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indutoras

de consumo

ano Xx • nº 243 fevereiro de 2013

Em busca de conveniência, as mulheres não hesitam em recorrer às farmácias e drogarias como opção prática e rápida. Elas estão abertas às novidades e ao olhar para o varejo de higiene e beleza planejam as compras que englobam produtos premium


editorial

A grande maioria

As mulheres brasileiras representam 51,5% da população nacional. Estão mais maduras, têm maior poder aquisitivo e decisório e vivem mais – a expectativa de vida para este público é de 77,7 anos. Entre 2000 e 2010 o País viu sua taxa de mortalidade feminina ser reduzida em 12%. Observa-se que houve diminuição de: 4,24 óbitos por 100 mil mulheres para 3,72. Na série de reportagens especiais sobre este universo, a repórter Egle Leonardi apurou que as mulheres, em geral, têm problemas de saúde semelhantes aos dos homens, mas são diagnosticadas precocemente, o que faz com que tenham uma sobrevida maior. Cheias de novas atribuições e cada vez mais sem tempo, almejam conveniência. Dessa forma, farmácias e drogarias precisam traçar estratégias e executá-las. Racionalizar a exposição é um dos caminhos. É fundamental seguir a lógica de compra da consumidora. De modo geral, o que mais preocupa a mulher é, em primeiro lugar, o sobrepeso, seguido dos cabelos e, por fim, a pele. Para acolher a consumidora nesse quesito é fundamental oferecer

DIRETORIA Gustavo Godoy, Marcial Guimarães e Vinícius Dall’Ovo EDITORA-chefe Lígia Favoretto (ligia@contento.com.br) assistente de redação Flávia Corbó EDITORa de arte Mariana Sobral Assistentes de arte Larissa Lapa e Junior B. Santos DEPARTAMENTO COMERCIAL executivas de contas Jucélia Rezende (jucelia@contento.com.br) Luciana Bataglia (luciana@contento.com.br) 4

a maior quantidade possível de informações, sortimento premium e atendimento personalizado. Outro tema relevante desta ideia foi apresentado na matéria Vizinhança estratégica. Conhecer o potencial e hábitos das imediações da farmácia permite a segmentação dos produtos e o estreitamento das relações com os clientes, trazendo mais ganhos e maior fidelidade da clientela. Ao contrário de outros setores da economia, o mercado brasileiro de varejo farmacêutico passa por seu melhor momento e superou a marca de R$ 47 bilhões em vendas de medicamentos no ano de 2012. Até 2017, o número deve chegar a R$ 87 bilhões, segundo projeções do IMS Health. Para aproveitar a bonança, o varejista deve concentrar esforços em entender as necessidades dos clientes que frequentam a loja, tentando estabelecer um perfil do público-alvo de seu estabelecimento e promovendo ações que estreitem o relacionamento com esse grupo. Boa leitura.

Para acolher a consumidora é fundamental oferecer a maior quantidade possível de informações, sortimento premium e atendimento personalizado

Lígia Favoretto Editora-chefe

coordenador DE CIRCULAÇÃO Cláudio Ricieri

Colaboradores da edição Revisão Iolanda Nascimento e Maria Stella Valli Textos Egle Leonardi, Karina Dacol, Kathlen Ramos e Rodrigo Rodrigues Colunistas Fernanda Gomes, Gilberto Strunck, Gustavo Semblano, Iêda Novais, Joel Mauri dos Santos e Silvia Osso

DEPARTAMENTO FINANCEIRO Fabíola Rocha e Cláudia Simplício

IMPRESSÃO IBEP

ASSESSORIA TÉCNICA E LISTA DE PREÇOS Kátia Garcia e Antônio Gambeta

capa Felipe Mariano

Marketing e Projetos Luciana Bandeira

fotos especial mulher Locação Farma&Cia (Móoca) Modelos Eduardo Real, Jennifer Garofali e Thays Bastos (Agência ELO Management)

assistentes do Comercial Juliana Guimarães e Mariana Batista Pereira DEPARTAMENTO DE assinaturas Morgana Rodrigues

analista de marketing Lyvia Peixoto

guia da farmácia fevereiro 2013

> www.guiadafarmacia.com.br Guia da Farmácia é uma publicação mensal da Contento. Rua Leonardo Nunes, 198, Vila Clementino, São Paulo (SP), CEP 04039-010. Tel.: (11) 5082 2200. E-mail: contento@contento.com.br Os artigos publicados e assinados não refletem necessariamente a opinião da editora. O conteúdo dos anúncios é de responsabilidade única e exclusiva das empresas anunciantes.

foto: shutterstock


sumário #243 fevereiro 2013

36 10 > Entrevista Em entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia, a presidente da Abmapro, Neide Montesano, revela que o varejo é uma grande ferramenta de construção de marca própria. Além disso, aponta as conquistas e expectativas do setor

28 > desafios Conhecer o potencial e hábitos das imediações da farmácia permite a segmentação dos produtos e o estreitamento das relações com os clientes, trazendo mais ganhos e maior fidelidade da clientela

CAPA

36 > especial mulher O público feminino tem papel fundamental na sociedade que se expande. As mulheres estão abertas às novidades tecnológicas, atentas à importância da educação, conscientes de seu poder aquisitivo e preocupadas em crescer profissionalmente para aumentar a renda e, assim, poder comprar mais

108 > oportunidade As cápsulas da beleza proporcionam saúde aos cabelos de dentro para fora. Os produtos ganharam o gosto das brasileiras e têm muito potencial de crescimento

130 > mix Além do tradicional absorvente, que já recebeu diversas versões, sabonetes íntimos e lenços umedecidos são destaques da cesta de compras

e mais 08 16 18 26

> Cartas > guia on-line > Antena Ligada > Atualizando

Caderno Saúde 68 > Diabetes 75 > Artigo 76 > higiene bucal 84 > Micoses 94 > Colesterol e triglicérides 100 > Febre 118 124 134 140 146

> categoria – desodorantes > sortimento > categoria – cabelos > sempre em dia > serviços

colunas 24 34 114 116 122

> consultor jurídico Gustavo Semblano > cenário Iêda Novais > Ponto de Venda Gilberto Strunck > competitividade Fernanda Gomes > varejo Silvia Osso

2013 fevereiro guia da farmácia

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ca r ta s Para fazer elogios, críticas ou dar sugestões ao Guia da Farmácia, escreva para a redação: Rua Leonardo Nunes, 198, Vila Clementino, São Paulo (SP), CEP 04039-010 ou ligia@contento.com.br. Queremos saber o que você pensa!

sua opinião é muito importante para nós

Informações fundamentais

Escrevo para agradecer à revista por todas as orientações dadas. Sinto-me muito mais preparado para ajudar os clientes da minha farmácia de forma personalizada e, para mim, matérias sobre atenção farmacêutica são sempre muito bem-vindas! Além disso, as dicas de exposição e as informações sobre os consumidores do canal são relevantes e trazem resultados concretos para nós. Ivan Barbel, Canoas (RS)

ano XIX • nº 236 julho de 2012

ANO XIX • Nº 230 JANEIRO DE 2012

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ANO XVIII • Nº 226 SETEMBRO DE 2011

benefício

Atendimento de qualidade

proliferado

ATUAÇÃO VALORIZADA No mês do profissional, confira o panorama da atividade que se encontra em um processo de reconhecimento constante e conquista de novas oportunidades

Convênio entre farmácias e empresas é uma ferramenta de fidelização capaz de elevar o faturamento da loja Em 2025, o Brasil se tornará o sexto país no mundo em população idosa. A boa notícia vem acompanhada da necessidade de maiores investimentos no acesso à saúde e reestruturação do varejo

PRESENÇA SEGURA

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Comodidade

Receber a revista todos os meses na farmácia é uma comodidade só. Costumo ler todas as matérias e fico informada e pronta para atender bem os clientes. Como farmacêutica, gosto muito das matérias de saúde e de dicas sobre como realizar meu trabalho da melhor maneira possível. Janaína dos Anjos, Três Corações (MG) 8

guia da farmácia FEVEREIRO 2013

8/18/11 3:38 PM

É uma pena que os balconistas de muitas farmácias ainda não estão preparados para atender bem, recomendar produtos e orientar sobre seu uso na maioria dos estabelecimentos, inclusive de grandes redes. Vivemos o crescimento e a sofisticação do consumo de produtos de higiene pessoal e beleza, mas os funcionários não estão preparados para esses shoppers. Precisamos fazer algo a respeito, bom atendimento não deve ser apenas um diferencial! Clara de Medeiros, Bom Destino (PA) fotos: shutterstock/acervo


entrevista - neide montesano, abmapro

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guia da farmácia fevereiro 2013

fotos: DIVULGAÇão


Liberdade de

consumo O Brasil precisa se abrir para todas as possibilidades de negócios que lhe forem pertinentes. é necessário acompanhar a evolução mundial Por lígia favoretto

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Em entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia, a presidente da Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (Abmapro), Neide Montesano, revela que o varejo é uma grande ferramenta de construção de marca e que farmácias e drogarias apresentam um diferencial competitivo que é a confiança direta estabelecida entre o estabelecimento e seus clientes. A executiva revela também que as marcas próprias no Brasil entram para a quinta geração, que é a geração do respeito.

Guia da Farmácia • Os resultados gerais de marca própria no último ano mostram que este é um negócio em expansão. Como você avalia os resultados de farma, mais especificamente na cesta de higiene e beleza? Neide Montesano • Em termos de farma temos um cenário crescente. Além das redes que já trabalham com marcas próprias, como a Panvel, por exemplo temos outros grandes players apostando no segmento. 2013 fevereiro guia da farmácia

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entrevista - neide montesano, abmapro

pede de trabalhar com as duas vertentes. Se olharmos para fora do Brasil, não tão longe, como Estados Unidos, veremos o Walgreens com a marca Walgreens, CVS com a marca CVS, enfim, as redes têm suas marcas e já contam com alguns produtos de outras marcas que são exclusivas para algumas categorias. Com certeza a tendência, para médio prazo, é ter um número muito parecido ao que acontece no exterior. Existem especulações de que a Walgreens virá para o Brasil; se isso acontecer mesmo, teremos a marca própria dentro da rede farma com o mesmo sucesso que temos em outros canais de varejo.

proo de to?

De acordo com dados Nielsen, no Brasil, nota-se que na cesta de higiene e beleza (autosserviço – todas as cadeias) as dez categorias com maior participação em valor e volume são: papel higiênico com 17,2%, hastes flexíveis com 16,3%, lenços umedecidos com 9,5%, fio dental com 8,9%, curativos antissépticos com 7,5%, lenços de papel com 6,1%, fralda descartável para incontinência com 5,6%, antisséptico bucal com 4,8%, lâminas de barbear com 4,4% e modelador de cabelos com 4,0%. A partir de uma análise nas categorias processadas pela Nielsen no total Brasil Farma, verifica-se a presença de marcas próprias em 33 delas. As três principais categorias com maior participação em valor são produtos depilatórios, fraldas para incontinência e produtos para pele. As dez categorias mais importantes de marcas próprias são as do tipo higiene e beleza massivo e representam 82% do faturamento total das marcas próprias. No total das categorias analisadas, a participação em 2012 é de 1,1%. Guia • Como as redes varejistas do canal farma encaram a marca própria? Neide • Marca própria é, por definição, toda marca exclusiva do detentor de uma marca, então ela pode ou não carregar o nome da bandeira. Antigamente a Drogasil tinha as Marcas Drogasil, portanto, com o seu próprio nome, mas hoje optou por uma marca exclusiva, o que não a im12

guia da farmácia fevereiro 2013

Guia • Hoje é possível comparar o desempenho de marcas próprias do canal farma com o alimentar, por exemplo? Neide • Ainda não. O número não é tão grande e existe uma diferença do ponto de vista regulatório. Quando falamos de farmácia nos reportamos diretamente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e este órgão eliminou a possibilidade de venda de alguns produtos. No que diz respeito aos alimentos, só os funcionais podem ser comercializados, por exemplo. Quando fazemos a marca própria da farmácia, na verdade ela tem muito mais regulamentação do que alguns produtos da área de supermercado. Então, o canal já tem essa característica específica e isso obviamente faz com que o volume de lançamentos ocorra em uma velocidade diferente do que se observa no setor supermercadista. Eu costumo dizer o seguinte: a grande diferença que temos, ao sair do Brasil, é que se tem um supermercado dentro da farmácia, ao passo que aqui se tem a farmácia dentro do supermercado. Guia • Do ponto de vista dos consumidores, existe algum tipo de restrição na aquisição de produtos de marca própria na farmácia, já que são itens de aplicação no corpo? Neide • A marca própria nasceu exatamente porque são produtos de credibilidade. O consumidor acredita naquele varejo, vai lá e, como confia na loja, passa a confiar nos itens que ela oferece. Foi assim que se deu o crescimento da marca própria em todos os lugares. É importante ressaltar que nos últimos dez anos o paradigma de que marca própria não tem qualidade foi quebrado; é só olhar o cenário. Se o consumidor confia na farmácia para tomar uma injeção, por exemplo, pede sugestão ao farmacêutico do que consumir, o que significa que a opinião da farmácia é extremamente importante.


O varejo é uma grande ferramenta de construção de marca. Todas as grandes marcas consolidadas foram construídas pela força do varejo. Dessa farma, os varejistas do ramo farmacêutico podem e devem usar sua força para construir a sua marca, sem falar que eles já têm um grande trunfo nas mãos, que nenhum outro varejo tem: a pessoa está ali porque tem confiança no estabelecimento, os funcionários usam uniforme, o farmacêutico atua como conselheiro, existe relacionamento direto. Guia • Você acredita que no futuro poderemos ver medicamentos de marca própria com o nome da farmácia no Brasil? Neide • Sem dúvida. Já temos regulamentação específica para isso. Alguns produtos, como água oxigenada, água boricada, soro fisiológico, já estão disponíveis no mercado como marca própria e a evolução daí para a frente é uma tendência natural. O Brasil precisa se abrir para isso. Não podemos ser um País fechado e com regulamentações que não permitam a liberdade de consumo no País. Porque uma coisa é ter uma Agência que regulamenta os produtos dentro daquilo que é responsabilidade do gerenciamento de saúde da população; outra coisa é, por conta do gerenciamento da saúde, engessar um mercado e fazer com que ele seja totalmente inoperante diante do que acontece fora dele. Guia • O que você diria ser o grande benefício para o canal farma trabalhar com marcas próprias? Neide • Quando o varejo começa com a marca própria, ele está pensando na margem que vai ter do produto na categoria – são margens melhores. Além disso, está fazendo a construção de uma marca e, como toda marca, vai ter um valor intrínseco. Acontecem casos em que a marca vale mais do que a própria rede. O grande benefício é atender a uma demanda reprimida. É possível atender a uma demanda que o varejo percebe e o fabricante que está mais distante não consegue atender. Guia • Por que é importante trabalhar o posicionamento da marca própria dentro do ponto de venda? Neide • A primeira coisa, e essa foi uma lição de casa que o Brasil teve de fazer, nos últimos dez anos, é deixar claro para o consumidor qual o posicionamento do produto dele, da marca dele. Se o consumidor vai comprar um xampu da marca Panvel e quiser fazer a comparação de preço daquele xampu com um outro tradicional, dentro do PDV, ele precisa saber com qual comparar: Revlon?

Seda? Caso contrário pode ter a percepção de que está muito caro ou muito barato. Essa condição é básica para se ter sucesso. Trata-se da terceira geração da marca própria. Entendendo-se isso, nos últimos anos, começou-se a trabalhar melhor as embalagens. Elas chamam a atenção e conversam com o shopper, porque cada vez mais se tem menos tempo de decisão, são 14 segundos para a escolha de um item, ou seja, a embalagem tem de conversar em 14 segundos, lembrando que há pelo menos mais cinco ou seis produtos disponíveis para que a comparação seja feita. Guia • As grandes redes tendem a prosperar mais do que as pequenas ou os pequenos varejistas já têm expertise suficiente para trabalhar com marcas próprias? Neide • A Assifarma, uma rede de farmácias associadas, tem cerca de 300 itens de marca própria (dados de 2011), o que é bastante. Cada pequena farmácia que faz parte da associação vende produtos de marca própria com muita competência e com faturamento muito interessante. O volume de vendas de protetor solar, por exemplo, é de 70% da marca deles e 30% para marcas tradicionais. Começaram com produtos dermocosméticos que exigem confiança. Portanto, os pequenos também podem, é só estarem unidos para que o limite do volume seja atingido. É impossível fazer marca própria para uma única farmácia, o custo seria muito alto, assim, o investimento não se justifica, mas a partir do momento em que se unem em associações, centrais de negócios, é possível construir uma marca e em seguida fazer a marca própria para todos os associados. Guia • Qual o principal desafio hoje, para que as marcas próprias prosperem no varejo farmacêutico? Neide • Profissionais focados. Se tivermos esses profissionais, com a cabeça pensando sem preconceitos e paradigmas, com certeza teremos trabalhos feitos para a marca própria que vão fluir com muito mais facilidade do que foi feito até agora. O maior empecilho está na cabeça de quem tem o projeto na mão. Isso não é só na farmácia, acontece em outros varejos também. Muitas vezes, a falta de conhecimento e o receio do novo fazem com que os profissionais fiquem reticentes ou acabem não desenvolvendo o projeto como deve ser feito. É preciso estudar o setor, analisar como é feito fora e dentro do Brasil. É possível colher dicas na Renner, por exemplo, e aplicar no setor. O importante é copiar quem está melhor. 2013 fevereiro guia da farmácia

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gu ia on- l i ne www.guiadafarmacia.com.br Informações exclusivas na internet AL

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Desvendando a febre O Guia da Farmácia traz uma matéria completa sobre o sintoma, que é responsável por 62% das consultas nos serviços de emergência. Qual princípio ativo indicar? Como orientar a administração do medicamento? Buscar atendimento médico é necessário? Saiba como melhor informar o cliente que busca medicação para febre.

Problemas bucais

Desodorantes

Exclusivos no Portal

De acordo com dados do Ministério da Saúde, 58% da população não escova bem os dentes, sendo a higiene oral condição fundamental para a prevenção dos problemas bucais. Cárie, mau hálito e gengivite são os mais comuns. Saiba mais sobre essas repercussões.

A categoria vem passando por uma sofisticação no consumo e ganha importância no canal farma. Além de o número de shoppers ter crescido, eles estão gastando mais e recomprando. Descubra como impulsionar as vendas.

Você sabia que, além das notícias diárias, o Guia da Farmácia publica quinzenalmente textos exclusivos no Portal? As matérias são sobre saúde, mercado, beleza, gestão e PDV, e o conteúdo é publicado todos os dias 1º e 15º de cada mês. Confira!

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guia da farmácia fevereiro 2013

foto: shutterstock


ANTENA LIGADA

Receitas obtidas Indústrias farmacêuticas consolidam expansão, anunciam parcerias para desenvolvimento de novos produtos e projetam fusões milionárias Prati-Donaduzzi lucra R$ 500 milhões

Com 19 anos de atuação, a indústria farmacêutica Prati-Donaduzzi, localizada no Paraná, obteve um crescimento de 140% em um ano no mercado de medicamentos genéricos, segundo dados do IMS Health. O resultado acima da média de mercado levou a empresa a atingir uma receita de R$ 500 milhões. Atualmente, o laboratório detém uma produção de mais de 600 mil unidades por dia de medicamentos sólidos, semissólidos e líquidos – equivalendo a mais de 10 bilhões de doses terapêuticas por ano. • www.pratidonaduzzi.com.br

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Leo Pharma investe em expansão

Para conquistar uma fatia maior do mercado farmacêutico brasileiro, o laboratório dinamarquês Leo Pharma contratou o executivo alemão Thomas Weidauer para comandar os negócios da companhia no País e aumentar o portfólio de medicamentos. Até então, os produtos da Leo Pharma eram vendidos no Brasil pela Roche desde o fim de 2010, por meio de um contrato de distribuição feito com a farmacêutica dinamarquesa. Agora a empresa tem a meta de tornar os produtos do laboratório a marca preferencial em sua categoria até 2020. • www.leo-pharma.com.br 18

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Pague Menos otimiza atendimento

A rede de farmácias adotou sistema de atendimento inteligente e gerenciador de e-mails da NeoAssist em prol de maior rapidez no tempo de resposta do atendimento aos e-consumidores, que exigem respostas rápidas para dúvidas comuns, sem intervenção humana, 24 horas por dia. A Pague Menos mostra inúmeras informações que facilitam a gestão do contato com o cliente, além de trazer informações comportamentais relevantes em relação ao e-consumidor. A loja virtual já traz uma média de 90% de resolução de dúvidas pelo Sistema de Atendimento Inteligente. • www.paguemenos.com.br fotos: shutterstock/divulgação

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Novartis e Bahiafarma se unem

Bausch & Lomb à venda

O fundo Warburg Pincus deu início ao plano de venda da fabricante americana de lentes de contato Bausch & Lomb, com uma oferta de preço superior a US$ 10 bilhões. Caso a venda seja concluída nesse valor, seria a segunda maior operação por parte de um grupo de private equity desde a crise financeira. O fundo indicou o Goldman Sachs para administrar a transação, depois de ter recebido mostras de interesse de laboratórios farmacêuticos na compra. Entre os possíveis ofertantes, estão Abbot, Merck, Sanofi, Bayer, Pfizer e GlaxoSmithKline. • www.warburgpincus.com Guia de Farmácia.pdf 1 01/10/2012 11:42:50 • www.bausch.com.br

Com o apoio do Ministério da Saúde, a Novartis firmou uma parceria para transferir tecnologia à Bahiafarma, visando à produção do micofenolato de sódio e everolimo, dois dos medicamentos mais utilizados para evitar a rejeição de rim e coração transplantados. O empreendimento é o primeiro da farmacêutica no País. A iniciativa beneficiará aproximadamente 28 mil brasileiros e, como o País conta com um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos e tecidos do mundo, a expectativa é que mais pacientes sejam beneficiados a cada ano. • www.novartis.com.br • www.saude.gov.br

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ANTENA LIGADA

J&J libera patente A farmacêutica Johnson & Johnson decidiu deixar de observar a aplicação da patente do medicamento Prezista, utilizado no combate à Aids, nos países mais pobres e na África Subsaariana (região do Deserto do Saara). A empresa quer que fabricantes das versões genéricas possam produzi-lo e vender o produto nos mercados mais carentes sem medo de represálias. O Prezista geralmente é administrado em conjunto com outros antirretrovirais que protegem os infectados pelo HIV de contraírem a Aids de forma completa. Seu preço é de US$ 34 por dia aos pacientes, cerca de US$ 12,4 mil ao ano. • www.jnjbrasil.com.br

Simplificação no tratamento contra Aids

O programa de tratamento da Aids contará com dois medicamentos que vão facilitar a vida dos pacientes. São os chamados “2 em 1” (Tenofovir 300 mg + Lamivudina 300 mg) e o “3 em 1” (Tenofovir 300 mg + Lamivudina 300 mg + Efavirenz 600 mg). Desenvolvidas pela Blanver, as drogas vão simplificar o tratamento. O processo de desenvolvimento dos medicamentos foi bastante complexo e durou aproximadamente dois anos. O registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já está em andamento, e a expectativa é que os primeiros lotes comecem a ser entregues no início de 2013. • www.blanver.com.br

Medicamento recolhido da Fiocruz

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mandou suspender a comercialização e o uso de 31 lotes de um medicamento contra hipertensão produzido pelo laboratório público Farmanguinhos (Fiocruz). Segundo a Agência, verificou-se uma alteração no processo de produção dos lotes citados do comprimido hidroclorotiazida 25 mg. O laboratório teria mudado a moagem do insumo farmacêutico ativo sem a aprovação da Anvisa. Segundo a Agência, o tamanho da partícula do produto pode afetar o desempenho. • http://portal.anvisa.gov.br

Embalagens premiadas

O prêmio ‘Grandes Cases de Embalagem’, promovido pela revista Embalagem e Marca, elegou a marca Eparema – fitoterápico do laboratório Takeda indicado para os distúrbios do fígado e da digestão – como uma das vencedoras. A premiação homenageou empresas de diversos segmentos que se destacaram pela melhoria de suas embalagens. Eparema renovou o layout dos produtos e aumentou seu portfólio, lançando dois novos sabores – laranja e guaraná –, além do tradicional de hortelã. • www.eparema.com.br • www.embalagemmarca.com.br 20

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AF_Anúncio_GuiadeFarmácias_JAN_13.pdf

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Top of Mind no Paraná

Pelo sexto ano consecutivo, a Rede de Farmácias Nissei conquistou o Top of Mind no Paraná. A pesquisa é realizada pela revista Amanhã, em parceria com o Instituto Bonilha, e tem o objetivo de apontar as marcas que estão em primeiro lugar na mente dos consumidores. No Paraná, a Nissei ficou com 26,6% dos votos, em Curitiba, 49,7%, e na região metropolitana, 57,7%. Foram realizadas, ao todo, mil entrevistas, entre os dias 25 de setembro e 5 de outubro, em regiões onde se concentram os maiores centros de shoppers. • www.drogariasnissei.com.br

Anvisa suspende importação

Após inspecionar a empresa Alcon Biosciences Private Limited, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu suspender a importação dos insumos farmacêuticos fenitoína base e fenitoína sódica. Foram constatadas irregularidades nas boas práticas de fabricação. Já o medicamento Passaneuro, em comprimido e solução oral, produzido pela empresa Bunker Indústria Farmacêutica Ltda., não pode ser fabricado, vendido ou utilizado. O produto está com o registro cancelado e, por isso, não pode ser comercializado. Também foram suspensos todos os medicamentos fabricados pela empresa Oito Produtos Naturais Ltda. A empresa não tem Autorização de Funcionamento (AFE) e seus produtos não apresentam registro. • http://portal.anvisa.gov.br 2013 fevereiro guia da farmácia

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ANTENA LIGADA

CVS negocia compra da Onofre No fim de 2013 especialistas sondavam a compra da Drogaria Onofre pela americana CVS. As duas empresas estavam acertando os detalhes finais da transação, embora a Onofre não confirme. Fontes próximas à negociação dizem que a CVS deverá pagar R$ 800 milhões por 80% da Onofre. As negociações entre as empresas começaram há mais de um ano e só agora chegam à reta final. Ainda não há acordo se as drogarias continuarão a levar o mesmo nome ou se serão transformadas em CVS – segunda maior cadeia de drogarias dos Estados Unidos. • www.cvs.com • www.onofre.com.br

Aspen relança site Com a intenção de levar informação sobre saúde à população, a Aspen Pharma criou uma nova home page. Além de fornecer dicas diariamente, a companhia de medicamentos similares abriu um canal de comunicação entre médicos e internautas em novo espaço virtual. Outros recursos também serão disponibilizados ao público, como: calculadoras que avaliam o IMC e o risco coronariano, calendário de vacinação infantil por idade e tabela com orientação de dieta de baixo teor de colesterol. A expectativa é de que o número de visitas à nova página dobre em comparação com a versão anterior. • www.aspenpharma.com.br 22

guia da farmácia fevereiro 2013

versão mobile do portal

Agora já é possível acessar diretamente do celular todos os conteúdos do Portal Guia da Farmácia. A nova versão mobile apresenta tamanho adequado para visualização em telefones celulares, smartphones e tablets. Com o tamanho das letras e imagens adaptados às telas menores dos dispositivos móveis, a nova versão garante conforto na leitura e, portanto, uma melhor navegabilidade ao usuário. O Portal Guia da Farmácia mobile atende cerca de 50 milhões de brasileiros que já acessam a internet através de dispositivos móveis. De acordo com a pesquisa Mobile Modes, divulgada pelo Yahoo! Insights em parceria com o Instituto Ipsos em meados de 2012, a tendência é que esse número aumente para 67,7 milhões de usuários em 2013 e 110,5 milhões em 2015. Para acessar a nova versão, basta acessar o Portal convencional (www.guiadafarmacia.com.br) através de um dispositivo móvel, e o redirecionamento será automático. Através desse serviço, os usuários terão acesso às notícias do mercado farmacêutico, notas da edição atual, conteúdo de edições anteriores, agenda de eventos, vídeos e entrevistas.

