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NÚMERO 2 | Março 2015 | € 0,00

TRIMESTRAL

PENSAR

FORA DA CAIXA A REVISTA

9 772183 420005

ISSN 2183-4202

02

Portugal 2020 • Responsabilidade Social • Riscos Profissionais • Riscos Psicossociais • SD-Learning • Tacógrafos • Diabetes e Condução

“O

êxito de um empresário é o êxito das pessoas que com ele colaboram”


EDITORIAL

3 Sobreiro Duarte

O ano de 2015 vai ser determinante para a estabilidade das empresas. Tendo em conta que o mercado está cada vez mais a selecionar os operadores, as organizações têm todos os dias desafios determinantes para o futuro. Os desafios organizacionais passam cada vez mais pelo desenvolvimento, saúde e segurança do seu Capital Humano. Citando Bob Taylor, “construir a equipa é tão importante como a produção do produto”. São determinantes, neste início de ano, o recrutamento já que é fundamental escolher os melhores para o lugar certo. Temos a noção que existe desemprego, no entanto as empresas estão com dificuldades em recrutar colaboradores tecnicamente evoluídos e, mais do que isso, com atitudes potencialmente positivas para o envolvimento com e nas organizações. O desenvolvimento do Capital Humano é fundamental, e de cada vez que pensamos em desenvolvimento, pensamos em formação, sendo que a formação “tradicional” já não faz muito sentido. Mais importante que “passar conhecimento” é transferir sabedoria e fazer com que se transformem experiências; é fundamental que sejam as experiências a fazer a diferenciação dentro das organizações e como tal aumentar a competitividade das mesmas no mercado. Mais do que indicar o caminho é proporcionar que os colaboradores encontrem eles próprios o caminho, é fundamental ter “cabeças de obra” – colaboradores que encontrem as melhores soluções para atingir os objetivos delineados pela organização. Vai ser a diferenciação que em 2015 marcará a competitividade das empresas. Transferir experiência, cuidar da segurança no trabalho, avaliar os riscos psicossociais e desenvolver a responsabilidade social, são fatores críticos de sucesso nas empresas … e, claro, Pensar Fora da Caixa. Sobreiro Duarte

REVISTA PENSAR FORA DA CAIXA | Março 2015


SUMÁRIO

Pensar Fora da Caixa, porque todos os dias somos confrontados com a necessidade de inovar e de fazer mais e melhor. Nesta segunda edição, tivemos o privilégio de estar à conversa com o Eng. Coutinho, um empreendedor com um enorme espírito de luta e solidariedade. Juntando-se ainda alguns artigos mais técnicos, eventos realizados pelo Grupo SD e o relato na primeira pessoa de empresários de sucesso.

FICHA TÉCNICA

Diretor:

Joaquim José Sobreiro Duarte Subdiretora:

Hélia Roberto Silva Editor:

Sobreiro Duarte, Lda. Rua Dr. Asdrúbal Calisto, 2C 2500-133 Caldas da Rainha geral@gruposd.pt Coordenador:

Rafael Nogueira EDITORIAL..................................................3 4

Propriedade da Edição:

Tacógrafos.................................................5

Joaquim José Sobreiro Duarte NIF: 130277312

Diabetes e Condução................................7

Paginação:

SD-Learning...............................................8 Seguro de Responsabilidade Civil.........10

PáginaCarmim, Lda. Impressão e Acabamento:

Portugal 2020.........................................11

PáginaCarmim, Lda. Rua Guilherme Marconi nº 13 Loja 10F 2626-448 Ramada

Eng.º Joaquim Coutinho Duarte.............12

Tiragem:

“Gente da Minha Terra”........................17

1500 exemplares Trimestral

Absolutland, Lda.....................................18

Depósito legal n.º:

Responsabilidade Social........................20

ERC: 126607 ISSN: 2183‑4202

Riscos Psicossociais.................................21

Colaboradores:

Riscos Profissionais.................................22 Garagem 2.0 ..........................................24 Jantar de Natal do Grupo SD................28 Parceiros na Inclusão Social..................29 9.ª Convenção Nacional da ARP...........30

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Ana Júlio Ana Ligeiro Mara Marques Marco Neves Noel Vinagre Patrícia Neves Pedro Duarte Rafael Nogueira Rita Rodrigues Telma Eusébio

385617/14


Tacógrafos Regulamento 165/2014 começou a ser aplicado este mês O Regulamento (UE) 165/2014, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 4 de fevereiro, tem como objetivo estabelecer obrigações e requisitos relativos à construção, instalação, utilização, ensaio e controlo dos tacógrafos utilizados nos transportes rodoviários para verificar o cumprimento dos tempos de condução, pausas e períodos de repouso estabelecidos para os respetivos condutores. O Regulamento 165/2014 mantém quase por completo as regras estabelecidas no Regulamento (CEE) 3821/85, de 20 de dezembro, o qual irá ser revogado por completo no dia 2 de março de 2016, aquando da aplicabilidade do Regulamento 165/2014. Este novo Regulamento entrou em vigor no dia 1 de março de 2014 mas só passou a ser aplicado a partir do passado dia 2 de março de 2015 e apenas para três artigos. Os artigos que entraram em vigor foram o artigo 24º (aprovação de instaladores, oficinas e fabricantes de veículos), o artigo 34º (utilização dos cartões de condutor e das folhas de registo) e por último o artigo 45º (alterações ao Regulamento 561/2006 na parte das isenções do veículos). Os restantes artigos só serão aplicados a partir de 2 de março de 2016.

NOVIDADES

Tacógrafo inteligente O tacógrafo inteligente será obrigatoriamente instalado nos veículos novos matriculados pela primeira vez 36 meses após a entrada em vigor dos atos de execução que a Comissão Europeia venha regulamentar, tudo indica que estes atos serão regulamentados até 2 de março de 2016. Ou seja, não havendo nenhum atraso, a partir de março de 2019, teremos veículos com tacógrafos inteligentes! Para os veículos já em circulação, o regulamento prevê um prazo de 15 anos para a instalação dos novos equipamentos ou a modernização dos já existentes. O que tem de diferente um tacógrafo inteligente de um tacógrafo digital normal? • Registo da posição do veículo Instalação de tecnologia GNSS (sistema global de navegação por satélite), que irá gravar e armazenar a posição do veículo no início e no final do período de trabalho diário, bem como após cada três horas de tempo de condução acumulado. • Deteção rápida à distância Afim de facilitar a realização de controlos de estrada as autoridades podem comunicar diretamente com o veículo em movimento para verificar uma eventual manipulação ou uso indevido. • Interface ITS (sistema de transporte inteligente) Permite que os dados registados ou produzidos sejam utilizados em modo operacional por um dispositivo externo. Marco Neves

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Diabetes e Condução A Segurança em saber o

