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Fotos: Divulgação

de maneira conjunta”, resume Mario Faria, professor de marketing da BSP – Business School São Paulo. O conceito pode ser usado para desenvolver qualquer tipo de conhecimento. Nas empresas, ele é mais efetivo para treinar funcionários, desenvolver produtos e lançar novas estratégias de vendas. Também é uma boa alternativa para motivação, pois os funcionários podem aprender e ensinar assuntos pelos quais são apaixonados. A novidade também pode se tornar ferramenta para empresários, avalia Alexandre Marquesi, professor de redes sociais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “Nesse caso, o processo é semelhante ao do crowdsourcing. O conhecimento coletivo pode ajudar as empresas, principalmente as menores, a criar novos produtos e serviços ou melhorar os já existentes de acordo com a demanda”, explica. A ideia, diz o professor, é ampliar os canais para que consumidores digam o que pensam sobre o que as companhias oferecem. Por meio de suas opiniões, é possível criar itens na medida certa, de acordo com as necessidades dos clientes. Os canais podem ser dos mais variados: desde um espaço no site da empresa, páginas específicas para a colaboração ou nas redes sociais. O que não deve ser esquecido é a divulgação desses canais. “O mercado não é mais aquele que você esconde a ação, ainda que ela dê informações estratégicas para as empresas”, afirma Marquesi. “O que importa é a estratégia que será feita a partir dessas informações”, completa. APRENDIZADO Colocar o consumidor como agente ativo no processo de criação de novos produtos e serviços não é o único modo de explorar o conceito dentro das empresas. Para os especialistas, a aplicação essencial do termo consiste em aproveitar as competências e habilidades de funcionários, com o intuito de ajudar a empresa a crescer.

A proposta é simples: se uma pessoa conhece legislação de comércio exterior, por exemplo, ela pode ensinar os demais funcionários e até mesmos os chefes sobre o tema. E o que a empresa ganha com isso? Mais cabeças pensantes que entendem sobre o comércio exterior. Esse novo conhecimento compartilhado abre caminho para a companhia lançar estratégias acerca do tema. “Para quem se dispõe a aprender nesse modelo, ganha a possibilidade de aprender algo diferente, que provavelmente as escolas não têm interesse em ensinar, e sendo ensinada por alguém tão apaixonada pelo assunto quanto ela”, afirma Leonardo Correa, sócio da Nós.vc, empresa de plataforma de crowdlearning lançada no ano passado. Por meio dela, as pessoas propõem cursos, workshops e debates e se houver grande demanda entre os internautas, a empresa realiza os eventos. A companhia é exemplo de que o modelo também pode ser um bom negócio. Normalmente, para a disseminação do conhecimento, empresas buscam canais específicos, feitos sob medida para isso. Correa e seus sócios, Mauro Alex e Daniel Larusso, investiram apenas tempo e trabalho para lançar a plataforma. O lucro vem de porcentual sobre as inscrições de encontros pagos que promovem. Correa aposta no mercado corporativo como grande protagonista da disseminação do conceito. “Para as empresas é bom porque cria uma comunidade de pessoas engajadas, agrega conceitos interessantes a sua imagem pública, gera renda extra, e ainda aproveita espaço físico ocioso”, conta. Um dos projetos da empresa é o NósLab, em parceria com o Nós Coworking (o nome é apenas coincidência), espaço de coworking em Porto Alegre – escritórios coletivos, onde profissionais autônomos e pequenas empresas dividem salas de reunião, recepção, secretária e outros espaços comuns. A empresa de escritórios com-

partilhados realizou uma espécie de festival de workshops ministrados por pessoas do próprio coworking, aberto ao público. A ideia era aproveitar o espaço e as competências dos profissionais que trabalhavam ali. “O modelo está se saindo bem, e acreditamos que possa ser replicado em empresas de formatos diversos”, reforça Correa. Abrir o conhecimento ao público, como fez a empresa de escritórios compartilhados, é mais efetivo que restringi-lo as quatro paredes das companhias, afirma Mario Faria, professor de marketing da BSP – Business School São Paulo. “Se a propagação desse conhecimento não tiver escala, não faz sentido.” EFETIVIDADE O professor Jeff Paiva, do curso de extensão em comunicação em mídias sociais da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), tem dúvidas quanto à efetividade do crowdlearning

“Crowdlearning é um conceito experimental e tem limites de aplicação nas empresas” Jeff Paiva, da FAAP

[ BRASIL EM CÓDIGO ] jan/fev/mar 2012 37

Brasil em Código - 4ª Edição  
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