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Docente: Msc. Osvaldo Longo Junior

Dicentes: Flávia Rotiroti Jenifer Moreira Minari Jéssia Lorena Poyer João Ernesto Belucio João Hélio Paranaíba Queiroz João Paulo Jayme Pinhal José Augusto Ceron Julia Permegiani Vilarinho Juliana Stefanin Fuzati Laís Lima Almeida Laís Serezini Oliveira Maria Angélica da Silva e Silva


Sumário Introdução Bulimia Características Gerais Complicações Médicas Causas Desenvolvimento Tratamento Prevenção

Anorexia Características Gerais Subtipos Etiologia Complicações clínicas

Vigorexia O que é Consequência Complicação médica Causa Tratamento

Transtorno de Pica Aspectos Nutricionais Aspectos Culturais Aspectos Sociais Aspectos psicodinâmicos Aspectos epidemiológicos Efeitos adversos Diagnóstico Tratamento

Transtorno do Comer Compulsivo O que é O que se sente Complicações Médicas Causas Como se trata


INTRODUÇÃO O comer compulsivo muitas vezes está associado a ansiedade e ao estresse cotidiano A grande ingestão de carboidratos e os alimentos com alto teor calórico (fast-foods) são contribuintes do crescimento da obesidade. Transtornos alimentares apresentam etiologia multifatorial: predisposições genéticas, socioculturais e vulnerabilidades biológicas e psicológicas. Aspectos do comportamento individual ou do estilo de vida somada a exposição ambiental ou a características hereditárias Afeta principalmente mulheres jovens, ocidentais e de classes sociais mais abastadas O “culto do esbelto” estimulado pela definição de um padrão de beleza, tornou-se a grande preocupação da sociedade atual. A rápida aquisição de alimentos e as facilidades cotidianas, possibilitadas pelos advento tecnológico contribuem com o sedentarismo.


BULIMIA A Bulimia Nervosa é um Transtorno Alimentar que se caracteriza pela ingestão de grandes quantidades de alimentos (episódios de comer compulsivo ou episódios bulímicos), seguidos por métodos compensatórios, tais como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes e/ou diuréticos e prática de exercícios extenuantes como forma de evitar o ganho de peso pelo medo exagerado de engordar. Diferentemente da anorexia nervosa, na bulimia pode não haver perda de peso, e assim médicos e familiares têm dificuldade de detectar o problema. A doença ocorre mais frequentemente em mulheres jovens, embora possa ocorrer, raramente , em homens e mulheres com mais idade.

Complicações Médicas Inflamação na garganta (inflamação do tecido que reveste o esôfago pelos efeitos do vômito). Face inchada e dolorida (inflamação nas glândulas salivares). Cáries e lesão sobre o esmalte dentário. Desidratação. Desequilíbrio eletrolítico. Vômitos com sangue. Dores musculares e câimbras.

Causas Assim como na anorexia, a bulimia nervosa é uma síndrome multideterminada por uma mescla de fatores biológicos, psicológicos, familiares e culturais. A ênfase cultural na aparência física pode ter um papel importante. Problemas familiares, baixa autoestima e conflitos de identidade também são fatores envolvidos no desencadeamento desses quadros.

Desenvolvimento Muitas vezes, leva tempo para se perceber que alguém tem bulimia nervosa. A característica principal é o episódio de comer compulsivo, acompanhado por uma sensação de falta de controle sobre o ato e, às vezes, feito secretamente. Os comportamentos direcionados a controle de peso incluem jejum, vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, enemas, diuréticos, e exercícios físicos extenuantes. O diagnóstico de bulimia nervosa requer episódios com uma frequência mínima de duas vezes por semana, por pelo menos três meses. A fobia de engordar é o sentimento motivador de todo o quadro. Esses episódios de comer compulsivo, seguidos de métodos compensatórios, podem permanecer escondidos da família por muito tempo.


A bulimia nervosa acomete adolescentes um pouco mais velhas, em torno dos 17 anos. Pessoas com bulimia têm vergonha de seus sintomas, portanto, evitam comer em público e evitam lugares como praias e piscinas onde precisam mostrar o corpo. À medida que a doença se desenvolvolve, essas pessoas só se interessam por assuntos relacionados à comida, peso e forma corporal.

