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Nossas Práticas Registros de Sequências Didáticas em Escolas Municipais de Guaranésia Rosane de Moraes Figueiredo (Coordenadora Municipal) Maria de Lourdes Anselmo de Oliveira (Orientadora de Estudos) Adriene Aparecida Silva Marques Ana Elisa Peres de Souza Ana Paula Mendes Citon Carla Maria Gonçalves Lopes Claudinéia da Silva Ribeiro Denize Edna Alves Elenice Gabriel Paína Eliana Maria Lopes Petretti Érica de Cássia Gonçalves Fabiana Baroni Gláucia Moriconi Silva

Jucinéa Aparecida Alves de Magalhães Lilyan Cancelier Dias Caetano Batista Lívia Maria Pereira de Brito Ramalho Luzia Cristina Miam Alves Magda Angélica Neta de Paula Marina Franchi João Camillo Mônica de Moraes Silva Fonseca Mônica Lattaro Torres Valdete Aparecida Alexandre Vanessa Ribeiro Piza Vania Aparecida de Oliveira Gonçalves Verônica Aparecida Xavier Silvério

Departamento de Educação Prefeitura Municipal de Guaranésia/MG


Nossas Práticas Registros de Sequências Didáticas em Escolas Municipais de Guaranésia Departamento de Educação Prefeitura Municipal de Guaranésia/MG Dezembro de 2013 Licença de Uso CC BY-NC 3.0 BR (Crative Commons Atribuição-Não Comercial 3.0 Brasil - http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/br/) Alguns direitos reservados. Versão digital colorida: http://www.prefguaranesia.mg.gov.br/educacao/publicacoes/praticas2013.pdf

De Moraes Figueiredo, Rosane; Anselmo de Oliveira, Maria de Lourdes; Silva Marques, Adriene Aparecida; Peres de Souza, Ana Elisa; Mendes Citon, Ana Paula; Gonçalves Lopes, Carla Maria; da Silva Ribeiro, Claudinéia; Alves, Denize Edna; Gabriel Paína, Elenice; Lopes Petretti, Eliana Maria; Gonçalves, Érica de Cássia; Baroni, Fabiana; Alves de Magalhães, Jucinéa Aparecida; Cancelier Dias Caetano Batista, Lilyan; Pereira de Brito Ramalho, Lívia Maria; Miam Alves, Luzia Cristina; de Paula, Magda Angélica Neta; Franchi João Camillo, Marina; de Moraes Silva Fonseca, Mônica; Lattaro Torres, Mônica; Aparecida Alexandre, Valdete; Ribeiro Piza, Vanessa; de Oliveira Gonçalves, Vania Aparecida; Xavier Silvério, Verônica Aparecida Nossas Práticas: Registros de Sequências Didáticas em Escolas Municipais de Guaranésia/Rosane de Moraes Figueiredo, Maria de Lourdes Anselmo de Oliveira, Adriene Aparecida Silva Marques, Ana Elisa Peres de Souza, Ana Paula Mendes Citon, Carla Maria Gonçalves Lopes, Claudinéia da Silva Ribeiro, Denize Edna Alves, Elenice Gabriel Paína, Eliana Maria Lopes Petretti, Érica de Cássia Gonçalves, Fabiana Baroni, Gláucia Moriconi Silva, Jucinéa Aparecida Alves de Magalhães, Lilyan Cancelier Dias Caetano Batista, Lívia Maria Pereira de Brito Ramalho, Luzia Cristina Miam Alves, Magda Angélica Neta de Paula, Marina Franchi João Camillo, Mônica de Moraes Silva Fonseca, Mônica Lattaro Torres, Valdete Aparecida Alexandre, Vanessa Ribeiro Piza, Vania Aparecida de Oliveira Gonçalves, Verônica Aparecida Xavier Silvério.-Guaranésia, 2013. vi, 171f. 1. Práticas pedagógicas. 2. Sequências didáticas. 3. Atividade. 4. Alfabetização. 5. Letramento. 6. Gêneros textuais.


Sumário Apresentação...............................................................................................................................1 Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: Sua Implantação e Funcionamento............3 Coordenadora Municipal: Rosane de Moraes Figueiredo......................................................3 Introdução...............................................................................................................................3 Conteúdos e propósitos dos encontros mensais.................................................................3 Atividades Desenvolvidas......................................................................................................4 Preparação para as ações realizadas no município............................................................4 As ações.............................................................................................................................4 Considerações Finais..............................................................................................................5 Registro Fotográfico...............................................................................................................5 Bibliobrafia Utilizada.............................................................................................................6 Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: Atividades de Formação............................7 Orientadora de Estudo: Maria de Lourdes Anselmo de Oliveira...........................................7 Bibliografia...........................................................................................................................11 Projeto: Meu Querido Dicionário.............................................................................................13 Professora: Adriene Aparecida Silva Marques.....................................................................13 Justificativa...........................................................................................................................13 Objetivos..............................................................................................................................13 Conteúdos Curriculares........................................................................................................13 Metodologia..........................................................................................................................13 Adequação das Propostas para Alunos com Necessidades Educacionais Especiais............16 Avaliação..............................................................................................................................16 Autoavaliação.......................................................................................................................16 Bibliografia Utilizada...........................................................................................................16 Alguns Momentos do Nosso Projeto....................................................................................17 Projeto Correspondência entre as Escolas Rurais de Guaranésia.............................................19 Professoras: Ana Elisa Peres de Souza, Claudinéia Ribeiro, Denize Edna Alves e Érica de Cássia Gonçalves..................................................................................................................19 Eixos.....................................................................................................................................19 Objetivos..............................................................................................................................19 Justificativa...........................................................................................................................19 Atividades.............................................................................................................................20 Recursos...............................................................................................................................21 Avaliação..............................................................................................................................21 Produto final.........................................................................................................................21 Registro Fotográfico.............................................................................................................22 Relato pela Professora Ana Elisa..........................................................................................22 Bibliografia...........................................................................................................................23 Sequência Didática sobre a Biografia de Mauricio de Sousa...................................................25 Professora: Ana Paula Mendes Citon...................................................................................25 Justificativa...........................................................................................................................25 Objetivos..............................................................................................................................25 Conteúdos Curriculares........................................................................................................25 Metodologia..........................................................................................................................26 Avaliação..............................................................................................................................27 Autoavaliação.......................................................................................................................28 Bibliografia Utilizada...........................................................................................................28 Diversidade Cultural.................................................................................................................29 Professora: Carla Maria Gonçalves Lopes...........................................................................29 i


Justificativa...........................................................................................................................29 Objetivo................................................................................................................................29 Desenvolvimento..................................................................................................................29 Avaliação..............................................................................................................................29 Registro Fotográfico.............................................................................................................30 Cantigas de Roda no Campo: Um Resgate da Cultura Local...................................................35 Professoras: Claudinéia da Silva Ribeiro e Érica de Cássia Gonçalves ..............................35 Justificativa...........................................................................................................................35 Objetivos..............................................................................................................................35 Conteúdos.............................................................................................................................36 Metodologia..........................................................................................................................36 1º Momento.....................................................................................................................36 2º Momento.....................................................................................................................36 3º Momento.....................................................................................................................37 4º Momento.....................................................................................................................37 5º Momento.....................................................................................................................37 6º Momento.....................................................................................................................38 7º Momento.....................................................................................................................38 8º Momento.....................................................................................................................38 Avaliação..............................................................................................................................38 Autoavaliação.......................................................................................................................39 Registro Fotográfico.............................................................................................................40 Referências...........................................................................................................................41 “O Trem de Alagoas”: Relato de uma Atividade Pedagógica...................................................43 Professora: Denize Edna Alves............................................................................................43 Justificativa...........................................................................................................................43 Objetivos..............................................................................................................................43 Conteúdos Curriculares........................................................................................................43 Metodologia..........................................................................................................................43 Avaliação .............................................................................................................................44 Autoavaliação.......................................................................................................................44 Registro Fotográfico.............................................................................................................45 Bibliografia Utilizada...........................................................................................................48 Sequência Didática com Gênero Textual: Conto......................................................................49 Professora: Elenice Gabriel Paína........................................................................................49 Justificativa...........................................................................................................................49 Objetivos..............................................................................................................................49 Conteúdos Curriculares........................................................................................................49 Metodologia..........................................................................................................................49 1º Momento.....................................................................................................................49 2º Momento.....................................................................................................................52 3º Momento.....................................................................................................................54 4º Momento.....................................................................................................................55 5º Momento.....................................................................................................................57 6º e 7 º Momentos............................................................................................................59 Autoavaliação ......................................................................................................................60 Bibliografia...........................................................................................................................61 Projeto: Estrelinha da Semana..................................................................................................63 Professora: Eliana Maria Lopes Petretti...............................................................................63 Justificativa...........................................................................................................................63 ii


Objetivos..............................................................................................................................63 Conteúdos Curriculares........................................................................................................63 Metodologia..........................................................................................................................63 Avaliação..............................................................................................................................65 Autoavaliação.......................................................................................................................65 Notícia: O Mundo dentro da Sala de Aula................................................................................67 Professora: Érica de Cássia Gonçalves................................................................................67 Justificativa...........................................................................................................................67 Objetivos..............................................................................................................................67 Conteúdos.............................................................................................................................67 Etapas...................................................................................................................................68 Metodologia..........................................................................................................................68 Avaliação..............................................................................................................................76 Produto Final: “Jornal Cachoeira”.......................................................................................77 Referências Bibliográficas...................................................................................................86 Uso do X e do CH.....................................................................................................................89 Professora: Fabiana Baroni..................................................................................................89 Justificativa...........................................................................................................................89 Objetivo................................................................................................................................89 Desenvolvimento..................................................................................................................89 Avaliação..............................................................................................................................91 Fotos das Atividades.............................................................................................................91 Teatro Higiene Corporal............................................................................................................93 Professoras: Gláucia Moriconi Silva, Lívia Maria Pereira de Brito Ramalho, Lilyan Cancelier Dias Caetano Batista, Marina Franchi João Camillo, Valdete Aparecida Alexandre.............................................................................................................................93 Justificativa...........................................................................................................................93 Objetivos..............................................................................................................................93 Conteúdo..............................................................................................................................93 Metodologia..........................................................................................................................93 Recursos Didáticos...............................................................................................................93 Desenvolvimento..................................................................................................................93 Avaliação..............................................................................................................................94 Autoavaliação.......................................................................................................................94 A Peça “Higiene Pessoal”.....................................................................................................94 Registro Fotográfico.............................................................................................................96 Sequência Didática com Gênero Textual Panfleto....................................................................97 Professora: Jucinéa Aparecida Alves de Magalhães.............................................................97 Justificativa...........................................................................................................................97 Objetivos Geral.....................................................................................................................97 Objetivos Específicos...........................................................................................................97 Conteúdos Curriculares........................................................................................................97 Metodologia e Desenvolvimento..........................................................................................98 Avaliação..............................................................................................................................98 Autoavaliação.......................................................................................................................99 Registros Fotográficos..........................................................................................................99 Referências Bibliográficas...................................................................................................99 Livro de Rimas........................................................................................................................101 Professoras: Lilyan Cancelier Dias Caetano Batista e Marina Franchi João Camillo.......101 Justificativa.........................................................................................................................101 iii


Objetivos............................................................................................................................101 Metodologia........................................................................................................................101 Autoavaliação.....................................................................................................................102 Projeto “O Carteiro Chegou”..................................................................................................103 Professoras: Lilyan Cancelier Dias Caetano Batista e Marina Franchi João Camillo.......103 Justificativa.........................................................................................................................103 Objetivos............................................................................................................................103 Metodologia........................................................................................................................103 Autoavaliação.....................................................................................................................121 Jogo “Esquerda – Direita”.......................................................................................................122 Professora: Lívia Maria Pereira de Brito Ramalho............................................................122 Justificativa.........................................................................................................................122 Objetivos............................................................................................................................122 Metodologia........................................................................................................................122 Avaliação............................................................................................................................123 Sequência Didática para Regularidade Ortográfica R/RR......................................................124 Professora: Luzia Cristina Miam Alves..............................................................................124 Justificativa.........................................................................................................................124 Objetivo..............................................................................................................................124 Desenvolvimento................................................................................................................124 1º Momento...................................................................................................................124 2º Momento...................................................................................................................124 3º Momento...................................................................................................................124 4º Momento...................................................................................................................125 5º Momento...................................................................................................................125 Avaliação............................................................................................................................125 Fotos das Atividades...........................................................................................................125 Somos Todos Diferentes.........................................................................................................128 Professora: Magda Angélica Neto de Paula.......................................................................128 Justificativa.........................................................................................................................128 Objetivo Geral ...................................................................................................................128 Objetivos Específicos.........................................................................................................128 Conteúdos Curriculares......................................................................................................128 Metodologia........................................................................................................................128 1º Momento...................................................................................................................129 2º Momento...................................................................................................................129 3º Momento...................................................................................................................129 4º Momento...................................................................................................................130 Avaliação............................................................................................................................130 Autoavaliação.....................................................................................................................130 Registro Fotográfico...........................................................................................................130 As crianças.....................................................................................................................130 Livros usados.................................................................................................................132 Atividades......................................................................................................................132 Diversidade Cultural – Africanos............................................................................................134 Professora: Mônica de Moraes Silva Fonseca....................................................................134 Justificativa.........................................................................................................................134 Objetivo..............................................................................................................................134 Desenvolvimento................................................................................................................134 Avaliação............................................................................................................................136 iv


Fotos e atividades...............................................................................................................136 Fotos da hora do conto...................................................................................................136 Fotos da explicação sobre mapas...................................................................................136 Fotos das atividades dos alunos.....................................................................................137 Sequência Didática sobre o Clássico João e Maria.................................................................138 Professora: Mônica Lattaro Torres.....................................................................................138 Justificativa.........................................................................................................................138 Metodologia........................................................................................................................138 Culminância........................................................................................................................141 Avaliação............................................................................................................................141 Sequência Didática sobre o Folclore.......................................................................................144 Professora: Vanessa Ribeiro Piza.......................................................................................144 Justificativa.........................................................................................................................144 Objetivos............................................................................................................................144 Conteúdos Curriculares......................................................................................................144 Metodologia........................................................................................................................145 Adequação das Propostas para Criança com Necessidade Educacional Especial..............150 Avaliação............................................................................................................................150 Autoavaliação.....................................................................................................................151 Bibliografia Utilizada.........................................................................................................151 Resgate de Brincadeiras Antigas.............................................................................................152 Professora: Vania Aparecida de Oliveira Gonçalves..........................................................152 Justificativa.........................................................................................................................152 Objetivos............................................................................................................................152 Objetivos Específicos.........................................................................................................152 Conteúdos Curriculares......................................................................................................153 Metodologia........................................................................................................................153 Avaliação............................................................................................................................159 Bibliografia.........................................................................................................................159 Sequência Didática com Gênero Textual Piada......................................................................160 Professora: Verônica Aparecida Xavier Silvério................................................................160 Justificativa.........................................................................................................................160 Objetivo Geral....................................................................................................................160 Objetivos Específicos.........................................................................................................160 Conteúdos Curriculares......................................................................................................160 Desenvolvimento da oralidade......................................................................................160 Leitura............................................................................................................................161 Apropriação do sistema de escrita.................................................................................161 Produção escrita.............................................................................................................161 Metodologia e Desenvolvimento........................................................................................161 Avaliação............................................................................................................................163 Bibliografia.........................................................................................................................164

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A todos que, de alguma forma ou de outra, tornaram possível a realização deste livro, agradecemos.

Às crianças tão diferentes na sua subjetividades, mas tão iguais em seus direitos, dedicamos.

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Apresentação "A educação acontece na sala de aula: são os professores que a fazem acontecer. Sendo assim, se não houver boa aula, não haverá boa educação. Esse é nosso desafio. Portanto, o ato mais radical de todos, na educação, é melhorar a sala de aula. Essa tem que ser a nossa batalha." Cláudio de Moura Castro

Este livro representa o enfrentamento do desafio de trazer, para a sala de aula, um olhar diferente, fruto de práticas pedagógicas mais ricas e criativas com vistas à melhoria da qualidade da educação, que passa, obrigatoriamente, pela alfabetização de nossas crianças até os 8 anos de idade. No momento em que o MEC propôs, aos municípios brasileiros, um Pacto Pela Alfabetização na Idade Certa, Guaranésia, imediatamente, aderiu à ideia e toda a equipe do Departamento Municipal de Educação se mobilizou para que tal adesão se concretizasse. Estabelecidos e cumpridos os ditames legais como: a convocação dos professores, coordenador e orientador de estudos, envio dos documentos exigidos e selecionadas as professoras a serem capacitadas, o município estava pronto para cumprir sua parte, o que aconteceu logo no início de 2013. Assim, em encontros realizados, um sábado por mês, sob a orientação da Prof. Maria de Lourdes Anselmo de Oliveira, devidamente preparada pela Universidade parceira, coordenadas pelas Prof. Rosane de Moraes Figueiredo, professoras de nosso município de 1º a 3º anos, passaram a enfrentar o desafio que é alfabetizar, letrando, cada pequeno guaranesiano. Este livro, que contou com a parceria das famílias de nossos alunos ao consentirem, após convocação, na publicação de trabalhos e fotos de seus filhos durante as atividades realizadas, é, então, a coleção das práticas que deram certo, como estratégias para a execução da tarefa. Cada professora escolheu, dentre as atividades a que se propôs realizar, aquela que mais resultados trouxe ou que motivou maior envolvimento dos alunos, pois, em cada encontro mensal, lhe foi proposta a criação ou a busca de uma atividade vinculada aos subsídios teóricos estudados, a ser, efetivamente, desenvolvida com as crianças, num movimento de receber, retransmitir e repartir com as demais colegas participantes. Cada texto selecionado para publicação foi produzido de maneira independente e apresenta sua forma original assim como os relatos elaborados pelas professoras: coordenadora municipal e orientadora de estudos, também participantes como autoras. Entre as atividades constantes nas páginas que se seguem, algumas tiveram como ponto de partida consultas a trabalhos disponíveis e já realizados por outros professores, outras foram criadas pelas próprias autoras, outras, ainda, foram alavancadas pelos livros paradidáticos, postos à disposição das participantes pelo MEC, mas todas apresentam em comum o fato de terem sido, verdadeiramente, vivenciadas pelas nossas crianças e, realmente, aconteceram em sala de aula, trazendo a marca de nossos professores e da criança de Guaranésia. Maria Helena Pereira Dias Diretora do Departamento de Educação

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Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: Sua Implantação e Funcionamento Coordenadora Municipal: Rosane de Moraes Figueiredo Departamento de Educação

Introdução O presente relato tem como objetivo descrever o processo de implantação e funcionamento do Pacto Nacional Pela Alfabetização na Idade Certa, no município de Guaranésia-MG. Nosso município, preocupado com a alfabetização, foi um dos primeiros a realizar a adesão, uma vez que os objetivos expostos pelo programa vinham ao encontro de ideias definidas pela equipe do Departamento Municipal de Educação. No início do ano de 2013, os diretores e professores já estavam cientes da implantação do PNAIC e das implicações que este compromisso causaria na aceitação de ser um professor alfabetizador. O corpo docente foi comunicado que, para assumir uma sala de alfabetização, a professora deveria se comprometer a participar dos encontros de formação do PNAIC e cumprir com as demais atividades exigidas pelo programa. A orientadora de estudos foi escolhida, levando em consideração sua formação profissional, disponibilidade para acompanhar o trabalho pedagógico nas escolas, experiência como alfabetizadora e comprometimento com a educação. Em dezembro do ano de 2012 aconteceu o primeiro encontro de formação de orientadores e a certeza da seriedade do programa foi definitivamente consolidada, após a verificação da qualidade da formação. Iniciando o ano letivo de 2013, o primeiro encontro foi agendado para dia 23 de fevereiro, um sábado. No início surgiram muitos questionamentos a respeito do dia, algumas professoras queriam que os encontros fossem divididos em dias da semana. A Diretora do Departamento de Educação manteve, através de ofício enviado às escolas, as orientações repassadas de que o PNAIC seria aos sábados, perfazendo 8 horas de estudo e trabalho aplicado em sala. Outro fator que gerou polêmica foi o fato de que somente as professoras que estavam cadastradas no censo do ano anterior poderiam realizar o curso. Tínhamos, em 2012, 23 salas cadastradas e em 2013, 24 salas de alfabetização. Decidimos então arcar com a bolsa da professora atuante em sala de alfabetização, que ultrapassava o número de bolsistas cadastradas no sistema. Os encontros foram realizados na Escola Dom Inácio João Dal Monte, escolhida por sua facilidade de acesso, em uma sala cedida pela diretora e previamente organizada, antes da chegada das professoras. O 1º Encontro foi aberto pela Diretora do Departamento de Educação, Maria Helena Pereira Dias e em seguida eu, Rosane de Moraes Figueiredo, coordenadora do PNAIC, realizei a exposição da estrutura organizacional do programa, carga horária, duração, etc. As professoras, novamente, questionaram o dia da realização do encontros, mas demonstraram entusiasmo com a formação que se iniciava.

Conteúdos e propósitos dos encontros mensais Fevereiro

Currículo na Alfabetização: concepções e princípios

Março

Planejamento Escolar: alfabetização e ensino da língua portuguesa

Abril

Aprendizagem do Sistema da Escrita Alfabética

Maio

Aprendizagem do Sistema da Escrita Alfabética

Junho

Ludicidade na Sala de Aula 3


Julho

Ludicidade na Sala de Aula

Os conteúdos desenvolvidos tiveram como propósito verificar o que os professores pensavam sobre o processo de alfabetização, levantar hipóteses e, a partir delas, refletir, à luz dos textos lidos, sobre o trabalho desenvolvido na rede. Os encontros partiram do estudo acerca da compreensão de currículo e de como esse currículo se relaciona com a aprendizagem do sistema de escrita, alcançando, então, propostas contextualizadas de alfabetização.

Atividades Desenvolvidas Preparação para as ações realizadas no município As ações desenvolvidas foram planejadas com antecedência pela equipe do PACTO, em nosso município, a fim de tornar os encontros acolhedores e produtivos. Desde o lanche, selecionado pela nutricionista, à organização do material, houve sempre um cuidado com a qualidade para garantir o sucesso do trabalho. Em todos os encontros as professoras foram recebidas com mensagens incentivadoras e uma pequena lembrança (balas, coelhinhos de chocolate, enfeites, etc), tudo preparado para que todas se sentissem valorizadas como professoras alfabetizadoras. No momento do cadastramento das professoras realizamos visitas às escolas para orientar cada professora cursista, no primeiro acesso ao SIMEC, e apresentar as ferramentas do sistema para as futuras inserções de dados. Nas primeiras formações, como o material do PACTO não havia chegado, imprimimos todas as apostilas para as professoras, fato que facilitou a organização e o aproveitamento do encontro. As professoras realizaram com entusiasmo as atividades propostas, em grupos, individualmente ou em sala de aula.

As ações Os encontros realizaram-se, aos sábados, na escola Dom Inácio João Dal Monte com a participação de 23 professoras e 1 agregada. Apesar dos questionamentos anteriores de algumas cursistas, sobre o dia dos encontros, todas as atividades propostas foram cumpridas com dedicação pelas professoras. Percebemos que seria necessário organizar um cronograma de atividades, delimitando o tempo que seria utilizado para que o dia fosse melhor aproveitado, pois nos relatos de experiências todas queriam expor suas atividades. Com a chegada do material de formação do PNAIC, foi providenciada, pela Diretora do Departamento de Educação, a confecção de uma pasta personalizada para que cada professora recebesse seu material, em embalagem caprichada, valorizando novamente o fato de estar participando da formação. Elas adoraram. Um aspecto que vale a pena ressaltar é o impacto que a formação está acarretando na seleção de atividades para aplicação em sala de aula. Muitas professoras, após ouvirem as colegas, solicitam livros e material para poderem realizar, também, em suas salas, as atividades apresentadas. O Departamento de Educação adquiriu gibis e livros para as salas de alfabetização, além das obras complementares que chegaram do MEC. Com o intuito de garantir que as caixas de livros chegassem efetivamente às salas de aulas, fomos a cada escola monitorar a entrega e verificar se houve insuficiência de acervo. As professoras, percebendo a necessidade de planejar melhor suas atividades, resolveram organizar reuniões além do horário dos encontros do Pacto e do Módulo II. A partir de todo esse trabalho realizado, é que nos propusemos a publicar esta coletânea de boas práticas para socializar todos os projetos desenvolvidos, neste primeiro ano de formação.

