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PERSONALIDADE Nelson Morés: dedicação à pesquisa na suinocultura

GRUPO AW NEWS PorkWorld lança novo site

Entrevista Marcos Jank comenta a ineficiência logística no agronegócio

DEZ DESAFIOS PARA A SUINOCULTURA BRASILEIRA

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O valor da segmentação: sua mensagem atinge seu público-alvo com mais eficiência e menos dispersão. Temos a revista para o seu negócio.

É fato. O Grupo AW hoje é referência para quem busca informação de qualidade em suinocultura e avicultura. Essa credibilidade foi construída por profissionais que vivenciam o mercado, têm know-how em analisar as tendências, conhecem aspectos técnicos, acadêmicos e práticos, além de estarem em contato in loco com os principais acontecimentos de relevância mundial nos setores. Tudo isso é refletido nos portais de notícias, nas revistas que abrangem toda a cadeia e nos eventos que dispensam comentários. Não fique no superficial. Informação aprofundada e especializada só o Grupo AW pode oferecer. • Revistas do Grupo AW levam sua marca ao seu público-alvo com muito mais eficiência; • Equipe jornalística especializada; • As revistas e sites que mais inovaram no mercado ao longo de 12 anos de trabalho; • Tem o melhor conteúdo especializado para o seu negócio; • Maior penetração em mídias sociais; • Distribuição dirigida; • Resultado garantido


EDITORIAL

Editora AnimalWorld em nova fase

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FLAVIA ROPPA

novação e pioneirismo sempre delimitaram as ações da Editora AnimalWorld. Rumo à excelência de um atendimento cada vez mais alinhado às demandas do Agronegócio, em 2013 a empresa está apresentando muitas novidades. De acordo com Flavia Roppa, são mudanças estratégicas internas com o objetivo de levar informações qualificadas para os clientes, além de oferecer uma ampla gama de soluções. “Nesta nova fase, novos profissionais foram contratados para integrar a equipe da empresa, os sites AveWorld e PorkWorld foram reformulados e estão apresentando um novo layout, mais clean e com melhor navegabilidade, além de novas seções. As revistas da Editora também passaram por mudanças editoriais e na diagramação, com um layout mais moderno”, explica. E, para continuar sempre nesta tendência, em

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2013 a empresa preparou uma campanha que foi dividida em quatro momentos: o da revista PorkWorld com periodicidade mensal, o da nova logomarca, os novos portais PorkWorld e AveWorld e o novo projeto gráfico das revistas. “Todas estas mudanças visam atender melhor nossos clientes e parceiros, e elas vieram para disponibilizar mais qualidade nas mídias da Editora. Temos uma base de clientes fieis e estamos buscando melhorar cada vez mais”, afirma Flavia Roppa. Para alcançar a excelência no atendimento às demandas, a empresa passou por mudanças no quadro de funcionários com a contratação de novos profissionais para a área administrativa e também no departamento de jornalismo. “Essa mudança foi necessária para acompanhar a demanda do mercado e para que a empresa permaneça em seu espírito inovador”, conta.


Inovação nos sites e revistas Os portais AveWorld e PorkWorld foram reformulados e seus novos layouts foram apresentados no último mês de maio. Uma das novidades é o lançamento de novas seções dedicadas à gestão e empreendedorismo. “Há algum tempo estávamos buscando um novo layout para os sites. Tivemos um problema técnico no início desse ano e toda a base de dados de nossos cinco portais ficou bastante comprometida. Aceleramos o projeto de relançamento dos novos portais com o objetivo de oferecer de maneira rápida as informações de maior relevância à Suinocultura e à Avicultura”, conta. Com mais de 497 mil visualizações (PorkWorld) e 286 mil visualizações (AveWorld) mensais, os novos sites oferecem notícias em tempo real, vídeos, relatórios de mercado e uma nova seção chamada “Gestão e Empreendedorismo”. “Essa nova seção surgiu com o intuito de auxiliar o acesso às questões tão necessárias para qualquer pessoa envolvida nos setores”, disse Flavia Roppa. Já os portais BeefWorld, MeatWorld e MilkWolrd serão relançados em breve. As revis-

tas AveWorld e PorkWorld também passaram por mudanças no projeto gráfico. Cada uma possui tiragem de 16 mil exemplares e por trás desses números há uma preocupação de que nossas revistas estejam sempre alinhadas às demandas de nossos leitores. “Essas mudanças foram reflexos de uma necessidade que identificamos há algum tempo. Unimos à equipe, profissionais com perfis totalmente diferenciados e com muita experiência em design gráfico para elaborar o novo projeto, seguindo as principais tendências mundiais, dessa forma, apresentamos ao mercado uma revista diferenciada e moderna”, conta. Outra inovação é que a Editora AnimalWorld foi pioneira ao lançar a primeira revista digital do setor com acesso gratuito aos leitores. “Assim que as revistas ficam prontas, sempre disponibilizamos as edições em versão digital em nossos sites”, destaca Flavia Roppa.

Iniciativa nas redes sociais A Editora AnimalWorld foi também a primeira a ter uma fan page no Facebook. Com mais de 7 mil “curtidas”, lá são postadas as versões digitais das revistas, além de novidades da empresa. Outra iniciativa é que a Editora AnimalWorld também se faz presente nas redes sociais com o incentivo do consumo da carne suína. Na página “Carne Suína Brasileira” é possível encontrar receitas culinárias, dicas de chur-

rasco e matéria sobre o setor suinícola. “A carne suína é bastante consumida no mundo todo e o Brasil, apesar de ser um grande consumidor do produto, encontra-se abaixo da média do consumo, por isso, iniciamos uma campanha no Facebook para incentivar o consumo do produto e assim ajudar o setor a superar a atual crise”, conta Flavia Roppa.

PorkExpo 2014 Os preparativos para a PorkExpo 2014 já estão a todo vapor, sob o comando da Safeway, que atua com organização de eventos corporativos, assessoria de imprensa e agenciamento de palestrantes. “Para trazer o que há de melhor já convidamos os principais palestrantes nacionais e mundiais para poder garantir agenda nos dias do evento. Selecionamos a dedo esses palestrantes e estamos trabalhando com temas exclusivos. Voltamos à cidade de Foz do Iguaçu

que é uma cidade turística com forte apelo internacional, pois recebemos visitantes de mais de 46 países. O Hotel Mabu, onde será realizado a PorkExpo 2014, foi totalmente reformado e acreditamos que sua nova estrutura une mais ainda os participantes do evento, pois é o único evento que acontece dentro do próprio hotel. Esses e outros cuidados garantirão ainda mais o sucesso da próxima PorkExpo”, explica Flavia Roppa. junho 2013 / edição 76

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EXPEDIENTE Grupo AW | Uma referência no Agronegócio com uma proposta de informação atualizada e de alto nível. O Grupo AW hoje é referência de know-how em suinocultura e avicultura, aproximando empresas, técnicos, produtores, universidades, executivos e gestores do agronegócio brasileiro e mundial. Revista PorkWorld, liderança construída com credibilidade e eficiência

DIRETORA Flavia Roppa flavia@grupoaw.com.br JORNALISTAS COLABORADORAS Fernanda de Paulo jornalismo@sspe.com.br Thaís Cruz redacao@sspe.com.br Carla Vido imprensa@sspe.com.br Giovana de Paula imprensa@sspe.com.br COMERCIAL Valcir Callogeras

Executivo de Contas

comercial@sspe.com.br Daniel Diniz Executivo de Contas

atendimento@sspe.com.br PROJETO GRÁFICO Guilherme Neptune Designer Gráfico

gneptune@gmail.com ATENDIMENTO AO CLIENTE sac@grupoaw.com.br

PUBLICAÇÕES

Revista PorkWorld: ISSN - 1980-1971 Revista AveWorld: ISSN - 1980-198X

PORTAIS DE NOTÍCIAS • www.aveworld.com.br • www.porkworld.com.br

EVENTO

• PorkExpo 2014

CONTATO | ADMINISTRAÇÃO | PUBLICIDADE PABX: 55 19 2121.8400 www.editora-animalworld.com.br

ASSINATURAS

1 ano R$ 140,00 | 2 anos R$ 250,00 | Anteriores R$ 29,90 Quer Assinar? sac@grupoaw.com.br

ÍNDICE

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ENTREVISTA “O agronegócio é o setor que paga mais caro pela ineficiência logística”, afirma Marcos Jank

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ESPECIAL Família Roppa doa coleção de miniaturas ao Museu do Suíno

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PORK NEWS As principais notícias da suinocultura brasileira e mundial e as novidades corporativas

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FRASES As frases de destaque do mundo do agronegócio


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CAPA Dez desafios para a suinocultura brasileira

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COOPERATIVAS Cooperxanxerê: presente em toda a cadeia de produção

CARNES Novo sabor: Satiare nasce com alta tecnologia

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ESTATÍSTICAS Exportações de carne suína caem 25% em abril e 9% no acumulado do ano

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MERCADO Oferta equilibrada e baixos custos de produção dão o tom do segundo semestre no Brasil

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MANEJO O manuseio pré-abate dos suínos na área de descanso

SANIDADE Florfenicol para tratamento de doenças respiratórias

PRODUÇÃO J.A. Agropecuária: sucesso com inovação e gestão de pessoas

ABCS NEWS Demandas da suinocultura são apresentadas ao ministro da Agricultura

BOLETIM O mercado em abril

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PERSONALIDADE Nelson Morés, uma vida dedicada à pesquisa na suinocultura

COLUNISTAS Made in USA, por Ricardo Amorim e ‘Consumo de Alimentos’ por Marcos Fava Neves e Tássia Gerbasi

ABRANEWS Coleta e processamento de mortalidade nos planteis

GRUPOAW NEWS PorkWorld lança novo site

AGENDA E CARTAS Fique antenado sobre os principais eventos do setor e confira a opinião dos leitores

RECEITA Aprenda a preparar Costela Suína Recheada


ENTREVISTA

“O agronegócio é o setor que paga mais caro pela ineficiência logística”, afirma Marcos Jank

O

por GIOVANA DE PAULA

s problemas na logística no Brasil são crônicos e precisam urgentemente passar por uma grande análise para sua resolução, em todos os aspectos. Já não são novidades os problemas nos portos, a falta de armazéns para estocagem da safra, o estado caótico das estradas - o que gera um custo altíssimo para o transporte - além 8

da inexistência de ferrovias e hidrovias que dêem vazão à produção do agronegócio brasileiro. Mas qual é o processo pelo qual o país precisa passar para resolver estes clássicos problemas? E qual é o ‘preço real’ que o país paga pela sua própria ineficiência quando o assunto é organização e logística? Apenas como alguns exemplos de dados que envolvem esta questão, no Brasil, atualmente, existem 50 mil quilômetros de


estradas que necessitam de manutenção. O Ministério dos Transportes anunciou em 2012 um plano de investimentos de R$ 42 bilhões em 7.500 novos quilômetros de rodovias e de R$ 91 bilhões em 10.000 quilômetros de ferrovias nos próximos 25 anos. Ao favorecer como rota de transporte as rodovias, ao invés de utilizar mais as hidrovias e ferrovias, o Brasil deixa de aproveitar um caminho natural, vivido pelas outras potências no agronegócio, como os Estados Unidos, por exemplo. Hoje, acima de 60% da matriz de transporte do país é composta por rodovias, apenas 12% delas asfaltadas. A participação das ferrovias no transporte é de 22% e das hidrovias, de 12%. O resultado é que o peso da logística em relação ao PIB no Brasil é de 11,6% contra 8,7% nos Estados Unidos. Mesmo assim, o Brasil consegue se manter muito competitivo no agronegócio. Segundo Marcos Jank, Sócio Diretor da Agroconsult, a Medida Provisória dos Portos, aprovada em maio, é o começo que irá auxiliar na resolução dos problemas de logística enfrentados pelo Brasil. “Este foi um passo inicial dado pelo governo e que sentiremos seus efeitos em uma década. Demorará, mas o país precisava iniciar este processo, uma vez que hoje, o agronegócio, um dos setores mais importantes para a economia do país, é o setor que paga mais caro pela ineficiência de logística. Ele é afetado em todos os modais, como por exemplo, pela Lei dos Caminhoneiros, pela falta de ferrovias e hidrovias, além da carência de investimentos na construção e melhoria de portos e de armazéns”, destaca Jank. Acompanhe os principais trechos da entrevista de Marcos Jank à PorkWorld. PorkWorld - Como podemos tirar o máximo dos ati-

“Houve uma notícia boa no último mês de maio, que foi a aprovação da Medida Provisória dos Portos. Este é, com certeza, um passo que precisava ser dado”

vos que temos disponíveis, para minimizar os custos do escoamento no Brasil? Marcos Jank – O país precisa urgente rever vários pontos para melhoria de toda logística. Houve uma notícia boa no último mês de maio, que foi a aprovação da Medida Provisória dos Portos. Este é, com certeza, um passo que precisava ser dado, pois faltam investimentos privados. E é com certeza o principal funil deste problema. Outro ponto é a falta de armazéns para estocagem da safra. Hoje, somente dois terços da safra são armazenados. E no pico de produção, não existe alternativa. “Dado: o recomendado pela Organização Mundial do Comércio é manter estocado volume 20% superior à safra”. PorkWorld - Em relação a estocagem, em quais estados a situação é mais grave? Marcos Jank – Com certeza no Mato Grosso. Faltam muitos armazéns no estado. Teremos um grave um problema a partir de junho e julho, por conta da Safrinha de milho que este ano terá uma produção de 46 milhões de toneladas. No ano passado a Safrinha foi de 22 milhões de toneladas. O estado do Mato Grosso responde pela maior parte desta produção. Será uma situação dramática. PorkWorld - As vantagens competitivas do Brasil no Agronegócio se perdem diante dos clássicos problemas de logística. Em sua opinião, onde estão os maiores problemas? Marcos Jank – Os maiores problemas se encontram na falta de investimento tanto do setor público como do setor privado em portos, estradas, hidrovias, ferrovias e na questão da armazenagem. É preciso um programa para auxiliar na questão da armazenagem, do contrário, veremos milho apodrecendo no país, o que é, no mínimo, um absurdo. Além de fazer valer o PEP (Programa de Escoamento da Produção). PorkWorld - Qual vai ser o tamanho da potência do Brasil, quando estes problemas se resolverem? Marcos Jank – É uma questão interessante para analisarmos. O agronegócio é responsável por uma importante parte da economia do país, porém, é o setor que paga mais caro pela ineficiência na logística, pois é afetado em todos os modais. Quando abordamos a Lei dos Caminhoneiros, que reduz o número de horas trabalhadas, gerando a necessidade de mais caminhões rodando no país, esta questão afeta o agronegócio. A falta de ferrovias. Apesar de já junho 2013 / edição 76

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ENTREVISTA

“Os maiores problemas se encontram na falta de investimento tanto do setor público como do setor privado em portos, estradas, hidrovias, ferrovias e na questão da armazenagem” haver uma regra para melhoria das estradas de ferro, ainda falta investimentos nas ferrovias e isso afeta o agronegócio. Daí vem a grave situação dos portos e da falta de armazéns. Também afetam o setor. Então, percebemos que todos os elos recaem, em algum momento, sobre o agronegócio. E mesmo assim, conseguimos permanecer competitivos, hoje, sendo o número 3 do mundo. O Brasil não perderá espaço em nível internacional por ser um país continental, com uma condição extraordinária de produção em grande escala.

tar mais as hidrovias e ferrovias, o Brasil deixa de aproveitar um caminho natural, vivido pelas outras potências no Agronegócio, como os Estados Unidos, por exemplo. Hoje, acima de 60% da matriz de transporte do país é composta por rodovias, apenas 12% delas asfaltadas. A participação das ferrovias no transporte é de 22% e das hidrovias, de 12%. Hoje, o que muitos produtores estão fazendo é trabalhando também como operadores de carga para tentar suavizar esta questão. Continuaremos crescendo no Agronegócio, mas não tanto quanto poderíamos.

PorkWorld - O senhor acredita que podemos creditar esse status competitivo do setor à capacidade de gestão dos produtores, com medidas como a diluição do valor dos custos fixos facilitados por economia de escala, eficiência nos processos, organização e integração das atividades, além da alta capacidade de produção, com uma tecnologia de ponta?

PorkWorld - O senhor acredita que a falta de coordenação no governo federal para o desenho de políticas públicas integradas para o agronegócio é um grave problema? Afinal, muitas decisões relativas ao setor rural estão fora da alçada do Ministério da Agricultura, espalhadas por diversas outras pastas. Por exemplo, quatro ministérios para tratar de temas do setor. Temos a pasta da Agricultura, a do Desenvolvimento Agrário, a do Meio Ambiente. Qual sua análise sobre esta falta de integração e sua relação com os problemas de logística?

Marcos Jank – Com certeza. Quando vejo, por exemplo, o crescimento da região conhecida como MAPITOBA (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), com grandes fazendas, de até 30 mil hectares de produção soja e milho, percebemos a capacidade dos produtores em fazer a sua parte. Produzimos cada vez mais, com mais eficiência, maior volume, porém, a logística não acompanha. São produções em grande escala que diluem os custos fixos. O Brasil é hoje um país com necessidade de exportação de milho, mas não consegue fazer o grão chegar ao Nordeste, tendo a região que importar milho Argentino. Olha só que situação! É mais viável levar o milho argentino para a região, de navio, que pelas estradas do Brasil! O setor paga o custo pela ineficiência do país ao assumir os erros de outros elos da cadeia. PorkWorld - E qual é o reflexo imediato desta situação? Marcos Jank - O reflexo é que ao favorecer como rota de transporte as rodovias, ao invés de aprovei10

Marcos Jank – Com certeza! Além destes ministérios citados, podemos falar também sobre as questões do Ministério dos Transportes, que impacta diretamente no agronegócio também. Há muitas lideranças, mas pouca representatividade. Falta uma organização política e coordenação entre as entidades. Há uma grande confusão regulatória e uma ‘profusão de Ministérios’ que não pensam da mesma forma. Por exemplo, o Ministério da Agricultura que atua em grande escala, pensa diferente do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que volta os esforços à agricultura familiar. Daí, eu me questiono: mas o produtor de soja que saiu do Sul do país e foi para o Centro-Oeste, para produzir em grande escala, com grande tecnologia não é o mesmo? Se faz necessária uma política que integre os esforços, sem dividir as forças para um único beneficiário: o Brasil.


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ESPECIAL

Família Roppa doa coleção de miniaturas ao Museu do Suíno As 244 peças estão no acervo do museu, em Cachoeira do Sul (RS), que já tem 7,5 mil miniaturas por THAÍS CRUZ

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fotos DIVULGAÇÃO

Museu do Suíno, em Cachoeira do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, continua recebendo o apoio de colegas e amigos. Em maio, novas doações foram recebidas, entre elas a diretora do Grupo AW, Flávia Roppa. “Ela nos presenteou com uma linda coleção de miniaturas (244 peças) que recebeu, há mais de 15 anos, do seu pai Dr. Luciano Roppa, um dos grandes ícones da suinocultura brasileira e primeiro presidente nacional da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves)”, conta Hiran Kunert, Diretor do Museu do Suíno. Outra doação foi do pro-

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fessor Dr. David Barcellos, que enviou um exemplar da 2ª edição do livro ‘Doenças dos Suínos’. “Com a ajuda de todos faremos o maior e mais bonito museu do mundo, que resgata e preserva a história da suinocultura. A vocês amigos que com suas doações - muitas têm valor sentimental enorme - estão contribuindo para a concretização do Museu do Suíno, o nosso muito obrigado”, diz. Recentemente Domingos Tozzati, grande criador de suínos do município de Getúlio Vargas, no Rio Grande do Sul, doou todos os troféus e diplomas que ganhou em exposições agropecuárias ao longo de 50 anos.


“Com a ajuda de todos faremos o maior e mais bonito museu do mundo, que resgata e preserva a história da suinocultura” História De acordo com o diretor Hiran Kunert, a princípio ele iniciou apenas uma coleção, em 1975 quando estava cursando o segundo ano da faculdade de Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e ganhou de uma tia a primeira miniatura de porquinho que ela trouxe de Montevidéo. “Essa peça é considerada a número 1 e durante muitos anos eu reuni, além das miniaturas, outros objetos relacionados com suínos, mas ainda não tinha ideia do museu”, lembra. A data oficial de fundação do Museu do Suíno é 5 de outubro de 2005, quando Hiran realizou uma exposição sobre Utilidades e Curiosidades dos Suínos com seus alunos da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), em Xanxerê. “Os trabalhos ficaram fantásticos e descobrimos coisas maravilhosas dos suínos. Isso foi um divisor de águas, porque passei a pesquisar diariamente sobre esses animais. Comecei a encontrar tantas coisas que resolvi que não teria apenas uma coleção de miniaturas, mas sim um museu”, explica. Ele conta que a coleção de miniaturas é, hoje em dia, um dos destaques do Museu do Suíno, com mais de 7,5 mil peças. Único Museu do Suíno na América Latina, ele é também o segundo maior do mundo. Segundo Hiran, os objetivos são: resgatar e preservar a história da suinocultura brasileira, desmistificar o suíno através de suas utilidades e curiosidades e incentivar a sua criação e o consumo de carne suína.

Doações

ados pela direção do Museu do Suíno. “Toda vez que recebemos uma doação, mesmo que seja simples, ficamos muito agradecidos e sentimos que nosso sonho está sendo apreciado por outras pessoas. Qualquer objeto relacionado com suínos nos interessa (fotos, selos, moedas, revistas, material de granjas, miniaturas, etc.)”, ressalta. Hoje estão no museu as coleções de miniaturas de Jurij Sobestiansky, Isabel Scheidt, Luiz Sesti, David Barcelos, Leonardo Seyboth, Luciano Roppa (através da Flávia Roppa), Luiz Eduardo Risto, Hiran Kunert e Marco Gallina. De acordo com o Diretor do Museu do Suíno, são mais de 7,5 mil peças, muitas delas com mais de 100 anos, oriundas de 95 países, nos mais diversos materiais.

Metas Hiran Kunert adianta que para 2013, a meta é terminar a transferência de todo acervo do Museu do Suíno para o novo prédio e organizar a exposição em salas temáticas e interativas. Outras metas são: aumentar a área de exposição, construir uma pequena demonstração com animais vivos e implantar um local para lanches a base de carne suína.

