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APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO

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Tani | Comportamento Motor - Aprendizagem e Desenvolvimento. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução. Copyright © 2008 Editora Guanabara Koogan Ltda.

COMPORTAMENTO MOTOR

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Essas empresas, respeitadas no mercado editorial, construíram catálogos inigualáveis, com obras que têm sido decisivas na formação acadêmica e no aperfeiçoamento de várias gerações de profissionais e de estudantes de Administração, Direito, Enfermagem, Engenharia, Fisioterapia, Medicina, Odontologia, Educação Física e muitas outras ciências, tendo se tornado sinônimo de seriedade e respeito. Nossa missão é prover o melhor conteúdo científico e distribuí-lo de maneira flexível e conveniente, a preços justos, gerando benefícios e servindo a autores, docentes, livreiros, funcionários, colaboradores e acionistas.

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O GEN | Grupo Editorial Nacional reúne as editoras Guanabara Koogan, Santos, Roca, AC Farmacêutica, Forense, Método, LTC, E.P.U. e Forense Universitária, que publicam nas áreas científica, técnica e profissional.

Nosso comportamento ético incondicional e nossa responsabilidade social e ambiental são reforçados pela natureza educacional de nossa atividade, sem comprometer o crescimento contínuo e a rentabilidade do grupo.

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APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO

Editor

Go Tani Licenciatura em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Mestrado em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de Hiroshima – Japão Doutorado em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de Hiroshima – Japão Pós-Doutorado em Psicologia pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Sheffield – Inglaterra Pós-Doutorado em Educação Física pela Faculdade Integrada de Artes e Ciências da Universidade de Hiroshima – Japão Livre-Docência em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professor Titular da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo

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COMPORTAMENTO MOTOR

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Direitos exclusivos para a língua portuguesa Copyright © 2008 by EDITORA GUANABARA KOOGAN LTDA.

Uma editora integrante do GEN | Grupo Editorial Nacional Reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na internet ou outros), sem permissão expressa da Editora. Travessa do Ouvidor, 11 Rio de Janeiro, RJ — CEP 20040-040 Tels.: 21-3543-0770 / 11-5080-0770 Fax: 21-3543-0896 www.editoraguanabara.com.br | www.grupogen.com.br | editorial.saude@grupogen.com.br

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ C735 Comportamento motor: aprendizagem e desenvolvimento / editor Go Tani. [Reimpr.]. - Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2013. Inclui bibliografia e índice ISBN 978-85-277-0976-7

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O autor e a editora empenharam-se para citar adequadamente e dar o devido crédito a todos os detentores dos direitos autorais de qualquer material utilizado neste livro, dispondose a possíveis acertos caso, inadvertidamente, a identificação de algum deles tenha sido omitida.

1. Aprendizagem motora. 2. Capacidade motora. I. Tani, Go. 08-3670.

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CDD: 152.3 CDU: 159.943

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Andrea Michele Freudenheim Licenciatura em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Mestrado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Doutorado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professora Assistente Doutora da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Cássia Regina Palermo Moreira Bacharelado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Mestrado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professora Adjunta da Universidade Paulista Cássio de Miranda Meira Júnior Bacharelado em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Mestrado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Doutorando em Educação Física na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professor Assistente Mestre da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Edison de Jesus Manoel Licenciatura em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Mestrado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Doutorado em Psicologia pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Sheffield – Inglaterra Professor Titular da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Coordenador do Grupo de Estudo do Desenvolvimento

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da Ação e Intervenção Motora da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo

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AUTORES COLABORADORES

Ernani Xavier Filho Licenciatura em Educação Física pela Escola de Educação Física da Universidade do Norte do Paraná Mestrado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Doutorando em Educação Física na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professor Assistente do Centro de Educação Física e Desportos da Universidade Estadual de Londrina Herbert Ugrinowitsch Licenciatura em Educação Física pela Faculdade de Educação Física de Santo André Mestrado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Doutorado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professor Adjunto da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais

Inara Marques Licenciatura em Educação Física pela Escola Superior de Educação Física de Muzambinho Mestrado em Educação Física pela Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas Doutorado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professora Adjunta do Centro de Educação Física e Desportos da Universidade Estadual de Londrina

Jorge Alberto de Oliveira Licenciatura em Educação Física pela Escola Superior de Educação Física de Muzambinho

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vi Colaboradores

Luciano Basso Licenciatura em Educação Física pelo Centro de Educação Física e Desportos da Universidade Estadual de Londrina Mestrado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professor Assistente Mestre da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Luiz Eduardo Pinto Basto Tourinho Dantas Licenciatura em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Mestrado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Doutorando em Educação Física na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professor Assistente Mestre da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Roberto Gimenez Bacharelado e Licenciatura em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Mestrado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Doutorando em Educação Física na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professor Adjunto da Universidade Cidade de São Paulo Rodolfo Novellino Benda Licenciatura em Educação Física pela Faculdade de Educação Física e Desportos da Universidade Federal de Juiz de Fora

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Mestrado em Educação Física pela Universidade Gama Filho Doutorado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professor Adjunto da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais

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Mestrado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Doutorando em Educação Física na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professor Assistente Mestre da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo

