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Versão

Versão dos Jornalistas - Rio Grande do Sul - Abril/Maio de 2014

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Publicação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS Rua dos Andradas, 1270/133 - CEP 90.020-008 Ano 22 - Nº 136 - Abril/Maio de 2014 - Porto Alegre

dos Jornalistas www.jornalistas-rs.org.br

RS inova na distribuição de recursos públicos para mídias locais, regionais e comunitárias

Páginas 4 e 5

Projeto de Lei define percentual mínimo que os três poderes do Estado devem investir em públidade nos veículos de pequeno porte. A imagem ao lado foi utillizada em audiências públicas para identificar a iniciativa pioneira no Brasil.

Violência de gênero NJI

Jornalistas de imagem realizam exposição no Uruguai e planejam outras ações Página 6 Nilton Santolin

Trajetória

Há mais de três décadas no Repórter mercado, Revista Goool lança gaúcha é publicação especial para a Copa destaque em Página 8 prêmio nacional Wesley Santos

Página 7 comunicação

Fenaj à frente da coordenação do FNDC Página 7


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Versão dos Jornalistas - Rio Grande do Sul - Abril/Maio de 2014

editorial

Jornalismo se faz com jornalistas Este início de maio sobrepõe interessantes reflexões relacionando o Dia do Trabalhador com as inovações gráficas e editoriais de importantes veículos de comunicação do estado. As mudanças que antecederam a estreia dos novos formatos definiram um expressivo número de demissões nas maiores redações da capital. Embora o SINDJORS não disponha de meios legais para questionar diretrizes de recursos humanos das empresas, politicamente a entidade não irá se omitir na defesa da manutenção e expansão dos postos de trabalho da categoria, bem como na missão de denunciar à sociedade essa prática que, ao reduzir a mão-de-obra jornalística reduz também, na razão direta, a qualidade da informação prestada ao público. Jornalismo se faz com jornalistas! A expressão, criada pela base da nossa categoria e encampada pelo Sindicato como palavra de ordem deste

mercado de trabalho

momento de mobilização, remete a uma discussão conceitual que transcende o específico episódio mencionado. Este conceito deve pautar o debate e as reflexões dos jornalistas enquanto operadores do bem de interesse público fundamental que é a informação. Na lógica empresarial capitalista o objetivo primordial é o lucro, via de regra, incrementado a partir da redução de pessoal, do acúmulo de funções, da precariedade dos salários, do desrespeito aos limites da jornada de trabalho e da institucionalização do assédio moral vertical e horizontal travestido de estímulo à produtividade. Para os trabalhadores jornalistas o compromisso fundamental é a missão de garantir a qualidade da informação, imprescindível a um estado democrático de direito. Tal entendimento e tal atitude são princípios basilares do Código de Ética dos Jornalistas e, como tais, devem ser priorizados em nossas rotinas

produtivas diárias. A obstinada vocação de bem informar deve-se sobrepor às tentadoras facilidades e experimentações com as quais os avanços tecnológicos seduzem os incautos. Sem dar as costas à tecnologia, é preciso que tenhamos sabedoria para aplicá-la efetivamente como ferramenta de qualificação da informação. É primordial que saibamos resistir quando a tecnologia serve de instrumento ao interesse empresarial, transformando-nos em autômatos multifuncionais destituídos de senso crítico e coniventes com o voracidade capitalista que solapa a qualidade da informação. É urgente que brademos: “Jornalismo se faz com jornalistas”! Ludwig Larré 1º secretário do SINDJORS

humor de santiago

Sindicato repudia onda de demissões O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul repudia a onda de demissões que vem ocorrendo em grandes veículos de comunicação do estado, em especial nos grupos RBS e Record. A entidade tem compromisso com a categoria dos jornalistas e com a sociedade em denunciar o fechamento de postos de trabalho e o enxugamento das equipes de redação que se refletem na qualidade da informação prestada à população. A categoria condena o descaso dos patrões com colegas de reconhecida trajetória, demitidos após anos de serviço às empresas cuja credibilidade jornalística ajudaram a construir. Até o dia 6 de maio, o sindicato registrou 25 desligamentos no Grupo RBS, sendo 13 sem justa causa e 12 pedidos de demissão. Dos 13 desligamentos no Grupo Record, 7 foram sem justa causa e 6 colegas optaram por deixar o emprego. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul conclama a categoria a denunciar casos de demissões imotivadas e assédio moral, muitas vezes utilizado como instrumento de pressão para que os trabalhadores encaminhem pedidos de demissão voluntária.

