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Foto: Mirella Gimenez

Foto: Michelle Machado

Tecnologia altera rotina de trabalho Jornal Em Foco - Campo Grande - MS Agosto de 2012 - Ano X - Edição 151

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Políticos estão de olho nas redes sociais Pág. 12

Foto: Natalie Malulei

Consumismo Mudança de hábitos na pós-modernidade desenvolve doença do consumismo na sociedade contemporânea

Consumo em tempos modernos Foto: sincroniastral.blogspot.com

brir o causador dessa busca, do vazio e acalmar a ansiedade. Em casos mais graves deve procurar ajuda psiquiátrica”, orienta a psicóloga. Para ela, as propagandas veiculadas na mídia podem ser associadas à oneomania por colocarem fortes necessidades de consumo, especialmente na vida dos adolescentes, que sentem necessidade de fazer parte de um grupo e acabam vendo esta possibilidade em roupas de marca e celulares da moda.

Segundo Marelija, pais que apóiam comportamentos como este e tentam suprir a necessidades de seus filhos comprando coisas para eles podem estar criando futuros consumistas compulsivos. Publicitária há 12 anos, Fátima Domingues, acredita que a influência de sua profissão é evidente, mas não prejudicial. “Ela não se impõe de maneira somente maléfica. Dita moda, regras de comportamento, modelos de sonhos e cada pessoa

reage de forma diferente. Já ouvi falar que até mesmo o consumidor consciente não está imune aos efeitos desse fenômeno”, afirma. Para Fátima, a publicidade tem a finalidade de informar e persuadir através de mensagens que impulsionam o ato de consumo, mas acaba passando a impressão “errada e frustrante” de que a abundância dos bens garante o bem-estar e a completa realização de si. Por esse motivo, conforme a publi-

citária, a veracidade nas propagandas e a responsabilidade social são princípios que devem sempre ser respeitados pelo profissional da área. Ela aponta ainda algumas diferenças entre os consumidores de ontem e hoje. “Antes o consumo era baseado nas necessidades básicas, até porque não se conhecia todas as opções. Hoje, com constante bombardeio de informações, tudo que se vê, se deseja e a verdadeira necessidade não é

Foto: Jr Cordeiro

Inovações tecnológicas melhoram saúde humana Jr Cordeiros A área da saúde esta cada vez mais dependente da tecnologia, porém, podemos afirmar que foi o melhor casamento da era pós-moderna. O marco da era tecnológica na saúde foi à invenção dos raios-X em 1895 por Roentgen. A através desde ponta pé inicial, percebemos que a área da saúde continua caminhando com evolução tecnológica. Alessandra Schneider, acadêmica do 2º semestre de medicina na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), opina que “a área da medicina que vem crescendo

significativamente junto com as áreas tecnológicas, é a cirúrgica, pois as cirurgias estão cada vez menos invasivas, diminuindo os riscos de óbitos, bem como o número e o tamanho das cicatrizes”. A inserção da tecnologia na saúde colaborou em diversos sentidos, contribuindo de forma significativa na melhor condução de casos clínicos, no aumento do potencial diagnóstico de doenças, na melhoria da qualidade de vida, na diminuição dos índices, taxas de mortalidade e também na ampliação da expectativa de vida das pessoas. A tecnologia trouxe para

médicos, dentistas, fisioterapeutas entre outros profissionais da saúde, não só a segurança, mas o apoio necessário para a tomada de decisões importantes diante à conduta e ao tratamento nos casos de urgência e até mesmo nos casos de doenças crônicas. A nova tecnologia ao mesmo tempo em que aproximou médicos do mundo todo, afastou a relação entre médicos e pacientes. Entre tantos avanços, benefícios e malefícios, a Telemedicina é o campo da saúde que entrou com tudo no séc. XXI, graças aos compuFoto: Jr Cordeiro

I n o v a ç õ e s - Tecnologia em laboratórios acadêmicos aprimoram conhecimento dos estudantes EmFoco_PosModerno_Standard_CadernoB.pmd 9

PÓS-MODERNIDADE

M u d a n ç a - A oneomania ou consumo compulsivo tornou-se uma doença cada vez mais constante na sociedade moderna