Novos produtos farmacêuticos

A subsidiária da companhia Nestlé para a área de saúde e o grupo farmacêutico chinês ChiMed firmaram acordo de joint venture, com capital de 50% para cada uma das empresas, a fim de criar a Nutrition Science Partners Limited (NSP). A nova empresa terá seu foco na inovação de produtos nutricionais, especialidade da Nestlé, e medicinais, derivados de plantas, uma especialidade do ChiMed. Inicialmente, a NSP deverá focar a estratégia na área de saúde gastrointestinal e, no futuro, deverá expandir atuação para as áreas de distúrbios do metabolismo e saúde do cérebro. • www.nestlehealthscience.com


Sírio-Libanês investe em ampliação

O Hospital Sírio-Libanês vai investir quase R$ 1 bilhão para duplicar a capacidade de sua sede no bairro da Bela Vista, em São Paulo. Serão construídas três torres, além da ampliação das estruturas já existentes. As novas construções estão sendo realizadas de acordo com as normas ambientais para a certificação Green Building. O Hospital Sírio-Libanês garante estar atento aos impactos econômicos, sociais e ambientais de sua atividade e integra de maneira ativa o Programa Hospitais Saudáveis. • www.hospitalsiriolibanes.org.br

Impressão digital contra fraudes Identificadores biométricos de impressão digital poderão ser adotados em estabelecimentos credenciados ao programa Farmácia Popular do Brasil na tentativa de evitar fraudes. O objetivo é coibir que farmácias conveniadas ao programa utilizem o CPF de clientes para forjar vendas de medicamentos e receber o reembolso pago pelo governo federal. O uso do sistema de segurança foi sugerido pela Procuradora da República Daniela Poppi para dificultar a falsificação de CPF, uma das formas mais comuns de fraude observadas. • www.pgr.mpf.gov.br

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consultor jurídico

O segmento farmacêutico Surge uma nova agência reguladora para o setor, sobretudo para o que diz respeito ao fornecimento de medicamentos pelos planos de sa��de

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Gustavo S e m blano Advogado e consultor jurídico da Associação do Comércio Farmacêutico do Rio de Janeiro (Ascoferj), OAB/RJ 113655 E-mail gustavo@semblano.com.br 24

guia da farmácia fevereiro

e a ANS

Antes de 1999 o segmento farmacêutico brasileiro se atinha às regras oriundas da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde; a partir de 1999, com a edição da Lei Federal nº 9.782/99, foi criada a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que passou a editar a normatização para este segmento. Agora, no entanto, surge uma nova agência reguladora tratando de assuntos que interessam ao segmento farmacêutico: a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O que a ANS tem a ver com farmácias, drogarias, distribuidoras e indústria farmacêutica? Com a publicação no Diário Oficial da União do dia 31 de outubro de 2012 da Resolução Normativa RN nº 310/12, assuntos de interesse farmacêutico passaram a ser abordados por essa agência. A importância do conhecimento dessa Resolução Normativa se dá pela autorização concedida às operadoras de planos de saúde de oferecer medicamentos a seus beneficiários. É isso mesmo: planos de saúde passam a poder ofertar medicamentos a seus clientes. Os medicamentos contemplados por essa norma são aqueles considerados de uso domiciliar, assim definidos como os prescritos “pelo médico assistente para administração em ambiente externo ao de unidade de saúde”. 2013

Tais medicamentos devem cobrir em contratos individuais de planos de saúde, no mínimo, 80% dos princípios ativos associados a: diabetes mellitus, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), hipertensão arterial, insuficiência coronariana, insuficiência cardíaca congestiva e asma brônquica. Essa limitação se dá apenas nos contratos individuais; para os contratos coletivos (por adesão ou empresariais), há regras específicas. O que penso sobre essa norma? No mínimo, ilegal. Ilegal é aquilo que vai de encontro ao estabelecido em leis, genericamente falando. A Lei Federal nº 5.991/73 fala textualmente da farmácia e da drogaria como estabelecimentos para a dispensação de medicamentos, bem como a relevância do farmacêutico como imprescindível agente de fomento à saúde. A Lei Federal nº 9.782/99 atribui à Anvisa, e apenas a essa agência, a atribuição de estabelecer normas para o segmento farmacêutico. Assim, ao que parece, a Resolução Normativa RN nº 310/12 da ANS se omite tanto sobre a dispensação, quanto sobre o farmacêutico, omissões estas inaceitáveis, além de abordar o tema que necessariamente deveria envolver a Anvisa. Aguardemos a posição da agência, do Conselho Federal de Farmácia (CFF) e das entidades de classe sobre o assunto. foto: DIVULGAÇãO


atualizando

Disponibilidade

de inovação Varejistas de farmácias e drogarias do Brasil podem abastecer gôndolas e estoques com os últimos lançamentos da indústria

óleo de coco em cápsulas naturelife

Pacientes com diabetes tipo II terão, a partir do primeiro trimestre de 2013, uma nova opção para tratar a doença: o Stanglit (pioglitazona). O antidiabético oral da Libbs Farmacêutica chega às gôndolas para auxiliar o médico no tratamento da redução da glicemia e na prevenção de problemas cardiovasculares, responsáveis por 60% das mortes dos diabéticos. O medicamento estará disponível nas apresentações 15, 30 e 45 mg, todas com 30 comprimidos.

A Naturelife traz ao mercado mais um lançamento, o Óleo de Coco em cápsulas. O produto contribui para a perda de peso, pois não é armazenado pelo organismo como outros tipos de gordura. É rapidamente metabolizado, gerando energia. Além disso, o Óleo de Coco possui substâncias antioxidantes, auxilia na redução do Colesterol LDL (o mau colesterol), ajuda a melhorar o sistema imunológico e contribui na absorção das vitaminas lipossolúveis (Vitamina A, E, K, D). Apresentação em pote de 60 cápsulas.

MS 100330166.0020 www.libbs.com.br

MS 508.350.044 www.naturelife.ind.br

stanglit libbs

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guia da farmácia fevereiro 2013

fotos: divulgação


duotravatan bak free

max air teuto

A Alcon acaba de lançar no mercado o Duo-Travatan Bak Free 5 ml. O objetivo da farmacêutica com o novo produto é aumentar a adesão ao tratamento, com uma redução de 20% no preço por ml. A embalagem de 2,5 ml continuará no mercado. A solução oftalmológica é a primeira combinação fixa de prostaglandina sem cloreto de benzalcônio. A ausência do conservante protege a superfície dos olhos e proporciona ao paciente segurança, eficácia e redução de até 38% na pressão intraocular.

O Max Air, dilatador nasal indicado para pessoas com necessidade de abrir as vias nasais para respirar facilmente, ajuda a aliviar a congestão nasal e reduzir o ronco. Lançado pelo Laboratório Teuto, trata-se de fitas autoadesivas flexíveis, que são colocadas na parte exterior do nariz para ampliar suavemente as vias nasais. Cada tira conta com duas barras paralelas de plástico, que abrem suavemente as vias nasais, melhorando a respiração imediatamente, sem desempenhar ação farmacológica. O usuário respira melhor, tendo um alívio temporário nas dificuldades respiratórias.

MS 1.0023.0266.002-1 www.alcon.com

MS 80485560004 www.teuto.com.br

alcon

2013 fevereiro guia da farmácia

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desafios

Vizinhança estratégica

Conhecer o potencial e os hábitos das imediações da farmácia permite a segmentação dos produtos e o estreitamento das relações com os clientes, trazendo mais ganhos e maior fidelidade da clientela

A

P o r r o d r i g o r o dr i g u es

Ao contrário de outros setores da economia, o mercado brasileiro de varejo farmacêutico passa por seu melhor momento, superando a marca de R$ 47 bilhões em vendas de medicamentos no ano de 2012. Até 2017, o número deve chegar a R$ 87 bilhões, segundo projeções do IMS Health. Para aproveitar esse momento de bonança, o varejista deve concentrar esforços em entender as necessidades dos clientes que frequentam a loja, tentando estabelecer um perfil do público-alvo de seu estabelecimento e promovendo ações que estreitem o relacionamento com esse grupo. Com a modernidade das relações, o aumento da ofer-

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guia da farmácia fevereiro 2013

ta e da concorrência, as redes sociais e a web, o cliente está mais antenado com seus diretos, deveres e aspirações. Isso muda completamente a experiência de compra, já que ele está mais exigente e seguro na hora da decisão de adquirir qualquer coisa. Por isso, o bom atendimento alinhado às necessidades do cliente e suas expectativas é condição essencial para a manutenção das vendas, segundo os especialistas. “Definir o público-alvo, o target, faz com que toda a empresa, os serviços, os produtos alinhem-se às necessidades dos clientes. Existem muitas definições de vendas, mas uma das mais comuns é que vender é resolver o problema do foto: shutterstock


desafios

Para se destacar dos concorrentes a única forma é ser melhor do que eles, ou seja, não será uma estratégia única. é preciso ser competitivo no preço, ter um bom mix de produto, um layout que se destaca, um atendimento diferenciado e, se possível, vagas de estacionamento na frente da loja. tudo isso, aliado a uma boa gestão, gera destaque cliente com produtos e serviços e cobrar por isso. Outra definição bem utilizada diz que vender é atender, superar as expectativas dos clientes, e só as superamos se conhecemos nosso cliente. Devemos lembrar que ele gosta de coisas iguais àquelas que também apreciamos. Pensando assim, uma empresa que raciocina com a cabeça do cliente tem mais chance de sucesso”, avalia o diretor da Desenvolva Consultoria e Treinamento, Marcelo Christian. Ser um comerciante num mercado tão dinâmico como o de hoje exige não apenas capacidade gerencial do empresário, mas também atenção para entender às mudanças e às variáveis imprescindíveis ao bom funcionamento do negócio, sejam elas de caráter macro ou microeconômico, como a crise econômica que o mundo vive atualmente, incluindo-se aí a disparada da inflação e também as variáveis de caráter comportamental. Num exemplo prático, se uma farmácia está instalada num bairro com uma quantidade acentuada de idosos, o comerciante deve estabelecer uma relação de fidelidade com esse público, seja oferecendo descontos, facilitando a entrega em casa sem taxa de conveniência e entrega, ou outra solução mais criativa e que satisfaça esse público. “O ponto também depende do mercado que está ao redor. É preciso traçar um perfil do consumidor potencial, levando em conta itens como renda, número de carros por habitante, recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e estilos residenciais e comerciais, entre outros. Em uma mesma cidade sempre há áreas que estão em declínio relativamente ao poder aquisitivo e outras em ascensão. É preciso conhecer a tendência para estar preparado quando as mudanças se consolidarem”, aponta a consultora Silvia Osso.

Como fazer Conhecer a vizinhança passa não só pela escolha adequada do ponto, da proximidade a outros serviços como chaveiros, ponto de táxi, Correios, banco 24 horas e até mesmo supermercados, mas também pelo comportamento das pessoas. O local tem grande fluxo de pessoas? É 30

guia da farmácia fevereiro 2013

próximo de pontos de ônibus que possam garantir maior atenção dos transeuntes aos cartazes e banners? A maior parte do fluxo de pessoas se dá em que horário? Os clientes que frequentam são mais os homens ou as mulheres? Que idade têm em média? Que tipo de produtos eles compram? A compra é atrelada a outros produtos? Todas essas são perguntas que o empresário precisa responder para poder traçar qualquer estratégia de fidelização, aumento de vendas ou atração de novas clientes. “A loja deve possuir produtos com a ‘cara da clientela’, atendendo e superando as expectativas dos clientes, alocando produtos e serviços de acordo com essas necessidades”, diz Marcelo Christian. A forma mais simples de estabelecer um contato é aproveitar a hora do pagamento no caixa e fazer duas ou três perguntas que não tomem muito tempo do cliente e se estendam apenas até o cumprimento das regras de pagamento ou atendimento do farmacêutico. Caso o comerciante disponha de mais recursos, a opção também está em contratar empresas e consultores especialistas na área para ajudar na elaboração de uma estratégia completa de atuação. Embora a necessidade de entender o comportamento do consumidor seja quase unanimidade entre os especialistas, estabelecer esse perfil nem sempre é fácil para o farmacêutico, seja pela falta de estrutura, seja pela falta de praticidade em aplicar um questionário completo que possa auxiliar na tomada de decisão prática, mas, sobretudo, também pela falta de um perfil claro e hegemonia da maioria das farmácias, como bem aponta o diretor-presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas de Farmácia (Febrafar), Edison Tamascia: “Conhecer hábitos de consumo é importante. Mas hoje dificilmente temos um único tipo de vizinhança. Para ter sucesso é necessário ser mais generalista. Direcionar todas as estratégias para um único público não é uma atitude inteligente. Um co-


Os quatro pontos que vão fazer o varejista se destacar

F

Força que a sua loja tem. É preciso reforçar esses aspectos positivos.

O

Oportunidades, principalmente após a análise do mercado e do concorrente.

F

Fraquezas, onde estão os pontos negativos e os pontos a desenvolver em sua empresa.

A

Ameaças, aquilo que hoje não é um problema, mas pode se tornar um dia e prejudicar o bom andamento do negócio.

x mércio tem de ser pluralista e o empresário poderá ter um departamento ou uma seção na loja direcionada a um público específico. E, mesmo assim, às vezes nem sempre isso é possível ou viável”, pontua. Apesar da discordância pontual, Tamascia acha que o varejista farmacêutico precisa se destacar da concorrência e aponta o bom atendimento ao cliente como peça-chave, especialmente quando a presença do concorrente é muito próxima da loja, como acontece em muitas cidades onde várias farmácias são vizinhas, seja lado a lado, de vizinhança ou de uma mesma rua. “Para se destacar dos concorrentes a única forma é ser melhor do que eles, ou seja, não será uma estratégia única. É preciso ser competitivo no preço, ter um bom mix de produto, um layout que se destaca, um atendimento diferenciado e, se possível, vagas de estacionamento na frente da loja. Tudo isso, aliado a uma boa gestão, gera destaque”, analisa o representante da Febrafar. Para esses casos onde a concorrência é muito próxima fisicamente, o consultor Marcelo Christian, da Desenvolva Consultoria e Treinamento adotou até uma estratégia apelidada de FOFA, que é uma sigla para determinar os quatro pontos essenciais que vão fazer o varejista se diferenciar dos demais. “No produto existe pouca ou nenhuma oportunidade de se diferenciar. A diferença está sempre nos serviços, nas mãos que entregam o produto”, destaca o consultor. A sigla FOFA quer dizer o seguinte: F – Força que a sua loja tem. É preciso reforçar esses aspectos positivos. O – Oportunidades, princi-

palmente após a análise do mercado e do concorrente. F – Fraquezas, onde estão os pontos negativos e os pontos a desenvolver em sua empresa. Conhecer as fraquezas e planejar sua resolução são atitudes prioritárias. “O ideal é diminuir as fraquezas e aumentar as forças”, afirma. A – Ameaças, aquilo que hoje não é um problema, mas pode se tornar um dia, prejudicando o bom andamento do negócio. Na opinião de Silvia Osso, a diferenciação também se dá justamente na mudança dos aspectos físicos e de atendimento. Para os varejistas que pensam em abrir novas unidades ou se aventurar pela primeira vez no mercado farmacêutico, ela aconselha que analisem muito bem os aspectos do ponto antes de tomar a decisão de se instalar em algum lugar. “Antes de utilizar o ponto, verifique se o mercado já não está saturado para a instalação de uma farmácia. Se os indícios apontarem para uma atração cumulativa, é bom – desde que esteja consciente de que vai trazer um diferencial ao mercado. Não é interessante apenas oferecer mais um estabelecimento, mas sim se diferenciar para se sobressair, avisa a consultora. “A qualidade da farmácia, a arquitetura externa e interna são fonte de chamariz. O layout, equipe treinada e mix de produtos são o básico para a abertura da loja. Tudo isso ajuda a levar os clientes à loja, além, é claro, de promoções de abertura e trabalhos de trade marketing”, aconselha. 2013 fevereiro guia da farmácia

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cenário

Equidade de gênero A importância da participação da mulher é fundamental para o crescimento sustentável dos países, mas as lacunas ainda são grandes

Iêda Novais Diretora da KPMG no Brasil e integrante do Conselho Consultivo da Rede de Mulheres Líderes pela Sustentabilidade 34

N

Nos últimos 30 anos, as mulheres vêm obtendo importantes conquistas na equidade de direitos em relação aos homens. Para estimular os debates sobre o tema e apontar soluções, a KPMG (rede global de firmas independentes que prestam serviços profissionais de Audit, Tax e Advisory presente em 150 países) lançou o relatório Bridging the gender gap – Tackling women’s inequality (Preenchendo a lacuna entre gêneros – Combatendo as desigualdades contra as mulheres) que traça uma análise dos problemas enfrentados pelo sexo feminino desde antes da concepção, passando pela infância, vida adulta e terceira idade. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), as mulheres são responsáveis por 66% do trabalho do mundo, produzem 50% dos alimentos e constituem quase a metade do grupo de estudantes universitários. No entanto, ganham apenas 10% do rendimento global e possuem somente 1% de todas as propriedades. O relatório da KPMG aborda questões que contribuem para a inequidade e considera soluções existentes e potenciais, com base em pesquisas realizadas em todo o mundo. A valorização da participação da mulher é fundamental para o crescimento sustentável dos países, pois restrições no trabalho feminino podem reduzir em até dois pontos percentuais o crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) de um país; a produção agrícola cai pelo fato de as

guia da farmácia fevereiro 2013

produtoras não terem acesso a crédito ou à propriedade da terra; e a dependência econômica em relação aos homens restringe sua capacidade de decidir pela prática do sexo seguro. Para reverter diferenças, o documento sugere a adoção de compromissos políticos firmes, o que acaba sendo, por si, um problema diante do fato de que apenas 20% dos parlamentares de todo o mundo são mulheres. Como País em desenvolvimento, o Brasil enfrenta consideráveis disparidades nas questões de gênero. Entre 128 nações avaliadas, ocupa a 48ª posição no ranking de oportunidades econômicas para mulheres (Women’s Economic Opportunity Index 2012). Fica atrás de Uruguai (39ª colocação), México (41ª) e Chile (42ª), e à frente de Argentina (50ª), Peru (56ª), Colômbia (58ª), Rússia (66ª) e China (68ª). A lista é liderada pelos nórdicos Suécia (em 1ª), Noruega (2ª) e Finlândia (3ª). Apesar de termos avançado na equidade entre os sexos, especialmente depois da Constituição de 1988, ainda enfrentamos diferenças que pesam contra as mulheres, como as desigualdades salariais, limitações na carreira feminina, ou a sub-representação política. O relatório conclui que, para alcançar a paridade econômica, cultural e social entre os sexos, é necessário que líderes políticos, agências multilaterais, empresas, mídia e sociedade se esforcem para que sejam adotadas medidas decisivas e dedicadas à reversão dos quadros de desigualdade. foto: DIVULGAÇãO


Especial Mulher

panorama

Brasil ostenta mais de

cem milhões de mulheres Elas são a maioria, estão mais maduras, têm maior poder decisivo, mais dinheiro no bolso e vivem mais. Essas conquistas, contudo, não as livram da desigualdade de gêneros. Ainda há muito o que conquistar P o r e g l e leo na r di 36

guia da farmácia fevereiro 2013

A

A população mundial em 2012 contava com aproximadamente 7 bilhões de habitantes, o que representa cerca de 3,5 bilhões de mulheres nascendo, crescendo, trabalhando, casando-se, tendo filhos, cuidando do lar e da família, privilegiando sua beleza, seu bem-estar e sua qualidade de vida, procurando envelhecer com saúde até o fim de seus dias. O cenário mundial mudou sua face, e a mulher evoluiu em todas as relações na maior parte dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o Brasil tem 193.946.886 de habitantes (julho de 2012), fotos: shutterstock


a quantidade de filhos que uma mulher tem não é apenas um indicador do crescimento ou declínio da população. Também pode ser uma medida da qualidade de vida, quer tenham muitos filhos, poucos ou nenhum sendo São Paulo o estado mais populoso, com 41 milhões. O País tem quase 6 milhões de mulheres a mais que homens, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE. Embora o número de homens no Brasil tenha aumentado 2,5% entre 2009 e 2011 (passando de 93,4 milhões para 94,7 milhões), isso não foi suficiente para ultrapassar o número de brasileiras. Essa fatia avançou de 98,3 milhões para 100,5 milhões, ou seja, elas representam 51,5% da população nacional. O fato é que são a maioria e estão mais maduras. Dessas 100,5 milhões, 24,5% (ou 24,7 milhões) têm entre 40 e 59 anos. Ainda de acordo com dados do IBGE, a expectativa de vida média do brasileiro atingiu 74,08 anos (74 anos e 29 dias) em 2011. Entretanto, elas vivem mais: a expectativa das mulheres é de 77,7 anos. O instituto também verificou que o número médio de filhos por mulher caiu de 6,2 (em 1940) para 1,9 no ano passado. A taxa está abaixo do nível de reposição da população, o que altera a pirâmide etária brasileira para uma estrutura mais envelhecida, como acontece em países desenvolvidos. Importante ressaltar que a quantidade de filhos que uma mulher tem não é apenas um indicador do crescimento ou declínio da população. Também pode ser uma medida da qualidade de vida, quer tenham muitos filhos, poucos ou nenhum. Ligados a esse parâmetro do tamanho das famílias, há fatores como saúde, educação, oportunidade econômica, igualdade e o direito de toda mulher de decidir sobre o tempo adequado e o intervalo entre gestações. Para se ter uma ideia da importância da fecundidade nacional de 1,9, basta citar os países mais desenvolvidos, onde a taxa de fecundidade média é cerca de 1,7 nascimento – abaixo da taxa de reposição de 2,1 nascimentos. Nos países menos desenvolvidos, esse indicador é O Brasil reduziu em 12% a mortalidade feminina num período de dez anos

cerca de 4,2. No resto do mundo, as taxas de fecundidade têm declinado gradualmente. As evidências demonstram que os decréscimos de fecundidade têm contribuído para acelerar o crescimento econômico e reduzir a pobreza. Dessa forma, a melhoria das condições das mulheres brasileiras também amplia sua capacidade de tomada de decisão em todos os níveis e em todas as esferas da vida.

