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EDIÇÃO 08

BRASIL EM

BRASIL EM CÓDIGO • GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação

Uma publicação da GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação • abr/mai/jun 2013 • www.gs1br.org

EDIÇÃO 08

CÓDIGO

START-UPS

ENTRE NO JOGO PARA GANHAR Escalação do time de estratégias para garantir bons negócios na Copa do Mundo FIFA 2014 deve contemplar as novas tecnologias

TRANSFORME SUA IDEIA EM UM NEGÓCIO RENTÁVEL NA INTERNET


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ao leitor

Foto: arquivo/Douglas luccena

Momento de aprendizado Estamos às vésperas da Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013, que proporcionará um aprendizado importante para toda a “indústria do futebol” e, de quebra, para a sociedade civil, o poder público e a iniciativa privada. Turistas do Brasil e de várias partes do mundo vão circular pelo País para apreciar as boas jogadas nos gramados e conhecer nossa cultura. Para nós, brasileiros, será uma espécie de treino para vivenciar a dinâmica de grandes eventos esportivos, já vislumbrando o mundial do próximo ano e os Jogos Olímpicos de 2016. Receberemos milhões de turistas na Copa do Mundo FIFA 2014 que esperam encontrar – além da nossa típica recepção calorosa – atendimento e prestação de serviços de qualidade. Somos bons anfitriões, mas sabemos dos gargalos na infraestrutura dos aeroportos e estádios, além da burocracia e falta de mão de obra capacitada, só para citar algumas dificuldades. Mas, sem dúvida, a Copa deixará um legado importante para a sociedade brasileira – na economia, no turismo, na maneira de fazer negócios. Será mais um aprendizado de grande valia para o País, que nos últimos anos vem fazendo a lição de casa para manter a economia estável, aumentar o emprego e diminuir as diferenças sociais. Pensando nisso, a contribuição da GS1 Brasil nesta edição é no sentido de mostrar algumas ideias para pequenos e médios empresários brasileiros inovarem na oferta de produtos e serviços para a Copa do Mundo FIFA 2014, sem perder de vista as expectativas dos turistas que estarão por aqui. Para apoiar esse crescimento e os novos negócios que virão com os megaeventos esportivos, nós acreditamos que as soluções globais de padronização voltadas a reforçar a segurança dos alimentos, garantir a autenticidade de mercadorias e aprimorar a gestão de estoques podem ajudar essas empresas a tornar suas operações mais eficientes. Aliás, a tecnologia e a padronização são fundamentais para as organizações e, cada vez mais, para o consumidor final, que busca informações em tempo real e atendimento ágil utilizando as facilidades do mundo digital. Esse movimento é tão forte, em todo o mundo, que a GS1 e a Capgemini desenvolveram um estudo, apresentado nesta edição, que aponta as tendências para o futuro dos padrões na área de bens de consumo e varejo. A pesquisa conclui que é necessário continuar a desenvolver os padrões existentes, mas simplificando seu uso, e melhorar a qualidade dos dados que circulam em toda a cadeia de suprimentos. É fundamental trabalhar com informações consistentes em todos os canais, seja na loja física, seja no e-commerce. Portanto, estamos diante de um novo cenário onde todos estão conectados e as operações se tornam mais complexas. Precisamos começar a entender e a tirar lições disso. Como estamos em constante aprendizado, aproveito para convidá-lo, leitor, para a 3ª Conferência Internacional da GS1 Brasil sobre Automação e Logística – o Brasil em Código, que será realizada em junho, em São Paulo, e apresentará as principais tendências nesta área. Vamos todos juntos aprender a lidar com novas realidades do mundo do consumo e dos negócios. Um forte abraço, João Carlos de Oliveira presidente


[EXPEDIENTE

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A revista Brasil em Código é uma publicação trimestral da GS1 Brasil dirigida e distribuída gratuitamente aos seus associados, aos parceiros e à comunidade de negócios. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não representam a opinião da entidade e da editora.

João Carlos de Oliveira PRESIDENTE

Antônio Carlos Leão José Humberto Pires de Araújo Maria Eugenia Proença Saldanha Paulo Hermínio Pennacchi Pedro Zidoi Sdoia Wanderlei Saraiva Costa VICE-PRESIDENTES

MARKETING E RELAÇÕES INSTITUCIONAIS Virginia Villaescusa Vaamonde DIRETORA

COORDENAÇÃO DA REVISTA Andréa Palmer Kleber Alves Pinto COLABORAÇÃO Área de Marketing e Relações Institucionais GS1 BRASIL Rua Dr. Renato Paes de Barros, 1.017 – 14º andar Itaim Bibi – 04530-001 – São Paulo Telefone: (11) 3068-6229 www.gs1br.org REDES SOCIAIS facebook.com/gs1brasil www.linkedin.com/company/gs1-brasil www.youtube.com/gs1brasil www.flickr.com/gs1brasil FALE COM A REDAÇÃO revista@gs1br.org PRODUÇÃO EDITORIAL E GRÁFICA G&T Comunicação Ltda. Telefone: (11) 2503-4618 comunicação redacao@gtcomunica.com.br Editora Denise Turco – MTB 43.537 Editora-assistente Giseli Cabrini Revisão Helder Profeta Fotografia Paulo Pepe CAPA Marcelo Gorzoni Arte Adriano Cristian Fernandes Colaboração Andréa Cambuim, Kathlen Ramos, Larissa Veloso, Marina Cordeiro, Mariana Izidoro, Patricia Lucena (texto), Beth Furtado e Edson Perin (artigo) IMPRESSÃO Neoband TIRAGEM 3 mil exemplares

Novas frentes de negócios com o mundial de futebol

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SUMÁRIO

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CAPA Pequenos e médios empresários têm chances de driblar as dificuldades e marcar um gol de placa, inovando na oferta de produtos e serviços para a Copa do Mundo FIFA 2014. Confira as oportunidades que podem ser exploradas durante o mundial e a longo prazo

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AUTOMAÇÃO GS1 Brasil lança o Cadastro Nacional de Produtos, ferramenta para facilitar o controle da numeração de mercadorias cadastradas nos padrões globais

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ENTREVISTA O secretário-executivo do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, Rodolfo Tamanaha, fala sobre iniciativas para vencer essa prática ilegal

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ECONOMIA Com a inflação alta, conheça os principais índices que impactam o dia a dia da sua empresa

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NEGÓCIOS Saiba como transformar

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MOBILIDADE Ainda em estágio inicial no País, pagamento via celular tem potencial de expansão nos próximos anos

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MARKETING Você

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PERFIL A história da

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40 6 16 18 32 34 44 48 50 54 56 58 60 62 66

CURTAS OPINIÃO Beth Furtado PESQUISA EVENTO Global Forum JOGO RÁPIDO EVENTO Brasil em Código PERDAS & GANHOS GESTÃO TECNOLOGIA INTERNACIONAL RADAR DESCONEXÃO RECURSOS HUMANOS TECNOLOGIA & NEGÓCIOS

uma boa ideia em um negócio rentável e participar do mercado das start-ups

sabe onde estão seus clientes e concorrentes? Mapeie as oportunidades usando o geomarketing

marca de óculos e acessórios Chilli Beans, que nasceu com a proposta de vender atitude


CURTAS

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GS1 na Feira Apas 2013

Foto: Paulo Pepe

A participação da GS1 Brasil na Feira Apas 2013, o maior evento na área de supermercados do País, realizada em maio, em São Paulo (SP), refletiu a comemoração dos 30 anos da entidade. No estande com 84 metros quadrados, em formato de ilha, os supermercadistas conferiram uma exposição na qual podiam interagir com algumas soluções, além de demonstrações sobre a utilização do código GS1 DataBar. Para dar um clima de festa, a entidade serviu coquetel para comemorar junto com os visitantes o aniversário da GS1 Brasil.

Telefonia móvel em alta

A desoneração dos smartphones produzidos no Brasil deverá aumentar a demanda pelos serviços de telefonia móvel. Em abril, foi publicada portaria que desonerou os smartphones da cobrança do PIS/Pasep e da Cofins, com uma renúncia de até R$ 500 milhões por ano. A expectativa do governo é de que o preço dos aparelhos diminua em torno de 30%. De acordo com a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), o País tinha, até abril, cerca de 58,9 milhões de conexões de celulares 3G, incluindo os smartphones.

Agenda

Confira o calendário de eventos promovidos pela GS1 Brasil e outros que a entidade marcará presença: Brasil Em Código – 3ª Conferência Internacional de Automação e Logística

Feira ExpoSuper

11 de junho

São Paulo/SP

18 a 20 de junho

Joinville/SC

Programa GS1 Vai até Você

17 de junho

Curitiba/PR

Programa GS1 Vai até Você

19 de junho

Joinville/SC

Fispal Tecnologia

25 a 28 de junho

São Paulo/SP

Celebração

A GS1 General Assembly 2013, evento realizado anualmente pela GS1, reuniu lideranças globais da entidade e importantes executivos, entre os dias 20 e 23 de maio, em Los Angeles, nos Estados Unidos. O encontro teve por objetivo discutir as atividades desenvolvidas pela entidade em âmbito mundial e planos para o futuro. O evento marcou ainda a celebração dos 40 anos da criação da GS1 e do código de barras no padrão da entidade que, desde então, vem sendo adotado pelas cadeias produtivas ao redor do mundo nos mais diferentes segmentos de atuação.

Pesquisa e inovação

O governo federal anunciou a criação da Empresa Brasileira para Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), para fomentar o processo de cooperação entre empresas nacionais, principalmente pequenas e médias, e instituições tecnológicas ou instituições privadas sem fins lucrativos, voltadas à Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). A EMBRAPII será uma organização social e tem investimentos previstos de R$ 1 bilhão para este e o próximo ano. 6 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]


Cuidado com o golpe

Fique atento, pois, recentemente, algumas empresas estão emitindo boletos bancários, certificados e venda de licenças em nome da GS1 Brasil. A entidade não emite qualquer “certificação de renovação de licença para utilização dos recursos tecnológicos para geração gráfica do código de barras”. Se sua empresa recebeu alguma comunicação ou boleto bancário tratando desse tipo de certificado, desconsidere. A GS1 Brasil é a única organização responsável em administrar a numeração e atribuir a licença para utilização do código de barras com padrão GS1.

Padrões no segmento de cerâmica

A GS1 Brasil apoia projeto que reúne fabricantes e varejistas do segmento de cerâmica para adoção de padrões. A ideia é identificar as caixas que armazenam as peças com o código GS1-128, ideal para operações logísticas. Dessa maneira, as mercadorias circularão no mercado com informações padronizadas, possibilitando a identificação em toda a cadeia de suprimentos, além de auxiliar na gestão de recebimento e de estoques. O papel da entidade é auxiliar as empresas na correta padronização das informações e na certificação dos códigos. A identificação é feita pelas indústrias, que já começaram a certificar os códigos, e tem cinco campos GTIN (01)-078983574100015 principais: GTIN, data de produção, número do lote, tonalidade e calibre (espessura).

Certificação

A GS1 Brasil ganha reforços no time de auditores acreditados no programa GTC (Global Traceability Conformance), profissionais, capacitados pelo Global Office – escritório central da GS1 na Bélgica – responsáveis por revisar os processos de rastreabilidade adotados pelos associados da entidade indicando melhores práticas relacionadas a identificação dos produtos rastreados, documentação e comunicação das informações essenciais em um processo como este. Flávia Ponte Costa e Patrícia Munhoz Botelho do Amaral estão prestes a concluir o processo que envolve a obtenção dessa chancela e, assim, passar a exercer, juntamente com Ana Paula Maniero, a atividade de auditoras acreditadas da GS1 Brasil.

Em compasso de espera

A maioria das micro e pequenas indústrias do Estado de São Paulo não pretende contratar ou demitir no futuro próximo. Elas também não planejam investir na produção e ampliação das instalações. Embora para 44% dos empresários a perspectiva para abril fosse de melhora, apenas 2% esperavam forte crescimento no faturamento no mês. Os dados são do Indicador de Atividade das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo. A pesquisa foi realizada pela primeira vez, em abril, pelo Datafolha a pedido do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (SIMPI-SP).

MEMÓRIA GS1 EDI no Brasil

No final dos anos 1980, umas das preocupações em relação à automação das empresas, em âmbito mundial, era adotar uma linguagem padronizada para facilitar o relacionamento comercial. Naquela época, a EAN International (antigo nome da GS1 global) desenvolveu estudos que representaram os primeiros passos para configurar mensagens no padrão EDI (Troca Eletrônica de Dados). A iniciativa avançou e, em 1990, a entidade criou um manual com orientações técnicas para uso do novo padrão. Por aqui, a Associação Brasileira de Automação Comercial (ABAC), como era chamada a GS1 Brasil até a década de 1990, criou um grupo de trabalho para estudar a adoção do EDI junto às empresas e adaptou o manual da EAN International para nortear os primeiros projetos-pilotos na área. A iniciativa ajudou a divulgar os benefícios da automação numa época de abertura ao mercado estrangeiro. Hoje o EDI é uma ferramenta importante para vários segmentos conseguirem eficiência na supply chain. *A Brasil em Código relembra neste espaço os momentos marcantes da história da GS1 Brasil, que comemora 30 anos em 2013.

[ BRASIL EM CÓDIGO ] abr/mai/jun 2013 7


Imagens: Thinkstock/GS1

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AUTOMAÇÃO

[CADASTRO

Facilidades na Nova plataforma on-line da GS1 Brasil ajuda a controlar e a gerenciar o cadastro de produtos Da Redação A GS1 Brasil lança uma nova ferramenta para facilitar a gestão e o controle da numeração de mercadorias cadastradas nos padrões globais: o Cadastro Nacional de Produtos. A plataforma tem base na internet e substitui o SGN (Sistema de Gerenciamento de Números), que funciona por meio de um programa que precisa ser instalado no computador do usuário. A novidade proporciona uma série de benefícios aos associados da entidade. O Cadastro Nacional de Produtos auxilia as empresas a cadastrar a numeração de seus produtos e de suas localizações na GS1, em âmbito mundial, respectivamente com o GTIN (Número Global de Item Comercial) e o GLN (Número Global de Localização) – que possuem 13 dígitos. No caso de empresas brasileiras, eles normalmente começam com o prefixo 789. O GTIN é a numeração que permite identificar um determinado item comercial, o qual é representado por meio do código de barras, que identifica o produto em toda a cadeia de abastecimento. Já o GLN é a numeração que permite uma identificação única de entidades legais, funcionais e físicas para a eficiência no comércio eletrônico e na sincronização global de dados. O novo sistema possui interface amigável e mantém as listas de produtos em ambiente web, possibilitando consultas mais rápidas e evitando assim a perda dessas listas armazenadas somente em computadores. O associado pode cadastrar mais de um usuário para realizar o controle da numeração de sua empresa. Extrações de relatórios de acesso bem como listas de produtos também estão dentre as novas funcionalidades previstas.

Outra novidade é a possibilidade de gerar etiquetas com o código de barras no padrão EAN-13 a partir da plataforma. Ela permite ainda integrar o GTIN ao EPC, o código eletrônico de produto. A partir do GTIN, já previamente cadastrado, o associado informa os seriais que deseja gerar e a aplicação cria os números serializados do EPC para posterior gravação em tags RFID. Esses são alguns dos diferenciais da nova ferramenta on-line, gratuita para os associados da entidade. A utilização do Cadastro Nacional de Produtos é simples. O assessor de projetos da área de inovação e alianças estratégias da GS1 Brasil, André Lullis Pacheco, explica que, depois de acessar a plataforma com login e senha, o usuário seleciona o prefixo GS1 da empresa e o sistema define o próximo sequencial do número de identificação do produto. A partir daí, basta cadastrar as informações básicas do item: descrição, marca, peso, medida, entre outras. Depois, é possível exportar os dados e gerar as etiquetas com o código de barras do produto. A ferramenta, que está em fase final de testes, será disponibilizada para os associados em breve. Quem já utiliza o SGN poderá migrar para a nova ferramenta, seguindo as orientações da GS1 Brasil para exportar as numerações existentes e importá-las na nova aplicação. O antigo sistema será descontinuado, mas isso será previamente informado aos associados da entidade. 7 898357 410015

Agilidade Cadastro Nacional de Produtos via web facilita a gestão da numeração de produtos que seguem os padrões globais GS1 8 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]


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entrevista

[RODOLFO TAMANAHA

Abaixo à pirataria Governo brasileiro reforça mecanismos para coibir essa prática ilegal que, silenciosamente, mina a economia. No entanto, combate envolve toda a sociedade e depende, principalmente, de cada cidadão Por Giseli Cabrini A despeito da atmosfera de glamour que envolve a forma como o tema é retratado pelo cinema, a pirataria sempre se caracterizou por ser uma atividade criminosa. Entre os séculos 16 e 18, ela significava se apropriar fisicamente de algo de forma ilícita, que se caracterizou pelos saques promovidos aos navios espanhóis e portugueses que cruzavam o Oceano Atlântico, carregados de mercadorias valiosas. No mundo moderno, alcançou limites menos tangíveis ao falsificar artigos genuínos e reproduzir ilegalmente conteúdo protegido por lei. Ou seja, os piratas da vida real estão longe das imagens românticas e lúdicas, eternizadas por personagens como o capitão Jack Sparrow, interpretado por Johnny Depp em Piratas do Caribe. No século 21, o combate à pirataria é uma tarefa ainda mais árdua do que nos tempos coloniais. Esse tipo de prática não possui mais delimitação geográfica e está entranhada na chamada economia subterrânea, que, como o próprio nome diz, atua de forma clandestina e silenciosa. No entanto, os prejuízos aos que operam dentro da legalidade são igualmente perversos. A artilharia da pirataria se volta agora para os direitos à propriedade intelectual. Um conceito amplo que abrange os direitos relativos às obras literárias, artísticas e científicas, modelos industriais, marcas, entre outros. No Brasil, desde 2004, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos Contra a Propriedade Intelectual (CNCP) atua em três vertentes prioritárias de atuação: a repressiva, a educativa e a econômica, para vencer essa batalha que envolve não só o poder público mas também empresários e o próprio cidadão. A GS1 Brasil também está envolvida nessa luta. A entidade vem fortalecendo laços institucionais com o CNPC e, em fevereiro de 2013, teve a 10 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

oportunidade de apresentar ao órgão soluções que podem reforçar o arsenal de medidas já adotadas e que venham a ser utilizadas para combater essa prática ilegal tanto no âmbito dos empresários quanto dos consumidores. Na esfera corporativa, a GS1 Brasil dispõe de soluções voltadas à visibilidade e autenticidade de produtos por meio da identificação serializada dos produtos e adoção do padrão EPCIS (Serviço de Informação do Código Eletrônico de Produto), interface que permite as empresas realizar rastreamento, detecção de desvio e de autenticação de produtos. A lista de benefícios inclui: inibir a entrada de produtos de origem desconhecida no País, facilitar a fiscalização, viabilizar ações proativas e integração com outras soluções de monitoramento e controle, como a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) e Brasil ID (Sistema Nacional de Identificação, Rastreamento e Autenticação de Mercadorias). No caso do consumidor, os padrões GS1 auxiliam o processo de identificação de mercadorias e possibilitam sistema de notificação de recall. Com isso é possível tornar mais ágil o processo de notificação e recolhimento de produtos. E ainda a adoção de medidas proativas por meio de relatórios estatísticos de produtos e empresas com maior índice de reclamações junto aos órgãos de defesa do consumidor. Na entrevista a seguir, o secretário-executivo e presidente substituto do CNCP, Rodolfo Tamanaha, fala sobre as iniciativas de combate à pirataria que estão em andamento no País. Brasil em Código Desde 2004, quando foi criado, de que forma o CNCP tem trabalhado para inibir a pirataria? Quais os resultados obtidos ao longo desses anos?