DRª MARA MARQUES A Diabetes Mellitus é uma das doenças que são importantes na avaliação da aptidão para a condução. A prevalência da Diabetes tem vindo a aumentar nos últimos anos, consequentemente o número de condutores que são diabéticos também aumentou, sendo fulcral abordar este tema. Vamos então falar sobre diabetes e em que é que poderá interferir na condução. A diabetes está associada a condições que podem afetar potencialmente a capacidade para a condução, tais como a retinopatia, neuropatia diabética e a hipoglicemia. A diabetes está associada a complicações oculares, tais como a retinopatia diabética e a formação de cataratas. Estas vão afetar a capacidade de visão, que é fundamental à condução, e para a qual há limites mínimos que são exigidos a todos os condutores. A neuropatia diabética (lesões neurológicas) pode também interferir com a capacidade motora dos membros inferiores, influenciando os movimentos que são necessários realizar quando se conduz. A hipoglicemia (valor baixo de açúcar no sangue) reduz o desempenho na condução, por esta razão não se deve conduzir

que fazer

com valores de glicemia capilar inferiores a 90 mg/dL. Se é diabético, existem algumas medidas que deve tomar de modo a reduzir os riscos de hipoglicemia aquando da condução (sobretudo em doentes a fazer insulina ou alguns antidiabéticos orais que podem causar baixas de açúcar no sangue). Estes doentes devem: • Ter sempre um glicómetro (aparelho de medição da glicemia) e uma fonte de açúcar consigo no carro (no entanto e porque quer a insulina quer as tiras de teste podem ser afetadas pelas altas ou baixas temperaturas, não devem ser deixadas no carro de forma permanente); • Testar sempre a glicemia capilar (açúcar no sangue) antes de iniciar a condução e a cada intervalo de 1h; • Nunca iniciar um período de condução prolongado com valores de glicemia capilar inferiores a 90 mg/dL sem fazer um pequeno lanche; • Parar assim que surjam sintomas de hipoglicemia (mal estar, tremor, sudorese, confusão), avaliar e corrigir a glicemia capilar e não retomar a condução antes de ter um valor de glicemia normal, geralmente durante um período entre 30 a 60 minutos. O doente diabético deverá seguir estes conselhos para uma condução segura de forma a não pôr em risco a sua vida ou a de outros condutores.

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Drª Mara Marques

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SD-Learning Formação a tempo DR.ª ANA COSTA RECURSOS HUMANOS – TRANSPORTES MESTRE D’AVIZ

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Antes de mais, fale-nos um pouco da Transportes Mestre d’Aviz e da sua trajetória até ao cargo que ocupa atualmente? Aquando da minha admissão no início de 2008 a empresa possuía 14 camiões, tendo de ano para ano adquirido mais veículos e admitido na mesma proporção mais funcionários. Atualmente possuí 35 camiões e 52 funcionários. Isto levou a que a Transportes Mestre D`Aviz expandisse as suas instalações, a fim de poder dar resposta não só às necessidades da empresa mas também de forma a proporcionar o melhor serviço ao cliente, cada vez mais exigente. Todo este processo afetou direta e indiretamente o meu percurso, uma vez que o aumento da frota e de funcionários, levou a que eu quisesse cada vez mais ultrapassar dificuldades e obstáculos até então intransponíveis, para poder dar resposta às necessidades da empresa.

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e horas

Como é vista a formação pela Transportes Mestre d’Aviz? A formação é vista pela Transportes Mestre D`Aviz como uma forma de proporcionar a todos os funcionários desenvolvimento e valorização das suas capacidades, estimulando os colaboradores a quererem cada vez mais, fazer mais e melhor e com a maior eficiência possível, não esquecendo as boas práticas de preservação do meio ambiente. Gerir colaboradores, manter a empresa em funcionamento e garantir resultados positivos no fim do ano é a base de qualquer empresa. Onde entra a formação em todo este processo e como se gere/ avalia o tempo e qualidade da mesma? A formação é utilizada para estimular/desenvolver as capacidades dos funcionários, para que os mesmos estejam mais informados quanto às boas práticas da atividade profissional exercida. Uma vez que no final do ano muitos

dos clientes com quem trabalhamos estão encerrados, aproveitamos para ministrar formação aos colaboradores. Formar é Investir Individualmente num Coletivo. O que se procura numa formação e quais os principais obstáculos para o sucesso? Os principais obstáculos para o sucesso na formação são encontrar temas que satisfaçam os interesses dos funcionários, para que estes encontrem benefício no tema e se sintam realizados com a aprendizagem. Porquê a aposta no SD-Learning do Grupo SD para formação dos colaboradores da Transportes Mestre d’Aviz? Em 2008 conhecemos o gestor de formação da Sentidos Dinâmicos e a partir daí fomos mantendo contacto, o que nos permitiu perceber a competência da empresa. Como queremos sempre o melhor, a nossa aposta recaiu sobre o Grupo SD e particularmente sobre o SD-Learning


uma vez que nos permitiu gerir melhor o tempo dos nossos colaboradores. Que vantagens trouxe esta formação à Transportes Mestre d’Aviz? A formação SD-Learning trouxe à Transportes Mestre D`Aviz não só a valorização dos funcionários como uma maior produtividade e dinamismo assim como o estímulo dos funcionários a serem inovadores. Que feedback conseguiu recolher da formação? O feedback recolhido junto dos colaboradores foi muito positivo, já que gostaram do modo como os temas foram abordados e conduzidos pelos formadores bem como pelo esclarecimento de dúvidas nas áreas abordadas na formação. Num mercado tão amplo e competitivo, como é trabalhar com o Grupo SD? Foi gratificante poder trabalhar com uma empresa competente e dedicada ao desenvolvimento e valorização profissional dos funcionários que trabalham para os seus clientes. Muito obrigado pela colaboração.

Entrada principal da Empresa transportes Mestre D’Aviz

SD-Learning – Formação do Grupo SD lecionada em formato de autoestudo, permitindo tanto à organização como ao formando uma maximização do tempo de trabalho, sem restrições geográficas ou temporais, garantindo total liberdade no tempo de estudo, tornando‑o mais útil e eficaz. A formação SD‑Learning possibilita ao formando aprofundar conhecimentos a partir de uma metodologia dinâmica e atrativa, na medida em que lhe serão cedidos todos os conteúdos teóricos, que de uma forma simples poderá, através de autoestudo, aprofundar o seu conhecimento, completando‑o com acesso a conteúdos práticos, ministrados através de formação presencial. Por sua vez, nas organizações permite aumentar o acesso à formação a um maior número de colaboradores, rentabilizando o trabalho, o tempo e sustentando um capital humano mais qualificado, mais ativo e interativo.

Grupo SD

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Seguro de Responsabilidade Civil De Administradores, Diretores e Gerentes DR. NOEL JOSÉ VINAGRE DIRETOR

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Perante distintos fatores como são a contínua crise económica, os latentes riscos financeiros nacionais e internacionais, as constantes alterações legislativas, é de expressa necessidade para Administradores, Diretores e Gerentes a proteção e segurança necessárias ao desenvolvimento da sua atividade profissional. Os Administradores, Diretores e Gerentes deverão estar cientes dos riscos a que estão expostos e que podem afetar tanto o seu património como o dos seus familiares. Um executivo tem de ter a ousadia de muitas vezes tentar desvendar o futuro e tomar decisões. Mas o que hoje é supostamente uma realidade e o melhor caminho a seguir, para a semana pode confirmar-se ser um problema, uma má decisão, e daí resultar numa perda financeira significativa para a empresa, comprometendo o património e o futuro do gestor, arrastando com essa tomada de decisão a sua família para possíveis transtornos. Este tipo de seguro, visa fundamentalmente proteger o

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património pessoal e familiar dos referidos dirigentes, contra reclamações de terceiras pessoas ou entidades contra si intentadas em consequência de decisões ou factos de gestão considerados negligentes no âmbito do exercício das suas funções. As Multinacionais por motivos óbvios, foram as precursoras a reclamarem este tipo de proteção. Hoje, no ano de 2015 o tecido empresarial, incluindo PME`s que adquiriram a consciência do risco e a necessidade de se protegerem, alavancaram assim a procura (pelo menos) em saber de que se trata este seguro. Segundo os especialistas, nos próximos anos é expectável que a sinistralidade nesta área aumente; ainda, segundo os mesmos, é em tempos de crise e turbulência que a contratação deste tipo de apólice mais se justifica. Por fim, vale a pena recordar que muitas empresas optam por subscrever este tipo de apólice para proteger os seus gestores, pois pretendem que os seus líderes possam atuar livremente e de forma tão desinibida quanto possível. Todos sabemos que um diretor que não arrisque pode ser muita coisa, mas não é

garantidamente líder. E porque quem não decide já errou, vale a pena aprofundar o tema. Dr. Noel José Vinagre

