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Ano IX - Edição Nº 144 Outubro de 2011

Foto: Rafael Monge

TOC: a incontrolável vontade de repetir... repetir... repetir... tadores para aliviar os pensamentos obsessivos, não sabe o sofrimento que a doença causa. Lavar diversas vezes as mãos até se ferir, ser obrigado a organizar simetricamente objetos, rasurar ou

S a ú d e - Jovens brincam com fogo ao iniciarem o uso de tabaco e álcool em casa ou na escola

Com álcool na cabeça e cigarro no pulmão Álcool e Tabaco. Drogas lícitas que fazem a cabeça de uma geração de jovens, influenciada pela falsa sensação de liberdade que o ato de fumar e ingerir bebidas alcoó-

licas proporciona. A solução para o problema que pode prejudicar a saúde futura desses adolescentes, passa pela política de vendas, educação familiar e conscientização escolar.

Educadores se preocupam em como informar sobre os malefícios do cigarro ao aluno que fuma indiscriminadamente nos pátios das escolas. Pág. 06

Uso de ipads em viaturas pode agilizar segurança Pág. 12

Foto: Gabriel Lopes

ÍNDICE CADERNO A

Opinião

Entrevista Política Geral Universidade Nosso Foco

02 03 04 05 07 08

CADERNO ZOOM

Cultura Esporte

Futuridade

09 11 12

F l a s h M o b - No meio da Praça de alimentação começa a dança

Mobilizações relâmpago da internet quebram rotina em Campo Grande Manifestações inusitadas que invadem a vida das pessoas em espaços públicos. Esses são os flash mobs, surgidos no final do século passado e cada vez mais em moda na Capital de Mato Grosso do Sul. Organizados de forma virtual na internet

os flash mobs podem levar dança para uma praça de alimentação no shopping ou realizar uma incrível guerra de travesseiros na praça central. Não importa o tema e a ação o que os manifestantes querem é quebrar a rotina. Pág.08

Foco o médico psiquiatra do Hospital Nosso Lar, de Campo Grande, Kleber Franscisco Meneguel Vargas explica sobre as causas da doença e como funciona o tratamento. Pág.03

Hipismo precisa de patrocínio Uma dupla feita de equilíbrio e precisão. No hipismo cavaleiro e cavalo se completam e proporcionam um espetáculo de beleza, concentração e postura. O esporte que há três décadas é praticado em Campo Grande traz benefícios psicológicos e físicos a quem pratica. É preciso cuidar muito bem do cavalo, custos com alimentação e o acompanhamento de médicos veterinários ao animal encarecem o esporte. Mesmo sendo tradicional no Estado o hipismo regional enfrenta a falta de patrocínio. Mas a paixão dos atletas mantém o hispismo vivo na Capital. Pág. 11

Escolha: carreira artística ou estudos? Eles desenvolveram desde a infância o talento para a música enquanto frequentavam paralelamente os bancos escolares. Depois que cresceram, tanto nos palcos quanto na vida, precisaram decidir se continuavam os estudos. Ter outra formação profissional pode garantir a sobrevivência às instabilidades da carreira artística. Mas não são todos os músicos que conseguem conciliar as agendas de shows com as aulas na Universidade. Pág.09

Foto: Thaiany Regina da Silva

CAMPO GRANDE - OUTUBRO DE 2011

Foto: Luane Morais

rasgar diversas vezes uma folha escrita e começar tudo de novo, são alguns dos temas que portadores do TOC desenvolvem em suas repetições compulsivas. Em entrevista ao jornal-laboratório Em

M u i t o t r e i n o - Equilíbrio e beleza são características do hipismo

Foto: Waleska Corrêa

M FOCO

Os sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) são encarados por muitos como simples manias e viram alvo de chacota. Quem brinca com as ações repetitivas realizadas pelos por-


Saúde do leitor Como prevenir? Quais os sintomas e as formas de tratamento? Que doença é essa? São muitos os questionamentos de uma sociedade que tem medo da

morte e busca intensamente informações para se livrar dela. Os jornalistas, nos variados veículos de comunicação tentam responder a tantos questionamentos sobre doenças. E é cada vez mais comum o predo-

crônica

A Solidão

Luis Augusto Akasaki

CAMPO GRANDE - OUTUBRO DE 2011

EM FOCO

surge do próprio aluno, que decide qual a história quer contar, baseado no que está aprendendo sobre os critérios de noticiabilidade e interesse público. Nesta edição dois assuntos ganharam destaque na visão dos estudantes: o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e os males do álcool e tabaco para a saúde de adolescentes usuários. Os aprendizes de

Foto:3.bp.blogspot.com

jornalismo sabe ler o que está ao seu redor e recortar o que é importante para ser contado ao leitor. Saúde é sim, um tema que interessa à audiência e significa uma pausa para o jornalista acusado de só apresentar o ruim do mundo. Diferente disso, as pautas sobre saúde informam sobre como viver bem, amenizar e prevenir as dores físicas e psicológicas dos nossos caros leitores!

Aterrorizados pelo consumo Ben-Hur Oliveira

ainda mais solitárias, mesmo que esteja acompanhado, com certeza o sentimento de vazio sempre permanecerá, pelo menos até que se entenda que os valores humanos ainda são os mesmos, ou que o céu sem estrela não possui sentido algum. Já que falei de uma maneira metafórica, vou exemplificar um pouco mais neste mesmo sentido. Uma estrela sozinha, parece não ter significado algum seria apenas um pontinho reluzente em meio a um mar de escuridão, mas várias, dezenas, centenas e milhares dessas, podem acreditar, fazem toda a diferença. E assim somos nós, seres humanos, sozinhos não somos nada, mas juntos formamos um espetáculo a parte, não pelas nossas formas, mas pelo brilho da nossa alma que transcende através de nossos olhos, ao saber que não estamos ali sozinhos. Estamos carentes de companheirismo, de saber que haverá alguém ali para te dar a mão se preciso for, sem que você precise pedir, que reconheça que você esta precisando dela apenas pelo olhar, por gestos miúdos, aqueles que somente quem realmente se importa possui a capacidade de perceber, não adianta ter centenas de “seguidores” ou “amigos” nas páginas virtuais, se não tiver ninguém que esteja ali para te dar um abraço espontâneo, que sorria do seu sorriso, que

jornalismo entenderam que há uma real necessidade pública de receptar informações sobre as enfermidades que afligem corpo e mente. Os leitores querem entender e aprender sobre como manter seu bemestar. Para os jornalistas, decidir o que vai ser publicado em um jornal não é tarefa fácil, afinal são milhares de acontecimentos permeando a vida humana todos os dias. Mas quem pratica

resenha

O P I N I Ã O

Nos últimos meses tenho observado que as pessoas estão cada vez mais solitárias. Não digo por serem solteiras, estou falando de solidão e não de estado civil. Aliás, este é um grande equívoco. Estar com alguém, não significa não ser um solitário, e não ser solitário não quer dizer que a pessoa possui um relacionamento estável. Quantas pessoas que eu convivo se queixam de estarem sozinhas, procurando um “por quê?”, habituando-se um conflito interno interminável, e que por fim acabam sempre colocando como objeto de suas frustações a condição social e/ou financeira; ou então o fato de não permanecerem a um protótipo de beleza globalizado. Não quero discorrer pelo funcionalismo que vivemos na contemporaneidade, mas sim nas consequências acarretadas por um sistema ilusório que fomentou o desejo por uma vida superficial, que só faz alimentar o ego, substituindo o “sentir” pelo “querer”. É como se o céu fosse vazio, sem estrelas, apenas o breu da noite, sem qualquer significado ou sentido. Toda vez que saio de casa e vou para a faculdade, para o shopping ou então a bares ou boates; gosto de observar as pessoas e suas atitudes, não que eu queira julgá-las, apenas compreender determinadas situações e atitudes, vejo pessoas à procura de alguém; mas alguém que alimente seu ego e não que preencha sua vida. Lugares cheios de pessoas bonitas, bem vestidas, rostos marcados por um conjunto de formas simétricas que resultam em uma beleza única, mas com os olhos vazios, um reflexo de suas almas. São pessoas que chegam ali sozinhas e acabam por saírem

