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O

PROFESSOR

E

A

PEDAGOGIA

SOCIAL-CONSTRUTIVISTA

DA

PLATAFORMA MOODLE Guacira Quirino Miranda Universidade de Brasília Curso de Pós-Graduação em Educação a Distância e-mail: guacira@triang.com.br O desenvolvimento dos meios tecnológicos permite a comunicação rápida e eficaz e o acesso a uma grande quantidade de informações. Os professores podem utilizar os meios e tecnologias de informação e comunicação, para a mediação didádicopedagógica nos processos de ensino e aprendizagem. Com a disseminação do acesso e uso da Internet, professores e alunos podem dispor dos Sistemas de Gerenciamentos de Cursos – SGCs navegando via web. Ou seja, o professor terá a possibilidade de criar espaços de aprendizagem através do uso do SGC, para complementar as atividades desenvolvidas em sala de aula. Os alunos interagem com o conteúdo, e entre eles e o professor. Dentre os Sistemas de Gerenciamento de Cursos destacamos o sistema Moodle, que é um AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem, livre, gratuito e de fonte aberta que pode ser utilizado sob licença. Foi criado em 2001 por Martin Dougiamas, educador e cientista computacional. O software desenvolvido por Dougiamas permite a criação de cursos, e o gerenciamento de atividades educacionais através da Internet ou de redes locais. Este artigo sobre o construtivismo social da plataforma Moodle está dividido em quatro partes: apresentação do Moodle; uma abordagem teórica sobre a filosofia do sistema Moodle; algumas informações práticas a respeito desta plataforma; e um exemplo de atividade que pode ser desenvolvida a distância, no ambiente cooperativo da plataforma Moodle. O objetivo é discutir o uso do Moodle como alternativa pedagógica. 1. Apresentação do Moodle O Moodle surgiu da convicção do professor Martin Dougiamas sobre a necessidade da criação de um ambiente on-line no qual o professor encontrasse uma


alternativa gratuita para desenvolver suas habilidades pedagógicas. A palavra Moodle se origina de Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment, mas também é um verbo que descreve o processo de navegar despretensiosamente enquanto se ocupa de outras atividades ao mesmo tempo. O Moodle também tem sua origem devido ao verbo to moodle, que expressa uma atividade agradável que requer criatividade e disposição. Hoje, o verbo to moodle, também significa a forma de aprender que utiliza a pedagogia construcionista social. A pessoa que utiliza o Moodle é denominada Moodler. O professor Dougiamas combinou sua carreira de Informática com o PhD em Educação, e se diz influenciado pela epistemologia do sócio-construtivismo com enfoque na aprendizagem construída enquanto se utiliza cria artefatos para o outros verem e usarem. Por isto procurou criar um software que seja fácil de usar. Pela sua convicção na importância de uma educação irrestrita e de ensino aberto, têm se preocupado em continuar o trabalho com o Moodle e em mantê-lo “Aberto e Livre”. Desde então, o Moodle vem sido desenvolvido e o seu uso está aumentando em grande escala. Se originou no ambiente da universidade e se expandiu para as escolas de ensino médio e fundamental, e para companhias privadas, organizações não lucrativas e professores independentes. As pessoas que o utilizam também têm contribuído para o seu aperfeiçoamento e desenvolvimento. Em diversos países existem organizações Moodle que são pontos de encontro de usuários, professores e alunos dos cursos oferecidos por essas instituições. A companhia Moodle passou a ser a organizadora e mantenedora deste sistema, oferecendo consultoria e outros serviços. No módulo 1 de seu livro de Introdução ao Moodle – Ambiente de Aprendizagem, PULINO FILHO (2004, p. 4) destaca as principais características da Plataforma Moodle: • Promove uma pedagogia construcionista social (colaboração, atividades, reflexão crítica, etc.) • Adequado para cursos 100% online bem como para complementar um curso presencial • Simples, leve, eficiente, compatível, com interface com navegadores de baixa tecnologia • Fácil de instalar em qualquer plataforma que suporte PHP. Necessita apenas de um banco de dados e pode compartilhá-lo com outras aplicações


• Os cursos podem ser compartilhados em uma mesma instalação • Os cursos podem ser visitados por interessados em conhecer o ambiente (sem acesso a provas, listas de exercícios e outras informações que requeiram segurança) • Os cursos podem ser agrupados por categoria - uma instalação Moodle suporta milhares de cursos • Grande atenção ao aspecto segurança das informações • A maior parte das seções (Recursos, Fóruns de Discussão, Diário, etc) tem um editor HTML gráfico WYSIWYG (o que você vê é o que você vai obter)