Versão dos Jornalistas

Versão dos Jornalistas é uma publicação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS). Rua dos Andradas, 1270/133 – Centro Histórico – Porto Alegre, RS – CEP 90020-008 Fones: (51) 3226-0664 - www.jornalistas-rs.org - web@jornalistasrs.org Edição: Ludwig Larré Produção executiva e reportagem: Bruna Fernanda Suptitz Fotografia: Luiz Ávila Diagramação: Luís Gustavo Schuwartsman Van Ondheusden Revisão: Márcia Carvalho e Vera Daisy Barcellos

Filiado:

Diretoria Executiva Presidente - Milton Simas 1º Vice Presidente - Luiz Armando Vaz 2ª Vice Presidenta - Vera Daisy Barcellos Costa 1º Secretário – Ludwig Larré 2ª Secretária – Márcia de Lima Carvalho 1º Tesoureiro – Robinson Luiz Estrásulas 2º Tesoureiro - Renato Bohusch Suplente - José Maria Rodrigues Nunes Suplente – Luiz Salvador Machado Tadeo

Diretoria Geral Celso Antonio Sgorla, Fernando Marinho Tolio, Carlos Alberto Machado Goulart, Cláudio Fachel Dias, Elson Sempé Pedroso, Mauro Roberto Lopes Saraiva Junior, Léo Flores Vieira Nuñez, Alan da Silva Bastos, Jeanice Dias Ramos, Jorge Luiz Correa da Silva, Márcia Fernanda Peçanha Martins, Ana Rita Marini, Clarissa Leite Colares, Neusa Teresinha Nunes, Pedro Luiz da Silveira Osório Conselho Fiscal Celso Augusto Schröder, José Carlos de Oliveira Torves, Antonio Eurico Ziglioli Barcellos, Jose Emanuel Gomes de Mattos, Adroaldo Bauer Spindola Correa, Cláudio Garcia Machado Comissão de Ética Antônio Silveira Goulart, Antônio Carlos Hohlfeldt, Carlos Henrique Esquivei Bastos, Cristiane Finger Costa, Flávio Antônio Camargo Porcello, José Antônio Dios Vieira da Cunha, Celestino Meneghini, Edelberto Behs, Sandra de Fátima Batista de Deus, Marcos Emilio Santuário, Moisés dos Santos Mendes


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campanha salarial

Meta é aumento real para todos os salários A campanha de negociação coletiva 2014 já começou. Este ano, devido à realização da Copa do Mundo no Brasil, seguida de eleições, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS) e os sindicatos que representam as patronais optaram por antecipar as reuniões de negociação, a fim de não prejudicar a categoria. Ainda no mês de março, a pauta de reivindicações, elaborada junto aos jornalistas durante assembleia, foi entregue à patronal. Entre os pedidos está o reajuste da inflação no período e 6% de aumento real para todos os salários. As próximas reuniões entre as entidades estão marcadas para este mês de maio, nos dias 13, 20 e 22. Com a proximidade de datas entre o encerramento da negociação anterior e o início da atual, o sindicato espera que os jornalistas sigam mobilizados a participar das ações de campanha. “A expectativa para este ano é que tenhamos avanço efetivo, a partir de uma referência já tardia do fechamento do último acordo”, avalia o diretor do SINDJORS Elson Sempé Pedroso, que expressa o desejo do sindicato de avançar sem perda de tempo e sem prejuízos para a categoria.

Comissão de Mobilização

Categoria deve repetir e fortalecer mobilização da campanha salarial de 2013.

Um grupo de jornalistas formado durante assembleia da categoria, representando redações de jornais e rádios de Porto Alegre, compõe a Comissão de Mobilização, que atua junto ao sindicato na elaboração das atividades da campanha deste ano. O objetivo é mobilizar os profissionais que trabalham no mercado em ações como as realizadas no ano passado.

