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Como fazer os professores exercerem suas funções?

Entrevista concedida pelo professor e vice-diretor da Faculdade de Medicina, Tarcizo Afonso Nunes.

A Lição de Anatomia do Dr. Tulp. Rembrandt, 1632. Óleo em tela 169,5 × 216,5 cm. (...) “A participação do aluno é fundamental e poderá ocorrer de duas formas: participação efetiva nos órgãos colegiados e não acomodação frente às situações indesejáveis para o ensino. O

aluno deve reclamar em todas as instâncias competentes, inclusive na diretoria da faculdade. É importante ressaltar que esta Faculdade tem mais de 400 professores,

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FM EM FOCO:

Recepção da 140ª Turma; Melhorias de Infra-estrutura na sede do DAAB; Projetos para 2011... Página 15

sendo muito difícil o controle de todas as atividades exercidas por eles se não houver o comprometimento de toda a Instituição.”

Entrevistas com coordenadores da Psicose e do Show Medicina; A Caminhada da Turma 136; Resultados do questionário de satisfação aplicado aos usuários da sede do DAAB... Recepção da 140ª Turma da FM-UFMG

Páginas 12 e 14

Medicina Genômica personalizada: A ciência de manter a saúde

Mestrado Profissional ganha espaço na área da Saúde

Um pouco da história dos Festivais de música... Dicas de Filmes e Livros

M o D A:

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A tendência agora é...


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FM EM FOCO EDITORIAL Guilherme Lima (Coordenador Geral do D.A.A.B)

Há nascimentos epífanos e outros mais ou menos gradativos. O humano de cada um de nós contém essa nossa capacidade inerente de nascer ad mortis. Meu ingresso na FM-UFMG foi um nascer: abrir os olhos no dia do Registro Acadêmico, acostumar-me ao “corpo discente”, decifrar corredores labirínticos impregnados das histórias de meus veteranos... De guerra? Sim! A vida de um estudante de Medicina é uma grande batalha. A Odisséia. Lutamos contra o tempo, criamos o tempo, somos Khrónos e Athéna, edificando o conhecimento hipocrático ao longo de vidas e pelas vidas. Dois, zero, zero e sete... Dois, zero, um e zero. Quatro anos. Eis que me vejo nascituro de uma gestão do DAAB. Copa do Mundo e as contrações da “Recepção de Calouros” já se faziam sentir. Rebentou um grupo! Incrivelmente, nascemos Centenários. A despeito de uma seqüencia de desenvolvimento, pulamos o engatinhar e esmiuçamos estatutos, organogramas, desafios e possibilidades. A Gestão Centenário criou vínculos, está arcando com os compromissos e cultivando reconhecimento. Vinte e onze. Precisamos crescer. Como parte de nossa formação, convido aos estudantes de Medicina da UFMG a participarem ativamente dos projetos do DAAB e serem autores do desenvolvimento desta jovem-Centenária Faculdade de Medicina. Boa Leitura!

PALAVRA DE ESTUDANTE “Uso de uniformes, touca para cabelo, funcionários diferentes para o caixa e outro para lidar com os alimentos, melhorando as questões de higiene que deixam a desejar. Melhorar a qualidade dos salgados e almoço, principalmente dos salgados, sucos naturais, etc. Falta agilidade na entrega dos serviços e profissionalismo. O espaço físico necessita de manutenção. Seria interessante se a cantina aceitasse cartões para pagamento”. Sugestões para a Cantina apresentadas na Pesquisa de Satisfação do DAAB

“Ah, põe aí, eu quero reclamar dessa gente que não reclama de nada, como se tudo estivesse bom demais; essa gente que tem preguiça até de espantar a mosca que lambe a ferida aberta; que não troca o sapato que caleja o pé; gente que fala antes de ler e que não lê depois de falar, mas que se cala pro professor que não vai dar aula, ou que trata como trapo o pobre paciente; gente que não gosta de gente, que não se mistura com essa gente, mas quer ser dotô; gente que não gosta da comida, mas não sugere nenhum tempero; gente que mora em casa com 3 domésticas, mas que deixa o DA um lixo; gente que usa black tie, mas acha que a biblioteca é a sala de estar da sua casa; gente que esquece das coisas de ser gente!” Wilton Santana Turma 136

“Ao iniciar o 6º período, deparei-me com a estranha informação de que metade da turma assistiria aulas de Ortopedia, enquanto a outra metade de Reumatologia. Seriam estas matérias desnecessárias à nossa formação e por isso não ministradas a uma parte da turma? Então para quê ofertá-las à primeira parte? Mas a frustração passou rápido, logo se iniciou o curso de cardiologia de apenas seis semanas, e percebi que a ortopedia não era mesmo um problema tão grave”. Marcos Porto Turma 135

EXPEDIENTE GESTÃO CENTENÁRIO | D.A.A.B. 2010/2011

Coordenador Geral: Guilherme Messias Mendes Lima Secretários Gerais : Marcel Assis Quintão Marcos Vinícios Porto Roldão Coordenadora de Finanças: Clarice Semião Coimbra Coordenador Científico: Arthur Adolfo Nicolato Coordenadores de Comunicação: Clarice Semião Coimbra Erickson Ferreira Gontijo Coordenadores Culturais: Brenda Freitas Costa Danilo Messias Mendes Lima Guilherme Ferreira Simões Sérgio Renato Araújo Freitas Coordenadores de Ensino Médico: Clarice Semião Coimbra Guilherme Rocha Luciolla Conclave Médico Desportivo: Mateus Neves Romero Coordenadores de Infra-estrutura: Alander Cristiano Silveira Izabela Cristina Almeida Duarte Coordenador de Movimento Estudantil: Wilton Batista de Santana Junior Coordenadores de Relações Internacionais: Isabela Rodrigues Tavares Thaís Salles Araújo Thiago Ramos Heilbuth Thiago Silva Araújo Martins Tiago Lemos Cerqueira Coordenadora de Representação Discente em Órgãos Colegiados: Tais Soares Carvalho Coordenador de Saúde Pública: Rafael Ferreira Simões JORNAL ph7 – 2º Semestre de 2010 Captação de Matérias: Isabela Rodrigues Tavares Tais Soares Carvalho Wilton Batista de Santana Junior Captação de Recursos: Izabela Cristina Almeida Duarte Guilherme Messias Mendes Lima Marcos Vinícios Porto Roldão Designer de Moda e Ilustradora: Melissa Sandy Mattos Designer e Diagramação: Bia Braz Editora: Clarice Semião Coimbra

O Jornal ph7 é uma publicação semestral, com tiragem de 4.000 exemplares. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores não refletindo, necessariamente, a opinião do jornal. Serviços e produtos anunciados são de responsabilidade dos anunciantes. Para reproduzir conteúdos deste jornal, é necessário obter autorização da Gestão Centenário- DAAB 2010/2011. Envie seu texto: jornalph7@gmail.com


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+POLÍTICA

Política para crianças: outra história da Chapeuzinho... FM EM FOCO Marcel Quintão Turma 135

Algum tempo depois de toda aquela aventura com o lobo mau, a Chapeuzinho se meteu em outra aventura. Ela teve que distribuir uma cesta de bolinhos mágicos para todas as pessoas que viviam numa vila chamada Utopia. Esses bolinhos foram feitos por dois magos ilusionistas muito poderosos, chamados de Medonça e Santana,  a pedido de um Carpinteiro, primo do Gepeto, que era prefeito dessa cidadezinha. Esse Carpinteiro-Prefeito era chamado Lulu e queria ser Rei, porque achava que os reis não ajudavam as pessoas pobres. Várias vezes ele tentou se tornar Rei para ajudar a todos, mas sempre era derrotado pelos soldados do general Redondo. Redondo era um poderoso feiticeiro que controlava magicamente todas as decisões do Rei. Cansado de tantas lutas, Lulu descobriu que precisava ser como os Nobres amigos do Rei para poder, um dia, ser o próprio Rei. Então,ele decidiu que precisaria vender-se a um nobre qualquer em troca de seu exército e apoio. Mas como fazer isso sem que seus amigos e exguerreiros o abandonassem? É agora que entram os bolinhos da Chapeuzinho. Lulu era uma espécie de Pai para a Chapeuzinho e pediu a ela que desse a todos os seus amigos um daqueles bolinhos mágicos, sob

o pretexto simbólico de que a “luta” continuaria sempre para os companheiros. E Chapéu foi cantarolando e dançando pelas ruas de Utopia, dando os bolinhos para cada amigo do prefeito. Todos comeram satisfeitos e nem imaginaram que aqueles bolinhos eram feitos de Fanatismo... Fanatismo é quando nossa cabeça vira uma caverna cuja entrada desmoronou e lá dentro, preso, há um anãozinho metido a besta chamado Ponto de Vista, que grita o tempo todo e só fica feliz quando escuta o eco de si mesmo; Enquanto cá fora, todos os outros anões tentam entrar, em vão na caverna. Depois de comer os bolinhos, os amigos de Lulu ficaram com um Ponto de vista Vermelho e não perceberam que cada vez mais ele usava negro, ou branco, ou ambos. Não perceberam que agora novos soldados estavam lutando nos postos que antigamente eles ocupavam. Os pobres amigos do Carpinteiro-prefeito não perceberam que agora eram Arautos nostálgicos, meros distribuidores de bolinhos a ufanar uma Utopia que já não era, sequer, habitada por Lulu. Graças aos bolinhos e a aliança consagrada pelo casamento de Chapéu com um belo Cavalheiro feio, sem opinião ou ideologias, chamado Paulo M. D. B,

