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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Escola de Comunicações e Artes

Fabio Eduardo Chrispim Marin

A História e a Política do Prefeito ERASMO CHRISPIM

São Paulo Dezembro de 2009


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FABIO EDUARDO CHRISPIM MARIN

A História e a Política do Prefeito ERASMO CHRISPIM

Monografia apresentada ao Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, em cumprimento parcial às exigências do Curso de Especialização, para obtenção do título de Especialista em Marketing Político e Propaganda Eleitoral, sob a orientação do Prof. Dra. Mariângela Haswani.

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Escola de Comunicações e Artes São Paulo Dezembro de 2009


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Agradecimentos: As pessoas que confiaram e acreditaram no meu trabalho: Minha irmã Maria Denise Chrispim Marin E o amigo Paulo Henrique Degani, Pela paciência, atenção e dedicação.


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"Ainda podemos ver nas ruas da cidade um dinossauro da elite

caminhando sem envergar os ombros". Prof.ÂŞ Terezinha Rangel Barbosa sobre Erasmo Chrispim


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Resumo A presente monografia traz o estudo da imagem singular de um político cuja carreira circunscreveu-se à cidade de Itatiba, no interior de São Paulo, e mesclou-se com a história local por cinco décadas. A pesquisa abrangeu o período entre o final do século XIX aos anos 70, quando o Prefeito Erasmo Chrispim encerrou sua vida política marcada pela vitória nas eleições municipais das quais participou. Homem público por vocação, membro de um partido de pequena expressão, filho e neto de coronéis do café, o “Barão”, como era chamado, construiu um perfil de independência aos grupos econômicos e de aliança ao setor operário. Sua popularidade alimentava sua rebeldia.


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Abstract This monograph is based on the study about a rare image of a politician whose career was limited to the city of Itatiba, State of São Paulo, and has mixed up with local history for five decades. The research covered the end of the 19th century to the 1970s, when the Mayor Erasmo Chrispim finished a political life differentiated by his victory in all municipal elections in which he participated. Public man by vocation, member of a small party and heir of a landlord´s family, the “Baron”, as he was known, has built an image as politician independent from economic groups and allied to the workers. His rebelliousness was stimulated by his popularity.


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Sumário

RESUMO

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ABSTRAT

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LISTA DE FIGURAS

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INTRODUÇÃO

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CAPÍTULO 1 O CENÁRIO

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1.1 A República e o tempo dos Coronéis

20

1.2 Emancipação de Itatiba – Novos personagens

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1.3 A crise do café e a revolução de 30

23

1.4 A Revolução Constitucionalista de 1932

24

1.4.1 Itatiba na revolução 1.5 1936: Erasmo Chrispim surge na política

24 26

1.5.1 Erasmo Chrispim nomeado prefeito

28

1.5.2 Os quatro Prefeitos do ano de 1947

28

1.6 Mudança no roteiro: Eleição para prefeito

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1.6.1 Eleições de 1947

29

1.6.2 Eleições presidenciais de outubro de 1950

32

1.6.3 Eleições de 1951

34

1.6.4 Estrada de Ferro e Febre Tifóide

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1.6.5 Eleição de Jânio

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1.6.6 Eleições de 1955

38

1.6.7 1957: Festa do Centenário

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1.6.8 Estação de Tratamento de Água e Esgoto

42

1.6.9 Primeiro Código Tributário Municipal

42

1.6.10 Eleições de 1958

42

1.6.11 Eleições de 1959

46

1.6.12 Eleição presidencial de 1960

48

1.6.13 Segunda eleição de Ademar de Barros 1962

49

1.6.14 Eleições de 1963

50

1.6.15 Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba

52

1.6.16 Nova subestação da CPFL

57

1.6.17 Eleições de 1968

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CAPÍTULO 2 O PROTAGONISTA 2.1 As origens da família Chrispim em Itatiba

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2.2 O Personagem: Erasmo Chrispim político

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2.3 Principais obras

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2.4 A Política

72

2.5 Revólver: grande paixão, arma política

83

2.6 O Partido Trabalhista Nacional de Erasmo Chrispim

85

2.6.1 Eleição de 1963 – A mais disputada

92

2.6.2 Rebeldia, Poder e Prestigio

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CONCLUSÃO

101

ANEXOS E HOMENAGENS

103

REFERÊNCIAS

105

PERIÓDICOS

106

DIGITAIS

106

IMAGEM E SOM

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Lista de Figuras

Figura 1. Comício Pró Getulio Vargas com Ademar de Barros Figura 2. Erasmo e Aparecida Dutra – Rainha do Centenário de Itatiba Figura 3. Comício com Jânio e Carvalho Pinto Figura 4. Propaganda de Roberto Lanhoso. Figura 5. Chegada na Prefeitura para a posse Figura 6. Manifestação estudantil e popular pela instalação da FEI Figura 7. Prédio onde foi instalada a FEI de Itatiba Figura 8. Instalação da subestação da CPFL Figura 9. Família Chrispim no início do Século XX Figura 10. Centro Recreativo Itatibense Figura 11. Erasmo Chrispim com 18 anos Figura 12. Família Chrispim em 1958 Figura 13. Palacete Chrispim como Clube XV de Novembro, na década de 40 Figura 14. Inauguração da FEIMOC com o Ministro Gama e Silva Figura 15. Reunião social e política na residência da família Cesarini Figura 16. Reunião política Figura 17. Rafael Ciarbello discursando no coreto da praça na vitória das eleições de 1963 Figura 18. Comício de campanha sobre o caminhão Figura 19. Comício de Erasmo Chrispim no coreto da Praça da Bandeira Figura 20. Folheto distribuído por um amigo Figura 21. Letra de música Figura 22. Folheto de propaganda da eleição Figura 23. Secção livre feita por correligionário Figura 24. Jornal “O Progresso de Itatiba” Figura 25. Visita do Governador Jânio Quadros à família Bredariol Figura 26. Convite público para a festa da vitória Figura 27. Visita do Governador Carvalho Pinto Figura 28. Comemoração antecipada de eleitores do Dr. Afrânio Figura 29. Noticia da “A Tribuna” Figura 30. A Pedidos Figura 31. Erasmo com Orestes Quércia Figura 32. Erasmo com o Deputado Hebert Levy


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Figura 33. Festa da posse em 1963 – chegadas ao coreto Figura 34. Inauguração do busto de Erasmo Chrispim Figura 35. Sócio Benemérito do “Itatiba E.C.” Figura 36. Presidente Honorário do “Operários F.C”


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Introdução

O período compreendido para esta pesquisa em que o Prefeito Erasmo Chrispim disputou e venceu eleições em Itatiba, estado de São Paulo, começa no final do Século XIX, entra no século XX com passagens pela década de 30 e termina nos anos 70. Nesse período Itatiba e o Brasil passaram por revoluções, redemocratização, uma guerra mundial, ditaduras, golpes de estado, a crise do café e a quebra da Bolsa de Valores. Erasmo Chrispim ou o “Barão”, como acabou conhecido na cidade, foi o homem público que em seus 86 anos de vida, construiu uma trajetória política que se confundiu com a história de Itatiba durante cinco décadas. Ao longo de sua carreira política, Erasmo Chrispim conseguiu construir uma imagem política singular. Filho e neto de coronéis do café tornou-se popular nos meios operários e entre os trabalhadores rurais. Paralelamente manteve os traços de personalidade que o levaram a ser chamado de “Barão” por amigos e pelo seu eleitorado. Costumava repetir que suas campanhas eleitorais eram sempre lançadas em casas de operários das antigas indústrias têxteis da cidade. Outra marca constante em sua trajetória foi sua independência política. Membro de um partido pequeno, o PTN, orgulhava-se de jamais ter se prendido a compromissos com grupos ou partidos que detinham o poder. Sua popularidade alimentava essa rebeldia. Como contava com o apoio do seu eleitorado, argumentava que não teria problemas em “criar casos” com os poderosos de então. Erasmo Chrispim, entretanto, não era unanimidade em Itatiba. Em todos os seus mandatos, sempre enfrentou a oposição da maioria dos vereadores e da imprensa local, que omitia nas noticias sobre a sua administração a citação de seu nome. Nesse período o nome de Erasmo Chrispim somente saia em atos oficiais da Prefeitura de Itatiba que a imprensa era obrigada a publicar. O interesse pela história de Erasmo Chrispim deu-se inicialmente pelo carinho e admiração, característica pessoal de um neto que acompanhou e viveu junto a ele por mais de 30 anos. Muitas das histórias aqui narradas foram compartilhadas em momentos de convívio familiar e presenciadas pessoalmente. No final da década de 70, fazia parte de um grupo de jovens que acreditava que poderiam fazer historia. Fundamos o Bloco Carnavalesco “Demônios Acadêmicos da Benjamin”, um bloco “vai quem quer” sem muitas regras, inspirado na música “Plataforma” de João Bosco. As reuniões boemias que eram constantemente realizadas terminavam, invariavelmente, em serenatas. Além da música e do carnaval o grupo se interessou pela


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cultura e pela história da cidade. Um projeto ousado foi iniciado com a gravação de uma série de entrevistas com personalidades da história de Itatiba. A proposta era de se criar o Museu da Imagem e do Som de Itatiba e o primeiro personagem a ser entrevistado foi o prefeito Erasmo Chrispim. Tive a felicidade de participar como convidado dessa primeira e histórica entrevista e, muitas das histórias contadas por Erasmo fazem parte deste estudo. Esta entrevista faz parte do acervo da associação Pró-Memória de Itatiba. Outra entrevista usada neste estudo foi gravada com um grupo de funcionários públicos que trabalharam na Prefeitura de Itatiba na época do Prefeito Erasmo Chrispim. Esta última entrevista foi feita mediante a utilização de um gravador, na Prefeitura Municipal de Itatiba, por ocasião das festividades do centenário de nascimento de Erasmo. O acervo das fitas pertence ao Museu Histórico Municipal Padre Francisco de Paula Lima de Itatiba. Além destas fitas o museu de Itatiba forneceu através de seu arquivo muitas das informações, documentos e jornais para esta pesquisa. Muitas das pesquisas deste estudo foram feitas através dos jornais de época como: A Reacção (1909-1940), O Progresso de Itatiba (1943-1961), A Tribuna (1952-1980), Jornal de Itatiba – Diário (1972-2010) e o Almanaque de Itatiba para 1916 publicado pela tipografia do Jornal “A Reacção” dentre muitos outros. Todos estes jornais fazem parte do acervo do Museu Histórico Municipal Padre Francisco de Paula Lima de Itatiba. Todos estes periódicos tinham forte influência sobre a comunidade e eram as principais fontes de informação da população.

Mas, uma boa parte dos relatos deste

estudo faz parte da história oral de Itatiba. As fontes, além das palavras e atos de Prefeito Erasmo Chrispim, foram pessoas que conviveram e vivenciaram os fatos aqui narrados e, a validade dessas fontes se confirmou e se consolidou na história de Itatiba. Uma das histórias orais aqui narradas é sobre a doação do sino da Igreja Matriz feita pelo filho do Coronel Camilo Pires, Tomé Pires de Ávila Neto. Este relato do sino assim como muitos outros são contados através das gerações e que, mesmo com intensa procura nos anais da história de Itatiba, não encontramos nenhuma linha que possa desvendar ou elucidar a sua veracidade. Mas, o que o povo conta: é, foi ou será. Outra fonte de pesquisa foi o uso de fotos como perspectiva da época. Tanto a família quanto o Museu Municipal dispõem de um grande acervo de fotografias e documentos. Através dessas fontes reconstruiu-se a história e elucidaram-se as dúvidas. Utilizo neste trabalho 36 imagens entre fotos, documentos e recortes de jornais que veicularam matéria de interesse. É sobre a história política itatibense que começa o capitulo 1 desta monografia. Como em um filme mostro o cenário da política itatibense: A República e o tempo dos Coronéis.


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Nesta introdução procuro descrever como era a política na cidade no final do século XIX e início do século XX, dominada pelos coronéis do café e pelo PRP - Partido Republicano Paulista. O capítulo 1 vai até finais da década de 60 e início de 70 quando Erasmo Chrispim termina o seu último mandato e faz o seu sucessor. Descrevo e faço uma análise das mais importantes eleições realizadas no município, a partir da primeira eleição de Erasmo Chrispim em 1947, inclusive as eleições presidenciais, para o Senado e para as Câmaras dos Deputados e Assembléias Legislativas. Também há a citação e a votação em Itatiba de todos os principais partidos brasileiros após a redemocratização do Brasil em 1945 e os principais candidatos a deputados representando a cidade de Itatiba. A última eleição descrita neste trabalho é a eleição municipal de 1968. Desde a emancipação política da cidade (1857) até a crise do café (1929) surgem novos personagens políticos e a ascensão financeira dos imigrantes, em sua maioria italianos. Foram momentos marcantes na história política de Itatiba, pois a cidade era grande produtora de café, tendo inclusive uma estrada de ferro particular para atender a demanda das exportações desse produto agrícola. Esta ligação econômica com o café fez Itatiba ser atuante na Revolução Constitucionalista de 1932, onde vários personagens de nossa história estiveram presentes no campo de batalha. Esta Revolução mereceu também uma breve atenção neste trabalho. Em 1936, Erasmo Chrispim surge na política, vence a sua primeira eleição como vereador e logo em seguida é nomeado Prefeito de Itatiba. Após governar a cidade por um breve período de turbulência nacional e, também, por causa da ditadura Vargas, renuncia. É nomeado interventor e renuncia novamente. Neste período da Era Vargas há uma grande alternância de Prefeitos em Itatiba, chegando a ser quatro somente no ano de 1947. E é nesse ano que há uma mudança no roteiro com as primeiras eleições diretas para prefeito. Também destaco vários fatos históricos marcantes como a desativação da Estrada de Ferro (1952), a Febre Tifóide (1954), a festa de Centenário de Emancipação Política Administrativa de Itatiba (1957), a inauguração da Estação de Tratamento de Água e Esgoto (1951), o primeiro Código Tributário Municipal e a instalação da Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba 1968, obra que, sem dúvida alguma, foi o marco da administração do Prefeito Erasmo Chrispim. No capítulo 2, O PROTAGONISTA, descrevo a trajetória da Família Chrispim, desde a sua origem, passando pelas grandes conquistas e vitórias de Erasmo Chrispim até o início da década de 70.


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Dentro da origem da família trago um estudo realizado pelo médico e genealogista Dr. Marcos Rodrigues Chaves, por ocasião do “Centenário de Nascimento do Prefeito Erasmo Chrispim, em abril de 2001. Neste estudo ele chegou à conclusão que a Família Chrispim originalmente é Silveira Franco e que descendem de Chrispim da Silveira Franco e das velhas estirpes paulistas que remontam ao povoamento da Capitania de São Vicente. A Família Chrispim foi liderada pelo seu patriarca Coronel Benedito da Silveira Franco Chrispim, fazendeiro, produtor de café e uma das principais lideranças políticas da cidade de Itatiba até 1930, ano de sua morte, onde participavam ativamente das ações sociais e filantrópicas. O Coronel Benedito Chrispim foi o espelho político de Erasmo. Erasmo Chrispim nasceu no dia 6 de abril de 1901, em Itatiba, e já na década de 20 queria ser dentista. Estudou no Colégio Diocesano e no Liceu de Artes e Ofícios, ambos em São Paulo. Residiu por um bom período na capital onde foi colaborador da coluna social do jornal “O Estado de São Paulo”. Como transitava muito pela festas da alta sociedade paulistana, passava as notícias ao colunista. Chegou a iniciar os exames prévios para ingressar na Faculdade de Odontologia, mas foi obrigado a desistir por causa do agravamento de um problema congênito no ouvido, a mesma moléstia que, mais tarde, provocou a sua surdez precoce. No ano de 1927, Erasmo casa-se com Alzira da Silveira Pupo, também filha de fazendeiros de café, com que viveu a vida toda. Alzira nunca subiu num palanque e suas aparições públicas restringiam-se a solenidades religiosas. A família hoje reúne 13 netos e dez bisnetos. Erasmo e Alzira tiveram cinco filhos: José Lázaro (1929-1979), casado com Terezinha Vendramin; Maria (1933-2003), casada com Benedito Rossi; Francisco (19341987): Maria Cecília (1935-2007), casada com Braz Marin (1927-2003) e Antônio Carlos, casado com Luzia Padovani. Continuando no enredo do filme temos o personagem político Erasmo Chrispim. Em, 1935, o jovem que sonhava tornar-se um profissional liberal decidiu-se pela vida publica. Terminou seus dias, em 1987, com a experiência de cinco mandatos como Prefeito de Itatiba. Declarou em entrevista ao “Jornal da Cidade de Itatiba” em 29 de julho de 1978 que foi o único político na história que entrou na política rico e acabou pobre. O primeiro de seus passos, como homem público, foi a eleição como vereador, em 1935, pelo Partido Constitucionalista. Naquela época, a escolha para o poder executivo municipal era indireta. Os sete vereadores da Câmara deveriam escolher, entre os seus pares, o novo prefeito. Na primeira reunião que participou como vereador, foi eleito Prefeito de Itatiba.


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As eleições de Erasmo Chrispim pelo voto popular direto à Prefeitura de Itatiba se deram em três ocasiões, sempre pelo PTN - Partido Trabalhista Nacional. O partido, no nível municipal, era “dele”. Quando não disputava as eleições retirava o PTN de cena, fazendo seus vereadores trocarem de legenda. A primeira eleição foi em 1947, na época da redemocratização do Brasil. Venceu Domingos Pretti (UDN) e Benedito Silveira (PSP), governando de 1948 a 1951. A segunda foi contra Pedro Mascagni (PTB-PSP) e o jornalista Romildo Prado (UDN) governando de 1955 a 1959. A terceira foi contra o Dr. Afrânio Pires da Silveira (PSP) recebendo um mandato de 1964 até1969. De seus 17 anos de vida pública, Erasmo Chrispim deixou um legado como administrador que priorizou a educação e as obras de infra-estrutura. Quando assumiu pela primeira vez a Prefeitura de Itatiba, o único colégio da cidade era o Grupo Escolar Coronel Júlio César, no centro. Ao longo dos seus cinco mandatos construiu pelo menos 12 escolas e instalou a Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba. A instalação da Faculdade causou uma grande divergência na cidade com manifestações públicas a favor e contra a sua instalação e, apesar de todo burburinho e tentativas de se direcionar a opinião pública contra a instalação da FEI de Itatiba no local destinado, prevaleceu a determinação do Prefeito Erasmo Chrispim. Dentre suas obras mais importantes destacam-se: a construção da ETA - Estação de Tratamento de Água e Esgoto, em 1957 e a inaugurou a primeira FEIMOC - Feira da Indústria e dos Moveis Coloniais. O segmento dos móveis coloniais fez de Itatiba líder de mercado e, posteriormente, “A Capital Brasileira do Móvel Colonial”. As campanhas políticas de Erasmo eram através do “boca a boca” e das visitas pessoais ao eleitor. Ia de casa a casa não importando se o seu dono era simpático a sua candidatura ou não. A empatia com os humildes construía a sua imagem. Freqüentava constantemente as reuniões sociais dos operários e participava ativamente das festas organizadas por Benedita de Oliveira - “Dita Maranhão”, grande líder da comunidade negra local. Não discursava, talvez pelo seu problema auditivo. Sempre tinha ao seu redor grandes oradores que o acompanhavam nos massivos comícios nos bairros, nas praças e nas vilas mais distantes, muitas vezes sobre as carrocerias dos caminhões. Entre esses oradores destacamos as figuras políticas do advogado Roberto Schiavinato, de Rafael Ciarbello - “Fefé”, vereador de 1952 a 1963 e do Dr. Ovídio Bernardi, Procurador Jurídico da Prefeitura. Também se destacam as figuras do vereador Benedito Campos Pupo - “Dito Pinhá”, um dos seus maiores


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cabos eleitorais e de José Lazaro Chrispim - “Zé Tiché”, filho de Erasmo que trabalhava como operário numa indústria têxtil da cidade, propriedade de um de seus maiores inimigos políticos. Sua grande paixão era o revólver. Era mais fácil vê-lo nu do que sem um revólver no coldre preso na cintura. Colecionava e negociava armas, tendo verdadeira paixão por algumas. Não recusava uma boa oferta e, por um bom lucro, passava-as a frente. Era também exímio atirador e tinha um modo peculiar de atirar. Girando a mão no sentido anti-horário deixava a arma deitada e não em posição vertical. Esta arte rendeu a Erasmo inúmeros causos e boatos, contados pelos seus admiradores e também por seus temerosos opositores. Neste trabalho relato alguns desses casos. Com o seu “PTN” - Partido Trabalhista Nacional adota como estratégia única e que vai seguir por toda sua vida política: “um partido pequeno, sem vínculos políticos com os partidos da época” como a UDN - União Democrática Nacional, o PSD - Partido Social Democrático, o PSP - Partido Social Progressista e o PTB - Partido Trabalhista Brasileiro. Adota o PTN, um partido fundado por dissidentes do PTB que tinha como únicas figuras de expressão nacional o deputado Hugo Borghi e Emilio Carlos. São muitas as histórias resgatadas de todas as eleições itatibenses de que Erasmo participou. Um fato marcante foi na eleição de 1955, quando Erasmo disputou contra Pedro Mascagni e Romildo Prado. Nesta ocasião Mascagni teve apoio do industrial Paulo Abreu, suplente do senador Auro Moura Andrade e ambos vieram a cidade juntamente com o Governador Jânio Quadros para apoiar a sua candidatura. Um dos fatos mais comentados da visita foi um almoço realizado na casa de família operária, tentando mostrar a ligação do candidato com a classe trabalhadora. Não funcionou. Erasmo venceu as eleições. Outra eleição marcante foi a de 1963 contra o advogado Dr. Afrânio Pires da Silveira. Numa das eleições mais disputadas, Erasmo vence as eleições na reta final e arrebanha muitos votos no seu último comício efetuado na Praça da Bandeira, praça central e coração da cidade de Itatiba. A sua rebeldia, é retratada por algumas histórias de confrontos com políticos e autoridades eclesiásticas. Apesar de sua formação católica, Erasmo enfrentou diversas vezes o clero. Sempre se saiu bem. O seu poder e prestigio são mostrados através da visita que recebeu de ilustres personagens políticos, deputados e governadores. A trajetória pública de Erasmo Chrispim pode ser lida como uma história de sobrevivência de um líder forjado na escola coronelista da política paulista ao longo de um período em que o modelo populista predominou na ação, nos discursos e na agenda dos


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governantes nas três esferas de Poder no Brasil. Ao construir esse formato próprio, original, Erasmo transformou-se uma espécie de mito político. Seja pela mudança da prática política brasileira a partir dos anos 60 ou pela indisposição e ausência de vocação das novas lideranças. Nenhum outro homem público da cidade de Itatiba atreveu-se a repetir o “modus operandi” do velho Barão.


