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TRANSPORTE PASSIVO NA MEMBRANA

Fig. 3.12 Analogia entre pressão osmótica de uma solução e pressão exercida por um gás ideal. Em (A) tem-se no osmômetro uma solução cuja osmolaridade é C osmoles/L e no meio externo água pura. Uma membrana semipermeável (em vermelho) separa os dois meios. A pressão que interrompe o fluxo osmótico é   RT C. Em (B) tem-se um gás ideal a uma concentração de C moles/L. A pressão do gás é, neste caso, igual a P  RTC. Portanto, tem-se que   P.

como na montagem do Experimento 1, a água passa a penetrar no interior do osmômetro movida por uma diferença de pressão osmótica. Se o fluxo osmótico for interrompido fechando o capilar no Experimento 1, será gerada no interior do osmômetro uma pressão hidrostática numericamente igual à pressão osmótica da solução no compartimento 2 do osmômetro. Tudo se passa como se, agora, as moléculas de soluto passassem a exercer pressão sobre as paredes do recipiente, como ocorre com as moléculas do gás. Esta pressão é igual àquela pressão que um número idêntico de moléculas de gás exerceria num recipiente seco, com o mesmo volume, como mostra a Figura 3.12. No entanto, ao contrário do que ocorre no gás, a pressão osmótica equivale a uma pressão hidrostática negativa. Dessa maneira, quando as moléculas do soluto estão numa solução aquosa, a sua tendência de escape manifesta-se de forma curiosa: em vez de ocuparem maior volume, no que estão impedidas pela membrana semipermeável, as moléculas de soluto diluem-se arrastando, para si, a água do compartimento oposto, com uma pressão igual porém de sentido oposto ao daquela pressão que elas exerceriam se estivessem na forma de um gás. Fluxo de água No Experimento 1 (Figura 3.11), a pressão hidrostática é igual nos 2 lados da membrana e a água move-se do lado 1 para o lado 2 exclusivamente à custa de uma diferença de pressão osmótica igual a   RT osmolaridade. O fluxo de água correspondente é JV. Se o fluxo de água for expresso em unidades de cm3 s1 cm2, ele se relaciona com a diferença de pressão osmótica de acordo com a equação: JV  Lp  ∆

(3.53)

onde o termo Lp é a condutividade hidráulica da membrana Curi-Procopio (cm s1 atm1) e ∆, a diferença de pressão osmótica (atm). |

Como visto na descrição dos 3 experimentos básicos de osmose, um mesmo fluxo de água, JV, pode ser gerado em duas condições distintas resumidas na Tabela 3.6. Tabela 3.6 Experimento

Fluxo

Fenômeno

1

JV  Lp  (2  1)

Osmose

3

JV  Lp  (P1  P2)

Filtração

A Tabela 3.6 mostra que uma diferença de pressão hidrostática numericamente igual à diferença de pressão osmótica produz um fluxo de água idêntico. No Experimento 1 temos osmose pura, enquanto no Experimento 3 temos filtração pura. Nas membranas biológicas, o usual é ter uma combinação desses dois fenômenos. Coeficiente de reflexão Nos experimentos de osmose vistos até aqui, usamos uma membrana semipermeável que permite a passagem de água mas impede totalmente a passagem de soluto. As membranas biológicas naturais, no entanto, permitem também a passagem de solutos em maior ou menor grau. Quando uma membrana não consegue reter totalmente a passagem do soluto, observa-se que a intensidade do fenômeno osmótico diminui, o que se traduz por uma diminuição do fluxo de água na montagem do Experimento 1. Ou seja, para uma mesma concentração de soluto, o fluxo JV fica menor. Se o soluto tiver moléculas muito pequenas, que passem livremente pela membrana, observa-se que o fluxo osmótico desaparece. Se usarmos uma membrana parcialmente permeável ao Fisiologia Básicado Experimento 2 (Figura 3.11), a pressoluto na montagem

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Curi-Procopio | Fisiologia Básica  
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