Suely Santos Licenciatura em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Mestrado em Educação Física pela Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas Doutorado em Psicologia pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Manchester – Inglaterra Professora Assistente Doutora da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Suzete Chiviacowsky Clark Licenciatura em Educação Física pela Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas Mestrado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Doutorado em Ciências da Motricidade pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa – Portugal Professora Adjunta da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas Umberto Cesar Corrêa Licenciatura em Educação Física pela Faculdade de Educação Física da Universidade de Mogi das Cruzes Mestrado em Ciências da Motricidade pelo Departamento de Educação Física da Universidade Estadual Paulista – Rio Claro Doutorado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Professor Assistente Doutor da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo

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Aniversários são datas auspiciosas. Comemoramos com júbilo nascimentos, marcos históricos, realizações. Entre o estourar de um champagne e outro, lembramos do que redundou no evento em comemoração, revemos o tempo que se passou desde então e olhamos para o futuro. Talvez o mais importante nessas datas seja a busca de um sentido para tudo que aconteceu, e daí engendrar as sementes da mudança, inaugurar um novo tempo. É com esse espírito que apresentamos este livro, escrito para comemorar… Este livro foi escrito para comemorar os 15 anos de criação do Laboratório de Comportamento Motor (LACOM) da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFEUSP). Os autores dos 23 capítulos que compõem a obra têm ou tiveram uma ligação direta e estreita com a vida do LACOM, especialmente nestes últimos 10 anos. Alguns são docentes da EEFEUSP, outros concluíram ou prosseguem o curso de pós-graduação stricto sensu oferecido por essa Instituição. Muitos são docentes em outras universidades brasileiras, mas continuam a manter vínculo acadêmico e científico com o Laboratório mediante desenvolvimento de projetos conjuntos de investigação. O presente livro é um retrato vivo do percurso trilhado pelo Laboratório. A vida que aqui se encerra está cunhada nas palavras que brotam do árduo trabalho dos autores, empreendido ao desafiarem, cada um a seu modo, o desconhecido. Os capítulos do livro foram, em sua maioria, escritos em forma de tutorial, ou seja, com a preocupação prioritária de apresentar um quadro teórico coerente e aprofundado acerca de um tema, ilustrando-o, sempre que possível, com dados empíricos obtidos pelas pesquisas desenvolvidas no próprio LACOM, pesquisas essas que resultaram, muitas vezes, em dissertações de mestrado e teses de doutorado. Essa preocupação com o quadro teórico implicou certa repetição de conteúdo em parte de alguns capítulos, nomeadamente naqueles em que o mesmo pano de fundo teórico é adotado. Se, de um lado, essa repetição pode provocar alguma

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PREFÁCIO

estranheza ao leitor, por outro mostra forte presença de um modelo conceitual que orienta a realização de pesquisas no interior do Laboratório, dando-lhe uma identidade acadêmica peculiar. Com os devidos cuidados suscitados pelo assunto, pode-se afirmar que o LACOM procura cultivar e aperfeiçoar aquilo que comumente é chamado de uma “escola de pensamento”. O livro está dividido em duas partes. Na primeira, composta de oito capítulos, encontram-se as proposições teóricas, as idéias e as linhas de pesquisa do LACOM. O capítulo 1 faz um breve histórico da vida do Laboratório, desde os seus passos iniciais como um grupo de estudo sem espaço físico, até tornar-se uma entidade devidamente estruturada no interior de uma unidade de ensino da Universidade de São Paulo. A formação do LACOM caracterizou-se como um processo coletivo de construção fortemente centrado num ideal: contribuir efetivamente para a consolidação da Educação Física e Esporte tanto como áreas de conhecimento merecedoras de um lugar de destaque no seio de uma universidade, como áreas de intervenção profissional devidamente apoiadas em sólidos conhecimentos científicos. Os capítulos 2 e 3, respectivamente, fazem uma revisão histórica dos estudos em Aprendizagem Motora e Desenvolvimento Motor, mostrando não apenas o estado da arte, mas também as tendências e perspectivas de investigação. Esses dois campos têm uma história de vida relativamente longa, pois os estudos pioneiros realizados na Psicologia datam do final do século XIX, mas foram apenas recentemente “abraçados” pelos pesquisadores das áreas de Educação Física e Esporte. Como habilidades motoras são adquiridas com a prática e como os movimentos mudam ao longo do ciclo de vida do ser humano são questões que constituem hoje temas de investigação de reconhecida relevância em ambas as áreas e cujo conhecimento é de fundamental importância para o desenvolvimento de programas de atividades físicas, seja na perspectiva da educação, da saúde, da cultura ou do lazer.

