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A informação profissional imprescindível Nº8

PARCEIRO

instrutores

inverno 2015

6€ A informação profissional imprescindível

8 MEDICINA

RECEITA MÉDICA DE EXERCÍCIO FÍSICO?

O valor dado à Receita Médica para um tratamento deveria ser o mesmo que é dado à prescrição do exercício TREINO FUNCIONAL Gym

ESTRUTURAS DE TREINO

Características das Estruturas de Treino ou Plataformas funcionais

Factory

ESPECIALIZAÇÃO

IMPORTÂNCIA DO TREINO FÍSICO NO GOLFE A prevenção e a Avaliação física como ferramentas de melhoria da performance

PROFISSÃO

COMPETÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS DO T.E.F. Novos desafios profissionais


8 INÉS LEDO Gym Factory

ARMANDO MOREIRA AGAP

QUE VALOR DAMOS AO CONHECIMENTO? RESIDUAL OU FUNDAMENTAL?

A publicação espanhola Gym Factory, em estreita parceria com a AGAP, concretizou uma ambição ao iniciar a publicação em 2014 em terras lusas, editada em português, maioritariamente com autores portugueses e projetada para os nossos empresários, gestores e profissionais do exercício. Pela AGAP, cumpriu-se um velho sonho de ter a sua “própria” Revista e de poder disseminar conhecimento de especialistas nacionais e experiências dos nossos maravilhosos ginásios e técnicos, chegando a mais de 1.700 locais. De dia para dia fala-se mais de exercício, promoção de estilos de vida saudáveis, medidas de combate ao sedentarismo, etc., por isso, ter uma revista que se foca e aborda os fatores críticos do negócio é um capital que não devemos desperdiçar. Afinal, que valor damos ao conhecimento? Residual ou fundamental? Este compromisso inicial de 2 anos culmina agora com esta 8ª edição. Tanto a Gym Factory como a AGAP estão muito satisfeitas com o percurso, com a difusão e alcance mas também com o feedback dos leitores, entenda-se, indústria do fitness. Visitar um qualquer ginásio deste país e literalmente “vermos” a revista na receção, num balcão ou gabinete técnico, lida e discutida entre as equipas, é verdadeiramente o objetivo do nosso trabalho. Esta parceria ibérica entre a Gym Factory e a AGAP serve os interesses de ambas as Organizações mas, acima de tudo, está para servir o mercado, para valorizar o que de bom existe e acrescentar valor. Inicia-se agora uma nova fase, esperando que esta parceria ibérica possa sair mais reforçada para o biénio 2016/2017, com os novos dirigentes da AGAP a eleger nas próximas eleições. TODOS são chamados a participar e a contribuir para o contínuo crescimento do nosso setor, seja através de reflexões específicas e/ou controversas, por via de novos estudos e pesquisas científicas ou pela partilha de evidências e tendências. Por fim, claro está, nenhuma revista consegue singrar sem publicidade. O mercado português, até pela ausência durante muitos anos de uma publicação especializada, sempre procurou outras alternativas mas hoje existe, de facto, a garantia de entrega a todos os ginásios portugueses e ainda a um conjunto alargado de outras atividades. Entre em contacto connosco e preveja no seu orçamento para 2016 uma verba e verá que o investimento traz retorno! Escreva-nos para portugal@gymfactory.net com os seus comentários e sugestões sobre os artigos ou se tiver interesse em fazer parte da bolsa de Autores.

inverno 2015 número 8 Editora: Inés Ledo editora@gymfactory.net Equipa AGAP José Julio Castro Armando Moreira Fabio Lopes Fernando Gonçalves Sara Faria info@agap.pt Administração Susana López administracion@gymfactory.net

Redação Teresa Carmona redaccion@gymfactory.net Imprensa e comunicação Carlos Cordeiro prensa@gymfactory.net Design e layout Javier Ojeda redaccion@gymfactory.net Contribuições: Clarissa Biehlprintes Sara Faria Alexandre R.F. Kadnikov Cordeiro

Sandra Martins Amancio Santos Frederico Silva Nuno Silva André Sousa

Edita: Inés Ledo Ramos Domicilio social: Avda. del Monte, 25-1 Telf.: 911 274 774 info@gymfactory.net 28250 Torrelodones (Madrid) Espanha

Publicidade Tel: +(34) 911 274 774 info@gymfactory.net Impressão: GRAFISTAFF, S.L. ISSN: 2174-6168 Depósito legal: M-675-2005 Proibida a reprodução total ou parcial de textos, desenhos, gráficos e fotos sem autorização prévia do editor. GYM FACTORY não se responsabiliza pelas opiniões expressas pelos autores, nem se identifica necessariamente com as mesmas.


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INVE RNO 2015

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Notícias Avaliação funcional Treino Funcional Tendências Especialização Profissão Coaching Medicina Panorâmica de Nutrição Especialistas

AVALIAÇÃO

Avaliação funcional

Apesar de já ser utilizado em áreas como a ortopedia ou a fisioterapia, a avaliação funcional é um conceito que vem a ganhar importância no mundo do exercício e saúde. Consiste na análise dos padrões de movimento fundamentais dos indivíduos para identificar movimentos que possam ser considerados disfuncionais e que representem risco de lesão não traumática ou obstáculo à performance desportiva ideal. Trata-se, na prática, da avaliação da qualidade de movimento dos indivíduos através da aplicação de testes ou baterias.

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PANORÂMICA DE NUTRIÇÃO BCAA

O termo BCAA –Branched Chain Amino Acids, comumente usado no mundo desportivo, traduz-se por Aminoácidos de Cadeia Ramificada (ACR) e corresponde ao conjunto de três aminoácidos, valina, leucina e isoleucina. Os aminoácidos são unidades orgânicas que se unem através de ligações peptídicas, formando as proteínas. Estes três aminoácidos consideram-se essenciais, uma vez que não podem ser sintetizados pelo corpo humano e, portanto, devem ser ingeridos através da alimentação.

TENDÊNCIAS

Evolução do conceito de sala de exercício nos fitness clubs A atividade física tem vindo a ocupar um lugar cada vez mais importante na vida do ser humano. Antigamente era encarado como uma oportunidade só para alguns, sendo que como o evoluir dos tempos, passou a ser praticado e desejado por todos, desde a população mais jovem à população mais sénior.

COACHING

Em que é que acredito?

Aquilo em que acredito pode ser a base dos meus resultados. Se não estou a ter os resultados que quero como posso mudar aquilo em que acredito para melhorar os meus resultados?

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notícias NOVOS GINÁSIOS

O AmazinGym é um novo ginásio com conceito Low-Cost na zona norte e o primeiro de Matosinhos, com um espaço superior a 1100m2, tendo aberto portas em Setembro. Construído de raiz para ginásio, o espaço reúne excelentes condições para cumprir a sua missão. Com mais de 100 aulas por semana (Zumba, Body Combat, treino funcional, pilates, etc.), oferece um vasto leque de opções, não esquecendo uma excelente sala de musculação e zona de cardio. Esta oferta, associada a um horário alargado e a preços muito convidativos, tornam-no a escolha óbvia para todos os que procuram uma excelente experiência de fitness.

Abriu no passado dia 1 de Setembro nas Caldas da Rainha a 1ª Unidade da marca Fitness Factory®. Este projeto tem como missão a captação de novos praticantes de Fitness, numa estratégia de crescimento de franchising (cidades com mais de 15.000 habitantes), com um modelo de negócio simples, fácil e de completo apoio ao investidor nas seguintes áreas: técnica, comercial e de gestão (formação continua). Com preços a partir 19,90€/mês, o Fitness Factory® Caldas da Rainha é um modelo de 500 m2 onde, para além de uma sala de exercício tecnologicamente avançada, as Aulas de Grupo (presencial e virtual em português) assumem um papel de destaque.

Inaugurou no passado dia 27 de Setembro o LFitness Health Club em Oliveira do Bairro. Este novo espaço surge da necessidade de crescimento, da oferta de serviços e de qualidade que os dois administradores do LFitness (Luis Jesus e Liliana Vidal) sentiam há algum tempo. Este novo investimento num 2º ginásio na mesma cidade deriva do facto do primeiro se ter tornado demasiado pequeno a partir do momento que começaram a identificar, entender e articular as variáveis da indústria do fitness, numa perspetiva de crescimento e decisões sempre focadas em resultados.