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Considerações Finais A cada dia, vamos percebendo o envolvimento das professoras cursistas e, principalmente, a aplicação efetiva das atividades nas salas. É claro que sabemos que algumas professoras ainda têm muita dificuldade de trazer para a sala de aula a significação na aquisição da escrita. Os professores trazem implícitas em suas práticas muito do que acreditam e da forma com que foram alfabetizados (Lenner, 2005). Essas contribuições adquiridas ao longo da vida orientam suas ações dentro de uma sala de aula e não é tão fácil modificá-las. Por mais que participe de palestras e cursos de formação, a professora não muda sua prática, se não aceitar a teoria que irá dar subsídios às suas ações. O professor que compreende como se dá a construção do processo de escrita, certamente reconhece a necessidade desse trabalho articulado com a escrita vivencial de que falamos e propõe atividades que realmente favoreçam o aprendizado da língua escrita, neste ponto a formação do PACTO tem auxiliado muito, pois alia às atividades práticas a teoria.

Registro Fotográfico Abertura do PNAIC com a presença da Diretora do Departamento de Educação, Dra. Maria Helena Pereira Dias, a Coordenadora Municipal, Rosane de Moraes Figueiredo, diretores de escolas e professores.

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Bibliobrafia Utilizada

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SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. 5.ed. São Paulo: Contexto, 2007.

LERNER, Delia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2005.

GAGLIARI, Luís C.Alfabetizando sem o ba-bé-bi-bo-bu. São Paulo: Scipine,1998.


Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: Atividades de Formação Orientadora de Estudo: Maria de Lourdes Anselmo de Oliveira Departamento de Educação

Relatar o trabalho de formação dos professores alfabetizadores de Guaranésia Minas Gerais, através o PNAIC, é para mim um prazer e um desafio. Um prazer, porque à medida que realizava a leitura de cada unidade, me reportava às situações relatadas pelas professoras e, como não poderia deixar de ser, tecia comparações com a situação que vivi, como professora alfabetizadora, nessa minha trajetória de atuação, por 32 anos, nas escolas do município e a contradição entre a fala e a prática realizada em sala de aula. O desafio configurou-se em fazer desses encontros, momentos de reflexão sobre a complexidade do ato de alfabetizar letrando, de maneira a revelar todo o trabalho desenvolvido, no chão da sala de aula. Os encontros de formação foram realizados aos sábados, de acordo com o cronograma sugerido nos cadernos de formação. O grupo é formado por 24 professoras, sendo uma delas, na condição de agregada devido o aumento de turmas no ciclo de alfabetização. As professoras cursistas possuem ensino superior, curso de pós graduação e o curso do proletramento. Apesar das conquistas, por meio do proletramento, que deixaram as professoras mais confiantes para atuar e entender como funciona o ciclo de alfabetização, conscientes do que devem ensinar a cada etapa do ciclo, tais conquistas nem sempre chegaram à criança que estava sendo alfabetizada. Contextualizando os encontros de fevereiro a julho, as quatro unidades do curso (para os professores do primeiro, do segundo, do terceiro ano e das classes multisseriadas) foram organizadas, com temáticas similares, mas com focos de aprofundamento distintos. As temáticas gerais de cada unidade foram: •

concepções de alfabetização; currículo no interdisciplinaridade; avaliação da alfabetização; fundamental do processo educativo.

ciclo de alfabetização; inclusão como princípio

planejamento do ensino na alfabetização; rotina da alfabetização na perspectiva do letramento, integrando diferentes componentes curriculares (Matemática, Ciências, História, Geografia, Arte); a importância de diferentes recursos didáticos na 7


alfabetização: livros de literatura do PNBE e PNBE Especial, livro didático aprovado no PNLD, obras complementares distribuídas no PNLD, jogos distribuídos pelo MEC, jornais, materiais publicitários, televisão, computador, dentre outros. •

o funcionamento do Sistema de Escrita Alfabética; reflexão sobre os processos de apropriação do Sistema de Escrita Alfabética e suas relações com a consciência fonológica; planejamento de situações didáticas destinadas ao ensino do sistema de escrita alfabética.

a sala de aula como ambiente alfabetizador: a exposição e organização de materiais que favorecem o trabalho com a alfabetização; os diferentes agrupamentos em sala de aula; atividades diversificadas em sala de aula para atendimento às diferentes necessidades das crianças: jogos e brincadeiras no processo de apropriação do sistema de escrita alfabética e sistema numérico decimal; atividades em grande grupo para aprendizagens diversas: a exploração da literatura como atividade permanente; estratégias de inclusão de crianças com deficiência visual, auditiva, motora e intelectual, bem como crianças com distúrbios de aprendizagem nas atividades planejadas.

Já, os conteúdos e os propósitos do curso de formação, por meio do PNAIC, buscaram transformar os primeiros em práticas, coerentes com os fundamentos teóricos, pautadas na reflexão, para chegar à sala de aula, como mostram as atividades elaboradas pelas professoras, registradas na presente coletânea. A finalidade deste relato é, então, informar como aconteceram os encontros do PNAIC, no município de Guaranésia - Minas Gerais. Para que, de fato, a formação que as professoras do município, vêm recebendo do PNAIC, chegue a cada criança, e consiga alfabetizá-la até 8 anos de Idade, como prevê o programa do governo federal, fez-se necessário elaborar um planejamento para cada encontro, possibilitando a reflexão sobre:

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a prática do dia a dia na sala de aula;

a forma de como está organizado o currículo para cada ano do ciclo de alfabetização;

-a troca de experiências entre os professores do município, por meio da socialização dos trabalhos desenvolvidos em sala de aula;

o trabalho em equipe do primeiro, segundo e terceiro ano das escolas do município, elaborando o planejamento coletivo;

a utilização e conhecimento dos acervos complementares, disponibilizados pelo MEC, em sala de aula;


a consideração da especificidade de cada etapa que compõe o ciclo de alfabetização;

a criação de melhores condições para o uso dos materiais distribuídos pelo MEC.

No início do curso as professoras esperavam que, como num passe de mágica, o PNAIC viesse solucionar todos os problemas encontrados, no cotidiano escolar, que as afligiam como: •

definir o que ensinar em cada etapa do ciclo de alfabetização, para que as crianças alcancem as aprendizagens esperadas e não progridam sem consolidá-las;

apontar caminhos para que todas as crianças aprendam ler e escrever com autonomia no final do ciclo, no terceiro ano;

entender como alfabetizar letrando todas as crianças, inclusive as que apresentam dificuldades de aprendizagem;

organizar o planejamento para que todas as escolas municipais trabalhem juntas;

encontrar materiais e recursos para auxiliá-las na sala de aula foram as expectativas postas pelas professoras, no início do curso.

Para que os encontros acontecessem de forma tranquila e agradável as atividades de cada planejamento foram dinâmicas realizadas em espaços diferentes, dentro da escola. Foram utilizadas as salas de alfabetização, informática, biblioteca, sala de vídeo. Uma das estratégias para tornar cada encontro dinâmico, com as professoras motivadas e comprometidas, foi, em primeiro lugar, preparar o ambiente deixando-o alegre e acolhedor. Quanto às atividades realizadas durante o curso, os textos que as unidades trazem, foram lidos e discutidos, em grupos, de acordo com cada etapa do ciclo e apresentados a todo o grupo. Esse momento foi muito rico, porque, além da troca de experiência, aconteceu a reflexão sobre o trabalho realizado em sala de aula, transformando a teoria em prática. Um momento que considerei de grande importância durante a formação ligou-se às informações teóricas, através das leituras complementares, sugeridas nas unidades. As professoras elaboraram questões pertinentes ao tema da unidade. Durante a apresentação das questões ao grupo, elas tiraram dúvidas, pediram ajuda às colegas para sanar alguns problemas que tinham na sala e refletiram sobre questões que, muitas vezes, passam despercebidas. Os textos lidos, refletidos e discutidos foram: •

Avaliação e aprendizagem: a prática pedagógica como eixo da reflexão;

O processo de alfabetização no contexto do ensino fundamental de nove anos;

Alfabetização e letramentos múltiplos: como alfabetizar letrando

Ortografia: Ensinar e Aprender. 1ª parte

Ortografia: Ensinar e Aprender- 2ª parte

Jogo, brinquedo, brincadeira e educação.

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Não há episódios que nos tenham chamado atenção, durante os encontros, o que constatamos foi a união do grupo para resolver as questões que iam aparecendo. As professoras se reuniram fora do horário de aula, para planejar sequências e projetos didáticos para que todas trabalhassem o mesmo assunto durante o mês. Nesse momento houve muitas trocas de experiências. Uma observação feita em relação aos avanços das cursistas: constatamos que as professoras estão mais unidas para superar as dificuldades e os desafios ao realizar o trabalho, no dia a dia em sala de aula. Entre as ações, realizadas pelo grupo, que deram certo, encontram-se os planejamentos coletivos, com uma reflexão mais minuciosa sobre processo de alfabetização e sobre a prática docente, através das trocas de experiências.

Como a formação dos professores, no âmbito do PNAIC, é extremamente focada na prática dos alfabetizadores, de modo que o trabalho pedagógico é sempre objeto de reflexão, constatei, observando e acompanhando os trabalhos realizados, por elas, que:

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conseguem, umas mais, outras menos, entender a concepção de alfabetização, na perspectiva do letramento. Utilizam, sobretudo, as obras pedagógicas recebidas pelo PNBE;

compreendem melhor sobre o currículo nos anos iniciais e sobre os direitos de aprendizagens relacionados a cada componente curricular;

compreendem a importância da avaliação no ciclo de alfabetização, registrando, analisando os resultados e criando estratégias para os alunos aprenderem o que foi detectado como dificuldade;

conhecem e utilizam, sistematicamente, os diferentes recursos distribuídos pelo MEC, planejando situações didáticas em que os acervos complementares, jogos,


livros didáticos, sejam bem explorados, •

planejam o ensino, em conjunto, fora do horário de trabalho, analisando e criando propostas de organização de rotina da alfabetização, na perspectiva do letramento;

criam um ambiente alfabetizador, para favorecer a aprendizagem, com cartazes feitos pelos alunos, cantinho de leitura, de jogos e outros.

Como pude perceber as professoras ficam ansiosas para saber o que vai acontecer no próximo encontro, dizendo que os trabalhos realizados com os alunos, durante o mês, ficaram ótimos e que elas e os alunos aprenderam muito. O trabalho proposto, além de permitir reflexões aprofundadas sobre o processo de alfabetização, com base no letramento, propiciou melhores condições de uso dos materiais distribuídos pelo MEC e de elaboração de recursos relevantes, para ajudar o professor na sala de aula. Dessa maneira, o PNAIC vem contribuindo, com suas ações, para que aconteçam: a aprendizagem das crianças do ciclo de alfabetização; os processos de avaliação e acompanhamento da aprendizagem das crianças; o planejamento e avaliação das situações didáticas; o conhecimento dos materiais distribuídos pelo MEC, voltados para a garantia de que todas as crianças até 8 anos estejam alfabetizadas, o que coincide com o final do terceiro ano do Ensino Fundamental.

Bibliografia As referências utilizadas nesse relatório foram: •

as quatro primeiras unidades dos materiais do PNAIC;

o caderno de apresentação do PNAIC;

o livro de Educação especial do PNAIC.

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Projeto: Meu Querido Dicionário Professora: Adriene Aparecida Silva Marques Escola Dom Inácio João Dal Monte Turma: 1º Ano

Justificativa Sabendo da importância do contato com diferentes portadores textuais, no processo de ensino e aprendizagem, nas séries iniciais, optei por desenvolver um projeto que instigasse a curiosidade sobre o uso e a função do dicionário, com a turma do 1º ano. Acredito que a realização de atividades com o dicionário contribuirá de forma significativa para o desenvolvimento da oralidade e avanço da leitura e da escrita de meus alunos. No campo afetivo, auxiliará na expressão de sentimentos, ideias e opiniões, estimulando-os a serem críticos.

Objetivos Com a realização deste projeto, busca-se o desenvolvimento as seguintes capacidades: •

Usar a variedade linguística apropriada à situação de produção e de circulação, com escolhas adequadas quanto ao vocabulário;

Reconhecer unidades fonológicas como sílabas, rimas e terminações de palavras;

Conhecer o alfabeto;

Compreender a categorização gráfica e funcional das letras;

Compreender a natureza alfabética do sistema de escrita;

Desenvolver atitudes e disposições favoráveis à leitura;

Avaliar afetivamente o texto, fazendo extrapolações.

Conteúdos Curriculares Foram explorados neste projeto os seguintes eixos: •

Desenvolvimento da oralidade;

Compreensão e valorização da cultura escrita;

Apropriação do sistema de escrita;

Leitura.

Metodologia Durante o projeto foram realizadas as seguintes etapas: •

Questionamento aos alunos, dispostos em “roda de conversa”, quanto ao conhecimento prévio sobre o dicionário, para que serve, onde podemos encontrá-lo e o que possui;

Apresentação de dicionários para a turma, explorando qual o seu conteúdo e características peculiares como: as cores utilizadas nas palavras em destaque, tipos de letras, a presença de ilustrações ou não; 13


Construção do Cantinho da Leitura, com dicionários, para manuseio pelos alunos;

Exploração, quanto à ordem alfabética presente na sua organização, ou seja, como devemos procurar as palavras em um dicionário, da letra A até a letra Z;

Explicação detalhada quanto aos verbetes, ou seja, significado das palavras e sua divisão silábica;

Busca, no dicionário, de palavras iniciadas com cada letra do alfabeto trabalhada em sala, ampliando, assim, o vocabulário da turma e seu repertório;

Sequência didática com verbetes, sugerida pelo material do Pacto Nacional Pela Alfabetização na Idade Certa.

A atividade foi realizada da seguinte forma:

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Apresentei aos alunos algumas palavras com a letra J questionando-os quanto ao que sabiam sobre essas palavras (significados), registrei as falas dos alunos em um cartaz, a seguir entreguei uma folha impressa, em letras maiúsculas, com as palavras trabalhadas e seus significados transcritos dos verbetes do dicionário.

Alguns alunos que já iniciaram o processo de leitura leram os significados dos verbetes apresentados, com a ajuda da professora, e relacionamos, então, o que os alunos tinham dito e o significado real das palavras apresentadas.

Na apropriação do sistema de escrita, aproveitei essas palavras para explorá-las quanto ao número de letras e sílabas de cada uma.

Utilizamos o recorte e colagem das sílabas dessas palavras como registro da atividade desenvolvida.

Foram, também, exploradas outras palavras já conhecidas com a letra J e buscamos os significados oferecidos pelos dicionários da turma.

A composição das palavras quanto à posição das sílabas também foi explorada. (primeira sílaba, sílaba intermediária e última sílaba).


Um jogo foi confeccionado com as palavras trabalhadas durante a atividade proposta (verbete). Os alunos foram divididos em duas equipes. Ao ser lida a ficha sorteada com o significado da palavra, os alunos buscavam a palavra à qual se referia. Exemplo: JABUTICABA FRUTO ADOCICADO, COM POLPA BRANCA E CASCA PRETA.

A utilização do dicionário, manuseio e trabalho com verbetes serão explorados durante todo o ano letivo.

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Adequação das Propostas Educacionais Especiais

para Alunos

com

Necessidades

Os alunos que têm maior dificuldade em expor suas ideias, falar sobre determinados assuntos, ou seja, os mais tímidos foram mais motivados, em relação aos conhecimentos prévios dos significados das palavras e expressões conhecidas, ao longo do processo. Na questão da leitura e escrita, busquei uma intervenção mais individualizada, para os alunos que apresentam maior dificuldade, quanto ao reconhecimento de sílabas. A composição das palavras trabalhadas, a partir do número de letras, contribuiu de forma significativa e prazerosa para um aluno da turma, que ainda não domina o reconhecimento de todas as letras do alfabeto.

Avaliação Pude constatar avanços significativos, ao longo da realização do projeto, presentes nas falas dos alunos. Sempre que temos dúvidas de expressões trazidas nos livros didáticos ou livros de leitura ouço alguém dizer: “Procura no dicionário professora”. Percebo interesse e que os alunos, realmente, descobriram a utilidade do uso do dicionário em sala de aula. Na questão dos eixos e capacidades trabalhados e explorados, os alunos também apresentam avanços, de forma qualitativa, constatados através dos testes de escrita, avaliações e registros em sala de aula. A valorização da leitura, como fonte de informação, também foi acontecendo, gradativamente, durante o projeto.

Autoavaliação Quando propomos o uso do dicionário, para turmas de primeiro ano, é comum pensarmos que surgirão barreiras, na compreensão, por parte dos alunos. Com a realização deste projeto aprendi que, quando usado de forma prazerosa, o dicionário acrescenta muito no processo de aprendizagem de nossos alunos, despertando a curiosidade e o interesse em conhecer e escrever novas palavras. Afirmo, com convicção, que o uso do dicionário em sala de aula contribui para o desenvolvimento da oralidade, aumento de repertório de palavras e avanço da leitura e escrita, no processo de alfabetização. Nesse processo, cabe a nós educadores formar uma ponte para aproximar o mundo da leitura e da escrita e a compreensão por parte de nossos alunos.

Bibliografia Utilizada

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Livro Pró letramento Alfabetização e Linguagem - Fascículo 4 - O uso do dicionário na escola.

Dicionários: •

Aurélio Ilustrado - Aurélio Buarque de Holanda Ferreira

Dicionário Caldas Aulete - Paulo Geiger

Palavrinha Viva - Francisco S.Borba


Alguns Momentos do Nosso Projeto

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Projeto Correspondência entre as Escolas Rurais de Guaranésia Professoras: Ana Elisa Peres de Souza, Claudinéia Ribeiro, Denize Edna Alves e Érica de Cássia Gonçalves Escola Municipal Maria Pignataro e Escola Municipal do Bairro da Cachoeira Turma: 2º Ano

Eixos •

Linguagem oral e escrita - práticas de leitura e escrita;

Ciências;

Matemática;

Geografia;

Artes.

Objetivos •

Desenvolver atitudes e disposições favoráveis à leitura;

Compreender e valorizar o uso da escrita com diferentes funções, em diferentes gêneros;

Participar das interações em sala de aula: •

Escutando com atenção e compreensão;

Respondendo às questões propostas pelo professor;

Expondo opiniões nos debates com os colegas e com o professor

Desenvolver a linguagem oral e escrita através da produção de textos coletivos e diversos tipos de correspondências;

Realizar experimentos e observação de germinação de plantas;

Reconhecer os recursos tecnológicos utilizados no seu dia a dia, identificando os instrumentos que favorecem e facilitam a vida das pessoas (tirar fotos para produzir cartões postais, receber e-mails, utilizar ônibus para fazer os passeios);

Reconhecer o espaço de vivência e convivência. Realizar passeios (visita ao correio para postar as cartas e visita de uma escola à outra para confraternização);

Conhecer o funcionamento dos principais meios de comunicação, e a importância deles para a comunicação dos seres humanos (correio, internet, telefone);

Reconhecer possíveis formas de combinar elementos de uma coleção e de contabilizá-los usando estratégias pessoais (classificação de panfletos de supermercado);

Reconhecer em seres e objetos, em paisagens naturais e artificiais características expressivas das artes visuais (fotografia, ilustrações do livro).

Justificativa Ao conhecer e utilizar a função de comunicação da escrita, despertar e promover o interesse dos alunos pelo seu aprendizado, bem como pelo conhecimento da realidade de outras pessoas. Promover o encantamento através da leitura do livro “O carteiro chegou”, Janet & 19


Allan Ahlberg e dos contos clássicos a ele relacionados.

Atividades •

Português •

Eixo Leitura, capacidade - Desenvolver atitudes e disposições favoráveis à leitura: •

Eixo Leitura, capacidade - Antecipar conteúdos a serem lidos em função de seu suporte, seu gênero e sua contextualização: •

Escrita de cartas convencionais coletivas usando a professora como escriba e trocá-las entre as turmas;

Escrita de carta para a diretora da escola pedindo permissão para o passeio;

Escrita de receita de acordo com explicações obtidas oralmente;

Eixo Produção Escrita, capacidade - Planejar a escrita do texto considerando o tema central e seus desdobramentos:

Escrita de textos coletivos narrando os passeios realizados, textos para os cartões postais e de aniversário, escrita da receita do bolo;

Eixo Oralidade, capacidade - Planejar a fala em situaçõe formais;

Eixo Oralidade, capacidade - Realizar com pertinência tarefas cujo desenvolvimento dependa de escuta e compreensão;

Eixo Oralidade, capacidade - Participar das interações cotidianas em sala de aula: •

Escutando com atenção e compreensão;

Respondendo às questões propostas pelo professor;

Expondo opiniões nos debates com os colegas e com o professor;

Participando na produção dos textos coletivos e debates sobre as atividades;

Ciências •

Realizar experimentos e observação de germinação de plantas: •

Plantio de feijões e observação da germinação em diferentes circunstâncias);

Observar a transformação dos alimentos quando misturados: •

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Escrita de relatório sobre o desenvolvimento dos feijões em diversas etapas;

Eixo Produção Escrita, capacidades - Organizar os próprios textos segundo os padrões de composição usuais na sociedade: •

Leitura de uma receita;

Eixo Produção Escrita, capacidade - Produzir textos escritos de gêneros diversos, adequados aos objetivos, ao destinatário e ao contexto de circulação:

• •

Leitura do livro “O carteiro chegou”, Janet & Allan Ahlberg, Cia das Letrinhas e das histórias infantis correspondentes a cada carta, criando a curiosidade sobre a comunicação escrita;

Fazer bolo;


Reconhecer os recursos tecnológicos utilizados no seu dia a dia, identificando os instrumentos que favorecem e facilitam a vida das pessoas: •

Matemática •

Eixo Tratamento da Informação, capacidade - Reconhecer possíveis formas de combinar elementos de uma coleção e de contabilizá-los, usando estratégias pessoais: •

Ler a lista de ingredientes da receita e segui-la para fazer o bolo;

Geografia •

Reconhecer o espaço de vivência e convivência. Realizar passeios: •

Visita ao correio para postar as cartas e visita de uma escola à outra para confraternização;

Eixo Transporte e Comunicação, capacidade - Conhecer o funcionamento dos principais meios de comunicação, e a importância deles para a comunicação dos seres humanos: •

Classificação de panfletos de supermercado;

Eixo Tratamento da Informação, capacidade - Ler e interpretar informações e dados apresentados de maneira organizada, por meio de listas: •

Tirar fotos para produzir cartões postais, receber e-mails, utilizar ônibus para fazer os passeios;

Uso de correio, internet, telefone;

Artes •

Eixo Artes Visuais, capacidade - Reconhecer em seres e objetos, em paisagens naturais e artificiais características expressivas das artes visuais: •

Fotografia, ilustrações dos livros, confecção de panfleto.

Recursos •

Livros: (“Cachinhos Dourados”, “João e Maria”, “João e o Pé de Feijão”, “Cinderela”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Os Três Porquinhos” e “O Carteiro Chegou”, “Viviana, a Rainha do Pijama”);

Papéis, envelopes, selos;

Internet;

Máquina fotográfica digital.

Avaliação Observação da recepção dos alunos ao trabalho e evolução da sua oralidade e hipóteses sobre as funções e uso da escrita.

Produto final Livro inspirado na obra original contendo registros das atividades realizadas, durante o 1º semestre de 2013.