Mortalidade feminina A saúde também melhorou. O Brasil reduziu em 12% a mortalidade feminina num período de dez anos. Entre 2000 a 2010 houve redução da taxa de mortalidade de 4,24 óbitos por mil mulheres para 3,72. Esse é um dos estudos do Saúde Brasil, publicação do Ministério da Saúde. Todas as regiões do País tiveram suas taxas reduzidas. A maior diminuição foi verificada na região Sul (14,6%), seguida pela Sudeste (14,3%). A região Centro-Oeste apresentou redução de 9,6%, enquanto Nordeste e Norte apresentaram redução de 9,1% e 6,8%, respectivamente. Há a previsão de que em 2050 as mulheres de países como o Brasil viverão 86 anos, enquanto os homens, 82 anos. Até chegar lá, ainda há muito a resolver. Apesar das diversas conquistas médicas e tecnológicas, obviamente as mulheres ainda se deparam com inúmeros problemas de saúde, cuja lista é vasta. Entre as principais causas de mortalidade feminina, segundo o IBGE, estão as doenças do aparelho circulatório, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o infarto, que aparecem em primeiro lugar representando 34,2%. No entanto, as doenças cerebrovasculares e as isquêmicas do coração apresentaram redução no período de 2000 a 2010. A taxa das doenças cerebrovasculares em mulheres, como o AVC, caiu de 43,87, em 2000, para 34,99 em 2010. As isquêmicas do coração, como o infarto, também tiveram a taxa reduzida de 34,85 para 30,04. O estresse é um dos vilões causadores dos problemas de saúde femininos, já que a divisão equilibrada das tarefas domésticas ainda não é uma constante na vida de milhares de brasileiras. Apesar dos avanços, ainda pesa sobre elas a maior carga de trabalho doméstico, configu2013 fevereiro guia da farmácia

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Especial Mulher

panorama

mulheres no brasil

Infográfico: Mariana Sobral

100,5 milhões 193.946.886 de habitantes

49% 51%

40 – 59 anos

6 milhões de mulheres a mais...

...do que os homens

24,5%

41 milhões de mulheres (SP)

Expectativa de vida 77,7 anos

74,08 anos

2012

4 anos a mais

86 anos

82 anos

2050

Filhos

rando uma dupla jornada de trabalho. Essas mudanças são significativas no plano econômico, social e cultural, segundo o retrato das desigualdades de gênero e raça – Secretaria de Políticas para as Mulheres. É inegável que a sociedade caminha na direção da igualdade, embora lentamente. Isso traz benefícios tanto para a saúde da mulher quanto para a saúde do homem e das crianças. Ainda assim, a possibilidade de que elas venham a sofrer, adoecer e morrer em consequência dos problemas gerados pela desigualdade de gênero é muito grande. Felizmente, o corpo feminino nunca foi tão estudado e, por isso, nunca teve tantas chances de cura ou de prevenção das doenças que mais acometem as mulheres modernas.

Mercado de trabalho

O número de filhos por mulher é 1,9

Mortalidade feminina Redução por região Redução de 12% (2000 x 2010)

1 6,8% 14,6%

2 3

9,1%

14,3% 9,6% Fonte: IBGE 38

guia da farmácia fevereiro 2013

4 5

O aumento da escolaridade feminina, a redução do número de filhos nas famílias e as mudanças nos padrões culturais, que estimulam as mulheres a trabalhar, contribuem para que ela aumente significativamente sua participação no mercado de trabalho. Mas apesar de ser maioria da população e ter mais tempo de estudo, as brasileiras ainda são minoria no mercado de trabalho e ganham menos que os homens, em média, de acordo com o IBGE. A desigualdade é maior nas grandes empresas, já que elas ocupam menos de 14% dos cargos de diretoria das 500 maiores empresas do Brasil e, para piorar, demoram mais para ser promovidas. A participação das mulheres chega a 45,1% nas microempresas, contra uma média de 31,8% nas médias e grandes, segundo o instituto. Sua renda salarial mensal está por volta de R$ 1.097,93, enquanto a dos homens atinge R$ 1.518,31, de acordo com dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. A diferença ocorre mesmo quando a mulher tem 11 ou mais anos de estudo. Quando os profissionais têm curso superior, os homens chegam a ganhar R$ 1.653,70 a mais do que elas.


Especial Mulher

panorama

A tendência de aquisição de maior nível de escolaridade das mulheres, que vinha se esboçando desde as últimas décadas do século XX, se consolida na atualidade e tem especial importância para a inserção do sexo feminino no mercado de trabalho

Há ainda muito a conquistar. Um dos desafios está na busca por um emprego formal. Cerca de 35,5% das mulheres no mercado de trabalho no Brasil têm carteira de trabalho assinada, ante 43,9% dos homens. No setor de comércio, por exemplo, nem metade das mulheres tem carteira assinada (49,7%).

Escolaridade Segundo a PME, quando analisada a participação de homens e mulheres por formas de ocupação, percebeu-se que as mulheres têm participação superior ou semelhante à dos homens quando a escolaridade é de onze anos ou mais de estudo ou de nível superior. Em 2011, os maiores percentuais nos dois níveis de escolaridade foram registrados pela população feminina ocupada entre os militares e funcionários públicos estatutários (93,3%), quando o perfil educacional dessas mulheres era de onze anos ou mais de estudo 40

guia da farmácia fevereiro 2013

e de 60,6%, quando de nível superior completo. O que se verifica é o aumento significativo do nível de instrução das mulheres. Os indicadores mostram que 39% delas passam a ter mais de nove anos de estudo, em comparação a 35% dos homens. A tendência de aquisição de maior nível de escolaridade das mulheres, que vinha se esboçando desde as últimas décadas do século XX, se consolida na atualidade e tem especial importância para a inserção do sexo feminino no mercado de trabalho. Esses parâmetros de fecundidade, mercado de trabalho, escolaridade, entre outros, desenham o perfil da mulher brasileira, que tem conquistado a melhoria de sua qualidade de vida e de sua família. Com os avanços, e apesar das desigualdades, elas anseiam por uma carreira, pela felicidade de seus filhos, por tempo extra para o lazer, sem deixar de lado os cuidados com sua beleza e saúde. Essa é a face da nova brasileira, e sua jornada de sucesso está apenas começando.


Especial Mulher

saúde

Retratos

femininos

E

As mulheres têm melhor qualidade de vida e se cuidam mais, porém, ao chegar à terceira idade, ficam propensas às doenças típicas dessa faixa etária

Entre 2000 e 2010, o Brasil viu sua taxa de mortalidade feminina ser reduzida em 12%. Esse resultado faz parte de um estudo do Saúde Brasil (2011), publicado pelo Ministério da Saúde. O levantamento mostra que houve diminuição da taxa de mortalidade de 4,24 óbitos por 100 mil mulheres para 3,72. Todas as regiões compartilharam a queda dessas taxas. A maior redução foi verificada na região Sul (14,6%), seguida pela Sudeste (14,3%). A região Centro-Oeste apresentou redução de 9,6%, enquanto Nordeste e Norte apresentaram diminuição de 9,1% e 6,8%, respectivamente. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pondera: “Essa redução mostra que o País tem quali42

guia da farmácia fevereiro 2013

Por egle leonardi

ficado a assistência à mulher, mas também demonstra que temos de continuar priorizando as causas dos óbitos das mulheres, como o câncer de mama”. Segundo o professor de Ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC e coordenador do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher de São Bernardo (CAISM-SBC), Rodolfo Strufaldi, as mulheres, em geral, têm problemas de saúde semelhantes aos dos homens, entretanto, como elas são diagnosticadas precocemente, faz com que tenham uma sobrevida maior que a dos homens, chegando atualmente aos 77,7 anos. As doenças ginecológicas na adolescência e na idade reprodutiva são caracterizadas por problemas que vão desde um simples corrimento, ferida no colo uterino, cistos de ovário, até lesões de câncer uterino, ovário, foto: shutterstock


Especial Mulher

saúde

Taxa de mortalidade feminina por região (por mil mulheres)

2000 Norte 3,7%

2010

Nordeste 3,77% Centro-Oeste 4,28% Sudeste 4,49% Sul 4,46%

Norte 3,45%

Nordeste 3,43%

Centro-Oeste 3,87% Sudeste 3,85% Sul 3,81%

Fonte: Ministério da Saúde

mama, miomas, incontinência urinária, prolapsos genitais e, com o envelhecimento, a osteoporose”, relata o médico. Tendo uma sobrevida maior, aumentam as chances de elas desenvolverem doenças que são da própria idade. Na década de 1940, as mulheres tinham uma expectativa de vida de 50 anos. Isso não lhes permitia ter doenças como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), demência senil, câncer e osteoporose, porque não viviam tempo suficiente para tal. No entanto, a prevenção e a realização de exames permitiram que diagnósticos fossem feitos precocemente e as mulheres tivessem também melhor qualidade de vida. “Apesar de tudo que se desenvolveu na medicina ao longo dos anos, a assistência tanto pública como na saúde suplementar ainda é deficiente, o que não permite que todas as mulheres tenham acesso à saúde”, lamenta Strufaldi. Ele diz que, na maioria das vezes, o diagnóstico para algumas doenças é tardio e o tratamento fica comprometido. “Existem estatísticas que mostram que as mulheres que fazem exames ginecológicos preventivos são sempre as mesmas, ou seja, existem aquelas que nunca fazem seus exames e isso atrasa o diagnóstico e o tratamento”, revela o professor.

Do que elas morrem? De acordo com o Ministério da Saúde, entre as principais causas de mortalidade feminina estão as 44

guia da farmácia fevereiro 2013

doenças do aparelho circulatório, como AVC e o infarto, que aparecem em primeiro lugar, representando 34,2%. No entanto, as doenças cerebrovasculares e as isquêmicas do coração apresentaram redução no período de 2000 a 2010. A taxa das doenças cerebrovasculares em mulheres, como o AVC, caiu de 43,87, em 2000, para 34,99 em 2010. As doenças isquêmicas do coração, como o infarto, também tiveram a taxa reduzida de 34,85 para 30,04. Os fatores de risco dessas doenças são a falta de exercícios físicos e uma dieta rica em gordura saturada, que têm como consequência o aumento dos níveis de colesterol e hipertensão. As neoplasias representam a segunda maior proporção de óbitos em mulheres em 2010, no total de 18,3%. Entre elas, o câncer de mama tem o maior índice (2,8%), depois o câncer de pulmão (1,8%) e em seguida o câncer do colo do útero (1,1%).

Entre as mais jovens Na faixa etária a partir dos 30 anos, as doenças do aparelho circulatório e neoplasias se confirmaram como as causas mais frequentes de óbitos. Já nas menores de 10 anos, predominaram as afecções perinatais, e entre mulheres de 10 a 29 anos de idade, as causas externas, como acidentes e agressões. No caso das agressões, é triste constatar que o levantamento de dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, revela que as mulheres ainda são as maiores vítimas de violência no País e as mais vulneráveis a sofrer maus-tratos


Especial Mulher

saúde

causas de morte

Infográfico: Junior B. Santos

Tipos mais frequentes

34,2%

Mama

2,8%

Pulmão

AVC e infarto

1,8%

18,3% Útero Câncer

1,1%

Fonte: Ministério da Saúde

em ambientes domésticos. Em 2011, o sistema notificou que mais de 37 mil mulheres, entre 20 e 59 anos, foram vítimas de algum tipo de violência. O número representa um aumento de 38,7% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 27 mil casos. Naquele ano, a notificação não era obrigatória. O levantamento traz informações de diversos tipos de violência, enquadrados na Lei Maria da Penha. Além disso, o estudo Saúde Brasil também apresentou a taxa de mortalidade materna de 2010, que chegou a 68 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos. Na comparação com os 20 anos anteriores (1990 a 2010), a razão da mortalidade materna no Brasil caiu 50%.

Predisposição às doenças autoimunes Uma das consequências da dupla jornada de trabalho feminina, e o consequente acúmulo de afazeres, é a propensão maior de as mulheres sofrerem com doenças autoimunes, caracterizadas, de maneira metafórica, pela diminuição da tolerância aos componentes do próprio organismo. De acordo com o médico-chefe do Laboratório de Patologia Neuromuscular e professor adjunto de Patologia Cirúrgica da Universidade Federal de 46

guia da farmácia fevereiro 2013

São Paulo (Unifesp), Beny Schmidt, controlar o estresse emocional e realizar pequenas atividades que trazem felicidade e bem-estar podem ajudar não só no tratamento das doenças autoimunes, mas também na sua prevenção. “Nos tempos atuais, as mulheres continuam cuidando da casa, da família, mas também têm de trabalhar e fazer muitas outras atividades. Elas estão sobrecarregadas e seus corpos e suas mentes estão pedindo a conta desse acúmulo de funções”, afirma o especialista. Schmidt destaca como exemplo importante de doenças autoimunes que se manifestam em mulheres com mais frequência a polimiosite, a dermatomiosite, o lúpus eritematoso e a esclerose múltipla. A polimiosite e a dermatomiosite são doenças inflamatórias que afetam o sistema muscular e, consequentemente, dificultam a movimentação do corpo. Já o lúpus eritematoso é uma doença com causa ainda desconhecida que ataca as próprias células e tecidos do corpo, podendo acarretar problemas musculares, renais, cardíacos, sanguíneos e dermatológicos. Por fim, a esclerose múltipla é uma das doenças autoimunes com mais números de casos. Ela atinge cerca de 2,5 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo até quatro vezes mais incidente em mulheres. “A esclerose múltipla afeta o sistema nervoso devido à destruição das bainhas de mielina, que fazem parte da célula nervosa”, explica o patologista.


Especial Mulher

intimidade

Direito de

escolha

A

As mulheres contemplavam a vida, há 70 anos, exclusivamente a partir de sua esfera doméstica. Seu cotidiano incluía apenas o casamento, os cuidados com os filhos, o marido e o lar. Entretanto, já surgiam aquelas com anseio de também cuidar de si e de se considerar um ser com direito à saúde, cidadania, sexualidade e igualdade de gênero. Essas sete décadas assistiram importantes revoluções nas condições femininas e conquistas amparadas por lei. No Brasil, o primeiro marco data de 1932, quando foi estendido à mulher o direito ao voto. Em 1988, veio a maior conquista: a Constituição Federal, que consagrou, pela primeira vez na história do País, a

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guia da farmácia fevereiro 2013

Com a conquista do poder de controlar seu corpo e sua vida, a mulher tomou as rédeas dos avanços que permeiam sua condição feminina, que inclui fertilidade, contracepção, gravidez e sexo com prazer Por egle leo n ard i

igualdade de gênero como direito fundamental. Em 2002, o Novo Código Civil consolidou as mudanças constitucionais. Recentemente, em 2006, a Lei Maria da Penha definiu um novo marco na proteção dos direitos das mulheres. “O novo espaço da mulher e as ideias do feminismo chegaram pouco a pouco ao Brasil. A partir do final da década de 1960, vivíamos um momento favorável para transformações sociais, marcado por movimentos culturais libertários, que contribuíram para um cenário de maior participação feminina”, comenta a antropóloga do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mirian Goldenberg. Atualmente, as mulheres conquistaram o mercado de trabalho e, com ele, a independência financeira. Dessa forma, sentem-se livres para exercer seu poder de escolha com refotos: SHUTTERSTOCK


Especial Mulher

intimidade

a pílula anticoncepcional vem evoluindo com dosagens menores e novos compostos, que proporcionam bem-estar à usuária. além de prevenir contra gravidez, alguns dos produtos que estão no mercado oferecem à mulher benefícios adicionais lação ao seu corpo, fertilidade, métodos contraceptivos e sexualidade. Um dos pontos mais relevantes nesse contexto é a queda da taxa de fecundidade, ou seja, o número médio de filhos que se espera que uma mulher tenha durante seu período reprodutivo. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse índice caiu de 6,2 (em 1940) para 1,9 no ano passado. O declínio se deu em função de diversos fatores como crescimento econômico e desenvolvimento do País, mas também em virtude de uma complexa com binação de forças sociais e culturais e maior acesso das mulheres à educação, a oportunidades de geração de renda e aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, aqui se incluindo métodos contraceptivos modernos. Elas estão ganhando mais dinheiro e estudam mais, por isso decidem como cuidar do seu corpo, de sua intimidade, quando irão engravidar e se irão engravidar. Para se ter uma ideia, 39,3% das mulheres em idade fértil (de 15 a 49 anos) no Brasil não tiveram filhos, de acordo com a amostra Síntese de Indicadores Sociais, de 2011, do IBGE. Os números mostram que 19,7% das mulheres tinham apenas um filho e 41%, dois ou mais. O nível de escolaridade da brasileira é um fator que interfere no índice. Entre mulheres com até sete anos de estudo, a proporção das que não tiveram filho em 2011 é de 22,8%. Já entre as que estudaram por oito anos ou mais, o índice é de 46%.

Contracepção O emprego de métodos contraceptivos modernos, principalmente as pílulas anticoncepcionais, ampla50

guia da farmácia fevereiro 2013

mente disseminadas desde a década de 1970, é responsável por uma grande revolução para a humanidade, pois reduziu o número de gestações indesejadas e também o total de mortes maternas. As pílulas anticoncepcionais mais modernas têm concentrações hormonais menores e muitas diminuem os desconfortos causados pela tensão pré-menstrual (TPM). Desde a sua adoção, esse método contraceptivo tem permitido às mulheres um controle sobre a sua fertilidade, e possibilidade de ter, de forma segura, um número maior de parceiros sexuais e, acima de tudo, praticar o sexo com prazer. Não existe método contraceptivo ideal; existem inovações que vão atendendo necessidades específicas das pessoas modernas, que proporcionam um leque de opções muito amplo à disposição de mulheres que desejam evitar a concepção. Além da tradicional pílula e das camisinhas masculina e feminina, fabricantes lançaram no mercado anéis vaginais, implantes subcutâneos, DIUs hormonais, adesivos, injetáveis e mais uma infinidade de produtos, dosagens e composições. “A pílula anticoncepcional vem evoluindo com dosagens menores e novos compostos, que proporcionam bem-estar à usuária. Além de prevenir contra gravidez, alguns dos produtos que estão no mercado oferecem à mulher benefícios adicionais, como redução da retenção líquida, alívio dos sintomas da TPM, controle da acne, entre outros”, comenta o ginecologista e obstetra, especialista em infertilidade conjugal e em videoendoscopia pélvica, Renato Kalil. Mas ainda há um aspecto de intimidade feminina que precisa ser mais bem trabalhado. “Nesse último meio século, a mulher fez uma revolução na vida como um todo, porém, sexualmente e na esfera íntima mudou bem menos. Ela ainda delega o descobrimento da sua intimidade para o parceiro e


conquistas na saúde

2004

2005

2006

2007

• Lançamento da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher.

• Lançada a Política Nacional de Direitos Sexuais e de Direitos Reprodutivos.

• Instituída a Política de Atenção Integral à Reprodução Humana Assistida.

• Política Nacional de Planejamento Familiar, que tem como meta a oferta de métodos contraceptivos de forma gratuita para homens e mulheres em idade reprodutiva. Além disso, houve a implantação do Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids.

• Princípios e Diretrizes e o Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal.

demonstra certa resistência ao tratar questões relacionadas ao seu corpo”, comenta a professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade ProSex, Carmita Abdo. Há uma nova geração cuja conduta tende a ser mais contemporânea. A especialista explica que uma mudança no comportamento já pode ser vista na adolescência: “ela inicia a vida sexual mais cedo, tem alguns parceiros antes de se casar e sente-se menos receosa para lidar com a própria sexualidade”. De acordo com o Estudo Mosaico Brasil, de 2008, coordenado por Carmita Abdo, a analogia entre a idade atual e a primeira relação sexual indica que: mulheres entre18 e 25 anos tiveram sua primeira relação aos 15,6 anos; com 26 a 40 anos ocorreu aos 18,3 anos; entre 41 anos e 50 anos, aconteceu aos 19,9 anos; em mulheres com 51 anos a 60 anos, a relação foi aos 21 anos; e nas mulheres entre 61 anos e 70 anos, a primeira relação sexual ocorreu aos 22,2 anos. “No campo da infertilidade também os avanços foram enormes com técnicas de fertilização, medicamentos e exames que permitiram inclusive que as mulheres pu-

2008

2009

• Política • Entra em Nacional pelo vigor a Lei Parto Natural 11.664\2008, e Contra as que estabelece que todas Cesáreas Desnecessárias. as mulheres têm direito à mamografia a partir dos 40 anos.

2011 • Lançado plano de fortalecimento da rede de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, com os seguintes eixos: controle do câncer do colo do útero, controle do câncer de mama e ampliação e qualificação da assistência oncológica.

dessem engravidar mais tarde (após os 35 anos) em função dos seus objetivos pessoais ou profissionais”, comenta o professor de Ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC e coordenador do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher de São Bernardo (CAISM-SBC), Rodolfo Strufaldi. Ele destaca que medicações, exames apropriados, ultrassom e técnicas de captação de óvulos em períodos adequados possibilitaram que mulheres que tinham grande dificuldade de engravidar há anos pudessem realizar seus sonhos de ter filhos em qualquer idade. Esse panorama aponta para uma ascensão feminina em diversos aspectos da atuação da mulher na sociedade. É uma revolução de dentro para fora que permeia os anseios e desejos femininos de cuidados com o próprio corpo, com sua educação, com sua vida profissional e suas relações afetivas e sexuais. Entretanto, vale um alerta: nem sempre o fato de ter maior liberdade sexual propiciou para as mulheres maior prazer. Strufaldi comenta que prazer é uma palavra que deve estar completamente desligada do sexo, mas ligada à vida. “Acredito que a liberdade que as mulheres ganharam ao longo das últimas décadas deu a elas oportunidade social de trabalho, lazer, responsabilidade fora do lar, e a chance de procurar ter prazer, com o sexo ou não”, finaliza o médico. 2013 fevereiro guia da farmácia

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Especial Mulher

beleza

O idealismo feminino A busca incessante da mulher moderna pela beleza atende à exigência do mercado de trabalho, que premia a boa aparência e a juventude P o r e g l e leo na r di 52

guia da farmácia fevereiro 2013

S

Segundo pesquisa do Popai, as mulheres movimentam atualmente no Brasil R$ 741 bilhões por ano, número explicado basicamente pela ascensão da classe média feminina, que saltou de 33% para 52%. Como protagonista da maioria das mudanças sociais, a mulher teve uma importante redução do número de filhos ao longo das últimas décadas. A média de filhos caiu de 6,3 (há 40 anos) para 1,9. Enquanto isso, a média de anos de estudo subiu de 1,8 para oito anos. fotos: felipe mariano


O volume de mulheres trabalhando cresceu 157%, índice cinco vezes maior do que a população. Como consequência, a renda delas vem aumentando em proporções maiores que a dos homens: nos últimos dez anos cresceu 62%, enquanto a dos homens atingiu 39%. Esses dados mudam a face da mulher brasileira. “Ela estuda mais, cuida da casa, dos filhos, trabalha fora e é multitarefa. Ela precisa se cuidar. Com tudo isso, seu bem mais precioso, e o que certamente mais lhe faz falta, é o tempo”, preconiza o diretor de atendimento da Nielsen, Olegário Araújo. Todos esses padrões de atuação impõem às mulheres a exigência de boa aparência para figurar adequadamente em todos os cenários onde atua, especialmente para competir no mercado de trabalho. É claro que a beleza conta menos quando o assunto é a carreira. O que pesa mesmo é a aparência, que determina a imagem pessoal que cada uma expressa. Isso inclui quesitos como os cuidados com a pele, os cabelos, a maquiagem, o vestuário e a juventude. “Há uma demanda reprimida por produtos utilizados nos cuidados que as mulheres têm com elas mesmas. Está havendo uma revolução econômica protagonizada pela população feminina. Com mais dinheiro, elas estão passando a consumir produtos destinados à beleza e a construir sua autoestima”, comenta Araújo.

as mulheres acreditam que cuidar da beleza aumenta as chances de sucesso na vida; 39% querem emagrecer e 14% têm planos odontológicos O especialista afirma que o volume da categoria de produtos básicos cresceu três vezes mais (xampu, desodorante, sabonete). Isso se deve ao crescimento da classe C, que passou a ter acesso a esses itens. Já as classes A e B focam mais a atenção nos artigos sofisticados e nos grandes volumes. Vale lembrar que nos itens vendidos exclusivamente nas farmácias, 67% do faturamento vinham de produtos com posicionamento premium. “Assim, todas as classes mudaram seu comportamento, alavancadas pela decisão de consumo das mulheres”, ressalta ele.

Entre perfumes, maquiagens, cremes hidratantes, esmaltes, tinturas para cabelo e outros cosméticos, os brasileiros devem fechar 2012 com movimento em torno de R$ 36,24 bilhões, segundo dados do Ibope Inteligência. Os números apontam a nova classe média como maior consumidora do setor de produtos de beleza no País.

