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CINECLUBE

LATINO-AMERICANO boletim de junho #10

cinema da amĂŠrica latina e

a literatura regionalista


Editorial ................................................................................................ 03 Nuestra América ................................................................................... 04 Cinema Mudo ...................................................................................... 06 Sessão Cineclubista ............................................................................. 08 Cineclubinho ........................................................................................ 10

Textos e pesquisa: Frank Ferreira e Mayra Rizzo. Design e diagramação: Guilherme Candido. Referências fotográficas dos filmes retiradas de sites. Fotos de eventos: Walter de Queiroz. Outras colaborações: comissões da Programação, do Cineclubinho, de Comunicação e de Movimento Cineclubista, pelo S.E.R.I.O., pelo Grupo de Estudos Cinema latino-americano e vanguardas artísticas e por voluntários do Cineclube Latino-Americano Juan Carlos Arch. Com poucas e honrosas exceções, as mídias não divulgam nossa programação.

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Se gostar e achar que nosso trabalho tem importância, por favor, ajude-nos a divulgá-lo, reproduzindo e compartilhando nossa programação em suas redes de amigos.


No mês passado o Cineclube Latino-Americano completou um ano de atividades. Isso significa um ano intenso de muito trabalho, militância e aprendizado. Começamos as atividades com meia dúzia de militantes cineclubistas e, neste período, triplicamos o número de associados e colaboradores envolvidos na gestão do Cineclube. Esse aniversário representa um degrau a mais rumo ao ideal do fazer cineclubista: o público responsável pela gestão e fruição do exercício audiovisual. E nesse passo (de formiguinha) vamos realizando pequenas conquistas como o nosso Espaço de Convivência, a ampliação da programação e, mais recentemente, o tão esperado “Noitão”- evento inaugurado neste mês de maio que promove a exibição de filmes pela madrugada adentro. Parabéns aos associados, militantes e colaboradores que juntos fazem a estrutura do nosso Cineclube e que venham muitos aniversários!

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o cinema da américa latina e a literatura regionalista

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4 de junho

PEDRO PÁRAMO

(Carlos Velo, México, 1966, 110 min, p&b)

Com a morte da mãe, Juan Preciado busca seu pai na remota aldeia de Comala. Sua viagem significa a reconstituição simbólica do tempo mágico que lhe fora descrito pela mãe e o consequente encontro com o seu centro, pai, tutor, megálito. Na aldeia em ruínas, Juan trava contato com espectros e sussurros de almas que penam o passado. A Comala de Pedro Páramo e a Comala abandonada de Juan Preciado formam uma correlação memorial e mitológica do México rural, habitado de solidões e diversidades. 11 de junho

A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA (Roberto Santos, Brasil, 1965, 109 min, p&b)

Adaptação do conto homónimo de Guimarães Rosa, pertencente ao conjunto de contos (“Sagarana”, de ) que se enraízam na vida sertaneja. É uma história de redenção. O espectador acompanha a trajetória do fazendeiro Augusto Matraga, tomando a contradição das experiências místicas e violentas do personagem como eixo orientador da sua vida. Na metamorfose expiatória de demónio para santo, o personagem leva o espectador a presenciar antagonismos essenciais do Brasil dos sertões.

toda quarta-feira, às 19h00

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MARTIN FIERRO

(Leopoldo Torre Nilsson, Argentina, 1968, 120, cor)

Martín Fierro é a figura do gaúcho indomável, rancheiro povoador das pampas argentinas. Sua natureza áspera e intratável remete à terra seca e inóspita que habita. Guiado por seu instinto de “bárbaro”, Fierro torna-se um desertor procurado pelas autoridades, após fugir do serviço militar da fronteira. Encontrando sua fazenda familiar em ruínas, adota uma vida nômade, em busca de salvação. Sua errância evidencia-se como reconstrução do mosaico social que habita. 25 de junho

SÃO BERNARDO

(Leon Hirszman, Brasil, 1971, 113, cor)

A história confessional de Paulo Honório, no interior de Alagoas, onde o personagem vive aos poucos sua ascensão social, de guia de cegos a latifundiário. A um tempo psicológico e político, o filme observa a construção da riqueza de Paulo e a paralela desconstrução de sua subjetividade. Assim como na obra homônima de Graciliano Ramos em que se baseia, o comedimento expressivo também é característica essencial do filme de Leon Hirszman, no qual a fome e o rigor estilístico são o relato da asfixia social. Contudo, à vida seca vão-se agregando visões de confiança nas transformações sociais, integradas na própria fragmentação da personalidade de Paulo Honório.