gt saúde

Grupo discute condições de trabalho dos jornalistas Com o objetivo de chamar a atenção dos profissionais da comunicação para cuidar de suas condições físicas e psicológicas, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS) criou o Grupo de Trabalho Saúde do Trabalhador Jornalista. Formado por associados e dirigentes da entidade, o GT prevê a realização de atividades que sirvam de alerta para questões pertinentes ao exercício da profissão. A primeira ação do grupo foi solicitar a participação da entidade no Conselho Estadual da Saúde. A próxima atividade, prevista para ser realizada no dia 20 de maio, é uma roda de conversa com a categoria para expor a preocupação dos integrantes do GT com esse problema. Militante no campo da saúde, a jornalista Márcia Camarano chama atenção para o aumento da carga de trabalho do jornalista, decorrente da introdução das novas tecnologias em sua rotina. “Ao invés de reduzir, os jornalistas estão trabalhando mais, seja por receberam um e-mail fora do horário ou porque são acionados por um bipe no celular. Esta atividade visa alertar para os problemas e orientar quanto à necessidade de cuidados e acompanhamento de saúde. O que está escondido por trás

da fala de que jornalista tem que trabalhar 24 horas por dia é a exploração do profissional”, complementa Márcia.

Seminário e pesquisa

A partir desse primeiro encontro, o GT buscará levantar dados referentes às condições de trabalho e qualidade de vida dos profissionais da comunicação. A ideia é fazer no Rio Grande do Sul uma pesquisa semelhante à realizada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), com acompanhamento dentro das redações. Um seminário sobre o tema será realizado no Estado no segundo semestre deste ano.

SINDICALIZAÇÃO

A vantagem de fortalecer a categoria O fortalecimento da categoria possibilita o crescimento coletivo. A partir deste conceito, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS) promove neste ano uma campanha de sindicalização, que prevê a realização de ações que evidenciem o trabalho da entidade e a importância de participação dos colegas no processo. A proposta também se estende aos centros acadêmicos, para que os estudantes saibam que podem participar das decisões envolvendo a classe. “É necessário reverter o conceito de que a sindicalização precisa acarretar vantagens pessoais ao associado. A vantagem é coletiva. É o fortalecimento da categoria a partir de participação de um número cada vez maior de jornalistas e estudantes nas ações e decisões do Sindicato”, pondera o 1º secretário Ludwig Larré.


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lei das mídias

PL garante verbas publicitárias públicas para pequenos veículos de comunicação

Foto: Divulgação

Audiências realizadas entre 2012 e 2013 ajudaram a elaborar modelo de gestão dos recursos públicos com publicidade que é pioneiro no país.

Uma iniciativa de interesse público, construída a partir da necessidade dos pequenos veículos de comunicação em concorrer à parcela das verbas investidas em publicidade pelo governo, resultou na criação de um modelo de gestão destes recursos que é pioneiro no país. O Projeto de Lei nº 159/2012, aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa e que aguarda a sanção do governador ainda para este mês, institui a Política Estadual de Incentivo às Mídias Locais, Regionais e Comunitárias, que possibilita aos veículos de comunicação de pequeno porte o acesso a esses recursos. A proposta da Lei das Mídias, apresentada pelo deputado estadual Adalcir Oliboni (PT) em 2012, foi pensada a partir de uma situação que o parlamentar vivenciou no início do seu primeiro mandato no parlamento gaúcho. Ele recorda que, ao receber a informação de que poderia indicar empresas de comunicação para as quais seria destinado um determinado valor anual com divulgação institucional da AL, passou a ser pressionado por parte dos jornais e rádios do interior para que tivessem acesso ao investimento, que representa mais de R$ 1,5 milhão por ano. “Alguns cobraram porque o governo do Estado também não destina um percentual de suas verbas aos veículos de comunicação menores”, recorda Oliboni, ao explicar a origem do projeto. Após apresentar a ideia para a secretária de comunicação do

governo à época, Vera Spolidoro, e verificar a possibilidade de sua aplicação, o texto final foi elaborado em audiências públicas com membros da sociedade civil e entidades interessadas em debater a comunicação, entre elas o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS). Com o objetivo de fortalecer os pequenos veículos de comunicação e ampliar a transparência na Administração Pública, a legislação contempla periódicos, jornais e revistas, com tiragem entre dois mil e 20 mil exemplares editados sob responsabilidade de empresário individual, micro e pequenas empresas, e também veículos de radiodifusão locais, devidamente habilitados em conformidade com a legislação brasileira. Entusiasta deste modelo de gerenciamento financeiro, onde as verbas não estejam concentradas nas mãos de poucas empresas, Oliboni entende que a distribuição dos recursos publicitários entre os veículos de comunicação de menor porte pode ser positiva para o governo. “Esses jornais locais, regionais e comunitários são de mais fácil acesso no interior, pois estão disponíveis no comércio, às vezes até para distribuição gratuita”, pondera. Outro fator positivo da conquista é que, uma vez regulamentada, o debate desta garantia pode ser realizado a cada novo governo. O parlamentar entende que a aprovação do PL é um instrumento para se continuar exigindo a democratização da comunicação. A