Te c n o l o g i a - Avanços tecnológicos melhoram laboratórios e facilitam acesso a informações

tadores, internet, realidade virtual e toda essa sociedade em rede. Os médicos de hoje poderão estar presentes nas regiões mais remotas e nas situações mais diferenciadas, apesar da distância e do tempo. A telemedicina também quebra os paradigmas quando falamos no campo de estudo. “Antes o avanço demorava muito para chegar ao acadêmico, o acesso aos livros era muito demorado, para os alunos ter contato, com a tecnologia, à educação esta muito mais acessível, hoje você tem a internet para buscar artigos, livros, que facilitam o aprendizado”, afirma Alexandre Zangari acadêmico do 5º semestre de medicina da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Hoje no Brasil já existe 14/2/2013, 12:41

uma Rede Universitária de Telemedicina, conhecida como Rute, iniciadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), apoiam o aprimoramento de projetos em telemedicina já existentes e incentiva o surgimento de futuros trabalhos interinstitucionais. “Eu, como acadêmica de Medicina, vejo que no âmbito universitário, a tecnologia está presente não só nas aulas práticas. Temos um laboratório morfofuncional não apenas dotado de cadáveres e livros, que são o básico para a parte prática e teórica, mas também existem bonecos mecânicos monitorados por computadores, capazes de reproduzirem situações de pacientes reais”, argumenta

Alessandra Schneider. Conforme citado na revista on-line Galileu, o hospital Sírio Libanês de São Paulo, já é capaz de realizar cirurgias à distância, assessoradas por braços mecânicos robóticos. Isto só comprova que já existe um aumento significativo na melhora e na qualidade de hospitais e médicos. Está claro o envolvimento da ciência e da tecnologia, colocadas no processo constante de evolução que busca respostas para situações ainda obscuras, como a cura da Aids e de tantas outras patologias virais ainda sem tratamentos específicos e doenças degenerativas. Com um novo olhar dos pesquisadores e profissionais de saúde há possibilidade de novas descobertas.

EM FOCO

Propagandas capazes de influenciar, produtos diversos e por vezes descartáveis, sacolas recheadas de compras. O cenário descrito serve como pano de fundo para o consumismo presente no cotidiano, mas pode se tornar perigoso quando o ato de comprar deixa de ser uma ação corriqueira e se transforma em vício. Doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, a oneomania atinge principalmente as mulheres, provoca ansiedade e pode levar à depressão. De acordo com a psicóloga Marelija Zanforlin, o comprador compulsivo tenta suprir um vazio interior através do consumo, mas acaba aumentando este sentimento. “A pessoa compra para tentar preencher algo, vê que não adiantou e passa a comprar ainda mais, chegando a se endividar para sentir o prazer momentâneo de ver, querer e adquirir o produto que deseja e que geralmente é de um tipo específico. Trata-se de um ciclo vicioso”, explica. Um vício capaz de causar ansiedade, dificuldade de lidar com frustrações, culpa e até mesmo depressão, pois além das dívidas, algumas pessoas escondem os objetos comprados dos familiares para tentar enganar a si mesmas. “Por isso, o primeiro passo é reconhecer que é consumista desenfreado. Depois pode procurar terapia para desco-

mais fator primordial no ato de consumo”, diz. Assumidamente consumista, a fisioterapeuta Eliene Ferreira Andrade Teruya, de 53 anos, não esconde de ninguém: adora comprar. Ela conta que o gosto começou aos oito anos, durante seu primeiro emprego como babá e continuou sendo firmado no decorrer da vida. “Não me considero viciada em compras, apenas não me privo de adquirir as coisas que eu quero e trabalhei para conseguir. Gosto de perfumes, relógios, bolsas, sandálias e considero esses produtos como presentes que eu mesma me dou. Atualmente meu sonho de consumo e um Iphone”, revela. Segundo a fisioterapeuta, o prazer de adquirir os produtos que deseja parece até interromper as dores que sente no braço, provocadas por burcite e tendinite. “Realmente me sinto muito bem porque compro para mim, para minha família e uso tudo o que compro até acabar”. Eliene diz ser influenciada pela embalagem dos produtos e pelo atendimento nas lojas, mas nem tanto por propagandas veiculadas em revistas e jornais. Ela confessa já ter tido problemas com as contas do fim do mês por conta do consumismo, mas afirma que a chegada da maturidade a tornou mais consciente. “Agora paro pra pensar no que realmente preciso, fico de olho nas promoções e nos preços baixos. Além disso, nunca gasto tudo de uma vez, sempre parcelo”, finaliza.