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CAPÍTULO 1 - O CENÁRIO

1.1 - A República e o tempo dos Coronéis

Com a Carta Magna brasileira de 1891, inspirada na constituição norte-americana, acreditava-se que teríamos uma política liberalíssima e uma revolução democrática, mas a Proclamação da República ocorreu sem a participação popular. A economia e a sociedade do Império permaneceram praticamente intactas e a política estava distante dos princípios democráticos. Neste período da história brasileira, do fim do Império ao início da República, os chefes políticos de cada região, quase sempre fazendeiros, recebiam da Guarda Nacional títulos honoríficos, os quais muito dependiam de suas posses e influência política. Esta primeira fase ficou conhecida como a “República dos Coronéis”. Essas patentes davam-lhes poder para mobilizar os seus exércitos em caso de guerra ou desordem social e, também, autoridade incontestável e sem limites. O governo estadual fazia vistas grossas aos seus caprichos, além de assegurar verbas, concessões e a estrutura da máquina do governo, pois interessava a eles, principalmente eleitoralmente ao Partido Republicano, a força de seu poder. Todo cidadão da comunidade, de certa forma, dependia do poder do coronel e, na maioria das vezes, votava no candidato indicado por ele. O “curral eleitoral” deste chefe político elegia os presidentes, governadores, prefeitos, vereadores e, também as outras autoridades como os juízes de paz e os delegados Em Itatiba tivemos vários destes coronéis republicanos que muito contribuíram para com o crescimento da cidade, comprovado através de vários relatos na imprensa e de homenagens que receberam da comunidade. Entre eles destacam-se as figuras dos fazendeiros: Coronel Francisco Rodrigues Barbosa, conhecido popularmente como “Chico Peroba”, um dos fundadores e, por um bom período, presidente do PRP - Partido Republicano Paulista, em Itatiba; Coronel Julio César de Cerqueira Leite, irmão do General Francisco Glicério. O Coronel Júlio César foi importante elo de ligação da cidade com o resto do país através de seu irmão e, também, um dos fundadores do PRP de Itatiba, ocupando o cargo de vereador de 1877 a 1884; Coronel Manoel Joaquim de Araújo Campos vereador pelo PRP de 1881 a 1884; Coronel Camilo José Pires, pessoa sempre disposta a ajudar nas causas de valor da cidade. Encontramos nos almanaques itatibenses e nos textos de Eugênio Joly - do acervo do Museu Municipal Padre Lima - mostras de sua atuação.


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[...] A 16 de novembro de 1874 assentou-se a pedra fundamental da torre da igreja matriz, sob os auspícios do Reverendíssimo Vigário Padre Francisco de Paula Lima, que muitos esforços fez para o andamento dessa importante obra, que hoje se acha concluída com o auxílio de subscrições populares, com o legado testamentário do cidadão Calisto Soares de Godoy, e finalmente com os importantes donativos do Tenente Coronel Camilo José Pires, e seu irmão Major Bento Pires de Ávila, que tomaram sua direção final [...] Fonte: Gazeta de Itatiba, de dezembro de 1904, números 82 e 83.

Passando às tradições orais, contadas de geração a geração sobre a figura de Camilo Pires, vamos a mais conhecida: Conta-nos, os mais velhos, aos nossos ouvidos, com ar e pompa necessária, que o Coronel Camilo Pires era um homem duro, feito do mais duro cerne da peroba. Com o término da construção da torre da igreja, tendo já chegado os sinos para serem colocados naquele campanário, foram os mesmos erguidos sem a permissão do Coronel. Quando este chega, vindo de fora da cidade, ao ouvir o badalar dos ditos sinos, segue a cavalo até ao Largo da Matriz e, sem desmontar pergunta: - ‘Quem autorizou o levante dos sinos?’ A história não precisa muito bem a resposta dada ao Coronel, montado na soberba de seu alazão. Ato contínuo ordenou que os sinos fossem baixados e, ao tocarem novamente o chão, retoma, ainda sobre o cavalo: – ‘Agora eu estou mandando: Podem subir os sinos’. E, assim se fez.”

Este relato, assim como muitos outros, é contado através das gerações e que, mesmo com intensa procura nos anais da história de Itatiba, não encontramos nenhuma linha que possa desvendar ou elucidar a sua veracidade. Mas, o que o povo conta: é, foi ou será. Outra figura de destaque na política local deste período foi o Senador Antonio de Lacerda Franco. Itatibense de nascimento, em sua terra natal inicia sua carreira política como vereador - entre os anos de 1880 e 1883 - culminando com a sua eleição para o Senado Federal, em 1924. Muito contribuiu para o engrandecimento da cidade Neste período da Primeira República o voto não era secreto e, mulheres, mendigos, analfabetos, indígenas, soldados rasos, membros do clero e menores de 21 anos não votavam. O voto não era obrigatório, mas havia necessidade de alistamento para se ter direito a ele, requerendo-o em sua comarca perante comissão nomeada e presidida pelo Juiz de Direito e composta por dois dos maiores contribuintes de imposto predial e dois dos maiores contribuintes de propriedade rural domiciliados na cidade, além de três cidadãos eleitos pelos membros efetivos do governo municipal. Esta normatização era referente à Lei nº 1.269 de 15


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de novembro de 1904, que foi muito criticada, pois excluía os pequenos proprietários e contribuintes. Mas, a intenção principal era deixar o poder nas mãos dos coronéis. A lei permitia a realização das eleições em edifícios públicos ou em propriedades particulares. Usando dessa prerrogativa, muitas delas foram realizadas nas casas dos chefes políticos da cidade. A urna era muito estreita para que os votos se empilhassem, uns sobre os outros. Este artifício permitia identificar, pela ordem de votação, o voto de cada eleitor. Apesar de a votação ser secreta a Lei permitia “votar a descoberto”. Neste caso o eleitor devia trazer duas cédulas, sendo que uma ele depositava na urna e a outra, para provar o seu voto, ele guardava. São Paulo, o estado mais rico e, Minas Gerais o mais populoso e o segundo na economia nacional, se revezavam no poder federal. Era a aliança: “café com leite”

1.2 - Emancipação de Itatiba - Novos personagens

Por deliberação da Assembléia Provincial de 20 de fevereiro de 1857, a Freguesia de Belém foi elevada à categoria de Vila. Em sete de setembro do mesmo ano, se procedeu à eleição de vereadores sendo eleita a primeira Câmara Municipal, que prestou compromisso perante o Presidente da Câmara de Jundiaí, em 1º de novembro, empossando os seguintes vereadores: Francisco Tomé de Assis Passos, João Batista de Lacerda, Eugenio Joly, Antonio Soares Muniz, Jose Pires de Godoy, Antonio Franco Pompeu e Francisco Antonio de Paula Vianna. Como em outras cidades, Itatiba também teve como vereadores e intendentes, muitos membros que detinham títulos da Guarda Nacional. No ano de 1907 é eleito, indiretamente, o primeiro prefeito da cidade, Tenente Coronel Antonio Chateaubriand Joly. Citamos aqui alguns dos nomes que mais se destacaram: 1897 e 1898 - Tenente Coronel Eduardo Alves de Moura 1899 - Pedro Elias de Godoy, Capitão Afonso Emilio Joly e Capitães Afonso e João Bueno de Aguiar 1899 - Joaquin Augusto Ferreira 1900 - Galdino Rodrigues Barbosa e Capitão Afonso Bueno de Aguiar 1903 - Tenente Coronel Jose de Paula Andrade e Galdino Rodrigues Barbosa 1905 - Tenente Coronel Jose de Paula Andrade e Florêncio Carlos de Araújo 1907 – Tenente Coronel Antonio Chateaubriand Joly - primeiro prefeito empossado 1910 - Major Herculano Pupo Nogueira 1917 - Pedro Elias de Godoy 1918 - Fernando de Araujo Campos 1918 - Pedro Elias de Godoy – de 1918 até 1924 1925 - Alfredo Alves Joly


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Especificamente a partir de 1927, mostrando certa estabilidade política, apesar de toda ebulição nacional e mundial, Itatiba mantêm no cargo de Prefeito o senhor Benedito Franco de Godoy, que fica até meados de 1930. Deposto é substituído por um governo provisório composto pelo Cel. Benedito da Silveira Franco Chrispim, Antonio Alves Lanhoso, Antonio Pupo Filho, Francisco Silveira Leme e Alfredo Vieira Arantes.

1.3 - A crise do café e a revolução de 30

A crise do café que fez parte da história de tantas famílias paulistas que sofreram suas duras conseqüências, aporta também em Itatiba, cidade que em anos anteriores chegara a produzir 600 mil arrobas de café anualmente, onde algumas propriedades agricolas possuíam cerca de 1 milhão de pés de café. Muito antes de 1929 já eram estampadas em jornais e ajuizadas em cartório, falências e concordatas dos produtores e investidores locais. Com o falecimento, no Natal de 1930, do Tenente Coronel Benedito da Silveira Franco Chrispim, pai de Erasmo e um dos mais atuantes chefes políticos itatibenses, mostrase completamente que a crise, há tempos, chegara a Itatiba, provocando a derrocada das famosas famílias e a divisão de enormes propriedades em pequenos sítios, comprados na grande maioria pelos imigrantes italianos e suas famílias, meeiros ou terceiros dessas mesmas propriedades. Desaparecem aos poucos os grandes latifúndios itatibenses restando, ainda hoje, alguns poucos. Com a Revolução de outubro de 1930 que entronizou Getúlio Vargas no poder, houve mudanças nos costumes políticos e principalmente na comunicação política. Inspirado nas propagandas fascista e nazista, Getúlio se posicionou como o “Pai dos Pobres”, tornou-se uma das figuras mais marcantes da história do Brasil. Muitos também o intitulavam: “a mãe dos ricos”. Instituiu para o trabalhador vários benefícios que contribuíram para solidificar a sua imagem. Entre eles se destacam: o voto secreto e o voto feminino, o Ministério do Trabalho, ações na educação e na saúde, a carteira de trabalho, o salário mínimo, as férias remuneradas, a aposentadoria, a jornada diária de oito horas, as garantias para o menor e para a mulher trabalhadora e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE). Desde o movimento armado que resultou na Revolução de 1930, liderado pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, a situação política de Itatiba ficou como as demais regiões do país: instável e perigosa.


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Com a deposição do Presidente da República Washington Luís, em 24 de outubro de 1930, e o impedimento da posse do presidente eleito Júlio Prestes, pôs-se fim à República Velha. Itatiba, no ano de 1931 era comandada por uma junta governista, formada por Antonio Pupo Filho, alternando-se no cargo com os interinos: Francisco Alves Cardoso e Dr. Luiz de Mattos Pimenta.

1.4 - Revolução Constitucionalista de 1932

Basicamente a Revolução Constitucionalista de 1932 foi uma reação imediata aos novos rumos do Brasil sob o comando de Getulio Vargas. A política itatibense por conta de toda evolução nacional e, por guardar ainda grande relação com a elite paulistana, oligarcas do café, participava de toda movimentação pela Revolução Constitucionalista. Encabeçando o movimento, inclusive com a influência espalhada pelo estado, estava o itatibense José Gonçalves Machado, personagem importante da vida política e jornalística paulista. Mesmo com todo o prestígio adquirido como jornalista, José Gonçalves Machado empunha sua bandeira e parte para a luta. Este momento da história é relatado na primeira página do Jornal “A Tribuna” de 8 de julho de 1973, quando da comemoração de mais um aniversário da Revolução Constitucionalista.

1.4.2 - Itatiba na revolução

[...]Quando foi deflagrado o Movimento Constitucionalista, achava-se à frente do governo municipal o senhor Joaquim Bueno de Campos, de saudosa memória. Coube a esse honrado itatibense dirigir toda a ação civil nesta cidade, para o que contou com a colaboração de muitas pessoas. Itatiba também se apresentava unida em torno dos ideais revolucionários. Assim, foram tomadas medidas visando a manutenção da ordem, o alistamento de voluntários e a assistência aos combatentes, com a instalação da “Casa do Soldado”. No final da Revolução foram travados combates em nosso município, tendo Itatiba se transformado em “praça de guerra”. Aureliano Leite, insigne historiador e combatente de 32, em seu livro “Martírio e Glória de São Paulo”, fala-nos do “Setor de Morungaba”, onde os próprios paulistas tiveram que destruir uma ponte sobre o rio Jaguari, de cuja missão foi incumbido, juntamente com outros elementos, o farmacêutico Benedito Gonçalves Dutra[...] Fonte: Jornal A Tribuna, de 8 de julho de 1973.


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Na mesma edição do jornal itatibense, podemos encontrar a entrevista com o soldado constitucionalista Pedro Machado, que nos fala sobre os acontecimentos e os fatos ocorridos em Itatiba e na região

[...] A reportagem de “A Tribuna”’ esteve na manhã de ontem na residência do ex-combatente Pedro Machado, sita na Praça da Bandeira nº 115, mantendo animada e interessante palestra com esse valoroso itatibense. Interrogado sobre sua participação no Movimento Revolucionário, disse-nos Sua Senhoria: - “Integrei-me num batalhão de voluntários aqui em Itatiba. Seguimos para São Paulo, ficando aquartelados no MMDC, instalado no prédio do Instituto de Educação Caetano de Campos, na Praça da República, de onde fomos para Itu, a fim de incorporarmos ao 3º BCV. Dali seguimos para frente de combate, no setor sul, onde foram travados violentos combates, em Buri, Guapiara e Capão Bonito.” Indagado sobre os nomes dos outros itatibenses que participaram da Revolução de 32, Pedro Machado faz um esforço de memória: - “João Paulista, Joaquim Guimarães, Etore Andretta, Sebastião Fascione, Francisco Gomes Bistulfi, Irineu Lopes de Lima, João Evangelista Machado, José Gonçalves Machado, João Domingues Paes (Belquior), João Lúcio (Tangará), Rosáuro Casagrande, José Rinaldi, todos já falecidos; Gentil Rangel, Antonio Gotardo, João Moraes (Joãozinho), que pertenceram ao 3º BCV. Em outras frentes combateram: Napoleão Godoy, Paulo Adão, Otaviano Lazzarini, Antonio Oscar Nader (Asca), Dr. José Luiz Zorzi, João B. Ferraz, Plínio Gandolfo, Florentino Soares, Paulo Silva, Argemiro Pellizzer, Adolfo Papa, Luiz Guimarães, Lázaro Siqueira, Sebastião Salles, Albano de Godoy, Paulo de Godoy, Breno Silva, José Soares, Sebastião Marciano, João B. de Lima, Sebastião Silveira, Amâncio Oliveira e Ferdinando Nicola.” Pedro Machado contou que seu batalhão era comandado por Sílvio Sampaio, tendo como subcomandante o major Garrido. Interpelado sobre um grande feito de voluntários itatibenses, nosso interlocutor disse que seu irmão José e o Tangará, com uma metralhadora, conseguiram cobrir a retirada do 3º BCV de Capão Bonito, fato esse que levou o comando a promover o primeiro ao posto de tenente e o segundo ao de sargento[...] Fonte: Jornal A Tribuna, de 8 de julho de 1973.

Entre os anos de 1932 e 1935, Itatiba foi comandada por Joaquim Bueno de Campos e, depois do período da Revolução Constitucionalista, em períodos de alternância, com José Gonçalves Machado, então funcionário municipal. Esse período de volta à normalidade do país, com os ânimos um pouco menos exaltados, traz uma nova onda de paz ao interior de São Paulo. Em 1935, a população de Itatiba era de 19.270 habitantes.


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1.5 - 1936: Erasmo Chrispim surge na política

Disputando sua primeira eleição pública Erasmo Chrispim surge na política, cinco anos após a morte de seu pai. Disputa uma vaga ao cargo de vereador, sendo eleito. No dia 16 de julho de 1936 acontece a instalação de mais uma legislatura da Câmara Municipal de Itatiba com posse dos vereadores: Dr. Luiz de Mattos Pimenta, Domingos Pretti, Dr. Romeu Bueno de Aguiar, Eleutério Rela, Erasmo Chrispim, Celso Pupo e Evaristo Silva. Nessa mesma sessão Erasmo é eleito e empossado Prefeito Municipal pelos vereadores, recebendo o cargo de Antonio Pupo Filho, seu antecessor. Obteve de seus companheiros cinco votos, enquanto Domingos Pretti e Antonio Augusto do Vale receberam um voto cada. Assume, em sua vaga de vereador, o suplente João Batista Andreatta. A falsa tranqüilidade que reinou por alguns meses é totalmente afastada no ano de 1936. O Brasil vê-se, novamente, em meio a uma intensa agitação política. Preparava-se, dentro de todo burburinho nacional, eleições presidenciais que teriam três candidatos: Armando de Sales Oliveira (ex-interventor em São Paulo), José Américo de Almeida (exministro da Viação do Governo Provisório) e Plínio Salgado (líder da Ação Integralista). Não pretendendo deixar o governo, Getúlio prepara um golpe de estado, sufocando as oposições políticas e militares. O fantasioso plano Cohen era, segundo o próprio governo, um plano comunista para tomar o poder através do assassinato de grandes personagens da política nacional. O golpe, marcado para 15 de novembro, aniversário da Proclamação da República, teve seu desfecho a 10 de novembro de 1937. O Congresso foi fechado. Uma nova Constituição, que já estava sendo elaborada desde 1936 por Francisco Campos, foi outorgada. A eleição não se realizou. Na noite do mesmo dia 10 de novembro, Getúlio fazia uma proclamação ao povo, justificando a necessidade de um governo autoritário: nascia, assim, o Estado Novo. Diante desse estado de coisas Erasmo renuncia ao cargo de Prefeito de Itatiba

1.5.1 Erasmo Chrispim nomeado prefeito

Em 1937, a autonomia dos municípios foi reduzida com a nomeação dos Prefeitos pelos Governadores dos Estados, na realidade “Interventores Federais”. Acima dos Prefeitos existia o Conselho Administrativo Estadual, que controlava as atividades municipais.