Foto: Paulo Pepe

“A correlação entre consumo de produtos piratas e diminuição de empregos formais é clara”

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ENTREVISTA

Fotos: Paulo Pepe

“O CNCP assinou acordo de cooperação técnica com a FIFA para a preservação de direitos de propriedade intelectual” rodolFo tamanaHa Desde sua criação, a missão do CNCP é a de propor e coordenar ações públicas e privadas para prevenir e combater a pirataria e demais delitos contra a propriedade intelectual. Para cumprir sua missão, o Conselho discute e elabora um Plano Nacional de Combate à Pirataria, que baliza todos os projetos e ações. As iniciativas visam contemplar três vertentes prioritárias: a repressiva, a educativa e a econômica, pois se entende que a pirataria é um tema complexo que exige a articulação de várias frentes de atuação. O principal resultado obtido ao longo dos anos foi a construção de uma cultura de enfrentamento da pirataria que promove a interação entre órgãos públicos e privados para que, em conjunto ou separadamente, realizem ações concretas. BC Entre as muitas iniciativas do CNCP destacam-se o Diretório Nacional de Marcas e a Radiografia da Pirataria. Em linhas gerais, como estão funcionando esses dois projetos? rt O Diretório tem por objetivo facilitar o contato entre os servidores públicos que atuam no combate à pirataria e aos delitos contra a propriedade intelectual e o titular da marca, a fim de auxiliar as autoridades nos procedimentos de perícia, obtenção de representações e laudos, entre outras atividades. Por sua vez, a Radiografia visa compilar 12 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

informações existentes a respeito do consumo de produtos piratas no território nacional, que auxiliem no planejamento de combate à pirataria e demais políticas públicas voltadas ao tema. Ambos os projetos estão em trâmite. Acreditamos que o Diretório Nacional estará disponível no final do primeiro semestre, de 2013, e a Radiografia da Pirataria, no segundo semestre deste ano. BC E a elaboração do novo Plano Nacional de Enfrentamento da Pirataria, previsto para os próximos quatro anos? Em que fase ela se encontra atualmente? rt O CNCP é o responsável pela elaboração do Plano Nacional de Combate à Pirataria que, após discussão pelo plenário e aprovação do ministro da Justiça, passa a servir de referência para todas as ações a serem executadas. O Conselho finalizou a etapa de diagnóstico, que permitiu ao órgão definir o escopo de trabalho, mapear a situação da pirataria no País e oferecer uma análise crítica da situação atual, com a identificação dos avanços, dos possíveis retrocessos, das principais demandas, problemas e oportunidades. O resultado dessa fase é um documento de referência sobre o tema, que permite a formulação dos objetivos a serem apresentados. Atualmente, o CNCP encontra-se na fase de elaboração dos projetos estratégicos necessários ao alcance das metas formuladas.

BC Qual o impacto que a pirataria traz para a economia brasileira? O CNCP dispõe de números que quantificam o impacto para os cofres públicos e para a sociedade? Por exemplo, quanto o País perde, por dia, com a pirataria e o que poderia ser feito com esse dinheiro que deixa de circular formalmente? rt Um dos grandes objetivos do projeto Radiografia da Pirataria é, exatamente, fornecer informações que possibilitem uma visão mais ampla e concreta dos impactos da pirataria sobre a economia brasileira. Isso porque, como o consumo de produtos pirateados ocorre de maneira informal, os números apresentados são setoriais. Apesar disso, a correlação entre consumo de produtos piratas e diminuição de empregos formais, renúncia fiscal e outros é clara. Ao adquirir um produto original, o consumidor alimenta uma cadeia produtiva extensa e auxilia na pesquisa e no desenvolvimento de novos produtos, na manutenção e na criação de empregos formais e no fortalecimento da economia do país. Além disso, ele tem a garantia da qualidade, da procedência e da possibilidade de troca, de acordo com as regras do direito do consumidor. Em relação aos números do combate à pirataria, a Secretaria da Receita Federal apreendeu mais de R$ 2,025 bilhões em mercadorias no ano passado.


imagem:Thinkstock

BC Quais os segmentos da economia mais afetados? É possível se defender ou adotar algum tipo de medida preventiva? rt Os segmentos mais afetados são os que produzem e comercializam bens de consumo como: roupas, óculos, relógios, CDs, DVDs e programas de computador mas também medicamentos, como anabolizantes e remédios indicados para tratamento de obesidade e disfunção erétil. A principal medida preventiva que o CNCP promove é a conscientização da população para os riscos de se consumir produtos que não sejam originais. BC Os primeiros produtos oficiais da Copa do Mundo da FIFA 2014 já começam a desembarcar no mercado brasileiro. Além de se valer das leis existentes no País para combater a pirataria, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) também incluiu o tema na Lei Geral da Copa, em um capítulo específico, que prevê penas de multa e de prisão. De que forma o Programa de Proteção às Marcas, adotado pela entidade esportiva, pode servir de exemplo para o combate à pirataria no segmento de artigos esportivos no Brasil, nos dias atuais e no futuro?

rt Em 2012, o CNCP assinou um acordo de cooperação técnica com a FIFA a fim de promover estratégias para a preservação de direitos de propriedade intelectual, notadamente no que se refere ao combate à pirataria, à concorrência desleal e aos demais delitos contra a propriedade intelectual, incluindo aqueles relacionados aos eventos esportivos. Da parte do CNCP, o objetivo é promover cursos de capacitação de agentes públicos que atuam no combate à pirataria nas cidades que irão sediar os jogos, voltados à contenção de oferta de produtos ilícitos, bem como à mitigação da demanda por tais mercadorias. BC Sob o aspecto educativo, como a sociedade civil pode colaborar no combate à pirataria, em particular, os empresários e os próprios consumidores brasileiros? rt Quando se trata da vertente educacional do enfrentamento da pirataria e demais delitos contra a propriedade intelectual, a participação da sociedade civil é indispensável, pois as medidas de conscientização podem assumir diversas configurações, como campanhas promocionais, realização de concursos e prêmios, divulgação de notícias e informações pelas mídias, entre outras. Conscientizar os consumidores dos malefícios dos produtos piratas requer a colaboração de todos os atores envolvidos. E o empresariado é parte fundamental desse trabalho.

em tradução livre] busca frear o compartilhamento ilegal de produtos culturais, principalmente músicas e filmes. Embora o efeito dessa solução deva ficar restrito aos norte-americanos, de que forma essa iniciativa pode servir de exemplo para o Brasil? Há algum projeto semelhante em estudo? rt Atualmente, o Brasil se encontra na fase de reelaboração e atualização de sua legislação de proteção da propriedade intelectual, de forma a adequá-la aos mais modernos mecanismos de comunicação, notadamente a internet. Os maiores exemplos são o Marco Civil da Internet e a Lei de Direito Autoral. Por isso, não há ainda discussão a respeito de projetos como o Copyright Alert System, que também precisariam passar por um amplo debate público no Brasil antes de serem colocados em prática. BC De que forma a tecnologia pode ser usada como uma ferramenta de combate à pirataria? rt Talvez a melhor forma de empregar a tecnologia a favor do enfrentamento desse tipo de prática seja utilizá-la para esclarecer os consumidores de todos os prejuízos que a aquisição de produtos pirateados ocasiona. 7 898357 410015

BC Criado pelos Estados Unidos, o Copyright Alert System [Sistema de Alerta de Direitos Autorais,

“Conscientizar os consumidores dos malefícios dos produtos piratas requer a colaboração de todos os atores envolvidos” [ BRASIL EM CÓDIGO ] abr/mai/jun 2013 13


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Fotos:Thinkstock

economia

[CONJUNTURA

De cara com a fera Comparada a um dragão, a inflação possui muitas faces. O primeiro passo para enfrentá-la é conhecer como ela se comporta Por Marina Cordeiro Pelo calendário chinês, o ano do dragão chegou ao fim em 10 de fevereiro de 2013. No entanto, o Brasil ainda terá de lutar para domar a fera que voltou a rondar a economia. A metáfora de a inflação ser um dragão foi criada nas décadas de 1980 e 1990, quando os índices no País se mantinham na casa dos dois dígitos e seu descontrole podia ser sentido não só no bolso mas também por meio das “maquininhas” de remarcação de preços que entravam em ação, diariamente. Com a criação do Plano Real, em 1994, e a estabilização da moeda, o dragão foi sendo domado, aos poucos. No entanto, a fera parece ter sido despertada. Em 2010, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – indicador oficial – fechou o ano com uma 14 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

taxa acumulada de 5,91%. Desde então, a equipe econômica vem enfrentando dificuldades para manter o índice dentro do centro da meta de inflação estipulada pelo Banco Central (BC) para o ano, que é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Em 2011, o IPCA fechou com alta de 6,5% e, no ano passado, com elevação de 5,84%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado em 12 meses até março de 2013, a inflação atingiu 6,59%, ou seja, ultrapassou a meta, mas ainda ficou abaixo de 7,6%, a mais forte elevação, registrada em 2004. E o que era sinal de fumaça, ganhou contornos mais nítidos.

Comparada ao personagem mítico do dragão, a inflação possui muitas cabeças. Assim, para enfrentar esse monstro, é importante conhecê-lo. Diferentes metodologias são aplicadas por órgãos especializados, como o IBGE, a Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Fundação Instituição de Pesquisas Econômicas (FIPE) para medir a variação dos preços e o impacto no custo de vida da população. Cada um deles tem como base uma cesta definida de produtos, cuja variação de preços passa a ser acompanhada. Também se diferenciam em relação aos dias de apuração, aos produtos que incluem, ao peso deles na composição geral e à faixa de população analisada.


O IPCA é utilizado pelo Comitê de Política Monetária (COPOM) para estabelecer as metas de inflação a cada ano, regime em vigor desde o ano 2000. O indicador aufere a variação de preços entre os que ganham entre 1 e 40 salários mínimos. Embora também tenha como foco o comportamento do consumidor, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mede a variação de preços no universo de famílias com rendimentos que variam de um a cinco salários mínimos. O peso de alguns itens, como alimentos e bebidas, é maior no INPC do que no IPCA, uma vez que a população de menor renda gasta uma parcela maior com essas mercadorias, sobrando menos no final do mês para outras despesas. Como reflete melhor a inflação do trabalhador, o INPC baliza os contratos coletivos de reajuste salarial. Por sua vez, o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) acompanha a variação de preços praticados no mercado. O indicador é muito usado na correção de aluguéis e tarifas públicas, como conta de luz. Já o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) registra

variações de preços de produtos agropecuários e industriais nas transações interempresariais. Ou seja, nos estágios de comercialização anteriores ao consumo final. O indicador afeta a vida dos empresários, pois capta o preço dos insumos de produção. DE OLHOS BEM ABERTOS Segundo o economista e consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE-SP) Pedro Gonçalves, os empresários devem ficar sempre atentos ao comportamento da inflação para tomar decisões que envolvam, principalmente, a compra de insumos e a contratação de mão de obra. É o caso da empresária Neuza Kolin. Proprietária do Restaurante São Bento Grill, na região central de São Paulo, no início do ano, ela teve de se desdobrar a fim de equilibrar a balança entre custo e lucro, diante do avanço nos preços dos alimentos, principalmente, do tomate. Dos 146 produtos alimentícios do IPCA, 117 deles – ou 80% –, apuraram elevação nos preços no primeiro trimestre deste ano. Segundo Neuza, muito desses itens não podem faltar no cardápio e, ao mesmo tempo, eventuais reajustes no preço final da comida acabam por afastar a clientela.

No entanto, Gonçalves destaca que, para pequenos e médios empresários, principalmente do segmento de serviços, o termômetro mais importante a ser observado é o que reflete a rentabilidade do trabalhador. MEDIDAS O governo, no entanto, não está impassível diante do avanço da fera e tem usado armas na guerra contra a inflação. Em janeiro deste ano foi anunciada uma redução na conta de luz. O corte médio foi de 18% para consumidores residenciais e de até 32% para os empresariais. Em março, o número de produtos de alimentação e higiene pessoal, que compõem a cesta básica e são isentos do pagamento de tributos, foi ampliado. Até o fechamento desta edição, o COPOM, do Banco Central, promoveu uma elevação de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, para 7,5% ao ano. A decisão põe fim ao processo de redução da taxa de juros, promovido a partir de 2011, que levou a Selic ao menor patamar histórico: 7,25% ao ano. O objetivo da equipe econômica é tornar o crédito mais caro e desestimular as pessoas a consumirem, o que pode gerar queda de preços, no médio e longo prazos. 7 898357 410015

Por dentro dos principais índices de inflação IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. É o índice oficial de inflação no País, utilizado para orientar a política econômica. É medido pelo IBGE INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Baliza os contratos coletivos de reajuste salarial. É medido pelo IBGE IPA – Índice de Preços ao Produtor Amplo. Registra variações de preços de produtos agropecuários e industriais nas transações interempresariais, ou seja, nos estágios de comercialização anteriores ao consumo final. É medido pela FGV IGP-M – Índice Geral de Preços de Mercado. Indicador muito usado na correção de aluguéis e tarifas públicas, como conta de luz. É medido pela FGV

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opinião

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VAREJO

Beth Furtado Diretora na Consultoria de Marketing Alia

Você deve estar se perguntando o que faz a palavra sexy no contexto do varejo. É uma metáfora. Há um princípio em gestão de marcas que estabelece que marcas são como pessoas, ou seja, os princípios que regem a sua construção seguem os princípios humanos. Marcas nascem todos os dias, e algumas o fazem de forma emblemática, como Quem Disse Berenice?, loja de cosméticos do Grupo Boticário. Sem dúvida, seu nome causou estranheza na comunidade de negócios e, exatamente por este motivo, chamou atenção das consumidoras de forma intrigante, misteriosa e divertida. Da mesma forma que pessoas, marcas crescem e se desenvolvem, como a Cacau Show, que foi de uma a mil lojas em cinco anos. Como pessoas, marcas se casam com outras, e o varejo tem sido pródigo em fusões e aquisições, mas, infelizmente, marcas também morrem mostrando que a associação humana é para o bem e para o mal. Se a metáfora de que marcas são como pessoas é real, cabe investigar as questões que caracterizam uma pessoa sexy. E por quê? Você deve se perguntar. Por um motivo simples: pessoas sexy nem sempre são bonitas e, mesmo assim, são muito (e até mais) atrativas que outras. Não estamos falando aqui daquela sexualidade óbvia e vulgar, mas da sensualidade atraente e intrigante. Há pessoas que nos atraem

O varejo sexy

16 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

sem serem exemplos de beleza. Aliás, muitas vezes conhecemos pessoas bonitas sem charme algum, “sem sal” e pessoas normais poderosamente atraentes por possuírem esse algo mais que chamamos de sexy. O mesmo pode se dar com marcas, sejam varejistas ou não. Como uma marca pode ser atrativa mesmo sem ter a maior verba de mídia ou o menor preço? Se marcas são como pessoas, a questão reside em descobrir o que torna uma pessoa sexy e aplicar os mesmos princípios às marcas. Esse aspecto varia de pessoa para pessoa, mas, ao pesquisar o assunto, descobri alguns atributos frequentemente associados às pessoas sexy: mistério, inteligência, poder, sensibilidade, inquietação e sedução. Para exemplificar: uma pessoa misteriosa, que não se revela totalmente, é sexy para muitas outras. Uma loja misteriosa é muito sexy e muito atrativa. Mistério aqui não significa ser uma loja escondida, mas que intriga o consumidor e o convida a fazer descobertas. E de que forma? Uma das alternativas é não ter um único salão totalmente aberto, e, sim, diversos pequenos espaços que convidem os consumidores a fazer descobertas. Poder é outro fator que atrai muitos, principalmente mulheres. O poder


O varejo sexy é a aplicação dos conceitos de atratividade humanos ao contexto de lojas e marcas. As empresas podem usar vários recursos para apimentar sua relação com o mercado um conselho de clientes composto por crianças que sugeriu diversas inovações na loja, adequando à experiência digital que elas estão acostumadas em suas vidas. O varejo sexy nada mais é do que a aplicação dos conceitos de atratividade humanos ao contexto de lojas e marcas. Há muitas facetas e nuances, já que uma marca sedutora pode, e deve, lançar mão de vários recursos para apimentar sua relação com o mercado. 7 898357 410015

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As opiniões deste artigo não expressam o pensamento da GS1 Brasil ou da editora. Foto: Divulgação/Thinktock

pode ser oriundo do dinheiro ou da influência. Mas há também outra faceta do poder que se aplica melhor ao nosso tema: o aproveitamento integral de seu potencial ou de suas qualidades. Há pessoas poderosas porque sabem explorar seus pontos fortes, aproveitando seus atrativos integralmente. Uma loja poderosa faz o mesmo. Analisa suas qualidades e as destaca explorando todo seu potencial, por exemplo, em vez de usar uma iluminação que deixe toda a loja igual, incorpora áreas com diferentes intensidades para destacar categorias ou áreas que são mais favoráveis ou estratégicas. Outra forma de criar uma aura sexy é a inquietude. Uma pessoa sexy está sempre se transformando, mudando e criando fatos novos em seus relacionamentos. Uma marca sexy também deve ser inquieta, transformando-se para acompanhar as mudanças de seus consumidores e de sua época. Um exemplo inte-ressante é a marca norteamericana de brinquedos Build-aBear-Workshop, que vende ursinhos. Suas lojas são mágicas por oferecerem um espaço para que a criança crie seu próprio ursinho escolhendo cada detalhe – roupa, pelagem e acessórios. Porém, a marca entendeu que suas lojas são analógicas, mas as crianças tornaram-se digitais. Desta forma, criou


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PESQUISA

[PADRONIZAÇÃO

Um novo olhar para a experiência de compra Cada vez mais os consumidores buscam informações em tempo real sobre os produtos. Em vista disso, o desafio de indústrias e varejistas é otimizar o uso dos padrões para atender à nova demanda

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Por Kathlen Ramos


Por Kathlen Ramos

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A adoção cada vez maior de padrões é fundamental tanto para a eficiência da cadeia de suprimentos quanto para atender às necessidades dos novos consumidores. Essa é uma das conclusões do estudo The Future of Standards in the Consumer Goods & Retail Industry: Cut costs and meet new consumer needs (O Futuro dos Padrões na Indústria de Bens de Consumo & Varejo: reduza os custos e atenda as necessidades dos novos consumidores). Desenvolvido pela Capgemini Consulting com a colaboração da GS1 e do Consumer Goods Forum, associação mundial que reúne indústrias de bens de consumo, o relatório mostra também o futuro e as apostas para a padronização. “A GS1 é uma organização que cria valor ao mercado por meio de seus padrões, e este estudo mostra as tendências e os desafios para as companhias, além de fornecer recomendações de como os padrões e as ações da GS1 podem evoluir para que as empresas melhorem os serviços ao consumidor”, afirma o gerente de inovação e alianças estratégicas da GS1 Brasil, Roberto Matsubayashi. A diretora da Capgemini Consulting para a América do Norte, Susan Wood, acrescenta que o relatório mostra a urgência, não apenas para adoção de padrões e maior consistência na sua implantação mas também a melhoria de dados, diretrizes e governança na área de bens de consumo e varejo. “Isto é particularmente importante devido às crescentes exigências dos consumidores, que estão impulsionando a transformação digital necessária para melhorar a experiência de compra em todos os canais”, acredita a executiva. Desenvolvido em meados de 2012 e divulgado neste ano, o levantamento incluiu entrevistas com mais de 20 empresas do setor varejista e de bens de consumo da Europa, Ásia e América do Norte, como Johnson & Johnson, Nestlé, Tesco, Unilever e Walmart. Dentre os participantes estavam executivos de nível de diretoria executiva, como CEOs, vice-presidentes, analistas, além de varejistas e prestadores de serviços. A conclusão é que o segmento de bens de consumo enfrenta muitos desafios em virtude das recentes mudanças do consumidor, do desenvolvimento da tecnologia, do deslocamento do centro de poder da economia mundial e da escassez dos recursos naturais. No futuro, é preciso desenvolver os padrões existentes e melhorar a qualidade dos dados com o objetivo final de aprimorar a prestação de serviço aos consumidores. Acompanhe, a seguir, os principais pontos abordados no estudo. CONSUMIDOR DIGITAL O acesso à internet e o uso de smartphones e de mídias sociais se difundem mundialmente e permitem que as pessoas acessem informações quando e onde quiserem. Em vista disso, hoje os consumidores exigem informações sobre produtos – como preço, marca e lojas onde estão disponíveis – em tempo real, que podem ser acessadas por meio de código de barras constantes nas embalagens ou

nas gôndolas. Muitos buscam dados para além da etiqueta, incluindo a história por trás dos produtos, a origem e as condições de fabricação. São essas mudanças que vão moldar o setor de varejo e bens de consumo na próxima década. Portanto, é fundamental trabalhar com informações consistentes em todos os canais, seja na loja física, seja no e-commerce. Se o proprietário da marca ou o varejista não são capazes de fornecer dados suficientes, os consumidores podem acessar fontes falsas ou enganosas. “Os padrões possuem um passado fascinante e um futuro promissor. De um lado, eles são fundamentais para as negociações, pois reduzem o custo das operações. Por outro, eles nos ajudam a ficar mais próximos dos consumidores e atender às suas necessidades em constante mudança, especialmente no mundo digital”, afirma o diretor de informações da Tesco, Mike McNamara.