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Registro Fotográfico

Relato pela Professora Ana Elisa A leitura do livro do Carteiro me inspirou a realizar atividades de correspondência com meus alunos desde 2011. Nesse ano tinha o desejo de fazer o mesmo trabalho com uma amiga que leciona em São Paulo, pois achava que a diferença da realidade de vida das crianças traria informações intrigantes para elas, mas essa amiga não pode participar do projeto, então a Rosane sugeriu que fizessemos a atividade entre as escolas rurais do município (Ipiranga e Cachoeira). Iniciamos com a leitura do livro “O carteiro chegou” e contos clássicos correspondentes. Minha turma escreveu uma carta para a turma da professora Érica, da Cachoeira. Cada conto foi feito com a utilização de uma técnica – leitura, contação, fantoches, mas a preferida das crianças é a contação. Nessas ocasiões dava para ver suas carinhas mudando com a emoção da história. Levamos a carta ao correio. Foi um passeio muito interessante, para as crianças que não costumam sair muito da zona rural. A cada esquina havia uma descoberta e um comentário (“O que é aquilo?”, “...e já vim aqui com minha mãe!”, “A avó do fulano mora ali!”). O Vair (chefe dos correios) nos recebeu muito bem e permitiu a nossa entrada, no escritório e no local onde são separadas as correspondências e o Jaime (caixa) deu várias explicações, na hora da postagem da nossa carta. O painel eletrônico das senhas foi motivo de admiração e curiosidade, para todas as crianças. Depois de retornar à escola fizemos um texto coletivo sobre o passeio. Pedi à Lurdinha para utilizar o trabalho com o livro para uma das atividades do PNAIC, mas ela disse que precisava ser uma obra do PNBE, porém depois que viu o livro sendo contado pela professora Érica ficou muito empolgada e sugeriu que ampliássemos a proposta de correspondência, para um projeto que englobasse váriados tipos de atividades. A Érica elaborou uma sequência didática, mas eu já havia feito várias das atividades, e decidi adaptá-las para minha turma, e desse modo cada sala da zona rural realizou atividades pertinentes à realidade e à faixa etária de seus alunos. Retomei a história de “João de Maria” e contei às crianças que a bruxa, em questão, era minha prima e que me enviou um e-mail (que levei impresso para as crianças verem) porque queria fazer uma sopa com eles, pois tinha descoberto o local onde eu estava trabalhando. Disse, ainda, que só não faria isso, se fizessemos uma nova casa de doces para ela morar, pois João e Maria haviam comido tudo. As crianças menores entraram na brincadeira, na hora, as maiores ficaram em dúvida... A notícia se espalhou pela fazenda, a ponto dos alunos do ano anterior virem tirar satisfações do porque não tinha sido feita essa atividade com eles. Trabalhamos com o gênero textual receita, os alunos trouxeram exemplos de receitas de casa (que foram transformadas num caderno de receitas) e fomos conversar com a Neiva (cozinheira) para saber como se fazia um bolo que fosse suficiente para todos. Escrevemos 22


a receita. Fizemos o bolo junto com a sala da professora Denize e decoramos com doces variados, em forma de casa. Foi uma festa. Enviei as fotos por e-mail para a “prima” e gravei um vídeo dela agradecendo pela nova casa e prometendo não comer ninguém. Plantamos feijões em algodão e observamos o seu desenvolvimento, depois repetimos a experiência colocando os feijões dentro de caixas com e sem buracos e também num vaso com terra. Lemos as histórias “Nada ainda?” de Christian Voltz e “O último broto” de Rogério Borges que tem como temática a germinação de sementes, e possuem um projeto gráfico fantástico. As crianças vibraram ao receber a resposta da carta enviada pelo correio e ao serem convidadas para ir à cidade. Resolveram escrever para a Rosane, também, pois precisavam pedir autorização para o passeio. Nós tiramos fotos da fazenda para fazer cartões postais para os alunos da cachoeira e enviamos, novamente, pelo correio. Utilizamos panfletos de supermercado para realizar atividades de classificação e depois os alunos do segundo ano produziram seus próprios panfletos. Para cada atividade realizada, fomos produzindo textos coletivos e registrando, por meio de fotos. No meio do processo, a professora Denize encontrou o Livro “Viviana, a Rainha do Pijama” de Steve Webb, na caixa de obras complementares do 3º ano e me sugeriu a leitura do mesmo, que também tem como temática as cartas. Os alunos se encantaram com as rimas e imagens da história da menina que quer saber qual animal usa o pijama mais legal. Recebemos um convite formal para uma visita de confraternização à Escola Cachoeira e foi uma manhã muito proveitosa e agradável para todos. As crianças brincaram e cantaram na praça e se divertiram muito ao conhecer os colegas pessoalmente. Particularmente minha aluna Maria Ângela ficou empolgadíssima ao conhecer a colega Ângela Maria... após essa visita ela só falava na menina. Creio que os objetivos foram atingidos e as crianças de todas as séries puderam se beneficiar com o trabalho, sendo inspiradas a produzir atividades espontâneas como cartas para a professora (Analice) ou plantio de novas mudas de feijão (Mariane) e tendo avançado no desenvolvimento de sua oralidade, seu vocabulário, suas hipóteses de escrita e no conhecimento e valorização da escrita, tecnologias, meios de transporte, além de terem se encantado com as histórias e o mundo mágico dos livros. O projeto ainda serviu de tema para nossa apresentação no desfile de aniversário da cidade onde os alunos se vestiram como carteiros e distribuíram postais com fotos da cidade.

Bibliografia •

Ahlberg, Janet & Allan. “O Carteiro Chegou”, São Paulo: Companhia das letrinha, 2007. 23


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ASSIS, Orly Mantovani de e DAL COLETO, Andréa Patapoff. PROEPRE Fundamentos teóricos e prática da educação infantil. 2010.

Borges, Rogério. O Último Broto. São Paulo: Moderna, 2004 (Coleção Girassol).

Material de apoio do PNAIC, 2012.

Material de apoio do Proletramento, 2008.

Organização da matriz curricular dos anos iniciais do ensino fundamental.

Pennac, Daniel. Como um Romance; tradução de Leny Werneck. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.

Voltz, Christina. Nada ainda?, São Paulo: Hedra, 2007.

Webb, Steve. Viviana, a Rainha do Pijama, São Paulo: Salamandra, 2011.


Sequência Didática sobre a Biografia de Mauricio de Sousa Professora: Ana Paula Mendes Citon Escola Municipal Olavo Vilas Bôas Turma: 1º Ano

Justificativa O intuito de trabalhar uma biografia está em formar leitores a partir do estímulo à leitura dos mais diversos tipos de textos. Acredita-se que se aprende a ser leitor lendo, construindo opinião e gosto literário, refletindo sobre a função de cada texto, utilizando-o na vida e na construção de conhecimento do mundo. Pretende-se com a realização desta sequência que os alunos desenvolvam comportamento de leitores e consequentemente de escritores, ampliando o repertório de obras, construindo sua autonomia, expressando sentimentos, ideias e opiniões, com base na leitura.

Objetivos •

Contribuir no desenvolvimento do gosto e do prazer pela leitura, nos anos iniciais escolares;

Conhecer a vida e a obra de alguns autores brasileiros de maior destaque, na literatura infantil, tais como: Mauricio de Sousa, Ziraldo e Monteiro Lobato;

Descrever o ambiente e os personagens;

Instigar a curiosidade dos alunos e abrir espaço, permanente, para suas colocações;

Proporcionar a integração entre as turmas, na busca e na socialização dos conhecimentos;

Atualizar a biblioteca escolar na medida em que forem surgindo as necessidades;

Levar a literatura brasileira ao conhecimento das crianças, demonstrando a importância da leitura, ajudando-as a perceber o quanto podem aprender de forma prazerosa.

Conteúdos Curriculares •

Comportamentos sociais próprios de leitor;

Formação de um gosto estético;

Conhecimento e utilização de espaços de leitura;

Levantamento e confirmação de hipóteses;

Previsões relativas ao texto, baseadas em informações, estilo do personagem, interpelações com outros textos ou situações vivenciadas;

Formas de participação adequadas para os espaços sociais públicos;

Participação em sala de aula;

Regras de convivência;

Respeito mútuo; 25


Audição atenta visando a compreensão.

Metodologia Em roda, foi apresentada aos alunos a biografia de Mauricio de Sousa e conversamos sobre a função de uma biografia e o que encontramos nela.

Mostrei outras biografias, também, de autores conhecidos pelas crianças. Apresentei e deixei a disposição das crianças algumas obras de Mauricio de Sousa, como gibis da Turma da Mônica, Chico Bento, Cebolinha entre outros. As crianças adoraram e passaram a semana na companhia dos gibis.

Realizamos um registro de tudo que conversamos, explorando o tipo de textos que ele escreve, gênero textual, personagens da Turma da Mônica e número de letras, palavras, vogais e sílabas com os nomes dos personagens. Propus fazer um auto ditado com os nomes dos personagens mais conhecidos e fiz a correção na lousa.

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Trabalhei a consciência fonológica, registrando as palavras da lista em uma tabela, em que as crianças deveriam classificá-las, quanto ao número de letras e sílabas. A partir de uma tirinha buscamos coerência e coesão, no processamento de texto. Criamos um texto coletivo narrando os acontecimentos da cena, de forma coerente.

E, para finalizar, utilizei a informática, com os jogos de alfabetização da Turma da Mônica.

Avaliação Percebi como este assunto gerou grande interesse entre alunos em conhecer outras 27


biografias.

Autoavaliação O tema Biografia foi muito gostoso para trabalhar com os alunos do 1º ano. As crianças adoraram as atividades realizadas nessas duas semanas. Conheceram as biografias de Mauricio de Sousa, onde puderam saber um pouco de sua vida e obras, e da professora Janete que trabalha na escola onde estudam. Acredito que os alunos ficaram ainda mais encantados por causa dos personagens de Mauricio de Sousa, que estiveram presentes em todas as atividades. Os jogos escolhidos foram voltados para a área de alfabetização (jogo das rimas, caçapalavras, cruzadinha e palavras embaralhadas), utilizamos o CD da Turma da Mônica e contamos com a ajuda do professor Odair na aula de computação. As crianças adoraram o jogo e senti que tiveram uma facilidade maior com as rimas, sendo o trabalho feito dessa forma lúdica.

Bibliografia Utilizada

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Biografia de Maurício de Sousa.

Gibis da Turma da Mônica Infantil e Jovem

ABC Turma da Mônica - vol. 9


Diversidade Cultural Professora: Carla Maria Gonçalves Lopes Escola Municipal Olavo Vilas Bôas Turma: 3º Ano

Justificativa Pensando na socialização dos alunos e em priorizar valores como respeito, amizade e tolerância optei por trabalhar com um livro que mostrasse a diversidade cultural, em diversas partes do mundo, enfatizando os modos de viver, brincar, cumprimentar, vestir, entre outros aspectos.

Objetivo O objetivo da atividade é socializar os alunos, trazer novos conhecimentos sobre a diversidade cultural, oportunizar o conhecimento dos sujeitos históricos, através da capacidade de comparar as condições de existência (alimentação, moradia, proteção familiar, saúde, lazer, vestuário, educação e participação política) dos membros dos grupos de convívio dos quais participa atualmente, além de contemplar os eixos de leitura, oralidade, apropriação do sistema de escrita e produção escrita.

Desenvolvimento Esta aula terá como ponto de partida o livro “Nem todo mundo brinca assim!” de Ivan Alcântara e Newton Foot - Editora Escala Educacional. 1º passo: Apresentar o livro. Observar a capa e propor perguntas que os estimulem a destacar o nome do livro, dos autores, da editora, o desenho da capa, o assunto do livro (o que acham que será apresentado no livro). 2º passo: Ler cada página do livro. A cada página, fazer perguntas pertinentes a ela, observar bem o que sabem sobre o assunto. 3º passo: Registrar as várias formas de cumprimentar no mundo – depois de conversarmos sobre as algumas maneiras de cumprimentos no mundo então os alunos farão a anotação e a ilustração, as diferentes maneiras de se vestir – pensar em um lugar muito quente e outro, muito frio. Registrar e desenhar diferentes tipos de moradia mostradas no livro e os diferentes tipos de moradia mencionados pela turma. Retomar as brincadeiras pedindo que citem aquelas que mais gostam. 4º passo: Conversar com a turma, pedindo que cada um fale da importância de se respeitar o outro, em todos os aspectos. Proporcionar momentos para que cada um fale e expresse seus sentimentos. Relacionar as falas dos alunos com as atitudes dos mesmos.

Avaliação A atividade foi muito interessante porque os alunos ficaram motivados em conhecer os cumprimentos de outros países, especialmente dos russos que se cumprimentam com beijo no rosto. Essa atividade contribuiu muito para desenvolver a apropriação do sistema de escrita, pois os alunos estavam começando a produção escrita e apresentavam muitas dúvidas na hora de escrever as palavras. Foi produtivo poder refletir sobre a grafia das palavras com os colegas. A atividade enriqueceu o repertório dos alunos. Foi excelente. 29


Registro Fotogrรกfico

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Cantigas de Roda no Campo: Um Resgate da Cultura Local Professoras: Claudinéia da Silva Ribeiro e Érica de Cássia Gonçalves Escola Municipal Municipal do Bairro da Cachoeira Turmas: 1º, 2º e 3º Ano

Justificativa No dia a dia nos preocupamos em propiciar práticas de leitura e escrita na aprendizagem do Sistema de Escrita Alfabética e, ao mesmo tempo, que tais práticas sejam prazerosas para os nossos alunos. Dessa forma, vimos, nas Cantigas de Roda, uma ferramenta facilitadora no processo de ensino-aprendizagem de algumas questões a serem consolidadas nas turmas de 1º ao 3º ano. A partir destas cantigas, os alunos terão a oportunidade de consolidá-las, vivenciando aulas lúdicas e prazerosas, ampliando, também, o seu conhecimento musical, uma vez que a música é um bem cultural a que todos devem ter acesso. De acordo com Vigostky (1998, p. 76), “a separação dos aspectos intelectuais dos afetivos é um dos defeitos da psicologia tradicional. Diz que o pensamento tem sua origem na motivação.” Nesta perspectiva, utilizamos a música não apenas como ludicidade, mas como uma maneira de oportunizar o desenvolvimento das diversas habilidades da turma, propiciando um saber significativo e contextualizado. Para o desenvolvimento desta sequência, foi realizado um levantamento das principais dificuldades das turmas, onde foi diagnosticado que alguns alunos ainda precisavam compreender que as palavras são compostas por unidades sonoras, que possuem partes sonoras iguais, rimas, segmentação das palavras, a variedade de letras utilizadas, o valor sonoro associado a cada uma das letras, entre outras dificuldades relacionadas ao desenvolvimento da consciência fonológica. Sendo assim, a sequência didática abordando “Cantigas de Roda”, visa possibilitar às crianças avançarem em seu nível de leitura e escrita, a partir das letras das músicas, que são de fácil memorização, além de jogos de palavras presentes nestas letras e que possuem um significado maior para as crianças. Outro aspecto relevante desta sequência, é o resgate destas cantigas, já esquecidas na sociedade atual, buscando valorizar nossas tradições culturais.

Objetivos Através das diversas atividades propostas para os alunos, objetivamos: •

Ler textos memorizados: cantigas de roda;

Reconhecer unidades fonológicas como sílabas, rimas, terminações de palavras;

Mudar uma letra e observar a mudança sonora e o sentido da palavra;

Identificar palavras que rimam;

Ler e escrever palavras;

Reescrever a cantiga “Atirei o pau no gato”;

Confeccionar um livro coletivo baseado na obra de Zoé Rios – Ciranda das Vogais.

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Conteúdos •

Leitura de textos •

Cantigas de Roda ( Atirei o pau no gato, Se essa rua fosse minha)

Livro Ciranda da Vogais – Zoé Rios

Apropriação do Sistema de Escrita •

Escrita de palavras

Sílabas

Troca de letras, originando novas palavras

Rimas

Produção Oral e Escrita •

Comunicação Oral – Apresentar as cantigas de roda no Sarau

Comunicação Escrita – Escrever o livro (Ciranda das Letras) e reescrever a cantiga "Atirei o Pau no Gato".

Pontos de Contato: Matemática e Arte.

Metodologia 1º Momento Motivação: •

Iniciar a conversa, perguntando aos alunos se conhecem cantigas de roda, quais conhecem, quais são as suas prefeidas;

Conversar com os alunos sobre a sequência, apresentando as etapas a serem vivenciadas.

Características do gênero textual - Cantigas de Roda De acordo com os estudos de Luís da Câmara Cascudo, pesquisador do folclore no Brasil, as cirandas são transmitidas oralmente, abandonadas em uma geração e resgatadas em outra. Elas tornam-se populares à medida que sua utilização, pelas crianças, aumenta, criando um retrato da própria nação. Além de serem extremamente importantes para o desenvolvimento cultural, descrevendo os costumes, festas, comidas, flora, fauna e crenças típicas de uma localidade, elas estabelecem uma interação entre o imaginário infantil e a realidade. Habilidades: •

Identificação de letras do alfabeto

Atividade coletiva: •

Fazer um levantamento, com a turma, das cantigas de roda conhecidas pelas crianças e elaborar uma lista dos nomes das cantigas citadas, explorando neste momento a relação entre letra e seus sons, as relações entre grafemas e fonemas, perguntando aos alunos a letra inicial e final das palavras e pedindo sugestões sobre a grafia das palavras.

2º Momento Habilidades:

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Identificar as letras do alfabeto;

Conhecer as direções e o alinhamento da escrita da Língua Portuguesa;


Identificar sons de sílabas;

Ler palavras e pequenos textos.

Atividades: •

Fazer a leitura da cantiga “Atirei o pau no gato”, decodificando e reconhecendo globalmente as palavras;

Mostrar, no cartaz, as palavras para os alunos lerem coletivamente ou, em alguns momentos, individualmente;

Identificar o título da cantiga;

Recortar as letras que formam a palavra “Gato”;

Explorar a sílaba inicial das palavras GALO, GALINHA e GAFANHOTO.

3º Momento Habilidades/atividades: •

Compreender a função da segmentação dos espaços em branco, na delimitação de palavras em textos escritos;

Resolver problemas que demandam ações de juntar, separar, acrescentar e retirar quantidades (Matemática);

Organizar a cantiga na ordem da sequência correta (1º ano, fatiada a partir dos versos e 2º e 3º ano, a partir das palavras da cantiga);

Apresentar situações-problemas, como: Uma casa tem quatro cantos, Cada canto tem seu gato, Cada gato vê três gatos. Quantos gatos há na casa? (Folclore) 1) Represente sua resposta, através de um desenho. 2) Se você fosse o gato da cantiga “Atirei o pau no gato” o que faria para escapar da paulada? Desenhe e escreva sua resposta.

4º Momento Habilidades: •

Escrever frases/textos;

Atividades: •

Reescrever a cantiga “Atirei o pau no gato”, avaliando como a criança planeja a escrita.

5º Momento Habilidades: •

Identificar sons de sílabas (consciência fonológica e fonêmica);

Identificar letras dos alfabeto.

Atividades: •

Apresentar a cantiga “Se essa rua fosse minha” e, durante a audição, pintar palavras, quando a música parar; 37


Explorar rimas, sílabas, terminações das palavras nesta cantiga;

Estudar a letra R (o uso do R/RR nas palavras);

Jogar Caça-Rimas, avaliando se as crianças conseguiram compreender o que são rimas;

Trabalhar a paródia de uma estrofe da cantiga “Se essa rua fosse minha”.

6º Momento Habilidades matemáticas: •

Identificar informações apresentadas em gráficos de colunas.

Atividade coletiva: •

Construir um gráfico com as cantigas preferidas da turma, explorando situaçõesproblemas, a partir dos resultados obtidos.

7º Momento Habilidades: •

Identificar assuntos de texto;

Formular hipóteses;

Escrever palavras.

Atividades: •

Apresentar o livro “Ciranda das Vogais” de Zoé Rios – PNLD Obras Complementares 2013 - no qual estão presentes desafios, versos e cantigas populares, que ilustram com divertidas imagens uma alegre ciranda, e as crianças têm, também, como desafio pensar nas palavras e na troca das vogais, surgindo assim, outras palavras.

Explorar o jogo “Troca de Letras” contido na caixa Jogos de Alfabetização, utilizando a mesma temática abordada no livro “Ciranda das Vogais”;

Confecionar um livro baseado na obra de Zoé Rios, onde as crianças farão novos desafios com trocas de letras. Obs: Neste momento, avaliar se as crianças compreenderam a proposta de trocar letras para originar novas palavras.

8º Momento Atividades: •

Apresentar, em pequenos grupos, cantigas de roda em um sarau, na escola, além da exposição dos livros confeccionados.

Avaliação Os trabalhos realizados com cantigas, vinculado aos jogos propostos e, tendo, ainda, como suporte o livro “Ciranda das Vogais”, foram de grande importância para que as crianças pudessem compreender que as sílabas são unidades menores, atentar para a ordem das letras que é importante para ler e escrever. Os jogos, permitiram uma reflexão sobre os princípios do SEA e, em vários momentos, desta sequência, os alunos puderam refletir sobre como o sistema de escrita funciona, ou seja, que letras precisam aparecer e em que ordem. Nestas atividades, principalmente as que envolveram troca de letras, observamos que os alunos compreenderam o modo como as letras se juntam para formar as sílabas, percebemos que houve aprendizagem, quando confeccionamos o livro “Ciranda das Letras”, onde a proposta foi modificar palavras a partir do jogo “Troca de Letras”. 38


O jogo em que as crianças, inicialmente, apresentaram maior dificuldade foi o caça-rimas, pois ainda mostraram hesitação em comparar palavras com sua semelhança sonora. Foi muito interessante, pois no decorrer do jogo, os alunos foram percebendo as rimas, e até auxiliando os colegas que apresentavam dificuldades em encontrá-las. Após o jogo, cada criança falou as rimas encontradas e escrevemos no quadro, identificando as partes semelhantes, assim percebemos que as crianças compreenderam melhor e houve um progresso significativo em relação à consciência fonológica. Outra atividade da sequência que obteve resultados positivos, foi o trabalho a partir do livro “Ciranda das Vogais”. O livro todo propõe desafios de palavras, e apenas algumas vogais são trocadas, originando outras palavras. Durante a leitura, as crianças ficavam empolgadas, tentando descobrir a letra modificada, algumas descobriam com mais facilidade, outras com dificuldade, mas foi importante para as crianças terem a percepção que uma única letra trocada dá origem a outra palavra. Finalizamos esta atividade, com a confecção de um livro baseado na obra de Zoé Rios, e percebemos que, além de compreender a proposta do livro (troca de letras), as crianças demonstraram uma evolução em seus desenhos, atividade que, em trabalhos anteriores, não obtiveram tanto sucesso. Ao final da sequência, as crianças fizeram apresentações, em grupos, das cantigas que mais gostaram, o que foi muito relevante, pois percebemos que elas demonstraram ser mais autônomas e desinibidas. Todas as crianças participaram, inclusive alunos que pouco interagem com a turma em atividades coletivas, como o José Gabriel e Ailson. Acreditamos que as atividades foram produtivas e atingiram os objetivos esperados, pois as crianças mostraram evolução em relação aos conteúdos abordados, porém há ainda necessidade de desenvolver outras atividades, para que algumas crianças consolidem as capacidades propostas. Foram momentos ricos de socialização de saberes e que auxiliaram bastante as crianças, no processo de aquisição da leitura e escrita e consciência fonológica, um de seus requisitos fundamentais.

Autoavaliação O trabalho com sequência-didática possibilitou uma melhora expressiva em nossas atividades, uma vez que, as aulas tornaram-se mais significativas e prazerosas, para ambas as partes, professores e alunos. Além disso, como trabalhamos com turmas multisseriadas, percebemos que os alunos aprendem e ensinam, simultaneamente, uns aos outros, quando abordamos o mesmo tema/conteúdo, mas com grau de dificuldade direcionado para cada turma. Sendo assim, concluímos que a prática de um trabalho diferente da rotina diária, abordando temas significativos, contextualizados e lúdicos, proporciona uma maior consolidação na aprendizagem.

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Registro Fotográfico

A aluna Tatieli (1º ano) realizando a atividade de montar a cantiga fatiada “Atirei o pau no Gato”

Atividade de reescrita da cantiga “Atirei o pau no Gato” da aluna Kesilen (1º ano)

Aluna do 3 º ano durante a atividade do estudo da letra A aluna Nicoly (1º ano) durante a confecção do gráfico R das cantigas preferidas da turma

Aluna do 1º ano substituindo a palavra mala por mapa no jogo “Troca de Letras”

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O aluno José Gabriel (3º ano) brincando com o jogo “Caça-Rimas”


Capa do livro feita com dobraduras confeccionadas pelos alunos do 3º ano

Ilustração e desafio criado pela aluna Kesilen do 1º ano

Ilustração da cantiga “Pai Francisco” feita pelo aluno Vinícius

Ilustração da cantiga “A Canoa Virou” feita pelo aluna Ângela

Referências •

BRASIL. Ministério da Educação. Jogos de Alfabetização. Brasília, 2010.

BRITO, Teca de Alencar.Música na Educação Infantil. 2. ed. São Paulo: Peirópolis,2003.

CEALE. Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita. Faculdade de Educação /UFMG. Avaliação Diagnóstica: alfabetização no Ciclo Inicial. Belo Horizonte: SEE – MG/CEALE, 2005.