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O Art. 27 da Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1937 definia que a nomeação dos prefeitos era de livre nomeação do Governador do Estado. Erasmo retorna ao comando da cidade como interventor, por nomeação do Comandante da 2ª Região Militar. No ano de 1938, mais precisamente em 17 de maio de 1938 ele renuncia por, “livre e espontânea vontade”, enviando telegrama ao Governador Ademar de Barros, como declarou em entrevista ao Jornal da Cidade de Itatiba, de 29 de julho de 1978. Com a renúncia de Erasmo Chrispim assume a prefeitura o secretário Sílvio Fasoli, até a nomeação e posse do Coronel Alexandre Rodrigues Barbosa, filho do Coronel Chico Peroba. Nomeado no dia 19 de maio de 1938 e empossado em 22 de maio, “Barbosinha” fica no cargo até 24 de setembro de 1940 quando falece. Com a morte do Coronel Alexandre Rodrigues Barbosa assume a prefeitura o jornalista Evaristo Silva, proprietário do jornal “A Reação”, tomando posse em 13 de outubro de 1940. Evaristo Silva fica por longo período à frente do Executivo Municipal, retirando-se apenas em pequenos períodos para tratamento de saúde. Em 1945, com o fim da ditadura do Estado Novo, em 29 de outubro foram convocadas eleições para presidente, governadores e a Constituinte. Nesse período já haviam sido anistiados os presos políticos e eliminada a censura. Mais de uma dezena de partidos passaram a funcionar, formando seus diretórios nas capitais e no interior. Entre estes partidos destacavam-se: UDN - União Democrática Nacional, PSD - Partido Social Democrático, PTB - Partido Trabalhista Brasileiro e o PCB - Partido Comunista do Brasil. A Lei Eleitoral de então exigia o mínimo de 10 mil assinaturas em pelo menos cinco Estados, para um partido ter seu registro definitivo. Em 02 de dezembro de 1945 houve eleições para presidente, senadores e deputados. O trabalhismo de Getúlio Vargas estava presente no eleitor itatibense. Podemos comprovar esta afirmativa através da votação obtida no município por Getúlio Dornelles Vargas que, com 806 votos, foi o deputado mais votado. O jornal “O Progresso de Itatiba”, de 9 de dezembro de 1945, traz também a votação para Presidente da República:

Eurico Gaspar Dutra (PSD/PTB) 2158 votos Eduardo Gomes (UDN) 802 votos Ieddo Fiúza (PCB) 29 votos Mário Rolim Teles 3 votos Fonte: Jornal “O Progresso de Itatiba”, de 9 de dezembro de 1945.


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Eurico Gaspar Dutra foi eleito Presidente do Brasil, conquistando 55% dos votos válidos.

1.5.2 - Os quatro Prefeitos do ano de 1947. Os anos de 1946 e 1947 são atípicos para a política itatibense. Alternam-se no poder cinco pessoas, todas nomeadas Prefeitos. Sobre este fato encontramos publicação na Imprensa Oficial de Itatiba – “Coluna Espaço Histórico” do Museu Padre Lima que diz:

Os quatro prefeitos do ano de 1947 Um fato nada comum e interessante aconteceu no ano de 1947, quanto a Chefia do Executivo de nossa cidade. Em um período difícil e de instabilidade política, no pós II Guerra Mundial, Itatiba teve como prefeitos vários cidadãos, todos nomeados pelo Governo Estadual. O ano de 1947 começa triste para Itatiba, com a morte do Dr. Luís de Matos Pimenta. Era Prefeito Mauro Vasconcelos de Oliveira, nomeado e empossado em 1946, após o pedido de exoneração de Evaristo Silva – prefeito de 1940 a 1945. Evaristo assumiu a Prefeitura em decorrência do falecimento de Alexandre Rodrigues Barbosa. Mauro Vasconcellos exonera-se do cargo e é nomeado para substituí-lo Pascoal Scavone, assumindo em 28 de março de 1947. O Progresso de Itatiba, de 30 de março de 1947 diz: “Prefeito Municipal: Anteontem, no Departamento das Municipalidades, o senhor Pascoal Scavone foi empossado no cargo de Prefeito Municipal de Itatiba. Sua Senhoria declinou das homenagens que lhe seriam prestadas nesta cidade, devendo a transmissão do cargo ser feita amanhã cedo, pelo senhor Silvio Fasoli, secretário da Prefeitura Municipal. A seguir, o senhor Pascoal Scavone entrará no desempenho que lhe foi confiado pelo Governador do Estado. Ao que soubemos, o novo Prefeito tem vários planos de melhoramentos para a cidade, a serem postos logo em execução”. Seis meses depois, em 28 de setembro de 1947, o Prefeito Pascoal Scavone é exonerado. Nesse curto espaço de tempo Pascoal teve uma atuação vibrante e definitiva para sua consolidação como cidadão prestante e competente. Podemos comprovar que a cidade estava contente com sua administração em matéria publicada no mesmo jornal O Progresso de Itatiba, de 5 de outubro de 1947, na primeira página: “Provocou protestos do povo itatibense a demissão do Prefeito Pascoal Scavone”. Com a sua demissão, passou a responder pelo expediente da Prefeitura Municipal de Itatiba, Silvio Fasoli, Secretário da Prefeitura Municipal. O jornal “O Progresso de Itatiba” de 23 de novembro estampava a nomeação de outro prefeito: “Novo Prefeito: Pelo senhor Governador do Estado foi nomeado para o cargo de Prefeito Municipal desta cidade o senhor José Boava, fazendeiro neste município e presidente do diretório local do PSP. O novo Prefeito tomou posse do cargo na quarta - feira última.” Mas, em 30 de novembro, o mesmo jornal voltava ao assunto, mostrando fatos novos: “Novo Prefeito - Com o título que encima estas linhas, em nossa última edição noticiávamos a nomeação do senhor José Boava para o cargo de Prefeito Municipal desta cidade. Mas, acontece que antes da referida edição ser posta em circulação, ou melhor, no sábado anterior, o senhor José Boava já havia sido demitido do cargo, sendo nomeado para


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substituí-lo o senhor Silvio Fasoli, secretário da Prefeitura Municipal. A nomeação desse zeloso funcionário municipal só foi conhecida em nossa cidade na manhã de domingo. Porém o senhor Silvio Fasoli já não é mais o Prefeito, tendo sido novamente nomeado para esse cargo o senhor José Boava, que tomou posse anteontem. Como se vê, numa semana passaram três titulares pela Prefeitura, o que constitui um fato assaz interessante. No pé em que andam as cousas, é bem possível que no próximo número teremos de noticiar a nomeação de um novo Prefeito”. Fonte: Imprensa Oficial de Itatiba - Coluna Espaço Histórico, de 11 de dezembro de 2004 - página 02.

José Boava permaneceu no cargo de Prefeito Municipal até o dia 31 de dezembro de 1947.

1.6 - Mudança no roteiro: eleição para prefeito.

Após um período de atividades políticas de base, Erasmo Chrispim surge forte, com o PTN - Partido Trabalhista Nacional para disputar, pela primeira vez, o cargo de Prefeito. Já na primeira batalha, em 1947, derrota a Domingos Pretti que, segundo o próprio Erasmo, em entrevista ao jornal “Cidade de Itatiba” de 29 de julho de 1978, foi o candidato mais leal que enfrentou. Um fato novo chama a atenção nesta eleição. Entre 61 candidatos a uma vaga na Câmara Municipal aparecia apenas o nome de uma mulher: Iracy Pinto de Oliveira, candidata mais bem votada dentro do PTB, mas não eleita.

1.6.1 - Eleições de 1947

Nesse levantamento podemos ter uma visão detalhada dos partidos e dos votos, inclusive com a composição da Câmara Municipal, mostrando que Erasmo não teria muitas facilidades para governar. Dentre os vereadores eleitos destaca-se a figura do jornalista Evaristo Silva como um dos mais fervorosos adversários políticos de Erasmo Chrispim. Compareceram para votar nesta eleição 2.765 eleitores que elegeram o Prefeito e uma Câmara Municipal composta por 13 vereadores. Votação para Prefeito Erasmo Chrispim (PTN) Domingos Pretti (UDN) Benedito Silveira Franco (PSP) Nulos Brancos

1.107 votos 1.024 votos 558 votos 26 votos 50 votos


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Legendas UDN PSD PTN PSP PTB

773 votos 721 votos 678 votos 386 votos 113 votos

Totalização de votos apurados

2.689 votos

Composição da Câmara Municipal – por partido União Democrática Nacional – UDN Ranulfo Rodrigues Fão 207 votos Benedito Gonçalves Dutra 163 votos Romildo Prado 139 votos Rafael Ferrari Neto 5 1 votos Antônio Frare 43 votos José Mario Ordine 32 votos Partido Social Democrático - PSD Evaristo Silva 239 votos Adelelmo Corradine 108 votos Fiovarante Polessi 81 votos Partido Trabalhista Nacional - PTN Pedro Mascagni 203 votos Luís Emanuel Bianchi 128 votos Evilário Frare 96 votos Partido Social Progressista - PSP Benedito de Godoy Camargo 72 votos

Durante sua primeira gestão, Erasmo Chrispim realiza importantes obras e dota a cidade de melhoramentos significativos, embelezando-a e investindo na sua infra-estrutura. As principais realizações no período foram: reajuste do imposto predial e territorial; aumento de vencimentos dos funcionários; reforma nos baixos do Paço Municipal; remodelação das avenidas da Saudade, Barão de Itapema e Senador Lacerda Franco; reconstrução da casa de máquinas destinada ao abastecimento de água para a cidade com a colocação do novo transformador de 200 KVA; aquisição de caminhão Chevrolet - gigante para os serviços de conservação das vias públicas e estradas municipais; reforma radical no Matadouro Municipal; remodelamento do cemitério; completa e radical reforma na bica de água situada na entrada da cidade; nivelamento e apedregulhamento das estradas intermunicipais, com a colaboração do Departamento de Estradas de Rodagem - DER; aumento de mais classes no grupo escolar e, instalação da Escola de Curso Prático Profissional.


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Em 1950, a população itatibense era de 17.212 habitantes sendo que somente 3.619 eleitores eram qualificados a votar nas nove seções eleitorais da cidade A cidade possuía neste período: 02 grupos escolares sendo um em Itatiba e um no Distrito de Morungaba, ambos com um total de 1.424 alunos. Uma escola particular com 38 alunos e mais 34 escolas urbanas, 19 escolas isoladas, perfazendo um total de 670 alunos. Um dado preocupante é que a cidade de Itatiba tinha, apesar de uma boa rede educacional, 3.431 crianças em idade escolar, afastadas das escolas. Dispunha ainda de dois cursos de alfabetização para adultos, sendo um no Grupo Escolar Coronel Júlio César e um na Liga da Mocidade Itatibense, com um total de 158 alunos inscritos. Na área de saúde a cidade possuía somente de um hospital - a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba/Hospital São Carlos Borromeu - mantida por instituições beneficentes e um Centro de Saúde mantido pelo estado. As informações seguintes nos mostram outros aspectos da cidade na época: numero de prédios existentes 1.050; edifícios públicos: Prefeitura Municipal, cadeia pública, Grupo Escolar Coronel Júlio César, Grupo Escolar de Morungaba, Mercado Municipal, Igreja Matriz de Nossa Senhora do Belém, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Igreja Matriz de Morungaba, Cine Santa Rosa, Teatro São Joaquim, onde se encontraram instaladas a Coletoria Federal e Caixa Econômica Estadual e a Casa de Misericórdia. Número de ruas – 43; praças – 03; jardins – 02; hotéis - 02: Itatiba e Colina; Imprensa: “O Progresso de Itatiba”, semanário fundado em 1894 - Diretor-Redator: Romildo Prado; veículos licenciados: a explosão (motor): 166 e a tração animal: 982. Itatiba, dentro do cenário político nacional, sempre esteve na rota dos grandes comícios. Dificilmente era deixada de lado nas campanhas eleitorais e isso, muito se deve ao prestígio político de Erasmo Chrispim, homem público que mantinha relacionamentos com a cúpula de seu partido e com os mandatários do estado e do país. E, nesses episódios, muitas dos quais sem dizer uma única palavra ao microfone, sua presença altiva pairava soberba, ofuscando, muitas vezes, a presença das ilustres personalidades. A figura 1 ilustra um desses momentos na campanha de Getulio Vargas ao cargo de presidente e Lucas Nogueira Garcez ao de Governador do Estado. Na foto vemos o vereador José Boava, Erasmo Chrispim e o Governador Ademar de Barros. Na reportagem, feita muito tempo depois, aparece erroneamente a indicação da candidatura de Ademar ao Senado Federal.


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Figura 01: Comício Pró Getulio Vargas com Ademar de Barros

Fonte: Jornal de Itatiba, de 10 de janeiro de 1999

1.6.2 - Eleições presidenciais de outubro de 1950

As eleições de 3 de outubro de 1950 em Itatiba aconteceram de forma aparentemente tranqüila, tendo o comparecimento de 3.469 eleitores, dos 4.233 inscritos na comarca. Foram eleitos: Getúlio Vargas para Presidente da República e Lucas Nogueira Garcez para Governador do Estado de São Paulo. O jornal “O Progresso de Itatiba” de 8 de outubro de 1958 traz o resultado oficial no município de Itatiba, o qual transcrevemos: Para Presidente da República Getúlio Vargas (PSP/PTB) Brigadeiro Eduardo Gomes (UDN) Cristiano Machado (PSD) João Mangabeira

2040 votos 1040 votos 241 votos 4 votos

Para Vice – Presidente Café Filho (PSP) Odilon Braga (UDN) Vitorino Freire (PSD) Altino Arantes

1.103 votos 970 votos 916 votos 192 votos

Para Governador do Estado Hugo Borghi (PTN) Lucas Nogueira Garcez (PSP) Prestes Maia (UDN)

1.347 votos 1.100 votos 900 votos


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Para Vice - Governador Ataliba Nogueira Erlindo Salzano João Gomes Martins Filho Francisco Giraldes Filho

1.324 votos 1.064 votos 902 votos 4 votos

Para Senador César Vergueiro Miguel Reale Brasílio Machado Neto João da Costa Pimenta

1.138 votos 1.093 votos 977 votos 5 votos

Legenda Federal PTB – Partido Trabalhista Brasileiro UDN – União Democrática Nacional PSD – Partido Social Democrático PTN – Partido Trabalhista Nacional PSP – Partido Social Progressista PST – Partido Social Trabalhista PDC _ Partido Democrata Cristão PRT – Partido Republicano Trabalhista PR – Partido Republicano PSB – Partido Socialista Brasileiro Votos em branco Votos nulos

1.186 votos 618 votos 449 votos 444 votos 398 votos 130 votos 24 votos 16 votos 9 votos 5 votos 90 votos 86 votos

Legenda Estadual PST – Partido Social Trabalhista PSP – Partido Social Progressista UDN – União Democrática Nacional PTN – Partido Trabalhista Nacional PDC – Partido Democrata Cristão PTB – Partido Trabalhista Brasileiro PR – Partido Republicano PRT – Partido Republicano Trabalhista PSB – Partido Socialista Brasileiro PRP – Partido de Representação Popular PL – Partido Libertador PST – Partido Social Trabalhista PRB – Partido Ruralista Brasileiro Votos em branco Votos nulos

710 votos 540 votos 503 votos 427 votos 403 votos 358 votos 100 votos 69 votos 58 votos 49 votos 29 votos 22 votos 1 voto 94 votos 92 votos

Nota-se nos resultados destas eleições o pode político, a influência e a fidelidade de Erasmo Chrispim e seu eleitorado para com o seu PTN. O partido conquistou praticamente


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uma quantidade idêntica de votos na legenda estadual – 427 votos e na federal – 444 votos e, o candidato ao governo estadual pelo partido Hugo Borghi, foi o candidato mais votado na cidade. Nesta eleição dois candidatos itatibenses disputaram cargos maiores: para Deputado Federal concorreu e foi eleito o industrial Paulo Abreu (PTB), que teve 1.186 votos na cidade (44,18 % dos votos), sendo o candidato mais votado dentro do seu partido. O jornalista José Gonçalves Machado, candidato a Deputado Estadual (PSB), com 41 votos, não foi eleito.

1.6.3 - Eleições para prefeito de 1951

No ano de 1952 assume a prefeitura a figura de Etore Consoline. Pela primeira vez ocorre a votação para eleição do vice-prefeito. O eleitor podia votar separadamente nos cargos, não havendo a necessidade de votar na “dobradinha” prefeito/vice. A Câmara Municipal mantinha-se com 13 vereadores. Podemos notar que o PTN, partido capitaneado por Erasmo, não figura nos resultados das eleições, saindo estrategicamente de cena. Resultado geral das eleições de 1951 Votação para Prefeito Etore Consoline (PTB) Benedito Gonçalves Dutra (UDN – PSP)

1.713 votos 1.470 votos

Votação para Vice – Prefeito Pedro Mascagni (PTB) Joaquim Bueno de Campos (UDN – PSP)

1.660 votos 1.506 votos

Legendas PTB – Partido Trabalhista Brasileiro UDN – União Democrática Nacional PSP – Partido Social Progressista

721 votos 842 votos 614 votos

Composição da Câmara Municipal – por partido: Partido Trabalhista Brasileiro - PTB José Boava 502 votos Adelelmo Corradini 279 votos Fioravante Polessi 129 votos Luiz Pântano 122 votos Rafael Ciarbello 121 votos Amadeu Galina 118 votos Olivar José da Silva 116 votos Luiz Emanuel Bianchi 63 votos


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União Democrática Nacional - UDN Sebastião José 128 votos Antonio Mário Machado Filho 116 votos Rafael Ferrari Neto 107 votos Partido Social Progressista - PSP Hafiz Abib Chedid 139 votos Dr. Ramiro Guimarães 89 votos Fonte: Jornal “O Progresso de Itatiba”, nº 1.771, de 18 de outubro de 1951.

1.6.4 - Estrada de Ferro e Febre Tifóide

O ano de 1952 registra em Itatiba um fato que deixa enormes seqüelas, principalmente na sua vida cotidiana: a desativação da Estrada de Ferro Itatibense. Considerada deficitária por seus administradores, a sua desativação causou um sentimento de abandono por parte da população itatibense. O artigo transcrito abaixo, publicado originalmente no jornal “O Estado de São Paulo” e posteriormente no “O Progresso de Itatiba”, demonstra claramente estes sentimentos: ABANDONA-SE UMA REGIÃO – a pedido Há quinze dias precisamente, trafegou o último trem da Estrada de Ferro Itatibense. Seus proprietários, sob a alegação de que a empresa era deficitária, obtiveram do governo do Estado autorização para interromper, definitivamente, as atividades da Estrada que, então, deixou de existir. A medida já era esperada. Entretanto julgava-se que outra providência do governo viesse amparar a situação, possibilitando a continuidade dos serviços ferroviários da antiga estrada. Assim, ante a completa indiferença dos poderes públicos, a suspensão definitiva do tráfego colocou em situação desesperadora a população rural disseminada ao longo da linha. Os moradores da região servida pela “Itatibense” ficaram completamente isolados, pois que não há estrada de rodagem que atinja os centros mais próximos como Itatiba, Jundiaí ou Louveira. Cuidou-se apenas de acautelar os interesses dos proprietários da pequena via férrea. Não se mediu a extensão dos prejuízos de toda sorte que a supressão do tráfego causou à zona delimitada pelas estações de Louveira e Itatiba. Estão, pois, em situação mais difícil os moradores das estações de Abadia, Luiz Gonzaga, Galvões, Tapera Grande, Itapema e Paracatu. Dessas estações, somente a primeira, que fica a poucos quilômetros de Louveira, e Tapera Grande que tem ligação com a estrada estadual, mesmo assim muito precária, podem com dificuldade, comunicar-se com as cidades próximas. Em Tapera Grande, Itapema, Luiz Gonzaga e Abadia há escolas primárias, mantidas pelo governo do Estado. Com a supressão do tráfego da “Itatibense” estão fechadas essas escolas rurais. As professoras não podem atingir sua unidade por falta de condução. É mais um lado importante da questão que deixou de ser considerada, já não se falando do escoamento da pequena safra de café e outros produtos agrícolas. A extinção da “Itatibense” decretará fatalmente o abandono de uma região.