Tratamento A abordagem multidisciplinar é a mais adequada no tratamento da bulimia nervosa, e inclui psicoterapia individual ou em grupo, farmacoterapia e abordagem nutricional em nível ambulatorial. As técnicas cognitivo-comportamentais têm se mostrado eficazes. As medicações antidepressivas também têm se mostrado eficazes no controle dos episódios bulímicos. A abordagem nutricional visa estabelecer um hábito alimentar mais saudável, eliminando o ciclo "compulsão alimentar/purgação/jejum". A orientação e/ou terapia familiar faz-se necessária uma vez que a família desempenha um papel muito importante na recuperação do paciente.

Prevenção Uma diminuição na ênfase da aparência física, tanto no aspecto cultural como familiar, pode eventualmente reduzir a incidência desses quadros. É importante fornecer informações a respeito dos riscos de regimes rigorosos para obtenção de uma silhueta "ideal", já que eles desempenham um papel fundamental no desencadeamento dos transtornos alimentares.


ANOREXIA Características Gerais A Anorexia Nervosa é um tipo de Transtorno Alimentar que envolve “severas perturbações no comportamento alimentar” do indivíduo, sendo suas principais características, o comportamento obstinado e proposital direcionado a perder peso, o medo mórbido de engordar, baixo peso, distorção da autoimagem corporal, amenorréia, Lipofobia, ausência de percepção de um estado cadavérico, dificuldades em interpretar as necessidades fisiológicas do corpo, entre outras. A sua incidência têm aumentado nas últimas décadas, especialmente entre as mulheres jovens dos países ocidentais. Dados epidemiológicos têm mostrado que a incidência média anual da anorexia nervosa na população em geral é de 18,5 por 100.000 entre as mulheres e 2,25 por 100.000 entre os homens. Os relatos iniciais de um padecimento auto-imposto através da restrição alimentar datam da Idade Média e na época estavam relacionados a uma conduta religiosa de privação. Na verdade, o termo anorexia nervosa seria inadequado, pois do grego an significa ausência e orexis apetite; todavia, não se trata absolutamente de uma ausência de apetite, mas da recusa consciente e obstinada do indivíduo em alimentar- se com o intuito de perder peso. Na revisão de texto da quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de transtornos mentais (DSM-IV-TR), a anorexia nervosa é definida como um transtorno em que as pessoas se recusam a manter um peso mínimo normal, temem aumentar de peso e, de forma significativa, interpretam seu corpo e sua forma de maneira equivocada. Ainda de acordo com o DSM-IV-TR, a idade mais comum de início da doença é dos 14 aos 18 anos. Estima-se que a anorexia nervosa ocorra em cerca de 0,5 a 1% das adolescentes. Manifesta-se 10 a 20 vezes mais em mulheres do que em homens. Parece ser mais recorrente em países desenvolvidos e pode ser observada com maior freqüência em mulheres jovens em profissões que exigem forma esbelta, como modelos e bailarinas. A anorexia nervosa é associada à depressão em 65% dos casos, a fobia social em 34% e a transtorno obsessivo-compulsivo em 26%. Os transtornos alimentares são acompanhados de várias complicações clínicas relacionadas ao comprometimento do estado nutricional e às práticas compensatórias inadequadas para o controle do peso (vômitos, uso de diuréticos e laxativos). Muitas destas complicações surgem em decorrência do atraso do diagnóstico e do início do tratamento, pois muitos pacientes escondem os sintomas e/ou recusam o tratamento. A morbidade e mortalidade associadas aos transtornos alimentares são expressivas. A anorexia nervosa apresenta a maior taxa de mortalidade dentre todos os distúrbios psiquiátricos, cerca de 0,56% ao ano. Este valor é cerca de 12 vezes maior que a mortalidade das mulheres jovens na população em geral. As principais causas de morte são: complicações cardiovasculares, insuficiência renal e suicídio.