MINAS GERAIS, Secretaria de Estado de Educação. Programa de Intervenção Pedagógica- Matriz Curricular – Língua Portuguesa.

VYGOTSKY, L. S. O desenvolvimento psicológico na infância. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

ZOÉ, Rios. Ciranda das Vogais. PNLD Obras Complementares, 2013

Letras das cantigas de Roda. Disponível em http://letras.mus.br/cantigas-populares/. Acesso em: 18 de agosto de 2013.

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“O Trem de Alagoas”: Relato de uma Atividade Pedagógica1 Professora: Denize Edna Alves Escola Municipal Maria Pignataro

Justificativa A pedido do curso PNAIC (Pacto Nacional da Alfabetização Na Idade Certa), sob orientação da professora Maria de Lourdes Anselmo de Oliveira, fez-se necessário o trabalho, em sala de aula, com uma sequência didática com um dos livros oferecidos pelo MEC (obras complementares enviadas para o acervo escolar). Escolhemos o livro “O trem de Alagoas” de Ascenso Ferreira por ser um livro acessível ao conhecimento, tanto dos alunos em nível de alfabetização, quanto da educação infantil ao quinto ano, atendendo às necessidades de leitura das diferentes faixas etárias, aproximando as crianças do mundo literário e ampliando seu conhecimento de mundo.

Objetivos •

Apreciar e compreender textos do universo literário (poemas), levando-se em conta os fenômenos de fruição estética, de imaginação e de lirismo, assim como os múltiplos sentidos que o leitor pode produzir durante a leitura;

Conhecer gêneros textuais e seus contextos de produção;

Ler texto não verbal em diferentes suportes;

Compreender textos lidos por outras pessoas, de diferentes gêneros e com diferentes propósitos;

Relacionar textos verbais e não verbais construindo sentidos;

Participar de interações orais em sala de aula, questionando, sugerindo, argumentando e respeitando os turnos de fala;

Identificar semelhanças sonoras em sílabas e rimas;

Apreender assuntos/temas tratados em textos de diferentes gêneros lidos pelo professor ou outro leitor experiente;

Identificar construções antigas e modernas e verificar mudanças que ocorrem nos locais ao longo do tempo;

Valorizar o trabalho dentro do contexto sociocultural da comunidade local;

Conhecer o tipo de trabalho predominante na comunidade local, verificando se houve mudança ao longo do tempo.

Conteúdos Curriculares Língua Portuguesa, Geografia e História.

Metodologia Ao selecionar o livro do PNLD que contemplasse os componentes História e Língua Portuguesa, localizamos o livro “Trem de Alagoas” de Ascenso Ferreira, que chamou atenção pelo comentário elogioso de Manuel Bandeira, na contracapa. Percebemos, então, que poderíamos trabalhar com as duas turmas em conjunto as salas da 1 Trabalho desenvolvido juntamente com a professora Ana Elisa Peres de Souza. 43


professora Ana Elisa, 1º e 2º anos, e a da professora Denize, 3º ao 5º anos. Preparamos a apresentação do livro em data show e juntamos todas as crianças para ouvir a história. Durante a leitura fomos chamando a atenção dos alunos para a poesia e as ilustrações – riquíssimas – e pedindo que descrevessem o que viam: imagem de estação de trem antiga, paisagem rural, pessoas passando, os possíveis sentimentos expressos nas imagens, rimas e sonoridade com onomatopeia do barulho do trem em movimento etc. e os alunos conseguiram identificar e comentar a maioria desses aspectos. Nesse momento, pudemos constatar que as alunas Isabela e Lizandra, ambas do 4º ano, mostraram grande interesse e participação, chamando a atenção pela riqueza dos detalhes com que descreviam as imagens, com desinibição, tais como os chapéus e outros acessórios utilizados na época em que os trens eram um meio de transporte mais usado, chegando a perguntar se a história se passava na época em que o Brasil ainda tinha rei, fazendo um paralelo com o conteúdo de História que estavam estudando. Após a leitura exibimos várias imagens da antiga estação de trem de Guaranésia, onde hoje funciona o CEAP e também uma imagem do início do século XX do mesmo prédio. Conversamos bastante sobre para que servem os trens e sobre sua utilização nos dias atuais. Alguns alunos relataram que tinham parentes que moravam próximo à antiga estação e que tinham o costume de visitá-los, por isso, já conheciam o lugar mostrado nas fotos, ficando admirados em compará-las com imagens antigas que continham os trens da época. Depois montamos uma série de atividades para trabalhar com as crianças (identificação do título, nome do autor e ilustrador, quantidade de versos e estrofes, rimas, leitura de imagens, separação de sílabas, associação de imagens e palavras, localização de Alagoas, no mapa, e estudo sobre a história das ferrovias). As crianças menores ainda têm dificuldades de diferenciar cidade, estado e país, então fomos ao mapa do Brasil para resgatar esse conteúdo. Os maiores também não conseguiram localizar de imediato o estado de Alagoas, então foram feitas intervenções, através de conhecimentos já trabalhados com eles, para que pudessem encontrá-lo: região brasileira onde está situado, estados maiores que são vizinhos, etc. Quando isso aconteceu, os alunos, se empolgaram dizendo “Olha, professora, é perto do estado da Paraíba, onde Vanessa nasceu!” Então, Vanessa, nossa colega do terceiro ano, se transformou em nosso “ponto de referência”.

Avaliação Como estamos falando de turmas multisseriadas, a avaliação foi feita de forma diferenciada, contemplando e observando cada etapa de ensino. Como por exemplo, nas turmas de 2º e 3º anos, foram priorizadas as atividades de oralidade e aquisição do código de escrita, bem como a sonoridade da leitura, rimas, o trabalho da segmentação em versos, estrofes. A distinção entre as paisagens rurais e urbanas também foi fixada através de passeio posterior à cidade, onde pudemos fazer comparações, além da reflexão sobre os meios de transporte. Com as turmas de 4º e 5º anos, o trabalho interdisciplinar pôde se aprofundar mais. Os alunos procuraram saber mais sobre a história dos trens, sua finalidade, os estados e regiões brasileiras, apresentando o que aprenderam aos colegas, oralmente. Pude perceber que foi um trabalho bastante rico, e que, por ter unido as diferentes etapas de ensino, proporcionou uma grande troca de experiências, entre os alunos, e uma curiosidade maior sobre o meio de transporte em questão.

Autoavaliação Gostei muito de trabalhar esse livro e pude perceber quão rica pode se tornar uma leitura, dentro dos eixos interdisciplinares, dando vida às aulas e focando debates interessantes entre as crianças, favorecendo trocas de experiências e a oralidade como um todo. 44


Registro Fotográfico

Antes de aplicar as atividades escritas, muito se discutiu e explorou oralmente. Fizemos as marcações de rimas, versos e estrofes através da leitura coletiva e individual.

Escola Municipal Rural Maria Pignataro Atividades de alfabetização sobre o livro ”O trem de Alagoas” de Ascenso Ferreira. Nome:_________________________________________data:16/04/2013 Professora:_______________________________________série:________ Observe a imagem a seguir e responda:

1) Qual é o título desse livro? ___________________________________________________ 2) Quem é o autor?____________________________________________________________ 3) Quem é o ilustrador?____________________________________________________ 4) Escreva sobre o que você está vendo na capa desse livro: o que acontece nesta imagem? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 5) Leia um trecho do livro “ O trem de Alagoas”:

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TREM DE ALAGOAS O sino bate, o condutor apita o apito, Solta o trem de ferro um grito, põe-se logo a caminhar... – Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende, vou danado pra Catende com vontade de chegar... Mergulham mocambos, nos mangues molhados, moleques, mulatos, vem vê-lo passar.[...] Que tipo de texto é esse? ( ) Receita ( ) História em quadrinhos

( ) Fábula ( ) Poema

6) Quantos versos tem esse trecho desse poema?___________ 7)

Procure no texto palavras que rimam com: • apito:________________________ • caminhar:_____________________

8) Quantas estrofes tem esse trecho do poema? ___________________________________ 9) Circule na segunda estrofe as palavras que se repetem. • Quantas vezes elas aparecem?___________________________________________ • Na sua opinião, por que o autor usou a repetição dessas palavras? O que ele queria mostrar? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 10) Observe a imagem desta estação de trem e escreva tudo o que você pode ver nesse lugar:

_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 11)

• •

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... Mergulham mocambos, nos mangues molhados, moleques, mulatos, vem vê-lo passar... Circule a letra que se repete nesta estrofe do poema. Qual é? __________________ Copie as palavras que têm a letra que você circulou: ___________________________________________________________________


12) Leia as palavras e separe-as em sílabas. Faça o que se pede em seguida: Separação das sílabas

Número de letras

Número de sílabas

Mergulham Mocambos Mangues Moleques Mulatos Molhados 13) Leia este outro verso do poema: “Mangueiras, coqueiros, cajueiros em flor, cajueiros com frutos já bons de chupar... - Adeus, morena do cabelo cacheado! Mangabas maduras, mamões amarelos, mamões amarelos, que amostram molengos as mamas macias pra a gente mamar “... Agora, escreva o nome das plantas e frutas que aparecem neste trecho do poema:

Planta Fruta 14) O trem de Alagoas sai da estação de trem e passa por muitos lugares. Observe as imagens por onde o trem passa: 1

2

3

Qual delas representa uma paisagem rural?________________________________________ Qual delas representa uma paisagem urbana?______________________________________ 15) Por que você acha que Ascenso Ferreira deu a seu livro o nome de “Trem de Alagoas”? _________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 16) O que é Alagoas?____________________________________________________________

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17) Você sabe onde fica? Observe o mapa, pesquise, descubra e anote:

Bibliografia Utilizada •

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Trem de Alagoas/ Ascenso Ferreira; ilustrações de Guazzelli.- São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora, 2009.


Sequência Didática com Gênero Textual: Conto Professora: Elenice Gabriel Paína Escola Municipal Dom Inácio João Dal Monte Turma: 3º Ano

Justificativa Num ambiente alfabetizador, as crianças estão em permanente contato com a linguagem escrita. É por meio desse contato diversificado que descobrem o aspecto funcional da comunicação escrita, desenvolvendo interesse e curiosidade por essa linguagem. Diante do ambiente de letramento em que vivem, podem fazer uma reflexão sobre a função e o significado da escrita, ao perceberem que ela representa algo. O ato de leitura é um ato cultural e social. Para contemplá-lo é preciso fazer uma seleção prévia da história a ser contada, dando atenção para a inteligibilidade e riqueza do texto, o que permite às crianças construírem um sentimento de curiosidade pelo livro e pela escrita. Desta forma, podem cultivar uma relação prazerosa com a leitura e com a escrita.

Objetivos Estimular o interesse e a criatividade dos alunos, cultivar o imaginário infantil e oferecer situações necessárias ao desenvolvimento da leitura e escrita.

Conteúdos Curriculares •

Língua Portuguesa;

Matemática;

Ciências;

Geografia;

História.

Metodologia 1º Momento Eixo: Leitura Capacidade: Compreender textos de diferentes gêneros lidos por outra pessoa e com diferentes propósitos. Atividade: Apresentação do livro Viviana, a Rainha do Pijama, num ambiente gostoso e em roda. Nesse módulo foi feita uma série de questionamentos de modo a levantar os conhecimentos prévios dos alunos acerca dos contos. •

Conhecem esse gênero textual?

Quem já leu um conto?

Com isso, foi possível motivar os alunos a participar e a interagir na construção de atividades. Em seguida foram convidados a conhecer a autora, lendo sua biografia, no final do livro. O momento foi aproveitado para fazer um levantamento prévio, instigando a imaginação e a curiosidade das crianças. Finalizando as atividades em que os alunos foram situados sobre o gênero a ser estudado, iniciou-se o próprio livro da turma baseado no livro “Viviana, a Rainha do Pijama”. 49


Eixo: Oralidade Capacidade: Participar de interações orais em sala de aula, questionando sugerindo, argumentando e respeitando os turnos da fala. Atividade: Questionamento motivador •

Conhecem este livro?

Que gênero textual ele apresenta?

Onde podemos encontrar este gênero textual?

Para que ele serve?

Eixo: Apropriação do Sistema de Escrita Capacidade: Reconhecer unidades fonológicas como sílabas, rimas, terminações de palavras etc. Atividade: Apresentação das rimas, muitas contidas no livro, explorando-as com um jogo bem instigante. Materiais de Apoio: Livro “Poemas Bicharada Machucada”, Jogo “Caça-Rimas”.

Eixo: Produção Escrita Capacidade: Produzir textos de diferentes gêneros, atendendo a diferentes finalidades por meio da atividade de um escriba. Atividade: Criação coletiva da primeira página do livro da turma, em que a professora 50


apresenta-se como escriba. Segue-se cópia da produção textual no caderno de produção do copista e do ilustrador, dando vida ao livro.

Eixo: Matemática - Números e Operações Capacidade: Interpretar e resolver situações problema, compreendendo diferentes significados das operações. Atividade: Aproveitamento dos personagens do livro “Viviana, a Rainha do Pijama” para trabalhar lista de animais.

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2º Momento Eixo: Leitura Capacidade: Desenvolver atitudes e disposições favoráveis à leitura Atividade: Escolha por cada aluno, no canto da leitura, de um conto para ler e, em seguida, fazer a leitura oral no palanquinho (carteira com as pernas cortadas em que os alunos sobem para ler e se sentem mais seguros, na leitura).

Eixo: Compreensão e Valorização da Cultura escrita Capacidade: Conhecer os usos e funções sociais da escrita. Atividade: Visita da turma à biblioteca para identificar os portadores do gênero textual “conto”. Eixo: Apropriação do Sistema de Escrita Capacidade: Segmentar, oralmente, as sílabas de palavras e comparar as palavras quanto ao tamanho. Atividade:

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Eixo: Produção Escrita Capacidade: Produzir textos de diferentes gênero, atendendo a diferentes finalidades por meio da atividade de um escriba. Atividade: Continuidade à criação do livro, com produção coletiva do texto, tendo a professora como escriba.

Eixo: Matemática - Números e Operações Capacidade: Interpretar e resolver situações problema, compreendendo diferentes significados das operações. Atividade:

Eixo: Ciências - Ambiente e Vida Capacidade: Relacionar a diversidade de ambiente com a diversidade de seres vivos. Material de Apoio: Livro Didático de Ciências

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3º Momento Eixo: Leitura Capacidade: Localizar informações explicita em textos de diferentes gêneros e temática, lidos com autonomia. Atividades: Realização de pesquisa sobre os animais que foram escolhidos para o livro da turma, no Livro de Português e na mídia eletrônica (aula de informática). Eixo: Oralidade Capacidade: Participar das interações cotidianas em sala de aula, escutando com atenção e compreensão. Atividade: Prosseguimento da leitura do livro Viviana, com entonação e expressividade parando em momentos estratégicos e elaborando perguntas para levantamento de hipóteses relativas aos acontecimentos seguintes. Eixo: Apropriação do Sistema de Escrita Capacidade: Escrever segundo o princípio alfabético e as regras ortográficas. Atividade: Ditado “Tenho Certeza / Tenho Dúvidas” com nomes de animais em que os alunos escrevem em uma das duas colunas.

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Eixo: Produção Escrita Capacidade: Revisar o texto após diferentes versões, reescrevendo-o de modo a aperfeiçoar as estratégias discursivas. Atividade: Em razão do interesse dos alunos relacionados aos animais do livro, trabalhar com outros portadores de textos, no caso a Revista Ciências Hoje das Crianças, para aquisição de maiores conhecimentos sobre animais. Escrever uma carta para a revista solicitando exemplares.

Na aula de Informática, envio de mensagem de correio eletrônico, solicitando exemplares.

4º Momento Eixo: Leitura Capacidade: Desenvolver capacidades necessárias à leitura, com fluências e compreensão. Atividade: Apresentação à turma de mais personagens do livro Viviana, fazer leitura e identificar palavras desconhecidas e verificar se os alunos sabem a que se referem. Perguntar aos alunos que tipo de pijama acham que a girafa vai usar na festa. Eixo: Oralidade Capacidade: Usar a língua falada em diferentes situações escolares, buscando empregar a variedade linguística adequada. Atividade: Convite aos alunos para irem à frente da turma e recontar parte da história. Observar as variedades linguísticas utilizadas por eles. Eixo: Apropriação do Sistema de escrita Capacidade: Dominar as correspondências entre letras ou grupos de letras e seu valor sonoro, de modo a escrever palavras ou textos. Atividade: Alfabeto dos animais, uma atividade individual.

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Eixo: Produção Escrita Capacidade: Usar a variedade linguística apropriada à situação de produção e de circulação, fazendo escolhas adequadas quanto ao vocabulário e à gramatica. Atividade: Prosseguimento da leitura do livro e orientação aos alunos na construção de mais uma página do livro da turma, observando as escolhas por eles feitas, em relação ao vocabulário e à gramática.

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5º Momento Eixo: Geografia - Linguagem cartografia e escalas Capacidade: Localizar em mapas. Eixo: Geografia - Leitura Capacidade: Ler em voz alta, com fluência em diferentes situações. Atividade: Uso da aula de informática para pesquisar o local de origem dos animais escolhidos pela turma. Observação de mapas. Eixo: Apropriação do sistema de escrita Capacidade: Dominar as correspondências entre letras ou grupos de letras e seu valor sonoro, de modo a escrever palavras ou textos. Atividade: Jogo do Torto (os alunos escrevem o maior número de palavras usando as letras da palavra chave). A Palavra chave: VIVIANA RAINHA DO PIJAMA.

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Eixo: Produção Escrita Capacidade: Pontuar texto, favorecendo a compreensão do leitor. Atividade: Construção de mais uma página.

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6º e 7 º Momentos Eixo: Leitura Capacidade: Relacionar textos verbais e não verbais, construindo sentidos. Atividade: Leitura de imagens do livro da turma, observando os pijamas e apresentá-las para outras turmas. Eixo: Oralidade Capacidade: Participar de interações, em sala de aula, questionando, sugerindo argumentando e respeitando os turnos da fala. Atividade: Decisão sobre o vencedor do pijama, no livro da turma. Eixo: Análise linguística: discursividade, textualidade e normatividade. Capacidade: Saber usar o dicionário, compreendendo sua função e organização. Atividade: Procura, no dicionário, de palavras adequadas para o final do livro da turma. Eixo: História - Temporalidade histórica Capacidade: Trabalhar o procedimento da construção da linha do tempo. Atividade: Uso da aula de informática para pesquisar como surgiu a baleia Orca, já que ela foi a vencedora do concurso do livro. A turma chegou a essa conclusão, pois a baleia foi o único animal aquático do livro.

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Eixo: Apropriação do Sistema de Escrita Capacidade: Dominar as correspondência entre letras ou grupos de letras e seu valor sonoro de modo a escrever palavras e textos.

Eixo: Produção de Texto Capacidade: Gerar e organizar conteúdo textual, estruturando os períodos e utilizando recursos coesivos para articular ideias e fatos. Atividade: Elaboração coletiva de uma carta à Diretora do Departamento de Educação solicitando uma viagem ao zoológico, culminância da sequência didática vivenciada.

Autoavaliação Durante a aplicação deste projeto me senti muito gratificada. Os alunos se comprometeram e o processo ensino-aprendizagem foi beneficiado. Eu gosto de trabalhar com projetos, especialmente, os que partem de temas que despertam a curiosidade das crianças, por elas terem um bom repertório de conhecimentos prévios de onde posso partir, para acrescentar novas aprendizagens. O projeto cresceu durante o desenvolvimento e culminou numa visita ao zoológico. Aproveitamos, ainda, o ganho do projeto e elaboramos nossas avaliações do 3º bimestre. Outro aspecto que avalio como positivo foi a oportunidade de trabalhar em equipe com as colegas dos mesmos ano e, ainda, a dimensão interdisciplinar que amplia possibilidades de perpassar pelas varias disciplinas.

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Bibliografia •

Angeolina Domanico Bragança e Isabella Pessoa de Melo Carpaneda, Livro de Português: Porta Aberta

Caixa de Jogos

Caixa de Leitura - Acervo B

Livro didático de Ciências

Livro didático de Matemática

Renata Bueno, Poemas Problemas

Revista Ciências Hoje das Crianças

Site de Alfabetização (Internet)

Steve Webb, Viviana, a Rainha do Pijama

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Projeto: Estrelinha da Semana Professora: Eliana Maria Lopes Petretti Escola Dom Inácio João Dal Monte Turma: 1º Ano

Justificativa Este trabalho foi planejado, sabendo da importância da produção de texto, para o desenvolvimento da escrita dos alunos e, também, pretendendo que fosse um trabalho direcionado à escrita coletiva, para que os alunos desenvolvessem a habilidade de produzir textos que interessassem a eles. Este trabalho ajudou não somente na escrita, como também fez com que os alunos percebessem que um texto pode ser elaborado a partir da junção de frases. Possibilitou, ainda, o desenvolvimento da linguagem oral.

Objetivos •

Conhecer os usos e funções sociais da escrita;

Desenvolver as capacidades necessárias para o uso da escrita, no contexto escolar;

Compreender a função da segmentação de espaços em branco e da pontuação de final de frases;

Reconhecer unidades fonológicas como sílabas, rimas, terminações de palavras;

Saber decodificar palavras e textos escritos;

Compreender e valorizar o uso da escrita com diferentes funções, em diferentes gêneros;

Respeitar a diversidade das formas de expressão oral, manifestadas pelos colegas.

Conteúdos Curriculares Foram trabalhados os seguintes eixos: •

Desenvolvimento da oralidade;

Produção escrita;

Leitura;

Apropriação do sistema de escrita;

Compreensão e valorização da cultura escrita.

Metodologia O trabalho se iniciou com uma entrevista: um aluno foi sorteado e os colegas, em roda, fizeram uma entrevista com ele. Perguntaram, livremente, para conhecerem melhor o colega. Para o prosseguimento, ca ada semana foi sorteado um aluno, para ser o entrevistado.

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No início alguns ficaram tímidos, tanto em responder as perguntas quanto em fazê-las, mas depois a atividade passou a ser esperada por eles. Cada um pedindo para que seu nome fosse escolhido. No início, as perguntas eram simples, mas com o passar do tempo as perguntas foram se tornando mais criativas. Eles perguntaram, por exemplo: •

O que você mais gosta de fazer na escola?

Aonde você mais gosta de ir?

O que te deixa mais feliz? E triste?

Após esta etapa, os alunos passaram a elaborar, diariamente, frases sobre o colega entrevistado junto ao cabeçalho do dia. Frases que contam um pouco sobre a “estrelinha da semana”. Foram trabalhados aí: sílabas, a importância do espaçamento das palavras, pontuação e a leitura das frases.

No final da semana, normalmente na sexta-feira, os alunos elaboram um texto coletivo sobre o colega que foi a estrelinha da semana. Este texto é, normalmente, colocado em mural.

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Avaliação Pude observar que os alunos desenvolveram bastante a linguagem oral, deixando perguntas simples e passando a fazer pergunta mais criativas e participando mais das atividades em rodinhas. Passaram também a escrever palavras com mais segurança, mesmo que com alguns erros. Na questão de espaçamento de palavras eles passaram a escrever, naturalmente, uma frase com espaço e passaram a utilizar a pontuação no final das frases. Mesmo sem saber as regras, eles puderam perceber a importância dos espaços e pontos, para escrever uma frase.

Autoavaliação A produção de texto deve ser incentivada, mesmo antes de se aprender a escrever, para que a criança desenvolva a vontade de escrever e aprenda Com a realização do trabalho pude perceber, claramente, a importância da produção coletiva de textos, para que os alunos saibam como fazê-los, a importância de conhecer os colegas e o trabalho com a oralidade que ajuda muito o aluno a ser participativo e coerente, nas aulas, pois como vivencia a aprendizagem, gosta do que está fazendo.