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Na estação de Luiz Gonzaga, as Irmãs Oblatas de Santa Úrsula, de Jundiaí, estabeleceram residência com o mais alto dos objetivos, próprios, aliás, de sua missão: a assistência rural. Uma enfermeira e uma assistente social, ambas religiosas professoras, prestam inestimáveis serviços às famílias dos trabalhadores da comunidade, que recorrem ao posto mantido pela Ordem. Além do ambulatório, as freiras mantêm cursos de alfabetização de adultos e de corte e costura para moças, organizações essas que seriam ampliadas brevemente, dentro das possibilidades que a comunidade oferecer e dos recursos de que dispuserem. Trata-se de uma obra meritória igualmente ameaçada de paralisação justamente no momento em que a localidade apresentava os primeiros frutos de sua benfazeja ação. Assim, sujeitando-se a viver entre os trabalhadores rurais, partilhando de suas dificuldades e procurando resolver os problemas sociais e peculiares da zona, mediante um trabalho educativo dos mais sadios, essas religiosas terão que desistir de tão nobre empresa em conseqüência da suspensão do tráfego, pois presentemente a sua residência está completamente isolada de qualquer centro dotado de recursos. Atualmente, o governo do Estado está emprenhado na melhora das condições do trabalhador rural; fala-se muito e há contínua propaganda de aumento de produção; cuida-se dos problemas decorrentes do êxodo da população do campo; empenham-se os poderes públicos numa grande campanha de alfabetização. Foi justamente numa época como a presente, em que se começa a olhar com mais carinho para o trabalhador do campo, visando a fixação do homem ao solo, que se vibra duro golpe, que virá destruir o pouco que se tem feito relativamente a esses problemas na zona da “Itatibense”. Não será preciso estudo muito profundo para se concluir que chegou o triste fim da região até então servida pela estrada; supressão de escolas, fechamento da Casa de Assistência Rural de Luiz Gonzaga, decréscimo da produção. E para coroar toda série de conseqüências, o êxodo natural e lógico da população rural. Segundo informações que obtivemos, grandes interesses ocultos forçaram a extinção da estrada. Ante a completa ausência de fiscalização por parte do Departamento competente da Secretaria da Viação, tudo se fez para que os serviços da empresa se tornassem cada vez mais precários, justificando assim a medida pleiteada. Para efeito de estatística, as passagens emitidas de uma estação para outra não eram carimbadas e, após terem sido recolhidas ao término da viagem, retornavam ao posto de emissão. Raramente recebia o passageiro o talão correspondente ao pagamento por falta de bilhete e à respectiva multa. Segundo ainda a mesma fonte, o governo do Estado subvencionou a estrada com 600 mil cruzeiros anuais, durante dois exercícios, auxílio esse que ainda não foi pago. Como meio de restabelecer a normalidade dos serviços de transporte da região, sugere-se que o governo estude imediatamente a possibilidade de fazer correr diariamente duas ‘litorinas’, uma em cada sentido. Duas locomotivas já foram vendidas, restando, portanto esse tipo de máquina de tração, movida a motor de explosão. O pequeno volume de carga – encomendas principalmente – poderá ser movimentado com a junção de um carro reboque à ‘litorina’. Outros são favoráveis à exploração da estrada de ferro pela Cia. Paulista, em cuja direção haveria ambiente propício a entendimentos que se fazem necessários. Entretanto, qualquer que seja a solução que se pretenda dar ao importante fato, não admite delongas. É preciso que se faça alguma coisa, antes que os


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trilhos e o material rodante da Estrada de Ferro Itatibense sejam vendidos a outras empresas, com campo de ação em outra região. O aproveitamento como estrada de rodagem, do atual leito após a retirada dos trilhos, poderá resolver o problema futuramente, sabido como é que a execução de empreendimento dessa natureza demanda longo tempo. Entretanto, não é solução para o momento. Fonte: Jornal “O Progresso de Itatiba”, de 7 de setembro de 1952, transcrito do jornal “O Estado de São Paulo”, de 31 de agosto de 1952.

No ano de 1954 a cidade passa por delicados momentos, acometida que foi por uma epidemia de Febre Tifóide. A epidemia atingiu 966 pessoas, com muitas mortes. A água fornecida na cidade causou, devido a contaminação e ao não tratamento, uma grave e preocupante epidemia na cidade que, graças a atitudes emergenciais e vigorosas, pode ser debelada. A água da cidade era fornecida por captação do manancial do “Alto do Peroba”.

... A população da época também utilizava água retirada de poços e bebia a água famosa da ‘Biquinha’, tão boa que se lhe dava a propriedade de prender a Itatiba aqueles que a bebessem, pela sua frescura e limpidez. Fonte: Almanaque de Itatiba para 1916 – tópico História de Itatiba.

No domingo, 26 de setembro de 1954, quando os olhos e ouvidos estavam ligados nas eleições que aconteceriam em 3 de outubro, o Centro de Saúde estampa no jornal “A Tribuna” importante comunicado:

CENTRO DE SAÚDE DE ITATIBA COMUNICADO - FEBRE TIFÓIDE Comunico ao povo de Itatiba a existência nesta cidade de vários casos de Febre Tifóide. Como se trata de doença grave, altamente contagiosa e de rara incidência nesta cidade, chamo a atenção e convido o povo a colaborar no combate a esse surto epidêmico, recebendo os Fiscais Sanitários desta Unidade Sanitária que irão fazer a vacinação intensa contra a Febre Tifóide, bem como a manterem limpos os seus quintais, destruir as moscas comuns, não usar legumes ou saladas de verduras cruas, ferver o leite e beber só água filtrada. Itatiba, 24 de setembro de 1954. Dr. José Fachardo Junqueira - Médico Chefe Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 26 de setembro de 1954.

Tentando debelar a doença, aconteceu no ano de 1954, vacinação em massa contra o tifo. A cidade vivia um drama e deveria ainda escolher o seu destino e os seus mandatários. Um pouco mais desse fato podemos conhecer nas páginas do Jornal “A Tribuna”, de setembro de 1954.


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... Com o decorrer dos dias, vai se desfazendo o pavor de que foi tomada a nossa população, com o surto epidêmico de febre tifóide em Itatiba, pois, estão sendo tomadas todas as medidas para debelar o flagelo. Ao que se propala, o número de casos positivos é superior a 100. Muitos doentes foram transportados para isolamentos em Campinas e São Paulo, em ambulâncias do Departamento Médico do Estado. Outros deverão ser internados na Santa Casa local, requisitada pelas autoridades sanitárias. Até as 24 horas de anteontem, foram vacinadas 5.897 pessoas, em 1ª dose. O Centro de Saúde local está atendendo as pessoas que desejam vacinar-se. Outras medidas preventivas estão sendo tomadas, tudo indicando que a moléstia não encontrará campo para propagar-se... Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 26 de setembro de 1954. Comunicam-nos da Diretoria da Santa Casa de Misericórdia: Em face do surto epidêmico de febre tifóide, que se verifica nesta cidade, o Departamento de Saúde Pública do Estado de São Paulo requisitou o hospital da Santa Casa de Misericórdia local, para o pronto tratamento dos enfermos. Para tanto, as autoridades estão providenciando medicamentos e tudo que for preciso a fim de que nada falte ao hospital e aos doentes. Digno de louvor o trabalho que vem sendo desenvolvido pelos médicos desta e das cidades vizinhas, enfermeiros, farmacêuticos, funcionários do Centro de Saúde, médicos e enfermeiros do Departamento Médico do Estado e, enfim, todos os que estão trabalhando no sentido de por um dique ao surto epidêmico de febre tifóide. Graças a essas pessoas, a terrível moléstia não se propagou em maior escala. Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 30 de setembro de 1954.

1.6.5 - Eleição de Jânio Quadros

Nessas eleições de 1954 tivemos a participação efetiva de candidatos diretamente ligados a Itatiba, casos do candidato Deputados Federal pelo PST – Partido Social Trabalhista, Luiz Emanuel Bianchi que obteve 717 votos e do suplente de senador na chapa de Auro de Moura Andrade, o já deputado Paulo Abreu, cuja votação do titular em todo estado foi de 551.549 votos. Jânio foi eleito governador com 660.264 votos contra 641.960 votos de Ademar de Barros. Prestes Maia ficou em terceiro lugar com 492.518 votos. Estas informações foram recolhidas nas páginas do jornal “O Progresso de Itatiba”, de 24 de outubro de 1954.

1.6.6 - Eleições de 1955

Vivendo ainda sob o medo da epidemia de febre tifóide, a cidade espera por mais uma eleição que se aproxima. Mais morno que os demais pleitos, consideração aceitável até pela fragilidade emocional que residia junto aos itatibenses, deflagra-se nova campanha, tendo


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como candidatos o ex-prefeito Erasmo Chrispim, o tabelião e atual vice-prefeito Pedro Mascagni (PTB – PSP) e o jornalista Romildo Prado (UDN), proprietário do jornal “A Tribuna”, fundado em 28 de dezembro de 1952. Erasmo Chrispim vence seus adversários de forma até tranqüila, com uma margem de 182 votos. Na eleição, realizada em outubro de 1955, aconteceu também a escolha para a Presidência da República. Em Itatiba houve a seguinte apuração:

Resultado das eleições - Presidente da República (Itatiba/1955): Juarez da Távora (UDN) 1.533 votos Ademar de Barros (PSP) 1.471 votos Plínio Salgado (PRP) 702 votos Juscelino Kubitschek (PSD - PTB) 484 votos Resultado das eleições: Vice-Presidente da República (Itatiba/1955): Milton Campos 1.565 votos João Goulart 1.173 votos Danton Coelho 966 votos

O candidato vitorioso nas eleições nacionais, Juscelino Kubitschek de Oliveira obteve, em Itatiba, o pior resultado entre os candidatos.

Resultado geral das eleições de 1955 – Prefeito Municipal Erasmo Chrispim (PTN) 1.867 votos Pedro Mascagni (PTB – PSP) 1.685 votos Romildo Prado (UDN) 742 votos

Na apuração dos resultados, o cargo de vice-prefeito foi preenchido pelo candidato da coligação PTB-PSP, Professor Luís Pântano. Nesta época também se podia votar separadamente nos candidatos a prefeito e a vice. Da mesma forma era a votação para Presidente da República. Votação para vice - prefeito Luiz Pântano (PTB - PSP) Sebastião José (UDN) Atílio Lanfranchi (PTN)

1.491 Votos 1.308 votos 1.299 votos

Legendas PRP - Partido Republicano Paulista PSP - Partido Social Progressista PTB - Partido Trabalhista Brasileiro

568 votos 560 votos 1202 votos


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UDN - União Democrática Nacional PTN - Partido Trabalhista Nacional

863 votos 766 votos

Composição da Câmara municipal - por partido Partido Republicano Paulista – PRP Fernando A Ramos de Mello 205 votos Roberto Milanez 156 votos Partido Social Progressista - PSP Hafiz Abi Chedid 191 votos José de Camargo Neto 124 votos Partido Trabalhista Brasileiro - PTB Fioravante Polessi 140 votos José Ribas 193 votos Aloísio Vieira Sanfins Boava 185 votos Perdoacil Correia Dias 125 votos União Democrática Nacional - UDN Francisco de Assis Bezana 125 votos Ranulfo Rodrigues Fão 124 votos Rafael Ferrari Neto 110 votos Partido Trabalhista Nacional - PTN Rafael Ciarbello 345 votos Benedito Campos Pupo 104 votos Fonte: Jornal “O Progresso de Itatiba”, nº 2.034, de 09 de outubro de 1955

1.6.7 - 1957: Festa do Centenário

Itatiba, ou melhor, Belém de Jundiaí, emancipada no ano de 1857 comemora em 1957 o seu ‘Centenário’ e o festeja com grandes eventos. Os acontecimentos foram muitos e a programação dos festejos precisou da colaboração de muitos itatibenses, engajados na preparação e desenvolvimento em todas as festividades que destacamos: Baile e concurso da Coroação da Rainha do Centenário com a presença da Orquestra de Sylvio Mazzuca. O baile foi realizado nas dependências do Cine Marajoara, havendo a necessidade de uma grande mudança do cenário com a retirada de todas as cadeiras que eram fixadas ao chão. Aparecida Dutra eleita Rainha do Centenário, derrotou várias concorrentes e obteve 18.339 votos. Também foram realizados bailes populares em vários clubes da cidade. Aconteceram também: concertos da Corporação Musical Santa Cecília, do Conjunto de Harmônicas “Guararema”, de Jundiaí; concurso Marcha do Centenário; confecção de flâmulas; conferência com o Dr. Luiz de Gama e Silva, Congresso Eucarístico; corrida


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ciclística e pedestre; desfile de modas infantil; exposição de telas de João Teixeira Araújo – pintor itatibense, além de programação especial na Praça da Bandeira e Festival Infantil no campo do Itatiba Esporte Clube. Houve também a inauguração do Posto de Puericultura, Missa Campal Solene – na Praça da Bandeira, Noite lítero-musical com Luiz Emanuel Bianchi – palestrante e Maria Antonieta Degani – pianista, palestra com Cornélio Pires – “Nossa terra e nossa gente” e com o Professor André Mendonça de Queiroz Telles; Retreta da Banda União dos Artistas de Itu, do 8º B.C. da Força Pública de Campinas, além de sessões especiais de cinemas no Cine Marajoara e no Cine Santa Rosa, show com artistas da Rádio Record e a destinação de verba para formação de uma escola de samba que recebeu o nome de Escola de Samba João Pedro de Campos. Figura 02 - Erasmo e Aparecida Dutra – Rainha do Centenário

Acervo: Família Chrispim


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1.6.8 - Estação de Tratamento de Água e Esgoto.

Grande melhoria para a vida da cidade de Itatiba foi a inauguração da primeira ETA Estação de Tratamento de Água, trazendo uma maior qualidade de vida para a população itatibense. Podemos dizer que, se não foi a melhor obra feita em suas gestões, foi a mais significativa. Essa estação de tratamento foi utilizada posteriormente pelo SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Itatiba, criado e gerido na gestão de Erasmo Chrispim em 1969 por meio da lei 901, autarquia municipal encarregada dos sistemas de abastecimento de água potável e esgotos sanitários. O serviço foi administrado pela Prefeitura Municipal até 1980. No ano de 1980, na gestão do Prefeito Engenheiro Roberto Arantes Lanhoso e através da Lei Municipal de nº 1.508, toda estrutura é passada à SABESP – Companhia de Abastecimento do Estado de São Paulo, que gerencia o abastecimento de água até os dias atuais.

1.6.9 - Primeiro Código Tributário Municipal.

Antes desse código a legislação tributária da cidade era dispersa e parcialmente incompatível com a Constituição Federal. Essa reformulação adaptou a legislação às necessidades da comunidade.

1.6.10 - Eleições de 1958

Havia um clima de euforia para as eleições de 1958, com a candidatura de Carvalho Pinto, “que já desfrutava de grande estima e simpatia em nossa terra”, pois era proprietário de área agrícola nos arredores do município. Além do já consagrado prestigio do candidato Ademar de Barros. Outro destaque desta eleição foi a candidatura para deputado estadual de Roberto Arantes Lanhoso. O jornal “A Tribuna” de 4 de setembro de 1958 anunciava um grande comício na Praça da Bandeira, com a presença do governador Jânio Quadros e a do candidato Carvalho Pinto. O evento foi organizado pelo comitê Carvalho Pinto de Itatiba, que tinha como presidente de honra Erasmo Chrispim.


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Figura 03: Comício com Jânio e Carvalho Pinto

Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 9 de outubro de 1958 – acervo: Museu Padre Lima - Itatiba

Como nunca se havia visto, Itatiba dá um demonstração de civismo, comparecendo em massa para as eleições de 3 de outubro, tendo uma abstenção de apenas 1,5% dos votos válidos. Dos 5.696 eleitores inscritos, 5.608 votaram, constituindo-se, naquela época, o maior percentual de votação na história política da cidade. Um fato interessante e digno de registro é a votação obtida pelo candidato itatibense Roberto Arantes Lanhoso – UDN, que recebe 2.470 votos do eleitorado, 153 a mais do que Ademar de Barros, o mais votado para o cargo de Governador. Lanhoso conquistou nesta eleição 44,04% dos votos para deputado. Onze anos mais tarde Roberto Arantes Lanhoso, apoiado por Erasmo Chrispim, se elege Prefeito de Itatiba.


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Figura 04: Propaganda de Roberto Lanhoso

Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 9 de outubro de 1958 – acervo: Museu Padre Lima - Itatiba

Figuram também na planilha final de votação alguns nomes de destaque nacional e que mereceram votos dos itatibenses, tais como: Ulisses Guimarães (72 votos), Ranieri Mazzilli (54 votos) e Cunha Bueno (45 votos) pela coligação PSP/PSD/PRT; Menotti Del Picchia (70 votos), Ivete Vargas (53 votos) e Leônidas Cardoso (8 votos) pelo PTB; André Franco Montoro (4 votos) e Sólon Borges dos Reis (8 votos) pelo PDC e, Severino Cavalcanti (10 votos) e Roberto de Abreu Sodré (5 votos) pela UDN. Resultado geral das eleições de 1958 Para Governador Adhemar de Barros Carvalho Pinto Auro de Moura Andrade

2.317 votos 2.196 votos 957 votos

Para Vice-Governador Porfírio da Paz Padre Geraldo Costa Queiroz Filho Cid Franco

1.961 votos 1.360 votos 860 votos 856 votos

Para Senador Frota Moreira Padre Calazans Anísio Moreira Castilho Cabral

2.032 votos 1.802 votos 547 votos 399 votos


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Para Suplente de Senador Arthur Audrá Francisco Glicério Nério Moreira Costa Foch Simão Legendas Federais PSP – PSD – PRT UDN PSB – PTN PST PR PTB PDC PRP Legendas Estaduais UDN PSP PTN PRT PR PDC PTB PSB PSD PRP PL

1.929 votos 927 votos 545 votos 234 votos

2.117 votos 917 votos 817 votos 492 votos 320 votos 234 votos 178 votos 65 votos 2.065 votos 808 votos 588 votos 299 votos 232 votos 228 votos 142 votos 105 votos 97 votos 80 votos 49 votos

Candidatos mais votados - Deputado Federal Hugo Borghi (PSP – PSD – PRT) 909 votos Herbert Levy (UDN) 832 votos José Henrique Turner (PSB – PTN) 364 votos Ortiz Monteiro (PST) 375 votos Derville Alegretti (PR) 242 votos Nelson Omegna (PTB) 77 votos Plínio Cavalcanti (PDC) 123 votos Loureiro Júnior (PRP) 35 votos Candidatos mais votados - Deputado Estadual: Roberto Arantes Lanhoso (UDN) 2.470 votos Diogo Bastos (PSP) 525 votos Alfredo Farhat (PTN) 196 votos Augusto do Amaral (PRT) 109 votos Homem de Mello (PR) 136 votos José A. Castelo Branco (PDC) 52 votos Benedito Matarazzo (PTB) 84 votos


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Cunha Ferraz (PTB) 62 votos Juvenal Rodrigues de Moraes (PSD) 33 votos Bruno Filho (PRP) 30 votos Theodoro N. Salgado (PL) 16 votos Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 9 de outubro de 1958.

1.6.11 - Eleições de 1959

Na eleição de 1959, como fez em todas as eleições anteriores, Erasmo se retira de cena com o “seu” PTN, apesar do aparente prestigio nacional que o partido tinha em finais de 1950 e início de 1960. Os vereadores Rafael Ciarbello e João Dias da Silva, anteriormente no PTN, se candidatam pelo inexpressivo PST - Partido Social Trabalhista e são eleitos. Resultado geral das eleições de 1959 Para Prefeito Pedro Mascagni (PSP) Dr. Carlos A. Pitombo (UDN – PSB) Prof. Luiz Pântano (PTB)

3.070 votos 2.112 votos 617 votos

Para vice-prefeito Otalibe Pellizzer (PSP) Dr. Roberto Arantes Lanhoso (UDN) José Costa (PTB) Fioravante Polessi (PSB) Francisco Bartholomeu (PDC)

2.533 votos 1.279 votos 646 votos 552 votos 512 votos

Legendas Partido Social Progressista – PSP União Democrática Nacional – UDN Partido Republicano Trabalhista – PRT Partido Trabalhista Brasileiro – PTB Partido Social Trabalhista – PST Partido Democrata Cristão – PDC Partido Socialista Brasileiro – PSB

1.601 votos 1.247 votos 831 votos 702 votos 680 votos 439 votos 253 votos

Composição da Câmara Municipal – por partido Partido Social Progressista – PSP Deusdedith Rodrigues de Almeida 542 votos Lúcio Roque Flaiban 319 votos Roberto Leoni 187 votos Olivar José da Silva 129 votos União Democrática Nacional – UDN Dr. Romeu Bueno de Aguiar 208 votos José Mattiuzzo 141 votos Rafael Ferrari Neto 138 votos


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Partido Republicano Trabalhista – PRT Miguel Calmon Du Pin Oliveira 131 votos Osmildo Tescarollo 110 votos Partido Trabalhista Brasileiro – PTB José Boava 193 votos Dr. Afrânio Pires da Silveira 176 votos Partido Social Trabalhista – PST Rafael Ciarbello 311 votos João Dias da Silva 120 votos Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 08 de outubro de 1959.

No final de seu mandato, atendendo a uma reivindicação de Erasmo Chrispim, o Governador Carvalho Pinto criou, em 16 de dezembro de 1959, o terceiro Grupo Escolar de Itatiba. A escola iniciou as suas atividades no primeiro dia de fevereiro de 1960 e, em 1962, oficializava o nome de seu patrono: Coronel Francisco Rodrigues Barbosa – “Chico Peroba”. Em 1960, Itatiba tinha uma população de 20.892 habitantes.

