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Nome: Joaquim Barbosa Ramos de Oliveira

Em passei a infância em Barra Nova. Sabe que eu não sei como é que era quando eu era menino?

Mas quando eu era menino, diz que eu era uma porqueira mesmo. Causa que eu era ruim de crescimento demais. Toda a vida...

No tempo do meu pai eu não trabalhava ainda não. Comecei a trabalhar depois que eu cresci. Aí eu

continuei trabalhando, graças a Deus. Eu trabalhava na roça, puxando enxada, no duro! Aí, só amanhecendo o dia; amanhecia o dia e tinha que ir pra roça. Mãe nos levava pra roça, juntando cisco,

capinando, e nós juntando cisco. Nós tava pequeno, mas tinha que ajudar.

Eu tenho saudade do meu interior, mas já acostumei aqui, não tem jeito. Eu vim pra cidade porque eles tudo veio; só eu que fiquei lá mais uma tia minha. Aí passou um bocado de tempo, aí eu

vim pra cá. Eu era ajudante. Servente é ajudante mesmo. Mexendo com massa. Tudo quanto é

serviço também que falasse comigo eu tinha que fazer. Tudo que desse assim pra minha cabeça, eu fazia. Trabalhei num bocado de firma. Tinha dia que quando vinha embora e o povo falava: “Ô

Tenente! Num falha não!”. Eu pensava: não falha não. Eu não falhava um dia de serviço de jeito

nenhum. O povo tudo gostava de mim. Eu sei tratar todo mundo sério, e eles me tratam também.

A gente sente aquela saudade da roça, daquela turma, aquele serviço da gente. Quando chega na

plantação e vê tudo verde, aquilo era uma alegria. Deus fazia aquilo pra gente. Eu gostava da roça.

Mas eu vim pra cá. Gostei daqui também. Todo mundo me cumprimenta, me adora. Todo canto

que eu chego, se eu acostumo com o pessoal, eu fico alegre. Alegre comigo, alegre com os outros.

Eu casei aqui em Belo Horizonte, mas eu não morava aqui na Serra não. Eu morava lá em

Copacabana. Casei e a mulher morreu. A mulher não podia ter filho não. A mulher já tinha

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