mínio das pautas sobre saúde nas telas da televisão, computadores e nas páginas do jornalismo impresso. Será que tanta informação assim, girando em torno de doenças, não alimenta exageradamente o hipocondrismo da sociedade? Nossos estudantes estão aprendendo a escolher entre os infinitos temas que fazem parte do cotidiano. No jornal-laboratório Em Foco a ideia de pauta

enxugue suas lágrimas com o dedo indicador levemente curvado, que sinta o seu cheiro e não o perfume que esta usando, ou até mesmo que esteja ali presente, sem fazer ou dizer nada, mas que faz toda a diferença pra você. Vivemos cada vez mais correndo contra o tempo, ao invés de aproveitarmos ele da melhor maneira, de nos deixar sentir pelas emoções, mesmo que seja de maneira simples e humilde. Sei que alguns ao ler esta crônica vão pensar que eu sou uma pessoa sozinha e infeliz, mas pelo contrário, se hoje eu consigo captar esses sinais a ponto e escrever e querer compartilhar é porque tive coragem de enfrentar o vazio que havia dentro de mim e buscar por respostas verdadeiras, me deixei sentir, mesmo que isso me deixasse mais vulnerável ou viesse a trazer algumas lágrimas, eu encarei essa realidade de que eu não sou autossuficiente. Muitos acham esses sentimentos antiquados, cafonas ou até mesmo retardados, mas são estes sentimentos ridículos que nos fazem humanos, é melhor arriscar viver parecendo um louco, do que viver uma sanidade frustrante. Uma vez Arnaldo Jabor disse uma frase muito sábia: “Antes idiota que infeliz!”, alguém aí discorda?

Surplus: Terrorized into being consumers’ é um documentário com duração de 54 minutos, lançado em 2003, dirigido e escrito por Erik Gandini. O documentário utiliza-se da edição e remixagem de imagens e áudios, de forma satírica e em um ritmo frenético, para mostrar diferentes pontos de vista sobre o consumismo. O documentário começa com um discurso do ex-presidente cubano Fidel Castro que aborda o consumismo e suas consequências para o meio ambiente e para a sociedade, o desenvolvimento sustentável e a necessidade de compartilhamento de bens entre todas as nações, acompanhado de imagens de destruição e violência sobre movi-

mentos sociais e repreensão. Filósofo e escritor norte-americano, John Zerzan fala sobre a dependência do consumo. “Trabalhar constantemente e consumir constantemente. É loucura. Está destruindo tudo, vai tudo desaparecer”, argumenta. Zerzan critica o consumismo, e conta que quando a tecnologia surgiu esta tinha o propósito de facilitar o trabalho das pessoas e fazer com que estas trabalhassem menos, mas para o filósofo, as pessoas não conseguem viver longe delas e acabam trabalhando cada vez mais. O estímulo ao consumo por meio da publicidade e propaganda também é abordado. O pensamento de que é preciso comprar para ser feliz frustra as pessoas que não têm condições financeiras e sustenta o círculo vicioso dos consumistas. Em

um mundo onde as pessoas estão cada vez mais plásticas e vazias, é mostrada uma empresa que produz bonecos eróticos feitos com materiais especiais, com o valor chocante de 6 a 7 mil dólares. Refletir sobre como estamos vivendo em sociedade e entender o contexto por meio de diferentes pontos de vista é fundamental para a garantia de que o planeta continue existindo. O excesso de consumo de recursos naturais e a destruição do meio ambiente devem ser debatidos, pois se a sociedade atual chegou a este ponto, imagine como estarão as futuras gerações, que estarão ainda mais integradas com a tecnologia e fazem parte deste modelo de consumo que tornou-se globalizado.

resenha Ferramentas digitais Ben-Hur Oliveira Em uma iniciativa do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, da Universidade do Texas em Austin, o ebook ‘Ferramentas digitais para jornalistas’ procura abordar por meio de textos, imagens e muitos links, como os jornalistas podem aproveitar a internet para encontrar dados, fontes, interagir e compartilhar. Escrito pela jornalista e docente Sandra Crucianelli, o livro eletrônico foi traduzido para o português por Marcelo Soares e lançado em 2010. O livro tem como objetivos ajudar os jornalistas a aprenderem a buscar e processar as informações por meio da internet, onde é possível encontrar uma enorme quantidade de fontes. Crucianelli acredita que os jornalistas deveriam ter a obrigação de estudarem, compreenderem e praticarem a habilidade de realizar ‘buscas eficientes e operar os recursos online com perícia’. Com a socialização da internet, segundo a autora do livro, jornalista especializada em jornalismo investigativo e jornalismo de precisão, os jornalistam pas-

saram a contar com a colaboração dos usuários para apurar as informações, além de possibilitar aos cidadãos o compartilhamento de conteúdos de interesse social. Crucianelli argumenta que o jornalista online precisa se familiarizar com elementos básicos como hardware, software, formatos, idiomas, critérios de avaliação, critérios de classificação e critérios eficientes de busca. Quanto mais contato com as ferramentas digitais, o jornalista consegue com mais facilidade realizar buscas avançadas e interpretar os resultados sem abrir os sites, o que é bom, pois poupa bastante tempo. A autora cita três diferentes ferramentas de busca e lista alguns exemplos: diretórios (lista de websites por temas); buscadores (recuperação de informações, “o resultado remete à página exata, dentro do site, que contém os parâmetros solicitados na janela de busca”); metabuscadores (“buscadores avançados, que permitem a recuperação de sites a partir de buscas em paralelo, cruzando a informação trazida por buscadores separados”).

Ilustração:3.bp.blogspot.com

Editorial

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Quanto mais filtrada a busca (50 a 100 resultados no máximo), melhores os resultados. No livro você confere formas de filtrar a busca, por exemplo por meio do Google, para conseguir os resultados mais relevantes possíveis ou de acordo com o que está procurando, blogs, imagens, documentos, livros etc. Também são abordados no livro: a organização e marcadores sociais, busca por documentos oficiais, mídias sociais e formas de d istribuições de conteúdo na web, ferramentas de estatísticas, ferramentas online, web semântica, visualização de dados, novas mídias, além de muitos links interessantes.

EXPEDIENTE

Projeto Gráfico e tratamento de imagens: Designer - Maria Helena Benites Em Foco – Jornal laboratório do curso de Jornalismo da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) Ano IX - nº 144 – outubro de 2011 - Tiragem 3.000 Obs.: As matérias publicadas neste veículo de comunicação não representam o pensamento da Instituição e são de responsabilidade de seus autores. Chanceler: Pe. Lauro Takaki Shinohara Reitor: Pe. José Marinoni Pró-reitoria de Ensino e Desenvolvimento: Conceição Aparecida Butera Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação: Hemerson Pistori Pró-reitoria Extensão e Assuntos Comunitários: Luciane Pinho de Almeida Pró-reitoria de Pastoral: Pe. Pedro Pereira Borges Pró-reitoria de Administração: Ir. AltairGonçalo M. da Silva

Coordenador do curso de Jornalismo: Oswaldo Ribeiro Diagramação: Jacir Zanatta e Maria Helena Benites Jornalistas responsáveis: Jacir Alfonso Zanatta DRT-MS 108 e Cristina Ramos DRT-MS 158

Capa e Anúncios: Agência + Comunicação (Publicidade e Propaganda)

Revisão: Acadêmicos do 6° semestre de Jornalismo

Impressão: Jornal A Crítica

Edição: Jacir Alfonso Zanatta

Em Foco - Av. Tamandaré, 6000 B. Jardim Seminário, Campo Grande – MS. Cep: 79117900 – Caixa Postal: 100 - Tel:(067) 3312-3735

Professor da Disciplina de Jornalismo Ambiental: Jacir Zanatta Repórteres: Alessandro Veiga, Aliny Mary Dias, Ben-Hur Oliveira, Dayane Parron, Everlyn Navarros, Gabriel Gomes, Jéssica Galvão, Júlia de Aguiar, Jr Cordeiros, Karla Machado, Laiane Paixão, Leandro Abreu, Lismabel Gimenes, Luane Morais, Luis Augusto Akasaki, Maria Izabel Costa, Marithê Lopes, Mayara Bueno, Michelle Machado, Mirella Gimenez, Paula Gomes, Rafael Monge, Rafael Nantes, Taryne Zottino, Thaiany Regina da Silva, Vinícius Nunes e Waleska Corrêa.