Lulu pode usufruir do famoso exército de Cartas Marcadas e Coringas, conseguindo finalmente ser Rei. Seu reinado foi marcado pela tranquilidade, por algum pão dado aos pobres que ele queria ajudar, entre outras coisas que logo foram esquecidas. Durante os primeiros anos desse reinado de paz, Lulu, que agora atendia por “o Lu”, conheceu a Filha adotiva de Chapéu, Didi, que esse ano ele escolheu para ocupar o seu lugar e se tornar Rainha. Sim, ela virou rainha, apesar de ter sido atacada pelos Tucanos na sua aventura até chegar ao Castelo do Planalto. Tucano? Humm... é uma ave forte, azul, com bicos enormes, olhos gananciosos e assustadores, asas longas que sempre encobrem as riquezas adquiridas “escondidamente”. Essa não faz muito, senão falar mais que os papagaios e jogar qualquer riqueza nas mãos das suas amigas Privadas. Mas essa já é uma outra aventura...

Relato de experiência... Sérgio Freitas Turma 135 Segundo Heráclito, “um homem não toma banho duas vezes no mesmo rio”. O rio muda. O homem muda. Fazemo-nos novos a cada passo, a cada porção de ar que nos penetra os pulmões. Entretanto, às vezes damos saltos que nos trazem uma percepção mais clara do processo. Representar o DAAB e a faculdade no COBEM 2010, em Goiânia, foi um salto e tanto para mim. Trouxe-me, além de imenso orgulho e carinho pelas

instituições de enorme grandeza histórica à frente da qual estávamos, a oportunidade valiosa de trocar experiências com inúmeras pessoas de idéias e ideais muito diversos dos meus. Voltei para casa com uma grande inquietação e um formigamento na mente, que nada tem com as, brutalmente desconfortáveis, 12 horas de viagens de van. Minha atitude – bem como meu espírito – mudou. O rio mudou. O homem mudou.

Emenda Constitucional 29:

a garantia de recursos para a Saúde e a situação de MG Rafael Ferreira Simões Turma 130 O adequado financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) é fundamental para a garantia do direito à saúde no Brasil. A Emenda Constitucional 29 (EC 29) determina que os entes federados contribuam, no mínimo, da seguinte forma: Municípios com 15% da receita; Estados com 12% da receita; e União com um valor nominal que sofre reajuste proporcional à variação do PIB (R$ 57 bi. em 2010). O desafio atual é regulamentar a EC 29, para fixar em definitivo quais gastos são realmente relacionados à Saúde. Hoje, o Conselho Nacional de Saúde já tem publicada resolução nesse sentido, mas essa não é acatada por todos os estados. Minas Gerais apresenta crítica situação de financiamento. De um lado, o Governo de Minas Gerais investe, efetivamente, cerca de 6% das receitas em Saúde (dados do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS)). No entanto, o Estado declara como gastos em saúde

repasses para o plano de saúde do IPSEMG e para o plano de saúde da Polícia Militar, além de investimentos em saneamento pela COPASA (sem repasse do governo) para atingir formalmente os 12% da lei. De outro lado, os municípios mineiros ficam penalizados e têm que destinar mais que o mínimo de 15% para custear a saúde, sobretudo na atenção primária, com o PSF. O sub-financiamento praticado pelo Governo de Minas representa subtração de mais de R$ 1 bilhão, anualmente, conforme observado no Gráfico 1. No intuito de regulamentar a EC 29, é necessário ampla mobilização social (entidades populares e profissionais, por exemplo) e amplo apoio político de prefeitos e de governadores, além de seus partidos, para aprovar a matéria no Congresso e garantir o mínimo de recursos para o SUS.


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+SAÚDE PÚBLICA

Avaliação saúde do idoso no PET-Saúde: possibilidade de FM EM da FOCO Integração entre ensino e serviço baseada numa coleta de dados* Amanda Alves Medeiros, Laura Carvalho Alves Perdigão

Introdução

O Programa de Educação pelo Trabalho em Saúde (PET-Saúde) foi criado com o objetivo de integrar serviço, ensino e comunidade. Em uma de suas vertentes, por meio de parceria entre Universidade Federal de Minas Gerais e Prefeitura de Belo Horizonte, optou-se pela Saúde do Idoso como linha de estudo, com a proposta de avaliar a situação de saúde de idosos residentes na área de abrangência de três unidades básicas de saúde (UBS): Santos Anjos, Jardim Montanhês e Jardim Alvorada.

Objetivo

Avaliar de forma global a situação de saúde do Idoso em áreas atendidas pela Estratégia de Saúde da Família em três UBS da regional Noroeste de Belo Horizonte.

Metodologia

Tutores, preceptores e acadêmicos elaboraram um protocolo multidimensional de coleta de dados que forneceu informações a respeito da saúde dos idosos na comunidade. A amostragem foi definida a partir de sorteios aleatórios de setores censitários e ruas, nas quais as visitas domiciliares foram realizadas. No total, foram consideradas válidas 403 entrevistas.

Resultados

De acordo com dados obtidos, o perfil prevalente de idosos foi: sexo feminino (72,6%); idade entre 60 e 69 anos (40,4%); ensino fundamental incompleto (47,7%); renda de meio a dois salários mínimos (49,3%); principal provedor da família (60,7%); risco de queda (75% de acordo com o Time Up and Go); escore do Minimental maior que 18 (68,3%); dentre outros aspectos.

Conclusão

Os dados são preliminares, porém evidenciam os aspectos que apresentam maior necessidade de intervenções específicas pelos envolvidos na Atenção Primária a Saúde (APS). Além disso, nota-se que o Pet-Saúde possibilita a interdisciplinaridade e a educação permanente dos trabalhadores em saúde. Por fim, observa-se a importância deste estudo como meio de favorecer um melhor planejamento das ações e de direcionar o processo de ensino/aprendizagem de acordo com as necessidades da APS.

Informações sobre as autoras: Amanda Alves Medeiros: terapeuta ocupacional do NASF e preceptora do Pet Saúde do Idoso - Jardim Montanhês. Contato: medeiros.aa@gmail.com // Laura Carvalho Alves Perdigão: acadêmica do 7º período de medicina da UFMG e bolsista do PET-saúde 2010. Contato: perdigao.laura@gmail.com

Retratos do pronto-atendimento do hospital das clínicas da UFMG Clarice Coimbra Turma 134 Quando era conduzida, pelos professores de Semiologia, ao pronto-atendimento do Hospital das Clínicas (PA-HC) para realizar anamneses e exames físicos, retornava para casa angustiada. Algumas vezes questionei: “Professor, por que o PA é tão menos acolhedor que as outras alas do hospital?”. Ouvia: “todo PA é assim” ou “aqui será reformado”. Pensava... Além da péssima circulação de ar e do tanto de gente ocupando o mesmo espaço, esses pacientes ainda são submetidos a mais perguntas e palpações pelos estudantes. Incompreensível!