Figura 05: Carreata da Vitória

Acervo: Museu Padre Lima – Itatiba


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Na figura 05, flagrante da carreata da vitória, na eleição de Pedro Mascagni e Otalibe Pellizzer. Em primeiro plano, de braços abertos, o ex-prefeito Ettore Consoline Em janeiro de 1960 assume a chefia do executivo o tabelião Pedro Mascagni, prefeito eleito, e o seu vice, Otalibe Pellizzer. Apesar de uma eleição ganha com mais de 800 votos de diferença, a gestão Mascagni/Pellizzer não foi uma tarefa das mais fáceis. Durante todo o mandato, Mascagni teve opositores ferrenhos, tanto dentro da Câmara Municipal, quanto na imprensa local, sendo seus atos seguidos de perto pelas páginas do jornal “A Tribuna”, através do colunista Evaristo Silva, também opositor de Erasmo Chrispim. Um dos episódios mais duros e talvez a maior derrota de Mascagni foi a chamada “Lei dos Meios”. Quando da campanha eleitoral o candidato a prefeito proclamou que não aumentaria o IPTU – imposto predial e territorial urbano – em sua gestão. Um dos seus primeiros atos, após a vitória, foi reajustar em 100% esses mesmos impostos. A população, aliada aos vereadores de oposição e à imprensa local conseguiu a aprovação de uma lei popular com a redução de 50% dos valores reajustados. Houve até vereador que foi surpreendido escondido no forro de casas, diante de impressionante mobilização da sociedade. No auge dos discursos, à noite, em plena Praça da Bandeira, João Rabechi, industrial e grande orador com espírito e senso de humor, já no clima acalorado pelo uso do vinho exclamou: “... Nesta noite ensolarada! Ensolarada para nós, mas negra para eles...”, foi ovacionado pelo povo que saiu vitorioso.

1.6.12 - Eleição presidencial de 1960

As eleições de 3 de outubro de 1960 deram a vitória ao candidato Jânio Quadros (PTN/PDC). Com um discurso enfatizado no combate a corrupção, usava como símbolo de sua campanha a vassoura e o jingle “varre, varre vassourinha...”, que se tornou um hit no momento. Os quatro partidos que apoiavam Jânio, representando 30 por cento do eleitorado, arrebataram quase 6 milhões de votos, enquanto os dois maiores partidos do Brasil (PSD e PTB), apoiando o Marechal Henrique Teixeira Lott, não conseguiram sequer 2 milhões. Contribuíram para isso o prestígio individual de Jânio e um estratagema usado por ele. Apoiava formalmente seu companheiro a vice, Milton Campos e incentivava uma campanha anônima e apartidária que se desenvolvia pelo país, fazendo publicidade da dobradinha JanJan (Jânio-Jango), permitida pela legislação de se poder votar em candidatos de partidos


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diferentes. O eleitorado descarregou sua votação em Jânio Quadros para Presidente, e em João Goulart (vice de Lott) para vice-presidente, elegendo a ambos. O PDP lançou como candidato Ademar de Barros Jânio inicia seu mandato em 31 de março de 1961 e o termina em 25 de agosto do mesmo ano, quando renuncia ao cargo, cumprindo 6 meses e 25 dias como Presidente da República.

1.6.13 - Segunda eleição de Ademar de Barros – 1962

As eleições de 7 de outubro de 1962 transcorreram de forma pacífica e com bastante normalidade na cidade de Itatiba. Houve, nessa eleição, a inclusão da cédula única, ao que parece facilitando sobremaneira a rapidez da votação.

Resultado geral das eleições de 1959 em Itatiba: Para Governador Ademar de Barros (PSP) Jânio Quadros (PTN- MTR) José Bonifácio Cid Franco

2.690 votos 1.933 votos 1.572 votos 54 votos

Para Vice-Governador Laudo Natel Faria Lima Teodoro Monteiro de Barros Remo Forli

2.330 votos 1.634 votos 1.156 votos 129 votos

Para Senador Auro Moura Andrade – Miguel Leuzzi Lino de Mattos – Lineu Gomes Mário Beni – Manoel Figueiredo Ferraz Abreu Sodré – Lélio Piza Filho Queiroz Filho – José Cassab Nelson Omegna – Paulo G. Martins Alípio Corrêa Neto – Salim Sedeh Marcelino Serrano – Miguel Taddeo

2.152 votos 1.867 votos 1.432 votos 1.244 votos 1.215 votos 248 votos 726 votos 90 votos

Para Deputado Federal Plínio Salgado (PRP) Herbert Levy (PDC/PRT/UDN) Plínio Rolim (PTB/PSB) Ranieri Mazzili (PSD/PSP)

34 votos 397 votos 76 votos 372 votos


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Otávio Maria (PR) A. C. Avalon (PST) Hamilton Prado (PTN/MTR)

471 votos 111 votos 143 votos

Para Deputado Estadual José A. Castelo Branco (PDC) 89 votos Joaquim Jacome Formiga (PSB) 24 votos Rui Paula Lei (UDN) 189 votos Nabi Abib Chedid 1.706 votos Roberto Brambill (PRT) 121 votos Almiro Salles (PTB) 232 votos Juvenal R. de Moraes (PSD/PSP) 145 votos Martins Costa (PR) 65 votos Roberto Gebara (PST) 94 votos Prestes Franco (PTN/MTR) 304 votos Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 11 de outubro de 1962.

1.6.14 - Eleição de 1963

Erasmo Chrispim retorna à cena política, após um período afastado e que, estrategicamente, lhe dava condições de disputar uma nova eleição. Retorna com ele ao cenário político local o PTN – Partido Trabalhista Nacional que, capitaneado pelo “Barão”, elege quatro vereadores. O povo, pelo que nos parece, ainda guardava na memória os fatos políticos e todas as disputas eleitoreiras produzidas na gestão Mascagni/Pellizzer, entre o poder executivo e o legislativo. Pensando em tudo o que aconteceu e, revendo as boas administrações do “Velho Barão”, decide reconduzi-lo ao poder na esperança e quase certeza de uma volta à paz. Contando com o apoio de Ademar de Barros, o seu maior opositor nesta eleição - o advogado Afrânio Pires da Silveira - é derrotado. Resultado geral das eleições de 1963: Para Prefeito: Erasmo Chrispim (PTN) Afrânio Pires da Silveira (PSP – PTB) Votos – brancos Votos – nulos

3.416 votos 3.103 votos 288 votos 199 votos

Para vice-prefeito José Maurício de Camargo (PTN) Olivar José da Silva (PSP) Sebastião José (UDN) Roberto Leoni (PR)

1.985 votos 1.763 votos 1.466 votos 956 votos


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Votos – branco Votos – nulos

591 votos 245 votos

Legendas Partido Social Progressista – PSP Partido Trabalhista Nacional – PTN União Democrática Nacional – UDN Partido Republicano – PR

2186 votos 1660 votos 1022 votos 805 votos

Composição da Câmara Municipal – por partido Partido Social Progressista – PSP Aloysio Vieira Sanfins Boava 557 votos Miguel Calmon Du Pin Oliveira 329 votos Abílio Monte 303 votos José Mattiuzzo 226 votos Roque Fascina 78 votos Partido Trabalhista Nacional – PTN Benedito Sanfins 189 votos Benedito Campos Pupo 181 votos João Dias da Silva 173 votos Roberto Panzarin 173 votos União Democrática Nacional – UDN Roberto Arantes Lanhoso 238 votos Rafael Ferrari Neto 175 votos Partido Republicano – PR Rubens Pântano 257 votos Gil Roberto Nunes da Costa 132 votos Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 17 de outubro de 1963.


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Figura 05: Chegada na prefeitura para a posse - 1964

Acervo: Família Chrispim

Vitorioso, Erasmo retoma ao poder e encara mais uma jornada à frente do executivo itatibense. Sempre preocupado com o desenvolvimento da cidade de Itatiba procura alavancar o comércio e a indústria e, juntamente com os responsáveis pelo setor, cria a FEIMOC – Feira da Indústria e do Móvel Colonial, inaugurada em 1967. Participam da primeira FEIMOC, inaugurada em 24 de novembro de 1967, várias autoridades regionais e federais, entre elas o Ministro da Justiça Gama e Silva. O evento aconteceu onde hoje está instalada a Universidade São Francisco, prédio construído e usado pelo curtume da cidade.

1.6.15 - Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba

O projeto que criou a Faculdade de Engenharia de Itatiba, de autoria do Prefeito Erasmo Chrispim, foi aprovado pela Câmara Municipal de Itatiba em duas sessões extraordinárias realizadas no dia 9 de junho de 1967. A lei tinha, em seu artigo 1º, o seguinte teor: ... Fica a Prefeitura Municipal autorizada a firmar convênio com o I.E.S.R.B. (Instituto do Ensino Superior da Região Bragantina), com a finalidade precípua de ser instalada uma faculdade de engenharia, com as modalidades


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de mecânica, têxtil, operacional e outras, nesta cidade, nos moldes educacionais mais avançados... Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 11 de junho de 1967

A lei ainda previa a abertura de um crédito especial no valor de NCr$ 1.000.000,00 (equivalente a um bilhão de cruzeiros velhos) para as despesas com a instalação da faculdade. No dia 15 de junho de 1967 o Prefeito Erasmo Chrispim promulga a Lei de nº 845, oficializando a F.E.I de Itatiba. Já no dia 22 de junho declara de utilidade pública para fins de desapropriação, através do decreto 176/67, o prédio e terrenos nos quais seria instalada a Faculdade. Essa atitude, ao invés de criar expectativas positivas e alegria, teve efeito contrário. Foi alvo de pronunciamento do proprietário do imóvel no jornal A Tribuna, com repercussão na Câmara de Vereadores que quis revogar o decreto.

AO POVO DE ITATIBA Ufanei-me, como cidadão, como itatibense, pela criação da Faculdade de Engenharia Industrial em Itatiba. Jamais tive o intuito de combater aquela Escola e a figura do seu criador, o senhor Prefeito Municipal. Ainda que, não tendo a oportunidade de estudar, dou todo o meu apoio e o meu trabalho em prol da criação e ampliação do ensino em nossa cidade. Como povo, vejo no Sr. Erasmo Chrispim o Prefeito que instalou a Escola de Comércio Municipal e fez funcionar a Escola Normal Municipal. É em conseqüência um administrador devotado à ampliação do ensino. Os componentes da Câmara Municipal têm o meu respeito e a minha admiração pelo trabalho realizado em prol do engrandecimento de Itatiba. Deixo claro que não sou e não pretendo ser um inimigo da Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba, nem mesmo pretendendo criar ou gerar polêmicas com a Prefeitura Municipal. Proponho-me inclusive, a entrar em entendimentos com o senhor Prefeito Municipal, acertar detalhes para a cessão em locação, do meu imóvel, o escolhido para ser o local de instalação e funcionamento da aludida Faculdade. É verdade que esta minha propositura não vincula o senhor Prefeito Municipal, porém, entendo que, aceitando-a, estará reservando maiores recursos financeiros para o atendimento da própria Faculdade e de outros setores da administração, pois deixará de despender elevada soma com a pretendida desapropriação. Itatiba, 23 de junho de 1967. EUGENIO ULHANO Fonte: Jornal “A Tribuna” de 25 de junho de 1967

Em contrapartida, a população jovem e estudantil da cidade se mobiliza e parte para a luta. Com manifestações públicas e pressão sobre os vereadores consegue reverter a situação posicionando-se ao lado do Prefeito.


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No dia 23de julho de 1967 é publicado na imprensa local um “MANIFESTO AO POVO”, liderado pela Associação Estudantil Itatibense e assinado pelos seus representantes, Nilton de Godoy Barbosa e José Roberto Leite dos Santos.

Figura 07 – Manifestação estudantil e popular pela instalação da Faculdade de Engenharia de Itatiba

Fonte: Jornal “A Tribuna” de 27 de julho de 1967 - acervo: Museu Padre Lima – Itatiba MANIFESTO AO POVO Quando se falou pela primeira vez na instalação de uma Faculdade de Engenharia Industrial em Itatiba, todo povo itatibense se assustou. Era uma obra grandiosa em contraste com a modéstia dos nossos pensamentos costumeiros. Com a evolução e o esclarecimento dos fatos tal possibilidade não passou mais a ser vista como um sonho inatingível. Tornou-se um objetivo cuja realidade de concretização poderia estar tão próxima que bastaria todos os itatibenses estenderam, junto, a mão, para apanhá-la. E assim foi feito a princípio. Todos se rejubilaram. Afinal, a tão esperada união a fim de aproveitar e a acompanhar o impulso do progresso, Itatiba não precisaria baixar a cabeça frente a cidades semelhantes que nos acenavam em tom de zombaria aos nos deixarem para trás. Estaríamos nós, agora acenando para eles “LÁ DA FRENTE” numa retomada de forças que talvez não parasse ai. Seria a união, e com ela, o progresso. Mas, e toda estória tem seu, mas acontece que um grupo de eminentes homens públicos itatibenses, talvez, a bem de interesses não completamente esclarecidos (e que já começaram a ser amplamente murmurados) passaram, depois de uma desapropriação decretada de um edifício itatibense, a torpedear a instalação da Faculdade, usando argumentos tão infantis que seria inútil citar nestas linhas. Nesse ponto, nós nos sentimos na obrigação de alertar todos os itatibenses para que fiquem atentos às manobras desses homens públicos. Não nos deixemos iludir, dando a impressão de sermos crianças ou idiotas, que podem ser manobrados, mas, saibamos repudiá-los, empunhando


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firmemente a bandeira da FACULDADE DE ENGENHARIA INDUSTRIAL DE ITATIBA, que é a própria bandeira de Itatiba. Amanhã, a sessão pública extraordinária da Câmara Municipal de Itatiba dirá a verdade. A ela assistamos todos, estudantes, operários, camponeses, comerciários, bancários, todos os itatibenses que pretendem algo grandioso e legítimo para nossa cidade, para nós e p/ nossos filhos. Compareçam todos à essa sessão, demonstrando, não só união por esse ideal por nós merecido, mas, também, que o povo itatibense não sofrerá calado, nem covardemente a esse golpe. A todos nós está dividida a responsabilidade da hora presente pelos destinos de Itatiba. Já é hora de acabar com a politicagem superada e anacrônica, que entravam o nosso progresso. Já é hora da união. Já é hora da coragem! Associação Estudantil Itatibense Fonte: Jornal “A Tribuna” de 23 de julho de 1967.

Vários vereadores opositores tentavam a todo custo dificultar a iniciativa de instalação da faculdade nas dependências do Curtume. O Requerimento, subscrito inicialmente pelos vereadores Gil Roberto Nunes da Costa, Abílio Monte, Rubens Pântano e Benedito Sanfins, datado de 19 de julho de 1967 pedia: (...) Requeremos à Mesa, regimentalmente, seja oficiado ao senhor Prefeito a fim de que sejam tomadas as seguintes providências: 1 – Não desapropriar a área já declarada de utilidade pública por ser inadequada para a finalidade que se destina, revogando-se, conseqüentemente, o decreto expropriatório; 2 – Verificar quanto seria, em média, a mensalidade da propalada Faculdade e quais as garantias mínimas, documentadas, do seu imediato funcionamento e da sua subsistência; 3 – Verificar se a Faculdade possui autorização do Ministério da Educação para o seu funcionamento; 4 – Verificar a possibilidade de doar somente o terreno e os interessados pelo funcionamento da Faculdade construírem às suas expensas o prédio para esse fim; 5 – Estudar a possibilidade de 50% da renda dos primeiros anos de funcionamento da escola ser destinada à Prefeitura a fim de amortizar a dívida contraída, não acarretando, dessa forma, sacrifícios ao povo; 6 – Estudar a possibilidade de construir a Faculdade em terreno pertencente ao Município; 7 – Não sendo possível a construção em terreno próprio, seja instalada a Faculdade nas proximidades do Alto da Santa Cruz ou, preferencialmente, nas imediações de Fátima, lugares esses propícios para o fim colimado e cujo valor do imóvel por metro quadrado é sensivelmente bem menor que do imóvel que se pretende desapropriar. Sr. Presidente, esta nossa propositura tem o intuito único e exclusivo de zelar pela coisa pública, não permitindo que o dinheiro do povo seja mal aplicado.” Itatiba, 19 de julho de 1967. Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 19 de julho de 1967 – acervo: Museu Padre Lima


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Figura 08: Prédio onde foi instalada a FEI de Itatiba

Fonte: Jornal “A Tribuna”, 28 de setembro de 1967 – acervo: Museu Padre Lima – Itatiba.

Apesar de todo burburinho e tentativas de se direcionar a opinião pública contra a instalação da FEI de Itatiba no local destinado, prevaleceram as determinações do Prefeito Erasmo Chrispim. Depois de algum tempo a Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba passa a ser comandada por um novo grupo até ser encampada pelas Faculdades Franciscanas. Funcionando no mesmo prédio, passou por várias transformações recebendo outros cursos. Hoje, como Universidade São Francisco, ainda funciona no mesmo local cedido em comodato pela Prefeitura de Itatiba.


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1.6.16 - Nova subestação da CPFL

Outro fato relevante na gestão Erasmo Chrispim foi a inauguração da subestação da CPFL, acontecida no dia 30 de novembro de 1967.

Figura 09: Instalação da subestação da CPFL

Fonte: Jornal “A Tribuna” de 3 de dezembro de 1967 – acervo: Museu Padre Lima – Itatiba.


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1.6.17 - Eleições de 1968

O sucessor natural do Prefeito Erasmo Chrispim seria seu vice, José Maurício de Camargo. Mas, a história não se desenhou de forma tão simples e pacífica. Quando Erasmo licencia-se para tratamento de saúde, o vice-prefeito impulsionado pelo grupo que o apoiava tenta afastá-lo definitivamente, inclusive com a impugnação de seu mandato – “impeachment”. Amparado pela lei e com o apoio político de seus companheiros, Erasmo reassume rapidamente seu cargo, cumpre o seu mandato até o final e apóia, na eleição de 1968, o vereador Roberto Arantes Lanhoso, elegendo-o. Nestas eleições a votação passa a ser feita para chapa completa, incluindo Prefeito e Vice. Concorrem nas eleições apenas candidatos da ARENA – Aliança Renovadora Nacional que se subdivide em três legendas.

Resultado geral das eleições de 1968: Para Prefeito Roberto Arantes Lanhoso (ARENA 1) Vice: Giácomo Rela José Maurício de Camargo (ARENA 2) Vice: Batista Gaboardi Pedro Mascagni (ARENA3) Vice: Gil Roberto Nunes da Costa Votos brancos Votos nulos

4.267 votos 4.175 votos 704 votos 180 votos 253 votos

Composição da Câmara Municipal – partido/legenda Aliança Renovadora Nacional – legenda ARENA 1 Adriano Giaretta Parodi 879 votos Aloysio Vieira Sanfins Boava 549 votos Manoel Roberto Massaretti 469 votos Francisco Cardoso de Castro 461 votos José Mattiuzzo 449 votos Benedito Sanfins 319 votos Benedito Campos Pupo 298 votos Aliança Renovadora Nacional – legenda ARENA 2 Deusdedith Rodrigues de Almeida 595 votos Rafael Ciarbello 493 votos Antenor Fontana 431 votos Amâncio Catalano 410 votos Benedito de Oliveira Coelho 09 votos Carlos Franco Penteado 321 votos Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 17 de novembro de 1968.


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A população de Itatiba, em 1970, era de 28456 habitantes. Lanhoso fez seu sucessor nas eleições de 1972: Giácomo Rela também da ARENA. Roberto Lanhoso volta ao cenário político e se elege novamente em 1976/1882. Foi votado para mais um mandato governando de 1988 até 1991.


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CAPÍTULO 2 - O PROTAGONISTA

2.1 - As origens da família Chrispim em Itatiba.

Erasmo Chrispim foi a mais expressiva figura política da cidade no século XX, passando para a história como “Barão”. Segundo pesquisa realizada por ocasião do centenário de nascimento do prefeito Erasmo Chrispim, em abril de 2001, pelo médico e genealogista Dr. Marcos Rodrigues Chaves, levantamos:

A família Chrispim originalmente Silveira Franco descendem de Chrispim da Silveira Franco e das velhas estirpes paulistas que remontam ao povoamento da Capitania de São Vicente quando da chegada de Martim Afonso de Souza. Dos troncos primitivos, dentre outros, pode-se destacar: os Rodrigues Velhos, os Prados, os Pires, os Camargos, os Godoys Moreiras e os Cunhas Gagos, sendo que por estes últimos tinha ascendência nos Reis de Castela. Dentre as personagens são dignas de nota: Domingos Luis – “o Carvoeiro”, o Capitão Mor e Governador Jorge Moreira, João Ramalho, Bartira e Antonia Rodrigues. Por esses três últimos sua prosápia adentra no régulo Tibiriçá e em seu irmão Piquerobi, havendo ai a legítima representação do sangue da raça brasílica. Assim, da mistura dessas colundrias que se emaranharam num cipoal de uniões endogâmicas, emergiu a figura histórica de Erasmo.