Subtipos


O DSM-IV-TR identifica dois tipos de anorexia nervosa (o tipo restritivo e o tipo compulsão periódica-purgativo). Este último, bastante comum, se desenvolve em cerca de 50% dos pacientes. Cada tipo parece ter aspectos históricos e clínicos distintivos. Os que praticam compulsão alimentar e purgação compartilham muitas manifestações com aqueles que têm bulimia sem anorexia nervosa. Tendem a ter familiares obesos e ter eles próprios história de pesos maiores antes do transtorno do que as pessoas com o tipo restritivo. Além disso, são mais propensos ao abuso de substâncias e a desenvolver transtornos do controle dos impulsos e da personalidade. Pacientes com anorexia nervosa restritiva limitam sua seleção de alimentos, ingerem o mínimo de calorias possível e freqüentemente apresentam traços obsessivo-compulsivos com relação à alimentação e a outros temas. Ambos os tipos são preocupados com o peso e com a imagem corporal, exercitam-se por horas a cada dia e exibem comportamentos alimentares bizarros. Podem ser socialmente isolados e ter sintomas de transtorno depressivo e redução do interesse sexual. Alguns podem purgar, mas não ter episódios de compulsão alimentar.

Etiologia Não há uma única etiologia responsável pela anorexia. Acreditase no modelo multifatorial, com participação de componentes biológicos, genéticos, psicológicos, socioculturais e familiares.

a) Fatores genéticos: pesquisas indicam maior prevalência de transtornos alimentares em algumas famílias, sugerindo uma agregação familiar com possibilidade de um fator genético associado. Estudos com gêmeos monozigóticos e dizigóticos também apontam a genética como possível participante etiologia dos transtornos alimentares.

b) Fatores biológicos: alterações nos neurotransmissores moduladores da fome e da saciedade como a noradrenalina, serotonina, colecistoquinina e diferentes neuropeptídios têm sido postuladas como predisponentes para os transtornos alimentares. Existem dúvidas se tais alterações acontecem primariamente ou são decorrentes do quadro.

c) Fatores socioculturais: a obsessão em ter um corpo magro e perfeito é reforçada no dia-a-dia da sociedade ocidental. A valorização de atrizes e modelos, geralmente abaixo do peso, em oposição ao escárnio sofrido pelos obesos, é um exemplo disso.

d) Fatores familiares: dificuldades de comunicação entre os membros da família, interações tempestuosas e conflitantes podem ser consideradas mantenedoras dos transtornos alimentares.


e) Fatores psicológicos: algumas alterações características como baixa auto-estima, rigidez no comportamento, distorções cognitivas, necessidade de manter controle completo sobre sua vida, falta de confiança podem anteceder o desenvolvimento do quadro clínico. Tratamento Em vista das complicadas implicações psicológicas e médicas da anorexia nervosa, é recomendado um plano de tratamento abrangente, incluindo hospitalização quando necessário e terapia individual e familiar. A abordagem comportamental, interpessoal e cognitiva e, em alguns casos, medicação (antidepressivos ISRS) devem ser consideradas. Quanto mais rápido for iniciado o tratamento, maiores são as chances de cura para os pacientes com este distúrbio. Entretanto, apesar da disponibilidade de tratamentos eficazes para essas doenças, um atraso importante entre o início dos sintomas e o tratamento ainda é comum. Sendo assim, o diagnóstico precoce desses distúrbios assim como de suas complicações clínicas nem sempre é possível. O tratamento das complicações deve ser realizado concomitante ao acompanhamento psicoterápico e nutricional, necessitando de uma equipe multidisciplinar para o manuseio mais adequado e satisfatório dessas condições clínicas.

Complicações clínicas O atraso no diagnóstico e no início do tratamento levam à ocorrência de complicações clínicas como demonstra a tabela abaixo:


As principais complicações clínicas encontram-se descritas abaixo: Alterações metabólicas As principais alterações metabólicas observadas em pacientes com transtornos alimentares são a hipercolesterolêmia e a hipoglicemia. A hipercolesterolemia é freqüente na anorexia e sua causa não é completamente conhecida. Decorre, provavelmente, da redução dos níveis de T3 e da globulina carreadora de colesterol e/ou da diminuição da excreção fecal de ácidos biliares e colesterol.

