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Governador André Puccinelli Vice-Governadora Simone Tebet Secretária de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul Maria Nilene Badeca da Costa Secretária Adjunta de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul Cheila Cristina Vendramini Superintendente de Políticas de Educação – SUPED Roberval Angelo Furtado Coordenadoria de Educação Básica – COEB Carla de Brito Ribeiro Carvalho Gestora Katia Maria Alves Madeiros Diretora Wanda Rodrigues Serejo Diretora-Adjunta Elizabete Tcuco Nacasone Coordenadores Lisandra Klein Silvia Renata de Almeida Alves Maria Janice Garcia Ariadne da Silva Mendes Professor STE David Alexandre Camilo Professora autora do projeto Rosangela da Silva Projeto Gráfico Gustavo Lorenço da Silva


Brilhantes

• Só se você quiser



"Você é brilhante, só se você quiser".


Sumário Introdução 11 40 anos atrás 17 A conquista de um futuro 19 A briga com o irmão e a luta para estudar 21 A moça 22 A oradora 23 A primeira neta 25 A vida é uma dádiva 26 Álcool na ferida 27 Amarra Cabelo 29 As roupas de Maria 30 Bem nascida 32 Ela merece ser feliz 33 Depois de uma conversa 33 Estudioso Jõao 35 Ex-menino de rua 39 Fragmentos de vida 43 Cheio de sonhos 45 Lágrimas de alegria 47 Uma menina marcada 50 A vida de Rodrigo 52 No caminho certo 53 Nunca é tarde 57 Olhos cheios de lágrimas 58 O sonho de Alice 59 Se eu não me achar linda quem vai me achar 60 Senhora de cor parda 62 Ele só queria ter um pai 63 Vida escolar 64


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Introdução O alunado da Escola Estadual Profª Ignês de Lamônica Guimarães,situada na cidade de Campo Grande-MS, é composto por pessoas com idade acima de dezoito anos. Para atender de forma diferenciada, nós professores nos identificamos com os mesmos, cujo perfil (alunado) é singular voltado à pessoas de costumes e gerações passadas,porém com carisma de pessoas atuais, com fome de conhecimento, e ainda com interação marcante. Havia um tempo que era o tempo de pedir benção ao pai, mãe, tempo de brincar, de pular amarelinha, colocar nome nas galinhas, subir em árvores e comer das frutas mais deliciosas sem a necessidade de colocá-las na geladeira, aliás, nem todos dispunham desse conforto. Esses alunos hoje, apresentam a idade do agora, o tempo de aprender a aprender. Descobrir que asas para voar podem nascer na imaginação, na descoberta, na valorização própria. Descobrir riquezas, descobrir que o valor vai muito além do muro da escola, das páginas de um livro, além das máquinas. É o homem superando seu Ser. Fazer encantos, deslizar nos arredores das experiências, traçando os caminhos duros das provas, da desilusão das notas baixas. Revolucionando cada dia mais. As risadas nos corredores da escola aguça o crescimento do Eu. A Revolução das máquinas também é constante na vida desse aluno, ultrapassando as fronteiras do desconhecido, proporcionado o crescimento da ação sobre a sociedade na qual esse aluno está inserido. A escola continua a ser o lugar adequado que visa promoção da inclusão digital. A mesma ainda permite que o aluno de EJA( que já possui experiência de vida, conhecimento de acordo com a idade, história vivida) selecionar informação,

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tornando-o crítico, participativo e avaliador do que faz. O Projeto Conecta proporciona o aluno ser agente de própria História. Contar a própria vida e escrever em computadores, foi para alguns uma experiência boa, para outros nem tanto, mas a experiência de ser agente da História é de puro prazer. São história ricas em emoção, carinho, desilusões e tudo aquilo que muitos já sentiram e o ainda vão sentir. O importante é ler, viajar e embriagar nesse fascinante mundo chamado vida Você pode ser o próximo a escrever algo, é só querer. Boa leitura Professora Rosangela da Silva

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40 anos atrás

Há 40 anos atrás, no ano de 1971,nasceu uma linda menina fruto de um amor escondido entre a filha de um fazendeiro com um soldado pobre, lindo, filho de cigano. A pobre moça que ao ficar grávida foi ameaçada de morte ça juntamente com a menina mudaram-se para Campo Grande – MS. Aos 7 anos ela foi à escola cursar a 1° série na escola Maria Eliza Bocaiúva Correia da Costa, na Vila Margarida, lá estudou da 1° a 2° série, ai no final do ano mudou-se para a cidade de Camapuã onde voltou para a escola. Em 1984 foi estudar a 3° série; em 1985 fez a 4° série; em 1986 começou a 5ª série, mas como ela tinha muita dificuldade não conseguia aprender e abandonou a escola. Ai foi trabalhar na rua vendendo verdura, frutas, farinha polvilho; e assim foi passando o tempo. Em 1989 esta menina já quase uma mulher engravida, e sua mãe lhe diz: – Você é uma vagabunda e eu não te quero mais aqui na minha casa, ou você tira este filho ou suma daqui. Foi o que este menina quase mulher fez, saiu de casa aos 17 anos, não tinha estudo, não sabia trabalhar, não tinha noção de nada. Nove meses se passaram, nasceu o bebê e ela sozinha não tinha quase nada de enxoval, ficou triste dias nos hospital, sozinha sem comida, sem dinheiro, sem casa e sem apoio. Ao ganhar alta ia passando um jovem rapaz de apenas 22 anos de idade, olhou para ela em pé na porta e disse: – Você está mais linda do que antes, eu sempre te amei! Ela contou o que havia acontecido ao rapaz que a levou para a sua casa. Cuidou dela e do bebê, quando passaram 40 dias ele disse a ela: “Quer se casar comigo”? E ela respondeu que sim. Os dois se casaram tiveram mais 2 filhos e

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viveram juntos por mais 20 anos. Depois acabou o respeito, o amor e eles de separaram, agora ele com 42 anos e ela com 40 anos, vão recomeçar as suas vidas. Ela está estudando, os filhos já estão criados e ela pretende ir para a faculdade e viver tudo aquilo que não viveu e ser feliz.■

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A conquista de um futuro

Nasceu no dia 15 de janeiro de 1971 na cidade de Ponta Porã. Aos seis anos de idade os pais resolveram se mudar para cidade de Campo-Grande devido a grande onda de violência, tráfico, contrabando, máfias e outros que existia e talvez ainda exista naquele local. Iniciou os estudos aos sete anos, era uma criança pacata que se envolvia facilmente naquilo no que aprendia. Sempre determinado a ter boas notas, não era nada difícil passar de ano, isso aconteceu até a 7º série. Começou a trabalhar cedo, por esse motivo deixou os estudos de lado. Garoto que encarava qualquer tipo de trabalho sempre determinado a fazer o melhor. Tentou voltar a estudar, mas desta vez com más influências, daí abandonou novamente os estudos ficando assim estacionado desde o ano de 1987. Desde criança foi apaixonado por música, se identificava com as letras que ouvia e se envolvia com a harmonia das melodias dos instrumentos, observando a performance dos músicos nos palcos não teve dúvidas que seria ser músico, daí comprou seu primeiro violão e começou a frequentar aulas de músicas, mas como todo começo, foi difícil. Persistindo nos primeiros acordes que aprendera de maneira autodidata foi melhorando cada vez mais. Inúmeras histórias dele com a música aconteceram: aprendeu a tocar violão, guitarra e baixo; compunha suas próprias músicas e as produzia; registrou diversas delas, mas não estava satisfeito com o que estava acontecendo porque não era dessa forma que iria sustentar a sua família. Desempregado numa tarde de um dia qualquer da semana encontrou um velho amigo que adorava música, o senhor perguntou se queria trabalhar com ele. O rapaz respondeu que não conhecia as ferramentas necessárias para