O Fitness Hut inaugurou a 5 de Outubro o seu 13º ginásio no Sintra Retail Park com 1.640m2. Este novo clube oferece uma variedade de mais de 150 aulas por semana (incluindo a nova aula de Cross Moves inspirada no Crossfit e Aulas Virtuais), vários espaços cardiovasculares, de resistência, musculação, treino funcional, combate, sprint e stretch. O clube de Oeiras também abriu recentemente. É todo ladeado por luz natural, respira fitness em 1.675m2! Com estas duas novas aberturas, a cadeia soma 13 ginásios. Ainda para este ano, a marca compromete-se a aumentar o número de clubes. E seguindo esta intenção anuncia que os próximos clubes a abrir serão em Coimbra e Benfica, tendo mais 6 espaços em vista.

A MILLA SPORT EM COLABORAÇÃO COM PARCEIROS ALEMÃES AJUDAM A RESOLVER O PROBLEMA DE TRANSMISSÃO DE VIBRAÇÕES EM INSTALAÇÕES DESPORTIVAS Para os gestores desportivos nem sempre é fácil introduzir novas práticas no seu clube pois isto muitas vezes significa fazer uma reestruturação da instalação para que possam adaptar-se às novas exigências. Tal como acontece com o tão procurado quanto popular CrossFit, associado a um

tipo de treino físico que enfatiza o treino de força para suportar cargas de até 120 kg e com um elevado número de repetições, podendo causar possíveis problemas com os vizinhos como com os outros sócios. A MILHA SPORT apresenta o ladrilho no formato 1000 x 500 x 30 mm,

com acabamento superior SPORTEC, o que facilita a sua limpeza, não se separando, ao contrário das até agora conhecidas e utilizadas, mais típicas dos parques infantis. Para mais informação: cromero@lamillasport.com

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avaliação funcional

ANÁLISE DOS PADRÕES DE MOVIMENTO FUNDAMENTAIS DOS INDIVÍDUOS Apesar de já ser utilizado em áreas como a ortopedia ou a fisioterapia, a avaliação funcional é um conceito que vem a ganhar importância no mundo do exercício e saúde. Consiste na análise dos padrões de movimento fundamentais dos indivíduos para identificar movimentos que possam ser considerados disfuncionais e que representem risco de lesão não traumática ou obstáculo à performance desportiva ideal. Trata-se, na prática, da avaliação da qualidade de movimento dos indivíduos através da aplicação de testes ou baterias.

André Sousa Licenciado em Ciências do Desporto e Mestre em Treino Desportivo da Faculdade de Motricidade Humana

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ara entender melhor este conceito, é necessário primeiro ter uma visão ligeiramente diferente da habitual em relação ao funcionamento mecânico da máquina complexa que é o corpo humano. Na visão convencional, o movi-

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mento é normalmente avaliado e trabalhado de forma segmentada, ou seja, por grupo muscular. Esta visão pode ser considerada redutora, visto que, para qualquer tarefa física, é necessária a contribuição preponderante do sistema nervoso e vascular e que todos os segmentos corporais e respectivos músculos funcionem em conjunto de forma integrada para garantir o objectivo final, seja ele correr, saltar, puxar ou empurrar um volume. Limitações no funcionamento normal de qualquer sistema, estrutura ou segmento vão influenciar negativamente outros sistemas, estruturas ou segmentos. Focando apenas na nossa área de estudo, o

movimento humano, isto significa que limitações na mobilidade ou estabilidade de uma qualquer articulação ou conjunto de segmentos vão impor a necessidade de compensação pelas articulações ou conjuntos de segmentos adjacentes de forma a que o objectivo final seja igualmente cumprido. Por exemplo, ao executar um agachamento, se existir uma limitação na flexão do tornozelo, o movimento será executado à custa de uma flexão excessiva na anca e coluna lombar. Outro exemplo comum são as limitações ou bloqueios em flexão da coluna dorsal, que causam necessidade de compensação pela coluna cervical, cuja muscula-


tura adjacente terá de garantir a sua hiperextensão de forma a articular convenientemente os movimentos da cabeça e pescoço. Estas compensações sobrecarregam certas estruturas musculares ou articulares e podem, em última instância, culminar em lesão do tecido. Lesão (normalmente caracterizada pela presença de dor) e disfunção, estão intimamente ligadas. Frequentemente uma precede o aparecimento da outra. Comecemos pela dor: esta é um sinal de que alguma estrutura do corpo está lesada ou em risco de ficar e o seu aparecimento altera o nosso comportamento de formas inconsistentes, imprevisíveis e normalmente automáticas (quando sofremos uma entorse no pé, por exemplo, ninguém tem de nos ensinar a manquejar). Na presença de dor, existe normalmente uma alteração dos padrões motores para evitar a sua reprodução e proteger o sistema. Essa alteração da função normal, uma disfunção, poderá por sua vez desencadear o mecanismo de lesão de sobrecarga noutros tecidos. Por outro lado, movimentos repetitivos diários, maus hábitos de treino e posturas incorretas prolongadas, levam ao aparecimento de disfunções no nosso sistema de movimento, que, como já vimos, podem desencadear o aparecimento da lesão de sobrecarga, dor e subsequentemente mais disfunção. O problema da visão convencional do movimento aplica-se também à recuperação de lesões, onde normalmente a recuperação fisiológica dos tecidos é o foco exclusivo da equipa clínica e as alterações motoras resultantes de um período alargado da execução de padrões motores disfuncionais ficam relegadas para segundo plano. A proposta para começar a intervir neste problema, de uma forma mais assertiva e objectiva, é a aplicação de uma bateria de ava-

Estas compensações sobrecarregam certas estruturas musculares ou articulares e podem, em última instância, culminar em lesão do tecido. liação funcional, que permita filtrar os principais padrões de movimento, categorizando-os. Desta forma, conseguimos mais facilmente identificar as limitações que possam estar a causar um problema ou que o possam vir a causar. Com esta informação, podemos aplicar uma estratégia realmente direcionada à sua resolução. As baterias de avaliação funcional e os testes que as compõem estão longe de poderem ser classificados como verdadeiramente preditivos de futuros problemas, mas neste momento, são um óptimo ponto de partida para começarmos a entender melhor o funcionamento do nosso sistema locomotor e sermos menos arbitrários na nossa prescrição de exercícios corretivos. Existem já várias baterias de testes compostas por vários autores como o FunctionalMovementScreen (FMS) (Cook, 2010) ou os Magnificent 7 (Liebenson, 2014), mas mais importante do que a utilização e aplicação destes instrumentos, é perceber os seus princípios e a sua lógica. O objectivo de qualquer bateria de avaliação funcional deve sempre ser a procura por movimentos dolorosos ou

alterações e limitações nos padrões de movimento que possam representar um risco de lesão para o indivíduo. Não nos devemos focar apenas em zonas especificas, principalmente em indivíduos queixosos, visto que a disfunção pode ter origem numa área silenciosa do corpo. As baterias devem servir como um filtro que possa avaliar sempre o corpo como um todo e, caso haja essa necessidade, especificar em certos movimentos ou articulações. A avaliação funcional de um atleta profissional de lançamento do dardo, por exemplo, não deverá ser a mesma da de um idoso que apenas quer levar um estilo de vida saudável. O atleta requer uma avaliação mais minuciosa da estabilidade e graus de liberdade das várias articulações do ombro enquanto que uma avaliação do idoso deverá ser mais focada na sua capacidade de locomoção e equilíbrio do membro inferior. Não existem baterias nem testes ideais que filtrem todos os problemas e nos digam logo qual a sua solução, mas a utilização destes instrumentos já existentes é um excelente ponto de partida. No entanto, a sua aplicação deve estar sempre aliada a uma contínua busca para os aperfeiçoar e melhorar a nossa própria prática nesta área. A literatura científica que procura validar a avaliação funcional como instrumento preditivo de futuras lesões, apesar de estar ainda numa fase gestacional e de ter quase só como objecto de estudo o FMS (a bateria mais utilizada de momento), já nos fornece informação suficiente para aceitarmos o seu valor (Kieseletal., 2007; Chorbaetal., 2010; O’Connor etal., 2011; Lehretal., 2014; Bodden et al., 2015). Cabe-nos a todos, profissionais na área do exercício e saúde, continuar a pesquisa neste sentido e os ginásios são verdadeiros laboratórios vivos que podem servir para este efeito.

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treino funcional ESTRUTURAS DE TREINO PLATAFORMAS DE TREINO FUNCIONAL Com a natural e mutante evolução do mercado do fitness, não há como negar que a tendência do tipo de Atividade Física mais influente na última década, é o Treino Funcional. Treinar o corpo para uma melhor performance no nosso quotidiano cria um impacto positivo na saúde em geral. Por consequência, torna-se relativamente fácil vislumbrar suportes para treino em ginásios, em zonas de lazer citadinas, ou mesmo para utilização doméstica. As Estruturas de treino vieram para ficar, contribuindo para a frase máxima e que merecidamente está em voga: “Dont use a machine. Become one”.

