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A informação profissional imprescindível Nº6

PARCEIRO

8º ENCONTRO AGAP

O Fitness reúne-se em Setembro Tome nota e reserve as datas 18-19 Setembro - Lagoas Park Hotel www.agap.pt

instrutores

verão 2015

6€ A informação profissional imprescindível

6 TREINADORES

EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE NA TERCEIRA IDADE A população mundial tem adquirido hábitos prejudiciais à saúde

BODY MIND

EM BUSCA DO EQUILIBRIO CONSCIENTE

GYM

O novo paradigma do Fitness & Wellness

Factory

WELLNESS

O WELLNESS COMO NOVA MEGATENDÊNCIA Equilíbrio saudável entre corpo, mente e espírito

RETENÇÃO

RETENÇÃO DE CLIENTES Uma abordagem prática


6 ARMANDO MOREIRA

Vice-presidente Executivo da AGAP

SUMMER TIME… A ESTAÇÃO TÃO DESEJADA POR TODOS, EXCETO EMPRESÁRIOS E PERSO-

NAL TRAINERS! E aí está ela! Aos primeiros raios de sol da temporada-verão dá-se o início da migração anual dos desertores do fitness. Ano após ano, chegados os longos dias de Junho, as praias e esplanadas começam a receber esta população itinerante, ávida por festejar. Quase parece o fim de uma etapa de montanha, em que o vencedor recebe o direito a abrir a garrafa de espumante e a refrescar-se cabeça abaixo, fruto do seu bom trabalho e performance. Aqui, infelizmente, o prémio é um formulário de cancelamento dirigido ao ginásio ou então a suspensão dos treinos personalizados junto do seu PT… Na perspetiva de profissionais do setor, devemos valorizar mais o que leva a este fenómeno de migração ou perceber a razão por que só alguns acabam por regressar à origem? Se, quanto ao primeiro ponto serão variadas as razões e poderão ser tanto fisicas (regresso a casa, deslocação em férias, etc.) como emocionais (o prazer de estar com amigos em esplanadas, adorar praia e praticar atividades outdoor, etc.), a não retoma do exercício é um sintoma de que algo não está bem. Recordam-se desta frase: “Há mar e mar, há ir e voltar”? Se, no final, o cliente optar por não regressar ao nosso contacto e à prática de atividade física orientada, excluindo as razões de natureza acidental, temos então aqui um problema sério e que vai afetar gravemente o presente e futuro do negócio, tanto para o clube como para o personal trainer. Para agravar, se a cada ciclo migratório recuperarmos cada vez menos clientes, entraremos num desfiladeiro e estaremos à mercê dos vários perigos (dificuldades de tesouraria, maior pressão no preço, perca dos melhores profissionais, etc.) e com isso ameaçamos a nossa sobrevivência. Por isso, preparar bem a época-alta pode ser a diferença entre “curtir o Sol, a praia e os banhos de mar” ou apanhar uma doença de pele. E, já sabemos, com a saúde não se brinca… Armando Moreira PS: tome note destas datas: 18 e 19 de setembro – 8º Encontro Nacional AGAP no Lagoas Park Hotel. DIRECTOR verão 2015 número 6 Editora: Inés Ledo editora@gymfactory.net Equipa AGAP José Julio Castro Armando Moreira Fabio Lopes Fernando Gonçalves Sara Faria info@agap.pt Administração Susana López administracion@gymfactory.net

Redação Teresa Carmona redaccion@gymfactory.net Imprensa e comunicação Elena I. García prensa@gymfactory.net Design e layout Javier Ojeda redaccion@gymfactory.net Contribuições: Madalena Aparício Pedro Duarte Sara Faria

Nuno Pinto da Silva António Macias Frederico Raposo Amâncio Nuno Ferreira Santos Leandro Silva

Publicidade Tel: +(34) 911 274 774 info@gymfactory.net

Edita: Inés Ledo Ramos

ISSN: 2174-6168

Domicilio social: Avda. del Monte, 25-1 Telf.: 911 274 774 info@gymfactory.net 28250 Torrelodones (Madrid) Espanha

Impressão: Artes Gráficas Villena

Depósito legal: M-675-2005 Proibida a reprodução total ou parcial de textos, desenhos, gráficos e fotos sem autorização prévia do editor. GYM FACTORY não se responsabiliza pelas opiniões expressas pelos autores, nem se identifica necessariamente com as mesmas.


resumo 66 63 61 57 53 51 47 45 43 41

VE R ÃO 2015

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Notícias Coaching Exercício Motivação Treinadores Retenção Body mind concepts Wellness Nutrição Especialistas

COACHING

PARA QUÊ?

Qual a principal razão para me inscrever no Ginásio? Sim, a principal. Porque há outras razões que, apesar de invocadas, não são as que me fazem estar comprometida(o) com os resultados.

NUTRIÇÃO

BEBIDAS ISOTÓNICAS

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As bebidas isotónicas são produtos largamente utilizados no mundo desportivo uma vez que fornecem uma quantidade equilibrada de hidratos de carbono, minerais e líquidos.

MOTIVAÇÃO

NÃO PERGUNTE COMO MOTIVAR OS SEUS ALUNOS (2ª PARTE) Estratégias utilizadas pelos profissionais de exercício, no sentido de promover uma maior satisfação das necessidades psicológicas básicas do ser humano (autonomia, competência e relacionamento).

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EXERCÍCIO

EFEITOS DA TESTOSTERONA NO EXERCÍCIO.

Uma vez ouvi que se pudéssemos colocar todos os benefícios do exercício físico numa garrafa seríamos das pessoas mais ricas no mundo.

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notícias AGAP A EUROPA ESTÁ “A TORNAR-SE CADA VEZ MAIS CINZENTA”: RELATÓRIO SOBRE O ENVELHECIMENTO 2015 PUBLICADO

cais. Graças ao projeto cofinanciado pela UE “Promover a Atividade Física e Saúde no Envelhecimento,” (PAHA), a EuropeActive contribui significativamente para resolver o problema do envelhecimento da população: a prevenção de doenças e promoção da saúde através

da atividade física pode ajudar as gerações mais idosas da Europa a permanecerem independentes e manter uma boa qualidade de vida para o maior tempo possível. A AGAP é a entidade-parceira deste projecto em Portugal e pode consultar este estudo no portal da AGAP.

(UNECE). O principal objetivo do projeto é identificar as principais áreas em que as políticas e os programas podem promover o envelhecimento ativo, com um impacto positivo sobre a sustentabilidade futura dos sistemas de segurança social. Com base numa abordagem comparativa internacional, os decisores políticos e as partes interes-

sadas poderão usar este índice para identificar desafios e oportunidades e “promover a contribuição e o potencial das pessoas mais velhas”, como salienta o Relatório. O Relatório Analítico 2014 foi apresentado nos dias 16-17 de Abril em Bruxelas e está disponível para download no site da AGAP.

Pela quinta vez desde 2001, a Comissão Europeia elaborou um Relatório sobre o Envelhecimento onde se avalia o impacto económico do envelhecimento da população em todos os Estados membros da UE para o período 20132060. O Relatório analisa diferentes aspetos do envelhecimento da população, da evolução demográfica, pensões, cuidados de saúde, educação e benefícios de desemprego. Uma das descobertas mais alarmantes é que, nas próximas décadas, “a UE deixará de ter quatro pessoas em idade activa (de trabalho) por cada pessoa com mais de 65 anos para passar a ter apenas duas pessoas”. Este estudo representa uma preciosa fonte de informações sobre os desafios que os decisores políticos europeus terão de enfrentar nos próximos anos, a fim de assegurar a solidez das finanças públicas e dos sistemas fis-

ÍNDICE DE ENVELHECIMENTO ATIVO 2014 – NOVO RELATÓRIO

O Índice de Envelhecimento Ativo 2014 é o resultado de um projeto realizado em conjunto pela Comissão Europeia e pela Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa

PROMOVER O FITNESS EM PESSOAS MAIS VELHAS

Um estudo recente conduzido pelo Hospital Universitário de Oslo mostra que o exercício regular pode aumentar a esperança média de vida. Os cientistas monitorizaram 5.700 homens idosos durante 11 anos na Noruega concluindo que aqueles que fazem três horas de exercício por semana vivem cinco anos mais comparativamente aos que não fizeram. Estes são resultados úteis que podem ser usados para incentivar as pessoas mais velhas a serem fisicamente ativas e para seguirem a recomendação oficial de 150 minutos de exercício moderado por semana. Os investigadores concluíram que ser fisicamente ativo na velhice produz o mesmo efeito positivo na expectativa de vida como parar de fumar. Julie Ward, da Fundação Britânica do Coração sublinhou que o exercício regular “qualquer que seja a sua idade, é benéfico para a saúde do coração e, consequentemente, pode ajudar as pessoas a viver mais tempo.” Ward acrescentou que “fazer mudanças simples, mais ativas nas rotinas diárias, podem ajudar a construir um caminho de melhoria da saúde cardiovascular.” Esta também é a principal mensagem dos projetos da EuropeActive - Mais pessoas, Mais ativas, Mais frequentemente.