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o serviço. O velho amigo lhe disse que isso não seria problema, pois ensinaria tudo. Então o jovem aceitou o desafio. Ele não tinha profissão, não tinha estudo, no entanto começou a trabalhar na área técnica de ajudante de mecânica de elevadores. Aprendeu princípios básicos de mecânica, elétrica e segurança no trabalho. Apaixonouse por manutenção nas áreas técnicas de máquinas, motores, elevadores, compressores, ar condicionado e indústrias. Salas de treinamento passaram a fazer parte da vida desse jovem. Com a tecnologia cada vez mais presente e com a exigência do mercado de trabalho o conhecimento seria o melhor caminho para ele. Foram muitos cursos profissionalizantes e a vivência no campo de trabalho fez desse jovem um veterano na área. Profissional conceituado nas empresas por onde passou, o que ninguém imaginava é que esse cidadão não tem o ensino fundamental e o interessante é que apenas através de currículos conseguiu ingressar em empresas de grande porte sem os estudos exigidos. Admirado pelos colegas de trabalho por ser grande profissional e pessoa de visão ampla na área (hoje atuando como eletricista industrial) todos ainda pensam que ele é técnico ou engenheiro, sendo que naquele setor só trabalham técnicos e engenheiros elétricos. Acostumado com esses fatos nunca se preocupou com os estudos já que tinha uma profissão definida, mas veio de repente um pensamento bombástico que disse: ”Quero melhorar de cargo, vou estudar e traçar mais um objetivo antes de outros que virão”. Por isso, esse cidadão regressa a escola depois de muito tempo, querendo reviver todo processo de aprendizado que é a base fundamental de tudo aquilo que conquistamos ou que iremos conquistar.■

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A briga com o irmão e a luta para estudar

Na infância uma menina gostava muito de brincar de boneca, pular corda e outras brincadeiras, morava na cidade de Aquidauana desde os 3 anos de idade até os 18 anos com sua mãe e seus dois irmãos. O irmão mais velho era muito bravo, ele sempre implicava com tudo em casa, era muito rigoroso, até com as comidas que faziam. Um dia quando a menina fez uma comida que ele não gostou, o rapaz ficou muito irado e os dois começaram a discutir muito, ela já estava mais ou menos com seus 13 anos. Então derrepente ele pegou o chinelo de seu pé e jogou nela, mas não acertou, e no mesmo instante ele largou o prato em cima da cama onde estava sentado comendo, correu atrás da menina, ela fugiu em direção a rua, subiu ladeiras e correu muito, no entanto ele só foi desistir depois um bom tempo. O irmão mais velho voltou para a casa e quando a mãe deles chegou defendeu a menina, mas sempre os irmãos estavam tendo desentendimento. Na escola ela gostava muito de estudar até chegar a idade dos 15 anos, nesta época começou a desanimar faltava muito, se juntava com os colegas, ai para outros lugares, daí foi ficando cada vez mais difícil passar de ano porque havia um desinteresse muito grande. Sua mãe sempre quando ela parava de estudar colocava para trabalhar em casa de família como babá, sempre morando no emprego. Como foi ficando difícil para estudar ela toda vez desistia no meio do ano. Então na idade adulta tentava ir para a escola, as vezes um ano e parava. Mas agora aos 43 anos pretende terminar os estudos e fazer cursos para arrumar um emprego melhor. ■

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A moça

A moça Ana Claudia nasceu em Aquidauana e estudou na escola estadual Valentino até à 8 série. Depois se casou com um rapaz aos seus 14 anos de idade, passaram 8 anos casados e juntos tiveram 2 filhos. Tendo que ir embora para Campo Grande parou de estudar, pois tinha que tomar conta de casa sozinha porque se separou do marido; ele era muito safado. Ela começou a trabalhar tem agora uma vida estável.■

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A oradora

Nasci no ano de 1958, em uma fazenda de nome Nova Esperança, em um lugarejo conhecido como São Vitor no município de Governador Valadares – MG, lá morei até os seis anos, e por motivo de doença meu pai foi forçado a vender a fazenda. Mudamos para Baguarí, outro distrito de Governador Valadares. Aos sete anos iniciei os estudos e me destaquei como oradora oficial da escola, e várias vezes juntamente com os representantes da minha escola recebíamos o prefeito, vereadores e até o governador, e lá estava eu discursando para eles. Aos onze anos concluí o primário, e por me destacar como aluna exemplar a diretora da escola conversou com meus pais, pois queria me levar para Governador Valadares para continuar os meus estudos. Fiz um exame de nome admissão e fui contemplada com uma bolsa de estudos em uma escola particular por nome G.O.I. Porém meu pai por razões culturais não permitiu minha saída para estudar fora, ele dizia que seu pai havia lhe ensinado que filha mulher não precisava ter muito estudo, mulher era para ser ensinada e criada para ser boa esposa e boa mãe; e com estas palavras o meu sonho de estudar foi interrompido. Aos dezessete anos me casei, deste casamento tive seis filhos. Então eu vi um meio de realizar meu sonho, através dos meus filhos, incentivando-os, estudando com eles e dando tudo de mim, claro, naquilo que eu sabia. Nunca parei de ler, e isto me ajudou muito há manter o pouco que eu aprendi. Hoje meus seis filhos são formados, quatro deles tem curso universitário, um é formado em um curso profissionalizante e outro fez o ensino médio. Nunca perdi o desejo de estudar, hoje tenho cinquenta e dois anos, e voltei às aulas, conclui o ensino fundamental aqui no Ignês de Lamônica e estou cursando o

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ensino médio. “Se Deus quiser ainda quero cursar um ensino superior”. Sinto muito prazer em dizer: “Eu sei que não sou tudo o que deveria ser, mas também não sou mais o que eu era, pois o estudo me renovou e me deu confiança, me fez ver que eu posso e tenho condições de chegar perto de qualquer pessoa para conversar, pois não sou mais um no meio da multidão.” ■