Em Foco On-line: www.jornalemfoco.com.br Home Page universidade: www.ucdb.br E-mail: pauta@ucdb.br emfoco.online@yahoo.com.br


Entrevista

03

Entenda como pessoas são obrigadas a repetir compulsivamente ações devido a pensamentos obsessivos

Toc Toc Toc Toc Toc Toc Toc Toc Transtorno Obsessivo Compulsivo, o TOC, é uma doença geralmente crônica que atinge ao longo da vida de 2 a 3% da população. Causado por pensamentos obsessivos, o TOC gera muito sofrimento para as pessoas que o desenvolvem. Para explicar mais sobre essa doença, o jornal Em Foco conversou com o médico psiquiatra do Hospital Nosso Lar, de Campo Grande, Kleber Franscisco Meneguel Vargas. Ele explica um pouco da doença e comenta como funciona o tratamento.

Em Foco: Quais os sintomas do TOC? Dr. Kleber Vargas: Cada indivíduo tem sua temática.

Em Foco: Qual o tratamento para o TOC e quanto tempo leva o tratamento? Dr. Kleber Vargas: Para que comece o tratamento ocorre, primeiramente, uma entrevista com cada paciente, para identificarmos qual o tipo e grau desse transtorno que a pessoa tem. Esse tratamento basicamente é com o uso de medicamentos e terapia, mas depende mais da pessoa do que dos medicamentos. Infelizmente, na maioria dos casos, esse transtorno é crônico, ou seja, a pessoa não vai estar curada totalmente, ela vai começar a controlar mais suas “manias”. Existem alguns casos em que o paciente com os medicamentos e com a terapia, que dura um pouco

S i n t o m a s - Pacientes de TOC têm temáticas diferentes para suas “manias” que aliviam a ansiedade, como não pisar em riscos Foto: Leandro Abreu

mais de tempo, geralmente de um a dois anos no mínimo, consegue ter uma resposta melhor, mas infelizmente a maioria dos pacientes não é assim. Em Foco: Quais os tipos de pessoas mais atingidas por essa doença? Dr. Kleber Vergas: A doença tem a faixa etária adulta como mais comum, mas você pode encontrar esses tipos de transtornos em crianças e idosos também, mas é importante quando o caso é em crianças, que seja um psiquiatra infantil que faça o diagnóstico, porque existem algumas fases da vida da criança que não significa que ela tenha TOC. A faixa entre os 20 e 30 anos são as mais comuns, mas não quer dizer que não existam em outras idades. Em Foco: Como é o tratamento farmacológico do TOC? Dr. Kleber Vargas: No tratamento são usados basicamente os medicamentos antidepressivos, porque esses remédios não atuam apenas na depressão, eles também atuam na ansiedade da pesFoto: Leandro Abreu

I g u a l d a d e - Alguns portadores de TOC têm obsessão pela simetria dos objetos e precisam organizá-los

M o t i v o s - Segundo o médico Psiquiatra Kleber Meneguel as causas do TOC são diversas

soa, atuam em uma série de fobias, nos transtornos póstraumáticos, na depressão bipolar. Mas no caso do TOC as doses são maiores comparando com a depressão, e o tempo de resposta também. Em Foco: Todos os portadores da doença precisam de psicoterapia? Dr. Kleber Vargas: Ela é uma psicoterapia que tem começo, meio e fim. Isso vai variar de acordo com a intensidade dos sintomas e da resposta de cada paciente, e até mesmo do grau de engajamento que o paciente vai ter na Teoria Cognitiva Comportamental, por que esta exige um pouco mais do paciente e depende muito dele.

não usar de ameaças e não deixar de castigo no caso se for criança, não fazer gozação, pois o indivíduo sofre muito com isso. Em Foco: Quais as causas do TOC? Dr. Kleber Vargas: A doença tem uma base biológica muito importante, são alterações neuroquímicas que fazem com que os pacientes desenvolvam esses sintomas.

“São pensamentos obsessivos que a pessoa não tem controle”

Em Foco: Como a família pode ajudar a pessoa que desenvolveu o TOC? Dr. Kleber Vargas: Primeiramente não deve criticar,

Existem também evidências de indivíduos que já sofreram acidentes vasculares ou traumatismo craniano apresentaram sintomas de TOC. Também infecções de gargantas repetitivas em crianças causadas por uma bactéria chamada estreptococos quando não tratadas, pode fazer com que alguns indivíduos

desenvolvam uma resposta autoimune que vai afetar umas partes do cérebro fazendo com que desenvolvam o TOC. Há também casos de crianças que são tratadas rigidamente pelos pais, que não permitem que a criança erre, acabaram adquirindo características da doença. Em Foco: Quando suspeitar ser um portador de TOC? Dr. Kleber Vargas: Começar a notar padrões repetitivos de comportamentos como, por exemplo, lavar excessivamente as mãos, ficar repetindo se as portas ou janelas estão fechadas, se preocupar muito com sujeira e limpeza querendo limpar toda hora. Pessoas que se preocupam com simetria de margens, não pisam em riscos, pessoas que têm rituais antes de fazer qualquer atividade, enfim estes são alguns exemplos de como identificar o TOC.

CAMPO GRANDE - OUTUBRO DE 2011

Em Foco: O que é o transtorno obsessivo compulsivo? Dr. Kleber Vargas: O TOC é um transtorno mental que basicamente tem duas características. São pensamentos obsessivos que a pessoa não tem controle, que geralmente causam muita ansiedade. E a temática geralmente é assim: tem a ver com doença, com contaminação, com morte de um ente querido, e isso gera muita ansiedade. O comportamento compulsivo, é aquele comportamento repetitivo e também difícil de controlar, que no primeiro momento diminui a ansiedade do paciente e faz com que ele muitas vezes tenha um comportamento compulsivo para bloquear os pensamentos obsessivos. Um exemplo é aquele paciente que tem um pensamento obsessivo por contaminação, ele pensa que vai se contaminar pegando nas coisas, que vai pegar uma doença, isso causa um comportamento repetitivo. Normalmente esse indivíduo fica lavando demais as mãos ou fica tomando banho demais.

Depende da “mania”. Existem pacientes com mania de limpeza, lavar excessivamente as mãos, simetria (que ficam o tempo todo arrumando as coisas). Um exemplo são as pessoas que chegam ao ponto de lavar tanto as mãos, que acabam se ferindo. Outro sintoma que podemos perceber são naquelas pessoas, por exemplo, na sala de aula, que acabam errando ou rasurando quando estão escrevendo, e chegam ao ponto de rasgar a folha e começar tudo do zero em uma nova folha.

M FOCO

Leandro Abreu Rafael Monge

E N T R E V I S TA

Foto: Rafael Monge


Rotina

04

Dos 24 deputados estaduais que ocupam cargos na Assembleia de MS, dez estão no cargo pela primeira vez

“Calouros” da Assembleia encaram desafios da política Gabriel Gomes Taryne Zottino

EM FOCO

CAMPO GRANDE - OUTUBRO DE 2011

P O L Í T I C A

Neste ano, dos 24 deputados estaduais que ocupam a Assembleia, 10 estão no cargo pela primeira vez. Há mais de nove meses no cargo, os deputados “calouros” têm noção da responsabilidade com os cidadãos e com o Estado. Já estão adaptados à rotina e trâmites da Assembleia Legislativa. Nesta reportagem, três deputados novatos falam a respeito de suas eleições, suas vidas e seus planos de trabalho. Eduardo Rocha (PMBD) tem 44 anos e é representante da cidade de Três Lagoas. Pecuarista e formado em economia pela Faculdade de Economia de Andradina, sua meta é o desenvolvimento industrial de todo MS tendo como exemplo o seu município. Para Eduardo, o que mudou em sua vida foi o aumento da responsabilidade. “Quando você entra na vida pública, você é co-

Foto: Gabriel Gomes

ca”. Segundo Mara, a política é “o extremo da decepção e o extremo da alegria”. Para ela, as pessoas hoje em dia estão generalizando todos os políticos como pessoas corruptas, o que decepciona. Porém, existem as alegrias e vantagens da vida pública. “A grande vantagem é você saber que pode ser uma ferramenta de transformação de uma sociedade”, acredita. Nessa legislatura também são calouros na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul: Alcides Bernal (PP ), Márcio Monteiro (PSDB), Cabo Almi (PT), Felipe Orro (PDT), Lauro Davi (PSB).