Visitas As visitas ao Museu do Suíno são gratuitas e podem ser agendadas por email ou pelo site www.museudosuino.org. “Gostamos de visitas guiadas, pois podemos explicar melhor os diversos assuntos. Recebemos colégios, associações de classe, Rotary, Apae, Clube de Senhoras, médicos, entre outros”, fala Hiran. Primeira miniatura que Hiran Kunert ganhou de uma tia em 1975

Desde 1990 Hiran Kunert vem recebendo doações para o Museu do Suíno e o acervo já conta com mais de 28 mil peças. “Sempre mantivemos o museu com recursos próprios, investindo muito tempo e dinheiro. As doações são especiais, pois, além de enriquecer o acervo, também nos motivam a continuar esse trabalho que já tem sido reconhecido internacionalmente”, afirma. As pessoas que quiserem doar algum objeto podem enviar email para kunert.hiran@gmail.com. Os gastos com frete são custejunho 2013 / edição 76

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PORK NEWS

Em nova fase, Farmabase relança sua marca

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om o objetivo de alinhar a nova fase da empresa a sua identidade visual, a Farmabase lançou em junho seu novo logo. A marca é um reflexo da evolução da empresa ao longo dos anos e espelha a imagem que sempre buscou passar para seus clientes, colaboradores e para a indústria em geral, como uma companhia confiável, precisa e organizada na fabricação de seus produtos. A marca está mais clean e teve como inspiração a tabela periódica. Guilherme Machado, diretor administrativo e financeiro da Farmabase, explica o conceito do novo logo. “A relação com a Farmabase vem não só da origem química de nossos produtos, mas também pela nossa precisão, exatidão e organização, assim como são os elementos da tabela”. Segundo ele, as cores da marca não mudaram, mas ficaram mais flexíveis. “A diferença agora é que podemos utilizá-la em branco e preto, como nas embalagens dos produtos. Queremos ser mais identificados pela estética do logo do que pelas cores em si. Todas as marcas de nossos produtos seguem o mesmo padrão estético da marca Farmabase”, conta. Desde 1994 no mercado de medicamentos para aves e suínos, a Farmabase sempre foi reconhecida pelo pioneirismo e confiabilidade. “Para se diferenciar das outras empresas nacionais e competir com as gigantes internacionais, a Farmabase construiu sua imagem em volta de seus valores, que refletem seriedade, pioneirismo e agressividade comercial”, afirma. Para garantir a excelência de seus produtos, a empresa investe cada vez mais em qualidade, adotando as boas práticas de fabricação e investindo em equipamentos e automatização de sua área produtiva, conta a diretora de desenvolvimento e qualidade da Farmabase, Márcia Richena Pirágine. Para o gerente de operações Pedro Abbade, “a rastreabilidade dos produtos é outra importante ferramenta de qualidade, pois permite que tenhamos o histórico de um produto desde sua concepção até o seu destino final.” Atualmente a empresa atua nas regiões onde há produção de aves e suínos, tendo como principais mercados as regiões sul, sudeste e centro-oeste. “No exterior, a empresa está há quase dois anos exportando para a Bolívia e Paraguai, e estamos em estágio final para registro de produtos para outros países importantes da região”, conta o presidente da Farmabase, Paulo Machado, que ainda adianta que a empresa está investindo no nordeste. 14

“Nosso objetivo é melhorar e agilizar o atendimento para essa região”, afirma. Para ele, um dos principais diferenciais da Farmabase é sua transparência com seus clientes. “A transparência é fundamental, principalmente para quem vende medicamentos e está lidando com saúde. Tudo isso tem a ver com respeito, profissionalismo e ética”, ressalta.

Guilherme Machado, diretor administrativo e financeiro


55/Brands

FARMABASE: UMA MARCA EM CONSTANTE EVOLUÇÃO.

Evolução constante, pioneirismo e qualidade são compromissos que sempre estiveram presentes na história da Farmabase. Ao longo dos anos, desenvolvemos e disponibilizamos ao mercado de aves e suínos produtos e serviços que ajudaram a produzir mais e melhor. Diante de tantos avanços, não poderíamos deixar de atualizar nossa marca. E, assim, apresentamos ao mercado nossa nova identidade visual. Muito mais direta, nossa nova marca transmite aqueles que são os valores que sempre nortearão nossas ações: foco, agilidade e transparência.

farmabase.com.br

Soluções de alta performance em saúde animal. junho 2013 / edição 76

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PORK NEWS

Brenda Marques é a nova Coordenadora de Assistência Técnica de Suinocultura da MSD Saúde Animal

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renda Marques foi contratada em maio para assumir a posição de Coordenadora de Assistência Técnica da unidade de negócios de Suinocultura da MSD Saúde Animal, e será responsável por auxiliar a equipe em demandas técnicas de clientes dos estados da Região Sudeste e Centro-Oeste (SP, MG, GO, DF, MT e MS). Brenda é graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e possui Mestrado em Clínica e Sanidade de suínos, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em sua experiência profissional, já atuou em outras empresas como Consultora Técnica, Gerente de produtos e Supervisora Técnica Aves e Suínos.

Brenda Marques é a nova Coordenadora de Assistência Técnica de Suinocultura da MSD Saúde Animal

Auster Nutrição Animal apresenta Hamlet Protein 100

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Auster Nutrição Animal apresenta parceria com a Hamlet Protein (www.hamletprotein.com), empresa dinamarquesa fornecedora global de soluções de proteínas de soja enzimaticamente hidrolisadas, exclusivas para nutrição animal. Essa parceria traz produtos para uma maior promoção de saúde e eficiência na alimentação dos animais com a linha HP. Os produtos são uma combinação eficiente de proteínas com alto valor nutricional e sabor atrativo, para alimentação de suínos no pós desmame e bezerros (substitutos de leite). HP 100 emprega um processo de produção patenteado (bioconversão única) que remove todos os fatores antinutricionais do produto, proporciona aos animais uma valiosa fonte de aminoácidos e energia, gerando uma composição equilibrada para uma dieta saudável, melhorando o desempenho. Além disso, minimiza 16

o estresse pós desmame, com alta palatabilidade e digestibilidade. “O uso do Hamlet Protein garante o pleno potencial de crescimento animal, com máxima rentabilidade e produtividade”, revela Paulo Portilho, diretor da Auster Nutrição Animal.

Paulo Portilho é diretor da Auster Nutrição Animal


55/Brands

FARMABASE: SOLUÇÕES DE ALTA PERFORMANCE EM SAÚDE ANIMAL. Disponibilizamos uma ampla linha de produtos que atende às mais diferentes necessidades da produção de aves e suínos com eficácia e segurança. Nossos produtos estão posicionados dentro de cinco categorias de acordo com sua atuação: Entéricos, Sistêmicos, Biossegurança, Saúde e Desempenho, Antiparasitários. Conheça melhor nossos produtos, suas novas embalagens e nosso novo site: farmabase.com.br

Entéricos Tratamento e controle de enfermidades entéricas.

farmabase.com.br

Sistêmicos Atua em diferentes tecidos.

Biossegurança Controle de vetores e desinfecção.

Saúde e desempenho Melhoria de desempenho ou terapia de suporte.

Antiparasitários Controle de endoparasitas.

Soluções de alta performance em saúde animal. junho 2013 / edição 76

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PORK NEWS

CASP comemora os resultados conquistados na Agrishow 2013

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em dúvida a 20ª edição da Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) que aconteceu em Ribeirão Preto/SP, entre os dias 29 de abril e 3 de maio, foi a melhor e mais movimentada dos últimos anos. Em comparação as edições anteriores do evento, o volume de clientes e potenciais compradores atendidos no estande da CASP foram muito superiores, o que reforça o bom momento vivido pelo mercado e a necessidade dos produtores em investir em sistemas de armazenagem, afim de, melhorar a qualidade final de seus produtos e reduzir o déficit de armazenagem nacional, comenta Jader. Durante os cinco dias de feira, a CASP fechou vários negócios e protocolou várias propostas junto as instituições financeiras. Além da linha de equipamentos para armazenagem de grãos a CASP aproveitou para expor também suas linhas de equipamentos para avicultura e suinocultura. “Eventos como a Agrishow são ótimas oportunidades para estreitar o relacionamento da companhia com seus clientes e reforçar a marca”, afirma Everton Gardezan – Marketing CASP.

Everton Gardezan – Marketing da CASP

AGRINESS participa de 1º Seminário Provimi de Suinocultura na Colômbia

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o dia 8 de maio, a Agriness participou do 1º Seminário Provimi de Suinocultura na Colômbia. Junior Salvador, sócio proprietário da Agriness, ministrou uma palestra sobre modelo de gestão para o Máximo Potencial Produtivo em Suinocultura. “Nós da Agriness, ao longo de 12 anos, estudamos e testamos modelos de gestão para a suinocultura. Fomos para a Colômbia para passar nosso conhecimento sobre essa metodologia que desenvolvemos e, com isto, desejamos ajudar a suinocultura deste país, assim como viemos ajudando muitos clientes no Brasil a obterem excelentes resultados”, contou Salvador. O objetivo do evento foi difundir conhecimentos e tecnologia para aumentar a competitividade das empresas suinícolas da Colômbia. Ele fez a abertura ao 2º Congresso Nacional de Suinocultura, que aconteceu entre os dias 9 e 11 de maio, ambos na cidade de Medellín. A Agriness esteve presente no stand da Provimi para apresentar seus produtos e soluções.

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Junior Salvador, sócio-proprietário da Agriness


55/Brands

FARMABASE.COM.BR: UMA NOVA PLATAFORMA DE SOLUÇÕES. Nosso novo site foi desenvolvido para que você tenha facilidade no acesso e navegação, proporcionando visualização rápida e direcionada de nossa linha de produtos e serviços. Desta forma, você terá as informações necessárias de uma maneira clara e objetiva.

farmabase.com.br

Soluções de alta performance em saúde animal. junho 2013 / edição 76

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PORK NEWS

Bayer anuncia a chegada de novo diretor para a área de Saúde Animal

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Bayer HealthCare, divisão da Bayer S.A. que comercializa medicamentos voltados à saúde humana e animal, nomeou Sergio Schuler para o cargo de diretor da área de Saúde Animal no Brasil. O executivo passa a ser responsável por importantes marcas das áreas de Animais de Companhia, que comercializa produtos para cães e gatos, assim como do segmento de Animais de Produção, com soluções para aves, suínos, aquacultura e bovinos. Sergio Schuler iniciou a sua carreira na Bayer em 2005 como gerente global de marcas nutricionais na Suíça, mantendo-se ainda à frente dos negócios da companhia na área de Consumer Care – medicamentos isentos de prescrição médica – em países como Itália e Irlanda. Formado Biotecnologia pela ETH Federal Institute of Technology em Zurique, na Suíça, possui ainda mestrado em Administração pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. Antes da Bayer, Sergio Schuler atuou em companhias como a Roche e a A. Andersen.

Sergio Schuler é diretor para a área de Saúde Animal da Bayer

Novus International, Inc. recebe prêmio pela linha de minerais orgânicos MINTREX®

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Novus International, Inc. recebeu através da empresa Frost & Sullivan, o Prêmio de Excelência 2012 de produto diferenciado em nutrição animal para a linha de minerais orgânicos Mintrex ®. Potenciais candidatos ao Prêmio, são avaliados em uma escala de 1 a 10 usando o seguinte conjunto de critérios: 1) características únicas e funcionalidade, 2) qualidade e complexidade, 3) customização, 4) sintonia com as necessidades do mercado e 5) Percepção da Marca. Os produtos da linha MINTREX receberam uma nota geral de 9,4 superando o concorrente mais próximo por 20

2,4 pontos. Os produtos da linha MINTREX são classificados como uma fonte de minerais orgânicos diferenciada. Os minerais orgânicos quelatados MINTREX, incluindo zinco, cobre e manganês, são quelatados com HMTBa (metionina), criando uma forte ligação entre o ligante e o metal. Isso proporciona uma maior biodisponibilidade e maior estabilidade no sistema digestivo, maximizando a utilização dos minerais pelo animal.

Logotipo da linha de minerais orgânicos premiada em 2012


Big Dutchman aprimora tecnologias e promove intercâmbio de profissionais

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niciado no mês de abril em Calveslage, Alemanha, o treinamento da Big Dutchman com funcionários teve como propósito aprimorar as tecnologias e trazer para o Brasil conhecimentos específicos sobre produtos e novas tendências do mercado. Na parte de assistência técnica, Leonardo Santiago foi treinado para lidar com os sistemas Viper Touch, controlador de ambiência, BigFarmNet, software de gestão, e Callmatic, sistema de alojamento coletivo para suínos. Fernando Ratamero, do setor de atendimento para o mercado de Postura Comercial foi treinado para aprimorar conhecimentos sobre as estruturas dos equipamentos destinados aos aviários da área, como o Univent UV 600 e o Start UV 680, esteiras coletoras de ovos, painéis de controle e sistemas de climatização. Com treinamento completo – duração de duas a quatro semanas – os profis-

sionais da Big Dutchman voltaram ao Brasil para auxiliar os avicultores e suinocultores com os conhecimentos adquiridos.

Leonardo Santiago, um dos profissionais enviados para Alemanha

TOPIGS do Brasil realiza atualização genética na Argentina

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om o objetivo de realizar uma atualização genética de sua filial na Argentina, a TOPIGS do Brasil realizou no primeiro bimestre deste ano, a exportação de 36 suínos machos de alto valor genético. A modernização na Argentina é feita anualmente devido ao núcleo brasileiro apresentar uma atualidade genética mais frequente. Segundo o Gerente Técnico/Geneticista da TOPIGS do Brasil, André Costa, a Argentina não consegue importar sêmen e por isso é conectada ao Brasil. “O núcleo brasileiro importa sêmen congelado do Canadá, Espanha e, ainda este ano, importará da Holanda”, afirma. Para a realização do transporte da carga viva foi utilizado o transporte terrestre – em três meses, incluindo a quarentena – através da transportadora Transportes e Comércio Comelli Ltda. De acordo com o diretor geral da empresa, Jóster Macedo, o transporte aéreo tornaria o processo oneroso e o modal terrestre é mais utilizado pela empresa.

André Costa, Gerente Técnico/Geneticista da TOPIGS do Brasil junho 2013 / edição 76

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PORK NEWS

JBS compra unidade industrial da BRF por R$ 200 milhões

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JBS firmou um contrato com a BRF de R$200 milhões para aquisição de unidade de suínos, localizada no município gaúcho de Ana Rech. Em 2011 o ativo foi dado à BRF como garantia de uma dívida pela francesa Doux Frangosul. Com o contrato a JBS se compromete a adquirir ativos biológicos – cerca de 491 mil suínos – e a Granja André da Rocha (RS). Em comunicado à Comissão de Valores

Mobiliários (CVM) as duas empresas informaram que dos R$ 200 milhões, R$ 120 milhões são referentes à unidade de Ana Rech e à Granja André da Rocha (RS). Os valores serão pagos em 50 parcelas mensais e consecutivas de R$ 4 milhões, sendo que a primeira vence seis meses após a data de assinatura dos contratos definitivos. Para concluir a operação, as empresas precisam da autorização prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o CADE.

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dicos, pelo quadro social e também os Conselhos das duas Cooperativas, para darmos um passo seguro na história da Copérdia”, declarou Bordignon. De acordo com Marcos Zordan, presidente da Ocesc, com a incorporação “os associados podem ter certeza de que vão ganhar muito com a incorporação”. Com a incorporação da Coperio, a Copérdia passa a ser a segunda maior cooperativa de Santa Catarina com 16.799 associados e 1.068 colaboradores com um faturamento anual acima de R$ 800 milhões.

Copérdia incorpora a Cooperio Cooperativa Rio do Peixe (Coperio) de Joçaba foi incorporada no começo do mês de maio pela Copérdia após anos de estudos e reuniões entre os associados. Segundo Valdemar Bordignon, presidente da Copérdia, a lentidão no processo foi necessária para garantir a segurança dos associados e da Copérdia. “O caso foi avaliado junto a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Osesc) e Aurora, estudado por assessores jurí-

Por unanimidade, associados decidem a incorporação da Coperio pela Copérdia 22


Indústria da carne está otimista com possibilidades de novos mercados

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mercado de carne suína, no primeiro quadrimestre de 2013, manteve-se instável em decorrência das barreiras não comerciais levantadas pela Rússia, Ucrânia e Argentina. Mesmo assim, o setor está otimista com a possibilidade de retomada das exportações, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne), Clever Pirola Ávila. Em relação ao mesmo período de 2012, ocorreu queda nas exportações nesse quadrimestre, porém, as indústrias apostam na recuperação. “Retornaremos brevemente o nível de vendas com a volta da Ucrânia”, prevê o dirigente. A Missão Ucraniana – que esteve no Brasil recentemente – declarou ter aprovado o que viu, tanto no modelo brasileiro de sanidade animal e inspeção, quanto também na tecnologia disponível nas agroindústrias. A expectativa do Sindicarne para o segundo semestre deste ano é a reabertura da Ucrânia e o início dos ne-

gócios com o mercado japonês. A Rússia, entretanto, ainda é uma incógnita.

Presidente do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne), Clever Pirola Ávila

Produtores-destaques da Aurora ganham viagem à Brasília

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Coopercentral Aurora divulgou os vencedores do Prêmio Produtor-Destaque Suicooper III de 2012. Os produtores rurais Agostinho José Presotto, Gentil Sgnaulin e Dirceu Jacó Hoffmann foram os escolhidos entre os produtores por apresentarem um melhor desempenho entre os critérios pré estabelecidos pelo regulamento. O Prêmio tem como objetivo valorizar os suinocultores com melhor desempenho e maior índice de inovação e agregação de tecnologias. Entre os critérios de avaliação estão conversão alimentar, mortalidade na propriedade, mortalidade no transporte, infraestrutura da propriedade, aplicação do método “suíno ideal” e a fidelidade ao sistema cooperativista. Os produtores são indicados pelas cooperativas de acordo com o número de cooperados/ associados à Coopercentral Aurora Alimentos, onde depois são visitados para avaliação final.

Ganhadores do prêmio produtor-destaque e suas respectivas esposas em Brasília junho 2013 / edição 76

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PORK NEWS

Preço do suíno vivo tem alta de 13,0%

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erca de 50 dias após o embargo da Ucrânia, os preços do suíno vivo e da carcaça reagiram. A movimentação de início de mês colaborou para a reação dos preços. Em São Paulo, o suinocultor recebe R$52,00 por arroba, alta de 13,0% nos últimos oito dias. No atacado, a carcaça especial é negociada por R$4,20/kg, valorização de 2,6% em relação à semana anterior. Apesar do bom

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ritmo dos negócios, as exportações recuaram. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o volume total embarcado em abril foi de 36,52 mil toneladas métricas, 23,7% menos que no mesmo período de 2012. No varejo, o consumidor paga R$15,98 pelo quilo do lombo, valorização 4,2% na comparação semanal. Com oferta e demanda ajustadas, o repasse dos preços firmes da granja pode afetar o consumo final.

CNA comemora a aprovação da MP 595 Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) comemorou a aprovação, pelo Congresso Nacional, da Medida Provisória 595, que amplia a competitividade da nossa produção, permitindo investimentos privados na construção de novos portos. A modernização dos portos é uma bandeira do setor produtivo e uma antiga reivindicação da presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, que ao longo dos últimos sete anos, desde sua chegada ao Senado, trabalhou para aprovar este projeto. O agronegócio, que representa 40% de todas as exportações do Brasil, tem sido o grande penalizado pelo esgotamento da capacidade dos nossos portos. “Agora, podemos ter a tranquilidade de aumentar nossa produção porque nossas exportações estarão garantidas

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de forma eficiente. A aprovação desta MP, amplia a capacidade dos nossos portos, pondo fim aos prejuízos que têm sido impostos ao agronegócio Brasileiro”, comemora a senadora Kátia Abreu.

Presidente da CNA, senadora Kátia Abreu

Governo vai reduzir ICMS para suinocultores Governo de Santa Catarina anunciou uma medida emergencial para os suinocultores do estado. O Decreto Nº 1.560, de 22 de maio 2013, concede a redução da base de cálculo do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) sobre as operações de venda de suínos vivos para fora de Santa Catarina. O imposto foi reduzido de 12% para 2%, com validade de 30 dias contados a partir da publicação. Essa medida foi adotada atendendo reivindicações dos suinocultores, representados pela Associação Cata24

rinense de Criadores de Suínos (ACCS), e da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca para fazer frente à queda nos preços pagos ao produtor nos meses de abril e maio, consequência das dificuldades de comercialização. De acordo com o secretário-adjunto de Estado da Agricultura, Airton Spies, as dificuldades atuais que resultaram em preços ao produtor abaixo do custo de produção devem ser passageiras. “Por esta razão, a desoneração tributária foi feita por prazo determinado e limitada à saída de suínos vivos para abatedouros de outros estados. O efeito esperado é que haja uma reação dos preços pagos ao produtor em Santa Catarina”, disse o secretário-adjunto.


Embarque soma 29,4 mil toneladas nas quatro primeiras semanas de maio

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s exportações de carne suína do Brasil renderam US$ 81,1 milhões nas quatro primeiras semanas de maio, com média diária de US$ 4,8 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 29,4 mil toneladas, com média diária de 1,7 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 2.755,60. Entre abril e as quatro primeiras semanas de maio, houve uma alta de 20,3% no valor médio exportado, uma elevação de 29,4% na quantidade e uma baixa de 7,1% no preço médio. Na relação entre maio de 2013 e o mesmo mês de 2012, houve baixa de 17,2% no valor total exportado, perda de 18,9% na quantidade total e valorização de 2,1% no preço médio. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

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SC poderá exportar US$ 200 milhões em carne suína ao Japão

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governo de Santa Catarina anunciou no fim do mês de maio a abertura do mercado japonês à carne suína produzida no Estado. O país asiático reconheceu Santa Catarina como livre de aftosa sem vacinação após cerca de sete anos de negociações. De acordo com comunicado publicado no site do governo catarinense, o embaixador do Brasil no Japão, Marcos Galvão, confirmou, na noite anterior, a liberação da carne suína do Estado. Pedro de Camargo Neto, ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria, Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), que iniciou as negociações com o Japão, afirmou que “a formalização da abertura do mercado para as exportações de carne suína de Santa Catarina conclui um ciclo de muito trabalho”, que envolveu os governos federal e estadual, produtores e agroindústria. A abertura do mercado japonês, segundo Camargo Neto, “muda a suinocultura” no país, já que deve alavancar as vendas da carne suína produzida em Santa Catarina. A estimativa é de que o Brasil possa exportar entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões ao mercado japonês.

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PORK NEWS

JAPÃO autoriza compra de carne suína catarinense

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diário oficial do Japão publicou informação de que as autoridades sanitárias do país autorizaram a importação de carne suína de Santa Catarina. A informação foi transmitida ao governador Raimundo Colombo pelo embaixador do Brasil no Japão, Marcos Bezerra Abbott Galvão, durante o 45º Encontro Lojista em Blumenau (SC).Segundo o governador, é uma excelente notícia porque o Estado estava trabalhando há décadas para conquistar o mercado japonês, maior importador

do mundo de carne suína e o que melhor paga, cerca de 30% mais do que os outros mercados importadores do Brasil. A abertura desse mercado é um sonho de 50 anos, comentou Colombo. Santa Catarina é o único Estado a obter a licença porque é área livre de febre aftosa sem vacinação reconhecida pela OIE, a Organização Internacional de Saúde Animal. Essa diferenciação foi obtida com um longo trabalho de controle sanitário, desenvolvido pelo governo do Estado, por meio da Cidasc, com apoio do setor privado e pecuaristas.

