WEIGHTLIFTING

A

POR QUE NÃO PODEMOS ESQUECER O WEIGHTLIFTING

informação

O “desporto-Rei” no que toca a potência de execução SUPLEMENTAÇÃO

SUPLEMENTAÇÃO DESPORTIVA - SEREMOS TODOS ATLETAS? O que são suplementos alimentares e o que é que oferecem de tão perfeito?

profissional

ESPECIALIDADE

A MELHOR “POSTURA” A ADOTAR

A postura é um dos temas mais em voga no mundo do exercício

SAÚDE

ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL E ATIVIDADE FÍSICA

Um estilo de vida ativo e uma dieta adequada são as chaves para um corpo forte e saudável

imprescindível Gym Factory


A

i n f o r m a ç ão

pr of i s s i on al

i m pr e s c i n dível

editorial

verão 2017 número 14

instrutores

Editora: Inés Ledo editora@gymfactory.net Diretor: Armando Moreira portugal@gymfactory.net Equipa AGAP João Pimentel José Luis Costa Fabio Lopes portugal@gymfactory.net Administração Susana López administración@gymfactory.net Redação Teresa Carmona redacción@gymfactory.net Imprensa e comunicação Carlos Cordeiro prensa@gymfactory.net Audiovisuais Maximiliano Serrano info@gymfactory.net Design e layout Javier Ojeda redaccion@gymfactory.net Contribuições: Pedro Asseiceira Beatriz Azevedo Thordis Berger Pedro Cardoso Gisela Lima João Martins António Pedro Mendes Rui Romão Ana Sacavém Rui Sousa Lopes Edita: LENUGYM S.L. Domicilio social: Calle Espartaco 14 28794 Guadalix de la Sierra Publicidade Tel: 911 274 774 publicidad@gymfactory.net Distribuição: Ecological Mailing 916 78 00 09 - www.ecomail.es ISSN: 2174-6168 Depósito legal: M-675-2005 Proibida a reprodução total ou parcial de textos, desenhos, gráficos e fotos sem autorização prévia do editor. GYM FACTORY não se responsabiliza pelas opiniões expressas pelos autores, nem se identifica necessariamente com as mesmas.

Terminamos

a primeira metade do ano satisfeitos por termos conseguido convocar mais de 8.000 pessoas no evento do ano no nosso sector. 60% de visitantes profissionais fizeram parte de um contingente de networking bastante vasto da Península Ibérica. Portugal foi protagonista neste importante evento e tivemos a honra de receber o presidente da AGAP, João Pimentel e nosso diretor da edição portuguesa de Gym Factory, Armando Moreira, na abertura oficial da feira e restante equipa AGAP. Registámos também um aumento do afluxo de empresas expositoras e visitantes portugueses. Estamos muito orgulhosos de ser a revista oficial da AGAP e chegar aos profissionais de fitness neste país. A sinergia PortugalEspanha é uma garantia de sucesso. Partilhamos um território comum e um sector profissionalizado com um grande futuro pela frente. Os conteúdos da nossa publicação têm os melhores autores do setor do fitness de Portugal. De edição em edição informamos os nossos profissionais, das mais recentes novidades e tendências, tanto a nível de formação como comercial. O verão está aí e é hora de fazer uma pausa para recuperar a força e desfrutar de umas férias bem merecidas para voltar em Setembro, com energia renovada. Feliz verão!

Inés Ledo Editora

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instrutores

resumo

ve rã o 2017

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Avaliação física

AVALIAÇÃO, PRESCRIÇÃO E PERIODIZAÇÃO DE TREINO EM GINÁSIOS E ACADEMIAS A prática de exercício deve ser enquadrada num processo, no qual se destacam três componentes: a avaliação, a prescrição e a periodização. A avaliação inicial é o primeiro ponto determinante para que exista uma correta abordagem do profissional.

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EMS

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ELECTROESTIMULAÇÃO MUSCULAR INTEGRAL – LOGRO OU EFICIÊNCIA? Parece impossível haver uma ferramenta de treino tão potente e ainda pouco conhecida. Mas, quando se começa a perceber a metodologia do treino, os resultados deixam de parecer logro e começam a fazer sentido mesmo para os mais céticos.

Nutrição desportiva

66  Notícias AGAP 65  Especialidade 61  Suplementação 57 55 53 51 49 47 44

desportiva Avaliação física EMS Saúde Weightlifting Nutrição desportiva Coaching Especialistas Gym Factory

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ALIMENTOS ‘ZERO’ Uma das principais premissas na perda de peso é coma menos e gaste mais. Assim, tentando reduzir a ingestão energética, muitas pessoas procuram no mercado alternativas aos seus produtos alimentares.

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Coaching COACHING NO DESPORTO O coaching no desporto visa essencialmente ajudar o atleta na superação da sua performance e facilitar o alcance dos resultados a que o atleta se propõe.


notícias AGAP

n O mercado do fitness continua extremamente dinâmico, com relatos de fortes crescimentos, mas estarão as marcas a conseguir o retorno dos seus investimentos? Após o surgimento das primeiras unidades lowcost em Portugal, voltamos a assistir a inúmeras aberturas de clubes, a novos conceitos – desde totalmente inovadores, a modelos mais híbridos e convencionais – mas estarão os negócios a ser tão rentáveis quanto as expectativas?

A AGAP procurou, assim, trazer para a ordem do dia o tema da rentabilidade e de possibilidades de negócio que podem ajudar a melhores retornos. Com mais de 250 pessoas, este evento superou todas as expectativas quanto à participação, comprovando mais uma vez a necessidade e a pertinência dos temas que a AGAP tem trazido para a discussão. Um forte agradecimento a todos os participantes, oradores e patrocinadores.

iCOACH, NOVO PARCEIRO AGAP n No passado dia 7 de Março de 2017 a AGAP e a iCOACH assinaram um Protocolo de Parceria de grande importância para implementar boas e mais eficazes práticas no domínio do Negócio de Personal Trainer, com o objetivo de ajudar clubes a Criar / Implementar / Reestruturar o seu departamento de Personal Trainer, bem como ajudar os Personal Trainers a assumirem estratégias e métodos mais assertivos com vista à excelência dos resultados e consequentemente maior satisfação dos seus clientes. A AGAP esteve representada por João Mousinho Pimentel e Armando Moreira. A iCOACH estiveram presente com os seus 2 fundadores, Luís Rebelo e Nuno Silva. Com esta parceria a AGAP passa a oferecer aos seus Ginásios e Profissionais Associados (atuais e futuros)

condições bastante vantajosas, sendo de referir oferta de uma avaliação de diagnóstico e desconto em futuros protocolos celebrados de cooperação. A iCOACH é uma empresa de Consultoria, Formação e Gestão de Espaços/Equipas de Fitness. Tendo como MISSÃO o aumento de performance de profissionais e de clubes, gerando um serviço de qualidade superior para todos os seus membros utilizadores, e consequentemente exponenciando os seu resultados. Com uma VISÃO global e de referencia propomo-nos a ser líderes de mercado em serviços de fitness para clientes e colaboradores. Acreditamos que os VALORES fundamentais do nosso serviço são a excelência, a integridade e o foco nos resultadados. www.i-coach.pt | www.facebook.com/icoach.pts

AGAP assina parceria para serviços de Segurança e Higiene no Trabalho n O Grupo Medi-T® é formado por empresas do ramo da Saúde Ocupacional, que prestam serviços que constituem a base de qualquer programa de prevenção de riscos relacionados com o trabalho e que visam a melhoria contínua das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores das empresas clientes. • Medicina do Trabalho • Exames Complementares de Diagnóstico e Análises Clínicas • Segurança e Higiene do Trabalho e Alimentar • Medidas de Autoproteção, Plano de Segurança Interno e Plantas de Emergência Destaca-se pelo rigor no cumprimento da legislação vigente - o Regime Jurídico da Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho - e pela sua equipa multidisciplinar, com a experiência e a formação adequada para a prestação de serviços de qualidade e excelência. O Grupo Medi-T® é autorizado para a prestação de serviços de saúde no trabalho pela Direção-Geral da Saúde (DGS), assim como para a prestação de serviços de segurança e higiene no trabalho pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

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especialidade

A melhor “POSTURA” a adotar Já alguma vez lhe disseram que tem uma má postura? Que não anda “direito”, que tem os ombros demasiado para a frente ou que a cabeça está um pouco inclinada à frente? A postura é um dos temas mais em voga no mundo do exercício. Criaram-se uma panóplia de cursos, livros e instrumentos de forma a melhorar e “corrigir” uma suposta má postura.