“QUEM DECIDE PODE ERRAR; QUEM NÃO DECIDE JÁ ERROU.” H. Von Karajan


Portugal 2020 O que é? O Programa Portugal 2020 é um acordo de parceria entre Portugal e a Comissão Europeia, onde intervêm os 5 Fundos Europeus Estruturais e de Investimento – FEDER, Fundo de Coesão, FSE, FEADER e FEAMP – e no qual se definem os princípios de programação para o desenvolvimento económico, social e territorial em Portugal, entre 2014 e 2020. Portugal irá receber 25 mil milhões de euros até 2020, repartidos por diferentes objetivos temáticos de acordo com as prioridades de crescimento do país. Assim, teremos os seguintes programas operacionais: • Capital Humano (PO CH) • Competitividade e Internacionalização (PO CI) • Inclusão Social e Emprego (PO ISE) • Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (PO SEUR) Com estes programas pretende-se cumprir os seguintes objetivos: • Estímulo à produção de bens e serviços transacionáveis e à internacionalização da economia; • Reforço do investimento na educação e formação; • Reforço da integração das pessoas em risco de pobreza e do combate à exclusão social; • Reforço da transição para uma economia com baixas emissões de carbono; • Reforço da capacidade de gerar valor acrescentado pelo setor agroflorestal; • Apoio ao Programa da reforma do Estado.

Dentro do Programa Portugal 2020, foram ainda distinguidas diferentes regiões, as quais se encontram divididas da seguinte forma: • Regiões menos desenvolvidas: Norte, Centro, Alentejo e Região Autónoma dos Açores • Regiões em transição: Algarve • Regiões mais desenvolvidas: Lisboa e Região Autónoma da Madeira A divisão dos fundos pelos diversos programas operacionais é a seguinte:

25%

17%

PO CH PO CI PO IS E PO SEUR

16% 41%

• Aumentar o peso das atividades produtoras de bens e serviços transacionáveis e internacionalizáveis e a orientação exportadora das empresas portuguesas; • Capacitar as PME para o prosseguimento de estratégias de negócio mais avançadas; • Melhorar as condições de transporte de mercadorias entre Portugal e o exterior, com repercussão na redução dos custos e tempos de operação para as empresas; • Melhorar a capacitação, a eficiência e a integração dos serviços públicos, reduzindo custos de contexto. Patrícia Neves Fontes: www.por tugal2020.pt, consultado no dia 11 de março de 2015 Apresentação: “PORTUGAL 2020: Objetivos, Desafios e Operacionalização”

Domínio Temático Competitividade e Internacionalização Sendo o programa com maior investimento por parte dos fundos europeus é o domínio onde se pretende reforçar a competitividade da economia portuguesa a par da melhoria do desempenho das atividades produtoras de bens e serviços mais expostos à concorrência internacional. Para tal, definiram-se os seguintes objetivos: • Aumentar a intensidade de tecnologia e conhecimento dos vários setores e do conjunto da economia;

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Eng.º Joaquim Coutinho Duarte Entrevista

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Em meados do século passado, uma pequena aldeia do concelho de Alcobaça via nascer Joaquim Coutinho Duarte. Oriundo de uma família humilde, começou a trabalhar aos 11 anos como vidreiro. Considerado pelos conterrâneos como uma pessoa muito irreverente mas bem-educada, foi estudar para a Marinha Grande aos 13 anos. E fazia as duas coisas, trabalhava na fábrica-escola, no vidro, que era bem violento! (…) É uma profissão que exige muito. E muita concentração a crianças! E ninguém deixou de ser homem. Recebeu, conjuntamente com um colega, o prémio de melhores alunos da Escola na Marinha Grande, através do qual foram a Espanha, o que lhes incentivou ainda mais o gosto pelo estudo. Licenciado em Cerâmica e Vidro pela Universidade de Aveiro, começou a sua carreira no posto mais baixo, e acabei por atingir alguma dimensão porque corri todos os lugares da produção, de chefia, e acabei no gabinete do Presidente do Conselho de Administração. (…) Fui para a SPAL e as coisas aconteceram naturalmente, era adjunto do Diretor-Geral, Dr. Costa, ele acabou por sair para dar impulso à sua vida, porque entendia que naquela altura era o melhor para ele, e entenderam que eu era a melhor pessoa para assumir aquelas funções. Na altura, a SPAL tinha 600 trabalhadores e trabalhava muito a exportação. (…) Estamos aqui a falar de 1984. Depois acabei por assumir aquelas funções, a SPAL já obrigava a um determinado

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Engº Joaquim Coutinho Duarte

rigor, era uma empresa que exportava muito, 40 a 50% da sua produção era para exportação. Havia que haver, para além da qualidade, cumprir os prazos, cumprir as datas do embarque dos contentores, de sermos uma empresa que gostaria de estar sempre na frente, na frente da tecnologia. Já naquela altura se pensava que: “Ou andas para a frente e te formas, e te atualizas ou então ficas para trás”. Sem medo dos desafios, desempenhou funções como Diretor Geral de uma empresa de referência nacional, foi membro da Assembleia Municipal, Diretor do CCRD Burinhosa e o primeiro Comandante dos Bombeiros de Pataias, nos quais teve um papel muito importante na sua constituição. Atribui muito valor ao trabalho desenvolvido pelo Bombeiros,

de ir defender sabe-se lá quem, são chamados durante a noite, já depois de terem feito um trabalho nas suas empresas para sustentarem a família. E têm sempre um troféu, contribuir para o do salvamento de uma vida. África surgiu no seu caminho no final da década de 80 por se tratar de um desafio. Deixei os Bombeiros, deixei a Assembleia, e acabei por aceitar um novo desafio, a África, e foi aí que deixei a SPAL. Como homenagem à família e à terra que o viu nascer e crescer, a Quinta da Valinha é um local que acaba por ser um pouco a história da família. O objetivo da Quinta da Valinha é trazer o país a conhecer a Burinhosa? O objetivo da Quinta é, acima de tudo, que as pessoas tenham um


local para conviver. Venham eles de onde vierem, esse é que é o objetivo principal da Quinta. (…) E depois tem servido para que as pessoas todas possam encontrar aqui razões para realizar eventos, encontros, convívios. E a Burinhosa, forçosamente, como consequência aproveita-se disso. Mas pode ser catalisador para o desenvolvimento da Burinhosa também? Eu penso que, Portas da Burinhosa, Quinta da Valinha, Quinta dos Veados, e Clube não se podem dissociar! (…) As Portas da Burinhosa são uma atração. Não tenho dúvida nenhuma que qualquer pessoa quer conhecer as maiores portas de Portugal em homenagem aos empregos que foram determinantes para o desenvolvimento da região. Os veados: nós também gostamos sempre da natureza, gostamos de ir vê-los. O Clube está com uma expansão louca! O Engº Coutinho é um líder? Não, eu penso que não. Sou uma pessoa que me enquadro bem, isso sim, no ambiente onde nasci, no respeito pelas pessoas, no lidar com elas, talvez eu consiga