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8 de junho

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Depois de fugir da escola, viajar pela

Ásia e pelo norte da África, lutar na

I Guerra Mundial e escrever roteiros, Fritz Lang (1890-1974) começou a dirigir

filmes em 1919. Com êxitos como os da série

com o personagem dr. Mabuse, tornou-se um

dos cineastas mais populares da Alemanha. Dono de impressionante versatilidade e estilo

enraizado no expressionismo, realizou filmes policiais, de fantasia e de terror. Com a futura

esposa Thea von Harbou, fez Metrópolis (1927) e

M, o vampiro de Dusseldorf (1931). Em 1933, para

fugir da ascensão do nazismo, emigrou para os EUA, de onde exerceu forte influência no cinema dramático e no chamado film noir.

6 de junho

DR. MABUSE, O JOGADOR

(“Dr. Mabuse, der Spieler”, 1922, Alemanha, 95 min, p&b) O dr. Mabuse e sua organização de criminosos promovem um roubo de informações que proporcionará enormes lucros na Bolsa de Valores. Mabuse se disfarça e vai ao show do Folies Bergère, onde Cara Carozza, a principal atração, lhe indica a próxima vítima, o jovem milionário Edgar Hull. Mabuse usa a manipulação psíquica para fazer com que Hull perca muito dinheiro em um jogo de cartas. 13 de junho

DR. MABUSE, O INFERNO DO CRIME

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(“Dr. Mabuse: Inferno”, 1922, Alemanha, 109 min, p&b) O comissário de polícia von Wenk começa uma investigação e precisa encontrar alguém que possa ajudá-lo. O dr. Mabuse tenta de todas as formas neutralizá-lo, chegando até a controlar sua mente numa impressionante sessão de hipnotismo coletivo. Já conhecendo seus métodos, o investigador, com a polícia alemã, tenta fechar o cerco. Vendo que seu fim está próximo, a genialidade diabólica de Mabuse dá lugar à insanidade.


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FRITZ LANG:

4 X MABUSE ...................................................................

SESSÃO CINEMA MUDO (todas as sextas-feiras, às 19:00h) 20 de junho

O TESTAMENTO DO DR. MABUSE

(“Das Testament des Dr. Mabuse”, 1933, Alemanha, 122 min, p&b) O inspetor Lohmann, da polícia de Berlim, investiga uma onda de crimes que agita a cidade, e todas as pistas parecem levar ao nefasto dr. Mabuse, há muitos anos confinado em um hospital para doentes mentais. 27 de junho - sessão com trilha sonora ao vivo

OS MIL OLHOS DO DR. MABUSE

(“Die 1000 Augen des Dr. Mabuse”, 1960, França,/Itália/Alemanha Ocidental, 103 min, p&b) O repórter Peter Barter é assassinado no caminho para sua estação de TV. O comissário Kras recebe um telefonema do clarividente Cornelius, que teria visto a morte de Barter, sem reconhecer o criminoso. A polícia concentra suas atividades no hotel Luxor, pois há muitas ligações entre o hotel e crimes não resolvidos. Trevors, um rico norte-americano, hospeda-se no hotel e consegue impedir, no último instante, o suicídio da jovem Marion Menil. Por que miss Menil quer se matar? Do que tem medo? O dr. Mabuse — gênio do crime que todos acreditam morto — está de volta?

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SESSÃO CINECLUBISTA .........................................................................................

“[Na década de 1960] o subdesenvolvimento não é mais um dado estrutural assumido com passividade ou fatalismo. O handicap técnico intervém na própria elaboração de uma linguagem adequada à sociedade da qual emana. [...] ‘Um terceiro cinema, militante, oposto ao cinema alienado, comercial, dominante, bem como ao cinema reformista, colonizado, de autor’, teorizam os argentinos Fernando E. Solanas e Octávio Getino. [...] Assim os cineastas são os seus próprios teóricos.. ou produtores e ideologia” (Paulo Paranaguá, “Cinema nas América Latina: longe de Deus e perto de Hollywood”) 7 de junho

MEMÓRIA DO SAQUEIO

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(“Memoria del saqueo”, 2004, Argentina/Suíça/França, 120 min, cor) Documentário. Com o fim da ditadura militar, em 1983, os sucessivos governos democráticos promoveram reformas para transformar a Argentina numa economia mais liberal e próspera. Menos de vinte anos depois, os argentinos haviam perdido quase tudo: embora importante exportador de alimentos, a desnutrição no país era generalizada, e havia milhões de pessoas desempregadas e mergulhadas na pobreza; suas economias haviam desaparecido no colapso bancário; as leis trabalhistas tiraram todos os direitos dos empregados; grandes empresas nacionais foram privatizadas a preço vil, e as receitas das privatizações eram desviadas para os bolsos de funcionários corruptos.