2. Filosofia do sistema Moodle Ao descrever a filosofia do Moodle, utiliza-se a expressão “pedagogia do socialconstrutivismo”, que significa um modo particular de pensar a educação-aprendizagem. Para explicar este conceito utiliza quatro teorias de aprendizagem: construtivismo, construcionismo, sócio-construcionismo e uma teoria que se baseia nos princípios de “conectado e isolado”. Segundo Rosa (2002), “o construtivismo, fiel ao princípio interacionista, procura demonstrar, ao contrário das demais tendências, o papel central do sujeito na produção do saber”. Este foi o primeiro conceito que embasou a filosofia da plataforma Moodle. Os termos construtivismo e interacionismo estão ligados à teoria do desenvolvimento cognitivo elaborada por Piaget. “A posição filosófica de que o conhecimento humano é uma construção do próprio homem, tanto coletiva quanto individual, é bastante antiga. Mas neste século, Piaget é, sem dúvida, o primeiro do enfoque construtivista à cognição humana”. (MOREIRA, 1999, p. 95). O interacionismo é um termo piagetiano, da teoria psicológica que valoriza o organismo e o meio, ao dizer que o desenvolvimento do comportamento humano é uma construção que resulta da interação organismo com o meio em que está inserido. A teoria construtivista considera a aprendizagem como a construção do conhecimento através das experiências individuais e das interações com o ambiente. Trata-se de um processo de adaptação e desenvolvimento: o indivíduo interage com o meio, processa mentalmente as informações e altera o seu comportamento. Segundo Piaget, o processo cognitivo se dá através da assimilação, acomodação, adaptação e equilibração.


A assimilação é: “uma integração à estruturas prévias, que podem permanecer invariáveis ou são mais ou menos modificadas por esta própria integração, mas sem descontinuidade com o estado precedente, isto é, sem serem destruídas, mas simplesmente acomodando-se à nova situação”. (PIAGET, 1996, p. 13).

Portanto, a assimilação significa que o indivíduo, ao receber novos estímulos, procura adaptá-los aos conhecimentos que ele já possuía anteriormente. A acomodação, “é toda modificação dos esquemas de assimilação sob a influência de situações exteriores (meios) ao quais se aplicam”. (PIAGET, 1996, p. 18). Ou seja, a acomodação gera conhecimento, pois o indivíduo não consegue assimilar os estímulos às suas estruturas prévias de conhecimento, e precisa modificar estas estruturas para se reorganizar internamente, se reequilibrar, e se adaptar aos meios. A adaptação faz parte da estrutura biológica e intelectual do indivíduo, que ao interagir com o ambiente precisa manter um equilíbrio. A equilibração é um mecanismo auto-regulador do sistema cognitivo. Trata-se de um ponto de equilíbrio entre assimilação e acomodação.

É neste processo de

equilibração que o indivíduo constrói sua interação com o meio físico e sócio-cultural. O conhecimento está sempre em transformação, reconfiguração e expansão diante dos estímulos da interação com o meio. E os indivíduos vão alcançando novos estágios de desenvolvimento. Vygotsky também contribuiu para a teoria construtivista. Diferentemente da teoria do desenvolvimento cognitivo elaborada por Piaget, a teoria de Vygotsky fala sobre a construção social do conhecimento. Para este autor, os mecanismos por meio dos quais se dá o desenvolvimento cognitivo são de origem e natureza sociais, e peculiares ao ser humano. No dizer de Moreira (1999), para Vygotsky o desenvolvimento cognitivo depende do contexto social, histórico e cultural, e para entender os processos mentais, é preciso entender os mecanismos e signos que os mediam. A partir da análise, não do sujeito e do meio, mas da interação entre eles, é que se dá o desenvolvimento cognitivo e lingüístico do indivíduo. Signo é alguma coisa que significa outra coisa. Os significados variam entre os meios sociais, e é através da interação social que o indivíduo os compreende. Esta compreensão dos signos e sua internalização é fundamental para o desenvolvimento humano.


“Para internalizar signos, o ser humano tem que captar os significados já compartilhados socialmente, ou seja, tem que passar a compartilhar significados já aceitos no contexto social em que se encontra, ou já construídos social, histórica e culturalmente”. (MOREIRA, 1999, p.113).