discutir bem os meus pontos de vista, e que sou capaz, com toda humildade, quando eu não tenho razão, largar o assunto e pedir desculpa, até. Em termos de liderança, conduzir as coisas, acho que não, sou mais um entre tantos. Mas é um homem que envolve muito as pessoas que estão à sua volta? Ah, isso sim! Procuro que a comunidade (…) dê os seus contributos, as suas ideias. Sou muito contra marginalizar certas pessoas, digamos, colocá-las de lado porque são pobres, colocá-las de lado porque não têm instrução, isso eu sou contra! Todos nós somos úteis à sociedade, a sociedade é composta por todos nós, seja qual for o nosso nível de evolução. E temos todos nós uma obrigação, que é deixar a sociedade melhor do que aquela que a encontrámos. Todos! E se isso é ser líder, eu sou um líder! (…) No fundo é o reconhecimento por aqueles que contribuíram para a nossa própria personalidade. Nós não somos frutos do nada, somos frutos de alguma coisa, não é? (…) Nos Encontros anuais fazemos sempre a atribuição de um prémio muito humilde,

a alguém. (…) Naquele dia, com um envelopezinho, uma coisa muito humilde, também quisemos dizer: “A sociedade reconhece o homem que foste, e que apesar de pobre és um grande homem!” (…) Penso que não há-de haver muitas aldeias com este sentido de solidariedade entre todos, com esta dinâmica. O Engº acredita que qualquer pessoa tem potencialidades para ter êxito? Sim, acredito. Para nós termos êxito nas coisas, a forma de trabalharmos há uns anos atrás, quando iniciei a minha vida laboral e académica, a condição para termos êxito era uma. Hoje, com a sociedade, em permanente evolução, a condição é outra. (…) Qualquer pessoa que seja capaz de estar sempre em aprendizagem, em formação, que entenda que a sociedade é uma sociedade de evolução e que tem de ter capacidade de se adaptar à evolução, essa pessoa tem sempre condições para ser uma pessoa importante para a sociedade evoluir e ela própria com a sociedade. Não se pode é deixar ficar! (...) Qualquer pessoa é capaz.

Monumento em honra aos pais do Engº Joaquim Coutinho Duarte

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Acha que, muitas vezes, as pessoas não atingem os objetivos porque pensam que esses objetivos dependem dos outros, e andam sempre a queixar-se dos outros e não são eles a tomar a iniciativa? É uma acomodação. Essas frases são ditas para nos acomodarmos, para não nos obrigarmos a nós próprios a acompanhar os tempos, é muito simples, é a forma de ficamos cómodos num cantinho. E não termos de nos esforçar, que andar a estudar, a aprender, é a procura da vida mais fácil, que no fundo é a vida mais complicada. É ir à procura do facilitismo, quando no fundo está a complicar a sua vida, a sua existência e a dos seus. Afinal está a ficar para trás! E fica para trás com uma velocidade estonteante! Existem leis da Natureza como a causa-efeito, a lei da gravidade, o semear para colher. Julgo que estas leis são fundamentais e podem-nos inspirar na vida. Para si são importantes? Importantíssimas! As leis que se fazem sentir, as leis que nos trazem aqui e nos criam condições para a nossa existência, não apareceram porque alguém estalou os dedos e apareceram. Elas foram criadas para nós podermos existir, para nós podermos estar neste mundo, para as podermos aprender, para as podermos evoluir, para podermos tirar partido delas sabendo o que é que estamos aqui a fazer. (…) Há muito tempo que nós vivemos sob conceitos, leis e regras que nem nos apercebemos delas, e através dos órgãos de comunicação vamos detetando que

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apareceu mais isto e mais aquilo. E aquilo já existia, nós é que não tínhamos conhecimento! (…) Há um mundo ainda por descobrir. Marinha Grande, Aveiro, Pataias, Alcobaça, Angola, mas Burinhosa é o porto de abrigo? É a terra que eu gosto, é o povo que eu gosto. (…) Foi aqui que eu encontrei algumas pessoas que participaram na minha for-

é diferente, entrega-se a causas com as quais me identifico bastante, a forma como esta gente se entrega, a solidariedade. As pessoas antigamente iam-se merecer umas às outras, é um termo aqui da terra que vai desaparecendo, significa que iam ajudar-se. (…) Criavam o trabalho entre si, geravam a receita nestes procedimentos e os trabalhos eram comunitários. Os nossos antepassados disseram-nos “Ajudem-se uns

CEO do Grupo SD Sobreiro Duarte e Engº Coutinho

mação, na minha maneira de ser. Por mais que eu faça, por mais que eu me dedique, nunca lhes pago aquilo que elas fizeram por mim. (…) Tenho uma frase: “Se me dessem agora a oportunidade de voltar a nascer, sabendo o que eu sei, e me perguntassem onde é que queria nascer, eu respondia, quero nascer na Burinhosa”. Porque esta gente

aos outros”. É isso que me faz cada vez mais ser Burinhense. Vir à Burinhosa, conviver com este povo, é aprender a ser solidário. É importante cada vez mais a solidariedade no nosso país? Não tenho dúvida nenhuma. Muito dos problemas que existem, se nós fossemos capazes


de ser solidários e de merecer a solidariedade, porque não é só sermos solidários, também temos de merecer a bondade da sociedade e dos nossos amigos, não tenho dúvida nenhuma que a solidariedade se gera e cresce. E acredita que todo o trabalho que se está a desenvolver aqui na Burinhosa pode contagiar a região? Nós na Burinhosa gostaríamos

que assim fosse, tanto de maneira que já queremos ser o clube da região, com sede na Burinhosa. Somos o polo de atração das crianças com 7 anos que vêm para aqui jogar. (…) Mas não só para os nossos! A maior parte dos jovens que praticam desporto na nossa terra são de longe, a kms de distância. Há aqui miúdos de Peniche! Pressionaram os pais

para jogar na Burinhosa. E que bem que esses miúdos jogam! Representam bem a terra. Isso é magia? Não sei, através dos tempos os conhecimentos de uns para os outros têm se vindo a contagiar. (…) A Burinhosa é mesmo um fenómeno, os nossos visitantes saem daqui interrogados: “Mas que fenómeno é este?” Eu ouço isso com muita satisfação.

Sermos dignos de uma herança, de uma família. Trabalhar cada vez mais quer seja nas localidades, nos clubes, nas empresas, trabalhar com as pessoas, trabalhar para as pessoas, envolver as pessoas, isto é o caminho? No meu entender há coisas

determinantes para o futuro. Antes de mais a formação do homem constante, mas também o ambiente e a ecologia vão ser determinantes. (…) Este povo tem muitas lições para dar, e uma das lições que tem a dar é a sua dedicação e apego ao trabalho, a sua solidariedade, em cada monumento traz muita gente à Burinhosa. Querem que cada um que sai daqui saia seu amigo. “Venham cá, confraternizem connosco, joguem futebol connosco, mas sejam apenas adversários no tempo em que tem de ser, e depois sejam nossos amigos”. Os burinhenses cumprimentam depois do jogo o adversário, e aplaudem a equipa adversária. (…) No sábado estava cá o Jornal Record, a Bola TV e o Correio da Manhã. Eles próprios já se estão a preocupar pouco com o jogo e muito com os movimentos da assistência e ficaram para o final para ver a forma calorosa como este povo de despediu das equipas, a bater palmas. (…) Quer que lhe diga o que eu penso? E digo-lhe isto do fundo do coração, penso que esta terra é abençoada por Deus. Sinto muito o que estou a dizer porque acredito piamente nisto. Deus passou por aqui. As portas da Burinhosa, um monumento magnífico, vai nascer ali ou já nasceu algo que vai ser marcante para esta região também? Permita-me que eu lhe diga, as Portas da Burinhosa é uma consequência disto tudo, até uma vontade de Deus. Muitos poderão ficar admirados e até contestar a frase. Não encontro outra explicação para o aparecimento naquela região, que era mato, sem qualquer interesse comercial nem produtivo, está ali um local

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de motivo de visita. É uma homenagem para as profissões mais marcantes da região. E penso também, quis o divino, que eu me encontrasse com o Sr. Carlos Oliveira, e fizéssemos coisas para este povo que Deus colocou aqui. (…) Aquela obra não terminará por lá, se Deus quiser. E sabe lá onde quer Deus que ela pare. Já começam a aparecer ideias, que até tenho medo de dizer! (risos)

