Page 1


03

www.paginacultural.com Julho de 2012

Editorial

O Guia Página Cultural de julho traz uma entrevista com Lu de Laurentiz, importante agitador do caldo cultural uberlandense e um dos membros do comitê do projeto do Centro Cultural da UFU, que nos conta tudo sobre o novo espaço cultural da cidade. Conversamos também com a Secretária de Cultura, Mônica Debs, sobre o adiamento do Festival de Dança do Triângulo deste ano. A edição traz ainda lançamento de livros de autores locais e dicas da cena cultural do mês.

06 - Festival de Dança 08 - Literatura 12 - Artes 16 - Exposições 20 - Oficinas 22 - Museu do Índio 24 - Entrevista 28 - Crônica 30 - Fotografia 34 - Humor Guia Página Cultural Mensal / 5 mil exemplares / Gratuito Direção Geral: Sérgio Evangelista Editora: Jornalista Lilian Guedes Programador Web: Wisley Aguiar Comercial: Hugo Lopes (34) 8801-5273 E-mail: contato@paginacultural.com.br

Conheça o trabalho da artista mineira Adélia Lima. Página 12.


Toda Terça

www.paginacultural.com Julho de 2012

04

Rock’n roll bem no centro de Uberlândia Terça-feira é dia de Rock'n Beer! No coração da cidade, o ponto ideal para relaxar ao som do legítimo rock'n roll, cerveja gelada, boa comida e ambiente de um autêntico Pub Irlandês. As primeiras 80 pessoas não pagam ingresso, apenas o consumo mínimo de R$15,00. Quem chegar depois, paga R$5,00 de ingresso, não revertidos em consumo. Para boas conversas e cervejas especiais No centro de Uberlândia. Abertura da casa: 18h00 Av. Floriano Peixoto, 18 - www.rocknbeer.com.br


Comunicado Festival de Dança do Triângulo tem nova data

O Festival de Dança do Triângulo foi adiado para novembro desse ano. A causa da mudança é a legislação eleitoral, que não permite que a Prefeitura faça qualquer tipo de divulgação ou uso de imagem neste período, pela proximidade das eleições. Para informar os detalhes da alteração no calendário do evento, o Página Cultural entrevistou a secretária de Cultura, Mônica Debs. O Festival de Dança do Triângulo deste ano teve que ser adiado por causa da lei eleitoral. O que a lei especifica? A alínea b, do inciso VI, do art. 73, da Lei Federal nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, que estabelece as normas para as eleições, veda a realização de publicidade institucional durante o período eleitoral. Tal norma é reiterada pelo Ministério Público Eleitoral da Comarca de Uberlândia, por meio da Recomendação nº 004/2012. Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais: (...) VI - nos três meses que antecedem o pleito: (...) b) com exceção da propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado, autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades


www.paginacultural.com Julho de 2012

da administração indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral; Assim, pelo fato de o Festival de Dança do Triângulo ser um Projeto Institucional da Secretaria Municipal de Cultura, previsto no inciso XIII, do art. 7º, da Lei Municipal nº 10.982, de 23/11/2011, não poderá haver qualquer tipo de divulgação ou publicidade relacionada ao evento, impossibilitando a realização dos planos de comunicação e mídia do evento, o que comprometea participação do público, contrariando os objetivos do Projeto, quais sejam: divulgar e incentivar o trabalho dos grupos, escolas, academias ou artistas independentes inscritos; propiciar a formação de público e fomentar o ensino/aprendizagem da dança; É de praxe essa proibição, ou a lei sofreu alterações recentes? A proibição da realização de publicidade institucional consta da Lei Eleitoral desde a sua criação e entrada em vigor. Essa alteração repentina na programação traz prejuízos à organização do festival? Não haverá prejuízo algum para a organização do Festival. Já estamos entrando em contato com todos os envolvidos e até agora está tudo transcorrendo de forma positiva. Já foi fixada uma nova data para o evento? Quando será? O Festival de Dança do Triângulo – 24ª Edição - “Veículos Virtuais: Dança, Comunicação e Visibilidade”, será realizado no período de 20 a 25 de novembro de 2012. C

07


Literatura Colunistas do Página Cultural lançam livros Alguns dos nobres colunistas do Página Cultural lançam seus livros neste começo de inverno. Fizemos um apanhado das obras para vocês. Degustem! “Nau à deriva, o teatro em Uberlândia de 1907 a 2011” De Carlos Guimarães Coelho