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A primeira neta

Quando nasci numa cidade de Campo Grande MS minha família se alegrou, pois eu seria a primeira neta. Sou o tipo de pessoa que não faz exceção de pessoas pois eu acredito que devemos tratar todos iguais, tanto que eu muitas vezes tentei fazer alguns cursos para se profissionalizar, eu gosto de fazer curso. Sou uma pessoa que adora a Deus sou evangélica e minha família também. Sou muito atenciosa com as coisas. Lembro que já morei numa fazenda chamada Nova Campo Grande, lá tive minha infância até os 8 anos de idade. Voltei para Campo Grande e depois fui para a cidade de Bela Vista onde fiquei até meus 11 anos. Depois retornei e comecei a trabalhar como babá. Sou o tipo de pessoa que não gosta das coisas de mau jeito. Devemos ajudar muito as pessoas sem exceção. Tanto desde o dia que descobri que tinha uma faculdade com o nome de Assistência Social, ai resolvi fazer esta faculdade pois muitas pessoas me ajudaram e eu tenho a consciência de que posso ajudar outras pessoas. Ajudar a ter sustentabilidade, a ter respeito a outras pessoas, como: por favor, muito obrigado, com licença. Hoje em dia isso não existe mais, são coisas de antigamente só os nossos antepassados que nos ensinavam isto, mas muito sabem respeito, mas não praticam. Eu saí de uma família de ética que me ensinavam a ter respeito pelos mais velhos.■

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A vida é uma dádiva

Nasci no meio de uma família pobre do interior, o meu pai e r a homem do campo, da roça e lida com gado, morava em diversas fazendas, sempre em busca do sustento da prole. A conscientização de minha existência como um ser vivente foi mais ou menos a partir da idade de sete anos. Na adolescência, os primeiros anos na escola foram de grandes sensações para um menino simples do campo. Com a chegada da juventude vieram os primeiros anseios, as primeiras aspirações. As necessidades financeiras dos meus genitores ainda persistiam, então começa um período de expectativa como alcançar uma posição favorável. Aos dezoito anos, vem o período de prestar serviços à pátria, é quando os estudos são interrompidos. Ao final deste compromisso veio o casamento e consequentemente o primeiro filho, o segundo e até o quinto. Adeus colégio tenho que trabalhar se não... Hoje, graças a Deus, eles estão todos encaminhados na vida não dependem mais de mim, pelo contrário, houve aqui uma inversão de papéis. E para maior contentamento, voltei para sala de aula, não mais por necessidade de um bom emprego mas para adquirir conhecimentos. Isto ocorreu por incentivo dos meus amados filhos. Espero concluir alguma faculdade se Deus não me convidar para outras tarefas no Além. Concluindo esse relato quero caracterizar o seguinte, a vida é para ser vivida em toda a sua intensidade conforme do que dispomos, no tocante, aos bens materiais. O dinheiro não é o mais importante, o que vale e o bom relacionamento com todos os que nos circundam, além disso, outros valores como o amor, carinho, dedicação e grandes amizades. A vida é uma dádiva do

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criador, portanto amemos a vida, amando a nos mesmos e aos demais.■


Álcool na ferida

Maria Eduarda e seu irmão sempre iam à mercearia comprar pão para sua mãe. Um belo dia na caminhada fazendo este trajeto o irmão de Maria Eduarda levou o estilingue para brincar. Alexandre disse para sua irmã sair correndo porque se ela não fizesse isso ele iria acertar uma pedra nela, mais que depressa a garota saiu correndo, escorregou e caiu rolando no cascalho, ralou a perna e começou a chorar dizendo que ia contar todo para a mãe. Ao chegar em casa sua mãe vendo que estava machucada foi logo perguntando o que aconteceu e em seguida pegou álcool iodado e passou no ferimento. Depois de ter recebido os cuidados da mãe Maria Eduarda foi conversar com o irmão e logo tudo voltou ao normal.■

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Amarra Cabelo

Eu nasci na fazenda Sapé num lugar chamado Amarra Cabelo. Fui morar com meus pais e irmãos na roça, nossa casa era feita de pau coberta de sapé toda coberta de barro. Nós tivemos que ajudar nossos pais ainda crianças na lida com a vida, não tínhamos tudo pronto como hoje. Meu pai plantava arroz, feijão, milho, abóbora, quiabo, mandioca, maxixi, batata doce, criava porco e galinha para comermos. Achava bom colher feijão e socar arroz no pilão para o almoço e janta. Com 5 anos ajudava a minha mãe a fazer a comida, quando ficava pronta comia e ara a primeira que falava para mãe vou levar a comida pro pai na roça tá. Sabe, porque gostava de levar comida. Um dia fiz uma arapuca de taboca, colocava uma furquilha e armava na roça Lambu pro jantar.Quando chegava ela estava lá dentro da arapuca levava lá dentro da arapuca levava pra casa contente minha mãe ma e limpava para fazer frita, adorava comer. Meu Pai fazia foquei de São João para aquecermos a noite, gostava muito porque assava milho, batata doce e mandioca. Víamos cobra dentro de casa, ouvíamos piado no mato, os meus pais falavam que não era cobra era piado de angola. Aí crescemos um pouco e meu pai falou, vamos mudar para Amarra Cabelo centro, vou continuar trabalhando na roça. Nós nos mudamos e acabamos nos acostumamos a morar na cidade, muitos vizinhos e os filhos deles sabiam brincadeiras legais, como o cai no poço, cobra cega, passa anel, corre cutia, chicotinho, tape, pular elástico e pular corda essas brincadeiras eram as que eu mais gostava. Seria tão bom se hoje fosse como antes, felizes um com os outros, irmãos unidos, pais sempre juntos, amigos verdadeiros, só que não é mais assim, falta Deus no coração das pessoas em geral para serem felizes pense nisso. Eu sou feliz tive e uma infância feliz.■

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As roupas de Maria

Maria com 3 anos de idade perdeu o pai que era de família de descendentes orientais (Japão). Viveu com a mãe até os 12 anos de idade tendo uma vida difícil porque moravam em um sítio onde quase tudo era impossível. Com muita garra e perseverança a mãe tentava levar a vida, pois sozinha e com 5 filhos pequenos tinha que trabalhar e por tudo dentro do possível em casa. Quando Maria estava com 14 anos a mãe casou-se novamente e junto com o novo pai chegaram as brigas e intrigas. A irmã mais velha estava namorando um brasileiro, que por sinal hoje é marido dela. A mãe como de costume era contra essa relação, porque fazia parte da cultura os pais só aceitarem relacionamento com pessoas da mesma descendência, sendo assim não aceitavam o relacionamentos com brasileiros para que não misturassem a raça. Era comum ouvir isso. Com esse pensamento ela foi contra o namoro da irmã e a maior desavença da época aconteceu, a irmã mais velha decidiu fugir e casar-se. Diante de tantos problemas a mãe resolveu separar os outros filhos, Maria e sua irmã menor enviou-as para a casa de parentes no Estado de São Paulo, estudavam, cuidavam da casa, recebiam comida, moradia e em troca teriam o direito a usar as roupas que não lhes serviam mais. Um dia sua irmã resolveu comer algo que estava na geladeira, (era proibido comer sem a permissão) a tia descobriu e ficou muito brava, bateu

