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o exerCíCio regular aumenTa a CaPaCidade de meTabolismo de CarboidraTos Os músculos treinados aerobicamente apresentam uma capacidade mais elevada de oxidação de carboidratos do que os músculos não treinados. Consequentemente, quantidades consideráveis de piruvato se movem pelas vias energéticas aeróbicas durante o exercício intenso de endurance após o treinamento.20 A capacidade oxidativa mitocondrial aumentada do músculo treinado e o aumento do armazenamento de glicogênio ajudam a explicar sua capacidade elevada de degradação de carboidratos. Durante o exercício submáximo, o músculo treinado em endurance exibe uma dependência diminuída do glicogênio muscular e da glicose sanguínea como fontes energéticas e um uso maior de gordura. Essa adaptação induzida pelo treinamento representa uma resposta desejável, porque conserva as reservas limitadas do glicogênio corporal.

diferenças sexuais no uso de substratos durante o exercício Dados disponíveis sustentam a noção de que existem diferenças sexuais no metabolismo de carboidratos no exercício. Durante. o exercício submáximo em percentuais equivalentes de VO2máx (i. e., mesma carga), as mulheres utilizam uma proporção menor de sua energia total por meio da oxidação de carboidratos do que os homens; essa diferença sexual na oxidação dos substratos não persiste durante a recuperação.23,25

diferenças sexuais nos efeitos do treinamento sobre o uso de substratos Com protocolos semelhantes de treinamento de endurance, tanto homens quanto mulheres apresentam diminuição no fluxo de glicose para um dado trabalho de potência submáxima.10,19 Com a mesma carga relativa após o treinamento, as mulheres apresentam um deslocamento exagerado na direção do catabolismo das gorduras, enquanto os homens não.26 Isso sugere que o treinamento de endurance induz uma economia maior de glicogênio em uma dada intensidade relativa de exercício submáximo nas mulheres do que nos homens. Essa diferença sexual na resposta do metabolismo de substratos ao treinamento pode refletir diferenças na adaptação do sistema nervoso simpático ao exercício regular (i. e., uma resposta catecolaminérgica menor nas mulheres). Os hormônios sexuais estrogênio e progesterona podem afetar indiretamente a mistura metabólica por intermédio de interações com as catecolaminas ou indiretamente aumentando a lipólise e/ou diminuindo a glicólise.6 Cinco sítios potenciais de regulação endócrina no uso dos substratos incluem: 1. Disponibilidade do substrato (por intermédio de efeitos sobre o armazenamento dos nutrientes).

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2. Mobilização do substrato a partir das reservas teciduais corporais. 3. Captação do substrato no tecido onde ele será utilizado. 4. Captação do substrato dentro do próprio tecido. 5. Tráfego do substrato entre os locais de armazenamento, oxidação e reciclagem. Quaisquer adaptações metabólicas de economia de glicogênio induzidas pelo treinamento podem beneficiar o desempenho feminino durante uma competição intensa de endurance.

eFeiTo da dieTa sobre as reserVas de gliCogênio e a CaPaCidade de enduranCe Enfatizamos anteriormente que os músculos ativos dependem dos carboidratos ingeridos como uma fonte prontamente disponível de nutrientes para energia. A composição da dieta afeta profundamente as reservas de glicogênio. A capacidade de endurance durante o exercício de ciclismo variou consideravelmente dependendo da dieta de cada indivíduo durante os 3 dias anteriores ao teste. Com a dieta normal, o exercício durou em média 114 minutos, mas durou apenas 57 minutos com a dieta rica em gordura. A capacidade de endurance em indivíduos alimentados com a dieta rica em carboidratos apresentou uma média cerca de três vezes maior do que a apresentada pela dieta rica em gordura. Em todos os casos, o ponto de fadiga coincidiu com o mesmo nível baixo de glicogênio muscular. Isso demonstrou claramente a importância do glicogênio muscular para a manutenção do exercício intenso com duração maior do que 1 hora. Esses resultados enfatizam a importância do papel que a dieta representa no estabelecimento de reservas energéticas adequadas para o exercício a longo prazo e para o treinamento intenso. Uma dieta deficiente em carboidratos rapidamente depleta as reservas de glicogênio muscular e hepático, afetando subsequentemente o desempenho em exercícios intensos e a curto prazo (anaeróbicos) e nas atividades intensas prolongadas de endurance (aeróbicas). Essas observações se aplicam tanto a atletas quanto a indivíduos fisicamente ativos que modificam suas dietas reduzindo a ingestão de carboidratos a níveis abaixo do recomendado (Capítulo 1). O uso de dietas hipocalóricas ou dietas potencialmente perigosas pobres em carboidratos e ricas em gordura ou pobres em carboidratos e ricas em proteínas é contraproducente para o controle do peso, o desempenho em exercícios, a nutrição ótima e a boa saúde. Uma dieta pobre em carboidratos faz com que seja extremamente difícil do ponto de vista de fornecimento de energia a participação em uma atividade física vigorosa.3,13,34,41 Por causa do papel importante que os carboidratos desempenham no funcionamento do sistema nervoso central e na coordenação neuromuscular, o treinamento e a competição em condições de baixas reservas de glicogênio também aumentam a propensão a lesões. O Capítulo 8 elabora a otimização da disponibilidade dos carboidratos antes, durante e após o treinamento intenso e a competição.

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Capítulo 5 Metabolismo dos Macronutrientes no Exercício e no Treinamento

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Mcardle I Nutrição para o Esporte e o Exercício  

Nutrição para o Esporte e o Exercício foi elaborado com o objetivo de reunir nutrição e exercício, tendo como foco o efeito dessa integração...

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