A obra é resultado de dois anos de trabalho com a chancela do Programa Municipal de Incentivo à Cultura. É um relato sobre a evolução teatral da cidade. A ideia surgiu do próprio autor, que desde a infância tem ligações com a cultura local e percebeu que não havia nenhuma pesquisa com foco na história do teatro. Inicialmente, a abordagem seria a partir do final da década de 1970, indo até a contemporaneidade, período em que foi testemunha ocular, e em alguns momentos até personagem, dessa história. Ao avançar na pesquisa, acendeu o desejo de ampliá-la e relatar também a evolução teatral na cidade desde os seus primórdios, no início do século passado. No resultado que chega aos leitores, há história que muitos conhecem e outras inéditas, com revelações surpreendentes. O autor: Carlos Guimarães Coelho é jornalista e produtor cultural, com ampla atuação nas duas áreas em Uberlândia. Contato: cgc2006@hotmail.com


www.paginacultural.com Julho de 2012

09

"Pele Crua, Palavras Temperadas" Guimarães Lobo

Como justificar a arte? Como justificar a literatura sem cair em lugares comuns de “formação do homem”, “alimento da alma”, “referência histórica” ou “tradução da realidade”? Talvez a resposta seja mais simples: ela é necessária. Vivemos em um mundo onde o objeto ganhou feições humanas e o sujeito encontra-se cada vez mais coisificado. Um mundo onde a posse de objetos de desejo e de adoração dá a tônica do valor humano. Onde o outro se apresenta ora como adversário, ora como inferior, e muitas vezes como nulidades. Resgatar o humano de suas próprias “engrenagens” é uma funão literária. Criar condições para que nos vejamos, para que reflexionemos é uma função literária. Escancarar as mazelas do cotidiano que construímos é uma função literária. Lembrar da importância do outro para nossa própria continuidade é uma função... humana. Mas o livro impresso também não incorreria no ciclo incessante de construção da posse do objeto? Sim. O livro é um objeto. Mas carregado de subjetividades. Pele Crua, Palavras Temperadas é a maneira pela qual o autor, Guimarães Lobo, derrama sobre ele próprio e sobre o leitor esse tanto enorme e esquecido de nós mesmos. Esse tanto de falhas, de contradições, de possibilidades, e até de esperança. Esse tanto de humanidade. O autor: Guimarães Lobo é é nascido e criado no Cerrado. É professor de língua portuguesa/redação; Escreve em vários gêneros, mas prefere os Contos; e atualmente está aprendendo a desenvolver roteiros para cinema e vídeo. Contato: guimararaes_lobo@hotmail.com


"Cavando Trincheiras - A Crônica do Soldado Irineu" De Paulo Irineu Barreto Fernandes

O Batalhão de Polícia do Exército de Brasília (BPEB) é uma unidade de elite do Exército Brasileiro. Criada juntamente com a nova Capital Federal, esta Organização Militar, nos seus cinquenta e dois anos de existência, já recebeu mais de 40 mil jovens oriundos de quase todas as regiões do país. São jovens selecionados, que tiveram a oportunidade de servir em um Batalhão que lhes proporcionou um rigoroso treinamento, dando-lhes condições de se destacarem tanto na carreira militar, quanto nas mais diversas áreas da sociedade civil. O livro é o relato (crônica) de episódios vividos no Batalhão de Polícia do Exército de Brasília BPEB, uma unidade de elite do Exército Brasileiro que recebe jovens selecionados oriundos de quase todas as regiões do país. O autor é um desses jovens, e narra o período de maio de 1985 a abril de 1986. Não pretende um relato completo, mas tão somente o resultado de anotações da época, memórias, reminiscências e conversas com companheiros de caserna. Que ele também sirva como um estímulo para que mais “PEs” contem as suas histórias! O autor: Paulo Irineu Barreto Fernandes é Doutorando em Geografia Humana e Cultural no Instituto de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia e Mestre em Filosofia Política e Social pela referida instituição. É professor de Filosofia no Instituto Federal do Triângulo Mineiro e realiza pesquisa nos seguintes temas: Cultura, Educação, Geofilosofia, Teoria Crítica e Filosofia Política. É também autor de “Ensaio Sobre The Dark Side of the Moon e a Filosofia: uma interpretação filosófica da obra-prima do Pink Floyd”. Contato: pauloirineu@gmail.com