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na irmã de Maria para servir de exemplo, depois as duas foram encaminhadas para casa de outro parente. Era muita humilhação, não ter pai, nem mãe para defender crianças que desejavam apenas viver com alegria e satisfação. Foram encaminhadas a morar em casa de parentes do padrasto, em uma cidade vizinha do sítio da mãe, porém continuavam o trabalho doméstico em troca de roupa usada, comida e pouso, porém o estudo era algo que acontecia em suas vidas, mas com pouca relevância. Maria persistia sempre em aceitar o que era imposto pela família, quase não dava motivos para ir contra os costumes dos orientais. Mas sua outra irmã resolveu namorar e mais uma vez um brasileiro surgia como um redemoinho de emoções. Ela também fugiu, casando-se e Maria foi morar em sua casa. Maria conseguiu emprego retomou os estudos com mais ânimo. Porém na escola, já com 18 anos começou a namorar e acreditem, era um brasileiro, mas para não provocar tristeza em família Maria pede a mãe e a mesma aceita, devido aos desencantos do passado tudo correu bem. Compraram móveis casaram, mas a vida de casada não é tão fácil como imaginava, ficando difícil conciliar casa e escola. Decide parar de estudar e dedicar-se ao marido, casa e trabalho. Para alegria de todos logo engravidara sem planejamento, o filho nasce e o trabalho era necessário. Porém surge um momento em que Maria resolve parar de trabalhar.Mas como em todo casamento há momentos de alegria outros de desencantos, com Maria não foi diferente, a traição era algo que não acreditava que poderia acontecer, ela decidiu pela separação, mas a cultura mais uma vez foi imposta nessa situação. A sogra e a mãe de Maria decidiram fazer intervenção nessa situação e a mesma permanece na vida de casada, mas com o coração dilacerado surge uma oportunidade para morar no Japão e essa oportunidade seria a porta para o novo, para a vida nova, longe dos problemas, era esse o pensamento de Maria. Os filhos ficaram no Brasil e esteve por várias vezes entre Japão e Brasil. ■

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Bem nascida

Bem nascida no dia 13 de abril de 1981 vivia com a mãe o pai e dois irmãos na cidade de Campo Grande. Estudava na escola perto de casa, pois todos trabalhavam e ela tinha que cuidar dos irmãos. Começou a namorar com 15 anos, aos 17 casou-se e foi morar no centro da cidade. Teve 2 filhos lindos que são a razão da dela, um menino e uma menina. Ficou 13 anos sem estudar, mais queria voltar à escola com sua vida mais estável e com seu marido menos ciumento que ama muito. Ela voltou à escola que adora de coração com muita dificuldade, mas muito feliz porque foi recebida com atenção por todos os professores. Ela tem a ambição de fazer uma faculdade e continuar estudando porque isso a deixa muito realizada. ■

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Ela merece ser feliz

Era uma vez uma menina que nasceu na cidade de Coxim, muito pequena se mudou para São Paulo e lá frequentou a escola até os dez anos de idade. Parou os estudos aos quinze anos porque quis trabalhar. Hoje sabe que precisa voltar à escola, pois o mercado de trabalho exige uma boa qualificação. Quer fazer o curso de pedagogia. Esta mulher é casada há vinte anos, tem uma filha linda que se casou em 19 de março de 2011 e que esta fazendo faculdade de designer. Esta mulher gosta muito de ir a igreja porque é evangélica. Ela trabalha em uma escola sendo recriadora e quer crescer profissionalmente, é muito esforçada e merece ser feliz para sempre. ■

Depois de uma conversa

Certo menino que morava numa pequena cidade do interior adorava jogar bola, mas não gostava estudar, ele não ouvia seus pais que o alertava em relação aos estudos. De família pobre, seu era pai pedreiro e sua mãe empregada doméstica, os dois trabalhavam muito por não ter estudo e não queria o mesmo futuro para filho. Mesmo sabendo do esforço dos seus pais ele não estudou, quando adquiriu certa idade começou a trabalhar em uma oficina mecânica e desistiu de estudar. O rapaz era sempre muito dedicado com seu trabalho, certa vez um amigo da época de escola estacionou seu carro na oficina onde trabalhava, e os dois começaram a conversar lembrando o tempo em que estudaram juntos.

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Depois de muito conversa o rapaz da oficina perguntou qual a profissão do amigo, ele respondeu que continuou estudando e se formou em medicina, a conversa continuou e o amigo médico perguntou para ele o motivo de ter parado de estudar, o rapaz respondeu que nunca gostou dos estudos, achava que não faria diferença na vida. Depois que o colega formado em medicina foi embora ele ficou pensativo, pegou sua bicicleta e foi para casa, no caminho ficava questionando que se tivesse estudado estaria em uma situação melhor, então ele tomou coragem e voltou a estudar, viu que sem estudo e uma qualificação profissional não conseguiria atingir seus objetivos. Trabalhando e estudando conseguiu terminar o Ensino Médio, e já se preparava em fazer um curso superior. Como trabalhava numa oficina mecânica prestou vestibular para engenheiro mecânico e foi aprovado. Ao se formar recebeu um convite para trabalhar em uma grande empresa com salário que ele nunca sonharia em receber, daí viu que sem o estudo ele não conseguiria chegar no lugar onde chegou e realizar seus sonhos. ■

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Estudioso João

Na região de Maracajú mais especificamente na vila Juquita morava um jovem moreno descente de japonês okinawa com espanhol. Os avós maternos desse jovem eram descendentes de japonês proveniente da ilha de Okinawa, vieram imigrando pela América do Norte, chegando ao Brasil através do oceano Pacífico adentrando à Bolívia. Na época aproximadamente 1840, no século IIX essa expedição se deu o fato da segunda migração japonesa no Brasil. Os avós paternos desse jovem era de descendência espanhola já habitantes do Brasil desde a colonização. Dessa união nasceu João no dia 03 de novembro de 1961. E sua infância até os cinco anos viveu na cidade de Maracajú. Seu pai era ferroviário em 1966 foi transferido para a cidade de Ponta Porã onde trabalhou até 1970 quando se aposentou e no mesmo ano em junho veio a falecer. Na infância de João em Ponta Porã iniciou aos cinco anos sua vida escolar em casa mesmo por sua irmã mais velha que lhe tomava lições através das chamadas cartilhas. Foi privado várias vezes de brincadeiras com colegas para dedicar-se as atividades. Em 1966 começou a estudar em uma escola particular primária, como já tinha conhecimento avançado do conteúdo da cartilha a professora disse-lhe que teria que estudar em uma escola com ensino mais avançado. Em1968 foi matriculado em uma escola estadual de primeiro grau chamada grupo escolar Mendes Gonçalves, estudando lá até 1971 onde concluiu o quarto ano. Em 1971 naquela época para matricular-se no quinto ano tinha que cursar um ano de um curso chamado Programa de Admissão, como se fosse um curso preparatório caso passasse poderia então ser matriculado, como conseguiu média oito estava então preparado para iniciar, agora no colégio Paroquial São José dos padres redentoristas de Ponta Porã, estudou lá até a sexta série. ■