CAMPO GRANDE - AGOSTO DE 2012

Taryne Zottino


10 A p l i c a t i v o s

A venda desenfreada de tablets e smartphones aumenta a velocidade da comunicação entre as pessoas

O mundo ao alcance das mãos Foto: Laiane Paixão

Laiane Paixão

EM FOCO

CAMPO GRANDE - AGOSTO DE 2012

PÓS-MODERNIDADE

Atualmente apenas com um aparelho celular, que possua um sistema operacional (conhecidos como smartphones) ou qualquer outra plataforma móvel (tablets) é possível acessar todo tipo de conteúdo e usufruir das facilidades e das possibilidades que oferecem os aplicativos. A funcionalidade principal do aplicativo é concentrar varias funções e informações dentro de um único aparelho. Existem aplicativos para todo tipo de tarefas, como edição de foto e vídeo, contas de e-mails, jogos, banco, redes sociais, automação residencial, relacionamentos e utilidades. Funções que vão do mais simples ao mais complexo. E com o crescimento desenfreado da venda de smartphones, o mercado de aplicativos só tende a crescer. Dados da IDC Brasil (International Data Corporation), empresa especializada em consultoria e conferências nos segmentos de Tecnologia da Informação e Telecomunicações, mostram que o crescimento da venda de aparelhos foi de 84% em relação ao ano de 2010, saltando de 4,8 milhões para 9 milhões, vendidos só no Brasil. E no mundo foram vendidos 157,8 milhões de smartphones no 4° trimestre de 2011, informa a Teleco (inteligência em Telecomunicações). Esses números indicam também o número de usuários utilizando aplicativos, porém, com um aumento de aproximadamente mais 250 mil, levando em consideração a venda de tabletes e outras plataformas móveis. Na lista dos aplicativos mais baixados pelos usuários brasileiros está em 1°lugar as redes sociais (facebook, twitter, instagram, foursquare), em

A ç ã o - Gás carbônico, colocado como grande vilão do aquecimento global, é simplesmente produto da açao humana sobre o ambiente

C o n e c t a d o - Os usuários da tecnologia precisam tomar consciência de que os benefícios devem ser utilizados para o bem das pessoas e não para prejudicar ou os semelhantes

2° GPSs(google maps), em 3° aplicativos de mensagens instantâneas gratuitas (what’s up, Bump), e em seguida vem aplicativos de utilidades, educação e entretenimento. É o que esclarece Saulo Arruda, 30 anos, formado em Processamento de Dados e proprietário da Jera Software, empresa especializada na criação de aplicativos em Campo Grande-MS. “Aplicativos pra mim são as possibilidades, hoje você tem a possibilidade de ter um GPS no seu bolso, o que é muito bom, porque tem a localização geográfica de onde você está e de tudo que está em volta, tem também uma câmera de 10 mega pixels, com flash e todos os recursos de uma câmera profissional no seu bolso. E isso não era possível a cinco anos atrás.” Afirma Saulo e explica também que compensa muito mais financeiramente hoje em dia ter um smartphone com todos esses aplicativos de várias funções

como som, câmera, GPS, computador, televisão, do que comprar todos esses equipamentos na integra. O empresário explica que o conteúdo que é baixado pelos aplicativos é muito mais selecionado, que a mídia força as pessoas a ver todos os tipos de assuntos que acabam também sendo influenciadas pelas propagandas. “Prefiro muito mais que minhas filhas usem o Ipad do vejam televisão, elas podem ver desenhos que elas gostam na hora que quiserem sem ter ver os comerciais chatos, acessam jogos interativos e conteúdos educativos. Mas tudo isso passa primeiro por mim e eu escolho o que elas vêem .” Destaca Saulo, visando os lados positivos. Vício Mas todo esse “poder” na palma da mão, gera também preocupações na vida social dos usuários. Principalmente com os adolescentes, que es-