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notícias

MEGA NOVO ACORDO: AGAP & FITNESS TRIBE

de Marketing & Vendas para Clubes de Fitness 3. Organização de Estudos Avançados Sobre as Melhores Técnicas de Retenção de Sócios Activos para Clubes Fitness 4. Organização de Estudos Avançados Sobre as Melhores Técnicas de Crescimento de Negócio PT em Clubes Fitness 5. Organização de Estudos Avançados Sobre as Novas (e Mais Relevantes) Tendências do Mercado de Fitness

ABOAS NOTICIAS para o Mercado de Fitness em Portugal com a noticia de Novo Acordo entre AGAP (Associação de Ginásios e Academias de Portugal) & Fitness TRIBE (Consultora Líder de Mercado em Portugal). Tendo estas 2 Organizações uma forte expressão no Mercado de Fitness em Portugal o Novo Acordo tem como Base: 1. Organização de Estudos Avançados Sobre as Melhores Técnicas de Gestão e Liderança de Clubes e Equipas de Fitness 2. Organização de Estudos Avançados Sobre as Melhores Técnicas

Este Acordo tem como visão e missão Auxiliar Clubes de Fitness com as Melhores (e Mais Recentes) soluções de Crescimento do Negócio de Ginásios & Health Clubs. www.agap.pt

POWERLAYER DE MULTIPOWER: A PROTEÍNA MAIS CROCANTE A proteína não tem por que saber mal ou forçá-lo a consumir sob a forma de batido. Multipower lançou PowerLayer – a primeira barra de proteína crocante do mercado, com 20 gramas de proteína, essencial para os

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ZERO CARB METAPURE by QNT

Na vanguarda da tecnologia pelo seu processo de fabrico único, o pó Zero CarbMETAPURE é composto exclusivamente por proteína isolada de soro lácteo (WPI) de alta qualidade. O isolado proteico de soro de leite pode contribuir para o aumento da massa muscular. Sem lactose, aspartame, glúten e hidratos de carbono, esta fórmula é altamente digestiva. Contém também os aminoácidos essenciais, os BCAA, conhecidos por aliviar a dor muscular e ajudar a recuperação após treino. Misturado com água e consumido diariamente, este pó é adequado a todos os atletas. Zero Carb Metapure vende-se em diversos sabores deliciosos (chocolate, morango, baunilha, frutos vermelhos e morango/ banana) e em vários formatos (1 kg e 2 kg). www. qntsport.com

programas de treino. É deliciosa e crocante e totalmente livre de corantes artificiais e aspartamo. É composta por 4 camadas de chocolate, arroz crocante, avelã e caramelo, com cobertura de chocolate, dando a sensação de estar a comer um delicioso snack, tão saboroso como Nutella ou Twix. Na realidade, é a barra de proteína ideal para depois do treino.

Existe melhor maneira de repor a proteína que em forma de snack?! Foi classificada como a “A barra de proteína mais viciante”, pela FocusRapiro MTB RacingTeam. A dose recomendada é de 1 a 2 barras por dia, de preferência após o treino. www.multipower.com


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coaching QUAL A PRINCIPAL RAZÃO PARA ME INSCREVER NO GINÁSIO? Sim, a principal. Porque há outras razões que, apesar de invocadas, não são as que me fazem estar comprometida(o) com os resultados

Nuno Pinto da Silva Diretor Geral da LIFE Training Ex atleta internacional, Certificado em Coaching e Master em Programação Neurolinguística

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o último artigo tive oportunidade de partilhar as 3 perguntas que servem de estrutura ao processo de coaching, tendo incidido mais na 1ª pergunta. Relembro as 3 perguntas: 1. O que está a acontecer?; 2. O que quero que aconteça?; 3. O que preciso de fazer agora para chegar lá? Hoje, desenvolvo a segun-

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da pergunta-base do Coaching: O que quero que aconteça? Ou seja, qual é o meu verdadeiro objetivo? A resposta a esta pergunta é uma incógnita porque por diversas vezes observo que a maioria das pessoas não tem uma resposta na “ponta da língua”. Isto deve-se essencialmente a dois fatores: 1º tiveram poucas oportunidades de refletir sobre qual o objetivo específico que pretendem alcançar (mais à frente explico o que significa ser específico); 2º o compromisso associado ao objetivo é relativamente baixo, ou seja, não faz grande diferença para a pessoa, principalmente emocional, se atinge ou não o objetivo. E isto traz implicações no que diz respeito à retenção e capacidade de cumprir um plano de treinos de

médio e longo prazo – quando falamos de clientes. Esta 2ª pergunta do coaching (“Qual o meu objetivo?”), num contexto de atividade física e numa perspetiva do cliente do ginásio, procura perceber qual o objetivo pelo qual se inscreveu ou vai se inscrever no Ginásio. Num relatório publicado pela Comissão Europeia, 62% das pessoas procuram realizar atividade física por uma questão de saúde, 40% por uma questão de aparência, 36% para relaxamento e 30% para se divertirem. Ora, estes são os números macro. Se pensarmos em cada um dos nossos clientes, qual o seu grande objetivo, qual será a grande razão para se inscreverem num Ginásio? Cada um terá uma razão, e a grande maioria delas estarão enquadradas nas estatísticas refe-


ridas anteriormente, sendo que todas elas irão na direção de proporcionar emoções positivas. A programação neurolinguística (PNL) tem uma ideia subjacente: “a qualidade das nossas vidas resulta da qualidade das nossas emoções”. Que é o mesmo que dizer que se tenho emoções predominantemente positivas, a minha vida será predominantemente positiva… e o inverso também é válido. O que é que isto tem a ver com os objetivos dos nossos clientes nos Ginásio? Se formos suficientemente bons a estabelecer uma relação de empatia e confiança com os nossos clientes, estes irão partilhar connosco, não a razão que gostariam que ouvíssemos e sim “a verdadeira razão”. Aquela que irá fazer a diferença entre apenas inscrever-se no Ginásio e efetivamente frequentar: a diferença entre atingir resultados e não atingir; a diferença entre a elevada retenção e elevado número de “desistências”; entre o elevado compromisso dos clientes relativamente aos seus objetivos. Na grande maioria das vezes, há objetivos para além da perda de peso ou outros do mesmo estilo. E, muitas vezes, esses objetivos têm a ver com a auto estima, auto confiança, capacidade de estabelecer relacionamentos, sentir-se bem consigo próprio(a). A atividade física (como tantas outras atividades) é mais uma forma que as pessoas procuram para satisfazerem os seus objetivos e necessidades mais profundas. Cabe ao instrutor/coach ir para além da sua função de instrutor e mero percussor de planos de treinos. O instrutor/coach pode ser um verdadeiro alavancador de resultados se conseguir despoletar e trazer para o consciente do cliente as verdadeiras razões pelas quais estes vão

P - Partilha A capacidade de comunicar o objetivo com outros, para além de reforçar o compromisso, permite criar condições para que nos ajudem na prossecução do mesmo. I - Inspiração Sentimo-nos inspirados pelo objetivo, e assim somos capazes de mobilizar todos os recursos.

estar comprometidos com um plano de treinos, um plano alimentar, etc... Por outro lado, e voltando à especificidade do objetivo, a probabilidade de o atingirmos cresce exponencialmente se formos capazes de cumprir alguns requisitos. Estes requisitos que proponho sustentam o Método SPIDER – desenvolvido pela LIFE Training: S - SMART. O objetivo deve ser: eSpecífico – não são objetivos específicos algo como “sentir-me melhor”. Por outro lado, algo como ter x% de massa muscular já cumpre este requisito. Mensurável – o objetivo deve ser suscetível de ser medido ao longo do tempo. Acionável – o objetivo deve pressupor que consigo dar o pontapé de partida e que não estou dependente de terceiros (e ainda assim posso pedir ajuda a terceiros para atingir o objetivo). Realizável – deve ter a crença que o objetivo é possível, mesmo que numa primeira fase não esteja a ver “como”, ou a forma de o concretizar. Neste ponto é especialmente importante haver um equilíbrio entre a ambição e o sentimento de que é possível. Temporal – quando é que o objetivo vai estar concretizado?

D - Dor e Prazer Qual a dor que sente se não atingir o objetivo e qual o prazer se o concretizar? Aqui definimos o que estamos predispostos a fazer para fugir da dor e ir de encontro ao prazer, com castigos e recompensas estabelecidos. E - Emoção Os objetivos são estabelecidos e verbalizados em ambientes emocionalmente adequados, com verdadeira emoção. R - Repetição Revisitar o objetivo frequentemente, para reforçar a importância do mesmo no seu sistema. Enquanto praticante de desporto e de Ginásio, muita da minha da evolução física faziame sentir melhor porque aumentava a minha perceção da ideia de “eu ser capaz”. Este era o meu fator de alavancagem. Se formos bons ouvintes, observadores e tivermos uma excelente empatia com os nossos clientes, eles vão dizer-nos qual a razão pela qual estão a fazer o que fazem num Ginásio. Cabe aos instrutores e toda a equipa, como alguém que proporciona as condições para os clientes atingirem os seus objetivos, irem estabelecendo ligações, relembrando-lhes essa verdadeira razão, que os fará manter fiéis ao compromisso, ao instrutor e ao Ginásio!