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João inicia o seu primeiro emprego de carteira assinada no ano de 1974, menor de idade foi admitido com salário mínimo. As dificuldades de conciliar trabalho com estudo apareceram nesta época, João morava com sua mãe viúva de seu pai, ela sobrevivia somente com uma pensão trabalhista deixada por ele paga pela empresa de rede ferroviária federal. Então surge a necessidade de trabalhar para ajudar sua mãe a manter seu sustento, sendo assim foi obrigado a parar de estudar, pois não tinha idade para matricular-se num período noturno. Em 1978 João sai do seu primeiro emprego que trabalhou durante quatro anos para ingressar numa agência bancária do Banco Financial de Mato Grosso. Deixando assim os estudos em segundo plano, João não concluiu o ensino fundamental mesmo agora com idade de estudar no período noturno, veio então a época de namoro, noivado e casamento ficando cada vez mais difícil para João continuar seus estudos. Agora passado trinta e dois anos de estudos João sente a necessidade de continuar, pois agora trabalha em uma empresa que vai se tornar uma indústria e necessita de qualificação técnica, para isso tem de terminar o fundamental e o médio agora e correr para recuperar o tampo deixado para trás. O garoto João se lembra de uma frase de sua mãe que dizia: ”Estuda menino” ■

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Ex-menino de rua

Nasci em 1972, na cidade d e Campo Grande – MS, com poucos dias de nascido fui para fazenda em uma cidade de nome Poconé- MT, lá fui criado com meu irmão. Somos cinco, três homens e duas mulheres, com mais um homem de criação ao todo somos seis. Com quinze anos perdi meu pai e minha mãe. Foi um dos dias mais triste da minha vida porque perdi os dois em um acidente de carro, de forma brutal. Logo fui expulso de casa pelos meus irmãos, peguei carona com um caminhoneiro com destino a Campo Grande. Morei na rua até os vinte e sete anos, vivia catando latinhas e carpindo terreno dos outros para sobreviver. Um dia eu estava dormindo na calçada da Igreja Deus é amor na rua Barão do Rio Branco em Campo Grande quando um pastor me pegou pelo braço e levou para dentro da Igreja, tempos depois me converti. Houve um momento em que eu estive preso, pagando por coisa que não tinha feito, eu falei comigo mesmo: “Oh! Meu Deus, se você é um Deus verdadeiro me ajude aqui agora.” Foi quando um homem entrou e pediu para falar comigo, mas o policial não queria deixar. O homem abriu sua carteira e foi aí que ao ver que ele era um coronel da polícia, o carcereiro foi abrindo a cela e o homem me disse: “Vim para te buscar e para levar para morar em minha casa, sei que é inocente. Eu sorrindo agradeci a Deus.” Hoje tenho trinta e nove anos, gosto de estudar e aproveitar as oportunidades que me deram, gosto de escrever poesias e sou apegado demais a uma sobrinha. Meu maior sonho é me formar em assistente social. Às vezes entro em meu quarto e lá fico chorando lembrando dos tempos passados, quando passei frio, fome. Mas retomo logo a atual vida.Sou feliz a meu modo.Vou escrever um poema para aqueles que estão estudando hoje.

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“Se você tem um sonho, não desista, vá em frente que vocês vencerão, pois Deus está em sua frente, basta acreditar.” Hoje faço parte de um grupo que gravou um CD na Igreja. Sou o tecladista de lá. Assinado: Ex-menino de rua. ■

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Fragmentos da vida

Por volta 1947, na idade de seis a sete anos, residindo em uma fazenda no município de Ribas do Rio Pardo, onde meu pai era capataz por um determinado período. Nesta época o meio de transporte dos produtos de uso era o carro de boi. Mais precisamente carro mineiro, a sim denominado por ser originário do Estado de Minas Gerais. O centro de abastecimento, como: sal, açúcar, medicamentos, tecidos, calçados e outros eram em Campo Grande. Da fazenda traziam-se produtos lá produzidos, tais como: porco gordo, couro de boi ou de animais silvestres, cereais, arroz, feijão e etc. Estas viagens aconteciam uma ou duas vezes ao ano. Formava-se um comboio de três quatro ou mais veículos desta natureza. Carregados com os produtos da terra, iniciava-se a viagem. Durante o percurso de mais de cem quilômetros, vários pernoites eram necessários. Geralmente em fazendas ou moradores da beira da estrada. Mas podia acontecer de o percurso, por ser um tanto logo, não alcançar o objetivo. Tento então que improvisar um acampamento, para o pernoite. Escolhia-se um local de fácil acesso com água de um riacho, e ali passavam à noite. Este trajeto gastava vários dias, pois o carro de boi se movia lentamente. Percorrendo mais ou menos vinte quilômetros por dia. E assim eram os bons tempos, hoje só restam recordações. Tempos felizes que não voltam, nunca mais. Quando ainda pequeno, aos oito ou nove anos de idade é que comecei a estudar. Naquela época, 1951 os anos disciplinares tinham a seguinte sequência: primeiro A, B, e C posteriormente o segundo ano; o terceiro ano e o quarto. Aí começava a grande escalada, quem estava bem preparado ou quem não estava — o meu caso — pois estes primeiros anos os cursei em colégio estadual de

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um lugarejo que hoje já se apagou do mapa. Tinha por nome, Bomfim, não sei explicar a origem do nome, um município de Jaraguarí, morava em um pequeno sítio, a uns três ou quatro quilômetro os quais eram caminhados a pé todos os dias fizesse sol ou chuva, com os pés no chão pois só obtive meu primeiro calçado aos onze anos de idade, até então nem chinelos, dado a escassez de finanças. Mas como já disse, o meu preparo primário não foi suficiente para ingressar-me no curso ginasial (como era chamado na época). O que me obrigou a cursar um ano denominado de admissão ao ginásio. Após esta via cruci é que consegui matricula no Colégio Osvaldo Cruz, o famoso COC. Nesta época a iluminação elétrica era um tanto precária em nossa querida Campo Grande, a energia produzida por um gerador funcionava a diesel no período noturno, era frequente a escassez de energia em algumas regiões. Por coincidência, isso acontecia nas imediações do colégio. Hoje se localiza o Mercado Municipal, bem de frente onde estudava, era um grande espaço onde todo o colegiado se agrupava aguardando que a luz clareasse. Como não acontecia, já tínhamos destino certo e obrigatório que era o cinema. As empresas Pedduty com três endereços. Cine Rialto da elite, Alhãmbra dos médios e Santa. Helena dos periféricos. Detalhe, não era permitido adentrar no cinema com pastas ou com livros debaixo do braço, solução enfiá-los por dentro das calças e soltar a camisa por cima encolher a barriga. Resultado no fim de um ano letivo, reprovados. Um fato que merece destaque, antes de meu ingresso no Osvaldo Cruz teve uma passagem por Camapuã motivo meu pai tinha por profissão, capataz de fazenda e assim foi tomar conta de uma naquele município, foi onde estudei o curso de admissão. Esta ocorrência se deu no ano de 1954 em que o grande Getúlio Vargas morreu. Após três anos perdidos no Osvaldo Cruz fui transferido para o Colégio Saleziano Dom Bosco. A partir deste período que assumi a postura de estudante,


primeiro pelo receio da disciplina dos padres, segundo para não perder ponto perante os demais, e nunca mais reprovei. Porém o que mais me impulsionou foi adentrar um ambiente freqüentado pela elite do estado, filhos de grandes fazendeiros criadores de gado ou agricultores de renome, por outro lado os filhos de comerciantes de alto gabarito. E eu um reles roceiro, mais parecia um barquinho sem vela naquele mar de ricos. Para não perder pontos estava sempre entre os melhores. Mas tudo na vida é uma seqüência de acontecimentos, o tempo passa e a idade também. É chegado o momento de vestir a farda verde oliva do Exercito Brasileiro, e o colégio foi relegado a segundo plano. Passados cinquenta e um anos eis que volto as aulas. Seguindo aquele preceito que diz, nunca é tarde para aprender! O saber não ocupa lugar. ■