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m primeiro lugar importa definir o que é postura. Segundo Iqbal (Mechanisms and models of postural stability and control, 2011), a postura humana refere-se à disposição estática dos membros e partes corporais, numa determinada posição que poderá ser a de sentado, em pé ou deitado. A postura estática implica um equilíbrio das forças que interagem com o corpo que se encontra posicionado sobre a sua base de suporte (a área de superfície debaixo dos pés). A transição entre posturas requer movimento. Assim, postura é apenas uma posição, ou seja, a posição a partir da qual se irá iniciar o movimento.

De forma a complementar este raciocínio, considere o leitor a diferença que existe na arquitetura óssea individual entre seres humanos. Em aulas ou formações de anatomia cadavérica é possível notar que não existem ossos idênticos na sua dimensão e geometria, apesar das parecenças na forma. Será muito difícil conseguir encontrar duas colunas dorsais idênticas em seres humanos diferentes. Nesse sentido, cada pessoa terá uma cifose dorsal distinta das demais. O reconhecimento da variabilidade na anatomia individual de que cada pessoa é, assim, um fator determinante para a alteração da consciência do profissional de exercício.

Quando se inicia movimento, a postura dinâmica ocorre devido ao equilíbrio de forças e movimentos (incluindo a inércia dos nossos segmentos corporais) dos membros e partes corporais em movimento. Neste contexto, o centro de massa não se encontra sob a base de suporte. Por exemplo, durante o andar este encontra-se fora da base de suporte 80% do tempo (Iqbal, K., Mechanisms and models of postural stability and control, 2011).

Será importante, também, reconhecer que existe uma lacuna na formação dos profissionais de exercício ao não disporem nos seus currículos formativos de aulas de anatomia cadavérica. Este facto poderá levar a considerações do corpo e do movimento articular como um modelo generalizado ao invés de considerar a sua individualidade. A título de exemplo, um indivíduo cuja curvatura da coluna dorsal esteja aparentemente acentuada devido à sua configuração óssea (entre outros inúmeros fatores) pode apresentar um grau de extensão da coluna aparentemente mais reduzido. Dada a variabilidade na arquitetura óssea, é importante que o profissional de exercício tenha uma abordagem cautelosa ao não tentar forçar a extensão de modo a não violar seriamente a sua tolerância fisiológica.

O movimento humano está sujeito a condicionantes internas e externas. As internas estão relacionadas com o próprio corpo: configuração geométrica dos segmentos corporais, características inerciais desses mesmos segmentos e forças internas associadas à contração muscular. As condicionantes externas são causadas pelas forças gravitacionais, forças reativas das superfícies de contacto, acelerações impostas por objetos e obstáculos (Massion, J., Movement, Posture and Equilibrium: Interaction and Coordination, 1992). Desta forma, são vários os aspetos que condicionam a postura humana. O que é então uma má postura? Não existe na literatura científica uma definição de má postura. Por alguma razão, em certas correntes do exercício, por mera crença, definiu-se a postura correta como alguém muito direito em que é possível traçar uma linha reta que atravessa a orelha, ombros, anca, joelho e tornozelos. Caso seja detetado um desvio a esta suposta postura, a pessoa avaliada é classificada como tendo “desvios posturais” e são-lhe prescritos “exercícios corretivos”. A verdade é que são poucas (ou quase nenhumas) as pessoas que encaixam neste modelo de postura. E como é que se sabe que uma postura, supostamente incorreta, não foi a melhor solução que o nosso sistema nervoso orquestrou? Ou se o corpo da pessoa não se encontra em equilíbrio com aquela postura?

Subsiste ainda uma grande associação entre postura e dor. Numa investigação de Barrett e colegas (Is thoracic spine posture associated with shoulder pain, range of motion and function? A systematic review, 2016), onde estes reviram dez estudos que tentaram relacionar uma potencial acentuação da cifose dorsal com dor no ombro, foi concluído que não existia uma correlação significativa. Outro estudo mais antigo de Grob e colegas (The association between cervical spine curvature and neck pain, 2007), não encontra correlação entre potencial aumento da curvatura da lordose cervical e dor no pescoço. O sistema nervoso central sabe muito mais sobre o nosso funcionamento interno e como geri-lo do que nós alguma vez de fora o saberemos. Nesse sentido é desejável que os profissionais de exercício devam procurar conhecer a “tecnologia biológica” interna, aprender com ela e trabalhar com ela. Porque quanto mais se luta contra o funcionamento do corpo (baseado em crenças, mitos e teorias infundadas) mais este se irá defender de qualquer agressão da sua tolerância. Desta forma, existem claros riscos ao tentar corri-

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gir uma estrutura que não é corrigível ou que já possa estar otimizada. No que respeita à avaliação da postura, Fedorak e colegas (Reliability of the Visual Assessment of Cervical and Lumbar Lordosis: How Good Are We, 2003), reuniram vários profissionais de saúde (fisioterapeutas, osteopatas, reumatologistas e ortopedistas) para analisar fotografias da postura (estática) de pacientes. Concluíram que a análise visual da cervical e lombar não é fiável. Assim, será difícil concluir, por mera observação superficial exterior, que é a postura que está a causar a dor. Considere o leitor, a seguinte frase de Kendal e colegas (Muscles: Testing and Function, with Posture and Pain, 2005). “A postura pode ser aparentemente muito desviada, mas mesmo assim o indivíduo pode ser flexível (entenda-se móvel, pois as articulações humana não são flexíveis, mas sim móveis) e a posição do corpo pode mudar imediatamente. Contrariamente a postura pode aparentar ser boa, mas o excesso de rigidez muscular pode limitar a mobilidade de tal forma que a posição [boa] não muda tão facilmente. A falta de mobilidade pode ser um fator muito mais significante.” Será assim, importante que os profissionais de exercício considerem que a postura humana não deve ser avaliada à luz de uma posição estática, pois para além de não conseguirmos aferir a real dimensão das curvaturas devido a tudo o que se encontra por debaixo da pele, também a própria investigação já demonstrou que a dimensão da curvatura poderá não estar associada a dor sendo que uma observação visual do exterior não será fiável. O

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que poderá então fazer o profissional de exercício? Avaliar o movimento articular e registar o seu comportamento, procurando encontrar a norma para cada cliente com a qual passará a trabalhar. Para isso é fundamental obter conhecimento nas matérias inerentes à compreensão do corpo humano na sua relação com as forças externas: fisiologia articular, fisiologia muscular, fisiologia neural e biomecânica. Acima de tudo é necessário desenvolver uma cultura de humildade para com o corpo que se avalia para que não se caia no erro da observação superficial exterior. Uma pele esconde toda uma complexidade interior que não é possível aferir visualmente de fora. Assim, será lógico fazer de cada cliente um caso de estudo, uma constante investigação ao longo do processo de exercício. Por isso cada exercício, cada variação, cada progressão deve ser realizada de acordo com as especificidades articulares de cada pessoa. Não é recomendável tentar corrigir o que quer que seja nas articulações humanas. O profissional de exercício deve assim respeitá-las e trabalhar com o que estas têm disponível, focando-se nos motores que as movimentam – os músculos. Esta sim é a melhor postura a adotar!