"Manicômio" De Rogers Silva

Livro de narrativas, escrito entre 2002 e 2006, Manicômio é denso. Por densidade não entenda confusão, ausência de conteúdo ou experimentalismos vazios. Em todas as narrativas há um enredo muito bem organizado, com início, meio e fim. A questão é que o livro é visceral. Tudo é muito intenso, sem subterfúgios, direto na ferida. O livro faz jus ao título: é uma loucura literária. Cuidado. A loucura é muito sedutora. Em algum momento, leitor, você se enxergará, como num espelho que escancara até as suas entranhas. Mas não tenha medo: Manicômio é pura ficção. Enquanto noventa e cinco por cento da humanidade está envolvida apenas com a luta pela sobrevivência, os cinco por cento restantes estão diante do infinito, do mistério, de queixo caído e olhos arregalados – é assim que os personagens deste Manicômio se encontram. Todos eles estão à procura de um significado para a vida, e essa procura ora desesperada beira a loucura de tão difícil. Eis a tragédia humana. Em um mundo que finge descaradamente ser feliz, organizado e racional, Manicômio se propõe a mostrar o caos. A beleza desse caos. O autor: Rogers Silva é escritor, professor, pesquisador e publicitário. Publicou em sites, revistas e coletâneas, dentre as quais Retalhos, Portal Solaris, Portal Neuromancer e Portal 2001 (org. Nelson de Oliveira). Contato: rogers.silva@yahoo.com.br


Artes


www.paginacultural.com julho de 2012

13

Adélia Lima nasceu em Monte Alegre de Minas em 1949. Autodidata, expõe desde 1985, participando de dezenas de exposições coletivas, individuais e salões de arte em todo o país. Tem colecionadores em vários estados brasileiros, de norte a sul do país, vários países da Europa e Estados Unidos. Formada em Letras Neolatinas,(Português, Latim,Francês) pela Universidade Federal de Uberlândia a escultora Adélia Lima exercita-se em várias técnicas desde o princípio de sua carreira. A argila foi o material determinante de sua escolha pela modelagem e escultura desde os momentos iniciais de sua carreira. Experimentou fundir em metal, alumínio e ferro as suas figuras estilizadas. Esculpiu obras em concreto celular. Utilizou técnicas mistas variadas, como chapas de ferro, barras de ferro e arames diversos. Adélia Lima teve sua trajetória de vida e arte analisadas no livro Duas Vezes Adélia, um profundo estudo de tese de doutorado da psicóloga Sandra Augusta Melo sobre o processo criativo da escultora Adélia Lima e da poetisa Adélia Prado.

Adélia Lima www.facebook.com/helvio.artes


MUnA “Lugar Sensível” de Wesley Stutz “Paisagens em Aquarela” de Assis Guimarães Wesley Stutz nasceu na cidade de Cambé, no norte paranaense, iniciou sua formação artística no Centro Cultural de Cambé, posteriormente seguiu com a formação no curso Educação Artística com licenciatura em Artes Plásticas da UEL. A cor tornou-se objeto de suas pesquisas. Esse trabalho tem como objetivo traçar uma relação entre o espectador, a obra e espaço expositivo, ou seja, uma observação ativa, em que todos os fatores contribuem para a experiência sensorial estética. Para Wesley, relacionar cores remete à origem pictórica desse trabalho, mas não em seu sentido usual, uma vez que a cor toma o espaço e o articula em novas relações. Assis Guimarães atua no cenário das artes desde a década de 80. É bacharel em artes pela Universidade Federal de Uberlândia. Cursou por três anos a Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais em Belo Horizonte, onde foi aluno de Amílcar de Castro, um dos escultores responsáveis pela inclusão das artes plásticas brasileiras no cenário artístico internacional. Para Luciana Arslan, professora do Instituto de Artes da Universidade Federal de Uberlândia, “Assis Guimarães é um artista controverso que insiste em procedimentos considerados anacrônicos e opta por uma pintura figurativa, construída essencialmente ao ar livre e a partir da observação direta da paisagem. Assis não pinta somente a natureza, ele é também um pintor urbano. É fácil encontrá-lo trabalhando nas ruas, nas esquinas, nas praças, pintando alguma residência ou lugar comercial: um ambulante da aquarela. Quem o conhece pessoalmente, sabe que ele não mais caminha pela cidade, mas a percorre mapeada em suas pinturas. As aquarelas já o guiam por Uberlândia e em cada rua ele se refere a alguma pintura realizada.” Exposições: “Lugar Sensível” e “Paisagens em Aquarela” Museu Universitário de Arte – MUnA Praça Cícero Macedo, 309, Fundinho Período de Visitação: 02/07 a 11/08/2012 das 8h30 às 17h