Como muitos alunos de medicina, guardei essas aflições para mim... Até que uma pessoa muito querida e próxima foi internada no PA-HC. Então, passei a visitá-la diariamente. Em uma das visitas perguntei: “Como eles estão te tratando por aqui?” Escutei elogios aos enfermeiros e técnicos, aos médicos residentes e à comida. Para minha surpresa, ela revelou que o mais difícil era ir ao banheiro. Orientei que fosse acompanhada de uma enfermeira, acreditando que se tratava de uma dificuldade de locomoção. Então, a angústia se transformou em vergonha e raiva ao descobrir que as perninhas octogenárias se viravam muito bem, mas o banheiro e o espaço para banho eram péssimos. Um único sanitário para mais de 25 mulheres; Sem barras de apoio, tranca na porta ou aviso de ocupado. De muitas das macas era impossível saber se estava livre: a paciente se desloca, via a outra fazer suas necessidades e ficava esperando a sua vez. Ao lado, a situação era mais desconfortável. A sala do banho também era o local de depósito dos biombos. O chuveiro não esquentava e tinha pingos espaçados. Não havia lugar para colocar sabonete e outros objetos pessoais. A cadeira de banho estava sem rodas... Depois de muitos dias, ficamos contentes com a alta hospitalar. Um dia após a saída do PA-HC, um diagnóstico de pneumonia. Será que foi o banho frio? Ou a divisão de dois metros quadrados com uma paciente com tosse produtiva? Estou exagerando?! Penso que não. Para cuidar é preciso confortar. E você? Já olhou para além da maca de sua paciente hoje?!

Sanitário feminino do PA-HC

Ocupação da sala de banho

Sala para banho do PA-HC

*O trabalho publicado nesta seção foi apresentado na I Mostra: PRÓ- SAÚDE e PET SAÚDE, realizada em Belo Horizonte/MG, em agosto de 2010.


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+CIÊNCIA

Medicina genômica personalizada: A ciência de manter saúde FM EMaFOCO Sérgio D.J. Pena1,2

O meu aforisma predileto do médico canadense William Osler (18491919), considerado o pai da medicina científica é: “Se não fosse pela variabilidade entre os pacientes, a Medicina seria uma Ciência e não uma Arte”. Este pensamento indica que, se conseguirmos controlar a variabilidade entre os pacientes, a Medicina se tornará uma Ciência. Graças aos avanços do Projeto Genoma Humano este sonho está se concretizando com a Medicina Genômica Personalizada

A Medicina Genômica é uma revolução em curso, baseada em testes de DNA que nos dão conhecimento do mapa de predisposições genéticas de um indivíduo, permitindo que ele monitorize sua saúde. Usando técnicas de altíssima eficiência é possível estudar variações individuais em centenas de milhares de genes simultaneamente, a um custo cada dia menor. Isso nos permite praticar o que antes era impossível: uma medicina verdadeiramente personalizada, lastreada no conhecimento da constituição genética do paciente.

Medicina Genômica Todas as características físicas, intelectuais e comportamentais de uma pessoa são determinadas tanto pelo seu genoma como pela sua história de vida. Nasce daí o paradigma genômico da saúde, como equilíbrio harmônico entre genoma e ambiente. As doenças representam a disarmonia, que na maioria das vezes emerge da confluência de “gatilhos” ambientais agindo sobre genomas predispostos. Conhecendo a intimidade das variações genômicas que determinam predisposições e resistências, é possível manipular o ambiente (nutrição, fármacos, exames clínicos, laboratoriais e de imagens e até cirurgias preventivas) para manter o equilíbrio harmônico genoma/ambiente, que caracteriza a saúde. A Medicina Genômica pode ser lembrada como a medicina dos cinco P’s. Ela é: Personalizada: Porque é baseada no conhecimento das características genômicas altamente individuais de cada pessoa. Preditiva: Porque usa mapas genômicos de susceptibilidade a doenças para prever, de maneira probabilística, o futuro médico das pessoas ainda sadias. Preventiva: O conhecimento das predisposições genéticas permite ajustar o ambiente ao genoma e assim prevenir o aparecimento das doenças. Pró-ativa: Diferente da medicina com foco nas doenças e nos doentes, a medicina genômica visa a manutenção da saúde. Participativa: Agora o próprio indivíduo sadio tem o poder para buscar as informações genômicas e interagir com os seus médicos para lidar com as suas predisposições genéticas reveladas por modernos testes de DNA, antes inexistentes, que complementam os testes atuais.

Conclusões Havia, na prática, duas grandes vertentes da medicina. Uma era curativa e pessoal, tratando pacientes sintomáticos (isto é, já doentes) com baixa eficiência, já que poucas doenças humanas podem ser efetivamente curadas. A segunda era preventiva, mas coletiva, visando a manutenção da saúde pública. Agora, a revolucionária Medicina Genômica reúne o melhor das duas vertentes, permitindo uma prática que é ao mesmo tempo preventiva e personalizada. Seu objetivo é cuidar de pessoas sadias ou baixamente sintomáticas, para evitar ou retardar o desenvolvimento de doenças. A Medicina Genômica não veio para substituir as vertentes médicas pré-existentes, mas para se somar a elas. A Medicina Genômica já está instalada e operacional em Belo Horizonte hoje através do exame Check-up Genômico. É importante entender que ela não difere substancialmente da medicina clínica tradicional. As decisões médicas já incorporam elementos semiológicos diversos, como pressão sanguínea, dosagem de LDL colesterol, mamografia e ressonância magnética nuclear. Agora vão incorporar também informações do genoma. O Check-up Genômico é na verdade um conjunto de testes que fornece ao indivíduo e ao médico uma estimativa da probabilidade de uma doença ocorrer. As informações ampliam as possibilidades de modulação do ambiente, para adaptá-lo ao genótipo do indivíduo, abortando a gênese da doença. Essa é a essência da Medicina Genômica, que já está disponível aqui e agora.

Endereço para correspondência: Prof. Dr. Sérgio D.J. Pena GENE - Núcleo de Genética Médica Av. Afonso Pena 3111, 9º andar 30130-909 Belo Horizonte, MG Tel.: (+31) 3284-8000; Fax: (+31) 3227-3792 Email: spena@gene.com.br Leia o artigo na íntegra na Revista Médica de Minas Gerais; Volume 20, n° 3, Julho a Setembro de 2010, páginas 329 à 334. Acesse o site: rmmg.medicina.ufmg.br

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GENE - Núcleo de Genética Médica de Minas Gerais e Departamento de Bioquímica e Imunologia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG. 2

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EM FORMAÇÃO

Como fazer os professores exercerem suas funções? FM EM FOCO Entrevista concedida pelo professor e vice-diretor da Faculdade de Medicina da UFMG, Tarcizo Afonso Nunes.

Quais as maneiras que a Faculdade de Medicina tem para coibir professores que não cumprem seus deveres? O que tem sido feito para corrigir essas situações? Em 2007, foi realizada uma avaliação dos docentes e das disciplinas. O resultado, muito interessante, foi apresentado para os alunos no salão nobre da Faculdade. A diretoria compareceu a todos os departamentos, durante reuniões das câmaras, para entregar as folhas de avaliações dos respectivos docentes e tecer comentários. Solicitamos, ainda, que fossem tomadas providências para os docentes faltosos. Em reuniões com os chefes de departamentos e nas reuniões da Congregação, a diretoria da Faculdade tem insistido na necessidade de que seja exigido dos professores o cumprimento das suas atividades, inclusive oferecendo todo o apoio necessário. O senhor já foi chefe do Departamento de Cirurgia da Faculdade e tentou conscientizar e penalizar os maus professores deste departamento. Como foi esta experiência? A experiência foi muito interessante, pois houve melhoria considerável quanto ao cumprimento das atividades didáticas pelos docentes. Uma vez constatado que havia falha de alguns docentes no cumprimento de suas atividades, esse tema foi incluído como ponto de pauta na reunião da Câmara Departamental. Deliberouse que deveria ser realizado um trabalho de conscientização dos docentes, por meio de um documento. O último item desse documento sinalizava para o corte do ponto do dia em que as atividades didáticas não fossem cumpridas, caso o docente não apresentasse justificativa convincente. Esse item foi executado, felizmente, para poucos docentes. Fatos relevantes, ocorridos depois dessas medidas, foram as manifestações favoráveis pelos docentes cumpridores das obrigações e pelos coordenadores das disciplinas. Manifestações contrárias foram poucas, insignificantes e sem qualquer argumentação plausível. Afinal, não há como contestar quando o que está em pauta é a exigência do cumprimento das obrigações. Em nossa faculdade, a formação médica é extremamente influenciada pelo conjunto de professores ao qual cada estudante é exposto. Como reduzir essa heterogeneidade de ensino, garantindo pluralidade didática? As disciplinas devem conter programas pormenorizados e estes devem ser seguidos pelos docentes. O coordenador da disciplina e a comissão de coordenação didática do departamento tem a responsabilidade de acompanhar o cumprimento do programa. Pode ser necessária, inclusive, a transferência do professor de uma disciplina para outra.