Custos de produção de frangos de corte e suínos caem ao nível mais baixo

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s custos de produção de frangos de corte e de suínos calculados pela Embrapa Suínos e Aves de Concórdia (SC), unidade descentralizada da empresa de pesquisa agropecuária vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento recuaram 4,12% e 0,17%, respectivamente, em abril. O ICPFrango/Embrapa chegou aos 143,45 pontos, enquanto o ICPSuíno/Embrapa fechou o mês em 154,79 pontos, menores valores dos dois índices desde junho de 2012. No ano, o custo de produção de frangos de corte acumula queda de 20,33%, influenciado principal26

mente pela baixa nos gastos com a ração das aves (-21,11% em 2013). Já o custo de produção de suínos chega a -14,23% nos quatro primeiros meses de 2013, também reflexo da diminuição dos gastos com a ração dos animais (-15,43%).A nutrição representou, em abril, 67,54% dos custos de produção dos frangos de corte e 74,69% dos custos de produção de suínos.As informações completas, incluindo os custos de produção nos principais Estados produtores do país estão no site da CIAS, a Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa, no endereço www.cnpsa.embrapa.br/cias.


SC: Exportações para o Japão devem ser iniciadas em 90 dias

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abertura do mercado japonês para a carne suína de Santa Catarina, anunciado oficialmente no final de maio, cria expectativas positivas para a agroindústria barriga-verde. Há cerca de dez anos as indústrias, os produtores rurais e o governo desenvolviam gestões diplomáticas e comerciais com esse objetivo. “O Japão é um dos maiores compradores mundiais e é a melhor alternativa para a carne suína”, ressaltou o presidente da Coopercentral Aurora Alimentos Mário Lanznaster, ele acredita que em 90 dias podem iniciar os primeiros embarques, se os contatos comerciais tiverem êxito. Uma comitiva japonesa virá ao Brasil para visitar as indústrias do Estado e orientar que tipos de cortes os japoneses desejam. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) indicará as indústrias que serão vistoriadas. Lanznaster confirmou que a unidade FACH1 da Aurora, em Chapecó, já está habilitada para exportação para o Japão.

Gaúchos planejam estoques de milho para alimentar aves e suínos

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s suinocultores e avicultores gaúchos encaminharão ao Ministério da Agricultura documento com a programação de suas necessidades de milho para este ano, visando subsidiar o Governo Federal para a elaboração do planejamento de estoques. A medida foi acertada em reunião realizada no fim do mês passado, com a presença do secretário adjunto da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Claudio Fioreze, além de representantes do Ministério da Agricultura, Sindicato da Indústria de Produtos Suínos (Sips), da Associação Gaúcha de Avicultura. A medida, segundo Fioreze, possibilitará que o Governo evite o desabastecimento daquelas cadeias produtivas, tendo em vista que o país terá um excedente de produção superior a 30 milhões de toneladas, devendo exportar a metade na forma de grãos e utilizar o restante formar estoques de passagem e alocação interna, visando suprir os estados que têm carência, como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O planejamento das necessidades de milho será feito em reunião conjunta das Câmaras Setoriais do Milho, de Suínos e de Aves, a ser promovida no mês de junho pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio. junho 2013 / edição 76

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PORK NEWS

UDG Fraiburgo: o maior centro de disseminação de genes da América Latina

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om investimento inicial de R$ 10 milhões, a Agroceres PIC inaugurou no dia 21 de maio em Fraiburgo, no interior de Santa Catarina, a maior Unidade de Disseminação de Genes (UDG) da América Latina, com capacidade para até 700 machos, a Agroceres PIC inova com o conceito de genética líquida, uma tendência mundial na produção de carne suína. “A maior região de produção de suínos é Santa Catarina. Fomos a Fraiburgo porque precisávamos estar perto de nossos clientes, mas também distantes para evitar qualquer tipo de comprometimento sanitário, ou seja, por uma questão de biossegurança. Fraiburgo não tem tradição de produção de suínos, mas está perto de cidades produtoras. Não há outra granja em um raio de 10 km”, ressalta Alexandre Furtado da Rosa, dire-

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tor superintendente da Agroceres PIC. Amanda Pimenta Siqueira, supervisora de serviços técnicos da Agroceres PIC, conta detalhes sobre as inovações e tecnologias na nova central. “O galpão de reprodutores é 100% climatizado e a temperatura e umidade do ambiente são controladas. A temperatura na parte interna é de alto conforto para os animais proporcionando bem estar. Para a questão de biossegurança foram instalados filtros de ar que são muito utilizados na América do Norte como uma barreira para agentes infecciosos. Esses filtros são novidades no Brasil. Dentro da unidade há outro galpão, com espaço para machos que serão descartados por questões de idade avançada ou que se machucaram”, afirma. Na UDG Fraiburgo, toda coleta e processamento do sêmen são automatizados. “O coletador automático facilita a questão de higiene durante a coleta


Alexandre Furtado da Rosa, diretor superintendente da Agroceres PIC

e minimiza riscos de contaminação”, comenta. A estrutura do laboratório fica afastada do galpão onde é realizada a coleta dos reprodutores. Após a coleta, o ejaculado é enviado através de sistema pneumático (65 metros) de modo a evitar contaminação e trânsito de pessoas de uma área para outra. “No laboratório toda parte de análise é automatizada, com avaliação computadorizada do ejaculado, minimizando riscos de avaliação subjetiva, e de se entregar uma dose sem a concentração adequada e recomendada. Isso serve para se ter maior precisão e qualidade do produto”, completa a supervisora. Uma das principais preocupações da empresa é ter um controle preciso do que está acontecendo desde a produção até o transporte das doses de sêmen. “Para acompanhar a produção e qualidade das doses temos um sistema que permite o monitoramento e rastreabilida-

de, chamado Prisma. Ele permite avaliar mais precisamente o sêmen ejaculado, registra todos os dados do animal e até o número de doses enviadas para cada cliente. Além disso, para o envio das doses inseminantes, temos um sistema de acompanhamento que registra a temperatura durante todo o período de transporte e assim evita a oscilações de temperatura”, afirma. Diante deste quadro, Alexandre Rosa ressalta que a genética líquida não é apenas um sistema comercial de aquisição de sêmen e sim um mecanismo mais eficiente de vender e entregar valor genético aos produtores brasileiros. “A qualidade genética dos animais utilizados para reprodução em uma granja de suínos é uma decisão fundamental. Afinal, ela afeta tanto o custo de produção quanto o faturamento, fatores determinantes para rentabilidade do negócio da suinocultura”, finaliza o executivo. junho 2013 / edição 76 29


FRASES

“Você tendo uma organização do comércio forte, só ajuda. Então nós esperamos que a experiência dele ajude a fortalecer a OMC”, do ex-presidente da Abipecs, PEDRO DE CAMARGO NETO, SOBRE A ELEIÇÃO DO BRASILEIRO ROBERTO CARVALHO DE AZEVÊDO COMO DIRETOR-GERAL DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC).

“São propostas que não criamos ontem, tudo é baseado em experiência. E esse é o momento de fazer grandes mudanças pelo grau que a agropecuária se encontra hoje”, DA PRESIDENTE DA CNA, SENADORA KÁTIA ABREU, SOBRE SUGESTÕES DE MUDANÇAS NAS REGRAS DO PLANO AGRÍCOLA E PECUÁRIO 2013/2014.

“E como tudo que afeta o consumo se reflete na cadeia produtiva, por consequência, há impactos para as empresas”, DO PRESIDENTE DA BRF, JOSÉ ANTONIO DO PRADO FAY, SOBRE A INFLAÇÃO

“As dificuldades foram superadas em soluções e respostas customizadas. Resultado disto é que saímos fortalecidos em nossas relações com clientes”, DO DIRETOR DA DIVISÃO DE TECNOLOGIA ANIMAL DO GRUPO M.CASSAB, MODESTO MOREIRA, SOBRE A CRISE DO SETOR EM 2012.

“É preciso estar preparado para esse crescimento, principalmente em áreas imprescindíveis como a sanitária, ambiental e bem-estar do animal. É necessário trazer novas possibilidades para o nosso produtor, até mesmo para minimizar custos”,

DO DIRETOR EXECUTIVO DA ACRISMAT, CUSTÓDIO RODRIGUES, SOBRE O POTENCIAL DO MATO GROSSO PARA SER O GRANDE PRODUTOR SUÍNO NO BRASIL EM MÉDIO PRAZO

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“Tanto pode ser benéfico, em momentos de crise, como negativo, quando os preços estiverem valorizados e o governo desovar o seu estoque, desembolsando um valor mínimo, utilizando como prerrogativa o marco regulatório”, DO VICE-ADMINISTRATIVO DA ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DOS SUINOCULTORES (APS), JACIR DARIVA, SOBRE O PREÇO MÍNIMO DO SUÍNO.

“Hoje, o produtor já trabalha com prejuízos, sem margem alguma. O custo de produção está na casa de R$ 2,65 e, mesmo com a baixa do preço do milho e o farelo de soja, o custo não está abaixo disso”, do presidente da Acsurs, VALDECIR FOLADOR, SOBRE A QUEDA NO PREÇO DO SUÍNO VIVO.

“A competência das indústrias em reorganizar a oferta da carne para outros destinos começou a respingar de maneira positiva. A expectativa é que o mercado volte a se organizar e os preços subam”, DO PRESIDENTE DA ACCS, LOSIVANIO DE LORENZI.

“É importante mantermos programas rigorosos de biossegurança, especialmente em relação à quarentena de animais de reposição. Esta é a única forma de minimizarmos os riscos de contaminação dos nossos rebanhos”, DO DIRETOR TÉCNICO DA NUTREMINAS, JOSÉ RENATO MARINHO MONTEIRO.

“A importância da rastreabilidade é garantir a busca de dados dos produtos, tanto da matéria-prima utilizada quanto do produto final”, DO GERENTE DE OPERAÇÕES DA FARMABASE, PEDRO ABBADE.

“Eu acredito que a inflação não vai escapar do controle. O governo está atento e é prioridade da presidente Dilma Roussef”, DO PRESIDENTE DO BNDES, LUCIANO COUTINHO.

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Conheça a importância histórica da carne suína e quais são as estratégias de atuação para garantir o desenvolvimento da atividade por GIOVANA DE PAULA 32

fotos DIVULGAÇÃO


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carne suína se constituiu ao longo da história uma das mais importantes e nobres fontes de proteína da humanidade. Em um breve relato histórico, vemos que na Grécia Antiga, esse alimento tornou-se o prato principal dos cidadãos e pessoas que habitavam as suas póleis ou pólis que conhecemos como Cidades-Estado, tais como Atenas, Corinto, Tebas e Esparta. Nesta última pólis, onde a cultura era altamente militarizada, os seus cidadãos se reuniam em refeições coletivas onde o alimento principal era a carne suína. O poeta Homero que viveu oito séculos antes de Cristo, narra nas suas duas obras principais “Ilíada” e “Odisséia”, principalmente nesta última, como os guerreiros gregos consumiam esse alimento antes das suas lutas. Uma das grandes riquezas de Ulisses, herói da Odisséia, era a sua criação de suínos no seu reino de Ítaca. A presença suína é muito intensa nas páginas dessas obras-primas da literatura universal, segundo pesquisa apresentada pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, um dos principais Estados produtores da proteína animal no Brasil. Ainda segundo a pesquisa, na Idade Média (4761453), a carne suína continuou a ser um alimento fundamental e a mais importante base proteica dos europeus. Os cavaleiros feudais, Templários e Hospitalários, como parte das Cruzadas, na longa luta pela Terra Santa, levavam a carne suína como base fundamental de sua alimentação. Não é por outra, que o italiano Umberto Eco narrou na sua grande obra ‘O Nome da Rosa’ como os monges medievais dos mosteiros do norte da Itália se reuniam para recomporem suas energias com esse importante alimento. Nessas Eras a criação de suínos, apesar de sua importância, não havia ainda assumido os contornos de suinocultura porque não se tinha o viés econômico. No Brasil, os primeiros suínos foram trazidos pelos colonizadores portugueses, mas foi com a chegada dos imigrantes alemães, italianos e poloneses no século XIX é que os produtos de base suína se tornam uma verdadeira atividade econômica importantíssima em várias regiões do País. É ilustrativo que a maior fortuna do Brasil, por muito tempo, foi construída pelo imigrante italiano Francesco Ma-

tarazzo (1854-1937), comercializando banha-de-porco para todo o Brasil a partir de São Paulo. Não devemos esquecer que a saborosa banha-de-porco era a base para o cozimento dos demais alimentos quentes, sendo substituído com o decorrer do tempo pelo azeite vegetal. Podemos afirmar que a suinocultura é a atividade que garante a manutenção e existência das pequenas e médias propriedades dos homens e mulheres rurais de muitas Regiões, principalmente na Região Sul do Brasil. Ela se constitui desse modo no pilar do desenvolvimento econômico e social dessas regiões através da geração de renda, emprego e qualidade de vida. Assim, nos tempos atuais, a suinocultura, com o melhoramento genético dos planteis, que torna a carne suína ainda mais saborosa e saudável, vem a se constituir em uma das mais importantes fontes de desenvolvimento do nosso meio rural e base econômica de muitos municípios. Todo este histórico se reflete na qualidade da carne produzida atualmente. Após muitas pesquisas, estudos e uma constante melhoria, conforme aponta a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína - a Abipecs - nos últimos anos, os produtores de carne suína corresponderam à demanda do consumidor apresentando uma carne mais magra, através de mudanças na criação, alimentação e controle genético. Na verdade, os seis cortes mais comuns da carne suína estão 16% mais magros e 27% mais pobres em gordura saturada que há 15 anos. As últimas pesquisas confirmam que as gorduras totais, a gordura saturada, o colesterol e as calorias do suíno magro são comparáveis, favoravelmente, ao frango sem pele. Por exemplo, 100g de lombo de suíno aparado tem 2,98g de gorduras totais comparados com 3,03g de gorduras totais do peito de frango sem pele. A riqueza da carne suína em macronutrientes e micronutrientes tem provado seus efeitos benéficos na saúde humana, dando suporte ao controle de peso e beneficiando a atuação cardiovascular. A carne suína é fonte de proteínas de alto valor biológico (por possuir todos os aminoácidos essenciais) e de alta digestibilidade.

“A carne suína se constituiu ao longo da história uma das mais importantes e nobres fontes de proteína da humanidade”. 34


Desafios da Suinocultura Mesmo diante dos benefícios do consumo da carne suína, no Brasil, o setor enfrenta crises cíclicas que atrapalham seu desenvolvimento econômico. Fatores como a perda de competitividade, gerada pelos altos custos de produção, a necessidade de aumento do consumo interno – segundo a Abipecs, o volume comercializado internamente em 2012 foi quase o mesmo do ano anterior, em torno de 2,8 milhões de toneladas e o consumo per capita permaneceu ao redor de 15 kg por habitante/ano – além das dificuldades na abertura e manutenção das exportações são a ‘pedra no sapato’ dos suinocultores. Vale ressaltar a importância das exportações para a Suinocultura. As exportações brasileiras de carne suína renderam US$ 1,49 bilhão em 2012, crescimento de 4,2% sobre o ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne (Abipecs). Em volume, as ven-

das externas subiram 12,6% em relação a 2011, somando 581,4 mil toneladas. Já o preço médio da carne suína exportada no ano passado caiu 7,4%, para US$ 2,5 mil a tonelada. A Ucrânia foi o principal destino das exportações brasileiras de carne suína em 2012, se considerado o volume. O país europeu comprou 138,7 mil toneladas de carne suína do Brasil, ou 23,8% das vendas externas no ano passado, uma alta de 124,71% em relação a 2011. Rússia e Hong Kong vieram em seguida, com a importação de 127 mil toneladas e 124,7 mil toneladas de carne suína, respectivamente. No ano passado, os russos responderam por uma fatia de 21,85% das exportações brasileiras de carne suína. Hong Kong contribuiu com 21,45%. Os estados que mais exportaram em 2012 foram Santa Catarina (207.772 toneladas), Rio Grande do Sul (174.245 toneladas), Goiás (71.477 toneladas) e Paraná (54.469 toneladas).

Consumo interno Com olhos voltados para o aumento da carne suína no mercado interno, o Ministério da Agricultu-

ra lançou no final de 2012 a “Semana Nacional da Carne Suína”. A iniciativa – promovida pela Asso junho 2013 / edição 76

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CAPA ciação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), com apoio do Mapa e da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) – pretende amenizar a crise que afeta o setor da suinocultura brasileira por meio do incentivo ao consumo de cortes suínos. A campanha, realizada ao longo de 2013, atinge supermercados de todo o País. O objetivo é organizar a cadeia produtiva em torno do projeto e garantir maior espaço para a carne suína nas gôndolas do varejo. Segundo o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, o lançamento da campanha é uma conquista para o setor, uma iniciativa que poderá trazer resultados representativos para o consu-

mo da proteína. A expectativa é conseguir, no futuro, inserir essa data no calendário dos brasileiros. Uma das metas é incluir a carne suína definitivamente na cesta de compras dos brasileiros e alcançar o consumo médio de 18kg per capita até o final de 2015. Para isso, a campanha pretende aprimorar a apresentação dos produtos nos pontos de venda e capacitar profissionais de açougues a desenvolverem novos formatos de cortes, em tamanhos menores, mais saborosos e saudáveis, de acordo com as características desejadas pelos consumidores atuais.

Opiniões

E para saber como o mercado está enfrentando o atual momento da Suinocultura, a PorkWorld ouviu algumas personalidades do setor.

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setor está passando por uma consolidação com muita pressão em cima dos pequenos produtores. A crise do ano passado com baixos preços da carne e alto preço dos insumos resultou em falta de capital de giro. O futuro da suinocultura no Brasil vai depender da capacidade de controle dos custos e também do crescimento do mercado consumidor, basicamente no mercado interno. A genética TOPIGS está presente para ajudar os produtores na diminuição de custos de produção, com grande foco em eficiência alimentar e baixo custo do animal terminado. Outro fator que já está sendo discutido no Brasil é a eficiência e produtividade da mão de obra. A TOPIGS tem investido muito na pesquisa em características de habilidade materna e vitalidade para que os animais se desenvolvam de forma independente, exigindo cada vez menos atenção por parte do quadro de funcionários da granja. Em um futuro recente, as granjas brasileiras precisarão atingir padrões de custo e produtividade das melhores do mundo para que consigam competir no mercado global. A genética TOPIGS está produzindo os animais do futuro, proporcionando aos produtores diminuição dos custos, alto desempenho e ganho de produtividade.” 36

Jóster Macedo - Diretor Geral da Topigs do Brasil


“A suinocultura é a atividade que garante a manutenção e existência das pequenas e médias propriedades dos homens e mulheres rurais de muitas regiões, principalmente na Região Sul do Brasil”.

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Daniel Pigatto – Diretor Superintendente da Tectron

principal desafio para o mercado neste 2013 é retomar o equilíbrio financeiro desestabilizado em 2012, quando os custos de produção ultrapassaram os preços de venda por um número de semanas e meses além do financeiramente suportável e do tradicionalmente vivido por empresas frigoríficas que criam animais dependentes de grãos comprados no mercado. Segundo, retomar a confiança do sistema bancário, demonstrando que as atividades estão voltando ao patamar de lucratividade histórico, e portanto, merecedoras de crédito. Em terceiro, manter a lição de casa de máxima produtividade a baixo custo, normalmente visualizados através do melhor ganho de peso diário atrelado ao menor valor de conversão alimentar possível”.

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grande desafio da Suinocultura Brasileira é aumentar o consumo interno e a participação no mercado externo, que precisa ser mais consistente. Ainda em relação ao mercado interno, a população tem mostrado uma resposta muito boa quanto ao consumo, por meio do Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura, campanhas e trabalho da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos, mas ainda precisamos de mais união da cadeia. Questões relacionadas à biossegurança, sanidade, bem-estar animal, uso racional de antimicrobianos, mão de obra e custos de produção são pontos de alerta e precisamos agir de maneira proativa, estar preparados para atender as demandas do consumidor e deixar de ser reativos. Além disso, estamos vivendo uma nova realidade com elevados custos de alimentação, barreira cambial para exportação, aumento do custo logístico e tributação, o que exige a busca de aumento de produtividade e investimentos em tecnologias aliadas aos pontos citados e a outras tendências futuras. Nada que estamos debatendo atualmente é novo, mas precisamos ser mais efetivos para explorar o potencial que temos de ser o grande produtor e exportador de carne suína”.

Evandro Poleze – Zoetis, Gerente Unidade Negócios Suínos junho 2013 / edição 76

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CAPA

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s principais desafios do setor de produção animal estão todos do lado de fora da produção. O Brasil sofre muito com a alta carga tributária em toda a cadeia. Desde os insumos até o produto final. Impostos em cascata aterrorizam as empresas e oneram demais o custo das carnes e ovos. Muito difícil explicar para as empresas estrangeiras como são formados os preços das matérias primas importadas. Na minha opinião, o nosso maior desafio é como se tornar competitivo dentro de um esquema tributário irracional. Outro grande desafio, que também está do lado de fora do setor produtivo, é a precária situação das nossas estradas e a falta de infra estrutura portuária. Se pudéssemos tirar os gastos com transporte de toda a cadeia, desde os grãos até a carne, além do custo com liberação dos produtos nos portos, com certeza esta fonte de proteína animal chegaria às mesas dos brasileiros a preços melhores, e, automaticamente aumentaria o consumo, trazendo incentivos de aumento da produção aos sofridos produtores brasileiros. Para finalizar, como terceiro ponto, destacaria a importância das pessoas nas organizações. Como é importante que os empresários cada vez mais se voltarem às pessoas como principal elo da cadeia produtiva. As empresas precisam ter bons produtos, boas instalações, boa política entre outros fatores, no entanto precisam ter pessoas comprometidas e felizes em todas as áreas. E para isso políticas de gestão com pessoas devem ser instaladas nas organizações para cuidar do seu bem maior: sua equipe!”

Chin Hyung Yu, Gerente de Novos Negócio - Biogenic

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mercado de carne suína sofre influência direta das exportações, por mais que o consumo interno tenha respondido as ações de estímulo ao consumo. Este equilíbrio é vital para o crescimento do segmento. Assim como no ano que se passou, o custo das matérias-primas pode se tornar um grande desafio, pois ficou claro que as commodities estarão dependentes do mercado internacional. Além deste fato, o transporte é o fator que tem um grande peso na economia. O seu peso na atividade é crescente e impacta diretamente no equilíbrio da atividade”.

Reinaldo Kato Gerente de Vendas – Uniquímica 38


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CAPA

“Os produtores de carne suína corresponderam à demanda do consumidor apresentando uma carne mais magra, através de mudanças na criação, alimentação e controle genético”.

