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Ao leitor Como muitos sabem, Paraty, cidade localizada no estado do Rio de Janeiro, marca parte da nossa história e é rica em belezas naturais! Os alunos do Colégio São Luís (9° ano) tiveram a oportunidade de visitar e estudar seus aspectos. Para aqueles apreciadores de história, nossa reportagem, cujo foco é o centro histórico, descreve as passagens por pontos relevantes, como as igrejas locais. Uma curiosidade interessante mencionada é a presença constante de decorações maçônicas, realizadas por maçons que migraram para nosso país. Curioso? Dê uma olhada! Além da reportagem, um artigo destacando as oficinas desenvolvidas no incrível Saco do Mamanguá descreve o dia aproveitado pelos alunos nesse lugar paradisíaco. Para finalizar, as curiosidades e mistérios detalhados completarão nossa revista, enfatizando sua riqueza histórica.

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CENTRO HISTÓRICO Paraty era uma cidade habitada por um grupo de índios chamados Guaianás que moravam em montanhas próximas da região. Quando chegava o inverno, eles iam para o “Caminho do Ouro”, pois as montanhas antes habitadas eram muito frias. Quando os portugueses acharam ouro em Ouro Preto, eles tinham que levá-lo até o litoral e, por conta disso acharam o “Caminho do Ouro”, antes habitado pelos Guaianás. A cidade foi oficialmente construída em 1667, após sua independência, em volta da Igreja Nossa Senhora dos Remédios, após uma senhora ter doado terras da região. Localizada na Praça da Matriz, a igreja é padroeira da cidade. Ela demorou 90 anos para ser construída, pois, como a cidade antes era formada por manguezais, a construção era dificultada. Devido a isso, a igreja não possui torres, fazendo assim seus sinos se localizarem no interior, no segundo andar do edifício.

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Igrejas O centro histórico é formado por diversas igrejas e construções maçônicas. Cada igreja representa um segmento da sociedade. Podemos observar a Igreja Nossa Senhora das Dores, localizada na Rua da Capela com a Rua Fresca. Ela era uma igreja frequentada principalmente por mulheres brancas que ordenaram sua construção para terem uma atuação ativa na cidade.

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Conhecida como Santa Rita dos Pardos Libertos, é a igreja mais antiga. Hoje, é um museu de arte barroca e fica abaixo do nível da rua. Ela se localiza no Largo de Santa Rita e era frequentada por pardos libertos, com escravos e índios convertidos. A igreja também possui uma lenda que conta a história de uma noiva que queria casar nessa igreja, porém morreu no dia de seu casamento. Muito triste, seu noivo foi ao cemitério para chorar e surpreende-se com a imagem da falecida. Por conta disso, pedem para abrir seu caixão e percebem que a moça mudou de posição. Analisando a lenda, podemos perceber que a noiva não havia falecido, mas sim adquirido a doença que a fazia aparentar estar morta. Como ela foi enterrada viva, ficara sem água e acabou morrendo de sede.

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Ainda relacionada a Igreja de Santa Rita, há a antiga Cadeia Pública de Paraty, localizada ao seu lado. Hoje, o monumento é uma biblioteca municipal.

Instituto do patrimônio histórico de Paraty No centro histórico, há um instituto que fiscaliza as construções de Paraty e preza para que ninguém as modifique.

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Maçonaria em Paraty No inicio do século XVIII, maçons vinham sendo perseguidos na Europa e por isso vieram ao Brasil, especialmente a Paraty. Na cidade, eles deixaram vários indícios de sua presença, que persiste até os dias de hoje. Uma das primeiras marcas deixadas foram os azulejos, preenchidos com triângulos e outras formas geométricas. Outro indício de sua presença são as ruas projetadas para circulação de vento dentro da cidade. Ainda na arquitetura, os maçons construíram sobrados e em alguns inseriram um abacaxi. No centro histórico, podemos observar que há 33 quarteirões, sendo que 3 é o número maçônico e 33 é o maior grau na maçonaria. Ainda sobre a estrutura de Paraty, vemos, no encontro de quatro esquinas, três delas cobertas por cunhais de pedra, formando um triângulo, símbolo maçon.