Mais sucesso Estudo do Data Popular de 2011 mostra que as mulheres acreditam que cuidar da beleza aumenta as chances de sucesso na vida; 39% querem emagrecer; 14% têm planos odontológicos (com o mais novo desejo de corrigir os dentes e fazer clareamento). Segundo a Associação Nacional do Comércio de Artigos de Higiene Pessoal e Beleza (Anabel), nos últimos cinco anos o número de salões de beleza cresceu 78%. O mercado deu um salto qualitativo, com novas opções de formação e treinamento. Com o crescimento da concorrência, quem sai ganhando é a cliente, que pode ter acesso a esses serviços mais facilmente. As mulheres querem alisar os cabelos e encaracolá-los, fazer escova e frequentar a manicure. Elas anseiam por muitos cremes contra rugas e estrias e um sorriso mais branco. Desejam o botox e dietas para emagrecer. Almejam praticar mais atividades físicas e se alimentar melhor. Aspiram, sobretudo, procedimentos cirúrgicos estéticos para corrigir imperfeições. Aliás, a pesquisa do Ibope de 2011 colocou o Brasil na segunda posição no ranking mundial de cirurgias plásticas. Parte desse sucesso se deve ao barateamento dos custos da cirurgia e outra parte à busca cada vez maior pelo corpo perfeito. O campeão de preferência é o implante de silicone nos seios, seguido da lipoaspiração. Para todos esses desejos, e para tantos outros, elas precisam de mais tempo e, acima de tudo, mais dinheiro. Esses bens preciosos vão sendo conquistados aos poucos por essa nova mulher que vai mudando os padrões de consumo nacionais e, sobretudo, contribuindo para a melhoria de sua qualidade de vida e de sua família. 2013 fevereiro guia da farmácia

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Especial Mulher

consumo

Com a decisão

em mãos Conveniência é o nome do jogo para quem trabalha, estuda, cuida da família e da casa. É por isso que as mulheres não hesitam em correr para farmácias em busca de praticidade e soluções para sua falta de tempo P o r e g l e leo na r di 56

guia da farmácia fevereiro 2013

I

Indutoras de consumo, as mulheres têm papel fundamental nessa sociedade que se expande. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, elas são 100 milhões de brasileiras (51,5% da população nacional) com expectativa média de vida de 77,7 anos. Mulheres mais velhas, com novas necessidades de produtos. Elas estão abertas às novidades tecnológicas, atentas à importância da educação, conscientes de seu poder aquisitivo e preocupadas em crescer profissionalmente para aumentar a renda e, assim, poder comprar mais. Vale lembrar que a renda delas vem aumentando em proporções maiores que a dos homens: nos últimos dez anos cresceu 62%. Com isso, está se desenvolvendo um imenso mercado de consumo que segue regras próprias. fotos: felipe mariano


Especial Mulher

consumo

nova geração

Infográfico: Larissa Lapa

Multicanal Busca:

Conveniência

Chefe de família

35%

Atendimento pessoal

Sortimento diferenciado premium

Cada vez mais conectadas e em busca de novas conquistas no mercado

População economicamente ativa

50%

87%

têm celular

Até

40%

29

trabalham fora gastam mais do que as gerações anteriores

anos

Gastos com higiene pessoal

20%

24%

Classes

A B C,D,E

2010

88% 39%

2011

têm apenas um filho

Aumento no segmento premium 31,5%

esmaltes

19,8%

24,9%

lenços umedecidos

bronzeadores

Fonte: Nielsen 58

guia da farmácia fevereiro 2013

19,6%

purificadores de ar

19,3%

sabonetes para higiene íntima

16%

depilatórios


Especial Mulher

consumo

há uma nova geração de consumidoras que está impulsionando o mercado: são mulheres de até 29 anos que gastam mais que as gerações anteriores, principalmente com a categoria de higiene pessoal, em que os gastos em valor alcançaram 24% na variação 2010 x 2011 e com aumento nas unidades de 4% Para o diretor de atendimento da Nielsen, Olegário Araújo, o aspecto socioeconômico mais importante do Brasil nos últimos anos é a transformação do papel da mulher na sociedade. Ele destaca cinco fatores preponderantes para essa mudança que interferem intensamente nos padrões de consumo. O primeiro deles é o poder econômico. “O aumento do número de mulheres remuneradas que dividem a responsabilidade financeira do lar é um fator econômico que lhes confere poder e necessidade de mudanças de comportamento de compra.” O segundo fator é o nível educacional, que atualmente já é superior ao dos homens. O terceiro indica que há 35% dos lares brasileiros em que a mulher já é chefe de família. O quarto fator considera que, da população economicamente ativa, 50% já são formados por mulheres. O último destaca o aumento da longevidade feminina. “Esses cinco fatores geram importantes impactos. Ela tem a decisão de compra. O mais curioso é avaliar que, dos países emergentes, a brasileira está entre as mais estressadas porque tem de conciliar tarefas domésticas e trabalho. Os homens dividem as despesas, mas não as responsabilidades do lar”, ressalta Araújo. Na prática, a consequência disso é que ela olha para o varejo de produtos de higiene pessoal e cos60

guia da farmácia fevereiro 2013

méticos e começa seu planejamento de compras. Ela é multicanal, já que busca atendimento pessoal, quer conveniência e sortimento diferenciado premium nas farmácias. No canal alimentar busca itens básicos e de rotina e nas perfumarias artigos de maquiagem. “Essa mulher olha a missão de compra. Qual é a necessidade que cada formato de loja atende?”, indaga ele. Já de acordo com a gerente de comunicação e marketing da Kantar Worldpanel, Patrícia Menezes, há uma nova geração de consumidoras que está impulsionando o mercado: são mulheres de até 29 anos que gastam mais que as gerações anteriores, principalmente com a categoria de higiene pessoal, em que os gastos em valor alcançaram 24% na variação 2010 x 2011 e com aumento nas unidades de 4%. A executiva destaca que outro ponto interessante é que elas estão cada vez mais conectadas e em busca de novas conquistas no mercado: 87% delas têm celular, 40% trabalham fora, 88% são das classes C, D e E e 39% têm apenas um filho.


vida, como alimentos funcionais e outros itens que proporcionem saúde e beleza”, revela o diretor. O quarto indicador é a autoindulgência, ou seja, produtos e serviços que valorizam uma consumidora interessada e que merece um presente, um mimo. “Essas quatro tendências vão influenciar como ela consome e como pensa na família. Isso faz a mulher mais exigente e mais influenciada pelas mídias informativas”, comenta ele. A mulher tem o desejo de uma experiência de compra superior, busca produtos de maior valor agregado e se permite pequenas extravagâncias. Destaques são as categorias supérfluas e troca de consumo por produtos mais gostosos. Assim, o canal farma se beneficia com uma estratégia de itens exclusivos premium, como dermocosméticos e preço melhor nos itens comuns aos autosserviços.

Múltiplos papéis

Indicadores Para Olegário Araújo, da Nielsen, há quatro indicadores de consumo da mulher brasileira que influenciam seu comportamento de compra. O primeiro é a praticidade, ou seja, por conta da falta de tempo, ela busca conveniência e soluções que facilitem sua vida. O segundo considera que ela tem mais dinheiro, está mais sofisticada e qualificando seu consumo. A drogaria a atende nesses quesitos. Na busca por novidades e inovações, a mulher vai atrás de itens para necessidades cada vez mais específicas. O destaque fica para a busca pelo segmento premium. Com isso sobem esmaltes (31,5%), lenços umedecidos (24,9%), bronzeadores (19,8%), purificadores de ar (19,6%), sabonetes para higiene íntima (19,3%) e depilatórios (16%). O terceiro indicador é o fato de ela estar vivendo mais. “Com a longevidade surge a seguinte preocupação: se ela vai viver mais, então deverá viver com dignidade. Isso exige produtos qualificados e que ofereçam melhor qualidade de

Segundo pesquisa da Nielsen, desenvolvida em 2011, as mulheres estão tendo de abraçar novas responsabilidades e, com isso, sua multiplicidade de papéis aumenta. Ela é engajada, chefe de família, dona de casa, mãe e mulher, o que a acumula de trabalho e falta de tempo. Atualmente, mais da metade das brasileiras se sente estressada, e em um percentual bem acima da média global. Esse estudo revela que a mulher preza valores essenciais como dignidade e respeito, é alegre e afetuosa e tem preocupações com a saúde e bem-estar de sua família. No papel de chefe de família, cresce a quantidade de mulheres que trabalham e tornam-se independentes, sendo que 18,5 milhões de lares são atualmente chefiados por elas (28,8% do total). Ela precisa cuidar do lar, estudar e trabalhar mais, por isso busca otimizar o tempo. Em consequência, opta por pratos congelados e sucos de fruta prontos. O cuidado com o lar reflete diretamente no fato de ser ela quem decide quais produtos comprar. No entanto, os filhos são a prioridade na vida dessas mães, tanto em relação ao tempo livre quanto no investimento do orçamento familiar. Assim, apesar de quase não sobrar tempo, a mulher está investindo mais em si mesma, principalmente nas categorias femininas, como coloração, tratamento para cabelos, creme para pele, bronzeador, absorvente, depilatório, esmalte e sabonete íntimo. Isso reflete diretamente no crescimento do canal farma. 2013 fevereiro guia da farmácia

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Especial Mulher

atendimento

Atenção especial Mais exigentes e ocupadas, elas necessitam de praticidade e muita informação no momento da compra P o r e g l e leo na r di

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guia da farmácia fevereiro 2013

A

A configuração do consumo nacional está moldada por três grandes fenômenos: a redução da taxa de fecundidade, o aumento da longevidade e a preponderância das mulheres. Esse cenário aponta para um País com menos crianças, mais idosos e com maior número de mulheres influentes. Essa é a face do Brasil até 2015, com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Muitas das novas atuações na sociedade decorrem, diretamente, da emancipação feminina, da ascensão social das mulheres, de sua presença no mercado de trabalho e de maior nível de escolaridade. “Temos pela frente um País com mulheres superpodefotos: Felipe Mariano


Especial Mulher

atendimento

A vaidade é uma forte característica do povo brasileiro. De modo geral, o que mais preocupa a mulher é, em primeiro lugar, o sobrepeso, seguido dos cabelos e, por fim, a pele rosas, que logo serão mais prósperas e mais velhas. Por pressão demográfica, é provável que cresça o número de solteiras no Brasil. Atualmente, saúde e beleza já fazem parte da rotina da população feminina das classes A e B e que têm mais de 25 anos”, declara a consultora de varejo, especializada no setor farmacêutico, Silvia Osso. Essa mulher busca novas informações e experiências, tem mais atitude, exige seus direitos. Sabe exatamente o que quer e como quer. Preocupa-se com o meio ambiente e sua sustentabilidade. Observando essa nova postura, farmácias e drogarias devem descobrir a forma ideal de atender a consumidora que os procura. “A mulher é multitarefa (tem várias jornadas), multiatleta (desdobra-se para executar seus papéis) e multicanal (compra cada solução em um PDV). Ela combina tudo isso com diferentes experiências de compra, assim, é mais exigente e mais impaciente”, alerta o diretor de atendimento da Nielsen, Olegário Araújo. Ele ressalta que o que essa mulher valoriza mesmo é o tempo, que é considerado um bem precioso para ela, pois é escasso em sua rotina diária. “A mulher é decidida, e o varejo trabalha isso de forma errada. O PDV deve traçar estratégias e executá-las para satisfazer essa mulher com pouco tempo”, diz o diretor. Racionalizar a exposição é o caminho. Araújo sugere que o lojista faça constantemente uma reflexão: Que solução eu tenho para entregar para essa cliente? A resposta altera a forma de expor, o que muda os produtos na loja e nas categorias. “É fundamental seguir a lógica de compra da consumidora. É necessário segmentar a exposição e comunicar isso. O PDV deve tornar prático esse momento de compra”, aconselha o executivo.

O que ela considera A vaidade é uma forte característica do povo brasileiro. De modo geral, o que mais preocupa a mulher é, em primeiro lugar, o sobrepeso, seguido dos 64

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Especial Mulher

atendimento

Para as mulheres, cuidar da beleza e do corpo deixou de ser considerada atividade supérfula e virou uma questão de saúde, que gera emprego, renda e divisas ao Brasil, além de elevar a autoestima. Conhecer essa realidade setorial é condição básica para se promover mudanças e planejar os PDVs que lidam com produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos cabelos e, por fim, a pele. “Não por acaso, a categoria de cuidados com os cabelos é a maior no Brasil, enquanto no mundo a maior é a de pele”, revela Silvia Osso. A categoria cabelos é formada por xampu, pós-xampu, coloração, alisantes/permanentes/henês e fixadores/modeladores. Xampu é o produto que tem a maior penetração, ou seja, é usado por 90% dos brasileiros, em todas as classes socioeconômicas e regiões. “Graças a esse crescimento, há cada vez mais especificidade de produtos para atender às diversas necessidades e características dos fios”, fala ela. Para acolher a consumidora nesse quesito é fundamental oferecer a maior quantidade possível de informações, por exemplo, o item correto para cada textura (lisos ou cacheados), cor (tintos, descoloridos, escuros, loiros etc.), intervenções químicas (alisamento, escova progressiva), com frizz (crespos, esponjosos), envelhecidos e sem vida, com excesso de resíduos (muito uso de finalizadores e ou66

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tros), além de frágeis e quebradiços. Um dos A categoria de pele é formada por crefortes aliados mes, loções, óleos para o corpo, cremes de nos quesitos saúde e bem-estar são os tratamento para o corpo, cremes para o nutricosméticos rosto, creme para mãos e pés e bronzeador e protetor solar. “O segmento de cuidados com a pele é o que mais vem crescendo mundialmente, e a hidratação é o primeiro benefício esperado de um creme, facial ou corporal. Porém, a grande ênfase nessa categoria é a presença de filtro solar em todos os itens. É preciso salientar isso no ponto de venda sempre que possível”, ressalta a especialista. Já a grande tendência da categoria de maquiagem é que os produtos, cada vez mais, funcionem como uma segunda pele. Não deve ter excesso de textura. Não importa o estilo que se adote para as próximas temporadas, desde que haja adequação – uma palavra-chave que resume elegância e personalidade, refletindo o estilo e tipo de cada mulher. Para Silvia, um dos fortes aliados nos quesitos saúde, bem-estar e emagrecimento são os nutricosméticos, cujo conceito vem se fortalecendo a cada dia nos Estados Unidos e Europa e despontando também no Brasil como uma das categorias mais relevantes para a indústria cosmética. Seu objetivo é cuidar da saúde de dentro para fora. Eles são apresentados em cápsulas, bebidas, suplementos nutricionais, snacks e balas. É uma categoria nova e com importantes avanços, por isso, a consumidora deverá ser abastecida com informações claras e completas.

Preparação da equipe Para as mulheres, cuidar da beleza e do corpo deixou de ser considerada atividade supérflua e virou uma questão de saúde, que gera emprego, renda e divisas ao Brasil, além de elevar a autoestima. Conhecer essa realidade setorial é condição básica para se promover mudanças e planejar os PDVs que lidam com produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. “A preparação dos profissionais de atendimento será cada vez mais exigida, e a presença de todo tipo de mídia e sinalização também”, destaca a especialista. Para atender às expectativas e necessidades femininas, o PDV deve cumprir todas as premissas que facilitem sua vida, que lhes ofereçam qualidade com economia de tempo. Além disso, deve oferecer produtos up-to-date, mimos de toda a espécie, serviços integrados de beleza e saúde, lojas muito mais atraentes do ponto de vista estético, além de vizualização adequada na área de perfumaria.


diabetes

Durante

a espera

“U

Com prevalência a partir do segundo trimestre da gravidez, o diabetes gestacional pode prejudicar mães e bebês P o r K at h len R a m o s

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guia da farmácia fevereiro 2013

“Uma das doenças que podem se desenvolver no período da gravidez, o diabetes gestacional aparece, na maioria das vezes, em função de condições de resistência insulínica desenvolvida pelas alterações metabólicas (elevação de vários hormônios) que ocorrem nesse período. “As mulheres que o desenvolvem são candidatas a ter diabetes tipo II no futuro”, constata o professor regente de obstetrícia da Faculdade de Medicina do ABC e membro da Comissão da Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Dr. Mauro Sancovski. As gestantes precisam ter cuidado com esse problema, fotos: shutterstock


Especial saúde

diabetes

já que, em muitos casos, pode ser uma doença silenciosa. “O diabetes pode ser assintomático e diagnosticado apenas com exame de sangue”, afirma a professora adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Dra. Lenita  Zajdenverg. Quando os sintomas aparecem, são semelhantes aos do diabetes tipo II. “A paciente pode apresentar polidípsia (sede) e poliúria (aumenta volume de urina). Existem, ainda, casos que se manifestam com feto grande para a idade gestacional, com aumento da circunferência abdominal e aumento de volume amniótico (decorrente de aumento da diurese fetal)”, descreve o Dr. Sancovski. “Pode acontecer de os sintomas se confundirem com os da própria gestação, como apresentar uma vontade exagerada de consumir carboidratos, por exemplo. Também pode ocorrer estímulo ao trabalho de parto prematuro, dificuldades na hora do parto pelo tamanho do bebê e hipoglicemia neonatal”, acrescenta o médico endocrinologista, membro da equipe de gestação de alto risco do Hospital e Maternidade Santa Joana, Dr. Alex Carvalho. O aparecimento do diabetes gestacional está muito relacionado à etnia da paciente e a fatores de risco como obesidade, idade avançada e história de diabetes tipo II em parente próximo. “Sabe-se que o diabetes gestacional é muito mais frequente em determinados grupos étnicos, como nas pacientes de origem africana, hispânica, indígena e asiática. A taxa de diabetes gestacional em orientais chega ser entre cinco e 10 vezes maior do que na população da raça branca”, conta Carvalho. “Estima-se que em torno de 8% das mulheres desenvolvem diabetes gestacional e esse número tem aumentado”, alerta a Dra. Lenita Zajdenverg.

Possíveis complicações Quando o diabetes gestacional não é devidamente tratado, pode trazer problemas para a mãe e para o feto. E, de fato, a afirmação de que bebês de mães que desenvolvem o problema nascem maiores não é mito. “O recém-nascido nasce acima do peso quando o controle do diabetes gestacional for precário. Além disso, quanto melhor for o controle durante a 70

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Os tipos de diabetes

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tipo

O diabetes tipo I, também conhecido como diabetes insulinodependente ou autoimune, é normalmente diagnosticado em crianças ou pacientes jovens, cujo pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina. Ocorre em função de um distúrbio imunológico, no qual a pessoa tem alguma tendência genética que destrói as células do pâncreas responsáveis por produzir a insulina. Já o diabetes tipo II responde por 78,7% dos casos, somente no Brasil, e acomete adultos após os 40 anos, embora venha aumentando em pacientes cada vez mais jovens. Neste tipo de diabetes, a deficiência de insulina é apenas relativa. O paciente produz a substância de forma insuficiente ou a produz normalmente, mas o organismo tem dificuldades para responder a ela. Costuma estar associada à obesidade ou histórico familiar.

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tipo

tipo

gestacional

O diabetes gestacional se desenvolve durante a gravidez e costuma desaparecer após a gestação. No entanto, em alguns casos, pode voltar depois do parto, a qualquer tempo, e se estabelecer na mulher com as mesmas características do diabetes tipo II.

Fonte: Dr. Luiz Vicente Berti (CRM-SP 62294), cirurgião do aparelho digestivo e diretor do Centro de Cirurgia Obesidade e Metabólica

gestação, menor será o risco de complicações futuras para o bebê”, avisa o Dr. Alex Carvalho.

Tratamento O tratamento indicado para diabetes gestacional visa, basicamente, manter as glicemias dentro do normal para


Quando o diabetes gestacional não é devidamente tratado, pode trazer problemas para a mãe e para o feto. E, de fato, a afirmação de que bebês de mães que desenvolvem o problema nascem maiores não é mito gestante (jejum abaixo de 90-95 e uma hora após as refeições abaixo de 140). “Para alcançar esse resultado, são necessárias atividade física, dieta e, em alguns casos, medicação com insulina”, esclarece o Dr. Mauro Sancovski. O controle alimentar é o ponto-chave do tratamento do diabetes gestacional. A dieta engloba a restrição de carboidratos simples, a ênfase no uso de carboidratos integrais, o fracionamento alimentar entre seis e sete refeições ao longo do dia, e a ingestão adequada de proteína e fibras. De maneira geral, essa condição tende a se normalizar após o nascimento do bebê. “Na maioria das vezes o controle glicêmico se reestabelece seis semanas pós-parto, porém algumas mulheres podem vir a desenvolver diabetes. Geralmente, aquelas que mais sofrem esse risco são as mulheres que não emagrecem após a gestação”, lembra a Dra. Lenita  Zajdenverg, da SBD. “A reavaliação da tolerância à glicose quando as glicemias normalizam precisa ser repetida em torno de oito semanas, no pós-parto”, complementa o Dr. Sancovski.

Mulheres diabéticas podem engravidar? Em tese, mulheres com diabetes podem engravidar. No entanto, é preciso ter algumas precauções. “Antes de engravidar, precisam fazer uma consulta pré-concepcional e

avaliar o grau de compensação do diabetes e comprometimento dos demais órgãos. Elas precisarão, ainda, manter a hemoglobina glicada e glicemias em taxas normais, e tomar ácido fólico nos três meses antes de engravidar. Liberar para gravidez, portanto, depende da situação e deve-se discutir os riscos com o casal. O maior deles seria em relação à função renal que, em alguns casos, pode se agravar com a gestação”, avisa o Dr. Sancovski. “Nessas situações, o controle glicêmico deverá estar adequado mesmo antes da gestação, para que o risco de má formação congênita seja reduzido. Este controle deverá ser mais rigoroso que o de uma pessoa não grávida e mantida ao longo de toda a gravidez”, diz o membro da equipe de gestação de alto risco do Hospital e Maternidade Santa Joana, Dr. Alex Carvalho. Segundo ele, a principal diferença do diabetes gestacional para os demais tipos de diabetes se dá no que diz respeito ao momento do aparecimento da alteração glicêmica. “O diabetes não gestacional se dá antes mesmo da gravidez, enquanto que no diabetes gestacional aparece mais frequentemente da metade da gestação em diante. Além disso, o diabetes não gestacional não tende a apresentar taxas mais elevadas de açúcar no sangue.” 2013 fevereiro guia da farmácia

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artigo

Mitos e verdades da boca saudável

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Cenoura limpa os dentes, chá gelado ajuda na recuperação de cirurgias e flúor não deixa manchas. Quem já ouviu falar dessas dicas? E até que ponto elas são realmente verdadeiras? Aproveite a oportunidade e reveja os hábitos de higiene bucal com seus clientes, para que em 2013 tenham um sorriso renovado. Dessa forma, eles poderão descobrir por que seus dentes estão amarelados, por que as cáries apareceram, por que sua gengiva anda meio machucada... Maçã ajuda a limpar os dentes quando não é possível escová-los? Verdade. Alimentos fibrosos sempre ajudam na higienização oral e a maçã faz parte dessa cadeia de alimentos. Cenoura, coco, amêndoas e castanhas, entre outros, também integram a lista. Sorvete ajuda na recuperação de cirurgias? Verdade. Na primeira fase da recuperação, alimentos gelados são os principais aliados. Posteriormente, bochechos com água de sal são indicados para que o paciente tenha uma boa cicatrização. Além do sorvete, bebidas geladas como sucos, chás e compressas de gelo também auxiliam na recuperação. Porém, para compensar o açúcar do sorvete, é preciso ter uma higienização completa após a ingestão (escovação, fio dental, flúor). Tomar refrigerantes escurece os dentes? Verdade. Todos os refrigerantes que

foto: divulgação

contêm corantes podem alterar a cor do dente. Se a pessoa tem o hábito de tomar esse tipo de bebida, ela pode compensar com ingestão de água e higienização completa dos dentes. Usar flúor todo dia deixa manchas nos dentes? Mito. O flúor trabalha durante os processos de desmineralização e remineralização, que acontecem naturalmente na boca, e ajuda a endurecer o esmalte dos dentes permanentes que já se formaram, evitando as cáries. Mas não se pode exagerar. Se houver pouco tempo entre duas refeições para fazer a higiene bucal, passar fio dental é mais importante do que escovar? Verdade. O fio dental chega a áreas que a escova não consegue chegar, removendo os alimentos que ficam retidos entre os dentes. Escovar os dentes após acordar de manhã previne contra bactérias? Verdade. As bactérias estão 24 horas por dia em nossa boca. Devemos sempre manter a boca bem higienizada para não transmitir essas bactérias para o restante do corpo. Palito de dente pode substituir o fio dental? Mito. O palito de dente pode machucar a gengiva além de não tirar todos os fragmentos de alimento que ficam entre os dentes, pois não consegue acesso pelas paredes interproximais dos dentes, diferente do fio dental.