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viii Prefácio

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resultados de pesquisas experimentais para ilustrar as posições teóricas assumidas. Os capítulos 9, 10, 11, 12, 17 e 19 mostram resultados de pesquisas conduzidas sob o modelo conceitual discutido nos capítulos 5, 6 e 7. Conceitos como estabilidade, instabilidade, adaptabilidade, variabilidade e modularidade são utilizados para descrever e explicar complexos mecanismos envolvidos na aquisição de habilidades motoras. Outros capítulos, como o 13, 14, 15, 18, 21 e 22, trazem resultados de estudos acerca de temas e tópicos de investigação em evidência no cenário internacional, que foram conduzidos dentro do modelo teórico corrente. Mais especificamente, em Aprendizagem Motora, foram eleitos os temas conhecimento de resultados, interferência contextual e perito motor. Em Desenvolvimento Motor, por sua vez, foram privilegiados os temas envelhecimento motor, planejamento de ações motoras e desenvolvimento de habilidades motoras no meio aquático em crianças e bebês. O capítulo 16 também traz resultados de pesquisa acerca de um tópico em evidência no cenário internacional – interferência contextual –, mas adotando uma postura crítica, já influenciada pelo modelo conceitual próprio do LACOM. Os capítulos 20 e 23 apresentam estudos que procuram discutir as possíveis aplicações práticas dos conhecimentos produzidos em Desenvolvimento Motor, respectivamente a análise desenvolvimentista da tarefa motora e o comportamento motor de indivíduos portadores de deficiência. Assim como o próprio processo de formação do LACOM, a elaboração deste livro constituiu-se num projeto coletivo que envolveu muita dedicação, discussão, inspiração, transpiração e, sobretudo, reflexão de todos os participantes. Na realidade, ela proporcionou uma oportunidade ímpar para o Laboratório fazer uma profunda revisão sobre o que realizou, o que está realizando e o que pretende realizar no futuro. O resultado de tudo isso é o que se pretende apresentar aos leitores. Os conhecimentos de aprendizagem motora e desenvolvimento motor são de fundamental importância para todos os profissionais envolvidos, de alguma forma, com a manutenção, recuperação e melhora da capacidade do ser humano de movimentar-se, seja no campo da Educação Física, do Esporte, da Fisioterapia, da Terapia Ocupacional e em outras áreas correlatas. O livro foi escrito com a intenção de apresentar conhecimentos relevantes e interessantes não apenas aos alunos de graduação (revisões amplas de literatura) como de pós-graduação (tópicos em destaque no cenário internacional), mas também para pesquisadores envolvidos com a produção do conhecimento (idéias, metodologias e resultados de pesquisa). Ele não se caracteriza, portanto, como um manual (textbook), mas, em razão da estrutura adotada e da diversidade dos temas, esperamos que seja útil para uma população mais ampla.

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O capítulo 4 faz a transição daquilo que é feito em pesquisa tanto no cenário nacional como no internacional – suas proposições, idéias, abordagens – para o que é realizado, pretensiosamente de genuíno, no LACOM. O que muda fundamentalmente nessas duas instâncias de investigação refere-se ao paradigma científico sob o qual os projetos de pesquisa são desenvolvidos. Como é bem conhecido, o paradigma (no sentido kuhniano) influencia o empreendimento científico em todas as áreas do conhecimento. Muitas pesquisas em Aprendizagem Motora e Desenvolvimento Motor ainda estão sendo realizadas sob o “guarda-chuva” do chamado paradigma da ciência clássica. No entanto, é notória a influência do paradigma sistêmico em todas as áreas do conhecimento. Esse novo paradigma, também chamado de evolucionário, não-linear, auto-organizacional, entre outras denominações, não apenas projeta novos temas, olhares e métodos de pesquisa, como também coloca temas clássicos numa nova perspectiva de investigação. Esse capítulo traz, de forma sucinta, os principais pilares do paradigma sistêmico que fundamentam uma nova abordagem no estudo do comportamento motor humano. Os capítulos 5, 6 e 7 apresentam o modelo conceitual que fundamenta boa parte dos estudos do LACOM.Trata-se de um modelo que parte das proposições acerca de sistemas abertos discutidas e propostas originalmente por Bertalanffy (1968). Incorpora as recentes idéias de sistemas adaptativos complexos ou evolucionários, em que a coexistência e a complementaridade de fatores entrópicos e não-entrópicos são vistas como fundamentais em sistemas que buscam estados cada vez mais complexos de organização, isto é, propõe uma nova visão dos processos de controle, aprendizagem e desenvolvimento de habilidades motoras. O capítulo 8 apresenta um novo campo de investigação denominado Ensino-Aprendizagem de Habilidades Motoras. É proposto a partir do reconhecimento das limitações do paradigma reducionista para produzir conhecimentos ecologicamente válidos, ou seja, conhecimentos que permitam prever fatos além das paredes do laboratório. Esse campo, caracterizado por pesquisas de síntese e integração de conhecimentos, procura testar a aplicabilidade dos conhecimentos produzidos em Aprendizagem Motora e Desenvolvimento Motor em situações mais próximas do mundo real. Com isso procura fornecer importante feedback para a pesquisa preocupada com a elucidação dos mecanismos, ao mesmo tempo que faz uma ponte entre a teoria e a prática mediante o teste da aplicabilidade dos conhecimentos produzidos. Na segunda parte do livro, que se inicia com o capítulo 9, são apresentados os principais desafios de investigação atualmente enfrentados pela área e algumas das realizações concretas do LACOM em termos de pesquisa experimental. Os 15 capítulos foram escritos de forma a apresentar

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Prefácio

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diagramação dos textos; Luciana Matiuda Spinelli e Andréa Ximenes, pelo trabalho técnico de laboratório e de secretaria; todos os bebês, crianças, adolescentes, adultos e idosos que participaram de nossas pesquisas relevando tantas vezes as nossas idiossincrasias. E externamos os nossos profundos agradecimentos à Editora Guanabara Koogan pela confiança em nós depositada para a publicação do livro. Go Tani