Alexandre R.F. Kadnikov Cordeiro Manager e Personal Trainer em AC Personal Training Cerfificado Functional Fitness Training (Fitness Institute International, Boca Raton. USA)

A

s Plataformas de Treino Funcional estão para ficar, mas também para inovar no que concerne às adaptações e gestão de espaço em Ginásios, na criação de equipamentos e acessórios, com o superlativo de satisfazer todos que os utilizam, sejam praticantes ou profissionais da atividade física. Cada atleta deve primeiro ser capaz de controlar o seu peso antes de avançar para movimentos que envolvam pesos para além do seu. Mesmo depois de meses ou anos de treino, haverá sempre exercícios com peso corporal nos programas de treino. Argolas de suspensão conexas a estruturas fixas são uma ótima maneira de aumentar a dificuldade para os atletas avançados, ao mesmo tempo ajudando-os a ganhar um comando sobre o seu próprio corpo. (Nota do editor: Joe Hashey, CSCS)

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A primeira estrutura de treino foi desenvolvida durante o início do ano de 1800 na Alemanha, onde foi possível criar as primeiras formações de treino com peso corporal através das argolas de suspensão. Os “anéis” originais pareciam mais triângulos do que círculos e apareceram pela primeira vez durante os Jogos Olímpicos de 1924, na categoria de ginástica desportiva. A ACSM (American College of Sports and Medicine) define em primeiro lugar no seu TOP 10 das tendências do mercado Fitness de 2015 o TREINO com PESO CORPORAL. Segundo o Health & Fitness Journal da ACSM “Nos programas de treino de peso corporal pode utilizar-se o mínimo de equipamento, o que se torna uma forma muito barata de treinar, mas ao mesmo tempo eficaz. A maioria das pessoas pensa em treino de peso corporal como sendo limitado a push-ups e pull-ups, mas pode ser muito mais do que isso.” Desta forma, embora já desde a última década, seja fácil assistir à resposta do mercado nas opções de material (diverso, eficaz e desafiante) para dinâmicas de treino com peso corporal, há um evoluir constante na criação de ESTRUTURAS de TREINO. Assim, hoje em dia, as Estruturas de Treino não se limitam à forma de box Standard, do género de estrutura quadricular disposta na vertical, ou em estruturas mais pequenas

de colocação amovível nas portas, ou fixas na parede. Elas adquiriram também um leque variado de acessórios e componentes e uma versatilidade de exercícios a descobrir. Características das Estruturas de Treino ou Plataformas funcionais A popularidade das plataformas funcionais pode ser atribuída à sua versatilidade. Elas abrem possibilidades de exercícios originais e emocionantes, permitindo que os treinadores possam ser criativos e incentivarem os usuários a executar movimentos naturais, exercícios simples com o peso corporal e possam utilizar equipamento complementar no treino funcional. Isso vai proporcionar aos afiliados do CrossFit e ginásios com este tipo de foco uma maior dinâmica e prazer no treino. Dado que há uma ampla gama de recursos disponíveis nas variadas Estruturas de Treino funcionais, considero que vale a pena designá-las em duas secções: recursos primários e recursos secundários. Recursos primários Não significa necessariamente que são as características mais importantes das Estruturas de Treino, ou que são sempre essenciais (embora algum tipo exercício de puxar para cima a funcionalidade estará sempre presente):

• Pull Up Bar - essencial para push-ups e muitos outros exercícios funcionais. Estes também constituem a âncora ou quadro a partir do qual muitos outros acessórios estão ligados. Como é o caso do TRX ou elásticos; • J Hooks ou Half Rack (apoio para barra curto) - estes permite que o equipamento do tipo barra olímpica funcione como uma estação de levantamento de peso possibilitando que o usuário ajuste a altura inicial da barra. Permitem exercícios como chest press ou shoulder press; • Spotter Arms (apoio de braços) é um recurso de segurança que anda de mãos dadas com a presença de um recurso de Half rack e que proporciona movimentos de agachamento pesado corporal e isolamento mais seguro e mais fácil; • Wings/Monkey bars - barras macaco e asas permitem puxar progressivamente para cima em exercícios que o usurário está pendurado, mas também proporcionam um outro espaço para ancoragem de acessórios e anexos, como é o caso das argolas. É possível acomodar nestas Plataformas Funcionais, seguidas ou ligadas, grupos entre 10 e 20 pessoas, criando uma sinergia e foco no treino excecional.

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treino funcional Recursos secundários Trazem realmente o alto nível de versatilidade para plataformas de treino funcional. Podemos enumerar uma diversidade de equipamentos e acessórios que serão uma bela caixa de surpresas: • Dip Attachments (Acessórios para fundos) - geralmente vêm como um anexo adicional com ganchos para uma das partes verticais da estrutura da plataforma, às vezes de uma forma semelhante a um U; • Plataformas pliométricas como anexos de mergulho, muitas vezes ligam-se às vigas verticais que compõem a plataforma com altura ajustável para atender usuários de alturas diferentes; • Suportes para sacos de Boxe como parte de programas de HIIT, os sacos de boxe poderão ser uma grande ferramenta de treino; • Cabos de força funcionais, como uma polia ajustável dupla, estão a tornar-se as componentes mais populares de equipamentos, simplesmente porque são extremamente versáteis, desocupando espaço útil face às máquinas de

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chão do ginásio como é o caso das máquinas de resistência; Target Ball (Bolas Medicinais) exercícios de projeção ou arremesso de bola Medicinal e de esferas desempenham um grande papel no CrossFit WODs; Battle Rope Anchors – As Cordas de combate, também chamadas anacondas são uma ferramenta de alta intensidade para variar o tipo de treinos e torná -los mais divertidos, praticando ondas, arranques, levantamentos, exercícios a pares. Poderão ser ajustadas por âncoras à plataforma funcional, melhorando assim a estabilidade, o movimento, bem como a preservação deste acessório; Pivot Attachments (Anexos ao Solo) – são uma ferramenta de treino de força e têm como vantagem permitir ao usuário versões escalonáveis que são a chave dos movimentos Olímpicos. Poderão ser encontrados na base da Plataforma ou anexado junto ao solo, onde podem incorporar a barra olímpica para treinos explosivos e de maior flexibilidade; Storage (Armazenamento) Muitas Estruturas de Treino, já

oferecem condições de arrumação para diversos equipamentos e materiais constituídas por prateleiras ou ganchos para bolas medicinais, bandas elásticas, kettlebells, etc. Facilmente descortinamos que, ao nível intrinsecamente físico, as Estruturas de Treino (Plataformas de Treino Funcional) proporcionam aos seus praticantes, benefícios inovadores e acrescidos no que diz respeito ao treino funcional que está amparado na proposta de melhoria de aspetos neurológicos que conduzem a capacidade funcional do corpo humano, empregando exercícios que estimulem os diferentes componentes do sistema nervoso, gerando, dessa forma uma melhor adaptação, bem como ao treino de força e explosiva (Potência) e treino de Pliometria. Em conclusão, as Plataformas de Treino Funcional estão para ficar, mas também para inovar no que concerne às adaptações e gestão de espaço em Ginásios, na criação de equipamentos e acessórios, com o superlativo de satisfazer todos que os utilizam, sejam praticantes ou profissionais da atividade física.


“Confiança e segurança para o seu ginásio”


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tendências tendencias EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE SALA DE EXERCÍCIO NOS FITNESS CLUBS

Atividade física tem vindo a ocupar um lugar cada vez mais importante na vida do ser humano. Antigamente era encarado como uma oportunidade só para alguns, sendo que como o evoluir dos tempos, passou a ser praticado e desejado por todos, desde a população mais jovem à população mais sénior.

Amâncio Nuno Ferreira Santos Licenciatura em ciências do desporto e Osteopatia. L1 de Crossfit e o Coach Prep Course (L2 de crossfit)

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em-se vindo a assistir ao longo dos anos, ao aumento significativo das instalações desportivas. Num mercado cada vez mais competitivo e cada vez mais global em termos de informação e formação dos clientes, as exigências destes crescem a

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cada dia, sendo que a qualidade do serviço prestado e a qualidade das infraestruturas tem vindo a ocupar um lugar predominante na gestão dos espaços de fitness. Em Portugal, assistimos hoje em dia a uma multiplicação de fitness clubs, que procuram cada vez mais, orientar as suas atividades em função das necessidades de procura. A diversificação de modalidades e a importância da prática desportiva aos olhos da sociedade, contribui em larga escala para modificar os padrões de serviços oferecidos. Os consumidores são cada vez mais exigentes e conhecedores da cultura física, procurando dessa forma os melhores serviços e instalações desportivas.