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esafios: o principal e mais importante desafio da nossa suinocultura é mercadológico, apostar tudo no mercado interno. Não vamos falar que os problemas da suinocultura brasileira são: Mão de obra, cada vez mais especializada, instabilidade nos custos de produção, do empobrecimento da classe produtora, a tendência natural é produção em alta escala, da sanidade ou da genética. Estes fatores em grau maior ou menor estarão sempre presentes, se melhoramos um fator, podemos piorar o outro. Precisamos ter o discernimento e a constatação que em todas as atividades e em quase todos os países de produção intensiva , o fator escala será sempre o grande divisor de águas, ou se ganha mais com escala ou abandonamos o processo. Infelizmente esta é a realidade de SC, um estado com pequenas propriedades que está sofrendo muito mais que os demais. É assim no leite, em aves e não poderia ser diferente em suínos. Como vamos crescer em vendas em um ambiente onde a expansão da produção/vendas é quase controlada? Parece estranho tudo isto. Temos um mercado externo que é limitado, o número de países compradores é cada vez menor. O tamanho do mercado comprador é de aproximadamente seis milhões de toneladas, nós já exportamos quase 600 mil isto significa 10 %. O que podemos fazer? Já estamos fazendo muita coisa boa com o PNDS, mas precisamos fazer muito mais, voltar todas as fichas para o mercado doméstico. Como passar dos atuais 15 kg por habitante/ano para algo em torno dos 45 kg, média dos países europeus. Temos muito trabalho pela frente. Vejam que interessante: o consumo de carne suína no Sul e Sudeste é muito maior que 15 kg, existem projeções que calculam em 30 kg, mas o Brasil é um país continental, e as demais regiões também fazem parte deste contexto. Quais são estes fatores que fazem aumentar o consumo de carne suína no Brasil? O principal é a popularização da carne em todos os sentidos, principalmente no preço e nas campanhas de marketing 40


Cláudio Jorge Kracker, Diretor Administrativo/InstitucionalVetanco do Brasil

da carne. O papel da mídia local é fundamental, lembram que a popularização do consumo da carne de aves deu-se no governo Fernando Henrique, onde o kg de frango custava um real. Aonde se produz se consome mais. O fator local é fundamental, no Sul, principalmente, onde estão as maiores integrações de aves e suínos, além da influência dos povos de descendência europeia que consomem mais carne suína, especialmente nas comemorações especiais. O que precisamos fazer com mais ênfase para contribuir para a popularização do consumo: • Redução de custos de produção da cadeia produtiva, aumentando a escala (sobrevivência do setor); • Política de incentivos/subsídios para a manutenção de preços competitivos para as matérias-primas básicas (milho e soja); • O agronegócio brasileiro, que tem na avicultura e na suinocultura dois setores fundamentais para o país, não tem a força que deveria ter nas esferas governamentais. Precisamos falar de uma governança comprometida com este setor fundamental da economia brasileira; • Maior envolvimento político institucional com a aprovação do preço mínimo para a carne suína (em andamento); • Maior envolvimento do setor empresarial, produção (grandes grupos) com as grandes redes supermercadistas; • Desenvolvimento de um grande trabalho de MKT da carne em todos os níveis e segmentos da população (atingir o público alvo)”. junho 2013 / edição 76

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CAPA

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Suinocultura precisa continuar constantemente a buscar abertura de novos mercados e ampliar sua exportação, principalmente quando falamos de mercados como Ucrânia, Rússia e Hong Kong. Além disso, é fundamental ampliar estes mercados mas com sustentação. Os problemas logísticos também influenciam enormemente o Agronegócio no Estado de Mato Grosso, além da nossa “Unidade de Padrão Fiscal” (UPF Unidade Padrão Fiscal é um indexador que corrige as taxas cobradas pelos estados brasileiros, como IPVA, ICMS), que aumenta em demasia os impostos aos produtores e à sociedade em geral”.

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egundo os dados de pesquisa o mercado de carne terá acesso a novos mercados neste próximo semestre. Realmente é o que esperamos. Com margens cada vez mais reduzidas, principalmente os setores de aves e suínos, tem sido difícil superar a crise que os acometem há mais de dois anos. Atualmente a suinocultura passa por um momento delicado em todos os sentidos. O setor encontra-se com pouca reserva para investimentos devido as próprias dificuldades que vem ultrapassando nos últimos anos devido aos baixos preços de venda, alto custo de produção, margens cada vez mais reduzidas e pouca disponibilidade de mão de obra. Para acompanhar essa situação existe necessidade de investimentos na área de produção como instalações, automação de sistemas de alimentação e limpeza, comedouros, equipamentos que permitam otimizar recursos que envolvem todo sistema de produção suína. Sem dúvida, existem ofertas de trabalho, porém, pouca disponibilidade de pessoas com adequadas características que possam preencher essas vagas. A palavra de ordem é ‘gestão’, à qual se deve aprender a conviver com a atividade com margem de lucro cada vez mais reduzidas. O impulso e a intuição que movia o setor na tomada de decisão tornaram-se itens que devem ser criteriosamente controlados. Atualmente as exigências são muito mais constantes havendo necessidade de estudar e planejar cada investimento. Implantar e administrar estratégias que permitam ser viáveis dentro de prazos programados. Investimentos, valor de capital, ajustes e revisões são parte do processo que se deve manter constantemente em foco. Enfim, o modelo de gestão mudou devido a própria demanda e assim temos que nos enquadrar dentro dessa exigência que é a realidade dessa dinâmica atividade. Atualmente sabemos que existem muitos problemas no nosso país dos quais não estão em nos42

Custódio Rodrigues de Castro Júnior, Diretor Executivo da Associação dos Criadores de Suínos do Mato Grosso – Acrismat

sas mãos a capacidade de solucioná-los, como por exemplo, logística e infra estrutura o que encarece os custo de produção de nossos produtos. Profissionalmente, há necessidade de profissionais muito mais completos tanto tecnicamente como conhecedor do modelo de gestão que existe em cada empresa. Sendo essencial compreender o sistema, ter visão de mercado e aprender atuar nas áreas de oportunidades. Na produção o fundamental é encontrar parcerias que viabilizem todo processo”.

Maria Nazaré Lisboa, Médica Veterinária da Consuitec


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COOPERATIVAS

Cooperxanxerê: presente em toda a cadeia de produção Ainda jovem, a cooperativa tem fábricas de ração, frigorífico de suínos, unidades reprodutoras e, em 2012 lançou a Satiare Alimentos

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por THAÍS CRUZ fotos DIVULGAÇÃO

undada em janeiro de 1997 a Cooperxanxerê iniciou suas atividades no mercado com multiplicação, inseminação e terminação. Sediada em Xanxerê, no estado de Santa Catarina, há quatro anos a cooperativa conta também com seu frigorífico próprio e, mais recentemente, no ano passado, lançou a marca Satiare Alimentos. Aos 16 anos, a Cooperxanxerê teve um único presidente até então: Américo Piaseski, que falou à PorkWorld sobre a produção, estrutura e projetos da cooperativa. “Nosso grande diferencial é que conseguimos trabalhar sempre com um ótimo custo benefício. No caso do milho, por exemplo, adquirimos dos nossos cooperados e associados, o que resulta em estoque para seis meses de produção, facilidade e custo 20% menor no transporte dos produtos até a nossa sede em Xanxerê. Assim, agregamos valor ao produto final que chega aos consumidores”, afirma. De acordo com ele, em 2013 a meta da Cooperxanxerê é aumentar o abate de suínos em 20% e para 2014 o objetivo é alcançar a marca de abate de 1.800 animais por dia. “Nossa intenção é aproveitar a demanda do mercado externo e pa44

ra isso estamos trabalhando. Temos investido, justamente, na infraestrutura, principalmente na área de frios, nas câmaras de estocagem, entre outras”, explica. Os produtos do Frigorífico Unibon são comercializados para 12 países e os principais destinos do mercado externo são Hong Kong e Ucrânia. Já no Brasil o principal mercado do Unibon é o estado de São Paulo. A Satiare Alimentos ainda não exporta seus produtos, que são comercializados somente no mercado interno. “Os principais produtos da Satiare são salsicha, linguiça, mortadela, presunto e bacon. Em apenas 8 meses desde que a marca foi criada, conquistamos uma boa aceitação e estamos trabalhando para abrir novos mercados. O importante é entregar qualidade aos consumidores”, conta o presidente da Cooperxanxerê. Para acompanhar o ritmo de crescimento do setor, a Cooperxanxerê está sempre em busca de novas tecnologias e aperfeiçoamento, procurando inovar com produtos diferenciados e de qualidade. Além disso, a cooperativa prioriza a atualização e conhecimento constante de seus funcionários e cooperados, através da participação em congressos, feiras, palestras, entre outros eventos.


Suinocultura Américo Piaseski também falou sobre as expectativas para o setor em geral. “A suinocultura é um trabalho difícil. Toda a nossa cadeia tem bastante dificuldade. Nós da Cooperxanxerê, como estamos bem estruturados, acreditamos que vamos ter um futuro melhor já em meados deste ano e em 2014”, avalia. “Acreditamos que após o mês de maio, com as temperaturas mais baixas, o consumo de carne suína no mercado interno deve aumentar. Também temos boas expectativas para a abertura da exportação para o Japão ainda neste ano. O ritmo é de recuperação, a meta é restabelecer o mercado com a Ucrânia e alavancar a suinocultura brasileira”, finaliza.

Posicionamento no mercado Segundo André Luís Peliciolli, responsável pelo Departamento Comercial da Cooperxanxerê, o diferencial de mercado da cooperativa é a atuação em todas as fases de produção englobadas. “Temos a produção de material genético, sêmen para os integrados em quatro unidades e três granjas multiplicadoras, plantel alojado (que tem cerca de 100 mil animais), produção de ração em

duas unidades, o frigorífico de abate de suínos e a indústria de alimentos”, destaca. “Além disso, outro fator que nos diferencia é ter unidade de recebimento e estocagem de milho em Dourados (MS), que garante para aquela unidade milho a custo diferenciado para toda a produção anual e abastece também a fábrica da matriz no período de entressafra em Santa Catarina”, acrescenta. André explica que a principal estratégia comercial da Cooperxanxerê é atuar na área de industrializados. “A finalidade é não ficar mais refém do mercado de suíno vivo e de carcaça, que são mercados muito voláteis. Nosso maior objetivo é consolidar a marca Satiare, com novos produtos, qualidade e agilidade na entrega. Buscando uma fatia do mercado de embutidos tais como: presuntos, salsichas, mortadelas, salames e cortes especiais”, justifica. Ainda segundo o profissional, todos os esforços da cooperativa estão voltados para otimização da produção na Satiare e, neste momento, os investimentos estão direcionados à unidade de industrializados. “Inclusive, após a aquisição da Satiare adiamos o lançamento do site com domínio Cooperxanxerê, que já estava sendo desenvolvido na área de marketing. A Satiare tem um site (www.satiare.com.br) e o que vamos fazer é trabalhar para desenvolver algo integrado”, afirma.

Acima, Fábrica de Ração em Xanxerê (Santa Catarina)

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COOPERATIVAS

Frigorífico Unibon No Frigorífico Unibon são abatidos 1.064 suínos e desossados 300 animais por dia

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Em abril de 2002 o Unibon iniciou suas atividades com abate de 100 suínos por dia, além da prestação de serviços. Em junho do mesmo ano começou também a realizar o abate e desossa de matrizes para a Seara, conforme conta Lauri Lorenzetti, Diretor Comercial do Frigorífico Unibon. “Com o passar do tempo evoluímos, ampliando estrutura com abates próprios e vendas de carcaças no mercado interno. Alcançamos em 2003 a marca de 400 suínos abatidos diariamente”, fala. O Frigorífico Unibon obteve, em 2004, a habilitação para exportação e na mesma época iniciou a desossa e venda de cortes (matérias-primas). Mais uma vez, a empresa ampliou as instalações em 2006 e aumentou a capacidade de abate e desossa para 700 e 200 suínos/dia, respectivamente. “A Cooperxanxerê, que já era sua maior fornecedora de suínos, comprou o Frigorífico Unibon em abril de 2009”, lembra o Diretor Comercial. Com 240 funcionários, atualmente na unidade são abatidos 1.064 suínos e desossados 300 animais em um único turno.

Lauri explica que o processo de produção compreende a recepção de suínos, desossa e carregamentos, das 6h às 10h, e os abates, das 11h às 15h48. De acordo com ele, os produtos do Unibon são comercializados nos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e exportados para países da lista geral e do Mercosul. “Os nossos diferenciais são a qualidade na mão de obra, produtos diferenciados com rastreabilidade e flexibilidade nas entregas”. Lauri Lorenzetti também adiantou que está sendo negociada a abertura de novos mercados externos, como o Japão, por exemplo. “Nós estamos localizados no estado de Santa Catarina, sendo livre de aftosa sem vacinação, portanto estamos aguardando a liberação deste mercado para atender aquela demanda de cortes. Estamos projetando algumas modificações em nossa planta prevendo conquistar este importante mercado, pois temos suínos próprios em Santa Catarina com 100% de rastreabilidade”, ressalta.


Fábrica de Ração Tendo as atividades iniciadas juntamente com a fundação da Cooperxanxerê a Fábrica de Ração completa 16 anos em 2013. Com capacidade máxima de produção de 18 toneladas por hora, atualmente são produzidas cerca de 260 toneladas de ração por dia, 5.920 toneladas por mês, chegando a aproximadamente 70 a 75 mil toneladas ao ano. Segundo Cleder Homero Racha Ferreira, zootecnista e responsável pela Fábrica de Ração Cooperxanxerê, ao todo são 14 funcionários trabalhando na unidade, incluindo operacional e gerência. “O trabalho na fábrica funciona 18 horas por dia. Eu, como zootecnista, acompanho diretamente a programação, produção e operações”, diz. “A ração é composta basicamente por milho e soja, que são as principais matérias-primas e também as que mais impactam em custo de produção. Há também outras matérias-primas como farinhas de carne e farinhas de sangue, minerais como calcário e foscálcio, aminoácidos e premix, que é um composto de vitaminas e minerais. Ainda há a inclusão de subprodutos como farelo de arroz e gérmen de milho, que na formulação entram em partes para a redução de custo, mas pode variar dependendo da oferta e demanda”, explica. Conforme o zootecnista, o processo inicia-se na compra das matérias-primas de fornecedores qualificados, cujo estoque deve estar sempre atualizado para não interferir na produção. “A produção é quase toda automatizada e a fase mais manual é o abastecimento dos silos. As

etapas básicas são abastecimento, pesagem das matérias-primas, pré-mistura, moagem, mistura, armazenamento e transporte”, detalha. Ele destaca a importância de a cooperativa ter sua própria Fábrica de Ração. “A Cooperxanxerê tem um grande número de integrados associados que, de certa forma, são nossos clientes. Consequentemente há também um número grande de animais a campo, tanto em produção, crescimento e terminação, que dependem da fábrica de rações diariamente para a máxima eficiência produtiva dos animais. A qualidade da ração fornecida aos suínos está diretamente relacionada com sua máxima eficiência produtiva, afetando os custos e ganhos ao final do processo produtivo”, acredita. Cleder ainda ressaltou os diferenciais da ração produzida na unidade da Cooperxanxerê. “A fábrica produz para diferentes etapas dos ciclos produtivos, garantindo qualidade e produção eficiente. Seus integrados estão basicamente em um raio de 40 Km da unidade, o que garante entrega rápida. Presente em todas as etapas de produção dos suínos da Cooperxanxerê, a ração ajuda a garantir a qualidade dos produtos desenvolvidos. Com aquisição da Satiare, fechamos o ciclo de produção que vai da reprodução até o processamento e embalagem da carne. Isso nos remete uma nova visão de mercado, buscando certificações de qualidade e rastreabilidade das matérias-primas, rações, animais e processos, visando agregar valores em busca de mercado”, conclui.

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COOPERATIVAS

São seis os quesitos mais importantes na CCPSS, conforme mostra o quadro abaixo Biossegurança: Este é um ponto que tem atenção especial em todas as unidades da Cooperxanxerê, pois é uma exigência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que a atividade esteja amparada de uma boa barreira sanitária e respeite as distâncias mínimas de segurança de outras granjas de suínos, farinheiras (carne, pena e osso) e frigoríficos. Recebimento e cuidados com os animais: Estes animais são de grande potencial genético e isso os torna também de altos valores de aquisição, podendo variar de R$ 6 mil para cima. Então, temos pessoas capacitadas a conduzilos e treiná-los de forma que não haja prejuízos, ocasionando descartes precoces ou até mesmo a morte destes animais que não chegaram a completar sua vida útil (cerca de 2 anos). Pois, um macho deve se pagar com o volume de sêmen que produz em sua vida útil e, além disso, é claro, gerar lucro para que a empresa se mantenha na atividade. Sala de alojamento dos animais: Um sistema automático de climatização do ambiente oferece tranquilidade e conforto aos animais. A alimentação é de qualidade e servida em quantidades que suprem a necessidade do animal para que ele tenha condições de ser um bom produtor de sêmen. E também tem água a vontade, obedecendo os níveis aceitáveis de potabilidade. Sala de Coleta: É climatizada proporcionando conforto, bem-estar, sem ruídos que venham a distrair ou amedrontar os animais que estão sendo coletados. Os manequins são posicionados de forma que os funcionários que irão conduzir os animais e, ou, coletar o sêmen, ofereçam segurança e não tenham problemas ergonômicos que venham a afetar gradativamente a saúde dos mesmos. Outro ponto decisivo na vida útil de um animal em produção é um treinamento correto no salto ao manequim, uma coleta eficiente e com um mínimo de contaminação dos ejaculados coletados. Hoje em dia com os coletores automáticos aumentou bastante a eficiência do trabalho. Sala de Higienização e Purificação de Água: O processo todo tem uma dependência muito grande, da qualidade de uma boa higienização dos materiais usados para a manipulação. E a qualidade da água também é indispensável para as garantias de validade do sêmen e padronização de toda a produção. Para isso, monitoramos diariamente os níveis de condutividade e PH, os quais devem seguir os padrões exigidos dentro do processo.

Laboratório de Manipulação: Foi projetado para ser de fácil limpeza, climatizado e com espaço suficiente para atender todo o processo. Desde o estoque de materiais usados na manipulação, até a expedição das doses para a portaria. É composto de vários equipamentos de altíssimo valor como:

• Software – Usado para o controle geral da unidade, que serve para calcular volumes a serem produzidos de cada ejaculado, controle e programação de cada animal a ser coletado, controle de qualidade das doses e alterações morfológicas dos resultados laboratoriais. Enfim, é o responsável pela coleta de dados e exposição dos relatórios que serão usados para o gerenciamento de toda a CCPSS. • Microscópio - Utilizado basicamente para visualização da % de mobilidade das células no ejaculado puro, pós-diluição e avaliações de todos os ejaculados para acompanhamento da validade de uso a campo. • Espectrofotômetro - Que serve para medir a concentração em milhões de células por ml no ejaculado, que depois será usado no cálculo do número de doses (3 bilhões de células/dose). • Balanças de Precisão - Para a medição do volume em Kg do ejaculado e diluente. • Barrilete de Aquecimento - Usado para aquecer, mantendo o diluente estável e em condições de fazer a diluição com o sêmen puro. • Envasadora – Para o envase temos um equipamento de bom rendimento para na atrapalhar os processos anteriores. Acontece a dosagem e selagem dos frascos que normalmente o volume equivale a 90 ml para inseminações normais e 50 ml (1,8 bilhões/ dose) para inseminações pós-cervical. Também ocorre a identificação da dose como, por exemplo, validade, número do macho doador, registro da CCPS, entre outras. • Conservadora – Após o envase, o sêmen fica armazenado a uma temperatura entre 15 a 18 graus centígrados, em conservadoras específicas para sêmen até a hora do transporte. Onde deve ficar em descanso pelo menos duas horas após o processamento. • Transporte – Para todas as unidades existe uma logística padrão de entrega do sêmen direto nas granjas UPL ou UPD. O serviço é terceirizado e as doses são transportadas em caixas climatizadas especialmente confeccionadas para esta função de manter a temperatura exigida, desde a expedição na CCPSS até o produtor, que também possui um conservador dentro da propriedade.

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“Também temos boas expectativas para a abertura da exportação para o Japão ainda neste ano. O ritmo é de recuperação, a meta é restabelecer o mercado com a Ucrânia e alavancar a suinocultura brasileira” Sêmen Suíno A Cooperxanxerê ainda conta com as Unidades de Produção de Sêmen (UPS) ou Centrais de Coleta e Processamento de Sêmen Suíno (CCPSS). De acordo com o Coordenador de CCPS Suíno, Valdenir Luiz Jaques, elas são unidades que centralizam o processo de produção de sêmen, que no caso da Cooperxanxerê é da espécie suína. “Dentro das centrais ocorrem várias etapas, desde o cuidado com os animais que fornecem o material genético via sêmen, a coleta, a avaliação microscópica, a diluição, o envase, a identificação da dose e a expedição, além de todo o cuidado com limpeza, higiene e controle de qualidade das doses”, enumera. O coordenador lembra que as atividades começaram em 2010,

quando surgiu a oportunidade de produzir sêmen em sistema de parceria com outras empresas que abriram esse tipo de negociação. “A partir daí procuramos nos aperfeiçoar no negócio, que se mostrou atrativo para a ocasião. Antes já tínhamos experiência com Centrais de Coleta de Processamento de Sêmen Suíno dentro de granjas de médio porte e conhecíamos os pontos positivos em atender ao cliente oferecendo a prestação do serviço e, ou, vendendo genética líquida”. Valdenir explica que dentro de uma CCPSS, primordialmente deve-se pensar em biossegurança, boas instalações e equipamentos funcionais, para que haja uma otimização do tempo e mão de obra.

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COOPERATIVAS

“Nosso grande diferencial é que conseguimos trabalhar sempre com um ótimo custo benefício” “Antes de qualquer coisa, as CCPSS são uma necessidade para atender os cooperados produtores de leitões. Ao mesmo tempo, surgiram como oportunidade de atender outras grandes integradoras e assim agregou-se volume ao trabalho já realizado para conseguirmos melhores condições junto aos nossos fornecedores. Também viabilizou a compra das melhores tecnologias para atender a nossos clientes e cooperados”, destaca Valdenir. Ele salienta que a Cooperxanxerê, como todas as cooperativas, visa que seus negócios gerem resultados para seus cooperados, mas, além disso, está sempre preocupada em dar condições de trabalho que ofereçam segurança aos colaboradores que são peças chaves para o sucesso de qualquer atividade. “Para isso rea-

Fábrica de Ração produção de 17 toneladas/hora e 6 mil toneladas/mês de rações, beneficiamento e armazenagem de cereais (5 mil toneladas de produtos a granel e ensacados)

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Frigorífico Unibon Capacidade de abate: 240 suínos/hora, 1064 suínos/dia. Atualmente abate 22.300 suínos/ mês e 268 mil suínos/ ano. Desossa: 250 suínos por dia

Indústria Satiare Com 30 produtos, entre eles linguiças, salsichas, salames, mortadelas, presuntos e cortes especiais e a linha Aqueça e Sirva, fabrica 700 toneladas/ mês e tem capacidade instalada para 2 mil toneladas/mês.

lizamos treinamentos de uso dos EPIs e cursos referentes às situações de risco como trabalho em altura, risco biológico, operador de máquinas, etc. Além de avaliações periódicas pela medicina do trabalho na forma preventiva, buscando a monitoria da saúde dos funcionários, mantendo um padrão melhor da produção, ao diminuir os atestados”, afirma. “Nossa cooperativa busca sempre oportunidades para agregar valor à sua atividade base que é a suinocultura, desenvolvida pelos seus cooperados. Dentro dessa situação todas as possibilidades que surgem são devidamente avaliadas e colocadas em prática, visando manter e desenvolver o homem do campo” finaliza o coordenador da CCPSS.