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Várias pessoas foram muito importantes na publicação deste livro, dela participando direta ou indiretamente. Cientes do perigo da omissão involuntária, e desde já nos desculpando por isso, gostaríamos de agradecer especialmente às seguintes pessoas: Hitoshi Hagiwara, Koji Choshi e Kevin Joseph Connolly, pela inspiração; Erasmo Magalhães Castro de Tolosa, pela visão administrativa que viabilizou a criação física do LACOM; Cássia Regina Palermo Moreira e Luciano Basso, pela incansável contribuição na revisão e

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1 A ÁRVORE E A CHAMA: A FORMAÇÃO DE UM LABORATÓRIO, 1 Edison de Jesus Manoel

A Propósito de Contar Histórias…, 1 Preparando a Cena, 1 Os Primeiros Passos, 2 Da Criação à Consolidação, 5 Dos Passos para o Futuro, 10 Algumas Palavras para Terminar…, 11 Referências Bibliográficas, 12

2 APRENDIZAGEM MOTORA:

TENDÊNCIAS, PERSPECTIVAS E PROBLEMAS DE INVESTIGAÇÃO, 17 Go Tani

Considerações Iniciais, 17 Aprendizagem Motora como um Campo de Estudo, 19 Uma Revisão Sucinta dos Estudos, 20 Abordagem Multidisciplinar, 23 Alguns Problemas Centrais de Investigação, 24 Referências Bibliográficas, 29

3 O ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO MOTOR: TENDÊNCIAS E PERSPECTIVAS, 34 Edison de Jesus Manoel

Introdução, 34 Abordagens no Estudo do Desenvolvimento Motor, 34 Natureza da Mudança, 37 Considerações Finais, 41 Referências Bibliográficas, 42

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CONTEÚDO

4 O PARADIGMA SISTÊMICO E O ESTUDO DO COMPORTAMENTO MOTOR HUMANO, 45 Go Tani Umberto Cesar Corrêa Rodolfo Novellino Benda Edison de Jesus Manoel

Considerações Iniciais, 45 O Paradigma Sistêmico, 45 O Conceito de Sistema, 46 Sistemas Abertos Hierárquicos, 48 Feedback Positivo e Negativo em Sistemas Abertos, 50 Perturbação, Adaptação e Complexidade em Sistemas Abertos, 51 Considerações Finais, 56 Referências Bibliográficas, 57

5 PROCESSO ADAPTATIVO: UMA

CONCEPÇÃO DE APRENDIZAGEM MOTORA ALÉM DA ESTABILIZAÇÃO, 60 Go Tani

Considerações Iniciais, 60 Limitações do Modelo de Equilíbrio para Explicar Aumento de Complexidade, 63 Algumas Questões a Investigar, 64 Referências Bibliográficas, 67

6 ADAPTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO MOTOR, 71

Edison de Jesus Manoel

Introdução, 71 Adaptação e Padrões Modais de Ação no Desenvolvimento Motor, 72

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xii Conteúdo

7 PROGRAMAÇÃO MOTORA:

ORGANIZAÇÃO HIERÁRQUICA, ORDEM E DESORDEM, 82 Go Tani

Introdução, 82 Evidências para a Existência de Programa Motor, 83 Movimento na Ausência de Feedback, 83 Redundância do Feedback, 84 Pré-programação de Movimentos, 85 Problemas com o Conceito de Programa Motor, 86 O Conceito de Programa Motor Generalizado e a Visão de Controle Multinível de Movimento, 88 Organização Hierárquica de um Programa de Ação, Controle e Aquisição de Ações Habilidosas, 90 Estrutura de um Programa de Ação, 91 Programação da Ação, 95 Implementação do Programa de Ação, 98 Componentes dos Programas de Ação, 98 Aquisição de Programas de Ação, 100 Referências Bibliográficas, 101

10

Rodolfo Novellino Benda Go Tani

Introdução, 129 Variabilidade, 130 Variabilidade e Adaptação, 132 Considerações Finais, 138 Referências Bibliográficas, 139

11

Considerações Iniciais: Aprendizagem Motora e Prática, 141 Estrutura de Prática e Teoria de Esquema, 142 Estrutura da Prática Variada e Interferência Contextual, 144 Teoria de Esquema e Princípio de Interferência Contextual: Problemas e Implicações para o Estudo da Aquisição de Habilidades Motoras, 146 Estrutura de Prática e Processo Adaptativo na Aquisição de Habilidades Motoras, 149 Estrutura de Prática e Processo Adaptativo na Aquisição de Habilidades Motoras: por uma Nova Abordagem da Prática, 154 Considerações Finais: Olhares para o Futuro, 154 Referências Bibliográficas, 156

HABILIDADES MOTORAS: UM CAMPO DE PESQUISA DE SÍNTESE E INTEGRAÇÃO DE CONHECIMENTOS, 106 Go Tani Luiz Eduardo Pinto Basto Tourinho Dantas Edison de Jesus Manoel