www.paginacultural.com julho de 2012

15


Exposições Secretaria Municipal de Cultura e Museu Universitário de Arte Exposições LUGAR SENSÍVEL E PAISAGENS EM AQUARELA Artistas Wesley Stutz e Assis Guimarães Museu Universitário de Arte – MUnA Praça Cícero Macedo, 309, Fundinho Abertura 30 de junho de 2012 - 10h às 13h Até 11/08/2012 das 8h30 às 17h Saiba mais Exposição UM OLHAR SOBRE O ACERVO Coletiva de obras da Galeria Arquitis 1970/80 Curador Paulo Carrara Abertura 4 de julho de 2012 – 20h Até 30/07 de segunda a sexta, das 12h às 18h Galeria Geraldo Queiroz – Casa da Cultura Praça Coronel Carneiro, 89 Bairro Fundinho – Uberlândia/MG Exposição É CABEÇA Artista Márcio Araújo Abertura 05 de julho de 2012 - 20h Até 10/08 de segunda a sexta, das 12h às 18h Sala Alternativa - Oficina Cultural de Uberlândia Pça. Clarimundo Carneiro, 204 - Bairro Fundinho Exposição VARIAÇÕES SOBRE UM MESMO ABANDONO Artista Rodrigo Freitas Abertura 19 de julho de 2012 – 20h Até 28/09 de segunda a sexta, das 11h30 às 17h30 Galeria de Arte Ido Finotti – Centro Administrativo Av. Anselmo Alves dos Santos, 600 Exposição CADA LUGAR Artista Simone Peixoto Abertura 20 de julho de 2012 – 20h Até 17/08 de segunda a sexta, das 12h às 18h Sala de Experimentações Visuais – Casa da Cultura Praça Coronel Carneiro, 89 Bairro Fundinho – Uberlândia/MG


www.paginacultural.com Julho de 2012

Márcio Araújo "É Cabeça"

A exposição apresenta ao público pinturas inéditas em grande formato realizadas em 2011 e tem em sua temática a representação de enormes cabeças. São três grandes telas com 1,80 metros de largura por 2,0 metros de altura e um dos estudos preliminares feitos para a série. “Durante a leitura do livro "A Religião do Cérebro" do neurocientista Raul Marino Jr, foi que a ideia de trabalhar com o as cabeças surgiu. Somado ao descontentamento em relação a questões de metodologia do processo de criação em arte, outras leituras foram incluídas na pesquisa e as ideias soltas foram convergindo, resultando na série. A palavra cabeça, às vezes assume um uso figurativo e está presente no nosso cotidiano em expressões, provérbios e até mesmo no sentido de primazia. Entretanto a cabeça é, acima de tudo, o templo da fé e razão. A série “É Cabeça” pretende levantar estas questões e abrir um diálogo com o público e outros artistas.” Exposição “É Cabeça” Artista Márcio Araújo Abertura 05 de julho - 20h Visitação até 10/08/2012, de 2ª a 6ª feira das 12 às 18h Sala Alternativa - Oficina Cultural de Uberlândia

17


Oficinas

www.paginacultural.com Julho de 2012

Férias na Oficina Cultural Em julho, a Oficina Cultural apresenta uma programação especial para as crianças de 06 a 12 anos, com uma agenda divertida e educativa para o tempo livre de férias. Para esse encontro, haverão profissionais qualificados que irão desenvolver atividades como contação de histórias, recreação, visita ao Museu Municipal, confecção de brinquedos, apresentação de filmes, jogos teatrais, malabares e outros. De 23 a 27/07, das 13h às 17h30. Para crianças de 06 a 12 anos - 20 Vagas. Música EnCena Ministrante Ana Maria Rodrigues. De 09 a 13/07, das 18h às 21h. A partir de 12 anos - 20 vagas. Encontro de Gestantes - Parto Humanizado Ministrante Grupo Bom Parto. 05 e 19/07 - 19h - Pais e mães gestantes e interessados. Iniciação a Dança de Salão - Bolero - Forró e Samba De 10 a 31/07, das 19h às 20h30. Interessados a partir de 16 anos – 40 vagas. Estação da Palavra - Ler e Ouvir com Maturidade Ministrante Juliana Schroden 13 e 27/07, das 10h às 11h. Oficina Cultural de Uberlândia Cursos Gratuitos - Apresentar RG e CPF. Informações: (34) 3231-8608, 3223-4996, 3214-9889 oficinacultural@uberlandia.mg.gov.br