Cheio de sonhos

Certa vez havia um menino muito humilde, ele era de uma família muito pobre, seus pais trabalhavam incansavelmente todos os dias na roça para que pudessem trazer alimentos à seus filhos. Enquanto seus pais trabalhavam este menino tinha que cuidar de seus cinco irmãos, todos menores que ele. Este menino tinha muitos sonhos, mas não tinha condições, nem mesmo de estudar, por morar sempre em fazendas muito longe das escolas. Ele foi crescendo, crescendo, até que um dia se tornou um jovem adolescente. Então por conta própria foi à busca de estudos e fez na época o antigo Mobral. Estudou um ano e conseguiu-se alfabetizar, logo em seguida matriculou-se em uma escola estadual conseguindo cursar a quinta série com muito entusiasmo e dificuldade.

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Quanto se tornou adulto, casou e ficou muito tempo sem retornar à escola. Vinte e quatro anos se passaram e seu sonho parecia estar a cada dia mais distante por ter se dedicado tanto à família. Em certo dia, quando levava sua filha para faculdade com muito entusiasmo por ela fazer medicina tomou a decisão de voltar a estudar. Foi em busca de uma escola que desce a ele uma oportunidade. Para sua grande felicidade encontrou a escola Prof Ignês De Lamônica Guimarães, uma escola fabulosa, direção espetacular, professores excepcionais, não somente professores mas amigos de verdade. Este menino que já não é mais um menino prodígio, e sim um homem cheio de sonhos que voltará a brilhar como na sua infância, sabe que adquirindo conhecimentos chegará a tão sonhada faculdade de engenharia e arquitetura. “Como é bom expressar aquilo que sonhamos, melhor ainda é estar indo a luta pela realização do sonho.” ■

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Lágrimas de alegria

Certa época um rapaz com 18 anos encontrou uma jovem de 16 anos, se apaixonaram e o namoro aconteceu. Ele estudava durante a noite e trabalhava durante o dia, conseguia estar com essa pessoa somente nos finais de semanas. Ela tinha o mesmo ritmo de vida deste rapaz, ficaram juntos durante quatro anos entre namoro e noivado, até ela ficar grávida. Uma linda cerimônia aconteceu, depois de nove meses a criança nasceu. Era uma linda menina e muitas lágrimas de alegria confirmavam o dia mais feliz deste rapaz. A cada dia que passava a garotinha ficava mais linda e esperta e a harmonia era muita. Quando menos se esperava , lá estava a esposa com mais uma novidade , era um lindo garoto que estava chegando depois de um ano e meio da chegada da menina. Agora teriam que sustentar os dois e o trabalho foi a primeira opção que encontraram para continuar como estava antes, mas com dois bebês. Resolveram que somente poderiam trabalhar, pois o tempo era curto e estudar ficou para segundo plano. Os dois tinham vários objetivos, só que trabalhavam muito e a renda era pouca. Ela era descendente de japoneses e ele brasileiro, começaram então a buscar um meio de trabalhar e ter uma boa renda.Quando os bebês estavam começando a estudar os pais resolveram ir para o Japão. Ficaram neste país treze anos entre idas e voltas, conseguiram os objetivos, mas hoje não vivem mais juntos. Estão no Brasil e cada um vive sua vida. Os filhos cresceram, fazem faculdade e trabalham, todos levam uma vida de muitos esforços, e estão felizes, isso já é um dos objetivos. ■

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Uma menina marcada

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Oi sou Maria José uma menina muito feliz. Vou com minha mãe todos os dias ao trabalho dela, ela é cozinheira num restaurante em frente da sede de futebol do operário. Fico sentada numa cadeirinha até ela fazer todo o serviço. As vezes fico com uma senhora chamada dona Aparecida que tem uma chácara aqui no bairro, perto do serviço da minha mãe.Vocês não acreditam que num quando minha mãe chegou para me levar para casa eu estava brincando com os porcos no chiqueiro da chácara. A dona Aparecida bebia todos os dias, mas minha mãe nem desconfiava. Um dia ela me dando banho me derrubou do tanque, quebrei o braço. A pesar de tudo era boa pra mim, não me batia, gostava muito da minha mãe, as duas eram muito amigas. Hoje eu entendo que ela ajudava muito minha mãe. Minha mãe apareceu grávida, daí fomos numa fazenda muito longe atrás do pai, quando chegamos lá ele nos recebeu de braços abertos. Passado um tempo nós mudamos para a fazenda, fiquei muito feliz, eu estava com um dez anos e me lembro de muitas coisas: brincava no rio com meu pai, pescava, comia goiaba no pé, laranja, pokan, andava a cavalo, muita coisas boas aconteceram até irmos para a cidade. Nós vínhamos uma vez por mês, eu não gostava, porque os meninos que moravam no bairro judiavam de mim. Eles esticavam corda na rua quando eu passava, me derrubavam e quebravam as minhas pernas quando íamos jogar bola. Mas o pior de tudo foi quando eu tinha 12 anos, ficando moça. Eu estava dormindo, minha mãe tinha saído muito cedo para ir ao médico. Alguém me molestou fiquei traumatizada, não tive coragem para olhar mais quando ele parou, eu olhei era um homem moreno ele estava de costa, ele não viu que eu estava olhando, fingi que estava dormindo, não gosto de falar neste assunto


porque quando tentei falar ninguém acreditou, acharam que estava mentindo. Acho que isto me afetou, mas não me impedir de amar. Poderia escrever um livro. Minha história é muito grande e muito triste, fico por aqui. Beijo de uma menina marcada. ■

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A vida de Rodrigo

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O menino Rodrigo nasceu em Jardim, teve uma infância até um pouco boa, mas teve vários problemas com sua família por ser um menino muito rebelde. Quando começou a estudar na primeira série ele no primeiro dia de aula já arrumou uma briga com seu colega. Rodrigo era muito impaciente, nervoso e briguento. Passado um ano já na sua 2ª série ele já foi um dos melhores alunos da sua sala com direito a diploma de melhor aluno. Aquilo foi muito legal para ele. Na sua 3ª série estava bem na escola, tinha boas notas, mas naquele mesmo ano ele estava com um problema com seus pais: os dois estavam se separando. Rodrigo teve que ir embora com sua mãe para Guia Lopes Da Laguna. Moraram 3 anos juntos, mais teve que ir embora por conta de ser um menino muito rebelde, então foi morar com seu pai que trabalhava na Funasa o dia todo em Campo Grande, lá o garoto ficava em casa sozinho. Seu pai só era bom quando estava sóbrio, ele era alcoólatra e costumava tomar cerveja. A única coisa que o pai pedia era para o garoto estudar para ter um bom futuro, mas o Rodrigo por sua vez rebelde só queria zuar, brincar, e nada de estudar. Depois de ficar com o pai 3 anos os dois estavam com uma relação ruim. Rodrigo por sua vez foi morar com sua irmã em outra cidade, para não ter atritos com seu pai que estava descontrolado por conta do álcool. Lá com sua irmã Rodrigo estava bem, mais tinha muitos atritos com seu sobrinho, João Pedro. Morou um ano e três meses com sua irmã, até quando não deu mais certo sua morada. Resolveu voltar para Campo Grande novamente. Na volta para a capital decidiu um destino diferente para sua vida. Ao chegar na cidade foi


morar com sua amiga Jaqueline.Moraram os dois juntos 3 meses até ele arrumar um quarto onde ficaria sozinho.Agora Rodrigo está estudando e trabalhando para garantir um futuro melhor para sua vida agora que esta só. ■