Pedro Asseiceira Certificado EXS – PERFORMANCE Professor de Fisiologia Humana na Escola Superior de Saúde Ribeiro Sanches Muscle Activation Certified Specialist (MAT; EUA)


“Confiança e segurança para o seu ginásio”


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suplementação desportiva

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A utilização de suplementos alimentares não é propriamente uma novidade nos dias de hoje. Nos últimos tempos temos verificado um crescimento muito acentuado do consumo deste tipo de substâncias. O que prometem ao consumidor não varia muito de suplemento para suplemento: uma saúde perfeita, uma pele perfeita, um corpo perfeito, em suma, uma vida perfeita. Mas, na realidade, o que são suplementos alimentares e o que é que oferecem de tão perfeito?

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m Portugal, está definido pelo (Artigo 3º b) do Decreto-Lei nº 118/2015, que os suplementos alimentares são: “os géneros alimentícios que se destinam a complementar e ou suplementar o regime alimentar normal e que constituem fontes concentradas de determinadas substâncias nutrientes ou outras com efeito nutricional ou fisiológico, estremes ou combinadas, comercializadas em forma doseada, tais como cápsulas, pastilhas, comprimidos, pílulas e outras formas semelhantes, saquetas de pó, ampolas de líquido, frascos com conta-gotas e outras formas similares de líquidos ou pós que se destinam a ser tomados em unidades medidas de quantidade reduzida”. A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) é a autoridade competente, responsável pela definição, execução e avaliação das regras relativas à notificação de um Suplemento Alimentar aquando da sua comercialização, bem como pela definição das obrigações dos operadores económicos, nesta matéria. Com a entrada em aplicação do Regulamento (UE) nº 609/2013, a 20 de julho de 2016, foram introduzidas algumas alterações que definiram, entre outras coisas, que: “os produtos destinados a desportistas que se apresentem em forma doseada, mas em unidades medidas superiores a 25g ou 25 ml, e/ou que, no conjunto da toma diária forneçam mais do que 50Kcal diárias, são enquadrados como géneros alimentícios comuns”. Deste modo, não é obrigatória a notificação à DGAV aquando da sua colocação no mercado. No entanto, existem diversos alimentos para desportistas que se enquadram como suplementos alimentares dado estarem fora destes parâmetros. Assim, sendo regulados como alimentos ou não, os suplementos irão ser controlados essencialmente no que diz respeito à informação que disponibilizam na embalagem, não sendo obrigatório que uma entidade como o Infarmed, em Portugal, ou a EMA (Agência Europeia do Medicamento) ou a FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos da América, avalie ou teste estes produtos antes de serem lançados no mercado. Com este enquadramento legal é fácil perceber porque é que muitas destas empresas não investem em estudos científicos mais rigorosos – que recorram a uma amostragem credível e a períodos de testes de utilização mais longos – e que seriam capazes de oferecer resultados mais definitivos sobre o efeito destas substâncias no organismo humano.

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suplementação desportiva

Neste sentido, enquanto profissionais de saúde na área da nutrição (clínica/desportiva), deparamo-nos diariamente com as perguntas dos nossos alunos, doentes ou clientes acerca dos inúmeros suplementos existentes no mercado. Após uma cuidada investigação, concluímos frequentemente que a evidência científica não nos permite afirmar categoricamente que a substância X ajude a “queimar gordura” ou que a substância Y promova a hipertrofia muscular, embora em casos muito específicos possam oferecer uma vantagem de 0,1%, o que poderá ser importante em alta competição, por exemplo. O enquadramento ambiental e real de cada indivíduo irá sempre condicionar os resultados da utilização dos diversos suplementos, seja pelo tipo de alimentação que faz em paralelo, pelo ambiente no qual se insere, pelo seu padrão de sono e por todos os parâmetros bioquímicos e genéticos que condicionam a resposta a uma determinada substância. Alguns suplementos oferecem um contributo positivo, especialmente em atletas. Contudo, existem inúmeras substâncias que, além de não apresentarem qualquer vantagem, já se comprovou que poderão provocar efeitos adversos, tais como: a desregulação dos níveis de diversos elementos químicos no organismo, situações de toxicidade hepática ou renal, alterações do ritmo cardíaco, entre outros. Alguns destes efeitos adversos devem-se igualmente à fraca qualidade da matéria-prima utilizada ou dos processos de controlo de fabrico (ocorrendo por vezes contaminações por fungos ou bactérias aquando da sua produção), à utilização de substâncias proibidas e também às interações com outros suplementos e/ou medicamentos ingeridos. Muitos dos consumidores de suplementos são frequentadores de ginásios/academias e habitualmente baseiam-se nas opiniões de colegas de treino, instrutores ou em informações veiculadas por alguns sites e redes sociais. Mas será que todos necessitam verdadeiramente de suplementação? Será que conseguiriam atingir os

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seus objetivos pessoais recorrendo a uma melhor regulação da alimentação e do seu plano de treino? Quando falamos em atletas de alta competição ou em técnicos de exercício físico que ao longo do dia irão ministrar diversas aulas fisicamente extenuantes, como por exemplo aulas de Spinning ou aulas de Body Pump, não existem grandes dúvidas: uma boa performance exigirá sempre uma alimentação adequada e, muitas vezes, pode justificar-se o recurso a suplementos de boa qualidade. Para alguns dos utilizadores comuns, o simples facto de se passearem no ginásio com uma bebida fluorescente num “shaker” já contribui para se sentirem mais próximos da sua versão “Super-homem” ou “Super-mulher”, até mesmo sem treinar regularmente. Porém, no que toca à exigência para o cliente médio do ginásio, uma hidratação correta (antes, durante e após o treino) e uma alimentação bem orientada nas diferentes fases do esforço é mais do que suficiente para atingir as metas pessoais e para manter um estilo de vida saudável e equilibrado. Contudo, quando os objetivos e a intensidade de treino aumentam para níveis extremamente elevados, semelhantes aos da competição, poderemos pensar em utilizar alguns suplementos, sempre com o acompanhamento de um profissional de nutrição com bons conhecimentos na área da nutrição desportiva. É importante pensarmos em bases sólidas, num plano de treino bem elaborado e numa boa alimentação, que pode ser complementada com dois ou três suplementos de boa qualidade, se necessário, mas nesta questão da suplementação, como em tantas outras da nossa vida a velha máxima “keep it simple” faz todo o sentido.