Como funciona a Assembleia?

M i s t u r a - Deputados experientes que já têm décadas de mandatos legislativos dividem as sessões com parlamentares novatos no ofício

brado no trabalho e nos fins de semana”. Com um projeto já aprovado em primeiro turno, ele acredita que os projetos que são apresentados devem resolver os problemas da sociedade. Formado em Ciência da Medicina, na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, George Takimoto (PSL), de 70 anos, é um dos políticos que ainda exerce a pro-

fissão de sua formação. Há 42 anos exercendo medicina na cidade de Dourados, ele intercala sua semana entre a vida política e a vida médica. George acha a política uma atividade de grande desafio, porque segundo ele, o político muitas vezes é confundido com um corretor de consultas, corretor de emprego e assistente social por seus eleitores e seus familiares. “O político tem que ser trabalhador e desprendido para

poder ajudar o próximo”, define Takimoto. Já veterano na política, diz que quebrou um dos conceitos que as pessoas atribuem ao político, de que para estar na política é preciso ter uma vida pública ativa, pois após 20 anos afastado conseguiu se eleger como deputado estadual. Mara Caseiro (PT do B), de 46 anos, uma das duas mulheres que está na Assembleia do Esta-

do, também tem história na política, já foi prefeita e vereadora de Eldorado. Formada em Odontologia pela Universidade do Oeste Paulista de Presidente Prudente (Unoeste), hoje não executa mais sua profissão de formação. “Acredito que quando você faz uma coisa, tem que ser feito com muita dedicação. Eu adorava minha profissão e foi através dela que eu entrei na vida políti-

A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul existe desde 1979 e esta é a 9ª legislatura em MS. O cargo de Deputado Estadual é válido por quatro anos, mas o candidato pode se reeleger várias vezes. De quatro em quatro anos são escolhidos os parlamentares que ocuparão cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Vereadores. Na Assembleia Legislativa, o deputado estadual tem como função propor, emendar, alterar, legislar e revogar leis estaduais. (T.Z e G.G)


Foto: Thaiany Regina

05

Rádios comunitárias Radialistas mantêm programação por amor à comunidade

Dedicação voluntária

nidade é essencial, pois a rádio para ser comunitária tem de ser do povo e estar aberta a todos os que quiserem expressar-se nela. “Os ouvintes entram em contato conosco para saber mais sobre assuntos ligados à saúde e a educação, mas também têm aqueles que querem anunciar sobre o desaparecimento de seus animais de estimação, ou para o serviço de achados e perdidos”, ressaltou Wesley.

G E R A L

Moreninhas Outra rádio comunitária atuante na capital é a FM Moreninhas, localizada no bairro Moreninha II – a região mais populosa da cidade – que teve sua primeira transmissão em 27 de julho 2003. De acordo com César Brito, diretor de marketing e locutor, um dos diferenciais da rádio é a atuação de profissionais graduados nas áreas de comunicação e até mesmo, os portadores de registro na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) por tempo de serviço e experiência nesta área. “O presidente da rádio é formado em Rádio e TV e os locutores, que apesar de não serem graduados, apresentam muita experiência de mercado”, afirma o diretor. No quesito relacionado aos salários eles não são correspondentes

Foto:Luis Augusto Akasaki

R e i v i n d i c a ç ã o - Profissionais das rádios comunitárias representam a voz dos cidadãos

ou competitivos aos valores de mercado, pelo fato das rádios comunitárias serem mantidas pelo apoio cultural e não terem um lucro como as grandes rádios comerciais. Um ponto destaque é a formação de profissionais, pois oferecem um início

para os futuros profissionais e formas de aprendizado para aqueles que desejam iniciar nos veículos de comunicação, além de inserirem profissionais que por algum motivo foram afastados do mercado. É o caso do locutor e apresentador Levi

COMPLEMENTARES

Educação: muito além da sala de aula Laiane Paixão Paula Gomes Há muito tempo se admite que educar não se limita apenas a ensinar o A, B, C ou cálculos de adição ou subtração. Essa difícil e importante missão, mais do que oferecer qualidade de vida por meio do conhecimento, reduzir desigualdade e promover o ser cidadão, é um compromisso de dignidade com as gerações futuras. A partir disso surge a necessidade de promover novas formas de ensino que somadas às disciplinas curriculares como Língua Portuguesa e Matemática, ajudem no aprendizado do aluno além de passar conceitos de cidadania. Nasceram assim as atividades complementares. As crianças que estudam no colégio Nossa Senhora Auxiliadora em Campo Grande além dos conteúdos em sala podem participar de atividades como robótica pedagógica, psicomotricidade, recreação, teatro, coral e filosofia além das práticas esportivas. “É um enriquecimento que ajuda não só na parte curricular, mas principalmente na vida, são atividades que contribuem na

construção da história do aluno”, explicou a diretora, Irmã Elizabethe M. Benevides. No simples ato de brincar, a criança está expressando alegrias, frustrações, desejos, vontades, angústias, além de demonstrar também seu crescimento cognitivo, emocional e motor. Por esses motivos há algum tempo a recreação é levada a sério em muitas escolas. “A recreação ajuda no trabalho em grupo, na interação entre os alunos, trabalha a postura interdisciplinar e integra conteúdo e áreas do conhecimento”, relata a coordenadora do 2º ao 5º ano, Edna Zakimi. A psicomotricidade é uma ciência aplicada às atividades educacionais recente no Brasil, aproximadamente 34 anos segundo a Associação Brasileira de Psicomotricidade, e é sustentada por três conhecimentos básicos: movimento, intelecto e afeto. Na educação infantil, essa atividade auxilia no desenvolvimento motor, equilíbrio e perda de timidez. “Trabalha a lateralidade, ou seja, os dois lados do corpo são estimulados nessa atividade, além de incitar a coordenação motora ampla. Na educação pode ser definida como uma educação física para as séries iniciais”, explica a auxiliar de coorde-

Foto:Laiane Paixão

B r i n c a d e i r a - A recreação complementa o aprendizado das crianças ao expressar sentimentos

nação e professora de psicomotricidade, Daniela Reis. Na busca pela formação humana, o Teatro, que por muitos já é considerado área do conhecimento, vem como uma forma para que os jovens se encontrem como cidadão. “O jovem aprende dentro das reuniões a fazer uma leitura pessoal do mundo e trazer situações do real para a fantasia, isso ajuda na oralidade, desinibição, concentração e disciplina, é um grupo de associacionismo”, comenta o coordenador da Pastoral e do Grupo de Teatro do Colégio Auxiliadora, Luis Gustavo Medeiros, que vivenciou com seu grupo a experiência de ganhar o primeiro lugar na categoria juvenil, no FETRAN Mato Grosso do Sul (Festival Estudantil Temático para o Trânsito). Trabalhando também com o Grupo Cidadania, que participa de palestras, doa-

ções a entidades, visitas em creches e parlamento jovem, o professor Luis Gustavo descreve a importância das atividades complementares na vida escolar. “As atividades fora da sala de aula estimulam o protagonismo juvenil, ajudam o jovem a se ver como autor da própria vida, se descobrir liderança e promove a partilha de valores”. Também destacando o valor dessas atividades Irmã Elizabethe esclarece: “O objetivo das atividades complementares é fortalecer o ‘Ser Cidadão’, a responsabilidade e o comprometimento com a sociedade através da alegria do espírito juvenil”, conclui a diretora. Outra forma de educar é através das atividades esportivas, essas devem complementar as outras matérias curriculares da escola, não se limitando apenas a quadra, para que as aulas

fiquem mais dinâmicas e interativas. Os exercícios além de estimular a motricidade corporal, auxiliam também na convivência dos alunos, fazendo com que eles pensem sempre no coletivo, pois o intuito é a participação de todos e não a competitividade. Segundo a educadora física Lucélia Costa, as atividades onde há muita movimentação são as mais recomendadas. “Para estimular que todos participem das atividades do começo ao fim podendo se trabalhar com os jogos cooperativos onde não existem perdedores, eliminando o medo do fracasso e fazendo com que todos participem das atividades, onde as crianças enxergarão o outro como parceiro de jogo e não como adversário”, finaliza a educadora.