A teoria de Vygotsky considera que os processos mentais superiores têm origem em processos sociais. Os indivíduos nascem com processos mentais naturais, biológicos, ou seja, os processos de percepção, memória, atenção, linguagem e pensamento, são dados pela herança genética da espécie. Ao longo do desenvolvimento cultural são adquiridos os processos mentais superiores, que são os processos naturais que passam a ser utilizados de maneira consciente, e que se originam das relações entre os indivíduos. A conversão de relações sociais em processos mentais superiores é mediada pelo uso de instrumentos ou signos: este uso destaca os homens dos outros animais porque vai além do desenvolvimento biológico ao conduzir os seres humanos a uma estrutura específica de comportamento, e criar novas formas de processos psicológicos enraizados na cultura. A interação social, que é o intercâmbio de informações entre as pessoas, provoca a aprendizagem. Outro conceito de Vygotsky é o da zona de desenvolvimento proximal, que se situa entre o nível de desenvolvimento cognitivo real do individuo e o seu nível de desenvolvimento potencial, que pode ser atingido através dos processos instrucionais. O segundo conceito que subsidia a filosofia da plataforma Moodle é o de construcionismo. Ao falar sobre construtivismo e construcionismo, Arendt (2003) afirma que o construtivismo está mais ligado à psicologia e ao entendimento das estruturas cognitivas que o indivíduo elabora no decorrer de seu desenvolvimento, enquanto o construcionismo caminha para o lado da sociologia, das construções coletivas que os indivíduos desenvolvem. A teoria construcionista foi desenvolvida por Papert a partir do construtivismo de Piaget. A proposta está atenta à construção de ambientes de aprendizagem nos quais o sujeito possa desenvolver uma aprendizagem reflexiva. “Papert viu na Informática a possibilidade de realizar seu desejo de criar condições para mudanças significativas no desenvolvimento intelectual dos sujeitos”. (WEISS, 2001, p. 36). Nestes ambientes de aprendizagem deve haver a facilitação da aprendizagem: a escolha das atividades, a diversidade de atividades que levem em consideração a


diversidade de estilos de aprendizagem e a qualidade da interação que se desenvolve entre os participantes. Um ambiente onde todos tenham oportunidade de pensar e criar. Para o construcionismo, o sujeito aprende ao compartilhar idéias ou explicar determinado assunto. O ato de produzir algo para explicar aos demais ajuda a tornar efetiva a aprendizagem. O sócio-construtivismo se desenvolve a partir destes conceitos, e Papert se aproxima de Vygotsky em sua teoria: a importância da interação social para o aprendizado. No ambiente colaborativo cria-se uma cultura de aprendizado, de conhecimentos e significados compartilhados. Neste ambiente a idéia de comunidade se fortalece, com todos tendo a possibilidade de participar. Os conhecimentos são compartilhados criando a oportunidade de recontextualizar e reconceituar as experiências, além de propiciar o estímulo à reflexão e ao auto-conceito. “Podemos observar que o computador desperta, na maioria dos alunos, a motivação... ele funciona como um instrumento que permite uma interação aluno-objeto, aluno-aluno, e aluno-professor, baseada nos desafios e troca de experiências”. (WEISS, 2001, p. 38).

A filosofia da plataforma Moodle também se refere aos princípios de “conectado e isolado”. Os conceitos se encontram descritos nos Manual do Moodle, da seguinte forma: quando o indivíduo tende a defender suas próprias idéias, e é hermético às idéias dos outros, ele está apresentando o “comportamento isolado”; quando busca uma empatia e a intersubjetividade, tentando escutar e fazendo perguntas ao outro para entender seu ponto de vista, este é o “comportamento conectado”. No entanto, a pessoa pode escolher conscientemente um dos dois comportamentos, apresentando um “comportamento construído”. O professor, enquanto facilitador e orientador do grupo pode perceber estes comportamentos e moderar as discussões e atividades. No ambiente colaborativo de aprendizagem nem sempre o papel do professor é ensinar, pois as interações, como foi dito, são várias. A ênfase do Moodle está neste processo de aprendizagem em que as informações são compartilhadas e a aprendizagem dos alunos é facilitada. 3. Informações práticas sobre a plataforma Moodle O primeiro requisito é que o professor deve tenha acesso à internet e detenha conhecimentos básicos sobre informática. É importante que ele esteja aberto a aprender sobre novas tecnologias para conseguir o suporte instrumental necessário ao