Como docente e vice-diretor da escola, o senhor acredita que podemos eliminar os comportamentos irresponsáveis de alguns professores de nossa instituição? Como professores, alunos e funcionários podem contribuir? Penso que o número de pessoas faltosas é pequeno, mas causa efeito danoso, inclusive para aqueles que são cumpridores das suas obrigações. Acredito que é possível melhorar muito e até eliminar essa prática abominável, que é a do não cumprimento das obrigações para as quais as pessoas foram contratadas. É preciso, no entanto, contar com a participação de todos, principalmente, da diretoria, dos chefes e das câmaras dos departamentos, das comissões de coordenações didáticas, dos coordenadores das disciplinas e dos funcionários técnicoadministrativos. A participação do aluno é fundamental e poderá ocorrer de duas formas: participação efetiva nos órgãos colegiados e não acomodação frente às situações indesejáveis para o ensino. O aluno deve reclamar em todas as instâncias competentes, inclusive na diretoria da faculdade. É importante ressaltar que esta Faculdade tem mais de 400 professores, sendo muito difícil o controle de todas as atividades exercidas por eles se não houver o comprometimento de toda a Instituição. Um bom exemplo de participação estudantil... Diante de duas ausências de um professor da disciplina de Semiologia I, alunos resolveram reclamar. Como agiram? 1. Escreveram uma carta, assinada pelos alunos do grupo, relatando o ocorrido; 2. Deixaram duas cópias no Departamento, uma para o Coordenador da Disciplina e outra para o Coordenador do Departamento; 3. Deixaram outra cópia no Cegrad (etapa fundamental para que a ação tivesse resultado). Depois de duas semanas, obtiveram uma resposta escrita do professor. Simples assim! Você pode e deve reclamar. Caso você esteja passando por situação semelhante e não sabe como ou está com receio de agir, procure o DAAB.

Mestrado Profissional ganha espaço na área da Saúde Professor Eduardo Alves Bambirra A pós-graduação, por essência, representa um projeto sempre em construção. De uma forma estrutural os programas de pós-graduação no Brasil arranjam-se em dois grandes grupos, de acordo com seu nível de complexidade, sua proposta de formação discente e suas características curriculares: lato sensu- programas de pós-graduação que não são avaliados pelo MEC ou pela CAPES. Os cursos vinculados a esta área tendem a ser mais focados na aplicabilidade prática dos conceitos. Neste grupo, encaixa-se o modelo especial de Residência (médica e multiprofissional em Saúde). No Brasil, as atividades da Residência em Saúde são centradas no MEC/MS, que tem na Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) seu órgão operacional/normativo específico; stricto sensu - programas de pós-graduação que são geralmente aprovados e avaliados periodicamente pela CAPES. Nesses programas, procura-se desenvolver a capacidade de aplicar métodos rigorosos de pesquisa para solucionar ou estudar problemas. Neste grupo estão o Mestrado (acadêmico e profissional) e o Doutorado. Deste grupo, salientamos o Mestrado Profissional (ou profissionalizante). Historicamente, este modelo de pós-graduação não vinha tendo expressivo crescimento até o final de 2009. O título de Mestrado Profissional se equivale ao do Mestrado Acadêmico em concursos e outros fins. Quanto à bagagem de conhecimento vai haver variação, de curso para curso. Enfim, o Mestrado Profissional tem como fim precípuo o mercado de trabalho profissional e, desta forma, sua grade curricular deve ser orientada para este fim. A Faculdade de Medicina, associada ao Hospital das Clínicas- de forma inovadora na UFMG- trilha o desenvolvimento de projetos de Mestrado Profissional. Neste contexto, já estão em elaboração cursos futuros de Mestrado Profissional em: Ciências e Técnicas Nucleares Aplicadas à Saúde; Telessaúde; Ciências da Saúde na Abordagem Teórica e Prática da Violência (este já na fase final de aprovação da CAPES); e o Mestrado Profissional Associado ao Programa de Residência em Saúde (áreas de concentração em Promoção da Saúde e Tecnologias em Saúde), projeto que é institucionalmente mais ambicioso, pela sua amplitude e inovação e que será objeto de tabela a seguir. Acreditamos que, uma vez sobrepassado o longo caminho laboral e burocrático, interno e externo à UFMG, para o encaminhamento institucional deste projeto de Mestrado Profissional integrado à Residência em Saúde, seja possível haver maior capilarização do conhecimento profissional, médico e paramédico, em benefício de indivíduos e da sociedade em geral.

Mestrado Profissional Associado ao Programa de Residência: (Premissas do seu desenvolvimento)

Professor Eduardo Alves Bambirra Departamento de Anatomia Patológica Faculdade de Medicina – UFMG


R-DOCs COMUNICAM Palavras de um R-DOC...

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FM EM FOCO

Felipe Lima Magalhães Turma 133 Inicialmente, é interessante esclarecer o que seria o RDOC e qual a sua função dentro da faculdade. RDOC é a sigla para Representante Discente em Órgãos Colegiados e sua função é participar ativamente das reuniões dos departamentos, congregação ou colegiado; auxiliando na resolução e discussão dos problemas e propostas envolvendo a graduação. Estou atuando como representante discente no colegiado da Faculdade de Medicina há três meses e percebi, neste curto período, a real necessidade de maior participação discente nas decisões tomadas nesta faculdade. Alterações curriculares, propostas de estágios, problemas envolvendo o funcionamento de disciplinas dentre vários outros assuntos passam por discussão e votação. Os professores envolvidos mostram preocupação com o funcionamento da graduação e tentam discutir e pensar nas eventuais melhorias ou prejuízos que suas decisões poderão acarretar na rotina dos acadêmicos. Sendo assim, a representação discente é de extrema importância nestas discussões, pois leva informações sobre as necessidades dos alunos e funcionamento prático da vida acadêmica. Desta forma, reuniões que inicialmente parecem burocráticas tornamse produtivas, pois determinam as normas e o funcionamento da graduação. É possível observar que as decisões não são tomadas de maneira arbitrária, e desde que, um bom argumento seja apresentado, não importa por quem, a decisão será reavaliada pelos representantes. A partir destas decisões surgem as regras, os calendários e a estrutura de um curso, que muitos acadêmicos não percebem como fruto de ampla discussão em órgãos colegiados.

Estágios de vivência Isabela Tavares (Coordenadora de Relações Internacionais do D.A.A.B) Os Estágios de Vivência são os intercâmbios de Prática Médica (SCOPE) e Pesquisa (SCORE), promovidos pela parceria entre Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM) e a IFMSA (International Federation of Medical Students Association). Como funcionam os estágios e o processo seletivo? Os estágios possuem a duração de quatro semanas com estadia e alimentação garantidos pela universidade anfitriã. O aluno deve pagar sua passagem e duas taxas de R$ 210,00. A seleção é feita baseada nos critérios de contagem de pontos presentes no edital de cada ano. Quando e como me inscrever? Para fazer o estágio no período de março de 2011 a março de 2012, o estudante deve se inscrever pelo site: www.denem.org.br; de 28 de outubro à 26 de novembro de 2010. Como funcionam os estágios de vivência na FM-UFMG? No período de março de 2010 à março de 2011, receberemos no total, quatro alunos pelo SCORE, nos departamentos de Patologia Geral e Microbiologia do ICB. Até Março, cinco alunos da FM-UFMG terão viajado para acompanhar atividades de pesquisa em outros países. Pelo SCOPE, oito intercambistas circularam pelos corredores do Hospital das Clínicas, e nesse mesmo período, nove dos nossos alunos estiveram pela Eslováquia, França, Sérvia... Quais as vantagens de receber um intercambista em minha casa? Além do contato com um estudante de medicina de cultura diferente da nossa, ser um anfitrião é o modo mais rápido de acumular pontos para o estágio. Os alunos interessados podem entrar em contato com a Coordenação de Relações Internacionais (CRI) do DAAB pelo e-mail: clevufmg@yahoo.com.br.

Relato de uma viajante... Ana Paula Rocha Turma 133 “Após receber três intercambistas e acumular pontos para participar do SCOPE - Estágio de Prática Clínica, fui para a Eslováquia estudar Cirurgia Geral. Foi um mês de muito aprendizado. Tive a oportunidade de compreender como o sistema de saúde de outro país funciona e perceber que, em muitos aspectos, pacientes de todo o mundo se assemelham. Além da prática médica, conheci estudantes de medicina de vários países e viajei pelo Leste Europeu. Foi uma experiência inesquecível!”

Intercambistas e alunos da FM-UFMG em julho de 2010


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FM EM CONHEÇA AS LIGAS ACADÊMICAS DA FOCO FACULDADE DE MEDICINA!