Fábrica de Ração Capacidade de 13 toneladas/ mês, atualmente produzindo 3 mil toneladas/mês. Beneficiamento e armazenagem de cereais para 15 mil toneladas.

4 unidades de produção de sêmen: Estrategicamente situadas em Xanxerê (SC), Três de Maio (RS), Eneas Marques (PR) e Dourados (MS).


Mercado Principais destinos da exportação: Hong Kong e Ucrânia, além de outros 10 países Principal mercado no Brasil: São Paulo

Fábrica de Ração Produção

Composição da ração

Principais fornecedores (matérias-primas)

5.920 toneladas/mês Milho e soja (principais), farinhas de carne e farinhas de sangue, calcário e foscálcio (minerais), aminoácidos e premix (composto de vitaminas e minerais), farelo de arroz e gérmen de milho (subprodutos). Cargill, Nutron, Auster, Caprini, Alibem e M.Cassab

Centrais de Coleta e Processamento de Sêmen Suíno Unidade

Alojamento (capacidade)

Produção/ano

Operação

Dourados (MS)

140 machos

225 mil doses/ano

6 colaboradores

Enéas Marques (PR)

130 machos

200 mil doses/ano

5 colaboradores

Xanxerê (SC)

180 machos

290 mil doses/ano

7 colaboradores

Três de Maio (RS)

120 machos

195 mil doses/ano

5 colaboradores

TOTAL

570 machos

910 mil doses/ano

23 empregos diretos*

*Números para doses normais ou de 90 ml, podendo aumentar a produção em pelo menos 80% em caso de inseminação pós-cervical (50 ml).

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CARNES

Novo sabor: Satiare nasce com alta tecnologia Marca completa a cadeia produtiva da Cooperxanxerê e oferece aos consumidores diversas linhas de embutidos por THAÍS CRUZ fotos DIVULGAÇÃO

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ma empresa projetada para a grandeza do Brasil, a Satiare nasceu para completar a cadeia produtiva da Cooperxanxerê. Instalada em Nova Prata do Iguaçu, no estado do Paraná, tem mais de 7,8 mil m² de área construída para a produção de embutidos com tecnologia de ponta. Antes a Satiare pertencia à Nova Prata Indústria e Comércio de Alimentos Ltda e estava no mercado com baixo volume de produção. Então, a Cooperxanxerê iniciou, em abril de 2012, as negociações para compra da marca de alimentos, que foram concluídas em 7 de agosto do mesmo ano. “A Cooperxanxerê estava com o projeto em fase de conclusão para a ampliação do Frigorífico Unibon, em Xanxerê, que inicialmente contemplaria a produção das linhas de Linguiças Frescais, Defumados, Temperados e Salgados. Na época precisávamos desenvolver os produtos, buscar pes52

quisas de mercado quanto a aceitação e todo o processo de registro junto ao Ministério da Agricultura e também, agregação de valores nos produtos”, conta João Moacir Mússio, Gerente da Satiare. Segundo ele, o diferencial da Satiare é que o seu empreendimento prima pela preservação do meio ambiente, qualidade de vida, eficácia em rendimento, logística e comercialização de seus produtos. Desde que a Cooperxanxerê assumiu as operações da Satiare Alimentos, a produção diária passou de 10 para 35 toneladas e para 2013 a meta é atingir a marca de 50 toneladas por dia, alcançando a capacidade total de 4 mil toneladas ao mês, em três turnos de trabalho. De lá pra cá também houve aumento no quadro de funcionários da Satiare, que saltou de 140 para 230, número que ainda vai aumentar. “Quando atingirmos nossa capacidade máxima de produção, serão aproximadamente 400 empregos diretos”, diz João Mússio.


Produtos de qualidade Os padrões de qualidade da Satiare se alinham com os europeus e estão entre os mais refinados do mundo. Entre os equipamentos de última geração, a maioria foi importada da Itália, Alemanha, Estados Unidos e Japão, com um sistema de refrigeração que funciona de acordo com os mais altos níveis de produção. Ela se posiciona no mercado para ser a nova opção entre as melhores, como uma marca forte e competitiva, afinada com as exigências dos consumidores em qualidade e inovação. A Satiare trabalha com as linhas de: Linguiças Frescais, Mortadelas, Defumados (Bacon, Calabresa, Costela, Lombo), Cortes Especiais In Natura, Presuntaria, Curados (Salame e Copa) e Salsichas. A marca de alimentos está em fase final de aprovação, junto ao Ministério da Agricultura, para iniciar a fabricação da linha de Cortes Temperados. “Hoje nossos produtos são vendidos para os estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Estamos iniciando negociações com os estados do Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e também para exportação de salsichas para o Oriente Médio e de cortes para os países da Lista Geral”, enumera. Os principais valores da Satiare são: ética, produtos e serviços, compromisso com o negócio e proximidade. De acordo com o gerente, a empresa utiliza estratégias para ampliar suas vendas, entre elas oferecer produtos com qualidade e rastreabilidade total da cadeia produtiva, pontualidade nas entregas e competitividade em preços. “O marketing é fundamental. É através dele que o consumidor tem seu primeiro contato, seja visual ou degustativo, com nossos produtos e com a empresa, conhecendo os conceitos e ideais imbuídos nos produtos Satiare”, afirma.

Processamento João Mússio considera como os aspectos mais importantes da linha de produção de uma agroindústria como a Satiare, em primeiro lugar a qualidade da mão de obra, em segundo (não menos importante) a matéria prima com procedência, e a estrutura física (equipamentos e instalações) compatível ao que se propôs a empresa. Ele também acredita que o maior desafio para os processadores de suínos é agregar valores, fabricando produtos que atendam o desejo e as necessidades do consumidor, com qualidade e preços condizentes com o perfil do

mesmo. O gerente ainda falou sobre as expectativas da empresa em 2013: “Como a Cooperxanxerê desenvolve todas as etapas desde a criação, passando pelo abate e agora com embutidos, prevemos em 2013 obter melhores margens devido à agregação do industrializado. Portanto, nesse ano estamos trabalhando para lançar novos distribuidores e representantes da marca Satiare para alcançarmos um nível adequado de produção ao tamanho da indústria e, ao mesmo tempo, projetar aumento de abate no Frigorífico Unibon, em Xanxerê, para atender a demanda ampliada de matéria-prima na indústria”. “Com a Satiare Alimentos, a Cooperxanxerê definitivamente sai do mercado de commodities e assim chega na ponta do consumidor final com a sua marca própria, onde conseguirá demonstrar que o trabalho realizado por centenas de pequenos suinocultores do oeste catarinense resulta em ótimos produtos, de acordo com as melhores técnicas de produção e realizando uma atividade ambientalmente e socialmente sustentável”, completa.

Acima, João Moacir Mússio, Gerente da Satiare

“Desde que a Cooperxanxerê assumiu as operações da Satiare Alimentos, a produção diária passou de 10 para 35 toneladas” junho 2013 / edição 76

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CARNES

Linha de produção da Satiare

Pilares que sustentam a marca Satiare Alimentos

Relações de confiança, Senso de justiça, Meio ambiente, Transparência e Integridade

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Competitividade, Qualidade, Excelência em processos sustentáveis e Distribuição

Foco em Resultado para o cooperado, Excelência no atendimento a clientes, consumidores e fornecedores

Intimidade, Parceria, Amizade, admiração e energia. Uma nova opção do segmento de alimentos cárneos


junho 2013 / edição 76

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ESTATÍSTICAS

Exportações de carne suína caem 25% em abril e 9% no acumulado do ano por ABIPECS

A

s exportações de carne suína caíram 25% em abril, em relação ao mesmo período de 2012. O Brasil embarcou 35.618 toneladas. Também houve queda na receita de 20,86%. O Brasil exportou US$ 99 milhões no mês passado. No acumulado do ano, as vendas externas de carne suína somaram 156.035 t, retração de 9% na comparação com janeiro-abril de 2012. A receita no período foi de US$ 417,36 milhões, queda de 5,27% ante o primeiro quadrimestre do ano passado. O preço médio internacional da carne suína aumentou 6,06% em abril, para US$ 2.782, em relação a abril

de 2012. De maio de 2012 a abril de 2013, o Brasil exportou 565.775 toneladas e US$ 1,47 bilhão. “O fraco desempenho dos volumes exportados ainda é reflexo do fechamento do mercado ucraniano. Já nas receitas a queda foi menor, como consequência da recuperação dos preços médios de venda. Como tradicionalmente ocorreu em anos anteriores, as perspectivas para o segundo semestre são de recuperação, tanto nos volumes como na receita cambial”, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Rui Vargas.

Aumentos e quedas em abril Entre os principais mercados, o país registrou aumento de exportações, em abril, para a Argentina (1.925 t, crescimento de 307%); para Singapura (2.690 t, elevação de 18%); para Hong Kong (9.633 t, crescimento de 16%), sempre em relação a igual período de 2012. As quedas ocorreram nos embarques para a Ucrânia, de 86% (1.655 t), e para a Rússia, 26% (10.237 t), na comparação com abril do ano passado.

Principais estados exportadores Os principais estados exportadores em volume, no acumulado do ano, foram Santa Catarina (54.211 t), Rio 56

Grande do Sul (48.761 t), Goiás (20.933 t), Minas Gerais (13.668 t) e Paraná (11.184 t).

Principais destinos em abril Os principais destinos das vendas (em toneladas) de carne suína do Brasil, no mês passado, foram: Rússia, Hong Kong, Singapura, Uruguai, Angola, Argentina e Ucrânia. No acumulado do ano, foram Rússia, Hong Kong, Ucrânia, Angola, Singapura, Uruguai e Argentina.


“O fraco desempenho dos volumes exportados ainda é reflexo do fechamento do mercado ucraniano”

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

PRINCIPAIS DESTINOS DA CARNE SUÍNA BRASILEIRA

12 MESES ANTERIORES

MÊS mai/11 jun/11 jul/11 ago/11 set/11 out/11 nov/11 dez/11 jan/12 fev/12 mar/12 abr/12 TOTAL

TONELADA 44.988 52.752 36.104 45.887 41.405 46.200 43.039 36.931 38.177 37.768 47.787 47.734 518.772

JAN / ABR 2013

US$ MIL 126.645 152.134 93.854 122.093 113.852 135.236 130.623 103.747 97.413 96.392 121.552 125.216 1.418.757

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS TONELADA 53.404 43.913 44.243 54.717 60.442 61.742 51.094 40.456 40.118 40.779 39.249 35.618 565.775

TONELADA 42.213 36.333 25.097 11.319 8.394 6.814 6.243 2.816 1.943 1.875 12.988 156.935

PARTICIPAÇÃO 27% 23% 16% 7% 5% 4% 4% 2% 1% 1% 8% 100,00

PRINCIPAIS DESTINOS DA CARNE SUÍNA BRASILEIRA

ÚLTIMOS 12 MESES

MÊS mai/12 jun/12 jul/12 ago/12 set/12 out/12 nov/12 dez/12 jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 TOTAL

PAÍSES RUSSIA, FED.DA HONG KONG UCRANIA ANGOLA CINGAPURA URUGUAI ARGENTINA GEORGIA, REP. DA HAITI EMIR. ARABES UN. OUTROS TOTAL

US$ MIL 138.382 108.397 108.275 134.425 157.648 166.388 137.319 103.651 104.638 108.314 105.329 99.097 1.471.863

JAN / ABR 2013

PAÍSES RUSSIA, FED.DA HONG KONG UCRANIA ANGOLA CINGAPURA URUGUAI ARGENTINA GEORGIA, REP. DA HAITI EMIR. ARABES UN. OUTROS TOTAL

US$ MIL 126.984 89.114 72.687 26.057 21.361 20.505 20.050 5.961 5.026 4.647 24.977 417.369

PARTICIPAÇÃO 30% 21% 17% 6% 5% 5% 5% 1% 1% 1% 6% 100,00

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MERCADO

A política pública e as crises da suinocultura

O papel que a política pública pode ter para reduzir o impacto e a frequência das crises no setor por MARCELO MIELE1 1Economista, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves. 2 Este texto foi elaborado a partir de estudo feito em parceria com o colega Pesquisador Cláudio Rocha de Miranda, e foi encomendado pelo Centro de Estudos e Capacitação em Agricultura Tropical (Cecat) da Embrapa e pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Estas duas instituições estão articulando um amplo conjunto de parceiros para desenhar os cenários futuros da oferta de alimentos no Brasil e o papel da política pública.

E

ste artigo faz uma reflexão de médio e longo prazo acerca do papel que a política pública pode ter para reduzir o impacto e a frequência das crises na suinocultura . Apresenta as especificidades que caracterizam o mercado spot (suinocultura independente) e a integração da produção (suinocultura contratual), bem como a forma diferenciada como as crises têm afetado estes dois segmentos da suinocultura brasileira. Ao final, discute três temas de política pública que têm o potencial de elevar a coordenação e a governança da cadeia produtiva. Estes temas são: defesa da concorrência e geração de informações públicas; gestão do risco e ampliação das opções de mercado.

Características do mercado independente e dos contratos de integração O que caracteriza a suinocultura independente é a possibilidade de negociar e transacionar com diferentes compradores e fornecedores, sem ingerência da agroindústria no processo produtivo. Nesta forma de 58

organização, na qual prevalece a produção em ciclo completo, o suinocultor arca com todos os custos de produção. A receita depende do preço de mercado do suíno vivo (geralmente posto na plataforma de abate) e da bonificação por rendimento de carcaça (Quadro 1). Na integração a agroindústria fornece ração, leitões, reprodutores, insumos, transporte e assistência técnica, enquanto que o suinocultor provê instalações, equipamentos, mão de obra, água, energia e manejo dos dejetos (Quadro 1). Prevalecem os sistemas de produção segregados (UPL + UT). Uma distinção importante a ser feita é quanto à propriedade dos ativos. Enquanto que nos contratos de parceira ou comodato a ração e os animais são propriedade da agroindústria, nos contratos de compra e venda a ração e os animais são vendidos (à vista ou a prazo) pela agroindústria ao suinocultor, o qual venderá sua produção futura à agroindústria. A remuneração do produtor integrado segue critérios de eficiência (produtividade das matrizes e padronização no peso dos leitões em UPL e conversão alimentar em UT) e, em alguns casos, de conformidade às boas práticas de produção (check list). Não se pode afirmar que uma forma de organização seja mais eficiente do que a outra, o que dependerá, em grande parte, dos recursos e competências disponíveis no estabelecimento suinícola. Entretanto, o aumento contínuo na participação das integrações, e o estreitamento do mercado spot,


sugerem que a suinocultura contratual conseguiu se adaptar às mudanças no ambiente econômico com maior facilidade. Entre 2005 e 2010, o número de matrizes integradas com contratos ou vinculadas a uma cooperativa com estrutura própria de abate aumentou em 27%, chegando a 1,1 milhão de cabeças alojadas, ou 67% do rebanho industrial brasileiro. No mesmo período, o número de matrizes do rebanho independente foi reduzido em 1,2% para pouco mais de 500 mil cabeças alojadas, ou 33% do rebanho industrial. Este movimento foi mais intenso na região Sul, na qual o alojamento de matrizes do rebanho independente foi reduzido em 23,4% neste mesmo período, atingindo a participação de apenas 14,4% do alojamento total de matrizes (Abipecs e Embrapa Suínos e Aves).

“Não se pode afirmar que uma forma de organização seja mais eficiente do que a outra, o que dependerá, em grande parte, dos recursos e competências disponíveis no estabelecimento suinícola” Principais críticas aos contratos de integração.

Características dos contratos de integração e do mercado spot.

Contratos de integração Dimensão do contrato

Parceria ou comodato*

Contrato de compra e venda

Sistema de produção

Crescimento e terminação; Produção de leitões

Produção de leitões

Acesso ao Mercado

Garantido

Garantido

Controle da produção

Insumos pagos pelo produtor

Fontes de receita do produtor

Fórmula de remuneração

Agroindústria

Mão de obra; Eletricidade; Instalações e equipamentos; Manejo dos dejetos

Serviço de criação e engorda de animais; Valor fertilizante dos dejetos (NPK) e outros subprodutos

Agroindústria

Mão de obra; Eletricidade; Instalações e equipamentos; Manejo dos dejetos; Ração; Genética; Insumos veterinários

Leitões para engorda; Suínos para abate; Valor fertilizante dos dejetos (NPK) e outros subprodutos

Volume x preço base x índice de eficiência

Volume x preço base + bônus por eficiência ou processo

Mercado spot (independente)

Ciclo Completo Produção de leitões Não garantido

Produtor

Mão de obra; Eletricidade; Instalações e equipamentos; Manejo dos dejetos; Ração; Genética; Insumos veterinários; Transporte e assistência Leitões para engorda; Suínos para abate; Valor fertilizante dos dejetos (NPK) e outros subprodutos Volume x preço de mercado + bônus por rendimento de carcaça

Falta de transparência, sobretudo em relação às estatísticas de preços pagos e aos sistemas de medição de desempenho e classificação que alimentam as fórmulas de pagamento. Fórmulas de pagamento que consideram critérios de eficiência determinados em grande parte por decisões da agroindústria (genética e ração), em detrimento de indicadores de esforço do produtor e consequente desempenho (manejo, ambiência, limpeza e higienização). Falhas logísticas na entrega de ração e outros insumos e no recolhimento de animais. Problemas de qualidade da ração e dos animais entregues (reprodutores e leitões). Exigência contínua de novos investimentos para atualização tecnológica, aumentar a escala de produção e atendimento a novas regulamentações (sobretudo de países importadores).

Tratamento diferenciado por parte dos profissionais da assistência técnica e demais interlocutores nas agroindústrias.

Inexistência de fóruns de negociação e instâncias de mediação.

Transferência ao produtor da responsabilidade pelo correto manejo e destinação dos dejetos.

Fonte: consultas a ABCS e associações estaduais de suinocultores e Fetraf-Sul.

* Conhecidos na literatura acadêmica como contratos de produção.

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MERCADO

Implicações para custos, renda agrícola e rentabilidade da atividade Em termos de valor absoluto, os custos e a receita bruta de um suinocultor integrado com contratos de parceria ou comodato correspondem a aproximadamente 15% daqueles do suinocultor independente ou dos contratos de compra e venda. Enquanto que a ração é o principal item de custo dos suinocultores independentes que atuam no mercado spot (entre 59% e 70% dos custos totais, dependendo do sistema de produção e da relação de preços), entre os integrados com contratos de produção prevalecem os custos de capital, depreciação e mão de obra (74% dos custos totais) (Figura 1). O suinocultor independente opera em um mercado mais especulativo, sem garantias de escoamento da produção e sujeito à conjuntura econômica. Nesse sentido, ele é um tomador de risco. Sua margem bruta de comercialização é determinada em grande parte pelo mercado internacional de carnes e de grãos (milho e farelo de soja), cujos preços altamente voláteis conferem um comportamento cíclico e instável à sua rentabilidade (Figura 2). Os prolongados períodos de margens baixas ou negativas, muitas vezes insuficientes para cobrir os custos de depreciação do capital, alternados por curtos períodos de rentabilidade, têm levado à descapitalização e forte redução no número de produtores independentes, com destaque para os problemas enfrentados pelos mini-integradores na região Sul. A margem bruta do produtor integrado sofre menor influência das condições de mercado, sendo mais constante ao longo do tempo. Os custos apresentam um comportamento mais estável ou tendencial (não volátil), sendo a mão de obra o principal item que pressionou o custo . Não há estatísticas disponíveis para a receita dos produtores integrados, mas se pode afirmar a partir de evidências de campo que um integrado com alta produtividade pode receber até 25,00 R$/cabeça, o que lhe confere uma margem bruta positiva e alta rentabilidade e renda agrícola. Por outro lado, um integrado com baixo desempenho nos sistemas de classificação das agroindústrias recebe entre 7,00 e 10,00 R$/cabeça, valor inferior a seu custo operacional, de aproximadamente 14,09 R$/leitão em UPL e 11,45 R$/cabeça de suíno em UT (ver Comunicado Técnico 497 da Embrapa Suínos e Aves ). O que se verifica é que os contratos garantem o escoamento da produção e, sobretudo, transferem para as agroindústrias integra60

doras os riscos associados à alta volatilidade dos preços no mercado internacional de commodities agrícolas (milho, farelo de soja e carnes). Outras vantagens da integração são o acesso à assistência técnica, a novas tecnologias e ao financiamento agrícola. Por outro lado, o produtor que adere a um contrato de integração perde o controle sobre o alojamento dos animais e o planejamento e gestão da produção, tornando-se um prestador de serviços de reprodução e engorda. Além disso, inúmeras críticas têm sido feitas aos contratos de integração e às práticas de mer-

Opções para a política pública cado das agroindústrias (Quadro 2). Além das políticas públicas ditas sistêmicas (juros, câmbio, tributação e infraestrutura), que incidem sobre o conjunto dos atores econômicos, há também políticas específicas voltadas a problemas pontuais ou setoriais. No texto a seguir e no Quadro 3 são apresentados possíveis caminhos para a política pública reduzir o impacto e a frequência das crises na suinocultura, contribuindo para a sua sustentabilidade. Provavelmente a defesa da concorrência e a geração de informações públicas seja o principal tema, com destaque aos dois Projetos de Lei sobre contratos de integração na agropecuária que tramitam no Congresso Nacional . Estes preveem a criação de instâncias de negociação e mediação e avançam na transparência, agilidade e publicidade de informações. Entretanto, e apesar de serem iniciativas extremamente valiosas e positivas aos produtores, têm tramitado de forma bastante lenta e ainda devem ser mais bem qualificadas, à luz da experiência de outros países. De forma complementar à legislação sobre contratos, é necessário dar publicidade em tempo real para dados sobre alojamento de matrizes, abates, trânsito interestadual de animais, remuneração de integrados (os dados do mercado independente já existem), custos e, sobretudo, do balanço de entradas e saídas das integrações . Outra iniciativa importante seria a criação de um banco de contratos de integração para dar publicidade à estrutura de cláusulas, direitos e deveres dos diferentes contratos utilizados na suinocultura . Para isso, é fundamental uma articulação abrangente e coordenada envolvendo os órgãos públicos pertinentes (IBGE, Mapa, Conab, Embrapa, MDA e inúmeros institutos estaduais de economia agrícola) e as associações e sindicatos de representação das agroindústrias e dos produtores (ABCS, Abipecs e instituições estaduais). A isso, deve-se somar um esforço efetivo de monitoramento de práticas


Figura 1. Composição do custo de produção, Santa Catarina, 2010 (% do custo total).

Figura 2. Evolução da margem bruta do suinocultor independente, Santa Catarina, R$/kg.

suíno vivo custo ração margem bruta

Opções de políticas públicas para reduzir a amplitude e a frequência das crises na suinocultura brasileira.