20


21

www.paginacultural.com Julho de 2012

Leia

Pimentas Título: Pimentas – Para provocar um incêndio, não é preciso fogo. Autor: Rubem Alves Editora: Planeta Preço: R$24,90 Como não se deixar envolver pela narrativa de Rubem Alves, rica em reflexões tão agudas e sensíveis? Este livro trata-se de uma compilação de crônicas sobre ideias e pessoas, sobre pensamentos que incendeiam a mente e que levam a outras ideias. Daí o título do livro, conforme explica o autor: “Pimentas são frutinhas coloridas que têm poder para provocar incêndios na boca. Pois há ideias que se assemelham às pimentas: elas podem provocar incêndios nos pensamentos. (…) Mas, para se provocar um incêndio, não é preciso fogo. Basta uma única brasa. Um único pensamento-pimenta…”. Dividido em 74 pequenos contos, reflexões que brotaram na mente sempre criativa do autor, o livro encanta por sua proximidade com a vida cotidiana de pessoas comuns. “Pois qual é o dono de cachorro que nunca olhou para os olhos de seu cãozinho e se perguntou: ‘O que será que ele pensa de mim?’”, indaga Rubem em Sobre gatos. E com a sua tônica espirituosa, prossegue: “Alguém disse que preferia os gatos aos cachorros porque não há gatos policiais”. Nada escapa à mente de Rubem Alves, um observador arguto da vida e de seus pequenos momentos, possivelmente insignificantes para um olhar menos atento.


Museu


www.paginacultural.com Julho de 2012

23

Museu do Índio

Sua coleção etnográfica é composta de cerca de 2.500 objetos de, aproximadamente, 80 grupos indígenas brasileiros, organizada em diversas tipologias: cerâmica, trançados, plumária, objetos mágicos e lúdicos, indumentária, objetos de uso e conforto doméstico, armas, dentre outras. No campo da pesquisa, o Museu realizou diversas incursões em áreas indígenas, dentre elas, junto aos Karajá, Tapirapé, Maxakalí, o que resultou na aquisição de coleções em campo, além da obtenção de farta documentação visual e de informações relevantes sobre os grupos. No campo da Educação, o Museu incansavelmente, tem buscado intervir na realidade escolar, propondo uma mudança na forma de se trabalhar a história e a cultura indígena na sala de aula. Com isso, o Museu tenta cumprir com seu papel ao transformar a realidade social de seu entorno. Av. Vitalino Rezende do Carmo, 116 Bairro Santa Maria - Uberlândia/MG Telefones: (34) 3236-3707 | 3224-3526 Horário de visitas: 8h as 11h30 , 13h às 17h Visitas em grupo devem ser agendadas com antecedência.


Entrevista

Lu de Laurentiz Aos 55 anos, Lu de Laurentiz é arquiteto, professor universitário [FAUeD-UFU] pós-graduado com doutoramento em Comunicação [UFBASSA] e agitador cultural. ‘Olhar Radiofônico’, na rádio Universitária, entre 1989-1996, e ‘Ladeira Metálica’, no Canal da Gente, por alguns anos 00s, são dois destaques que ele gosta de frisar ao lado do trabalho universitário extensionista na DICULT-UFU, entre 2005-2008, que ele jamais esquecerá pelo prazer e pelo dever. Lu de Laurentiz é o entrevistado da edição de julho do Guia Página Cultural. Ele nos fala sobre importante aquisição cultural da nossa cidade, o Centro Cultural da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), ainda em fase de articulação de projetos. O que o Centro Cultural da UFU vai trazer/oferecer concretamente para Uberlândia? Fale-nos sobre o espaço e a proposta para a comunidade. Uberlândia é uma cidade média que tem um pique cultural interessantíssimo em produção, difusão e interação nas múltiplas linguagens artísticas [música, teatro, dança, artes visuais, audiovisual, …] estejam elas concentradas nas esferas daquilo que poderíamos classificar como ‘oficial’ ou independente. Também percebo que existe uma limitação espacial já construída para esses fins; mesmo assim, os produtores e agitadores culturais, se preciso for, inventam, invadem ou ocupam lugares