NEUROLIGA

(Liga Acadêmica de Neuroanatomia, Neurologia e Neurocirurgia de Minas Gerais): É um programa de extensão que atualmente engloba 3 atividades: Reuniões Científicas com discussão de casos clínicos de pacientes com afecções neurológicas, que ocorrem às terça-feiras, de 18:30 às 20:00 horas. Além disso, são ministradas aulas, com professores convidados, sobre conteúdos teóricos que englobam Neuroanatomia, Neurologia e Neurocirurgia. Para participar, o aluno deve ter cursado a disciplina Neuroanatomia e ter sido aprovado na prova de seleção aplicada pela liga, no início de cada ano. Projeto Pense Bem: trata-se de um projeto de extensão que tem como objetivo levar o conhecimento aprendido na faculdade para a comunidade em geral. A seleção para esse projeto consiste em uma entrevista. Curso de Anatomia do Encefálo em 3D: é um curso que acontece semestralmente, e que tem o objetivo de ensinar anatomia funcional empregando imagens produzidas com técnica estereoscópica, facilitando a aprendizagem do aluno. Todo aluno interessado pode fazer sua inscrição no curso. Contato: neuroligamg@gmail.com Informações cedidas pela aluna Marciléa S. Santos.

NEFROLIGA

As atividades das ligas são divididas em dois ciclos: Ciclo Básico - com encontros às terça-feiras, de 18:30 às 20:00 horas, de quinze em quinze dias. Qualquer aluno da graduação em medicina pode participar. Ciclo Ambulatorial - além das aulas teóricas, os alunos devem acompanhar consultas nos ambulatórios (1 vez por semana) e podem conquistar atividades extra-curriculares com os professores. Para este ciclo, é preciso cursar ou ter concluído o quinto período da graduação em medicina da UFMG. As inscrições são feitas no site da FUNDEP e divulgadas no site da medicina. Fique ligado!!! Se o número de inscrições ultrapassar as vagas, será realizado um sorteio - em reunião - com todos os préinscritos. Em 2011, a Liga organizará um grande evento no dia mundial do rim e uma ação junto ao programa HIPERDIA, do Ministério da Saúde. Contato: nefroligaufmg@gmail.com Informações cedidas pela aluna Paula.

LAF

LACARDIO

(Liga Acadêmica de Cardiologia) Ocorrem reuniões/aulas quinzenais, em dias da semana diversificados, às 19:30h. Para participar o aluno deve cursar ou ter concluído o quinto período da graduação em medicina da UFMG ou de outras faculdades de BH e região. Os integrantes da Liga fazem acompanhamento ambulatorial nos Hospitais Mário Pena e Luxemburgo. Neste último, têm acesso também a cirurgias cardiovasculares e procedimentos de hemodinâmica (cateterismos e angioplastia). Além disso, realizam uma visita anual ao INCOR, em São Paulo, na qual observam procedimentos e entram em contato com vários dos cardiologistas e cirurgiões cardiovasculares mais renomados do país. Contato: lacardio-bh@yahoogrupos.com.br Informações cedidas pela aluna Jemima Sant’ana (turma 134).

LAT

(Liga Acadêmica do Trauma)

A Liga promove 20 aulas/ano, geralmente às quartas-feiras, dependendo da disponibilidade dos professores. A seleção é anual e ocorre por meio de prova objetiva, sobre temas ministrados no Simpósio Introdutório da LAT. O aluno deve cursar ou ter concluído o terceiro período da graduação em medicina da UFMG ou o segundo ano da graduação em medicina da FCMMG. Evento promovidos: TraumatizAÇÃO - conta com a participação dos membros da Liga e pessoas que se interessam em ajudar o projeto, como alguns alunos do “projeto AbraçARTE”. Pretende-se aumentar a freqüência do evento, que ocorre no parque municipal de BH, para 4 vezes/ano; Simpósio de Trauma - evento destinado a todos que se interessam pelo tema “Trauma”, com palestras sobre temas que não são ministrados nos encontros da Liga e ocorrência anual. Contato: latufmgfcmmg@yahoo.com.br Informações cedidas pela aluna Júnia Cajazeiro (turma 133).

(Liga de Farmacoterapia) Encontros quinzenais, às 19:00 horas, na sala 150, sob a coordenação docente do professor Fabrício Moreira. A seleção é anual e o pré-requisito é que o aluno tenha cursado Farmacologia Médica I. Dica da LAF: a Sociedade Brasileira de Cardiologia publicou as VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, em julho desse ano. Confira a terapêutica e revise as classificações! Contato: lafmedufmg@yahoo.com.br Informações cedidas pelo aluno Wilton Santana (turma 136).

LITEL

(Liga de Telessaúde da UFMG) Ocorrem reuniões semanais para os coordenadores de projetos; e reuniões gerais, na última quarta-feira do mês, às 18:00 horas, na sala 613. A coordenação docente é feita pelos professores Cláudio de Souza, Maria do Carmo B. de Melo e Humberto José Alves. Para participar o aluno deve cursar ou ter concluído o quinto período da graduação em medicina da UFMG; participar do Simpósio anual da Liga; e se submeter a uma entrevista. Projetos em andamento (com o apoio do Centro de Tecnologia em Saúde -CETES- e do Internato Rural): Conexão Saúde (visa auxiliar o contato aluno-professor e facilitar o atendimento dos alunos internos, através da disponibilização de computador e programa específico criado pela liga); Se Liga na Saúde (criação de material didático sobre diversos assuntos da saúde); e discussão de casos clínicos, por videoconferência, com outras ligas de telessaúde do Brasil. Alguns integrantes da Liga desenvolvem, ainda, projetos de Iniciação Científica e Monitoria. No primeiro semestre de 2011, será realizado o Simpósio de Telessaúde da Litel. No evento, serão discutidos e apresentados: assuntos interessantes da Telessaúde no Brasil e no mundo; os rumos da Telemedicina; e os trabalhos desenvolvidos pela Liga. O evento será divulgado em toda a faculdade e pelo site www.litel.org Contato: ligatelessaude@yahoogrupos.com / blanktelessaude@yahoogrupos.com.br Informações cedidas pela aluna Luiza Corradi (turma 134).

Se você participa de outras ligas da Faculdade de Medicina, divulgue aqui informações e eventos!


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DARTES

FM EM FOCO

E não cantava se não fosse assim Danilo Messias Turma136

“Prepare seu coração pras coisas que vou cantar”; os festivais de música parecem estar atrelados à turbulência da sociedade. A instabilidade política e a violência social dos anos 60 e 70 deram voz a artistas iniciantes que construíram, substancialmente, o que chamamos hoje de MPB. Geraldo Vandré, Chico Buarque, Edu Lobo, Tom Zé, Caetano e Gil disputavam o protesto, a retratação da vida, sem deixar o amor entristecer, além de se alternarem nos primeiros lugares dos festivais da Record. Após alguns governos democráticos, porões escuros não são mais o destino dos artistas brasileiros. Mas então, em tempos de acordes e discurso livres, onde foram parar os festivais. Parece que os movimentos musicais no Brasil não se dão bem com estações de paz. Experimente verificar em seu computador a memória ocupada por músicas nacionais produzidas nas últimas duas décadas. Salvo canções temporãs de carnaval e de festa, pois essas passam sem deixar nada, quantas seriam de artistas revelados nesse período? Nesse exercício, achei em meu repertório duas opções realmente inovadoras; Chico Science e Nação Zumbi, com um rock maracatu de uma tonelada; e Los Hermanos, com sua poesia musicada. A primeira, surgiu do grito de socorro da cultura e ambiente do nordeste estrangulados pelo meio urbano crescente, opressor e caótico, assim o “movimento” Manguebeat irrompeu da

O pequeno Nicolau

Comédia, França, 2009. Filme francês que retrata o universo infantil, de maneira divertida e inteligente, com extremo bom gosto e bom humor.

Aprender a viver Autor: Luc Ferry Parece auto-ajuda, mas não é. Você com certeza sente angústias quando pensa no fim da vida. O filósofo Luc Ferry trata desse tema com doses cavalares de filosofia, mas de uma maneira completamente palatável e convidativa, mostrando como as diferentes correntes filosóficas abordaram a questão. Vale a pena, mesmo pra quem nunca teve contato com a reflexão filosófica.