desenvolvimento dos cursos. O uso de um software para tratamento de textos, como o Word do Microsoft Office, é necessário, e por isto o professor precisa de alguma desenvoltura no uso desta ferramenta. Outro requisito é saber navegar na Internet, ou seja, estar conectado e conhecer os links de acesso. A princípio, ele terá que dedicar um tempo extra para se familiarizar com os conteúdos e os procedimentos do SGC. O dimensionamento do tempo dedicado para as atividades é importante, tanto ao criar o curso quanto ao delimitar o uso de tempo a ser despendido pelo aluno. A administração do tempo é um fator fundamental. Ao criar o curso o professor terá controle sob os acessos, podendo limitá-los aos alunos. Poderá também desenvolver várias atividades com o objetivo de tornar mais atraente o estudo da disciplina. Para isto pode criar fóruns, salas de bate-papo, pesquisas de opinião, tarefas e exercícios. De acordo com a atividade educacional que preferir, o professor pode desenvolver o curso em três formatos: No formato semanal o curso é organizado em unidades correspondentes a semanas, com datas de início e fim bem definidas. Ele cria agendas de atividades, sendo que algumas delas podem se estender por mais de uma semana. O formato em tópicos pode ser utilizado quando se deseja definir as atividades por assuntos ou temas, sem limite de tempo pré-definido. O formato social é mais livre, e pode ser usado para grupos de estudos ou desenvolvimento de práticas educativas. É articulado em torno de um fórum principal que é publicado na página principal do curso. A respeito dos instrumentos educacionais da plataforma Moodle, pode-se destacar: O instrumento de avaliações do curso contém alguns tipos de questionários específicos para ambientes virtuais de aprendizagem. O Chat permite o encontro síncrono dos participantes, através da discussão textual via web, em tempo real. O professor agenda o encontro com os alunos, e geralmente sugere um tema para o evento. Além disto, podem ser abertos espaços permanentes de Chats, tipo “sala dos alunos” em que a interação é feita sem a intervenção do professor. É um espaço aberto para que os alunos se reúnam e esclareçam dúvidas ou troquem experiências. Os Diários são o meio de comunicação entre o professor e cada aluno. As informações não são disponíveis para todo o grupo. Pode ser utilizado para a anotação


de sínteses em que o professor irá verificar o entendimento do aluno sobre determinado assunto. As anotações no Diário podem fazer parte da agenda de atividades. Por ser um espaço restrito entre o aluno e o professor, é recomendável para os feedbacks. Os Fóruns são espaços que o professor abre para que os alunos contribuam com informações sobre determinado assunto. As anotações ficam registradas para leitura por todos os participantes. A proposta do tema deve ser cuidadosamente formulada, para que seja instigante. O espaço do Fórum pode ser formatado e aceita arquivos anexos. O Glossário permite que os participantes criem e mantenham uma lista de definições sobre os termos técnicos ou conceituais descritos de forma breve e específica, de fácil e rápida consulta pelos alunos. É como um dicionário dos termos da disciplina. A Lição possibilita o desenvolvimento de um conteúdo de maneira atrativa e flexível. As páginas vão sendo acessadas sequencialmente. Este instrumento pode ser também avaliativo: ao final de um tópico o aluno responde a uma pergunta escolhendo uma das alternativas de respostas disponíveis, se acertar a resposta ele avança para a página seguinte, com um novo tópico; mas se errar ele retorna ao tópico que estudou, para rever o conteúdo. Assim, o conteúdo é desenvolvido de forma gradativa, com o aluno ascendendo a novos conceitos à medida que vai dominando os conceitos anteriores. As lições devem ser produzidas de forma atrativa, sem excesso de informações. Para detalhamento das informações são disponibilizados links que o aluno acessa durante o estudo da página. Existe um espaço para arquivo de materiais, onde poderão ser salvos textos, ou criada uma biblioteca digital, com textos produzidos pelos participantes do grupo ou extraídos de outras fontes de informação. Além dos textos podem ser indicadas páginas da web ou links. Pesquisas de opinião, ou enquetes, podem ser usadas para que o professor peça sugestões sobre o curso, saiba das preferências dos alunos, ou obtenha outras informações em consultas rápidas e direcionadas, respondidas através da escolha de uma alternativa. Após responderem à consulta, os alunos têm acesso a um gráfico das respostas postadas, para verificar quais as respostas foram preferidas pelos participantes da enquete. Questionários podem ser incluídos para avaliação de conteúdos ou do curso. O professor edita as questões, o prazo para as respostas, o método avaliativo, as formas de