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Tenho muitas crenças e uma delas é a de que quando as obras acontecem elas já foram visualizadas anteriormente pelos seus criadores. Antes das Portas ali estarem, antes da Quinta da Valinha existir, o Engº. Coutinho já tinha visto tudo, já tinha visualizado tudo? Aos 13 anos eu vi a capela. E vi a capela numa situação que jamais deixará de fazer parte de mim, por mais anos que eu viva, numa lembrança permanente e constante. Muitos miúdos naquela altura se lembram de passar a mata nacional, em carreiros, depois de um dia de trabalho violento, naquela escuridão, num inverno tenebroso, sem estrada, sem luz, e eu ouvia as corujas, que metem um medo terrível a uma criança sozinha. Naquela altura pensei: “ Se eu um dia puder ser alguém na vida, se vencer estas dificuldades, se fizerem de mim homem, eu um dia vou construir uma capela”. Nunca mais me esqueci, e quando tive possibilidades, foi a primeira coisa que eu construí. E daí nasceu a Quinta da Valinha, e daí nasceram os monumentos ao vidreiro, os bustos ao meu pai, tudo o que está aqui, os monumentos aos resineiros, as

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Portas da Burinhosa… Nasceu, porque eu também entendi, e entendo sempre. E digo isto muita vez, nós temos de deixar de ser egoístas, e devemos fazer uma vida longe do egoísmo, retirado do nosso pensamento. (…) Nós temos obrigação de contribuir para que o mundo seja diferente depois de nós, para melhor. (…) Se pensássemos mais sobre o que estamos aqui a fazer, qual é a nossa missão na terra, (…) havia menos lutas, menos guerras. O que foi colocado no mundo foi para nós todos.

Monumento em honra aos vidreiros

Solidariedade é uma grande fórmula. Sem tamanho, sem dimensão, sem princípio, nem fim, está dentro de nós. Qual a mensagem que deixa às empresas nacionais para acreditarem e o que devem valorizar? Deem azo ao seu poder criativo, não pensem de imediato “o que é que eu vou buscar desta ideia?” e “que receita é que eu obtenho?”,

não pensem dessa maneira. Mas pensem, “o que é que eu vou gerar para que os outros possam partilhar comigo?”, e estejam sempre a pensar em ser solidários e a transmitir valores. Aprender sempre, porque Deus está-nos sempre a ensinar coisas. Se dá o dom a alguém de ser empresário, dá também de ser solidário. (…) Um empresário tem de ser uma pessoa que tem de se adaptar às coisas. Um homem em movimento, em formação, em aprendizagem. Só assim pode transmitir o legado aos outros e ter uma carreira de êxito. O êxito de um empresário é o êxito das pessoas que com ele colaboram. “O que posso pôr ao serviço dos outros? Que conhecimentos é que eu vou transmitir aos outros? Que possibilidades vou dar aos outros?” Depois há retorno. Alguém me dizia “Assim ficas sem nada!”. Mas eu tenho sempre mais! Riqueza não é só valor monetário. Se der possibilidade aos outros de evoluírem, é mais rico. A sua empresa vai ser maior. Valorizar as pessoas à volta deles? Não há outro caminho. As pessoas precisam de ser “alimentadas”, e isso faz-se valorizando-as. E quem não o fizer condena-se a si próprio. Grupo SD


“Gente da Minha Terra” As Portas da Burinhosa MESTRE CARLOS OLIVEIRA ESCULTOR Uma das grandes vontades do Eng.º Coutinho Duarte foi a de homenagear os seus familiares, amigos e conterrâneos. Para esta primeira etapa fiz questão de me envolver profundamente na história e memórias das gentes desta aldeia, conhecendo melhor as suas origens e “fibra”, as suas desilusões e fracassos, bem como os seus sonhos, as suas vitórias e a sua vontade de ganhar o futuro. Aquando do convite para a criação das Portas da Burinhosa, num espaço de 5 mil m2, valeram-me todas estas vivências que já havia experienciado anteriormente. Quando visitei o terreno acabei por passar o resto do dia nesta localidade ouvindo o que pretendiam com a realização deste sonho. Percebi que estava perante alguém que muito ama a sua terra e de outros que esperam deste empreendimento a promoção desta aldeia numa atitude pioneira e marcante. Comecei por sentir que, para além das obras de arte que retratam a localidade, havia que enriquecer este projeto com outras valências

e infraestruturas que promovem o empreendedorismo, a criação de riqueza, a vinda de turistas, entre outros. No dia de recolha de informação, registei recordações de infância desta terra de onde rompem vidas humanas, pinheiros, putigas e pamporrinhos. Deste modo, recebi desta gente o mote para esta ideia, e dei início à viagem. As Portas da Burinhosa, podem ser descritas como muros que compõem os elementos arquitetónicos que criam a ideia de entrada para a localidade da Burinhosa; São compostas por: • Muro da direita que retrata as lides do pinhal assim como da indústria de moldes e relembra a velha capela, sendo esculpidos em alto-relevo, dando o máximo de expressão a estas abordagens. • Muro da esquerda que representa o trabalho do vidreiro, as festas de Nª Sª do Rosário e a carpintaria com a possibilidade de retratar o Facho ou a atividade agrícola, interpretados em alto-relevo como no muro anterior, ficando com aspeto de pedra esculpida.

CARLOS OLIVEIRA, ESCULTOR – Natural de Caldas da Rainha, nasceu em 1963. Com a criação do CENCAL em 1981 começou a sua formação nas áreas de desenho e moldagem, tendo como mestres Artur Lopes, Armando Correia e Herculano Elias. Esteve desde a década de oitenta ligado a projetos da indústria cerâmica, nas áreas de modelação, design e moldes, colaborando com empresas nacionais e internacionais. Em 1989 criou o seu próprio Atelier – Fábrica, onde hoje possui condições de executar obras de grandes dimensões, quer em cerâmica quer em escultura, bronze, fibras e resinas. As Portas da Burinhosa dispõem aproximadamente de dez metros de altura e as restantes medidas proporcionais, por forma a se identificar uma única obra, mas com inúmeros detalhes e repleta de histórias e vivências puras. Grupo SD

Portas da Burinhosa

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Absolutland, Lda. PME 2014 Após atribuição da distinção “PME Excelência 2014” à Absolutland, Lda., o Grupo SD entrevistou um dos proprietários, Dr. Hugo Gomes.

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Antes de mais, fale-nos um pouco da Absolutland, Lda.? A Absolutland Lda. é uma empresa familiar, jovem e dinâmica, que aposta na diferenciação pela qualidade da fruta que comercializa bem como na satisfação dos clientes, procurando ir de encontro às necessidades do Mercado Internacional. A empresa dedica-se à produção, conservação e comercialização de fruta sendo a pera rocha o fruto com maior expressão na atividade da empresa. Porém, comercializa também maçãs (variedades gala, reineta e fuji), ameixas, pêssegos e nectarinas. A Absolutland é uma empresa que nasceu em 2006, todavia o meu pai já se dedicava à fruticultura e à comercialização de pera rocha a nível nacional. Em 2006 decidimos apostar na exportação da nossa produção, criando para isso uma empresa familiar. Neste momento a empresa dedica-se apenas à exportação para o Brasil (maior incidência – 70%), Inglaterra, França, Espanha e Irlanda. Comercializa cerca de 4 mil toneladas de pera rocha, sendo a maior parte da produção proveniente dos sócios da empresa, e contando também com a produção de 54 fruticultores. A Absolutland possui acompanhamento técnico desde a