previsão, a partir de agora, é primeiro observar se os pequenos veículos vão buscar o recurso. Esperando um retorno positivo, a ideia é, na sequência dos debates, aumentar essa verba. A proposta não atende, contudo, a demanda das mídias digitais com o mesmo caráter, que igualmente sofrem com a concorrência dos grandes portais na internet. Para este caso, o deputado entende que o debate deva ser aprofundado e que a recente aprovação do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) pode subsidiar essa discussão.

Gasto com publicidade

De acordo com dados disponíveis através da Lei de Acesso à Informação, em 2013 o Executivo Estadual investiu, entre 5% e 10% em veículos locais, regionais e comunitários. O restante (em torno de 90%) foi destinado aos veículos pertencentes aos quatro grandes grupos de comunicação do Rio Grande do Sul. No caso das emissoras de televisão de Porto Alegre, foram investidos R$ 20.270.857,99. Destes, R$ 19.120.011,21 foram destinados a canais da grande mídia e apenas R$ 1.149.847,78 dividido entre canais comunitários e educativos da Capital. Para os veículos sediados no interior, a proporção é mantida: de R$ 1.695.458,33, as grandes empresas receberam R$ 1.304.012,66 e as educativas e comunitárias R$ 167.187,37. Também foram investidos R$ 267.249,23 em canais de televisão por assinatura.


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Recursos significam investimentos em estrutura e pessoal Para entender como a medida pode beneficiar meios de comunicação de caráter local, regional ou comunitário, os responsáveis por uma rádio comunitária e por um jornal de uma entidade que congrega associações comunitárias, ambos no interior do Estado, falaram sobre esse projeto. Wanderlei Luiz De Bastiani é diretor e locutor da Rádio Nova FM, em Tapejara. Em Caxias do Sul, Karine Endres é jornalista diplomada e responsável pelo Jornal dos Bairros, publicação da União das Associações de Bairros, e atua sozinha numa estrutura que já contou com três profissionais. Dos seis anos em que edita o periódico, lembra de ter recebido anúncio do governo do Estado uma única vez. SINDJORS – Qual a fonte dos recursos que garante o funcionamento do veículo? Wanderlei De Bastiani – A emissora recebe valores de empresas em forma de Apoio Cultural conforme determina a lei para as Rádios Comunitárias. Karine Endres – Basicamente verba publicitária. Recursos próprios da entidade mantenedora do Jornal dos Bairros são usados apenas quando a receita publicitária não cobre os custos mensais de produção e impressão do jornal. Entre os anunciantes podemos elencar os privados e os públicos. Atualmente, entre os públicos, apenas a Câmara Municipal de Vereadores está anunciando.

gem tecnológica, depende de um incremento das verbas publicitárias. O fortalecimento do jornal, com a ampliação do número de páginas, da tiragem ou da periodicidade, ou ainda, o incremento de outros meios de comunicação, sobretudo digitais como blog e redes sociais, também dependem de um aumento da receita, pois exigem mais pessoas para operar estas mídias. Outro ponto importante é que a própria entidade conta com a receita publicitária do jornal para executar suas tarefas e manter o serviço comunitário. Afinal, quando conta apenas com os repasses do executivo municipal, acaba ficando presa a esse mesmo executivo, que manipula os repasses de acordo com os interesses políticos do momento. O fortalecimento das verbas publicitárias do jornal acaba representando um fortalecimento do próprio movimento, pois garante independência.

Foto: Arquivo pessoal

Na rádio comunitária (ao lado), é o próprio locutor quem opera a mesa de áudio. Redação de jornal de Caxias do Sul (abaixo) conta com apenas uma profissional. Foto: Karine Endres

SINDJORS – O que representaria para vocês um aumento na receita? De Bastiani – Com certeza um aumento na renda seria muito importante, pois a emissora poderia contratar mais pessoas para agregar ao quadro funcional, tendo disponibilidade para maiores coberturas e também maior produção de programas, programetes e vinhetas, melhorando a grade de programação neste canal de comunicação com o ouvinte. Karine – Um aumento da fonte de receita representa a própria manutenção do jornal, já que, com a falta dos anúncios do executivo municipal, a situação vem se degradando mensalmente. Além disso, a infraestrutura de trabalho depende diretamente do aumento de recursos. Por exemplo, a troca de equipamentos como computadores e máquina fotográfica, que se deterioram tanto pelo uso quanto pela defasa-