www.paginacultural.com Junho de 2012

25

para as suas demandas setoriais em artes. Mas aí vem uma questão: qual é o papel de uma universidade pública quanto às suas ações em Extensão em uma comunidade e região? No mínimo, potencializar e se permitir uma inserção mais efetiva e por que não dizer afetiva, reafirmando o seu compromisso público e social com o entorno – especialmente nas áreas de cultura e arte. Então, por princípio, o GT Centro Cultural UFU, do qual faço parte, traz como pauta para esse objeto arquitetônico idealizado: um lugar de cultura, contemplação, memória, leitura, convivência, entretenimento e extensão universitária num espaço compartilhado, flexível e contemporâneo, com várias possibilidades de uso. Quanto a algumas funções e usos espaciais no programa arquitetônico, por enquanto no mapa mental: dois anexos para os museus da UFU [o MunA e o da Biodiversidade]; o Museu de Arqueologia e Etnografia; espaços expositivos para utilização temporária de diversas áreas; um teatro de porte médio com palco italiano para uma plateia de 400 a 500 lugares; auditórios multiuso para apresentações artísticas e para oficinas diversas; uma sala de cinema de arte; um estúdio de audiovisual; uma biblioteca da era digital; livraria; restaurante e café. Como e quando surgiu a ideia da construção? Qual é a estimativa de entrega da obra? O Centro Cultural já tem um nome? Essa é uma antiga demanda da comunidade universitária. Portanto, é um resultado de longo processo de discussão sobre a necessidade de um espaço com essas características em estímulo, formação, produção, interação, inclusão e difusão em cultura. Quanto à entrega da obra, primeiramente tem a fase projetual. O projeto arquitetônico está sendo elaborado pela equipe de arquitetos da Diretoria de Infraestrutura e alguns docentes da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da própria Universidade. De acordo com a arquiteta gerente da DINFRA-UFU, Elaine Saraiva, são 5 etapas, sendo a primeira, em andamento, o processo participativo realizado com o GT, na busca de conceitos norteadores para o projeto e com aqueles princípios aqui falados: multifuncionalidade, flexibilidade e sustentabilidade. As etapas seguintes consistem na elaboração de um estudo preliminar com setorização e volumetria; na elaboração do anteprojeto arquitetônico; na elaboração dos projetos executivos e complementares (estrutural, elétrico, hidro-sanitário, prevenção e combate a incêndio, climatização, acústico, paisagísticos,


entre outros) e planilha orçamentária, com recursos já garantidos por uma emenda parlamentar do Deputado Federal Gilmar Machado. O projeto final deve ser entregue daqui a 120 dias. A última etapa será a abertura do processo licitatório para a construção do Centro Cultural. Quanto ao nome, por enquanto, carinhosamente o chamamos de Centro Cultural UFU, porque ainda está sem um nome jurídico. A população de Uberlândia poderá usufruir do Centro Cultural ou a proposta de ocupação se restringe à comunidade universitária? Digamos que a população da cidade, representada por alguns produtores culturais e artistas, já usufruem do desejado Centro Cultural porque fazem parte do nosso grupo de trabalho, o GT formado por professores, técnicos administrativos, estudantes da UFU e representantes da sociedade civil. Portanto, a cidade já está interagindo com a Universidade por aí e também por outros webmeios informacionais [blog e vídeos], além das duas Audiências Públicas realizadas em maio e junho deste ano. Mas, tem mais duas coisas que eu gostaria de enfatizar: uma é que dentre outras características, esse espaço arquitetônico reza ser voltado à promoção da produção cultural da Universidade e da cidade e a outra, bastante interessante e necessária, é contribuir para a expansão da economia criativa, além da geração de emprego e renda. Qual a sua impressão sobre a cultura como um todo em Uberlândia nos últimos dez anos? Na sua opinião, o Centro Cultural vai valorizar o fazer e o pensar cultural na cidade e região? Eu sou um otimista para as duas partes da sua pergunta. Quando eu penso e falo e escrevo cultura na cidade, penso cultura no plural: culturas. A cidade é um centro produtor de culturas. Acumula saberes que precisam ser desafiados e abastecidos nas inter-relações entre as culturas e as comunidades. A experiência humana coletiva é considerada como cultura. E para mim, deve-se agir da base antropológica às culturas híbridas, que somos e vivemos, contemporaneamente. Cada pessoa está inserida numa cultura que, por sua vez e sua voz, está inter-relacionada a outras culturas. Assim, das manifestações criativas populares [uma das fortes expressões da cultura brasileira, sua pluralidade e complexidade] à Cultura de massa [o lugar ocupado pela imagem na contemporaneidade e sua relação com os temas sociabilidade e mídias]. Mas, defendo a necessidade do sentido político para as culturas. Dos serviços de bens patrimoniais urbanos [Museus,