Ferreira de 46 anos, “Casualmente vim trabalhar na FM Moreninhas como pedreiro e pintor, logo fiquei sabendo que a rádio precisava de um profissional. Então apresentei minha DRT de radialista e imediatamente fui contratado”, relembra o locutor com mais de 15 anos de profissão e que já atuou em rádios no Estado de Goiás e no município de Cassilândia, localizado aqui em Mato Grosso do Sul. Segundo o locutor, a comunidade se manifesta favorável aos conteúdos e a programação. “A rádio está desenvolvendo um bom trabalho e estamos recebendo muitos elogios dos ouvintes”, enfatiza Levi Ferreira. Os moradores da comunidade demonstram satisfação com a programação da FM Moreninha. “A rádio deixa a gente muito informado, porque muitas das vezes a televisão não mostra detalhes e acontecimentos do nosso bairro”, relata Fábio Oliveira de 29 anos, que trabalha como motorista e reside no bairro Moreninha II há 1 ano e meio. “A rádio presta um serviço de utilidade para os moradores e já observei muitas melhorias pra todos nós”, descreve Ivanir Sena, de 47 anos, dona de casa e moradora na região há mais de 20 anos.

CAMPO GRANDE - OUTUBRO DE 2011

As iniciativas das rádios comunitárias possuem um importante papel para o desenvolvimento das comunidades, por serem instrumentos de fácil acesso à população e capazes de interagir com toda a região onde atuam. Esses veículos de comunicação divulgam assuntos de interesse comum do bairro, tais como reuniões de associações e questões relacionadas à saúde e educação. Em Campo Grande, as cinco rádios comunitárias existentes enfrentam dificuldades diversas, colocando em risco a continuidade destas iniciativas. Mas sobrevivem com dedicação dos profissionais em benefício da comunidade ouvinte. Osias Martins, diretor da rádio Maracanã, que desde 2003 atende a população da região do bairro Guanandi, afirma que para manter uma rádio comunitária é preciso trabalhar com muito amor, porque as barreiras que eles enfrentam são muitas. “Este é um trabalho feito por amor, porque a sobrevivência de uma rádio comunitária nos dias de hoje não é fácil”. Os ouvintes utilizam a rádio como um instrumento de voz para reivindicação com rela-

ção aos seus direitos; para melhoria da qualidade de vida, além de usufruírem do entretenimento oferecido. Semelhante às demais rádios comunitárias, a FM Maracanã enfrenta grandes obstáculos, sendo o principal deles, a falta de recursos e de incentivos financeiros. Uma vez que, sob nenhuma circunstância pode-se inserir propaganda de cunho comercial; exceto sob a forma de apoio cultural através dos estabelecimentos localizados na sua área de cobertura. Durante a programação musical, os locutores utilizam os intervalos para promover o desenvolvimento cultural, o convívio social e a divulgação de eventos locais, além de noticiar os acontecimentos comunitários e de utilidade pública; exercendo a sua principal característica, o exercício pleno da cidadania em benefício da comunidade. Wesley Paiva, locutor de rádio há 10 anos, e que atualmente possui um programa no período matutino na rádio Maracanã, afirma que a participação do público é grande, tanto por telefone quanto pela internet, apesar do alcance da rádio ser pequeno, se comparado com as grandes emissoras comerciais da capital. A participação da comu-

M FOCO

Luis Augusto Akasaki Thaiany Regina da Silva


06 Comportamento

Primeiro contato com o álcool acontece em geral dentro de casa e pode se transformar em doença

Risco de alcoolismo inicia cedo Jéssica Galvão Mayara Bueno

G E R A L

Levados pela falsa sensação de liberdade e de popularidade, muitos jovens iniciam a juventude junto com a ingestão de bebidas alcoólicas. Os prejuízos são vários, além de péssimo hábito para a saúde, a bebida alcoólica é um dos responsáveis pela destruição de várias famílias. Pouca fiscalização e o fato de adolescentes terem o impulso de experimentar o desconhecido facilitam a entrada em uma vida que pode causar muitos danos a sociedade e principalmente a quem consome. Hábitos inocentes como tomar champanha no ano novo ou uma cerveja no almoço de domingo são apontados pelo psicólogo Renan da Cunha Soares como alguns dos fatores facilitadores para que o jovem tenha o primeiro contato com o álcool. “Esses aspectos são culturais, muitos jovens tem o primeiro contato com o álcool dentro de casa”, explica o psicólogo. Ele afirma ainda que também existem aspectos sociais envolvidos. “O jovem quer incluir-se no grupo, e se ele não bebe é considerado “mané”, uma pessoa diferente, como se o normal fosse beber”, ressalta. Com vários aspectos envolvidos na questão, os pequenos hábitos

considerados normais, como beber em almoços, pode se tornar um grande problema. Quando o jovem não vê limites e considera a ingestão excessiva do álcool algo normal, as chances de futuramente se tornar um alcoólatra aumentam. “O álcool tornou-se frequente em minha vida a partir dos 18 anos de idade e prolongou-se por uma caminhada de 19 anos com muitos prejuízos físicos, morais e espirituais”, conta (nome dele) que há aproximadamente 25 anos não ingere nenhuma bebida alcoólica. Ele ainda relata que a sensação de ser adulto foi um dos fatores que fizeram com que ele e boa parte da juventude de sua época começassem cedo com o álcool. “No meu tempo iniciava-se mais na juventude, muitas vezes o jovem era levado pela euforia de sentir-se adulto, com um cigarro entre os dedos e um copo de bebida preferencialmente alcoólica na mão. Hoje, entendo isso como ato de pura vaidade e ilusão”. Causas São várias as questões a serem analisadas quando o assunto é consumo de álcool: política de vendas, educação familiar e conscientização escolar sobre o assunto, são maneiras de evitar o consumo exagerado que dividem opiniões. “Nós temos hoje uma família muito menos presente, são novas organizações familiares que trabalham muito e, portanto menos contato com os filhos. Dessa forma é relegado para a escola coisas que deveriam ser ensinadas em casa”, opina o psicólogo. Muitos jovens mesmo achando o uso do álcool algo negativo fazem o uso

dele pelo menos uma vez por semana, e a maioria dos jovens prefere os destilados, que é mais prejudicial por se tratar de uma bebida que contem maior teor alcoólico. “Não acho muito legal beber tão cedo, mas bebo porque curto o gosto da bebida e não por influência. Bebendo com responsabilidade acho que não tem problema”, relata o jovem que prefere não se identificar. Ele diz que começou a beber por volta dos 15 anos de idade. Certo ou errado existem vários casos nos quais o consumo de bebida alcoólica destruiu famílias e acarretou outros problemas por quem consumiu em excesso. Depoimento de quem entende sobre o assunto dá uma dica para que os jovens fiquem alerta à este tema. “Nada contra quem bebe ou já bebeu. Se alguém bebe moderadamente ou consegue parar de beber quando acha que já bebeu o suficiente, parabéns. Caso contrário, há grandes chances de se tornar um bebedor compulsivo e sujeito às consequências desastrosas do alcoolismo que comprovadamente envolvem os mais diversos tipos de derrotas e fracassos”, aconselha José Batistoti. Apologia Hoje em dia é muito comum escutarmos letras de músicas que fazem apologia ao consumo de álcool, e o mesmo acontece com propagandas que passam para os consumidores, uma ideia de que é bom o álcool, e o consumo deste positivo. “São aspectos culturais, ver o consumo como fator positivo. Passamos a ter uma cultura permeada que o consumo de álcool é bom, a sociedade