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Sobrado do príncipe Á beira do mar do Centro Histórico de Paraty, Na Rua Fresca, encontramos o sobrado do príncipe Dom João Henrique de Orleans Bragança (também conhecido como Dom Joãozinho), tataraneto de D. Pedro II. A casa é formada de detalhes verdes (representando a família Bragança, de Portugal) e amarelos (representando a família abisburga, da Áustria). Embaixo do lampião, localizado na faixada de sua casa, há um brasão, indicando a presença de uma família real no local.

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Brasão da cidade Analisando o brasão de Paraty, vemos imagens de índios, representando a primeira população de Paraty, os Guaianás. Há também uma representação da Igreja Nossa Senhora dos Remédios (padroeira do local) e do peixe Paraty, nome que originou a cidade. Nos lados, há a presença de folhas de café e de cana de açúcar.

Por fim... Fora isso, Paraty vai além de igrejas e construções históricas, “A cidade em si é toda positiva. É a única cidade que envolve arquitetura, história. Tem montanha, rio, mar e eu amo viver aqui.” conta Priscilla Azevedo, uma jovem moradora de Paraty. Para finalizar, a cidade é um ótimo ponto turístico apesar de seus defeitos. 7


Moradora de Paraty nos conta um pouco sobre a cidade e seus segredos...

Foto autorizada por Priscilla Azevedo Campos

Priscilla Azevedo Campos nasceu em Rondônia, mas mora em Paraty há 15 anos, tem 24 anos, é solteira, e trabalha em uma cachaçaria no centro histórico da cidade há 2 meses. 9


Qual a diferença do bairro em que você mora com o centro histórico de Paraty? Atualmente eu moro em um bairro chamado Portal das Artes. É um bairro bem tranquilo, mais afastado do centro histórico e com moradores mais bem-sucedidos. De bike, ele fica há cerca de 20 minutos do centro.

Como é o movimento da sua loja? É bom. Como tudo em Paraty, depende do turista, então, alta temporada é ótimo e baixa temporada, é bom.

O que você sabe sobre a maçonaria em Paraty? Meu conhecimento é um pouco mais “interno”, eu não sei sobre a maçonaria em si mas, eu conheço as pessoas que fazem parte, o cara que manda e as coisas que a gente sempre escuta na cidade. Você considera Paraty uma cidade violenta? Sim, se tornou, porque a prefeitura e o policiamento são muito fracos, a segurança na cidade é pequena. Mas não é absurdamente violenta como dizem, Paraty é tranquila só que tem, como toda cidade, seu lado obscuro, roubo, tráfico de drogas... e por isso é um pouco violenta. Quais são os pontos negativos e os pontos positivos da cidade? Pontos negativos é a falta de estrutura. Quando tem superlotação falta água e luz, o sistema de esgoto da cidade é falho, e nas escolas sempre falta professor, além de ter somente uma estadual. Mas por eu morar em um bairro mais nobre, eu acabo não sofrendo tanto com isso, se acaba a luz, ela volta rápido. E pontos positivos, bem, a cidade em si é positiva demais, é a única cidade do Brasil que envolve toda essa arquitetura e história, eu amo morar aqui. 10


SOBRE O SACO DO MAMANGUÁ Durante nossa visita à Paraty tivemos a oportunidade de conhecer o Saco do Mamanguá, uma entrada de mar cuja biodiversidade torna suas paisagens extraordinárias

Com a falta de qualquer sinal de telefone ou internet, mergulhamos nas cinco oficinas desenvolvidas:

Oficina de orientação geográfica- Sabemos que hoje, com a ajuda de bússolas e mapas, podemos localizar, observar percursos ou mesmo padrões em certas regiões com uma facilidade muito maior se comparada a antigamente. Aprendemos que antes da aparição de qualquer ferramenta, os meios utilizados eram o vento, correntes marítimas, astros, direção solar, etc. 11


Oficina de artesanato- Os artesãos da região costumam retirar a madeira Caixeta dos manguezais (vegetação característica) e esculpi-la, de forma que se torne uma baleeira ou uma canoa, por exemplo. Devido à facilidade de manuseio, após a prática diária, o artesão entrevistado afirmou que chega a produzir dez canoas por dia, vendendoas por vinte reais cada. Tivemos a oportunidade de “esculpir” aquilo que desejássemos.

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Oficina de pesca com rede- A partir das orientaçþes fornecidas por um pescador local, lançamos a imensa rede na costa do mar e esta retornou com diversas bolachas-do-mar e apenas um peixe remanescente dentre aqueles que voltaram para o mar (Caratinga).

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Oficina de confecção de “redes de pesca”- Como citado pelo pescador local, é extremamente comum a necessidade de confeccionar as redes atiradas em alto mar. Rasgos são resultado da combinação de sua fragilidade com movimentos desesperados praticados pelas espécies capturadas. Toda vez que acontece, são necessários uma ferramenta adequada e uma certa quantidade do material do qual a rede é formada. O passo-a-passo nos foi mostrado pacientemente e pudemos até tentar praticá-lo.

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Oficina de observação do costão rochoso- Para essa experiência utilizamos o material adequado: snorkel, máscara de mergulho e colete. Se a sorte estiver do seu lado e a maré estiver estável, a visão será perfeita. Espécies “fixadas” as rochas se adaptam aos níveis do mar, facilitando sua proteção diante de predadores e luz solar. Alguns exemplos são moluscos e mariscos.

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CHARGES Aproveitando a natureza

Ana, Marcela & Cristian

Curtindo a experiĂŞncia

Ana, Marcela & Cristian 16


O OUTRO LADO DE PARATY

Enquanto estávamos ocupados com nossas compras supérfluas no Centro Histórico, não tivemos tempo para conhecer a verdadeira e infeliz Paraty, cheia de problemas sociais e econômicos, extremamente diferente da realidade que vivemos em e que nos foi apresentada na cidade durante toda a viagem.

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CURIOSIDADES SOBRE PARATY  Paraty chegou a ser o 2º maior porto do país em importância no período colonial.  Foi a cidade que mais contribuiu no pagamento do resgate do Governador durante a invasão do Rio de Janeiro por saqueadores piratas.  A cidade é conhecida como a VENEZA BRASILEIRA, pois esta ao nível do mar e as ruas são invadidas pela maré mais alta.  As Igrejas de Paraty foram construídas com pedras vindas de Portugal como lastros em navios e aqui eram deixadas para que na viagem de volta fossem carregados de ouro e outras especiarias brasileira.  Conhecida no mundo inteiro por sua qualidade, a "Pinga de Paraty” já foi bebida em versos e prosas, como exemplo Carmem Miranda que cantou: " Vestiu uma camisa listrada e saiu por ai em vez de tomar chá com torrada bebeu Paraty.”  O tataraneto de Dom Pedro II, Dom João Henrique de Orléans Bragança (também conhecido como Dom Joãozinho) tem uma casa localizada no litoral de Paraty. Em frente à sua casa há um brasão de bronze da família real.  Em Paraty, as ruas são projetadas para serem inundadas pela maré, limpando e tirando a sujeira da rua. Essa estratégia foi elaborada pela maçonaria da região.  Paraty significa cachaça e peixe. 18


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CRIADA POR... Ana Villaça -2 André Claudet -4 Cristian Buono -11 Fernanda Bueno -14 Fernanda Canton -37 Julia Alcazar -22 Marcela Godoy -36

Marcela Negrão -26 Mariana Marchetti -27

Matheu Inoue -30 20

Paraty para todos  
Paraty para todos  
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