Arquivos, Bibliotecas, a propriedade intelectual e a cultura imaterial] à efetiva ação compromissada com a construção do Plano Nacional de Cultura e à participação em diálogos abertos às comunidades, tais como as tais conferências municipais, estaduais e federais de cultura, propostos pelo Ministério da Cultura. Há mais de 23 anos escolhi essa cidade para morar e para viver e desde então vi, senti e percebi um espaço para agir e agitar em nome das culturas. Quanto ao Centro Cultural, ele contribuirá para a cidade constituir-se, mais e mais, como polo cultural na região ao ser projetado como um enorme abrigo no centro de Uberlândia, colaborando assim com a requalificação / revitalização urbana dele. C


Crônica Fernando Martins Deveria escrever a poesia. Mas, procrastinei. Os dias passaram e um dia aconteceu. Os colegas conversavam na sala relativamente grande, 4X5m eu calculo, e um ventilador de parede gemia fazendo ressalvas na conversa da turma. Eu lia a carta de Caio Fernando Abreu escrita a seu amigo José Marcio Penido em 1979, se referindo a seu novo trabalho, o livro “Morangos mofados”. Eu precisava de um novo também. Um novo urgente. Um novo nome ao que vivia. Precisava escrever a poesia. Pouco tempo antes de adentrar na sala, terminara de ler o conto com mesmo título do livro, e uma sensação nauseante, com gosto de morangos mofados na boca, assolou minha alma naquela noite. Aquele publicitário solitário do conto compartilhara seu câncer de alma comigo. A professora entrou na sala com elegância. Continuei a leitura. Um página depois, a aula teve inicio. Meia página, saí da sala. Sentei-me confortavelmente na escadaria próxima à sala, apoiando as costas na parede obstruindo o caminho que o corrimão fazia. Não havia ninguém. Terminei o livro. E o gosto dos morangos mofados permaneceu. Peguei minhas coisas e fui embora.


www.paginacultural.com Julho de 2012

A

A I S E PO

O trânsito estava tranquilo. Nas ruas, as luzes iam e voltavam passando por mim. Bares, escolas, prefeitura, shopping center, postos de combustível... Vivendo. Eu, por dentro ardia. Ardia de vida pulsando. Pulsando sedenta por reclamar, odiar, se render, se encontrar, se perder de si e se vomitar em versos. O portão abriu ao apertar do botão. Feelings: disse a voz aveludada acompanhada de um piano enquanto milhares de gotas grossas e quentes de água lavaram meu corpo e minha alma naquela noite. Nothing more than feelings. Lágrimas frias transbordaram dos olhos pela minha face. Teardrops rolling down on my face. Desliguei o chuveiro. Trying to forget my feelings. Enchi um copo para uísque com três dedos de conhaque. I'll feel it. Botei o pijama e me sentei para escrever. I'll feel it. Vomitei. I'll feel it. Escrevi. Feelings for all my life. Não mais náusea. Não mais gosto de morangos mofados na boca da alma. O ardor de vida que pulsa em versos sincronizados se intensificou em prosa. Acho que escrevi a poesia.

amandopalavras.blogspot.com.br

29


Fotografia

O Norte da Argentina é uma região ainda pouco conhecida pelo turista brasileiro, mas quem se propõe a sair do habitual, vai se encantar com as belezas naturais e arquitetônicas encontradas pelo caminho.