consultas dos resultados e a senha de acesso às questões. As questões podem ser de múltipla escolha, verdadeiro ou falso, resposta breve, etc. O uso da ferramenta Tarefas permite a inserção de atividades a serem desenvolvidas pelos alunos. Podem ser redações, relatórios, redigidos no próprio ambiente ou anexados. Existe a possibilidade de se atribuir notas e registrar comentários ou correções. Estas informações sobre a plataforma Moodle, apresentadas aqui de forma bastante resumida, estão disponíveis nos Manuais do Moodle. A fonte de consulta foi a página da Universidade de Brasília – UnB, mencionada nas referências deste trabalho. A UnB, em seu ambiente de aprendizagem e construção coletiva de conhecimento, oferece aos visitantes muitas informações, além de um guia sobre o uso das ferramentas do Moodle. A plataforma Moodle representa uma solução flexível para que o professor ofereça novas possibilidades de aprendizagem, diversificando as atividades e estimulando as interações entre os alunos. A curiosidade pelo uso da internet propicia a criação de ambiente favorável. O uso do computador desperta a motivação e receptividade dos alunos. O ambiente virtual de aprendizagem é uma alternativa para os professores, e a fala de Weiss provoca o debate: “É importante saber o que pensa o professor de sala-de-aula, sobre o tema em questão. Ele quer ser preparado para utilizar este instrumento ou prefere entregar seus alunos aos institutos de Informática, enquanto faz outras atividades do próprio interesse?” (WEISS, 2001, p. 18).

Ao interrogar se o professor quer ser preparado para utilizar o ambiente virtual de aprendizagem, temos que perguntar também se as escolas têm se preocupado em oferecer condições para que o professor se prepare. Não se trata somente da questão de disponibilizar equipamentos de informática, e a maioria das escolas já possuem laboratórios de informática. Mas refere-se principalmente à adequação do uso dos equipamentos aos objetivos pedagógicos. A plataforma tecnológica é uma ferramenta a ser utilizada nas escolas, e a eficácia do seu uso depende do conteúdo didático que a escola oferece aos alunos. O professor pode participar ativamente deste processo, aprendendo a usar a ferramenta, e a sua iniciativa é fundamental para criar uma rede de


conhecimentos na medida em que aprende interativamente com os demais atores do ambiente escolar. 4. Exemplo de atividade que pode ser desenvolvida a distância, no ambiente interativo da plataforma Moodle Opção: Solução colaborativa de problemas (atividade fictícia e ilustrativa) Situação de aprendizagem: PAINEL VIRTUAL DE CULTURA POPULAR Necessidade

Perfil do Público-alvo

Educacional/Problema Conhecer popular

Resultados

de

Aprendizagem

pretendidos

a cultura Alunos da 6º série do Elaboração de um Painel Virtual da

cidade ensino fundamental de de Cultura Popular.

onde vivem e discutir escolas

ou Realização de uma atividade em

privadas

a importância de se públicas, com idades que que os

alunos

trabalhem

em

manter valores e

variam entre 12 a 14 equipe, desenvolvendo pesquisas

tradições

anos, de ambos os sexos. de forma colaborativa. Ao final do Demandam

um

pouco trabalho os alunos devem conhecer

mais de autonomia na a cultura popular da cidade onde aprendizagem e gostam vivem, e desenvolver uma análise de

interagir

com

os crítica sobre a importância (ou

colegas nas atividades, não) de se manter valores e pois estão em fase de tradições, além de possuírem um forte socialização.

acervo de informações sobre o assunto.

- Características da abordagem que a tornam aplicável à situação. Primeiramente será usada a abordagem objetivista. O professor irá disponibilizar no arquivo do ambiente virtual os textos que falam sobre cultura popular. Em seguida irá dividir a classe em equipes que irão desenvolver o Painel Virtual de Cultura Popular, dividido em quatro eixos: música, dança, comida e artesanato. Poderá haver mais de uma equipe para cada eixo, e os alunos poderão negociar a divisão das equipes, com a assistência do professor. Poderão ser criados fóruns sobre cada eixo em que todos os alunos possam participar, inclusive colaborando com os colegas dos demais eixos. Poderá haver debates, nos