Introdução, 106 Corpo de Conhecimentos e Prática Profissional, 106 Procedimento Analítico na Pesquisa e a Aplicação do Conhecimento Produzido, 108 Explicação Teórica e Procedimento Prático, 111 Considerações Finais, 112 Referências Bibliográficas, 115

AQUISIÇÃO DE HABILIDADES MOTORAS, 117 Andrea Michele Freudenheim

Introdução, 117 A Estabilidade como uma Fase Temporária no

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ESTRUTURA DE PRÁTICA E PROCESSO ADAPTATIVO EM APRENDIZAGEM MOTORA: POR UMA NOVA ABORDAGEM DA PRÁTICA, 141 Umberto Cesar Corrêa Go Tani

8 ENSINO-APRENDIZAGEM DE

9 ESTABILIDADE E VARIABILIDADE NA

VARIABILIDADE E PROCESSO ADAPTATIVO NA AQUISIÇÃO DE HABILIDADES MOTORAS, 129

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Processo de Aquisição de Ações Habilidosas, 119 A Natureza do Programa Motor, 120 Estudo Experimental sobre a Estabilização de Programas de Ação, 124 Estabilidade e Variabilidade na Aquisição de Habilidades Motoras, 126 Referências Bibliográficas, 127

Adaptação, Hierarquia e Desenvolvimento Motor, 75 Considerações Finais, 78 Referências Bibliográficas, 78

12

EFEITOS DO TIPO DE PERTURBAÇÃO E DO NÍVEL DE ESTABILIZAÇÃO NO PROCESSO ADAPTATIVO EM APRENDIZAGEM MOTORA, 162 Herbert Ugrinowitsch Go Tani

Introdução, 162

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Conteúdo

13

HABILIDADE MOTORA E ENVELHECIMENTO, 173 Suely Santos

Introdução, 173 Performance Motora e Envelhecimento, 175 Considerações Finais, 181 Referências Bibliográficas, 183

14

FREQÜÊNCIA DE CONHECIMENTO DE RESULTADOS E APRENDIZAGEM MOTORA: LINHAS ATUAIS DE PESQUISA E PERSPECTIVAS, 185

16

Cássio de Miranda Meira Júnior Go Tani

Suzete Chiviacowsky Clark

Introdução, 185 Freqüência de CR e Linhas Atuais de Pesquisa, 185 Freqüência Relativa de CR, 186 Faixa de Amplitude de CR, 188 CR Decrescente, 189 CR Sumário, 190 CR Médio, 191 CR Autocontrolado, 192 Hipóteses Explicativas para o Efeito da Freqüência de CR, 194 Hipótese da Especificidade ou Similaridade, 194 Hipótese da Instabilidade ou Maladaptive Short-term Corrections, 195 Hipótese da Orientação ou Guidance Hypothesis, 196 Perspectivas de Pesquisa no Futuro, 198 Perspectivas de Pesquisa Dentro do Paradigma Vigente, 198 Perspectivas de Pesquisa Utilizando um Novo Paradigma, 200 Considerações Finais, 203 Referências Bibliográficas, 204

15

APRENDIZAGEM MOTORA E A ESTRUTURA DA PRÁTICA: O PAPEL DA INTERFERÊNCIA CONTEXTUAL, 208 Herbert Ugrinowitsch Edison de Jesus Manoel

Considerações Iniciais, 208

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INTERFERÊNCIA CONTEXTUAL EM APRENDIZAGEM MOTORA: O PARADOXO É UMA REALIDADE?, 223

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Abordagem no Estudo dos Efeitos da Prática em Aprendizagem Motora, 208 A Estrutura de Prática Variada: Explicações e Problemas, 210 Interferência Contextual e Programação Motora, 212 O Problema da Validade Ecológica, 214 Considerações sobre o Efeito da Interferência Contextual na Aprendizagem de Habilidades Motoras, 216 Considerações Finais, 219 Referências Bibliográficas, 220

Tipo de Perturbação e Nível de Estabilização no Processo Adaptativo, 164 Considerações Finais, 170 Referências Bibliográficas, 171

Introdução, 223 Síntese dos Principais Estudos, 224 Efeito da Interferência Contextual: Transitório ou Permanente?, 226 Considerações Teóricas e Metodológicas, 228 Perspectivas Futuras e Considerações Finais, 229 Referências Bibliográficas, 231

17

MODULARIDADE, HIERARQUIA E ADAPTAÇÃO NO COMPORTAMENTO MOTOR, 235 Edison de Jesus Manoel Luciano Basso

Introdução, 235 Modularidade no Comportamento Motor, 236 Organização Hierárquica e Adaptação no Comportamento Motor, 239 Notas sobre o Estudo do Comportamento da Unidade de Ação, 246 Considerações Finais, 248 Referências Bibliográficas, 248

18

PLANEJAMENTO NA AQUISIÇÃO DE HABILIDADES MOTORAS DE MANIPULAÇÃO, 251 Cássia Regina Palermo Moreira Edison de Jesus Manoel

Introdução, 251 Habilidades de Manipulação e Planejamento, 251

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Conteúdo

Aspectos Desenvolvimentistas da Tarefa Nadar, 287 A Tarefa Nadar e o Estudo do Comportamento Motor, 290 Considerações Finais, 293 Referências Bibliográficas, 293