Nos primeiros anos do século XX, em plena republica do “café com leite”, Itatiba era palco da disputas entre as famílias Godoy, Barbosa, Chrispim, Joly, Leme, Alves de Cardoso, Godoy Moreira, Silveira Franco e Bueno de Aguiar. O pequeno município e suas tradicionais famílias viviam da cultura do café, atividade que já dependia, naquela ocasião, do trabalho braçal dos imigrantes italianos, espanhóis e portugueses. A epopéia do café, onde Itatiba produzia anualmente cerca de 600.000 arrobas e exportava 400.000 arrobas de café, dotou a cidade de calçamento, luz elétrica redes de água e esgoto, uma estrada de ferro particular com extensão de 22 quilômetros e o luxuoso teatro São Joaquim. Foi sob esse cenário típico e rico do interior paulista de então que, em 6 de abril de 1901, no bairro dos Pires, nasceu Erasmo, o quinto filho do coronel Benedito da Silveira Franco Chrispim e de dona Francisca Maria as Conceição Pires de Camargo Ao todo tiveram 7 filhos: Benedita Chrispim de Godoy, casada com Emídio Elias de Godoy; Lazara Chrispim Cruz, casada com Izaltino Cruz; José ,casado, Sebastião, solteiro, Erasmo casado com Alzira Pupo Chrispim; João Baptista casado com Maria de Godoy Chrispim e Joaquim casado com


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Maria Leme Chrispim. Seus avós paternos eram José da Silveira Franco Chrispim e Escolástica Franco da Conceição e os avós maternos Delfim Pires de Camargo e Escolástica Maria de Jesus. Figura 10: Família Chrispim no início do Século XX

Acervo: Família Chrispim

O Coronel Benedito Chrispim, foi o espelho político de Erasmo e juntamente com a sua esposa Francisca, chamada “Nhá Chica”, eram muito atuantes na comunidade, participando das atividades políticas, sociais e filantrópicas da cidade. Agricultor, dono de uma fazenda e mais dois sítios, todos com plantações de café, foi presidente do Asilo São Vicente de Paula de 1915 a 1920 e primeiro presidente do Grêmio Cívico e Recreativo Itatibense, em 1917, um dos clubes mais tradicionais de Itatiba. Foi “Nha Chica Chrispim” que doou o terreno para a construção do primeiro prédio próprio do Asilo São Vicente de Paulo. Na política o Coronel Chrispim foi vereador, presidente da Câmara Municipal em 1926 e Prefeito Interino em 1930, quando da revolução.


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Figura 11: Centro recreativo Itatibense

Fonte: Jornal “A Reacção”, de 30 setembro de 1917 – acervo: Museu Padre Lima.

Erasmo Chrispim ou o “Barão”, como acabou ficando conhecido, tornou-se homem público e, em seus 86 anos de vida, construiu uma trajetória política que se confundiu com a história de Itatiba durante cinco décadas. O jovem Erasmo queria mesmo eras ser dentista. Estudou no Colégio Diocesano e no Liceu de Artes e Ofícios, ambos em São Paulo. Residiu por um bom período na capital onde foi colaborador da coluna social do jornal “O Estado de São Paulo”. Como transitava muito pelas festas da alta sociedade paulistana, passava as notícias ao colunista. Chegou a iniciar os exames prévios para ingressar na Faculdade de Odontologia, mas foi obrigado a desistir por causa do agravamento de um problema congênito no ouvido a mesma moléstia que, mais tarde, provocou a sua surdez precoce.


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Figura 12: Erasmo Chrispim com 18 anos

Acervo: FamĂ­lia Chrispim


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Em 1927, ele se casou com Alzira da Silveira Pupo (1905-1996). Os dois se conheceram no casamento de Bento, irmão de Alzira, que era grande amigo e companheiro de aventuras de Erasmo. Até então, ela vivia se benzendo quando alguém brincava que ela poderia se casar com um dos Chrispim. Eram terríveis. A festa de Bento se deu na Fazenda Santa Luzia, propriedade de seu pai. Mas Alzira participou da festa contrariada porque a sua mãe não lhe havia mandado fazer um vestido novo, de seda. Todas as irmãs ganharam vestido de seda. Alzira não, porque já tinha um novo, que não era de um tecido menos nobre. Ela ficou emburrada, quieta em um canto. Erasmo a viu e se encantou. Semanas depois, Celso Pupo, amigo em comum, foi pedir ao pai dela – Crescêncio da Silveira Pupo, em nome do Erasmo, para namorar a Alzira. Em quatro meses, estavam casados. A irmã mais velha de Alzira, Escolástica foi uma das entusiastas do casamento. Afinal, Erasmo era excelente partido, apesar do seu comportamento adverso. Segundo testemunhas que assistiram ao casamento disseram que jamais viram uma noiva tão bonita: "Parecia uma boneca de porcelana". Alzira nasceu na fazenda Santa Luzia, em Itatiba, em 3 de maio de 1905, filha de Ana Castañer da Silveira Pupo e do fazendeiro Crescêncio da Silveira Pupo, significativo produtor de café e homem envolvido na política itatibense desde finais do Império. Na fazenda, Alzira cresceu ao lado de nove irmãos. Estudou em casa, com professores contratados pelos pais, e recebeu uma educação fortemente orientada para os cuidados com a família e o devotamento à fé católica. Ao lado de Erasmo, Alzira tornou-se o pilar de uma família que hoje reúne 13 netos e dez bisnetos. Teve cinco filhos: José Lázaro (1929-1979), casado com Terezinha Vendramin; Maria (1933-2003), casada com Benedito Rossi; Francisco (1934-1987): Maria Cecília (19352007), casada com Braz Marin (1927-2003) e Antônio Carlos, casado com Luzia Padovani.


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Figura 13: A Família Chrispim em 1958

Acervo: Família Chrispim

Durante 17 dos seus 90 anos de vida, Alzira desempenhou de forma singular a missão de primeira dama de Itatiba. Tornou-se um complemento brando e afável à forte personalidade do “Barão”, cuja popularidade se assentava especialmente nos seus projetos para as áreas sociais. Nos seus cinco períodos como primeira dama de Itatiba, compreendidos entres os anos de 1936 e 1969, Alzira comportou-se como uma mulher de seu tempo e de suas circunstâncias, mantendo sempre um perfil discreto e de profunda religiosidade. Nunca exerceu funções públicas na área da assistência social, como atualmente se espera de uma primeira dama, nem subiu em palanques ou embrenhou-se nas campanhas políticas de seu marido e de seus aliados. Tampouco foi requisitada para tais missões porque, naquela época, o ativismo eleitoral das mulheres não era nem esperado nem valorizado. Suas aparições públicas restringiam-se às solenidades religiosas. Aos familiares e aos amigos, Alzira confessava sua aversão à atividade política. Entretanto, mesmo no seu restrito universo familiar, ela mesma exerceu um papel essencial para a carreira política de seu marido. Coerente a sua princípios de caridade e de fé, dava acolhida em sua casa a pessoas humildes da zona rural e os convidava para sua mesa. Da mesma forma, sua condição de esposa de uma forte liderança política local a expunha à tarefa


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de anfitriã de governadores, deputados federais e estaduais e de candidatos dessas esferas recebidos por Erasmo Chrispim. Em ambos os casos, sua receita de bem receber era a mesma, baseada na simplicidade e na gentileza. Inegavelmente, seus gestos despretensiosos renderam dividendos eleitorais e uma cota adicional de aprovação e de credibilidade a Erasmo Chrispim. Sobretudo, trouxeram à própria Alzira um imenso respeito e admiração dos itatibenses que foram alvos de sua solidariedade, de seus amigos e parentes e dos que a observavam à distancia. Em 1986, com a saúde debilitada, Alzira fez questão de despedir-se de Erasmo minutos antes do falecimento de seu companheiro por quase seis décadas. Em 1996, na antiga casa da família na Rua Doutor Jorge Tibiriçá, ela faleceu aos 90 anos. Com a morte do Coronel Chrispim, na noite de natal de 1930, Erasmo foi chamado de volta a Itatiba por dona Francisca. Ao lado de seus irmãos José, Sebastião, João Batista e Joaquim, passou a administrar a fazenda Cachoeira e os sítios Santo Antonio, Ramalhada e Maria Leopoldina, todos com produção de café. Além das fazendas a família possuía inúmeros prédios residências no centro da cidade, entre eles o Palacete Chrispim situado na esquina das ruas Aguiar Pupo e Francisco Glicério. Posteriormente o palacete foi transformado no Clube XV de Novembro. Figura 14: Palacete Chrispim - “CLUBE XV” – [194-?]

Acervo: Foto Parodi de Itatiba


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Gradativamente a família foi se desfazendo do patrimônio. Erasmo fixou residência na cidade e passou a investir no ramo imobiliário e nos negócios com armas, sua grande paixão além da política. Era um exímio atirador e não saia de casa sem um revólver no coldre. Possuía enorme fama de “tiro certeiro”, sendo que muitas histórias e folclores foram criados por causa desta fama.

2.2 O Personagem: Erasmo Chrispim político ... Eu fui o único político na história que entrei para a política rico e acabei saindo pobre.” Erasmo Chrispim para o Jornal da Cidade de Itatiba, em 29 de julho de 1978.

Em 1935, o jovem que sonhava em ser um profissional liberal, decide-se pela vida pública. Terminou seus dias, em 1987, com a experiência de cinco mandatos como Prefeito de Itatiba. O primeiro de seus passos foi a eleição como vereador, em 1935, pelo Partido Constitucionalista. Naquela época, a escolha para o poder executivo municipal era feita de forma indireta. Os sete vereadores da Câmara deveriam escolher, entre os seus pares, o novo prefeito. Na primeira reunião, em 16 de julho de 1936, a maioria – cinco votos - decidiu que o prefeito seria Erasmo Chrispim. Seu primeiro mandato, entretanto, teve vida curta. Em novembro de 1937 renunciou quando Getulio Vargas instaurou o Estado Novo. Mas, logo em seguida, foi nomeado interventor do município pelo comandante da Segunda Região Militar, cargo que permaneceu até 17 de maio de 1938 quando renunciou ao cargo enviando telegrama ao governado Ademar de Barros. A eleição de Erasmo Chrispim pelo voto popular direto à Prefeitura de Itatiba se deu em três ocasiões, sempre pelo PTN - Partido Trabalhista Nacional. A primeira delas foi em 1947, na época da redemocratização do Brasil. Nesta disputa, derrotou Domingos Pretti (UDN) e Benedito Silveira (PSP). Os dois adversários eram diretores da Estrada de Ferro Itatibense. Tomou posse em primeiro de janeiro de 1948 e deixou a Prefeitura em 31 de dezembro de 1951. Em sua segunda campanha eleitoral - 1955, venceu Pedro Mascagni (PTB-PSP) e o jornalista Romildo Prado (UDN). Governou Itatiba de primeiro de janeiro de 1956 a 31 de dezembro de 1959. A última foi em 1963, quando derrotou o advogado Dr. Afrânio Pires da Silveira (PSP). Desta vez, Erasmo Chrispim assumiu a Prefeitura em 1964 e a deixou em 1969, em um dos mais atribulados períodos da sua vida pública. Nestes cinco anos, sofreu a mais forte


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oposição da Câmara Municipal e foi alvo de duas tentativas fracassadas de impedimento. Ao deixar a prefeitura, aos 68 anos, prometeu a si mesmo não mais concorrer às eleições municipais. Em plena ditadura militar, preferiu manter uma discreta oposição ao poder dominante e tornou-se um dos baluartes do MDB - Movimento Democrático Brasileiro na cidade. Ao longo se sua carreira política, Erasmo Chrispim conseguiu construir uma imagem política singular. Filho e neto de coronéis do café se tornou popular nos meios operários e entre os trabalhadores rurais. Paralelamente, manteve os traços de personalidade que o levaram a ser chamado de “Barão” por amigos e pelo seu eleitorado. Tinha uma liderança forte e quando desejava, tinha que acontecer. Defendia e protegia os seus aliados, mas sabia dizer não a eles. Costumava repetir que suas campanhas eleitorais eram sempre lançadas em casas de operários das antigas indústrias têxteis da cidade. A base do PTN de Itatiba era composta na maioria por trabalhadores destas indústrias. Outra marca constante em sua trajetória foi sua independência política. Membro de um partido pequeno, o PTN, orgulhava-se de jamais ter se prendido a compromissos com grupos ou partidos que detinham o poder. Sua popularidade alimentava essa rebeldia. Como contava com o apoio do seu eleitorado, argumentava que não teria problemas em “criar casos” com os poderosos de então. Erasmo Chrispim, entretanto, não era unanimidade em Itatiba. Em todos os seus mandatos enfrentou a oposição da maioria dos vereadores. “Era justamente isso que deixava os políticos cabreiros, com muita inveja. Sempre que eu percebia que o chefão tinha contas a acertar comigo, eu o enfrentava na justiça.” declarou ele ao Jornal de Jundiaí, em 04/07/1971. “Já os pobres, eu atendia na Prefeitura, na rua, na minha casa, em qualquer lugar.” Sua relação com a oposição, na Câmara Municipal, sempre foi problemática. Em entrevista ao Jornal de Itatiba – Diário, no dia 9 de dezembro de 194, declarou: “Sempre tive minoria na Câmara. Havia vereadores de terrível oposição a mim. Nunca tive a maioria. Apenas pedia o que era possível, mas a presidência da mesa, mesmo sendo do lado contra, sempre tive bom relacionamento.”

2.3 - Principais obras

Dentro dos seus 17 anos de vida pública, Erasmo Chrispim deixou um legado de administrador que priorizou a educação e as obras de infra-estrutura. Quando assumiu pela


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primeira vez a Prefeitura de Itatiba, o único colégio da cidade era o Coronel Julio César, no centro. Ao longo dos seus cinco mandatos, construiu pelo menos 12 escolas. Entre elas estão: Escola Municipal de Ensino Básico “Coronel Francisco Rodrigues Barbosa”, Escola Técnica Estadual “Rosa Perrone Scavone” (antiga Escola Artesanal e Ginásio Industrial Estadual), Escola Municipal de Ensino Básico “Coronel Manoel Joaquim de Araújo Campos” e Escola Estadual “Manoel Euclides de Brito” (antigo CENEMEB – Colégio e Escola Normal Manoel Euclides de Brito). Deixou ainda a Escola Técnica Comercial, três parques infantis, Escola Normal Municipal e, ainda, a escola municipal da Vila Cruzeiro e nos bairros rurais: Cocais, Tapera Grande, Mombuca, Ponte, Pires e Morro Azul. Em 1949 construiu a primeira quadra de bola ao cesto e voleibol. Construiu o necrotério e comprou os primeiros caminhões de lixo, mecanizando a coleta. Adquiriu a primeira motoniveladora para a melhoria das estradas municipais. Outra obra meritória de Erasmo foi a total reorganização da Biblioteca Municipal Francisco da Silveira Leme – “Chico Leme”, nos baixos do Paço Municipal. Mas, o maior e mais ousado projeto educacional de suas gestões foi a criação e instalação da Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba, num projeto desenvolvido em conjunto com o então vereador Roberto Arantes Lanhoso. Hoje a cidade é servida pela Universidade São Francisco. Logo após Erasmo deixar a Prefeitura, em 1969, alguns adversários políticos iniciam um movimento querendo desvincular o seu nome da Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba. Queriam, com esse movimento, tirar a “paternidade” da instalação da Faculdade. Creditavam todo o esforço para a instalação a Lanhoso e discursavam que era este quem deveria merecer todas as honras. Na inauguração da Faculdade colocou-se uma placa comemorativa na entrada do estabelecimento com o nome de Erasmo Chrispim. Em determinada noite esta placa foi roubada, ficando desaparecida por algum tempo. Passados alguns meses a placa é deixada defronte o Paço Municipal, envolta em papel higiênico. Em ato nobre a placa é recolocada no seu devido lugar, com o reconhecimento público da obra de Erasmo Chrispim. Sobre este fato, Erasmo se pronuncia aos jornais locais - Jornal de Itatiba – Diário e Jornal de Cidade, no dia 29 de julho de 1978. Perguntam-lhes os repórteres:


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- Alguém lhe teria magoado, quando em poder da placa da Faculdade sujaram-na e envolveram-na num papel higiênico, jogando-a nas escadarias da Prefeitura? Erasmo responde: - Não há duvida, pois foi um esforço árduo a vinda da Faculdade e de repente esses irresponsáveis fazem isso, num gesto de desacato.... (tira um maço de cigarro e começa a fumar), mas, sabe eu acabei por processá-los.

No ano de 1951 é inaugurada a primeira ETA – Estação de Tratamento de Água construída no município. Na mesma época, a primeira gestão Chrispim instalou a iluminação de mercúrio na cidade, o matadouro municipal (hoje Centro de Controle de Zoonoses) e o Tiro de Guerra. Em 9 de dezembro de 1956, instituiu o Brasão de Armas do município, com desenho feito pelo artista plástico itatibense João Teixeira Araújo. Erasmo consegue também melhorar e ampliar o sistema de telefonia que atendia a cidade de Itatiba, automatizando-o. Com a ajuda da população, criou o SIT - Serviço Itatibense de Televisão capaz de retransmitir os sinais de TV pelo sistema UHF. O sistema, inovador e necessário para a época, ainda está em uso. Era um administrador com visão privilegiada para a época, preocupando-se com o meio ambiente. Nesse sentido fez o reflorestamento das margens do Rio Atibaia e da Praça José Bonifácio – antigo Jardim da Cadeia. Criou, ainda, o Serviço de Transporte Coletivo da cidade e, em 24 de novembro de 1967, inaugurou a primeira FEIMOC - Feira da Indústria e dos Móveis Coloniais de Itatiba. Este segmento - móveis coloniais - fez de Itatiba líder de mercado e, posteriormente, “A Capital Brasileira do Móvel Colonial.”


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Figura 15: Inauguração da FEIMOC com o ministro Gama e Silva

Acervo: Família Chrispim

No final de seu mandato desapropriou e conseguiu, junto ao Governo do Estado de São Paulo, verba para construção do prédio do fórum que recebeu o nome do advogado itatibense “Dr. Armando Rodrigues” e executou a pavimentação asfáltica da Praça da Bandeira. A maioria das obras foi realizada com os recursos arrecadados pelo município. Os financiamentos federais ou repasse de fundos da União ou do Estado eram vias quase inexistentes para os administradores públicos da época. Os acordos políticos ajudaram a trazer apenas duas escolas para Itatiba. Por conta destes projetos, Erasmo Chrispim apoiou Ademar de Barros ao governo paulista. Como retribuição, nas eleições de 1963, Ademar apoiou, para Prefeito de Itatiba, o candidato Afrânio Pires da Silveira.


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2.4 - A Política Aos amigos tudo. Para aos inimigos, a Lei. Erasmo Chrispim

As campanhas políticas de Erasmo eram no boca a boca e visita pessoal ao eleitor. Visitava casa a casa sem se importar se o dono da casa era simpático a sua candidatura ou não. Sua empatia com os humildes construía a sua imagem. Freqüentava constantemente as reuniões sociais dos operários e participava ativamente das festas organizadas por Benedita de Oliveira - “Dita Maranhão”, grande líder da comunidade negra, que foi cozinheira de mãe e de sua irmã, “Nhá Benedita Chrispim”. As festas mais tradicionais realizadas por “Dita Maranhão” eram as de São Benedito, Nossa Senhora Aparecida, Treze de Maio - dia da libertação dos escravos - e o carnaval, além de inúmeras rodas de samba que ficaram conhecidas na cidade como “Festa dos Pretos” e “Reza de São João”. Erasmo não abria mão de ir a estas festas e desprezava os eventos da alta sociedade itatibense. Os almoços e jantares nas casas de seus simpatizantes políticos eram constantemente realizados, sempre com a presença de seus correligionários e regados a leitoa, cabrito e bons vinhos, geralmente importados pelos italianos da cidade. Na foto abaixo, uma destas reuniões na residência da Família Cesarini. Apesar da aparente simplicidade da família anfitriã, os convidados estavam impecavelmente vestidos em seus costumes. Nestas reuniões Erasmo fazia questão de sempre levar o fotógrafo Waldomiro Callefo, proprietário da “Foto Miro”, para registrar o acontecimento. Cópias das fotos do evento eram depois distribuídas como lembrança aos participantes.


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Figura 16: Reunião social e política na residência da Família Cesarini

Acervo: Família Chrispim

Mas não somente nas casas de famílias se realizavam estas reuniões. O Hotel Itatiba, de propriedade do senhor Hafiz Abi Chedid e instalado no Palacete Damásio, no centro da cidade, era palco de inúmeros jantares políticos, sempre regados a boa comida, bebidas e discursos. Possivelmente nestes momentos, Erasmo desligava seu aparelho de surdez e fingia escutar atentamente o orador. Também nestes eventos era obrigatória a presença do “Foto Miro”.