Tema

Mudanças na legislação e fortalecimento dos órgãos públicos e associações de representação

Inovação tecnológica e formação de capital humano

Apoio e indução de estratégias privadas (conduta das agroindústrias e cooperativas)

Defesa da concorrência e geração de informações públicas

• Votação dos dois Projetos de Lei sobre contratos de integração na agropecuária que tramitam no Congresso Nacional. • Criação de instâncias de negociação e mediação (legítimas, eficientes e recorrentes). • Transparência, agilidade e publicidade de informações. • Monitoramento por órgãos públicos ligados ao Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) de práticas anticompetitivas. • Fortalecimento das associações de representação com seções dedicadas à integração.

• Capacitação sobre o perfil dos contratos (direitos e deveres) e formas de recorrer ao SBDC. • Capacitação e investimento em equipamentos para correta amostragem e análise da qualidade das rações, insumos e animais produzidos que interferem nos coeficientes de desempenho do rebanho e, consequentemente, na remuneração dos integrados.

• Revisão das fórmulas de remuneração e critérios de classificação. • Vincular a duração dos contratos à vida útil dos investimentos. • Aval das agroindústrias nos financiamentos de expansão e atualização tecnológica. • Restrição à venda de animais e carcaça das integradoras no mercado spot.

• Garantia do abastecimento de milho por meio do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP/Conab) e da ampliação da infraestrutura ferroviária entre as regiões Sul e Centro Oeste. • Ampliar a cobertura do seguro agrícola. • Desenvolvimento do mercado futuro da carne suína (BM&F Bovespa). • Fortalecer iniciativas que criam espaços de comercialização e redução da assimetria de informação como as bolsas de suínos.

• Difusão de sistemas informatizados de gestão e de acompanhamento de custos. • Capacitação em gestão de risco e desenho de contratos de venda futura com cláusulas voltadas para a gestão do risco.

• Promover o planejamento da atividade baseado na exploração de sinergias com atividades agrícolas. • Gestão do risco na ração com plantio em área própria ou área arrendada ou por meio de contratos futuros de grãos • Gestão do risco na venda do produto final por meio do abate próprio, de contrato de venda futuro, bolsas de comercialização e BM&F.

Gestão do risco

Gestão do risco Ampliação das opções de mercado

• Desenvolvimento de padrões de qualidade e classificação (inclusive SUASA e indicações geográficas) em paralelo ao desenvolvimento de bolsas de comercialização e leilões. • Programa de compras públicas de produtos finais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA/Conab)

• Capacitação em gestão e estruturação de canais de comercialização. • Desenvolvimento de sistemas de certificação e rastreabilidade e de sistemas de produção diferenciados, para nichos de mercado. • Capacitação para buscar alternativas de diversificação ou reconversão da atividade.

• Fortalecimento das competências gerenciais e aporte de capital e tecnologia para as pequenas e médias agroindústrias e cooperativas (Sebrae, ITAL, Embrapi). • Apoio ao desenvolvimento de marcas coletivas e regionais.

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MERCADO anticompetitivas por parte dos órgãos públicos ligados ao Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) , bem como induzir, por meio do sistema financeiro e do próprio SBDC, mudanças na conduta das agroindústrias para superar as limitações e falhas dos contratos e também possíveis abusos de poder no mercado spot. Do ponto de vista da gestão do risco entre os suinocultores independentes ou mesmo entre pequenas e médias agroindústrias e cooperativas, destaca-se o papel da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que tem atuado para garantir o abastecimento de milho por meio do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP). Entretanto, isto não tem sido suficiente para reduzir a exposição ao risco. É necessário ampliar o uso de mecanismos privados de proteção ao risco como os contratos futuros no mercado de grãos. Do lado do escoamento da produção, assim como ocorre nos EUA, seria pertinente o desenvolvimento do mercado futuro da carne suína, envolvendo instituições como a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa). Também merecem destaque inovações organizacionais como é o caso da Bolsa de Suínos da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG) e de outras associações estaduais. As bolsas de suínos não são um espaço onde as transações são efetivadas, mas onde ocorre a redução da assimetria de informação e a negociação de preços de referência com os pequenos e médios abatedouros, tornando os mercados mais concorrenciais. Em paralelo ao tema da gestão do risco, deve-se pensar em apoiar iniciativas que ampliem as opções de mercado para os suinocultores. Para tanto, é fundamental o desenvolvimento de padrões de qualidade e classificação, bem como o fortalecimento das pequenas e médias agroindústrias e cooperativas que atuam em mercados de nicho ou na prestação de serviços. Deve-se também destacar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA/Conab), uma das mais inovadoras ferramentas públicas de apoio à agricultura familiar, que pode beneficiar um estrato significativo da suinocultura e tem o potencial de se articular com o mercado institucional da carne suína (creches, escolas, presídios etc.) A formação e capacitação da mão de obra e dos agentes tomadores de decisão é outro ponto central, de suporte às demais iniciativas da política pública. Com apoio de órgãos de pesquisa, extensão rural, universidades e instituições específicas como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) há necessidade de articulação de um amplo projeto de capacitação tanto para produtores e suas associações (dentro da porteira), quanto que para pequenas e médias 62

agroindústrias e prestadores de serviços, cooperativas e agroindústrias familiares (fora da porteira). Merece destaque no tema da capacitação, a importância de articular tais ações com as iniciativas em curso como o Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (PNDS) coordenado pela ABCS.

“Para isso, é fundamental uma articulação abrangente e coordenada envolvendo os órgãos públicos pertinentes e as associações e sindicatos de representação das agroindústrias e dos produtores” Considerações finais A severa crise da suinocultura em 2012 teve como pano de fundo o aprofundamento da crise financeira internacional, a crescente volatilidade do preço das commodities agrícolas e atitudes protecionistas de parceiros comerciais como a Argentina e a Rússia. Entretanto, as suas reais causas são estruturais, e estão relacionadas à baixa proteção ao risco na suinocultura independente, às especificidades e limitações dos atuais contratos de integração e, também, à existência de comportamentos especulativos e falhas de planejamento . Estes elementos estiveram presentes em todas as crises que a suinocultura brasileira enfrentou desde a abertura do mercado Russo no início dos anos 2000, período no qual as exportações passaram de 5%, para 20% da produção nacional. Cabe a este texto vislumbrar de forma otimista as possibilidades que podem ser abertas com inovações na política pública. Os mercados agropecuários evoluem e podem ser transformados deliberadamente, passando por novas regulamentações e, sobretudo, por novos mecanismos de incentivo, controle e governança. Nesse sentido, talvez o recurso mais escasso para dar conta deste desafio seja a capacidade de agregar esforços públicos e privados e, sobretudo, mediar conflitos e superar preconceitos.


MANEJO

Ambiente da área de descanso adequado aos padrões de bem-estar

Entenda o manejo dos suínos para promover melhorias no bem-estar dos animais no frigorífico

PARTE 2- SÉRIE- MANEJO PRÉ-ABATE- ÁREA DE DESCANSO por CHARLI LUDTKE*; JOSÉ RODOLFO CIOCCA*; TATIANE DANDIN; PATRÍCIA BARBALHO; JULIANA VILELA, OSMAR DALLA COSTA fotos WSPA-PROGRAMA-STEPS, GERMANO MUSSKOPF E OSMAR DALLA COSTA 64


N

as etapas de manejo pré-abate, o transporte é considerado um dos momentos de maior estresse, devido à interação com humanos, mudanças de ambiente, ruídos, lotação, mistura de lotes e à dificuldade dos animais de se deslocarem sobre rampas no embarque e desembarque. Dessa forma, promover descanso adequado aos suínos traz grandes benefícios em termos de bem-estar e qualidade da carne. O propósito dessa área é permitir aos suínos o descanso e a recuperação do estresse decorrente do transporte, completar o tempo de jejum, realizar a inspeção ante mortem, assim como agrupar um número suficiente de animais para suprir a velocidade da linha de abate. O ambiente da área de descanso deve proporcionar todas as condições que contribuam para minimizar o estresse, mesmo sabendo-se que a maioria dos suínos não consegue se habituar totalmente ao novo ambiente em um curto período de tempo. O tempo de permanência dos suínos na área de descanso sempre foi estimado considerando as necessidades operacionais, sanidade e higiene alimentar. Entretanto, resultados de diversas pesquisas também comprovaram que o longo tempo de descanso influencia negativamente o bemestar animal e a qualidade da carne.

Tempo de descanso x hidratação Ao chegar à área de descanso alguns frigoríficos costumam adotar como procedimento lavar os suínos e submetê-los à dieta hídrica. A dieta hídrica (fornecimento de água) é fundamental para: • recuperar os animais da desidratação causada pelo transporte; • diminuir o estresse térmico pelo calor causado pelo esforço físico e aglomeração durante o transporte; • facilitar a eliminação do conteúdo gastrointestinal para evitar que as vísceras sejam rompidas durante a evisceração e contaminem a carcaça.

Estresse x tempo de descanso

• Carnes DFD (dark, firm, dry- escura, firme e seca); • Contaminação bacteriana no ambiente de descanso. Quando os suínos chegam à área de descanso, tendem a se deitar e descansar do estresse físico causado pela etapa de transporte. Após um período de 2 a 4h, os animais começam a dar sinais de recuperação e a interagir com os demais do grupo. Nesse momento, se deixarmos os suínos expostos por longos períodos de descanso, aumenta o risco de se comprometer o bem-estar e a qualidade da carne. Nessa condição os suínos irão explorar o ambiente e interagir com os demais do grupo, e quando são desconhecidos (mistura de lotes), irão estabelecer uma nova hierarquia social ocasionando brigas, que levam ao gasto excessivo de energia e escoriações na pele.

Tempo de jejum O tempo de jejum é compreendido entre a retirada da última alimentação sólida (ração) na granja até o momento do abate. Durante esse período é essencial que os suínos tenham livre acesso a água. A prática do jejum objetiva atender aos critérios higiênico-sanitários, pois os suínos precisam chegar ao frigorífico com o mínimo de conteúdo gastrointestinal para reduzir riscos de contaminação durante a etapa da evisceração, assim como melhorar o bem-estar e reduzir a taxa de mortalidade no transporte. No entanto, o aumento da mortalidade no transporte em suínos com estômago cheio pode estar relacionado às seguintes causas: • O suíno é um animal monogástrico e se for transportado com estômago cheio poderá haver regurgitação ou vômito e assim provocar asfixia; Escoriações na pele causadas por brigas devido ao longo período de descanso e mistura de lotes

O manejo pré-abate causa muito estresse aos suínos, por isso é necessário que os animais descansem antes do abate. As áreas de descanso devem oferecer um ambiente calmo e tranquilo e um manejo adequado, minimizando ao máximo os fatores estressantes. No entanto, longos períodos nas baias de descanso podem comprometer o bem-estar dos animais e o rendimento da carcaça, assim como aumentar a incidência de: • Lesões provocadas por brigas; junho 2013 / edição 76 65


MANEJO • A circulação durante a digestão é direcionada para o sistema gastrointestinal, sendo que os demais órgãos trabalham com volume de sangue reduzido. Com isso, se os suínos forem expostos a situações de estresse como o transporte, o aporte de oxigênio ao cérebro poderá não ser o suficiente e, não havendo a oxigenação necessária, poderá ocorrer a morte; • Aumento do risco de hipertermia, prejudicando as células cardíacas podendo ocasionar parada cardíaca e morte; • O aumento do estômago pela ingestão de alimentos pode provocar pressão excessiva sobre a veia cava na cavidade abdominal e, com isso, reduz-se o retorno sanguíneo e torna-se insuficiente a circulação e oxigenação dos órgãos vitais insuficiente; • Devido ao aumento do estômago, pode haver pressão sobre o diafragma, causando dificuldade respiratória pela pequena expansão pulmonar e consequente taquicardia. Quando o jejum é realizado de maneira correta, tem-se um impacto positivo no bem-estar e na qualidade da carne. No entanto, para definir o tempo ideal, recomenda-se levar em consideração o tempo de jejum na granja, duração do transporte e período de descanso no frigorífico. O tempo recomendado para a retirada do alimento até o abate não deve ser menor que 12 horas nem ultrapassar 18 horas no total (considerando o tempo de jejum na granja, transporte e no frigorífico). Tempo prolongado de jejum (acima de 24 horas) promove gasto excessivo de energia e perda no rendimento de carcaça, assim como pode provocar aumento nos valores de pH final (24h post mortem) e interferir na qualidade da carne.

Mortalidade durante o transporte- suínos com estômago cheio (conteúdo estomacal – ração e água)

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Tempo de jejum x período de descanso no frigorífico Realizando parte do jejum dos suínos na granja e reduzindo o período de descanso no frigorífico para 2 a 4 horas, os efeitos negativos do jejum ocasionados na qualidade da carne e contaminação da carcaça são minimizados, quando comparados àqueles animais mantidos nas baias de descanso por tempo prolongado. O jejum é de grande importância, principalmente para evitar a contaminação por Salmonella, que é liberada pelas fezes dos animais durante o transporte, continuando sua disseminação e contaminação cruzada nas baias de espera do frigorífico. Com isso, utilizar longo tempo de descanso nas baias no frigorífico poderá intensificar a contaminação por Salmonella devido ao fato de os suínos defecarem constantemente e manter o comportamento exploratório do ambiente, o que ocasiona aumento da contaminação das vias aéreas.

Fornecimento de água durante o descanso Bebedouros devem ser mantidos limpos e com disponibilidade de água

A água é vital para qualquer ser vivo, tornando-se extremamente importante seu fornecimento em todas as baias durante o período de descanso. É responsabilidade de todos que trabalham nessa área oferecer água limpa e em quantidade suficiente para o tamanho do lote, já que os suínos não tiveram acesso à água desde o início do procedimento de embarque. De acordo com a legislação brasileira (Portaria n. 711), os bebedouros devem permitir que, no mínimo, 15% dos suínos de cada baia bebam simultaneamente. A água deve estar disponível o tempo todo. O tipo e a quantidade de bebedouros, a densidade e a qualidade da água irão afetar o consumo para todo o grupo. Por essa razão, é recomendado que os funcionários da área de descanso estejam sempre atentos à disponibilidade de água, ao funcionamento dos


bebedouros, bem como seu posicionamento, porque pode haver animais com risco de desidratação por causa de competição pelos bebedouros ou por dificuldade de acesso a eles. Animais sob condições de desidratação devem ter prioridade no momento do abate e os funcionários que trabalham nessa área devem ser capazes de reconhecer os sinais que esses animais apresentam, tais como: Mucosas secas e pálidas, assim como os suínos alteram o comportamento na procura por água, lambendo superfícies úmidas.

Espaço nas baias de descanso Os suínos precisam de espaço suficiente para expressar seus comportamentos básicos como levantar, deitar, virar e andar, além de terem condições de explorar o ambiente à procura de água. Geralmente esses animais competem por espaço, o que gera estresse e aumento dos níveis de agressividade e brigas. Há poucas informações científicas que indicam o espaço ideal para os suínos na área de espera do frigorífico. Algumas regulamentações preconizam a utilização de uma densidade mínima de:

Separação e mistura de lotes Separação Os suínos que chegam ao frigorífico com sinais de dor e/ou distresse devem ser separados e alojados em baias onde haja maior controle e monitoramento da inspeção. Recomenda-se que seja feita a separação dos suínos que apresentam doenças, problemas de locomoção, prolapsos e hérnias graves, caudofagia, contusões ou ferimentos. Deve-se também separar machos inteiros (cachaços) que podem promover maior agitação e brigas no grupo. A separação desses animais proporcionará melhor avaliação do médico veterinário que realiza a inspeção ante mortem, evitando sofrimento desnecessário.

União Européia: 0,55 a 0,67m2 / suíno (100 Kg) Estados Unidos: 0,5m2 / suíno (100 Kg) Brasil: 0,60m2 / suíno (100 Kg) ou 0,72m2 / suíno (120 Kg)

No Brasil não há recomendações para a densidade no transporte, e a média de peso vivo dos suínos é próxima a 120kg. A recomendação da União Européia é de 235 kg/m² ou 0,425 m² para um suíno de 100 kg e 0,51 m² para um suíno de 120 kg. No entanto, no Brasil deve-se considerar que haja um ajuste da densidade de acordo com a variação entre as regiões devido ao clima (quente ou frio).

Alta densidade nas baias de descanso

Mistura de lotes Misturar suínos de diferentes grupos sociais (lotes) prejudica o bem-estar devido ao aumento de brigas para restabelecer uma nova hierarquia social, principalmente quando o período de descanso é longo (maior que 4 horas). Há países no norte europeu que trabalham com a produção de suínos sem misturá-los desde a maternidade até o abate. Quando não há essa possibilidade, pesquisas mostram que a mistura dos suínos no caminhão apresenta melhor resultado em relação à diminuição de brigas, comparados àqueles que são misturados apenas no frigorífico. Isso ocorre porque durante a viagem, ao invés de os suínos brigarem, focam sua atenção em manter o equilíbrio do corpo e evitar quedas. Quando chegam ao frigorífico, já houve contato com o novo grupo

Suíno com problemas de locomoçãoseparação em baia de emergência

junho 2013 / edição 76

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MANEJO

Briga entre suínos de diferentes lotes na área de descanso

Utilização de nebulizadores para reduzir o estresse térmico por calor nas baias de descanso

Redução do estresse térmico pelo calor Os suínos sofrem naturalmente com as variações climáticas, principalmente em relação ao calor, por ter pequeno número de glândulas sudoríparas, o que dificulta a troca de calor e a regulação da temperatura corporal. Com o esforço físico nas etapas de embarque, transporte e desembarque, o estresse térmico pelo calor aumenta; assim, a área de descanso no frigorífico deve favorecer a perda de calor. Para isso, a área de descanso deve ser coberta e disponibilizar água, ventilação e nebulização.

Considerações finais: • O tempo de descanso no frigorífico deve causar o mínimo de estresse; • Procure manter o ambiente das baias calmo e tranquilo; • Fornecer água limpa e de boa qualidade à vontade em todo o período de descanso. • Disponibilizar espaço adequado nas baias para facilitar a recuperação dos suínos; • Evitar a mistura de lotes diminui brigas e favorece diretamente o bem-estar dos animais e a qualidade da carne; • O tempo correto de jejum, reduzirá a taxa de mortalidade, risco de contaminação e terá um impacto positivo no bem-estar animal; • O tempo de jejum total não deve exceder as 18 horas. * WSPA- Sociedade Mundial de Proteção Animal Rio de Janeiro, RJ Tel.: (21) 3820-8200 Email: charli@wspabr.org

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SANIDADE

Florfenicol para tratamento de doenças respiratórias por JOÃO CARLOS REZZADORI, JULIANE SCHMIDT E FELIPE KOLLER, DA EQUIPE TÉCNICO/COMERCIAL DE SUÍNOS, VETANCO DO BRASIL fotos DIVULGAÇÃO

A

tualmente com o sistema de criação intensiva de suínos, as doenças respiratórias acabam sendo uma grande preocupação para os responsáveis da área, pois causam sérios prejuízos na cadeia produtiva. Elas são consideradas doenças multifatoriais e sua frequência e grau de severidade dependem não somente da característica do agente (ou dos agentes) e da imunidade do rebanho, mas também do ambiente

complicações bronco pulmonares purulentas, e quando ocorrem complicações secundárias com a Pasteurella multocida tipo A, Haemophilus parasuis, Influenza e outros; acabam agravando o quadro patológico. Esta patologia é comum nas fases de recria e terminação e as perdas econômicas decorrentes desta podem chegar a 20% na C.A., e 30% no GPD. As variáveis ambientais e falhas de manejo favorecem sua ocorrência, as principais são: volume de ar/animal menor que 3 m3, lotação

“A Pneumonia Enzoótica, causada pelo Mycoplasma hyopneumoniae, é uma doença crônica infecciosa, muito contagiosa” onde estão os animais. O complexo respiratório está susceptível a uma gama de agentes bacterianos e virais, alguns dos quais com importância primária e outros com importância secundária (Silva, 2005). No caso da Pneumonia Enzoótica, causada pelo Mycoplasma hyopneumoniae, é uma doença crônica infecciosa, muito contagiosa, caracterizada por uma broncopneumonia catarral. Os sinais clínicos são: tosse seca, baixo GPD, alta morbidade e baixa mortalidade, onde geralmente há evolução para 70

superior a 1 suíno/m2, ventilação inadequada, variações térmicas diárias superiores a 8º C, umidade relativa do ar acima de 73% ou abaixo de 65% e falta de vazio sanitário entre lotes. (Fonte: Clínica e Patologia Suína). A pneumonia enzoótica pode ser parcialmente controlada através de antibióticos, sendo importante considerar que aqueles que atuam na parede celular bacteriana são ineficientes frente ao Mycoplasma hyopneumoniae. Uma outra condição importante relacionada aos antibióticos


é que a liberação do princípio ativo no local da infecção deve ser suficiente para atingir o agente, lembrando que o Mycoplasma hyopneumoniae está localizado na camada ciliar das células epiteliais do trato respiratório. Hoje existem vários produtos para o tratamento das doenças respiratórias, entre os princípios ativos usados citam-se as tetraciclicas, quinolonas, pleuromutilinas, lincosamidas, macrolídios e florfenicol. (Suinotec, Lippke M., et al.). Porém muitas vezes, dependendo do agente, somente o antibiótico não terá um resultado positivo. Uma das formas utilizadas para o tratamento de certas doenças respiratórias é a associação da Bromexina com um antibiótico, que no caso, também deve ser eleito de acordo com a sensibilidade do agente. O Florfenicol é um dos antibióticos que apresenta um bom resultado perante os problemas respiratórios, ele é um antibiótico sintético bacteriostático, que age inibindo a síntese protéica bacteriana em nível de ribossomas e penetra facilmente nas células bacterianas, mediante o processo de difusão facilitada. Outro ponto importante para eleição do Florfenicol é que reduz pela metade a possibilidade de ação da enzima acetil transferase, o que o torna menos suscetível a inativação, diminuindo a possibilidade de aparecimento de cepas resistentes; o local de ação sobre as bactérias é mais seletivo, atuando diretamente sobre um receptor, na fração

50S dos ribossomos alterando a função da enzima peptil transferase (Espinasse, 1995). Em situações mais graves o Florfenicol quando associado com a Bromexina aumenta a concentração a nível de pulmão, fazendo com que os animais se recupere mais rápido (ABDOU M., e KOTZIAN J., Ingelheim). Indicado no tratamento de doenças respiratórias: Actinobacillus pleuropneumoniae; Pasteurella multocida, Haemophilus parasuis, Streptococcus suis, Bordetella bronchiseptica e a associação com a Bromexina é indicada principalmente nos casos suspeitos de influenza. CONCLUSÃO - O Florfenicol demonstra uma ferramenta eficiente no tratamento de doenças respiratórias, tem ação em bactérias gram–positivas e algumas gram-negativas. Quando associado com a Bromexina para tratamento de problemas respiratórios graves, age aumentando a concentração do antibiótico nos pulmões, fazendo com que os animais se recuperem de forma mais rápida.