70% DOS ENTREVISTADOS CITAM A ADOÇÃO DOS PADRÕES EXISTENTES COMO OPORTUNIDADE DE MELHORIA DOS NEGÓCIOS 30% novos padrões

70% adoção dos padrões

DESAFIOS PARA A INDÚSTRIA E VAREJO Uma das principais necessidades abordadas no estudo é a de introduzir programas simplificados para auxiliar novos usuários na adoção e implantação de padrões como, por exemplo, o código de barras e o EDI (Troca Eletrônica de Dados). Na opinião dos executivos, os padrões são complexos demais para todas as partes fazerem a implementação. A adoção de um modelo de “serviço-on-demand” é outra alternativa para converter as informações de uma empresa em formatos que possam ser traduzidos e interpretados por outra, sem nenhuma mudança no procedimento de quem envia ou recebe os dados. A pesquisa mostra outros gargalos que indústria e varejo precisam resolver para otimizar os processos. Dentre eles: [ BRASIL EM CÓDIGO ] abr/mai/jun 2013 19


– Informações imprecisas: dados ausentes ou imprecisos associados aos códigos de barras nos produtos ou não fornecidos de forma padronizada nos vários canais. – Estoque: os fabricantes perceberam que os varejistas, muitas vezes, não estão dispostos a compartilhar suas estratégias promocionais. Como resultado, não é possível gerenciar o inventário de forma otimizada em nenhuma das pontas. Por isso, é preciso integrar o e-commerce, o comércio via celular e os processos da cadeia de suprimentos para garantir a consistência do produto e do serviço. – Atualização dos dados: as empresas de bens de consumo trabalham com um imenso volume de dados. Um supermercado, por exemplo, gerencia mais de 2 mil atributos de produto para cada item. Se a indústria muda algum ingrediente, o varejista precisa atualizar essas informações – um processo caro e demorado. Como resultado, o varejo tem dificuldade em respeitar padrões que requerem que o código de barras seja alterado. – Apelo sustentável: com a maior consciência dos consumidores sobre os danos ambientais, eles buscam cada vez mais se informar sobre consumo de água, energia e reciclagem no processo

produtivo. Os entrevistados do estudo afirmam que os programas que medem e comparam o desempenho de sustentabilidade geram uma complexidade que precisará ser simplificada nos próximos anos. Além disso, uma vez que o setor concorde com o conjunto comum de informações a serem compartilhadas, seria de grande valor adotar padrões para facilitar a troca de dados de sustentabilidade. – Novos mercados: devido aos diferentes traços culurais e hábitos de compras dos consumidores de cada país, os desafios comerciais podem ser tão básicos como o idioma usado no e-commerce. Além disso, a diferença na disponibilidade de recursos regionais exige que os fabricantes inovem no desenvolvimento de produtos para reduzir os custos e atender às necessidades do comprador local. – Infraestrutura: outro desafio para expansão no exterior é a situação regional em relação a estradas, novos canais de distribuição, sistemas de tecnologia da informação e regulamentação do comércio, especialmente em mercados emergentes. Ser capaz de

usar os padrões de troca de dados e identificação do produto seria um grande passo à frente. – Visibilidade total da cadeia de suprimentos: esta continua a ser uma meta para as empresas, mas existem problemas específicos, como promoções e posições do inventário – áreas primordiais para a melhoria segundo os entrevistados. Ao falar sobre o compartilhamento de dados, eles salientaram a linha tênue entre os processos colaborativos e o prejuízo na vantagem competitiva. – Qualidade de dados: não houve acordo sobre a causa da imprecisão dos dados entre os entrevistados. Alguns apontaram para a falta de responsabilidade daqueles que fazem a inserção das informações; outros sugeriram que a capacidade limitada dos sistemas se comunicarem é o principal problema. Mas todos concordam que a qualidade dos dados é uma barreira para uma cadeia de valor integrada. POTENCIAL INEXPLORADO De acordo com os resultados do levantamento, os padrões usados na área de bens de consumo e varejo são considerados adequados. O GTIN (Número Global de Item Comercial) e a EDI (Troca Eletrônica de Dados) foram os padrões mais frequentemente

COMO MELHORAR E AUMENTAR O USO DE PADRÕES

- Desenvolver programas de marketing direcionados às empresas que não fazem uso pleno dos padrões - Introduzir padrões simplificados e de fácil adoção - Utilizar os padrões existentes para comunicar informações sobre os produtos aos consumidores - Elaborar um conjunto comum de métricas de sustentabilidade para indústria - Desenvolver soluções que garantam a qualidade de dados - Expandir o papel dos padrões GS1 20 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]


mencionados em uso atualmente nas empresas consultadas. No entanto, a ideia é estimular a adoção completa e consistente dos padrões atuais. “A pesquisa da Capgemini esclarece um ponto importante: como indústria, precisamos colocar em prática e garantir que os padrões sejam bem adotados em nossas redes de negócios”, comenta o vice-presidente executivo da área de Operations & Globe da Nestlé, José Lopez. Até o momento, o foco tem sido a implementação de padrões entre fabricantes e varejistas, o que deixou os fornecedores de matéria-prima sem uma obrigação clara em relação a isso. Porém, com a utilização de padrões bem estabelecidos e a necessidade crescente de visibilidade na cadeia de suprimentos, tanto varejistas quanto

fabricantes, cada vez mais, solicitarão aos fornecedores para adotarem soluções padronizadas, voluntariamente. Outra questão é que as menores taxas de utilização de padrões são observadas nas pequenas e médias empresas, especialmente entre os produtores de alimentos frescos. Essas organizações, normalmente, têm poucos recursos disponíveis para implementação e, muitas vezes, estão menos familiarizadas com os benefícios da adoção dos padrões. Os resultados do estudo identificam quatro soluções para isso: apresentar os padrões a um número maior de parceiros, incorporar os padrões nos novos processos comerciais, desenvolver novas padronizações com base nas necessidades do setor, e melhorar as diretrizes e os serviços que cerceiam os padrões. 7 898357 410015

NECESSIDADES DE EVOLUÇÃO NOS PADRÕES *100% dos executivos apontam que as mudanças no comportamento do consumidor terão um enorme impacto no setor de bens de consumo na próxima década

*70% exigem maior adoção de padrões na cadeia de valor *50% pedem para a GS1 assumir uma posição de governança global a fim de definir as prioridades de implementação, seleção e adoção de padrões

PRINCIPAIS TENDÊNCIAS SEGUNDO OS EXECUTIVOS ENTREVISTADOS

Número de entrevistas

25 20 15 10 5 0 Alterações no comportamento do consumidor

Mudanças Disponibilidade no poder de de novas e compras avançadas tecnologias

Escassez de recursos naturais

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CAPA

[OPORTUNIDADE

Contagem regressiva

Por Denise Turco Colaboração Giseli Cabrini

Falta apenas um ano, mas ainda dá tempo para pequenas e médias empresas se prepararem para inovar na oferta de produtos e serviços para a Copa do Mundo FIFA 2014. A grande jogada é investir em negócios que continuem viáveis depois do megaevento


Fotots/Imagens: Thinkstock

O Brasil receberá 3 milhões de turistas na Copa do Mundo FIFA 2014, segundo estimativa da consultoria BDO. Vindos de diferentes lugares, eles esperam, além de bom futebol e diversão, encontrar infraestrutura, atendimento e prestação de serviços adequados. O País ainda apresenta muitos problemas nos aeroportos e estádios, por exemplo, e ainda há incertezas se algumas obras serão concluídas a tempo, o que pode arranhar a imagem do país do futebol. No entanto, até os mais pessimistas acreditam que o evento representa uma oportunidade de desenvolvimento que deixará um legado importante para a sociedade brasileira. A Copa terá impactos indiretos e diretos, como aumento do Produto Interno Bruto (PIB), geração de empregos, crescimento do consumo, além de impulsionar diversas frentes de negócios. Levantamento feito pela consultoria Ernst & Young em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) estima que o impacto do megaevento no PIB seja de R$ 64,5 bilhões, entre 2010 e 2014. “Apesar de ser um valor muito otimista, de fato, o mundial de futebol tem potencial para deixar um legado para o Brasil, até melhor do que ocorreu na África do Sul. Com certeza, as cidades que vão sediar os jogos terão ganhos de longo prazo”, comenta o especialista em marketing esportivo, Amir Somoggi. Pensando nas oportunidades, pequenos e médios empresários têm chances de driblar suas dificuldades e marcar um gol de placa, inovando na oferta de produtos e serviços. Para quem está em marcha lenta ou ainda não começou a se preparar para o evento, este é o momento de entrar em campo com toda a força. Essa preparação envolve conhecer um pouco mais sobre o público que estará por aqui. Europeus e latino-americanos devem encher as arquibancadas nos jogos da Copa, segundo especialistas. É complicado conhecer as particularidades dos visitantes, mas há alguns traços comportamentais gerais observados nos turistas contemporâneos – brasileiros ou estrangeiros – de acordo com estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) preparado para a Copa do Mundo FIFA 2014. O turista contemporâneo é exigente, bem informado e utiliza a tecnologia para organizar sua rota e comprar serviços turísticos. Ele comenta e compartilha os detalhes da viagem nas redes sociais, aplicativos e outras ferramentas digitais. Além disso, valoriza a cultura local e busca vivências diferenciadas, como conhecer a natureza, a cultura e a gastronomia regionais. Os dados do campeonato da África do Sul, realizado em 2010, também servem de parâmetro para conhecer o perfil do turista e ajudar a pensar nas estratégias de atendimento, afirma o gerente da área de Esporte Total da BDO, Pedro Daniel: 80% eram homens, sendo 60% desse total solteiros; 45% dos turistas tinham entre 25 e 34 anos e a maioria (55%) nível de ensino superior. O gasto médio por pessoa foi o equivalente a R$ 11 mil durante o evento. Um terço dos visitantes ficou entre 10 e 15 dias no país e 85% visitaram cidades e fizeram passeios, além de assistir aos jogos.

ESTRATÉGIA EM CAMPO A revista Brasil em Código verificou com especialistas em negócios, gestão e marketing esportivo, as oportunidades que ainda podem ser exploradas com probabilidade de sucesso faltando apenas um ano para a Copa do Mundo FIFA 2014 – confira ao longo da matéria. A grande jogada é apostar em negócios que não durem apenas o período do evento – um mês –, mas que possam se desenvolver a longo prazo. Mas lembre-se: para começar, em qualquer ramo, é essencial fazer um plano de negócios detalhado com custos, fluxo de caixa, análise SWOT (pontos fracos, fortes, ameaças e oportunidades), mapeamento do mercado, logística, etc. Os maiores negócios estão na construção civil, turismo, comunicação e mídia, áreas nas quais os contratos e licitações já foram fechados pelos grandes players, mas que não limitam a atuação das empresas menores. A essa altura do campeonato, cada segmento está em uma fase distinta e apresenta diferentes tipos de oportunidades. Estudar o mercado é a melhor forma para elaborar soluções específicas. Para quem está nos ramos de varejo e serviços essa é a hora de fazer acontecer. Na área de serviços, que é muito abrangente, as companhias em geral podem pensar em reforçar os anúncios em espaços publicitários, promoções e vendas on-line. Anunciar nas ferramentas de busca ou nas redes sociais é outra opção, que em geral não custa caro e alcança um público amplo. No varejo, reflita se é interessante trabalhar com mercadorias alusivas à Copa – se há tempo hábil para planejamento, produção, distribuição e espaço na loja. Produtos que tiverem citação específica, escrita ou visual aos símbolos oficiais da Copa do Mundo FIFA 2014 precisam de permissão (ou seja, licenciamento) da Federação Internacional de Futebol (FIFA) para comercializá-los, já que os nomes e as marcas ligados ao evento são de propriedade da entidade. No site www.sebrae2014.com.br há informações detalhadas sobre o assunto. “Se a empresa trabalhar com um produto que tenha apenas as cores verde e amarela, por exemplo, não é necessário fazer o licenciamento”, explica o consultor do SEBRAE-SP, Gustavo Carrer. O atendimento é outro ponto essencial. Além do treinamento em outras línguas, vendedores e atendentes devem ser preparados para ajudar um público, predominantemente masculino, com sugestões para compra de presentes para família e amigos. Nesse contexto, a embalagem torna-se extremamente importante: ela deve ser funcional e bonita para o turista transportar na bagagem sem quebrar ou amassar. Outra possibilidade de ganho (em especial para comércio e serviços, mas que acaba envolvendo outras atividades) será propiciada pelas Fan Fests. Serão eventos oficiais e gratuitos promovidos pela FIFA nas cidades-sede, que exibirão, ao vivo, os 64 jogos do campeonato mundial para a população que não irá aos estádios. Esses espaços funcionarão nos 31 dias do evento e deverão reunir milhares de pessoas. Segundo Carrer, empresas que estão fora das cidades-sede podem aproveitar a ideia e organizar espaços para as pessoas [ BRASIL EM CÓDIGO ] abr/mai/jun 2013 23


Entre em campo para ganhar

Esta é a chamada final para começar a suar a camisa e se preparar para oferecer produtos e serviços aos torcedores que virão ao mundial de futebol. Confira as oportunidades de negócios que podem ser colocadas em prática a um ano da Copa do Mundo FIFA 2014, segundo especialistas

VESTUÁRIO

Boas chances de sucesso nas áreas de alimentação e transporte particular (van e táxi, por exemplo). No caso de restaurantes e lanchonetes, a localização é fundamental. Mapeie o fluxo de pessoas nos arredores dos estádios que ainda não possuem oferta ampla desses serviços

SERVIÇOS

O segmento têxtil terá crescimento de 3% em 2014 com o evento, o equivalente a R$ 600 milhões, segundo a BDO. Busque um diferencial aliando moda e sustentabilidade, optando por matérias-primas como: PET, algodão orgânico e fibra da cana-de-açúcar. Aposte nas cores nacionais, estampas da fauna, flora e elementos da cultura brasileira CONSTRUÇÃO CIVIL Quem for começar do zero, neste momento, tem chances reduzidas de sucesso, pois as principais obras já estão em andamento. Mas ainda há espaço para fornecer equipamentos e mão de obra para as grandes construtoras

MÍDIA Empresas menores podem patrocinar clubes de futebol e atletas para terem sua marca associada ao esporte, sugere o coordenador da área de gestão da pós-graduação da ESPM-RJ, Antonio Carlos Morim. Outra estratégia é promover eventos para os fãs de futebol, como shows, passeio de bicicleta ou corrida de rua, fórmulas que já funcionaram em outros países


MARCA BRASIL

O SEBRAE orienta valorizar os produtos nacionais, como peças de artesanato, alimentos e bebidas identificando a origem, a matéria-prima e a história do produto nas embalagens, etiquetas e no site. Isso é algo muito apreciado pelos turistas estrangeiros TURISMO A dica é promover passeios num raio de 150 quilômetros das cidades-sede do campeonato. Para isso, invista em anúncios, em vários idiomas, em plataformas on-line como Google Maps e Foursquare

OS

VAREJO

Lojas que oferecerem produtos temáticos da Copa ou presentes com a cara do Brasil vão faturar em 2014. Além disso, há boas chances de lucros para quem trabalha com itens de higiene pessoal e beleza, bebidas e alimentos. É essencial a loja dispor de marcas internacionais para atender uma gama ampla de turistas, que dificilmente vão se arriscar comprando marcas locais

TECNOLOGIA

Empresas podem desenvolver softwares e aplicativos para dispositivos móveis com diferentes funções e em vários idiomas para hotéis, restaurantes, empresas de turismo e de transporte

IDIOMA Ainda dá tempo para treinar a equipe com conhecimento instrumental do inglês. Prepare materiais de comunicação no ponto de venda ou no e-commerce em outros idiomas para facilitar o atendimento aos turistas

[ BRASIL EM CÓDIGO ] abr/mai/jun 2013 25


curtirem os jogos, criando um polo de consumo para bebidas, alimentos, camisetas, brindes, etc. No que diz respeito à gestão da marca, as empresas em geral devem reforçá-la junto ao turista brasileiro, para que no futuro ele volte a comprar. O importante é captar o cadastro de cliente e estabelecer uma comunicação pelas mídias sociais. Já com os estrangeiros, faça um trabalho para valorizar o produto nacional e a marca “Brasil”, o que vale para objetos artesanais, alimentos e bebidas. Isso geralmente não é feito pelas empresas, mas é bastante apreciado pelos estrangeiros. Conte a história do produto mostrando o local onde foi produzido, o modo de fabricação e os dados sobre a matéria-prima. Coloque essas informações em embalagens, etiquetas e site. Evite identificações genéricas como “artesanato de Pernambuco”, orienta Carrer. Um exemplo de iniciativa de valorização do produto nacional é o acordo de cooperação técnica assinado recentemente entre o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), que prevê a inclusão do curso de formação em Cachacista – Sommelier de Cachaça na grade curricular da instituição no segundo semestre deste ano, em São Paulo. O curso fornecerá conhecimentos relacionados às diferentes formas de produção, história da bebida, legislação, aspectos técnicos e até formas de servir o destilado e harmonizá-lo na preparação de 26 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

drinques e como acompanhamento de comidas. “O gancho da ação está na Copa. Trata-se de uma vitrine para que turistas e os próprios brasileiros conheçam o nosso destilado típico”, comenta o presidente do IBRAC, Vicente Bastos Ribeiro. O projeto segue formato semelhante à estratégia adotada pelo México, durante a Copa de 1986, para a divulgação da tequila. “Eles fizeram isso com excelência e hoje mais da metade da produção de tequila é exportada”, explica a presidente da Câmara Setorial da Cachaça e diretora-executiva da Associação Pernambucana dos Produtores de Aguardente de Cana e Rapadura (APAR), Margareth Pereira Lima. Segundo o IBRAC, o Brasil produz cerca de 800 milhões de litros por ano de cachaça. Desse volume total, menos de 1% tem como destino os copos estrangeiros.

TURISTAS CONECTADOS Para driblar a barreira da comunicação com os turistas, a tecnologia é uma das grandes aliadas das empresas durante o mundial de futebol, em especial as soluções específicas para tablets e smartphones. Afinal, lembre-se de que os visitantes estarão com seus aparelhos a postos para acessar os mais diversos tipos de informações. Provedores de tecnologia podem desenvolver softwares e aplicativos para dispositivos móveis que facilitem a comunicação, em vários idiomas, para hotéis, restaurantes, empresas de turismo, de segurança e de transporte. E ainda elaborar aplicativos que “conversem” com mapas e redes sociais. O gerente de novas tecnologias da IBM Brasil, Cezar Taurion, lembra que o QR Code será de grande valia. Quem não tiver atendentes fluentes em inglês, por exemplo, e não conseguir treiná-los até o megaevento, pode lançar mão do QR Code nas gôndolas e locais turísticos; o código, por sua vez, pode remeter a sites na web em várias línguas. O custo dessa solução é bem acessível. Outros códigos e padrões podem ajudar na gestão num momento em que as vendas devem aumentar em virtude


É preciso pensar em desenvolver negócios a longo prazo, afinal a Copa vai durar apenas um mês

dos jogos. A GS1 dispõe de soluções voltadas a reforçar a segurança do alimento, garantir a autenticidade de mercadorias e tornar mais eficiente a reposição de estoques. Durante a realização dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, a GS1 China assinou um acordo com o serviço de vigilância sanitária do país asiático para fazer a rastreabilidade de alimentos a partir do código de barras. No Brasil, a entidade oferece o mesmo tipo de solução. A rastreabilidade também pode ser feita a partir da tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID), que permite um processo mais ágil, uma vez que ela é feita a partir da leitura de um microchip e não do código de barras. Trata-se de uma solução adequada para garantir não apenas a rastreabilidade mas a autenticidade dos artigos esportivos alusivos à Copa alinhada aos preceitos de leis de proteção de marcas. Nesse sentido, a GS1 Brasil fechou parceria com a Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) para aprimorar a rastreabilidade de alimentos no segmento – em especial os frescos –, por meio de padrões globais, conta a assessora de soluções de negócios da GS1 Brasil, Karina Rocha. A iniciativa também auxiliará na gestão de enxovais que vão e vêm da lavanderia, estoques de bebidas e de produtos de higiene e beleza disponibilizados pelos hotéis.