Rui Sousa Lopes Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas, Licenciatura em Dietética (Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Lisboa ESTeSL)


SEMPRE NÀ FRENTE


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avaliação física

Avaliação, Prescrição e Periodização de Treino em

GINÁSIOS e ACADEMIAS

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prática de atividade física tem sido constantemente associada a um decréscimo da morbilidade e mortalidade (ACSM, 2014) e a inatividade física está incluída nos principais fatores de risco de mortalidade a nível global (WHO, 2010). Dentro do conceito de atividade física, devemos destacar o exercício como sendo um tipo de atividade estruturada, planeada e pessoal, que visa melhorar e/ou manter uma ou várias qualidades físicas (ACSM, 2014). Posto isto, os profissionais do exercício (PE) devem ter um papel preponderante nesta área de intervenção para a saúde, facilitando a concretização de objetivos, tanto a um nível de saúde cardio-metabólica, de força ou puramente estéticos. A prática de exercício deve ser enquadrada num processo, no qual se destacam três componentes: a avaliação, a prescrição e a periodização. A avaliação inicial (AI) é o primeiro ponto determinante para que exista uma correta abordagem por parte dos PE aos seus clientes/alunos/utentes. É o momento ideal para estabelecer um contacto mais próximo, que permitirá aferir os reais motivos que levam a pessoa a praticar exercício, sendo o fator motivacional uma componente de grande importância na gestão e manutenção dessa prática. A partir desta informação, para além de poder ser traçado um perfil psico-emocional de cada indivíduo, será possível estabelecer objetivos de treino entre o professor e o aluno. Será ainda importante medir alguns parâmetros que possam ser comparados mais tarde, para verificar a evolução do cliente, devendo ser feita uma avaliação postural (estática e dinâmica), avaliação da composição corporal (peso, % MG,...) e avaliação da força (cálculo do défice de força, RM’s, ...). No entanto, cada um dos parâmetros escolhidos deve sempre estar de acordo com os objetivos individuais (não fará sentido avaliar algo que não se voltará a avaliar...). Qualquer avaliação realizada deverá ser repetida com uma periodicidade estabelecida entre o PE e o aluno, para que se possa verificar a evolução tanto a nível fisiológico como a nível psico-emocional. Nesta fase é ainda pertinente sensibilizar o cliente para a importância da prática de uma alimentação saudável e de acordo com os seus objetivos, quer sejam de saúde, performance ou estéticos, devendo ser feito o reencaminhamento para um profissional da área da nutrição. Com base na AI, será então possível fazer uma prescrição de exercício baseada no indivíduo de maneira a tentar otimizar os resultados pretendidos. O treino pode ser dividido essencialmente em três fases: Preparação do Movimento, Parte Principal e Retorno à Calma. A Preparação do Movimento será a fase onde se utilizarão movimentos mais simples, que possam replicar a um nível mecânico e sensitivo os exercícios a realizar na fase principal do treino. Para tal, podem, por exemplo, ser utilizados alongamentos dinâmicos com uma velocidade controlada. Além da preparação da fase principal de treino, nesta fase podem ser trabalhadas as necessidades posturais do cliente, avaliadas pelo PE. Na Fase Principal do treino será a fase onde se procurará melhorar as qualidades físicas (força, resistência, flexibilidade, agilidade…), com vista a atingir o(s) objetivo(s) apresentado(s) pelo cliente (Aumento da Força, Aumento da Massa Muscular, Diminuição da massa gorda…). No Retorno à Calma, o objetivo será repor o equilíbrio fisiológico, com a utilização de algumas técnicas de relaxamento, como, por exemplo, os alongamentos estáticos. Importante salientar que não deverá existir uma duração padronizada para cada uma destas fases de treino apresentadas. A maior predominância de uma das fases deve estar sempre baseada no nível de treino apresentado pelo aluno, ou seja, um aluno com menor experiência de treino poderá ter maior duração nas fases de Preparação do Movimento e Retorno à Calma, por estas serem fases onde a intensidade e complexidade serão mais baixas e

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em que o objetivo será promover uma mais eficiente execução dos movimentos. Para o ACSM, nos anos 2016 e 2017, uma das maiores tendências de mercado são as atividades realizadas em grupo. Este tipo de atividade está documentado como sendo uma forte promotora de exercício e permite uma maior aderência a longo prazo (Burke et al, 2008). Sendo a aderência ao exercício um fator a tomar em consideração, deveremos ter a possibilidade de oferecer aos clientes esse tipo de soluções. Para tal, além da prescrição de exercício mais direcionada para a sala de exercício ou treino personalizado (PT), a grelha de aulas de grupo existente deve dar a possibilidade a quem é responsável pela prescrição de treino de ter uma oferta mais alargada, diversificada e dinâmica. O corpo humano responde às dificuldades/exigências que lhe colocamos com adaptações específicas (Liebenson et al, 2014). Para uma melhor prescrição, deveremos ter sempre em consideração a periodização de treino. A periodização tem como objetivo planear o treino a longo prazo a partir de variações sistemáticas e pré-programadas na especificidade, intensidade e volume de treino (Baechle et al, 2008). Esta alternância entre volume e intensidade de treino deverá ser construída de acordo com uma perspetiva macro (ano ou semestre), meso (mês) e micro (semana) (Baechle et al, 2008). Apesar de existirem diferentes tipos de periodização (linear vs não linear

vs blocos), o ideal será adaptar o planeamento de treino a partir do nível e dos objetivos do cliente. Está demonstrado na literatura científica que atingem melhores resultados a longo prazo indivíduos que tenham o seu treino periodizado (Rhea et al, 2004). A maior consciência por parte da população dos benefícios do exercício para a saúde fez com que o mercado do Fitness tenha crescido muito nos últimos anos. De forma a oferecer o melhor e mais eficaz serviço ao cliente, de acordo com as suas necessidades e objetivos, o PE deve por isso estar capacitado a fazer uma prescrição de exercício baseada numa avaliação estruturada e que consiga ser periodizada ao longo do tempo.

Pedro Cardoso Mestre Exercício e Saúde, FMH-UL. Certified Strength & Conditioning Coach, NSCA. EXOS Performance Specialist (XPS).

João Martins Mestre Exercício e Saúde, FMH-UL. Certified in Applied Functional Science (CAFS), Gray Institute. Diplomado em Terapias Manipulativas e Osteopáticas, ITS.

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EMS

Electroestimulação Muscular Integral

WBEMS logro ou eficiência?

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izer que ficar ligado a uma máquina durante 20 minutos equivale a três treinos no ginásio, pode parecer ficção. Acrescentar que, nesses 20 minutos, se exercita o corpo inteiro a uma intensidade difícil de igualar comparativamente ao treino convencional e com resultados percetíveis no imediato, parece inverosímil. Este é o desafio de falar sobre o treino de electroestimulação muscular integral (EMS) a quem nunca experimentou: explicar a sua eficiência sem parecer mistificação.

quial. Se considerar a realização de 3 séries de 10 repetições, os músculos envolvidos só estarão contraídos por um período total de aproximadamente 30 segundos. Com o treino de EMS integral, todos os músculos são contraídos independentemente do exercício que se está a fazer, pois trabalha-se agonistas, antagonistas e sinergistas, em simultâneo. Considerando um treino de EMS de força de apenas 20 minutos (com duração do impulso de 50% duty cycle), 90% dos músculos são contraídos por 10 minutos, uma vez que se concilia a contração provocada pela electroestimulação à contração voluntária global, aliada a exercícios específicos.

A verdade é que parece impossível haver uma ferramenta de treino tão potente e ao mesmo tempo ainda pouco conhecida em Portugal. Mas, quando se começa a perceber a metodologia do treino, os resultados deixam de parecer logro e começam a fazer sentido mesmo para os mais céticos.

É possível treinar força sem carga?

Compreender a eficiência do treino

A eficiência contempla ainda, o facto de ser possível fazer treinos de força sem sobrecarga articular, já que não exige o uso de carga externa, o que permite treinar com intensidades elevadas, mesmo com indivíduos não treinados, com patologias ou limitação de mobilidade.