Converse com os clientes da farmácia sobre hábitos corretos para a manutenção da saúde bucal

Joe l M a u r i d os Santo s Dentista membro da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética Site www.clinicadrjoel.com.br

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higiene bucal

Cuidados com

a boca

Hábito indispensável para a saúde e para a qualidade de vida das pessoas. A falta de cuidado com dentes, gengiva e língua pode causar problemas inclusive em outros órgãos do corpo

A

P o r k a ri na da c ol

A higiene bucal é a prática de manter boca, dentes, língua e gengivas limpos e saudáveis. Uma boa higienização é a responsável por manter o sorriso bonito e o hálito puro. Deixar a cavidade oral limpa é conside-

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guia da farmácia fevereiro 2013

rado uma medida de profilaxia fundamental para a remoção de restos alimentares que permanecem sobre todas as superfícies dos dentes, das regiões de sulcos ao redor deles e de todas mucosas gengivais – sobretudo da língua. “A higiene bucal é a atitude de cuidado com a boca mais fotos: shutterstock


dentes brancos x dentes limpos Ter os dentes branquinhos é o que muitos clientes almejam. No entanto, a maioria não gosta de escovar os dentes. “É muito comum os dentes estarem amarelados por conta da má higiene bucal e, por isso, essas pessoas gostariam de clareá-los”, aponta a Dra. Helenice. Contraindicações: • Presença de placa bacteriana sobre a superfície dos dentes. • Presença de cálculo dentário (tártaro). • Paciente portador de gengivite e doenças periodontais. • Dentes com colo cervical exposto (retração gengival). • Sensibilidade dental.

importante para a rotina de vida, proporcionando qualidade e saúde. Graças a ela, podemos prevenir e até mesmo eliminar situações indesejadas – como cáries e gengivites –, da vida das pessoas que a praticam de forma correta e regular”, explica o cirurgião-dentista e consultor científico da Associação Brasileira de Odontologia (ABO), Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes. Dessa forma, manter a limpeza da boca em dia previne e cura sinais e sintomas indesejados através da remoção dos depósitos bacterianos e de outros micro-organismos que por ali se acumulam, como a placa ou o biofilme bucal, além de restos de células mortas e de alimentos. Maus hábitos podem acarretar diversos problemas, desde pequenos, como o amarelamento dos dentes, até infecções que podem aumentar riscos de doenças e problemas relacionados a outras funções do corpo. “A má higiene oral é responsável pelo aparecimento das doenças gengivais, tendo como estágio inicial o sangramento, que evolui para a gengivite (inflamação gengival), cuja progressão leva à periodontite com contaminação bacteriana do periodonto. A evolução desse quadro causa a perda óssea e de mobilidade dentária, chegando até à perda dentária”, adverte a diretora do Departamento de Prevenção e Promoção de Saúde da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas

(APCD), Helenice Biancalana. Além disso, há o mau hálito e a sensibilidade dolorosa espontânea na escovação e durante a mastigação. “A resultante de uma má higiene da boca varia quanto ao risco de cada paciente para complicações da sua saúde. Em linhas gerais, nota-se maior risco para problemas do coração, partos prematuros, descontrole do diabetes, doenças respiratórias e outras”, acrescenta Moraes. As pessoas portadoras de diabetes, doenças do coração e doenças hematológicas devem ter cuidados especiais e redobrados em relação à higiene bucal. “Esse cuidado é necessário para a prevenção do nível de contaminação bacteriana, fato que pode desencadear uma descompensação para a doença. Já as gestantes devem realizar a higiene bucal de forma adequada e também atenciosa, para manter um equilíbrio de sua saúde e da saúde do bebê”, orienta a Dra. Helenice. Nesse sentido, o perfil nutricional é fator importante desses problemas, assim como o consumo de cigarro e as condições físicas preexistentes. Tudo isso ainda pode acabar trazendo repercussões ainda mais devastadoras na saúde dos que negligenciam a higiene bucal. Já os benefícios de se fazer a higiene da boca regularmente são muitos. “Além da qualidade de vida, melhor estética e estabilidade dos tecidos, notamos hálito com pouca ou nenhuma alteração, prevenção e auxílio à cura de doenças bucais – como a periodontal, que afeta as gengivas e osso em torno dos dentes – e melhoras nos sintomas da saúde como um todo” diz o consultor da ABO.

Procedimentos de limpeza Para a higiene bucal se utiliza o fio, a fita dental ou a escova interdental, o creme dental, a escova e o enxaguatório. Moraes destaca que, dentre os procedimentos corretos para a higienização dos dentes, é importante valorizar o que as pessoas normalmente mais negligenciam: a limpeza dos vãos entre dentes. “Começar a higiene bucal pelo fio dental ou pela escova interdental é fundamental para a melhora da saúde das pessoas.” O fio dental é um importante e já conhecido recurso, mas, além dele, há as pouco famosas escovas interdentais. Estudos científicos sobre essas escovas mostram que elas são ainda mais eficazes do que o fio dental nessa importante etapa da higiene da boca. A utilização do fio dental é simples: ele deve entrar nos espaços entre os dentes e ser esfregado suavemente contra os dentes daquele espaço. Após esse 2013 fevereiro guia da farmácia

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Especial saúde

higiene bucal

As pessoas portadoras de diabetes, doenças do coração e hematológicas devem ter cuidados especiais e redobrados em relação à higiene bucal, o que se faz necessário para a prevenção do nível de contaminação bacteriana, fator que pode desencadear uma descompensação

dicas para a escolha do cliente O ideal é que a escova comum tenha, no mínimo, três fileiras de cerdas no sentido da extensão do cabo e da cabeça da escova (longitudinal), cerdas macias ou extramacias e dispostas em mesmo plano. Já o creme dental deve ser orientado pelo dentista em função do perfil e das características clínicas de cada caso.

movimento, ele deve ser retirado no sentido lateral ou de dentro para fora na direção de lábios e bochechas. Já no caso da escova interdental, ela deve ser de calibre compatível ao tamanho do vão entre os dentes que se pretende limpar e precisa ser inserida entre os espaços dos dentes de fora para dentro (do lábio/bochecha para a área interna da boca). Ela deve ser esfregada no vão por cinco vezes, a fim de descolar o 80

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depósito de bactérias e restos de alimentos de lá. A escova interdental pode ser utilizada com pasta de dente, tal qual a escova comum. Além disso, escolher uma escova de dente de desenho regular compatível com a situação bucal e a necessidade de cada pessoa complementa a outra ponta desse binômio da higiene bucal: a limpeza das partes livres dos dentes. Conforme Moraes, “a escovação comum é parte, e não o todo da higiene bucal, como muitos acreditam e praticam”. Em relação às técnicas de escovação, elas variam conforme a fase da vida, o perfil de desenho e o tamanho da boca, e a adaptação do praticante. “O exercício de escovação é diário, com concentração no ato, procurando-se sempre buscar um movimento limpo, passando a escova no sentido da gengiva para o dente e, a cada grupo de dois dentes, passar a escova no mínimo dez vezes repetidamente. É preciso fazer isso em todos os grupos de dentes da boca, nas regiões superior e inferior na superfície vestibular dos dentes, assim como na face lingual e palatal”, explica Helenice. Além disso, é fundamental um ambiente iluminado e o uso do espelho para a identi-


Especial saúde

higiene bucal

E CO N TEÚDO

AL

ficação de todas as áreas e realização da autoavaliação do procedimento. Já quanto ao creme dental, Helenice recomenda o uso de produtos fluoretados. “Esse tipo de dentifrício é de fundamental importância para todas as faixas etárias, a partir da erupção do primeiro dente.” Ela ainda lembra que, em crianças, “é de responsabilidade dos pais o acompanhamento e controle da escovação dos filhos, a quantidade do creme dental na escova das crianças deve ser equivalente a um grão de arroz”. No que diz respeito à limpeza da língua e da gengiva, no caso da primeira, o limpador lingual ganha destaque, tendo resultados superiores aos da escovação normal, segundo Moraes. “Assim como a união dente e gengiva (atingida na limpeza clássica por técnicas eficazes de uso do fio ou da escova interdental mais escova comum), a escovação ou uso de um limpador lingual oferece chance de remoção dos depósitos que todos nós acumulamos sobre a língua e que podem repercutir na saúde e no hálito das pessoas.” O modo de uso do limpador de língua é simples: basta friccionar com as áreas de ranhuras do objeto a superfície visível da língua, de trás para a frente (do fundo à ponta da língua). Já com as cerdas da escova, o movimento é o mesmo. No entanto, é preciso ficar atento: nem sempre utilizar todos os itens recomendados para a higiene bucal é o ideal, principalmente no que diz respeito ao enxaguatório. “A indicação dos produtos deve levar em conta o risco de doenças, a dedicação aos cuidados diários e as necessidades de cada caso. É importante salientar que o enxaguatório, por exemplo, ao contrário das escovas e do fio dental, pode ser dispensado por uma série de pacientes com bom padrão de higiene bucal. Esse produto deve ser visto como produto de prescrição técnica do dentista, e não ter uso indiscriminado, como é observado”, orienta Moraes.

XT T RA NO POR

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Saiba mais sobre os principais problemas bucais apresentados pela população brasileira. www.guiadafarmacia.com.br


micoses

O problema

por faixa etária A DOENÇA NÃO ESCOLHE IDADE. TODOS ESTÃO SUJEITOS À INFECÇÃO POR FUNGOS Por egle leonardi

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No inverno há a tendência de se usar mais roupas, calçados fechados e manter a temperatura da água do banho mais quente. No verão há a sudorese excessiva e a permanência de roupas molhadas na praia ou piscina. Essas são algumas atitudes que favorecem o surgimento das micoses, chamadas de tínea, pitiríase versicolor e onicomicoses (micose de unha). A doença é causada por fungos que, em contato com a pele úmida, se desenvolvem de forma rápida. Basicamente as micoses são causadas por três gêneros diferentes de fungos (trichophyton, microsporum e epidermophyton) que vivem na queratina e se alimentam dela. Por isso, são encontrados nas unhas, nos cabelos e na pele. Muito abundantes no ambiente, esses micro-organismos aproveitam as condições ideais para o desenvolvimento, além da suscetibilidade de seu hospedeiro. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermato-

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logia (SBD), 35% dos brasileiros apresentam alguns desses problemas, principalmente nos pés. Esses fungos, em alguns casos, podem persistir indefinidamente no organismo, causando lesões descamativas e de bordas discretamente elevadas, que crescem gradualmente. Em outros casos, podem ocasionar infecção aguda, caracterizada pelo aparecimento de vesículas ou bolhas nos pés ou de lesão inflamada e secretante no couro cabeludo, que se deve à reação imunológica intensa contra o fungo. Quando a lesão ocorre nas unhas é comum o descolamento da borda distal e o aparecimento de deformações. Pode haver também pontos brancos e a unha mais espessada. Infelizmente, a micose é uma doença bastante democrática. Acomete crianças, adolescentes, adultos e idosos de todas as classes e gêneros. Para estabelecer um guia rápido de consulta, o Guia da Farmácia ouviu a dermatologista, membro da SBD, Vitória Regina, que traçou um panorama da doença de acordo com cada faixa etária. fotos: shutterstock


Especial saúde

micoses

CRIANÇAS Quais as micoses mais comuns na infância? Nessa faixa as micoses são transmitidas mais comumente por animais domésticos, areia e por outras crianças, acometendo mais o couro cabeludo e a pele do corpo. Os bebês são frequentemente atacados por micoses na região da fralda e nas dobras, causadas por cândida e mais associadas à umidade.

Quando ocorre a maior incidência? No verão, através do maior contato com areia de parques e praias, a incidência das micoses aumenta, e também com o calor as candidíases crescem em área de dobras.

Como cada uma delas acontece na infância? As micoses que acometem o couro cabeludo aparecem como áreas peladas (alopecia), geralmente sem prurido. Na pele do corpo aparecem como placas eritematosas, com o centro em involução e prurido local. As candidíases se manifestam como área de pele eritematosa, macerada e esbranquiçada com lesões satélites.

Quais seus nomes científico e de uso? As micoses mais comuns na criança são chamadas de tíneas ou dermatofitose e, também conhecidas como pelada e impingem.

Como se prevenir? Evitando o contato com animais domésticos que apresentem alguma alteração no pelo. É preciso cuidado no contato com a areia, mantendo as áreas de dobra da pele secas e procurando o dermatologista para o tratamento necessário.

Quais os sintomas? No couro cabeludo, queda localizada de pelos; em dobras, eritema e prurido. Já na pele do corpo, manchas vermelhas que vão crescendo com prurido local, e no centro vão evoluindo.

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O que desencadeiam no organismo? Nas crianças as micoses causam apenas sintomas locais, com prurido. E, eventualmente, podem complicar com contaminação de bactérias, com infecção local.

Quais as formas de tratamento disponíveis no mercado? Diversos antifúngicos tópicos e orais estão disponíveis para a cura da doença.

O uso indiscriminado de pomadas com cortisona é prejudicial? As micoses de pele são doenças causadas por fungos, e o uso de corticoide é contraindicado nesses casos.

Qual a melhor conduta nessa questão? As doenças de pele podem ter aspectos clínicos muito semelhantes, porém, com diagnósticos completamente diferentes e terapêutica também. Assim sendo, só o especialista poderá conduzir o paciente para o sucesso terapêutico.


Especial saúde

micoses

adolescentes Quais as micoses mais comuns na adolescência? Nos jovens, as micoses mais comuns são a pitiríase versicolor e as micoses em virilha.

Quando elas apresentam maior incidência? No verão, devido à sudorese mais intensa e ao maior tempo que os adolescentes permanecem com roupas de banho molhadas.

Como elas ocorrem? A pitiríase (pano branco) aparece com manchas ovaladas brancas, acastanhadas ou eritematosas na face e no tronco. Já as micoses na virilha surgem com manchas eritematosas com prurido que vão aumentando e o centro vai melhorando.

Quais os nomes científico e de uso? Tínea crural ou impingem e pitiríase versicolor ou pano branco.

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Como o adolescente pode se prevenir? Evitando permanecer com roupas molhadas, secando bem as dobras e não utilizando hidratantes em tronco e face em casos de pitiríase versicolor.

Quais os sintomas? Na virilha, manchas vermelhas que coçam muito e manchas brancas no tronco sugerem o diagnóstico.

O que desencadeiam no organismo? Além da coceira e do impacto na estética, não causam outros problemas mais sérios.

Quais as formas de tratamentos disponíveis no mercado? Diversos antifúngicos tópicos e orais, além de xampus e sabonetes estão disponíveis para o tratamento.


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micoses

adultos Quais as micoses mais comuns na idade adulta? Nos adultos as micoses estão localizadas nos pés, especialmente entre os dedos. As micoses na virilha e as lesões no tronco são as mais comuns. Podem também atacar as unhas das mãos e dos pés.

Quando ocorre a maior incidência? As micoses interdigitais são favorecidas pela umidade, e no calor tendem a piorar.

Como cada uma delas acontece nos adultos? As micoses interdigitais se manifestam com vermelhidão, maceração e prurido. Na região plantar também é comum, com descamação. As micoses de unhas acontecem com o descolamento das unhas dos pés e espessamento, e nas mãos com edema e eritema da região periungueal. As manchas brancas ou acastanhadas acometem principalmente o tronco e a face.

Quais os nomes científico e de uso? Tinea pedis ou frieira ou pé de atleta; tínea crural ou impingem; pitiríase versicolor ou pano branco; e onicomicose ou micose de unha.

Como os adultos devem se prevenir contra a doença? Evitando sapatos fechados e traumas nas unhas e mantendo as dobras e os pés bem secos.

Quais os sintomas mais comuns? Prurido entre os dedos dos pés, eritema e prurido na virilha, alterações nas unhas como descolamento e mudança de cor.

O que desencadeiam no organismo? Além dos sintomas locais e do impacto estético, com reflexos na qualidade de vida, em pacientes sadios não há maiores complicações.

Quais as formas de tratamentos? Antifúngicos tópicos em várias apresentações e orais estão disponíveis para a cura.

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atendimento no pdv O presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia Comunitária (SBFC), Amilson Álvares, explica que os pacientes costumam chegar ao balcão das farmácias e pedir medicamento para a micose. Para um atendimento eficaz, primeiramente, o farmacêutico deve conduzir o cliente até uma sala de atendimento e conversar com ele. O profissional deve fazer um exame visual para perceber o tipo de micose que acomete o indivíduo, pois ele tem conhecimento suficiente para analisar o caso e orientá-lo sobre a melhor forma de tratar a situação. Na maioria das vezes, o indicado é direcioná-lo ao atendimento médico público ou privado. “O farmacêutico deve orientar o cliente a retornar à farmácia com a receita para fazer um acompanhamento farmacoterapêutico e para avaliar a eficácia do medicamento prescrito”, diz Álvares. Ele explica que, caso o local seja desprovido de médico ou mesmo de dermatologista, como a maioria desses medicamentos é isenta de prescrição, o farmacêutico poderá orientar o paciente quanto ao melhor uso do produto para obtenção de um resultado eficiente. Álvares lembra que o local de exame jamais deve ser o balcão; para isso se recomenda uma sala reservada. “Primeiramente por conta da higiene local e por se tratar de patologia de contágio. Em segundo lugar, porque o paciente precisa de tranquilidade para mostrar e descrever os sintomas e os sinais da micose”, conclui ele.


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micoses

idosos Quais as micoses mais comuns nos idosos? Nos pacientes mais velhos, como apresentam comorbidades e, muitas vezes, usam vários medicamentos, há a incidência maior de candidíase muito associada à obesidade, diabetes e imunossupressão. Muito frequente em genitália. Há também pitiríase versicolor e onicomicoses.

Quando apresentam a maior incidência? No verão, devido à maior sudorese.

Como acontece na velhice? A candidíase se apresenta com lesões em placas eritematosas, úmidas, maceradas com grumos esbranquiçados e lesões satélites.

Quais os nomes científico e de uso? Candidíase ou assadura (muito se confunde); pitiríase versicolor ou pano branco; e onicomicose ou micose das unhas.

Como se prevenir? Mantendo as dobras bem secas.

Quais os sintomas? Eritema e prurido em dobras e manchas brancas ou acastanhadas em tronco.

O que desencadeiam no organismo? Em pacientes com diabetes, as micoses nos pés devem receber atenção especial, pois podem ser porta de entrada para infecções bacterianas. Sintomas locais incomodam bastante os pacientes.

Quais as formas de tratamentos? Antifúngicos em diversas formas farmacêuticas tópicas e orais estão disponíveis, e o cuidado nessa faixa etária deve ser redobrado, devido às comorbidades e às interações medicamentosas.

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Colesterol e triglicérides

Controle das taxas Além dos medicamentos alopáticos, hoje a indústria oferece uma série de produtos de origem natural que prometem minimizar o problema Por kathlen ramos

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Combater ou manter os bons níveis de triglicérides e colesterol tem sido uma rotina para muitos brasileiros. O tipo de alimentação, excesso de peso e sedentarismo estão diretamente relacionados ao problema que também pode ter origem genética, mas o estilo de vida é determinante. O aumento dos níveis também pode estar associado ao consumo de bebidas alcoólicas. “Essas taxas ficam difíceis de controlar porque necessitam de um esforço do paciente, que necessita

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fotos: shutterstock/divulgação


Especial saúde

Colesterol e triglicérides

o colesterol desempenha funções importantes no organismo. no entanto, quando seu nível é excessivo no sangue, a gordura se torna prejudicial e contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares aumentar a atividade física e reduzir o consumo desse tipo de alimentos e bebidas”, constata o cardiologista e nutrólogo do Hospital do Coração (HCor), Dr. Daniel Magnoni, reforçando que entre 15% e 18% da população adulta sofre com as taxas de gordura fora dos níveis normais. Infelizmente, essas taxas desreguladas podem colocar a saúde em risco. De acordo com o especialista, o colesterol ruim pode levar à aterosclerose, que é a deposição de gordura na camada interna dos vasos, podendo desencadear infartos e derrames. “Já o aumento de triglicérides pode propiciar a formação de coágulos e aterosclerose”, constata. Hoje, a indústria oferece diversos tipos de medicamentos e outras substâncias, com base natural, que prometem o controle desses problemas. No entanto, muitas delas ainda não têm comprovação científica de eficácia, portanto, não são indicadas por grande parte dos médicos. “Vemos que existem algumas substâncias que levam a pequenas reduções nessas taxas, mas elas não funcionam de maneira preventiva contra infartos ou Acidente Vascular Cerebral (AVC), diferentemente dos medicamentos com base no grupo das estatinas. As estatinas podem, comprovadamente, ajudar o paciente contra esses riscos”, frisa o Dr. Rodrigo Moreira.

O que o mercado oferece São diversas as opções naturais existentes no mercado, as quais têm a proposta de tratar o colesterol/ triglicérides. Entenda algumas delas e confira a opinião de especialistas: Ômega-3: de acordo com o cardiologista e nutrólogo do HCor, Dr. Daniel Magnoni, esse é um dos melhores suplementos para reduzir as taxas de triglicérides. “Aconselha-se a dose de 1 a 3 gramas de óleo de peixe”, diz. A nutricionista especializada em Nutrição Clínica e Vigilância Sanitária de Alimentos, pelo Ganep Nutrição Humana e pela Universidade de São Paulo (USP), e sócia-proprietária da Consultoria Alimentar, Rita 96

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de Cássia Leite Novais, afirma que o óleo de peixe ômega-3 tem se mostrado um grande aliado do coração. “O consumo de ácidos graxos ômega-3 auxilia na manutenção de níveis saudáveis de triglicerídeos, desde que associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis. Os principais benefícios ao organismo são atividade antitrombos, atuando contra o entupimento dos vasos sanguíneos, redução da pressão arterial, redução dos níveis de colesterol e triglicérides e atividade anti-inflamatória”, descreve. Quitosana: é uma fibra derivada dos crustáceos que, segundo a nutricionista Rita de Cássia descreve, mostrou-se capaz de reduzir os níveis de colesterol no sangue. “Seu consumo deve estar associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis. Pessoas alérgicas a peixes e crustáceos devem evitar este produto”, alerta. O Dr. Daniel Magnoni afirma que não há validação científica para essa substância. Proteína de soja: é uma alternativa às fontes animais de proteína. “Seu consumo regular e por longo período está relacionado à redução tanto do colesterol quanto do triglicérides”, afirma o Dr. Magnoni. “O consumo diário de no mínimo 25 g de proteína de soja pode ajudar a reduzir o colesterol. Seu consumo deve estar associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis”, acrescenta a nutricionista Rita de Cássia. Glucomanan: o especialista do HCor afirma que é um tipo de aveia. “Ela reduz a glicemia, mas não tem ação no controle do triglicérides elevado”, afirma. “Ela gera um efeito de saciedade, regulando também o trânsito intestinal, sendo por isso muito útil no controle do peso corporal”, diz a nutricionista. Óleo de linhaça: também é usado frequentemente por diabéticos, pois diz-se que ajuda a estabilizar os níveis de açúcar no sangue e a prevenir a obesidade. Suas fibras podem ajudar a reduzir o apetite. “Nesse sentido, também é um ponto de ataque contra a obesidade e redução do colesterol”, afirma Rita de Cássia. O Dr. Daniel Magnoni lembra que não há validade científica.