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Notícia: O Mundo dentro da Sala de Aula Professora: Érica de Cássia Gonçalves Escola Municipal do Bairro Cachoeira Turma: 1º e 2º Ano

Justificativa Esta sequência faz parte do projeto “Jornal na Escola”, em que os alunos são solicitados a trabalhar com muitas informações obtidas a partir de pesquisas em diversos veículos de informações, entre os quais, o jornal, o rádio, a televisão, etc. As atividades aqui descritas, referem-se ao estudo do gênero “notícia” e podem ser feitas sem que haja vinculação com o projeto “Jornal na Escola”. Percebendo uma grande dificuldade da turma para ler e interpretar, além da dificuldade de se expressar oralmente, busquei um gênero textual que pudesse abordar tais dificuldades, de maneira que os alunos, durante a sequência apresentada, desenvolvessem, gradualmente, um conjunto de habilidades que permitissem alcançar níveis superiores de leitura e escrita. Diante do exposto acima, escolhi o gênero textual notícia, porque além de fazer parte do cotidiano das crianças, possibilita a participação na construção do sentido do texto, garantindo melhores resultados na aprendizagem da turma, pois apresenta fatos que estão presentes no dia a dia. De acordo com a autora Faria (2001, p.11) “Um dos principais papéis do professor seria, pois, o de estabelecer laços entre a escola e a sociedade. Ora, levar jornais/revistas para a sala de aula é trazer o mundo para dentro da escola”. Nesta perspectiva, acredito que o trabalho com notícias, vinculado a estes suportes textuais pode ser um mediador ligando fatos que acontecem no mundo, com a construção do conhecimento de maneira significativa para a turma.

Objetivos •

Compreender o que é uma notícia;

Conhecer as características do gênero “notícia”;

Usar a língua falada em diferentes situações escolares, buscando a variedade linguística adequada;

Atribuir título a uma notícia;

Noticiar um fato.

Conteúdos •

Leitura de textos •

Neymar é expulso no primeiro tempo, Ponte Preta aproveita, bate Santos por 3 a 1 e segue líder;

Notícias trazidas pelos alunos.

Apropriação do Sistema de Escrita •

Escrita de palavras;

Sílabas;

Ordem Alfabética. 67


Produção Oral e Escrita •

Comunicação Oral – Telejornal (jornal falado)

Comunicação Escrita – Temporada “Caça-Notícias” (caderno de anotações de notícias pesquisadas) e relato de notícias.

Etapas 1) A produção inicial - O que sabem a respeito do gênero abordado 2) O reconhecimento das notícias em um jornal 3) Os diferentes tipos de notícia 4) O que é um fato noticiável 5) Os elementos de uma notícia - Texto Coletivo 6) A Temporada de Caça-Notícias/ Telejornal 7) A produção de títulos para uma notícia a partir de imagens 8) A organização dos fatos: quem, o que, onde, quando e por quê 9) A organização das informações na notícia 10) A produção textual de uma notícia - a hora de divulgar as informações

Metodologia a) A produção inicial - Introdução ao gênero Notícia Eixo: Leitura Capacidade: Desenvolver atitudes e disposições favoráveis à leitura Primeiramente, levei os alunos a uma banca de jornal, próxima, à escola para que pudéssemos comprar alguns jornais de nossa região.

Foi uma experiência única, para as crianças, pois nunca tinham ido a uma banca antes, uma vez que são alunos que vivem em ambientes rurais e a maioria dos pais não tem hábitos de leitura. Ao chegar à banca, um aluno comentou “– Professora, é aqui que faz o jornal?” Então, expliquei que, na banca, o jornal chega pronto, só para ser vendido e que, antes que chegue à banca, há um processo longo. Já em sala de aula, distribuí os jornais aos alunos e deixei que explorassem, livremente, esse material, lembrando que era a primeira vez que a maiorias das crianças tiver contato com este veículo de informação. Elas leram o que quiseram, aquilo pelo que se interessaram mais. Como são turmas 68


multisseriadas, temos alunos em fase de alfabetização e que, ainda, não são leitores, porém, algumas intervenções fizeram com que os alunos buscassem informações, antecipando conteúdos a serem lidos. Isso facilitou a realização da tarefa, como por exemplo: o texto que você vai ler está num livro? num jornal? numa revista?

Outro tipo de procedimento utilizado, também, foi a busca de informações nos jornais, como: a época que ele foi publicado, tentar adivinhar o assunto dos textos contidos no jornal através das ilustrações, entre outras intervenções que se fizeram necessárias, durante a atividade. Depois de um tempo de livre observação, fizemos um círculo, na sala, cada um disse o que achou mais interessante no jornal. Muitos gostaram da parte que tem cruzadinhas, passatempos, outros ficavam procurando fotos de pessoas conhecidas e, em um dos jornais, uma aluna encontrou a foto da nossa turma, no desfile do aniversário da cidade, e todos ficaram curiosos, pois queriam ver também. Este processo foi muito importante, as crianças demonstraram prazer em ler, manipular o jornal, e assim surgiu a proposta da confecção de um jornal da nossa escola, todos ficaram empolgados com a ideia, e explicamos que para chegarmos ao produto final (jornal), teríamos que passar por várias etapas, uma vez que, em um jornal, existe uma grande variedade de gêneros textuais e que estudaríamos alguns destes gêneros, entre eles, a notícia.

b) Identificando elementos de uma notícia Eixo: Leitura Capacidade: Identificar a finalidade e funções da leitura, em reconhecimento do suporte, do gênero e da contextualização do texto.

razão

do

Num segundo momento, escolhi uma notícia que parecia interessante à turma, com 69


pessoas conhecidas, em que pudesse ser fácil identificar os fatos. A notícia escolhida foi sobre a expulsão do jogador Neymar, em um jogo contra a Ponte Preta. Como recurso, foi utilizado o data show. Foi apresentada a imagem de um jogo de futebol e, a partir dela, foram exploradas as seguintes perguntas:

1) De acordo com a imagem, a foto remete a que fato? Ela mostra o jogo de quais times? 2) Vocês saberiam identificar as pessoas da foto? 3) O que o homem de camisa laranja está fazendo? Qual é o significado do cartão vermelho no futebol? O que mais ele usa? Que outros cartões ou instrumentos os juízes e bandeirinhas usam em uma partida de futebol? 4) Quem seria o homem de camisa azul? o que ele deve ter feito para receber um cartão vermelho? 5) Qual poderia ser o título da notícia desta foto? Nessa etapa, percebi que foi importante usar a figura do jogador Neymar, que é bem popular entre as crianças, pois demonstraram um maior interesse pela atividade e foram muito participativos, conseguiram identificar com facilidade as questões abordadas e, quando questionados sobre qual poderia ser o título da notícia, foram bastantes coerentes com as sugestões, como por exemplo: “Neymar foi expulso do jogo”, “Neymar empurrou o jogador e levou um cartão vermelho”, “Juiz expulsa Neymar por briga”, entre outras. Dando sequencia ao trabalho, apresentei às crianças o verdadeiro título da notícia, explorando as seguintes questões: “NEYMAR É EXPULSO NO PRIMEIRO TEMPO, PONTE PRETA APROVEITA, BATE O SANTOS POR 3 A 1 E SEGUE LÍDER” 1) Este título é dado à notícia da foto. Vocês sabem o nome do jogador? E o motivo de sua expulsão? 2) Vocês sabem que nome é dado ao título de uma notícia? 3) Por que o título de uma notícia é escrito com letras grandes? 4) Esta manchete chama a atenção do leitor para ler a notícia?

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Quando questionados sobre o motivo da expulsão, uma aluna disse que poderia ser porque ele chutou a bola para fora do campo. Houve um debate na sala, pois um aluno disse que esse não era motivo suficiente para o jogador ser expulso, que teria que ter feito alguma coisa mais grave, como por exemplo, bater em alguém. E assim, as crianças foram discutindo hipóteses da verdadeira expulsão de Neymar. Somente depois, a notícia foi apresentada, na íntegra, às crianças. Fizemos oralmente a interpretação do texto apresentado, com o objetivo de que os alunos compreendessem os elementos estruturais que compõem o gênero, como por exemplo: O que fato aconteceu?; Quem são as pessoas envolvidas?; Onde aconteceu?; Como aconteceu?; Por que aconteceu? (causas dos fatos), facilitando a compreensão do que é uma notícia, e o que a diferencia de outros gêneros. Ainda nessa etapa, depois de ler a notícia proposta, expliquei às crianças que tínhamos acabado de ler uma notícia, e que se já conheciam esse tipo de texto, então uma aluna, Nicoly (7 anos), disse que sabia o que era uma notícia, e disse que notícia “falava sobre as coisas”, então perguntei: “- Que coisas?”, e ela respondeu “Coisas boas e ruins”. Então novamente perguntei : “- Quais são as notícias boas e quais são as ruins?”, e ela respondeu que as notícias ruins falavam sobre drogas, roubo, e a turma completou com assassinatos, sequestros, e já as notícias boas, são de times que ganharam, de show do aniversário da cidade e que eles veem, na televisão, mais notícias ruins, do que boas. c) Reconhecendo as notícias em um jornal Eixo: Leitura Capacidade: Antecipar conteúdos de textos a serem lidos em função do seu suporte, seu gênero e sua contextualização Como se sabe, o jornal é portador de vários gêneros: editorial, carta do leitor, notícia, reportagem, variedades (horóscopos, previsão do tempo, histórias em quadrinhos, anúncios classificados, propagandas), crônicas, ensaios, etc. Esse etapa foi realizada para ensinar os alunos a distinguirem, entre toda essa variedade de gêneros, qual é a notícia. Em pequenos grupos na sala, solicitei aos alunos que selecionassem de uma página de jornal, um texto que parecia ser uma notícia.

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A maioria conseguiu encontrar uma notícia, muitos usaram como referência, as letras que estavam grandes, referindo-se ao título.

Entre os textos selecionados, houve alguns que não estavam de acordo com o gênero solicitado, momento em que propus questões à turma para que todos construíssem estratégias para selecionar informações necessárias e chegar à conclusão de que o texto selecionado não era uma notícia. Todos os textos de notícia selecionados foram para um “Mural de notícias”.

A partir dessa aula, solicitei aos alunos que trouxessem notícias para ir alimentando o “Mural”. Todos os dias lia uma notícia para a turma e todos, também, tinham a liberdade de irem até o mural para lerem as notícias trazidas por uns e outros. Essa seção de leitura coletiva, sempre conversando sobre as notícias lidas, 72


perguntando sobre o que os alunos acharam de interessante na notícia, se já tinham conhecimento do fato noticiado, etc. criou nos alunos o hábito de pesquisar notícias e, todos os dias, eles queriam contar sobre algum fato noticiado na televisão, ouvido em rádio, e até mesmo, coisas acontecidas nos lugares onde moram. Percebi que, progressivamente, pela leitura das notícias, os alunos se aproximaram cada vez mais do gênero. Assim, o objetivo da sequência, aos poucos, era alcançado. Ainda com o mural, foi possível explorar questões temporais, classificando em notícias recentes, antigas, da semana passada, mês passado, notícias sem datas, notícias da nossa cidade, de outras cidades, notícias tristes, curiosas, engraçadas, etc. A princípio, os alunos não conseguiram classificar corretamente essas notícias. O importante é que eles perceberam que os fatos noticiados podem ser classificados e que essa classificação depende de critérios, previamente, definidos. d) Produzindo uma notícia coletiva Eixo: Produção Escrita Capacidade: Planejar a escrita do texto, considerando o tema central e seus desdobramentos Para auxiliar na primeira produção de uma notícia, em como organizar os conteúdos do texto, fizemos, coletivamente, uma notícia, e como recurso, utilizamos algumas imagens, e através delas, propusemos aos alunos que observassem quais delas seriam fatos noticiáveis. Dentre as imagens, uma continha um grupo de trabalhadores que colocavam fogo em objetos na pista e esta foi a imagem que as crianças escolheram, a partir dela, produzimos uma notícia.

Fonte:http://m.g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia

Vista a imagem, questionou-se sobre o que estava acontecendo, quem seriam os envolvidos, o motivo de colocarem fogo, onde tinha acontecido este episódio, se eles tinham conhecimento do fato ocorrido, entre outras questões que se fizeram pertinentes ao momento, e depois dessas questões discutidas, foi o momento de registrar o que já tínhamos debatido. As crianças se envolveram bastante, deram opiniões, confrontaram, na hora da escrita, que letras usariam naquele momento, a questão do título, se seriam letras maiúsculas, minúsculas, etc. O texto coletivo foi bastante produtivo, e as crianças puderam compreender que, no planejamento da produção escrita, é necessário levar em consideração para que e para quem se está escrevendo, por onde começar, como continuar e como terminar o texto, tendo em conta o gênero notícia.

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e) Temporada Caça-Notícias Eixos: Produção Escrita e Desenvolvimento da Oralidade Capacidades: Organizar os próprios textos, segundo os padrões de composição usuais na sociedade; planejar a fala em situações formais. Esta “Temporada de caça às notícias” foi muito interessante, pois, as crianças tinham como missão registrar, em um caderno, fatos que eles achavam que poderiam ser “notícias”. Esses fatos podiam ser buscados nas comunidades onde vivem, na escola, no bairro, em casa, na cidade, ou em qualquer outro lugar, e depois, em forma de apresentação de um jornal falado, as crianças apresentavam aos colegas, as notícias obtidas.

Aluna J.F, 6 anos – 1º ano – apresentando o Telejornal

A atividade obteve resultados positivos, gerou competitividade entre as crianças, pois ficavam disputando quem escrevia mais notícias, houve uma aluna que chegou a registrar, em seu caderno, 24 notícias, e acredito que a escrita espontânea das crianças melhorou progressivamente, uma vez que eram os próprios alunos que registravam os fatos ocorridos. Além disso, muitas crianças inibidas conseguiram a cada dia melhorar sua oralidade, através das apresentações do jornal falado, pois tinham que planejar a fala. Apenas dois alunos,não participaram do jornal falado, porém estão em desenvolvimento da 74


oralidade e fazem acompanhamento psicológico e mostram avanços progressivos neste aspecto. Houve notícias diversas, mas duas que chamaram atenção foram de duas alunas do 2º ano: uma noticiou o falecimento do avô, e outra aluna noticiou que uma vaca, no sítio onde morava, havia morrido, ao criar. Elas conseguiram transformar fatos ocorridos no local onde moram em notícias, e as crianças ficaram curiosas, pois queriam saber os detalhes do fato noticiado.

Reescrita de uma notícia pela aluna T.S, 7 anos – 1º ano

Registro de uma notícia da aluna M. R, 7 anos, 2º ano

f) Produzindo títulos para as imagens Eixos: Leitura Capacidade: Antecipar conteúdos de textos a serem lidos em função de seu suporte, gênero e contextualização Nessa etapa, através de algumas imagens, em duplas, as crianças criaram títulos possíveis para as cenas observadas, depois foram socializados com a turma, para verificar se os títulos propostos estavam coerentes com a imagem.

Título produzido pelas alunas K.V, 6 anos e N.F, 6 anos – 1º ano

g) Produção da Notícia - a hora de divulgar as informações Eixo: Produção Escrita Capacidade: Planejar a escrita do texto, considerando o tema central e seus desdobramentos; organizar os próprios textos, segundo os padrões de composição usuais na sociedade Depois que todos os elementos da notícia foram trabalhados, exaustivamente, foi hora de colocar em prática os conhecimentos dos alunos.

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A partir das mesmas imagens exploradas com a turma, na produção dos títulos, os alunos, em duplas, criaram uma notícia. Nesse momento, foi importante a formação de duplas, já que se encontram em diferentes níveis de escrita, as duplas foram formadas de maneira que quem estava em um nível de escrita mais avançado fosse o escriba. Depois de escritos os textos, fiz algumas intervenções em relação à ortografia, relendo com eles a notícia e levando-os a refazê-la, se necessário. Todos os alunos conseguiram produzir um texto baseado nos elementos principais de uma notícia. Essas notícias serão publicadas no jornal da escola. Assim, os alunos sentirão que o texto que eles escreveram foi, de fato, utilizado para comunicar alguma coisa.

Texto produzido por alunas do 1º ano

Texto produzido pelos alunos M.R e J.G – 2º ano

Avaliação As atividades desenvolvidas possibilitaram aos alunos experimentarem a leitura e a produção escrita de um maneira significativa e terem, simultaneamente, a experiência de aprender conteúdos curriculares de diferentes áreas do conhecimento de forma integrada. Quando fizemos atividades de busca de informações, nas notícias, e classificamos, por exemplo, pela data em que ela foi publicada, ali estava presente a Matemática, e de maneira contextualizada, também em momentos que discutíamos sobre onde os fatos tinham acontecido, entramos em contato com a Geografia, buscando a localização desses lugares. As atividades em duplas e em grupos contribuíram muito para as produções escritas, já que são turmas multisseriadas, e alguns alunos estão em fase inicial de alfabetização, não dominando, ainda, todas as habilidades de leitura e escrita. Percebi que as interações com alunos que já têm certa autonomia com o sistema de escrita possibilitam trocas relevantes de saberes, entre eles próprios. Durante o desenvolvimento desta sequência, percebi, gradativamente, que as crianças conseguiram compreender a finalidade de uma notícia, e o trabalho com jornais, fez com que as crianças entrassem em contato não somente com notícias, mas também com diversos gêneros textuais que circulam neste portador de texto, o que enriqueceu ainda mais o trabalho e ampliou os conhecimentos das crianças, em relação à leitura e escrita. Percebi, ainda, que a Temporada de Caça-Notícias foi uma das etapas que mais se destacou, pois foi visível o empenho das crianças para conseguir notícias e apresentar aos colegas, e são estas atividades desafiadoras que têm significado para as crianças, já que, durante as apresentações, algumas crianças ficavam nervosas por timidez, outras demonstravam-se mais confiantes para expor suas ideias e, a cada dia, foram superando seus limites. As atividades desenvolvidas em cada etapa facilitaram o entendimento dos elementos que fazem parte de uma notícia, assim, atingindo os objetivos desta sequência. Acredito que as atividades foram produtivas, pois, ao final da sequência, as crianças demonstraram avanços significativos em relação aos conteúdos abordados. Foram momentos ricos de socialização de saberes, e o trabalho com sequência didática, 76


organizada e planejada permitiu a construção significativa, com os alunos, de habilidades e competências necessárias, fundamentais para a aprendizagem e o desenvolvimento de sua autonomia, facilitando, assim, o processo de ensino/aprendizagem.

Produto Final: “Jornal Cachoeira”

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Referências Bibliográficas •

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BRASIL, Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. Pacto nacional pela alfabetização na idade certa: projetos didáticos e sequências didáticas na educação do campo: a alfabetização nas diferentes áreas de conhecimento escolar. unidade 6/Ministério da Educação, Brasília: MEC, SEB, 2012.


CEALE. Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita. Faculdade de Educação /UFMG. Avaliação Diagnóstica: alfabetização no Ciclo Inicial. Belo Horizonte: SEE – MG/CEALE, 2005.

DOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michele; SCHNEUWLY, Bernard. Sequência didática para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In: SCHNEUWLY, Bernard, DOLZ, Joaquim.Gêneros orais e escritos na escola. São Paulo: Mercado de Letras, 2004.

FARIA, Maria Alice. Como usar o jornal na sala de aula. 4. ed., São Paulo, Ed. Contexto, 2001.

MINAS GERAIS, Secretaria de Estado de Educação. Programa de Intervenção Pedagógica- Matriz Curricular – Língua Portuguesa.

Notícia utilizada sobre o jogador Neymar. Disponível em: http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/paulista/pos-jogo/2013/02/17/neymare-expulso-no-primeiro-tempo-ponte-preta-aproveita-bate-o-santos-por-2-a-1-e-seguelider.htm. Acesso em 10 de setembro de 2013.

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Uso do X e do CH Professora: Fabiana Baroni Escola Municipal Olavo Vilas Bôas Turma: 3º Ano

Justificativa A atividade foi desenvolvida com uma turma, procurando sanar dúvidas quanto à escrita de palavras com x ou ch. Ao perceber que os alunos não estavam conseguindo diferenciar o uso dessas letras a atividade foi proposta, como meio de reflexão para a apropriação do sistema de escrita.

Objetivo O objetivo da atividade proposta é melhorar a escrita dos alunos e proporcionar uma aprendizagem significativa contemplando os eixos de Língua Portuguesa como: apropriação do sistema de escrita, desenvolvimento da oralidade e leitura, além do eixo de Matemática números e operações.

Desenvolvimento •

Leitura do poema “Bicharada Machucada” – livro Poemas e problemas – Renata Bueno (caixa de leituras complementares).

Montagem de um cartaz com o texto e pedindo que os alunos resolvam o problema e ilustrem o texto.

Exploração das rimas, circulando-as no texto.

Cópia do texto de palavras escritas com CH e compondo uma lista de outras palavras sugeridas pelas crianças, fixando-as no mural da sala.

Jogo da memória: X ou Ch. Cada criança confeccionará o seu e depois jogará com o colega.

Dominó de rimas, confeccionado pela professora para que os alunos joguem em quarteto.

Trilha do e caça-palavras do X/CH para identificação e aumento do repertório dos alunos.

O texto Bicharada Machucada foi retirado do livro Poemas Problemas de Renata Bueno. Bicharada machucada Renata Bueno O sapo Josué Tem 4 feridas no pé. O urso Rodrigo Tem um machucado no umbigo. O macaco Manuelão Tem 5 cortes em cada mão. Todo corte, ferida, ou machucado Com bandeide precisa ser tratado.

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Pra esses doentes cuidar, De quantos curativos vamos precisar?

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Avaliação Os alunos gostam desse tipo diferente de atividade. Aprendem de maneira divertida, com muitos desenhos e livros. Todos querem levar o livro para casa para ler e fazer as atividades com os pais. Ficaram empolgados com os jogos, terminaram as atividades bem feitas e caprichadas, para poderem jogar. Para os alunos que não entendiam como jogar o dominó de rimas e o de memória, os colegas iam e explicavam. O mais interessante que pude perceber é que quando um ganhava, queriam jogar novamente para o outro parceiro também conseguir ganhar.

Fotos das Atividades

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Teatro Higiene Corporal Professoras: Gláucia Moriconi Silva2, Lívia Maria Pereira de Brito Ramalho, Lilyan Cancelier Dias Caetano Batista, Marina Franchi João Camillo, Valdete Aparecida Alexandre Escola Municipal Olavo Vilas Bôas Turma: 2º Ano

Justificativa Devido a grande incidência de piolho na escola, somada à preocupação de mães e responsáveis que procuravam pelas professoras solicitando auxílio para a sua erradicação; a equipe do 2º ano optou por colocar em seu planejamento mensal o tema “Higiene corporal”.

Objetivos Conscientizar os alunos de que os hábitos de higiene fazem parte do nosso dia-a-dia e são essenciais à saúde.

Conteúdo •

Hábitos de higiene pessoal: lavar as mãos, escovar os dentes, pentear os cabelos, tomar banho;

Relações entre a falta de higiene pessoal e a aquisição de doenças por contágio de vermes e micro-organismos;

Hábitos de higiene importantes na prevenção de doenças;

Conservação da higiene, no ambiente escolar e familiar.

Metodologia O trabalho foi desenvolvido no caderno de Projetos sendo utilizados o livro didático ���’Porta Aberta - Ciências’’, fantoches, cenário. Além do trabalho com o livro, as crianças realizaram exercícios fotocopiados, produções de textos, pesquisa para casa, caça-palavras, cruzadinha. Os alunos relataram experiências de casos que conheciam sobre o assunto e fizemos um levantamento de sugentões para resolver determinada situação. Minhas colegas e eu decidimos que o teatro faria com que as crianças incorporassem melhor o tema, pois a abordagem do assunto seria através de acontecimentos diários: na escola, em casa, com material escolar.

Recursos Didáticos •

Livro didático "Porta Aberta - Ciências"

Fantoches

Cenário

Desenvolvimento •

Complementar o tema já introduzido, anteriormente, com as informações contidas no livro de Ciências.

2 Responsável. 93


Convidar os alunos a assistirem um teatro que envolverá fantoches e pessoas.

Apresentar o teatro.

Avaliação O teatro de fantoches encenado pelas professoras servirá para os alunos absorverem a teoria do que lhes será passado e para colocarem em prática o que aprenderem. Serão avaliadas as atitudes e ações das crianças, no decorrer do ano.

Autoavaliação Foi uma experiência válida para toda a escola. Além de ir ao encontro do perdido das mães sobre o piolho, ampliamos para todos os âmbitos do assunto em questão. As professoras do segundo ano montaram o teatro, com personagens em fantoches. As situações criadas na história envolveram as crianças, pois faziam parte da realidade delas. Riram muito e o que foi mais legal é que incorporaram o que aprenderam. A questão higiene é um assunto tratado em nosso dia-a-dia e eles sempre citam os personagens do teatro, fazendo comparação com algum acontecimento vivido em casa ou na escola. Esse trabalho veio ao encontro de nossas expectativas, pois é um assunto de saúde pública.