“Porém muitas vezes, dependendo do agente, somente o antibiótico não terá um resultado positivo” junho 2013 / edição 76

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PRODUÇÃO

J.A. Agropecuária: sucesso com inovação e gestão de pessoas Atenção aos colaboradores e inovação marcam o desenvolvimento da J.A. Agropecuária, de Holambra-SP

P

por GIOVANA DE PAULA

fotos GIOVANA DE PAULA

ara uma empresa atingir o sucesso e crescer são variados os caminhos que a levam ao sucesso. Na Suinocultura, também são várias as rotas e trajetos para um bom desempenho econômico. Porém, algumas características se tornam usuais quando abordamos grandes empresas de sucesso do setor. Uma das mais marcantes é o fato de entender uma granja como uma empresa, com regras e estruturas corporativas que a diferencie. Em busca dos rumos que a levaram ao sucesso, fomos conversar com os gestores da J.A. Agropecuária, empresa situada em Holambra-SP. Aldo César de Morais, Administrador da empresa, relatou à Porkworld que em 1950 o pai de Alberto Pedro Van Den Broek e João Gilberto Mario Van Den Broek iniciou as atividades com suinocultura e agricultura. E em 1984 os irmãos Broek assumiram os negócios da família criando a empresa J.A Agropecuária. Hoje a gestão da J.A.Agropecuária é de responsabilidade de Aldo César de Morais que está na empresa a 8 anos e conta com todo o apoio dos sócios-proprietários: Alberto Pedro Van Den Broek e João Gilberto 72

Mario Van Den Broek e equipes. Desde então a empresa atua sob um rígido sistema de gestão e empreendedorismo muito grande. Atualmente a JA Agropecuária atua no agronegócio sendo: suinocultura, agricultura (produção de grãos), flores e plantas (rosas e manacá da serra). E também conta com 3 lojas no comércio de carnes. A empresa J&A Carnes e Cia que comercializa parte da produção de suínos em três lojas nas cidades de Holambra, Jaguariúna e Paulínia, no interior de São Paulo. “Não são somente lojas, gostamos de enfatizar que são ‘boutiques” de carne. Nosso ‘carro-chefe’ é a carne suína, mas também comercializamos carne bovina, aves e outras, sempre com cortes nobres e um atendimento diferenciado e personalizado”, detalhou Morais. “Nosso objetivo é abrir 10 lojas e, após a quinta, abriremos possibilidades de franquias”, afirmou. Atualmente, a J.A. possui 2.100 matrizes suínas, com a produção de 29.5 leitões desmamados/fêmea/ ano. Na UPL, a empresa conta com um funcionário para 130 matrizes até a saída da creche. Na terminação, a J.A. conta com 1 funcionário para 1.800 cabeças


Detalhes da maternidade

“O que é produzido, deve ser medido” Foi com essa frase que Aldo César de Morais, detalhou um pouco mais como é o processo de gestão na J.A. “Aqui tudo o que é produzido é medido e monitorado para melhor tomada de decisões. Todo o processo se inicia com um profundo trabalho de educação dos colaboradores, que recebem inclusive um treinamento de gestão financeira doméstica. Afinal, se ele não souber gerir sua própria vida financeira, como ele poderá entender a importância do custo de produção, do valor de cada produto disponibilizado à produção?”, questiona. “Esse ‘olhar para dentro’ faz toda a diferença”, destaca O resultado desta máxima atenção aos detalhes na produção se reflete na qualidade e na produtividade. “Nossos produtos tem qualidade porque, acima de tudo, são produzidos com amor e respeito ao consumidor. Nossas normas de rastreabilidade garantem a segurança de nossa carne e, dessa forma, podemos afirmar que produzimos um alimento altamente saudável”, afirmou Morais. “Trabalhamos com um sistema de treinamento e atualização muito intenso. Aqui, nossos

Funcionário auxilia leitoa após o parto: garantia de bons índices produtivos junho 2013 / edição 76

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PRODUÇÃO

“Aqui tudo o que é produzido é monitorado. Todo o processo se inicia com um profundo trabalho de educação dos colaboradores”. Acima, Aldo César de Morais, administrador da J.A. Agropecuária

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colaboradores são parceiros de nosso crescimento. Queremos sempre que eles se sintam parte integrante deste processo e, para o seu desenvolvimento, inclusive pessoal, contratamos e desenvolvemos cursos e palestras, formando acima de tudo, melhores seres humanos. Essa é a nossa obrigação com quem realmente faz o sucesso da empresa. A tecnificação é muito importante, mas se não houver o ser humano por trás, nada funciona. Nenhuma empresa cresce e se desenvolve se não implicar sua atuação sob a valorização dos seus colaboradores, “tratar o ser humano como ser humano”, com respeito e valorização formando uma estrutura social, ainda mais em uma atividade como a Suinocultura, que depende de uma mão de obra direta”, explicou. Atualmente a J.A. conta com 175 funcionários em todos os setores da empresa. “São colaboradores que atuam dentro de uma estrutura criada pela empresa prezando principalmente pelos três pilares da sustentabilidade; so-

cial, econômica e ambiental. Somente desta forma conseguimos manter e crescer, inclusive em momentos de dificuldades da Suinocultura”, explicou.

Selo Suíno Paulista, uma consequência do trabalho na granja A obtenção do “Selo Suíno Paulista” pela J.A. em 2011 foi a consequência do trabalho realizado no campo. “Foi uma grande conquista, que veio a somar com todo o trabalho realizado internamente”, disse Morais. A Médica Veterinária da Granja, Érica Chrispim, explicou que o sistema de produção de carne suína na J.A. segue rígidos padrões de produção. “Toda a


nutrição passa por análise de seus níveis proteicos e calóricos e, dentro da sanidade, nós não ‘apagamos incêndio’, aqui nós trabalhamos com o sistema preventivo com controles, através de vacinações e medicações. Tudo aqui deve ser prevenido”, destacou ela. “Além disso, nossa produção é altamente tecnificada, o que possibilita a obtenção de índices de taxa de parição que chegam a 95% (média/ ano). A nutrição e produtos que complementam a fabricação de ração é adquirida através do Consórcio Suíno Paulista, realizado pela Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS). Júlio César de Souza Chrispim, Gerente de Produção da granja, diz que os bons índices de produção apontam que a empresa está no caminho certo. “Nossa equipe procura sempre desempenhar o trabalho dentro dos padrões e normas estabelecidas e este é o resultado”, afirmou.

“Na J.A. nós não ‘apagamos incêndio’. Tudo deve ser prevenido”.

J.A. EM NÚMEROS Matrizes

2.100

Média/fêmea/ano

29.5 leitões

Nº de funcionários na UPL

1 funcionário para 130 matrizes até a saída da creche.

Número de funcionários na terminação

1 funcionário para 1.800 cabeças.

Total de funcionários

175

Consumo de ração

1.350 kilos de ração/ mês

Produção interna de milho

70% do milho consumido na granja é produzido internamente

Taxa de parição

95% (média/ano).

Kg vendidos por fêmea/ano

>Que 2.800kg (dependendo da idade de abate).

Acima à esquerda, Érica Chrispim, Médica Veterinária da Granja”

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PERSONALIDADE

Nelson Morés, uma vida dedicada à pesquisa na suinocultura Pesquisador conta detalhes de sua vida e os passos que o levaram a se tornar um dos maiores pesquisadores da suinocultura

N

por GIOVANA DE PAULA

fotos DIVULGAÇÃO

elson Morés, quando jovem, ainda em formação, via na granja de suínos de seu pai, na cidade de Concórdia, em Santa Catarina, o surgimento de uma grave doença, até então sem registros no Brasil, a Rinite Atrófica. Ali, foi despertado um amor sem tamanho pela suinocultura. Ele teve a necessidade, e a missão de, acima de tudo, auxiliar o setor na resolução dos mais graves problemas patológicos. Se formou, então, Médico Veterinário pelo Centro Agroveterinário da UDESC em 1980 e, em 1982, realizou Mestrado pela Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, na área de Patologia Animal e realizou trabalho de dissertação sobre outra doença recentemente introduzida no Brasil: a Pleuropneumonia Suína. “Sempre tive o sonho de trabalhar na suinocultura, uma vez que venho de família de produtores. Quando ainda estava na faculdade, via a incidência de graves doenças no campo, ainda sem solução, o que me gerava um sentimento muito forte para sua resolução, daí parti para a ciência e pesquisa”, explicou Nelson Morés. Em entrevista exclusiva à PorkWorld, ele traçou os passos que o levaram a se tornar um dos especialistas mais renomados, nacional e internacionalmente, da suinocultura. “Acredito que o fato de sempre ter um objetivo a ser alcançado tenha me auxiliado na minha construção pessoal e profissional. Afinal, se não temos um objetivo a seguir, nossa carreira acaba”, destacou Morés. Acompanhe os principais trechos da entrevista. PorkWorld – Quando o senhor estava ainda na fa76

culdade, em sua formação, imaginava se tornar um dos principais pesquisadores da suinocultura em nível mundial? Nelson Morés – Sempre tive o sonho de ter a minha vida ligada à suinocultura. Meu pai era produtor de suínos e sempre tive uma relação muito próxima ao setor. O caminho que trilhei em minha carreira, como pesquisador, foi sendo delimitado à medida que acompanhava os graves problemas no campo, a começar na granja do meu pai. Em 1976, tivemos o surgimento da Rinite Atrófica no Brasil, doença até então sem registro no país e que causava muito desgosto aos produtores. Fui estudar e me preparar para auxiliar o setor. Claro que não imaginava atingir o patamar onde me encontro, mas minha carreira foi consequência de uma grande inquietude, que me é constante. Sempre tenho objetivos a serem alcançados. Um após o outro. Do contrário, nossa carreira acaba. PorkWorld - E o senhor considera que tem atingido seus objetivos? Nelson Morés - Sim, posso dizer que tenho obtido sucesso em meu trabalho. Objetivos a gente traça à medida que os desafios vão aparecendo. Tenho sido reconhecido pelo meu trabalho na área de sanidade. Mas, os profissionais também são moldados pela demanda que aparece. Depende somente da postura com que a encaramos. Ou fugimos, ou resolvemos. Eu sempre optei por encarar os desafios de frente.


Morés recebe premiação por excelência na Embrapa

PorkWorld - Em quem o senhor se espelhou em sua carreira? Nelson Morés - Tive a sorte e a satisfação de poder atuar com excelentes profissionais que me ajudaram em minha carreira, como Jurij Sobestiansky, Itamar Piffer e José Reinaldi Feitosa Brito. Foram nestes profissionais em que me espelhei. Eles me deram todo o apoio para construção do profissional que sou hoje.

Nelson Morés – Não...sou pescador modesto... o maior peixe que já pesquei foi um de 4 quilos... mas a minha turma já registrou a pesca de exemplares com mais de 20 quilos! Porém, infelizmente não fui eu. Estou ‘trabalhando’ para poder atingir este patamar como pescador! PorkWorld – E qual tipo de peixe o senhor mais gosta de pescar?

PorkWorld - Como o senhor conciliou sua vida pessoal com a sua vida profissional?

Nélson Morés – O meu preferido é a Matrinchã. Até pelo sabor do peixe! É maravilhoso!

Nelson Morés – Minha família sempre foi a base em minha vida. Casei-me muito jovem, aos 22 anos, assim que me formei. Bastante cedo para os padrões atuais. Sempre tive o apoio da minha família, o que foi fundamental! Hoje, tenho três filhos, uma honra para mim, e sempre tive minha vida bastante regrada.

PorkWorld – E onde o senhor costuma pescar?

PorkWorld – E o que o senhor faz nos momentos de folga? Nelson Morés – Eu gosto muito de jogar um futebolzinho de vez em quando, como um legítimo torcedor do Internacional de Porto Alegre, e adoro pescar também. PorkWorld – E o senhor teria uma história, sem ser ‘de pescador’, para contar para nossos leitores?

Nelson Morés – Ah... sempre que tenho uma oportunidade vamos para o afluente do Rio Xingu (Rio Culueno) no Mato Grosso. Pelo menos uma vez a cada dois anos, meu grupo se reúne para esta viagem, onde é um momento de descanso, paz e relaxamento. É muito divertido!

“Claro que não imaginava atingir o patamar onde me encontro, mas minha carreira foi consequência de uma grande inquietude, que me é constante” junho 2013 / edição 76

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PERSONALIDADE PorkWorld – Voltando ao tema “Suinocultura”, como o senhor avalia o atual estágio técnico do segmento?

e da Circovirose, doenças que exigem um bom manejo sanitário.

Nelson Morés – A Suinocultura evoluiu muito nos últimos anos. Percebemos esta evolução até mesmo pelos números e estatísticas do setor. Porém, o setor vive ‘uma encruzilhada’. A mão de obra atualmente é escassa, o que tem gerado uma necessidade muito grande de automação nas granjas. Funcionários para realização de trabalho braçal como raspar piso e distribuir ração manualmente, estão cada vez mais difíceis de serem encontrados. A mão de obra nas granjas deve prioritariamente atender aos procedimentos operacionais de manejo e cuidado com aos animais e para gestão do rebanho. E estes dois fatores estão intimamente ligados, falta de mão de obra e necessidade de automação. Porém, a realidade, para granjas já instaladas, implica em dificuldades, especialmente em infraestrutura.

PorkWorld - Entre as pesquisas que o senhor realizou, quais considera de maior destaque?

PorkWorld - E as dificuldades são as mesmas, tanto para produtores integrados como para os independentes nesta questão? Nelson Morés – Não, infelizmente há diferença entre os produtores integrados e os independentes. Nas integrações há maior avanço, maior exigência e maior apoio para a tecnificação, até mesmo pela exigência do mercado. Infelizmente, existem produtores tanto independentes como alguns integrados que não utilizam programas adequados de vazio sanitário e de produção em lote. As integrações estão mais avançadas nesta questão. PorkWorld – O mercado caminha ao lado das questões técnicas e suas demandas? Nelson Morés – Podemos dizer que sim. Hoje o setor está muito mais tecnificado e os produtores perceberam que, ou eles se modernizam, ou eles fecham. O mercado precisa somente entender que nem sempre as questões biológicas caminham de acordo com a sua demanda. Posso citar a questão da grande concentração da produção em unidades produtoras cada vez maiores, com grande número de animais num mesmo ambiente o que dificulta enormemente a sanidade na granja, em especial com as doenças da produção (multifatoriais) gerando graves problemas. Outra questão é o fato de que, verificamos em algumas integrações a formação de lotes de creche ou de terminação com leitões de origens distintas. Diferentes Unidades Produtoras de Leitões (UPLs) fornecem os leitões para os crechários ou terminadores. Isso é um risco muito grande para várias doenças, como exemplo da Influenza 78

Nelson Morés – Tenho muito orgulho das pesquisas realizadas sobre Linfadenite Granulomatosa dos suínos, doença causada por Micobacterias do grupo avium, em parceria com Universidade e agroindústrias. A partir de 1989 coordenei os projetos de pesquisa em ecopatologia com o objetivo de identificar os fatores de risco relacionados às principais doenças da produção de suínos, nas diferentes fases de produção. De 2001 a 2005 coordenei um projeto de erradicação da doença de Aujeszky em Santa Catarina, trabalho esse em parceria com agroindústrias, Associação de produtores e com a Empresa encarregada da Defesa Sanitária Animal em SC (Cidasc), cuja meta foi alcançada em 2004. Em seguida liderei um projeto de produção de suínos em família sem a utilização de antibióticos promotores de crescimento e outro que visava desenvolver metodologia para identificar problemas infecciosos reprodutivos na fêmea suína, com resultados expressivos. Atualmente, estou à frente de um projeto de pesquisa que visa o estudo da importância patológica da Pasteurella multocida como agente primário causador de problema respiratório em suínos. Também, atuo como colaborador em outros projetos de pesquisa em sanidade suína desenvolvido na Embrapa Suínos e Aves e com instituições parceiras, relacionados com doenças respiratórias, infecção por salmonellas em suínos e forma adequada de produção de leitões (projeto Leitão Ideal). PorkWorld - Quando o senhor auxilia um produtor, a campo, na resolução de um grave problema, qual o seu sentimento? Nelson Morés - Puxa... é o melhor possível! É uma satisfação muito grande. Fico somente muito decepcionado quando vejo que a resolução dos problemas depende de muito investimento financeiro, o que nem sempre é possível. Daí, ficamos realmente com aquele sentimento de impotência, revolta, de que ‘poderia ser diferente’, mas em certos momentos, o profissional precisa entender que a decisão nem sempre está em suas mãos. PorkWorld - E qual o papel da Embrapa na sua carreira profissional? Nelsón Morés – A Embrapa foi fundamental em minha vida. Entrei na instituição em 1984, é uma empre-


sa muito aberta, que oferece muita liberdade com responsabilidade para atuação, além de privilegiar muito a formação do profissional, incentivando a sua atualização. Somente tenho a agradecer à Embrapa.

“A suinocultura evoluiu muito nos últimos anos. Percebemos esta evolução até mesmo pelos números e estatísticas do setor. Porém, o setor vive uma encruzilhada”

NELSON MORÉS - Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia SC. - Bacharelado: Medicina Veterinária; Ano: 1980. Instituição: Centro Agroveterinário – UDESC, Lages, SC. - Mestrado: Patologia Animal; Ano: 1982 e 1983. Instituição: Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da UFMG - Área de Concentração: Patologia animal.

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COLUNISTAS

Made in USA

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RICARDO AMORIM é economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam

por RICARDO AMORIM* foto RICARDO CORREA

á anos, a produção da indústria brasileira está estagnada em níveis atingidos no final de 2008. Ao invés de enfrentar as causas estruturais da baixa competitividade da nossa indústria – infraestrutura precária, carga tributária excessivamente elevada, ambiente de negócios instável e produtividade da mão de obra muito baixa – o governo preferiu concentrar seus esforços em desvalorizar o real e conceder algumas isenções tributárias temporárias e concentradas em poucos subsetores. Em paralelo, agiu para reduzir as margens de lucro e a rentabilidade dos negócios em vários setores, como elétrico, financeiro, mineração e petrolífero. Empresários, preocupados, reduziram investimentos. A forte concorrência chinesa tem sido uma realidade para a indústria brasileira e para toda a indústria global. Já passou da hora de nos prepararmos para outra competição, agora com a indústria americana. Como alertei ainda em 2010, a crise dos países desenvolvidos é na essência causada por excesso de endividamento. Ela só pode ser resolvida com um forte aumento de poupança e diminuição do consumo por lá. Acontece que menos consumo levará a menos crescimento, mais desemprego e salários menores. Este processo é exatamente o reverso da medalha do que está acontecendo no Brasil e nos países emergentes. Aqui, o crédito sobe, o desemprego cai e os salários aumentam, sustentando a expansão do consumo e ganhos socioeconômicos. O único instrumento de estímulo macroeconômico que restou aos países ricos são doses cavalares de impressão de dinheiro, com a consequente desvalorização de suas moedas. Com salários menores e moedas desvalorizadas, a perda de participação na produção industrial mundial de todos os países desenvolvidos na última década será revertida em algum momento nos próximos anos. 80

Nos EUA, este momento já está chegando. Não bastassem o dólar em desvalorização há uma década e os salários em contração em termos reais há seis anos, ocorre uma revolução na produção de energia, que deve levar os EUA de maior importador mundial de petróleo a exportador ainda nesta década. Tudo isto está reduzindo substancialmente o custo de se produzir nos EUA e aumentando a competitividade da indústria americana. Por outro lado, tão cedo o consumo dos americanos não retomará a pujança anterior à crise de 2008. Isto significa que os produtores americanos direcionarão partes crescentes do que é produzido lá para outros mercados, aumentando sua participação nas vendas para o resto do mundo, incluindo o Brasil. Os EUA voltarão a ofertar produtos de menor valor agregado e retomarão mercados há muito perdidos. Prepare-se para o retorno do Made in USA. Pode demorar mais para sentirmos seus efeitos, mas processos similares estão acontecendo na Europa e no Japão. Em paralelo, o crescimento chinês migra gradualmente para mais consumo interno e serviços, reduzindo o ritmo de crescimento da demanda por nossos metais e minerais. Com mais competição dos desenvolvidos e menor fome chinesa por nossas matérias primas, o Brasil precisa urgentemente fortalecer seu potencial produtivo, estimulando investimentos, melhorando a infraestrutura, reduzindo os impostos permanentemente e qualificando sua mão de obra. O modelo de crescimento baseado na expansão do consumo, adotado pelo Brasil nos últimos 10 anos, se esgotou. O fraco crescimento e a aceleração da inflação deixam isso claro. Não dá mais para postergar soluções. A hora de cuidarmos do Made in Brazil está passando. *Este artigo foi publicado na Revista IstoÉ e a PorkWorld teve autorização do autor para publicá-lo


COLUNISTAS

“Questões econômicas e novos hábitos estão reduzindo o consumo de carnes em países desenvolvidos, porém a tendência mundial ainda é de alta”

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Marcos Fava Neves é professor titular da FEA/USP e coordenador científico do Markestrati

por MARCOS FAVA NEVES e TÁSSIA GERBASI fotos DIVULGAÇÃO

sta análise mostra por meio de fatos e números recentes como está a dinâmica do mercado consumidor de alimentos no mundo e quais os impactos que estas tendências podem trazer. Ao final, uma reflexão para seus possíveis atos (projetos). • No cenário mundial, de acordo com dados da FAO, os preços dos alimentos subiram cerca de 1% no mês de março. • No Brasil, com um aumento de 15,18% no preço dos alimentos as vendas dos supermercados caíram na comparação anual. Especialistas dizem que foi observada a maior queda desde 2003. • Em países europeus como na Bélgica, o consumo de carne tem caído ano a ano. A Bélgica registrou queda de 3,6% no seu consumo de carnes no último ano sendo que o consumo per capita anual está na faixa dos 30 Kg/habitante. • O consumo de carne na Suíça caiu pela primeira vez nos últimos três anos. No ano de 2011 foi consumida uma média de 51 Kg per capita, a queda foi de 3,4% para o ano analisado (2012). A principal razão para este fato é o aumento da alimentação fora do lar, uma vez que cerca de 80% da carne consumida no país era destinada a produtos domésticos. • Segundo dados do USDA, o consumo de carnes dos Estados Unidos (frango, suína e bovina) apresentou seu último pico em 2004 e a partir de então segue com tendência decrescente (cerca de 6%). Essa queda pode ser justificada tanto por questões econômicas quanto por novas preocupações da população com a saúde e o meio ambiente. • De acordo com a Federação Americana de Exportações de Carne (USMEF), as exportações de carnes continuam com a tendência de maiores valores para menores volumes. Em fevereiro de 2012 a carne bovina teve um acréscimo de 5% no seu valor, e apresentou uma leve queda no volume comercializado.