VISÃO DE FUTURO A Copa do Mundo FIFA 2014 abre chances de boas jogadas, mas é preciso pensar em estratégias vigorosas em campo – ou melhor, no mercado. Com seu espírito empreendedor, os pequenos e médios empresários brasileiros podem começar agora a se reinventar para o futuro. Os estádios que estão sendo construídos ou reformados nas cidades-sede foram planejados para múltiplos usos, justamente para pagar os elevados investimentos realizados, explica o diretor da Nilsen Sports, Rafael Plastina. A ideia é gerar uma movimentação além dos jogos de futebol com a promoção de shows, convenções, etc. – e infraestrutura de apoio com os mais variados tipos de lojas e serviços. Dessa maneira, a expectativa é que a região do entorno das arenas também se desenvolva. “Dentro dos estádios, é possível montar franquias na área de alimentação ou de venda de artigos esportivos, negócios com potencial para serem explorados nos próximos 20 anos”, sugere Fernando Martinho, gerente de planejamento da agência de publicidade NBS e editor do Futebol Business, site focado na indústria de futebol. O ideal é que o empreendedor pesquise em quais estádios pode desenvolver um trabalho de longo prazo. Com a realização do mundial no Brasil, a indústria do futebol também se

desenvolverá, trazendo novos formatos de negócios. Martinho acredita que ocorrerá um boom de agências de turismo licenciadas dos clubes de futebol, algo comum na Europa. O trabalho dessas empresas consiste em levar torcedores para assistir jogos de campeonatos importantes dentro ou fora do País, oferecendo serviços para maior comodidade do torcedor. De olho nos Jogos Olímpicos de 2016, as empresas ligadas às áreas de saúde, bem-estar e esportes podem começar agora um investimento com boas chances de dar certo, segundo Plastina. Exemplo: academias, lojas de equipamentos, alimentos e roupas para prática esportiva, e outros serviços ligados ao bem-estar e à saúde. Isso porque a prática esportiva cresceu 25% nos últimos cinco anos no Brasil, segundo estudo da Nielsen. As cinco modalidades com maior demanda são: artes marciais, ciclismo, corrida de rua, futsal e ginástica. Antes de entrar em campo com toda força, o empresário pode fazer, neste momento, um aquecimento para conhecer a dinâmica de um grande evento esportivo e as expectativas dos turistas. “A Copa das Confederações vai assustar muitos empresários, que poderão verificar que não era fácil como pensavam”, diz Carrer, do SEBRAE. A dica? “Vá conhecer uma empresa que atue no mesmo ramo que o seu em uma cidade-sede na Copa das Confederações; aprenda e aplique depois”, afirma. Então, está esperando o que para começar a treinar? 7 898357 410015

Turistas estrangeiros que devem visitar o Brasil na Copa Chileno Francês Italiano Norte-americano Uruguaio Fonte: SEBRAE

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A era das stArt-ups Novos modelos de negócios de base tecnológica já têm forte presença no mundo e começam a criar suas bases no Brasil. Saiba como participar Por Larissa Veloso

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Negócios

[start-ups


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Casos como o desse engenheiro capixaba representam o espírito das start-ups, modelo de negócios que cresce em disparada no Brasil e no mundo. Apenas em 2011, mais de 2.mil empresas do tipo foram abertas no País, quase o triplo de 2009, segundo o Instituto Inovação, que incentiva o crescimento no ramo. O que diferencia uma start-up de um negócio convencional é a base tecnológica e a rapidez com que pode crescer. “São empresas que começam com um capital pequeno e têm potencial para gerar um grande valor muito rapidamente. Dois bons exemplos são o Google e o Facebook. E as start-ups já atraem a atenção de grandes grupos nacionais e internacionais”, explica o coordenador do Ministério de Ciência e Tecnologia (MTC), Rafael Moreira. Mas se o potencial é grande, os riscos também são. O maior desafio é conseguir financiamento quando mais precisam: no início. É o chamado “capital semente”, que pode

sAibA mAis - O que é uma start-up? uma micro ou pequena empresa de base tecnológica que tem grande potencial de crescimento - O que é uma aceleradora? São companhias que investem em empresas inovadoras, criando um ambiente propício para o desenvolvimento dos negócios e atração de investimentos - O que é um investidor-anjo? É uma pessoa próxima ou até mesmo um empresário bem-sucedido que acredita na ideia de uma nova start-up e decide investir na empresa

representar a diferença entre uma boa ideia e um negócio estabelecido. “No Brasil, os investidores ainda ficam um pouco receosos em investir nas start-ups, porque é um mercado novo. Eles preferem fundos de investimentos mais seguros. Mas o dinheiro existe”, encoraja André Fiori, fundador da Start You up, empresa que fomenta o desenvolvimento desse tipo de negócio.

Julio Vasconcelos, do Peixe Urbano Cenário nacional é favorável para as start-ups, mas há obstáculos como burocracia e impostos altos

AuxílIO SOB MEDIDA Para alavancar o setor, o governo federal criou o programa Start-up Brasil, para o qual estão previstos investimentos de R$ 40 milhões. Em 21 de março deste ano, foi lançado o edital para que até 120 empresas participem do programa. Cada uma vai receber R$ 120 mil para desenvolver seus negócios. “Sabemos que o Google de amanhã é uma start-up hoje. Não só o Brasil como os países mais ricos do mundo estão criando investimentos no setor”, reforça Rafael Moreira. O programa também prevê a criação de um escritório no Vale do Silício, nos Estados unidos, região ativa do mundo nesse ramo. Outras grandes aliadas do empreendedor tecnológico são as aceleradoras. São entidades que reúnem capital e expertise e propiciam um ambiente no qual as start-ups podem se desenvolver. “As empresas que selecionamos recebem um auxílio de R$ 20 mil em dinheiro. Os participantes também têm a oportunidade de participar de workshops e receber a tutoria (mentoring) de grandes especialistas do mercado, além de contar com uma [ BrasIL EM CÓDIGO ] abr/mai/jun 2013 29

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Na cidade de Serra, na Grande Vitória, no Espírito Santo, o engenheiro de 27 anos Patrick Nogueira teve uma ideia. Criar um site que acompanhasse os preços de produtos disponíveis em lojas on-line e avisasse ao consumidor quando a mercadoria atingisse um determinado valor. Percebendo que esse serviço específico ainda não existia no mercado, decidiu criar uma página na internet com essa função. Só havia um problema: ele não sabia como construir um site. Ele então foi atrás de um curso on-line com o qual pudesse aprender o que precisava. Depois de assistir a 17 videoaulas, passar por meses de pesquisa e duas semanas programando, durante 14 horas por dia, surgia o Baixou.com.br. Hoje, um pouco mais de dois anos depois da ideia inicial, a página conta com 180 mil visitas mensais e uma base de 2 milhões de produtos cadastrados. Cada vez que um internauta usa o serviço para acompanhar o preço e, a partir dele, compra uma mercadoria, a empresa de Nogueira recebe uma porcentagem.


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30 abr/mai/jun 2013 [ BrasIL EM CÓDIGO ]

que realmente existia um vácuo nesse ramo”, explica o empresário. A Modellita é uma das empresas selecionadas pela Start You up para receber investimentos e assessoria. AMBIENTE PROMISSOR O ramo ainda está em fase de desenvolvimento no Brasil, mas algumas start-ups já se tornaram conhecidas do grande público. um exemplo é o Peixe urbano, especializado em compras coletivas. lançado em 2010, a organização possui cerca de mil funcionários e já vendeu mais de 12 milhões de cupons de desconto. Em 2011, expandiu seus negócios para Argentina, Chile e México. Tudo indica que outras start-ups brasileiras podem seguir o mesmo caminho. De acordo com o cofundador e CEO da empresa, Julio Vasconcelos, o cenário é ainda mais favorável do que há três anos, quando iniciou o negócio. “Hoje há mais apoio do governo, ensinamento prático nas universidades e atenção de investidores nacionais e estrangeiros. Além disso, as grandes tendências de crescimento do e-commerce e do acesso à internet criam uma sólida base para este mercado”, argumenta. Mas ele aponta que ainda há obstáculos a serem superados no cenário brasileiro.

Receita caseira O site de vendas de lingeries Modellita começou em espaço montado nos fundos de casa “Apesar dos investimentos, estamos apenas no começo da criação desse ecossistema. Infelizmente há ainda muita burocracia, impostos altos e pouco talento disponível, especialmente na área de tecnologia”, lamenta. uma das vantagens das start-ups é que elas, ao contrário dos negócios convencionais, não precisam se concentrar no eixo Rio-São Paulo. um empreendimento de base tecnológica – que atua principalmente com o comércio on-line e o desenvolvimento de novas ferramentas da web – tem a facilidade de sediar a empresa em qualquer lugar com bom acesso à internet. “Estar fora de São Paulo é até uma vantagem competitiva, porque você consegue reduzir o custo com aluguel e outros serviços. Estamos sediados no Espírito Santo e percebemos que o Estado tem potencial para o desenvolvimento de start-ups. Para fomentar esse ambiente, realizamos cerca de dez eventos com os empreendedores locais antes de criar nossa aceleradora”, relembra André Fiori, da Start You up. Se gigantes como o Google hoje geram milhões, o início de uma start-up pode ser tão modesto quanto o de uma empresa de fundo de quintal. “Montamos o nosso negócio nos fundos da casa de um empreendedor que acreditou na gente. Agora estamos conseguindo crescer. Quem sabe um dia não vamos ter um prédio de dez andares, todo envidraçado?”, sonha Danilo Migleo, da Modellita. O primeiro investimento financeiro da

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infraestrutura completa e espaço para trabalhar”, explica luisa Ribeiro, CEO da Papaya, uma das nove aceleradoras que foram selecionadas para o Start-up Brasil. Mas se engana quem acha que essas organizações dão dinheiro para o primeiro que bater à porta. Se o negócio não tiver competitividade e um bom potencial, vai ficar de fora. “Não adianta ter apenas uma boa ideia. É preciso pesquisar e apresentar números sobre o tamanho do mercado no qual se quer atuar”, diz o CEO da aceleradora Outsource Brasil, Robert Janssen. Americano criado no Rio, ele conhece os detalhes dos mercados nacional e internacional. “Grande parte das empresas brasileiras, quando vão se colocar lá fora, agem como novatas, porque estão voltadas para o mercado nacional. Não têm competitividade”, diz. O fundador da start-up do ramo de moda íntima Modellita, Danilo Migleo, fez o dever de casa. Ele criou um site de vendas de lingeries no qual as consumidoras podem escolher os modelos por tamanho ou de acordo com a situação que usariam. Segundo o empresário, o diferencial está em criar um ambiente que associe a venda dos produtos ao bem-estar da mulher. “Passamos quase um ano fazendo pesquisas de mercado e descobrimos


MENTES CuRIOSAS uma das características fundamentais de um bom líder de start-up é a vontade de aprender mais sobre o seu ramo. Basta lembrar que o próprio Google começou como uma dissertação do então estudante da universidade de Stanford, larry Page, em 1996. Anos depois, o primeiro diretor de marca da empresa, Douglas Edwards, descreveu em seu livro I’m Feeling Lucky – Estou Com Sorte, em tradução livre – a inusitada entrevista de emprego que teve com Sergey Brin, outro fundador da companhia, em 1999. Após perguntar sobre vários aspectos da publicidade, Brin disparou o que chamava de “o desafio difícil”: “vou te dar cinco minutos. Quando eu voltar, quero que me explique algo complicado que eu ainda não saiba”. Edwards se salvou com uma palestra sobre teoria geral do marketing e conseguiu o emprego. Entre as organizações que podem ajudar o empreendedor-inovador a aprender como desenvolver o seu negócio estão justamente as aceleradoras, que congregam empresários mais experientes, e o próprio governo. É preciso ser humilde, procurar ajuda e aceitar novas ideias. “As start-ups precisam estar abertas para todo tipo de apoio. O próprio Start-up Brasil é um exemplo de que existe suporte para ajudar empresas nascentes”, diz Thiago Maia, da Fumsoft, mais uma das aceleradoras que compõem o quadro de parceiras do Ministério da Ciência e Tecnologia. Esse é o espírito que motivou Patrick Nogueira, da Baixou, Danilo Migleo, da Modellita, e Julio Vasconcellos, do Peixe urbano, a abrirem seus negócios. O próprio Steve Jobs, fundador da Apple, empresa que se fosse criada nos dias de hoje, seria considerada uma start-up, tinha como um de seus lemas “continue curioso”. uma característica que se traduz, como diz Danilo Migleo, pelo “brilho nos olhos” do empreendedor. “Você tem que ser apaixonado pela sua ideia, pelo seu produto. Só assim seu negócio dará certo”, revela o fundador e CEO da Modellita.

Luisa Ribeiro, da Papaya Ventures Aceleradora seleciona start-ups para receber auxílio em dinheiro e tutoria de especialistas

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empresa veio de amigos e parentes. São o que os especialistas do ramo chamam de “investidores-anjo”, pessoas próximas ou mesmo grandes empresários que acreditam no potencial do negócio e se dispõem a arriscar o seu dinheiro.

Espírito empreendedor Rodrigo e Patrick Nogueira (à direita), irmãos e sócios da Baixou.com.br, criaram site que hoje possui 180 mil visitas mensais

O cAminhO dAs pedrAs Conselhos para quem busca financiamento: - Seja apaixOnadO pOr Sua ideia Num negócio que exige grandes doses de inovação e criatividade, o fundador passa a primeira imagem da empresa. Nenhum investidor vai acreditar na sua ideia se você não o fizer - peSquiSe O mercadO Tenha em mãos números sobre os potenciais consumidores, nicho de mercado e possíveis concorrentes. É preciso que sua ideia seja viável - penSe grande Tente trabalhar com a maior área de atuação possível. uma start-up criada para resolver questões municipais dificilmente atrai investidores - prOcure ajuda Parentes e amigos podem ser os primeiros investidores da sua ideia. Mas é fundamental buscar conhecimento e capacitação em programas do governo e aceleradoras, que, inclusive, podem ajudar você a levantar fundos - pOnha a mãO na maSSa Não existe solução mágica. Todas as grandes start-ups do mundo foram criadas por pessoas que se dedicaram de corpo e alma aos seus negócios

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EVENTO

[GLOBAL FORUM

Preparados para a mudança Evento global da GS1 promove troca de experiências sobre as melhores práticas no uso de padrões e a divulgação das estratégias da entidade em âmbito mundial Da Redação Você e sua empresa estão preparados para mudar a maneira de fazer negócios? A pergunta vem em um momento propício, no qual ocorrem transformações no comportamento do consumidor e na complexidade dos negócios em todo o mundo, levando em conta as particularidades de cada país e das necessidades específicas dos diferentes setores da economia. 32 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

A partir dessa reflexão, a GS1 propõe, em âmbito mundial, um novo jeito de fazer negócios, mas sem perder seus valores construídos ao longo de 40 anos de atuação. Com base nessa diretriz, a entidade compartilhou suas estratégias até 2015 com representantes de seus escritórios em várias partes do mundo durante o Global Forum 2013. O evento ocorrido em fevereiro

reuniu, durante uma semana, mais de 600 pessoas vindas de 92 países, que participaram de workshops, reuniões e treinamentos sobre diversos temas: varejo, transportes e logística, serviços financeiros, saúde, entre outros. Realizado anualmente em Bruxelas, na Bélgica, onde está localizado o escritório global da entidade, o Global Forum divulga os objetivos e estratégias


GIRO As unidades da GS1 presentes no Global Forum mostraram diversas referências e benchmarking no uso de padrões GS1 num espaço chamado Marketplace. A GS1 Brasil uniu-se ao Global Office, GS1 França e GS1 Holanda para mostrar iniciativas no setor de saúde e que promovem a segurança do paciente desde a indústria até os hospitais.. A equipe brasileira apresentou o case de implementação do código bidimensional GS1 DataMatrix em hospitais brasileiros para apoiar a separação de remédios. O projeto conta com a participação de laboratórios farmacêuticos, que, por sua vez, passaram

Segurança do alimento Tema da rastreabilidade de carne bovina foi apresentado pela GS1 Nova Zelândia, com personagens de O Senhor dos Anéis

Aprendizado Equipe da GS1 Brasil marcou presença no evento e apresentou case na área de saúde

a identificar ampolas e frascos com o código. Desse modo, é possível fazer a rastreabilidade do medicamento, desde a produção até o leito, comprovando que essa é uma prática importante para uma cadeia de saúde segura. A rastreabilidade de alimentos e produtos em geral também foi destaque nas discussões do evento, motivada, principalmente, pelas recentes notícias de alimentos processados com carne de cavalo e vendidos em supermercados da Europa, onde não é permitido o consumo desse tipo de produto. A equipe da GS1 Nova Zelândia abordou o tema de forma bem humorada. Inspirados em O Senhor dos Anéis, livro

que ganhou as telas de cinema com filmagens realizadas naquele país, algumas pessoas fantasiadas de hobbit, personagens da história, fizeram uma apresentação sobre a rastreabilidade da carne e as políticas públicas apoiadas pela GS1 na região. Já a GS1 México aproveitou para abordar a rastreabilidade do mel. Outro destaque foi o case apresentado pelo escritório do Chile sobre projeto de rastreabilidade de materiais nas forças armadas, semelhante ao que a GS1 Brasil ajudou a implementar por aqui no Exército e na Aeronáutica (consulte mais detalhes desses projetos em www.gs1br.org). 7 898357 410015

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Fotos: Divulgação GS1

traçados a ser implementados nos países. Também é uma oportunidade para as organizações-membro da GS1 trocarem experiências sobre as melhores práticas e celebrar resultados. No encontro deste ano, a GS1 reforçou a diretriz de negócio com base no B2B2C (Business to Business to Consumer). Até então, o foco da entidade era no relacionamento e na implementação de padrões entre parceiros comerciais. Entretanto, com as novas tendências na área digital, o consumidor ganhou força na cadeia de suprimentos, pois tem contato direto com códigos e padrões por meio de um celular ou de outros dispositivos móveis. “A experiência de compra do consumidor passou a contemplar a interação com as empresas por meio dos dispositivos móveis e soluções digitais”, explica o assessor da área de marketing e relações institucionais da GS1 Brasil, Frederico Bellini. Nesse sentido, o papel da organização é fornecer regras para padronizar os dados que possam ser acessados por todos, garantindo uma fonte confiável de informações. Com base nisso, a GS1 pretende ter, cada vez mais, uma atuação expressiva no mundo digital. Na área de logística, a entidade seguirá as seguintes orientações: estimular o uso de padrões na área de transporte e logística como um fator-chave para a visibilidade dos produtos na cadeia de suprimentos; planejar e implantar uma nova ferramenta contra a falsificação com base nos padrões de identificação; e, ainda, promover o uso da tecnologia de identificação por radiofrequência RFID e do padrão EPC no segmento ferroviário. Com isso, a GS1 aproveita os padrões globais para reduzir a complexidade das operações e também os custos, garantindo maior eficiência para as empresas. Ao longo dos próximos anos, a entidade também trabalhará para ampliar o uso de padrões globais nos segmentos: automotivo, e-commerce, segurança alimentar, saúde e serviços financeiros.


do futuro

Brasil já dispõe de solução alternativa aos documentos utilizados pelo varejo para comprovar as operações envolvendo o consumidor final, com benefícios para clientes, empresários e órgãos de fiscalização Por Giseli Cabrini A burocracia e os custos que envolvem a emissão de cupom fiscal no varejo brasileiro estão com os dias contados. Governo e iniciativa privada estão à frente da criação da Nota Fiscal Eletrônica para Consumidor Final (NFC-e), uma nova opção ao cupom fiscal e a nota em papel. A emissão da NFC-e beneficia os empresários, uma vez que pode ser feita de qualquer computador, e não mais, obrigatoriamente, pelo Emissor de Cupom Fiscal (ECF), dispensando todos os gastos, trâmites e burocracia envolvidos no uso desse tipo de equipamento. No caso do consumidor final, a vantagem está na possibilidade de consulta posterior das informações do seu documento fiscal via digitação da chave de acesso no portal do Fisco Estadual ou diretamente via leitura de QR Code com uso de smartphone para conferência dos dados. A NFC-e contempla ainda importantes ganhos ambientais uma vez que permite que o consumidor receba o documento eletrônico por e-mail ou SMS, reduzindo a quantidade de documentos impressos. A iniciativa, da qual a GS1 Brasil participa como colaboradora nas discussões, ainda fortalece a fiscalização eletrônica do varejo e representa uma alternativa para os documentos fiscais exigidos atualmente para o registro de operações nas quais o destinatário é o consumidor final, seja ele pessoa física ou jurídica. O projeto da NFC-e, comandado pelo Encontro Nacional de Coordenadores e 34 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

Administradores Tributários Estaduais (ENCAT) a pedido do Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ), conta com a participação de 32 empresas de diferentes portes e segmentos como: supermercados, farmácias, lojas de departamento, material de construção, eletroeletrônicos e postos de gasolina. A lista inclui médias e grandes empresas, entre elas: Makro, Grupo Pão de Açúcar, Walmart, Lojas Riachuelo, Tok&Stok, Lojas Colombo e Paquetá. Atualmente, Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe participam do projeto, cuja fase piloto começou em agosto de 2012. Embora a migração para a NFC-e não seja obrigatória, a expectativa do ENCAT é de que ela seja adotada pela maioria dos Estados brasileiros a partir do segundo semestre deste ano. A exemplo da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), a NFC-e prevê a obrigatoriedade, quando existir no produto, do preenchimento de campo específico para o código de barras, o GTIN (Numeração Global de Item Comercial) – uma sequência numérica controlada mundialmente pela GS1 que facilita a gestão de produtos, a rastreabilidade e estimula a automação na cadeia logística. Na entrevista, a seguir, o coordenador-geral do ENCAT e assessor da Secretaria da Fazenda da Bahia, Eudaldo Almeida de Jesus, fala sobre os detalhes do projeto. Confira.