A Peça “Higiene Pessoal” Personagens: •

JUNINHO (Marina)

VÓ CHICA (Gláucia)

PAULINHA (Lilyan)

LAZINHA (Lívia)

MÃE DA PAULINHA (Valdete)

Cenários: 1) Casa da Paulinha 2) Sala de aula 3) Banheiro JUNINHO Oi Vó Chica! VÓ CHICA Oi Juninho! Já chegou da escola? JUNINHO Já... VÓ CHICA E aí, como foi a aula? JUNINHO Foi legal... A gente tá estudando o corpo... Mas eu tô meio preocupado... A professora falou que amanhã nós vamos aprender uma coisa nova... vamos conhecer uma tal de HIGIENE... Será que ela é loira ou morena?

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VÓ CHICA

Hahahahaha... Meu netinho, nem loira nem morena!!! A Vó vai te explicar... Pra isso vou dar um exemplo do que aconteceu no meu tempo de escola... Mas eu posso te adiantar que ela é limpinha e cheirosa! JUNINHO Então me conta, vó... VÓ CHICA

Quando eu estudava eu tinha duas coleguinhas muito diferentes... Uma se chamava LAZINHA (entra a Lívia...) A outra se chamava PAULINHA (entra a Lilyan...) A Lazinha, coitadinha... vivia com os pés descalços e a roupa tão sujinha... não cuidava das roupas, deixava rasgar, não lavava... A Paulinha não! Tinha só um sapatinho que ela lavava todo sábado. Era velhinho, mas limpinho... E o uniforme dela então, até brilhava de tão branquinho! A Lazinha nem ligava! Ia no banheiro e não lavava as mãos... depois ia lanchar e todos os bichinhos do banheiro iam parar na sua barriguinha. A Paulinha, toda vez que ia no banheiro, lavava as mãos com seu sabonete e enxugava com sua toalhinha, que também era bem limpinha! A Lazinha era muito desorganizada... perdia os materiais, deixava o apontador cair dentro da lixeira e não se importava de enfiar a mão pra catar... quando errava alguma coisa, apagava até rasgar a folha do caderno. E pensa que ela jogava a folha no lixo? Imagina! Jogava no chão... os cadernos dela nem capa tinham. A Paulinha era muito zelosa... cuidava dos seus materiais com todo o carinho porque sabia que custava caro... os cadernos não tinham orelhas, nenhuma folha rasgada, a letra era linda e as atividades bem caprichadas. A Paulinha quando saia da escola e chegava em casa ia correndo tomar banho. Lavava a cabeça com xampu, penteava e quando achava algum piolho (às vezes acontece!!!) a mãe dela deitava ela no colo, olhava a cabeça pra ver se tinha piolhos e lêndeas e passava remédio pra que ela não passasse pra ninguém... A Lazinha tinha dia que nem penteava os cabelos e passava dias sem lavar. Dava pra ver os piolhos voando! Acho que é por isso que ela tinha aquelas unhas enormes cheias de sujeira: pra coçar a cabeça! A Paulinha cortava as unhas uma vez por semana porque ela sabia que as unhas eram o abrigo dos micróbios. Ninguém queria nem conversar com a Lazinha porque ela não escovava os dentes... ela tinha o maior bafão! A Paulinha escovava os dentes quando acordava, depois que almoçava, depois do lanche na escola, depois do jantar e antes de dormir... JUNINHO Ô Vó, mas peraí... Até agora vc só falou da Lazinha e da Paulinha... E a tal da HIGIENE? VÓ CHICA Ô meu filho... Higiene não é uma pessoa... são as atitudes, os hábitos das pessoas... Higiene significa limpeza, asseio, cuidado com o próprio corpo, com a saúde. JUNINHO Ah!!! VÓ CHICA E então, qual das duas você acha que tinha o hábito da higiene? JUNINHO Ah!!! Se é assim, acho que quem tinha higiene era a Paulinha, né vó? VÓ CHICA

Isso mesmo, Juninho... aprendeu direitinho com os exemplos que eu dei... JUNINHO 95


Mas vó, o que aconteceu com a Lazinha? VÓ CHICA Bom... ela vivia doente... e depois de uma diarreia daquelas, uma semana internada e um bom pito do doutor, ela aprendeu que a saúde depende dos atos de higiene e então ela passou a seguir o exemplo da Paulinha...

Registro Fotográfico

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Sequência Didática com Gênero Textual Panfleto Professora: Jucinéa Aparecida Alves de Magalhães Escola Municipal Dom Inácio João Dal Monte

Justificativa A escola deve abordar gêneros textuais que fazem parte do cotidiano de seus alunos. Os mesmos precisam aprender ler e interpretar textos que são necessários para suas vidas em sociedade. Para que um cidadão esteja realmente inserido na realidade em que vive é necessário estar alfabetizado e letrado. Para isso, o trabalho com o gênero textual panfleto contribui para o envolvimento de dois componentes curriculares: Língua Portuguesa e Matemática, proporcionando, então, aos alunos oportunidade de vivenciarem práticas coerentes com suas vidas cotidianas.

Objetivos Geral •

Conhecer as características do gênero textual: panfleto

Objetivos Específicos •

Ler e interpretar textos necessários para a vida cotidiana;

Resolver situações problema;

Diferenciar palavras quanto à quantidade de sílabas;

Produzir textos com coerência de acordo com o destinatário.

Conteúdos Curriculares A sequência didática abordou conteúdos curriculares de Lngua Portuguesa e Matemática. Várias capacidades foram trabalhadas de acordo com as matrizes curriculares do ciclo de alfabetização: •

Língua Portuguesa •

Eixo: Oralidade Capacidade: Participar de interações orais em sala de aula, questionando, sugerindo, argumentando e respeitando os turnos de fala.

Eixo: Leitura Capacidade: Ler e interpretar informações explícitas e implícitas em textos, realizando inferências.

Eixo: Apropriação do sistema de escrita Capacidade: Reconhecer unidades terminações de palavras, etc.

fonológicas

como

sílabas,

rimas,

Eixo: Produção escrita Capacidade: Planejar a escrita de textos, considerando o contexto de produção: organizar roteiros, planos gerais para atender a diferentes finalidades, com ajuda de um escriba.

Matemática •

Eixo: Números e operações

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Capacidade: Ler e interpretar situações problema compreendendo o significado das operações.

Metodologia e Desenvolvimento Para iniciar o trabalho foi apresentado aos alunos um panfleto de uma determinada loja do município. Várias perguntas foram formuladas com o objetivo de avaliar os conhecimentos prévios dos alunos: Ao observar o texto, que gênero você imagina que é? Qual é o assunto do texto? Após algumas perguntas, foi feita a leitura pela professora e posteriormente pelos alunos. Assim a professora voltou a realizar perguntas sobre o texto: O que a loja vende? Qual o dia da promoção? Qual o endereço da loja? Quais são os preços de determinados produtos? Qual é o produto mais caro? Qual é o nome da loja? Várias outras indagações foram feitas aos alunos para que os mesmos extraíssem informações do texto. No segundo momento, foram apresentadas situações problema relacionadas. Nessa atividade retomaram-se conteúdos como: sistema monetário e operações extraídas das referidas situações. Foi proposto aos alunos que realizassem cálculos sobre a compra de determinados produtos, o valor do troco, o dobro de produtos, metade, envolvendo a adição e subtração através de registros e cálculos mentais. No terceiro memento, um banco de palavras foi oferecido aos alunos, assim eles deveriam separar palavras de acordo com a quantidade de sílabas ou letras. A atividade foi muito importante para a compreensão de unidades fonológicas. Abaixo encontra-se a atividade detalhada: Para finalizar a sequência didática os alunos produziram panfletos. Os mesmos deveriam escolher o tema, o produto anunciado, o valor, formas de pagamento, entre outras formas de anunciar. Poderiam, também, realizar ilustrações. Para introduzir a atividade, a turma discutiu sobre o tipo de letra utilizado em um panfleto, sobre o tamanho, palavras que devem estar destacadas, entre outros detalhes importantes para a elaboração do referido gênero textual. Abaixo está representada a atividade de uma aluna do 3º ano:

Avaliação As atividades desenvolvidas na sequência didática, proporcionaram o desenvolvimento de várias capacidades envolvidas, nos componentes curriculares de Língua Portuguesa e Matemática. Os alunos passaram a reconhecer as características do gênero trabalhado, se desenvolveram na interpretação de informações explícitas e implícitas em textos e a fluência em leitura. Em relação à oralidade, os alunos participaram de interações em sala, fizeram questionamentos, deram suas opiniões e responderam questões propostas pela professora. A atividade fez com que a turma se desenvolvesse na maneira de expressar suas respostas perante o grupo. A apropriação do sistema de escrita também foi desenvolvida, principalmente ao se fixar a consciência fonológica, pois os alunos ainda encontravam dificuldades em diferenciar sílabas de letras. Assim, a atividade com o banco de palavras foi essencial para a consolidação desta capacidade. Textos foram produzidos com intervenção da professora. A escrita foi revista para que se pudessem aprimorar questões ortográficas. Em Matemática, o trabalho com situações problema foi essencial para questionamentos, formulação de hipóteses pelos alunos e, posteriormente, resolução das mesmas. Nota-se que a sequência didática pode contribuir para a aprendizagem de acordo com a realidade da turma com práticas necessárias ao cotidiano de todos. 98


Autoavaliação O trabalho com sequências didáticas tornou o planejamento contextualizado, o que facilita a aprendizagem dos alunos. Ao se tratar do mesmo tema nas atividades propostas de forma interdisciplinar, a motivação dos alunos, para a aprendizagem, é visível e eficaz.

Registros Fotográficos Alunos do 3º ano produzindo o panfleto:

Referências Bibliográficas •

SECRETARIA DO ESTADO DA EDUCAÇÃO DE MINAS GERAIS, Matriz curricular de língua portuguesa, 2011.

SECRETARIA DO ESTADO DA EDUCAÇÃO DE MINAS GERAIS, Matriz curricular de matemática, 2011.

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Livro de Rimas Professoras: Lilyan Cancelier Dias Caetano Batista e Marina Franchi João Camillo Escola Municipal Olavo Vilas Bôas Turma: 2º Ano

Justificativa Devido a grande dificuldade apresentada pelas crianças com relação às rimas, decidimos confeccionar um livro em que as crianças teriam que encontrar figuras cujos nomes rimassem.

Objetivos •

Reconhecer unidades fonológicas como sílabas, rimas, terminações de palavras, etc.;

Desenvolver capacidades necessárias à leitura com fluência e compreensão;

Conteúdos Curriculares;

Apropriação do sistema de escrita;

Leitura.

Metodologia As professoras Marina e Lilyan confeccionaram um livro, cujas páginas continham um nome que deveria rimar com outras duas palavras. Cada criança recebeu uma página do livro, fez a leitura e, observando as gravuras dispostas em uma mesa, deveriam encontrar duas rimas para o nome que constava na página. Encontradas as rimas, as crianças colaram e coloriram as gravuras. Também escreveram os nomes das mesmas. Ao final cada turma fez uma votação e elegeram o nome que mais lhe agradava: a turma da professora Lilyan escolheu “Loucuras e gostosuras” e a turma da professora Marina escolheu: “Comilão”.

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Autoavaliação Foi uma atividade muito gostosa de fazer, pois as rimas eram engraçadas e as crianças se divertiram encontrando-as. Todos conseguiram rapidamente rimar as palavras. Como cada aluno ficou responsável por uma página do livro todos se sentiram escritores. Quando o livro ficou pronto eles ficaram encantados com o livro e adoram lê-lo até hoje. Só ficaram tristes porque queriam um livro só para eles, mas explicamos que o importante é compartilhá-lo.

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Projeto “O Carteiro Chegou” Professoras: Lilyan Cancelier Dias Caetano Batista e Marina Franchi João Camillo Escola Municipal Olavo Vilas Bôas Turma: 2º Ano

Justificativa Através dos cursos de formação continuada realizados recentemente (Pró-letramento e Pacto pela Alfabetização na Idade Certa), percebemos a necessidade de trabalhar os diferentes gêneros textuais para promover o letramento, levando os alunos a conhecerem os diferentes gêneros que circulam na sociedade, seus formatos e objetivos. Sendo assim, decidimos trabalhar com o livro “O Carteiro Chegou” de Janet & Allan Ahlberg, que traz variados textos, de forma lúdica e contextualizada, e adequada à faixa etária dos alunos.

Objetivos •

Conhecer os usos e funções sociais da escrita;

Identificar a finalidade e a função da leitura, em função do reconhecimento do gênero e da contextualização do texto.

Antecipar conteúdos de textos a serem lidos em função de seu suporte, seu gênero e sua contextualização;

Produzir textos escritos de gêneros diversos adequados aos objetivos, ao destinatário e ao contexto de circulação;

Planejar a fala em situações formais;

Organizar os próprios textos conforme os padrões de composição usuais na sociedade.

Conteúdos Curriculares

Compreensão e valorização da cultura escrita;

Leitura;

Produção Escrita;

Oralidade;

Matemática.

Metodologia Em comemoração ao dia do trabalho, conversamos e fizemos atividades sobre as várias profissões existentes, a profissão dos pais, as profissões mais comuns em nossa cidade, enfim, até que abordamos o trabalho do carteiro. Após a discussão coletiva sobre qual era a função de um carteiro, foi apresentado às crianças o livro “O Carteiro Chegou” de Janet & Allan Ahlberg. O livro contém diversos contos que trazem um carteiro como personagem principal e que realiza sua tarefa entregando cartas para destinatários que são personagens das histórias dos contos infantis tradicionais. Num primeiro momento, foi explorada a capa, a autoria, a Editora, trabalhamos com o levantamento de hipóteses sobre o que eles achavam que o livro poderia nos trazer e, para manter o clima de suspense e motivá-los a querer conhecer o livro, dissemos que antes de 103


poder abri-lo, teríamos que ouvir algumas histórias. As crianças ficaram eufóricas, contando os dias para que chegasse logo a próxima semana, data prometida para conhecer o livro. Sendo assim, iniciamos o trabalho com os contos clássicos, peças-chave para o entendimento posterior do conteúdo do livro. Diariamente, contamos um conto clássico, explorando detalhes das histórias, seus personagens e, ainda, fazendo atividades voltadas para a alfabetização. Iniciamos com a história ���Os Três Porquinhos”. Na atividade escrita os alunos tinham que ler a história e completar com as palavras faltosas, as quais continham dificuldades ortográficas já trabalhadas anteriormente: CH, NH, LH e ÃO.

No outro dia, contamos a história “Chapeuzinho Vermelho”. Fizemos a atividade escrita “Jogo Rápido” em que as crianças deveriam colorir a resposta correta para as perguntas sobre a história. Montamos ainda, um quadro com palavras com CH, NH e LH. Cada criança recebeu uma palavra da história, leu e classificou-a quanto ao som:

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No terceiro dia contamos a história “Cinderela”. A atividade escrita foi uma cruzadinha.

A próxima história foi “Cachinhos Dourados”, com uma pequena interpretação e, um caça105


palavras no diminutivo.

A história seguinte foi “João e Maria” cuja atividade foi ordenar cenas e reescrever a história.

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O último conto foi “João e o Pé de Feijão”. Trabalhamos uma atividade de pintar sílabas e uma atividade de Matemática, explorando sequência de dois em dois.

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Terminado o trabalho com os contos, chegou o dia em que pudemos abrir o livro “O carteiro chegou”. O fato de cada dia ler uma parte da história tornou-a muito envolvente e as crianças ficaram fascinadas. O livro traz um interessante trabalho de intertextualidade entre contos infantis e textos epistolares. Em cada página, o carteiro entrega uma carta a um dado destinatário, a qual se encontra no verso, no suporte envelope. São vários gêneros textuais com diversos propósitos:

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A primeira correspondência foi uma carta onde Cachinhos Dourados pedia desculpas aos Três Ursos. Oralmente, questionamos a atitude de Cachinhos Dourados, entrando na casa de desconhecidos, usando suas coisas e comendo da sua comida sem pedir. Conversamos também sobre a sua atitude ao assumir seu erro e pedir desculpas, levando as crianças a refletirem sobre suas próprias atitudes com os colegas. As opiniões foram divergentes. Algumas crianças acharam que ela estava certa em entrar na casa, já que estava perdida e precisava de ajuda. Outras crianças acharam que ela estava errada. Com relação ao pedido de desculpas todos acharam que foi uma atitude legal e correta. Neste sentido, propusemos às crianças que refletissem sobre atitudes que eles não consideravam corretas em relação a algum colega e que, então, escrevessem uma carta pedindo desculpas. Foi uma atividade muito bacana, pois as crianças realmente se lembraram de coisas que haviam feito e pediram desculpas sinceras, solucionando conflitos. No decorrer do ano, passaram a ser mais responsáveis e preocupados com as coisas dos colegas, não pegando objetos sem pedir nem os estragando.

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A segunda correspondência foi um cartão-postal de João para o Gigante. Questionamos o que é um cartão-postal e para quê serve. Observando o cartão, as crianças chegaram à conclusão que nele havia fotos dos lugares onde o João tinha estado e uma mensagem. As crianças observaram vários cartões-postais e surgiram várias perguntas do tipo: “esse lugar existe mesmo?” “quem foi lá?” e ficaram encantados com tantos lugares lindos. Explicamos que quando viajamos e vemos lugares bonitos sempre pensamos nas pessoas que gostamos, por isso enviamos os postais.

Em seguida estudamos o gênero textual “cartão-postal” e propusemos aos alunos conhecer um lugar legal próximo à escola que pudesse se transformar em cartão-postal. Fomos então ao Parquinho.

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Feito o cart達o-postal, a turma da Professora Lilyan escreveu uma mensagem, convidando os alunos da professora Marina a irem ao parquinho. Em contrapartida, a turma da 112


Professora Marina respondeu que jรก conhecia, mas convidou-os para irem juntos um outro dia.

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Com esta atividade trabalhamos a questão do egoísmo e percebemos que as crianças passaram a pensar mais umas nas outras, em convidar outros colegas para brincar juntos, ou fazer atividades juntos. 114


A terceira correspondência foi uma carta de comunicado de despejo ao Lobo Mau, assinada pelo advogado da Chapeuzinho Vermelho e dos Três Porquinhos. Lemos a carta e questionamos se eles estavam certos ao querer despejar o Lobo, e se o Lobo não tinha direito à defesa. Num primeiro momento as crianças acharam que sim, ele deveria ser despejado, mas que ele deveria se defender. Propusemos então assistir ao filme “Deu a louca na Chapeuzinho”, para observar as atitudes de todos os personagens. Assim, a proposta foi escrever uma resposta como advogados do Lobo. Após assistir ao filme, as crianças deram sua opinião e redigimos um texto coletivo em defesa do Lobo. Surgiram questionamentos, como por exemplo: “a atitude do lobo foi correta ao destruir a casa dos Porquinhos para comê-los? “ A maioria dos alunos disse que não, mas alguns disseram que sim, pois ele precisava comer para sobreviver. Então outros alunos responderam que ele poderia comer as frutinhas da floresta, dando margem a outro tipo de questionamento: “será que os lobos podem comer frutinhas, já que eles são carnívoros? – o que significa ser carnívoro? – e nós, não comemos animais?”. Com isso, as crianças ampliaram seu vocabulário, procurando o significado de alguns termos empregados na carta. Além disso, aprenderam a ver que ninguém é totalmente culpado, nem totalmente inocente e que sempre precisamos ouvir as duas partes.

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A quarta correspondência foi um cartão de aniversário, de Chapeuzinho Vermelho felicitando Cachinhos Dourados. Coincidentemente era nosso aniversário e, a proposta, então, foi confeccionar um cartão com a assinatura de todos os alunos. Foi uma atividade muito legal, pois além de entenderem o gênero textual cartão, sentiram prazer em poder presentear as professoras.

A quinta correspondência foi uma carta de comunicação de publicação de um livro em comemoração ao casamento de Cinderela com o Príncipe. Enviamos, então, uma carta aos pais pedindo autorização e colaboração para confeccionar um livro sobre a vida das crianças.

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Confeccionando o livro os alunos tiveram a oportunidade de compartilhar com os pais momentos de sua vida desde o nascimento e conhecer peculiaridades de sua história. Ao final, os livros foram entregues pelos correios. Ainda, estudamos o gênero textual “Conto” e pedimos que desenhassem e escrevessem o nome dos personagens de contos de fadas conhecidos.

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A última correspondência foi um panfleto do “Empório da Bruxaria”, oferecendo produtos e promoções à Bruxa Malvada. Estudamos o gênero propaganda e levamos panfletos de vários estabelecimentos, de várias cidades e deixamos que as crianças os explorassem. Após os questionamentos sobre o nome, o seguimento, os produtos e ofertas, atentamos os alunos para as letras miúdas, onde constavam os juros e o prazo das ofertas. Falamos ainda sobre o fato de, no panfleto, estarem os produtos mais chamativos e as promoções.

Em seguida distribuímos o panfleto do “BRECHÓ BRINQUEEDOE”. O brechó foi montado com brinquedos doados pelas próprias crianças. Cada criança recebeu notas de dinheiro de brinquedo e, analisando o panfleto, faziam suas compras, as quais envolveram questões de adição e subtração.

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Esta foi a atividade mais legal e prazerosa. As crianças aprenderam muitas coisas, tais como reaproveitar objetos, o desprendimento das coisas materiais. Com relação ao consumismo, aprenderam a economizar e comprar apenas o que era necessário e o que seu dinheiro dava, além do mais se divertiram muito e realmente usaram o que compraram.

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Autoavaliação O trabalho com o livro “O carteiro chegou” proporcionou bons momentos a todos os envolvidos. Nós, como professoras, sentimos prazer ao ver o envolvimento e o gosto das crianças pelas atividades. O trabalho com gêneros textuais se faz urgente na atualidade para promover o letramento, porém deve ser feito de maneira prazerosa. Foi o que aconteceu. As crianças não apenas estudaram a estrutura de cada gênero, como vivenciaram a forma como eles realmente circulam na sociedade. Assim, entenderam o que é, como é, para quem é, para que serve cada um dos gêneros trabalhados. E, na nossa opinião este é o verdadeiro sentido do trabalho.

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Jogo “Esquerda – Direita” Professora: Lívia Maria Pereira de Brito Ramalho Escola Municipal Olavo Vilas Bôas Turma: 2º ano

Justificativa Participaram do grupo desenvolvedor do presente trabalho as professoras Gláucia Moriconi Silva, Lilyan Cancelier Dias Caetano Batista, Lívia Maria Pereira de Brito Ramalho, Marina Franchi João Camillo e Valdete Aparecida Alexandre. Ao trabalharmos o projeto “Eu no mundo”, que trata da identidade e (re)conhecimento do corpo como um todo, percebemos a necessidade de reforçarmos o conceito de lateralidade (esquerda/direita), pois é uma deficiência que muitos alunos levam até a vida adulta. O fortalecimento da lateralidade e o equilíbrio são importantes para a criança, por construirem a base de orientação espacial e da coordenação motora geral. No início de seu desenvolvimento, a criança utiliza, indistintamente, os dois lados do corpo. Este fortalecimento pode ser treinado durante a evolução neurológica, na qual a criança vai estabelecendo preferência por um dos lados, com a maturação do organismo. É uma fase que pode ser influenciada por estimulações do meio.

Objetivos Esta atividade busca abranger, de forma possível, a interação entre disciplinas aparentemente distintas, de maneira complementar ou suplementar, que possibilita a formulação de um saber crítico-reflexivo. Conteúdo Curricular

Eixo

Objetivo

Ciências

Ser humano e saúde

Reconhecer as partes do corpo humano, suas diferenças, peculiaridades e desenvolver algumas ideias para compreendê-lo como um todo integrado (identificando as figuras “pé” e “mão”).

Geografia

O indivíduo e o Reconhecer-se como ponto de referência par situar-se e espaço de situar pessoas, objetos, construções, tudo que há em seu vivência e entorno. convivência

Matemática

Espaço e forma Perceber o próprio corpo, sua forma, suas dimensões, e sua relação com o espaço físico. Descrever, interpretar, identificar e representar a movimentação de uma pessoa ou objeto no espaço e construir itinerários (por meio de expressões de referência: à esquerda, à direita). Representar a posição de uma pessoa ou objeto. Identificar pontos de referência para situar e deslocar pessoas/objetos no espaço (por exemplo, com o reconhecimento das cores: amarelo, vermelho, azul, preto, verde e branco).