tão numa fase de formação de identidade e conceitos, e com toda essa facilidade do mundo atual, se os aplicativos não forem utilizados de uma forma consciente, esses jovens poderão acabar viciados no mundo virtual. A sociedade moderna tem muito a oferecer, com compras, instância de resolver problemas rápidos, e isso gera Estrutura de Personalidade Adicta, que seria a ansiedade transformada em dependência de drogas, bebida, cigarro, sexo, jogos, de várias coisas, é o que explica a psicóloga Julene Dal Líbero, 26 anos. A Psicóloga não coloca toda a culpa na internet e na facilidade, ela entende que é só mais um produto da sociedade moderna. Mas que não podem ficar tão presos a esse mundo virtual. “A partir do momento que causou algum dano familiar, sofrimento psíquico, algum tipo de ansiedade que só é saciada com a utilização do celular, entrando no facebook, por

exemplo, a partir daí pode ser prejudicial.” Julene põe em questão também a questão do status, pois a maioria dos adolescentes compra um smartphone e passa a utilizar os aplicativos não mais pela funcionalidade do produto e sim para ser aceito dentro do seu grupo de amigos. Porque os que já utilizam aplicativos, ignoram as pessoas que não tem acesso a esse tipo de produto. O que indica outro lado preocupante, pois induz a sociedade a avaliar as pessoas pelo que ela possui e não pelo que ela é, gerando preconceitos e problemas de relacionamentos. “Isso reflete na plasticidade das relações, é mais descartável, as pessoas se envolvem cada dia menos, e os aplicativos de redes sociais tendem a reforçar esse lado negativo das relações Adicionam pessoas na lista do facebook, mas nunca falam com elas, e no dia em que não servir pra mais nada, elas Foto: Laiane Paixão

P o s s i b i l i d a d e s - Equipamentos tecnológicos trazem várias facilidades para o cotidiano das pessoas e servem atualmente como uma extensão do ser humano

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são excluídas, no mundo virtual e real. As pessoas se aproximam das que estão mais longe, mas as que estão perto elas não se envolvem.” Comenta a psicóloga e alerta os consumidores que não conseguem dar um passo sem ter que postar isso nas redes sociais, que tenham cuidado, “ficar fazendo check-in de onde estão e com quem está é um prato cheio para pessoas que utilizam a internet para o lado criminoso”, finaliza. Agilidade Eduardo Biagi, 33 anos, publicitário é um grande consumidor de aplicativos, ele explica que os utiliza para trabalhar, estudar e se divertir. “Não vivo mais sem os aplicativos de e-mail, já estão todas as contas configuradas num lugar só. Não gosto de ir a bancos e imagino que as pessoas também não gostem” afirma Eduardo. Quando questionado se não seria mais fácil entrar no site, ele diz que o aplicativo é mais rápido e mais seguro, pois não é sempre que está à frente de um computador e que nem todos os sites móbiles (versão para celular) de bancos são bem elaborados, ou muitas vezes nem possuem. O publicitário entende que todo benefício tem seus malefícios, afirma que utiliza os aplicativos conscientemente, apenas pela sua funcionalidade e necessidade. “Aplicativos trazem coisas que facilitam a nossa vida, mas que ao mesmo tempo nos levam a uma desconexão com as pessoas. Causando uma sensação de auto-suficiência, de não precisar mais de ninguém” explica Eduardo e diz que essa cobrança precisa vir dos pais, para educar esses jovens com muito mais diálogo, sabendo impor limites e ensinando a conviver com as relações humanas, que são necessárias para a vida e desenvolvimento de cada ser humano. Para ele, agindo assim e sabendo utilizar com moderação o conteúdo virtual, os aplicativos podem trazer benefícios inimagináveis para o dia a dia da população, sem causar danos na vida social.


Avanço

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Qualificação técnica e investimentos possibilitam criação de empregos em diversas áreas no Brasil

Foto: Michelle Machado

Michelle Machado O que antes era preciso mão de obra, hoje pode ser resolvido com um simples comando. É a tecnologia tomando conta da pós-modernidade. A cada dia que passa, uma nova invenção. Um novo conforto se cria para que o ser humano possa se despreocupar com certos esforços que às vezes, só ele poderia resolver. Se engana quem acredita naquele velho conceito de que as máquinas estão dominando o mundo e com isso, gerando mais desempregos. É o que explica o economista Áureo Torres, especialista em mercado de trabalho. Segundo ele, a tecnologia é benéfica para a economia de um país, desde que tenha equilíbrio entre mão de obra e operação de máquinas. “As máquinas surgiram em uma época de crise mundial. Os países começaram a perceber que substituindo trabalhadores por máquinas, teriam um custo menor”, afirma Áureo. “Mas isso não quer dizer que a tecnologia tenha tomado o lugar dos trabalhadores e gerado desemprego. Enquanto o homem e as máquinas operarem juntos, não haverá riscos aos trabalhadores”, completa. Este perfil do mercado Brasileiro pode ser entendido em dados de uma pesquisa divulgada pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) que mostram que de 2010 para 2011 a taxa de desemprego caiu, passando de 11,9% para 10,5%. Causa dessa queda é