No caminho certo

A primeira lembrança que ele tem é de quando ele tinha seis anos de idade então vamos começar por aí! João é um garoto simpático, entra na escola com seis anos de idade, já sabia ler e escrever, fazer contas e desenhar, uma tia já havia lhe ensinado, na escola ele se diverte, tira boas notas, porém a professora dele batia nele. Até hoje não sabe o motivo. Sua tia vendo aquelas marcas pressionou e João disse o que estava acontecendo, a tia foi até a escola e consegue trocar João de turma. Até os sete anos João mora com uma tia e seus três primos uma menina de dois anos, outra de quatro e seu primo favorito com seis anos, seu melhor amigo.Os dois eram como irmãos, jogavam bolitas, soltavam pipa, até arrumavam brigas juntos. Até que um dia sua tia teve que viajar com seus primos e João ficou morando com sua vó. A mesma reclamava muito de coisas que para João eram banais. O mesmo se vê obrigado a ajudar sua avó, começa a catar latinha por perto de casa, depois mais longe, mais longe. João estudava a tarde e pela manhã catava sucata, com sete anos ele passou para o segundo ano na escola, para o azar dele era aquela professora que batia nele a , mas sua avó já sabia da situação e trocou novamente de sala, depois de três meses de aula, foram três meses longos em sua vida. Nesta época João ficou sem amigos, ele preferia ficar só, brincando com a coleção de dinossauros, que sua mãe tinha lhe dado no natal. Ele chegou até a

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quinta série com dez anos, neste período ainda ca tava sucata, ia bem à escola, já tinha alguns amigos ali no bairro, ganhava todo ano presentes de sua mãe que morava em outra cidade. Na quinta série João começa a sentir atraído por uma menina, que até hoje ele lembra seu nome, que por coincidência morava a uma quadra de sua casa, e seu vizinho era amigo dela, logo começou a frequentar a casa do amigo, que resultou em um namoro de adolescente, mas a garota não o correspondia. Um primo de João veio passar o ano novo na casa dele, ele era diferente, malandro, ousado etç. Beijava as garotas do bairro, o resultado foi briga na certa, pois logo João percebeu que seu primo havia beijado a garota de seus sonhos. Quando chegou a hora do primo ir embora, João recebe a notícia que teria que ir com ele, pois João já estava crescendo e era hora de sua mãe cuidar da cria dela, eram palavras de dor que João ouvia a avó dizer. Ele foi para a outra cidade e chegando lá abraça seus primos, um dia dorme na casa da tia, outro dorme em casa de sua mãe, onde é recepcionado bem pela mãe jovem, que nessa época tinha vinte e dois anos, e por uma menina loirinha de oito anos, mal educada, era sua irmã, e por um homem, que dali para frente iria ser seu padrasto(gordinho) No começo, foi bom, foi matriculado na mesma escola em que os primos estudavam. João não se dava bem com a irmã, afinal de contas eram pessoas sem laços afetivos. Depois de um ano, sua mãe se separa do gordinho, João sai da escola e começa a trabalhar em uma oficina mecânica com seu tio, que em pouco tempo leva João de volta para sua avó. João mora com a avó, e trabalha o dia todo com um tio de graça, alegando que o dinheiro estava indo para a avó. Aos quatorze anos João voltou a estudar na sexta série e continua a trabalhar com seu tio. Nesta época ele conhece a Internet, arruma uma namorada por brincadeira num chat de anime e mangá, mas acaba se envolvendo demais com a garota, mas havia uma longa distancia, ela morava em Belo Horizonte e


João em Campo Grande. Logo a paixão se acaba. Aos quinze anos começa a ficar rebelde, andar com amigos emos ,góticos etç. Começa a se interessar por música, livros, teatros, ballet. Até os dezessete anos João queria estudar e ser cientista, sua família não apoiava, pudera, morava a cada seis meses com parentes: tia, tio, mãe, avó, primos, etç. Com dezoito anos decide arrumar um emprego com carteira registrada, voltar a estudar e realizar seus sonhos, do qual um deles é fazer uma faculdade. João está no caminho certo, continua e estudar. ■

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Nunca é tarde

Essa é uma história de uma menina cheia de sonhos, que imaginava que seu futuro seria diferente, sempre foi uma boa aluna desde a época de sua infância, sempre dedicada, porém extremamente tímida. Sempre de poucos amigos, mas que colocava a educação em primeiro lugar. Tudo iria muito bem até chegar sua adolescência quando descobriu as coisas que os jovens dizem “boas da vida ”, mas que no fundo não passa de atitudes erradas, descobertas perigosas que acabam marcando nossas vidas para sempre. Foi então nessa época que tomou sua pior decisão: trocou os estudos pelas festas, rodinhas de amigos, sem perspectiva para o futuro, conheceu um rapaz pelo qual se apaixonou, casou-se e formou uma linda família com dois filhos. Tudo parecia perfeito, porém no fundo faltava alguma coisa para completar sua felicidade. Certo dia quando a segunda filha do casal começou a falar a se desenvolver fazendo coisas que a emocionava e a surpreendia ela pensou: vou lutar para dar o melhor para meus filhos, mas como? Resolveu então a colocá-los numa escolinha, arrumou um emprego onde trabalha até os dias de hoje, aos poucos descobriu que na vida só vence quem tem estudos, se dedica, corre atrás dos seus sonhos. Lembra quando eu disse que faltava algo? Pois faltava. Faltava conhecimento, a satisfação de ser elogiada, de se sentir importante, mesmo que não seja apenas para as pessoas mais próximas. O reconhecimento pelas atitudes nos realiza!É o que acontece com aquela menina dedicada que interrompeu seus estudos, seus sonhos e que agora pode ser retomado graças a uma nova chance que recebeu da vida! “Essa é uma prova que nunca é tarde para correr atrás de seus sonhos!”■

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Olhos cheios de lágrimas

Uma história real e comovente de um garoto que morava em Cuiabá, uma cidade bela, porém com realidade trágica.

