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UNIVERSIDADE ESTADU AL DE CAMPIN AS E S P E C I AL I Z AÇ Ã O E M AR T E S V I S U AI S , I N T E R M E I O S E E D U C AÇ ÃO

IMAGINÁRIO FEBRIL: UM RECORTE NA OBRA DE GUY VELOSO

H E L E N A D A S I LVA S O U Z A

Trabalho apresentado para avaliação na disciplina de História da Fotografia do Curso de Especialização em Artes Visuais, Intermeios e Educação. Extecamp/Unicamp. Professor Mauricius Martins Farina

CAMPINAS 2016 Resumo


.Este trabalho, tem como objetivo, analisar brevemente o trabalho do fotógrafo paraense Guy Veloso, tendo como objeto central a série “ Penitentes”, na qual o artista possui um trabalho visual expressivo, iniciado em 2002 e em curso até a atual data.

Biografia do Artista


.Guy Veloso, nasceu em Belém do Pará no ano de 1969, aos 17 anos ingressa na faculdade de direito e logo enxerga na fotografia “uma válvula de escape, para todo aquele formalismo” ( Veloso, 2016). Ainda segundo o artista, sua primeira câmera fora uma Nikon N2000, analógica, 35mm, que funcionava com quatro pilhas AAA, depois uma Leica M-6, (sua predileta até hoje, o acompanha em praticamente todas suas viagens) e por último uma câmera Canon digital, atualmente em maior uso nos trabalhos do artista. .No ínicio suas fotografias eram “soltas”, ou seja, não possuíam temas especifícos ou possuíamo caráter de séries, e apesar de fotografar o festival do Círio de Nazaré, desde o final dos anos 1980, apenas em meados de 1998, de fato começa a traçar um caminho rumo a alguma série, fotografando romarias. .Em 2002 inicia seu projeto “Penitentes”, este que surgiu por uma “curiosidade estética à cerca das mortalhas utilizadas e também pelos ritos medievais, incluindo a autoflagelação” (Veloso, 2016). Sendo este, seu principal e o que o levou a ser convidado a participar da 29 a Bienal de Artes de São Paulo, acredito na força que tem para “traduzir” os principais conceitos estéticos, que circundam a obra do artista, ainda que, não abranja totalitariamente.

Compreendendo melhor a série


.No ano de 2002, começa a surgir o que seria a série “Penitentes”, Veloso inicia uma jornada pelos país à procura de grupos que denominam-se de diversas formas e com diversas práticas, são eles “encomendadores das almas”, asssim se denominam determinados grupos. .Conforme o tempo se passou, o artista estabeleceu uma relação de respeito e confiança mútuo dentre distintas ramificações, o que lhe rendeu a proximidade corpórea em suas fotografias, segundo o mesmo a escolha em fotografar em 35 mm é para estar mais sempre mais perto. Sendo que, esta escolha, transporta o espectador para o ambiente onde se dão os fatos em caráter instantaneo inúmeras vezes. Afirmo está última sentença por ter presenciado inúmeros grupos relatando está experiência, enquando fui educadora na 29ª Bienal de arte de São Paulo, ou Bienal da retomada, a qual foram exibidos alguns trabalhos do artista no ano de 2010, com curadoria de Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos, cuja entrevista conferida ao Sesc Tv no ano de 2011 relata sua perspectiva sobre o trabalho do fotógrafo, “ Fica transparente esta relação ambígua entre o que é devoção e o que é violência” .Sobre o desenvolvimento do trabalho de Veloso, o curador Eder Chiodetto relata no texto abaixo, após entrevista com a artista no presente ano, 2016 e concedido gentilmente pelo artista a mim. “Guy Veloso tem uma qualidade rara: desde muito cedo conseguiu definir o seu grande tema de interesse na fotografia e nele se mantém avidamente até hoje e assim será para sempre, como ele próprio afirma. A pesquisa metódica de um tema tão complexo como as manifestações religiosas brasileiras transformou, nos últimos 30 anos, a ele próprio e a sua fotografia. Se no começo detectamos um documentarista clássico girando em torno de seu objeto, com o passar dos anos, do conhecimento e da intimidade acumulados, a fotografia de Guy deixou de representar os rituais para apresentá-los. Essa mudança, que pode parecer sutil, é na verdade a passagem do fotógrafo documentarista para o artista visual. A fotografia deixa de ser apenas um suporte onde se grava impressões, para se tornar extensão da sua imersão profunda nesse universo. Deixa de ser relato de mão única para ser a expressão legítima e dialógica de um encontro com o outro, com o inominável, com o divino. Terra em Transe. O título do filme de Glauber Rocha, mais exatamente a ideia do transe, do êxtase da fé religiosa, foi a palavra chave que norteou a edição das fotografias desse