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exercício EFEITOS DA TESTOSTERONA NO EXERCÍCIO

Uma vez ouvi que se pudéssemos colocar todos os benefícios do exercício físico numa garrafa seríamos das pessoas mais ricas no mundo. De facto, o exercício físico agrupa um conjunto de benefícios tão poderosos que, simplesmente, não existe um comprimido ou uma poção mágica que possa superá-lo. nas concentrações de testosterona. O exercício físico estimula directamente a produção de testosterona através da aplicação de estímulos de treino de resistência muscular. Amâncio Nuno Ferreira Santos Licenciatura em ciências do desporto e Osteopatia. L1 de Crossfit e o Coach Prep Course (L2 de crossfit)

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s efeitos imediatos de uma fase de exercício intenso influencia de forma positiva a fisiologia endócrina do cortisol, insulina, testosterona, glucose, glucose absorvida pelo músculo, a resposta ao stress e aumenta as taxas de síntese hormonal e secreção, bem como os sistemas fisiológicos e metabólicos que beneficiam a produção saudável de testosterona. Um indivíduo com baixa condição física, realizando uma simples rotina de exercícios de resistência a alta intensidade, irá produzir aumentos

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O Exercício Físico aumenta a sensibilidade à Insulina A Testosterona e a Insulina estão directamente correlacionadas, sendo que é importante manter os níveis de insulina baixos para que os níveis de testosterona se mantenham elevados. O exercício é uma forma de aumentar a sensibilidade à insulina e reduzir os níveis de insulina. Da fase de exercício moderado para alta intensidade, até à fase de exaustão ou pré-exaustão, produz um aumento imediato de curta duração dos níveis de sensibilidade à insulina, em pessoas saudáveis. Estudos revelam que pessoas treinadas realizando trabalho de bicicleta (indoor cycling), durante 30 minutos a uma intensidade moderada a alta, apresentam níveis de sensibili-

dade à insulina pós-exercício significativamente maiores que os níveis de sensibilidade à insulina pré-exercício. Regimes de condicionamento físico intenso com apenas 7 dias de duração são tão efectivos no que respeita ao aumento da sensibilidade à insulina, como são os regimes de treino contínuo durante meses. Desta forma, uma dieta saudável e exercício físico intervalado, trabalham lado a lado no sentido de diminuir os níveis de insulina e permitem estabelecer a fase certa de aumento de níveis saudáveis de testosterona. Os benefícios de Exercício Físico vão muito além daquilo que podemos imaginar O exercício intenso aumenta os níveis de insulina e de sensibilidade à insulina, aumenta a testosterona, aumenta os níveis de glucose absorvida pelo músculo e aumenta as taxas de síntese e secreção hormonal e muitos sistemas metabólicos e


fisiológicos que permitem que o corpo humano se mantenha saudável. A somar a isto, o exercício intenso beneficia e estimula a função cerebral, em particular a glândula pituitária que se localiza a meio do nosso cérebro. Desempenha um papel importante pois, em resposta ao exercício intenso, a glândula pituitária é responsável pela produção do elixir anabólico da vida – a Hormona de Crescimento – GH. O exercício intenso, aquele que fazemos quando desafiamos o nosso organismo (pe, uma corrida de 100m à velocidade máxima), coloca o nosso coração com batimentos máximos, a necessitar de oxigénio, resultando num aumento do fluxo sanguíneo cerebral assim como o aumento do aporte de nutrientes cerebral e maior abastecimento de oxigénio, responsável pela produção de benefícios globais ao nível cerebral. O aumento do fluxo sanguíneo cerebral é permanente ao longo de toda a duração da actividade física. Desta forma, a grande nota a reter é que o exercício intenso é o mais indicado para o corpo e para o cérebro. Os muitos benefícios do Exercício Físico Alguns estudos focam a sua atenção e importância nos efeitos agudos do exercício e outros nos efeitos crónicos do exercício. Os primeiros (efeitos agudos) avaliam essencialmente os efeitos da fase inicial de treino, fase durante o exercício, ou a fase final, ou seja, a sessão de treino no seu todo. O segundo tipo (efeitos crónicos) avalia os efeitos das sessões de exercício realizados de forma continuada ao longo de um determinado período de tempo.

Efeitos agudos do exercício físico estão relacionados com: • Aumento da capacidade de trabalho, aprendizagem e elevada performance em testes de concentração • Aumento da performance mental pós-exercício, adaptabilidade e originalidade verbal • Melhoria do tempo de reação em atletas que terminaram uma fase de exercício intenso • Estímulo significativo ao nível da memória lógica e pensamento criativo Efeitos crónicos do exercício físico estão relacionados com: • Aumento da performance cognitiva e melhoria do estado de humor • Redução do tempo de reação (pensamento mais rápido) • Aumento da capacidade de aprendizagem e capacidade de tomadas de decisão • Aumento da memória laboral, capacidade de raciocínio

Exercício e Hormona do Crescimento – The “Master Hormone” A hormona de crescimento – GH – é potente, poderosa, permite o aumento da juventude e possibilita maior performance atlética. Constrói e preserva a estrutura muscular, ajuda a queimar o excesso de massa gorda, reabilita os tecidos lesados ao longo do corpo, mantém a pele saudável e a massa óssea e ajuda em termos de energia e felicidade. A boa notícia é que não temos de comprar ou tomar nenhum comprimido ou poção mágica para aumentar os níveis de hormona de crescimento. Podemos incrementá -la por si só... através do exercício físico. Benefícios da Hormona do Crescimento • Define o corpo, estimula significativamente a síntese proteica, aumentando de forma efectiva a massa muscular e o metabolismo, acelerando a capacidade de regeneração muscular

10 a 15 minutos de exercícios intervalados são tão benéficos como 20 a 40 minutos de exercícios aeróbicos, em temos da melhoria da saúde do coração e na produção de uma resposta hormonal positiva.

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exercício • Elimina a gordura. Provavelmente é o agente “fat loss” mais efectivo que alguma vez foi inventado. • Melhora a função cerebral, aumenta os níveis de energia e melhora a qualidade do sono, eleva os níveis de humor e reduz o stress. Aumenta o foco e a concentração e potencia a auto-estima e a auto confiança. A intensidade do Exercício: a chave para aumentar a GH e a Testosterona através do Exercício A produção de GH é proporcional à duração e intensidade da sessão de treino, isto é, quanto mais intenso for o exercício, mais GH será produzida, como resposta a este. O melhor tipo de exercício para elevar os níveis de concentração de plasma de GH são exercícios intervalados de alta intensidade. Exercícios intervalados de alta intensidade são igualmente os mais recompensadores para o corpo e para o cérebro. Programas de exercício consistentes e regulares resultam em aumentos significativos da secreção da GH nocturna e da concentração de plasma da GH 24 horas de forma integrada. Caminhar na passadeira durante 30 a 40 minutos a um ritmo constante não vai libertar GH. Já o treino intervalado, no limiar do pico máximo de intensidade, é a chave para ter ganhos ao nível do metabolismo e ao nível hormonal, o que rapidamente vai permitir alcançar os objectivos de fitness traçados. Exercício Intervalado para potenciar o pico de intensidade Qualquer melhoria alcançada no nível de fitness vai aumentar a função mental e física. O

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exercício físico é simplesmente o caminho para optimizar os benefícios da máxima produção de GH e testosterona de uma forma totalmente natural, optimizando a saúde. Passos a seguir: • Adquirir um aparelho de monitorização da frequência cardíaca. • Rever todos os valores ajustados individualmente para 70%, 80%, 85% e 90% da frequência cardíaca máxima, em função da idade. • Após seleccionar o limite superior de frequência cardíaca a utilizar, escolher um método de treino para o exercício a realizar: natação, bicicleta, elíptica, saco de boxe, corrida, ou qualquer actividade em que haja identificação pessoal. • Após realizar cinco a seis sessões de treino, passar a iniciar o aquecimento das sessões de treino a 70% da frequência cardíaca máxima. • Após o aquecimento, realizar um sprint à máxima velocidade para que chegue aos 80% de FC máxima • Uma vez chegado aos 80% descansar de forma a voltar aos 70% de FC máxima.

• Repetir o processo para uma duração total de 15 minutos. O que podemos esperar com uma explosão do trabalho intervalado intenso Vários estudos revelam que esforços realizados de forma intervalada com alta intensidade são significativamente mais benéficos que exercícios aeróbicos com um ritmo constante, no que respeita ao aumento da GH, Testosterona e aumento do metabolismo. 10 a 15 minutos de exercícios intervalados são tão benéficos como 20 a 40 minutos de exercícios aeróbicos, em temos da melhoria da saúde do coração e na produção de uma resposta hormonal positiva. É possível alcançar os benefícios do exercício em apenas 10 a 15 minutos de prática diária, se este for realizado com intensidade. Por tudo isto, acabaram-se as desculpas acerca da falta de tempo para a prática de exercício físico. Toda a gente tem 10 a 15 minutos por dia para investir, sobretudo após a análise de todos estes benefícios!