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Nota fiscal

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JOGO RÁPIDO

[VAREJO


Como funciona a NFC-e? Podemos dizer que, no futuro, ela aposentará o ECF? Não acredito que a NFC-e irá aposentar o ECF. Mas, provavelmente, esse equipamento passará a ser usado para transações específicas e por estabelecimentos que tenham dificuldades de acesso à internet. No futuro, o varejo irá conviver com mais de uma solução. A NFC-e é uma alternativa aos documentos utilizados pelo varejo para comprovar a realização de uma operação envolvendo o consumidor final. Quando uma mercadoria dá entrada em um estabelecimento, é emitida a NF-e. Já a NFC-e irá documentar on-line a saída dessa mercadoria, a partir de um software instalado em um computador. Por esse motivo, a solução dispensa o uso do ECF e a emissão em papel de documentos que comprovem a transação, uma vez que a transmissão de dados será automática. No caso do consumidor, ele receberá um comprovante com informações resumidas sobre a operação, o chamado DANFE NFC-e. Quais são as informações que constam no DANFE NFC-e? O DANFE NFC-e exibe os dados básicos da operação comercial como: nome e endereço da empresa emissora, número do documento e série, data de emissão e horário, quantidade total de itens, valor e forma de pagamento. A conferência completa da transação pode ser feita por meio da consulta pela chave de acesso no endereço eletrônico da respectiva Secretaria Estadual da Fazenda ou via QR Code. O estabelecimento, no entanto, tem a opção de entregar ao consumidor, adicionalmente, outro documento, que detalha os itens de mercadoria da venda, junto com o DANFE NFC-e.

Rio Grande do Sul e Mato Grosso já estão autorizando NFC-e com validade jurídica. Os demais Estados do piloto deverão ter suas primeiras emissões de NFC-e muito em breve. No momento, ainda não há como expandir a adesão de novos Estados e empresas, pois o processo acontece de forma paulatina em virtude do volume de informações que são transmitidas on-line. Atualmente, as Secretarias Estaduais da Fazenda autorizam cerca de 200 milhões de emissões de NF-e por mês. No caso de operações de venda ao consumidor, esse volume é, pelo menos, oito vezes maior. A ideia é que, no segundo de semestre, a solução esteja disponível, nos Estados que adotarem a NFC-e, para qualquer empresa que deseje aderir. Inicialmente, a adesão será espontânea e cada Estado vai definir como ela acontecerá. Depois, os Estados definirão se haverá ou não obrigatoriedade no uso da NFC-e. 7 8 9 835 7 4 10015

“A NFC-e é uma alternativa aos documentos utilizados pelo varejo para comprovar uma operação envolvendo o consumidor final” Eudaldo Almeida de Jesus, do ENCAT

Quais são as vantagens dessa nova solução? Ela dispensa diversos trâmites exigidos dos varejistas e que representam custos como: necessidade de impressão de documentos totalizadores diários (redução Z e leitura X), armazenamento de bobinas em papel e elaboração de mapa resumo de caixa. Traz maior flexibilidade para o empresário que pode ampliar a quantidade de checkouts de acordo com a conveniência do estabelecimento, uma vez que, com a NFC-e, não haverá mais a necessidade de autorização prévia da Secretaria Estadual da Fazenda para abertura de um novo caixa, como ocorre hoje para utilização de novo ECF. No caso do consumidor, ele tem como comprovar se aquele documento é efetivamente válido. A solução também melhora o controle do Fisco. A Secretaria Estadual da Fazenda poderá monitorar on-line as vendas realizadas no varejo, diminuindo a sonegação fiscal. A NFC-e já está valendo? Ela dispensa a emissão de cupom fiscal? Qual a fase atual do projeto? Sim. A emissão da primeira NFC-e, com validade jurídica, foi feita em 1º de março deste ano, no Amazonas, pela empresa Casa das Correias. A NFC-e dispensa a emissão de cupom fiscal e o projeto-piloto começou em agosto de 2012. Dos sete Estados participantes, quatro – Amazonas, Sergipe, Foto: Arquivo/Douglas Luccena


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MOBILIDADE

[MEIOS DE PAGAMENTO

Aceita

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celular?

Brasil se prepara para o pagamento móvel, que promete facilitar a vida de consumidores e diminuir o tamanho das carteiras Por Patricia Lucena Já faz algum tempo que o dinheiro e o talão de cheque deixaram de ser os meios de pagamento preferidos dos consumidores. Hoje, os cartões de débito e crédito reinam no mercado. No entanto, os plásticos também podem perder sua hegemonia... para o celular, que é cada vez mais indispensável para várias atividades, inclusive, operações financeiras. O estudo Global Consumer Survey 2012, preparado pela Mobile Entertainmment Forum, associação global para a indústria de mídia 36 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

e entretenimento móvel, realizado em nove países dos cinco continentes, incluindo o Brasil, constatou que 88% dos usuários já se envolveram com conteúdo móvel e compra pelo celular. Os serviços preferidos dos consumidores ao utilizar o telefone móvel são: serviços bancários, pagamentos e compras. A pesquisa aponta que 64% dos entrevistados já realizaram alguma atividade financeira em seu aparelho, ante 57% registrado em 2011. No Brasil, 83% da população está engajada com o conteúdo móvel.


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TECNOLOGIA A possibilidade de realizar transações financeiras pelo telefone móvel é resultado do avanço tecnológico dos aparelhos. Os modelos mais modernos de smartphones já são fabricados com a

tecnologia Near Field Communication (NFC), que faz a troca de dados entre dois aparelhos quando posicionados próximos um ao outro, usando uma conexão sem fio. Quem tem suas informações de cartão de crédito armazenados em smartphones com NFC pode pagar as compras apenas aproximando o celular a um leitor localizado próximo a um caixa de uma loja, por exemplo, e digitando a senha. Smartphones que utilizam as plataformas iOs e Android são compatíveis com a NFC. Já para aparelhos mais simples, sem acesso à internet, a solução é o pagamento por SMS (mensagem de texto). O consumidor só precisa vincular o número do celular aos dados do cartão de crédito e informar ao lojista no momento da compra. O cliente recebe um SMS com os dados da transação e responde para confirmar a operação. “A NFC e o SMS não são as únicas ferramentas existentes nesse novo mercado. Grandes empresas e, principalmente, os bancos estão fazendo alianças com companhias de tecnologia para prover soluções mais simples, e que não necessariamente exijam que o usuário tenha um smartphone”, ressalta Ronaldo Yoshida, consultor da Accesstage, fornecedora de soluções para o intercâmbio eletrônico de dados no Brasil. Um ponto de atenção é que, assim como nos computadores, os vírus também podem atacar os aparelhos

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“As iniciativas que existem atualmente mostram que o Brasil evoluiu bastante nos últimos anos no segmento de pagamento móvel”, afirma o diretor de inovação da Cielo, Rogério Signorini. Porém, atualmente essa modalidade de pagamento, também conhecida como mobile payment (m-payment), não chega a 5% das transações no País, comenta Ascold Szymanskyij, vice-presidente da F-Secure, empresa que fornece soluções de proteção digital. Pelo fato de ser uma tendência mundial, esse porcentual deve aumentar gradativamente. “Hoje temos mais de 220 milhões de aparelhos celulares no Brasil. Nem todos são smartphones, mas a expectativa é de crescimento, principalmente pela praticidade que esse meio de pagamento oferece”, acredita Szymanskyi. Na opinião de Signorini, a consolidação dessa nova realidade depende do trabalho conjunto entre empresas, governo e bancos e também da mudança de cultura da população brasileira, que precisa começar a entender e a confiar no novo jeito de pagar as contas. E conclui: “Para o consumidor, o m-payment é cômodo, ágil e seguro. E, para o varejista, a tecnologia é uma oportunidade de negócio.”

Ascold Szymanskyij, da F-Secure É preciso ficar atento à segurança das informações trocadas via celular móveis, tornando-se uma ameaça quando o assunto é pagamento via celular. Existem malwares (softwares que se infiltram em um sistema eletrônico alheio de forma ilícita para causar algum dano ou roubar informações) que se instalam no aparelho móvel e monitoram todas as informações. Para proteger os aparelhos móveis, é preciso contar com um antivírus, mesmo no caso das tecnologias que não requerem senha, pois, de qualquer modo, ocorre uma troca de dados.

PARA ENTENDER • A tecnologia NFC consiste na troca de dados entre dois aparelhos próximos um ao outro, em uma conexão sem fio. Os dados enviados são criptografados a uma distância curta para um leitor localizado próximo a um caixa de uma loja, por exemplo • No pagamento por SMS, o consumidor precisa vincular o número de seu celular aos dados do cartão de crédito. O comprador recebe uma mensagem com os dados da transação e responde para confirmar a compra

[ BRASIL EM CÓDIGO ] abr/mai/jun 2013 37


faz o download de um aplicativo específico e usa os dispositivos móveis para fazer as transações como se fosse uma maquininha de cartões. Além disso, a empresa oferece o pagamento via celular por meio da plataforma da Paggo – companhia originada de uma joint venture da Cielo com a Oi. Com essa solução, os consumidores contam com a possibilidade de pagar utilizando o número de celular, via SMS, nas maquininhas da Cielo. “Os dispositivos móveis devem, progressivamente, concentrar as opções de pagamento, consolidando o que chamamos de carteira virtual”, afirma Signorini. Além disso, cerca de 300 mil máquinas da Cielo, presentes em 1,3 milhão de estabelecimentos comerciais, estão habilitadas para receber transações nas modalidades de pagamento por aproximação, como a NFC. Em 2011, foi a vez da Claro e do Bradesco firmarem uma parceria para atuar no segmento. Depois da constituição da joint venture MPO (Mobile Payment Operator), as duas empresas anunciaram a emissão de um cartão pré-pago vinculado a uma linha de celular (pós ou pré-paga), cujo uso ocorre pela tecnologia NFC para pagamento de contas, saques, consultas

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REALIDADE BRASILEIRA Em meio às novidades, no ano passado, durante o IV Fórum do Banco Central sobre Inclusão Financeira, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, falou sobre uma proposta de lei para regulamentar os pagamentos móveis. A normativa parte da premissa de que o surgimento de novas tecnologias e a crescente participação de empresas não financeiras na prestação de serviços de pagamento é uma realidade. Esse cenário pode trazer benefícios para toda a população, como redução de preços, conveniência, maior competição e melhoria do serviço, além de facilitar a inclusão financeira. A medida de regulamentação visa trazer uma segurança jurídica aos envolvidos nos novos modelos de pagamentos. No entanto, a proposta ainda não foi enviada ao Congresso Nacional e, por isso, não está regulamentada, de acordo com informações da assessoria de imprensa do Banco Central. Mesmo assim, instituições financeiras e operadoras de telefonia avançam nos seus projetos. Desde 2010, a Cielo trabalha com um aplicativo que transforma smartphones e tablets em máquinas capazes de realizar vendas com cartões – o Cielo Mobile. O lojista

Rogério Signorini, da Cielo Para o consumidor, o pagamento móvel é cômodo e ágil; para o varejista representa uma oportunidade de negócio de saldos, transferências e recarga do celular. Segundo a Claro, os serviços estarão disponíveis aos clientes até o terceiro trimestre de 2013. A iniciativa, de acordo com a operadora, tem o objetivo de oferecer soluções simplificadas e de

O FUTURO DO PAGAMENTO MÓVEL

Confira as previsões para o pagamento móvel no mundo, segundo dados do evento Mobile World Congress 2013, realizado recentemente na Espanha:

85%

50%

de todos os smartphones terão NFC até 2015

38 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

dos pontos de venda contarão com a tecnologia NFC para pagamento pelo celular até 2016


HOJE O PAGAMENTO VIA CELULAR NO BRASIL NÃO CHEGA A 5% DAS TRANSAÇÕES, MAS O MERCADO ESPERA QUE, EM 2015, METADE DAS OPERAÇÕES SEJA FEITA POR APARELHOS MÓVEIS baixo custo por meio do aparelho celular para a população não bancarizada, o equivalente a 46,8 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A TIM iniciou projeto-piloto em parceria com Itaú, MasterCard, Redecard e com o fornecedor de segurança digital Gemalto. Foram disponibilizados 50 aparelhos compatíveis com o sistema NFC para um grupo de pessoas selecionado pelas empresas envolvidas, que podem utilizar os smartphones para pagar contas em cem restaurantes credenciados nas capitais do Rio e de São Paulo. No teste, os usuários usam o cartão de crédito TIM Itaucard e pagam as contas na máquina Redecard habilitada para NFC. As compras são creditadas no cartão e cobradas na fatura enviada pelo banco. No projeto, a Gemalto fornecerá a solução TSM (Trusted Services Management), que permite a instalação remota e segura de

diversos serviços NFC em dispositivos móveis. Segundo a TIM, a solução deve estar disponível para os clientes no segundo semestre de 2013. No ano passado, o Grupo Telefônica e a MasterCard International apresentaram a MFS, empresa que atuará na implementação da parceria firmada entre as duas corporações para o desenvolvimento de pagamento utilizando a telefonia móvel. O primeiro produto da companhia, com previsão de lançamento em abril deste ano, será uma conta pré-paga acessada pelo celular e por um cartão MasterCard, permitindo que o consumidor faça transferências, compras, recargas de celular, entre outras transações financeiras. O serviço utiliza uma tecnologia chamada USSD (Unstructured Supplementary Service Data) e é compatível com todos os aparelhos GSM. Segundo a operadora de cartões, os dados

informados durante a navegação, como a senha, não ficam armazenados no aparelho. Apesar de toda a praticidade, o pagamento móvel ainda não caiu nas graças dos consumidores brasileiros. Uma pesquisa divulgada no ano passado pela varejista on-line Rakuten Brasil mostrou que apenas 9% dos compradores consideram realizar uma aquisição através de um aparelho móvel. Mesmo assim, a expectativa do mercado é de que, em 2015, metade das transações seja feita por aparelhos móveis. Até lá, a tecnologia dos celulares deve evoluir ainda mais e espera-se que as pessoas tenham adquirido mais confiança para trocar de vez dinheiro e cartões por uma carteira totalmente digital. 7 898357 410015

US$ 50 BILHÕES

é o valor que as transações por meio da NFC devem atingir até 2016

US$ 13 TRILHÕES será a soma dos pagamentos móveis em todo o mundo até 2017

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[

MARKETING

[ESTRATÉGIA

Inteligência

geográfica

Por Kathlen Ramos

Mapas podem trazer informações que vão muito além da localização espacial. Por meio do geomarketing, eles ganham vida e localizam público-alvo, concorrentes, melhores investimentos e regiões promissoras para expandir os negócios

40 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]


Paulo Pepe / Thinkstock

Dirigir um carro usando um bom GPS como guia torna a viagem muito mais fácil e assertiva, já que o equipamento pode traçar a melhor rota para o seu destino. O mundo dos negócios já conta com uma ferramenta similar. Conhecido como marketing geográfico, geomarketing ou, mais recentemente, definida pelos estudiosos da área como “inteligência geográfica”, essa solução permite que empresas de quaisquer portes e setores possam encontrar, por meio de mapas inteligentes, respostas imediatas, atualizadas e pertinentes para os seus negócios. “Com essa solução, é possível visualizar mapas diários das cidades contemplados com uma vasta base de dados. Se trabalho na área de calçados, por exemplo, por meio do geomarketing posso conhecer melhor esse mercado, identificando quantas lojas do ramo existem na região, bem como a renda média dos consumidores locais”, descreve o presidente do conselho do Provar/Ibevar, Claudio Felisoni de Angelo. O geomarketing é uma metodologia que ajuda a empresa a entender melhor os mercados onde atua e se consolida como um importante diferencial competitivo. “A ferramenta contribui com processos de expansão, mostrando onde está inserido um determinado ponto de venda, ajudando a visualizar a melhor precificação e ações de marketing e, ainda, onde distribuir a equipe comercial, só para citar alguns exemplos”, resume Pedro Figoli, CEO da Geofusion, fornecedora de soluções na área de inteligência de mercado com foco geográfico. Por conta dessa rica base de dados, o uso da ferramenta cresce a passos largos no Brasil. A Geofusion, por exemplo, em cinco anos, aumentou em dez vezes o número de clientes e sua

receita cresce a um ritmo anual de 60%. Essa expansão é justificável. “Pesquisas recentes apontam que entre 70% e 80% das informações utilizadas nas tomadas de decisão têm um componente espacial. Em outras palavras, o ‘onde’ se torna fundamental: ‘onde está o meu cliente’, ‘onde está meu ativo’, ‘para onde devo expandir minha força de vendas’, ‘onde está minha concorrência’ e assim por diante”, esclarece Eduardo de Rezende Francisco, professor de geomarketing e estatística espacial da Fundação Getulio Vargas (FGV), de São Paulo, e sócio-fundador do GisBI (grupo de estudos e fomento da utilização das geotecnologias). O uso das geotecnologias pode ser dividido em três estágios no Brasil, segundo definição do professor da FGV. O primeiro estágio compreende as empresas que começaram a utilizar essa tecnologia e ainda não sabem que há um potencial ainda maior do que conseguem vislumbrar. O segundo inclui as companhias que já buscam estruturar uma base de dados geográfica, trazendo informações secundárias e qualificando seus ativos (clientes, fornecedores, infraestrutura, etc.). Finalmente, o terceiro estágio contempla as organizações que utilizam as variáveis geográficas em modelos preditivos, para segmentação, previsão, concessão de crédito, CRM, entre outros. “Dentre as empresas que utilizam geotecnologias no Brasil, diria que 60% estão no primeiro estágio, 40% no segundo e apenas 1% no terceiro”, revela Eduardo Francisco.

ACERTE O ALVO A aplicação do geomarketing é ampla e independe do porte ou setor de atuação da empresa. O consultor da Boucinhas & Campos Consultoria em Gestão, Carlos Alberto Dória, fornece exemplos práticos. “Imagine uma rede de fast-food, uma distribuidora de veículos, uma rede de escolas ou de supermercados que pretendam abrir novas unidades. Se planejar abrir 100, 200, 1.000 filiais, como se dá a escolha da localização? Ela só será correta pela territorialização das necessidades e demandas, presentes e futuras”, explica. Uma metalúrgica pequena que venda peças para motocicletas pode escolher se concentrar onde há maior número de usuários de motos e, claro, mais concorrência, ou na venda de peças onde a comercialização desse veículo cresce exponencialmente, oferecendo oportunidades novas, quase isentas de concorrentes. “Essa empresa pode, ainda, verificar qual a melhor forma de organizar seus serviços técnicos”, completa. Já se o empresário é um pequeno varejista, pode saber onde está o seu público-alvo e qual é o perfil por quarteirões. Da mesma maneira, uma rede que planeja abrir novas lojas para atender a classe C pode visualizar, com facilidade, nos mapas onde esse público está mais concentrado. Os softwares das empresas de geomarketing trazem mapas inteligentes com dados públicos (como levantamentos de órgãos oficiais ou associações de classe), e pesquisas setoriais, que dependem da

Pedro Figoli,da Geofusion Geomarketing contribui para traçar estratégias de crescimento [ BRASIL EM CÓDIGO ] abr/mai/jun 2013 41


necessidade da contratante. “Oitenta por cento das informações disponíveis são básicas, como renda, idade, sexo, gastos, onde está o maior fluxo de pessoas, etc. Os demais são setoriais. Temos mais de 250 fontes de dados diferentes, entre informações públicas e de parceiros”, explica Figoli. Ele salienta que, com o geomarketing, também é possível ter uma percepção mais clara de atuação da concorrência. A ferramenta confere uma visão de inteligência competitiva espacial. Um

É fundamental que o gestor não seja contaminado pelo fascínio da ferramenta de geomarketing e deixe de analisar os dados de forma mais ampla

Na direção do sucesso Atuando na área da educação, a rede Kumon investe no geomarketing desde 2010. A empresa buscou a solução com o objetivo de ter uma visão gráfica e mais clara da distribuição do potencial de mercado. “Toda a nossa política de expansão está baseada nessa ferramenta. Além disso, é possível conhecer muitos aspectos relevantes sobre o comportamento do nosso consumidor. Já fizemos várias customizações do sistema adaptadas ao nosso modelo de negócio, que nos trouxeram informações relevantes para a tomada de decisões”, comemora o consultor de planejamento e pesquisa da rede Kumon, João Daniel Palma Ramos.