Foto: Arquivo Pessoal Foto: Paula Maciulevicius

Tu r m a - Fatores sociais, como se inserir em grupos de amigos também influenciam no consumo

acaba achando certa essa atitude”, explica o psicólogo Renan. Dessa forma o consumo de

EM FOCO

CAMPO GRANDE - OUTUBRO DE 2011

Hábito de fumar pode começar na escola Lismabel Gimenes Luane Morais Amigos, propagandas, festas, bares, filmes e pessoas mais velhas fumantes, tudo isso atiça a curiosidade dos jovens em todo mundo. O jovem é apresentado muito cedo ao “tabagismo”, na escola, sem que seus pais tenham conhecimento de quais substâncias seus filhos podem estar consumindo. Pessoas que começam a fumar precocemente têm uma maior dificuldade de largar a dependência do tabaco. “Y”, é aluno do ensino médio de uma escola pública de Campo Grande e aos 16 anos já está viciado no cigarro. “Comecei aos 11 anos, e já viciei. Por influência dos meus pais que são fumantes. E não sabem que eu fumo.”

Foto: Luane Morais

M a l e s d o f u m o - Educadores tentam conscientizar estudantes

Diretora de uma escolapública da Capital, Cleide Moraes Deduch, luta contra o tabagismo entre os alunos, uma tarefa contínua e muito preocupante. “A luta é diária. Minha preocupação é porque hoje existem vários adolescentes que estudam no período da tarde e fumam sem se preocupar com a presença de algumas crianças durante o mesmo período”.

Uso contínuo do cigarro envenena organismo O tabagismo é a prática de consumir cigarros ou outros produtos provenientes do tabaco, cujo seu princípio ativo é a nicotina. A fumaça do cigarro é uma mistura de mais ou menos 4,5 mil substâncias tóxicas diferentes, que atuam em diversos órgãos do corpo humano. Sendo as principais: Nicotina, Benzopireno, Substâncias radioativas

(polônio 210 e carbono 14), Agrotóxicos, Solventes, Metais (chumbo e cádmio), Níquel e Arsênico. O hábito de fumar pode causar mais de 50 doenças diferentes, principalmente as cardiovasculares, mortes por cânceres como o de boca, pulmão, laringe, esôfago, como também doenças respiratórias, e até impotência sexual. Como o tabaco diminui as defesas no organismo, o fumante fica vulnerável também a ser acometido por doenças como a gripe e tuberculose.

Cleide vê que apenas os seus esforços não a permitem vencer essa luta. As escolas atualmente não dispõem de nenhum projeto de conscientização contra o tabagismo. “Não temos nenhum projeto, mas conversamos com os alunos, conscientizando-os sobre o tabagismo”, explica a diretora. Fora da escola, o tabagismo na adolescência pode ocorrer por vários outros fatores, um deles é a mídia tendenciosa ao cigarro. As novelas, a publicidade e os filmes associam a ideia de fumo com pessoas bonitas, ricas e alegres, o que influencia, e muito, na decisão do jovem a começar a fumar. É o que explica o psicólogo e professor do Curso de Psicologia na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Eduardo Pelliccioli. “A busca por uma identidade e pela aceitação em um grupo social faz com que o jovem busque no cigarro uma auto-afirmação.” Segundo Eduardo, o hábito de fumar pode acarretar em problemas que vão além dos físicos, mas mentais. “O fato da pessoa ter que usar um objeto para se sentir melhor é um problema que no fu-

turo pode ter conseqüências sérias”. Alguns jovens julgam ter total controle da situação, podendo parar de fumar quando quiserem. Porém, o corpo acaba tornando-se depende físico das substâncias contidas no cigarro. Quanto maior a quantidade, maior o vício, consequentemente mais difícil será afastar-se desse mal. O fumante começa com alguns cigarros por dia, mas quando se dá conta, já dobrou ou triplicou esse número. O aluno “Y” fumava apenas em festas para se divertir entre os amigos, mas hoje já assume o cigarro como vicio. “Fumo um maço de cigarros a cada dois dias.” O cigarro é muito acessível aos jovens, que apesar da Lei Nº 10.702/2003 que proíbe a venda de cigarros e bebidas alcoólicas a menores de 18 anos, conseguem adquirí-los, sem comprovar a idade por meio de documentos. Assim acontece com “Y”que mantém seu vício sem dificuldade. “É fácil comprar o cigarro, eu tenho cara de velho. Às vezes não pedem o documento, só em lugares movimentados.” O fumo entre os jovens começa com um simples cigarro e levam muitos a experimentar drogas mais pesadas. Nas escolas uma forma adequada de conscientização. Muitos adultos começaram a fumar durante a adolescência, isso pode ocorrer por vários fatores. Com a dona de casa Rozeli Leite, de 38 anos, o exemplo não veio da escola, mas sim de dentro de casa. “Comecei aos 14 anos, acendendo cigarros para uma irmã mais velha.”

álcool ganha na propaganda e em certas músicas um incentivo, já que nelas o consumo é revestido de coisas positi-

vas. “Acaba servindo como incentivo sim, beber passa a ser visto como legal”, finaliza o psicólogo Renan da Cunha.

INVERNO

Solidariedade aquece carentes Michelle Machado Mirella Gimenez A estação mais temida do ano bateu à nossa porta já se despediu: o inverno. Em meio às noites frias e dias neblinados, nem todos têm a regalia de estar aquecido em uma casa bem estruturada, vestir agasalhos de boa qualidade ou ter uma alimentação adequada. O jeito é improvisar e esperar a solidariedade de pessoas dispostas a ajudar. Jacimara da Silva, de 34 anos, mora com o marido e seus sete filhos em uma casa de três cômodos no Bairro Rancho Alegre II em Campo Grande. A casa que abriga nove pessoas é sustentada pela única renda da família, a reciclagem. A catadora de lixo é natural de São Paulo e mudou-se com a família para a cidade ano passado. Para Jacimara, o inverno é a estação mais crítica que sua família tem que enfrentar. Pela falta de condições, a saída é esperar a solidariedade das pessoas, e improvisar. “Quando está muito frio, meu marido acende carvão em uma forma de alumínio e coloca no quarto. Dura a noite toda, é o que nos esquenta”, conta a mãe de família. Na Capital, o único refúgio de desabrigados e famílias sem condições, são as entidades beneficentes que ao decorrer do ano recolhem agasalhos e alimentos para atender a população carente nessa época do ano. Igrejas, albergues e órgãos públicos,

por exemplo, são referência em solidariedade. Em maio aconteceu o Ação Global, um exemplo de prestação de serviços que atende especialmente pessoas carentes, sem condições de realizar certos procedimentos. Em busca desses benefícios, Vilma Rodrigues de 29 anos, aproveitava todas as oportunidades que lhe eram oferecidas. Moradora do bairro Tarsila do Amaral, ela, o marido e seus três filhos residem em uma casa oferecida pela Agência Municipal de Habitação de Campo Grande (EMHA). Vilma e seu marido estão desempregados há dois anos e contam apenas com a ajuda de voluntários e o beneficio do bolsa família para sustentar os filhos. “São R$ 140,00 para a família toda, não temos condições nem de comer todos os dias, imagina dinheiro para comprar agasalhos”, declara ex-zeladora. Além de Vilma, outras mães de família entrevistadas no dia, reclamaram da situação da casa oferecida pela EMHA. As casas abrigam mais do que suportam, além de não serem forradas, o que as deixam mais frias no inverno. “A gente acaba passando frio, porque a casa é fria e também não temos condições de comprar abrigo. Eu prefiro passar frio do que me humilhar pedindo ajuda”, afirma uma moradora do bairro que preferiu não se identificar.