SE TEM INTERESSE EM NUTRIÇÃO DESPORTIVA, INTERESSA-LHE CONHECER

LÍDERES EUROPEUS EM LINHAS DE PRODUÇÃO COM MAIOR VARIEDADE


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motivação NÃO PERGUNTE COMO MOTIVAR OS SEUS ALUNOS (PARTE 2)

Na última edição, abordámos o problema da adesão a longo prazo a programas de exercício físico regular, e da necessidade de se refletirem e repensarem as estratégias utilizadas pelos profissionais de exercício, no sentido de promover uma maior satisfação das necessidades psicológicas básicas do ser humano (autonomia, competência e relacionamento) à luz da Teoria da Autodeterminação (TAD) de Deci e Ryan (1985, 2000).

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Frederico Raposo Doutorando em Educação Física e Desporto – Especialização de Atividade Física e Saúde Mestrado em Exercício e Saúde pela FMH

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om base no racional estabelecido, e no sentido de se operacionalizarem intervenções que lhe dêem sequência, propomo-nos nesta edição, numa perspetiva mais prática, visitar algumas das estratégias diariamente utilizadas em ginásios e Health Clubs, oferecendo alternativas viáveis para que se *n.d.a. – consultar artigo da edição anterior.

promovam ambientes da maior suporte à autonomia e portanto potencialmente termos alunos mais intrinsecamente regulados para o exercício físico. Como já foi referido, Reeve (2009), identifica dois “estilos” tipo de estratégias motivacionais: 1) de suporte à autonomia e 2) de controlo*. Por natureza,


o Professor, assume que conhece as melhores soluções para os problemas dos seus alunos, as respostas para as suas questões, sem previamente saber se esses são efetivamente os seus problemas, ou as suas questões. Fá-lo com a melhor intenção, num sentido de certa forma paternalista, assumindo que é o que se espera dele. Como vimos, esta pode ser uma estratégia que frustre a satisfação das necessidades psicológicas básicas dos nossos alunos, levando a que se sintam mais controlados e como tal menos autónomos para a prática de exercício físico. Urge então refletir sobre a questão: Porque são os professores, por natureza, mais controladores? Uma intervenção controladora é uma reação compreensível dos profissionais, às pressões diárias, impostas de cima, de dentro e de baixo (Reeve, 2009): Pressões de cima: • Papel social desempenhado pelos professores (a relação entre os professores e os alunos ocorre num contexto em que há um diferencial de poder entre os dois “ex: o professor é responsável pelo programa de treino”). • Responsabilidade pelos resultados e comportamentos dos clientes (o professor está intimamente ligado ao sucesso ou insucesso pelos resultados do seu cliente, principalmente no contexto do treino personalizado). • O professor está consciente que controlar é culturalmente mais valorizado (o professor que utiliza estratégias controladoras é visto

como mais competente do que o que utiliza estratégias de suporte à autonomia). • O s professores associam inapropriadamente o controlo à estrutura (por vezes as estratégias de controlo são erradamente associadas a envolvimentos mais estruturados, enquanto que as estratégias de suporte à autonomia são vistas como um envolvimento caótico ou de laissez faire). Pressões de dentro: • O s professores tendem a influenciar a motivação do cliente (acreditam que a probabilidade de gerarem adesão a longo prazo ao exercício, é proporcional ao tamanho da recompensa que propõem). • O s professores podem ter personalidades com uma pré-disposição para controlar (naturalmente muitos professores têm já uma certa tendência para serem mais controladores). Pressões de baixo: • Professores e profissionais de saúde reagem à passividade dos clientes durante as atividades (esporadicamente, pessoas desmotivadas, ou pouco comprometidas, tendem a despoletar um estilo controlador nos professores). O que fazemos regularmente que condiciona a satisfação das necessidades psicológicas fundamentais dos nossos alunos? Perante estas pressões, normalmente reagimos, com recurso a estratégias mais controladoras, que acabam por frustrar, mais do que satisfazer,

as necessidades básicas dos nossos clientes. São exemplos destas, segundo Bartholomew et al (2010): Utilização de recompensas controladoras • Motivar os alunos, prometendo recompensá-los, se fizerem as coisas bem ou se atingirem um determinado resultado (ex: “se perder 5% de massa gorda, ofereço-lhe uma sessão de PT”). Relação condicional • Apoiar e suportar os alunos que correspondem aos comportamentos que lhes são solicitados e que são mais empenhados, e não se preocupar com os alunos que não correspondem ao que lhes é proposto (ex: alunos que são pouco regulares no treino). Intimidação e depreciação • D esvalorizar, ou ameaçar (de forma explicita ou mais subtil) o aluno (ex: “não tens jeito nenhum para isto”; “a continuares assim não vale a pena continuar a treinar-te”). Excessivo controlo pessoal • Interferir excessivamente com a vida do aluno, por exemplo, ligando excessivamente para saber se tem treinado; controlar ou cobrar abusivamente o que comeu num determinado evento; dizer-lhe que tem que treinar num determinado dia, obrigatoriamente. Julgar e desvalorizar • N ão considerar importante a opinião ou os sentimentos dos aluno, tratando-os como objetos que têm que ser controlados, para que se consiga atingir um deter-

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motivação minado fim (resultados). Isto pode levar a que os alunos se tornem dependentes dos professores, incapazes de tomar decisões ou até de treinarem sozinhos. Que estratégias podemos adotar, de suporte à Autonomia? Então, como podemos atuar junto dos nossos alunos, de forma a levá-los a estarem mais autonomamente motivados (Reeve, 2009)? Dando estrutura • Dividir com os clientes, a definição dos objetivos de forma a que estes sejam simultaneamente desafiantes, mas também adaptados ao seu nível; • Dotar o cliente de todas as informações necessárias para que este possa tomar decisões mais conscientes e responsáveis, não só relativamente ao seu estilo de vida, mas também em relação aos seus programas de exercício; • Utilizar com regularidade, clareza e pertinência o feedback, quer em relação aos exercícios que vão sendo realizados, quer em relação ao evoluir das sessões e dos próprios programas de treino (explicar com clareza, evitando informações generalistas e frases feitas, como “é assim”, “faz-lhe bem” ou “assim é melhor”). O suporte à autonomia • O ferecer opções, encorajando a escolha (ex. para a elaboração do programa de treino semanal dar várias opções ao cliente, relativamente às aulas ou aos exercícios que pode realizar, de acordo com as suas neces-

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sidades e objetivos, ajudando-o a escolher conscientemente). • Incitar a reflexão e desenvolvimento de um conjunto de “razões pessoais” para se estar a fazer aquela atividade, e do significado pessoal que ela possa ter ( ex: “o que o poderia motivar a treinar 3 vezes por semana”; “que razões poderiam fazê-lo abandonar o programa de treino?”). Envolvimento positivo • Preocupação não centrada nos resultados obtidos mas na pessoa e no seu bem-estar (ex: “estou preocupado com a sua segurança”; “como se tem sentido desde que alterámos o programa de treino?”). Com estes dois artigos, pretendemos por um lado identificar algumas das estratégias a que recorremos com maior frequência, e que potencialmente podem estar relacionadas com

uma menor motivação para a prática de exercício físico e consequentemente com uma menor adesão a estes programas. Por outro lado, foi nosso objetivo, à luz da Teoria da Autodeterminação, apresentar algumas soluções que com relativa facilidade podem ser integradas nos processos que diariamente desenvolvemos com os nossos alunos nos ginásios e health clubs, seja em contexto de exercício em grupo, seja em contexto de exercício individual. Referências

Bartholomew K, Ntoumanis N, Thøgersen-Ntoumani C. (2010). The Controlling Interpersonal Style in a Coaching Context: Development and Initial Validation of a Psychometric Scale. Journal of Sport & Exercise Psychology, 32: 193-216. Deci, E. L., & Ryan, R. (1985). Intrinsic motivation and self-determination in human behavior. New York: Plenum. Deci, E.L., & Ryan, R.M. (2000). The “What” and “Why” of goal pursuits: Human needs and the self-determination of behavior. Psychological Inquiry, 11, 227–268. Reeve, J. (2009). Why Teachers Adopt a Controlling Motivating Style Toward Students and How They Can Become More Autonomy Supportive. Educational Psychologist, 44(3), 159-175.


“Confiança e segurança para o seu ginásio”


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treinadores EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE NA TERCEIRA IDADE (titulo de FABRÍCIO BOSCOLO DEL VECCHIO)

De modo geral, observa-se que a população mundial tem adquirido hábitos prejudiciais à saúde, principalmente no que diz respeito à má alimentação e estilo de vida sedentário. Mesmo assim, o número de idosos cresce significativamente em diversas regiões do mundo. A principal justificação para este acontecimento contraditório é pautada nos avanços da medicina que acabam por proporcionar medicação e terapias que prolongam a vida da população (FLECK et al., 2003; VECCHIA et al., 2005).