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Dr. Hugo Gomes


produção, bem como durante os processos de armazenamento e embalamento, garantindo o cumprimento das normas de qualidade, nomeadamente no que se refere ao sistema de Produção Integrada, GlobalGAP e Rastreabilidade desde a origem até ao consumidor. Na nossa central de embalamento estão implementadas as normas HACCP. Estas preocupações traduzem-se na obtenção de produtos de qualidade e com garantias de higiene e de segurança alimentar para o consumidor. Empreendedor é um adjetivo que lhe pode ser atribuído. O que o levou a querer passar de “empregado” a Líder? Não foi fácil ser empreendedor, embora me considere um profissional inovador, persistente e bastante determinado. Gosto de desafios mas foi necessário saber aceitar os riscos e fazer alguns sacrifícios. Não falo só por mim, o meu pai e o meu irmão são igualmente empreendedores. Sempre soubemos quais as metas que queríamos alcançar e confiamos bastante na eficiência dos nossos serviços e na qualidade de excelência das frutas que produzimos e comercializamos. Gostamos de arriscar e um dos nossos objetivos foi fazer algo que nos diferencie. O nosso primeiro cliente foi na Rússia, que possui um mercado com diferentes formas de trabalhar, e tivemos sucesso. Seguiu-se a França, em 2007 o Brasil que como já disse detém 70% das nossas exportações (Rio de Janeiro e São Paulo) e mais tarde a Irlanda, Espanha e Marrocos. Hoje em dia como é trabalhar na área da

Comercialização de Produtos Alimentares, focado na exportação? É aliciante e há que lutar por novas oportunidades visto que o mercado nacional já se encontra bastante saturado. Felizmente, hoje em dia, há uma maior facilidade na exportação dos nossos produtos. As novas tecnologias vieram agilizar o contacto com novos mercados, facilitando e abrindo novas possibilidades de exportação para todo o mundo. Existe uma mais-valia de qualidade e capacidade de resposta – os transitários – que se encarregam do transporte. Como é que a atribuição do prémio PME Excelência 2014 foi sentida por vós? Existe alguma fórmula mágica? E o que traz esta distinção para a Absolutland, Lda.? Após a atribuição de PME Excelência 2014 sentimo-nos orgulhosos e vimos reconhecido o nosso profissionalismo e dedicação. Não há fórmulas mágicas, fazemos o nosso melhor, apostamos na qualidade de excelência das nossas frutas, tanto ao nível da produção como do embalamento e comercialização, procuramos ir de encontro às necessidades dos nossos clientes, mantendo sempre uma relação de proximidade com os mesmos. Só em 2013 é que fomos propostos e no ano seguinte obtivemos o Prémio PME Excelência 2014. Já em 2013 tínhamos sido considerados PME Líder. O Prémio PME Excelência 2014 é o culminar de todo o nosso esforço e dedicação, é apenas o reconhecimento de todo o trabalho já desenvolvido. É um prémio que nos dá mais convicção e

firmeza para continuarmos a apostar na exportação e investirmos em novos mercados. Há que continuar a apostar na eficiência e na qualidade. Como é o futuro da Absolutland, Lda? A Absolutland, Lda. manterá o curso que foi estabelecido até hoje. Vamos continuar a focar-nos na exportação da pera rocha e outras frutas, embora seja nosso objetivo conquistar novos mercados e diversificar os produtos exportados. Num futuro próximo gostaríamos de desenvolver um projeto distinto dos que temos desenvolvido até ao momento, contando com algumas parcerias estratégicas que atualmente já desenvolvemos. Este projeto surge tendo em conta a qualidade dos nossos terrenos e clima, pretendendo apostar noutro tipo de frutas e procurando novas perspetivas de mercado. Rafael Nogueira

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Responsabilidade Social O Valor das Empresas Cidadãs traduz uma realidade que impulsiona o tecido empresarial mais atento e próspero para o seu real papel na sociedade.

DRª RITA MOURA RODRIGUES

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O conceito de responsabilidade social está cada vez mais difundido entre o nosso tecido empresarial. Esta é uma realidade nas empresas líderes de mercado, que estruturam a sua identidade para além dos seus resultados económicos, também com práticas de sustentabilidade social e ambiental. Os consumidores, cada vez mais exigentes e informados, renunciam a produtos que não tenham na sua origem preocupações sociais e ambientais. Estas escolhas que fazem de nós cidadãos ativos e empenhados na herança para as gerações futuras também se aplicam às empresas. Quem dirige faz opções tendo por referência a sustentabilidade do negócio e, em última instância, da própria sociedade em que vivemos – “não há empresas prósperas em sociedades falidas”, esta frase, proferida por um empresário na Assembleia Geral da Bolsa de Valores Sociais1, A BVS é uma plataforma de financiamento de instituições da sociedade civil em Portugal que replica o funcionamento de uma Bolsa de Valores para aproximar as organizações e projetos sociais dos investidores, promovendo o seu financiamento. 1

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O que é esperado das empresas no âmbito da responsabilidade social não é que se substituam ao Estado ou às instituições de solidariedade. Na economia todos têm o seu papel, o importante é cada qual saber o seu e criar sinergias com os outros, contribuindo para uma sociedade mais próspera, justa e ecológica. A urgência de muitos dos problemas sociais contemporâneos faz com que, por vezes, se confunda responsabilidade com ações pontuais a favor de uma causa. A efetiva responsabilidade social vai muito além destas iniciativas singulares. Exige conhecimento da comunidade, daí a importante articulação com as autarquias e com as instituições sociais, pelo seu conhecimento técnico em termos sociológicos. Exige também a definição de uma estratégia e a escolha de uma causa que sejam consonantes com a própria estratégia da empresa e que crie condições para o envolvimento dos seus colaboradores. Acima de tudo não é apenas a ação de dar, é acompanhar esse donativo, pedir o feedback do seu impacto na comunidade, é contribuir com os conhecimentos de gestão de recursos (esse é o quotidiano empresarial), é reformular formas de intervir. No campo da responsabilidade social não bastam boas intenções.

“NA ECONOMIA TODOS TÊM O SEU PAPEL, O IMPORTANTE É CADA QUAL SABER O SEU E CRIAR SINERGIAS COM OS OUTROS, CONTRIBUINDO PARA UMA SOCIEDADE MAIS PRÓSPERA, JUSTA E ECOLÓGICA.” Ser uma empresa socialmente responsável é, assim, um processo exigente, mas compensador. Há que envolver todos os que fazem parte do seu “ecossistema” dentro e fora da própria empresa, é também nas relações com as partes interessadas que se põe em prática a responsabilidade social. A cidadania empresarial traduz-se na forma como lideramos, na relação com os colaboradores, com a comunidade, com fornecedores, com clientes, com o ambiente. Ser socialmente responsável não é desenvolver um projeto pontual de pintura das salas de uma creche, esquecendo internamente ações que promovam a conciliação entre trabalho e família junto dos trabalhadores. A cidadania empresarial traz valor acrescentado ao produto/serviço comercializado, introduz um fator diferenciador que, em regra, melhora o posicionamento da empresa no mercado. Fica a pergunta: está preparado(a) para fazer esta diferença? Drª Rita Moura Rodrigues


Riscos Psicossociais Desmotivação, Monotonia, Fadiga Fí­sica ou Stresse

DRª ANA JÚLIO Tendo em conta as notícias que surgem diariamente nos meios de comunicação social, palavras como Desmotivação, Monotonia, Fadiga física ou Stresse, parecem estar bem longe das principais preocupações do comum empresário do nosso país. Estas palavras traduzem o que se designa por Riscos Psicossociais e a par dos riscos físicos, químicos e biológicos são alvo de rigorosa avaliação e controlo em termos de Higiene e Segurança laboral.

