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O alimento proporciona a fonte dos elementos estruturais essenciais para preservar a massa corporal magra, sintetizar novos tecidos, otimizar a estrutura esquelética, reparar as células existentes, maximizar o transporte e a utilização de oxigênio, manter o balanço hidreletrolítico ideal e regular todos os processos metabólicos. A “nutrição ótima” engloba muito mais do que a simples prevenção das deficiências de nutrientes relacionadas à doença, incluindo doenças endêmicas francas, que variam desde o beribéri (doença por deficiência vitamínica secundária a aporte inadequado de tiamina [vitamina B1]; dano do coração e do sistema nervoso) até xeroftalmia (causada por deficiência de vitamina A e desnutrição geral que evolui para cegueira noturna, ulceração corneana e cegueira). Engloba também o reconhecimento de diferenças individuais em termos de necessidade e de tolerância de nutrientes específicos e do papel da herança genética sobre esses fatores. As deficiências limítrofes de nutrientes (i. e, menores que aquelas necessárias para acarretar manifestações clínicas da doença) podem exercer um impacto negativo sobre a estrutura e a função corporais e, dessa forma, sobre a capacidade de realizar atividades físicas. A nutrição ótima constitui também o alicerce para o desempenho físico; proporciona a fonte energética para o trabalho biológico e os nutrientes que permitirão extrair e transformar a energia potencial dos alimentos na energia cinética do movimento. Assim sendo, não é de surpreender que, desde a época das antigas Olimpíadas até a atualidade, quase todas as práticas dietéticas concebíveis tenham sido utilizadas para aprimorar o desempenho nos exercícios. Documentos, desde os primeiros Jogos Olímpicos, em 776 a.C., até a era computadorizada atual, fornecem uma ideia do que os atletas consomem. Poetas, filósofos, escritores e médicos da Grécia e da Roma antigas nos relatam as diferentes estratégias que os atletas adotavam visando ao preparo para as competições. Eles consumiam a carne de vários animais (bois, cabras, touros, cervos), queijos moles e trigo, figos secos, “misturas” especiais e bebidas alcoólicas. No transcorrer dos 2.000 anos seguintes, porém, houve pouca informação confiável acerca das preferências alimentares dos atletas de elite (com exceção dos remadores e dos pedestrianistas durante o século 19). Os Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim, ofereceram uma avaliação preliminar dos alimentos consumidos por atletas de classe mundial. O trabalho de Schenk1 mostra que: (...) os atletas olímpicos que competiram em Berlim priorizavam com frequência a carne, a qual ingeriam regularmente na forma de dois bifes por refeição, e, às vezes, aves,

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consumindo em média quase meio quilo de carne por dia (...) as refeições que precediam as competições consistiam regularmente em um a três bifes e ovos, suplementados por extratos de “sucos de carne” (...) Outros atletas enfatizavam a importância dos carboidratos (...) Os atletas olímpicos de Inglaterra, Finlândia e Holanda consumiam regularmente mingau de aveia; os americanos comiam trigo triturado ou flocos de milho (corn flakes) misturados ao leite; e os chilenos e italianos regalavam-se com as massas (...) os membros da equipe japonesa consumiam quase meio quilo de arroz diariamente.

Durante os Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas, cerca de 12.000 atletas de 197 países consumiram uma quantidade descomunal de alimentos. Durante essa Olimpíada, alguns países utilizaram esquemas dietéticos específicos, enquanto os atletas de países menos industrializados escolhiam livremente o que comer, combinando, com frequência, alimentos bem-conhecidos com novidades. A maioria dos atletas consumia provavelmente suplementos dietéticos que incluíam vitaminas e minerais; um percentual menor ingeria mais provavelmente estimulantes, narcóticos, agentes anabólicos, diuréticos, peptídios, hormônios glicoproteicos e análogos, álcool, maconha, anestésicos locais, corticosteroides, betabloqueadores, agonistas beta-2 e doping, todos recursos proibidos pelo Comitê Olímpico Internacional. Na guerra contra o uso de drogas ilegais, nos Jogos Olímpicos de 2008, em Beijing, foram realizados aproximadamente 4.500 exames para drogas, um aumento considerável em comparação com os 2.800 exames realizados nas Olimpíadas de 2000, em Sidnei, e os 3.700 das Olimpíadas de 2004, em Atenas. O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, realizou mais de 5.000 exames sob o comando do Comitê Olímpico Internacional (10% a mais do que os de Beijing em 2008, em que 20 das amostras tiveram resultado positivo). Também foram realizados 1.200 exames adicionais de uma subamostra de todos os atletas das Paraolimpíadas de 2012, em Londres, em cujo processo o Comitê Olímpico britânico foi de grande importância. Especialistas estimavam que a porcentagem de atletas pegos usando doping seria de 1 a 2% (em relação ao número total de exames realizados). A World AntiDoping Authority estimava o número de atletas pegos com doping na casa das dezenas, uma vez que os casos mais recentes mostram o quanto atletas trapaceiros têm se sofisticado e mudado para agentes “mascarados”, como a furosemida, uma “pílula de água” (diurética) usada para reduzir o inchaço e a retenção hídrica por meio da excreção, pelos rins, de água e sal na urina.

McArdle | Nutrição para o Esporte e o Exercício. Amostras de páginas não sequenciais e em baixa resolução. Copyright© 2016 Editora Guanabara Koogan Ltda.

introdução

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Mcardle I Nutrição para o Esporte e o Exercício  

Nutrição para o Esporte e o Exercício foi elaborado com o objetivo de reunir nutrição e exercício, tendo como foco o efeito dessa integração...

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