Alterações endócrinas Alterações hormonais por falta de nutrientes pode levar a paciente com anorexia a não menstruar, ou seja, ser amenorréica. A amenorréia


pode preceder ou ser concomitante à perda de peso em até um terço das pacientes; podendo persistir até a recuperação de um peso mínimo saudável. A amenorréia pode ser acompanhada de várias anormalidades: regressão dos ovários para estágios pré-puberais com múltiplos pequenos folículos, regressão do tamanho mamário e, às vezes, perda parcial dos pelos pubianos. O útero, também se encontra diminuído e observam-se mudanças atróficas na parede vaginal levando a dispareunia e diminuição da libido. A infertilidade pode ocorrer, porém ovulações ocasionais podem acontecer. A percentagem de gordura é determinante da menarca (acima de 17% de gordura corporal), sendo a leptina provavelmente o elo entre o tecido adiposo e o eixo gonadal. Foram relatados níveis reduzidos de leptina na AN, uma vez que seus níveis se correlacionam com a massa de tecido adiposo.

Alterações ósseas e do crescimento A puberdade e a adolescência são períodos críticos para o desenvolvimento do esqueleto, sendo responsáveis por 15% da estatura final adulta. Determinadas enfermidades que ocorrem nesta época da vida irão interferir no ganho de massa óssea, sendo incerto que a proliferação óssea possa ocorrer após esta fase crítica do desenvolvimento puberal. Em 50% das mulheres com anorexia, a densidade mineral óssea está há mais de dois desvios padrões abaixo do normal. A má nutrição reduz a formação nova de osso (“turnover”), que associada à puberdade atrasada decorrente da redução do estrogênio endógeno, ao hipercortisolismo, à diminuição da ingestão de cálcio, proteínas e vitamina D, favorecem à queda da densidade mineral óssea, levando a uma diminuição ou suspensão do crescimento ósseo linear. Quando a anorexia ocorre na fase precoce da puberdade, pode ocorrer osteopenia ou até mesmo osteoporose irreversível, favorecendo a ocorrência de fraturas patológicas. A osteopenia também pode ocorrer no sexo masculino, em decorrência da diminuição da testosterona.

Alterações hidroeletrolíticas Neste grupo se encontra uma das complicações mais freqüentes dos transtornos alimentares e de maior risco para o desenvolvimento de arritmias cardíacas: a hipocalemia, que é causada pelo vômito, desnutrição e abuso de medicamentos depletores de potássio (diuréticos e laxantes). Os sintomas incluem fraqueza, confusão, náusea, palpitações, arritmia, poliúria, dor abdominal e constipação. Os distúrbios do equilíbrio ácido-base ocorrem com maior freqüência nos casos de uso de laxativos ou de diuréticos e também com a prática de vômitos auto-induzidos, resultando, respectivamente, em acidose metabólica e alcalose metabólica hipocalêmica.


Alterações hematológicas A anemia e a leucopenia são achados freqüentes na anorexia. A anemia pode estar presente em 30% dos casos e é, usualmente, do tipo normocítica e normocrômica. Porém, também pode ocorrer anemia do tipo ferropriva, em decorrência da deficiência de ingestão de ferro ou de sangramento retal por uso excessivo de laxativos; ou a anemia macrocítica por déficit de vitamina B12 ou folato, leucopenia com linfocitose relativa e trombocitopenia.

Alterações cardiovasculares A hipotensão arterial pode ser encontrada em até 85% dos pacientes com anorexia e resulta do estado de depleção crônica de volume circulante. Pode ser encontrada bradicardia decorrente da redução do metabolismo em adaptação a inanição, por alterações na conversão do T4 em T3 ou por hiperatividade vagal. A taquicardia pode também ocorrer como resposta à desidratação. A desnutrição decorrente da anorexia pode conduzir à atrofia do músculo cardíaco e a uma redução da massa ventricular esquerda com conseqüente desenvolvimento de prolapso mitral.

Alterações gastrointestinais A constipação está entre as manifestações mais freqüentes e decorre do uso de laxantes que, se utilizados em longo prazo, podem levar a danos irreversíveis ao cólon intestinal.

Onde Tratar No Estado de São Paulo existem centros de tratamento de transtornos alimentares, que são voltados para a população em geral, o serviço oferecido é gratuito e os profissionais envolvidos realizam trabalhos voluntários. Neste contexto, temos o AMBULIM (Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e o PROATA (Programa de Orientação e Assistência aos Transtornos Alimentares da Unifesp).


VIGOREXIA O que é Chamada de Síndrome de Adônis, Transtorno que torna indivíduos obsessivos por atividades físicas como forma de obter o corpo magro e musculoso. Acomete principalmente homens, mas também pode ocorrer em mulheres.