O

envelhecimento traz consigo o aparecimento de alterações fisiológicas e funcionais associadas. Observam-se desequilíbrios no sistema motor e cognitivo, perda de massa muscular, ganho de gordura, problemas posturais, diminuição do equilíbrio e flexibilidade. Desta forma a qualidade de vida do idoso é reduzida de forma expressiva (MATSUDO, 2001), e consequentemente o risco de doenças associadas. Por outro lado, há estudos que indicam que uma maior aptidão física está associada à prevenção de doenças e a melhora da qualidade de vida, a qual contribui proporcionalmente para a diminuição da taxa de mortalidade. (RAJESKI et al., 1996).

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Importa salientar que a sarcopenia, perda progressiva de força e massa muscular magra, é um dos fatores que influenciam na dependência dos idosos para a realização de tarefas de vida diárias. Outros estudos indicam a existência de decréscimos na resistência aeróbia (45%), força isométrica de prensa manual (40%), força nas pernas (70%), mobilidade articular (50%), coordenação neuromuscular (90%), ao comparar jovens de 20 anos com idosos de 75 anos (IZQUIERDO et al.,1999; CRUZ-GENTOFT et al., 2010). Nesta etapa da vida, a prática regular de exercícios físicos tem um impacto bastante positivo na capacidade funcional (MATSUDO & MATSUDO, 1992).

Leandro Silva Licenciado em educação física Personal trainer - Welldomus Os efeitos do exercício físico para melhora e/ou manutenção da aptidão física em pessoas mais velhas estão relacionados, principalmente, com o aumento da força muscular, flexibilidade, capacidade aeróbia, redução da gordura corporal, melhoria da coordenação motora e do equilíbrio.


Existem, na atualidade, muitos tipos de práticas corporais que podem ser oferecidas para este grupo populacional, gerando discussões sobre quais as melhores aplicações para a promoção da saúde em relação à adequação de intensidades, frequência e duração, procurando atender às necessidades e objetivos de cada indivíduo (BLAIR et al., 2004). Os mais citados na literatura são exercícios de treino de força, flexibilidade e resistência aeróbia. Os dois primeiros com a finalidade de modificações morfológicas do aparelho locomotor para que se obtenha maior força e amplitude dos movimentos das articulações. Já os exercícios de resistência aeróbia visam o aumento e manutenção da capacidade do sistema cardiovascular, sendo que a combinação desses três tipos de exercícios tem sido recomendada como auxílio para a redução de gordura corporal (MATSUDO et al., 2000). Embora os efeitos benéficos dos exercícios físicos, de diferentes intensidades, sejam amplamente apontados pela literatura, tem sido relatado que os exercícios físicos com intensidades mais elevadas apresentam modificações benéficas mais expressivas na força, massa muscular, flexibilidade, resistência aeróbia e redução de gordura corporal, em detrimento de esforços de menor intensidades (KRAMER et al., 2002). O treino de força de alta intensidade tem apresentado resultados expressivos no que diz respeito ao aumento da capacidade funcional e diminuição do risco de quedas e fraturas (FIATARONE et al., 1990). O treino intervalado de alta intensidade (High intensity intervals training - HIIT) tem demonstrado resultados positi-

vos no aumento da aptidão física (BILLAT, 2001) e treino desportivo para pessoas de todas as idades. Didaticamente, os HIIT podem ser classificados como aeróbios e anaeróbios. Os esforços aeróbios são organizados de acordo com a sua duração: • a té 2 min são denominados como de curta duração • a cima de 2 min são denominados de longa duração Já os esforços anaeróbios podem ser categorizados de duas maneiras: 1. quanto à carga de trabalho: fixa ou all-out  uanto à duração: curta de 10 2. q a 15 segundos, média de 15 a 45 seg e longa superior a 45 seg (BILLAT, 2001). Os exercícios de altas intensidades têm sido utilizados com maior frequência nos últimos anos para manutenção e aumento da força muscular e flexibilidade em idosos. De um modo geral, há estudos a indicar que indivíduos da terceira idade conseguem suportar cargas de treino de alta intensidade com relativa facilidade e apresentam um aumento na flexibilidade devido ao fortalecimento muscular, já que os fatores relacionados à fle-

xibilidade estão diretamente associados com a melhoria da manutenção da força e da resistência muscular (DANTAS, 1998). Os exercícios de intensidades mais elevadas também se têm mostrado bastante efetivos para melhoria da resistência aeróbia de pessoas mais velhas. Os estudos sobre o efeito desse tipo de treino na resistência aeróbia em idosos apontam aumentos significativos do VO2 máximo, o que contribui para diminuição de episódios de cansaço, redução da tensão arterial, desenvolvimento de maior autonomia para realização das tarefas diárias e, consequentemente, melhor qualidade de vida (AMORIM & DANTAS, 2002; HAGERMAN et al, 2000). Entre os diversos programas de exercícios físicos voltados à população idosa, o HIIT apresenta-se como proposta inovadora e efetiva para proporcionar melhorias na saúde, aptidão física, força muscular e emagrecimento. Além dos benefícios demonstrados, destaca-se que a prática do HIIT pode ser mais estimulante e promover maior adesão dos praticantes, por necessitar períodos de treino reduzidos – fator importante pois a falta de tempo é uma das barreiras mais citadas como entrave para a prática regular de atividade física (METCALFE et al., 2011). Existem ainda poucos estudos publicados utilizando o HIIT para idosos, porém os resultados apresentados até ao momento são superiores ao serem comparados aos chamados “exercícios tradicionais”. É importante salientar que, sabendo das consequências do envelhecimento para a saúde e qualidade de vida, além do exponencial crescimento da população idosa, alternativas que minimizem estes agravantes devem ser pensadas e propostas.

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RETENÇÃO DE CLIENTES – UMA ABORDAGEM PRÁTICA Neste artigo procuramos ter uma abordagem prática à retenção de clientes. Independentemente do trabalho desenvolvido pelos vários departamentos, o que pode um departamento de fidelização de clientes fazer no dia-a-dia? Quais serão as tarefas diárias dos colaboradores deste departamento? O que tem mais impacto na fidelização?

A

Pedro Duarte Pós-graduado em Finanças e Controlo de Gestão Gestor de Fidelização do Cliente – Aquafitness Health Clubs

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retenção de clientes é actualmente um dos temas mais em destaque no nosso sector. Em todos os congressos e seminários existem prelectores de renome que abordam, directa ou indirectamente, esta problemática. Não é para menos, já que o volume de cancelamentos que os ginásios enfrentam é, sem dúvida, o principal desafio e ameaça à sustentabilidade financeira dos mesmos.

Ponto de partida É muito comum encontrarmos clubes que, no decorrer de 1 ano, vêem sair 50% ou mais dos seus clientes. Em Portugal, existem poucos dados disponíveis sobre o mercado do fitness mas segundo o último barómetro da AGAP, os clubes portugueses tiveram em 2014 uma taxa de abandono de 58%, ou seja, passado 1 ano, só 42% dos clientes se mantinham


activos (taxa de retenção). Naturalmente que qualquer negócio que enfrente estes níveis de abandono tem a sua sustentabilidade ameaçada pelo que a crescente preocupação dos operadores com estes indicadores é inteiramente justificada. Também o período de permanência médio dos clientes gera preocupação. Não tenho conhecimento da existência de dados para Portugal mas, internacionalmente, os resultados andam sempre no intervalo 7 a 12 meses. Ou seja, os clientes que cancelam a sua adesão ficam, em média, 7 a 12 meses no clube. Mais uma dor de cabeça para qualquer gestor/ proprietário! Perante tudo isto, seria expectável que a retenção de clientes fosse uma das áreas com maior investimento por parte dos clubes. No entanto, na prática, verificamos que a maioria dos clubes não tem recursos humanos exclusivamente dedicados a este esforço. Como aprendemos nas primeiras aulas de marketing, o propósito de qualquer negócio é “criar e manter o cliente”. No nosso sector, somos muito bons a “criar clientes”, isto é, a inscrever pessoas. Para sermos igualmente bons a “manter clientes”, o investimento tem que ser semelhante. No seu clube, dedicam tanta atenção e recursos às vendas como à retenção? Retenção de clientes… no dia-a-dia A retenção de clientes é influenciada por todos os departamentos do clube. Sabemos que a recepção, professores, limpeza, manutenção, entre outros, têm um papel a desempenhar para atingirmos níveis de excelência. Existe

também imensa literatura disponível relativamente aos factores-chave que afectam a retenção de clientes. Neste artigo procuramos ter uma abordagem mais prática. Independentemente do trabalho desenvolvido pelos vários departamentos (e que é fundamental para o sucesso da estratégia de retenção), o que pode um departamento de fidelização de clientes fazer no dia-a-dia? Quais serão as tarefas diárias dos colaboradores deste departamento? O que tem mais impacto na fidelização?

“Como aprendemos nas primeiras aulas de marketing, o propósito de qualquer negócio é “criar e manter o cliente”. No nosso sector, somos muito bons a “criar clientes”, isto é, a inscrever pessoas.”