Desta forma, e pelo facto de a concorrência ser cada vez maior, as condições de prática desportiva tendem também a ser cada vez melhores, onde a maior parte dos ginásios têm equipamentos recentes, mostrando as últimas tendências do mercado, sendo que os espaços são cada vez mais amplos, inspirando tranquilidade e bem estar. Hoje em dia, qualquer cliente que se desloque a um fitness club tem a possibilidade de treinar em equipamentos cardiovasculares, equipamentos para treino de força, material de treino funcional, estúdios para realizar aulas de grupo e afins. As organizações, cada vez mais, procuram espaços multiusos que possibilitem a livre circulação por todos os ambientes de trabalho.


Nos anos 90, os layouts típicos dos ginásios passavam por salas pequenas para o trabalho de musculação e cardiovascular, sendo que em alguns casos também se assistia à presença ocasional de um estúdio para aulas de grupo. Nos anos 2000, com a massificação do fitness em Portugal, começaram a surgir os primeiros health clubs, com áreas muito maiores, em que além da zona de musculação e cardiovascular, apresentam dois ou três estúdios. Nesta época, parecia também mandatário associarem uma piscina à infraestrutura. A partir de 2010, novas tendências entraram no nosso mercado, por forma a diferenciar ainda mais o sector - refiro-me ao segmento low cost. Com esta nova métrica, passámos a três mercados distintos: • Low cost – real value for money; • Tradicional/Convencional – ainda à procura de uma forma de diferenciação; • Premium/High Segment – elevados padrões de serviço com preço correspondente Mesmo com esta divisão, continua a haver mercado para os três coexistirem e funcionarem em pleno. É necessário, aí sim, entregar aos clientes diferentes serviços para as suas diferentes necessidades, pois o mercado evolui pela procura constante dos clientes satisfazerem as suas (novas) necessidades. Os clientes, hoje em dia, procuram acima de tudo espaço, para que possam realizar as suas atividades preferidas, sem interrupções e sem tempos de espera. Por esse motivo, o layout ideal para um fitness club deve tentar respeitar as seguintes métricas: • Ginásio com cerca de 600 a 800m2 dividido da seguinte forma:

– Área de treino cardiovascular com 400m2 – Área de treino de força com 100m2 – Área de treino funcional com 100m2 – Área de halterofilismo com 100m2 – Área de treino voltada para o Cross Training com 100m2 – Estúdios para aulas de grupo com 150m2 – Estúdio aberto dentro do ginásio com 100m2 – Estúdio de cycle com 75m2 Desta forma, os fitness clubs estarão a ir de encontro aos interesses e necessidades dos sócios, ganhando desta forma vantagem

Não basta apresentar grandes áreas de trabalho; há que procurar saber junto dos sócios quais os serviços que mais valorizam e que lhes permitem ter um maior grau de satisfação e fidelização.

competitiva em relação aos demais. Assim sendo, no GINÁSIO existem 8 áreas com ambientes distintos de treino preferidos pelos sócios: 1. Zona Cardio - Estímulo de treino cardiovascular com o conceito cardio-theatre, sistema de televisão e som integrado; 2. Resistência – Grande variedade de máquinas guiadas com vista ao fortalecimento da composição muscular; 3. Pista de sprint – Possibilidade de realizar sprints rápidos na minipista de corrida indoor tendo como objectivo o desenvolvimento da velocidade e a força explosiva; 4. Alongamentos - Tapetes de relaxamento e alongamentos para executar uma rotina de exercícios de postura e alongamentos antes e após o exercício; 5. Combate - Área de treinos de combate no Tatami para melhorar a força de impacto ou, como alternativa, para um exercício de condicionamento cardiovascular dinâmico e divertido através de variados exercícios no saco de boxe; 6. Treino Funcional - Variedade de equipamentos que possibilitam a criação de uma vasta gama de exercícios divertidos, desafiantes e eficazes, que se centram na flexibilidade, força, agilidade e velocidade para a obtenção de resultados; 7. Musculação/Halterofilismo – espaços equipados com pesos livres garantem um número ilimitado de exercícios de levantamentos olímpicos com o objectivo de se focar em todas as partes do corpo e tornar o treino o mais completo possível; 8. Espaço Cross Training – sendo uma mega tendência, este tipo de trabalho aliado a estruturas e equipamento específico fazem a combinação

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tendências

perfeita para desafiar os sócios diariamente nos seus treinos e no foco naquilo que realmente necessitam de trabalhar e investir mais. No entanto, não basta apresentar grandes áreas de trabalho; há que procurar saber junto dos sócios quais os serviços que mais valorizam e que lhes permitem ter um maior grau de satisfação e fidelização. Desta forma, os serviços mais procurados pelos sócios são: • Equipas de Gym Service dinâmicas e dispostas a receber os novos sócios no clube, a explicar como funcionam as máquinas e a proporcionar um treino; • Realização de aulas em vários circuitos de treino a cada 15 minutos; – Treino funcional com equipamentos variados disponíveis no ginásio; – ABS - centrada no trabalho abdominal / core; – Workout Of the Week: Gym Service que estimula os sócios a realizar o desafio da semana para conseguirem um lugar na tabela de classificação, mas principalmente para que consigam elevar o seu nível de condição física. – 5’ HIIT”, High Intensity Interval Training, realizados também pelos GS nas máquinas de cardio e/ou com uso apenas do peso do corpo, com o objectivo de aumentar a intensidade do esforço do treino, levando os sócios a atingirem níveis fora das suas zonas de conforto (principal tendência do fitness em 2015). • Equipamentos diversificados e actuais, disponíveis a

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todos os sócios: TRX, VipR, equalizer, box jumps, battling ropes, equipamento Crossfit, argolas, GHD, entre outros. • Aconselhamento Inicial onde os sócios, mediante um pagamento ou de forma integrada na quota do clube, têm acesso a uma avaliação física com prescrição de treino; • Staff vocacionado para treinar e grande influenciador dos sócios para o treino regular e para a superação constante, pois os sócios gostam de se sentir acompanhados no treino pelo staff.

Os clientes, hoje em dia, procuram acima de tudo espaço, para que possam realizar as suas atividades preferidas, sem interrupções e sem tempos de espera. • Modelo de Personal Training à medida: cada Personal Trainer estabelece o seu valor por sessão. Isto levou a um grande crescimento do mercado, tornando o serviço de PT acessível a todos e onde todas as partes envolvidas ganham. Esta prática possibilita um aumento da taxa de penetração de Personal Training nos clubes, dando origem a uma grande vontade dos sócios a estarem acompanhados por PT durante os seus treinos. Nas aulas de grupo, os fitness clubs devem procurar oferecer aulas populares ao nível do consumo, como sendo as aulas Les Mills, pela sua comprovada eficácia, mas devem também inserir

na sua oferta, aulas próprias da filosofia de cada clube, pois possibilita o aumento e diversidade das aulas de grupo disponíveis aos sócios. Uma das tendências de treino do sector do fitness são as aulas virtuais para complementar as aulas de grupo tradicionais ministradas. As Aulas Virtuais são aulas onde o instrutor real é substituído por um ou mais instrutores virtuais. Estes instrutores aparecem em vídeos projetados na tela do estúdio e vão puxar pelo seu máximo tal como numa aula normal. As aulas virtuais possibilitam que haja sempre uma aula disponível a acontecer nos clubes, mesmo naquelas horas de menor afluência. Os sócios apenas têm de entrar no estúdio e seguir as indicações do professor virtual. Outra tendência que os sócios valorizam são os Open Studios. Funcionam como um prolongamento do ginásio em horas de maior afluência, dando uma dinâmica mais descontraída e fluída ao clube e levando os sócios a realizar mais aulas de grupo, inclusive aqueles que são menos receptivos a este tipo de treino. Posto isto, pela análise do mercado atual, os clubes que melhor se adaptem à procura dos sócios serão aqueles que estarão em condições de oferecer uma gama de instalações o mais completa possível e com um nível de qualidade acima da média, em que a versatilidade e variedade de espaços estará no topo das prioridades. Todos aqueles que tiverem como principal foco o Fitness e a superação constante dos seus sócios na obtenção dos melhores resultados de treino serão os mais bem sucedidos, num mercado que ainda tem muito para desenvolver.


SEMPRE NÀ FRENTE


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especialização IMPORTÂNCIA DO TREINO FÍSICO (ESPECÍFICO) NO GOLFE O golfe é um desporto desafiante que teve um aumento de popularidade ao longo dos últimos 10 a 15 anos. É visto pela generalidade como um jogo de técnica e perícia que requer menos esforço que a maioria dos outros desportos. Esta concepção é claramente errada. O golfe é um desporto incrivelmente atlético, senão vejamos: Ao bater um drive o golfista amador atinge 90% do seu pico de ativação muscular, o que representa uma intensidade elevatória igual à de levantar um peso que só pode ser elevado quatro vezes antes da fadiga total ser alcançada. Este nível de esforço e de ativação muscular equipara o golfe a outros desportos, tais como, o futebol, o hóquei ou ainda as artes marciais.