Especial saúde

Colesterol e triglicérides

LDL x HDL x Triglicérides O colesterol desempenha funções importantes no organismo. No entanto, quando seu nível é excessivo no sangue, a gordura se torna prejudicial e contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovascuO Dr. Daniel Magnoni, lares. O Ministério da do HCor, diz que o ômega-3 é um dos Saúde estima que o comelhores suplementos lesterol alto cause 2,6 para reduzir milhões de mortes a o triglicérides cada ano no País. De acordo com o cardiologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Allyson Nakamoto, o colesterol é um importante componente para a formação das células do organismo e serve como base na produção de vários hormônios. Mas, existem dois tipos de colesterol, o bom (HDL, sigla de High Density Lipoprotein) e o ruim (LDL, sigla de Low Density Lipoprotein), além dos triglicérides. “Inúmeros estudos demonstraram que o grande vilão é o LDL – popularmente conhecido como colesterol ruim, estando associado ao risco de eventos cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio, angina, insuficiência vascular periférica e AVC, podendo levar à morte, enquanto os triglicérides elevados contribuem para a síndrome metabólica, também associada a um maior risco de doenças cardiovasculares. Quanto ao HDL – colesterol bom –, quando em valores maiores, exerce um efeito cardioprotetor”, explica o especialista. A melhor forma de controlar os níveis de colesterol é realizando uma dieta equilibrada e saudável, pobre em gorduras, controlar o sobrepeso e, principalmente, praticar atividades físicas com regularidade. Para aqueles com histórico familiar de doença cardíaca ou de níveis elevados de colesterol no sangue, o diagnóstico e tratamento precoce auxiliam na prevenção de algumas doenças. “É recomendável evitar frituras, bacon, biscoitos amanteigados, sorvetes cremosos e controlar a ingestão de carnes vermelhas, que são ricas em gorduras e contribuem para a elevação do mau colesterol. O ideal é que a dieta seja rica no consumo de frutas, vegetais, fibras e peixes grelhados ou assados”, finaliza Nakamoto. 98

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febre

Quando a temperatura

sobe

Muito comum na infância, o sintoma é visto como uma reação boa do organismo, que significa que o corpo está combatendo vírus, bactérias ou fungos que causam a infecção P o r k a r i n a da c ol 100

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A

A pirexia, mais conhecida como febre, é o aumento da temperatura corporal para além dos limites considerados normais: entre 36°C e 37°C. No entanto, segundo a literatura médica, só é considerado febre quando a temperatura retal está acima dos 38°C e a axilar ou a oral, acima de 37,5°C. Antes disso, chama-se de febrícula ou de estado febril. O responsável pela regulação da temperatura do corpo humano é o hipotálamo, região do cérebro que funciona como um termostato ajustado para manter os órgãos internos na temperatura correta. Essa reação orgânica primitiva é responsável por múltiplas ações contra um mal, de modo que funciona como um mecanismo adaptativo. É uma reação do corpo contra agentes patógenos. A febre não é uma doença e geralmente não necessita de rápida intervenção; é um sintoma inespecífico cujo papel é a defesa orgânica. Na grande maioria das vezes, o sintoma não precede qualquer doença grave, mas viroses e fotos: shutterstock


Especial saúde

febre

sintoma em números • 62% das consultas nos serviços de emergência são por causa de febre. • Em 42% das consultas em consultórios e ambulatórios a queixa principal é febre. • Em 63% das chamadas nos celulares e bipes dos médicos a queixa é febre. • 68% dos pais procuram serviço médico antes de completar 24 horas do primeiro episódio febril. • 92% das febres são causadas por vírus, e não por bactérias. • Em 90% dos casos não é necessário usar antibiótico. • Apenas 5% da população tem tendência a ter convulsão febril. Fonte: Jornal de Pediatria (JPED)

resfriados corriqueiros, e pode ser tratada com a administração de antitérmicos. No entanto, é importante prestar atenção caso outros sintomas apareçam, como vômitos, dor de cabeça e manchas no corpo. Ter febre indica que o organismo está combatendo alguma infecção. Os macrófagos são células responsáveis por fagocitar e destruir os micro-organismos estranhos que encontram no corpo, como vírus, bactérias ou fungos. Ao mesmo tempo que os macrófagos eliminam o maior número de elementos estranhos que conseguem, eles mandam sinais para o cérebro elevar a temperatura corporal. Essa elevação já é capaz de matar alguns tipos de micro-organismos. Por isso, é preciso lembrar que o aumento da temperatura faz parte do processo natural de combate à infecção, e não é, em si, necessariamente prejudicial. 102

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De modo geral, as crianças acabam sendo mais afetadas pela febre do que os adultos, porque, para o organismo delas, a maioria de vírus e bactérias são desconhecidos e elas não tiveram a chance de desenvolver os anticorpos necessários. Então, quando esses micro-organismos invadem o corpo da criança, os macrófagos logo agem, e o corpo produz a prostaglandina, substância responsável por elevar o termostato do organismo. “A febre é causada como uma forma de defesa do próprio corpo. É bom ter febre, ela é sinal de que tudo está trabalhando, produzindo anticorpos e imunidade contra um agente agressor. Então se deve deixar esse mecanismo trabalhar contra a agressão”, explica o pediatra membro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Tadeu Fernando Fernandes.

Primeiro sintoma De acordo com dados de levantamentos epidemiológicos feitos em estudos publicados no Jornal de Pediatria (JPED) e trazidos por Fernandes, “92% das febres são causadas por vírus, e não por bactérias. Assim, em 90% dos casos, não é preciso usar antibiótico”. De acordo com o médico, muitas pessoas insistem no uso desse tipo de medicação, o que não é recomendável. “O que se vê por aí é o uso de muito antibiótico sem necessidade por pressão dos pais, e os médicos acabam caindo na tentação e prescrevendo o medicamento, quando deveria se usar somente o antitérmico”, lamenta. Com o uso do antitérmico, não há perigo de se mascarar alguma doença de base mais grave que possa estar causando o sintoma. “A febre é o primeiro sinal. Depois de 24, 48, 72 horas, é que vai surgir um resfriado, uma diarreia, uma pneumonia, uma meningite. Ela é sempre o primeiro sintoma, mas não é o único, então, caso haja uma doença de base mais grave, o controle da febre não irá mascarar isso, pois outros sintomas vão se manifestar”, explica o pediatra. Ainda segundo os dados apresentados por Fernandes, a febre é a patologia mais frequente nos consultórios de pediatria: 62% das consultas nos serviços de emergência são por causa de febre e 92% das febres são causadas por vírus, não por bactérias. Assim, apenas o antitérmico já basta para controlar o sintoma. “Quando a febre fica persistente, durando mais de 48 horas, e quando houver uma queda no estado geral do paciente, como respiração ofegante, falta de disposição, dores de cabeça fortes, vômitos, diarreias, aí então a pessoa deve buscar assistência médica. Antes disso, não é necessário”, afirma Fernandes. É importante evitar levar


Especial saúde

febre

a criança desnecessariamente ao pronto socorro, para que ela não se exponha a outros vírus e bactérias em uma situação em que o organismo já está fragilizado. A preocupação mais frequente dos pais é o medo da convulsão febril. No entanto, segundo Fernandes, “só tem convulsão quem pode, não quem quer, porque são só aqueles que têm antecedentes genéticos para convulsão que correm esse risco, ou seja, 5% da população”. A segunda preocupação é que a febre seja sinônimo de alguma doença. “Nem sempre é sinal de doença grave: 90% das febres são de origem viral”, aponta o pediatra.

Causas, sintomas e medicação Os principais fatores que desencadeiam uma febre nos seres humanos são bactérias, traumatismos, vírus e crises alérgicas. “Nas crianças, as infecções respiratórias são as causas de febre mais frequentes. Já em adultos, são as infecções urinárias”, aponta o especialista da Sociedade Brasileira de Pediatria. Para identificar a febre antes de medir a temperatura, é importante observar algumas reações do corpo, como calafrios, tremores, perda de apetite, mal-estar geral, dor de cabeça e dores no corpo. Os sinais são os mesmos em adultos e crianças. De acordo com o infectologista, atualmente, os únicos antitérmicos recomendados para tratamento adulto e infantil são o paracetamol, a dipirona e o ibuprofeno. “O ácido acetilsalicílico, ainda muito utilizado no Brasil, é contraindicado para crianças menores de seis anos, devido a sua maior toxicidade em comparação com outros antitérmicos”, explica. Sobre como administrá-los, Fernandes aponta que muitas pessoas têm costumes equivocados. “Um hábito muito comum e totalmente errado é a intercalação de antitérmicos. É importante saber trabalhar bem com um dos três princípios ativos recomendados. Todos têm o mesmo mecanismo de ação, portanto, o perigo de intercalá-los é de ocorrer uma superdosagem”, adverte. O dado corrobora as informações de um relatório publicado na revista científica Pediatrics, da Associação Americana de Pediatria, no qual consta que metade dos pais costuma errar na quantidade de medicação dada. É preciso ficar atento, pois as doses devem ser medidas de acordo com peso e idade da criança. “O risco de erro na dosagem dos medicamentos é tanto mais elevado quanto menor for a idade da criança”, alerta Branco. Além disso, os antitérmicos devem ser administrados com cuidado e quando absolutamente necessários. Doses muito altas de paracetamol podem agredir os rins e o fígado, e o 104

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desvendando mitos • A febre não é um sintoma que implica ação imediata com algum medicamento, nem quando envolve crianças. Existem medidas que podem reduzi-la de forma natural, como banhos e resfriamento do ambiente. • A temperatura elevada do corpo por motivo de insolação não é chamada de febre, mas de hipertermia. Quando se toma muito sol, não há a produção de prostaglandina, responsável pela febre. • Febre não causa danos significativos permanentes. Ela é um sintoma. Ninguém nunca morreu de febre, só das doenças cujo sintoma é febre. Fonte: Tadeu Fernando Fernandes, pediatra da SBP

ácido acetilsalicílico é contraindicado em caso de dengue e de determinadas infecções virais. “Só se entra com medicação quando a febre estiver incomodando o paciente, quando ele estiver se sentindo mal por causa disso”, frisa o pediatra. “Do ponto de vista médico, as indicações para combater a febre são bastante restritas, indicando-se antitérmicos apenas quando a temperatura alta é motivo de desconforto ou risco para a criança. Do ponto de vista leigo, a febre é sempre considerada um vilão indesejável, que, além do desconforto, pode desencadear convulsão. Assim, os antitérmicos estão entre os fármacos mais utilizados em crianças, com ou sem prescrição médica, e são comumente causa de intoxicações, em geral por erro na administração de dose ou no tempo de intervalo entre uma e outra, ou por interação medicamentosa”, explica o infectologista do Hospital São Camilo, José Ribamar Branco. Segundo o infectologista, as reações adversas associadas ao uso de antitérmicos são bastante comuns e, em geral, leves, como dor e desconforto abdominal – entre 10% e 30% dos casos; entretanto, os antitérmicos podem causar reações graves, como a agranulocitose, reações de hipersensibilidade e necrose hepática, entre outras. “Uma das queixas mais comuns em relação ao uso de antitérmicos é a queda de pressão. Embora hipoatividade e sonolência sejam relatadas pelos familiares, não encontramos na literatura evidências de hipotensão. Pelo contrário, os analgésicos podem causar toxicidade renal, que se traduz clinicamente por edema, aumento da pressão arterial e,


Especial saúde

febre

dicas úteis aos clientes

Infográfico: Mariana Sobral

Dipirona, ibuprofeno ou paracetamol Esperar uma hora até o medicamento fazer efeito

Durante esse período, é importante vestir roupas leves, beber muito líquido e ficar em local arejado

Se a febre não baixar em 48 horas, buscar auxílio médico

eventualmente, insuficiência renal”, diz. Ademais, o objetivo principal da administração de antitérmicos não é fazer a temperatura voltar ao normal, aos 36,5°C, mas aliviar o mal-estar da pessoa. Se ela estiver ativa e disposta, durante ou após a febre baixar, em geral, isso significa que não é nada grave. Já aqueles que não estão se sentindo bem, mesmo quando a febre já cedeu, devem buscar atendimento médico. Depois de receber a medicação, a febre deve baixar em uma hora. “Enquanto isso, é bom que a pessoa tire a roupa, beba muito líquido e fique em ambiente fresco. A água ajuda a controlar a temperatura. Tomar um banho na temperatura usual também ajuda. Mas não pode ser gelado. Isso é muito perigoso porque pode causar um choque térmico e uma parada cardíaca”, informa Tadeu Fernando Fernandes, da SBP. O ideal é o banho de imersão em água entre 30 e 32 graus. No caso de febrícula (temperatura axilar entre 37°C e 37,5°C), não se usa antitérmico – a menos que a criança esteja se sentindo indisposta, chorosa, com mal-estar geral. Do contrário, basta tirar a roupa, beber muito líquido e ficar em ambiente fresco.

Medindo a temperatura A melhor forma de medir a febre é através de termômetro digital na axila. Fernandes orienta que não sejam utilizados instrumentos de mercúrio, pois há risco de quebrar e vazar o material tóxico. No entanto, José Ribamar Branco, do Hospital São Camilo, afirma que esse tipo de instrumento é mais fiel que sua versão digital. Nos quadros febris, é importante medir a temperatura algumas vezes ao longo do dia e anotar os valores e horários correspondentes. Descobrir quando os picos febris são altos ou baixos e os horários em que eles se manifestam pode auxiliar no diagnóstico. É válido destacar também o fato de que o termômetro não ultrapasse a temperatura real, evitando que a leitura seja incorreta, caso ele fique tempo demais embaixo do braço. No entanto, ficando por tempo insuficiente, a temperatura indicada será menor do que realmente está.

Acima de 38°C Febre

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NTEÚDO

Entre 36°C e 37°C Temperatura normal do corpo

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Entre 37°C e 38°C Estado febril (febrícula)

RA N O POR

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Acompanhe no Portal outras informações sobre procedimentos a serem repassados aos clientes em casos de febre. www.guiadafarmacia.com.br


OPORTUNIDADE

Cápsulas da beleza para os cabelos Proporcionando saúde aos fios de dentro para fora, os produtos ganharam o gosto das brasileiras e têm muito potencial de crescimento. Prepare as gôndolas e o atendimento P O R k at h len r a mo s

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Os nutracêuticos podem ser definidos como produtos desenvolvidos com base em alimentos naturais, geralmente vendidos sob forma medicinal, com o objetivo de promover a saúde humana, bem como prevenir doenças. Os nutracêuticos podem ser encontrados sob diversas formas, de acordo com seus objetivos. Quando seu intuito é trazer benefícios para pele ou cabelos, são chamados de nutricosméticos. A dermatologista Daniela Landim lembra que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica os nutracêuticos na categoria de alimentos funcionais. Dessa forma, produzem efeitos metabólicos ou fisiológicos por meio da atuação de um nutriente na manutenção do organisfotos: shutterstock/divulgação


OPORTUNIDADE

opções para o tratamento Innéov Nutricare – L’Oreal: ajuda no controle da queda capilar, fragilidade dos cabelos e unhas. Traz na composição: ômega 3; óleo de semente de groselha; e adição de licopeno com vitaminas C e E, que apresenta ação antioxidante e de reforço às fibras. Innéov SensiCap DS – L’Oreal: um avanço no tratamento para a caspa. Traz o probiótico ST11, que reforça as defesas imunológicas e fortalece a função ‘‘barreira’’ de proteção da pele, proporcionando menos suscetibilidade aos fatores que desencadeiam a caspa; e a biotina (vitamina B8), que estimula o metabolismo celular, em particular a formação da queratina, fortalecendo o cabelo e ajudando a regularizar a produção de sebo. Exímia Fortalize – FQM Derma: fornece dermonutrição ativa para o fortalecimento de cabelos e unhas. Traz ativos como zinco, ferro e biotina; vitaminas A, C e E; e tiamina, niacina e ácido pantotênico. Sua indicação fica para cabelos finos, frágeis e quebradiços. Linha Oenobiol Paris – Sanofi: conta com uma versão voltada exclusivamente para o cuidado com os cabelos e unhas – Oenobiol Paris Magnifique. Os ingredientes contidos na fórmula ajudam a promover o crescimento e fortalecimento dos fios dos cabelos e das unhas.

mo. “Vale lembrar que esses produtos não substituem os tratamentos tópicos, e muito menos a ingestão de alimentos in natura, como frutas, verduras e legumes”, reforça. No caso específico dos cabelos, os benefícios podem ser muitos, conforme enumera a farmacêutica e autora do livro Nutracêuticos na prática – Terapias baseadas em evidências (2012), Karina Ruiz. “Os nutracêuticos podem trazer fortalecimento dos fios; melhora da espessura e do aspecto, como brilho; além de redução de queda”, diz. A médica dermatologista, pós-graduada em dermatologia pela UNIRIO, Dra. Juliana Neiva, afirma, ainda, que os nutricosméticos podem ajudar contra o processo de envelhecimento natural dos fios, que costuma afiná-los. “O uso do nutricosmético traz um efeito antioxidante, com melhora da resistência dos fios, o que ameniza danos como a queda dos cabelos e fios quebradiços, mantendo sua vitalidade e brilho”, diz. 11 0

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De acordo com a farmacêutica Karina Ruiz, estudos comprovam benefícios dos nutricosméticos que já podem ser vistos entre quatro e oito semanas de uso. A indústria promete resultados ainda mais rápidos. “O Innéov Sensicap DS teve sua eficácia clinicamente comprovada por meio de Karina Ruiz, farmacêutica, diz dois estudos clínicos. Os que os resultados primeiros resultados são dos nutricosméticos percebidos já com 15 dias podem ser vistos entre quatro e de utilização e os resultaoito semanas dos completos após dois meses de tratamento”, garante a diretora de Innéov, Julia Séve. As restrições de uso para esses produtos mostram-se pequenas. “De modo geral, os nutriconcentrados não têm contraindicações, justamente por terem como base a Ingestão Diária Recomendada (IDR). Ainda assim, é sempre importante Fábio Barone, da consultar um especialista Sanofi, reforça que os nutricosméticos antes da ingestão, pois exissão destaque no tem casos específicos de mercado de beleza pessoas com intolerância a determinados ativos, como lactose ou glúten”, explica. “Eles são contraindicados ou utilizados somente com supervisão médica no caso de gestação e doenças como Aids e câncer, por exemplo”, acrescenta a farmacêutica Karina Ruiz.

Grande potencial de crescimento Os nutriconcentrados caíram no gosto da consumidora. “O Brasil acaba de assumir o posto de primeiro mercado mundial da marca Innéov, ficando à frente da Espanha. Esse resultado é fruto da parceria L’Oréal/Nestlé, que trouxe o Innéov ao Brasil em 2008. São Paulo é a região do País que mais consome os produtos da marca”, destaca. O diretor da unidade de negócios Consumer Health Care da Sanofi no Brasil, Fábio Barone, reforça que o mercado brasileiro de beleza é um segmento dinâmico, promissor e que apre-


OPORTUNIDADE

alguns dos ativos presentes em nutricosméticos 1) Ômega-3: tem ação anti-inflamatória. Protege a raiz capilar, combatendo a queda. Também reforça e protege a fibra contra as agressões de dentro para fora. 2) Óleo de semente de groselha negra: é responsável pela proteção vascular. Reforça a microcirculação para otimizar o acesso dos nutrientes à raiz, reduzindo a fragilidade e a quebra. 3) Vitamina A: antioxidante, estimula o crescimento das unhas e reparação do leito ungueal (parte abaixo das unhas) e auxilia o crescimento do folículo capilar. 4) Vitamina C: antioxidante e auxilia na proteção da cor dos cabelos.

6) Zinco: fundamental para o crescimento de unhas e fios de cabelos. 7) Nicotinamida: promotor de liberação de energia, auxilia no metabolismo da cisteína e do triptofano (aminoácidos essenciais) e dos ácidos graxos. (importantes para manter brilho dos cabelos e reduzir o ressecamento). 8) Vitamina B6: promove liberação de energia. 9) Cobre: participa das reações de síntese de elastina. 10) Biotina: efeito na redução de quebras de fios de cabelos, reforça ligação da queratina.

5) Vitamina E: antioxidante, estabiliza membranas, reduz a degradação do ácido hialurônico. Fontes: Julia Séve, diretora de Innéov, e a dermatologista Dra. Juliana Neiva

senta alto potencial de crescimento, e os nutricosméticos são um dos destaques. “É um mercado que movimenta cerca de R$ 89,6 milhões e 1,089 bilhão de unidades de produtos vendidos”, revela Julia. A assessora farmacêutica da FQM Derma e SVR, Gisele Barros, também vê um potencial enorme para esses produtos. “É uma categoria relativamente recente, mas apresenta uma das maiores evoluções de todo o mercado farmacêutico. No último ano, esses produtos apresentaram uma evolução acima de 60% e esse crescimento é sustentado, principalmente, pelas empresas que investem em promoção médica, valorizando a recomendação de um especialista. Apesar de comprados sem receita, a recomendação médica garante que o paciente compre o produto certo e use da forma correta, tendo, assim, uma excelente percepção do resultado, o que o estimula a uma nova compra”, pondera. A especialista da FQM Derma afirma, ainda, que os nutricos11 2

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méticos proporcionam alta rentabilidade ao ponto de venda, principalmente os que têm sua demanda gerada por prescrições médicas. “A Linha Exímia, da FQM Derma, investe não apenas na promoção médica, mas também no treinamento de farmacêuticos e dermoconsultores, pois entende que um sortimento correto, espaço dedicado à exposição e divulgação do produto e uma equipe bem treinada para orientar o consumidor são pontos fundamentais para alavancar a demanda”, diz. Como os nutricosméticos não são medicamentos, a forma como são expostos tem grande relevância. “Precisam ter mobiliários específicos, junto com outros produtos da categoria “nutriconcentrados”. E, sem dúvida, para impulsionar a venda, a exposição em pontas de gôndola e balcão aumenta a visibilidade”, ensina Julia.


ponto de venda

Minha farmácia

Q

Quem administra uma loja tem de trabalhar seu layout a fim de reter mais seus clientes

preferida

Quem vem de fora e chega ao Brasil, em cidades como o Rio de Janeiro, São Paulo, Recife ou Manaus, pode ter a impressão de que seus habitantes têm muitos problemas de saúde, tal a quantidade de farmácias que vai encontrar. No Rio, a Pacheco é tão presente que não é raro ver duas de suas lojas em um mesmo quarteirão. Em São Paulo, a Drogaria São Paulo, a Raia e a Drogasil fazem parte do cenário. Em Recife, a Pague Menos e a Big Ben disputam lugar na paisagem urbana, assim como a Santo Remédio e a Angélica o fazem em Manaus. A forte presença desse modelo de varejo em nossas cidades deve-se à grande transformação que vem ocorrendo há alguns anos nesse mercado, no qual, de vendedoras de medicamentos, as farmácias transformam-se em lojas de produtos de Higiene Pessoal e Cosméticos (HPC), que também vendem medicamentos. Algumas exageraram nessa tendência, tornando-se verdadeiras lojas de conveniência, vendendo alimentos, artigos para casa e até ração para animais. Outro fator a ser considerado é o aumento do poder aquisitivo das classes C, D e E, que proporcionou um gigantesco número de novos clientes.

necessidades e desejos Gilberto Strunck Designer e sócio-diretor da DIA Comunicação 11 4

Se você entrar em uma drogaria com uma visão analítica, verá que sua principal mercadoria de destino, os medicamentos, está sempre no fundo das lojas,

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quase “escondidos”, pois a maior parte das suas áreas, com as gôndolas mais bonitas e sedutoras, oferece produtos relacionados ao “bem-estar”, muitos dos quais não há necessidade de se comprar. Assim, quem administra uma loja, tem de trabalhar seu layout de modo que retenha mais seus clientes, com novidades e promoções, que devem variar quinzenalmente, em função do ciclo médio de visitas existente. Sendo o tempo de permanência muito curto, a sinalização da loja, seus grandes setores e os planogramas, além da forma de expor os produtos nas gôndolas, devem ser claramente visíveis e didáticos, de modo que as pessoas encontrem rapidamente o que procuram, sem o auxílio de vendedores. Quando o cliente acha logo o que busca, tem a sensação de que a loja é mais organizada e, consequentemente, sente-se motivado a voltar. As marcas dos produtos da HPC devem também trabalhar intensivamente o merchandising, para se destacarem das concorrentes, já que é muito alto o nível de decisão nas lojas. Outro ponto importante a ser avaliado é a criação de áreas especiais na loja, para a oferta diferenciada de produtos. Pode-se negociar com uma empresa de cosméticos e montar um espaço para a aplicação de maquiagem ou tratamento de pele. Isso estimula a permanência dos clientes na loja e contribui para o aumento das vendas. foto: DIVULGAÇãO


competitividade

O que faz do canal farma um destaque?