Abordamos de seguida, em maior detalhe, as tarefas que o departamento de fidelização deve assumir (sem nenhuma ordem em particular): • Cliente de risco no clube – sempre que um cliente de risco (isto é, com um número reduzido de acessos ao clube nos últimos meses) vem treinar, a estrutura do clube tem que estar preparada para lhe dar uma atenção especial. Devemos automatizar esta tarefa para que o colaborador que o vai abordar tenha acesso instantâneo à lista destes clientes. • Programa de integração dos novos clientes – os 3 primeiros meses de adesão são essenciais para uma adequada adaptação do cliente ao clube. Se neste período o cliente for assíduo (2 treinos por semana) e contactar com todos os serviços prestados pelo clube, a probabilidade de cancelar precocemente reduz-se drasticamente. O departamento de fidelização deverá acompanhar de perto estes clientes, incentivando os bons comportamentos e apoiando os clientes que tenham dificuldade em cumprir este desafio. • Cancelamentos – os cancelamentos por motivos como falta de tempo/ excesso de trabalho/falta de motivação devem ser alvo de um procedimento de recuperação do cliente, que passa naturalmente pelo agendamento de uma sessão com um professor qualificado. Aí criaremos um novo compromisso com o seu programa de treino. Adicionalmente,

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retenção

“Não existem “fórmulas mágicas” nem “atalhos” para uma melhor retenção mas um trabalho diário, persistente e rigoroso, levado a cabo por pessoas dedicadas exclusivamente ao mesmo, terá efeitos visíveis nos indicadores de retenção.” todos os cancelamentos devem ser revistos para encontrarmos hipóteses de recuperação e confirmarmos o cumprimento das condições de adesão. • Débitos rejeitados – os clubes que trabalham com débitos directos conseguem uma maior percentagem de cobranças mas têm 5% a 10% de débitos rejeitados. É fundamental contactar estes clientes procurando a rápida regularização da mensalidade. Resolver problemas com as autorizações de débito e evitar que se acumulem dívidas levará a menos situações de conflito no futuro que originarão alguns cancelamentos. • Clientes com reduzida frequência – estes clientes, se não aumentarem o número de treinos para um nível mínimo de 1x por semana, estão em contagem decrescente para cancelar a sua adesão. É fundamental serem contactados e apoiados por um professor no sentido de rever o programa de treino/objectivos e reforçar o nível de comprometimento do cliente com um estilo de vida activo.

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• Renovações – os pagamentos de longa duração (anuais, semestrais, etc.) têm a desvantagem de exigirem um esforço considerável na sua renovação. Para termos sucesso tem que existir um trabalho proactivo e atempado. Caso as finanças do clube o permitam, devemos começar a canalizar estes clientes para o pagamento mensal por débito directo que, estatisticamente, está associado a uma melhor retenção. • Inquéritos de satisfação / Gestão de reclamações e sugestões – “ouvir” o nosso cliente é fundamental dado que são uma fonte preciosa de informação sobre os pontos menos fortes do serviço prestado. Em vez de conduzirmos grandes inquéritos, com centenas ou milhares de respostas, é bastante mais fácil dividir esse esforço ao longo do ano e montar um sistema que permita, diariamente, recolher feedback. Relativamente às reclamações e sugestões, devemos ter atenção ao tempo de resposta das mesmas. Na maioria das vezes não ire-

mos totalmente ao encontro do cliente mas é fundamental que o mesmo obtenha uma resposta. • Formação das equipas / Feedback contínuo – qualquer mudança depara-se com obstáculos na sua implementação pelo que o primeiro passo é uma formação exaustiva e prática sobre os novos procedimentos. Adicionalmente, os líderes dos departamentos têm que desenvolver um trabalho diário junto dos colaboradores, no sentido de reforçar procedimentos, dar o exemplo e criar uma cultura de compromisso com o esforço de retenção do cliente. Todos conhecemos a importância da retenção de clientes para o sucesso de um clube. Temos agora que passar da teoria à prática! O que vamos fazer, no dia-a-dia, para diminuir o número de cancelamentos? Não existem “fórmulas mágicas” nem “atalhos” para uma melhor retenção mas um trabalho diário, persistente e rigoroso, levado a cabo por pessoas dedicadas exclusivamente ao mesmo, terá efeitos visíveis nos indicadores de retenção.


SEMPRE NÀ FRENTE


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Body-mind concepts EM BUSCA DO EQUILIBRIO CONSCIENTE O novo paradigma do Fitness & Wellness

Muitas foram as mudanças nos últimos 20 anos nesta área de grande expansão e crescimento. A proliferação de locais, a qualidade das instalações, o número de praticantes, os variadíssimos programas de exercício físico, as modalidades, as convenções, a formação dos profissionais… tudo mudou, tudo evoluiu, tal como o Homem.

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Madalena Aparício Criadora da prática corporal integrativa Happy Flow e Bodhimind Kids Terapeuta Integrativa ma das grandes mudanças U deste novo milénio é, sem dúvida, a mudança de paradigma

não só ao nível da consciência humana como também da perceção que o Homem tem de si mesmo. Neste sentido, a compreensão e a aceitação de uma forma diferenciada de trabalhar o corpo também se insere nestas mudanças, pois já não basta trabalhar o físico para torna-lo mais forte e mais bonito. Hoje em dia o Homem procura sentir-se bem com o corpo que tem e se isso não acontecer, procura mudar de modo a alcançar o equilíbrio entre as 4 dimensões do Ser Humano: física, mental, emocional e espiritual, tornando -o mais consciente de si e de tudo o que o rodeia. No sentido de entendermos melhor o significado deste assunto, começo por definir a palavra Consciência segundo algumas fontes filosóficas: “A consciência é a perceção imediata do sujeito daquilo que se passa, dentro ou fora dele”, “A consciência pode definir-se como o conhecimento que o Homem possui dos seus próprios pensamentos, sentimentos e atos”, “Capacidade para discernir”. Por sua vez, Corpo significa “tudo o que ocupa espaço e constitui unidade orgânica ou inorgânica”, “É a matéria que constitui o indivíduo”, “É aquilo que é passível de ser tocado, que possuí uma forma através do


qual existe contato com o exterior.” Já Consciência Corporal reúne o significado de ambas as palavras, “Discernimento e conhecimento do próprio corpo”, “Autoconhecimento corporal”. É um termo que significa tomar consciência do próprio corpo, reconhecer e identificar os processos e movimentos corporais internos e externos. Deste modo, entendemos então que, quando existe algo de errado no nosso corpo, ele dános sinais de alerta, os quais não atendemos devido à falta de conhecimento de como o nosso corpo funciona. Pequenos problemas podem acumular-se no nosso corpo até sentirmos a fadiga, o peso, ficarmos sem energia para realizar as tarefas do dia-a-dia. Tudo isto por falta de consciência do nosso corpo que pode trazer mais energia, mais vitalidade, rejuvenescimento e mais saúde para as nossas vidas e, consequentemente melhor qualidade de vida e mais felicidade. O nosso corpo é a melhor fonte de informação sobre o funcionamento da nossa mente, das nossas emoções e da nossa Auto percepção da energia vital em consonância com a energia universal. É importante aprender a ouvi-lo. O corpo tem uma sabedoria de milhões de anos de evolução, ele “sabe” mais sobre a vida do que a nossa mente. É importante aprender a ouvi-lo, repito. O despertar da consciência corporal ajuda-nos a tomar consciência de repressões e desequilíbrios corporais causados na forma de pensar e sentir, fazendo emergir as sensações reprimidas e adormecidas para assim reencontrar o equilíbrio no corpo bem como na nossa energia vital, ampliando deste modo a nossa consciência.

Assim, a mente consciente pode influenciar diretamente no corpo bem como refletir no próprio funcionamento mental. Como forma de reencontrar esse mesmo equilíbrio, as práticas corporais que integram de forma harmoniosa várias manifestações do exercício físico consciente, coaching assertivo, mobilização da energia vital, entre outras, vão ao encontro deste novo paradigma no qual é possível trabalhar o corpo físico de forma consciente, transformando pensamentos e emoções. Com tudo isto, as práticas corporais integrativas não excluem a necessidade de continuar a praticar os exercícios clássicos ou tradicionais; estas práticas são complementares pois desenvolvem novas capacidades e habilidades nos praticantes. No âmbito da Educação Física e do Treino, Medicina, Psicologia, Nutrição e Terapias, a palavra integrativa(o) torna-se comum, pois está a ser utilizada de diversas formas para identificar uma complementaridade de práticas ou de comportamentos que se integram entre si, promovendo mudanças de atitudes, comportamentais e até de conceitos, os quais promovem “o tal” bem-estar físico, emocional, mental e espiritual no Homem dos dias de hoje.