livro, pinçadas do quase infinito acervo de Guy Veloso. A ideia de ter o transe como nossa chave de edição me surgiu após perceber como os devotos das mais variadas religiões retratadas buscam em seus rituais formas de transcender a realidade. A religião, por esse ponto de vista, seria um refúgio, um lugar sagrado de recolhimento e conforto. Marcadas por gestos, indumentárias, cenários e ritos os mais variados, todas as religiões almejam de alguma forma esse momento de contato com suas divindades, que nomeei, ao pesquisar o acervo de Guy, de transe.” (Chiodetto, 2016) .No ano de 2011, fui convidada pelo artista a acompanha-lo em uma expedição no interior do estado de São Paulo, onde pude experienciar vividamente os comentários de Chiodetto sobre seu trabalho. O transe se fez presente ao cair da noite, e lá esteve até o final dos ritos. Despida de opinião pré-concebida pude registrar a transição dos membros dos dois grupos fotografados naqueles dias, que passavam de um comportamento habitual a tais povos interioranos, contudo se metamorfoseavam ao anoitecer alterando todo o ambiente ao redor, e por sua vez o artista homogeneamente participando do rito como um organismo, não como mero observador. Eis em minha concepção a genialidade do trabalho de Veloso, a proximidade em nenhum momento é invasão, mas sim deleite, respeito pelos personagens envolvidos, busca incansável pelo verossímil, que neste caso traz em si elementos mágicos, imaginários. Neste ponto seu trabalho transpõe o documental. .Em seu livro Geoff Dyer cita a fotógrafa Dorothea Lange na frase “a câmera é um instrumento que ensina as pessoas a verem sem uma câmera”.


.Abaixo fotografias selecionadas no endereço eletrônico do artista, as quais referem-se a série intitulada “Penitentes”, concluindo este trabalho de pesquisa.

Figura 1-Penitentes, Nossa Senhora das Dores-SE, 2002. Slide.

Figura 2- Autoflagelação. Penitentes. Tomar do Geru-Sergipe, 2007. Digital.


Figura 3- Séé rié “Péniténtés”. Juazéiro-Bahia, 2014. Digital.

Figura 4- Série “Penitentes”. Ritual de autoflagelação, zona rural de Juazeiro-Bahia, 2014. Digital.


Bibliografia https://guyveloso.wordpress.com/page/3/ - Acessado em 11/09/2016. http://ederchiodetto.com.br/documental-imaginario-sobre-os-artistas-2/Acessado em 11/09/2016. https://guyveloso.wordpress.com/ Depoimento Moacir Dos Anjos, curador, programa Artes Visuais Brasil, SESC TV, 2011. Acessado em 14/09/2016. DYER, Geof. O instante incerto. São Paulo, Companhia das letras, 2008. SOUZA, Helena. Entrevista com Guy Veloso. Jaguariúna/Belém. Rede Social.13 set. 2016.

IMAGINÁRIO FEBRIL: UM RECORTE NA OBRA DE GUY VELOSO. Artigo de HELENA DA SILVA SOUZA  

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