Fotos: Nyelder Rodrigues

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Tu r m a - Fatores sociais, como se inserir em grupos de amigos também inluenciam no consumo

Tu r m a - Fatores sociais, como se inserir em grupos de amigos também inluenciam no consumo

Domínio

Equipes de voleibol da UCDB vencem a Copa Campo Grande clássico contra a equipe da Anhanguera/Uniderp. Ambos os jogos foram realizados no Ginásio da Mace. A final da equipe feminina começou acirrada, apesar do resultado final de 3 a 0. As pontuações dos sets foram de 25x20 no primeiro,

Acadêmicos da UCDB podem concorrer a bolsas no exterior Assessoria de Imprensa Acadêmicos participantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) podem concorrer a bolsas de estudo no exterior. A oportunidade foi viabilizada pela inclusão da Católica no programa “Ciência Sem Fronteira”, do Governo federal. As regras para o processo seletivo interno serão divulgadas pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPP), por meio de edital. O “Ciência sem Fronteiras” é ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e tem como objetivo: o aumento da presença de pesquisadores em instituições de excelência no exterior, a inserção internacional das instituições brasileiras, a ampliação do conhecimento inovador de pessoal das indústrias tecnológicas e a atração de jovens talentos científicos para trabalharem no Brasil. Para a UCDB, foi dada a oportunidade de participação no âmbito da graduação, na chamada “Graduação Sanduíche no Exterior (SWG)”, com o oferecimento de dez bolsas. A previsão é de que entre 2011 e 2014 sejam ofertadas 15,5 mil bolsas nessa modalidade para estudantes de todo o País. Os selecionados farão estágio de seis meses a um ano, sendo de seis a nove meses em atividades acadêmicas e o restante em laboratórios de pesquisa, empresas ou centros de pesquisa e desenvolvimento. As instituições de destino devem estar entre as melhores do mundo nas suas respectivas áreas do conhecimento, segundo divulgação fei-

ta pelo programa. A lista completa pode ser conferida no site www.cienciasemfronteiras.cnpq.br. Para o Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, professor Dr. Hemerson Pistori, trata-se de mais uma oportunidade de formação diferenciada que a UCDB poderá oferecer aos seus alunos. “A participação da UCDB neste importante programa indica, mais uma vez, o reconhecimento da qualidade da educação oferecida em nossa instituição”, afirmou. Em sua avaliação, o Brasil está assumindo de forma cada vez mais intensa e contundente um papel de líder econômico mundial que a médio e longo prazo se sustentará apenas através de uma liderança científica e tecnológica. “O programa Ciência sem Fronteiras, por meio do intercâmbio de estudantes e pesquisadores, reforça o interesse nacional neste sentido. O contato com outras culturas e com instituições que hoje são líderes mundiais na produção de conhecimento e tecnologia abre novos horizontes e perspectivas que não podem ser atingidas rapidamente através de uma formação ainda restrita em nosso país. O intercâmbio de um aluno cria laços internacionais que poderão acompanhar a formação deste como pesquisador, mesmo após o período em que ele passará no exterior e poderá gerar novas oportunidades, inclusive para outros alunos que, neste primeiro momento, não puderem participar desta oportunidade”. Seleção A seleção interna da UCDB priorizará o desempenho acadêmico, a

qualidade da instituição de destino na área, o conhecimento do idioma do país no qual será realizado o estágio. A aprovação final caberá ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Os benefícios compreendem as passagens, auxílio instalação, seguro saúde se o país de destino não oferecer assistência gratuita, além das mensalidades para manutenção. Serão elegíveis os estudantes com bom aproveitamento acadêmico e engajados em programas de iniciação científica. Os alunos premiados em olimpíadas de matemática ou ciências, feiras científicas e atividades similares, de mérito reconhecido, também são potenciais candidatos a participar do Programa”, enfatizam os organizadores. O programa também prevê bolsas para a pósgraduação e para professores, totalizando, ainda em 2011, 3.890 estudantes brasileiros beneficiados. As áreas prioritárias de pesquisa são Engenharias e demais áreas tecnológicas; Ciências Exatas e da Terra; Biologia, Ciências Biomédicas e da Saúde; Computação e Tecnologias da Informação; Tecnologia Aeroespacial; Fármacos; Produção Agrícola Sustentável; Petróleo, Gás e Carvão Mineral; Energias Renováveis; Tecnologia Mineral; Biotecnologia; Nanotecnologia e Novos Materiais; Tecnologias de Prevenção e Mitigação de Desastres Naturais; Biodiversidade e Bioprospecção; Ciências do Mar; Indústria Criativa; Novas Tecnologias de Engenharia Construtiva; Formação de Tecnólogos.

25x21 e 25x14, respectivamente, no segundo e terceiro sets. Durante a partida, a Escolinha do Pezão acertou bons saques, dificultou os passes e toda a organização de jogadas da UCDB. Entretanto, as atletas da Católica trabalharam muito bem no

INVERNO

Mestrandas do PPGE são aprovadas em concurso ANPEd/IPEA Assessoria de Imprensa Três alunas do curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Católica Dom Bosco (PPGEUCDB) foram aprovadas no Edital ANPEd/IPEA nº 01/2001, que ofereceu 20 bolsas de estudo para a área da Educação, em todo o País. Dos 20 aprovados, três são da UCDB, sendo que o primeiro lugar foi obtido pela Mestranda Wanessa Odorico Onório, integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas Políticas de Educação Superior (GEPPES), orientanda da professora

Dra. Mariluce Bittar. O sexto lugar ficou com a mestranda Carmen Ligia Caldas, membro do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Políticas Públicas e Gestão da Educação (GEPPE), orientanda da professora Dra. Regina Tereza Cestari de Oliveira e a nona classificação foi obtida pela mestranda Cleudimara Sanches Sartori Silva, também integrante do GEPPES e orientanda da professora Dra. Mariluce Bittar. “Esse resultado demonstra a qualidade dos projetos de pesquisa das alunas do PPGE-UCDB e o trabalho de orientação permanente que caracteriza o Programa da Católica”, destacou a pro-

fessora Mariluce. Entre os 20 classificados, apenas mais uma bolsa foi de uma universidade católica e os outros 16 bolsistas pertencem a Programas de Pós-Graduação em Educação de universidades públicas. “Tal fato confere maior importância para o primeiro lugar alcançado por uma aluna do PPGE-UCDB, projetando a Universidade nacionalmente na comunidade acadêmica”, finalizou a docente.

CAMPO GRANDE - OUTUBRO DE 2011

As equipes de voleibol da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) conquistaram no mês de agosto o título máximo das categorias masculina e feminina da 3ª Copa Cidade de Cam-

po Grande. O time feminino trouxe o bicampeonato para a Universidade de forma invicta, sem perder nenhum set, ao vencer por 3 sets a 0 a final contra a Escolinha do Pezão. Já o os atletas do masculino conquistaram a Copa ao vencerem por 3 sets a 0 o

sicionada e entrosada, conseguindo boas recepções e boas jogadas de ataque. O segundo set teve um início mais equilibrado, com o rival abrindo vantagem no meio do período. Mas já no final do set, entre seguidas falhas da Uniderp, a UCDB não perdeu as oportunidades criadas para se reabilitar, virando o placar e fechando o set com o placar de 25x23. Mesmo vencendo por 2 a 0 e precisando apenas de mais um set para conquistar o título, os atletas da UCDB não perderam o foco e continuaram atentos à partida. Venceram o set final por 25x15, dominando os adversários com belas jogadas e bloqueios que pararam o ataque rival.