Refiro que surgem a par, no entanto, esta tipologia de riscos é muitas vezes delegada para segundo plano, com a justificação da apertada gestão de recursos promovida pela maioria das empresas nacionais. Esta estratégia organizacional parece, contudo, não acompanhar a realidade dos factos e estudos realizados: Segundo a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA), o stresse laboral é o segundo problema de saúde mais referido na Europa — após as perturbações musculoesqueléticas. Cerca de metade dos trabalhadores considera-o comum no seu local de trabalho, mas cerca de cada 4 em 10, pensa que o stresse não é devidamente abordado. Mais de metade dos dias de trabalho perdidos pode ser imputada ao stresse relacionado com o trabalho. Sendo que, habitualmente, as ausências relacionadas com o stresse tendem a ser mais prolongadas do que as relacionadas com outras

causas. Números apresentados recentemente pela Ordem dos Psicólogos Portugueses referem que os custos diretos e indiretos com o stresse laboral em Portugal ultrapassam os 300 milhões de euros ano. Ao nível europeu, as despesas relacionadas com tratamentos médicos de trabalhadores e perdas de produtividade relacionadas com os riscos psicossociais ultrapassam os 240 mil milhões de euros anuais. Como é possível assim, que apesar de cerca de 8 em cada 10 dirigentes europeus manifestarem preocupação com o stresse nos respetivos locais de trabalho; menos de 30% admitam ter implementado procedimentos para lidar com os riscos psicossociais? Tendo em conta que mudanças simples, muitas vezes fazem toda a diferença, será que os benefícios desta implementação não superam os custos que lhe estão imputados? Drª Ana Júlio

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Riscos Profissionais Identificação de Perigos e Avaliação

DRª ANA LIGEIRO

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A avaliação de riscos pode ser definida como o processo de avaliar o risco para a saúde e segurança dos trabalhadores, decorrente das circunstâncias em que o perigo ocorre no local de trabalho. A identificação de perigos e avaliação de riscos é essencial para garantir a segurança das empresas e de todos os seus colaboradores, pois a avaliação dos riscos consiste na análise das situações indesejadas que são potencialmente danosas para a saúde e segurança dos trabalhadores no seu local de trabalho decorrentes das circunstâncias em que o perigo ocorre no trabalho. A avaliação de riscos tem, assim, por objetivo a implementação eficaz de medidas necessárias para proteger a segurança e a saúde dos trabalhadores. Estas medidas podem ser na ordem da prevenção de riscos profissionais, da informação e formação adequada dos trabalhadores e facultar aos trabalhadores a organização e criação de meios para aplicar tais medidas

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necessárias. Para se poder fazer a avaliação aos riscos a que os trabalhadores estão expostos, antes deve-se proceder a uma identificação de perigos existentes nos locais de trabalho de uma organização expostas a tais perigo. Assim, a identificação de perigos consiste na verificação dos perigos presentes numa dada situação de trabalho e suas possíveis consequências, em termos dos danos sofridos pelos trabalhadores expostos. Após o processo de identificação de riscos procede-se, então, à avaliação de riscos. A avaliação dos riscos é um processo que para além de identificar as situações que podem originar danos físicos ou psicológicos nos trabalhadores, avalia a probabilidade de ocorrência de um acidente, devido ao perigo identificado, e avalia as potenciais consequências. Em suma, o tratamento dos riscos na empresa inicia-se com a identificação dos perigos e dos riscos associados para de seguida os classificar e avaliar. Assim, possibilita-se então a realização do passo seguinte que consiste na quantificação dos riscos, passando-se depois à implementação de medidas que visem a sua eliminação. As medidas de segurança podem aplicar-se às ocorrências propriamente ditas ou às suas consequências, caso ocorram. Quando não é possível a eliminação do risco, este deve ser reduzido e controlado. Posteriormente, estes riscos

de

Riscos

residuais devem ser avaliados mais tarde, sendo avaliada a possibilidade de reduzir ainda mais tal risco, considerando uma possível nova envolvência. Assim, implementando as medidas definidas e assegurando a eliminação/redução dos riscos através de avaliações periódicas, é feito o controlo dos riscos da empresa. Drª Ana Ligeiro


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Garagem 2.0 Uma nova dinâmica,

a atitude de sempre

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Centro de Formação do Grupo SD

O início de um novo ano habitualmente traz consigo novos objetivos e projetos. Para o Grupo SD, constituído pelas marcas Sentidos Dinâmicos (2009), Psicoeste (2009), Yes D People (2012) e SD Envolve (2014), Janeiro de 2015 foi o início de uma nova etapa, com a criação de um novo espaço de trabalho,

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com melhores condições físicas que proporcionam o crescimento intelectual da empresa. A origem do Grupo SD remonta a 1995, sendo que em 2009 surgiu a marca registada Sentidos Dinâmicos que veio colmatar as necessidades do mercado na área da formação técnica (transportes e SHT). Com a evolução

desta marca, houve a necessidade de desenvolver a área da avaliação psicológica de condutores do perfil psicológico de cada colaborador, surgindo a Psicoeste. Todo este envolvimento levou à necessidade de um local de trabalho, a tempo inteiro, o que, à semelhança de empresas de renome internacional, se


materializou numa garagem. E foi nessa garagem que o Grupo SD cresceu, tendo dinamizado uma marca especializada no desenvolvimento pessoal – a Yes D People – e mais tarde a SD Envolve, vocacionada para o desenvolvimento de equipas, através da organização de eventos empresariais e team building. Assim, durante cerca de cinco anos, a garagem foi o ponto de partida do Grupo SD para todo o país. Contando atualmente com 10 colaboradores internos, cerca de 237 formadores especialistas em diversas áreas de atuação, o Grupo SD desenvolve formação certificada pela DGERT (Direção-Geral do Emprego e

das Relações de Trabalho), ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho), IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes) e Ministério da Agricultura junto de 1347 empresas o que leva a gerir cerca de 19.500 pessoas. No dia 2 de Janeiro de 2015, deu-se o cumprimento de um novo objetivo, com a abertura das novas instalações da empresa em Caldas da Rainha, junto ao Centro de Formação que já se encontrava a funcionar desde 2010. A apresentação ao público aconteceu no dia 7 de Janeiro, altura em que foi dado a conhecer a todos os presentes a Garagem 2.0. A nova versão da garagem conta com quatro

gabinetes e um espaço de convívio denominado “Intervalo SD”, uma sala de reuniões, um laboratório de psicologia onde são realizados exames psicotécnicos, um gabinete médico-psicológico e uma sala de formação certificada. Na presença de colaboradores, amigos, parceiros e do presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, Dr. Tinta Ferreira, o CEO do Grupo SD apresentou as linhas orientadoras para o futuro da empresa. Chegar, até ao final de 2015, a 25.000 pessoas nas vertentes da formação profissional, da avaliação psicológica, do desenvolvimento pessoal e organizacional e através de novos projetos como

Sala de Formação do Grupo SD

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Inauguração da Garagem SD 2.0

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a Revista “Pensar Fora da Caixa” e a publicação de livros técnicos são algumas das premissas para 2015. Foram, também, apresentadas as datas para os dois eventos públicos da empresa: o VI Encontro Nacional SD, a realizar no dia 17 de Outubro de 2015 e o IV Jantar de Natal SD, que irá acontecer no dia 12 de Dezembro de 2015. Durante a apresentação foi possível perceber, na voz do gestor de formação da empresa, Dr. Sobreiro Duarte, o motivo que levou à criação do novo espaço e a razão do sucesso da empresa. “Viemos para criar muito melhores condições de trabalho para os nossos colaboradores e criarmos uma perspetiva de chegarmos um pouco mais longe”, até porque “valorizamos as pessoas e é esta mensagem que