chats, sobre as pesquisas e a forma como estão sendo desenvolvidos os trabalhos. O professor poderá criar uma biblioteca para disponibilizar textos, imagens e arquivos sobre o assunto e, ao final do trabalho os alunos de cada equipe terão construído o documento que ficará disponível, ou seja, o Painel Virtual. Esta abordagem se torna aplicável à situação, sendo a mais recomendada porque permite aos alunos efetuarem um trabalho de pesquisa pouco direcionada em que as informações sobre a cultura popular da cidade serão levantadas pelos próprios alunos, sem estabelecimento rígido das tarefas a desempenhar, exceto pelo direcionamento do tema. Os alunos da 6º série costumam ter idades que variam entre 12 a 14 anos. Segundo Piaget, nesta fase a criança está entrando no estágio operatório formal, em que começa a realizar representações abstratas. É nesta fase os alunos estão desenvolvendo a própria identidade. Além disto, começam a defender seus próprios interesses, segundo seus valores e crenças. É uma fase em que precisam ser motivados e encorajados para suas próprias opiniões, pois já possuem a capacidade de abstração. O problema, para os alunos, pode parecer complexo, pois irão descobrir e aprender expressões populares que simbolizam a cultura regional, e que podem ser diferentes daquelas que foram assimiladas em seus ambientes familiares ou pela mídia, mas que são representativas de suas localidades. “Na cultura popular tradicional, a aprendizagem se faz por meio da convivência, da observação e da identificação das pessoas que fazem parte”. (MEIRA, 2005, p. 103). Os alunos serão instigados a procurarem informações junto aos colegas, familiares, vizinhos, pessoas mais velhas nascidas na cidade, e cria-se um ambiente de pesquisa, colaboração e troca de idéias. O professor é um facilitador, mas os alunos é que irão desenvolver todo o trabalho. É importante que compreendam o conceito de cultura popular, e que o pensamento crítico seja estimulado, por exemplo, pensando na importância de se manter valores e tradições. O tema é muito rico e permite várias abordagens: nas festas tradicionais, que tipo de música, dança, comida e artesanato foram identificados? estas festas são tradicionais da cidade somente, ou são regionais, ou nacionais? como representar a música, a dança, a comida e o artesanato no painel? vivemos em um mundo que respeita as tradições ou que deseja impor modelos de outras culturas? Dependendo do nível de informações e de desenvolvimento da turma, o trabalho pode


ir sendo modificado até que os objetivos sejam alcançados com resultados suficientes para todos os envolvidos. Os alunos devem ser estimulados a problematizarem. - Recursos da plataforma Moodle Lista de participantes: Listar todos os participantes do trabalho Atividades: Chats e fóruns para tirar dúvidas e orientar os alunos Programação: Texto introdutório com a proposta de trabalho, painel de notícias e avisos, textos de referência, tarefas que os alunos irão desempenhar. Poderão ser listadas quatro tarefas: Música, Dança, Comida e Artesanato, e os alunos de cada grupo terão acesso às tarefas do grupo. O espaço de tarefas é destinado ao arquivo das informações, e irá representar o painel ao final da atividade. A troca de informações com os alunos dos demais grupos poderá ser feita através de fóruns.

REFERÊNCIAS: ABBAD, G.S. EAD e as Teorias de Aprendizagem. Pós-Graduação em Educação a Distância. Brasília: CEAD/UNB, 2006. ARENDT, Ronald João Jacques. Construtivismo ou construcionismo? Contribuições deste debate para a psicologia social. Estudos de Psicologia, Natal, v. 8, n. 1, p. 5-13, jan./abr. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/epsic/v8n1/17230.pdf>. Acesso em 08.10.2007. MEIRA, R.B. Experienciar, aprender, criar e ensinar. Revista de Educação Popular. N. 4, Jan./Dez, 2005. Universidade Federal de Uberlândia-UFU/PROEX. MOREIRA, Marco Antônio. Teorias de aprendizagem. São Paulo: EPU, 1999. MORETTO, Vasco Pedro. Construtivismo: a produção do conhecimento em aula. 3. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. PIAGET, Jean. Biologia e conhecimento. 2. ed. Petrópolis: Ed. Vozes, 1996. PULINO-FILHO, Atail Rangel. Manual do Moodle UnB – Módulo 1. Disponível em: <http://aprender.unb.br/mod/resource/view.php?id=52>. Acesso em 08.10.2007. ______. Manual do Moodle UnB – Módulo 2. Disponível em: < http://aprender.unb.br/mod/resource/view.php?id=66>. Acesso em 08.10.2007. ROSA, Sanny S. da, Construtivismo e mudança. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2002. WEISS, Alba Maria Lemme. A informática e os problemas escolares de aprendizagem. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.


A Pedagogia Social Construtivista da Plataforma Moodle