M FOCO

Assessoria de Imprensa

sistema defensivo, com bom posicionamento, recepções e bloqueios, além de rápida transição de bola entre defesa e ataque. O voleibol masculino conquistou contra a Anhanguera/ Uniderp o título da 3ª Copa Cidade de Campo Grande. Com parciais de 26x24 no primeiro set, 25x23 no segundo e 25x15 no terceiro set, a partida fez jus à tradicional rivalidade que há entre as equipes esportivas das duas instituições. Logo no início da partida, a UCDB se manteve na frente no placar, abrindo boa vantagem. Próximo ao fim do primeiro set, a Anhanguera/ Uniderp aproveitou-se de um mau momento da UCDB, reagindo e empatando o set em 24x24. Entretanto, o time da Católica rapidamente se recuperou, encerrando o set em 26x24. Assim como a equipe feminina, a equipe masculina da UCDB mostrou-se bem po-

UNIVERSIDADE

Títulos demonstram a força da Católica nos torneios de voleibol adulto


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N O S S O

F O C O

Foto: Gabriel Lopes

D a n ç a - Consumidores de shopping center em Campo Grande se surpreendem quando pessoas desconhecidas iniciam uma dinâmica e animada coreografia no meio da Praça de alimentação

Flash Mob Com a intenção de criar impacto ou protestar sobre uma causa internautas marcam encontros inusitados

Mobilizações relâmpago quebram a rotina em público

EM FOCO

CAMPO GRANDE - OUTUBRO DE 2011

Júlia de Aguiar Aglomerações instantâneas de pessoas em um espaço público, para protestar ou simplesmente impactar pessoas: isso é um flash mob. O termo surgiu em aproximadamente 1800, mas não era utilizado como no sentido atual. Da forma como é conhecido hoje, o primeiro flash mob foi planejado no final do século passado e foi organizado por email, pelo jornalista americano Bill Wasik em Manhattan. Wasik enviou o email para aproximadamente 50 pessoas convidando-as a aparecer em frente à Claire’s Acessories. Sua idéia era que as pessoas se tornassem o show. Porém a loja foi avisada com antecedência do acontecimento e contactou a polícia, evitando assim que as pessoas ficassem em frente ao estabelecimento. E assim a idéia do primeiro flash mob passou a ser frustrada. Em 2003 aconteceu o segundo Mob em uma loja de departamentos também em Manhattan. Mas nesse as pessoas receberam informações sobre o caráter e o lugar do evento, pouco tempo antes do início do evento, para assim evitar que ocorresse problemas como o primeiro. A partir de então, flash mobs passaram a ser febre no meio publicitário e em protestos inovadores. Em Campo Grande acontece anualmente o Pillow Fight, ou guerra de travesseiros. O Pillow Fight de Campo Grande está incluso no calendário de Flash Mobs internacionais com 70 participantes. Renato Lima morou em Nova York e

participou de vários Mobs, e quando voltou para o Brasil imaginou que este termo não era conhecido no país. “Quando voltei ao Brasil não conhecia ninguém que sabia o que era flash mob, mas depois da divulgação viral do vídeo do Black Eyed Peas no Programa da Oprah o termo flash mob foi excessivamente massificado”, relembra Lima. Segundo ele, só em 2009 descobriu em Campo Grande um movimento de flash mob. “Me juntei a eles, o

engenheiro Daniel Costa tinha feito uma comunidade no Orkut e organizado o primeiro Pillow Fight. Em 2010 eu trouxe a idéia de fazer o primeiro Freeze ou Frozen em Campo Grande. Até então os flash mobs eram feitos entre os amigos”, afirma. O Freeze reúne pessoas em locais públicos para que elas fiquem paradas durante 15 segundos e na Capital de MS foi totalmente organizado por meio das mídias sociais. “Criamos um grupo

no MSN, fortalecemos a comunidade do Orkut, criamos um mailing list e criamos um twitter. Marcamos data, horário e ponto de encontro”. A intenção era reunir 50 pessoas, mas apareceram 100. “Diferentes tribos, idades, gêneros. Foi surpreendente. Ninguém conhecia ninguém, as pessoas apenas se identificaram com a causa e compareceram”, exalta Renato. Junior Cordeiros, de 20 anos, estudante de Jornalis-

mo da Universidade Católica Dom Bosco, participou do Freeze organizado por Renato Lima e se apaixonou pelo movimento. Mas por ser do ramo da dança, esses são o que realmente fascina Junior. “Me lembro direitinho um que aconteceu no aeroporto de Portugal no dia de natal, poxa você esperando encontrar sua família e tem que ficar naquele aeroporto esperando seu vôo, quando é surpreendido por um flash mob maravilhoso, um espetáculo de dança com muito

bailarinos profissionais, disfarçados de funcionários e passageiros fazendo a magia do Natal acontecer independente da sua situação em que esteja.” Recentemente a companhia de dança Funk-se em parceria com um shopping da Capital organizaram um Flash Mob onde os bailarinos vestindo as roupas das pessoas que trabalham no local começaram a dançar e mostraram para a população de Campo Grande o que o termo significa.

Flash Dance

Intervenções de dança espalham ritmo pela Capital Jr Cordeiros Vinícius Nunes

Três pessoas alongando no meio do corredor da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Uma música invade o ambiente do intervalo e sucessivamente acompanhando o ritmo os jovens começam a dançar, chamando aos poucos a atenção do público. Esse foi o flash mob de dança espelhado na coreografia do clipe “let’s move, move your body” da cantora americana Beyoncé, organizado por estudantes da própria instituição e que ocorreu no dia 20 de maio. Ao decorrer das batidas da música o número de integrantes na coreografia duplicava, chegando a aproximadamente 50 dançarinos. O finalizar também surpreende porque o número de pessoas vai diminuindo conforme a canção vai acabando, terminando com uma pessoa dançando no salão que volta a integrar a multidão. A intervenção deixa no público um pensamento curioso: “de onde eles surgiram? E pra onde eles foram?”. O flash mob teve sua continuação em alguns lugares da cidade de Campo Grande, onde o público era grande. A idéia é poder aglomerar a maior platéia possí-

vel por um pequeno tempo de duração, necessário para ocorrer a coreografia. Outra das intervenções foi realizada no dia 2 de junho na Feira de Amostra Sustentável no Golden Class. As intervenções aconteceram na intenção de unir os grupos de dança da Capital em uma mobilização cultural. Alguns grupos foram convidados para integrar a modalidade, deixando a coreografia mais bonita e elegante aos olhos do espectador do evento. “Acho interessante os flash mobs, gosto de como se organizam e dos objetivos que alguns têm. Gosto de ver a interação das pessoas”, acredita o acadêmico de publicidade Hygor Benevides. O estudante que tem o hobbye de fotografar flash mobs destaca como seus preferidos o Pillow Fight, que é a guerra de travesseiros. “Gosto porque é divertida e descontraída”. Além do Zombie walk, onde várias pessoas de diferentes idades se caracterizam de Zombies. “Outro flash mob que achei interessante foi do Greenpeace na Suíça onde as pessoas se mobilizaram com as Usinas Nucleares. Foi incrível a participação porque envolveu toda a cidade onde foi realizado. As pessoas como protesto, caiam no chão por causa da radiação”, relembra Hygor.

Foto: Gabriel Lopes

I n u s i t a d o - Jovens de um grupo de dança realizam flash mob em um shopping de Campo Grande

Mobilização Uma fundamental peça para o flash acontecer são os itens, surpresa, inovação, envolvimento e diversão. Os mais famosos até hoje com grande repercussão mundial foram, free hugs (abraço grátis) e jump day (dia do pulo). É pela necessidade de relacionamento entre as pessoas e pela facilidade de divulgar informações que a internet possibilita que

o flash mob se viabilize. Cabe, então, às empresas se aproveitarem deste ambiente favorável para divulgar seus produtos e serviços de uma maneira mais interessante e divertida para o consumidor. O “estar - junto” dos flash mobs só é possível por meio do ciberespaço, que permite a comunicação entre os mobers (pessoas que participam de flash mobs) pois é

ele quem permite o contato e a comunicação entre organizadores e participantes destes eventos, sem a necessidade de um encontro presencial, face-a-face. É por meio do ciberespaço, que se percorrem inúmeros quilômetros no espaço concreto, sem sair da frente do seu computador, é ele que promove o encontro virtual de pessoas separadas fisicamente.


Em foco edição nº 144 02 de outubro de 2011 (1)  
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