Uma das práticas corporais integrativas que promove o equilíbrio holístico é a prática corporal integrativa Happy Flow. Os executantes, têm a oportunidade de propiciar processos de concentração e interiorização de movimentos até um ponto que transcende o físico e passa para um campo emocional. Aqui, os exercícios de flexibilidade, de relaxamento, de equilíbrio, de expressão corporal bem como de tonificação muscular, juntamente com técnicas de respiração são realizados com bastante atenção. Através do trabalho progressivo, o aluno aprofunda-se no seu Self à medida que trabalha a flexibilidade, o equilíbrio, a tonificação e a expressão, para que a consciência plena do corpo seja alcançada e desta forma, perceba a subtileza da perceção da energia que emana no corpo durante e após os respectivos exercícios. Desta forma a expressão harmónica do sentimento e a redução das tensões psíquicas acumuladas são libertadas. Assim, técnicas de movimentos simples e específicos, técnicas de concentração, técnicas de respiração, técnicas de diminuição da tensão muscular e técnicas de meditação, juntamente com técnicas de coaching em grupo, são os principais ingredientes para despertar para um novo paradigma.

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wellness O WELLNESS COMO NOVA MEGATENDÊNCIA Ao longo dos últimos anos tive oportunidade de trabalhar, observar, ler, estudar, refletir e aprender sobre o comportamento humano na vertente do Wellness, termo utilizado para traduzir um equilíbrio saudável entre corpo, mente e espírito, resultando num sentimento geral de bem-estar.

O

Wellness nas sociedades desenvolvidas passou a megatendência, quer isto dizer que a preocupação com o bem-estar tem sido lenta e gradual mas já está instalada e veio influenciar um vasto leque de atividades, processos e perceções. Independentemente da vontade de alguns indivíduos, o Wellness vai continuar a crescer e a ter um enorme impacto na nossa sociedade, tal como o envelhecimento da população mundial. Mente e espírito Foram vários os “atletas” (pessoas que se exercitam regularmente) com quem me cruzei e me proporcionaram a oportunidade de os ajudar. Quais as suas motivações? A que problemas tentam dar respostas? Quais as soluções encontradas? Em que é que afinal acreditam? Eu, por exemplo, acredito que somos pessoas imperfeitas num mundo imperfeito. Quando conseguirmos viver com a realidade da imperfeição estamos melhor preparados e adaptados a este

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António Macias Gestor e consultor Wellness & SPA Experiência de 20 anos no sector antonio.ulisses.macias@gmail.com nosso mundo, viveremos melhor com o nosso eu e com as outras pessoas imperfeitas que nos rodeiam, sejam os nossos companheiros de uma vida ou uma nova amizade. Esta é a esfera mais complexa do Wellness pois tratase da perspetiva espiritual: em que é que acreditamos? Quais as nossas crenças? Esta perspetiva espiritual irá condicionar a forma como a nossa mente funciona que, por sua vez, irá condicionar os nossos comportamentos e o nosso corpo, tanto na perspetiva funcional como morfológica. Um dos modelos mais interessantes e completos de pirâmide Wellness apresentados considera,

na sua base, a perspetiva mental, na metade esquerda o movimento e na metade direita a alimentação. Na perspetiva mental inclui o dormir o suficiente, dedicar algum tempo a relações sociais, emocionais e aos seus interesses pessoais e hobbies, bem como manter-se positivo motivado e conseguir gerir o stress. O aspeto central da nossa vida é que vivemos com o nosso corpo, a nossa mente, o nosso espírito e com outras pessoas e temos de gerir com sabedoria estas variáveis, sabendo à partida que a felicidade existe num mundo imperfeito, com corpos, mentes e espíritos de pessoas imperfeitas. Como são caracterizadas a nossa sociedade e as nossas motivações? O estilo de vida da nossa sociedade, onde existe abundância de comida e de inatividade, conduz a uma necessidade de gerir o estado do corpo e da mente após a realização das necessidades básicas de alimento, abrigo e cuidados médicos estarem concretizadas. Gerir


a alimentação e a atividade física passou assim a ser um aspeto central das nossas vidas. As motivações estão diretamente relacionadas com as necessidades. A pirâmide das necessidades de Maslow explica-nos o papel que os vários tipos de necessidades desempenham nas nossas vidas. A alimentação é das nossas necessidades e motivações básicas. Todos os dias temos de nos alimentar e uma alimentação saudável deve ser um dos nossos hábitos de vida: comer sempre que se tem fome, beber água sempre que se tem sede e um mínimo de dois litros por dia e ter uma alimentação rica em frutas e legumes. Alguns alimentos proporcionam-nos um único e verdadeiro prazer. Devemos saborear com tempo e satisfação aquilo que mais gostamos, o prazer desse momento vai alimentar não só o nosso corpo como a nossa mente e espírito. Uma alimentação saudável vai contribuir para muito e, em especial, para a gestão do seu peso, que se quer saudável e equilibrado. Excessos são permitidos claro, não soubéssemos nós que somos imperfeitos, mas apenas um dia na semana. Sentir-se fisicamente bem condicionado, sem dores e ter uma boa resistência cardiorrespiratória, força nos braços e nas pernas, uma boa mobilidade para se deslocar, levantar, sentar, deitar ou para jogar o seu desporto favorito seja o ténis, o golfe ou outro é uma necessidade ligada a aspetos de saúde e/ou de autoestima. Esta motivação para o fitness, estar em forma, estar fit, é preenchida com o treino, com o exercício físico. A forma mais básica de fazer exercício é caminhar mas para se estar em boa forma outras qualidades físicas são necessárias treinar, como a força, a flexibilidade, o equilíbrio e a conjugação destas todas que é a destreza.

Contrariamente à alimentação, ou ao sono, que são necessidades básicas e normalmente as fazemos com prazer, o mesmo não se passa com o movimento e o exercício. Ir ao treino não é uma motivação intrínseca, não vem do nosso interior, esta motivação é para a larga maioria das pessoas extrínseca, externa. Nunca nos deixamos de alimentar mas nem sempre exercitamos de forma regular o nosso corpo. Ambas desempenham papeis muito importantes para a nossa saúde, bem-estar e felicidade mas do ponto de vista motivacional são muito distintas. Pelas suas caraterísticas, a motivação para o treino deve ter o apoio de um treinador. Porque é que quando queremos adquirir o hábito de nos exercitarmos nos vamos inscrever no ginásio? Porque precisamos de motivação externa! E porque é que em muitos dos casos acabamos por desistir? Porque a motivação externa inicial foi perdendo intensidade e os obstáculos do dia-a-dia foram surgindo. Como é que conseguimos então estar sempre motivados para a prática do exercício? Precisamos de um treinador ou colega de treino de quem gostamos

(empatia) e em quem confiamos (competências). Uma coisa é certa, todos os meses, os objetivos e programa de treino dos “atletas” devem ser avaliados e revistos. Como é que o seu corpo e a sua mente reagem a um novo objetivo e a um novo programa de exercícios? Com entusiasmo e com novas adaptações? O treinador deve orientar o “atleta” uma vez por mês nestas duas vertentes (objetivos e plano de treino) e estar disponível para o esclarecer sobre dúvidas ou necessidades que sinta no ajustamento do treino, em alguma dor ou lesão que tenha ou como treinar quando está deslocado da sua residência habitual. O propósito final Wellness é um novo conceito abrangente e global de corpo, mente e espirito, que se tem vindo a tornar cada vez mais popular nas nossas vidas. Acredito que Wellness seja uma estilo de vida que nos conduz a um sentimento de saúde e bem estar e nos ajude, neste nosso mundo imperfeito, a sermos mais felizes. Não será esse o mais importante de todos os nossos objetivos?

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nutrição BEBIDAS ISOTÓNICAS As bebidas isotónicas são produtos largamente utilizados no mundo desportivo uma vez que fornecem uma quantidade equilibrada de hidratos de carbono, minerais e líquidos, permitindo que o atleta se hidrate e, simultaneamente, se reabasteça a nível energético durante a prática desportiva.

Sara Faria Licenciada em Ciências da Nutrição Nutricionista do Gimnocedro stas bebidas denominam-se isotónicas porque apresenE tam uma concentração de solutos semelhante à do plasma sanguíneo. Este constitui o seu principal benefício, dado que são rapidamente absorvidas no intestino, passando depois para o sangue, facilitando a hidratação e reabastecimento energético. As bebidas hipertónicas, ou seja, com uma concentração superior à do plasma, atrasam a absorção intestinal de fluidos e nutrientes.

COMPOSIÇÃO De um modo geral, as bebidas isotónicas são constituídas por água, hidratos de carbono e sódio. Actualmente, a maior parte destas bebidas fornece uma combinação de diferentes tipos de hidratos de carbono como a glicose e a frutose, que são absorvidos no intestino através de diferentes moléculas transportadoras, chegando uma maior quantidade aos músculos. Estu-

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dos têm demonstrado que, em eventos de longa duração, onde há elevadas taxas de consumo de hidratos de carbono (> 60g/h), este tipo de bebidas são mais eficazes do que os produtos baseados apenas em glicose, na manutenção do conforto intestinal e promoção da oxidação dos Hidratos de Carbono (HC) musculares, melhorando a performance (Jeukendrup de 2010).

Vários especialistas sugerem que a gama de composição que prevê a entrega rápida de líquidos e combustível e maximiza a tolerância gástrica e palatabilidade é de 4-8% (4-8 g / 100 ml) de hidratos de carbono e 23-69 mg / 100 ml (10-30 mmol / L) de sódio (American College of Sports Medicine et al. 2007; American Dietetic Association et al. 2009).