Planejamento em Adultos: a Hipótese da Precisão na Manipulação, 253 Planejamento em Crianças e o Predomínio de Tarefas do “Mundo Real”, 254 Considerações Finais, 257 Referências Bibliográficas, 258

19

O COMPORTAMENTO MANUAL DE BEBÊS: O EFEITO DAS RESTRIÇÕES DA TAREFA, 259

22

Introdução, 295 Conhecimento e Especialista Cognitivo, 296 Cognição e Desempenho Motor, 300 Especialista Motor: uma Análise dos Resultados, 305 Conhecimento, Experiência e Especialista Motor, 308 Referências Bibliográficas, 312

Introdução, 259 Desenvolvimento Motor e Restrições, 261 Habilidade de Preensão e as Restrições, 265 Referências Bibliográficas, 269

20

ANÁLISE DESENVOLVIMENTISTA DA TAREFA MOTORA: ESTUDOS E APLICAÇÕES, 273 Jorge Alberto de Oliveira Edison de Jesus Manoel

Introdução, 273 A Relevância da Integração de Pesquisas no Estudo do Desenvolvimento Motor, 273 Mudanças no Padrão Fundamental de Movimento em Relação a Restrições, 274 Aplicações da Análise Desenvolvimentista da Tarefa Motora, 280 Considerações Finais, 282 Referências Bibliográficas, 283

21

A HABILIDADE NADAR E O ESTUDO DO COMPORTAMENTO MOTOR, 285 Ernani Xavier Filho Edison de Jesus Manoel

Introdução, 285 Abordagens Orientadas ao Produto e ao Processo no Estudo do Comportamento Motor, 285 Análise da Tarefa Nadar, 286

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CONHECIMENTO NO DESEMPENHO DE HABILIDADES MOTORAS: O PROBLEMA DO ESPECIALISTA MOTOR, 295 Luiz Eduardo Pinto Basto Tourinho Dantas Edison de Jesus Manoel

Inara Marques

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xiv

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COMPORTAMENTO MOTOR E DEFICIÊNCIA: CONSIDERAÇÕES PARA PESQUISA E INTERVENÇÃO, 314 Roberto Gimenez Edison de Jesus Manoel

Introdução, 314 Algumas Considerações sobre as Concepções e Pesquisas sobre a Deficiência, 314 O Comportamento Motor “Deficiente”, 316 Deficiências Sensoriais, 317 Deficiência Mental, 317 Deficiências Físico-motoras, 318 Disfunções Neurológicas, 319 As Prioridades do Sistema de Controle: Deficiência, Patologia ou Diferença?, 319 Metodologia de Pesquisa sobre o Comportamento Motor de Indivíduos Portadores de Deficiência, 322 Considerações para o Processo de Intervenção, 324 Referências Bibliográficas, 325 Índice Alfabético, 328

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INTERFERÊNCIA CONTEXTUAL EM APRENDIZAGEM MOTORA: O PARADOXO É UMA REALIDADE? Cássio de Miranda Meira Júnior e Go Tani

INTRODUÇÃO Variar a prática de uma habilidade motora é benéfico para o processo de aprendizagem? A maior quantidade de erros decorrentes da prática variada deve ser considerada como algo positivo na aquisição de habilidades motoras? A prática variada com um maior grau de imprevisibilidade e aleatorização proporciona aprendizagem mais eficaz de movimentos em comparação à prática variada mais previsível e menos randomizada? Essas são algumas das questões centrais associadas ao estudo de um dos importantes fatores que afetam a aquisição de habilidades motoras, qual seja, a variabilidade de prática, cuja continuidade se dá com os estudos acerca do fenômeno da interferência contextual. No que se refere ao efeito da prática variada na aquisição de habilidades motoras, uma das características de teorias sobre a aprendizagem motora é o reconhecimento e a ênfase que se atribui aos benefícios advindos desse tipo de prática (Gentile, 1972, 1987; McDonald, Oliver & Newell, 1995; Schmidt, 1975; Vereijken & Whiting, 1990). É importante observar que uma das conseqüências da prática variada é que, apesar de estar associada a maior quantidade de erros, proporciona melhor aprendizagem (Boyce & Del Rey, 1990; Edwards & Lee, 1985), o que, de certa forma, fere o senso comum em relação ao processo de aprendizagem, que está usualmente associado à aquisição de respostas corretas.

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CAPÍTULO

Da mesma forma, parece um tanto quanto estranho que, na prática variada de habilidades motoras, a forma mais aleatória, imprevisível e com várias mudanças durante as tentativas proporcione melhor aprendizagem do que a prática variada sob condições mais previsíveis, sistematizadas e com poucas mudanças durante as tentativas, conforme previsto pelo efeito da interferência contextual (EIC).A interferência é também normalmente interpretada como um fator negativo e, por conseguinte, uma situação de baixa interferência traria mais benefícios para a aprendizagem. No entanto, de acordo com o efeito da interferência contextual, ocorre exatamente o oposto, ou seja, a interferência é um fator facilitador da aprendizagem (Shea & Morgan, 1979). Esse efeito acontece quando dois tipos de prática variada são comparados: a prática variada aleatória (altos níveis de interferência contextual) e a prática variada em blocos (baixos níveis de interferência contextual). O EIC é caracterizado pelo paradoxo que se estabelece por meio do melhor desempenho que a prática em blocos proporciona na fase de aquisição, porém pior na transferência e na retenção. Por outro lado, a prática aleatória proporciona o comportamento inverso. Em vista disso, a prática aleatória é considerada superior em termos de aprendizagem, uma vez que permite melhor transferência e retenção. O EIC, portanto, é estabelecido pelo paradoxo do cruzamento das curvas de desempenho dos dois tipos de prática variada citados anteriormente (Fig. 16.1).