Projeto também estabelece critérios para destinação da publicidade O Projeto de Lei 159/2012 prevê que os três Poderes do Estado (Legislativo, Executivo e Judiciário) devem destinar o mínimo de 20% do valor a ser investido em publicidade nos veículos de caráter local, regional ou comunitário. Para participar da concorrência, será preciso atender a alguns critérios já estabelecidos pela Lei e outros que serão definidos, a partir de agora, em audiências com os mesmos grupos que auxiliaram na elaboração do projeto. Além da especificação em relação à tiragem, no caso dos impressos, as mídias interessadas deverão estar atuando há pelo menos dois anos sem interrupção; não manter vínculos que a subordinem a outras empresas do mesmo ramo, escolas, igrejas,

partidos políticos, sindicatos e associações de classe ou representativas de setores industriais ou de serviço; não ter proprietário que exerça a mesma função em outra mídia que se beneficie do recurso; e não manter relação com pessoas que ocupem cargos públicos eletivos ou de confiança. A publicação impressa ou a emissora de rádio ou de TV deverão veicular conteúdo editorial de interesse da comunidade gaúcha, contando com o trabalho de um jornalista responsável. Este último ponto motivou reflexão dos grupos que participaram da construção do texto. Conforme destaca o deputado responsável pelo trabalho, a queda da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da

profissão faz surgir a preocupação com a responsabilidade pelo material a ser divulgado. Neste sentido, cabe ao poder público assegurar-se de que o veículo beneficiado conte com o trabalho de jornalistas profissionais diplomados. Houve, nos encontros que precederam a aprovação do PL, o entendimento de que se tornaria difícil para muitos dos veículos de menor porte manter um jornalista em seu quadro funcional. Para não deixar de fora esses grupos, uma emenda exige que o jornalista seja, então, responsável pelo conteúdo divulgado. A exceção se aplica às rádios e televisões comunitárias, veículos que podem atuar sob responsabilidade de profissional habilitado como radialista.


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NJI

Núcleo de Imagem realiza exposição internacional Instalado em 24 de maio de 2013, o Núcleo de Jornalistas de Imagem (NJI) do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS) realizou no último mês de abril sua primeira exposição, levando a outro país o nome e o trabalho de profissionais gaúchos. A 1ª Mostra Internacional do Núcleo dos Jornalistas de Imagem do RS, realizada na cidade de Melo, departamento de Cerro Largo, no Uruguai, reuniu 60 obras, entre fotografias e ilustrações, durante o evento de inauguração do Centro Artístico Conexion Arte Melo, sucursal do Conservatório Grassi, da Argentina. Ainda para este ano estão previstas exposições na capital argentina, Buenos Aires, em Bagé e Porto Alegre. A criação do NJI tem como objetivo zelar pela ética e a boa conduta dos profissionais que atuam no setor de imagem, sejam fotojornalistas, repórteres cinematográficos ou ilustradores. A coordenação geral está a cargo dos jornalistas Robinson Estrásulas e Luiz Avila e a coordenação de web é de responsabilidade do jornalista Nilton Santolin.

Outra ação do núcleo é a inclusão, no calendário oficial da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), dos encontros estaduais e Nacional de Jornalistas de Imagem. A ideia é que assuntos relevantes ao grupo que trabalha com este tipo de comunicação possam ser debatidos em um fórum específico.“Os cinco encontros realizados desde 2000 aconteceram no dia que antecede a abertura oficial dos Congressos Nacionais, porém deixaram de ser realizados quando algum outro tema era colocado em pauta”, aponta o diretor do SINDJORS Robinson Estrásulas, autor da proposta. Além disso, o pouco tempo disponível para debate não possibilitava a inclusão de teses sobre o tema na pauta de discussão do congresso. Com a aprovação da tese, os encontros terão formato de fórum, entre os anos de realização dos congressos. A proposta é que sejam realizados encontros estaduais e nacionais a cada dois anos, para que deles se tirem propostas de teses a serem apresentadas, nos anos seguintes, nos congressos estaduais, a fim de possibilitar seu encaminhamento ao Congresso Nacional dos Jornalistas. A proposta foi apresentada em tese avulsa durante o 36º Congresso Nacional dos Jornalistas. Com a aprovação, ficou sob responsabilidade do Rio Grande do Sul sediar o 6º Encontro Nacional de Jornalistas de Imagem, primeiro com a nova proposta, no ano de 2015.