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Frederico Silva Mestre em Exercício Físico pela FADEUP Licenciado em Ciências do Desporto pela FADEUP Trabalhe o seu Corpo para melhorar o seu swing Muitos golfistas despendem horas no Driving Range à procura do swing ideal ou adquirem equipamento de última geração em busca de uns metros extra nas suas pancadas, mas não se focam no melhor equipamento que têm disponível: os seus corpos. Partindo do conceito -quem joga o jogo é o homem e não os tacos- acredito no desenvolvimento das capacidades físicas como o principal pilar para a progressão do golfista. Um corpo flexível, estável e forte é a chave para um swing fluído, consistente e potente, que permitirá não só colocar a bola a maiores distâncias, como corrigir erros de swing e prevenir lesões que, muitas vezes, tendem a deixar os golfistas fora dos campos por tempo indeterminado.

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Assim, é imperativo que o golfista esteja fisicamente preparado para a atividade do golfe, pois só desta forma o seu corpo conseguirá dissipar adequadamente as forças provenientes do swing sem prejuízo para o próprio. Caso contrário, irá fazer parte dos seguintes números: aproximadamente 60% dos jogadores profissionais e 40% dos amadores sofrem lesões por sobrecarga ou traumáticas ao longo de uma época. Importa destacar que as lesões lombares, do cotovelo, ombro e do punho estão entre as queixas mais comuns dos praticantes de golfe que, quando não diagnosticadas ou tratadas corretamente, podem levar a períodos de paragem mais prolongados. A coluna lombar é a região do corpo mais vezes afetada, independentemente do nível de golfe praticado. A sua limitada torção fisiológica sobre um eixo fixo, combinada com a alta velocidade do swing e a necessidade de o parar repentinamente, poderão potenciar determinadas lesões como o espasmo muscular, a hérnia discal, artrose das pequenas articulações posteriores da coluna, entre outras. Segue-se o cotovelo como a segunda região de maior incidência de lesões (sobretudo no atleta amador). O denominado “cotovelo do golfista” (inflamação do epicôndilo medial – face interna) deve-se, sobretudo, ao contacto precoce do taco com a relva, provocando uma carga excessiva sobre os tendões que se inserem no epicôndilo. Do lado oposto, temos o “cotovelo do tenista” (inflamação do epicôndilo lateral – face externa) que pode ter origem no excesso de uso e de swings realizados, essencialmente no cotovelo direito, no caso dos destros. Estas lesões aumentam com a frequência do jogo e com a idade. O ombro, por sua vez, no caso dos jogadores destros, devido ao stress mecânico exercido na fase final do backswing (ombro esquer-

do) e do follow-through (ombro direito) poderá desenvolver quadros dolorosos, por vezes devido à inflamação tendinosa, à osteoartrose já presente ou, até mesmo, ao descondicionamento muscular. Por último, as lesões do punho mais frequentes nos jogadores profissionais e no punho esquerdo (nos jogadores destros), relacionam-se com o excesso de carga exercida, sobretudo no lado externo. A Prevenção e a Avaliação física no Golfe como ferramentas de melhoria da performance A consciencialização de que na prevenção está o ganho, quer ao nível da redução do número de lesões, quer na melhoria de performance, é fundamental para um golfe com qualidade e com mais saúde. Desta forma, destaco alguns pontos que devem fazer parte da rotina de um “verdadeiro atleta”: 1. Aquecer e alongar sempre antes de jogar no campo de golfe, no mínimo 10 minutos: 80% dos golfistas não fazem o aquecimento adequado; 2. Alongar os vários grupos musculares – não apenas os ombros e cotovelos: Flexibilidade da anca (forte relação com dor lombar); 3. Fortalecimento do músculo glúteo médio (faz abertura da

perna): Permite uma maior estabilização da cintura pélvica 4. Fortalecimento da musculatura abdominal: Fortalecimento dos músculos abdominais e da região dorsal diminuem a sobrecarga lombar durante o swing. 5. Controlo dos fatores de risco cardiovascular: Definir estratégias para uma prática mais segura Não menos importante que o trabalho preventivo, a Avaliação física no Golfe responde às seguintes perguntas: “Estarei apto para jogar golfe?”, “Quais as minhas limitações?” . Consiste na realização de vários testes com a finalidade de aferir a funcionalidade dos padrões de movimento necessários para o golfe, ou seja, na medição de vários indicadores de estabilidade, mobilidade, equilíbrio assim como vários parâmetros de rendimento como a força, potência e capacidade cardiovascular. Este tipo de avaliação constitui o ponto de partida para jogar melhor e para prevenir lesões. Exemplos de exercícios utilizados em golfistas Participação especial: Pedro Lencart - Jogador de golfe do CGM (Clube de Golfe de Miramar).

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profissão

COMPETÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS DO TÉCNICO DE EXERCÍCIO FÍSICO

A profissão de técnico de exercício físico tem vindo a evoluir rapidamente e é cada vez mais percecionada, quer ao nível nacional quer internacional, pelo contributo de liderança na adoção e manutenção de estilos de vida ativa e saudável. Mas, de acordo com Graham Melstrand, vice-presidente do American Council on Exercise (ACE), este reconhecimento acarreta o aumento do escrutínio das qualificações e exigências que se colocam ao técnico de exercício físico.

O Sandra M artins Professora Auxiliar da Universidade Europeia Coordenadora da Consulta de Fisiologia do E xercício do B ritish H ospital e da Baroclínica

instrutores

s desafios profissionais resultam, não só da procura e oferta nesta área do mercado de trabalho mas, também, da evolução científica e tecnológica. A estas juntam-se as alterações das características da população-alvo, as quais incluem não apenas o adulto aparentemente saudável como ainda populações especiais (crianças, idosos, portadores de patologias, praticantes de alto rendimento, entre outros). Encontram-se, assim, criadas

oportunidades para a necessidade de técnicos com formação superior em ciências do exercício e da saúde, capazes de corresponder a rigorosos requisitos profissionais. Para garantir o reconhecimento do técnico de exercício físico pela sua liderança e competência no planeamento, implementação e monitorização de programas de atividade física e de exercício nos contextos do fitness, saúde e desportivo, é fundamental que


estes profissionais apresentem qualificações alicerçadas na evidência científica, na prática em contexto real e no seu desenvolvimento pessoal. Esta necessidade tem vindo a ser reforçada através da pesquisa que o American College of Sports Medicine (ACSM) realiza internacionalmente desde 2007, junto de profissionais da indústria do fitness (corporativo, clínico, comunitário, comercial) e de académicos ligados ao fitness, com 10 ou mais anos de experiência no meio. A relevância desta pesquisa tem levado a que, por todo o mundo, os empresários donos de ginásios e academias utilizem estes resultados para obter uma melhor compreensão do posicionamento do mercado e das tendências emergentes. De acordo com os resultados obtidos nos últimos nove anos, a necessidade de profissionais de fitness com formação, certificados e experientes tem ocupado sistematicamente o Top 3 da pesquisa do ACSM. Trata-se, pois, de uma tendência internacional (e nacional, pois Portugal tem feito parte da amostra estudada) que permanece. Mesmo num período em que continua a verificar-se um crescimento exponencial de programas de formação em universidades, institutos superiores e empresas de formação, acreditados por entidades reguladoras, conforme é o caso do Instituto Português do Desporto e da Juventude, esta continua a ser uma necessidade relevante para os profissionais e para a indústria da área. À medida que a economia cresce e o mercado dos profissionais de fitness se torna mais competitivo, a formação superior qualificada pode assumirse como um fator de diferen-

Para garantir o reconhecimento do técnico de exercício físico pela sua liderança e competência no planeamento, implementação e monitorização de programas de atividade física e de exercício nos contextos do fitness, saúde e desportivo, é fundamental que estes profissionais apresentem qualificações alicerçadas na evidência científica, na prática em contexto real e no seu desenvolvimento pessoal.