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a importância do setor se dá pelas diferentes formas de crescimento, uma vez que conseguiu atrair mais shoppers

Fernanda Gomes Coordenadora de atendimento ao varejo da Nielsen 11 6

Atualmente, o Brasil se mantém como uma economia em evidência frente a outros países, mesmo apresentando uma desaceleração de crescimento na evolução dos últimos trimestres. Com o cenário favorável de uma taxa de desemprego bem controlada, cerca de 5%, uma renda média em crescimento e a oferta de crédito expressiva, quase metade do nosso Produto Interno Bruto (PIB) – R$ 2,3 tri –, o consumidor amplia suas possibilidades e passa a ter acesso a produtos que até então não possuía. Assim, os shoppers detêm maior poder de escolha, refletindo também na escolha de um canal que ofereça atributos como a conveniência (se ele é próximo de casa, se o serviço é rápido), sortimento (se ele tem o que eu preciso ou se ele tem múltiplas opções) e preço. E, entre todos os canais, o farma foi o que mais se destacou em crescimento, mesmo representando ainda 5% do total de vendas. Este canal se destacou pelas diferentes formas de crescimento, uma vez que conseguiu atrair mais shoppers, pessoas que não compravam e passaram a comprar, além de conseguir fazer com que

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os que já compravam aumentassem ainda mais o gasto. O seu formato já é um diferencial. Trata-se de um canal conveniente, simples e rápido para comprar, além de oferecer um momento diferenciado. O shopper tem um tempo totalmente distinto daquele que tem no supermercado. Ele pode conhecer os novos produtos, compará-los, testá-los, sem a pressão da compra de abastecimento e tampouco a atenção aos preços. A experiência de compra no canal farma permite a ele acesso a itens exclusivos e premium, além de preços mais competitivos. Diante disso, torna-se cada vez mais claro que o cenário varejista é impactado diretamente por esse shopper cada vez mais exigente, que elege atributos para a escolha de um canal para compra que ofereça uma proposta de valor clara. Por isso, neste momento, os varejistas devem refletir diante das seguintes questões: O que a minha loja oferece e para quem? Onde estou? As minhas lojas estão onde o consumo cresce? Assim, atentos às tendências, buscam se alinhar ainda mais às práticas do mercado com o objetivo de conquistar esse shopper cada vez mais disputado. foto: DIVULGAÇãO


categoria – desodorantes

Eliminação

de odores Item indispensável no dia a dia dos brasileiros, os desodorantes são uma categoria importante para as gôndolas e para o rendimento das farmácias Por Karina Dacol

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foto: shutterstock


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Aplicado nas axilas, o desodorante é o produto utilizado para evitar odores desagradáveis produzidos pelo organismo e eliminados pela transpiração. Atualmente, existem desodorantes para serem usados em praticamente todas as partes do corpo: no cabelo, nos pés, desodorantes íntimos e até para animais domésticos. Já as variedades e os formatos disponíveis no comércio são os mais diversos: com perfume ou não, com ou sem ação antitranspirante, com ou sem álcool, antisséptico, que não mancha a roupa... As inovações são muitas, e as apresentações também, já que é possível encontrar produtos em forma de creme, spray, aerossol, bastão ou roll-on. Item indispensável no dia a dia dos brasileiros, os desodorantes são uma categoria importante nas gôndolas das farmácias. Segundo dados de 2010/2011 do Euromonitor apresentados pela gerente de marketing de desodorantes da Garnier, Beatriz Macedo, o Brasil é o maior mercado de desodorantes do mundo. No acumulado do ano em comparação com 2011, “temos um crescimento do mercado de 13%”, diz ela. Já conforme os dados de 2012 da Nielsen, considerados até o mês de junho, o mercado de desodorantes gira em torno de R$ 1,4 bilhão – em comparação com os R$ 2,5 bilhões movimen-

agregado e que é mais consumido do que outros formatos; e pelo aumento de penetração nos lares e na distribuição no pequeno varejo. “No Brasil, o mercado vem evoluindo bastante, principalmente por causa do crescimento do aplicador aerossol, com alto valor. Para a Unilever, o País é a segunda principal praça em desodorantes”, comenta ela. De acordo com o analista de mercado da Nielsen, Luiz Gaspar, os dados não representam aumento nas vendas da categoria. “Não é a quantidade de desodorantes que está sendo vendida que aumentou. O que aconteceu foi que as pessoas estão buscando marcas e segmentos mais caros do que elas consumiam antes, ou seja, houve uma sofisticação do consumo”, diz. No que diz respeito à representatividade dos canais de venda, Gaspar informa que ela é bem equilibrada e que a demanda é forte em todos eles. “Cerca de 1/3 é dos supermercados, 1/3 em lojinhas e mercearias, e 1/3 em farmácias pequenas, redes de farmácias e perfumarias.” Apesar disso, o nível de crescimento nas farmácias de cadeia é alto, 17%, o que contribui para a categoria ganhar mais importância dentro do canal e também para que ela acelere o crescimento do mercado de produtos sofisticados. “O crescimento acontece por causa de alguns fenômenos: o canal farma conseguiu crescer porque teve 10% a mais de shoppers em comparação com o próprio canal no ano anterior, e os shoppers que entram, principalmente consumidores das classes C, D e E, estão gastando 12% a mais do que no mesmo período do ano passado. São eles que estão fazendo o crescimento do canal”, afirma Gaspar. Em adição a isso, além de ter mais pessoas consumindo e gastando mais, esses consumidores estão recomprando: 70% do crescimento vem de gente que comprou o produto mais uma vez. Os dados são resultantes de estudos da Nielsen de análise de canal farma, feitos com painel de domicílios, para mensurar a importância da cesta de produtos, questões de nível socioeconômico, entendimento do perfil sociodemográfico e de compras. Outro estudo mostrou que, no canal farma, 55% dos itens vendidos de forma exclusiva por ele são produtos premium. “As farmácias reservam muito espaço para produtos com faturamento maior e posicionamento de preço mais caro. Além disso, itens vendidos sem exclusividade

não é a quantidade de desodorantes que está sendo vendida que aumentou. o que aconteceu foi que as pessoas estão buscando marcas e segmentos mais caros do que elas consumiam antes, ou seja, houve uma sofisticação do consumo tados durante todo o ano de 2011 – e cresce, em média, 11% ao ano em faturamento e 2,4% em volume de vendas. Para a gerente de marketing da Rexona, Thais Hagge, esses números são impulsionados por alguns fatores, como o crescimento acelerado do aerossol, aplicador de alto valor

2013 fevereiro guia da farmácia

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categoria – desodorantes

Exposição dos desodorantes na farmácia De acordo com a gerente de marketing da Rexona, Thais Hagge, o sortimento correto dos produtos no PDV comprovadamente contribui para o desenvolvimento das vendas. “As gôndolas devem estar organizadas de acordo com as necessidades do consumidor, fazendo com que ele encontre o produto que procura com facilidade. Por exemplo, garantir maior espaço para desodorantes com aplicador em aerossol, que representa mais de 60% das vendas da categoria e tem a maior taxa de crescimento. A organização evita perdas e acelera a venda”, adverte. A categoria deve obedecer ao racional de compra do shopper: 1 – Separam-se os produtos masculinos e femininos. 2 – Entre masculinos e femininos, separa-se por aplicador (aerossol, roll-on, spray, creme). Deve-se garantir que aerossol esteja posicionado nas prateleiras na altura dos olhos. 3 – Entre os aplicadores, agrupar por marcas. É importante destacar na loja, por meio de pontos extras e espaço dedicado na gôndola, as inovações que são um diferencial para a categoria, aqueles produtos que são muito procurados pelo shopper, ou que são de maior lucratividade e importância de venda.

pelo canal estão 58% mais baratos na farmácia do que em outros pontos de serviços”, aponta o analista. O gosto dos consumidores pelas farmácias advém de diversos fatores apontados por Gaspar: a quantidade de estabelecimentos está aumentando, há um processo de consolidação das cadeias de farmácia e fusões vêm acontecendo, o que explica o grande avanço. “O canal fica mais disponível para o consumidor, é uma questão de comodidade”, diz.

Formatos Em termos de produto, o aplicador mais importante para o volume de vendas é o aerossol, responsável por 50% desse montante. Gaspar diz que o fenômeno do crescimento do aerossol é recente e vem acontecendo nos últimos quatro anos. Esse é o formato com a aplicação mais simples e a sua grande vantagem é a absorção na pele, muito mais rápida do que o spray, por exemplo. Em números, o aerossol cresce 19% ao ano, enquanto o segundo que mais cresce é o formato stick (bastão), com aumento de 13,2%. Já o roll-on cresce apenas 5%. De acordo com Beatriz Macedo, da Garnier, o crescimento se dá principalmente pela migração dos aplicadores mais simples, como o spray, para aplicadores mais modernos e valorizados pelos seus benefícios, como o aerossol. “Esse tipo de aplicador teve um aumento de 24% em vendas desde 2007.” O consumidor substituiu o roll-on pelo desodorante aerossol, que é um produto mais caro porque é mais difícil de produzir. O grande entrave é o preço alto no Brasil do gás utilizado em sua fabricação. Assim, empresas se 120

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deslocaram para outros países da América Latina, como a Argentina, porque lá o gás é mais barato”, relata Gaspar. Apesar disso, o formato roll-on ainda é o segundo mais utilizado no País. Segundo Thais Hagge, os aplicadores de melhor performance são o aerossol e o roll-on. “Quando os consumidores experimentam esses aplicadores, não voltam atrás, e podemos comprovar isso nos números, uma vez que são os que mais crescem no Brasil. Hoje, o mercado de aerossol representa 60%, e o de roll-on, 29%. A diferença está pulverizada nos demais aplicadores”, afirma ela. Vale destacar que, no caso dos Estados Unidos, o aerossol é visto como um produto que gera desperdício, com menor custo-benefício, e o formato mais consumido lá é a versão em stick, enquanto no Brasil não se faz essa associação.

Benefícios Junto com o mercado, crescem também as opções e os benefícios agregados aos produtos. O consumidor está cada vez mais interessado em benefícios, além dos básicos inerentes à categoria, como proteção e eficácia. “Ele busca novos atributos, como proteção antimanchas, clareamento da pele e outros produtos voltados aos cuidados”, aponta Beatriz Macedo. “O mercado está crescendo porque o consumidor exige, pede inovações que tragam benefícios funcionais. O principal é a proteção antitranspirante, mas as empresas estão adicionando benefícios à categoria, como aerossol sem cheiro, desodorantes que ajudem


Atualmente, poucos são os balconistas qualificados para orientar o consumidor na escolha de produtos de higiene pessoal e cosméticos (HPC) e para trabalhar o merchandising dentro da loja. “Cada vez mais a profissionalização e a profusão do setor inclui em treinamento e capacitação dos funcionários. Poucos estão capacitados a instruir o cliente na compra. Quanto mais as cadeias crescem, mais capacitação os balconistas vão (e deverão) receber. Isso já é e vai ser cada vez mais um diferencial. Quanto mais instrução, melhor o serviço que ele vai prestar”, alerta Gaspar.

a diminuir o crescimento dos pelos – benefício este que não teve resultado forte de vendas como o produto que não mancha a roupa, por exemplo –, novidades para atrair o consumidor”, acrescenta Gaspar. Além disso, observa-se que a motivação de inovar vem de ambos os lados. A indústria entende que o consumidor está com mais dinheiro, pois a economia, nos últimos anos, está dando maiores condições para o consumidor gastar mais. Fabricantes criam produtos novos e alavancas de experimentação com promoções e promopacks, de vendas casadas com outras categorias e de produtos maiores com custo menor por quantidade, e não apenas por meio de benefícios agregados ao produto em si. Da parte do consumidor, com dinheiro, ele pode arriscar comprar produtos novos. “Nas classes C, D e E, o que funciona é trabalhar promoções e embalagens com preços unitários mais baixos”, recomenda o analista de mercado.

Na gôndola: a escolha dos produtos

CO NTEÚDO

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Segundo Thais Hagge, o canal farma vem obtendo taxas expressivas de crescimento, principalmente as grandes redes, que evoluem acima da média. “Os profissionais da farmácia têm papel fundamental para ajudar na explicação das inovações e auxiliar o shopper na compra correta, de acordo com o tipo de produto buscado. Deve-se falar dos benefícios do produto, seus diferenciais em relação aos itens que já existem no mercado, o porquê de o produto ser ideal para seu tipo de pele e seu custo-benefício”, recomenda. Com um atendimento mais personalizado do que o

encontrado em supermercados e mercearias, por exemplo, as farmácias podem tirar proveito disso para fidelizar a clientela. “O varejista será muito mais bem-sucedido nas vendas da categoria se entender o shopper de desodorantes da loja, observando-se sexo, faixa etária e classe social. Com esse conhecimento, o segundo passo é definir o portfólio correto baseado neste shopper, garantir a não ruptura das principais variantes e ter ações promocionais adequadas ao canal e ao cliente”, enfatiza a gerente de marketing da Rexona. Para melhor escolher os itens que vão compor as gôndolas da farmácia, Gaspar aponta que, em geral, o pequeno empreendedor é carente em níveis de inovação. “Assim, as empresas precisam criar modos de informar sobre esses produtos diferenciados e gerenciar isso.” Já o varejista deve levar em conta o poder de compra da loja, ou seja, decidir-se por produtos que ele possa pagar e que ele vai entender que têm giro rápido na loja dele, além de considerar o tempo de consignação e o caixa. “É um trabalho de ocupação e de formiguinha, porque a venda é muito pulverizada. As empresas precisam trazer informação para que o dono da loja entenda que ele vai ter um giro bom dentro dela.” Ainda segundo o analista de mercado da Nielsen, em geral, as substituições de um produto por outro acontecem por negociação com empresas, quando há aumento de preços de tabela, em casos de o produto não estar girando bem na loja e quando a margem do produto não é boa.

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Orientar o consumidor ainda é o diferencial

os profissionais da farmácia têm papel fundamental para ajudar na explicação das inovações e auxiliar o shopper na compra correta, de acordo com o tipo de produto buscado

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Acesse o Portal e confira o perfil do consumidor de desodorantes, principais anseios e comportamento dentro do PDV. www.guiadafarmacia.com.br

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varejo

Fidelizando O consumidor começa a fazer uma pesquisa de preços antes da compra. Se você vende bens ou serviços mais baratos, a primeira venda pode ser uma de muitas

silvia os s o Palestrante e consultora especializada em treinamento, desenvolvimento e marketing de varejo. É autora dos livros Atender Bem Dá Lucro, Programa Prático de Marketing para Farmácias e Administração de Recursos Humanos para Farmácias E-mail siosso@uol.com.br 122

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clientes

Se você não tem guardado nomes e contatos de pessoas que compram na sua farmácia ou drogaria, visitam o seu site, ou ligam para você, pode estar perdendo vendas. A solução? Aprenda como fidelizar o seu cliente. Digo que pode estar perdendo venda porque o lucro real na maioria dos negócios vem de clientes que voltam a sua loja ou a seu site mais de uma vez. Se você vende produtos ou serviços com preço mais alto, uma visita pode não ser o suficiente para se concretizar a venda. O cliente pode estar começando a fazer uma pesquisa de preços antes de fazer a compra. Se você vende bens ou serviços mais baratos, a primeira venda pode ser uma das muitas compras que ele fará num espaço de tempo. Otimizando sua verba de marketing e incrementando sua linha mais barata de produtos poderá fazer esses clientes visitarem e comprarem repetidamente com você. Se não está informatizado e nem tem sistemas para isso, peça aos clientes para deixarem seus contatos preenchendo um formulário que pode ser deixado ao lado do caixa ou em outro ponto da loja. Se você tem um site (e você precisa ter um), crie algo que faça com que seus clientes deixem seus endereços de e-mail e recebam seu mailing list. Mande novidades sobre produtos e serviços, informações sobre promoções, ou newsletters sobre sua área de atuação. Isso fará você concretizar novos negócios e repetir suas vendas. Os programas de fidelidade existem já há mais de 100 anos no mundo e no Brasil um dos primeiros foi o de Fidelidade

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TAM, companhia aérea que surgiu em 1993. Institutos de pesquisa brasileiros dizem que mais de 75% dos consumidores atualmente têm pelo menos um cartão de fidelidade, e estima-se que o número de indivíduos com dois ou mais corresponda a um terço do público que frequenta os shoppings.

O que é um Programa de Fidelidade? São programas criados para incentivar a fidelidade do consumidor no consumo de um determinado produto ou serviço ou ainda a produtos/serviços com os quais o programa tenha algum tipo de acordo. O conceito de fidelização significa transformar o cliente de um comprador eventual para um comprador frequente, que retorna e divulga a empresa, criando um relacionamento de longo prazo. Este é leal à empresa em relação à marca ou produto e serviço.

Como ter UM BOM Programa? Se você quer oferecer um bom ou o melhor programa de fidelidade ou de recompensa para seus clientes, você deve se preocupar em: • Oferecer algo coerente com a capacidade de atendimento da sua empresa. • Oferecer algo que seja relevante. • Monitorar o desempenho. A principal função de uma estratégia de gestão de clientes ou programa de fidelização é o sistema que o suporta, em seu nível mais elementar, é fornecer apoio ao time de vendas para desenvolver e manter uma relação duradoura com seus clientes. foto: DIVULGAÇãO


sortimento

Limpeza

premium O banho, processo de higiene pelo qual a maioria dos brasileiros passa todos os dias, está ficando mais sofisticado Por Karina Dacol

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Seja para tomar banho ou para higienizar as mãos no dia a dia, o sabonete é o item mais básico da higiene pessoal. Com propriedades detergentes e solúveis em água, o produto se apresenta nos formatos líquido ou em barra; e os tipos regular ou antibacteriano – binômios em que a categoria é dividida – faturaram juntos, até outubro de 2012, R$ 2,3 bilhões, representando um crescimento de 10% no faturamento. Esses valores foram impulsionados pelas versões líquidas, que crescem 18%, e pelos antibacterianos, cujo faturamento cresce 20% – e englobam formatos líquidos e em barra dos sabonetes com este benefício. Os dados foram apresentados pelo analista de mercado da Nielsen, Luiz Gaspar. Dentre os percentuais de venda da categoria, os dados apontam que 60% do mercado é representado pelos sabonetes em barra – os preferidos do consumidor –, enquanto 40% pertencem aos líquidos. Já quanto aos tipos, 80% ficam com os sabonetes regulares, e 20% com os antibacterianos. No entanto, o crescimento dos itens mais sofisticados e com mais valor agregado é maior do que a média da categoria: os líquidos crescem 16% e os antibacterianos, 15%. Dessa forma, tornar esses segmentos mais atrativos e maximizar a experiência de compra torna-se essencial. Apesar disso, o produto em barra é a apresentação de maior valor em vendas para o mercado, por conta da representatividade da categoria. “Embora o sabonete em barra alcance percentual bastante significativo, os consumidores estão experimentando o forma-

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foto: shutterstock


sortimento

to líquido e se tornando fiéis a ele. Aliás, o formato líquido, segundo pesquisas, está cada vez mais presente nos lares”, afirma a diretora de marketing da Nivea, Tatiana Ponce. De acordo com a gerente de personal care da Reckitt Benckiser – empresa fabricante dos sabonetes da marca Dettol –, Fernanda Belfort, o mercado de cuidados pessoais cresce continuamente no País. “Esse mercado é um dos mais impactados positivamente pela recente formação da nova classe média brasileira, com potencial para movimentar R$ 1 trilhão ao ano. O aumento no poder aquisitivo reflete diretamente na demanda do consumidor por produtos de maior valor agregado, que oferecem cuidado e proteção ao corpo, como os sabonetes líquidos e bactericidas”, diz. O que acontece é que está havendo uma transformação importante no comportamento de consumo dos brasileiros, que passam por melhoria da renda salarial, do nível educacional e do acesso à informação. “Além da sensação de limpeza, o brasileiro busca, hoje, hidratação e cuidado com sua pele mais uma boa diversidade de fragrâncias, para que consiga encontrar uma que se encaixe em sua preferência pessoal”, aponta Fernanda. Desse modo, constata-se o crescimento de categorias e segmentos mais sofisticados e que trazem benefícios para a saúde e também praticidade, aspectos que os consumidores brasileiros estão valorizando. É essa tendência que precisa ser refletida na gôndola, para consolidar o momento da compra. Segundo Gaspar, a busca pelos formatos diferenciados e mais caros, como sabonetes líquidos e bactericidas, se dá por questão de sofisticação. “As pessoas querem formatos novos e benefícios agregados. As aplicações mais simples continuam sendo campeãs de vendas e, portanto, não podem faltar no ponto de venda (PDV). “Hoje, quase 100% da população brasileira usa sabonete em barra todos os dias, mas a linha de sabonetes líquidos apresenta crescimento constante.”, aponta a gerente de marketing da Nivea. Da parte dos PDVs, os supermercados são os mais importantes para a categoria, representando 36%. Pequenos mercados e mercearias, 44% e as farmácias, 20%, uma vez que as farmácias de cadeia e os grandes varejos são os que mais cresceram em representatividade. “A categoria, entre os PDVs, está ganhando mais espaço na gôndola e nos espaços extras da loja, fazendo-a vender mais”, explica Gaspar. No entanto, as pesquisas mostram que 55% dos itens vendidos no canal farma são exclusivos e premium. “A farmácia reserva muito espaço para produtos com faturamento maior e posicionamento de preço mais caro”, diz Luiz Gaspar. Além disso, os produtos vendidos em farmácia, mas que também podem ser encontrados em outros estabelecimentos, costumam ser 58% mais baratos na própria farmácia do que em outros serviços.

Impulsionando as vendas O que define a identidade do varejista diante do público-alvo é o sortimento. É na variedade que se materializa a proposta de valor do 126

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Bactericidas Sabonetes bactericidas são aqueles que prometem acabar com as bactérias e germes presentes no corpo. Esses produtos devem ser usados com frequência apenas nas mãos. Segundo o analista de mercado da Nielsen, Luiz Gaspar, o Nordeste é a região do Brasil mais importante para o segmento dos sabonetes antibacterianos. Para Fernanda Belfort, da Reckitt Benckiser, a categoria de produtos antibacterianos não tem um espaço especial nas lojas, ficando posicionada dentre os sabonetes regulares. “Acreditamos fortemente que o agrupamento do sortimento de produtos antibacterianos, aliado a uma ambientação e sinalização educacional, contribuirá muito para o crescimento do segmento”, diz. Ela sugere a criação do chamando Segmento de Proteção contra Germes, no qual o consumidor consegue encontrar toda a linha de produtos com esse tipo de ação.

varejista para o cliente, juntamente com a forma de exposição, a comunicação, os serviços, o preço e o atendimento. No entanto, se o sortimento não for adequado ao shopper da farmácia, as demais ações se tornam inócuas. Assim, o primeiro passo que o varejista deve seguir é a elaboração de uma revisão de sortimento, considerando algumas premissas como o espaço na loja e o perfil do público. O segundo passo é a definição racional de exposição com base na árvore de decisão e na estratégia que o varejista definiu para a categoria. “Por exemplo, se a estratégia da categoria é aumentar suas vendas em valor, o varejista deve incentivar a venda de itens de maior valor agregado, aumentando a sua exposição”, explica Fernanda Belfort. Desse modo, produtos como os sabonetes líquidos podem ser expostos no começo do corredor, respeitando o fluxo de clientes. “Nessa etapa é muito importante que a representatividade de vendas das marcas e fragrâncias seja respeitada, para que cada uma tenha o espaço adequado ao seu desempenho nas vendas, evitando, assim, a ruptura das fragrâncias mais vendidas”. O varejista deve traduzir as tendências de consumo,


sortimento

a busca pelos formatos diferneciados e mais caros, como sabonetes líquidos e bactericidas, se dá por questão de sofisticação. as pessoas querem formatos novos e benefícios agregados. o sabonete líquido é uma sofisticação, mesmo sem nenhum outro benefício

te, os consumidores estão mais exigentes, e as empresas têm se movimentado para melhor atendê-los, com fórmulas e fragrâncias mais sofisticadas e embalagens mais atraentes. De acordo com Tatiana Ponce, “os sabonetes líquidos proporcionam uma experiência de uso diferenciada e benefícios adicionais, como hidratação superior”. Se por um lado aumenta a procura por produtos que atendam a mais de uma necessidade, por outro, também ocorre o crescimento das vendas de produtos para atender a necessidades específicas, como é o caso do segmento de sabonete íntimo. Entretanto, as aplicações mais simples continuam sendo campeãs de vendas e, portanto, não podem faltar no ponto de venda (PDV). “Hoje, quase 100% da população brasileira usa sabonete em barra todos os dias, mas a linha de sabonetes líquidos apresenta crescimento constante. Ambas as categorias convivem na casa do consumidor”, aponta a gerente de marketing da Nivea. Da parte dos PDVs, os supermercados são os mais importantes para a categoria, representando 36%. Pequenos mercados e mercearias, 44% e as farmácias, 20%, uma vez que as farmácias de cadeia e os grandes varejos são os que mais cresceram em representatividade. “A categoria, entre os PDVs, está ganhando mais espaço na gôndola e nos espaços extras da loja, fazendo-a vender mais”, explica Gaspar. De acordo com o analista de mercado da Nielsen, os grandes supermercados são a primeira escolha do consumidor em decorrência da maior variedade de opções e dos promopacks, sempre em maior quantidade nesse tipo de estabelecimento. No entanto, pesquisas da Nielsen mostram que 55% dos itens vendidos no canal farma são exclusivos e premium. “A farmácia reserva muito espaço para produtos com faturamento maior e posicionamento de preço mais caro”, diz Luiz Gaspar. Além disso, os produtos vendidos em farmácia, mas que também podem ser encontrados em outros estabelecimentos, costumam ser 58% mais baratos na própria farmácia do que em outros serviços.