As 60 imagens expostas na 1ª Mostra Internacional do NJI podem ser conferidas em álbum no site do SINDJORS.

RS aprova teses no Congresso Nacional dos Jornalistas As quatro teses apresentadas pela delegação gaúcha no 36º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado entre os dias 2 e 5 de abril em Maceió (AL), foram aprovadas. Além da tese avulsa que sugere a criação dos encontros de jornalistas de imagem, as três emendas aditivas a teses-guias da Fenaj tratam das garantias da atuação jornalística, de concurso público e vinculação empregatícia e pedem o fim da precarização da prática jornalística e fiscalização por parte dos órgãos competentes. O próximo encontro nacional dos jornalistas será em 2016, no estado de Goiás.


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7 Foto: arquivo pessoal

VIolĂŞNcIa de gĂŞNero

Jornalista gaĂşcha recebe prĂŞmio nacional de reportagem / 1 6 

Contar a histĂłria de mulheres vĂ­timas da violĂŞncia domĂŠstica a partir do entendimento de seus filhos exige sensibilidade. Kamila Almeida, 30 anos, repĂłrter do jornal Zero Hora entende que, alĂŠm disso, ĂŠ preciso ter responsabilidade. Ao conceber a reportagem â€œĂ“rfĂŁos da ViolĂŞncia DomĂŠsticaâ€?, ela percebeu que essas crianças e adolescentes eram deixados de lado pelas polĂ­ticas pĂşblicas que tratam do tema. A reportagem venceu o PrĂŞmio Nacional de Jornalismo sobre ViolĂŞncia de GĂŞnero, na categoria mĂ­dia impressa. O trabalho de Kamila foi veiculado pelo jornal em 28 de abril de 2013. Em um caderno especial de oito pĂĄginas, ela apurou a situação de 157 ĂłrfĂŁos, a partir do assassinato de 99 mulheres por crime passional em 2012 no Rio Grande do Sul. A jornalista jĂĄ escreveu outras matĂŠrias sobre o assunto. “Esse nĂŁo ĂŠ um tema que todo mundo se interessa em escrever ou lerâ€?, avalia. Ela conta que, depois de terminar a primeira matĂŠria sobre a violĂŞncia contra mulheres, teve a sensação de que o problema nĂŁo tem solução. Contudo, diante da falta de fontes que pudessem falar sobre alguns aspectos relacionados Ă  violĂŞncia, Kamila nĂŁo se acomodou. Hoje ela faz mestrado em CiĂŞncias Sociais. “NĂŁo sei se vou ter uma resposta, mas senti necessidade de realizar um trabalho nessa ĂĄreaâ€?, conta. AlĂŠm da premiação, o trabalho de Kamila contribuiu para que o poder pĂşblico observasse a necessidade de prestar atenção nos ĂłrfĂŁos desse tipo de violĂŞncia. Enquanto realizava a reportagem, o Congresso Nacional criou uma ComissĂŁo para tratar da violĂŞncia contra a mulher. A jornalista fez, entĂŁo, contato com a relatora da CPMI, que disse nĂŁo ter pensado sobre o tema para o debate. Essa questĂŁo foi entĂŁo incluĂ­da na pauta. Kamila contou com o apoio de vĂĄrios colegas para realizar a reportagem. A ideia de alertar para o alto nĂşmero de mulheres que perderam a vida no lar

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partiu do seu editor à Êpoca, Sergio Villar. A editora de vídeo Marlise Brenol foi quem sugeriu abordar o ponto de vista dos órfãos. Nos quatro meses de trabalho de campo, Kamila teve a colaboração do pauteiro Jaisson Valim e dos colegas das sucursais no interior. As fotos foram feitas por Tadeu Vilani e Kamila Almeida contou com apoio de colegas do jornal. Adriana Franciosi.