ciação determinante para a entrada no mercado de trabalho e para a progressão na carreira (International Health, Racquet and Sportclub Association, IHRSA, 2015). Mas, para que tal seja possível, é necessário criar uma articulação real entre as características da procura e a oferta formativa. A auscultação, por parte das instituições formadoras, das necessidades identificadas junto das entidades patronais, relativamente ao perfil pretendido para o técnico de exercício físico, constitui um importante passo nesse sentido. Permitirá adequar a formação superior às necessidades do mercado e aumentar a taxa de empregabilidade dos formandos. Para integrar na formação os inputs recolhidos junto do mercado de trabalho, as instituições de formação podem recorrer a modelos de ensino baseados nas competências que os futuros profissionais deverão apresentar. Para essa finalidade, importa identificar os conhecimentos, habilidades e atitudes a promover no âmbito da formação do técnico de exercício físico, de modo a ir ao encontro das competências pretendidas pelo mercado. A listagem destes parâmetros irá permitir, em seguida, definir os resultados de aprendizagem a atingir pelos formandos. Com base nos resultados de aprendizagem, será possível descrever os conteúdos a abordar na condução do ensino. Basear o ensino na evidência científica deverá ser uma preocupação permanente, tanto na componente teórica, como na prática. Esta abordagem permitirá aplicar de forma criteriosa e fundamentada os saberes e matérias científicas para argumentar as opções de intervenção técnica

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profissão e de organização das práticas. Enquanto preparação para a entrada no mercado de trabalho, importa proporcionar o mais cedo possível o contacto sustentado com a realidade profissional, através da realização de estágios em contexto real. Igualmente importante é, também, a realização e especificidade da avaliação, contemplando as características dos conteúdos abordados: de natureza teórica, teórico-prática ou prática. A adequação da avaliação permitirá verificar se as competências previstas são ou não atingidas. Uma abordagem com estas características coloca o formando no centro da atividade formativa. Simultaneamente, todas as decisões e intervenções terão sempre como objetivo final a aquisição do perfil de competências adequado às exigências do mercado de trabalho, promovendo a sua empregabilidade. Atentas a estas oportunidades profissionais, as universidades, institutos superiores e empresas de formação têm vindo a alargar a diversidade de especializações de carreira na área do exercício e saúde. Compete, pois, às instituições formadoras criar o enquadramento adequado à formação de profissionais de excelência para a intervenção no âmbito das academias, ginásios, saúde, autarquias, entre outros. Para manter e melhorar os serviços prestados pelo técnico de exercício físico, é fundamental que o mesmo se mantenha atualizado com o que de mais recente se vai conhecendo relativamente ao estado da arte da sua profissão. Este

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Para manter e melhorar os serviços prestados pelo técnico de exercício físico, é fundamental que o mesmo se mantenha atualizado com o que de mais recente se vai conhecendo relativamente ao estado da arte da sua profissão.

objetivo deverá ser alcançado através do investimento na formação contínua. A atualização de competências deverá ser uma preocupação de cada técnico de exercício físico, mas também das suas entidades empregadoras. O aprofundamento das competências espe-

cíficas da área de especialização de cada técnico, permitirá corresponder com um nível de excelência às necessidades e expectativas dos clientes (IHRSA, 2015). De acordo com as projeções internacionais (IHRSA, 2015), as oportunidades profissionais na área do exercício e saúde vão manter-se competitivas e em crescimento, pelo que a formação superior qualificada tem potencial para: corresponder à exigência crescente dos clientes deste sector; criar/ manter novos mercados no fitness que podem aumentar a adesão à prática e incrementar de forma sustentada as receitas; promover a criação e implementação de programas para famílias, crianças e idosos; desenvolver e apoiar programas de saúde e bem-estar direcionados para outras populações especiais, justificando a relevância da continuidade do investimento no sector. Acima de tudo, a principal missão deve ser a de assegurar que os clientes têm acesso a técnicos de exercício físico altamente qualificados, com competências baseadas na evidência e com recursos para a prática segura e eficaz de atividade física. Deste modo, será possível estabelecer padrões de vida ativa e saudável, permitindolhes viver em forma!


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coaching EM QUE É QUE ACREDITO? Aquilo em que acredito pode ser a base dos meus resultados. Se não estou a ter os resultados que quero como posso mudar aquilo em que acredito para melhorar os meus resultados?

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enho utilizado este espaço para introduzir algumas noções de coaching, procurando enquadrar a imensa utilidade que o coaching pode ter no contexto dos Ginásios e Health Clubs. A utilidade que o coaching pode ter nestes “ambientes” é absolutamente transversal a qualquer função no Ginásio, uma vez que pode abranger desde o gestor, passando pelos comerciais, rececionistas, instrutores, entre outras funções. Sendo os instrutores um dos principais influenciadores dos resultados e das performances físicas dos seus alunos, irei explorar neste artigo um tema que condiciona sobremaneira os resultados físicos de qualquer um de nós. É algo que está implantado no nosso inconsciente e que por vezes é lá “colado” quando ainda somos crianças, podendo, desde tenra idade, condicionar muitas das nossas perceções sobre nós mesmos e sobre os outros. Falo das crenças. Aquilo em que acredito. Crenças, na psicologia cognitiva, refere-se aos pensamentos mais centrais a respeito de nós

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mesmos, a respeito dos outros ou sobre o mundo. Segundo a psicologia cognitiva, tudo o que fazemos é baseado no que acreditamos, ou seja, baseado nas nossas crenças internas. As escolhas que fazemos são baseadas naquilo em que acreditamos. Por exemplo, a escolha de fazer ou não atividade física ou a “escolha” de ter ou não resultados físicos é condicionado pelas minhas crenças…. e os meus resultados apenas corroboram as minhas crenças. A este propósito recupero uma afirmação de Henry Ford “quer acredites quer não, provavelmente estás certo”. Que é o mesmo que dizer que se “não acredito que consigo emagrecer”, provavelmente não vou mesmo emagrecer (a nossa mente tem um poder ilimitado para nos dar razão!!!). Para melhor explicar como cada um de nós “atua” gostaria de introduzir o modelo PARC (Potencial; Ação; Resultados; Crenças). Este modelo diz-nos o seguinte: Potencial -> Ação -> Resultados -> Crença -> Potencial -> Ação -> Resultados -> Crença - > … Ou seja, é com base naquilo que eu acredito que vou “apli-

Nuno Pinto da Silva Diretor Geral da LIFE Training Ex atleta internacional, Certificado em Coaching e Master em Programação Neurolinguística

car” o meu potencial de ação (às vezes conseguimos sucesso porque não sabemos que “aquilo” é difícil ou impossível. Não ter uma crença limitadora já é o suficiente para alcançar grandes feitos e performances). Com esse potencial faço algo (ação) que me leva a um determinado resultado. Por sua vez, o resultado vai reforçar a crença, e assim sucessivamente …. Contudo, este é um círculo que normalmente é encarado de forma limitada, devido a uma crença enraizada em muitos de nós. E essa crença é “só acredito depois de ver”. Esta pode ser, desde logo, uma crença limitadora e que condiciona a capacidade de potenciar este modelo porque só atuamos com base


nos resultados que vemos. Ora, se estamos a ter resultados que não queremos (por exemplo, não emagreço) começo a alimentar a crença de “não consigo emagrecer” que, por sua vez, leva a um potencial pouco possibilitador e a uma ação muita condicionada para o insucesso. Esta perspetiva do modelo leva a um círculo vicioso onde impera a expressão “os resultados geram a motivação”, tornandonos dependentes dos resultados (positivos) alcançados para aí sim, estarmos motivados! A questão é: De que forma posso alterar as minhas crenças e automotivar-me mesmo quando estou a ter resultados aquém daquilo que quero? Esta é a pergunta de 1 milhão de dólares da motivação pois a partir do momento que cada um de nós passar para um paradigma de independentemente dos resultados eu posso “condicionar” as minhas crenças e automotivar-me, os resultados podem disparar…… literalmente! Esta noção que podemos mudar as nossas crenças e mudar a perspetiva que temos da realidade pode ser um dos maiores presentes que podemos ter na Vida! Este conhecimento é absolutamente extraordinário. Saber que podemos realmente mudar as nossas crenças, principalmente aquelas que são inúteis e permaneceram inalteráveis dentro de nós durante anos. Todos nós temos crenças e muitas delas incapacitam-nos, prejudicam e atrapalham. Todos temos crenças que nos fazem ter medo, insegurança, incerteza, desconfiança … Principalmente de nós próprios! Agora imaginem os potenciais resultados físicos de alguém que tem crenças limitativas como por exemplo, “nunca emagreci”, “sempre tive esta

De que forma posso alterar as minhas crenças e automotivar-me mesmo quando estou a ter resultados aquém daquilo que quero? estrutura avantajada”, “estou a ir para velho e o corpo já não responde da mesma maneira”, “não gosto de suar”, “nunca tive jeito para desporto”, “não consigo manter-me comprometido com os treinos”,… (acho que todos ouvimos estas e outras expressões como estas que têm em comum … não gerar resultados!). O instrutor pode ter incríveis conhecimentos técnicos de treino e a pessoa até pode estar a cumprir o plano de treino, todavia, o seu sistema interno irá “boicotar” os resultados pretendidos uma vez que á um bloqueio criado pela crença limitadora. Um instrutor (assim como todos aqueles que colaboram nestes espaços de saúde e bem estar) são potencialmente agentes de mudança positiva (esta é uma das minhas crenças!). São

pessoas que podem mesmo promover melhores hábitos e vidas mais saudáveis e mais felizes. Para isso acontecer os profissionais dos Ginásios e Health Clubs devem promover duas coisas: 1. Velarem pelas suas próprias crenças e desenvolverem-se pessoalmente no sentido de integrarem (em si mesmo) crenças potenciadoras e assegurarem um elevado nível de congruência junto dos seus alunos/clientes; 2. Serem agentes influenciadores de mudanças e alterações de paradigmas mentais dos seus alunos/clientes. Aí, acredito eu, a ligação será para toda a Vida! Até porque estamos a falar de resultados e benefícios que não são mensuráveis!