Metodologia O jogo consiste em um tapete plástico com círculos nas cores: vermelho, azul, amarelo, verde, preto e branco e três dados. O primeiro dado contém gravuras de pés e mãos; o 122


segundo tem as palavras esquerda e direita; o terceiro possui os círculos nas cores do tapete. Depois de jogar os dados, a combinação deve ser colocada em prática (por exemplo: mão direita ou o pé esquerdo no círculo azul). Uma rodada pode haver até quatro participantes. Depois de colocados, a mão ou o pé não podem ser retirados do lugar. O jogador que se desequilibrar, errar as posições esquerda/direita ou a cor perde a vez. Como não existem círculos coloridos para todos, os jogadores muitas vezes se veem obrigados a colocarem-se em posições bastante estranhas e difíceis, eventualmente fazendo alguém cair.

Avaliação Fui com minha sala juntamente com a turma da professora Gláucia. Começamos a brincadeira com duas crianças, uma de cada sala. Durante a realização da atividade, pudemos perceber a dificuldade de alguns alunos em identificar as posições direita/ esquerda e pediam sempre a confirmação da professora: “É esta mão”? “ou” “É este pé?”. Quanto ao equilíbrio, a maioria conseguiu realizar posições bem difíceis. Quanto ao reconhecimento e nomeação das cores, não houve nenhum problema, as crianças sabiam todas. Alguns alunos não queriam participar com medo de errar as posições. Outros já quiseram brincar todas as vezes, aceitando os desafios que o jogo proporciona. Ao final, um aluno sugeriu que as professoras também participassem da brincadeira. Eu ganhei, pois a professora Gláucia não conseguiu realizar uma posição bem embaraçosa. Foi bem divertido!

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Sequência Didática para Regularidade Ortográfica R/RR Professora: Luzia Cristina Miam Alves Escola Municipal Olavo Vilas Bôas Turma: 3º Ano

Justificativa A escolha dessa atividade se deu porque a maioria dos alunos apresentava muitas dificuldades em escrever palavras com essa regularidade ortográfica: r/rr. Pensando em sanar essa dificuldade realizei a sequência didática apresentada e alguns jogos que facilitaram a aprendizagem dos alunos e a reflexão sobre a escrita correta das palavras.

Objetivo O objetivo dessa sequência didática é favorecer a apropriação do sistema de escrita alfabético, proporcionando uma aprendizagem significativa e prazerosa. Além de oferecer momentos para a socialização dos alunos com os colegas das outras salas de terceiro ano da escola. A sequência didática contempla os eixos de apropriação do sistema de escrita, compreensão e valorização da cultura escrita, desenvolvimento da oralidade e leitura. Salienta as capacidades de conhecer e fazer uso das grafias de palavras com correspondências regulares contextuais entre letras ou grupos de letras e seu valor sonoro (R/RR), conhecer, utilizar e valorizar os modos de produção e circulação da escrita na sociedade. Conhecer os usos e funções sociais da escrita, participar das interações cotidianas em sala de aula, escutando com atenção e compreensão, desenvolver atitudes e disposições favoráveis à leitura, além de saber decodificar palavras e textos escritos.

Desenvolvimento 1º Momento Leitura da tirinha do Cebolinha com destaque ao modo de falar do personagem, que troca o R por L. Reescreva corretamente as palavras que o Cebolinha pronunciou errado.

2º Momento Montagem de um quadro com Cebolinha falando várias palavras com R que deverão ser transcritas, separadas em colunas, com os respectivos usos do R. Ajude o Cebolinha a escrever as palavras corretamente.

3º Momento Produção de um cartaz com os diferentes sons do R utilizando recortes de revistas, onde cada criança contribuirá com um número de palavras e as registrará no caderno. R inicial

R intermediário

RR

R final de palavras ou sílabas

R Brando

Elaboração de outro um cartaz, com os alunos, com as regras para o uso de r ou rr nas palavras. 124


4º Momento Ditado onde os alunos escreverão em uma coluna as palavras que têm certeza como se escreve e as que têm dúvidas em outra coluna. Palavras escolhidas para o ditado: GIRAFA-ÁRVORE-MACARRÃO-ENROLADO-PASSARINHO-REDEMOINHO-TARTARUGAARRUMADO-VARE-TA-RIACHO-CARRUAGEM-DICIONÁRIO-URSO-RAPADURACERTEZA-ENROSCA-ZERO-ROÇA-MARTELO-MARRECO TENHO CERTEZA

TENHO DÚVIDA

OBS: Como essa atividade foi feita pela primeira vez, nesses moldes, a turma apresentou muita dificuldade. Muitos não conseguiram entender o objetivo da atividade ou não refletiram sobre o que é ter dúvida sobre a escrita da palavra. Mesmo assim foi uma atividade muito interessante.

5º Momento Competição “Soletrando” de palavras entre os alunos da sala. Palavras do Soletrando: PRÊMIO – CARROÇA – RAPADURA – ARTISTA – CARECA – CARRO – RATOEIRA - IRMÃ – AREIA – SERROTE – CRIANÇA – CRÂNIO – RAPOSA – ORGULHO – ARAME – BETERRABA – TREVO – RAÇA – URSO – PERUCA – ERVA – RAMO – TRAVESSEIRO – CARRAPATO – CARINHO.

Avaliação A atividade foi excelente. Motivou os alunos a estudarem. A final do SOLETRANDO aconteceu no salão de reuniões da escola com todos os alunos dos 3º anos (Professoras: Carla, Fabiana, Luzia, Mônica). As crianças gostaram muito. Aconteceu a premiação das representantes de cada sala e da campeã dos 3º anos. As crianças foram premiadas com kit escolar, contendo livrinhos, cadernos e canetinhas.

Fotos das Atividades

Cartaz elaborado com os alunos sobre as regras do uso do r e rr

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“Soletrando”- premia��ão dos ganhadores

Campeã do Soletrando: Flávia

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Somos Todos Diferentes Professora: Magda Angélica Neto de Paula Escola Municipal Dom Inácio João Dal Monte Turma: 2º Ano “Na escola é o lugar onde se deixa de se mais um.” Júlio Groppa de Aquino

Justificativa Michel Foucault, estudioso da exclusão social, nos mostra como temos dificuldade em conviver com as diferenças individuais, achamos mais fácil segregar o diferente. São diferentes todos que de alguma forma não se enquadram no padrão desenhado pela sociedade. A escola como extensão da sociedade tende a reproduzir esta conduta. Este projeto visa, a partir do trabalho anteriormente realizado com as identidades que foi o que deu um “rosto” a cada aluno, desenvolver o respeito às diferenças individuais e a criação de novas regras comuns, para possibilitar o convívio harmônico, no ambiente escolar, principalmente em sala de aula.

Objetivo Geral •

Possibilitar a compreensão da necessidade de respeito às regras, para uma boa convivência na sala de aula e em outros espaços sociais.

Objetivos Específicos •

Compreender e produzir textos orais e escritos de diferentes gêneros, veiculados em suportes textuais diversos.

Compreender textos lidos por outras pessoas, de diferentes gêneros e com diferentes propósitos.

Antecipar sentidos e ativar conhecimentos prévios relativos aos textos lidos.

Participar de interações orais em sala argumentando e respeitando os turnos de fala.

Identificar-se, a si mesmo e às demais pessoas como membros de vários grupos de convívio (familiares, escolares, esportivos, etc.).

de

aula,questionando,sugerindo,

Conteúdos Curriculares •

Leitura

Oralidade

Escrita

Direitos gerais de aprendizagem: História

Metodologia O assunto sobre as diferenças surgiu através de um tema abordado no livro de História, que falava sobre a identidade. Foi realizado um trabalho onde as crianças confeccionaram as identidades, com direito a foto,impressão digital e dados completos de cada um. Foi então que surgiram as comparações entre as fotos o que desencadeou algumas discussões. 128


Para que as crianças pudessem assimilar melhor a questão das diferenças, entre as pessoas, ficou resolvido que seria criado um projeto sobre o assunto.

1º Momento •

Conversar sobre as características de cada um.

Observar como somos diferentes.

Identificar nossas qualidades.

Fazer autorretrato.

2º Momento •

Trazer para a sala de aula obras literárias que enfocassem esse tema: •

Menina bonita do laço de fita (Ana Maria Machado)

Lilás (Mary E. Whitcomb)

Quem ganhou o jogo (Ricardo Dreguer)

Um Mundinho para todos (Ingrid Biesemeyer Bellinghausen)

3º Momento •

Criar as novas regras de convivência da turma onde ficarão bem claras as propostas.

Usar as identidades já confeccionadas, para fazerem parte das regras.

Localizar os alunos que cumprem as regras, colocando a sua identidade no lado “feliz” das regras, caso contrário no lado triste.

Regras de convivência

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4º Momento •

Assistir ao vídeo: O valor das diferenças

Trabalhar a música de várias maneiras: leitura, interpretação, dança, desenho artístico, palavras chaves para trabalhar sílabas, etc.

Avaliação O trabalho com as diferenças foi de grande valia, uma vez que as crianças estavam muito agressivas umas com as outras. Estavam colocando apelidos maldosos nos colegas, apontando alguma coisa diferente no colega e rindo, enfim estavam sem respeito mútuo. Esse trabalho foi realizado durante o mês de agosto, na volta das férias. Porém será reforçado até o final do ano, sempre, acrescentando e agregando novos conhecimentos e descobertas, sobre o tema das Diferenças. As crianças começaram a ver de maneira mais atenta, nos comerciais de televisão, nas tirinhas infantis, preferência para deficientes nas ruas e lugares públicos, avaliando tudo que tem relação com o tema das diferenças. Um dos apsectos mais produtivos foi o momento da criação das novas regras. Aqueles alunos que não cumprem determinadas regras foram os mesmos que as sugeriram, e sendo assim fazem questão que a regra sugerida seja cumprida. Isso leva as crianças a uma reflexão sobre suas atitudes e melhora seu comportamento em relação ao próximo. O registro das crianças também me permitiu perceber que a avaliação do trabalho foi positiva, pois eles fizeram tudo com muito carinho, se abraçavam na hora das atividades, ofereciam ajuda aos colegas, cobravam as regras dos outros, discutiam sobre aquilo que viam e ouviam. Fizemos os registros de muitas maneiras, para isso usamos o Portfólio dos alunos, livros, desenhos, danças, músicas, imagens, e muitas fotos que é o que eles mais gostam.

Autoavaliação Fiquei muito feliz com as novas conquistas da turma em relação às Diferenças. Ainda têm muitas coisas novas para aprenderem, mas já demonstraram que são capazes de resolver seus “conflitos de crianças” e isso é bom, porque poderão se tornar adultos melhores e que sejam capazes de perceber o outro e amá-lo como ele é. O principal é que as crianças perceberam que “nós não somos todos iguais”, mas sim, “nós somos todos diferentes”.

Registro Fotográfico As crianças

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Livros usados •

Menina bonita do laço de fita

Um mundinho para todos

Lilás Quem ganhou o jogo?

Atividades

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Diversidade Cultural – Africanos Professora: Mônica de Moraes Silva Fonseca Escola Municipal Olavo Vilas Bôas Turma: 3º Ano

Justificativa Esta atividade foi realizada levando em consideração as dificuldades que estávamos enfrentando com o preconceito e a falta de conhecimento dos alunos sobre outras culturas. Tendo como base a aprovação e a implementação da Lei 10.639 de 09/01/2003, que dimensiona o ensino de História da África e Cultura Afro-brasileira no currículo escolar, tornando-o obrigatório na educação básica; e o Parecer CNE/CP003, que iniciou amplas discussões sobre esta temática, como combate à discriminação racial, no espaço escolar, em seus diferentes níveis de ensino e na sociedade, optei por uma atividade que mostrasse a cultura africana, explicitando tudo que aprendemos com os afrodescendentes, todas as heranças deixadas por eles, no nosso cotidiano, e salientando as igualdades que nos aproximam dos povos africanos. Aparentemente, as consequências de atitudes racistas na vida de milhões de crianças possibilitam um estado de angústia, silenciada dentro das escolas.

Objetivo O objetivo dessa atividade foi disponibilizar aos alunos novos conhecimentos, fazendo com que o preconceito seja extinto do contexto escolar e social desses alunos, além de proporcionar uma reflexão sobre as amizades, as formas de viver das pessoas em outros países, as raças e as diferentes culturas existentes no mundo, especialmente, no Continente Africano. Com essa atividade pude trabalhar os conteúdos de Geografia, História e Língua Portuguesa, através dos eixos de leitura, produção de textos escritos, oralidade e apropriação do sistema de escrita.

Desenvolvimento Escolhi duas obras bastante interessantes que tratam do preconceito e da cultura africana para serem trabalhadas, além de uma terceira obra para leitura deleite. A primeira obra escolhida foi “Pretinho, meu boneco querido” um livro escrito por Maria Cristina Furtado e ilustrado por Ellen Pestili. É uma obra cuidadosamente elaborada que traz junto à narrativa um CD com músicas que fazem parte da narrativa do livro. Essas músicas, com letras bem criativas, são ritmadas com tambores e instrumentos de percussão, típicos das músicas africanas. A última música do livro é um samba bem envolvente que resume toda a essência do livro. Este livro foi escolhido como introdução para o trabalho que seria realizado com a segunda obra escolhida, o livro “Canção dos Povos Africanos”, escrito por Fernando Paixão e ilustrado por Sérgio Melo. Primeiramente organizei as crianças em círculo, no salão da escola. Conversei com elas sobre a atividade que seria desenvolvida, naquele ambiente, e o que pretendia fazer após a leitura e audição da história. Minha turma e a turma da professora Fabiana fizeram essa atividade juntas. Comecei a exploração da capa do livro, para depois fazer leitura. De início coloquei a música introdutória para “preparar” os ouvidos dos alunos para aquele momento diferente. Ao ouvir os primeiros batuques alguns alunos acharam graça e lançaram olhares e risinhos 134


tímidos uns aos outros. Durante a leitura do livro, porém, os alunos estavam atentos e curiosos ao ouvirem a história. A cada nova faixa musical uma expressão diferente era notada no semblante dos alunos. Assim, quando terminei a leitura muitos alunos estavam eufóricos com o que acabavam de experimentar. Voltamos para a sala de aula e, então, iniciamos um debate sobre o livro e as músicas contidas nele. Foi um debate muito produtivo, em que todos os alunos manifestaram suas opiniões e se colocaram de maneira respeitosa em relação à opinião do colega. Alguns alunos não gostaram da atividade, porque demorou muito, a história foi longa, outros não gostaram das músicas que ouviram porque gostam de ouvir música sertaneja ou funk, entre outras. Outros, porém, gostaram da música porque o pai escuta esse tipo de música em casa. O objetivo principal, e que todos os alunos comentaram, foi a essência da história: a discriminação. Portanto, acredito que os objetivos da utilização desse livro foram amplamente atingidos já que os alunos perceberam a importância da amizade e do respeito às diferentes raças. Com esse debate surgiu a curiosidade de saber onde fica a África. Então mostrei o planisfério aos alunos e expliquei onde ficam o Brasil e a África. A discussão se estendeu para outros países como Estados Unidos, Argentina, México e Itália. Também queriam saber onde fica Pernambuco e Ceará, estado de onde vieram dois alunos da minha sala. Mostrei o mapa do Brasil e pedi que os alunos localizassem esses estados. Foi muito prazeroso disponibilizar essa aula aos meus alunos. Senti que todos gostaram bastante do debate que foi realizado e da oportunidade de ver e manusear um mapa. Depois dessa aula introdutória lemos o livro “Canção dos Povos Africanos” que vem ao encontro das ideias colocadas no primeiro livro. Após a leitura desse livro pedi que os alunos escolhessem a estrofe preferida e fizessem a ilustração de acordo com o que era contado na estrofe. A seguir propus para tarefa de casa uma pesquisa sobre as lendas africanas. Depois de socializarmos essas informações, feita a leitura de duas lendas africanas, a “Lenda dos Deuses Africanos” e a “Lenda do Tambor”, pedi que realizassem as atividades que destacavam rimas e a produção de versos com as rimas criadas por eles, conforme foi proposto pelo próprio autor do livro. A criação das rimas foi bem interessante visto o grau de dificuldade das palavras: comunidade, gente, cultura, canção e amor. Cada aluno fez suas rimas e depois socializamos as palavras encontradas. A produção dos versos também foi surpreendente, porque foi um momento em que alunos puderam expor sua criatividade e depois compartilhar com os colegas. Surpreendi-me porque notei como eles têm dificuldades em se expressar. Encerramos essa sequência de atividades com a socialização dos versos criados pelos alunos e a exposição oral dos sentimentos que foram despertados por tais atividades. Foi muito bom. Para descontrair e fechar as atividades da semana realizei a leitura deleite de uma terceira obra que também ressalta a cultura africana “As Panquecas de Mama Panya” escrito por Mary e Rich Chamberlin e ilustrado por Julia Cairns. Os alunos também tiveram a oportunidade de conhece o livro “História e Cultura Afrobrasileira e Indígena” da Ética Editora que foi sugerido e disponibilizado pela professora Maria Celeste que atua na biblioteca da escola. Foi uma atividade muito positiva que me surpreendeu, em muitos momentos: durante a leitura do livro com as músicas, durante o debate, na curiosidade sobre o mapa, na elaboração dos desenhos e na produção escrita dos próprios versos. Cada vez mais precisamos propor atividades desafiadoras e motivadoras para nossos alunos. Apreciei muito essa atividade.

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Avaliação A avaliação dessa atividade foi oral e coletiva. Teve o objetivo de fazer os alunos se expressarem e fazerem um breve comentário sobre o que aprenderam e o que foi interessante e o que não foi interessante ou foi ruim, nas aulas. Ouvindo a colocação dos alunos fiz minhas anotações pessoais, visando aprimorar o que foi ruim na aula e registrando o que cada aluno achou importante nesse assunto. Acredito que o tema proposto surtiu muito efeito sobre os alunos, porque a interação entre os alunos da sala e até com os alunos de outras salas melhorou muito. Há urgência de se propor a discussão sobre a diversidade, dentro da escola, pois, se os alunos não forem preparados desde cedo, dificilmente romperão com os preconceitos possivelmente presentes em seu meio e tenderão a repetir os padrões de discriminação que aprenderem. A luta pela superação do racismo e da discriminação racial é, pois, tarefa de todo educador, independente do seu pertencimento étnico-racial, crença religiosa ou posição política.

Fotos e atividades Fotos da hora do conto

Fotos da explicação sobre mapas

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Fotos das atividades dos alunos

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Sequência Didática sobre o Clássico João e Maria Professora: Mônica Lattaro Torres Escola Municipal Olavo Vilas Bôas Turma: 1º Ano

Justificativa Quando surgiu a ideia de trabalhar com um clássico infantil apareceram vários propósitos. A história, a mensagem, as emoções, o que levamos para o nosso mundo, no dia-a-dia. Os clássicos fascinam e encantam as crianças e também adultos. Outro aspecto é incentivar os alunos a vivenciar o papel de leitores, mesmo antes de saberem ler convencionalmente, pois as crianças se sentem bastante atraídas para estas histórias que, muitas vezes, já conhecem. Ouvindo histórias podemos vivenciar emoções importantes como a raiva, a tristeza, o medo, a alegria, a insegurança, a tranquilidade. Vivenciar estas emoções, através de histórias, auxilia a criança a lidar com as suas próprias. A escolha da história João e Maria foi com o intuito de trabalhar a cooperação, fortalecendo os laços de amizade entre os alunos, ressaltando que João e Maria conseguiram se salvar porque trabalharam juntos.

Metodologia •

Conto e reconto da história;

Interpretação oral e escrita;

Sequência de história;

Texto coletivo;

Lista de doces;

Gráfico;

Quebra cabeça;

Bingo de nomes.

Iniciei o trabalho com a leitura da história. Foi feito o reconto com as crianças e depois cada uma pôde falar sobre a atitude do pai, da madrasta e das crianças. Conversamos sobre o medo. Qual o seu medo. Quando está com medo de algo o que você faz. Após a leitura fizemos a interpretação oral e escrita da história. Em seguida, as crianças representaram, através de desenho, o que fariam no lugar de João e Maria.

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No momento seguinte fizemos a sequĂŞncia da histĂłria. Primeiro, oralmente, ordenamos as cenas e em seguida construĂ­mos um pequeno texto coletivo.

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Construímos uma lista de doces. Na sequência da lista completamos o gráfico de acordo com as preferências das crianças. Jogo – Bingo

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Proposição da brincadeira do bingo.

Apresentação das regras do jogo: •

Os alunos jogarão em grupo de 3 ou 4.

Sorteio das letras pela professora.

O grupo que tiver a letra sorteada marcará na cartela.

Ganha o jogo o grupo que marcar todas as palavras primeiro.


J

O

Ã

O

-

-

-

-

M

A

R

I

A

-

-

-

B

R

U

X

A

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-

-

F

L

O

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E

S

T

A

D

O

C

E

S

-

-

-

P

Á

S

S

A

R

O

S

Culminância Construção da casa de doces da bruxa, com bolo, bolachas, jujubas, pirulitos, chocolates, suspiros e muito brigadeiro, para alegria das crianças. Uma delicia!!! Saborear as guloseimas como João e Maria foi muito bom, porém com uma vantagem, “Sem bruxa, né professora” disse o Dayvison.

Avaliação Todos ficaram bastante entusiasmados com o trabalho realizado. 141


Apesar de ser uma história conhecida pude explorá-la bastante com a interpretação, sequência de cenas, texto coletivo, lista de doces, bingo. Em cada atividade foi possível ver o interesse de cada um, sempre perguntando: “vamos fazer mais atividade do João e Maria?” Esta história faz refletir sobre a autoimagem de cada um, buscando, sempre, a valorização e o respeito pelo próximo. Não é porque passamos alguma dificuldade que devemos abandonar tudo, inclusive filhos. É nesta hora que tem que prevalecer o amor, o carinho e a fé de que somos maiores que qualquer problema. Todos se envolveram pra valer nesse trabalho que rendeu ótimos resultados.

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Sequência Didática sobre o Folclore Professora: Vanessa Ribeiro Piza Escola Municipal Olavo Vilas Bôas Tema: O folclore brasileiro Turma: 1º Ano Período: Agosto de 2013 Duração: Quatro semanas

Justificativa O folclore na escola é um excelente recurso interdisciplinar no qual pode-se explorar vários gêneros textuais, além de estimular e incentivar a leitura, escrita, contação de histórias, oralidade e a criatividade. Dentre as tarefas da escola, está o desenvolvimento da cidadania e por consequência o respeito e o conhecimento de nossa própria cultura, colegas e comunidade. A riqueza cultural do Brasil e de nossa cidade precisa ser valorizada e os alunos devem aprender desde a mais tenra idade a conhecer e amar o país e a cidade onde vivem bem como suas diversas manifestações culturais.

Objetivos •

Conhecer o que é Folclore e sua origem;

Resgatar a importância do Folclore;

Repassar os valores culturais;

Caracterizar e estudar os principais personagens do folclore nacional;

Conhecer os campos de ação do folclore como: brincadeiras, comidas e bebidas. Utensílios caseiros, vestuário, artesanato, música, danças, festas, religião e crendices. Linguagem, literatura, superstição, jogos, brinquedos, agricultura, medicina, tudo enfatizando nossas origens;

Desenvolver o gosto por músicas e danças folclóricas;

Estimular a linguagem oral, escrita, criatividade, atenção e raciocínio;

Perceber a parlenda como parte integrante da nossa cultura;

Desenvolver atitudes e disposições favoráveis à leitura;

Levantar e confirmar hipótese relativa ao conteúdo do texto que está sendo lido;

Participar das interações cotidianas em sala de aula: escutando com atenção e compreensão, respondendo às questões propostas pela professora e expondo opiniões em debates com colegas e com a professora;

Realizar, com pertinência, tarefas cujo desenvolvimento dependa de escuta atenta e compreensão.

Conteúdos Curriculares

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Comportamentos sociais próprios de leitor;

Formação do gosto estético;

Conhecimento e utilização de espaços de leitura;


Levantamento e confirmação de hipóteses;

Previsões relativas ao texto baseadas em informações, estilo do personagem, interpelações com outros textos ou situações vivenciadas;

Formas de participação adequadas para os espaços sociais públicos;

Participação em sala de aula;

Regras de convivência;

Respeito mútuo;

Atenção e compreensão, na audição de um texto.