Sem entrar em grande detalhe, veja-se um exemplo comparativo: na execução do exercício curl para bíceps, basicamente só se exercita eficazmente o bíceps bra-

Por exemplo, para indivíduos que sofrem de dores de costas crónicas, devido a patologias como hérnias discais, é fundamental o reforço muscular do core. No trei-

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no convencional é necessário ter muita atenção às cargas aplicadas e às posturas adotadas durante os exercícios de forma a evitar danos maiores em estruturas já de si fragilizadas e/ou danificadas. Já com o treino de EMS Integral exercitam-se os músculos mais profundos do core que são difíceis de ativar com o treino convencional, conseguindo-se resultados como a eliminação/redução de dores de costas em 82,3% dos praticantes ou a redução e eliminação de incontinência urinária em 75,8% e 33% dos praticantes respetivamente, ambos os casos, com apenas 6 treinos.

integral. Trata-se de uma ferramenta de treino poderosa e com características muito específicas e para se tirar proveito da mesma, é obrigatório dominá-la com segurança, conhecer os parâmetros de carga e adaptar os princípios básicos do exercício à electroestimulação. Em suma, para obter os melhores resultados com este modelo de treino será necessário equipamentos de grande qualidade, profissionais com um bom domínio não só ao nível da tecnologia, mas também no desenvolvimento de treinos que permitam maximizar o rendimento sempre em segurança.

Todos os treinos de EMS são iguais? Não! É neste aspeto que reside a credibilidade do treino de EMS. Em primeiro lugar é fundamental perceber a diferença entre a electroestimulação muscular localizada e a integral. A primeira caracteriza-se, como o próprio nome indica, por trabalhar localmente, ou seja, os elétrodos (1-4 pares) são colocados apenas num determinado grupo muscular, trabalhando de forma estática e passiva na maioria dos casos. Na EMS integral trabalha-se com equipamento específico que contempla 8-10 pares de elétrodos colocados nos grandes grupos musculares (Braços, Pernas, Glúteos e Tronco), o que permite trabalhar os músculos agonistas, antagonistas e sinergistas em simultâneo. Além disso, são colocados em lados opostos do corpo permitindo trabalhar ambos os lados e prevenir ou até corrigir desequilíbrios. O treino é sempre ativo isométrico e/ou dinâmico, conciliando a contração voluntária à contração provocada pela electroestimulação. Em segundo lugar, e falando apenas na EMS integral, para garantir eficiência no treino é essencial ter em consideração dois aspetos fulcrais: a qualidade do equipamento e a preparação/conhecimento do profissional que o aplica. No primeiro caso, a qualidade é balizada pela competência do equipamento, não apenas do dispositivo de electroestimulação como também do traje que contempla os elétrodos. No que respeita ao profissional, mesmo para os Personal Trainers / Treinadores / Fisioterapeutas mais experientes, é indispensável a formação específica em EMS

Gisela Lima Licenciada e Mestre em Educação Física e Desporto. 12 anos de experiência como Personal Trainer. Formadora EMS da miha bodytec. Co-founder da eBody.

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saúde

Envelhecimento saudável e

atividade física

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tualmente, o aumento da expectativa de vida tornou-se um fenómeno global. A expectativa média de vida no mundo aumentou 5 anos entre 2000 e 2015, sendo o maior crescimento desde os anos 60, fazendo com que a média de vida global se situe nos 71,4 anos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS)1. As melhorias no saneamento básico, as condições de vida mais adequadas, os avanços no controlo de doenças e nas tecnologias de saúde são factores responsáveis pelo grande aumento da expectativa de vida. A adoção de um estilo de vida ativo proporciona diversos benefícios à saúde, uma vez que é considerado como um importante componente para a melhoria da qualidade de vida e esse efeito é especialmente importante à medida que envelhecemos2, 3, 4, 5. Foi em 2008 que surgiu um dos primeiros estudos marcantes que forneceu evidência direta sobre o fato que a força física está intrinsecamente ligada ao envelhecimento saudável. Neste estudo, mais de 8000 participantes foram seguidos durante cerca de 18 anos para avaliar a influência da força muscular e da aptidão cardiorrespiratória sobre o envelhecimento saudável6. Notavelmente, indivíduos com idade superior a 60 anos, classificados no terço mais baixo de força, foram 50% mais propensos a morrer por causas diversas do que indivíduos no terço superior. Uma observação chave final deste conjunto de dados foi que, inde-

pendentemente da força, indivíduos com maior aptidão cardiorrespiratória tiveram uma maior expectativa de vida do que indivíduos com pouca capacidade cardio -respiratória. Há evidências que, mesmo com baixos níveis de atividade física, já existe uma redução da mortalidade e do aumento da expectativa de vida 7. Não há dúvida que um estilo de vida ativo apoiado por uma dieta adequada é a chave para a manutenção de um corpo forte e saudável. Neste contexto, a importância da força muscular para a longevidade e saúde em seres humanos dá um novo sentido à declaração de Darwin “Sobrevivência do mais apto”, como parece evidente que os indivíduos mais fortes e aptos são mais propensos a viver mais tempo e vidas mais saudáveis8. As recomendações para a prática de atividade física para a população adulta (incluindo 65 anos +) publicadas por diversas entidades, nacionais e internacionais, como a American College of Sports Medicine (ACMS) e Organização Mundial de Saúde (OMS) entre outras, situam-se em 150 minutos (cerca de duas horas e meia) de atividade física moderada ou vigorosa, acumulados numa semana tipo 9, 10, 11, 12. No entanto, muitas vezes estas recomendações são muito distantes da realidade da vida quotidiana das pessoas e do papel que a atividade desempenha dentro daquela.

World Health Statistics 2016 https://www.cdc.gov/physicalactivity/basics/pa-health/ 3 Hirsch CH, et al. Physical Activity and Years of Healthy Life in Older Adults: Results From the Cardiovascular Health Study. J Aging Phys Act. 2010 Jul; 18(3): 313–334. 4 Taylor, D. Physical activity is medicine for older adults. Postgrad Med J 2014;90:26–32. 5 Harridge S, et al. Physical Activity, Aging, and Physiological Function. Physiology Published 22 February 2017 Vol. 32 no. 2, 152-161 6 Ruiz JR, Sui X, Lobelo F, Morrow JR, Jr, Jackson AW, Sjostrom M, Blair SN. Association between muscular strength and mortality in men: prospective cohort study. Bmj. 2008;337:a439. 7 Wen, CP, Wai, JP, Tsai, MK et al. Minimum amount of physical activity for reduced mortality and extended life expectancy: a prospective cohort study. Lancet. 2011; 378: 1244–1253 8 McLeod M et al. Live strong and prosper: the importance of skeletal muscle strength for healthy ageing. Biogerontology. 2016; 17: 497–510 9 Center of Disesease Control and Prevention CDC, disponível em: https://www.cdc.gov/physicalactivity/basics/adults/ . Acesso em 21 de Maio de 2017 10 American Heart Association (AHA), disponível em: http://www.heart.org/idc/groups/heart-public/@wcm/@fc/documents/downloadable/ucm_469557.pdf. Acesso em 21 de Maio de 2017 11 World health organization (WHO), disponível em: http://www.who.int/dietphysicalactivity/factsheet_adults/en/. Acesso em 21 de Maio de 2017 12 American College of Sports Medicine (ACSM) disponível em: http://www.acsm.org/ .Acesso em 21 de Maio de 2017. 1

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Assim, tão importante quanto investigar os benefícios biopsicossociais adquiridos pela prática da atividade física, é compreender os fatores associados que influenciam a sua adesão e manutenção. A “transformação” dum estilo de vida inativo para ativo é multifacetada e inclui todas as armadilhas e recompensas de aprender algo de novo. Tornar-se fisicamente (mais) ativo após um período (ou uma vida) de inatividade é muito mais complicado que simplesmente a tomada desta decisão.