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Figura 17: Reunião política

Acervo: Família Chrispim

Não discursava. Talvez pelo seu problema auditivo, mas sempre tinha grandes oradores que o acompanhava nos massivos comícios nos bairro, nas praças ou em vilas mais distantes em cima da carroceria de caminhões. Entre estes oradores destacamos as figuras


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políticas do advogado Roberto Schiavinato, Rafael Ciarbello conhecido como “Fefé”, vereador de 1952 a 1963 e pelo advogado Dr. Ovídio Bernardi, Procurador Jurídico da Prefeitura. Estes oradores conseguiam inflamar a platéia presente. Em todas as eleições o último comício das campanhas era sempre realizado na Praça da Bandeira, a principal de Itatiba. Evitando possíveis problemas o Juiz de Direito fazia um sorteio entre os candidatos, para definir a ordem dos comícios na Praça. A certeza de ter o último comício neste local era um fato positivo, pois se poderia fazer ataques e denúncias sem a expectativa de respostas de seus opositores. Outro fato marcante destes comícios, é que eles eram transmitidos ao vivo pela emissora radiofônica local, a “Rádio Progresso”. Para se criar a sensação de uma “praça cheia de gente”, eram distribuídos tamancos de madeira à grande parte dos presentes. Ao se bater um tamanco no outro produzia-se um efeito sonoplástico muito forte e alto. Os ouvintes da rádio tinham então a percepção de que a praça estava totalmente lotada. Figura 18: Rafael Ciarbello discursa no Comício da Vitória, em 1963.

Acervo: Família Chrispim

Fatos interessantes sobre as eleições é o que não faltam na história política de Itatiba, principalmente quando um dos candidatos era Erasmo Chrispim. A eleição era a de 1963, disputada contra Dr. Afrânio Pires da Silveira, candidato do PSP que contava com o apoio do


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governador Ademar de Barros. O PTN de Erasmo fazia o seu último comício na Praça da Bandeira, completamente tomada pela população. O clima de vitória do candidato do PSP, imperava na cidade. Ele tinha o apoio de todos os principais políticos e de muitos empresários da cidade. Esta situação toda criou um clima de euforia por parte dos seus partidários, chegando ao limite no último comício. Dr. Afrânio fez um último comício no Largo do Rosário, situado a cerca de 500 metros da praça central de Itatiba, onde Erasmo também fazia o seu comício. Ao final das palavras dos oradores, o pessoal do Dr. Afrânio saiu em carreata pela cidade. O final do trajeto estava programado para ser a Praça da Bandeira. Como aquele logradouro estava lotado pelo PTN, os partidários do Dr. Afrânio desfilaram pelo lado contrário ao coreto, buzinando e soltando rojões. Este ato foi considerado uma afronta aos “bons costumes” da época. O advogado Roberto Schiavinato, candidato a vereador, um dos mais eloqüentes oradores e, com senso de oportunismo, esbravejou contra os opositores, inflamando o povo a não votar naqueles “[...]que não tem respeito aos candidatos e ao povo ali presente[...]” e, num tom de denúncia e revelação, esbravejou: - “São estas as pessoas que querem governar a cidade de Itatiba.” O fato teve característica de denúncia e a interpretação da oratória de Roberto Schiavinato, ficou gravado na mente do povo, demonstrando o significado real e fundamental dos interesses dos opositores de Erasmo. Com este fato novo, Erasmo reverteu a situação e ganhou as eleições por 313 votos de diferença. Esta eleição será novamente comentada neste estudo, no capítulo do PTN de Erasmo, pois foi ela, sem dúvida alguma, uma das mais concorridas na sua história política. Nas figuras abaixo, dois momentos dos comícios em Itatiba. A primeira mostra como eram os comícios nos bairros e a outra um comício na Praça da Bandeira.


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Figura 19: Comício de campanha sobre o caminhão

Acervo: Museu Padre Lima.


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Figura 20: Comício de Erasmo Chrispim no coreto da Praça da Bandeira

Acervo: Família Chrispim

Erasmo sempre contou com o apoio dos amigos e de correligionários que realmente “vestiam a camisa” do candidato. Era comum e até uma atitude esperada dos eleitores a definição de que “lado está”. Esses eleitores, com forma de ajuda, mandavam imprimir panfletos e pagavam anúncios no jornal local, aos quais, muitas vezes, não se conseguia identificar a autoria. Eles assim procediam por acreditar e confiar na postura política de Erasmo Chrispim. Em entrevista no Jornal da Cidade de Itatiba, em 29 de julho de 1978, ao ser perguntado se gastou muito com as campanhas, responde: “- Não propriamente, pois naquela época os amigos é que se encarregavam de toda a propaganda eleitoral de um para outro.”


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Figura 21: Folheto distribuĂ­do por um amigo

Acervo: FamĂ­lia Chrispim


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Figura 22: Letra de musica

Acervo: FamĂ­lia Chrispim


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Figura 23 Folheto de propaganda da eleição

Acervo: Família Chrispim


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Figura 24: Seção livre feita por correligionário

Fonte: Jornal A Tribuna de 13 de novembro de 1955 – acervo: Museu Padre Lima


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2.5 - Revólver: grande paixão, arma política.

Rossi, Colt e Smith & Wesson - a sua preferida, e outras inúmeras marcas, calibres e modelos de revólveres acompanharam Erasmo por toda sua vida. Era mais fácil vê-lo nu do que sem um revólver no coldre preso na cintura. Colecionava e negociava armas. Tinha verdadeira paixão por algumas, mas não recusava uma boa oferta e, por um bom lucro, passava-as a frente. Era também exímio atirador e tinha um modo peculiar de atirar girando a mão no sentido anti-horário deixando a arma deitada e não em posição vertical. Esta arte rendeu a Erasmo inúmeros causos e boatos, contados pelos seus admiradores e também por seus temerosos opositores. Dentre estes causos destacamos alguns:

Café com leite e revólver Em frente à Prefeitura existia um bar. O bar do Mildo Palma, freqüentado por funcionários da Prefeitura, simpatizantes do Prefeito e por opositores. Todos esperavam subtrair de um destes servidores algumas informações preciosas que lhes dariam status de políticos bem informados, ou ficavam na espreita esperando algum fato novo e visível acontecer. Certa ocasião, um grupo de adversários estava criticando e caluniando Erasmo que, avisado por um de seus funcionários, adentrou calmamente no bar, pediu uma “média” de café com leite, no copo americano e adoçou a gosto. Desabotoou o coldre e tirou o seu Smith & Wesson, “cabo de madrepérola”. Em seguida colocou a cano do revólver no copo e, fitando fixamente o grupo, ficou mexendo o açúcar no copo. O grupo foi se dispersando. Sem dizer uma só e única palavra o grupo foi saindo do bar. Um a um.

Consta na história oral local que, nas reuniões da Câmara Municipal em que se votariam projetos polêmicos de sua autoria, ele costumava ficar atrás das cortinas. Estrategicamente posicionado, fazia com que a luz mostrasse o brilho do cano do seu revólver, tentando intimidar seus opositores e lembrar seus correligionários. Paulo Henrique Degani, chefe da Seção de Museus Documentação e Patrimônio Histórico da Prefeitura de Itatiba relata um “causo” ocorrido com seu pai, Daliso Benedito Degani, na época vereador.

Contou-me certa vez meu pai, quando chegou de uma das sessões da Câmara Municipal de Itatiba, que viera acompanhado por um “praça”.


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Eu, mais do que depressa, desembestei a rir, dentro da magnitude de meus 6 anos. Como meu pai veio pra casa acompanhado por uma praça? Passados alguns anos do episódio e com as arestas todas aparadas pelo tempo, novamente sou embalado por essa história, cujo teor repasso: Meu pai “Ditinho Degani”, cujo nome completo era Daliso Benedito Degani, assumiu a vereança por breves períodos, sendo que fora suplente em duas legislaturas. Na primeira vez, pelo PRT – Partido Republicano Trabalhista, exerceu o cargo de 25 de julho de 1962 até 30 de outubro de 1963, tendo como Chefe do Executivo, Pedro Mascagni. Já, no segundo período de suplência, de 28 de abril de 1965 até 19 de maio de 1965, o Prefeito era Erasmo Chrispim. Fazendo combativa oposição ao Prefeito, seus discursos sempre foram no âmbito político e nunca no âmbito pessoal. Certa ocasião, enquanto discursava pelos microfones da Rádio Progresso de Itatiba – que transmitia ao vivo as sessões – discordando de proposituras apresentadas pelo Chefe do Executivo, viu a figura do Prefeito postado atrás das cortinas de veludo vermelho que ornamentavam os salões do Paço Municipal, situado na Praça XV de Novembro, local onde também funcionava o gabinete do Prefeito e outros departamentos da municipalidade, inclusive o posto do IBGE. A certa altura, notando que Erasmo fez menção de mostrar-lhe o revólver que, como todos sabiam, carregava diuturnamente junto ao corpo, Daliso passa a narrar o fato pelos microfones da rádio, convocando pelas ondas da emissora a presença das autoridades policiais, assim como do senhor Promotor e do Excelentíssimo Juiz de Direito da Comarca. Não preciso falar que a situação ficou deveras delicada para ambas as partes, sendo que cada vereador foi acompanhado à sua residência por um “praça” – soldado da força pública, hoje policial militar. Como sobras de todo esse episódio ficaram algumas sequelas que ambos, meu pai e Erasmo, devem ter acertado no céu. Espero.

Tiro ao Alvo Contam que Erasmo constantemente desafiava seus amigos para um pequeno desafio de tiro ao alvo. Segundo testemunhas da época, ele era capaz de a certa distância, com apenas um tiro, acertar a boca de uma garrafa com o projétil arrancando-lhe o fundo, sem quebrar a garrafa. Certa ocasião Erasmo e um de seus irmãos cavalgavam pela fazenda em companhia de um servil capataz. No caminho surgiu a discussão de quem atirava melhor e resolveram fazer um pequeno campeonato tendo como alvo o tronco de uma árvore. Após alguns disparos entre as partes surgiu a dúvida se o último tiro dado por um deles tinha acertado o alvo ou não. Imediatamente o capataz foi até o local e se certificou da precisão do disparo e que a bala tinha acertado o tronco da árvore. Não esperando mais nenhum minuto os dois irmãos começaram a atirar novamente e ao mesmo tempo, descarregando as balas de seus revólveres no tronco da árvore. Rapidamente e com a destreza de um preá o coitado do capataz teve que se esconder dos tiros que zumbiram na sua orelha.


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Gabinete com cinco revólveres Durante toda a sua vida Erasmo teve a sua imagem associada ao gosto pelas armas e a facilidade de usá-las, como um acessório e como um instrumento de seu poder. Corria fama de que ele tinha em seu gabinete cinco revólveres, um em cada gaveta da escrivaninha e outro na cintura. Não se sabe se a presença destas armas eram boatos ou se elas realmente existiam. Apesar da incerteza, essa era uma forma de intimidação, pois quando alguém chegava “raivoso” com algumas exigências para o Prefeito, era logo avisado: “Pode ir, mas o homem está com cinco revólveres no gabinete.” 2.6 - O Partido Trabalhista Nacional de Erasmo Chrispim

Por volta de 1946, quando resolve voltar à vida pública e disputar sua primeira eleição majoritária, Erasmo adota como estratégia única, e que vai segui-lo por toda a sua vida política: “escolher um partido pequeno, sem vínculos com os partidos da época como a UDN - União Democrática Nacional, o PSD - Partido Social Democrático, o PSP - Partido Social Progressista e o PTB - Partido Trabalhista Brasileiro. Adota o PTN – Partido Trabalhista Nacional, um partido fundado por dissidentes do PTB – Partido Trabalhista Brasileiro que tinha como única figura de expressão nacional o deputado Hugo Borghi e posteriormente o deputado Emilio Carlos. Historiadores como Boris Fausto (2006), em “Histórias Concisas do Brasil” sequer cita a existência do partido e Valmireh Chacom (1981) em “Histórias dos Partidos Brasileiros” faz apenas três pequenas citações ao partido. O partido é fundado, em 1945, por Romeu Campos Vidalem e outros dissidentes do PTB. Obteve o seu registro definitivo em 22 de outubro de 1946 e seu primeiro presidente foi Adalberto Lima Leite. Teve alguma expressão no Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Guanabara. Foi extinto como todos os partidos pelo A.I. 2, de 27 de outubro de 1965. Em Itatiba foi fundado em 1946 e só existia nas eleições de Erasmo Chrispim. Como não havia reeleição para Prefeito, quando Erasmo não disputava, o partido saía de cena, com seus vereadores trocando de legenda e disputando as eleições por outras siglas. Em sua primeira eleição, no ano de 1947 e após um período de atividades políticas de base, Erasmo Chrispim surge forte com o PTN para conquistar 1.107 votos e derrotar um candidato com inabalável poder social e econômico: Domingos Pretti da UDN que obteve 1.024 votos.


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Figura 25: Jornal O Progresso de Itatiba de 5 de outubro de 1947

Acervo: Museu Padre Lima

A disputa acirrada tinha também a presença do Juiz de Paz e Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, Urbano Bezana. Alguns dias antes da eleição, em uma estratégia política, o senhor Urbano Bezana, candidato do PSD - Partido Social Democrático, renuncia à candidatura em favor de Domingos Pretti. O motivo, segundo suas declarações ao jornal “O Progresso de Itatiba” em 02 de novembro de 1947 era: “...a necessidade de garantir-se a


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eleição de um governo capaz de dar a Itatiba uma administração fecunda e que possa trazer dias de tranqüilidade à população...”. A população não entendeu a mensagem, ou se fez de boba, dando a Erasmo Chrispim seu primeiro mandato como Prefeito eleito pelo povo. A legenda do PTN obteve 678 votos e elegeu três dos seus candidatos a vereador:

Pedro Mascagni Luís Emanuel Bianchi Evilário Frare

203 votos 128 votos 96 votos

Nesta época não havia o cargo de vice-prefeito, que somente começou a ser votado nas eleições de 1951. A câmara de vereadores era composta por 13 membros. Nas eleições de 1951, que elegeu o empresário Ettore Consoline (PTB) os vereadores do PTN, migram paro o PTB. Luis Emanuel Bianchi se reelege com 63 votos e Pedro Mascagni se elege vice-prefeito com 1.660 votos, também pelo PTB. Não existem registros do apoio de Erasmo Chrispim a Ettore Consoline (PTB) nestas eleições, mas pela composição da chapa do PTB com integrantes da antiga administração do PTN, acredita-se que esse apoio possa ter acontecido. Em 1955 o partido liderado por Erasmo disputa sua segunda eleição e derrota Pedro Mascagni da coligação PTB e PSP. Neste ano também houve as eleições para presidente da república. Ainda envoltos pelo clima trabalhista de Getulio, Pedro Mascagni e Luiz Pântano do PTB lançam pelo jornal “O Progresso de Itatiba”, em 4 de setembro de 1955, suas candidaturas com um slogan trabalhista: “Surgem os verdadeiros candidatos dos trabalhadores”. No comunicado o partido declara:

[...] Está de parabéns a população de Itatiba e de Morungaba pela feliz e acertada escolha feita pela PTB, o verdadeiro partido trabalhista do saudoso Getúlio Vargas, grande e incansável defensor que foi dos trabalhadores e dos homens humildes do Brasil e pelos quais derramou até sangue. Fonte: Jornal “O Progresso de Itatiba”, de 4 de setembro de 1955.

Nesta mesma edição de “O Progresso de Itatiba”, o PTN publica o seu manifesto, lançando a candidatura de Erasmo Chrispim e Atílio Lanfranchi, respectivamente candidatos a prefeito e vice. O Progresso de Itatiba e a Rádio Progresso, ambas de propriedade de Paulo


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Abreu, deram total apoio á candidatura de Pedro Mascagni, com anúncios em praticamente todas as edições, desde o início da campanha eleitoral. Dias antes das eleições, Itatiba recebeu a visita do Governador Jânio Quadros (PDC), acompanhado do Senador Auro Moura Andrade (PTN) que veio dar apoio ao candidato Pedro Mascagni (PTB). O Governador e o Senador vieram a convite do ex- deputado e suplente de senador Paulo Abreu (ex-PTB) que, em função da suplência no senado, estava no PTN. Neste dia houve grande festa e vários eventos para receber as autoridades. Dentre eles destaca-se o almoço na residência do operário Florindo Bredariol, funcionário da TÊXTL PABREU indústria atuante em Itatiba, de propriedade de Paulo Abreu. Apesar do Senador e de seu suplente serem candidatos do mesmo partido que Erasmo Chrispim, não havia o apoio destes para o candidato do PTN local.

Figura 26: Visita do Governador Jânio Quadros a família Bredariol

Acervo: Família Bredariol

Na foto acima vemos identificamos, dentre outros: Florindo Bredariol, Dr. Carlos Almeida Pitombo, Governador Jânio Quadros, Pedro Mascagni – candidato a prefeito, Paulo Abreu, Senador Auro Moura Andrade, Ricardo Bredariol e, Armando Bredariol.


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Erasmo Chrispim do PTN vence a eleição com 1.867 votos contra 1.685 dados a Pedro Mascagni do PTB - PSP. Romildo Prado da UDN obteve 742 votos. Para vice-prefeito foi eleito o candidato da coligação PTB/PSP, Professor Luís Pântano. O resultado da eleição para vice-prefeito foi o seguinte:

Luís Pântano (PTB) Sebastião José (UDN) Atílio Lanfranchi (PTN)

1.491 votos 1.308 votos 1.299 votos

Depois de vencer o candidato apoiado pelas grandes lideranças políticas e, para comemorar a vitória, foi organizado um churrasco no campo do Itatiba Esporte Clube. Para tanto foi feito um convite público, com anúncio publicado na imprensa local. Interessante é a nota de rodapé que contém a ressalva: “Reserva-se o direito de vedar a entrada a quem julgar conveniente”, num claro recado aos “penetras” e aos adversários políticos.

Figura 27 - Convite público para a festa da vitória

Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 25 de dezembro de 1955.


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Para vereadores o partido conquistou 766 votos e elegeu os vereadores Benedito Campos Pupo - ”Dito Pinha”, com 104 votos e Rafael Ciarbello - “Fefé Ciarbello”, com 545 votos, sendo que ambos disputaram a eleição anterior pelo PTB. A partir dessa eleição, Ciarbello tornou-se um grande aliado de Erasmo e um dos seus melhores oradores. Outra presença marcante junto a Erasmo, a partir desta eleição, foi a do vereador Roberto Milanez, eleito pelo PRP. Era funcionário público municipal e se tornou um dos principais aliados de Erasmo. Benedito Campos Pupo - “Dito Pinhá” - foi um dos maiores, senão o maior, entusiasta e amigo de Erasmo. Com sua simplicidade conquistou grande liderança no meio político da cidade. Tinha amizade e comprometimento com o Prefeito. Saíam diariamente, os dois juntos, para as visitas aos vários bairros e sítios do município, aproveitando o momento para fazer as suas articulações políticas e colocar em prática as estratégias de desarticulação da oposição. Uma destas estratégias mais usadas consistia em esperar que algum vereador da oposição solicitasse melhorias em alguma via publica. A solicitação não era atendida prontamente pela prefeitura e, após algum tempo, “Dito Pinhá” visitava o bairro e avisava que no dia seguinte ele e as máquinas da prefeitura lá estariam para realizar as melhorias. Como prometido, ao raiar o dia, ele chegava ao local encima da motoniveladora. Esta ação política ficou conhecida na cidade como “Pinhalaço” ou “Pinhalão’ Também vale destacar neste período a postura política do vice-prefeito Luís Pântano (PTB). Apesar de ter sido eleito pela chapa adversária, foi um dos grandes articuladores e incentivadores dos projetos educacionais realizados nas administrações de Erasmo. O professor “Zinho Pântano” como era conhecido, assumiu por duas vezes a chefia do executivo itatibense por licenças médicas de Erasmo. Em 1959, Pedro Mascagni, agora no PSP, consegue se eleger com a expressiva votação de 3.070 votos contra 2.112 dados ao candidato da coligação UDN-PSB, o médico Carlos de Almeida Pitombo. Luís Pântano, vice de Erasmo, foi o candidato do PTB e obteve 617 votos. O único aliado político do PTN de Erasmo que se reelegeu foi o vereador Rafael Ciarbello com 311 votos, disputando a eleição pelo PST - Partido Social Trabalhista. Também pelo PST se elegeu o funcionário público municipal João Dias da Silva, carinhosamente chamado de “João da plaina” que teve 120 votos. Surgia com “João da Plaina” o mais novo e grande aliado de Erasmo e do PTN. No dia 25 de maio de 1960 o partido se reuniu para a Fundação do Comitê “Carvalho Pinto” trabalhando em prol da candidatura de Jânio Quadros à Presidência da República. O


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governador Carvalho Pinto gozava de grande prestigio junto à comunidade itatibense e visitava a cidade com freqüência.

Figura 28: Visita do Governador Carvalho Pinto

Acervo: Família Chrispim

Na preparação para as eleições de 1963 aconteceram inúmeras reuniões do partido, sempre convocadas pelo presidente do diretório, Francisco Lanfranchi, e pelos operários, Bento Pires de Camargo – delegado do partido – e José Lázaro Chrispim, secretário do partido e filho mais velho de Erasmo. Estas reuniões, realizadas com o intuito de compor o diretório municipal e indicar delegados à suas convenções, eram marcadas ora na residência de Erasmo (Rua Dr. Jorge Tibiriçá, 56), ora na residência de José Lazaro (Rua Benjamin Constant, 1.056).