Consequência Pode acarretar em muitos problemas físicos: como lesões musculares, insônia, desinteresse sexual, irritação, fraqueza, má alimentação, entre outros. Também podem apresentar outros sinais como: sentimento de inferioridade, desmotivação, depressão e outros. Considerada como um Transtorno Obsessivo Compulsivo. A vigorexia é vista em homens que mesmo com muita massa muscular se vêem fracos, magros e esqueléticos. Buscam eliminar completamente alimentos que contenham gorduras e consomem exageradamente proteínas.

Complicação médica Com uso de anabolizantes para o aumento da massa corpórea, pode provocar problemas cardiovasculares, câncer de próstata, diminuição dos testículos, etc.

Causa A vigorexia é bastante comparada com a anorexia, pois ambos os transtornos são estimulados pela busca incessante do corpo perfeito que é pregado constantemente pela mídia e sociedade. Somente as magras e os musculosos aos olhos discriminatórios são “bonitos”. Como cada pessoa possui características físicas próprias e sua personalidade própria, não é relevante a idéia de que magreza e músculos são padrões de beleza. Existem pessoas que gostam das gordinhas e dos magrinhos, o que deveria contribuir para a diminuição da “paranóia”.

Tratamento


Ao identificar um vigoréxico, o psiquiatra ou psicólogo pode aplicar medidas que fazem com que o indivíduo se conscientize que a preocupação com o corpo é bem vinda, mas a demasia é prejudicial.

TRASNTORNO DE PICA Introdução ao Transtorno de Pica Os transtornos alimentares geralmente apresentam as suas primeiras manifestações na infância e na adolescência. As alterações do comportamento alimentar são divididas em dois grupos: transtornos que não estão associadas a uma preocupação excessiva com o peso e/ou a forma corporal, mas podem interferir com o desenvolvimento infantil porque alteram a relação da criança com a alimentação (Ex: pica) e transtornos alimentares propriamente ditos: a anorexia nervosa e a bulimia nervosa.

Transtorno de Pica Definição: ingestão compulsiva de substâncias não nutritivas. Substâncias referidas durante o hábito de pica Forma de pica - Substância consumida Amilofagia Goma de lavanderia Cautopirofagia Fósforos Coniofagia Polvilho Coprofagia Fezes Estacofagia Cinza de cigarro Geomelofagia Batata frita congelada Geofagia Terra ou argila Gooberfagia Amendoim* Lectofagia Alface* Litofagia Pedras Pagofagia Gelo Papirofagia Papel Plumbofagia Casca de tinta, esmalte Tricofagia Cabelo, pelo Xilofagia Palito de dente Formas sem nome Chocolate*, sorvete*, frutas*, picles*, sal*,farinha* Desinfetante, sabão, grãos de café, notas de dinheiro, naftalina, plástico,Vick Vaporub®, giz. *Somente em grandes quantidades.

Etiologia O comportamento de pica tem sido um enigma fascinante para seus estudiosos, uma vez que não existe consenso a respeito de sua etiologia, invocando fatores sociais, culturais, psicológicos, biológicos e comportamentais, embora, sem dúvida nenhuma, possua um componente ambiental importe.


Apesar das causas específicas serem desconhecidas, acredita-se que os aspectos emocionais e deficiências de ferro e zinco sejam os fatores mais relevantes.

Aspectos Nutricionais Durante muito tempo se acreditou numa teoria nutricional que sustentava que a geofagia (consumo de terra ou argila) seria um apetite nutrienteespecífico, em que o organismo de modo vicariante buscaria fontes não alimentares de ferro e zinco. Nesse contexto, seria mais do que mera coincidência o fato de a geofagia afetar grupos de risco para deficiência de micronutrientes, entre elas a anemia ferropriva. Porém, a maioria dos autores modernos acredita ser a anemia uma consequência da pica, pois ingerir alimentos estranhos não supre a deficiência de ferro, uma vez que o ferro se encontra pouco biodisponível na maioria das substâncias ingeridas. Outra possibilidade seria o fato de que, com a ingestão de substâncias não nutritivas, o indivíduo diminuiria o consumo de alimentos fontes de certos nutrientes como ferro, zinco e manganês, causando a deficiência.