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medicina RECEITA MÉDICA DE EXERCÍCIO FÍSICO?

O reconhecimento social que a atividade física atualmente beneficia tem sido uma oportunidade para mobilizar muitas pessoas a adotarem um estilo de vida mais ativo. No entanto, o sedentarismo continua a ser uma preocupação de saúde pública. «A Saúde dos Portugueses. Perspetiva de 2015» publicado pela DGS (Direção-Geral de Saúde) divulgou que 64% dos portugueses são sedentários conforme o Eurobarómetro de 2014. Nesse ritmo, parece que a população portuguesa prefere despender mais dinheiro com a doença num futuro do que com a sua saúde num presente. Essa conduta comportamental nacional tem sido alvo de interesse da comunidade médica por todas as consequências que advirão do sedentarismo.

Clarissa Biehl Printes (Ph.D.) Professora Adjunta no Departamento Ciências do Desporto do Instituto Superior de Ciências Educativas Membro do Centro de Investigação – ISCE (CI-ISCE)

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endo assim, a recomendação médica para a prática de exercício físico passa a fazer parte da rotina clínica e, associado a esse

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comportamento, está a dúvida para onde encaminhar e para quem encaminhar os pacientes. Existe uma conceção de insegurança face à credibilidade das competências do Educador Físico que favorece atitudes extensivas à prática clínica e à recomendação, como a prescrição do exercício. Desses comportamentos esperam-se também Receitas médicas de exercício físico? Mas quem as fará? Qual a sua opinião? Obviamente o domínio da ordenação de objetivos, seleção de conteúdos (do conjunto de aptidões físicas), da escolha de exercícios adequados, associado

ao complexo conhecimento dos princípios e metodologia do treino, não parecem competências a serem partilhadas de forma multidisciplinar. Organizar e orientar exercício físico não se resume ao conhecimento da anatomia, fisiologia, das características e necessidades físicas das pessoas e de tipologias de atividade física. A prescrição do exercício vai bastante mais além, reunindo conhecimentos de um amplo conjunto de saberes que se estendem desde anatomia e fisiologia... à organização e prescrição do treino que envolve um vasto conhecimento em metodologia do treino.


De facto, é hoje reconhecido pela comunidade científica, médica e pela generalidade da sociedade civil, o papel relevante da atividade física na saúde e bem-estar das pessoas de todas as idades. Como já comentado, além desse reconhecimento, existe uma preocupação por parte dos profissionais de saúde, dito a Classe Médica, com uma adequada orientação e prescrição do exercício, de forma adaptável, segura e eficaz. Essa preocupação Saudável denota a importância da terapêutica multidisciplinar em que a adoção do exercício físico como terapia não-farmacológica é fundamental para prevenção e manutenção da saúde. Essa necessidade de integração de diferentes áreas da saúde em benefício dos cuidados primários de Vida Saudável exige, de facto, várias competências e especialização por parte dos profissionais de Saúde. No que diz respeito à responsabilidade do Educador Físico, parece que esse ainda conquista espaço por carência de credibilidade. Hoje, graças ao avanço nas licenciaturas em

que a esfera da formação profissional também contempla a saúde e não apenas educação e desporto, e nas formações especializadas como os cursos avançados e pósgraduações, o Educador Físico tem oportunidade de se qualificar e exercer as suas capacidades de orientação e prescrição de exercício físico. O espaço é conquistado somente com a demonstração do domínio de competências através dos resultados. A prática da prescrição de exercício (pode dizer-se) é uma “arte” de compilação de saberes, experiências vividas e conhecimentos atualizados. Na ótica do ecletismo do que se pode orientar, prescrever e do como realizar exercício físico, parece difícil limitarem-se a Receitas de exercício físico. Uma receita não permitiria a diversificação de estímulos e bem como diz Ibidem (1996 in Lussac, 2008) “Quanto maior for a diversificação de estímulos – é obvio que estes devem estar em conformidade com todos os conceitos de segurança e eficiência que regem a atividade – maiores serão as possibilidades de se atingir um melhor desempenho.” Ou

seja, o Princípio da Variabilidade ou Generalidade encontra-se fundamentado na ideia do desenvolvimento global do indivíduo, o mais completo possível. Para isso, devem utilizar-se as mais variadas formas de treino (Gomes da Costa, 1996). Nesse sentido, uma “receita ou um treino-tipo” divergem do princípio da variabilidade, valorizado na programação de qualquer forma de treino desportivo ou na prescrição do exercício. Noutras palavras, podemos dizer que não existe receita de bolo para a prescrição do exercício. Voltados a um contexto de saúde e educativo, que envolve uma reunião de competências não só do conhecimento da saúde, estruturas e funções físicas mas também conhecimentos didáticos da prescrição do exercício, faz sentido que os Educadores físicos exerçam a profissão sem a necessidade de moldes e sim com elevada idoneidade. À luz dos olhos de muitos especialistas, a aplicação de uma

“Quanto maior for a diversificação de estímulos – é obvio que estes devem estar em conformidade com todos os conceitos de segurança e eficiência que regem a atividade – maiores serão as possibilidades de se atingir um melhor desempenho.”

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medicina “não só o Exercício Físico em si e suas atividades complementares possuem grande importância. Também os setores de apoio do Ginásio, como o Departamento Médico, a Avaliação Física-Funcional e o Departamento Nutricional assumem relevante função no sentido de orientar todo o trabalho, visando a aquisição e a manutenção. Receita de exercício transmite orientação, objetividade, segurança e defendem que a prescrição do exercício deveria ser como uma receita médica farmacológica, com indicação do tipo, da dose e do tempo. Seguindo essa perspetiva clínica saudável, de facto, um sentido de receita médica para a prescrição do exercício asseguraria a seriedade, porém, passaria a uma indicação e não uma recomendação. Sendo assim, as prescrições se restringiriam a um seguimento linear de diretrizes e linhas orientadoras, da prescrição do exercício. O que não devemos deixar de perseguir é o princípio da Saúde integrando a prática de exercício físico/treino. Esse princípio encontra-se diretamente ligado ao próprio objetivo de uma atividade física utilitária que vise a saúde do indivíduo (Gomes da Costa, 1996). Portanto o princípio da saúde deverá ser o principal norteador da promoção da

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saúde. Quando Ibdem (1996 in Lussac, 2008) diz que “não só o Exercício Físico em si e suas atividades complementares possuem grande importância. Também os setores de apoio do Ginásio, como o Departamento Médico, a Avaliação Física-Funcional e o Departamento Nutricional assumem relevante função no sentido de orientar todo o trabalho, visando a aquisição e a manutenção dessa Saúde.” Depreende-se que o princípio da saúde está fundamentado na interdisciplinaridade (Lussac, 2008). Portanto, sendo a prevenção e promoção da saúde o foco que diferentes profissionais partilham, há que existir atuação ética entre as diferentes áreas. A prescrição do exercício depende do conhecimento, prática e comprometimento do Educador físico e, por todo o seu contexto de desenvolvimento, parece limitado restringir-se a uma receita médica de exercício. No

entanto, o valor que é dado à Receita Médica para um tratamento deveria ser o mesmo que é dado à prescrição do exercício. No essencial, entende-se que a atuação multidisciplinar tem um importante papel sobre a motivação das pessoas em adotarem condutas comportamentais de hábitos de vida saudáveis, alimentação e exercício. Porém, importa que cada profissional de saúde contribua com a sua especialidade. Nos dias de hoje revela-se essencial que os Educadores Físicos assumam a orientação e prescrição do exercício com seriedade, domínio e competência alargada a todas as pessoas, de todas as idades. Além dos objetivos estéticos tradicionais, devem controlar perfeitamente a orientação de um idoso, de um doente crónico, de um obeso, dos fatores de risco. Quando essa prática for comum e resultar com eficácia e segurança os descréditos perderão espaço e a saúde ganhará qualidade e longevidade.