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EFEITO DA INTERFERÊNCIA CONTEXTUAL: TRANSITÓRIO OU PERMANENTE? Em alguns estudos, houve tendência de nova inversão das curvas de desempenho dos grupos nas tentativas de teste, sugerindo que o efeito pode dissipar-se (Hall & Magill, 1995; Sekiya, et al., 1994; Wulf & Lee, 1993). Outros autores também enfatizaram a importância de estudar a duração do EIC no sentido de diferenciar os fatores temporários da prática e os fatores permanentes de aprendizagem (Newell & McDonald, 1992; Smith, 1997). Uma das formas de investigar essa questão da duração do EIC seria analisar de forma prolongada o comportamento dos grupos na fase de testes, o que permitiria inferir a dissipação ou a continuidade do EIC ao longo das tentativas. Caso a distância entre as curvas de desempenho dos grupos se mantivesse ou aumentasse, o EIC poderia ser considerado duradouro. Em contrapartida, se houvesse aproximação das curvas ou até mesmo nova inversão, o EIC poderia ser considerado temporário, reflexo de efeitos transitórios da prática.

Dois estudos, que serão descritos a seguir, foram realizados com o objetivo de promover a análise prolongada da transferência através de um procedimento metodológico que estendeu o número de tentativas nessa fase. Meira Jr. (1999) submeteu 36 escolares do sexo feminino (média de 12,7 anos) distribuídos em dois grupos de prática variada: aleatório e em blocos. A tarefa experimental foi o saque do voleibol executado a cinco metros da rede. Foram manipulados tanto os padrões de movimento (saques por baixo, por cima e japonês) quanto os parâmetros (força e direção). Houve um teste de entrada para a formação de grupos homogêneos. A fase de aquisição deu-se em oito sessões com os sujeitos executando 45 tentativas dos saques por baixo e por cima a dois alvos distintos (288 tentativas no total). No teste de transferência, os indivíduos executaram 84 tentativas do saque japonês em três sessões. Uma semana após, houve um teste de retenção da tarefa de transferência em 12 tentativas. Além da análise de precisão, foi realizada a análise dos padrões de movimento. Os resultados (Figs. 16.2 e 16.3) indicaram que durante a fase de aquisição não houve diferenças entre os grupos em nenhuma das análises. Todavia, houve evolução de ambos os grupos quanto à execução do movimento, o que não se refletiu em melhora de precisão. Além disso, houve a tendência de superioridade do grupo aleatório. Nos

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pontuação utilizados, e da combinação desses fatores. Logo, pode-se dizer que as conclusões acerca do EIC indicam uma linha de inconsistência, visto que não apontam claramente para uma direção específica.

Fig. 16.2 Médias dos escores de precisão dos grupos aleatório (GA) e em blocos (GB) na última sessão de aquisição e nas sessões de transferência e retenção.

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Fig 16.4 Médias dos escores dos grupos aleatório (GA) e em blocos (GB) na última sessão de aquisição e nas sessões de transferência (Meira Jr. & Tani, 2001).

comparados aos sujeitos que praticaram aleatoriamente. Por conseguinte, esses estudos reforçaram a suspeita de que o EIC pode não refletir efeitos permanentes de aprendizagem.

Ante a consideração dos fatores que colocam limites para a ocorrência do EIC, pode-se dizer que ele realmente não pode ser encarado como um fenômeno consistente de aprendizagem motora, uma vez que os resultados de pesquisas realizadas com diversas tarefas motoras não convergem para a confirmação plena da interferência contextual. Existem pontos obscuros no entendimento do EIC, uma vez que vários são os fatores que contribuem para a falta de coesão nas conclusões das pesquisas. Dentre esses fatores estão: a abordagem teórica utilizada, as características das tarefas e dos sujeitos, as diferentes quantidades de prática e de interferência, o tamanho das amostras, a sensibilidade dos sistemas de pontuação e os testes utilizados. São várias as ressalvas a respeito das bases teóricas iniciais sobre as quais o EIC foi concebido. A seguir serão apresentadas as considerações de autores que detectaram problemas relacionados à questão da estrutura de prática.

rência, em vez de uma diferenciação entre as tarefas governadas ou não pelo mesmo programa motor generalizado. Jelsma e Pieters (1989) apontam que a própria dificuldade das tarefas cria uma determinada interferência mesmo na prática em blocos, o que induz efeitos redundantes. Para Hebert et al. (1996), tarefas de campo requerem mais prática para que os executantes atinjam graus elevados de proficiência, e é provável que a dificuldade implícita às tarefas de campo acrescentada aos altos níveis de interferência contextual possa fazer com que a prática aleatória de tarefas com poucas características semelhantes torne-se muito difícil para muitos aprendizes. Da mesma forma, o EIC pode não ter sido detectado pela falta de interesse intrínseco pela tarefa, ou seja, a falta de motivação interna por parte dos indivíduos (Lee & White, 1990; Shewokis, 1997). Freudenheim e Tani (1995) chamam a atenção para o fato de as tarefas em aprendizagem motora necessitarem de desafio e significado. Em relação às tarefas utilizadas nos experimentos, o paradoxal é que a maioria das pesquisas realizadas com tarefas de laboratório, ou seja, com um controle melhor das variáveis, mas menos fiéis ao mundo real, apontou no sentido da confirmação do EIC. Já em pesquisas utilizando tarefas de campo e, portanto, com maior validade ecológica ou fidelidade a situações reais, o EIC tendeu a não obter confirmação.