Aspectos Culturais Em certas culturas, comer terra ou outras substâncias aparentemente não nutritivas apresenta algum valor. Cada região apresenta um significado para experiências não usuais, no entanto algumas características dessas experiências podem ser encontradas repetidamente em lugares e épocas distintas como na Grécia antiga em 40 a.C., na África (Quênia, Uganda, Malawi etc.) ou mesmo nos Estados Unidos nos dias de hoje. As mulheres sentem-se à vontade em praticar o hábito de ingerir substâncias não nutritivas, principalmente terra. As africanas alegam que esse comportamento está relacionado com a fertilidade, a reprodução, a debilidade e a falta de sangue. Persistem ainda nessa população africana as crenças de que a ingestão de terra poderia prevenir vômitos, diminuir o inchaço das pernas e que não apenas contribuiria para que os bebês nascessem bonitos, mas ainda os ajudaria em seu desenvolvimento. Não bastasse isso, mulheres costumam acalmar seus bebês com argila no lugar da chupeta. Na gestação, o costume de comer lama retorna, iniciando novo ciclo, em que essa mãe ensinará seus filhos a comer argila e manter o modelo transgeracional. No Malawi, é considerado intrigante uma gestante que não tenha o hábito de pica. Estar grávida inclui obrigatoriamente o consumo de substâncias não usuais.

Aspectos Sociais Alguns hábitos são manifestados em crianças devido à má supervisão dos pais. A ingestão de substâncias estranhas é menosprezada, o que pode ocasionar a pica.


Há casos em que as substâncias são oferecidas pelos próprios pais a fim de que masquem em substituição à comida. Essa situação nos remete a refletir o quão relacionado está o transtorno de pica com a situação socioeconômica desvantajosa. A geofagia está aparentemente associada a períodos e regiões de fome, em virtude de seu efeito de saciedade.

Aspectos psicodinâmicos É importante ressaltar que pode haver outros transtornos associados à pica, por exemplo o retardo mental. O hábito da pica pode estar relacionado com conflitos emocionais não resolvidos. Fatores estressores em crianças e adolescentes, como separação dos pais e abuso sexual, poderiam predispor ou desencadear o quadro. Nas grávidas, o aumento do estresse materno no primeiro trimestre da gestação pode estar relacionado com o problema.

Aspectos epidemiológicos Foram encontrados estudos com prevalências muito diferentes que podem variar de 14,4% na zona rural da Geórgia, 26, 44% entre americanas descendentes de mexicanas, na Califórnia15, 50% de mulheres, na Nigéria27% e até 73% no Quênia. No sudoeste americano, região influenciada pela antiga população escrava, a geofagia é comum, enraizada culturalmente e presente entre 57% e 68% das mulheres15 e 16% das crianças afro-americanas. Nessa mesma região, 26% de adultos institucionalizados com deficiência mental também praticam a pica, consumindo diariamente uma média de 50 gramas de terra. A síndrome é mais frequente e particularmente estudada em mulheres gestantes, uma vez que algumas substâncias consumidas podem ultrapassar a barreira placentária e serem tóxicas aos bebês. Mesmo conhecendo os efeitos deletérios a seus filhos (aumento de níveis séricos de chumbo, diminuição do débito cardíaco, miopatia e hipocalemia – entre outros), a maioria das gestantes relata não conseguir interromper o hábito. Nas crianças, a prevalência de pica é mais elevada em meninos e sabese que 80% das ocorrências de corpos estranhos no trato digestório acontecem em indivíduos com menos de 10 anos. Ingerir fezes ou grama foi relacionado com altas taxas de parasitoses, e a ingestão de tinta e plástico relacionou-se com níveis séricos de chumbo muito altos. Os autores concluíram que talvez a alta taxa de pica estivesse relacionada ao baixo nível socioeconômico das crianças.

Efeitos adversos


As consequências clínicas da pica são diferentes de acordo com o tipo de substância consumida. Seus efeitos adversos podem se manifestar como obstrução intestinal, obesidade pelo valor energético, infecções e desnutrição. Toxicidade é muito comum, podendo se apresentar por meio de sintomas neurológicos como irritabilidade, letargia, descoordenação, dores de cabeça, além de sintomas gastrointestinais como diarreias, dores abdominais, cólicas, vômitose anorexia.

