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Artigos

A Psicologia no dia a dia

Por Marcell Rocha*

Redução ou não da maior idade penal (reflexão) O tema que gostaria de retratar, e que ainda não gerou discussões na sociedade, seria a maior idade penal. No ano de 2015, houve o ocorrido da morte de um médico no Rio de Janeiro que foi esfaqueado numa abordagem de um grupo de adolescentes. Não só este caso, como muitos outros geraram repercussão e discussões a respeito da maior idade penal que foi enviado para o Congresso Nacional. O que proponho no texto de hoje não é ser a favor ou contra a redução da maior idade penal, mas, sim, tematizar o motivo de nós brasileiros só querermos agir sobre a maior idade penal quando as consequências nos tomam de surpresa, sendo que elas estão latentes, principalmente tratando-se dos jovens que cada vez mais, percebemos no nosso cotidiano os seus envolvimentos mais frequentes na delinquência e no poliuso de drogas. Acredito que a polêmica da

redução, ou não, da maior idade penal não é a melhor das soluções para resolver os atos criminais dos jovens. O que quero dizer diretamente que a violência vai continuar a existir e pode nos atingir de qualquer modo com, ou sem, sua redução. Não estou dizendo que o ato infracional, ou criminoso, não tenha que ser julgado, mas proponho discutir como nosso modo de agir social ao não perceber, e alguns momentos negligenciar a criança de hoje que testemunha ou participa na agressão ao ambiente escolar ou familiar, também pode passar a ser o adolescente de amanhã que comete os atos criminais que será classificado de menor infrator, e que poderá ser o adulto que pretenderemos marginalizá-lo de alguma maneira. A violência precisa ser estudada para descobrirmos melhor as suas raízes, e com seu entendimento quais as atitudes melhor tomarmos para prevenir casos que nos abalam. * Psicólogo Marcell Rocha Araújo CRP 01/18968 98304-2318 - WhatSapp

15 a 31 de agosto de 2017 - 10

Coluna do Gil Por Gil DePaula

Ensaio sobre a morte Tânato na mitologia grega era a personificação da morte. Filho de Nix, a noite eterna, que o concebera sem o auxílio de nenhum outro deus. Irmão do Sono (Hipnos), Tânato era inimigo implacável do gênero humano, e odiado até pelos Imortais. Ele fixou a sua morada no Tártaro, segundo Hesíodo, diante da porta dos Infernos, segundo outros poetas. Tinha como data preferida para arrebatar as vidas, o dia 21 de agosto. Para os cristãos, ao homem foi imputada a morte porque Adão e Eva, desobedecendo a Deus, comeram do fruto da árvore do bem e do mal, sendo por isto punidos com a morte, primeiramente moral, e depois com a morte física, como resultado da maldição divina. As diversas religiões concordam com a origem da morte. Divergem claramente sobre o que vem após ela. Umas afirmam que haverá o dia

do julgamento final, e o homem ressuscitando do pó será julgado conforme suas obras. Outras, que o homem que cumpre a vontade de Deus irá para o Paraíso. Algumas, ainda, acreditam que a alma se desprenderá do corpo e ocupará seu lugar em um mundo espiritual. Conjecturas à parte, fato é que o temor da morte atinge a maioria esmagadora da população humana. Mesmo os que mais se dizem crentes temem a hora em que seus olhos serão cerrados pelo abandono da vida de seus corpos, lhes tornando rígidos e frios, para em seguida iniciar-se o processo de deterioramento carnal (“és pó e ao pó te tornarás” (Gn 3.19). Os escritores usam e abusam da morte em seus romances. Alguns, em suas histórias, até permitiram a morte a tirar férias; como Érico Verissimo, em “Incidente em Antares”, e José Saramago em sua “As Intermitências da Morte”. Nos dois livros, as férias da morte causam um verdadeiro caos na sociedade, a partir do momento em que ninguém mais morre, mesmo

sendo vítimas de acidentes que seriam normalmente fatais, ou atacados mortalmente por outrem. Verdadeiras dores sentem, normalmente, as pessoas quando perdem um parente que amam. A hora do enterro, a chamada despedida final, é ocasião de lágrimas e tristeza exacerbada. Rituais como a missa de sete dias servem para levar um pouco de alentos aos parentes e amigos, daquele que morreu há uma semana. Pais que perdem os filhos se lamentam pelo resto da vida. As mortes violentas geralmente revoltam aos homens de bem. Os acidentes fatais nos lembram que, talvez, pudessem ser evitados. Todavia, como tudo nesta vida é passageiro, incluindo a própria vida; o Tempo, Senhor dos nossos dias, abranda os corações saudosos e a dor. O Tempo, a cada passagem de seus segundos, nos lembra, inclementemente, que Tânato está a nos contemplar, esperando o dia de nos levar à sua morada, para encontrarmos os que lá foram habitar primeiro..

Pdf ed 203 certo  
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