SeminĂĄrio Internacional

O prêmio integra a campanha Jornalistas dão um Ponto Final na Violência Contra Mulheres e Meninas. Dentro da programação tambÊm estå o Seminårio Internacional sobre Mídia e Violência de Gênero que pretende atentar para o fazer jornalístico e sobre como a mídia tem retratado e/ou refletido sobre as questþes de violência de gênero. O encontro serå nos dias 16 e 17 de maio, em Florianópolis (SC). A campanha tem como objetivo incluir, promover e disseminar o debate sobre relaçþes de gênero, em especial a violência, como um problema que impacta a vida e a cidadania das mulheres, buscando a sua compreensão e desnaturalização, influenciando no tratamento dado pelos meios de comunicação. A premiação Ê promovida pela Casa da Mulher Catarina e pela Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, com apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e dos sindicatos dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

coNselho muNIcIpal da mulher

SINDJORS preside o COMDIM A gestĂŁo 2014 â&#x20AC;&#x201C; 2016 do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM) contarĂĄ com a representação do Sindicato dos Jornalistas na presidĂŞncia. Em eleição no dia 7 de abril, a segunda vice-presidenta do SINDJORS, Vera Daisy Barcellos assumiu o posto, ao lado de Cris Correia, da UniĂŁo Brasileira de Mulheres; Tânia FeijĂł, da Ação da Mulher Trabalhista; e Izane Matos, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. Vera Daisy integra o COMDIM hĂĄ dois anos, ao lado da colega Jeanice Dias Ramos. O sindicato tambĂŠm compĂľe o FĂłrum Municipal da Mulher com a diretora Clarissa Colares e a associada Nilza Scotti, do NĂşcleo de Mulheres Jornalistas Pela Igualdade de GĂŞnero.

Premiação em todas as categorias: MĂ­dia Impressa Ă&#x201C;rfĂŁos da ViolĂŞncia DomĂŠstica â&#x20AC;&#x201C; RS Kamila Silva de Almeida RĂĄdio TrĂĄfico de Mulheres na RegiĂŁo da AmazĂ´nia â&#x20AC;&#x201C; AM Gecilene de Aguiar Salles TelevisĂŁo Pedofilia em Coari (AM) â&#x20AC;&#x201C; RJ Monica Teixeira Marques Menção honrosa A jornalista Cristine Gallisa, repĂłrter da RBSTV de Porto Alegre, recebeu menção honrosa pela reportagem A violĂŞncia que nĂŁo ĂŠ fĂ­sica â&#x20AC;&#x201C; Mulheres VĂ­timas de Estelionato e Outros tipos de violĂŞncia nĂŁo reconhecem o problema e demoram a procurar ajuda

comuNIcação

Fenaj volta à coordenação do FNDC O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) realizou sua XVIII Plenåria Nacional entre os dias 24 e 27 de abril, em Guararema (SP), onde foi eleita a Coordenação Executiva, Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal para o biênio 2014-2015. Com a nova composição da mesa, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) volta a assumir posição na executiva, o que, no entendimento dos sindicatos da categoria, Ê importante para que se dê continuidade a projetos pensados à Êpoca da criação do Fórum. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, representado

na plenåria pelo tesoureiro Robinson Estråsulas, conquistou espaço como titular no Conselho Fiscal do FNDC, em revezamento com a entidade que representa a categoria no Paranå. Entre as emendas agregadas ao Plano de Ação estå a proposta de que o FNDC entregue aos candidatos à Presidência da República materiais que foram produzidos depois da I Confecom, como a plataforma com os 20 pontos para a comunicação democråtica, e o Projeto de Lei da Mídia Democråtica, alÊm de textos sobre marcos regulatórios internacionais.


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Versão dos Jornalistas - Rio Grande do Sul - Abril/Maio de 2014

TraJeTórIa

Revista Goool resgata sua própria história Há mais de 30 anos, a insatisfação de um jornalista gaúcho com a cobertura que a grande imprensa, concentrada no eixo Rio-São Paulo, fazia dos clubes de futebol do Rio Grande do Sul, fez surgir uma proposta ousada para quebrar essa hegemonia do centro do país. “No passado eu ficava desiludido, como leitor, de chegar a uma banca e encontrar apenas publicações de esportes que tratavam de reportagens especiais dos grandes clubes de São Paulo. O espaço para Grêmio e Internacional era muito reduzido, e para os clubes do interior nem se fala”, lembra José Aveline Neto, que se propôs a apresentar uma alternativa editorial para o esporte em nosso Estado. Em agosto de 1983, Aveline Neto lançou no mercado uma publicação chamada Goool, com a proposta de falar sobre todos os esportes, em especial o futebol e as conquistas da dupla GreNal. “Dedicamos a primeira edição ao jogador Valdomiro, uma maneira de homenagear a todo o time colorado, que teve espetacular atuação nos anos 1970”, aponta. Neste mesmo ano, o tricolor conquistou os dois maiores títulos do futebol nas américas e no mundo, e a revista noticiou com destaque as façanhas. Com isso, lembra Aveline Neto, o trabalho ganhou notoriedade dentro do contexto esportivo gaúcho. O início exigiu que a equipe da Revista Goool enfrentasse alguns desafios. O fato de não estar vinculada a nenhum grande grupo de comunicação do Estado e o caráter alternativo da publicação exigiu que seu idealizador se dedicasse a buscar auxílio junto a colegas que acreditavam em seu projeto. Aveline Neto conta que, à época, trabalhavam com um processo quase artesanal de montagem da revista, com a fotocomposição e a diagramação feitas em cima da mesa. Mas ele recorda que não imaginava alcançar a longevidade que hoje comemora, com mais de 30 anos nas bancas. “Sempre fui muito insistente e pude contar com a parceria e apoio de meu pai, João Batista Aveline, homem muito envolvido Aveline Neto mostra capa da revista especial para a Copa das feita Confederações de 2013. Na coluna à direita, algumas capas das principais edições da revista.