Diagnóstico O diagnóstico de pica pode ser difícil, dependendo do relato individual, que pode ser escondido pela vergonha e medo de julgamento. O profissional de saúde deve ficar atento a pacientes com queixas crônicas de problemas gastrointestinais, com anemia ferropriva, gestantes, crianças (principalmente as institucionalizadas) e indivíduos com retardo mental.

Tratamento O tratamento para a síndrome deve contemplar suas diferentes facetas, ncluindo tratamento psiquiátrico, psicológico e nutricional. A suplementação nutricional, a orientação alimentar e o tratamento psicológico devem ser concomitantes, para que se alcancem os melhores resultados. Com relação ao tratamento farmacológico, o uso se restringe a três relatos de caso: dois pacientes em que a pica era a manifestação de um TOC e uma grávida com geofagia. A terapia comportamental tem sido descrita incluindo técnicas de exposição, manipulação ambiental, vigilância, prevenção de respostas, correção e técnicas aversivas. A atenção nutricional deve ser incluída visando à redução de danos no organismo. Nas regiões onde a prática é muito arraigada, devem-se usar medidas de redução de danos a fim de que o hábito de comer substâncias não usuais não prejudique tanto a saúde. Sugerir que se use terra de buracos fundos, com menor depósito de larvas de helmintos, seria uma delas. Assar a terra antes de ingeri-la é outra boa sugestão. Em casos suspeitos, a família deve ser entrevistada e exames laboratoriais sugestivos devem ser solicitados.


TRANSTORNO DO COMER COMPULSIVO O que é Anteriormente conhecido como binge, o transtorno do comer compulsivo vem sendo reconhecido, como uma síndrome caracterizada por episódios de ingestão exagerada e compulsiva de alimentos, porém, diferentemente da bulimia nervosa, essas pessoas não tentam evitar ganho de peso com os métodos compensatórios. Os episódios vêm acompanhados de uma sensação de falta de controle sobre o ato de comer, sentimentos de culpa e de vergonha. Muitas pessoas com essa síndrome são obesas, apresentando uma história de variação de peso, pois a comida é usada para lidar com problemas psicológicos. O transtorno do comer compulsivo é encontrado em cerca de 2% da população em geral, mais freqüentemente acometendo mulheres entre 20 e 30 anos de idade. Pesquisas demonstram que 30% das pessoas que procuram tratamento para obesidade ou para perda de peso são portadoras de transtorno do comer compulsivo.

O que se sente Episódios de ingestão exagerada de alimentos. Comer mesmo sem ter fome Dietas freqüentes Flutuação do peso Humor deprimido Comer em segredo por sentimento de vergonha e culpa Obesidade

Complicações Médicas Estão relacionadas diretamente com o aumento de ingestão calorica e suas repercussões. Principais Obesidade Infarto Pressão alta Aumento do colesterol Diabete Complicações cardíacas Problemas osteomusculares e articulares

Causas As causas desse transtorno são desconhecidas. Em torno de 50% das


pessoas têm uma história de depressão. Se a depressão é causa ou efeito do transtorno, ainda não está bem claro. Muitas pessoas relatam que a raiva, a tristeza, o tédio, a ansiedade e outros sentimentos negativos podem desencadear os episódios de comilança. Embora não esteja claro o papel das dietas nesses quadros, sabe-se que, em muitos casos, os regimes excessivamente restritivos podem piorar o transtorno .

Como se trata O transtorno do comer compulsivo desenvolve-se a partir da interação de diversos fatores predisponentes biológicos, familiares, socioculturais e individuais. O seu tratamento exige uma abordagem multidisciplinar que inclui um psiquiatra, um endocrinologista, uma nutricionista e um psicólogo. O objetivo do tratamento é o controle dos episódios de comer compulsivo através de técnicas cognitivo-comportamentais e de um acompanhamento nutricional para restabelecer um hábito alimentar mais saudável. A psicoterapia dinâmica ou a interpessoal podem ajudar o paciente a lidar com questões emocionais subjacentes. O acompanhamento clínico faz-se necessário pelos riscos clínicos da obesidade. As medicações antidepressivas têm se mostrado eficazes para diminuir os episódios de compulsão alimentar e os sintomas depressivos.


Final