M e r c a d o - Tecnologias facilitam a resolução de problemas em menor tempo, com menos esforço e ajudam na evolução de produtos

o aquecimento da economia do país. Quanto mais investimentos no Brasil, mais empregos. Dentro desses investimentos estão a construção de indústrias, novas tecnologias, eventos como a Copa do Mundo, entre outros. Todos esses fatores na era atual trazem melhorias para economia, com mais empregos e rotatividade econômica. Porém, o mercado de trabalho atual oferece menos evolução para os trabalhadores.

Enquanto antes se tinha um trabalhador sem qualificação que evoluía com o passar do tempo em uma empresa, hoje as qualificações fazem com que profissionais especializados em tal área, permaneçam fortes na mesma. “Por exemplo, se antes você fosse contratado como motoboy e não tivesse noção nenhuma, estudo algum, você iria aprendendo e com o passar do tempo poderia ser promovido para a gerência. Hoje, com as quali-

ficações e exigências do mercado, se você é um vendedor, um bom vendedor, e surgiu a vaga para gerente de uma empresa, eles irão atrás de alguém especializado em gerencia e você continua como vendedor por ser bom na área”, comenta Áureo. Para Valdemir Machado, o mercado está cada vez mais exigente. Sem ensino superior e qualificação, ele trabalha como mecânico há vinte anos em uma oficina do bairro Jar-

dim Petrópolis, na Capital. “No meu ponto de vista, para a minha vida, não compensa eu largar mão de um emprego sem carteira assinada para trabalhar em uma empresa sem qualificação nenhuma”, afirma Valdemir. Quando se trata de tecnologia o mecânico demostra satisfação. “O que seria de nós sem tecnologia? Muitos problemas do dia-a-dia demorariam mais para serem resolvidos se não fosse ela”. “Por exemplo, o elevador de carros

facilita muito o nosso trabalho. O que antes era necessário ter força com um equipamento antigo, hoje é resolvido com um botão”, completa sua opinião. Já em Mato Grosso do Sul, o saldo é positivo. A tecnologia ajuda na evolução das produções agrícolas, contribuindo para o desenvolvimento do estado. O mercado de trabalho também se aquece cada vez mais. Com os investimentos surgindo no estado, a geração de empregos aumenta e aquece a economia de MS. No ranking de empregos realizado pelo economista Áureo Torres, Vincentina, Figueirão e Sonora são os primeiros colocados. O motivo são esses próprios investimentos na agricultura e pecuária do estado, principalmente no interior do Estado. Por ano, cerca de 40.000 jovens completam 18 anos no Brasil. Com a tecnologia evoluindo a cada dia, mais empregos são gerados e consequentemente, mais jovens são contratados. É um ciclo equilibrado que faz com que o Brasil se desenvolva, aqueça a economia interna e mantenha o equilíbrio econômico.

PÓS-MODERNIDADE

Tecnologia contribui com o desenvolvimento da economia

Foto: Arquivo Geted

Desde o princípio da humanidade, a comunicação tem sido um instrumento de integração, instrução, troca mútua e desenvolvimento social. Mas é partir da primeira metade dos anos 90 que o contexto comunicacional passa por incríveis e rápidas transformações, marcando o início de uma nova era. As novas plataformas midiáticas surgem quebrando barreiras geográficas, influenciando hábitos e comportamentos na sociedade. Apesar dos aspectos positivos, como o acesso instantâneo à informação e o conhecimento global compartilhado – que são condições essenciais

para a internet – algumas problemáticas sociais, anteriores a estes avanços tecnológicos continuam existindo. De acordo com o professor e pesquisador do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rogerio Christofoletti, estas transformações aconteceram sem que a sociedade estivesse totalmente preparada, mas o fato é que, estes acontecimentos movimentam, conduzem e conformam camadas cada vez maiores na sociedade. “Há extensos contingentes populacionais que sequer têm acesso a serviços mais básicos, como água, esgoto, saúde, educação e energia elétrica, por isso quando se trata de inter-