Thordis Berger Chief Medical Officer do Holmes Place Licenciada em Medicina pela RWTH-Aachen Médica na especialidade de Cuidados Intensivos

Uma idade mais avançada não é a altura “típica” para assumir uma nova atividade física ou desportiva. Muitos adultos mais velhos têm uma conceptualização particular do seu corpo que impede ou desencoraja a participação nestas atividades. No que se refere à motivação de participar em atividade física existe uma necessidade aflitiva de ir além dos binários ativos - inativos, saudável - doente, sucesso - insucesso. Em vez disso, é imperativo trabalhar de forma a facilitar a aprendizagem alegre e agradável ao longo da vida - em vez de desencorajá-la através de um foco na progressão, desempenho e/ ou permanecer “jovem” através da participação. Precisamos de levar a sério as barreiras à atividade física e de nos abstermos de culpar as pessoas por não cumprirem as recomendações de atividades físicas. Se procuramos encorajar - não moralmente obrigar, mas encorajar – a participação continua na atividade física, isso deve implicar uma metodologia variada e múltiplos pontos de entrada que convidem as pessoas a começar ou estender a sua atividade física em qualquer idade e/ou qualquer nível de habilidade. Fazer isso requer, entre outros, uma interseção disciplinar (personal trainers, médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, etc.) que visa a promoção da saúde na prática, algo que em Portugal temos ainda que desenvolver.

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weightlifting

Por que não podemos esquecer o

Weightlifting O WEIGHTLIFTING É CONSTITUÍDO por dois levantamentos principais denominados Snatch e Clean&Jerk, ambos envolvendo o levantamento de uma barra do chão para acima da cabeça. O Snatch executa-o de forma direta, enquanto o Clean&Jerk consiste em mover a barra do chão para o peito e, posteriormente, do peito para acima da cabeça. Como treinador de CrossFit, fui percebendo a importância do Weightlifting na preparação física em qualquer tipo de desporto. Não é por acaso que o famoso atleta Rich Froning tem o maior resultado em Weightlifting comparativamente a outros atletas de CrossFit e ganhou os CrossFit Games quatro vezes seguidas. Todos os desportos requerem quantidades diferentes de sincronização muscular, coordenação, equilíbrio, flexibilidade, força, velocidade, potência e desenvolvimento metabólico. No entanto, poucos são os desportos que trabalham todas estás áreas simultaneamente. Garantidamente, a modalidade de Weightlifting constitui um exemplo dos últimos. Os levantamentos Olímpicos usam os maiores grupos musculares do corpo humano, de forma coordenada, para produzir o máximo de potência. Não existe nenhum outro tipo de treino que faça o mesmo. Correr, remar, saltar, nadar, empurrar, puxar, todos têm algo em comum - necessitam de potência. Potência é, assim, uma combinação de força e velocidade de execução. Para ter potência é necessário ter força e saber aplicar essa força de forma rápida. Um atleta que seja forte mas lento não vai ser efetivo no cumprimento da tarefa, assim como, do mesmo modo, um atleta com pouca força mas rápido tem fraca habilidade para produzir potência. O facto de praticar Weightlifting ensina os atletas como aplicar grandes quantidades de força em curtos espaços de tempo. Os weigthlifters aprendem como ativar de forma eficaz e efetiva as suas fibras musculares mais rapidamente que outros atletas que não são treinados desta forma. Isto torna-se fundamental para atletas de desportos que usam o seu peso corporal e precisam de aplicar grandes forças de forma rápida e espontânea. Greg Glassman diz que uma das grandes falhas dos programas de fitness tradicionais, desde o bodybuilding até aos exercícios monoestruturais, é a parte neurológica, em particular, o desenvolvimento da coordenação, agilidade, precisão e equilíbrio. Podemos chamar isto de técnica. A técnica é fundamental para conseguirmos executar exercícios com mais carga e, consequentemente, ter uma resposta neurológica mais avançada. A g y m fa c t o ry

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Apesar de o Weightlifting ter tido origem nos tempos da pré-história, constou dos Jogos Olímpicos somente em 1896, em Atenas. Criado com o objetivo de medir força, potência e velocidade de execução é, até aos dias de hoje, considerado como o “desporto -Rei” no que toca a potência de execução. O Weightlifting baseia a sua prática no objetivo de fazer um levantamento de uma barra com carga máxima do chão até acima da cabeça, finalizando com o corpo em total extensão.


onda de contração muscular que é necessária para realizar um Snatch é incomparável a qualquer outro exercício realizado num ginásio. Vários treinadores que conversam comigo de diferentes áreas desportivas, confirmam que a partir do momento que começaram a trabalhar levantamentos olímpicos e outras formas variadas, os seus atletas tornaram-se mais fortes, rápidos e, consequentemente, mais potentes. Isto permite que aumentem os seus rendimentos desportivos. Quando olhamos para o Weightlifting como um complemento para um atleta de outra modalidade há, e sempre haverá, perguntas às quais dificilmente se encontram respostas concretas. Se ensinado de forma correta, com tempo e uma estratégia de planeamento lógico bem definidos, sem dúvida que o Weightlifting pode ser uma grande vantagem para atletas de outras modalidades. Como foi escrito previamente, não há desporto que recrute tanta potência como o Weightlifting e isso torna qualquer atleta muscularmente mais “inteligente”. Existem alguns estudos que podem e devem ser analisados para percebermos um pouco melhor os benefícios do treino de Weightlifting. Num deles pode ler-se que, em 8 semanas, um grupo fez treino de diversos levantamentos olímpicos (high pulls, power cleans, jerks…) e outro grupo de treino realizou saltos verticais (duas pernas, uma perna, com lanço, sem lanço…). Foi concluído que o grupo que realizou os levantamentos olímpicos aumentou significativamente o seu tempo nos 100m sprint e nos seus saltos a pés juntos comparativamente ao segundo grupo de trabalho. Para além de tudo isto, e apesar de muitos pensarem o contrário, o Weightlifting é um desporto com uma taxa de lesão muito baixa. As tabelas de Hamilton, 1994, apresentam dados concretos em que se pode ver que, comparativamente a outros desportos, em lesões por 100 horas de treino, o Weightlifting apresenta um valor de 0.0017% (168,551h) comparativamente com, por exemplo, o futebol, o qual apresenta uma taxa de 6.20%, ou mesmo o basquetebol, com uma taxa de lesão de 0.03%. Percebemos que o Weightlifting tem todos os ingredientes para ser um desporto de excelência, uma ótima ferramenta auxiliar para qualquer outro desporto e, fundamentalmente, um ótimo caminho para atingir um nível de saúde e fitness que muitos pensaram nunca atingir. Não podemos esquecer o Weightlifting. Precisamos de dinâmica, atletas que procurem saber mais, que acreditem e que façam com que este desporto, um dos mais antigos do mundo, retorne a Portugal e faça a diferença no mundo do fitness. Acredito que um dia ainda vamos ver muitos espaços físicos dedicados somente ao Weightlifting. Pratiquem Weightlifting pela vossa saúde.

Rui Romão Licenciado em Ciências do Desporto (FADEUP & HvA). Mestre em Ensino de Educação Física (FADEUP). Treinador de CrossFit nível 2 (CrossFit).

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nutrição desportiva

ALIMENTOS Todos nós conhecemos uma das principais premissas na perda de peso: coma menos e gaste mais. Assim, tentando reduzir a ingestão energética, muitas pessoas procuram no mercado alternativas aos seus produtos alimentares preferidos, sejam eles bolachas, chocolates, iogurtes, refrigerantes, snacks, molhos, entre outros. A indústria viu então nesta procura uma oportunidade de alargar o seu leque de consumidores e, desde então, que a oferta é cada vez maior, o que poderá ser uma faca de dois gumes, uma vez que nem todos estes alegados produtos ‘light’, ‘magro’, ‘diet’ ou ‘zero’ serão os mais saudáveis. ANTES DE MAIS, é importante distinguir estas categorias: 1. Os produtos ‘light’ apresentam uma redução face à versão original de pelo menos 30% de um ou mais destes componentes: valor energético, gordura, hidratos de carbono, açúcar e/ou sal. 2. Os produtos ‘diet’/’zero’ estão isentos de um dos componentes acima referidos. 3. Os produtos ‘magros’ apresentam uma redução no seu teor de gordura, mas não necessariamente de açúcar.