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turbulência que move a música. Já a segunda, se formou por jovens estudantes universitários do Rio de Janeiro. Talvez um lugar interessante para servir de palco às músicas que desejam nascer esteja aí, na origem do Los Hermanos. Na UFMG os festivais de música e cultura tem aumentado. As últimas calouradas trouxeram uma linha musical que estava esquecida. Nação Zumbi e Teatro Mágico fizeram o som da festa geral dos calouros da universidade. E claro, a Vinhada com Sgt. Peppers Band. Sem desafinar, a gestão Centenário organiza um projeto musical de incentivo a novos artistas e cultura à boa música: O FESTIVAL DE BANDAS DO DAAB. Além disso, as comemorações do centenário prometem barulho de qualidade. Aguarde, escutando boas canções, pois a vida não se resume em festivais, e a estrada vai além do que se vê.

Geraldo Vandré em festival de 68

Na natureza selvagem

Drama, EUA, 2007. Busca incansável de um jovem recém-formado pelo verdadeiro sentido da vida. Sincero, poderoso, transformador. Um culto a natureza e aos relacionamentos humanos, além de um roteiro brilhante, a trilha sonora é um personagem à parte no filme.

Marcelo Camelo, Rodrigo Barba e Rodrigo Amarante, em show do Los Hermanos no SWU

Árido movie

Drama, Brasil, 2006. Um famoso repórter do tempo que mora em São Paulo, retorna à sua cidade-natal, no interior do nordeste, para o enterro do pai, que foi assassinado. Lá ele encontra uma parte da família que ainda não conhecia, e que lhe cobra que se vingue da morte do pai.

Médico de homens e de almas Autor:Taylor Caldwell. 46 anos de pesquisa convertidos em um relato completo e complexo sobre a vida de Lucano, ou melhor, São Lucas. Independente de crenças religiosas é um livro que retrata a prática médica em sua forma mais crua e bela: o cuidado humano. Leitura indispensável para uma formação médica completa.

O Processo

Autor: Franz Kafka Josef K. é condenado e sua existência torna-se O Processo. Inacabado, mas repleto de sentido, o livro nos faz questionar a justiça dos sistema humanos.

11/22/10 10:19 AM


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MoDA

A tendência agora é... Melissa Sandy Mattos (Designer de Moda e Ilustradora)

FM EM FOCO

Todas querem estar na moda e seguir as suas tendências, aqui vão algumas dicas para não esquecer como montar looks sem errar. A renda e o estilo Boudoir estão em alta! Para aderir ao estilo Boudoir é possível escolher peças com uma inspiração bem sutil no underwear ou até mesmo escolher alguma peça que seja realmente “roupa de baixo” e usar por cima, fazendo composições adequadas. O fato é que a tendência Boudoir é facilmente adaptável para todos os estilos e faixas etárias. Aposte no estilo leve e delicado, que proporciona um visual que une romantismo e sensualidade. Os detalhes são outro ponto forte e muitas marcas apostaram em aplicações para levantar o visual. Além das flores, os desenhos geométricos e abstratos vem com força, principalmente por causa dessa onda étnica e minimalista que está com tudo. Se combinados com profusão de acessórios rústicos, melhor ainda: certeza de um look super fashion. Abuse das estampas, cores fortes e não se esqueça de completar tudo com uma bolsinha tiracolo. Os veludos também estão de volta e em grande estilo. O tecido é popular entre as pessoas de todas as faixas etárias e pode ser utilizado em diferentes peças de vestuário, com elegantes cortes e padrões, como blazer, saias e calças.  Vale lembrar que não há (quase) nada mais atemporal do que um bom jeans. Por isso apostem em chemisier, jaquetas, vestidinhos ou shorts curtos para incluir os looks. Aparece coisa diferente no mundo da moda o tempo inteiro, agora óculos de grau são acessórios de moda e a tendência são as armações grandes e grossas. E na maquiagem o grande hit são os delineadores coloridos. A calça cenoura também vem com tudo, é bastante versátil e pode ser usada com a maioria das roupas. O formato cenoura mais afunilado da calça cropped sai às ruas no mundo inteiro. Mas é importante saber que a moda não é impositiva e, ao conhecer as novas tendências, é preciso avaliar se condizem com o estilo pessoal e formato do corpo, certo?

D.A.A.B Fashion Day Imagens do dia 09/11/2010

Melissa Sandy Mattos (Designer de Moda e Ilustradora)

Sobreposições nem sempre são fáceis de acertar, mas ela acertou com duas cores neutras, o preto e o branco. A blusa de baixo é uma regata no estilo mais sport e a de cima é mais soltinha, no estilo boneca.

O que chamou a atenção no seu look foi a sapatinha dourada que combinou perfeitamente com a blusa romântica bem soltinha no tom forte amarelo. O jeans - que nunca sai de moda - deu uma quebrada no look, deixando-o mais descontraído.

Ela soube combinar o seu estilo descontraído com detalhes marcantes, como o cadarço em contraste com o roxo do tênis e da regata. O xadrez do moleton em tons de azul completou o look.

Ela soube deixar seu visual perfeitamente sutil vestindo uma calça skinning com detalhes listrados, uma sapatilha básica em tom cinza e a combinação de cinto sobre a camiseta, que está super na moda.


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FM EM FOCO

FM EM FOCO

Entrevista

minha formatura em 2010, pretendo freqüentar e ajudar a Psicose no que for preciso. Desde o primeiro periodo na faculdade (4 anos). Desde março de 2007. Desde março de 2007.

Coordenadores da PSICOSE

Quais as funções dos coordenadores da Charanga? Há inúmeras funções. Coordenar 145 pessoas não é fácil, por isso mesmo, esse ano tivemos 5 coordenadores. Entre as funções que podemos enumerar temos: organizar a entrada de calouros; fazer chamada nos ensaios e arrecadar a mensalidade; encomendar macacões e camisas; elaborar músicas, gritos de torcida, coreografias; construir toda a apresentação exibida no concurso de charangas; criar e executar regras a serem seguidas por todos integrantes, inclusive pelos próprios coordenadores, para que se tenha o melhor funcionamento possível; fazer a manutenção dos instrumentos e, não menos importante, promover eventos de confraternização entre os integrantes, como butecos, churrascos, festas, entre outros. Devem garantir, sobretudo, que a charanga cumpra com seu principal dever: ser a torcida organizada da FM-UFMG em qualquer competição a que esteja inserida, apoiando seus atletas. Como são feitas as músicas e as coreografias da PSICOSE? As músicas, assim como as coreografias, normalmente são feitas pelos próprios coordenadores, muitas vezes com a ajuda de qualquer integrante que queira contribuir. Algumas foram criadas ou adaptadas com a ajuda de percussionistas.

PSICOSE em ação

Entrevista com os coordenadores da Psicose: Flávio Moreira Greco Cosso (133) Marcello de Albuquerque França (133) Nathália Rodrigues G. de Andrade (129) Rayana Rolla Campos (134) Thiago Fabrício Pereira de Almeida (134) Porque participar da Psicose? Inicialmente,porque sempre gostei de música.Por isso, quando vi a apresentação da Psicose na semana de “recepção dos calouros”, tive certeza que queria fazer parte daquele grupo.Depois que entrei,descobri mais inúmeros motivos para continuar sendo uma psicótica: conheci pessoas de todos os períodos da faculdade e fiz várias amizades;encontrei um momento de desestressar da grande carga horária de aulas que temos; e me uni,junto a todos os outros integrantes, para construir uma charanga forte e que foi campeã em 2008. Ver os times agradecendo a charanga após um jogo no Intermed, ter o frio na barriga antes da apresentação na competição de charangas, o orgulho de ver toda faculdade gritando nosso nome e nos dando apoio e, no fim, ver como nossa apresentação ficou linda,não tem preço! Porque a Psicose é onde distraímos, encontramos os amigos e fazemos amizades com pessoas de todos os períodos, onde podemos esquecer um pouco o estresse da Medicina. Os ensaios são muito divertidos e após eles sempre sentamos em um buteco. Quantos integrantes o grupo tem atualmente? 145 integrantes. Há quanto tempo você está no grupo? Desde agosto de 2007. 6 anos (4 anos sendo coordenadora). Mas mesmo após