net e dos muitos resultados que ela traz no seu bojo, não podemos considerar isso uma realidade para todos”, ressaltou o professor. Para o sociólogo André Luiz Martins, a grande questão da comunicação na atualidade, esta representada no discurso político da democratização da informação, onde as pessoas acreditam ser um emissor, mas permanecem exercendo a função de mensageiro dos grandes meios de comunicação – que são os que detêm a maior parte do poder da comunicação. “Houve realmente uma mudança muito grande na forma de se comunicar, a inclusão da internet na vida das pessoas surgiu com o propó-

E d u c a ç ã o - Ferramentas possibilitam construção colaborativa do conhecimento

sito de permitir uma comunicação mais rápida e de qualidade técnica maior, além é claro, de oferecer a possibilidade de filtrar os conteúdos de Foto: Arquivo Geted

P e s q u i s a - Grupos estudam como as tecnologias e os novos meios de comunicação podem ser utililzados para a educação a distância EmFoco_PosModerno_Standard_CadernoB.pmd 11

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acordo com o interesse de cada indivíduo; o problema é que ainda assim o entretenimento oferecido pelos grandes meios de comunicação ainda predominam dentro da realidade brasileira,” afirmou André. Educação Toda mudança social – e em especial a internet – requer tempo de adaptação e também pesquisas; foi com este intuito que em 2006, formou-se o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Tecnologia Educacional e Educação a Distância (Geted), na Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, sob a coordenação da professora Maria Cristina Paniago. Para a professora, as ferramentas disponíveis nesta nova era da informação, proporcionam um trabalho compartilhado e também colaborativo na construção do conhecimento, elevando o nível de interesse das pessoas, que se sentem participantes da mensagem e acabam valorizando mais o

resultado. “É importante ressaltar que o trabalho intelectual e a utilização das ferramentas proporcionadas por estes novos meios de comunicação devem ser mútuos – uma soma entre o conhecimento do homem e a capacidade de interação e participação proporcionadas pela máquina – uma relação saudável que faz com que todos se sintam pertencente à produção de conteúdos,” disse a coordenadora do Geted. Os meios de comunicação neste novo século, possibilita que as pessoas tenham voz, seja de um para um, de um para todos ou de todos para todos. No entanto, ainda é preciso maior reflexão sobre os aspectos comunicacionais desta nova era.

EM FOCO

Luis Augusto Akasaki

CAMPO GRANDE - AGOSTO DE 2012

As novas tecnologias e os conflitos do século XXI


12 R e l i g i ã o

Para psicólogo a igreja tem poder de impor determinadas ações e condutas às pessoas e à sociedade

Religião como válvula de escape Fotos: Mirella Gimenez

Mirella Gimenez

EM FOCO

CAMPO GRANDE - AGOSTO DE 2012

PÓS-MODERNIDADE

Ao pensarmos em Igrejas vêm inúmeras idéias à nossa cabeça. Basta dar uma volta pela cidade e encontraremos inúmeras instituições que de varias formas procuram o caminho para o bem estar da alma. Antigamente só existia a Igreja Católica, com o tempo foram surgindo outras igrejas com conceitos diferentes. Esse crescimento é notável, as pessoas estão procurando algo em que acreditar. As principais sociedades existentes são: a família, a igreja e o estado. A mais organizada, segundo a psicóloga Esomar Guerreiro Brito é a Igreja, que possui um poder fantástico capaz de impor determinadas ações e condutas. Atualmente a Igreja Católica posicionase a favor da paz, defende a união das pessoas e luta contra a pobreza e a miséria. A influência da religião em um povo é notável, basta lembrarmos dos conflitos que vemos no Oriente Médio, tudo se inicia por questões religiosas. Esomar explica que existem diversas formas da igreja influenciar a sociedade, não só com grandes coisas, mas também com pequenos gestos. Segundo a terapeuta as pessoas querem e precisam da fé. “É só abrir os jornais, ligar a televisão e ver como o ser humano está com sede de Deus”, afirma.