Quando Lucas saiu de casa tinha 10 anos de idade, era garoto e sofria porque nesta idade já trabalhava, o dinheiro que conseguia com muito esforço pra ajudar nas despezas da casa era gasto em bebida alcoólica pelo pai. Seu pai era dependente do álcool e na primeira oportunidade gastava tudo com o vício. Isso ainda não é a pior parte da história, seu João pai de Lucas chegava em casa totalmente embriagado, quebrava tudo, batia em sua mãe e nos seus irmãos. Certo dia Lucas estava dormindo quando seu pai chegou novamente embriagado, começou a quebrar tudo e bater em todos, nesse dia Lucas decidiu sair de casa levando consigo a esperança de uma vida melhor. “Quando sai de casa estava decidido a mudar de vida, eu tinha a visão de uma família feliz, mas não era o que eu vivia”. Contava o menino com lágrimas nos olhos. ■

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O sonho de Alice

Havia uma mulher de certa idade já avançada chamada Alice, sonhava em ter uma filha, mas ela não podia ter por causa da sua idade e só tinha filhos, não tinha possibilidades de ter uma menina, e então ela fez um voto pra Deus que seu sonho era ter uma menina. Certo dia ela teve um sonho, ela viu uma menina aproximadamente de cinco anos, a criança era loirinha dos olhos azuis e cabelos ondulados e essa criança vinha correndo debaixo de uma árvore e a abraçava e a chamava de mãe, ela acordou e disse para seu esposo e para sua mãe que estava grávida e que era de uma menina, riram dela, pois achavam que era loucura. Um mês se passou e ela realmente estava grávida foi ao médico e ele lhe disse que era uma gravidez de risco e que certamente seria um menino, ela continuou acreditando tendo fé que seria uma menina. Alguns meses depois fez um ultrassom viram que era uma menina e ela ficou muito feliz. Quando chegou a hora do parto essa criança tinha apenas 10 % de chance de sobreviver e a mãe também, por alguns problemas a criança nasceu com a cor escura e falaram pra Alice que era uma menina mas era negra totalmente o oposto do seu sonho e Alice ficou muito triste e chorou, algumas horas se passaram e foram ao berçário ver a menina e ela estava loirinha dos olhos azuis e correram pra mostrar para Alice e grande foi a felicidade dela. Quando essa criança completou cinco anos estava exatamente igual a menina do seu sonho. Hoje essa criança esta com vinte anos e todos que acompanharam a gravidez de Alice se emocionam ao encontrar sua filha chamada Mariana. ■

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Se eu não me achar linda quem vai me achar

Tudo começou no dia 25/05/54, num dia lindo de outono, maio mês das noivas. Nesse dia nascia uma linda menina “eu”, claro! Se eu não me achar linda, quem vai achar? Bem, vamos ao que interessa. Cresci na área rural, com meus pais sempre ao meu lado, fui feliz na minha infância, gostava muito de brincar de casinha, e as minhas “crianças” eram galinhas, tão mansinhas que eu as enrolava num pano e ninava na rede. Sempre brincava só, pois mamãe não deixava brincar com ninguém. Quando íamos para a cidade era festa. A gente ficava na casa da tia Mariquinha, eu tinha duas primas, filhas dela. Nós tínhamos quase a mesma idade, meu Deus como agente brincava! Ia até tarde da noite, os pais conversando e as crianças brincando, ah que tempo bom! Depois fui crescendo, fui morar na cidade com meus tios para estudar, era muito inteligente, mas faltou incentivo dos meus pais para prosseguir os estudos. Sai da escola na 4° série primária, casei, não fui feliz, separei com quatro filhos pequenos, fui trabalhar de doméstica pra poder sustentar meus filhos, não foi fácil, era uma batalha árdua, não acompanhei a infância dos meus filhos, mas os incentivava dia sempre assim: – Vocês tem que estudar! Assim foi passado os anos e eu me casei novamente e tive mais três filhos. Hoje tenho uma vida melhor, trabalho como funcionária pública e voltei a estuda, gosto do que faço. ■

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Senhora de cor parda

Nasceu em Cáceres MT, uma criança do sexo feminino, de cor parda descendente indígena. Esta menina cresceu, e mudou-se para uma cidade bem grande, a capital, Cuiabá, e lá ela se casou teve filhos e só mais tarde percebeu o quanto lhe faltava algo a mais, era seu estudo, pois casando muito jovem não pode continuar a estudar, pois o marido e os filhos a impediam. Aos trinta e sete anos, ela retorna a escola e com muita vontade de concluir um curso superior luta incansavelmente e sonha em conseguir uma bolsa de estudo para ai então realizar seu maior sonho, depois de se realizar como mãe, avó e uma esposa feliz. Agora o tempo é seu limite, ela corre contra esse tempo que não para. “Ainda bem que essa senhora é determinada e forte, guerreira percebeu seu erro em tempo, e pode ter a oportunidade de corrigi-lo”. A essa senhora desejo uma boa sorte e que todos seus sonhos se realizem, porque ela merece. ■

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Ele queria ter um pai

Essa história começa na infância dura de Hugo. Ele foi rejeitado pelo pai logo na barriga de sua mãe, seu pai dizia que ele não era seu filho. Mãe e filho passaram muitas dificuldades, quando pequeno na idade de 2 a 3 anos viu a mãe sofrer muito por isso. Os dois eram obrigados a comer resto de comida dos outros, pois eram muito pobres. Moravam em um quarto escuro e esperavam o término do almoço ou da janta para comer os restos dos que haviam comido. Era humilhante e o mais humilhante ainda era que essas pessoas eram da família dele. Essa era a infância de 2 a 3 anos de idade, logo após esse episódio, sua mãe foi a uma venda comprar sabão para lavar suas roupas, então conheceu Paulo, um senhor bem educado, que queria ajudar essa mulher com uma criança de colo. O senhor foi logo falando que era para o dono da venda disponibilizar qualquer coisa que aquela senhora queria. Daí por diante Paulo a chamou para morar com ele, sua mãe aceitou na hora, a vida de Hugo foi mudando da noite para o dia, sua adolescência foi muito boa, estudou, trabalhou e tudo que ele mais queria era ter um pai. E ele teve. ■

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Vida escolar

Nasci em Campo Grande–MS, estudei na escola Severino de Queiroz, antigo grupo Argemiro Fialho, estudei até a 4°, passei para o ginásio na 5° série, fiquei um longo tempo sem estudar porque tive problemas familiares, o ensino era muito bom lá. Minha adolescência foi na mesma cidade, um pouco difícil, pois tinha que trabalhar de ambulante vendendo salgados, frutas e verduras para ajudar minha família. Depois de tanto tempo voltei a estudar porque vi que me fazia falta, nunca é tarde para os estudos. Depois que voltei arrumei um trabalho bom e digno, com salário e carteira registrada. Sem estudo nós não somos nada na vida, pensamos que sabemos muito, mas na verdade não sabemos nada. Muitas vezes errei pensando que sem o estudo eu ia longe, mas percebi que fez falta na minha vida, então comecei a estudar, porque a única herança que nossos país deixaram para nós foi o estudo. Futuramente pretendo fazer uma faculdade de administração de empresas para poder ter um futuro melhor. ■

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Meus sinceros agradecimentos aos alunos do Fundamental II e convidados da Escola Estadual Professora Ignês de Lamônica Guimarães - CEEJA/MS.

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Brilhantes