Você acha que os alunos que não fazem parte do grupo respeitam e admiram a PSICOSE? Sim. Acreditamos que a Psicose, hoje, é admirada por grande parte da faculdade e respeitada por todos os alunos. O grupo sofreu grandes mudanças nos últimos anos que, na nossa opnião, contribuíram para sua melhoria em todos os aspectos. Recebemos muitos elogios de alunos que não participam da charanga, sempre demonstrando muito reconhecimento e muita admiração pelo nosso trabalho e desempenho. Algo que nos deixa especialmente satisfeitos é o agradecimento e a satisfação dos atletas nas competições, que gostam e sentem falta da nossa presença nos jogos, situação conquistada nos últimos anos graças ao empenho do grupo na torcida. Além disso, é emocionante ver na arquibancada, na hora da apresentação, a quantidade de gente que fica lá pra nos ver tocar e torcer pela gente. E todo ano, quando há a entrada de calouros na Psicose, a procura é tão grande que é necessário lista de espera. Você acha que a comunidade da FM-UFMG poderia apoiar melhor o grupo em algum aspecto? Qual? Sim. Eu acho que a comunidade da FM-UFMG deveria ser mais unida, no sentido de aliar forças para conseguir resolver os problemas dos diversos grupos. Esse ano, por exemplo, a Psicose ficou sem lugar para ensaiar no horário de costume, pois o barulho incomodava os estudantes da enfermagem. Então a saída foi mudar o horário do ensaio. Isso causou um enorme transtorno porque o tempo de ensaio foi reduzido, então tivemos que ensaiar duas vezes na semana, o que ficou complicado para muitos integrantes. Além disso, o horário mais cedo dificultou muito a permanência de estudantes no grupo que ainda cursavam disciplinas ministradas no ICB. Nesse contexto, senti falta de um apoio efetivo de diversos grupos da faculdade, inclusive da diretoria, no sentido de buscar, juntamente conosco, uma solução para o problema. Penso que não só nesse caso dado como exemplo, mas em todas as situações, devemos buscar uma maior integração e diálogo entre os grupos da faculdade, para fortalecermos como comunidade.


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FM EM FOCO

FM EM FOCO

Caminhar é preciso... Danilo Messias Turma136

Recebi um pedido para selecionar fotos da caminhada etílica da 136. A tarefa conquistou minhas memórias com mimos dos bons momentos vividos com essa turma. Naquele dia, tudo estava programado para ser festa. A última prova do ICB era apenas o aquecimento para o jogo da seleção brasileira contra a Holanda, pelas quartas de final da Copa da África. Antes do jogo, pela primeira vez na faculdade muitos alunos experimentaram a sensação de fazer uma prova por fazer. Os mais afoitos deixariam facilmente a prova em branco, se as questões não fossem fechadas. Sábios professores. Mas Dunga e seus anões não colaboraram com a nossa festa de despedida. A amarelinha levou o revés da laranja mecânica, Holanda 2, Brasil 1. Logo no dia da caminhada? Foi a pergunta que alinhou o pensamento de todos após o fim do jogo. Seria o suficiente para bambear as pernas dos alcoólicos atletas?

Não os da 136. A animação da caravana chocava as ruas ainda de ressaca pela derrota canarinha. Quem passava estranhava a farra e o foguetório “ o que tanto comemoram?” “Deve ser uma colônia holandesa de beagá“ . Alguns xingavam a falta de luto como antipatriotismo e outros entravam no ritmo do trio e protestavam com a buzina “ Isso mesmo, tinha mais é que perder!”.Ninguém entendeu o motivo do carnaval fora de época e de ocasião. Acabara o ciclo básico, caminhando e cantando e seguindo a canção, e reciclando muitas latinhas, seguíamos rumo à Alfredo Balena. “A caminhada resume nossa história no ICB, no final não lembrávamos de quase nada”.Discordo. O mais importante desses quatro períodos não esqueceremos, talvez, pelo resto de nossas vidas. O que não foi grafado nem apresentado, afinal as provas e os trabalhos figuraram apenas como intervalos entre uma festa e outra sem que a gente percebesse. O tempo sobra muito nos primeiros períodos para que a relação entre os alunos se estreite. Não tinha que programar nada, dava pra ir no CEU não fazer nada, beber no borracheiro, ir na 136 mais um, mais dois, mais três, e de tanto multiplicar 4 x 4 perdi a conta. Quem achar que é mentira pergunte ao Tesouro. E as amizades nasceram nesse ritmo, na graminha do ICB, bem devagar, com o respaldo do tempo que não tinha fim. O Boneco ficou tanto tempo no ICB que virou Thiago Sérgio e depois Nheco. Ele e Diogo tiveram paciência, insistência e o tempo que só o gigante das biológicas nos dá, para provar que Platão estava errado, e que amores idealizados podem deixar de ser sonhos. Aliás, foi a insistência de todos que transformou 160 felizardos do vestibular em uma turma de medicina. Os céticos dirão “É especial porque você é da 136”. Não tenho motivos pra discordar, sim, é especial porque sou da 136.

Carta aberta à comunidade da faculdade de medicina em defesa da extensao universitária: o ABRAÇARTE Carta anônima recebida pelo DAAB.

Abraçarte. Talvez não tão conhecido para alguns, esse é o nome do Projeto de Extensão que vem se configurando em uma divertida oportunidade de transpassar as salas de aulas para construir um olhar diferenciado sobre a rotina hospitalar. Fundado há quase 10 anos como uma parceria entre a Faculdade de Medicina e o Programa de Humanização do Hospital das Clinicas, o Abraçarte conta hoje com quase 40 alunos que se revezam semanalmente nas alas pediátricas do HC-UFMG como palhaços, que cantam, dançam, falam, e tentam compor para as crianças um ambiente que fuja da repressiva realidade da internação. Mas esses palhaços, consagrados como símbolo do projeto, escondem em seus narizes uma proposta muito maior. A UFMG foi uma das primeiras instituições de ensino superior a fundar seu próprio grupo de Palhaçoterapia. Hoje, também existente em outras instituições, como UFOP, UNIOESTE e UFJF, chegando, em Goiás, a ser uma disciplina optativa. Em todo o país, esse tipo de projeto tem sido visto como uma excelente alternativa para levar ao estudante de medicina a necessidade de saber tratar o paciente em uma esfera psíquica e social individual. Talvez por isso, na última semana de Extensão, o Abraçarte ficou em sexto lugar, entre as centenas de projetos avaliados – a melhor posição alcançada por estudantes de medicina em 2010. E na FM? O que tem sido feito recentemente? Nada, infelizmente. E como ex-participante e admirador eterno do projeto, vejo que muito

pouco é feito pelo Abraçarte. A culpa não é dos alunos, pelo contrario, é o amor deles pelo projeto que mantém viva uma das melhores iniciativas de Humanização do ensino médico existentes em Belo Horizonte. O que me assusta é ver professores que têm nas mãos algo tão virtuoso, e que não conseguem se esforçar minimamente para levar a esses alunos o incentivo e a coordenação que um projeto desse porte necessita. A minha pergunta é: onde está a coordenação do Abraçarte? (que, segundo informações, não comparece às reuniões semanais do projeto há mais de dois anos). Outra: onde está a Faculdade de Medicina, que não fiscaliza esse absurdo que acontece com seus próprios estudantes? O projeto tem potencial para ser grande, produtivo e acolher mais dezenas de alunos que já se manifestaram interessados… Queria saber como ajudar os participantes do projeto, que estão se sustentando precariamente com dinheiro próprio e autocoordenação, enquanto quem deveria lutar pelo projeto não cumpre suas funções e ainda se vangloria com um trabalho que não é seu. Estamos nos aproximando do Centenário. Para esses estudantes, é realmente hora de cem… ou seria ”sem”? Sem coordenação, sem ajuda, sem perspectivas de crescimento. Minha carta é um apelo. Apelo pelo projeto que enriqueceu tanto minha formação médica. Apelo para que ainda se possa realizar atividades com nossos futuros pacientes de forma que eles também se divirtam e se beneficiem do

riso mútuo. Apelo para que não sujeitemos algo tão bonito à ineficiência de uma coordenação que mais age como ditadura e deixa o projeto agonizar! Está na hora de mudar. Espero que nesse ano de comemorações, eu possa comemorar a correção de uma das maiores injustiças cometidas dentro dessa Faculdade. Vamos apoiar, vamos cobrar. Com certeza os alunos que passam pelo Abraçarte são as pessoas com quem eu quero trabalhar. Porque são humanos, e no melhor sentido dessa palavra, serão médicos humanizados. Porque levam à frente algo de que a FM-UFMG deveria se orgulhar, e não simplesmente ignorar. Alô Chico Pena, tá me ouvindo? Com essa carta, “trago uma Rosa para te dar… para te dar!”. Mas não espere perfumes, e sim os espinhos.