Com relação às características da tarefa, Chung (1995) afirma que o EIC depende da quantidade de interfe-

A tendência dos estudos é a não detecção do EIC em crianças. Pode-se tentar explicar esses resultados pelo

CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS E METODOLÓGICAS

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prevalecesse. Adotando esses elementos do “novo” paradigma, o modelo teórico denominado “processo adaptativo em aprendizagem motora” (Choshi, 2000; Manoel, 1993; Tani, 1982, 1989, 1995, 2000) concebe a aprendizagem além da estabilização, ou seja, o aprendiz é visto como um sistema adaptativo complexo. O processo de aprendizagem constitui-se num ciclo dinâmico envolvendo instabilidade-estabilidade-instabilidade, por meio do qual o sistema evolui em direção à crescente complexidade. A variabilidade de prática considerada do ponto de vista do processo adaptativo já é interesse de estudo de Corrêa, Benda e Tani (1998) e Corrêa (2001).

Vários autores propõem a mudança do referencial teórico que norteia o EIC (Brady, 1998; Lee et al., 1992; Newell & McDonald, 1992). Dessa forma, sugere-se a realização de estudos com diferentes enfoques teóricos. Horak (1992), por exemplo, investiga a utilidade do conexionismo (redes neurais ou processamento distribuído paralelo) na aprendizagem motora, reinterpretando a interferência contextual com base na teoria de esquema motor. Segundo esse enfoque, há uma estrutura de processamento paralela constituída de um grande número de unidades em que a informação é armazenada de forma distribuída com o estabelecimento de pesos nas conexões entre as unidades. Os pesos determinam a robustez das conexões que, por sua vez, contribuem para determinar a ativação de uma unidade. A aprendizagem envolve a mudança na relação entre os pesos, o que leva a padrões de ativação diferentes através das unidades à medida que a aprendizagem progride por meio da prática.

Outro ponto a ser investigado é a combinação das diferentes estruturas de prática, visto que a prática aleatória e a prática em blocos são extremos de um contínuo. Há outros tipos de organização das tarefas nas posições intermediárias do contínuo que possuem características de alta e baixa interferência contextual, tais como a prática seriada (previsibilidade e mudança constante) e as práticas mistas, que combinam os tipos de prática anteriores (primeira metade de prática em blocos e segunda metade de prática aleatória, ou primeira metade de prática aleatória e segunda metade de prática em blocos).

Outra alternativa teórica seria encarar o processo de aquisição de habilidades motoras segundo o background teórico de modelos longe do equilíbrio, baseados em recentes metateorias da ciência (Haken, 1977; Holland, 1995; Lewin, 1993; Prigogine & Stengers, 1984). É preciso reconsiderar fatores relacionados à desordem, como incerteza, aleatoriedade e variabilidade, na aquisição de habilidades motoras. Sabe-se que, em virtude da influência do paradigma da ciência clássica, esses fatores foram sempre considerados elementos negativos que necessitavam ser eliminados para que a ordem

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novos estudos. O reforço da suspeita de que o EIC é um fator temporário (Meira Júnior, 1999; Meira Júnior & Tani, 2001) justifica a realização de novas pesquisas que possam elucidar efetivamente as dúvidas no que tange à duração do EIC. É possível verificar essa questão de duas formas: a) mediante procedimentos metodológicos que estendam a transferência e a retenção (Meira Júnior, 1999; Meira Júnior & Tani, 2001); b) por meio da realização de vários testes de transferência e de retenção espaçados ao longo do tempo (por exemplo: terminada a fase de aquisição, realizar os testes imediatamente após, no dia seguinte, após dois dias, na semana seguinte, após 15 dias, e após um mês).

Da mesma forma, há carência de estudos para perscrutar a relação do EIC com fatores como a personalidade dos sujeitos, o feedback e os estágios de aprendizagem, bem como pesquisas com indivíduos idosos e com portadores de deficiência, e com a utilização de tarefas contínuas. Todas essas linhas de investigação poderão delimitar as fronteiras ainda desconhecidas do EIC e, conseqüentemente, fornecer maiores recursos empíricos para o melhor entendimento dos processos subjacentes à aquisição de habilidades motoras. A considerar o objetivo deste texto e com o intuito de responder à questão formulada no título, pode-se concluir que o EIC está longe de constituir-se em um fenômeno global de aprendizagem de habilidades motoras, isto é, nem todas as situações de aprendizagem de movimentos estão sujeitas aos efeitos preconizados pela interferência contextual. Uma vez que não há susten-

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