A psicóloga explica que a fé é capaz de ajudar vida das pessoas. Segundo Esomar, quando uma pessoa deseja algo ela se aplica e se esforça até conseguir. Quando a religião é pensada como filosofia de vida ela influencia toda a sociedade, a condição atual de um povo é o reflexo da religião praticada. Jamiro Batista Ribeiro, 64 anos, freqüenta a Igreja Cristã do Brasil e acredita fielmente em Deus. Ele concorda que as pessoas sentem a necessidade de acreditar em alguma coisa, tanto que há religiões que veneram o sol e a lua. Para o aposentado quando alguém foca o corpo e alma em acreditar em Deus, este alcança seus objetivos, para ele todos precisam de Deus, até Jesus precisou. Seguindo um conceito oposto, Cleuza Marques Fonseca, 42 anos, terapeuta, tem como filosofia de vida a Igreja Messiânica. Fundada por japoneses essa igreja acredita no bem estar espiritual. A terapeuta acredita na felicidade espiritual e que todos nascem com uma missão proposta por Deus. Mas ela diz que a religião não importa, e sim que todos tenham Deus como ponto de equilíbrio e que ele está dentro de cada um de nós, e é nosso dever encontrá-lo. Para Cleuza o papel da religião na sociedade é unir as pessoas, elevar o espírito. A terapeuta explica que a filosofia da Igreja Messiânica possui três objetivos: felicidade, crescimento espiritual e recebimento da luz. Mesmo com todo poder que a religião tem sobre as pessoas, Esomar explica que a mídia e a literatura detém grande parte desse poder de influência. Porém, ela garante com sua vasta experiência, com fé e esperança o ser humano tem a capacidade de renascer para a vida.

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P r e c e - Fiéis acreditam que a fé é capaz de transformar a vida das pessoas e proporcionar paz de espírito para os devotos

Políticos usam rede social como aliada Júlia Aguiar A internet está tomando conta do mundo. Até o final deste ano, o nuúmero mundial de usuários de redes sociais – Facebook, Twitter, Orkut, Myspace, Badoo entre outras – chegará perto de 1,5 bilhão de pessoas, ou seja, cerca de 21% dos habitantes do mundo estarão conectados em alguma rede social. Os internautas que estão inseridos da Web 2.0 usam a internet como instrumento de busca por novidades, infor-

mações e interação. Os políticos, que estão diretamente ligados à população, não podem ficar de fora. Em um ‘efeito manada’ eles estão aderindo ao mundo virtual com uma freqüência extraordinária. E tudo começou na candidatura de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos em 2009. Na véspera das eleições Obama tinha mais de dois milhões de apoiadores, apenas no facebook. A interatividade de um senador desconhecido com as redes sociais levou Obama di-

reto para a Casa Branca. Como 2012 é ano de eleições municipais e muitos políticos estão entrando no mundo da web e estão ficando com o status de Político 2.0. Mas estes precisam tomar cuidado, no dia 15 de março deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu os pré-cantidatos a prefeitura de utilizar as redes sociais, para não ocorrer nenhuma forma de autopromoção antes do início do período eleitoral. No Mato Grosso do Sul os

P r e f e i t o - Saber o que se passa na cabeça dos jovens é importante para qualquer político 14/2/2013, 12:41

políticos estão cada vez mais inclusos no mundo da cibercultura. Governador, deputados, senadores, prefeitos e vices, vereadores, todos estão interagindo cada vez mais com a população por meio das mídias sociais. “O contato com a população via internet é sensacional, eu particularmente uso mais o facebook, twitter eu tenho, mas não uso com freqüência. Saber da opinião dos jovens que passam o dia inteiro na frente do computador é de tamanha importância para um político”, explica Jun Iti Hada, prefeito do município de Bodoquena – MS. A Associação dos Municípios do MS (Assomasul), usa as mídias sociais para divulgar notícias sobre os municípios. “É incrível o numero de pessoas que nos adicionam diariamente no facebook e que passam a nos seguir no twitter. Gente de todo o Brasil que curte e compartilha notícias sobre suas cidades, e até de outros municípios, assim tendo a oportunidade de opinar sobre o que está acontecendo por todo o estado”, explica Willams Araújo, assessor da entidade. O mundo online ligado ao mundo político vem trazendo benefícios pra todos os lados. Os políticos estão interagindo mais com a população e por meio do computador, a população passou a ficar mais informada do que está acontecendo no mundo político do país.


Em foco edição nº 151 02 de agosto de 2012 (2)