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queremos passar para as empresas nossas clientes – valorizar o capital humano que têm”. O presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, no seu discurso, felicitou a empresa, na pessoa do seu líder e mentor, pela ampliação das instalações, o que significa

Sala de Formação do Grupo SD

expansão e pelo trabalho que tem vindo a desenvolver e a consolidar “para ajudar a fortalecer as empresas e instituições”. Para assinalar este marco na história do Grupo SD, o escultor caldense Carlos Oliveira criou uma peça original que representa a missão da empresa “Ajudamos as pessoas a chegar mais longe”. Em suma, a Garagem 2.0 mais que um certificado de sucesso e crescimento do Grupo SD, reflete a constituição de um espaço deliberadamente pensado e estudado para os seus recursos humanos, permitindo com isso a prestação de um serviço de maior qualidade e rigor para com os seus formadores, formandos e parceiros. Grupo SD


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Jantar de Natal do Grupo SD Entre amigos e por uma causa

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Decorreu no dia 13 de Dezembro de 2014, na Associação Recreativa e Cultural do Coto (ARECO), nas Caldas da Rainha, o III Jantar de Natal do Grupo SD, que reuniu elementos da Equipa, Formadores, Clientes e Parceiros. Esta 3ª Edição teve como mote a recolha de bens alimentares para os jovens e adultos com incapacidades apoiados pelo Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor (CEERDL). A Presidente da Direção, Maria João Domingos, esteve presente e agradeceu em nome do CEERDL a iniciativa. Durante o Jantar realizaram-se várias dinâmicas de grupo de forma a promover a interação de todos os participantes no Jantar. O convívio e a animação estiveram presentes

durante toda a noite, tendo no final sido sorteado um “automóvel” e uma “viagem”. O I Jantar de Natal SD teve lugar no dia 15 de Dezembro de 2012 no Salão Milénio, nas Caldas da Rainha, com o objetivo de aproximar as pessoas que durante o ano se relacionam profissionalmente num contexto mais informal. Idealizou-se, também, uma componente social para que o Jantar de Natal sirva um propósito solidário. Foi proposto aos participantes contribuir com bens alimentares e têxteis (cobertores e roupa de cama) para as famílias apoiadas pela Delegação da Cruz Vermelha de Caldas da Rainha. Em 2012 foi apresentado o “Hino SD”, numa noite repleta de jogos e karaoke. A

Jantar de Natal do Grupo SD

2ª Edição do Jantar de Natal SD contou com a colaboração da Escola de Condução Carreira e realizou-se no dia 14 de Dezembro de 2013, em Tomar, no Restaurante Lodge. Foi realizada a recolha de leite achocolatado para as crianças e adultos com deficiência ou incapacidade apoiados pelo Centro de Integração e Reabilitação (CIRE) de Tomar. O IV Jantar de Natal SD já tem data marcada e realizar-se-á no dia 12 de Dezembro de 2015. Telma Eusébio

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Parceiros na Inclusão Social “Olhar a diferença com igualdade” Ao longo dos tempos, sempre existiram mitos e preconceitos profundamente enraizados na sociedade, baseados em ideias generalizadas de que as pessoas com deficiência e incapacidades são inaptas e não dignas de, nomeadamente, realizar um trabalho e viver na comunidade. Não raras vezes, assistimos a atitudes, ora de benevolência, ora de autoritarismo face a estas pessoas, mas que as desqualifica, destituindo-as de vontade própria e qualquer sentido de competência. No entanto, baseado no reconhecimento progressivo dos direitos a que devem ter acesso e que nem sempre foram consignados, sequer na lei, assistimos hoje a um movimento que cada vez mais reforça o papel do próprio e da comunidade na sua qualidade de vida. Este é seguramente um resultado de uma mudança não apenas legislativa mas também de atitude, que gradualmente tem vindo

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anos

ao

a integrar uma imagem mais positiva e realista das capacidades destas pessoas, garantindo assim, outras possibilidades de participação social, auto-determinação e auto-representação. Para esta mudança em muito têm contribuído as iniciativas de várias entidades da comunidade, numa postura de responsabilidade social. De facto, ao longo de quase 37 anos de trabalho, o Centro de Educação Especial Rainha Dona Leonor tem contado com o apoio imprescindível de inúmeros parceiros na comunidade, nos mais diversos sectores, colaborando proativamente na aceitação e inserção pessoal, profissional e social destas pessoas e apresentando-se solidários com atribuição de meios, equipamentos e géneros alimentares. Este ano no jantar de Natal do GRUPO SD foram angariados cerca de 150 Kg de alimentos que foram consumidos nos equipamentos de lar residencial e residência autónoma CEERDL.

Serviço

da

Neste envolvimento comunitário, cria-se uma relação em que todos ganham, essencialmente porque cada um se compromete na construção de uma sociedade mais inclusiva e solidária. Acima de tudo, fortalecemos uma comunidade que partilha da nossa visão, de “olhar a diferença com igualdade”. Muito Obrigada. A Direção do CEERDL

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Rainha D. Leonor centro de educação especial

Comunidade

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9.ª Convenção Nacional da ARP Caldas da Rainha que visa a formação e o convívio, partilha de experiências e preocupações. Tudo isto foi alcançado. Para a direção de uma associação este é o melhor troféu que pode ter.

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ENG. JOSÉ CARREIRA ASSOCIAÇÃO RODOVIÁRIA DE TRANSPORTADORES PESADOS DE PASSAGEIROS Fale-nos um pouco da ARP e qual é a sua Missão? A ARP é um projeto associativo de empresas de transporte pesado de passageiros, onde a massa crítica dos seus associados contribui para melhorar as condições de aquisição de produtos e serviços; Difusão de informação importante à atividade; Defesa dos seus interesses perante os organismos públicos. No passado fim de semana, dias 7 e 8 de Fevereiro, decorreu nas Caldas da Rainha a 9.ª Convenção Nacional da ARP. Que expectativas existiam para este evento e que resultados foram alcançados? A expectativa/objetivo principal é a mobilização dos empresários e parceiros para uma atividade

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Que valor foi acrescentado com a participação do Grupo SD na 9.ª Convenção Nacional da ARP? A participação do Grupo SD, na pessoa do Dr. Sobreiro Duarte, trouxe uma dinâmica e visão de alguém externo ao “mundo dos transportes”, mostrando imparcialidade no debate e no conteúdo formativo, apresentando-o de uma forma transversal à gestão de um negócio e não a um setor particular, pois qualquer que seja a atividade deve ser vista num contexto económico global e não em particular. Falando um pouco do futuro, o que se pode esperar desta nova direção para o mandato de 2015-2017? Para este mandato pode-se 9ª Convenção Nacional da ARP

esperar empenho e dedicação, em prol de uma atividade que deve ser rentável e acima de tudo sustentável. Contribuir para que a gestão das micro e pequenas empresas seja cada vez mais uma gestão empresarial/profissionalizada. Qualquer outro assunto ou informação que gostaria de referir sobre Formação: Nos últimos anos a preocupação com a formação generalizou-se, por um lado é motivo de satisfação, por outro deixa-me um pouco apreensivo. Muita da formação dada tem um cariz obrigatório, por imposição legal. Ora as pessoas deviam ter o desejo inato e voluntário em aprender sem imposições, o que, por vezes, faz com que na prática não se atinja o propósito da formação, embora sinta que lentamente algo vai mudando. Muito obrigado pela colaboração. Grupo SD


ISSN 2183-4202

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TRIMESTRAL

Pensar Fora da Caixa - Número 2  

Pensar Fora da Caixa, porque todos os dias somos confrontados com a necessidade de inovar e de fazer mais e melhor. Nesta segunda edição, ti...