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Será então sempre mais aconselhado optar por uma desta opções? Primeiro há que ter em conta que não é por um produto ter ‘zero’ açúcar ou gordura, por exemplo, que terá menor valor energético. Tomando o exemplo do chocolate negro sem adição de açúcar, se o compararmos com a versão original, ambos apresentam um valor energético semelhante, superando as 500 kcal/100g, pelo que a ingestão energética será semelhante optando por qualquer uma das 2 opções, com a diferença que estaremos a evitar algumas gramas de açúcar com a versão ‘zero’. Assim sendo, e mesmo que as versões ‘light’/’zero’ possuam menor valor energético, é importante evitar a tendência natural para aumentar a dose, uma vez que o intuito de reduzir a ingestão energética deixará de fazer sentido. Por outro lado, há também que estar atento e analisar de forma crítica se a denominação ‘zero’ gordura ou açúcar fará realmente diferença no tipo de produto que estamos a comprar. Algumas gelatinas, por exemplo, referem apresentar ‘zero’ gordura, apesar da gelatina nunca ter apresentado, de forma geral, gordura na sua composição; o verdadeiro “inimigo”, o açúcar, irá continuar a estar presente, a menos que optemos pelas versões sem adição de açúcar. Assim, a correta leitura dos rótulos torna-se essencial no momento de compra para que possamos fazer escolhas mais conscientes e saudáveis. Além do mais, a indústria alimentar quando altera o teor de um determinado componente é muitas vezes forçada a aumentar outro ingrediente para manter a palatabilidade do produto. Tomando o exemplo das bolachas ricas em fibra, ao adicionar ingredientes como o farelo, a indústria aumenta também o teor em gordura para que a bolacha não fique seca e pouco apelativa ao consumidor. Assim, um eventual benefício em ingerir mais fibra será ‘mascarado’ por uma maior ingestão de gordura, que na grande maioria das vezes não é a mais aconselhável.

Outro ponto a destacar, apesar de ser um tema controverso, é a adição de edulcorantes, como o aspartame ou a sucralose, nas versões sem adição de açúcar. Apesar da comunidade científica considerar que, em quantidades moderadas, estes componentes não terão prejuízo para a saúde, ainda não se sabe bem até que ponto a ingestão cumulativa a longo prazo não terá consequências a nível metabólico, intestinal ou mesmo nas vias cerebrais responsáveis pelo prazer/recompensa1. Assim sendo, há que tomar alguma precaução com a quantidade de produtos deste género que consumimos e procurar por outras formas de adoçar os alimentos, como por exemplo a adição de fruta aos iogurtes naturais, que transmitirá a sensação do doce que procuramos, através de açúcares naturalmente presentes, com um importante teor de micronutrientes. E, acima de tudo, torna-se crucial habituar o palato a sabores menos doces, fazendo pequenas alterações como deixar de adicionar açúcar/adoçante ao café ou reduzir o açúcar nas preparações culinárias. Em suma, os alimentos “zero” podem ser inseridos num regime de perda de peso, e não só, uma vez que nos permite usufruir do prazer que a alimentação nos pode dar e, ao mesmo tempo, reduz a energia proveniente dos mesmos. Como em tudo, a moderação é a peça chave, e é importante garantir um bom equilíbrio entre estes produtos e os alimentos que não necessitam de versões “zero”, como os hortícolas ou as frutas.

Beatriz Azevedo

Licencianda em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto Estagiária no Clube Sport Comércio e Salgueiros e na Câmara Municipal do Porto

António Pedro Mendes

Licenciado em Ciências da Nutrição e doutorando em Nutrição Clínica pela Universidade do Porto; Nutricionista da equipa profissional e departamento de formação do FC Paços de Ferreira; Coordenador da Unidade de Nutrição e Alimentação do Hospital Agostinho Ribeiro.

1 Qurrat-ul-Ain, Khan S. Artificial sweeteners: safe or unsafe?. Recent advancements in Endocrinology. 2015. 65(2).

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coaching

COACHING

NO DESPORTO Segundo a International Coaching Federation (ICF), coaching é “constituir uma parceria com clientes num processo estimulante e criativo que os inspira a maximizar o seu potencial pessoal e profissional”. O coaching no desporto é realizado, hoje, através de um Coach externo ou através de técnicas de coaching aplicadas pelo Treinador/ Personal Trainer ao seu atleta, equipa ou cliente. O coaching no desporto visa essencialmente ajudar o atleta na superação da sua performance e facilitar o alcance dos resultados a que o atleta se propõe.

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abemos, também, que a nossa vida assenta em vários pilares, sejam eles a família, relacionamentos, amigos, hobbies, finanças pessoais, carreira, as crenças e valores individuais, entre outros, e que todos eles se relacionam. Arrisco-me a dizer que é uma utopia, hoje, um treinador ignorar tal facto e se focar apenas no treino físico. Perante esta tomada de consciência o que fazer? Como treinador preciso de fazer uma certificação em coaching? Sim, se for a essa a sua vontade e, nesse caso, aconselho-o a procurar uma certificação reconhecida pelo ICF (organização que representa os coaches internacionalmente e regulamenta as boas práticas da atividade) ou uma formação mínima de 60h que se guie pelo código de ética do ICF. No entanto, o importante num treinador é que aprenda a utilizar técnicaschave de coaching para ajudar os seus atletas a tirarem o melhor deles próprios em busca dos seus próximos níveis de excelência.

O Coaching é o processo que nos permite viajar com excelência do ponto atual para futuro. O coaching não quer saber do passado, mas sim onde estamos agora e a distância que nos separa do ponto onde queremos chegar. Podemos pontualmente viajar ao passado, somente para resgatar pontos fortes cruciais, momentos de sucesso e utilizá-los para nos ajudarem a chegarmos ao futuro desejado. O foco é a capacidade que nos guia para o ponto de chegada desejado e nos ajuda a encontrar os recursos necessários durante essa viagem. Um coach é um facilitador de aprendizagem, ajuda na tomada de consciência e na descoberta de novos caminhos. Podemos imaginar o coach como um MacGiver, com a sua caixa de ferramentas que entrega aos seus atletas no sentido deles próprios se transcenderem. No entanto, as ferramentas e as soluções estão, na verdade, dentro do próprio atleta. Cabe ao coach, ou ao treinador, dominar as técnicas para facilitar esse processo de descoberta. As técnicas de coaching permitem que o(a) atleta/ equipa/cliente crie novas metas, assuma a responsabilidade pelos caminhos escolhidos e se desafie a ir mais além. “Eu sou a causa da minha mudança e os resultados são a consequência das minhas escolhas.”

O Coaching é o processo que nos permite viajar com excelência do ponto atual para futuro. O coaching não quer saber do passado, mas sim onde estamos agora e a distância que nos separa do ponto onde queremos chegar.

No coaching, um dos pontos fundamentais é a ética que regula o respeito pelo modo como o outro vê o mundo e não a imposição do nosso modo de ver o mundo, o nosso modo de ver e sentir as coisas. Costuma dizer-se, que “o mapa não é o território”, ou seja, o mapa é a representação do território mas não é o território em si. As minhas certezas e opiniões são as resultantes das minhas experiências e das minhas crenças e, por isso, são diferentes das dos outros. No campo do desporto é importante perceber como o nosso atleta vê o mundo e como gere as suas emoções. Através da utilização de uma escuta ativa e da aplicação de perguntas poderosas pertinentes, facilitamos a emergência de verdadeiros momentos de superação pessoal na pessoa. Sendo assim, nos dias de hoje, um bom treinador/ PT que deseje ir mais longe na excelência do seu trabalho, deve ter este conhecimento como uma mais-valia.