Já a carne de suínos apresentou um aumento de 5% no volume comercializado e 6% de aumento em seu preço. • No ano de 2012, os uruguaios foram os que mais consumiram carne bovina no mundo. Com uma população de 3,3 milhões de pessoas, seu consumo per capita chegou aos 60 kg/ano, ficando a frente de países como Argentina (55kg/ano) e Brasil (37 kg/ano). • Segundo projeções da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), o consumo de carnes e leite deve subir 25% nos próximos 10 anos, resultado de uma população crescente com maior poder aquisitivo. Segundo a organização, a cada ano, a população mundial aumenta em 75 milhões de habitantes, cerca de 200 mil por dia, sendo que a Ásia e a África concentram 88% desse crescimento.

Para reflexão: a partir destes fatos descritos nesta análise, quais são os impactos e as oportunidades que se abrem à sua organização? Que atos devem ser tomados?

Tássia Gerbasi é pesquisadora do Markestrat e mestranda da FEA/USP junho 2013 / edição 76

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ABRA NEWS

Coleta e processamento de mortalidade em granjas suínas é tema de painel de Reciclagem Animal O tema vem como solução para destinação da mortalidade de causa natural em granjas de aves e suínos por ABRA fotos DIVULGAÇÃO

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magine quanto tempo levaria e a mão de obra que seria necessária para incinerar ou fazer a compostagem das 200 mil toneladas de resíduos que são gerados anualmente com a mortalidade nas granjas de suínos. Essa foi uma das reflexões que o Dr. Stefan Rohr, fez no dia 15 de maio durante o II Painel Novo Horizontes para a Reciclagem Animal que aconteceu no Centro Sul de Eventos em Florianópolis, Santa Catarina, promovido pelaAssociação Brasileira de Reciclagem Animal – ABRA. O painel teve como tema a “Coleta e Processamento de mortalidade em granjas de aves e suínos” que apresentou como solução a coleta e o processamento de mortalidade de causas naturais pelas indústrias de Reciclagem Animal para a transformação desses resíduos em farinhas e gorduras de origem animal. Para viabilizar o processamento, os cadáveres deverão ficar refrigerados em baixa temperatura ou congelados para que se mantenham conservados. Após o discurso de abertura feito pelo presidente da ABRA, Sr. Clênio Gonçalves, o Dr. Glaucio Mattos, pesquisador da Embrapa Aves e Suínos, deu abertura as palestras falando sobre as novas tecnologias para solucionar os casos de mortalidade nas granjas. Glaucio ressaltou que apesar da eficiência da incineração e também da compostagem, essas práticas não atendem a grandes demandas de mortalidade, sendo a coleta o processamento a mais viável. “A retirada de animais nas granjas é viável e necessária. Já que na prática não tem como destinar uma mortalidade de grande porte, uma mortalidade catastrófica àquelas situações” afirmou. Com o discurso alinhado ao do Dr. Glaucio, o Dr. Stefan Rohr, médico veterinário da Integrall Soluções

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Lucas Cypriano é coordenador técnico da ABRA

em Produção Animal, também concordou que a melhor forma para destinação da mortalidade seria o processamento pelas indústrias de Reciclagem Animal. Nos últimos meses, o Dr. Rohr tem acompanhado um projeto piloto de uma empresa que está processando os suínos mortos e transformando farinhas e gorduras. Segundo o veterinário, a empresa empreendedora do projeto tem obtido melhor qualidade em seus produtos. “Com esta medida os suinocultores passam a ter um produto que deixará de ser custo, ao ofertar o mesmo aos produtores de farinhas e gorduras que terão um produto final com mais qualidade e níveis mais altos de proteínas”. A quarta e última palestra foi ministrada pelo Sr. Lucas Cypriano, coordenador técnico da ABRA que falou sobre a legislação internacional da Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos e União Europeia, países onde já se processam a mortalidade. Para o Sr. Cypriano, tanto os produtores de suínos, quanto as indústrias de Reciclagem Animal saem ganhando. “Esse é um jogo de ganha-ganha, onde o produtor de proteína animal sai ganhando por destinar melhor o seu resíduo e ainda ganhando por ele e também as indústrias de Reciclagem Animal por terem produtos ricos em proteínas” explicou. O II Painel de Reciclagem Animal foi finalizado com o debate mediado pelo Dr. Paulo Ricardo Jacks do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA, entre os palestrantes e congressistas.


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ABCS NEWS

Demandas da suinocultura são apresentadas ao ministro da Agricultura

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por ABCS foto DIVULGAÇÃO

presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, esteve reunido no dia 2 de maio, com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Antônio Andrade, para apresentar as demandas do setor para 2013. O encontro aconteceu no gabinete do ministro com a presença do deputado federal Silas Brasileiro. Dentre os principais assuntos debatidos, o presidente da ABCS relatou as dificuldades enfrentadas pelos suinocultores brasileiros por conta dos altos preço dos grãos, como milho e soja, somado aos baixos valores de comercialização do quilo do suíno vivo. Segundo Marcelo Lopes, é preciso agir com brevidade para que as soluções quanto ao custo de produção sejam atendidas antes que os suinocultores acumulem mais dívidas. “A audiência com o ministro foi um pedido de ajuda imediata para que a suinocultura não venha passar por mais uma crise como a de 2012”, diz o presidente da ABCS. Outras demandas também foram abordadas, como a renegociação das dívidas dos suinocultores, o sistema de contrato de opção de compra de milho; apoio a aprovação dos projetos de lei de integração; garantia de abastecimento interno de milho por meio da recomposição dos estoques públicos; aumento da oferta de milho para venda balcão e o limite de compra por suinocultor. O ministro recebeu todas as reivindicações por escrito e reafirmou o apoio a suinocultura em 2013. “São demandas muito importantes. Iremos trabalhar juntos para que a suinocultura se desenvolva e não passe por novas crises”, disse Antônio Andrade. Aproveitando o encontro, Marcelo Lopes apresentou a proposta do XV Seminário Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (SNDS), que acontecerá de 31 de julho a 02 de agosto na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul. Ele convidou o ministro para parti-

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Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) em reunião com o ministro da Agricultura

“São demandas muito importantes. Iremos trabalhar juntos para que a suinocultura se desenvolva e não passe por novas crises” cipar da abertura do seminário. Antônio Andrade reforçou que o evento é de grande importância para a atualização da cadeia de suínos e que fará o possível para estar presente.


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BOLETIM

O mercado em abril por CEPEA*

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m abril, as desvalorizações do suíno vivo e da carne não cessaram. A demanda pela carne suína continuou enfraquecida, conforme levantamentos do Cepea no segmento atacadista. Nem mesmo os preços maiores da carne bovina estimularam o consumo dessa concorrente. Além disso, em abril, houve novo recuo nos embarques da carne suína para o exterior, o que pode ter aumentado ainda mais a disponibilidade interna do produto. No segmento de produção animal, suinocultores consultados pelo Cepea informavam que não havia excesso de oferta de animais para abate. O motivo das quedas apontado por eles era mesmo o pouco interesse por parte dos frigoríficos pela aquisição de novos lotes no mercado independente, visto que seus estoques estariam elevados. Considerando-se os preços em abril, a queda mais acentuada, de 16% sobre a média de março, foi verificada em Minas Gerais, onde o Indicador de preço do Suíno Vivo CEPEA/ESALQ teve média de R$ 3,05/kg. No estado de São Paulo, houve baixa de 14,3% no mesmo comparativo, com o Indicador estadual a R$ 2,81/kg. No Sul do País, o recuo foi de 13,3% no Paraná, de 9,7% em Santa Catarina e de 8,5% no Rio Grande do Sul. Nesses estados, o suíno passou a ser comercializado, respectivamente, nas médias de R$ 2,61/kg, R$ 2,62/ kg e R$ 2,60/kg. Porém, as médias nominais de abril (sem o desconto da inflação) ainda estiveram bem acima das verificadas há um ano. Tanto em Santa Catarina quanto no Rio Grande do Sul e em São Paulo, a diferença positiva foi de 32%. No Paraná, o aumento do preço pago ao produtor foi de 29% e, em Minas, de 27% sobre os de abril/12. Quanto às carcaças negociadas no atacado da Grande São Paulo, em abril, a comum teve média de R$ 4,39/kg e a especial de 4,70/kg, valores 11,4% e 9,9% menores que os de março, mas 27% maiores – em ambos os casos – que há um ano. 86

Exportações As exportações de carne suína in natura tiveram nova redução em abril. Segundo dados da Secex, o volume embarcado foi de apenas 29,4 mil toneladas, a menor quantidade mensal desde janeiro de 2011. Em relação a abril de 2012 (41,4 mil toneladas), a queda é de quase 30%. O volume exportado no acumulado de 2013 está 8,5% inferior ao do mesmo período do ano passado. A diminuição nos embarques esteve atrelada principalmente à nova restrição da Ucrânia à carne suína brasileira, anunciada no final de março. As importações de carne suína brasileira pelos ucranianos caíram para 1,6 mil toneladas em abril, 79% menos que as quase 8 mil toneladas compradas em março. Com a restrição, o principal estado brasileiro prejudicado foi o Rio Grande do Sul – somente desse estado o país europeu comprou 5,5 mil toneladas a menos da carne frente ao mês anterior. Em abril, o que compensou parte da queda no volume embarcado foi o preço mais alto recebido pela carne brasileira no mercado internacional, de US$ 2,97/kg, em média, 3,7% maior que o de março e 8,3% superior ao de abril/12. Considerando-se a média do dólar a R$ 2,00 em abril, o preço da carne em moeda nacional foi de R$ 5,94/kg, valor 4,6% superior ao de março e 17% maior que o de abril do ano passado.

Relação de trocas e insumos Diante de sucessivas quedas do preço do suíno vivo, um alento para os setores de proteína animal é a expectativa de safra recorde tanto de soja quanto de milho. No caso da soja, a colheita está quase terminada e, no do milho, a segunda safra acabou de ser semeada. Segundo a Conab, a produção brasileira de soja teve aumento de quase 23%, chegando a 81,5 milhões de toneladas. No verão o milho totalizou 34,8


milhões de toneladas, aumento de 2,8% e, para o inverno, são esperadas mais 43,2 milhões de toneladas, 10,4% a mais que na segunda safra passada. A perspectiva de aumento da oferta de milho é justamente um dos principais fatores que têm pressionado as cotações do cereal no mercado brasileiro. Tem pesado também a aproximação do vencimento de parte das dívidas de custeio no final de maio, o que leva produtores de milho a negociar para “fazer caixa”. Ao mesmo tempo, compradores estiveram mais retraídos em abril. Na região de Campinas, base para o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, a perda acumulada no mês foi de 14,3%. A oferta brasileira, no entanto, deve despertar interesse de estrangeiros que, paralelamente, acompanham o atraso do plantio nos Estados Unidos, quadro que requer a atenção de compradores nacionais. No mercado da soja, além da produção recorde, problemas de estocagem e transporte aumentam a necessidade dos sojicultores em negociar, mas os preços conseguiram relativa sustentação ao longo de abril. No estado do Paraná, por exemplo, a queda no mês foi de apenas 1,8%. Considerando-se a média das regiões pesquisadas pelo Cepea, entre 28 de março e 30 de abril, os preços ao produtor recuaram 0,8% e, as negociações entre empresas, só 0,2%. Por sua vez, o farelo de soja no atacado teve queda de 2% no correr de abril. Vale destacar que, neste mês, foram exportadas 1,26 milhão de toneladas, mais que o dobro do embarcado em março.

tagem. De março para abril, no atacado da Grande São Paulo, o frango caiu 9,6%, pouco menos que os 11,4% da carcaça comum suína.

“Porém, as médias nominais de abril (sem o desconto da inflação) ainda estiveram bem acima das verificadas há um ano” *Coordenador: Prof. Dr. Sergio De Zen

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Pesquisadora Responsável: Camila Brito Ortelan Equipe: Regina Mazzini Rodrigues, Murilo Sandroni, Renato Prodoximo, Marina Vitti de Souza, Hugo Vinicius Ozam Dalla Costa, Nathalia Andia Cypriano e Pedro Henrique Dias. Jornalista responsável: Dra Ana Paula Silva – Mtb 27.368 Revisão: Alessandra da Paz (MTb: 49.148) e Flávia Gutierrez (MTb: 53.681) Gráfico 1. Preço médio mensal da carcaça comum no atacado de SP - capital (R$/kg - valores nominais)

Carnes concorrentes Os preços da carcaça suína comum negociada no atacado da Grande São Paulo vêm recuando mês a mês, desde janeiro. Em abril, a média foi de R$ 4,39/kg, o que significa redução de 11,4% frente a março. Quedas entre esses dois meses são comuns, mas o percentual agora registrado foi o maior da série de preços do Cepea, iniciada em 2004. Apesar disso, o valor absoluto em abril deste ano foi o maior para o mês, em termos nominais. Já se analisada a série deflacionada (IPCA), nesses 10 anos, constatam-se seis anos em que o preço em abril é maior que o atual. Em situação oposta, a carcaça casada bovina valorizou 2,5% de março para abril. O dianteiro teve alta de 5,1% e a ponta de agulha, de 7,4%, com as médias mensais a R$ 5,19/kg e a R$ 4,85/kg, respectivamente. Nesse cenário, a carcaça suína comum voltou a ser mais barata – ou seja, mais competitiva – que o dianteiro e ponta de agulha bovinos. Em relação ao frango inteiro resfriado, que teve média de R$ 3,39/ kg em abril, a carne suína também ganhou certa van-

Gráfico 2. Indicadores diários do suíno vivo - Preços pagos ao produtor (02/mai/12/abr/13 - R$/kg)

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BOLETIM

Gráfico 3. Preços interno (carcaça - Grande SP) e externo (carne in natura), deflacionados pelo IPCA - R$/kg

Gráfico 4. Exportações de carne suína entre mai/12 a abr/13, volume e receita

Gráfico 7. Preços da carcaça casada bovina, da carcaça comum suína e do frango resfriado no atacado de SP - capital (R$/kg)

Preços Tabela 1. Indicador Cepea/Esalq do preço do suíno vivo – abr/13 Estado MG SP PA SC RS

Média R$/kg 3,05 2,81 2,61 2,62 2,60

Variação do mês* -23,0% -20,1% -19,7% -13,3% -15,9%

Min

Max

2,68 2,54 2,32 2,45 2,38

3,47 3,19 2,89 2,85 2,83

Tabela 2. Médias regionais do preço do suíno vivo – abr/13 (R$/kg) Região

Gráfico 5. Relação de troca (kg de suíno/kg ração) – MG

Patos de Minas Belo Horizonte Sul de Minas Ponte Nova S.J. do Rio Preto Avaré SP-5 Arapoti SO Paranaense Oeste Catarinense Braço do Norte Erechim Santa Rosa Serra Gaúcha

R$/kg 3,03 3,04 3,03 3,08 2,79 2,79 2,82 2,65 2,61 2,58 2,47 2,65 2,55 2,76

Variação do mês*

Min

Max

-25,1% -24,5% -21,9% -18,9% -20,4% -20,0% -20,2% -19,6% -19,8% -21,0% -20,0% -18,5% -15,9% -23,6%

2,62 2,65 2,56 2,80 2,51 2,51 2,57 2,35 2,38 2,26 2,24 2,39 2,34 2,35

3,48 3,46 3,47 3,51 3,16 3,13 3,23 2,92 2,97 2,86 2,80 2,94 2,86 3,08

Tabela 3. Média dos preços de carnes - atacado SP (capital) – abr/13 Estado Gráfico 6. Relação de troca (kg de suíno/kg de milho e kg de suíno/kg de farelo de soja)

Carcaça Comum Carcaça Especial Lombo Pernil com osso Costela Carré Paleta sem osso

Média R$/kg 4,39 4,70 8,63 6,12 7,92 5,86 6,42

Variação do mês* -16,5% -15,5% -2,6% -11,6% -1,4% -4,2% -3,0%

Min

Max

3,95 4,28 8,37 5,86 7,76 5,65 6,22

4,78 5,10 8,83 6,68 8,07 5,99 6,50

Tabela 4. Relação de troca de suíno vivo por milho e de suíno vivo por farelo de soja (kg vivo/kg de insumo) – média abr/13 Estado

vivo/milho

Variação mensal

vivo/ milho

Variação mensal

SP MG

6,52 7,76

-0,1% -2,9%

3,79 4,01

-8,9% -13,0%

“As exportações de carne suína in natura tiveram nova redução em abril. Segundo dados da Secex, o volume embarcado foi de apenas 29,4 mil toneladas, a menor quantidade mensal desde janeiro de 2011” 88


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GRUPOAW NEWS

PorkWorld lança novo site

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portal PorkWorld, referência em notícias sobre o setor suinícola, está de cara nova. Com um layout mais clean e de fácil leitura, o novo site oferece um conteúdo totalmente diferenciado com notícias em tempo real e um espaço dedicado exclusivamente para as empresas do setor. Outro grande diferencial é a versão digital da revista PorkWorld, totalmente gratuita aos leitores. Buscando sempre a inovação em nossos diferenciais, o novo site conta com uma novidade exclusiva: a seção “Gestão e Empreendedorismo”, que traz dicas diversas As publicações da PorkWorld, oferecem uma visão 360º. Números da Editora AnimalWorld Números conquistados com a confiança e credibilidade de parceiros ao longo de mais de 12 anos de trabalhos dedicados a suinocultura e avicultura 98 mil e-mails cadastrados mais de 5 mil Fãs no Facebook

como gerenciamento, capacitação, motivação de funcionários, entre outras. No site também é possível conferir vídeos e artigos sobre o setor suinícola, agenda de eventos e relatórios internacionais. Em parceria com a SAFRAS & Mercado, o PorkWorld traz diariamente as cotações de suíno vivo, milho e soja. A Editora AnimalWorld sempre trabalhou para atender as necessidades do mercado, por isso investe a fundo nos segmentos separados nas mídias, com o foco no que realmente interessa, sem dispersar atenção e tempo. Acesse www.porkworld.com.br e fique por dentro das principais notícias diárias do setor suinícola! 16 mil revistas impressas 25 mil acessos on-line na revista PorkWorld mais de 60 mil visitantes únicos por mês no portal PorkWorld mais de 264 mil Page Views mensais no portal PorkWorld alcance da marca no Facebook 855 mil ** (**somente na página oficial)

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AGENDA/CARTAS

JUNHO

SETEMBRO

06/06 a 08/06/2013

09/09 a 12/09/2013

2ª FAVESU – Feira de Avicultura e Suinocultura Capixaba

SafePork 2013

Local: Marechal Floriano, ES Realização: AVES (Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo) e ASES (Associação de Suinocultores do Espírito Santo). Tel. (27) 3288-1182 - www.favesu.com.br

11/06 a 13/06/2013 Workshop Internacional de Bem-Estar dos Animais de Produção Local: Hotel Fazenda Fonte Colina Verde São Pedro, SP Realização: WSPA, Embrapa e Unesp www.workshopdebemestaranimal.com.br

JULHO 09/07 a 12/07/2013

Local: Portland, EUA www.safepork2013.com

10/09 a 13/09/2013 Space 2013 - Le Salon International de l’elevage Local: Rennes Cedex, França Tel. +33 223 482 880 - www.space.fr

NOVEMBRO 05/11 a 07/11/2013 XVI Congresso Abraves (Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos) Local: Cuiabá, MT Tel. (65) 3621-1314 - www.abravesmt.com.br

VIII Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui) Local: Porto Alegre, RS www.suinotec.com.br

31/07 a 02/08/2013 XV Seminário Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura + III Congresso Iberoamericano de Suinocultura (Oiporc) Local: Gramado, RS Tel. (61) 3961-9333 - escritoriobrasilia@abcs.com.br

AGOSTO 13/08 a 15/08/2013 11ª Feira Internacional de Tecnologia para a Indústria da Carne (TecnoCarne)

Local: Centro de Exposições Imigrantes - São Paulo, SP Tel. (11) 3017-6807 - www.tecnocarne.com.br 92

CARTAS

“Gostaria de parabenizar a Flávia Roppa pela decisão de ter a revista PorkWorld em edições mensais. Creio que um dos maiores desafios das revistas impressas seja acompanhar a incrível velocidade da internet. Daí a importância de se ter um veículo de extrema qualidade, conteúdo e apresentação, como pude constatar ao ler a edição da PorkWorld de abril. Aproveito a oportunidade e cumprimento a Thaís Cruz pela matéria Sucessão Familiar no Agronegócio. Pude, por muitos anos trabalhar numa organização familiar e conheci bem de perto o sucesso e o fracasso deste importantíssimo processo dentro das empresas”, de MARCOS BANOV, da Mba9 Treinamento e Consultoria de Negócios.


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RECEITA

Costela Suína Recheada Ingredientes

1 peça de costela suína com bastante carne (aproximadamente 1,6 Kg); Ramos de alecrim e tomilho debulhados a gosto; 1 colher (sopa) de alho picado; 1 sachê de caldo de carne em pó; Suco de 1 limão; Sal e pimenta do reino a gosto; 250 ml de caldo de carne quente (1/2 tablete de caldo de carne dissolvido em; 250 ml de água quente).

Recheio

Costela picadinha; 1 Kg de babata baroa (mandioquinha) cozida al dente e amassada; Folhas de manjericão fresco, sal e pimenta do reino a gosto.

Falso barbecue

5 colheres (sopa) de catchup; 2 colheres (sopa) de açúcar mascavo; Molho que sobrar na assadeira

100 gramas de bacon em cubos; 1/2 cebola picadinha

MODO DE PREPARO Costela

Com uma faca bem afiada comece a desossar 1 peça de costela suína com bastante carne (+/- 1,6 kg) na parte da extremidade do osso. Com muito cuidado desprenda a carne do osso formando uma manta única. Retire a carne entre os ossos e reserve. Com a mesma faca, limpe bem cada osso retirando toda carne e pele. Coloque a costela semi-desossada numa assadeira e tempere com ramos de alecrim e tomilho debulhados a gosto, 1 colher (sopa) de alho picado, 1 sachê de caldo de carne em pó, suco de 1 limão, sal e pimenta-do-reino a gosto e reserve na geladeira por 2 horas. Depois deste tempo retire a costela da assadeira, abra a manta e coloque o recheio de batata baroa (ou o que preferir) no centro da peça. Enrole a carne no sentindo contrário dos ossos como um rocambole bem apertado de modo que não vaze o recheio. Prenda as pontas da manta com palitos e amarre com um barbante. Cubra a costela com papel alumínio para os ossos não queimarem e leve ao forno médio pré-aquecido a 180 graus 94

por cerca de 2 horas. Retire o papel alumínio e deixe por cerca de 30 minutos ou até dourar. Dica: A cada 30 minutos regue a costela com 250 ml de caldo de carne.

Recheio

Numa panela em fogo médio coloque 100 g de bacon, 1/2 cebola picadinha e a costela picadinha e refogue bem até dourar (+/8 minutos). Acrescente 1 kg de batata baroa (mandioquinha) cozida al dente e amassada e misture bem. Desligue o fogo e tempere com folhas de manjericão fresco, sal e pimenta-doreino a gosto. Reserve.

Falso barbecue

Numa panela coloque 5 colheres (sopa) de catchup, 2 colheres (sopa) de açúcar mascavo e molho que sobrou na assadeira, misture bem e leve ao fogo médio por cerca de 2 minutos.


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Porkworld ed 76