31

Fotos de Alessandro Gomes


Agenda Quarta - 11/07 Feira da Amizade Praça Tubal Vilela - 08h00 Entrada Franca Reunião do Clube Filatélico e Numismático de Uberlândia Casa da Cultura - 19h30 Praça Coronel Carneiro, 89 Fone: (34) 3255-8252 Entrada Franca Quinta - 12/07 Cinema com Pipoca O retorno de Peter Pan Biblioteca Pública Municipal - 14h00 Praça Cícero Macedo, s/nº Fone: (34) 3236-9625 Entrada Franca Sábado - 14/07 Feira do Coreto Praça Clarimundo Carneiro - 15h00 Entrada Franca Domingo - 15/07 Feira da Gente - Artes plásticas, decoração, vestuário, acessórios, gastronomia e música ao vivo Praça Sérgio Pacheco - 10h00 Entrada Franca Quinta - 19/07 Cinema com Pipoca - Oscar no oásis Biblioteca Pública Municipal - 14h00 Praça Cícero Macedo, s/nº Fone: (34) 3236-9625 Entrada Franca

www.paginacultural.com Julho de 2012

32

Feira Gastronômica Show de MPB com Lilian Cabral Mercado Municipal - 19h00 Rua Olegário Maciel, 255 Entrada Franca Abertura da Exposição "Variações sobre um mesmo abandono", do artista Rodrigo Freitas Galeria de Arte Ido Finotti - 20h00 Av. Anselmo Alves dos Santos, 600 Entrada Franca Lançamento Livro "Ressurreições: Diário de Família", de José Carlos da Silva Casa da Cultura - 20h00 Praça Coronel Carneiro, 89 Fone: (34) 3255-8252 Entrada Franca Sexta - 20/07 Apresentação da Banda Municipal Terminal Rodoviário - 09h45 Praça da Bíblia, s/nº Entrada Franca Território Banal - Companhia Azul Celeste (S.J.do Rio Preto/SP) Teatro Rondon Pacheco - 18h e 20h Rua Santos Dumont, 517 Fone: (34) 3235-9182 Sábado - 21/07 Apresentação da Banda Municipal Mercado Municipal - 11h00 Rua Olegário Maciel, 255 Entrada Franca Era uma vez... Grupo Estudo do Movimento Teatro Rondon Pacheco - 18h e 20h Rua Santos Dumont, 517 Fone: (34) 3235-9182


33

Agenda

www.paginacultural.com Julho de 2012

Domingo - 22/07

Quarta - 25/07

Feira da Gente - Artes plásticas, decoração, vestuário, acessórios, gastronomia e música ao vivo Praça Sérgio Pacheco - 10h00 Entrada Franca

Afrocine - Quanto vale ou é por quilo? Oficina Cultural - 20h00 Praça Clarimundo Carneiro, 204 Fone; (34) 3231-8608 Entrada Franca

Apresentação da Banda Municipal Praça Sérgio Pacheco - 11h00 Entrada Franca

Quinta - 26/07

Origem - Cia de Dança El Marouni e Convidados Teatro Rondon Pacheco - 19h30 Rua Santos Dumont, 517 Fone: (34) 3235-9182 Segunda - 23/07 Abertura da Exposição "Cada Lugar", da artista Simone Peixoto Casa da Cultura - 20h00 Praça Coronel Carneiro, 89 Fone: (34) 3255-8252 Entrada Franca Terça - 24/07 Projeto Filosofando Agora - Palestra: "Mudança de Hábito: detox como ferramenta", com Cristina Chiang Teatro de Bolso do Mercado - 19h00 Rua Olegário Maciel, 255 Entrada Franca Abertura da Exposição "Color for Life", do artista Aureliano Neto Oficina Cultural - 20h00 Praça Clarimundo Carneiro, 204 Fone; (34) 3231-8608 Entrada Franca

Conversa de Roda - Tema: Reflexos da Escravidão no Século XXI Oficina Cultural - 19h30 Praça Clarimundo Carneiro, 204 Fone; (34) 3231-8608 Entrada Franca Sábado - 28/07 Dançando com a Vida: Dança é a superação - Academia Ritmo Dança de Salão Teatro Rondon Pacheco - 20h00 Rua Santos Dumont, 517 Fone: (34) 3235-9182 Domingo - 29/07 As Goianinhas do Acre Lobotomédia Cia de Humor Teatro Rondon Pacheco - 20h00 Rua Santos Dumont, 517 Fone: (34) 3235-9182 Segunda - 30/07 Concerto Internacional de Violão UFU Giuseppe Zinchire (Itália) - Quarteto de Cordas da UEParaná Teatro de Bolso do Espaço Cultural do Mercado - 20h00 Rua Olegário Maciel, 255 Entrada Franca


Humor

bertoniblog.blogspot.com.br

34


Guia Julho 2012  

Guia Página Cultural - Julho 2012.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you