Geomarketing na prática A rede de restaurantes Outback Steakhouse adotou o recurso desde 2007 por considerá-lo um importante aliado na obtenção de informações sobre renda, classe social, concorrência e trade. Ele também é usado nos projetos de expansão da companhia, apontando a possibilidade de tomada de decisões mais assertivas. “Aliamos nossa sensibilidade com uma ferramenta que racionaliza o processo oferecendo dados com base numérica e apresentação gráfica”, descreve o vice-presidente de desenvolvimento do Outback, Gilberto Soares dos Santos. “O Outback cresce 20% ao ano. Todos os restaurantes inaugurados tiveram sua localização, mercado e público cuidadosamente estudados”, avalia o executivo. 42 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]


varejista pode, por exemplo, saber onde estão os concorrentes, se eles atendem o mesmo público, as regiões onde são mais fortes ou fracos, e assim por diante. O grande diferencial é a maneira como essas informações podem ser apresentadas. Ao longo dos anos, com o desenvolvimento da ferramenta, a visualização dos dados se tornou mais prática e intuitiva. “Antigamente, os fornecedores de software precisavam colocar uma equipe à disposição do comprador para que ele conseguisse entender os mapas. Hoje, o cliente paga uma mensalidade e qualquer

funcionário da área comercial pode usá-lo”, afirma Figoli, da Geofusion. Também já se começa a discutir uma nova tendência – chamada Cloud GIS – com utilização de informações e análises geográficas usando os conceitos de computação em nuvem. Outro ponto é o tempo que se pode ganhar com todos os dados compilados num único sistema. Em vez de demorar horas e dias pesquisando informações isoladas sobre a sua área de atuação, o profissional pode se dedicar à análise estratégica das informações. A eficiência do geomarketing é inquestionável pelas empresas usu-

árias. Mas é fundamental que o gestor não seja contaminado pelo fascínio da ferramenta e deixe de cruzar os dados obtidos e analisá-los de forma mais ampla. Outro cuidado é com a terceirização das geotecnologias. “É comum as empresas contratarem consultorias terceirizadas para fazer todas as avaliações. Dessa forma, as tendências, cenários e análise cruzada de variáveis em mapas acabam não sendo dominados pela contratante, fazendo com que as decisões, em última instância, passem a ser feitas a partir dos ‘olhos’ apenas da consultoria”, alerta Eduardo Francisco, da FGV. 7 898357 410015

Rota de crescimento A Multicoisas, rede de varejo na área de utilidades, também usa o geomarketing para crescer e explorar melhor o mercado nacional. “Ele proporciona uma visão macro do mercado e permite realizar cruzamentos de informações externas e internas. Dessa forma, podemos criar uma expertise de expansão com um direcionamento mais claro e objetivo”, destaca o diretor de expansão da empresa, Nelson Oshiro Hokama. Usada desde 2003, a ferramenta de geomarketing auxiliou a Multicoisas a definir áreas potenciais para a abertura de novas lojas e proporcionou a clareza de mercados onde pode entrar. “Foi possível um crescimento orgânico e também dar celeridade ao planejamento. Em 2008, eram 64 lojas e, até 2018, planejamos 360”, revela. Atualmente a rede possui 153 lojas em operação e tem como meta abrir mais 20 unidades em 2013.

Fotos: Divulgação

Mapa do consumidor Também na área de alimentação, a rede de pizzarias delivery Domino’s, controlada pelo Grupo Trigo, resolveu apostar no geomarketing há seis meses. “Ele nos auxilia no mapeamento do local que queremos atuar. E também possibilita comparar regiões e ainda verificar a intenção do consumidor, identificando aqueles que preferem comprar em domicílio ou dão preferência ao balcão”, enumera a desenvolvedora de território do Grupo Trigo, Ingrid Pires. Mesmo com o pouco tempo de uso, já é possível dizer que os resultados têm sido satisfatórios para a expansão da empresa. “Conseguimos entender as necessidades de cada região e, assim, traçar a estratégia, diz.

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evento

[AUTOMAÇÃO

Debate de

Fotos: Arquivo/Marcelo Vigneron

alto nível

Conferência internacional apresentará discussões sobre tendências nas áreas de tecnologia, padronização e universo digital

Da Redação Promover um diálogo sobre os desafios comuns às empresas, como tecnologia, competitividade, rentabilidade, automação e negócios no mundo digital, é o objetivo do Brasil em Código – 3ª Conferência Internacional de Automação e Logística. O evento promovido pela GS1 Brasil será realizado em 11 de junho no Sheraton WTC, na capital paulista, para um público estimado de 300 executivos. A programação de palestras reflete a necessidade atual de um debate amplo e com múltiplas visões. Por isso, foram convidados palestrantes que representam diferentes segmentos da economia para falar de tendências nas suas áreas de atuação. “Propomos um debate de alto nível para que as empresas brasileiras tenham conhecimento de métodos aplicados mundialmente para o objetivo da competitividade ética e produtiva”, afirma o presidente da GS1 Brasil, João Carlos de Oliveira, que fará a abertura da conferência. Entre os destaques estão as palestras do autor do livro Socialnomics, Líder 44 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

Os palestrantes vão interagir em Digital e Crise, o norte-americano Erick Qualman, e do indiano-belga Ajit um debate mediado por Martha Shetty, membro do conselho da GS1 Gabriel, autora de quatro livros global e ex-presidente do conselho sobre o universo digital e diretora de administrativo da Johnson & Johnson, tecnologia da New Media Developers. que representará a indústria ao discutir Para promover um networking entre todos os participantes, ao final do tendências de automação. O diretor de supply chain do Grupo evento será servido um coquetel. Pão de Açúcar, Marcelo Lopes, marcará presença abordando as soluções tecnológicas a favor do varejo brasileiro. Já o gerente de inovação e alianças estratégicas 3ª Conferência Internacional de da GS1 Brasil, Roberto Automação e Logística Matsubayashi, apresentará recente estudo da GS1 e Capgemini intitulado O Futuro Data: 11 de junho, às 15h dos Padrões na Indústria de Bens Local: Sheraton WTC, São Paulo (SP) de Consumo & Varejo: reduza os Informações e inscrições: custos e atenda às necessidades www.brasilemcodigo.com.br dos novos consumidores, sobre a padronização neste segmento. A programação inclui a apresentação do projeto SmartWaste, da HP, que envolve a tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID), feita pelo gerente de operações go-tomarket da HP, Marcelo Pandini. 7 898357 410015

Brasil em Código


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PERFIL

[EMPREENDEDORISMO

Pimenta tipo exportação Chilli Beans virou quase sinônimo de óculos escuros. Criada há 16 anos, a marca chega hoje a 550 pontos de venda pelo Brasil e planeja expansão para os Estados Unidos

Por Mariana Izidoro

Fotos: Thinkstock

No início eram os óculos. Depois, os relógios. Vieram as mochilas, os acessórios e uma variedade de produtos licenciados. E a Chilli Beans foi crescendo de um estande na feira alternativa de moda Mercado Mundo Mix para a primeira lojinha aberta na Galeria Ouro Fino, em 1997, em São Paulo (SP), chegando aos atuais 550 pontos de venda no Brasil. Hoje, o crescimento é mais forte no interior no País. A história da marca e de seu criador, Caito Maia, começou na capital paulista e hoje vai além das fronteiras brasileiras. “Temos pontos de venda nos Estados Unidos, Colômbia, Portugal e Kuwait. Para 2013, o foco é muito forte nos Estados Unidos, onde vamos inaugurar dez novos pontos. Os resultados estão acima das expectativas”, diz Caito. E ele

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exemplifica citando o faturamento em Portugal, que cresceu 48% na passagem de 2010 para 2011. Caito começou como empreendedor, trazendo óculos dos Estados Unidos para revender no Brasil. Com o passar do tempo, percebeu que para ter um diferencial era preciso criar sua própria marca. E assim nasceu a Chilli Beans, com a proposta de não apenas comercializar produtos mas também de vender atitude. A empresa se expandiu com base em um modelo de negócio que alia criatividade, lançamentos constantes e preços competitivos. A ideia: um par de óculos para cada situação do dia a dia. Assim, em vez de o consumidor comprar somente um par por um preço alto, é melhor que tenha vários – para diferentes ocasiões e estilos – a um valor menor por unidade. Sem perder a qualidade. Além disso, o layout e a exposição nos quiosques e lojas foram pensados para favorecer o contato do cliente com o produto – ele pode pegar e provar os óculos como quiser. Diferente do conceito de óticas comuns, em que os óculos ficam “presos” nas vitrines.


PLANOS Neste ano, além da expansão nos Estados Unidos, a Chilli Beans espera abrir 150 pontos de venda no Brasil. A empresa trabalha com o sistema de franquias, mas entrar na lista de franqueados não é simples. Caito e outros diretores acreditam que é preciso, antes de tudo, ter empatia

Fotos: Paulo Pepe

com os candidatos a franqueados e perceber se eles têm, de fato, vontade de trabalhar pela marca de acessórios. A linha Vista, de armações de óculos de grau, lançada em 2011, é uma das apostas no mercado interno. “Queremos ampliar a atuação com lojas que façam Caito Maia, fundador da Chilli Beans mix entre óculos Marca vende atitude, apoiada na solares e armações de inovação e na paixão grau, as chamadas lojas híbridas. Atualmente temos 16 dessas o gerente de operações e logística, Donizette Ozelami, o uso do código de em São Paulo”, explica Caito. Outra novidade, prevista para o barras é fundamental em vários processos primeiro semestre, é a inauguração da operacionais e de venda. As vantagens: primeira agship da Chilli Beans, na agilidade, acuracidade e localização rápida famosa rua de moda Oscar Freire, em dos produtos. No entanto, pela própria São Paulo. Será uma espécie de loja- característica dos itens, não é possível a -conceito, onde serão vendidas linhas impressão do código de barras diretamente exclusivas de produtos e também as nos óculos. A empresa faz planos para utilizar outros peças licenciadas como bicicletas, padrões. “No futuro, temos interesse em skates e guitarras. usar a tecnologia de identificação por radiofrequência, a RFID, quando ela IDENTIFICAÇÃO Os produtos da companhia são estiver mais consolidada no Brasil e os identificados com código de barras e custos estiverem adequados ao valor dos usam o padrão global GS1. Segundo nossos produtos”, diz Ozelami. 7 8 9 835 7 4 10015

PARA LER O livro E se Colocar Pimenta?: A História da Marca Mais Quente do Brasil, Sem Cortes, lançado no ano passado, conta a história de Caito Maia e da Chilli Beans e traz dicas que podem ajudar os empreendedores. O livro foi escrito pelo professor da Business School São Paulo Rodolfo Araújo. Caito é coautor. Um dos capítulos explica como a marca conseguiu se tornar forte. A figura do fundador da Chilli Beans, que vive a marca no dia a dia e contagia colaboradores e clientes, é descrita como fundamental.

Foto: Divulgação

Os vendedores têm estilo despojado e são orientados para deixarem o consumidor à vontade. Os valores da empresa – inovação, desafio, paixão e verdade – são compartilhados entre funcionários, franqueados e clientes. E é fácil ouvir desse pessoal que a empresa é como uma grande família que tem pimenta correndo nas veias. Para Caito, esses conceitos foram consolidados de forma espontânea. A cada semana, a Chilli Beans lança dez modelos de óculos, cinco de relógio e três de armações de grau. A estratégia renova o portfólio com velocidade e mantém o público atento às novidades. Em 2012, a empresa vendeu 2,5 milhões de óculos. A maior parte da produção é feita na China (70%) e outra parcela menor no Brasil (30%), em fábricas terceirizadas. Uma das estratégias para manter a marca viva e relevante é o apoio a festivais de música que têm apelo junto ao público-alvo. Neste ano, a empresa foi uma das patrocinadoras do festival de rock Lollapalooza, realizado em São Paulo com atrações internacionais como a banda Pearl Jam. As lojas da Chilli Beans representavam o único ponto de venda físico de ingressos fora do local oficial – o Jockey Club. Ao comprar o tíquete, o cliente ganhou 10% de desconto na compra de qualquer produto. O Rock in Rio também é outro festival apoiado pela marca.


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perdas & ganhos

[gestão Na rota para o sucesso Depois de problemas que levaram à falência da empresa, Marcelo Ostia conseguiu contornar as dificuldades e hoje está à frente da rede de microfranquias Camisetas da Hora

Fotos: Divulgação/Sigma Six Comunicação

Por giseli Cabrini Com apenas 7 anos, Marcelo Ostia teve contato com a primeira paixão: uma camiseta do Batman com o seu nome. A experiência, proporcionada pela mãe que deu a peça de presente ao filho, mudou a vida do garoto e o inspirou, anos depois, a investir no segmento de vestuário a partir da customização de camisetas. Mas, talvez, a influência de Bruce Wayne – a identidade secreta de Batman – na trajetória pessoal de Marcelo não tenha parado por aí. A exemplo do homem-morcego, que diferentemente de outros super-heróis não dispõe de poderes sobre-humanos, Marcelo teve de lançar mão das próprias habilidades para corrigir os erros dos primeiros voos solos que o levaram a começar do zero por duas vezes consecutivas. O espírito de empreendedor incansável foi determinante para superar os revezes, ajustar o foco e encontrar a estabilidade. “Com o dinheiro da rescisão do meu primeiro emprego, comecei a customizar camisetas para formandos de colégios, em Itu (SP), em 1999. Tudo ia bem, até que um fornecedor pediu que eu antecipasse o pagamento da matéria-prima antes da entrega do pedido. Após o pagamento, ele desapareceu. Tive de usar parte do meu equipamento para saldar as dívidas”, relembra o empresário. Mesmo assim, Marcelo seguiu em frente. Com R$ 50 no bolso e o restante dos equipamentos, desembarcou na Rua Bresser, no bairro do Brás, em São Paulo. Pediu permissão a um lojista que vendia camisetas lisas no atacado, para customizar as


peças na porta do estabelecimento. E, assim, recomeçou. Nessa época, dormia em uma vaga de estacionamento, perto do local de trabalho. E, nos meses de frio, aquecia-se com uma blusa doada pela Campanha do Agasalho. Dois anos e meio depois, o lojista resolveu que faria a customização. Marcelo retornou a Itu e, após alguns meses trabalhando na área administrativa, economizou os R$ 300 que deram início, no final de 2005, à primeira loja on-line do empreendedor: a Camisetas da Hora. O nome faz alusão à customização das peças que continua a ser uma marca registrada do negócio. Atualmente, aos 32 anos, Marcelo transformou sua primeira loja virtual em uma rede de microfranquias. São mais de mil franqueados que vendem cerca de 4 mil camisetas por mês. O público-alvo concentra-se na faixa etária de 18 a 30 anos. Embora as vendas para clientes estrangeiros não sejam uma regra, peças da Camisetas da Hora já foram adquiridas por consumidores em Israel, Japão, África do Sul, Itália, Estados Unidos, Canadá e Itália. Expansão No mundo virtual, o modelo de negócio segue o formato da primeira loja on-line lançada por Marcelo e cuja venda inaugural aconteceu em uma data emblemática: 1º de janeiro de 2006. “O sistema é muito parecido com o de catálogo físico. As diferenças estão no fato de que as operações de compra e venda acontecem no mundo virtual e de que a escolha da marca fica a

critério de cada franqueado”, explica o empreendedor. “Ficamos apenas encarregados de produzir as peças do estoque e cuidar da logística.” Atualmente, a sede da Camisetas da Hora, que emprega diretamente 25 funcionários, está instalada em um galpão alugado de cerca de 500 metros quadrados, em Itu. A área de produção ocupa 350 metros quadrados e o restante abriga as operações administrativas. “O consumidor entra no site, escolhe a peça e faz o pedido. Caso o modelo não esteja disponível no estoque, nós recebemos a demanda e levamos até quatro dias úteis para produzir a camiseta. A confecção das camisetas só acontece após a confirmação do pagamento. Isso evita eventuais calotes e permite que, tanto nós quanto os franqueados, possamos operar com um estoque baixo”, conta Marcelo. O estoque dos franqueados no modelo virtual varia de 25 a 100 itens. O investimento gira em torno de R$ 5 mil, incluindo taxas de adesão e de manutenção da loja virtual, e o retorno, que costuma acontecer em um intervalo de 24 meses, está estimado em 15% sobre o faturamento mensal. Além das peças, o franqueador oferece suporte presencial e telefônico e disponibiliza um fórum para debates. No mundo físico, Marcelo iniciou um projeto-piloto com quiosques em shopping centers. O primeiro está em operação, também em Itu, e há previsão de que novos pontos sejam abertos em 2013. Um dos diferenciais do formato está na possibilidade de o cliente customizar a peça em até 15 minutos. E, ainda neste ano, Marcelo se prepara para testar o sistema de vendas de microfranquias via display móvel, de olho nas oportunidades que a Copa do Mundo FIFA 2014 vai proporcionar.

superação agasalho ganho por empresário reforçou sonho de criar rede de camisetas

“Eventos como esse impulsionam os negócios. Mas é preciso se antecipar. Quem começar a pensar nisso agora, já está atrasado.” Atualmente, a Camisetas da Hora oferece cerca de 800 modelos com uma grade que vai do número 2 até o tamanho extragrande. A paleta à disposição dos clientes inclui as cores: branca, preta, azul, vermelha, amarela e verde. A opção por paleta e estoque enxutos não acontece por acaso. “Oferecer muitas cores acaba por dificultar a escolha do consumidor e gera desistências”, explica Marcelo. No caso dos estoques, foi justamente a falta de planejamento em relação à matéria-prima que levou o empresário à falência no passado. Marcelo diz não ter arrependimentos, mas reforça a importância de fazer planejamento prévio de ações, dispor de um suporte adequado – contratar assessores e consultorias especializadas –, operar na formalidade e investir em tecnologia. Medidas essenciais para qualquer empresário que deseje alcançar êxito nos negócios. O resumo da sua trajetória está estampado em uma frase que emoldura o agasalho ganho quando ele trabalhava no Brás: “as pessoas não falham, elas desistem”. 7 898357 410015

compartilhe

suas experiências com os leitores da Brasil em código e conte no que errou – operação, tecnologia, gestão, recursos humanos, etc. – e qual foi a solução encontrada. escreva para a redação: revista@gs1br.org [ BRAsIL eM CÓDIgo ] abr/mai/jun 2013 49


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gestão

[EMPRESAS FAMILIARES

O xeque-mate da sucessão Empresas familiares lutam por sua sobrevivência depois de mexer em uma importante peça de sua estratégia – os herdeiros. Saiba como preparar as gerações mais jovens para assumir o comando dos negócios Por Patricia Lucena

Fotos: Thinkstock / Divulgação

O famoso xeque-mate do xadrez – expressão usada para marcar o lance que põe fim à partida – acontece quando o rei atacado, por um ou mais adversários, não pode permanecer na casa em que está nem se movimentar ou ser defendido por outra peça. Levando o jogo para o cenário de uma empresa familiar, o que acontece durante a sucessão do fundador não �� muito diferente. Afinal, o processo nada mais é do que uma partida para

ver quem irá gerir a empresa quando o fundador sair. E mais: se a empresa continuará no jogo sob o comando dos herdeiros. O assunto é importante em razão da representatividade das empresas familiares na economia nacional. Segundo dados de 2012 do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (SEBRAE), 90% das organizações brasileiras são familiares.


Pesquisa da consultoria PwC, realizada no ano passado, mostra que, no Brasil, 77% das companhias familiares registraram crescimento nos últimos 12 meses, enquanto globalmente esse percentual foi de 65%. A questão que envolve a maioria das dificuldades enfrentadas pelas famílias no momento de os herdeiros assumirem é uma só: poder. Por isso, a sucessão é uma das principais causas na dissolução de empresas e representa um momento traumático. Companhias de peso como Gerdau, Grupo Pão de Açúcar, Sadia, TAM e Odebrecht também enfrentaram problemas na hora de passar pelo processo sucessório. “A primeira geração, do fundador, pensa na empresa. Tudo o que ele ganha é direcionado para sustentar a família e investir no negócio. A segunda já pensa mais em status. A terceira, se não tiver conhecimento daquilo que o fundador criou, só se preocupará com as vantagens que o nome da empresa tem a lhe oferecer. E é nesse momento que acabam as companhias e surge o famoso ditado: pai rico, filho nobre e neto pobre”, avalia Domingos Ricca, consultor especializado em empresas familiares e sócio-diretor da Ricca & Associados Consultoria e Treinamento. Pesquisa realizada pela consultoria especializada em transição de gerações Höft – Bernhoeft & Teixeira, em março de 2013, com 230 executivos em cargos de gestão em companhias familiares, aponta que a taxa de sobrevivência das empresas na primeira geração é de 30%, na segunda, 12%, e, na terceira, é de apenas 4%. Os números comprovam que muitas não conseguem sobreviver a essa passagem ou chegam lá com muita dificuldade. “O processo de sucessão é o momento de pensar na empresa, e não nas pessoas. É uma conscientização que a família assume diante de um processo de profissionalização e faz parte da perpetuação do negócio”, ressalta Ricca.