Em 1998, quando trabalhava como diretora de Health Clubs, conheci o coaching. Em parceria com um coach Inglês, trabalhávamos com o intuito de criar uma visão e alinharmos valores, no sentido de conseguirmos trabalhar mais eficazmente com as nossas equipas e criarmos um propósito comum. Na altura, em Portugal, pouco se ouvia falar de coaching. Hoje, praticamente 20 anos depois, nas grandes empresas, o coaching é tido como fundamental para o sucesso individual, das equipas e das organizações. Quem não acredita que tem um próximo nível está a impedir-se de crescer. Brinco com os meus filhos quando

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coaching

sso o n o a pre, m au e r s g e e t d s i o Ex xim ó r p LE o A , V e . c A n D a alc A VI D A D A M na ESC A VIVÊ-LA E OS ECURS A PEN R E D IA C N Â D N COM ABU R I V R E SE IA! C N Ê L E EXC

afirmo que sou uma eterna estudante, sempre na busca de ser melhor. Quanto melhor pessoa for, mais posso contribuir e servir! “Para quê”? é a pergunta base na descoberta do nosso verdadeiro propósito. Nem todos os treinadores sabem responder a esta pergunta. Um Coach tem uma pá e escava, escava, até encontrar na face do seu atleta o chamado “Ah!Ah! Moment!” – momento de tomada de consciência e, nesse ponto, não há ruído que o impeça de chegar à sua meta! Relembro o caso de uma senhora, com inicio de Parkinson, que procurou uma PT porque o médico a aconselhou a fazer exercício para aumentar o seu bem-estar. Felizmente, a PT estava dotada das ferramentas de Coaching e conseguiu facilitar o processo de tomada de consciência da “Francisca”, da dor real que se escondia atrás da sua dor aparente. Avó pela primeira vez, não se permitia a tomar conta da sua neta bebé, com medo de a deixar cair. Um ano depois, a sua condição física estava alterada e já ficava com a sua neta, enquanto a filha trabalhava. Na hora do último agachamento ou flexão, o que a fazia ter motivação para o último esforço? O aumento do seu Bem-Estar ou a imagem da neta ao seu colo em segurança? Qual é a diferença que fez a diferença? O conhecimento das técnicas de coaching permitem ao treinador aproveitar melhor as oportunidades e os momentos que se podem constituir como verdadeiros

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momentos de viragem. Permite facilitar “on time” a transformação de problemas em desafios. Esses momentos são preciosos para as pessoas irem mais longe. É uma pena que, muitas vezes, o desconhecimento das ferramentas de coaching nos faça perder oportunidades de ouro. As perguntas poderosas colocadas na altura certa, podem ter resultados inesperadamente positivos. O Coaching não é apenas útil para as equipas, para os atletas e para os clientes. É também fundamental para o profissional de desporto. Todos precisamos de ser desafiados, que nos ajudem a ir mais longe, a ver a partir de uma perspetiva diferente, a encontrar os nossos recursos ilimitados, muitas vezes escondidos e, até mesmo, desconhecidos. Tudo o que nos ajude a passar do ponto A para o ponto B é crescimento. Existe sempre, ao nosso alcance, o próximo degrau na ESCADA DA VIDA. VALE A PENA VIVÊ-LA EM ABUNDÂNCIA DE RECURSOS E SERVIR COM EXCELÊNCIA!

Ana Sacavém

Partner, Gestora da Formação, Formadora e Coach na António Sacavém Communication Academy. Formadora de Coaching na Bwizer e no CEFAD. Trainer de Micro Expressões.


especialistas A GYM FACTORY conta com colaboração dos melhores especialistas no panorama do Fitness em Portugal e Espanha, conhecedores profundos das diferentes áreas imprescindíveis para o bom funcionamento da instalação desportiva. Se deseja saber mais sobre estes especialistas, entra no nosso site: www.gymfactory.net

Pedro Asseiceira

Thordis Berger

João Martins

Ana Sacavém

n Certificado EXS – PERFORMANCE n Professor de Fisiologia Humana na Escola Superior de Saúde Ribeiro Sanches n Muscle Activation Certified Specialist (MAT; EUA) n Mestrado em Reabilitação Desportiva pela St. Marys University, Londres n Licenciado em Ciências do Desporto pela Faculdade de Motricidade Humana.

nC  hief Medical Officer do Holmes Place n L icenciada em Medicina pela RWTH-Aachen nM  édica na especialidade de Cuidados Intensivos n F requentou o Curso de Especialização em Saúde Pública em Lisboa; n L onga experiência na Industria Farmacêutica, incluindo na área de Obesidade e Diabetes.

n Mestre Exercício e Saúde, FMH-UL n Certified in Applied Functional Science (CAFS), Gray Institute n Diplomado em Terapias Manipulativas e Osteopáticas, ITS n Diretor Técnico e Personal Trainer, Mega Craque Clube, Lisboa

n Partner, Gestora da Formação, Formadora e Coach na António Sacavém Communication Academy n Formadora de Coaching na Bwizer e no CEFAD. n Trainer de Micro Expressões n Disk Facilitator n Coach certificada pela BeCoach e pela Activison ACSTH (ICF). n Frequência do ACTP (ICF) e Membro ICF nº009198846I n Licenciada em Ciências do Desporto menção Gestão do Desporto, pela FMH, n Pós Graduada em Gestão de Recursos Humanos, pela Universidade Lusíada n Master em Gestão da Formação n Ex-Club Manager na Cadeia Holmes Place dos Clubes da Defensores de Chaves, da Avenida e de Cascais, empresa onde trabalhou de 1998 a 2007. n Ex-técnica superior de Desporto na Câmara Municipal de Rio Maior em 1997 n Ex-professora credenciada pela AFFA, de natação e de hidroginástica n Ex-professora de aeróbica, step e personal trainer n Ex-proprietária de um ginásio.

António Pedro Mendes Beatriz Azevedo n Licencianda em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto n Estagiária no Clube Sport Comércio e Salgueiros e na Câmara Municipal do Porto

Pedro Cardoso nM  estre Exercício e Saúde, FMH-UL nC  ertified Strength & Conditioning Coach, NSCA n E XOS Performance Specialist (XPS) nC  ertified in Applied Functional Science (CAFS), Gray Institute n F unctional Movement Screen, Level 1 (FMS) nD  iretor Técnico e Personal Trainer, Mega Craque Clube, Lisboa

Rui Sousa Lopes n Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas n Licenciatura em Dietética – Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Lisboa ESTeSL n Pós-Graduação em Nutrição Clínica – Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto n Formador de Nutrição Desportiva no Cefad – Formação Profissional n Nutricionista na Clínica Nova Era - Lisboa

n L icenciado em Ciências da Nutrição e doutorando em Nutrição Clínica pela Universidade do Porto; nN  utricionista da equipa profissional e departamento de formação do FC Paços de Ferreira; nC  oordenador da Unidade de Nutrição e Alimentação do Hospital Agostinho Ribeiro.

Rui Romão

Gisela Lima n Licenciada e Mestre em Educação Física e Desporto n 12 anos de experiência como Personal Trainer n Formadora EMS da miha bodytec n Co-founder da eBody.

n Licenciado em Ciências do Desporto (FADEUP & HvA) n Mestre em Ensino de Educação Física (FADEUP) n Treinador de CrossFit nível 2 (CrossFit) n Treinador de Weightlifting nível 1 (FHP) n Treinador Principal na Box CrossFit IK n Treinador de Hóquei em Patins nível 1 (FPP)

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Gym Factory Instrutores nº14  
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