Metodologia •

Roda de conversa informal sobre o tema Folclore (conhecer os conhecimentos prévios dos alunos);

Leitura do conteúdo da coleção “Lendas Brasileiras - Turma da Mônica”, para conhecimento prévio do assunto.

Apresentação e leitura de algumas lendas folclóricas. Iniciei a atividade com uma conversa informal sobre o que vem a ser o Folclore. Colhi depoimentos das crianças e todos ficaram na expectativa de conhecer e aprender um pouco mais sobre o que é o folclore e suas lendas. Durante alguns dias contei várias lendas para a turma, explorei o reconto das mesmas, fiz interpretação oral e pedi que registrassem da forma como entenderam.

Exploração de atividades em que as crianças possam reconhecer e identificar as lendas, bem como a palavra como unidade gráfica. Leitura de palavras e pequenos textos. Trabalhei a identificação de letras do alfabeto e a consciência fonológica na atividade em que tinham que escrever a letra inicial de cada desenho para formar o nome da próxima lenda, que seria Curupira e, também, no caça palavras, no ditado recortado e nas adivinhações.

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Desenvolvi, também, uma atividade com Parlenda, completando a mesma, onde tinham que trocar o desenho por palavras; Aproveitei a lenda da Mula Sem Cabeça para que reconhecessem um gênero textual diferente, a Tirinha, construindo uma compreensão global do texto lido, relacionando informações explícitas e implícitas, produzindo inferências, de uma forma coletiva.

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Leitura do livro do acervo do PNLD Obras complementares: “Cadê ?”, de Guto Lins;

Recontagem da história do livro;

Interpretação do mesmo; Depois de ter acrescido a bagagem deles sobre algumas lendas folclóricas, passei para um segundo passo que foi a apresentação do livro ”Cadê?”. Li o livro com eles, de modo a motivá-los a querer saber e participar da história. Refleti sobre a capa do livro, o significado do ponto de interrogação, as cores usadas, nome do autor e editora, pois precisariam desse conhecimento para posteriormente ilustrar um livro da turma.

Todos ficaram envolvidos com a sequência do livro, então, aproveitei o momento para sugerir que nossa sala também confeccionasse um livro. A euforia foi imensa. •

Ilustra,cão do livro Cadê, sobre os personagens folclóricos estudados;

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Até esse momento não tive dificuldades. Minha dificuldade teve inicio ao dividir a turma para ilustrar o livro. Todos queriam desenhar. Formei duplas e em seguida li cada página do livro para que entendessem a história toda e pudessem ilustrá-la. Foi um processo demorado porque as duplas tinham que entrar em um acordo para saber como iriam fazer (quem iria desenhar, quem iria pintar). Pude explorar a criatividade, interpretação das frases, socialização e capricho. Me senti realizada com o retorno que as crianças me deram.

Realização do jogo da trilha, também com os personagens folclóricos.

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Realizando o jogo da trilha pude observar que: •

Houve um respeito muito grande entre as duplas, um esperava a vez do outro;

Houve, também, a solidariedade entre eles, o que sabia ajudava aquele que tinha dificuldade;

Conseguiram somar o valor do dado com o valor da trilha.

Apresentaram dificuldades em: •

Jogar com autonomia;

Ler as orientações de algumas casas do jogo;

Voltar casas, realizando a subtração.

O meu maior desafio foi orientar várias duplas, ao mesmo tempo, e manter a ordem na sala, controlando a euforia de todos. Foram atividades em que todos os alunos se envolveram, participaram e aprenderam, cada qual contribuindo à sua maneira. Todos socializaram-se e o vínculo entre colegas melhorou.

Adequação das Propostas para Criança com Necessidade Educacional Especial •

O aluno com necessidade especial apresenta deficiência visual, portanto minha adaptação foi ampliar as atividades impressas no tamanho necessário para que visualizasse bem e mostrar toda lenda trabalhada, individualmente, para que conseguisse ver melhor as ilustrações.

Avaliação • 150

Autoavaliação da participação durante o projeto;


Avaliação da turma no processo de elaboração de conhecimentos retomando os objetivos propostos e subsidiando novos avanços tanto no nível de representação da escrita, como oral e no uso do texto para compreender a realidade.

Confecção do livro “Cadê?” pelos alunos do 1º Ano.

Autoavaliação Nesse período em que trabalhei o Folclore, com as crianças, pude perceber o encantamento que a leitura trás aos pequenos, e o quanto isso é importante e necessário para eles. Muito mais do que desenvolver habilidades e capacidades, constatei que cabe ao professor apresentar um mundo de leitura em que as crianças possam se envolver na história e motivadas, avançar nos processos de escrita e leitura, descobrindo que cada uma tem seu valor (uma sabe desenhar, outra pintar, outra escrever, etc) e que juntas formam uma equipe. Quando concluímos o livro do primeiro ano, foi muito mais do que somente um livro. Foi uma atividade em que todos participaram democraticamente, entusiasmados e solidários uns com os outros. Como educadora aprendi a persistir em meus objetivos e semear sempre, pois sei que na maioria das vezes colherei dedicação e envolvimento.

Bibliografia Utilizada •

KAIPER, Ivana. Alfabetizando com Mônica e turma. Disponível em: http://alfabetizandocommonicaeturma.blogspot.com.br/. Acessado em 10/08/2013.

LINS, Guto. Cadê? Editora Globo – São Paulo, 2011.

SOUSA, Maurício de. Coleção lendas brasileiras. São Paulo – Ed. Girassol, 2011.

SOUSA, Maurício de. Turma da Mônica: folclore brasileiro. São Paulo – Ed. Girassol, 2009.

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Resgate de Brincadeiras Antigas Professora: Vania Aparecida de Oliveira Gonçalves Escola Municipal Dom Inácio João Dal Monte Turma: 2º Ano

Justificativa “Brincar não é perder tempo é ganhá-lo”, como já dizia Carlos Drummond de Andrade. E que criança não gosta de brincar? A brincadeira promove, além da diversão, a manutenção da saúde e o desenvolvimento psicomotor. As brincadeiras servem como instrumentos de estruturação do indivíduo. Através de jogos e brincadeiras a criança desenvolve a linguagem, o pensamento, a socialização, a iniciativa e a autoestima, elementos indispensáveis para o mundo em que vivemos. Atualmente a tecnologia tem tirado o contato físico, entre as crianças, dando espaço a jogos eletrônicos, virtuais, deixando-as, várias horas, em frente a um computador ou a uma televisão. A atividade lúdica é um princípio fundamental para o desenvolvimento das atividades intelectuais da criança sendo, por isso, indispensável à prática educativa, afirmava Jean Piaget (1987). O projeto visa resgatar os brinquedos e as brincadeiras antigas com intuito de conservar a memória e o prazer das brincadeiras antigas, bem como a participação na confecção de brinquedos, desenvolvendo valores importantes na formação do ser humano.

Objetivos •

Resgatar brincadeiras antigas;

Elaborar e/ou confeccionar brinquedos:

Realizar brincadeiras do passado;

Ampliar o círculo de brincadeiras;

Incentivar o trabalho em equipe.

Objetivos Específicos

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Participar das interações cotidianas em sala de aula, escutando com atenção e compreensão, expondo opiniões nos debates com colegas e com o professor;

Conhecer, utilizar e valorizar os modos de produção e circulação da escrita na sociedade;

Compreender e valorizar o uso da escrita com diferentes funções, em diferentes gêneros;

Identificar as finalidades e funções da leitura em razão do reconhecimento do suporte, do gênero e da contextualização;

Escrever segundo o princípio alfabético e as regras ortográficas;

Reconhecer a importância de Reciclar, Reduzir e Reutilizar o lixo;

Descrever, interpretar, identificar e representar a movimentação de uma pessoa, ou objeto no espaço e construir itinerários;

Identificar pontos de referência para situar e deslocar pessoas/objetos no espaço;

Perceber o próprio corpo, sua forma, suas dimensões e sua relação com o espaço


físico.

Conteúdos Curriculares •

Compreensão e Valorização da Cultura Escrita;

Desenvolvimento da Oralidade;

Apropriação do Sistema de Escrita;

Leitura;

Produção Escrita;

Ambiente e vida;

Espaço e forma.

Metodologia Inicialmente, o assunto foi abordado com o Livro: “Frederico Godofredo” de Liana Leão e Márcia Széliga. Em uma sociedade baseada no consumo, que valoriza a posse das coisas, Frederico Godofredo é um menino diferente. Para ele, "SER" é muito mais importante do que "TER". O boné e o tênis da moda não são importantes. O que ele valoriza é a imaginação, capaz de trazer a estrela mais distante do céu ao alcance de sua mão. Estar no mundo é, para ele, a felicidade. Frederico Godofredo é um livro lindo, não apenas pela singeleza do texto de Liana Leão, mas pelo excelente projeto gráfico que destaca a maestria da ilustradora Márcia Széliga, que, através de desenhos (apurados no uso preciso de lápis de cor) e de colagens (reciclando diversos materiais), nos presenteia com imagens belíssimas, ricas em detalhes e sedução. (...) “As coisas usadas, que para as outras crianças não tinham serventia, para ele eram matéria-prima de invenção: fazia jangadas com palitos de sorvete e, com panos velhos, fazia as velas. Depois enchia uma bacia e soprava forte. Seu sopro virava vento.”

Frederico Godofredo é um menino que adora dar asas à imaginação. Ele está sempre reaproveitando, em suas mágicas criações, o que lhe cai nas mãos ou que encontra pelo caminho. A sua inventividade não tem limites e, com graça e beleza, o que parece inútil vira novo (de novo): brinquedos velhos e quebrados, objetos estranhos e até mesmo papeis usados. Para Frederico, tudo tem utilidade, num mundo de constante aprendizado (e mudanças). Liana trabalha, de maneira lúdica e convincente, a questão da reciclagem. A sua narrativa, poética e inteligente, não subestima a capacidade inventiva das crianças e, sabiamente, não encerra nenhuma lição de moral (piegas). Todavia, em suas entrelinhas, há um sutil ensinamento vital sobre a importância de cada coisa ao nosso redor. O texto é gostoso, fluido e acessível pra qualquer idade. A autora mostra como é possível falar de felicidade, filosofar com as crianças, sem ser chata e, muito menos, didática (créditos: http://falasaoacaso.blogspot.com.br/2010/10/literatura-frederico-godofredo.html). Atividades 1) Jogo do torto Após a leitura do livro com entonação e expressividade, parando em momentos estratégicos, perguntando, levando e confirmando hipóteses relativas ao que ia acontecer em seguida, solicitei que, como o personagem do texto, as crianças brincassem com as letras do título do livro: O Jogo do “torto” com as letras do título do livro: Frederico Godofredo Passos: a) Apresentar a palavras chave a partir do contexto de uma história, uma data 153


comemorativa, uma homenagem; b) Separar as letras com as quais se vai jogar; c) Esclarecer as regras: •

formar algumas palavras para a turma entender a dinâmica;

marcar um tempo para formarem as palavras;

apurar o resultado do número de palavras escritas. O vencedor será quem escrever mais palavras;

d) Iniciar a atividade; e) Apurar o resultado; f)

Avaliar o jogo

2) Listagem de brincadeiras Pensando nas brincadeiras antigas, cada aluno falou de uma brincadeira que conhecia e que tinha aprendido com os pais ou familiares. Fizemos então a lista de brincadeiras.

3) Bola de meia Apresentei aos alunos o texto “Bola de meia” de Ângela Leite.

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Os alunos trouxeram meias para confeccionarmos as bolas.

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A bola é um dos brinquedos preferidos das crianças, pois com ela da para fazer várias brincadeiras e existem vários tipos de bolas. Por isso pesquisamos na aula de informática os tipos de bolas existentes. Tipos de bolas (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bola):

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Bola de críquete

Bola de beisebol

Bola de basquete

Bola de bilhar

Bola de lacrosse

Bola de futebol australiano

Bola de tênis

Bola de futebol americano

Bola de rugby

Bola de golfe

Bola de softbol

Bola inflável

Bola baoding

Bola de voleibol

Bola natalina

4) Twister Aproveitando o entusiasmo das crianças confeccionei o jogo Twister: Objetivo: Desenvolver nos alunos o equilíbrio, força, lateralidade, coordenação motora, noção de direita/esquerda, as cores primárias, estratégia usada durante a movimentação e a leitura, pois um dos alunos gira a roleta e faz a leitura do local onde o ponteiro da roleta parou. Material: Tapete contendo quatro linhas com seis círculos em cada uma delas com as cores primárias: vermelho, amarelo, azul e verde. Uma roleta indicando as cores e os membros mão e pé/esquerdo mão e pé/direito Regras: O aluno roda a roleta e, se o ponteiro parar na cor azul/pé direito, o primeiro aluno tem que colocar o pé direito no círculo azul. O segundo aluno deve agir da mesma forma de acordo com o resultado da roleta, assim por diante até que o aluno caia, coloque os joelhos no chão, erre a cor, desista ou não consiga realizar o movimento proposto. Ao final de cada rodada invertem-se as posições para que todos 157


participem.

5) Outras brincadeiras Brincamos tambĂŠm de Pular Corda.

E Amarelinha.

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Avaliação O trabalho realizado nesse projeto possibilitou que os alunos relembrassem de alguns brinquedo e/ou brincadeiras que já estão um pouco esquecidas, nos dias de hoje, e também tiveram o prazer e a satisfação de confeccionar seus brinquedos, das leituras apresentadas durante o projeto todas foram recebidas por eles com muito entusiasmo. Ficaram encantados com o livro Frederico Godofredo, também procuram ler e entender o texto instrucional para fazerem a bola de meia. Foram levados a pensar na formação das palavras para formarem novas palavras no jogo do torto. No jogo Twister alguns alunos tiveram dificuldade, na lateralidade, foi muito divertido as crianças adoraram. A questão da socialização também foi muito interessante os alunos se socializaram e respeitaram os colegas o que me deixou bastante feliz. Enfim foi um ótimo projeto e tenho certeza que as crianças aproveitaram e aprenderam muito, assim como eu.

Bibliografia •

LEITE, Angela.Tudo pode ser brinquedo. Belo Horizonte, Lê,1993

PIAGET. Jean. O nascimento da inteligência na criança. Rio de Janeiro.Ed.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bola

http://falasaoacaso.blogspot.com.br/2010/10/literatura-frederico-godofredo.html

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Sequência Didática com Gênero Textual Piada Professora: Verônica Aparecida Xavier Silvério Escola Municipal Dom Inácio João Dal Monte Turma: 3º Ano

Justificativa O trabalho pedagógico aponta para a necessidade de trabalhar práticas de leitura e escrita dos vários gêneros textuais que circulam socialmente como mostram Shneuwly e Dolz: “Reconhecemos que a imersão dos alunos nas práticas de linguagem contribui para sua apropriação, porém acreditamos que é preciso ir além das vivências. É necessário um trabalho progressivo e aprofundado com os gêneros textuais orais e escritos, envolvendo situações em que essa exploração faça sentido.” SCHNEUWLY E DOLZ apud BRASIL et al (2012, p. 07)

Os autores nos mostram que há a necessidade de se conhecer vários gêneros textuais, que devem ser apresentados de forma aleatória e com objetivos específicos, visando práticas de leitura, escrita, oralidade e produção de texto. A sequência didática com o gênero textual piada, busca inserir os alunos do 3º ano da escola municipal Dom Inácio João Dal Monte em práticas que contemplem os eixos referentes aos conteúdos curriculares de língua portuguesa, contribuindo, então, para o desenvolvimento de várias capacidades e habilidades que devem ser consolidadas no 3º ano do Ensino Fundamental, além do conhecimento das características do referido gênero textual.

Objetivo Geral •

Reconhecer o gênero textual piada e suas especificidades.

Objetivos Específicos •

Compreender as funções dos sinais de pontuação e emprega-los no texto;

Procurar palavras no dicionário com autonomia;

Reconhecer os elementos do texto narrativo;

Ampliar o repertório de palavras escritas com S e SS;

Reconhecer unidades fonológicas em palavras.

Conteúdos Curriculares A sequência didática apresentada focou os conteúdos curriculares de Língua Portuguesa, ao passo que a interdisciplinaridade foi trabalhada em outros projetos e sequências didáticas elaboradas para o 3º ano do ensino fundamental. Porém neste trabalho a equipe de professoras decidiu ter um olhar mais específico, apenas, para o gênero textual: piada. Os eixos trabalhados na sequência didática foram: desenvolvimento da oralidade e apropriação do sistema de escrita, leitura e produção escrita que envolveram várias capacidades, de acordo com as matrizes curriculares de Língua Portuguesa dos anos iniciais do ensino fundamental:

Desenvolvimento da oralidade •

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Participar de interações cotidianas em sala de aula, escutando com atenção e compreensão e respondendo as questões propostas pelo professor.


Leitura •

Identificar a finalidade e as funções de leitura, a partir do reconhecimento do gênero, do suporte e de sua contextualização;

Interpretar informações explícitas e implícitas em textos, realizando inferências.

Apropriação do sistema de escrita •

Reconhecer unidades fonológicas como sílabas, rimas e terminações de palavras;

Dominar regularidades e irregularidade ortográficas;

Compreender a categorização gráfica das letras.

Produção escrita •

Dispor, ordenar e organizar o próprio texto de acordo com as convenções gráficas necessárias.

Metodologia e Desenvolvimento O trabalho se iniciou com a apresentação de uma piada aos alunos, porém a professora não explicou sobre o gênero de que se tratava, pois o objetivo era que os alunos construíssem seus próprios conhecimentos e tirassem, no primeiro momento, suas conclusões sobre o novo gênero. Então o trabalho começou com a anedota disponível em: http://www.clickgratis.com.br/piadas/joaozinho-e-mariazinha/quanto-e-um-menos-um.html. Na aula de matemática, a professora pergunta: – Joãozinho, quanto é dois menos um? – Sei não, fessora! – Vou dar um exemplo: Faz de conta que em cima dessa mesa tem um pêssego. Se eu comer o pêssego, o que fica? – O caroço, fessora!

Após a leitura realizada pela professora, foram feitas várias perguntas aos alunos para introduzir o assunto: qual gênero textual você imagina que é este? Qual o assunto do texto? Existe a fala de um narrador no texto? Qual a resposta que você imagina que Joãozinho deveria dar à professora? Em sua opinião, Joãozinho acertou a resposta, por quê? No primeiro momento poucos alunos conseguiram identificar que se tratava de uma piada, porém o texto foi lido novamente para que houvesse maior compreensão. Após a discussão, os alunos dramatizaram o texto e em seguida sublinharam as falas do narrador e personagens de acordo com uma legenda. Para se trabalhar a consciência fonológica, foi proposto aos alunos que classificassem as palavras quanto ao número de letras e sílabas. Para se trabalhar a apropriação do sistema de escrita foi proposto, para os alunos, diferenciarem a sílaba inicial, intermediária e final da palavra “pêssego”. A atividade fez com que gerasse se um conflito em relação à separação das letras s. Nesse momento, houve intervenção da professora para que as dúvidas fossem solucionadas. Também foi realizado um teste de escrita com palavras escritas com S ou SS. O teste denominou-se “dúvida ou certeza”. Assim os alunos deveriam escolher como classificariam a palavra ditada pela professora: conforme tivessem dúvida ou certeza em relação à ortografia. Abaixo encontra-se a atividade de uma aluna do 3º ano:

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No segundo momento foi trabalhada a piada abaixo:

CARPANEDA e BRAGANÇA, 2011 p. 223

Após a leitura realizada pela professora e pelos alunos, a turma discutiu sobre questões do texto: qual é o gênero textual? Qual é o assunto do texto? Onde está a graça na piada? Você acha que o coelhinho foi esperto? Por quê? O trabalho com o dicionário foi realizado para o reconhecimento dos usos sociais da ordem alfabética. As palavras encontradas foram: pedir, responder, dizer, perguntar e berrar. Notouse, que a autonomia para encontrar as palavras foi aumentando gradativamente. Os alunos sublinharam as falas de narrador e personagens de acordo com a legenda proposta. Essa atividade foi essencial para a consolidação da habilidade referente à identificação dos elementos da narração. No terceiro momento foi trabalhada a piada disponível em <http://misturadealegria.blogspot.com.br/2010/10/trabalhando-com-piadas-em-sala-deaula.html>:

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Diálogo – Carlinhos, meu netinho, ajude o seu avô. Traga para mim: um álbum de retrato, que está em cima da eletrola, a binga pra eu pitar e depois você acende a lamparina pra eu enxergar melhor. – Mãe, socorro! Eu não estou sacando nada desse papo. O que o vovô está falando? – Meu filho, o vovô está dizendo pra você pegar as fotos que estão em cima do som, o esqueiro e buscar o lampião.

Várias perguntas foram feitas para introduzir a atividade: Qual é o título do texto? O que vovô pediu ao neto? Qual é o nome desse gênero textual? Qual é o assunto do texto? Você acha que vovô fala errado? Após a discussão e o debate os alunos dramatizaram o texto e encontraram, no dicionário, o significado das palavras: eletrola, lamparina e binga. Atividades de registro para a interpretação de textos também foram realizadas. Na apropriação do sistema de escrita, os alunos observaram a palavra: “som” orientados pela professora e pesquisaram em revista e jornais palavras de acordo com os vários sons do S. Em seguida foram feitos cartazes com regras discutidas, coletivamente, e afixados na sala de aula. No quarto momento foi trabalhada a produção escrita que se tratava de ler uma piada sem os convencionais sinais de pontuação, para que os alunos realizassem esta atividade, com intervenção da professora, conforme mostra a imagem abaixo:

CARPANEDA e BRAGANÇA, 2011 p. 223

Para a culminância da sequência didática os alunos do 3º ano, participaram de um festival de piadas. As piadas foram selecionadas pela professora para que fossem adequadas ao ambiente escolar. Antes das leituras das mesmas, foram realizadas intervenções pela professora com o intuito dos alunos lerem de acordo com os sinais de pontuação. A atividade proporcionou oportunidades para que os alunos desenvolvessem fluência em leitura.

Avaliação O trabalho com a piada fez com que os alunos conhecessem as características do referido gênero, interpretassem informações explícitas e implícitas em textos, entre outras habilidades compatíveis com o 3º ano do ensino fundamental. Ao analisar os conhecimentos prévios dos alunos sobre a piada, notou-se que a maioria não conhecia o gênero. 163


A dramatização da piada no primeiro momento fez com que os alunos reconhecessem os elementos que compõem a estrutura da narrativa. A leitura, clara, com entonação, demonstrou progressos na aquisição dessa habilidade. O trabalho com o dicionário, que era algo que a sala precisava desenvolver, fez com que alunos encontrassem palavras e demonstrou seus progressos e avanços na sua autonomia. Aumentou-se o repertório de palavras escritas com a letra s, representando vários sons. As regras ortográficas foram discutidas e registradas pela turma, pois ao analisar os conhecimentos prévios dos alunos foi percebido que, ainda, encontravam muitas dúvidas em relação ao uso da letra s entre vogais. O trabalho com a produção escrita fez com que os alunos compreendessem melhor os sinais de pontuação de uso frequente, neste gênero textual. Eles se desenvolveram, também, ao localizar informações implícitas em textos, fazerem inferências e reconhecerem unidades fonológicas, através da divisão silábica. Nota-se, portanto, que os alunos avançaram significativamente em relação aos objetivos específicos propostos para a sequência didática e ao reconhecimento das características da piada. Festival de piadas no 3º ano:

Bibliografia

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BRASIL. Pacto nacional pela alfabetização na idade certa: o trabalho com os diferentes gêneros textuais em sala de aula: ed. Brasília: MEC, SEB, 2012.

CARPANEDA, Isabella Pessoa de Melo; BRAGANÇA, Angiolina Domanico. Porta aberta: letramento e alfabetização: ed. São Paulo: FTD, 2011.

Piadas de Joãozinho e Mariazinha. Disponível em: <http://www.clickgratis.com.br/piadas/joaozinho-e-mariazinha/quanto-e-um-menosum.html>. Acesso em: 24 set 2013.

SECRETARIA DO ESTADO DE EDUCAÇÃO DE MINAS GERAIS. Matrizes curriculares de língua portuguesa, 2011.

Trabalhando com piadas em sala de aula. Disponível em: <http://misturadealegria.blogspot.com.br/2010/10/trabalhando-com-piadas-em-salade-aula.html>. Acesso em: 24 set 2013.


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