VITAL BUSINESS CENTER

VITAL BUSINESS CENTER

Nome do produto Ingredientes

Nome do produto Ingredientes

SURVIVAL X-TREME ENERGY Vitargo®, Vitaminas grupo B, antioxidantes, l-carnitina, taurina. Modo de utilização Antes e durante a competição e treinamento Conteúdo 1 KG (morango e limão) Função Esvazia estômago mais rápido, mais rápido no preenchimento de glicógenio, evita o catabolismo muscular

IMPORTÂNCIA A desidratação é um dos factores que mais influencia o rendimento desportivo. Uma desidratação igual ou superior a 2% do peso corporal (1,4kg para um atleta de 70kg) está relacionada com uma menor performance desportiva e maior fadiga muscular e mental. A intensidade do exercício, o tipo de roupa usada, o calor e a humidade são alguns factores que influenciam a transpiração e consequentemente as necessidades hídricas do atleta. Na transpiração perdem-se também electrólitos, dos quais se pode destacar o sódio pelas importantes funções que desempenha no organismo, nomeadamente no controlo da pressão sanguínea, assimilação de nutrientes e balanço hidroeletrolítico. Quando as perdas são muito elevadas e as concentrações de sódio no sangue atingem valores demasiado baixos, podem surgir sintomas como vómitos, náuseas, fadiga e cãibras musculares. O conteúdo de electrólitos destas bebidas (sódio, magnésio, cloro, potássio) particularmente

de sódio, aumenta a retenção de água e ajuda a preservar a sede, aumentando o consumo voluntário de líquidos durante o exercício, diminuindo o risco de desenvolver os sintomas anteriormente referidos. FUNÇÃO Podemos então destacar as duas funções principais destas bebidas, durante o exercício: • repõem os fluidos e os minerais perdidos na sudorese, evitando a desidratação; • fornecem hidratos de carbono, mantendo os níveis de glicemia estáveis. Estudos têm demonstrado também que o simples acto de bochechar estas bebidas, ao promover a exposição dos HC aos receptores da cavidade oral, gera uma resposta favorável no cérebro e no sistema nervoso central, diminuindo a percepção de esforço e melhorando a performance. (Lane et al. 2013). O quadro que se segue apresenta as recomendações de ingestão de HC durante actividades

SURVIVAL SPEED UP MINERALS Vitargo®, Beta-alanina, fosfato de sódio, fosfato de potasio, Vitamina E, B1. Modo de utilização Durante o treinamento e competição Conteúdo 500 g (limão) Função Melhora o poder dos sais minerais com o seu hidrato de carbono base original Vitargo® e Beta-Alanina

desportivas. (Burke et al. 2011). Após o evento desportivo, as bebidas isotónicas contribuem para a recuperação do atleta já que ajudam a repor as perdas de fluidos e a restituir as reservas de glicogénio. O atleta deverá ingerir 150% das suas perdas em líquidos, de forma espaçada no tempo, para diminuir as perdas através da urina. Bibliografia

American College of Sports Medicine, Sawka MN, Burke LM, Eichner ER, Maughan RJ, Montain SJ, Stachenfeld NS.American College of Sports Medicine position stand. Exercise and fluid replacement. Med Sci Sports Exerc. 2007; 39(2):377-90. American Dietetic Association, Dietitians of Canada, American College of Sports Medicine, Rodriguez NR, Di Marco NM and Langley S. American College of Sports Medicine position stand: Nutrition and athletic performance. Med Sci Sports Exerc 2009; 41(3):709-731. Burke LM, Hawley JA, Wong SH, Jeukendrup AE. Carbohydrates for training and competition. J Sports Sci. 2011 Jun 8:1-11. Jeukendrup AE. Carbohydrate and exercise performance: the role of multiple transportable carbohydrates. Curr Opin Clin Nutr Metab Care 2010; 13(4): 452-457 Lane, S.C., S.R. Bird, L.M. Burke, and J.A. Hawley (2013). Effect of a carbohydrate mouth rinse on simulated cycling time trial performance commenced in a fed or fasted state. Appl. Physiol. Nutr. Metab. 38:134-13.

DURAÇÃO DO EXERCÍCIO

QUANTIDADE DE HC

QUANTIDADE DE HC

30-75min

Pequenas quantidades ou apenas “bochechar”

HC simples ou de transportadores múltiplos

1-2h

30g/hora

HC simples ou de transportadores múltiplos

2-3h

60g/hora

HC simples ou de transportadores múltiplos

> 2,5h

90g/hora

HC apenas de transportadores múltiplos

instrutores


especialistas A GYM FACTORY conta com colaboração dos melhores especialistas no panorama do Fitness em Portugal e Espanha, conhecedores profundos das diferentes áreas imprescindíveis para o bom funcionamento da instalação desportiva. Se deseja saber mais sobre estes especialistas, entra no nosso site: www.gymfactory.pt

MADALENA APARÍCIO n F itness & Wellness / Formação / Terapias Integrativas / Desenvolvimento Transpessoal / Práticas Corporais Integrativas. n Licenciada em EF e Desporto. n P  ós-graduada em Gestão de Ginásios e Health Clubs. n D  outoranda em Didáticas Especiais da EF e do Desporto. n D  ocente nos cursos de Fitness de Grupo; n C  riadora do programa Tribal Dance®. n C  riadora da prática corporal integrativa Happy Flow e Bodhimind Kids. n T erapeuta Integrativa. n P  alestrante em cursos e ações de Desenvolvimento Transpessoal através do movimento corporal consciente, Inteligência Corporal, Dança Consciente e Meditação para Aprendiz.

PEDRO DUARTE n P  ós-graduado em Finanças e Controlo de Gestão. n Gestor de Fidelização do Cliente – Aquafitness Health Clubs. n C  ontroller do grupo Aquafitness durante 5 anos. n C  onsultor em controlo de gestão, redução de custos e elaboração de planos de negócio. n P  ós-graduação em Finanças e Controlo de Gestão (ISEG). n Licenciatura em Gestão do Desporto (FMH & ISEG, prémio de melhor aluno).

ANTÓNIO MACIAS

FREDERICO RAPOSO

n Licenciado em Ed. Física e Desporto pela FMH em 1994. n E  specializado em gestão de Health & Wellness Centres. n F undador da Active Life Wellness & Sports. n C  onselheiro europeu da IHRSA desde 2009. n T reinador Pessoal de Wellness. n C  onsultor Wellness & SPA.

n D  outorandoemEducação Física e Desporto – Especialização de Atividade Física e Saúde. n MestradoemExercício e Saúde pela FMH. n P  ós-Graduado emReabilitação Cardíaca pela FMH. n Licenciado emCiências do Desporto pela FMH. n P  rofessorAssistente da Faculdade de Educação Física e Desporto – ULHT. n C  oordenador das Pós-GraduaçõesManz/ Lusófona de “Treino Funcional”, “Direção Técnica de Ginásios e Helth Clubs” e “Avaliação, Prescrição de Exercício e IniciaçãoaoTreino Personalizado”. n P  rofessorAssistente Convidado na Escola Superior de Educação de Beja. n P  rofessor de Educação Física no Colégio Moderno. n D  iretor Técnico do Health Club Solplay, desde a suainauguração (Abril 1998) até aoseuencerramento (Setembro 2012). n P  reletorem diversas convençõesnacionais e internacionais na área da atividade física, exercício e saúde. n Master Trainer “BOSU”, “SMRT-Core” e “3DXTREME”. n P  rofessor de RPM. n P  ersonal Trainer.

antonio.ulisses.macias@gmail.com

instrutores

SARA FARIA

NUNO PINTO DA SILVA

n Licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. n Mestranda em Nutrição Clínica pela. Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. n Membro efectivo da Ordem dos Nutricionistas. n T rabalha na área clínica e desportiva em ginásios e clínicas privadas. n D  etentora do CAP – Certificado de Competências Pedagógicas de Formador.

n D  iretor Geral da LIFE Training. n E  x atleta internacional, Certificado em Coaching e Master em Programação Neurolinguística. n Licenciado pela Faculdade de Economia do Porto e PósGraduaçãoemGestão de Marca. n P  ractitioner e Master. em Programação NeuroLinguística. n C  ertificação Internacional em Coaching. n Sócio e DiretorGeral da LIFE Training. n D  iretor Executivo da Global Fitness. n C  onsultor estratégico.

AMÂNCIO NUNO FERREIRA SANTOS

LEANDRO SILVA

n Licenciatura emCiências do Desporto pela FMH n P  ósGraduaçãoem Marketing Management, pelo ISEG n LicenciaturaemOsteopatia, pelo ITS n C  lub Manager do Fitness Hut Amoreiras n C  rossfit Level 1 trainer n C  rossfit level 2 trainer n C  o-organizador dos Manz Cross Games n F ormador produto da Technogym n F ormador dos cursos da Manz

n Licenciado em Educação Física. n P  ós-graduação em biomecânica e cinesiologia. n P  ersonal trainer - Welldomus. n E  specializado em reabilitação física, treino funcional e treino de força.


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Gym Factory Instrutores nº6 Verão 2015  
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