O diretor da Höft – Bernhoeft & Teixeira, Wagner Teixeira, explica que a sucessão pode ocorrer em dois campos distintos: a executiva, quando se decide quem será o presidente da companhia; e a societária ou patrimonial, quando a próxima geração herda a participação de ações do fundador. Nágela Chaves Maromba, diretora de recursos humanos e marketing do supermercado Casa Rena, de Itaúna (MG), e uma das herdeiras, conta que o negócio está passando pelo processo de sucessão. A terceira geração é formada por sete pessoas – ela, seus dois irmãos e quatro primos. “O meu pai e o meu tio ainda atuam na empresa, mas já nos passaram a gestão. Agora, estamos no processo de sucessão das cotas e definição da governança corporativa para criar um conselho, do qual os fundadores farão parte. Esse é um período muito delicado e, por isso, estamos fazendo tudo com bastante cuidado”, explica. Segundo a executiva, a grande vantagem de uma empresa familiar é compartilhar os mesmos valores no âmbito pessoal e dos negócios. Porém, as brigas afetam o dia o dia no ambiente profissional ameaçando a estrutura familiar. “A demissão de um membro da família pode causar uma confusão”, pondera.

grande parte das organizações não faz um planejamento nesse sentido. É aquele famoso ‘entra e aprende’. Não planeja etapas, responsabilidades, cobranças, prestação de contas”, afirma Teixeira. Contudo, por mais que o fundador faça um planejamento sucessório, problemas sempre acontecem. Uma das maiores dificuldades, segundo Ricca, é quando há muitos herdeiros querendo conquistar um cargo. “Primeiro, é preciso estruturar a empresa para ver se ela está preparada para receber o sucessor. Depois, o fundador deve montar um conselho para evitar desgastes e fazer uma mediação”, ressalta. É importante também reconhecer os pontos fracos e fortes e as aptidões do sucessor. Por exemplo, o presidente de uma empresa deve ser aquele que melhor se relaciona com o mercado. Portanto, se o herdeiro tiver perfil técnico, ele nunca se sairá bem como sucessor da presidência, porque seu dom é produzir, e não se relacionar.

OBSTÁCULOS Segundo o diretor do FAAPMBA, Tharcisio Souza Santos, existem dois tipos de empresa familiar. “Aquela que aprende a romper a barreira do empreendedor para o gestor e cria uma governança adequada para seguir em frente. E aquela que nunca deixa de ser familiar e será sempre uma bagunça. Não chega a lugar nenhum.” Para evitar a confusão generalizada, é fundamental planejar a sucessão. “Mas

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TRANSIÇÃO O planejamento e a profissionalização, com a implantação de um programa de governança corporativa, dão nova perspectiva de sucesso às empresas de base familiar. Segundo Santos, da FAAP, o aspecto mais importante da governança corporativa está em fazer a transição do empreendedor para o gestor. “Normalmente, o indivíduo que estabelece a empresa é uma pessoa cheia de ideias, um empreendedor que corre riscos e mistura a vida pessoal com a profissional. Mas, quando ele vai preparar o seu sucessor, não pode pensar em ter outro empreendedor, mas, sim, um gestor, que precisará organizar o dia a dia da empresa de maneira lógica, com estratégia adequada e usando as ferramentas certas para cada caso.” O fundador também precisa entender que, muitas vezes, o sonho dele não é o do filho. E preparar o sucessor não significa oferecer apenas uma boa formação escolar. É necessário que a nova geração conheça a cultura da empresa e seus funcionários, ou seja, a base de sustentação e crescimento da companhia. O sucessor deve ser treinado dentro da própria organização, ciente de que assumirá a gestão não apenas pelo sobrenome mas também por competência.

Caso a sucessão seja apenas patrimonial, é preciso preparar os herdeiros para exercerem o papel de sócios, independentemente se forem gestores ou não. “É comum uma sucessão patrimonial, na qual o proprietário tem três ou quatro filhos e apenas um trabalha na empresa. Nesse momento, começam as divergências”, comenta Teixeira. Na sucessão executiva, o fundador deve atribuir responsabilidades e acompanhar a atuação do herdeiro. Este, por sua vez, precisa compreender que esse período é relativamente longo e que terá de conviver junto com a antiga geração, sabendo negociar as responsabilidades específicas. Não é um momento fácil, mas o fundador deve ter em mente que passará por uma mudança de papel e precisará encontrar um novo projeto de realização pessoal para não interferir diretamente na empresa, dando liberdade para o sucessor trabalhar. HORA DA VERDADE Nágela e sua família estão fazendo a lição de casa, preparando-se com o apoio da Fundação Dom Cabral, na profissionalização dos herdeiros, e da Höft, na implantação da governança corporativa. Atualmente estão na fase de colocar no papel o acordo societário com as regras sobre a divisão da empresa e do patrimônio. “Esse processo é complicado, porque muitas coisas são da família, mas não da empresa. Outras são da empresa, mas não família. E outras que são da família, porém não pertencem ao patrimônio. Mas muitas coisas são comuns à família, à empresa e ao patrimônio. Por isso, esse acordo é fundamental”, afirma.

Sucessão em jogo Nágela Chaves Maromba (ao centro, de preto), irmãos e primos, herdeiros da Casa Rena, fazem terapia familiar e têm apoio de consultoria para conduzir a transição das gerações Além disso, ela conta que todos estão fazendo terapia familiar. “Eu, meus irmãos e primos crescemos juntos e sempre dividimos tudo. Nossa relação é tranquila, mas percebemos que para escrever o acordo societário precisávamos limpar as questões emocionais. Algumas cláusulas não saíam do lugar por causa disso.” O objetivo final desses preparativos é dar continuidade à empresa para manter o faturamento e dividir os lucros. “Mas agora o foco é diferente. A empresa não irá sustentar todos os membros da família. É um objetivo maior que isso”, conclui Nágela. Com base nisso, ela destaca que será feita uma análise para verificar quem é capaz de assumir os cargos ou se é melhor contratar profissionais do mercado. As empresas familiares nascem do sonho, trabalho e ousadia de seus fundadores. Por isso, não devem ser encaradas como um abrigo de filhos e netos e, muito menos, permitir que interesses pessoais influenciem na organização. O risco pode surgir exatamente quando os conflitos familiares passam a ser o centro de tudo. E nesse momento, o futuro da companhia está fadado ao fracasso. Por isso, a clareza em relação a quem continuará o negócio e a forma de conduzi-lo são fatores fundamentais que devem ser planejados pelo fundador da empresa. 7 898357 410015

SETE PECADOS DA SUCESSÃO 1 – Falta de planejamento do processo de sucessão 2 – Desentendimento (luta pelo poder) na estrutura familiar 3 – Conflito de ideias e experiências 4 – Despreparo do sucessor 5 – Resistência na estrutura da sociedade 6 – Falta de consciência do sucessor sobre a sua responsabilidade 7 – Fundador não prepara o seu sucessor 52 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]


E AGORA, QUEM VAI ASSUMIR? Questões para o fundador refletir durante o planejamento da sucessão

Quem será o novo responsável pelo comando da empresa?

Que preparação será necessária para o processo de transição?

Quando acontecerá a transição?

O que acontecerá em caso de divórcio ou falecimento? Qual o limite para a admissão de membros da família na empresa?

Fonte: SEBRAE

Como avaliar e pagar os membros da família?

Como será exercida a autoridade?

Como será o processo de sucessão?

Quem pode ou não fazer parte da empresa?

O que será feito se o processo sucessório não for bem-sucedido?

Quais são as responsabilidades em relação a comunidades, funcionários mais antigos e outros membros da família?

Quem pode possuir cotas da empresa?


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TECNOLOGIA

[TENDÊNCIA

Cada vez mais acessível às empresas menores e aos consumidores, a impressora 3D muda o conceito de desenvolvimento de produtos

Uma mudança significativa no processo de desenvolvimento industrial de produtos deve ocorrer, em breve, com a ampliação do uso de impressoras 3D em âmbito pessoal e no meio corporativo. O mercado aposta que 2013 é o ano deste equipamento criado para fazer protótipos a partir de um projeto desenvolvido em programa específico de computador, facilitando uma análise mais detalhada da peça antes de ela ser produzida em larga escala. Esse tipo de máquina existe há 25 anos, em todo o mundo, mas apenas recentemente surgiram modelos com preços acessíveis e de fácil manuseio, direcionados para empresas menores e para uso doméstico. Grandes indústrias que atuam no Brasil – como a automotiva, a aeroespacial e a de aparelhos médicos – já usam há muitos anos a impressora 3D para prototipagem de peças de grandes dimensões. O investimento é alto – varia de R$ 50 mil a R$ 1 milhão – assim como o custo de manutenção. É preciso dispor de mão de obra especializada para operar de forma correta o equipamento. Com o avanço da tecnologia, há cerca de dois anos começaram a chegar ao mercado nacional as impressoras 3D pessoais ou de baixo custo, com interface amigável que facilita sua utilização. Do tamanho de um forno de micro-ondas, tem o preço bem mais baixo comparado à versão industrial: de R$ 3,7 mil a R$ 5 mil. Uma impressora convencional deposita tinta no papel. Já a máquina 3D derrete um filamento plástico 54 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

que vai sendo acumulado de cima para baixo, camada por camada, até formar a peça. E não é apenas a parte externa do objeto que é impressa; é possível construir toda a estrutura interna. Assim, desde um parafuso até um motor de carro ganham vida quando impressos em terceira dimensão. A vantagem do equipamento é que ele acelera o tempo de planejamento e produção de um produto. Se, ao imprimir o protótipo, percebe-se que é necessário algum ajuste, rapidamente é possível fazer uma alteração que demoraria meses no processo convencional. “Uma empresa pequena consegue competir com uma grande na criação e no desenvolvimento de produtos, porque tem a possibilidade de testar muitos protótipos diferentes com rapidez”, afirma Filipe Moura, diretor comercial da Metamáquina, fabricante nacional de impressoras 3D. “Outra vantagem é permitir a personalização. Uma empresa ou uma pessoa pode fabricar sua própria peça, sem precisar investir um grande montante de dinheiro para testar se ela funciona”, completa Luiz Fernando Aposta Dompieri, diretor-geral Robtec espera crescimento de 20% ao ano da Robtec, uma das no Brasil com a venda de impressoras 3D

Fotos: Divulgação

Por Denise Turco


Fotos: Paulo Pepe

Fotos: Divulgação

pioneiras no mercado brasileiro a comercializar impressoras 3D industriais e também os modelos menores. Além disso, afirma, é possível baixar pela internet um desenho – seja de um tênis, seja de um colar, por exemplo – e imprimi-los. Por esses motivos, num futuro não muito distante, a impressora 3D deve mudar o conceito clássico de produção. USO AMPLO Pequenas e médias empresas, arquitetos, designers, profissionais da saúde e até mesmo curiosos que se aventuram em fabricar utensílios domésticos ou peças de arte já utilizam a impressora 3D de baixo custo no Brasil. Vários segmentos podem tirar proveito da máquina para fazer, por exemplo, protótipos de embalagens, impressão de maquetes de casas e prédios, moldes para sola de sapatos, peças diversas, etc. O uso não está restrito à área industrial. O equipamento pode ajudar a melhorar o conhecimento e algumas habilidades. Moura, da Metamáquina, conta que, recentemente, um médico utilizou a impressora 3D para se preparar para uma cirurgia. Ele imprimiu uma veia aorta em tamanho real para que tivesse a noção exata do trabalho que teria durante o delicado procedimento. Na área de saúde há outras aplicações inesperadas: dentista interessado em imprimir maxilares e ginecologista querendo imprimir um feto a partir de um ultrassom. Algumas escolas do País começaram a usar o recurso para tornar o aprendizado dos alunos mais interessante: imprimir uma Torre Eiffel na aula de história ou uma molécula na aula de ciências. Laboratórios de universidades também estão adquirindo a máquina. E uma curiosidade: até a Nasa estuda levar impressoras 3D para o espaço. Em vez de fabricar as peças aqui na Terra e transportá-las para montar em outro planeta, a ideia é levar o equipamento e imprimir tudo na estação espacial, o que reduziria Como funciona custos com aeronaves maiores. Impressora 3D derrete filamento plástico que vai sendo acumulado de cima para MERCADO PROMISSOR baixo até formar a peça Os Estados Unidos são o mercado mais avançado na fabricação e no uso da impressora 3D. O produto já está disponível em lojas de varejo. “O principal fabricante norte-americano vende 10 mil máquinas por mês”, comenta Moura. Atualmente, a Robtec comercializa, em média, de 20 a 30 impressoras 3D de baixo custo por mês. A empresa, fundada em 1994 e com sede em Diadema (SP), revende produtos da norte-americana 3D Systems, além de oferecer prestação de serviço na área. Possui escritórios em alguns países da América Latina e na China. Com a perspectiva de crescer 20% ao ano no Brasil, segundo Dompieri, a Robtec atende desde grandes indústrias automotivas até designers. A Metamáquina também tem perspectivas otimistas. Fundada há um ano na capital paulista com o objetivo de fabricar impressora 3D de baixo custo, espera fechar 2013 com a venda mensal de cem peças. A empresa adota a seguinte filosofia: produzir máquinas com software livre e hardware aberto. Isso significa que todos os arquivos de projeto da impressora 3D estão disponíveis para serem modificados e reproduzidos pelo comprador. A empresa foi criada por meio de uma campanha de crowdfunding (financiamento colaborativo) pelo site Catarse, plataforma virtual que possibilita o financiamento de projetos criativos. Todos os insumos e a produção são nacionais. “Quando a indústria começar a usar para valer a impressora 3D, será um movimento muito rápido. Por isso, estamos nos preparando para também prestar alguns serviços”, comenta Moura, sobre os planos da empresa. 7 898357 410015

Filipe Moura, da Metamáquina Com o equipamento, empresas pequenas conseguem competir com as grandes


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INTERNACIONAL

[TENDÊNCIA

O chocolate por trás do código No Reino Unido, a Nestlé utiliza o QR Code para dar mais acesso a informações do clássico Kit Kat aos consumidores Da Redação Uma das principais mudanças recentes no comportamento do consumidor é que ele, cada vez mais, exige informações detalhadas sobre o que compra. Unindo as facilidades que a tecnologia proporciona às novas necessidades de consumo, a Nestlé iniciou um projeto no Reino Unido e na Irlanda para dar acesso a informações nutricionais e sobre o impacto social e ambiental de seus produtos para o consumidor. Começou pelo chocolate Kit Kat, na versão clássica – com duas barrinhas – em embalagens multipack. Para viabilizar o projeto, acessível desde o início de 2013 ao público, a companhia utiliza o QR Code nas embalagens do produto. Basta escanear o código com o smartphone para ter acesso a uma página na internet com informações complementares àquelas que se costuma encontrar nas embalagens regulares do chocolate. O site informa como o Kit Kat é produzido, como consumi-lo dentro de uma dieta balanceada e dá sugestões de receitas e orientações sobre porções adequadas. E mais: informa a energia e a água utilizadas em todo o processo de fabricação. De acordo com a assessoria de imprensa da Nestlé do Reino Unido, a empresa pretende implementar a solução em todo o seu portfólio, inclusive em outros países, o que ajudará as pessoas a escolher melhor o que consomem e a aprender mais sobre os alimentos. “Temos uma fonte rica de informações sobre o valor nutricional e os impactos ambientais e sociais do que nós produzimos, e faz sentido compartilhar isso com os consumidores”, afirma a executiva da unidade estratégica de negócios, marketing e vendas da Nestlé, Patricia Bula. Do ponto de vista tecnológico, a novidade apresentada pela Nestlé segue o conceito chamado Embalagem Estendida, que consiste no acesso a informações adicionais sobre os produtos por meio de um dispositivo móvel conectado à internet. Isso é possível associando o código de barras do produto com o endereço de uma página na internet (URL) . No conceito de Embalagem Estendida utilizando o padrão GS1 QR Code, a página na internet fica identificada com a URL seguida do número do código de barras do produto 56 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

Fotos: Divulgação Nestlé UK Press Office

A GS1, por exemplo, trabalha com padrões globais para Embalagem Estendida – um deles é o GS1 QR Code (Código GS1 de Rápida Resposta) – que permitem às empresas incluir diversos tipos de informações sobre as mercadorias: ingredientes, forma de preparo, rastreabilidade, práticas de comércio justo, dados nutricionais, público-alvo. E ainda: indicações sobre como usar e reciclar, garantia, onde encontrar o produto, acesso a promoções, entre outros dados. O GS1 QR Code contém especificamente o GTIN (Número Global de Item Comercial) – a numeração do código de barras que conhecemos, desenvolvido e controlado pela GS1 – e uma URL. Nesse caso, a página na internet fica identificada com a URL seguida do GTIN, como no exemplo: www.empresasucos.com.br/07898357410015. A Embalagem Estendida está alinhada às novas possibilidades proporcionadas pela tecnologia, facilitando o acesso a novos conteúdos, e ao comportamento do consumidor – cada vez mais digital. Ao garantir informações confiáveis sobre os produtos, as empresas prestam um serviço a mais para seus clientes. O Kit Kat é um dos itens mais tradicionais fabricados pela Nestlé – foi lançado em Londres, em 1935. No Brasil, o chocolate esteve disponível durante uma temporada na década de 1990, mas depois as vendas foram descontinuadas. A marca voltou ao mercado nacional em 2011, quando completou 75 anos e a companhia comemorou 90 anos no País. 7 898357 410015


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Fotos: Thinkstock / Divulgação

RADAR

[TURISMO

Para todos os gostos e sotaques Paraty é uma espécie de refúgio que reúne belezas naturais, história, gastronomia e cultura. Atrativos irresistíveis para turistas locais e estrangeiros Por Giseli Cabrini

A SEÇÃO RADAR

é voltada a temas relacionados a turismo e cultura. Participe! Mande sua sugestão para revista@gs1br.org

Um local para recarregar energias e ponto de encontro para pessoas de diferentes origens. Antes mesmo da chegada de Cabral em terras brasileiras, Paraty (RJ) era usada como ligação entre a costa e o Vale do Paraíba. A trilha servia para que as tribos indígenas do interior atingissem o litoral onde pescavam e produziam farinha, segundo informações da Secretaria de Turismo da cidade. Essa vocação natural foi perpetuada ao longo dos séculos que marcaram o Brasil Colônia e Império. No início do século 18, a trilha – batizada de Caminho do Ouro – foi calçada com pedras, passando a ser usada para escoar o ouro das “minas gerais” e para abastecê-las com gêneros alimentícios. No século 19, foi criada outra trilha, para escoar o ouro negro brasileiro: o café.