política e socialmente com a classe trabalhadora, em especial com os colegas jornalistas”, destaca. Ao auxilio do pai, que já atuou na direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, e aos bons relacionamentos que sempre buscou manter durante os anos de trabalho com a Revista Goool, Aveline Neto credita o sucesso conquistado. Mesmo tendo o futebol como carro chefe, o periódico também dá cobertura ao esporte amador, jogos olímpicos, escolares e clubes da capital e do interior. Diante da realidade econômica do mercado editorial no Brasil, com os portais de internet predominando no cenário esportivo, Aveline Neto tem como objetivo manter a publicação na mesma linha em que sempre trabalhou, respeitando o interesse do leitor e dos anunciantes. “Isso é fundamental para nos mantermos e, quem sabe, abrir uma sucursal no centro do país”, projeta. Além do apoio da grande imprensa esportiva do estado, José Aveline Neto destaca o nome de colegas jornalistas como importantes apoiadores do trabalho realizado nas 189 edições da Revista Goool. São eles Luis Fernando Veríssimo, Paulo Sant’Ana, Ruy Carlos Ostermann, Rogério Bohlke, Kenny Braga, Ernani Campelo, Pedro Ernesto Denardim, Haroldo de Souza, Haroldo Santos, Ibsen Pinheiro, João Garcia, José Aldo Pinheiro, Ribeiro Neto, Lauro Quadros, Wianey Carlet, João Bosco Vaz e Luiz Carlos Reche. A iniciativa de divulgar a história e as conquistas dos clubes daqui levam José Aveline Neto a acreditar ter contribuído para a divulgação dos grandes nomes do futebol gaúcho para o resto do país. Isso porque, logo que foi lançada a Revista Goool, ele distribuía exemplares aos integrantes dos times que vinham jogar Rio Grande do Sul e também aos jornalistas de outros estados, que participavam das coberturas das competições. Assim, além das equipes de Grêmio e Internacional, os clubes do interior e jogadores das categorias de base foram apresentados a todo o Brasil.

Copa do Mundo Com equipe reduzida e trabalho de alguns freelancers, a publicação é construída através do apoio de seus colaboradores. Com isso, a Revista Goool chega neste ano à cobertura de sua 5º Copa do Mundo. O acompanhamento da seleção brasileira, que já foi realizado em 1998 na França, em 2002 na Coréia e no Japão, em 2006 na Alemanha e em 2010 na África do Sul, este ano conta com uma novidade editorial. Elaborada em parceria com o Ministério dos Esportes, Governo do Estado e Assembleia Legislativa do RS, Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores de Porto Alegre, trata-se de uma publicação trilíngue (português, espanhol e inglês), onde serão apresentadas características culturais do Rio Grande do Sul, informações turísticas e histórias do futebol relacionadas ao Estado, como a Copa de 1950 e a terra do técnico da seleção brasileira Luiz Felipe Scolari. Serão distribuídos 20 mil exemplares em locais por onde passarão turistas e a imprensa internacional. Além destas informações, Aveline Neto assegura que os estrangeiros que visitarem nosso Estado levarão na mala um pouco da história dos clubes gaúchos campeões do mundo. “Nosso prêmio pelos 30 anos e quinta Copa da revista é ter apoio das instituições governamentais para viabilizar um projeto dessa natureza num mercado monopolizado por grandes grupos de comunicação”, comemora.


Versão dos Jornalistas