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FM EM FOCO

Entrevista

FM EM FOCO

Todas as perguntas foram respondidas pela Diretoria do Show Medicina/2010. Por que participar do SHOW MEDICINA? A Faculdade de Medicina da UFMG oferece muitas oportunidades que demonstram que nosso curso vai muito além de livros e aulas. Dentre elas, o Show é uma experiência única. Criamos um espetáculo diferenciado, no qual fazemos tudo, de figurinos e cenários até os textos e a direção. No Show há espaço para os mais variados talentos: a Luz Negra e a GRUTAA BIG BAND, por exemplo, são espetáculos a parte. Além disso, o Show contribui para que seus integrantes percam a timidez, desenvolvam as relações interpessoais, a criatividade, o pensamento crítico, e construam fortes laços de amizade. Enfim, tudo que é imprescindível para a prática médica e para a vida em geral. Quantos integrantes o grupo tem atualmente? 45 acadêmicos, além do pessoal formado (oscaveirados) que sempre aparece pra dar uma mãozinha. Há quanto tempo o grupo existe? Mudou alguma coisa desde a fundação? O grupo existe há 56 anos. Com certeza mudou muito durante esses anos. O Show começou com pequenas apresentações no DAAB, passou ao teatro Marília e hoje é recorde de público no 2º maior teatro de BH, o SESIMINAS. Com um público tão exigente como o nosso, pra conseguir esse crescimento só mesmo com muito trabalho e inovação. Quando começa a preparação da apresentação anual do Show? O Show não pára, qualquer buteco é oportunidade para criar. Terminamos um show já pensando no próximo. O que gasta mais tempo dentro da produção do espetáculo? Ensinar a calourada a fazer show. Qual é foi o público do espetáculo deste ano- “Show Medicina 2010 - Graça pouca é bobagem!”? Cerca de 3000 pessoas, divididas em 4 dias de espetáculo. Você acha que os alunos que não fazem parte do grupo respeitam e admiram o Show? A faculdade é grande, né?! Você acha que a comunidade da FM-UFMG poderia apoiar melhor o grupo em algum aspecto? Qual? Não só o show como todas as outras entidades extra-curriculares da UFMG poderiam contar com maior apoio da faculdade, não apenas dos alunos.

Diretoria do Show Medicina

Integrantes do Show Medicina

Resultados do questionário de satisfação aplicado aos usuários da sede do DAAB •

Em média, 750 pessoas freqüentam o DAAB diariamente. Perfil dos usuários da sede:

• • •

Foram sugeridas as seguintes alterações para o cardápio da CANTINA: suco natural (por 281 pessoas); almoço diversificado (por 210 pessoas); açaí (por 172 pessoas); bolos e tortas (por 128 pessoas). Além disso, sugeriram frutas, sorvetes, vitaminas, opções vegetarianas e pão de sal com Becel; Mais de 86% dos entrevistados sugeriam um novo xerox no DAAB. Resolveremos esta situação até o início do próximo semestre letivo; 17,5% dos usuários já cortaram cabelo no Bráz e 8% cortam frequentemente: Benfeitorias sugeridas e já realizadas: mesas para a varanda e troca dos ventiladores. Aguardamos a entrega de computadores novos e a instalação do wireless;

Mais de 80% dos usuários frequentam a cantina Dona Marta e as principais críticas relacionam-se aos preços cobrados:

A Gestão Centenário depende dos alunos para manter o espaço que é de todos. Pedimos a colaboração na conservação e limpeza do DAAB e agradecemos aos 91,5% que nos apóiam. Questionário aplicado nos dias 20, 21 e 22/09/2010


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REGISTROS DA GESTÃO CENTENÁRIO FM EM FOCO RECEPÇÃO DA 140ª TURMA: Boas vindas da Diretoria, do Colegiado e do Setor Administrativo da Faculdade; Continuidade às visitas guiadas a centros de saúde de BH; “Memórias, Mestres e Histórias”-um pouco do passado da Faculdade de Medicina da UFMG; Participação admirável de vários professores (que há muito tempo não se envolviam com a Recepção de Calouros); Pipoca e discussão profunda do seriado House; Tour pelo Campus Saúde; Apresentação dos Projetos de Extensão da Faculdade, do NAPEM, do Conclave, da Psicose e do Show Medicina. A turma 141 está chegando... Participe da próxima recepção de calouros!

Recepção da 140ª Turma da FM-UFMG

ANTES

DEPOIS

OCUPAÇÃO DAS VAGAS DISPONÍVEIS PARA ALUNOS NOS ÓRGÃOS COLEGIADOS DA NOSSA FACULDADE: Nossa Gestão quer contribuir ativamente para melhorias do ensino na FMUFMG. Com esse objetivo, conseguimos ocupar todas as vagas para representantes discentes- na congregação, colegiado, Hospital das Clínicas e departamentos - que estavam ociosas... PARTICIPAÇÃO NO 48° CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO MÉDICO (COBEM): Estivemos no COBEM 2010 para realizar uma avaliação do evento e criar uma referência para o nosso COBEM 2011. A grande surpresa da viagem foi nossa participação na reunião da DENEM: contrário à nossa vontade inicial, nos vimos impelidos à propor mudanças nos rumos da entidade de representação máxima dos estudantes de medicina... Antes do previsto, a Gestão Centenário se coloca agora em instâncias superiores de representatividade. Manteremos nosso foco em questões internas sem descuidar de aspectos além FM-UFMG, que nos sejam relevantes. VINHADA DO 2º SEMESTRE/2010: Na última Vinhada da Medicina... Relembramos Beatles - ao som do Sgt Peppers; presenciamos a banda “Vagabundo não é fácil” em seu admirável tributo a banda Novos Baianos; ouvimos o animado Sertanejo de Alberto Magno; sentimos a emoção da Psicose; e, ainda, bebemos muito vinho?! Agradecimentos aos “abadás”...

COPA DO MUNDO: Mais de 200 pessoas torceram juntas pelo BRASIL no D.A.A.B e se divertiram ao longo dos jogos de nossa Seleção... Em 2014, a taça será nossa!

ESCLARECENDO... Sábado, 23 de outubro, dia em que a sede social usualmente está ociosa, aconteceu no DAAB a Oktobermed, organizada pela turma 138. Alguns estudantes questionaram o fato dos alunos da faculdade terem que pagar pelo acesso à festa, que contava com bebidas liberadas: alegaram que qualquer aluno tem livre entrada no DAAB. No entanto, isso não está previsto no estatuto. Por outro lado, parte da arrecadação da bilheteria foi destinada ao Diretório e essa verba será revertida em melhorias. Como não possuímos mais os repasses da FUMP, precisamos de outras fontes para financiar nossos projetos e implantar as melhorias demandadas pelos alunos. O DAAB está buscando ampliar o horário de funcionamento da Biblioteca Baeta Viana. Aguardem!

ANTES DE MAIS NADA: Água e Higiene! Um das primeiras ações da Gestão Centenário foi melhorar a infra-estrutura da sede do DAAB: consertamos os bebedouros (que estavam encostados há meses); adquirimos mais lixeiras; tentamos melhorar a limpeza dos banheiros e não deixar faltar papel higiênico e sabonete... O mínimo que os gestores do DAAB deveriam fazer, não é?! Feito isso, é dever de todos os usuários zelar pela limpeza: faça sua parte, não suje o DAAB!

PROJETOS PARA COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA FM-UFMG: Participar da organização do COBEM 2011; Organizar um grande Festival Cultural com música erudita, percussão, MPB, samba, rock, teatro, ballet clássico, dança de rua, dança contemporânea, vídeos... Realizar um festival de bandas da UFMG para incentivá-las e divulgá-las; Montar uma exposição sobre a história do movimento estudantil na nossa escola, resgatando fotos, jornais, vídeos e depoimentos; e Elaborar uma edição do Jornal Radium - especial para o centenário.

2010: NOVEMBRO: Participação no Encontro Regional dos Estudantes de Medicina (EREM), em Ouro Preto/MG; Festa “O início, o meio e o fim”; e Feira de Artesanato e Cultura-em parceria com a ASSUFEMG. DEZEMBRO: Caminhada Etílica da Turma 137; e Festa à Fantasia.

2011: JANEIRO: Participação no Congresso Brasileiro de Estudantes de Medicina (COBREM), em Maceió/ AL. Viaje conosco e participe do movimento estudantil nacional! FEVEREIRO: Mercado das Pulgas!!! MARÇO: Festival de Bandas do D.A.A.B; Recepção de Calouros e Vinhada; e Atividades para comemoração do Centenário da FM-UFMG. ABRIL 2011: Seminário de Saúde Pública; Festa “Queda do Muro”- UFMG + FCMMG...


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Edição do 2º semestre do ano de 2010 do jornal dos Estudantes de Medicina da UFMG

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