Impulsionando as vendas O que define a identidade do varejista diante do público-alvo é o sortimento. É na variedade que se materializa a proposta de valor do varejista para o cliente, juntamente com a forma de exposição, a comunicação, os serviços, o preço e o atendimento. No entanto, se o sortimento não for adequado ao shopper da farmácia, as demais ações se tornam inócuas. Assim, o primeiro passo que o varejista deve seguir é a elaboração de uma revisão de sortimento, considerando algumas premissas como o espaço na loja e o perfil do público. O segundo passo é a definição racional de exposição com base na árvore de decisão e na estratégia que o varejista definiu para a categoria. “Por exemplo, se a estratégia da categoria é aumentar suas vendas em valor, o varejista deve incentivar a venda de itens de maior 126

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sortimento

desempenho Sabonete líquido e barra faturaram

R$ 2,3 bilhões (até out/12)

o que resultou em:

crescimento de 10% no faturamento sendo

18% líquido 20% antibacteriano

Mercado de sabonetes

60% barra

40% líquido sendo

20% antibacteriano

80% regulares

Itens mais sofisticados e com maior valor agregado

16% líquido 15% antibacteriano Fonte: Nielsen 128

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pois novos produtos são respostas às necessidades e aos desejos dos shoppers. Produtos que apresentam novidade, no geral, passam a mensagem de que o varejista está conectado com o consumidor moderno em suas necessidades de praticidade e de cuidado do corpo. O desafio que surge é o de fazer uma introdução eficiente do produto e acompanhar o desempenho comercial para fazer os ajustes necessários. “O mix da categoria deve ser composto com base no tamanho da loja e no perfil do público. O tamanho destinado à categoria na loja vai definir a amplitude do seu sortimento, ou seja, a quantidade de stok-keeping unit (SKU, na sigla em inglês) que o varejista poderá ter cadastrado”, indica a profissional da Reckitt. Assim, é preciso fazer uma leitura do giro do produto em dias, para saber de quanto em quanto tempo os novos pedidos devem ser feitos, garantindo-se um completo abastecimento no PDV. Dessa forma, no caso de uma loja pequena, o varejista deve cadastrar apenas as fragrâncias mais vendidas. “Quanto maior o espaço destinado à categoria na loja, maior a gama de fragrâncias e marcas que o varejista poderá disponibilizar aos shoppers”, aponta. “Já o perfil social do seu público vai definir a qualidade do seu sortimento. Por exemplo, uma loja com o perfil social mais alto, provavelmente tem um tíquete médio mais alto, permitindo que o varejista exponha e venda marcas e produtos de maior valor agregado, como sabonetes líquidos com dispenser automático e sabonetes líquidos comuns. Já uma loja com o perfil social mais baixo deve focar seu sortimento e exposição nos produtos e marcas mais populares”, acrescenta. Fernanda Belfort orienta ainda que o segmento de sabonetes antibacterianos e o segmento de sabonetes comuns sejam expostos verticalmente lado a lado, e o antibacteriano deve iniciar o fluxo, pois representa um maior valor agregado, enquanto os sabonetes comuns são geradores de tráfego. “De acordo com cada segmento, as versões líquidas devem ser expostas nas prateleiras superiores, e as versões em barra devem ser expostas nas prateleiras inferiores. Quando houver espaço suficiente, as marcas devem ser expostas verticalmente, assegurando que nenhuma marca tenha menos do que três frentes, do contrário, deve-se expor na horizontal”, recomenda. Além disso, posicionar em outras categorias correlatas, como cuidados com bebês e crianças, também pode surtir efeito.


mix

Novos cuidados íntimos Além do tradicional absorvente, que já recebeu diversas versões, sabonetes íntimos e lenços umedecidos fazem parte da cesta de compras das consumidoras P o r k at h len r a m os 130

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O mercado de higiene íntima cresce no mesmo compasso da transformação das mulheres, cada vez mais independentes e que querem se sentir seguras durante todo o dia. Tanto que, além dos absorventes, produtos como sabonetes íntimos e lenços umedecidos passam a integrar a nova cesta de produtos desse público, com grande potencial de crescimento. “Do total do mercado de higiene íntima, protetores diários, sabonetes e lenços representam 25%, o que significa que há muito espaço para crescer. Nossas consumidoras estão cada vez mais preocupadas em cuidar da saúde íntima, e isso tem muito a ver com sua rotina agitada e por passar muito tempo fora de casa. Os drivers que trazem consumidoras à categoria são prolongamento da sensação de frescor, bemfoto: felipe mariano


sortimento completo A compradora da categoria de absorventes higiênicos é decidida e planejada. Normalmente, ela já chega ao ponto de venda sabendo exatamente o que quer comprar, de acordo com a intensidade do fluxo menstrual e o benefício preferido, como conforto ou segurança. “Para absorventes externos a presença ou não de aba, tipo de cobertura, formato e espessura são as características levadas em consideração. Para os protetores diários são a marca e a promoção, enquanto para absorventes internos a presença de aplicador e o tamanho são os diferenciais na hora da compra. Por isso, é importante que o varejista tenha um sortimento que atenda grande parte das necessidades dos diferentes shoppers”, orienta a gerente de gerenciamento por categorias e shopper da Johnson & Johnson, Patrícia Gimenes.

-estar e controle de odores”, considera a gerente da marca Intimus, Simone Simões. No Brasil, a categoria de cuidados femininos (considerando apenas protetores, absorventes internos e internos) movimenta R$ 1,4 bilhão ao ano em valor, segundo dados da Nielsen (2011), fornecidos por Intimus. A indústria comprova esses números. “Intimus segue tendência positiva no mercado de cuidados femininos. Cresceu 13% em valor, como marca, no total de absorventes, protetores e internos versus o mesmo período de 2011. O crescimento da categoria de protetores diários deve-se ao entendimento da consumidora sobre o produto e ao aumento da frequência de uso. Já na linha de absorventes internos, o aumento é decorrente do espaço que a marca tem atualmente no mercado”, revela Simone. A categoria de absorventes ainda é a campeã de vendas do setor de higiene íntima, devido à sua alta penetração. Contudo, protetores, sabonetes e lenços vêm ganhando mais espaço na rotina das mulheres, que se cuidam e se preocupam cada vez mais com o próprio corpo. Segundo dados da Nielsen, de janeiro a agosto de 2012, a categoria, considerando produtos como sabonetes íntimos, lenços umedecidos e desodorantes íntimos, movimentou R$ 170,9 milhões, alta de 12% em relação ao mesmo pe-

A categoria de absorventes ainda é a campeã de vendas do setor de higiene íntima, devido à sua alta penetração. Contudo, protetores, sabonetes e lenços vêm ganhando mais espaço na rotina das mulheres, que se cuidam e se preocupam cada vez mais com o próprio corpo. produtos como sabonetes íntimos, lenços umedecidos e desodorantes íntimos movimentaram R$ 170,9 milhões

ríodo de 2011. “A rotina agitada dessas consumidoras não deixa faltar tempo para renovar, com um banho, a sensação de limpeza e frescor. Assim, elas passam a enxergar cada vez mais os benefícios desse tipo de produtos, que podem ser levados na bolsa e atendem a essa demanda”, reforça a gerente da marca Intimus. A gerente de marketing de Always, Naturella e Tampax, Márcia Braga, também acredita no crescimento de produtos premium e num índice cada vez maior de vendas dos protetores diários. “O mercado de absorventes externos tem a penetração extremamente alta (77,9% em valor do mercado de absorventes), mas ainda muito concentrada nos itens de menor valor agregado. O que temos observado como tendência é a migração para os itens de maior valor e performance, impulsionados pelos lançamentos da indústria. Também observamos um crescimento na penetração de protetores diários, que representavam 15% do mercado entre julho e agosto 2012, 5% a mais que o mesmo período de 2011.” Ainda no caso dos absorventes, packs diferenciados, com um maior número de unidades nas embalagens, também têm atraído os shoppers. “Apesar do crescimento de pacotes com mais unidades, a consumidora ainda tem preferência por pacotes de oito unidades em relação aos pacotes acima de 14 unidades. Mas packs acima de 14 unidades cresceram 20% no último ano, por serem mais econômicos quando comparados aos regulares, de oito unidades. Um pacote de oito unidades, por exemplo, custa 201e fevereiro guia da farmácia

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mix

tendência de consumo absorventes externos

penetração alta, 77,9% em valor do mercado de absorventes

absorventes diários

crescimento

penetração alta, 15% do mercado entre julho e agosto de 2012, 5% a mais que em 2011

Fonte: Nielsen

em média R$ 3,50, enquanto um de 32 unidades custa R$ 10,20”, explica Márcia. “Nossas pesquisas e estudos de entendimento de shopper identificaram que as consumidoras compram duas embalagens de oito unidades de uma única vez – quantidade suficiente para o consumo mensal – e, para atender à necessidade da consumidora, detectamos a oportunidade de comercializar embalagens maiores, com 16 unidades, facilitando o momento da compra e trazendo mais comodidade. Hoje todas as principais versões já apresentam packs maiores, sendo os regulares e os noturnos os mais procurados”, afirma a gerente de mercado de Sempre Livre, o.b., Carefree, Christina Larroudé, acrescentando que, historicamente, a consumidora brasileira tem uma clara preferência por produtos com cobertura suave (67% do mercado de absorventes externos) e com abas (78% dos absorventes externos). A executiva destaca, ainda, o crescimento do canal farma na categoria. A compra de absorventes em farmácias aumentou 2,5% em volume, quando o mercado como um todo não cresceu na mesma velocidade no último ano (MOV’12 – dados Nielsen)”, finaliza.

Potencialize as vendas A melhor exposição para a categoria deve basear-se na árvore de decisão, capaz de indicar como o shopper prioriza suas escolhas diante do ponto de venda. “A correta maneira de expor os produtos é separar por marca. Dentro das marcas, separar por performance de produto, colocando os itens de melhor desempenho na parte supe132

guia da farmácia fevereiro 2013

rior da gôndola, na altura dos olhos”, ensina a gerente de marketing de Always, Naturella e Tampax, Márcia Braga. No caso específico dos absorventes, o primeiro fator de decisão é diferenciar Cuidado Diário (protetores, sabonetes íntimos e lenços) de Ciclo Menstrual (absorventes externos e absorventes internos), conforme explica a gerente da marca Intimus, Simone Simões. “Na gôndola é importante priorizar e dar visibilidade a Cuidados Diários, estimulando a penetração e rentabilidade das subcategorias”, acrescenta. Segundo Simone, ao olhar para a subcategoria de absorventes Internos, o objetivo é incentivar a visibilidade, colocando-os entre os absorventes externos e aumentando a penetração de internos que hoje é de 7%, portanto com grande oportunidade por se tratar de um item rentável. Já em absorventes externos, a dica fica para investir no diferencial. “A ideia é estimular o shopper a migrar de um item de menor valor agregado para um de maior valor, dando destaque aos produtos premium. Esses produtos possuem atributos valorizados pelas mulheres como boa absorção e não marcar na roupa e elas estão dispostas a pagar por isso”, ensina Simone, reforçando que também vale segmentar os benefícios responsáveis pela decisão no ponto de venda, como cobertura (suave e seca) e se o absorvente contém abas ou não. “Organizando o ponto natural dessa maneira, incentivamos o tíquete médio e a penetração das subcategorias”, avisa. Uma gôndola organizada de cuidados femininos faz a divisão em absorventes externos/internos e cuidados diários (composto por protetores diários e sabonetes Íntimos). Em cuidados diários, as prateleiras superiores, em geral, são atribuídas para sabonetes íntimos, seguidos por absorventes internos e, por fim, protetores diários”, finaliza Simone Simões.


categoria – cabelos

Danos recuperados Sol, vento, mar e piscina prejudicam os fios, que perdem a umidade natural e, consequentemente, a hidratação. Oriente as consumidoras sobre como restaurá-los P o r K at h len R a m os

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Os dias de sol radiantes do verão são perfeitos para momentos agradáveis, seja na praia ou na piscina. No entanto, sem os cuidados necessários, o cabelo pode sofrer alguns prejuízos nesse período. “O sol, água salgada e o cloro são agentes bastante prejudiciais. Eles geram a degradação do pigmento, tornando-o mais claro e frágil”, afirma a dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Flávia Bolzani. Portanto, vale aconselhar o shopper sobre alguns cuidados com os fios nas épocas mais quentes do ano. “É recomendado o uso de chapéus e leave-ins protetores; usar xampus menos detergentes, como os de uso diário ou para cabelos secos ou danificados, uma vez que a frequência de lavagem tende a ser maior; evitar fotos: shutterstock/divulgação


categoria – cabelos

Produtos que podem ajudar na restauração dos fios Xampu e condicionador: a indicação fica para xampus suaves e sem sal. “Os condicionadores também precisam ter componentes hidratantes leves, a fim de penetrar profundamente na fibra capilar danificada. As linhas à base de phytoqueratina e tutano vegetal são excelentes para esse tipo de cabelo, pois aumentam na resistência e elasticidade”, aconselha a diretora education da marca Alta Moda É..., Carmen Marijuan. Quando os cabelos estão danificados, vale ter cuidados com os xampus de limpeza profunda. “Esses produtos têm um poder detergente maior que os outros. Dessa forma, retiram, além dos resíduos de cosméticos e de sujeira, a oleosidade natural. O cabelo danificado na maioria das vezes é mais ressecado, então o uso do xampu antirresíduos deve ser restrito a raros momentos em que a raiz estiver mais oleosa ou depois de períodos de uso de muitos cosméticos (finalizadores ou de tratamento)”, alerta a dermatologista membro da SBD, Dra. Flávia Bolzani. Máscara de tratamento: os produtos precisam ser mais concentrados e ricos em componentes. “As máscaras de tratamento são condicionadores com concentrações maiores de ativos, e PH diferenciado no sentido de ter uma penetração maior na haste. Mesmo assim, o recondicionamento é temporário. As máscaras e ampolas de ação rápida têm um foco na neutralização das cargas elétricas, desembaraçando os fios. As de ação mais lenta penetram um pouco mais, depositando-se entre as escamas que formam a cutícula do cabelo (cobertura)”, explica a Dra. Flávia. E, felizmente, as máscaras chegam com tecnologia bastante avançada, trazendo praticidade às usuárias. “Já é possível obter bons resultados com apenas cinco minutos após a aplicação. Além disso, esses cremes agem sem fontes de calor ou manobras de difícil aplicação”, diz Carmen. Cremes para pentear: devem ser potentes na modelagem dos fios, redução de volume e frizz, porém precisam passar um aspecto natural. “Agentes umectantes como manteigas vegetais e até mesmo silicones deverão ser considerados, por sua afinidade com a fibra capilar e pelo alto poder de tratamento durante a permanência nos fios”, afirma a especialista da Alta Moda É... De acordo com a dermatologista da SBD, tanto os leave-ins quanto cremes de pentear ou óleos finalizadores têm ação similar, com veículos variados. “Esses produtos são compostos, principalmente, por silicones, ácido linoleico e óleos vegetais. O efeito dessas substâncias é basicamente o de um “filme”, que recobre o fio e mantém o brilho, diminui o atrito e retém a umidade. São muito úteis no uso antes de secador ou chapinha, pois diminuem a condução do calor, e assim, reduzem o dano”, afirma. Leave-in: são produtos sem enxágue que devem ser bem leves, praticamente leites ou emulsões para cuidar dos fios durante o dia ao natural ou mesmo antes do uso de secadores e pranchas, conforme explica a diretora education da marca Alta Moda É.... “Os leave-ins mais modernos possuem ativos termoativados que, em contato com o calor do secador ou das pranchas, se fundem ao fio, criando uma barreira contra as agressões do calor. Como permanecem nos fios, é importante que possuam filtro solar, pois protegem os cabelos da oxidação das cores”, adverte. Óleos finalizadores: o ideal é escolher boas marcas, que ofereçam óleos vegetais leves, fluidos e puros, para não deixar os cabelos oleosos. “Essas apresentações são finíssimas e resultam muito bem em cabelos danificados e muito ressecados, sem deixar um aspecto pesado. Caso a consumidora fique com dúvidas, aconselhe o uso apenas no comprimento e pontas, que são as regiões mais ressecadas dos fios”, finaliza Carmen Marijuan.

pentear os cabelos molhados, pois neste momento os fios estão mais elásticos e podem se romper com facilidade; aproveitar o verão para deixar o secador de lado, especialmente quando combinado à escovação concomitante, pois são fortes agressores; e lavar os cabelos com intervalo médio entre um e dois dias. A água ideal é morna, pois não danifica os fios, mas tira 136

guia da farmácia fevereiro 2013

a sujeira adequadamente”, aconselha. Para a diretora de marketing de Monange, Regiane Bueno, após sair do mar e da piscina, o ideal é enxaguar os cabelos muito bem com água doce e aplicar cremes para pentear, desembaraçando os fios com um pente de dentes largos, para evitar os danos causados pela salinidade e pelo


categoria – cabelos

cloro. “Além disso, é necessário fazer hidratações regulares com cremes de tratamento específicos para cada tipo de cabelo.” Dentre os ativos em que a indústria mais tem apostado para o tratamento de fios danificados estão os óleos de argan, oliva e coco; semi di Lino; nanoproteínas, ceramidas, queratina, silicone; e leites de soja, trigo, cereais e castanhas.

A Dra. Flávia Bolzani, da SBD, recomenda o uso de chapéus e leave-ins protetores

Potencialize as vendas no PDV A mulher brasileira investe em produtos para deixar os cabelos sempre tratados. Aliás, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), fornecidos pela diretora de marketing Monange, Regiane Bueno, 79% das mulheres usam artigos de beleza todos os dias e gastam, em média, R$ 80 por mês com esses produtos. E, durante o verão, a necessidade de cuidados aos fios se intensifica, propiciando a venda de cremes de tratamento, óleos, condicionadores e cremes para pentear. “Além dos tradicionais xampu e condicionador, os produtos que trazem benefícios como hidratação profunda e filtro UV são destaques”, afirma a gerente de projetos de Niely, Vanessa Kreischer. “Em média, nessa época do ano existe um acréscimo de até 40% no volume de vendas de produtos para tratamento dos fios”, constata a gestora do Centro de Experiência do Consumidor (CEC) da Embelleze, Vanderlina Oliveira. Para potencializar as vendas desses produtos, deve-se valorizar a exposição da categoria no ponto de venda. “Esses itens deverão ficar expostos nas gôndolas de tratamento e também próximos a outros produtos para o verão, como protetores solares”, afirma Vanderlina. A diretora de marketing de Monange também incentiva a exposição casada. “Nas gôndolas, sugerimos praticar o cross merchandising, expondo os produtos de cabelos danificados próximos a outros voltados para o verão”, destaca, reforçando que a tendência é a de oferecer produtos com valor agregado a benefícios, como aqueles que, além de proporcionar a hidratação do cabelo, também ofereçam função reparadora e proteção da cor, por exemplo. 138

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sempre em dia

tratamento

completo

Xampus, condicionadores e cremes de tratamento atuam nos fios proporcionando restauração completa Ingrediente natural A Hidrabell lança o condicionador Água de Coco – com Manteiga de Karité e Silicones Especiais. O produto é ideal para cabelos secos, ressecados e quimicamente tratados e é feito à base de água de coco, elemento que devolve a umidade natural dos fios. O condicionador é capaz de regenerar os cabelos e reduzir o volume durante a lavagem, além de possuir silicones especiais que completam a hidratação e protegem a fibra capilar. Preço médio: R$ 14,50 Na gôndola: cabelos Site: www.hidrabell.com.br 140

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PROTEÇÃO PARA OS FIOS

Para garantir a proteção dos fios na estação mais quente do ano, a Bioderm, marca especializada em produtos capilares, apresenta o Shampoo e Condicionador Solare, ideal para higienização antes e depois de expor os cabelos ao sol. Ambos os produtos contêm fator U*Emoliensy e ativos ultraemolientes, com agentes bloqueadores dos raios solares UVA e UVB, que protegem e hidratam a fibra capilar contra o ressecamento e a desidratação provocados pelo sol. Preço médio: R$ 18,81 (xampu) e R$ 18,81 (condicionador) Na gôndola: cabelos Site: www.bioderm.com.br fotos: shutterstock/divulgação


HASTES FLEXÍVEIS

A York está relançando seus produtos em novas embalagens, mais modernas. As hastes flexíveis da marca são elaboradas com algodão 100% puro e com tratamento antigermes, além da opção de cores azul e branca. O diferencial é o seu copo Flip Top – sistema abre e fecha –, que é mais higiênico e prático. Para o público infantojuvenil, há embalagens decoradas com os personagens da animação A Era do Gelo 4. O produto pode ser encontrado nas seguintes apresentações: caixas com 75 e com 100 unidades e copo com 150 unidades.

Preço médio: R$ 4,50 (100 unid.) Na gôndola: higiene/algodão Site: www.yorksa.com.br

COR DURADOURA LIMPEZA EXPRESS

A L’Oréal Paris Dermo-Expertise apresenta Limpeza Express Lenços Demaquilantes, que removem a maquiagem e limpam a pele, eliminando o excesso de oleosidade. De modo prático, os Lenços Demaquilantes retiram a maquiagem sem irritar, tonificam a pele e promovem sensação de frescor. A tecnologia Hydra-Claryl elimina a oleosidade e o brilho excessivo do rosto, sem causar ressecamento. O produto é ideal para pessoas com todos os tipos de pele e pode ser usado também na região dos olhos.

Preço médio: R$ 9,90 Na gôndola: pele/dermocosméticos Site: www.loreal-paris.com.br

A Dove reformulou a linha Cor Duradoura e lança o kit de Tratamento Intensivo Mensal para Cabelos Tingidos. A inovação conta com quatro ampolas bifásicas. A primeira fase, na cor branca, tem ingredientes condicionantes que penetram na fibra para proteger o cabelo e reduzir os danos acumulados, além de melhorar a resistência a desgastes como quebra e pontas duplas. Já a segunda fase, cor-de-rosa, tem óleos nutritivos, que ajudam a manter o cabelo saudável e protegem os fios tingidos do desbotamento por quatro semanas, tempo médio entre uma coloração e outra, mantendo a cor rica e vibrante. Preço médio: R$ 30,00 Na gôndola: cabelos Site: www.dove.com.br 2013 fevereiro guia da farmácia

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institucional abradilan

Qualidade como

www.abradilan.com.br

vantagem competitiva As empresas do setor de distribuição de medicamentos estão relacionadas com serviços, através do processo de entrega, pós-venda e assistência aos clientes

O

P o r J U L I A N O C U NHA V I NHA L - pr es i de nte do Co n se lh o Di ret iv o d a Abr ad ilan

Os atacadistas sempre receberam crescentes pressões competitivas representadas por: novos concorrentes, novas demandas dos consumidores, grandes redes varejistas, novas tecnologias, entre outras. Com isso, eles têm que criar respostas estratégicas apropriadas e melhorar suas decisões sobre mercados-alvo, sortimento de produtos, serviços, posicionamento de preço, promoções e outros fatores para que possam concorrer nesse mercado supercompetitivo.  Esse segmento se caracteriza por vendas personalizadas com uma presença marcante e constante dos representantes nos estabelecimentos (farmácias e drogarias). Os serviços de entrega e o atendimento são fundamen-

tais para o distribuidor firmar sua marca e diferenciar o serviço em um setor de fornecimento no qual, muitas vezes, os preços e os produtos são similares.  As empresas do setor de distribuição de medicamentos estão relacionadas com serviços, através do processo de entrega, pós-venda e assistência aos clientes. Para essas empresas, a prestação de serviços com qualidade está se tornando uma eficiente ferramenta de diferenciação. Em um setor de grande concorrência, fidelizar os clientes pode se tornar uma vantagem competitiva sobre as demais empresas.  Adaptar essas empresas às tendências do mercado torna-se uma necessidade evidente e essencial para o seu

posicionamento perante aos clientes. Nesse contexto, é importante que a empresa se reestruture para criar indicadores com os quais possa comparar o que acontece no mercado. ��Diante disso, o Conselho Diretivo da Abradilan tem buscado alternativas que possam incentivar e proporcionar, de alguma forma, a possibilidade de capacitação e qualificação dos dirigentes das distribuidoras associadas, objetivando a formação de quadros profissionais cada vez mais qualificados para servir melhor os seus clientes.  Com essas ações, a associação está proporcionando ganhos institucionais e satisfação, além de uma nova aprendizagem que favorece associados e seus colaboradores.

Empresas sócias colaboradoras da Abradilan 144

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serviços

a

g

Abihpec www.abihpec.org.br

Ganep www.ganep.com.br

Abmapro www.abmapro.org.br

Garnier www.garnier.com.br

ABO www.abo.org.br

HCor www.hcor.com.br

Alta Moda É... www.altamoda.com.br Always www.alwaysbrasil.com.br Anabel www.anabel.org.br Anvisa http://portal.anvisa.gov.br APCD www.apcd.org.br

h Hospital e Maternidade Santa Joana www.hmsj.com.br Hospital São Camilo www.saocamilo.com.br

i IBGE www.ibge.gov.br

d Desenvolva Consultoria e Treinamento www.desenvolvaconsultoria.com.br

e

Ibope www.ibope.com.br IMS Health www.imshealth.com.br Intimus www.intimus.com.br

Embelleze www.embelleze.com

f

j Johnson & Johnson www.jnjbrasil.com.br

Faculdade de Medicina do ABC www.fmabc.br Febrafar www.febrafar.com.br Febrasgo www.febrasgo.org.br

Jornal de Pediatria www.scielo.br/jped

k Kantar Worldpanel www.kantarworldpanel.com

FQM Derma www.fqmderma.com.br

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l L’Oréal www.loreal.com.br

m Ministério da Saúde www.saude.gov.br Monange www.monange.com.br

n Naturella www.naturella.com.br Nestlé www.nestle.com.br Nielsen www.br.nielsen.com Niely www.niely.com.br Nivea www.nivea.com.br

o OMS www.oms.org

P Popai www.popaibrasil.com.br

r Reckitt Benckiser www.rb.com/br Rexona www.rexona.com.br

s Sanofi www.sanofi.com.br SBD www.sbd.org.br SBFC www.sbfc.org.br Sociedade Brasileira de Pediatria www.sbp.com.br

t Tampax www.tampax.com

u UFRJ www.ufrj.br Unifesp www.unifesp.br Unilever www.unilever.com.br UNIRIO www.unirio.br USP www.usp.br


Edição 243 - Especial mulheres