SOLANAS DOCUMENTAL 14 de junho

A DIGNIDADE DOS NINGUÉNS

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(“La dignidad de los nadies”, 2005, Argentina/Brasil/Suíça, 120 min, cor) Documentário. Solanas examina a degradada condição socioeconômica da Argentina, que em dezembro de 2001 levou a insurreições civis, e o consequente caos social. O cineasta observa pessoas reais, das favelas mais pobres de Buenos Aires e em hospitais arruinados. Destaca mulheres agricultoras que lutam contra os bancos multinacionais que se apropriam das terras de cultivo.

21 de junho

ARGENTINA LATENTE

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(“Argentina latente”, 2007, Argentina/França/ Espanha, 97 min, cor) Documentário. Apesar da simplicidade técnica, este filme é uma bela amostra de como a luta popular tem força e de como o cinema documental pode veicular reflexões de forma legível e branda, mesmo que o assunto seja pesado. Com vocabulário popular e cenas bem cotidianas, o filme parece inicialmente mais uma tentativa utópica de filmar a força do neoliberalismo. Mas Solanas transcende as questões meramente econômicas.

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SESSÃO CINECLUBINHO TODO DOMINGO ÀS 15H00

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TARZAN HOMEM MACACO ........................................................................................................................................... 1 de junho

TARZAN, O FILHO DAS SELVAS («Tarzan the Ape Man», W. S. van Dyke, ...................................................................

1932, EUA, 100 min, p&b) Um comerciante e sua filha partem em busca do lendário cemitério dos elefantes, na África mais profunda, só para encontrar um homem selvagem criado por macacos.

8 de junho

A COMPANHEIRA DE TARZAN (“Tarzan and His Mate”, Cedric Gibbons, 1934, .............................................................. EUA, 104 min, p&b) A romântica e paradisíaca vida de Tarzan e Jane é ameaçada por caçadores em busca de marfim... que também buscam Jane.

15 de junho

A FUGA DE TARZAN (“Tarzan Escapes”, Richard Thorpe, 1936, EUA, 89 min, ...........................................

p&b) O caçador branco capitão Fry tenta levar Tarzan de volta à civilização, para exibição pública em uma jaula. Ele chega à selva com Eric e Rita, primos de Jane, que querem a ajuda da companheira de Tarzan para reivindicar uma herança.

22 de junho

O FILHO DE TARZAN (“Tarzan finds a son!”, Richard Thorpe, 1939, EUA, ...............................................

82 min, p&b) Um jovem casal morre em um acidente de avião na selva. Seu filho é encontrado por Tarzan e Jane, que o batizam de Boy e o criam como seu. Cinco anos depois, um grupo de resgate trata de encontrar o jovem herdeiro de milhões de dólares. Jane concorda, contra a vontade de Tarzan, em conduzi-los à civilização.

29 de junho

O TESOURO DE TARZAN (“Tarzan’s Secret Treasure”, Richard Thorpe, 1941, ....................................................

EUA, 81 min, p&b) Uma expedição científica descobre ouro nas terras montanhosas de Tarzan. Os bandidos sequestram Jane e Boy, para extorquir de Tarzan a localização do ouro. Todos são capturados por nativos ferozes. Tarzan e seus elefantes correm para socorrê-los.

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Cineclube Latino-Americano Juan Carlos Arch Dúvidas e Sugestões (11) 3823 4782

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Taxa de manutenção única: R$5,00 Lotação: 70 lugares

O Cineclube Latino Americano “Juan Carlos Arch” funciona no Pavilhão da Criatividade Darcy Ribeiro Fundação Memorial da América Latina Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, São Paulo, SP Junto à estação Palmeiras-Barra Funda do metrô

Boletim #10 (junho), Cineclube Latino-Americano Juan Carlos Arch  

Fritz Lang, Solanas, Tarzan e Nuestra América!