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2.6.1 - Eleição de 1963 – A mais disputada. Esta campanha merece destaque, pois representou uma das maiores vitórias políticas de Erasmo. Ela já foi citada anteriormente, mas se faz necessário o registro de fatos que marcaram esta última vitória em eleições. Nesta campanha Erasmo Chrispim registra sua candidatura como “O VELHO”. Além do seu vice, José Mauricio de Camargo, o PTN tinha como candidatos a vereador os operários Antenor Fontana, Benedito Campos Pupo, Benedito Sanfins e Wilson Tega; os funcionários públicos municipais João Dias da Silva - “João da Plaina”, Luiz Labriola e, também, Carlos Franco Penteado - pintor, João Atílio Franzine escriturário, Fioravante Carlos Polessi Filho - contador, Francisco Lanfranchi - comerciante Otávio Giaretta - barbeiro, Oswaldo Luis Zanata - escriturário, Pedro Bisetto - lavrador, Pedro Machado - comerciário, Roberto Luís Schiavinato - advogado e, Roberto Panzarin - corretor de imóveis. Os delegados do partido eram os operários, Bento Pires de Camargo e José Lázaro Chrispim - “Tiché”, um de seus principais articuladores junto a classe operária. Este registro na Justiça Eleitoral de Erasmo como “O Velho” foi necessário, pois a oposição, nesta eleição, tentou de todas as formas descaracterizar e desqualificar a sua competência com o insistente argumento de que ele era velho. Ele soube habilmente transformar esta caracterização de uma forma positiva. Fez do pejorativo “velho” um sinônimo de sapiência e experiência. Fez essa imagem ser somada à figura emblemática do “Barão”, e partiu para a disputa. Em carta aberta ao povo de Itatiba, publicada no jornal “A Tribuna”, ele argumenta com propriedade:

(....) Argumentam que sou velho, como se a idade fosse um empecilho a uma boa administração. É verdade que a juventude com seu ímpeto, seu arroubo e seu entusiasmo tem produzido magníficas revoluções, melhoras sensíveis. Mas a ponderação dos dias vividos e pensados encerra uma compreensão muito grande da vida , que as grandes nações , os grandes povos não tem desprezado. Haja vista que a Alemanha Federal, um dos grandes países do ocidente, tem à frente de seus destinos , há mais de dez anos , um homem que já ultrapassou a casa dos 90. Churchil, avô por várias vezes, conduziu o Império Britânico através de tremendas tempestades, evitando sua total destruição. A Experiência é um fator importante na vida das administrações. O Governador de São Paulo tem a minha idade e o prefeito da capital é ainda mais idoso. Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 07 de setembro de 1963.

Nesta mesma campanha a oposição acusa Erasmo de fazer uma campanha rica e de compra de votos. O argumento do candidato do PSP, Dr. Afrânio Pires da Silveira não cola. Abaixo temos parte do comunicado através do qual Erasmo se defende:


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( ...) Não compro e nunca comprei votos por dois motivos: primeiro porque não é de minha formação fazer tal coisa; repugna à minha consciência captar a simpatia do eleitorado pela distorção de sua vontade. E em segundo lugar eu não poderia fazer tal coisa porque sou um candidato pobre e pobres são os meus companheiros. Não é novidade alguma dizer que vivo modestamente, que meus amigos vivem igualmente de modo simples e que meu filho trabalha numa fábrica, é um operário como a maioria da população de nossa terra... Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 07 de setembro de 1963

Os argumentos de Erasmo encontram respaldos, pois verificando a composição da chapa de vereadores do PTN havia vários operários e agricultores, além de que José Lázaro Chrispim – Tiché – seu filho, era uma figura carismática e popular na cidade. O jornal “A Tribuna” e a “Rádio Progresso” eram os únicos meios de comunicação da cidade na época. O jornal tinha como principal característica a sua ação social. Todos procuravam a edição dominical para saber quem eram os aniversariantes da semana, os editais de casamentos, nascimentos e falecimentos, as missas, os atos administrativos da Prefeitura e da Câmara Municipal, além de críticos e ásperos editoriais. Nas suas quatro páginas o leitor itatibense tinha todas estas informações e também alguns anúncios políticos como estes veiculados no dia 01 de agosto de 1963: “PTN - Para Prefeito Erasmo Chrispim. Ele voltara. Candidato do Povo”. No mesmo jornal propaganda do Dr. Afrânio: “Para prefeito Afrânio PSP. Sem perseguição, sem empreguismo e sem negociata. Um governo trabalhador e corajoso.” No dia 25 de agosto de 1963 o jornal “A Tribuna” veicula matéria com foto, da visita do candidato do PSP local, Dr. Afrânio Pires da Silveira e seu vice Olivar José da Silva, ao Governador do Estado, Dr. Ademar de Barros. Acompanha o candidato nesta visita o deputado Nabi Abi Chedid e seu pai Hafiz Abi Chedid, além de Carmo Parisotto. Nesta mesma matéria o governador escreve um comunicado ao povo de Itatiba:

AO POVO DE ITATIBA Neste momento em que, em São Paulo, se elegem novos prefeitos na maioria de seus municípios, volto os meus olhos para Itatiba, essa terra prodigiosa de tão belas tradições cristãs e democráticas, porque desejo participar da decisão do seu nobre povo. Quero estar presente, pelo menos em espírito, para a decisão que se aproxima porque Itatiba se situa em minha emoção de paulista como exemplo vivo da vocação cívica da nossa gente para as Liberdades Humanas. Quero dizer que desejo ardentemente ajudar o desenvolvimento desse próspero Município e, para isso, preciso contar, aí, com um democrata sincero na direção de seus destinos.


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Afrânio Pires da Silveira é o candidato do povo, porque lhe conhece os problemas e vive o anseio do Partido Social Progressista, que se consubstancia na valorização da criatura humana, levando ao homem do campo ou da cidade os elementos de progresso que lhes propiciem uma vida digna. Dinâmico, trabalhador e capaz, Afrânio Pires da Silveira terá ao seu lado, como vice - prefeito, para o mesmo elan realizador a figura de Olivar José da Silva, também à altura do momento que vivemos, também trabalhador, dinâmico e capaz. Através deles, as reivindicações de Itatiba virão as minhas mãos com o valor do civismo de seus filhos e eu me sentirei feliz em tudo fazer para atendêlas, porque eu sei que eles representam as qualidades democráticas desse grande, desse nobre, desse tradicional povo, reserva moral de São Paulo com que eu quero contar sempre para o nosso sonho comum de um Brasil Melhor. Receba, Povo de Itatiba, meu abraço amigo, a minha emoção brasileira. São Paulo, 25 de agosto de 1963. Ademar de Barros.

Esta mensagem do governador mostrava a força do Dr. Afrânio e a presença de Hafiz Abi Chedid, desafeto histórico de Erasmo, junto aos demais, era uma clara provocação. Nesta eleição de 1963, Erasmo lutou contra grande parte da elite financeira do município. Além da família Chedid, o ex-deputado e ex-senador Paulo Abreu dava apoio incondicional a candidatura do Dr. Afrânio. O clima de “já ganhou” imperou na campanha do PSP, inclusive com confraternização de vitória antes das eleições. A foto abaixo mostra um momento destes, onde um grupo de correligionários, junto ao candidato, comemoram a vitória antecipada das eleições. Figura 29: Comemoração antecipada de eleitores do Dr. Afrânio.

Fonte: Jornal de Itatiba – Diário de 25 de março de 2007.


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Na contagem final dos votos o PTN de Erasmo vence as eleições com 3.416 votos contra 3103 do Dr. Afrânio. Também faz pela primeira vez a dobradinha com o vice-prefeito, elegendo José Mauricio de Camargo que conquistou 1.985 votos e derrotou Olivar Jose da Silva do PSP com 1.763 votos. O partido obteve nesta eleição o melhor desempenho na história política de Itatiba com um total de 1.660 votos, elegendo 4 vereadores: o funcionário público João Dias da Silva - “João da Plaina” com 173 votos, o corretor de imóveis Roberto Panzarin com 173 votos e os operários Benedito Sanfins e Benedito Campos Pupo com, respectivamente, 189 votos e 181 votos. Nesta sua última administração de 1964 a 1969, Erasmo teve um dos períodos mais turbulento de sua vida pública. Por duas vezes tentaram abrir processo de “impeachment” contra ele. Um destes fatos acabou gerando um atrito político entre ele e seu vice, José Mauricio de Camargo, que chegou a assumir, por um breve período, a prefeitura. Esse atrito fortaleceu a posição do então vereador Roberto Arantes Lanhoso que acabou se aproximando muito do Prefeito. Com este fato, Mauricio perdeu a oportunidade de se candidatar com o apoio político de Erasmo para as eleições de 1968. Lanhoso aproveita a situação e, pela ARENA, sai candidato a prefeito. A chapa foi completada por José Lázaro Chrispim “Tiché” – filho de Erasmo – como vice. A chapa foi indeferida e não pode ser registrada devido o parentesco de “Tiché” com o Prefeito Erasmo (pai e filho). O industrial Giácomo Rela é escolhido para substituir “Tiché”.

Figura 30: Manchete de noticia do jornal “A Tribuna”

Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 24 de outubro de 1964 – acervo: Museu Padre Lima.


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Figura 31: A Pedidos

Fonte: Jornal “A Tribuna”, de 30 de agosto de 1964 – acervo: Museu Padre Lima.

Em 1965 todos os partidos foram extintos pelo AI – 2, o mesmo que instituiu o bipartidarismo. Em Itatiba o MDB - Movimento Democrático Brasileiro não nasceu fortalecido. As suas principais lideranças dividiam espaço dentro da ARENA - Aliança Renovadora Nacional que disputou as eleições com três legendas. O resultado final das eleições de 1968 foi: Roberto Arantes Lanhoso (Arena 1) José Maurício de Camargo (Arena 2) Pedro Mascagni (Arena 3)

4.267 votos 4.175 votos 704 votos

Lanhoso governou a cidade de 1969 até 1972 e se elegeu por mais dois mandatos: de 1977 a 1983 e de 1989 a 1992. Já, José Maurício de Camargo perdeu suas duas disputas majoritárias antes de se eleger prefeito, em 1983. Teve seu mandato cassado pela Câmara Municipal de Itatiba e, depois de grande batalha jurídica, voltou a ocupar o cargo de Prefeito. Não conseguiu mais se eleger.


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2.6.2 - Rebeldia, Poder e Prestigio “Eu falei que não pode e não pode” Erasmo Chrispim

Na década de 50, o Prefeito Municipal era designado Fiscal da Comissão de Abastecimento e preços do Estado de São Paulo (COAP) e cabia a ele tabelar o preço dos alimentos, entre eles a carne e o leite. Os preços tabelados eram publicados na imprensa local bem como a pena aos transgressores: “Detenção de seis meses a dois anos e multa de dois a cinqüenta mil cruzeiros". Consta também na história oral da cidade que Erasmo Chrispim fazia o teste do palito com o leite. Colocava um palito de fósforos na leiteira e o retirava em seguida. Caso o leite pingasse era prova que o leiteiro havia adicionado água. Imediatamente Erasmo derramava todo o conteúdo da leiteira na rua em frente à Prefeitura. Com o clero, apesar de sua formação religiosa, Erasmo teve vários atritos. O primeiro foi quando ele conseguiu em 1957 junto ao Governo Federal verba para construir a primeira ETA - Estação de Tratamento de Água da cidade. Itatiba tinha passado por uma epidemia de tifo em 1954 e precisa de medidas urgentes na saúde pública. Com a verba para construção na mão ele desapropriou o terreno do “Cemitério Velho” contíguo à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no centro da cidade. Apesar da contrariedade de Dom José Maurício da Rocha, Bispo Diocesano de Bragança Paulista, a comunidade apoiou Erasmo e ele construiu e inaugurou a esperada estação. Antes de ser conveniada da SABESP, a água da cidade era tratada pelo SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto, mantido pela Prefeitura de Itatiba. Monsenhor Anatólio Brasil Pompeu, Reitor Emérito da Basílica de Nossa Senhora do Belém e Pároco de Itatiba por mais de 30 anos, garante que a demanda da desapropriação ainda não foi resolvida. Outra questão polêmica com a Igreja foi quando Erasmo resolveu reformar o cemitério. Itatiba tinha dois cemitérios no mesmo local. De um lado ficava o “Cemitério do Santíssimo Sacramento”, pertencente à Confraria do Santíssimo, ligado a Igreja Católica e destinado às famílias tradicionais, e de outro, o Cemitério “da Saudade” - municipal. Na reforma, Erasmo derrubou o muro que dividia os dois cemitérios, sendo que seu discurso teve respaldo popular: Não permitiria que ricos fossem enterrados de um lado e pobres do outro. Como a família Chrispim tem os seus túmulos no Cemitério do Santíssimo, sua imagem de poder e a ligação com os mais humildes ficou ainda mais fortalecida. Na década de 70, ainda mantendo o seu posicionamento político, Erasmo recusou o “Titulo de Gratidão do Povo Itatibense”, oferecido pela Câmara Municipal de Itatiba.


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No período da efervescência militar, já não estava mais na ativa, porém atuava nos bastidores da política local. Posicionou-se contra a ditadura, mas sem ativismo, de maneira discreta, até porque conhecia o “modus operandi” do regime. Em 1977, quando o Presidente Ernesto Geisel visitou Itatiba para inaugurar o Núcleo Residencial Jardim Harmonia, Erasmo declinou do convite para o almoço em homenagem ao presidente. Aos amigos dizia que não queria compartilhar desse ato. Mesmo fora da luta política diária, Erasmo tinha muito prestigio, a ponto do então Governador de São Paulo, Laudo Natel aparecer, por mis de uma vez, em sua residência para uma visita de cortesia, sempre de surpresa. Orestes Quércia era outro que fazia questão de visitar Erasmo. Certa ocasião, durante a campanha e, mesmo antes de ir ao comício, no Largo do Rosário, fez questão de cumprimentar Erasmo em sua casa que ficava a poucos metros do local.

Figura 32: Erasmo com Orestes Quércia

Fonte: Arquivo Família Chrispim

Na foto aparecem da esquerda para a direita: vereador Claudemir Nunes da Costa, prefeito José Maurício de Camargo, Governador Orestes Quércia, Deputado Estadual Luis


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Máximo que havia sido Promotor de Justiça em Itatiba, Orlando Mônaco, Antonio Carlos Chrispim e Erasmo Chrispim por ocasião da inauguração do Mercado Municipal Maria Elias de Godoy Camargo - “Dona Lica”, em Itatiba.

Figura 33: Erasmo com o Deputado Hebert Levy

Acervo: Família Chrispim

Na foto o vereador Rafael Ferrari Neto, o Deputado Hebert Levy, Erasmo Chrispim e José Jorge Antonio – “Zé Turquinho”, líder da UDN local.


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Figura 34: Festa da posse em 1963 - chegada ao coreto

Acervo: FamĂ­lia Chrispim


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Conclusão

Com as armas, a política e a sua forte personalidade, Erasmo Chrispim construiu a imagem arquetípica do Herói. Ele se identificava com os aspectos mais positivos deste arquétipo tanto no visual como no verbal e, compreendia que a sua popularidade não dependia apenas dos momentos da campanha e do poder. Ele criava novos fatos e histórias constantemente, alimentando assim, a sua identidade de “Barão” e de Herói. Essa postura adotada por toda sua vida pública “do herói triunfar sobre o mal”, “vencer grandes desafios” ou simplesmente “passar por cima de adversidades e adversários” era a inspiração que esperavam de Erasmo. Foi uma espécie de “paladino”, sempre ao lado das causas dos menos favorecidos. Erasmo foi para seus eleitores um super-herói da época e, os seus adversários políticos eram os fora da lei. A trajetória pública de Erasmo Chrispim pode ser lida como uma história de sobrevivência de um líder forjado na escola coronelista da política paulista ao longo de um período em que o modelo populista predominou na ação, nos discursos e na agenda dos governantes nas três esferas de Poder no Brasil. Ao construir esse formato próprio, original, Erasmo transformou-se uma espécie de mito político. Seja pela mudança da prática política brasileira a partir dos anos 60 ou pela indisposição e ausência de vocação das novas lideranças. Nenhum outro homem público da cidade de Itatiba atreveu-se a repetir o “modus operandi” do velho Barão. Erasmo trouxe a prática da política local da República Velha e manteve nas suas quatro décadas de vida pública o porte aristocrático que sempre o vinculou às elites cafeicultoras do Estado. Exibiu-se sempre em terno bem cortado e camisas de “tricoline inglês”, revólver na cintura e cabeça coberta por chapéu ou boina. Sua postura ereta nunca se curvou e, na velhice, já aposentado da política, a bengala de madeira reforçou sua imagem de mastodonte da República Velha. Fisicamente, a figura correspondia a um perfil político avesso ao populismo. Suas atitudes confirmavam essa imagem, como no episódio da coerção ao vereador Daliso Benedito Degani, no plenário da Câmara Municipal, na sua voz de comando - “Faça o que eu digo” - e na ausência de uma declaração contrária aos boatos de que mantinha, em seu gabinete, cinco revólveres prontos para rebater qualquer crítica. Mas todos esses componentes


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mesclaram-se a outros na construção de sua imagem política, em especial, os que trouxeram elementos típicos do populismo dos anos 40 a 60. Erasmo foi fruto das revoluções que acabaram com a Velha República e adaptou-se aos novos movimentos. Aliou-se à nascente classe trabalhadora das indústrias locais, no final dos anos 30, e apegou-se ao compromisso de atender as demandas desse novo eleitorado urbano. Em sua ação política, conscientemente ou não, soube dar consistência e vazão a essa aproximação. Montava seus comitês de campanhas eleitorais em casas de operários e em seus sindicatos. Confrontava-se com a nova elite industrial da cidade e, dentre seus cabos eleitorais, apontava operários para discursarem em seu lugar nos comícios. Sem cerimônia ou arroubos, valeu-se de forma oportunista do fato de seu filho, José Lázaro, trabalhar na indústria de Paulo Abreu, seu maior inimigo. Embora José Lázaro fosse funcionário administrativo, Erasmo declarava publicamente que seu filho era operário. Também se sustentou, em parte, na ação solidária de sua mulher Alzira, e nos pobres que nela procuravam ajuda. Em uma tentativa de atrair a simpatia do eleitorado mais pobre e de suavizar sua vinculação com as antigas elites do café, se dizia empobrecido ao longo de sua carreira política. Um aspecto que associa claramente o comando típico de um coronel à faceta populista de Erasmo está no seu controle absoluto sobre o PTN - Partido Trabalhista Nacional, em Itatiba. Os resultados de suas eleições não chegaram a ser afetados pelo fato de os líderes estaduais e federais do PTN – o então governador Jânio Quadros ou o congressista Auro de Moura Andrade – apoiarem explicitamente seus concorrentes nos palanques armados na cidade. O legado de Erasmo, como administrador, foi marcado por iniciativas que ainda beneficiam a cidade na atualidade, mesmo que tenham se transformado com o tempo. A prioridade para a educação e o saneamento básico tornou-se uma marca de suas gestões e alimentou a visão de que Erasmo não se tratava de um político comum, comparável a seus antecessores (os coronéis) e adversários (os populistas autênticos). O mito de Erasmo, portanto, foi construído a partir dos elementos dados pela política brasileira em sua evolução no século XX, especialmente em suas seis primeiras décadas. Mas, em uma época em que pesquisas de opinião inexistiam, rádios e jornais eram os únicos meios (precários) de comunicação de massa e a orientação de profissionais de marketing político não alcançava as disputas no interior do Estado, a montagem desse personagem político se deu de maneira instintiva e intuitiva.


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Anexos e Homenagens

Em 2001, ano do centenário do nascimento de Erasmo Chrispim, a Prefeitura Municipal de Itatiba organizou vários eventos comemorativos: Exposição comemorativa no Museu Histórico Municipal Padre Francisco de Paula Lima; inauguração de seu busto na Praça José Bonifacio; missa por intenção de sua alma e inauguração da Praça Erasmo Chrispim, no Núcleo Residencial que leva o seu nome.

Figura 35: Inauguração do busto de Erasmo Chrispim

Fonte: Jornal de Itatiba – Diário, de 8 de abril de 2001.


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Durante toda a sua vida pública, Erasmo Chrispim recebeu várias homenagens e títulos beneméritos dos clubes sociais da cidade de Itatiba. Entre eles destacamos: Figura 36: Sócio Benemérito do “Itatiba E.C.”

Acervo: Família Chrispim

Figura 37: Presidente Honorário do “Operários F.C.”

Acervo: Família Chrispim


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Imagem e Som Associação Pró Memória de Itatiba. Entrevista com o Prefeito Erasmo Chrispim. Itatiba. SP. 1990. Museu Municipal Padre Lima. Entrevistas com funcionários públicos nas gestões do prefeito Erasmo Chrispim. Itatiba. SP. 2001. Acervo Fotográfico Família Chrispim. Itatiba. S. P. Acervo Fotográfico Foto Parodi. Itatiba. S. P.

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