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IÇÃ R T U N EM

A D A Ç N A AV . . E C N A C L A U E S AO Tel. P or tugal: 00351 968535988


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nutrição

BCAA O termo BCAA -Branched Chain Amino Acids, comumente usado no mundo desportivo, traduz-se por Aminoácidos de Cadeia Ramificada (ACR) e corresponde ao conjunto de três aminoácidos, valina, leucina e isoleucina. Os aminoácidos são unidades orgânicas que se unem através de ligações peptídicas, formando as proteínas. Estes três aminoácidos consideram-se essenciais, uma vez que não podem ser sintetizados pelo corpo humano e, portanto, devem ser ingeridos através da alimentação.

Sara Faria Licenciada em Ciências da Nutrição Nutricionista do Gimnocedro

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s BCAA representam um terço dos aminoácidos presentes no tecido muscular e têm especial interesse para os desportistas, já que podem ser metabolizados diretamenteno músculo, ao contrário de outros aminoácidos essenciais, que são metabolizados no fígado. De seguida estão enumerados alguns dos possíveis efeitos da suplementação em BCAA: Síntese proteica muscular Vários estudos sugerem a importância dos BCAA no metabolismo proteico, nomeadamente através do aumento da taxa de síntese e diminuição da taxa de

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degradação proteica, após o exercício. Acredita-se que, de entre os três aminoácidos, é a leucina que tem um papel mais importante na estimulação da síntese proteica muscular. A leucina é reconhecida pelo seu efeito anabólico direto via estimulação do mTOR (mammalian target ofrapamycin), um fator que estimula a síntese proteica. Redução da degradação proteica A suplementação em BCAA está associada a uma diminuição da degradação proteica induzida pelo exercício e a uma redução da concentração sérica de enzimas intramusculares, indicadoras de dano muscular, possivelmente através da promoção de um estado hormonal anticatabólico. A suplementação promove também efeitos positivos ao nível da recuperação, após exercício que induza dano muscular. Prevenção da fadiga central A ingestão de BCAA parece inibir a fadiga central (cansaço

que se desenvolve ao nível do sistema nervoso em vez de afetar os músculos) durante o exercício, ao competir com o triptofano na barreira hematoencefálica, reduzindo o transporte deste para o cérebro. O triptofano é um percursor da serotonina, cujos níveis elevados estão associados à instalação da fadiga central. Assim, o aumento dos níveis de BCAA no sangue através da suplementação, reduz a entrada de triptofano no cérebro e, consequentemente, a taxa de síntese de serotonina, resultando numa diminuição da perceção do esforço. Substrato energético Em exercícios de endurance onde ocorre redução das reservas de glicogénio, os BCAA são usados como fonte de energia para o músculo. Sabe-se que, durante este tipo de exercício, a oxidação dos aminoácidos pode contribuir até 15% do fornecimento de energia. Desta forma, a suplementação assume especial interesse em atletas de resistência com alta intensi-


dade (atletismo, BTT, ciclismo, triatlo, natação, etc). Resposta imunológica A ingestão de BCAA poderá influenciar a atividade do sistema imunológico. Pensa-se que o consumo de BCAA poderá aumentar a concentração de glutamina a qual, por sua vez, estará envolvida na atenuação da imunossupressão observada após o exercício. No entanto, os estudos efetuados não são ainda suficientes para tirar conclusões. Fontes de BCAA Os BCAA podem ser obtidos através de alimentos ricos em proteína de alto valor biológico ou através de suplementos comerciais. Alimentos como a carne, peixe, ovos e leite fornecem proteínas de alto valor biológico, onde os BCAA representam 20 a 25%. A leucina assume um papel de destaque sendo que 1,5g a 2g por dose é suficiente para maximizar a síntese proteica. As proteínas de elevado valor biológico contêm cerca de 10% de leucina, logo 20g a 30g de proteína fornecem a dose ideal de leucina. Como suplementos, os BCAA são comercializados em pó ou em cápsulas. Estão também presentes em fórmulas de bebidas isotónicas e em suplementos proteicos. Os suplementos de proteína do soro do leite (whey protein) são uma excelente fonte de BCAA, que representam 20% do total de aminoácidos: 30g fornecem cerca 6g de BCAA. Efeitos adversos A literatura não menciona riscos associados à suplementação em BCAA pelo que se pode considerar segura.

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CLARISSA BIEHL PRINTES

SARA FARIA

n Professora Adjunta no Departamento Ciências do Desporto do Instituto Superior de Ciências Educativas n M  embro do Centro de Investigação – ISCE (CI-ISCE) n Publicações científicas em revistas de impacto internacional (ISI-JCR) e Nacionais nas áreas de Reumatologia, Gerontologia e prescrição de exercício em doenças crónicas n Livros e material audiovisual sobre exercício em pacientes com Síndrome de Fibromialgia n D  iversasparticipações como especialista convidada em Formações, Simpósios e Conferências Nacionais e Internacionais sobre Exercício Físico em Doentes com Fibromialgia e em Gerontologia

n Licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. n Mestranda em Nutrição Clínica pela. Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. n Membro efectivo da Ordem dos Nutricionistas. n T rabalha na área clínica e desportiva em ginásios e clínicas privadas. n D  etentora do CAP – Certificado de Competências Pedagógicas de Formador.

AMÂNCIO NUNO FERREIRA SANTOS

NUNO PINTO DA SILVA

FREDERICO SILVA

ANDRÉ SOUSA

n Licenciatura emCiências do Desporto pela FMH n P  ósGraduaçãoem Marketing Management, pelo ISEG n LicenciaturaemOsteopatia, pelo ITS n C  lub Manager do Fitness Hut Amoreiras n C  rossfit Level 1 trainer n C  rossfit level 2 trainer n C  o-organizador dos Manz Cross Games n F ormador produto da Technogym n F ormador dos cursos da Manz

n D  iretorGeral da LIFE Training n E  x atleta internacional, Certificado em Coaching e Master em Programação Neurolinguística n Licenciado pela Faculdade de Economia do Porto e PósGraduação em Gestão de Marca n P  ractitioner e Master em Programação NeuroLinguística n C  ertificação Internacional em Coaching n Sócio e DiretorGeral da LIFE Training n D  iretor Executivo da Global Fitness n C  onsultor estratégico

n Mestre em Exercício Físico pela FADEUP n Licenciado em Ciências do Desporto pela FADEUP n F undador e Diretor Técnico do Wellness Studio n C  ertified Personal Trainer NSCA n F ormação em SGA (Stretching Global Ativo), FMS (Funtional Movement System), Massagem e TUI-NA (IPN)

n P  rofessor da Sala de Avaliação e Aconselhamento Técnico e da Sala de Exercício do Ginásio Clube Português. n Licenciado em Ciências do Desporto (Faculdade de Motricidade Humana) n Mestre em Treino Desportivo (Faculdade de Motricidade Humana) n F undador e Coordenador do projectoOutduros n F ormador na Gnosies n F ormadorna Alto RendimentoCertified Strength & Conditioning Specialist (National Strength & Conditioning Association) n D  ynamic Neuromuscular Stabilization Certified Exercise Trainer (Prague School of Rehabilitation and Manual Medicine) n C  ertificado Functional Movement Screen, Nível 2 (Functional Movement Systems)

instrutores

ALEXANDRE R. F. KADNIKOV CORDEIRO n Manager e Personal Trainer em AC Personal Training n C  erfificado Functional Fitness Training (Fitness Institute International, Boca Raton. USA) n E  x Gym Manager e PT Consultor HolmesPlace

SANDRA MARTINS n D  outoramento na Especialidade de Saúde e Condição Física pela Faculdade de Motricidade Humana da UTL  esde 2015, Professora Auxiliar da n D Universidade Europeia e de 2005 a 2015, Professora Auxiliar da Faculdade de Educação Física e Desporto da ULHT n D  esde 2014, Coordenadora da consulta de Fisiologia do Exercício do British Hospital e da Baroclínica n D  esde 2013, investigadora do Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina de Lisboa da UL n D  esde 2013, Vogal da Direção da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade


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Deve preencher todos os campos Nome e sobrenomes _____________________________________________________________________________________________ Empresa ______________________________________________________ Rua _____________________________________________________ CP ___________________ População ____________________________________________ Província _____________________________ Telefone ______________________________________________________ E-mail: _____________________________________________________________________________________________________________________ COD pagamento 35€ + 3€ remessa

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