58 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

Por esse motivo, a gastronomia sempre foi um dos pontos fortes do município. Os engenhos coloniais locais se especializaram na produção de aguardente. A partir de 1700, “tomar um cálice de parati” tornou-se sinônimo de beber cachaça da melhor qualidade, inclusive na Europa. A fama da pinga paratiense atravessou os séculos e chegou a ser imortalizada nos anos 1940, quando Carmem Miranda gravou o samba Camisa Listrada. Nos dias atuais, o Festival da Pinga, no mês de agosto, traz à cidade mais de 80 mil pessoas nos três dias de festa. Durante mais da metade do século 20, a cidade vivenciou uma espécie de ostracismo até ser “redescoberta” por meio da abertura da rodovia Rio-Santos (BR-101), nos anos


1970. A estrada restaurou a comunicação entre a cidade e os dois maiores centros econômicos e emissores de turistas do País: Rio e São Paulo. O ostracismo parece ter sido determinante para proteger Paraty da especulação imobiliária, conservando seus patrimônios arquitetônicos e naturais. O traçado urbano definitivo, estabelecido a partir de 1726 e que seguiu os moldes da então moderna engenharia militar, com ruas mais largas e planta baixa em forma de leque, permaneceu praticamente intacto. Vale destacar também a influência da Maçonaria por meio dos símbolos estampados à frente de sobrados ou nas esquinas, nas quais três colunas em cantaria (pedra lavrada) formam um hipotético triângulo. CINEMA, TV E LITERATURA Da mesma forma, a mata atlântica que circunda Paraty foi preservada. Cachoeiras e trilhas são atrativos imperdíveis para quem visita a cidade, que também dispõe de belas marinas. Além de passeios de escuna e mergulhos, é possível alugar embarcações e encontrar locais para pernoitar ancorado. Essas características colocaram Paraty entre os destinos turísticos mais procurados tanto por turistas locais quanto por estrangeiros. E também ajudaram a projetar a cidade no cenário cultural nacional e internacional. Paraty foi escolhida como cenário para filmes, novelas, minisséries e videoclipes. Entre artistas internacionais que participaram dessas locações estão o roqueiro inglês Mick Jagger e o ator italiano Marcello Mastroianni. Desde

1966, a cidade é Patrimônio Histórico Nacional e aguarda seu reconhecimento como Patrimônio Cultural da Humanidade, prêmio concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O apelo cultural foi reforçado, há dez anos, por meio da criação da Festa Literária Internacional de Parati (FLIP), que inseriu o município no calendário literário mundial. O evento utiliza o nome Parati, com “i”, para realçar que a festa é “para você”. Idealizado pela editora inglesa Liz Calder, desde 2003, o festival ocorre anualmente na cidade, sempre prestando homenagem a um escritor brasileiro. Organizado pela Associação Casa Azul, a FLIP tem uma programação de quase 200 atividades, todas com tradução simultânea e transmissão ao vivo e pela internet. Para quem aprecia a obra de Graciliano Ramos, uma boa pedida é visitar a cidade de 3 a 7 de julho, quando ocorre a FLIP. Em 27 de outubro, completam-se 120 anos do nascimento do autor, natural de Quebrângulo (AL). Escritor, jornalista e político, Graciliano Ramos teve uma vida em que a literatura e a política se entrelaçaram e, não raro, as convicções e atividades políticas inspiraram suas obras de forte conteúdo social. Entre as de maior destaque estão Memórias do Cárcere, que revela sua experiência no período em que esteve preso durante a ditadura de Getulio Vargas, em 1935, acusado de subversão. Em Vidas Secas, um de seus mais celebrados trabalhos, retrata as agruras dos retirantes nordestinos castigados e humilhados pela seca. Assim, seja para turistas, intelectuais, esportistas ou apreciadores de uma boa cachaça, Paraty – fundada em 16 de agosto de 1531 – continua a ser um refúgio que está sempre à espera de todos. 7 898357 410015

SERVIÇO

Graciliano Ramos será o homenageado da FLIP 2013

Para saber mais sobre a cidade, acesse www.pmparaty.rj.gov.br ou www.paraty.tur.br FLIP: de 3 a 7 de julho. Mais informações em www.flip.org.br [ BRASIL EM CÓDIGO ] abr/mai/jun 2013 59


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desconexĂŁo

[qualidade de vida

Um paraĂ­so

pessoal


A prática do golfe exige concentração e disciplina. Entre uma tacada e outra, o diretor de marketing do Atacadista Roldão encontra a paz e o desafio da superação Por Mariana Izidoro

PARA TODAS AS IDADES Segundo a Federação Paulista de Golfe, o Brasil tem hoje cerca 15 mil praticantes do esporte e 62 campos oficiais. Para jogar, existem campos públicos e particulares. Apesar da fama de ser um esporte caro – tanto pelo equipamento quanto pelo custo de um campo – é possível encontrar locais com valores mais acessíveis. No campo da Federação Paulista de Golfe, um dos locais onde Fernandes frequenta, é possível alugar o equipamento por R$ 15 e pagar R$ 50 por uma partida.

“Se compararmos com outros países onde o esporte é mais difundido, a diferença de valores é gritante. Um bom campo público com 18 buracos pode custar em torno de R$ 300 por partida no Brasil. Enquanto isso, na Argentina, pode-se pagar R$ 50 reais para jogar com 18 buracos”, explica Fernandes. Ele lembra, também, que muitos campos brasileiros têm nove buracos, por isso, é preciso dar duas voltas para jogar uma partida completa. Há dez anos, um amigo apresentou Fernandes ao esporte, levando-o a um campo. Nesse tempo de prática e paixão pelo esporte, o executivo fez o mesmo com outros amigos. E enfatiza: “costumamos dizer que não existe ex-jogador de golfe, pois quem inicia nunca mais para de jogar”. Segundo ele, crianças com 6 anos já podem começar a treinar. E tem prazo de validade? Não! “Conheço pessoas que têm o dobro da minha idade e que jogam muito melhor do que eu”, diz. 7 898357 410015

Fotos: Paulo Pepe

Como é o paraíso? “Na grande maioria das vezes, escutamos as pessoas dizerem que é um lugar com grama, lagos, árvores, pássaros e muita paz. Então não é preciso esperar para ir para o paraíso, basta jogar golfe, pois um campo de golfe é exatamente assim”, descreve o diretor de marketing do Atacadista Roldão, Jefferson Fernandes, ao falar sobre sua paixão pelo esporte. O objetivo do jogo é acertar a bola nos buracos espalhados pelo campo com o menor número de tacadas possível – geralmente, o percurso é de 18 buracos. Portanto, o golfe exige concentração e disciplina em sua prática. Para Fernandes, de 41 anos, esses dois atributos trazem benefícios para sua vida pessoal e profissional. Há três anos no Atacadista Roldão, ele comanda o setor de marketing das 15 lojas na capital e no interior de São Paulo. A rede atende, principalmente, os micros e pequenos transformadores, o segmento de food service e o pequeno varejo. É corrido o dia a dia de trabalho do executivo formado em design pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e com MBA pelo IBMEC. A prática do golfe, segundo ele, funciona como uma terapia e um momento de superação. “Você não joga contra alguém, e sim contra o campo e você mesmo, sempre tentando superar seu desempenho”, explica o diretor de marketing. Uma partida de golfe dura em torno de quatro horas. Por isso, é aos sábados ou aos domingos que ele encontra uma brecha para se dedicar ao jogo. “Gostaria de ter mais tempo, pelo menos duas vezes por semana, mas quando consigo jogar uma vez por semana já fico bem feliz”, conta. Alguns campeonatos estão no currículo do diretor de marketing, que reforça que as competições valem pelo clima de descontração e pela companhia dos amigos. “No primeiro campeonato que participei eu estava tão nervoso que acertei o caddy [pessoa que carrega a bolsa de tacos em um campo], mas não foi nada sério”, lembra. Nas competições, sua melhor posição até hoje foi o terceiro lugar.

onde JoGAR O site golfe.esp.br tem um catálogo que mostra campos de golfe no Brasil. A busca pode ser feita pelo nome do clube ou por cidade. A ferramenta mostra informações sobre os locais, como faixa de preço e número de buracos. [ BRaSil eM CÓdiGO ] abr/mai/jun 2013 61


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RECURSOS HUMANOS

[PRODUTIVIDADE

O tempo como aliado Aprenda como tornar esse “vilão” em um parceiro para todas as horas

Foto/Imagens: Thinkstock

Por Andréa Cambuim Saber administrar o tempo e tornar o dia mais produtivo é um desafio para muita gente. Pensando nisso, a revista Brasil em Código entrevistou especialistas em gestão do tempo para buscar dicas sobre como organizar as 24 horas do dia obtendo um resultado satisfatório e com menos estresse. Perdemos tempo quando nos envolvemos em ações que não contribuem para o alcance de nossas metas. relacionar-se com pessoas que não geram aprendizado, entregar-se a eventos inúteis,

dedicar-se a relatórios que não serão utilizados são alguns exemplos de atividades que roubam descaradamente o tempo da gente. “Isso não significa esquivar-se de atividades ou pessoas desagradáveis, pois geralmente teremos que lidar com essas situações. Perder tempo é passar pela vida sem apreciá-la, sem se sociabilizar, sem deixar um legado e sem praticar, inclusive, o ócio”, explica o consultor de marketing e qualidade de vida, tom Coelho.


A sensação de nunca conseguir cumprir tarefas e compromissos ocorre quando nos envolvemos com muitos projetos simultaneamente. “É preciso fazer escolhas, com abdicação e renúncia. Isso significa abrir mão de alguns projetos pessoais e profissionais e até de iniciativas que, muitas vezes, são prazerosas”, diz o especialista em gestão de tempo e produtividade, Alexandre Borin. Segundo Coelho, o primeiro passo para começar a mudar essa questão é criar uma “constituição pessoal” capaz de identificar os valores que governam a sua vida. “É preciso colocar as prioridades em ordem. É o momento de fazer escolhas e descobrir o que é mais relevante em seu julgamento. Depois, você deverá unir razão e emoção, escrevendo um pequeno parágrafo para cada um desses valores”, explica. E na prática, como agir? Identificar as prioridades já é meio caminho andado. Daí tudo começa a ficar mais claro e, o que antes era quase impossível de se fazer, começa a tornar-se palpável. No entanto, há várias técnicas e soluções que ajudam a fazer a gestão do tempo. A chamada matriz de Eisenhower é bem eficaz e já está inserida no meio corporativo. A técnica consiste em dividir em quatro partes as tarefas a partir de sua urgência e importância. No primeiro quadrante ficam as atividades urgentes e importantes. É onde estão os problemas: crises, reuniões emergenciais, projetos com data marcada, questões inadiáveis, enfim, tudo que é “para ontem”. Sendo assim, faça imediatamente. “Exclua o mau hábito de deixar para depois o que pode e deve ser feito imediatamente; a melhor maneira de mudar de comportamento é executar as tarefas urgentes e mais desagradáveis logo pela manhã. Evite a tentação de fazer primeiro o que é mais prazeroso”, aconselha Coelho. No segundo, estão as atividades importantes, ou seja, o gerenciamento pessoal e o planejamento de longo prazo. A dica é identificar as ações que podem ser postergadas para outro momento e delegar as que podem ser realizadas por outra pessoa. “Leia e-mails três ou quatro vezes por dia para ter mais tempo para suas prioridades e consulte as redes sociais e as notícias – ambos muito importantes –, mas faça isso na hora do almoço ou à noite”, frisa Borin. As tarefas urgentes, mas não importantes, ficam no terceiro quadrante. Por exemplo: telefonemas, interrupções, relatórios, correspondência, etc. Nesse caso, execute-as quando puder e procure

não passar todo o seu tempo reagindo a coisas que não estão ligadas às metas principais. Faça um filtro e defina prioridades. De acordo com Borin, “não precisamos realmente fazer tudo o que pensamos ter necessidade. Hoje podemos terceirizar tarefas, quando estiver focado ou numa reunião importante, você pode permitir que alguém atenda o celular em seu nome”. Já segundo Coelho, “quando, ao final do dia, você não tem tarefas pendentes, sente-se menos pressionado, física e psicologicamente, conseguindo conciliar compromissos pessoais, profissionais e sociais, contemplando suas ‘sete vidas’ – física, afetiva, profissional, cultural, social, material e espiritual”, explica Coelho. No quarto e último quadrante estão as atividades não importantes e não urgentes. São as pequenas tarefas, os detalhes ou coisas sem importância e que geram perda de tempo. Dedicar-se a essas tarefas somente o deixará cada vez mais longe dos seus objetivos. PArA gANHAr tEmPo outra metodologia comentada e colocada em uso recentemente foi idealizada pelo especialista em gerenciamento do tempo e fundador da triad Productivity Solutions, Christian Barbosa, a partir do aperfeiçoamento de outras técnicas até hoje utilizadas. o estudo define que é preciso equilibrar o nosso tempo em três esferas: importante, urgente e


circunstancial. A pesquisa está reunida no seu recente livro A Tríade do Tempo, publicado pela editora Sextante. os especialistas também recomendam a PDCA, conhecida como ciclo de Deming. A sigla, em inglês, designa cada etapa do processo de gerenciamento do tempo. Planejar: localizar os problemas e estabelecer planos de ação; Do (fazer): conduzir a execução do plano; Checar: verificar se a meta foi atingida; e Agir: corrigir as falhas. Há outros recursos que ajudam a organizar nosso precioso tempo. Borin, que também é CEo da Prestus – Assistentes Pessoais 24hs, que fornece serviços de assistência através de secretárias em tempo integral, conta que fundou a empresa pensando em uma saída para ajudar os profissionais a organizar suas agendas. A Prestus oferece um número de telefone exclusivo que direciona as chamadas que não podem ser atendidas do telefone fixo ou celular. Assim, os clientes desses profissionais são atendidos em um “número mágico” por secretárias que estão à disposição 24

horas. “Eu era diretor de duas áreas diferentes numa grande multinacional e sentia absoluta falta de uma assistente pessoal. Passei três anos melhorando a ideia de ter uma empresa com secretárias para me auxiliar em tempo integral, ligando para call-centers em meu nome, agendando reuniões, consultas médicas, me ajudando com informações enquanto eu estivesse na rua ou no táxi”, explica. outras soluções práticas para melhorar o aproveitamento do seu tempo é estabelecer e escrever prioridades diariamente. Com isso, a primeira ação das primeiras horas do dia deve ser escolher duas tarefas difíceis e importantes para resolver. Feito isso, o dia torna-se cada vez mais produtivo e as tarefas cada vez mais fáceis. Se não for estabelecida uma rotina diária com regras que não podem ser quebradas, é impossível gerir o próprio tempo. Para isso, é necessário evitar que fatores externos e de baixa relevância tomem conta do nosso dia. muitas vezes, a internet, que surgiu como uma ferramenta para ajudar-nos no nosso dia a dia, pode ser uma larápia do tempo. “temos que

desenvolver estratégias para utilização produtiva do e-mail, gerenciando como responder e armazenar as mensagens”, afirma Coelho. Aliás, as redes sociais são vilãs da produtividade, pois fazem com que percamos facilmente o foco. Uma dica importante é não deixar as páginas das redes sociais abertas e limitar o acesso a elas, no máximo, duas vezes por dia, impondo-se um limite de tempo de navegação. Borin recomenda: “Nenhuma rede social vai te deixar esquecer de aceitar um convite de um amigo! Acredite nisto e não faça absolutamente nada quando, no meio da manhã, receber um convite para se conectar no Facebook ou no Linkedin.” Percebemos que estamos aproveitando melhor cada minuto do dia, incluindo atividades pessoais e familiares, quando não temos mais tarefas urgentes e importantes pendentes. “Não importa se você ainda tem 200 e-mails não lidos. temos que nos acostumar com a ideia de que não somos super-homens da produtividade. Aos poucos, esses pontos em aberto deixam de nos causar ansiedade”, conclui Borin. 7 898357 410015

PARA EVITAR A SENSAÇÃO DE NUNCA CONSEGUIR CUMPRIR TAREFAS E COMPROMISSOS, É PRECISO FAZER ESCOLHAS. ISSO SIGNIFICA ABRIR MÃO DE ALGUNS PROJETOS PESSOAIS E PROFISSIONAIS

64 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]


TORNE SEU DIA MAIS PRODUTIVO Aproveite o momento e seja intenso – porém, aja com cautela, proporcionando a si e aos demais o que você tem de melhor Sinta prazer no que faz – procure cultivar um trabalho digno e prazeroso, que seja Seja sempre pontual – um autêntico fonte de alegria, e não de infelicidade líder não deixa ninguém esperando para um compromisso Coloque você em sua agenda – separe uma hora por semana para ficar consigo mesmo, Espere 24 horas para reagir – as desligue o telefone e não atenda dimensões dos problemas são ninguém a não ser a si próprio reduzidas à sua realidade ouça sua intuição, porque ela é um processo inconsciente – isso não significa segui-la à risca para tomar decisões, porém jamais a ignore

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Administre a energia, e não o esforço - realinhe a postura, levante para tomar uma água, mas seja rápido sem se apressar

Evite o duplo manuseio – nunca interrompa uma atividade; a regra é começar e terminar

gerencie a concentração e não apenas o tempo – não perca o foco e dedique a parte da manhã para as tarefas mais desagradáveis

Ninguém está contra você – ter essa percepção é suficiente para evitar conflitos desnecessários Exceção não é regra – existem coisas que não podem virar rotina como, por exemplo, noites em claro maldormidas

Administre a transição do ambiente profissional para o familiar e aproveite para desacelerar Fonte: Tom Coelho

CUIDADO COM OS LADRÕES DO TEMPO No mundo corporativo existe uma legião de desperdiçadores de tempo. Agem sorrateiramente reduzindo sua eficácia, comprometendo metas e causando estresse. Veja como identificar os principais gatunos e como eliminá-los: Interrupções - elas acontecem por telefone, e-mail ou pessoalmente. Para se livrar delas, aprenda a dizer não, filtre telefonemas e mensagens, atenda as pessoas de pé. Comunicação deficiente - ocorre quando as responsabilidades e as autoridades na empresa não são definidas com clareza. mude isso, utilizando uma linguagem simples e aprenda a delegar. reuniões - muitas são agendadas sem critérios, são evasivas e duram

muito tempo. Procure torná-las produtivas. Agende e defina a pauta com antecedência, não permita interrupções externas e estabeleça horário de início e término. telefone - imprescindível, mas considerado o maior vilão das interrupções e a fonte mais significativa de desperdício de tempo. Para evitar isso, reserve horários para receber e efetuar ligações relacionando a ordem de prioridade dos telefonemas a serem feitos. Evite desculpas ou mentiras – diga “não” quando não puder atender. Celular - agiliza a comunicação, mas também rouba e invade a privacidade. otimize o seu uso com o identificador de chamadas para

selecionar ligações que precisam ser atendidas. Desligue o aparelho quando estiver em uma reunião ou executando uma atividade que exija concentração. Evite atendê-lo quando estiver em casa. E-mail - substitui o telefone com objetividade, porém, se utilizado sem critério, torna-se fonte de mal-entendidos e interrupções. responda de imediato as mensagens recebidas, instale um serviço antispam e um corretor ortográfico. Internet e intranet - são importantes para acelerar a comunicação, mas vale lembrar que, às vezes, é mais eficiente você caminhar até a estação de trabalho de seu colega. Fonte: Tom Coelho

[ BRASIL EM CÓDIGO ] abr/mai/jun 2013 65


[tecnologia & negócios

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Muito além do varejo

De um modo geral, o setor de varejo de vestuário tem sido apontado como o que melhor colhe resultados da RFID (tecnologia de identificação por radiofrequência) atualmente, tanto pela capacidade elevada de geração de ROI (Retorno sobre o Investimento) em curto espaço de tempo quanto pela relativa facilidade de implantação, já que os desafios técnicos para o uso da tecnologia são considerados mais simples. Isso está em evidência até em estratégias de grandes fornecedoras de tecnologia, como a Motorola Solutions, cuja visão global para os próximos anos envolve varejo e RFID. Mas o próprio mercado tem mostrado que há outros projetos – alguns grandiosos e sofisticados – em fase de estudo ou de testes. Posso citar pelo menos três dezenas de empresas de tecnologia que atuam no Brasil que declaram aos quatro ventos que estão com a mesma visão. E mesmo analistas, investidores, estudiosos, gente da academia... todos acreditam que o varejo é o setor com maiores índices de benefícios pelo investimento em RFID. Outro dia tive acesso exclusivo a um estudo internacional que aponta o Bilhete Único como um dos maiores projetos de identificação por radiofrequência no transporte público em todo o mundo. O Bilhete Único é o sistema que, por meio de um cartão personalizado, permite que os indivíduos comprem ou obtenham créditos em dinheiro para utilizar o transporte público integrado da cidade de São Paulo, composto por linhas de ônibus, metrô e trem. Se o usuário tiver de pegar mais de uma condução, o sistema oferece descontos progressivos. Além disso, o serviço de carga facilita a operação dos empregadores na hora de depositar créditos de vale-transporte para seus funcionários. A Companhia do Metropolitano de São Paulo, que administra o metrô na cidade, foi além e já utiliza cerca de 4 mil sensores por composição para monitorar o funcionamento dos trens e controlar o desempenho de toda a rede. A experiência positiva nos testes, segundo fontes extraoficiais, fez com que a empresa desenvolvesse um projeto que prevê o uso de 80 mil sensores acoplados a tags de RFID. O processo de implantação deve seguir pelos próximos 20 anos, período em que a companhia espera ter um aumento impactante no número de usuários, devido aos problemas de trânsito e também à ampliação da malha do metrô. Outros projetos em andamento, mas sob grande sigilo, estão nos bancos. Dificilmente as instituições financeiras falam sobre os seus sistemas, especialmente quando envolvem segurança da informação, recursos e diferenciais competitivos. Algumas já adotaram a RFID para rastrear seus celulares, tablets e notebooks, a fim de evitar extravios e vazamentos de informações. Uma das tendências em discussão no momento é a do pagamento por telefone celular, via NFC (Near Field Communication), uma tecnologia RFID que está presente na maioria dos smartphones, mas que só agora passará a ser usada com mais frequência pelo mercado. Nos datacenters, os bancos também já colhem os benefícios da RFID, mundialmente, no controle de circulação de equipamentos em áreas sensíveis, como também de malotes com documentos e valores.

O mercado tem mostrado que há projetos de RFID, alguns grandiosos e sofisticados, em várias áreas em fase de testes

66 abr/mai/jun 2013 [ BRASIL EM CÓDIGO ]

Foto: Paulo Pepe

Editor do RFID Journal Brasil; fundador e editor da Netpress Editora

As opiniões deste artigo não expressam o pensamento da GS1 Brasil ou da editora.

‘ Edson Perin

Quanto mais eu interajo com profissionais interessados em RFID, mais me surpreendo com a quantidade de novos projetos no Brasil



Brasil em Código - 8ª edição